Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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Full Text

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o a IMPRENSAAmeaas impressasComo se atingido por um raio, O Liberal mudou bruscamente de posio. De um dia para outro passou de aliado de Zenaldo Coutinho a seu adversrio. Mais radical ainda do que o Dirio do Par, de Jader Barbalho. Por milhe$ de motivos? Certo dia, duas semanas atrs, O Li beral dormiu com seu tradicional e irrestrito apoio a Zenaldo Coutinho, o prefeito de Belm. Amanheceu com a disposio de passar frente do tradicional inimigo dos polticos do PSDB, o Dirio do Par do senador Jader Barbalho, dono do PMDB estadual. E conseguiu. Quando Zenaldo foi cassado pela primeira vez, o jornal escondeu a notcia e tratou de dar a verso de Zenaldo em paridade com a informao sobre a sua punio pelo juiz eleitoral Antonio Cludio Cruz. A segunda cassao foi a manchete de capa da edio do dia seguinte, com toda nfase que a informao merecia: Justia volta a cassar Zenaldo pela prtica de crime eleitoral. O ttulo foi at mais agressivo do que o do Dirio do Par que, como seria de esperar do peridico do senador Jader Barbalho, tambm destacou o fato na capa da sua edio: Justia cassa Zenaldo pela segunda vez.

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2 A folha de Romulo Maiorana Jnior descobriu que o BRT uma furada? Que o irmo do prefeito, Augusto (Guto) Coutinho, a eminncia parda da prefeitura, agindo excessivamente vontade em toda a administrao municipal? Ou que as obras e servios da PMB esto superfaturadas? Nada disso. Aparentemente, o pomo da discrdia entre Jnior e seu (ex?) aliado e parceiro era o advogado Sbato Rossetti, constitudo pelo prefeito para defend-lo na justia eleitoral. Todos sabem que Roissetti, pelos meios formais e informais, costuma conseguir o que quer do poder judicirio, sobretudo em matria eleitoral. E que, polmicas parte em torno dos seus mtodos, sabe e conhece o que faz. Mas ele trara, diz RM 2. Para provar essa armativa de impacto, ele arma que o prprio advogado de defesa preparou o crime eleitoral praticado pelo seu cliente. Como se deu isso, quem participou da surpreendente manobra, como ela no foi detectada por Zenaldo e assessores, o jornal no se importa em esclarecer. de somenos. A traio de Sbato Rossetti se deve sua simpatia e delidade por Jader Barbalho, conhecida de todos, inclusive dos tucanos mais sonoros do PSDB. Pois todos eles passaram batido pela tramoia do advogado. S Rominho como conhecido na intimidade o mais importante executivo do grupo de comunicao descobriu a manobra do peemedebista enrustido, cavalo de Troia no bastio do poder local. Mas, escndalo dos escndalos: ningum deu bola para RM Jr. Como tem acontecido com mais frequncia nos ltimos tempos, ele tem falado sozinho, fora do seu gabinete de trabalho na sede do jornal, nos fundos do Horto Botnico (antigo Bosque) Rodrigues Alves, ou em Miami, ou indo para Las Vegas. Com seu faro apurado para o assunto, Romulo Maiorana-2 tem constatado o cheiro de Barbalho no ninho tucano do governo estadual e da prefeitura. Os ulicos de sempre e alguns novios desejosos de aparecer na Troppo lhe devem estar revelando as intimidades promscuas da corte, que o receptor das informaes traduz de imediato como traio delidade absoluta, de que no abre mo. Por isso, o recurso frase do pai no Reprter 70 que proclamou a temporada de caa a Zenaldo. Dar uma banana para o executivo e seguir em frente? E quem a tanto se atreve? completamente falacioso o jargo publicitrio da corporao de que o seu jornal o de maior credibilidade do Estado. Mas o lder da classe mdia para cima na tristemente desigual pirmide social, enquanto o matutino dos Barbalhos domina amplamente desse topo at a base. Da ser do maior interesse sair bem nas muitas fotos das colunas sociais de O Liberal e no ser hostilizado pela casa. Muitos morrem de medo de alguma investida atravs da TV Liberal, poderosa porque aliada Rede Globo. A submisso, porm, no natural nem espontnea: tcita. Os salamaleques de sempre agora so seguidos por observao atenta aos bastidores da empresa. H hienas e urubus pressentindo carnia. Todos sabem que o grupo Liberal j no quita suas obrigaes, exige pagamento em dinheiro e seus dbitos convertidos em permutas e compensaes, o que o levou a trocar a Unimed pela Hapvida, dizem que por oito milhes de motivos. H uma evidente falta de liquidez no jornal (no na televiso, submetida a um controle rigoroso pela Globo), gerando tenses e agravando o poder ditatorial do presidente do grupo. Ele se tem excedido, o que levou seu el acompanhante de tantos anos, Guarany Jnior, a pedir demisso, algo impensvel nos tempos de vacas gordas. verdade que a Roma, a incor poradora imobiliria, de propriedade exclusiva de Romulo Jnior, parece ir de vento em popa com seus arranhacus. Surpreende seu vigor nanceiro, certamente por alguma injeo nanceira, ou vacina. Essa abundncia, porm, no se estende aos empreendimentos coletivos da famlia, que seguem mngua. Da, provavelmente, a biruta que segue a linha editorial do jornal, o nico veculo ainda sob controle total dos Maioranas. O leitor desapareceu do visor do dono. Agora, s a ele mesmo que consegue contemplar e a quem atende quando seu toque caracterstico percebido por trs das sbitas mudanas de conduta de O Liberal. O que volta a dar razo a Buon: o estilo o homem.A sbita mutao deve ter deixado aturdido, perplexo e desnorteado o seu tradicional leitor, das camadas A e B de renda. A classe mdia l mais O Liberal, se dispe a acreditar no jornal, apoia o PSDB e, apesar de todas as crticas, ainda votou majoritariamente para dar ao tucano um segundo mandatona capital, que rejeita os Barbalho. Coerente com essa trajetria, a folha diria dos Maioranas incensou o prefeito, contribuindo para a sua vitria, embora ainda dependa de questionamento na justia para conrma-la. Parecia haver harmonia de projetos polticos, entendimento administrativo, coerncia de posies entre o prefeito e o grupo de comunicao da famlia Maiorana. Literalmente de um dia para o outro, tudo mudou. O jornal (e, menos intensivamente, a televiso, mais sob o controle da Globo do que dos Maioranas, por isso menos ao alcance dos seus caprichos e vontades ineditoriais, digamos assim) passou a publicar sucessivas matrias dirias contra a administrao municipal. Numa diretriz to determinada que, como num passe de mgica, as reportagens dos ex-aliados se tornaram muito mais incisivas do que as do inimigo e at mais sistemticas. Tm o propsito deliberado de levar o tucano s cordas. Para dar-lhe o murro denitivo num grand nale. No, dizem os bem informados pelos bastidores, inclusive municipais: para aplicar-lhe uma facada. No das facadas metlicas, que enchem de sangue dos humildes e ofendidos (jamais dos colunveis ou protegidos pela casa) o caderno de polcia do jornal em suas pginas de morgue impresso em papel. Facada no sentido simblico: para extrair mais verbas publicitrias dos cofres dilapidados do errio da capital paraense. O Liberal precisa de transfuso macia e urgente de sangue financeiro do setor pblico, onde obtm boa

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3 parte da sua receita. O caixa da empresa est quase vazio. Qualquer que seja o motivo (ou os motivos) para o ataque comear, seu prosseguimento no deixava dvida: Romulo Jnior exige receber mais dinheiro. Era o recado subjacente a matrias que os dois jornais da casa, incluindo o Amaznia trombeteado que sua audincia em todos os setores era de 75% no Estado. Logo, queriam pelo menos esse percentual da verba. Sem apontar a fonte desse nmero cabalstico. Como no deve ter havido um retorno, com intensidade crescente O Liberal abriga matrias de crtica prefeitura, at mais agressivas do que as do Dirio. Para mostrar fora, o jornal dos Maioranas abre uma pgina para informe publicitrio no assumido sobre as maravilhas da sua circulao. Tudo parece risonho e franco, com resultados positivos, embora os jornaleiros estejam recebendo cota menor da edio de domingo do jornal, a que mais vende e tambm a de maior custo.Se as Organizaes Romulo Maiorana tm 75% da audincia em jornais impressos, TV, rdio e internet, devem ter direito a fatia equivalente da verba pblica de publicidade. Este teria sido o objetivo da destacada matria em O Liberal e no Amaznia, os dois veculos das ORM: um recado para quem autoriza a destinao da publicidade ocial. Alegando que a corporao dos Maiorana s tem 25% de todo oramento do Estado e do municpio de Belm (talvez igualmente de Ananindeua, com governo tambm controlado pelo PSDB), Romulo Maiorana Jnior teria mandado dizer, bem ao seu estilo, que no concorda com menos do que considera a sua parte no bolo. Da uma matria to bombstica, com um ndice genrico mas recor de de audincia em todas as formas de comunicao social, que no cita a fonte desse ndice. Para o principal executivo do grupo, essas questes so irrelevantes. Ele se considera desprestigiado e injustiado. No s porque tem essa audincia (e no leitura ou vendagem), mas porque d apoio aos tucanos e investe contra o principal inimigo de ambos, a famlia Barbalho e o seu prprio grupo de comunicao. Parece que as negociaes para uma nova diviso do oramento foram iniciadas. As matrias de ontem ser viriam para dar algum fundamento a essa iniciativa, sem considerar o procedimento usual nesse tipo de operao: os veculos se credenciarem a receber os anncios do governo apresentando pesquisas sobre seus ndices de audincia, circulao paga ou mesmo leituraou os atestados devidos, inclusive de adimplncia. Ou seja: que pagam impostos e cumprem todas as suas demais obrigaes sociais e nanceiras. No Par, essa base documental substituda pela voz do dono. Ou daquele que se presume dono, referendado pelo silncio geral dos que temem o tigre, mesmo sabendo-o de papel. Reprter 70 de O Liberal: o ventrloquo de RM JniorH dias em que se pode ler com proveito o Reprter 70, a principal coluna de O Liberal Os Maioranas sempre zeram parte do poder. Por frequentarem seus bastidores e alcovas, tm informaes privilegiadas no circuito da restrita elite local. Em geral, reservam para si esse cardpio privilegiado. Mas quando seus interesses (contrariados ou no integralmente satisfeitos) exigem, destilam informaes, mas em linguagem cifrada. Assim a mensagem vai diretamente aos destinatrios, s resvalando pela opinio pblica. E de tal forma codicada que sugere o que os personagens precisam fazer para corresponder s expectativas do autor da mensagem. Mais uso lateral da informao para ns polticos e comerciais do que exatamente jornalismo. Para comprovar essa ttica, analisei duas colunas do jornal do nal do ms passado. A nota de abertura da primeira coluna s maldade. Diz: Todos esto carecas de saber que corre sangue dos Barbalhos nas veias do advogado Sbato Rssetti, contratado para defender o prefeito Zenaldo Coutinho no processo de cassao do TRE. O que pouca gente sabe comentase nos bastidores do tribunal que teria sido o prprio advogado camaleo que armou a arapuca que quase tirou o prefeito da eleio e agora barganha uma sada para a contenda judicial, que estaria empatada em 3 a 3 no pleno do Tribunal, faltando um voto para decidir em favor de Zenaldo ou Edmilson. A questo : para qual dos dois lados sobrar o preo alto dessa fatura?. De pronto a nota sugere que os votos no todo ou em parte foram comprados. Se no em dinheiro vivo, em funo de algum jogo de presso fora dos autos. Para no lanar lama sobre pessoas limpas ou condenar inocentes, a coluna, se praticasse o jornalismo, prosseguiria na notcia, substituindo a especulao por fatos. Daria ento os nomes dos trs juzes que esto a favor de Zenaldo Coutinho, do PSDB, o vencedor da eleio, e dos outros trs do lado de Edmilson Rodrigues, do PSOL, o derrotado nas urnas, que apelou para o judicirio, acusando o rival de abuso de poder para conseguir votos. Uma vez identicados os juzes denidos, caria revelado o nome daquele que teria o voto de Minerva. Como sobram especulaes e insinuaes, a nota pode ter o objetivo de queimar Rossetti com o seu cliente. Ou, em manobra mais tortuosa, criar a imagem de trado para Zenaldo conseguir simpatia.A segunda nota da coluna mais um disparo contra os seus terrveis concorrentes comerciais e inimigos polticos, os Barbalhos:

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4 O cerco est se fechando em tor no das concesses de rdio e TV dos Barbalhos. Ao endossar as cassaes, o procurador-geral da Repblica, Rodrigo Janot, acabou jogando um balde de gua fria nos planos do ministrinho [trata-se de Helder Barbalho, da Integrao Nacional ] de pavimentar sua candidatura ao governo do Estado, em 2018, numa campanha que j dura quatro anos e tem nas emissoras de rdio e TV uma espcie de mala propulsora. Bem, a mentira tem pernas mais curtas do que se pensa. A observao procede: se for cumprida a lei, os Barbalhos perdero mesmo as concesses pblicas. Eles e dezenas (ou centenas) de polticos na mesma situao em todo pas. At agora a lei no foi cumprida nesses casos. S faltou acrescentar que se os Bar balhos usam seus veculos de comunicao como mola propulsora da candidatura de Helder, os Maioranas usam as suas como instrumento de faturamento, poder e prestgio. O roto falando do esfarrapado.Por ironia, com 48 horas de atraso, o Reprter 70 repetiu o comentrio que o Reprter Dirio, a principal coluna doDirio do Par fez: Tem um inuente desembargador do Tribunal de Justia tentando fazer lobby junto ao governo do Estado para aumentar mais seis vagas no desembargo. O objetivo seria preencher o cargo com a nomeao de um parente prximo. esperar e conferir. O desembargador Milton Nobre. O parente o seu lho, Marcelo, que responde pelo escritrio do ex-presidente do TJE desde o seu afastamento para assumir um dos lugares do tribunal. Como vai se aposentar ( o decano dos desembargadores), Milton estaria articulando para o lho ser indicado na vaga que pertence OAB, no quinto constitucional, caminho por ele mesmo seguido at o desembargo, sem precisar fazer carreira na magistratura. Da a necessidade de mais seis vagas para a garantia da eventual presena de Marcelo na lista de candidatos vaga, primeiro no processo eleitoral da Or dem para montar a lista que ser submetida ao despacho nal do governador Simo Jatene. Por que o R-70 no deu os nomes? Porque deve estar querendo estabelecer um entendimento parte com Milton Nobre? Porque h alguma divergncia entre eles? Ou o desembargador traiu os Maioranas? Alis, para ser el verdade verdadeira, diga-se o certo: quem est por trs dessas notas costuma ser apenas um nico deles, Romulo Maiorana Jnior. Ele deve estar furioso com alguma coisa, como a ingratido. Por isso a primeira nota das Em Poucas Linhas, com licena da lgica: O assoalho do inferno feito de tbua [naturalmente, de madeira que no queima] e mal-agradecidos. E por falar nisso, em Belm o que no falta. Enfatizando a revolta, a citao de uma frase de 32 anos atrs atribuda a Romulo Maiorana, o pai: No quero que me paguem pelo bem que fao. Quero que Deus me ensine a perdoar os ingratos. Para o redator da coluna, Romulo estava se referindo queles que costumam virar as costas a quem o [os ] aju dou em momentos difceis. Por favor, ingratos: se apresentem, assumam suas culpas e paguem (mas paguem mesmo) a penitncia pelo grande delito cometido.A segunda coluna analisada aber ta com duas notas dedicadas aos inimigos de todos os dias, os Barbalhos: Mentiras O jornaleco dos Barbalhos continua insistindo naquela tese nazista de que uma mentira mil vezes repetida acaba virando verdade. Mente o paneto ao armar que toda verba de R$ 36 milhes de publicidade utilizada em O LIBERAL. Esclarea-se: as Organizaes Romulo Maiorana tm sua plataforma de audincia de 60% a 75% em todo o Par. E as ORM so constitudas por veculos campees de credibilidade e audincia, como os jor nais O LIBERAL e Amaznia (ambos em verses impressa e digital), Portal ORM, Sistemas de Rdios AMs e FMs Liberal, alm de 11 geradoras, oito minigeradoras e 63 repetidoras na Rede TV Liberal. Audincia Toda essa massa de competncia e monstruosa audincia no chega a receber nem 25% da verba que o papelucho da mentira nos atribui. Ento, Barbalhos, para onde esto indo os 75% da verba de comunicao do governo do Estado? Pergunte a quem determina e distribui esse montante e ainda comissionado. Alis, ressalte-se que foi o governo Jader Barbalho que mais anunciou em nossos veculos. Isso fato. E contra os fatos ningum deve brigar. A no ser os que propagam mentira. Romulo Maiorana Junior concorda com a informao veiculada pelo Di rio do Par : os 36 milhes de reais de verba ocial do governo do Estado destinada imprensa, Jura de ps juntos que sua corporao, apesar da sua monstruosa (ah, a sinceridade involuntria e sintomtica!) audincia, no recebe nem R$ 10 milhes dessa mesada milionria. Sua rao devia ser maior para cor responder sua plataforma de audincia, que varia mais do que margem de erro de pesquisa eleitoral: entre 60% e 75% em todo Par. Ora, audincia uma coisa, tiragem de jornal outra. O Ibope competente para medir a primeira. O IVC o instituto de maior credibilidade no pas para tratar da segunda. Durante vrios anos O Liberal foi o nico jornal paraense liado ao IVC. Usava seus boletins para declarar ao pblico em geral e aos anunciantes em particular que chegou a ter 98% dos leitores de jornais no Estado. Mas o IVC descobriu que o seu cliente mentia na informao jurada que o editor prestava ao instituto, sediado em So Paulo. Mais grave do que isso: fraudava os documentos que comprovavam a circulao paga do jornal. Quando o IVC mandou uma equipe para periciar as contas, na vspera da chegada dos seus emissrios, O Li beral se desliou, atitude indita em 50 anos de atividade do instituto, com centenas de clientes na sua carteira. Nunca mais O Liberal voltou ao IVC. Acrescente-se que o Dirio do Par desde ento, o nico no IVC entre ns,

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5 mas nunca divulgou os resultados da auditagem do instituto. Prefere mentir ao pblico com outra estatstica, a do Ibope, que mede audincia, no vendagem de jornal. Ela cntinua caindo, embora a do concorrente mais ainda. Por que, ento, com audincia to monstruosa, as Organizaes Romulo Maiorana no recebem nem 25% da verba de publicidade do governo amigo do tucano Simo Jatene? Deve ser por culpa de quem determina e distribui a verba. O Reprter 70 omite o nome de Orly Bezerra, dono da Grio, a agncia de publicidade que administra a conta do governo e ainda comissionada (com 20%), acrescenta com malcia a coluna do jornal, como se fosse algo ilcito ou inaceitvel. Orly tem certa autonomia para administrar essa conta, mas se zer o contrrio do que o cliente lhe deter mina certo que perder a conta, seja de uma empresa como de um governo. Por isso, se ele no est atento monstruosa audincia das ORM, o culpado tem nome e sobrenomes: Simo Robison Jatene. Como fez com Sbato Rossetti, RM Jr. bate no intermedirio para atingir o destinatrio, caprichando para eliminar o elo nessa ligao, trazendo o inel presena de sua excelncia, o detentor da monstruosa audincia, que lhe d o direito de imaginar-se como o dono de 1,2 milho de quilmetros quadrados e mais de oito milhes de habitantes a partir do seu ftil e inconstil trono refrigerado.ara humilhar o inimi go com seu saber de a liderana. a pura verdade. Sem ter ao seu dispor qualquer mquina pblica, na mais dramtica, maior e ltima vitria em grande estilo, Jader derrotou Sahid Xerfan na disputa pelo governo do Estado.Xerfan era o candidato do governador Hlio Gueiros, que para eleg-lo montou a maior mquina de corrupo eleitoral que vi funcionar na minha carreira de reprter. Sorteava prmios valiosos atravs de uma suposta campanha social, a Caminhando com o Povo, de descarada audcia, que hoje, no novo Brasil, levaria punio do candidato e do seu patrocinador. Todos os dias, O Liberal publicava matrias violentas contra Jader, acusando-o de corrupto, diretamente ou por interpostas pessoas. Um dos mais constantes ocupantes das pginas dedicadas pelo jornal a xingar o inimigo era o prprio Gueiros (que depois se reconciliou com Jader). Mas outras pessoas se prestaram a esse servio. Aquele tipo de oportunista aos quais a esquerda fornece bandeiras ilustres, que ocultam os objetivos esprios Mas Jader acabou vencendo. Desde que a justia eleitoral proclamou o resultado da votao, o nome do governador eleito sumiu. Quando ele assumiu o cargo, em 1991, o jornal se referia a ele apenas como o governador, o primeiro sem nome na histria poltica do Par (aFolha do Norte no paroxismo sem igual contra seu inimigo mortal, Magalhes Barata, o tratava por J. Barata). Logo, o aposto foi acrescentado. E, por m, no s Jader era citado por inteiro como passou a ser elogiado em prosa e verso (de p quebrado) pela casa. Por qu? Porque Jader abusou da destinao de verba pblica ao grupo Liberal. Comprou caro o apoio, mas conseguiu claro, usando o dinheiro do cidado. O Liberal s se vende por mais do que 30 moedas, a moral da ltima nota do Reprter 70 de hoje dedicado a Jader Barbalho. Boa moral o que ela no oferece.Jader tenta mostrar fora em BrasliaO senador Jader Barbalho foi na semana passada ao gabinete do presidente Michel Temer, em Braslia, e ocupou largamente a capa do seu jornal hoje. para mostrar aos increus que est bem de sade, em plena atividade na capital nacional, aonde seu dever estar, tem prestgio no governo federal e no est nem um pouco assustado pela ameaa de ser preso pela Operao Lava-Jato. Jader no apenas um competente praticante da arte dos bastidores do poder: ele tem vocao e prtica de sobrevivente. A audincia com Temer, numa hora difcil para o presidente e mais agravada ainda para o pas, parece indicar que o senador paraense acredita que passar para o captulo seguinte dessa novela sem m em perspectiva. Colocou a cabea de fora sabendo que h gente disposta a entreg-la de bandeja a uma Salom estilizada. Certamente ele mede e pesa com cuidado cada passo que d, tanto na esticadssima corda poltica quanto na no menos tensa linha da vida. Aos 72 anos de idade, o senador tem um tumor no crebro, que j no pode mais ser extrado. O tumor cresceu e ele no se submeteu a um tratamento de choque, como lhe foi recomendado em carter de urgncia pelos mdicos que o atendem. Quando, nalmente, se submeteu ao tratamento, teve que fazer mais sesses de radioterapia se elas tivessem comeado mais cedo, alm de efeitos colaterais mais extensos. O tumor regrediu, mas continuar dentro do crebro. Se seu crescimento se tornar incontrolado, o efeito poder ser a perda da viso. Da esse movimento de avano e recuo de Jader Barbalho. Mas qual ser o movimento dos que esto caa dele? A principal pista atravs da delao da Odebrecht e dos seus executivos perante a fora-tarefa da Operao Lava-Jato. Mas tambm esperam conseguir informaes atravs da secretria particular no Senado e de outras pessoas prximas. A aproximao a Jader, porm, mais lenta agora do que antes.

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6 Onde esto, anal, os marajs do Par?O Estado de S. Paulo publicou matria, no nal do ms passado, infor mando que existem mais de 13 mil servidores pblicos espalhados pelo pas que recebem salrios acima do teto previsto na constituio federal, que 33,7 mil reais, o valor da remunerao de um ministro do Supremo Tribunal Federal. A informao se baseou na Relao Anual de Informaes Sociais (Rais) do Ministrio do Trabalho e Emprego. A surpresa e o choque: os seis maiores salrios do pas, com valores entre R$ 114 mil e R$ 118 mil, esto na Assembleia Legislativa do Par. S com esses marajs o legislativo paraense gastaria quase R$ 700 mil. H uma semana os dirigentes dos rgos suspeitos de abrigarem esses superfuncionrios, alm da Assembleia, se reuniram para tratar do assunto, negando veemente, porm, que o dado seja verdadeiro. O presidente da AL, Mrcio Miranda, disse por sua assessoria que vem cumprindo de forma rigorosa os ditames da Constituio Federal para garantir uma administrao responsvel e com transparncia. Garante que so inverdicas as infor maes publicadas pela imprensa. O redutor constitucional estaria sendo aplicado para garantir que ningum ganha alm dos R$ 33,7 mil. No quadro de funcionrios do legislativo no existem os cargos apontados na reportagem, escrita pelo correspondente do Estado em Belm, Carlos Mendes, como os dos marajs. Como no h os cargos apontados nem os salrios informados, o deputado desaa quem tem esses dados a apresent-los.le assegurou que a sua O Portal de Transparncia, por ser moderno e avanado, pode ser considerado exemplo para muitas instituies. Diz que qualquer pessoa pode acessar e obter informaes completas sobre o pagamento dos servidores, vencimentos, nmero de matrcula, descontos, incluindo o redutor constitucional. O presidente do Tribunal de Contas, Luis Cunha, e Mrcio Miranda, decidiram que o TCE vai realizar uma auditoria extraordinria na folha de pagamento dos servidores dos dois poderes. Os auditores tero quinze dias para apresentar um relatrio. O trabalho investigativo do tribunal ser um processo importante para esclarecer todas as dvidas relacionadas questo dos vencimentos dos funcionrios, tanto da Alepa e do TCE, prometeu o parlamentar. Em nota que divulgou no seu blog, Carlos Mendes respondeu: O presidente da Alepa e do TCE, antes de tacharem de inverdicas as informaes divulgadas pelo Estado e pelo blog Ver-o-Fato fariam melhor se solicitassem diretamente ao Ministrio do Trabalho e Emprego os esclarecimentos sobre os seis supersalrios do Par. Em algum lugar esses servidores esto lotados, pois receberam polpudos salrios. Outros rgos estaduais, como Judicirio, MP, TCM e PM tambm poderiam vir a pblico e dizer se abrigam tais privilegiados, como j se manifestaram, negando, o TCE e a Alepa. Se tudo est no portal, transparente, claro e completo, a Assembleia Legislativa podia se antecipar enviando a relao imprensa, que, por sua vez, devia se interessar pelo assunto de for ma a esclarec-lo denitivamente. Capacidade para isso ela tem, ao menos em tese. Se h discrepncia entre as informaes da Rais e da AL, preciso apont-la e explic-la.Justia avana contra imprensaA Constituio, no seu famoso artigo 5, inciso XIV, declara categoricamente que o sigilo da fonte inviolvel. parte fundamental da liberdade de imprensa, sem a qual a democracia inexiste. Todas as democracias espalhadas pelo mundo adotam esse princpio, Jornalistas j foram presos por se negar a entregar suas fontes, mas declarando isso em juzo, recusando-se a aceitar a coao legal. Nunca como agora acontece no Brasil. Ignorando solenemente a regra constitucional, que no admite dvida nem controvrsia interpretativa, o juiz Rubens Pedreiro Lopes, do departamento de inqurito policiais de So Paulo, autorizou a quebra de sigilo de dados telefnicos da jornalista Andreza Matais, atualmente colunista de O Estado de S. Paulo. A deciso foi determinada em atendimento polcia civil, que quer ter acesso aos registros de ligaes feitas e recebidas por Andreza quando ela era jornalista da Folha de S. Pauloe assinou, em 2012, uma srie de reportagens sobre investigaes na cpula do Banco do Brasil. O detalhe crucial que a jornalista no est sendo investigada por nenhum crime, em nenhuma ao judicial. O objetivo da polcia, que administrativo, no curso de um inqurito, descobrir quem foi a fonte que conversou com ela. A quebra de sigilo foi solicitada pelo delegado Rui Ferraz Fontes. A promotora Mnica Magarinos Torralbo Gimenez concordou com a medida, contrariando trs integrantes do Ministrio Pblico que, em outra ocasio, opinaram contra a solicitao. Os advogados da jornalista pediram ao juiz que reconsiderasse a deciso. No se trata de movimento corporativista ou defesa de privilgio prossional. imposio da lei maior do pas. O delegado pode convocar a jornalista para prestar depoimento no inqurito e at constrang-la a dar o nome da sua fonte. Mas a partir da no pode passar. Quebrar o sigilo da prossional para chegar ao objetivo desejado ilegal, anticonstitucional e uma ameaa mais uma democracia que a justia brasileira se permite executar.

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O grande Y. Yamada acaba: o que renascer das cinzasO maior grupo de varejo do Par, dos maiores do pas, dever desaparecer at o final do ano. A dvida saber o que sobrar do poderoso grupo Y. Yamada depois que grande parte do seu ativo for transferido para o grupo Mateus, do Maranho, ao longo deste ms. Algumas lojas importantes de Y. Yamada j foram fechadas: em Santarm, Marab e Castanhal. Outras fecharam suas portas em Belm. As que ainda esto em funcionamento vendem o que resta nas prateleiras e no escasso estoque. As demais passaro ao controle da corporao maranhense, que j tem presena no interior do Par e no Amap. Diz-se que algumas lojas nos shoppings permanecero, assim como o outrora festejado carto Yamada, com seus 600 mil clientes, hoje devastado por elevada inadimplncia. um caminho sem volta para uma rede de lojas e supermercados que parecia indestrutvel at a morte do seu principal executivo, Junichiro Yamada, trs anos atrs. No comando, seu filho, Fernando, fez profundos cortes na empresa e afastou dela alguns parentes, agravando a ciso interna, transformando-a numa guerra fratricida. Para milhares de pessoas interessadas na grave crise enfrentada pelo grupo Y. Yamada, o artigo de Ney Gabriel de Sousa Farias, a seguir reproduzido, uma luz para iluminar a compreenso do que est acontecendo ao maior grupo do setor varejista do Par. Um tema de interesse to geral quanto a sua incompreenso.-O QUE A CRISE DA Y. YAMADA PODE ENSINAR SOBRE PLA NEJAMENTOTRIBUTRIO? O pato um animal que tem muito a nos ensinar, de modo contrrio. Ele nada, anda e voa, mas, no realiza nenhuma dessas funes bem-feito. Como um pato, virou moda ser multifuncional, ex etc. Multifuncional palavra da moda entre empresrios e prossionais de marketing, que parecem j esqueceram do mantra dos grandes lderes de vrias indstrias: Foco, foco e mais foco. Digo isso porque com tristeza, porm, sem surpresa, que vi um grupo econmico fantstico perder-se em si mesmo por absoluta falta de foco e de identidade, o Grupo Y.Yamada. Segundo a Wikipdia, O Grupo Y. Yamada uma rede de supermercados do Brasil fundada em 1950 na cidade brasileira de Belm. Mas, hoje, o site www.yyamada. com.br no funciona Em consulta a LISTA DE LINKS do site da RCF Recuperao de Crditos Fiscais, onde nossos colaboradores e clientes tm acesso informao estratgica de suas empresas, concorrentes e fornecedores e realizam algumas tarefas e rotinas administrativas, gratuitamente e sem precisar de senhas, descobri que o mencionado Domnio de Internet foi criado pela Y. Yamada S/A Comrcio e Indstria (CNPJ 04.895.751/0001-74) em 1998. E que a holding do Grupo Yamada tem apenas 2 Execues trabalhistas n 0060900-71.2006.5.08.0007 e 006430015.2005.5.08.0206, do Tribunal Regional do Trabalho da 8 Regio. Essa mesma lista de links do nosso site https://rcrasil.com tambm permitiu identicar que a Y. Yamada S/A Comrcio e Indstria tem dvidas scais federais inscritas na Procuradoria da Fazenda Nacional na ordem de R$ 57.234.236,43, sendo mais de R$ 28,6 milhes de dbitos previdencirios (INSS) e aproximadamente R$ 28,5 milhes em tributos federais. Na mesma data do acidente areo na Colmbia envolvendo um time de futebol da cidade de Chapec, cidadezinha do Estado de Santa Catarina, recebo notcias de que as Lojas Y.Yamada no abriram as portas. Imagino o que leva uma empresa com Cdigo Nacional de Atividade Econmica CNAE Comrcio varejista de mveis abrir outras empresas coligadas do ramo nanceiro e outros servios que, segundo o prprio grupo informava em seu site, Comrcio: lojas de departamentos, supermercados, atacado, magazines, far mcias e lojas especializadas; Financeira: carto de crdito, fomen to mercantil e servios de cobrana; Administrao e corretagem de seguros; Administrao de consrcios; Concessionria de motocicletas e motores; Fundao Amaznica Yoshio Yama da: apoia os projetos culturais, educacionais e esportivos; Pecuria . So muitos corebusiness, regimes tributrios e tributos estaduais versus municipais a administrar Deu certo no passado, quando Belm era ainda no estava integrada ao e-commerce e com poucas opes de compras, muito antes da Internet e das compras on -line. Por falar em compras on-line, esse foi um conceito que o Grupo Y.Yamada no captou, deixando passar a marcha inexorvel da Histria. Outros grandes grupos de Belm incorrem no mesmo erro e insistem em dar as costas para a Internet e vemos que outros grandes grupos entram em nossa cidade para substituir o velho. Com tantos anos de fundao e a quantidade de empregados, poderiam ter sido planejados meios de reduo da carga tributria, como por exemplo a contratao de Cooperativas, o que reduziria a alquota de incidncia do INSS sobre a folha de pagamento para 15% sobre o valor bruto da nota scal ou fatura de prestao de ser vios, relativamente a servios que lhe so prestados por cooperados por intermdio de cooperativas de trabalho o que auxiliamos com a consultoria especializada da Ordem de Servio (OS) n 3 da RCF. Imagino que essa estratgia, esse planejamento tributrio reduziria somente a dvida scal federal previdenciria do Grupo Y.Yamada em aproximadamente R$ 7,1 milhes. Como um pato, que apesar de no ser um anfbio quer explorar todos os ambientes, empresas multifuncionais podem ser atingidas por concorrentes especializados que no perdem o foco. ______________________________SOBRE O AUTOR Ney Gabriel de Sousa Farias Advogado tributarista formado em Direito pelo CESUPA, com ps-graduao em Direito Tributrio pela UNAMA/LFG (2007). Consultor Snior da empresa especializada em planejamento de grupos econmicos e familiares.

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8 Perdas da lei Kandir com atraso de 13 anosA Cuba realPara minha gerao, que precisava enfrentar longos textos (mal impressos) e se contentar com poucas fotograas (o clich custava mais caro) nos felizmente muitos jornais disponveis todos os dias, era pura verdade que uma imagem valia mais do que mil palavras. Com uma diferena em relao s geraes do mundo instantneo: a ilustrao era o complemento, no o principal. Uma das imagens que mais me impressionou nos anos de formao foi a dos cubanos que fugiam de barco do seu pas para o outro lado do mar, na Flrida. Alguma coisa estava errada em Cuba para que eles se arriscassem a morrer na travessia perigosa de fuga. Podiam ser os burgueses, os antirrevolucionrios, os reacionrios, os criminosos e o que mais houvesse de matria humana suspeita ao regime. Mas eram seres humanos com suas famlias, seu mundo pessoal. Apaixonado leitor de co, ia das imagens e textos da imprensa para a reconstituio imaginria da situao concreta desses fugitivos em embarcaes precrias, enfrentando o desconhecido na escurido da noite, quase sempre levando crianas, como se eu fosse um deles. No dava para conciliar essa situao com a descrio da utopia socialista, mesmo que a fuga dos cubanos fosse manipulada pelo governo dos Estados Unidos, que jogavam sujo, to sujo que Cuba foi um dos maiores erros da sua diplomacia, diferenas ideolgicas parte. Senti a fora dessa matriz ao contemplar mais de cinco dcadas depois, a situao muito pior dos imigrantes fugindo das zonas de guerra e de fome (alm de desiluso) no Oriente ou na frica para a Europa. As imagens agora tambm em movimento, em tempo real, longas e intensas me chocaram e despertaram novamente em mim a solidariedade para com os exilados, muito mais forte do que qualquer simpatia pelos que, por bem ou por mal, deram causa a esse xodo, seja l de qual osis esses seres humanos estivessem escapando. Diro que falha humana minha. Concordo. Mas demasiado humana para me dar conforto moral e a leve sensao de que, na falha, me aperfeioo como humano. Por unanimidade, no nal do ms passado, o Supremo Tribunal Federal mandou o Congresso Nacional cumprir uma omisso de quase 13 anos numa matria de grande interesse para Estados exportadores, como o Par, o quarto maior do pas, envolvendo perda de muitos bilhes de reais. O descaso do legislativo com a determinao constitucional (includa pela emenda constitucional 42, em dezembro de 2003) de editar lei xando critrios, prazos e condies nas quais se dar a compensao aos Estados e ao Distrito Federal da iseno de ICMS sobre as exportaes de produtos primrios e semielaborados. Para obrigar o Congresso a assumir sua responsabilidade, o governo do Par ajuizou no STF uma Ao Direta de Inconstitucionalidade por Omisso, que teve a adeso demais 15 dos 27 Estados da Federao. Hoje, por 11 votos a zero, o plenrio do Supremo julgou procedente a ao, acolhendo o voto vencedor do relator, Gilmar Mendes. A corte xou prazo de 12 meses para que o Congresso Nacional editar lei complementar regulamentando os repasses de recursos da Unio para os Estados e o Distrito federal em decor rncia da desonerao das exportaes do Imposto sobre Circulao de Mer cadorias e Servios (ICMS). De acordo com a deciso, se ainda no houver lei regulando a matria quando esgotado o prazo, caber ao Tribunal de Contas da Unio xar regras de repasse e calcular as cotas de cada um dos interessados. A nota imprensa relata que o ministro Teori Zavascki, embora reconhecendo a mora do Congresso, divergiu parcialmente do relator quanto s consequncias da deciso. Ele entende que no possvel delegar ao TCU a tarefa de fixar as nor mas caso a lei no seja aprovada no prazo estabelecido. O ministro Marco Aurlio de Mello tambm reconheceu a omisso do legislativo, masconcluiuque, em se tratando de mora de um dos poderes da Repblica, a constituio no autoriza o STF a fixar prazos para sua correo. O julgamento, que comeou na sesso do dia 23,foi retomado com o voto do ministro Ricardo Lewandowski, acompanhando integralmente o relator. Celso de Mello observou que a existncia de uma deturpao no sistema de repartio de receitas compromete a sade das relaes federativas, enfraquecendo os estados e o Distrito Federal. Segundo o ministro, as competncias constitucionais desses entes federados ficam esvaziadas pela falta de condies materiais necessrias para que sejam exercidas Crmen Lcia destacou que a fixao de um prazo para que o parlamento supra a omisso um passo adiante na natureza recomendatria que se tinha no julgamento das ADOs. Mas a ministra discordou do relator quanto a delegar ao TCU a tarefa de fixar regras caso a lei no seja aprovada em 12 meses. Salientou que, como se estabeleceu um prazo, h outros instrumentos que podem ser acionados para obrigar o cumprimento da deciso.

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9 Vale produzir mais para pagar acionistasO mal para o bemA Vale dever investir no prximo ano 1,1 bilho de dlares a menos do que o previsto para este ano. uma reduo de 20%, de US$ 5,6 bilhes para US$ 4,5 bilhes, conforme as projees apresentadas no ms passado pela mineradora na Bolsa de Valores de Nova York. Haver nova queda em 2019, para US$ 4 bilhes, com uma estabilizao em US$ 4,5 bilhes em 2018. Esse programa de investimento quadrienal inferior a US$ 20 bilhes coloca a Vale em patamar abaixo do nvel das outras mineradoras do mundo. A tendncia decrescente no dever se inverter to cedo, j que para 2021 a previso de investimento de US$ 2,9 bilhes. A perspectiva desfavorvel se acentua porque de 2012 a 2016 os gastos com investimento da mineradora caram 65%, depois de atingirem, naquele ano, seu ponto mximo, de US$ 16,2 bilhes. H ainda um agravante, conforme o comunicado da companhia: seus investimentos nos prximos anos sero feitos principalmente em manuteno e reposio da sua capacidade de produo. O presidente da Vale, Murilo Ferreira, procurou atenuar o quadro ressaltando que a implementao bem-sucedida de projetos, aliada disciplina na alocao de capital, permitiu a reduo dos investimentos. O efeito dessa iniciativa foi atender o mercado acionrio, que a Vale acha que lhe foi muito exigente e ameaador, sedento por dividendos. A partir de 2017 a expectativa de que o caixa passe a ter um uxo positivo para atingir mais de US$ 19 bilhes em 2021. Isso, apesar de a Vale ter que abater US$ 12,4 bilhes da sua dvida entre 2017 e 2020, o que no assusta os seus executivos, segundo a exposio feita em NY. Eles preveem que se o preo do minrio de ferro se mantiver nos atuais US$ 50 a tonelada, a distribuio de dividendos pode atingir nveis mais altos e a dvida se reduzir. Com o preo a US$ 60, a distribuio dos dividendos ser maior e a dvida se reduzir mais rapidamente. Durante esse perodo, a Vale vai manter sempre um piso de 400 milhes de toneladas por ano, atingindo 450 milhes no incio da nova dcada, em 2021. Nesse momento, Carajs representar mais da metade do total, contribuindo com 230 milhes de toneladas de um minrio mais rico do que qualquer outro, inclusive o de Minas Gerais, que car em segundo lugar pela primeira vez. Ser o auge da capacidade da nova mina, de S11D, que j comear a produzir em janeiro do prximo ano, sem que os paraenses se deem conta de que o maior investimento do setor mineral em todo mundo e a ltima grande incorporao de jazida feita pela Vale. Para pagar a imensa dvida deixada pela dcada de Roger Agnelli na presidncia e contestar os detentores de papeis da companhia, que nela aplicaram suas economias, a Vale s encontra um caminho:incrementar a extrao de minrio, esgotando a jazida de Ser ra Sul em 40 anos. No foi por acaso que a mineradora brasileira fez o anncio em Nova York e no tambm em So Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Belm. Os mais numerosos acionistas com preferncia ao recebimento de dividendos compraram seus papis na Bolsa de Valores novaiorquina. De l saiu muito dinheiro e para l retornar, multiplicado. Os paraenses continuaro a ver esse movimento como a parte invisvel das idas e vindas dos imensos trens, que levam o precioso minrio de Carajs para o mundo, numa viagem que no tem volta. Eu no compraria um carro usado do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, mas ele prestou um notvel servio causa pblica ao empurrar a pedra Geddel Vieira Lima no domin de Michel Temer, numa dinmica que poderia ser denida por um ditado popular: quem for podre que se quebre. Nessa queda sucessiva de peas que se anuncia, o pas pode parar e a repblica entrar na UTI, mas a febre tem uma funo proltica: ela sinal de infeco. Quanto mais quente a febre, mais grave a infeco. Depois de Lula e Dilma, Temer entra nesse processo. O Brasil deve proceder ao tratamento do mal com o mesmo rigor e a mesma disposio de punir os responsveis pelas falcatruas e os danos nao. Incluindo mais um gover no, sem deixar de prestar a devida ateno aos anteriores. O mal vem de longe.

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Onde eu errei? Foi como reagi, em tom de brincadeira, ao ser perguntado sobre como recebi a notcia de que fora escolhido como um dos trs jornalistas escolhidos pela Federao das Indstrias do Estado para receber o trofu de personalidade da comunicao em 2016, na sua primeira verso. Junto comigo, a colunista social Vera Castro, do Dirio do Par e o reprter fotogrco Ary Souza, de O Liberal. Como nas demais categorias de premiao jornalstica, o sistema Fiepa (mais o Sesi e o Senai) procura agradar a Barbalhos, Maioranas & os demais da imprensa paraense. No entanto, por que agradar ao Jornal Pessoal, que no arrefece seu compromisso investigatrio com essas gentilezas, se elas integram estratgia de como fazer amigos & inuenciar pessoas, diretriz j tantas vezes provada? O mais tranquilo no seria se restringir grande imprensa? Tenho alegria e orgulho quando vejo este jornal pendurado numa banca de revista ou livraria em igualdade de condies (ao menos topogrcas) com O Liberal, Amaznia e Dirio do Par Nem todo dono de banca adota essa isonomia. Vrios escondem este jornalzinho por trs das suas mesas ou o colocam por trs dos outros no mostrurio. Partilham um temor difuso pela cidade de desagradar os donos da comunicao, que me detestam, e incorrer em seus raios punitivos. Como, no sei exatamente. Mas temem. Com 70 anos de vida, dividida em trs etapas (rgo partidrio de Magalhes Barata, instrumento de campanha poltica avulsa e propriedade de Romulo Maiorana e seus sucessores), O Liberal se tornou o decano da imprensa paraense pelo desaparecimento dos mais antigos, a Folha do Norte e A Provncia do Par. O Dirio do Par apenas cinco anos mais velho do que o JP. O Amaznia 13 anos mais novo. No h termos de comparao entre os jornais da grande imprensa e esta publicao alternativa quanto a aparncia, qualidade grca, investimento no produto e diversidade formal de contedo. O JP um pigmeu industrial em comparao aos trs veculos da mdia impressa de Belm, todos dirios.NNew e e e Eles no ignoram o tamanho fsico do JP e sua insignicncia tecnolgica e mercadolgica. O impressionante deixarem de lado as aparncias para destacarem seu contedo informativo e analtico. desaador e estimulante saber que meus textos so lidos por uma imprensa que no faz favores (ao menos os menores), no age por compadrio e possui critrios tcnicos muito superores aos do local onde moro e trabalho. Naturalmente, se este jornal tratasse do Rio de Janeiro ou de So Paulo no teria esse destaque. O que lhe atrai a ateno tratar da temtica amaznica, com abordagem singular ou, s vezes, nica. A grande imprensa nativa podia conseguir a mesma ateno se procurasse se informar melhor sobre o que ocorre na sua jurisdio, numa das regies de maior apelo no planeta. Mas prefere ser provinciana, rasteira e incompetente. Por contraste, engrandece um jornalzinho que estaria mais por circular em escolas do que na mdia internacional. Da a importncia de, afastado o tom humorstico da primeira reao, vencer a resistncia e ir solenidade de entrega dos prmios. A mim coube mais um, pelo blog que criei. Esse blog no tem recursos grcos, no publica fotos, raramente incorpora contribuies alheias, denso, s vezes maudo, no concede rapidez e supercialidade da internet. Foi concebido para reproduzir, na via digital, o jornal impresso em papel, na contramo da regra. Logo, jamais ser campeo da popularidade na rede mundial de computadores. Apesar de tudo isso, foi escolhido como o melhor blog da rede local. Para minha total surpresa, mas ntima satisfao. Eu no esperava tais premiaes, para nenhuma das quais me inscrevi (no me inscrevo a prmios h muitos anos). Se tive a honra de ser indicado para elas, signica que devo continuar a fazer o que sempre z. O apoio da indstria paraense um estmulo ao prosseguimento da misso que mantm vivo este jornal h quase 30 anos. Por isso, obrigado a todos que acreditaram e ainda acreditam neste jornalzinho. At junho de 2011 ainuncia do governo federal equivalia a quase 30% do PIB, ou 2,5 vezes as vendas das 50 maiores empresas privadas do pas. Esse valor resultava do funcionamento de 675 empresas estatais: 276 totalmente controladas pelo governo, 397 com sua participao minoritria e 2 com controle compartilhado. O tesouro nacional tinha participao direta em 65 empresas, 57 delas no nanceiras, sete bancos e uma de seguros, o IRB (Instituto de Resseguros do Brasil). Controlava outras 580 empresas, 543 no nanceiras, 31 bancos e seis seguradoras. Na participao direta e indireta em fundos de penso estatais, 885 empresas no so nanceiras e trs bancos. Quais os nmeros de um levantamento atualizado para saber o tamanho real do Estado, sua inuncia e suas conexes, que resultam num universo econmico, poltico e corporativo que no pode deixar de ser considerado quando se analisa os movimentos do dia a dia da crise e os seus autores.Um paquidermeJP premiado pela indstria

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11 Jornal paraense faz campanha de arrecadaoA Folha de S. Paulo deu, na edio do dia 3, um destaque surpreendente s campanhas de arrecadao de fundos para este jornal. O texto da matria foi escrito por Paula Reverbel:O premiado Jornal Pessoal, um dos principais veculos independentes do Brasil, faz cam panha de nanciamento on-line para no fechar as portas. A publicao, que cobre a regio amaznica e circula em Belm (PA), foi fundada em 1987 pelo jornalista Lcio Flvio Pinto. Ele mantm o jornal apenas com dinheiro de venda nas bancas, sem anunciantes. Lcio trabalhou por 18 anos como reprter em O Estado de S. Paulo, ganhou quatro prmios Esso e autor de 21 livros, incluindo A Questo Amaznica. tambm o nico brasileiro que consta da lista heris da informao da organizao Reprteres Sem Fronteiras. Ao todo, Lcio j foi alvo de 34 processos judiciais, sendo que quatro deles ainda esto em curso, e recebeu ameaas pelo trabalho feito. As vrias inimizades que o jornalista acumulou na Regio Norte do pas viraram at tema de pea de teatro. De acordo com a pgina de financiamento coletivo criada para manter o Jornal Pessoal, a publicao custa R$ 5.840 por ms, mas as vendas em banca no tm arrecadado esse valor. A campanha vai at 30 de janeiro, com meta de arrecadao de R$ 160 mil. At essa sexta (2), rendeu R$ 2.240. Folha Lcio confirmou que h risco real de seu veculo fechar. Ele atribuiu o momento de dificuldade crise do jornalismo impresso e crise vivida no Brasil, que afetou a venda do Jornal Popular nas bancas. Eu abri alguns blogs e isso me toma muito tempo. J estou com 67 anos e estou trabalhando mais do que quando era menino. Muita tente migrou do jornal em papel para o blog e no paga nada. Se o leitor no apoiar o jornal, ele vai acabar, afirmou. O jornalista disse que o financiamento coletivo o nico tipo de doao que ele aceita, por se tratar de contribuies pequenas e pblicas. No quero que deem R$ 10.000, quero que deem R$ 10, R$ 50, R$ 100, acrescentou. O jornal dele [de Lcio ] uma grande referncia. Se voc quiser ter um histrico do que a Vale fez nos ltimos 30 anos no Par, voc tem que ler o Jornal Pessoal, no tem em lugar nenhum. um patrimnio do Brasil, argumentou o tambm jornalista Lucas Figueiredo, criador da campanha de arrecadao, que entrou no ar nesta na quinta-feira (1). Outra f do jornal, a paraense Paloma Franca Amorim, que reside em So Paulo, tambm criou uma campanha de financiamento on-line para ajudar a publicao. Iniciada em 21 de outubro, a iniciativa arrecadou R$ 7.288 dos R$ 10.000 pretendidos. Ela ser encerrada em 19 de janeiro. Lcio explicou Folha que as campanhas de Lucas e de Paloma so independentes uma da outra. De acordo com o jornalista, s existiu uma outra ocasio em que o Jornal Pessoal lanou mo de financiamento coletivo. Porm, ao invs de pagar as despesas do jornal, a campanha visava pagar uma multa por condenao sofrida na Justia Estadual. Cerca de 700 pessoas ajudaram a arrecadar R$ 28.000. Lcio afirmou que o sofreu processo na Justia Estadual aps publicar reportagem em que acusava uma empreiteira de praticar grilagem de terras. Segundo o jornalista, a Justia Federal determinou a devoluo das terras, com base no que eu escrevi. Ao invs de recorrer da condenao sofrida, o jornalista disse ter preferido deixar a condenao transitar em julgado e fazer uma campanha de arrecadao para depositar o valor em juzo. No dia que eles sacarem [o dinheiro ], vou mostrar que a famlia cou um pouco mais rica devido deciso da Justia Estadual, armou Lcio. A foto foi tirada durante minha palestra no frum organizado pela Folha, no incio do ano

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12 A comemorao pelo se-gundo ano da administrao do mdico Waldir Bouhid como superintendente da SPVEA (que antecedeu a Sudam), em 1957, foi uma festa do PSD (Partido Social Democrtico), que o indicara para o cargo. frente, o governador do Estado, o caudilho Magalhes Barata, que levou para a sole-nidade todo seu secretariado: Aurlio do Carmo (o ni-co ainda vivo, caminhando para o centenrio em plena atividade), de Interior e Jus-tia; Benedito Carvalho, do Governo: Oscar da Cunha Lauzid, de Finanas; Hen-ry Kayath, de Sade Pbli-ca;; Jarbas de Castro Pereira, de Obras, Terras e Viao; Cunha Coimbra, de Educa-o e Cultura, e Jos Mendes Pereira, de Produo. A saudao ao superin-tendente foi feita pelo coro-nel (e ex-governador) Moura Carvalho, chefe de gabinete, e pelo economista Ricardo Borges, chefe da comisso de planejamento. Bouhid agradeceu declarando sua vontade de trabalhar pela Amaznia, para cuja tare-fa renunciou a sete anos de mandato de senador que po-deria ter desempenhado. Em 1957, Jos Santos es-creveu um pequeno mas im-portante testemunho sobre a cidade bonita criada pelo intendente (atual prefeito) Antonio Lemos, entre o nal-zinho do sculo XIX e o incio do sculo XX, a propsito de uma crnica de Teodoro Bra-zo e Silva sobre o abandono do largo de Nazar. Admitiu: Combati-o nessa poca, mas hoje lasti-mo o destino desse lder po-ltico maranhense, que fez de Belm a menina dos seus olhos. Depois de tantos anos, os belenenses estariam sofrendo as consequncias do mal que lhe zemos. Desde ento, descemos tanto, que nem mais sabemos aonde iremos estancar. Ficaria chocado ao veri-car at onde descemos, mais de um sculo depois de Lemos. O Instituto Magela co-municava, em 1957, que no ano seguinte funcionaria (na Manuel barata, 765) sob a di-reo das professoras Anita Mller, diretora do Instituto Suo-Brasileiro, e Maria Ma-chado Guimares. Em 1957, a morena Naza-r Dias foi eleita miss Acor-deom, sucedendo a tambm morena Marly Santiago, na festa de encerramento do curso do instrumento da Academia Alencar Terra, re-alizada no Place Teatro. No incio do ano ambas dispu-taram o ttulo de rainha do carnaval, no concurso que a Folha do Norte criou e O Li-beral prossegue at hoje. Dois importantes casa-mentos na vspera do natal de 1959. O mdico Luiz Al-berto Paiva Maneschy, lho do comerciante Orlando Ri-beiro (e deFrancisca Paiva) Maneschy, casou com a gra-ciosa senhorinha Maria da Conceio de Arajo Rolla, lha do prestigioso comer-ciante Donato Ferreira de Mello (e da professora Jlia Almeida de Arajo) Rolla. Tamto a cerimnia civil quanto a religiosa foram na catedral de Belm, a missa ce-lebrada pelo arcebispo, dom Alberto Ramos. A recepo foi na casa da noiva. O tambm mdico Carlos Alberto P. de Figueiredo ca-sou com a gentil senhorinha Maria da Conceio Barbosa Bordalo. O jovem casal re-ceberia os cumprimentos na prpria igreja, depois da ce-rimnia religiosa. A recepo seria na residncia da me da noiva. No dia seguinte, os dois viajariam pelo Super H da Real Aerovias com des-tino ao Rio de Janeiro, onde xaro residncia, e onde o jovem nubente exerce duas atividades prossionais, com real proveito. Carlos Alberto era lho do deputado Abel Nunes presidente da Assembleia Legislativa (e de Paula P.) de Figueiredo (pai tambm da ex-e-eterna primeira dama do Estado, Amarilda Nunes, viva de Alacid Nunes).J a senhorinha, destacado or-namento da nossa sociedade, era lha do comerciante Jos da Silva (e de Edelvira Barbo-sa) Bordalo. A mulher procurou o jor-nal, em 1965, para dizer que pedira a anulao do seu ca-No prdio mais altoO melhor presente no natal de 1957 era um apartamento no Manoel Pinto da Silva, o mais alto edifcio do Norte do Brasil, que seria entregue no primeiro semestre do ano seguinte. Pagando 10% de entrada, o comprador tinha oito anos para quitar o valor integral. A concorrncia era grande.

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13 samento porque permanece-ra virgem trs anos depois de se unir ao marido. Este, res-pondeu pelo mesmo jornal que cumprira o seu dever de esposo, mas a mulher trara o compromisso matrimonial, mantendo um amante, tal-vez outro, e um filho adl-tero. Ao fazer o anncio, ela tentava inverter a situao: uma autntica chanta-gem para dissimular o seu crime e ofender a honra do seu marido, modesto mas eficiente funcionrio da Petrobrs, disse o marido. Tudo isso com nome e so-brenome s claras. Em 1969, 16 anos depois de ter sido criado, o Tribunal de Contas do Estado deixou de ter ministros, que passaram a ser tratados por conselheiros. A mudana na denominao foi imposta pela nova consti-tuio federal, do mesmo ano, editada pelo governo militar. O tibunal abriu concurso para o preenchimento de duas va-gas de auditores. A banca examinadora foi constituda Pelo futuro conselheiro Elias Naif Dai-bes (direito administrativo), Loureno Paiva (direito co-mercial), Joaquim Gomes de Sousa (direito civil), Benedi-to Pantoja (economia e nan-as), Alfredo Moraes Rego e Eva Andersen Pinheiro (con-tabilidade pblica), Em 1969, a primeira tur-ma de oficiais da reserva do Exrcito da 8 Regio Mili-tar, pelo CPOR, comemo-rou 30 anos de formada. Era integrada por Cndido Ma-rinho da Rocha, Carlos Ra-mos, Eduardo Hermes, Ga-briel Hermes Filho, Gabriel Lage da Silva, Eduardo Ma-cri, Herculano Ramos, Joo de Paiva Menezes, Jeferson Leo, Joo Brulio dos San-tos, Jos Lus de Sousa Fer-reira, Jos Maria Dourado, Joo Guilherme Lameira Bittencourt (j falecido na poca), Lus Ribeiro de Al-meida, Lus Tito de Castro Leo, Maurcio Cordovil Pinto, Manuel Cardoso de Sousa, Oscar Ferreira Tei-xeira, Osvaldo Trindade, Paulo Eleutrio (tambm falecido), Pojucan Palmei-ra, Pedro Alves da Cunha, Raimundo Mendona Dias, Roberto Blanc, Valdemar Torres da Costa e Vincius Hesketh. Em 1969, o Instituto de Educao do Par promoveu um curso de quatro sema-nas sobre educao sexual infantil para suas alunas, as cantadas normalistas lindas. O curso foi dado por Nagib Hage, Amyntor Cavalcante, ATerezinha Damasceno, Ma-ria do Carmo Damsio, Adi-les Aracy Monteiro e Gabrie-la Tuma.Melancolia urbanaUma das boas impresses que Ferrara proporciona aos visitantes mais atentos pela cultura do norte da Itlia a convivncia harmnica entre as fases da sua histria. A cidade medieval convive com a cidade renascentista, a primeira cidade planejada do mundo, e a sua face contempornea. Em Belm, a histria avanou no tempo atropelando o seu passado. Exemplo comprovador a praa do Arsenal de Marinha de dcadas atrs, na Cidade Velha. Quem, na poca, podia imaginar que a descaracterizao levaria atual fisionomia do espao? A cidade horizontal, com espaos vagos, combinao de agrupamento urbano e natureza, est em acelerada extino. A que brota dessa transformao guarda pouca identidade com o stio geogrfico. Como, ento, evitar a melancolia?

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: CEP: 66.053-030E-mail: lfpjor@uol.com.br www.jornalpessoal.com.br Blog: Cart @ Memria Com aquele prazer de sempre li mais uma das tuas Memrias do Cotidiano, agora a mais recente, a de no. 07. Como em todas as demais publicadas, lembras momentos de um passado nem to distante assim, mas que nos fazem responsveis como agentes da prpria histria que somos e representamos, tanto em seus acertoscomo em seus erros. que sendo parte dessa histria, sofremos as boas e ms consequncias do quesemeamos, sendo intil querer mos sair pela tangente atravs de uma fuga de ns mesmos e das responsabilidades que da certamente advm com a colheita. Percebi em teus comentrios quanto as tantas memrias, principalmente no tocante a patrimnio arquitetnico, postura urbanstica e outros legados imateriais dessa abandonada Belm, um certo e justo lamento pelo tanto que j se foi, sem aindaantestermos bem conhecido. que nossa memria (claro, honrosas excees sempre), em seus laivos de contemporaneidade e imediatismos de toda ordem, nos leva a encarar o passado como uma simples pea de museu, pea de arquivo morto incapaz de nos dizer alguma coisa, de suscitar uma ateno, ou uma emoo. O que uma pena pois naquele passado est um pouco de ns, o nosso retrato a nossa genealogia atravs dos tempos que, sem pensarmos mais profundamente estaremos lancetando de mortee as futurasgeraes. Quanto a alguns de teus objetos de referencia nesta ltima edio, gostaria de complementar com algumas obser vaes minhas. Por exemplo, a TV Marajoara canal 2, a nossa primeira estao de televiso, a pioneira na Amaznia.Lembro-me que tinha l meus cinco pra seis anos quando chegou por essas bandas aquele novo modismo, algo ainda envolvido por muitas desconanas e grande curiosidade, mas logo ganharia a simpatia, popularizando ento uma nova palavra em nosso vocbulo telespectador. Quem no se lembraria do saudoso Clube do Garoto (com a devida chancela dos Refrigerantes Garoto, bem vivoat hoje ), apresentado pela dupla Nequinho e Alecrim?Ou do PierreShow, na gura de Ubiratan Aguiar deslando as ltimas da soaite paraense?Ou ainda do Jos Maia apresentando as ltimas do noticirio nacional e internacional?Do Ivo Amaral e JonesTavares no OperaoEsporte?O Teleteatro de Variedades feito com artistas locais, ento s conhecidospelo rdio? Eram os primrdios. Havia ainda um bom espao de manobra para que fruticasse uma programao bem regional at porque no tnhamos a integrao por redes, aTV inicialmente projetava os seus atrativosconformeseu raio de alcance, que tinha limitaes geogrcas bem delimitadas. Porm tais limitaes comearam a ser ultrapassadas com o advento do vdeo tape, que proporcionou aprimeiravisoextramuros do que acontecia alm do, assim dizer, nosso umbigo miditicoquando outras culturas, ou maneiras de ser e de pensar, sem pedir nossa licenaentraram em nossos lares, e como tempoforam tomando os lugares daqueles pioneiros regionais. Mas a pancada nal viria com as telecomunicaes ea consolidao das redes nacionais pelas torres da Embratel. Foi quando as programaes foram ultimadas a uma padronizao conforme ditadaspelasrespectivas matrizes, situadas no ento distante sudeste e onde tudo eraproduzido, algo que estava longe de representar a nossa heterogeneidade como pas continentee diver so. Foi uma questo de tempo para que nos transformssemos em umaMacLuhiana aldeia global pretensamente massicada com laivos de pensamento nico. Quanto ao m da nossa pioneira Marajoara, acredito que muito colaborou para isso a prpria desagregao dos Dirios Associados, asua deteriorada organizao administrativa estava decretando o seum em uma lenta agonia algo que no passou desaper cebidopelosentofardados donos do poder que, decerto, j procuravam um scio mais anado consistente e bem aparelhado para sacramentar aideologia de umBrasil pretensamente grande e integrado.O que dimesmofoi, como voc falou, o esquecimento. Luiz Otavio M CardosoO tamanho do homemPor que um presidente da repblica desceria das suas tamancas para tratar com o seu ministro da cultura de um tema menor apenas porque seu outro ministro, muito mais prximo, que responde pela agenda poltica do seu governo, est irritado com a postura do colega de ministrio? Essa simples iniciativa de Michel Temer o coloca sob suspeita. mesmo que ele no haja pressionado diretamente o ministro, de uma maneira a poder caracterizar um delito com enquadramento legal. Temer d mais uma demonstrao da sua pequena estatura diante da altura do drama que vive o pas colocado ao alcance da sua jurisdio poltica. O licenciamento do prdio de luxo no qual o ministro Geddel Vieira comprou um apartamento, a cobrar explicaes sobre a sua variao patrimonial, deveria ser uma questo estritamente tcnica. A evidncia visual de que a edicao, de 30 andares, incompatvel com a sua localizao diante da baa de Todos os Santos, em Salvador. Mas se h uma possibilidade de que o prdio se torne legal, esta uma questo que cabe ao Iphan considerar. No cabe numa tratativa entre o presidente da repblica e o ministro ao qual o assunto est afeto. Mesmo que a conversa tenha sido risonha e franca, o que, evidentemente, no foi. Uma boa oportunidade para o advogado constitucionalista Michel Temer anunciar aos brasileiros que no candidato reeleio, enviar emenda constitucional expurgando-a da ordem jurdica e convocar um conselho de representantes da sociedade para acompanhar seus atos at 2018, quando um novo presidente ser escolhido pelo povo. Isto, claro, se tiver condies de prosseguir no cumprimento do mandato.

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15 Campanhas pelo JPO jornalista mineiro Lucas Figueiredo, atualmente morando na Sua, decidiu acrescentar sua prpria campanha de arrecadao de fundos para ajudar a manuteno do Jornal Pessoal. A primeira campanha foi lanada em 21 de outubro pela escritora paraense (morando em So Paulo) Paloma Franca Amorim, que permanecer na internet at 19 de janeiro, com a meta de arrecadar 10 mil reais. Sou grato aos dois e s dezenas de pessoas que aderiram s campanhas. O texto de apresentao escrito por Paloma para a vaquinha que ela criou:O Jornal Pessoal reconhecido no mundo inteiro como uma iniciativa nica de resistncia degradao da imprensa brasileira, principalmente na regio amaznica (Belm do Par)onde seu autor/editor/reprter, Lcio Flvio Pinto, vive. Entretanto, com o passar dos anos, houve uma vertiginosa queda nas vendas do Jornal Pessoal tornando-o deficitrio, hoje ele existe apenas pela fora de vontade e comprometimento de Lcio Flviocom a verdade dos fatos e com uma prtica crtica do jor nalismo na Amazniae por algumas eventuais doaes de leitores. Essa uma campanha para desafogar o Jornal Pessoal organizada por leitores do JP que percebem a necessidade de existncia desse canal vivo de informao, em vigorosa atividade h 29 anos, contra o senso comum e pela construo de um esprito crtico na sociedade paraense e brasileira. Para alm do valor estipulado como meta nessa campanha, tambm importante convocar a todos os interessados a comprarem as edies do Jornal Pessoal quinzenalmente, distriburem para seus colegas, alimentarem a troca com a informao comprometida para que ela no morra. Para a sua, Lucas escreveu o seguinte texto: SAL VE O JP, V OZ E FISCAL DA AMAZ NIA Arrecadados dameta de R$ 160.000,00 H 29 anos, uma voz solitria fiscaliza os trs poderes e as grandes corporaes da Amaznia. Seu nome: Lcio Flvio Pinto. Em 1987, depois de cobrir a Amaznia para alguns dos maiores jornais e revistas do pas, o jornalista e socilogo Lcio Flvio fundou o Jornal Pessoal. Para que pudesse ter total independncia, o jornal nunca aceitou publicidade. Desde ento, sobrevive apenas com os recursos arrecadados com as vendas em banca. Sediado em Belm, no Par, e com edio quinzenal, oJornal Pessoal mais longevo veculo alternativo da imprensa contempornea do Brasil no, contudo, sem um imenso sacrifcio pessoal. Em razo das denncias publicadas noJornal Pessoal, Lcio Flvio j foi alvo de 34 processos judiciais (4 ainda em curso), recebeu inmerasameaam, inclusive de morte, e foi agredido fisicamente por poderosos da Amaznia que gostariam que oJornal Pessoal no existisse. OJornal Pessoal sinnimo de jornalismo investigativo e combativo na Amaznia. Para citar um nico exemplo, foi Lcio Flvio quem desvendou a morte do ex-deputado Paulo Fonteles de Lima, primeiro advogado a defender posseiros em conflitos de terra no Par. Seu trabalho reconhecido no Brasil e no exterior. Veja alguns dos prmios recebidos por Lcio Flvio: *PrmioColombe dOro per la Pace, concedido pela ONG italiana Archivio Disarmoem reconhecimento sua significativa contribuio na promoo da paz; *Internacional Press Freedom Award, concedido pelo Committee to Protect Journalists (CPJ), sediado em Nova York, como reconhecimento por seu destacado trabalho na defesa da liberdade de imprensa; Prmio Esso(quatro vezes), o mais importante da imprensa nacional; Prmio Wladimir Herzog, o mais importante do Brasil na rea de jornalismo e direitos humanos; Lcio Flvio o nico brasileiro na lista dos mais importantes jornalistas do mundo daONG Reprteres Sem Fronteiras, com sede em Paris; Ele tambm tem uma profunda relao com a academia, j tendo sido: Professor visitante do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flridaem Gainesville, EUA; Professor visitante no Ncleo de Altos Estudos Amaznicos e no Departamento de Comunicao Social da Universidade Federal do Par (UFPA). Com mais de 50 anos de atuao no jornalismo, Lcio Flvio tem 21 livros publicados. Apesar de sua gigantesca e heroica folha de servios prestados Amaznia, oJornal Pessoalde Lcio Flvio Pinto corre o risco de acabar. Os recursos angariados com a venda em banca j no so suficientes para cobrir seus (mdicos) custos (R$ 5.840 por ms). Nos ltimos tempos, Lcio Flvio tem feito dvidas pessoais para continuar bancando o jornal, mas h muito j ultrapassou o limite do possvel.Caso no receba um aporte extra, o Jornal Pessoalencerrar suas atividades no comeo de 2017. Esta caixinha tem como objetivo levantar recursos para bancar os custos doJornal Pessoaldurantedois anos (24 meses x R$ 5.840). No uma soluo definitiva, mas j um bom comeo. s vsperas do 30 aniversrio doJornal Pessoal, esse o melhor presente que voc poderia dar Amaznia,maior fronteira de recur sos naturais do planeta. Colabore! Divulgue! No deixe a Amaznia perder uma de suas vozes mais importantes!

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Fidel: heri da revoluo que virou tirano com elaCerto por linhas tortasEm seis meses de gesto, seis ministros deixaram o governo Temer. No por iniciativa prpria ou de bom grado. Foi por denncia de maus feitos, quase sempre por desonestidade pessoal e abuso do poder que lhes foi conferido por votao popular e arranjo poltico no poder. O Brasil gostaria que o presidente Michel Temer continuasse a chamar gente como Eliseu Padilha, Geddel Vieira e Romero Juc, expondo-a aos reetores pblicos para que o pas, nalmente, conseguisse se livrar deles. Com um pedido cvico: amiudar a frequncia do descarte de mensal para semanal. O pas, aliviado, agradeceria. Mesmo pagando caro por essa perfunctria crise poltica. Completei 10 anos de idade dois meses depois da revoluo cubana, em 1959. Morava na rua Veiga Cabral, no trecho entre a Padre Eutquio e a So Pedro, a menos de 50 metros de onde passava o asfalto. Estava fazendo o cur so de admisso ao ginsio no Colgio Salesiano Nossa Senhora do Carmo. Dois ou trs anos depois seramos convocados para ouvir a arenga de Juanita contra o irmo, Fidel Castro, o heri da revoluo cubana. Ela era remunerada pelo governo americano, mas eu s viria a saber disso anos depois. Naquele momento, era assduo frequentador dos trs baluartes do ameri can way of life, que era a verso cultural do big stick nada diplomtico de Tio Sam, sua voz imperial. Numa nica quadra da avenida Nazar, na melhor localizao em Belm, se sucediam o prdio do consulado, do servio de informaes (o USIS mas no abusis no complemento crtico dos estudantes) e do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos. Ia a todos eles para aprender ingls, recolher publicaes ociais e car com livros que, gentilmente, a bibliotecria tratava de considerar descartados, autorizando minha retirada em denitivo (foi assim que consegui a obra completa de Ezra Pound, comigo at hoje). Nessa poca, eu estava merc da contrapropaganda americana gloriosa revoluo na ilha, que os Estados Unidos consideravam uma extenso da Flrida, mais prxima da ponta de Key West (que visitei numa viagem memorvel) do que do continente americano. Eu levava a srio a montanha de papel que j acumulava em casa, numa fase em que a embaixada dos EUA nanciava a publicao de livros do seu interesse por editoras comerciais, como a Ipanema, ou mais srias, como a Lidador. Eu era um convicto americanlo, ainda mais porque, nas frias, em Santarm, tinha por interlocutores frades americanos e o bispo, dom iago Ryan, que tambm abria as estantes do seminrio para mim. Aos poucos, porm, fui me desgar rando da propaganda, sem deixar de admirar a cultura da Amrica. Devassei a corte de Camelot, em torno do nosso dolo, John Kennedy, e reelaborei a histria do pas. Tornei-me um crtico do imperialismo americano, da sua potncia blica, da sua sem-cerimnia no mundo. Mesmo assim, nunca o meu fascnio pela revoluo de Fidel e Guevara me impediu de critic-la com nfase que crescia medida que seus crimes iam sendo revelados. Foi decisivo nessa direo o relato de jornalistas de esquerda independentes, como K. S. Karol (e, em conversa em Belm, Jean-Franois Bizot, o intrigante editor da excelente revista parisiense Actuelle ), que no se deixaram levar pelo roteiro turstico-ideolgico com o qual Fidel obtinha a fidelidade de escritores e polticos de uma esquerda confessional, de frei Beto a Fernando Moraes, incluindo Chico Buarque de Holanda. Meu teste nal sobre a Cuba de Fidel era simples: eu gostaria de viver nela? Nunca. A liberdade no s minha necessidade prossional: a substncia da minha razo de viver, o senso da verdade e da indignao que me leva a fazer o Jornal Pessoal no Brasil dito democrtico. Mas eu admirava Fidel, que morreu hoje de madrugada, aos 90 anos. O melhor retrato dele que li foi traado em livro pelo jornalista americano (de origem polonesa) Tad Szulc, que morreu aos 75 anos, em 2001. Sem juzos de valor, uma descrio detalhada e consistente da mltipla personalidade de Fidel. Ele foi o ver dadeiro lder e o mantenedor de uma revoluo impressionante, que se deformou para se proteger do gigante guloso ao lado. Depois dela, cometeu barbaridades atrozes. Demonstrou uma rarssima capacidade de sobrevivncia, acentuada pela proximidade incmoda e hostil da maior potncia mundial, armada at os dentes. Atravessando uma trajetria acidentada, morreu na cama, na sua casa, como um justo ou um santo, sem ter sido nem uma coisa nem outra. A histria tem dessas ironias e maldades. O heri raramente existe: fabulao de quem reconta os fatos, acrescentando muitos pontos ao conto.