Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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O PAR QUE JATENE NEGAEDER MAURO PROCESSA JORNAL PESSOAL o aPrevaleceu, falta de avaliao mais rigorosa e convincente, o menos exigente dos critrios de anlise, que o bom senso: o Ibama decidiu arquivar o licenciamento ambiental da hidreltrica de So Luiz do Tapajs. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis acatou a recomendao do Ministrio Pblico Federal e os pareceres da Fundao Nacional do ndio e do prprio instituto. Eles apresentavam razes legais para o ar quivamento: a usina alagaria territrio indgena munduruku e obrigaria a remoo de aldeias, o que proibido pela Constituio. Tambm foram apontadas falhas tcnicas nos estudos de impacto ambiental. A presidente do Ibama, Suely Mara Arajo, determinou o arquivamento do processo porque projeto apresentado e o seu Estudo de Impacto Ambiental no possuam o contedo necessrio para anlise de viabilidade socioambiental. Alm disso, ultrapassaram o prazo previsto na resoluo do Conselho Nacional do Meio Ambiente, para apresenHIDRELTRICASTapajs ainda livreO Ibama rejeitou licenciar a hidreltrica de So Luiz do Tapajs, no Par, e arquivou o projeto. O governo pode querer retom-lo em breve, mas pode aproveitar a oportunidade para uma reviso profunda do modelo que levou atual matriz energtica do Brasil. preciso.

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2 tao das complementaes exigidas pelo Ibama. A presidente do instituto destacou no seu parecer que a Funai aponta bices legais e constitucionais ao licenciamento ambiental do empreendimento, em razo do componente indgena, bice esse corroborado pela Procuradoria Federal Especializada junto ao Ibama. Agora, a deciso ser comunicado ao interessado, a Eletrobrs, com abertura de prazo para recurso. A Eletrobrs, responsvel pelo empreendimento, no cumpriu a obrigao de corrigir uma srie de lacunas graves nos estudos, que, no entendimento do Ibama, no podero mais ser resolvidas por no haver mais prazo para essa providncia. Em seu parecer, a diretora de licenciamento do rgo, Rose Mirian Hofmann, observou que alm da inconstitucionalidade prevista pela Funai e reforada pelo MPF, havia razes sucientes tambm do ponto de vista ambiental para o arquivamento do processo. Em 2014, o Ibama pediu estudos da Eletrobrs para uma lista extensa de possveis impactos, que considerava negligenciados. O prazo para sanar as decincias era de quatro meses e at a suspenso do licenciamento, em abril, nenhuma resposta fora apresentada nem houve pedido de prorrogao. As omisses nos estudos de impacto ambiental incluiriam a ausncia de avaliao sobre assoreamento dos tributrios do rio Tapajs, o impacto sobre os lenis freticos e at sobre a ictiofauna, uma das questes mais sensveis para os habitantes da regio,grandes consumidores de pescado. A ausncia de algumas dessas informaes no EIA salta aos olhos, por serem impactos notrios da tipologia de gerao hidreltrica, que precisam ser avaliados antes da deciso sobre a viabilidade do empreendimento, assinalou o parecer da diretora de licenciamento. Antes do arquivamento do processo, o MPF recomendara o cancelamento denitivo da usina ao Ibama, em funo de inconstitucionalidade do projeto ante a necessidade de remoo forada de povos indgenas, nos termos do artigo 231 da Constituio Federal, conforme o entendimento do procurador da Repblica Cames Boaventura. O MPF tambm apresentou justia ao contra a hidreltrica, pela ausncia da consulta prvia prevista pela Conveno 169. Desobedecendo determinao da justia, a consulta nunca foi realizada, segundo o Ministrio Pblico Federal. A Funai, em pareceres tcnico e jurdico enviados ao Ibama no primeiro semestre, tambm tinha apontado a inconstitucionalidade do projeto de So Luiz do Tapajs, que incidia diretamente sobre a Terra Indgena Sawre Muybu dos ndios munduruku, alagando trs aldeias. Os ndios e os ribeirinhos reagiram contra o projeto desde o anncio do governo federal ainda na administrao Lula de que pretendia construir barragens no Tapajs. Por vrias vezes chegaram a ocupar o canteiro de obras da hidreltrica de Belo Monte, no Xingu, esta j em operao, na tentativa de evitar que barragens semelhantes fossem construdas em suas terras. Tambm zeram muitas viagens a Braslia para tentar sensibilizar as autoridades sobre seus direitos. A deciso do Ibama tirou o injustificvel carter de urgncia imposto pelo governo ao aproveitamento energtico da bacia do Tapajs, entre o Par e Mato Grosso Num momento de crescimento negativo da economia e de carncia de recursos, o debate deve ser aprofundado antes que se decida, com o necessrio fundamento cientfico e tcnico, sobre a opo de utilizar as guas desse rio para a gerao de energia.POSIO DO GOVERNODepois do anncio do Ibama, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, admitiu que o governo suspendeu a execuo do projeto da hidreltrica. Por isso, dever acatar a deciso do Ibama de arquivar o processo de licenciamento ambiental da usina. A suspenso, porm, no denitiva. Coelho disse que o projeto vai permanecer no arquivo do ministrio porque o potencial do rio Tapajs j est identicado, podendo aumentar signicativamente a capacidade de gerao de energia do Brasil. Em outro momento, quando o governo entender, se entender, que deve prosseguir, a retoma, observou (ou ameaou). O novo presidente da Empresa de Pesquisa Energtica tambm da opinio de que o Brasil um pas vocacionado para hidreltricas. Por isso, prometeu lutar por elas, dentro de um marco de desenvolvimento sustentvel socioambiental, mas buscando reser vatrios sempre que possvel, com uma anlise de seus custos e benefcios. frente do principal rgo de pesquisa de energia do governo federal, Barroso considerou a incorporao das hidreltricas e seus reservatrios um tema de interesse para todo o setor. Segundo ele, os reservatrios que permitiram o desenho do produto elico e solar dos leiles, com obrigaes de entrega de energia em horizonte plurianual: Um sistema sem reservatrio no permite este produto. No seu entendimento, com a perda de capacidade de regularizao plurianual do sistema, a gerao trmica ganha importncia. No caso especco do gs, disse ele na sua primeira entrevista, imprensa, existe um ambiente de preos de gs internacional favorvel e boas perspectivas do pr-sal, onde a Unio proprietria de uma parcela da produo do gs associado devido ao regime de partilha. Na sua opinio, o que o Brasil precisa equacionar com calma o complexo namoro entre as indstrias do gs e energia eltrica. Tambm olharemos o papel da cogerao a gs como gerao distribuda e, mais frente, a nuclear, onde precisamos inicialmente equacionar Angra III. A opo do car vo tambm ser olhada. Barroso lembrou que o ritmo da entrada da nova oferta de energia ser comandado pelo crescimento da demanda, pois custa caro para a sociedade ter sobrecapacidade alm do necessrio para atender a demanda dentro dos critrios de conabilidade e robustez diante das incertezas, respeitando as decises de polticas pblicas. Em conjunto com o ministrio de Minas e Energia, ele espera criar condies isonmicas para que a competio entre as fontes ocorra e que o Pas tenha a energia necessria ao seu desenvolvimento econmico.

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3 Ou seja: da sua perspectiva, a Amaznia continuar a ser olhada como a principal alternativa para a oferta de energia nova e em grande escala para atender as necessidades do pas. Nova retrica para a mesma poltica. A aposta da EPE na continuidade da opo hidreltrica se baseia nas suas sempre otimistas ou exageradas previses de consumo. A estatal previa adicionar 73,6 mil MW ao sistema nacional at 2024, acrescentando 55% sobre a base atual de 133 mil MW. Um quarto desse acrscimo viria de Belo Monte e So Luiz. Mas como justicar esse forte incremento na gerao de energia diante do fraco desempenho da economia brasileira at 2014 e da recesso dos dois ltimos anos, com impacto ainda maior sobre a indstria, que reduziram o consumo? Para tornar realidade a projeo da EPE, o primeiro grande problema onde encontrar os recursos necessrios para realizar a obra, orada por enquanto em 30 bilhes de reais, equivalente ao ponto de chegada de Belo Monte, que comeou com R$ 19 bilhes. Com o governo endividado e com dcit scal, e as principais empreiteiras do pas paralisadas ou obstrudas pelas investigaes da Operao Lava-Jato, esse desejo utopia, ou irrealidade.O FUTURO DA ENERGIASe a deciso de boa f, o governo devia dar um signicado positivo ao arquivamento do projeto, criando uma frente de pesquisas para o desenvolvimento de um projeto sobre o uso alter nativo da bacia do Tapajs que no inclua o aproveitamento energtico, que, segundo o ministro, j est denido. Um projeto com base no uso mltiplo dos recursos naturais da regio em harmonia com a sua condio ecolgica, humana e histrica. O tempo criado pelo arquivamento permitiria essa abertura a uma opo no energtica para o belo Tapajs. Mas mesmo se for retomada a prioridade energia de fonte hdrica, o que implica automaticamente em continuar a construir usinas na Amaznia, h uma outra questo a considerar com toda seriedade: o modelo atual est ajustado aos tempos atuais? O manejo de gua nos reservatrios brasileiros eciente? No momento em que o Ibama colocava So Luiz na gaveta, o reservatrio da hidreltrica de Tucuru, no rio Tocantins, estava com pouco mais de 82% do seu volume operacional. Era um estoque satisfatrio de gua, mas alguns fatores comearam a dar prioridade para a sua operao. O nvel comeou a cair, num sinal de comeo do perodo de vero, quando o uxo do Tocantins se reduz bastante. Signica a diminuio na gua estocada, numa rea de 3 mil quilmetros quadrados (ou 300 mil hectares), para o funcionamento das 21 gigantescas turbinas da usina, a quarta maior do mundo e a segunda do pas, abaixo apenas de Itaipu.Cada turbina precisa de 700 mil litros de gua por segundo.O maior problema a rigorosa estiagem que, pelo segundo ano consecutivo, est reduzindo a nveis dramticos os reservatrios do Nordeste. O comit de monitoramento das bar ragens descarta o risco de desabastecimento de energia neste ano, mas vai comear a preservar os estoques de gua de Tucuru para a eventualidade de precisar transferir maiores volumes para o Nordeste. Como medida preventiva, tambm persistir a utilizao da plena capacidade das trmicas, para evitar o esgotamento dos estoques de gua da regio, com prejuzos gerais para a populao. preciso acompanhar com ateno a operao do reservatrio de Tucuru porque os lagos das outras grandes hidreltricas, de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira, em Rondnia, tambm comeam a perder gua pelo incio da estiagem.So reservatrios muito menores, quase permitindo a operao a o dgua, porque as turbinas das duas hidreltricas, por serem bulbo, funcionam a plena carga com baixa declividade da gua. O problema que depois da maior cheia de todos os tempos dois anos atrs, o rio Madeira sofre uma estiagem rigorosa neste ano. A situao nova tanto para Jirau como para Santo Antonio, tanto pela menor descarga de gua como pelo fato de que as turbinas podem reduzir a energia rme se a estiagem for mais prolongada. No dia do arquivamento de So Luiz, os reservatrios da Amaznia operavam com volume de 53,7%. Houve diminuio de 0,3% em relao ao dia anterior. Dados do Operador Nacional do Sistema Eltrico atestavam que a energia armazenada na regio (incluindo Jirau, Santo Antonio e usinas menores) era de 8 mil megawatts mdios (o equivalente capacidade nominal de Tucuru). O governo vai precisar refazer o planejamento sobre a operao integrada de todas as bacias uviais do pas para se prevenir para o risco de falta de gua em boa parte deles, no s para gerar energia, como para os ns mltiplos da sua criao. Precisa reprogramar os reservatrios existentes e rever os projetos concebidos para evitar desequilibrar os usos da fonte cada vez mais preciosa e incerta, que a gua. Um exemplo dessa situao est no reservatrio de Sobradinho, no rio So Francisco, na Bahia, que formou o ter ceiro maior lago articial do planeta, com 4,2 mil quilmetros de rea alagada, e o maior do Brasil (o segundo o de Tucuru, com 3 mil km2). Uma das suas funes regularizar o volume de gua no So Francisco, o rio de maior curso inteiramente dentro do pas. Ele devia estar liberando 1,3 mil metros cbicos (ou 1,3 milho de litros) por segundo. Como ele estava esvaziando muito depressa, a vazo foi reduzida para 1.100 m/s. No ano passado, chegou a 900 m/s. Agora car em 800 m3, mas s at setembro, porque a situao j considerada dramtica. No ano passado o reservatrio quase chegou a atingir o volume morto. Poder chegar a menos de 5% no m de novembro, conforme as projees do setor energtico. O reservatrio da usina hidreltrica est operando com 19% de sua capacidade mxima. Desde maro, o volume de gua que entra na represa tem cado abaixo dos volumes j bastante crticos registrados no ano passado, constituindo-se como os piores da histria.

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4 A hidreltrica de Sobradinho tem capacidade instalada de 1,1 mil megawatts. O sistema energtico nacional, mesmo prejudicado pela reduo da oferta, pode se manter sem Sobradinho porque as usinas elicas j esto suprindo quase metade da demanda no Nordeste. Tambm poder ser aumentada a transferncia de outras regies. O maior problema o abastecimento das comunidades que usam as guas do rio So Francisco para consumo ou projetos de agricultura irrigada. Para eles, a situao ameaa se tornar a mais grave de todos os tempos. Um dos riscos potenciais a salinizao do rio. Com vazo muito pequena, ele caria sem fora suciente para conter o avano das guas do mar. Apenas infelicidade ecolgica, causada por estiagens excepcionalmente prolongadas, ou tambm uma pitada de imprevidncia humana? Distinta a questo no rio Madeira. Na quinzena passada, a Santo Antonio Energia comeou a anunciar em Porto Velho a realizao de uma audincia pblica para elevar o nvel do reser vatrio da sua hidreltrica da cota de 70,5 para 71,3 metros. Com mais gua do rio Madeira retida pela barragem, a empresa colocar em operao seis turbinas adicionais s 44 que j esto em funcionamento, dando a Santo Antonio a condio de quarta maior hidreltrica do Brasil e uma das maiores do mundo com turbinas do tipo bulbo. A audincia pblica necessria para que a concessionria obtenha a licena de operao das seis turbinas. O edital, homologado pelo Ibama, d o prazo de 45 dias para a realizao da audincia. O prazo est sendo considerado curto para uma adequada avaliao dos efeitos da elevao do nvel do lago, que ir alterar o projeto de engenharia da usina e sua relao com o meio ambiente e a populao. Porto Velho, a capital de Rondnia, ca apenas sete quilmetros rio abaixo da hidreltrica de Santo Antonio. Na aprovao inicial, a cota do reservatrio era de 70 metros. Se a nova alterao for aprovada, seu nvel se elevar em mais dois metros. Em 2012, antes de aprovar a primeira modicao no lago, a agncia reguladora federal, a ANEEL, deter minou que o consrcio reduzisse a cota para 68,50 metros, a pretexto de prevenir eventuais acidentes relacionados obra. O pedido no chegou a ser efetivado. Foi logo revogado. A Santo Antonio espera colocar em novembro a gerao plena da usina, com 50 turbinas em operao. As seis a serem acrescidas produziro energia com exclusividade para Rondnia e Acre, atendendo 40% do seu consumo atual. Segundo a empresa, a nova gerao signica maior estabilidade energtica, contribuindo para a atrao de novos empreendimentos que devero gerar mais empregos e novos recursos para ambos os Estados. Diz que os rgos reguladores e tcnicos j aprovaram a incluso dessas seis turbinas sem alterao das caractersticas originais do projeto. As mquinas j esto montadas e em testes. A linha de transmisso, especca j est pronta para distribuir essa energia. Mas ainda h muitas dvidas e no se sabe se elas podero ser atendidas por uma nica audincia pblica. No planejamento da concessionria, no h dvida. A interrupo no andamento da licena ambiental de So Luiz poder, assim, ser um momento de completa reviso do setor energtico no Brasil, freando a precipitao e o aodamento dos que criaram e mantinham sob estrito controle a matriz nacional. No foi por mera coincidncia que a nova direo da EPE se comprometeu a aperfeioar o processo de denio de novas usinas. Prometeu realizar pesquisas mais conveis sobre a viabilidade ambiental e jurdica que tem sido feitas, com base em projetos pouco detalhados e em estudos super ciais de impacto ecolgico e social, antes de fazer o leilo das concesses, evitando assim a reao dos rgos tcnicos diante de um projeto mal concebido. Se for para valer, ser um bom recomeo de tudo.Santa deposta em CarajsGraas doao que fez de um modernssimo aparelho de raios -x, fabricado pela Toshiba, Yutaka Takeda emprestou seu nome ao hospital da vila residencial da Vale, em Carajs. Mas isso s ocorreu em 1 de junho de 1985, trs meses depois que a ento Companhia Vale do Rio Doce iniciou (exatamente em 28 de fevereiro de 1985) o transporte do minrio de ferro at o porto da Ponta da Madeira, em So Lus do Maranho O hospital foi originalmente batizado com o nome de Nossa Senhora de Nazar, a santa padroeira dos paraenses. Foi um gesto de considerao (ou comiserao?) da estatal de base mineira (relativa a Minas Gerais) para com os nativos da jun gle Mas durou quase nada. Falaram mais alto os interesses comerciais. Afinal, Takeda foi o negociador dos contratos de venda de minrio de longo prazo, que garantiram o suprimento de 70% da produo do melhor minrio de ferro do planeta ao Japo at o ano 2000. O executivo japons era o presidente da Mitsui, que viria a ser a maior compradora individual do produto de Carajs. Alis, pela norma do contrato de privatizao da Vale, os compradores no podiam ser cotistas da nova empresa, mas a Mitsui a maior scia estrangeira da mineradora. Nem o responsvel pela modelagem da venda, mas o Bradesco, que o realizou, o maior acionista privado, responsvel pelo presidente (Roger Agnelli) que por mais tempo ocupou (10 anos) a presidncia da companhia. Por que os paraenses no se mobilizam ao menos para que a Vale devolva a denominao do hospital como Nossa Senhora de Nazar, quando nada porque agora o maior comprador j no o Japo, mas a China. H algum chins credenciado homenagem?

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5 O Par de Jatene que Jatene negaO governo do Par pagou um anncio de pgina inteira na penltima edio da revista Veja para anunciar ao mundo a abertura de novos caminhos para o desenvolvimento sustentvel no Estado. A chave da felicidade o programa Par 2030 (assunto da edio anterior), com o qual o governador Simo Jatene pretende montar as bases para a construo de uma economia no curto, mdio e longo prazo. O produto ainda no existe, mas, no mesmo dia em que lanou a ideia, o governador assinou 17 atos que colocam o programa em ao. Rigorosamente devia ser um plano com diversos programas. Mais rigorosamente ainda, seria um termo de referncia para a elaborao de programas formando um plano. Isso porque o governo vai terceirizar a tarefa. Ele abriu prazo at 21 de outubro para que surjam Organizaes Sociais dispostas a assinar um contrato de gesto com o governo para atrair investimentos nas reas de logstica, pecuria sustentvel, orestas plantadas, biodiversidade, agricultura familiar, turismo e gastronomia, aquicultura, explorao mineral, palma de leo, gros, cacau e aa. Se a concorrncia for decidida ainda neste ano, o vencedor s dever concluir seu trabalho em 2017. O programa (ou plano) seria de 13 anos, o planejamento de mais longo prazo da histria do Par (quem sabe, do Brasil?). Pegaria os trs mandatos seguintes a este ltimo de Jatene, que concluir o seu terceiro gover no em 2018, sem possibilidade legal de nova eleio imediata. A etapa nal em 2030 signicaria que o economista Simo Robison Jatene pretende concorrer ao ainda mais indito quarto mandato em 2022, encerrando-o, aps nova reeleio, exatamente em 2030, quando j estar bem alm dos 80 anos? mera especulao. Mais concreta a estranheza de ver algum que, depois de exercer o governo por 11 anos (sem contar os quatro do seu correligionrio tucano Almir Gabriel), se proponha melhorar o Par no curso da dcada e meia seguinte, como se no tivesse sido ele o governador por perodo anterior quase da mesma durao. Seria a crtica do Jatene futurista ao Jatene do presente. Esquizofrenia administrativa e poltica? Talvez. De todo modo, procedimento inusitado nos anais histricos. Anal, o governador vai lanar mo de recursos pblicos para preparar um programa (ou plano) que no executar. O seu sucessor, sem compromisso de continuidade, ainda mais se no tiver sido o escolhido pelo governador como seu candidato, pode lanar a papelada no lixo e recomear do zero. Procedimento extravagante para dizer o mnimo. Dilapidador de dinheiro pblico. Usurpador de legitimidade poltica. Desastrado tecnicamente. Ou, quem sabe, delirando na especulao, plataforma lanada ao ar para a futura campanha pela volta de Jatene (e do Par) ao futuro do pretrito, na linguagem neolgica dos tucanos. Quando Jatene ndar seu terceiro mandato, o PSDB ter permanecido no poder estadual por 16 anos entre 1996 e 2016, com a desastrosa gesto da tucana Ana Jlia Carepa na transio de Almir para o seu ex-discpulo. Jatene foi o mais poderosos dos seus secretrios. No seu currculo devem ser computados mais quatro anos no primeiro governo de Jader Barbalho, de quem foi o muito inuente secretrio de planejamento. No conta o perodo em que foi seu secretrio no Ministrio da Reforma e do Desenvolvimento Rural, na presidncia de Jos Sarney. Assim, Simo Jatene esteve prximo do topo ou exatamente na crista do poder estadual ao longo de mais de 20 anos, faanha que poucos homens pblicos (e, particularmente, polticos) conseguiram realizar. Qual a sua contribuio para a mudana efetiva de rumos do Par? Como o Estado era quando ele deixou a academia e entrou na vida poltica, em 1983, e como est hoje? Mudanas houve, mas no na diretriz geral de sujeio do Estado Unio e a um modelo de desenvolvimento associado ao grande projeto que o condena a uma funo colonial, a um crescimento quantitativo de pouca expresso qualitativa a um destino colonial, ao m da histria. Esse desiderato se consolidou porque os tucanos entregaram o planejamento estadual Vale, delegando-lhe a tarefa estatal atravs de acerto com o ento presidente da empresa, Eliezer Batista. Depois, se calaram diante da lei Kandir, que iria prejudicar gravemente a possibilidade de retorno dos ganhos da mineradora, e foram coniventes com a sua privatizao, limitando-se a pression-la para arrancar-lhe dividendos individuais. Com Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma, a diretriz para o Par foi seguida elmente. Da Jatene, ru confesso por omisso e conivncia, querer ser o profeta de um novo Par que inviabilizou quando podia modicar esses rumos. mais um fogo fatuo tucano.Carajs: mais nquelA empresa inglesa Horizonte Minerals consolidou os seus 16 direitos referentes a nquel, que cobrem uma rea de 110 mil hectares em Conceio do Araguaia, no sul do Par, ainda no mbito do distrito mineral de Carajs. A empresa vai concluir a coleta de dados ambientais e sociais para obter a licena prvia junto ao Ibama. Ela diz que desenvolver na rea um dos maiores projetos de nquel saproltico no mundo. Os testes realizados numa planta-piloto concluram pela viabilidade tcnica para a produo de ferro-nquel de alto teor com base contnua e sustentvel para especicao comercial. O projeto de nquel Araguaia, descoberto em 2009 pela Horizonte, tem expectativa de produo de 15 mil toneladas de produto de nquel contido em ferro-nquel por ano, com teor mdio de 1,76% nos 10 primeiros anos. A mina do empreendimento tem vida til inicial de 25 anos. Seu valor presente lquido calculado em 519 milhes de dlares, com taxa interna de retorno de 20% e perodo de retorno de 4,4 anos.

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6 der Mauro processa este jornal e seu editorO deputado federal der Mauro Cardoso Barra, atravs do seu partido, o PSD, props uma ao contra mim na justia eleitoral, da qual fui intimado no dia 17. Acusa-me de fazer propaganda eleitoral antecipada negativa contra ele, que candidato a prefeito de Belm. O crime teria sido cometido na edio 608 (de maio) do Jornal Pes soal, em matria de capa sobre a cir cunstncia de um delegado de polcia e um ocial da Polcia Militar serem candidatos gesto dos dois maiores colgios eleitorais do Estado. Tive prazo de 48 horas para responder ao, recebida pela juza Eliane dos Santos Figueiredo, da 77 zona eleitoral de Belm, e j apresentei a minha defesa. A magistrada indeferiu o pedido liminar dos autores, que queria a imediata apreenso de todos os exemplares da edio do JP com o artigo, alm da proibio de novas matrias sobre o parlamentar, com a aplicao de multa de 50 mil reais dirios (mais R$ 50 mil pelo Jornal Pessoal, tambm acionado) pelo eventual no cumprimento da ordem, que a magistrada no atendeu, por ser excessiva. Peo aos meus leitores que leiam o texto da edio 608, que reproduzo a seguir, e se manifestem sobre a inter pretao dada pelo delegado da polcia civil e deputado federal (o mais votado na ltima eleio, a primeira que disputou) se pedi aos leitores do jornal para no votarem no candidato a prefeito da capital paraense, caracterizando o crime eleitoral por ser propaganda (ou anti-propaganda) antecipada. Dada esta notcia, s voltarei ao assunto depois da manifestao final da juza, para no parecer que tento pression-la. O poltico der Mauro, no entanto, j candidato a prefeito, continuar a ser analisado. Critic-lo no s meu direito, amparado pela constituio do pas: meu dever, sempre que a abordagem do parlamentar for do interesse pblico. Peo desculpas ao leitor por atrasar esta edio, por vrios problemas e em funo de mais esta ao, a 34 que sofro desde 1992, sem que os autores dessas demandas tenham exer cido o direito de resposta, que aqui respeitado como sagrado. Preferem a via judicial, talvez na presuno de que podem me intimidar e me desviar do cumprimento das minhas obrigaes prossionais e cvicas. Pensei que a srie de perseguies judiciais se encerrara. Fui otimista demais.O heri e o bandidoUm delegado da polcia civil e um coronel da Polcia Militar so candidatos s prefeituras das duas maiores cidades do Par, onde se concentram dois milhes dos oito milhes de habitantes do Estado: der Mauro em Belm e coronel Neil Duarte de Souza em Ananindeua. Os dois so apontados como lderes pelas pesquisas realizadas at agora nos respectivos municpios da regio metropolitana. Ambos exercem seus primeiros mandatos eletivos, pelo mesmo partido, o PSD (Partido Social Democrtico), comandado pelo ex-prefeito de So Paulo e ministro no governo de Dilma Rousse, Gilberto Kassab. Eder Mauro foi diretamente a deputado federal e com 266 mil votos, a maior votao da bancada paraense na eleio de 2014 (7% do total). Neil deputado estadual. Teve 51 mil votos. Em alguma das regies metropolitanas do pas h situao ao menos semelhante? Parece que no. Com apenas um ano e meio no exerccio de funo poltica, eles j se apresentam como detentores de uma representao sucientemente forte para serem considerados favoritos chea dos dois executivos municipais, passando frente de polticos mais antigos e experientes. No por acaso que os dois so da rea de segurana pblica e integram uma bancada que se expande nas diversas instncias do parlamento. So policiais de linha de frente no combate ao crime e que defendem mtodos violentos, a partir das premissas de que bandido bandido e polcia polcia. Pressupostos que conduzem a uma concluso comum: bandido bom bandido morto. Mesmo que s seja bandido na aparncia. Seu sucesso deriva do fato de que a insegurana pblica o problema mais grave de todos que assolam a populao. Por uma razo evidente: todos os dias h assassinatos, o crime que acaba com o bem mais nobre da sociedade, a vida humana. Crime seguido por uma quantidade muito maior de delitos que perturbam ou mesmo desgraam a vida do cidado. Na regio metropolitana de Belm, numa escala assustadora. Uma das mais altas do Brasil e do mundo. O belenense repete uma frase que se tornou, talvez, a mais pronunciada na cidade: quem sai de casa para trabalhar no sabe se volta. quase uma loteria tornar-se mais uma vtima nos registros ociais de violncia, que apenas absorvem parte da criminalidade diria. No existe mais rea de concentrao de crimes, horrio ou qualquer outra circunstncia. Os criminosos esto mais ativos e no poupam ningum. A soluo mais desejada a soluo rpida, que parece a mais fcil. Matar bandido, por exemplo. o que a bancada da bala defende, com adeso crescente, marcada pela insensatez de delegar plenos poderes a justiceiros. Eles seguem em sua carreira numa escalada de abusos que levariam a uma indagao fundamental, se as pessoas se permitissem reetir com maior rigor sobre a questo. O que pior: a doena ou o remdio?Mais exatamente ainda: o remdio prescrito o correto? Combater mesmo a doena? O delegado acusado de torturar uma menor que, poca dos fatos, tinha 10 anos de idade. O processo pelos crimes de extorso e tor tura foi autuado em dezembro no Supremo Tribunal Federal, por causa do foro privilegiado do parlamentar,

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7 Campanha antecipadatendo como relator o ministro Edson Fachin. O deputado se defende alegando ser esse o nico caso em que acusado de violncia ao longo de 30 anos da sua atuao na rea da segurana pblica no Par. Numa nota enviada ao jornal O Globo, a assessoria de Eder Mauro disse que o processo, iniciado em 2008, tramitou na vara de infncia em virtude da priso de um tracante que, no ato da priso, alegou ter sido torturado junto com a lha de ento 10 anos. Verso desmentida pela menor e por sua me anos depois. Em seu depoimento, a adolescente teria dito que o pai a obrigou mentir, ressaltando que no houve arbitrariedade na realizao do agrante do pai. Diante disto, o juzo da infncia sentenciou a absolvio em relao menor e remeteu o caso do pai autuado em agrante vara competente. Apesar do desmentido, Eder Mauro esteve envolvido em outro episdio de violncia, juntamente com cinco policiais ento subordinados a ele, todos denunciados por tortura e por forjar um agrante de extorso contra uma mulher. Ela teria sido atrada ao escritrio do ento prefeito da cidade de Santa Izabel, MariKat (do PMDB), pela promessa de receber uma dvida contrada pelo juiz do municpio, Augusto Cavalcante, quando foi abordada e agredida pelos policiais. A mulher e seus dois lhos teriam sido ameaados de execuo sob a mira de armas de fogo. O relatrio do Ministrio Pblico sobre o episdio menciona intensa sesso de espancamento e violento sofrimento fsico e mental, conforme comprovado pelo exame de corpo de delito realizado nas vtimas. O grupo foi absolvido por falta de provas em 2013. Mas um promotor de justia apelou. Sustentou que as testemunhas que depuseram a favor de der ou possuam vnculos de amizade ou eram funcionrias do delegado. Tratou-se na verdade de uma trama mal ajambrada entre o juiz, o prefeito de Santa Izabel e o primeiro denunciado (der Mauro), com o claro objetivo de subtrair da vtima as notas promissrias que comprovam a dvida do magistrado para com a vtima, acusou a promotoria. Ele tambm est sendo processado na justia eleitoral por causa da segunda maior doao que recebeu para a campanha de 2014, feita por uma pessoa fsica. Marivaldo Pamplona da Silva doou 51 mil reais, mais do que o total dos seus rendimentos no ano anterior, que somaram R$ 49 mil. Por causa da doao de Marivaldo, o deputado foi multado pelo juiz eleitoral. O Ministrio Pblico Federal pediu sua inelegibilidade por oito anos. O processo est em fase de recurso. O principal doador de campanha de der Mauro foi a construtora Odebrecht, com R$ 100 mil. Por que a principal empreiteira envolvido no escndalo de corrupo na Petrobrs nanciaria um ento pouco conhecido pretendente no Par Cmara dos Deputados? Uma carreira to rpida e propostas to extremadas no do tempo nem oportunidade para um questionamento mais profundo, o que favorece a montagem da imagem de paladino dos pobres, humildes e agredidos que o deputado criou para si. O eleitor pode cair na armadilha de tomar por heri personagem que, na verdade, apenas um produto sagaz desse ambiente de violncia indiscriminada, que viceja sombra da incompetncia oficial. As mil famlias que foram retiradas das suas casas para a passagem das obras da macrodrenagem da bacia da Estrada Nova, um dos bairros mais carentes de Belm, devem agradecer pela proximidade de mais uma eleio. A dois meses da votao no 1 turno e depois de trs anos de espera pelo cumprimento da promessa a Unio lhes transferiu um lote de 53 metros. A entrega das cartas de anuncia expedidas pelo DPU teve a interessada presena do ministro da Integrao Nacional, Helder Barbalho, a mais de dois anos da eleio para o cargo que ele mira desde sempre, de governador do Estado. Quanto s casas, ainda no foram includas no programa Minha Casa, Minha vida nem o projeto a vir a ser preparado conta com recursos nanceiros. Mas j h duas premissas para o segundo passo. Primeira: a execuo ser descentralizada. Ficar a cargo da associao dos moradores, que, naturalmente, tem o seu presidente, com um passo na direo de uma carreira poltica. Segunda o ministro pediu a relao dos nomes dos beneciados para interferir em favor deles junto burocracia federal. Mais promessa. Mais quanto tempo de espera? Talvez no ritmo da prpria macrodrenagem, realizada pela prefeitura como obra de santa Engrcia carente, portanto, dos milagres pr-eleitorais.

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8 BRT: voto a favor ou contra Zenaldo?O BRT deve ter sido o principal fator para a melhoria substancial da posio do prefeito Zenaldo Coutinho nas prvias para a eleio de outubro em Belm. Mas a grande dvida saber se realmente o efeito positivo da obra se manter at a eleio, em outubro, com todo jeito de que s ser denida no 2 turno, garantindo assim a reeleio do candidato do PSDB, ou se at l ir se desmanchar junto ao pbico por suas inconsistncias e fragilidades. O BRT j uma pedra no caminho da elegibilidade do alcaide. A justia eleitoral acatou denncia da procuradoria regional eleitoral de que o transporte gratuito de passageiros nos nibus biarticulados foi ilegal, por seu uso eleitoreiro. A gratuidade por 15 dias, sob a alegao de ser uma fase de testes, teria custado 200 mil reais aos cofres municipais, caracterizando abuso por parte do candidato que tem a chave dos cofres pblicos. Se a denncia resultar ou no na inelegibilidade de Zenaldo questo ainda em aberto. Mesmo se caracterizado o abuso, talvez no resulte numa punio to drstica. A questo, contudo, tem a sua face administrativa. Quando era possvel pegar o BRT no terminal da avenida Augusto Montenegro e viajar de graa, talvez valesse o sacrifcio de caminhar at ele ou buscar qualquer forma de acesso. Com o pagamento da passagem o entusiasmo pode ter arrefecido. Os nibus circulando com baixa ocupao indica que eles ainda no constituem opo de transporte para a maioria dos usurios. Por enquanto, e talvez at a eleio, o BRT um transporte melhorado para uma clientela restrita, obrigada, de qualquer maneira, a usar velhos nibus maquiados pela fixao de um letreiro que os transformou magicamente em veculos expressos, falta de uma frota maior de verdadeiros BRTs. Sem as articulaes com as outras linhas situadas ao longo da via principal, por meio do bilhete nico, o BRT perde a sua condio vantajosa e continua a ser uma forma de afunilamento do trnsito normal de veculos. Uma soluo que no resolve o problema que a motivou e agrava os velhos entraves mobilidade em Belm. Uma faca de dois gumes nas mos de quem a maneja sem destreza. O voto a favor pretendido pode se virar contra quem o procurou. Como um bumerangue desgovernado.A lenda e o pssimo servio dos nibus pela Grande Belm h muitos anos: as empresas de nibus pagam propina s administraes municipais da regio metropolitana da capital. H at histrias inacreditveis, como, vrios anos atrs, o assalto a um funcionrio do sindicato das concessionrias do transporte pblico coletivo em Belm que levava dinheiro vivo em mos para algum rgo municipal. Nenhuma dessas histrias foi provada, mesmo porque no h maior empenho na apurao da verdade, que s partes saudveis da relao. Mas a lenda se mantm como verdade latente por causa das anomalias dirias praticadas pelos motoristas de nibus. Eles repetem olimpicamente as transgresses cotidianas, como se fossem inimputveis, como se nada fosse pegar. Nem as multas ou mesmo as apreenses. Foram eles que disseminaram o vrus do desrespeito aos sinais de trnsito. A luz pode estar vermelhssima no semforo, mas, querendo, avanam sem a menor hesitao. Queimam as paradas quando esto com pressa ou quando quem faz o sinal para que gratuidade. Saem da faixa reservada aos nibus sem a menor inibio. Fecham quem estiver no caminho de sada da rea dos coletivos. Batem naqueles que tentam manter sua justa posio. Quem for podre que se quebre, deve ser o seu lema. Mas no s a direo selvagem e arbitrria dos motoristas de nibus que impressiona e assusta. tambm a sem-cerimnia das empresas para com suas obrigaes. No h um dia em que o trnsito no sofra com os velhos nibus que entram em pane pelas ruas. A prtica, lesiva ao interesse pblico, devia ser severamente punida para minimizar esses incidentes. Sua frequncia, porm, mostra que no h essa atitude por parte da autoridade concedente. Ela faz ouvidos de mer cador para sugestes que, postas em prtica, talvez obrigassem as empresas de nibus a levar a premissa de que prestam servio ao povo, origem e destino da concesso. Desvinculadas desse dever, as conblico um dos grandes martrios no dia a dia dos cidados. Carlos Estevo

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9 Delegado reage e mata: foi em defesa da vida?Murilo Luiz do Carmo circulava livremente pelas ruas de Belm at o dia 13. Armado, com um cmplice na motocicleta, praticava roubos sem ligar para a sua condio de presidirio. Cumpria pena, em liberdade condicional, pelo crime de roubo qualicado. Tinha outros processos por trco de drogas e porte ilegal de armas. Na tarde do dia 13 estava num dos pontos mais valorizados e movimentados de Belm, na subida da Tiradentes para o ponto mais elevado da cidade, a partir do antigo igarap das Almas, hoje Doca de Souza Franco. Com o sinal de trnsito fechado, os carros estacionados seriam alvo fcil. Ele se aproximou do casal que estava num automvel, mostrou seu revlver 38 e ia comear o assalto quando o motorista puxou rapidamente sua pistola calibre 40 e atirou. A bala atingiu a cabea de Murilo. Ele ainda deu alguns passos, mas caiu j morto. O comparsa fugiu na moto. O motorista, que estava ao lado da namorada, era o jovem delegado da polcia civil Tarsio Martins, h pouco tempo no cargo, atuando na Diviso de Represso ao Crime Organizado. Ao ver o assaltante cambaleando, ainda imaginou que tivesse errado o tiro. Quando o homem caiu, certicou-se de t-lo matado. Foi ento sua delegacia e registrou a ocorrncia. Sua tese de que reagiu no estrito cumprimento do seu dever legal, embora no estivesse de servio (a arma, contudo, da polcia), e que reagiu em defesa da prpria vida. Ainda assim, vai responder a inqurito na corregedoria de polcia, como tem que ser. Seus colegas aprovaram sua atitude. Pessoas se manifestaram tambm pela internet, elogiando-o. Defensores dos direitos humanos talvez partam de uma premissa contrria regra de ouro nesses casos: da presuno de inocncia at prova em contrrio. Podero alegar que a orientao da prpria polcia para que a vtima de um ato criminoso no reaja. Mas quantos cidados no foram mortos mesmo quando seguem estritamente essa regra? Entregam o que o criminoso quer, per manecem impassveis, mas so executados s vezes com selvageria. Se a histria do delegado for conr mada, ele merece ser elogiado. Se fosse um cidado comum, no reagiria, mesmo sob o risco no da morte, mas da execuo direta, inteiramente merc da outra pessoa, que se apossou de um direito que a sociedade no lhe confere, nem a ningum, de tirar a vida de algum. O assaltante estava armado e em processo de agresso criminosa. O delegado reagiu com tal rapidez e preciso que se antecipou ao agressor, que devia estar na priso ou sob restries severas sua movimentao. Ao mat-lo, cumpriu seu dever, revelando-se um policial bem adestrado, capaz de dar segurana sua pessoa e aos demais, como, no caso, a sua namorada. Os criminosos tm que se acostumar a esta regra vital da sociedade humana: ao agredir algum, esto sujeitos a serem agredidos, perdendo a tutela do direito que violaram. A reao pode e deve ser maior do que a ao. o que determina a fsica e a vida social.Menor se emancipa e morto: foi por acaso?Uma semana depois de completar 18 anos, Fabrcio da Cruz Pinto foi morto com quatrotiros no bairro de Val-de-Cans, em Belm, onde morava. Quem o matou foi o sargento Jos Cludio Brando de Souza, afastado temporariamente da Polcia Militar por ser candidato a vereador. Dois meses antes, Fabrcio tentou assaltar o sar gento, que reagiu e o baleou na praa principal do bairro do Marex. O militar disse que desde ento vinha sendo ameaado pelo rapaz. Quando ele se aproximou, armado, acompanhado por outro rapaz, quando estava fazendo campanha eleitoral na rea, imaginou que seria a vingana e novamente reagiu, atirando trs vezes e matando o agressor, na defesa da sua vida. Fabrcio empunhava uma rplica de pistola ponto 40, arma de brinquedo, que o PM usou para mat-lo. Esta a verso do sargento. A polcia a checar. Naturalmente, suscitar pelo menos uma hiptese alternativa: a de que o sargento esperou pela maioridade de Fabrcio para se livrar dele, quando no fosse por uma deliberada agresso, para se antecipar vingana que o rapaz vinha anunciando que faria, Mesmo que no tivesse planejado a execuo do desafeto, o sargento no teria agido com violncia precipitada e extrema antes de tentar uma vericao sobre a iniciativa do ex-menor? No podia ter atirado para feri-lo ao invs de mirar para atingir rgos vitais, matando-o? necessrio fazer a melhor das reconstituies dos fatos que colocavam em conito, no bairro, um PM e um menor delinquente, para vericar se o militar agiu como descreve ou se o argumento da legtima defesa foi pretexto para executar o homem que se tornara uma ameaa para ele. J so numerosos os casos de militares e policiais que matam pessoas (criminosas ou no) com arma de servio. Se eles agiram corretamente, merecem apoio. Se abusarem do seu poder, devem ser responsabilizados e punidos. No caso do sargento, tambm preciso vericar se sua circulao com seu grupo de campanha era legal.

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10 Vale paga l fora o preo pelo erroA Vale nalmente admitiu que o terrvel acidente provocado pelo rompimento da barragem de rejeitos de minrio de ferro em Mariana, Minas Gerais, acarretaram complexas questes, que devem levar anos para serem resolvidas. Mas garantiu que no houve fraude de acordo com as leis do mercado de capitais dos Estados Unidos. A mineradora brasileira usou o ar gumento ao contestar as acusaes de uma ao coletiva proposta nos Estados Unidos contra a companhia por investidores americanos contra a companhia nos Estados Unidos. O processo foi motivado pelo rompimento da barragem de Fundo, operada pela Samarco, joint venture da Vale e da australiana BHP Billiton. Os autores negociaram aes ADRs preferenciais e ordinrias da antiga estatal ao longo de dois anos, entre 2013 e 2015. Reivindicam um ressarcimento das perdas com esses papis, que poderiam chegar a 1 bilho de dlares. A companhia acusa ainda os investidores de serem oportunistas e de tentarem lucrar com o desastre ambiental. A Vale negou procedncia s acusaes de fraude. Argumentou no ter emitido comunicados enganosos nem omitido informaes ao mercado sobre o acidente, que aconteceu em novembro do ano passado. Acusou os investidores de serem oportunistas e tentarem lucrar com o desastre ambiental. Mas eles dizem que a companhia publicou informaes falsas sobre o uso da barragem, as medidas de segurana adotadas na ocasio e a extenso dos danos causados. A publicao de informaes enganosas caracteriza crime nas leis do mercado de capitais dos Estados Unidos. Alm de contestar as acusaes, a Vale atribui qualquer responsabilidade, Samarco, que era quem operava a barragem. Alega ainda que as leis americanas no admitem acusaes de quebra contratual ou gesto temerria. A mineradora ressalta tambm as aes humanitrias praticadas pela Samarco para aderear as consequncias do acidente, que destruiu a cidade de Bento Rodrigues e causou danos no vale do rio Doce, entre Minas e Esprito Santo. A Vale sustenta que as vtimas genunas do colapso so as que sofreram os efeitos do rompimento dos milhes de toneladas de rejeitos, para os quais a Samarco j teria dado as respostas legais e humanitrias. Os agentes do mercado que compraram suas ADRs (aes que do preferncia ao recebimento dos dividendos) no esto entre eles. Mas muita gua (sem rejeitos da minerao) ainda vai rolar nesse contencioso, embora muito mais rapidamente do que no caso das verdadeiras e definitivas vtimas da mineradora. o preo que a ex-estatal paga pela globalizao, embora pagando apenas no exterior, onde os atores so mais tenazes.China: ainda maior na logstica nacionalA State Grid poder car com o controle acionrio (52%) da CPFL, que a principal distribuidora e a ter ceira maior geradora privada de ener gia do Brasil. Para chegar a esse volume, a empresa estatal chinesa espera comprar os 23% que pertencem Camargo Corra e os 29,4% do Previ, o fundo dos funcionrios do Banco do Brasil. A meta da State car com 100% das aes da Companhia Paulista de Fora e Luz., que no ano passado teve receita lquida de R$ 18,7 bilhes e lucro de R$ 1,1 bilho sendo considerada uma empresa eciente. Sua aquisio integral seria negcio de R$ 40 bilhes. Seria a maior transao do setor eltrico brasileiro. A CPFL foi criada em 1912, atravs da fuso de quatro pequenas empresas de energia do interior paulista, e privatizada em novembro de 1997, quando j era controlada pela estatal paulista Cesp. Foi arrematada pela holding VBC Energia, formada por Votorantim, Bradesco e Camargo Corra, alm do Previ e Bonaire. Votorantim e Bradesco se retiraram h vrios anos. Se realizada, a transao ser mais um importante passo que a gigante chinesa est dando para se tornar a mais importante em logstica no pas. Ela j atua na transmisso de energia. Possui as duas linhas da hidreltrica de Belo Monte, no rio Xingu. Como a State Grid estatal, sua presena mais do que um empreendimento privado. Tem relaes geopolticas e diz respeito autonomia nacional num setor estratgico. Mas, em poca de vacas magras,o que importa o ingresso de moeda forte. Nesse ponto, a empresa chinesa no economiza. Paga o melhor preo e arremata o que quer, sem maiores obstculos nem percepes. Quando perceberem, o monstro estar enorme e difcil de controlar.

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11 Lula na ONU: corrupto ou perseguido poltico?Em 1992, no auge do processo que levaria ao seu afastamento da presidncia da repblica, Fernando Collor de Mello tentou se apresentar ao mundo como vtima de perseguio poltica. Embora integrasse a mais antiga elite brasileira, a dos senhores de engenho do Nordeste, que remonta ao incio da colonizao portuguesa, no sculo XVI, ele se dizia vtima de uma conspirao da elite empresarial de So Paulo, insatisfeita pela perda dos seus privilgios. Ele tentou retomar a imagem que criara como governador de Alagoas, de caador dos marajs do servio pblico, um novo Jnio Quadros (at no olhar algo estrbico) numa campanha contra a corrupo, um renovador de costumes e procedimentos, pioneiro nacional, cujo smbolo maior, o automvel, ele desdenhara como carroa. Collor no teve sucesso na tentati va de se apresentar como perseguido poltico. Prevaleceram as denncias de corrupo apresentadas contra ele e sua eminncia parda, o coordenador e verdadeira sombra palaciana, PC Farias. Collor perdeu. Mas a corrupo que o derrubou parece at infantil comparada atual. Luiz Incio Lula da Silva, representante tambm de outro extremo da sociedade nacional, a dos retirantes nor destinos e operrios do maior centro industrial do continente, em So Paulo, tenta seguir o mesmo caminho. Em um comunicado dirigido ao Comit de Direitos Humanos da ONU, ele se queixou das arbitrariedades contra si prati cadas pelo juiz federal Sergio Moro no mbito da Operao Lava Jato. O rol de abusos extenso e srio: vai desde a privao da sua liberdade, em situao no prevista em lei at a divulgao de conversas interceptadas, gislao brasileira. O ex-presidente disse ainda que Moro lhe fez 12 acusaes em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, deixando a condio de juiz imparcial para se tornar acusador. Alm de ferirem a dignidade do ex-presidente da repblica, esses atos artigos do Pacto dos Direitos Civis e Polticos adotado pela Organizao Brasil em 1992. Seus advogados negam que o clien te tenha se precipitado ao recorrer ONU quando ainda no esto esgotadas todas as instncias recursais de que ele dispe na justia brasileira. Alegam que o artigo 5 do Protocolo Facultativo assinado pelo Brasil em 2009 assegura o acesso de qualquer cidado ao Comit de Direitos Humanos da ONU. O dispositivo prev ainda a hiptese de acesso ao rgo tambm para impedir a continuidade da viola o aos direitos fundamentais. Seria este o caso concreto que submeteu s Naes Unidas. Seus advogados propuseram que o debate em torno da questo busque responder s perguntas que formularam: Pode um juiz privar um cidado de sua liberdade por meio no previsto em lei? Pode um juiz divulgar conessa conduta como criminosa? Pode um juiz acusar a pessoa que ir juldecretar uma priso temporria de algum sem que houvesse o pressuposto para a medida que a existncia de um pedido do rgo policial ou do Ministrio Pblico? Essas mesmas perguntas foram feitas e respondidas no mbito interno do pas e no foram respostas favorveis a Lula. Sua defesa decidiu ento considerar contaminadas de preveno e parcialidade essas respostas. Mesmo continuando a utilizar os recursos de que dispe na lei, foi diretamente a um no mundo, que a ONU. um procedimento legtimo, mas no deixa de ser arriscado. Sua teme ridade (que alguns interpretam como desespero, diante do avano lento, mas constante de Moro sobre o ex -presidente) talvez tenha a ver com a falta de alternativas. O modelo ao qual tentam ajustar o apelo no o de um perseguido poltico. No so os atos polticos que esto sendo questionados na Lava-Jato. So atos administrativos, que teriam origem ou desdobramentos esprios, de alguma forma vinculados a um esquema de corrupo que desviou para particulares dinheiro pblico, alm de desvirtuar atos do governo para atender interesses privados. Tudo isso coberto por superfaturamento de obras pblicas para o pagamento de propinas. Talvez tenha sido no governo Lula que mais bilionrios surgiram no Brasil. O tesouro nacional transferiu centenas de bilhes de reais para cobrir subsdios e favorecimentos concedidos por bancos pblicos, principalmente o BNDES, a empresas selecionadas, a pretexto de dar ao pas uma posio de destaque na economia mundial. verdade que talvez s Getlio Vargas tenha favorecido tanto os trabalhadores e as populaes excludas quanto Lula. Mas colocando na balan incluso social com os desvios onerosos de recursos para particulares, sua condio de novo pai dos pobres seja passvel de profundo questionamento. Se Lula foi um Robin Hood, a roubar dos ricos para dar aos pobres, agovio tenha superado em muito o valor que chegou aos desfavorecidos da brutalmente injusta sociedade brasileira. O risco da sua iniciativa de ir das as acusaes que lhe so feitas pela fora-tarefa da Lava-Jato, que dizem respeito moralidade pblica e no a crime poltico, em sua esmagadora maioria referendadas pela instncia mxima da justia brasileira, o SFT, o mito de Luiz Incio Lula da Silva, de ser o mais importante presidente que o pas j teve, sofra forte abalo e at possa desmoronar desta vez, em escala mundial. Vendo as coisas no estado em que se encontram, no h dvida que esse teste far bem a todos e, sobretudo, ao Brasil.

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12 JORNAL A Palavra jornal catlico (ento no seu 42 ano de existncia), circulou no nal de agosto com edio especial (de nmero 1.530), com dois cadernos, num total de 12 pginas, toda dedicada ao congresso eucarstico. Publicou as imagens feitas pelo Foto Leite, numa gentileza especial. O diretor do jornal era J. C. Oliveira. Sua sede, com redao, administrao e ocinas, cava na Castilhos Frana, de frente para o Ver -o-Peso. CATLICOS A comisso executiva do congresso era integrada pelo arcebispo metropolitano, dom Mrio de Miranda Villas Boas (presidente), vigrio-geral, monsenhor Amrico Leal (1 vice-presidente), Aldebaro Klautau (2 vice-presidente), Orlando Costa (secretrio geral), Jovelino Coimbra (1 tesoureiro) e Carlos Morais (2 tesoureiro). Das comisses auxiliares participavam o padre pio Campos (imprensa e rdio), Jovelino Coimbra (hospedagem), padre Davi S (culto e alfaias), som Plcido Oliveira (msica e canto), Otvio Pires (altar-monumento), Camilo Nasser (iluminao e ornamentao), Flvio Faria (lembranas do congresso), comandante Antonio Giordano (procisso eucarstica fluvial), padre Nelson Soares (comunho geral da infncia e juventude), padre Adolfo Serra (comunho geral dos homens e rapazes), padre Geraldo Menezes (comunho geral das senhoras e moas), padre Afonso di Giorgio (exposio de arte sacra), padre Eurico Kreuter (exposio missionria), madre superiora das Dorotias (paramentos e costuras), Voz do Congresso Eucarstico, Armando Mendes, e recepo, monsenhor Amrico Leal. CISO O grande fato poltico do ano foi o rompimento da famlia Meira com o senador Magalhes Barata. A ciso se materializou num manifesto contra o absolutismo e a prepotncia do caudilho, publicado pela imprensa. Barata reagiu com um pronunciamento pelas emissoras de rdio, que constituam o principal meio de comunicao com o povo. DESCONTO Em homenagem ao congresso, a Farmcia Leal oferecia 10% de abatimento em todas as compras que fossem efetuadas at o dia 16 de agosto. A farmcia cava no incio da Joo Alfredo. memriaC OTIDIAN Odo 1953PROPAGANDAEdio especialA capa do caderno especial do jornal catlico A Palavra sobre o congresso eucarstico.Belm sediou, a partir do dia 15, o XVII Congresso Eucarstico Nacional, 63 anos depois de abrigar o sexto, em 1953. A cidade saa do seu isolamento e surpreendeu muitos dos que vieram para participar da reunio, como observou Josias Soares num balano que podia ser refeito agora. Em artigo de jornal, ele se perguntou sobre o que foi realizado para tornar possvel o acontecimento: Como se reuniram 30.000 crianas, 50.000 senhoras e senhorinhas e 80.000 homens para as comunhes na Praa do Congresso [atual praa Waldemar Henrique, depois de ter sido John Kennedy]; como se processou o Tributo Sagrado, com a contribuio quinquenal; como se procederam as Misses pelos Padres Redentoristas h um ano, apenas; como se fizeram as jornadas pelos subrbios e pelo interior; como se venderam as lembranas; como se multiplicaram as carteiras de congressistas; como se atraram os peregrinos; como se hospedou toda essa gente que nos cativou vindo conhecer esta terra hospitaleira; como no se verificou um s desastre na pletora do trnsito; como no houve um s desrespeito; uma nica tentativa de sacrilgio. A seguir, alguns tpicos da Belm desse ano.

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13 OFERTA A.F. (Antonio Farias) Coelho comunicava aos senhores construtores, pintores e a quem mais interessar que suspendeu a greve dos preos baixos, Entretanto, tinha resolvido manter a greve dos preos abafantes na sua loja de material de construo, na Padre Prudncio, bem perto da igreja de Santana. ENCHENTE O presidente Getlio Var gas deu ordem para os rgos federais socorrerem as populaes atingidas pela enchente do rio Amazonas, das maiores de todos os tempos. Embarcaes e outros recursos foram mobilizados para salvar pessoas, rebanhos e outros bens. MATADOURO Depois de ser desativado como matadouro pblico, o Curro Velho, construdo na administrao de Lauro Sodr, serviu de sede para a Imprensa Ocial do Estado. Obras simples estavam sendo realizadas para melhorar suas condies de funcionamento. FBRICA A fbrica de pregos Aliana, no Reduto, parou por falta de matria prima. A carteira de exportao e importao do Banco do Brasil negou a importao do produto. VIAGENS A Panair mantinha trs linhas de Belm para o interior da Amaznia. Um voo fazia escalas em Monte Alegre, Santarm e bidos para chegar a Manaus. Outra ia para Santarm e Manaus. E a terceira parava em Altamira, Santarm, bidos, Parintins e Itacoatiara antes de pousar na capital amazonense. Para o Rio de Janeiro havia um voo direto do Constellation, que era o mximo da poca. Numa dessas viagens estavam no belo avio integrantes do jet-set da cidade, como Zara e Aurlia Passarinho, Jean e Osita Bitar, Otvio Pires, Herbert Seidel, a famlia Guimares e Jos Vergolino. Era muito chic. MORAL Registro policial que hoje pode ser encarado como relquia museolgica: Encontra-se preso no posto do Guam Juscelino Mendes de Oliveira, paraense, pardo, solteiro, de 35 anos, residente travessa Baro de Mamor 436, o qual escreveu um bilhete para uma moa residente avenida Jos Bonifcio, onde empregou somente palavras de baixo calo, e tratava de coisas imorais. Ofendida com o contedo da car ta, mostrou-a a seu pai, que, incontinenti, formulou queixa no posto, sendo o imoral preso. Est disposio do chefe de Polcia. PARTEIRAS O Hospital da Ordem Ter ceira de So Francisco concedeu diploma de parteiras prticas a 11 alunas aprovadas no exame de habilitao. Elas atuavam nos principais hospitais e casas de sade da cidade, reconhecidas pela secretaria de sade do Estado. LEPRA O Servio Nacional de Lepra (expresso substituda por Hansenase para combater a discriminao social) desenvolvia em Belm (com sede na atual avenida Governador Jos Malcher) um programa de prolaxia da doena, que tinha alta incidncia na cidade e no seu entorno. Atravs de edital, o rgo convocava os interessados na construo de um grupo de casas geminadas para seus funcionrios, incio da construo de um pavilho de servios mdicos em enfer maria na colnia de Marituba, onde os doentes eram mantidos em connamento. ATRASO Enquanto isso, o Servio Nacional de Febre Amarela, uma das principais endemias da regio, no pagava os salrios dos seus funcionrios desde abril. ICOARACI Por motivos considerados tcnicos, os SNAPP (empresa federal de navegao e portos da Amaznia) no puderam atender o pedido de que o navio da linha para Mosqueiro fizesse uma parada em Icoaraci. No dava para atracar no terminal da vila. ADVOGADOS O escritrio de advocacia Bitar-Mendona, dos mais conceituados da praa, era dirigido por Orlando Bitar e Otvio Mendona, aos quais se incorporou Orlando Costa (que chegou ao Tribunal Superior do Trabalho). O setor imobilirio, com Orlando Costa, comprava, alugava, vendia, legalizava, traspassava, promovia financiamentos e administrava imveis. O escritrio ficava na rua 13 de Maio. COSTURA Viva Jares & Cia., atravs da Alfaiataria Esporte Londrino (na Gaspar Viana), no comrcio, confecciona com perfeio ternos, camisas, etc.. Oferecia ao fregus casimiras, linhos tropicais estrangeiros e nacionais. FOTOGRAFIAMutaes da praaAquele espao entre a avenida marechal Hermes e a Gaspar Viana sempre foi problemtico em Belm. Era uma rea quase descampada quando abrigou o congresso eucarstico, em 1953. Depois, serviu de palco para lutas e touradas. Depois, homenageou John Kennedy, o presidente dos Estados Unidos, assassinado exatamente 10 anos depois da conveno catlica. E agora homenageia o maestro Waldemar Henrique, sem que se possa dizer que altura dos seus mritos, j que aquele continua a ser um campo de provas da urbanizao. Note-se, na foto de 63 anos atrs, outra portentosa caixa dgua metlica que foi ao cho, junto ao igarap do Reduto.

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14 Jornal Pessoal Editor: Lcio Flvio Pinto Contato: CEP: 66.053-030E-mail: lfpjor@uol.com.br www.jornalpessoal.com.br Blog: Luiz Antonio de Faria Pinto (LuizP) MEU SEBODrummond e nsCarlos Drummond de Andrade publicou seu primeiro livro de poesias quando tinha 28 anos de idade. Algu ma Poesia do cabalstico ano de 1930 (quando ruiu a Repblica Velha e Getlio Vargas comeou a sua jornada para se tornar o mais inuente poltico da repblica brasileira), abre com um poema clssico. Geraes decoraram esses versos inaugurais: Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. Outro verso forte, que virou mote de vida e de carnaval: Meu Deus, por que me abandonaste/ se sabias que eu no era Deus/ se sabias que eu era fraco. E o momento culminante, que se incorporou ao inconsciente coletivo do pas: Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, no seria uma soluo. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto meu corao. Por duas vezes encontrei pelos sebos a primeira edio de Alguma Poe sia mas no tive dinheiro para compr -la. Eu pude l-la com meus dedos no apartamento de Haroldo Maranho, no Rio de Janeiro. Haroldo tinha uma rica coleo de primeiras edies dos modernistas brasileiros. Tanto z que consegui ajudar a trazer sua biblioteca para Belm, com a decisiva ajuda de Rohan Lima e o patrocnio da Vale. Os livros esto (mais ou menos) disponveis no Centur. O que consegui foi a 2 edio de Fazendeiro do Ar & Poesia At Agora. A primeira foi de 1954. A segunda, no ano seguinte, nas maravilhosas edies que Jos Olympio criava, enriquecidas por textos preparatrios e excelente iconograa. O volume reuniu oito livros de Drummond, em 561 pginas, impresso em setembro de 1955, quando, completando exatamente nesse ms seis anos de idade (e chegando a Belm, vindo de Santarm), eu ainda no era leitor do poeta de Itabira. Mas viria a ser uns seis anos depois, quando li um dos poemas dele que mais me impressionou. Nele, o poeta relata a morte de um leiteiro em A Rosa do Povo que muitos consideram seu melhor livro. Eu prero Sentimento do Mundo Leitores da minha gerao sabiam de cor muitas poesias de Drummond. Mas tivemos um perodo de distanciamento e rejeio do poeta, que cometia os erros condenados nos outros, como o de escrever sobre circunstncias, ainda que sem cair nos babosos versos de Manuel Bandeira, que homenageou at um sndico do seu prdio. Mrio Faustino tambm insuou a nossa decepo por Drummond no ser tambm um crtico como Ezra Pound. Com o tempo, porm, nos reconciliamos com o grande poeta e seus escorreges. Ningum perfeito. Nem CDA.Ananindeua: a periferia maltratada em 7 dcadasEm seus 71 anos de vida poltica independente como municpio, Ananindeua teve Manoel Pioneiro como seu prefeito por mais de 11 anos. Ou seja: em 15% da vida poltica do segundo maior colgio eleitoral do Par, Pioneiro foi o chefe da comuna. Ele foi referendado pelo PSDB para tentar uma faanha indita: conquistar o quatro mandato em duas etapas, ou ser prefeito ao longo de 16 anos, s interrompidos pelos oito anos intermedirios de Helder Barbalho, do PMDB, a outra face da mesma moeda de cara-e-coroa. Na conveno que referendou seu nome, ao lado do governador tambm tucano Simo Jatene, detentor de igualmente inditos trs mandatos no cargo poltico mais importante do Estado, Pioneiro apresentou como credenciais algumas obras que mudaram a sionomia de Ananindeua. As obras existem realmente e chegam a impressionar quem se deixa inuenciar por fachadas, aparncias, simulaes. Na essncia, o balano dos prs e dos contras deixa Ananindeua numa situao lamentvel. Certamente parece que melhorou comparativamente a um passado mais remoto. Mas piorou muito no conjunto das regies metropolitanas do pas, arrastada para o fundo do poo por Belm, uma das piores se no a pior dentre as capitais do Brasil. Quem pudesse voltar ao passado mais rstico e de aparncia menos exuberante do que o presente optaria por viver assustado, merc da violncia, preso a um trnsito selvagem nas idas e vindas por funis virios, sujeito a doenas derivadas de ms condies sanitrias e higinicas, atado a empregos de baixa qualicao e remunerao, e tudo mais que tornam a qualidade de vida to ruim? Com seu progresso de fancaria, o PSDB tem se mostrado incapaz de desgar rar a Grande Belm da sua pesada cruz de infortnios, mais de duas dcadas depois de domin-la politicamente. Estabeleceu um domnio to medocre que eliminou at mesmo a oposio, ou a nivelou por parmetros to baixos que a alternativa a mais mandatos tucanos gente talvez ainda pior. Gente que podia inovar, mas, por seus antecedentes e pronturios, vai mesmo prosseguir no rosrio de decepes. Pobre Belm, que, de grande, tem a mediocridade dos lderes, a pasmaceira das elites e a pobreza generalizada e crescente dos seus pobres.

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15 No primeiro semestre deste ano, o BNDES teve que provisionar em quase 10 bilhes de reais suas carteiras de crdito e repasses e de participaes societrias (em nmeros exatos, R$ 9,588 bilhes). No mesmo perodo do ano passado, essa despesa somou R$ 1,635 bilho. A despesa com proviso para risco de crdito atingiu R$ 4,438 bilhes at maro. Quase 10 vezes mais do que no mesmo perodo de 2015, quando essa proviso foi de R$ 480 milhes. No segundo semestre do ano passado chegou a R$ 988 milhes. Esse desempenho, segundo o relatrio divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social, foi deter minado por importantes ajustes de classicao de risco na carteira de crdito e repasses, reetindo o cenrio econmico brasileiro desfavorvel nos primeiros seis meses deste ano. O aumento das despesas com provises, relata ainda o banco, foi provocado, em grande parte, pela reviso do rating de empresas da carteira do BNDES e pelo impairment (ajuste ao valor esperado de realizao) de investimentos da carteira de participaes societrias em empresas no coligadas. Da o BNDES registrar prejuzo lquido de R$ 2,174 bilhes, no primeiro semestre de 2016 contra um lucro de R$ 3,515 bilhes em igual perodo de 2015. Mas o banco comemorou o fato de a sua inadimplncia ter-se mantido em patamar muito baixo no primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, o ndice referente a 30 dias alcanou 1,38% em 30 de junho, superior, porm, ao registrado no nal de 2015. O banco ressalta, no entanto, que o produto de intermediao nanceira compensou o impacto negativo das provises em 2016, alcanando R$ 12,2 bilhes no semestre, um aumento de 25,2% em relao a igual perodo de 2015 e de 17,7% sobre o segundo semestre do ano passado. Esse desempenho foi obtido por maior rigor na gesto do caixa do banco, como ele destaca: O resultado foi devido combinao de dois fatores: volume elevado de amortizaes dos nanciamentos concedidos, sem que, em paralelo, houvesse aumento de desembolsos. Os recursos no aplicados na carteira de crdito foram migrados para a carteira de tesouraria. Entretanto, a carteira de crdito e repasses do BNDES atingiu R$ 650 bilhes no primeiro semestre do ano, uma reduo de quase R$ 50 bilhes (7,0%) em relao a dezembro de 2015. O relatrio explica que esse resultado foi influenciado pelo efeito da depreciao do dlar na parcela em moeda estrangeira e pela reduo da parcela em moeda nacional, impactada pelo fim do Programa de Sustentao do Investimento (PSI), em dezembro de 2015. A carteira de participaes societrias alcanou quase R$ 60 bilhes no primeiro semestre, um aumento de 12,2% em relao a 31 de dezembro de 2015. Significativamente, a alta foi provocada pela valorizao, de R$ 8,4 bilhes, da carteira de par ticipaes, notadamente em aes da Petrobras, Eletrobras e Vale, todas com complicaes no mercado de capitais, a estatal do petrleo com o gravame de estar na mira da Operao Lava-Jato. A despesa com proviso para perdas (impairment) de R$ 5,150 bilhes no semestre no teve impacto relevante na posio patrimonial, por se tratar da reclassificao para o resultado de perda j reconhecida no patrimnio lquido, justifica o relatrio. O patrimnio lquido do BNDES totalizou quase R$ 37 bilhes no primeiro semestre do ano, um crescimento de R$ 5,8 bilhes (19%) em relao a 31 de dezembro de 2015. A alta resultou, principalmente, do efeito positivo de R$ 5,1 bilhes, lquido de tributos, decorrente da valorizao da carteira de participaes societrias, que absorveu o prejuzo lquido de R$ 2,1 bilhes. O polmico BNDES parece caminhar para a recuperao da sua atuao na economia brasileira atravs do saneamento interno. emria do CotidianoEste deveria ser, na verdade, o 8 volume desta srie, pois no ano passado, para atender procura dos leitores, publiquei um volume extra com o 1 e o 2 volumes (revistos e corrigidos), que se esgotaram. Virou um lbum, pelo seu volume e significado. A srie retomada agora e espero que corresponda s expectativas dos leitores.MBNDES: saldo positivo entre a perda e o ganho

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pera cara? E quem paga?Tratei no meu blog a 15 edio do festival de pera do Teatro da Paz. Informei que a Secretaria de Cultura do Estado gastou 310 mil reais s com o pagamento de cach aos artistas que participaro de dois espetculos do XV Festival de pera do Teatro da Paz. O mais alto cach foi o de Roni Hirsch, no valor de R$ 67 mil. Ele foi o responsvel pela cenografia da cantata Los Pajaros Perdidos e pela pera Turandot. O maestro Miguel Campos Neto, que paraense, teve direito a R$ 61,6 mil para reger a Orquestra Sinfnica do Teatro da Paz. Pouco mais de R$ 24 mil foram reservados ao corpo de bal. Como so 10 bailarinas, cada uma recebeu R$ 2,4 mil. O cach mnimo aos 10 artistas individuais foi trs vezes maior.Para se apresentar como solista no concerto de abertura, a soprano paraense (residente na Alemanha) Adriana Carvalho de Queiroz recebeu oito mil reais. J Ana Maria Adade da Silva teve direito a R$ 17,5 mil para ser pianista co-repetidora em Los Pajaros Perdidos, na mesma funo e como ensaiadora do coro, preparao de material e maestro interno em Turandot, alm de pianista no espetculo de encerramento. muito ou pouco dinheiro? As artistas merecem? Qual a justificativa para contrat-las sem exigir que se submetam a concorrncia pblica? Por que contrat-las atravs de uma empresa de fora (principalmente de So Paulo), cujo endereo no indicado no termo de contratao? Com quanto o intermedirio ficar? A definio dos espetculos e dos seus integrantes tem que ser sempre isolada, sem passar por um colegiado? So as perguntas de sempre. E, como sempre, ficam sem respostas oficiais. Mas como os leitores do blog se manifestaram, reproduzo suas mensagens e minhas respostas. Preenchem minimamente o vcuo e o silncio mantidos sobre essas questes.Jos Silva Est caro? Talvez no. Quanto o Festival vai arrecadar entre venda de ingressos e patrocnios? Ser um festival somente para a elite ou levar a opera para todas as classes? Precisamos fazer uma anlise de custo/benefcio social. Mylo Desde 1995 e essa choradeira e crticas com o festival do Paulo Chaves, sabe o que vai acontecer: em outubro de 2018 vota-se no candidato PSDB-LIBERAL, mais 4 anos de PC e PERA. SIMPLES. LFP Tenho minhas dvidas se, desta vez, voltar a ser tudo como dantes no quartel do Paulo. Miriam Daher Acho um desser vio car atacando os espetculos de pera simplesmente porque no se gosta do secretrio de cultura. Paga-se muito mais a cantores ditos populares e ningum reclama. Parece que o Brasil no aceita o que bom. Complexo de Jeca, que fazer? Deixei um comentrio que sumiu. Sem pacincia para repeti-lo, mesmo porque no sairia igual. LFP Eu gosto do Paulo, Miriam. Somos (quase) amigos h muitos anos, mas 45 anos atrs, numa conversa direta que se transformou em longa entrevista em A Provncia do Par, eu j o criticava. Nem por isso deixei de gostar dele e admir-lo. O que no signica aprovar tudo que ele faz. Elogio quando acho que merece e critico tambm, sem qualquer inibio, na esperana de que as nossas relaes pessoais no sejam afetadas por nossas divergncias, s vezes frontais mas expostas, ao menos por mim, de maneira leal, honesta e de pblico. Gosto de pera, embora minha maneira. Talvez de jeca mesmo. Mas se voc for se dar ao trabalho de ler outros posts deste blog, ver que tenho criticado o dinheiro que se esparrama, atravs de emendas parlamentares, por grupos e pessoas medocres da chamada msica popular. Na era da borracha tivemos espetculos opersticos e autores de msica erudita. Parecia que essa cultura caria para sempre em Belm, que no seria apenas o sepulcro de Car los Gomes. Mas no cou. O dinheiro acabou. A cultura evaporou. Felizmente agora as sementes so melhores e o terreno escolhido mais frtil, tanto no Conservatrio Carlos Gomes quanto em algumas iniciativas particulares meritrias. No entanto, discordo de se gastar dinheiro (que muito para os desvalidos e saqueados cofres pblicos) para montar espetculos que tm pouco efeito demonstrativo e de enraizamento. Penso que seria melhor trazer instrutores qualicados para descobrir talentos locais, form-los, instru-los e dirigi-los em espetculos. Uns poucos que apreciam e conhecem pera so bem servidos, Ganham e mais os agentes e representantes dos artistas, alm dos prprios, a esmagadora maioria de fora. No meu artigo no discuti se merecem ou no. Falta-me competncia para arbitrar valores. O que questionei que a deciso sobre o que fazer com o dinheiro pblico seja tomada solitariamente e os critrios para no fazer a devida licitao pblica passam ao largo do conhecimento da sociedade. Anal, estamos ou no numa repblica? Ah, Miriam: no sei como seu comentrio sumiu. No edito comentrios. Eles saem tal como chegam, imediatamente. Veja se no ficou pelo caminho.