Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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o a ELEIOBatata ao vencedorZenaldo Coutinho repetiu o que Edmilson Rodrigues e Duciomar Costa tinham conseguido: se reelegeu prefeito de Belm. Esses trs nomes dominam a cidade h mais de duas dcadas, trs at o final do mandato do vencedor no dia 30. Pobre Belm O PSDB vai continuar dono de mais de um quarto da populao do Par, concentrada no espao diminuto e congestionado da regio metropolitana de Belm, onde esto as duas mais populosas cidades do Estado, a prpria Belm e Ananindeua, com mais de dois milhes de habitantes. No 2 turno, os tucanos conseguiram o segundo mandato consecutivo para o atual prefeito da capital, Zenaldo Coutinho. Assim, na prxima eleio, a geral de 2018, o PSDB ter uma base para tentar se manter tambm frente da poltica estadual. Desde o Plano Real, que projetou o domnio dos tucanos no Brasil, o PSDB s ficou marginalizado do poder no Par durante os quatro anos de Ana Jlia Carepa como gover nadora, eleita pelo PT. Agora o Partido dos Trabalhadores foi pea decorativa na disputa deste ano. Sua candidata, Regina Barata, teve apenas pouco mais da metade dos votos em branco e mal conseguiria se eleger vereadora, ficando em sexto lugar, bem distante de rsula Vidal, iniciante, que ficou em quarto lugar.

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2 Jader Barbalho, ainda a maior liderana individual do Estado, teve que lanar mo de um neto, o ex-reitor da Universidade Federal do Par, Car los Maneschy, tambm ultrapassado por rsula, candidata de um partido sem expresso local, o Rede. Os Barbalhos saram de ninho do centro da campanha, optando pelos bastidores, numa atitude aparentemente enfraquecida, mas que tambm pode ter sido sagaz. Sua intensa campanha contra o candidato do PSDB, atacado diariamente pelos veculos de comunicao da famlia, no impediu que seu concorrente direto, o grupo Liberal, investisse contra o governador Simo Jatene, acusando-o de estar negociando com os Barbalhos por baixo dos panos. O que podia ser interpretado como retaliao dos Maioranas ao aliado por conta de alguma fatura no paga da farta propaganda ocial para o grupo, foi apontada por alguns analistas da cena poltica como a resposta a uma impensvel chapa que estaria em cogitao por tucanos e peemedebistas: Helder Barbalho para o governo, o senador Flexa Ribeiro como vice e Jatene como senador, nos cargos majoritrios. Pode no ser uma informao verdadeira, certamente pouco provvel, mas a falta de qualquer estrutura vertebral na poltica paraense, feita de convenincias e oportunismos, alimenta o impossvel de tal maneira a torn-lo realidade. Se isso no acontece, no ser porque diver gncias de contedo impediram a consecuo da trama. Os azares das circunstncias que no a favoreceram. Concretamente, porm, o que a eleio nalizada no dia 30 consumou foi a recuperao da posio do PSDB. Zenaldo Coutinho vai continuar por mais quatro anos como prefeito de Belm. Os rojes que estouram quando o resultado da apurao foi anunciado comemoravam no a vitria em si, que foi demasiadamente magra, mas a reverso das expectativas iniciais, segundo as quais o tucano seria o primeiro a no conseguir um segundo mandato consecutivo no comando da capital paraense, depois que Edmilson Rodrigues e Duciomar Costa obtiveram a reeleio. A regra no foi quebrada. uma regra ruim. Imaginar que por quase um quarto de sculo Belm ter permanecido nas mos de trs polticos do nvel de Edmilson, Duciomar e Zenaldo de doer. Os seus antecessores no estiveram muito acima da mdia medocre que eles representaram, mas pelo menos ao m de quatro anos o povo lhes deu o devido carto vermelho. Agora foi obrigado a repisar os nomes entre o menos pior e o mais pior.O duelo principal na corrida eleitoral se travou entre um prefeito no car go que iludiu a populao com a velha e j desgastada imagem dos tucanos como verdadeiros homens pblicos, republicanos e competentes. Pessoal de linguagem escorreita (mas cheia de pleonasmos) e prtica elitista. Contra um demagogo segundo o velhssimo recorte de um discurso ideolgico vazio e de frmulas prontas que o tempo se encarregou de corroer. Muita promessa disso e daquilo, conforme a capacidade inventiva dos marqueteiros, mas nem mesmo um ar remedo de maior estatura para descor tinar a situao de uma capital que j no comanda os seus jurisdicionados. Sequer capaz de enfrentar seu maior desao, que a progresso de uma distncia enorme a separar os afortunados da elite dos enjeitados da economia formal, condenados a uma depredao perifrica que joga para a estratosfera a tenso violenta no dia a dia da cidade. O que Zenaldo e Edmilson representam e a disputa acirrada entre eles faz lembrar o velho e sbio Machado de Assis: ao vencedor, as batatas. O eleitor de Belm, por ser compulsrio o voto, s teve dois nomes como opo para eleger o novo que, em ambos os casos, o velho prefeito da capital de um Estado com 1,2 milhes de quilmetros quadrados, o 2 maior do Brasil, com mais de oito milhes de habitantes, o quarto maior exportador brasileiro e o 2 em saldo de divisas para o pas. Nenhuma referncia, por mais ligeira que tivesse sido, foi apresentada por Zenaldo Coutinho, para arrancar do eleitor a reeleio, conseguida pelos seus dois antecessores, o ltimo deles Duciomar Costa, e o anterior, o mesmo Edmilson Rodrigues que quer voltar chea do municpio, depois de oito anos seguidos no cargo, no mais pelo PT de antes, mas pelo PSOL de hoje. No houve debate de programas, discusso sobre teses, propostas para o futuro. O que predominou foi a acusao pessoal, o clima de confronto irracional, a mentira mais deslavada, a farsa criada pelo marketing poltico. falta de contedo, sobrou intolerncia e m f, um impulso dogmtico refratrio razo, ao discernimento e at ao cavalheirismo que tm os lutadores. Eles se cumprimentam depois de um combate, por mais violento que tenha sido. Os candidatos prefeitura de Belm se hostilizam porque agem pelo princpio negativo, de derrotar o inimigo, e no o positivo, de comandar uma frente ou aliana para tirar a cidade da sua caminhada lenta e triste. Episdio nal da campanha seria facilmente superado se o clima no fosse muito pior do que o de um Remo e Paissandu, no qual torcedores fanticos se vingam do desrespeito continuado que sofrem dos clubes. Na vspera da cotao, portal UOL deu Zenaldo como reeleito. No por conspirao ou em retribuio a eventuais 30 dinheiros recebidos do tucanato local. Por erro incrvel de edio da matria cor reta da sua correspondente em Belm. Erros assim se tornam inacreditveis se no se admitir que ocorrncia bem humana e, agregando a essa explicao universal, se tiver conscincia de que Belm continua a ser um trao (como, a rigor, o Par e a Amaznia toda) na agenda nacional. A ateno mnima. Quase no h ateno, alis. Da a ligeireza no tratamento irresponsvel dado ao texto da reprter Aline Braz, benquista por seus colegas e reconhecida como boa prossional. Como no h a menor iseno entre os dois grupos contendores, os eternos personagens do bipolarismo da medocre poltica paraense, foi o bastante para tocar fogo no circo na vspera da votao. Os zenaldistas tomando por verdade o que apenas lamentvel e os edmilsistas tonitruando a palavra de ordem da conspirao e do golpismo, arenga que o Brasil j no aguenta mais. Estes foram os pretendentes ao trono belenense e suas milcias. Ai de ti, Belm, retalhada e retaliada entre eles.

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3 O bicho que sempre pega na capital dos paraensesS para assinalar a expectativa de vspera da eleio do dia 30, reproduzo o texto que escrevi para o meu blog.Dentro de dois meses chegar ao m o ano do quarto centenrio de Belm. Por coincidncia que deveria ser festiva, mas triste a capital dos paraenses, a 12 mais populosa cidade do pas (no 9 maior Estado da federao), escolher, amanh, o seu novo prefeito. Em qualquer das duas hipteses em jogo, no ser novidade alguma. Nem quanto a nome nem quanto a atitude. Belm continuar a sua trajetria de descaso e mediocridade, de acaso e violncia, de crescimento desordenado no rumo de um futuro difcil e perigoso. Na iminncia de perder de vez a condio de capital do segundo mais extenso territrio estadual do pas. At colocar a mquina pblica para funcionamento eleitoreiro, na abertura da temporada de caa ao voto, Zenaldo Coutinho era punido pelos muncipes com um elevado ndice de rejeio, acima de 50%. A maioria dos seus concidados o considerava pior do que o antecessor, Duciomar Costa. O falso oamologista, que fabricou o diploma do curso superior e s no foi punido porque a sentena condenatria na justia federal prescreveu (ou seja, perdeu a validade), parecia representar o fundo do poo. Mas agora se constata que no era. As principais obras apresentadas por Zenaldo para reivindicar mais um mandato foram mera continuao do que Duciomar comeou ou prosseguiu. Depois de ter criticado o antecessor pela possibilidade de haver super faturado as obras e ter-lhes dado uma deciente concepo, o prefeito tucano engoliu as palavras e tratou de executar o trabalho como o recebeu. A par tir desse momento, projetos criticados, como o BRT e a drenagem da Estrada Nova, passaram a ser cultivadas como carto de apresentao. Inclusive por Edmilson Rodrigues. Quando o ento petista assumiu a prefeitura de Belm, na qual mandou pelo mais longo perodo at ento, desde a revoluo de 1930, a gesto de Hlio Gueiros, adepto da maior liderana da repblica no Par, a de Magalhes Barata, que chegou ao poder derrubando os carcomidos da repblica velha, tambm era tida por alguns (no pela maioria, entretanto) como velharia, que precisava ser superada. Ao m dos dois mandatos, porm, o governo de Edmilson, bizarro por obras como o viaduto da Doutor Freitas (apelidado de tobog de car ros), era ironizado pelo alter-ego dos tucanos, o (tambm) arquiteto Paulo Chaves como administrao de 1,99, to de baixa qualidade eram as suas realizaes. Boa parte do eleitor belenense que ir amanh s urnas est se sentindo constrangido a escolher o menos pior, na esperana de no perder o seu voto e no contribuir para sagrar o mais pior. Outra parcela numerosa ir preferir car em casa ou votar em branco, quando no anular seu voto. O que sobrar dessa combinao de renncia e rejeio? Um voto de descrdito no futuro, atitude que tem o seu preo e cobrar a responsabilidade a quem contribui para esse panorama desastroso.O protesto barulhento da capital do barulhoBelm, uma das cidades mais barulhentas do mundo, tinha mesmo que protestar contra a deciso do Conselho Nacional de Trnsito, que na semana passada regulamentou a multa por causa de som alto dentro de carro. A novidade que quem for pego per turbando o sossego pblico pode ser multado, mesmo sem medio do volume em decibis. At ento, o Cdigo Brasileiro de Trnsito estabelecia um limite aceitvel de at 80 decibis a uma distncia de sete metros, e de 98 decibis a apenas um metro. Para serem aplicadas, as multas dependiam de um equipamento chamado decibilmetro. Agora, a autuao agora pode ser feita, independente do volume ou frequncia. Bastar o agente de trnsito registrar, no auto da infrao, a forma de constatao do fato gerador da infrao. A infrao continua considerada grave (5 pontos), com penalidade de R$ 127,69 (e R$ 196 a partir da prxima segunda-feira) e reteno do veculo. Ficaram de fora da nova regra as buzinas, alarmes, sinalizadores de marcha-a-r, sirenes, veculos de publicidade com caixas de som e carros de competio e entretenimento em locais permitidos pelas autoridades competentes. Um grupo de belenenses fez um ato de protesto ontem. Eles alegaram que a resoluo permite a aplicao da multa de uma forma aleatria, a critrio exclusivo do agente scalizador. Poderia haver arbitrariedades e os prejuzos para muitos seria inevitvel. No entanto, quem se sentir injustiado pode recorrer. Ademais, esse o mesmo critrio aplicado a todas as infraes de trnsito, que so arbitradas pelo agente designado para a tarefa. E a barulheira infernal, desrespeitosa e abusiva que existe no Brasil e se destaca em Belm precisa ser realmente combatida e eliminada. Excessos e erros podem ser corrigidos. O mais importante comear a eliminar esse terrvel mau hbito nas cidades.

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4 Nova multinacional em diculdadesErro de 1,8 biEm junho, a Eletrobrs cometeu um erro no clculo de indenizaes a que teria direito. O erro foi de apenas 1,8 bilho de reais, dinheiro que, eviden temente, seria repassado na surdina s contas dos consumidores de energia se o Tribunal de Contas da Unio no o tivesse detectado, na semana passada. Seis meses depois de cometido, o erro passara margem do Ministrio de Minas e Energia e da Aneel, a agncia reguladora do setor. Como diz o ttulo de um livro sobre crimes: quem vigia o vigia? E quem protege mesmo o cidado?Colunista social que vai em canaEm 1969, Zzimo Barroso do Amaral chamou a ateno da censura ao publicar uma nota sobre um general do alto escalo do governo militar. Acabou tornando-se o primeiro colunista social preso na histria do pas. Ao ver o smbolo da elite e do glamour do Rio adentrar sua cela, um dos intelectuais perseguidos pela ditadura exclamou: Os homens enlouqueceram! Eles agora esto prendendo eles mesmos!. Com esse excelente lead, Bolvar Torres comea uma destacada matria em O Globo sobre o lanamento da Enquanto houver champanhe h esperana), escrita pelo tambm jornalista social) Joaquim Ferreira dos Santos. Quase meio sculo depois do episdio, porm, o reprter no conseguiu ou no se interessou em dar o nome do personagem que provocou a desconcertante priso do ento colunista do Jornal do Brasil, que morreu em 1997, aos 56 anos. Desinteresse, falta de curiosidade ou incompetncia do jornalista? Ou para no antecipar a revelao, forando os leitores a adquirir o R$ 69,90 por que no logo 70?), mozinha que provavelmente o autor no precisava, sendo quem ? S lendo mesmo o livro, que dever chegar ao mercado nesta semana. gundo mandato de Lula, o BNDES par) subscreveu aes que lhe dariam se o banco estatal decidisse transfor mar em aes as debntures que adquiriu. Na poca, o grupo j era grande, faturando 4 bilhes de reais por ano, mas no tanto. A partir do ingresso do BNDES, a corporao avanou sobre o mercado internacional como uma das multina cionais brasileiras que o governo do PT induziria. No ano passado, as vendas da JBS chegaram a R$ 163 bilhes, dora de carne do mundo, cm presena nos cinco continentes. Na semana passada, o BNDES, que aplicou fermento na JBS, retirou-lhe a escada. Usando seu poder de veto, no aprovou a reorganizao societria promovida pelos donos da Wesley), que fora aprovada cinco meses antes. A alegao do banco que essa reorganizao implicaria na desnacionalizao da JBS, que pretendia transferir a sua sede para a Irlanda e de l abrir as portas para receber apor tes de capital estrangeiro. Os Batistas engoliram em seco o golpe, que lhes causou grande per da de valor nas bolsas, que reagiram imediatamente iniciativa da BNDESpar. Ficou nas entrelinhas a suspeita de um ato poltico, de retaliao a uma empresa patrocinada pelos governos Lula e Dilma. Mas se o governo Temer agiu dessa maneira, o fundamento pblico da providncia parece correta: poupana nacional encheu o caixa da JBS, dona da mar ca Friboi, para ser transferido para bolsos estrangeiros. A questo merece e exige ser aprofundada.O front da Petrobrs Como no podia deixar de ser, a Lava-Jato teve reper cusso negativa em setores da economia brasileira. Mas no a ponto de poder ser considerada um elo numa trama internacional para pilhar a riqueza nacional, em especial a petrolfera, abrindo o caminho do pr-sal para os estrangeiros. Duas empresas que formavam o car tel de 13 empreiteiras da Petrobrs esto conseguindo se safar das diculdades. A Toyo Setal, que foi a primeira a negociar um acordo de lenincia, nem chegou a ser proibida de participar de licitaes da Petrobrs, como as demais. J a holandesa SBM, que reconheceu o pagamento de propina para vencer concorrncia de plataforma, voltou a operar com a petrolfera no campo de Libra, na bacia de Santos. No entanto, at hoje apenas R$ 380 milhes roubados da Petrobrs foram devolvidos ao seu caixa, ainda no se sabendo quanto coube ao governo federal e quanto empresa.

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5 Ameaa que pesa sobre o distrito de BarcarenaMenos de duas semanas depois que representantes do poder pblico no Par e um grupo de sete empresas se comprometeram a realizar um trabalho indito no Par, fazendo a avaliao do conjunto de impactos e da interao, uma delas deu novamente causa a mais um acidente ambiental no distrito industrial de Barcarena, que tem como sede uma cidade de 115 mil habitantes, a 40 quilmetros de Belm. Na manh do ltimo sbado, mais um vazamento de caulim aconteceu no porto privativo da Imerys Rio Capim, atingindo a praia de Vila do Conde, a mesma que foi local da mais grave ocorrncia desse tipo at agora, exatamente um ano atrs: em outubro de 2015 o navio cargueiro Haidar afundou atracado e 400 bois vivos que iria transportar se afogaram, morreram e caram se decompondo nas guas do rio Par e na praia. A multinacional francesa Imerys disse ter noticado as autoridades sobre o acidente e removido o caulim que uma argila, usada na indstria cermica e de papel da praia e dos curso dgua, onde ainda podiam ser vistas as manchas brancas da poluio. Em maio de 2014, os ministrios pblicos estadual e federal constataram dois vazamentos de caulim da fbrica da Imerys. Acidentes ainda mais graves ocorreram com a alumina produzida pela Alunorte, vizinha da planta de caulim. O novo acidente refora a necessidade de acelerar as providncias para dotar Barcarena de um plano diretor. E as autoridades precisam ser mais rigorosos nas exigncias de cuidados ecolgicos e sociais feitas s empresas, A concentrao de atividades potencialmente poluentes ateno redobrada e cuidados especiais. As instalaes industriais, que beneciam minrios e produzem fertilizantes, alumnio e cimento, tm licenas ambientais individuais, mas nunca foram analisadas em conjunto. Com o acordo assinado no dia 17, os ministrios pblicos federal e estadual, Procuradoria-Geral do Estado, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade e Companhia de Desenvolvimento Econmico do Par nalmente investigaro os riscos e impactos do polo industrial. O objetivo do termo de compromisso primeiramente, avaliar a interao dos impactos de cada indstria. Esto em funcionamento trs fbricas de alumina e alumnio: Albras, Alunor te e Alubar; uma de caulim, a Imerys. Uma de cimento, a Votorantim; de fer tilizantes, a Yara, e de coque, a Oxbow. Essas empresas, que respondero pelo nanciamento de todos os estudos necessrios para a Codec realizar o trabalho, contrataro companhia idnea e capacitada, no prazo de 60 dias aps a assinatura do acordo, para elaborar o diagnstico socioambiental. Em uma audincia pblica, prevista para 90 dias, a populao de Barcarena fornecer informaes sobre os impactos gerados pela atividade econmica. At um ano aps a audincia pblica, a empresa contratada dever entregar os estudos de impactos sinrgicos completos e apresent-los aos moradores, em segunda audincia pblica. S depois dessa avaliao com participao popular que a Codec poder iniciar o processo de licenciamento ambiental do polo industrial de Barcarena. Nota divulgada pelo Ministrio Pblico Federal lembra que Barcarena tem um histrico de graves desastres ambientais, desde sucessivos vazamentos de minrio e evios industriais em cursos de gua at o naufrgio do navio Haidar, um ano atrs, que matou cinco mil cabeas de gado e contaminou praias do municpio. O termo de compromisso assinado ressalta que o Distrito Industrial de Barcarena nunca se submeteu a auditorias ambientais e que o polo causa graves impactos socioambientais, que atingem a sociedade civil que ali vive, acarretando grandes mudanas em suas culturas, modos de vivncia pessoal, relao com a natureza e tantos outras modificaes no quantificveis.Banco estrangeiroO banco espanhol Santander atua no mundo inteiro. ano foram obtidos no Brasil, onde seu lucro foi de 1,9 bilho de dlares no ltimo trimestre, com faturamento A comemorao s no foi maior porque houve perdas com a Sete Brasil, uma das empresas bichadas da Operao Lava-Jato. Criada para ser uma das grandes do pr-sal, a empresa est em recuperao judicial. Se sobrar para o Santander parte do prejuzo, no faltar gordura para o banco espanhol absorver.

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6 BNDES: a maior das caixas pretasO BNDES a maior caixa preta da repblica brasileira. Sob o pretexto de que a natureza dos seus negcios nanceiros o obriga a manter o sigilo nas operaes que realiza, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econmico e Social tem se recusado a abrir o seu caixa, inclusive a investigaes ociais, como a Operao Lava-Jato. No entanto, utiliza recursos vinculados ao Fundo de Participao PIS-PA SEP, ao Fundo da Marinha Mercante e a outros fundos especiais institudos pelo poder pblico, como o Fundo de Amparo do Trabalhador, o Fundo de Garantia Exportao, o Fundo Nacional sobre Mudana do Clima e o Fundo Setorial do Audiovisual. Contra ele investe novamente a OAB, atravs de um pedido de informaes encaminhado na semana passada atual presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques. Argumenta o presidente da seo nacional da Ordem dos Advogados, Claudio Lamachia ser direito da sociedade brasileira ter acesso aos dados relativos s operaes realizadas pelo BNDES, pois a impossibilidade de controle dos recursos oportuniza eventuais direcionamentos indevidos para recursos pblicos, como investimentos desvantajosos para a Administrao Pblica ou mesmo operaes ilcitas, em detrimento do Estado Democrtico de Direito e das instituies ptrias. A OAB diz que essa transparncia imprescindvel para inibir operaes indesejadas e permitir a eficaz atuao dos rgos de controle. Lembra que emprstimos concedidos pelo BNDES j foram alvo de questionamentos inmeras vezes, em virtude da falta de critrios, da concentrao em determinadas empresas e da disponibilizao de quantias vultosas a empresas comprovadamente envolvidas em esquemas de corrupo. Cita alerta feito pelo ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Tor quato Jardim, sobre a estreita ligao entre emprstimos concedidos pelo BNDES e doaes a campanhas eleitorais, ressaltando que empresas beneficiadas com volumosos emprstimos do Banco como frigorficos, empreiteiras, indstrias dos setores sucroalcooleiro e de papel e celulose doaram quantias milionrias para campanhas eleitorais de parlamentares. O risco maior porque as operaes so realizadas com elevada par ticipao de recursos pblicos e de que os emprstimos desfrutam de juros subsidiados pelo Tesouro Nacional, reforando a urgente necessidade de tor nar transparentes e acessveis sociedade os dados relacionados s referidas operaes, o que obrigao constitucional imposta Entidade. A OAB aponta como exemplo o fato de que os recursos aportados no BNDES, representando cerca de 98% do saldo de 639 bilhes de reais que as instituies nanceiras federais devem Unio, alm de terem origem no oramento scal da Unio, impactam diretamente a dvida bruta federal da ordem de R$ 4,5 trilhes, o que exige ateno e cuidado especcos, com scalizaes permanentes com o objetivo de analisar riscos e corrigir possveis desvios capazes de afetar o equilbrio das contas pblicas, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. A Ordem reconhece que o BNDES abre no seu portal dados sobre suas operaes, tais como nome do cliente, setor de atividade, objetivos do projeto, valor contratado, alm de informaes sobre os contratos do banco, a exemplo de taxas de juros, prazos de pagamento e garantias das operaes, fontes dos recur sos e prestaes de contas do banco ao rgo de controle. No entanto, a despeito do esforo despendido pela Entidade, os dados disponveis ainda so insucientes para conceder populao conhecimento efetivo sobre a real destinao dos recursos pblicos. Por isso, requereu a divulgao de dados completos sobre nanciamentos externos, operaes internas e parcerias com instituies estrangeiras realizados nos ltimos 10 anos, referente alocao de recursos pblicos, confor me listagem que apresentou.Os ultra-ricos e as suas cidadesQuase 15 mil pessoas possuam, no ano passado, patrimnio de pelo menos 30 milhes de dlares (mais de 100 milhes de reais) na Amrica Latina (com total estimado em 630 milhes de habitantes, incluindo o Caribe), segundo relatrio anual global sobre ultra-ricos, publicado pela consultoria Wealth-X. O Global Survey diz que das 10 capitais mundiais mais procurados por esses milionrios, trs esto na Europa, duas nos Estados Unidos, quatro na sia (trs delas na China) e uma no Oriente Mdio. Uma empresa imobiliria infor mou que entre os compradores de um luxuoso edifcio projetado em Miami pelo arquiteto uruguaio Carlos Ott, sete brasileiros zeram opes de compra de apartamentos de valorentre 4 e 8 milhes de dlares. Por que estas cidades so as preferidas por esses ricos latino-americanos? 1 Londres, 2 Nova York, 3 Hong Kong, 4 Cingapura. 5 Xangai, 6 Miami, 7 Paris, 8 Dubai, 9 Pequim, 10 Zurique.

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7 Lula, perseguido poltico?Ministrio Pblico quer DNPM agindoNa semana passada, o Comissariado da ONU para Direitos Humanos aceitou a representao formulada pelos advogados do ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva. Ele pediu que as Naes Unidas verique se o Estado brasileiro est respeitando ou no suas garantias polticas no curso das investigaes da Operao Lava-Jato. O pedido foi atendido trs meses depois de protocolado na sede da ONU, em Nova York, com base na Conveno Internacional de Direitos Polticos. O caso foi colocado na sequncia cronolgica desse tipo de solicitao. H mais de 500 frente dele, o que levou previso de que a ONU s comear a tratar da questo no segundo semestre do prximo ano. Mas o governo brasileiro, noticado, ter dois meses para prestar informaes. Os defensores de Lula no conseguiram que sua solicitao de urgncia fosse aceita. A tramitao ser normal, apesar da condio do requerente como ex-chefe de um governo estrangeiro. Qualquer que seja o encaminhamento do processo, o acompanhamento formal da questo pela ONU ser um novo frum para examinar, talvez agora num plano essencialmente tcnico, o enredo dessa novela. O objetivo imediato da petio de Lula dar-lhe a roupagem de perseguido poltico. pouco provvel que consiga realizar esse desejo. O ex-presidente est sendo investigado e denunciado (no mais do que isso, por enquanto) rigorosamente dentro da lei. A esmagadora maioria dos seus recursos, formulados regularmente e em aprecivel quantidade, contra atos da Polcia Federal, do Ministrio Pblico Federal e da justia federal tm sido rejeitados pelo Supremo Tribunal Federal. Logo, ele no pode se dizer vtima de arbtrio. Se ele conseguir demonstrar que procedimentos formais e mesmo direitos essenciais esto sendo violados, como poder obter numa corte internacional o que, pelas regras jurdicas de seu prprio pas, no tem esse reconhecimento? A ONU mandar o Supremo Tribunal Federal reticar suas decises? Decretar interveno no Brasil para o cumprimento do que conceder a Lula que represente claro desrespeito constituio brasileira? Lula e seus adeptos podem achar que deram um xeque-mate aos seus inimigos e perseguidores. Mas podem mesmo ter dado um tiro no p. O Departamento Nacional de Produo Mineral devia ter feito mas no fez a anlise do plano de segurana de uma barragem de conteno de rejeitos da Caulim da Amaznia, a mais antiga fbrica de caulim da Amaznia, que funciona em Almeirim, no Par, h quase 40 anos. O caulim uma argila utilizada na indstria cermica, de tinta e de papel. O Par o maior produtor nacional e um dos maiores do mundo. Por causa da omisso do rgo competente, o Ministrio Pblico Federal noticou o DNPM a cumprir a sua obrigao legal, dando-lhe prazo de 30 dias para apresentar a anlise do plano da barragem do Mirante I e II. Antes, em 20 dias, o rgo deve responder comunicao. Se a resposta no for apresentada ou for considerada insatisfatria, o MPF pode tomar outras medidas que considerar necessrias, e inclusive levar o caso Justia, segundo o documento, assinado pela procuradora da Repblica Fabiana Schneider. Alm de analisar o plano apresentado pela Cadam, o DNPM deve scalizar o cumprimento das medidas de segurana previstas e, em caso de descumprimento do plano, providenciar a punio dos responsveis. A iniciativa faz parte da Ao Coordenada Segurana de Barragens, criada pelo MPF para investigar as condies de segurana de 396 barragens de minerao em 16 Estados brasileiros. O objetivo evitar a ocorrncia de catstrofes como a ruptura da barragem de Fundo, em Mariana, que causou vtimas humanas e gravssimos danos ao vale do rio Doce, entre Minas Gerais e Esprito Santo.

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8 PromiscuidadeA fora-tarefa da Operao LavaJato acusa o ex-ministro e ex-deputado federal Antonio Palocci, do PT, de ter recebido 128 milhes de reais de propina da Odebrecht para intermediar interesses da empresa junto aos governos petistas, nos quais sempre teve um p. O outro estava numa empresa de consultoria que ele criou para na melhor das hipteses fazer lobby. Certamente no ganharia tanto dinheiro se no tivesse estado no topo do poder em boa parte dos 13 anos de Lula e Dilma. Mas se culpado, Palocci no est sozinho nessa situao. A quarentena de ocupantes de cargos de conana ou de mandatos eletivos para ingls ver. Apesar da comisso de tica do governo (ao que parece, s o federal), o perodo de hibernao curto, falho ou inexistente. O mais grave, porm, o uso de informaes privilegiadas por parte de quem troca a administrao pblica pela iniciativa privada. O controle nenhum nesse aspecto. Da as histrias de sucesso de gente como Palocci e equivalentes, os condestveis da repblica.Tesouro no exteriorEm dois anos, o Ministrio Pblico da Sua bloqueou 800 milhes de dlares depositados em mais de mil contas de titulares brasileiros. Desse total, US$ 190 milhes foram repatriados para o Brasil. A proporo equivale ao imposto de renda que esses cidados de colarinho branco teriam que pagar se quisessem devolver o dinheiro ao pas. O dado leva a pensar se ao invs de fazer tratativas com esses maus brasileiros, o governo no faria melhor os tratando por bandidos e recorrendo aos pases para os quais eles transferiram suas fortunas na busca pelo tesouro escondido?Quem car na cela da Polcia Federal?Talvez entre o nal deste ano e o incio do prximo no restem mais na priso nenhum dos polticos condenados e presos por participao no escndalo do mensalo, que eclodiu em 2005. Ontem, depois de idas e vindas nas interpretaes do procurador geral da repblica e do relator do processo no Supremo Tribunal Federal, que negaram e voltaram atrs, concedendo, anal, o benefcio, o principal participante dessa histria foi alcanado pelo indulto natalino do ano passado. O ministro Lus Roberto Barroso anulou a pena de quase 8 anos de recluso, por corrup o, que o prprio STF aplicou a Jos Dirceu, super-ministro no governo Lula. Barroso acabou convencido por Rodrigo Janot, ambos mudando o entendimento inicial que manifestaram nos autos, caber o benefcio do indulto natalino a Dirceu, que se enquadrou em alguma das pr-condies do ato. O mesmo favorecimento j alcanara Jos Genono, ex-deputado do PT, e Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL. Jos Dirceu se incorporou legio dos indultados porque os delitos pelos quais foi punido ocorreram dois dias apenas antes de ser preso em funo do mensalo. Ele s no foi solto imediatamente porque est sendo investigado por crimes semelhantes aos de antes pela Operao Lava-Jato. Apesar dessa deciso, o ministro ainda se permitiu declarar que h uma intensa demanda na sociedade por um endurecimento do direito penal. Ele acredita que esse direito pode ser moderado, desde que seja srio. De que maneira, s atravs de debate pblico. Mas alertou logo que um direito penal mais duro sair mais caro para o Estado. A sociedade brasileira dever estar ciente de que o aumento da efetividade e da ecincia do sistema punitivo exige o aporte de recursos nanceiros substanciais, advertiu. Talvez se sua excelncia perguntasse ao povo brasileiro se ele est disposto a pagar mais para que sejam efetivamente cumpridas as penas aplicadas a criminosos, depois do devido processo legal, com amplo direito de defesa e plenas garantias constitucionais, a resposta seria positiva. E mais positiva ainda no caso de quem rouba o dinheiro pblico e se vale de cargo no poder para enriquecimento ilcito. O povo certamente no aprova que a presidente da repblica, ao assinar o indulto natalino de todos os anos, para favorecer quem for merecedor desse amparo, no tenha o cuidado de excluir quem roubou no exerccio da administrao pblica, muito bem remunerada (pelo povo) nos escaninhos superiores do poder. Excluindo quem, enquadrado nessa condio, seu cor religionrio, partidrio, companheiro ou amigo. Para que o povo, a quem o nobre ministro dirigiu sua catilinria, no conclua que tudo se transforma numa ao entre amigos, comemorada com muita pizza.Colarinho brancoMilionrios brasileiros podem ter transferido ilicitamente para o exterior 180 bilhes de dlares, o equivalente a quase 600 bilhes de reais. o dinheiro que a operao de repatriao tentou alcanar. Esse dinheiro daria para cobrir todo dcit scal previsto para este ano, incluindo os juros, e ainda deixaria um bom troco. O que d uma dimenso do sentido de nnacionalidade da elite nacional.

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9 De onde vir o investimento? Impacto da Lava-Jato de R$ 142 bilhesA crise brasileira to grave que se tornou contraproducente perder ener gia com o debate sobre quem o culpado ou quem o benecirio dessa situao. O tempo passa e mais negativo do que a prpria situao marcar passo em confrontos ideolgicos ou com perdo da palavra teratolgicos. O momento de enfrentar os problemas. Um deles a Operao Lava-Jato. Os brasileiros agiro corretamente impedindo uma volta ao passado a pretexto de que ela uma nova verso da falsa moral udenista e de que est travando o desenvolvimento do pas, alm de ser inspirada pelos exploradores de sempre do Brasil e servir a egos monstruosos, ou a um mero acerto de contas com o maior lder poltico do pas, Lula, que s no ser presidente de novo em 2018 se seus incansveis perseguidores no forem contidos. O Brasil precisa saber com preciso o que a fora-tarefa federal de Curitiba ainda pode fazer e as metas a alcanar para delimitar o ponto de saturao em relao ao esquema de corrupo na Petrobrs. Outros podem ser abertos para sanear pontos de sangria nanceira da administrao pblica, como BNDES, fundos de penso e sistema Eletrobrs. Sem que essas ofensivas impeam as empresas de voltar a funcionar regular mente, sob um novo cdigo de conduta. Esta ser a maior tarefa dos advogados comprometidos com a causa pblica. Eles equilibraro o campo de ao, dominado pelos grandes escritrios de advocacia, a servio dos mais ricos. Segundo as estimativas ociais, o investimento pblico neste ano ser de 0,5% do PIB, trs vezes menos do que foi em 2014, quando o governo gastou o que podia e o que no podia (nem devia) para garantir a reeleio da presidente Dilma Rousse. Se muito, 2017 ser igual. E pelo jeito no se voltar ao nvel mnimo de desenvolvimento pelos prximos 20 anos, segundo a previso oramentria do governo (necessria como instrumento nanceiro, mas capenga por no estar associada a um planejamento de longo prazo). Se o Estado investir pouco, de onde sair o dinheiro para a retomada do crescimento do pas? Com mais endividamento pblico? Com a atrao de poupana externa? Ou oferecendo atraes saudveis ao investimento da iniciativa privada nacional? A resposta no fcil. O insucesso (ao menos at agora) do programa de repatriao de capital que saiu ilegalmente do pas mostra que os maiores capitalistas ainda preferem continuar com seu dinheiro fora do pas. Ou por que permanecem viciados a esquemas antigos de corrupo ou porque os capitalistas ainda no acreditam no novo Brasil que ser novo vom ou sem eles? Tantas perguntas, to poucas respostas. A Operao Lava-Jato j provocou um impacto de 142 bilhes de reais na economia brasileira, o equivalente a 2,5% do PIB. O clculo de Gesner Oliveira, scio-diretor da consultoria GO Associados. Ele foi o primeiro economista a estimar o efeito da ofensiva anticorrupo desencadeada em Curitiba pelo Ministrio Pblico Federal e a Polcia Federal, com o suporte do juiz federal Srgio Moro. Gesner, que costumava publicar bons artigos na imprensa, fala com a autoridade de ter sido presidente do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econmica, o rgo federal de combate a cartis. Sua avaliao foi citada por Angela Bittencourt, reprter especial da Gazeta Mercantil. A referncia foi feita a voo de pssaro, como se dizia antigamente. Mas exigia um pouco demorado na anlise do fundamento metodolgico para esse clculo. Se ele consistente (e deve ser), devia estimular uma anlise sobre informao com um elevado grau de importncia. Os adeptos da teoria conspiratria podem ver a o dedo do gigante: tal prejuzo econmico seria a prova de que a Lava-Jato foi criada mesmo l fora, certamente nos Estados Unidos, para servir de cunha para a penetrao das empresas estrangeiras, sobretudo americanas, no mercado nacional, com maior apetite sobre o pr-sal. Mas pode-se encarar esse nmero chocante por outro prisma: o da selvageria de integrantes da elite nacional e de uma situao que favorece o saque ao dinheiro pblico. Como que nem uma centena de pessoas consegue abalar a economia de um pas com mais de 8,5 milhes de quilmetros quadrados e 200 milhes de habitantes? O efeito dessa informao leva a outra questo: se no existisse a LavaJato, o prejuzo deixaria de haver ou apenas continuaria oculto, disfarado, colocado para baixo do tapete? Para responder a essa indagao seria preciso separar os prejuzos para trs e para frente, a partir do incio da operao, que causou danos s 16 empreiteiras do cartel da Petrobrs e suas teias de relaes. Com a revelao das tramas criminosas para superfaturar os contratos dessas empresas com a estatal do petrleo, a iniciativa privada recuou e freou seus investimentos. Mas continuam intimidadas pela ofensiva moralista ou j superaram esse impacto inicial? As relaes entre elas e o Estado caro mais saudveis e rendero mais? Os rgos de representao da sociedade, inclusive e em particular a imprensa deviam comear uma anlise objetiva e positiva para que o pas d esse passo necessrio para retomar o crescimento, criando empregos para quem chega pela primeira vez ao mer cado de trabalho, recuperando os 7% de encolhimento do PIB nos ltimos dois anos e voltando a trilhar um caminho saudvel na busca de uma ptria melhor para todos.

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10 Belm a 26 cidade mais violenta do mundoQuando alguma estatstica de maior credibilidade divulgada, o belenense toma um choque: a sua cidade mesmo uma das mais violentas do mundo. Ele procura ento explicaes para esse fato, mas geralmente nada encontra. Sofrese cotidianamente de uma violncia j sem parmetros, mas pouco se sabe ou se tenta saber sobre ela. A omisso clamorosa, criminosa, Um artigo que escrevi no meu blog teve pelo menos o mrito de provocar um debate, no qual uns poucos inter locutores se manifestaram, trazendo informaes e interpretaes para uma melhor abordagem do tema, que reproduzo. Belm a 26 cidade mais violenta do mundo, a 9 do Brasil e a 3 da Amaznia, segundo o le vantamento divulgado no incio da semana pelo Conselho Cidado para a Segurana Pblica e a Justia Penal, uma ONG mexicana. Das 50 cidades com maior taxa de homicdios por 100 mil habitantes registrados no ano passado, 21 so brasileiras, todas com populao acima de 300 mil habitantes. A primeira das cidades brasilei ras do ranking Fortaleza, em 12 posio. As quatro em seguida so todas do Nordeste: Natal (a 13), Salvador (14), Joo Pessoa (16) e Macei (18). A entram as cidades da Amaznia Legal: So Lus, que tambm Nordeste (21), Cuiab (22), Manaus (23) e Belm (26). A outra cidade violenta da regio Macap (48 do continente). A sequncia de cidades brasileiras violentas tem Feira de Santana (27), Goinia (29), Teresina (30), Vitria (31), Vitria da Conquista (36), Recife (37), Ara caju (38), Campos dos Goytacazes (39), Campina Grande (40), Porto Alegre (43), Curitiba (44). So 11 cidades violentas do Nordeste, cinco da Amaznia, duas do Sudeste e Sul, e uma do Centro-Oeste. No caso de Belm, registre-se que ela a 12 capital mais populo sa do Brasil. E que a proporo de homicdios coincide com a mdia nacional., de 45,5 homicdios por 100 mil habitantes. Das 50 cidades mais violenAmrica Latina: 21 no Brasil, 8 na Venezuela, 5 no Mxico, 3 na Colmbia, 2 em Honduras, uma em El Salvador e na Guatemala.CIDADES MAIS VIOLENTAS DO MUNDO1 Caracas (Venezuela) 119.87 homicdios/100 mil habitantes 2 San Pedro Sula (Honduras) 111.03 3 San Salvador (El Salvador) 108.54 4 Acapulco (Mxico) 104.73 5 Maturn (Venezuela) 86.45 6 Distrito Central (Honduras) 73.51 7 Valencia (Venezuela) 72.31 8 Palmira (Colmbia) 70.88 9 Cidade do Cabo (frica do Sul) 65.53 10 Cali (Colmbia) 64.27 11 Ciudad Guayana (Venezuela) 62.33 12 Fortaleza (Brasil) 60.77 13 Natal (Brasil) 60.66 14 Salvador e regio metropolitana (Brasil) 60.63 15 ST. Louis (Estados Unidos) 59.23 16 Joo Pessoa; conurbao (Brasil) 58.40 17 Culiacn (Mxico) 56.09 18 Macei (Brasil) 55.63 19 Baltimore (Estados Unidos) 54.98 20 Barquisimeto (Venezuela) 54.96 21 So Lus (Brasil) 53.05 22 Cuiab (Brasil) 48.52 23 Manaus (Brasil) 47.87 24 Cuman (Venezuela) 47.77 25 Guatemala (Guatemala) 47.17 26 Belm (Brasil) 45.83 27 Feira de Santana (Brasil) 45.50 28 Detroit (Estados Unidos) 43.89 29 Goinia e Aparecida de Goinia (Brasil) 43.38 30 Teresina (Brasil) 42.64 31 Vitria (Brasil) 41.99 32 Nova Orleans (Estados Unidos) 41.44 33 Kingston (Jamaica) 41.14 34 Gran Barcelona (Venezuela) 40.08 35 Tijuana (Mxico) 39.09 36 Vitria da Conquista (Brasil) 38.46 37 Recife (Brasil) 38.12 38 Aracaju (Brasil) 37.70 39 Campos dos Goytacazes (Brasil) 36.16 40 Campina Grande (Brasil) 36.04 41 Durban (frica do Sul) 35.93 42 Nelson Mandela Bay (frica do Sul) 35.85 43 Porto Alegre (Brasil) 34.73 44 Curitiba (Brasil) 34.71 45 Pereira (Colmbia) 32.58 46 Victoria (Mxico) 30.50 47 Johanesburgo (frica do Sul) 30.31 48 Macap (Brasil) 30.25 49 Maracaibo (Venezuela) 28.85 50 Obregn (Mxico) 28.29O DEBATELFP Cad a UFPA, a Uepa, a Unama, o Cesupa e demais instituies superiores de ensino, alm da OAB e congneres? Hernani Filho Que eu saiba, h muita maquiagem ultimamente nos nmeros da violncia no Estado, nesse ponto, creio que o Par melhorou e muito. Mas tem gente que no acredita, que intriga da oposio. E que diz que anda com relgio, cordo de ouro e iPhone tranquilamente nas ruas de Belm. Jos Silva Aumentando bastante o nvel da conversa, aqui esto os nmeros de homicdios em Belm por 100.000 habitantes. Esse o indicador usado para classicar a cidade como violenta ou no pela ONG mexicana. Somente consegui dados desde 1999 (http://www.deepask.com/goes?page=belem/PA-Confira-a-taxa-de-homicidios-no-seu-municipio). Com a srie histrica ca melhor ver se h algum padro:

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11 Edmilson 1999: 15.08 2000: 25.93 2001: 26.99 2002: 31.75 2003: 33.72 2004: 29:60 Duciomar 2005: 44.67 2006: 33.88 2007: 34.19 2008: 46.98 2009: 44.80 2010: 54.90 2011: 40.49 2012: 45.59 Zenaldo 2013: 48.53 2014: 53.06 2015: 45.83 Segundo esses nmeros (se os dados so realmente dedignos): 1. A violncia explodiu com o Edmilson (saindo de 15 para quase 30) 2. Atingiu o pico com o Duciomar (54.90 em 2010) 3. Zenaldo manteve o padro alto do Duciomar. Qual a sua interpretao? Sou Daqui Nmeros? Para que nmeros? Voc lana nmeros, mas descona que a polcia anda matando demais e quer ver a qualidade da situao. Tambm pode ser culpa dos nossos patrcios portugueses, que tiveram a ousadia de chegar aqui em 1616. Talvez isso seja o bero da violncia. ..Cad a UFPA, a Uepa, a Unama, o Cesupa e demais instituies superiores de ensino, alm da OAB e congneres?. Para esses um grande kkkkkkkk tirando Unama e Cesupa, que por serem particulares (paga quem quer e pode), os outros tudo aparelhado, tanto esquerda, centro ou direita. Vide nosso ltimo reitor. Z, Sua luta por uma anlise formal e isenta inglria. Jos Silva Ontem [dia 28], o Edmilson citou a posio de Belm como uma das mais violentas do mundo. O Zenaldo ento rebateu tuas estatsticas no so conveis. Se fosse inteligente, o Edmilson iria aproveitar a oportunidade nica e arrasar e dizer que Belm est assim justamente porque o prefeito atual no leva em conta as estatsticas e vive como se estivssemos no pas das maravilhas. O que aconteceu? Nada. O Ed se enrolou com os argumentos e perdeu uma grande chance de demonstrar a mediocridade do Zenaldo. O debate todo foi de uma mediocridade terrvel. Nenhum dos dois apresentou uma viso de cidade. Enm, os nmeros de homicdios so baseados nas certides de bito e or ganizadas pelo ministrio da sade. No tem nada a ver com registros policiais. No tem jeito. Voto nulo ou branco para prefeito. LFP Os paraenses e, em particular, os belenenses gostariam muito de uma vericao das estatsticas. Por um motivo: quem acha, por seu dia a dia, que a violncia diminuiu em Belm? Jos Silva importante notar que a ONG mexicana mede violncia pela taxa de homicdios. H outros elementos da segurana pblica que no so avaliados no ranking. Portanto, h necessidade de um ndice mais completo. De qualquer modo, as questes relevantes so: 1. taxa de homicdios caiu de 2014 para 2015? Sim. 2. Essa queda indicio de melhora ou apenas uma utuao ao acaso? No sei. Pois j caiu de forma similar no passado (de 2010 para 2011, por exemplo). Precisamos aguardar os anos seguintes. 3. A taxa de homicdios caiu signicativamente para colocar a cidade no nvel de segurana similar a 1999? claro que no. 4. possvel fazer a violncia cair ao nvel de 1999? Sim. 5. possvel atingir o nvel de violncia de 1999 com os dois candidatos atuais? Obviamente que no. Os dois mantiveram mdias muito altas nos seus respectivos governos. E, por m, 6. As estatsticas postadas indicam que Belm segura para andar na rua com os seus relgios de ouro e outros penduricalhos? Precisa responder? 7. A sensao de insegurana pblica a nova norma comportamental em Belm? Sim, desde 2000, quando a taxa de homicdios cresceu quase 58% em um ano. LFP Quem manda na cidade so os criminosos, no os homens pblicos. A inconstncia da estatstica induz a essa concluso.Mais R$ 65 bi na conta de luzOs consumidores da energia transmitida pela Eletronorte em toda Amaznia vo ter uma novidade desagradvel a partir de julho do prximo ano: eles vo ter que comear a pagar uma indenizao de quase 65 bilhes de reais (o equivalente a quatro vezes a receita lquida do Estado do Par) subsidiria da Eletrobrs para a regio. O dbito, resultado do investimento no ressarcido realizado pela Eletronorte na rede bsica de ener gia existente e demais instalaes de transmisso, ter que ser quitado em parcelas mensais ao longo de oito anos. Em 2017 o valor a abater ser de R$ 11 bilhes, que sero pagos a mais na tarifa de transmisso que entrar em vigor em 1 de julho, sendo R$ 5,9 bilhes referentes primeira das oito parcelas do dbito acumulado de R$ 35,8 bilhes entre 2013 e 2017. Outros R$ 5,1 bilhes correspondem ao valor que ser cobrado no ciclo tarifrio 2017-2018, e que dever se estender pelo prazo de seis a sete anos, durante o perodo de vida til residual dos equipamentos da empresa.

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12 A programao dominical da Rdio Clube do Par, a PRC-5, a lder de audincia, que comeava s seis da manh e ia at meia-noite, em 1957, tinha atraes como A Hora do Garoto Sabido e Clube do Guri (no auditrio da Aldeia do Rdio, no Jurunas, A Voz Secundarista, Rdio Universitrio, Crnica Social, Programa de Sandra Suely, Carn Social, Jornada Esportiva Gilette, A Sorte Encontrou o seu Endereo (diretamente da travessa Piedade), A Voz de Portugal, Resenha esportiva de Edir Proena. Meio da tarde do nal de 1960. Atraca no porto de Belm o navio Raul Soares, um dos paus de arara martimos do Lide Brasileiro, empresa de navegao do governo federal. Descem 873 arigs, famlias inteiras de nordestinos, quase todos cearenses, que embarcaram em Fortaleza. Alguns com sua viagem custeada pelo antecessor do atual Incra, empenhado em colonizar a Amaznia, e outros por conta prpria. Em terra, agrupavam-se em famlias na praa do cais, espera de transporte e acomodao adequada. Crianas em elevado nmero invadiam o Boulevard [Castilhos Fran a ] cata de esmola e ajuda, para sua locomoo rumo ao hinterland da Amaznia, observou o jornalista. Revelaram ao reprter no ter rumo certo. Qualquer destino lhes convm, contanto que desfrutem de meios que lhes possibilite subsistir. Armam que o Nordeste, qualquer que seja a poca, pouco facilita a sobrevivncia econmica do homem. Por isso, mesmo j no tendo um motivo catalizador no destino, continuavam a procurar a fronteira com a esperana de fugir das causas que o tangiam imigrao sofrida. Ento como ainda hoje.Em 1963, Abelardo Ks fez pela imprensa o seguinte repto ao irmo, Odorico Ks Filho, que era ento o responsvel pelo Laboratrio Ks: Repto-o a que torne realidade a ameaa de que foi portador o dr. Otvio Melo, de tornar pblica minha vida particular, desde a infncia, no caso de eu no concordar com a partilha dos bens de nosso pai Odorico Antonio de Ks.Em 1965, Belm tambm aderiu campanha da solidariedade em benefcio das famlias dos funcionrios locais da Panair, a empresa de aviao que o governo do marechal Castelo Branco extinguiu fora, por associ-la ao governo deposto de Joo Goulart. Em nota pblica, os cinco integrantes da comisso agradeceram s contribuies e informaram que a Tgide comunicara a chegada a Belm dos cinco carros Volkswagen que seriam sor teados. A Panair era a melhor empresa de aviao e certamente foi a mais querida pelos brasileiros. No nal de 1967, o deputado federal Gabriel Hermes deu o seu depoimento sobre a abertura de uma nova frente econmico. Ele acompanhou o governador Alacid Nunes e engenheiros do DER (Depar tamento de Estradas de Rodagem), de teco-teco, at o quilmetro 80 da estrada (a atual BR-222) que ligaria Belm a Marab. Faltavam ainda 140 quilmetros para atingir seu ponto nal. A nova estrada No Rio de JaneiroEm 1957 os Constellations da Panair (os mais modernos avies da poca) que chegassem (ainda) capital da repblica (provenientes inclusive de Belm) passariam a pousar no aeroporto Santos Dumont, em pleno corao do Rio de Janeiro, economizando em tempo e ganhando em paisagem de chegada mais bela cidade do pas.

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13 comeava no quilmetro 340 (a partir da capital paraense) da Belm-Braslia. Gabriel, que fora presidente do Banco da Amaznia e por 40 anos da Federao das Indstrias do Par, saudava a nova ligao at uma regio que estava antes sujeita aos perigos dos rios e suas corredeiras, que tantas vidas e bilhes de cruzeiros destruram em bens e barcos perdidos. Era a navegao pelo rio Tocantins, sujeita s cheias e s estiagens, que o tornavam no navegvel ou muito perigoso nos trechos encachoeirados.POLCIAAlguns registros da central de polcia em 1968: Quatro mundanas foram presas porque, alcoolizadas, promoviam desordens na zona do meretrcio. Outras duas, uma delas de 17 anos, mas identicada pelo nome completo, praticavam as mesmas desordens na Cremao. Uma mulher se queixou da vizinha, que a ofendeu com palavras de baixo calo e, por isso, foi detida. Por motivo semelhante, mas por ter desrespeitado uma lha menor da queixosa, Italo Mazzini foi parar no xilindr. Crimes assim eram punidos com priso, que acabava sendo a extenso dos lares e das ruas. E hoje, com assassinatos extremamente violentos, qual seria a pena?CINEMASEm 1969 ainda funcionavam 10 cinemas de rua em Belm: Olmpia, Nazar, Iracema, Palcio, \independncia, Guarani, Paraso, Vitria, Moderno e pera (antes da fase porn).HOSPITALEm 1972 havia 800 pacientes internados no Hospital Juliano Moreira, que s dispunha de 300 vagas. Fundado em 1895 para abrigar doentes mentais (tratados ento como loucos), no recebera qualquer reforma desde ento. Muitas das suas paredes estavam escoradas e a capela desabara. E assim continuou at vir abaixo, quando, nalmente, surgiu um hospital novo. Nessa poca o Juliano era o nico em todo Par, mantido pelo poder pblico.Em 1973, ano em que foi criada a Eletronorte (a ltima das subsidirias da Eletrobrs, concebida durante o primeiro choque do petrleo para atuar na Amaznia) o governo federal examinava a possibilidade de construir hidreltricas em 26 rios da regio, permitindo em 11 deles a identicao de locais em condies favorveis. O Potencial estimado de gerao de energia era de cinco milhes de kw, menos da metade da capacidade instalada na usina de Belo Monte, no Xingu. Era o que dizia um relatrio do ministro do planejamento, Reis Veloso, ao presidente da repblica, o general Garrastazu Mdici.A difcil televisoApenas meio sculo atrs, ter um aparelho de televiso exigia dos pretendentes menos afortunados recorrer a consrcios, que vendiam televisores como hoje se vendem automveis. Um dos maiores consrcios era o da Radiolux, que entregava dois aparelhos de cada vez mensalmente. Um dos felizardos assina o recibo de entrega sobe o robusto receptor de imagens, com seu vistoso mvel. Atravs da TV, ele e seus filhos teriam diverses salutares e conhecimentos diversos do mundo inteiro.

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: CEP: 66.053-030E-mail: lfpjor@uol.com.br www.jornalpessoal.com.br Blog: Jornalismo econmico Esta Crivella perdeuGrande imprensaA revista Veja no ter que reservar a capa de sua mais nova edio para publicar direito de resposta de Marcelo Crivella. Em deciso proferida no dia 28,dois dias antes de Crivella disputar a prefeitura do Rio de Janeiro, o ministro Teori Zavascki brecou, no Supremo Tribunal Federal, mais uma tentativa de censura imprensa atravs da justia. Desta vez, requerida pelo bispo licenciado (e poltico militante) da Igreja Universal do Reino de Deus. Zavascki suspendeu a deliberao do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que na vspera aceitara o pedido feito pela coligao de apoio ao republicano contra a revista da editora Abril. Diferentemente do entendimento do juiz Marcello Rubioli, o ministro do STF armou que a matria publicada pela revista era o exerccio de atividade jornalstica e no propaganda difamatria, como queria Crivella. Para o relator no STF, a deciso da justia eleitoral carioca colidia com o direito liberdade de expresso. Acolheu os argumentos da Abril, em especial o de que a ordem de retirada de contedo jornalstico tem carter de censura estatal, lembrando que o juiz singular chegou a ordenar que a revista recolhesse os banners espalha dos pela capital uminense anunciando a reportagem sobre Crivella, com fotos feitas no momento em que ele foi chado pela polcia, em 1990. A capa da revista foi produzida especialmente para os leitores do Rio de Janeiro. A reportagem revela o material que o candidato escondia h 26 anos, temendo que pudesse prejudicar seus projetos polticos. Na sua deciso, Zavascki incorporou declarao de 2014 do seu colega de corte, Gilmar Mendes, preocupado com o que acontece com a imprensa em perodos de eleio: O prprio TSE j demonstrou preocupao com a possibilidade de cerceamento da imprensa escrita durante o processo eleitoral. No s durante eleies, alis o que uma efetiva ameaa democracia brasileira. Ao completar 16 anos, Valor Econmico se tornou pro priedade de uma nica empresa, a Globo dos Marinhos. A Folha de S. Paulo, que integrava a sociedade, com metade das aes, se retirou, sem explicar o motivo. Talvez por insucincia de capital, diante das diculdades que enfrenta no seu negcio prprio. A Globo ter condies de enfrentar sozinha o desao ou vai recorrer a novo parceiro, quem sabe, no exterior? O Valor editado em So Paulo, pode ser considerado o melhor jornal brasileiro no momento. Mesmo especializado em economia, trata muito bem de poltica e de outros assuntos. Parece anado com a melhoria editorial de O Globo o jornal dos Marinhos no Rio de Janeiro e origem do seu poderio, hoje mais forte na televiso. Valor est se aproximando dos melhores momentos da Gazeta Mercantil, o mais importante jornal econmico do Brasil, que implodiu pela megalomania do dono, Fernando Levy, lho de Herbert Levy, e por imoderao da redao. Ser uma grande perda para o pas se Valor no conseguir manter sua trajetria. Foi na Gazeta Mercantil que tive meu ltimo contato com a grande imprensa nacional, 15 anos atrs. Fernando Levy e Pimenta Neves (bem antes do lamentvel episdio do assassinato da namorada) me convidaram para ser o diretor da sucursal que o jornal iria instalar em Belm para cobrir toda Amaznia. Tomei posse diante deles, em Braslia. noite, um chefe da sucursal local que me levou ao hotel, me manteve numa conversa de iniciao enquanto consumia doses de usque. Ao nal, mandou o garom me apresentar a conta (nada bebi) e me orientou a apresent-la para ressarcimento. Era a prtica rotineira. Neguei-me a seguir a orientao. Nunca apresentei uma conta dessas a qualquer das empresas em que trabalhei. Ressarcimento s para hospedagem, alimentao e as despesas de trabalho. Nunca uma prestao de contas minha foi recusada. O colega cou com raiva, mas teve que puxar seu car to para quitar a despesa. Assumi o cargo no dia seguinte, num conjunto de salas no edifcio Comendador Pinho, no centro antigo da cidade. Tinha secretria, oce-boy e a estrutura jornalstica. Logo percebi a enrascada em que me metera, depois de quase 15 anos no jornal-do-eu-sozinho, sem peias nem amarras. Dois dias depois pedi demisso. Quis colocar o Raimundo Jos, meu irmo, no meu lugar, no por ser meu irmo, mas por ser competente. Aceitaram-no, mas para chefe de reportagem. A diretora veio de Braslia. A sucursal durou, mas no tanto quanto podia. A Gazeta nem tanto.

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15 O signicado de Belo MonteA hidreltrica de Belo Monte, no rio Xingu, est completando cinco meses de funcionamento. Custou at agora 32 bilhes de reais. Mais de dois teros desse dinheiro foi fornecido pelo BNDES com subsdio. O juro pago pela concessionria da obra, a Norte Ener gia, bem menor do que o de mercado e abaixo mesmo da remunerao dos ttulos pblicos federais, que o tesouro nacional transferiu para o banco federal poder viabilizar a usina. Com isso, abriu um buraco nas contas do gover no. O dcit para este ano est previsto para chegar a 170 bilhes de reais. O juros da dvida, R$ 420 bilhes. A parte socioambiental do projeto passou de 10% do oramento da hidreltrica. Com R$ 3,5 bilhes, o maior investimento social e ambiental de uma obra desse tipo no Brasil, talvez das maiores do mundo. Mas qual o seu efeito real e significado efetivo para a regio que dele devia se beneficiar? Quase meio bilho de reais foram aplicados no saneamento bsico, mas a rede de gua e esgoto no foi ligada s casas porque nem o Estado nem o governo estadual se entendem sobre quem deve ser o responsvel por essa parte do servio. O hospital, o maior de toda a regio da Transamaznica, tambm est pronto e no funciona. Se os polticos estivessem ligados a esse processohistrico, deviam organizar uma expedio a srio ao local e transformar a situao no que ela : um escndalo. E a perda de uma opor tunidade nica, que j est passando, enquanto a usina avana, indiferente a 25 questionamentos na justia.Qual futuro?Nos anos 1970, do milagre econmico do regime militar, com taxa de crescimento anual do PIB em dois dgitos, os investimentos chegaram a 1,9% do Produto Interno Bruto. Em 2014, ano da reeleio de Dilma Rousse, bateram em 1,3%. No ano passado caram para 0,54%, menos de 35 bilhes de reais (apenas o dobro da receita prpria de um Estado rabo de la, como o Par). Quanto tempo ser necessrio para que a taxa de investimento seja compatvel com a incorporao de novos trabalhadores ao mercado, recuperao dos empregos perdidos, eliminao da perda (de 7%) di PIB nos ltimos dois anos e retomada de um crescimento compatvel com as riquezas do Brasil? Pelo pas passou o furaco Dilma Rousse.Hemorragia de dinheiro simplesmente inacreditvel: o dcit scal do setor pblico previsto para este ano de 170 bilhes de reais. um valor chocante. Mas se incluir os 430 bilhes que o governo deve de juros, subir para R$ 590 bilhes de reais. A dvida total dos governos de $$ 4,2 trilhes. O PIB de R$ 5,6 bilhes. Os nmeros retratam a falncia da administrao pblica. E o seu ponto nevrlgico, o nervo exposto e lancinante, o custo nanceiro. Sem enfrent-lo, o saneamento das contas pblicas vai levar dcadas.Privilgio odiosoJornal glidoImprensa e democraciaNa nota de primeira pgina em que anunciou a sada do scio no Valor Econmico na semana passa da, o grupo Globo disse acreditar em quatro pilares que sustentam uma sociedade que se quer saudvel e justa: a democracia, a repblica, a livre expresso e o livre mercado. J os princpios do bom jornalismo seriam a busca incessante pela iseno e pela correo. Com essa prtica, a imprensa daria a sua decisiva contribuio para a democracia brasileira. A plataforma boa. O que falta execut-la plenamente, para valer. A edio de domingo retrasado da Fo lha de S. Paulodestinada aos leitores de So Paulo e do Distrito Federal foi concluda s 22,45 horas de sbado. A do seu maior concorrente, O Estado de S. Paulo, foi nalizada s 22,30. A Folha circulou com 344 mil exemplares (impressos mais digitais). O Estado no informou a sua circulao, que inferior daFolha Ambos possuem muito mais exemplares e pginas do que O Liberale o Dirio do Par No h razo tcnica, portanto, para os dois jornais paraenses fecharem na manh de sbado e colocaram a edio dominical nas ruas na tarde de sbado, fria ou quase congelada. desrespeito ao leitor, que, acomodado e conivente, tudo aceita. A iniciativa foi de retaliao, mas o objetivo positivo Denuncie-se a motivao real, mas apoie-se o seu efeito. Para atacar o judicirio, o presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou, no incio da semana passada, que vai apressar a tramitao do projeto de emenda constitucional para acabar com o pagamento de aposentadorias a juzes e integrantes do Ministrio Pblico punidos por cometerem irregularidades. Juzes, promotores e procuradores que cometerem os maiores disparates no exerccio da funo, se sentenciados, a punio mxima que recebem a aposentadoria, com vencimentos proporcionais ao tempo de servio. Na escala descendente, a outra pena a colocao em disponibilidade, como aconteceu com a juza de Abatetuba, no caso da menor submetida a violncia na cadeia. Essa vantagem no pode ser considerada necessria para for talecer a prtica da juza. privilgio odioso mesmo. No devia precisar de picuinhas entre suas excelncias para ser derrubada. Mas se for preciso, que seja assim e j.

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Ministrio Pblico age como um bancoParece at que o Ministrio Pblico do Estado virou banco popular. Lei aprovada pela Assembleia Legislativa no dia 17 e sancionada na semana passada pelo governador expande em muito os casos em que o MP pode indenizar as frias e converter em dinheiro (ou pecnia, na linguagem do burocrats) as licenas prmio dos seus servidores ativos. A indenizao pode ser paga aos detentores de frias vencidas e no gozadas, por interesse pblico, h mais de dois anos, limitada a um perodo de frias por ano. A requerimento do servidor, o MP tambm poder antecipar a converso em dinheiro de at dois perodos de 30 dias das licenas prmio no gozadas, a cada ano. Deduz-se dessas regras (h outras condicionando a concesso dos benefcios, faltando a regulamentao, que o chefe do MP dever providenciar) que h muita acumulao de frias e licenas no gozadas e que, provavelmente, promotores e procuradores esto necessitados de reforo de caixa. S no se sabe qual a razo desse acmulo, que, ao invs de servir ao interesse pblico, o desfavorece, ao criar a necessidade de desencaixe em maior volume, ainda que haja o condicionamento disponibilidade de recurso para atender a demanda. A no ser que os cofres do MP estejam bem fornidos e ele se permita nanciar seus servidores que tm trabalhado em demasia.Cidades: prximo campo de batalhaOs Estados Unidos parecem acreditar apenas na fora bruta como meio de manter seu poder. Mesmo nossa doutrina de contra-insurgncia, testada nas cidades do Iraque e montanhas do Afeganisto, incapaz para enfrentar a futura realidade urbana. Enfrentamos um desao que exige redenir nossa doutrina de maneira radicalmente nova e diferente, admitiu um porta-voz do Pentgono, o centro do poder militar da superpotncia mundial, ae Intercept As declaraes foram dadas a propsito da divulgao, pelo site de Glenn Greenwald, de um lme secreto, usado em treinamento militar, com o objetivo de iluminar os desaos da operao nos ambientes das megacidades. O vdeo, com durao de cinco minutos, foi obtido pelo jornalista com base na Lei de Informao americana. O trabalho revela que os EUA preveem que, em 15 anos, metrpoles estaro devastadas e caticas. E querem se preparar para guerrear nestas condies extremas A pea foi parte de um curso oferecido, no comeo deste ano, pela Universidade de Operaes Especiais Conjuntas do Pentgono. Intitula-se, em portugus, Megacidades: o Futuro Urbano, a Emergente Complexidade. O documentrio prev que em menos de 15 anos as grandes cidades do mundo sero um amlgama de cenrios como os dos filmes Fuga de Nova York e Robocop com toques de Warriors e Divergent. Ce nas de ruas entulhadas de lixo, vndalos mascarados, e tropas de choque enfrentando manifestantes so apresentadas. O crescimento ampliar o diviso crescente entre ricos e pobres, diz o narrador. A descrio do futuro inclui cidades dominadas por redes criminosas, infraestrutura precria, tenses religiosas e tnicas, favelas miserveis, lixes abertos, esgotos transbordantes. No lme que produziu, o Pentgono manifesta a sua preocupao pelo despreparo das tropas norte-americanas para lidar com um cenrio de desumanizao, que se tornar brutal nas metrpoles do mundo todo, j em 2030. As cidades brasileiras j ocupam uma triste posio de vanguarda nesse cenrio de caos e violncia, do qual Belm uma das maiores representantes, com a ajuda de todos os seus ltimos prefeitos.Boi brasileiro para o mercadoSaiu de uma fazenda de Bataguassu, no Mato Grosso do Sul, no ms passado, a primeira carga de carne bovina in natura para o mais novo mercado para o produto brasileiro, os Estados Unidos. Foram embarcadas 126,5 toneladas, que renderam cerca de 500 mil dlares ao vendedor. Ou 4 dlares o quilo. O novo destino resultou do acordo de comrcio bilateral assinado em 1 de agosto deste ano. Nos primeiros nove meses deste ano, as exportaes de carne viva do Brasil, que um dos lderes mundiais na exportao de carne bovina, somaram US$ 4 bilhes. O governo brasileiro considerou a abertura do mer cado norte-americano uma conquista importante, com a possibilidade de abertura de novos mercados, j que os Estados Unidos so muitos exigentes em questes sanitrias. O Par, que o maior exportador de boi em p do pas, ter rebanho de qualidade e capacidade de penetrar nesse mercado mais exigente? A pergunta cabe porque o Estado fica muito mais perto dos EUA. Vantagem locacional, portanto, ele tem. Ou a funo que lhe cabe atender mercados menos interessantes, se que interessa ao pas avanar nesse setor, aprofundando ainda mais sua produo de matrias primas.