Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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o a VIOLNCIA Cada vez maiorA cada dia o crime aumenta na regio metropolitana de Belm, no Par e no Brasil. A violncia no tem limites. Invade as residncias, age sem qualquer inibio nas vias pblicas, atrai cada vez mais participantes e deixa o cidado em desespero. At onde ela chegar? O balano de cada semana que se encerra em Belm apresenta um saldo negativo em matria de segurana pblica. A quantidade de homicdios permanece alta, os assassinatos se tornam mais brutais, parece haver mais gente participando do mundo do crime, que se sostica e ca mais agressivo, e o cidado passa do estado de insegurana para o de desespero. A sensao de vulnerabilidade vai a todos os lugares pblicos e entra nas casas. A inviolabilidade do lar se restringe cada vez mais regra da Constituio, letra cada vez mais ilegvel da lei. O lar est deixando de existir na periferia de Belm. Com menos intensidade, essa violao acontece em toda cidade e suas extenses metropolitanas. Todos os dias h registros de invases de residncias, seguidas dos piores crimes contra seus indefesos moradores. Na madrugada do dia 11, as vtimas residiam na baixada da Gentil Bittencourt, avenida que em outros trechos considerada uma via pblica nobre. Baixada pode ser a placa de interdio do poder pblico. O governo costuma estancar ali. Quando o terreno desce no rumo das drenagens,

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2 revestidas de concreto ou com as mar gens naturais de um igarap, a condio social e humana tambm desce. No to descaradamente como antes, quando boates e instalaes assemelhadas demarcavam a passagem do terreno um pouco mais elevado (e valorizado) para as baixadas inundveis, atraindo mulheres, adultas ou menores, para os rendez-vous, na prostituio aberta. A escassez de espao para atender a toda demanda especulativa do setor imobilirio fez com que a infraestrutura se estendesse alm desses limites para servir aos donos dos novos imveis, na expanso do catico crescimento ver tical da cidade. O pobre foi ainda mais connado. Mas a violncia, a partir desses guetos, estourou qualquer barragem, seja a espacial como a moral. Foi o que experimentaram as moradoras de uma humilde casa na baixada da Gentil. Nada menos do que cinco homens arrombaram a residncia, levaram os objetos de valor, abusaram e estupraram a lha da dona da casa (e sua me), diante do lho dela, de cinco anos, e saram tranquilamente, como se tivessem feito um programa normal, sancionado, insuscetvel de punio. Eram cinco horas da manh. Trs homens encapuzados arrombaram a porta da frente e entraram numa casa do conjunto Jlia Sefer, em Ananindeua. Identicaram-se como policiais. Cinco pessoas foram surpreendidas pela invaso. Os invasores pediram a identicao de Jovelino Alves dos Reis Jnior, de 41 anos, e de Claudionor Batista de Lima Jnior, de 19. Feita a identicao, retiraram os demais do quarto, obrigaram os dois a se ajoelharem e os executaram ali mesmo. Fugiram sem ser identicados. A polcia os procura desde ento, sem sucesso. Apesar de os assassinos se terem apresentado famlia como policiais, a prpria polcia classicou-os como milcia privada, sem ter qualquer infor mao sobre eles. As testemunhas nem mesmo viram que veculo eles usaram para fugir. Tudo indica que os trs foram contratados para matar padrasto e enteado ao mesmo tempo. Seria fcil cumprir a tarefa com um ou dois tiros. Mas descarregaram as 12 balas dos seus revlveres. Mesmo parecendo ser um servio prossional, o excesso indicaria qualquer forma de envolvimento ou nimo emocional, trao incoerente com a natureza do contrato de execuo por encomenda, a pedido de terceiros. um trao do agravamento das mortes por execuo na regio metropolitana de Belm. Talvez a polcia saiba que h mais milcias privadas (como policiais) agindo na rea, por isso logo interpretou esse assassinato. Quanto a cidados serem surpreendidos dentro de suas casas, numa hora de sono e descanso, por bandidos que invadem para matar com selvageria as pessoas que estiverem no local, isto j se tornou macabra rotina na violenta capital do violento Par.J o dono de alguns aougues na periferia de Belm estava em uma das suas lojas, na noite do dia 17, protegido por trs seguranas, quando oito homens encapuzados desceram de dois carros e duas motocicletas e comearam a atirar. Feriram os quatro alvos do ataque. Cada um deles recebeu um tiro, nenhum deles com ferimento mortal. Foram hospitalizados e colocados fora de perigo. At quando? Apenas um registro da violncia cotidiana, no fossem os detalhes. Um empresrio suburbano tendo que contratar trs seguranas signica que se sentia muito ameaado e, tendo condies, recorreu a uma milcia particular paga. Seus inimigos, capazes de se reunir numa expedio de morte com oito integrantes e contar o suporte de quatro veculos, um par de assassinos por cada um deles. Ao em pleno horrio comercial, numa rua movimentada do bairro da Cabanagem. Um estgio mais avanado, organizado e perigoso da criminalidade na capital paraense. O crime se expande, se fortalece e se torna mais intrincado. A polcia vem atrs. Muito atrs. A Superintendncia do Sistema Penal do Par liberou da prisopara a comemorao do dia dos pais, no domingo retrasado, 1.128 detentos. No ano passado (quando a liberdade beneciou 71 condenados a mais), 5%, 55 no retornaram. Podero voltar ao mundo do crime, incluindo a possibilidade de matar pessoas. Tiveram uma semana para organizar a fuga. S depois do dia 17 passaram a ser considerados foragidos e comearo a ser perseguidos para captura. Parece um exerccio anual do gato com o rato, que comea com uma trgua. O rato ignorando quem o gato e vice-versa. Todo ano, a Susipe responde aos protestos da populao explicando que apenas cumpre ordem. O benefcio da sada temporria de detentos deciso da justia. concedido a presos que cumprem pena em regime semiaberto, apresentam bom comportamento e j cumpriram pelo menos um sexto da condenao. Esse benefcio se soma a tantos que a sentena judicial parece existir para no ser cumprida. Depois da impunidade geral e da inecincia do aparato estatal, a reduo da pena, por vrios mecanismos, a causa mais importante para os criminosos se sentirem impunes e serem estimulados a delinquir. Com violncia, cinismo e selvageria crescentes. O Estado tem que respeitar todas as garantias individuais, inclusive dos criminosos. Mas ter o mximo rigor e a mo mais pesada para fazer cumprir a lei contra os que a desrespeitam. Adotando a tolerncia zero, com qual o prefeito Rudolph Giuliani reduziu em 67% os homicdios em oito anos, em Nova York. Vrias cidades brasileiras j esto com um grau de violncia e assassinato pior do que NY antes de Rudy. Belm dentre elas. A regio metropolitana da capital tambm. Portanto, tolerncia zero com os criminosos. As penas tero que ser cumpridas exatamente como foram sentenciadas. O poder pblico que trate de investir pesado para colocar

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3 os punidos nas cadeias, em condies humanas, mas para pagar na exata medida dos seus crimes, conforme denidos pela justia. Inclusive o custeio das suas despesas de hospedagem nas penitencirias, atravs do trabalho Trs anos atrs, Fabiano de Jesus Mattos Raiol e Laurentt Ricardo de Souza Pereira tomaram dinheiro emprestado do comerciante Antnio Jnior da Silva e no pagaram. O agiota comeou a cobrar o crdito, que chegou a seis mil reais, mas os dois no tinham condies de quit-lo. Decidiram matar o comerciante quando ele reteve seus cartes de crdito. Atraram-no com a promessa de fazer o pagamento e o atacaram, asxiando-o at a morte. Depois o levaram no carro at a estrada da Ceasa, entraram na mata e queimaram tudo: o veculo e o comerciante, cujo corpo cou carbonizado. No dia 17, Fabiano, que era soldado do Exrcito, foi condenado pelo tribunal do jri, por maioria de votos, a 15 anos e seis meses de priso, enquanto Laurentt, que era cabo, recebeu a pena de a 15 anos e 5 meses, ambos agora com 28 anos de idade. apenas um pouco mais do que a mnima prevista em lei, de 13 anos, para os crimes de homicdio qualicado e ocultao de cadver (a imputao de furto qualicado foi excluda). O mximo seria de 30 anos. Eles no podero recorrer da sentena em liberdade. Mas podero ser soltos cinco anos depois de comearem a cumpri-la. A sentena previu a priso em regime inicialmente fechado. Signica que o bom comportamento e outras atenuantes podero tir-los da penitenciria muito mais cedo. Tudo rigorosamente dentro da lei. Ela condescendente demais, ainda quando se trate de assassinato praticado por motivo torpe e sem chance de defesa, como esse. Num pas do chamado primeiro mundo, como os Estados Unidos, a Frana, a Inglaterra ou o Japo, crime com essa qualicao impe o cumprimento da pena mxima em regime fechado at o ltimo minuto previsto. A juza ngela Alves Tuma, da 3 vara criminal de Belm, que presidiu a sesso do jri, considerou como atenuantes do crime o fato de a vtima ser agiota e os assassinos terem confessado o crime. A cobrana de juros extorsivos em atividade nanceira irregular ou ilcita merece condenao moral e alerta pedaggico. Mas no para minimizar a barbaridade do assassinato. A consso se tornou irrelevante: a polcia chegou rapidamente aos matadores, graas a denncia pelo telefone 190 de funcionrios da Ceasa, que viram o carro pegando fogo. Um dos criminosos, que se queimou ao tocar fogo no carro e no corpo do comerciante, deixou uma pista poderosa pelos hospitais que percorreu at ser atendido no Hospital Metropolitano, em Ananindeua. As provas foram se juntando e a priso foi quase imediata. O processo que demorou mais. Seu desfecho, por ora, ainda pendente de recursos, que no contribui para punir com toda severidade necessria crimes dessa brutalidade que, no por acaso, se multiplicam na grande Belm.Elisngela Bessa Cordeiro, de 41 anos, voltava para casa de carro, com o marido, depois de passar a noite inteira vendendo batata frita numa barraquinha armada em Nilpolis, na baixada uminense. No caminho, prximo ao viaduto da avenida Brasil, uma das mais movimentadas do Rio de Janeiro, caminho de acesso e sada da cidade, quatro homens armados abordaram o casal. Elisngela teria tentado reagir e foi morta com um tiro de fuzil na garganta. Tornou-se o 97 policial militar a ser assassinado neste ano na outrora cidade maravilhosa, que por mais tempo foi a capital federal do Brasil. Sem receber o 13 salrio, ganhando mal e sem estrutura para trabalhar, ela completava seu salrio de sargento da PM com a venda na rua. A polcia prendeu dois dos quatro bandidos. Ambos so menores. A pena por uso de fuzil no crime de homicdio agravada em 3 anos. A sentena pela morte, de 15 anos. Por serem menores, os dois integrantes do bando j apreendidos cometeram ato infracional anlogo a um crime. Sero submetidos a internao por oito meses. Depois, sero soltos. Se maior houver no atentado, poder receber os 15 anos, mas s cumprir cinco ou seis. E voltar plena delinquncia. Revoltado com essa porcaria de legislao, o secretrio de segurana pblica do Rio, Roberto S, no cargo h menos de um ano, gasto em boa parte a circular por cemitrios, disse que a polcia prende quatro mil pessoas por ms, 24 armas por dia (2 por hora). Foram 300 fuzis at agora, 370 no ano passado todo. So armas para uso digamos assim prossional. Para matar, se necessrio. Necessidade estabelecida arbitrariamente e sem clemncia por quem possui a arma. A sociedade vai permitir que ele continue com o poder da iniciativa e da punio branda, mesmo quando tira a vida de uma pessoa? No vai colocar a polcia como prioridade de fato (e no apenas retrica) da reforma do pas? compre divulgueO LEITOR QUE FAZ O JORNAL

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4 Justia fora Belm a pagar a sua dvidaA adeso do Par: Uma data fantasiosaA adeso do Par independncia do Brasil, em 15 de agosto de 1823, foi uma farsa. Ela se renova a cada ano em que o nico feriado estadual comemorado nessa data, como na semana passada. O ato de adeso foi organizado por uma elite antinacional que, com o passar dos anos, a origem da elite atual, sem compromisso com a verdade histrica e o que ela impe de tarefa cvica. A adeso aconteceu quase um ano depois do famoso ato do imperador Pedro I s margens do riacho Ipiranga, em So Paulo. S que, bem antes, os verdadeiros nacionalistas tinham tentado acabar com o domnio colonial portugus e foram violentamente reprimidos pelo poder estabelecido. Os revoltos de Muan, no Maraj, foram presos, deportados ou mortos. Quando o almirante ingls Cochrane, terceirizado pelo imperador para impor a sada conciliadora da autonomia nacional com dependncia metropolitana, mandou de So Lus do Maranho um navio para dar a notcia da independncia e o comandante desse navio, o tambm mercenrio Grenfell, se anunciou como frente de uma esquadra de guerra, os portugueses e aliados trataram de assinar uma ata de adeso. A cerimnia solene foi realizada no dia 15 de agosto, no palcio do governo, que j foi Lauro Sodr e hoje museu. Logo em seguida, descoberto o ardil do sanguinrio Grenfell, tudo voltou a ser como dantes, at o dia 7 de janeiro de 1835, 12 anos depois, quando irrompeu a cabanagem. A revolta do povo quebrou todas as estruturas de conteno. Foi sangrenta e terrvel. Se acontecesse hoje, teria provocado mais de dois milhes de mortes. Nmero espantoso que a histria nacionalreluta em incorporar. Foi o preo para acabar com um sistema colonial, o portugus. E abrir as portas para outro sistema colonial, o britnico. Os ingleses que iniciaram o nanciamento explorao da borracha, estabelecendo seus interesses at descartar os seringais nativos da Amaznia, trocados pelos plantios asiticos da hevea brasiliensis. Como, no mais recente captulo desse colonialismo, os chineses esto se apossando da principal logstica regional, refazendo o caminho de escoamento das riquezas naturais para o alm -mar de sempre. Dcima maior cidade do Brasil, Belm pobre. A prefeitura espera arrecadar neste ano de impostos 640 milhes de reais. D a mdia de R$ 40 por habitante. Devolver em investimento, se cumprir o oramento, R$ 20 per capita. um tero do que gastar com o pagamento do funcionalismo. O investimento no chegar a 10% do oramento, se tanto. Sua receita depende muito mais das transferncias federais e estaduais do que da arrecadao prpria, na proporo de um para trs. Fazer alguma coisa de relevante na capital dos paraenses muito difcil. Exige dos seus dirigentes elevada capacidade administrativa. Esta, no entanto, uma das grandes lacunas h muito tempo, numa sucesso de prefeitos medocres. Belm cou apenas em 8 lugar entre os municpios paraenses com boa gesto scal e na 626 posio no Brasil, segundo o ranking divulgado na semana passada pela Federao das Indstrias do Rio de Janeiro. O ndice da capital foi de 0,610, bem abaixo do municpio de Tucum, que ocupou o topo estadual, com 0,7889 (a 19 do pas). O objetivo do estudo avaliar como so administrados os impostos pagos pela sociedade s prefeituras, que administram um quarto da carga tributria brasileira, mais de 461 bilhes de reais, total que supera o oramento do setor pblico da Argentina e do Uruguai somados. O ndice varia de 0 a 1 ponto. Quanto mais prximo de 1 melhor a situao scal do municpio. Cada um deles classicado com conceitos A (gesto de excelncia, com resultados superiores a 0,8 ponto), B (boa gesto, entre 0,8 e 0,6 ponto), C (gesto em diculdade, entre 0,6 e 0,4 ponto) ou D (gesto crtica, inferiores a 0,4 ponto). O estudo mostra que 937 prefeituras desrespeitaram a Lei de Responsabilidade Fiscal, no informando ao tesouro nacional como gastam os recursos pblicos. Entre os cinco Estados menos transparentes, trs so da regio Norte. O Amap lidera essa estatstica: 14 de suas 16 cidades no apresentaram suas contas. Em seguida, o Par, com quase dois teros das prefeituras sem entrega de dados, e Roraima com quase metade das cidades sem declarao de suas contas. O efeito dessa m gesto se fez sentir alguns dias depois do anncio do ndice Firjan. O presidente do Tribunal de Justia do Estado, Ricardo Ferreira Nunes, determinou o sequestro de recursos da prefeitura de Belm por inadimplncia no pagamento de precatrios judiciais. A prefeitura da capital no estava fazendo o depsito mensal para o pagamento de precatrios visando a quitao desses dbitos acumulados at o nal de 2020. A parte agora executada se refere aos meses de janeiro a julho deste ano. O poder judicirio intervir na gesto da administrao municipal para obter esses recursos, num total de 4,2 milhes de reais, atravs de um Procedimento Geral de Gesto de Precatrios. O mesmo procedimento foi adotado em relao a Altamira. Capanema e Aurora do Par.

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5 Klester deixa direo: Dirio continua igualEquatorial melhora a Cemar e a CelpaAs duas empresas daEquatorial Energia na regio Norte caram entre as melhores empresas de grande porte para se trabalhar no Brasil, conforme a pesquisa da consultoria Great Place To Work, divulgada na semana passada, durante evento em So Paulo. A mais bem colocada foi a Cemar, empresa ener gia do Maranho, em 22 lugar em 2017. O ranking classicou as 25 empresas preferidas. A Celpa cou no rol das melhores empresas listadas, j sem classicao individual. A Equatorial assumiu o controle da Cemar, que tem 1.184 funcionrios, em 2006. Substituiu o grupo Rede na Celpa, com 1.483 funcionrios, em 2012, logo em seguida ao incio do processo de recuperao judicial da concessionria estadual de energia.No ranking, a Minerao Rio do Norte, que extrai bauxita no Trombetas, no sul do Par a nica empresa de minerao classicada. O levantamento feito pela GPTW a partir de consultas aos departamentos de recursos humanos e aos empregados. O objetivo vericar o nvel de conana dos funcionrios. A pesquisa tambm considera os comentrios dos empregados sobre o ambiente de trabalho. O levantamento feito em 53 pases. No Brasil, desde 1997. O ttulo surpreendeu os consumidores, acostumados a reclamar e muito da Celpa. Se os usurios da concessionria fossem consultados, ela no estaria em to boa posio. Mas parece que seus empregados tm opinio distinta e devem ter suas razes para uma mudana favorvel em relao fase da Rede, que foi desastrosa. Se a progresso da Equatorial no Par for do mesmo padro do estabelecido no Maranho, pode-se ter uma esperana de melhoria tambm nos servios da empresa. O pernambucano Klester Cavalcanti deixou, no dia 17, de ser ocialmente o diretor de redao do Dirio do Par cargo que ocupou por dois anos e trs meses. Em seu lugar, assumiuClayton Matos, funcionrio de carreira da casa, onde comeou em 2000, como estagirio no caderno de esportes. Sem conseguir fazer o seu sucessor, Klester se despediu anunciando que recebeu proposta irrecusvel da mineradora Samarco. Sua nova misso seria ajudar na reconstruo de Mariana, atingida pelo vazamento de uma bar ragem de conteno de rejeitos da empresa, que se estendeu pelo vale do rio Doce, entre Minas Gerais e Esprito Santo. Foi o maior acidente ecolgico ocorrido no Brasil. Sua escolha para o principal cargo na redao do Dirio inte gra uma tradio da imprensa local de trazer prossionais de fora para executar mudanas na linha editorial, na aparncia ou na retaguarda industrial da empresa. O gasto sempre foi maior do que se a iniciativa fosse executada com a prata da casa. Os resultados raramente justicaram essa importao de mo de obra supostamente mais qualicada. O caso foi mais desastroso foi o da Folha do Norte Depois da morte de Paulo Maranho, que conduziu por meio sculo o jor nal com mo de ferro para a posio de um dos mais influentes do Brasil, um dos seus filhos, Clvis Maranho, que assumiu o lugar do pai, com a ajuda das irms, contratou uma equipe do Jornal do Brasil para modernizar o velho matutino. Os assessores ficaram no hotel mais caro da cidade naquela poca, o Grande Hotel, e gastaram larga. O jornal mudou de imagem, mas no conseguiu se livrar da morte anunciada. Teve um final melanclico. Provavelmente os resultados seriam melhores se as empresas jor nalsticas locais oferecessem mais cursos e estgios de qualicao ao seu pessoal, sem precisar impor tar chefes que nem se integram cidade, como geralmente acontece (Klester tambm morou em hotel). Mas isso raro. A consequncia que o salvador importado s melhora episodicamente a publicao, uma vez retor nando sua base de origem, ou a torna pior ainda, como fez Klester. Sua maior inovao foi tirar a principal coluna do jornal, o Reprter Dirio, da tradicional pgina 3, que nobre, por ser a primeira depois da capa, visvel ao virar da pgina, para a pgina fora da viso imediata, a 2. E por colocar mais sangue nas pginas do caderno de polcia. Na sucesso macabra de fotos de cadver, uma das ltimas edies do jornal da famlia Barbalho sob o comando de Klester publicou foto tamanho grande do cadver de Marly Rodrigues Gomes, assassinada provavelmente pelo marido, Benedito Leo da Costa, em Portel, no Maraj, com um tiro de espingarda no peito. Na imagem usada pelo jornal do senador Jader Barbalho, o corpo de Marly est desnudo. Uma tarja preta foi colocada sobre os seus seios. Um tecido sobre o seu rgo genital. Sua cabea foi poupada na edio da fotograa, para no sujeitar o jornal a alguma punio legal (na prtica, nada mais do que uma quimera). O resto foi exposto com crueldade e oportunismo para o leitor doente. O jornal, que disputa com seu concorrente, O Libe ral o ttulo de mais sensacionalista da imprensa mundial, explorou ao mesmo tempo a violncia e o sexo. O que importa vender. Foi uma marca de despedida do consagrado jornalista Klester Cavalcanti.

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6 Ainda ser possvel parar o desmatamento? No ano passado, o desmatamento na Amaznia voltou a crescer, violando os compromissos do Brasil ao aderir ao Acordo de Paris, de faz-lo reduzir. Quase imediatamente, os governos da Noruega e da Alemanha reagiram. Criticaram e pressionaram o Brasil a adotar medidas contra a derrubada da oresta nativa. Sem resposta, a Noruega, principal investidor em ecologia na regio, reduziu metade a sua participao no Fundo Amaznia, que de quase todo o seu oramento. O Brasil perdeu 200 milhes de reais com essa deciso. Em Braslia, So Paulo e outras capitais, houve indignao. Os pases estrangeiros no estavam respeitando a autonomia nacional. Certamente posavam de bonzinhos no porque queiram preservar a Amaznia. porque querem explor-la. A Noruega, principalmente, em funo dos seus interesses e investimentos realizados na rea do Pr-Sal, com petrleo, e no controle do ciclo do alumnio no Par, dentre outros objetivos. A Alemanha, porque vende tecnologia, produtos e servios nesse setor. Tudo pode ser at verdade. Algumas crticas procedem, outras so injustas, vrias so fantasiosas ou mesmo mentirosas. Ainda que fossem integralmente verdadeiras, o que resultaria delas? Mais desmatamento, indiferentemente a uma razo para prossegui-lo. A suspenso das derrubadas, no utpico desmatamento zero, no mais apenas por razes ecolgicas ou humanitrias. tambm por motivos econmicos. Pases que investem em maior conhecimento da natureza usufruem os benefcios de contar com um meio ambiente mais favorvel vida humana num planeta seriamente ferido. Eles tambm comeam a ganhar dinheiro. J h mer cado especializado, que funciona quando algum prova que a madeira comercializada vai continuar o seu ciclo porque sua origem est sendo mantida. Ou que a reduo na emisso de gases de efeito estufa ou outros agressores do clima esto em baixa. Papis j existem para avalizar esse novo circuito de dinheiro. Na Amaznia, apenas duas empresas preencheram todos os requisitos desse mercado especial, ambas estrangeiras. O desmatamento cresceu, na contramo do que se exige para uma economia atualizada conscincia da humanidade neste sculo, porque os desmatadores ainda acham que a agricultura s oresce se no h mais rvores no terreno, que a mata fonte de problemas ou se movem pelo interesse imediato do lucro maior e mais fcil. Uma utilizao racional da oresta custa pelo menos 70% mais caro do que o mero abate e comer cializao de rvores em p ou transfor madas apenas em toras. O futuro a Deus pertence, para lembrar a clebre frase de um ministro da Justia da ditadura, Ar mando Falco, cuja biograa tinha a ver com muita coisa, mas no com a justia. Como h mais de meio sculo, quando comeou o ciclo da destruio intensiva da oresta amaznica, seu uso inteligente continua a ser mnimo. Calcula-se que a produo de bens de origem orestal por mtodos racionais, atestados atravs de certicao por rgo de credibilidade internacional, talvez nem chegue a 1% do total. Pelo menos 80% das derrubadas so francamente ilegais, proporo que no baixa, apesar de todo avano na poltica e na prtica ecolgica do Brasil. A mentalidade do pioneiro, aquele que se defronta diretamente com as reas ainda tidas como selvagens da Amaznia, rapidamente submetidas civilizao, quase a mesma dos bandeirantes que desbravaram o interior do Brasil base de machado e arma de fogo. No surpreende que a natureza e o habitante nativo sejam suas vtimas. Nem que o brasileiro destrua mais natureza do que qualquer outro povo da Terra e que a violncia nas reas de expanso da economia nacional seja das maiores dentre todos os lugares do planeta, excetuados os pases em guerra, aberta ou civil mas nem todos. no ponto de contato desse pioneiro com os remanescentes do ambiente natural e humano que a ao do poder pblico se faz necessria, tanto na for ma educativa e preventiva quanto na repressiva, com base nas leis e nas normas de proteo a interesses mais elevados (e prevalecentes) do que os dos pioneiros, por mais poderosos que sejam. Quase sem colocar dinheiro seu no Fundo Amaznia, de mais de um bilho de dlares, o governo usa os recursos sem respeitar suas regras. Ao invs de aplica-los exclusivamente em projetos em defesa da natureza (em nmero insuciente at para absorver a totalidade da verba), os usa em atividades de custeio, como o pagamento dos scais do Ibama. Menos mal, porm: o efetivo baixou de 900 para 600. J era insatisfatrio. Agora se tornou quase simblico. No parece ser um fato isolado ou casual. Faz parte de uma srie de eventos que esto fazendo a Amaznia retroceder do caminho a uma aproximao mais har mnica do homem com a natureza, a par tir de uma melhor compreenso do que a regio e signica. A investida do comr cio exterior brasileiro em commodities o motor do avano sobre reas novas, mesmo com um passivo imenso de reas j degradadas, que poderiam ser reutilizadas. Mas ainda mais imediato e lucrativo ir em frente, derrubando mata, do que investir em mtodos superiores para retomar reas abandonadas justamente por esse sistema produtivo de migrao. O componente poltico desse mecanismo potencializa essa dinmica perversa. Sob Lula e Dilma, em funo da viso desenvolvimentista dos dois presidentes (fascinados pela diretriz do regime militar, de integrar para no entregar, e do defasado expansionismo do socialismo real, tambm antiecolgico, dos idelogos do PT). Sob Temer, pela fragilidade do seu governo, que depende do centro e, dentro dele, da bancada ruralista, representante do agronegcio, para existir e fazer o que quer. Nem todos os sinais e indicadores no horizonte so negativos. O Ibama, por exemplo, dever adotar um novo sistema, totalmente eletrnico, para controlar a comercializao de madeira no Brasil. Talvez permita eliminar ou pelo menos reduzir substancialmente o uso de documentao fraudada para esquentar madeira extrada ilegalmente, sobretudo de reas protegidas, que so o mais alvo atual (de que o maior exemplo a presso sobre a reserva de Jamanxim, no oeste do Par). O governo federal promete exigir de quem fornece para a administrao pblica ou executa obras por ela contratadas a comprovao da origem da madeira, que s ser aceita se for obtida de forma considerada responsvel. Novas promessas, e mesmo conquistas, que provavelmente no tero a extenso e profundidade necessrias para impedir que a derrubada de mata nativa prossiga na Amaznia. Talvez nem mesmo que volte a crescer. A Amaznia continuar a desaparecer a cada novo dia.

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7 Mudana no MP do Estado: s a lei ou mais do que ela?Os grandes anunciantesA Vale tem um novo competidor na disputa pelo ttulo de maior anunciante na grande imprensa paraense: o Banco da Amaznia. No com a mesma distoro da estatal, uma mineradora cujo produto vendido por milhes de toneladas para umas trs dezenas de clientes espalhados pelo mundo, que no leem O Liberal ou o Dirio do Par mas que anuncia como se fosse uma rede de supermercados. Como banco tambm de varejo, embora tendo nos emprstimos em condies especiais, sobretudo atravs do FNO, sua principal fonte de receita, o Basa passou a anunciar muito nos ltimos tempos. Deve ser para melhorar sua imagem e se tornar mais conhecido, atrando mais clientes. O xis a mais da verba, no entanto, pode ter ainda outro objetivo: fazer amigos e inuenciar pessoas. Quando um anunciante se torna to constante, os donos dos jornais se tornam generosos e cativos. Simplesmente nenhum arranho admitido nos interesses do cliente especial. At mesmo a funo jornalstica deixada de lado para que o interesse comercial prevalea. Se o que interessa a fantasia, confetes e ser pentinas de um lado para o outro, tudo bem ou tudo mal. A partir da a publicao perde o senso crtico e entra num relaxamento absoluto. Ao invs de matrias redacionais, press releases. No lugar do interesse pblico, o acerto entre as partes. A imprensa deixa de ser o ltro dos acontecimentos e a porta-voz da sociedade. O Basa melhorou e est sendo maravilhosamente administrado? O noticirio diz que sim. Mas no h qualquer matria analtica sobre o balano da instituio. Tudo que sai o que a assessoria do banco manda para os jornais. E assim ser enquanto o uxo de anncios se mantiver. Se for interrompido, vir a represlia. Quem cria a dependncia tem que lidar com ela at o m. O procurador de justia Nelson Medrado foi exonerado no dia 18 da funo de coordenador do Ncleo de Combate Improbidade Administrativa e Corrupo do Ministrio Pblico do Estado. A medida, assinada pelo chefe do MP, Gilberto Valente Martins, se baseou no fato de Medrado estar respondendo a um Processo Administrativo Disciplinar. Resoluo de fevereiro deste ano do Conselho Nacional do Ministrio Pblico, para ser obser vada com exigibilidade imediata por todos os ramos do Ministrio Pblico brasileiro, criou impedimento para o procurador permanecer na funo de conana ou em comisso estando sujeito a um PAD, juntamente com o promotor de justia militar, Armando Brasil. O procedimento foi instaurado na gesto anterior do procurador-geral Marcos Antnio das Neves. A medida teve por origem uma ao civil pblica, por improbidade administrativa, proposta contrao governador Simo Jatene, a secretria estadual de Administrao, Alice Viana Soares Monteiro, e o lho do governador, Alberto Lima da Silva Jatene, mais conhecido por Beto. Em resposta, o governador do PSDB alegou que a ao foi ajuizada sem a competente delegao de poderes, exigida pela Constituio federal e a Lei Orgnica do Ministrio Pblico, que cabia a Marcos Antnio conceder, o que ele no fez. Os dois promotores questionaram o fato de Beto Jatene for necer combustvel a parte da frota da Polcia Militar, faturando aproximadamente 5 milhes de reais entre 2012 e 2014, atravs dos seus postos. Como os autores no apresentaram a delegao de poderes, a juza Katia Parente Sena excluiu o governador da ao. Jatene ento representou contra Medrado e Brasil ao procurador-geral, que recebeu a representao, mas no se manifestou a respeito. Acabou fornecendo a delegao de poderes dias antes de deixar o cargo, como represlia por Jatene no ter nomeado o candidato que apoiava para suced-lo. As amistosas e quase cmplices relaes entre os dois se rompeu depois de um encontro tenso e agressivo que tiveram. Nessa poca, Medrado e Brasil j respondiam ao PAD e estava em vigor a resoluo do CNMP que impedia Medrado de ocupar cargos em comisso ou funo de conana e a designao para auxlio e colaborao nos rgos auxiliares, da administrao e da Administrao Superior do Ministrio Pblico. Com a formalizao do seu afastamento, a chea do NCIC passou a ser exercida pelo promotor Alexandre Couto Neto. No mesmo ato, Gilberto Martins nomeou para o ncleo mais um promotor, Domingos Svio Alves de Campos, e anunciou a nomeao, nos prximos dias, de um terceiro promotor para reforar a equipe. A nota ocial divulgada pelo chefe do MPE teve a inteno evidente de negar que a exonerao de Medrado atenda a pedido de Simo Jatene, em retribuio pela sua nomeao pelo governador, mesmo tendo sido o segundo mais votado da lista trplice. O mais votado foi Csar Mattar, o candidato do ex-procurador-geral. A tramitao da ao proposta contra Jatene e outras providncias que visam o governador tucanovai ser um medidor do que houve: mero cumprimento da determinao superior, que se impunha, ou tambm, com base nela, a oportunidade para uma negociao poltica.

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8 Cultura e politicagem (ou pilantragem?) A cultura delesO marketing polticoOs publicitrios Joo Santana e Mnica Moura zeram a campanha de Lula presidncia da repblica em 2006 e de Dilma em 2010 e 2014. Ao serem presos pela Operao Lava-Jato, tinham quase 30 milhes de reais depositados em bancos brasileiros. O dinheiro foi bloqueado. O juiz Srgio Moro mandou transferir R$ 6 milhes para contas judiciais. O casal pediu a liberao do restante, alegando estar passando por grandes diculdades. No s para se manter como para pagar os trs advogados que o defendem. O Ministrio Pblico Federal foi contra. Quer esperar para saber o quanto Joo e Mnica transferiram para o exterior da receita dessa propaganda poltica. Os valores do uma ideia do quanto se gastava em campanha eleitoral no Brasil e do quanto cabia aos marqueteiros polticos. Talvez esta era tenha chegado ao m. Ou, ao menos, tenha descido alguns degraus na escada do abuso. Continua a jorrar aos borbotes a cachoeira de emendas de deputados estaduais que destina recursos pblicos para artistas individuais e grupos artsticos atravs da Fundao Cultural do Par. Provavelmente o total j passa de 400 e o valor ultrapassa 10 milhes de reais. O controle legal sobre essa aplicao de dinheiro do povo mnima. A sociedade no sabe quais so os critrios para a inexigibilidade de licitao na contratao desses artistas. Seus mritos no so pblicos e notrios, muito pelo contrrio. A esmagadora maioria de ilustres desconhecidos. Mesmo assim, eles ganham cachs de valor muito acima do mer cado, inclusive, em muitos casos, do circuito nacional. No se dispe de qualquer avaliao sobre seus desempenhos e o signicado dos espetculos dos quais participam, subsidiados pelo poder pblico. Nos atos de convalidao dessa prtica suspeita, mas impositiva, a fundao estadual nem identifica os autores das emendas parlamentares. Era o mnimo que devia fazer para apontar os responsveis pelos eventuais desvios de finalidade dessa prtica e seus possveis ilcitos. J que nenhum rgo estadual se permite prestar os devidos esclarecimentos, cobrados j h bastante tempo, fica uma sugesto para a Receita Federal: pegar os nomes dos artistas que recebem cachs do governo e verificar se eles declaram os valores recebidos ao imposto de renda. Talvez essa apurao possa conduzir a um novo escndalo: a cultura como biombo para corrupo poltica. Belm j tema de histrias e fofocas no meio artstico de So Paulo. Essa conquista se deve ao festival de pera do Teatro da Paz, que chegou neste ano sua 16 edio. H uma cobia entre artistas paulistas (e tambm cariocas) para entrar nessa programao. Ela tem qualidade e se distingue no cenrio nacional. Quem est por trs dela conhece profundamente pera, um apaixonado por ela e quer fazer o melhor possvel: o advogado Gilberto Chaves. Seu primo, o secretrio de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, lhe d todo apoio. No so comuns no pas essas condies. Da o poder gravitacional dos espetculos promovidos no Par. Enriquessem realmente currculo. Natural que os interessados disputem um lugar no palco de um dos mais belos teatros do pas (projetado para ser mesmo uma casa de pera). E que, por inveja ou qualquer outra aleivosia (como se dizia antanho), surjam histrias sobre favorecimentos de alguns e jogo de interesses de outros. Outro motivo o valor dos cachs, considerados generosos ou algo mais. Quem paga a conta est sendo informado sobre o valor exato dessa iniciativa e consultado para dizer se a aprova? Evidentemente que no. Trata-se de um ato de imprio do titular da secretaria. Cada festival deve sair por alguns milhes de reais, gasto principalmente com artistas importados. Sua presena pode ser fecunda, mas pode ser tambm to intensa quanto o efeito de um perfume barato. No se sabe. Porque no se trata de uma realizao transparente. Pblica no nanciamento, privada na execuo, seleta no benefcio. Interessa ao pobre Par que seja assim?

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9 Brasil quer democracia. Os polticos no queremOs gregos antigos inventaram a democracia. Os brasileiros contemporneos a esto desinventando. o que signica a reforma poltica em curso no Congresso Nacional. Foi to meticulosamente preparada, por uma preocupao casustica, que, a princpio, s tinha semelhana no sistema poltico do Afeganisto, jamais um modelo democrtico. Com as alteraes introduzidas para permitir a aprovao do monstrengo pelo parlamento e melhorar a manipulao da opinio pblica, o que est sendo gestado nos laboratrios de Braslia passou a ser nico no planeta. O Brasil volta no tempo. Ao deporem o presidente constitucional do pas, em 1964, os militares alegaram que ele propiciava a subverso e a corrupo no Brasil. Afastaram-no do poder e adotaram mecanismos de exceo para defender a democracia. No podiam ir diretamente a uma ditadura, como fariam quatro anos depois, ao patrocinar o AI-5, no nal de 1968. Tinham que justicar sua condio de democratas, defensores de uma Constituio que o chefe da nao estaria a violar. No era uma democracia, mas tinha que parecer. medida que os instrumentos de exceo se foram multiplicando, os patronos do regime foram encontrando adjetivos acompanhantes para a incompreensvel democracia que estavam gestando: era a democracia brasileira, social, relativa e por a afora. At ela cair numa ditadura sem disfarces, violenta e despudorada. Os parlamentares que agora fazem o mesmo de outra forma so benecirios do mais longo perodo de democracia no Brasil desde a revoluo de 1930, que ps m primeira repblica e colocou os novos turcos tenentistas no centro do poder, no qual envelheceram (e vrios envileceram). Trs dcadas depois do m do ltimo perodo de ditadura, eles esto profundamente desgastados junto sociedade civil. Abusaram dos abusos. O atestado de falncia dessa gerao ps-1985 o caderno de deve e haver de algibeira da JBS com os nomes de 1.800 polticos que a empresa diz que comprou. Recor de mundial de corrupo em qualquer lugar e em todos os tempos. Essa classe poltica no pode se apresentar aos brasileiros como integrada por guias e profetas de uma democracia nica no mundo, como ser se a reforma poltica que cozinham em fogo alto se rmar. O que foi o projeto de um modelo de partido nico virtual, embora no formal (como na Venezuela de Chvez e Maduro, ainda decantado por cer ta esquerda, apesar do sofrimento do povo venezuelano), antes s do PT, se tornou bandeira de todos os partidos que gravitam sempre em torno do poder em funo do seu heliotropismo. Onde brilha a luz do dinheiro, dos favores, dos benefcios e das vantagens, l que se encontram. O objetivo real est disfarado por cantilenas sedutoras, mas claro: uma gerao de polticos corruptos, opor tunistas, demagogos e incompetentes tem que ser expurgada da vida pblica. Com essa justa punio eles no concordam. Seu cinismo no permite. Ento eles substituem a vilania de empresas malss pelo dinheiro pblico a jorrar em cascata. Pregam o fortalecimento dos partidos polticos exatamente quando eles buscam a camuagem de outros nomes e siglas. Prometem a renovao, mas colocam a seleo de candidatos nas mos dos velhos morubixabas da poltica e dos novos gngsteres. Dizem que tudo isso um passo para um futuro radiante exatamente quando representa o oposto: no s uma volta, revista e adaptada, ditadura de 1964, como repblica de antes de 1930, dos governadores-coronis e dos seus sequazes no topo do poder. Com um golpe de mo, marginalizam a manifestao do povo atravs do voto universal, a marca essencial da democracia, por um mesmo gnero de maneirismo que resultou no senador binico do prussiano general Ernesto Geisel. Os brasileiros, indignados e revoltados, querem mesmo a velha e boa democracia. E ponto nal. Imagine-se algum que, em visita pela primeira vez a Belm, vindo de outro pas (ou mesmo do sul do Brasil), abre uma pgina dos cadernos de polcia dos jornais de Belm. Abro agora, ao acaso, uma nica pgina de O Liberal de 16 de agosto, que costuma ser menos sanguinrio do que o seu concorrente, o Dirio do Par. O noticirio dessa pgina registra cinco homicdios cometidos no dia anterior, ilustrado com quatro fotos de cadveres que esto em plena rua, cercados por curiosos ou interessados nos casos. O que dever pensar de ns o visitante, se tem o hbito de ler os jornais dos lugares por onde circula? Respostas redao. Ns, os paraenses

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10 Um roteiro dos livros amaznicosEm 1973 voltei a So Paulo para concluir minha graduao em sociologia e poltica e iniciar minha inconclusa ps-graduao. De l passei a enviar para Belm primeiro para A Provncia do Par, depois para O Liberal uma pgina dominical, que j se chamava Jornal Pessoal. Nesse mesmo ano preparei uma bibliografia sobre a Amaznia. No era exatamente excesso de pretenso para quem s tinha 24 anos. Era um esforo para partilhar minhas leituras com o pblico paraense. Com um p numa redao jornalstica e outra na academia, naquele momento fazia leituras intensas. A lista que apresentei traduz mais o nvel do meu conhecimento amaznico naquele momento do que uma traduo exata do melhor acervo bibliogrfico sobre a regio. Ontem, como hoje, espero que as sugestes tenham utilidade.Embora no parea, a Amaznia uma das regies brasileiras com mais rica e vasta bibliograa. Num inventrio que fez em 1963, o Instituto Brasileiro de Bibliograa e Documentao constatou a existncia de 7.688 ttulos, abrangendo livros e ar tigos em publicaes peridicas especializadas, sobre as Amaznias brasileira, colombiana, venezuelana, peruana, equatoriana e boliviana, com predominncia do interesse pela nossa. claro que essa bibliograa tem mais volume quantitativo do que valor qualitativo. Predominam nos trabalhos o enfoque impressionista, as narrativas simplesmente descritivas, o emprego de mtodos empricos acientcos e a falta de uma viso global. Alm disso, o esforo de compreenso e interpretao da Amaznia tem sido assistemtico e estanque: no h uma viso cumulativa do processo histrico da regio. Quem esquece sobre os problemas atuais esquece a bibliograa existente ou, no caso de pesquisas de campo, tangencia os fatos anteriores do lugar que estuda. Resta assim, quase sempre, uma viso parcelada desse processo e, em decorrncia, o mundo amaznico no conectado ao mundo nacional ou ao contexto universal, no qual se situa como fornecedor de matrias primas e consumidor de manufaturados (tanto nas relaes inter-regionais quanto internacionais). A regio caminha de acordo com um ritmo (pode-se ler modelo) que lhe tem sido imposto, que no decorre de uma vocao sua particular, especca, amaznica. Servem-se mais da regio do que a servem. A bibliograa amaznica que comeo a publicar no como gostaria que fosse, comentada, analtica e crtica. Ou s o ser em parte, em alguns casos. Essa decincia decorre de uma srie de fatores: a contingncia de um didatismo que permita em seguida a discusso das ideias; o desconhecimento quase absoluto que, em regra existe entre os prprios moradores da regio; a necessidade de primeiro indicar a bibliograa necessrio ao debate para s depois trav-lo; os aspectos incidentais da minha prpria reexo sobre a bibliograa amaznica, e as limitaes pessoais e de contexto, que limitam a provocao da controvrsia. De qualquer maneira, espero que as indicaes que sero feitas tenham alguma utilidade, especialmente para os estudantes, aos quais dedicado e dirigido este reduzido esforo de indicao. muito difcil, diante da vasta e irregular bibliografia sobre a Amaznia, escolher os livros mais impor tantes segundo um critrio exclusivamente objetivo. Renego as listas, pela sua natural faciosidade e subjetivismo, mas concordo em que se deve selecionar as obras bsicas compreenso do universo como um tema coerente e global. Pode-se dividir a bibliograa amaznica com a sua temtica mais ou menos unicada: a co, os ensaios de interpretao, os trabalhos sobre folclore, as narrativas de viagem, os estudos histricos, geogrcos, econmicos, sociolgicos e antropolgicos.A fico, apesar de no bem ser vida, tem alguns trabalhos que, a partir de uma inspirao regionalista, ultrapassaram as barreiras que os limitam. Sem dvida, dois dos mais importantes romances amaznicos so A Selva de Ferreira de Castro, e La Voragine de Eustquio Rivera. Incrvel: ele nunca foi traduzido do espanhol para o portugus [j foi ], pouco conhecido por aqui, mas sua popularidade enorme na Colmbia, Venezuela, Peru e Equador. O destaque a esses dois livros se deve no tanto aos seus valores literrios (de qualquer maneira, muito expressivos), mas, sobretudo, ao pioneirismo das suas temticas. No mesmo nvel, mas de maior importncia literria, h todo o ciclo de Dalcdio Jurandir, especialmente Ma raj e Belm do Gro-Par. E mais: Dos ditos passados nos acercados do Cassian e Chuva Branca de Paulo Jacob; O Missionrio e O coronel Sangrado, de Ingls de Sousa; Verde vagomundo, de Benedicto Monteiro ; e apesar de j estilisticamente desinteressante Infer no Verde, de Alberto Rangel. H ainda outros romances, como Beirado de lvaro Maia; O mirante do Baixo-Amazonas, de Raimundo de Moraes, romance e contos de Gasto Cruls e Peregrino Jnior. Na poesia, h um raquitismo maior. O mais importante livro de

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11 poesias sobre a Amaznia ainda Cobra Norato do gacho Raul Bopp. H experimentaes fragmentrias, embora algumas delas muito boas. Os que melhor se tm sado so Elson de Farias e Max Martins. Os outros poetas s incidentalmente trabalham na regio ou sobre ela. Suas temticas so mais universais.PROSASegue-se uma lista de trabalhos em prosa teis ou indispensveis a uma melhor compreenso da questo amaznica atual: Amaznia (a terra e o homem), de Arajo Lima; A Amaznia e a cobia internacional de Arthur Cezar Ferreira Reis; O rio comanda a vida de Leandro Tocantins; Problemtica da Amaznia de vrios autores; A desnacionalizao da Amaznia e Transamaznica: prs e contras, de Osny Duarte Pereira; A luta pela Amaznia de Lus Osris da Silva; A Amaznia e o petrleo, de Romeu Cabral; A borracha de Slvio Braga; Estrutura geo-social e econmica da Amaznia de Samuel Benchimol; A Amaznia no ano 2000, de Armando Mendes; A Amaznia em novas dimenses de Cosme Ferreira Filho; Desenvolvimento econmico da Ama znia, estudo preparado pelo Banco da Amaznia; Porque perdemos a batalha da borracha de Cosme Ferreira Filho; Frentes de expanso e estrutura agrria de Otvio Guilherme Velho; Colonizao dirigida no Brasil: suas possibilidades na Amaznia de vrios autores do Ipea. : Os mo tins polticos de Domingos Antnio Raiol; A poltica de Portugal no vale amaznico e A Amaznia que os por tugueses revelaram de Arthur Cezar Ferreira Reis; Histria do rio Amazonas de Santa Rosa; Formao histri ca do Acre e Natureza, homem e tempo de Leandro Tocantins; Plcido de Castro de Cludio de Arajo Lima; O negro no Par de Vicente Salles; His tria do Par e A Cabanagem, de Er nesto Cruz; O vale do Amazonas, de Tavares Bastos; A liberdade de nave gao do Amazonas de Fernando Saboia de Medeiros; A Amaznia para os negros americanos de Ncia Vilela Luz; O Estado do Par: seu comrcio e suas indstrias, de Lus Cordeiro; Estudos amaznicos de Jos Verssimo; as obras completas de Manuel Barata; Alguns elementos para o estudo do negro na Amaznia, de Anaza Vergolino; O tesouro descoberto do rio Amazonas, do padre Joo Daniel; Visitas pastorais do frei Joo da Silva Jos Queiroz; Peru versus Bolvia e Contrastes e confrontos de Euclides da Cunha; Compndio das eras na provncia do Par, de Antnio Ladislau Monteiro Baena; Pasion y crnicas del Amazonas de E. Rodrigues Fabregat; Descobrimiento del Amazonas, do padre Cristobal de Acua; A Cabanagem, de Jorge Hurley; A instruo e as provncias (1 volume), de Moacyr Primitivo, e A Amaznia na era pombalina, de Marcos Carneiro de Mendona. : Rondnia de Roquette Pinto; Uma comunidade amaznica de Charles Wagley; Os Tapaj, de Curt Nimuendaju; ndios e castanheiros, de Rober to da Mata e Roque La Raia; reas de frico intertnica na Amaznia de Roberto Cardoso de Oliveira; Mo rongut de Nunes Pereira; Santos e visagens, de Eduardo Galvo; ndios e brasileiros no vale do Tapajs, e Las Casas, e Cermica tapaj, de Helen Palmatary. Estudos geogrficos: Amaznia : conceito e paisagem, de Eidorfe Moreira; As regies amaznicas, do baro de Maraj; A Amaznia brasileira e O Par de Paul Le Cointe; Bacia amaznica de Agnello Bittencourt; Amaznia brasileira, obra coletiva do Conselho Nacional de Geografia; Amaznia de Lcio de Castro Soares; Desenvolvimento florestal do vale do Amazonas de vrios autores; Belm estudo de geografia humana, de Antnio da Rocha Penteado, e Colonizao no Par de Ernesto Cruz. : Viagem ao Brasil, de Louis Agassiz; O na turalista do rio Amazonas, de Walter Bates; Viagens pelo rio Negro e Amazonas ; de Alfred Walla ce; Viagem pelo Brasil de Spix e Martius; Via gem pelo Norte do brasil de Av Lallemant; Via gem ao Tapajs, de Henri Coudreau; A Ama znia que eu vi, de Gasto Cruls; Viagem filosfica de Alexandre Rodrigues Ferreira; Reminiscncias de viagens e per manncias no Brasil de Daniel P. Kidder. No esto includos nesta bibliografia bsica alguns artigos muito importantes publicados esparsamente, como os de Catharina Vergolino Dias, Orlando Valverde, Roberto Santos e outros. Mas sero fichados na bibliografia que comearei a publicar a partir da prxima semana. As muitas injustias cometidas devero ser corrigidas no desenvolvimento do prprio trabalho. Mas sero bem recebidos os reparos que puderem ser feitos.

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12 Nos bons tempos do amadorismo, que no voltam mais, o time de futebol do Clube do Remo comeou 1953 com o seguinte ataque: Hermnio, Quiba, Modesto, Jaime e Marido. Sessenta estava fora. A camisa era de algodo grosseiro, sem bossa. Podia ser molhada vontade pelos que com ela se identicavam, suando para vencer uma partida.A Casa Inglesa era, em 1953, um estabelecimento de bebidas nas, fumos das melhores marcas, perfumarias, miudezas, caf, leite, coalhadas e queijos. Estabelecida na avenida Castilhos Frana, era o ponto predileto da fria bomia, por seu asseio, ordem e moralidade. Diferente, no h dvida, era a fria bomia de meio sculo atrs na cidade das mangueiras. Aos nossos dias se apresentaria como angelical.Em dezembro de 1953, os Armazns de Estivas, de Lima Irmo & Cia, estabelecidos rua 15 de Novembro, anunciavam uma alvissareira notcia: Podemos afirmar aos nossos clientes que pelo navio Cuthbert, a entrar neste porto at o fim do ano, receberemos a maior partida do famoso leite MOLLI, assegurando permanente estoque at maio do prximo ano. Graas s vacarias funcionando precariamente na cidade, Belm consolidou o hbito de preferir o leite em p ao in natura Hbito que ainda se mantm.ATENTADOO cardpio da Barraca de Nossa Senhora de Nazar em 25 de outubro de 1957, patrocinado pelos SNAPP (os Servios de Navegao e Administrao dos Portos do Par, antecessor da Enasa e da CDP atuais), lido da perspectiva de hoje, era um autntico (mas tambm delicioso, no h como negar) atentado ecolgico. Oferecia casquinho de muu, tartaruga amazonense, sarapatel de tartaruga e picadinho de tartaruga ao mesmo preo (80 cruzeiros) de um prosaico peru brasileira. Que tentao!METAO programa Nova Ior que o m, transmitido semanalmente pela Rdio Clube do Par, com o patrocnio de SM Publicidade (da qual a Mendes Publicidade derivou), era o su em 1957, antes de a televiso inocular sua presena. No programa de 17 de outubro, Ronald Arajo de Andrade acertou as trs perguntas sobre a vida de Abraham Lincoln, o tema do programa, garantindo seu prmio: uma viagem a Manaus. Aloysio Chaves, que era ento diretor da Carteira Hipotecria da Caixa Econmica Federal do Par, tambm deu conta das suas trs perguntas. O ltimo candidato foi o jovem Sebastio Saldanha, que, demonstrando memria privilegiada, venceu a etapa que lhe garantia uma viagem at o Rio de Janeiro, dizendo aos ouvintes que seguiria, pois seu objetivo Nova Iorque.Moa que em 1957 tivesse 18 anos, fosse brasileira, elegante, graciosa, desembaraada, atenciosa, tivesse nvel de cultura elevado e gostasse de aviao, podia se candidatar a uma vaga de comissria de bordo, que a Paraense Transportes Areos oferecia. A primeira empresa de aviao do Estado disponibilizava naquele ano s jovens de nossa terra, uma invulgar oportunidade mesmo. A candidata escolhida iria servir na linha Belm-Rio-Belm, aps um breve perodo de instruo e adaptao. A PTA voou em nome do Par por duas dcadas, at que um acidente nas guas da baa do Guajar, a poucos metros do aeroporto de Belm, pretextou ao governo federal extingui-la.Em outubro de 1957, os scios das Amizades Franco -Brasileiras, sob a presidncia de Machado Coelho, se reuniram, juntamente com franceses radicados na cidade, alunos e professores, na sede da Aliana Francesa, para ouvir a escritora Lindanor Celina relatar a viagem que fez Europa, centrada em Paris. PROPAGANDAOs calouros no auditrioA TV Marajoara tinha apenas um ano, em 1962, quando adotou a frmula do programa de auditrio de maior sucesso na poca: o concurso de calouros. A Rdio Marajoara retransmitia o espetculo, que comeava s nove e meia da noite no grande auditrio, na praa de Nazar (substitudo por um prdio de apartamentos). Patrocnio da Radiolux, no seu 11 ano.

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13 Durante meia hora ela deliciou os convidados, no s com suas observaes, sempre espirituosas, mas tambm com seu francs uente. Nem preciso frisar que a palestra foi feita na lngua de Voltaire e Racine. Lindanor, que j era conhecida por seus dons em prosa e verso, revelou nesse dia mais uma faceta de sua personalidade literria, desta vez como oradora, confor me o registro jornalstico. Lindanor, conforme estava escrito nas estrelas, morou por muitos anos ao redor da capital francesa, onde morreu.A diretoria da UAP (Unio Acadmica Paraense) empossada em 1957 tinha Dhelio Guilhon como presidente, Carlos Mendona como 1 vice e Nelson Nassar 2 vice. Joo Luiz Arajo era secretrio-geral; Murilo Ferreira, 1 secretrio; Lucy Lcia Mrtires, 2 secretria; Antnio Itayguara Santos, 1 tesoureiro; Joo Batista Leite, 2 tesoureiro; Lucentina Rosa, bibliotecria, e Cordeiro de Melo, orador. Eles faziam parte do Movimento Deontolgico Univer sitrio (o MDU), que venceu a chapa da Renovao Univer sitria, at ento dirigindo a UAP. Alguns pontos da plataforma dos vitoriosos: reaber tura do restaurante universitrio, amparo decisivo Casa do Estudante e entrosamento perfeito com os diretrios.A Dom Quixote foi uma livraria instalada por Haroldo Maranho na galeria do Cine Palcio, com entrada pela rua de Almeida, espao acanhado mas aproveitado com inteligncia e conhecimento de causa, tendo a melhor relao livro por metro quadrado que j houve na cidade. O primeiro lanamento de livro foi no ltimo dia de 1959, quando o cnego pio Campos autografou seu livro de contos, Olhos dentro da noite premiado pela Academia Paraense de Letras em concurso literrio. Compareceram concorrida tarde de autgrafos: Abelardo Condur, Aloysio Chaves, Georgenor Franco, Levy Hall de Moura, Eldonor Lima, Aludio Melo, Cludio Barradas, Pedro Tupinamb, Jocelin Brasil, Ruy Barata, Maria Brgido e o desembargador Cursino Silva, dentre outros. Na primeira semana de 1960, os 10 livros mais vendidos na Livraria Dom Quixote foram: O drama da descoberta do petrleo brasileiro Edson de Carvalho Voc gosta de Brahms... (romance) Franoise Sagan Todos os homens so mortais (romance Simone de Beauvoir) Discos voadores Edward J. Ruppelt Assunto pessoal (romance) Somerset Maugham Olhos dentro da noite (contos) pio Campos A cartuxa de Parma (romance) Stendhal A mulher diante da vida e do amor Marion Hilliard Luz e sombra (romance) Sra. Leandro Dupr Machado de Assis e o hipoptamo Gondin da FonsecaA Maloca era uma boate, o point de Belm entre o nal da dcada de 1950 e o incio dos anos 60. Imitando uma habitao indgena, era frequentada por todos, que iam Praa da Repblica para danar, jantar ou se exibir. Criao imortal de Hamilton Moreira. No ltimo dia de 1959 foram Maloca, saborear os nossos pratos regionais, Belm nas suas origensQuando Belm completou 350 anos, as comemoraes foram iniciadas pela apresentao das obras de proteo realizadas no ponto de origem da cidade, o forte do Castelo, ento sob o domnio do Comando Militar da Amaznia. Todas as autoridades estiveram presentes naquele local, hoje inteiramente modificado para voltar s suas origens, por iniciativa do secretrio estadual de Cultura, Paulo Chaves Fernandes. Como reprter, apareo no canto, esquerda do bloco de autoridades, como o governador Alacid Nunes e o prefeito Stlio Maroja. segundo a anotao da casa, Dr. Ferro Costa e famlia; Dr. Egdio Sales e esposa, Sr. Manoel Rola e esposa, Dr. Alceu Coqueiro e esposa, Vereador Isaac Soares, Dr. Flvio Moreira e esposa, Jornalista Nilo Franco e famlia, senhorinha Terezinha Bastos, miss R. G. do Norte, Dr. Jos Carlos e esposa, Dr. Evandro Bona e esposa, e outras pessoas, tendo mais sada o Pato no tucupi e o pirarucu moda. No primeiro dia do ano a sugesto do chef era tartaruga moda. O governador, que era Aurlio do Carmo, deveria estar presente.A Cimaq, a Companhia Paraense de Mquinas, par ticipou das comemoraes pelos 350 anos de Belm, em 1966, talvez as mais intensas da segunda metade do sculo passado (que s terminou ontem). Belm estaria alcanando ento o seu mais alto ndice de progresso, uma obra grandiosa dos que acreditam em nossa Cidade das Mangueiras.A ameaa era a de sempre: quem pagasse o IPTU fora de prazo, seria onerado com multa. Mas, em 1970, como hoje, a falta de uma denio clara e de consequncia nas palavras s fez lanar esse imposto no descrdito. Pouca gente paga. E quem paga maltratado. Uma nova emisso do IPTU est nas ruas. Desta vez, para valer e sem sinuosidades? Com justia?

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14 O Jornal Pessoal n. 636, de julho de 2017 traz trs matrias sobre um assunto que sempre esteve na vanguar da dos costumes polticos brasileiros: a corrupo. Porm, quem conhece a evoluo dessa praga no contexto nacional, no pode admitir que ela tenha criada sustncia e, nalmente, progredido numa sistematizao, a partir dos perodos governados pelo Partido dos Trabalhadores, como costuma ser pregado pela grande imprensa. Tambm ela nunca funcionou na base apenas de troca de favores entre polticos e empresrios como liberdade espontnea, sem maiores interferncias. Ela sempre foi compulsria de ambos os lados: propina e interferncia de polticos nos assuntos de seus interesses na esfera governamental. Foi assim, para no ir muito longe, a partir dos partidos Liberais e Conser vadores; no tempo da execrvel UDN, PSD et caterva; PSDB, PMDB, PT e outros, ultimamente. O desejo de se manter no poder natural, pois os partidos so formados por serem humanos e conspira-se por meios desonestos para alcanar esse desiderato, mediante a colocao de elementos de seus quadros nos pontos chaves da economia e da formar um ambiente favorvel a esta expectativa. Essa estria sobre o patrimonialismo e aparelhamento das empresas estatais, em proveito do par tido e a ideia de um PARTIDO NICO, vir a assumir o comando do pas, foi obra da prodigiosa imaginao do ministro do STF, o decano Celso de Mello, por ocasio do julgamento da Ao Penal 470, quando anunciou com certa contundncia e irresponsabilidade institucional: Esses delinquentes ultrajaram a Repblica. o maior escndalo da histria. O que vejo nesse processo so homens que desconhecem a Repblica o objetivo dos acusados era dominar o sistema poltico brasileiro, de forma inconstitucional. Claro, alm dos improprios nada republicanos ele assevera ainda, como j citamos antes, que o Partido dos Trabalhadores tinha como objetivo nal montar uma ditadura no territrio brasileiro. A coisa pegou e hoje a turma de Curitiba e demais instncias judiciais pregam a mesma cantilena. Porm, o mais interessante de toda esta celeuma que o decano acabou virando a casaca, e foi um dos principais defensores da aceitao dos embar gos infringentes, que viria beneciar vrios dos 38 acusados. Tambm no houve inovao na corrupo empresarial e nem ela cresceu sob o governo do PT, como j foi dito. Os recursos do BNDES (antes no tinha o S), sempre foram usados para nanciar as grandes empresas nos projetos de investimentos de longo prazo. Por que no se faz um rastreamento para conhecer os cofres das empresas em que foram parar o dinheiro do Banco, nos governos anteriores ao PT? O BNDES no usa s os recursos do trabalhador brasileiro, como FAT e FGTS, tambm utiliza fundos diversos como FMM, FGI, FGG, FUNTELL, etc. Trabalha com captao interna e externa, com Agncias Governamentais e Institucionais. Hoje, a sua maior fonte de verbas vem do retorno do capital emprestado, cerca de 70% do montante disponvel. Como se v no bem como discorre a matria do JP, sob enfoque. A imprensa est informando que haver mudana nos encargos cobrados (TLP Taxa de Longo Prazo), pelos emprstimos a serem concedidos. Pretende-se usar juros de mercado nos nanciamentos do setor produtivo. Comenta-se que a inovao ser uma forma de impedir o favorecimento de determinadas empresas com o dinheiro pblico. Ningum investe com encargos extorsivos como os do mercado brasileiro. O certo que o pas vem atravessando uma das suas piores fases, se no a mais difcil e crtica de sua trajetria desde o Imprio. Chegou-se ao extremo de ser governado por grupos que escancararam as suas habilidades de malfeitores. Agem de m f com as suas atribuies legislativas, ou seja, a apreciao e votao de matrias s mediante o envolvimento de favores, os mais diversos. Nada discutido e votado que no seja expresso interesses particularssimo, para servir de moeda de troca com grupos empresariais, deixando de fazer opes pelas necessidades do Estado em favor da populao. Esse mecanismo perverso enfraqueceu as instituies pblicas e favoreceu indivduos e grupos privados que se assenhorearam do poder, juntamente com as corporaes criadas nos setores principais da administrao pblica, sobressaindo-se o poder judicirio. O STF cuja funo precpua guardar a Carta Magna e assegurar a aplicao de seus princpios (Art. 102) perdeu-se num labirinto de litigncias internas e externas do seu principal ofcio, denunciando um ambiente de desorganizao que no consegue ajudar na recomposio do controle das instituies em favor da populao em geral. O resultado desta mixrdia que uma scia de velhacos assaltou o poder e est usufruindo dos benefcios da Repblica, e os cidados para os quais ela foi idealizada detm-se aparvalhados ante a voragem desses cleptomanacos, sem esboar sequer um ato de revolta. preciso que a sociedade civil se mobilize a m de tirar o povo dessa inrcia e lhe acordar os brios to decantados da nossa nacionalidade, hoje vencida e espoliada, que preciso redimir e reabilitar. De outra feita, poder-se-ia conclamar os subjugados a recitar e acreditar nos versos (atualssimos), de Castro Alves, quando defendeu intransigentemente a liber dade da raa negra: L onde todos so felizes, Todos danam no terreiro. A gente l no se vende, Como aqui s por dinheiro. Rodolfo Lisboa Cerveira Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: CEP: 66.053-030E-mail: lfpjor@uol.com.br www.jornalpessoal.com.br Blog: cart @

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15 O presidente estranho e o banco fechadoO atual presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, no cargo h menos de quatro meses, o oposto da sua antecessora, Maria Silvia Bastos, que pediu demisso no m de maio. Ela agia com discrio e serenidade. Seu sucessor polmico e espalhafatoso. Ou isso por que atrai controvrsias e as cultiva. Mal comeou no Banco Nacional do Desenvolvimento Econmico e Social e j atraiu uma controvrsia. A Operao Lava-Jato cou sabendo que ele recebeu dinheiro do empresrio Bruno Luz, em 2013. A transao foi declarada ao imposto de renda pelo lobista-menor, lho do lobista maior, o paraense-carioca Jorge Luz, ambos presos pela Polcia Federal, desde 24 de fevereiro, por participao no esquema de corrupo na Petrobrs. Seriam os intermedirios das propinas destinadas ao PMDB, tendo o senador Jader Barbalho como um dos destinatrios. Um relatrio da Receita informou que Bruno Luz, casado com uma lha de Rabellode Castro, quitou uma dvida com o sogro que, embora sem valor especicado, seria de 700 mil reais. Rabello de Castro deu uma vaga explicao para o fato, quando questionado: Pode ter acontecido que em um determinado momento eu emprestei dinheiro para a minha lha comprar um carro ou alguma coisa assim. Coisa que qualquer pai faz para uma lha. O dinheiro apareceu na declarao de Bruno porque ele e a mulher devem faz-la em conjunto, ele ressarcindo o emprstimo do sogro sua lha. E cou por isso mesmo. Mas no Rabello de Castro. Na semana passada ele foi ano Senado conversar sobre a CPI instalada no incio do ms para investigar emprstimos internacionais do banco nos ltimos 20 anos. Fora da agenda ocial, Rabello de Castro abor dou, nos corredores do Congresso, senadores do PSDB com pedidos de apoio. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo presenciou um encontro da comitiva de Rabello com o senador mineiro Acio Neves presidente licenciado do PSDB. Rabello e seus assessores cumprimentaram o senador e tiraram fotos com ele. A conversa durou menos de trs minutos. Falaram sobre a JBS, cuja delao dos executivos gerou um pedido de priso do senador, e tambm sobre a CPI, relatou o reprter. Rabello disse que a comisso uma maluquice e pediu que Acio interviesse na composio do colegiado. O senador armou que, por formao, no se envolve em CPIs. Eu escalei o Paulo Bauer para pedir ao (Jos) Ser ra. Vocs no participam de comisso. Quem sabe vocs dois... Vocs deveriam chamar algum do PSDB para tomar conta, disse Rabello a Acio, segundo ainda o jornal paulista. Segundo o lder da bancada tucana, Rabello defendeu os emprstimos do BNDES, mesmo em gestes anteriores, e reclamou de ter que atender aos pedidos da CPI. Pelo que ele me disse, no tem nenhuma ao do banco que no tenha sido feita dentro da legalidade. Ele disse que existem muitos conceitos equivocados sobre as operaes do BNDES, ar mou o senador. Procurado, Serra disse no ter conversado com Rabello. Abordado pela reportagem, o presidente do BNDES demonstrou irritao ao ser questionado sobre o motivo dos encontros. Segundo ele, no h nenhuma tentativa de poupar o banco. Essa uma CPI que tem por obrigao esclarecer tudo. E o presidente do BNDES o primeiro colaborador do esclarecimento total das coisas, disse. Eu fao questo de no ser poupado. uma posio contrria do que parece. No estou defendendo o banco, eu aqui s estou esclarecendo. Em outra abordagem, o presidente do banco estatal pediu apoio, ao sair do elevador privativo, ao vice-presidente do Senado, o tucano Cssio Cunha Lima (da Paraba). Ocialmente, constava da agenda do presidente do BNDES apenas encontros com os senadores Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da CPI, e Roberto Rocha (PSB-MA), relator e autor do pedido de criao da comisso. Os dois conrmaram a reunio. Segundo Alcolumbre, Rabello pediu a ele que o nome da instituio no seja alvo de denncias sem fundamento. Ele quer que as apuraes aconteam de forma transparente. J Rocha armou que tranquilizou o presidente do BNDES sobre os mtodos de trabalho da CPI e que Rabello, por sua vez, colocou toda a estrutura do banco disposio. Eu disse que no tenho nenhum interesse de expor ou prejudicar a imagem da instituio BNDES. Jamais vou ter como alvo a empresa. O Rabello me disse: Fico muito feliz de ouvir isso, porque isso uma tranquilidade para o mercado, armou Rocha. Lembrou o reprter que essa no foi a primeira vez que Rabello procurou parlamentares para blindar o banco em uma CPI. Em junho, logo que assumiu, ele os procurou para evitar que funcionrios fossem chamados para depor na comisso mista da JBS, ainda no instalada. Maria Silvia Bastos Marques provavelmente no faria o que Rabello de Castro fez. Ela esperaria a convocao para depor e falaria o que soubesse sobre as operaes do BNDES. Talvez tenha sido por isso que acabou se sentindo obrigada a renunciar. O banco dos ricos com dinheiro dos pobres dever continuar a ser o que sempre foi: um caixa generoso pelo uso de caixa preta.

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Delm dixitA delao da JBS foi uma tragdia, diz o ex-ministro Delm Netto. At Joesley Batista entregar a gravao da sua conversa com o presidente Michel Temer no palcio do Jaburu, em Braslia, a verdade que as coisas caminhavam relativamente bem, dene o homem mais forte na economia brasileira durante o regime militar, num dos seus artigos na Folha de S. Paulo. Mas ele ainda tem otimismo: O sistema resistiu bem e a Cmara dos Deputados cumpriu o seu papel, de dar a Temer apenas a opor tunidade de tentar aprovar as reformas. Essa foi, mesmo, a menos pior das solues, sentencia Delm, cada vez mais cnico e oportunista no uso da sua sabedoria.A crueldade virtualA me agra um homem praticando atos libidinosos no seu lho de trs anos, em cima da cama, dentro da sua casa. Sua reao: pegar o aparelho celular e lmar a tentativa de estupro at que se congure o crime, que ir em seguida relatar o fato na central de agrantes da polcia, na Cidade Nova, em Ananindeua, no dia 17. O estuprador na forma da lei (mesmo sem ter havido penetrao) j tinha antecedentes, que o davam por pedlo. professor. Mesmo assim, seu nome no foi divulgado. A que ponto chega o isolamento das pessoas no mundo virtual, que se sobrepe ao mundo real mesmo numa situao de extremo perigo e grave ameaa como esta. At uma me sujeita o seu instinto em defesa do filho para caracterizar o crime, atacando o agressor sem dar a devida proteo ao agredido. O mundo surrealista e cruel da instantaneidade virtual alterando a natureza da realidade factual. O trfico em altaA maior parte das execues de morte tm por causa o trfico de drogas na regio metropolitana de Belm e no interior do Par, segundo os registros oficiais. A quantidade desses homicdios atestaria, assim, a gravidade do problema. Sua avaliao isenta, a partir de uma anlise externa, dificultada porque no h instituies pblicas independentes acompanhando sistematicamente a criminalidade, apesar da sua presena assustadora no cotidiano dos cidados. Resta prestar ateno ao dia a dia do trabalho policial e do seu eco no noticirio da imprensa. No dia 12, a polcia prendeu uma quadrilha de oito pessoas, em poder da qual havia 134 quilos de cocana e 14 de skank, tambm conhecida como a supermaconha por seu potencial maior. A interceptao policial aconteceu no meio de uma transferncia de droga em Abaetetuba, que iria para Pernambuco e seria levada em mos por dois traficantes que vieram ao Par com a misso de receb-la. O comrcio nacional pelo baixo Tocantins, portanto, vai bem. Em julho a polcia j tinha feito a maior apreenso de cocana no Estado em cinco anos. Foram 270 quilos, que um grupo de cinco traficantes recebera da Colmbia. O sucesso do negcio aumenta o poder de compra dessas quadrilhas. Elas passam a usar armas de grosso calibre, lanchas e dispem de um efetivo maior. Indicadores de um futuro pior do que o presente. Nos nibusEle parece mais um dos muitos vendedores que sobem nos nibus para fazer seu comrcio entre os passageiros. S que a quantidade de balas em poder desse vendedor, forte e cheio de tatuagens, pequena. Ele faz o seu prego com voz grave e olhar duro. O que mais assusta, porm, est no seu p. Ele usa uma tornozeleira eletrnica. No d para saber se o aparelho est funcionando ou no. O impossvel no v-lo. Um passageiro desceu logo. Outros contriburam sem querer o produto. E o homem saiu com sua renda. O comrcio sobre rodas coletivas se tornou um problema de segurana pblica.