Brazil pre-historico

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Brazil pre-historico Memorial encyclographico a proposito do 4o. centenario do seu descobrimento
Physical Description:
358, xxxxi, lv, ii p. : ; 24 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pennafort, Ulysses de, b. 1855
Publisher:
Studart
Place of Publication:
Fortaleza
Publication Date:

Subjects

Subjects / Keywords:
Human beings -- Origin   ( lcsh )
Indians of South America -- Brazil   ( lcsh )
Indians of South America -- Languages -- Brazil   ( lcsh )
Paleontology   ( lcsh )
Arqueologia/Pre-Historia (Brasil)   ( larpcal )
Genre:
bibliography   ( marcgt )
non-fiction   ( marcgt )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Bibliography:
Includes bibliographical references.
Statement of Responsibility:
Pelo conego Raymundo Ulysses de Pennafort.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 13516701
ocm13516701
Classification:
lcc - F2519 .P38 1900
System ID:
AA00011467:00001


This item is only available as the following downloads:


Full Text



BRAZIL PRE-flIORICO


Memorial Encyclographico

A PI:OPOSITO DO

4. CENTENARIO DO SEU DESCOBRIM NTO
PILO OONEGO


jaiutuntuo 1110S$$ dr imta~ort

Iatur-l da Cidade do Jardini no Araripe), Fundador e Reitor da
Arcadia Americana n'Am tzonia. Membro da Academia Cea-
rense, Socio Corresponden o de I'Union des Associations de
.La Presse ILero-Anmeriqualno, Membro Cooperador do La
Union Catholica del Pern. Mcmbro Cooporador Salosiano a. ;J
do Institute I). Bosco do Turi.i e Nichteroy, Socius et Con- .-
r iter Ordinis Praodicatorum ve. SS.osarii de Roma, Soclo
eorrespondente da Arcadia Romu:na, Membro da Academia
Polyglotta da Italia, de La Societ 1 Asiatique des Langues
Oriontales Vivantes do Paris, da M.na Littoraria do Par,
da Iracema Litteraria do CoarA o do Lstituto historic, geg '
graphiee e ethaographboo Paraonse, ot..





CEAnA

TYp< -.STVA.RT-Rua Fof0mos9;, 1.0 46.


1900







BRAZIL PRE-HISTORICO


Memorial Encyclographico

A PROPOSITO

DO .4' CENTENARIO DO SEU DESCOBRIMENTO
PELO CONEGO




Natural da Cidade do Jardim (no Araripo), Fundador e Reitor da
Cearense,, Socio Corrospondente do al'Union des Asso-
ciations do La Prosse Ibero-Ameriquaineo, Mombro Coopera-
dor de La Union Catholica del Peri>, Membro Cooperador
Salesiano do Instituto I. Bosco de Turin e Nichtoroy, Socius
ot Confrater Ordinis Praodicatorum vol SS. Rosarii de Roma,
Socio correspondonto da demia Polyglotta da Italian, do "La SocietW Asiatique des
Langues Orientales Vivantes do Paris,, da Mina atm
'o Para, etc., etc. -J,, m


S duardo f
Trov. Coftap.

FORTALEZA ev ha

TYP.-STUDART-Rua Formosa, n.0 46,
1900












Dedicatoria







EANTE.das grandes conquistas do pro-
gresso e da civilisaqAo, filhas do conjun-
cto de circumstances que promanam uma
das outras, nao ha bomens indispensa-
veis, disse um illustre publicista; porque
a verdade sobrenada aos homes como
is ondas a nau que as dominaomas ha certamente ho-
mens indispensaveis pelos dotes da intelligencia, pe!a
nobilitude das, idas, pela audacia da execu go, pela f6
nos commettimentos--sebretudo quando se appropinqua
o moment em que as circumstancias exigem a activi-
dade de am braqo de ferro ou o talent de uma indivi-
dualidade acima do vulgar.
Faltando homes taeS, as grandes emprezas, umas
vezes se retardariam, outras nem chegariam a realizar-se.
Entre os homes do ambiente politico em que vi-
vemos, um existe e tem-se tornado sociologicamente in-
dispensavel -6 o eminente e preclarissimo cidadio;
ANTONIO Jose DE LEMONS.















Parece facilima a vida social, pordm; & proporqfo
que a gente a conhece e vae comprehendendo as suas
responsabilidades, torna-se difficil, gravosa, e cada um
vale, por sua experiencia propria, sentindo o que ella im-
pee, querendo cumprir bem as suas obrigacges.
A sociedade foi, he, e sora sempre caprichosa, sem-
pre a mesma, e composta de bons e maus.
E sendo assim, o homem, principalmente o home
public, nao poderd jamais agradar a todos como -pensa
Malherbe; ou elle cumpre os seus deveres' e cahe eo ipso,
no desagrado dos malevolentes, ou nao 6s cumpre een-
tgo desagrada os bons.
Mas uma s6 cousa fica manifest como eterna licqfo
aos que sabem cumprir bem cor os sous deveres no
seio da sociedade.
Communas, congresses, partidos, influencias, corri-
Ihos, tudo more, e se afunda na onda agitada das
revolugoes e dos acontecimentos sociaes! 0 que sobre-
viverA A tudo isto?
Sobrevivem as id6as justas, grandes e generosas;
sobrevivem as creaSes d'aquelles, que, em despeito muita
vez da sua vontade, contribuem fortemente, brilhantemen-
te para os adeantos dos povos, e firmam por meio d'um
labutar insano e constant as feig6es caracteristicas, que
devem transmittir mais tarde a physionomia d'esta gera.
sro as paginas immorredouras da historic.















E' cedo aimda, e'a occasifo nDo he azada, para fa-
zermos complete justiga aos herculeos c inegualaveis ser-
vi.os que o emerito e benefico.patriota-ANTONIO Jose
DE LEMOS-tem prestadoA gloriosa terra de Baptista Cant-
pos, Siqueira Mendes, Julio Cesar e Paes de Carvalho.
Nada obstante, o conceito philosophico que soe
fazer-se da sublimeza do character de um home pu-
blico collocalo em face da sociedade, nos garante as-
severar, desarmado de preconceitos, 'que o conspicuo
chefe do actual Governo Executivo do Estado do Par -
6 um home de verdadeiro merecimento, e tern sabid
cumprir admiravelmente cor os seus deveres.
Eis o motivo unico pelo qual, n6s, como prova in-*
quivoca de gratiddo, como just e bem merecido preito,
ousamos OFFERECER, DEDICAR ECONSAGRAR 0 presen-
te Livro sobre o- Brazil Pre-historico--ao


Exm. Sr. Senador- ANTONIO de LEMOS-
0 MECENAS PARAENSE.




OearA, 8 de Maio de 1000.
@ &stcu4.








BRAZIL PIIE-HISTORICO


PRIMEIRA SECQGAO


Iuesfoes Fliminas.

Pontos do vista scientiflcos.-Dados positives sobre a Ethnologia,
Ethnographia e a Sciencia Glottica em geral.-Umn momentoso
problema authropologico.--A quom incumbe presentemente a
saluao ?-0 nosso dever para com a Patria glorifloada no
sen 1.0 centcnario,


All OCCIDENTE LUX!

A historic da sciencia ethnologica 6 um poema su-
blime e indefinido, cuja base estd na propria humanida-
de sempre em lucta corn os phenomenon telluricos.
A humanidade depois de haver caminhado bastante
e lentamente em busca sempre de novos horisontes geo-
gnosticos, a longqe et a later, lobrigou ainda con a vista
embaciada--um ponto luminoso, primitivamente fraco, e que
augmentando pouco a pouco,tornou-se fulgente com o sol,
cujos raios vao se espargindo profusamente por entrQ
todos o$ individuos da especie humana,





.-2-.


Ora este phoco resplandecente, este ponto cycloidal,
onde so concentra toda a synthese das grandiosas epo-
peas relatives as nossas epochas pre-historicas 6 a-Ethno-
genia, que, sendo admiravelmente collocada no apice da
pyramid social, tem hoje como seu pedestal, como centro
ethnic ou georama de todas as outras sciencias-a Ethno-
graphia.
A Ethnographia 6 uma sciencia nova, cenontologica,
por assim dizer, ndo pelos factors que expoe, mas pelo
interesse que desperta ao espirito human, fazendo-nos
observar as cousas e os. homes f6ra dos preconceitos e
dos moldes acanhados da raca.
Por seu intermedio se consegue assistir ao primeiro
pass titubeante que deu o home na senda do progress,
e a philosopher sobre as civilisaGBes autochtonas ou me-
ramente embryonarias, sobre os costumes, logares habita-
dos pelas gentes e nacqes nas differences phases ou epo-
chas da sua historic.
Fazendo abstracqao das formas political, a Ethnogra-
phia, como sciencia geographic, estuda especialmente a
natureza dos habitantes d'um paiz, sua conformagio phy-
sica, seus caracteres morphicos, exteriores ou particulares,
seu genero de vida, seu habitat, e notadamente sua ma-
neira de vestir-se e de nwtrir-se, etc., depois seus uzos e cos-
tumes, sua cultural intellectual e moral, sua lingua e sua
religilo.
E' pela Ethnographia, que se distinguem perfeitamen-
te, exactamente todas as raqas e suas families de povos,
suas relagoes e suas filiaSges; 6 ella, que ap6s as emi-
graq6es as mais longinquas, e as mais variadas e multiplas
fusses e mftissages, procura ainda determinar-lhes a ori-
gem ou o ultimo ponto de partida.
Certamente os costumes das racas civilisadas d'Asia
e da Europa sao tambem do dominio da Ethnographia;
mas sobre este terreno, a geographia, a historic, a legisla-
cao e a philologia comparadas precederam-na jd de ha
muito tempo.
Hoje as questSes pre-historicas avolumam-se e tomaw4
4ovo aspect,









Os estudos ethnographicos sobre as ragas selvagens
e semi-civilisadas d'Africa, (l'America columbiana e da
Oceania formal um complex especial, homogeneo, e a
um tempo limitado e variabilissimo.
No long climax d'estes estudos occupa logar salientis-
sinmo a Glossolo/ia on Sciencia linguistica, que juntamente
comn o adminiculo das sciencias bio-ontologicas, isto e, a
Ethnogenia e a Ethnographia, muito tern concorrido para
a evolucio da Sociologia modern.
Estamos begin convencidos dl que nr. haveri- n'este
doce albor (do seculo XX, problema mais sublime m-aits
mportante para se destrincar: -que o provare eviden-
iciar a coiniunhio social dos povos e dos individuos
atravez de todas as edades e tempos.
A quem incumbe pois a resolut~io d'este mysterioso
problema anthropologico, the tne', Wlorld is a great mys-
icry--senao a sciencia ethnographica e A glottica?
Se'ndo esta questao para n6s de transcendent alcance,
encarada mesmo sob o onto (de vista theologico, cumpre-
nos imprimir-lhe o cunho verdadeiramente scientific.
Nessa obra pia de vulgarisa.gao 6 ever nosso jamais
afastar-nos da trilha 'luminosa, que arrotearam nossos
mestres na sciencia, mormente quando os factos que vamos
desenrolar e al)resentar A contemp!acao dos nossos coevos,
mais e mais nos descortinam novos harnsontes e nos fazem
comprehmnder melhor os nossos deveres para com esta
patria querida, que presentemente glorificamos, commemo-
rando o 4. centenario da sua posterior descoberta, con-
quista e colonisaqco europ6a.





;S-"-"











O APITr TLO I







S UMMA RIO :- Conhecimen tos geographicos dos anti-
gos. Sens grades erros, suas conjecturas
e presentimentos. -Chave do grande probk-
ma das nossas origens.-A civilisap o an-
tiga prorada pela Archeologia.- Berpo da
nossa ci'ilisacdo.--A Atlantida de Platon,
sua revelapdo, hisloria de seu cataclysmo. -
Os Egypcios, Gregos e Phenicios, factors
ineluctareis da a1ntia 6ivilisavdo, seus hiero-
glyphos e monumentos.-Retrogradafo dos
povos.--Exemplos de decadencia social.- Os
Carthaginexes.-- Corollaiios e conclus6es em
nosso prol.

Sabemos que os coahecimentos geographicos e-soien-
tificos dos antigos, attento o estado de quasi infancia en
que se achava a arte da navegagao, bem long estao de
ser equiparados aos estudos scientificos modernos, como
os de Paul Maury, Levasseur, M. Glasson, Zaborouski, e
aos grandes e profundos trabalhos encyclographicos do il-
lustre auctor de La Terre, Mr. Elisae Recius.





-6-


E de feito, Ptolomeu immobilisava a terra no centro
do universe. Hipparcho apregoava o system funesto das
bacias cerradas dos mares, da contiguidade d'Africa e das
regi6es na embocadura do Ganges; opini0es essas que
mais ou menos influiram no cerebro de Marco Polo, Man-
deville, Toscanelli e Christofcro Colcmbo, que paitilhou do
erro cosmographico de Togcarelli,quie E(nmiltia a IdCa ((cI-
mum da proximidade das costas d'Asia com. as costas oc-
cidentaes d'Africa. 0 proprio Alexandre Magno, que havia
feito amplos estudos geographicos, confundia, segundo o
testemunho de Strabon, as aguas do Hydaspe cor as nas-
centes do Nilo, e n'este pensar apparelhava uma frota para
subir ao Egypto pelo primeiro curso d'estas aguas. Ptolo-
meu collocava o grande bravo do Ganges a 760.0 em vez
de 1050.* do meridiano das Ilhas Canarias. Polybio sus-
tentava fortemente cor Eratosthenes que sob o Equador
a massa terrestre era mais engrossada do que nas outras
parties, e opinava que a zona torrida. era susceptivel de
habitacio; ao envez Strabon, Parmenides, Cicero, Plinio,
Seneca consideravam esta zona como a s6de d'um calor
insupportavel; erros que s6 cederam o pass deante a
abertura ao commercio de algumas parties da India si-
tuadas entire os tropicos, e depois do conhecimento ou
descoberta da Lingua primitive (1) ainda viva, e dos
limits do Pardddpas terreal e das viagens triennaes das
frotas d'Hiram e de aalomon aos paizes d'Ophir, Tars-
chisch, Parliaim, Haiti e Cipango.
Ao lado, por6m, d'estes erros scientificos e popula-
res sobre a forma da terra, a relaCao de suas parties
entire si, sua configuraCao, seu cliria, seus habitantes,
quantas verdades, quantos presentimentos destinados a
derramar torrentes de luzes sobre o intricado e obscure
problema das nossiLs origens!.. Quem sabe si esse con-
juncto de conhecimentos antigos onde ha indicios neces-
rios da revelaqao nao venha ser chave de explicagao do gran-


(1) E' a Lingua Tupy, oriunda do hebreu e atfin do. sanskrito
a do grego, coiho provaremos.





--7-


de enigma pre-historico que vamos decifrar pela sciencia
glottica? Os archeologos e ethnographos em numerosis-
simos trabalhos ji nos indicaram corn maxima clareza e
exac io os monumentos dos tempos os mais remotos; os
quaes d'uma maneira admiravel constatam a existencia
d'uma antiquissima civilisaqno americana, que veio a ex-
tinguir-se mil annos depois. Esta civilisa.Aio teve seu
berro na propria America, entire os po'os cuja raaa 6
caracterisada pela pelle fulvo-escura, bronzeada e im-
berbe de seus homes. Esta raga, que parece de tinada
a desapparecer, existe ainda hoje, mas em parte disse-
minada e em completeo estado de barbaria, devido quick~
aos fructos das novas eiqilisapces que Ihe tern succedido,
e vlo conquistando-a altruisticamente, philantropicameate,
por meio da fome, do veneno, da peste e do canhao! (1)
A esta mesma familiar de homes imberbes e de



(1) Este phenomenon assAs digno de nota. 0 distincto anthro-
pologista lusitano, Dr. Olivoira Martins, observou quo nao sto as
luctas, A mao armada, a primordial causa da extincao dos nossos
aborigines. encido nas guorras, dizimado pe;a escravidao, expulso
e ropellido dos sous territories, o indio soffre ainda por outra for-
ma, menos depondonte da.vontade dos sons concorrentes, as con-
sequencias da lei natural qu condemn 'ao desapparecimefito, nao
s6 as espocies humans infcriores, ewqio todas as outras species
animaes, peranto ur inimigo mais forte -e susceptivol do aclima-
tacao local. KEssa causa mysteriosa, para muitos, 6 a epidemia.
Os enropeus, diz esse sabio pensador, levam comsigo a destruigao,
e por toda a part onde vao al6m da polvora cor quo ma-
tam voluntariamente (isto 6, civilisadamente) al6m do alcohol cor
que sem ponsamento reservado, s6 por ganho, envenenam os indi-
genas, deixam rasto de mortifera influencia. As molestias, para
n6s as mais innocentes,oomo o sarampo, (mixuarana) produziram de-
vastacSes horriveis. As bexigas (catapora) mataram mais de.....
30:000! i tupinambhes no Rio e em S. Paulo no seculo XVI; do
onze estabelecimentos Josuitas,seis desappareceramdeziamadospela
variola,esta por sua vez destruiu no flm do seculo passado as tribus
do Port-Jakson (Sydney)')" Eximios naturalistas conio Humboldt a
Darwin affirmam que ao contact do europeu corn os indios so
desenvolvem sempre grandes opidemias o doengas cutaneas e bubo-
nicas, oomno as quo so tern dosenvolvido. aqui no Brazil, no Pana-
mA. Pert e Chile.





. -8-


pelle vermelha pertenciam tambem os antigos Egypcios,
pelo menos assim nol-os apresentam suas pinturas, es-
culpturas, gravuras, e picthogrtphias. Remy and Brenkley,
em o sou illustrado-A Journey to great Salt Lake de-
monstramn que as rochas que cingem o grande Lago junto
d'Utah,actual capital norte-americana dos Mormons, estao
cobertas de esculpturas em tudo semelhantes as do Egy-
pto. Hoje admittimos, cor os Srs. Brasseur de Bourbourg,
Alcyde d'Orbigny, Hamard e o insigne indianologo Don
Henrique de Thoron-que os proprios egypcios foram,
egualmente como os nosons homines americanos, umia
colonia provinda da Atlantida.
0 testemunho irrefragavel dos seculos ter verificado
de vez a veracidade d'este phenomenon geognostico expli-
cado por copiosas narracies de innumeros escriptores
gregos. que expozeram as tradicies da Historia do Egy-
pto at6 a epocha do cataclysmo da phantasiosa e hoje
ratificada Atlantida.
Ao lado, pois das evidentes provas geodesicas, ap-
proxima6(es e rebuscas pre-historicas trazidas a lume
pelas pesquizas e dados inconcussos da grande scicncia
paleontologica, convem collocar em primeiro logar o di-
'ino Platon,que no seu DIALOGO DE CRITIAS descrove
maravilhosamente os factors que Ihe foram relatados pelo
sabio legislador d'Atli nas, o eponymo Solon, o qual por
sua vez os ouvira da bocca dos sacerdotes egypcios que
o educaram e instruiram, iniciarain e o admittiranm nos
grandes mysterious de Eleusis.
Estes ultimos Ihe contaram a invasao da Lybia e do
Egypto pelos povos vindos da Allaunidn e lhe fizeram
a descripgao de sua avanwada civilisam.ao, do seo podor
maritime, de seus monumentos e canaes.
Concordemente a opiniao de tio sabios preceptores
epotpticos Solon indicou a Platon a posigao e a extensao
dessa terra, e o proprio cataclysmo em que se submer-
gira: Ihe assignalon ap6s a Atlan/ida, as Ilhas que nds
denongmam os asAnlilhas, e alem d'estas desigpu a grau-








de ilha das Na'6es (1), a grande Terra Firmns quesdo as
nossas antigas terras separadas-Ainerogh'ia ou Amne-
rica propriamente dita; alfim, Platon nos ensina que atraz
d'esta terra fire estd n grande mar. (2)
Ora si os antigos, como se tern demonstrado, tinham co-
nhecimento da existencia da America e do Grande Ocea-
no, 4 fortiori deviam conhecer a Atlantida, que era real-
mente a terra mais proxima de seu continent; e portanto
o que nos disseram relativamente a este primeiro ar-
tigo 6 de todo ponto exacto; accresce ainda a circumstancia
de que o nome d'Atlantico pelo qnal 6 eonhecido hoje
o mar que banha as costas da Europa e d'Africa data
d'estes tempos immemdriaes.
A consequencia logica que se pode tirar d'estas in-
dicacbes e da identidade da raqa vermelha do antigo e
do novo mundo, e que os povos d'America tinham seus
estabelecimentos ou suas transacgdes at6 na Atlan!ida,
e que as populagoes atlanto-americanas foram as
que fundaram e povoiram o Egypto (3), e torna-
ram-so os grande vehiculos d'esta improvisada e as-
sombrosa civilisaiao sob o imperio de Manes, e em torno
da qual surgem coma par encanto ui culto religioso
c3m susa ceremonias, legisladores, sacerdotes, epaptas,
archontes, administralores, sabios, e engenheirJs que
abarrotaram o Egypto de cidadw, villas, canaes e mil
outros monumentos colossaes.


(1) No grande livro do Gdnesis de Moys6s, Cap, X,5, se faz a
mongao das Ilhas das Nag6es. Estas palavras biblical correspondem
perfeitamente aos Duipas dos Indios, ao Deltas dos Gregos, ao Te-
sahot de Sesostris. i
(2) A expressao de Grande Mtr (ou Rio Mar) 6 tomada aqu
em opposigfo ao Atlantico, que os antigos conheciam como menos
extenso.
(3) Sim,o--ELqyptus,o Misraim dos phenicios; o Mars dosAra-
bes; o Chemi oa Akmin dos Coptas; o El-Cobit dos Tureos, o Ba-
hari on Delta dos antigos gregos, a Tzahet on Cabirds dos Indios
e o Baharitd ou Cufula dos americo-berezaitlenos I A grande, a po-
lytam das artes, das sciencias, dos sagrados'hioroxlyphos. das for-
midaveis pyramides,dos gigantesoos obelisoos,que ainda hoje ex itnrq
a admiracao do nosso mundo civilisado!





-10--


Suas pyramids e o character de sua architectural
que tambein se encontra na America vetn robustecer
as nossas conviccoes egyptologicas-oua-kabi-opioc-Atlanto.
Existem apenas algumas differengasnos hierogly-
phos (1); mas esti provado que elles somente variam se-
gundo as epochas, os dialectos, a march da civilisa;ao
ou suas tendencies, e a necessidade de representar a
lingua de cada umn destes paizes por images que lhes
sejam proprias, pois estas regiOcs deviam possair ani-
maes o vegetaes differences, os quakes nao podian dei-
xar de figurar nos sous signals hi6roglyphicos, ofiin
de que fossem mais tarde comprehendidos pelas res-
pectivas popula-'es regionaes. Nada obstante,'ha n'es-
ses hi6roglyphos caratteres queo slo cominuns ao Egy-
pto o d America.
Todavia os monumentos do araxd do Anachuac e
do soberbo paiz do Tenochtitlan, Mexitli on Mexico, e da
America Central sio tie uma grande perfeiqio, e sua
belleza demonstra um tal grau d'avanqo e cultural nas
artes, que s6 nos 6 dado encontrar parallelos e fac-similes
nos monumentos da Atlantida descriptos por Platon. Os
curiosissimos acervos' de pedras eseulpidas recentemente
descobertas no Arizona, atravez da. vastos plados semea-
dos de giganteos cereus, sao ainda os marcos luminosos
d'esta' grande Ntape de progress e civilisacao, de que sao
testemunhos contests essas numerosas ruinas, que os

(1) Hieroglypho -(do grogo hieros, sagrado, e glypho, esculpir)
ospecie do esoriptura mui uzada polos egypcios a muito abundant
nos sous monuments; reprosentam as vezes signaes phoneticos.
Quando os grogos assonhoroaram-so do Egypto porden-so quasi por
2 mil annos a sua signiflcagao; om nossos dias, o francez Cham-
pollion parece ter doscoberto a have de decifrar este modo de es-
crever enigmatico, sogredo hoje patent pelo illustre hellenista o
hebraizante Viscondo de Thoron, que nao sb tern lido o docifrado.os
actuaes, como descoberto innumeros d'ostes hioroglyphos na Ame-
rica, conmo os quo existom no valle de Arizona (Estados Uriidos),
ondo so toni encontrado umna congerie de pedras ou itacuraras recor-
tadas, rendilhadas do gravaras, identicas 8s tiguras grAvadas ou os-
culpidas que so observam nos hierogrammas, de quoe s omlpunha a
esoriptlu' dos padres egyptano..





-11 -


antigos Mexitlanos deixaram no Colorado como outros
tantos mysteriosos vestigios das obras cyclopeas dos
homes d'esses mupdos desapparecidos, d'essa gloriosa
e sonhada Atlantida platonica.
A submnersfo d'esta terra e m1 egual cataclysmo so-
brevindo nas Costas d'America completamente cortaram as
relag6os que existiam entire os Egypcios e os Americanos;
estes, tendo permaneido no isolinento, marcharain para
sua docd(loncia, emnquanto que o Egypto, no contact corn
os Plenicios e muitos outros povos. progredia na civili-
saQfio, nas artes e nas sciencias. Isto 6 un fact que nio
padece durida. A historic nos offcroce umn grand ilumero
de dec:adencias sociaes; ao pas.;o qea nto nos apresenta
umi s6 exemplo do uma raga que so tenha civilisado por si
mesma, -e selm o concurs de outremn, allerinds'jun. Basta
lanQar a vista sobre o Egypto, para ficarmos convictos de
que qualquer civilisa(;io susceptivol de desapparecer mesmo
que haja attingido no selu maior apogeu! Ahi esti a his-
toria em peso da antiguidade para attestar o que levamos
dito. Quem ousara contestar-ios ?
Quanto as outras regimes iinda mais barbaras, sobre
cujo passado n5o posslnimios document escriptt, ellas
offerecein por vezes nos sons nionumentos tra(os bem fri-
zantes d'um antigo estad) social, superior ao que ali se
ter observa(o ultcriorinme:it na Alnerica equatorial.
As terras d'Oceania estio repletas de soberbos edi-
ficios em ruinas que os s hiblita:utei srian incapazes
de erigir s6 corn os grosseiros ute.lsilios que possuem actual-
mente. Os primeiros navegadores, que visitaram o archi-
pelago das' Ilhas Marquezas, o das Sandwich, a ilha .de
Paschoa e a de.Tahiti, ficarami pasmos do contrast que
apresentavam coin a rudinentar industrial dos indigenas
certos monuments notaveis por suas proporQ6es descom-
munaes on pelo acabido do trabalho. (James Southall,
The recent origin of inan, p. ,199.)
Em geral a linguagem a.ssaz complex das populaq6es
selvagens, algumas de suas instituicaes, que dir-se-hia
emprestadas as naures civilisadas de nossos tempos, pro-
cessos iudustriaes que nao inais se relacioaani corn o se$





-12-


estado social, exempligratice-o uzo e a fabricacao doferro,
metal tao conhecido e espalhado entire os negros africa-
canos, tudo indica que a m6r parte das tribus hoje en-
golphadas na mais hedionda selvageria, jazendo em per-
feito estado de immobilismo, gozaram outr'ora d'uma civi-
lisacAo relative, que possuiam em commum coin outros
agrupamentos humans.
Sabemos, alids, quantos monumentos grandiosos, tcr-
tres tumulares, dolmens, montds, idolos, sepulturas, cai-
Caras e fortifica'Ses diversas os primeiros exploradores es-
panh6es que penetraram na A merica, nio encontraram aqui,
all, acoli, em toda a part emfiin do Novo Mundo! Tudo
isto nao podia absoluta'nunte ser erigido por uma ra'a
misera e mesquinha que elles destruirain em pouco tempo.
Evidentemente era a obra de sociedades melhor organi-
sadas e mais policiadas,o que prova ji haviam chegado ao
seu period de decadencia. O eximio e sabio ainericanista
padre Brasseur de Bourbourg em quatro grossos volumes
descreve sublimeiente o grio de civilisaiao que aitingi-
ram o Mexico e toda a America Central durante o osta-
dio o mais obscuro da edade media.
As recentes exploraoes que ter feito n'estas regimes
um illustre transformista inglez. Sr. Richard Wallace,
suas interessantes e sabias observa,;es, cada vez mais
vao confirmando os factors que expomos e, aclarando o
object dos presents artigos que escrevemos. Aqui e
all superabundam as ruinas, cobertas, matizadas de ins-
cripg6es e de esculpturas, e, o que mais be, ellas comeam
a revelar supernamente, tlieosophicamente os seus infindos
e profundissimos arcanos!..
Um illustrado viajor francez, Mr. Chanay, que.pordi-
versas vezes, explorou a parte mais remota do Mexico desde
1854, nos mostrou nos Toltecas um povo.sabio, litterato,
constructor e edificador notavel. porque empregava os
materials os mais diversos nos seus nobres edificios.
.{^ D'esta cultural intellectual, d'esta industrial prospera
e assombrosa, o que restava no tempo da conquista his-
panica ?
Sorente as suas preciosas reliquias, Exemplos muit9





-13-


mais pasnosos de decadencia social apresenta-nos o'ce-
lebre Prichard em algumas tribus africanas,[que,'rouba-
das pelos visinhos e obrigadas a fugir para o desert,
passaram da vida Iasloril ao puro estado de selvage-
ria.
Em presenia defactos d'esta ralureza, o que pensar
da pretensa imrcssibilidade (m que se acharia um povo
de perder as conquistas da civilisa(ao uma vez n'ella
empossada? Responda-nos victoriosamente a Sr. Lu-
bock corn os seus cannibalissimos Tahicianos e cynthiacos
Bachopins!!!
O que 6 certo, ao envez, n6s o repetimos, e Mr. Renan
o confilma na'u a admiravel Hli.-ri'a ('rs Linguas Se-
miticas (pg. 45.;), 6 que jamais ;.c \iu tm pOvo sahir
ycr si memo do estado selvagcm, e passar evidentemen-
te da barbaria ccmpleta para uma real civilisaio. E mais
ainda, nlo somente o genuine selvagem 6 incapaz de
piogredir oor esforics proprios, mas tambem elle nao
pode soffrer, scm lerigo rara sua existencia, o contact
d'um estado social superior. A civilisacao, moimente se
ella 6 vasada nos moldesp L..talinos, o mata, como hemos
de provar c(m a (cjia(Eo de cutros artigos que pre-
tendemos dar a estaina na Historia Sociologica das duas
Americas. O home s6 progride quando chega a certo grio
de elevaflo mental; ainda assim para conseguil-o espiri-
tual e materiahnente 6 mystery osacesso ou a miscibili-
dade d'um povo mais theosophicamente adeantado em ci-
vilisagao einstrucqfo. elegancia e veracidade o pranteado e famoso publicista
Mr. de Broglie, est un. flambeau qui ne s'allu me qu'au
contact d'un foyer prcexistant. (Origine de l'hom-
me-18 79.)
Voltando, pois, ao nosso primeiro artigo sobre a
submersdo da Atlantida, 6 crivel que os nossos advenientes
Phenicios, uma vez senhores dos mares, nio quizeram
aventurar-se a travessia d'um Oceano que havia devora-
do a Atlantida e que at6 entdo era considerado innave-
gavel! Todavia resa uma pia tradiiAo que elles navega-
ram seguindo a direccio do littoral das Gallias para se







transportar A Irlanda, aonde tinham uma colonia; d'ahi
passaram a America e fundaram uma nova civilisagco,
levantaram soberbos monuments, cujas ruinas vao-se
descobrindo paulatiramente, taes como as suas torres co-
nicas que existent na Irlanda e tambem no continent
americano. Ha tambem aqui e alli tracos inextinctos dos
Mongols, dos Celtas, dos Judeus, dos Pnnicos, que im-
plantavam tanbem um mixto de seus typos, costumes 6
religi6es.
Os Carthaginezes, herdeiros da supremacia mariti-
ma, bloquearam o Mediterraneo para impedir, sob pena
de more, a ida a qucm quer que se atrevesse passar a
sua colonial d'Amerira que ,mncavaa cbumbrar a Me-
tropole Punica. E' de todo ponto digno def um decreto
do tenebroso senado de Cartiago acerca d'este artigo.
Ao partir d'esta epocha de dccnda Pluicia foi-se obli-
terando a existencia e a menma esteira que as esguias
falias indoaryanas deixavam ao singrar as aguas do con-
tinente transantlantico, at6 no dia em que navegadores
partidos da Islandia (1) e da Scandinavia desembarca-
ram ao norte d'America centenasd'annos... antes muito
do almirante e nautd genovez Christophoro Colombo;
facto admittido hoje como historicamente incontroverso;
cabendo por~m a este ultimo navegador a inauferivel
gloria de ter sido o primeiro europeu que nos diernos
tempos conseguiu reafar o neptunio fio d'America e re-
comecar atravez do Oceano a derrota dos povos da an-
tiguidade.
A historic dos povos antigos d'America estA sob as
ruinas das suas cidades e nos monumentos, como a
dos Assyrios e dos Egypcios esta nos seus mounds, tu-
muli, obeliscos, pyramides, mumias e hieroglyphos. Aos
egyptologos, archeologos e americanistas incumbe elucidar

(1) E' eyta a grande ilha I~land, que quer dizer terra do gelo,
sita no ocoano glacial Arctico, a 270 kils. da Groelandia (a terra
verde) a famosa e ultima Thule de Pythoar, do Priscien, de Moy-
sds deiKhoien, a Tyle do S6neca, Plinio e Jordanes, onde esteve
tambem o immortal Christofuro Colombo.








-15-


estas importantes quest6es pre-historicas que tao legiti-
mos interesses nos despertam. Agora que o mundo scien-
tifico nos contempla, cumpre levar as nossas investiga-
6es at6 o Centro-Americo, a Bolivia, ao Perfi,Equador,
Colombia e Venezuela e a varias outras localidades,por
que hoje quer ascenda-se is alturas vertiginosas dos An-
des, quer se desCa ao centro das emmaranhadas flores-
tas equatolianas depara-se cor os monumentos dos ha-
bitantes destes continents separados pelo Oceano, se-
parados por desertos apparentemente inultrapassaveis, e
que jd uzufructuaram uma civilisaiAo identica a do ve-
Iho continent.
N6s, merc6 de Deus, temos feito alguns estudos es-
peciaes sobre a origem a civilisagio dos antigos ameri-
canos e sobre as suas relatqes com os povos ultra-
marinos, trabalho que pretendemos editar depois da
publicaio d'este Memorial sobre o nosso Brazil Pre-
historico.
0 present estudo, esperamos, muita luz derramari
sobre essa important questAo transformando ao alvorecer
do seculo XX muitas conjecturas e muitos sonhos em
muitas realidades.












CAEIWT-TULO II




PALEONTOLOQIA

S UM MfARO : -- Revelages da science a pre-historica.-
Harmonias do ensino monogenico.-Classi-
fica(6es. As noras descobertas paleonto-
logicas d'America do Sul.--O grande con-
tinente anitarctico.-- mar glacial e o perio-
do glacial na America do Sul.-As origens
da fbrma,'nto pampeana. Os recenles e im-
portantes achados paleoitologicos comiprovami
a excitencia e a desapparipcdo da traditional
Atlanlida. -Rafa pririlegiada cllocada jun-
to aos limites do paraixo terreal.-Conclu-
syes geraes e elicidaticas da material em
questao.


Sao assAs conhecidas as ensinagoes da anthropolo-
gia positive sobre as origens da humanidade.
A unidade da especie humana, nao obstante a con-
tradicta d'alguns sabios materialistas, 6 uma das primei-
ras verdades que adquirimos pela revelagao.
Os agrupamentos humans, por mais variades quo
sejami, nro sOp npais do que raCas d'uma s6 e ppesIng





-18-


esppcie, e.nao de species distinctas; pelo menos assim
pensam e affirmam sabios como Linneo, Buffon, Lamark,
Cuvier, Geoftroy, Flourens, Humboldt, Muller, Agassiz e
mil outros. Em conclusao, diz Mr. de Quatrefages, todos
os homes sdo a mesma especie, ou por outra s6 existe
uma especie de homes, il n'existe q'une seule espece
d'hommes.
Uma outra certeza adquirida. a different essencial
que separa o home do animal.
N6s jA demonstramos esta verdade fundamental em
nossos recentes escriptos cenontologicos (1.ae 2.a part) (1)
nos quaes apresentamos factos e phenomenon rigorosa-
mente determinados, sem jamais afastarmo-nos do metho-
do scientific.
Um intermediario entire os dous reinos nunca exis-
tin, nem poude existir; e nao pode mesmo ser concehido,
porque a razao, faculdade caracteristica, indivisivel, esse
et non esse, non datz medium.
Logo, desde o seu ponto de partida, a especie hu-
mana, reconhecida uma pela sciencia, era tudo o que ella
devia e podia ser em si e por sua natureza propria.
Houve, portanto, um primeiro home, um primeiro par
essencialmente distinct dos demais series irracionaes.
Em summa: as conclusbes da verdadeira sciencia se
accordam corn os ensilfos theosophicos. no tocante a exis-
tencia d'um primeiro homemr verdadeiramente home.
E, desde que so trata de determinar as condicges em
que este primeiro par human appareceu, a sciencia im-
mudece. Logo sobre este ponto particular e capital, nao
ha, e nem pode haver conflict.


Passemos agora a desenvolver o segundo capitulo
da primeira secqio do problema. pre-historico -- depois
do primeiro home, os primeiros homes. Eis uma im-


(1) A la parte do nosso tifabalho sobre a (enontologia sahiu es-
tampada na Revista da Acadomia Cearesse de 1899, pode vamos pu-
blihar sequencia ou 2.a part.





-19-


portante distincco; nao samente ella contem a grave
solugAo do enigma das nossas origens, mas tambem per-
initte estabelecer reaes e perfeitas harronias entire as
narragAes biblicas e osfactos scientificamente constatados.
Si de feito n6s consideramos nao ja aquelle primeiro
home tal qual sahiu das maos do supremo Creador,
por6m, os primeiros homes, a humanidade depois de sua
queda, a humanidade primitive multiplicando-se e derra-
mando-se sobre a superficie inteira do 'globo terrestre,
uma sciencia completamente nova sa nos offarece, exhi-
bindo sobre a historic primitive do genero human re-
velacSes inmportantissimas e de summa gravidade.
Ser6, pois, corn o adminiculo das suas descobertas,
corn o. enunciado das suas conclusbes, que hemos de co-
nhecer e esclarecer o at6 hoje insoluvel problema das
origens do nosso Brazil Pre-historico.
Seja ou nao a archeologia pre-historica, a paleoeth-
nologia ou o pre-historique, na phrase concisa -le Mr.
de Mortillet, urna sciencia, no sentido rigoroso da pala-
vra, o certo 6, que os thesouros los seus documents se
accumulam, os materials sao immnensos; as suas grande
linhas estio- tracejadas, as suas baze quasi assentes,
apesar das theories aventurosas, dos systems preconce-
bidos, das affirma-6es polygenicas,que se lbe ajuntam em
derredor. 0
A sciencia pre-historica' 6 vastissima; ella abrange
em seu inaravilhoso complex a anthropologia, a geologia.
a neontologia e a paleontologia, a linguistica, o estudo
dos mineraes e o dos series organisados vivos e fosseis.
A pre-historia 6, na brilhante phrase de Mr. Douill6 de
Saint-Projet-uma especie de ( carrefour ot se eroi-
seraient ?n grand nombre de routes, et oi se rencontre-
raient des voyaqeurs qui, parties des points les plus di-
vers, se communiqueraient lezrs decouvertes.,
Esta image graciosa e just faz-nos lembrar a mar-.
cha rapid d'aquelles tres celebres conquistadores, que ha-
vendo partido cada urn por sua vez dos sitios os mais
remotos chegaram a se encontrar no mesmo logar sobre
a plaino de Cundinamarca onde de novo gs ajustaran





-20-


para seguir em busca do paiz imaginario d'El-Dorado en
Manea; facto este. que constitute, disse Humboldt, um dos
successes os mais dramaticos da historic da conquista da
terra de Mani,-< un des dvenements les plus dramati-
ques de l'histoire de la conquite-Mani-corae. ~ (1)
Essa soberba hypallage estd nos indicando quanto 6
magnifico o papel que desempenha actualmente essa nova
sciencia, sua grande popularidade, como tambem suas
reaes difficuldades! A mais grave, sem duvida, procede
de seu character encyclographico; ella expoe, ella exige
mesmo os conhecimentos e ai aptidoes as mais diversas,
senao as mais oppostas. A Archeologia precisa consultar ao
naturalista, que, por sua vez, v6-se obrigado como que a
desdobrar-se, a multiplicar-se, para colligir os testemunhos
da geologia, da paleontologia, da anthropologia, a quem
talvez compete o definitive ver-dictum.
Os primeiros resultados methodicos, verdadeiramente
uteis, que enchergamos n'este tohd-boud de factors. de
ideas e de hypotheses. incessantes e febrilmnente agitadas,
tern promanarlo dos ensaios de classificaQSes; classifica-
Goes provisorias, sem duvida, como toda sciencia nascente,
mas commodas e fecundas quando repotisam em bases
solidas; classificagbes multiplas como os seas proprios
objects. Eis aqui as Urincipaes dellas:--
-Classificacao geologic fundada sobre a natureza
dos terrenos: tempos on terrenos terciarios (plioceneo,
mioceneo, eoceneo), quarternarios ou post-terciarios {neo-
plioceneo e post-plioceneo), recentes on pre-plioceneos.
-ClassificaQio archeologica, de conformidade corn
os typos industries, a material, a forma, a perfeicgo re-
lativa dos instrumentos, das armas, dos atavios. Ha com-
mummente tres edades: da pedra ((ita ui), do bronze
(itanema), do ferro (itardte).
A edade da pedra, a mais important no ponto de
vista de nossos estudos pre-historicoi e cenontologicos


(1) Mani cora, Mani-core, palavra tupica, originaria do grego, 9
quo signifies terra (cora) de Mane (Deus indiao),







e subdividida em tres periods: --Lolilhico ou da pedra
lascada, paldolilhico ou da pedra talhada, ndolithwo ou
da pedra polida. O periodo paldolithico foi de novo sub-
dividido em quatro epochas designadas pelos nomes de
cerlas estaices pre-historicas, onde os diverses typos
parecem dominar: Epocha ChIlleenne, de Chelles (Seine-
et-Marne): E. Mouisterienne, do Moustier, (Dordogne);
a cujas epochas temos que accrescentar a E. Brasiliena
ou d'ara (1) Braxilena (Brazil).
-Classifica(oo zoologica, segundo as species animaes,
successivamente desapparecidas ou emigradas, que domi-
navam nas differences epochas pre-bistoricas:- Epochas
do Elephante antigo,do Mainimouth, do grande Urso das
Cavernas, do Renno, do Bro::totheliumi e do Hyraco-
don nort'americano, etc.
No seio d'este mohetirmn (2) de factos e ideas onde
se ter evoluido as sciencias modernas, a sua congenere
--a paleoethnoligia conseguiu alfim debuxar algumas
syntheses pre-historicas locaes: Syntheses pre-histori-
cas da Gallia, das principles regi6es da Europa, de certas
parties da America. Ella ja recolhen innumeros documen-
tos sobre quasi todos os paizes do mundo. Soube abor-
dar, dynamisar os difficeis problems da forma~Ia das
immigra<:6es. dos synchronismos e das alternancas das
civilisacoes antigas, como as que se manifestaram sobre
o enormissimo aoervo de escombvos, accumulados pelo
tempo e pelas gera.6es successivas na encosta d'Hissar-
lik, (3) pladus ubi Troja fuit!


(1) A palavra tupy ara (dia) ar'eti (epocha) 6 oriunda das pa-
lavras gregas--e mdera (jour) cairai, cairon, eron, era, ara, epocha,
period.
(2) Mohetitum, palavra tupica, provinda direectamente do he-
breu e do sanskrito.
(3) E' esta a antiga Troia, da Phrygia, a cidado homerica,
na opiniao de Mr. Schliemann, e ouja legend attribue a Hercules
a conquista o a destruiqao'Esta Troia primitive era a dos Dardanios.
Gragas a Homero n6s jA conheciamos Dardano, o fundador da







WQADRO SYNOPMTCO-ia edae de pedra
ITA RARA
b.-


TEMPOS
ou
FE RRENOS


PEIJIODOS


EI'OCHAS


tIi. _______-- -- -- ______________

ROBENHAUSIANO
2' Neolithico ou da po-
Sa d (de Robenhauso, Suissa,
( dra pulida
r 1.ar locustre, dolmens,
GENOITARA
GENITAA (Itagi) Silex americanus



MAGDALENIANO

S Paleolithico o da das cavernas partt)

Spedra talhada do Renno (quasi todo)


-t SALUTRENO.
4 PALEOITARA
Sdo Renno, do Mamnouth
C parole )


CHELLENO
I do Mammouth partt)
Itanima-ItAourara do Elephante antigo

S-Itacuatiara- MOUSTERIANO
Sdo grande urso das
I cavernas

EOLITHICO THENAISIANO

ou da pedra lascada de Thenay, Loir-et-
Cher.
-ItAtuba- Beze'aitleno(do Brazil)





-23--


Verdade 6, que ainda estamos long d'uma synthese
pre-historica geral; por6m, hemos de chegar at6 1~ corn
o valiosissimo concurso da glossologia americana-brazi-
leira, a chave de todos os enigmas pre-historicos, cuja
decifraiao devemos hoje aos estudos do historiographo e
indianologo europeu DoN HENRIQUE DE THORON, que
acaba de confirmar os achados da paleoethnologia e des-
vendar as origens das migragbes orientaes, desde as
edades pre-historicas at6 a edade medieva, por meio da
Linguistica Brazilena e Kichua
Uma certeza scientific, parece. portanto, ir se des-
prendendo d'estas vastas e fecundissimas investigag6es
paleontologicas; d'hi a forqa dynamics ) que ella nos da
para constatar a existencia de uma grande lei, a lei uni-
versal do desenvolvimento progressive da industria,dacivi-
lisa 'o humana, desde o vil instrument de pedra at6 os
metaes, at6 os tempos onde deve principiar a historic pro-
priamente dita, desde os relrocessus das tribus hyper-
boreas ao seu estado anterior atW aos nossos dias.
A Biblia, ha bem de seculos, que tambem proclama
uma synthese pre-historica em evident harmonica corn a
synthese da sciencia. O piano que ella exhibe e contem


dynastia, que outros 5 reis, Erichtonios, Tros, Heus Laomedon e
Priamo, separam do Hoitor e da guori troiana. A' Egyptologia
devemos o conhecimento do seculo em quo viveram estes reis.
No 4.' anno do reinado do Rans6s II, o Sesostris dos Gregos, o
qual subiu ao throno em 1407 antes da era Christan, os Khdtas
ou Hittitas, tribu cananda que habitava o norte da Syria actual,
organisaram uma confederaafo contra o pharao egypciano, en'es-
ta confederapao vomos figurar os Mysianos, os Lycios e os Dar-
danios. Esses grandes decombres Hissarlikenos, de que nos falla
Suhliemann, os reinos das cidades de Priamo,a classic Troada,onde
colebrisou-so o here da Illiada o da Odyssea, combatida pelos
egypcios e pelos phenicios e incerdiada pelos Hellenos; aquellas
importantes construc 6es, e principles monumentos descriptos por
Homero, as muralhas que a lenda nos diz term sido edificadas por
Apollo, a torre d'Illion, o palacio de Priamo e as portas Scies, tudo
nos leva a crer quo estes povos tinham as mesmas origens, quo os
nossos indios americanos, e attingiram a mesma epocha de civilisa
9ao e decadenoia.







bho pode ser mais claro e positive: Desapparececimeto
do primeiro homlem, e sua queda, os prineiros homes
decahidos, multiplicando-se e espalhando-se pela superficie
dlo orbe terraquco, e, para de logo,a historic de in povo
separado, providencialmente eleito, talhado para os gran-
des tentamens atravez de todos os tempos, o qual teve
como onto de partida a creaflo, como primeiro habitat
um parade.as, como lingua original on primiriva a mes-
ma, que nada obstante a sua ulterior confusao em Babel,
ainda se acha rira (1) n'America, para a maior gloria
dessa humanidade, que teve por termo proposto-a Re-'
dempgio.
Gragas a esta poderosa synthese pre-histcrica pode-
mos ler egualmente atiavez dos reconcavos dos nossos
terrenos d'alluvilo e das nossas cavernas o rc-levanta-
mento laborioso e lento da humanidade decahida, a do-
lorosa epop6a da civilisactio reconquista, cor seus suc-
cessivos estadios, a casa,a domesticaflo dos animaes uteis,
os metaes, a agriculture, as grandes cidades, os monu-
mentos, as suas linguas, os seus costumes, etc,
Consoante as tradicoes, as revelao6es da pre-histo-
ria, e as pesquizas paleoethnologicas, jA demonstramos
que os progressos industries mais ou menos bruscos nfo
se produsem de chofre nem isolada e espontaneamente
sbbre a gleba e que a march progressive da civilisaqAo
precolumbina encarada dnesmo sob o ponto de vista da
industrial architectural, tal qual foi observada e attestada
pelos sabios contemporoneos nas preciosas reliquias da
America-Central, s6 pocleria einanar ou do exterior, ab
Orientr, do araxd central da Asia, ou entao, do mesmo
lado, ab Occidente, d'outros mundos desapparecidos...
d'Atlantida emfim!
Em face d'essa primeira e long expiagao da huma-


(1) Esta Lingua, 6 a nossa formosa lingua Tupy ou Tupanica, o
nosso Nenhengati-vivo, que se aprende nos livros do Dr. Mendes,
Conto de Magalhaes, Baptista Caetaino e D. Jos6 d'Agura e aqui
n'esta e n'outras obras que pretend publicar si Deus me conceder
yida ,saude.


-ft-





-25-


nidade nao podem ser mais claranmente applicaveis nem
menos importantes ao nosso. ponto de vista pre-historico
cor as novas descobertas paleontologicas e as recentes
exploracoes da Patagonia.
Um novo mundo de animaes de forms as mais va-
riadas e estranhas ha cousa de 12 annos foram exhuma-
dos nos territories do Oeste dos Estados-Unidos Norte-
anericanos. Estes animaes s'to notadamente mammiferos
das epochas triasica. cretacea e sobretudo do period
eoceneo. .0 estudo destas camadas, como se v6, prosegue
a cada moment. causando-nos sempre novas surprezas.
hasards de decouvertes quee ne peunent se produire qu'-
isolement sur des surfaces bhi3 restreintes por rapport
d l'deendue des couches fossiliferes, qu'elle pett cfle re-
noituele, sinon revolutionide, chaqte fois qu'o. u 'met la
main sur aun riche giseinent apjp.iietzant di une airc
geographique encore ilnerplorie e
Os paleontologists americauos coin certeza tem re-
novado a face da paleoethonogia; basta relancear a vista
sobre o cunho particular do movimento contemporaneo d a
sciencia archeologica, que Ile imprimiram os sabios da
America doNorte para ficarmos convencidos do que temos
expendido. a
Nio queremos dizer corn isto que as pesquizas pa-
leontologicas da America do Sul, por serem mais recen-
tes ou mais familiares, apresentam menos interesse. Ao
contrario, ellas sobem de ponto, e mais do'que nunca,
apresentam-nos problems d'uma grandeza attrahente e
mysteriosa, que vBo cada vez mais tornando experimen-
tal e inductiva a sciencia do progress. 0 magnifico tra-
balho do egregio scientist Mr. Trouessart, exarado na
Rerne Scientifique de 10 de Novembro de 1883, demons-
tra admiravelmente o nosso asserto.
As faunas desapparecidas da America do Sul slo
conhecidas especialmente pelas excava.bes 'as cavernas do
Brazilem trabalhos que ininortalisaram o professor Lund,
e pelas exploraqoes dos terrenos pampeanos do Prata e
da Republica Argentina a que se prendem nomes de







eximios naturalistas como os de Alc.ide d'Orbigny, Bravard,
Burmeister, Ameglino, Hartt, Lacerda e Ladislau Netto.
A Patagonia nao tinha sido at6 entio completamen-
te estudada. Mas, depois d'algurnas observaSes de Dar-
win e de Burmeister. suppunha-se toda ella formada de
deposit marinho terciario.
D'ahi o nome de patagoneo dado ao terreno sub-
jascente do pampano.
O sabio naturalista Charles Darwin foi o primeiro
que, em 1834, subiu o rio Santa Cruz ate 220 kilome-
tros de sua foz. Em 1876 e em 1880, Mr. Francesco
Moreno,, director do Museu anthropologico e archeologico
de Buenos-Ayres. quiz renovar essa tentative.
Renovou-a cor bastante fructo e proveito para a
sciencia paleoethnologica. Sua expedicio compunha-se
apenas de cinco pessoas e d'alguns animaes apropriados
aos transports das suas bagagens e de various utensi-
lios de sua profissao.
Depois de 25 dias de navega go, attingin ao ponto
donde Darwin teve de retroceder. D'ahi.a cinco dias de
march, descobriu final um lago que denominou Laqo
Argentino. Na visinhanga d'este lago, Franc. Moreno,visi-
tando uma pequena gruta, encontrou um corpo human
mumificado, inteiramente coberto de lpinturas encarnadas
e segurando nos sets bracos crusades una penna
de condor, signal visivel de que n'estas regimes rei-
nou outr'ora umna civilisac~o correlactiva. Porkm hoje
offerecem o espectaculo de uma estranha desolafao. O
solo esti cheio de calhaus rolados, de lapedos, d'areias
e d'argilas que formam campinas mais ou menos safaras,
que mal permittom As pobres azemulas o nao morrer de
fome.
Os animals selvagens sao raros: apenas alguis huca-
nacos, abestruzes de tres longos dedos (Rhea Daririnii)
e pequenos roedores: eis a presa que se offerece de vez
em quando ao cupido olhar do afamado caqador.
Coin o Lago Argentino, a paisagem muda de face.
A' esteril nudez do baixo-rio vem prender-se o pittoresco
e o horrido sublime d'essa natureza!





-27-


LA estdo os mesmissimos massigos, que se encon-
tram nas mauvaises terres do Nebrazca e do Novo-Me-
xitli, massigos carcomicros e retalhados pelas aguas mas
apresentando a long o imponenta aspect de uma gran-
de cidade em ruinas cor os seus palacios e castellos
de formas bizarras e phantasticas La estao as fauces
hiantes de suas cavernas profundissimas que separam
estes socalcos a prumo (camerityba) apenas lentejados
por tenues fios d'agua ; mas atravez d'estes flancos ara-
ripicos (abruptos) pode-se ler a olho ni toda a vasta
successao das camadas geologicas que ali se formaram
successivamente. Enormes ossadas fosseis alastram-se
empilhadas em seus contornos. Ali estd contida como
que toda a historic paleontologica da antiga Patagonia;
n'este ponto foi que Mr. Fr. Moreno fez as suas mais
proficuas descobertas. Nas paginas d'aquelle grandiose
livro aberto a meditagao dos sabios 6 que tambem he-
mos de refundir a historic paleoethnologica da nossa
submersa Atlantida.
E' a meio caminho entire a embocadura do rio
Santa-Cruz e a Cadeia dos Andes que se acha, 6 mar-
gem esquerda. o terra-pleno '(mound) que cotft6m a mais
rica jazida. O grande naturalista Charles Darwin, que
por ali passou a bordo do vapor Beagle em 26 de Abril
de 1834, assim descreve na sua Jiayemn em roda do
imundo a estructura geologica dos basaltos cellulares
que bordam as planicies d'aquelle rio:
< O basalto 6 pura e simplesmente formado da la-
va que se escoa sob o mar ; por6m as erupqces devem
se produzir em maior escala. Effectivamente, no pon-
to em que observamos esta formnagao, conta ella 120
p6s de espessura; a proporqio que se remonta o rio,
a superficie da camada do basalto eleva-se impercepti-
velmente e a massa torna-se cada vez mais espessa, de
tal sorte que 40 milhas mais long ella attinge uma es-
pessura de 320 p6s. Qual deveria ser a espessurad'es-
ta camada junto a Cordilheira ?
NAo sabemos ; mas o que podemos affirmar 6 que
a plata-f6rmu attinge all um.r gltura de cerc de 3.009





-28-


pes acima do nivel do mar. E' pois nas montanhas
d'esta grande Cadeia que se deve procurar a fonto d'es-
ta camada ; e sao bem dignas d'uma tal origem estas
torrentes de lavas que correm em distancia de 100 mi-
Ihas sobre o leito tao pouco inclinado do mar. Basta
langar-se urn olhar sobre as rochas de basalto dos dous
lados oppostos do valle para se concluir que ellas ou-
tr'ora deviam forinar um s6 bloco. Qual 6 pois o agen-
te que elevou, sobre uma distancia excessivamente lon-
ga, uma massa solida de rochedos durissimos, tendo
uma espessura m6dia de 203 p6s e sobre uma largura
que varia pouco mais ou menos de 2 a 4 milhas ?
Teria por ventura o rio a forqa sufficient para car-
rear fragments consideraveis a ponto de exercer no
percurso dos tempos uma erosao gradual? No caso que
nos preoccupa seria de pouca monta e muito difficil ad-
mittir semelhante hypothese ou agent. Aqui s6 ha um
facto que poderianios mui bem verificar : < UM BRAQO
DO MAR OUTR'ORA ATRAVESSOU ESTE VALLE. >
Para n6s, accrescenta Darwin, sera superfluo deta-
ihar arguments que nos levem a esta conclusao, argu-
mentos da f6rma e da natureza dos mounds (socalcos),
que affectam a disposiqfo de gigantescas escadarias e
que occupam os dous lados do valle a proporqo que
o fundo do valle vae se estendendo em planicie, forman-
do uma especie de bahia junto aos Andes, planicie toda
entrecortada de collins de areas, e de varias conchas
que o mar foi precipitando no leito do rio. Estamos
perfeitamente convencidos e poderiamos provar que um
estreito, semelhante ao estreito de Magalhans e unindo
como elle o Oceano Atlantico ao Oceano Pacifico, atra-
vessava a America Meridional n'este logar onde nos acha-
mos. Alguem poderia objectar-nos :-como se ergueu
o hasalto solido ? Os antigos geologos chamariam em
seu abono a acqfo violent de uma temerosa catastro-
phe ; mas n'este caso, semelhante supposigao seria in-
admissivel, porque as mesmas planicies dispostas em de-
grdos e portanto a superficie mesma das incruptaq6es
dqs conchas actualmente all existentes, planicies quie bor-





-29-


dam a long extensAo das costas da Patagonia, tambem
contornam o valle de Santa-Cruz. Nenhuma inundacao
poderia dar absolutamente este relevo terra, quer no
valle, quer ao long da costa, portanto, 6 certo que o
valle se formou depois da formagao d'esses terraplenos
successivos inounds suecessir'el! after formed. >
Na sumidade d'estes pounds que attingem perto
de 250 metros, sobre uma largura de 150, encontra-se,
abaixo do manto de detrictos glaciarios que os circum-
dam, muitas camadas locustres e marinhas que alternam,
indicandu eguahnente phenomenon de immerses succes-
sivas. Os periods eoceneo, mioceneo e pliocenco infe-
rior ah estio representados, como na America do Norte,
por uma dezena de typos mamnialogicos bem distinctos,
correspondendo aos marsupiaes, aos pachydermes, aos
desdentados (toothless). aos gnawers, aos carnivores
actuaes, ou pelo menos is f6rmas, que os precederam
nas edades geologicas anterioles.
A peqa mais curiosa, que ,Fr. Moreno recolheu em
sua recent viagem ~ Patagonia depois de Darwin, foi
um craneo ao qual deu o. nome de Mesemibriotherium
Brocv, em honra do grande sabio Broca.
Este animal representava- << une de ses former ge-
ieralisds qui se jouent pour ainsi dire de nos classifica-
tions modernes, par un melange e gcaraceres qui ne sr
trouvent plus qune cheh l des anionau.x bien distinct, et
qni se rencontraient plans an seul d ceite epoque recu-
lIe. Si CPS restes n'existaient pas ou si, nous basant sur
et.r, nous einumerious leurs caracteres, on croirait gue
nons im)2llitons quelqte nmonstre fabuleu.c.


Coin os caracteres de Inarsupiaes, o Mesembriothe-
rium Brocce, participa egualmente da natureza dos car-
nivoros terrestres e das phocas ou dos morsos, on cd-
rtrds amphibios. O cerebro d'este animal estava bas-
tante reduzido.
PertenRco, snon duvida, ao terciario inferior, ao eoce-
neo, e tinha provavelmente costumes aquaticos, Mr.





-3(-


Burmeister considerou Qste animal como visinho d'uma
especie miocenes da America do Norte-o Brontothe-
rium ; e nao se enganou, porque a fauna meridional da
America na 6pocha terciaria inferior e superior mante-
ve relacaes certas cor a do Norte. A prova, vemol-a no
Homalodontherium Cunninghamii, do terciario inferior
do rio Gallejos, que, e um ungulado, visinho dos horses
vel cavarit-dase q do Hyracodon nort'americano. 0 sa-
bio Darwin nas pesquizas que fez em sua viagem aos
ricos paizes do Prata, no Parand e no Uruguay, compro-
vou este facto paleontologico corn o achado de various
dentes do Toxodon, do Mastodonte e um dente d'um hor-
se (cavallo), todos apresentando a cor do sedimento dos
Pampas, junto ao Bajada, e no mesmo logar, onde en-
controu o carapaco osseo (bark a cap) d'um animal gi-
gantesco muito parecido cor o Tatt < Este dente de
cavallo (a horse tooth) muito me interessou e tomei o
maior cuidado de averiguar se elle foi realmente inhu-
mado na mesa epocha que os outros restos fosseis ;
jA na ganga fossil da Bahia-Branca havia tambem encon-
trado uin dente semelhanto ; e note-se que at6 entao
ignorava que muitos restos cavallares on fosseis horsi-
nos se podia encontrar em toda a parte dos Estados-
Unidos Nort'americanos > (1)
0 illustre barao ir Chales Lyell, membro da socie-
dade real de Londres, trouxe nao ha muito dos Estados-
Unidos um dente cavallar ; o professor Owen desejando
especificar este dente comparou-o cor o achado de Dar-
win, e deu a este horse-fossile americano o nome d'EQuus
CURVIDENS. Nao 6 um facto maravilhoso na historic
dos mammiferos que um cavallo indigena tenha habitado
a America meridional ? Com certeza elle desappareceu,
como desappareceria a Atlantida sonhada e prevista por
Platon e por todos os geographos e sabios da antiguidade.
Desappareceu, conclue Darwin, para ser mais tarde sub'

(1) Convem saber quo quando Christophoro Colombo aportou
A America jA nfo existia ospecie alguma de cavallos except os
que trouxera sua caravangarA ou comitante eaterva.





-81-


stituido pelas hordas innumeravais descendentes d'alguns'
animaes introduzidos pelos colonos europpios.
A existencia, pois, na America do Sul, d'um caval-
lo fossil (das-american), do mastodonte, talvez d'um ele-
phante, e d'um ruminante a horns-hollow, descoberto
pelo Prof. Lund e Clausen nas cavernas do Brazil, con-
stitue um facto geologico muito interessante no ponto
de vista da disposiilo geographic dos animaes e ma-
xime no artigo que vamos explanando referentemente A
formafio e desapparecimento da nossa Atlantida, quiCA
o mysterioso Der-Boden limitrophe da Amaponia,, da
nossa verdadeira Ameroghaia, a nossa separada terra-
o Sophir brazileno.
Si n6s dividissemos, hoje, continfia Darwin, a Ame-
rica, nao pelo isthmo do Panama, mas pela parte meri-
dionql do Mexico, (1) sob 200 grdos de latitude, logar onde
o grande planalto apresenta enorme obstaculo A emigra-
g o das species, modificando o clima e formando, a
excepglo d'alguns valles e de uma orla de terras baixas
que se estendem ao long da costa, como uma barreira
insuperavel, teriamos que ver duas provincias zoologi-
cas d'America produzindo um verdadeiro contrast unma
coin a outra. Como podemos explicar que s6mente duas
species de mammiferos nort'americanos poderam ultra-
passar esta barreira e emigrar paia o sul, como o Pe-
ma, o Opossum, o Kinkaj' e o peccari ?


(1) Pelo menos foi essa a divisso geographic que adoptaram
Lichteinsten, Swainson, Erighson, Richardson e Humboldt.' O don-
tor. Richardson na sua important confereicia sobre a zoologia da
America do Norte lida perante o Congresso Britannico (1886,
pag. 157), fala da identiflcaeao d'um animal mexicano cor o Syn-
etheres prehensilis, e conclude: f Je ne saurais prouver que l'ana-
logie est absolument demontrde ; mais, s'il est ainsi, est, tout au
moins un example presque unique d'un animal rongeur common a
l'Amerique Meridionale et d l'Amerique Septentrionale. > Cnvier
affirma que se encontra a kinkajou nas grandes Antilhas ; Paul
Gervais diz quo se encontra all o Didelphis cancrivora. Logo 6
corto que as Indias Occidentaes on Atlantidaneanas possulam sena
mammiferos, que Ihe eram proprios.







A America Meridinal possue ao. invz muito, roe-
dores particulares, uma fanilia inteira de Simiomacaca,
o Lama, o Peccari, o Tapir, o Iturd, o Opossum, e so-
bretudo muitos generous d'Edentks, ordem que compre-
hende os A'y/-l -'r,..., tI,, os Taceau-Fourmiliers e os
Tat -puam, ao passo que a America Meridional al6m
de possuir numerosas species peculiares de roedores,
possue quatro generous de ruminiantes horned-hollow (o
hoi, o carneiro, a cabra, o antilope), grupo de que a Ame-
rica do Sul nao possue uma especie siquer.
Antigamente, pormr, durante o period em que vi-
viam a maior-parte dos embrechados actualmente exis-
tentes, a America Septentrional possuia, alnm dos rumi-
nantes horned-hollowi,-o Elepliante, o Mastodonte, o
Horso e tres generous of toothless, ID EST, O Megalathe-
riwn, o Megalonyx e o Mlyladon. Durante o mesmo
perindo ou pouco mais ou menos, como o demonstram
as itarirys (coquillages) da Bahia-Blanca, a America Me-
ridional possuia, como vilnos, um mnastodonte, o cavaru
chevall), um ruminante aca-inemo (a cones creases), e
os mesmissimps tres generous de desdentados, e mil ou-
tros.
Dionde desume-se que a America do Norte e a Ame-
merica do Sul. possuindo em uma 6pocha geologica es-
ses diversos generous cem ommum, se assemlelhavam en-
tao muito mais do que hoje pelocaracter dos seus ha-
bitantes terre:tres.
Quanto mais eu reflicto n'este facto, disse Darwin,
mais., me.conpenetro da sua importancia, e interesse. >
Nao estarao por ventura esles facts geologicos como,
quo nos dermonstrando a existencia d'essa ATLANDI.A.
DESAPPREAIp E que 'Plal n descreveu eo que. Colombo
tambina, imagintgu, e chlgou,por,este intermundio a desco-
brir,.essecontinnt.e americano que ji se tinha separado
d'ella por cataclysmos cosmicos ou por o meia de estu-
penda.S e mnysteripmsos ]pencolhimeno gepgpoQstieas que a
scaViAitontPi, dL.boIld3 nozar ? E' o quo nos parece
Cofirnuar.. a. paleoaotologia por bucoca de D.arwin e do





-33-


preprio Hernest Hackel, enbora em proveito do seu
monismo transformistico.
< Eu nao conheco outro caso, diz Darwin, mais im-
portante para indicar a 6pocha e o modo de separa(.fo
d'uma grande regiAo em duas provincial bem distinctas
e caracterisadas do que o da existencia d'algum conti-
nente intermndiario elevando-se e abatendo-se no per-
curso das edades paleontologicas para dar logar a sc-
parap o de dous grandissimo1 Estados geologico-natu-
raes.
< E de feito, o geologo que estuda as immensas os-
cillacSes do nivel que affectaram a codea terrestre, du-
rante os ultimos periods, nio trepidari em avangar :
que o levantamento do planalto mexicano, on mais pro-
vavelmente, o abatimento incontrastavel das terras no
Archipelago das Indias Occideitaes, (1) 6 sem conte4ta-
Qao a causa unica da separagao zoologica (e mesmo an-
thropologica) actual das duas Americas. >
Affirnia Darwin e coin elle o Dr. Richardson, que
o character sul-americano dos mammiferos das Indias Oc-
cidentaes esti indicando que este archipelago fazia anti-
gamente parte d'um contincnte meridional e que sub.e-
quentemente tornou-se o centro d'um systemna de alui-
mento, a system from shaking.
Quando a America, e sobretudo a America Seple:a-
trional, possuia seus elephants, seus mastodontes, seu
horse e seus rum4nantes hornedholloi', ella se assemc-
lhava muito mais do que hoje, no ponto de vista zoolo-
gico, (e mesmo anerologico), a.s parties temperadas da.
Europa e da Asia. Como ainda se encontram fosseis
desses generous de ambos os lados do estreito de Bering
e nas planicies da Siberia, somos for'ados a considerar
a costa noroeste da America do Norte como o pristino


S(1) E' bomn notar-se que Christophoro Colombo cousiderou
sempro as terras sepa~adas como parto integranto das [ndias quo
ello denominou coiu muita propriedado do Indias Occidontaos-,
as quaes 6onstituem exactamente o nosso Ophir, a Suffa on S -
para br-ile.io, o Fines-Indie da que adeante falgarats,







ponto de communicacio entire o antigo mundo e o que
se chama o Novo-Mundo. Ora, como tantas species,
vivas e extinctas, desses mesmos generous tern habitado
e habitam ainda o antigo mundo, 6 muito plausivel que
os elephants, os mastodontes, o equus caballus e a ou-
tra ordem de mammiferos quadrupedes ou ruminantes
de chavelhos cavos d'America Septentrional penetraram
n'este paiz passando sobre terras, abatidas depois, junto
ao estreito de Bering; e d'ahi, passando sobre terras, sub-
mergidas tambem depois, nos logares circumvisinhos das
Indias Occidentaes, estas species por sua vez chegaram
a penetrar na America do Sul, onde, depois de mistu-
rar-se durante alguns tempos cor as f6rmas que cara-
cterisam este continent meridional, acabaram por ex-
tinguir-se completamente.
O illustre naturalista Hackel em suas obras : < Sur
l'origine et l'arbre genealogique du genre human et l'His-
toire natural de la creation > (1) pronuncia-se do mes-
mo modo sobre a f6rma, a 6pocha e o logar do nasci-
mento do genero human. Falando este sabio monista
a proposito do seu homo primzigenius, Pithecanthropus
ou Alabes, depois de haver provado que 6 um erro gros-.
seiro, une supposition tout d fait erronde, o dizer-se que
o home americano provienne des singes (macaco) du
meme pays, Hackel affirma clara e positivamente que:
c c'est de l'Asie et surement, pour une part, de la Poline-
sie, que les primiers habitants d'Amerique ont immigre
dans ce continent. >
Falando depois da Asia meridional, d'essa grande
regiao theatre de grandes evoluyes metamorphicas, paiz
que mil indicios designam como a primitive patria das
diversas species humans, elle exclama : << Peut-tdre
n'est-ce pas l'Asie meridionale que a etd le berceau de
l'humanite, mais bien' un continent situd plus au sud et
submerge plus tard sous les flots de l'ocean Indien. >

(1) Vid. estas obras traduzidas do allemao em francez pelo
Dr. Charles Letourneau, o illustre vulgarisador das obras do Dr,
Jours BEihoeh .






-35-


Logo, conclue Hfickel, o primeiro hontrem deveria' ha'bitar
a Asia Meridional, a Africa Occidental, ou nmesmo -'m
continent hoje submergido !...
Esse continent austral, cuja existencia outrorqr tor-
nou-se probabilissima por certos phenomenon da geo-
graphia dos animaes e das plants, foi -denominado Le-
mu ia pelo inglez ScJater, por causa dos lemurios (1) bu
pithecoides, que habitavam as regi6es lemurianas (2) a)que
n6s nao trepidaremos em dar a denomiina~Ao de atlanti-
dianas ou camerianas (3) pelas conclus6es geraes da stien-
cia paleontologica e sobretudo e principalmente'pelastma-
gnificas e inportantes descobertas feitas por Fr. Moreno
nas camadas pampeanas da Republica Argentina,
Para o illustre Moreno, s6 a riquesa.da -fauna da
Patagonia prova que ella formou ait debut da 6pdcha
terciaria um vasto continent, que invadiu os oceanos
Atlantico e Pacifico.
E nao 6 tudo. Mr. Moreno vae long, e nmuito almi
das nossas previs6es. Elle julga que este Continente
desapparecido formou um centro de creo ~o, e que n6s
suppomos ter sido exactamente aquelle centro de evolu-
cAo distinct das duas Americas, a qual vamos estudar


(1) Na opiniAo de Hiackel estes notaveis animaes seriam qui-
94 os pures ancetres do genero human no grande grupo dos mam-
miferos cor uma placenta em f6rma de disco, que se chamam
Discoplacentalianos. > Vid. Bu*hner' el|etourneau dans-L'Homnue
Selon la Science, pag, 168, etc.
(2) Lemurios, do grego, ollumi, matar, offender, e do chaldai-
co, or ur, luz que offusca, 6 a 2." ordem de animals mammiferos,
quadrupedes, que comprehendem os genoros-Indri, Madri, Loils,
Nicticebo, Galayo, Carsias, quo habitam a ilha Madagascar e outfras
proximas a terra ; em geral dd-se este nome a todos aquPlles
animaes vulgarmente conhecidos per macacos falsos, macdca-rana,
per causa das suas numerosas relagOes cor a primeira familiar da
.ordem, ou a dos genuinos e puros bugios.
(3) Camdria on Lameria 6 o rio de que fallamos no Qua-
dro Synoptico dos Nomes Indo-Brazilenos que publicamos como um
appendice ao Opusculo sobre o ~gntenario do Padre Antonir
Vieira,


'-I

/ '.



rLU.i







n'aquelle continent submerso que todos os sabios hel-
lenistas appellidaram de Atlantida, que o divino Platio
e Aristoteles descroveram em suas obras philnsophicas
e de que alguns padres doutores da Egreja fizeram hon-
rosa mensAo citando os poetas do Lacio.
N'este ponto parece estar tambem d'accordo a scien-
cia paleontologica; pelo menos ainda ninguem, scientifi-
camente falando. se abalangCou a negar as innureras pro-
vas de oscillag5es antigas e recentes nem os numerosis-
simos vestigios de immerses e de emerse s alternati-
vas do continent sul-americano.
Pois bem, ao descambar do period terciario, diz
Mr. Trouessart, muito antes do levantamento dos An-
des, as duas Americas ainda ndo se achavam ligadas
pelo isthmo de Panama. 0 Brazil formava uma gran-
de ilha que se podia perfeitamente photographer corn os
seus immensos contornos ; o mar, como supp6e-se, in-
vadia entao os valles do Prata e do AmaSonas; o mas-
siqo columbiano se estendia mais ao 6ste e ao norte.
O solo da Bolivia, e da Patagonia actual formava uma
enorme peninsula bordada de immensos golphos a l1ste
e a o6ste, e esta peninsula. separada do grande conti-
nente austral, tinha uma f6rma e uma extensao differen-
tes das que hoje apresenta.
O mar das Antihas reunia os dous grandes ocea-
nos, e a corrente equatorial, correndo livremente entire
as duas Americas, contribuia em dar ao continent
antarctico o clima intertropical, que indicam a fauna e
a flora que possuia entao. Os nunerosos gruFos de
ilhas, que se notam no Oceano Pacifico, se nos afiguram
as grades reliquias do grande continent actulmnente
submergido que ligava a Australia d America do Sul.
Nao seria este continente sulmerso a nossa sonhada
Atlantida ?
Segundo o grande philologo Hooker, ha para mais
de 77 species de plants communs i Nova-Zelandia, d
Tasmania e i America Meridional. Estas plants com-
mans nio s., parveatur a. os resquicios d'uma flora der-
ti4aq4 outr'qra sqbrq estas terras entao ligadas geolQ.





-37-


gieamente entire si ?!.. Por certo que sim. A presen-
.a dos mursupiaes 6 uma prova exuberante d'esta pris-
tina uniao enlra a Australia e a America do Sul, pois
s6mente n'estes dous pontos 6 que elles poderam sobre-
viver at6 agora.
A 6pocha cm que c(mclcu o dcn:.trrhrsmento ou
a submersao do grande continent antarctico nao se pou-
de ainda precisar; n muito provavel que no fim do pe-
riodo secundario a Australia principiasse a separar-se,
emquante a America do Sul continuava unida As terras
antarcticao at6 o teterrimo e mysterial instant do ca-
taclysmo que separou-as para sempre d'aquelle paiz glo-
rioso (cufiry g/lor'id de cue nos fala Bates, d'aquella
regiao as-cmbroa, limilrcli c .o 1 r.ad',s-terreslre, onde
foi colocada a piivilegiada e inditosa rata-a unica que
ainda hoje fala a Li qin a t ra primithira (1)
Assim consoante 6 opiniso dos afamados paleonto-
logistas Moreno e Trcuessait, a Patagonia, unida A Bo-
livia, foimaya ccm as tcrras disparies d'um contincnte
artactCeo (que podia ser tambem a nossa Atlantida), uma
area geographica distincia do resto da America actual.
Isto ainda cm meio da (]'cha terciaria. A fauna, que
occupou-a, nFo jl(eria vir do norte; ao contrario se
propagaria da Fatagonia pala o Norte.
Eis .como Moreno pinta o adiniravel quadro geolo-
gico no cometo do period quaternario na Patagonia.
Este illustre sabio americano demonstra que no fim
da 6pocha terciaria a Patagonia e o territorio do pam-
pa foram submergidos, e que depois produziram-se for-
midaveis erupSpes trachyticas (2) e basalticas.


(1) E' esta a grand raQa Tupy. que fala ainda a lingua Ne-
hongatf oriunda do hebraico, a primitive lingua do Adao e Eva
no Paraiso, como provamos em nossos Estudos de Linguistica
americana.
(2. Trachyte, do grego traces, aspnro, rocha do structure por-
phyroi.le. As trakites compj3ni o I.' ostadio dos dous contineoi-
tes almericanos, occupando-ihos enormos ospagos. Sa) antoriorJ







Si a gent, se transport, diz elle,. polo pensamen-
to paia esta 6pocla, como tive occasiao de fazer por
mais de uma vez, percorrendo estas regi6es que foram o
theatre de grandes phenonenos, parece que se nos an-
tolha de chofre uma sombria e mysteriosa paysagem de-
baixo d'um c6o semi-velado pelo fumo dos vulces ; en-
taio se nos afigura ver emigrar para o norte, sobre as
Testantes glebas emergidas, os animaes da fauna tercia-
ria,.fugladQ deante a catastrophe, que nos conservou as
osa.kientap, que recolhemos hoje no sub-solo da Pata-
gonia.
Ainda nao. 6 tudo, ajunta Mr. Trouessart acompa-
nhando ,o pensamento de Mr. Moreno :- uma transicgqo
brusca de clima deveria logo reproduzir-se profundamen-
te n'este intermezzo. Os gelos antarcticos deveriam
avancar imponentes sobre o Oceano, como que apertan-
*o n'um. tworl de gelo as costas da America do Sul.
D'est'arte a Patagonia ficou litteralmente empilhada, e
enormissimas massas glaciaes de 100 metros de espes-
sur.a formaram este mar solido, semelhante ao que oc-
cupa as regi6es circumpolares; o Pampa cobriu-se todo
de gelo; e o limus rubro que ali se observadeveriafor-
mar-se .dos restos quasi impalpaveis arrancados pelos
gelos, s rochas do sul. Este period glaciario, na opi-
niao, de Moreno, 6 devjlo essencialmente a causes astro-
nomicas.
Os gelos foram, portanto, os primeiros vehiculos
que transportaram na formagco pampeana as ossarias
dispersas dos animals da fauna austral; impossivel ter
sido at6 o present encontrar-se um s6 esqueleto intei-
ro no verdadeiro limo rubro inferior. Os animals, que
poderam salvar-se d'essas glebeiras, recommegaram a
emigrar para o norte; pcr6m o frio fez-se sentir no


as roohas basaltioas; contAm oristaes do pyroxeno, de feldspatto,
d'ariphlb'ole, de liica, de grenats, de titano, ferro oligiste e tam-
bem qi~artz. 8ao estas itateua trachyticas quo constituem o gran-
de Derr-boden pyroide conhecido polo nome de terreno trakitico,







Chili, na Bolivia, e mesmo no Brazil, e assim a m6r
parte d'elles pereceram.
O illustre abbade Alcide d'Orbigny tambem explica
a formaqfo pampeana por egual catastrophe tdo subli-
memente preconisada pelo doutissimo Mr. Moreno, a
quem Agassiz, Bravard, Zaborowski e o seu compatrio-
ta Ameghino tecem as maiores e as mais merecidas in-
komeaqSes, pelos seus trabalhos importantissifos, nota-
damente em antropologia.
Em presenDa do que temos .at6 agori expendido
largamente, !o que devemos concluir em favor do nosso
ponto de vista? Que assim como temos provas certissi-
mas da existencia relativamente recent d'um relevo con-
tinental que, prolongando a Asia no mar das Indias,
abraqava todas as ilhas malaias (1), pariter, podemos
admittir que junto As terras hoje separadas (ameroghaia)
podia existir perfeitamente um g ande continent inter-
mediario que ligando-as entire si se tornasse alioquin
como que um georama primitive no centro do qual as
f6rmas biological d'entio teriam que evoluir-se simul-
taneamente pura ir esparrinhando-se sobre as differences
parties das outras terras emergidas paraliciamente. E'
o caso da hypothese da Atlantida. Em todo caso 6 uma
hypothese compativel, quer cor a historic do Genesis,
quer cor os dados actuaes da geofbgia ; et eo ipso, po-
demos adoptal-a, no present estado dos nossos conhe-
cimentos, como um meio legitimo de conciliar as conclu-
sies certas d'esta sciencia cor as verdades reveladas.
Logo, a uniao antiga da Polynesia e portanto da Ma-
lasia e da Australia cor a America do Sul, provada
pela presenaa de plants e animaes communs a este
continent nas terras da Tasmania, os factos geo-
logicos, que se prendem a Patagonia resto de um
continent hoje submergido-elucidados por Mr. Fr.Mo-


(1) Mr. Zaborowski,aliAs insuspeito,'por ser transformista puro,
confirra na Revista Scientifica, de 20 de Outubro de 1889, as mes-
mas provas que temos apresentado sobre eate momentoso ortigo,






-40-

reno em sua monumental conferencia feita a 15 de Jn-
Iho de 1883, perante a Sociedade Scientifica Argentina,
tudo concorre para tornar plausivel a hypothese da. exis-
tencia da Atlantida. esta cantada e decantada ilha ocea-
nica, que se tornou famosa nas lendas e narratives dos
antigos sabios, poetas, e philosophos, e que ainda mes-
mo agora continia a preoccupar a imaginafld dos geo-
graphos e geologos modernos, como passamos a demons-
trar no seguinte capitulo pelo ministerio geral do tra-
dicionalismo encyclographico.










hy^c;









OAi.IT-U.LO III




ERAZiOLOGIA (t)


S U LMMARIO: Sublime accord entire os dias gellcsincos
c os periods geoloyicos. 0 system cos-
mogonico, a theoria de Laplace e os dias da
ereaC(o.--!lypotheses scieinificas sobre o sol
e outros planets que o acompatnham -
Os dias biblicos e a geogeia. 0 firma-
mento, a terra, a sua liquefac.:lo e solida-
mento.-Divisdo da historic erangenesica. -
Computo. A astPonomia e a geologia. -
Emersco do globo.-Primiros -lerantamen-
tos. Primitivos continents emergidos. -
Mfudanc.as metamiorphicas da superficie do
globo.-Opinioes dos geologos modernos. --
Unido dos continenles e sua separapdo.-
Ecistcno'ia da Atlantida.

Em que epocha pouco mais ou menos teve logar a
unito d'estes continents desapparecidos com as nossas
(1) Vocabulo composto do grego-era. eraze (in terram) e lgus,
discurso, isto 6, discurso sobro a ter!- (pr"s)!. Prptro este tormg
Ao de eoologia ou geogeniqi





-42-


terras hoje separadas pelos Oceanos Atlantico e Pacifico?
Ignoramus.
Talvez que ainda possamos precisar esta epocha.
Baste-nos, por6m, a nosso escopo dizer desassombrada-
mente que as descobertas archeologicas e os. estudos da
glottica americana ou da philologia comparada trazem no-
vamente a luz iovos pontos sublime da harmonia entire
os dias do Genesis e os periods geologicos.

N6s admittimos perfeitamente, de accord cor a
,ciencia modern, que os terceiro, quinto e sexto dias da
creaqao especificados no Genesis correspondem as tres
grandes epochas geologicas.
A epocha primeira da geologia e o terceiro dia do
Genesis sao realmente caracterisados pelo desenvolvimento
da vegetagao. A epocha secundaria e o qninto dia sao
egualmente notaveis pelos seus animaes aquaticos e seus
passaros; e o que distingue a epocha terciaria, tambem
como o sexto dia de Moys6s, sio animaes terrestres.
N6s admittimos ainda que o quarto dia do Genesis,
isto 6, a apparigAo do sol, da lua e das estrellas, deve
se intercalar entire a forma5io carbonifera e o comeqo
da epocha secundaria.
A geologia nAo se prop6e tragar a historic geral da
terra; o Genesis, ao envez, o Genesis nos transmitted uma
id6a exacta dos diverlos estados por que passou a terra
desde que sahiu das mros do Creador.
Ora. si nos atemos d theoria de Laplace, a terra
esteve primitivamente no estado gazoso. Formava a prin-
cipio, system planetario, uma immense nebulosa, massa
fluida tambem separada de uma outra nebulosa de que
faziam parte, sem duvida, com o seu sequito de planets,
todas as estrellas que brilham agora no firmamento.
A nebulosa solar, que girava sobre si mesma do Oc-
cidente ao Oriente (1), era submettira & lei da attragao
ou da gravidade.

(1) E' preciso notar que este movimento foi-lhe impresso pelo
Creador. Toda a explicagao natural dos phenomenon oosmogonicqs
tgota qqeoessariamente esta imputlsdo inicial,





-43--


D'ahi uma diminuicao do volume e uma tendencia dag
molecules para se condensar. Estas molecules deveriam
evidentemente precipitar-se para o centro como a gotta
d'agua se precipita para o solo.
Ora, em razao do movimento de rotagao de que a massa
gazosa era animada, cada molecule devia tombar um pouco
ao este da vertical levada para o seu ponto de partida.
D'ahi uma acceleraaio de movimento; dessa acceleraSao
resultou que a forra centripeta e a forqa centrifuga,entAo em
equilibrio, cessaram de se neutralisar. A forQa centrifuga
arrebatou-a, isto 6, um annel se destacou do equador da
nebulosa e permaneceuisolado no espago.Outrosanneis suc-
cederam ao primeiro; mas nao poderanm manter-se n'este
estado. E d'est'arte dividiram-se em muItos trocos para
former pequenos planets que ora percorrem o espaqo nas
orbitas quasi semelhantes; takes slo os innumeros planets
telescopicos situados entire Marte e Jupiter; takes sdo os
asteroides muito mais numerosos ainda que constituem
provavelmente o annel de Saturno.
Ou bem cada annel da nebulosa solar se agglome-
ron ao ponto de former umna nova nebulosa que repro-
duzisse sob uma menor escala as phases da primeira.
Por egual forma foram separando-se novos anneis que
por sua vez produsiram os satellites.
SA lua teve identica origem; ella 6 apenas um annel
separado da nebulosa terrestre, assign como a terra nio
6 mais do que um annel separado da nebulosa solar.
Tal 6, em summa, a theoria de Laplace, que mais
ou menos explica as diversas evolu:6es dos planets, o
seu estado actual, a duragio de sua revoluc~'o, a natureza
inesma do sol, da liz zodiacal;em umapalavra, a hypothese
que nos di a conhecer a maior part dos phenomenon cos-
micos,apesar de nao nos explicar o movimento retrograde
dos satellites de Neptuno, d'Uranus e de um dos satel-
lites recentemente descoberto do planet Marte. Si por
ventura alguns sabios ainda hesitam em admittir a hypo-
these Laplaciana, todavia nao se pode negar que a ma-
teria que compoe a terra e os campos celestes esteve
primitivaimente no estado liquid ou pastoso., D'abi vem





-44-


a forma ellipsoide do nosso planet, isto 6, seu achata-
mento nos polos e sua tuinescencia no equador.
Nao devemos avangar tdo pouco que esta theoria
esteja em desaccordo coin a narragdo biblica, porque, s6
essa nos pode dar a razao das palavras-invisibilis et
incomposita applicados ao estado original do globo. Ella
se harmonisa perfeitamente corn a idda, que Moys-s nos
transmitted sobre os dous primeiros dias do Genesis.
O primeiro 'dia, comprehend, ao nosso ver, todo o
tempo durante o qual a terra jazeit em o seu estado
gazoso, e portanto f6ra.completa.mente dos periods geo-
logicos.
A apparigao da luz, que o caracterisa, deve ser at-
tribuida, sem duvida, 4 condensag o das inoleculas e i
acq o das forgas chimicas de algum astro visivel, e que,
em razdo de sua massa menos consideravel, passon mais
rapidamente do estado gazoso ao estado liquid, e d'este
ultimo ao estado solido. A rapidez do desenvolvimento
de cada corpo celeste estd, effectivamente, nia razao in-
versa da massa total.d'esse astro. E' por isso, cremos
n6s, que o sol, cujo raio 6 350:000 vezes. mais conside-
ravel que o da terra, 6 quatro vezes menos denso que nosso
planet, e por conseguinte inuito menos avancado na sua
passage ao estado solido. Qualquer que seja a lentidao,
corn que se effectue esta passage, 6 provavel que che-
gard um dia, em que sua solidificaqao sendo complete e
as combina:5es chimicas nto mais se operando em sua
superficie, cessard o sol de derramar sobre o nosso glo-
bo seus raios'de calor e de fuz.
E' possivel, que por muito tempo ainda continuara
elle a fazer sentir o seu benefico influxo sobre os series
viventes; pelo menos at6 agora nada tem perdido do seu
volume nem a sua temperature baixou apezar do com-
puto de 2:000 annos; ,bastaria, pois, seu diamotro para
manter sua radiacio actual durante 21:000 annos, segun-
do a opiriiao de Guillemin. Como parece que a vida foi
destinada a extinguir-se'sobre a terra apenas cesse o calor,
6 muitp prova'vel que Deus nao permittirA ao home o
presencear o expectactIlo da enlcrustayao solar, e que umn








cataclysmo, ainda mais terrivel do que o que submerging
a Atlantida, virt infaltivelmente anniquilar a vida em
today a superficie do globo.
Ja que estamos no dominio das'hypotheses, podemos
assegurar que a Deus nunca fallecem meios, mesmo con-
forme as leis naturaes, para destruir sua obra.
Sabe-se que o sol no espago, corn toda a siua con-
stante caterva de planets, 6 impellido para um ponto si-
tuado na constella io de Hercules. Ora, n'este movimento
de translaido, nao poderiaa terra esbarrar corn algum corpo
celeste consideravel, et eo ipso, tornar-se nebulosa em
conseqiencia dos phenomenon calbrificos n'ella reprodu-
zidos ?
Mais uma hypothese: L' begin 1,ossivel que a massa
do sol vd cada vez mais avolumando-se, a proporgio que
form precipitando-se na sua superficie corps celestes,
cometas ou meteorites (1) os quaes depois de haverem.
percorrido o espaco vAo tambem penetrando na sua es-
phera d'attracdio e contribuindo ao mesmo tempo para
mais fomencar o seu calor, at6 que a condensaAio lenta
da immensa athmosphera vaporosa, que o cinge, chegue, a
produsir o phenomenon da luz zodiacal, 9 n'este caso nao
seria mais do que um resto da nebulosa que d'elle se for-
maria.
Ora, se esta massa augmenta, o seu poder d'attrac-
Cao deve tambem crescer coin ella. Nao seria cousa im-
possivel que este astro acabasse por attrahir a si todos
os pianctas que o acompanham.
Sido meras hypotheses, pouco import, Ipas,, nesta
material podemos ir alem das conjecturas.


(1) Meteorites, do grego, nete6ros, elovadu, e meta acima
aero, en elevo, e do lithos, llthes, pedra: massa petrea e metalli-
fora que so precipita das regimes atliosphoricas sobre a superfl-
cio da terra corn uni conjuncto de constants phenomenos. Ha os
meteorites carbonicos,os meteorites metallicos o os meteorites petreos
chamados ognalmonte-ac olhitos, pedras meteo'icas, padres do
radio, irano'itlos, bolides. Os Chinezos dan aos aerolithos o none
de estrollas cailelltoe, e aos mcetoritcs,meteor&s oh estrellas fllin-
tes on asteroids.







0 que nao padece duvida 6 que a terra c todos os
planets, obedecendo As leis naturaes physical e chimi-
cas, estabelecidas pelo Creador, foram primitivamente
massas fluidas, luminosas por natureza, como o sol o 6
actualmente, Os primeiros que deviam passar por este
(stado foram os menores, cu per egualdade de massa, os
que primeiro se separaram da nebulosa solar.
Nota-se tambem que os dous maiores planets, Ju-
piter e Saturno, sao os menos adiantados no que se pode-
ria chamar- ton bion kosnikon; porque a densidade me-
dia dos planets 6 cinco vezes menor que a da terra, e
suppbe-se, que elles estao cingidos de nuvens, como o
foi, sem duvida, nosso globo durante os primeiros dias
ou periods de sua existencia. Nao foi do sol propria-
mente dito que a terra recebeu a luz do primeiro dia,
por6m, de algum astro visinho, talvez da lua. que, em
razao de sua tenue massa, tcve logo de experimentar a
acqio das leis chimicas d'onde resultaram o calor e a luz.
Parece que, durante os tres primeiros dias, isto 6,
at6 o comego da epocha secundaria, a terra nao foi acla-
rada d'outra sorte, e que o sol s6 se tornou luminoso no
quarto dia.
Entretanto 6 mais provavel que este astro illumi-
nava ji a terra desde muito tempo atravez das nuvens es-
pessas que o envolviam, e que no quarto dia, estas nu-
vens se dissiparam de tal maneira que o observador que
se colocasse na superficie do globo poderia avistar o disco
solar. Uma simples consideracao confirm esta hypothe-
se e 6 que a lua e as estrellas s6 appareceram ao quarto
dia; ora, 6 difficil admittir que nenhum astro fosse lumi-
noso antes d'esta epocha e que todas o foram ao mesmo
tempo. A Escriputura nao diz, tao pouco, que o sol foi
creado no quarto dia; basta para exactidao do texto biblico
que o sol tenha feito a sua 'primeira apparidao n'este dia.
Quanto a existencia, n'esta epocha, de espessas nu-
vens que velavam os astros e obumbravam a luz solar,
isto podia resultar naturalmente da alta temperature que
reinava ainda em face da fraca espessura da codea ter-
restre. Este calor intense, que accusam tamibem as des-





-47-


cobertas paleontologicas, devia necessariamente manter no
estado gazoso muitas materials hoje condensadas.
0 segundo dia moysaico nao correspond menos que
o primeiro aos periods geologicos. E' egualmente ante-
rior ao apparecimento da vida sobre o globe e marca,
como vemos, a continuaio da obra do primeiro dia, isto
6, o acabamento da solidificacAo da superficie. E' elle ca-
racterisado na Biblia pela formafio do firmamento e pela
separagio das aguas inferiores das aguas superiores, isto
6, a divisao das aguas condensadas das nio condensadas
que naturalmente occupavam corn as outras materials ga-
zosas as. altas regioes da atmosphere,
A palavra hebraica rakia, que traduzimos aqui por
firmamnento, nio significa propriamento aquella sorte de
zimborio on abobada estrellada do c6o, porque as estrel-
las ainda nao tinham apparecido, mas aquella outra abo-
bada que 6 composta de nuvens etendus, extensgo, espa'o
livre, vel expansion que se derrana em roda do globo,
como disse o Ecclesiastico. sicut rebula cooperui omnemn
terrain, eu cobri toda a terra (ab origin sua) como de
uma nuvem (XXIV,6).
A massa terrestre nao se conservou muito tempo no
estado liquid ou pastoso.
Immediatamente uma camada solida formou-se na
superficie. A temperature foi baixando pouco a pouco, e
as aguas d'antes no estado gazoso foram logo condensan-
do-se, e precipitando-se sobre. o solo ja compact. Mas a
terra nao apresentava ainda 6 seu relevo actual.
Os encrespamentos da sua delgada codea s6 podiam
former mui .ligeiras ondulaaSas quasi imperceptiveis. As
aguas recentemente condensadas cobriram logo toda a
superficie do solo. Tal era o estado do nosso globo no fim
do segundo dia.
Este estado'nao podia durar. A crosta terrestre, tor-
nando-se cada vez mnais espessa, foi dobrando-se sobre si
,mesma e formando successivamente collins e montanrhas
que surgiram a cima das aguas. Esta primeira emersao
marcou o terceiro dia. Foi esta verdadeiramente a appari-
yao do arido.





-48-


Aquli entramiris realinente no soberbo pedlodo geo-
logico de assonibrosa historic do globo, do nosso terra-
qfieo apa am (1) ; porque esce dia nada mais e do que
aquxella epocha conhecida com o none de epocha prima-
ria ou de transi*ro; 6 a da vegetacAo, a primeira da
vida organic.
A lustoria da terra divide-se, pois, em duas gran-
des edades, das quaes uma precede e outra segue a ap-
pairiSao da vida sobre a superficie do globo. A primeira
corresponde aos dois primeires dias, e a segunda aos
quatro ultihios dias do Genesis.
Qual poderia ser a duragao de cada um destes pe-
riodos ? IJuoramus
E' possivel que possamos ainda um dia resolver este
p'oblemna,como lherios de resolver o grande problema
das nossas origens. Calculos tem-se feito bastantes. Mr.
Poisson, julgando que a teniperatura do globo era de
30000 no moinento en) que a crosta solida comegou a
forinar-se, inferiu que esded este tempo deveria. ter-se
escbado cerca de cento e oito milh6es de annos, quer
dizer--e nombre rond-urn inilhfo de seculos. Por6m,
si admittir-se que a temperatutra original era somente de
150000, tomperatura mais que sufficiente- para liquidificar
todas as rochas conhecidas, o tempo que se escoa desde
o coimego da solidificagCo at6 n6s nao passarA de 27 mi-
lh6es de annos, id est, quatro vezes menos. Ha cousas
n'esta maiieria qte Inuito mais nos espantam, como os
calculos feitos relativamnnto 4 incandescencia original do
ndsso globo!
Todo o que por ora podemos affirmar 6 que a terra
6 extiemafileite antiga, e, qud do se imagine na series
infiiiita de plieiolnenbs n'ella reproduzidos desde o ap-
parecimento biologico dos primeiros series at6 n6s, fica
a gehte oBhfusa do ver accuinul'irem-se bilhies a billies
d'hilhis para avaliar-se a sua edad,3.

.(1 Palavra da Lirrnia Tupy, provinila de apftan. globo, e in;,
terra Advlanto ollolla1 cl 0 s (o est,,as palnvras sao tanmllin oriun-
ria s o grcgo, conlo nilharos d'outros vocabulos tupyco6.





-49-


Ja a astronomia nos havia revelado que as obras
de Deus tinlihm a iln:l nsidade n'ls epcchis: agora a
geologia nos diz que ellas tem a immensidade nos tem-
pos--6 assign quo as sciencias contribute todas para a
gloria do Eterno e Supremo Ser de que:n revelam 0
ennaltecem o infinite powder e a soberana sabedoria.
Voltanda,, pois, i magna questdo vejamos o quo nos
diz a sciencia dos continents, e maxime ao que respeita
a emersio e subinersiao da nossa Atldtidla, cuija existon-
cia e povoamento continuaremn)s a constatar do accord
coin os dados scientificos e as opini6es dos sabios anti-
gos e modernos.

Em que pontos do globo tiveram logar os primeiros
levantamentos, onde appareceram os primeiros contiimen-
tes, e si existem ainda na superficie da esphera essas
erels (1) (terras) priinordiaes e.a,'gilis slo factors quea
geogenia procura coinprovar por o meio de observaqOes
e arguments series e irrefutaveis.
Nada obstante opinain muitos geologos quo talvez
p)ermaneceseml definitivamente descobertas varias ilhotas
primeiras; 6 obvio que estes pontos rrno podein ser ou-
tros, senao os que actualmente sao constituidos palas ro-
chas graniticas ou ,n ,.,',; e nao S3 achamn cobertas
por nenhuma eamnada se'limentar.eHavendo-se effectnado
sub aquis o deposit das camadas sedimentares, nao po-
dem succeder nos pontos j6 emergidos.
Pertencem commummiente a este periolo inicial as
terras graniticas da Armirnica (2) e da Vendea e o ererel

(1) Erets d'onde origina-so o nosso vocabulo tupyco ereret, 6
tambem unia palavra groga, que por sua vez vom da radical he-
braica-rasatats, calcar cor o pe, cdmerico, on da raiz sanskrita
tars, terere, star socci, arido, terra, no tupy o no grego--i, ,
ere, era, ara, 6r6, ore, cono erere, ardrat, eatera, o-6-Manan
terra, ou collinas de Manaos, que se oleva a margem do rio
Quiarino ou Ip8tuna, Or6-noco, Marien.
(2) Armorica. Esta palavra do quo hemos de tratar mais alean-
to-vei do Lacio armorwicis tractus on armorica, o do coltico
-.ar, porto, e nmq,r w, nor, n o ir, terra, iist o, terra perto d3







(planalto) central -a Franga, a part norte da Suecia, da
Noruega e da Laponia, Utah, o Or6gon e o Chili, no
Oceano Pacifico ; uma parte do Brazil e da Guyana, no
Atlantico.
0 illustre Figuier, em a sua important obra-La
Terre avant le Deluge, diz que o planalto central emer-
gido na epocha laurencianna estendia-se do norte ao sul,
desde Moulins at6 Castres, cor um afogadouro entire
Rhodez e Villefranche, e d'&ste a oeste desde Confolens
(Charente) at6 Lyon nos limiites do Rhine actual.
ContejBan aponta nas suas cartas geologicas, como
emergidas na Europa, na epocha azoica. alem dos sitios
ji nomeados, a Allemanha Central,. a Escossia, o paiz de
Galles e diversos pontos da Hespanha, da Corsega, da
Sardenha e da Turquia.
O sabio geography Elisbe Reclus reproduz em sua
magistral obra -La Terre uma carta geologica do mundo
de Marcon onde se pode observer o aspect da superfi-
cie terrestre, depois dos primeiros levantamentos (Tom.
1.0 pg. 26).
Seja como for referentemente aos primeiros sitios
emergidos, 6 indabitavel que as continents da epocha
primordial eram menos extensos que os do period actual;
ilhas mais ou menos vastas, disseminadas aqui e acold
atravez do Oceano setn limits; tal era na verdade o
aspect do nosso planet no moment ontologico da con-
junc~ao das aguas ou mares in unum locum: IAMMIM
MAKON HEAT (1)

mar, come america on ameregica signifloa terra separada do mar.
Geographicamento falando 6 uma regiSo das Galliasque compre-
hende a Bretanha. uma part da Normandia o mesmo, segundo
Julio Cesar, todas as provincias maritimas do Oeste. Plinio, falan-
do da Aquitania, diz que ella era antigamente chamada America.
Tambem design a part meridional d.a Gallia situada entire o
Rhodano e o Oceano Atlantico..
(1) lammim-esta palavra 6 hebraica e signifca-maria ou
mares; prove da forma radical maim, quo quer dizer-aguas, ou
qualquer ajuntamento consideravel do aguas. D'esta origina-so
tambem o vocabulo hebreu--lhamaim-que 6 a forma, dual da pa-
lavvrI Mt, qip signific em- geral-agua. 14amanir verA do adu






-51-


Desume-se d'ahi que as aguas (inahi) formavam urt
mar continue, um s6 mar desun (1) marchetado de innu-
meras Capiuans (ilhotas), mais ou menos extensas, de ar-
chipelagos e de raros continents, sem os isolar uns dos
outros os diversos ajuntamentos de aguas; naio havia
mares interiores, mediterraneos, phenomenon estes .que
ainda podemos observer nos numerosos ilhotes que cir-
cumdam as grandes ilhas Maraj6, Caviana e Mexiana e
varias outras derramadas por toda a bacia do grande
AmaGunmi ou Amazonas. Deve-se unicamente ao revolu-
cionamento da superficie terrestre a forana que actual-
mente apresentam os continents; a historic geologica
guard a lembranga de modificaq6es importantissimas tra-
zidas A face dos continents; pelo menos 6 o que ensi-



sham, all, e maim, aguas, ali estda as grander aguas, isto 6. aguas
assombrosas, D'esta palavra 6 quo origina-so tambem a palavra
amasonas ou amazonas, corruptela do ama, grandos aguas, e saah,
assombrosas, on lonah, Qond on ganf--rovoltas, turbinosas. Temos
no tupy, em o nosso bello idioma brazileno-os terms affiu-
amacunf, amuand, maramunham, mahah, mah,', mount, marauid
tudo signiflcando as grandes aguas..

(1) Maria, mares, mar, da radical phenicia mai, id,, mem;
depara-so oste term em quasi todas as linguas indo-asiaticas on
semiticas: no sanskrito 6 mira; no liistino idioma teutonico
maria; no antigo slavo moru; no irlandez musir, genitivo, mara; em
kimriquo e em armoricano,mor; em gothicijmarei; om escandinavo,
mar; em Ilatim, mare. Pictet diz quo ostas palavras vom da raiz
sanskrita mare, mourir. 0 tormo latin mnart pode vir tambom
do radical grego-mar, que quer dizer bonito, brilhante, donde o
latim marmor do grego marmoros, polra brilhante, marmore ; os
poetas, quer hellenos, quer latinos comparam muitas vezes o mar
a uma plani6ie de nma-more.
Podo vir tambem do grego-Maria, Marian, marie, nome da
Virgem Mae de Deus, o grande Oceano das graqas celestes on
entao do radical do adjective magys, marge, margon, que
signiflca-furioso, pelo aspocto bravio que sempre apresenta oste
salso element, Mairi, cidado, logar grand junto ao mar, mard, esteio, species
de ancoras onde se amarram as ygarit6s-para evitar o furor das
ondas do mar. Maria, mariaria, mori, mara, moru, todos mais
94t meaps tero o mBasm ralicil-jua sigauie.o




--52-


nam todos os geologos e o que se deprehende da theo-
ria geogenica. O insigne padre Fabre d'Envieu disse:
< Pode succeder que a terra nao apresentasse antigamen-
te a mesma c6nfiguraq'o que n6s vemos hoje, e. por isso,
ppdemos assegurar que o aspect da superficie terrestre
mudou unma e muitas vezes desde os primordios dos
seus levantamentos, facto affirmado. por todos os sabios
geologos, e que n6s acceitamos como certo sem temeri-
dade. >
Foi assim que outr'ora a Sicilia esteve unida d Italia,
que a Franga e a Inglaterra cstivcram ligddas & Irlanda
e a Gram-Bretanha, e at6 e:itre a Irlanda e a Hespanha
nao havia separapdo. Sdo assaz conhecidos os versos de
Virgilio, em que o poeta Mantuano refere como um dia
a Sicilia foi violentamente separada da Italia:



Haec loca vi quondam, el mn.gna convulsa rnin,
Tantum aevi longinqua valet mNtlare vetustas
Dissiluisse ferunt; cum protinus utraque tells
Uia foret, venit medio vi pontus, et undis
Hesperium siculo latus abscidit, arviaque et urbes
Littore deductas augusto interfuit aestu.

(ZEneida III, 414.)

O grande poeta Ovidio tambem recolheu a mesa
tradig o :


... Zancie quoque juncta fuisse
Dicitur Italiae, done confinia pontus
Abstli t et media tellurem repulit unda.


[Metamorph. XV 290J









Alguns escriptores notaram na palavra Reggio uma
lembranqa d'esta catastrophe,fazendo-a originaria do grego
rgnumi, eu arranco, eu plant. 0 sabio naturalista Cu-
vier recolheu todos os testemunhos antigos que attestam
esta tradicAo, como ncs diz Cesar Cantu em a sLa grande
Historia Universal (tom. 11, pag. 414.)
Nao ha quem ponha em duvida hodiernamente que
a America esteve unida terrenalmente ao norte da Asia. (1)
Logo a existencia de um continent no seio do Ocea-
no Atlantico actual 6 um facto incontroverso, e este nio
podia ser senio a grande Ilha denominada Atlantida por
Platon, o que vamos demonstrar pela tradigao dos au-
ctores antigos e modernos.






(1) Asia-Segundo Herodoto, esta regiao proven d'Asius, fliho
d'um rei da Lydia, chamado Cotys; foi habitada antigamente pelas
tribus Asciones, q et tinhao por capital uma cidade de nome Asia,
palavra significativa na lingua phoniciana,--paiz central, on do fogo e do sol, e tambem do grego---ygd (aurora), ,6os.,
,eo, ooa, oriented, aurora, d'onde a palavra tupy, XCodiad-oora), dia nascente, (Coe-
mu-pyra ,piranga,, aurora, madrugadf, ,Kousraegara., mae do
dia, do sol, ,AfiragBosara occidente.











SEGUNI)A SECCAO





CAPITTLO ITV




PAL OITomOLOUIA


S UMMARIO: -- Tradicionalismo.-Noticia da Allantida
e d'America transmittida oralmente e por es-
cripto desde Platon e Christoforo Colombo
ate os nossos dias.--Evoluhli o historic .das
tradigpes, das origens das migrapTes orien-
taes e das navegapges dos povos phenicios,
punicos e hellenos atravex do Oceano, desde
os tempos pre-historicos atd a adade media.
A Philologia comparada, seu papel his-
torico em face do tradicionalismo proeth-
nologico.-A soberana lingua Kichua.-As
navas theories paleoethnologicas sobre o po-
voamento da America, da Atlantida. -
Probabilidade do facto das migragdes asia-
ticas.-Conclusoes geraes,





-56-


...Venient annis
Secoula series quibus Oceanus
Vincula rerum taxet, et ingens
Pateat tellus, Typhisque novos
Detegat orbes, nee sit torris
Ultima Thule...

(Medca de S6neca.)

Lu!z SENECA, celebre phlilosopho, poeta e escriptor
latino, fallecido em Roma, no anno 65, da era Christan,
nos versos que acima estampamos extrahidos da sua Tra-
gedia intitulada-JIededa (1) prophetisou que no dia em
que o Oceano rompesse a seriaqao dos acontecimentos
humanos--,uma grande terra surgiria nos 4horisontes. >
E de facto esta grande terra nao 6 mais do que-
a grande terra fire da America, cuja historic antiga
vamos esbogar nos lirlites que nos traca a synthese do
tradicionalismo verbal ou ecripto.
A historic antiga da Alierica e das suas ilhas re-
monta a uma fonte longinqua, prediluviana mesmo.
No anno de 1869, um sabio orientalista,.antige Emir
do Libano, Don Henrique de Thoron publicou em Ge-
nova um curiosisismo escripto sobre a-Antiquitd de la
I,,ir,,l/i,', de l'Ocean, tomando por ponto de partida a
narativa de Platon, secundum Critias, seu av6, que ha-
Via' estudadb no Egypto. Platon refbre no Critias, no
Tlinie e na sua Republica, que em uma epocha remotis-
sima existia no meio do Oceano Atlantico uma grande
Iiha, mais extensa que a Lybia e a Asia reunidas, e que
esta ilha .dtl.;llareiieu de chfre fi'um cataclysmo.
Eis c)i. ivino Plhton, o0 iHoiero da Philosophia
.l-.%ro\e etthbl6g'icamoente no seu grandioso livro C'itias
esta m:-stl.,iosa; terra: A Atlantida era antigamente uma
Grande Ilha do Oceano, situada em face do Estreito de

(1) Mife ir. Soh ota to piraple possnuiosas tragodias-d'Euri-
pides, do S'noea, do Lu:gi Dobco, do P. Co6i oillo, do Longepierre,
de Ventignano, de Ni..:olini. d9 P. Frellegrini.'e d'Hoffman,





--57-

Hercules; era lonita, fertil, santa e maravilhosa; seus
povos, submettidos aos deuses e A virtue, viveram lon-
gos annos na innocencia e na felicidade. Mas os seus
costumes suaves e puros a principio comecaram poaco e
pouco a degenerar. Tornaram-se elles ambiciosos e
crueis e intentaram entio a conquista do imundo. Resol-
vido a punir sua impiedade, o grand Jupiter desenca-
deou contra os Atlantes furiosos vendavaes, e, no espaco
de uma noute, toda a grandiosa Atlantida desappareceu
para sempre sob as ondas revoltas do talassia oceanico! >
Estas palavras de Platon temn servido de thema a
milhares de commentaries. Uns enxergam n'esta Atlan-
tida numa parte ou todo continent americano conhecido
dos antigos; outros as Canarias,ou ainda uma terra habi-
tada pelos Atlantes. Various escriptores antigos tem fa-
lado sobejamente da Atlantida, bem como: Homero, Solon,
Hesiodo, Euripides, Strabon, Plinio, Elien. Tertuliano e
alguns padres e doutores da Egreja grega e latina. Pla-
ton sobresahe a todos pelas suasminuciosas informaq6es
sobre a Atlantida. Sua narrac:~o comprehend nio somen-
te numerosos detalhes acerca d'esta famosa ilha, que foi
submeigida por um cataclysmo diluviano, mas ainda es-
tende-se ate a descripfio da immense potoncia maritima
dos Atlantes.
As mais antigas tradiCbes do*Egypto, da Persia, da
India e da Grecia estabelecs~' claramente qne estas re-
giBes foram invadidas e civilisadas pelos Atlante?. Nep-
tuno e Saturno eram chefes atlanticos que os hellenos
divinisaram. 0 sabio Platon narra a formidavel invasao
d'este povo sobre o solo Pelasgico com um exercito com-
posto de Atlantes e de iguerreiros da Grande Terra fir-
me (a America provavelmente) submettida ao .seu domi-
nio. Esta invasao foi repellida pelos povos que habitavam
entio o territorio que, no decurso dos tempos, tornou-se
o dos Scythas, dos Pelasgios e dos Gregos. A batalha
decisiva que os libertou do jugo dos Atlantes, antes da
submersio da Atlantida, teve logar no proprio sitio oc-
cupado hoje pela cidade de Athenas.
Podinos affirmar que em lembranga d'esta mernora-







vel victoria A que Athenas recebea o nome primeiro de
ATINA, At6na vel Athena, que quer dizer Minerva, a
quem foi consagrada esta cidade,hoje conhecida por Athe-
nae, Athenon ou Athenas. Esta descoberta devemos i
Linguistica americana, ou antes devemol-a d lingua Ki-
chua, o idioma sagrado dos Incas do Periu. Esta lingua,
que 6 hoje reputada como uma Lingua primitive, que se
suppoz perdida ou desapparecida na confusgo da torre
babelica, foi ha pouco encontrada viva por Onffroy de
Thoron, no mesmo Peru, segundo prova pela sua obra
irrefutavel que escreveu e publicou con o titulo de D6-
couverte de la Langue primitive encore vivante et des Li-
mites du Paradis terrestre.
Ora, quando os Hespanhoes, conquistadores do Perl6,
se apossaram violentamente do celeste Imperio dos Incas,
este assombropo paiz chamava-se primitivamente-Tahu-
antin-Slyu, isto 6, as quatro regimes unidas. Tomando
a cidade de Cusco por centro, eram ellas a Colla-Suyu,
a regiao do Sul, o Chincha-Suyu, a region do Occi-
dente, e o Anti-Suyeu, a regiio dos Andes, nome que ge-
ralmente se confunde cor o Inti-Suyu, a regiao do le-
vante ou do sol; por6m a conquista do paiz do Oriente
nio foi levada a effeito pelos Incas, porque nao s6 elles te-
miam entranhar-se nas florestas impenetraveis, mas ainda
receiavam as populaaes guerreiras dos Guaranys, que,
jd em uma epocha remote; haviam lepellido os Kichuas
dos Amazonas para os contrafortes da cordilheira orien-
tal. Provas exuberantes d'este facto encontramol-as em
diversos nomes; tupy-guaranys que se conservam ainda
na bacia superior do alto Amazonas entire os quaes nota-
se o none indiano do rio Parandpura,afluente do Hual-
laga, que 6, como se sabe, um grande afluente do rio
Amanaii, on Amazonas. Ora, as palavras pard, parand
sho vocabulos tupys e guaranys, que significam rio, ri-
beiro, e Purana-pura (1) 6, portanto, <
(1) Pura 6, em Kichua, uma particular que indica o plural de
uma coUt dupla; olla ajunta-se a Parand, porque este rio recebe
um atlf'hte que 6 o-CachyaVf: 6 tambem uma palavra puramente
tapy-qae sigaifieo, Fheia, orheealto; parand-pura quer dizer rio
duplamenta oeklo,





-59 -


ou aos dons rios,>, cursos d'agua que descem dos flaicos
da Cordilheira Oriental. Em seguindo-se do Norte ao
Sul os aramxs dos Andes, entire as cordilheiras, a exten-
sdo do Tahuantin-Sitnq conta-se desde o 1 gr. de lati-
tude norte do Equador at6 ao 35. de latitude da costa
do Pacifico, e at6 ao 28.0 de latitude sul ao long da
Cordilheira Oriental, isto 6, na provincia Argentina do
Tucuman. '0 imperio dos Incas era bastante considera-
vel, e a lingua Kichua era a sua lingua geral, (como a
NXnhengati era a dos Tupys e Guaranys,) except a dos'
Aymaras, que se estende ainda do 15 ao 20.0 de lati-
tude meridional e do 69.0 ao 75. de longitude oeste do
meridiano de Paris.
Uma parte da Bolivia e dous departamentos do Perl,
Cusco e Arequipa, sfo povos d'Ayinaras. Estes cor cer-
teza precederam os Kichuas na occupaqao da Cordilheira,
e sua civilisacao sobrepujara por seculos a dos Incas
como podem attestar os seus monuments, que aponta-
mos no nosso livro sobre as Origens ethnicas da Ame-
rica Pre-historica. Ora esta lingua, sendo a lingua sagra-
da dos Tncas, deve center como--a lingua primitive, o
hebraico, o valor historic de todos os nomes do Ge-
nesis. Os Incas possuiam, pois, todas as tradiq6es cos-
mogonicas, eragenesicas e historical q'ie serviram de
base ao Genesis de Moys6s. *
Seja como f6r, o Kichua falado om Cusco ficou sem-
pre inquinado da accentual'o durisinmn e guttural da lin-
gua aymara do fundador da ultin:a dynastia dos Incas,
Manco-Capac ao pass que em todas as provincias ao
norte de Cusco e no Oriente das Cordilheiras a lingua
Kichua 6 doce, agradavel e sublime como a lingua grega.
E' usada ainda hoje esta lingua nas republican do Equa-
dor, do Peri, da Bolivia, ao norte da Confederacao Ar-
gentina e ao leste das Cordilheiras e esta derramada n'u-
ma grande superficie da America do Sul.
0 Kichua. que passou d'Asia para a America, ou
d'esta para aquelle continent, na epocha pre-historica das
primitivas migraq6es do globo, provavelmente foi falado
S4tlbwtidit, si 6 que auo foi ella' seu berpo original;





-60-


d'ahi passando,penetrou no rio das Amazonas, na Guya-
na brazilena, at6 que remontando ou retrocedendo o curso
de proche en proche veio estabelecer-se definitivamnente
nos contrafortes das Cordilheiras dos Andes. La estA o
verdadeiro, o puro Kichua, o Kichua antigo, que differ
necessarianente do de Cusco, tanto por sua pronunnctago,
como por ur certo numern de palavras. Em o nuinero
d'estas palavras encontra-se no pristine e genuine Ki-
chua, o verbo-ATI, que significa vener e ATIN ser ven-
cxdor -d'onde o substantive feminine -ATINA -a Victcr o-
sa, none dado a estatua e a ridade de Athena ou Athe-
nas; 6 a mesma estatua qie fAi honrada sob o none de
PALLAS, tambem do Kichua PALLA, Virgem on joven Rai-
nha, e que os Romanos chamaram Minerva. (1)
Isto posto, reatemos o fio da narrative platonica.
Este egregio chefe d'Academia atheniense, depois de nos
haver dado a posigao geographic e a extensao da Atlan-
tida (cujo none conserve ainda o mar Ozeino, que tica
entire a Europa, a Africa e a America), affirma tambem
que atraz d'esta Ilha (Atlantida) existiami grandes e nu -
merosas Ilhas (as Antilhas): que atraz d'estas existia--
A Grande Terra Firme (America). 0 quo ahi vein desi-
gnado com o nome de Terra Fir'na, diz Critias,--6 um
rerdadeiro contineWite do umra extends 'o extraord(inaria; e
para que naio haja a innor duvida, Platon ajunta que
atraz d'esta Terra-firmne esti-0 (TRANDE MAR, que hoje
chamamos o Grande Oceano, chamado tambem Oceano-
Pacifico (2) ol mar do Sul.

(1' A proposito ile romarsos, cumpre lembrar aqui a origem da
fundaQao de Roma. Sabe-so quo Romulus matou Remus, corn urna
pedrada (lithoite); ora, pedra, iti om Kichua d roumi e rami;
d'ondo a origcm verdadeira do nome de cidade e da deusa Roma.,
Roma record a urnmtempo o homioidio de Romulus o a cephas on
pedra fundamental; do Roma; costa etymologia, como a de Atina
on Athena, dove-se A Lingua Primitiva, quo so julgava perdida,
mas que oxisto viva no I eri, no Amazonas e no Haiti, como he-
mos de provar.
(2) Mar situado entro a America e a Asia: ello se confunde
ao S. corn o Oceano Glacial antarctico, e communica ao N., pelo
@streitq de Boring, coin 9 Ooeano Glacial arcttoo. Suas divisoes





-61-


Resulta d'estas tradigoes, assds justificativeis, que,
muitos seculos antes, a Phenicia, os dous Oceanos e a
America foram conhecidos e frequentados pelos povos
Atlantes, e que os Egypcios tiveram conhecimento d'elles,
como veremos mais adeante.
Corn relagao ao grande paiz de Tenochtitlan, hoje
conhecido pelo nome de Mexico on Mexitli, appellido do
dens guerreiro dos Indios, 6 tambem um facto incontro-
verso que desde a mais remote epocha foi esta regilo
parcialmente colonisada por emigrantesj da! Atlantida e
por tribus cananeas ou phenicias, vindas do Oriente. A
prova temol-a de sobejo nos escombros dos seus antigos
moimentos e no ,resto da sna popula:.lo aborigine-os
A-teques, que se consideram como os -iaznd ramuya ou
antepassados dos outros povos.
S6 o nome de Aileq basta para comprovar o nosso
asserto paleoethnologico. A etymologia d'este vocabulo
inexitleno 6 toda phenicia; 1. ax ou has, 6 o derivado de
-hdIas, trespassar, varar corn a fl6cha: d'onde az ou
hat ., flecha; 2.0 teq, do verbo hebraico tdqa on Icqe, fe-
rir. bater, enterrar, cravar a flecha em ferindo. Por esta
pequena synopse etymologica v0-se claramente que Aztdq
6 um nome d'crigem cananea; em segundo logar, que
este povo fazia uso da flecha, quer para caga, quer para
guerra; cram portanto mais nomgdes que cultivadores;
talvez fossem os primeiros emigrantes ou colonos da
America.
Seja, porem, como for, a lingua t.~ndala 6 today
pheniciana; os outros diolectos mexicanos, que sao tam-
bcm affins do hebreu e do sanskrito, de envolta comn os
dialectos das innumeras tribus aborigines do Mexico, as

principles sao: na part E. o mar Vermelho e ogolpho do Panamd;
no O.,os mares do Japao, da China,.Amarello o do Celebes. E' n'este
Ocoano que flea situada a 5.a parte do mundo,a Oceania. 0 grand
nauta Magalhaes, o primeiro europeu que sulcou estes mares em
1529, polo facto de ter encontrado em sua navegaQao sempre vents
fcvoraveis, dou-lho o nome do Mar Pacifico. Nao E tao brando e
pacifico, como so pinta, d'elle resam as chronicas os mais violentos
tomporaos.





-62-


quaes se alliavam os emigrados, soffreram como os idio-
mas das colonies phenicianas as leis fataes da dispersao
promovida pelas invasbes e os ataques successivos dos
novos conquistadores vindo do Norte. ou, por mar,dolado do
levante. Os emigrantes, vindo do Norte, affligiam-se em
extreme, quaudo ndo viam na sua march o astro do dia
(Kousrace) levantar-se nem a estrella da manhan, (yaceu-
tatd); mas desde que ao romper da aurora viam o sol,
folgavam e dansavam deante d'elle.
Eis como o Topol Vuh, seu livro sagrado em lin-
gua Kiche (1), refere estas tradiq6es;-- Elles voltavam.
seus rostos para o c6o, perguntavam a si e nao sabiam
responder o que vieram buscar e fazer tdo long. En-
tha-maloteron. (La-bas) nviam felizes os homes ne-
gros e os homes brancos; suave e bonita era a lingua
desses povos e eram fortes e intelligentes. Mas ha pai-
zes sublunares e homes cujos semblantes nio se v6,
nao tem casas, perccorrem como insensatos as montanhas,
insultando os povos das nagoes visinhas.> 0 livro sa-
grado records, portanto, a invasio dos hebreus no paiz
dos Cananeus e indica a causa da sua expatria~go, e
para que nenhuma duvida paire n'esta questio dos adve-
nas orientaes, o sacro livro Vuh dizia: << Assim falavam
as gentes de 16, onde viam nascer o sol. >
As antigas tradiq;es verbaes conteem os primeiros
dados da historic das naq6es; ellas precedem as tradi-
q6es escriptas, e como estas, se perpetuam atravez das
edades; ellas recordam geralmente as origens dos povos,
as accqes heroics. dos seus guerreiros,e nos relatam fa-
etos maravilhosos que tocam ao sobrenatural at6 sumirem-
se de todo em a noute dos tempos envolvidos no manto
mysterioso das fiqg6es poeticas, mythologicas e theogoni-
cas; d'est'arte ellas nos transmittem, cor as memories
cosmogonicas, a or&geirdos diversos cultos religiosos, nos
pintam scenas lamentabilissimas e terrificantes das con-


(1) 0 Kichd 6 a lingua mexicana, como o'lIichua e o Kincha
sao linguas aymaras ou yeruvianas.





-63-


vulubes do globo; alfim, no tradicionalismo apparecem
inesperadamente os traces das nag6es successivas, das po-
pulaq6es muito alem dos oceanos infindos!...
Si, por6m, a estes factos legendarios vem prender-
der-se algum interesse grandemente historic e geo-
graphico, 6 ever do horrem de lettras, no intuito nobre
de descobrir a verdade, descer i vasta arena das investi-
ga6es scientificas cor o soberano adminiculo da glottica
e da ethnologia.
Para fazer estas investigaq6es somos como que fora-
dos a examiner primeiramente a linguagem do povo donde
emanam as tradiq6es, e isto s6 podemos levar a effeito
mediante o estudo da philologia comparada, em cujas in-
trincadas devesas descobrem-se muita vez as pegadas de
um povo ou da humanidade inteira. Si por ventura a
lingua de um povo vem ajuntar-e alguma lingua viva
ou morta, a ponto de ter ella min parentesco evidente-
mente firmado em milhares de exemplos de identidade e
de analogia morphica, nio resta a menor duvida qle se
pode cor toda a certeza justificar, provar que sua ori-
gem 6 commum. Pela Philologia comparada a affinidade
da linguagem constata a affinidade da rata humana, e
conseguintemente o facto do monogenismo da especie
humana.
Que de problems transordinarios e sublimemente
historicos nao contem os escriptos'dos Autores da anti-
guidade?
Para se reconstruir a historic d'um povo, forca 6
remontar, quanto possivel, A sua origem barbara; porque
a escriptura e as inscripg6es sao mui posteriores i tra-
dicAo verbal; et eo ipso para se poder obter algum resul-
tado rational em proveito da historic 6 mystery procurar
nas indicaQ6es ardheographicas, na archeologia e na scien-
cia linguistica o que ha de verosimil nas tradiq6es ver-
baes on escriptas.
Em agindo por esta forma nao fazemos mais do
que p8r em pratica o method do immortal Christophoro
Colombo, que como sabio e bastante erudito, conhecia nao
s6 por informnnoes de muitos navegadores, mas sobretudo





-634-


pela fonte tradicionaria, a exislencia do grande continen-
te situado ao Oeste do Atlantico e designado, apontado
e atW descripto pelos escriptores do ethnecismo, bem como:
Critias, Platon, Solcn. Sileno. Theopompo, Aristoteles, Cicero
Strabon. Erathostenis, Macrobiq, Ml6a, Scylax, 1Elianus,
Plinio, Statius, Aristoxeno, Possidonius, Festus, Avie-
nus, Diodoro de Sicilia, Plutarcho, Sylla, Seneca e ou-
tros. (1)
D'alguns d'estes escriptores restam-nos apenas fra-
gmentos e manuscriptos ineditos d'onde milhares de auto-
res antigos e modernos ter extraido documents impor-
tantissimos, corn que poderemos tambem um dia recon-
struir a historic antiga do nosso passado.
Como quer que seja, Christophoro Colombo havia
certo adquerido a convic~go que aldm do Oceano, se
conseguisse traspassal-o, abordaria infallivelmente a um
continent ja bastantemente conhecido nas mais remotas
edades !... Sim jamais passou desaperbido ao grande na-
vegador de Genova,a Soberba, o facto de que a existen-
cia de ithmenso continent transaltlantico nunca f6ra des-
conhecida aos Egypcios, aos Phenicios, aos Gregos e aos
Romanos.
'Desde Solomon at6 Platon,desde Seneca at6 Colombo,
ja na imaginacgo dospovos se desenhavam ilhas e terras
mais ou menos phantasiosas, cujas legends terribula-
mentavam o espirito dos mais ousados marinheiros. Mr.
de Guignes demonstra coin irrecusaveis arguments que
desde o V seculo da nossa era havia communicacao entire a
China e a America;homens do.Norte e do Occidente iam e
,riham ainda no anno 1000 em busca da Ilha do Cypango,
do Cathay, da Islandia, a Ultima Thule dos antigos.
Nos seculos XIV e XV varias cartas d'estas ilhas e ter-
ras form levantadas consoante a opiniao dos illustres


(1) Roferento:nento A oty;nologia d'estes nomos preferimos a
da propria lingua autochtone; a.sim es9reveromos s3.up:o Platon,
Strabon, Christoforo, em vez dos suffixos do e vdo.





-65-


cosmographos Mandeville, Marco Polo, Toscanelli e Mar-
tim de Behain, celebre autor do Globo de Nuremberg.
Os Esquimaus communicavam-se livremente d'um conti-
nente a outro nas regi6es circumpolares.
Foi guiado pela corrente caudal do tradicionalismo
que, no dizer de Onffroy de Thoron < dut sa gloire d avoir audacieus3nment entrepris de repren-
dre atravers I'Ocean lat route des navigateurs de l'anti-
quilt. > Foi assiin que elle conseguiu sulcar mares jd
d'antes naiegados, desvelar novos mundos e eAtradar os
povos para a conquista das entresonhadas terras ameri-
canas.
A tradiqao 6, portanto, uma fonte inapreciavel e de
uma importancia capital para quem se abandon de corpo
e alma as pesquizas historical; a ella deveu Colombo os
primeiros dados para os tentamens aas viagens; por meio
d'ella obteve as primeiras noQ3es positivas sobre as novas
e antigas terras separadas, sobre esteo povos mysteriosos
d'aleni mar.
Eis como o seculo XVI logrou a ventura de testemu-
nhar a soluqao do problema do descobrimento d'America.
A tradiiao oral e escripta, que nos serve tiunbe:n
agora de have para a decifraiio do enigma das nossas
origens ethnico-brazilenas, andava co(mo que em morgado
no animo valoroso do illustrissimo varao d'aquella de nobre e poderosa sobre .os mares>> Genova, d'aquel-
le martyr, emfim, de Valladolid!
Filho de um cardador de lan e embarcadiqo desde
a edade de 15 annos, addido alternadamente ao serving
de Jean d'Anjou, de RenB de Provence e d'outros prin-
cipes italianos, ora mercando, ora cpmbatendo os Barba-
rescos, o future descobridor do Novo Mundo, o que costu-
mava assignar todas as suas cartas e correspondencias
corn a firma de:
S. S. A. S.-X. M. J.-XPO FERENS -SerclUs
Supple.r Altissimi Salvatoris, Christns Maria Joseph-
(CIHRISTOPHERENS)








... desembarcava no anno de 1470 em Lisboa, (1)
velha capital da Lusitania.
Algum tempo depois casava-se o genovez Christoforo
Colombo cor Dona Filipa, filha deMuniz de Perestrello,
cavalheiro italiano que havia governado e colonisado a ilha
de Porto Santo. Na sua infancia, Christoforo tinha estu-
dado; na Universidade de Pavia, o latim, a geometria, a
astronomia, a navegaqio e a geographia. Florescia entao
a sciencia cosmographica; os Gregos emigrados de Con-
stantinopla trouxeram comsigo para a Europa litteraria os
obras geographicas de, Strabon e de Pomponius Mela.
Emmanuel Ghrisoloras e Angelo de Sciarpiaria comega-
ram logo ao raiar do seculo XV a traduzir os livros de
Ptolomeo. A m5e de D. Filippa, ,que tambem cultivava
a geographiae a :astronomia, percelieu logo o vivo interes-
se que sea genro manifestava, para os r'egocios da na-
vega4go.
Ella referiu a Colombo o'que sabia'dos pianos do
sea marido, Ihe communicou suas ideias, suas cartas e
suas memories.
Naturalisado portuguez, sua situagao financeira tor-
nou-se uma das mais precarias; chegou a ponto de viver
apenas do product da venda das cartas geographicas que
elle proprio levantaia, e cuja excellent execuAo fel-o
relacionar-se corn Paulo Toscanelli, um dos homes mais
versados na sciencia geographica (como proprio autor que
era de um famoso Mappa-Mundi existente n'aquelle tempo.

(1) E' costa a grande capital do roino de Portugal, sita A
margem direita do rio Tagus ou Tejo; esta cidade, cuja origem
remonta a mais alta antiguidade, referee a tradiCao ter side co-
me ada no anno 3259 antes da nossa era por um bisneto de Abra-
.ham, 4e.nome Elis, d'onde o seu titulo de Elis ou Lusitania.
Passados que foram os seculos foi de novo reconstruida pelo hero
da Iliada, Ulysses, que a esta passage abicara cesualmente come
Cabral ao Brasil; d'ahi o nome que se Ihe tern dado de Ulyssea
ou Olisipo (em latim) antes da conquista romana. Segundo Plinio,
os seus primitivos incolas foram os Turdulos, 'raqa bellicosa e va-
lente, depois subjugada peles phenicios, gregos, carthaginezes e
romanos, sondo sob este ultimo dominion denominada-Felicitas J"T.
lia-pclo imperador Cesor,





-67-


Christoforo Colombo residiu por algum tempo na
ilha do Porto Santo, onde sua mulher possuia alguns bens,
e fez diversas viagens a Costa da Guind, de Cabo-Verde.
Esta Costa, era entgo o rendex-rous de todos os na-
vegadores lusitanos. Colombo,; frequentando-os assidua-
mente, nio perdia o favoravel ensejo de ouvir-lhes os.recon-
tos inuita vez prenhes de exaggeros e entreza'dos de cores
as mais phantasticas, s6 proprias para agir em imagina-
c6es ji de si imbuidas de precognitos ideas.
O espirito dos navegadores. dos- mercantes, das- po-
pula6es maritimas cada vez mais enleado pelohist*iico
das recentes descobertas acabava de receber o mais for-
midavel e 6stranho choquie.
As len-las multiplicavany-s0:e as chroaicas da gente
da mareagio enrique iam-se: de episodios, imaginosos e
de narrativas, extraordinarias.
De novo circulavam as deslumbrantes vis6es e:'s so-
nhos poeticos dos antigos; repetia-se a miudo a historic
d'Antilla. grande .ilha- do Oceano, outr'ora descoberta
pelos Carthagihezes; muitas e muitas vezes falava-se
d'Atlantida de Platon, e da sua submersio entire os in-
sulanos dos AMbres e das Canaries. Um fiabitante da ilha
da Madeira, chamado Antonio Leoni, contava que a 800
leguas ao Oeste d'esta ilha lobrigart muito ao longe'tres
terras altissimas. A imaginaqio popiaar comprazia-se em
reconhecer n'estas phantasticas visoes a ilha das Septe-
Cidades, ou a de San-Bradito,o cfija legend conservou-
se lembranca perpetuou-se at6 o meado do seculo
XVIII. Emfim a poesia, como no tempo de Sdneca, pro-
phetisava un novo hemispheric, e Pulci, o precursor de
Ariosto, annunciava a sua descoberta em notabilissimos
versos que encerravam a um tempo o presentimento de
um novo mundo e o-enunciado de verdades, que s6 em
nossos dias conseguimos constatar inediante o cncuirs6
da philologia comparada. Para maior elucidacao d'este
artigo damos aqui alguns trechos do poema heroe-comico
do poeta italiano, patricio e c)ntemporaneo de Christoforo,
Luigi Pulci, actor da obra -JIyg. .te 11 y'vjrre, tr44q-






-68-


sida em allemao por Ranke ( Vortesunqen) iber die ita-
lianische Foesie) e por Guiguend, onde l1-se o seguinte:
< Sacke, dit le Diable-Monde d R7enaud, d Astolphe,
les fils Aymon, sache que celte theorie est fausse. Le
hardi naulonnier poussera un jour sa barque bien au
loin sur les VAGUES OCCIDENTALES,plaine plaiie el unie,
quoique la terre soil faponnde en forme de roue... L'hom-
me, jadis, dtait d'ule intelligence plus 6paisse, et Hercu-
le rougirait d'apprendre' combien le plus lourd brii-
ment dpjloiera ses voiles AU DE L.i d3s c9lonrs qu'il a
rainement plantPes.
que toutes choses tendent d u't centre common; la terre
bien balane'e, par uz curietu. miystere de la volontd di-
vine, est suspendue parni les spheres etoiles. Antu anti-
podes sont des cities, des Elats, de PUISSANTS EMPIRES
qu'on n'a jamais devin s...
< Mais, vois, le soleil ss hate vers sa COURSE OCCI-
DENTALE afi)z de rejouir ces NATIONS de sa luniere at-
tendue >
Christoforo Colombo, sabido, como era, nao deixava
de toinar nota d'estas visoes propheticas, que. mais ou
menos, encerravam algo da vcrilado. quo em breve havia
de possuir. Abandonando-se de veras ao estudo da as-
tronomia e da geogaaphia, Colombo reconheceu que o
grande project que o seu espirito alimentava ia cada
vez mais afastando-se das placidas regimes do indefinivel
para os sombrios paramos das crueis realidades.
Parecia-lhe claro, evidence, consoante a esphericida-
de da terra e sua presumida grandeza, que a Europa, a
Asia, a Africa, nas suas dimensbes entao conhecidas, nao
mais formavam do que nmI parte do orbe terraqueo.
Sabia que Platon, Aristoteles, Plinio, S6neca haviam sus-
tentado a possibilidade de se passar, em pouco tempo, de
Cadix as Indias, e que Strabon collocava sob o mesmo
parallel as costas da Manritanea e as da India. Martin
Vicente, piloto, ao serviQo do rei de Portugal, lhe havia
referido que a 450 leguas ao Oeste do cabo de S. Vi-
(Opte encortrara fluctqante anua pe9a de i}adeira a4vra,





-69-

da coin um instrument de ferro. Pedro Correa, sea cu-
nhado, tinha visto tambem nas mesmas paragens peas
de madeiras identicas.
Corr6a soube do proprio rei de Portugal que volu-
mosos cannigos vinhao boiantes das ilhas para o oeste
d'Africa. Os habitantes dos Agores falavam de grandes
troncos de pinheiros que os ventos d'Oeste haviam lan-
aado nas costas aMorianas e de dous cadaveres, recolhidos
nas ilhas Flores, cujos trans dissemelhavam muito dos de
todos os povos conbecidos. Emfim um maritime, muito
amigo de Colombo, affirmava ter visto no seu trajecto para
a Irlanda uma terra ao Oeste, que sua equipagem tomara
pela extremidade da Tartaria.
Por outro lado, a conmparigao do nundo de Ptolo-
meu cor a carta mais antiga de Marin de Tyr fazia crer
a Colombo qne os antigos tinham conhecido quinze das
24 horas, de quinze graos cada uma, nas quaes Ptolomeu
dividia a superficie terrestre. Em descobrindo os Aores
e as ilhas do Cabo Verde, os Portuguezesfizeram recuar
este limited de uina hora. Restava, pois, explorer um tergo
da circumferencia terrestre. Esta lacuna, as regi6es ao
E. d'Asia, que verosimilmente se alongavam na mesma.di-
recCao para se approximar das margens occidentaes da
Africa e da Europa, deviam substituil-a em part.
Si bem que os antigos nio tivessem penetrado na
India almi dos afluentes superioret do Ganges, todavia
Plinio, Ctesias, Strabon ji haviam dado a peninsula um
enorme desenvolvimento.
As relaqoes de Ruysbroeck, d'Ascelin, de Simon de
Carpiani, de Marco-Polo, de Mandeville, suas admiraveis
descripcses das provincias ricas e populosas de Cathay e
de Mangi, da ilha de Cipango muito contribuiram para
atenuar os erros pal6ogeographicos.
Christoforo Colombo estava convencido de que os
Portuguezes nao haviam procurado o caminho mais di-
recto e mais seguro para chegar as Indias. Pois que o
continent asiatico, a media que avangava para o Este,
devia se approximar, em razao mesa da esphericidale
da teria, das ilhas recentemente desco.ertas ao Oeste






-70-


da Europa; portanto o caminho mais curto entire a Eu-
ropa e a India devia se achar navegando-se para Oeste.
Si Christoforo Colombo tivesse algumas duvidas a tal
respeito, corn certeza o seu amigo Toscanelli as teria
levantado. E de feito, em 1474, elle lhe enderecava a
copia de uma carta que tinha escripto a Fernando Mar-
tinez, sabio conego de Lisboa. N'esta carta Toscanelli
sustentava a possibilidade de chegar As Indias por uma
navegagao direct ao Oeste. Affirmava que a distancia de
Lisboa A provincia de Mangi, perto de Cathay, nio ex-
cedia a quatro mil milhas. Accrescenta a ainda mais que
as ilhas de Cipango e d'Antilla, distantes uma da outra
duzentos ,e vinte e cinco leguas apenas, se encontram n'este
rumo, e que ellas offereciam excellentes ancoradouros e
todas as facilidades para os abastecimentos.
Grande e bien heureuse erreur, exclama Mr. de
Anville, qui, en deguisant les distances rcelles, n'a pu
qu'enhardir Colomb d tenter son audacieuse ent? eprise et
le 'conduire a la plus grande decouverte de terres nou-
velles !
O illustre barao d'Humboldt descreve, n'uma pagi-
na magihifica do seu Exame critico sobre a geographic
do Novo Continente,a importancia da descoberta de Chris-
toforo Colombo: < quadrupedes, que a Apierica apresentava ao naturalista,
a immensa cadeia de montanhas, que a percorria em todo
o sentido de sua longura, como que apresentando-a ao
exame do physico e do geologo; as numerosas ravas de
homes cor de cobre, vermelhos, amarellos, pardos, bron-
zeos, alguns quasi negros, outros brancos, tudo isto vi-
nha collocar-se como um enigma a desafiar a curiosi-
dade do antropologista. Nunca, desde o estabelecimento
das sociedades, a esphera das ideas relatives ao mundo
exterior engrandeceu-qe de uma maneira tao prodigiosa;
nunca sentiu o bomem necessidade tao instant de estu-
dar vivamente a natureza e de multiplicar os meios de
prescrutal-a corn successor >
A variedade da raga humana que vivia na America
nao podia deixar de excitar a curiosidade dos sabios e






-71-


dos homens de lettras, assim como nao podia deixar de
chamar a sua attenqao para saber o como e por quem
foi este continent povoado pela prineira vez. Hontem
ccmo hoje, este probl~cia, si nada tcm de philosophico
no sEntido estricto da ralavra, ccno rnsa Alexandre de
Hrmnioldt, )ae cahirdo maiajilhos~(nete no grande do-
minio das sci(ncias raluracs. Nfo La picbl(kra que mais
tenha actualmente excitado a ilragina'o dos sabios
e engendrado major scmna de syst(mas do que o pro-
blema das origens das nosEas rayas pre-historicas. A
historic da ralecclhnclcgia nir:iciara rcs assEmbia.
Nao ha sabio nDm litterato que a seu lalante nIo haja
querido povoar o nosso continent christopherico.
Os mais doutos affirmaram, e continua-se a affirmar
por pennas as mais aparadas e ao ensombro dos mais
distinctos Thilolcgcs .cdeir.c, cre nEo sEmcnte os
Phenicios, os Gregos e cs Cairiagirczcs, que eram
os mais antigos e cusados nauticos, mns ainda os Egy-
pcios, os Isrielitas e cs AiySs froim raluialm]nte os
grandes antecessores, os d(cam7itcrs do inircital genovez.
Assim 6 que cmmos Hancanius e Scffridus inticduzirem
no Chili os latavos Fris6es d'cnvolta cc ( cs, Lrcteros,
os marscs, angrirariclics, (hliatcs e (Icn; cvcs; Guillau-
me Postel, Jacques Charron, Abraham Millibs 14 aloja-
ram os Gaulezes; Huet e Kircher, constituiram-se advo-
gados dos Egypcios, emquanto que Vatable e Robert
Etienne descobriram o Ophir na terra' fire da America do
$ul.
Arius Montanus vae mais long ainda: nao satisfeito
de collocar Ophir e Parvain sobre as costas do Mexico,
da Jectan, filho de Heber, como um dos fundadores do
imperio peruviano, faz emigrar Joab, (1) outro filho do


(1) Filho de Joktan, foi fundador de Jafa ou Java e emigrou de-
pois para o Brazil pelo Isthmo de Pimichin abrindo caminho pelas
montanhas Javitas-chegon ate o rio Java on Javary no Amazo-
nas, como demonstraremos na capitulo V. Para n6s nao ha mais
difficuldade em admittir a colonisagao dos fllhos de Jectan-Ophir
Hevita e Jobab na America.








mesmo patriarcha,para a costa ou golpho do Paria, e encor-
pora a cadeia de Sephar ou Sephara (1) na cadeia dos
Andes. Outros sabios interpretes das Escripturas Santas
asseveram que varias tribus d'Israel levadas em captiveiro
por Salmanazar atravessaram o Atlantico. Esta these, que
no seculo XVII teve por defensores o luso philologo
Moraes, o inglez Thorough God e o celebre rabino de
Amsterdam, Manach Ben Israel, sedusiu no seguinte se-
culo ao grande e illustre Adair, como se lI na sua-
Histoir of the American Antiquities, livro importantis-
simo sob todo o ponto de vista scientific. Existe d'este
interessante e consciencioso trabalho uma magnifica com-
pilagao de Lord Kingsboroud que 6realmente o que subsis-
te de mais complete sobre este systenmapaleoethnologico. 0
povoamento do antigo Continente americano pelas tribus
de Cannaan, rechaqadas por Josu6, constitute tambem as-
sumpto de uma important th6se sustentada por Goma-
ra, Jean de Lery, Marie Lescarbot, e ulteriormente pelo
americano Styles.
Um grande nome que vae surgil n'esta arena paleoeth-
ihologa, 6 o de Hugues de Groot, a um tempo publicista,
jurisconsulto, theologo, philologo, historiador, antiquario.
0 livro de Grotius--De Origine gentium ianerica-
num-appareceu em 1642, e inaugurou o system. que
podemos chamar-a theoria das origens complexes.
Segundo a opini5i d'este sabio a America do Norte
se povoara, per viam de Islandia e Groenlandia, de No-
ruegos, Dinamarguezes, SuBcos, emquanto o Yucatan re-
cebia os seus primeiros habitantes da Ethiopia, e a Ame-
rica do Sul, da Nova Guin6, de Java (2) e das Mollucas,
illias da Oceania, na Notasia.

(1) Sephar on Sephara 6 o nome de uma montanha do oriented,
habitada polos Indos Abbiras on Cabiras, chamada Sophir on Ophir
polos Sotenta, Sofala on Soufala pelos Arabes o Chinezes, Supara
on Sipp ,em pelos Gr'gos, o qual fiome correspond no tupy ao
nosqo.nome indigena Supza on S.pir'ari', como adoante indicamos
da ianeira a mniis clara e positive.
i2) k exactamnonto esta a calonia Javita (de fobab), que se
esteu Ia dos'le o Orinoco at o Java-ry no Amazonas.






-73-


Grotius creou, entretanto, uma excepQAo para os Pe-
ruvianos, cujas leis, costumes, governor lhe pareciam tra-
hir uma origem chineza. Jean de Lery cotnbateu tenaz-
mente esta theoria, mas em compensa'lo substituiu-a pelas
suas proprias chimeras, fazendo dos Celtas o primeiro
nucleo da populacao americana.
Georges de Horn no seu livro--Deoriginibus A'neri-
canis-excluiu por sua conta e risco do catalog povoan-
te os Scandinavos e os Hebreus, os Chananeos e os In-
diaticos; mas por seu lado acolheu os Tartaros. os Hnios
os Chinezes, os Japonezes e sobretudo as Phenicios, no
que andou mais bern avisado, mormente na accepcgo dos
ultimos que foram juntameate con os Ayranos e os
Egypcios os primitives colonos da America, pelo facto ir-
recusavel de haver implantado e mesclado a sua lingua
vernacula corn os idiomas autochtones dos nossos abori-
gines, como adeante demonstramnj.i ci)m os proprios dados
da Linguistica ;americo-brazilena.
O escriptor arabe Cosmas Indicopleiistes descreve
o seu Manu-ry ou regiAo do ouro. que elle colloca em
forma de quadrado bem de front do antigo continent. e
confunde tambem a America 'com a Atlantida de Platon.
Gaffarel em engenhosos e lucilantes artigos, lancados
na Retvue de Geonrraphie (de Paris, de Abril, Junho e
Julho de 1880, sustenta quo Amnrica foi povoada pelas
colonies do povo Atlante.
Al6m dos auctores antigos que tdrn falado da Atlan-
tida, como Platon, Aristoteles, Solon, Homero, Hesiodo,
Euripides, Strabon, Plinio, Elien, Tertuliano e outros ji
mencionados, innumeros escriptores modernos e contem-
poraneos d'ella tem-se occupado sobejamente. Grande 6
o numero de sabios que discute nmvamente a existencia
e o sitio d'este continent desapparecido. Entre os mo-
dernos e contemporaneous contamos os seguintes: Sir
Francis Bacon, o illustre Chanceller de Inglaterra, emi-
nente philosophy que preconisou o method experimental
hoje tdo favoravel ao progress das sciencias e que cor
seus estudos abriu a porta is grandes invenc6es moder-
4$a. 0 fan4oso actor do Novum OQraann e de Aumnw)e,-





-74-


tis scientiarumn-para provar a sua sagacidade inventive
compoz tamhemn uma obra monumental sob o titulo de
New Atlantide, obra qne apesar de incomplete contem a
exposiqao dos seus mais bellos id6aes no tocante asiscien-
cias naturaes, a philosophia e a political. Luiz Pierre Ma-
rie Francois Baour Lormian, illustre tragico .francez,
insigne traductor da Jerusalem Liberata de Tasso, alem
de innumeras tragedies, operas e poemas, escroveu tam-
bem um important poema em 4 cantos L'Allantide ou
Le Geant de la Montague blue, seguido de Trente-huit
Songes em prosa. Jean Sylvain Bailly, sabio litterato e
astronomo distinct, actor da grandiosa Histoire de l'as-
tronomie indienne et oriental. (1787 in 4.), al6m das suas
importantes-Lettres sur I'origine des sciences-compoz
um livro sobre a Atlantida de Platon (1779-in 8.0),
onde procurou demonstrar admiravelmente a existencia
de uma civilisaqio primitive entire povos que elle collo-
cou na Tartaria Septentrional encontrando n'esta civili-
sag o a origem da dos Chinezes, dos Indios, dos Gregos,
e de todas as outras naqSes antigas. Este system re-
volucionou' o mundo litterario d'entao e elevou ao maior
grAo de sublimidade o talent e engenho do egregio
membro* da Academia Franceza, de Rouen, de Berlin,
o rival do Cook, do Padre La Caille, de Gresset, de
MoliBre, de Corneille, I alebranche, de Leibnitz, cujos
elogios estampou em os seus bellos Discours et Me-
moires de 1770. Em nossos dias a Allantida, assim como
aquelle Continente perdido de que nos fala Plutarco
tem inspirado as nossos id6aes.
O profundo naturalista e philologo A. de Humboldt
discreteando a proposito da existencia real da Atlantida
disse com today refeikgo .Les mythes gdographiques sont
vraiment la SOURCE ANTIQUE des premiers APERQUS de
cosmographie et de phyl/s4e. O illustre physico Arago
dizia ha pouco, citando Aristoteles, o seguinte sobre a
Atlantida de Platon: cceluiqui avail crde reellement I'Atlan-
tide l'a detruite rdellement. ,
Latraaina, Rnouvier, Ienry Martin falando do ca-
racter pVqramejte mythico e philosophico que offerece a






-75-


narrative platonica, no ponto em que ella intercala no
dialogo do Timeo o filho d'Ariston, suppoem egualmente
a existencia dos Atlantes, antigo jiovo que habitava uma
grande ilha ao norte das columns de Hercules, as in-
vasoes d'estes barbaros sendo repellidas pelos athenien-
ses, no' tempo em que elles estavam submettidos as leis
do Egypto. Platon, dizem Renouvier e Maurice Pel-
lison, descreve a maneira porque o terremoto fez desap-
parecer a Atlantida e o mar submergiu a Attica; declara
Platon cque uma admiravel conformidade existe entire as
instituigbes da Atlantida e as da antiga Grecia e do Egy-
pto. Nossos anwetras e os cidadlios da minha republican
ideal serao os mesmos que vimos figurar nas conquistas
da Lybia na Africa e da Tyrrhenia (1) na Europa.> Sa-
bemos que a historic dos Atlantes era essencial ao piano
republic idealisado pelo' grande philosophy grego, que
fatigado da mobilidade e character versatile do espirito hel-
lenico collocou n'um passado longinquo o seu ideal so-
ciologico, o modelo, emfim, de sua sabedoria political;
Platon retrogradando bruscamente para a unidade e im-
mobilidade do Oriente e passando do dominio da theo-
dicea para o da political, quiz, sem duvida, que o espirito
grego o acompanhasse na sua evolugFo mental, atravez
do athroismo philosophico da sta republican imaginaria.
Latreille 'colloca a Atlantida na Persia e Rudebeck na
Escandinavia.
Seja como for, tudo quanto temos dito referente-
mente a historic d'esta ilha e da sua posjiio geographic
demonstra cabalmente que os antigos tiveram mais ou
menos conhecimento claro, director, immediate e espon-
taneo da existencia verdadeira dos novbs continents
americo-brazilenos que depois seplraram-se dos antigos
continentes; separaqges naturalmente devidas a posterio-


(1) Tyrrhenia, nome que significa ora a populag o pelasgica
do Etruria, ora diversas tribug pelasgicas maritimas da Italia. Os
antigos davam tambem aos tyrrhenos o nome de Lydios, oriun-
dos da Lydia. Bram colebres Ponwo navegadores q sobrotudo como
pirates.








res phenomenon geognosicos, que jd estudamos nos pri-
meiros capitulos da primeira seccao deste livro.
Effectivamente, d'este acervo de systems contradi-
ctorios, de hypotheses aventurosas e de reaes divagaqces,
a critical modern ja conseguiu tirar alguns resultados me-
nos problematicos. Circumscrevendo o problema paleoeth-
nologico e libertando-o accidentalmente dos liames de
seus dados arbitr.rirs, a sciencia pode hoje affirmar sem
temeridade alguma e corn certeza mathematics que ou-
tr'ora houve communicaqSes entire os dous hemispherios.
E' hoje verdade incontr, ersa e primeiro ponto des-
cutido-a facilidade de co:n'riinica;ao entire os dous con-
tinentes e das migraCQes d'umn para o outro nos tempos
pre-historicos. 0 profundo geologo Sir Charles Lyell, ima-
ginando a especie humana toda inteira redusida a uma
s6 familiar, relegada emn uma ilha polynesica, opinava que
estes insulares, no decurso das. edades, chegariam a es-
palhar-se por sobre a face da terra, dispersos, uns pelo
pendor natural de procurarem recursos em regimes mais
vastas, outros, pelo facto de serem casualmente arreba-
tados dentro de suas pirogas e levados pelas mares e
as correntes impAtuos's para longinquas paragens. Com
razao, disse Latino Coelho, ten-se chamado a America
Novo-Mundo (qui:,i mais vwlho qne a vclhla Europa) por
quo em si temr quanto*pode advinhar a phantasia, appA-
tecer a ambigao Porem, emquanto,ao povoamento d'este
pretense Novo Miundo, nao ha mystery de recorrer a
phantasia; porque entire o sudoeste da Asia e noroeste
da America existem pontos de contact tao numerosos a
inquirir onde acaba uma e onde come-a a outra.
Na latitude de 65,0 50', uma linha tirada atravez do
estreito de Behring, do cabo do principle de Galles ao
cabo Tschowkostkoy, nao chegaria a medir uma distancia
de 60 kilometros, que tres pequenas ilhas divided, e esti
provado como cousa certissima que tribus asiaticas po-
deram chegar. de ilhota em ilhota, d'um continent ao
outro sem fazer ao largo mais de vinte quatro on de
trinta e seis leguas. Emffin da Mandchuria ao pro-
montorio de Alaska, 9 Japwo, as Kourilas, as Aleucians


--79-






-''-


formam uma cadeia quasi continue, de sorte que a
longa navegaqfo por mar nao excederia duzentas milhas,
se:n nunca, do ambos os lados, powder afastar-se o cami-
nho da costa por mais de quarenta leguas.
A possibilidade, portanto, das migrac6es entire os
velhos e novos continents, 6 um facto que nio padece du-
vida e detodo ponto irrecusaxel: o nais dilficil fixar seu
ponto de 'artida e sua direcqfo. Ao estrear-se estas im-
mensas pesquizas e rebuscas pre-historico-americanas,
Humboldt disse que os Tolt6ques e os Azteques do araxd
mexicano podiam bem provir d'esses Hiongnoux que,
mesclados aos Hunos e a outras hordas do ramo Tenni
on Araliano, devastaram as mais bells parties do mundo
civilisado, e, sob o mando (u 'seu chdfe Ponou (1) per-
deram-se, como dizem os historiadores chinezes,nos de-
sertos da Siberia. (Vid. Tableau de la Nature, 1, 53).
Fazendo este sabio allemi.o um exame demorado entire
os similes da civilisagdo mexicana e as civilisa6es da
Alta-Asia,-elle assignala tres grades factors notabissimos
d'approximagrcs entire o Mexico e o Thibet, na. hierar-
chia ecclesiastica, que sdo as penitencias, os zodiacos e
astronomia.
D'este complex d'analogias, Humboldt dedusia de
uma maneira indubitavel-a communidade de origem dos
Asiaticos e dos Aomericanos. ( Vis des Cordillhres, etc.)
S0 illustre anthropologist nao satisfeito com estas
illag6es ethnographicas manifesto o desejo de ver dis-
sipar-se por meio de um estudo mais acurado e profun-
do das linguas asiaticas e dos idiomas americanos os errors
e as duvidas que a anthropologia moderna alimenta
ainda sobre o problema das origens ethnicas da Ameri-
ca pre-historica. Todavia, diz elle em a sua Nouvelle Es-
paqne

(1) Em a nossa lingua brazitona temos palavras analogas a
esta, como pono, ponwu, ponan, pinum, peno, pind, que significam
trabalho, uitiiga, traque on vento do maricd etc.






-78-


das do que os Americanos e os Mongoes (1), salvo pe-
quenas differenciaqSes de ordens osteologicas. )
As antiguidades do Mexico, os monumentos que en-
tulham a planicie de Micaotl, as pyramides truncadas e
bipartidas, feitas de enxilharias, como o temple de Belus
em Babylonia, arrebatam para a Asia Central o pensamen-
to do historiador mexicano antes da conquista castelhana.
0 illustre Brasseur de Bourbourg nao contradiz
esta hypothese da origem mongolica, todavia consider,
como n6s, a raga americana on brAzilena como uma raqa
separada do seu tronco durante uma longa series de se-
culos, opinifo que sustentam Clavigero, Gallatin, e o mes-
mo Humboldt, que tambem nao admitted o system de
um povoamento monogeneo.
A ethnologia e a. ethnographia, como vimos, tem-nos
dado provas revelando entire os povos do Novo-Mundo
a presenga dos tres elements ethnicos, caracteristicos
das racas humans, a cur branca, amarella e preta. O
typo amarello domina entse os povos arcticos assim como
nas families Mexicana, Athabascana, Or6goiana, PuBbl6a-
na, e pronuncia-se visivelmente em varias families me-
ridionaes, exempli gratia, nos Guaranys; sendo que, o
grupo dos Metarianos (botucudos) record traqo por trago
a physionomia das populac6es chinezas on indo-chinas, a
ponto de Mr. Augusto de Saint-Hilaire em seu livro-
Voyage dans l'interieuf du Brezil-dizer que coudos traitent les Chiyois d'ONCLES quand ils les ren-
contrent dans les ports b? tiliens.>

(1) Mong6es, povos do Indostao Septentrlonal e do Koracan,
d'onde vem a nossa palavra tupy-Kourascon, kourac8, Cuaraci,
que quer dizer sol. Sabe-se qae a Mongolia era o paiz mais bri-
1hante e mais rico da Asia. Suas tribus, que eram tao numerosas
como as nossas tribus brazilonas, ospalhadas no Thibet e na India
tinham os nomes de :-Khochet (cox6 no tupy), Dezoungaros, Durbet,
Torgout, Kalmukos, Eleuthes, Khalkds (cdicds)no tupy,(Couriate) Cou-
rid no tupy), Khortchin, Naimans- (Caiomam no tupy), Toumet
Tougunt (tungara no tupy). Dividem-se estas tribus mong6es em
mtong6es orientaes e occidentaes. O imperio do Grao-Mongol foi
fuadado por Tamerlho e comegou no reino do seu neto Babor.
Bsta regiao oommunica com a China.





-17-


0 grande geographo Maltebrun indica migraq5es dos
Ainos, dos Kourilenos, dos Japonezes, que deveriam ter
seguido pelas margens do Pacifico at6 o Mexico, e segun-
do a opiniao de Seibold, ate ao Rio-Gila.
O typo branco mostra-se quasi puro n'uma grande
parte da familiar dos Pelles- Vermelhas norte-americanos,
e no sul, na familiar Antisaniana, embora em grau pouco
notavel.
Quanto ao element negro, foi encontrado por Bal-
b8a no seu estado pur6 quando elle atravessou o isthmo
de Darien.
Estes pequenos elements mais on menos negros,
cnjos representantes se eacontram ainda nas margens do
Kouro-Sivo e nas correntes equatoriaes do Atlantico e
suas divis6es, emigraram naturahnente por accidents
maritimos dos archipelagos Asiaticos e d'Africa para as
costas d'America, onde em pequeno numero se mescla-
ram corn as ragas locaes, e tem formado grupos isolados
que jamais poderam confundir-se com as visinhas raqas
aborigines.
Mr. de Quatrefages, que 6 tambem uma grande au-
ctoridade n'esuas materials, e que esposa egualine'nte estas
opini6es, affirma na sua important obra andrologica -
L'Espece humaine, que os Chinezes conheciam a America
muito antes dos Europeos conhecel-a s6 por meras in-
dicaQ6es paleogebgraphicas ou datos legendarios. Foi
realmente esta a these que sustentou de Guignes no fim
do seculo XVIII.
Falando elle a proposito dos livros chinezes, confir-
ma a existencia de um paiz denominado Fousmng, situa-
do ao oeste da China, o qual excedia muito aos limits
da Asia.
Mr. de Guignes nao hesitou em identifical-o cor a
America; este system mereceu franca adhesio de Mrs.
d'Eichtal e Paravey, apesar da contradicta do philologo
Klaproth e do illustre geogrqpho Vivien de Saint-Martin.
O grande anthropologist Quatrefages refutando as
raz6es de Vivien conclue dizendo que os Chinezes co-
aheciam desde longa data a bussola e que os habitantea









do Celeste Imperio possuiam cartas geographicas muito
superiores aos nossos rudimentares e informes ensaios
medievos. Emfim, quanto ao pretense erro de distancia
notado por Klaproth, 6 puramente inexistente; e de feito,
Mr. Paravey colloca o Fousang, a 20:000 LI da China;
ora o LI, segundo o computo do sabio sinologo Mr. Pan-
thier, vale 444 metros. Logo seguindo-se as correntes do
famoso Kouro-Sivo, os presents dados nos transportam
precisamente a California, 1A onde vio esbarrar os juncos
e cannicos abandonados, como que apontando o caminho
a percorrer da Asia para a America.
Do que temos expendido at6 aqui desume-se que
no estado actual da sciencia 6 absolutamente impossivel
hoje negar o facto .ethnologico da descendencia Indo-
Asiatica, mormente contando tantos documentss paleo-
ethnologos, tantos propugnadores e affirmaqbes tdo cathe-
goricas e brilhantes como estas e outras de eguaes me-
ntos: < We now know that the inhabitants of the norih-
east of Asia hare at the different times passed over to the
norlh-west of America, as in the case of the Tscktschi,
who'are found in both continents. (Buckle, History of
Civilisalion in England vol. 1.)







WA,









TEIICEIRA SEci


C ---Plr U -j --


CAPIZTTLQO V



IOHTONIA BR AZ!LENA


SUMMIARIO:. -- Populac(.r autochtone no pcriodo gco-
logico.-Epocha do povoamentoo do Brazil.
--Ophir.-As colonias Ophiricas on India
nas no Brasil.-Provas demonstrativas d'este
facto.-O nome America.--Monte Sephar.
Opini6es dos sabios. As colonies de 0-
phir, Herila e Jobab.-O rocabulo greyo
Suppara que 6 identico ao rocabulo tupy
Suparard--a o mesmo Ophir Indico.-Opi-
niito de Agassi .-0 pai:. de K~ivilah ou
da Phrata d a mesnm t rcgiito platina on do
IPrta. Ophir d o inesmo Albordy on Hard-
Bere,.aitli dos Aryanos c correspond ao
nosso nome Bhra:il.--laraj--o Ayriauene
Vaedj6. Aritas on Aryans. As Ami-
ctnales oil Amaxonas.-Karila, Kouch ou
,ftrtfa, Yariccha,- Souffa.-- Os ,Je .rf,







nidas.- Messa.-Sephara.- Oupa-Mira, Oni-
pa- er, Pamir, Par mira e Pamird sio
nomes correspondents aos nossos Parima
e Parimd.--Axarrhoth d o Rio S. Francisco.
-0 Rio de Soliman e seus afluentes.-
0 Hevila, o paix, do Sul, situado na ba-
cia do Prdta. Jobab ou Javila, a regirio
d'Ocste, sito entire o valle de Maria e o
Orinoko. Phaleg ou Pimichim.- Roteiro
das Colonias Jectanidas.-Conclus6es.


Na incerteza em que laboravamos at6 agora sobre
as antiguidades americanas, 6-nos precise semeiologica-
mente admittir a existencia de uma populagdo primitive,
autochtone do continent no period do home geolo-
gico, transmigrag es do Velho Mundo em epocas poste-
riores, e, finalmente. algumas transmutaSes das tribus
americanas entire si.
E' o que vamos examiner n'esta sec fo A luz dos
factos paleoethnologicos e dos estudos da Glottica bra-
xilena em memorial do 4I. Centenario da posterior des-
coberta e conquista dB Brazil pelos Lusitanos.


All OCCID)ENTE LUX!

Consoante a opiniTo 'dos mais afamados e doutos
chronistas da Compauhia de Jesus, sabe-se que o povoa-
mento do Brazil devia ter comegado pelos annos da crea-
qio do mundo de 1700 depois do diluvio, e antes da
vinda de Christo ao mundo 2088 annos.
Corn toda a plausibilidade de certeza o primeiro po-
voador do Brazil foi OPHIR Indico, filho de Jectan, neto
de Heber, aquelle de quem fala a Santa Biblia no capi-
tulo X, quando trata da genealogia dos filhos$ de Japhet,





-83-


de Oham e de Sem (1), a quem coube tambem a gloria
de funrar verdadeiramente a India, tao enthusiasticamente
saudada par Louis Jacolliot como a alma parents e a
rainha cre'dora da civilisacfo do mundo, nasceu, diz o
erudito Frei Petrus Gual, da odiada familiar dos grande
Patriarchas da fd, Abraham e Moys6s.
OPHIR, undecimo filho le Ioktan, da sexta geraclo
de NoB, pela linha de Sein, 6 o pae, 6 o lidimo funda-
dor da India. (2)
Fosse que ao undecimo filho do Jectan, irmao de
Phaleg, chamasse Moyss--Ophir, por haver sido funda-
dor da India, isto 6 do povo do fin do mundc Oriental;
fosse porque ease filho de loktan, chainalo Ophir, irmnao
de Khavila e Jobab, desse seu none d India; 6 indu-
bitavel que na Biblia-OPHIR 6 a INDIA. O livro mais
antigo, que nos fala da India, 6 o de Job, escripto, se-
gundo alguns, por Moys6s. e segundo outros, e o que e
mais certo, pelo proprio Salonmfo, 977 annos antes da
era christan.
No capitulo XXVIII, V. 16, elogiando a excIllencia
da Sabedoria, o texto grego original diz: < Nao 6 com-
paravel dis pedraspreciosas de OPHIIR,que a Vulgata La-
tina traduz assim: < Non conifertr tinctis INDIAE Colo-
ribaus>..-O Ophir hebreo, portanto, 6 a mesma India,
logar, onde no dizer de Cetesias e outros, abundam o
ouro e essas preciosas itUis (lithos) ,L ceres lindas e va-
riegadas.
Voltando ao nosso Ophir Indic. pae da India Orien-
tal, nao ha pois, difficuldade nein reluctancia alguma em
admittil-o egualmente como fundador ou ur dos primei-
ros povoadores da America. E de feito, o illustre filho
de loktan, depois de haver fund a India Oriental, pas-


(1) Genesis, cap. X v. 25. Nali stunt Heber (a quo Hebrei)
flii duo: nomn. uni-Phaleq, et nomen fratris ejus Jeean;
29 Et Ophi/r, et HE ila, e Jonab : omnns isti fliii Jectan.
(2) Ophir, et Hevila, Hin,: Indi, et oariae Indorum
Gentes. (Hebrei, Chad. et GrAci. noninis intcrpretatio in fle
Pibli -Vilgstat-trae. M., Drion-p-. 35),





-84-


sou d'esta a povoar e assenhorear-se da regiao d'Ame-
rica, penetrando pela parte do Par(d e Mexico at6 o Brazil
entrando n'esta parte pelo grande rio das Amazonas
como veremos mais adeante. D'este Ophir Indico, seu
primeiro povoador, deviam naturalmente os habitantes do
Brazil tomar o nome de Indios, e assim toda a Re-
giao da India Occidental, como mui bem se express o
doutissimo Calmat. < Ophir, hian InIi, et variae Indo-
run? gentes!
E por causa do mesmo nome ji demonstramos em
os nossos Estudos de Philg)ji't Onto-biologica (1) que
America era o mesmo Ophir, o tao celebralo colony do sa-
grado e oriental monte Seph tr, de que resa a Sagrada
Escriptura quanlo diz: E fac!a est hzbilatio eorunz de
Messa psorgqeibus zus'p. Sph.-r MjAtein OrientalenL.
(Gen. liv. X. v. 30.)
A palavra Ophir, Auphir ou Ofir, que na lingua he-
braica significa-Finm, e que na lingua indiana se traduz
por- Finis-Iniia, quer dizer Ultimno lo/ar do mundo
conhecido; ora,a palavra Ameriga on America, como n6s
jddemonstramos (2),significa tamnben os confins da terra
ou o ultimo limited da Costa da India Oriental. No livro
que temos preparado para publicar depois d'este, prova-
remos quo o nome-Ameriga ou America, por que 6 co-
nhecido o continent do Novo Mundo, n;io ter a orige!n,
at6 hoje acceita somente por alguns historiadores lusos,
que attribuem-na sem provas ao nome do florentino Ane-
righo Vespucci, e sim d formagio.de raizes gregas, cuja


(1I Este trabalho que jApnblicamos na Tuba revista scienti-
flea da nossa Arcadia Americana-sob nossa exclusive redacpao,
esperamos enfechal-o n'um s6 livro e edital-o com o titalo de-
Origens Ethnicas d'America Pre-historica.
(2) 0 escriptor paraense, o Sr. Candido Costa, author do uma
recent these intitulada-Quem dfscobria o Brazil? faz refe-
rencia a este nosso trabalho, copiando no sou livro sobro o Brazil,
pag. 399, os nossos dizeres sobre a origem da palavra-Am/erica,
transumpto do que exararmos nos pumeros 44 J 'uboi de fevrreirp
dl 1896 a 1897,





-85-


lingua foi outr'ora muito conhecida e estudada pelos sa-
bios antigos e modernos,e d'ahi nasce a opinigo plausi-
vel de ter vindo a palavra America do termo-Amero-
gaia que quer dizer terra mui remota do antigo mundo.
Eis o que-escrevemos na Tqla, revisla scientific da Ar-
cadia Americana, cm 3 de Fevereiro de 1896 a proposito
da origem do teimo America. palavra tupy -c'america ou america, vejo que este nome
6 composto totalmente de radicaea gregos 0 nosso vo-
cabulo america, que por concordancia alliterativa e por
meio de apherese originou-se do verbo tupy- C'AMERI-
CA que significa nao s6 amassar, mas tambem pitar, di-
vidir, separar etc., veio do vocabulo grego ameroghaia
nome composto de meir6,separar. divid(ir, tocar, e ghaia-
terra, com a particular augmentativa-A, e faz por agglu-
tinaqio-amneirogaia. por alteraaio exegetica, semeiotica
ou latente amerogea. amerina ou amirica, significando
terra mui remote, separada do velho mundo, onde nao
se podia tocar, pisar on attingir ; ou entio de- amyrios
ou myrion, muito, e de gco, gaia, terra, (1) que quer di-
zer: terra muito grande, muito distant, separada em-
fim. Isto nio admira, porque 6 cousa muito vulgar nas
linguas indo-europeas, aryanas ou semiticas a mudanqa
ou troca de lettras, como tambem mui usuaes sAo os phe-
nomenos metaplasticos observados nos vocabulos oriun-
dos do sanskrito, grego e latim.
VERBI GRATIA: nos vocabulos semitico-aryanos, ve-
mos: -Pardis por parddadpo (paraizo ou gran-eden); prin
ga por hdm6niring (perinqga no tupy indo-amazonico);
Hodou. Hondou (hebreu) por Hrandou, (Zmndo); Sind,
Sindhe, I uldus, Ldon ou In do (Zwndo-Sm.skrito) tudo si-
gnificando a India; Packrita por Sinskrita (lingua zend.)
Os nomes sanskrito M- nouh, Manoiu, Maud, MIni,(homem
proto-typo), sio abreviaqSes do norge hebraico M'noti-


(1) 0 grande philologo e historiador lusitano-Constancio-emn
a sna Histo ria dol Brazil tambem 6 de opiniao que a palavra
America nao'vem d'Ame'rigo Vespucci. Ainda be m.








chyak ou Manouchia, Machiahh on Machya, Machyaka,
d'onde veio a palavra indo-tupy--Houcha, home, ou
genio nascido de Manou, Mani '(1) ou Mani, deus dos
Indos e tambem dos nossos Indios (2) brazilenos.
Ora sendo o Tupy uma lingua affin do hebraico,e do
grego, como veremos adeante, e portanto do grupo semi-
tico-aryano, naturalmente as palavras originarias da Lin-
gua Matrix deveriam soffrer as mutaq6es communs a
todos os dialectos congeneres.
Logo nao admira que a palavra-c'america, ameriga
ou america -venha da palavra grega-AM.IROGAIA, ha-
vendo em ambos os terms metaplasmos, isto 6 suppres-
s6es, trocas de lettias e transposig6es mesmo quanto ao
sentido da palavra ou phrase.

(1) Mondm-Subst. ms. Man (nominat.) Manu (genit.), signifl-
ca om Sanskrito-bormem. Manu, filbo de Brahma e pae do ge-
nero human. 0 Mani! do Kalpa actual 6 considerado come o au-
ctor da,Manivadarnma-ou Leis de Mani. Mana-Y-4, quer dizer
-mulher de Manuz; portanto, Mand, Manded, Mandu, Manay,
sao formas tupys oriundas do radical temenino Sanskrito man,
mand.
Mand-cd em tupy signiflea a mulher linda,a flor,o typo da bol-
leza indiana; Manay, a femea do peixe-boi que em tupy 6
Manaty.
Temos tambem em tupy o puro vocabulo Manz corrompido
em Man-d-A que em linguvgem vulgar quer dizer-MandA on Ma-
nuel; ora a forma Sanskrita Mand-significa tambem nomo de
home correspondent ao Emmanu-el-hebraico.
(2) Mani, termo sanskrito--que 6 identico ao nosso voca-
bulo tupyco-Mani-por que 6 conhecido nao s6 o deus dos Arya-
nos, como tambem o dos Indios Brazilenos; assim resam as lendas
theogonicas do nosso-Brazil-prehistorico. E de feito, vemol-o na
palavra-Mani-oca (em francez-n- anq-ce) que significa Casa da
Mani, de-oca no (grego oieo) e Mani (o deus Mane), que 6 exa-
ctamente o nome que possue a nossa plant aborigine Manioca'
corrompida em mand-i-oda, que quer dizer casa on sepultura da
filha do Mani, como indica o sabio indianologo Dr. Couto de Ma-
galhaes em o seu Honzem Seloagem na part refereate A Theo-
gonia brazilena.
Temos tambem as seguintes formas tupycas: Manioa (Mani-
oa,cabellos de Mani),Manl-cord (Mani-kore) filho on netode Mani,
Mani-tu-ba (pae de Mani), Manitd (do grego-toikos on topos,
logar on muralhes dos Indios-Manitos...


-86-





-87-


Portanto a palavra Ophir, que no hebreu significa
Fir, na lingua indiatica Fines India, no grego Supa-
ra, no Tupy Separard,'tern o mesmo significado que a
palavra-America, que quer dizer-grande terra separa-
da, o ultimo logar do mundo conhecido.
Eis aqui porque o grande Chistophoro Colombo sup-
punha e cor muita razfo, consoante as ideas do seu
tempo, que a terra que via deante de si era o littoral das
Indias; d'ahi o nome apropriado de Indi.s Occidentaes e
o de Indios ainda hoje dado aos habitantes das extremas
raias da parte occidental do mundo, como si a posteridade
se incumbisse de perpetuar n'este facto a honrosa memo-
ria do grande descobridor da nova Ophiria.
Assim como nio ha razio para se pOr em duvida a
fundaqio da India por Ophir, um dos filhos de l6ktan,
nao haverd tambem razio porque duvidemos ter sido a
America, e portanto o Brazil, fundado ou occupado pelos
filhos de Jectan, Ophir, Hevila e Jobab, ou mesmo pelos
seus descendentes.
E' constant na Santa Biblia, diz um sabio exegeta,
o facto de se dar ao logar occupado o nome do primeiro
auctor dos seus habitantes. Da s6de de Ophir, pois, e de
seus irmaos nos diz Moys6s: phar, o monte oriental; Messa pergenlibus usque Sephar
montem orientalem. >
Diversas sao as opinioes dos eabios sobre o ponto
em que se acha collocado este monte. Os que collocam
este paiz a distancia do mar sao de certo em grande
numero. Eusebio, o Pamphilio, pae da historic ecclesiana
e Santo Hieronymo [De locis hebraicis) collocam o monte
Sephar, entire Cophene, as Indias e a regiao dos SERES.
Pois bem, conforme Pomponio Mella. que se fund
em Cetesias: - lado oriental, sao os INjos, os Seres, e os Scipthas. >>
E esse Sephxr monte oriental, como diz o grande exe-
geta Calmet, a que chegou a colonia de Ophir, pode ser
o Tohim dos Seres ou Taurin, on tambem o monte Me-
res ou Merg, dedicado a Jupiter; porquanto os Indios
tem por tradicao superior que seu filho, pae ou fundador





-88-


d'oills, nascido em Nysa,. sua cidade capital, se havia
cruado na gruta d'esse monte, onde dizem que se acha-
va enxertado no musculo de Jupiter.> (1) D'essa anti-
quissima e important cidade de Nysa, diz o erudito
Nisard, chamada hoje li:,gh ou Dera-Novcha, Xagar, ape-
nas restam vestigios, e se acha situada 6 margem direita
do rio Indo, no reino de Kaboul. E o monte Meros ou
Merou, hoje mais commumniente chamado Oupa-Merou,
Mira, Pamir, Peri, Kaila ou Kailassa, 6 evidentemente
o mesmo que a historic, e a inythologia Incasica e a dos
Indios reconhecem por patria doa deoses e dos primeiros
homes, que Ihes deram o ser,.como Manco-Capac (2)


(1) Convem saber que os gregos sao autores d'esta fabula, e
estes povos, como vercmos mais adiante, tiveram depois dos pheni.
cios ou hebreos--Colonian na America, e aprova 6 a grande se-
melhanca, o analogia morphica que existe entire a lingua grega c a
nossa lingua tupy. O estudo comparative quo tomos feito dos dois-
idiomas nos lova a neo admittir mais duvida sobro oste facto eth-
nico linguistic.
(2) Referentomento ao nome d'este ultimo legislator Chinez,
temos quo fazer observer o seguinte facto ethnographico de summa
importancia para o nosso livro. Sabe-se que a civilisagao tev 'o seu
beoro na India, a progenitora da humanidade. 0 Egypto, como 6
nm facto indiscutivel, foi uma colonia brahminica; o polytheismo
hollenico, reliquia d'um system. mais universal e complex, foi
olaborado nas margens do Ganges ; a philosophia remonta aos brah-
mines porPythagoras e Platen; os Chins on Ser.s, esse povo re-
legado 1i nos confins do mundo, proveiu da India on Ophiri; os
Mexicanos, e os Pernanos sao tambem descendentos da raga semi-
tica e sanskrita; ora 6 hoje verdade inconcussa que os nossos bra-
zilenos, que demoram ainda na regilo solin,onica ou amazonica,
trazem em seus uzos, sons ritos e mormente nos sous idiomas o cu-
nho indelevel de sua origem Ophirica ou indiana; exempt fjratia;
a quasi peninsula do Jacory foi antigamente habitada pela grande
nagao Ticuna. Ora usses Indios eecunuarras professam ainda hoje
a doutrina Pythagorica. isto 6, a buddhitica metcmpsychose on
transmigragao das almas para outros corpos; adoptam o rite he-
braico da circumcisso para ambos os sexes, e fazem per occasitlo
d'estas ceremonies moysaicas grandes turyr/as ou festas. Sao fe-
tichistas fanatics e indomitos. 0 son terrivel e gram Fetiche 6
chamado fia li:lgna-n:aychana (aryana)-Hd-H6 -none porque 6
Ctlliocido centre olles o gonio do mal.





-89-


Vischhn, Maan, i`Alni, Christun, Talai-Lama, Buddha
on HI6-F6o (1). E' um grupo de altas cabeaas, que esta
situado na parte oriental do Thibet, precisamente na pro-
vincia de Negari. Os Chins on Seres consideram o mais
alto d'esses cabegas como a mansao (albordys) das suas
divindades. Ora, consoante a opinion do mesmo sabio
Nizard, os pristinos Svres sao os mesmos Chins e os
Scipthas, e slo como os Indios tribus on povos differen-
tes, que nao tern de commum senao sens habitos noma-
das, takes como os Tartaros, os MAng6es,os MRat-Choux,
povos cainpezinos ou montanhezes, errantes, s3in doni-
cilio fixo, em tudo inui pareeidos com' os indigenas bra-
zilenos. Mais ainda, Cetesias. e criptor erudito, do pri-
meiro seculo da nossa era, consider os Svres ou Chins
como povos limitrophes on camO urm provincial da Iu-
dia, pois diz no seu-l-bnorum libr-De Saris ferri an,,
itemqr e de ulterioribuss Indis iminn'nia prorsis, etc.; e
ajunta: Ultra InIdos Iullos habitare hrnInes: alem (los
Indios nao habitat mais homes alguns. Naturalmnente,
Cetesias, falando de ullerioribus Indis, abrangia todabi as
regqires indianr.' que estavam al6m do outro lado onde
nao mais habitavam outras gentes. Falava aqui da India
inteira,' isto 6, nno s6 da part oriental da India interior
ou Indostam como tambem da India citerior, on da part
do sul da India, limitrophe das rigi6es das Indias Oc-
cidentaes, onde heterogeneamente viviam e vivem ainda
os indios das Nac6es: Mairitrds, Mhpiuis, Ararwts, Itria-
nas, Tamnman s. Yris, Tymbiras, Spqaras, Xonman .s, Chii-
tuas, Feriatis, Mariaranas, Peridas,Passes, Caraibas, Nheen-
gtibos, Airutns, Tupinrunbdis, TTupys, e Guaranys que
egualmente como os antigos Seres, os Scipthas e os In-



(1) E' o nome geaorico da grt le rata inl'ica inrerior,que po-
voava os montes,desde o Indo at6 o fInrt.co.hoie Ganges.quo signi-
flca fnte do todo bern. Na linguagem indiana Calistrio quer di-
zer Carophatros, isto, 6, comedores do came orna, antrophagos,
como eram noos no s indios brazilonos e qlisi tojos os povos f1,
gO~ do 1uad9g!





-90-


diacos Calistrios (1) sio todos uniforms ein costumes
selvagens, devoradores de came crua assada ao sol on
no bougueun, bellicosos e adoradores do sol, da lua das
estrellas, que elles chamam: kousricy, syma (sol), yacy,
uanid, (lua), yactyath, vuetM (estrellas). (2)
Tudo, portanto, converge em reconhecer como fun-
dadores das Indias Orientaes e Occidentaes as Colonias
de Ophir sahidas da Chald6a, de que nos di conta o ce-
lebre historiador hebr.eu no X Capitulo do Genesis.
As Colonias de Ophir e de Hevile haviam recebido
a bengao paterna, e para logo se tornaram tdo fecundas que,
segundo Cetesias e Josephus, as Indias, 14 annos depois
da chegada dos seus fundadores (uns 400 annos antes da
era christan), superavam em abundancia de gente is demais
nacqes. Aleni disto os Hebreus nAo perderam, como os
Gregos e os Romanos, toda a lembranqa de sua primeira
morada nas montanhas do norte da India; o grande his-
toriador judaico Josephus, no sen livro d'Archeologia re-
capitulando o quadro snoptico-geographico do Capitu-
lo X do Genesis, tefere que os filhos de Semn estenderam

[I] Os inliosda Na9ao Xiemana chamao ao radio auui,ao trovao
quiriud, ao relampago peld, a aurora samataca. Os tupys, guara-
nys, e os caraibas do Cibau no reino de Cuanabo, onde esteve Co-
lombo, contam quo nos mentes de Chibau havia uma gruta donde
haviam surgido o Sol o a Lua, a quem olles prestavam culto e
mostraram tambem em Cuanabo [Hespaniola/ a Colombo uma pro-
fundissima fonda d'uma ilagquar i onde, diziam, naseram os Aryas.
Reconheoiamum s6 Dous. Usavam d'ablugOes a rigorosos jejuns o
aereditavam na apparivao dos mortos e transmigragao das almas.
(2) Os eruditos modernos falando sobre o Apostolo S. Thomd,
que pregou o Evangelho do Christo nas Indias, citam A proposito
as seguintes phrases de Lactaneio, antigo padre e doutor occle-
siano: Thomas iapostolns Eoangelium p-edicaoit Parthis et
Medicis et Parsis, Hiscanis-que, Bactrianis et Indiis, tenente
orientalent plaganm, et itinera gentiumo penetrate. (Apud
Opera Lactancii Tom. III, od. Migne.)
No men novo livro, que von editar sobre a catochese e ovan-
golisapao apostolica dos Indios, provo que S. Thom6 (.Sunul na
lingua brazilona), voio progar tambom o Evangelho de Christo no
Brazil, part da India exterior on Occidoetal-itiaera !enrtiui/n
pco)etrante





-91-


seu domino desde o Euphrates at6 o mar das Indias on
Oceano Indico; que Gelher, o terceiro filho d'Aramfl, foi
principle dos Bactrianos, e que os tilhos de loktan (filho
de Hebei). Ophir, Heila e Jonbh [Onnes isti filii Je-
ctan), se espalbaram cdesde o rio Cophen que esti nas
Indias at4 a Assyria, (1) id es., Yemen e Assur
Admitindo-se, pois, a narraiAo antiga do Genesis, e
a dispersao dos filhos de No6. pode-se considerar Ja-
phet como o tronco originario da ra?a branch o: arabe,
celtica, mongohca e eaucasica; Sei, foi sempre reputado
como o tronco da numerosissima raQa amarella, e de cor
de azeitona bronzea, indiana ou chineza,klcnuka-mnongoli-
ca,e lapona, entrando n'esta classifica';ao os indios america-
nos, que, na opiniAfo do illustre naturalista Mr. Virey, slo
verdadeiramente ramos das grades families semnito-arya-
nas. (Vicl. Hist. del genero hulano, tor. 1.)
E de feito, entire os dlescendentes de Jectan ou
Ioktan, da sexta gera'io de No6, pela linhagern semitica,
notamos dons irmfos, isto 6, dous paizes visinhos fun-
dados- por Hecila e Ophir. Ora, como 6 notorio todos os
sabios orientalistas e indianologos que tomaran a peito o
demorado exame do Capitldo X do Genesis, sao unani-
mnes em asseverar que estas duns palavras ethnicas, Ka-
vila e Ophir, applicam-se adiniravelnente As duas re-
giaes da India, situadas unia ao 'tor/e e outra ao Sul.
desde as nascentes do Indus, onde a primeira se encon-
tra corn Herila Kharila, tflho de olouerh, at6 as embo-
caduras d'este rio onde a segunda attinge Spphar ou Se-
phara, a celebre montanha oriental, habitada pelos Abhi.
ras ou Sdrbhiras. Ora na opiniao de grande numero de
sabios hellenistas e hebraizantes. takes icoino Rodiger, St.
Ephrem. A. de Humboldt, Benfey, Ewald, Hanebert, o
barrio d'Eckstein, Renan, Ritter, Beausobre,Sepp, Burnes,


(1) O none d'este grande patriarcha oriental-JaphIrt foi
bastante conhecido pelos antigos polasgios o romanos. Horacio, o
Hesiodo em diversas passagens das suas ohras chamam-no--aurla
Jtpti yflnus, como 6 facil ver pelo Nueco Dice. de lat Hist,
Nat. de Mr. Virey.





--92-


Meyendorff e Gessenius, a palavra Scphar, o monte de
que fala Moysss, correspondente ao hebraico Gusarat, 6
tambom chainado So- Voruni (cor de ouro) pelos India-
ticos, Suipra ou Suppara pe!os Gregos, Auphir, S9-
phir ou Ophir pelos Setentas, Souff, Sophala on Soa-
fala-pelos Arabes e os Chinezes. Pois bom, 6 costume
inveterado nio s6 na Biblia, como entire todos os indios,
dar-se ao logar occupado o nome do primeiro fundador,
colonisador ou autor dos seus hMbitantes. Por exemplo,
entire os nossos indios americanos facto commum o
dar-se aos logares e aos rios a denominagao do gentio
ou da nagao mais dominant d'elles. Assim ao Amazo-
nas na sua part Sud'Oeste chama-se vulgarmente rio de
Solimnues, por serem da naQao Sorimhni on Corinmo os
Indios que em outro tempo habitavam nas suas mar-
geus. nome que explicaremos mais adeante. Ontro facto
que vamos apontar 6 o seguinte: Os nomes loeaes va-
riam com o tempo, ou por differences idiomas. Em apoio
d'estes assertos temos deante de n6s o vocabulo tupy-
Supe. ra ou Suparni'd que se encontra em umna das po-
siq6es geographical as mais importantes do Gram-Pard.
Jd vimos que o monte oriental denominado por Moys6s
-Sephara (Genesis cap. X), habitado palos Indios Abhi-
ras ou Sqbhihas. 6 conhecido pelos Gregos con o nome
de Supara ou Suppara, o qual nomen na versilo dos Se-
ptenta (1) foi traduzido por Sphir, Auphir ou Ophir,



[1] Virsdes qgrt'Qas. Sabe-se quo os livros sagrados dos
Hebrous foram traduaidos pola l.a vez em greq/o pelos Judeos
estabelecidos no Egypto, sob a dynastia dos Ptolomeos, o sob 'os
auspicios do Synhedrio judaico, por setenta e dous sabios. Estes
setenta e dous anoioas conoluiram sua grande obra em setelna e
dois dias na ilha do Pharos. Demetrius, Josephus, Justinus, Irineu
e Philon attribuom inspiraao divina a estos 72 Presbyteros e esta
opiniao foi geralmonto acceita nos primeiros seculos da Egreja:
Spirits qui in prophets (rat, diz Santo Agostinho, idem ipse
crIat Ptiam in Septiayinta Viris. (De Cicit. Dei XVI[I, 43.)
Esta versao segue frequentemente o texto Samaritano; segundo
Qrigonos os melhores manuscriptos dos LXX trazom o nome do
Jclhovah (IXVX) em antigos caracteres.





-93-


que na lingua arabica significa Sofala ou Souffula, na indi-
ca India on Fnl-cs-Indime, e na americana ou brazilena-
c'america, (ini-amutl6ric'). ameriga, amnericei ou terra lon-
ginqua, separada (ane. ro-glhaia.)
Ahi esta. pois, nas meinorias historical do Brazil e
nos mappas geographicos d'Amazonia a vcrsao grega da
palavra--Ophir para attestar a estada colonial dos filhos
ou descendentes de Jectan no continent americano. Nas
Memories pura a Historia dr extinct Provincia do Mu-
ranhco, cujo territorio comprehendia os Estados do Ma-
ranham, Piauhy, Gram-Para e Amazonas, colligidas e
annotadas pelo Senador Candido Mendes de Almeida, na
pagina 15, esti a Relaci) S',tinaria d ts cousas do Ma-
r..'Ihio, escripta pelo CapitAo ji.n uo E:;tacio da Sileira,
em que 16-se :
Do Maranhao at6 o Pari corre a costa a Leste,
quarta a Noroeste, e a dois grios da part do Sul, em
que esti a ponta da barra do Maranham da parte do
poente (Occidente) chainada ,Cund, e. correndo cento e
vinte legoas esti-o Separdrd (hoje a ponta Tygioca (1) ),
q'ie 6 a ponta da barra do Pari, da parte de Leste
(Oriente), justamente na linha equinocial. (Cap. XVI p.
16). Na mesa obra na parte que tra7; os Documentos
conetrnentes a Beunto lMciel Parente--Donatario da Ca-
pitania do Cabo do Norte, 16-se 0. pagina 40:--< De In


0 maravilhoso padre Aloxandrino e sabio doutor hellonista
Origenes conglobou estas vors6es gregas n'una grande obra, co-
nhecida com o nome de Heraplos contondo seis columnas, o texto
grego primeiro, dopois suas tlanscripvOes,em lottras gregas, depois
suas vorsies, d'Aquila, do ebionita Symmaco, dos LXXII, a do
ephesiono Thlcodolion, obra compost na cidado de Tyro no
anno 230, la era christologica.
(1) Tigilca, ponta on logar em que as ordas eshatendo
produzem rolos de espumas, d'onde a palavra tupy-Tyjyume-
espuma, e oca. casa, logar do escuma; 6 a ponta actual cuja
latitude 6 mais meridicnal-chamada--Separa--d'onde so pasa
para o (Cho do Nor:o-e onile oxistia uma colonia de Caraibus,
raga phoniciana.







puenta del-SEPARARRA que estd en la linea Equino-
cial, de la de Leste del 'Rio, corriendo al Xoroeste, hasta
el Cabo del Norte, es la boca del rio Amaconas, verda-
dero larcaon, y ay oeiienta lcguas Icdas de agc(a dulce,
y dctro dese Archipelao ese A p go ay nuiird.as JAlcs 1:;kl.das de
mnchos Gentiles, las qvales Islas se jucdcn rp;ortir (n
quatro (Caliawias.> (Ibid. pg. 16).
Adeante em o Nuevo Descubri'niento del Gran Rio
de Las Amaconas por el Padre Cristoval de Acuiia-A
pagina 142 l1-se:-<. ... Veinte y seis lequas Wdejla isla
del Sol, deba.ro de la line Equinocial, esplayado en
ochenta y quatro de boca, tiniendo por la vanda del Sur
al Zaparara- (Ophir), y por la contraria al Cabo
del Norte; desagiua el niel Occeano el major pielctgo de
aguas dthce, que ay en lo descubierto; el mas caudaloso
rio de lodo el Orbc ; el Pheni;r de los rios; el verdadero
Maranfon, tan ,uspirado, y nunca acertado de los del
Peru ; cl Orellana antligo; y para diAer-lo de una
re:.- el gran Rio de las Amafonas. > (Pag. 142, uumero
LXXXIII. etc.)
Na inmportantissima obra denominada-a Historia
da Companhia. de Jesus na extincta provincia do ila-
ranhamn c Pard-pelo Padre Josd e deM,/ r, -, compillada
e estampada pelo egregio ethnologista Candido Mendes
de Almeida, em sna Uagina 430, na secgio, que men-
ciona as tabas ou aldeas dos Indios do Para. reza o
seguinte :--... Para a part da costa e barra do Pard,
a dos TupinambAs,--Separd'rd-e Maracanan... Na
pagina seguinte diz:-- ... As .aldeas em que se levan-
taram Egrejas foram :-TupinambdI,-Separdrd (1), Ma-


(1) Separard 6 um vocabulo tupy, oriundo do hebraico--
Sephira. logar alto, monte, collina junto a qnalquer valle. e do
grego--Spara, ou Supparara, que indica exactameute o sitio ou
os lugares aonde os fllhos on netos do Ophir on Sophir Indico,
fliho de Ioktan, estaboleueram posteriors nucleos coloniaes. E'
crivol-que os Indios da taba Separard fossem oriundos d'alguns
colonos d'Ophir. Esta ald6a indiana era situada no aprazivel logar







racani, Mortigura, Nheengayba, Araticum, Goarapiran-
ga... > Egualmente na pagina 444 descreve o modo
desgraqado porque foi extineta a formosa taba de-Se-
parard, cujo nome apezar de ser anton(micamente sub-
stituido. pelo de bem-fica (!) perdura ainda nas obras
dos sabios brazilenos e nos escriptos dos doutos para per-
.petuar a memorial da Colonia ophirica nas terras do
Brazil, verdadeiro ParId(e;'o de dilicias, onde foram
quicd gerados os nossos proro-paes!... E para que
nio se,venha dizer insipientemente que forain os dou-
tissimnos Jesuitas quo inventaram estes noims hellenico-
tupys, (o que valeria a estes homes o teroul nascido
-antes da creaQ'o ou da propaqgua(o dos filhos de No6 ou
de Heber ... vainos tamben destacal-os dos livros de
alguns escriptores seculares, nacionaes e estrangeiros.
A pagina 442 do 1.0 volume da important obra
ethnographica do Snr. J. Caetano da Silva sobre--L'
O!yapoc et l'Amaonre-se 1 :---<... A rih.qt si.r lieiux de
l'ile du Soleil, sons liwnc, eq0tinoxiale, prssentant la lar-
geur de quatre ringt quatre lies d'emboucLhure. et aycant
(du cotl du Suld la poinle- Zalparard- (nctfeellement nom-
nee Tigiocna !)... et du, cote oppose Ile cap dii Nord, de-
bouche dans l'ocean la plts grande maIsse d' aitu qili soit
an montde, le rrai AlMaraiho, et pour toll dire, le graidl
Riridre des Amazones. >
Em uma recent these intitulada--Quem descobri,
o Brail?--do nosso illustre confrade da Miina Litle-
raria do ParA, o Snr. Candido Costa, na pagina que se
refere A expediqfo do famoso capitao-m6r F. Caldeira
Castello Rranco, que tinha por fim a descoberta ulterior
do Gram-Para, l1mos o seguinte :-- ... 0 patacho, o
caravellio e uma lancha grande que eram as tres indi-


-hoje impropriamente chamado -benfica (1), poquena villa o pa-
rochia do Brazil no ParA.- Esta aldela foi estupidamonto des-
truida a ferro e fogo pelos lusos-quo por capricho o odio pom-
balico substituiuram-lhe o nome indiano--Separarc-polo de bem oi
mal-fica...




Full Text
xml version 1.0 encoding UTF-8
REPORT xmlns http:www.fcla.edudlsmddaitss xmlns:xsi http:www.w3.org2001XMLSchema-instance xsi:schemaLocation http:www.fcla.edudlsmddaitssdaitssReport.xsd
INGEST IEID EP9FK6GDW_70YOUW INGEST_TIME 2012-10-18T19:08:39Z PACKAGE AA00011467_00001
AGREEMENT_INFO ACCOUNT UF PROJECT UFDC
FILES