Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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Full Text

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o a O LIBERAL Fim de uma era? Em 1986, aos 30 anos, Romulo Maiorana Jnior se tor nou um dos homens mais poderosos do Par. Recebeu o poder com a morte do pai, Romulo Maiorana, que morreu de leucemia, aos 64 anos, como se fosse o prncipe herdeiro numa monarquia de direito divino. Precisou apenas assumir o comando do maior grupo de comunicao do norte do pas, na poca lder em todos os segmentos do setor, exceto o rdio, e aliado poderosa Rede Globo. Rominho, conforme tratado mais frequentemente, usou e abusou desse imprio. Fez campanhas editoriais com interesses comerciais, coagindo os alvos das campanhas a cederem s suas exigncias de publicidade ou aos seus caprichos pessoais. Incensou ou caluniou pessoas confor me esses mesmos interesses, embora alegasse defender causas pblicas. Como se fosse prncipe herdeiro, Romulo Maiorana Jnior assumiu o trono do imprio de comunicaes do grupo Liberal. Foi um dos homens mais poderosos do Par nas ltimas trs dcadas. Os irmos o derrubaram no dia 30, apontando-o como autor de grave crise nas empresas da famlia.Periodicamente anunciava que se candidataria a um cargo eletivo majoritrio, de senador ou governador, apenas para intimidar e aumentar o seu cacife no mercado. Manipulava sem constrangimentos a opinio pblica. Parecia realmente um rei. Era a imagem que via quando se olhava ao espelho. Quem se atrevesse a revelar a nudez do rei era perseguido e punido. A razo desse poder foi sempre os seus veculos de comunicao. O nico que continuou a liderar o seu segmento ao fim de sua gesto foi a TV Liberal, graas Globo, que imps emissora uma interveno branca, que comeou na redao e se estendeu s finanas. O pblico, entretanto, achava que ele era realmente capaz, um empreendedor de sucesso.

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2 No ms passado, cinco dos seus seis irmos, todos acionistas do grupo Liberal, desmontaram esse mito. Para surpresa geral, a partir do dia 22 do ms passado, Ronaldo Maiorana, diretor jurdico, e Rosngela Maiorana Kzan, diretora administrativa do grupo Liberal, publicaram edital convocando a assembleia geral extraordinria para deliberar sobre mudanas na estrutura tanto do jornal quanto da TV Liberal, revelia do irmo, que estava em Miami, nos Estados Unidos, onde possui residncia, A assembleia geral extraordinria de Delta Publicidade, que edita O Liberal decidiria (como de fato o fez, no dia 30) sobre a reforma do estatuto social da companhia, com alteraes no captulo das disposies acerca da composio, funcionamento e mandato e matrias de competncia do Conselho de Administrao. Tambm modicaria a composio e nmero de cargos da diretoria, com a incluso de regra com prazo e forma para pagamento;incluso de clusula arbitral e eventuais ajustes de numerao e referncia cruzada no Estatuto Social decorrente das alteraes. J as ordens do dia para a assembleia da TV Liberal, no mesmo dia 30, foram a transformao do tipo jurdico da sociedade, de sociedade empresria limitada para sociedade annima, com a alterao da denominao social e aprovao e adoo do estatuto social e demais alteraes decorrentes da transformao do tipo jurdico. Um ponto mais grave do edital previa eventual propositura de ao de responsabilidade, em face do diretor presidente da sociedade; eleio dos novos administradores e xao do valor da remunerao a ser paga aos administradores eleitos; contratao de empresa de auditoria independente; contratao de empresa de consultoria estratgica, e discusso e aprovao de outras medidas relativas reviso de prticas de governana corporativa da sociedade. Era o incio do m do reinado de Romulo Maiorana Jnior na imprensa paraense, por iniciativa dos seus prprios irmos. Ao longo das ltimas trs dcadas, ele mandou e desmandou nos veculos do grupo Liberal, os mais inuentes, em especial por ter a sua emissora de televiso aliada Rede Globo. Mandou e desmandou tambm nos polticos que assumiram o governo do Estado em aliana com ele, sempre do PSDB, mas tambm com lderes de outros partidos. Todos o temiam no por ele em si, mas pelas ordens que dava, sem contestao, aos seus rgos de imprensa, de alto a baixo, revelia dos seis ir mos, mantidos em posio secundria na empresa. Embora a esmagadora maioria dos ulicos e aliados igualmente falassem mal dele pelas costas e nos bastidores. Nunca foi admirado; apenas invejado. Num documento que encaminharam no dia 4 ao Ministrio Pblico Federal do Trabalho, os cinco irmos (Ronaldo e Rosngela, mais Angela, Roberta e Rose) justicaram a convocao da assembleia para destituir Rominho da presidncia executiva do grupo como uma das medidas extremas e urgentes diante da crise nanceira que assola as empresas e que vem se agravando nos ltimos cinco anos, uma vez que o ex-diretor presidente estaria adotando conduta grave e lesiva, a resultar em graves danos e prejuzos relevantssimos para a Delta, TV Liberal e aos seus scios. Essa conduta ocorre de forma contnua e reiterada, sendo imperativa a apurao dos atos praticados pelo sr. Romulo Maiorana Junior na qualidade de administrador, de modo que o seu imediato afastamento tornou-se imprescindvel preservao das sociedades e interrupo dos danos que vm sendo sofridos. Os cinco scios (sem a mais velha, Rosana, que vendeu sua cota de 7% na sociedade ao irmo) explicam que a mudana de diretoria foi uma medida fruto da deciso da maioria dos acionistas, com o objetivo nico de solucionar os problemas e evitar que a situao se agrave, haja vista que a gesto que tinha o Sr. Romulo Maiorana como presidente estava sendo marcada por total falta de transparncia, sem que os demais scios tivessem acesso aos dados nanceiros e contbeis da empresa, gerando fortes indcios de condutas lesivas empresa. Dois dias depois da eleio e posse do novo diretor-presidente, Ronaldo Maiorana, ainda por ordem do ex-diretor presidente, Romulo Maiorana, o Sr. Deijair Uchoa, contador da empresa, no compareceu a esta, no atendendo as ligaes da diretoria, sendo mais grave ainda o fato de que no disponibilizou nova diretoria os tokens bancrios das contas em nome da empresa, levando os referidos acessos bancrios para sua residncia domiciliar, impedindo, portanto, que a empresa faa qualquer transao nanceira. Como se no fosse o bastante, acrescentava o ofcio, os funcionrios do setor de Contabilidade e Finanas no compareceram empresa. A informao de que o diretor de contabilidade, Sr. Deijair Uchoa, bem como o Diretor Industrial, Joo Pojucam de Moraes, ordenaram, em nome do ex-presidente, que os funcionrios no fossem empresa, posto que, caso contrrio, seriam demitidos. Pelo fato de Romulo Jr. ter sido presidente por tantos anos, os funcionrios de fato no compareceram, pois caram temerosos diante da ameaa de perderem seus empregos, uma vez que foram claramente coagidos a no comparecer. Acrescentava o documento que a ordem, alm de se constituir em uma coao da ex-diretoria perante os funcionrios, coloca em risco a credibilidade, o equilbrio e a gesto da empresa, uma vez que cessa, que obstaculiza e que impede qualquer transao bancria e nanceira, situao que ainda se agrava dada a proximidade do pagamento dos salrios, que de praxe, realizado sempre no dia cinco de cada ms. A situao agrava-se ainda mais quando se leva em conta o perodo em que o delito est ocorrendo, haja vista que, no dia 8 de outubro, realiza-se o Crio de Nazar, data em que se faz necessrio, por uma questo de respeito ao funcionrio, o pagamento dos salrios no decorrer da semana. Diante dessa situao, a nova diretoria do grupo Liberal pediu a interveno do Ministrio Pblico do Trabalho, garantindo que estava resolvendo os trmites legais junto s instituies nanceiras onde as requerentes so correntistas e onde tem tokens para pagamento em dia dos seus colaboradores e funcionrios, em respeito ao art. 459, pargrafo 1 da CLT, bem como perante a Junta Comercial do Estado do Par, onde esto sendo

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3 feitos os arquivamentos dos atos societrios, obedecendo os procedimentos legais para que o parquet esteja ciente do ocorrido e, caso entenda necessrio, que proponha uma mediao de possveis conitos coletivos, a m de contribuir para a soluo pacca destes. A iniciativa foi to urgente que, ao nal, Ronaldo Maiorana pediu prazo para juntar a procurao para a advogada Bethania do Socorro Guimares Bastos Cavaleiro de Macdo, que assinou a petio. O Ministrio Pblico Federal do Trabalho exigiu imediatamente que Romulo mandasse pagar os funcionrios do grupo Liberal, caso conrmasse que ele deu a ordem de sustar o ato como represlia por ter sido afastado do cargo de diretor presidente das empresas da famlia. A ordem era para que viabilizem o pagamento dos funcionrios no prazo legal, at o quinto dia til do ms subsequente ao vencido, sob a consequncia de responsabilizao, considerando que o pagamento extemporneo constitui ilegalidade por parte do empregador. Uma fonte ligada ao ex-presidente garantiu que ele no sustou o pagamento, efetuado normalmente na sexta-feira, 5, quando as atas das assembleias foram registradas, na Junta Comercial. Com isso, a empresa pde voltar a operar com os bancos e a dispor de dinheiro para o pagamento do pessoal. Romulo chegou a Belm no nal da tarde do dia 4, vindo de Miami. Do aeroporto ele seguiu direto para a sede do jornal O Liberal. Comeou logo sua tentativa de desfazer os atos dos seus irmos. Mas s poder rever ter as deliberaes adotadas se contar com o apoio da me, Lucida Maiorana. Doente e indiferente ao que tem acontecido ultimamente, sua posio ainda no bem conhecida. Mas um sinal de mudana apareceu na edio de O Liberal do dia 5, Pela primeira vez em muito tempo, o jornal citou os nomes e publicou uma foto de Jader e Helder Barbalho, sem critic-los, no corpo de uma notcia sobre a transferncia arquidiocese de Belm de uma rea de domnio da Unio ao lado da baslica de Nazar. Na fotograa, Helder foi citado como ministro da Integrao Nacional e Jader como senador, aparecendo ao lado do presidente Michel Temer e dos ministros da Defesa e do Planejamento. Pelo padro dos ltimos anos, teriam sido completamente omitidos, no texto e na ilustrao da notcia, se no fossem criticados. Seria a Glasnot dos cinco irmos Maiorana que destronaram Romulo Jr. do comando das empresas? Para se consolidarem na posio, estabelecero uma poltica de convivncia com seus concorrentes comerciais, adver srios polticos e inimigos pessoais? Com isso, esperam acabar de vez com a era Rominho nos veculos de comunicao da empresa? O futuro responder.O rei da quitandaEste artigo, que escrevi em 2005, um retrato de Romulo Maiorana Jnior que permanece exato 12 anos depois. Por causa dele, seu irmo, Ronaldo, que nem citado foi no texto, me agrediu no Rest do Parque, instalado dentro da sede da secretaria de Cultura do Estado. Os dois eram ento aliados incondicionais, impondo seu domnio mas, sobretudo, o de Rominho s irms. Ronaldo comandou agora a deposio do irmo, pelo qual cometeu a violncia contra mim. Quem estava certo?O poder de Romulo Maiorana Jnior, o principal executivo do maior grupo de comunicao do Norte do pas, contrasta com a situao de um Estado destitudo de informao, de opinio e de posio. O grupo Liberal mais poderoso do que o Estado no qual atua. Mais do que um ttulo, esse um epito: o que lhe d fora o que enfraquece o Par. Aos 45 anos, Romulo Maiorana Jnior um dos homens mais poderosos do Par. Exibe esse poder de vrias maneiras. Em duas semanas seguidas, entre o nal do ano passado e o incio deste ms, ocupou pginas e pginas de seu jornal, O Liberal, com fotos e mais fotos suas, registrou seu repentino segundo casamento, o recebimento do ttulo de um dos lderes setoriais nacionais no setor de comunicaes (outorgado mais uma vez pelo jornal Gazeta Mercantil no Frum de Lderes Empresariais) e uma visita exclusiva ao Mangal das Garas, antes da inaugurao da obra pelo governo do Estado, como que para sacrament-la. Rominho jornalista, mas nenhum dos editoriais bissextos publicados em O Liberal com sua assinatura foi escrito por ele. Falta-lhe a mais remota das intimidades com as artes e ofcios do jornalismo. J viajou por meio mundo, mas no fala uma lngua alm da que traa com alguma diculdade desde o nascimento. No se conhece nenhuma contribuio original do seu intelecto, na forma de livro, palestra ou mesmo conversa informal. Quando se permite sair do seu crculo ntimo, contempla os circunstantes com um ar blas de enfado que nada tem a ver com a iconoclastia do dj-vu. desinteresse mesmo, ou alheamento. Conta-se que na jornada da campanha Andando pelo Par, em Santarm, depois de subidas e descidas, vais-e-vens, fez sua primeira e talvez primal observao com a per gunta: este rio o Tapajs? Ningum fez plim-plim, mas bem que podiam chamar os nossos comerciais. Ou fazer baixar o pano. Est a, justamente, uma das fontes principais do poder de Romulo Jnior: a TV Liberal uma das aliadas da Rede Globo de Televiso. Essa conquista multiplicou a fora que a corporao tinha quando o pai dispunha apenas de um jornal, j em car reira ascendente contra dois concor rentes, a Folha do Norte moribunda e A Provncia do Par claudicante. A retransmisso das imagens da Globo era feita pela TV Guajar, de Lopo e Conceio de Castro. Mesmo com todo trabalho de aproximao que empreendeu junto a Roberto Marinho, Romulo Maiorana pai no teria conquistado o trunfo se no contasse com a impercia do antigo aliado. Na poca, RM no pde proclamar a vitria. Havia um veto no assumido dos militares dominantes ao seu nome. Associavam-no a uma das expresses dos maus hbitos

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4 polticos locais, de mos dadas com negcios escusos, que atraa o furor moralista do regime estabelecido em 1964: o contrabando. Romulo tinha ligaes com esse mundo por suas duas vertentes: o prprio contrabando e o pessedismo, centrado num homem pessoalmente honesto, Magalhes Barata, o maior lder poltico do Estado, cercado de corruptos por todos os lados. Da, viva de Romulo, sobrinha de Barata. Por isso, o novo aliado da Globo teve que colocar sua TV Liberal for malmente sob o controle de outras quatro pessoas. Trs lhe devolveram imediatamente a outorga de conana quando o veto dos militares (que nem queriam sair em fotograas ao lado do cap das comunicaes) foi extinto. Com um, Romulo precisou negociar pacientemente, usando como intermedirio o principal dos seus advogados e um dos seus maiores amigos. Limpo o caminho, ele foi se distanciando dos concorrentes, perdendo-os de vista graas ao seu modo muito peculiar e muito ecaz de administrar seus negcios, sempre neles reinvestindo, ainda que pelo primado da imobilizao em ativo xo, com poucas sobras para a qualicao de pessoal. Quando morreu, quase 18 anos atrs, deixou aos herdeiros uma empresa que liderava em todos os segmentos do mercado, com vantagem sem igual na histria das comunicaes no Par, azeitada e com muitas reservas em caixa, alm de planos de expanso em pleno andamento, como era sua caracterstica: o crescimento em moto contnuo, sem descanso. A doena fatal, embora cruel, deu-lhe tempo para encaminhar a sucesso. Ela estava posta quase naturalmente: o mais velho dos dois lhos homens, entre cinco mulheres, levava seu nome (mais uma garantia da marca RM, que comeou a imprimir no comrcio varejista de Belm) e j principiava, a enorme distncia dos irmos, a secund-lo quando em vida. Romulo Junior parecia ter herdado o instinto do negcio, uma das qualidades do pai, e um certo feeling pelo jogo poltico. Mas parecia faltar-lhe experincia, assessoria e uma dose de bom senso, de olhar autocrtico. Houve alguns momentos muito difceis para o grupo Liberal depois da morte de Romulo. Do ponto de vista operacional, a compra de uma impressora sosticada, mas superdimensionada para as necessidades e caractersticas da empresa. Alm disso, com um inconveniente no detectado por ocasio da compra: devido a sua dimenso, ela exigia que o jor nal se transferisse da sede, no centro velho da cidade, para novas ocinas capazes de suportar a dimenso da mquina e seu impacto quando em funcionamento. O novo prdio de O Liberal uma das mais bem instaladas sedes de jor nal do pas. Em particular, o gabinete do principal executivo no tem paralelo com o de nenhum outro publisher do pas. de longe, o mais suntuoso, do tamanho de um latifndio e com o mesmo signicado etimolgico: muito espao para pouco uso. O mesmo qualicativo de suntuosidade Rominho espera ver aplicado manso que est construindo no condomnio fechado do Lago Azul, na sada da cidade, numa rea de cinco mil metros quadrados, mil deles construdos, com requintes hollywoodianos. Tudo se tornou hiperblico para Romulo Jnior. Ele passou a exigir o mximo, a partir da constatao de que seu poder aparenta ser ilimitado. Pode obrigar a justia a passar por cima das exigncias do rito do casamento civil e a Igreja a abrir mo de certas regras do preceito religioso para no prejudicar a pompa e circunstncia de um matrimnio decidido a tempo e hora pelo rei, o noivo, conforme regras que prescreve do trono. Romulo Jnior, porm, nos editoriais hebdomadrios que assina, atribui a fonte de seu poder ao prprio trabalho (no exatamente matutino, muito pelo contrrio), colaborao dos funcionrios da empresa (com os quais tem raros contatos) e credibilidade dos veculos de comunicao sob seu mando principal (os seis irmos so secundrios; um deles, a irm mais velha, abriu mo de participar da sociedade, vendendo sua cota de 7%, e a me antecipou os direitos do primognito masculino e do caula, Ronaldo). Este o ponto que mais interessa, entre tantas histrias paralelas. As pessoas acreditam no que publicam ou dizem os veculos de comunicao do grupo Liberal? Sem dvida, acreditam (muitas tambm acreditam no chupachupa, entidade extraterrestre ressuscitada na capa da ltima edio dominical do jornal, com direito a sute no dia seguinte). Sem isso, os dois jornais dirios da casa (O Liberal e Amaznia Jornal ) no seriam lidos com exclusividade por 8 dentre 10 compradores de impressos nem a emissora de televiso (em rdio a situao no a mesma, mas a radiofonia a mais delgada das fatias do bolo) teriam as folgadas lideranas de que desfrutam. Grande parte dos consumidores que acreditam no produto dos veculos Liberal acredita por falta de opo. O quase-monoplio dos Maiorana cria um estado de inrcia difcil de romper: seus clientes no se sentem estimulados a buscar sucedneos, ou simplesmente essa alternativa no existe para eles. No caso da TV, em funo do domnio arrasador da Globo. Em relao mdia impressa, porque nenhum competidor enfrentou-os com o investimento requerido para derrubar uma situao de dcadas, nem o Dirio do Par, do deputado federal Jader Barbalho, claudicante na prossionalizao e tmido no capital de risco. O el leitor e telespectador, que acredita no que l e ouve, est realmente sendo servido pela verdade? Tem condies e capacidade de vericar a qualidade do produto que lhe servem para no comprar gato por lebre? Estas perguntas precisam ser respondidas, principalmente em funo do domnio que o grupo Liberal exerce em Belm, sem paralelo em qualquer outra capital brasileira. Em todas elas a disputa bem maior. Esse quase-monoplio d empresa um poder sem medidas, do qual usa e abusa, tanto sobre o pblico quanto sobre anunciantes e os poderosos de ocasio, impondo-lhes suas condies leoninas, interesses e caprichos. Muitos temem mais do que admiram o grupo Liberal. A empresa tem por norma no publicar cartas consideradas inconvenientes, nem que a justia tente lhe obrigar a cumprir a lei (determinao que raramente chega ao m em eventuais processos). Alm disso, mata em vida aqueles que desaam sua vontade. Uma vez indexado, o desafeto jamais sair nas pginas de O Liberal ou na tela da TV Li-

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5 beral. Para pessoas pblicas, isso pode equivaler mesmo morte. Por isso, a controvrsia foi varrida dos veculos da casa. Ela tambm no se interessa pela opinio alheia. Exer cita seu mando conforme as variaes de interesse. Nos momentos em que se negou a comparecer ao caixa da corporao para atender a cobrana feita, a Companhia Vale do Rio Doce, a maior empresa em atividade no Estado, foi vtima de campanhas sistemticas e transformada no inimigo pblico nmero um do Par. Quando se curvou, recebeu os afagos devidos. Assim foi, sistematicamente, at que a empresa, sob nova direo privada, decidiu enfrentar o ultraje de ser levada s barras do tribunal como m pagadora. O objeto da cobrana, dessa vez, era uma duplicata, mas uma duplicata fria, ou seja, sem endosso do emitente, no conrmada por ele. A CVRD reagiu com uma ao de indenizao civil, alm de contestar a cobrana indevida. Parecia que comearia uma guer ra entre gigantes, mas tudo no passou de mais uma batalha de Itarar, aquela que cou clebre por nunca ter havido. As aes passam agora por um momento de inanio no frum de Belm. As partes zeram libaes noturnas no Rio de Janeiro e apararam as arestas. As moedas da Vale voltaram a tilintar no caixa do Liberal e a besta-fera de semanas antes virou prncipe da responsabilidade social, etiqueta que pode se transformar em gazua quando usada com responsabilidade para ingls ver. Foi assim, antes, com a Rede Celpa e o Banco da Amaznia. A Rede tambm tentou se livrar de patrocnio furado ao grupo. Depois de saraivadas de matrias de denncia, seguiu o caminho de todos os anunciantes. O Basa foi ameaado com escndalos anunciados por ter veiculado apenas meia pgina de balano, que coube em trs pginas do concorrente. Mas quando publicou integralmente o balano seguinte, as operaes nebulosas caram subitamente solares e nunca mais se falou nisso. No recente escndalo do Banco Santos, escndalo mesmo, o Basa se beneciou do silncio obsequioso do grupo. O contraste brutal e chocante para qualquer pessoa que usa a memria como ferramenta de informao. Num momento o acusado fulminado com editorial de primeira pgina, manchete de capa de jornal, como h muito tempo no se pratica na imprensa em qualquer parte do mundo. Parece que mereceu o ataque terrvel por razes substantivas. No entanto, uma vez cumprida a funo que lhe atribuda, como anunciante, o tratamento muda do vinagre para o vinho, sem qualquer explicao ao distinto pblico, sem um mini editorial (ou suelto) que seja. O jornal pode mudar de opinio, mas precisa explicar por que era contra antes e cou a favor depois. Sem essa salutar providncia, a repentina transformao pode ser creditada a interesses ocultos, escusos. Em linguagem de rua, chantagem. Foi sempre assim numa publicao subterrnea, o Jornal Popular criado e recriado por Silas Assis. Mas esse jornal era pouco mais do que um p-de-cabra. Sua tiragem costumava ser uma frao da anunciada, boa parte dela distribuda gratuitamente, conforme o objetivo do editor. Um mosquito diante do elefante. Os mtodos, porm, o aproximaram desse tipo de comportamento que o grupo Liberal costuma ter quando seus interesses comerciais so contrariados. A parte editorial passa a ser uma extenso a servio do comrcio, sem a menor preocupao com a coerncia, a consistncia e o direito de explicaes do pblico. O que sustenta o poder inquestionvel de Romulo Maiorana Jnior no o porte do seu negcio. Os Yamada, nesse ponto, so bem maiores. a natureza especial do seu produto, a informao. Para RM Jnior, nos momentos de conito, o que menos interessa se a informao certa, mas se til, se servir aos seus propsitos. O resto v losoa, ainda que de losoa o personagem nada saiba. Uma empresa jornalstica pode e s vezes deve usar o carter especial do seu produto contra adversrios que a agridem ou para alcanar objetivos legtimos. O Wall Street Journal segundo jornal em tiragem dos Estados Unidos e de uma inuncia sem a menor possibilidade de comparao com o segundo, o dbil USA Today, empreendeu, na dcada de 20, do sculo passado, uma campanha contra a General Eletric, que era a maior empresa americana e do mundo na poca. A GE, contrariada por uma repor tagem do WSJ mas sem contest-la (por ser verdadeira), decidiu, em represlia, cortar a publicidade que fazia no jornal. A partir da a poderosa GE comeou a conviver com um hbito indesejado: ver todos os dias suas mazelas serem expostas no jornal, que deslocou dois dos seus melhores reprteres para cobrir a indstria em tempo integral. Mazelas reais, muitas das quais desconhecidas pelo prprio board da GE, no invenes ou chantagens, eram publicadas diariamente. Incapaz de contraditar as acusaes, a GE restabeleceu a programao publicitria e o jornal voltou a dar a cobertura rotineira empresa. No esse o procedimento do grupo Liberal. Com seu jus imprio, a empresa se tornou rbitro nico do prprio poder, independentemente do poder legalmente constitudo e at das boas regras de convivncia. Sua relao com Jader Barbalho, outro polo de mando no Par, com origens semelhantes e desdobramentos que divergiram at o antagonismo radical, revelador desse modus operandi. O grupo Liberal participou, como nunca, sob os Maiorana, da eleio de 1990. Apoiou Sahid Xerfan, candidato do governador Hlio Gueiros, e pintou Jader como a quintessncia de tudo que no presta. Como de regra, perdeu a eleio (essa tem sido a nica forma de reao aos Maiorana da opinio pblica, protegida pelo amlgama da vontade coletiva annima). O nome de Jader sumiu do noticirio da corporao. Mesmo ao tomar posse do maior cargo pblico do Estado, no recuperou seu nome: foi referido, em pgina interna, como o governador. Com os primeiros anncios legais (os editais), recuperou o nome prprio. Com os anncios institucionais, foi conquistando, sucessivamente, foto, primeira pgina e a anistia incondicional. O ladro da vspera virara, ao som das caixas registradoras em fria, o estadista do dia. Mas at o dia de uma nova cobrana sem retor no, quando raios voltaram a ser disparados dos fundos do Bosque. O procedimento contra o pai se repete com o lho. Empossado prefeito do segundo maior municpio

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6 paraense, Helder Barbalho no existiu para O Liberal e TV Liberal nas festas do dia 1. Se no existiu para os Maiorana, no existiu para o mundo paraense, que, sabendo das coisas pelos veculos do grupo, sabe quase nada sobre si e o dobro sobre o mundo. de fato, um poder superlativo. Tanto que, dizem os condentes, o lho Barbalho pediu ao pai que diminusse a troca de tiros com os Maiorana para que sua nascente carreira de prefeito no enfrente um caminho cheio de espinhos, que os adversrios comerciais e polticos j lhe apresentaram. Dizem que Jader atendeu o pedido e mandou desarmar um front, que fora municiado como jamais havia acontecido desde que o imprio Maiorana se consolidou, na dcada de 70, base da unanimidade compulsria. Houve alguma situao parecida na histria anterior do Par? Em matria de imprensa, s com a Folha do Nort e. Mas Paulo Maranho, o dono do jornal (sem uma arma formidvel como a aliao Rede Globo), precisava matar um leo por dia. No s na caixa registradora, administrada pelo lho, Joo, mas, sobretudo, na redao. Paulo Maranho raramente assinava seus editoriais, artigos e notas, mas todos eles saam de sua fervente cabea e, pelo estilo, eram logo identicados por quem sabia ler. Era o que dava legitimidade e grandeza ao seu papel. Pois se o que distingue a mercadoria jornalstica sua natureza subjetiva e especial, de informao, saber o que constitui uma informao o que o autoriza a exercer o seu poder, para o bem ou para o mal, mas com seu valor intrnseco. Paulo Maranho jamais iria a Santarm para perguntar se aquele rio lindo que a banha o Tapajs. J sairia de casa com a informao no bolso do colete. Quando o negcio da informao se reduz a uma quitanda, o poder jor nalstico se torna uma fonte de poder pessoal, imenso para quem o exercita e absolutamente vazio para todos os demais, e a informao, uma banana. o que, em boa medida, explica o estado de prostrao no qual o Par se encontra, incapaz de entender seu drama, por falta de informaes, e submisso vontade do soba, que o manipula conforme seus caprichos. O poder enorme de Romulo Maiorana Jnior, solitrio e caprichoso, a contrafao da impotncia do Estado no qual esse poder se nutre.O salto do salmo na poesia de LealJos Maria Leal Paes escreve poesia h dcadas. S agora sai o seu primeiro livro, uma obra que prima, diz seu amigo de meio sculo, o desembargador Milton Nobre, na apresentao, mas pode ser nica, ele brinca. O salto do salmo (que aliterao suave e boa rima) rene nada menos do que 263 poesias em quase 300 pginas (descontadas as que os apreciadores da obra ocuparam: Las Zumero e AmarallisTupiassu, alm de Milton Nobre). Quem conhece o Z Leal (ou Lealzinho) da circulao febril pelas redes sociais da internet deve se assustar pela fecundidade em ver sos. Mas se encarar o livro constatar a unidade de estilo. So textos breves, concisos, diretos, cheios de citaes e referncias, livres de rima e mtrica, despojados de arranjos orais estilsticos, s vezes cidos e irnicos, frequentemente desguradores e desgurados, margem dos cnones. Leio esses textos desde que eles comearam a pipocar na velha e saudosa A Provncia do Par, onde literatos e seus contrrios tinham vez, campo limpo para hagiograas e petardos venenosos, hoje sucumbidos, sepultados por uma algaravia semianalfabeta. Ao l-los, os recomendava a um leitor sisudo e custico, amigo de ambos. Ao colher a opinio do leitor, como se diz nas academias, l vinha o coronel Jos Lopes de Oliveira com seu bordo: Agora vou passar um bom tempo sem me aventurar de novo pela poesia. Brincadeira, claro, renovada a cada vez que me encontro com o bar do da Vigia, local de nascimento sem possibilidade de ser ignorado. Felizmente, o canto cho da gozao sempre foi seguido por risadas gerais. O livro, agora publicado, no deixa dvida: Leal poeta. Tautologia, pleonasmo, redundncia, lugar comum? Absolutamente. Eu pensava ser poeta. E como eu, vrios da nossa gerao, capazes de teorizar larga sobre nossas pesquisas lingusticas e temticas sem dar consequncia s nossas vastas teorizaes, expostas etilicamente margem do agora ameaado Bar do Parque. L-se com rapidez e proveito um artefato grco muito bem concebido e executado para abrigar frases leves e uentes, alternando o tamanho do corpo das letras e sinais talvez para interromper a trajetria do poeta, que segue entre extremos, da sua origem no mundo primitivo (de natureza e ndios) at a sua conexo mais recente, no ter congestionado, com a interrupo reexiva proporcionada pelas fotograas do autor, que tambm atende por fotgrafo. O livro podia ser menor? Talvez casse melhor com mais depurao e retalhado em dois, o outro volume dedicado aos e-torpedos e prosas da memria. Mas Leal optou pela obra completa (ou reunida) em um s tomo, preparado com cuidado e carinho para ser assim. Ao escolher o salto do salmo por ttulo, ele podia informar aos seus leitores que esse peixe maravilhoso, cada vez mais frequente nos restaurantes (no Largo da Palmeira tem seu templo gastronmico), d um salto performtico por dentro da hidreltrica de Boneville, na entrada do rio Columbia, no extremo noroeste dos Estados Unidos, onde pude v-lo em sua escada de peixe, a primeira do mundo, da dcada de 1950. J o mapar no consegue repetir o feito no nosso Tocantins. No lhe deram essa oportunidade, ao fechar a passagem pelo paredo de concreto da hidreltrica de Tucuru, a quarta maior do mundo. Brasil isso, poeta.

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7 A imprensa e a violnciaFoi um passo bem modesto, mas foi pioneiro numa boa direo. O G1, o portal de notcias da Rede Globo, estabeleceu uma parceria com o Ncleo de Estudos da Violncia da Universidade de So Paulo, a USP, e com o Frum Brasileiro de Segurana Pblica. Resultou no projeto Monitor da Violncia. Ele envolve reportagens e anlise do dia a dia da violncia no Brasil. O primeiro trabalho foi o levantamento de mortes violentas ocorridas entre 21 e 27 de agosto. No Par foram registrados 102 casos: 90 homicdios, trs latrocnios e dois suicdios. O Estado foi o campeo da violncia na regio norte e o terceiro do pas. Ficou atrs apenas do Cear, com 128 mor tes, e de Pernambuco, com 106. As vias pblicas so arenas de violncia no Par. No total de 102 mortes registradas no Estado, 82 foram homicdios ocorridos na rua. A maioria das mortes foi cometida com uso de arma de fogo. Talvez a iniciativa, tomada de cima para baixo, constranja um tipo de imprensa, como a paraense, que s tem interesse pelas ocorrncias policiais para vender jornal e ganhar audincia nas emissoras de rdio e televiso. Com muitas fotos de cadveres e de criminosos e suas vtimas, o objetivo escandalizar. Acaba contribuindo para aumentar a violncia, ao invs de combat-la, ou, pelo menos, fornecer infor maes para a melhor compreenso (e ao) da sociedade sobre um problema de gravidade catastrca. Do levantamento de ocorrncias em uma semana, ainda bastante fraco, destaquei alguns dos casos anotados pelo Gl Par, que integra a rede da Globo na internet. D uma medida dos fatos e de como e onde aconteceram. Dia 22, em Belm Uma mulher foi assassinada noite na passagem Nazar, no bairro do Una, em Belm. De acordo com testemunhas, Aurilene Valente Lemos estava na rua com a lha quando um homem desceu de um carro preto, roubou a bolsa e o celular e efetuou um disparo que acertou a cabea da vtima, que faleceu no local. O corpo foi removido pelo Centro de Percias Cientcas Renato Chaves. A Polcia Militar no deu muita informao sobre o caso, dizendo apenas que esto realizando buscas na rea para achar os criminosos. Dia 28, em Icoaraci (Belm) Dois homens foram mortos na noite de domingol, na ocupao Irm Dulce, localizada no conjunto Eduardo Angelim, em Icoaraci distrito de Belm. As vtimas, um adolescente de 16 anos que no teve o nome divulgado e um homem identicado como Cristian Bersa Soares de 37 anos tiveram as faces desguradas por pedras o que chocou moradores do local. De acordo com a Polcia Civil o duplo homicdio ocorreu por volta das 20h na rua da paz. As duas vtimas conversavam em frente casa do adolescente quando um grupo de pelo menos 10 pessoas atacaram com socos a vtimas, minutos depois moradores ouviram vrios disparos. A polcia ao chegar ao local se deparou com uma cena brutal de crime. Um rastro de sangue levava at as vtimas que estavam em via pblica com as roupas rasgadas e as faces desguradas. Segundo a polcia a ocupao considerada uma rea de risco.Realizamos constantemente policiamento aqui. Mas no um trabalho fcil, alm das diculdades das ruas, nunca entramos apenas com uma viatura. preciso reforo, explica o sargento Jairo Santos da PM que faz rondas pelo local. Os corpos foram removidos pelo Centro de Percia Cientca Renato Chaves (CPC). Dia 29, em Tucuru Um homem de 48 anos foi assassinado em Tucuru, sudeste do Par,por conta de uma dvida de R$ 50, conforme informou a polcia. O corpo de Paulo Csar da Costa Rodrigues foi encontrado em via pblica na rua Albocaa, bairro Terra Prometida, com marcas de faca. Segundo a polcia, o crime teria ocor rido no dia 25 de agosto, por volta de 20h30. Dia 27, em Salvaterra Um adolescente de 13 anos confessou ter assassinado uma criana de seis anos, em Salvaterra, na ilha do Maraj, no Par. Segundo a Polcia, o crime teria acontecido por motivo de vingana. O crime chocou a cidade que moradores realizaram uma manifestao nesta tera-feira pedindo paz no municpio. O corpo da vtima foi enterrado na tarde desta tera-feira. (Para a pesquisa dos que se interessarem em aprofundar a anlise)Jovem de 19 anos encontrado Homem morto em Bujaru na madrugada desta segundacadas nas margens da Transamaznica Homem morto a tiros por motociclismem assassinado a tiros na Avenida homem morre e outro ca ferido aps atentado no bairro da Sacramenta, em lha na no bairro do Una, em Belm no de 13 anos confessa ter assassinado criana de 6 anos em Salvaterra, na ilha Homem alvejado com tiros no bairro ros por motoqueiros no bairro do Mar assassinado a tiros no Jurunas, em Bede bar assassinado em Pau DArco, dentro de casa em Santa Maria das Bar assalto no municpio de So Miguel do cnico executado no Curi, em Belm presrio de Itaituba julgado inocente por assassinato de advogado morto a Homem morto por dvida de R$ 50 em Tucuru, no Par Homem morto

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8 a tiros no distrito de Outeiro, em Belm Homem encontrado morto em Itaituba Duplo homicdio choca moradores em Icoaraci, distrito de Belm Homem morto aps ser perseguido no bairro do Marco, em Belm Professor assassinado em Igarap-Au, no nordeste do Par Corpo de homem encontrado com mltiplas perfuraes em Redeno Jovem de 24 anos assassinado em sua residncia em Bujaru, no Par Jovem de 28 anos assassinado em via pblica em Curu, no Par Jovem de 21 anos assassinado em via pblica em Santa Izabel do Par Homem de 48 anos assassinado em via pblica em So Flix do Xingu, no Par Homem assassinado em rio em Oriximin, no Par Jovem de 22 anos encontrada morta em sua casa em Uruar, no Par Homem morto em Anapu, no Par Homem de 32 anos morto em So Flix do Xingu, no Par Homem de 34 anos morto em Ulianpolis, no Par Jovem assassinado em Marituba Homem assassinado em Uruar Homem assassinado em Castanhal Homem assassinado em casa em Moju Ho mem de 26 anos morto em comrcio de Moju Homem morto em via pblica de Paragominas Homem de 27 anos morto em Dom Eliseu Homem morre em confronto com a polcia em Abaetetuba Homem assassinado em Afu Morte de homem tem indcio de crime Homem de 30 anos morto em Viseu Jovem de 19 anos assassinado em Itaituba Jovem de 18 anos mor to em Belm Homem assassinado em Cana dos Carajs Jovem de 19 anos assassinada em Aurora do Par Jovem morto em confronto com a polcia em Belm Homem morto em confronto com a polcia em Belm Jovem de 19 anos morto em Igarap-Miri Homem de 30 anos morto em Santa Izabel do Par Homem morto em Parauapebas, no Par Ho mem de 45 anos morto em IgarapMiri Homem vtima de latrocnio em Moju Jovem encontrado morto em Tom-Au Mulher morta em Belm Homem morto em Marituba Homem de 44 anos morto em Belm Homem de 38 anos morto em Belm Homem de 52 anos vtima de latrocnio em So Sebastio da Boa Vista Jovem de 20 anos assassinado em via pblica em Curu Homem de 27 anos assassinado em Belm Jovem de 22 anos assassinado em Juruti no do em Rondon do Par Homem de 29 anos assassinado em Aurora do Par Jovem de 22 anos assassinado em Marab Jovem de 20 anos assassinado em Curionplis Homem de 47 anos assassinado em Belm Ho mem morto em Cana dos Carajs Menina de quatro anos encontrada morta em Camaru do Norte no Par Jovem de 19 anos morto em Belm Homem de 24 anos morto em Santo Antnio do Tau Homem de 24 anos morto em Abaetetuba no Par Ho mem morto em Ulianpolis no Par Homem de 23 anos e morto em Almeirim no Par Homem de 34 anos morto em Tailndia no Par Polcia investiga morte de homem em Santa Izabel do Par Jovem de 18 anos assassinado em Marab Homem encontrado morto em Camet no Par Homem morto em Ipixuna do Par Homem morto em Altamira no Par.Par define documentao esquecendo lies de hojeO governador Simo Jatene sancionou, no ms passado, com vrios vetos, lei que dispe sobre a temporalidade de documentos pblicos do Estado. Jatene exclui do texto original vrios dispositivos, argumentando que eles contrariam o ordenamento vigente. Diz a lei que, uma vez vencidos os prazos estabelecidos, os documentos de arquivo de guarda temporria podero ser eliminados,sem prejuzo para a coletividade ou memria da administrao pblica. Deciso a respeito caber Comisso Estadual de Arquivo Pblico, agora criada. Os municpios instituiro seus prprios conselhos de arquivo pblico. Essa comisso ser composta, preferencialmente, por nove integrantes. Seu presidente nato ser o diretor-geral do Arquivo Pblico do Estado do Par. Os demais integrantes so um representante da Secretaria de Educao, da Secretaria de Cultura, do Museu do Estado, da Assembleia Legislativa, e dois representantes da sociedade civil. O governador vetou a participao no conselho de um representante do poder judicirio e de entidades vinculadas aos municpios, porque esse dispositivo fere o princpio da separao dospoderes e o pacto federativo. So considerados documentos de guarda permanente, a serem preservados denitivamente, os que forem indiciados nas Tabelas de Temporalidade de Documentos. Esto nessa classicao os arquivos privados de pessoas fsicas ou jurdicas declaradasde interesse pblico e social, e todos os processos, expedientes e demais documentosproduzidos, recebidos ou acumulados pelos rgos da administrao pblica estadual, considerados de valor histrico, probatrio e informativo, a par tir da primeira Constituio do Par. A lei estabelece que os documentos de guarda permanente no poderoser eliminados aps a microfilmagem, digitalizao ou qualqueroutra forma de reproduo, devendo ser preservados pelo prprio rgo produtor ou recolhidos ao Arquivo do Estado. Quem destruir, inutilizar ou deteriorar documentos de guarda per manente, ficar sujeito responsabilidade penal, civil e administrativa na forma da legislao em vigor. O projeto original da lei, de iniciativa do legislativo, franqueava amplo acesso aos documentos pblicos, sem observar os limites estabelecidos na Lei de Acesso Informao, que lei federal, de 2011, especialmente no que serefere aos documentos sigilosos, sem remeter s restries legalmente previstas. Para um especialista do setor, Jatene, ao sancionar uma lei pela qual j h muito a memria estadual clamava, preteriu, por desconhecimento, os prossionais da rea necessrios para elaborar a tabela de avaliao e temporalidade: arquivistas, muselogos, historiadores, socilogos ou arquelogos. Ainda por cima, delegou presidncia da comisso de avaliao e temporalidade, aodiretor de planto do Arquivo Pblico, que, rotineiramente, indicado po critrio politico. Ele deveria ter xado na lei que, a direo do arquivo s poderiaser ocupada por um arquivista de renome e prestgio no setor, considerando que a Universidade Federal do Par j possui a graduao em arquivologia, for mando a primeira turma ainda neste ano. Essa diretriz permitiria dar a devida importncia avaliao cientca de uma tabela de temporalidade de documentos. Sem prossionais capazes e comprometidos com critrios cientcos adequados, no haver garantia da preservao da memria adequada. Em Portugal, at engenheiros da informao, fazem parte das tabelas de avaliao e temporalidade, lembra o tcnico. O Par ignora as lies do presente ao tomar uma medida que visa o futuro.

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9 Lula: maior pode no ser o melhorO mais rejeitado dos possveis candidatos presidncia da repblica, com 54% dos eleitores declarando que jamais optariam por ele, Lula, mesmo passando para o 2 turno, por ser mais popular do que os adversrios potenciais, seria derrotado na nova votao por Bolsonaro, Marina ou mesmo Dria. O PT e a esquerda em geral ar riscariam continuar apostando todas as chas no ex-presidente, dando-lhe um indito terceiro mandato frente do pas, com a possibilidade de uma derrota anunciada? A revista Isto optou por descartar Lula da pesquisa que encomendou ao Instituto Paran. Foi uma deciso editorial acertada, a de vericar como os brasileiros se comportariam sem a opo Lula. Os petistas mais radicais podem interpretar a opo como uma induo a outros nomes, o mais assustador dos quais o do coronel-deputado Jair Bolsonaro (j com dois lhos na sua cola), o 2 depois de Lula e o vencedor sem o petista. Os dados da pesquisa podem ter um efeito mais saudvel: de causar um susto nos eleitores mais ponderados, racionais e mais bem informados. Bolsonaro o terceiro mais rejeitado pelos eleitores, com ndice de 45,9%. Pior do que ele est o governador Geraldo Alckmin (47,2%), que era considerado o candidato natural dos tucanos at o aparecimento do atual prefeito de So Paulo, o empresrio Joo Dria Jr. Ainda assim, o ndice de rejeio dele no baixo para quem s agora est tentando se tornar conhecido em todo Brasil: 36,8%. Parece que para ter possibilidade real de passar para o 2 turno, superando Bolsonaro e Marina, e ganhar na nova votao, Dria precisaria fazer os brasileiros de todos os quadrantes acreditarem que ele se distinguir dos tucanos indecisos, medrosos e indenidos, e que no ser mais um paulista no comando da nao como se ela se restringisse a So Paulo, aos ricos e Federao das Indstrias, a organizao da plutocracia paulistana. No desao de caf pequeno. Dos personagens emparedados (ou j enjaulados) pela Operao Lava-Jato, Lula o nico sobrevivente, graas ao tero que seus falangirios ainda ocupam no colgio eleitoral. A rejeio, contudo, lhe ser fatal na aferio plebiscitria do returno (como se dizia dos campeonatos de futebol). A maioria do pas no o quer mais por seu comandante, incluindo os que no so coxinhas nem a elite cosmopolita. Cresceu a proporo dos que j sabem quem Lula e no gostam do que passaram a saber. A legio aumentar ainda mais se as provas acrescentadas para demonstrar sua corrupo sur girem de suspeitas de fraudes cometidas em sua defesa, como os recibos, que o isentariam de ser dono de um apartamento contguo ao dele, forma disfarada de propina que recebia da Odebrecht. Hoje, to fcil acreditar na verso desonrosa do grande lder popular quanto na forma medocre pela qual ele se entregou elite predatria que dizia combater. O Ministrio Pblico Federal j pediu para os documentos serem periciados, na presuno de serem falsos. Essa mediocridade, diante do alto padro de roubo dos seus subordinados e dependentes (na Petrobrs, por exemplo, com o cartel da base aliada), que faz pensar (mal comparando e j comparando) em Clinton, que se escondeu na dependncia mais poderosa do planeta, o salo oval da Casa Branca, para que a estagiria Monica Levinsky lhe proporcionasse sexo oral. Tem certa razo um desses integrantes da gerao mais corrupta da sociedade poltica brasileira em todos os tempos, o ex-presidente Eduardo Cunha, ao dizer, da priso em Curitiba, que a Lava-Jato foi um projeto de destruio da elite dos representantes do povo, ferindo de forma quase fatal a atividade poltica e, por decorrncia, a democracia representativa. Se houve essa intencionalidade, realmente ela foi bem sucedida. A iniciativa foi beneciada, no entanto, pelo terreno fecundo no qual as sementes caram. Eram das sementes que s pegam na lama. O momento atual, registrado pela pesquisa do Instituto Paran, de destruio do velho, do viciado, do corrompido. Nunca antes (apud Lula, que deu contedo real sua retrica bonapartista) se destruiu com tal competncia os miasmas de um pas cujo potencial de grandeza se desfazia na forma de organizar o poder e na sua relao com a sociedade e o patrimnio do pas. O vital momento seguinte, o da construo, ainda uma perigosa incgnita, a um ano da escolha do mandatrio mximo da nao, a um semestre do incio para valer da corrida presidencial. O panorama promscuo, num caminho incerto e no sabido, cheio de curvase desvios, pontilhado de promessas ambguas ou descaradamente falsas, O erro mais provvel do que o acerto. Muitos dos que votam em Bolsonaro, por exemplo, esto cheio de boas intenes, crentes de que autorizaro um experimento novo no pas. No percebem que por baixo do palet de deputado federal ele enverga o uniforme de coronel com pretenso de mando de general, ou um redivivo marechal de campo, nesse caso com uma veste assemelhvel deAlois Schicklgrubel, que mudaria de nome e viria a ser conhecido por Adolf Hitler. O eleitor no sabe, mas estaria cometendo um ato indito: eleger um presidente para que ele se tornasse ditador pelo voto popular. Efeito desastroso que diz muito sobre o estgio atual dos desaos que se impem ao povo brasileiro, num momento candente e denitivo da sua histria.

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10 Latrocnio ou homicdio? Acima de tudo, est a vidaNo dia 28 de setembro, um motociclista se aproximou de trs jovens (dois rapazes e uma moa) que conversavam na rua WE-25, na Cidade Nova, em Ananindeua. Armado de revlver, mandou que lhe entregassem os seus celulares. A moa no possua o aparelho. Um dos jovens obedeceu imediatamente. O outro, de 14 anos, tambm aluno da Escola Estadual Cndido Horcio Evelin, revoltado, atirou o seu celular na direo de uma casa. O assaltante apontou o revlver e atirou no rapaz. A arma falhou. O jovem aproveitou para fugir. O outro, que entregou o seu celular, no teve a mesma iniciativa. O assaltante apontou a arma para ele e desta vez no houve falha. A morte da sua vtima foi imediata. O criminoso fugiu sem ser identicado. A polcia tipicou o crime como latrocnio, o roubo seguido de mor te. Podia t-lo classicado como homicdio. O assassino j estava com o celular e ainda assim matou a pessoa que se submeteu sua agresso, como vingana por no ter conseguido o segundo celular porque o seu dono no o entregou. A morte foi, portanto, por vingana, como uma caracterstica execuo, por motivo torpe e ftil, j que o assaltante havia se apoderado do objeto, e sem permitir a menor condio de defesa vtima. preciso punir esses criminosos com a pena mais pesada que a lei autorizar. verdade que a pena mxima do latrocnio igual do homicdio qualicado, de 30 anos, e a mnima, de 20 anos, supera a do homicdio, de 12. A lei tutela mais a propriedade material do que a vida, um absurdo que persiste na legislao penal e na prtica policial. Mas o latrocnio um nico crime, enquanto o homicdio crime em dobro (o roubo ou tentativa de roubo e o prprio homicdio), com concurso material, com todas as suas decorrncias para o agravamento da pena. E por ser crime contra a vida, o criminoso ser submetido ao tribunal do jri, dando oportunidade sociedade de tomar conhecimento da violncia e a punir, com muito maior divulgao pblica. Combatendo ainda mais a impunidade dos bandidos, que se portam como donos do bem mais precioso que existe: a vida.A publicao do artigo no meu blog provocou reaes num debate ainda tmido diante do alcance da questo. Marilene Pantoja Lucio, venho defendendo essa ideia h algum tempo. O latrocnio est desnaturado na maneira como vem sendo tipicado. No h mais um latrocnio, tecnicamente falando. H um dio incontido na ao desses criminosos que exige mais do que o bem material; parece que h um acerto de contas, que somente se resolve com a punio mxima da vtima. As pessoas esto condenadas morte por possuir bens materiais. Mas eles no querem s o bem especco da vtima, eles querem mais; querem o teu lugar, a tua vida e como no a tem, e nem podem t-la, eles a eliminam. Desculpa o desabafo, mas essas condutas covardes me revoltam e me enojam esses discursos demaggicos e hipcritas de alguns segmentos sociais que s promovem a sensao de impunidade e alimentam essa onda crescente (e daqui a pouco incontrolvel) de criminalidade. LFP O desabafo da Marilene uma convocao para discutir o tema, de extrema gravidade e importncia. Exige um ajuste da legislao penal e da prtica policial. Jos Silva Para inibir qualquer crime, a pena prevista deve ser severa o suciente para fazer o criminoso pensar duas vezes antes de fazer suas ilegalidades. No Brasil as penas so, em geral, muito brandas e nunca cumpridas integralmente. Desta forma, vale muito ser criminoso no Brasil. A Marilene est totalmente correta que h a necessidade de uma ampla reviso do cdigo penal brasileiro, pois do jeito que est a selvageria acaba se tornando o novo normal no pas. Hiran preciso mais rigor na hora de punir. O bandido precisa saber que se cometer algo to grave vai ser punido energicamente sem um possvel abrandamento da pena. Annimo No, Marilene. latrocnio, sim. Latrocnio desnaturado o que voc quer, sem entender nada do assunto. LFP Latrocnio roubo seguido de morte. Como enquadrar em latrocnio o ato do assaltante? Ele matou o rapaz que lhe entregou o celular por vingana contra o amigo dele, que jogou o celular no cho e fugiu, aproveitando o hiato entre o acionamento do mecanismo de disparo do revlver, feito pelo assaltante, ao ser desobedecido (sim, ele o dono da vida alheia, pondo e dispondo dela ao seu bel prazer) e a falha da arma, que no obedeceu ao comando, enquanto o colega, que no conseguiu fugir, foi simplesmente executado, com tiro na cabea queima roupa. Por que voc no revela a sua identidade e debate abertamente o tema, que gravssimo e vai se agravar ainda mais pela tolerncia para com essa barbaridade cada vez mais frequente? O anonimato lhe d essa condio autoritria e intolerante, de magister dixit do alto da ctedra que voc conferiu a si mesmo. A identicao cria um ambiente favorvel ao debate profcuo e srio, do qual estamos nos tornando irremediavelmente carentes. Marilene Pantoja Concor do com voc, Lucio! Comentrios apcrifos neste blog no deveriam ser publicado. Eles no contribuem para nada e apenas servem como instrumento para pessoas amarguradas e raivosas destilarem dio e rancor grosseiramente disfarados. O sr. (ou seria senhora?) annimo,

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11 O papel do candidato avulso na democraciaO Supremo Tribunal Federalreconheceu, na semana passada, a possibilidade de candidatos sem filiao partidria participarem de eleies como candidatos avulsos. Para uma deciso final, o mrito de uma ao que julgou ainda vai precisar ser examinado, O relator, Lus Roberto Barroso, deu a entender que favorvel permisso para todos participarem de eleies mesmo sem vnculo partidrio: O direito comparado largamente favorvel s candidaturas avulsa. O ministro reconheceu a importncia do tema, que precisa ser estudado antes de formar uma convico a respeito. O autor da ao examinada pelo STF argumentou que as candidaturas independentes no poderiam ser proibidas porque o Brasil signatrio da Conveno Americana de Direitos Humanos, o Pacto de So Jos da Costa Rica, que no prev a liao partidria como requisito para ser votado. A Procuradoria Geral da Repblicasustentou em parecer a mesma tese. A procuradora Raquel Dodge argumentou que a exigncia de liao partidria contraria o Pacto de So Jos, do qual o Brasil signatrio, segundo o qual todos os cidados devem poder participar das questes pblicas diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos. Alm disso, a candidatura avulsa no viola a constituio. A clusula ptrea, que no pode ser alterada, preserva apenas o voto direto, secreto, universal e peridico. O dispositivo no estendeu essa proteo especial aos partidos polticos. A candidatura avulsa no inviabiliza nem prejudica o sistema pluripartidrio, um dos pilares da democracia. Pelo contrrio, a for talece. Se vier, ela chegar em boa hora, ajudandoa oxigenar a poltica no Brasil. sofismtica a alegao de que admitir o candidato avulso est em contradio com a reforma poltica (ainda que capenga) feita na semana passada pelo Congresso, justamente para fortalecer o sistema partidrio brasileiro. A clusula de barreira e o m das coligaes para as eleies propor cionais devero proporcionar esse efeito. A reduo do nmero de par tidos vai lhes permitir melhor representatividade e, talvez, maior solidez. Resistiro assim existncia de postulantes a cargos eletivos independentes. Eles s prosperaro junto aos eleitores se forem realmente pessoas excepcionais, capazes de superar a barreira partidria, servindo de atestado sobre a fragilidade dos quadros regulares da poltica nacional. Quem sabe, assim, se formem partidos mais enraizados do que atualmente. Quatro das cinco maiores empresas com sede no Par so controladas pela norueguesa NorskHydro. A maior delas, segundo o ranking divulgado pelo jornal Valor de So Paulo, a Hydro Alunorte, que produz alumina em Barcarena. Em 2015 ela foi a 92 maior do Brasil, caindo para 96 no ano passado, com receita lquida de 5,7 bilhes de reais e lucro lquido de quase R$ 800 milhes. A segunda maior do Estado e a 220 do pas (era a 193 em 2015) a Albrs, que produz alumnio metlico tambm em Barcarena. Faturou 2,8 bilhes, com lucro lquido de R$ 60 milhes. A quarta a Minerao Rio do Norte, que extrai bauxita em Oriximin. a 387 maior empresa brasileira (foii a 342 em 2015), com receita lquida de R$ 1,3 bilho e lucro de R$ 430 milhes. A quinta a Hydro Paragominas, que lavra bauxita. Foi a 439 no ano passado (426 em 2015), com receita lquida de R$ 1,2 bilho e lucro de R$ 195 milhes. Assim, o faturamento lquido somado das quatro empresas com controle acionrio da NorskHydro foi de R$ 11 bilhes em 2016, com lucro lquido de R$ 1,5 bilho. A nica empresa realmente local no meio delas o grupo Lder, o nico a conquistar posies no perodo (de 299 para 256), com receita lquida de R$ 2 bilhes (mas no declarou liu lucro lquido). O Par se tornou um pouco noruegus, sem os paraenses perceberem. provavelmente deve ser bacharel em Direito para apresentar com tanta nfase sua rasteira e lacnica ideia, mas sem defend-la. Infelizmente, essa a caracterstica cada vez mais recorrente, nos ltimos anos, entre uma boa parte dos egressos dos cursos de Direito, que optaram pela graduao sem nenhuma vocao: a superficialidade, que gera esse tipo de comentrio faccioso e sem nenhum embasamento jurdico. Por fim, gostaria de saber do annimo das 10:09 se ele um latrocida, para defender com tanta veemncia a causa dessa categoria de criminosos. Se no for isso, lamento mas seu anonimato precrio; o dio revelado fala por si s. Z Carlos Ateno annimo. Concurso material de roubo com homicdio qualicado. Competncia atrada para o tribunal do jri. LFP Muito bem, Z Carlos. Todos os crimes contra a vida, mesmo que em um latrocnio clssico, deviam ser atrados para o tribunal do jri. O caso sairia do cofre dos autos judiciais, seria exposto ao pblico e os jurados decidiriam em nome da sociedade. Crimes contra a vida no podiam ter mais qualquer atenuante. O prazo da pena teria que ser cumprido integralmente em priso de segurana mxima, com o maior rigor possvel dentro da lei. Como seria bom se os advogados sassem dos bastidores e viessem contribuir para este debate.

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12 INSTITUTODiretores, funcionrios, professores, mestres e operrios do Instituto Lauro Sodr se sentavam mesma mesa, pelo menos uma vez por ano, para um almoo de confraternizao. O de 1953 foi no dia 5 de janeiro, num dos grandes e arejados sales da instituio, fruto do pensamento refor mista dos primeiros republicanos no Par (como o prprio lder poltico que deu seu nome ao instituto). Na mesa principal do gape, ao fundo da foto, estavam o governador interino do Estado, Abel Figueiredo, o secretrio de agricultura, Antnio Lopes Roberto, e o diretor do Lauro Sodr, Solerno Moreira, alm de pessoas gradas.Em maio de 1954, a Assembleia Legislativa do Estado rejeitou projeto atravs do qual o deputado Armando Mendes cortava o pagamento de jeton ao parlamentar que se ausentasse do plenrio antes de terminar a sesso, prtica to comum ento quanto agora. Votaram contra a medida moralizadora: Cunha Coimbra, Efraim Bentes, Rosda Pereira e Humberto Vasconcelos, do PTB; Rui Mendona, Acindino Campos, Clio Lobato e Lobo da Silveira, do PSD; Elsio Pessoa de Carvalho e Wilson Amanajs, da UDN. Os estudantes secundaristas do Par previam que o salrio mnimo denido (em valores diferenciados por unidade federativa) para 1954 pelo presidente Getlio Vargas viria a ter em Belm efeitos os mais danosos possveis, pela infame desproporcionalidade ao do Rio de Janeiro, de onde importamos a maior parte dos nossos objetos de consumo. O novo salrio mnimo estabelecido para o Estado iria criar uma anulao na poupana das classes menos favorecidas, enfraquecendo-lhe a resistncia para despender em bens de consumo, pelo declnio sofrido na categoria relativa de renda, e formando verdadeiro SNOBISMO social, conforme a moo apresentada por Antnio Carlos Simes, secretrio artstico e cultural da UECSP (Unio dos Estudantes dos Cursos Secundaristas do Par). Essa moo foi apresentada em reunio da qual tambm participaram o presidente da entidade, Antnio Failache, e os secretrios Itair Silva, Selma Castro de Lima, Rui Zacarias Mrtires e Roberto Uchoa. O documento justicava tanto empenho da Uecsp com o fato de haverem nada menos de sete mil secundaristas trabalhando naquela ocasio em Belm.O Ballet de Belm, dirigido por Frances Beery e integrado por garotas e adolescentes de Belm faria sua estria no Teatro da Paz a 21 de maio de 1954, ao som da orquestra da Rdio Marajoara. Com sua existncia, vem preencher uma grande lacuna que se faz sentir aqui, ou seja, a inexistncia de um grupo que possa exibir-se vez em quando para deleite de todos ns, registrava o cronista de jornal. Entre as bailarinas desse corpo de baile estavam Nilza Cunha, Cla Chady, Eva Maria da Silva, Hedy Altman, Mriam Serruya, Dolores Terezinha Lima, Graciete Cordovil, Ana Maria e Em 1962, a Aliana do Par, uma das indstrias do Estado, saudava o Crio de Nazar. A iluso de industrializao acabou.

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13 Maria Helena da Silva, Isabel Oliveira Benone (hoje, desembargadora), Waldemira Lopo de Castro, Lliam Caldeira e Isolda Maria Neves.Jonas Brito foi o vencedor da concorrncia pblica aberta em 1954 pela Secretaria Municipal de Obras de Belm para o tratamento supercial asfltico das travessas Lomas Valentinas, Humait e Mauriti, no trecho compreendido entre as Avenidas Almirante Barroso e Pedro Miranda. Por ordem de classicao, vieram a seguir Afonso Freire, Rui Almeida, Fortunato Gabay, Otvio Pires e Urbano Costa. Enquanto Brito props executar a obra em 80 dias, a 1,2 milho de cruzeiros, os parmetros de Costa foram 160 dias e Cr$ 4,6 milhes. Foi o fona. Manoel Cavaleiro de Macedo era o secretrio de obras da prefeitura.Em 1957, uma CPI foi instalada na Cmara Federal (ainda funcionando no Rio de Janeiro, a maravilhosa capital da repblica litornea) para investigar a SPVEA (Superintendncia do Plano de Valorizao Econmica da Amaznia), antecessora da agonizan-docotidiano te Sudam, que j aprontava. Os deputados estavam atrs de irregularidades na aprovao de projetos e concesso de recursos. Um dos alvos era a Empresa de Pesca Frigorco Paraense Limitada, de Maurcio Tamborini, que havia recebido muito dinheiro da SPVEA. No dia 17 de outubro o depoente na comisso parlamentar foi Ricardo Borges, membro da comisso de planejamento do rgo (pai do desembargador aposentado Ricardo Borges e do procurador de justia Csar Bor ges, com uma longa cha de servios prestados causa pblica). Ele disse desconhecer a concesso de nanciamentos com pareceres posteriores (ou com data atrasada). Afirmou que os pedidos de financiamento tm interferncia de polticos e at mesmo de governadores, mas no tem influncia na deciso dos membros da comisso de planejamento.Em 1957 o Cine Teatro Parazo (com z mesmo), na Pedreira, apresentou um colossal espetculo de tela e palco. Na tela, o formidvel lme Expresso de Shangai. J no palco seria apresentado o big show com os melhores artistas que se haviam exibido na Rdio Marajoara e no Variedades, o teatro de Flix Rocque na Festa de Nazar. Abaixo de Picol e Clauthewes estavam nomes sem qualquer expresso, mas puxados por Tontolino, o notvel humorista da TV Paulista canal 5. Sem co...A sosticada Lojas Salevy, na avenida Presidente Vargas 222 (trreo do edifcio Palcio do Rdio), vendia, em 1957, anguas em nylon, nylon e renda (o produto mais caro, a 520 cruzeiros), soutiens, modeladores, cinturitas (Cr$ 260), calas cintas e calas em nylon (a oferta mais barata, a Cr$ 60). Ferramentas para apertar o que excedia, escondendo-o do olhar masculino. Cinco Atores se formaram em 1966 pela Escola de Teatro da Univer sidade do Par: Walter Bandeira, Nilza Feitosa, Maria de Lourdes Negro, Rosa Martins Veloso e Elsie Soares. Na solenidade de diplomao, no Teatro da Paz, eles apresentaram a pea O Santo e a Porca. O paraninfo foi o professor de dico, Carlos Moura.FOTOGRAFIARua suburbanaA rua Piraj, no Marco, era assim em 1970, menos de meio sculo atrs. Algum conseguiria localizar esse trecho?

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: Rua Aristides Lobo, 871 Belm/PA CEP: 66.053-030 Fone: (091) 3241-7626 E-mail: lfpjor@uol.com.br Site: www.jornalpessoal.com.br Blog: -dpress.com Diagramao e ilustraes: Luiz Antonio de Faria Pinto E-mail luizpe54@hotmail.com Com certa demora, escrevo para te parabenizar pelo aniversrio do Jornal Pessoal. Amarras do dia-a-dia e problemas de conexo com a internet me impediram de te felicitar na data oportuna. Dos 30 anos do JP, sou assduo leitor e divulgador h dezoito anos. No preciso concorda com tudo o que voc escreve, para mim o Jornal Pessoal uma leitura obrigatria. Pela sua histria, abordagens, formato e estilo de escrita sempre apresento e distribuo aos meus alunos e pessoas prximas Pela sua caracterstica, o Jornal Pessoal um feito na mdia independente. A histria o reconhecer. De tabela, aproveito a ocasio para te parabenizar pelo teu aniversrio no ltimo 23/09. No deu para escrever. Pensei em ligar, mas imaginei que estavas ocupado, mas rezei por voc. Fiz minha orao para uma pessoa que quero bem. Se tivesse o poder do caroo de tucum do Alfredo do Dalcdio Jurandir, te deixaria 30 anos mais jovens. Por voc e pela longevidade do JP. No d para separar voc do Jornal Pessoal. Dignos de uma sesso honrosa em nossa Assembleia Legislativa ou Cmara Municipal de Belm. EdneyPaiva c @ rtas ...ANTOLOGIARetrato em 3 x 4 de de um alvo panormicoEste artigo foi publicado na minha coluna diria em O Liberal de 24 de abril de 1982. Reproduzo-o por ser um tipo de jornalismo que no se pratica mais, ao menos entre ns. Ele uma combinao de notcia e anlise. Depois de cobrir o fato e mandar uma notcia para O Estado de S. Paulo, do qual era correspondente em Belm, escrevia em seguida uma anlise para O Liberal. Podia fazer minha interpretao com base em fatos ainda quentes, dando no dia seguinte ao leitor uma informao contextualizada. Possibilitando-lhe ser informado e, se quisesse, tomar uma atitude. No caso, sobre uma histria de meio sculo escrita em nosso territrio sem a nossa assinatura.Depois de Nestor Jost, um poltico que precisa se tornar tcnico, Carajs trouxe ontem a Belm o presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Eliezer Batista, um tcnico que se recusa a ser poltico. um tcnico que impressiona: pelo seu passado e pela exposio segura das suas concepes. Sua sinceridade quase rude s vezes agride e nem sempre sensata, mas ela prefervel a malabarismo simplesmente formais com que, frequentemente, se satisfazem as pessoas que no penetram um milmetro abaixo da superfcie das coisas. O contraste com a passagem de Jost no poderia ser mais pedaggica. A autoconana aparentemente ilimitada que tcnicos da competncia de Eliezer Batista pode provocar descarrilamentos na linha do bom tom. Ele no foi apenas descorts, mas infeliz, quando classicou de cretinas as notcias da imprensa sobre o recrutamento de mo de obra que a Vale do Rio Doce estaria realizando apenas no mercado do Rio de Janeiro. O senador Jarbas Passarinho, transmitindo indignao provavelmnte geral entre presentes no auditrio do Basa, fez ver ao presidente da CVRD que a notcia foi publicada em O Globo o jornal de maior circulao do pas (mais de 400 mil exemplares aos domingos) e fora retransmitida pela TV Globo e em muitos outros jornais, no s paraenses. O senador poderia ter acrescentado tambm que at antes de Eliezer Batista, os outros executivos da Vale e de empresas associadas, sem falar em Nestor Jost, disseram que tudo nop passava de equvoco e que a empresa estava apenas cadastrando possveis candidatos. No precisaria escorregar para expresso inadequada como cretinas. Anal, elas podem ter sido as fontes e estas foram da prpria CVRD, mesmo que no autorizadas. No conjunto das intervenes do presidente da Vale, esse episdio uma ligrana. Mas deve ser lembrado para realar para a prpria empresa a obrigao que ela tem, sobretudo como companhia estatal, de compatibilizar os seus vrios nveis de atuao. Com justicado orgulho, Eliezer Batista disse que a CVRD vende minrio de ferro para mais de 50 compradores espalhados por 25 pases, tendo um faturamento, no ano passado, de 2,7 bilhes de dlares, que a coloca em primeiro lugar entre os comercializadores individuais de ferro do planeta.

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15 Magnco. Mas a Vale precisa dosar sua dedicao ao mercado internacional, que exige a presena constante do seu precidente em cidades de todos os continentes, com igual ou semelhante ateno aos atnitos paraenses, que veem tanta grandeza sendo construda sem conseguir encontrar uma ala disponvel para agarr-la nesse trem super snico que sai das entranhas do Estado levando suas prprias entranhas para mercados to distantes. Os empresrios paraenses, os nicos que tm conseguido conversar um pouco mais pausadamente com os emissrios da alta administrao de Carajs, polarizada entre Braslia e Rio de Janeiro, Tm manifestado dupla preocupao. Uma com a participao das empresas locais nas atividades que o grande programa vai fomentar. Outra preocupao e com a absoro de mo de obra do prprio Estado, a m de que no apenas o capital seja incrementado, mas tambm o trabalho e, por extenso, a renda. A primeira aspirao s poder ser atendida residualmente e o motivo bem simples: como poder um grande projeto incorporar, como parceiros privilegiados, pequenas empresas? O prprio presidente da Vale citou um exemplo ilustrativo dessa diculdade. Ele disse ter sofrido fortes presses do Banco Mundial para que Carajs absor vesse rmas estrangeiras, inclusive no apoio logstico ao projeto. Eliezer Batista assegurou que a resistncia foi bem sucedida. Mas provavelmente a presso do Banco Mundial no tem agressividade igual dos bancos privados, que sempre combinam emprstimos com contratos de venda. No exterior, naturalmente. Por outro lado, a denio do projeto em grande escala gera um ciclo vicioso difcil de romper. Respondendo a uma pergunta feita no auditrio do Basa, o presidente da Vale admitiu que a losoa do projeto Trombetas, anterior ao seu retorno CVRD para um segundo mandato, errada e vem causando a inviabilidade do empreendimento. Para que ele pudesse se ornar modestamente rentvel, a Minerao Rio do Norte teria que produzir, no mnimo, seis milhes de toneladas de bauxita. S agora, com um plano de ampliao, essa meta ser atingida. Mas o que, para um tcnico do gabarito de Eliezer Batista, pode parecer uma soluo (produzir mais e assim atingir economia de escala), para um leigo curioso pode ser mais um complicador: como pagar, com a receita de um produto de baixo valor (e, pior do que isso, com preo manipulado pelos prprios scios da empresa, que so consumidores do minrio), emprstimos cada vez mais onerosos? Essa dvida ainda mais persistente devido inexistncia de poupanas internas sucientes, segundo a anatomia do modelo (ou da sua losoa), para garantir o investimento sem precisar recorrer a mais nanciamentos externos. Trombetas, porm, um negcio de 400 milhes de dlares at aqui. Carajs, s na parte de ferro, signica 10 vezes mais. O Grande Carajs, 150 vezes mais. Como, ento, gerar recursos sucientes para garantir a amortizao dos emprstimos que precisaro ser tomados no voraz mercado internacional? H uma frmula para reduzir essa voracidade: apresentar aos banqueiros internacionais contratos de venda de minrio de longo prazo, assinados com compradores idneos. Mas qual o preo a ser pago nos bastidores, claro pela obteno desses contratos? S quem j acompanhou os agentes de marketing no exterior tem uma ideia da batalha que preciso travar. E dos anis e dedos que preciso ceder. A Vale, sabemos, trava outras tantas guerras internas, que ela precisa vencer, se quiser se livrar de um ttulo que to grandioso quanto vazio: o de maior vendedora de minrio de ferro do mundo. Uma dessas guerras pelo direito de explorar as jazidas de mangans de Carajs, cujas concesses lhe pertencem. Para iniciar a lavra, a companhia s precisar investir mais 30 milhes de dlares, podendo deslanchar a operao imediatamente do ferro. Mas o governo ainda no decidiu se a autoriza a realizar a atividade ou se privatiza o mangans. S essa indenio serve para dar uma plida ideia das engrenagens, sem sempre aparentes, que impulsionam ou esmagam o setor.Projeto de ditadorNa sua passagem da semana passada por Belm, o deputado federal Jair Bolsonaro conrmou o artigo anterior (pg 9), que escrevi para o meu blog: se eleito presidente da repblica, ele vai devolver desta vez pelo voto popular a ditadura ao Brasil. Ningum mais, tanto os que o apoiam como os que o combatem, pode ter dvidas. O deputado do PSC, apoiado no Par pelo seu colega (e delegado) Eder Mauro, do PSD, pretende criar um regime militarizado, comeando por uma inovao caracterstica da democracia brasileira, culminando por um destino inevitvel a todas as ditaduras: abolindo a vontade popular. Uma das suas metas colocar uma arma na mo de cada brasileiro que a desejar, seguindo por um caminho pelo qual os Estados Unidos, detentores de metade do arsenal em poder de civis no mundo, comea a pensar em retornar, at chegar indstria blica, um dos principais esteios da sua industrializao, vis a vis os ingleses, em meados do sculo XIX, desembocando em sangrias como a mais recente e sangrenta, em Las Vegas. O discurso tem o mesmo desejo de seduo que levou ao golpe de 1964: a interveno militar que, para salvar a democracia, a vai destruindo por etapas constantes e cada vez mais intensas, conforme assinalado na tetralogia da ditadura pelo jornalista ElioGaspari, que a viveu intensamente, em vrios cenrios e por diversos matizes. Bolsonaro tem razo num ponto: o pensamento politicamente correto, sem querer, mas por efeito perverso da sua prpria existncia, o seu maior aliado. Disso d prova a multido que o recebeu no aeroporto, o seguiu pelas ruas da cidade, o ouviu em comcio e com ele se reuniu num acontecimento que no deixa de lembrar o congraamento do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemes, numa cervejaria de Munique, em 1923. De l, com estgio confortvel numa falsa priso, at o poder absoluto. Alis, d para observar que o olhar do ex-paraquedista Jair Bolsonaro se parece cada vez mais com duas outras guras equivalentes da histria recente do Brasil: Jnio Quadros e Fernando Collor de Mello.

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Belm precisa impor tolerncia zero ao crime, em particular o homicdio. Todas as formas e variaes de violncia se sucedem diariamente, em escala crescente e intensidade espantosa.No h mais cidado que se sinta seguro na cidade, em qualquer ponto do seu espao metropolitano, em qualquer horrio. No h mais regras. Tudo se tornou possvel. A tolerncia zero no autorizao para matar nem conivncia com a justia particular das milcias, que devem continuar a ser combatidas com o mesmo rigor aplicado aos alvos desse exerccio da justia pelas prprias mos. Tolerncia zero signica usar o maior rigor que a lei permite contra os criminosos, com nfase nos que destroem o maior patrimnio na Terra: a vida. Os rgos de segurana deviam promover uma ampla reunio pblica das lideranas policiais em todos os nveis e instncias com os representantes da sociedade para denir um plano de ao detalhado e objetivo sobre como proceder diante do crime com o mximo rigor legal, explorando ao mximo a autorizao repressiva da legislao. Um objetivo imediato, por exemplo, seria acabar com a tomada de refns, que virou acontecimento rotineiro. Preservando a integridade das vtimas desses bandidos, a polcia adestraria atiradores de elite nos melhores centros de formao desse prossional qualicado e colocaria disposio dos grupos encarregados de tratar desse crime as ferramentas mais modernas de abordagem e ataque aos que fazem refns. Eles saberiam que a fase de tolerncia a esse abuso acabou. A sociedade, tendo aprovado o mtodo, ter que acompanhar a sua execuo para avali-la, atravs de uma comisso designada na sesso inicial. Encontros peridicos seriam realizados para renovar a legitimidade da ao da polcia.A linguagem da internet: sabedoria do que no sabe Zara, no brao de Srgio Cunha, meu primo, garante, pela voz do dono: Jornal Pessoal, todo mundo deve ler, um jornal bom pra cachorro!. Obrigado pelo olhar, Zara. (Cortesia do Serginho.) A internet parece estar dando s pessoas a presuno de serem bem informadas. Um acesso ao Google sob determinado tema suciente para quem consulta se achar com conhecimento de causa, como se tivesse feito uma pesquisa se no completa pelo menos suciente para autoriz-lo a deitar falao, como se dizia antigamente, antes da era dos computadores em rede mundial e de banco de dados to rpidos que se apresentam a quem os defronta como o orculo de Delfos to instantneo quanto o leite em p. Essa presuno est matando os dilogos, os debates, as controvrsias, as polmicas e mesmo os conitos de ideias estes, cada vez menos frequentes. As partes se tornam refratrias interpenetrao dialtica de informaes e conhecimentos. Cada uma delas costuma sair como entrou: dona da sua verdade, impermevel admisso do erro. Mais do que isso: destituda daquela humildade que qualica e fertiliza o aprendizado. O autoritarismo e a intolerncia se fortalecem. A democracia se estiola. J ruim essa tendncia na sociedade civil. ameaadora nas instituies. No momento em que o Brasil sai da inrcia multissecular em relao s suas elites dominantes e s injustias abissais que o esterilizam, os agentes pblicos no esto conseguindo modular o seu papel de mediadores entre o poder e os cidados, entre os representantes e os representados, entre os empresrios e seus clientes entre a base da pirmide social e o seu sempre afunilado topo, inalcanvel at a Operao Lava-Jato (que processou ou colocou na cadeia os luzidios colarinhos brancos brasileiros, aqueles que lavam mais branco, principalmente na Sua e nos parasos scais, mas tambm em territrio nacional). Policiais, promotores e magistrados, que se tornaram os principais atores dessa pea original na histria nacional, muitos deles movidos pelos melhores propsitos e tomados pela mais justa indignao diante dos fatos escabrosos que apuram, j esto se excedendo no uso de juzos de valor e qualicativos, at mesmo da ironia e de um pretendido senso de humor. Foi o que fez a procuradora Fabiana Schneider ao comunicar imprensa a priso do presidente do Comit Olmpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, Enquanto atletas olmpicos buscavam a sua medalha de ouro, dirigentes guar davam suas barras de ouro na Sua, disse ela, a propsito das barras de ouro que Nuzman colocou num banco suo, sem declar-lo, no arranjo para comprar as olimpadas do ano passado para o Rio de Janeiro. A observao pertinente e justa. Mas melhor que o representante estatal exera objetivamente o seu ofcio, avanando no contedo e sendo austero na forma, de tal maneira a que reforce a convico dos cidados de que no se trata de perseguio ou de atendimento a interesses pessoais, mas de justia. Ser a maneira de consolidar o processo em curso, evitando que ele se desfaa pelo caminho. Anal, com Marx alertou, mesmo o que slido se desmancha no ar. Ainda mais o gs leve da subjetividade com risco de se tornar arrogante na sua informalidade.