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I. Ia aazonIIca ANO II* No 18 BELEM, FEVEREIRO DE 2001 R$ 3,00 L i C i 0 'F V 0 Pin t ^^ ^^ll^^ i-- --^ ^^-l ^^ ^^-- --l^ ^> ^^-i^ >^ --- ^ M^ ^^ ^^- ,# ^--_I^ M ta --- HISTORIC 0 imperio en Amaz6ni 0 Plano Col6mbia precipitou e ampliou um tema que vinha sendo tratado nos bastidores e, agora, se torna cada vez mais intense publicamente: a possibilidade de uma invasao estrangeira da Amaz6nia, principalmente pelos Estados Unidos, que estj aplicando 1,3 bilhao de d6lares e participando diretamente do combat ao narcotrifico na Col6mbia. Pessoas, organizagdes e publicagdes dos lados extremes do espectro politico, a esquerda e a direita, entire civis e militares, vem manifestando temor pela manutengao da soberania national sobre o territorio amaz6nico .Temem uma escalada americana na regiao. A matriz dessa inquietapdo estd em teoriasgeopolfticas, que registram, desde o sculo 16, uma permanent cobifa internacio- nal sobre essa que e a maiorfronteira de recursos naturais dopla- neta, quase do tamanbo do teritorio dos EUA, se considerada today a Amaz6nia lalino-americana (da qual o Brasil represent mais do que dois terpos). No seculo19, poren, a Inglaterra, a nagdo maispoderosa de entco, coin iima das mais eficientes marinas de todos os tempos, teve a possibilidade real de se apossar da Amaz6nia. Bastaria se aproveitarde umnpedidofeito sigilosamente, em dezembro de 1835, pelo representante do governor imperial irO l it ii, o regenteDiogo Ant6nio Feij6. Ele autorizou que tropas britanicas (e tambm por- tuguesas efrancesas) ,. i,, -; ... 1,. o Parai, atendendo a seu pr6prio chamado, e dessem combat aos rebeldes. Se sen plano fosse aceito, estrangeirospoderiam matar cida- ddos brasileiros empleno territ6rio brasileiro, corn conbecimento e aprovagdo dogoverno national. Onze meses antes, os nativos ha- viam desencadeado um motim, queficou conhecido como Caba- nagem, o mais sangrento de toda a histdria brasileira (no curso do qual, em cinco anos, de 15% a 20% dapopulaCdo regional morreu, o equivalent, boje, a dois ,muni'... de mortos). 0 encontro secret entire Feij6 e os embaixadores ingl6s efran- cis sdfoi revelado 160 anos depois, quando o antropdlogo David Do- e `5; Cleaty, 42 anos, autor de urma elogiada pesquisa sobre os garimpos de oiiro cdi Aimazinia, encontrou, no arquivo do Publics Records Office, em Londres, conrespondencia travada, de 1835 a 1839, entre a enbailada, o ministrio das relagoesexteriores e o almirantado britanico. CleaUypublicou un artigo a respeito nos Estados Unidos, ndo iraduzidopara oportuguts. A doctimentagdo, ainda inedita, aguarda, hb mais de dois anos, apuiblica9adoprometidapela direcdo do Arquivo Ptiblico do Pard, pamr o qual opesquisadorenviou o material, em microfilme. 0 historiador Geraldo Mlrlires Coelbo, director do A rquivo, diz qtue a traduco dos documentos./ifoi concluida e apenas alguns deta- Ihes tcnicospor arrematar impede apublicaao, mas que ela serdcfeita ainda nese semester. Essa talez seja amaior revelacdo recent da historia brasi- leira, inudando ou anulando muitla coisa do que sepensava, parti- cularmente sobre oprimeiro impirio brasileiro e a mais sangrenta insuI aopopulei arlo p lado peiodo, que antecedeu de quatro decades a Connina de Paris, de 1871. Era o clia 17 de dezembro de 1835. Os embaixado- res ca Inglaterra e da Franca, Fox e Pontois, che- garam a sece do governor brasileiro, no Rio de Janeiro, para uma audiencia secreta e confiden- cial" convocada por Diogo Ant6nio Feij6, que go- vernava o Brasil como regente, em nome de d. Pedro II, ainda sem idade para assumir a administraCio do imp6rio depois da reni[ncia de seu pai, d. Pedro I. Feij6 comunicou aos cois embaixadores que esperava reu- nir no Pari, at6 abril do ano seguinte, uma forga de aproximaca- mente tres mil homes para retomar o control da capital e das areas pr6ximas a Belem, em poder de rebeldes. Eles haviam de- sencadeado um sangrento motim em janeiro daquele ano, desti- tuindo as autoridaces legais, assumindo o pocer e iniciando uma perseguigflo a cidacldos portugueses, sobretudo os comerciantes, ainda os donos do powder local. Feij6 repetiu-lhes o que ja havia pedido, em outro encontro secret anterior, ao embaixador de Portugal, de cujo jugo colonial o Brasil se havia livrado apenas 13 anos antes: que mandcassem de 300 a 400 soldados de seus paises para participar do ataque aos amotinados cabanos, como os paraenses eram conhecidos. Essas tropas estrangeiras seriam embarcadas em navios de guerra dos tres paises e chegariam a Bel6m "como que por aca- so", recebendo autorizagio para permanecer em territ6rio nacio- nal. Seriam mantidas de prontidlio "para cooperar cor as tropas brasileiras, a pecliclo e a criterio das autoridades brasileiras em comanco" Essa "cooperagao" se farik "pelos interesses gerais da humanicdade e da civilizagio, e tamb6m pelo objetivo especi- fico de proteger nossos respectivos conterraneos e restituir a eles a posse de suas residencias e bens" Mas o regente do imp6rio fazi; a ressalva: teria que ser omitido "o fato de as medidas terem sido tomadas a pedido do governor brasileiro" Os clois embaixadores se comprometeram a transmitir ime- diatamente o pedido aos seus respectivos governor. Na carta que enviou ao ministry das relacges exteriores da Inglaterra, Lorde Palmerston (que em seguida viria a ser primeiro-minis- 2 FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA tro), Henry Stephen Fox informou, por6m, ter cescle logo aler- tado o governante brasileiro que nifo acreditava no sucesso da iniciativa, "a nio ser que o comunicado nos fosse feito por escrito" S6 assim seria possivel avaliar o alcance da "coopera- gio" requerida, assim como "justificar tal cooperacio no caso de ela ser concretizada, e posteriormente merecer objegoes por qualquer parte do Brasil" Segundo o embaixaclor, o regente respondeu-lhe "que como a Constituigfo o Imperio probe terminantemente a admissiao de tropas estrangeiras no territ6rio do Brasil sem o consentimen- to da Assembl6ia Geral (que naio poderfi mais ser obticla a tem- po), Ihe 6 impossivel formula sua proposta por escrito, e que, ademais, seria motivo de descr6dito para o governor se fosse di- vulgado oficialmente o fato de que, sem ajuda extern:, ele nio 6 capaz de derrotar um punhado de insurgentes miserfiveis" As- sim, Feij6 nao podia ir al6m de uma solicitacto verbal em caraiter secret, "deixanclo a cargo de nossos governantes basear nisso as instrug6es que Ihe paregam convenientes aos comanlantes de suas respectivas forgas navais" Ao transmitir o conteodo da conversa reservada, o embai- xador ingles, mesmo nio pocendo "deixar de transmitir o comu- nicado" ao seu superior, nio vi, "a menor possibilidade de o governor de Sua Majestade ou o governor frances anuirem corn os desejos do regente, ou consentirem em ordenar uma operagaio military, cor base em um pecido formulado de maneira tao im- precisa e informal" Como o pr6prio Feij6 admitira, acrescentou o diplomata na correspond6ncia, sua proposta "viola diretamente as leis e a Cons- tituicao do pais; e, 6 claro, seria cesmentica de imediato, e culpa pela intervengfio ni-o autorizada seria atribuida as potenci- as estrangeiras, se isso fosse visto como convenient" Fox observa ainda: "naio penso que exist a menor proba- bilidade de que o governor brasileiro consiga, nem agora nem em qualquer moment, reunir uma forga regular tio grande quanto aquela que o regente afirmou contar" Finaliza a correspondencia corn uma iltima advert&ncik "O emprego, no Parr, de uma forca inglesa e francesa, em con- junto cor uma portuguesa, tornaria o procedimento ainda mais questionfivel, levando em conta o ci6me que ainda existe neste pais cor relaCIo a influ&ncia e aos designios de Portugal" Respondendo a consult, em 9 de maio de 1836, Lorde Pal- merston informou o encarregado dos neg6cios na embaixacla no Rio deJaneiro, W. G. Ouseley, que o governor ingl&s havia dado "a mais atenciosa consideragao a sugestfao feita" por Feij6, nao se sentia "a vontade" para cumprir esses desejos. Em primeiro lugar, porque seria "uma diverg6ncia dos prin- cipios gerais que regem a concluta do governor britanico, em re- lacao aos paises estrangeiros, interferir tao diretamente nos as- suntos interns do Brasil" Palmerston considerava "inadequado para a dignidade deste pais fazer uma demonstracao, sem estar preparado, se fracassada fosse, para acompanhi-la pela forga: e o Governo de Sua Majestade nio acreditava justificJivel se envol- ver em operag6es em terra pelo interior da Provincia do Parai, com o objetivo de apoiar a autoricdace do Governo do Rio de Janeiro contra a populacgo do distrito". Mas ainda que nio houvesse "objecges insyperaveis ; esse tipo de procecimento" o chanceler ingles lembrava que a constituigio brasileira "expressamente proibe a penetraiao de tropas estrangeiras em territ6rio brasileiro sem o consenti- mento do Poder Legislativo" Mesmo descartando o pedido, o governor britinico se sen- tii "altamente gratificado pela confianca por parte do Regente, da qual a sugestflo dele produz uma prova inequivoca, e que o Governo de Sua Majestade sinceramente espera que as medidas inteligentes e energicas adotadas pelo Regente, para a pacifica- gao do Para cheguem a um born exito para restaurar a paz e a ordem naquela important Provincia" Em abril de 1836, a tropa imperial brasileira e uma esqua- dra britinica realmente se encontraram no Pari, mas nao da maneira pretendida por Feij6. Tr5s navios de guerra foram deslo- cados de Barbados para Bel6m, pelo Comando Supremo das In- dias Ocidentais, corn a missao de exigir a prisao dos assassinos da tripulacao de um navio mercante ingles, que fora pilhado cinco meses antes no litoral paraense. 0 capitaio Charles Strong encontrou uma provincia em pai- nico pelos violentos combates travaclos entire as tropas imperi- ais e os rebeldes, que continuavam de posse ca capital. Mas ele foi recebido em Belem "de forma muito melhor do que esperava" O president mandado pelo Rio deJaneiro, almiran- te Manuel Jorge Rodrigues, confinado numa ilha pr6xima, ha- via alertado Strong que "se eu atracasse, seria assassinado" Mas o president cabano, o jovem Eduardo Angelim, terceiro no posto desde o inicio da revolta, disse-lhe que s6 nao fora cumpriment~-lo a bordo do pr6prio navio ingles porque "o povo nao permitiria que ele o fizesse" Ap6s esse contato, Strong manifestou ao almirantado sua admirag~o de que "os brasileiros nao viessem tomar a cidade, o que certamente os botes da minha esquadra teriam feito, se ne- cessario, em meia hora, mas o nome de Eduardo (um mero ra- paz) parecia fazer um terrivel efeito, e nao vimos alum de cento e cinqOenta homes armados e estes em estado deplorivel" Em outra correspondencia, garantiu que "podiamos facilmente ter desembarcado 220 homes, incluindo fuzileiros com pequenas armas", e tomado Bel6m dos rebeldes. Mas preferiu manter-se bomo observador. Na busca da indenizaqao para os prejuizos materials e na reparagao dos crimes cometidos contra o brigue Clio, o bficial ingl&s enfrentou mais resistencia na autoriclade legal. kngelim, que louvou "a suavidade dos modos" de Strong, re- 'orcando a "amizade que a nagao inglesa consagra ao Pard", eximiu-se de responsabilidade, "pois o Para nao existe des- nembrado do imp6rio" Deixava claro que nao havia nenhum )rop6sito separatist no movimento sob sua lideranca, ao ontrArio do que caracterizava a Farroupilha, rebelido que iclodiu simultaneamente no outro extreme do pais, no Rio rande do Sul (entao provincia de Sao Pedro), ameagando a inidade territorial do nascente imp6rio. A Cabanagem foi reprimida a ferro e fogo a partir do mo- nento em que os rebeldes abandonaram Bel6m. O historiador Irthur Cezar Ferreira Reis, uma das fontes mais respeitadas sobre a regiao, calcula que 20% dos 150 mil habitantes da Amaz6nih naquela 6poca foram mortos, pelos rebeldes ou e principal- mente pelas tropas imperiais, no period de "pacificagao" A documentacio inddita revela que a Inglaterra em nenhum moment tentou se apossar da Amaz6nia, transformando-a em possessao colonial britanic,, como havia feito na Asia e na Afri- ca. Os navios da esquadra foram deslocados de Barbados pan investigar se naquele lugar estrategico poderia estar se repetindo um motim semelhante ao de Santo Domingo, escravos e indios se unindo para se libertar do grande inimigo comum, "pondo fir ao mundo criaclo pelos brancos" Para a Inglaterra, naquelas paragens o representante desse mundo era o governor brasileiro, que confirmara todos os com- promissos herdados da administration portuguesa. "Se a revolu- iao [cabana] nro for agora sufocada, a extensa e fertil province do Para poderA ser considerada como perdida para o mundo civilizado", assinalou o embaixador Fox para Lorde Palmerston. Mas isso nao aconteceria: os indios e negros amaz6nicos "eram muito menos avangados em reladao a civilizag;io do que os ne- gros de Sio Domingos foram, quando eles por primeiro se torna- ram livres" A p6rfida Albion nao tinha o que temer. A nova documentacio sepulta especulagIes corn a apa- rencia de verdades hist6ricas feitas at6 agora. Como.a de Car- los Rocque, autor de Cabanagem- Epopeia de um Povo, um dos mais recentes livros de uma bibliografia perturbadora- mente reduzida sobre o tema. Segundo Rocque, Eduardo An- gelim, "quando Presidente, recebeu tentadora proposta de um capitao ingles, para proclamar a independencia do Para, no que teria o apoio de potencias estrangeiras. E o caudilho ne- gou-se at6 a discutir a sugestfo" Nenhuma documentacao acompanha a afirmativa, mas ela 6 repetida em quase todos os livros acatados como refernncia. Pas- quale di Paolo diz, em Cabanagem- A Revoludo Popularda Ama- z6nia, que o capitao ingles props ao president cabano a "decla- raco de independencia da Amaz6nia" Gustavo Moraes Rego Reis registrou, em A Cabanagem, que os ingleses "sugeriram e oferece- rarm protegAo a provincia, caso fosse proclamada a separag.o po- litica do Impprio" Quando o pr6prio Angelim morreu, em 1882, o jomal Diario do GrdoPard registrou que o maior dos lideres caba- nos havia recusado "recursos militares do govemo Americano para proclamar a independencia da Amaz6nia" O mito prevaleceu durante tantos anos porque os historiado- res nao se lancaram adequadamente na busca da verdade e por- que foi interessante cultivar uma verso her6ica, observa Cleary na entrevista que me concede e publiquei em OEstado deS. Paulo, aqui reproduzindo-a para conhecimento dos que nao tiveram aces- so ao jomal paulista, esperando poder reavivar, mais uma vez, um debate sempre transferido para as calendas gregas. Doutor em antropologia por Oxford e professor visitante do Departamento de Hist6ria da Universidade de Harvard, nos Esta- dos Unidos, at6 assumir uma diretoria da ONG ambientalista TNC (The Nature Conservancy) em Brasilia, no ano passado, Cleary jA publicou um livro em portugu&s: A Garimpagem de Ouro no Bra- sil. UmaAbordagemAntropoldgica(Editora da UFRJ, 1990). FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA 3 Sua entrevista: Como e quando voce se interessou pela Cabanagem? Desde comecei a trabalhar na Amaz6nia e ouvi falar do epis6dio pela primeira vez, em 1984. Como e quando chegou aos documents do Fo- reign Office? No verso de 1993, li Motins Politicos, de Domingos Ant6- nio Rayol, publicado hi mais de um s6culo, mas aincla o me- Ihor livro sobre o assunto. Rayol menciona diversas vezes a presenca de comerciantes e navios britanicos, e intervenc6es militares britanicas. Eu sabia de pesquisas anteriores, sobre outros assuntos, que os arquivos ingleses sao bem organizados, e nao seria dificil achar o material consular, nem o material naval. Munido corn datas e nomes de navios britinicos tirados de Rayol, fui para o PRO [Public Records Office] e de fato, corn a ajucla de um arquivista, achei o material consular em aproxi- madamente duas horas. Dai, tirei mais informacges, e consegui localizar varios pacotes de material relevant do Almirantado, tamb6m sem muitas clificuldades. Acha que pode haver ainda, na Inglaterra e em outros paises europeus, documents ineditos sobre a Cabanagem? O que seria precise fazer para localiz.-los? Sem duvida. Acho que na Inglaterra achei o maior part dos documents; o material consular e military 6 complete e bas- tante compreensivel. A inica lacuna 6 o material sobre um pedi- do de indenizacao feita pelos comerciantes britanicos de Belm, que 6 mencionado na correspond&ncia, mas nmio achei o materi- al. Talvez exista num arquivo brasileiro; adivinharia no arquivo do Itamarati. Ha sem cdvida material consular e naval na Frang;, que tambem manteve consulado em Belem na 6poca, acomp. nhou de perto os events, de lii e de Caiena, tamb6m mandou navios de guerra, e teve um interesse direto territorial muito mais significant do que o britanico. Jeanine Potelet, professor da Universidade de Paris-X Nan- terre, jai vasculhou os arquivos da marinha francesa, da mesmn. maneira que eu fiz em Londres para a Marinha Real, e publicou resume fascinante no Boletim do Museu Goeldi, em 1990, inclu- indo at dcesenhos da cidacle na 6poc feita por oficiais france- ses. E deve existir mais material consular e naval em Lisboa, que de todas as fontes deve ser a mais fascinante, j:i que os portu- gueses foram os mi afetaclos pela eclosao da violencia. Existe material consular no Arquivo Nacional, em Washing- ton, que ja vasculhei, as bem pouco, jai que o consul america- no da epoca nato escreveu muito, e um dos cadernos mais rele- ,antes 6 ilegivel parece que molhou. S6 precis' andar um pesquisador competence, corn capacidade linguistic: Este material 6, sem dcivida, ficil de localizar. Sou antrop6- logo, nao historiaclor, e mesmo assim achei o material em ques- ao de horas. Isso num arquivo bem organizado e catalogado, 6 claro, arquivos consulares e militares geralmente o sito. J' existe um trabalho relevant na Franca, o que significa que estes materials franceses tamb6m sato ficeis de localizar. Quanto a Portugal, ao sei, e eu mesmo ia ate fazer uma 4 FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA busca em Lisboa, mas acabei saindo do mundo acacldmico, pel menos por enquanto, e nao deu tempo. Mas comparado cor muitos epis6dios desta epoca da hist6ria brasileira, a Cabanager 6 relativamente bem documentada, e somente uma pequena frn gao da documentagio relevant ja foi levantada. O que voce consider mais important na docu mentagAo que encontrou em Londres? Ela esclarece definitivamente a natureza da participaqfo d Inglaterra na Cabanagem, e dos pauses estrangeiros, de modi geral, que tem sido um ponto polnmico, por6m pouco document tado, na historiografia. E de long o fato mais important e correspondancia secret, que mostra como o governor imperial tentou armar uma intervenco military estrangeira no pr6prio ter rit6rio brasileiro, um fato extraordinfirio e inclito. Quais as causes, diretas e indiretas, da Cabana gem, no seu entendimento? Direta, uma briga political entire facc6es cia elite regional e a decis.o de uma faccao de armar o povao. Indiretamente um context de tensaio racial e exclusao econimica, e de 6di( contra os portugueses, que sobreviveu, embora em forma mais brandas, durante decadas depois da Cabanagem. Essa uma das coisas mais interessantes e menos escritas na hist6 ria da Amaz6nia. Voce acha que a Inglaterra, se quisesse, podi; ter se aproveitado da proposta apresentada pelo re gente Feij6 para se estabelecer na Amazonia e trans formi-la em mais uma das suas col6nias? Por que iss4 nio ocorreu? Militarmente, sem dlvida. Tinha capacidadl e o fato d, que nao o fez demonstra muitas coisas interessantes sobre natureza do imperialismo britinico na 6poca. Nao o fez porque em primeiro lugar, nato precisou. Ji dominava o comnrcio exteri or do Brasil. Seus comerciantes trabalhavam no Brasil sem muit( impeclimento, consequjncia do lugar privilegiado que a Inglater ra conquistou no Brasil a partir da 6poca cla translaclagio d; familiar real portuguesa, em 1808. Era mais eficiente do que cons truir um imperio a portuguesa quinhentista. Ou seja: control cd pontos estrat6gicos no litoral e dominio das rotas m: as. ( imperialismo britanico funcionava assim at6 a segunda metadc do seculo 19, quando os vitorianos estragaram tudo corn sua id6ias tolas de misses civilizadoras. Quando os seus comerciar tes foram ameagados, reagiram, como no caso da Cabt agem. Mas acreclito que o arquivo britainico clemonstra, cor maior clareza possivel, a primazia dos interesses comerciais sc bre os politicos. Quem quiser imaginary compl6s ou segredos par desmembrar o pais, como ainda se \v' ate hoje em alguns circi los militares e nacionalistas, que se ache nos arquivos do prc prio governor brasileiro da epoc: porqcue existem! Os cabanos estabeleceram um governor popular er Belim quatro d6cadas antes da Comuna de Paris. Voc concorda em que essa precedencia faz da Cabanager um movimento precursor, uma antecipaaio ao seu ten po? Que avaliaCgo voce faz dos governor cabanos? Nao sei responder muito bem a esta pergunta, porque unr resposta adequada deve ser baseada em documents, e naio c examine ainda, embora clevam existir alguns no Arquivo Pilbli- co, em Belem. Acho lificil comparar a Cabanagem e a Comuna. A Comuna teve a participa'i o de muitos ide6logos alfabetiz: dos, o que nio foi o caso da Cabanagem. As raizes da Caban: gem estafo na hist6ria social e econ6mica da Amaz6nia nas clica- das desde a 6poca pombalina eu olharia mais p; ais par: explicai-la, nao para o future. E naio sei at6 que ponto que eu chamaria os governor cabanos de verdadeiramente populares. As liderangas os Vinagre, Angelim jamais foram populares, por exemplo. As vezes, acho que a tradigio esquerdista da histo- riografia brasileira procura exemplos de governor populares quan- do a realidacle era bem mais complicaclo. Como voce situaria a Cabanagem no context da sua epoca? A maior e, de long, ais interessante das rebeli6es provincianas que sacudiram o pais ate a dccacla de 1840. Urn: janela direta p: a especifici- dade do norte do Brasil, corn- p: -ado cor o rest do p complexidacde al, corn presence indigen: aior in- I E flu&ncia da presenga portugue- P a vinganca contra eles, UM proporcionalmente mais vio- BO lenta. 0 fato de que nunca foi a rebeli5o sep, no sentido de querer se sep do Br: A profundidacle do olio pessoal entire duas fac- coes de elite, amb: amb: privilege: amb: ando umr absolute falta de a ou de vontacle tde negoci: 'ando uma conflagraaio que er: em terms de e. 'ala, a hist6ria do Bri Urma tragehdi akespe: Por que e t-o pobre a bibliografia sobre a Cabana- gem? De quais leituras voce obteve informacges impor- tantes para sua compreens.o? Nfo sei, e sempre me estranhei sobre isso. Tern o Rayol, que continue: a fonte fundamental, e o livro de Vicente Salles, Memorial da Cabanagem, que, embora naio concorde corn tudo o que diz, 6 un livro de primeira qualidadle. Tern a obra de (forge] Hurley, na clcada de 1930, que resgatou urna serie de documents importantes. O resto da bibliografia 6, me clescul- pe, extremamente provincianm, marcada por preconceito icleo- 16gico e uma falta de interesse em localizar ou analisar os do- cumentos do epis6dio, primeiro ever do historiador. Nem toldo mundo pode pesquisar na Europa, as hi muitos clocumentos ainda no Arquivo Poblico do Par" que os pesquisadores e estudantes locais deviam estar trabalhando, e nao estao ou, se estio, nao estio publicando. A Cabanagem, mal conhecida e muito falada, tor- nou-se um mito para os habitantes da Amaz6nia? Sim, porque houve o descaso de nato levantar os documen- tos e fazer umr historic bern feito, corn a excecao de Rayol e Sales. Mitos florescem na ausincia de pesquisa. Os centros mais importantes do Brasil pratica- mente desconhecem a Cabanagem. A situacio conti- nua a mesma, hoje, apesar de tudo o que se fala sobre a Amaz6nia? Sim, infelizmente. A hist6ria cda Amaz6nia continue senclo um campo de pesquisa que niao atrai o nimrero de pesquisado- res que a sua importancia merece. E o resultado da ignorinci: da sua hist6ria est; political piblicas mal concebidas, mui- tas vezes repetindo os erros pombalinos do passado, e investi- mentos clesastrados pelas entidacles multilaterais e estrangeiras, que conhecem a regiiio bem menos do que seus comerciantes da epoca cla inclepenclnci: Uma das coisas deprimentes 6 que as vezes a documentaiao mostra que os comerciantes, diplo- matas e militares da clicada de 1830 eram mais sagazes do que seus colegas de hoje. Vai ser precise um bra- zilianist ou um amazon6- logo estrangeiro se interes- sar pelo tema e publici-lo fora do Brasil para que os nacionais descubram a Ca- Stbanagem? N" Nilo h, falta pe -adores brasileiros e az6nicos competentes. Es- S C pero Cque n g Voce pretend conti- nuar a se dedicar ao assun- ; .., li ~to ou ele 6 algo lateral no seu esforgo de pesquisa? Nem tanto como eu quero. Tralbalho numa entidade ; entalista que tern outras prioricdades. Mas tuclo o que fago 6 de certa forma vinculado com meu conhecimento da hist6rit Amaz6nia, e neste sentido nunca deixarei a trabalhar corn a Ca- banagem. Espero um clia achar o tempo de escrever mais uns artigos, ou talvez um livro, reunindo as fontes estrangeiras e as comparando corn material brasileiro, enfocando o papel dos es- trangeiros no epis6clio e o ele que demonstra sobre a natureza do imperialismo na America Latina e a Caribe da 6poca. Mas naio sei se e quando terei tempo de fazer isso. O melhor para mim seria orientar um historiador brasileiro, de preferencia p; aense, sobre o tema. Assim, eu sentiria que levanclo estes clocumentos para o Para estava, de certa forma, ajudando a fortalecer a histo- riografia local, em todos os senticlos. Que projeto voce est. desenvolvendo atualmente relacionado A Amaz6nia? Trabalho na TNC do Brasil, sigla de The Nature Conservan- cy, uma entildade ambientalista. Basicamente, procuro fortalecer a capacidade institutional dentro da Amaz6nia para lidar cor various aspects de questbes ambientais na regiaio. Quando os meus dois nenens me permitem, escrevo um livro sobre a hist6- ria ambiental cla Amaz6nia, que espero publicar dentro de cinco anos. A editor esta sendo paciente. A FEVEREIRO/2001 -AGENDA AMAZONICA- 5 GRUPO LIBERAL A forea e a fraqueza do imperio jornalistico o omo eu, muitas pessoas devem ter sofrido certo im- S pacto ao ler a agenda de variedades do caderno Car- : taz de 0 Liberal do iltimo dia 13. No registro de .. -.: "palestras e seminarios", havia uma nota sobre a entre- vista que eu daria naquele dia aos alunos do curso de letras e artes da UFPA do campus de Castanhal, sob a coordenacao de Oswaldo Coimbra. Nota curta e discreta, conforme o pa- drao da paigina. Mas algo a merecer destaque porque hi urma ordem da direiAo da empresa proibindo a simples mengio do meu nome nos veiculos de comunicaiao das Organiza- c6es Romulo Maiorana. Durante uma audiencia na justiga, alguns anos atris, Ro- sangela Maiorana Kzan, diretora administrative das ORM e autora de cinco ages contra mim (quatro criminals, com base na ligu- bre lei de imprensa dos militares, e uma civel, para me proibir, ad aeternum, de fazer referencia a ela), por ter publicado no Jornal Pessoal, em 1992, materia sobre divergencias dela corn seu irmiro, Romulo Maiorana Jinior, disse, para quem quisesse ouvir: meu nome s6 voltaria a sair em 0 Liberal quando eu mor- resse. Para fazer o aliviado registro finebre do passamento do inimigo (eu diria: vitima). Como ainda nao morri, de fato, embora tenha perecido vir- tualmente para a cobertura jornalistica do imperio Maiorana, ver meu nome novamente grafado, ap6s sete anos, numa pagina de 0 Liberal, me alegrou. Naio se tratava de urna alegria narcisistica, de uma conquista da vaidade. Felizmente continue sobreviven- do ao boicote do grupo Liberal, roendo o osso que cabe a um outsider, mas sem direito a me queixar da vida. A felicidade f' a, sei bem era do professional do jorna- lismo: que bom seria se a corporagi'o mais important da comu- nicacio brasileirn ao norte da Bahia tambem se profissionalizas- se de vez; se, finalmente, separasse o departamento commercial da sua redacgio; enfim, deixasse as idiossincrasias pessoais na antessala dos seus gabinetes; se assumisse sua fung o publi- a p. alelamente ao desempenho da atividade cornercial. Todos sairiamos ganhando corn isso: os Maioran o Esta- do no qual atuam e ate seus eventuais concorrentes ou desafe- tos, como eu. Naio quero sair na coluna do Isaac. S6 quero exis- tir quando for nas r -as vezes em que isso acontece noticik de interesse pdblico. Meus aniversirios, podem ceixar para a 6 FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA minha family Os meus e os dos outros companheiros de conge- lador, todos dotados de suficiente sangue quente nas arterias para suportar a baixa temperature do veto. Tempos atrafs, quando estava acesissima a dispute pela fibrica de cobre da Salobo Metais, fui fazer uma palestra em Maraba. Sem contabilidade de pescador, posso dizer que ha- via quase 500 pessoas no grande salio da escola Jose Vergo- lino. Entre elas, um enviado especial de O Liberal, acabado de chegar de Belem. Agoniado, ele se aproximou e perguntou (acho que s6 para confirmar de vez) se eu era o (inico conferencista. Infelizmente, era mesmo. Mais aflito ficou o reporter: viera corn uma pauta orientando-o a dar grande cobertura ao encontro. A information era de que a Companhia Vale do Rio Doce seria o judas da malhacio, em pleno domingo. O interesse do grupo Liberal tinha uma explicaAto: a CVRD havia cometido a heresia de retirar seu patrocinio do Arte Par, promoco annual da Fundacao Romulo Maiorana. Por isso, iria ser cozida nos 6leos ferventes de uma cobertura biliosa at6 vol- tar atras (o que acabou fazendo: esti at6 hoje bancando uma cota especial do salao). Foi uma palestra empolgante para mim. Os marabaenses estavam ouvindo pela primeira vez certas informai6es essenci- ais sobre a questaio da localizaglo da metal6rgica. Foi uma descoberta traumatizante, porem. Na v6spera, toda a diretoria da Salobo havia descido do litoral praiano carioca, onde tern sua sede (etpour cause, dizia um colunista social), para o ser- tdo amazonico poeirento. Colocou-se inteiramente ao dispor de quem quisesse Ihe fazer perguntas, democraticamente aber- ta a qualquer questionamento. Como n~o estavam bem orientadas, nem mesmo as prin- cipais autoridades locais souberam fazer a pergunta-chave para iluminar o impasse entire Par' Maranhao e um sitio al6m-mar para abrigar a fibrica, conforme acabou admitin- do o entao prefeito, Haroldo Bezerra (hoje, secrettrio do governor Almir Gabriel). Naquela avalanche de perguntas e respostas cor uma viva motiva io, algunm, espantaco corn o pouco conhecirento so- bre algo que tanto Ihes interessava, quis saber como e que os marabaenses nio tinham acesso as informagbes que eu all Ihes estava dando, corn um cia de: aso em rela'io ao infrutifero debate corn a ciretoria da Salobo. Respondi apontando pc 'adco especial de OLiberal, sentado na primeira fila, revelei p. -a todos o drn a em que ele se encontrava pi a escrever l aquele nosso encontro. Disse que quando um journal do peso de O Liberal omnite fatos, e f. graves, todos saem perdendo. A agenda dos cicdadcos, alimenta- da cotidianamente pela imprens se listancia do ancar do trem ca hist6ria. O trem passa e o p: ageiro fic; a esta'ilo, I espenr de uma nova oportunidade que r: -amente vem. No dia seguinte, urna segunda-feirt 0 Liberal reproduziu criteriosamente, em funcfio da capacidace do reporter, grande parte do que foi dito naquela inesquecivel sessao em Marabli, sofrida terra que tamb6m mora no meu coraflo e conquistou uma parte do meu c6rebro. Mas as informac6es, -aciocinios e frases nfo tinham autoria. Eu fora o brainstorm do event. Mas, dele cirurgi- camente excluido, me transformara num ecto- plasma. Foi a primeira no- ticia psicografada em vida da hist6ria do jornalismo Smundial. Senti-me como Gasparzinho, o fantasminha in- genuo (antes da era dos fantasmas financeiros espertalh6es). Seria c6mica, se, antes de tudo, nao fosse trgica essa situa- g o. O grupo Liberal atravessa um moment delicado da sua cinqcentendria existencia, uma faganha, sem divida, sob qualquer perspective Sque se a consider. Abriu muito o leque de investi- mentos e cresceu mais do que suas inconsolidadas pernas e atrofiada cabe- ga parecem capazes de suportar. Essa elefantiase patol6gica tern dado causa a graves problems internos, que espocam de vez em quando, como agora estA acontecendo, e a impasses que s6 podem ser superados com uma organizacgo mais ade- quada (do que df testemunho a instalacgo artificiosa da TV a cabo, vanguard no vAcuo). A empresa enfrenta no moment problems graves. Mas pode superd-los, se mudar. Mesmo querm fustigado pelo poder da corporacgo nao deseja que ela sucumba aos desa- fios os internos certamente maiores do que os externos. O grupo Liberal 6 um patrim6nio paraense, sem deixar de ser um bem familiar. JA estabeleceu ligac6es com toda a socie- dade, embora nem sempre com clarividencia, altruismo e sentido do interesse piblico. Muito mais o venha a n6s do que ao nosso reino. Ali passed 14 anos da minha vida professional, longevida- de que jamais esteve nas minhas cogitagces quando, em 1973, Cliudio Augusto de Sa Leal me convidou (ele em Bel6m, eu em Sao Paulo) a segui-lo na mudanga de casa, que at6 entao fora A Provfncia do Pard. Dizia-se que nem ele e nem eu permane- ceriamos muito tempo ao lado de Romulo Maiorana, conheci- do tanto por sua generosidade e afabilidade quanto por suas explosoes temperamentais. Leal li permanece at6 hoje, quase 30 anos depois. Eu sai uma primeira vez quando nao aceitei uma imposiglo de Romulo e voltei A Provincia, retornando pouco depois ao Liberal, por convite de Romulo (cuja capacidade de esquecer chegava a ex- ceder os limits do bom senso), para romper definitivamente, em funogo de uma censura truculenta, pouco antes de ele morrer. Nao mais nos reconciliamos, nao por falta de vontade, mritua, mas pelos atropelos do seu fim vertiginoso, que nao nos deu tempo para um reencontro. Ao lado do caixAo dele, na igreja do Rosario, sua viiva, D6a Maiorana, me disse, enquanto nos abra- cgvamos comovidos, que ele Ihe falara varias vezes do desejo de, ao vir a Bel6m, me procurar para restabelecermos a amizade. As circunstfncias o haviam feito agir contra seu desejo. Sabendo dessa dificil conjuntura, dois meses antes eu ha- via ido ao Rio de Janeiro para Ihe proper minha said pacifica do journal. Assim, satisfaria seus amigos (mais da onga do que dele, no fundo), que Ihe pediam minha cabega. Ele nfo aceitou. Deu-me uma forga que, depois, no meio de uma doenga cruel, eu num tiroteio cerrado, retirou. Mas nossa amizade havia sido intense. Permitiu-me reali- zar muita coisa e deixou uma boa lembranga, que me acompa- nhard at6 o fim dos meus dias, al6m de um saldo enormemente superavitdrio. Foi pensando nele que, a pedido da mesma Ro- sAngela, escrevi, sozinho, e de graga, a edicgo especial do pri- meiro ano de morte do pai, publicada em 0 Liberal (a retribui- gio foi uma edicgo encadernada). Entre 1973 e 1988, sei que deixei nas pAginas desse journal alguns dos melhores trabalhos que realize como jornalista, material que la permaneceri, como um pequeno registro da incrivel hist6ria amazonica que eclode diante de n6s, independentemente do arbitrio das vontades e dos caprichos de ocasido. Mas a regido ganharia muito se a impressionante corpora- co de neg6cio e informaaao (relacgo desequilibrada nos Olti- mos tempos, em favor do primeiro e sacrificio da segunda), le- vantada por Romulo Maiorana, com todos os percalgos e distor- c6es que esse tipo de empreitada acarreta, corrigisse seus rumos, purgasse seus erros e recompusesse sua alianga cor a opinion piblica em padres mais dignos e elevados do que os atuais, expurgando um comercialismo que tanto mal tern feito as rela- c6es entire o poder e a imprensa. Sei que o registro do meu nome foi inadvertido, um erro que toda estrutura humana acaba cometendo. Espero que nin- guem venha a purgar esse pecado mortal. Tamb6m nao estou pretendendo aproveitar o mote para pedir que voltem a me citar. Pelo contririo: me oferego a permanecer como um morto-vivo para a empresa, desde que ela abra as outras tumbas, rasgue seu index, acabe com seus tribunals inquisitorais, deixando-me como o Onico remanescente dessa pritica ruim, e, sem precisar deixar de ganhar dinheiro, nao volte mais as costas aos acontecimen- tos, mesmo aqueles aos quais nao confere sua real sancgo. Fazer jornalismo As vezes d6i, mas nao hi outra maneira de ser para uma empresa que se declara jornalistica. Bem que as Organizag6es Romulo Maiorana poderiam aproveitar o pretexto - banal., trivial e menor, 6 verdade, mas um pretexto para uma decisAo de grandeza. Uma decisao que nao seja apenas propa- gandear rainhas, transformar em instrument de neg6cio ou ma- rketing uma causa social e fazer do mecenato uma gazua para ganhar mais e mais. Se tudo isso 6 at6 admissivel, transforma-se em bumerangue letal quando a isso se reduz a political editorial de uma empresa jornalistica tao grande e cor p6s e cabeca tdo frdgeis quanto o grupo Liberal. Vida longa para a empresa, ela fazendo o que precisa ser feito. A FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA 7 RETRATO Quem lembra? Era assim a rma Oswaldo Cnrz, um dos limits da Prapa da Reptiblica (ou Largo da Pdlvora), em 1954. Do que aparece nafotografia, restam apenas oprMdio (entdo modern) da Previdencia Social e a sede da Unido Espirita Paraense. Os outros casaroes virarampredios. S6 nesse quarteirdo, j sdo mais quatro. Outros dois no quarteirao seguinte. Afisionomia da cidade nesse lugar mudou completamente em menos de meio sculo. o -IV .. I t. *1t 2 .1. _.." <. , : .V ,' t.-. H"; .PIL1r ic 9 "x .. X, .---. .4-b- 9 1* "v. v ACA *C artWA. .' 7 7 L Ki ?:t" l' 128 : ;;r Lucio, para que te penitencies do pecado venial que cometeste na noticia "Metas", da tua Agenda Amaz6nica de janeiro: o Alu- isio Chaves a que referiste como governador do Estado ap6s 20 anos era, em verdade, o odont6logo, mas versado em matemrnti- ca e cilculos atuariais, e que, por conta disso, chegou a presidir a Caixa Econ6mica do Pari, sucedendo no cargo a Renato Fran- co, que foi depois vice-governador. Ele realmente participou do program "Nova torque 6 o fim", da Radio Clube, que terminou ganhando. Aluizio (Lins de Vasconcelos) Chaves, o odontdlogo, era filho de Alfredo Lins de Vasconcelos Chaves, e o Aloysio Chaves, advogado, que chegou ao governor do Estado, era filho de Abel Chaves. 8 FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA Um abrago e parabens pelo excelente trabalho que realizes com a tua "Agenda", no sentido de resgatar part da memorial do cotidiano da cidade confinada aos jornais. Rubens Silva MINHA RESPOSTA Cantava uma quadra popular em papo de boteco que, em Beldm, "quem nao 6 Chaves nem Meira/ Nao ter eira nem bei- ra,/ Nem ramo de parreira". Tantos sao os Chaves na berlinda que, induzido pela grafia errada (Aloysio e nao Aluisio) na noti- cia da Folha do Norte, acabei cometendo o erro, prontamente detectado e corrigido pelo Rubens, um dos mais antigos rep6rte- res em atividade na imprensa paraense. CARAJAS 0 capitulo do cobre Em julho de 2003 o ParS ingressara na era do cobre, o segundo mais oneroso item da pauta brasileira de importacao de bens minerals, para se tornar o principal Estado minerador do pais, desbancando, at6 o final da d6cada, Minas Gerais da sua lideranga multissecular no setor. Dentro de dois anos e meio a Mineraaio Serra do Sossego dardi a partida commercial ao seu pro- jeto de 1,3 bilhao de reais, em Serra dos Carajais, a maior provin- cia mineral do planet, 500 quil6metros a sudoeste de Bel6m. Com ele, aumentarAl em 500% a produc;o national de cobre e possibilitarai um faturamento annual liquid de R$ 450 milhOes. A jazida ca empresa e apenas um e dos mais recentes - dentre os alvos de cobre existentes em Carajas. Mas a Serra do Sossego, formada pela associaglo em parties iguais da Companhia Vale do Rio Doce com a americana Phelps Dodge, esta saindo na frente ca Salobo Metais, na qual a CVRD se associou a uma outra multinational, a sul-africana Anglo American. A Salobo e detento- ra do mais antigo dos dep6sitos da frea, mas ele apresentou pro- blemas tecnol6gicos ainda n.o completamente resolvidos. A Mineracao Serra do Sossego vai produzir 530 mil tone- ladas anuais de concentrado, com 159 mil tonelaclas de cobre metilico nele contido, al6m de 4,3 toneladas de ouro como subproduto. Suas cuas jazidas tem 223 milh6es de toneladas medidas e indicalas, al6m de outras 125 milhoes de toneladas apenas inferidas. Esse volume assegura a mina uma vida 6til de 15 anos, que podern ser estendida porque as pesquisas geol6- gicas ainda prosseguem. Para aumentar a presenca do cobre no concentrado, sain- do de um teor mclio n -al de 1,14% para o produto final, com 30% de metal, a empresa precisarai remover a caca ano 36 mi- lhoes de toneladas de material, volume que d i uma id6ia do seu impact sobre a pi :agem, onde uma cadeia de serras cor mais de 400 metros de altitude ainda e coberta por floresta densa e cercada por dois grades rios. Ao final de 15 anos, a massa total lavrada ter'i siclo de 752 milh6es de toneladas, sendo 508 mi- lhoes de tonelaclas de terra esteril. As quiase 160 mil toneladas de metal presents no concen- -ado signific, tia cinco vezes a atual prodluCao brasileirn que no ano passado foi de 31,4 mil toneladas, fornecida por uma inica empresa, a Mineragao Caraba, instalada no sertlo da Bahia, a partir de pouco mais de 100 mil tonelaclas de concentrado de sua jazida, corn vida 6til de apenas mais sete anos. Como a ne- cessidlae cesse produto da pr6pria Caraiba, a unica metalirgica em atividade no pais, controlada pelo grupo Paranapanenum, e oito vezes maior do que a producao internal, o pais precisa re- correr a importa:Oes, principalmente do Chile e do Peru. Elas representam o segundo maior deficit na conta de bens de origem mineral, excluido o petr6leo, algo em torno de 250 milhoes de d6lares. Um deficitt" que deverdi crescer nos pr6ximos anos, em fungao da expansao nos stores de fios, cabos e laminacgio. A Sossego nio vai eliminar essas importagoes. Embora a empresa declare pretender destinar 20% da sua produaio para o atendimento da demand national, 6 provivel que acabe expor- tando 100% do seu concentrado porque o unico processador do produto, a Caraiba, parece preferir continuar vinculada a seus fornecedores mais tradicionais do que passar para um novo par- ceiro, mesmo a custa de importacoes. As vantagens obtidas atra- v6s de contratos antigos fazem a diferenca. Nesse caso, o Brasil virdi a ser, ao mesmo tempo, significa- tivo exportador e importador de concentrado de cobre, pouco se modificando a situagio para 180 pequenas empresas que atuam no segment de transformacgo do metal. Elas continuarAo de- pendentes de um supridor em condicoes monopoliticas (ou, no future, oligopolisticas), tanto de concentrado quanto de metal. Hoje, o pais pouco conta no mercado international. Suas reserves representam menos de 2% das jazidas mundiais e sua producgo 6 desprezivel, colocando-o na concdigao de importa- dor, o maior do continent sul-americano. Com a descoberta de um primeiro dep6sito de expressio, o do Salobo, em 1977, Cara- 'as, que ja 6 um dos maiores centros produtores de ferro, man- ganes e ouro do mundo, abriu novas perspectives para o cobre. Mas elas ficaram emperradas desde o inicio da d6cada de 90 por desentendimentos entire a CVRD e a Anglo American, maior pro- dutor mundial de ouro, diversificanclo para o cobre, e pelas difi- culdades que o minerio do Salobo apresentava para o process industrial, por seu elevado teor de floor e dureza, exigindo a adocAo de nova tecnologia na metalurgia. A Phelps Dodge, maior procutora mundial em laminaito con- tinua de cobre, atuando em 28 pauses, cor quase 14 mil emprega- dos, empenhou-se em passar a frente dos concorrentes. Ela ja inves- tiu mais de R$ 65 milhoes em pesquisa geol6gica e na semana pas- sada submeteu 5 Sucdam (Superintenclncia do Desenvolvimento da Amaz6nia) projeto para s6 pagar 25% do imposto de renda devido em 10 anos, a partir de 2003. Seu pecido de licenga ambiental jai esti sendo examinado pela secretaria de meio ambiente do Estaco e o DNPM (Departamento Nacional da Produgao Mineral) avalia seu piano de aproveitamento econ6mico ca jazida. A empresa assegura que esses beneficios, acrescidos da isengao total de ICMS sobre as exportagOes, em fungLio ca Lei Kanlir, Ihe asseguram tal rentabilidade que polerai bancar cor recursos pr6prios o investimento ainda a realizar, num total de R$ 1,26 bilhio, remunerando-lhe apenas corn a receita class ven- cas e assegurando uma taxa de lucro de mais de 11% ao ano. Indicador, segundo os analistas, de que esse projeto 6 apenas o primeiro voltado para o cobre em Can A provincia paraense terai pelo menos duas unidades indus- trials do minerio. Somadas as mineradoras jt em opera~aio, fario corn que dali, no final da primeira decada do novo milenio, sai para o exterior uma proclugio superior a R$ 2 bilhOes, o equiv: lente a toda a atual exporta'io do Para, a 7- do pais (e a 2a em saldo de divisas), 75% dela compost por produtos de origem mi- neral. O Estado ter-i, entio, passado a frente de Minas Gerais, um feito depois de tris seculos de hegemonia minein A FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA 9 J0i: IOQIANOi Estudantes Em 1953, nada menos do que cinco chapas apresentaram 86 candidates ao parlamento da Uecsp (Uniao dos Estudantes dos Cursos Secundaristas do Parn), disputando votos dos alunos de 28 escolas em Bel6m, Santarem, Braganga e Cameti. A chapa mais numerosa era a do Movimento Estudantil Cristao, com 20 candida- tos, dentre os quais Gerson Peres (hoje, deputado federal pelo PPB), P6ricles Oliveira, Manoel Leite Carneiro, Laurenio Miranda da Rocha, S6rgio Negrao Franco eJovelino Leao Filho. A segunda maior chapa era a da Uniao Estudantil Inde- pendente, com 19 nomes, como Raimundo Albuquerque, Eli- as Haber, Ant6nio Olyntho Contente, Jos6 Figueiredo de Sou- sa, Ant6nio Villar Pantoja, Hiram Rollo, Joaquim Lassance Maia, Raimundo Holanda Guimarnes. Pelo Movimento Democratico Estudantil eram 17, cor Irawaldyr Rocha, Rui Zacarias Marti- res, Itair Silva, Rosomiro Arrais, Gabriel Kalume, Hl6io Zahlu- th A Frente Democritica Estudantil tinha, entire seus 16 can- didatos, Benedito Alvarenga, Manoel Pompeu Filho, Gilberto Danin, Maria de Lourdes Beckman, Edson Jinkings. Ja entire os 14 candidates da Liga Estudantil Independente apareciam Amilcar Tupiass6, Evandro Diniz Soares, Jose Miguel Alves, Ramiro Bentes, Sebastiao Platinha. Verdadeira escola de homes p6blicos. Chic O Caf6 Carioca, "o caf6 mais chic de Bel6m", na avenida 15 de Agosto (hoje, Presidente Vargas), anunciava ao pOblico que, no Cirio de 1953, estava "preparado para receber qualquer pes- soa que admire o asseio e a ordem", motives de sua fama na cidade. Mas tamb6m se destacava "pela prontidao com que aten- de aqueles que lhe dao o prazer da visita, pelo "sortimento not~vel de biscoitos finos e bom-bons, lanches deliciosos e ape- ritivos sem igual". Lembrava ainda que "os melhores sorvetes da cidade sao servidos a qualquer hora". O anincio tinha um aviso de iltima hora para oferecer "queijos de cuia", bom-bons Lacta, Sonho de Valsa e Rosemarie. Arte Em outubro de 1953 o governador Alexandre Zacharias de Assumpg~o sancionou a lei que criava a Pinacoteca do Estado, "corn a finalidade de reunir, conservar e expor as obras de artes plasticas do Estado". A pinacoteca ficaria su- bordinada a Secretaria de Educagao e Cultura e seria dirigida "por um t6cnico em pintura de comprovado merecimento, o qual tera o encargo de restaurar e conservar as obras artisti- cas incorporadas ao seu patrim6nio". A lei tamb6m previa que o governor pjrovidenciaria "para que a obra em bronze, baseada e estilizada em motives pura- 10 FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZONICA mente paraenses, denominada 'JarrAio Marajoara', duas vezes premiada cor medalhas de ouro, criac(io excepcional do pro- fessor Manoel Pastana, e que vem de ser exibido no Pard, passe a pertencer ao patrim6nio artistic do Estado, enriquecendo o nosso acervo hist6rico". A direcro da pinacoteca teria que organizer anualmente, no period de 7 de setembro a 15 de novembro, no Teatro da Paz, em Belem, o SalAo Oficial de Belas Artes. Os melhores tra- balhos originals exibidos receberiam premios do Estado. Moda A Modas Seducdo era a "esquina da elegancia", na avenida President Vargas 116. Em 1956 ela anunciava ternos, palet6s, calgas, camisas, blus6es e silaques das marcas famosas de entito (antes da era das griffes): Saragossy, Epson, Ban-Tan, Fischer, Confex, Prist, Tecsport e Piramides. Quantas sobreviveram? A Sedupdo, n0o. Vestibular O Curso Vestibular de Direito e Filosofia, talvez o mais an- tigo de Bel6m, foi fundado em 1955. Edson Franco e Francisco Guzzo estavam a frente da empreitada em 1966, quando iniciou seu 11 ano de atividade, funcionando no Colegio Santa Rosa, em Batista Campos. Eram professors: os pr6prios Guzzo (lingua portugue- sa) e lrdson Franco literaturea brasileira), mais Isidoro Cabral literaturea portuguesa), Fernanda Braga (frances), Carlos Agri- cola (ingles) e Luiz Paschoal (hist6ria do Brasil e geral). td- son e Guzzo sao, hoje, dois dos dirigentes da Unama (Univer- sidade da Amaz6nia). Bem perto dali, em outro col6gio religioso (o Santa Maria, hoje rede p6blica de ensino), funcionava o Curso Vestibular Ruy Barbosa. A aula inaugural de 1066 foi dada porJarbas Passarinho, vivendo entao na condicio de ex-govemador (substituido por Alacid Nunes, eleito no ano anterior) e ainda nao convocado para o mi- nisterio do general Costa e Silva )na pasta do trabalho). Trote Numa 6poca em que as faculdades se espalhavam pela ci- dade, um pouco antes do confinamento no campus do Guamr, os estudantes universitarios faziam o trote cor passeatas pelo centro, sempre fazendo uma parada em frente aos jornais para serem anotadas as places que carregavam. Em 1966, quando o regime military ainda nao endurecera de todo, os dizeres de alguns dos cartazes dos calouros de geolo- gia, farmncia e engenharia eram: TV universitaria apresenta: via- gem ao fundo do Gua...mar (refer&ncia a um seriado da televi- sao: viagem ao fundo do mar); Macacos me mordam se nao ha S. O..IA N .. ... ... ... Do COTIDIANO " iiberdade no IBr.i- i, Ze Reitor comanda: Vagas pra ingles ver e pau para quem correr; Piada: ja raiou a liberdade no horizonte do Brasil; Como dizia F6crates: engenharia 6 SODA; Os 4 B do sfmbolo de Belem: Bel6m, Besteira, burrice, bandalheira (ironia com a logomarca dos 350 anos da cidade). Na parade em frente a sede do governor, o calouro de geo- logia Ed6sio Maria Buenana Macambira fez um discurso. Subversio Em fevereiro de 1966 o tenente Bezerra de Souza e alguns investigadores da Delegacia P.' .lii ..i e Social mereceram elogios do secretdrio de seguranga pliblica, majorJos6 Magalhies. Havi- am realizado uma missiao exitosa: atendendo a um chamado da gerencia local da Vasp, apreenderam cinco pacotes enviados de Sao Paulo pela Editora Fulgor para o coronelJocelyn Brasil, que morava na rua Dom Romualdo de Seixas. Os pacotes continham centenas de exemplares do livro MiguelArraes, o home da liberdade, que deveriam ser distri- buidos entiree os vermelhos militants" em Belem, segundo o noticiario da Folba do Norte. Jocelyn, official da Aerondutica (ja falecido), foi preso em 1964, sob a acusagao de subversiveo", ;Aentica a dos livros. Toalet Toalet( \ .. -._- :: .. -- _ -. . . e -- --- -- *- : -- -- - -- _. :-- __ _ e .-.-- Cel1ia Lei- - te foi premiada corn uma passage area Belem-Rio-Belem, "em um dos luxuosos Carravelles dos Servigos Aereos Cruzeiro do .Sul", por haver "ostentado a melhor toalete" do r6veillon Tris Seculos e Meio de Carnaval, realizado na Assembl6ia Paraense. Alice Serruya entregou o premio. O Caravelle, um raro e lindo jato aerodinimico, saiu de linha. A Cruzeiro foi engolida pela Varig. Ninguem repara mais Inas toaletes. Mas Celia Leite continue firme. Carnaval Um fund de 4,5 milhbes de cruzeiros (valor da 6poca) foi formado para financial os primios para os melhores do desfile carnavalesco de Belem, em 1966. Corn cotas de 500 mil reais entraram o governor do Estado, escrit6rio Alberto Bendahan, J6i- as Laura e Sabino Oliveira, Produtos Vit6ria (Guarasuco e Pepsi), Nelson Souza (Oleo Dora), RM Magazine (de Romulo Maiorana), Importadora de Ferragens e Banco Moreira Gomes. Cotas de 250 mil cruzeiros foram de Cafe Puro e Transjomar. O maior premio de escola de samba era de R$ 1,5 milh~o, para a de primeira categoria, e de CR$ 750 mil para a de segunda categoria. Os premios individuals eram de CR$ 50 mil (porta- bandeira, sambista, passista, mestre sala e porta estandarte). Como as escolas erram pequenas, dava para observer todos os seus brincantes e avalid-los. Orquestra Em 1966 Alberto Mota, lider do mais famoso conjunto mu- sical de Belem na epoca, se transferiu para Fortaleza. Mas antes langou seu quarto disco, em homenagem aos 350 anos da fun- da go da capital paraense, que entao se comemorava. O long- playse intitulava Top-set, em homenagem as festas (tertilias, era o nome official) que o maestro comandava no domingo a noite, no uiltimo andar do edificio Palacio do Radio, sede do Autom6- vel Clube, reunindo a juventude. Russo Em janeiro de 1966, o Ishevki foi o segundo cargueiro russo a aportar em Belem, um mis depois da embarcaiao pio- neira. Ele descarregou 250 toneladas de adubo quimico, trazi- das desde Riga, na entao Uniao Sovietica, numa viagem de 13 dias, corn duas escalas na Europa. Levou para a ROssia 50 tam- bores cor 30 toneladas de essancia de pau rosa, usada como fixador de perfume, que o "gaiola" Ajiricabatrouxe do interi- or para Belem (o prego da essencia foi a quase extingao da irvore, abatida sem pena). Enquanto o navio permaneceu no porto, agents da Or- dem Politica e Social fizeram "vigilancia nao ostensiva" a embarcacao, considerada suspeita por sua bandeira naque- les tempos repressivos. Carne Em 1968, o matadouro do Maguari abateu quase 500 mil reses, resultando em 150 mil toneladas de came, para o abas- tecimento de Belem. Como a populagao da capital paraense estava chegando a 600 mil habitantes, dava praticamente um boi por ano per capital ou 250 quilos anuais para cada papa- chibe (tao papa came quanto), um consume de dar inveja a qualquer gaicho. Das 485.608 reses abatidas, 282.366 tinham vindo do Ma- raj6, 67.772 do Baixo Amazonas, 135.293 da Belem-Brasilia e 177 do Tocantins. FEVEREIRO/2001 AGENDA AMAZNICA 11 -- \ PUBLICIDADE A mais paraense das televises Ao comemorar, em 1965, seu quarto aniversdrio como a primeira e ainda entdo a mais important emissora de televisdo do norte dopais, indo ao ar apenas uma dicada depois dofeito pioneiro da TV Tupi, em Sdo Paulo, a TVMarajoara da cadeia dos Didrios e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand- faziajus aos slogans da campanhapromocional. Uma daspecas depropaganda declarava que a Marajoara tinha "a imagemperfeita dos acontecimentos", captando uma "nova dimensdo da noticia "gragas a sete- isso mesmo, sete - programasjornalisticos: Primeira Edigdo, RepdrterMarajoara, Utilidade Piblica, Todos os Esportes, Mundo Feminino, Noticia a Rigor, (ltimas Noticias e Imagem do Dia. Tambem oferecia "o mais vivo entretenimento", vivo mesmo. Eram programs criados e executados em Belem mesmo: Pierre Show, Motomzisica, S6 as Quintas, Grande Teatro e RM e o espetdculo. Era "o artist da terra que Canal 2 TV MARAJOARA prestigia, estimula, promove". 0 espetdculo podia ate apresentar deficiencias tecnicas eformais, era pobre dos recursos especiais que enchem os olhos do telespectador atual, mas era uma senora realizagdo, um empreendimento de larga repercussdo, mobilizador de inteligencia e criatividade fecundador da terra native. Mas o regime military, ao trocar de aliado, promovendo Roberto Marinho no lugar de Chat6 e a TV Globo onde se encontrava a Tupi, sufocou arbitrariamente e matou a TV Marajoara quando ela ainda era a lider local de audidncia e d faturamento. Foi arrastadapela submersao do maior imperio jornalisticojd construido no Brasil, proporcionalmente a sua Lpoca. Os coveirosparecem ter conseguido ate anestesiar a memorial coletiva, fazendo cor a maisparaense das emissoras de televisao o que os romanosfizeram corn Cartago. 0 sal permanece cobrindo a hist6ria da Marajoara ate hoje. P;iere hnow. ,Mooms5Ica.' Sd'& Culnias, Grade Tea!ro. RM 6 o Espetdculo o lra- zer em 5sa case E diversao ao vivo E i~-. sica E alegria 6E o artist da terra cuo Ca- na, 2 preotigia, estimula, promovel Tv MARAJOARA OANAL 23 e o oll opr*, **F n' I Ma ,l FilP ,a A NOVA DIMENSAO DA NOTICIA Primeira Edilio, Rep6rfer Marajoara. Utilidade PS: blica, Todos os Esportes, Mundo Femintno, Noticia a Rigor, Ultimas Noticias, Imagem do Dia... a noti. ,iO exata. Dalit ante o falo focalizado em cima hora. TVH MARAJOARA "IrN"""""1 SIM iU fltlEllA DOS AcIlECI [IO Agenda AmazOnica Travessa Benjamin Constant 845/203- Bel6m/PA 66.053-040 e-mail: jommalamaon.omm.hr Telefones: 2237690/2 1 2 ;I.L. I' Produao grjifica: luizantoniodefariapin __ __ _I I__ _I ~L~i~qS~s~Enar "' ~i~-. c~i. S__i* |
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| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 1 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |