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Agenda amazônica
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 Material Information
Title: Agenda amazônica
Physical Description: v. : ill. ; 33 cm.
Language: Portuguese
Publisher: Agenda Amazônica
Place of Publication: Belém, PA
Publication Date: 1999-
Frequency: monthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Amazon River Valley -- History -- Periodicals   ( lcsh )
Periodicals -- Amazon River Valley   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: Ano 1, no. 1 (set. de 1999)-
General Note: Title from caption.
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 43187939
lccn - 00229002
ocm43187939
Classification: lcc - F2546 .A26
System ID: AA00005009:00010

Full Text
- 9 0


arnaZonica


ANO I No 10 BELEM, JUNHO DE 2000 R$ 3,00


L~ cio Fldvio Pinto


NARCOTRAFICO -


A rotina na


Amazonia
0 trafico international de cocaine j' se instalou
na Amazonia. Traficantes de passes vizinhos ao
Brasil, especialmente da Col6mbia, atuam cor
desenvoltura na regido. Muitos brasileiros
tambem se dedicam a essa atividade, various
deles dispondo de cargos publicos. Essa
estrutura fez a Amazonia se tornar uma rota de
grande valor Definitivamente?


E m dezembro do ano passado, o superintendent da Policia
Federal no Par-, Geraldo Jos6 de Aradjo, e o delegado Jos6
Ferreira Chaves, prestaram longos depoimentos e entregaram im-
portantes documents a ComissAo Parlamentar de Inqu6rito so-
bre o narcotrafico instalada na Camara Federal, em Brasilia. Foi o
mais amplo relate sobre a atuagao do trafico international de
drogas na Amaz6nia. Revela o cotidiano de estruturas poderosas
que foram formadas na regido para dar apoio a passage de
cocaina colombiana ou peruana pelo Brasil e a tentative de criar
zonas de produg~o da droga em territ6rio amaz6nico. A partir
do material da policia, formei o dossier que se segue, sem a pre-
ocupacgo de ser uma abordagem sistemdtica do tema, mas cor
t6picos sobre determinadas etapas e rotinas do narcotr~fico, su-
ficientes para alertar a opiniAo pdblica para o problema, cada
vez mais grave.
an-


I








Uma quadrilha

multinational


Em dezembro de 1996, a Policia Federal desmantelou a
Orcrim Porras, uma organizacao criminosa que atuava na Ama-
z6nia. Vdrios dos seus integrantes foram press, entire os quais
Rolando Saavedra Shapiama. Era ele quem coordenava os em-
barques de pasta-base de cocaine produzida no Peru e enviadas
para a Col6mbia, usando territ6rio brasileiro para suporte de suas
aqbes. Foi condenado pela justiga federal do Amazonas, senten-
Ca confirmada pelo Tribunal Regional Federal, em Brasilia.
A Orcrim paralisou temporariamente suas ages, at6 que a
esposa de Rolando, Maria Elvia Pires Garzon Saavedra, mais co-
nhecida como Morena, assumiu a responsabilidade de reagrupar
os narcotraficantes que nao haviam sido atingidos pela decisdo
judicial e reativar os embarques de pasta-base de cocaine perua-
na. Para tanto, contou corn o apoio dos parents de Rolando resi-
dentes no Peru, onde se dedicam a produg~o do entorpecente.
Em meados de 1998, Maria Elvia chegou a conclusao de
que os controls policiais implantados na regido do Alto Soli-
m6es, na fronteira do Brasil corn a Col6mbia, nao permitiam rei-
niciar as atividades do tr~fico sem incidir em altos riscos. Resol-
veu entao se transferir para Rond6nia, onde ja possuia alguns
contatos do tempo em que seu marido estava em liberdade.
Em novembro de 1998 a policia rastreou a movimentagAo de
Maria Elvia entire as cidades de Ariquemes, Machadinho D'Oeste e
Jaru, em Rondonia. Seu contato era um piloto de aviao conhecido
como Cabeca Branca. Nos primeiros dias do mes seguinte chegou a
informagAo de que Cabega Branca havia recebido dinheiro e teria
said de Rond6nia, com destino ao sul do pais. Sua missao era
comprar um aviao cor o qual traria a droga do Peru para o Brasil.
Morena viajou de Manaus para Porto Velho, onde se encontrou
cor AdZo Ferreira, vulgo Baixinho, para iniciar as articulac6es do
transport de entorpecente, junto corn Nelson Martins Araijo e Nil-
ton de Oliveira Azevedo, conhecido como Jesus. Eles a levaram
para uma fazenda situada no municipio deJaru, em Rond6nia.
Em meados de dezembro de 1998, a Policia Nacional do
Peru informou que uma pessoa de nome Dosnarda, em Iquitos,
havia recebido uma uma orientacgo dada por telefone por sua
prima, Sandra Saavedra: era para a tia Vit6ria e Nato deixarem o
local onde estavam. Morena havia sido assaltada na noite de
domingo e levaram todo o dinheiro que tinha para comprar a
droga. Adao Ferreira, ja ciente do assalto, encomendou entao
diretamente de Rolando, preso na Penitenciaria de Manaus, 1.500
quilos de cocaine. Acertaram que no dia 19 de dezembro o aviao
sairia para buscar a encomenda.
Mas como o conserto do aparelho nao ficou pronto na data
acertada, a said para o Peru teve que ser alterada. O adiamento
deixou Ronaldo Carlos Maia, proprietArio da firma Metalmig, muito
irritado: ele ji havia assumido compromissos cor a droga. Por
causa da aproximagao do natal, Cabega Branca deixou Ariquemes
para passar os festejos de fmn de ano com seus familiares, enquan-
to Rolando conseguiu uma licenca do presidio. Ele deixou Ma-
naus em companhia de Morena, seguindo de aviao para Porto


Velho, onde os dois foram recebidos por Nelson Martins Araijo,
que os levou para sua casa. Dali foram se hospedar no Hotel
Casarao, em Pimenta Bueno, ainda em Rond6nia.
Durante o period em que Rolando esteve na casa de Nel-
son, foram feitas diversas ligag6es telef6nicas para o Peru, acer-
tando os embarques da droga. Nesses dias, Rolando, suspeitan-
do estar sendo seguido pela policia, mandou Cabega Branca nao
mais retornar. Miguel Gomes da Silva, o Careca, ficou sendo o
inico encarregado de pilotar o aviao.
Em Pimenta Bueno, Rolando e Morena ficaram aguardando
os acertos finals para a compra da cocaine. Mas no dia 6 de
janeiro, ao chegar ao aeroporto da cidade, o aviao voltou a apre-
sentar defeitos no trem de pouso. Teve que retomar a Rondon6-
polis, para sanar o problema.
Jadir Femandes de Oliveira, ciente de que a aeronave estaria
retornando nos pr6ximos dias e pressionado por Rolando para
realizar o transport, comprou cerca de dois mil litros de combus-
tivel de aviag~o no aeroporto de Pimenta Bueno. O combustivel
foi transportado para a Fazenda Progresso, por ele arrendada. No
dia 15, Rolando e Morena deixaram o Hotel Casarao e foram leva-
dos para a fazenda. Dois dias depois o aviao chegou a Pimenta
Bueno e pousou na Fazenda Boa Esperanga. Naquele mesmo dia
Jadir foi a Fazenda Progresso e retirou combustivel para o v6o.
Pelo plano acertado, o transport seria realizado saindo naquela
tarde, pousando a noite no Peru e retorando de madrugada para
uma pista nao identificada at6 hoje pela policia.
Reunidos na Fazenda Progresso, Maria Elvira, Rolando, Adao,
Nilton e Jadir foram todos surpreendidos por policiais federais,
que lhes deram voz de prisao em flagrante. Miguel Gomes da
Silva foi localizado num hotel em Rolim de Moura, quando se
preparava para pegar o aviao e decolar para o Peru.
Com a prisao dos seis, foi possivel depois indiciar Ronaldo
Carlos Maia, Carlos Alberto Peri, Sandra Saavedra Macedo e Nel-
son Martins Aradjo. Eles formariam uma organizacgo criminosa
por tras de uma empresa de fachada, a Metalmig. Essa "socieda-
de" foi constituida com a finalidade de promover o transport
sistemitico de cocaine. Contava com im6veis rurais para ocultar
o pessoal empregado nas ages de trifico; pistas de pouso clan-
destinas, tanto no Brasil como no Peru, para o embarque e de-
sembarque; instalaq6es para armazenar a droga; aviao para o
transport; combustivel para abastecer a aeronave; equipamen-
tos de navegagAo area para facilitar os deslocamentos do aviao,
seus pousos e decolagens; equipamentos para realizar o reabas-
tecimento em v6o, aumentando a autonomia do aparelho; auto-
m6veis para o deslocamento dos integrantes da quadrilha; rede
de comunicagao atrav6s de equipamentos telefonicos; equipa-
mento de ridio-transmissAo para acertar os deslocamentos; re-
presentantes no exterior para promover os contatos corn os pro-
dutores de pasta-base de cocaine; grandes somas em moeda
national e estrangeira para estruturacgo da organizacao, "cuja
potencialidade ofensiva 6 demonstrada pela relac6es de convi-
vencia entire seus integrantes e a influencia daqueles no ambien-
te onde residem, e, principalmente, o interesse comum de seus
integrantes de obterem elevadas quantias de lucro ilicito, em
detrimento da sadde piblica e do comportamento social", se-
gundo o superintendent da PF.


2 JUNHO/2000 AGENDA AMAZONICA







Dois dos integrantes da quadrilha estio cumprindo pena
por envolvimento com o trafico, outro estA respondendo a pro-
cesso por homicidio, dois ji foram processados por envolvimen-
to com drogas. Outras envolvidas sao a esposa e a filha de um
deles, que cumpre pena por crime anAlogo.
No curso das investigaqces desenvolvidas pela OperacAo
Morena, que culminou com aas tres pris6es e quatro indiciamen-
tos criminals, a Policia Federal detectou a existencia de uma ou-
tra organizacAo criminosa dedicada ao trIfico intemacional de
entorpecentes, atuando nos paises vizinhos ao Brasil. Para atuar
nessa nova frente, foi idealizada uma outra operaqAo, chamada
de Holanda, porque a droga sairia do Brasil corn destino ao Su-
riname, de onde seguiria para a Europa, atrav6s dos portos da
Holanda. As diligencias iniciais revelaram que o nicleo de ativi-
dades desse grupo estava sediado em Leticia, na Col8mbia, e em
Tabatinga, no Brasil, de onde se projetava para diversos Estados
brasileiros, como Sao Paulo, Par!, Santa Catarina e Goids.
Cor o apoio das autoridades policiais colombianas, a PF
conseguiu identificar Luis Carlos Gonzalez Maya, o Cabega Branca,
colombiano que ji fora anteriormente condenado por trafico de
entorpecentes no Suriname, como sendo o lider dessa organiza-
gao. Atrav6s de Luis Carlos, a policia chegou at6 a Realizac6es
da Amaz6nia Ocidental, Comercializadora, ImportagSo, Exporta-
cAo Ltda., empresa com sede em Tabatinga, no Amazonas, e
possibilidade de instalag~o de filiais em todos os Estados da
federag~o. Sua composicgo societAria estava dividida entire Luis
Carlos, Vitor Emanuel Valenzuela Rivera, Carlos Alberto Flores
Henao e Francisco Apolinlrio Ferreira Ipuchima.
Nenhum dos estrangeiros podia participar da empresa por-
que eram turistas Maya. Rivera e Henao, todos colombianos,
ingressaram em territ6rio brasileiro nessa condigAo e se agrega-
ram ao grupo de Ipuchima, brasileiro resident em Tabatinga,
corn experiencia no ramo de despachos, para iniciarem a estru-
turagAo da empresa.
A quadrilha era integrada por 31 pessoas, sendo 16 brasileiros,
11 colombianos, dois guianenses, um paraguaio e um canadense.
Grande parte dessas pessoas ji vinham enviando regularmente clo-
ridrato de cocaine adquirido em laborat6rios de refino na Col6mbia
para o Suriname, de onde a droga era embarcada corn destino A
Europa. Cor o recrudescimento das aq6es guerrilheiras colombia-
nas, provocando a elevag~o dos preqos cobrados a titulo de peda-
gio para o embarque da cocaine, essas pessoas decidiram se unir
para produzir o entorpecente em terras brasileiras. Sabiam que a
elaboraqCo da droga a partir da transformaqCo da pasta-base de
cocaine oriunda do Peru lhes traria maiores ganhos.
Para comecar a funcionar, a primeira providencia da qua-
drilha foi comprar um aviao, prefixo PT-OEA. A estrutura origi-
nal do aparelho foi adulterada, provavelmente durante o period
em que esteve em territ6rio colombiano, para obter maior auto-
nomia de v6o e possibilitar comunicacOes clandestinas. Esse
aviao acabaria sendo apreendido no aeroporto de Parintins, quan-
do retomava da Col6mbia.
A apreensAo serviu de alerta aos traficantes, de que poderi-
am estar sendo investigados. Decidiram mudar os pianos inici-
ais, transferindo sua base para o sul do Para, onde compraram
uma fazenda para nela instalar um laborat6rio de cloridrato de


cocaine. Cor a apreensao do aviao, o grupo ficou temporaria-
mente sem recursos para transportar a droga e imobilizado em
rela~go aos estoques que mantinha na Col6mbia.
Com isso, a policia colombiana conseguiu efetuar duas
apreensoes volumosas de cocaine, no final de abril e comeco
de maio de 1998. Prendeu dois traficantes e expediu mandados
contra os que estavam press no Brasil. Em razAo dessas apreen-
s6es, foi desencadeada uma verdadeira guerra entire os trafican-
tes, que julgavam terem sido delatados. Foram assassinados a
tiros, por pistoleiros profissionais, quatro pessoas, duas em Ta-
batinga, no Amazonas, e duas em Leticia, do lado da Col6mbia.
Com essas alteragbes, a PF perdeu a pista da quadrilha.
Havia apenas uma vaga refernncia ao sul do Park. Corn ela, fo-
ram intensificados os trabalhos de vigilancia sobre o grupo que
estava espalhado por diversos Estados e no exterior, na Col6m-
bia, Guiana, Suriname e Holanda.
Ap6s inimeras diligencias, a policia identificou em Sao Paulo
um caminhAo-ba( transportando equipamentos e insumos qui-
micos destinados ao refino de cocaine. Seguiu-o de Sao Paulo
ata o seu destino final, um ramal situado no km 79 da PA-150,
rodovia que nesse trecho liga RedengAo a Santana do Araguaia.
A PF montou, em junho do ano passado, um esquema para inva-
dir a Fazenda Panorama, onde funcionava a base central da or-
ganizagAo. Descobriu ali as instalac6es de um laborat6rio para
refino de cloridrato de cocaine, corn seus equipamentos, apare-
lhagem, grande quantidade de produtos quimicos destinados A
elaboragio da droga, al6m de armamento de procedencia estran-
geira e de uso nao permitido a civis, equipamentos de radio-
comunicagAo instalados clandestinamente, veiculos, uma pista
de aterrissagem clandestine e inuimeros documents.
Todos os 11 press na fazenda foram removidos para Be-
16m, por ordem judicial, devido a falta de seguranga da prisAo em
MarabA. Dentre eles estava Miron Martins da Costa, irmio de Mir-
cio Martins Costa, mais conhecido como Rambo, morto pela Poli-
cia Militar durante uma opera io de ataque ao garimpo de Castelo
dos Sonhos, que comandava como se fosse um quartel particular.
Juan Gutierrez Gonzalez, ao tentar fugir, disparando contra os
policiais, foi alvejado e tamb6m preso. Na ocasilo, o 6nico que
escapou foi o colombiano Jos6 Antonio Vargas Castro, mas ele
acabou sendo localizado pela policia alguns dias depois. Foragido
mesmo s6 ficou Victor Manuel Valenzuela Rivera.
Mas a PF sabia que o caso nao estava encerrado, A quadri-
lha sofreu uma baixa, mas nao estava extinta. Foi o sinal dado
em maio do ano passado, por volta das nove horas da manhA, As
proximidades das Ilhas CanArias, onde foi apresado o navio Tran-
sara, de bandeira de San Vicente e Granadina (Caribe), transpor-
tando quase 10 toneladas de cloridrato de cocaine. Essa embar-
cacao havia deixado o porto de Col6n, no Panama, alguns dias
antes. Em algum ponto das Antilhas Menores recebeu a carga de
entorpecente, que foi arremessada ao mar por avi6es vindos da
Guiana ou do Suriname.
A apreensao da droga foi decorrente da Operacgo Templo,
que vinha sendo levada a efeito pela Udyco, a Central de Entor-
pecentes da Espanha, a partir de informacoes de que um mes
antes os navios Koe Maru 7 e Saramar haviam introduzido 10
toneladas de cocaine em territ6rio espanhol. O chefe dessa orga-


JUNHO/2000 AGENDA AMAZONICA 3







nizaSgo era o colombiano Alfonso de Leon Fernandez, resident
na Espanha, preso em julho do ano passado, em Alicante, onde
estava realizando contatos corn o grupo de Alex Valentin Jos6
Stroiazzo Mouguinandre, intermediirio dos espanh6is Jos6 Ma-
nuel Vila Sierra e Manuel Lafuente, vulgo Nelo. Alex Valentin,
quando em territ6rio brasileiro, agia em parceria corn os grupos
liderados por Atila Rocha Morbach, Leonardo Dias Mendonca e
Luiz Eprique Otoya Tobon, conhecido corno Kike.
Apenas tres dias ap6s essa apreensao foram localizados
mais 4.500 quilos de cocaine na residencia de um dos press,
durante a OperaCgo Templo, na localidade de San Isidro, onde
Manuel Angel Perez Capean, proprietirio de uma empresa pres-
tadora de serviqos de limpeza, mantinha 187 volumes de cocaine
escondidos no s6tdo. Para prosseguimento das investigaoges, foi
concebida a Operag~o Holanda II. Ela iria apurar a participacAo
dos demais integrantes da organizagio liderada por Luiz Carlos
Gonzalez Maya, bem como seus nexos do exterior.
HA mais de dois anos, a Policia Federal tambem vinha inves-
tigando uma quadrilha de narcotraficantes dedicados ao transpor-
te a6reo de cocaine produzida na Colombia corn destiny ao Brasil,
a paises da Europa e aos Estados Unidos, sob lideranca de Elvis
Moreira Rocha. Em marco de 1998, quando estava em dificil situa-
Ao financeira Elvis fez duas viagens A Colombia, onde manteve
contatos corn important exportador de cocaine. A partir daf, pas-
sou a apresentar sinais evidentes de prosperidade, fazendo altos
investimentos em suas fazendas e empresas situadas no municipio
de Humaiti, no Amazonas. Fez uma compra significativa para os
novos neg6cios: um aviao novo, modelo Caraji, adaptado para
receber mais carga, e a reform do que ji possuia.
O objetivo era a Fazenda Vale do Gorgulho, em Goiania,
onde havia uma pista clandestine de pouso, de acesso muito
dificil por via terrestre. Foi l1 que pousou o aviao Caraja, carre-
gado corn 849 quilos de cocaina. Os pilots Paschoalin e Mdrio
Ney foram press em flagrant pelos policiais federais que esta-
vam acampados no local a espera deles.
Ao ser interrogado, Elvis confirmou espontaneamente que
havia 10 anos vinha se dedicando ao narcotrifico, inicialmente
pilotando avioes corn cocaine, depois subindo de posicao den-
tro da organizag~o criminosa. Admitiu que realizava tries viagens
por ano conduzindo 200, 500 e at6 800 quilos da droga. Posteri-
ormente, em seu pr6prio aviao Cessna, fez duas viagens de 200
quilos de cocaine cada, lancando a droga na costa pr6xima a
Bel6m, e que foi recolhida por barco.
Elvis comprou depois um aviao Seneca, que sofreu um aci-
dente em dezembro de 1998 perto de Itaituba. Naquela ocasiAo,
transportava 390 quilos de cocaine, de um total de 1.500 kg que
armazenou na Fazenda Vale do Gorgulho e conseguiu exportar
dissimulando-a em madeira. Cor a queda do "Seneca", valeu-se
de outro aviao, um Bonanza, para completar a carga total de 1,5
tonelada. Da fazenda, a droga veio para pr6ximo de Bel6m em
um caminhao conduzido por Paschoalin.
Essa operag~o lhe causou uma grande perda, sobretudo
por causa do acidente corn o aviao. O saldo foi de apenas 250
mil d6lares, quando poderia ter-lhe rendido muito mais se nao
houvesse os imprevistos. Nao era o dono da droga, mas tio so-
mente o responsdvel pelo seu transport Em fevereiro de 1999


foi a Bogota para combinar o transport de outra partida de 849
kg da cocaine, que acabou sendo apreendida.
Outro personagem important no trafico 6 Luis Carlos Lima
Linhares. Ele cumpriu pena na Holanda entire 1990 a 1997 por
trafico international de 140 kg cocaina, em acusag~o conjunta
com Vicente Wilson Rivera Ramos, preso em flagrante em 1993
no Tocantins, quando a Policia Federal apreendeu 7,3 toneladas
de cocaine, e a quem Elvis nao conhecia. Linhares era o encar-
regado de exportar a cocaine apreendida ao exterior, dissimu-
lando-a em madeira, a partir de uma empresa de fachada de
nome Argamassa Real, corn sede em Santa Izabel do Para.
Acompanhava Linhares o paraguaio Roberto Carlos Rodri-
guez Morales, conhecido por Tomaz. a quem Elvis tamb6m nao
conhecia. Elvis possufa apenas um nnimero de telefone cellular
usado por Tomaz para contato. O cellular pertencia a Linhares.
Junto corn Tomaz estava sempre outro paraguaio, Vicente Casti-
neira Leguimazon. Ao prender os tres, a Policia Federal desco-
briu que Roberto Carlos era na verdade colombiano e se chama-
va Gustavo Tovar Castelblanco. Pelo falso passaporte paraguaio
havia pago cinco mil d6lares. Os dois estrangeiros moravam em
um apartamento alugado pela empresa Argamassa Real, de pro-
priedade de Linhares.
Linhares confessou conhecer Luiz Carlos Gonzalez Maya, en-
volvido no laborat6rio de refino de cocaine, ji hi dez anos. Tam-
bem admitiu ligag6es corn Edmilson Benevenuto Ribeiro e Hugo
Teixeira do Nascimento, press num aviao vindo do Suriname e que
transportava armas e munioges destinadas as FARCs na Col6mbia.


A prova do crime

0 crime organizadojd atua desenvoltamente no Pard. E o
queprovam documents apreendidospela Policia Federal na ope-
ragdo de capture de 849 quilos de cocaina. Sdo agendas de lideres
do grupo de traficantes, revelando sua rotina de trabalho nos mo-
vimentos depassagem de cocaina pelo Estado. Alguns desses docu-
mentor

AGENDA DE LINHARES:
Terra, janeiro, 5 Dr. TOMAZ Refere-se a GUSTAVO
CASTELBLANCO.
Sexta, janeiro, 8 9740571/2240561 CELSO Telefones
utilizados por Celso Gomes, pessoa presa em flagrante no labo-
rat6rio de refino de cocaine.
Segunda, feverefro, 1 092 4122056 telefone instala-
do em Tabatinga, no Amazonas, utilizado por Sebastilo Mene-
zes, vulgo Sabi, cunhado de Antonio Mota Graca, o "Curica",
atualmente cumprindo pena em Sao Paulo por trifico de drogas.
Quarta, fevereiro, 3 PIERRE 5225080/5233819 Tele-
fones utilizados por Pierre Jaques Hernandez Delanoy. Ele res-
ponde a inquerito na Policia Federal do Amazonas. Um aviao
sob a sua responsabilidade apresentava alteragSo na estrutura
original para permitir maior autonomia de v6o, possibilitando o
uso no trafico de drogas.
Quarta, mario, 17 DIMAS 092 9834841 Taxista que
prestava servigos para o colombiano Luiz Carlos Gonzalez Mayo,


4 JUNHO/2000 AGENDA AMAZONICA







preso no laborat6rio de refino de cocaine.
Quarta, marco, 24 THOMAS GUSTAVO Refere-se a
Gustavo Tovar Castelblanco, preso como traficante de cocaine.
Tera, junho, 15 021-96362304 Telefone usado pelo
traficante Vicente Leguimazon.
Sexta, setembro, 3- MADECIL 20.08 10.000 / 30.08 15.000/
02.09 15.000 e 40.000 / MADEUS 23.08 15.000/ 30.08 ORLANDINA
5.000 02.09 ROMILDO ZUCATELI 5.000 total 75.000. Tratam-se de
valores gastos na compra de madeira pela organizag~o, onde os 849
kg de cocaine seriam escondidos para remessa ao exterior.
Ha uma serie de datas e valores exatamente da madeira ad-
quirida para dissimular a exportag~o de cocaine.
Segunda, setembro, 6 HUGO TEIXEIRA NASCIMENTO
BOA VISTA TAVAJE STM Trata-se de um dos press em flagrante
corn armas e munig6es destinadas a Col6mbia. A familiar de Hugo
reside em Boa Vista e Tavaje 6 uma empresa area regional.
TerVa, setembro, 7 MECA 098 9771410 Telefone que
vem sendo utilizado por Hugo Teixeira Nascimento, vulgo Meca.

AGENDA APREENDIDA NA RESIDENCIA DE LINHARES:
Quinta, janeiro, 15 MIRANDA (RAIMUNDO) RES
2235999- Trata-se de Raimundo Miranda, que ter relag6es corn
o traficante holandes Hans Geelin, preso no Caribe corn duas
toneladas de cocaine.
Terca, fevereiro, 10 WHOSELE EXP IMP LTDA Firma
constituida em nome de Linhares, cujo contrato original fora
encontrado em poder de Luiz Carlos Gonzalez Mayo, preso no
laborat6rio de refino de cocaina.

AGENDA DE GUSTAVO TOVAR CASTELBLANCO:
Segunda, janeiro, 3 9918455 RENATA Telefone apre-
endido em poder de Castelblanco, pertencente a mne da filha de
Linhares. Dentro desta agenda foram encontradas anotag6es
como Roberto 9844820 corn seta indicando Juan Carlos. Referi-
do telefone foi apreendido em poder de Elvis e o nome refere-se
a Juan Carlos Llanos Valderrama, para quem Elvis fez trabalhos
de narcotrifico.

MATERIAL APREENDIDO NO FIAT UNO CONDUZIDO POR
LINHARES NO MOMENT DE SUA PRISAO:
Comprovante de dep6sito no Bradesco, em 2 de setembro de
1999, de R$ 200, em favor'de Ida Ivone Prill, mulher de Hugo Teixei-
ra do Nascimento, preso em flagrante em contrabando de armas.


0 esquema do sul do Pard

Em setembro de 1998, a Policia Federal do Para conseguiu
interceptar, em Buriticupu, no Maranhao, um carregamento de
141 quilos de cocaine e prender cinco traficantes que haviam
sido contratados por Leonardo Dias Mendonga. Todos admiti-
ram nos interrogat6rios que a droga fora adquirida em Barra-
mcominas, na Col6mbia, por 230 mil d6lares, fomecidos por MArio
Sergio Machado Nunes. Confirmaram ainda que na fazendo Be-
lauto, de propriedade de Leonardo, reabasteceram o avilo. Corn
essas provas, foi instaurado inquerito contra Leonardo e Wilson


Torres.
No mes seguinte, os policiais conseguiram apreender, em
Breves, 60 quilos de cocaine e prender o colombiano Arnulfo
Parra e outra pessoa que tinha neg6cios com Leonardo. Ainda
em outubro, em trabalho conjunto da Policia Federal brasileira
corn a Policia Judicial de Paris, foram apreendidos 191 quilos de
cocaine na Franca. A droga transitou por Paramaribo/Suriname
e depois pela Guadalupe francesa, sendo entao levada para a
Frana.
Um dos press era Givaldo R6mulo da Silva, o "Bard6".
Apesar de apanhado em flagrante, ele foi liberado pela justice.
Dois meses depois, voltou a ser preso pela Policia Federal do
Espirito Santo, no meio da tripulagAo do navio "Neptunia Medi-
terrineo", que transportava 37 quilos de cocaina para a Italia
Em operacgo de rotina no aeroporto Intemacional do Rio
de Janeiro, em novembro de 1998, foram apreendidos em poder
de Ourovida Benzecry, de Bel6m, dois milhoes de d6lares. Se-
gundo a policia, o dinheiro originava-se do trifico de droga e
pertencia ao esquema de Leonardo Dias Mendonca.
Em razAo dessa perda, Leonardo mudou a rota atW entao
utilizada para trifico de drogas: Barrocominas, um ponto nao
definido no territ6rio brasileiro, Suriname, Guiana Inglesa e, por
fim, Europa ou Estados Unidos. Decidiu negociar e buscar a dro-
ga cor traficantes surinameses, repassando-a depois para alia-
dos na Guiana (ex-inglesa), possivelmente os s6cios de sua em-
presa, situada em Georgetown, investigada pela policia britAnica
por ter sido a intermediaria na exportacgo de cocaine para o
Reino Unido, Canada e EUA.
Ainda em dezembro de 1998, a inteligencia policial detec-
tou que o aviao Cessna Centurion utilizado pela ramificacao do
esquema de Leonardo em Roraima e na Guiana quebrou a h6lice
ao pousar numa pista clandestine para descarregar cocaine na
Guiana. Imediatamente foi acionada a policia inglesa no Brasil,
que repassou a informagao, fazendo a policia guianense ir atris
do aparelho. Temendo a proximidade da policia, os traficantes
atearam fogo no aviao, numa pista clandestine localizada pr6xi-
mo ao rio Exekeka, na cidade de Bartica, na Guiana.
No final de dezembro de 1998, a PF apreendeu no aeropor-
to de Boa Vista, em Roraima, 150 mil d61ares que estavam em
poder de Euclides Erian da Silva, vulgo Elion Saigo Ioclin, tam-
b6m investigado no Ambito da "Operago Tornado". Esse dinhei-
ro, relacionado a pagamento de cocaine j! realizado por Leonar-
do para a Guiana, especialmente a carga que foi perdida no
incendio do aviao, pertencia a Farook Razack, proprietArio da
Swiss House CAmbio, na Guiana. Foi ele que viajou para o Brasil
para levantar o dinheiro apreendido em poder de Euclides, nao
obtendo exito na sua missAo.
Em janeiro de 1999, a Policia Federal de Boa Vista apre-
endeu em fiscalizagao de rotina, no aeroporto local, 40 mil
d6lares em poder de Maxuel Nunes, cunhado de Leonardo,
quando ele desembarcava na capital roraimense, como emissa-
rio do grupo investigado.
Em marco, em outro trabalho nascido na Operacao Torna-
do, fruto da colaboragAo e troca e informaCges da Policia Fede-
ral brasileira cor a policia da Franca, foram apreendidos na
Guiana Francesa 340 quilos de cocaine e um aviao monomotor


JUNHO/2000 AGENDA AMAZONICA 5







Centurion I, tambem da quadrilha de Leonardo. Foram press os
pilots Ricardo Dante Cardenas Garcia, nascido no Peru, Marco
Tregoso Roca eJos4 Humberto Mora Sierra.
Dois meses depois, outra apreensio, de 204 quilos de coca-
ina. Os traficantes confirmaram nos seus interrogat6rios que a dro-
ga seria destinada ao abastecimento da zona leste de Sao Paulo e
para a cidade do Rio de Janeiro. Foram press tres traficantes.
Em junho foram mais 117 quilos da droga, no aeroporto de
Bariri, em Sio Paulo, e a prisAo de quatro traficantes. Uma outra
carga que passou pelo Brasil foi tambem apreendida na Inglater-
ra. A policia francesa, em Caiena, prendeu, em outubro, Dicio
Heinrich Martins. Foram apreendidos 1,4 mil francos.
Outra apreensio ocorreu em agosto na Fazenda Couri For-
te, emMato Grosso, de 327 quilos de cloridrato de cocafna, dois
avi6es e R$ 8,7 mil em dinheiro. Foram press quatro traficantes,
tamb6m do grupo de Leonardo.
No curso das investiga6oes, a policia reconstituiu a estrutura
de uma organization criminosa, "que assume dimens6es verdadei-
ramente empresariais, capaz de constituir por si mesma ameaga a
pr6pria capacdade do Estado de impor a validade de seu ordena-
mento juridico, jA que subverte a ordem social em grande escala,
o que distingue seus atos dos de uma simples quadrilha ou bando,
pois ramifica-se em diversas atividades, inclusive de cunho inter-
nacional, e contamina o tecido social, financiando politicos e outras
autoridades encarregadas do bem estar piblico".
As ages desenvolvidas por essa organizagAo "sao comple-
xas e ardilosas, e para atingir seus intentos valem-se da constitui-
cio de pessoas juridicas que, em contrario senso de suas finali-
dades, nao possuem existencia distinta da de seus membros,
sendo meros 'fantasmas' juridicos para acobertar atos ilicitos e
fugirem da responsabilidade penal".
A PF identificou quatro empresas, formadas por "laranjas",
"cujo objetivo 6 dar cobertura as pessoas de concorrnncia pro-
movida pelo poder piblico para a realizagio de obra ou presta-
cAo de service, dentro das normas por ele impostas em edital
previamente publicado, para o qtal se habilitam apenas as que
estl6 previamente ajustadas, sabendo que o objeto da concor-
rtncia sera adjudicado entire elas".
A comprovaao estA nos autos do process instaurado na
justiCa federal do Parl, a partir da identifica&co de que Cacilda
Rosa da Silva, secretAria de administrator da prefeitura de Sao
FMlix do Xingu, alm& de filha do prefeito do municipio, recebeu
em sua conta corrente dep6sitos no valor de R$ 64 mil da Cons-
trutora Roma Ltda. A comprovaoo do crime somente foi possi-
vel porque a policia localizou comprovantes de dep6sitos ban-
c.rios no escrit6rio da AgropecuAria Belauto.
Naquele mesmo local, foram encontrados disquetes de com-
putadores que demonstraram a atuacAo conjunta das Constru-
toras Piquete, Impacto e Roma, em processes licitat6rios co-
muns, viciados.
Quatro empresas, constitufdas para o exercio de atividade eco-
n6mica regular, passaram a servir de suporte s ag6es criminosas. Nos
registros daJunta Comercial do Para, verifica-se que mencionadas
empresas tmn seu capital social integrado pelas seguintes pessoas:
Construtora Roma. Marab/PA. Proprietarios: Mdcio Eder
Andaldcio e Regia Maria Silva.


Construtora Impacto Marabd/PA. ProprietArios: Valmir
Benicios dos Santos eJosivam Oliveira Monteiro.
Construtora Piquete Tucumi/PA. Proprietarios: Wilson
Moreira Torres e Cleomar Santos Vieira.
Torres e Sousa Ltda Tucuma/PA. Proprietirios: Wilson
Moreira Torres e Maria Aparecida Souza Torres.
No curso das dilighncias desencadeadas para apurar as ati-
vidades da organizaOo liderada por Leonardo Mendonca, surgi-
ram os seguintes fatos:
A empresa Comercial Alpa, situada em Maraba, foi cons-
tituida em nome de prepostos de Leonardo e Wilson Torres, que
sao os proprietarios de fato da firm.
Em Tucumi esta sediada a empresa Perdigio Capa e Pes-
ca Commercial Ltda. Consta como sendo de propriedade de Jon-
son Santos Barbosa e adquirida por Adio Jos6 de Souza, que 6
responsavel pela gerencia dos im6veis de propriedade de Leo-
nardo na regiao.
Roberto Cardos Silva Maia ou Roberto Carlos Maia Barbosa,
alcunhado de Beto, 6 o testa-de-ferro de Leonardo junto ao Auto-
Posto Goi, situado i Rodovia Transamaz6nica, Km-05, MarabA.
Na cidade de RedenqAo, Leonardo constituiu o Clube de
Vaquejada Carajis, sediado no Parque de ExposiAo Agropecuria
"Pantaledo Lourengo Ferreira". Sao seus s6cios neste empreendi-
mento Maurico Cavalcante e Leonardo Andrade, este ultimo, propri-
etrio da empresa Versatil Central de Compras, cor sede em Reden-
Lo, responsavel pela administraio do rebanho bovino pertencen-
te a Leonardo, distribuido por diversas fazendas na regiao.
Em Sao FMlix do Xingu Leonardo ter o Auto-Posto
Norte-Sul.
Al6m das construtoras que identificou como pertencentes
ao grupo de Leonardo, a PF diz que atuam no sul do Para, com
enfase na regiao de Tucuma, as empresas:
Construtora BCN Ltda;
Construtora Comercial Amazonense Ltda;
CBA Construtora e Incorporadora Bel6m Ltda;
Crisimag Ltda;
CMAG Ltda;
Construtora A. Alves Ferreira Com6rcio Ltda;
Planalto Engenharia e Arquitetura Ltda.
Todas elas participariam de esquemas de acobertamento
de processes licitat6rios. Foram denunciadas perante o Tribunal
de Contas do Municipio como inexistentes, assim como as fir-
mas ParacanA Taxi A6reo, Gabinete Ltda., Silvio Finotti Taxi Ad-
reo, Silvio e Sergio Taxi Aereo. JA as pessoas fisicas de Augusto
Silvio Ferreira, Rarael Bustos Dourado e Gilmar Ribeiro Rosa se
especializaram em fornecer recibos e notas fiscais "frias" para
serem contabilizadas como services prestados.
Em decorrencia dos depoimentos prestados pelos pilots,
al6m dos dados jA conhecidos, foram coletadas provas subs-
tanciais que permitiram representar junto a JustiCa Federal pela
prisio dos principals envolvidos no trafico de cocaina. No dia
20 de novembro do corrente, dando cumprimento a ordem ju-
dicial expedida pelo Jufzo Federal de Maraba, foram apreendi-
dos quatro avi6es e press Leonardo Dias Mendonca, Pedro
Misael Alves Ferreira, AntenorJosd Pereira. Ivanilson Alves da
Silva e Osmar Anastacio.


6 JUNHO/2000 -AGZNDA AMAZ6NICA








A conexao official


Trecho de uma sessdo da CPIem dezembro do anopassado:
PRESIDENTE Da CPI Dr. Geraldo, como o senhor fez a
triagem no levantamento dessas prefeituras?
SUPERINTENDENTE DA PF- Muito ficil. A partir da apre-
ensAo dos disquetes, na AgropecuAria Belauto, que fazem parte
do nosso inqu6rito. Ali estavam listadas aquelas prefeituras
para as quais a Roma, a Piquete e a Impacto prestavam servigo.
EstAo A disposigo da CPI os autos. Foram listadas 38 prefeituras
que pertencem As regi6es sul e sudeste. Volto a lembrar que,
das 38, 15 ja responderam negativamente: "NMo temos obra corn
essas empresas".
DEPUTADO CELSO RUSSOMANO Significa que eles
poderiam estar mantendo contato, mas as obras ainda nao teri-
am sido locadas.
SUPERINTENDENT DA PF Provavelmente.
PRESIDENTE Apenas para elucidar. Ontem, dois vereado-
res deram entrada num dossi8 levantado, inclusive, dentro do Tribu-
nal de Contas dos Municipios, onde configura a participagAo da
prefeitura, tendo como pessoa principal o vice-prefeito. Entao o pre-
feito de MarabA nao foi citado, ele simplesmente se antecipou, mas
ja estamos de posse desse document e dando entrada na CPI.
DEPUTADO POMPEO DE MATTOS A mesma coisa,
Sno sei se foi feita investigagao em Itaituba, tamb6m.
SUPERINTENDENTE Nao, deputado. Conforme disse
,. para o senhor, a investigagao esta em curso porque foi apenas
em julho que foi detectada a presence da organizagao crimino-
sa. Entao estamos priorizando a investigacao em cima do Leo-
nardo, porque ele 6 um r6u de justica com prisao temporiria. A
partir dai e face A complexidade da organizagao criminosa, nem
queremos pedir a prisao de Wilson Torres nem de ningu6m, por-
que isso fataliza o nosso prazo em 15 dias e 6 impossivel con-
cluir. E muito complex.
DEPUTADO POMPEO DE MATTOS Temos aqui, por
exemplo, Itaituba. Tudo isso aqui 6 Itaituba.
SUPERINTEDENTE Sim, Itaituba nao foi nem acionado
por n6s, porque Itaituba nao 6 sul do Part, 6 Baixo Amazonas.
Mas sao as mesmas empresas?
DEPUTADO POMPEO DE MATIOS Nao, nao sao as
mesmas empresas. Sao outras empresas.
SUPERINTENDENTE Pasme o senhor: Sao Geraldo do
Araguaia. Nao tenho resposta ainda, deputado, mas ja sei que o Sr.
Micio Eder foi lI com as tres empresas: Impacto, Piquete e Roma.
Quem venceu a licitag~o foi a Roma. Ou a coisa era feita nesse
molde ou nao havia convenio com o Incra. O senhor esta enten-
dendo como 6 que funciona? Era esse o esquema. Eram empresas
que nao possuiam corpo funcional e nao possulam mrquinas.
Entao, a pr6pria prefeitura empresta mAquina para aquela licitagao
para a qual ela esta pagando. Nao 6 isso, Dr. Ubiratan [Cazetta,
procuradorfederal no Paral? Mas essa investigaco vai ser muito
demorada. Agora vou mostrar a sede da empresa Impacto.
UBIRATAN CAZETITA- S6 para registrar que emJacunda
n6s j! constatamos cor a auditoria do Tribunal de Contas, a
execugAo da obra se deu cor carros da prefeitura, cor material


da prefeitura, e houve uma nota fiscal acobertando o valor para
a prestacao de contas. Mas a prestag~o de servigo foi pela prefei-
tura de um prefeito que ja esti afastado, o municipio esti spb
interveng~o. Sao diversos municipios. Uma dessas empresas ci-
tadas, a Planalto, ter licitaqOes tamb6m sob investigacqo em um
municipio que fica pr6ximo de Paragominas, que 6 Barra do
Pirid. Entdo, nao se sabe ainda a dimensAo no ambito do Estado.
A ideia 6 que o Tribunal de Contas dos Municipios nos informed
quais os municipios que tiveram contratos corn tal ou quais em-
presas, que n6s ji temos informacao de regularidade para se
tentar former um quadro mais amplo.
SUPERINTENDENTE- A primeira pergunta que tem que
ser feita ao Leonardo 6 se ele 6 s6cio ou proprietirio da Fazenda
Belauto Ltda. Ele ter dito at6 ontem que nao, pode mudar de
id6ia hoje. Mas numa agao de inventirio que corre na Comarca
de Xinguara, esti aqui: "Compromisso de compra e venda. Fdbio
Wagner Paro e Jos6 Luis de Freitas (este foi assassinado em um
motel em Xinguara) vendem para Wilson Moreira Torres e Leo-
nardo Dias Mendonga, doravante denominados compradores, a
fazenda Belauto". Estranhamente, o Wilson Moreira Torres nao
assina, mas o Leonardo assina.
DEPUTADO RUSSOMANO- Esse contrato chegou a ser
registrado ou nao?
SIPERINTENDENTE- Nao, mas tenho outras coisas mais
importantes do que esse contrato. S6 para dar um indicative que
ele, al6m das provas testemunhais, que sao vdrias, dizendo que
Leonardo e Wilson Torres sao donos da Belauto, ji apareceu isso
numa agSo de inventario. Mas na busca e apreensao realizada na
pasta pessoal do Leonardo, por ocasiao da prisAo, aparece aqui:
"Acerto de contas de Leonardo e Wilson. Pendencias: Quota/parte
Wilson e Leonardo investimento". Ai v6m uns valores aqui e tudo
mais, e aqui vem: "fazenda Belauto aquisigAo fazenda Belauto.
Wilson. Total: um milhlo, quarenta e dois mil, cento e sessenta e
dois reais. Leonardo, ele escreve aqui os valores. Total: um mi-
lhao, seiscentos e cinquenta e dois mil, quinhentos e setenta e
quatro reais". Em seguida: "Situacao, gado, fazenda Belauto. Wil-
son e ai vem, bezerro, garrote, novilha, vaca solteira, vaca pari-
da, vaca reprodutora, tal e tal, mil e novecentos e cinquenta e seis
reses. Leonardo. DiscriminaqSo. Bezerro, garrote, tal e tal. Total:
seis mil, novecentos e trinta e sete reses. Total geral da fazenda
Belauto: oito mil, oitocentos e noventa e tres reses. A noticia que
se ter 6 que sao 45 mil reses, nio na Belauto que nao comporta
tudo isso, mas nas seis fazendas dos dois, porque, al6m da Belau-
to, existe as que sao chamadas Fazendas Reunidas: Belauto, Cal-
m6 e Vale da Serra. Fora a Sao Francisco e tudo mais. Tivemos
noticia de que esse gado esta sendo evacuado. Infelizmente nao
podemos apreender esse gado porque nao ter onde guardar. A
Belauto foi a pista, volto a lembrar, que o dr. Sales declinou no
depoimento dele, que deu apoio de abastecimento para aquela
aeronave que pousou e foi presa por n6s do Pari, no Maranhdo,
cor 141 kg de cocaine, destinada a Cabo Verde.
DEPIUTADO RUSSOMANO Queria voltar um pouqui-
nho a hist6ria das notas, queria ver se a gente entendia. Descul-
pem-me, talvez os outros deputados tenham mais conhecimen-
to a respeito e eu menos. A questAo 6 a seguinte: estamos vendo
que as notas eram frias e que eram usadas em beneficio do


JUNHO/2000 AGENDA AMAZ6NICA 7







prefeito. Agora, parte desse dinheiro estaria vindo para a empre-
sa ou eles estariam lavando dinheiro com essas notas, tamb6m.
Ou seja, o prefeito assumia o valor, embolsava o valor e eles
introduziam nessas empresas o valor da nota fiscal, evidente-
mente, lavando o dinheiro. Quer dizer, interesse dos dois; eles
saiam pelas prefeituras oferecendo notas fiscais sem custo ne-
nhum e os prefeitos colocariam ou aqueles que estivessem
envolvidos o dinheiro no bolso e eles lavariam o dinheiro nes-
sas empresas. Era isso que estava acontecendo?
SUPERINTENDENTE- Perfeito, deputado. Como eu disse, a
mat6ria 6 recent e esti sob investigagco. Que 6 lavagem de dinhei-
ro, nro tenha d6vida nenhuma, agora, como se process essa lava-
gem, ainda nao sabemos e vamos chegar li. Uma das formas pode-
ria ser a Roma, a Impacto e a Piquete, at6 prestar gratuitamente
servings a prefeitura e ter a cobertura de notas. E uma das forms
viavel, lavando dinheiro. Ainda 6 mat6ria de investigagco.
DEPUTADA ELCIONE BARBALHO Estr muito claro,
nos documents que li, para nosso esclarecimento, pois voces
lembram de uma verba que a gente recebeu para construcHo de
postos de sadde e eletrifica~go rural, eles pegaram esses recur-
sos, eles usaram verbas da educago, jogaram para a sadde, para
o Fundef, enfim, eles estAo fazendo um emaranhado da utiliza-
cao da verba de uma forma indevida e, me parece, que nesse
bojo eles aproveitam para fazer a lavagem...
DEPUTADO RUSSOMANO A questAo ai 6 interessante
pelo seguinte: se isso exatamente estiver acontecendo, n6s, com
a quebra do sigilo fiscal bancario...
SUPERINTENDENTE -Ja esta decretado pela justice.
DEPUTADO RUSSOMANO Entao nao ha necessida-
de de pedir.
SUPERINTENDENTE O pr6prio Ubiratan partilhou do
pedido, n6s apoiamos e ja esta decretado...
DEPUTADO RUSSOMANO A agilidade do Banco Cen-
tral, a agilidade dos bancos, a agilidade do fisco, como esta acon-
tecendo isso?
SUPERINTENDENTE A praticidade tern nos ensinado o
seguinte: quando se quer quebrar o sigilo bancario, voce vai ao
Banco Central, vd direto naquele banco que voce sabe que o
cara tern conta. Entao, com relagdo a Receita, nao tem por que.
SUPERINTENDENTE Mostrava ha pouco uma outra
bomba, que 6 o depoimento prestado na Holanda, que ensejou
o mandado de prisao do Dersi Bouterse, ex-presidente do Suri-
name, quando o Leonardo ja age fornecendo armamento para
ser trocado por cocaina.
DEPUTADO RUSSOMANO Sabe se estaria entrando para
o Brasil?
SUPERINTENDENTE Sobrevoa o Brasil, na cabeca do
cachorro [fronteira do Brasil com a Col6mbial. E como eu disse, as
aeronaves sao dotadas de autonomia de v6o, de forma que deco-
lam do Suriname e vao at6 a Col6mbia, mas sobrevoando o espa-
Co a6reo brasileiro, e o dia que deu problema em um, n6s puse-
mos as maos, que foi aquela que foi citada em meu pronuncia-
mento, que estava levando armas e munig6es para a Col6mbia.
DEPLITADO RUSSOMANO- Estou perguntando isso por-
que temos ai informac6es, pois estamos para fazer uma blitz no
porto de Paranagud e de Santos, cor carregamento de armas


entrando pelo Brasil. E s6 para chegar aos n(meros, porque
poderia estar passando pelo Brasil, sendo transportado para o
Brasil e vindo pelos portos, pois sao armas inclusive compradas
em Israel, na regiao do oriented.
SUPERINTENDENTE- O porto de Paranagug desconhe-
cemos porque temos nos mantido na relacao Suriname-Col6m-
bia. Sao armas adquiridas no Suriname, geralmente sHo refugos
de paises como a Holanda E a Franga, 6 aquele tipo de arma-
mento que nao mais interessa a esses paises. O Suriname di um
jeito de trazer para ci e daqui mandar para a Col6mbia porque
para as Fares [grupo guerrilheiro Forfas Armadas Revoluciondri-
as da Col6mbia] 6 coisa boa.


0 esquema de fuga


A CPI do narcotrafico da CAmara Federal reuniu informac6es
sobre a existencia de uma ind6stria de fugas nos presidios, nas
delegacias de policia e at6 nas penitencidrias, de onde, inexplica-
velmente, press, traficantes ou ligados ao narcotrafico, saem das
celas prosaicamente, as vezes andando. O superintendent da Policia
Federal no Para, Geraldo Jos6 de Aratjo, disse que esse 6 um
fen6meno national, cor seus exemplos no pr6prio Estado.
HA falta de um presidio federal no Brasil, parece que a CPI
esti propondo um, e seri de grande ajuda. Tenho aqui o nome
de duas pessoas: Carlos Roberto Martins Alegria, que por sinal 6
at6 nome falso, ele 6 estrangeiro [d chileno e esteve envolvido no
assassinate deBrunoMeira Mattos], fugiu da cadeira de um den-
tista, mediante permissAo do Juizado de Execuc6es Penais do
Estado, e o Paulino Ant6nio Soares, tamb6m traficante internaci-
onal, condenado pela Justiga Federal, que fugiu de uma matemi-
dade, autorizado pela Execuc6es Penais. Nao foram press cor
quantidade tAo expressive nao, mas era trafico international com-
provado, tanto que foram condenados pela justiga federal. E,
mais recentemente, prendemos em flagrante o Ademar Santos
F6lix, que 6 um not6rio traficante. O flagrante foi relaxado no
sentido de ele responder em liberdade. At6 af tudo bem, depois
veio a condenagdo em primeira instancia e ele pegou 6 anos [de
cadeia]. Fomos prender o cidadAo em Tabatinga, para que fosse
cumprir a pena e um desembargador nosso, aqui, concede um
salvo-conduto para ele, sob o pretexto de que deveria aguardar
o trdnsito em julgado da sentenga, quando a lei de entorpecen-
tes 6 muito clara: "O condenado nao poderi apelar, se nao reco-
Iher-se a prisdo". E esti aqui, o salvo conduto esta em nossas
mAos. Esses 3 casos sao o que me ocorrem, mas aqui, no Para,
nao difere de outros Estado do Brasil, nao.
DEPUTADO RUSSOMANO Nos outros casos que fo-
ram dados pela Execugces Penais, era a mesma juiza?
SUPERINTENDENTE Era a mesma juiza. Hoje nao 6
mais ela, sao outros juizes. Nio estou aqui querendo levantar
dividas quanto a honra de nenhum magistrado, mas que o
fato 6 estranho, 6. At6 porque o Dr. Rubens [Rollo d'Oliveira],
juiz federal, e outros juizes federais, trn batido nessa tecla.
Porque, infelizmente, jogam a crit6rio do Estado a execugao
e a justica federal sequer 6 ouvida, quando os press sao
press federais. A


8 JUNHO/2000 AGENDA AMAZONICA






DOCUMENT INEDITO


Uma visao


confidencial


do polemico


Mr. Link


O americano Walter Link foi o mais polemico personagem
do inicio da histo6ria da Petrobrds e da pr6pria hist6ria do
petr6leo no Brasil. Durante cinco anos, entire 1956 e 1961,
ele cbefiou a diretoria de exploraado da empresa. Link as
sumiu o cargo trs anos apds a criacdo do monopdlio esta-
tal do petrdleo e um ano depois da descoberta de 6leo na Amaz6nia: em
marco de 1955jorrou o "ouro negro" nopoco de Nova Olinda, dsproximi-
dades de Manaus, no Amazonas, onde quatro mil barris chegaram a ser
produzidos (outros 1.800 barris em Autds-Mirim). Era uma 6poca de
euforia. A Amaz6nia tinha nada menos do que um milhbo de quilmetros
quadrados de bacia sedimentar aluvional, considerada um alvo prefe-
rencialpara a acumula o de hidrocarbonetos. Sefinalmente o 6leo ir-
rompeu do subsolo e porque em breve a regido estaria produzindo tanto
quanto asprincipais zonaspetroliferas do mundo.
Mas isso ndo ocorreu. Nas tr6s decadas seguintes todas as esperangas
de surgir um campo commercial depetr6leo sefrustraram. Muitos ndo esta-
vam dispostos a aceitar que esse insucesso se devesse as tipicas condic-es
geoldgicas da Amaz6nia, repletas de surpresas. Estavam convencidos que
osfracassos derivavam da sabotagem praticada por Link. Nos cinco anos
em que, contratado por uraci Magalhdes, primeiro president da Petro-
brds, comandou a busca do precioso energetico, sempre um peso excessive
na fragil balanga commercial brasileira, ele ndo teria sido leal d empresa
que o contratara a peso literalmente de ouro (seu saldrio era de 100 mil
ddlares ao ano, em valores do final da dcada de 50). Na verdade, seria
um espido da Standard Oil, a rapace empresa petrolifera dos Rockefeller,
desde a docada de 20 interessada nas reserves brasileiras.
Os erros cometidos por Link no relatdrio final de sua atuafdo na
Petrobrds justificariam essas desconfiancas, realimentadas pelo kxito que
a Petrobrds obteve no Rec6ncavo Baiano logo ap6s a said do gedlogo
americano. Mas Walter Link teria sido mesmo um espido, um sabotador,
um tcnico de md-fd, ou seus erros tinham raiz mais simples: sua arrogan-
cia, sua vinculado aos amigos que deixara nos Estados Unidos e afalta
de integragdo ao corpo tecnico (e a pr6pria gente) do Brasil? Entre seus
acertos estava a afirmativa de que ndo havia petr6leo no Acre, apesar da
confuanca national em sentido contrdrio, e de que a drea maispropicia a
Sacumulagdes era o Midio Amazonas, ondefoi encontrado o primeiro
campo de l6eo em escala de produpdo commercial da regido, o Urucum.
Por causa das paixdes que provocou, a favor e contra, Walter Link
ainda e um tema em aberto na historiografia brasileira. Para enriquece-
la, public nesta edicdo um document absolutamente inddito. Trata-se de
um relat6rio confidencial que o majorJarbas Gongalves Passarinho escre-
veu em 1958, dirigido ao seu superior imediato, o superintendent regio-
nal da Petrobrds na Amaz6nia, coronel N6lio Lobato, e ao president da
empresa, coronel Janary Nunes. 0 relat6rio reproduzia os termos de uma


conversa que Passarinho, adjunto da superintendincia, tivera corn Link
durante uma excursdo ao extreme noroeste do Acre. As opini&es do gedlogo
americano impressionaram tanto ao military que ele decidiu repassd-las
aos escales mais altos da Petrobrs. Esse document ndo bavia sidopubli-
cado ate este moment.
Se o relato de Passarinhofoi encarado cor a mesma gravidade de
quem oproduziu, quando tinha apenas um ano de empresa, noo se sabe.
Link continuou como director de exploragdo da Petrobrds por mais tres
anos. N6lio Lobato deixou a superintend&ncia um pouco depois, sendo
substituido pelo pr6prio Passarinho. Ambos acabariam trocando o Ex&ci-
to pela political, o ex-superior chegando a prefeito de Belem e deputado
federal, enquanto Passarinho acumulou mais cargos do que qualquer
outro politicoparaense.Jd Walter Link nd parece ter-se importado em ver
sua conversa transformada em relat6rio. Suas relagdes com Passarinho
nao mudaram. E como chegou ao Brasil em 1956, foi-se cinco anos
depois. Opais e quejd ndo era o mesmo.
A integra do relatdrio de Passarinho:

REIATRIO DEVIAGEM AORIOMOA
A fim de representar a SRAZ [Superintend&ncia Regional da Ama-
z6nial nos estudos que a Depex [Diretoria de Exploradolj, atrav6s de
seu pr6prio Chefe, Mr. Walter Link, ia realizar no Acre, a partir de 12 do
corrente, dirigi-me para Cruzeiro do Sul, la chegando a 11 deste mes. No
dia seguinte, recebi no Aeroporto o Sr. Link, que se fazia acompanhar
do sr. Richard Blakennagel, Supervisor de Geologia de Campo. Ja se
encontravam na mesma cidade o sr. Phillip Paris, Chefe de Sec da
SRAZ, e o Ge6logo Dirceu Leite, Chefe da TG-1.
A viagem para o rio Moa
Poucas horas depois de chegar a Cruzeiro do Sul, o sr. Link inici-
ava a subida do Rio Moa. Acompanhavam-no todas as pessoas anteri-
ormente citadas neste relat6rio e mais o Ge6logo Darcy Germani, assis-
tente da TG-1.
Fizemos a viagem nos botes de aluminio, dotados de motor de
popa. Desde logo foi ficil verificar que mesmo o Rio Jurua, que percor-
remos at6 a confluencia com o Rio Moa, apresentava aguas tko raras
que nao permit, a esta 6poca do ano, navegaoo de embarcages de
calado superior a 4 pes.
A finalidade da viagem do sr. Link era estudar, no local, as possi-
bilidades oleiferas da regido do Moa, inclusive a Serra do mesmo nome.
Ap6s dia e meio de viagem, atingimos o local denominado Acam-
pamento, ou "P6 da Serra", onde esta montada a organizaOo de base
de apoio da TG-1.
No dia imediato iniciou-se o trabalho de geologia de superficie.
Inicialmente fizemos o percurso ainda utilizando os botes. Os ge6logos
estudavam certos trechos do rio, jd agora com a assistencia do ge6logo
Bouman, chefe da TG-2, que se incorporara a comitiva a partir de certo
trecho do rio Moa, no dia anterior. Na mesma jornada estivemos ainda
nos locals onde o Conselho Nacional de Petr6leo fez perfuragfes pio-
neiras, tendo que, a partir do local Pedemal, onde a navegaoo do Moa
sofre solucao de continuidade por presenga de cachoeira, penetrar na
mata e percorrer cerca de 4 km at6 o local onde ainda se encontra
erguida a torre da sonda de percussio, utilizada pelo Conselho Nacio-
nal de Petr6leo e posteriormente li abandonada. Em todas essas ocasi-
oes o sr. Link trocava id6ias com os ge6logos e fazia comentArios.
Regressando, ao fim da jomada, base de operamges no "P6 da
Serra", assist, nessa noite, planejamento feito pelo ge6logo Dirceu
Leite, da viagem, atraves da selva, para estudo da Serra do Moa e
alguns dos cursos d'igua li existentes. Por quatro dias estivemos pal-
milhando trilhas, escalando morros, vadeando e explorando igarap6s,
no trabalho correspondent ao program tragado pelo ge6logo Dir-


JUNHO/2000 AGENDA AMAZONICA 9






ceu Leite. No quinto dia fizemos march de cerca de 20 km, regres-
sando i base de "P6 da Serra".
As observagoes estavam concluidas, e os tres dias restantes
foram consumidos corn a viagem de regresso a Cruzeiro do Sul e
Manaus, que atingimos a 23, retomando a Belfm a 25. A 29, ap6s
as conferencias realizadas pela equipe da Depex, aqui chegada a
25, em conjunto corn os t6cnicos do SEO a respeito do orcamento
de 59, o sr. Link fez uma exposicio, presidida por V. S., para a
nossa Comissio de Coordenaiao, na qual tratou, principalmente,
do problema do Acre.
As condus6es e observaoes mais minuciosas da viagem, estu-
do das condio6es para apoio logistico as operaf6es no Acre, inspe-
Co das Turmas de Geologia e da EG-8, constam de um relat6rio
ostensivo, que passarei, em curto prazo, as mios de V. S. No present
document, de carter confidential, pretend expor a V. S. e a Admi-
nistraio Central da Empreas, por seu intermedio, o que ouvi do sr.
Link e as conclus6es que tirei dos seus comentirios e mesmo das
suas conversas pessoais comigo.
1. OcasdoAce
Durante as conferencias de geologia, nas virias fases do esta-
fante trabalho realizado no Moa, o sr. Link tomava cada vez mais
enfitico o seu ponto de vista de que o Acre nio oferece grandes
possibilidades oleiferas. Freqilentemente, interpelava-me a respeito das
condic~es logisticas para suporte de uma operacio naquele ponto do
territ6rio national e dizia que s6 uma reserve de bilh6es de bards de
61eo justificaria a exploraiao naquele local, dadas as tremendas difi-
culdades a vencer. Analisando as locac6es das torres pioneiras do
CNP [Conselbo Nacional do Petr6leo, particularmente a que se encon-
tra adentrada na floresta, chegou, num instant de falta de comedi-
mento, a dizer que aquilo s6 era possivel como fruto de decision [d
n6scios (dull). Foi sarcistico na apreciaoo que em seguida fez, refe-
rindo-se it gua sulfurosa e t6pica que emana dos furos realizados
pelo CNP, qualificando o resultado obtido de "excelente para a mon-
tagem de um hotel de turismo, que sugeria se denominasse Hotel de
la Frontera". Piada essa que, alias, repetiu na exposigio feita na sede
da SRAZ [Superintendncia Regional da Amazdnia, no dia 29 de cor-
rente [dois dias antes.
Incidentalmente, fez comentArios depreciativos sobre a decision
de furar no Acre, ha 20 anos atris, ao tempo do CNP. Sobre o traba-
lho do ge6logo Pedro de Moura, disse discordar da classificaoo de
carbonifero que este deu a uma rocha sedimentar colhida no Moa e
no rio Capanaua. Sustenta que nao se trata de carbonifero. Atribui,
pelo que viu, ser rocha pr(-paleoz6ica, ou paleoz6ico inferior. Foram
colhidas amostras, que o ge6logo Dirceu Leite ficou encarregado de
remeter para os laborat6rios de paleontologia, par anilise e esdare-
cimento definitive. Essa controv&sia 6 important, uma vez que essas
foram as dnicas inciddncias verificadas de rochas possivelmente ge-
radoras de 61eo. Se como o sr. Link salientou para a Comissio de
Coordenagao nio for carbonifero, entao 6 que as possibilidades no
Acre se tomarn ainda mais remotas e duvidosas.
Para o sr. Link, o Acre 6 o "uiltimo lugar, no mundo, onde ele
inverteria dinheiro pr6prio para pesquisar petr61eo". Disse-me isso
algumas vezes, acompanhando essa frase de comentlrios mordazes
a respeito da decision, ha duas d6cadas atris, do CNP, explorando no
Moa. Acha que o valor do trabalho pioneiro dos srs. Moura, Wander-
ley e Neiva 6 inegAvel, "como trabalho preparat6rio, de exploraio".
Mas acha de uma estupidez sem par defender-se o ponto de vista da
certeza do 61eo no Acre, estribado nesse trabalho ou, pior ainda, pelo
simples fato de haver 6leo a 70 km da fronteira, no Peru... Diz que
nao 6 a toa que as concessionlrias, no Peru, se desinteressaram da


regilo fronteirica com o Brasil. a que no seu entender a espessura
da camada de sedimentos marinhos do creticeo, responsivel pelo
61eo de Ganzo Azul e Contamana, estreita-se e reduz-se, a proporio
que o mergulho caminha para leste.
Firma-se, para isso, na presenia, inclusive, de afloramentos de
embasamento encontrados pelas TG (Turmas de Geoffsica] em opera-
iao no Moa, Capanama, etc. e, muito particularmente, no conheci-
mento que tem da region adjacent peruana, onde fez geologia para
a Standard [Oil. Conclui dizendo que, achando-se 61eo no m6dio
Amazonas, "nlo se justificaria furar no Acre nem dentro de 100 anos"...
2. Apredaalosore outms 6r s daPetfobris
Durante todo o dia 13 do corrente, estivemos juntos, s6 n6s
ambos e o motorist do barco de aluminio em que viajivamos, subin-
do o Rio Moa. Nessas circunstincias, o sr. Link usou de muita fran-
queza ao fazer aprecia 6es sobre a Petrobris, como um todo e como
empresa. Fez, entao, observag6es que reputo da mais alta gravidade e
que, verdadeiramente, me chocaram. Releva notar que assim o fez,
"sponte sua", pois nao me seria viivel provocar suas reaces. O que
disse, nessa oportunidade, mostra um home profundamente des-
crente da eficidncia e do exito da empresa, de cuja orientaio geral
diverge frontalmente. Assim 6 que iniciou por formular critics ao
Depro [Departamento de Produplo], considerando seus tecnicos e
Chefe sem a experiencia e o conhecimento necessarios para o exerci-
co da funlo. Essa acusaoo de incapacidade, tomou-a generalizada
a todo o Departamento, acusando-o de incompetent e inoperante.
Subindo de escallo administrative, negou ao Dirop as qualida-
des bisicas para orientar a operaco, que salientou complex e diff-
cil, no Brasil. Citou aquisigo de sondas, que reputa desperdfcio de.
dinheiro sem qualquer justificativa do ponto de vista operational.
Acha que o Depro deveria ser estruturado a base dos mesmos princi-
pios de servir-se de homes competentes e vividos na inddstria do
petr61eo, a feigo do Depex [Departamento de ExplorafoM. Pareceu-
me claro que ele pretendia que o Depro estivesse sob a direio de
t6cnicos contratados.
Ainda mais: declarou que um dos defeitos viscerais da empresa
reside no fato de "nio ter, em sua Diretoria, um s6 home que enten-
desse da inddstria de petr61eo". Se esse home existisse acrescen-
tou a administrator da Petrobrds seria sensfvel, entao, a importincia
do fator economic, na operacgo hoje inteiramente desprezado. Para
ilustrar sua tese, disse que a Bahia, por exemplo, estA fazendo uma
explorago anti-econ6mica, entire outras porque nio sabe, atW hoje,
por quanto Ihe sai o barril de petr61eo produzido em qualquer um
dos seus campos e porque tem gente em demasia na operaco. Ga-
rante que a Bahia s6 em pessoal empregado na produgio de 61eo,
para obter 47 mil barris-dia, tem efetivo quase igual ao de todo o
pessoal empregado pela Socony na inddstria de petr61eo na Vene-
zuela. Reputa isso uma aberraago e afirma que, dando-se melhor
administrago e reduzindo o pessoal ao essential, ndo s6 se obteria
produgo mais barata e econ6mica, bem como se teria muito maior
produoo. t, pois, a Bahia, no seu entender, um caso de falso pro-
gresso e de exemplo de ni administrago. Todavia aduziu quan- 4
do se faz essa observaio ao Superintendente da Regiao, ele respon-
de pretensiosamente que, "para problems brasileiros, soluo6es brasi-
leiras". E isso de dar solug6es localistas a um problema de ordem
t&cnica 6 classificou ele, irritado prova de estultice.
A irritago que, durante a palestra demonstrou, nao era emoci-
onal, momentinea, agravada por qualquer condiio local, mesmo
porque eu apenas comentava mostrando-me surpreso com o que ele
dizia. A sua irritago era rational, fria, pensada.
Nas critics que desenvolveu, por tAo long tempo, apontou a


10 JUNHO/2000 AGENDA AMAZ6NICA







Petrobris como tendo tamb6m um enorme ponto fraco, no seu en-
tender: o ser sensivel is influncias political. Nio pude precisar se
referia i political partidiria ou a political regional, de influencia de
govemadores, por exemplo, sobre as regioes a perfurar. Pareceu-me
fosse a esta forma de political que se referiu, pois em seguida argu-
mentou que s6 por political se compreende furar em Carolina, no
Maranhio, desprovida de ligacges contfnuas corn o litoral, e no rio
Moa, onde, inclusive, suspeitava de nio haver grandes possibilida-
des. A sua viagem ao Acre era, em grande parte, motivada pela poll-
tica, pela interferencia de fatores.estranhos a t6cnica, em assuntos
essencialmente tkcnicos. Para testar definitivamente as informag6es
constantes, publicadas em jomais, propaladas por virios meios e de-
correntes de esperanmas dos ge61ogos pioneiros da area, 6 que estava
ali, subindo o Moa e ia verificar pessoalmente o trabalho dos ge61o-
gos da TG-1 e da TG-2. A influ&ncia political prosseguiu 6 nefasta
e seria suficiente para fazer fracassar qualquer companhia de pe-
tr61eo. Admite, no entanto, que por questoes political se tenha de
furar na bacia do Parana. Isso porque, qualquer resultado feliz,
teri a garantia da facilidade do escoamento do 61eo e a presenCa,
bem pr6ximo, dos maiores centros consumidores, o que nio exis-
te, por exemplo, no Acre. Mas esta certo de que teri problems
corn a Diretoria, se chegar a conlusao de que ndo 6 interessante
furar no Acre. (Estou reproduzindo uma conversa que tivemos
quando remontivamos o Rio Moa, antes de iniciar os trabalhos.de
geologia). Isso porque nio se olham as despesas, muito especial-
* mente quando sAo elas em cruzeiros. Que hi, de parte da Direto-
ria, a id6ia de que esbanjando cruzeiros se melhoram as coisas.
Que 6 s6 falar em bilh6es e mais bilh6es, esquecidos de que isso
se reflete sobre a pr6pria economic do Pais.
S Perguntando se estendia suas critics is refinarias estatais, que
sabia estarem produzindo excelentes resultados A base de t6cnica
iacional, depois da implantaoo pelos estrangeiros, negou que este-
jam fazendo grande vantagem. Que forcam a capacidade de produ-
co e colhem lucros excessivos no refino, quando nos Estados Uni-
dos conta-se por fraoo de centavo o lucro obtido, pelas refinarias,
sobre cada barril refinado.
3.Otr0 namentadopessoalbhrasilel
Indaguei do sr. Link, certa feita, como ia progredindo o trei-
namento do pessoal brasileiro, visando A forma&io da t6cnica
national. Respondeu que esse 6 outro dos pontos fracos da Pe-
trobris. E que, apesar dos pesares, 6 ainda o Depex quem mais se
preocupa com o problema. Sozinho, tern. mais gente se especi-
alizando no estrangeiro do que todos os demais 6rgios da Petro-
bris. Ainda assim, precisaria de mais gente capacitada. Pede 45,
dio-lhe 20. Acredita que seja porque a Petrobris ter dificuldade
de recrutar pessoal qualificado. Que, por iniciativa dele, se fez a
Escola de Geologia da Bahia, que, no fun do corrente ano, dari
os primeiros 15 graduados por ela. Que ao chegar ao Brasil, em
54, havia, em todo o pais, apenas 60 ge61ogos, dos quais 2/3 eram
professors. Por ter pensado no problema, por Ter tomado provi-
Sdncias, 6 que hoje, na folha de pagamento do Depex, ha cerca
de 85 ge6logos e geofisicos brasileiros.
Nio acredita que o Depre, devido A falta de provisAo, consi-
ga obter pessoal brasileiro de excelente padrco t6cnico, tAo cedo,
* nas proporSes que seriam de desejar, visando A gradual substi-
tuico dos especialistas estrangeiros, que consomem d61ares, por
eficientes especialistas nacionais. E, a despeito de tudo, gasta-se
um mundo de dinheiro. PrQtesta, diz ser desnecessirio o que Ihe
dio para a exploracio. Nao 6 ouvido; cala-se, lava as mros, "pois
o dinheiro 6 de voces".


4. A entrevista para n "Time" e ses efeitos na area
Durante a conversaoo que mantivemos, o sr. Link defended a
livre competioo entire companhias de petr6leo, como altamente salu-
tar para o progress. Discordei, desde logo, acentuando que ele esta-
va raciocinando em termos.de passes de economic forte e forte ex-
pressio military. Os trustees, em competioo no Brasil disse-lhe -
seriam a desgrapa do Pais, pelo extraordinro poder econ6mico de
que se utilizam para exercer influencia de political internal e pelas
implicac6es de political externa, que deles emanam.
"Nio me envolvo em political replicou. S6 analiso a question
do angulo industrial".
"E por isso mesmo insist que o senior raciocina em
terms de grande potncia mundial".
Partidario convict do "free entreprise", trabalha para o mono-
p61io estatal, no Brasil, mas ndo pelo monop61io. E express sua
opiniio, sem preocupar-se que ela violent um principio de 6tica
functional. Dias mais tarde, ao regressar a Cruzeiro do Sul, li a entre-
vista que o sr. Link concedera ao "Time". O mote, salientado pelo
magazine -"The more, the better" 6 bem a expressAo dessas con-
vicq6es. t meu dever ressaltar a V. S. que testemunhei, particularmen-
te em Manaus e aqui em Bel6m, a profunda insatisfaOo de compa-
nheiros nossos cor essa entrevista do sr. Link. Ele, todavia, parecia
absolutamente alheio a esses efeitos.
5.Conchals
Desejo renovar, aqui, a declaraoo formal de que tudo o que
ouvi do sr. Link me foi dito espontaneamente. Tratou-me, sempre,
cor a maior polidez, no que foi correspondido. Nio lhe traf a confi-
anca, sequer com um ardil. No que disse, alias, ndo pediu reserve, o
que, de resto, como 6 6bvio, seria inaceitavel de minha parte e ing6-
nuo da parte dele. Falou num ingles pausado e claro, que nio foi
dificil bem extender. Corro, apenas, o risco de reproduzir as expres-
.s6es de mem6ria. Mas foi de tal modo natural e expansive que me
falou, que chego a me perguntar por que teria a mim escolhido para
expressar, as vezes asperamente, sua desaprovaoo ao que se faz na
Petrobris. Nio pretend, contudo, fomentar animosidade entire pes-
soas. Vejo, no caso, apenas a Petrobris e o meu objetivo, em fazer
este relato, 6 o de cumprir um dever para cor a empresa, proporcio-
nando meios para julgamento por quem de direito.
Nio entro no m6rito das acusac6es do sr. Link. Ouvi-as, con-
siderei-as graves e defiro-as a quem possa aprecia-las correta-
mente. Real ou artificial, o seu desgosto transparece nas palavras
e at6 mesmo no sarcasmo que contamina, via de regra, as suas
observa 6es e critics.
Respeitando uma norma que ter tido em V. S. fiel executor e
fiador, deixo de emitir conceitos de ordem pessoal e reserve aos altos
dirigentes da Petrobris, a testa o sr. President, todos eles merecedo-
res de nossa absolute conflanga, as medidas de defesa da Petrobris,
sejam as. intemas, corrigindo erros e insuficidncias, sejam as externas,
aparando ataques de seus poderosos inimigos.
Creio, ao passar is mios de V. S. o present relat6rio, que eu
pr6prio datilografei e do qual guard segredo, Ter cumprido um de-
ver indeclinavel para cor a empresa a que sirvo, senio mesmo para
corn o meu Pais, ji que estou entire os que chegam a confundir-lhe o
destino corn o da Petrobris.
Certo de que V. S. reparte comigo os mesmos pensamentos e as
mesmas graves apreens6es, firmo-me,
Atenciosamente,
Jarbas G. Passarinho Superintendente Adjunto
Bel6m, 31 de agosto de 1958 A


JUNHO/2000 AGENDA AMAZ6NICA 11







A propaganda do


desenvolvimento


Em dois anuncios, veiculados na
imprensa em abril de 1965, o Banco de
Crddito da Amaz6nia (substituidopelo Basa no
ano seguinte), apontava cinco "raz6es
fundamental para se investor na Amaz6nia",
aproveitando-se das condigoesprivilegiadas
que comegavam a ser criadas na regidopelo
governor. Aprimeira: "ofato de ser de graa"
metade dafdbrica que o industrial quisesse
implantar na Amaz6nia; o dinheiro viria do
imposto de renda que, ao invis de arrecadar, a
Unido transfeririapara os investimentos
incentivados. A segunda razdo: a enormidade


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S s4 -- W
.a ~q rm U3~rr
.a 'j. -C


* VAU 1 4. Ud- 4. i6" iuh 4.m k
pAAm a we holds ai OS

BCA0 BANCO DE CRrDITO DA AMAZN IA S.A.
^Cy W-Issc^&-^^-a^s3.sayr'^si


a


territorial da Amaz6nia, com seus cinco
milhbes de quil6metros quadrados, dotados de
"imensos recursos". A terceira motivacdo
seriam mais verbaspziblicasfederais e
estaduaispara apoiar tanto as "atividades
econ6micaspioneiras" quanto as
"tradicionais, de interesse da Regido". Uma
quarta razdo seria a "proximidade da
Amaz6nia dos grandes mercados
internacionais" e a integracdo ao territ6rio
national atravis de grandes estradas, como a
Belem-Brasilia ("que em breve estard
asfaltada", esse brevee" significando 20 anos).
E, porfim, no segundo anzncio, apaz social
da regiao, cujapopulagdo estaria corn seu
padrdo de vida em crescimento grapas a acdo
d o BCA e da SPVEA, a Superintend6ncia do
Piano de Valorizagdo da Amaz6nia (sucedida
em 1966pela Sudam).


Agenda AmazOnica
Travessa Benjamin Constant 845/203 -Beln/PA- 66.053-040 e-mail: jomala*maznn.mm.hr Telefones: 2237690/2417626 (fax) Produgoo grfica: luizantoniodefariapinto


Ilyl~