Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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Full Text

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JUIZ ISENTO PARA JULGAR? BNDES AJUDA OS RICOSUSINA PODE GERAR ENERGIA oa Pelo stimo ms seguido, no dia 4, os parentes e amigos dos 10 homens mortos em srie da noite do dia 4 para a madrugada de 5 de novembro do ano passado zeram sua caminhada por um dos seis bairros nos quais essas pessoas foram simplesmente executadas a tiros. Pelo stimo ms seguido no tiveram qualquer resposta das autoridades responsveis pela segurana pblica no Estado s suas cobranas. Continua a repetio da ladainha: as investigaes esto em curso e, to logo sejam concludas, a populao ser informada. O que espanta e causa indignao que j se sabe que a chacina foi uma represlia pela morte do cabo da Polcia Militar Antnio Marcus Figueiredo. O cabo Pet, como era mais conhecido, foi assassinado ao chegar sua casa, no bairro do Guam. O atentado foi provavelmente montado por uma gangue inimiga da que ele comandava ou por tracantes de drogas que combatia, sem por isso deixar de negociar com eles um submundo pelo qual o militar transitava com desenvoltura e motivo para o seu afastamento do servio ativo da corporao, por sua truculncia, suspeitas de assassinatos e desrespeito lei. SEGURANAO grande mudoOs homicdios se sucedem, mas os responsveis pela segurana pblica no conseguem dar uma resposta aos crimes nem restabelecer a confiana da populao. Quantas mortes ainda ocorrero sem punio?

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2 A vingana foi bem ao estilo desses grupos de extermnio: encapuzados, em duplas, sobre motocicletas, com a cobertura de mais comparsas em veculos protegidos por pelculas espessas, eles zanzaram por bairros da periferia que so pontos vermelhos de violncia, e foram executando os homens que encontraram pelo seu caminho, principalmente jovens, que costumam se reunir pelas caladas ou transitam pelas ruas. O nico elo entre todos os assassinatos a presuno dos assassinos de serem donos da vida alheia e poderem dispor delas vontade. Policiais que se outorgaram os poderes de juzes sanguinrios, praticaram a maior chacina j registrada em Belm no intervalo de menos de seis horas: 10 mortes para compensar a do cabo Pet. Apesar dessa gravidade, os 11 inquritos conduzidos por seis delegados da polcia civil, em fase de concluso (mas 150 dias alm do prazo mximo regular para serem concludos), j identicaram pelo menos 20 militares como provveis matadores. No entanto, mas at hoje no foram remetidos ao Ministrio Pblico do Estado. H indcios de autoria e materialidade dos crimes. Mesmo que em alguns casos no terem sido identicados os autores, no h impedimento para o envio do inqurito para o MPE. Se houver necessidade, novas diligncias podero ser requisitadas. Mas pelo menos haveria a oportunidade para indiciamentos ou mesmo denncias de alguns dos participantes da chacina. Mesmo com toda a cautela que a complexidade dos assassinatos exige e a obrigatoriedade de cumprimento das formalidades legais, alguns fatos lanam suspeita sobre a determinao de algumas das apuraes. Parece no haver mais dvida da participao do ex-PM Otaclio Jos Gonalves Queiroz, mais conhecido por Cilinho, que integrava a milcia de Pet. Ele foi identicado e preso, por determinao do juiz Flvio Leo. Porm a polcia civil reteve por 10 dias a ordem de priso, sem cumpri-la, embora soubesse por onde ele andava e onde morava. Quem acabou executando o decreto de priso foi a corregedoria da PM. Ficou parecendo que a polcia civil relutou, ou tinha medo, de prender Cilinho. Ele foi um dos citados no relatrio da CPI das Milcias da Assembleia Legislativa como integrante de um dos trs grupos de extermnio que atuam na regio metropolitana de Belm, formado por policiais. O sargento Rossicley Silva foi o primeiro suspeito: poucas horas antes da chacina, insuou os militares, via Facebook, a darem uma resposta ao assassinato do cabo Pet. Tambm foram citados pela CPI Josias Siqueira da Conceio, ex-cabo do Exrcito; Valmir ou Valdemir Oliveira, o cabo Oliveira tambm conhecido como Canana; Romero Guedes Lima, o cabo Lima da PM, conhecido como Montanha; e outras pessoas identicadas apenas como Gaspar ou Gasparzinho, Z da Moto e Marcelo da Sucata. A Comisso pediu o indiciamento de todos eles. Nenhum foi indiciado. Outro ponto importante das matanas foi o comportamento dos PMs que deviam estar prximos aos locais dos assassinatos, em ronda ou posicionados em suas viaturas, e se afastaram. Alm de sarem de onde podiam se comprometer como testemunhas (para no falar do seu papel como agentes de segurana), ao chegarem mudaram a situao dos corpos e comprometeram a percia como elemento de prova para identicar os criminosos. Seria outro indcio de conivncia. A ausncia de resultados concretos da apurao, 210 dias depois dos crimes, talvez tenha sido a referncia para as autoridades da segurana pblica estadual considerarem atpico o acmulo de 21 mortes na capital e mais 20 no interior num nico m de semana, no ms passada, repetindo as promessas de sempre, com medidas de emergncia, na presuno de poder satisfazer o clamor da sociedade e restabelecer a tipicidade criminal. O problema que o rotineiro j no mais normal faz tempo. A frequncia de homicdios no dia a dia se tornou to grave que o acmulo de tantas mortes teve o efeito de um detonador de dinamite. De fato, 41 mortes em dois dias de chocar e aterrorizar. Mas tomando-se apenas o caso de Belm, com seus 21 assassinatos num nico m de semana, o nmero est na faixa ou um pouco abaixo da ocorrncia de muitos outros dias. O que escandalizou foram dois dias seguidos no pique das mortes violentas. O efeito do pnico, contudo, j est instalado. A cidade foi tomada pelo medo. Gente do governo (e, talvez, o prprio governador) acha que h aproveitamento poltico da ocorrncia policial. De fato, h. Mas uma utilizao a partir de um fato consumado. A inao ou a ao ineciente do aparato de segurana pblica se prolongou por tanto tempo que se tornou acusao ao governo por si, independentemente de eventual manipulao. Transformou-se num efetivo problema de segurana pblica. Depois da aguada manifestao do secretrio de segurana pblica, que no quebrou a tenso no ambiente, era a vez de o prprio governador Simo Jatene se comunicar com a sociedade. J se fez necessria a presena da autoridade mxima da administrao pblica, sobretudo pela sua condio de comandante de todo o aparato policial. At parece que o governador no se sente compelido a desempenhar esse papel, deixando criar um vcuo que assusta ainda mais os cidados e corri sua autoridade, alm de comear a soterrar a sua liderana. Parece ser uma falha de todos os lderes tucanos, que se autodeniram supondo-se sociais-democratas moda europeia, como elite ilustrada ou dspotas esclarecidos, no assumir o comando inerente aos seus cargos de direo e muito menos a responsabilidade por erros e desmandos dos seus subordinados. Foi pateticamente exemplar desse modo de proceder a atitude do governador Almir Gabriel diante do massacre de militantes do MST no sul do Par, em 1997. O comandante-em-chefe sumiu do seu posto, deixando que seus subordinados trocassem acusaes mtuas e fugissem s suas responsabilidades. Uma manobra de gabinete isentou o governador da cadeia de comando, que obrigatoriamente o devia incluir. Quando outra onda de medo tomou conta de Belm por causa do acmulo de mortes em pouco tempo, o governador tucano saiu-se com uma expresso que, desligada do seu contexto, no seria imprpria; nele, tornou-se desastrosa: no havia insegurana efetiva, mas sensao de insegurana por parte dos cidados. Hoje a sensao de falta de comando, de liderana, de quem se responsabilize pelo que a mais nobre das funes pblicas preenchidas pelo voto do povo: a defesa da dignidade, da segurana e da vida.

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3O juiz isento para julgar os Maioranas? O juiz Antonio Carlos de Almeida Campelo, da 4 vara criminal da justia federal de Belm, rejeitou a denncia apresentada em 2013 pelo Ministrio Pblico Federal contra o empresrio Romulo Maiorana Jnior, principal executivo do grupo Liberal, aliado Rede Globo no Par. Como proprietrio da ORM Air Txi Areo, ele foi acusado de praticar crimes contra o sistema nanceiro nacional e pela sonegao de pelo menos 683 mil reais em impostos. Ao recorrer da deciso do juiz, os seis procuradores da repblica, que funcionavam ento no MPF da capital paraense, observaram: Chega a preocupar o argumento trazido pela deciso recorrida, j que a sua leitura transmite a clara noo de que no foram manuseados, lidos ou considerados quer os termos da denncia, quer, especialmente, os 9 volumes e suas 1621 pginas que acompanharam o inqurito policial. Em linguagem mais direta: o juiz decidiu sem considerar o recurso e sem ler os autos do volumoso e bem documentado processo. Sua sentena foi to preconcebida e tendenciosa que a 3a Turma do Tribunal Regional Federal da 1 Regio, em Braslia, revogou-a em deciso unnime, determinando o prosseguimento do processo criminal, que o juiz queria sustar. O juiz Campelo podia ter se poupado de mais esse desgaste se adotasse a providncia salutar de no mais funcionar em processos envolvendo os Maioranas, beneciados por outras decises, principalmente depois que o jornal da famlia noticiou tanto sua possvel candidatura ao cargo de secretrio de segurana pblica no novo mandato do governador Simo Jatene que parecia patrocin-la. O Liberal publicou vrias vezes, como balo de ensaio, que o juiz fora convidado por Jatene, aceitara o convite e apenas esperava pela liberao do CNJ. O jornal pretendia se credenciar a tratamento especial por parte do quase-secretrio. Tratamento, alis, que ele j dispensara a Romulo Jnior, quando, em 2011, ele foi depor, como ru, na 4 vara, acusado de fraude para obter recursos dos incentivos scais da Sudam. Se o patrocnio tivesse vingado, havia ainda outro inconveniente: Campelo passaria a ser chefe da sua atual esposa. Ela conclura o curso de formao de delegada de polcia. Pela praxe, devia ser designada para um posto no interior do Estado, onde o policial inicia a sua carreira, como outros servidores pblicos. Conforme era previsto, o Conselho Nacional de Justia no autorizou o juiz a se licenciar para integrar o secretariado. Somente na vspera do anncio de outro nome para o cargo, o do general Jeannot Jansen, que O Liberal deixou de declarar como certa a nomeao do juiz. Escrevi na poca: Seria um indito e mau exemplo, caso o CNJ permitisse que um juiz, ao qual a constituio confere prerrogativas excepcionais no servio pblico para exercer sua funo com independncia e autonomia, se tornasse um subordinado do chefe de outro poder, o executivo, demissvel a qualquer momento, por exercer cargo de conana. Assumir um cargo desses impediria o juiz de retornar ao judicirio, pela perda da sua condio de imparcialidade, mesmo que apenas em tese. Outro dos episdios de benefcio aos Maiorana aconteceu em fevereiro de 2011, quando o juiz me intimou a no publicar qualquer notcia sobre o envolvimento de quatro pessoas, dentre elas Romulo Maiorana Jnior e Ronaldo Maiorana, em fraudes contra a Sudam, sob pena de priso em agrante, processo criminal e multa de R$ 200 mil. Os dois empresrios e mais dois empregados respondiam a processo por crimes contra o sistema nanceiro nacional no valor de 3,3 milhes de reais, no corrigido. Para tentar justicar a censura que me impunha, agrantemente inconstitucional, o juiz estabeleceu segredo de justia, embora a ao, proposta pelo Ministrio Pblico Federal, fosse incondicionalmente pblica. Na verdade, Campelo reagiu a uma matria, publicada poucos dias antes neste jornal, detalhando a audincia realizada com um dos rus, Ronaldo Maiorana, na sala do juiz. Nessa ocasio, o processo tramitava sem qualquer condicionante. No trecho que mais deve ter desagrado ao juiz, informei que as perguntas que ele fez a Ronaldo foram genricas e no se relacionavam diretamente com os fatos imputados. Ele se interessou por questes como saber quantos empregos o empreendimento gera e se o ru possui outras empresas. E mais: O tom da audincia foi to cordial que no incio da sesso o magistrado perguntou ao ru se poderia cham-lo de doutor. Ao nal, se levantou para cumpriment-lo e aos seus advogados. Essa afabilidade contrastou com os termos do despacho do juiz em 23 de setembro do ano passado [2010], quando, designando nova data para a audincia, ele escreveu que a instruo do processo vem sendo postergada por razes diversas. A pedido dos rus. O retardamento tem um objetivo claro: protelar o andamento do processo, recebido pelo juiz em agosto de 2008, a partir de denncia do Ministrio Pblico Federal, depois de oito anos de apurao, para que o crime prescreva e seus autores permaneam impunes. o que a Justia precisa evitar que acontea. Este o seu papel, no o contrrio, dizia ainda a minha matria no JP. De uma s vez, o juiz decretou sigilo de justia e, por sua prpria iniciativa, sem ser provocado por ningum, mandou me intimar, embora eu no fosse parte na demanda, e violando a proteo constitucional liberdade de imprensa, que no admite censura prvia. A primeira deciso, de 22 de fevereiro, foi, literalmente, a seguinte: Tendo em vista a notcia publicada no Jornal Pessoal (Fevereiro de 2011, 1 Quinzena, pg. 5) e a deciso de s. 1961 dos autos, na qual decretou o sigilo do procedimento deste feito, ocie-se ao editor do referido jornal com a informao de que o processo corre sob sigilo e qualquer notcia publicada a esse respeito ensejar a priso em agrante, responsabilidade criminal por quebra de sigilo de processo e multa CONCLUI NA PG 4

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4 que estipulo, desde j, em R$ 200,00 (duzentos mil reais). O ofcio deve ser entregue em mos com cpia deste despacho. Trs dias depois o juiz revogou a deciso, com o seguinte despacho: Chamo o feito ordem. Considerando que os atos judiciais, em regra, devem ser pblicos e ainda que deve ser respeitado o direito informao, REVOGO, em parte, a deciso de 1.961, de 02/02/11, pelo qual determinou que o processo em epgrafe corresse sob sigilo de justia, para MANTER o sigilo to-somente quanto aos documentos bancrios e scais constantes dos autos. Por consequncia, REVOGO o des pacho de 1.970, de 22/02/11, que proibiu publicao de notcia a respeito do processo, com a ressalva do pargrafo anterior. Quem age assim tem a iseno necessria para ser julgador? a pergunte que o juiz precisa responder, por iniciativa prpria ou devidamente provocado.Governo ganha mais, povo fica com menosEntre 2010 e 2014 o Par teve o melhor desempenho na arrecadao de impostos dentre os 27 Estados brasileiros. Nesse perodo, o ICMS apresentou crescimento real de 39%. No ano passado, o principal imposto estadual teve aumento real de 6,4%, j descontada a inao. Foi apresentando esses nmeros que Nilo Rendeiro de Noronha assumiu a secretaria da Fazenda do Estado, no lugar de Jos Tostes Neto, que foi o secretrio da Fazenda nesses quatro anos e renunciou para assumir um posto no Bird, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Braslia. Esse o principal diferencial de empenho, dedicao e seriedade da administrao tributria estadual, disse ele. Prometeu cumprir o compromisso de manter o patamar da arrecadao e fazer crescer a receita para manter o equilbrio das contas. Nilo assumiu a secretaria adjunta da Sefa no incio da atual administrao estadual. Tornou-se muito conhecido quando o Dirio do Par revelou a transcrio de uma conversa telefnica dele com a lha do governador, Isabela Jatene, ento coordenadora do Pro Paz e, agora, secretria extraordinria de promoo social. Isabela pediu e conseguiu que ele lhe fornecesse a lista das 300 maiores empresas do Par. Justicou-se: iria procurar as empresas para buscar esse dinheirinho deles. O episdio, na melhor das hipteses, caracterizou trco de inuncia, j que a lista mantida sob reserva. Mas no impediu que ambos os personagens fossem promovidos. Premiada antes com um degrau a mais de status, Isabela pode ter apadrinhado a ascenso do secretrio, segundo as especulaes, registradas pelo Dirio do Par. Havia vrios pretendes ao cargo, alguns bem cotados por seus currculos ou patrocinadores. No mbito da Secretaria da Fazenda a questo agora, com a substituio de Tostes por Nilo, saber se a diretriz tcnica perder sua prioridade para a nfase poltica, em vspera de eleio. E se a receita continuar a ter seu notvel desempenho, que, pelas estatsticas sociais disponveis, no tem traduo direta em benefcio da populao.No chega a surpreender: afinal, as alquotas do ICMS cobrado pelo Estado sobre os servios de telefonia e de energia so as maiores do Brasil. Receita maior significa, tambm, aperto maior sobre o contribuinte mais ex posto ao direta do fisco.O mrito do secretrio Tostes foi ter organizado a mquina arrecadadora de tal maneira a compensar a reduo das transferncias federais sobre os alvos mais visveis ao tesouro estadual, do qual se excluem os grandes exportadores, como a mineradora Vale. Essa organizao permitiu a tranquila aprovao das contas do governo relativas ao ano passado pelo Tribunal de Contas do Estado. Elas atendem a todas as exigncias legais e a condio econmico-nanceira do Par de equilbrio. Conforme o press release da agncia ocial de notcias, o Par conseguiu, em 2014, car entre os oito Estados brasileiros que alcanaram resultado primrio positivo. O secretrio destacou a busca incessante pelo aumento das receitas prprias e o controle efetivo dos gastos e do endividamento. Os objetivos tm sido alcanados. Mas s depois de um exame mais atento e completo que se pode apurar se a exao nas contas resulta em melhoria para os paraenses concretamente e para o Estado. No h dvida que, como manda a constituio, o governo Simo Jatene deu prioridade educao (que recebeu quase R$ 3 bilhes de reais), sade (R$ 2 bilhes) e segurana pblica (R$ 1,9 bilho). Essas trs funes representaram 37% das despesas totais do Estado, que foram de mais de R$ 18 bilhes no ano passado, correspondendo a um acrscimo de 12% em relao a 2013. Nos dois primeiros itens, que tm alquotas obrigatrias (pelo menos 25% em educao e 12% em sade), o governo gastou mais do que a constituio o obrigava a gastar. A folha de pessoal, com os seus encargos sociais, continua a ter o maior peso, de 53,54% da despesa total do Estado. Agregado o custeio da mquina pblica, a percentagem sobe para quase 75% do oramento. Inquietante o incremento da despesa com a previdncia social, que foi de quase 14%: os inativos e pensionistas, alcanando mais de 14% do oramento, com quase R$ 2,7 bilhes. Para poder realizar algum investimento de maior significado, o governo tem que recorrer a operaes de crdito, mas esta tem sido uma fonte limitada de recursos comparativamente capacidade de endividamento do Estado. O problema que o investimento realizado, com nfase em educao, sade e segurana pblica, no se traduz nem em satisfao do cidado nem em melhora dos indicadores sociais. Os recursos esto sendo mal aplicados ou dissipados. este o ponto principal a ser testado, indo alm de uma apurao contbil convencional.

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5Hidreltrica j pode funcionar no TapajsA primeira unidade geradora das cinco que ter a hidreltrica de Teles Pires, por sua vez a primeira das cinco usinas previstas para a divisa do Mato Grosso com o Par, j est em condies de entrar em funcionamento. A Aneel fez o reconhecimento das condies de operao, tanto para teste quanto para funcionamento comercial. Apesar disso, a usina no poder transmitir energia: no foi concluda a linha de transmisso, com mil quilmetros de extenso, que a conectar ao Sistema Interligado Nacional. A previso do projeto era de que a linha estivesse pronta em janeiro deste ano. A energia vai para o sul do pas. A hidreltrica Teles Pires a primeira de um complexo integrado por outras quatro usinas, nesse que o principal auente do rio Tapajs, com metade da capacidade nominal do conjunto, de 3,6 mil quilowatts. Cada uma das suas cinco turbinas possui 364 MW de potncia. Quando entrar em operao, ser a nona maior do Brasil. Seu investimento, que inicialmente era de 3,9 bilhes de reais, j se aproxima de R$ 5 bilhes, em parte nanciado pelo BNDES. Integra o PAC (Programa de Acelerao do Crescimento) e considerada a hidreltrica de menor custo por MW instalado. Est localizada no municpio de Paranata, em Mato Grosso, onde fica a maior parte do seu reservatrio, de 150 quilmetros quadrados. Uma frao se estende a Jacareacanga, no Par. Sua potncia. de 1.820 MW de capacidade instalada, considerada suficiente para abastecer 6 milhes de pessoas. Sua construo foi iniciada em 2011, atravs de um consrcio liderado pela Neoenergia, com pouco mais da metade do capital, Furnas e Eletrosul (cada uma das estatais com 24,5%), e a Odebrecht, que est frente do consrcio construtor, com 0,5%. A Odebrecht, alis, foi a ltima a ingressar no consrcio das empreiteiras indiciadas pela Operao LavaJato como participante do esquema de desvio de dinheiro da Petrobrs para o pagamento de propina e enriquecimento ilegal.Drago chins cada vez maiorA globalizao tem induzido a abertura dos pases a um regime de trocas cada vez mais franco. uma marca positiva dos nossos tempos. Mas saudvel que um dos seus efeitos seja a perda da soberania do pas? Esta uma das questes mais importantes do momento. O Brasil, que sempre foi uma nao colonial, vinculada (ou atada) a um poder dominante, parece estar entrando numa nova etapa dessa dependncia, talvez mais grave do que as anteriores ou, pelo menos, to desfavorvel. O polo controlador, agora, chins. Os chineses esto avanando sobre a logstica de transporte, de gerao e de distribuio de energia no Brasil e, em particular, na Amaznia. Misses empresariais, polticas e diplomticas repetem visitas ao pas para consolidar sua presena e exercer presso para obter determinadas vantagens. Os resultados so promissores, sobretudo agora, em que o Brasil est com baixa liquidez, carente de capitais para fechar suas contas e manter investimentos. Essa ofensiva teria um grau de risco prprio do sistema comercial se dele participassem apenas empresas privadas. No caso da China, entretanto, essa circunstncia onerada pelo fato de que as empresas de ponta da sua economia so estatais, funcionando em regime hbrido: praticando regras de mercado, mas sujeitas ao controle poltico do governo, por sua vez conduzido por um partido nico. um partido comunista, que pratica o centralismo decisrio, mas podia ser outro tipo de partido, to problemtico pelo monoplio de poder que possui. O ingresso mais recente de uma empresa japonesa na regio o da Cwei Brasil Participaes, subsidiria integral da China ree Gorges Corporation. Estatal, ela assumiu, em novembro do ano passado, o controle acionrio da hidreltrica de So Manoel, localizada na bacia do rio Teles Pires, formador do Tapajs, entre Mato Grosso e Par. A Cwei comprou 50% da participao de 66,7% que a EDP tinha no empreendimento. Os restantes 33,3% so da estatal brasileira Furnas. O consrcio Terra venceu o leilo de So Manoel em dezembro de 2013, habilitando-se a construir e operar a usina, com capacidade para 700 megawatts, durante 30 anos. O consrcio se comprometeu a iniciar a entrega da eletricidade em maio de 2018. Seu problema agora conseguir os recursos necessrios para realizar a obra, calculados em 2,7 bilhes de reais, dos quais 66% seriam obtidos atravs de nanciamento de longo prazo. CONCLUI NA PG 6

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6 O grupo EDP/Furnas vinha encontrando diculdades de acesso a emprstimos de custo vivel porque a agncia de risco Moodys a rebaixou, por falta de garantias seguras. O ingresso da Cwei pode modicar essa situao e viabilizar o projeto. Mais um sob o domnio da China. A Trs Gargantas dona da linha de transmisso da energia da hidreltrica de Belo Monte, no rio Xingu, a de mais alta tenso do pas, com extenso de dois mil quilmetros e investimento de cinco bilhes de reais. Dever entrar em operao em 2018, levando a energia produzida na rea central do Par at Minas Gerais e da para o sul e sudeste do pas. A minerao outro foco chins prioritrio. Em menos de um ano, o minrio de ferro de Serra Sul, em Carajs, entrar no mercado. Toda a sua produo, que chegar a 90 milhes de toneladas, praticamente dobrando o que Carajs j fornece, estar garantida por um contrato bilionrio que a Vale assinou, no ms passado, com bancos da China. Em troca de uma compra quase integral do que sair da jazida de S11D, o maior projeto de minerao em curso no mundo, os chineses recebero o minrio mais rico que existe, com teor de 67% de hematita contida na rocha.Para se ter uma ideia da qualidade do produto, a mineradora brasileira est lanando o Brazilian Blend Fines, um novo produto, superior ao minrio padro do mercado, com teor de 63% de ferro, em condies de competir com os melhores minrios da Austrlia, que a lder mundial em volume fsico.O problema que o melhor produto australiano, como o Brockman Premium, dever acabar em menos de 14 anos. Ele usado principalmente para elevar o teor e viabilizar outros minrios australianos de mais baixa qualidade, que so os predominantes. Se a situao j se tornar difcil para os australianos com esse produto, car pior quando o S11D entrar em operao. As maiores mineradoras australianas, a Rio Tinto e a BHP, com a queda do preo da commodity, pareciam no ter mais competidores com os quais dividir a liderana. Com os custos operacionais abaixo de 20 dlares a tonelada, a RTZ assumia o alto da pirmide das mineradoras, tendo atrs de si a BHP. A questo agora que a mais nova mina de Carajs, com previso de entrar em funcionamento no incio de 2016, ter um custo de US$ 11 a tonelada, graas ao seu excepcional teor de pureza, sem igual no mundo. Bom para a Vale, timo para os chineses. E para o Brasil?BNDES: o Estado ajudando os ricosNos ltimos trs anos, o BNDES concedeu 1.753 nanciamentos, que somaram 320 bilhes de reais, em operaes realizadas dentro do Brasil a partir de 2012, j no governo de Dilma Rousse. As operaes de exportao de servios de engenharia realizadas num perodo maior, entre 2007 e 2015, alcanaram R$ 11,9 bilhes (aproximadamente R$ 35 bilhes). Levantamento feito pelo jornal O Globo mostra que cinco empreiteiras concentram 99,4% do valor contratado no perodo. O grupo Odebrecht foi o mais beneciado, com US$ 8,4 bilhes ou 70% do total. O jornal carioca s pde fazer essa anlise porque, nalmente, cedendo a presses externas, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econmico e Social colocou as informaes no seu site. Uma semana antes o Supremo Tribunal Federal decidiu que o banco ter de repassar dados sobre operaes com o grupo JBS/Friboi, por exigncia do Tribunal de Contas da Unio. O BNDES vinha se recusando a atender os pedidos do prprio TCU e do Ministrio Pblico Federal. Segundo a reportagem de O Globo, as cinco empreiteiras que concentram o crdito exportao so Odebrecht (US$ 8,2 bilhes, incluindo sua subsidiria em Cuba, a Companhia de Obras e Infraestrutura), Andrade Gutierrez (US$ 2,6 bilhes), Queiroz Galvo (US$ 388 milhes), OAS (US$ 354,2 milhes) e Camargo Corra (US$ 258,8 milhes).Uma das operaes que mais interesse provocava era a ampliao do Porto Mariel, em Cuba, que absorveu US$ 682 milhes entre 2009 e 2013, com a taxa de juros em dlar, variando de 4,44% a 6,91% ao ano.Economistas ressalvaram no ser possvel comparar as taxas de nanciamento a exportaes com as praticadas no Brasil, porque os emprstimos internacionais so em dlar ou euro. Alm disso, leva-se em conta o risco do pas onde a obra ser executada, que diferente do risco Brasil. Indagado sobre a concentrao da carteira de exportaes de servios, o BNDES disse que so apenas quatro ou cinco players nesse segmento e que a Odebrecht , de longe, a mais diversicada e a que atua h mais tempo no mercado internacional. Frisou ainda que o banco no interfere na escolha do exportador pelo governo ou empresa pblica que contrata a construtora para executar o projeto (o que uma verdade apenas formal; na prtica, o agente nanceiro age indiretamente ou integra um acerto mais amplo). Ouvida pelo jornal, a Odebrecht procurou minimizar a importncia dos nanciamentos que recebeu no exterior. Eles representariam menos de 10% do seu faturamento anual no perodo de 2007/2015. O paradoxal que o banco volta suas linhas de crdito principalmente para aumentar o grau de beneciamento dos produtos brasileiros, mas a indstria nacional est em crise, com retrao da sua atividade e, em consequncia, abalo no mercado de trabalho. Parece que o banco que tm seus fundos nos repasses do tesouro e em recolhimento sobre a renda do trabalho, ajuda mais os j ricos do que os trabalhadores.

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7Amaznia: cada vez menorO Fundo Amaznia se tornou uma das principais fontes de nanciamento para aes ligadas ao meio ambiente. Mas seus recursos s podem ser aplicados atualmente no bioma amaznico, cuja principal caracterstica a oresta tropical densa. Governadores e vice-governadores de nove Estados querem que o objeto do fundo passe a ser a Amaznia Legal, que inclui, alm dos cinco Estados da Amaznia Clssica (Par, Amazonas, Rondnia, Roraima e Amap), Mato Grosso, Tocantins e Maranho. Essa mudana um dos pontos principais da Carta Cuiab, divulgada ao nal do 10 Frum dos Governadores da Amaznia Legal, realizado na capital matogrossense. Eles buscam novos recursos para investimento nas aes de proteo ambiental e outras melhorias para a regio atravs do mercado internacional do REDD+ (Reduo das Emisses por Desmatamento e Degradao orestal). O Fundo Amaznia, criado com essa nalidade, j assinou contratos para recebimento de recursos a fundo perdido, no valor de um bilho de dlares (mais de trs bilhes de reais). O dinheiro vem dos governos da Noruega, que o principal doador (j forneceu 882 milhes de dlares), e da Alemanha, alm da Petrobras. A soma de todos os contratos representa o pagamento (ou compensao) de 206 milhes de toneladas de gs carbnico. Parece muito, mas apenas 4,9% do total de emisses geradas na Amaznia no perodo de vigncia do fundo, por causa das queimadas de massa vegetal. Com a troca de bioma amaznico por Amaznia Legal, um dos maiores beneciados ser o Estado de Mato Grosso, que possui em seu territrio trs biomas: 53% de oresta, cerca de 40% de cerrado e 7% do Pantanal. Poder assim aplicar os recursos em toda a sua extenso, especialmente na rea de cerrado, a mais atingida pela expanso da fronteira agrcola, e nas faixas intensamente desmatadas do norte amaznico. Essa alterao atesta o grau de destruio da oresta amaznica, cada vez mais substituda pela paisagem do serto. Uma descaracterizao rpida e espantosa.Brasil de juro recordista a caminho da insolvnciaO Brasil possua em abril 373 bilhes de dlares em moeda estrangeira. um valor respeitvel de reservas internacionais. No entanto, a dvida externa bruta do pas, que o ento presidente Lula comemorou como extinta, somavam no mesmo ms US$351 bilhes, sendo de US$ 288 bilhes de longo prazo e US$ 63 bilhes de curto prazo. Computados os emprstimos do setor privado, no valor de US$ 211 bilhes, a dvida externa brasileira total foi bater na cifra monumental de US$ 562 bilhes, mais de 1,5 trilho de reais. nmero de causar calafrios. Mas vai piorar e muito. Em abril, as transaes correntes do Brasil registraram dficit de 6,9 bilhes de dlares. Nos ltimos doze meses o saldo negativo passou da marca de US$100 bilhes. O valor equivale a 4,53% do Produto Interno Bruto, o PIB. Ainda no se assustou? Pois leia isto: o ajuste fiscal que o governo est fazendo vai transferir o dinheiro que deixaremos de receber para os bancos. Os encargos de dvida vo absorver 400 bilhes de reais (ou 130 bilhes de dlares) neste ano. Sero US$ 89 bilhes a mais do que em 2014 (e 6,5% do Produto Interno Bruto). O Brasil paga aos que lhe emprestam dinheiro 6% acima da inflao, um ganho real sem competidor em qualquer parte do mundo, onde os juros praticados pelo governo brasileiro se destacam como recordistas, j em 13,75% e prometendo continuar a crescer, apesar da inflao que ressurge e da depresso econmica que se aprofunda. Neste contexto, julguei importante reproduzir a seguir o artigo ( Aperto fiscal combina com elevao de juros?), que Antonio Corra de Lacerda escreveu e O Estado de S. Paulo publicou no dia 6. Espero que o leitor no permanea insensvel a esse problema.A coerncia das medidas econmicas um dos aspectos mais relevantes das discusses sobre alternativas da poltica econmica ou da economia poltica. Como no h decises econmicas neutras, nem tampouco indolores, a questo sempre levar em conta a relao custo-benefcio de cada escolha. No curto prazo, entre ns, chama a ateno o descompasso entre o objetivo de ajuste scal e a contnua elevao dos juros. O ajuste de qualidade a ser realizado, ao contrrio do que est sendo praticado, seria cortar gastos correntes, preservando os investimentos e os programas sociais, pois, alm de mais justos, geram efeito multiplicador sobre a economia. importante gerar um supervit primrio, e a meta para o ano de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas a questo fundamental quando se considera o resultado consolidado no mbito nominal, isto incluindo o pagamento de juros sobre a dvida pblica. Isso porque o Brasil de longe o pas que mais paga encargos sobre a sua dvida. No ano passado foram R$ 311 bilhes (6,1% do PIB), valor que deve subir para cerca de R$ 400 bilhes este ano. No, voc no entendeu errado, caro leitor. Vamos pagar R$ 89 bilhes adicionais de uma conta j salgada de encargos sobre a dvida pblica! Ou seja, todo o esforo scal a ser obtido no mbito das contas pblicas primrias, com aumento de impostos e corte de gastos e de investimentos, ser insuciente para arcar com o acrscimo do pagamento de juros. Para nanciar a diferena, o Tesouro Nacional emite novos ttulos, aumentando a dvida. Nesse contexto, a prtica dos juros mais elevados do mundo e em elevao representa uma grande incongruncia em face do ajuste scal pretendido, basicamente por duas razes. Primeira, porque, alm de incua para reduzir a CONCLUI NA PG 8

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8 inao, como apontamos em artigo recente (*), a elevao de juros provoca um encarecimento do crdito, do nanciamento, o que faz com que haja diminuio no nvel de atividades da economia. As empresas, faturando menos, recolhem menos impostos, fazendo com que haja queda na receita do governo, prejudicando o resultado primrio. Vamos amargar este ano uma retrao do PIB da ordem de 2%! Segunda, e mais grave, ainda no mbito nominal das contas pblicas, a elevao da Selic representa aumento de custo na veia, em razo do perl e da caracterstica da nossa dvida pblica, que remunera a taxas de juros reais elevadssimas os ttulos pblicos, independentemente do prazo de resgate. Este o verdadeiro negcio do Brasil e que resiste h dcadas no Pas. Somos o nico pas no mundo que remunera seus credores, que praticamente tm risco zero, e por qualquer prazo e juros reais (acima da inao) de 6% ao ano. Isso diante de um quadro internacional em que a imensa maioria dos pases pratica juros reais negativos, como nos Estados Unidos, na Europa, no Japo e em outros pases que, mesmo diante de indicadores piores que os nossos, como inao, dcit e dvida pblica, adotam taxas de juros menores. No nosso caso, trata-se de uma transferncia signicativa de recursos pblicos portanto oriundos dos impostos que pagamos para os credores da dvida pblica, basicamente o setor nanceiro e todos que realizamos aplicaes nanceiras. O fato que nos tornamos uma sociedade viciada em juros elevados e adepta do rentismo, em contraponto produo e ao investimento produtivo. Ou seja, o verdadeiro ajuste a ser feito de mbito nanceiro, atrelado ao perl do nosso endividamento. No cortando investimentos e gastos sociais e gerando recesso que vamos conseguir o ajuste intertemporal das contas pblicas lembrando que control-las no um m em si mesmo, mas um meio. Enquanto no enfrentarmos essa questo crucial, permaneceremos refns de ajustes de curto prazo, limitando o crescimento econmico e, portanto, adiando o desenvolvimento.Violncia sexual e grandes obras: entre denncias e annciosAssis da Costa OliveiraEm 1984, num debate ocorrido em Belm para avaliar os problemas decorrentes do fechamento do reservatrio da Hidreltrica de Tucuru, Lcio Flvio Pinto atentou para o fato da cidade de Tucuru, poca, possuir a maior relao prostituta per capita do pas, na qual, para uma populao j ento de 61 mil habitantes, havia quatro mil prostitutas. A proporo daria a exata dimenso de uma prostituta para cada quinze pessoas. Porm, trata-se de uma cidade que passou de 61 mil habitantes, na contagem de 1980 do IBGE, para 148 mil pessoas em 1985, segundo dados da Eletronorte, deve-se ponderar que a projeo pode ter se potencializado nveis ainda mais alarmantes. Em 2011, quase 40 anos depois, a Plataforma Dhesca Brasil apurou, em visita realizada s obras das hidreltricas de Jirau e Santo Antnio, no rio Madeira, que a quantidade de crianas e adolescentes vtimas de abuso ou explorao sexual subiu 18%, entre 2007 e 2010, e que, no mesmo perodo, o nmero de estupros cresceu 208% em Porto Velho. O que interliga a hidreltrica de Tucuru com as realizadas no rio Madeira o modelo de desenvolvimento pautado em grandes obras, que mobiliza uma interveno socioambiental drstica nos territrios e uma enorme migrao humana hegemonicamente masculina s regies em to pouco tempo, levando sobrecarga dos aparelhos pblicos e precarizao das condies de vida de alguns segmentos sociais, como crianas, adolescentes, mulheres e povos tradicionais. Na hidreltrica de Belo Monte, no rio Xingu, o relatrio anual de 2014 da Norte Energia S.A. indicava que a obra havia chegado, em junho de 2014, no pico mximo de trabalhadores contratados, num total de 33.150 pessoas. Sondagem interna feita com o Consrcio Construtor Belo Monte indicava uma proporo de 90% de homens, boa parte deles solteiros ou que deixaram a famlia em seus locais de origem. Pergunta-se: quais as opes de lazer destes homens? No resta dvida que uma das principais respostas ser: bares, boates e locais nas cidades de Altamira e Vitria do Xingu, e nos seus arredores, onde ocorrem situaes de violncia sexual, especialmente na modalidade de explorao sexual, que envolvem, infelizmente, crianas e adolescentes. Por isso, no tocante explorao sexual no contexto das grandes obras, importante perceb-la no apenas como consequncia do modelo de desenvolvimento, mas tambm como forma perversa de sustentar o empreendimento, de fazer com que seus milhares de trabalhadores, no todos verdade, tenham uma opo ou alternativa de lazer ou de liberar a tenso, como um deles me relatou durante a pesquisa que realizamos dentro dos canteiros da obra de Belo Monte. Liberar a tenso dos hormnios, dos desejos sexuais, do trabalho pesado com jornadas de 10 horas dirias, do enclausuramento imposto pelo alojamento interno, que reduz a rotina de vida a trabalhar, comer e dormir; produzindo, paradoxalmente, uma tenso social, a das relaes de gnero e gerao que permeiam a produo do mercado do sexo instalado s custas das barragens e das pessoas exploradas sexualmente em Altamira com uma identicao, em 2014, de 46 pontos de potencial vulnerabilidade sexual de crianas e adolescentes, s na sede municipal, enquanto que o Estudo de Impacto Ambiental da obra no trouxe nenhuma linha sobre isso, com ausncia completa

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9 de identicao para planejamento de medidas preventivas e corretivas. Esta tenso social da explorao sexual em contexto de grandes obras uma reproduo histrica para a qual as polticas de desenvolvimento continuam a insistir no mesmo erro. Mas o que mudou de Tucuru, em 1984, para Jirau, Santo Antnio ou Belo Monte, em pleno sculo XXI? Se no o problema em si, ao menos a articulao para enfrent -lo e para reconhec-lo como uma das mais graves violaes de direitos humanos acometidas s crianas, adolescentes e mulheres. Desde 2010 uma rede de proteo especca para as discusses de violncia sexual em grandes obras emergiu em Porto Velho, Rondnia, e vem ganhando adeptos e espaos ao longo dos anos, com vrios documentos e iniciativas promovidas. Um dos documentos o que ser lanado no dia 18 de junho, as 19h, na sede da OAB/PA, em Belm: o livro Direitos Infanto-Juvenis e Violncia Sexual no Contexto de Grandes Obras, organizado por mim e pela professora Vilma Pinho, que rene a contribuio de pesquisadores, militantes, adolescentes, alm do jornalista Lcio Flvio Pinto. Nesse livro, assim como em outras publicaes lanadas pela rede de proteo, o que est em jogo no somente denunciar as mazelas das grandes obras, antes sim apontar possveis horizontes de correo ou resoluo delas, ligadas direta ou indiretamente violncia sexual de crianas e adolescentes. Os novos horizontes preconizam por uma mudana substancial do licenciamento ambiental para melhor compreender e intervir sobre os ditos danos ou impactos sociais das grandes obras, mas tambm pressiona pela estruturao prvia dos territrios alvo de grandes obras e de uma reviso da relao das empresas com as populaes e territrios locais alvos de suas atividades. Em suma, preciso rediscutir as diretrizes e procedimentos de implantao de grandes obras na Amaznia, no sentido de tencionar a mudana radical de suas fundamentaes, passando da lgica de adaptao dos territrios aos empreendimentos, para outra, de adequao destes as dinmicas, vocaes e complexidades dos territrios amaznicos, e das populaes que neles habitam.Uma dedicatriaA Estante Virtual, o maior sebo da internet, tem muitos exemplares de Passagem secreta, livro de consses com acento potico de Leila Cravo, publicado em 1979 pela editora Rocco (com 105 pginas). Nenhum dos exemplares oferecidos custa cinco reais. Apesar de Leila ter sido modelo, atriz (de pornochanchadas), jornalista e mulher bonita (posou nua para revistas masculinas), o livro vendeu e ainda vende pouco. No sem motivo: ela tentou ir alm de lembranas e reexes, mas no chegou ao que pretendia. O exemplar que encontrei num sebo do Rio de Janeiro vale muito mais do que todos os que esto em poder dos livreiros. Leila o dedicou (com um grande abrao) cantora Maria Bethania, a irm de Caetano Veloso. Leila diz para Bethania: Papai a descreveu como doce, meiga e colrio dos olhos dele. Por isso que este livro alivie tambm seus olhos e acentue sua meiguice. Bethania leu, assinalou uns poucos trechos e corrigiu alguns erros pronominais. No deve ter tido a mesma opinio de Edna Savaget, que escreveu a orelha mais como amiga do que como crtica. O livro marca o nal da carreira artstica de Leila, que se isolou e iniciou nova atividade para escapar a alguns episdios traumticos na sua vida.A feira mesmo do livro ?O Liberal tucano gorjeou, na edio do ltimo domingo, que a 19 feira pan -amaznica do livro, encerrada ontem, em Belm, foi um sucesso. As vendas, durante os 10 dias da sua durao, chegaram a 17,2 milhes de reais, 15% a mais do que no ano passado. O Estado foi responsvel por quase R$ 4 milhes desse total, na forma de crdito para os professores comprarem livros. Podia at ter contribudo com mais se os mestres sacassem integralmente do fundo, que lhes disponibilizara R$ 4,8 milhes. A diferena de R$ 800 mil ou se deveu falta de interesse pelo acervo oferecido pelas livrarias ou o desgio. Em todas as feiras h professores ou prepostos comercializando o cupom com aprecivel desconto para os interessados. O mercado negro desse crdito se institucionalizou, o que uma pena, mas retrata a realidade de penria em amplo sentido da massa da categoria. Se os expositores ganharam mais do que no ano passado, os verdadeiros apreciadores de livros no tiveram motivos para comprar e sair satisfeitos da feira. A esmagadora maioria dos livros era formada por rescaldos de ponta de estoque, j garimpados em vrias outras temporadas. De ano para ano a qualidade do material cai. Os que realmente ofereciam vantagens se ausentaram da feira deste ano, dominada por comerciantes de papel impresso. As maiores vtimas do engodo so as crianas e os seus pais. Eles compram livros infantis por baixssimo preo, mas o valor dessa literatura de nvel ainda mais inferior ao dos seus preos. Reduzido ou nulo acrscimo de cultura e at mesmo de entretenimento pedaggico. O que est vindo nos ltimos anos mais o rebotalho intelectual dos estoques acumulados no sul do pas. Para que essa tendncia no se cristalize, o governo, que compra um quarto de todos os livros vendidos na feira, atravs dos professores, devia cobrar, para a 20 feira (a dos 400 anos de Belm e dos 70 anos do eterno secretrio de cultura, Paulo Chaves Fernandes), que os expositores cadastrem os livros que iro oferecer, com seus preos, destacando a faixa das promoes, para que quem gosta mesmo de livro no saia do acontecimento frustrado. Se o que interessa mesmo o livro, ele se tornou, de fato, o lado secundrio de uma feira intensa de programao paralela.

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10CABANAGEM/180 ANOSUm paraense singularEscrevi o artigo reproduzido a seguir, em 1992, quando do lanamento do livro de Felipe Patroni, editado por Haroldo Maranho, que se tornou uma raridade.Pode-se escolher uma das duas datas para as comemoraes, mas em ambas h um nico personagem principal: o acaraense Filippe (ou Felipe, na forma atualizada) Alberto Patroni Martins Maciel Parente. A 6 de janeiro de 1821 ele se tornou o primeiro paraense a imprimir um jornal, a Gazeta do Par que circulou em Lisboa. No ano seguinte ele comprou uma grca na capital portuguesa, a transportou para Belm e a 22 de maio de 1822, colocou nas ruas da cidade o primeiro jornal rigorosamente paraense, com o exato ttulo de O Paraense. Apesar da passagem dos 170 anos [hoje, 183 anos] dessa data, a nica perspectiva de espantar a desmemoria local est no pequeno novo livro editado por Haroldo Maranho no Rio de Janeiro, contendo dois textos de Patroni: a Dissertao sobre o direito de caoar e a Carta a Salvador Rodrigues do Couto, por ele escritos na primeira maturidade, entre 1817 e 1818. Haroldo escreveu a introduo e montou a mais completa bibliograa disponvel de Patroni. Tambm acrescentou uma ilustrativa cronologia ao livro, coeditado pela Loyola e a Giordano. o 11 volume da coleo Memria. Patroni foi muita coisa na vida, precocemente e com intensidade furiosa, limtrofe de um desequilbrio que foi avanando em seu crebro pelo peso dos anos e a irrealizao das utopias. Esteve na contramo dos seus contemporneos, rompeu os grilhes das classicaes convencionais e foi uma personalidade to rica e contraditria que at hoje sua vida fascinante continua espera de um bigrafo altura dele. Nenhum tem se aproximado mais dessa meta do que Haroldo Maranho. Diante da diculdade para tratar um material primrio caoticamente disperso e fontes secundrias decientes, Haroldo optou por uma co a meio caminho do romance clf para exaltar Patroni e transcend-lo em Cabelos no corao, livro que pertence solitria dinastia das realizaes literrias de grande porte. O romance, entretanto, no exatamente nem sobretudo biograa romanceada, mas a obra capital de um escritor experimental com razes fortemente ncadas na sua terra, acometido por uma ter vocabular benigna, um paludismo inventivo, sem freios e fronteiras. Os dois textos de Patroni, em si mesmos, so incapazes de traduzir completamente o pensamento do seu autor. Mas so um avano considervel em relao desleixada reunio das duas obras escolhidas pelo Conselho Estadual de Cultura. tambm mais um passo dado por Haroldo Maranho para suprir uma das maiores lacunas na historiograa regional. fascinante a trajetria de um humilde caboclo do interior paraense, que consegue chegar famosa Universidade de Coimbra, faz um curso brilhante at o bacharelato, assume a representao do seu Estado junto corte, poliglota, domina uma vasta srie de temas, assume uma militncia poltica solitria, desaa convenes e percorre uma trajetria acidentada at sucumbir apoplexia, a mesma doena que fulminaria um ms depois sua nica companheira de vida, sem deixar sucessores. Meu primeiro contato com Patroni foi aos 17 anos, quando escrevi reportagem de pgina inteira para a capa do segundo caderno de A Provncia do Par. Eu no sabia que a ideia at ento dominante sobre Patroni era de que ele no passava de um louco. Depois de ler alguns manuscritos e jornais no Arquivo Pblico, quei fascinado por aquele homem, especialmente pelo jornalista. O editor do jornal, Cludio Leal, muito mais velho, mesmo condicionado pelos preconceitos vigentes, achou que aquela era uma nova roupagem para o mito e deu destaque matria, uma surpresa para mim, um convite curiosidade insatisfeita. Insatisfeitos ainda devem estar todos os que se interessaram no apenas em saber da vida de Patroni, mas buscar-lhe um sentido, uma denio. Nos intervalos em que foi juiz, advogado, poltico e pensador, ele foi jornalista. Alm da Gazeta do Par e de O Paraense, foi editor de mais trs jornais. Na imprensa paraense, contudo, ele no foi mais do que precursor: trs dias depois de O Paraense circular, foi preso. A partir da, o cnego Batista Campos, um verdadeiro panetrio, assumiu a direo do jornal. Que linha editorial teria seguido o jornal se seu fundador permanecesse em liberdade? Perguntas desse tipo cabem em vrios momentos da vida de Patroni, marcada mais pela intensidade dos momentos do que por sua continuidade, por impulsos de lucidez interrompidos por um desequilbrio (ou uma desorganizao?) mental, que se iria acentuar com o tempo. Politicamente, ele foi tambm um precursor, cujas ideias avanadas em relao ao rompimento da dependncia colonial e da instaurao da repblica eram convico mesmo, mal expostas debaixo de uma bem cuidada preocupao ttica, que mantinha sua cabea sobre o seu tronco, ou era oportunismo? Para ele, bastaria ao Par se atualizar monarquia constitucional portuguesa do que aventurar-se por uma independncia claudicante? So perguntas que o tempo s responder se autores menos condicionados por verses forem atrs das respostas. Elas no viro enquanto homenagens forem prestadas a Patroni apenas para cumprir obrigaes formais, como dando o seu nome a uma praa ou editando obras que, escritas aps 1850, so, antes de mais nada, o atestado do delrio de uma mente vulcnica obrigada a pensar numa plancie acomodada.

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11BREVE ANTOLOGIA Selecionei trechos do texto e da carta de Felipe Patroni que Haroldo Maranho divulgou no livro. Ajudam a entender melhor o autor do que as obras reunidas pelo Conselho Estadual de Cultura, da fase de maior transtorno mental de Patroni. Antes, uma judiciosa e lcida apreciao de Haroldo que situa melhor ogrande personagem da histria paraense, que antecedeu a cabanagem e, em certa medida, a antecipou.ANLISE DE HAROLDO MARANHOUma das virtudes que singularizam Patroni a obsesso pelo trabalho intelectual. Conhecia na intimidade o grego, o latim e o snscrito. Recitava no romano, velozmente, os livros da Bblia e os quatro Evangelhos. Chegou a redigir jornais bissemanais, ele s, da primeira ltima pginas. Foi jornalista e advogado militante no Par, em Minas e na Corte, magistrado, deputado na Legislatura de 1842 logo dissolvida e patriota a vida inteira. Desenvolveu incessante atuao poltica. Diversas vezes o encarceraram, no Brasil e em Lisboa. No sem desencanto, li na terra dele e minha que morreu mergulhado na completa loucura. Prero esperar por diagnstico menos frvolo, quando a vida e obra tiverem sido exaustivamente esquadrinhadas por especialistas, isto historiadores, algebristas, fsicos, numerologistas, ocultistas, demonlogos, biblistas, cabalistas, e sabe-se mais por quem. Entristecido com a ptria a que integralmente se doara; com o desconhecimento de seus livros e de suas ideias voltadas para o bem do Brasil; com a irriso que o rodeava, mudou-se em 1851 para Lisboa, com a mulher, Maria Anna, unio sem lhos. Faleceu no dia 16 de julho de 1866 [talvez aos 77 anos], sem ter retornado ao seu pas. A viva no lhe sobreviveu mais que um ms e dias. Ambos morreram de apoplexia. TEXTOS DE PATRONI (1817/18)DE QUE SERVE o sbio encerrado em uma gruta? A sabedoria intil na solido. IMPOSSVEL haver sabedoria verdadeira, quando falta o conhecimento dos prprios deveres. OS NOVATOS logo no princpio tm o nome de Calouros, termo derivado do verbo caleo, que signica estar quente; e no sem razo, porque os Calouros esto em contnuo calor, cando enados por qualquer coisa, donde vem o adgio: Ficar encalourado. Perdida a essncia de Calouro ao matricular-se em a Universidade, comea o Acadmico a ser Novato e a familiarizar-se com os Veteranos; decorre o ano e no m dele quase no caoado e geralmente j ento no h caoada. FICAR ADVERTIDO de que o vasto imprio do Brasil todo ele um tesouro; ele um tesouro; porm est oculto; preciso pr toda a diligncia para o descobrir. Narra as jornadas de Francisco Caldeira Castelo Branco para fundar Belm,] qual d o nome de Gro-Par, por uma equivocao, pois supunha que o Rio que banha a frente da Cidade era o Amazonas; e desta sorte deixa-a no mesmo lugar em que hoje est, com a invocao de Nossa Senhora de Belm, e dando-lhe o ttulo de Cabea da feliz Lusitnia. A I NDOL NCIA que todos reconhecem ser propriedade nossa, no provm doutra causa seno da rudeza em que vivemos: no Par muitos h cujos espritos se fossem cultivados teriam de orescer muito. De que serve que um rapaz muito ativo suceda no regime de sua casa a seu pai se ele, comeando a sua carreira por casar, gasta toda a vida em plantar mandioca, arroz, milho e algodo, sem adiantar mais cousa alguma? Nasce, vive e morre estpido: de que serve tal atividade? Ficam os lhos, nico fruto das suas diligncias e tm outra semelhante vida. E assim sucede uma srie de ativos inteis e prevalece a indolncia. D ESGRAA certamente lamentvel a nossa, que podendo aumentar o nosso Pas, servindo-nos das suas produes, por nossa negligncia o diminumos, queimando as suas riquezas. Sendo to vasta a extenso dos nossos bosques, por que razo nos servimos das andirobeiras para lenha?

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12 MemriaADVOGADOSA OAB do Par realizou. Em 1947, a sua mais concorrida eleio, vencida pela oposio, num momento em que o PSD de Magalhes Barata dominava a poltica estadual. Dos 21 conselheiros eleitos, os mais votados foram Cecil Meira (150 votos), Gonalves Bastos (148), Moura Palha (143), Daniel Coelho de Sousa (115), Aldebaro Klautau, Pereira Brasil e Emlio Martins (113), Abel Martins e Silva, Clvis Malcher, Jos Tomaz Maroja e Stlio Maroja (112), Levi Hall de Moura e Osvaldo Trindade (111).PLANEJAMENTOArthur Cezar Ferreira Reis foi o primeiro superintendente da SPVEA (a superintendncia de planejamento da Amaznia, que antecedeu a Sudam), nomeado em 1953 pelo presidente Getlio Vargas. O historiador amazonense morou em Belm durante os oito anos anteriores em Belm. Em 1951 foi designado por Vargas para secretariar a comisso criada para elaborar as linhas gerais do plano de valorizao da regio. A SPVEA tinha uma comisso consultiva, integrada por representantes dos Estados amaznicos. O primeiro do Par foi Stlio Maroja, que viria a ser deputado e prefeito de Belm.CONTRABANDOEm 1959, como frequentemente acontecia, o inspetor da alfndega de Belm recebeu denncia annima que lhe permitiu apreender nada menos do que 138 volumes, contendo peas para motores e cigarros americanos, que chegaram ao aeroporto de Val-de-Cans num avio da Cruzeiro do Sul, vindo de Caiena. Tambm como quase sempre, o juiz Olavo Nunes, dos Feitos da Fazenda Federal, concedeu mandado de segurana determinando a liberao do contrabando, deciso que, incontinenti, o inspetor da alfndega mandou cumprir. E assim Belm era o paraso do contrabando no Brasil.PARISIENSEEm 1959 a Paris NAmrica, loja de tecidos que ainda continua funcionando, na rua Santo Antonio, no centro antigo de Belm, completou 50 anos. Comeou a ser construda em 1906 e foi inaugurada trs anos depois. Seu proprietrio, o portugus Francisco de Castro, fazia constantes viagens para Paris e Lisboa, de onde decidiu trazer toda pedra mrmore e acessrios para a construo da luxuosa loja, em trs andares, com uma suntuosa escadaria em ferro forjado. Ele comeou como caixeiro na rma, depois passou a scio e assumiu o controle ao se desentender com seu scio, Botelho, que atravessou a rua e se instalou em outra loja de luxo, a Bon March, tambm de inspirao parisiense. Francisco de Castro morreu em 1026, deixando como sucessora sua esposa, Tereza Freitas de Castro, lha do educador e autor de livros pedaggicos Dr. Freitas (nome de rua e de grupo escolar).NAVEGAOManoel Mamede da Costa assumiu a chea do servio de navegao da rma Nicolau da Costa & Cia. quando ela foi criada, em 1912, cuidando do nico navio de que ela dispunha, o Baro de Camet, que fazia linha para Manaus. Em 1959, quando completou 89 anos, Mamede PROPAGANDANovela na rdioSem televiso em 1959, as novelas eram a grande atrao das emissoras de rdio. A Clube (PRC-5) anunciava A Madona das Sete Luas, de Ivani Ribeiro, que vinha gravada, trs vezes por semana num horrio invivel nas TVs: s 10 da manh.

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13 Cotidiano d oFOTOGRAFIAO mundo das guasQue tal um vaqueiro tocando o rebanho (de bfalos) sobre canoa, empurrando-a, em p, com o uso de uma vara? Foi a cena que fixei, no Maicuru, em Monte Alegre, na grande cheia do rio Amazonas de 1976. O maior cuidado do vaqueiro nessas ocasies era impedir que qualquer dos animais, atrado por capim flutuando no rio, se desgarrasse e fosse arrastado, se perdendo da manada para sempre. Os bfalos viviam enfiando o focinho na gua atrs do capim submerso. O mundo aqutico tipicamente amaznico.continuava na sua funo e sua longevidade foi comemorada por amigos e companheiros de trabalho. Alguns anos depois de comear a atuar na navegao uvial, a rma de Nicolau da Costa j dispunha de oito navios e cinco lanchas, atuando inclusive no comrcio internacional com o navio Costeira. A embarcao foi torpedeada durante a Primeira Guerra Mundial, entre a Frana e a Blgica, por um submarino ingls, sob a suspeita de que transportava borracha para a Alemanha. Mamede tambm trabalhou em estabelecimentos comerciais, como A. Bernaud & Cia., de Alfredo Bernaud, ao lado de Joo Afonso do Nascimento (escritor e av do professor Francisco Paulo do Nascimento Mendes) e do historiador portugus Joo Lcio de Azevedo, uma das maiores autoridades no padre Antonio Vieira.RDIONa vspera do natal de 1960 foi inaugurada a Rdio Guajara, de propriedade do casal Lopo e Conceio Lobato de Castro. A sede da emissora cava no Guam. At l foram os representantes dos seus confrades Edgar Proena, da Rdio Clube do Par, e Frederico Barata, da Rdio Marajoara, que lhe foram desejar sucesso, alm do major Jarbas Passarinho, que viria a ser governador do Estado quatro anos depois.CRIONo Crio de 1964 a diretoria da festividade ainda distribua convites individuais que conferiam ao portador direito a acompanhar o Crio entre as cordas da Berlinda, espao reservado s autoridades eclesisticas e civis, pessoas gradas e aos membros da Diretoria. O convite era intransfervel.LEILOEm 1987, uma tradicional famlia paraense que se transfere para Braslia realizou o primeiro suntuoso leilo do ano, abrangendo desde bela e confortvel casa em estilo colonial, na esquina da Quintino Bocaiva com a Aristides Lobo (ao lado do shopping Boulevard de hoje), passando por obras de arte e mobilirio no, ater dois calhambeques antigos, de 1929 e 1932, um automvel moderno (de 1985), coleo de armas, canetas, relgios e moedas antigas.

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14 Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fone: (091) 3241-7626 E-mail: lfpjor@uol.com.br jornal@amazonet.com. br Site: www.jornalpessoal.com.br Blog: http:// Diagramao/ilustrao: Luiz PintoEditor: Jornal Pessoal LEIA E DIVULGUEJornal Pessoal Petrobrs O JP 583 traz uma pequena matria sobre o conturbado balano da Petrobrs, divulgado no dia 23, do ms de abril. No resta dvida, muitos analistas se pronunciaram, acerca da precariedade e articialismos dos nmeros. Todavia, tinha-se urgncia em apresentar as contas porque a imprensa sadia e uma tropa razovel de opositores estavam tentando e continuam a reduzir criminosamente com crticas incandescentes o prestgio da maior empresa nacional. A engenharia usada para organizar as contas do balano/2014 no poderia seguir outra alternativa face a urgncia de apresentar ao mercado os furos nanceiros causados pelo vertiginoso aumento da corrupo ativa/ passiva que corroeu as entranhas da Companhia nesses ltimos 20 anos (os danos so antigos, desde governos pretritos, abrangendo a fase tucana FHC, como est provado). evidente que no foi um trabalho tcnico convel, como deveria ser, porm necessrio para evitar desdobramentos na rea poltica-institucional. Ningum duvida que os nmeros foram estimados e at maquiados para preservar a sustentao da empresa, at que o processo de investigao seja concludo, e apontados e punidos os culpados. Quanto ao fato dos dados maquiados, no h do que se envergonhar, porque a prpria rma de auditagem, Pricewaterhausecoopers, est acostumada a trabalhar os balanos de grandes corporaes, no cenrio internacional. Nesta hiptese, no cabe nominar o caso brasileiro como a maior corrupo j documentada, na histria mundial, se ainda nem foram nalizados os processos de investigao. H outros escndalos nanceiros, no mesmo padro, e mesmo acima deste gabarito, s retroagir no tempo (subprimes norte-americano em 2008; operaes zelotes, quadrilha que atua no CARF; operao castelo de areia; o mensalo e trensalo tucano; swiss leaks, contas secretas do HSBC). Mesmo que as contas no fossem apresentadas at o m de abril/15, no creio que o mercado tomaria uma atitude intempestiva desta: cobrar antecipadamente parte de seu crdito de longo prazo. Seria algo indito no mundo dos negcios, aonde a precipitao pode acarretar perdas de provveis ganhos no futuro. As grandes transaes exigem calma e prudncia e no podem jamais exagerar no oportunismo. Fora essas questes tericas, a Petrobrs possui um patrimnio invejvel de ativos e de tecnologia que vai superar a concorrncia e a ao predatria de certos agentes polticos. Qual o problema? O pr-sal, na plataforma continental do mar territorial brasileiro, j venceu a fase de explorao e se posiciona de maneira positiva na etapa de produo. Numa apreciao mais tcnica, a Empresa no sofreu perdas de ativos as baixas tiverem a ver com a reduo do preo do barril de US$109, no terceiro trimestre/14 para US$77, no quarto trimestre/14 e terminou o ano valendo US$ 62/barril e, claro, com a reavaliao do ativo (Impairment, no jargo tcnico). Tudo arranjado numa conta de chegada, como se costuma comentar em o. Tambm no sofreu deteriorao no desempenho operacional, pelo contrrio, o balano divulgado aponta: aumento da produo (713 mil barris dia) do pr-sal, cuja produtividade est acima da mdia e crescimento das margens de venda de combustveis com a liberao dos preos. Enm, o resultado operacional do primeiro trimestre superou as expectativas (R$ 5,3 bilhes). Isso s vem conrmar a sequncia de resultados apontados no governo tucano (mdia anual de R$4,2 bilhes), e no governo petista passou para R$25,1 bilhes. Segundo dados disponveis, nos ltimos anos 12 anos o lucro acumulado excedeu a R$ 300 bilhes. De 2002 a 2014, a produo de leo cresceu 50%, e sempre acima da mdia mundial. Tanto que a nica companhia de petrleo que registrou crescimento de produo nos ltimos anos, se formos comparar com as discutidas gigantes do mercado como Shell, Exxon, Chevron e BP, que ainda labutam com diculdades devido a crise nanceira internacional. Todos os investimentos dos ltimos anos no podem ser tomados como fora dos parmetros normais ou insustentveis e endividamentos irresponsveis, como certos polticos e analistas armaram, eles foram projetados em razo do aumento da demanda e da decincia da empresa na rea de reno e de mquinas/implementos pesados (sondas, plataformas, perfuratrizes, etc.). As usinas Abreu e Lima (Pernambuco), Comperj (Rio de Janeiro) e Repar (Paran), esto prontas para atender s necessidades crescentes de derivados de petrleo do mercado interno, assim como as sondas, perfuratrizes e plataformas (eram 36 em 2002, hoje so 82) so responsveis pela retirada de 700 mil barris dia da reserva do pr-sal. O combatido oramento do planejamento estratgico at 2020 foi elaborado com base no preo do barril de petrleo a US$50, nos dias atuais (maio) atingiu o preo de US$ 60. Porm, a notcia mais alvissareira foi passada pela Diretora de Explorao e Produo da Petrobrs, Solange Guedes, em palestra na OTC OShore Tecnology Conference/2015, entre outras consideraes de ordem tcnica, armou Ns podemos garantir que o pr-sal vivel com um custo de produo de nove dlares por barril. Isso no so fantasias, tipos daquelas exibidas pelo dono das empresas dos X, Eike Batista, relatadas no livro Tudo ou nada, de autoria da jornalista Malu Gaspar, so dados extrados da labuta diria de uma empresa brasileira com domnio absoluto da tecnologia de explorao do petrleo em guas profundas e que representa o nosso trunfo para impactar o adensamento da cadeia produtiva nacional, com reexos positivos nos outros setores da economia e, tambm, assegurar a irradiao do contedo local, previsto no documento de regulao. Todavia, diante do impacto do prejuzo vericado decorrente da desvalorizao dos ativos e da necessidade de caixa para tocar o dia a dia da empresa, torna-se indispensvel rever algumas metas e planos do planejamento global. Espera-se, destarte, que os processos criminais sejam concludos, com a punio dos culpados (polticos, empresrios e empregados) e o ressarcimento aos cofres do pas dos valores surrupiados. S no avalizo a ideia de que nossa nao consumiu todo o estoque de decncia e apodreceu-se irremediavelmente, e que jamais poder reconstituir-se. Muitas empresas e naes contraram o vrus da degradao, por conta das fragilidades dos mtodos de vigilncia e governana empresariais, que precisam ser reavaliadas para evitar futuras roubanas, mas superaram essas diculdades e voltaram a orescer. Acredito numa soluo pensada racional, discutida CART @ S

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15entre lideranas srias e estadistas com descortino poltico. Rodolfo Lisboa Cerveira MINHA RESPOSTA O ttulo que dei ao artigo analisado pelo leitor, a maior corrupo j documentada, na histria mundial, conforme est dito em outro trecho do texto, deve-se circunstncia indita de corrupo ser tratada explicitamente pelo balano. O ineditismo imps diculdades metodolgicas insuperveis. Da a auditora ter optado, ao m de extensas consideraes e reconstituies factuais sobre o alcance dos desvios (o que caracteriza a originalidade dessas demonstraes nanceiras na histria da contabilidade mundial), por um clculo arbitrrio: os 3% de por fora conrmados por corruptos e corruptores do escndalo da Petrobrs. No h dvida que a Petrobrs sobreviver a essa legio de predadores agrupados no clube dos empreiteiros. Mas parece que ainda ter que continuar a cortar mais fundamente na prpria carne. Quanto ser o nus nal, ainda matria dependente de novas apuraes. O dano mais profundo a perda da capacidade de investimento da empresa para retomar a poltica anterior. Seu enfraquecimento abriu espao para a penetrao de novos grupos econmicos, sobretudo no pr-sal. _________________________ Imprensa Acabei de ler o JP 584 e quei bastante surpreso a respeito da coluna: A Imprensa quer mesmo derrubar Dilma Rousse? 1 Em primeiro lugar no s a imprensa que quer derrubar esta presidanta, mas mais de 90% do povo brasileiro o quer, basta voc ver as manifestaes pelo Brasil afora e a pesquisa de popularidade desta ignbil pessoa. 2 Com relao revista Veja, que voc diz de tem se afundado no lodaal deste tipo de jornalismo (viola regras elementares de objetividade, desnaturando a reportagem em editorial), quero lhe informar que no sou s eu, mas uma grande parte do povo brasileiro se informa dos desmandos e ladroagem destes governos petistas atravs das reportagens com credibilidade, pois alm de contar os fatos ela os demonstra atravs do que voc diz ser encheo de linguia e com recursos grcos que preenchem o vazio das informaes. 3 Lcio, todos estes recursos grcos so teis, pois a Veja mata a cobra e mostra o pau; desta forma ela considerada e a melhor revista semanal do Brasil. 4 J desconava deste seu vis petista mas agora cou claro. T rajano O liveira MINHA RESPOSTA Os leitores vivem descobrindo meus vieses. Todos os possveis e imaginrios, inclusive os mais antagnicos. No um ideal, mas no tambm indesejado desagradar a todos, uns de cada vez. jornalismo. _________________________ Francis Li mais de uma vez o artigo-aula A bandeira mudou, verdadeira memria para que os psteros saibam como se deu o esgotamento predatrio dos recursos naturais da Amaznia e o sufocamento econmico do Brasil. V-se que colonialismo mudou de patamar: agoraocorre sob o empenho irresponsvel e de variadas motivaes do colonizado... O que venho a saber e aprendo lendo o Jornal Pessoal (e blog) no pouco, por isso sinto-me na obrigao intelectual de com ele colaborar. Ele merece, ai esto os prmios, o reconhecimento internacional, teses acadmicas, etc. etc. Saio de Belm por uns meses, mas lerei depois os nmeros sados na minha ausncia. O Caso Francis. Algumas palavras. No falo como advogado, at porque no conheo o direito americano, esclareo. Mas acho ( achismo mesmo) temerrio o conselho da professora Maristela Basso, pondero: regra geral, o foro da ao o do domiclio do ru, Francis era domiciliado em Nova Iorque, onde o programa, que veiculou a denncia, foi gerado, a Globo no foi litisconsorte, portanto nada de forum shopping (o seu caso citado, ao contrrio, ilustra o meu pensar); no h como provar o nexo causal entre o processo e o evento morte, so conjecturas, como se pode conjecturar que sua depresso e morte decorreu de sua desmoralizao como jornalista, isto acusar sem provas (sua fonte: Ronald Levinsohn o do escndalo Deln segundo Lucas Mendes); ele, Francis acusou diretores da empresa e citou nominalmente Joel Renn, ento o frente s provas de que dispomos agora (espanta que a profa. diga isso) me parece de nenhuma serventia, os crimes dos Paulinhos, Cervers, Baruscos no se comunicam, no provam e nem autorizam a inferncia que Renn tambm roubou e depositou o produto na Sua. Voc tem razo, Lucas o questionou sobre as bases da denncia, mas ele a sustentou, mais ainda: o programa gravado, o Lucas insistiu nos bastidores para suprimir o trecho e ele, Francis, arrogante como s. no consentiu. Acho que ele foi vitima de si mesmo, imolou-se na prpria empa e extremada arrogncia. Vida longa ao Jornal Pessoal. Alcides Alcantara _________________________ Idesp Iniciei minha vida prossional no Idesp, Instituto de Desenvolvimento Econmico Social do Par, a convite do professor Amilcar Tupiass, para um estgio de trs meses, e l permaneci por oito anos, saindo para a ser docente na UFPA. Corria o ano de 1967. O Diretor era o Dr. Adriano Menezes. Costumo dizer que o Idesp foi minha segunda faculdade, se no, minha primeira psgraduao. Na poca o Instituto fazia papel de rgo de pesquisa e estatstica estadual nas reas social, econmica e de recursos naturais, alm de cuidar do oramento, com Dr. Mokarzel, e implantou, sob a coordenao do Dr. Amilcar Tupiass, o Sistema Estadual de Planejamento, criando nos rgos estaduais as primeiras UPs Unidades de Planejamento. Dele, depois surgiram vrios rgos setoriais, inclusive Seplan, Sepof, Cohab e os voltados a Recursos Naturais. Quando anunciaram a primeira morte do Idesp, eu estava l, j aposentada pela UFPA, como consultora a convite da Teresa Cativo e compartilhando com seus tcnicos da luta e da indignao pelo seu fechamento. Quando anunciaram a abertura de um novo Idesp com a adio do nome de Roberto Santos foi uma surpresa geral para quem viveu mais intimamente da histria do Instituto. O professor Roberto Santos, concordo com voc, um dos maiores intelectuais paraenses, foi meu professor de Economia Amaznica no curso de Cincias Sociais da Faculdade de Filosoa, cincias e Letras da UFPA. Amado e admirado por seus alunos/as foi nosso paraninfo. Com uma bela produo de pesquisa sobre a Amaznia, ele no teve, no entanto, uma ligao mais ntima com o Idesp que justicasse esta homenagem, pelo menos a nosso ver. No creio que haja registro de sua passagem por l, ao contrrio do Armando Mendes, Adriano Menezes, Roberto Oliveira, Amilcar Tupiass. Creio que Simo Jatene se tocou que era um engano, depois do anncio e das reaes provocadas. Tambm estranhei o desamor de Jatene ao Instituto, no qual foi estagirio, depois Secretrio de Planejamento, e que poderia ajudar a reerguer e no a extinguir. Em relao segunda morte, nada sei a acrescentar, a no ser que a pesquisa e o levantamento estatsticos no Estado esto cada vez mais difceis, inviabilizando a leitura da realidade para uma interveno consequente. A urila A belem MINHA RESPOSTA Aurila tem razo quando aponta nomes de intelectuais com ligao mais estreita com o Idesp do que Roberto Santos, por isso merecedores da homenagem da associao do seu nome ao do instituto. No entanto, como o que prosperou foi o de Roberto, no lhe faltam merecimentos para que a iniciativa recebesse apoio, como um reconhecimento por sua obra, que inclui vrias publicaes editadas pelo Idesp. Denominaes parte, o que mais impressiona o ato de poder arbitrrio dos dois governadores tucanos de matar o Idesp (qual teria sido o ajuste de contas do Jatene?) e o silncio quase sepulcral dos intelectuais paraenses a essa violncia.

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Causa pblica: detalhe para os donos do poderAmaznia valorizadaA (in)segurana pblica o tema do momento no Par. Dois ns de semana extremamente sangrentos,que se sucederam nas ltimas semanas, deram a oportunidade para o grupo de comunicao do senador Jader Barbalho, do PMDB, criar uma grande campanha de opinio sobre a violncia crescente e a competncia decrescente do governo do Estado no trato do problema. O grupo de comunicao da famlia Maiorana, do outro lado, reage a essa ofensiva apontando os interesses polticos e pessoais dos seus adversrios polticos e concorrentes comerciais na abordagem da criminalidade no Par. Depois de editoriais e reportagens, O Liberal cedeu suas pginas para que o governador Simo Jatene, do PSDB, contra-atacasse, secundado por textos do prprio jornal. Ambos dizem mais ou menos a mesma coisa: que realmente a violncia uma questo grave, que a ao pblica no tem sido capaz de cont-la, mas que esse um problema nacional, que, no Par, at tem se atenuado nos ltimos anos. Dizer o contrrio seria prova de m f e oportunismo. No seu artigo de domingo passado, dia 7, o governador disse que os veculos de comunicao de Jader Barbalho, alm de integrarem um patrimnio questionado, servem de escudo e instrumento poltico para um grupo familiar, que, a pretexto de denunciar violncia, no se envergonha de alimentar e se alimentar da prpria violncia, mentindo, distorcendo, omitindo, chegando muitas vezes a usar a dor e o sofrimento alheio, como se tal comportamento, por si s, j no fosse uma violncia. No falta razo ao governador para esse protesto. No entanto, ainda que o grau de violncia no Par no seja o mais grave do pas, ainda que o ndice possa estar em baixa e ainda que os veculos de comunicao do seu adversrio poltico estejam distorcendo a realidade para pior, a situao sucientemente preocupante para fazer os responsveis pela coisa pblica tentarem evitar as retaliaes e a disputa personalista em proveito do superior interesse pblico. Os diagnsticos so imprecisos, como at as estatsticas so inconsistentes e duvidosas. Enquanto o governador garante que o Par caiu da 3 para a 10 posio entre os Estados com mais homicdios por 100 mil habitantes, no mesmo jornal o coordenador do Mapa da Violncia, Jlio Jacobo, usando os mesmos nmeros de Jatene, diz que a evoluo estancou na 8 posio. Melhora expressiva, mas no se deve ignorar que o Par tem a 9 maior populao do Brasil. Logo, o crime est discrepando para mais em relao realidade demogrca do Estado. Manipulado ou no, baseado no suspeito senso comum e no em dados conveis, o povo est assustado e revoltado com a repetio de crimes e a impunidade dos criminosos, que o atingem todos os dias. Se o grupow RBA faz sensacionalismo de propsito comercial ou com objetivo poltico, o grupo Liberal doura a plula e traa cenrios cor de rosa, movido no por critrios editoriais, mas para continuar a faturar as verbas pblicas, que lhe so dirigidas preferencialmente. No gratuitamente que cede espao para o governador se manifestar nem por motivos ticos que lhe d razo. Quando aceita esse canal de voz como o nico meio para sua comunicao com a opinio pblica, o governador aceita vir a reboque dos Maioranas e ser conduzido por eles. Fica numa posio inferior, subordinada. No se coloca altura da sua funo. O que cabia ao governador era convocar uma entrevista coletiva e chamar os representantes dos poderes constitudos, alm da classe poltica, para lhes apresentar um plano de ao concentrada contra a criminalidade e pedirlhes crdito de conana para aplic-lo em prazo certo, comprometendo-se a apresentar os resultados em prazo tambm denido. Daria sentido concreto ao que disse no artigo, transformando em realidade o que tem sido apenas retrica e formalidade, a sua apregoada humildade. Ao invs de se sujeitar a ser atiado e sair para uma briga que s desgasta, tinha que mostrar ao povo paraense que de fato, o governador de todos. no uma marionete de alguns, que agem sempre sombra e para tirar proveito pessoal do momento. O povo, para essa gente, sempre foi um detalhe. Raramente consultei o link da Estante Virtual, o conglomerado de sebos do Brasil na internet. Por curiosidade, outro dia, ao apurar os dados sobre Leila Cravo, fui ver quais dos meus livros esto disponveios. So15 ttulos e 62 livros, ofertados por 42 vendedores. Tomei um espanto ao vericar que meu primeiro livro, Amaznia: o anteato da destruio, publicado em 1977 pela Grasa, do amigo Altino Pinheiro, est custando 500 reais. Por que esse preo to surpreendentemente elevado? Diz a Cultural Roots, de So Paulo, nica detentora do livro, na sua cha tcnica: Descrio: ndios; Formato 16x23 cm com 372 pgs. brochura; Livro em timo estado de conservao, pgs. e capa com incio de amarelamento devido ao do tempo, capa e lombada com leves desgastes nas extremidades, miolo ok! Sem sinais de grifos ou anotaes; Carimbo do antigo dono no corte lateral das pginas e na segunda pgina. Livro Rarssimo. Ao analisarmos a questo amaznica percebemos que ela se mostra de diferentes maneiras nas escalas local, regional, nacional e global. Em suas razes seja no sentido biolgico, seja do ponto de vista dos povos amaznicos vemos a forte influncia dos ecossistemas no modo como a ocupao vem sendo feita e como so utilizados os recursos. Nos ltimos anos, os avanos do conhecimento cientfico sobre os sistemas amaznicos., Esse sebo entrou para a Estante Virtual em maro de 2013, teve 281 qualicaes nos ltimos trs meses, 99% delas positivas. Logo, conhece livros (so 8.321 em estoque) e satisfaz seus clientes. Conseguir a faanha de vender meu primeiro livro?