Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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Full Text

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o aO fim de Lula? Era deciso anunciada a condenao do ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva pela 4 turma do Tribunal Regional Federal da 4 regio, com jurisdio sobre o sul do pas, e sede em Porto Alegre. Mas foi surpreendente a deciso unanimidade pelos trs desembargadores. Eles conrmaram a deciso do juiz singular, Srgio Moro, da 13 criminal da justia federal de Curitiba, no Paran. Mas foram alm: elevaram a pena, que era de 9 anos e meio, para 12 anos e um ms. Ningum, nem os desafetos do lder do PT, esperavam tanto rigor ou dureza. Os trs desembargadores Joo Pedro Gebran Neto, o relator; Leandro Paulsen, o revisor; e Victor Laus no pouparam adjetivos condenatrios nem recearam sofrer a classicao de juzes polticos. Disseram, com todas as letras, que a pena de Lula tinha que ser maior porque ele se comportara de forma indigna Os petistas continuaro a alegar que Lula foi vtima de um processo poltico. O objetivo seria afast-lo da disputa deste ano pela presidncia da repblica e acabar com a sua carreira de novo pai dos pobres. A justia mostrou que essa interpretao fantasiosa.como o maior mandatrio da nao, a funo mais importante da repblica, que o povo lhe conferiu em duas eleies diretas. Imaginava-se que eles admitiriam uma votao de dois contra um e que, talvez, abrandassem a pena para no dar aos defensores do ex-presidente a bandeira da perseguio poltica e do compl para impedi-lo de ser novamente candidato e voltar presidncia pela terceira vez, faanha indita na histria do Brasil, abrindo a perspectiva de um quarto mandato em sete eleies, no curso de mais de trs dcadas. O PT reagiu de imediato, procurando caracterizar a venalidade do julgamento. Convocou manifestantes para a rua, fez declaraes agressivas, at ameaando com conflitos violentos, dos quais pudessem resultar mortes, confirmou a pr-candidatura de Lula contra todas as ameaas de priso e inelegibilidade dele, mas seu toque de avanar POLTICA

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2 no surtiu o efeito desejado. Como a deciso unnime dada pelo primeiro colegiado, depois da sentena do juiz singular, esgotou a matria de fato e s permite a discusso sobre o direito, com remotas possibilidades de sucesso para Lula, esto abertas duas possibilidades. Uma, a priso de Lula em regime fechado, uma vez rejeitado o nico recurso que lhe cabe nesse nvel, o embargo de declarao. A outra a conrmao do seu enquadramento na lei da cha limpa, vedando seu acesso a uma eleio pelos prximos oito anos. As duas hipteses esto previstas em lei e podem se tornar concretas por mero cumprimento dos seus comandos. Muitos no acreditam que isso ocorrer. Um fator seria a mudana de posio do Supremo, que poderia alterar seu entendimento de que um cidado condenado por rgo colegiado se torna automaticamente inelegvel. A ironia de que o mais ferrenho adversrio dos petistas na corte, o ministro Gilmar Mendes, o cabea dessa reviso. Ainda impossvel dizer se isso acontecer ou no. Mas a posio agressiva de Lula, que anunciou a desobedincia deciso do TRF4 e suas crticas ao poder judicirio, podem, como no prprio julgamento, agravar a sua situao, ao invs de alivi-la. O desespero diante da reverso da expectativa, com os 3 a 0, pareceu consumar o incio do m de carreira do lder mais carismtico do Brasil desde Jnio Quadros, que era um advogado e no um operrio, sem a pungente biograa do retirante nor destino que se imps por seus prprios meios e mritos.. Os petistas continuaro a bradar contra a condenao e a tentar ganhar a simpatia popular alm de um tero do eleitorado, votantes cativos de Lula. Mas a robustez e acuidade dos votos dos trs desembargadores so consistentes demais para absorverem essa etiquetagem apressada, supercial e caricata. Com clareza, simplicidade, didatismo e slido fundamento jurdico, os votos de condenao de Lula estraalharam os argumentos de Cristiano Martins Zanin, o desastrado advogado que, na apelao, conseguiu aumentar em um tero a pena do seu cliente (o que faz pensar no limite que ela atingir quando do ltimo recurso, mantida a linha de defesa, forte na agressividade, indigente na tcnica jurdica). Seu mote que o trplex do Guaruj est registrado em cartrio em nome da construtora OAS, no de Lula, como se o desvio da revelao do proprietrio real no produzisse os famosos e frteis contratos de gaveta. Lembro um exemplo local. Em 1973, o governo federal concedeu um canal de televiso empresa TV Belm, no a Romulo Maiorana, vetado pelo SNI. Os concessionrios eram cinco dos seus funcionrios, que assinaram um contrato de gaveta para se comprometer a repassar a emissora a Romulo quando cessasse o impedimento. O que efetivamente ocorreu, exceto por um dos scios, que cobrou uma indenizao do revelado proprietrio da TV Liberal. Outra alegao de que no houve um ato de ofcio, por parte de Lula, o que eliminaria a materialidade dos crimes que lhe foram imputados, de cor rupo passiva e lavagem de dinheiro. Tambm um raciocnio falacioso diante da complexidade da engrenagem montada para roubar a Petrobrs e distribuir o butim entre empresrios, tcnicos, burocratas e polticos. A retribuio principal dada por Lula foi mantendo nas diretorias da estatal pessoas que foram indicadas pelos partidos polticos da base aliada do seu governo justamente para permitir os mecanismos de fraudes contratuais atravs dos quais seriam gerados recursos ilcitos para os caixas 2 e enriquecimento pessoal. Os diretores, que acabaram confessando suas prticas criminosas, foram mantidos na petrolfera por Lula at o m. S com a Operao Lava-Jato o escndalo estourou e, desta vez, a ttica da omisso de Lula no funcionou mais. Mas ele tentou. Zanin protestou porque os investigadores se recusaram a ir atrs do dinheiro das propinas, impedindo a produo de provas pela defesa do ex-presidente. verdade. A no ser por meio das suas milionrias palestras, provavelmente, Lula no pegou em dinheiro de ningum. No havia dinheiro vivo. Havia recur sos contabilizados no caixa paralelo da OAS, como havia no departamento de operaes estruturadas da Odebrecht, a mais incrvel organizao corruptora que j houve. Calculava-se o percentual de cada propineiro e, no caso da OAS, o valor era escriturado como conta corrente da corrupo. O dinheiro existente nessa conta era sacado para as obras no trplex (como para o sitio em Atibaia), em valores extremamente elevados para esse tipo de despesa. Um apartamento modesto na sua origem foi transformado num trplex sosticado, com elevador privativo. Um esquema engenhoso, verdade, mas vulnervel a uma investigao competente, como a que foi empreendida pela fora-tarefa da Lava-Jato. Crimes de lavagem de dinheiro e corrupo passiva so difceis de provar. Raramente h documentos, ainda mais quando o personagem principal se aprimorou na arte de compartimentar as suas ligaes, criando fossos entre ele e seus parceiros, de tal maneira que possa alegar desconhecimento total de tudo, como fez no mensalo. Tentou fazer no petrolo, mas se deu mal. A partir de agora, o trajeto de Lula perder a glria e o brilho do passado. Tudo indica que ser melanclico.

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3 Com o voto do relator, comeou agonia de LulaReproduzi este texto e o seguinte, que escrevi para o meu blog em cima do julgamento de Lula, no dia 24, tanto pelo seu contedo em si, que documenta uma reao no calor da hora, como pelo debate que suscitou, estendido ao Facebook. Debate de que ficou extremamente carente a grande imprensa local, incapaz agora como tem sido h bastante tempo de suscitar debates sobre os grandes temas nacionais. Tarefa facilitada pela omisso dos intelectuais e pelo nvel primrio dos debates remanescentes. Neles, o interlocutor quer mais desqualificar o oponente do que instruir o pblico e levar, pelos fatos, verdade.O desembargador Joo Pedro Gebran Neto acaba de sepul-tar o cavalo de batalha do PT, de que o poder judicirio est servin-do de instrumento para a elite cor-rupta, venal e impatritica fazer seu ajuste de contas com o ex-presidente, sobretudo por sua sensibilidade em favor do povo. A inteno clara e j estava prede-terminada: destru-lo para que no se apresente novamente como candidato presidncia da repblica e a con-quiste, destino que j estaria consolida-do nas estrelas do rmamento poltico brasileiro, graas ao guia dos povos. O voto do relator do processo pe-rante a turma do Tribunal Regional Federal da 4 regio, em Porto Alegre, foi tcnico e judicioso. Em mais de 400 pginas, que, lidas parcialmente, exigi-ram mais de trs horas de apresentao oral, ele enfrentou as quase 30 preli-minares da apelao apresentada pela defesa de Lula, inclusive as prejudiciais de mrito, e foi a fundo na essncia dos argumentos em favor do ex-presidente, desfazendo-os um a um. No por mera anlise lgica ou discurso ideolgico. Buscou o funda-mento em doutrina e jurisprudncia para fatos que ordenou conforme a demonstrao de cada tipo criminal, numa pea slida, robusta e, alm dis-so, clara, didtica e rica sob a perspec-tiva jurdica e losca. O desembargador Gebran Neto no contornou nem se intimidou com ar-mativas da defesa que, descontextuali-zadas e sem enfrentar o contraditrio, pareciam denitivas, incontestveis. Deu a mesma importncia s provas materiais e aos indcios resultantes de depoimentos e testemunho orais, alm de transcries de interceptaes tele-fnicas, documentos ociais e anota-es pessoais dos envolvidos. Sem essa conjugao, seria pratica-mente impossvel atestar a corrupo passiva, no caso de Lula, j que a ativa foi confessada pelos prprios corrup-tores, com ou sem delao premiada. O ex-presidente se tornou singular na arte dita maquiavlica de incorporar em seu favor tudo que explcito e ob-jetivo na gesto pblica e na sua rela-o com o povo. E apagar tudo que implcito, ge-rado nas tratativas e manipulaes de bastidores, ocultas por sucessivas in-termediaes compartimentadas de pessoas ou pela anulao de papeis, esmagados pela completa oralidade (o que deu a Lula uma verso ajustada do que disse Fernando Henrique Cardoso sobre o que escreveu, para ser esqueci-do; Lula se deniu como a contradio ambulante, j que andante e falante, nunca escrevente foi ou ). A expresso cou gasta por abuso de aplicao, mas s ganhou sentido real a partir de 2014, com a Operao Lava-Jato: a corrupo sistmica. A novidade agregada pelo PT ao velhssi-mo e cnico processo de corrupo no Brasil foi a sua burocratizao, organi-zao e tecnicao. Ela comeou com o mensalo, especializado na poltica. A condenao dos mensaleiros, que em algum momento parecia ter conduzido falncia dessa organiza-o criminosa, sobreviveu sua reve-lao e punio.Para surpresa geral, no s prosseguiu como se ampliou e inovou. As empreiteiras, velhas cor-ruptoras (remontando pelo menos construo de Braslia por JK), tiveram que criar setores especcos porque a propina deixou de ser ocasional, indi-vidual ou setorial. O organograma e o uxograma do dinheiro esprio, por diferentes ori-gens, passou a exigir a formao de novos cartis (simbolizado pelo clu-be das 16 empresas que atuavam no s na Petrobrs), gerando um rombo contabilizado de 6,2 bilhes de reais num nico exerccio nanceiro), mas em outras empresas pblicas e em es-caninhos ociais e setores especcos. Desse monstro, que os brasileiros desconheciam e operou sem qualquer represso ou constrangimento durante os governos do PT, exemplo primoro-so o departamento de operaes estru-turadas da Odebrecht, empreiteira que, na era Lula/Dilma, equivaleu a vrias si-milares (Camargo Corra, Andrade Gu-tierrez, Mendes Jnior, Queiroz Galvo e outras) durante a ditadura. Quem era o vrtice dessa engre-nagem de polticos, burocratas, tcni-cos, executivos e empresrios, todos submetidos ao avalista, todos por ele sancionados, todos por ele protegidos? Luiz Incio Lula da Silva. O mesmo Lula que declarou des-conhecer o diretor da Petrobrs, Pau-lo Roberto Costa, o primeiro a cair nas malhas da polcia, que tratava por Paulinho. O Lula que nunca sabe de nada: no ouve, no fala, no v, como aqueles trs macacos (fundidos numa s pessoa) da iconograa da alienao (no caso, volitiva). Esse Lula, nalmente, deixou pe-gadas e incorreu na corrupo passi-va, pela qual foi denunciado e senten-ciado, condenao esta, do juiz Srgio Moro, que o primeiro dos desembar-gadores aptos para examinar o seu re-curso acaba de manter. A outra verdade absoluta da de-fesa de Lula era contra a lavagem de dinheiro, o segundo crime tipicado pela acusao do Ministrio Pblico Federal e conrmado pela sentena de 1 grau. Como ele pode ser o dono do trplex do Guaruj se o imvel est re-gistrado no cartrio no no nome dele, mas no da OAS? Como um arquelogo que monta as peas de um vaso histrico des-pedaado, o desembargador Gebran Neto seguiu o caminho das pe-dras para chegar a uma tautolo-

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4 gia: se o crime de lavagem de dinheiro, bvio, o registro no poderia estar em nome de Lula. A lavagem exige um laranja. E o laranja era o presidente da OAS, Leo Pinheiro, que assumiu o prdio da co-operativa bancria falida, assumiu a construo e transformou o dplex em trplex, com acrscimos que superaram o valor inicial do imvel, mantendo-o espera da ocupao pelo verdadeiro dono, o ex-presidente. O processo, claro, tinha que ser clandestino, oculto. Seguiria esse cur-so por mais algum tempo se no tives-se sido interrompido pela Lava-Jato. O crime no estava consumado. Mas os rastros do crime estavam todos visveis. O relator do processo no mante-ve a condenao de Lula, ampliando a pena de 9 anos e meio para 12 anos e um ms, apenas pela corrupo espec-ca, mas por essa obra diabolicamente amoral do PT, que foi a corrupo sist-mica a servio de um projeto de poder. Como acontece na maioria des-ses casos, os artces desse projeto se excederam de tal maneira, induzidos pelo silncio geral diante de bandeiras generosas que empunhavam e de um passado entoado em prosa e verso, que perdeu o horizonte poltico e passou a chafurdar na lama que tanto o Partido dos Trabalhadores condenou quando ainda no frequentava o chiqueiro da elite brasileira. O DEBATE Lcio Flvio Pinto -Se voc se sen-te enganado por mim, ento melhor deixar de me ler. O que lhe propus foi que lesse o que j escrevi sobre o Lula e a Lava-Jato neste blog. E lesse os votos dos desembargadores para formar seu juzo pessoal, ao invs de repetir con-cluso alheia. Oua pelo menos a apre-sentao do voto do ltimo desembar-gador. Ele responde objetivamente e com fatos esse tal de domnio do fato e essa tal de ilao. S falo sobre aqui-lo de que, pelo menos, tomei conheci-mento na ntegra. Acompanhei as nove horas da sesso e depois li os votos. Eu s estou lhe pedindo para ver o v-deo do voto do desembargador Victor Laus, o mais curto de todos. Fernando Rosrio Jnior Re-almente no acompanhei a sesso. Se tivesse feito, no haveria necessidade de ler seu texto. Estou falando de ore-lhada? No. Pois falo sobre seu texto. E tive contato direto com ele. Se o mes-mo nao reporta, com o mnimo de ob-jetividade, o assunto, isso decincia do texto e no de minha audio. O texto possui muitos adjetivos e pouca substncia. Se ela houver Mas quanto a sua resposta, se ela for juridicamente justa, pois domnio do fato uma tese fortemente fraca, ela imperfeita. Ja que fala apenas da cor-rupo passiva. No apresenta os ras-tros da lavagem de dinheiro. Mas vale lembrar que quanto corrupo, voc apenas arma que o ru foi consulta-do e endossou. No reporta provas, como gravaes que mostrem o ru fazendo tal crime. Sem materialida-de, ca difcil te ajudar. Parece a mera convico do PowerPoint do Dallag-nol. Voc pode escrever muito ou pou-co, mas melhor mostrar o fundamen-tal por poucas palavras. Pois elimina a hiptese de nao ter realmente do que dizer ou simplesmente a possibilidade indigna de querer enganar o leitor pelo cansao. JAB Viana Essa pgina em um Pas srio, j teria sido virada. A sena-dora disse que haveria morte ao nal do processo. Ser que estava preven-do um suicdio inspirado em Vargas? No acredito, mesmo porque no ha-veria uma carta testamento. E se hou-vesse, estaria comprovado um homi-cdio, pois algum o teria que fazer e escrever. Vitor Etrusco Por favor, cite em qual artigo do cdigo penal est o cri-me em indicar,avalizar e manter dire-tores. No acho razovel, algum que indicou e nesse caso,por ofcio pa-gar por crime cometido pelo indicado. O momento de serenidade, sem fana-tismos. E sem acusaes do tipo eu sei e voc no LFP Ento voc no fez, como eu, que acompanhei toda a sesso. Est falando de orelhada, o que no reco-mendvel para tratar de questo to complexa. A expresso chave para me contestar corrupo sistmica. Lula indicou ou avalizou e manteve diretores que participavam do esquema de cor-rupo com o clube das 16 empreitei-ras. Sempre que consultado, endossou o esquema, mantendo seus principais agentes. No escrevi tanto. Alis, escre-vi pouco. Os desembargadores que es-creveram tanto. Tanto que tiveram que ser mais resumidos, como eu. ao apre-sentarem os seus votos.O golpe fatal da justiaA deciso por unanimidade dos trs desembargadores da 8 turma do Tribunal Regional Federal da 4 regio, com sede em Porto Alegre, de manter a condenao imposta a Lula pelo juiz Srgio Moro, ampliando a pena, de 9 anos e meio para 12 anos e um ms, s deixa defesa do ex-presidente um re-curso: o embargo de declarao. O recurso poder ser apresentado mesma turma 48 horas a partir do pri-meiro dia til seguinte publicao do acrdo, pea que equivale, no mbito de um colegiado, a uma sentena do juiz singular de 1 grau. Quem vai es-crever o acrdo ser o relator do pro-cesso, desembargador Joo Pedro Ge-bran Neto, que foi o primeiro a votar. Os trs integrantes da turma no s concordaram em referendar a sentena de Moro, acrescentaram-lhe mais tem-po de priso, inicialmente em regime fechado. Com seus votos sucessivos e autnomos, embora de forma inde-pendente, acabaram por montar uma pea coerente e harmnica, uma com-pletando a outra. Assim, pouco provvel que o em-bargo declaratrio, que visa esclarecer dvidas, obscuridades ou contradi-es, prospere. O recurso dever ser rejeitado unanimemente. E o julga-mento acontecer num curto espao de tempo. No mximo, em 20 ou 30 dias. Estar esgotada, ento, a segunda instncia, que d a deciso nal sobre matria de fato. Os recursos seguintes, ao STJ e ao STF, questionaro mat-ria de direito. Com isso, pode-se abrir uma avenida para se interpretar esse futuro momento processual como a caracterizao da infrao lei da cha limpa, que incide quando h deciso do primeiro colegiado. Lula, ento, es-taria inelegvel. A defesa do presidente poderia, em tese, em medida liminar que lhe pu-desse ser concedida, pedir a sustao na aplicao da sentena, que, vencido o embargo de declarao, o presiden-te do TRF poderia encaminhar ao juiz Srgio Moro, na 13 vara federal de Curitiba, para cumprir. Os votos dos trs desembargadores federais, alinhados com as decises to-madas pela turma em 23 outras deman-das de processos da Operao Lava-Ja-

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5 to, sugere que essa cautela dicilmente ser concedida ao ex-presidente.Se isso no acontecer, a hiptese mais factvel passaria a ser a da sua imediata priso em regime fechado. Ser o que vai acontecer? Ainda no se pode armar. Na fria letra da regra processual, no haveria outra hi-ptese. Mas na atual conjuntura brasi-leira, sobretudo pela ao poltica, que tem sido mais danosa do que a crise econmica, tudo ainda possvel ain-da. Mas at quando? O DEBATE Querido Lcio Flvio Pinto, tu j provaste um po-quito da utilizao do judicirio para aniquilar inimigos... Lcio Flvio Pinto verdade, Mary. Mas cada caso um caso. Eu no fui processado por acusao de corrupo, evaso de divisas, forma-o de quadrilha, organizao crimi-nosa e outros delitos similares. Fui processado, perseguido e punido por me informar, pensar e fazer pensar sobre essas informaes e expressar a verdade que elas fundamentaram. E eu no tinha poder algum, ao con-trrio dos meus perseguidores, todos poderosos, nenhum deles um cidado comum, como eu. Engano teu, tinhas um po-der imenso sobre eles e isso no per-doavam, o poder da palavra... qto aos crimes atribudos ao Lula, na esfera do processo penal e valorao da prova, no havia motivo para tal condenao, li muito sobre o assunto e mais detida-mente li o livro da Carol Proner, que alis, recomendo. No mais, na lawfare vale tudo, tudo mesmo, para destruir os adversrios. Bjs Apoiado Mary Cohen, fao minhas tuas palavras. Lcio Flvio. Perfeito! Kkkk te comparar meu amigo Lucio Flavio ao bandido do Lularapio demais...eu me ofenderia. Precisamos varrer Lula et caterva para o lixo da histria. LFP Nunca tive poder institu-cional, Mary. Nunca aceitei cargo de governo. Nunca fui chefe de nada. Alis, sou agora. Mas apenas de mim mesmo, no Jornal Pessoal. Meu po-der o mais democrtico que existe: o da inteligncia, que uso na busca incansvel pela verdade e para difun-di-la ao pblico. LFP A esta altura da vida, a ni-ca coisa que me ofende cometer atos que atentem contra a minha conscin-cia e o bem coletivo ou pblico. Disso, at agora, aos 68 anos, nunca fui acu-sado. Nem pelos meus piores inimi-gos, dos quais cuido eu. Dos amigos, s Deus. Teu poder mais perigoso ainda, caro amigo, ningum o tira de voc. Bjus! Mary Cohen, penso como voc! No se enga-ne. Voc no foi processado s por informar. Voc foi perseguido, so-bretudo, por ter chamado o pai do agressor de contrabandista, sem ter apresentado provas, e (se eu no me engano) de ter trazido o passado da matriarca Da Maiorana. Segundo suas prprias palavras, Da Maio-rana o perdoou (o que s prova sua grandeza de esprito), o filho nunca. preciso muito menos para arranjar complicaes jurdicas. O choro petista junta-mente com as ofensas livre por en-quanto. Anal seita seita e ninguem muda... Kkkkk Ana Neusa Resende Mas Lcio Flvio Pinto no foi punido pelo de-legado n? Sra. Ftima Jacob de Ara-go, que ofensas a sra se refere? Aqui as ofensas que li foram proferidas por vc, pois, falta de argumentos, todos que apoiam o golpe ou que aplau-dem a condenao do Lula, s sabem ofender, falar palavres e agredir o vernculo. LFP Fui processado 19 vezes pe-los Maiorana. Nenhuma das cinco pri-meiras aes, propostas por Rosngela Maiorana em 1992, foi a propsito do passado do pai. Das 14 aes que Ro-minho e Ronaldo Maiorana ajuizaram contra mim, duas se referiam ao pas-sado de Romulo Maiorana. Em ambas eu recorri exceo da verdade. Com esse instrumento legal, de ru passei a autor, porque me propus a provar o que armei. E provei, sim. Tanto que ganhei as duas aes e mais as trs pe-nais propostas. E voc, que no parece ter memria, esqueceu que, depois de ter perdido as cinco aes criminais, Romulo Maiorana Jnior escreveu, em editorial publicado em O Liberal, que o pai foi, sim, contrabandista. Jus-ticou o ilcito: o pai teve que fazer isso para sustentar a famlia. LFP Ah, sim. Quanto a Da, de quem sempre me considerei amigo e a quem prezava e respeitava, como fao at hoje, logo que seus lhos comete-ram essa besteira de me processar, lhe escrevi duas cartas. Mantenho sob se-gredo o contedo porque foram car-tas pessoais. Encontramo-nos depois duas vezes. A primeira, na banca do Alvino, na Presidente Vargas, com o testemunho do prprio e da ento acompanhante de Da, j no mais no cargo. A outra, no restaurante Mangal das Garas, sob as vistas de sua acompanhante, Socor-ro Maranho. Da comeou o contato agressiva, mas depois me deu razo e nos abraamos e beijamos. Na morte do Romulo, em 1986, no foi exatamente ela que me per-doou. Diante do cadver do mari-do, velado na igreja do Rosrio, ela me disse que Romulo queria me pe-dir desculpas pelo erro que comete-ra e que me levou a romper com ele. Quando viesse a Belm, iria se recon-ciliar comigo. A doena no nos deu essa oportunidade. Abraados, Da e eu choramos, juntos, pela perda da pessoa que nos ligara na amizade. Falei palavres? Agredi o vernculo? Onde? Alias, a carapua lhe serviu, Mary Cohen? Lcio Flvio Pinto acho que vc entendeu errado minha posta-gem, acho que vc foi injustiado, em momento algum disse o contrrio. Alis, sempre me insurgi contra a a perseguio e agresses que vc sofreu. Tanto isso verdade que, qdo presi-dente da CDH da OAB paraense, fui a pblico te defender, contrariando a posio do presidente da seccional poca, e no me arrependo! Faria de novo, pois no defendo minhas con-vices com o fgado. Qto minha memria, ela ainda se mantm intac-ta, mas nunca leio o jornal que citaste. isso, grande abrao e boa sorte! E qual a rele-vncia da informao sobre a vida pessoal pregressa dos Marianas? Fa-tos que todos sabem, e dos quais nin-gum mais quer saber. Foi isso que matou seu jornalismo, ele se tornou uma arma de vingana contra os ex-patres, por parte de um

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6 ex-empregado que no aceitou ter-lhe sido retirada a chance de aparecer todas as manhs na televiso. Quem no sabia que os Maioranas in-avam os nmeros de vendas de seus jornais? Ningum queria saber, a no ser voc. As grandes questes da Amaz-nia se tornaram segundo plano. Tudo se transformou em contenda familiar digna de qualquer famlia de maosos italianos, que iria acabar em vendetta em algum bar, um pastiche digno de um western spaghetti, como acabou. Os processos judiciais foram a con-tinuao da luta corporal por outros meios. Considero esse o ponto mais baixo da sua at ento brilhante car-reira. Tudo se tornou pessoal, seguin-do o nome do hebdomadario. Mas de Jornal Pessoal passou a El Persona-lsimo. Seu maior erro pensar que seus leitores no avaliam o que voc escreve. Perdoe se a memria me trai. Faz muito que deixei de ler o Jornal Pessoal. H tempo que deixou de ter algo relevante l. Infelizmente. Boa pergunta, meu caro Helio Mon-teiro. Qual a importncia da vida pregressa? Rmulo recebeu um canal de televiso, mas teve que registrar a empresa que ia oper-la em nome de quatro amigos. Isso porque o SNI ve-tou. At da rdio Difusora, atual Libe-ral, o nome do Rmulo no constava na concesso. Basta isso para justicar o interesse pblico das informaes veiculadas pelo Lcio Flvio Pinto? Mas volta a questo. Esses fatos eram conhecidos da maioria da populao paraense, embora ocorridos havia mais de trs dcadas atrs. A relevncia do fato s para o jornalista. E no momento em que resolveu remoer o assunto, comprou uma briga pessoal. Se fosse qualquer outro as consequncias po-deriam ser trgicas. Quer dizer que um fato deixa de ser relevante por ter ocorrido h trs dcadas e a partir da s tem importncia para o jornalista? E portanto ele no deve mais ser relembrado ou destacado? Me parece que a sua argumentao de forma sub-reptcia tenta justicar a agresso sofrida pelo LFP. A importncia para to-dos ns, leitores, no s para o LFP... No verdade que o fato era conhecido da populao. Pelo contrrio, era um tema tabu na imprensa. Parece que voc desconhece a vida poltica e da impren-sa paraense nos ltimos 50 anos. O artigo O Rei da Qui-tanda tem centenas informaes de grande relevncia. Basta rel-lo com iseno. O grupo Liberal participou, como nunca, sob os Maiorana, da eleio de 1990. Apoiou Sahid Xerfan, can-didato do governador Hlio Gueiros, e pintou Jader como a quintessncia de tudo que no presta. Como de re-gra, perdeu a eleio (essa tem sido a nica forma de reao aos Maiorana da opinio pblica, protegida pelo amlgama da vontade coletiva an-nima). O nome de Jader sumiu do noticirio da corporao. Mesmo ao tomar posse do maior cargo pblico do Estado, no recuperou seu nome: foi referido, em pgina interna, como o governador. No justica o crime. Mas conheo a ndole da nossa gente. O fato de ser tabu na imprensa no signica que no fosse conhecido boca pequena. Mas talvez a quebra do tabu tenha signicado uma nova escalada na refrega. A atuao em-presarial dos Maioranas no se dife-renciava muito dos Barbalhos. Mas o tratamento dado aos dois grupos sim. Tanto que depois o Lucio Flvio se tornou meio que refm dos Barbalhos, que divulgaram o vdeo da agresso no ms dia, e abriram as portas da sua TV ao jornalista. LFP Estamos conversados ento, Mary. Obrigado. LFP Caro Hlio. Eu no fui de-mitido de O Liberal. Nunca fui demi-tido de lugar algum. Pedi demisso. O Romulo quis censurar uma matria minha, do Rio de Janeiro, onde esta-va internado, com a grave doena que o matou. Sabe contra quem ela era? Contra o governador Jader Barbalho. Pedi demisso. Pouco antes o Romu-lo me chamou ao Rio. Conversamos. Ele estava se reconciliando com o H-lio Gueiros, o Jader e a turma deles, Kayath incluso. Eu fui contra. Ele me garantiu que eu teria o espao livre para escrever. No cumpriu o acordo, celebrado no apartamento dele, em Ipanema, diante da Da. Por isso fui embora. Por isso a Da disse que ele queria se reconciliar. No processo, a Rosngela Maiora-na, que era minha amiga, disse exa-tamente isso que voc repete, acres-cendo que o Romulo me escorraou. Chamei a Da para depor, vrias ve-zes. Nenhum Maiorana concordou. Duvido que a Da mentisse. Ela sabia de tudo. Loloca disse ainda que eu no merecia a confiana do pai. Jun-tei, dentre outras provas, um recado do Romulo me dando plenos poderes para escrever sobre Tucuru e enfren-tar a Eletronorte, incomodada pelas minhas crticas. Quanto luta com Ronaldo, ela no houve: eu fui agredido pelas costas e s consegui me levantar de-pois de me afastar dos dois PMs que davam cobertura ao agressor, como seguranas particulares. Quanto ao Jornal Pessoal, voc fez bem em abandon-lo. O que agora diz prova de que no o l mais. LFP Muitos torcem por isso, devo admitir, meu caro amigo. Um amigo (ou ex) me disse, certa vez, que mesmo pessoas que se declaram meus amigos e dizem que me apoiam e partilham minhas anlises gosta-riam que eu estivesse morto, sem incomodar mais suas conscincias pesadas e lhes dando trabalho, ao cha-m-los para a arena pblica. Tempos depois esse mesmo amigo deu razo ao que dizia comportando-se como meus falsos amigos e admiradores. Encaro com naturalidade tudo isso. Nada mais fao do que jornalismo. Sou e continuarei a ser apenas isso: um reprter. Se desiludo, desanimo, choco ou revolto, por manejar fatos e anlises, sempre aberto s crticas e polmicas. Mesmo as de m f. duro ser Lucio Flavio Pinto, hein! LFP, toda minha admirao...Teu nome j hist-ria pra quem entende teus ideais de Luta Social. Os Conceitos de muitos Memorveis obtiveram grande valor longos anos e/ou aps morte. D DE-LETE nesse assunto dos O Liberal Vixe profes-sor. S o que faltava agora era apa-recerem pessoas pra te comparar ao Lula... Prezado LFP, venho a publico, mais de 10 anos depois, agradecer ao senhor pelo artigo O Rei da Quitanda. J estava entrando na vida adulta, cur-sava Direito na Universidade Fede-

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7 ral, depois de muitos anos consu-mindo diariamente os produtos oferecidos pela imprensa paraense, e desconhecia completamente as bases sobre as quais foi fundado o imprio do senhor Romulo Majo-rana. Desconhecia tambm que os Maioranas inflavam os nmeros de vendas de seus jornais. Fiquei de-veras interessado nos fatos ali nar-rados, os quais, pela sua natureza, eram de extrema relevncia para ns, cidados paraenses. A partir de ento, tornei-me um leitor assduo do Jornal Pessoal, no tendo perdido nenhuma edio des-de ento, mesmo estando h quase 10 anos longe da minha amada Belm. Obrigado por tantas informaes de interesse pblico e, principalmente, pelas grandes questes que voc nun-ca deixou de abordar, algumas das quais eu jamais teria conhecimento, acaso fosse depender apenas da tradi-cional imprensa paraense. Que a sua obra continue fecunda, para o bem dos paraenses. Forte abrao!! LFP Testemunho como este seu obscurecem completamente as agru-ras e dissabores que um jornalismo comprometido com a verdade acarre-ta. E do nimo para prosseguir. Mui-to obrigado, Hellyton. Grande abrao. Belo testemunho do Hellyton. Lcio voc merecedor de muito mais. Me orgulho de sua ami-zade. Quanto ao seu profissionalis-mo, sabes que te considero um exem-plo a perseguir sempre... LFP S agora, revendo os dilo-gos, percebi que Hlio Monteiro diz que virei refm dos Barbalho porque eles divulgaram com destaque a agres-so que sofri. uma frase vazia. Para comprov-la, fcil: ele pega o Jornal Pessoal a partir de fevereiro de 2005, at hoje. Se s tiverem sado matrias favorveis aos Barbalho, ou, pelo con-trrio, nenhuma matria, quei refm. Mas se ele encontrar muitas mat-rias sobre os barbalho, a esmagadora maioria delas crticas, mais uma vez ele estar agredindo os fatos na tenta-tiva de me agredir., Compara os maio-naras e povo da CR Almeida, somente quem no te acompanha e saber o que imparcialidade, ento melhor deixa a turma se pronunciar mesmo. To quase acreditado que Lula e Inocente culpa-do deve ser voc. Rsrs LFP Lembro,e meu caro, que fui condenado por ajudar a impedir que o empresrio Ceclio do Rego Almeida abocanhasse de sete a nove milhes de hectares no Xingu. Em pleno auditrio da justia federal, o MPF me homenageou por esse de-sempenho. E me presenteou com um bem preciosssimo para mim: os autos do processo que levou ao can-celamento do registro das terras em nome do grileiro. Lcio voc pattico. Brincadeira LFP Por que sou pattico, Ro-naldo? Ainda no consegui entender. Ajude-me, por gentileza. LFP, o judicirio no foi partidrio contigo? LFP No uma, mas muitas ve-zes. Em nenhuma delas por crime de corrupo, lavagem de dinheiro, evaso de divisas e outros crimes de colarinho branco. Sempre pela mania que tenho de livre pensar e livre me expressar. Pa-rem de comparar um sujeito reconhe-cidamente ntegro como o Lcio ao psicopata do Lula. E o Jatene, o Wladimir Costa e outros, todos ho-nestos, isto corruptos, esto con-denados e cassados, pelo TRE, os dois, como cam? Parabns pela verdade antes tarde de que nunca a palavra de um homem o acordo comprometido e a traio o m do acordo. Quando esse senhor Lula, o agora condenado, vai deixar o Brasil seguir o seu destino? Lucio Flavio, esses a em cima ninguem sabe nem quem sao enquanto teu nome e tua reputao e conhecida internacionalmente! O link eh www.andeelimpe@blogspot.com. LFP, de certa for-ma eu concordo com a Elizete Costa. Mas voc no consegue deletar, muito menos superar o episdio da agresso do Ronaldo Maiorana. Mas eu enten-do. Apesar de contraditrio, aquela agresso foi tima para voc. Creio que o Ronaldo Maiorana at se arrepende do seu ato. que desde a agresso, voc vive como vtima do Maiorana, no do contedo do seu jornalismo. Minha inteno no era prolongar o debate. Mas, uma vez que voc voltou a citar meu nome, deixo para elaborar melhor minha resposta. No acho que temos jornais no Par. So panetos que defendem apenas os in-teresses de seus donos. Grata exceo ao JP. O resto publicidade e matria fria. Vida longa ao JORNAL PESSO-AL de LFP! Fred Reis Realmente, apesar de no acessar com muita frequncia est coluna de Lcio Flvio, posso dizer que tambm j tive a ntida sensao de ele estar voltado aos interesses dos baralhos, razo pela qual tento evita-lo, mesmo tendo interesse nas coisas que acontecem no Par. Lucio Flvio Pin-to, seu poder fantstico, o poder da informao que vc socializa com suas anlises e comentrios altamente qua-licados. Parabns por voc ser o que Cidado ntegro e jornalista premia-do e louvado pelos teus leitores LFP Depois da agresso, Ronaldo e eu nos encontramos casualmente duas vezes. A primeira, na Delicidade. Ele es-tendeu a mo e eu aceitei, retribuindo o cumprimento. Disse que estava arre-pendido e que ia escrever um artigo di-zendo isso e retirando as aes propos-tas contra mim.Em resposta, perguntei como a me estava e desejei-lhe sade. A segunda vez foi na Fox Vdeo. A cena se repetiu, com a renovao das pro-messas, novamente no cumpridas. A agresso a um ser humano, ain-da mais por suas ideias, por seu livre pensar, e nas circunstncias (pelas costas e com a cobertura de seguran-as), deveria merecer repulsa e no aleivosias pertinazes. Trs meses de-pois da agresso, Ronaldo e Rominho ajuizaram 14 aes criminais e cveis. Tive que me defender. Durante pelo menos sete anos, presena constante no frum, audincias, recursos, etc. Eles no apareceram em nenhuma audincia. A juza dos feitos criminais estranhou: como que o autor no se interessa pelo deslinde da sua ao e no a impulsiona? Eu nunca faltei. Pelo contrrio: me dava por ci-tado espontaneamente.Consegui, felizmente, manter o front vivo e o Jornal Pessoal circulando. Como ele e eu estamos at hoje, apesar do dilogo de surdos que me impem, fundamentando no surrealismo e no absurdo. Para mim, esse tipo de di-logo no interessa.

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8 O momento em que a justia funcionouH outras cinco em fase de instruo. Contra os argumentos da acusao e o embasamento das sentenas houve ainda dezenas e dezenas de incidentes processuais, como 108 habeas corpus (raramente empenhados no ir e vir do cidado), 20 excees de suspeio, sete mandados de segurana ou sete recursos em sentido estrito, nas vrias instncias recursais, incluindo o Supre-mo Tribunal Federal. Os jurisdicionados em todas essas fases so os mesmos, que at criaram jurisprudncias com suas decises, al-gumas delas abordando temas novos no mundo jurdico. A partir do juiz de origem, em Curitiba, a esmagadora maioria das decises foram sendo su-cessivamente conrmadas, enquanto a virulncia usada pela defesa foi sendo desfeita argumentativamente. O que uma pessoa despida de pre-venes, preconceitos e vcios de pen-samento viu, em nove horas seguidas do mais importante julgamento dos ltimos tempos, em que, pela primeira vez, um ex-presidente da repblica foi processado e condenado pela prtica de crime comum, foi uma exemplar demonstrao de competncia tcnica, apuro formal, domnio dos fatos, clare-za de exposio e domnio da lingua-gem, sobretudo a do direito, por parte dos trs julgadores. No foi um julgamento poltico, um Gulag, um processo de Moscou, um jogo de cartas marcadas, um tea-tro mambembe, uma conspirao das elites o que se viu, ao contrrio do que alardeava e continua a alardear o PT. Foi um desempenho notvel de um corpo de juzes diante de um desao formidvel, rigoroso por qualquer pa-rmetro que se usar para avali-lo, aqui ou em qualquer lugar do mundo. Deu at para acreditar que a justia brasileira existe, de fato. A Operao Lava-Jato vai comple-tar quatro anos em maro. Com todos os seus erros, exageros e desacertos, o maior combate corrupo pela via do judicirio na histria do Brasil e das mais importantes em todo mundo. Se o seu enorme saldo positivo ti-ver continuidade e desdobramentos, diminuir bastante a pilhagem aos co-fres pblicos, mesmo que ela no desa-parea (o que nunca acontecer, nem aqui e nem em qualquer outro lugar habitado por seres humanos, os piores animais e, ironicamente, os nicos pensantes no planeta Terra). Antes da Lava-Jato, colarinho bran-co no era preso. Se, por algum deslize ou excesso de conana, fosse para a cadeia, no permanecia muito tempo por l. E enquanto estivesse trancaa-do, gozava das regalias dispensadas ao doutor (sabe com quem est falan-do?) no Brasil. Antes da Lava-Jato, sabia-se dos crimes nanceiros (que s ganharam status legal sistemtico em 1987 e o primeiro apenado foi um paraense, Augusto Barreira Pereira, que arrom-bou os cofres do Banco da Amaznia enquanto o presidia interinamente). Mas era quase impossvel provar la-vagem de dinheiro, superfaturamento de obras pblicas, licitaes viciadas, formao de cartel, sonegao de im-posto, evaso scal, contas numeradas na Sua ou em parasos scais, etc. Felizmente, Srgio Moro assumiu a 13 vara criminal federal de Curitiba em 2002, o mesmo ano da eleio de Lula como a grande esperana de um Brasil melhor, com a ascenso do povo e a incluso dos marginalizados. Feliz-mente, essa vara foi especializada em crimes de colarinho branco, tambm a especializao a que j vinha se dedi-cando o seu titular. Felizmente, se formou uma foratarefa que, exibicionismos e infantili-dades parte, era formada por gente competente do Ministrio Pblico Fe-deral, da Polcia Federal, da Receita Fe-deral, da Controladoria Geral da Rep-blica, do Tribunal de Contas da Unio e de outros entes pblicos. Eles forneceram informaes e contriburam com anlises para que, nalmente, a maior organizao de corrupo que j houve no pas fosse identicada, combatida, desbaratada e punida. E mais ainda: passasse a de-volver o dinheiro roubado dos cofres pblicos, depois que alguns dos seus integrantes terem admitido suas cul-pas em juzo. Um simples gerente da Petrobrs devolveu, espontaneamente, 150 milhes de reais. Centenas de milhares de docu-mentos foram arrebanhados como provas. Dezenas de pginas de anli-ses desse material primrio foram es-critas pelos membros da fora-tarefa investigativa. Desse acervo resultaram as denncias do MPF e as sentenas do juiz Srgio Moro. Contra essas ini-ciativas reagiram alguns dos advoga-dos mais famosos, clebres e caros dos fruns nacionais. A apelao que a 8 turma do TRF da 4 regio apreciou a 24 desde que o juiz singular comeou a sentenciar. Mais dependente da ChinaA economia mundial deve ter crescido 3,7% no ano passado, um ponto percentual acima do que foi registrado em 2016. Na China, o desempenho foi de 6,8%, tambm superior ao de 2016, que foi de 6,7%. O incremento do PIB brasileiro no deve ter superado 1%. Mantido o desempenho, a China, que, em 2010, tirou do Japo o ttulo de a segunda maior economia do planeta, em 2019 passar frente dos Estados Unidos. Quando, na sextafeira, o governo chins anunciou o resultado do crescimento no ltimo trimestre de 2017, o Ibovespa fechou com alta de 1,7% e 81.189 pontos, um novo recorde de patamar. Signica que o Brasil car cada vez mais atado China, crescendo com os chineses, os maiores parceiros do pas, mas dependente em funo dos termos do comrcio entre as duas naes, que reserva ao Brasil a condio de fornecedor de matrias primas e semielaborados. Esse tipo de relao foi comandado pelo presidente chins, Xi Jinping. Seu mandato foi renovado por mais cinco anos. Garantia de que a bitola continuar estreita para os que realmente esto ficando cada vez mais ricos pela exportao de commodities, como o minrio de ferro de Carajs.

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9 A democracia frgil, mas dever sobreviverA partir do momento em que for rejeitado o nico recurso de que agora dispe a defesa de Lula, os embargos de declarao (que, diante da contundncia dos votos de todos os desembargadores da turma, ser meramente protelatrio), o ex-presidente j poder ser preso. A possibilidade de que evite a consumao da deciso da 2 instncia em um tribunal superior cou quase impossvel depois que a presidente do Supremo Tribunal Federal, Crmem Lcia, rejeitou, ontem, o habeas cor pus que tentava prevenir a consumao da priso dele. Da mesma maneira como a condio de ex-mandatrio da nao agravou os dois crimes -de corrupo passiva e lavagem de dinheiro pelos quais Lula foi condenado, com a ampliao da pena de priso de nove anos e meio para 12 anos e um ms, essa mesma condio ter que ser considerada para poup-lo da priso imediata. Bastar conscar-lhe o passaporte e impor-lhe medidas acautelatrias similares. No por benesse, que contrastaria com tratamento mais rigoroso dado a outros apenados. Conceda-se a Lula a condio especial que, pouco tempo atrs, ele conferiu ao ex-presidente Jos Sarney, indiciado em processo, de olho na sua prpria condio futura. Foram chefes de governo e chefes de Estado, no cidados comuns. A hora da punio, que, valoraes parte, ser mesmo constrangedora, deve car para o trnsito em julgado da deciso, com o esgotamento do derradeiro recurso, talvez o extraordinrio, junto ao Supremo Tribunal Federal, se provada a repercusso geral do caso (para efeitos da lei, Luiz Incio Lula da Silva um igual, no um mais igual). Com o cuidado de seguir a trilha estrita do ditado legal, deve-se estimular que o processo poltico tambm no extrapole para uma confrontao insensata ou mesmo insana. Com boa ou m f, os adeptos de Lula tm o sagrado direito de extravasar o que pensam e querem. Mas no o direito de lanar o pas numa aventura, quando as instituies -bem ou mal funcionam de acordo com a forma da lei e o processo judicial, sujeito a todas as crticas, guardou observncia ao ordenamento legal. Tanto que na sala de sesses estavam advogados e representantes da sociedade, que seguiram seus rumos respectivos ao nal do julgamento. Ainda h cinco processos contra Lula em tramitao. Pelo resultado da instruo do primeiro at o 2 grau de julgamento, que esgotou as matrias de fato, o futuro lhe reserva um destino inglrio e duro. Ele e seus correligionrios, eleitores e simpatizantes podem continuar a bater na tecla do processo poltico, mas o que se viu nada tem a ver com o que ocorre neste tempo na Venezuela nem no passado em Moscou ou seus satlites no leste europeu. Felizmente, ainda se pode dizer que o rei est nu sem o risco de ser decapitado pelo rei desnudo.O que Lula e Temer tm em comum?O ltimo sobrenome de Michel Temer Lulia. O detalhe induz uma ironia: tirando o i, ele to Lula quanto o ex-presidente da repblica. Impossvel, reagiro os petistas. Plenamente factvel, porm, ao menos num aspecto: os dois so santos ou demnios, profundamente sinceros ou absolutamente cnicos, honrados ou amorais. Se a comparao ainda precisa de mais fatos para se tornar inquestionvel, uma reviso do que disseram e zeram leva a um desfecho: suas biograas ainda esto por ser escritas, mas pode-se mont-las a partir de uma checagem objetiva, fria e rigorosa do passado, mesmo o imediato. Um dos seus pressupostos so os amigos que tm, sua curriola, sua patota. Dizme com quem andas e te direi quem s, aconselha a sabedoria popular. Os mais prximos amigos de Lula e Temer esto presos, acusados de crimes ou indiciados em inquritos. Todos apontados pela prtica de crimes de colarinho branco, corrupo, malversao de recursos pblicos, concusso, lavagem de dinheiro e delitos assemelhados. Lula se especializou em descartar de bate-pronto companhias que se tornaram indesejveis. Sua trajetria demarcada por cruzes da infmia. Mas o grande lder, o guia do Brasil, permanece impoluto, inocentado pelo bordo do no sei, no vi, no conheo. O marido nem mesmo sabia dos atos da prpria esposa, a quem transferiu ps-morte parte das responsabilidades pelos processos a que agora responde. Colhido por um turbilho de acusaes, Michel Temer disse Folha de S. Paulo que essa algaravia de sujeira nada mais do que uma tentativa brutal de tentar desmoralizar o presidente. Na defesa da sua honra, pretende dedicar este ano sua recuperao moral. J se antecipando, observa: podem registrar que os meus detratores esto na cadeia. Quem no est na cadeia est desmoralizado. Mas a todo momento qualquer coisa o presidente da repblica. Dedicando parte do tempo do mandato que lhe resta, vai se empenhar nessa limpeza moral. No vou sair da presidncia com essa pecha de um sujeito que incorreu em falcatruas. No vou deixar isso. Se tivesse reagido s sucessivas acusaes com a apresentao de fatos comprovadores dos seus argumentos e no com genricas declaraes de honestidade, com entonaes indignadas inversamente proporcionais diminuta exibio de provas, o presidente da repblica no estaria to desacreditado. As denncias feitas contra ele pela Procuradoria Geral da Repblica e o contedo dos inquritos promovidos pelo MPF e a Polcia Federal foram oportunidades que ele deixou escapar. Ainda no tocado pelos sentimentos nobres de agora, tudo fez para brecar estes encontros com a verdade. Sua estratgia no foi a de enfrentar as denncias, mas de fugir delas, usando o poder que o car go lhe confere. No deu uma nica entrevista nem fez um s pronunciamento para examinar e refutar cada uma das acusaes que lhe foram feitas, vrias delas concretas e factuais. Por isso, talvez tenha perdido o momento adequado para essa limpeza moral, como a perdeu o seu quase xar, Luiz Incio Lula da Silva.

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10 A vtima da vez o rio CupariO rio Cupari tem 100 metros de largura quando desemboca no Tapajs, no Par, um dos maiores auentes na margem direita do Amazonas, que, como todos sabem, o maior rio do mundo em extenso e volume de gua. No Tapajs de guas claras (ora azuis, ora verdes), o nal da longa trajetria do Cupari. Ela comea por onde passam duas das maiores estradas do pas (a Transamaznica e a Santarm-Cuiab),que alteraram completamente a tradicional paisagem amaznica, transformando-a numa extenso do serto, agreste e violento, e termina num tpico ambiente regional, dominado por gua e oresta, sem as rodovias, embora j no mais intacto. Se algum for atrs de informaes mais detalhadas do Cupari, no as encontrar nem mesmo nos por tais da ANA (a Agncia Nacional de guas) nem na Aneel (Agncia Nacional de Energia Eltrica). Sequer no fabuloso Google. Para espanto ainda maior, no encontrar tambm nas 66 pginas, 10 das quais ocupadas por glossrio e siglas e outras tantas de fotograas e introdues, nos relatrios de impacto ambiental que a consultora Ambientare preparou por encomenda da Cienge Engenharia. A Cienge j apresentou seus dois projetos hidreltricos para o Cupari em audincia pblica, que a Secretaria de Meio Ambiente do Par promoveu em Rurpolis, a principal cidade da regio. Tratam-se realmente de complexos hidreltricos, compostos por duas hidreltricas (de maior potncia e com reservatrio) e seis PCHs (Pequenas Centrais Hidreltricas, com reservatrio reduzido). Sero quatro usinas no brao leste e quatro no brao oeste do rio. O pblico que se reuniu em Rurpolis (cidade criada nos anos 1970 pelo governo militar, que abriu a Transamaznica no meio da oresta densa para assentar colonos trazidos de outras regies) apreciou dois RIMAs. A consultora no se deu ao trabalho de fazer uma apresentao conjunta dos dois empreendimentos, que ficaro no mesmo rio, sero contnuos e tero um mesmo operador, a Cienge. A juno dos dois RIMAs, num volume mais analtico (e menos pobre de informaes), permitiria aos interessados na questo e, sobretudo, aos que sero atingidos pela obra, ter uma dimenso mais exata do que vai acontecer ali. No total, as duas usinas inundaro uma rea de quase 20 quilmetros quadrados (ou dois mil hectares), para gerar 157 megawatts, num rio cuja bacia se espalha por 7,2 mil quilmetros quadrados (ou 720 mil hectares), em trs municpios. Pode parecer uma dimenso mnima ou insignificante diante da grandeza amaznica, mas superior ao tamanho de onde a empresa de engenharia tem sua sede, em Braslia, com seus 5,8 mil quilmetros quadrados abrigando trs milhes de habitantes, na quinta mais populosa cidade do Brasil. Com as oito usinas, duas delas represando guas para a formao de lagos articiais, o belo e maltratado Cupari, vtima do garimpo de ouro e do desmatamento, poder atender a um milho de pessoas ou 162 mil residncias. uma oferta maior do que todo consumo dessa regio. Como as usinas estaro interligadas ao Sistema Integrado Nacional, a menos de 70 quilmetros da linha de ener gia da hidreltrica de Tucuru, iro transferir boa parte da sua energia para outros pontos do Brasil. Para se ter uma ideia de grandeza, as seis turbinas bulbo (que funcionam quase sem reservatrio) da hidreltrica de Belo Monte, no rio Xingu, projetada para ser a quarta maior do mundo, iro gerar pouco mais de 200 mil MW. preciso dar mais ateno a esse complexo hidreltrico. Os dados econmicos e nanceiros da viabilidade da obra no constam dos RIMAs, mas so indispensveis para uma checagem do que o projeto representa num ambiente de alta complexidade ecolgica. E as quatro PCHs so apenas a abertura do rio. O inventrio prev que a vazo do rio pode suportar de 26 a 29 dessas usinas, gerando mais de 320 megawatts. O Cupari merece mais ateno. E respeito.Campanha eleitoral j comeou no ParEm tantos anos de jornalismo, no me lembro de uma pr-campanha eleitoral to intensa quanto as que o PSDB e o PMDB esto promovendo no Par. Com o agravante de que transferem o nus para os cofres pblicos. O errio est tendo que suportar uma enxurrada de anncios, a maioria deles caros, do Ministrio da Integrao Nacional, autorizados pelo ministro Helder Barbalho, e do governo do Estado, por ordem do governador Simo Jatene. A prefeitura de Belm suplementa a orgia. Os anncios do governo do Estado e da prefeitura da capital saem quase exclusivamente nos veculos do grupo Liberal. Os do ministrio se espalham por todos os rgos da imprensa, inclusive pelos veculos do antigo inimigo, o grupo Liberal, agora sob nova direo, depois que Romulo Maiorana Jnior foi desbancado. Boa parte das peas publicitrias se destina a apregoar que o governo federal, ou o estadual, esto trabalhando, por vezes um reivindicando para si realizao que o outro considera sua. Ficam bem ntidos os dois objetivos de ambas as campanhas: impressionar o cidado, que logo se tornar eleitor, e comprar a simpatia dos veculos de comunicao. A campanha s seria legal se comeasse 45 dias antes do 1 turno, que ser a 7 de outubro. Se isso no crime eleitoral, ento que o Ministrio Pblico venha ribalta e declare que no Assim, nossa conscincia ser tranquilizada ou anestesiada.

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11 Jatene se prepara para ficar no poderO governador Simo Jatene j anunciou que o seu candidato para suced-lo o presidente da Assembleia Legislativa, Mrcio Miranda. Mas essa declarao tem validade limitada. Mrcio do DEM, enquanto h tucanos que no s defendem um candidato prprio do partido como se consideram com direito indicao. No aceitaro um estranho. Este no o principal problema de Jatene. Ele talvez referendasse mesmo o deputado estadual se o vice-governador Zequinha Marinho concordasse em deixar o cargo juntamente com ele para se desincompatibilizarem e disputarem a eleio de outubro. Zequinha, porm, j disse que ficar at o fim do seu mandato, sucedendo ou no a Jatene. O governador no confia no seu vice para deix-lo comandar a mquina oficial. Teme que no s seus aliados percam o apoio do governo como ele prprio fique a descoberto. Os dois mal se falam, embora mantenham a aparncia de harmonia. Marinho quer cumprir o mandato de 11 meses, garantindo a reeleio da esposa como deputada federal e firmando sua marca na administrao estadual. Conforme a conjuntura, porm, poder at disputar o governo. Alei lhe faculta essa possibilidade. O PSDB seria destronado do poder e Jatene voltaria a certa obscuridade poltica. Provavelmente por isso, o gover nador est azeitando o aparato pblico para colocar gente da sua conana nos cargos chave, com capacidade para render votos para si, para os aliados e para a lha, Izabela, se ela for mesmo disputar um lugar na Cmara Federal (ou para o seu marido, se a deciso for mant-la margem para permitir maior margem de manobra para acordos pelo pai). A mudana de cadeiras no salo oficial tem acontecido sistematicamente. Jorge Antonio Bittencourt deixou a presidncia do Propaz e voltou ao sul do Par, agora para assumir o recm-criado Centro Regional de Governo do Sudeste do Par, com sede poltico-administrativa em Marab. Na semana passada comeou a funcionar outro centro administrativo, para a regio Oeste, a partir de Santarm. As duas regies tm os maiores redutos. Esta tambm a nalidade no declarada do Propaz, que j foi comandado por Izabela, lha do governador (agora frente da segunda secretaria extraordinria, ambas criadas especialmente para ela). Sua nova presidente, como o seu antecessor, ingressou no rgo em 2011, no incio do segundo mandato de Simo Jatene como governador. Ambos podem ser considerados da retaguarda tcnica do PSDB no poder. Suas trajetrias acompanham a ascenso e descenso dos tucanos, sem deixarem de ser tcnicos. No Propaz, a funo anfbia facilitada por sua vinculao Casa Civil do governo. O Centro Regional de Governo do Oeste ficou com Olavo Rogrio Bastos das Neves, que deixou a presidncia e a direo do Conselho de Administrao da Companhia de Desenvolvimento Econmico do Par. Os dois cargaos passaram a ser ocupados por Fbio Lcio de Souza Costa. Ele assumiu ainda a presidncia e o Conselho de Administrao da Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportaes de Barcarena, que pertence ao governo do Estado. Em razo da Companhia estar sem disponibilidade financeira para a proviso de pagamento de remunerao e salrios, o novo presidente concordou em abrir mo do seu salrio e remunerao at que sejam resolvidas as questes oramentrias e financeiras da companhia. Na devida ocasio devero ser oportunamente definidos a remunerao devida, bem como a data a partir de quando sero devidos, no cabendo qualquer indenizao ou direito sobre o perodo de renncia, que se inicia nesta data e segue por tempo indeterminado. A movimentao acelerada indica que Jatene continua empenhado em se manter no topo do poder no Par. Cargill quer maisA Cargill, que j tem um grande porto em Santarm (maior do que o terminal de carga geral da cidade), para escoar principalmente soja, trazida de Mato Grosso ou (cada vez mais) da prpria regio), quer agora implantar outro Terminal Porturio de Uso Privado em Abaetetuba, o municpio vizinho de Barcarena, onde se localiza o principal porto do Estado. A multinacional americana j submeteu Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado o EIA-Rima para o licenciamento ambiental. A audincia pblica para a discusso da questo ter que ser realizada em 45 dias, a contar de hoje, quando o edital de comunicao da Semas foi publicado no Dirio Ocial. A Unio proibida, por lei, de se endividar para pagar despesas correntes. Mesmo assim, durante os 13 anos dos governos do PT, com nfase nos cinco anos de Dilma Rousseff, o governo federal transferiu 150 bilhes de reais para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econmico e Social, o BNDES R$ 130 bilhes raspados dos cofres do tesouro nacional e R$ 20 bilhes do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT. A justificativa e, agora, a defesa dos responsveis por essa sangria de que assim foi preciso para manter a taxa de investimento que permitiu ao pas crescer, especialmente durante o mandato de Lula. Mas j se sabe, depois das investigaes da Operao Lava-Jato, que grande parte desse dinheiro financiou as campes brasileiras, como a JBS, a Odebrecht ou Eike Batista, a exportar produtos e servios, a comprar empresas no exterior, a conquistar contratos internacionais, a superfaturar crditos e a corromper tcnicos, burocratas e polticos. O governo cobra do BNDES a devoluo do dinheiro, que nunca devia ter tido tal aplicao, e o banco alega que no tem os recursos. No impasse, a inventividade est sendo posta para funcionar, mas no conta com o prazo necessrio pela urgncia do governo, cujo rombo fiscal e dficit oramentrio no param de crescer. Como diria Vladimir Ilitch Ulianov, o Lnin: o que fazer?O dinheiro do povo vai para os bares

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12 IMIGRAO Em fevereiro de 1955 uma comisso de arigs foi redao do jornal Folha do Norte o mais importante de ento, solicitar que fossemos intr pretes de um apelo s autoridades e populao paraense, no sentido de ser angariado fundo para que possam viajar em outro navio com destino a Santarm, onde iro trabalhar na agricultura. Esses imigrantes cearenses, transportados de Fortaleza para Belm no navio Campos Sales, do Lide Brasileiro, estavam sofrendo as maiores necessidades, juntamente com suas famlias, alguns deles doentes, sem recursos para adquirir medicamentos. Era uma rota de dor e sofrimento, ligando a seca nordestina oresta tropical amaznica, com um ponto de parada em Belm. CONFUSO Meia dcada antes de ser acusado pela Polcia Federal de ser o mentor intelectual da maior grilagem de terras da histria do Par (e uma das maiores do mundo), frente da qual foi colocado um fantasma, certo Carlos Medeiros, que jamais foi visto, inclusive por seus procuradores diretos, o advogado Flvio Titan Viegas j andava envolvido em confuso. Em janeiro de 1961 a Cia. Agrcola e Industrial de Madeiras da Amaznia, de Elias Jorge Sauma, atravs de seu advogado, Ernesto Chaves Neto, registrou queixa na polcia, acusando Viegas de ter-se apossado indevidamente de uma promissria vencida em outubro de 1960. Mas ele tratou de transferir o documento para Maria dos Anjos Fer reira, que admitiu polcia viver custa dele, enquanto contratava o advogado Ernestino Souza Filho para defend-lo administrativamente. Ao mesmo tempo, fez acusaes contra o advogado perante a justia criminal. O juiz Reinaldo Xerfan, diante da das confuses armadas, deu um despacho no qual aconselhava a preposta de Viegas a contratar um advogado para defender o direito que porventura lhe assista, observando ao m que a providncia custa dinheiro mas econmica tempo, pois time is money no dizer dos ingleses. LIVRO Os meios artsticos e intelectuais de Belm viveram uma de suas mais movimentadas tardes no dia 2 de junho de 1961, quando o teatrlogo Nazareno Tourinho fez o lanamento ocial da sua pea N de quatro pernas, que acabara de ser premiada no 1 Concurso Literrio do Norte do Brasil. O lanamento foi na acanhada (mas bem sortida) Livraria D. Quixote, na Galeria do Palcio do Rdio. Entre as dezenas de pessoas presentes, o reprter anotou o representante do governo do Estado, Wilson Ribeiro, o romancista Lbero Luxardo, o poeta Georgenor Franco, o ator Cludio Barradas, a atriz Aita Altmann, o contista Ildefonso Guimares, a cronista Lindanor Celina, o professor Francisco Paulo Mendes, a professora Maria Sylvia Nunes, o general Moura Carvalho (na poca candidato prefeitura de Belm), e os vereadores Isaac Soares e Irawaldyr Rocha. HOLLYWOOD Em junho de 1961 o Cine Palcio, o melhor da cidade, apresentava o primeiro grande festival de filmes produzidos pela Paramount, um dos grandes estdios cinematogrficos de Hollywood. Era um filme por dia: Por quem os sinos dobram, O homem dos olhos frios, Trindade violenta, O fruto do pecado, Aventuras de Omar Khayam, Sem lei e sem alma e O rei do lao. Tudo em Technicolor e VistaVision, para encher os olhos do espectador no PROPAGANDAO comeo da publicidadeNo final de 1952, a Golden Stap (Propaganda e Comrcio), que se autodenominava agncia tcnica de publicidade, j garantia que quem anuncia, vende, sem golpes de mgica, mas com planejamento. A agncia, instalada na rua 1 de Maro, produzia de tudo que havia no mercado. Como demonstrao das suas qualidades, sugeria ao leitor observar, noite, o deslumbrante efeito da tinta luminosa no painel do Night-Club El Marroco, confeccionado e instalado por esta Empresa.

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13 escurinho do cinema. Muito drama, tragdia e tiroteio. E um pouco de bom humor, com Jerry Lewis, e cafajestagem, com Dean Martin. DESMATAMENTO Em 1962 a Amaznia estava (precariamente ainda) ligada ao restante do Brasil por duas estradas de rodagem, a Belm-Braslia e a Braslia-Acre. Mas a Importadora de Ferragens j saa na frente, oferecendo uma moderna mquina, a serra motorizada (depois, infelizmente popularizada e massicada como motosserra), capaz de cortar uma rvore de at um metro de dimetro. Em quatro dcadas, a conscincia ecolgica avanou. Mas a mquina mortfera j deixou uma marca profunda de destruio. ARTE Ruy Meira conquistou o primeiro lugar em pintura no I Salo de Artes Plsticas da Universidade do Par, realizado no nal de 1963. O segundo lugar foi dividido entre Roberto de La Rocque Soares e Benedicto Mello (com um retrato do jornalista Paulo Maranho, que ainda pertence ao neto dele, Haroldo). A s menes honrosas foram concedidas a J. Figueiredo, Flvio Juliano, Moacir Andrade e Dionnorte Drummond Nogueira. As bolsas de estudo para pintura caram com Maria Jos Sampaio Costa, Mrcio Guimarres e Luigi Fazio Giandolfo. O primeiro prmio em gravura foi conquistado por Ydo Saldanha (e ningum mais o acompanhou). Em desenho houve apenas uma meno honrosa, conferida a Andrs Fresz. O primeiro prmio em escultura foi de Joo Pinto e a meno honrosa, de lvaro Pscoa. Da comisso organizadora do salo, presidida por Benedito Nunes, faziam parte Alcyr Meira, Eleyson Car doso, Francisco Paulo do Nascimento Mendes, Maurcio Coelho de Souza e Inocnio Machado Coelho. J os integrantes da comisso julgadora foram Edith Behring, professora do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro e sua presidente, o docotidiano crtico de arte Quirino Campoorito, os pintores Waldemar Costa e Armando Balloni e o mesmo Chiquinho Mendes, como representante da comisso organizadora. Artistas de outros Estados da Amaznia tambm participaram do salo. E que salo! MALOCA Um anncio de 1963 comunicou a reabertura da Maloca, o mais tpico, o mais original e invejado restaurante regional. A casa oferecia admirao pblica um painel externo, feericamente iluminado, expondo uma variedade de plantas ornamentais da Amaznia. J a sua decorao interna era de tal maneira impressionante que difcil descrever. Cumprindo a sua mais alta nalidade de difundir coisas e comidas da regio, a Maloca oferecia venda os mais gostosos pratos regionais, destacando-se o pato no tucupi, o casquinho de caranguejo e o casquinho de mussuan, ao som das mais suaves e encantadoras msicas. Isso, antes de tudo virar pecado, fazer mal ou engordar. DIRETOR No nal de 1967, quando era procurador das Caixas Econmicas Federais, colocado disposio da Sasse, o jornalista e escritor Haroldo Maranho foi nomeado para o cargo de diretor substituto do ensino superior, no lugar do professor Moura Ribeiro, que estava doente. A Folha do Norte registrou o fato. Haroldo era lho do diretor-gerente da empresa, Joo Maranho. AZULEJO Em fevereiro de 1972 entrou em operao a primeira fbrica de azulejos da Amaznia, a Azpa (Azulejos do Par S/A). Com capacidade para produzir 720 mil metros quadrados por ano, a empresa dizia garantir a autossuficincia do Estado no produto. Depois de conquistar os mercados da capital e do interior, se estenderia a Braslia. Segura do maquinrio que estava utilizando, importado da Itlia, graas aos recursos dos incentivos fiscais da Sudam. Houve uma canibalizao das mquinas e, hoje, a Azpa apenas um galpo vazio na sada de Belm. E como di. FOTOGRAFIAA era dos chapusA 3.900 Camisaria Par, instalada na rua Joo Alfredo, se considerava, em 1940, a mais completa no gnero. Mas o seu forte eram os chapus, que todos os cavalheiros de ento se impunham usar. Nos altos, um estdio de fotografia, que tambm vendia produtos para os retratistas amadores. Tudo desapareceu.

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: Rua Aristides Lobo, 871 Belm/PA CEP: 66.053-030 Fone: (091) 3241-7626 E-mail: lfpjor@uol.com.br Blog: wordpress.com Palestras: contato: 999777626 Diagramao e ilustraes: Luiz Antonio de Faria Pinto E-mail luizpe54@hotmail.com ANTOLOGIAUm documento japons, non?(Concluso da matria publicada em O Liberal de 1975. A primeira parte saiu na edio anterior.)4 Os japoneses, naturalmente afeitos ao milagre, acreditam ser possvel interligar diretamente a Belm-Braslia Cuiab-Santarm em Itaituba. E inventaram uma cidade Nazar para ponto de interligao da Belm-Braslia com a Transamaznica (trata-se de Estreito). 5 Eles acham vivel construir na Belm-Braslia, que seria a via sub-nor te de acesso a Belm, desenvolvendo-se, ao longo do rio Guam, um porto de passageiros, zona franca, centros de distribuio e, futuramente, algumas indstrias litorneas de grande escala. 6 Os japoneses creem rmemente que uma rea de 400 mil quilmetros quadrados, abrangendo regies to distintas como a Bragantina, Guajarina e Baixo Tocantins, pode ser facilmente interligada por um sistema rodouvial e pontilhado de centros industriais. Um dos mais importantes seria o de Santa Izabel e Jaguarari, at agora uma cidade ilustremente desconhecida, ao menos sob tal denominao. Confuses primrias constituem o trao mais constante do trabalho (o lado do Oceano Atlntico da ilha do Maraj que seria pantanoso; a ilha seria vocacionada principalmente para a atividade madeireira e como rea natural de turismo e recreao, s secundariamente como zona de pecuria), mas a distor o da vocao econmica da Amaznia que mais assusta e confunde. Qual teria sido a inteno de um trabalho medocre na exatido e futurlogo nas proposies? Mais um segredo japons? O documento foi impresso pelo Idesp, que o apadrinhou com grande honra. Ou a traduo inqualicvel ou os japoneses escrevem mal. Tudo isso no anula uma coisa: so sbios comerciantes.Pode-se construir uma boa teoria a partir de dados completamente equivocados? Esta a dvida que persiste ao m da leitura do documento elaborado, a pedido do gover nador Fernando Guilhon, pelo Japan Industrial Land Center (o que seria um centro das indstrias japons). A natureza do trabalho em si mesma estranha: por que o governador paraense estaria interessado em que tcnicos e empresrios japoneses opinassem sobre o planejamento do desenvolvimento na regio Norte? Talvez os japoneses sejam tcnicos mais capazes do que os brasileiros. Sem dvida, porm, a Amaznia constitui para eles um mundo extico, de difcil compreenso ntima, um grco que se traa com raciocnios lgicos, conforme a moda da futurologia, consagrada pelo que, outrora, foi o milagre japons. No momento em que uma empresa de consultoria elabora o Plano de Desenvolvimento Integrado da Regio Metropolitana de Belm, a proposio pelos japoneses de um plano da nova Belm, supercidade preparada para abrigar distritos e centros industriais, constitui uma coincidncia intrigante. Debruados sobre as informaes que acumularam em seus prsperos negcios e talvez relembrando fugazes visitas Amaznia, os japoneses veem Belm como uma superrea metropolitana. Certamente veem o hipottico, ou o que querem ver por bons propsitos ou para proveito prprio. Num documento de origem to estranha e aparncia to respeitvel, curioso que existam tantos erros e observaes equivocadas, que qualquer aluno do primeiro ano do antigo ensino primrio assinaria galhardamente. Alguns desses muitos erros: 1 Referncia a uma notvel produo agrcola de algodo, ao que se saiba uma cultura ainda em fase experimental no Par. 2 Na geograa dos japoneses, Belm se situa margem da Baa de Maraj, junto conuncia dos rios Par e Tocantins e se acha delimitada tambm pela conuncia dos rios Guam e Acar. O que, no mnimo, extrema generosidade nos clculos geogrcos. 3 Com tons de revelao, dizem os japoneses que acha-se autorizada a construo a construo da rodovia Belm-Braslia e Belm-Marab e tambm a modernizao da rodovia CuiabSantarm. A Belm-Braslia foi inaugurada ocialmente h 14 anos, a CuiabSantarm ainda no foi nem concluda.Por trs dos nmerosAs despesas com pessoal da Assembleia Legislativa do Par no ano passado superaram o limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem incluir o pagamento de imposto de renda, que foi de 43,6 milhes de reais, a despesa total de pessoal alcanou R$ 256 milhes. Se obedecesse ao limite de alerta, de 1,4% sobre a receita corrente lquida do Estado (que foi de R$ 18 bilhes em 2017), a despesa com pessoal deveria ser de R$ 252 milhes. O excedente foi, portanto, de R$ 4 milhes. O percentual, de 1,42%. Mas a AL cou abaixo dos dois limites seguintes xados pela lei: de 1,48% e 1,56%. No entanto, o legislativo no computou no seu demonstrativo outras despesas, no valor de R$ 65,3 milhes. A Lei de Responsabilidade Fiscal prev essa excluso, citada pela AL, referindo-se ao pargrafo 1 do artigo 19. Mas no especica em qual dos seis itens desse dispositivo se enquadraram essas despesas excludas. O presidente da AL, Mrcio Miranda, pretendente ao governo.

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15 Porto de exportao ainda tem problemasdas mais duas, deixando uma apenas para o minrio, com seu grande volume de exportaes, uma para os contineres e outra para os gros e demais produtos. Quando no houver movimentao, a portaria que no estiver em operao poder ser simplesmente fechada, sem maiores nus. Antnio Marcos tambm infor mou que a Receita j tinha cancelado o escaneamento de contineres vazios, o que agilizava e muito a operao no porto como um todo, mas que isto implicava em justicativas junto a adidos diplomticos de vrios pases, que cobram rigor em tudo que envolve cargas em contineres, por causa do trco de drogas, relata a notcia. O secretrio de Transportes, Kleber Menezes, anunciou que a rodovia Transalumnio, em Barcarena, est em processo de estadualizao. Isso viabilizar a recuperao e conservao da via, que hoje no est sob a gesto de nenhuma das trs esferas de governo federal, estadual ou municipal , fato esse que diculta a execuo de qualquer obra l. O presidente da CDP, Parsifal Pontes disse que no h previso sobre quando ser liberado um dos beros do porto, interditado pela carcaa do navio Haidar, que naufragou em outubro de 2015. O Ministrio dos Transportes assumiu a remoo, a um custo de 60 milhes de reais, e a licitao j foi anunciada. Quando houver a efetiva liberao do dinheiro iniciaremos a remoo do navio, processo esse que demora entre seis e oito meses, adisse ele. Parsifal adiantou, no entanto, que o bero no ser liberado num prazo menor que trs anos, j que no basta a remoo: sero necessrias obras de limpeza, adequao, dragagem e outras, para que o problema seja denitivamente resolvido. Ao nal, a impresso que ca a um observador de uma corrida contra o tempo perdido e os fatos que se sucedem por falta de antecipao. Ou seja: de planejamento para um dos cinco principais portos de exportao do Brasil. Quatro navios da CMA CGM caram fundeados ao largo do porto de Vila do Conde, sem poder atracar, por causa da quebra de equipamentos da operadora do porto, a Santos Brasil, por concesso do governo federal, que o administra atravs da CDP. Como o problema no foi resolvido, os navios seguiram viagem sem receber as cargas que lhes eram destinadas. Exportadores, importadores, armadores e outros agentes tiveram que arcar com os prejuzos. O fato foi relatado no encontro realizado em Belm no dia 23, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Minerao e Energia do Estado. Dela participaram empresrios e entidades de classe, alm de representantes da Receita Federal e da Companhia das Docas do Par, segundo notcia da Agncia Par. O acidente na operao do porto foi um fator circunstancial que ocor reu com outro fator, este estrutural: o aumento em 37,80% das exportaes do Par no ano passado, que contribuiu para virem tona graves problemas envolvendo o porto de Vila do Conde, em Barcarena. Tambm acendeu um alerta: o ter minal necessita aumentar sua capacidade de operao sob risco de no conseguir atender crescente demanda em pouco tempo, diz a matria da agncia ocial do governo. Ela informa ainda que um navio com fertilizantes e sementes para a safra da soja no Par, que tem prazo para plantio, ficou um ms espera de ser descarregado, o que provocou reclamaes e reivindicaes de produtores de Dom Eliseu, Santana do Araguaia, Paragominas e Rondon do Par. O secretrio Adnan Demachki est convencido que a mdio prazo as exportaes paraenses vo aumentar signicativamente e que so urgentes aes que resolvam no apenas o problema enfrentado este ms, mas que preparem Vila do Conde para o incremento da demanda. Em 2017 as exportaes de minrio representaram 87% do comr cio internacional do Par, abaixo da marca tradicional, h anos, de 90%. E no porque o minrio decresceu, ao contrrio, cresceu e muito, com a produo da mina S11D e outras que entraram em operao em 2017. A razo que aumentou substancialmente a exportao do agronegcio, como a soja, o boi vivo, a carne, o cacau, a palma e o aa, impulsionados no mbito do programa de desenvolvimento Par 2030., disse o secretrio, um dos nomes cotados para a sucesso de Simo Jatene no governo do Estado, pelo PSDB. A Santos Brasil informou que at o dia 30 dois navios mdios e um de longo curso partiro de Belm, nor malizando a demanda e eliminando os problemas localizados. At maio, a empresa receber novas mquinas para melhorar a operao do porto como um todo. Isto no foi possvel porque, at o nal do ano passado, no havia garantia da CDP sobre a concesso, o que inviabilizou os investimentos, disse iago Nishi, da Santos Brasil. A legislao muito rgida e desatualizada em relao nossa realidade, tanto que tivemos que abrir mo de uma rea de vinte mil metros quadrados para que a concesso fosse renovada com urgncia, segundo a Agncia Par. Bruno Figurelli, tambm da Santos Brasil, acrescentou que h um problema srio de espao no porto, e chegamos a operar com os contineres na rua para viabilizar a demanda. Mas a soluo denitiva para isto no depende apenas de ns, justicou. Antnio Marcos Lima, inspetorchefe da Alfndega de Belm, sugeriu que, em vez de apenas uma portaria, em operao no porto, sejam constru-

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A polcia mesmo polcia?Quatro policiais militares morreram e dois foram feridos, todos a bala, em confrontos diretos, durante operaes de rua, ou assassinados em outras aes violentas neste ano na regio metropolitana de Belm. A estatstica no inclui um PM morto em instruo interna. Um morreu em confronto com criminosos, dois foram mortos durante assaltos e um foi executado dentro do prprio carro. D a mdia de um mor to por semana. A grande Belm possui em torno de dois milhes de habitantes. Na regio metropolitana do Rio de Janeiro, com seis vezes mais habitantes, foram mortos 10 PMs. No Rio, como se sabe, h uma guerra no declarada entre as foras de segurana do Estado e os traficantes. Em Belm, no h. Mas como se houvesse. Nenhum dos assassinatos foi at agora esclarecido ou os assassinos presos. As autoridades de segurana pblica sequer fizeram uma declarao oficial a respeito. Nem as condies de trabalho dos policiais, militares ou civis, se modificaram. A ausncia de resultados concretos e o silncio espantam, chocam e revoltam. Assim, no surpreende a cena do dia 23, registrada em vdeo postado na internet. O gover nador Simo Jatene cumpria agenda oficial no bairro Jardim Sideral, quando, foi abordado por uma mulher, que se identificou como cabo da Polcia Militar. Muito exaltada, aos gritos, cobrou providncias, acompanhando o governador, que ouvia em silncio: Por que quando t na poltica pode falar alto e agora tem que falar baixo? Eu no t ofendendo, eu sou contribuinte. Uma providncia tem que ser tomada, senhor. Ns enterramos cinco ir mos em 15 dias. Faltam 11 meses para acabar o ano. Ela tambm comparou o Par ao Rio de Janeiro: O Rio enter rou 107 policiais em 12 meses e ns enterramos cinco irmos em 15 dias. Eu sou policial tambm e esse secretrio tem que sair, referindo-se ao general Jeannot Jansen da Silva Filho, da Segup, Ela sugeriu ao secretrio que pea para sair caso no seja demitido. Aqui o Par, no o Rio de Janeiro. Esse secretrio no conhece a nossa realidade. A secretria de Administrao, Alice Viana, tentou acalmar a jovem. Sem muito sucesso. Em 2017 foram mortos foram mortos 34 policiais militares, dando um PM assassinado a cada 10 dias. A mdia passou para sete neste incio de ano. Rio. Vai continuar assim? Ou vai piorar? Belm do Par virou um campo de batalha lado da rua. Uma senhora, que acabara se cruzar frente de Jeferson, olhou e continuou a andar. Assassinatos em geral e execues em particular, como a de Jeferson, se tornaram triviais (mais do que banais) na capital dos paraenses. Apesar do testemunho dado pela amiga atravs do portal do Dirio do Par as informaes da polcia esto mais coerentes com as caractersticas do assassinato de Jeferson, de acerto de contas e execuo. Solto h trs anos depois de ter sido preso por roubo, ele estaria tentando se recuperar, vendendo produtos, que comprava no Entroncamento, numa parada de nibus na praa da Repblica. Por que, ento, atraiu a dupla de matadores? A pergunta ainda no tem resposta. Respostas violncia, alis, o que a populao deixou de ter das autoridades. Por isso, cada um est procurando se defender como pode da agresso, quando no agride primeiro. Belm virou um amplo campo de batalha. Jeferson Roberto Arajo de Nazar, de 26 anos, era uma pessoa alegre, trabalhando honestamente todos os dias no sol ou na chuva. Isabele, que o conhecia, nunca o viu tratar mal ou ser desrespeitoso com ningum, mesmo quando a venda do dia no lhe rendia bons frutos, sempre dava um jeito de rir de suas mazelas. No auge da manh ensolarada do dia 24. ele caminhava tranquilamente pela rua Wandenkolk, na direo da avenida Senador Lemos, no bairro mais valorizado de Belm, o Umarizal, a uma quadra do point mais badalado da cidade, a Doca de Souza Franco (um esgoto a cu aberto cercado por oito vias de intenso trfego e caladas para praticantes de corridas e caminhadas). Jeferson usava um fone de ouvido, trajava cala jeans e camisa polo listrada, roupa barata. Calava sandlias brancas, tambm baratas, e carregava mochila nas costas. Recebeu o primeiro tiro pelas costas, disparado por um homem que estava na carona de uma motocicleta, dirigida por outro homem, ambos com capacetes, usando casacos de mangas compridas, fechados at o pescoo. Preocupados em no serem identicados. Quando caiu ao cho, provavelmente Jeerson j estava morto, mas o pistoleiro desceu da moto e lhe deu mais dois tiros, palmo em cima, na cabea, com calma e segurana, como se estivesse atendendo a pessoa cada na calada. Voltou moto e seguiu, na contramo, na direo da Senador Lemos. Quatro pessoas estavam na cena do crime, registrado por uma cmera de segurana de uma loja do outro