Citation
Jornal pessoal

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Place of Publication:
Belém, Pará, Brazil
Publisher:
Lúcio Flávio Pinto and Luiz Pinto
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular
Language:
Portuguese
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002 ( lcsh )
Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )
Spatial Coverage:
South America -- Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Copyright. Permission granted to University of Florida to digitize and display this item for non-profit research and educational purposes. Any reuse of this item in excess of fair use or other copyright exemptions requires permission of the copyright holder.
Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )
91030131 ( lccn- sn )
Classification:
F2538.3 .J677 ( lcc )

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Full Text

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HIDRELTRICAS EM ATRASOS A DESTRUIO DE BELM OS JORNALISTAS E LULA oa OBrasil e a Coreia do Sul, dois dos principais pases emergentes do mundo, so governados por duas mulheres. No dia 24 do ms passado, Dilma Rousse e Park Geun-hye assinaram, em Braslia, atos de cooperao. Um dos acordos foi um memorando de entendimento entre a companhia Vale e o Eximbank coreano, disposto a prover at 2 bilhes de dlares em nanciamento a projetos da antiga Companhia Vale do Rio Doce envolvendo empresas coreanas. O ato passou despercebido pela imprensa e as lideranas do Par. No dia 30 registrei no meu blog que o dinheiro seria usado para completar o investimento de US$ 5 bilhes na implantao da siderrgica de Pecm, no Cear. Quatro dias depois completei a anlise mostrando que esse empreendimento signicava o m da instalao, em Marab, da Alpa, a Aos Laminados do Par. A primeira e at sgora nica reao pblica foi do senador Jader Barbalho, do PMDB. Embora a grande imprensa s costume dar notcias positivas sobre a Vale, uma de suas maiores anunciantes, o Dirio do Par abriu uma exceo para transcrever a manifestao do seu proprietrio. Jader no apenas se manifestou atravs de ofcio CARAJSA vez da CoreiaDepois do Japo e da China, a vez da Coreia do Sul se beneficiar das riquezas naturais do Par, especialmente do minrio de ferro de Carajs. O Estado exportar matria prima, mais uma vez. O sonho da industrializao acabou.

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2s autoridades envolvidas na questo, inclusive a presidente da repblica, por ele criticada, como tem sido sua prtica habitual nos ltimos tempos: tambm fez um pronunciamento da tribuna do Senado, talvez a primeira neste ano. O jornal tratou de provocar repercusso para a iniciativa do senador, pisando em ovos, como seus entrevistados. O presidente da Associao Comercial do Par, Fbio Lcio, procurou atenuar o problema e esvaziar um pouco a reao. Disse, com base em informaes que lhe foram repassadas pela prpria mineradora, que o dinheiro no ser aplicado na siderrgica cearense, mas em outro projeto no qual a Vale tem interesse na rea do porto cearense. Em reforo, lembrou que a fbrica de placas de ao de Pecm j est em fase nal de implantao e dever ser inaugurada dentro de pouco tempo, o que signica dizer que ela existiria da mesma forma sem o citado emprstimo. A primeira parte da informao sosmtica. O banco de importao e exportao da Coreia deixou bem claro que seu nanciamento se destinar a investimento de empresas do seu pas. Em Pecm, o nico nessas condies o da aciaria, no qual a Vale e duas siderrgicas coreanas, a Dongkuk e a Posco, esto associadas. O dinheiro do Eximbank completa os US$ 3 bilhes aplicados pelo BNDES e o valor total do investimento. A segunda parte da declarao do presidente da ACP correta: a Vale, enquanto empresa privada, tem todo direito de fazer os investimentos nos negcios que lhe paream mais lucrativos e convenientes. Se ela preferiu o Cear ao Par (e Maranho, que tambm foi hiptese analisada), porque para Pecm conseguiu atrair scios que no se interessaram pelo projeto de Marab. Essa opo coerente com o modelo de exportao. O Brasil se tornou uma plataforma de lanamento de riquezas para o exterior, da a escolha do litoral e no do interior do pas. a opo mais conveniente para o comprador e tambm, na maioria dos casos, para o scio (quando, o que mais difcil, ele no tambm o comprador). Mas ento o dinheiro pblico, ainda mais quando oferecido em condies vantajosas, como faz o BNDES no mercado nanceiro, tem que se subordinar a uma poltica pblica ou ento o governo se retira do negcio e deixa que os capitalistas ajam como do seu estilo, assumindo os riscos do investimento privado. De forma enftica e reiterada, o presidente Lula disse que a implantao da Aos Laminados do Par era prioridade do seu governo. Esteve em Marab, em 2008, j no seu segundo mandato, para presidir o lanamento da fbrica, na companhia da governadora Ana Jlia Carepa, tambm do PT. Nessa poca, j havia um enorme terreno terraplenado para abrigar a indstria. Mas Lula concluiu os oito anos e nada foi alm. Dilma Rousse o sucedeu com o mesmo discurso e o mesmo resultado. A frustrao aconteceu a despeito de todo empenho dos dois presidentes e de suas equipes, vencidos pelo fator inexorvel da inviabilidade da instalao da Alpa, sem scios e sem consumidor garantidos? uma hiptese. A mais forte, porm, de que esse empreendimento nunca foi levado a srio pelos seus responsveis. Mesmo descartando-se a eventualidade de m f, que tem sido contumaz (e, de certa forma, merecida) na relao dos grandes projetos com o Estado, no havia sustentao para o negcio sem uma decidida e competente participao dos governos federal e estadual. Eles precisariam compensar os aspectos vantajosos da localizao de um polo exportador no litoral e oferecer atrativos para o investidor se dispor a ir para o serto. Minas Gerais, que no tem acesso fsico ao mar, conseguiu vencer esse desao com aplicao, criando siderrgicas no interior. Outros projetos, como os de cobre e nquel em Carajs, se interiorizaram, mas por seu prprio perl, no por qualquer induo do poder pblico. O Par, segundo maior Estado minerador, no seguiu o exemplo do campeo do setor, ainda que nos ltimos anos o Estado tenha sido dominado pelo PSDB, hegemnico at recentemente em Minas. A poltica paraense se manteve provinciana, mesquinha e inecaz. A falta de investimentos na siderurgia foi motivo de bate-boca entre Lula e o ento presidente da Vale, Roger Agnelli. Lula insistia em pressionar a Vale a realizar investimentos que agregassem mais valor pauta comercial brasileira, transformando minrio em ao para exportao. Em 2010, Agnelli anunciou que a empresa decidira investir em quatro aciarias: a Companhia Siderrgica do Atlntico (CSA), a Companhia Siderrgica de Ubu (CSU), a Alpa e a Companhia Siderrgica de Pecm. Mas s a primeira, em parceria com a alem yssenKrupp, saiu do papel. A deciso parecia baseada em estudos srios, mas se revelou um negcio ruim. No nal de 2012, a Vale teve que dar baixa contbil de 583 milhes de dlares da sua participao de 26,87% no projeto. A yssenKrupp seguiu no mesmo caminho. Por que, ento, no tentar a Alpa? A siderrgica de Pecm, favorecida pelo grande porto ao lado, de porte maior do que seria a de Marab. Agrega mais valor, mas nem tanto. que as guseiras, mais modestas ainda na transformao, se inviabilizaram, provocando a quebradeira geral em Carajs e na sua rea de inuncia. A aciaria cearense se tornou um negcio importante para as duas siderrgicas coreanas, que caro com 80% dos trs milhes de toneladas a serem produzidas pela Companhia Siderrgica de Pecm, servindo-se do minrio de alto teor de Carajs ou de Minas Gerais. Ser uma fonte cativa de pas estrangeiro, com investimento nanciado por bancos ociais a juros favorecidos. A Coreia tambm fornecedora de altos fornos e de outros equipamentos industriais, permitindo-lhe faturamento comercial na operao de compra (de commodity) e venda do produto (beneciado), e ainda ganho nanceiro com o emprstimo. Para o Par, fornecedor do minrio, e para o Maranho, que o embarca pelo porto de So Lus, o empreendimento coreano-brasileiro signica o m da iluso de abrigar uma usina de placas de ao, pela qual tanto disputaram e se rivalizaram. Por ironia, quem comandou os estudos das alternativas de locao da usina, frente de uma consultoria privada, foi o atual presidente do BNDES, economista Luciano Coutinho, em cuja gesto a instituio

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3nanceira de fomento se tornou maior do que o Banco Mundial, aplicando recursos pblicos na tentativa de criar multinacionais brasileiras e abrindo as riquezas nacionais s multinacionais estrangeiras. O Par, mais uma vez, v o sonho se dissipar. Sofre a queda e ainda leva o coice que se materializou pelo adiamento, mais uma vez, do lanamento do edital do DNIT para o derrocamento do pedral do Loureno. A retirada das rochas no leito do rio tornaria o Tocantins plenamente navegvel entre Marab e Belm, por 500 quilmetros, dando pleno uso ao sistema de transposio da barragem de Tucuru, que custou um bilho de reais e atualmente mais decorativo do que efetivo. A livre navegao teria efeito multiplicador sobre o vale, mas isso constitui desenvolvimento interno. E o que interessa poltica ocial a exportao, em cujo modelo a funo do Par est bem denida: ser colnia.Lula e a imprensa: uma relao difcilO artigo que escrevi na semana passada no meu blog na internet (lucioflaviopinto.com.br), a propsito do discurso do ex-presidente Lula na comemorao do 1 de maro ( A imprensa segundo Lula ), est provocando polmica. Reproduzo aqui o artigo, as intervenes feitas no site do Observatrio da Imprensa, que transcreveu meu artigo. Em seguida, as participaes no Facebook do jornalista Miguel Oliveira, editor de O Estado do Tapajs, que tambm acolheu o meu texto. E minhas explicaes, as mais sumrias possveis, quando necessrio para esclarecer ou contestar informaes. Leiam-se as reaes e tirem-se lies e dedues delas para a formao da opinio pblica. O ARTIGONo h dvida: Lula o maior poltico em atividade no Brasil. Sua trajetria at a conquista da presidncia da repblica, depois de trs tentativas sucessivas mal sucedidas, nica e invejvel. Com todos os erros que cometeu e os seus atos obscuros, que s agora esto sendo mais bem examinados, um dos mais marcantes presidentes da repblica. Ainda relativamente jovem, e apesar do cncer que o acometeu, podia aspirar a uma volta poltica militante. Mas no ao posto de divindade, de mito intocvel, de pai da ptria. o que est pretendendo ser. O ex-presidente, um dos que por mais tempo esteve no topo do poder institucionalizado no Brasil, vive um momento delicado. Seu passado est sendo revisado. A cada novo reexame, sua posio ca mais duvidosa. Est sujeito a crticas como nunca antes, para usar um dos seus =superlativos imoderados. natural que saia da toca para se defender e at atacar. No mais como um ator acima do alcance dos crticos. Carismtico como poucos, sagaz como raros, inteligente acima da mdia superior, ele esconde, quanto pode, o que lhe vai pelo mais ntimo. Na avalanche dos seus discursos inamados, contudo, no consegue camuar o que se esconde por detrs da sua retrica de democrata e lder ponderado: a resistncia crtica. Mais do que isso: a intolerncia. No discurso durante o ato comemorativo ao 1 de maio, organizado pela CUT em So Paulo, ele sentenciou, como deus ex-machina, o alterego nacional, que as revistas semanais brasileiras so um lixo. No valem nada. Peguem todos os jornalistas da Veja e da poca e enem um dentro do outro que no d 10% da minha honestidade. Imodstia parte, o ex-presidente esquece dos tempos em que era apenas o maior lder operrio do Brasil e tinha a cobertura da grande imprensa. Diziase ento que essa grande e favorvel ateno miditica tinha um mentor: o poderoso general Golbery do Couto e Silva, o idelogo da abertura lenta, gradual e segura do presidente-general Ernesto Geisel. Golbery, que conversava muito com jornalistas inuentes na poca (e alguns, ainda hoje), precisava de um nome poderoso na oposio, com perl para se acomodar no seu modelo de democracia relativa democracia, sim, ma non troppo; radicalismo, claro, mas sem comunistas, subversivos em particular e intelectuais em geral; sem ideologia, de preferncia. Combativo, mas na bitola das lutas trabalhistas. No mximo, de causas sociais. O jornalista que mais se aproximou de Lula e sobre ele pde escrever com liberdade seus textos antolgicos, foi o grande Ricardo Kotscho, que o acompanharia at o Palcio do Planalto e de l desceria em tempo de no testemunhar a ascenso do submundo do petismo, livre da lama que se espalharia ao redor. A grande imprensa, que agora Lula v como lixo, a mesma de antes. Com a diferena, essencial para o uso dos adjetivos, de que j no o serve nem ele a ela, como o prprio ex-presidente bem observou, sem, no entanto, e como de regra, dar a consequncia lgica s suas premissas ao declarar, com nfase bismarckiana: no tem um representante da elite brasileira que no tenha recebido favor do Estado. Para completar com seu testemunho: Conheci muitos meios de comunicao falidos e ajudei porque acho que tem que ajudar. Algum, na plateia, devia ter aproveitado o mote e gritado para o alto do palanque, onde se acotovelava a nomenklatura lulista: D os nomes, presidente. Conte os casos. A autocomplacncia de Lula s no menor do que sua presuno de grandeza. O ex-presidente no conhece os jornalistas de Veja e poca a ponto de poder quanticar honestidades em sua anlise comparativa. Nem no avano que ambos fazem sobre a verdade, torpedeando sua integridade, quando no a destroem por completo. CONTINUA NA PG 4

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4 Quando lder operrio na transio para o universo da alta poltica (no sentido fsico mesmo), Lula conhecia bastante os reprteres. Na presidncia, passou a conhecer mais intimamente os patres desses jornalistas. Inclusive os falidos, que ele, pelo uso de verba pblica, ajudou a levantar. Para qu? Com qual resposta? Submeteu-a ao conhecimento da sociedade? De fato, a elite brasileira presunosa, preconceituosa, arrogante, predatria e etc. Lula tentou compr-la e torn-la um aliado poltico. No conseguiu, a despeito de tantos favores oferecidos, dentre os quais o de dar-lhe mais dinheiro do que legio de deserdados alcanados pelas medidas populistas de incluso social, cujo principal efeito foi o de proporcionarlhes a iluso de se terem tornado classe mdia. Um autntico sonho de vero, pelo qual pagaro caro, incomparavelmente mais caro do que a leira de bilionrios formada durante os governos do PT como em nenhum momento anterior da repblica brasileira. Lula est sendo ofendido, destratado, caluniado e maltratado pelo lixo jornalstico? No lhe faltam motivos para se julgar dessa forma. Ele prometeu no comcio que vai reagir, por ser bom de briga. Como reagir? Vai comear a percorrer o pas outra vez. Faz bem. Faria melhor, no entanto, se respondesse s acusaes, justapondo mentiras a fatos, desmentindo cada item desse rol de ataques. Talvez assim contribusse para limpar esse lixo e no seu lugar ajudasse a colocar uma imprensa melhor. Justamente por isso, mais crtica inclusive aos deuses terrenos e aos tigres de papel. MANIFESTAES NO OBSERVATRIO RUY Marcondes Garcia Caro Lucio Flvio, talvez a matria abaixo d conta de responder s acusaes, como voc cobra. http://www.institutolula.org/as-setementiras-da-capa-de-epoca-sobre-lula LCIO Flvio Pinto Obrigado pela indicao, Ruy. Li a resposta do Instituto Lula, que realmente desmonta toda a parte inconsistente da matria de poca. Esse um exemplo de texto que os jornalistas brasileiros devem eliminar da sua prtica atual: editorializado, inconsistente, mal checado, cheio de informaes incompletas ou falsas. Infelizmente, reprteres aceitam assinar textos que no so, a rigor, reportagens. So editoriais. Graciliano Ramos devia baixar e expurgar tantos adjetivos; alm disso, mal usados. E usados por determinao superior e no, provavelmente, por convico do autor. Contudo, minhas crticas persistem tanto a essa imprensa quanto ao procedimento do ex-presidente no trato com a imprensa em geral. Espero voltar ao tema, considerando a nota do Instituto Lula. H LIO Amaral Com toda sinceridade, nunca levei a srio os comentrios de Lula sobre a imprensa, sempre achei que os fatos falam mais que as palavras. E os fatos dizem que a imprensa fala o que quer impunemente. RENATO Lazzari Creio que mais pessoas tm a mesma ideia sobre a imprensa que Lula, caro Lucio Flvio, muitas mais. Creio tambm que quando se diz imprensa nesse contexto se est dizendo apenas de uma parte da imprensa, mas que parece ser toda ela pela homogeneidade e pela hegemonia que estabeleceram, ao longo dos anos, uma meia dzia de empresas de poder econmico agigantado. Mas no creio que essa imprensa esteja voltada para a desconstruo e a demonizao da imagem de Lula pessoalmente e sim que voltar-se-ia para a desconstruo e a demonizao de qualquer um que, eleito, propusesse a descentralizao dos poderes poltico e econmico, a democracia em lugar da aristocracia. Quem vinha mandando nos rumos do pas desde sempre e at Lula era a associao entre latifundirios e banqueiros, que tem acesso quela grande imprensa. RENATO Lazzari Adendo: No sei, enm, se Lula se pretende um deus. Mas tenho certeza de que, a quem interessa que os poderes continuem centralizados, interessa tambm transform-lo num demnio. A Lula ou a qualquer outro que zesse o mesmo. Mas nada com de novo centralizar, eleger uma pessoa para representar o mal. George Orwell inventou o Emmanuel Goldstein por uma razo. BETH Fernandes Scia Proprietria na empresa A&B Comunicao Ltda. Muito lcido e oportuno. R OSA Leal (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Lcio, me permita discordar de teu texto, quando dizes que a imprensa de hoje a mesma da poca que elogiava o sindicalista Lula. No no. A imprensa de hoje mais venal, totalmente atica, manipuladora, sem nenhuma capacidade crtica, sem formao intelectual, sem conhecimento histrico. H poucos como tu. Pouqussimos, raros mesmo. Os exageros do discurso do Lula no 1 de Maio cam por conta do clima emocional. Mas, na essncia, ele tem toda a razo. LCIO Flvio Pinto Ainda bem que temos este ambiente pluralista, que estimula debates srios. Prezo as opinies dos que discordam de mim e endosso algumas das crticas que fazem imprensa, sobretudo pelo abuso dos adjetivos e dos juzos de valor em prejuzo dos fatos. Essas restries no tocaram no que considero importante: a necessidade que tem o ex-presidente Lula de dar os nomes das empresas de comunicao falidas com as quais negociou, qual o tipo de ajuda que deu a elas e qual o resultado desse investimento. Com esses esclarecimentos ele contribuiria para melhorar o nvel da cobertura sobre o tema. LUIZ C ludio Cunha Jornalista, Braslia, DF Lcio Flvio Pinto, sempre lcido e brilhante, com a preciso e o equilbrio do grande reprter que referncia permanente contra este jornalismo editorializado e partidarizado que rebaixa a imprensa brasileira e que desperta os instintos mais primitivos dos leitores. Leiam e aprendam com Lcio Flvio. Agora e sempre. RENATO Lazzari Quanto ao tipo de ajuda, Lcio, Lula foi bem explcito naquele discurso: nanciamento pelo BNDES, mas s para aquelas empresas cuja situao atendia aos requisitos. O resultado desses investimentos so, por um lado, o fortalecimento das empresas que os tomaram e, por outro, os juros que o BNDES contratou e que quero crer que as empresas esto pagando. Agora o nome das empresas ali ele no disse e talvez nem viesse ao caso, o ponto ali era que sob o governo do PT o estado brasileiro socorre empresas independentemente do ramo e at do produto. Mas para bom entendedor... prdio sugere a Abril, uma empresa que se dedica explcita e intensamente ao antipetismo e que devolveu o prdio

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5de sua sede Previ, de quem alugou por muito tempo. Mas tambm pode ser que se referisse Globo, que nanciou seu prdio em So Paulo, inaugurado em 2007, tambm pelo BNDES. E que se apenas moderadamente antipetista na TV aberta, no jornalismo da Globo News aberta e francamente antipetista. Agora, sobre o falidas, eu iria no que disse Rosa Leal acima: poria o exagero na conta do calor do discurso porque, se essas empresas no estavam contbil e juridicamente falidas, bem... teriam feito o que zeram sem o nanciamento pelo BNDES? Por ltimo, deixo a questo: ser que o que os gestores e editores dessas rmas de comunicao fazem poderia, sem prejuzo ao aprofundamento do debate, ser resumido como abuso de adjetivos e juzos de valor em prejuzo dos fatos? O pessoal gosta de citar o Millr Imprensa oposio, o resto armazm de secos e molhados mas oposio ao que? Oposio oposio, me parece, j que o PT, como qualquer outro partido orientado s questes sociais que tivesse sido alado ao poder institucional, mesmo eleito est se opondo ao ordenamento de poderes de facto (e no de jure) que temos vivido no Brasil desde sempre. A verdadeira oposio, a de facto, est se dando entre os progressistas e os reacionrios. E esses jornais se alinham com quem? Alm do que a imprensa a que estamos nos referindo oposio apenas onde o PT situao? Voc acompanhou o Estado de Minas, alinhadssimo com o OESP, a Abril, a Globo etc., durante o governo Acio? Ali a imprensa no era imprensa, era secos e molhados, isso? Enquanto no mbito federal imprensa? Os mesmos rgos, as mesmas rmas, a mesma orientao? Creio que o que essas empresas fazem muito alm de abusos gramaticais ou semnticos, que voc acha? G ILBERTO de Oliveira No concordo com a armao de que Lula ataca a imprensa ou, como diz o autor do texto, as revistas semanais. Quanto a essas, Lula s atacou duas. Justamente aquelas que no param de qualic-lo de corrupto. Ora, se voc chamado de corrupto vai car calado? Jornalistas srios no deveriam se sentir ofendidos quando um poltico ataca este ou aquele rgo de imprensa. Se voc honesto no seu ofcio, os ataques no o atingem. LCIO Flvio Pinto Caro Gilberto: no escrevi o artigo por me sentir ofendido nem para defender as duas revistas semanais que Lula atacou (podia se estender Isto, mas, nesse caso, ela no o visou na edio em curso). Foi para discutir as ideias do ex-presidente e estimular reaes como o debate que estamos travando. Lula podia ter dado os nomes das empresas de comunicao falidas que ajudou e dizer a forma da ajuda. Faria muito bem ao pas em geral e ao jornalismo em particular. Entendimento de bastidores para quem possui tal desapreo pela grande imprensa no aceitvel. RENATO Velloso Trabalha na empresa Aposentadoria do INSS Quem inventou o Frankenstein, teve depois que lidar com ele... se bem me lembro da histria o cara ganhou vida prpria e... no caso do Ex de m catadura... ns que tivemos que nos arranjar! Golbery, Golbery... droga !!!! C OMENTRIOS NO FACE DO MIGUEL Anderson Dezincourt E Lcio Flvio Pinto acertou em cheio a soberba lulista. Boa leitura. RU TH Rendeiro Uma boa reexo. Ler amplia os horizontes e ajuda a ter nossas prprias opinies. Leiam!! Lcio Flvio Pinto sempre nos instigando a ir mais alm. J O O Renato Aires De Mendona Ensandecido! RU TH H ELENA Guimares Vieira Com todo o respeito ao querido Lucio, perseguido e vtima da justia paraense, embora super bem escrita, como de sua notria competncia, a matria de um anti-petismo, como ele sempre demonstrou ser. Ento, desculpa, mas no isenta, nem imparcial. E Lula responde sim, aos ataques e denncias da grande mdia. O problema que os espaos so reduzidos e nada do que ele responda tem, como deveria ser, a mesma proporcionalidade. Aqui vai um exemplo, algum leu na midiazona? ANGELA Serra Sales Obrigada, Ruth. Estava aqui sem saber como pedir pra o Miguel me desmarcar dessa post. Com todas as escusas ao Lucio alm da descontextualizao do que o Lula disse, acho que aqui tambm temos um rano de discriminao social: se no somos cultos, eruditos ou titulados no temos o direito de ser lder. MINHA RESPOSTA Peo Angela para citar o trecho do meu artigo com um rano de discriminao social. Li, reli, tresli e no encontrei. Nem no texto nem em mim. ANGELA Serra Sales Agora, Miguel Nogueira de Oliveira por favor, meu amigo, me desmarca. A NA Lcia Prado Talvez o que o meu querido Lcio tenha deixado passar que hoje a grande imprensa brasileira est numa cruzada insana contra a esquerda. Na minha viso diagonal, grande parte do jornalismo contemporneo sofre de uma preguia enorme de bem apurar, h um descomprimisso com a preciso e um deszelo pela busca da verdade. Quem sabe, o Lula esteja mesmo a se referir a essa mdia que realmente nos envergonha? J O O Renato Aires De Mendona T bom... Lula um anjo de candura... GISELLE Alho Concordo com Ruth Helena Guimares Vieira e Angela Sales. D licena? MINHA RESPOSTA Parafraseio os versos de Bandeira: no precisa de licena, entre, meu anjo. A polmica, como o txi, livre. LCIA de Mendona Eu rio alto! Lol! J O O Renato Aires De Mendona Ria, Lcia de Mendona... ria alto, talvez o ato de rir seja tudo o que restou para tentar abafar os gritos de revolta de dezenas de milhes de brasileiros... que ao contrrio da sobra, da rebarba, do babujo de uma ex maioria... est ganhando conscincia aps 12 anos de mentiras, de roubos, de corrupo... do errio nacional. J O O Renato Aires De Mendona Eles... que j no so muitos... ainda tentam, lutam, se esforam em acreditar... se agarrando em qualquer o de esperana... que o PT e seus maquiavlicos Lula e Dilma esto sendo injustiados, perseguidos por uma imprensa golpista... liderada em... uma teoria conspiratria por grupos econmicos poderosos e por CONCLUI NA PG 6

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6uma nunca especicada elite branca que desejam escravizar o proletariado. Mas, um detalhe est sendo esquecido... os donos destes grupos poderosos esto presos ou sendo investigados. J O O Renato Aires de Mendona Por isso que eu rio em rabe (no h nada mais escroto que rir em rabe)... Hamashamashamas...! F TIMA Duarte Gonalves Acho que um bom debate. Lembro muito do lme que assisti como estudante de jornalismo e sempre passo para meus alunos: Todos os homens do presidente. Ele mostra o rigor com que os dois jornalistas investigaram o ex-presidente americano Richard Nixon. Aquilo foi um exemplo de jornalismo responsvel e comprometido em se aproximar da verdade, um jornalismo baseado em provas concretas. Infelizmente, hoje, o jornalismo (o Lcio uma das raras excees) simplesmente se contenta em transmitir declaraes. Como diz o Caco Barcelos, um jornalismo declaratrio. ALINE Brelaz Sinceramente Miguel nessa guerra no h mocinhos. C OMENTRIOS NO BLOG LENIN Arajo Temos como fato insosmvel a corrupo do PT. Aqueles que vo apontar os problemas tm, eles mesmos, muito mais problemas que os apontados no PT, alm de parecer que o PT est sendo execrado por querer fazer parte de algo que j vem de muito estabelecido no pais. E ainda, o PT estabeleceu como estratgia polticas de vis claramente popular o que enfureceu de vez a chamada oposio. Como existem guras inimputveis nessa dita oposio, pode parecer aceitvel que aquele que tem menos sangue nas mos deva ser considerado o que mais tem razo. REGINA Feio Desculpe, Lcio. Tenho por voc um respeito imenso, at por achar que seja um dos ltimos jornalistas que fala o que pensa, sem ter que agradar a algum ou a todos. Mas tenho que creditar meu apoio aos comentrios discordantes da sua matria. A imprensa hoje na grande maioria, no capaz de informar e sim de formar opinies que venham ao encontro de seus interesses. Converso sempre com a Ana Lcia Prado sobre isso. Permita-me discordar de voc. No acho que o PT tenha tomado os rumos que ns espervamos, mas precisamos entender que este pas melhorou socialmente e no vejo a imprensa brasileira interessada em publicar isso. Desculpe tambm, mas o Lula, alm dos predicados que voc citou nos pargrafos iniciais de seu texto, a pessoa com a coragem de falar abertamente da venal e hipcrita imprensa brasileira. LCIO Flvio Pinto Voc tem todo direito de discordar e, nos termos elevados em que voc manifesta a sua divergncia, isso muito bom. Sugiro-lhe um teste: v atrs das declaraes do Lula desde que ele assumiu a presidncia da repblica. Verique sua hiptese. de que ele fala abertamente sobre a imprensa brasileira. No falou no pronunciamento que comentei. Devia ter dado os nomes das empresas de comunicao falidas, dos termos dos acordos que fez com elas e de onde veio o dinheiro.ContramoA China experimenta uma desacelerao do seu crescimento econmico. Ainda assim, sete vezes maior do que o do Brasil. Os chineses so os nossos maiores parceiros comerciais. uma frente jornalstica de extrema importncia. Deveria fornecer informaes exclusivas ou abordadas de um ponto de vista dos interesses nacionais. No entanto, a Folha de S. Paulo decidiu fechar o seu escritrio em Pequim. Est certo que a crise do jornal impresso impe reduo de custos. Mas uma contrao exagerada e imponderada, que distancia o veculo das necessidades do seu pblico, piora ao invs de aliviar a situao. Quem mantm a leitura do jornal em papel um pblico mais exigente. Quer algo mais (e profundo) em relao s mdias mais imediatas. A imprensa brasileira prefere se nivelar por baixo, apostando na sada mais fcil, barata e mediata. Pode se dar muito mal. Jornalismo, decididamente, no isso. E agora?No Par funcionam 35 unidades particulares de ensino superior, algumas delas na condio real ou formal de universidades. Quantas sobrevivero com a reduo em 50% dos contratos de nanciamento que o governo federal concedia aos seus alunos? Esta a questo que a atual crise do Fies provoca. Todas essas escolas isoladas ou agrupadas adotaram o Fies como fonte decisiva do seu faturamento e da admisso de estudantes. Elas esperavam uma verba de cinco bilhes de reais para este ano. O programa atingiu a metade e fechou a carteira, embora 250 mil estudantes ainda batessem sua porta (digital). Os candidatos tentam ultrapass-la atravs da justia de primeiro grau, que determinou a reabertura dos contratos, deciso sujeita revogao atravs de recurso a instncia superior. Para uma parcela o prejuzo car de fora da universidade. Provavelmente esses candidatos no tm recursos prprios para bancar as mensalidades e novamente caro marginalizados. S lhes resta tentar o ensino pblico atravs das reservas de cotas. A facilidade de ingressar na rede particular lhes comprometeu a capacidade de competir. Para outra parte, o problema a no renovao dos contratos em andamento, o que se traduz por inadimplncia. Como eles reagiro quando vier a conta, que no ser pequena? O que parecia a grande parceria pblico privada na educao, virou frustrao. O mundo dos estudantes e das escolas caiu por imprevidncia do governo. um dos efeitos da venda de fantasia como realidade no ano passado para reeleger a presidente Dilma Rousse. O lenol do oramento encurtou para tantos corpos por abrigar. At agora foram assinados mais de 1,9 milho de contratos com 1,6 mil instituies desde a criao do Fies em todo Brasil. D mdia superior a mil contratos por unidade. Quase um tero dos beneciados cursou engenharia (quase 50 mil contratos), direito e administrao. O MEC diz que so os melhores cursos, pelos quais as opes cresceram sensivelmente. Seria a prova da melhoria da qualidade do ensino superior graas ao Fies. Se evoluo houve mesmo, ela est ameaada pelo seu prprio sucesso, que o governo no conseguiu sustentar.

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7Quem o ndio, anal?Neste artigo, leitora que preferiu se manter annima usou a ironia para relatar uma situao que exemplifica o abandono do patrimnio arquitetnico e histrico de Belm.Digamos que a Cidade Velha o nosso Forte Apache. A Civviva [Associao Cidade Velha Cidade Viva ] seria a tribo de ndios Tupinomais,que defendem o Forte. Acavalaria, ahhh, esta composta dos funcionrios pblicos, vereadores,nobres representantes e mais Civilizadores,ou seja, de gente deorigensvrias, que nem sempre defende o Forte. Os Saloonsso os rgos pblicos, e os Construtoras querem ser os donos dos Saloons. A nossa democracia est assim formada. Pois bem, o faroeste caboclo comea a funcionar bem antes da independncia de Porto Arthur e depois se desenvolveu e se transformou numa potente Amigocracia, que o Morubixaba Barata decidiu incentivar e desenvolver, desde quando chegou por esta bandas, nos idos anos 30 do sculo XX. Nessas alturas, a nvel nacional decidem que a nossa curtura tinha que ser salvaguardada e criam o pai do Iphan, que a bem pouco serviu, ao menos na terra dos Tupinomais. (De fato, nos primeiros dias do golpe militar, um ocial da Aeronutica cismou com o painel de mosaico do novssimo aeroporto de Belm, executado por Douglas Marques de S, e mandou derrubar a obra da noite para o dia. Tinha 60 m2; era de 1957, feito todo em pastilhas de vidro. A ele seguiu o Grande Hotel, o jardim/quintal do Palcio dos Governadores construdo por Landi, o prdio da Booth Line e tanta casas da Cidade Velha, com ou sem azulejo...). Entre golpes vrios, e perdendo pedaos de histria e de oresta, chegamos aos anos 90. OForte Apachede Belm parauara expropriada da aldeia de ndios Tupinomais pelos idos do sculo 17 foi tombado pelo Municpio em 1994 e pelo Iphan em 2012. Qual o motivo dessa tomada de posio por parte dosBrancos da corte do rei de Porto Arthur? A preservao, a proteo, a salvaguarda da nossa historia; da nossa memria; do nosso meio ambiente. Tudo aquilo, ou quase, que tem a ver com a nossa identidade, foi levado em considerao nessa ocasio. Em ambos esses momentos, ditas leis foram hosanadas nas Alturas porque consideradas justas por muitos cidados. A elas deveria seguir, porm, uma regulamentao a m da gesto das aes e atos em tal rea...e isso no vimos acontecer. A comea o Faroeste da nossa Amigocracia, pois nem o Plano (Diretor)Cacique anterior, nem o atual, tiveram, tambm, todos os seus artigos regulamentados. Comeamos ento a ver propostas de aumento do gabarito; construes que poderiam ser consideradas abusivas, que continuavam a ser construdas; conselhos vrios, previstos nas normas, mas inexistentes. Nessa rea tombada, os cavalos e as charretes deveriam ter sua passagem proibida, no somente por causa da poluio que provocavam, mas tambm para evitar a trepidao dos prdios que a lei queria salvaguardar, mas isso no foi feito. O resultado foi o aumento dos danos nas construes histricas que deviam ser protegidas... e cad dinheiro para defende-las do degrado? Para restaura-las? Ou, cad vontade poltica pra cuidar da nossa historia... tombada? Quando apareceu a lei do programa Monumenta, os moradores do Forte Apache no tiveram acesso ao nanciamento para restaurar sua oca, porque resultavam herdeiros, e no proprietrios. Projetos de novas construes ou atividades eram autorizadossem se preocupar com a falta de estalagem seja para os veiculos dos proprietrios seja para clientes dessas novas atividades. E isso era feito apoiado no fato de as leis no preverem tal necessidade e tambm por no serem regulamentadas. E a cavalaria pblica e os pretendentes donos dos Saloons aproveitavam dessas falhas para ignorar o que estabeleciam as leis de tombamento. Pelos corredores dos Saloons,os pretendentes aTuxauas Mirins (vereadores) tentam descobrir modos para modicar oPlano Cacique, digo,Plano Diretor. Aumentou o nmero de cavalos, mas as ruas continuaram as mesmas, que acabaram cando estreitas para a nova quantidade de meios de transporte. O trnsito ainda piorou com a ajuda dos jegues, que comearam a fazer concorrncia s charretes, muitas das quais velhas caquticas. E os ndios? Sacricados no Forte, tendo que suportar poluio sonora e ambiental. A tribo escrevia, denunciava, reclamava sem resultados concretos. No podiam ser estalagens a causa do tombamento da rea, e viam, admirados, a aprovao de atividades que atraem muita gente, vir concorrer com o uso das caladas de lis, qual estacionamento de seus cavalos. Os ndios viam tambm passar e estacionar nessas caladas os bisontes com mais de vinte pneus... e eles terem que andar pelo meio da rua, a causa da calada ocupada, s vezes at por mesas e cadeiras. A tribo inteira notava que as caladas tinham mudado sua razo de existir. Tinham nascido para uso de pedestres, como previa o Cdigo de Postura (art.30) e agora era o que menos acontecia. Alm de estreitas e ocupadas, s vezes, por postes e outros equipamentos, agora eram, tambm, extenso de lojas, bares, restaurantes, segundo um decreto (n 26578/94),que, mesmo se as normas do direito probem, foi utilizado para modicar uma lei e nenhum secretrio municipal ou funcionrio publico, formado em direito, notou esse absurdo. Se v que faltaram a muitas aulas na faculdade. Quem era o ndio nessas alturas? Os pretendentesdonos dos Saloons tinham recorrido aos tuxauas mirins para obter regalias frente aos artigos no regulamentados do Plano Cacique. No s a orla do Forte, porm, mais para longe, tambm queriam abusar... e conseguiram criar um corredor de palitos ocas superpostas que CONCLUI NA PG 8

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8impediam a ventilao da cidade. Queriam, porm, chegar at a rea do Forte. Ocas antigas eram derrubadas para fazer estalagem para os cavalos dos endinheirados. Azulejos carssimos eram quebrados em segredo para deturpar o patrimnio histrico e modicar o uso daquela determinada oca. Com todos esses exemplos, sejam os tuxauas como os morubixabas de outras tribos se juntaram queles do Forte Apache e se perguntavam: onde est a preservao do patrimnio ambiental e a valorizao do patrimnio arquitetnico, artstico, cultural e ambiental do Municpio, que deveria ser feita atravs da proteo ecolgica, paisagstica e cultural, prevista no artigo 116 da Lei Orgnica do Municpio? Por que foi que tombaram, ento? Em reunio no Forte Apache, cou decidido que iriam procurar seus direitos e comearam a faz-lo atravs da vericao de toda a documentao e o confronto com o que previam todas as leis. Que choque foi descobrir a realidade. Tinha sido criada uma rede de proteo local para defender a orla, o nosso patrimnio e o cidado, mas ningum a aplicava. A perplexidade apareceu no viso de todos os tuxauas e morubixabas quando um determinado acervo de certezas se delineou. Evidente era a alternncia de ticas ou ento aquele comportamento denotava a existncia de cdigos dplices. Tuxauas e morubixabas partiram para a luta. As falhas descobertas foram selecionadas e iniciaram as quereles. A orla da maloca devia ser salva dos abusos que estavam fazendo. Satisfaes foram tomadas, respostas contraditrias foram dadas. A Cavalaria Pblica dos Saloons se muniu de respostas contrastadas pelos ndios. Foram reapresentados projetos, aprovados, refeitos, desmentidos... e os ndios insistiam. E ainda tinham coragem de insistir nos erros. Nos Saloons pululava a cavalaria em reunies. Foram refeitos pareceres; faltavam documentos; as medidas estavam erradas... e, entre si, se acusavam uns aos outros.Frente a tantos erros e contrastes, acabaram embargando a obra. E de um Saloon parte o convite para a tribo dos Tupnomais e companhia... uma diligncia na orla precisava ser feita. E uma manh, l fomos ns, ndios de vrias tribos, para umconfronto com os brancos. Encontramos todos l a medir a rua, o terreno... a distncia de dois anos, depois de terem dado as autorizaes. o caso de perguntar: Quem o ndio, anal? Um lindo cocar feito especialmente com penas de urubu do Veropa para quem acertar a resposta. Glossrio Cavalos: automveis Jegues:vans Charretes: os nibus Bisonte: caminho Estalagem: garagem Ocaresidncia: casas Tuxauas Mirins: Vereadores Plano Cacique: Plano Diretor Saloons:os rgos pblicos E seos donos dos saloonsforem asconstrutoras? Anal, nos salons acontecia de tudo do certo ao errado! Hidreltricas em atraso tm prejuzo ainda maiorEm 2010, o consrcio Norte Energia venceu a concorrncia para a concesso da hidreltrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Par. A empresa se comprometeu a fornecer 3.199 megawatts mdios de energia de um total de 11,3 mil MW de potncia total (mas raramente atingida durante o ano, por falta de gua nos seis meses de menos chuva) para o mercado regulado. A entrega da energia ocorreria a partir de 28 de fevereiro deste ano. O cronograma da obra, porm, atrasou, por causa de decises judiciais (em 24 aes propostas contra a usina pelo Ministrio Pblico Federal), de atos do poder pblico, de greves e de ocupaes nos canteiros de obras. A concessionria pediu ento Aneel a excluso de 441 dias de atraso na implantao do stio Pimental (onde car o vertedouro principal da barragem) e de 365 dias para o stio Belo Monte (onde estar a casa de mquinas, com 18 enormes turbinas), o que a isentaria da obrigao de adquirir energia no curto prazo para cumprir os contratos com as distribuidoras. Solicitou ainda a alterao do cronograma de entrada da primeira mquina de 28 de fevereiro de 2015 para 14 de abril de 2016. A ltima unidade geradora passaria de 31 de janeiro de 2019 para 1 de janeiro de 2020. No dia 28 do ms passado, a Agncia Nacional de Energia Eltrica negou os dois pedidos, exigindo que a Norte Energia comprasse de terceiros a energia que no est em condies de entregar aos contratantes. O relator do processo na agncia, Jos Jurhosa, argumentou que a postergao do cronograma da usina e a retirada da obrigao de recomposio de lastro agravaria o impacto nanceiro sobre as concessionrias de distribuio, com reexos diretos sobre os seus consumidores, j onerados por outros custos repassados s tarifas j neste ano e com previso para 2016. Para a excluso de responsabilidade, a empresa teria que comprovar a relao entre os fatos alegados e o comprometimento da implantao da obra, o que no teria feito. A mesma deciso foi adotada em relao Santo Antnio Energia, que pediu o reconhecimento de 107 dias ou, no mnimo, de 84 dias, perodo em que caria isenta dos impactos nanceiros decorrentes do atraso na antecipao do cronograma de construo da sua usina no rio Madeira, em Rondnia. Os contratos tinham incio de suprimento em janeiro de 2013. Em maio daquele ano, a empresa queria o ajuste do seu cronograma entrada em operao do linho do Madeira, que levar a energia at So Paulo, com tratamento similar ao dado pela Aneel Energia Sustentvel do Brasil em relao hidreltrica de Jirau, tambm no Madeira. O pedido incluiu ainda a no aplicao de qualquer penalidade ou encargo contratual ou regulatrio. Na analise do processo, o relator Andr Pepitone alegou que a greve em si, motivo apresentado pela concessionria para justicar o atraso, no isenta a empresa de responsabilidade por problemas no cumprimento das obrigaes contratuais, embora ela tenha argumentado sobre a ilegalidade dos movimentos e os atos de violncia, que exigiram a atuao da Fora Nacional de Segurana no canteiro de obras. A Santo Antnio diz que a deciso lhe causar prejuzo de 2,6 bilhes de reais, que lhe acarretar mais problemas porque fechou 2014 com prejuzo de R$ 2,2 bilhes. Santo Antnio est prestes a ruir, disse imprensa o presidente da empresa, que tem como scios as estatais Furnas e Cemig, a Odebrecht, Andrade Gutierrez e Caixa FIP Amaznia Energia. A operao da hidreltrica comeou em maro de 2012. A mesma exigncia foi feita Energia Sustentvel do Brasil, responsvel pela implantao da hidreltrica de Jirau, de potncia igualmente no eio Madeira, equivalente de Santo Antnio (3.750 MW). Andr Pepitone, que tambm relatou esse processo, no soube informar qual o valor a ser pago pela empresa. Mas ser alto tambm.

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9Jornalismo de combate e a viso da academiaReproduzo a seguir a primeira parte de um artigo que o socilogo Benedito Carvalho Filho professor da Universidade Federal do Amazonas, escreveu a propsito de uma tese apresentada na Ufam com base no meu jornalismo. Espero que o texto anime a relao, geralmente conturbada, entre a academia e o jornalismo.No dia 24 de abril de 2015 o estudante do Programa de Ps-Graduao em Sociologia, Evanilson Santos Andrade, defendeu a monograa denominada Amaznia: A nova colnia A Trajetria de luta de Lcio Flvio Pinto no contexto amaznico. Em primeiro lugar, considero muito salutar que um estudante, seja de graduao ou ps-graduao de uma universidade amaznica volte seu interesse para o estudo de autores (do passado e do presente) que contriburam (e vm contribuindo) para estudar a Amaznia, seja no campo da cultura, como no da sociologia, histria e antropologia. A nossa ps-graduao no pode car indiferente a esses autores e seus estudos devem servir de estmulo para a produo de novas ideias e conceitos, sempre aberto a debates, pois atravs deles que surgem novas e criativas perspectivas que nos ajudaro pensar e repensar a realidade onde estamos inseridos, principalmente numa regio como a Amaznia, onde prevalecem ideias exticas e um imaginrio que, na maioria das vezes, nada tem a ver com a diversidade desta vasta regio. Somos uma colnia dentro desse mundo globalizado? A ideia de Amaznia no ter nascido dentro de um contexto globalizado, que desarticulou e dizimou toda uma cultura milenar durante todos esses sculos? Como compreender os seus nexos econmicos, polticos e culturais? O que estrutural, histrico, e os que so as representaes que os atores sociais que aqui vivem zeram (e fazem) de suas existncias e do contexto social em que viveram e vivem nos dias de hoje? Que narrativas tm sido produzidas por seus estudiosos ao longo do tempo? o paraso perdido, como na representao euclidiana, que est margem da histria, ou a ultima fronteira colonizada e saqueada pelo capitalismo selvagem e predador nessa poca de nanceirizao em que vivemos? Como podemos vislumbrar seu futuro? Foi esse foi um de seus demnios (para usarmos uma expresso do professor Marcelo Serco, um dos professores arguidores) que Evanilson Santos teve de enfrentar durante o debate ocorrido no dia 24 de abril na sua defesa. Demnios (ou visagens, para usarmos um termo bem regional), diga-se de passagem, que atormentam vrios pesquisadores quando enveredam pelo campo da pesquisa, tentando compreender a realidade social com toda sua complexidade, como o caso da Amaznia. A Amaznia objeto de pesquisa Em primeiro lugar, considerei oportuna a escolha feita pelo pesquisador em focar a sua ateno no signicado do vasto e polmico trabalho que o jornalista e socilogo paraense Lcio Flvio Pinto vem desenvolvendo desde longas dcadas na Amaznia e que tem repercutido nacional e internacionalmente, apesar de poucos, principalmente aqui no Amazonas, conhecerem as suas obras. Lcio Flvio Pinto edita quinzenalmente um pequeno jornal chamado Jornal Pessoal, que j ultrapassou mais de quinhentas edies. Nele, no s trava duros embates com as oligarquias regionais, como tambm j publicou vrios livros, como relata Evanilson na sua dissertao, a maioria deles editados em Belm do Par. Narra nessas publicaes no somente os rastros da destruio (ttulo de um de seus livros), mas os dilemas sociais e existenciais (muitas vezes trgicos) de ser jornalista numa regio colonizada, onde a verdade e os fatos so normalmente ocultados pela pequena, mas poderosa e violenta oligarquia. ela que dita as ordens para a bugrada, caracterstica, alis, da histria deste pas, onde, como pensava com certo otimismo o socilogo Francisco de Oliveira, em 2002, teramos varrido da cena poltica algumas velhas e novas oligarquias e umas quanta sinistras personalidades em si mesmo oligrquicas. E perguntava: Podemos esperar no voltar a ver os controladores de pequenas e vastas regies e essas caras medonhas na poltica ostensiva, e no controle de bastidores do acesso a bens pblicos e recursos estatais, velhas e novas raposas do patrimonialismo brasileira? (Ver o artigo Adeus Oligarquia). Treze anos depois, nessa rocambolesca histria brasileira, as velhas (e novas) raposas esto ai como podemos observar no atual cenrio brasileiro e a Amaznia, em particular. Lcio Flvio faz, como ele mesmo arma, um jornalismo na linha de tiro, enfrentando grileiros, madeireiros, intelectuais, donos de jornais, governantes, as velhas e novas raposas, assim como intelectuais e, por isso, paga um preo alto, pondo em risco a sua prpria vida. Acompanhando a sua trajetria, percebe-se que o jornalista e socilogo faz parte de uma gerao que alguns chamam de romntica hoje em extino para a qual a existncia e a conscincia esto embaladas pelo desejo de mudana, pela utopia e um compromisso histrico, tico, naquele sentido de que nos falava Marx, quando armava nos seus anos perigosos de vida nmade de juventude que a histria chama estes de grandes homens que se enobrecem trabalhando pelo universal. A experincia louva como mais feliz aquele que tornou mais pessoas felizes. A prpria religio ensina que o ideal pelo qual lutamos se sacricou pela humanidade, e quem ousaria CONCLUI NA PG 10

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10negar tal armao? Quando escolhemos uma vocao na qual podemos contribuir para a humanidade, os fardos no podem dobrar porque eles so apenas sacrifcios para todos. Ento, no experimentamos nenhuma alegria pequena, limitada, egosta, mas a nossa felicidade pertence a milhes, nossos feitos sero silenciosos, mas eternamente ecazes, e lgrimas ardentes de homens cairo sobre nossas cinzas. 1 O jornalista e socilogo, nos seus 65 anos, enfrentou (e enfrenta) no s agresses e dissabores, pois quem vive na linha do tiro sabe os riscos a que est sujeito. Os fardos, como disse acima Marx, so pesados demais, mas trazem muitas graticaes e alegrias, mesmo que limitadas. Lcio Flavio Pinto reconhecido pela sociedade brasileira e internacional. Foi vrias vezes premiado aqui e no exterior. Um combatente que, no exerccio de seu jornalismo, barrou a entrega de mais de 5 milhes de terras para um grileiro paranaense no seu Jornal Pessoal, quinzenrio de pequeno formato, com 12 pginas, dois mil exemplares, que circula em Belm, publicando matrias que jamais sairiam na chamada grande imprensa, principalmente a local, dirigida por poucas famlias que ditam os rumos econmico, cultural e poltico da regio. Por sua intrepidez, Lcio respondeu e responde no judicirio a vrios processos, simplesmente por revelar os bastidores da imensa mquina publicitria movida pela famlia Maiorana. J foi violentado com truculncia, no s simbolicamente, mas de fato, quando um dos donos do jornal O Liberal o agrediu covardemente em um restaurante em Belm do Par, fato que teve repercusso nacional e internacional. Alguns escreveram teses sobre ele, adquiriu visibilidade nacional e internacional, mas no se tornou uma celebridade, como esses personagens criados pela mdia, ricos e famosos. Um intelectual que produziu a si mesmo? Tem razo Evanilson, quando, ao utilizar Foucault, arma que os sujeitos, quando capazes de prticas que produzem a si e aos outros, no aparecem mais como identidades ou categorias subordinadas e sujeitadas a um comando apenas, principalmente quando o poder quer submet-lo, silenci-lo, domestic-lo. Lcio Flvio Pinto diz Evanilson procura em suas anlises subverter essa condio. A linguagem que usa, como cou demonstrado, no se fecha em uma linguagem acadmica ou prpria das instituies privadas e pblicas que exploram a Amaznia. Sua linguagem procura adentrar em um campo de problematizao mais consistente que diz respeito natureza do fato jornalstico, ou seja, na investigao das marcas dos acontecimentos, na anlise de documentos em busca de uma verdade que surge do conito social, posto que os conitos renem vrios interesses divergente. Ou seja, mesmo no usando a estratgia analtica foucaultiana, eu diria que Lcio Flvio no s no se fecha na linguagem acadmica, sempre movida pelo desejo de verdade, mas sabe, como um bom jornalista, que as verses sempre partem de lugares que tm a pretenso de produzir verdades, principalmente quando elas so produzidas pelo poder, seja do Estado e suas instituies. S que a inspirao que alimenta as anlises de Lcio Flvio Pinto parece no ter muito a ver com o lsofo francs, mas, com o grande pensador da sociologia do conhecimento que se chamava Karl Mannheim (1894-1947). que ele leu e debateu muito ao longo de sua vida acadmica na Escola de Sociologia Poltica de So Paulo. Manheimm armava que os intelectuais tm como tarefa realizar a sntese das perspectivas parciais. Dai a importncia do planejamento democrtico para um ordenamento racional da sociedade. No esse planejamento autoritrio, como tem sido conhecido no pas, principalmente na poca da ditadura, com seus planos megalomanacos para a Amaznia, que acabaram em tragdias, como os projetos de colonizao e o brutal desmatamento que prossegue at os dias de hoje. O planejamento concebido e defendido por Lcio Flvio est mais perto da perspectiva mannheiniana, que, como observa, a sociloga Marialice M. Foracchi, no decorre de planos isolados da realidade social mas incide sobre conexes independentes da mesma, possibilitando, pois, uma conscincia real e total do processo histrico. Portanto, signica, tambm, uma nova capacidade intelectual totalizadora para explicar situaes no regulamentadas que perturbam o equilbrio social. 2 Como observaram Bottomore e Outhwiate, no Dicionrio do Pensamento Social, Mannheim acreditava que a sociologia do conhecimento estava destinada a desempenhar importante papel na vida intelectual e poltica, sobretudo em uma poca de crise, dissoluo e conito,3 mediante um exame sociolgico das condies que deram origem a ideias, losoas polticas, ideologias e diversos produtos culturais concorrentes. Explorou de modo persistente a ideia de que a sociologia do conhecimento de qualquer forma, central a toda estratgia que pretenda criar uma aproximao entre poltica e razo, e essa busca o denominador comum que liga os seus vrios ensaios na sociologia do conhecimento, (...) pois ela convoca os intelectuais a cumprirem a sua vocao maior, que a realizao da sntese. Ele e nisso Lcio parece partilhar essa ideia acreditava na razo, no planejamento como um processo histrico-social que expressasse a realidade social em dois sentidos conjugados: sendo produto dela, tambm recurso intelectual para melhor compreend-la, resolvendo os problemas que nela se colocam. Quando lemos mais detidamente os artigos de Lcio Flvio, principalmente os que tratam dos problemas amaznicos e de nosso pas, de uma maneira em geral, percebe-se a preocupao do jornalista e socilogo com o planejamento e a crtica persistente aos projetos feitos ao sabor dos improvisos (e, muitas vezes, embalados pela demagogia populista). O pano de fundo de sua crtica ocupao da Amaznia, por exemplo, no por meio de jarges adjetivados, produto, como se diz aleatoriamente, do capitalismo. O seu confronto e os debates, assim como seus escritos, so construdos sempre atravs das observaes sistemticas sobre a realidade. Para isso, recorre aos documentos ociais e no ociais, o que j se produziu e o que est sendo produzido sobre o contexto em que investiga, assim como as narrativas dos sujeitos envolvidos na histria, buscando os seus nexos e suas consistncias lgicas, procurando, assim, novos sentidos e abordando os fenmenos sempre de forma racional. Tambm acredita na cincia, na sua difuso na universidade, como foi proposta por ele nos chamados kibutzim

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11cientco, imaginados como meios capazes de acelerar o processo civilizatrio na Amaznia, que, apesar de sua riqueza natural, no capaz de utilizar o conhecimento cientco a servio de seu desenvolvimento, tornando-se assim subordinada aos interesses estrangeiros. Da as suas cidas crticas ao modelo de desenvolvimento da Amaznia baseado no extrativismo mineral, que usa tecnologia exgena, e exporta mineral bruto para suas matrizes. Como Mannheim, Lcio acredita que, numa sociedade moderna e globalizada em que vivemos, o conhecimento cientco e tecnolgico alavanca vital para o avano civilizacional, dai a grande importncia que d escola, vista por ele como sociedade transitria, cujas funes primordiais se relacionam com o preparo dos indivduos para a vida social, seja ajustando-os aos seus papis nos grupos secundrios, seja ajustando-os a melhorar s condies de convivncia nos grupos primrios. 4 O processo civilizatrio, para usarmos uma expresso do socilogo Norberto Elias, do qual Mannheim esteve muito prximo, sempre foi um tema de preocupao de Lcio Flvio, mas Evanilson, por trabalhar com outros referenciais, no compreendeu direito quando o autor afirma que a Amaznia comporta todos os tipos de interesses, dos mais nobres, dos reais aos imaginados, dos pessoais aos corporativos e governveis. Por isso um tema de civilizao (...) que serve de marco de referncia para os graus de civilizao, que, para Lcio, significa maior racionalidade, a criao de uma cultura que saia do senso comum, que gere solidariedade entre os humanos, a despeito de suas enormes e s vezes brutais diferenas. NOTAS 1 Ver Karl Marx, Vida e Pensamento, David McLellan, Editora Vozes, Rio de Janeiro, Petrpolis. 2 A autora, (falecida em 1972), escreveu sobre as obras de Karl Mannheim na coleo Os Grandes Cientistas Sociais), coordenado por Florestan Fernandes (n 25), editada pela Editora tica. 3 No podemos esquecer que Karl Mannheim viveu numa poca de crise profunda na Europa. Frequentou as universidades de Berlim, Budapest, Paris e Friburgo e na Universidade de Heidelberg at 1933, quando teve que emigrar e procurar refgio na Inglaterra, fugindo do nacionalsocialismo na Alemanha nazista, 4 Ver o comentrio feitos por Foracchi nas pginas 28 a 39 no livro citado anteriormente Demisses no Amaznia: um momento de crise?O jornal Amaznia completou 15 anos de existncia no dia 19 com uma novidade: pela primeira vez o nome do diretor de redao, Antonio Carlos Pimentel, no apareceu no expediente da publicao. No cargo desde que o Amaznia comeou a circular e havia 28 anos no grupo Liberal, Pimentel foi demitido de sbito, 10 dias antes. Chamado ao departamento de pessoal, no foi avisado previamente nem recebeu a comunicao dos dirigentes da empresa, que presidida por Romulo Maiorana Jnior e tem como conselheiros apenas um dos seus seis irmos, Ronaldo Maiorana, alm de Joo Pojucam e Walmir Botelho. Com o afastamento do principal integrante da redao, o jornal cortou o maior salrio da folha de pessoal. Mas outros oito jornalistas teriam o mesmo destino no dia 20. Os cortes se restringiam ainda ao dirio mais novo da corporao, sem atingir, ao menos nessa primeira leva, O Liberal. Na sua pgina no Facebook, Antnio Carlos Pimentel informou sobre o seu desligamento das Organizaes Romulo Maiorana, empresa onde estive por 28 anos 13 na redao de O Liberal, como reprter, redator, editor-assistente e editor-executivo, e 15 como editor-chefe do jornal Amaznia, da edio nmero 1, em 10 de abril de 2000, at a de nmero 5.429, de 8 de abril de 2015. Pimentel agradeceu a colaborao de todos que passaram pelas redaes sob meu comando nessa difcil misso de fechar um jornal dirio. No deixou de se referir tambm aos diretores que conaram no meu trabalho, na minha dedicao e na minha lealdade por tanto tempo. Manifestou a esperana de que esse processo de reduo de quadro, sempre doloroso, seja passageiro e o menos traumtico possvel para os prossionais e suas famlias. Toro para que o jornal sobreviva crise. minha sada certamente sobreviver, graas competncia de uma equipe dedicada, sria e responsvel. Apesar das palavras de otimismo e de gratido do editor, o destino dos jornais do grupo Liberal comea a preocupar. O sindicato dos jornalistas declarou em nota que vem acompanhando, com preocupao, o desenrolar do processo demissionrio em veculos de comunicao. O contato direto com os trabalhadores vtimas dos cortes tem sido constante, com a disponibilizao de assessoria jurdica para a orientao e o possvel ajuizamento de aes futuras. Garante tambm, seu acompanhamento em relao s demisses nas Organizaes Romulo Maiorana, atento a todas as manobras da empresa, que sob a justicativa de enxugar o quadro e reduzir custos, tem aumentado o ndice de desemprego, provocando a explorao e a sobrecarga de trabalho dos colegas de prosso que permanecem empregados, precarizando o mercado de trabalho. Alm disso, o sindicato formalizou, por meio de ofcio protocolado junto empresa, o pedido de reunio a m de obter explicaes acerca das seguidas demisses, bem como sobre as garantias aos trabalhadores que permanecero no emprego a m de evitar a sobrecarga de trabalho e explorao dos prossionais. Com as demisses, acrescenta a nota, o clima de tenso predomina nas redaes, prejudicando o desempenho dos trabalhadores, que cam apreensivos com o que pode acontecer ao chegarem para novo dia de trabalho. Essa tambm, uma perversa maneira de intimidar os jornalistas.

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12 MemriaIMPRENSAEstava lotado o auditrio do Cine-Teatro Paramazon (na travessa Piedade com a Henrique Gurjo, em prdio que ainda existe), naquela noite de 1962. Era para assistir pea Op Apsilapadop, encenada pela Companhia Milton Carneiro-Maria Luza. O chefe da equipe puxou uma salva de palmas ao jornalista Paulo Maranho, dono e principal redator da Folha do Norte (combinao rara na imprensa). A ovao foi intensa. O decano da imprensa nacional conquistara a Ordem Nacional do Mrito dias antes. H quanto tempo isso no acontece?LAVADEIRASEm 1962 havia tantas lavadeiras em Belm que elas decidiram formar uma associao de classe para chegar a um sindicato. O grupo principal fazia o seu servio no cais do porto.PINTORO diretor do Museu de Arte de So Paulo, Pietro Maria Bardi, publicou anncio na imprensa de Belm, em 1962, para manifestar seu interesse em receber informaes a respeito do pintor Leon Righini, provavelmente de origem sua e que trabalhou na segunda metade do sculo passado [XIX] no Par e no Amazonas. Bardi lembrava que o pintor era autor de uma grande paisagem de Belm, vista do mar, que foi tambm reproduzida em litograa. As obras do artista encontram-se especialmente em colees inglesas, mas ignoram-se os elementos para traar-lhe a biograa, lamentava. Informava ainda que recentemente o prprio Bardi descobrira em Londres uma paisagem do Par, com guras, datada de 1862. O Masp estava interessado sobre Righini, agradecendo logo a boa vontade dos leitores.FILMEA colunista social Regina Pesce estava no cinema Nazar, em agosto de 1965, para a primeira apresentao do lme de longa metragem Um dia qualquer, de Lbero Luxardo. entrada, banda de msica, senhoras elegantemente trajadas, cmeras lmando o acontecimento. O lme agradou e h, sobretudo, para ns, a satisfao de ver na pelcula lugares e pessoas que todos conhecemos, observou Regina, que viu o mrito do diretor de transformar em artistas cinematogrcos jovens que nunca haviam pensado em enfrentar mquinas de lmagem. E todos se saram muito bem, sendo merecedores dos nossos aplausos. Antes da exibio do lme, falou Mustaf Morhy, presidente do Rotary Clube Belm/Nazar, que patrocinou a avant-premire. Depois foi a vez de Lbero Luxardo, que fez a apresentao dos atores Lenira Guimares, Maria de Belm Negro, Zlia Porpino, Conceio Rodrigues, Cludio Barradas, Gelmirez Melo e Silva, Eduardo Bastos, Eduardo Abdelnor, os irmos Ohana, Virgnia de Morais e Joo Pampolha. PROPAGANDANosso bancoEm 1962 o Banco Moreira Gomes foi o primeiro, com sede no Par, a instalar uma agncia no Rio de Janeiro. O feito foi comemorado com vrios anncios de clientes da instituio, dentre eles o da Santoni (em nova organizao), que abriu o primeiro supermercado da cidade.

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13 Cotidiano d oBELMAo agradecer a uma homenagem que lhe prestaram em 1967, o juiz e depois ministro do trabalho, Raimundo de Souza Moura, lembrou-se da Belm de 30 anos antes, com a diverso se resumindo numa nica sesso do Cinema Olmpia, no sorvete da terrasse do Grande Hotel, em algumas festas do Clube do Remo, do Par Clube e da Assembleia Paraense, o movimento social se temperando pelas crnicas do pioneiro colunista Edgar Proena, e nenhum resqucio de vida noturna, a no ser para a juventude brbara. Trs dcadas depois, a situao mudara muito: o surto industrial prospera com as novas fbricas (cerveja, tinta, leos, papel, madeira prensada, tecidos, sacaria, tubos), h novos institutos especializados (para surdos, para cegos, para excepcionais), novos estabelecimentos de ensino universitrio (teatro, geologia, arquitetura, administrao pblica, economia), novas casas de sade (uma bem montada equipe de cirurgia do corao e um bem dotado centro de tratamento do cncer), e aumentam organizaes de hotelaria, recreio e esporte. O trfego cresce, todo mundo tem um carro fabricado no Brasil e as mulheres passam a dirigir, com toda prudncia, alis. As coisas parecem estar sempre a mudar para melhor sem melhorar o bastante. FOTOGRAFIAInezita por aquiNo dia seguinte sua apresentao no auditrio da Rdio Clube, no Jurunas (era a famosa Aldeia do Rdio), Inezita Barroso foi, com o marido, Adolfo Barroso, redao da Folha do Norte, onde posou ao lado do jornalista Paulo Maranho. Era 1956 e Inezita fora reconhecida, com o prmio Roquete Pinto, pela sua atuao no rdio e na televiso. Era considerada a rainha do folclore nacional e a maior intrprete da msica popular brasileira. Inezita morreu em maro deste ano, com gloriosos 90 anos. HABITAOEm 1971 a Soplam, Concasa e Dicasa patrocinaram a exibio de uma entrevista do presidente do Banco Nacional da Habitao, Rubens Costa, para esclarecer sobre as mudanas no programa do governo. O sistema nanceiro habitacional em Belm era integrado ainda por trs agentes nanceiros (Tropical, Socilar e Vivenda), e as construtoras Covem, Afcon, Nassar, Enel, Eccal, Combus, Ivan Danin, Lopes Engenharia, Urca, Mado, Estacon, Comab, Belcom, Conspara, Conterpa, Amazontec, Crispim, Cicon, Cone, Conscivil, Nazar, Ecel, Unimveis e Icasa.ADVENTODurou mais de duas horas a Assembleia do Advento dos paroquianos da Trindade, realizada na sede da AABB, na avenida Governador Jos Malcher (onde permanece heroicamente at hoje), no nal de 1967. O encontro foi cuidadosamente planejado por uma equipe coordenada pelo padre Carlos Coimbra, o adjunto do proco, monsenhor Miguel Incio. O roteiro incluiu a projeo de slides sobre pintura, escultura, arquitetura, educao, cultura e sociologia, lmes sobre o lanamento de foguetes espaciais, acontecimentos no Vaticano e a visita do papa Paulo VI ONU, em Nova York. Cantores da agitada parquia interpretaram composies de Chico Buarque de Holanda, como Pedro Pedreiro. Atores do Teatro Operrio do Sesi encenaram um trecho da pea Antgona, de Sfocles. Joo de Jesus Paes Loureiro leu um dos seus poemas. Cada tema era debatido e as observaes eram encaminhadas mesa que dirigia os trabalhos e fazia comentrios a respeito, integrada pelo cnego pio Campos, os casais Amilcar e Ione Tupiassu e Ananias e Leonice Arajo, armando Mendes, Paes Loureiro e os jovens Ana Diniz e Lcio Flvio Pinto (ento com 18 anos). Pedro Veriano e tcnicos do USIS (o servio de informaes dos Estados Unidos) foram os responsveis pela exibio dos lmes. Os jovens paroquianos cuidaram dos slides e pela iluminao. O balano de tudo, ao nal, foi considerado produtivo. Era ainda tempo de esperanas.

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14 Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fone: (091) 3241-7626 E-mail: lfpjor@uol.com.br jornal@amazonet.com. br Site: www.jornalpessoal.com.br Blog: http:// Diagramao/ilustrao: Luiz PintoEditor: Jornal Pessoal LEIA E DIVULGUEJornal Pessoal CELPA Parabns pelo texto sobre a Celpa, com uma observao, a estatal foi vendida em 1998, ao invs de 1988, mas est desculpado, mente cansada nossa inimiga. Achei interessante o trocadilho acerca do ICMS x Celpa x Cerpasa. Uma vergonha, o pretexto, de incentivos scais, de forma implcita, dando anistia das dvidas tributrias. Quem acaba pagando tais dvidas somos ns, contribuintes, mas h o ditado, o povo merece o governo que tem. Infelizmente, o cidado no politizado, e tambm, no sabe dar resposta nas urnas. Falta muito para o amadurecimento poltico! Renato da Silva Neves MINHA RESPOSTA O erro foi de digitao. O 9 vizinho do 8 no teclado. JORNALISMO A ltima pgina do JP n 582, da primeira quinzena de abril, tocou num assunto de vital importncia para garantir a liberdade de expresso a todos os elementos de uma sociedade democrtica. No que esse editor tenha esquecido este princpio basilar das relaes entre pessoas civilizadas. Pelo contrrio, esta tem sido uma luta sem par, uma vez que seu aguerrido e isolado redator, de vez em quando hostilizado por instituies ou personalidades que so avessas a esses requisitos essenciais. Vimos a ocorrncia com os Maioranas que passeou longamente em vrias edies e teve repercusso nacional e internacional, todavia no logrou o sucesso, nem o reparo que merecia das entidades de classe e da prpria justia. O jornalismo esperto, que ainda pode ser qualicado de velhaco, astuto, nrio, espertalho, etc, praticado no Brasil, pela chamada grande imprensa, copia o mesmo modelo daquele praticado nas dcadas passadas. Dependendo da regio em que se localiza e das fragilidades e facilidades encontradas, uns so mais incisivos que outros, nas regies afastadas do centro de deciso. Mas quando se transfere para a esfera nacional, a Rede Globo de Televiso e o jornal O Globo se destacam como os campees da imprensa que pratica o jornalismo esperto, ventilado no incio deste comentrio. O interessante disso tudo a supremacia da empresa localizada do Rio de Janeiro sobre suas iguais de So Paulo, considerado como a locomotiva industrial do pas. Ultimamente esses veculos de comunicao se desgarram de suas misses precpuas de informar a verdade e lutar pela hegemonia dos direitos essenciais esgueirando-se por vias obliquas em favor do partidarismo poltico e at mesmo incentivando aes concretas, como fez a presidente da Associao Nacional dos Jornais, Maria Judith Brito, executiva do grupo Folha, em 2010, em conclamar a imprensa a assumir o papel de oposio, visto que esta se comportava com muita fragilidade. No que as pessoas se omitam ou se neguem a opinar e denunciar sobre crimes cometidos por determinada classe da sociedade, o fato que elas so contidas pela manipulao da informao. A mdia esperta, sem a menor cerimnia (poderia se dizer: na maior cara de pau), distorce e, na maioria das vezes, simplesmente ignora um assunto que no lhe traz vantagem pecuniria, ou no representa favores recprocos (dvidas por publicidade, por exemplo). As pessoas precisam ser informadas repetidamente, dos desvios de conduta dos habitantes e das instituies pblicas e privadas; mas tambm necessrio que os responsveis pela cobrana, apurao e punio dos crimes comeCART @ S BELM: 50 ANOS MENOSO guia da cidadeO Guia dos Telefones de Belm de 1965, de responsabilidade da Par Telephone Company Ltd. um documento precioso para reconstituir a capital paraense meio sculo atrs. Em 110 pginas, preparadas pelas Listas Telefnicas Brasileiras, do Rio de Janeiro (a ento Guanabara, destronada da condio de capital nacional). tem as informaes que hoje, na era digital, deixaram de ser impressas em papel. So dados essenciais sobre assinantes, endereos, comrcio, indstria e prosses. O guia ser a fonte desta nova seo dentro da Memria para assinalar a data e estabelecer os contrastes, que podem servir de inspirao de anlise. Dentre os telefones mais importantes que destacava, o guia arrolava os bombeiros (que eram municipais), as quatro delegacias de polcia (DEP, DET, DEIC e o famigerado DOPS, a polcia poltica), a Guarda Civil, a Permanncia da Central, a Polcia Martima e Area, a Polcia Rodoviria e oito postos policiais (Cidade Velha, Cremao, Guam, Jurunas, S. Brs, Marco, Pedreira e Telgrafo). Os telefones frequentemente chamados eram os do aeroporto, cais do porto, Departamento de guas, estao ferroviria, Fora e Luz e a prpria LTB. Os servios de sade eram reduzidos. Incluam o Ambulatrio N. S. do Perptuo Socorro, Banco de Sangue Central do Par, Banco de Sangue SantAna, Clnica Anchieta, Clnica Dalmazia Pozzi, hospitais (Belm, Aeronutica, 4 Distrito Naval, Martimos, Juliano Moreira, Militar e Servidores do Estado), Laboratrio Jaime Aben Athar, Maternidade da Ordem Terceira, Maternidade do Povo, Policlnica Dr. Lauro Magalhes, Pronto Socorro Municipal, Pronto Socorro S. Brs, Pronto Socorro S. Luiz, Santa Casa de Misericrdia do Par, Sociedade Benecente Portuguesa, Sanatrio Barros Barreto e Socorro Urgente.

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15tidos cumpram com os seus respectivos deveres. Se a imprensa, por convenincia esquece, e o poder pblico no toma a iniciativa de apurar, ca difcil para ns outros inuirmos na reparao de qualquer crime. Temos casos emblemticos no pas e no Par, alguns se arrastam anos a o e de soluo oportuna improvvel, devido que o protagonista principal que usurpou um bem pblico, parece gozar da lenincia das autoridades: o aaire da Organizao R. Maiorana/ Funtelpa. Nem mesmo a violncia das redes sociais, que voc chamou de frequente impetuosidade, ser capaz de inibir o domnio absoluto das grandes corporaes da comunicao, porque elas tambm, por via direta ou atravs de parceiros regiamente remunerados, comandam a agitao na internet. Como escreveu recentemente o conhecido jornalista Jnio de Freitas: os meios de comunicao convencionais (os espertos) so os causadores da alienao involuntria dos cidados. Anal, lutamos contra foras transcendentais e ainda no dispomos das armas prprias para combat-los, as que possumos esto em estado latente. preciso trabalhar o povo, na cultura e na educao, para fugirmos desse estado de alheao compulsria. S ao adquirir um razovel grau de civilizao que se pode sentir no interior do meio social, sinais de respeito mtuo, polidez e urbanidade. Com estas referncias o ser humano consegue ser mais eciente na escolha de seus representantes polticos e, por consequncia, scalizar a execuo da aplicao dos recursos pblicos destinados ao bem comum. Naturalmente que uma tarefa rdua a ser perseguida, s alcanvel no longo prazo. Enquanto este reparo vai tomando forma, h de se tomar medidas complementares para assegurar o xito da empreitada. O primeiro passo a seguir colocar em pauta, para discusso nacional, a propalada lei dos veculos de comunicao. Sempre que o assunto toma vulto j foi cogitado para ser debatido desde os primeiros perodos comandados pelo Partido dos Trabalhadores recebe sopros violentos de contestao, embasados na ideia repulsiva de se cogitar, com o documento, a leviandade de se limitar a liberdade de expresso. tudo falso, a outra parte que detm o poder exclusivo, brande o argumento fascista para iludir e obter o apoio da populao, a m de perpetuar a sua soberania que adquiriu sob a beno dos recursos pblicos e de outras artimanhas nada recomendveis (incluindo apoio irrestrito ditadura militar) conforme esclarece o livro A histria secreta da Rede Globo, autoria de Daniel Herz, Ed. Tch, 1986. As grandes empresas de comunicao, capitaneadas pela Rede Globo e seus simpatizantes, esto promovendo campanha ativa contra o Frum Nacional pela Democratizao da Comunicao FNDC, que promove no momento, o Encontro Nacional pelo Direito Comunicao, cujo objetivo principal cooperar com o governo no aperfeioamento das normas de comunicao, considerando que o Cdigo Brasileiro de Comunicao, j ultrapassou os cinquenta anos e nunca foi regulamentado. Temos de usar este mecanismo de maneira equnime, sem regalias implcitas ou explcitas, de maneira a adequar e avigorar os instrumentos de regulao da mdia, em favor da prpria democracia. Os pases referenciados como modelos de democracia j o zeram, sem terem cados na heresia sul americana chamada bolivarianismo. O grande Ea de Queiroz assim se expressou, sobre o tema da prosso de jornalista, em janeiro de 1867: O jornalismo no sabe que h abatimento moral, o cansao, a fadiga, o repouso. Se ele repousasse, quem velaria pelos que dormem? spero, trabalhador infatigvel para quem no h noite nem aurora; a luta terrvel, necessrio conservar uma conscincia satisfeita e uma energia poderosa para desprezar as calnias, para afrontar os tdios e os desgostos, fazer face s hostilidades viperinas e incessantes que os poderes promovem, lutar, trabalhar, ter as suas convices puras e fortes no meio do dio de uns, do desleixo dos outros, da indiferena, da apatia de todos. Rodolfo Lisboa CerveiraTrimanoPor um problema grco, o trecho nal do artigo de Beth Lorenzotti sobre Lus Trimano, publicado na edio anterior, saiu com o seu nal truncado. O texto completo este: Ele nunca foi ao palcio entregar seu livro de desenhos ao poderosos de planto, como aconteceu com outros desenhistas. Mesmo porque no se trata de desenhos diluidores, engraadinhos, aqueles que podem ser pendurados na parede para cultivar ainda mais o ego dos poderosos. Que ele tenha seguidores. Belm contava com 11 companhias de aviao: Cruzeiro do Sul, KLM, Panair, Pan-American, Paraense, Sava, Txi Areo Guajar, Txi Areo Kovacs, Txi Areo Marajoara, Varig e Vasp. Tinha 10 hotis: Amrica, Avenida, Central, Coelho, Grande Hotel, King, Pinheiro, Prncipe Negro, Regina e Vanja. Nove cinemas: Art, Guarany, Independncia, Iracema, Moderno, Nazar, Olympia, Palcio e Paraso. Nove clubes: Assembleia Paraense, AABB (do Banco do Brasil), Automvel Clube, Clube do Remo, Grmio Literrio Portugus, Jquei Clube do Par, Paissandu Esporte Clube, Par Clube e Tuna Luso Comercial. As comunicaes eram realizadas atravs da fonia do Departamento de Correios e Telgrafos, Radional, Telgrafo Nacional e Western (que tinha um servio de telegramas internacionais por telefone). As seis agncias de turismo eram a Adetur, Amaznia Turismo, Apatur, Departamento Municipal de Turismo, Lusotur e Nortur.

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A imprensa quer mesmo derrubar Dilma Rousseff?Muitos blogs criaram uma sigla para denir a grande imprensa nacional: o PIG. Ela formaria o Partido da Im-prensa Golpista. uma denominao to imprecisa quanto a anlise quees-ses blogs usam para atacar a imprensa. Em sua concepo, ela forma um bloco monoltico empenhado em derrubar um governo constitucionalmente estabe-lecido, s por ser exercido pelo Partido dos Trabalhadores. Manifestao de um rano elitista incontrolvel. De uma tendncia autoritria irrefrevel. O qualicativo generalizador s te-ria validade se os crticos encontrassem provas ou, pelo menos, evidncias convincentes da articulao golpista, como a que houve para desencadear o golpe militar de 1964. Precisaria haver um entendimento materialmente com-provado de que os donos da mdia bra-sileira agem com a inteno de derrubar o governo. O mais importante dono de jornal, Jlio Mesquita Filho, de O Estado de S. Paulo, participou das articulaes para derrubar o presidente Joo Goulart. Outros eram simpticos e zeram o que podiam nos seus veculos para alcanar esse objetivo, sem entrar nas reunies secretas dos conspiradores. E um dos grandes jornais, o Correio da Manh, se inclinou para a oposio no dia seguinte ao golpe. O que est acima de qualquer dvida a a oposio da grande imprensa aos governos de Lula e de Dilma Rousse-, ou, no mnimo, m vontade, predis-posio negativa e preconceito, mesmo quando foram beneciados por atos genricos ou especcos dos dois presidentes da repblica petistas. Essa aparente contradio (levar dinheiro e ainda assim manter posies e concep-es editoriais) seria at benca se a pedra de toque da cobertura da impren-sa fosse o respeito aos fatos, a rigorosa apurao das informaes, a amplitude da abordagem e o respeito ao contradi-trio. Cada vez menos assim. As matrias jornalsticas violam regras elementares da objetividade e do rigor para inocu-lar nos textos qualicativos e juzos de valor, desnaturando a reportagem em editorial. O editorial forma legtima e necessria de manifestao, mas no seu espao devido, com a caracterizao ne-cessria para alertar o leitor de que se trata de opinio da empresa. Reporta-gem o domnio do reprter. Ainda que esteja sujeito a vrios tipos de circuns-tncias, ele devia ser sempre o respons-vel pela integridade da matria. A revista Veja tem se afundado no lodaal desse tipo de jornalismo mar-rom, amarelo, sensacionalista, tudo me-nos cristalino, como gua da fonte, que devia ser a sua matria prima. Ainda assim, ela no comanda um PIG. Sua concorrente mais direta (e muito mais nova), a poca se lhe parece, mas se distingue tambm. No pode ser envol-vida pela mesma camisa-de-fora dos blogs neo-oposicionistas (ou, na atual balbrdia ideolgica e poltica, crticos dos crticos). Veja-se como exemplo mais recente e importante a polmica reportagem que denuncia Lula como operador. O texto bem que podia ter sido expurgado de ex-presses como pupila, quando a palavra correta sucessora (o que Dilma foi), ou evitar declarar o ex-presidente como o lobista em chefe do Brasil, classicao sem o rigor exigido para o seu uso. No entanto, trata-se realmente de uma reportagem, que se espalha por oito pginas da revista semanal, apenas trs (para o padro Veja de encheo de linguia com recursos grcos, que preenchem o vazio de informaes) com ilustraes. Os dados foram apura-dos em vrias fontes, inclusive fora do pas, e apontam fatos que sustentam a qualicao de Lula como lobista da Odebrecht, empreiteira nacional que faturou 100 bilhes de reais no ano pas-sado, parte da receita obtida no exterior (de onde diz que trouxe 1,28 bilho de dlares em divisas para o Brasil). O ex-presidente devia ter mais cui-dado para no aproximar demais, como tem feito, sua condio de viajante/ palestrante pelo mundo ao, o nancia-mento dessas excurses e os interesses corporativos subjacentes. Lula tem todo direito de cobrar por suas palestras, mas elas deviam ser gratuitas e em defesa de uma causa mais nobre quando o an-trio paga sua hospedagem e desloca-mento. O ideal seria que o preo da sua apre-sentao inclusse o valor dessas despe-sas para lhe dar a condio que ele devia cultivar: no s ser honesto, mas parecer honesto como a mulher de Cesar (no caso, ele seria mesmo Csar, o que certa-mente haver de considerar comparao mais justa). Tambm prerrogativa natural do ex-presidente promover os negcios brasileiros no exterior, desde que no haja nenhuma articulao vantajosa de um particular tendo por fundamento di-nheiro pblico. poca cita fatos que lhe permitem considerar como triangular as operaes realizadas pelo ex-presidente em pases africanos e latino-americanos, onde tem inuncia pessoal. Sempre os negcios fechados nes-ses lugares contam com a assistncia do BNDES, com seus emprstimos de custo inferior aos de mercado. Sem im-por condies como as que o Eximbank da Coreia do Sul exigiu da mineradora Vale, duas semanas atrs, ao lhe conce-der nanciamento de dois bilhes de dlares. O recurso tem que ser aplicado em transaes com empresas coreanas. A matria da revista da Editora Globo no consegue caracterizar como delituosas as relaes de Lula com a Odebrecht porque no h provas de ga-nho pessoal do ex-presidente ou de uma conexo de causa e efeito entre sua par-ticipao, os contratos de prestao de servio conseguidos pela Odebrecht no exterior e os emprstimos do BNDES. Faltam essas informaes para carac-terizar o crime de trco de inuncia ou qualquer outro, que o Ministrio P-blico Federal do Distrito Federal apenas comeou a apurar, em carter prelimi-nar, por provocao externa, o que serviu de gancho (ou mote) para a matria. Faltam muitas informaes no s por alguma incapacidade de apura-o da revista, mas tambm porque o Banco Nacional do Desenvolvimento Econmico e Social no transparente. Mantm sigilo sobre essas transaes, sigilo que agora est prestes a ser rom-pido pelo parlamento. A abertura dessas caixas pretas s far bem revelao da verdade, que devia interessar a todos: ao PIG, ao anti-PIG, a Lula e todos mais, imaginrios ou reais. A verdade se prova e a ela se chega pela demonstrao dos fatos e das suas circunstncias ou contextos. A repor-tagem de poca no se enquadra como instrumento usado por uma impren-sa que quer derrubar o governo. Ela o exerccio do jornalismo, que deve ser livre o bastante para dizer o que apurou (ou o que quiser dizer) e abrigar as con-testaes, assumindo a plena responsa-bilidade pelo seu contedo. No deve ser assim a democracia que queremos, sem golpes e sem a sndrome das cons-piraes, completa luz do dia perante a opinio pblica?