Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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oaMera tribuna poltica O ltimo ato do impeachment da ento presidente Dilma Rousse aconteceu em 31 de agosto de 2016, quando o Senado aprovou o seu afastamento denitivo do cargo, sob a alegao de ter cometido crime de responsabilidade. Embora o processo tenha seguido as regras legais, sob a superviso do Supremo Tribunal Federal, e a ltima votao tenha ocorrido sob o comando do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, os adeptos de Dilma, Lula e do PT nunca aceitaram a deciso. Classicaram a substituio de Dilma por seu vice, Michel Temer, eleito na chapa petista pelo acordo rmado com o PMDB, de golpe. Desde ento, debates intensos j foram travados em torno dessa classicao, em todos os mbitos, com manifestaes superciais ou profundas, bem fundamentadas ou meramente panetrias de ambos os lados, sem surgir um ncleo de con-Uma ofensiva para introduzir no currculo das universidades pblicas uma disciplina sobre o golpe de 2016 se formou exatamente no momento em que a candidatura de Lula ficou seriamente ameaada por sua priso e pela lei da ficha limpa. Mera coincidncia?cordncia. A justia, porm, manteve o impeachment da ex-presidente. Pouco mais de um ms atrs, uma controvrsia que poderia caminhar, a despeito dos seus destemperos e desajustes, para uma abordagem pblica menos passional, foi reativada por uma proposta inslita. Um grupo de professores decidiu patrocinar a introduo de uma nova disciplina nos cursos universitrios com o ttulo de O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil. A primeira mobilizao aconteceu na Universidade de Braslia, estendendo-se at alcanar 30 universidades, todas pblicas. Desrespeitando a autonomia universitria, o ministro da educao, Mendona Filho (que do DEM de Pernambuco), ameaou acionar rgos ociais de UNIVERSIDADE

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2 controle externo para apurar a existncia de algum ato de improbidade administrativa ou prejuzo ao errio a partir da disciplina na UNB, sob a coordenao do cientista poltico Luis Felipe Miguel. Ao mesmo tempo, Carlos Zacarias de Sena Jnior, historiador da Universidade Federal de Bahia foi intimado a se pronunciar judicialmente sobre a oferta do curso na instituio. Passado o primeiro momento da reao truculenta do aparato ocial, faz-se um questionamento analtico sobre a iniciativa. O que realmente a motiva: proporcionar um entendimento mais profundo sobre as sucessivas crises polticas no Brasil nos ltimos anos, que ameaam mais do que outro fator objetivo, ligado s atividades produtivas a recuperao do pas dos desastres econmicos, intensicados, na ltima temporada, a partir de 2015? Ou essa irrupo dentro das universidades pblicas tem a ver com a ameaa, a cada dia mais concreta, de priso de Lula e seu afastamento denitivo da eleio de outubro para a presidncia do Brasil? A disciplina sobre o golpe seria como uma cunha, que penetraria no organismo do ensino superior e nele instalaria uma fonte ideolgica, respaldada por reexes acadmicas (sempre de intelectuais adeptos da tese do golpe parlamentar), que ser viria de ponto de atrao e aglutinamento em defesa de Lula. Quem se disporia a frequentar uma disciplina na qual a premissa de que o golpe existiu de fato e o que cabe estudar a profundidade do seu alcance e a extenso das suas origens? Pessoas eventualmente dispostas a se matricular em tal curso resistiriam ao matraquear de um pensamento nico, sujeito apenas a variaes de entonaes e matizes? Ao ler uma entrevista da professora Rosaly Brito, do curso de comunicao social da Universidade Federal do Par, antevendo o que seria tal projeto, reagi de imediato. Escrevi no meu blog o seguinte texto, no dia 11: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil: eis um excelente tema para um debate de grande signicado na conjuntura atual do pas, com a participao dos que so a favor e contra essa interpretao do impeachment da presidente Dilma Rousse. Mas transformar esse tema em disciplina acadmica nas universidades no apenas um abuso e um desvio de nalidade das instituies de ensino superior, sobretudo as pblicas: uma deslavada desonestidade intelectual. Um ato partidrio que avilta a autonomia universitria e viola a mais nobre razo de ser da academia. Seguindo exemplo nada edicante de outras universidades, o movimento chegou Faculdade de Comunicao da UFPA, segundo informa a professora Rosaly Brito aO Liberal. Nesse caso, a disciplina no resiste ao mais elementar questionamento metodolgico. O ttulo, que transforma um instrumento constitucional (o impedimento da presidente da repblica por crime de responsabilidade) em golpe inconteste, j atesta o desvio ideolgico da disciplina, seu vis anticientco, seu carter totalitrio, sua averso diversidade e pluralidade. Evidentemente, no pode ser includo na estrutura curricular de um curso de comunicao social. Espero que a inteligncia e a honestidade intelectual provoquem o aborto assistido desta m ideia. Imediatamente foi divulgada uma nota de solidariedade a Rosaly Brito. As entidades solidrias no me enviaram a nota, embora a tenham colocado em circulao. Eu a recebi de terceiros. Publiquei-a mesmo assim, sem comentrios adicionais, para que sobre a nota se manifestem os interessados. O Instituto de Letras e Comunicao (ILC), a Faculdade de Comunicao (Facom), o Programa de PsGraduao em Comunicao, Cultura e Amaznia (PPGCom) e o Grupo de Pesquisa em Comunicao, Poltica e Amaznia (Compoa), da Universidade Federal do Par (UFPA), manifestamse em solidariedade professora Rosaly Brito, mencionada de forma desrespeitosa em artigo do jornalista Lcio Flvio Pinto, que dene como desonestidade intelectual a proposta de criao de disciplina optativa nessa Faculdade sobre Mdia e Golpe no Brasil. Essa iniciativa parte de um amplo movimento das universidades pblicas brasileiras em defesa da liberdade de ctedra, da autonomia universitria e da necessidade de reexo sobre os acontecimentos polticos recentes no pas. O movimento teve incio aps ameaa de retaliao do Ministrio da Educao (MEC) ao Professor Luis Felipe Miguel, da Universidade de Braslia (UnB), por disciplina sobre esse tema ofertada no Instituto de Cincia Poltica da UnB. Envolve, portanto, um conjunto de professo res (as) e pesquisadores (as) renomados (as), com estudos consistentes na rea de Comunicao e Poltica e em vrias outras disciplinas das humanidades. O jornalista Lcio Flvio Pinto tem um trabalho de reconhecida e inegvel importncia na defesa da Amaznia e j participou de inmeras atividades acadmicas na Facom, inclusive como professor. No artigo, contudo, sem demonstrar informaes aprofundadas sobre a iniciativa, refere-se de modo irnico e desrespeitoso aos professores que propem essa disciplina optativa e prpria Faculdade de Comunicao. Rearmamos o compromisso do ILC, da Facom, do PPGCom e do Compoa com o pensamento crtico, com a autonomia universitria e com a necessria reexo sobre a conjuntura poltica atual do pas, que em muitos sentidos constitui uma afronta democracia brasileira.Ataque em massaComo os comentrios comearam a pipocar, em agressividade crescente, escolhi a manifestao de um annimo para dar uma resposta que pudesse ser aplicada aos demais. Estupefato com o que li de um comentarista do blog, que, corajosamente se assina annimo, decidi traz-lo para o palco. Merece os reetores porque reete uma atitude (alm da postura) autoritria, irracional e intolerante que prospera nas univer sidades, sobretudo nas pblicas, onde anar sobre os ares do dogmatismo, gratuito. Farei observaes em negrito sobre o comentrio desse anonimato conveniente a quem se protege dessa forma. Como o senhor parece est [estar ] por dentro do assunto de pontuaes dos programas, acredito que saiba que a iniciativa da disciplina surgiu de um programa bem conceituado que possui nota 7, segundo a CAPES, da UnB. Qual o programa? Quem lhe deu a nota 7? A ementa da disciplina ser pblica, no se preocupe. Ser divul-

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3 gada pelas mdias ociais da universidade, e no enviada pra ser publicada num blog qualquer. Se o blog to insignicante, por que o l? Quanta arrogncia da sua parte achar que a mesma deve ser enviada pra um nico jornalista debater sobre ela, no ? Nunca quis exclusividade, muito pelo contrrio. Muitos dos meus colegas de prosso sabem disso. J dividi informaes com eles. Tambm no sou nem nunca fui chapa branca. Jamais aceitei qualquer forma de patrocnio ocial ou privado para o meu jornalismo. Por isso, ele pobre mas limpinho. Estar pblica ao alcance dele e de qualquer um. Caso no saiba mas acredito que saiba sim, aumentar a nota de um ppg exige muito esforo por parte tanto dos professores quanto dos discentes, com publicaes e eventos, coisas que muitas vezes so impossibilitadas pela prpria CAPES com suas nor mas de qualis que impedem alunos publicarem em revista de bons estratos. O ppg em comunicao inclusive j pode ter um curso de doutorado com a nota 4, caso no saiba. A coordenao j trabalha nesse projeto, espero que que feliz em saber. Espera-se que a entrada de alunos doutorandos aumente a produo acadmica, melhorando assim a nota do programa. Quanto a oferta da disciplina, deve saber que todas as disciplinas ofertadas passam por um critrio de avaliao por parte de um colegiado composto por professores competentes para avaliar a honestidade da ementa. Vcs sabiam que a disciplina est sendo ofertada em 34 (por enquanto) universidades federais? Quais so essas 34 universidades federais? Mas no estou aquinhoes fazer mudar de ideia sobre a oferta de uma disciplina, e sim abrir os olhos pra autonomia que a universidade possui. J pensou se todo cientista tivesse que abrir a pblico seus projetos e mtodos de anlise? Contrrios sempre vo existir e dessa forma no haveria cincia. Charles Darwin, um dos maiores cientistas da histria da humanidade, ao publicar o clebre livroA Origem das Espcies, agradeceu a vrios colegas que o ajudaram a chegar ao nal da sua pesquisa, encerrada ao mesmo tempo em que Wallace (companheiro de Bates na viagem Amaznia, na metade do sculo XIX) chegava mesma concluso. Ningum faz cincia sozinho, muito menos sem crtica. Porque muitos dos seus docentes pensam assim, a funo social da UFPA elitista, de pouca funo social e de escassa universalidade. Ela raramente v o mundo amaznico alm do rio Guam e dos muros que a separam (e sempre separaram) do Riacho Doce. Sua viso da cincia mesquinha e pobre, desculpe diz-lo. Como diria uma querida (e aguerrida) amiga jor nalista: lamentvel. Outra coisa, independente da opinio de vossas senhorias sobre a disciplina dever ocorrer ou no (e vai ocorrer, graas aos cus. Anal o ministro da educao no conseguiu derrubar, ento quem so vcs pra conseguirem?), no muda o fato de o senhor Lcio Flvio Pinto ter citado a professora Rosaly em seu artigo de maneira desrespeitosa e ainda por cima ter sido agressivo em cham-la de ex amiga no artigo seguinte. o fato do mesmo no comentar a nota escrota [aqui o inconsciente falou mais alto: ele quis dizer escrita] pela universidade prova apenas que a falta argumentos slidos se fez presente [como disse na abertura da reproduo da nota, quis dar a oportunidade de meus leitores debaterem o texto antes que eu me manifestasse sobre ele, respeitando integralmente o direito de resposta], e, pra sustentar um ego, se tornou a vtima da macabra universidade e seus professores, precisando ser defendido por fs que no compreendem o real sentido de uma universidade e seus grupos de pesquisa. No cabe aos senhores decidirem se o tema deve ser debatido no interior de uma sala de aula ou em um evento de grande porte. Deviam ser os primeiros a apoiar uma instituio que luta pra promover igualdade entre os alunos e liber dade acadmica para os pesquisadores. Incomodados com a disciplina? Procurem o MEC e denunciem. Boa sorte com isso. Vai ser incrvel, vindo de um homem que por anos lutou contra a censura. Diante dessa algaravia, s nos resta pagar nosso imposto para a universidade dos escolhidos, eleitos e sacralizados docentes e discentes exercerem o seu mister sagrado levitando acima dos pobres e ofendidos, humilhados e degradados ns, o povo. O guia dos povos nos manda fazer denncia ao governo para evitar que consumem a barbaridade de criar uma disciplina sobre o golpe de 2016. assim, com as melhores intenes e os mais nobres discur sos, que se formam as tiranias. Uma das mais robustas van guardas de todos os tempos, que se agrupou no partido bolchevique, gerou Lnin, que gerou Trotski, que Stalin mandou matar, assim como 20 milhes de cidados do seu imprio. Tudo porque a oposio era pronta e violentamente reprimida, a comear por Trotski, que acabaria vtima da semente de intolerncia que plantou, apesar da sua fulgurante inteligncia. No m da vida, o grande jornalista I. S. Stone se fez uma pergunta: ser que Scrates foi mesmo obrigado a beber a cicuta por subverter a juventude ateniense? Atrs da resposta, estudou grego clssico e foi ler os documentos da poca no original. E formulou uma nova interpretao do julgamento de Scrates, o mais estudado depois do julgamento de Cristo. E concluiu que, com seu governo dos sbios, s dos sbios, ele ameaava uma sofrida e cara conquista da cidade-estado: a democracia. E no por seduzir os jovens, algo corriqueiro na poca. Ah, se Stone estivesse aqui para partilhar comigo a leitura do que anatematiza este Torquemada annimo. S digo uma coisa: dois gatos pingados no vo calar grupos de competentes professores e alunos dispostos a debater e estudar os acontecimentos suspeitos de 2016 e a participao da mdia no mesmo. Ainda bem. Como diriam dois gnios (que no citarei, para transform-los em dever de casa a este prosaico annimo) em coro: o resto silncio; luz, mais luz.

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4 O fogo amigoTranscrevi, em seguida, no meu blog, comentrios feitos no Facebook da professora Rosaly Brito, a propsito da crtica que z sugesto dela, de transformar em disciplina curricular o alegado golpe de estado de 2016, que levou ao impeachment da presidente Dilma Roussepor crime de responsabilidade. Com tristeza, vejo que a maioria dessas pessoas parece incapaz de sepa rar a pessoa da sua ideia. As intervenes me atacam pessoalmente, dizem que erro sempre que falo de poltica, que agi opiniativamente (podem me bater/ podem me prender/ que eu no mudo de opinio), que derrapei ideo logicamente e talvez at me tenha vendido ao imperialismo ianque. Revi o meu texto. Repito, em s conscincia e a frio, sem qualquer impulso emotivo, tudo que nele escrevi. desonestidade intelectual reservar uma disciplina, ainda que eletiva, a um tema que j est sob uma bitola interpretativa (ou imperativa) categrica: o impeachment foi um golpe, ponto nal, e isto clusula ptrea da disciplina. Podia ser oportuno e importante motivao para um curso monogr co, uma ocina, um seminrio, de uma mesa redonda (para a qual j me apresento como voluntrio) mas nunca de uma disciplina acadmica. No resiste ao mais elementar questionamento metodolgico. puro arrivismo, deformao acadmica, levar para a universidade a retrica troglodita das ruas, o diktat partidrio. usurpar da universidade o lcus da diversidade, do rigor cientco, do mtodo de pensar. Talvez seja tambm contribuir para o jogo dos bastidores do poder em torno do futuro de Lula e do PT. Nunca torci o nariz e franzi o cenho ao ouvir crticas, mesmo as mais furiosas, nem ofensas, mesmo as mais agressivas. Nunca procurei proteo em instituies nem induzi solidariedades. Fui a campo enfrentar as reaes aos meus textos, opiniosos ou no (mas sempre com nexo aos fatos; jornalista que atropela fatos no resiste a 52 anos na prosso). Os apoios que obtive, eu os recebi com penhor de gratido. Mas nenhum apoio vai custar a minha independncia e a minha disposio de ir luta sem esperar pela cobertura, sem temer os efeitos do que penso e digo. Quem vai chuva para se queimar, j dizia o cartola do futebol paulista, criando sem querer uma metfora Guimares Rosa, que disse, no alvo: serto isto. E que serto o nosso! Deus, se vier, que venha armado. Vai levar muito tiro, embora de festim, ao menos os que levei, pelo critrio da razo e da luz que a inteligncia fomenta. Carlos GouvaRosaly uma das mulheres mais brilhantes que conheci na UFP a! E no um ser arrogante, prepotente e machista que vai desqualicar o valor que esta mulher de luta tem! Todo meu apoio e respeito! Parte inferior do formulrio Joice SantosPq no esmiuar em um curso acadmico uma questo com profundas interferncias na vida pblica brasileira? Pq tal assunto (o golpe) deve ser tratado apenas nas poucas horas de um debate? E pq um importante jornalista desacata seu leitor e sua colega, que sempre lhe defendeu, com um comentrio rasteiro, pobre de reexo, reproduzindo e provocando um discurso eivado de preconceitos? No vi humor no texto do outrora perspicaz jornalista. No tive prazer em ler. Senti, sim, decepo. Minha total solidariedade professora Rosaly Brito e a todos que no se acomodam, lutam em defesa do papel crtico da Academia e da autonomia universitria. Paulo Anaisse Desonestidade intelectual ser privado de ter o conhecimento de situaes histricas de to grande inuncia para ns. Dani Franco O problema no Lcio Flvio questionar a disciplina da Facom. O problema a supercialidade e por isso o desrespeito com o qual tratou o tema em seu blog. Ns aprendemos no curso de Comunicao que a crtica precisa ser verbo de ao, mas antes disso precisa ter escopo e ser formatada com reper trio. Quando Lcio Flvio escreve um texto opinioso como fez, ele se equipara aos crticos de facebook, to rechaados por jornalistas, estudiosos e pesquisadores como ele. O desrespeito no se d apenas de forma transitiva direta, como querem fazer crer os defensores das colocaes de Lcio. O desrespeito a for ma jocosa de questionar sem elencar embasamentos, ironizando posturas de acadmicos srios como a professora Rosaly Brito Chamar a iniciativa de desonestidade intelectual sim um grande desrespeito professora e a toda Faculdade de Comunicao da Universidade Federal do Par, pois coloca a ela e instituio no balaio dicotmico da direita x esquerda, como se ela ou o curso estivessem ignorando as complexidades contemporneas. Lcio foi sim desrespeitoso e raso, apequenando-se numa intelectualidade mope quando poderia ocupar um lugar de agente amplicador desse debate fora da academia. Lamento por mais esse deslize e pela forma poltico-ideolgica com a qual Lcio, mais uma vez, se colocou; pois deixou de fazer jornalismo para ser opinioso. Assino embaixo da nota da Facom e reitero todo o meu respeito e apoio professora Rosaly, que h tantos anos vem ensinando o que fazer um jornalismo humanizado e ntegro. Diego de Queirz Barbalho eu no aguento a farofa de cu q fazem pra ele, o cara tem conhecimento e experincia, tem! e muita! mas isso no retira dele ter opinio prpria e q necessariamente seja boa, inteligncia diferente de sabedoria, lia o jornal dele, algumas publicaes no site e gostava, mas quando fui na nica palestra, me decepcionei, ele deixou bem claro que tem diculdade em engolir opinio/ forma de gerir poltica entre os jovens, como se ele nunca tivesse sido um, tpico do povo adulto prepotente que acha que t acima da verdade, sem contar que senti um leve p nos interesses estrangeiros, achei tendencioso e no supriu minhas expectativas de uma poltica que alcanasse a todos. Kalynka Malynka Moa, esse teu texto a foi exatamente o que escrevi ontem em minha manifestao. Coisa bvia, dever de casa que at uma foca saberia. Acho espantoso que tenha que ser repetido, sendo Lcio quem ele Lamento. Dani Franco No tinha visto o teu texto, Kalynka Malynka Moa. Li agora. O bom disso tudo que agora todos podem ver e tirar suas concluses sobre que tipo jornalista Lucio escolheu se tornar. Lazaro Guarani KaiowBeleza, beleza, beleza, dona Dani arrasou na anlise muito bem feita dos dizeres do jornalista, que tem cometido es-

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5 ses apontamentos ideolgicos, s por birra pelo visto e lido. E sua observao vai ao contraponto da seriedade e longevidade intelectual da professora Rosaly Britoe do acmulo de conhecimento da Faculdade de Comunicao, com a produo acadmica ao longo do tempo de seus mestres e doutores. Desrespeito descabido! Ndia BritoMuita lucidez Dani! Minha irm sim uma acadmica sria e humanizada! seus ensinamentos esto a disseminados nas cabeas pensantes de alunos e parceiros. Ela sai reforada deste episdio. Grata pela solidariedade Rosaly BritoMuito obrigada, Paulo querido. Eu preferia no ter que passar por isso, mas j que a situao se instalou de forma inesperada, a solidariedade e carinho dos amigos a coisa mais preciosa. Gratido imensa a ti e a todos. Brenda Taketa Admirao, respeito e amor imensos pela professora Rosaly Brito que uma das pessoas intelectualmente mais bem formadas, humanamente mais acolhedoras, aber tas escuta da divergncia e compreenso do diferente que eu conheo na nossa rea de formao. Uma educadora no sentido mais admirvel, afetivo e emancipador que o termo pode carregar. E, certamente, uma defensora inconteste do direito crtica. Discordncias so mesmo parte dos modos de fazer cincia e das prticas poltica, pedaggica e jornalstica, por seu potencial construtivo so sempre bem-vindas. Julgamentos morais, principalmente os apressados e sem aprofundamento, acusaes agressivas ou manifestos intolerantes trajetria (impecvel) dela, no. Por isso deixo aqui o meu abrao de solidariedade e de carinho. Por tudo o que ela representa para mim e tantos colegas, hoje e todos os dias.DesfechoApesar de todas as agresses que praticaram, os defensores da criao de uma disciplina sobre o golpe de 2016 tiveram que recuar dos seus propsitos iniciais. Primeiro, ao transformar a disciplina curricular em eletiva, que pode ser cursada por opo. Depois, reduzindo-a a um curso livre. Ainda assim, numa dimenso mais aceitvel, no um frum de debates, mas um eixo de doutrinao. Menos mal. Ainda ruim. O debate poltico de hoje: calnia, intolerncia e raivaA calnia a arma preferida dos que querem impor suas posies em qualquer forma de debate, menos aqueles que exigem a apresentao de provas, atravs da reunio de fatos, ou de indcios suficientemente fortes. A calnia dispensa esse trabalhoso desafio. Basta diz-la e repeti-la sem parar. Mesmo os que combatem a famosa frase de Goebbels, o ministro nazista da propaganda, o repetem. Como no debate que, quase sozinho, me vi obrigado a manter com meus caluniadores (os crticos so outro departamento) no Facebook de Flvio Nassar. Decidi reproduzir suas principais partes, que se referem mais diretamente a mim, porque atestam o modus operandi dessa legio de pessoas levianas. Uma vez proclamado (ou gritado) o que querem, vo embora. Como aqueles que fazem perguntas agressivas em debates e se retiram antes que tenham de ouvir a resposta. Querem agitar, insuflar e destruir. Editar os comentrios de um Face to trabalhoso que me vi impossibilitado de corrigir os muitos erros prprios (ou no) dessa linguagem. Mas fiz o possvel para facilitar a leitura, sem intervir nos textos originais, Segue-se o tiroteio.Flvio Nassar A mentalidade pequenoburguesa est indignada com a Universidade pela criao de disciplina sobre o Golpe 2016. Sero esses, que no levantam o traseiro gor do a no ser para cuidar de seus interesses pessoais, que viro cobrar, da mesma academia, manifestaes quando o Golpe ating-los. Esses mesmos, cobram, como arautos da sociedade, que a Universidade se ocupe da contemporaneidade, quando o fazemos... Joo Raimundo uma disciplina dentro de uma universidade o que pressupe a possibilidade de diversidade de pensamento. Ento que algum jumento (que me desculpem os jumentos) se manifeste para defender Bolsonaro que defendeu o assassino Ustra em pleno ato de votao contra uma presidente eleita pelo voto. Vitor Mendes Muitos desses esto mais preocupados em agradar seus patres Sandra Batista A Universidade cumpriu um papel importante para desnudar o golpe de 64 para as novas geraes. Da mesma forma ter que cumprir agora com o golpe que se instalou no Brasil. Essas reaes at parecem dos adeptos da tal Escola sem Partido. Jerry Neris Perfeito o problema que o homem tem de se mostrar um ser do seu tempo e este, o tempo, passou. Alguns caram atrelados ao passado e claudicantes, sepultam o legado que outrora mantinham, na mediocridade da convenincia das aes elitistas. Sempre vislumbrando fazer parte desta, mesmo que ombreados com a pior escria, mas detentores do sobejo do capital.... triste opo pela mediocridade! Joo Bosco Maia Lcio Flvio Pinto um dos indignados. Aos poucos, com essa indignao e por ter optado pela omisso ao avano do golpe, que tambm uma forma de apoi-lo, vai perdendo seus antigos admiradores, substituindo-os por esses mais fceis que nas redes sociais emergem aos cntaros e que se caracterizam sobretudo por pronunciarem-se por chaves. Lcio Flvio Pinto Por que meu antigo admirador, estimulado pela antiga admirao, ao invs de simplesmente me condenar por discordar de que o que aconteceu em 31 de agosto de 2016 tenha sido um golpe, no l o que escrevi a respeito? Reproduzi 13 artigos escritos em cima dos acontecimentos de ento. Tente l-los e contra-argumentar a partir de fatos concretos, no de condenao

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6 apriorstica, base dos mesmos chaves que atribui aos outros. Altair Silva Era sua maior tiete.#foralucioavio. Lcio Flvio Pinto Se o que escrevi frustrou essa tietagem, como no conto do Machado de Assis, algum estava errado: quem tietava ou quem era tietado. Alis, prero ter a companhia de pessoas que agem em relao a mim com base no que efetivamente escrevo, no em suposies. Melhor ler o livro do que a orelha ou a crtica. Nada mais saudvel do que ir fonte. Francisco Ribeiro Ser que a frase: o que bom a gente mostra o que ruim a gente esconde tem a ver com essa turma? Frase dita por um ex ministro da fazenda tucano. Carpinteiro de Poesia Dusciona pequeno Burguesa ministrada por pequenos burgueses em espao de pequeno burgueses E com os velhos e tradicionais mtodos antipaulofreirianos. Flvio Nassar Ento nos diga como deveria ser feito. Lcio Flvio Pinto Quais so os mtodos antipaulofreirianos? D essa lio, por gentileza, a mim, que vi a experincia de Paulo Freire em Recife no crepsculo dos idos de 64. Fernando Rei Ponadilha Como mesmo o nome atribudo disciplina criada ou em processo ? Carpinteiro de Poesia Lcio Flvio Pintoesto na UFPa inclusive entre os doutos ditos democratas que tem a palavra nal e desqualicam o conhecimento do estudante e das ruas. Flvio Nassarno digo mas acho que todos por serem iguais tem direitos entretanto uma mais que outros e no caso particular da academia que sim elite apesar de algumas polticas que a abriram aos pobres esta deveria fazer mais que o debate disciplinar interno aos seus muros e derrub-los no sentido de dialogar e ouvir a voz e no apenas encenar o dilogo com as pessoas que habitam por exemplo o tucunduba e a terra rme para no ir alem do umbigo geogrco e atuar com as experincias de grupos culturais e entidades comunitrias clubes de mes e escolas ento entre estas e com estas demandas observar as pautas locais que tem fora intelectual e coletiva e so prpria razo de ser de resistncia. Basta atravessar a Perimetral. Luiz Guilherme De Lemos Mar tinsSo os reacionrios e oportunistas mostrando a sua face. Jos Maria Kostas Teixeira O Estado do Par no cessa de parir embusteiros. Matheus CuruzuMarco Meu camarada... O Lucio. F. Pinto eu acho que perdeu todo o discernimento... ele passou o dia inteiro publicando as teses deles de legitimao do golpe de 2016. Egua de boa um cara que era referencia na minha vida. Virando um porca-voz do golpe. Triste Sr.Lucio. Luiz Roberto Carepa Porcavoz do golpe -> t tima essa. Minha tambmMatheus Curuzu. Levamos ele muitas vezes pra falar sobre a Sociologia Amaznica. Muitouma guinada dessas. Ele faz jus ao nome do seu JORNAL pessoal. No sei porque tanto ressentimento com a esquerda ou com tudo que vem da esquerda. Lcio Flvio Pinto Eu s mereo ser levado por voc a palestras se no discordar de voc, se no abordar tema vetado controvrsia, alcanado pelo index? Angelina Di Angelis A peleja entre pessoas que respeitamos, foi ruim a tentativa de apequenar a iniciativa de uma mulher da comunicao, mas a vida se resolve com a vida, apaziguar os nimos e nos unir contra o inimigo que pe em risco nossas vidas. Sigamos na luta. Conceio Oliveira Lcio Flvio Pintocarssimo, foi golpe? Trres Lemos Ele se acha o bam bam bam do jornalismo. Lcio Flvio Pinto Se encontrar uma frase minha com essa declarao, peo perdo. Sempre fui, sou e serei apenas um reprter. assim que sempre me declaro. Claudio Rego de Miranda Apoio mais do que merecido, parabns a professora !!!! E a universidade !!! Dom Jair Alves Costa Ei gente, o LFP mudou muito depois que apanhou covardemente do Maiorana Jr, foi muito murro na cabea desse coitado! Lcio Flvio Pinto Por que voc calunia? No recebi nenhum murro na cabea. Ele deu um murro, que tocou no meu rosto, e um chute, secundado pelo PM que lhe servia de segurana. Depois disso, ele e o irmo entraram com 14 aes contra mim, duas das quais ainda tramitam. Me defendi em todas. E o Jornal Pessoal no parou de circular. A despeito da agresso dele e da adeso agressiva de pessoas como voc, falso democrata. Jos Marcos Araujo Araujo Sem querer entrar no debate. Mas, no entendi a armao de que No recebi nenhum murro na cabea. Ele deu um murro, que tocou no meu rosto. E o rosto ca em que parte do corpo? Trres LemosT achando isso. Lcio Flvio Pinto Leve um mur ro na cabea e outro na face saber a diferena. Se for um tiro e voc sobreviver, saber mais ainda. Voc se lembra dos trs tiros no Paulo Fonteles, em 1987? Eu, que o vi morto dentro do car ro, no esqueci. Tanto que o Jornal Pessoal foi criado e persistiu pela memria do Paulo. A foto do corpo dele dentro do carro, com as trs balas na cabea, foi publicada pelo JP. Para que ningum esquecesse. Joo Raimundo Lcio Flvio foi um grande crtico da implantao dos grandes projetos na Amaznia. bvio no s ele, mas, teve um importante papel. Se perdeu no personalismo e sua mente brilhante, demonstra que eu tenho razo, do alto da minha ignorncia. Todo gnio maluco e todo maluco tem problemas serssimos de aceitao do outro, de conviver com o outro, sobretudo quando o outro no, no o agrada. por isso que mesmo fazendo a capa de crtico ferrenho, ele adora o Jader. Lcio Flvio PintoComo no sou gnio, no sou maluco (maluco era o Stephen Hawkings, que acaba de mor rer). Dou-lhe um presente se encontrar um texto meu elogiando o Jader. Angelina Di Angelis A violncia uma espiral sem m. E nada e ningum est livre dessa ameaa.#golpe. Meu adorado companheiro, Paulo Fonteles Filho, nas eleies de 2016 perdeu a corrida eleitoral denunciando o golpe, alis, foi um fenmeno que ocorreu em todo pas. Temos a responsabilidade de fazer o debate respeitoso e de alto nvel. Errar humano, desculpas so bemvindas, e o Lcio Flvio por mais equivocado que possa estar no o inimigo. Jos Marcos Araujo Araujo Pela importncia do LFP pelo que representou na juventude de tantos de ns e pelo que ainda representa que, mesmo no sendo o inimigo, precisa ser combatido no campo das ideias quando essas formulaes tendem a transfor mar um GOLPE em algo republicano. #Temer__Golpista#_Golpe Marco Do Carmo O Lcio gosta de atacar o PT. No fala nada do Jatene, nem da Hidro, nem do Temer. Lcio Flvio Pinto Se voc ler o

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7 Jornal Pessoal e o meu blog e nada encontrar sobre Jatene, Hidro e Temer, concordarei com a sua crtica. Se encontrar, por gentileza, volte aqui e admita que se enquadra na condenao bblica: nada sabe do que fala. Por que as pessoas acusam de forma to leviana e julgam sem o menor preparo? Marcio Guerreiro Acredito que todo jornalismo deve rendesse aos fatos e deve tambm ser independente. Talvez esse jornalista esteja fazendo isso. E bata de frente contra a esquerda. Se for isso est fazendo certo na minha humilde opinio, ainda que eu ache que deva ser dado todo apoio a referida professora. Porque pra mim foi golpe. Mas se o jornalista acha que a disciplina pobre de contedo, essa a opinio dele. A minha antagnica a dele. Mas respeito a dele, embora no concorde. Mesmo porque no acredito que ele seja formador de opinio. Rafael Lima Todo apoio Rosaly Brito, incansvel lutadora e guerreira... Roberto Corra Aqui, nos Estados Unidos, na Europa e onde houver democracia, a Universidade preza por sua autonomia. No momento poltico to especialmente grave em que vivemos; est mais do que na hora de levar esse debate adiante como, alis, vale lembrar, fez a Universidade Brasileira nos tempos iniciais da ditadura militar, conclamando professores e alunos a discutirem os segredos de bastidores do famoso acordo MEC-USAID. Minha admirao declarada a professora Rosely Brito e meus respeitos e admirao a este amigo, o corajoso jornalista LucioLcio Flvio Pinto por haver contribudo para esse esquentar das vontades de PENSAR, DISCUTIR, SER E AGIR. Lcio Flvio Pinto Durante a ocupao das faculdades, em 1968 (eu tinha 18 anos), redigi durante trs dias seguidos, quase sem dormir o relatrio dos debates sobre o acordo MEC-Usaid, nos quais o professor Roberto Santos teve papel destacado. Levamos o relatrio para entregar ao marechal Costa e Silva, candidato sucesso do marechal Castelo Branco, no aeroporto de Belm, por onde ele passou. Jogaram o relatrio na lata de lixo, mas cumprimos nosso papel. Sem querer incluir o acordo no currculo da faculdade. O debate era franco e livre dentro da faculdade, com o endosso do seu diretor, Orlando Silva, mesmo com a ditadura na ilharga. Jos Marcos Araujo Araujo Por essa histria, que no se resume a esse fato, precisamos combater as ideias do LFP quando defende a republicanizao de um GOLPE. Vincius Darlan Andrade -Tentam fechar o cerco prpria razo de ser da Educao Superior! O mesmo ocorre com a Educao Bsica! [Observao de Flvio Nassar sobre o lanamento da biograa de Paulo Fonteles] Ser que o Golpe2016 perdoaria Paulo Fonteles? O Golpe64 o conteve a bala. Lcio Flvio Pinto Explique-me, Nassar: como um golpista, como eu, foi o nico a realmente defender o Paulo, investindo desde o dia da morte dele, em junho de 1987, contra os matadores e os mandantes, dedicando a ele um jor nal e at hoje questionando o julgamento do coordenador do atentado, dando nome a quem realmente mandou matar o Paulo e no sendo ouvido? Diga-me ento: quem mais defendeu o Paulo, fora da sua famlia? Ter sido este golpista? Este golpista repetiria o que fez se o Paulo fosse morto hoje? E a esmagadora maioria dos que usam o nome do Paulo, o que zeram de concreto em 1987 e desde ento? Flvio Nassar CaroLcio Flvio Pinto, por que eu te consideraria um golpista? Lcio Flvio Pinto Reagi por associao de ideias e com base no tom monocrdio dos ataques que venho sofrendo. Se nego a existncia do golpe, sou golpista. E assim me tm tratado em relao tal proposta de disciplina. isso. Jorge Henrique Bastos Em 2012, publiquei o livro do Lcio Flvio Pinto, Amaznia em questo: Belo Monte, Vale e outros temas, quando estive frente da B4 editores, aqui em So Paulo. H dcadas ele no publicava um livro fora de Belm. Pouco tempo depois, quando o golpe comeou a ser articulado, comeou a incomodar-me a srie de artigos que escreveu no seu pasquim pessoal, que passou a ser um receptculo do mais cabotinos para levedar seu dio ao PT e tudo o que ocor rera durante os governos Lulae Dilma. O digladiar silencioso entre ns chegou ao limite, quando ele me bloqueou ( seu irmo, Elias, tambm) aqui no face e deixou de enviar o tal jornal. Sei separar o trabalho importante que ele desenvolveu como jornalista. Contudo, sei, tambm, avaliar o travestismo que uma legio insidiosa de jornalistas tem vindo a assumir perante a sociedade e milhes de brasileiros que foram espoliados dos seus votos, pegando carona num discurso amaciante da situao que se vive no pas. Lcio Flvio Pinto se tornou um prcer dessa legio que conspurca o pas, lanando seu percur so como jornalista no esgoto da Histria. Tudo se torna ainda mais grave, quando ataca a Facom e a criao do curso sobre o Golpe de 2016, a exemplo do que vem acontecendo um pouco por todo o pas. Ento agora no posso car calado, nem assistir quieto, isso que no passa de um ataque. Dessa maneira, peo a todos meus amigos paraenses que compartilhem esse meu post, e o respectivo desao (que uma vez lhe z, e ele se escusou): LCIO FLVIO PINTO, SE AINDA TIVERES UM PINGO DE RESPEITO POR TI (ENQUANTO JORNALISTA), VAMOS DEBATER ISSO QUE CHAMAS DE DESVIO IDEOLGICO DA DISCIPLINA e o seu VIS ANTICIENTFICO. ABRE TEU FACEBOOK, OU TEU BLOG E DEBATE COMIGO!!!!!! Vocs podem fazer esse repto chegar at o Lcio????????? Flvio Nassar Rola na Rede um debate sobre a justeza de ser criada a disciplina Mdia e Golpe no Brasil. Os crticos da criao classicam os proponentes da disciplina optativa como par tidrios, ideolgicos, (Tito Barata) que o nome da disciplina j atesta o desvio ideolgico da disciplina, seu vis anticientco (Lcio Flvio Pinto). Como se houvesse discurso no ideolgico. Como se o Cientco no fosse um discurso ideolgico. Quem parte do pressuposto que no houve golpe invocando o impeachment como preceito constitucional o faz de uma viso do Estado, da Lei, de Democracia, diferente dos que consideram o contrrio. Quem tem a cincia do justo? Esse debate, golpe ou legalidade, faz parte de luta pelo poder neste ano eleitoral, o resultado da eleio denir, por algum tempo, se foi golpe ou no. Anal, at hoje, no h consenso se em 64 ocorreu um Golpe ou uma Revoluo. P. S. Para ser golpe no precisa de generalo de culos escuros em cima de um tanque. Os generais esto sendo chamados agora. P. S. Tudo muda de contorno, o golpe de estado tambm. Paloma Franca Amorim Estou em total desacordo com o comentrio do Lcio Flvio sobre a disci-

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8 plina oferecida na UFPA e repudio toda e qualquer individualizao poltica que possa condicionar discur sos sexistas como ocorreu com a professora Rosaly Brito. Elizabeth Lorenzotti No quero crerJorge Henrique Bastos,mas infelizmente sei que assim. S no compreendo por qu. O que aconteceu? O que se passou,o que tem se passado naquela cabea to brilhante? de chorar. Lcio Flvio Pinto Beth, minha amiga (que recebe o Jornal Pessoal; se no o quiser mais, por gentileza, me avise): por que a minha cabea deixa de ser to brilhante, como voc mesmo a dene, apenas quando critico o Lula e o PT? Por que no debater comigo ao invs de me sentenciar como reacionrio, debiloide, vendido ou seja l qual o qualicativo contido na caixa de adjetivos infames? Elizabeth Lorenzotti Querido Luciono tenho recebido o jornal, mudei de Poos para SP, e avisei o Luiz. No o sentenciei com nenhum adjetivo aqui, onde leu isso? Apenas no posso crer que voc seja contrrio a cursos que esclarecem o golpe que assola este pas, promovido po...Ver Lcio Flvio Pinto Lamento que voc no tenha lido, Beth. Eu escrevi vrias vezes contra o Temer. Numa delas, armei que ele no era o estadista necessrio para a transio do Brasil. Critiquei duramente o encontro secreto dele com o Joesley Batista. E por a afora. Se no tem o JP mais a (o Luiz no me retransmitiu o seu recado; de quando?), leia o blog. Que viso democrtica essa que me atrela direita, que sempre combati, quando no concordo com a posio de vocs sobre Lula e Dilma, para mim, de longe, a pior presidente da histria republicana do Brasil, com argumentos que me cansei de apresentar, mas que parece ser esforo intil, batendo contra uma parede de concreto? Elizabeth Lorenzotti Querido Lcio, no me coloque, nunca, no plural, por favor. Ser melhor conversarmos pessoalmente, me avise quando estiver em SP, anal, temos muita Historia em comum. Airton SouzaJorge Meu querido, estou quase na ltima rua da provncia, o que acabou, em parte, dicultando que eu pudesse ter acompanhado o que estava acontecendo em relao a posio poltica e ideolgico, por exemplo, do Lcio e de outros intelectuais e jornalistas paraenses, principalmente pelo Lcio Flvio, por quem ns todos aprendemos a nutrir imensa admirao. Acredite, foi somente hoje, lendo um comentrio que soube o que estava acontecendo. E ao ler esse comentrio, vrias perguntas comearam a uir dentro de mim, quase todas norteadas pelos por qus. Ainda estou em estado de e choque e triste, isso pela minha opo poltica e ideolgica, ao saber sobre a postura desse homem to grande para a Amaznia. Assim, comoPaloma, tambm assumo a minha posio de repdio. Luiz Fernando Juncal Gomes E olha que ele foi agredido por membros da famlia RoMa h vrios anos, por tanto sabe como Lcio Flvio Pinto Parece que voc apoia a agresso que sofri. Foi pelas costas, dois murros seguidos, chutes do PM que funcionava como segurana, mesa derrubada, talheres e pratos ao cho e eu me empurrando com os cotovelos para tentar me levantar. Em p, no fugi, no pedi socorro, no me acovardei. Fui delegacia de polcia e ao IML, acompanhado apenas pelo meu amigo de infortnio, Andr Carrapatoso, que pegou sobras da agresso. No me intimidei e continuo aqui, pagando caro por defender minhas ideias. Luiz Fernando Juncal Gomes Em nenhum momento apoiei a agresso, Lucio Flvio. O que te confundiu foi o sabe como , que deveria ser o balizador do lado certo da Histria. Morei em bidos entre 2004/2007. Lcio Flvio Pinto No entendi essa linguagem. Para mim, est cifrada. Josette Lassance -Esse radicalismo das verses de verdades absolutas de Lcio sempre me assustou. Sem falar na agressividade com que as defende a ferro e fogo. No me surpreende, embora tenha minhas diferenas com alguns personagens polticos que me decepcionaram em seus respectivos mandatos. Antes de mais nada, Fora Temer! Lcio Flvio Pinto Jorge Henrique Bastos um mentiroso e pessoa de moral mais do que duvidosa. Nunca o bloqueei no meu Face. Quem o bloqueou foi o Elias. No administro meu Face. A tarefa do Miguel Oliveira. Tanto no o bloqueei que apareo como amigo dele no Face dele. De fato, ele publicou um livro meu em 2012, mas no depois de dcadas em que meus livros s saam em Belm. Saiu em So Paulo meu livro sobre os ndios Panar, com meu irmo, Raimundo, e Ricardo Arnt. Mais Os Reprteres, or ganizado por Audlio Dantas, grande jornalista, presidente do sindicato paulista quando do assassinato de Vladimir Herzog, e outros. Ele realmente se empenhou no livro, que ele encomendou, que ele editou, agora sei que para ver se mantinha seu cargo na editora (o que acabou no conseguindo). Aproveitou a oportunidade em que recebi o Prmio Vladimir Herzog, em SP, por minha luta na defesa dos direitos humanos, e meu acesso ao Paulo Henrique Amorim, ao Herdoto Barbeiro, para o registro na TV. Depois, ele levou a mim, ao meu lho, Lvio, e namorada dele para jantarmos pizza. Pediu vinhos. Na hora de pagar, alegando que seu carto no vigorava depois de meia-noite (para espanto e incredulidade de todos mesa, incluindo o garom), obrigou a mim e ao meu lho a arcarmos com a despesa, de 340 reais. Disse que pagaria no dia seguinte a parte dele, mas fugiu, alegando que precisava falar com a sua secretria. Vlber AlmeidaLFP, DO CONTRA O PODER AO COM O PODER Vlber Almeida Lcio Flvio Pinto perdeu o requinte ideolgico a partir do momento em que, num de seus posts, exaltou a condenao de Lula por Moro com base numa tal Prova indiciria e, ainda, tentou convencer seus leitores com o discurso de que esta prova indiciria ainda mais importante do que as provas objetivas, materiais, empricas, documentais etc. Depois, desceu ladeira a baixo quando, aps a aprovao do infame impeachment da Dilma pelo Senado, estampou uma capa de luto pelo ataque democracia no Brasil decorrente da no condenao de Dilma perda de seus direitos polticos, atitude articulada pelo presidente do STF e do Senado. Da em diante, tornou-se intragvel, perdeu a postura de um grande jornalista investigativo e se comportou como um jornalista ideolgico qualquer, como um Merval, um Tognolli, um Reinaldo Azevedo et caterva. Vlber Almeida -Esperei muito, mas no li uma grande reportagem dele neste processo todo, aquela reportagem crtica, aquela reportagem histrica, contextualizando os blocos de poder em conito neste jogo poltico, os interesses econmicos e polticos, nacionais e internacionais, que disputam o comando da nao; o poder subterrneo -narcotrco, crime organizadoque se agigantou com o esfacelamento da democracia, este poder sem projeto civilizatrio, de sociedade, de nao que

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9 est hoje no comando da nao -no STF, no Senado, no Executivo; quais poderes concretos se favoreceram e fortaleceram com o desrespeito e a deslegitimao das instituies democrticas decorrentes da invalidao brutal dos votos de mais de 54 milhes de pessoas; aguardei que o Lcio zesse aquela anlise aada, tpica do grande intelectual que ele sobre como as instituies republicanas -judicirio, MP, Polcia Federal, Imprensa, Congresso, Executivoforam usadas neste jogo, de lado a lado, e qual o saldo do mesmo, a quem interessa este saldo, quem ganhou e quem perdeu, como bloco de poder e como coletividade -classes, grupos sociais e o prprio estado da nao ps-impeachment. No tivemos o prazer de desfrutar da fecunda e slida formao histrica, losca e sociolgica do LFP. Ao invs disso, vimos um conjunto de matrias pseudojurdicas, ideolgicas, e ideolgicas no sentido marxiano de ocultadoras da histria exatamente por serem -histricas, ou seja, no levarem em conta estes conitos de interesse que se encontram por trs de toda esta trama. Apelou todo este tempo para um platonismo, um idealismo jornalstico como fonte de ver dade, como se tivesse se rendido a este desvairio que tomou conta da nao. Esqueceu-se de que as ideias no so a fonte de verdades e certezas quando destitudas do componente emprico, objetivo, material, documental, que no so sucientes como critrio de racionalidade. Por isso, de modo ideolgico, tentou convencer seu leitor e todos os demais da racionalidade, imparcialidade e objetividade da sentena de Moro com base em indcios. E ainda sustentou que, no processo criminal indcios so provas e, no somente, tem valor maior como provas. Penso, logo ele, vtima de tantas arbitrariedades judicirias. Mas, os textos e argumentos do Lcio neste episdio todo so frgeis, de resto, como praxe nas construes idealistas que negam a substncia do mundo objetivo e da histria como requisitos da racionalidade. A objetividade no pode ser construda sobre indcios; a razo nasce do encontro entre subjetividade e objetividade, ideia e matria, nada e ser, potncia e substncia. A imparcialidade do conhecimento e da sentena judiciria, se que isso possvel, deve obedecer a este ritual da razo para que seja aceita como tal. Logo, os textos do LFP neste episdio, assim como a sentena de Moro contra Lula, so puras peas de co, prenhes de ideologia, discursos que no expem as entranhas da histria, dos interesses concretos que explicam este processo todo. Ainda haver estudante de jornalismo que, no futuro, estudar este momento do Jornal Pessoal e do LFP no mais pela lente do bom jornalismo, mas de como no se fazer jornalismo, no mais a lente do contra o poder, mas com o poder. Lcio Flvio Pinto Deduzo do que voc escreveu que no leu o que escrevi, to distante dos meus textos o seu. V ao meu blog e leia de fato. Critique ento fazendo citao para fundamentar o que diz. O que voc pretende que eu escreva o que voc quer que eu escreva, conforme o seu pensamento. Isso eu no sei fazer. Vlber Almeida -Decorre, por tanto, que o Lcio se mostrou um grande idelogo neste episdio todo e no pode se rogar qualquer autoridade para dizer o que ou o que no cientco. Demonstrou, mais do que nunca, desconhecer os fundamentos metodolgicos e epistemolgicos da razo, do conhecimento racional, de resto, como transparece em boa parte dos seus escritos, livros, destitudos de profundidade metodolgica, seja terica, seja estatstica, seja etnogrca... Pra que, ento, perder tanto tempo com o LFP. Como disse antes, est na hora de submeter o prprio Jornal Pessoal ao crivo da Cincia e apresentar esta fase aos estudantes como exemplo do que no jornalismo. Eleazar Venancio Carrias CaroJor ge Henrique Bastos, como no estou a par das discusses e tambm no li a verso doLcio Flvio Pintosobre o assunto, no tenho como me posicionar. Mas defendo a criao da disciplina, independente de vis ideolgico, assim como mantenho meu respeito e admirao pelo jornalista Lcio Flvio, cuja contribuio histrica para a sociedade paraense inegvel. Abraos. Antonio Rocha Lucio Flavio Pinto, sempre apoiou o impeachment e a lava jato. Jos Marcos Araujo Araujo Uma pena. Sempre foi uma referncia na defesa da Amaznia. Antonio Rocha Jos Marcos Araujo Araujo, ele sabe muito da amaznia, mas, em termos de politica nacional, est comprometido com o lado mais direita. Helio Mairata Concordo. Em todas as eleies municipais foi pesado crtico do Edmilson. Deve ter cado satisfeito com Dudu e. ZeNada Altair SilvaVerdade professor. Pio Lobato um blefe. Isaac Carduner S pq ele no pensa como a boiada vcs querem desconstruir o Lcio Flvio Pinto? Respeitam o maior jornalista do Par! Isaac Carduner Procure saber a biograa dele. Helio Mairata SenhorIsaac Car duner. O senhor chama de boiada eminentes mestres universitrios? Caboclo bom. Seu currculo Lattes deve ser um estouro Helio Mairata Conheo o Lcio desde jovem Isaac Carduner Quem segue seita sem raciocinar e no aceita quem pensa o contrrio boi e boi segue boiada. Helio Mairata Usp ufrj viraram seitas. Caboclo bom. Helio Mairata No panfleto barato Isaac Carduner Lado de l vocs me do frouxos de riso. Bjs e at nunca mais. Altair Silva Gente o que isso? Baixou o nvel. Democracia aceitar o que pensa diferente mesmo que nos agridam desde que com argumentos convincentes. Helio Mairata Isso. At nunca mais coxinha Jorge Herberth De Sousa Ferreira Bois seguem h dcadas a ditadura, os reaas, tudo que contra populao desfavorecida. Acho engraado eles tentarem desconstruir a histria e seus contrrios. E elegem heri, sempre tem o maior e o melhor. Putz. Basta uma olhada e se enxerga o que h de mais rasteiro nesses pensadores da Amaznia. Nunca os vejo nas lutas de trabalhadores, sejam urbanos ou rurais, nem de projetos para realmente desenvolver a Amaznia. Mas no Par mesmo assim, cheio de intelectuais de direita. Os de esquerda nunca o so. Eles devem t querendo EMC, ospb, epb de volta. Helio Mairata Seguidores da seita do guru Pinto. Aquele que sempre s combate a esquerda. Altair Silva Tem uma forma prtica de resolver Lu Freitas. Bloquear. Eu no perco mais meu tempo com esses reaas que a melhor forma de agredir nos chamar de petistas como se ser simpatizante de um partido que no o deles fosse crime. Helio Mairata Concordo. No resisto a mandar TNC Lcio Flvio Pinto Meu caro, Hlio Mairata. Lamento muito que voc diga isso. No por

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10 ser contra mim. Por ser contra a verdade. Cite um nico texto meu apoiando o Duciomar (fui o primeiro a denunciar o golpe de mdico) e o Zenaldo, a quem dirigi uma carta aberta extremamente crtica mal ele assumiu a prefeitura. E cite uma inverdade factual que escrevi contra o Zenaldo. Se conseguir essas provas, rendo-me sua crtica. Altair Silva Verdade tem gente que no aprende. Lcio Flvio PintoCurrculo Lattes agora o boi pis? Lcio Flvio Pinto -Por isso mesmo no devia estar dizendo o que diz. Eu discordo de voc, Mairata. J discordamos de pblico. Mas nunca o ataquei pessoalmente, Nunca despejei mentiras sobre voc. Espero que, cessado esse momento de irracionalidade, voc volte a ser um contendor de alto nvel, que discute ideias e no se deixa levar por esse enxovalhamento de baixssimo nvel. Helio Mairata Voc entendeu muito bem as crticas e os comentrios decorrentes. Em homenagem ao seu passado e suas boas lutas no vou descer aqui a detalhes desagradveis. Gostaria s que pedisse desculpas Rosali pelas colocaes no acadmicas digamos assim. De resto que na Paz. Lcio Flvio Pinto Exemplique o que entende por lado mais direita. Cite nomes. Arrole atos meus. Aponte textos. Lcio Flvio Pinto No vejo motivo algum para pedir desculpas. No a ofendi. Apenas cometi o pecado mortal de critic-la. E ela ainda nem se defendeu nem se explicou. Helio Mairata As desculpas no so pela discordncia que legtima. Mas pelo exagero na forma Helio MairataOfendeu sim. Lcio Flvio Pinto Dispenso as homenagens ao meu passado, que nunca tra, com o qual me mantenho coerente at hoje. E no me poupe de detalhes desagradveis. No tenho nada na minha vida que me desonre. Pode apontar vontade se acha que tem. Helio Mairata A uma prossional lutadora Lcio Flvio Pinto Voc olha a forma e esquece o contedo? Que for ma agressiva foi esta? Voc, de polmicas, parece no saber nada. Hitler lutou muito. Nem por isso tinha razo. Helio Mairata Puxa Rosali. T piorando para voc. De desonesta intelectual a nazista. Calma Lcio. Volte Amaznia. No agrida acadmicos que tem na Academia o legtimo direito de debater Poltica Lcio Flvio Pinto Numa polmica de 1976 com Jarbas Passarinho, atravs das pginas de O Liberal, na resposta ele me chamou sempre de Sr. Pinto. Retruquei que muito me honra o meu Pinto. Repito a frase. Mas no a polmica. Quem diria, Mairata: voc s me faz sentir saudades das intensas e instrutivas (ao menos para mim) polmicas que tive com Jarbas Passarinho. Daria um livro volumoso. Helio Mairata -Vc tem razo agora Lcio Flvio Pinto verdade. Mas deviam tambm estar em praa pblica, debatendo e ajudando o povo a compreender os fatos, e dando um sentido social e prtico aos seus ttulos e ao seu sagrado currculo Lattes. Helio Mairata -Mate-me a curiosidade. Algum disse que vc teria dito do Jarbas que lhe faltava humildade. Ento segundo a fonte, no sei se convel, ele teria redarguido: Eu no sou humilde? Voc funda um jornal que intitula de Jornal Pessoal e eu que no sou humilde! Isso ocorreu mesmo? Tenho srias dvidas. Suas polmicas sempre foram de elevado nvel. Lcio Flvio Pinto Voc me parece aquele coronel fascista de Franco que tentava intimidar Miguel de Unamuno, reitor de Salamanca, gritando morte inteligncia. Unamuno respondia com viva a inteligncia. Morreu seis meses depois do ato, em priso similar. No chamei Rosali de nazista, como voc pretende intrigar. Apenas disse que Hitler tambm foi um lutador. Recebeu at uma medalha por sua atuao como cabo na Primeira Guerra Mundial. O que dignica o lutador a causa pela qual luta. Helio Mairata Em tempo: eu no conheo nenhum fato que ofenda a sua honra e moral. Assino. Lcio Flvio Pinto -Agora, voc tem apenas dvidas. A seriedade parece que no bate mais sua porta. Helio Mairata O que eu escrevi e que como no presenciei isso no posso armar que ocorreu. Por isso a dvida. Lcio Flvio Pinto Obrigado. Lembranas, de qualquer forma, adorvel Geneusa, a quem no vejo h tantos anos (como a voc), mas de quem sempre me lembro, com a melhor das memrias, como ao Paulo e sua lha (cujo nome me foge agora). Helio Mairata S ouvi propalarem isso. At descono que no ocorreu. Lcio Flvio Pinto Eu tambm no vi Cristo ser crucicado nem Napoleo ir para Santa Helena. Mas que aconteceu, aconteceu. Ento no propale. Fica feio, Mairata. Helio Mairata Geneusa aqui ao lado agradece. Temos sempre alegria em relembrar agradveis momentos. E a Sheila. Hoje mdica em SP.Ento no ocorreu mesmo? Se fosse na internet seria um fake a mais. Um abraoLcio. Fique na Paz Hirlan Iglesias Caro,Lcio Flvio Pinto, vc no respondeu ao cerne da questo, mas o que se entende que vc apoiou o impeachment e a lava jato. J sei tu falars: Onde est um texto meu apoiando o juiz aquele que ganha auxilo-moradia mas tem moradia da lava jato e o impeachment, mas teus textos dizem tudo. Lcio Flvio Pinto Se eles dizem tudo, nada h a acrescentar. S vou matar a sua curiosidade agora, Mairata, porque s agora vi a sua pergunta. O Jarbas disse mesmo isso. Eu lhe respondi que o jornal no era pessoal por egolatria, mas por ser feito por uma nica pessoa. Mas jamais foi pessoal. Se fosse, seria dedicado cultura, aos livros, msica, conforme meu desejo mais ntimo (me aprofundei na academia na sociologia da cultura, a partir de Lucien Goldman). Ele amaznico porque amo a Amaznia, no a quero destruda e a Amaznia a minha matria prima, Marilene PantojaIsaac Carduner, Lucio Flvio Pinto no apenas o maior jornalista do Par; ele uma das poucas reservas morais deste Estado, por diversas vezes homenageado fora do Brasil. Mas sabemos que santo de casa no faz milagre; ao contrrio, provoca inveja. Helio Mairata Eu s queria checar a informao dada por algum. Como quela outra de sua apreciao sobre a Terra encharcada. Quase d impaludismo ( isso?) quando se l. Helio Mairata H h h. Tipo quando li Chove... do grande Dalcidio. Dava-me uma vontade de no sair da rede ouvindo o ping-ping da chuva de mulher que parece jamais parar Allan Araujo Lcio Flvio Pintomeu caro, que debate difcil, hein!? Poderia ter cado melhor se o prof tivesse nomeado a disciplina como Crise de 2015/16 interpretaes; ou ...impeachment ou golpe? Deixava mais abertura pro debate. Eu pessoalmente acho q foi golpe, mas tento pen-

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11 sar tambm na ponderao do debate acadmico. Por outro lado, concordo com oFlvio Nassarem que tudo em ciencia, mais ainda, humana, um discurso. O ex de 1964 timo. Quem disse que foi golpe? A maioria da interpretao dos experts no assunto, a ponto de esse entendimento j vir sendo ensinado nas escolas desde a redemocratizao. Allan Araujo -Nada impede o questionamento disso, j feito pela direita saudosa do regime militar. Se eles no tem fora, porm, de emplacar o conceito nas universidades, pblicas ou privadas, acho timo (s lamento no diria, n hehehe). Lcio Flvio Pinto, j leste algo do Jess Souza? Acho um autor fundamental pra entender a confuso, pelo vis da esquerda. Ele traz uma interpretao totalmente nova, inclusive, sobre o Brasil, com foco na escravido, criticando duramente pilares sagrados pra todos ns, desde Freyre, passando por Buarque e Faoro. Lcio Flvio Pinto Tudo cabe em debates. Mas uma disciplina com esta definio categrica sobre um fato de dois anos atrs demais. Tudo cabe nos devidos debates, que os cursos de cincia poltica, sociologia, poltica e outros j tratam rotineiramente. Mas criar uma disciplina no currculo com essa classificao categrica aplicada a um fato extremamente controverso de dois anos atrs demais, caro Allan. Helio Mairata Lucio, pelo que li, no se trata de criar uma disciplina e incluiir no currculo, at pq pelo Regimento dos cursos de Graduao, s se pode criar disciplina (ou excluir) nas revises de Projetos Pedaggicos de Cursos, o que demanda no mnimo cinco anos entre uma e outra reviso. Pelo que se anunciam trata-se de uma programao livre, aberta, independente de cursos. E isso pode, claro. Seria como criar uma programao de seminrios e isto pode, mesmo sobre fatos recentes. Quanto questo de ter havido ou no Golpe (eu tenho certeza que sim, apud Romero Juc e o Srgio Machado), vai assistir quem quiser e l dentro pode contestar, se quiser tambm. O que no se pode manietar e censurar a Universidade de debater algo s por ser da rea Poltica. Helio Mairata Vc teria total razo no que exps em seu ltimo post acima, mas no o caso. No se pode REGIMENTALMENTE criar uma nova disciplina aleatoriamente, mesmo que fosse para tratar da Revoluo Francesa Allan Araujo Pois Lcio, mas ela opcional. como o Mairata falou. Tem o carter de seminrio. No entendo os meandros das exigncias burocrticos da universidade para os cursos. Falo como leigo, baseando no bom senso. Concordo contigo apenas que a nomenclatura mais abrangente ficaria melhor: Crise poltica de 2016 e suas consequncias. No escondo, porm, minha satisfao em ver a disciplina ensinada. -)) Helio Mairata Concordo tb com a sugesto sobre o ttulo, pq permitiria que pessoas que no aceitam a ideia de Golpe ficassem mais a vontade para participar. Eu fui o elaborador do atual Projeto Pedaggico do Curso de Graduao em Economia, vigente desde 2010, e l ficaram definidas 40 disciplinas e mais uma carga horria para Seminrios, que chamamos de Tpicos Especiais. Eu mesmo usei essa carga especial para seminrios sobre o PPA, a LDO e a LOA, o acompanhamento oramentrio do Par, etc. A cabem esses seminrios, wokshops, painis e similares. Agora, ningum pode criar uma nova disciplina, repito, mesmo sobre fatos e ideias ANTIGAS, sem submeter ao Colegiado da Faculdade; depois ao Instituto; depois PROEG; depois ao CONSEPE. Mas isso exige regimentalmente que no mnimo uma turma j tenha entrado e sado do Projeto em curso (mnimo de 5 anos mais 50%, o que d 7,5 anos). Jos Marcos Araujo Araujo Livre Pensar, como diria o Millor. Lcio Flvio Pinto O Millr disse: livre pensar s pensar. Denise Maria Amigo Flvio Nassar quem sofreu as torturas e humilhaes diversas no se preocupa com filigranas do cientificismo positivista. Pergunte aos sobreviventes. Sem liberdade para debate nada possvel, muito menos ser republicano. Se discordarem vo ao debate e no fiquem achando isso ou aquilo em seu imobilismo. Algo tem que ser feito. Ftima Duarte Gonalves O golpe est sendo nos nossos direitos enquanto trabalhadores e no direito do povo brasileiro ter um futuro melhor. A primeira coisa que zeram quando assumiram foi acabar com a Controladoria Geral da Unio, rgo fundamental no combate a corrupo. Entregaram o nosso pr-sal para as petroleiras estrangeiras. Os recursos desse petrleo iam pra sade e educao. Aprovaram o congelamento dos recursos pblicos por 20 anos. O dio ao petismo est cegando alguns. As oligarquias mandam e desmandam com seus esquemas desde as capitanias hereditrias. E basta um governo qualquer tentar reduzir as desigualdades que eles mobilizam a galera com o falso discurso de combate corrupo. Isso histrico e precisa ser analisado luz da Cincia para que possamos seguir em frente. No existe discurso neutro, nem o cientco e nem o jornalstico. Daniel Marcelo Malcher A velha retrica udenista do combate corrupo. O remdio: a execrao pblica diuturna dos canalhas. Glauco Alexander LimaLucio Flvio Pinto me decepcionou tanto. Eu era fascinado por ele no sculo 20. Lcio Flvio Pinto Caro Glauco: s para eu tentar me corrigir e no perder o fascnio, liste o que eu fiz para perder esse seu fascnio. Sinceramente. Vitor Mendes Verdade. Se vendeu pra agradar a mdia golpista Lcio Flvio Pinto A mdia que me golpeou, meu caro. No simbolicamente. Com os punhos. Helio Mairata No seu caso meu amigo Lcio foi a parte da mdia que apoiou o golpe. Os maiotralhas representantes aqui da rede Esgoto.Uns bandidos como esse Ronaldo. (Esta reproduo inclui o que foi postado at o incio do dia 18/03)

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12 Terminou em grossa pancadaria, como se dizia, a principal sesso do III Conselho Regional Secundarista, realiza-do em Belm, em setembro de 1952. Tudo comeou quando os adeptos do sistema parlamentarista para a direo da Uecsp (Unio dos Estudantes dos Cursos Secundaristas do Par) verificaram que os pr-parlamentarismo venceriam a eleio. Comearam a convocar por telefone estu-dantes afinados. Irawaldyr Rocha denun-ciou a manobra e Roberto Uchoa props o imediato encerramento da inscrio no livro de presena da reunio. O secundarista Gerson Peres no aceitou a deciso, mas seu protesto no foi acolhido. Para tentar suspender a ses-so, Roberto Rayol lanou um tinteiro contra o presidente do encontro, Kolivan Lima, que reagiu com dois bem aplica-dos bofetes em seu agressor. A briga que da derivou arrastou todos os estu-dantes, levando suspenso da sesso por tempo indeterminado. At esse momento os estudantes j haviam aprovados moes como a repul-sa criao do Instituto Internacional da Hileia Amaznica, ao envio de tropas brasileiras para atuar fora do territrio nacional, ao Pacto de Ajuda Mtua fir-mado pelos governos brasileiro e ameri-cano, alm de pedido para a criao de uma nova escola de comrcio em Belm e transferncia da que existia, funcionando nos altos do Palcio do Comrcio, para um local mais adequado. POCA A ingenuidade prova de insensibi-lidade, disse Bertolt Brecht num poema. O ingnuo o desinformado. Ento ra-mos todos ingnuos em 1954, quando os jornais publicavam um anncio do Bi-trofosfato, garantindo que acabaria com a insnia dos que tomassem trs dos seus comprimidos todos os dias. Contendo clcio e fsforo, os res-tauradores nervinos, o remdio reporia as energias e tonificaria todo o sistema nervoso. O tratamento base de Bitro-fosfato podia ser feito at que as inter-minveis noites de insnia se tornem coisa do passado. O remdio milagroso estava venda em qualquer farmcia e drogaria, sem receita ou tarja de restrio. Era um au-tntico BO (Bom para Otrio), ou um veneno tomado inadvertidamente? Independentemente da resposta, era uma prova da poca, em que consumi-dores eram crdulos e produtores eram quase agentes divinos. Uma poca que pode ter passado tanto quanto a insnia combatida pelo Bitrofosfato. As modas vo e voltam. Vo de uma maneira e voltam de outra. Em 1954 j se falava no fechamento do servio de hi-droterapia da Beneficente Portuguesa do Par, instalado na avenida Generalssimo Deodoro. O custo dos banhos teraputi-cos era alto. A renda do servio no era suficiente para empatar as despesas. Mesmo assim, o presidente da socie-dade, Eduardo Salazar da Silva, garantia naquele ano que o servio continuaria a ser bancado. Havia uma grande clientela a atender. Se a Beneficente decidisse cons-truir uma maternidade no local, o hidro-terpico passaria para os fundos do novo prdio. Mas no desapareceria jamais. De fato, o famoso hidroterpico ali permaneceu at que um incndio (vio-lento, conforma a monocrdia crnica policial) arrasou suas belas instalaes. Mas voltou a funcionar algumas quadras adiante. verdade que seus usurios no liga-vam a mnima para os efeitos dos banhos (hidroterapia, na linguagem de hoje): o que queriam mesmo era rosetar, como se dizia. Ou seja: falar mal da vida alheia. As guas serviriam para atenuar o fogo das fofocas, talvez a causa peripattica do incndio que lavrou na rocinha do hi-droterpico, smbolo de uma poca em que Belm era genuinamente de muros baixos. A JIC (Juventude Independente Ca-tlica) era um movimento que agrupa moas do meio independente a fim de que, estudando os problemas do ambien-te, encontrem uma noo verdadeira de vida, procurando dar vida um sentido eminentemente social, baseado na dou-trina crist. No final de 1957 a JIC promoveu uma assembleia popular para debater o tema Ns e o dinheiro, no auditrio da SAI (Sociedade Artstica Independente), sob a coordenao de Maria Eunice Reimo e Maria de Lourdes Pinho da Mota. Concluses do encontro: a maioria das moas no estava satisfeita com seus oramentos domsticos, insuficientes para suportar suas despesas at o final do ms; cada moa necessitava, para sua prpria organizao financeira, estabele-cer uma hierarquia nos gastos; as moas que dispunham de alguma receita prpria ou mesada devem pensar em ajudar o prximo com um pouco do que ganham. A independncia ainda era uma meta. Em novembro de 1957, o chefe da Circunscrio Par do DNERu (DeparCigarro suaveA propaganda bem feita pela agncia SM (atual Mendes Publicidade) aumentava o charme de fumar cigarro, em 1959. E cigarro de classe, fabricado em Belm mesmo, que tornava o trabalho mais suave. Quem provasse, iria aprovar garantia a propaganda.

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13 tamento Nacional de Endemias Rurais), Luiz Miguel Scaff, assinou um aviso co-municando ao pblico o prosseguimen-to da campanha contra a filariose em Belm. Os guardas iriam tirar sangue de toda a populao do bairro de Nazar, o top da cidade, entre 10 e 22,30 horas, to-dos os dias, exceto sbados e domingos. necessria a cooperao de todos os moradores para o xito deste traba-lho, que visa exclusivamente o benefcio da coletividade, ressaltava o mdico, j prevendo os gritos, choros e fugas quan-do os tira-sangue aparecessem com sua sacola cheia de vidrinhos e agulhas para sangrar adultos e crianas. Os casos positivos que forem encon-trados sero submetidos a tratamento inteiramente gratuito, no ambulatrio do DNERu, que ficava no mesmo bairro, entre 7 e 13 horas. J os pedidos de exame de sangue para outros bairros continua-riam a ser atendidos pelo telefone 23-16. Belm tinha um dos maiores ndices de filaria do pas, um indicador das pre-crias condies de saneamento da cida-de. Mas a dedicao dos sanitaristas p-blicos d saudade a nosotros que vivemos numa poca em que a mstica do servio pblico evapora. O combate a endemias rurais enclau-suradas numa cidade dava-se ao luxo de ter um poeta no expediente, o bardo Max Martins. A Livraria Dom Quixote, de Haroldo Maranho, realizou sua primeira tarde de autgrafos em 31 de janeiro de 1959. Foi para o lanamento da coletnea de contos do cnego pio Campos, Olhos dentro da noite premiada pela Academia Paraense de Letras. A galeria do Palcio do Rdio, onde ficava a livraria, foi tomada por convidados. Entre os quais estavam Abe-lardo Conduru, Aloysio Chaves, George-nor Franco, Levy Hall de Moura, Eldonor Lima, Aludio Melo, Cludio Barradas, Pedro Tupinamb, Jocelyn Brasil, Cursi-no Silva, Ruy Barata e Maria Brgido. Foi registrado grande movimento de aquisi-o de livros, comprovou a imprensa. Jarbas Passarinho ainda era major, no incio de 1962, quando foi sorteado docotidiano com uma passagem de ida e volta ao Chile para assistir a Copa do Mundo da-quele ano, que seria realizada em junho. A promoo era da Importadora Braga, uma loja de eletrodomsticos que fun-cionava no trreo do mesmo Palcio do Rdio que abrigava a livraria de Haroldo Maranho. O sorteio foi realizado ao vivo pela TV Marajoara. Carlos Braga, diretor da firma, conferiu o talo sorteado do ofi-cial da 8 Regio Militar (que se tornaria governador dois anos e meio depois), 6331, quando Passarinho apareceu para receber o prmio. Em fevereiro de 1964, um DC-4 da Paraense Transportes Areos que fazia o vo entre Manaus e Porto Velho foi obri-gado a fazer um pouso forado em plena selva. Nenhum dos cinco tripulantes e 34 passageiros que estavam a bordo se feriu. Dias depois, ao ser resgatado e vol-tar para Belm, onde morava, o comer-ciante Leon (ou Lo?) Serruya disse que, alm dos terrveis insetos, o que preo-cupava os sobreviventes era a possvel vizinhana de ndios faixa-larga (cin-ta-larga, na verdade), antropfagos que gostavam de apreciar a carne humana com mel. Uma vez, quando perguntado so-bre a existncia de ndios antropfagos no Brasil, o clebre mdico Noel Nutels respondeu com humor: No Brasil nin-gum come ningum por via oral. Em 1965, o Colgio Estadual Paes de Carvalho ainda era um centro de for-mao da elite local, que deixaria de ser com a deteriorao do ensino pblico no Brasil e no Par. Uma prova a foto da comisso de alunos que foi redao da Folha do Norte em junho daquele ano, integrantes do Clube da Despedida e do Centro Cvico Honorato Filgueiras. Convidavam o jornal para a festa tpica denominada Samba, Quadrilha e Baio, que seria realizada na sede do Bancrvea, com a orquestra de Alberto Mota. Estava na comotiva a miss Caipi-ra pelo Clube de Geografia, Tereza Co-elho, na companhia de Regina Bezerra e Nair Solano, mais os irmos Larcio e Francisco Brasil Monteiro, Haroldo Sil-va e Geraldo do , futuros advogados e professores. A justia eleitoralA data exata no existe, mas a foto deve ser de meados dos anos 1960. na sede do Tribunal Regional Eleitoral. Reprteres cercam os responsveis por uma das juntas de apurao dos votos. Emanoel de Almeida, fotgrafo de A Provncia, est apoiado em uma cadeira, espaoso que s. Anos depois, ingressaria na carreira poltica, se elegendo vereador de Belm por vrios mandatos. A proteo policial no inspirava receios nem inibia volpias.

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: Rua Aristides Lobo, 871 Belm/PA CEP: 66.053-030 Fone: (091) 3241-7626 E-mail: lfpjor@uol.com.br Blog: wordpress.com Palestras: contato: 999777626 Diagramao e ilustraes: Luiz Antonio de Faria Pinto E-mail luizpe54@hotmail.com O estupro constitucional muito fcil repetir o coro do golpe a que se teria reduzido o processo de impeachment de Dilma, todo ele supervisionado pelo Supremo Tribunal Federal. Acompanhei atentamente tudo que aconteceu, sobretudo na sesso final do Senado. Escrevi artigos ao longo daquele 31 de agosto de 2016, que traduziam o meu convencimento sobre o fato. Transcrevo um deles, que serve, pelo menos, para mostrar as sutilezas da questo.O pargrafo nico do artigo 52 da Constituio federal diz que, no processo de impeachment da presidente da repblica, o Senado, se decidir acolher a denncia de crime de responsabilidade, a condenar, por maioria qualicada de dois teros dos seus integrantes (que so 81), perda do cargo com inabilitao, por oito anos, para o exerccio de funo pblica, sem prejuzo das demais sanes judiciais cabveis. O legislador constituinte teve a sbia precauo de consignar que a condenao se limitaria a essa pena. Ou, como diz textualmente no texto: limitando-se a condenao a cassar o cargo e tornar o condenado inabilitado para o exerccio de qualquer funo pblica. A cautela se justica porque, excepcionalmente, o Senado funciona com poderes jurisdicionais quando submete o presidente da repblica a julgamento. Cada senador um juiz singular, que contribui pelo seu voto para a sentena nal, que ser lavrada pelo presidente da sesso, que no o presidente da casa, mas o presidente da mais alta corte de justia do pas, o Supremo Tribunal Federal. Nesse caso e somente nesse caso o Senado e s ele, no o Congresso Nacional e muito menos a Cmara dos Deputados, age como tribunal especial. como se fosse uma auditoria militar da PM ou das trs foras armadas. Quem vota so os integrantes da corporao, mas quem preside os julgamentos um juiz de direito ou togado. Cabe-lhe zelar pelo fundamento de decises tomadas por pessoas que no so obrigadas se no pelo formalismo declaratrio da lei a ter formao jurdica. Suas vontades e deliberaes passam pelo crivo do juiz-auditor, que funciona como se fora um corregedor de justia. No caso do Senado, o constituinte quis evitar que um tribunal poltico pudesse descambar para um tribunal de exceo, a partir da eventual predominncia de um grupamento poltico desejoso de esmagar os adversrios. Por isso, a pena da condenao foi limitada extino do mandato eletivo e a inabilitao para o exerccio de qualquer outro cargo pblico, elegvel ou no, por um perodo de oito anos, o suciente para que o detentor do mais alto cargo da repblica deixe de exercer sua inuncia malca sobre a coisa pblica, a sempre citada e pouco respeitadares publica A restrio impede que o vencedor, depois de conseguir a adeso da maioria absoluta (ou dois teros) dos seus pares, use a sentena como pea de acusao penal ou de ao civil contra o cidado j punido nos seus direitos polticos. Uma Comisso Parlamentar de Inqurito pode remeter suas concluses ao Ministrio Pblico Federal para que ele atue como autor de ao penal contra os indiciados na CPI. Essa prerrogativa no pode ser exercida pelo Senado no processo de impeachment. porque a cmara alta atua como tribunal e sua deciso tem o efeito de uma sentena de condenao poltica, decidida conforme as regras jurdicas, com amplo direito de defesa e o devido processo legal. Logo, seu alcance deve terminar no seu mbito, que poltico, para que no vire um odioso tribunal de exceo. As aes cveis ou penais, como a movida contra Fernando Collor de Mello (anal rejeitada pelo STF), continuam vlidas, mas em outro momento, j na circunscrio da justia universal. Por isso, a deciso adotada hoje pela maioria do Senado, com o endosso conivente do presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, uma violao letra clara a expressa da Constituio brasileira, no momento em que dois teros dos 81 senadores presentes sesso votaram pelo afastamento denitivo da presidente Dilma Rousse, automaticamente votaram tambm pela sua inabilitao para o exerccio de qualquer cargo pblico ao longo dos oito anos seguintes. O pedido de destaque apresentado de surpresa pelos defensores de Dilma para o desmembramento devia ter sido rejeitado pelo presidente da sesso, por incabvel. O texto no fala em perda de mandato Einabilitao, mas em perda de mandatoCOM inabilitao. Por qualquer critrio, a segunda parte completa a primeira, sendo dela parte indissocivel. Separ-las s pode ser mgica ou astcia. Uma maioria de 61 senadores que conrmaram o afastamento da presidente se reduziu a 42 senadores na esdrxula segunda votao, que jamais poderia ter existido e, por isso, ningum previu, exceto os que maquinaram sombra da madrugada, entre ontem e hoje. A transformao sbita foi realmente mgica. O mesmo Senado que os defensores de Dilma Rousse apon taram ao longo de trs meses de pro-

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15 cessamento do impeachment como golpista, canalha e cretino passou a ser digno e respeitvel quando o pedido de destaque foi aceito e colocado em votao. A Dilma que esteve no papel de monstro no momento da perda do mandato virou o mdico de Stevenson, no apelo pela continuidade da sua existncia poltica. Para no parecer to gritante o contraste, apenas um petista participou da defesa da incrvel inovao. Ela comeou com a peemedebista Ktia Abreu e foi arrematada por Joo Capiberibe, do PSB. A ex-ministra da agricultura, representante de um universo empresarial execrado quando o PT chegou ao poder, quase foi s lgrimas ao infor mar aos seus pares que, se inabilitada, Dilma teria que se contentar com uma aposentadoria de cinco mil reais e com o destino inglrio de perder os muitos convites para assessorias e palestras que j emergiam no seu horizonte. Em mais uma surpresa, o ministro Lewandowski no encerrou os encaminhamentos quando os representantes dos dois lados encerraram seus pronunciamentos. Cedeu a palavra ao presidente do Senado, Renan Calheiros. Depois de apresentar uma comunicao prosaica sobre a posse em denitivo do vice-presidente Michel Temer, ele fez uma arenga em favor da presidente j afastada, culminando com uma joia do saber jurdico para pedir aos seus comandados evitar que, depois da queda, a pobre ex-presidenta levasse ainda um coice. Coice levou o Brasil, a Constituio e a democracia. Todos os maus polticos, na iminncia de perderem seus mandatos e direitos polticos, no por um fulminante ato de cassao pela via autocrtica, mas no devido processo legal, com amplo direito de defesa, havero de reivindicar a dupla avaliao de suas penas, com a ampla possibilidade de que apenas percam o mandato agora para reconquist-lo depois, repetindo os mesmos procedimentos punidos e agora convalidados. O terrvel Eduar do Cunha est entre eles, por mais irnico que possa parecer: para salvar a carreira poltica de Dilma, seus amigos podero salvar tambm a de Cunha, que acusavam de tentar chantage-la usando como vingana o processo do impeachment. O historiador Jos Honrio Rodrigues revelou, em livro memorvel, por que o Brasil o que sem chegar a se tornar o que tem certeza de que merecia ser. que na hora da mudana, suas lideranas conciliam. E tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes. Ou, como dizem os franceses, tudo muda para tudo continuar a ser exatamente igual. Ainda no sabemos exatamente o quanto custou montar a farsa de hoje no Senado Federal. Mas j sabemos a quem ser logo apresentada a conta dessa fraude. Mais uma vez. Triste e trgica comdia. Guerras e guerras num pas violento Do estado de violncia extrema, o Brasil passou para o estado de selvageria. Agora, chegou ao estado de guerra. Formalmente, no Rio de Janeiro. Informalmente, em todas as suas 27 regies metropolitanas, onde vive a maior parte da populao e se concentra a riqueza (e os mais ricos) do pas. Natal a quarta cidade mais violenta do mundo. Fortaleza, a stima, Belm, a 10. Das 50 cidades mais violentas, 17 esto no Brasil, 10 delas no Nordeste e trs na Amaznia (mais Macap e Manaus). O Mxico abriga outras 12 mais violentas do ranking. O que aproxima nos nossos dias o distante Mxico, na Amrica do Nor te, o sofrido vizinho da maior potncia do planeta, do Brasil, na Amrica do Sul, a quase sempre ignorada (ou pessimamente compreendida) regio abaixo do rio Grande? A corrupo, a droga e um projeto de poder monoltico. No Mxico, o PRI, que cou no poder por meio sculo. No Brasil, vizinho dos bolivarianos, o PT, que os apoiou e tenta dar continuidade aos seus 16 anos de poder com uma contribuio sobre o passado: a corrupo sistmica, organizada, cientca. A resposta do governo federal ao estado de guerra efetivo no Rio de Janeiro foi a sbita interveno federal, exercida pelo Exrcito. A iniciativa parece ser de antecipao, de ofensiva. Na verdade, de desorientao, de submisso ao reconhecimento do estado de guerra e de oportunidade (e oportunismo) poltica. Por ter demorado, talvez tenha se tornado tardia, ainda que altere sensivelmente certa parte do status quo. Este pode ter sido o objetivo do atentado que vitimou a vereadora carioca Marielle Franco, na semana passada, em pleno centro do Rio, a 700 metros da sede da prefeitura municipal. A vereadora do PSOL no recebeu nenhuma advertncia, no foi intimidada, no teve a oportunidade de se confrontar com os motivos que resultaram na sua morte violenta. No recebeu qualquer ameaa de morte. O atentado foi preparado com alguma antecipao para no falhar. Para mat-la, sem lhe dar a menor possibilidade de se salvar. Quem a caava a acompanhou por algum tempo antes de atac-la. No foi ato isolado: foi deciso de uma organizao. Or ganizao que o governo subestimou, ao lhe declarar guerra. O momento adequado surgiu ontem, quando ela saiu de um encontro e, ao invs de se sentar ao lado do motorista, cou na poltrona de trs do carro, de um lado favorvel ao atirador que viesse num carro emparelhado para o bote.

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Quem atirou nela foi um pistoleiro prossional (numa das hipteses, associada a tracantes de drogas ou, talvez, milicianos) ou atirador de elite (em outra hiptese, relacionada a policiais). Todos os nove tiros que ele disparou, com uma pistola de 9 milmetros, foram na direo da cabea da vereadora, mirada com determinao, apesar da pelcula escura no vidro da porta, que no permitia a visualizao do interior do carro. Quatro atingiram o alvo. Trs seguiram at o motorista, matando-o, e duas se perderam. Servio perfeito. O efeito foi o que se previu. Talvez desde o suicdio de Getlio Vargas, em agosto de 1954, a morte violenta de uma personalidade pblica no tenha abalado e comovido tanto interna e externamente quanto a de Marielle Franco. Ela adquiriu, morta, uma dimenso que no tinha em vida e que ningum poderia prever que alcanasse. Quem mandou mat-la acertou em cheio na escolha. Este o aspecto mais dramtico da execuo, enquanto fato de alcance coletivo. Quem encomendou o crime no hesitou em dar-lhe partida. Todas as circunstncias de risco foram deixadas de lado. A vida da jovem de 38 anos no entrou nos clculos. Uma morte a mais pesa nada nas estatsticas e irrelevante no cotidiano das vidas reais. Uma comparao entre mortes dirias no Brasil, na Sria, no Iraque ou em qualquer outro pas em guerra servir para nos assustar ainda mais, se tal possvel. Marielle devia ser detestada e odiada por aqueles que ela criticava com coragem e determinao na defesa das suas bandeiras: direitos humanos, negros, pobres, favelados, mulheres, homossexuais os deser dados do modelo. Mas se um desses temas tivesse sido o motivador da encomenda da sua morte, a aproximao do verdugo teria sido precedida por um processo de intimidao crescente, o que no houve, segundo testemunhos dados pela irm dela, seus parentes e amigos. Foi uma morte sbita, seca, eciente. Foi um atentado poltico, que tomou por alvo algum, no pelo que representava intrinsecamente, mas pelo que podia causar nos desdobramentos. Talvez a sorte em certa medida determinada por casualidade de Marielle tenha sido decidida por uma circunstncia: a interveno federa no Rio de Janeiro, comandada pelo Exrcito. Esse componente agravou profundamente o fato. No parlamento europeu foi requerida at a suspenso das negociaes comerciais do acordo de livre comrcio entre a Europa e o Mercosul, um evidente despropsito, um exagero absoluto. O assassinato da vereadora do Rio se equiparou tentativa de assassinato por envenenamento de um agente duplo da espionagem russa em Londres, acontecimento que Vladimir Putin tenta desviar da sua direo, alegando que mais uma manobra do imperialismo (reunindo Inglaterra, Frana, Alemanha e Estados Unidos) para tirar o brilho da Copa do Mundo. Correlao, evidentemente, incorreta. Para a ONU, que vem advertindo o governo sem resposta concreta, o Brasil se tornou o lugar com maior nmero de execues de ativistas de direitos humanos. Na lista da organizao, 17 deles esto visados, principalmente os que defendem o meio ambiente e os ndios. A mdia seria de uma morte dentre eles por semana. Daria 48 por ano. A estatstica impressiona e realmente grave. Mas precisa ser checada qualitativamente para que se possa separar o joio do trigo, o que defesa de causa nobre do que litigncia por outras motivaes. De qualquer maneira, o Brasil um pas violento e intolerante. Cada vez mais intolerante, agressivo, incapaz de garantir a convivncia civilizada entre seus diversos e opostos agrupamentos humanos e sociais. Mesmo se considerasse exageradas as avaliaes da ONU e de entidades internacionais, ou buscasse inspiraes ocultas para suas iniciativas, o melhor que o governo podia fazer era levar a srio suas observaes e pedidos. Nenhum, porm, parece ter sido feito em favor de Marielle. Ela podia ser enquadrada entre alvos potenciais de criminosos. Mas quantos esto nessa condio no dia de hoje em todo pas? E quantas pessoas de valor, dignas, valiosas, de importncia para a coletividade, so eliminadas da vida por um ato de imprio de bandidos, que marcam a execuo no coldre das suas armas como se estivessem assinalando mais um dia numa folhinha imaginria (ou digital)? Assustado e pressionado, o Brasil tenta ir atrs do prejuzo, uma imensa massa de problemas para os quais quem mais contribuiu foi quem mais deveria enfrent-los de imediato a elite, em geral, e a sociedade poltica, em destaque. No caso do nico Estado j em guerra reconhecida ocialmente, a semente, plantada remotamente, foi regada pelo acordo de Leonel Brizola com os bicheiros, extensivo aos tracantes, em nome da abertura aos excludos da bonana (antes, ento e agora, sempre), mas em proveito de um projeto poltico do caudilho dos pampas, urbanizado por uma linguagem de paneto positivista. A partir da, o status quo no foi modicado. Pelo contrrio, foi renovado e ampliado tanto politicamente quanto socialmente, pela indiferena dos consumidores de drogas, sobretudo as mais caras, nos bairros nobres da cidade, conectados aos centros de fornecimento, nos bunkers instalados nos morros superpovoados (por pobres, pretas e prostitutas, na simbologia dos trs ps, hoje ampliada), por uma teia de conexes que acabou por criar um Estado selvagem (mas muito organizado) margem (e acima) do estado (e do Estado) normal, regular, convencional. Tudo isso conuiu para a execuo de Marielle. Est escrito na Bblia: depois da indiferena, o fogo.