Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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Full Text

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CRISE NA UNIMED NAUFRGIO NO PARESTRANGEIROS: AMEAA o aPodia ser mais um caso de agrante de trco de cocana, dos que so registrados todos os dias, com ou sem mortes, com ou sem priso de tracantes. A polcia encontrou 44 petecas de pasta base de cocana e certa quantia em dinheiro na residncia de um casal de jovens, ele, portugus de nascimento, de 28 anos, e ela, paraense, de uma extensa famlia local, de 25. A droga e o dinheiro estavam no quarto do casal, que ca no ltimo andar de um prdio de trs pisos. No trreo, funcionava o bar/bistr explorado por Karllana Cordovil e Joo Pedro Sousa Pauprio. Mais conhecido por Oito, era um local de encontro de artistas, intelectuais, jor nalistas e outros personagens apontados como alternativos e por isso, em tese, culpados at prova em contrrio, na interpretao s avessas do velho brocardo jurdico (todos so inocentes at prova em contrrio). No dia seguinte os jornais se serviram do material que a polcia lhes forneceu, incluindo a fotograa dos delinquentes, o homem de peito nu, a mulher (retirada da cama em que dormia, ainda de manh) mal arrumada, com o olhar espantado (ou em choque) para a cmera. Tracantes certos, marginais bvios, apesar dos proVIOLNCIAOutro sonho acabouUm bar alternativo de classe mdia, em ponto central da cidade, pretendeu se estabelecer como referncia de certa contracultura em Belm. Trs anos depois de iniciada, sua histria chegou ao fim. preciso escrev-la para aprender as lies dessa histria.

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2 testos de inocncia, como sempre. Os policiais no amolecem e a populao quer punio. Mas no foi o enredo de sempre, desta vez. Os dois tinham se mudado do antigo endereo, numa das partes mais valorizadas de Belm, porque eram vizinhos do general comandante do exrcito e do arcebispo metropolitano. O barulho os incomodava, assim como aquela fauna de gente mal encarada. A polcia fez vrias batidas intimidatrias ou o que mais l visasse, como a sempre comentada e raras vezes comprovada extorso. Para se proteger, Joo e Karllana comearam a lmar as aes policiais e a reclamar corregedoria da segurana pblica das tentativas de intimidao de que se declaravam vtimas. Num dos episdios, disponvel em vdeo na internet, Karllana fala com certa intimidade com o coronel-corregedor, que a ouve e depois manda os PMs se retirarem do local. Apesar dessa receptividade, os donos mudaram o bar para trs quadras dali, na Piedade com a Henrique Gur jo, sem a mesma imponncia na vizinhana. O Oito cou ao lado de uma boate, que mudou de sionomia e funo seguidas vezes, fechando por causa da fragilidade do negcio, no por alguma ao repressiva da polcia, apesar da aparncia algo assemelhada ao pessoal do bistr alternativo. E ressurgindo logo ou muito depois, como agora. A polcia continuou de olho no bar, at desencadear uma espalhafatosa e inverossmil investida, que resultou no agrante e na priso de Joo e Karllana. Flagrante to falso que trs dias depois o juiz da vara das execues penais no apenas mandou soltar o casal como extinguiu o processo. Mas o estrago j estava feito. Assustados, os dois decidiram migrar para Portugal, a terra de Joo, de onde no regressaram nem para o fechamento do bar/bistr, no dia 10, numa festa simultnea trasladao do Crio de Nossa Senhora de Nazar, promovida por clientes e amigos. A carreira do bar durou trs anos e a odisseia, depois da priso, trs meses e meio. Histria encerrada? No. O que aconteceu com o bar alternativo, por sua excepcionalidade, um momento raro para penetrar no submundo da criminalidade e, em particular, do trco de drogas, que assola Belm (e o mundo). No geral, as operaes policiais so executadas na periferia da cidade, prendendo pessoas annimas, fora do mbito de interesse dos que inuenciam a opinio pblica e sem a possibilidade de interferncia ou participao desses personagens. A constncia desse crime, que talvez j seja o mais importante na capital paraense, impede o observador de comprovar a verso policial sobre o traficante, a quantidade de droga apreendida, a organizao criminosa e tudo mais que chega pronto e acabado para a imprensa reproduzir sem o menor senso crtico. O volume do problema pode ser percebido pela enorme votao para deputado federal do delegado der Mauro, da polcia civil, que se apresenta (e aceito) como o paladino no combate aos tracantes, feito em cima de ps rapados da periferia (perigosos, mas no poderosos), e do coronel Neil na Assembleia Legislativa, os lderes da dita bancada da bala (que na semana passada fez festa para o deputado federal Jair Bolsonaro, ocial da reserva do Exrcito). Talvez porque para os policiais envolvidos na perseguio ao Oito se tivesse tornado uma questo obsessiva, daquelas que consideram como de honra pessoal (as leis no interessam), eles cometeram muitos erros na operao. Ela foi realizada num local visvel, envolvendo pessoas conhecidas, com desdobramentos imprevistos, sob cir cunstncias quase circenses. Apesar da rejeio da justia ao agrante, a fora bruta acabou por prevalecer: o bar fechou as portas e seus donos, muito abalados, foram para bem distante, em busca da recuperao da sua estabilidade emocional e de um novo rumo na vida. Talvez tenham desistido da forma alternativa que tentaram seguir, como muitos outros, diante da brutalidade que impera nas ruas de Belm. A oportunidade de furar o bloqueio corporativo, que inclui a imprensa, ao lado da face espria do aparelho estatal de represso, que dela obtm sua legitimidade, foi perdida em funo dos esteretipos que prevalecem. Num ambiente de violncia crescente, total, o cidado renuncia fora da razo e d razo fora, na iluso de que ela lhe devolver a segurana. Os nmeros mostram que esse um caminho que no leva a bom porto. Da a violncia se expandir constantemente. Decidi no desperdiar a possibilidade de colocar meus leitores em alerta para uma reexo mais profunda sobre esse drama, quebrando a quadratura desse crculo para que ele no esteja sempre a renovar o crculo vicioso. Reproduzo a notcia publicada, no dia seguinte priso, pelo Dirio do Par que ouviu apenas a polcia. exemplar de um padro de abordagem jornalstica que desserve o interesse pblico e se torna conivente com a violncia, se que no a estimula ainda mais. Em seguida, uma seleo das manifestaes de leitores no DOL, o portal noticioso do jornal do senador Jader Barbalho, feitas as devidas correes e ajustes para sua melhor inteligibilidade. uma amostragem da opinio pblica. Espero, com esta iniciativa, no deixar que, mais uma vez, prevaleam os interesses dos que promovem ou preservam a terrvel violncia que assola o morador de Belm do Par.

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3 MATRIA DO DIRIOCasal dono de bar de Belm preso por trcoUm casal proprietrio de um bar localizado no bairro do Reduto, em Belm, foi detido na manh desta quinta-feira (25), suspeito de envolvimento com trco de drogas. Segundo a Polcia Civil, Joo Pedro Sousa Pauprio, de 28 anos, e Karlanna Cordovil de Carvalho, 25 anos, foram agrados com pasta base de cocana dentro do estabelecimento, chamado Bar Bistr, localizado no cruzamento da travessa Piedade com a rua Henrique Gurjo. Uma equipe de policiais foi at o local aps receber uma denncia annima sobre a prtica do trco de drogas no local. Durante a abordagem, foram encontradas 44 petecas de pasta base de cocana e uma quantia em dinheiro. No bar do casal, foram encontradas 44 petecas de pasta base de cocana, alm de dinheiro. (Foto: divulgao/ Polcia Civil) O casal foi encaminhado para a Seccional Urbana do Comrcio, onde foi autuado por trco de drogas. Eles per manecem retidos no local, aguardando deciso da Justia. Qualquer cidado pode fazer uma denncia annima sobre prticas criminosas pelo Disque-Denncia, atravs do telefone 181. O sigilo garantido. (DOL com informaes da Polcia Civil) OS C O MENTRI OS S andra Bar alternativo papo de maconheiro. A polcia fez seu trabalho de forma correta. Toda essa onda pra blindar essa boca de fumo disfarada de bar. Pois todo mundo sabe que eles no caram presos muito tempo e a quando voltarem s atividade esse bar vai se transformar no templo da droga e a polcia vai estar de mos atadas para agir. Josiel Concordo! Esse pessoal tudo lhinho de papai que ca usando maconha e pensa que tudo culpa do sistema! Gente que nunca trabalhou e batalhou na vida! Alberto Esses tracantes e pertur badores da ordem continuam presos? Espero que sim, a Justia no pode ceder! Levy Eles estavam com o alvar de funcionamento tudo certinho. Tem vdeos na Internet provando isso, inclusive a dona do bar ligando pra corregedoria na frente dos supostos policiais, digo supostos porque isso pra mim no policial, ok? T tudo lmado. Foram vrias a queixas e denncias contra essa corja corregedoria e no zeram nada. Enm, se de um lado a populao est na mo de bandidos, do outro tambm. Faa seu trabalho, corregedoria, e investigue. Ou pelo menos nja. Alberto A justia para todos, empresrios com alvar, tracante tem que apodrecer na cadeia. Que a Justia seja dura com essa corja. Vo fazer mal pra vocs mesmos e deixem as famlias em paz! Nada de relaxar a priso cadeia neles e pena mxima! Otto C abral M endes Filho , sua besta, a priso deles foi forjada pela PM! Antes de acusar algum, saiba dos fatos! Ailton Kareana, estou pedindo a Deus nesse exato momento que voc saia dessa com seu marido, pois conheo sua ndole, mulher guerreira, honesta, que batalha pra vencer na vida. Estamos nos ps graduando e sei literalmente que voc no seria capaz disso. Deus prover minha amiga, e essas pessoas iro pagar por tudo que esto fazendo com voc. H uma lei uma energia que rege esse universo. Voc vai sair dessa, que oxal lhe proteja. Giovanna H muitas denncias a respeito de tentativa de extorso. A cor regedoria da PM deveria investigar isso. Observador Cad esses policiais que prenderam esse casal? Vou atrs deles, que esto distribuindo dinheiro, tem que botar na cadeia esses tracantes mesmos; Joo L. Quem conhece os dois sabe que eles so extremamente corretos e terminantemente contra o uso de drogas mesmo nos arredores do local, quanto mais dentro do bar. Pasta base droga de morador de rua! O que diabos eles ganhariam vendendo isso? H tempos os dois vm sendo ameaados pela polcia, por no pagarem propina aos mesmos, e por diversas vezes j externaram nas redes sociais o medo que sentiam de plantarem drogas em seu estabelecimento para incrimin-los. Se informe melhor antes de emitir julgamentos. Que os fatos sejam apurados e a corregedoria faa seu trabalho. T racante FDP Tracante tem que estar na cadeia! Mari Concordo. Policiais corruptos tambm. Se informe antes de sentenciar qualquer coisa. Proletrios de todo o mundo, univos. K. M arx Concordo que tracantes devem ir para a cadeia, mas eles no so tracantes, os policiais corruptos que devem ir para a cadeia, pois eles que forjaram isso, os donos deste bar jamais fariam uma coisa desse porque eles no deixam ningum fumar dentro do bar, e eles no vendem isso. A policia tentou incriminar antes disso acontecer que o som deles estava alto, mas no dava pra ouvir a musica direito da calada e eles no esperavam que os donos tinham um medidor de decibis, os donos tambm eram perseguidos pela policia desde quando o bar funcionava em outro local que era menor. Policiais Corruptos devem ser presos. O capitalismo imprestvel e deve ser extinto! Beto Prado O proprietrio portugus, extradita ele. E lvis M aia A secretaria de segurana pblica sabe mas nge que no. E comum policias visitarem bares, os mesmos bares, todas as noites para pegar o do refrigerante! Isso parece institudo, apesar de ferir a legislao militar e a tica no servio pblico. Na Cidade Nova: Bar Renascer, Black Pub, Bazar do Rock. s sentar l e observar: pronto, l vm eles pegar o dinheirinho da noite, como se fossem coitados sem salrios. Corruptos, sim, e deixam margem para concluses como o enxerto de provas contra quem deixa de pagar a extorso! Frank Policiais corruptos e bandidos. R evoltada Quem conhecia a rotina sabe, eles se preocupavam muito com a questo de menores entrarem l, no aceitavam o consumo de droga alguma no bar ou nas redondezas, pois a polcia vivia fazendo batidas l, revistando as pessoas que frequentavam. Agora, venda de pasta? Pra qu e pra quem? Acho muito estranho essa histria, muito mal contada. um bar frequentado por um pblico alternativo, mas no quer dizer que era um monte de drogado. Esses policiais perseguiam sim, e a questo da propina aqui dita, era por conta da presso que eles faziam pra que os donos pagassem propina pra que eles parassem de bater na porta do estabelecimento.

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4 Julia Tracante ou boqueiro tem que ser preto, pobre e morar na periferia. Porque se for branco, de classe mdia e morar no centro empresrio. Vo se danar, todo dia prises como essa acontecem nas baixadas de Belm e ningum ca com esse papo de injustia. So tracantes e mereceram ser presos. Pena que no temos leis como da Indonsia. R afael Voc deveria conhecer eles primeiro, a prpria ideia do bar aceitar a todos, independente da cor sexo ou qualquer opo ou condio. No h vitimismo pela cor deles, h mobilizao pela tima reputao que o casal tinha com os frequentadores do local. bem fcil criticar na internet no conforto de seu wi tudo o que a mdia coloca na tua cabea, difcil passar pelo o que eles esto passando agora, que com certeza no pouca coisa. Kaio S pra constar: nesse bar eu bebo cerveja na garrafa sem isopor e em copos descartveis, ento no vai criando a ideia de que o 8 um super bar porque aquilo l um boteco frequentado por ar tistas plsticos, atores msicos e etc. Beto Prado Bar conhecido por ser frequentado por usurios de drogas. A prefeitura tem que cassar o alvar, a DPA a licena e os proprietrios agrados julgados e condenados de acordo com a Lei. R afaela Isso um absurdo, conheo outros donos de bar que no existiriam se no pagassem propina para a polcia. Isso foi forjado, sim, como em muitos outros casos. Fora Kak e Joo, que a justia seja feita, Deus sabe o quanto vocs so honestos e trabalham decentemente! Igr Se entrarem em dia de festa na boate onde era o antigo African, no vo precisar nem plantar droga l dentro, que a quantidade que vo encontrar e a variedade de droga vai ser o suciente. Mas no, como l s lho de papai,os PMs no tm coragem de levar um desses preso.Triste realidade de que a polcia tambm faz parte da malandragem. N a maciota Tem um detalhe, que papo esse de que no pagou a propina? Quem trabalha correto, no precisa pagar ponta! Quanto aos causidicos, bom... deixa me calar, anal, todos precisam sobreviver. kkkkkkkkkkkkk Joo Alves Boqueiro tem ir preso, se forem inocentes tero a oportunidade de se defender, mas que todo mundo sabe das coisas, ah, isso sabe! Otavio Augusto Isso foi casinha, eu conheo essa galera e eles no tracam, muito pelo contrario, quando eles tinham o bar na Doutor Moraes com a Jos Malcher eles viviam sendo assaltados e a polcia no dava a mnima. Toda vez que se cria um espao alternativo em Belm o preconceito impera e comeam a fazer de tudo pra causar empecilho vida das pessoas. Deixa eles trabalharem em paz, gente, quem frequenta o bar sabe que no h consumo nem de cigarro na rea fechada, quanto mais de pasta de cocana, no tem cabimento isso, com a presso que eles sofrem pela polcia e sempre tentam ser o mais regular possvel. Acredito ser um tanto quanto improvvel que eles fossem se permitir o risco de serem agrados tracando neste recinto. Parece um mal entendido, pra no dizerem que quero sugerir outra coisa Felipe T na cara que armao, prendam os corruptos que forjaram a situao. Joo Batista Pelas petecas e as moedas, cheira a armao. Rafael E strela Nesse pas, quem no corrupto, vai preso. Ou voc corrupto, ou voc no pode fazer nada. Pela foto d pra ver a armao. Falam que encontraram uma quantia de dinheiro. Lgico, um bar, um comrcio! Como no haveria dinheiro? A forma como o espalham na foto pra parecer uma grande quantia ridcula. Empilham as moedas como se moedas de 1 real e de 10 centavos zessem qualquer diferena. Quanto s drogas, j cansei de ver cliente em diversos bares as usando. Qualquer pessoa minimamente atenta percebe os cheiradores saindo dos banheiros, com a tradicional coadinha no nariz. Todo mundo sabe disso, s no sabe quem nunca frequentou um bar na vida. Dizer que eles eram tracantes por encontrar drogas no bar o mesmo que dizer que nos outros bares em Belm tudo limpinho. Quanta hipocrisia! A nica razo para terem prendido o Joo e a Karllana que eles no pagavam a propina que a polcia queria. A polcia de Belm um horror. E ela um reexo da vida social, onde cada um s quer se dar bem em cima dos outros. Sociedade desigual, desunida, miservel e abandonada. Ser honesto em Belm o mesmo que ser otrio. Angelica Se essa parada fosse na Terra Firme tava tubo bem. Mas como em bairro de bacana d toda essa onda. A Polcia no presta, mas no venham me dizer que esse dois so santos. K Moro no Bengui, e frequento o bar, exatamente pelo espao alternativo que te garanto que j sofri muito mais no 8 em 3 anos de bar, que na minha vida toda morando no Bengu. Paula So inocentes? Cad as lmagens? Cad as denncias contra a PM na corregedoria e MP? Jonas Boca de fumo s existe na periferia. Em bairro de bacana armao da polcia. Vo tomar. Tracante e boqueiro no tm cara. Alberto Essa advogada criminal deveria, ao invs de oferecer seus prstimos nesse espao, procurar saber onde o casal foi autuado, para habilitar-se a defend-los, mas pela sua atitude j se percebe o nvel da causdica. Outra coisa: alguns leitores argumentam que no havia consumo de drogas no interior ou proximidades do bar. Tal argumento no os eximiria, em tese, da autoria de crime trco, bastando que vendessem a droga na condio de que no fosse consumida no estabelecimento. Alis, seria muita burrice vender drogas e permitir o consumo no bar. Luciana Gouveia A Karllana e o Joo so meus amigos, tenho a absoluta certeza que jamais fariam isso. Imagino como esto os familiares deles nestes momentos de provao, que deus os ilumine. Fico pensando nestas pessoas que nem os conhecem e cam pedindo pena de mor te. E se fosse um lho de vocs? A Karllana e o Joo tem curso superior, jamais venderiam droga de morador de rua. No estranha essa histria? O nico pecado deles foi trabalhar na noite, sem pagar propina para a Polcia Militar paraense, a mais corrupta do pas. A PM chegava no bar deles para implantar a droga e sempre a abordagem era lmada. Cad essas lmagens mostrando esses porcos fardados dando tiro pro alto? Neste momento, penso nos meus pais tambm, o que eles um dia podem ser obrigados a passar por estas falsas acusaes. Qualquer um de ns pode ter a honra destruda por estes policiais corruptos. Deus nos abenoe e nos livre destes bandidos vestidos de ver de oliva. R afael Claro que foi armao, havia pessoas vendendo drogas do lado de fora do 8 no ltimo sbado, a polcia revistou

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5 todos, levou muitos, e os PMs com certeza saram de l com vontade de boicotar de vez o bar mais do que nunca... Quem conhece o bar sabe que quem tenta usar drogas no local no mnimo expulso. Isso polcia? Como conar numa policia dessas? Adiel Luna A coisa t feia! Advogado vendendo servio em cima de matria o m da picada. Independente de todos os comentrios, no frequento e nem conheo as pessoas detidas, mas acho que hoje no existe muito espao para casinhas. Quando a polcia age, 95% dos casos embasada em provas irrefutveis. Que a verdade seja esclarecida. iago Brando Que pas esse em que tu vives? 95% baseado em que dado? E esses 5%? De fato, tu no conheces nem a metade dessa novela Bar do 8 x Polcia Adiel Luna iago, no emitir nenhum comentrio desrespeitoso aos denunciados e presos. Se existe novela nesta relao, que boa coisa no existe de fato. Se tu te dois tanto pela priso e fechamento do espao, porque caste sem lugar pra consumir esta merda. Kaio No houve comentrio desrespeitoso, e sim voc quem est acusando aqui, sem saber de quem, do como e do que se trata, burra e cega como um monte que nancia e apoia essa corja de bandidos fardados. Arthur A nica coisa de errada que os dois zeram foi no pagar propina pra polcia. Quem frequenta o lugar sabe que toda essa histria absurda. evidente que a situao toda foi forjada, visto que o Oito incomoda por ser um lugar que concentra muita gente que se ope organizao poltica da cidade. No entraram na dana, pelo contrrio: agiam sempre dentro da lei, respeitando horrios e mantendo o lugar em ordem. Belm, a eterna provncia, comandada por verdadeiros capites do mato, esmaga os que pensam diferente. Isso nunca vai mudar. Anna Vou reduzir meu comentrio... Essa polcia no me representa. Que vergonha da instituio, que vi meu pai por anos se dedicar, agora se prestar a esse papelo. Karlanna e Joo, estamos juntos, quem conhece (de muito prximo ou do mais prximo que possvel) sabe da guerra entre o estabelecimento e a polcia. Infelizmente a corda arrebenta pro lado mais fraco. Lukaku Muito engraado isso, agora aparecem esses advogados de porta de cadeias, se oferecendo para tirar esses vagabundos. Creio que anjinhos eles no so. Seus advogados oferecidos, vo se oferecer para trabalhar para as pessoas de bem. Gisele Primeiro, vai aprender a ter educao, no usar palavras baixas que denotam claramente o tipo de pessoa que voc No julgues e se coloque no lugar dos familiares. Respeito acima de tudo. O que voc ganha com isso?Vit Vagabundos? Primeiro, eles so donos de bar, que um estabelecimento comercial; Segundo, advogados fazem um juramento de compromisso com a justia e sociedade, todos ns temos direitos e obrigaes, brasileiro tem uma hipocrisia incrustada na alma, falando da vida alheia como se nunca tivesse cometido erros, ou tentado passar por cima dos outros injustamente, melhore suas palavras e no defeque com os dedos... Alberto C arneiro Pelo que li existem defensores da prtica (comercial) importantes. iago Brando Suspeitos e no julgados. Alis, quem circula pelos bares populares do centro sabe do histrico conituoso do casal com a polcia, que recorrentemente os intimidava, ameaava seus clientes, exigia propina. Todos sabem da averso da polcia ao bar. Eu no me surpreenderia se descobrissem uma armao suja da polcia. No entanto, nos cabe aguardar o desenrolar desse fato muito triste. Pois eu acompanhei a luta desse casal para fazer o bar funcionar. E tambm ratico o quo eles proibiam as pessoas de usarem drogas ilegais dentro e prximo do estabelecimento. Espero que eles tenham um advogado competente e que investiguem tambm se h m f da polcia. FERN ANDA No os conheo,mas no me admiro se a polcia fez casinha! Denys Agora, a coisa mais fcil chegar gente praticante dos bons costumes e hipcrita e disparar dio nos comentrios. O caso ser apurado e at l nada se poder fazer at esperar. Sabemos que existem brechas e falhas na justia brasileira, logo, no adianta sair cuspindo fogo pelas ventas. Tudo tem que ser apurado, pois de conhecimento geral da sociedade que assim como civis erram, a polcia tambm pode errar. Anal, so compostas por humanos. Independente do agrante, que o que complica, mas ainda, sim, tem que ver isso direitinho. M arcelo S ilva Aparentemente um casal de classe mdia e no de classe considerada pobre, ai est provado que a polcia tem de fazer batidas em lugares acima de qualquer suspeita, nos condomnios de luxo tem muitas coisas erradas e quem faz isso acha que tem as costas largas e no pega nada. Parabns a polcia, por tirar de rota dois destruidores de famlia, e no venham as merdas dos Direitos Humanos querer defender essas porcarias. Deveriam ser mandados para a Indonsia para fazer o que deve ser feito. Seus lixos da comunidade!!!! Laise Alcantara Cara, sou advogada criminal e pelo jeito voc por demais ignorante, s falta dizer que acha lindo tambm a brincadeira vexatria da policia de escrever PC com as petecas de cocana. C arlos Kleyton Pra mim isso ar mao ou algum despachou as coisas l dentro pra se livrar e acabou sobrando pra eles. Quem conhece a Karlanna e o Joo s um pouco sabe que eles no so metidos com isso. O bar do Oito sempre foi perseguido pela PM desde quando era na Doutor Moraes. Tomara que se livrem logo dessa acusao Laise S ouza de Alcantara Oi, sou advogada criminal e posso ajudar eles no caso at pra sarem da cadeia logo. Stallone C obra Se estivessem vendendo pinga, caipirinha, vinho, que so drogas lcitas, estavam s de boa faturando. Agora, vo curtir um xilindr e pensar se suas prticas delinquentes valeram a pena. Stallone C obra Diante dos comentrios em defesa do casal, vamos car na torcida de que foi um mal entendido. Tambm acho que seria muita burrice eles venderem drogas no bar pela formao que devem ter. T racante em Porta de E scola Tem que prender esses tracantes que cam vendendo drogas em porta de escola! I nterpretao de texto Concordo. Agora, qual a relao entre a notcia e seu comentrio? O casal em questo dono de bar e, muito provavelmente, foi vtima de armao da nossa querida PM, por no concordar em pagar propina pra policial corrupto. Melhor se informar antes de julgar os outros.

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6 O debate sobre a UnimedAcreditando na reportagem sria, que sua marca registrada, vimoa, por meio desta, esclarecer o outro lado da moeda desta cooperativa, que hoje encontra-se dividida pelos descaminhos da sua atual gesto. Primeiramente deixar claro que no ocupamos cargos em nenhuma gesto antiga ou atual desta cooperativa e somos cooperados inconformados e indignados com o quadro catico econmico, administrativo e de perseguies que hoje se implantou nesta instituio. Ns, cooperados, gostaramos de levar a pblico o que vem sendo divulgado pelos atuais gestores da Unimed Belem de forma leviana e inverdica. Ningum do grupo de cooperados que buscou seus direitos na justia, constitucionalmente protegidos, tem interesse em destruir ou causar qualquer malefcio Unimed Belm e sim zelar pela igualdade, legalidade e sustentabilidade da empresa de forma justa e honesta para todos e no sucumbir aos caprichos desenfreados do Dr. Wilson Niwa. O atual presidente foi, durante os anos de 2009, 2011 e 2012 conselheiro scal da cooperativa Para os no conhecedores, explicamos o que ser um conselheiro scal. O membro do conselho scal independente e responsvel pela scalizao minuciosa da cooperativa. Ele pode convocar assembleias, pode noticar o presidente e diretoria quanto a quaisquer que sejam os esclarecimentos que se zerem necessrios, pode sugerir aes, inclusive a destituio da diretoria por irregularidades, alm de aprovar os balanos. Ou seja, suas atribuies so muitas e ilimitadas para garantir o bem estar da cooperativa, alm de tambm responder solidariamente pela gesto que scaliza, por omisso ou no em caso de irregularidades. Responde ainda criminalmente (art .15 da lei 5.764/71 alm do art. 927 do Cdigo Civil). O Dr. Niwa e associados zeram sua campanha baseada em denncias contra a diretoria anterior, na qual ele foi conselheiro scal e assinou os balanos maquiados (artifcio contbil). Parece-nos que o Dr. Niwa est contaminado pelo vrus da Presidentinite, ou seja, no saber de nada depois de eleito e impor aos cooperados suas vontades, custe o que custar, desrespeitando os seus direitos. Estamos nos sentindo oprimidos! Vale salientar que alm do Dr. Niwa, que foi conselheiro scal da Unimed Belm e coordenador, por trs anos, foram tambm dois atuais membros desta diretoria igualmente conselheiros scais, Dr. Jorge Feijo, diretor atual do HGU (Hospital geral da Unimed) e sua esposa, Dra. Leila Haber (atual diretora nanceira). Por que foram omissos e tudo aprovaram? Ser que somente agora vericaram que tudo estava errado ou somente querem justicar suas incompetncias? Os balanos da gesto anterior foram auditados pelas empresas Delloits e Walter Heuer, apresentados em assembleia e aprovados, inclusive pelos conselheiros scais, atuais gestores da Unimed, foram publicados em jornal e no questionados pelos rgos competentes de scalizao, inclusive a Agencia Nacional de Sade ANS. A ANS analisou o relatrio do ltimo ano da gesto anterior do Dr. Niwa, ou seja, 2012, e no viu nada que indicasse situao calamitosa na Unimed, mas um ano e dois meses depois, j na gesto atual do Dr Niwa, colocou esta em direo scal, por ver que em um ano da atual diretoria a gesto no estava indo bem administrativamente com os compromissos assumidos com a ANS. A atual gesto carregou o passivo da empresa de forma irresponsvel, creio por inexperincia ou para jogar a culpa na direo anterior, inclusive colocando compromissos com ANS que s iriam ser efetivados em 2022 no passivo, multas por perdas de prazos perdas nanceiras no Banco Rural, demisses em massa, perda progressiva da carteira de clientes, venda suspeita de tomgrafos beneciando apenas um cooperado, sem o conhecimento dos demais, a preos maternais de 16 mil reais, parcelados sem juros na produo, acmulo de cargos e plantes para os simpatizantes e membros da diretoria muitos deles com renda superiores a 20 mil reias.Num final de semana os jornais de Belm publicam seis ou sete pginas de anncios e matria redacional da Unimed Belm. estranho porque a cooperativa, que tem o maior plano de sade do Par, est sob direo fiscal da Agncia Nacional de Sade, em funo da crise que enfrenta. A farta publicidade tem uma explicao: os dois principais grupos de comunicao, das famlias Maiorana e Barbalho, usam e no pagam os servios da Unimed. Impem a permuta de anncios, um custo muito maior em relao ao grupo Liberal. Em contrapartida, as duas corporaes trocaram o jornalismo pelo comrcio na cobertura das importantes e graves questes que envolvem a Unimed. Restringemse aos fatos simpticos e propaganda. Este jornal se transformou no nico frem para a abordagem desses temas. Depois de uma matria de capa e uma nota nas edies anteriores, cedo espao para um grupo de cooperados. Eles mandaram uma carta em resposta reportagem aqui publicada, mas pediram que fosse preservada sua identidade por estarem litigando com a atual administrao na justia, onde o processo tramita em segredo. Normalmente eu publicaria ao mesmo tempo a resposta da diretoria, mas entendo que a primeira matria endossou as informaes prestadas pelo presidente da Unimed Belm, Wilson Niwa. Na prxima edio, ele dispor do espao necessrio para a sua resposta e eu terei condio de voltar ao assunto para uma nova matria. Espero que assim os donos da Unimed, seus clientes e a opinio pblica sejam mais bem informados. Segue-se a carta do grupo de cooperados.

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7 Tivemos um rateio na AGO de 2014, onde os prejuzos foram responsabilizados aos cooperados pro rata, e ainda estamos pagando. inclusive ele, para alguns de seus simpatizantes, estendeu o pagamento deste rateio, prologando o prazo ( facilitando ), o que no est previsto em lei. No ano de 2015, no meio do caos operacional, administrativo e no funcionamento da estrutura de forma competente para atendimento aos nossos clientes e scios cotistas o que foi matria de muitas manchetes e aes no Ministrio Pblico, o Dr. Niwa apresentou um balano positivo de 57 milhes de reais. Isto ocorreu em maro Agora acredite-se que ele e sua equipe demostraram pagamento de vrias dvidas, passando a ns, cooperados, uma falsa imagem de crescimento econmico Menos de trs meses depois veio com um comunicado sobre um aporte de capital, para dar uma turbinada na empresa e em seguida uma srie de comunicados incoerentes implantando o terror, sob o pretexto de insolvncia em 10 dias e venda da carteira de clientes. No d para acreditar que nossa empresa, com balano positivo de R$ 57 milhes, como citado anteriormente, iria para a insolvncia por apenas 34 milhes. E de forma ilegal tenta implantar no j sofrido cooperado o aporte de capital imediato de 34 milhes e assediar um grupo de cooperados que entrou na justia revoltados com esta ilegalidade. Grupo este que busca garantir um direito constitucional, haja vista a conduo ilegal da atual direo para uma condio no prevista no estatuto social e pasmem alm de tudo, vinculou em Ata a aprovao do aporte ao aumento de seus salrios, pois passariam a ganhar aps a AGE de 30 mil para 36 mil reais (600 consultas), alm dos jetons, pois a moeda que corre na cooperativa para os plantes e salrios o valor da consulta, a qual passou de 50 para 60 reais. Ao totalmente incoerente para uma empresa com diculdades nanceiras, levando antecipadamente muitos cooperados insolvncia extrajudicial. Dos valores determinados para apor te a cada um dos 1.978 cooperados, que seria de 18.900 reais. Se zermos a soma do que foi publicado em ata, referente o valor do aporte de 34 milhes, est sendo cobrado a mais 1.570.000,00, que no se sabe para onde vai, sequer para o aporte criaram uma rubrica. Vale salientar tambm a relao do Dr. Niwa com o Hospital Amazonia, que coincidentemente, em sua gesto. teve um crescimento incomum para os tempos atuais. Vale ressaltar que o referido hospital tem um plano de sade e credenciado da Unimed Belm, pasmem! Muitos cooperados esto pedindo para sair da cooperativa, por insatisfao Esta gesto est omitindo e manipulando informaes, inclusive retirando comunicados do portal transparncia a seu mero prazer. Alertamos tambm que esto limitando consultas e procedimentos mdicos, colocando cotas. Como se para doenas pudssemos por condies de cotas de atendimentos. Da a diculdade hoje de se marcar uma consulta da Unimed Belm, pois a grande maioria dos cooperados e prestadores esto com suas cotas esgotadas. Tente marcar uma consulta e veja para quando vo marcar, ento tire a prova dos nove. Veja as diculdades para conseguir leitos aos usurios. Veja os estado de superlotao das unidades de recursos prprio e as decincias operacionais dos mesmos, onde os pacientes fazem verdadeiras jornadas nas ambulncias entre as unidades, por falta de recursos (raios-x, tomgrafos, neuro, etc). Resumindo hoje a Unimed Belm tornou-se uma empresa privada do Dr. Niwa e da atual diretoria, que no est sendo sacricada nem um pouco devido aos seus altos salrios e implantando o medo, terror e aes cooperativistas ilegais sobre os cooperados .MEIO SCULO DE JORNALISMOTucuru: dvidas entre os planos e a realidadeConcluo a reportagem publicada em julho de 1976. A primeira parte saiu na edio passada.Membros do governo federal frequentemente se sentem no dever de garantir publicamente que a hidreltrica de Tucuru ser concluda de qualquer maneira. No h mais dvida alguma sobre isso, mas, j em fase de projeto executivo, a obra no parece ainda denitivamente amadurecida. Quando foi anunciada ocialmente, em 1973, concretizando velhos sonhos de polticos e moradores do Par, a hidreltrica no parecia um desao to grande. Em agosto do ano seguinte seu custo foi estimado em 700 milhes de dlares, mas estava previsto que a Albrs, uma jointventure formada pela Companhia Vale do Rio Doce e o consrcio japons LMSA para produzir alumnio, entraria com parte dos recursos (talvez 30%), porque seria a maior consumidora da energia de Tucuru. Nessa poca a potncia da usina fora denida em 2,7 milhes de kW. Em pouco tempo ocorreram transformaes profundas: o custo da obra subiu para 2,6 bilhes de dlares (previso provavelmente j superada), sua potncia inicial foi elevada para 3,9 milhes de kW, podendo atingir at 7,9 milhes no futuro, e a Albrs deixou de ter a previso de participao nanceira no empreendimento. Mas houve tambm grandes modicaes no mercado consumidor da usina. Prioritariamente, ela destinada a abastecer trs grandes clientes em 1984: a fbrica de alumnio da Albrs, que nesse ano precisar de 1,2 milho de kW [por que devia produzir 640 mil toneladas de metal, valor depois reduzido metade ], o Projeto Carajs (330 mil kW) e a cidade de Belm (300 mil kW). O excedente 2,1 milhes de kW na primeira etapa seria transferido para o Nordeste, que, por sua vez, cederia grande parte do seu potencial (acrescido, em 1984/85, pelas hidreltricas de Sobradinho, Paulo Afonso IV e Itaparica) para o Centro-Sul, decitrio nesse perodo.

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8 Mas tanto a Albrs quanto Carajs no esto com sua execuo denida, o que tem importncia no apenas para tornar vivel a transmisso de energia de Tucuru regio de Belm (em todas as linhas de transmisso sero gastos US$ 422 milhes), mas tambm porque inuiro decisivamente sobre a possibilidade de nanciamento para a prpria hidreltrica. Dos US# 2,6 bilhes de que a obra precisar, funcionrios da Eletronorte asseguram embora nunca ocialmente que j esto garantidos 900 milhes, sendo 450 milhes do governo federal, atravs da Eletrobrs, 356 milhes de emprstimo japons e outros pequenos nanciamentos. Cumprido o cronograma de desembolso, garantiria a continuidade da construo at ns de 1978. O que o governo est negociando em vrias partes do mundo seria a parte restante do dinheiro, isto os dois teros do total. A diretoria da Eletronorte, contudo, evita tratar desses assuntos. Sua relutncia em responder a perguntas sobre os nanciamentos, o custo de cada kW (calculado em US$ 300) ou o mercado consumidor para a usina corresponde tranquilidade que funcionrios graduados da empresa sempre procuram aparentar. O que eles procuram dizer por meio dessa aparncia que tudo vai muito bem, nada h de anormal na execuo da obra. Porm ela excepcional na histria da engenharia brasileira. Nunca se construiu nada to gigantesco na Amaznia como ela. A geologia da regio particularmente complexa: os trabalhos s podem ser realizados durante metade do ano, quando as chuvas so menos intensas e regulares; a rea da hidreltrica tem quatro tipos de rochas, enquanto as de Minas Gerais apresentam duas espcies; em Minas ou em So Paulo h dois tipos de solo, enquanto nessa rea amaznica h seis ou sete. E o Tocantins, alm de poder atingir uma vazo de 100 mil metros cbicos de gua por segundo, extremamente irregular, apresentando um comportamento muito varivel, quase imprevisvel. O s primeiros estudos sobre ele foram feitos na dcada de 1930, mas s se tornaram menos superciais 20 anos depois. A rigor, o primeiro levantamento data de 1964, feito pelo Departamento de Estado nor te-americano. Um perodo de estudo que certos tcnicos consideram muito limitado. Os tcnicos da Eletronorte, porm, acham que os levantamentos feitos do garantias absolutas de segurana construo da hidreltrica. No momento, o que mais impressiona o seu custo, mas o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki, tem repetido constantemente que o governo pagar alto para romper o crculo vicioso que tem impedido o progresso da regio: No se instalam indstrias porque falta energia; e no se constroem hidreltricas porque faltam indstrias. Para romper esse impasse, o governo aceitou pagar sozinho a hidreltrica e garantiu aos scios japoneses da Albrs que, mesmo cada kw instalado custando US$ 300, a indstria do alumnio receber o kw/hora a 80 centavos de dlar. Um preo considerado necessrio para convencer os japoneses a investir na Albrs. Cobrindo uma rea de 1.160 quilmetros quadrados, o lago que ser formado pela represa de Tucuru desalojar seis mil pessoas, a maioria delas pequenos agricultores ou extratores de castanha instalados s margens do rio Tocantins, numa extenso de aproximadamente 200 quilmetros. Tambm inundar quatro cidades (uma delas apenas parcialmente)), seis localidades ou vilas, seis rios, uma estrada e uma rea indgena. Quando as guas atingirem a cota de 72 metros, tambm tero desaparecido 13 garimpos de diamante, grandes castanhais, alta concentrao de babau, uma ocorrncia de calcrio e outra de ouro, alm de reas frteis que estavam atraindo nmero crescente de agricultores. Os tcnicos da Eletronorte acreditam que as transferncias e indenizaes decorrentes da inundao no sero to elevadas. Sero muito mais fceis do que em qualquer outra regio do pas. A densidade mdia na rea de inundao vai de zeo a 5 habitantes por quilmetro quadrado, sendo que 0,15 indivduos cultivam cada hectare. Nas trs cidades que realmente tero que ser remanejadas (Itupiranga, Jacund e Jatobal), h somente 18 lojas de comrcio varejista e menos de trs mil habitantes. O maior desao ser convencer seus moradores a sair das margens dos rios para um ponto central. Os agricultores indenizados recebero um lote de terras do Incra em outro local. A hidreltrica obrigar o DNER a reconstruir 150 quilmetros da Transamaznica e mais 85 ou 90 quilmetros de acessos a Tucuru por um ramal, gastando nessas obras no menos do que 150 milhes de cruzeiros. Ter que refazer uma estrada construda apenas cinco anos atrs. Em consequncia desse desvio, lotes agrcolas valorizados e povoados como Repartimento, que tiveram grande crescimento por estarem nas margens da Transamaznica, entraro em decadncia. O maior prejuzo local que a hidreltrica causar ser garimpagem de diamante, praticada no rio Tocantins desde 1939. A trabalham atualmente, entre julho e dezembro, quase mil garimpeiros. Eles produzem, em mdia, uns 1.500 quilates, dos quais apenas 600 so comer cializados legalmente. Em 1958 a Companhia Caet-Mirim, a nica empresa que atua na rea, produziu 50 mil quilates e atraiu para a rea 12 mil garimpeiros. Mas a atividade decaiu porque a geologia do terreno pouco conhecida. Isso diculta a extrao, tornando-a decitria. Contudo, o Tocantins ainda possui reserva de 500 mil quilates, avaliada em 200 milhes de cruzeiros. Para explor -la, seria preciso estudar melhor a rea e empregar mtodos modernos, o que no ser mais possvel porque o reservatrio da usina cobrir as cachoeiras nas quais o diamante se concentra. Tambm os ndios sero prejudicados. A Funai vinha reservando para 500 parakan uma rea de 40 mil hectares, onde at agora funciona uma base avanada de Tucuru, criada em 1962, graas a uma doao do governo federal. Essa base serviu para a atrao dos prprios parakans e os assurini, mas acabou se transformando numa espcie de retiro para sertanistas e funcionrios que no esto de servio. O que at agora no cou denido se Marab, a maior cidade do Tocantins, com 20 mil habitantes, ser atingida pelo lago de Tucuru. Em alguns mapas ela est excluda, mas h especulaes de que 30% da cidade, justamente a rea que anualmente atingida pelas cheias dos rios Itacainas e Tocantins, poder ser inundada. Mas a grande obra est sendo encarada ainda mais como plano do que como realidade. Na hora em que for preciso fazer, a gente faz, sentencia um antigo funcionrio da prefeitura de Marab, com o recalcitrante pragmatismo que caracteriza os moradores da regio.

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9 A morte dos bois, o naufrgio do ParO Par o maior exportador de boi vivo do Brasil e o quarto maior do mundo. Tem o quinto maior rebanho bovino do pas e tambm o quinto em abate de animais. igualmente o maior exportador de minrio de ferro e o terceiro maior exportador de ener gia do pas. Em seu territrio est sendo construda a terceira maior hidreltrica do planeta e pretende-se transformar uma das suas bacias, a do Tapajs, na maior fonte de energia do Brasil. o maior produtor de leo de dend e est na ponta do ranking dos biocombustveis. O Par tem a maior fbrica de alumina do mundo, a oitava maior de alumnio primrio e um dos principais exportadores de bauxita do mercado internacional. J produz quantidade signicativa de soja e dever se tornar o principal escoadouro desse gro, que divide com o minrio de ferro a liderana da pauta comercial brasileira. O que esses ttulos signicam? Que o Par um Estado colonial e colonizado; que o Par est crescendo, mas nunca vai se desenvolver de verdade. um Estado que sangra at a hemorragia das suas riquezas naturais. primitivo e selvagem. Despreparado para escrever uma histria que o tire do rabo da la da prosperidade nacional, impedindo o crescimento acelerado da desigualdade, da injustia e, por decorrncia da tenso entre os extremos, da violncia. esse contexto que ajuda a entender o triste espetculo, bizarro e ultrajante, da exportao de milhares de bois vivos, todos os anos, pelo porto de Barcarena, o mesmo pelo qual so escoadas commodities como caulim, alumina, alumnio, mangans e soja, que fazem do Par o stimo maior exportador em geral e o terceiro que mais produz divisas para o pas. A cena chocante de enormes navios carregados com at 20 mil cabeas de gado para viagem de alguns dias at a Venezuela e quase um ms at o Lbano se tornou comum e virou rotina. Mas no dia 5 ela provocou grande impacto. O navio Haidar virou e das cinco mil cabeas, menos de 200 conseguiram se livrar do afogamento, presas nos compartimentos da embarcao ou ao tentar chegar praia. Por que o navio adernou e foi ao fundo, quando ainda estava ancorado a um dos peres do principal porto do Par, que responde por 80% da receita da Companhia das Docas, a CDP? As hipteses suscitadas foram de algum furo no casco ou, a mais provvel, a m acomodao da carga viva e mvel. Ou talvez a adaptao mal feita de um navio de transporte de contineres para um boiadeiro, com o acrscimo de cinco andares. Dezenas de embarques j foram efetuados, desde que o negcio comeou, alguns anos atrs. Por que o acidente desta vez? Talvez porque o embarque foi muito rpido, ao longo de poucas horas. Talvez porque a carga, sendo menor do que a usual, ao ser tratada pelo mesmo mtodo, causou desequilbrio, com algum agravante, como a falta de lastro suciente ou lastro inadequado. Qualquer que seja a causa deter minante que vier a ser apurada ao nal da investigao ocial, o morador de Belm, a capital do Estado, distante apenas 70 quilmetros do local do naufrgio, tomou conscincia do que essa plataforma de lanamento de recursos naturais, a maioria no renovvel, sugada de suas entranhas e vendida a lugares distantes. O PIB per capita de Barcarena 10 vezes superior ao de Belm, mas quem acompanhou o acontecimento viu moradores locais investirem com ansiedade e volpia sobre os bois que chegavam mortos praia e retalh-los ali mesmo, carregando o que puderam, para consumi-lo, apesar da evidente temeridade dessa iniciativa para a sade de quem consumir a carne deteriorada e abatida sem os cuidados com a higiene e a sanidade do animal. A carne, cujas condies de higiene ningum pde atestar, foi um presente inesperado para quem no tem acesso normalmente a esse produto. A sofreguido foi a manifestao externa de uma carncia soterrada por quantitativos de grandeza que abstraem o ser humano e, em regra, o espoliam. Pareceu uma verso ampliada e piorada da investida de moradores do estreito de Breves e cercanias, que, em suas sumrias canoas, remavam atrs de navios que por ali passavam para recolher bolachas, pes e outros alimentos jogados gua, num gesto de caridade diante da pobreza da regio. O fato indito e chocante no deve ser apagado da memria nem reduzido a um registro burocrtico. Causou enormes danos natureza e prejuzos sociedade. Custar caro, mas se for o preo de um mnimo de conscincia sobre essa situao, ter cumprido uma misso civilizadora. Os paraenses no podem permitir que essa nova verso de um velho e srdido colonialismo, na forma de boi vivo vendido em p a compradores distantes, seja edulcorado pela explicao dita tcnica dos seus agentes. O navio que naufragou um velho transporte de contineres, de bandeira libanesa, adaptado para a nova misso, que lhe adicionou cinco andares para abrigar bois, conduzido por um comandante srio, para levar a carga maltratada Venezuela. Enquanto um acidente no inter rompeu a rotina desse esquema, de conduo de boi em caminhes pelas precrias estradas do Par, at o por to de embarque, parecia uma alternativa positiva para a pecuria, se que pecuria cabe como prioridade na regio que tem a maior oresta tropical do planeta e fez da sua destruio uma condio para a criao de gado, no desprezo pelo signicado dos nmeros e dos valores de troca. Parafraseando o colonialismo mineral, pode-se dizer que desse boi exportado vivo ca apenas o mugido tambm de dor pelos maus tratos sofridos. O afogamento de quase cinco mil animais na beira do cais revelou o completo despreparo em Vila do Conde para uma resposta imediata e altura do sinistro. J h algum preparo para vazamentos de caulim ou alumina, que j ocorreram algumas vezes. Mas para morte em massa de bois alojados em um navio, no. Nem qualquer dos agentes envolvidos nessa operao se permitiu prever algo desse porte.

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10 O despreparo tcnico no porto foi agravado pelo desdobramento poltico do acidente. No momento em que a sociedade paraense assistia, chocada e assustada, o maior acidente de transporte uvial de carga viva animal da regio (ou do mundo?), entidades dos gover nos federal e estadual batiam cabea e se deixavam conduzir pelos interesses conitantes dos seus chefes polticos, que falam mais alto aos seus ouvidos do que o clamor social. At o dia 5 de outubro no se tinha notcia do naufrgio como esse, de um navio que devia transportar cinco mil bois por milhares de quilmetros, do Par at a Venezuela, aderna no pier, quando conclua o embarque de cinco mil animais, dos quais 4,8 mil morrem afogado. H muitas questes a serem investigadas at que se encontrem as razes e os responsveis por esse gravssimo acidente, que tantos danos humanos e ambientais causou e ainda causar, alm de prejuzos materiais. Mas uma coisa certa: o porto de Vila do Conde, responsvel por 80% do faturamento da CDP, a companhia federal que cuida dele e de mais 11 espalhados pelo Estado, no estava preparado para esse tipo de tragdia. A culpa de Helder Barbalho, que tomava posse na Secretaria de Portos, em Braslia, enquanto se desenrolavam os efeitos do naufrgio em Barcarena, e at hoje no fez um pronunciamento pblico sobre o episdio? A campanha que O Liberal e o governo do Estado iniciaram para associar o inimigo tragdia e desgast-lo caracterstica dessa poltica rasteira que se pratica no Par. bvio que o novo ministro no teve tempo sequer para ter alguma familiaridade com os assuntos da sua pasta, que assumiu depois de passar olimpicamente por outra secretaria, a da pesca e aquicultura, quanto mais para dizer alguma coisa de mais slida. Qualquer pessoa sabe disso, mas para essa diretriz de predadores e carniceiros que ocupou o topo do poder no Par, esses detalhes no interessam. O que interessa sangrar o inimigo e no s simbolicamente, se as coisas seguirem no ritmo em que esto. Deve-se temer pelo pior medida que se aproximar a nova temporada eleitoral. O que todos os rgos pblicos deviam ter feito imediatamente era juntar esforos, de forma honesta, competente e aplicada ao interesse coletivo, para minimizar ao mximo os impactos j causados pelo acidente, reduzindo os seus efeitos e a sua durao, ambos de grande monta. Ao invs disso, a prtica de espezinhar, criar empecilhos, sabotar. Mais esse acidente, na j numerosa sucesso deles, deixa vista a fragilidade do esquema de proteo ao patrimnio natural e humano dessa regio, onde hoje est montado um dos maiores centros de exportao do pas, que manda minrios, soja, madeira e outros produtos para o exterior. E at essa coisa inusitada, que a transferncia de rebanhos inteiros da terra para outros pases. Todos encaravam essa atividade como normal, sem maiores riscos e altamente vantajosa. Se ainda houver alguma boa f entre os que decidem no Par, o acidente da semana passada ter posto fim a essa era de ingenuidade e inadvertncia. Antes que ocorra um novo acidente.A voz do colonizador Logo depois do afundamento do navio Haidar, que provocou a morte de quase todos os cinco mil bois que devia transportar, vivos, at a Venezuela, a empresa Minerva, de So Paulo, responsvel pela exportao, divulgou uma nota que embeveceria Cecil Rhodes, um dos idelogos (e executores) do colonialismo no mundo colonizado pe los europeus. um documento que retrata o pensamento de empresrios que ainda consideram a Amaznia a fronteira a ser amansada pelo bandido, antes da chegada do xerife, na imagem criada, no auge do milagre econmico brasileira (na passagem dos anos 1960 para os 70), pelo ento todo-poderoso ministro da Fazenda, Delm Neto. A Mineral industrializa carne em So Paulo e no centro hegemnico do pas. Na periferia, matria prima ou beneciamento primrio, gerando receita que transferida para o local de origem do capital, contribuindo para a concentrao de poder e de renda que, no Brasil, no tem paralelo mundial em pas de expresso equivalente. Reproduzo a nota ocial da Minerva porque um documento de poca: A Minerva S.A. (Companhia), uma das lderes na Amrica do Sul na produo e comercializao de carne in natura, gado vivo e seus derivados, informa aos seus acionistas e ao mercado em geral que o navio que faria o transporte de gado bovino adernou na manh desta tera-feira (06/10), no cais do porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA). No h registro de pessoas feridas em decorrncia do incidente. A Companhia esclarece que aps o embarque do gado, a responsabilidade pela carga da empresa de transporte martimo contratada. A Companhia aguardar as apuraes oficiais das autoridades porturias sobre as causas do acidente e sobre o ocorrido com a carga. Barretos, 06 de outubro de 2015. Minerva S.A. Eduardo Pirani Puzziello Diretor de Relaes com Investidores

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11 O acidente de 2012: primeiro precedenteEm maro de 2012 mais da metade dos 5.200 bois exportados do Par para o Egito morreram no interior de um navio panamenho porque um acidente na embarcao, durante uma tempestade, teria provocado a interrupo da ventilao nos compartimentos em que os animais so mantidos, em p. O responsvel pela carga se eximiu de culpa, atribuindo-a ao responsvel pelo transporte. Legalmente, no h dvida. Uma vez embarcados os animais, com a garantia da sua sanidade, quem responde pelo que vier a acontecer o transportador, com a cobertura do seguro. No entanto, esse primeiro acidente devia ter provocado uma ateno maior das autoridades que atuam ao longo de todo processo. A sociedade devia tambm ter debatido os aspectos positivos e negativos dessa atividade. Mas nada mudou e quem ganha com a atividade manteve os seus procedimentos. O acidente da semana passada exige uma reviso de tudo para corrigir o que for necessrio e mudar ou cancelar o que se mostrar prejudicial. Reproduzo a notcia publicada na poca pelo Dirio do Par, escrita pelo reprter Carlos Mendes. Para que o leitor compare o antes e o atual.Exportao de gado vivo: empresa transportadora responsvel por acidente, dizem ABEG e Minerva O navio de bandeira panamenha MV Gracia Del Mar, que no comeo de fevereiro passado zarpou do porto de Vila do Conde, em Barcarena, no Par, levando 5.200 bois vivos com destino ao Egito, teria sofrido uma pane em seu sistema de ventilao que provocou a morte de 2.750 animais. O problema fez com que o navio no pudesse desembarcar o gado sobrevivente. O Egito e outros pases do norte da frica no permitiram o desembarque, temendo problemas sanitrios. A empresa Minerva S/A, que exportou o gado para o Egito, diz no ser responsvel pelo transporte. O presidente da Minerva, Fernando de Queiroz, foi taxativo: vendemos gado colocado em um navio aqui no Brasil. A partir da hora em que os bois passam para o navio, no responsabilidade nossa. Em Belm, o diretor da Associao Brasileira dos Exportadores de Gado (ABEG), Gasto Carvalho Filho, chamou de tragdia o episdio, armando ter certeza de que a morte de tantos animais foi um problema do navio, e no da qualidade do gado. Segundo a ABEG, antes da viagem para o Egito, o gado passou, como sempre ocorre, por rigorosa inspeo sanitria do Ministrio da Agricultura e de outros rgos scalizadores. O gado cou de quarentena antes da viagem, para passar por vrios exames dos veterinrios. Saiu daqui sadio e sem nenhum problema de sade, acrescentou. Ele informou que um outro navio, o Abucarim 3, deixou o Par com 5,3 mil cabeas de gado, tambm para o Egito, negociado por sua empresa, a Boi Branco. A viagem ocorreu no mesmo dia da partida do MV Gracia Del Mar, mas o Abucarim 3 j chegou ao destino sem qualquer anormalidade. O gado foi entregue aos compradores egpcios. Carvalho recebeu a informao de que a causa da morte dos animais teria sido uma violenta tempestade que atingiu o navio no canal de Gibraltar. Em decorrncia das fortes ondas, as mquinas da embarcao teriam sofrido uma pane, provocando a morte dos bois. Outra informao repassada ao empresrio foi de que o navio MV Gracia Del Mar no descarregou no porto do Cairo, no Egito, devido a uma greve de porturios, que se recusaram a fazer o desembarque do gado sobrevivente. Os bois teriam sido desembarcados em outro por to da regio que Carvalho no soube dizer. De 2006 a 2011, o Par exportou mais de 2,4 milhes de cabeas de gado vivo, a maioria bovinos e bubalinos para abate. Isso proporcionou a gerao de novos empregos, pois a exportao de animais vivos requer uma srie de medidas. So exigncias quanto sade e bem-estar dos animais, que vm desde a propriedade onde socriados at o navio onde sero transportados. Esse trabalho executado sob a superviso da Superintendncia Federal de Agricultura no Par, pois o Ministrio da Agricultura quem certica ocialmente os animais para exportao. A Venezuela e o Lbano so os principais compradores e o Egito um novo cliente.Registro dos 28 anosComo sempre, Nelson Chaves, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, fez o registro do aniversrio do Jornal Pessoal uma das raras iniciativas com essa motivao na engrenagem institucional paraense. Ele saudou os 18 anos do jornal, um r go indispensvel leitura daqueles que gostam de se preocupar com o desenvolvimento e com as coisas do Par e do Brasil; e, no que se refere ao seu desenvolvimento dos assuntos polticos, haja vista que ele tem uma caracterstica mpar e no recebe nenhum tipo de anncio. Nelson Chaves fez questo de destacar, no pronunciamento que fez no plenrio do TCE, a caracterstica do JP de respeitar o absoluto direito de defesa para todos. Mesmo em matrias que sejam crticas, alguma coisa publicada no Jornal Pessoal, o cidado tem o direito da ampla defesa e do contraditrio. uma demonstrao de respeito para com as pessoas que o leem.Preciosidade urbanaUma preciosidade no centro de Belm parece estar vivendo seus ltimos dias. o nmero 371 da travessa Frutuoso Guimares, entre Manoel Barata e de Almeida. Talvez a edicao de maior valor histrico e arquitetnico, por ainda manter as suas caractersticas originais e seculares. O teto est cheio de falhas e as paredes comeam a rachar. Ser que ningum se interessa por esse patrimnio? Um pouco adiante e do outro lado da rua a Yamada salvou o belo prdio que foi do imigrante alemo Johann Muller e, por ltimo, serviu de residncia para Victor Pires Franco Filho. A construo est prxima de se tornar centenria. Foi recuperada, inclusive a entrada alternativa pela de Almeida. Mas podia ser aberta visitao pblica.

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12 memriado C otidianoELITEEm 1796 o rei de Portugal conseguiu que 101 moradores de Belm, dentre os quais certamente sditos portugueses, lhe doassem 164 escravos para serem usados pelos ser vios reais. Desse total de homens bons, que tiveram seu ato formalizado pelo Senado da Cmara numa relao, integrante do cdice 292 do Arquivo Pblico do Par, 14 eram militares (sendo seis capites e trs alferes) e 13 eram mulheres. A preta forra Luza Maria doou dois escravos e a tambm ex-escrava Joana Maria da Conceio, um. Dessa elite j participavam pessoas que formaram famlias com presena at hoje, como os Rozo, Medina, Godinho e Toscano.CANGACEIROS NIBUSO percurso que os nibus da linha So Braz-Independncia passaram a fazer em 1964 diz alguma coisa sobre a condio e o sentido de trfego nas ruas de Belm nesse ano. Seu ponto de partida era na Antonio Baena, de onde seguia pela Almirante Barroso, praa Floriano Peixoto, Independncia (atual Magalhes Barata), Alcindo Cacela, Oliveira Belo, Praa Brasil Senador Lemos, Gaspar Viana, Praa Magalhes, Marechal Hermes, Presidente Vargas, de Almeida, Praa da Bandeira, Praa Felipe Patroni, Avenida Portugal e o clipper dessa avenida, que no existe mais (como todos os clipperes da cidade). V tentar fazer essa rota, hoje.AMRICAQuatro pessoas na Amaznia receberam aparelhos de rdio transistorizados (mais compactos do que os modelos antigos, a vlvula) do governo americano por serem ouvintes da Voz da Amrica, em 1964. Milhares concorreram ao sorteio, sendo vencedores pessoas residentes em Porto Velho, Manaus e So Francisco do Jararaca, no Par. Em Belm, Creuza Souza recebeu o aparelho das mos do adido cultural dos Estados Unidos, Vicente Rotundo. Ainda era a fase da poltica americana de boa vizinhana e seduo. Os programas em portugus da emissora ocial de rdio de Washington eram muito ouvida em toda Amaznia. A Rdio Nacional ainda no descobrira a regio. A Folha do Norte de 1964 tratou por cangaceiros personagens que estariam mais bem denidos como pistoleiros ou mesmo grileiros, personagens constantes na expanso da fronteira econmica nacional pela fronteira amaznica. O noticirio anunciava a priso, anal, pela polcia de Irituia, do cangaceiro Braz Gonalves, que, em companhia de trs capangas, espalhava o terror na BR-14, a Belm-Braslia, inaugurada quatro anos antes. O jornal j noticiara, por diversas vezes, que esses cangaceiros intimidavam, agrediam, baleavam aqueles que no lhes quisessem verder as terras pelo preo a seu desejo. Os que vendiam eram mortos e despojados do dinheiro. A captura dos quatro cangaceiros foi cheia de lances violentos. Os bandoleiros se entocaram no mato e receberam bala a Polcia. Houve troca de tiros durante algum tempo e nalmente o bandido capitulou, quando cercado pela polcia. Braz Gonalves foi levado para Irituia e dali levado para So Miguel do Guam, onde vai responder por seus crimes. O bandoleiro est fortemente guardado, juntamente com seus trs capangas tambm capturados. Devero ser transferidos para Belm, pois seus companheiros ameaavam invadir a cadeia para libert-los. O fato era to novo e desconhecido que a imprensa paraense da poca ainda no dispunha das expresses e conceitos corretos para tratar da questo de terras e seus violentos efeitos. Mas no faltaria oportunidade para esse ecxerccio.PROPAGANDAMacarro paraenseEm 1958 a Fbrica Unio, instalada em pleno centro da cidade (na travessa 7 de Setembro), produzia macarro, largamente consumido, baseada no modelo de desenvolvimento da Amaznia adotado pela SPVEA, o rgo federal de planejamento que antecedeu a Sudam. Era a substituio de importaes. A regio produziria seus bens industriais porque era isolada e a distncia funcionava como barreira alfandegria. Com as estradas de integrao nacional, o sonho acabou. E a Unio desapareceu. No tinha escala econmica para competir com as indstrias do sul do pas, que, nalmente, alcanaram o mercado amaznico. Restou Amaznia a funo colonial de exportar recursos naturais.

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13 LIVRARIAA. S. Melo j comprara a Livraria Dom Quixote, que fora do escritor Haroldo Maranho, neto do dono da Folha do Norte Paulo Maranho, quando, no incio de 1965, instalou a Livraria Cervantes, na rua 28 de Setembro, a duas quadras da primeira livraria, que cava na galeria do edifcio Palcio do Rdio, na rua de Almeida (e era uma das sadas do Cine Palcio). A Cervantes oferecia um conforto a mais: o ar condicionado. Mas tambm instalaes confortveis e um bom estoque de livros. Numa poca em que se abriam ao invs de fechar livrarias.FOTOGRAFIAO trote do DireitoTrote dos calouros de Direito de 1950. Eles deslam pela rua Gama Abreu, ao lado da praa da Trindade e da faculdade, que ainda era uma unidade isolada de ensino superior (a UFPA s seria criada oito anos depois) e hoje a sede da OAB. Observese o conservadorismo das mulheres, bem comportadas, e a ousadia dos homens. A pavimentao das ruas ainda tinha os paraleleppedos e os trilhos da era dos bondes. O bangal bolo confeitado da esquina foi recuperado. COMRCIO PLAYBOYS Os playboys, tambm apontados por vagabundos sociais, expresso que indicava sua origem de classe mdia e como integrantes das melhores famlias da cidade, eram considerados o grande problemas de hbitos e costumes em Belm. Por isso, estavam na mira da polcia, por determinao do gover nador Jarbas Passarinho e referendo de cer tos setores da sociedade, do que d exemplo observao feita pelo jornalista Carlos Rocque, na sua coluna Periscpio, em A Provn cia do Par de janeiro de 1965: Na guerra declarada entre a polcia e os playboys, os ltimos levaram, ontem, a pior: guardas armados de cassetetes deram pra valer aos meninos, que, em frente s Lojas Brasileiras (rua Joo Alfredo), promoviam algazarras e desrespeitavam as senhoras e senhoritas que por l passavam [aos sbados, esse era o ponto de encontro da juventude, com seu footing]. Toda ao moralizadora da polcia merece de ns grandes elogios. Prosseguia o colunista: A ao dos vagabundos sociais j est se tornando calamitosa. O Governador deu instrues severas ao Secretrio de Segurana Pblica, general Ferreira Coelho. E esse armou seus homens. Nem por isso se acovardaram. Acintosamente, desafiando a polcia, continuaram furtado car ros e cometendo atos de vandalismo. Em um dos ltimos carros furtados, deixaram gravada, em um dos bancos, grave ofensa pessoa do general Ferreira. Quando, enfim, teremos o prazer de ver a ordem restabelecida?. Prossigo a caminhada pela Joo Alfredo, que era o principal reduto comercial de Belm, tomando por base a lista telefnica de 1965 das Pginas Amarelas. Agora no trecho entre a Padre Eutquio e a Campos Sales: Alfaiataria Pinto, Casa Concrdia, Confeces Guararapes, Lojas Capri, Bazar Carioca, Novo Mundo, Joalheria Esmeralda, Chez Alice, Banco da Lavoura de Minas Gerais, Edilson Ribeiro, Banco Comrcio e Indstria de Pernambuco, sapataria A Garantida. Eletrordio, Casa Quinto, RM Magazine, Camisaria Brasil, Pinto, Leite & Cia., Banco Mercantil de Minas Gerais e Casa Domin. Finalmente, o trecho entre a Campos Sales e a Frutuoso Guimares: Casa Franco, Importadora de Ferragens (Ar mazns Pgo), ticas Prola, Confeces Benfeita, Magazine 3900, Foto Leite, J. F. Rotha & Cia., Joalheria Brasil, Banco Nacional do Norte, Sapataria Clark, Joias Laura, Farmcia Comercial, Farmcia e Drogaria Beiro, Importadora Braga, Joalheria Sul Americana e Sapataria Carrapatoso.

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14 JPAinda em tempo, felicito voc e tambm agradeo, pelos 28 anos do jornal Pessoal. Somos, a sociedade paraense, na gura dos poucos que o leem (comparados ao conjunto desta populao), muito gratos pelo servio que o JP tem prestado ao longo de sua trajetria e igualmente pelo esforo, dedicao e dignidade com que voc o tem mantido. Manifesto meu desejo que ele ainda per sista por longos anos, que ultrapasse em muitos os 30, embora compreenda sua disposio em encerr-lo, devido s adversidades. De minha parte, digo aqui que, h algum tempo, tomei a deciso de no me permitir perder nenhuma edio deste jornal, de modo que adquiri o hbito de ir semanalmente a uma banca de publicaes impressas para procur-lo, mesmo sabendo que ele no est l nesta periodicidade. Ento observo se a ultima edio ainda resta em muitos exemplares e compro um segundo, para diminuir o encalhe. Este exemplar extra eu o deixo na mesa da sala de professores da escola em que trabalho para, quem sabe, atrair novos leitores. Fica a sugesto aos demais habituais leitores: faamos nossa parte, mais do que apenas lamentar ao editor pelas diculdades que ele e o JP enfrentam. C harle C oimbra cart@s cart@sEditor Lcio Flvio Pinto Contato Rua Aristides Lobo, 871 CEP 66.053-020 Fone 091) 3241-7626 E-mail lfpjor@uol.com.br Site www.jornalpessoal.com.br Blog Diagramao/ilustrao Luiz A. F. PintoJornal Pessoal O mendigo dos generaisGirando pelos arquivos, encontrei trecho de um artigo, sem identidade de autoria, que recebi no incio do ano passado (e no usei), sobre parte da biograa de um dos homens mais poderosos da IV Repblica brasileira, iniciada com o golpe militar de 1964: o economista Antnio Delm Neto. Na poca, Delm ainda era o conselheiro de Lula e Dilma, os quais defendia onde podia para us-los como queria. Tal qual os ratos no naufrgio, o professor emrito da USP no se pejou em pular da nau petista e voltar ao tero protetor do mercado e seu sacerdote, a Fiesp, o rgo de classe da indstria paulista. O ministro mais poderoso dos regimes militares voltou ao desenvolvimentismo da era do milagre econmico brasileiro, na transio dos anos 1960 aos 70. Ou continuou a cantilena que acalentou a gastana sem suporte nem direo compatvel do governo Lula, que deixou a conta para ser paga pela sua sucessora, em todos os sentidos. Gastana que criou uma classe mdia de 1.200 reais (pouco mais de 300 dlares de hoje) e um naipe de mais de 80 bilionrios brasileiros, com 20% da renda nacional nas suas mos. Quem atravessou o reinado de Delm no h de querer que ele chegue ao nal dos seus dias coberto por uma glria tecida com novelos de mentira, manipulao e covardia. Da a iniciativa de reproduzir o texto a seguir, ressaltando a impossibilidade de citar o seu autor, ao qual, desde j, temos que fazer o nosso agradecimento. Dois nomes civis marcam bem a identidade e os mtodos que levam conexo criminosa entre Braslia e Buenos Aires: o brasileiro Antnio e o argentino Jos.Antnio Delm Neto era, no Brasil, o que Jos Alfredo Martnez de Hoz era na Argentina. Ambos poderosos ministros da Economia dos dois generais mais duros (Mdici e Videla) do ciclo militar, tinham a mo de ferro dos quartis para manter o garrote apertado sobre as fbricas, os sindicatos e os trabalhadores. O argentino, como sempre, chegou depois do brasileiro. Em meados de 1969, o ministro brasileiro, mendigando em nome das Foras Armadas, reuniu 15 grandes banqueiros num almoo em So Paulo e passou o chapu para nanciar o combate subverso pela coordenao repressiva da Operao Bandeirantes, a OBAN, antecessora dos DOI-CODI. Quando chegou a sobremesa, Delm j tinha recolhido US$ 1,7 milho para repassar ao general Ernani Ayrosa, chefe do Estado-Maior do II Exrcito.1 A partir dali, os rapaps com a represso caram a cargo da FIESP, a mais poderosa entidade industrial do pas, que reunia a patota de Delm. Quem passava o chapu entre os empresrios era o dinamarqus naturalizado brasileiro Henning Boilesen, presidente da Ultragaz, que emprestava caminhes para aes da OBAN e tinha acesso franqueado ao poro do DOI-CODI da Tutoia para se deliciar com sesses de tortura.2 Boilesen foi executado a tiros numa rua de So Paulo, em abril de 1971, por um comando guerrilheiro. Delm Netto compareceu, compungido, ao seu enterro. Passados 42 anos do funeral, Delm ainda hoje nge no saber por que morreu metralhado o amigo dos pores. Antes czar da economia da ditadura, hoje Professor Emrito da USP, agora conselheiro dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, guru do PT e colunista da cnico como nunca. O homem que coletou fundos para o DOI-CODI que torturou a guerrilheira Dilma Rousseff no Governo Mdici alega ainda hoje que no sabia das torturas e, com candura ou caradura, diz que acrediA administrao civil era absolutamente independente, nunca houve qualquer interferncia... Uma vez perguntei ao presidente se havia [tortura], ele me respondeu que no havia nada. Acreditei. O Mdici era mais srio do que parece. 3O Jos argentino fez em 1975 o que o treitou seus laos com os militares. __________________________ 1 Gaspari, 2002, p. 62. 2 Cidado Boilesen Direode Chaim Litewski, mont. Pedro Asberg. [documentrio], Brasil, 2009, 3 Sfredo, Marta. O governo assustou os empresrios. Entrevista em Zero Hora, 1/dezembro/2013.

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15 CorreoInfelizmente a ampulheta do nosso computador pifou. Da ter sado com erro a datao do nmero anterior, que da segunda e no da primeira quinzena de setembro. E a 593 edio.Uma histria da maior mina de caulim do ParO gelogo Iran Machado escreveu uma carta para este jornal falando de um problema pessoal que tambm, captulo de uma histria recente da minerao no Par. Ele revela por que os americanos da J. Huber desistiram da sociedade com a Mendes Jnior para a explorao da maior jazida de caulim do hemisfrio sul, que cava em So Domingos do Capim e agora pertence a Ipixuna. A empreiteira nacional iria usar como aporte de capital prprio a deduo do imposto de renda que podia usar como investimento em projeto na Amaznia, o que os americanos consideravam uma deslealdade nanceira em relao aos seus scios, que iriam entrar com capital de risco de verdade. S esse episdio j d uma medida do que foi a poltica de desenvolvimento com base nos incentivos scais da Sudam. Iran tambm d o seu testemunho sobre a transferncia da mina da Mendes Jnior para a Imerys, que a explora atualmente, e como ele foi marginalizado da transao. Por ser um depoimento importante, transformei-o em matria, como se segue.H muitos anos que acompanho seu trabalho de jornalismo corajoso em prol da Amaznia. Quero felicit-lo pelo seu trabalho indomvel. No segundo semestre de 1971, deixei a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, ao ser convidado por Murilo Mendes para implantar uma subsidiria na rea de minerao. Esta era a Eneel Empresa Nacional de Engenharia e Empreendimentos Ltda., um nome que no diz nada. Uma das minhas primeiras iniciativas foi requerer 10.000 hectares (100 km2) para caulim no municpio de So Domingos do Capim (posteriormente esta rea foi transferida para o municpio de Ipixuna do Par, como resultado do desmembramento de S. D. do Capim). A escolha do mineral e da localizao dos 10.000 hectares na bacia do rio Capim foi uma deciso minha e este o ponto fundamental da minha reivindicao atual a Murilo Mendes. A pesquisa mineral foi realizada em joint venture com a empresa americana J. M. Huber, sediada em New Jersey. Em 1978, a pesquisa tinha sido concluda, juntamente com o estudo de viabilidade, da resultando a taxa interna de retorno de 18% para os acionistas. Sur giu, ento, um impasse. Os americanos no gostaram do fato de que a Mendes Jnior iria aplicar recursos derivados de incentivos scais (da Sudam) de obras realizadas na Amaznia. Os americanos chamavam isso de dinheiro podre e davam uma vantagem nanceira que era inaceitvel para eles. Resumindo, a joint venture foi desfeita logo a seguir. Deixei a MJ em 1982, com o Projeto Caulim em banho-maria. Somente em 1996, a mina foi nalmente aberta em associao com a empresa Imerys, que explora o caulim desde ento e o benecia em Barcarena, de onde exportado para vrios pases. A sntese da minha queixa a Murilo Mendes se encontra aqui [vai reprodu zida ao m do texto, na forma que Iran adotou, na terceira pessoa]. A pesquisa no campo e o estudo de viabilidade tiveram um custo, em 1978, de US$ 2 milhes. A MJ vendeu os direitos minerrios por US$ 51,6 milhes. Mesmo considerando a atualizao dos valores, o lucro da MJ foi fenomenal, algo que ela no conseguiria nunca em obras pblicas. Mas, por outro lado, o valor das obras das grandes empreiteiras sempre teve uma escala de centenas de milhes de dlares ou, mesmo, de bilhes de dlares, no h como negar isso. Todavia, em termos proporcionais, atualizando os valores, temos o seguinte: 1978 Gastos despendidos pela MJ = US$ 7.257.640 (atualizados para 2015) 1996 Valor da transferncia dos direitos minerrios para a Imerys = US$ 77.750.050 (atualizados para 2015). Temos, assim, uma margem superior a US$ 70 milhes. E o Murilo Mendes no me concedeu nenhuma recompensa pelos meus servios prossionais! Uma injustia enorme, um caso indito na histria da minerao nacional! Segue-se agora o resumo da reclamao de Iran Machado: Um amigo meu foi executivo de uma subsidiria da Mendes Jnior (Caulim do Par S.A.) na dcada de 70 e responsvel pelo projeto Caulim, que deu origem maior mina de caulim do Hemisfrio Sul, localizada no Par. A transferncia dos direitos minerrios da MJ para a empresa francesa Imerys, ocorrida em 1996, foi uma transao no valor de R$ 51,6 milhes (na poca equivalente a US$ 51,6 milhes). Este valor foi publicado no Dirio Ocial do Estado do Par, no balano anual da Imerys, aparecendo como um item do Imobilizado, sob a rubrica de Direito de explorao de jazida. Este direito deriva diretamente do Decreto de Lavra no. 81.944, de 11 de julho de 1978, assinado pelo Presidente Ernesto Geisel e pelo Ministro Shigeaki Ueki, cobrindo uma rea de 10.000 hectares (ou seja, 100 km2). Tendo deixado a Mendes Jnior em 1982, ele nunca foi procurado por Murilo Mendes para receber uma recompensa por esta transao milionria, realizada em 1996. Na poca MM estava supostamente com a cabea quente por conta das disputas judiciais com o Banco do Brasil (obras do Iraque) e com a Chesf e governo de Pernambuco (usina de Itaparica). Tudo indica que houve um lamentvel esquecimento de recompensar o meu amigo pelo belo negcio do caulim. Esta mina propicia exportaes da ordem de US$ 200 milhes anuais para o caixa da Imerys, sediada em Paris. Meu amigo j tentou vrias vezes ser recebido por Murilo Mendes, mas ele no lhe concede essa oportunidade. A falta de qualquer recompensa um caso indito na histria da minerao brasileira.

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A Amaznia no mundo pela forma mais erradaO Programa de Integrao Nacional, tambm conhecido por sua sigla, PIN, foi lanado durante a fase mais negra da ditadura militar, entre os anos de 1970 e 1971. Tinha dois lemas. Um deles servia promoo da colonizao em reas pioneiras da Amaznia, terra sem homens para homens sem terra, atravs de migrao intensa de nor destinos presos no meio rural a formas de explorao e escravizao. O outro era integrar para no entregar. Se no houvesse a ocupao dos espaos vazios (um conceito altamente lesivo geograa e histria da Amaznia), os estrangeiros realizariam sua cobia permanente de se apropriar da maior reserva de recursos naturais ainda no explorados no planeta. O saldo dessa forma mais intensa e destrutiva de ocupao de toda histria amaznica altamente negativo. Pode vir a se tornar ruinosa se no for corrigida em maior profundidade do que o feito at agora. O preenchimento dos espaos supostamente vazios desencadeou uma migrao descontrolada e exagerada. A presso demogrca evoluiu a um ritmo muito superior ao das aes para orden-la e lhe conferir racionalidade. A ameaa estrangeira existia e persiste, mas sua lesividade no foi prevenida nem reparada pela poltica ocial. Esse xenofobismo estreito, que uniu vises doutrinrias direita e esquer da do espectro poltico e losco, no impediu que a Amaznia continuasse a fazer parte do mundo, mas a privou de uma relao a si muito mais proveitosa. A utopia do isolamento, desmoralizada pelas abordagens via satlite e as aes coloniais bem enquadradas nos parmetros legais do pas, impediu que a regio, tardia na integrao nacional, no aproveitasse inteligentemente sua sempre constante insero internacional. O colono nacional tem sido menos lcido do que o estrangeiro e o Estado nacional no discrepa de outras naes. Pelo contrrio, os vcios estatais seculares, apenas renovados pelo passar do tempo, impediram que a Amaznia tirasse proveito de um dilogo de alto nvel com a comunidade mundial, especialmente nos momentos em que os uxos de capitais e mercadorias, responsveis pelo saldo intensamente negativo para a regio nas suas relaes de troca, perderam um pouco do seu imenso desequilbrio. Foram momentos em que a solidariedade internacional podia se beneciar da evoluo da conscincia e das prticas humanitrias nos pases de ponta da Terra. Exemplos desses benefcios potenciais no faltam. A destruio de Rondnia, o caso mais grave na Amaznia (tanto que o Estado est se tornando cada vez mais identicado com a regio Centro-Oeste e o que deseja realizar), s no foi maior porque o Banco Mundial exigiu do governo a criao do Polonoroeste para tentar ajustar a ao econmica preocupao racional como um todo e ecolgica em particular. O mesmo Bird exigiu que o governo federal inclusse um captulo indgena no Programa Grande Carajs, derivado dos interesses da ento estatal Companhia Vale do Rio Doce. Na verso original, inexistia essa preocupao. Foi ainda o Bird que destruiu as pontes do nanciamento para hidreltricas na Amaznia, quando elas se tornaram uma ameaa concreta. Diz-se que essas iniciativas tinham o objetivo de frear o desenvolvimento do Brasil, sabotando sua predestinao de grandeza, conforme os prospectos geopolticos, de inspirao predominantemente militar, em benefcio dos Estados Unidos e outras potncias. Pode ser verdade. Mas as prevenes e reaes no impediram que o resultado acabasse sendo alcanado. Imobilizaram, entretanto, os efeitos acompanhantes que podiam ser favorveis regio. Foi o Banco Interamericano de Desenvolvimento, para dar outro exemplo, a primeira instituio ocial a se empenhar contra o processo de expulso das populaes atingidas por iniciativas governamentais de melhoria da urbanizao. Ao nanciar o Programa de Macrodrenagem das Baixadas de Belm, iniciado no segundo governo de Jader Barbalho e concludo na administrao de Almir Gabriel, o BID exigiu que a populao j estabelecida s mar gens dos igaraps, que seriam canalizados, tivesse apoio para permanecer na rea. Pois justamente quando as condies no locais melhoram, os moradores so transferidos ou constrangidos a sair na direo dos bairros mais distantes. O programa comeou com esse detalhe indito e positivo, mas essa conquista no foi duradoura. Outro programa do BID est sendo discutido e questionado atualmente. O banco tem concedido nanciamento para a qualicao de educadores no Par, como em outros Estados. Quer dessa maneira melhorar os resultados do ensino para que ir aula no seja uma atividade mecnica e de baixo valor agregado aos alunos. Durante o debate entre situao e oposio a propsito da poltica educacional do Estado, a secretria de educao cometeu um ato falho. Ela negou que um contrato, no valor de 7,8 milhes de reais, com duas instituies particulares de ensino, fosse para repor as aulas perdidas com as greves, conforme interpretou a oposio, combatendo a iniciativa, que representaria uma renncia a funo tipicamente de Estado para a sua privatizao. A secretria Cludia Hage declarou que o uso da expresso reposio de contedo, usada nos contratos, seria apenas para atender a uma exigncia do BID para fazer o emprstimo. Na verdade, a aplicao seria para o reforo de contedo. Alm do ardil da formalidade para o atendimento de exigncia do rgo internacional de nanciamento, h um detalhe ainda mais comprometedor s sadias nalidades de uma poltica educacional para valer: o reforo seria para atender a apenas 22 mil alunos da rede pblica do ensino mdio, durante cinco meses, em sete municpios, deixando de lado os restantes 580 mil, espalhados por 137 municpios paraenses. Por que isso? Para adestrar melhor os alunos que se revelaram os mais competitivos da rede da Seduc e assim melhorar a vergonhosa posio do Par no ranking do Enem, o exame que leva ao acesso ao ensino superior, e nas estatsticas em geral. Mudar na aparncia sem alterar a substncia, o contedo, a realidade. Assim, o Par e o Brasil, sob retricas isolacionistas toscas e caolhas, se distancia ainda mais do mundo, na iluso de que essa solido prova de que Deus brasileiro e que os cataclismos mundiais no penetram nas nossas fronteiras privilegiadas. O que essa miopia causa, ns sabemos. Ou devamos saber.