Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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Full Text

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o a ESCNDALOA ameaa a JateneA priso do filho do governador Simo Jatene lana luz sobre os subterrneos polticos da explorao do subsolo de Carajs. O rastro de corrupo limitado ou se aprofunda na estrutura da administrao pblica? H algum tempo fala-se das atividades de Alberto de Lima Jatene, lho do governador Simo Jatene. Vrias vezes foi suscitado publicamente o uso que ele estaria fazendo do trco de inuncia junto ao pai. O principal negcio seria o fornecimento de combustvel ao Estado, num negcio to vantajoso que seu padro de vida melhorou muito. Quando feitas atravs do Dirio do Par essas acusaes eram desacreditadas. Elas no passavam de interesse pessoal do principal inimigo poltico do governador do PSDB, o senador peemedebista Jader Barbalho. Mesmo assim, os comentrios cresciam. O governador, como em muitos outros assuntos, se manteve indiferente. E at parecia desaar a maledicncia pblica, arranjando funes e empregos para parentes e aderentes, o principal dos quais foi uma secretaria extraordinria para a lha, Izabela. Mas como o povo est cansado de saber, onde h fumaa h fogo. O incndio irrompeu quando Beto Jatene foi preso pela Polcia Federal. A iniciativa no podia ser apontada como manobra poltica, embora Jatene a tenha alegado. A ordem

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2 de priso veio de um juiz federal do Distrito Federal. O inqurito que gerou a denncia em juzo foi iniciado um ano antes, a partir de Braslia, tendo como foco inicial uma das diretorias do Departamento Nacional da Produo Mineral, o rgo regulador do setor, vinculado ao ministrio das Minas e Energia. Nao poderia ser obra maquiavlica de Jader, como Jatene a interpretou, por conveniente. Desta vez, a acusao era muito mais grave do que eventual favorecimento para fornecer combustvel ao Estado. O que est em causa a Compensao Financeira pela Explorao de Recursos Minerais, que rendeu no ano passado quase 1,6 bilho de reais, dos quais 65% se destinam a municpios de alguns Estados brasileiros. O segundo que mais arrecada, depois de Minas Gerais, o Par, tambm o mais visado pela Operao Timteo, desencadeada pela Polcia Federal duas semanas atrs. Os outros alvos foram Gois, Bahia, Mato Grosso, Paran, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. O Distrito Federal tambm entrou na ofensiva por ser a sede do DNPM. Um diretor do r go, Marco Antnio Valadares, e sua esposa, seriam os cabeas do esquema de desvio de dinheiro do royalty. E a Vale, que tem no Par a sua segunda principal base de operaes, uma das mineradoras mais prejudicadas pelo esquema. O lho do governador entraria no esquema de lavagem do dinheiro desviado. Com base nas informaes do inqurito da PF, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, substituto na 10 vara da justia federal do DF, determinou quatro dias de priso temporria de Beto Jatene. Na metade do prazo, habeas corpus concedido pelo desembargador de planto no Tribunal Regional Federal da 1 Regio, em Braslia, liberou o empresrio, em pleno domingo. O governador divulgou uma nota manifestando conana na inocncia do lho, na sua capacidade de provar essa inocncia e na inexistncia de qualquer nexo entre a questo e a administrao pblica estadual. Mas dicilmente essa iniciativa impedir o desdobramento prolongado da priso de Beto Jatene. Ele continua acusado de lavagem de dinheiro, como integrante da quadrilha que se apoderava de par te do dinheiro da CFM destinado aos municpios. Envergando a bandeira da moralidade pblica e exibindo Jader Barbalho como o espantalho da corrupo no Estado, os dois governadores eleitos pelo PSDB no Par, que ocuparam o cargo por duas dcadas inteiras, foram manchados por atitudes inquinadas de ilcitas de dois dos seus lhos, ambos presos pela Polcia Federal, em tese equidistante dos conitos polticos locais. Almir Gabriel, o primeiro a ser eleito, no embalo do Plano Real, em 1998, foi atingido pela priso do lho, Marcelo, acusado de trco de inuncia, intermediando os interesses de uma construtora de Minas Gerais, e interferindo em licitaes. O pai no foi visit-lo na cadeia. Em 2006, a Operao Rmora, executada pela PF, apurou a existncia de um esquema de fraudes em licitaes integrado por Joo Batista Ferreira Bastos (tambm conhecido como Chico Ferreira, preso um pouco depois por mandar matar os irmos Novelino), Jos Clvis Ferreira Bastos e Marcelo Frana Gabriel. A investigao constatou ainda a existncia de relaes agrantemente ilegais e imorais mantidas pelos trs com a ento juza Rosileide Filomeno, que era titular da 21 vara cvel de Belm (atual 3 vara da Fazenda Pblica). A juza favoreceu os interesses dos trs scios, pessoas que, poca, possuam inuncia no Governo do Estado. Em troca das sentenas viciadas, Marcelo Gabriel teria prometido pedir ao pai governador para nomear a juza ao desembargo, o que acabou no acontecendo. Em 2007 a Corregedoria de Justia Metropolitana de Belm sugeriu ao tribunal a instaurao de processo administrativo disciplinar contra a juza. O procedimento conrmou as imputaes a Rosileide, que foi punida apenas com censura. Mas o Conselho Nacional de Justia, em Braslia, considerou a pena muito branda, aplicando-lhe outra, a da disponibilidade remunerada. Com base no inqurito policial, o Ministrio Pblico a processou por improbidade administrativa, mas a ao parou por questes formais, sem exame de mrito. A juza no trabalha h nove anos, mas recebe vencimentos proporcionais aos seus 30 anos de servio. a penalidade mais pesada que pode ser imposta a um magistrado no Brasil. J Marcelo saiu de circulao e Chico Ferreira continua preso, como mandante da execuo dos dois ir mos Novelino. O episdio com o lho do gover nador Simo Jatene, o segundo tucano a conquistar o poder no Par e o nico poltico eleito por trs vezes pelo povo para o governo atinge diretamente o PSDB e vai provocar mudanas na poltica local. As imediatas comearam a acontecer no sul do WEstado, onde est a razo primria do dinheiro apropriado: as minas da provncia mineral de Carajs. O prefeito eleito e diplomado de Parauapebas ainda no tomara posse (pela terceira vez) no cargo e j se tornava foragido da justia por dois dias, at que um novo habeas corpus o livrou da priso. Aparentemente, Dar ci Lermen era o principal personagem do ncleo poltico da quadrilha da qual Beto Jatene participaria. Graas ao royalty e compensao nanceira pela extrao do minrio de ferro de Carajs, Parauapebas cresceu. Chegou a ter o maior PIB dentre os municpios paraenses. Com a queda expressiva do preo da commoditie no mercado internacional, a riqueza do municpio caiu, mas ele ainda o segundo do Estado. Entre 2006 e 2011, as duas contas somavam 700 milhes de reais, que a Vale repassou para a prefeitura em maro de 2011.. Foi quando, em 14 de maro desse ano, o presidente da empresa, Roger Agnelli, denunciou diretamente presidente Dilma Rousse a presso de um grupo de servidores pblicos e agentes privados sobre a Vale para dela obter vantagens. No ofcio, Agnelli disse que, parte o seu contencioso com o DNPM sobre o valor dos tributos devidos pela mineradora (contencioso que se arrasta at hoje), havia um problema paralelo

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3 grave. Era o interesse de terceiros envolvidos, como consultores que teriam procurado prefeituras oferecendo ser vios e pedindo altas comisses sobre os altos e tericos valores que no so devidos, razo pela qual a disputa adquire tal contedo poltico. Agnelli informou ainda sobre consultores externos de Parauapebas que estavam pedindo o bloqueio de conta da Vale, mesmo havendo garantia bancria. Estavam investindo tambm contra a empresa atravs de entrevistas e campanha difamatria para atingir seu objetivo, a despeito de haver contra eles investigaes criminais em andamento. Outro exemplo citado pelo empresrio foi uma tentativa de executar uma garantia de R$ 200 milhes, ainda em primeira instncia judicial (Marab) e tambm a tentativa de ameaar o direito minerrio de Carajs, que o DNPM anulou, por total ilegalidade. Aparentemente, a presidente Dilma no adotou qualquer providncia. Pelo contrrio: a situao permaneceu igual, s vindo a estourar mais de cinco anos depois, com Dilma fora do poder, Diz-se que na eleio do ano anterior, na qual Ana Jlia Carepa venceu Almir Gabriel na disputa pelo governo estadual, o prefeito de Parauapebas, Darci Lermen, tambm petista, era o principal agente nanceiro da candidatura de Ana Jlia. Lermen venceu a eleio deste ano j pela sigla do PMDB. O prefeito de Cana dos Carajs, Jeov Andrade, foi outro alvo da PF, que vasculhou documentos na prefeitura atrs de provas para a acusao feita contra Jeov, suspeito de irregularidades na administrao da taxa mineral. Ele se defendeu alegando que os policiais procuravam, na verdade, o que fez o seu antecessor. S o avano da investigao que esclarecer. Ela vai atingir um dos pontos nevrlgicos do governo Jatene. Ele investiu sobre as empresas de minerao para arrancar mais recursos. A justicativa legal apresentada foi a necessidade de scalizar melhor a atividade das mineradoras, tpicos empreendimentos de enclave, dos quais resulta pouco benefcio social.. As empresas resistiram, mas acabaram aceitando. Voltaram, porm, a contestar a ao do Estado. Apontaram o desvio de recur sos para outras fontes. S no chegaram a dizer que podiam chegar ao lho do governador. A suspeita surge, pela via policial, e no pela econmica, que seria o seu condutor lgico, no momento em que o Par comea a passar Minas Gerais como o principal Estado minerador do Brasil, em funo dos empreendimentos da Vale, o maior deles inaugurado sob o eco da barulheira em torno da quadrilha do royalty. a mina do S11D, ao sul da jazida que comeou a ser explorada em 1984, quase a duplicando e acrescentando produo brasileira 90 milhes de toneladas/ano, ou 26% de toda a produo de minrio de ferro da Vale no ano passado. O secretrio de Estado de Desenvolvimento Econmico, Minerao e Energia do Par, Adnan Demachki, que ainda tido como candidato a candidato sucesso de Jatene, ressaltou a necessidade de o Estado se empenhar para potencializar benefcios e reduzir as possveis externalidades negativas. Grandes projetos atraem grande contingente de pessoas que, em geral, no so absorvidas pela economia local, aumentando a cultura de riscos sociais e culturais e a presso por demandas de servios pblicos em nosso territrio, armou ele agncia inglesa de notcias Reuters. Demachki aponta uma sada grandiosa para essa situao: aprofundar medidas que busquem evitar problemas em territrios afetados por grandes empreendimentos, para lidar com impactos como de hidreltricas, ferrovias, rodovias, portos e minas, principalmente nas regies de Tapajs e Xingu. Alm disso, o governo buscaria ver ticalizar a produo de minrios no Estado, atravs de medidas que possam atrair construo de siderrgicas e de polos industriais, como forma de inter nalizar as riquezas extradas do solo. No ano passado, o Par foi responsvel por 30% da produo brasileira de minrio de ferro, de 430 milhes de toneladas, abaixo apenas para Minas Gerais, que produziu 68%. A previso do governo do Estado de que neste ano a produo cresa 15%, para 150 milhes de toneladas. Com o escndalo desencadeado pela priso do lho do governador e a conduo coercitiva do advogado Alosio Lopes Chaves, conselheiro e ex-presidente do Tribunal de Contas dos Municpios, que audita as prefeituras, a imagem de seriedade que o governo tenta criar, subsistir?O Liberal volta a ser dos tucanosQuem vinha acompanhando a ofensiva oposicionista mantida at sbado retrasado por O Liberal, a partir de domingo comeou a testemunhar mais uma mudana, que se torneou escancarada na edio do dia 20, com a manchete efusiva e irradiante: Zenaldo diplomado e festeja respeito vontade das urnas. Embaixo, uma foto do prefeito Zenaldo Coutinho, agora heri sorridente e vencedor. Complementando mais uma mutao sbita do jornal dos Maioranas, nenhuma referncia na capa ou nas pginas internas priso, soltura e desdobramento da acusao de que Alberto Jatene, o lho do governador Simo Jatene, tambm do PSDB, faz parte de uma quadrilha que desviava os royalties minerais dos municpios do Par. O tema tambm vinha recebendo cobertura extensa. Sinal de que, talvez por milhares de argumentos, O Liberal se convenceu de novo de que as causas nobremente lideradas pelo governador e o prefeito de Belm merecem apoio desinteressado e patritico. A aliana est refeita. Quem continuar a ler o jornal, ver.EdioO atropelo de tanta coisa a fazer me obriga a reunir as edies da 1 e da 2 quinzena de dezembro numa s. Talvez seja o presente de natal para o diligente e paciente leitor.

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4 Carajs: cada vez maior, cada vez menos nossoO S11D, inaugurado no dia 17, no Par o maior projeto de minerao do mundo, que dar antiga Companhia Vale do Rio Doce a liderana na principal atividade do setor pelas prximas dcadas. a nova mina de Carajs, que praticamente duplicar a atual produo de minrio de ferro da Vale. Seu custo espantoso: 14,3 bilhes de dlares, o equivalente a mais de 50 bilhes de reais, ou duas vezes o oramento do Estado no qual vai funcionar, o Par, que tem o segundo maior territrio do pas e o segundo maior produtor de minrios. Apesar do oramento extremamente alto, o S11D (que agora agregou o nome do engenheiro Eliezer Batista, pai do ex-bilionrio Eike Batista e principal personagem da ver so asitica de Carajs) o grande lance da Vale para o futuro. O custo de extrao do minrio 40% inferior ao custo mdio das outras minas da ex-estatal (que em 2017 completar 20 anos de privatizao), graas tecnologia de vanguarda. Precisar de menos gente, no usar mais os grandes caminhes (de 300 toneladas) para transportar o minrio e o circuito da extrao ao embarque ser feito por correias transportadoras. Haver economia de pessoal, de leo, de gua e uma velocidade indita, graas qual a nova mina oferecer mais 90 milhes de toneladas. O Par produzir ento mais minrio de ferro do que Minas Gerais e ser o maior exportador desse produto do pas. O Par, no entanto, nem tem conscincia disso. A Vale parece ter tido a preocupao de no alardear a data, que estava prevista para o dia 15 e foi adiada para dois dias depois, a m de se compatibilizar com a agenda do presidente da repblica. Na vspera, 37 privilegiados jornalistas, de 31 empresas de comunicao de So Paulo, Rio de Janeiro e Par (estranhamente, no de Minas por terem ido antes?) visitaram as instalaes de S11D, fornecendo testemunhos entusiasmados do que a comitiva ocial iria ver. Quem no estivesse disposto a aceitar essa venda, cou de fora. No viu a principal cena da solenidade de inaugurao, quando o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, representando o presidente Michel Temer, e o presidente da Vale, Murilo Ferreira, secundado por algumas autoridades, acionou o mecanismo que despejou 100 toneladas do melhor minrio de ferro do planeta no primeiro vago do comboio, que transportar o produto, por quase mil quilmetros, at o porto de embarque, em So Luiz do Maranho. Antes de chegar ao silo que o recebeu, a partir do acionamento do mecanismo de carregamento, o minrio passou por toda a linha de produo, saindo da mina, seguindo por correia transportadora (uma das maiores inovaes tecnolgicas da minerao mundial) at a usina, onde foi processado e ento enviado para os vages do trem. O S11D conta com dois silos, o que permite o carregamento simultneo de dois vages. Quando estiver em operao sero embarcado por dia, aproximadamente, 330 vages, o que soma 33 mil toneladas de minrio dirias. No houve descontinuidade: acionado o primeiro vago para receber minrio de ferro, comeou imediatamente a operao comercial da mina do S11D, o maior projeto de minerao em implantao no mundo. No primeiro dia de funcionamento regular, em 2019, sairo as 33 mil toneladas a cada dia da Serra Sul, na provncia mineral de Carajs, no rumo do segundo maior porto de exportao do pas, na ilha de So Luiz do Maranho. No nal de um ano de plena atividade, sero 90 milhes de toneladas adicionadas, quase a duplicao da produo atual, obtida pela lavra na mina de Serra Norte. O Par se tornar o maior produtor e exportador de minrio de ferro do Brasil, desbancando Minas Gerais da sua hegemonia mundial. Era um dia para estar em S11D. O presidente Michel Temer no foi, sendo substitudo pelo ministro das Minas e Energia. O motivo teria sido o mau tempo em Carajs, com fortes chuvas, que impediam o pouso do avio presidencial. O ministro justicou a aparente contradio da sua presena: seu avio passou pela ltima abertura nas nuvens antes do fechamento completo do teto para o pouso. O governador Simo Jatene tambm no foi, mas provavelmente por um motivo mais temporal. Devia se sentir desconfortvel na solenidade com o lho preso por ordem de um juiz federal, numa investigao iniciada no ano passado sobre uma quadrilha que desviava dinheiro dos royalties da explorao mineral, da qual Carajs justamente o maior alvo. Mas esteve presente o presidente para o Brasil da multinacional japonesa, Tatsuo Yasunaga, e o presidente do Bradesco, Luis Carlos Trabuco. Em 1997 as suas empresas se tornaram acionistas da Vale, a dona do empreendimento, quando ela foi privatizada. Mas, por lei, no podiam ser. A Mitsui por ser uma grande compradora de minrios da ento estatal. O Bradesco por ter feito a modelagem da venda. Mas so os que agora mandam na mineradora, junto com o governo, que, mesmo com a maioria das aes que votam, no exerce ao menos publicamente o seu poder. Muito menos o povo, que, como na proclamao da repblica no Brasil, viu tudo distncia, bestializado, parodiando a famosa frase de Aristides Lobo, o jornalista que viu o m do imprio ao vivo.

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5 Jader Barbalho: o golpe do golpeNo dia 13, o senador Jader Barbalho fez o que antes era comum na sua atividade poltica e agora virou raridade: foi tribuna do Senado. De l falou, por longos 40 minutos, para seus colegas, que o ouviram em silncio e com ateno. O ex-governador denunciou a existncia de um golpe para antecipar as eleies de 2018, depor Michel Temer e apoiar a volta de Fernando Henrique Cardoso ao poder, embora, conforme pblico e notrio, Temer esteja fazendo tudo para incluir o PSDB no seu governo. Li tambm com a mxima ateno o pronunciamento de Jader (tanto que reproduzo a seguir a matria que o Dirio do Par publicou no dia seguinte sobre o assunto). Fiquei convencido de que h, de fato, no um golpe ou uma conspirao, mas uma trama. Um ardil montado por polticos audaciosos, competentes e enredados pelas teias da suspeita de corrupo. Para se proteger atrs do mandato de Michel Temer, tambm na mira das investigaes da Operao Lava-Jato, eles reagem atacando, com essa esdrxula histria de um golpe planejado pelas elites para colocar FHC no poder novamente. um enredo rocambolesco, que exige o desencadeamento de vrias situaes simultneas para dar certo, como, num campeonato de futebol, um time situado no limbo depende dos resultados seus e de terceiros para sair da situao incmoda: de poder matematicamente se sair bem, mas precisar de uma combinao de muitos fatores aleatrios para se sair bem. Se realmente h esse plano, a melhor maneira do atual presidente evit-lo seria desmontando os argumentos que serviriam de elevador para a subida de FHC outra vez ao topo do poder: coragem para as reformas necessrias, lucidez na definio dos problemas que atravancam a mquina produtiva do pas, desprendimento de interesses, vaidades e aspiraes pessoais, garantia de que no vai querer continuar no poder alm do mandato tampo que lhe coube (emenda constitucional acabando com a reeleio, anncio de que no ser candidato em 2018) e respeito s deliberaes dos outros poderes, sobretudo do judicirio. Claro que tudo isso na presuno de que o presidente da repblica no est de conluio com polticos como Jader Barbalho para escapar das teias da justia por crimes que todos eles possam ter cometido. Do contrrio, o que ficar de toda essa arenga ser a desconfiana poderosa de que um golpe se antecipa a outro, o primeiro sendo real e o segundo imaginrio. Ou seja: prepara-se a outra volta do parafuso, asfixiando ainda mais a nao. A matria do jornal do senador:A democracia brasileira est sendo ameaada, alertou, na tribuna do Senado Federal, o senador Jader Barbalho (PMDBPA). Segundo ele, est em curso um processo para derrubar o presidente da Repblica, Michel Temer. A grande mdia, aliada a determinados setores, quer antecipar 2018. No querem esperar pelo voto popular, pelo julgamento das urnas. Querem se antecipar, quem sabe enfraquecendo o governo de tal ordem que o presidente renuncie, alertou o senador. Ainda segundo o senador, h um processo de deturpao das instituies brasileiras para desqualicar o trabalho dos poderes Executivo e Legislativo. um esquema organizado para avacalhar o governo e avacalhar o Congresso. No querem esperar 2018! No querem esperar pelo voto popular! No querem enfrentar as urnas, na qual foram derrotados quatro vezes seguidas. E completou: e a grande mdia j escolheu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como substituto de Michel Temer. Por mais de 40 minutos o senador paraense falou sob olhares atentos dos colegas. No plenrio, alm de senadores, muitos deputados assistiam ao pronunciamento do representante do Par e permaneceram em silncio ao longo de toda a fala do senador. Jader Barbalho disse estar cansado de todas as noites, assistir o noticirio pessimista e escandaloso cobrar do atual governo aquilo que o governo tem tentando resolver. Fico a me perguntar: anal de contas, no era a grande imprensa, a grande mdia, que dizia que o senhor Henrique Meirelles [atual ministro da Fazenda] era a pessoa adequada para encaminhar as medidas econmicas adequadas?, questionou o senador. O senador lembrou que os polticos brasileiros so condenados todas as noites nos telejornais. No posso admitir que seja tranquilamente admitido que as pessoas sejam condenadas por antecipao, ressaltou. O que no se pode aceitar o vazamento de delaes. No vou discutir a qualidade dos delatores. No posso admitir, depois de tanto tempo de vida pblica, que delaes que sequer foram conrmadas pelos delatores no houve depoimento deles conr mando-, no posso aceitar que delaes que no foram juridicamente aceitas possam ser publicadas como verdade denitiva em relao aos homens pblicos deste pas, denunciou. Ele lembrou que no e nunca se posicionou contra a Operao Lava Jato e ressaltou que o trabalho que est sob a coordenao do juiz paranaense Srgio Moro nunca foi prejudicado pelo Congresso. Estamos atrapalhando o qu? Decretao de priso preventiva sem prazo, que passou a ser condenao antes que as pessoas se defendam? Essas pessoas j esto condenadas execrao pblica, elas e suas famlias, bradou o senador da tribuna.

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6 Rombo de Belo Monte calculado em bilhesPercia em apenas 53% dos contratos da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Par, revela desvio de 3,3 bilhes de reais de dinheiro pblico (10% do valor atualizado da hidreltrica, a quarta maior do mundo), em volume equivalente metade das per das da Petrobras com corrupo, revela Jos Casado, em matria publicada por O Globo A primeira anlise dos gastos com construo, realizada por auditores por encomenda do Ministrio Pblico, revelou sobrepreo de R$ 3,3 bilhes. o produto da soma de R$ 2,9 bilhes na cobrana de preos acima do mercado e de R$ 400 milhes em despesas sem fundamento, inconsistentes ou simplesmente injusticadas, registra a reportagem. Os valores foram apurados durante o exame de apenas 53% dos contratos de obras civis, nos quais foram gastos R$ 7,7 bilhes. Os auditores no conseguiram ir alm porque aEletrobrs (dono de 49,9% do empreendimento) e a Norte Energia (concessionria que funciona com 95% de capital pblico), impuseram toda espcie de diculdades scalizao da entrega de arquivos eletrnicos bloqueados sonegao de informaes, segundo o Tribunal de Contas da Unio. Ainda assim, somente com essa primeira percia, j foi apurado a um volu me de desvios de dinheiro equivalente metade dos prejuzos com corrupo declaradas pela Petrobras no balano contbil de 2014, divulgado em abril do ano passado, no valor de R$ 6,2 bilhes O caso da hidreltrica de Belo Monte sugere a probabilidade de o setor eltrico estatal vir a superar os limites j conhecidos da criatividade em trapaas com dinheiro pblico, sob cegueira deliberada ou consentida de lderes polticos, benecirios diretos ou indiretos nas planilhas empresariais de nanciamento eleitoral, acrescenta Casado. Depoimentos de executivos das empreiteiras que integram o consr cio construtor (Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corra, Queiroz Galvo, Galvo Engenharia e OAS) indicam que em Belo Monte foi aplicada cobrana de propina numa base percentual de 1% a 1,5% sobre contratos de obras e de equipamentos. Metade foi coletada para o Partido dos Trabalhadores e outra metade recolhida para o PMDB. Essa partilha de subornos foi negociada por Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma, segundo executivos responsveis pelos pagamentos das empreiteiras. O objetivo era nanciar campanhas eleitorais de 2010 e de 2014. A matria no faz referncia a Jader Bar balho, apontado em outras reportagens como benecirio do esquema.Qual o ganho educacional com a greve anual da UFPA?Os grevistas puderam m, na semana passada, paralisao de 35 dias da Universidade Federal prometendo que no vo se desmobilizar. Seguiro ativos para enfrentar os projetos do governo ilegtimo de Temer, principalmente essa Reforma da Previdncia, que retira direitos e diculta ainda mais a aposentadoria dos trabalhadores. Sempre estaremos vigilantes, prometeu a diretora-geral da associao dos professores, a Adufpa, Sandra Helena Cruz. A pergunta que os observadores se fazem aps cada uma das j esperadas greves anuais : no seria mais produtivo fazer a mobilizao com a universidade funcionando normalmente? Professores dando aulas, funcionrios os ajudando e alunos aprendendo regularmente no podiam reservar temas e momentos para uma discusso sobre os temas candentes que, periodicamente, e de forma mimtica, os fazem grevar? A greve costuma chegar ao m por completa inanio, quando um grupo reduzido, a partir do esvaziamento de um grupo pouco representativo do universo de integrantes da academia, que deu partida greve, ainda mantm palavras de ordem e programao simblica, com pouco ou nenhum resultado concreto ou de expresso fora dos muros do campus. Como sempre, encerrada a greve, o Conselho Superior de Ensino se rene para debater a reposio dos dias parados e determinar o novo calendrio acadmico. Que recomear com o Brasil mais distante dos pases do primeiro mundo e da educao realmente vital.Por que tanto vereador?O Par, com pouco mais de oito milhes de habitantes, tem 41 deputados estaduais. D mais ou menos um deputado para cada grupo de 200 mil habitantes. Belm, com 1,5 milho de habitantes, tem que suportar 35 vereadores, que ontem foram diplomados. Um para cada 50 mil habitantes. Se a proporo de vereadores fosse aplicada ao legislativo municipal, a capital devia ter nove vereadores. Que tal uma campanha para reduzir drasticamente as cadeiras de vereadores em Belm, nos outros 143 municpios paraenses e nos mais de cinco mil municpios brasileiros. um tema que interessa a todos, j que existem 56.810 vereadores eleitos no pas, o que d uma mdia de astronmica de 3.698 habitantes para cada edil. Quanto isso custa e qual o efeito concreto e positivo de um gasto desse porte?

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7 Os abusos da Celpa, o silncio do clienteO artigo de Gabriel Farias, que reproduzo em seguida, o segundo a sair no meu blog, atesta a fragilidade do consumidor diante dos prestadores de servios pblicos (ou que eram pblicos), quase indefesos quando se trata de setor cartelizado ou mesmo monopolizado. Com as informaes impressionantes ou assustadoras, ou a Celpa se explica ou os cidados devem formar uma associao dos prejudicados pela Celpa para cobrar providncias. No blog, a antiga estatal no se explicou. Dar as explicaes por aqui? O espao est disposio para o direito de resposta. Fiz alguns ajustes e adaptaes no texto original para facilitar a leitura.No horscopo chins, 2016 foi o Ano do Macaco. Segundo os chineses, o macaco representa caractersticas como ganncia, ambio, esperteza, malcia e esprito aventureiro. Para os brasileiros que gostam de fazer uma fezinha no jogo-do-bicho, um animal malandro: sonhou com ladro ou parente ganancioso, vai dar macaco na cabea. O controlador do Grupo Rede Energia, Jorge Queiroz de Moraes Junior, que adquiriu a Rede Celpa no polmico processo de privatizao do tucano Almir Gabriel, nasceu no dia 16 de janeiro de 1945, segundo seu curriculum viar. Se considerarmos a tabela do horscopo chins, o primeiro administrador privado da Rede Celpa tambm do signo do macaco. Consulta pblica ao Tribunal de Justia do Estado de So Paulo revela que Jorge Queiroz de Moraes Junior responde a vrios processos criminais, e a Justia criminal no conseguiu encontr-lo. Ambio e esperteza so naturais a qualquer homem de negcios, e so caractersticas necessrias para a administrao de grupo econmico que abrigava empresas como Caiu Servios de Eletricidade S/A, Empresa de Eletricidade Vale Paranapanema S/A, Centrais Eltricas Matogrossenses S/A (CEMAT), Companhia de Ener gia Eltrica do Estado do Tocantins (CELTINS), Itamarati Norte S/A Agropecuria, QMRA Participaes S/A, Investco S/A, Fundao Rede Seguridade, R R Terroir Participaes S/A e a querida Centrais Eltricas do Par S/A (CELPA).Celpa: no Querida porque se antes era um smbolo do Estado do Par, aps a privatizao passou a ser a empresa mais odiada pelos paraenses. Vamos l! A Centrais Eltricas do Par (Celpa foi privatizada por 450 milhes de dlares em 9 de junho de 1998. Desde ento, as tarifas de energia eltrica aumentam acima da inflao e os servios pioraram, com denncias de apages semanais, cobranas ilegais e cortes indevidos de fornecimento de energia eltrica para constranger consumidores. Nada pode ser feito pela Agncia Nacional de Energia Eltrica (ANEEL), afinal, no sistema de capitalismo de compadrio do Brasil houve a privatizao do monoplio do servio pblico. No privatizaram nem democratizaram o servio: transferiram o monoplio do Estado para um privilegiadssimo grupo econmico privado. Constituio e seus princpios de livre iniciativa e livre concorrncia no se aplicam a caso. Mesmo com o monoplio, a Rede Celpa pediu recuperao judicial e est beira da falncia. Assim como a OI (Telemar), a Rede Celpa um exemplo de como vantagens excessivas podem estragar uma organizao. Em setembro de 2012, o controle acionrio da Rede Celpa foi vendido para o Grupo Equatorial Energia pelo preo simblico de R$ 1,00. Em 2013, as dvidas do Grupo Rede Energia, controlador da CELPA, era de mais de R$ 4 bilhes, conforme o Plano de Recuperao Judicial Conjunto nos autos do processo distribudo na 2 Vara Empresarial de So Paulo SP em 26 de novembro de 2012. Em consulta ao item Descubra se a pessoa tem participaes societrias, se scia de empresa Localizao pessoal e patrimonial de pessoas e empresas (busca de bens) da LISTA DE LINKS do site da RCF Recuperao de Crditos Fiscais, onde nossos colaboradores e clientes tm acesso informao estratgica de empresas, concorrentes e fornecedores, descobrimos que a joia da coroa do excontrolador o Instituto Eu Escolho Estudar. Qualquer semelhana mera coincidncia Precisvamos saber disso porque a minha empresa promove a compensao, restituio ou repetio do crdito tributrio mediante processo administrativo scal na Receita estadual ou Mandado de segurana na Justia Estadual, relativamente ao ICMS pago sobre as tarifas Tust e Tusd da energia eltrica, de evidente bitributao pelo governo do Estado, cobrados por meio de faturas de energia eltrica da Rede Celpa. Para atender aos nossos clientes corporativos, precisamos analisar as contas de energia eltrica dos ltimos 5 (cinco) anos. Este o prazo prescricional para a cobrana de dvidas e ressarcimento de tributos pagos indevidamente. A Rede Celpa diculta o exerccio do direito porque fornece somente o histrico de consumo dos ltimos 3 anos e, mesmo assim, sem discriminar os tributos (impostos, contribuies ou tarifas) incidentes sobre o consumo de energia eltrica. Estamos na Era Digital, mas nossos clientes corporativos no tm acesso s faturas de cobrana com informaes claras e objetivas acerca do consumo e tributos incidentes, como manda a lei scal e o Cdigo de Defesa do Consumidor. No 4 maior gerador de energia eltrica do Brasil os cidados pagam mais caro pela energia. Mas isso no o pior.

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8 Para a busca de provas teis em futura ao judicial para obrigar a Rede Celpa a disponibilizar a integralidade dos dados de consumo e tributao dos clientes da minha empresa, evitando com isso a perda de tempo com a busca de documentos e solicitaes de 2 via das contas de energia eltrica dos ltimos 5 anos, consultamos a Montax Inteligncia & Investigaes.Especializada em Compliance & Mitigao de riscos, Montax ouviu rumores de que funcionrios corruptos da Rede Celpa realizam ligaes clandestinas (gatos) e so recrutados pela gerncia executiva para, em uma espcie de delao premiada, informam onde zeram os gatos, em troca de comisso ou outras vantagens da companhia, comunicando gerncia onde instalaram os gatos. De posse dessas informaes, os scais da Rede Celpa dariam o agrante de furto de energia eltrica e exigiriam R$ 5 mil de consumidores pobres e R$ 15 mil dos de classe mdia alta. Sem acordo, seria lavrado Boletim de Ocorrncia Policial (B.O.) contra os gatunos. Montax no conseguiu conrmar a veracidade desses rumores, se no coletar notcias de extorso praticadas por funcionrios terceirizados em 2011 e vdeos do Youtube acerca da priso de funcionrios da Celpa por extorso em 2015, sem provas do envolvimento da gerncia executiva da Rede Celpa. Se conrmado o esquema de denncias pela gerncia executiva da Rede Celpa, os diretores cometeriam crimes de extorso ou extorso indireta assim exemplicados pelo Cdigo Penal: Art. 158 Constranger algum, mediante violncia ou grave ameaa, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econmica, a fazer, tolerar que se faa ou deixar de fazer alguma coisa: Pena recluso, de quatro a dez anos, e multa. Art. 160 Exigir ou receber, como garantia de dvida, abusando da situao de algum, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vtima ou contra terceiro: Pena recluso, de um a trs anos, e multa.Montax tambm coletou dados publicados na Internet e depoimentos de consumidores que apontam, a partir do segundo semestre de 2016, cobranas ilegais e at suspenso do fornecimento de energia eltrica com base em supostas faturas alegadamente no pagas de mais de 5 anos atrs (!?). O prprio atendente da Rede Celpa teria esclarecido a um deles que Se aparece divida, tem que pagar primeiro pra depois reclamar. Existem indcios fortes de que a empresa emite faturas duplicadas para aumentar seu faturamento, contando com o extravio dos comprovantes de pagamento antigos pelos consumidores. Desespero de uma organizao prxima do m. Alm de vrias infraes penais do Cdigo de Defesa do Consumidor, como ameaa, coao, constrangimento e armao falsa na cobrana de dvidas, a diretoria da Rede Celpa estaria enquadrada no crime de duplicata simulada: Art. 172 Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que no corresponda mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao servio prestado. Pena deteno, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.De volta ao ex-controlador Jorge Queiroz de Moraes Junior, h indcios de lavagem de dinheiro e ocultao de bens por meio da empresa Its4company S/A constituda em 15 de maro de 2012 pela nora dele, Regina Beatriz Gordinho Rusca Queiroz de Moraes (Fonte: www.jucesponline.sp.gov.br), portanto, por meio da esposa do her deiro, Jorge Queiroz de Moraes Junior fundou uma companhia poucos meses antes de ter seus bens bloqueados em agosto de 2012 e de vender a Rede Celpa e suas dvidas em setembro do mesmo ano. Se houvesse compliance scal, a Rede Celpa no teria compactuado com o governo do Estado do Par para induzir em erro seus cidados/consumidores/contribuintes com a cobrana de tributos indevidos em suas faturas de energia eltrica. E com a estratgia da transparncia aliada a uma boa comunicao social, teria posicionado a Rede Celpa como orgulhoso smbolo do Par em um caso de amor com os paraenses. Mas, os controladores da empresa de energia eltrica paraense preferiram o caminho da ganncia, ambio, esperteza, malcia e esprito aventureiro. SOBRE O AUTOR Gabriel Farias diretor da RCF Recuperao de Crditos Fiscais, empresa de planejamento tributrio e sucessrio especializada na proteo de ativos nanceiros. Advogado tributarista, tem ps-graduao em Direito Tributrio pela Universidade da AmazniaNorte fica no rabo da fila agropecuriaO faturamento da agropecuria brasileira neste ano, at novembro, foi a segunda maior desde o incio da srie estatstica, em 1990. Somando 523,6 bilhes de reais, cou R$ 10 bilhes abaixo do valor alcanado em 2015, que foi de 533,1 bilhes. As lavouras tiveram um valor bruto da produo de R$ 340,6 bilhes, e a pecuria, R$ 183 bilhes, segundo os dados divulgados hoje pelo Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. A diferena para menos s no foi maior em 2016 os preos agrcolas recebidos pelos agricultores, para a maioria dos produtos pesquisados, foram mais elevados do que no ano passado. Mais uma vez a produo agropecuria da regio Norte foi a menor de todas. O Sul continuou na liderana, com R$ 154,9 bilhes. A seguir, o Sul, com R$ 143,9 bilhes, seguindo-se o Sudeste (R$ 142,9 bilhes), Nordeste, R$ 43,2 bilhes e, por m, o Norte, com R$ 31,4 bilhes

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9 Amaznia cada vez mais uma provncia energticaA Amaznia tem agora, ocialmente, a terceira maior hidreltrica do Brasil: no incio deste ms foi inaugurada Jirau, no rio Madeira a 120 quilmetros de Porto Velho, em Rondnia. Ela s menor que Itaipu, no Paran (mas que binacional, com o Paraguai), e Tucuru, no Par, a segunda maior. Em breve, o Par ter tambm a maior hidreltrica inteiramente nacional, a de Belo Monte. Com 50 turbinas, Jirau pode gerar 3.750 megawatts, ou 3,7% de toda energia brasileira, que seus construtores dizem ser suciente para atender 40 milhes de pessoas. A usina, que comeou a ser construda em 2009, ao custo de 19 bilhes de reais, passou a gerar energia em 2013. A 50 e ltima unidade geradora comeou a operar no dia 23 de novembro deste ano, consolidando a implantao do projeto, com 20 meses de atraso em relao ao cronograma original. O presidente do conselho da Energia Sustentvel do Brasil, Maurcio Bhr, disse na inaugurao que o principal motivo foram os atos de vandalismo que ns tivemos aqui no canteiro de obras, em 2011, 2012, que acabaram gerando um desalojamento de funcionrios. Os alojamentos foram incendiados e, com isso, perdemos 10 mil trabalhadores naquela poca, Isso gerou um atraso por fora maior, que acabamos compensando depois nos ltimos dois anos e hoje j estamos gerando em plena capacidade. No pique da construo, o canteiro de obras teve quase 26 mil trabalhadores e chegou a gerar aproximadamente 60 mil empregos diretos e indiretos. Nessa poca aconteceram manifestaes de trabalhadores por benefcios como melhores condies de trabalhos e reajuste salarial. Em maro de 2011, a concessionria da obra foi surpreendida com um motim entre os trabalhadores em protesto contra as condies de trabalho e segurana. Quase 50 nibus que faziam o transporte dos funcionrios e 35 alojamentos foram queimados ou destrudos. Outras 30 instalaes da usina foram danicadas. O inqurito instaurado pela polcia civil concluiu que houve ao de vndalos no canteiro. As obras foram suspensas novamente em abril de 2012, depois que um grupo incendiou 39 dos 53 alojamentos em uma rea. Na poca, 120 homens da Fora Nacional foram deslocados para Rondnia com a misso de combater a rebelio. Em agosto desse ano, o Ministrio Pblico Federal de Rondnia requereu, na justia federal, o cancelamento da licena de operao de Jirau. O pedido foi negado. Agora Rondnia, com Jirau e tambm a hidreltrica de Santo Antnio, tambm no rio Madeira e com potncia apenas um pouco inferior, abastece de energia o Acre e as regies Sul e Sudeste. A energia vai para o restante do Brasil atravs da maior linha de transmisso do pas, com 2,3 mil quilmetros de extenso, entre Porto Velho e Araraquara, em So Paulo. A hidreltrica funciona a o dgua, o que s possvel (ao contrrio das outras grandes usinas) por utilizar tur binas do tipo bulbo, que so unidades geradoras montadas na posio horizontal. Elas operam com baixas quedas de gua, dispensando a formao de extensos reservatrios, necessrios em usinas com turbinas que funcionam na posio vertical, dependendo de uma alta queda das guas para a movimentao das suas pesadas turbinas. Inicialmente, o projeto previa a instalao de 44 turbinas bulbo, com potncia de 3.300 megawats. Como o governo autorizou o acrscimo de mais seis mquinas, a capacidade instalada passou a ser de 3.750 megawatts, o mximo de gerao durante o perodo chuvoso na regio, quando o volume das guas do Madeira cresce. Nos perodos de menor vazo, a gerao energia cai para 2.205,1 MW, que a garantia fsica da usina. Da solenidade inaugurao participaram os embaixadores da Blgica e Frana, que tm empresas integrantes da concessionria de energia e do nanciamento da obra. Na ocasio, o ministro das Minas e Energia, Fernando Filho, anunciou o incio dos estudos de uma hidreltrica binacional, que dever ser construda na fronteira do Brasil com a Bolvia. Mal um captulo conturbado concludo, outro comea na histria da transformao da Amaznia em provncia energtica do Brasil e do mundo.Santo Antnio a outra grande hidreltrica em funcionamento no rio Madeira, com a mesma quantidade de turbinas do tipo bulbo (50) e potncia mxima de 3.568 megawatts, ou 2,218 mil MW mdios, o equivalente a 4% da carga nacional e ao consumo de 40 milhes de pessoas. A obra foi executada por um consrcio liderado pela Construtora Nor berto Odebrecht, a principal pagadora de propinas sob a investigao da Operao Lava-Jato. A usina comeou a gerar energia em 2012, antes de Jirau. Leiloada em 2007, a usina foi arrematada por um preo nal de R$ 78,87 o megawatt hora, por um consrcio liderado por Furnas e composto por Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig e um fundo de investimentos formado por Banif e Santander hoje pertencente Caixa Econmica. Com custo de R$ 20 bilhes, Santo Antnio quase faliu, em funo de atrasos no licenciamento ambiental, greves, problemas com o rendimento de suas turbinas e a seca, fatores que resultaram em um prejuzo de R$ 5,6 bilhes para a concessionria, seguindo o clculo da prpria empresa, que reivindica o ressarcimento desses custos Agncia Nacional de Energia Eltrica e na justia. Nove anos depois da licitao, os scios privados iniciaram negociaes para vender sua participao para companhias chinesas. O governo tambm j anunciou a inteno de vender a fatia de empresas do grupo Eletrobrs nos empreendimentos organizados em Sociedades de Propsito Especco como a Santo Antnio Energia.

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10 o m do cartel dos supermercados?De campeo do varejo no Par e na Amaznia, dos maiores do pas, o grupo Y. Yamada caiu para o segundo lugar estadual no incio da sua crise atual. A partir do ltimo dia 20, descer mais postos. que trs das suas mais importantes lojas, duas em Belm e a de Castanhal, passam para o grupo Mateus, do Maranho. Segundo uma fonte da empresa, a transferncia ser atravs de aluguel e no de venda. Das 14 lojas restantes, apenas uma a da avenida Presidente Vargas ser vendida. As demais seriam mantidas, dependendo da capitalizao do grupo. A inteno seria de vender trs dos seus principais ativos: o campo de futebol do Santa Rosa, em Belm, o antigo estdio municipal de Santarm e um grande ter reno em Bragana. Com esse capital, a direo da Yamada tentaria reabastecer as lojas, que esto com seus estoques acabando, e tentar convencer os fornecedores a contribuir para uma mudana de rumos da rede. inteno do presidente do grupo, Fernando Yamada, passar para o que se denominou atacarejo. semelhana do Makro e do Assai, do grupo Po de Acar, que comeam a penetrar profundamente num setor que estava cartelizado por empresrios locais e os vai deslocando do mercado, a Yamada combinaria varejo e atacado. O problema que outros acionistas, dentre os quais o mais destacado Hiroshi, o tio de Fernando, se recusam a autorizar a venda. A ciso familiar profunda e, talvez, irremedivel. Seria em virtude do momento crtico da empresa familiar que no se prossionalizou. O ingresso de mais integrantes do cl na administrao e na partilha da renda gera atritos e rompimentos. Mas tambm se deve liderana que Fernando assumiu pela morte do lder do grupo, o pai, Junichiro, h trs anos. Os demais se ressentem da funo secundria que lhes restou e da exclusividade (alm da notoriedade, em funo dos cargos extra-empresa que sempre exerceu e da busca de papel poltico) de Fernando na rea nanceira, que controla o clebre carto Yamada, que chegou a declarar possuir dois milhes de clientes. A grave crise da Yamada pode ser vir de alerta aos concorrentes locais, que, at recentemente, mantiveram distncia os competidores nacionais. Se no se ajustarem aos novos tempos e se prossionalizarem, podero seguir o mesmo caminho. Ou pior.Em busca da ditaduraDiante da crise profunda de legitimidade dos representantes polticos da sociedade, no executivo e no legislativo, um tero dos brasileiros a favor de uma interveno militar provisria. Segundo o instituto Paran Pesquisas, que realizou um inqurito junto opinio pblica por encomenda do blog Poder360, 35,1% dos entrevistados so hoje a favor dessa alternativa, um golpe de Estado como o de 1964. Com ele, os militares se propunham tambm a ocupar temporariamente o poder e devolv-los aos civis para a retomada da normalidade democrtica, que remontava a 1946, com o m da ditadura do Estado Novo. Mas s zeram isso 21 anos depois, entregando um pas em uma crise s menor do que a atual. A seduo golpista tem seu atrativo porque no se vislumbra nenhuma soluo no quadro institucional estabelecido. Mesmo assim, 59,2% dos brasileiros rejeitam um governo militar, de acordo com a pesquisa. Outros 5,7% disseram no ter opinio a respeito ou preferiram no responder. A hiptese mais desejada, por 98,8% dos entrevistados, seria escolher o sucessor do presidente Michel Temer por meio de eleies diretas e no via eleio indireta, pelo Congresso Nacional, como determina a Constituio. Mas para que essa alternativa fosse legal, Temer teria que perder seu mandato, o que s poderia acontecer por impeachment, caracterizado o crime de responsabilidade (apenas a partir da sua ascenso, menos de sete meses atrs). ou renunciar antes do nal do ano. Apartir de 1 de janeiro, a eleio do novo chefe do executivo ter que ser feita de forma indireta pelo Congresso Nacional, os atuais deputados e senadores, que formariam o colgio eleitoral no lugar da nao. O problema a profunda desconana da maioria em relao aos representantes eleitos em 2014 para Cmara e Senado. Alm de rejeitar que o Congresso decida quem seria o presidente num cenrio de queda ou renncia de Michel Temer, 68,6% dos entrevistados dizem ser a favorde fecharo poder legislativoe convocar novas eleies imediatas para deputados e senadores. Para viabiliz-la, esses parlamentares teriam que alterar o artigo 81 da constituio, que xou a regra, o que signicaria cortar na prpria pele. No se espere do atual parlamento tal capacidade de renncia e altivez. Para 49% dos entrevistados, numa nova eleio o melhor escolher deputados e senadores entre pessoas que nunca tenham participado da poltica. S 32,2% optariam por umcandidato com carreira poltica consolidada. Como, ento, sair dessa situao de descrdito no poder legislativo e nas instituies, sem degenerar para atalhos que destruiriam novamente a ainda nascente democracia brasileira?

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11 porta dos quartis: as vivandeiras de sempreDurante a democracia de 1946 (que durou at 1964), os quarteis eram cortejados por polticos da UDN, a ala conser vadora da Unio Democrtica Nacional. Sem votos para conquistar a presidncia da repblica, que continuava em poder do seu maior inimigo, o Getlio Vargas que depuseram em 1945, esses polticos apelavam para a fora dos militares, incitando-os a pr m democracia populista e corrupta. Era tal a constncia desses golpistas civis ao redor das praas de armas que passaram a ser conhecidos como vivandeiras alvoroadas, as mulheres que acompanhavam tropas em marcha, for necendo-lhes (ou lhes vendendo) alimentos. No caso, simbolicamente, o alimento de poder atravs de um golpe, aps o qual chamariam os puros e predestinados, os udenistas, claro. A comparao foi feita por um udenista armado, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar depois da deposio de Joo Goulart. A provocao dessas vivandeiras gerou extravagncias do poder militar, que levaram ao golpe de 64. Ele devia ser temporrio, na receita da UDN, que esperava receber de mo beijada o poder, depois de dele apeados seus adversrios populistas, mas acabou durando 21 anos, a mais demorada das ditaduras militares do pas. No h mais vivandeiras. No entanto, sua funo persiste, s que agora desempenhada por tresloucados ou malucos civis que continuam a bater sua porta cobrando interveno no caos poltico. Esses tresloucados, esses malucos vm procurar a gente aqui e perguntam: At quando as Foras Armadas vo deixar o pas afundando? Cad a responsabilidade das Foras Armadas? E o que ele responde? Eu respondo com o artigo 142 da Constituio. Est tudo ali. Ponto, arma o ministro do Exrcito, general Eduardo Villas Bas. Para ele, chance zero que setores das foras armadas, principalmente da ativa, mas tambm da reserva, se encantarem com a volta dos militares ao poder. Pelo artigo 142, as Foras Armadas, constitudas pela Marinha, pelo Exrcito e pela Aeronutica, so instituies nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierar quia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da Repblica, e destinam-se defesa da Ptria, garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. Ns aprendemos a lio. Estamos escaldados, garante o comandante do Exrcito, em entrevista publicada por O Estado de S. Paulo. Ele relata ao jornal que se reuniu com o presidente Michel Temer e com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e avisou que a tropa vive dentro da tranquilidade e que a reserva, sempre mais arisca, mais audaciosa, at o momento est bem, sob controle. Apesar da crise poltica, econmica e tica, os militares da ativa esto mudos e os da reserva tm sido discretos, cautelosos, observa o Estado Eu avisei (ao presidente e ao ministro) que preciso cuidado, porque essas coisas so como uma panela de presso. s vezes, basta um tresloucado desses tomar uma atitude insana para desencadear uma reao em cadeia, relembrou o general. Na panela, h temas mais prosaicos do que a crise, mas com igual potencial de esquentar a panela, como os soldos e a previdncia dos militares. Na sua opinio, Temer talvez por ser professor de Direito Constitucional, demonstra um respeito s instituies de Estado que os governos anteriores no tinham. A ex-presidente Dilma (Rousse), por exemplo, tinha apreo pelo trabalho das pessoas da instituio, mas diferente. Na sua primeira manifestao pblica sobre a crise poltica do pas, o ministro admitiu que teme a instabilidade. E explicou: Quando falo de instabilidade, estou pensando no efeito na segurana pblica, que o que, pela Constituio, pode nos envolver diretamente. Alis, j envolve, porque o ndice de criminalidade absurdo e vrios Estados esto em situao econmica gravssima, como Rio de Janeiro, Per nambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais. Uma das consequncias diretas a violncia. Ao falar sobre a tenso entre o Judicirio e o Legislativo, depois que o ministro Marco Aurlio Mello afastou o senador Renan Calheiros da presidncia do Senado por uma liminar e Renan no acatou a ordem judicial, o comandante do Exrcito admitiu: Me preocupam as crises entre Poderes, claro, mas eles utuam, vo se ajustando. O general disse que se surpreendeu ao ver, pela televiso, que um grupo de pessoas invadiu o plenrio da Cmara pedindo a volta dos militares. Eu olhei bem as gravaes, mas no conheo nenhuma daquelas pessoas, disse, contando que telefonou para o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) para se infor mar melhor e ouviu dele: Eu no tenho nada a ver com isso. Finaliza o jornal paulista a sua repor tagem: No que me diz respeito, o Bolsonaro tem um perl parlamentar identicado com a defesa das Foras Armadas, diz o general, tomando cuidado com as palavras e tentando demonstrar uma certa distncia diplomtica do deputado. vivel uma candidatura dele a presidente da Repblica em 2018, como muitos imaginam? A resposta do general no direta, mas diz muito: Bolsonaro, a exemplo do (Donald) Trump, fala e se comporta contra essa exacerbao sem sentido do tal politicamente correto.

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12 MERCEARIAAntes da era dos super mercados, as mercearias eram os pontos de venda de produtos nos, como os que o famoso Caf Santos (na Padre Eutquio, entre Joo Alfredo e 15 de Novembro) oferecia para a ceia de natal de 1957: castanhas, nozes, amndoas, avels, gos portugueses, ameixas a retalho e em latas, tmaras a retalho e em caixinhas de luxo francesas, passas em vrios tamanhos e a retalho, cerejas, peras e pssegos em calda, uvas espanholas, amndoas e nozes descascadas em saquinhos de luxo, queijos de todos os tipos, azeite portugus, espanhol e italiano, batata holandesa e vrios outros artigos.Na sua primeira instalao, na Aristides Lobo com a Frei Gil de Vila Nova, a Acropol era uma doceria pequena, mas de grande classe. Oferecia para o natal de 1957 doces confeitados, biscoitos sortidos, petis four, bouches, gateaux, bolos e, especialmente, o seu tsurek, o famoso po de natal. Belm era bem servida de doces.Foi na primeira sede do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos, na avenida Nazar com a Benjamin, a posse, em 1957, da nova diretoria do Saturday Aernoon Club, que evidenciava a inuncia local da cultura americana, muito apoiada pelo governo dos EUA. O ponto alto foi a apresentao de uma pea teatral em ingls, encenada por Mirtes Franco, Joo Dias, Da Pinheiro, Wilkens Silva, Joo Bosco, Maria Helena Silva, Antonio Monteiro e Pedrina S.Em 1957, o Departamento Jurdico da prefeitura de Belm, dirigido por Hamilton Moreira, publicava na imprensa os nomes das pessoas e empresas autuadas por infrao ao cdigo de posturas, advertindo-as de serem submetidas a processo judicial se no pagassem as multas aplicadas. Dentre os punidos estavam Ary Carepa, Mimosa Bechara. Antonio Cebolo, W. Andersen e Manoel Pinto da Silva.Pelo relato que a Folha Vespertina faz de uma prtica comum (ou mesmo trivial) de policiais em 1957, conclui-se que as coisas melhoraram, enm (ou no?): Os funcionrios da Polcia Civil adotaram uma prtica pouco recomendvel para a obteno de um rico Natal. Percorrem o comr cio, angariando donativos. Alguns so de certo destaque nas suas funes. Qual o comerciante de coragem para recusar o bolo solicitado por uma autoridade que pode, amanh, faz-lo passar por qualquer vexame? E assim as cdulas de 100, 200 cruzeiros e mais vo caindo nos bolsos dos pobrezinhos. E o pior que a facada se repete porque a Polcia Martima tambm faz as suas visitas independentes das realizadas pelo pessoal da [rua ] Santo Antonio [onde cava a Central de Polcia]. A coao se torna visvel, conforme a queixa que nos zeram... Os comerciantes j esto cansados da gura do Papai Noel a que os obrigam. E, no m, essa turma policial acaba tendo um Natal mais folgado que o dos que foram sangrados.Um dia qualquer o primeiro lme de longa metragem de Lbero Luxardo, tendo Belm como cenrio e com atores locais, provocou longas las no cinema Olmpia durante as trs semanas em que foi exibido, em 1965. Um sucesso.A tristemente famosa Delegacia da Ordem Poltica e Social, DOPS, deniu os locais para a realizao de comcios para as campanhas dos pretendentes a mandatos na eleio de 1965. Apesar das restries, permite reconstituir uma topograa poltica de Belm e a hierar quia dos seus bairros. No centro da cidade, s em quatro praas: Amazo-Palcio do cinemaEm 1959, os donos do Cine Teatro Palcio preferiam que seus clientes fossem s sesses com traje passeio, um ano depois da inaugurao. Mas, por liberalidade, permitiam o traje esporte. Afinal, o cinema tinha ar condicionado perfeito e poltronas estofadas.

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13 nas, Magalhes, Operrio e So Braz. Na Pedreira, no cruzamento da Pedro Miranda com a Lomas. No Jurunas, no cruzamento da Timbiras com a Roberto Camelier. No Telgrafo, a praa Centenrio e a rua de Belm, em frente ao Curtume Americano. No Guam, no m da linha de nibus, na Liberato de Castro. Na Marambaia, na praa do Cruzeiro. Na Sacramenta, no cruzamento da Senador Lemos com a Mauriti. No Umarizal, na praa Camilo Salgado. Na Matinha, no cruzamento da 9 de Janeiro com a Domingos Marreiros. No Marco, no cruzamento da 25 de Setembro com a Lomas Valentinas e Duque de Caxias com Humait. Em Canudos, no espao em frente ao mercado pblico e no cruzamento da Cipriano Santos com Francisco Monteiro.Seis night clubes integravam o roteiro de passeios noturnos da Folha do Norte em 1969: Condor, onde a orquestra Palcio tocava at as cinco da manh e o servio de restaurante funcionava 24 horas. Nada igual hoje. ba (dono do famoso bar no centro da cidade), que cava na Alcindo Cacela, entre Mundurucus e Pariquis. Guam que tinha txi-girls, com msica ao vivo e servio de bar. casa de estilo internacional, com grande nmero de belas frequentadoras. A msica entregue ao conjunto do Pagode, com lvaro Ribeiro ao piano, Tota na bateria e dois cantores se revezando no mais completo repertrio de msica atual e sucessos do passado. Na Alcindo Cacela, perto da Tapera, foi a mais famosa boate de Belm. do amor na madrugada. Or questra sob o comando do tenente Almir, funcionando da meia-noiete s seis da manh, na Pedreira, o bairro do samba e do amor. vivo, excelente cozinha (famosos os galetos da casa), funcionando para o almoo aos domingos. No segundo andar, pista de dana. Na Alcindo Cacela.Paris em Belm impossvel no olhar para esta foto e no sentir melancolia e tristeza. Esta paisagem tipicamente parisiense no existe mais em Belm do Par. No s esta, especificamente, do Grande Hotel, visto do melhor ngulo, mostrando, inclusive, a entrada do Palace Theatre e a famosa terrasse. Mas qualquer imagem completa de um prolongamento da ligao europeia que foi a marca da cidade durante muito tempo. Nada melhor a substituiu desde ento.

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: CEP: 66.053-030E-mail: lfpjor@uol.com.br www.jornalpessoal.com.br Blog: A igreja das catacumbasO crime organizadoH 10 anos oConselho Nacional de Justiaprops a criao de varas especializadas no processamento e julgamento dos crimes cometidos por faces criminosas, dando-lhes rito prprio. Desde ento, 62 varas foram criadas em seis tribunais estaduais de justia e trsregionais federais espalhados pelo pas. Mesmo sem unidades com essa funo especca, outras 12 cor tespassaram a adotar um protocolo para esse tipo de crime, que pode se tornar instrumento essencial para o melhor combate ao crime organizado no Brasil. Varas especcas foram criadas nos tribunais estaduais de Mato Grosso, Alagoas, Par, Bahia, Roraima e Santa Catarina. Os tribunais federais da 2 Regio (Rio de Janeiro e Esprito Santo) e 5 Regio (Cear, Alagoas, Paraba, Sergipe, Pernambuco, e Rio Grande do Norte) tambm possuem unidades prprias. Nos demais, casos do tipo so julgados nas varas criminais. O CNJ props a especializao narecomendao 3/2006. A norma segue a Conveno das Naes Unidas contra o Crime Organizado (Conveno de Palermo), principal instrumento mundial sobre o tema. Pases signatrios se comprometeram a tipicar o crime na legislao nacional. Alm das varas especcas, o protocolo mais comum no julgamento do crime organizado conhecido como juiz sem rosto. Desde alei 12.694, de 2012, o magistrado pode instaurar um colegiado para a prtica de qualquer ato processual, desde que indique causas de risco integridade fsica. O juiz natural e dois outros, sorteados digitalmente, formam o colegiado. Assinada pelos trs, a deciso publicada sem citar diver gncias. Nenhum deles, portanto, vira alvo fcil de criminosos julgados. A justia federal do Par poderia aderir a essa tendncia. Convinha fazer um balano da atuao do juizado especializado na justia paraense.ImprensaNa matria sobre a morte de dom Evaristo Arns, Veja lembrou que teve 119 edies sob censura prvia, com mais de 10 mil linhas suprimidas e 60 reportagens integralmente vetadas. Imprensa, portanto, no rima com ditadura.Memria do Cotidiano chega ao seu 8 volumeA partir desta semana o leitor encontrar em bancas e livrarias o oitavo volume da Memria do Cotidiano a verso em livro da seo deste jornal. Foi a mais emocionante missa da qual eu participei, aquela de 31 de outubro de 1975. Era por Vladimir Her zog, o jornalista que fora torturado e morto numa cela do DOI-Codi, em So Paulo, uma semana antes. Poucos acreditavam que aquele ato de desao ao regime, no auge da sua virulncia, sairia da concepo. Mas saiu. Principalmente pela deciso do arcebispo de So Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. A verso ocial, apesar de absurda, ultrajante, era de que Herzog se suicidara. Ao aceitar rezar a missa, dom Arns contestava a verso do regime militar. Anal, suicidas no podem ter rquiem. Suas almas vo para o inferno. Mas no a de Herzog, como tambm atestava o rabino Henry Sobel e o pastor Jaime Wright, presentes concelebrao. Ele fora covardemente morto por um dos muitos braos armados do Estado policial. Era assim que as igrejas encararam o fato e prepararam o culto ecumnico pelo judeu morto a pancadas. Para chegar catedral de So Paulo, no largo da S, era preciso contornar as barreiras da Polcia Militar, com seus ces. Os soldados estavam armados como para uma guerra. Havia barricadas e carros de combate. Mesmo assim, pelo menos cinco mil pessoas se acomodaram na nave do tempo de falso estilo gtico. Outros caram do lado de fora, xando a vista na polcia, ali ao lado. Temia-se uma invaso para evacuao fora. D. Paulo, porm, apesar de srio e grave, parecia calmo, acalmando a todos. Falou com energia e o ouvamos com o corao batendo mais aceleradamente do que o normal. Pela emoo e pelo medo. Mas, em especial, pela coragem do pastor que respondia ali pelo seu rebanho. Um momento que vale uma vida. Uma cerimnia de perseguidos, ultrajados e humilhados, como na poca das catacumbas, pelo qual sou grato a Paulo Evaristo Arns, que morreu neste ms, aos 95 anos.

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15 Quando a execuo chega a uma crianaO que fazer com maus brasileiros Desculpe: isto BrasilAlguns dados apurados nas Contas Regionais de 2014, divulgadas neste ms: Em 2014, cinco dos 26 Estados da federao brasileira, mais o Distrito Federal (So Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paran), foram responsveis por 64,9% do PIB do Brasil. Dois teros da riqueza nacional. O PIBper capitado pas em 2014 foi de R$ 28.500,24. Entre as 27 unidades da federao, o lder continua sendo o Distrito Federal (R$ 69.216,80), seguido por So Paulo (R$ 42.197,87) e Rio de Janeiro (R$ 40.767,26). O Estado mais rico do Brasil o DF com um PIB per capita 64% maior do que o do Estado de So Paulo. O primeiro baseado na burocracia federal. O segundo, na indstria. Enquanto o PIB do Distrito Federal foi de R$ 69.216,80, os ltimos do ranking foram Maranho (R$ 11.216,37) e Piau (R$ 11.808,08), ou seja: uma diferena de 83,80% menor entre o PIB per capita do DF e o pior, que foi o Maranho do ex-gover nador, ex-deputado federal, ex-senador e ex-presidente Jos Sarney. Um garoto de 12 anos foi executado enquanto dormia, de madrugada, dentro da prpria casa. O assassino invadiu a residncia, que, pobre, numa passagem da Terra Firme, no oferecia segurana maior aos seus moradores. Aproximou-se da cama onde o menino dormia, ao lado da me. Fez um nico disparo, na cabea do seu alvo. Ia se retirar quando deparou com o pai, Edilson Cavalcante Nonato, que despertou com o barulho e foi ver o que acontecia. O assassino fugiu.O garoto morreu 10 minutos depois de ser baleado. O pai foi operado de emer gncia: a bala atingiu o seu pescoo. Seu estado estvel, mas ainda h o risco de morrer. uma nova forma de violncia em Belm. O matador deve ser um prossional da morte. Teve audcia, sangue frio e segurana sucientes para ar rombar a casa, ir ao quarto onde me e lho dormiam e atirar na cabea do garoto obviamente, com a inteno deliberada de mat-lo. Foi uma execuo. No h qualquer indcio de que se trate de uma famlia associada criminalidade. O menino cujo nome O Li beral divulgou, contrariando a proibio legal era considerado boa pessoa, com amigos. A polcia no tem pistas sobre a razo do crime nem a identidade do criminoso. Supe que foi a execuo da pessoa errada. Mas pode ter sido tambm uma represlia. Contra o qu ainda no se sabe. O que se sabe sobre esse tipo de violncia em Belm do Par? O governo estimava que 150 bilhes de dlares (mais de meio trilho de reais, ou 25% do PIB nacional) foram desviados ilicitamente por brasileiros para o exterior. uma das maiores sangrias financeiras que um pas j sofreu em todo mundo em qualquer tempo. A previso no se cumpriu porque muita gente no se sentiu segura do menor custo pela declarao do dinheiro ilcito ou sobre o risco de no sofrer alguma iniciativa regressiva pela confisso do delito praticado. Agora o que se discute o que fazer, findo o prazo dado para a repatriao do dinheiro, estimular os fraudadores a se apresentar e reintroduzir os recursos no pas. No sou tcnico para dar um parecer adequado. Como cidado, entretanto, vejo um caminho saudvel: ir atrs do dinheiro, aproveitando a cooperao internacional que se estabeleceu por impulso da nao mais poderosa do planeta, os Estados Unidos, interessado em cortar o fluxo de dinheiro do terrorismo e do narcotrfico internacional. E abrir processo na justia e, ao final, colocar na cadeia esses brasileiros que agem como predadores da nao.O poeta sujoFerreira Gullar, que morreu neste ms, aos 86 anos, foi importante para a minha gerao por duas obras. A leitura de Luta Corporal me abriu a percepo da poesia psdrummondiana, onde todos ns estancramos. O Poema Sujo, que completou 40 anos neste 2016 (escrito em Buenos Aires). foi a revelao da terra do poeta, na sua capital de muita histria e tragdia, So Lus do Maranho. Nunca eu li viso potica mais impressionante de uma cidade. Quem dera se Belm merecesse algo pelo menos parecido.

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A violncia cria o serto na paisagem amaznicaEm maio de 2013, Jos Rodrigues Moreira foi levado a julgamento em Marab e absolvido da acusao de ter mandado matar o casal de extrativistas Jos Cludio Ribeiro e Maria do Esprito Santo. Os dois foram mortos em 2011, num lote que possuam em Nova Ipixuna, no sudeste do Par. Os dois incomodavam seus vizinhos fazendeiros porque teimavam em defender a natureza e denunciar os que a atacavam. Na quinzena passada, em Belm, o mesmo ru foi condenado a 60 anos de priso, 30 para cada vtima. Por unanimidade, o jri reconheceu sua par ticipao no duplo homicdio, como o mandante que contratou pistoleiros prossionais para a execuo. Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento foram condenados no primeiro julgamento a 42 e 45 anos de priso, respectivamente. Mas o mentor intelectual foi absolvido como resultado de evidncias insucientes contra ele. Denunciado, processado e supostamente perseguido pela polcia, ele no compareceu ao primeiro julgamento pelo tribunal do jri. Repetiu a ausncia no segundo julgamento. Per manece foragido at hoje, cinco anos depois do duplo assassinato. um escrnio justia. O juiz Raimundo Moiss Flexa, ao lavrar a sentena, armou que o condenado agiu com culpabilidade exacer bada vez que, de forma fria, covarde e premeditada articulou a morte da vtima contratando matadores para execut-la. A dura pena se deve aos motivos dos crimes, desfavorveis ao ru em face de ter ceifado a vida da vitima por conito fundirio. Felizmente houve novo julgamento porque o Ministrio Pblico e os assistentes da acusao recorreram. As sentenas diametralmente opostas indicariam que em Marab no houve iseno do corpo de jurados, merc de alguma forte presso fora da sala de sesso? Marab a quarta maior cidade do Par, a mais importante do vale do Tocantins/Araguaia, com inuncia sobre a regio mais violenta da Amaznia e das mais conituosas do pas. No entanto, no oferece condies de julgamento honesto quando a causa interessa aos mais poderosos da rea, os donos da terra, que so tambm senhores da vida e da morte nos conns da fronteira amaznica. A situao no mudou muito nesse quesito da ditadura para a democracia. A violncia cotidiana nem sempre se traduz em algum delito capitulado pelo Cdigo Penal. Pode se expressar pelo trabalho sistemtico sete dias por semana, pelas condies da habitao, pela falta da mais elementar infraestrutura para dar dignidade humana s condies de vida, pelo p vermelho que se levanta do leito empiarrado das rodovias, sujando a roupa e penetrando pelos poros dos moradores da beira de estrada e mesmo por um ar assustado exibido por quem sente a insegurana diariamente. Vi essa expresso de medo e pavor vrias vezes em viagens pelo interior da Amaznia. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 1982, no ltimo governo de um general (Joo Batista Figueiredo) do ciclo militar iniciado em 1964. Eu integrava uma comitiva da qual participavam o senador alagoano Teotnio Vilela, os deputados federais Jader Barbalho e Cristina Tavares, da oposio. Descemos na pista de pouso de Xambio, em Gois (hoje Tocantins), que serviu de base para a tropa regular do Exrcito (at trs mil homens) na primeira campanha de combate guer rilha do Partido Comunista do Brasil. Atravessamos de lancha (a voadeira) o Araguaia. Fomos recebidos do lado do Par, em So Geraldo, por um soldado da Polcia Militar, embalado, com baioneta e tudo. O soldado pediu (ou exigiu: no deu para distinguir com nitidez, por que ele tremia e sua voz era insegura, apesar de enrgica) que nos identicssemos. Teotnio, o menestrel das Alagoas, se indignou. Era senador da repblica, estava em seu prprio pas e no ia aceitar ser tratado como estrangeiro. Ia seguir em frente. Chamei-o de lado e lhe aconselhei a obedecer, mesmo que isso lhe soasse como humilhao. Lembrei o que acontecera com o padre Burnier numa delegacia de polcia no interior de Mato Grosso. Quis protestar, como se estivesse num pas civilizado, e levou bala, bala que talvez o PM quisesse cravar no superior do padre, o odiado bispo dom Pedro Casaldliga. Ainda bufando, mas entendendo a situao, Teotnio mostrou sua vistosa carteira de senador, depois que Cristina e Jader tinham feito o mesmo, e seguimos. Fomos ver a rea onde ocorrera um conito entre agentes da Polcia federal e posseiros, motivo da priso (e processamento pela Lei de Segurana Nacional) dos padres franceses Aristide Camio e Franois Gouriou. No dia seguinte rezemos o trajeto. Ao chegar pista de pouso, onde cara o teco-teco, um morador do local nos avisou que algum mexera no tanque de combustvel. O piloto constatou a violao. Esvaziou o tanque e foi buscar um caminho para fazer o reabastecimento. Era a nica maneira d ter certeza de que algum no colocara acar dentro do tanque para provocar um acidente. Apesar da operao, voamos em silncio, tensos, inseguros um estado de esprito muito comum na selvagem fronteira amaznica. Um novo serto, mas para o qual cabe como luva a denio de Joo Guimares Rosa: onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze lguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. Porque a autoridade no arrocha, os matadores se multiplicam e os que os mandam nas misses de morte escapam. O senhor tolere: isto o serto, recomenda o grande escritor mineiro. A tolerncia fez boa co. No mundo real, ela gera impunidade, uma praga pior do que a que acabou com as seringueiras de Henry Ford na Amaznia.