Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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o a VIOLNCIAO horror, a barbrieDecapitaes, evisceramentos, coraes arrancados, corpos amontados. As imagens da chacina na penitenciria de Manaus causaram impacto mundial por sua selvageria. Mas pode ser apenas o incio de uma guerra no submundo da droga a partir da Amaznia. TEMER, 8 O Brasil vive numa guerra civil no declarada. O crime organizado se tornou um Estado dentro do Estado. As penitencirias funcionam como quartel-general dos bandidos. So tambm o centro de aperfeioamento do crime. De to repetidas, frases como estas se tornaram vazias. Pareciam retrica ou exagero at o primeiro dia deste j terrvel 2017. Milhares ou milhes? de seres humanos puderam ver, atravs da internet, cenas que nem mesmo a mais selvagem fantasia poderia conceber. Num local insalubre, homens cortavam as cabeas de outros homens, os retalhavam, evisceravam, ar rancavam de seus corpos j desgurados seus coraes, exibindo-os como se fossem partes de animais comestveis. No era s uma selvageria sem paralelo. Um dos carrascos pegava o brao de um decapitado e simulava um aceno mrbido para o celular, que tudo registrava, fixando em imagem cenas cruis mal elas iam se constituindo. Outro chutava cadveres ou subia nos corpos inanimados.

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2 Alm disso, certamente sob efeito de droga, o narrador assinava a autoria das barbaridades e mandava recado para os destinatrios nais daquela matana, a maior desde Carandiru, em So Paulo um quarto de sculo antes. Na penitenciria de Manaus, as execues somaram mais da metade da chacina da antiga casa de deteno paulistana, em proporo muito mais grave comparativamente populao carcerria e todos os moradores do Estado do Amazonas. E porque em So Paulo grande parte das mortes foi pelo acer to de contas da Polcia Militar com os presos, no por morte entre eles. No se imaginaria que um ato desse porte poderia acontecer numa penitenciria amazonense, to longe das sedes das duas principais organizaes criminosas do Brasil: o Primeiro Comando da Capital, de So Paulo, e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. E que cinco dias depois outra matana, com as mesmas caractersticas, se repetiria, ontem, em Boa Vista, capital do Estado mais setentrional do pas, com metade dos mortos da penitenciria de Manaus mas, comparativamente, ainda mais grave do que ela. A narrativa debochada de quem lmava os atos de execuo e os recados que mandava tinham um destinatrio nal: o Estado, em todas as suas conguraes (Unio, Estados e municpios). O mensageiro no deixava dvidas: o crime organizado, com dezenas de milhares de militantes dispostos a tudo, se considerava acima e alm do poder pblico organizado, do seu aparato humano e das suas leis. No tinha a menor hesitao nem receio de se identicar. Olhando atravs do governo, como por um vidro transparente, visava quem estava do outro lado, o contracanto diablico de outro bandido. Em Manaus, a Famlia do Norte, com o suporte do CV carioca, atacava ferozmente o PCC paulista, numa irreversvel declarao de guerra, aparentemente respondida a partir de Roraima, capaz de prosseguir no Par, no Acre ou no Maranho, na periferia do poder real (se aproximando dele) uns contra os outros integrantes das faces, mas podendo ir alm delas, at o cidado comum ou at mesmo aos governantes. O crime organizado ps m a todos os limites. matar e ou morrer at o objetivo pretendido: o controle da mais rentvel atividade econmica (no Brasil e em muitos pases). At o trco de drogas e suas conexes e derivaes em uma cornucpia imensa. Para atingir essa meta, tudo possvel, at mesmo confrontar a representao institucional da sociedade, com suas regras legais, seu aparato blico, seus exrcitos. Usando tudo isso contra suas prprias origens. O roteiro desse uxo bem conhecido pelos criminosos, que pagam propinas, extorquem, ameaam e convivem com essa estrutura legal. S que ela no uma estrutura compartimentada. Ela se mistura, se envolve e se esconde na ilegalidade, no mundo invisvel, no qual bandidos e lderes polticos se cruzam ou se associam. Uns recebendo propinas milionrias. Outros matando para ter receitas milionrias. Bandidos, todos eles. Iguais. As cenas que continuam a circular pela internet situam o Brasil como um dos pases mais selvagens e brutalizados do mundo, sem que os atos ultrajantes decorram de uma guerra convencional nem mesmo de uma guerra civil perfeitamente caracterizada. O homem que, dentro da penitenciria, teve meios para invadir pavilhes, matar, decapitar e esquartejar outros presos, desprezando a mais remota dimenso de humanidade no corpo de uma pessoa, continuar com o mesmo poder ainda que trancaado. Mas tambm poder estar na rua daqui a pouco, de alguma forma. Se isso acontecer, ser a runa de um pas que prometia, como o Brasil.A declarao no eximia o governo do Amazonas de responsabilidade especca pela segunda mais sangrenta rebelio de detentos j ocorrida em penitenciria no Brasil. No fogo do acontecimento, o secretrio de Segurana Pblica do Amazonas, Srgio Fontes, disse que todos os Estados precisam se unir contra o crime organizado, que est vencendo a guerra com o poder pblico nas penitencirias espalhadas por todo pas. Aparentemente, o que aconteceu no Compaj foi uma execuo em massa de integrantes da maior organizao criminosa, o PCC (Primeiro Comando da Capital, com sede em So Paulo), pela faco FDN (Famlia do Norte), que controla o trco de drogas no Amazonas. A tese ocial de que no foi um ataque planejado. A possibilidade do acerto de contas teria surgido quando os presos do regime semiaberto abriram uma porta na frgil muralha da penitenciaria, iniciando a execuo. A polcia recolheu quatro pistolas, uma espingarda calibre 12 e armas de fabricao caseira, evidncia da falta de rigor na gesto do presidio e do vizinho Instituto Penal Antnio Trindade, do qual fugiram 87 presos. A rivalidade tal diante do mercado auente, no abalado nempela crise econmica nacional, que a selvageria se traduziu na decapitao de presos, atirados sem a cabea do alto da muralha. Executada a matana, a calma voltou ao presidio, at o prximo confronto, certamente mais brbaro do que este ltimo. Combustvel no falta, a partir do detonador da guerra entre as quadrilhas do crime organizado e a condio das casas de deteno do Brasil. A de Manaus, com capacidade para 454 presos, estava com 1.224.O Brasil o quinto pas mais populoso do mundo, mas sobe para o quar to lugar por populao carcerria. Por isso, a imprensa mundial se interessou e deu destaque rebelio no presdio de Manaus, com 60 mortos. O jornal argentino Clarn lembrou que, pouco mais de dois meses atrs, durante inspeo no complexo penitencirio, o Conselho Nacional de Justia alertara para as pssimas condies do Complexo Penitencirio Ansio Jobim e para a incapacidade de ressocializao de presos. O espanhol El Pas destacou que rotas fundamentais para o trco de drogas em todo o continente passam pela Amaznia. A regio norte do Brasil fundamental para o trco de drogas internacional. As principais rotas de transporte da droga passam por ali. O Amazonas faz fronteira com pases grandes produtores de cocana como Peru, Colmbia e Venezuela, infor mou o peridico.

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3 Para o USA Today, jornal de maior circulao nos Estados Unidos, Jos Vicente da Silva, ex-secretrio nacional de segurana pblica, ressaltou que desde 2014, os homicdios nas prises do Amazonas so o dobro da mdia nacional, e no ano passado reduziram seu oramento de segurana pblica em 50% devido a medidas de austeridade. Este incidente uma repetio em uma escala maior , disse ele. Todos os anos morrem 500 presos em prises brasileiras. Com a crise econmica atual e os cortes no oramento, as gangues cam ainda mais ousadas. O governador do Amazonas, Jos Melo (PROS), foi acusado, em 2014, de negociar o apoio sua reeleio de uma faco criminosa, no Complexo Penitencirio Ansio Jobim (Compaj), em Manaus. O presdio foi palco, anteontem, de uma guerra entre grupos organizados que resultou na morte de 56 detentos.Em 2014, revista Veja e o jornal Fo lha de S. Paulo divulgaram dilogo gravado entre o ento subsecretrio de Justia do Amazonas, major Carliomar Barros Brando, e o tracante Jos Roberto Fernandes Barbosa, um dos lderes da faco criminosa que controla o trco de drogas no Estado, a Famlia do Norte. No udio, o tracante prometia at 100 mil votos a Melo para que ele no os prejudique. O representante do governo respondia que ningum vai mexer com os criminosos. A mensagem que ele (governador) mandou pra vocs, agradeceu o apoio e que ningum vai mexer com vocs, no, disse o major Brando no udio. O governo do Amazonas exonerou o militar do cargo e informou na ocasio que iria apurar a veracidade do contedo da gravao. Ningum soube do resultado at hoje.O maior massacre ocorrido numa penitenciria brasileira foi o de 1992, na Casa de Deteno de So Paulo, mais conhecida por Carandiru. Estourada a rebelio, a Polcia Militar ingressou no presdio para conter os presos. Ao nal, 111 estavam mortos, 77 deles provavelmente executados pela PM. Desde ento, houve mais cinco rebelies graves: em 2002, em Urso Branco, em Porto Velho, com a morte de 27 presos; em Benca, no Rio de Janeiro, em 2004, com a morte de 30 presidirios; em Pedrinhas, no Maranho, com 18 mortos; e, agora, em Manaus, com 60 mortos (com o complemento de cinco mortes na cadeia para a qual os rebelados foram transferidos), seguido pelos 33 mortos no presdio de Roraima. Quatro das cinco rebelies aconteceram na Amaznia Legal, com 139 mortos. Duas no Sudeste, com 141 mortos. Proporcionalmente, no s em nmero, mas em quantidade de mor tos, o Norte apresenta um quadro de muito maior gravidade. O massacre de Manaus ps em evidncia a maior organizao criminosa da Amaznia: a FDN, a Famlia do Norte, que controla o trco de drogas na mais populosa cidade amaznica, com dois milhes de habitantes. Um dos seus chefes, Joo Pinto Carioca, o Joo Branco,teve a glria deser includo na lista de procurados da Interpol, passando a ser caado em 188 pases e considerado como o procurado nmero 1. Em fevereiro do ano passado ele foi preso pela Polcia Federal em Rondnia, enquanto tentava entrar no Brasil com documentos falsos. Apesar de submetido a cirur gias plsticas que modicaram o seu rosto, ele foi identicado. A polcia imaginou que a priso de Joo Branco ia permitir a desarticulao completa da FDN, enfraquecida pela captura de outros dirigentes e a apreenso de grande quantidade de droga, que a descapitalizara. A rebelio no Compaj, no mnimo, levanta dvidas sobre essa perspectiva. A FDN talvez seja mais ameaada pela reao do poderoso PCC do que pela polcia local.Na madrugada de domingo, 1, quando estava no auge a negociao com os sublevados do Complexo Penitencirio Ansio Jobim, em Manaus, os seus lderes exigiram a presena da imprensa no local. As autoridades que faziam a interlocuo no conseguiram encontrar nenhum reprter para atender a exigncia. O fato desnudou o que se tornou uma das falhas crescentes do jornalismo atual, principalmente na sua verso impressa: a falta do reprter de rua, do homem de linha de frente, que acompanha os fatos no momento mesmo em que eles acontecem. A regra a cober tura na retaguarda, usando meios indiretos de informao, sobretudo a internet. No h dvida que a retaguarda est bem suprida, mas ela no a realidade, no tem o calor e a complexidade humana. Da a cobertura burocrtica, andina e assptica de momentos trgicos dos indivduos de carne e osso. Os reprteres que ainda atuam em cima dos fatos, infelizmente, costumam ser mais extenses da polcia (ou dos bandidos) do que da opinio pblica, quando no so meros executores das ordens dos seus chefes, interessados mais em vender a mercadoria do que em servir sociedade. No surpreende que a imprensa acompanhe to mal, quando acompanha, a irrupo assustadora da violncia no Brasil. Percorrendo a maioria dos veculos de comunicao, o cidado est to perdido quanto nas ruas, sem saber o que acontece, sem poder avaliar o risco que existe sua dignidade, integridade e vida. Memria do Cotidiano chega ao seu 8 volumeO leitor j encontra em bancas e livrarias o oitavo volume da Memria do Cotidiano a verso em livro da seo deste jornal.

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4 Amaznia se tornou grande rota do trco internacionalH um novo jargo amaznico para reas de tenso, turbao e conito, trs caractersticas do avano das frentes de penetrao na ltima fronteira de recur sos naturais do Brasil e das mais impor tantes do planeta: a Amaznia. Depois do Bico do Papagaio, zona de violenta disputa pela terra entre Tocantins, Gois e Par, e da Cara de Cachorro, na fronteira do Amazonas com a Colmbia e o Peru, a mais nova expresso dessa geopoltica o Trapzio Amaznico. Tambm se refere trplice fronteira entre Brasil, Peru e Colmbia, mas aplicado especicamente s rotas de trco que escoam a produo de cocana da regio, que movimenta muita droga e dinheiro. Elas se tor naram o principal motivo da disputa entre as faces criminosas Famlia do Norte e PCC, que levaram rebelio e ao massacre de 56 detentos do Complexo Penitencirio Ansio Jobim, em Manaus. O que est em jogo o controle dessas rotas, economicamente muito valiosas. uma disputa por dinheiro, explica Luiz Fbio Paiva, professor e pesquisador do Laboratrio de Estudos da Violncia da Universidade Federal do Cear, especialista na trplice fronteira. Ele lembra que em 2015 a polcia do Amazonas apreendeu 11 toneladas de drogas, No ano passado foram 10 toneladas. A Secretaria de Segurana Pblica calculou em 400 milhes de reais o valor dessas apreenses, que representam apenas parte do volume que circula pela regio. A estimativa da Polcia Federal de que a cada ano o narcotrco movimenta no Amazonas R$ 1,5 bilho. O crescimento do negcio provocou o confronto da nica organizao que controlava esse uxo, a Famlia do Norte com o PCC, de So Paulo, que est se expandindo no apenas pelo Amazonas, mas em toda a regio Nor te. O objetivo do Primeiro Comando da Capital eliminar a FDN e assumir o monoplio do narcotrco na regio. Tambm quer o controle dos presdios amaznicos, como j o exerce em outros Estados brasileiros, a partir da sua base, em So Paulo. A FDN aliada do Comando Ver melho, a outra organizao nacional do crime, que rompeu a aliana com o PCC, no ano passado. A partir da, foi aberta uma guerra dentro e fora dos presdios entre as duas faces. Os tracantes escoam pasta base e cocana renada pela bacia do Alto Solimes (o nome do Amazonas acima de Manaus, na direo do Peru), em embarcaes regionais, at o porto da capital amazonense, da se espalhando por vrios Estados at o Cear, onde a FDN tem intensa presena. De Fortaleza, a droga seguiria para a Europa, principalmente a partir de Portugal. A pesquisa de Paiva apontou que as comunidades da trplice fronteira e as populaes ribeirinhas so muito assediadas para integrar essa passagem da droga como mulas ou avies, pelo conhecimento que tm das rotas pluviais. Nelas, a droga ocultada em peixes, artesanatos ou na prpria estrutura de barcos que fazem o transporte. Desde o Alto Solimes at Manaus, vericamos um aumento no uso de drogas entre ribeirinhos e indgenas, bem como uma escalada de violncia, com crescimento nos ndices de suicdio e homicdio. Para essas comunidades, o problema no a droga que passa, mas a droga que ca, diz. Segundo o pesquisador, a Famlia do Norte (FDN) surgiu por volta de 2006, quando Gelson Lima Carnaba e Jos Roberto Fernandes Barbosa, o Z Roberto da Compensa, retornaram a Manaus, aps deixarem presdios federais, e decidiram organizar o crime local nos moldes de faces como o PCC e o Comando Vermelho (CV). A FDN unicou coletivos criminais de Manaus e dividiu o comrcio de entorpecentes por regio da cidade, criando cdigos de conduta para os criminosos, explica talo Lima, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas. Observa que a faco atuou em rede e de forma silenciosa, sem a ostentao que se v entre faces do Rio de Janeiro. Talvez por isso tenha demorado para entrar no radar das autoridades. Em abril de 2014, a Polcia Federal no Amazonas foi surpreendida ao apreender R$ 200 mil em espcie dentro do aparelho de ar condicionado de uma lancha que navegava no rio Solimes. As investigaes feitas a partir dali revelaram uma organizao criminosa extremamente hierarquizada que j atuava dentro e fora dos presdios amazonenses. Mais de um ano depois, em novembro de 2015, a operao La Muralla da PF cumpriu 86 mandados de priso, muitos contra as principais lideranas da FDN, dentre eles, os fundadores da faco. A rebelio de Manaus mostrou que ela no s sobreviveu: estaria to forte quanto antes.

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5 A voz de Braslia: errada, como sempreFoi tardia a reao do presidente Michel Temer ao massacre da penitenciria de Manaus. A rebelio, seguida de execues, aconteceu entre a tarde de domingo, dia 1, e a manh de segunda-feira. O presidente da repblica teve trs dias para se informar e fazer um pronunciamento consistente. Mas disse um monte de besteiras. A primeira delas foi sobre a causa da matana, um acidente pavoroso. Ningum mata de uma vez 56 pessoas, 30 decapitadas, esquartejadas e evisceradas, a servir de trao de unio na execuo integrarem o PCC, organizao criminosa nacional que penetrava no reduto de uma faco local at recentemente monopolista do narcotrfico no Estado do Amazonas, a FDN. As falhas, imprevidncias e erros primrios cometido em sries tanto pela administrao do presdio como pela secretaria de segurana pblica estadual, se no provam omisso ou conivncia, expressam tal incompetncia que sua existncia nega, por pressuposto, o acidente. A rebelio seguida de execuo selvagem pode ter sido tudo, menos acidente. Como o presdio foi terceirizado (e para uma empresa sem conhecimento de causa e estrutura para suportar o encargo, alm de suspeita de super faturamento), o presidente, j tardiamente, tentou aliviar os ombros do governo amazonense. Sobre eles passaram a pesar o acmulo de crticas ao seu desempenho (ou falta dele), inclusive pelo ministro da justia do governo federal, e seus antecedentes. Temer, mais uma vez, parece dar mais importncia ao aspecto poltico da questo do que ao seu signicado tcnico e administrativo. Ao invs de sair em defesa do governo estadual, para o qual outro governo, o de So Paulo, tem procurado transferir a responsabilidade, o presidente da repblica devia questionar a transferncia de obrigao francamente estatal a empresas privadas, em negociaes suspeitas. Ao invs de atacar o efeito, devia ir diretamente s causas, em relao s quais o governo federal tem que fazer autocritica e admitir o mea culpa. No necessariamente seguido de mais milhes de reais em novos presdios, sem uma poltica pblica consistente (o novo plano foi aquecido no micro -ondas da obviedade). Para ser coerente, o governo central devia deixar que os deveres, responsabilidades, falhas e culpas brotem naturalmente, para no coonest-las. J nos bastidores, devia acionar quem de direito e competncia para vericar a extenso do narcotrco no Amazonas e suas conexes polticas. Essa relao suja e promscua a antessala da impunidade, apesar do realmente horroroso crime praticado. Outra insensatez do presidente foi manifestar solidariedade s famlias das vtimas sem relativizar sua manifestao pela condio dessas mesmas vtimas. Afinal, tudo sugere que se tratou do primeiro confronto de uma srie que se avizinha entre duas terrveis organizaes criminosas. No houve um nico mocinho nessa histria. Pelo contrrio, dela par ticipam uns como autores e outros como vtimas, relao que pode se inverter completamente no prximo captulo seres que dizemos humanos por excesso de caridade. As imagens gravadas pelos prprios verdugos de chocar qualquer indivduo dotado da mais nma sensibilidade (embora no tenha conseguido abalar a sociedade e tirar-lhe expresses adequadas e coerentes com as cenas pavorosas). Ouvem-se vozes de carniceiros drogados se expressando num patu primrio, debochando dos mortos, passando por sobre os corpos, completando sua eviscerao e fazendo ameaas entre torpes palavres. A condio humana foi desprezada, negada, destruda. O PCC j prometeu vingana, o que signica uma escala abaixo daquela que levou eliminao dos seus quadros no Amazonas. A que nvel do inferno eles sujeitaro a sociedade no prximo confronto? Claro que todos tm famlia e nela algum sofrer. Cabe ao Estado, sem desprezar essa dimenso solidria, advertir de que seu brao punitivo se levantar mais alto em defesa do bem pblico, dos valores humanos. Ou da prxima vez ser o inimaginvel.A relao promscua governo e imprensaAo longo de 10 anos, entre 2006 e fevereiro do ano passado, o jornal O Rio Branco e a TV Rio Branco, instaladas na capital do Acre, de propriedade de Narciso Mendes de Assis, receberam 12 milhes de reais de publicidade ocial do governo do Estado e da prefeitura de Rio Branco, com R$ 9 milhes e R$ 3 milhes, respectivamente. Nesse perodo, todos os governadores (Jorge Viana, seu irmo, Tio Viana, e Binho Marques), assim como os prefeitos (Raimundo Angelim e Marcus Alexandre da Silva) foram eleitos pelo PT. S que os pagamentos eram efetuados a empresas laranja de Assis, que nada tinham a ver com os dois veculos de comunicao. Tratava-se de uma loja, ao mesmo tempo livraria, papelaria e caf. A manobra era feita pela agncia ocial dos dois entes pblicos, a Companhia de Selva. Seu objetivo era burlar os credores das empresas jornalsticas, inclusive o governo federal, que contra elas conseguira obter na justia execues scais. Se o dinheiro fosse creditado na forma devida, os recursos seriam conscados para o pagamento das dvidas do jornal e da emissora. O Ministrio Pblico Federal do Acre denunciou Assis e seus cmplices justia e pediu a condenao de todos os envolvidos nos crimes de associao criminosa e fraude execuo, cujas penas combinadas podem chegar a dez anos de priso e pagamento de multa. Pode servir de exemplo para iniciativas semelhantes nos casos cabveis em outros Estados.

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6 A verdade ocial: com muita fantasiaO secretrio de Justia e Cidadania e Justia de Roraima, o responsvel perante o governo local pelas penitencirias do Estado, reagiu ao massacre de 33 presos na Penitenciria Agrcola do Monte Cristo, a maior das unidades prisionais loais, como quase todas as autoridades pblicas com jurisdio sobre a questo, desde a rebelio seguida por massacre na penitenciria de Manaus: procurando diminuir gravidade do fato, negando sua dimenso mais ampla e que seja um captulo da guerra entre faces do crime organizado no Brasil. Oziel Castro armou que a ao em Roraima foi isolada, cometida contra presos comuns e sem motivo discernvel. Foi uma brutalidade desmedida sem justicativa e fundamentos, ressaltou. No entanto, o Primeiro Comando da Capital divulgou uma nota pela inter net, na qual anunciou: Diante dos fatos que aconteceram no dia 01, em Manaus, o Alto Conselho do Primeiro Comando da Capital para regio Norte vem a pblico mostrar a sua indignao e revolta diante da barbrie contra nossos 28 ir mos. Nossos parceiros em outros pases esto se mobilizando para dar uma resposta altura. Com maior rapidez e mais segurana do que as autoridades, o PCC, de So Paulo, identicou os 28 irmos massacrados pelos integrantes da Famlia do Norte, extenso no Amazonas do seu principal inimigo, o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Negou, portanto, que todos os 60 mortos fossem da sua irmandade, mas os 28 constituem nmero to expressivo que podem permitir que os demais 32 executados sejam debitados conta da selvageria, da qual participaram todos os detentos. Quem cou de fora foi morto em funo desse pecado mortal, aos olhos dos assassinos. Quando o secretrio de Roraima exclui seis dos 33 presos mortos ontem no seu Estado e considera esse argumento suciente para desmentir o crime continuado nas duas penitencirias, tenta esconder o sol com a peneira. uma tentativa v, mas est sendo repetida por quase todos os representantes do governo. Sinal de que no perceberam o quanto a situao grave. Ao mesmo tempo, se apresentam ao pblico como incapazes de resolver o dramtico problema, que assusta a populao brasileira indefesa e mal representada.Municpios falidos a regra geralJunto com o prefeito e o vice-prefeito, 23 secretrios ou equivalentes assumiram os seus cargos no dia 1, em Parauapebas, o municpio que mais exporta no Brasil e o detentor do segundo PIB do Par. cargo demais para um primeiro escalo. A equipe de secretrios equivale da capital, Belm, que possui quase cinco vezes mais habitantes. Tem sido a marca das administraes municipais interioranas, inchadas administrativamente e pagando aos seus principais servidores, sobretudo os que exercem cargos de conana ou so DAS, salrios incompatveis com a receita pblica. Do que decorre estarem endividadas, sem recursos ou insolventes. Em municpios de intensa imigrao, como Parauapebas, que mais do que duplicou a sua populao no perodo inter censitrio 2000/2010, a origem dos secretrios reete esse panorama humano. O maior contingente de maranhenses, que somam oito, superando os sete paraenses. Hatrs mineiros e dois goianos. E um paulista, um gacho, um catarinense e um carioca. A maioria situada na faixa dos 40 anos de idade. Nos municpios tradicionais do Estado, a partilha mais em funo de compadrios e entre as famlias mais antigas. Em todos eles, o critrio poltico ou atende ao nepotismo, Administraes incompetentes entram em crise, incapazes de exercer a sua jurisdio e funcionar com competncia. O quadro geral, com as excees de sempre, lastimvel. Mais do que uma questo gerencial ou nanceira, problema de cultura, mentalidade e atitude. Por isso, no apresenta mudanas signicativas no horizonte.O assassinato domsticoNa poca em que nela morou o futuro senador Jarbas Passarinho, a Vila Amaznia era um local nobre, tranquilo e pacico do bairro de Nazar, ponto nobre de Belm. Oitenta anos depois parece ter a mesma aparncia. Possui trs sadas laterais para a Doutor Moraes e uma passagem entre a Braz de Aguiar e a Gentil Bittencourt, que j sediou o melhor comrcio da capital paraense e ainda hoje considerada rea chic. Talvez por isso, num ato falho, relativo aparncia do local e no sua realidade dos nossos dias, os moradores de uma das residncias da vila deixaram aberto o porto de entrada do bangal moderno, que ca ao lado de um dos casares originais. Era para que os funcionrios de uma empresa de segurana instalassem cmeras de vigilncia, o recurso que se tornara necessrio para prevenir o que acabou acontecendo. Aproveitando-se da circunstncia, s 10 da manh do dia 5, dois homens armados tentaram assaltar a casa. Pietro Vilaa Vaneta, de 26 anos, funcionrio do Ministrio Pblico Federa e lho de um agente da Policia Federal, se confrontou com os assaltantes, foi baleado na cabea e morreu na porta da residncia, diante dos funcionrios e do pai, a quem decidira ajudar na operao. Chegara de frias no exterior e estava de passagem para Paragominas, onde trabalhava. O acaso no lhe foi favorvel, como no todos os dias para outros cidados expostos a uma criminalidade sem limites e, por isso, implacvel no desprezo pela vida. Os bandidos fugiram. A polcia est atrs deles. Mas para Pietro e sua famlia, numa frao de tempo, num cenrio inverossmil, muito de suas vidas acabou. Quem chorar por eles, alm dos seus?

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7 Narcotrco por trs de um time de futebolA rebelio na penitenciria de Manaus provocou mais da metade das mortes que aconteceram na mais sangrenta rebelio do pas, a do Carandiru, em So Paulo, 14 anos antes. Talvez por isso a imprensa paulista esteja acompanhando com maior ateno, profundidade e destaque do que a prpria imprensa local e regional. Do seu promontrio de observao e com seus recursos, ela est mostrando mais do que a mdia amaznica, revelando a mediocridade da coberta do jornalismo que tem sua base no prprio local dos fatos. o caso de um texto de Bruno Freitas divulgado pelo portal UOL, da Folha de S. Paulo. Enquanto no Rio de Janeiro e em So Paulo o narcotrco (junto com o jogo do bicho) lava dinheiro e investe em marketing atravs das escolas de samba, em Manaus ele tem uma atividade mais original (e globalizada): dono de um time de futebol. Por isso reproduzo o texto do reprter do UOL, apesar de fazer uma abordagem incompleta da relao do clube com a faco criminosa que o apoia.Apontada como principal responsvel pelas mortes durante a rebelio em um presdio de Manaus no ltimo domingo, a Faco Famlia do Norte tem uma relao ntima com o esporte. O grupo criminoso sustenta o Compenso, um dos times mais populares do futebol amador do Amazonas, que costuma mobilizar mais gente que o Campeonato Estadual local. O Compenso disputa o Pelado, tradicional torneio com mais de 40 anos, que rene mais de 500 times em sua categoria principal conhecido como o maior campeonato amador do mundo e atrai jornalistas at do exterior. O time ligado Faco Famlia do Norte conquistou o ttulo em duas oportunidades (2006 e 2008) e amedronta adversrios e imprensa local. O time amador tem como principal incentivador Roberto Fernandes Bar bosa, o Z Roberto da Compensa, comandante da Faco Famlia do Nor te. Em conversas interceptadas pela Polcia Federal em 2015, o criminoso admitiu ter investido cerca de R$ 320 mil para que o time participasse de um torneio local.DCom capacidade de investimento, a equipe ligada ao trco de drogas conseguiu por muito tempo bancar nibus para torcedores se deslocarem e material de arquibancada, como bandeiras. Mais importante, a agremiao recrutou boa parte dos melhores jogadores disponveis, pagando bem por partida. Existe uma presso muito grande para adversrios que vo jogar l no campo deles, com gritos de terror, de que vo morrer. Diz-se que certos times at entregam os jogos. difcil trabalhar l tambm, para os jornalistas, devido s ameaas. Uma equipe de reportagem quase foi agredida, relatou um jornalista que acompanha o Pelado, em condio de anonimato. Por episdios como esse descrito acima e pela notria ligao do time com o trco, parte da imprensa esportiva do Estado tambm costuma evitar reproduzir notcias sobre o Compenso. Mas a fora da equipe no cenrio amador de Manaus parece enfrentar um desao pontual. Desde que Z da Compensa foi transferido para presdio federal de Catanduvas, no Paran, seguidores do Pelado detectaram uma queda de rendimento da equipe ligada faco. Segundo um dos organizadores do Pelado ouvido pela reportagem, do ponto de vista de gesto, o Compenso tratado como qualquer outro clube inscrito no torneio. O organizador citou o exemplo de uma escola de samba de uma grande cidade, que pode ter integrantes ligados a situaes discutveis, mas que legalmente cumpre todos osparmetros de disputa. A Faco Famlia do Norte foi uma das protagonistas da rebelio do ltimo domingo Complexo Penitencirio Ansio Jobim, quando confrontou rivais ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), grupo criminoso de So Paulo. Em 16 horas de enfrentamentos, 56 presos morreram e outros 112 fugiram.Criminosos na ruaQuase 12% dos 1.158 detentos beneficiados pela justia com a sada temporria para as festas de final de ano. Esses 137 presidirios que no retornaram no prazo estabelecido se tornaram foragidos, alvo de procura e perseguio. Quando recapturados, voltaro a cumprir o restante da pena no regime fechado. Os1.021 pessoas que se reapresentaram s trs unidades prisionais paraenses continuaro a desfrutar de tratamento diferenciado. A evaso, em nmeros precisos, foi de 11.83%, considerada inferior mdia anterior. Apesar de ser, mesmo assim, elevada, a Superintendncia do Sistema Penitencirio do Estado no foi questionada pela imprensa a fornecer dados detalhados sobre os que se evadiram: seu grau de periculosidade, reincidncia e demais informaes para permitir avaliar essa poltica de indulto anual.

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8 O governo Temer: balano de 8 mesesEm menos de 6 meses, seu gover-no conseguiu aprovar 54 medidas importantes, uma a cada 3,3 dias. Sensacional. Cria uma conscincia de controle de despesas federais por 25 anos, e prova-velmente para sempre. [Mas sem plane-jar as atividades, iniciativa nanceira e oramentria. No guia o pas por longas duas dcadas, com o risco de comprimir despesas que geram investimento.] Lei das Estatais proibindo dirigentes partidrios serem indicados a estatais, e s administradores competentes ou prossionais com 10 anos de experin-cia no setor. Fim dos Sergio Gabrielis e LucianosCoutinhos que nunca traba-lharam numa empresa na vida. [Talvez. Ainda incerto. Mas no impede a as-censo de novos Paulo Roberto Costa ou Pedro Barusco, que montaram o esque-ma de corrupo revelado pela Operao Lava-Jato.] Lei da Repatriao regularizando 200 bilhes de dlares que lentamente voltaro para o Brasil. [O resultado foi muito menor. E o processo no teve nem o debate necessrio, a transparncia de-vida e a prestao de contas obrigatria. ] Facilitou a contratao de emprega-dos pelas empresas reduzindo multas por demisso [ainda assim, o desem-prego no baixou, estabilizando-se num patamar alto, ainda com possibilidade de continuar a crescer.]. Aprova a Lei sobre o Sistema Nacio-nal de Controle de Medicamentos. Economia voltou a crescer 2,8% nesse ltimo trimestre comparado com 2015 [No um crescimento segu-ro, prolongvel. ] Introduziu a prtica de custo-be-nefcio, nica forma de avaliar novos programas sociais. Novos programas sociais s podero ser implantados se seu custo benefcio for maior do que os planos governos passados com menor efetividade. Implantou auditoria no Bolsa Fam-lia, jamais feito antes e detectou mais de 1,1 milho de fraudes. Renda do bene-ciado no era vericado por Nelson Barbosa, a gente tem que conar nas pessoas dita para um amigo meu. Corta 5.000 cargos de comissio-nados a membros do PT. Todo petista liado era obrigado a doar 10% de seu salrio pblico ao PT, o que era moti-vo de escolha preferencial.(Art. 184 do Estatuto do PT. Filiados e liadas ocu-pantes de cargos comissionados, deve-ro efetuar uma contribuio mensal ao Partido, correspondente a um percen-tual do total). [As demisses podiam ter ido muito alm, sem novas admisses, que aconteceram. As medidas pratica-mente se esgotaram nos petistas.] Reduziu o risco Brasil de 400 para 325, em 20%.O economista Stephen Kanitz um conservador. Um conservador inteligente, que fala sobre o que conhece, com experincia e representando um grupamento da sociedade brasileira. Costuma se manifestar quase como representante do mercado. Nessa condio, postou em seu blog o maior e mais detalhado elogio j feito gesto de Michel Temer na presidncia da repblica. Elogio s vezes superficial, em alguns casos exagerado e em outros sem sustentao nos fatos. Mas representativo de uma posio no espectro poltico nacional, ainda que francamente minoritrio: aqueles que defendem a permanncia de Temer at o final do mandato, que o povo delegou cabea de chapa da aliana PT/PMDB: Dilma Rousseff. Ainda que exageradamente favorvel, o rol de realizaes do governo Temer preparado por Kanitz uma boa agenda para discutir melhor cada item citado, confirmando-o, negando-o ou o relativizando. mais til, diante dos desafios e incertezas do momento, que tornam temerria qualquer previso sobre o desfecho poltico de 2017, do que simplesmente julg-lo e sentencilo com o antema de golpista ou o desdenhoso tratamento de ano. Como fazem os petistas. preciso pensar melhor sobre esses oito meses transcorridos de um mandato original de quatro anos, dos quais a eleita cumpriu 16 meses, at ser afastada do cargo pelo impeachment. Foi um dos perodos mais desastrosos da administrao pblica federal em toda histria republicana do Brasil. Por efeito de tantos erros, a herana que ela deixou ao substituto, que ascendeu graas a esse acidente legal, seria terrvel para qualquer um que o recebesse. Essa importante circunstncia no pode ser minimizada por quem quiser formar um juzo criterioso sobre o perodo em que Temer foi presidente, mas no deve servir de pretexto para aliviar sua responsabilidade nem atenuar suas deficincias e novos erros.Afinal, seu mandato ainda poder se prolongar por alguns meses ou mais dois anos, sem tirar o pas do atoleiro em que estava, ou o aprofundando. Quem for honesto haver de se questionar: quem conseguiria reverter o quadro catico deixado por Dilma? Ou conseguir, se a eleio direta para a presidncia for antecipada, pela mobilizao nas ruas ou pela cassao da chapa completa Dilma-Temer pela justia eleitoral, hiptese em andamento? O texto de Kanitz, que elencou o mximo de iniciativas positivas que um adepto de Temer poderia suscitar, permite um exame mais criterioso (e crtico) de cada item.Questionei alguns com ligeiros comentrios que fiz, entre colchetes, alm correes a certos trechos, com erros que devem ter sido cometidos porque Kanitz escreveu s pressas o seu comentrio, intitulado Obrigado Presidente Temer Por 2016. Ou seja, tomando partido desde a abertura do artigo. Disse ele:

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9 Reduziu a inao de 0,44 para 0,18 ao ms em Novembro. O Real se valorizou 17%. Voltou a prestigiar o Terceiro Setor, designando Marcela Temer como por-ta voz, enquanto a Dona Marisa Letcia no levantou um dedinho em 8 anos para apoiar o 3 Setor. [A mudana no foi mais do que de nomes e o alcance da medida, irrisrio. A primeira dama no demonstrou competncia para o exerc-cio da funo. ] Valor de nossas empresas valori-zou 39%, contra queda de 50% na ges-to Dilma. Salvou a Petrobras desobrigando a de vultosos aportes ao Pr-Sal, que ela jamais conseguiria fazer, postergando o projeto [Sem se preocupar em demons-trar para a sociedade que os argumentos dos crticos dessa iniciativa, apontada como lesiva aos interesses da estatal, so destitudos de fundamento. ] Criou condies de Desestatizao de tudo que no estratgico e que o setor privado capaz de fazer melhor. [Com a mesma decincia da ausncia de debate e esclarecimento.] Demitiu centenas cargos de conan-a do PT, por prossionais leais ao povo brasileiros e no ao PT. [ evidente exa-gero essa constatao. Kanitz vericou cada um dos currculos e os checou con-cretamente?] Colocou em discusso a Previdncia no intuito de pr m a explorao es-cravocrata da populao jovem onde os mais velhos e espertos se aposentavam as custas da contribuio das futuras geraes [A questo mais complexa do que o enunciado simplrio apregoa.] Fez auditoria no Auxilio Doena e detecta 8.884 auxlios fraudulentos. Tentou cortar a prtica do PT de an-tecipar o 13 salrio a aposentados em Agosto, passando para Dezembro como todo mundo. Cmara vetou. Probe a Dilma o uso de Avio Presi-dencial durante seu afastamento. Farra com dinheiro dos outros. [Que prosse-guiu at a imprensa denunciar as mordo-mias que o presidente herdou e manteve, sem a garantia de que seu compromisso de eliminar esse gasto v se concretizar.] Passa a usar esse avio para trans-plantes e remdios urgente. (Contribui-o posterior de leitor) Amplia o ensino mdio para tempo integral, como no resto mundo [mas no exatamente da mesma maneira, Ge-raldo controvrsia e reao. ] Cria a possibilidade de matrias op-tativas. Cria a categoria de Ensino Mdio tcnico e Profissional para aqueles que no querem um Diploma Univer-sitrio intil. Tentou Revogar a Lei Rouanett que doou 9 bilhes de reais aos artistas, es-pecialmente os que cantavam de graa nos comcios do PSDB e PTDurou 20 anos essa mamata. Corta os 11 milhes por ano a 15 blo-gs que s defendiam descaradamente o PT e usados para atacar a democracia. Corta pela metade verbas para Re-forma Agrria, fonte de sustentao in-direta do MST. Agricultura emprega so-mente 1% da populao, o MST deveria lutar por Mais Servios, que emprega 70% da populao. Corta a ampliao de 230 aeropor-tos, que beneciariam somente os ricos e as empreiteiras, para 50. Cria o Ministrio de Fiscalizao e Controle. Obrigou o varejo a diferenciar seus preos em preo vista e preo a pra-zo. Esse o primeiro passo para nal-mente nossos economistas calcularem corretamente a inao, batalha minha de mais de 40 anos. Por 40 anos nossos Institutos calculavam a inao usando os preos a prazo 10 x no carto, e no os preos vista. Vide A Absurda Supe-restimao da Inao. Estancou o brutal crescimento da Dvida do Estado pela equipe de gnios da Dilma de 50% para 70% do PIB [Ain-da no estancou, apesar de tentar.] Estancou o irresponsvel aumento dos juros da Dilma, de 11% na sua pos-se at 14,15 na sua demisso democrti-ca e comeou o descenso, hoje 13,90%. [Descenso tmido demais, quase simbli-co, sem mudar ainda a tendncia.] Com a economia feita detectando 1 milho de Bolsa Famlia fraudulen-tas aumentou em 12% o valor do Bol-sa Famlia. Renegocia dvidas do Estado que o governo Dilma quebrou [Na renegocia-o o critrio poltico est prevalecendo sobre os fundamentos tcnicos.] Exigiu Austeridade nos Gastos do Governo. [Se mandou, a ordem ainda no foi cumprida; se cumprida, teve pou-ca expresso.] Reduziu nalmente o nmero de Ministrios e Ministros. Voltou a nanciar o FIES em R$ 1,6 bilhes, suspenso por Nelson Barbosa Eliminou as despesas de 2% de co-misso bancrias do FIES, doravante a serem pagas pelas Escolas. Economia de 400 milhes. Reduziu os juros para nanciamen-to imobilirio. Reduziu as alquotas de importao de 275 tipos de mquinas e equipamen-tos. A sanha arrecadadora do PT que taxava at tecnologia moderna, que so essas mquinas de ltima gerao. Fim dos subsdios do Preo dos Combustveis, maneira do PT manipu-lar a inao. Nomeao de um gestor competen-te na Petrobras, Pedro (TurnAround) e no um Professor de Economia Nomeou um gestor competente Henrique Meirelles para a Fazenda em vez de um Professor de Economia. Nomeou uma gestora competente o BNDES, Maria Silva em vez de um Pro-fessor de Economia. Tentou Expulsar Venezuela do Mer-cosul, que vetava tudo que no fosse de interesse do PT. Aumentou de 60 para 120 meses o pagamento de tributos de empresas com problemas de caixa. Reduziu impostos para 270.000 em-presas no Super Simples. Extino do Fundo Soberano cria-do por Guido Mantega, que ao contr-rio do de Angola no tinha Auditoria Externa. O Tribunal e Contas criticou duramente. Aus ncia de uniformidade dos c lculos realizados pelos servidores do FSB ao longo do tempo, bem como aus ncia de monitoramento e confer n-cia dos c lculos pela hierarquia supe-rior, isto Mantega. Reduo em R$ 100 bilhes da car-teira do BNDES, aumentando pelo PT para favorecer 20 famlias brasileiras com juros subsidiadas. Dobrou o nmero de seguranas para 44.000 na Olimpada, e liberou mais R$ 78 milhes para segurana. Lembre se o temor de terrorismo que havia enquanto Dilma era presidente [Esse fato nem devia ser citado, por sua nma signicao. ] Sanciona Lei que simplica o trmi-te dos processos judiciais. Sanciona Lei que amplia o poder de investigaes das CPIs Sanciona Lei que renegocia dvida de produtor atingido pela seca. Sanciona Lei que reduz impostos de mdicos a partir de 2018 Parabns, no deve ter sido fcil, dependeu certamente da habilidade poltica que V.Exa. possui que a Dilma Durona Rousse no tinha. Parabns pela sua produtividade, uma medida importante a cada 3 dia Parabns!!!

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10 Um Brasil alucinado e intolerante espelhado numa tragdia pessoalNo tenho medo de morrer ou car preso, na verdade j estou preso na angustia da injustia, alm do que eu preso, vou ter 3 alimentaes completas, banho de sol, salrio, no precisarei acordar cedo pra ir trabalhar, vou ter representantes dos direito humanos puxando meu saco, tbmno vou per der 5 meses do meu salrio em impostos. Morto tbm j estou, pq no posso car contigo, ver vc crescer, desfrutar a vida contigo por causa de um sistema feminista e umas loucas. Filho tenha certeza que no ser s nos dois quem vamos nos foder, vou levar o mximo de pessoasdaquela famlia comigo, pra isso no acontecer mais com outro trabalhador honesto. Agora vo me chamar de louco, ms quem louco? Eu quem quero justia ou ela que queria o lho s pra ela? Que ela zesse inseminao articial ou fosse trepar com um bandido que no gosta de lho. No Brasil, crianas adquirem microcefalia e morrem por corrupo, homens babacas morrem e matam por futebol, policiais e bombeiros morrem dignamente pela prosso, jovens do bem (dois sexos) morrem por celulares, tnis, seles e por dolos, jornalistas morrem pelo amor prosso, muitas pessoas pobres mor rem no cho de hospitais para manter polticos na riqueza e poder! Eu morro por justia, dignidade, honra e pelo meu direito de ser pai! Na ver dade somos todos loucos, depende da necessidade dela aorar! A vadia foi ardilosa e inspirou outras vadias a fazer o mesmo com os lhos, agora os pais quem iro se inspirar e acabar com as famlias das vadias. As mulheres sim tem medo de morrer com pouca idade. Aproveitando, peo aos amigos que sabem da minha descrena, que no rezem e por mim, se fazerem oraes faam por meu lho ele sim ir precisar! Quero ser enterrado com a cabea para baixo se garante que assim posso ir pro inferno buscar a velha vadia (que era at ministra de comunho na igreja) que morreu antes da hora. Demorei pra matar ela pq me apaixonei por um anjo lindo!No primeiro dia de um ano que, sabemos, ser muito difcil, um documento trgico parece ser o retrato da violncia que se espraia pelo Brasil. Uma violncia profunda, selvagem, impiedosa. Uma violncia alucinada e alucinante, que pode irromper como um jorro sbito, subvertendo as teorias e surpreendendo todas as expectativas. Violncia caracterstica de um pas enorme, dinmico, poderoso e injusto, deforme, de lancinantes contrastes, que convive com a barbrie como se ela pudesse ser conciliada com aspiraes de grandeza. So trechos de cartas escritas pelo tcnico de laboratrio Sidnei Ramis de Arajo, de 46 anos, funcionrio do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (So Paulo), que rene alguns dos principais laboratrios de estudos e inovao do governo federal. Uma das cartas foi endereada ao filho, uma criana de oito anos, que viria a matar com um certeiro tiro de pistola, a sangue frio, na srie imediata de execues, na qual incluiu a me da criana, sua ex-esposa, e mais 10 pessoas da famlia dela, alm de outros trs feridos. Atirou com firmeza e preciso contra todos eles com uma pistola. A chacina foi praticada durante o rveillon da famlia em Campinas, na noite de sbado, 31. Pensara inicialmente em cometer a matana no dia de natal, com o mesmo propsito: tirar a vida do maior nmero de pessoas que encontrasse; de todas, se possvel. Com essa finalidade, carregava uma pistola de grosso calibre, munio suplementar, explosivos e um canivete. No s para se vingar da ex-mulher (que considerava uma vadia), Acabar com a prpria famlia e sangrar pessoas com as quais convivera. Tambm como se fosse um terrorista, que se vale de argumentos polticos ou filosficos para ampliar a abrangncia e o significado do seu ato. Alm do texto direcionado ao filho, o tcnico mandou uma carta namorada, precedida por mensagens enviadas para amigos antes do crime. O texto foi divulgado por O Estado de S. Paulo, que reprouziu alguns trechos. Foram excludas citaes que ele faz de outras pessoas e acusaes sem comprovao. Foram deixadas apenas as partes em que ele relata seu plano de matar a famlia e comentrios polticos. Tambm foi mantida a sua prpria grafia. Os vrios erros gramaticais ou de grafia no impedem que se perceba o grau de instruo do assassino, sua mentalidade e sua alucinada maneira de encarar o que para ele so problemas e como resolv-los. Ele no esteve s nessa senda do absurdo, da selvageria, da loucura. H milhares de pessoas, aparentemente to esclarecidas e sadias, que tornam ainda mais difcil, com sua pretenso de justiceiros, de fazer mal a outras pessoas, a grupos delas e prpria nao. Por agirem com intolerncia, arrogncia e barbaridade, mesmo quando alguma causa justa os impulsione, a forma que adotam desfaz todos os bons propsitos. O que resta a runa, o horror da loucura, o absurdo de pretender fazer justia pessoal, de ser o rbitro da vida alheia, o algoz de tudo. Espero que o leitor avalie a gravidade do texto a seguir e se d conta do seu significado, alm da funo que deve ter: de alerta.

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11 Corruptos da Petrobrs ainda saem ganhando?Jlio Camargo foi consultor da empreiteira ToyoSetal, integrante do cartel que funcionou junto Petrobrs, pagando propina para ter contratos com a estatal do petrleo (ou para superfatur-los). Ao fazer uma das primeiras delaes premiadas, em 2014, contando o que sabia como lobista nessas transaes, foi multado em 40 milhes de reais pelo juiz Sr gio Moro, da Operao Lava-Jato. Para quitar a dvida vendeu, por nove milhes de reais, seu barco de 75 ps (dispensando os trs marinheiros que o tripulavam), e, por R$ 6 milhes, seu jatinho, um CessnaCitation Excel. Sem esses luxos, Camargo a morar numa casa no valorizado bairro do Morumbi, em So Paulo, e a frequentar os preos do Jockey Club, na condio de interessado criador de cavalos, atividade bastante cara. Seus amigos disseram Folha de S. Pauloque o lobista vive agora de juros dos negcios que intermediou com a estatal. No dizem, mas certamente sua maior fonte de renda foi o saldo de pelo menos R$ 266 milhes que teria recebido nas operaes ilcitas, segundo as estimativas do grupo de investigao da Lava-Jato.Ou seja: a multa correspondeu a uma sexta parte do que ele roubou. Alm desse saldo apurado, ao fazer a delao Jlio Camargo conseguiu que sua condenao, a 14 anos de priso, fosse comutada para cinco anos em regime aberto, sem tor nozeleira eletrnica. O que leva a concluso de que o crime valeu a pena? preciso fazer uma rigorosa apurao desses acordos para tirar a m impresso e a moral ruim que ca com gosto de guarda-chuva no paladar da sociedade brasileira. (...) Ela no merece ser chamada de me, ms infelizmente muitas vadias fazem de tudo que errado para distanciar os lhos dos pais e elas conseguem, pois as leis deste paizeco so para os bandidos e bandidas. A justia brasileira igual ao lewandowski, (um marginal que limpou a bunda com a constituio no dia que tirou outra vadia do poder) um lixo! Se os presidentes do pas so bandidos, quem ser por ns? Filho, no sou machista e no tenho raiva das mulheres (essas de boa ndole, eu amo de corao, tanto que me apaixonei por uma mulher maravilhosa, a Ktia) tenho raiva das vadias que se proliferam e muito a cada dia se beneciando da lei vadia da penha! No posso dizer que todas as mulheres so vadias! Ms todas as mulheres sabem do que as vadias so capazes de fazer! Filho te amo muito e agora vou vingar o mal que ela nos fez! Principalmente a vc! Sei o qto ela te fez chorar em no deixar vc car comigo qdo eu ia te visitar. Saiba que sempre te amarei! Toda mulher tem medo de morrer nova, ela ir por minhas mos! (...) eu ia matar as vadias (eu j tinha a arma e raspei a numerao pra no prejudicar quem me vendeu, ela precisava de dinheiro). Famlia de policial morto no recebe tantos benefcios com a famlia de presos. Cad os or dinrios dos direitos humanos? Esto sendo presos por ajudar bandidos n? Paizeco de bosta. Sei que me achava um frouxo em no dar uns tapas na cara dela, ms eu no podia te dizer as minhas pretenses em acabar com ela! Tinha que ser no momento certo. Quero pegar o mximo de vadias da famlia juntas. A injustia campineira me condenou por algo que no z! Espero que eles sejam punidos de alguma forma. Chega!! Ela tem que pagar pelo que fez.BNDES volta a abrir seu caixa s empresasO BNDES tinha conscincia de estar tomando uma deciso polmica, ao anuncia-la, no nal do ms passado : liberou um emprstimo de 145 milhes de dlares para nanciar uma obra executada no exterior pela construtora Queiroz Galvo. a primeira operao do tipo para uma empresa investigada pela Operao Lava Jato desde maio do ano passado. Em comunicado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social informou que o emprstimo, liberado em 28 de dezembro, ser para a construo do Corredor Logstico que liga Puente San Juan I a Goascorn, em Honduras. Esse o primeiro nanciamento da carteira de exportao de bens e ser vios de engenharia e construo que volta a receber recursos do banco, aps a suspenso temporria de desembolsos, ocorrida em maio de 2016, anunciou o banco. Certamente por j prever crticas, o BNDES explicou que a liberao levou em conta critrios anunciados trs meses atrs, em outubro, incluindo percentual de avano fsico da obra, participao de outras instituies no financiamento e a assinatura de um termo de compliance (compromisso de conduta) no qual a Queiroz Galvo e o governo de Honduras se comprometem a cumprir a finalidade da aplicao dos recursos financiados pelo banco. O banco deixou de explicar por que adotou esse procedimento se um nmero crescente de pases espalhados pelo mundo, onde as empresas indiciadas ou denunciadas pela Operao Lava-Jato atuam, inclusive na Amrica do Sul, simplesmente as impediram de operar at serem inocentadas das acusaes ou cumprirem as penas determinadas. Seria para proteger a empresa nacional do excesso de rigor ou do boicote internacional para favorecer os seus competidores? Se, enfrentar a questo, parece que se trata de mero pretexto para retomar a normalidade ou anor malidade? da atividade econmica no Brasil.

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12 Nenhum representante do Par foi includo na relao dos 30 deputados federais mais atuantes na legislatura de 1957, na avaliao dos jornalistas credenciados no parlamento. Da regio, apenas o amazonense ureo Melo, autor de um projeto para estatizar os jacars da Amaznia, o que levaria criao da Jacarebrs, segundo os comentrios maldosos. Os deputados mais atuantes na tribuna foram Carlos Lacerda, Vieira de Melo, Batista Ramos e Herbert Levy.Em 1964, o Informante Invisvel, pseudnimo de um custico colunista da Folha do Norte Relatou episdio que envolveu o recentemente falecido radialista Jaime Bastos. Numa narrao de jogo de futebol pela rdio Guajar (ao que parece, em fase de renascimento, depois de anos de inatividade). O reprter de campo Abias Almeida pediu para interromper a transmisso para informar que, cessada a pesada chuva que cara no local, estava passando pelo cu um cardume de pssaros. Efeito, naturalmente, da cedia instantaneidade da narrativa, que atrapalha a expresso, e da combinao de animais em voo por um espao que a gua ocupara. Coisas da chuvosa Belm do Par.Seis meses depois de empossado pela Assembleia Legislativa como governador do Par, no lugar de Aurlio do Carmo, cassado pelos militares, o governador Jar bas Passarinho recebeu, em dezembro de 1964, um dos diretores da Tecejuta, Elias Pinto, que encerrara mandato de deputado estadual pela oposio cinco anos antes. Instalada em Santarm, a Tecejuta possua um dos mais modernos parques industriais de ao e tecelagem de juta e malva do Brasil. A despeito das diferenas polticas, Passarinho disse a Elias que ajudaria a empresa, que vivia um momento difcil. Intermediou o ingresso no controle acionrio da I. B. Sabb, que renava e distribua derivados de petrleo em Manaus (nessa atividade at hoje). O novo scio aportou capital ao empreendimento, que venceria essa etapa, mas acabaria tempos depois. Dele, restam as carcaas do que fora uma grande fbrica, a maior do Baixo Amazonas. O melhor cinemaO melhor cinema que Belm j teve, num dos maiores investimentos culturais da sua histria bancado pela iniciativa privada (liderada pelo engenheiro Judah Levy), o Cine-Teatro Palcio, foi inaugurado em 6 de dezembro de 1959. Em uma avant premier de gala, com convites especiais para a exibio de Gigi, com Leslie Caron, Maurice Chevalier e Louis Jordan, filme que recebeu nove prmios da Academia de Hollywood, em sesso nica, s oito horas da noite. Seria sucedido, uma semana depois, por As pernas de Dolores. O cinema, no trreo do novo edifcio Palcio do Rdio, na avenida Presidente Vargas, oferecia aos frequentadores ar condicionado perfeito, poltronas estofadas, luxo e conforto. Mais som estereofnioco tico e magntico de alta fidelidade. Pelo mesmo preo de uma inteira, o interessado podia ter acesso a um balco nobre, no mezanino, onde todas as poltronas eram numeradas, Bastava reservar o seu lugar pelo telefone 1004 ou chegar antecipadamente, s duas da tarde, para comprar na bilheteria. Quando aberto ao pblico, haveria quatro sesses dirias, das 14 s 21,30 horas, o que significava que o espectador sairia da ltima sesso s 11 e meia da noite, sem se preocupar em sofrer qualquer agresso na rua do centro antigo de Belm, por onde a maioria caminhava, usufruindo a temperatura amena desse horrio na cidade. No d saudade, ou inveja?

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13 Dos anncios classicados de A Provncia do Par em 1968, detalhes do cotidiano em Belm do Par. O Salo Janete, na rua 13 de Maio, era o nico a produzir chuteiras costuradas para a prtica do futebol. Uma cozinheira, com car dpio variado, se declarava capaz de fornecer refeies em marmitas a famlias de no trato. O Maguari ainda era to longe que uma casa era anunciada como sendo localizada a vinte minutos de Belm. Era avarandada, com gua encanada, geladeira nova, piscina em azulejos e pastilhas, tima para m de semana. O aparelho telefnico era o item destacado para a venda de um modernssimo apar tamento no edifcio Manuel Pinto da Silva, que era o mais alto do Norte e Nordeste do pas. Estava para alugar andar inteiro de um prdio recmconstrudo, a 20 metros da avenida Presidente Vargas. Ele tinha, alm de ar refrigerado, piso entapetado, geladeira em cavina, nica em Belm, e interfones em todas as salas. Como o sonho de consumo do paraense de classe mdia era o Rio de Janeiro, estava disponvel para aluguel um apartamento com vista deslumbrante para a magnca praia do Botafogo. Nas frias, permitiria ao seu ocupante livrar-se das onerosas despesas de hotel. Morador do edifcio Engelhard pedia a quem tivesse encontrado frasqueira de cor marrom, contendo documentos, perdida a bordo do navio Fortaleza, na viagem BelmSoure, que tivesse a gentileza de devolv-la ao dono, onde ser graticado.Em 1969 ainda havia 10 cinemas de rua em Belm: Olmpia, Palcio, Nazar, Iracema, Independncia, Moderno, Guarani, pera, Vitria e Paraso, os dois ltimos os nicos na periferia. Os outros, espalhados por bairros centrais da cidade.Em 1970 foi assinado o primeiro contrato para aterrar parte da rea alagada no bairro do Guam, onde seria implantado o conjunto universitrio pioneiro da Universidade Federal do Par. O servio abrangeria a movimentao de 125 mil metros cbicos de material, atravs de uma draga, um rebocador e uma lancha. A contratada foi a Companhia Brasileira de Dragagem. O contrato foi assinado pelo seu presidente, general Odilon Lehmann, e pelo reitor Aloysio Chaves. O novo campus iria abrigando as unidades isoladas da UFPA, at formar o atual campus universitrio.Imagem do tempoCena que foi para a primeira pgina de A Provncia do Par e teve grande repercusso na poca: o padre Carlos Coimbra casa, na igreja da Trindade, o ex-padre (ao longo de 10 anos) Samuel S com a mdica Elisa Viana S. Foi um ms antes da edio do AI-5, de dezembro de 1968, o febril ano que um dos mais violentos atos de fora poltica interromperia antes do seu fim. Samuel e Elisa viveriam nesse casamento at a morte dela. Carlos, j falecido, tambm deixaria a batina para se casar. Samuel se tornaria pesquisador e professor universitrio, ainda em atividade. Os novos tempos iriam e viriam ao sabor da histria e de histrias.

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: CEP: 66.053-030E-mail: lfpjor@uol.com.br www.jornalpessoal.com.br Blog: Sobre a matria com o ttulo Desculpe: Isto Brasil, Jornal Pessoal n 622, segunda quinzena de Dez/16. Em primeiro lugar, aplausos pela apurao das Contas Regionais do ano de 2014, j um avano e tanto. O mais interessante que os Estados mais ricos (69,9%, do PIB), trs deles declararam-se falidos: Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Os funcionrios estaduais esto recebendo os seus proventos parceladamente, quando recebem. O 13 salrio foi para as calendas gregas, as imagens dos funcionrios reclamando chorosamente na TV, do o toque do drama. Inventaram at uma rubrica contbil: Calamidade Financeira. Por que os MPE/MPF no abrem uma sindicncia para saber como esses gover nantes consumiram tamanha riqueza? A Lava Jato do juiz Srgio Moro deveria ser convocada para investigar o que se passa nas profundezas das nanas pblicas estaduais. Certamente que ir encontrar muito material para enriquecer os seus procedimentos criativos e inovadores. Rodolfo Lisboa Cerveira MINHA RESPOSTA A providncia realmente necessria. Mas cabe aos ministrios pblicos dos Estados respectivos, alm dos rgos de controle externo e interno de cada uma dessas unidades fede rativas, que esto comendo mosca. Como se sabe, nenhum juiz tem o poder da iniciativa. No caso da Lava-Jato, prerrogativa da Polcia Federal e do MPF do Paran, que exerceram sua jurisdio porque o fato inicial das investigaes se localizava em um posto de combustveis de Curitiba, com seu servio de lavagem de carro (e, sabemos agora, de dinheiro tambm). No o caso dos absurdos apontados pelo leitor.Big Ben encolheA Big Ben encerrou suas atividades no Cear no ms passado. A rede de farmcias paraense contava com cinco unidades no Estado desde 2012, todas localizadas na capital. O motivo do fechamento das lojas que a empresa, ao mudar de administrao, decidiu focar nos mercados dos Estados do Par e Pernambuco, segundo Deusmar Queirs, presidente da Associao Brasileira de Redes de Farmcias e Drogarias e do Conselho de Administrao do grupo Pague Menos. Para os funcionrios da rede de far mcias em Fortaleza, que no quiseram se identicar, outros motivos zeram com que a empresa sasse do Cear. Pesou a concorrncia do mercado, o aumento de impostos e tambm por que os remdios vinham de Belm e isso custava caro, disse um dos entrevistados pelo jornal. Para Deusmar, as Drogarias Big Ben so uma empresa forte e sua retirada do Estado foi questo estratgica. Eles apenas esto mudando o foco deles. Foram 10 lojas que fecharam das 250 que eles possuam no Brasil. Ainda continuam com 240 e possuem um mercado muito forte em outras regies do Pas, acrescentou. De janeiro at novembro do ano passado, ltimo dado levantado, a Abrafarma contabilizava 6.377 lojas referentes a todas as 27 redes associadas. Segundo a associao, isso representa aumento de cerca de 9% ante o mesmo perodo de 2015. Em termos de faturamento, foram consolidados R$ 35 bilhes at novembro de 2016, o que representou elevao de cerca de 11% para o setor. A expectativa para esse ano de crescimento tambm. Enquanto os outros segmentos caem, ns vamos na contramo. Esperamos que o setor cresa entre 3% e 4% em 2017, avaliou o presidente da Abrafarma, em entrevista ao jornal O Povo de Fortaleza. A Big Ben surgiu em 1994 e chegou a ter 258 drogarias, em oito Estados e mais de 58 municpios, consolidando-se como a maior e mais conhecida rede de drogarias do Par. Por 15 anos consecutivos foi a lder do mercado no Estado. No Cear, a liderana da Pague Menos. Segundo a ltima informao a respeito, a Brasil Pharma, terceira maior empresa de varejo far macutico do pas, desistiu, ao menos por ora, de vender a Big Ben para a Ultrapar, que comprou a Extrafarma, dos Lazera. No s por considerarem o preo abaixo do pedido (R$ 750 milhes), como pela suspeita de que o Cade impediria a transao. A fuso iria criar um grupo monopolista. Quando separados, os dois grupos j formavam um cartel.Com 264 lojas no Norte e Nordeste do pas, a Big-Ben a maior rede de farmcias controlada pela Brasil Pharma. O grupo do BTG Pactual vai cata de novo comprador. Quer mesmo se desfazer da BB. Cart @

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15 A milcia age. O governo calaAlexandre Augusto Barroso Rodrigues Jnior, de 19 anos, no retornou colnia agrcola Heleno Fragoso, que integra o complexo penitencirio de Americano, em Santa Izabel. No ltimo dia para ele cumprir o compromisso que lhe concedeu a sada temporria da priso, como um dos benecirios do indulto natalino de 2016, foi assassinado. No se sabe se, como vrios outros, ele se evadiria. No teve tempo para isso. s trs e meia da tarde do dia 2, ele foi morto com pelo menos oito tiros prximo casa da famlia, no bairro do Marco, em Belm. Ele pressentiu o que o aguardava ao ver um carro prata se aproximar. Tentou fugir, mas j era tarde. O ocupante do assento de carona no automvel baixou o vidro e comeou a disparar. Os oito tiros, provavelmente de pistola ponto 40, atingiram Alexandre nas costas, no peito, no rosto e no brao. Ele caiu morto. O matador nem precisou descer para execut -lo. Cumprido o ritual, fugiu. Houve testemunhas, mas elas se calaram, como quase sempre acontece nessas ocasies. O carro prata uma marca da milcia que est matando bandidos pela cidade, de par com um car ro preto, conhecidos e temidos. Os alvos sempre so criminosos, como Alexandre, com vrias passagens pela polcia, a ltima, em maio de 2015, quando foi para a colnia agrcola, por porte ilegal de arma. A ao constante dos dois carros mostra que as milcias agem livremente. Ningum foi identificado, muito menos preso. a regra. Indica que h um acerto tcito. Os justiceiros esto eliminando os inimigos e fazendo, anonimamente, o que no podem fazer luz do dia, no desempenho de suas funes, como policiais. Sua impunidade tem como premissa a necessidade do servio sujo, margem da lei, clandestino. A desenvoltura dos veculos da morte impe uma resposta Secretaria de Segurana Pblica. Mas h quanto tempo, enquanto ela permanece muda, enquanto o crime especialmente o organizado avana? Com a palavra quem a palavra tem evitado: o governador do Estado, Simo Jatene. Sempre mudo sobre essas questes e vrias outras.Exportar no importa: o Brasil ainda maiorO governo comemorou o supervit de quase 48 bilhes de dlares na balana comercial em 2016, o maior saldo da srie histrica, que teve incio em 1989. O valor mais do que o dobro do registrado em 2015, de menos de U$ 20 bilhes. O recorde anterior foi de US$ 46,5 bilhes, registrado em 2006, segundo dados do Ministrio da Indstria, Comrcio Exterior e Servios. As exportaes somaram US$ 185,2 bilhes e as importaes, US$ 137,6 bilhes. No entanto, a corrente de comrcio (soma de todas as exportaes e importaes no ano) foi a menor registrada desde 2010. Houve assim queda tanto das exportaes como das importaes. A expectativa do governo de que ambas cresam neste ano, retomando a curva favorvel interrompida em 2010. Mas h indicadores preocupantes. A queda nos valores (em mdia, com 6,2% a menos no preo) dos produtos aconteceu a despeito de o volume de exportaes ter sido recorde, com 645 milhes de toneladas exportadas, com uma alta de 2,9% na quantidade de exportaes. As importaes caram tanto em termos de preo quanto em quantidade, colaborando para o recor de do saldo, em funo da crise econmica interna. O Brasil continua perigosamente dependente da China, que compra 37% do que o Brasil exporta, sendo responsvel por apenas 23,8% do que o pas compra, um desajuste que s se mantm por ser conveniente para os chineses. Eles so os maiores compradores das principais commodities brasileiras. Dos 12 principais produtos da pauta de exportaes brasileira, oito so commodities primrias. Desses 12 produtos, apenas a soja experimentou crescimento no valor, e forte, de 10,4%. Todos os demais experimentaram queda, a maior sendo a do minrio de fer ro, de 7,2%, que o principal produto de exportao do Par. O comrcio exterior, portanto, ajudou, mas est longe de ser uma soluo. A soluo de verdade est na economia interna, ainda abalada.A volta da Guajar: mais TV evanglica?O presidente Michel Temer autorizou, no dia 26 do ms passado, a transferncia indireta e a modicao do quadro diretivo da Rdio Guajar Limitada, concessionria do servio de radiodifuso de sons e imagens no municpio de Belm. O novo concessionrio tem prazo de 90 dias, a partir da publicao do decreto, para efetivar a alterao societria e encaminhar os documentos comprobatrios ao Ministrio da Cincia, Tecnologia, Inovao e Comunicaes, sob pena de perda da autorizao. A Guajar, que foi de propriedade da famlia do ex-deputado federal e ex-prefeito de Belm, Lopo de Castro, teve a rdio e a televiso Guajar, que foi a primeira aliada da Rede Globo, antes da TV Liberal, da famlia Maiorana. Procuradores da Rede Boas Novas, a emissora evanglica, que esto tratando da mudana do controle da Guajar. Se esses forem os novos donos, eles passaro a ter o maior nmero de canais de TV de Belm.

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Roger Agnelli: o modelo de empresrio globalizadoO Financial Times, dos mais importantes jornais do mundo, com sede em Londres, prestou sua homenagem de m de ano a Roger Agnelli. O jornal britnicodestacou a atuao de Agnelli como o presidente que por mais tempo (10 anos) ocupou a presidncia da maior empresa privada brasileira e a terceira maior mineradora do mundo. Tornou a antiga estatal uma autntica Agnelli foi lembrado junto com empresrios, industriais, nanciadores e inovadores que morreram em 2016, representandoperdas proeminentes para o mundo dos negcio. Enquanto a maioria dos falecidos estava aposentada h muito tempo, algumas empresas perderam seus presidentes e executivos: o turco Mustafa Ko e o brasileiro Roger Agnelli estavam com pouco mais de 50 anos quando morreram, como resultado de um ataque cardaco e de um acidente areo, respectivamente, enfatizou o FT. Abaixo da foto do executivo do setor financeiro e de minerao, h a transcrio da frase que disse durante uma entrevista em 2012: difcil falar sobre o Brasil que eu vejo, eu prefiro falar sobre o Brasil com o qual eu sonho. O obiturio de Agnelli lembra que ele morreu em um acidente areo de fim de semana, aos 56 anos, e que supervisionou a era de ouro da Vale, transformando a mineradora do Rio de Janeiro no maior produtor de minrio de ferro do mundo e uma vitrine para negcios brasileiros no exterior. No comando da empresa de 2001 a 2011, o lucro lquido da Vale subiu de US$ 1,3 bilho para US$ 22,9 bilhes e os preos das aes subiram 1.500%. Com a empresa agora enfrentando perdas profundas, bem como escrutnio sobre um desastre que matou vrias pessoas em uma barragem de sua joint venture Samarco, no de estranhar que a resposta dos investidores tem sido muitas vezes: Se Roger ainda estivesse no comando. O Financial Times salienta que ele tambm exerceu cargos de diretoria no executiva em empresas como a WPP do Reino Unido e a sua ABB. Depois de uma carreira de 19 anos na rea bancria, o bravo e incansvel executivo assumiu a Vale apenas quatro anos depois de a mineradora ter sido privatizada. Por uma dcada, Agnelli passou muitas vezes mais de 16 horas por dia no escritrio, transformando a inchada empresa estatal em um dos maiores grupos globais do Brasil, cita a publicao. A Vale, menciona o jornal, se tor nou a primeira empresa brasileira a ser classicada como grau de investimento. O feito foi apontado pelo Financial Times como uma faanha invejvel, j que o ttulo soberano apenas alcanaria a mesma classicao trs anos depois. A publicao comenta tambm que, aproveitando o boom das commodities liderado pela China, Agnelli encabeou uma onda de aquisies que conquistou o respeito dos investidores em todo o mundo. Em 2012, Agnelli foi classicado pela Harvard Business Review como o quarto melhor executivo do mundo depois de Steve Jobs, Je Bezos (Amazon) e Yun Jong-Yong (Samsung). Nascido em 3 de maio de 1959, em So Paulo, em uma famlia de classe mdia italiana, Agnelli estudou economia na Fundao Armando lvares Penteado antes de ingressar no Bradesco. Depois de atuar como chefe da holding Bradespar do Bradesco, gerenciando a grande participao do banco na Vale, entrou para o conselho da mineradora e elaborou um plano de expanso para a empresa, que tinha acabado de ser privatizada. Como o candidato bvio para executar as mudanas, foi nomeado seu executivo principal. O Financial Times diz ainda que, durante os primeiros anos no cargo, Agnelli teve um relacionamento acolhedor com Luiz Incio Lula da Silva, presidente do pas na poca. No entanto, o governo logo se voltou contra o executivo depois que ele despediu 2 mil trabalhadores na esteira da crise nanceira global. Apenas alguns meses depois de Dilma Rousse assumir a presidncia, Agnelli foi forado a sair da empresa em um episdio que causou desconforto entre os investidores desde ento. Aps a sua sada, ele formou sua prpria empresa de minerao, AGN Participaes um projeto ainda em sua infncia quando seu avio caiu no sbado, dia 19 de maro. Quando voc percebe que pode morrer, comea a ver a vida de for ma diferente, disse ele em 2012, aps um susto de sade, com problemas na coluna cervical. Voc quer construir algo que voc pode deixar como um legado. Laudatrio, o jornal ingls no menciona a expanso desmedida e temerria que ele promoveu, obcecado pelo projeto de colocar a Vale na liderana mundial da minerao, a diversificao de negcios sem maior critrio e, como efeito dessa megalomania, aenorme dvida que deixou aos seus sucessores. A partir da, a antiga estatal seguiu um processo de encolhimento, a nica maneira de sobreviver, retomando a trilha inter rompida pelo comando de Agnelli, cujo sucesso tem melhor explicao pelo desastrado processo de privatizao, de 1997.