Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
serial   ( sobekcm )
periodical   ( marcgt )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00369

Full Text




JUNHO
laQUINZENA
AGENDA AMAZNICA DE LCIO FLVIO PINTO
A AGENDA AMAZ6NICA DE LOCIO FLAVIO PINTO


-
-'
~SF~r~.- -


. -- -N -C
''^''^*^-7^ ^^^^~


IMPRENSA



0 grande ausente

Durante vdrios dias Romulo Maiorana Jr. conclamou a populagdo para
participar da caminhada contra a corrupgdo, como lider do movimento pela
moralidade puiblica. Acabou ndo indo. Melhor assim: ndo viu ofracasso da
iniciativa, que lanCa um grave ddbito na conta da OAB.


dia 18 de maio o empresario
Romulo Maiorana Jr. depos na
4a vara da justiga federal, em
Bel6m, acusado pelo Minist6rio Pdbli-
co Federal de crime contra o sistema
financeiro national. Tres dias depois,
passou a liderar uma manifestacgo que
a Ordem dos Advogados do Pard vi-
nha programando e que culminaria, 10
dias depois do depoimento do principal
executive do grupo Liberal, em uma
"caminhada contra a corrupcao pela
vida, pela paz". De denunciado por
corrupao, o empresario, por metamor-


fose sdbita, se transformou no cam-
peao da moralidade.
A OAB emprestou sua alquimia
oportunista para operar o milagre. A
campanha foi motivada pelo aprofun-
damento das informaq6es sobre frau-
des graves cometidas nos iltimos anos
(ou, a rigor, hb muitos anos) no poder
legislative estadual, que permitiram aos
seus autores e demais beneficiirios des-
viar mais de 60 milh6es de reais dos co-
fres pdblicos para os pr6prios bolsos.
A sociedade, escandalizada pelos su-
cessivos casos de desmando na Assem-


bl6ia, se tornou terreno fecundo para a
reagqo proposta pela entidade represen-
tativa dos advogados. De protagonista,
por6m, a OAB se transformou em co-
adjuvante quando, junto corn a pigina
inteira de conclamagqo da populagdo
para a passeata de 28 de maio, aparece-
ram em O Liberal piginas inteiras com
a foto do president executive das Or-
ganizagqes Romulo Maiorana, que pas-
sou a ser o patrocinador da march.
Al6m de pedir o comparecimento da
populagao,eleindicavaum e-mail quecriou,
CiiOTiiUA 'iA PA


Ie.I


I A|OR ING


No 490
ANO XXIV
R$ 3,00


I'35


kkfl







CONTINU&nAO DACAPA
presidente.contracorrupcao@com.br como
endereco para denincias contra "qualquer
ato de corrupIo ou impunidade". Garan-
tia que a identidade do denunciante "sera
preservada".
O que levou a ins61ita e bizarre inici-
ativa de Romulo Jr. nao foi a defesa da
causa pdblica: era mais um degrau que
ele subia na escalada de vinganqa e re-
taliagdo que adotou a partir do momen-
to em que o Didrio do Pard noticiou o
seu comparecimento A 4" vara da justi-
Ca federal para depor como r6u. A ma-
t6ria tinha duas marcas que provocari-
am o furor biblico do executive.
A primeira marca foi atribuir-lhe a
dendncia do irmio, Ronaldo Maiorana,
seu s6cio na TropicalAlimentos, empre-
sa levada as barras dajustiga pelos pro-
curadores da repdblica por fraudar a
aplicaqio de capital pr6prio como con-
trapartida para receber a colaboraqio
financeira da Uniao, atrav6s de dinhei-
ro dos incentives fiscais administrados
pela Sudam (Superintendencia do De-
senvolvimento da Amaz6nia).
Segundo o noticidrio dojomal do ex-
senador Jader Barbalho, Romulo Jr.
atribuiu a culpa das manobras fraudu-
lentas ao irmao. Teria alegado que ape-
nas emprestava seu nome A socieda-
de, sem participagao nas decis6es, que
desconhecia (embora assinasse os atos
deliberativos).
O segundo motivo da indignagqo do
empresario foi a publicagao de suas fo-
tos na sede da justiga federal. Ele tudo
fez para evita-las: chegou ao pr6dio
numa camionete com negras peliculas,
entrou pela garage privativa de ser-
ventudrios e magistrados, e se recusou
a sair do elevador, durante 15 minutes,
enquanto o corredor nio fosse liberado
para que ele passasse at6 o gabinete do
juiz Antonio Campelo sem ser visto, fo-
tografado e filmado. Ver sua image
estampada na primeira pAgina dojornal
concorrente deve ter-lhe soado como
desafio ao seu poder, que imagine ilimi-
tado, suficiente para poupA-lo de qual-
quer contrariedade.
Essa regra de ouro dos Maioranas
nao vale para os que slo os alvos dos
seus vefculos de comunicaqao. Nota do
Rep6rter 70, a principal coluna de O
Liberal, publicada exatamente no dia da
caminhada da OAB/ORM, protestava:
"Rep6rteres escaladas para cobrir
depoimentos de pessoas envolvidas no
escindalo da Assembl6ia no Minist6rio
Pdblico estVo subindo as paredes para tra-
balhar. 0 MP impOs tantas restric6es A
cobertura que ningu6m esta entendendo.


U Jornal Pessoal JUNHO DE 2011


Os fot6grafos procuram a laje de uma
academia para fotografar e os rep6rteres
sequer podem ir ao banheiro. S6 entra
quem deixar telefones celulares e m~qui-
nas fotogrdficas na portaria".
Se o jomal de Romulo Maiorana Jr.
defended, com plena razAo, liberdade para
que seus rep6rteres possam trabalhar,
documentando fato de evidence interes-
se pdblico, como o depoimento de pes-
soas denunciadas por desviar dinheiro
pdblico na Assembl6ia Legislativa, por
que o empresirio, ao assumir o papel de
personagem, em fungao id8ntica (acu-
sado de receber indevidamente dinheiro
pdblico), exige privil6gios que condena
quando concedidos a qualquer outro que
nao seja Maiorana? E por que, ao abu-
sar dos seus direitos individuals e de prer-
rogativas que a lei nio endossa, 6 aten-
dido pelas autoridades pdblicas?
Depois da divulgagio dessa nota do
Rep6rter 70, um "grupo de promotores"
denunciou ao Procurador-Geral da Re-
p6blica, Roberto Gurgel, tamb6m presi-
dente do Conselho Nacional do Minist6-
rio Puiblico, a cdpula do MP estadual,
apontada como conivente com o princi-
pal personagem das fraudes na Assem-
bl6ia Legislativa, o ex-presidente da casa,
Domingos Juvenil, do PMDB. O Libe-
ral abriu manchete de primeira pigina
para o an6ncio ("Promotores pedem
afastamento da cdpula do Minist6rio
Piblico"), na ediqio dominical do dia 5.
Era uma mat6ria mais do que teme-
rdria: nenhuma das fontes foi identifica-
da, o que 6 elementary num trabalho jor-
nalistico, ou sequer feita alguma identifi-
cagqo da sua posiqao no MP ou do teor
do document, aspeado. No dia seguin-
te, os quatro promotores responsiveis
pela investigaqao negaram que estejam
sendo cerceados no seu trabalho, elogi-
aram suas chefias e cobraram a apre-
sentaao dos nomes dos supostos denun-
ciantes, al6m da apresentagio das pro-
vas que teriam pretextado a denincia.
"A noticia, com o teor apresentado
pelo suposto grupo an6nimo de Promo-
tores, carece de qualquer credibilidade
nao s6 pelo anonimato, mas principal-
mente pelo conteddo inveridico das in-
formaq6es contidas no suposto docu-
mento apresentado na Procuradoria
Geral da Repdblica no Pard", disse a
nota, assinada por Arnaldo Azevedo,
Nelson Medrado, Milton Menezes e
Gilberto Martins.
Observam que "o suposto 'grupo'
ou segmentt' que se intitula descon-
tente com a atuagco dos 6rgos Su-
periores do Minist6rio Pdblico, dizen-
do-se 'preocupado com a credibilida-


de da Instituiqio e em garantir a ho-
nestidade, a transparencia, a imparci-
alidade e a defesa dos direitos da soci-
edade', se realmente existe, deveria se
identificar e procurar os canais com-
petentes para serem apuradas as de-
vidas responsabilidades".
Finalizam a nota apresentando "nos-
so repddio a qualquer tentative de de-
sarticular os Promotores de Justiga que
estio A frente das investigag6es e que
nao serA tolerada qualquer tentative de
desacreditar, perante a sociedade e a
opiniio p6blica, o trabalho do Minist6-
rio Publico Paraense".
Por conta da sua obsessao com Ja-
der Barbalho, O Liberal deu o maior
dos destaques possiveis a uma noticia
que merecia melhor checagem e mais
informaq6es. Mas esqueceu do assun-
to quando o mesmo privil6gio odioso,
atribuido a Domingos Juvenil (e chegan-
do por tabela a Jader) foi usado pelo
seu dono e combatido pelo oponente, que
nao se submeteu ao capricho.
Nao satisfeito em reagir ao noticid-
rio do Didrio do Pard com um artigo
que baixou definitivamente o nivel do
confront entire os dois grupos de co-
municaqao, al6m de passar a atacar di-
ariamente o inimigo em O Liberal, Ro-
mulo Jr. teve a oportuna cumplicidade
dos presidents local (Jarbas Vascon-
celos) e national (Ophir Junior) da OAB
para sua tipica manobra diversionista:
assumir a frente da campanha contra a
corrupco no Pari.
Ao aceitar a partilha da causa, a di-
recao da Ordem dos Advogados deu um
pass perigoso no sentido da definitive
partidarizacgo da cena political no Pari,
que poderi vir a ter desdobramentos
ainda mais funestos. Se nao houvesse
interesses pessoais envolvidos no acer-
to, a Ordem poderia convidar todos os
demais veiculos de comunicaqao do
Estado a aderir a sua campanha, de
inspiraao anterior ao epis6dio que pro-
vocou a ira de Romulo Jr. Seria uma
demonstragqo de isenCgo e mesmo de
racionalidade, evitando que uma bandei-
ra legftima servisse a prop6sitos parti-
culares e fosse agambarcada por um
dnico dos integrantes da imprensa.
Provavelmente o grupo RBA nao
entraria nessa caminhada. E tutica ve-
lha de Jader Barbalho nao responder aos
ataques feitos ao seu surpreendente
enriquecimento na vida pdblica (sem o
mesmo sucesso, diga-se agora, do fe-
n6meno Palocci, a versao multiplicada
e ampliada do petismo-no-govemo). Sua
presenga seria hostilizada numa mani-
festagao anticorrupq6, por evidence


* 1QUINZENA







incompatibilidade. Mas o lfder da mo-
ralidade tamb6m nao deu o ar da sua
graca na passeata.
Depois de publicar autenticos pos-
ters com sua foto nojornal da famflia e
difundir sua fanhosa mensagem atra-
v6s das emissoras de radio e televisao
do seu grupo, Romulo Maiorana Jr. foi
o grande ausente da manifestagCo. Sua
incorporagao A campanha foi tio sus-
peita que afastou grande parte do pd-
blico mobilizado para o primeiro ato
massive da sociedade paraense (na
verdade, da sua classes m6dia) em fa-
vor da moralidade piblica. O calculo
da participagao, que comecou em 30
mil pessoas, baixou logo para a metade
e foi sendo corrofdo A media que se
fazia checagem mais rigorosa. Os ma-
nifestantes nem chegaram a ocupar
inteiramente a praga da Trindade, em
frente A sede da OAB, de onde saiu a
caminhada (talvez fossem 4 mil). Na.
chegada, a massa era tio rarefeita que
nao alcancava mil pessoas.
A descida de pira-quedas de Ro-
mulo Jr. na lideranca do movimento
provocou fratura exposta at6 dentro da
OAB. VWrios conselheiros nao atende-
ram ao chamado, seguido por poucos
advogados, que eram flagrante mino-
ria na caminhada, contrariamente ao
que se esperava. Em parte porque a
iniciativa foi interpretada como a pre-
cipitaCgo do langamento da candidatu-
ra de Jarbas Vasconcelos A reeleicgo.
Mas tamb6m porque, encadeada corn
a dispute internal que se anuncia, pare-
ce haver conexqo com o process po-
litico mais amplo.
A campanha do grupo Liberal con-
tra Jader Barbalho deixou de ser ape-
nas um desdobramento da dispute co-
mercial entire as duas principals corpo-
raq6es das comunicaq6es no Pari. De
imediato, o principal, para Maiorana Jr.,
6 nao permitir que o ex-govemador con-
siga obter o mandate de senador, do
qual foi privado, mesmo com a segun-
da maior votagio, por causa da lei da
ficha limpa.
A decisdo do Supremo Tribunal Fe-
deral, de que a lei nio podia ser aplica-
da A eleigio do ano passado, favorece
o lfder do PMDB. Mas hi um amplo
esforgo de certos stores da vida polf-
tica e empresarial para exclui-lo do be-
neficio. Certamente ele ji teria seu
mandate reconhecido se o relator do
process, ministry Joaquim Barbosa,
nao mostrasse complete indisposicgo
para definir a questdo. Barbosa blo-
queou a tramitaqo, assim impedindo a
publicago do ac6rdao, e se recusou a


decidir isoladamente o reconhecimento
da vit6ria de Jader, que precisou utilizar
recursos para dar andamento aos autos
e chegar a decisIo colegiada, ainda a
ser marcada.
Com esses incidents, seus adversi-
rios aproveitam para apregoar suas mas
qualidades e assim criar um ambiente
desfavoravel ao seu retorno ao Senado,
por mais que, do ponto de vista estrita-
mente legal (ou formal), a proclamagao
da sua eleiqio seja apenas uma questao
de tempo e de formalidades. Mas talvez
um clamor popular pudesse levar o po-
derjudicidrio a mudar o seu entendimento
ou criar um novo pretexto para evitar o
reconhecimento do mandate do ex-go-
vernador, mantendo Marinor Brito (do
PSOL) como senadora, embora cor a
quarta votaqio.

Liberal nao hesitou
em distorcer a deisaio
do ministry Joaquim
Barbosa, de nao exereer o
juizo da retratagao, se ne-
gando a decidir monocrati-
camente sobre a validagao
do mandato senatorial de
Jader Barbalho, e remetendo a
decisao para o colegiado do STF. Em
manchete de primeira pagina, o journal
anunciou que o ex-deputado simples-
mente teve negado seu recurso para
voltar ao Senado.
A penetraqio popular de Jader de-
safia os dossies sobre o seu enriqueci-
mento ilicito, como os que O Liberal e o
Amaz6nia divulgaram, os editorials qua-
se didrios do principal journal dos Maio-
ranas e as declaraqges que eles provo-
cam, forcando a repercussdo do mate-
rial que publicam.
Mesmo com a ameaga langada so-
bre os eleitores, de que perderiam seu
voto se optassem por Jader, dando como
certa a impugnaqco da sua candidatura,
nao impediram que ele fosse o segundo
mais votado para o Senado, logo depois
do tucano Fernando Flexa Ribeiro (que
nao hostilizou o rival na sua campanha;
pelo contrArio: pediu o segundo voto dos
eleitores, conciliando sua candidatura
pelo PSDB com a do PMDB, na pre-
sungdo confirmada de que seriam
votados de forma quase identica).
O eleitorado do lider do PMDB di-
minuiu, o que o afasta de vez da corrida
pelo governor do Estado, mas ainda lhe
garante o poder arbitral em qualquer
eleiCgo realizada no Pari. Gracas a ele
Simdo Jatene se elegeu, derrotando Ana
Jdlia Carepa, que, se nao rompesse corn
Jader, poderia ter sido reeleita, mesmo


com alto indice de rejeiqgo (se Jader
estivesse disposto a reconciliar).
Por causa dessa alianca (informal,
mas efetiva), Jatene reservou cargos no
seu governor para Jader e tem resistido
as alfinetadas que recebe por isso do
grupo Liberal. Os Maioranas nao irdo
por enquanto al6m dessa guerrilla, que
desgasta, mas nao significa rompimen-
to: querem continuar a ser freqiienta-
dores contumazes do erdrio, faturando
publicidade official.
Ao mesmo tempo, estimulam as al-
ternativas contrdrias a aproximagqo com
o PMDB, como a do president nacio-
nal da OAB, Ophir Cavalcante Jr. Pelas
aparencias, ele parece disposto a pleite-
ar uma candidatura nas pr6ximas elei-
9~es, talvez at6 majoritiria. Quanto me-
nos competidores tiver, mais essa hip6-
tese, ainda remota, se tornard factivel.
Se Jader nao recuperar ao menos
parte do poder politico de que ainda
usufrui faz bastante tempo, indepen-
dentemente das suas variaq6es, seu
grupo empresarial poderi sofrer uma
queda de faturamento ou ter desequi-
librio nas suas contas. E o que Maio-
rana Jr. almeja para aliviar a situagao
do seu pr6prio grupo, que vem per-
dendo posiq6es no ranking das comu-
nicaq6es e poderi ver-se desbanca-
do at6 do segment de TV aberta,
apesar de contar com o poder da Rede
Globo (que, por isso, depois de inter-
vir no jornalismo, deveri entrar no
departamento commercial da Liberal).
A urgencia, a sistematicidade e a
agressividade crescente da campanha
contra Jader Barbalho esti ligada A de-
liberaq~o pendente no judicitrio, mas
nao deixa de ter conexio com as rafzes
remotas de uma nova configuragqo na
political national em funcgo de um agra-
vamento no estado de sadde da presi-
dente Dilma Rousseff. Seu vice, como
todos estdo cansados (e alarmados) de
saber, 6 Michel Temer, do PMDB. Cor-
religionirio e parceiro de Jader.
Ao tomar partido no ambito desse
conflito, com perspective de se acentu-
ar e difundir, a OAB do Pari abre mdo
da sua independ6ncia e independ8ncia
para assumir um lugar ao lado de um
dos competidores (e inimigos). Mas fi-
cou ao lado de quem? Do sfmbolo da
boa moral e dos costumes edificantes,
do padrdo de exacao no trato com a
coisa pdblica?
Quem fizer um levantamento ape-
nas nos muitos processes que tramitam
pela comarca de Bel6m, no ambito da
justiqa estadual, verificard a existencia
de um ndmero crescente de aq6es con-


1AQUINZENA Jornal Pessoal


JUNHO DE 2011







Stra Romulo Maiorana Jr. e a empresa
que preside, a Delta Publicidade, res-
ponsAvel pelo journal O Liberal. Maria
dos Anjos Assungao, por exemplo, con-
seguiu acolhida para sua aao de repa-
raqao de danos morais causados pelo
journal perante a 3" vara civel.
Como sempre nessas ocasi6es, o
Catao do Pard alegou que a quantia
cobrada de indenizaqao (160 mil reais)
era indevida (mas nao especificou qual
seria o valor certo) e que o bloqueio
de seis contas bancArias, no valor de
R$ 244 mil, iria inviabilizar financeira-
mente a empresa (tamb6m sem com-
provar a alegacao). O juiz aceitou as
alegacges, mas elas foram rechagadas
pelo desembargador que relatou os re-
cursos. O bloqueio foi mantido at6 o
limited do valor do d6bito.
Jr. contestou tamb6m o valor da aqao
de cobranga e da indenizaqao proposta
por Hellen CristinaAzevedo, que recor-
reu a justiga porque nao recebeu da
empresa a viagem aos Estados Unidos
que ganhou como premio por ter sido
escolhida princess na maior promocao
do grupo Liberal, o Rainha das Rainhas
do Carnaval. O pedido foi deferido pelo
juiz da 9a vara civel e confirmado na
instAncia superior.
Al6m de v6rias litigancias comerci-
ais e execugqes fiscais, Romulo Jr. foi
processado por desacato a Jos6 Rober-
to de Carvalho Pantoja na 1a vara do
juizado especial criminal do Jurunas, no
ano passado. Como de praxe, nao com-
pareceu a primeira audiencia de conci-
liaqao, em 7 de junho, nem a segunda e
A terceira, que se realizou sem a pre-
senga dele ou do seu advogado.
E que, antes, Romulo Jr. fez um acor-
do com o reclamante e pagou-lhe inde-
nizaqao. Ajuiza Luana Santalices con-
siderou que o acordo extrajudicial cor-
respondia A figure processual da tran-
sagao penal, "na forma de prestagao
pecuniria", e arquivou o feito.
Recorde-se que, quando Ronaldo
Maiorana foi a outro juizado especial
criminal, por ter me agredido fisica-
mente, recusei-me a fazer acordo e
quis o prosseguimento da agao penal.
Ignorando a manifestagao da minha
vontade, o representante do Minist6rio
Pdblico, que assume a autoria da agao
quando nao ha acordo entire as parties,
recorreu a transaao penal, impondo
ao agressor a pena de pagar o equiva-
lente a 50 salArios minimos em cestas
basicas a instituiq6es de caridade. E
ele se foi 16pido, livre e solto para nova
agressao, que acabou cometendo, con-
tra um m6dico da Unimed.


0 AmazOnia foi criado para con-
correr na faixa das classes C, D e E
com o Didrio do Pard, no moment
em que o journal dos Barbalhos avan-
gava nesses segments da sociedade,
que tiveram acesso ao consume a par-
tir do Piano Real e passaram a contar
como compradores. Dez anos depois,
o que o journal mais novo da farnlia
Maiorana conseguiu de mais efetivo foi
deslocar o antigo lider do mercado, O
Liberal, para a terceira posig~o, algo
impensivel antes.
Foi um autentico tiro no pr6prio p6,
disparado por uma estrat6gia comple-
tamente equivocada. Quando o Amazo-
nia comegou a circular, o principal ape-
lo para manter os que j liamjornais ou
criar novos leitores era o prego. O dife-
rencial em favor do Didrio era custar
75% ou 50% a menos do que O Libe-
ral, sem diferengas substanciais de con-
teddo para as camadas tradicionais e
com uma novidade para aqueles que se
aproximavam pela primeira vez das ban-
cas e dos jornaleiros: cadernos especi-
alizados em policia e esporte, com lin-
guagem popular e sensacionalista.
Quem passou a comer frango, mesmo
sem estar doente (quando pobre comia
frango, antes do Real, um dos dois es-
tava doente), passou a comprar um jor-
nal que pesava pouco no bolso. Era o
Didrio.
No principio, o Amazonia teve o
mesmo prego do concorrente. Mas
quem optara pelo journal dos Barbalhos
nao viu motivo para se transferir para o


Os Maioranas se acostumaram a
essa impunidade, que os colocaria aci-
ma da lei e dos demais cidadaos. Por
isso nAo pagam imposto, como o IPTU,
valendo-se de erros de citagao ou da
prescrig~o, conform 6 possivel cons-
tatar nas resenhas judiciais. Reduzindo
o interesse da opiniao pdblica aos seus,
uma nota no Rep6rter 70 do mesmo dia
da caminhada ameaava:
"Tem gente acompanhando a mo-
vimentaqIo em torno das ages que a
Prefeitura de Bel6m desenvolve para
levar a leilao im6veis executados por
d6bitos do IPTU. Trn sido detecta-
dos sinais de que os procedimentos es-
tariam se transformando em interes-
se de investidores do mercado imobi-
lidrio, por isso preocupados em agili-
zar tramitagao de processes de uni-
dades mais valorizadas".


cagula dos Maioranas. A tendencia do-
minante foi a que uma andlise mais aten-
ta podia prever: muitos leitores preferi-
ram trocar O Liberal pelo Amazonia,
que safa muito mais barato e tinha o
principal do irmro mais velho.
Resultado: os responsiveis pelo mais
recent dos jomais didrios de Bel6m nao
puderam comemorar sua faganha, no
mes passado, que foi subir para o 2 lu-
gar, abaixo do Didrio. S6 aos domin-
gos a venda de O Liberal cresce o bas-
tante para faz8-lo subir um posto. Mas
at6 quando?
0 journal se restringe cada vez mais
aos leitores das classes A, B e C, mas
tendo que dividir esse mercado com o
concorrente direto, o Didrio do Pard, e
o competitor involuntArio, o Amaz6nia.
Nao s6 por nao oferecer um diferencial
de qualidade (exceto aos domingos para
um tipo de pdblico atraido por migangas
e paetes encartados em tabl6ides de va-
riedades e futilidades), mas porque o
mercado de impresses encolheu.
E fen6meno mundial, acentuado
numa cidade de baixo poder aquisitivo,
como Bel6m, o que explica os jornais
dos Maioranas nao terem mais nenhum
auditor de verificacqo de vendagem,
enquanto o tnico filiado ao IVC, o Did-
rio do Pard, nao divulga as suas s6rias
e caras estatisticas, preferindo recor-
rer ao indice de audiencia do Ibope, que
nao mede vendagem efetiva.
Numa sociedade obrigada a circular
pela imprensa em v6o cego, o nivela-
mento acabva sendo por baixo.


A preocupag~o se acentuou na me-
dida dos investimentos de Romulo Jr.
nesse mercado. Ele estA lancando um
pr6dio atrav6s da sua Roma Incorpora-
dora (a mesma que finaliza um apart-
hotel na Braz de Aguiar) na travessa
Piraja. Promete as comodidades dos
pr6dios de luxo, mas em menos de 90
metros quadrados e cor apenas uma
garage, detalhe suprimido da farta
propaganda depois que o absurdo foi
apontado neste jomal.
Como cada familiar de classes m6-
dia tem pelo menos dois carros, um
deles ficard do lado de fora, na rua,
atormentando a vizinhanga. Como fez
Maiorana Jr. atrav6s das conclama-
96es A march contra a corrupgao.
Sem autoridade para tal, acabou nao
indo A passeata, Faria feio. Fez. E
continuarA fazendo.


f Jornal Pessoal JUNHO DE 2011. I 1QUINZENA


0 public dos jornais


- ~ I







0 atropelo dos cidadaos pelo transport public


Bel6m e Ananindeua concentram a
maior parte da area metropolitan da
capital do Pard, da populagao do Esta-
do e do seu PIB, com quase dois mi-
lhWes de habitantes. Mas, ao contririo
das regi6es metropolitanas que nio exis-
tem apenas no papel, a integraqao dos
dois municipios 6 uma ficqco. Sabem-
no bem disso as dezenas de milhares
de passageiros dos quase dois mil 6ni-
bus que fazem o circuit metropolitan
todos os dias.
Nao basta a esses sofridos cidadaos
permanecerem trancafiados nos quen-
tes e desconfortiveis vefculos por lon-
gos tempos de duraq~o dos engarrafa-
mentos de trinsito na liga~go entire os
dois municipios, uma rotina de aborre-
cimentos e prejuizos. Desde o do dia 14
do mes passado, como acontece sem-
pre que a tarifa do transport coletivo 6
reajustada, eles tiveram que vol-
tar a praticar um exercfcio ex-
tra: s6 atravessar a catraca de

6nibus ao ultrapassar os limits
de Bel6m, para se livrar de um
aumento de quase 10% no valor
da passage.
A transiqo ocorre exatamen-
te em frente ao Shopping Cas-
tanheira, onde a prefeitura de
Bel6m realize mais uma das suas
obras de Santa Engricia: um por-
tal cuja construgao se arrasta, atrope-
lando o cronograma e engolindo cada
vez mais recursos, sobre um orqamen-
to inicial de sete milh6es de reais. At6
esse ponto, a passage de 6nibus pas-
sou a custar R$ 2. Em Ananindeua, con-
tinuou a valer R$ 1,85.
Para nao sofrer tarifaqao adicional,
o passageiro se espreme como pode
num espaqo exfguo para se livrar dos
15 centavos a mais que o Conselho
Municipal de Transporte de Bel6m au-
torizou como reajuste. O novo valor
deveria beneficiary apenas os 1,3 mil
6nibus da capital, mas foi estendido aos
518 coletivos de Ananindeua.
Imediatamente o prefeito municipal,
Helder Barbalho, filho do ex-senador
Jader Barbalho, determinou A sua pro-
curadoria para contestar a decisao. Ale-
gou nem ter sido consultado sobre a
majoraao, consult indispensivel para
efetivi-la na sua base jurisdicional, sob
pena de nulidade. Logo que recebeu a


aqao civil pdblica da prefeitura, ajuiza
da 4a vara civel de Ananindeua, Valde-
ise Reis Bastos, declinou de sua com-
petencia para receber o pedido e o re-
meteu para uma das varas da fazenda
pdblica de Bel6m.
A prefeitura nao concordou corn a
decisao e agravou no dia 27 para o Tri-
bunal de Justiga do Estado. Queria que
o feito retornasse A comarca de origem.
No dia 23 o juiz da Ia vara da fazenda
de Bel6m, Elder Lisboa Ferreira da
Costa, recebeu o process. Antes de
decidir sobre a tutela antecipada reque-
rida por Ananindeua, deu prazo de 72
horas para os envolvidos se manifesta-
rem. Depois, revogou o aumento e de-
terminou que a cobranqa voltasse a ser
feita a R$ 1,85.
A liminar foi concedida no dia 31.
S6 que nesse mesmo dia o juiz recebeu


a informaqao de que a prefeitura de
Ananindeua recorrera da decisao da
magistrada do municipio e considerara
a vara da fazenda de Bel6m incompe-
tente. De imediato, declarando-se per-
plexo pela iniciativa do autor da a9ao,
que pedia o afastamento dojulgador que
a atendera, Elder Lisboa revogou a
media e restabeleceu a situagao ante-
rior. No dia 3, os 6nibus voltaram a co-
brar a tarifa reajustada pela prefeitura
de Bel6m, de R$ 2.
Indignado ao saber do agravo, que o
obrigava a rever sua decisao, ojuiz cri-
ticou o "descaso com que os entes pd-
blicos tern tratado a populagao sobre a
populagIo pobre e desvalida deste Es-
tado". Ele tinha toda razao nesta e em
outras critics que fez, mas a situaqao
absurda resultara de simples descom-
passo na tramitagao processual.
O agravo da prefeitura de Ananin-
deua foi proposto ao TJE quando o juiz
nao aceitou conceder de pronto a tute-


JUNHO DE 2011


la antecipada, para suspender o au-
mento da tarifa, e abriu prazo de tries
dias para a manifestagao da outra par-
te. Talvez temendo que o aumento fos-
se confirmado judicialmente (ou por
algum outro fator, inclusive de nature-
za political a prefeitura decidiu pro-
vocar a manifestacqo da instancia su-
perior para a devolucao dos autos A
comarca de origem. O agravo ainda
estava sendo processado quando o juiz
Elder Lisboa acatou o pedido da pre-
feitura. Surpreendido pela noticia do
recurso no mesmo dia em que suspen-
dia o aumento, o juiz parece ter reagi-
do de forma emotional.
Ao decidir voltar atras, ele deixou
de usar um recurso de que podia lan-
qar mao para manter sua posiqao. Se-
ria informar ao TJE que o agravante
deixara de cumprir uma exigencia fun-
damental da lei para que o seu
recurso pudesse ser recebido na
instancia superior: a comunica-
~ go do fato ao juiz de origem
(chamado no jargio de a quo),
com o qual os autos se encon-
S travam, no prazo de tries dias.
Sem essa comunicaqao, o agra-
vo nao pode ser recebido. A co-
municaqao foi feita ao juiz qua-
tro dias depois de o agravo ser
submetido ao tribunal. Logo, es-
tava fora do prazo. O recurso
tinha que ser arquivado.
O juiz Elder Lisboa tamb6m podia
sustentar sua competencia. Ao inv6s de
voltar atris, ele podia manter a media
at6 o pronunciamento do TJE sobre a
competencia do julgador. Preferiu re-
vogar sua decisdo at6 a manifestacao
superior. Se o primeiro impulse foi a
favor dos cidaddos que sofrem prejuf-
zos em conseqiiencia do descaso dos
entes pdblicos, a segunda se juntou a
essa pritica corrente e nociva, que pro-
jeta maus moments para o usuario de
6nibus, quando a integraIo dos siste-
mas de bilhetagem resultar no passe
inico na regiao metropolitan.
Certamente, ao inv6s de um valor
maior e outro menor, como acontece
atualmente, por efeito da bagunca ad-
ministrativa do poder pdblico, acoplada
A omissao, conivencia e co-autoria nos
desmandos em conjunto corn a iniciati-
va privada, o cidadao s6 terA um valor:
o mais alto.


.* 1QUINZENA Jornal Pessoal 1








Belo Monte comega, a


O terceiro grande rio da AmazOnia
vai comegar a ser desviado do seu cur-
so natural para a construgao de uma
barrage de alta queda. Depois da hi-
drel6trica de Tucuruf, no Tocantins, e
de Jirau e Santo Ant6nio, no Madeira,
seri a vez do Xingu receber a usina de
Belo Monte. Somadas, elas terao um
potential de geragdo de energia equi-
valente a tudo o que estA previsto para
ser construido durante a vigencia do
novo Piano Decenal.
Sejd estivessem funcionando, as qua-
tro hidrel6tricas amazOnicas atenderiam
a mais de um quarto do consume nacio-
nal de energia (hoje, sdo 8%). E pelo
menos mais cinco ter~o sua construgio
iniciada ainda nesta segunda d6cada do
s6culo XXI. Assim, estara selada a "vo-
caq~o" imposta a Amaz6nia, de ser pro-
vincia energ6tica national?
Apesar de toda reagao desencadea-
da no curso de cada um desses barra-
mentos, o govemo acabou consumando
o seu prop6sito, de prosseguir na busca
da exaustao da capacidade energ6tica
dos rios da Amazonia. O Ibama (Institu-
to Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renovaveis) concluiu
o licenciamento de implantagdo de Belo
Monte na semana passada. Ignorou as
advert8ncias do Minist6rio Pdblico Fe-
deral, contrdrio a concessdo da autori-
zago para o inicio efetivo das obras ci-
vis da usina, com a formagao da ense-
cadeira de terra, e as reclamag6es de
varias ONGs a instincias intemacionais,
como a OEA e a ONU.
O governor estA certo de que este 6
o melhor caminho para manter o ritmo
de desenvolvimento do Brasil e que
grande parte da argumentag~o contra-
ria deriva do interesse de competidores
do pais no mercado mundial. Eles ndo
querem que o Brasil seja uma potencia
international, posiqio que lhe seria as-
segurada pela ampla disponibilidade de
energia, em especial de fonte hidrica,
mais limpa e mais barata. Acha que ja
houve debate suficiente. Nao esta mais
disposto a sujeitar sua vontade categ6-
rica As suscetibilidades de uma contro-
v6rsia national.
A Camara dos Deputados convocou
na semana passada, em Brasilia, uma
audi8ncia pdblica para debater a hidre-
16trica. Todos os convidados compare-
ceram, exceto os que nao podiam fal-
tar: o govemo federal, responsAvel pela
concessao da obra, e o cons6rcio Norte
Engenharia, vencedor da concorrencia


para construir a usina. Sem as duas pre-
sengas, o encontro se frustrou.
Tem sido esta a regra. Sempre que
julgam desfavoravel a situagao, os res-
ponsiveis pelo empreendimento evitam
o confront e escapam a controversial.
A hist6ria do projeto de aproveitamento
energ6tico da bacia do Xingu, corn um
dos maiores potenciais de geragqo do
pais, tem sido de desvios e ziguezagues.
As pedras de maior volume no cami-
nho da execugao do projeto foram atira-
das pelo Minist6rio Pdblico Federal do
Para. Em 10 anos, o MPF ajuizou 11
a9ces contra a realizacgo da obra. Ga-
nhou a maioria das iniciativas em primei-
ra instfncia, mas perdeu todos os recur-
sos no Tribunal Regional Federal. Ojuiz
federal singular se sensibiliza pelos ar-
gumentos apresentados, mas o relator na
instancia superior e o colegiado revogam
as decis6es proferidas.

I) epois de tantos entre-
Srerosjudiciais, a Nor-
i te Engenharia repre-
sentou contra o mais desta-
eado dos seus adversarios
dentre os procuradores da
republican baseados em Be-
16m, Felicio Pontes. 0 Conse-
lho Nacional do Minist6rio Pdblico esta
apreciando a alegagao da empresa, de
que o procurador nao tern isengdo de
animo para continuar a defender o inte-
resse pdblico no contencioso.
As provas? O que ele escreve con-
tra Belo Monte no seu blog (heretica-
mente acoplado ao portal do MPF, se-
gundo o entendimento dos denunciantes,
que tnm, contudo, seu pr6prio blog no
portal do governor) e o que declara a im-
prensa, sempre disposta a ouvi-lo e lhe
reservar bons espacos. A Norte Energia
quer convencer os pares do procurador
que ele se tomou obsessive no combat
a Belo Monte, nao importando os moti-
vos que possa vir a apresentar.
A empresa ter o direito de suscitar
a suspeigo de Felicio Pontes por par-
cialidade, tendenciosidade ou interesse
pessoal na causa. Mesmo que ele seja
afastado, por6m, 6 certo que seu subs-
tituto, do quadro do MPF no Para, dard
continuidade as demands contra o pro-
jeto. Ele s6 prosseguira se os recursos
dos seus executores continuarem a ser
acolhidos pelos tribunals.
Com a liberaqo do Ibama, finalmen-
te, o rio Xingu comegard a ser desviado
do seu curso natural pela primeira gran-


de intervencqo humana no seu leito: a
ensecadeira de terra. Nao significari,
entretanto, que a opinido pdblica estard
convencida do acerto do projeto.
Depois de 35 anos de estudos e le-
vantamentos de campo, pode-se perce-
ber que a trajet6ria irregular de Belo
Monte se deve tanto a resist8ncia dos
seus critics e adversaries quanto as
inconsistencias e insegurancas dos ide-
alizadores da obra.
Quando nio puderam evitar o deba-
te pdblico, imposto pela pr6pria legisla-
9do ambiental, atrav6s das necessdrias
audiencias pdblicas, que antecedem o li-
cenciamento, eles recuaram em certos
moments e modificaram o desenho da
hidrel6trica. Deram motives, portanto,
para o ceticismo, a desconfianga, a di-
vida e a pr6pria condenaqdo ao projeto.
Na posiqgo oposta, os "barragistas"
e seus aliados desacreditam os adver-
sarios apontando-os como quintas co-
lunas, defensores de interesses ocul-
tos e ilegftimos de alienigenas, em es-
pecial de concorrentes do Brasil, e de
serem "ecoloucos" ou, quando nada, po-
etas, visionarios, pessoas com-
pletamente desligadas da reali-
dade, desconhecedoras do que
6 construir uma grande usina de
energia. Daf o tom arrogante e
auto-suficiente dos engenheiros,
como na representaqao contra o
procurador federal paraense.
Como o assunto 6 t6cnico de-
mais, os engenheiros excluem do
seu ambito os ndo-iniciados na
ciencia da construqao.
Abstraia-se toda a questdo ecol6gi-
ca e etnol6gica. Admita-se, em princi-
pio, que os "barragistas" tem razao: o
represamento do Xingu nao ird causar
grandes danos ambientais (todos passi-
veis de prevenqgo ou reparagio) e que
o prejufzo as comunidades indigenas
atingidas sera minimo, assim como a
populagao de Altamira, a maior cidade
da regiao, situada as proximidades das
barragens. O balango dos pr6s e con-
tras de mais esse aproveitamento hidre-
l6trico seria, assim, superavitArio. Logo,
ele tem que ser executado. Para o bem
de todos e felicidade geral da naqCo.
Mas funcionard mesmo? Esta per-
gunta, elementary, continue sem respos-
ta. Na concepqao original, Belo Monte,
para ser viivel, teria que contar com
outros reservat6rios a montante do rio.
As tr8s barragens previstas, anterior-
mente, inundando uma area cinco ve-


s Jornal Pessoal JUNHO DE 2011 IQUINZENA








as contra resistencia


zes superior a de Tucurui, responsavel
pelo segundo maior lago artificial do
Brasil, acumulariam agua no inverno
para suprir a usina durante o verdo
amaz6nico, quando a estiagem reduz o
volume do Xingu em 30 vezes.
Sem essas bacias de acumulagdo rio
acima e com a reduqSo do lago da pr6-
pria usina, Belo Monte nao tera agua
suficiente para funcionar durante me-
tade do ano. Por isso, sua potencia fir-
me (a energia disponivel em m6dia) serd
inferior a 40% da capacidade nominal,
abaixo do ponto de viabilidade.
Para que o lago formado pela barra-
gem de Belo Monte fosse o menor pos-
sivel, foi necessario former reservat6ri-
os nos dois canais artificiais de desvio
de agua para a casa de forca, onde esta-
rao as enormes turbines de energia, 40
quil6metros rio abaixo, as maiores do
mundo. Aformaqao desses canais exigi-
ri mais concrete do que o usado no Ca-
nal do Panama, uma das maiores obras
da engenharia mundial. Tais muralhas
garantirdo que nao haveri vazamentos?
E mais uma ddvida.
Uma dentre tantas que fi-
zeram o orqamento de Belo Mon-
te subir de 19 bilh6es para 25 bi-
lh6es e, agora, 28 bilh6es de reais,
ja chegando as estimativas mais
pessimistas, de R$ 30 bilh6es, que
seus construtores diziam ser um
absurd. E sem contar mais uns
15 bilhoes (ou 20?) na enorme li-
nha de transmission de energia, de
tr8s mil quilometros, que nao estA
incluida no cOmputo da Norte Energia.
Fica, pois, a pergunta seminal: Belo
Monte 6 viavel mesmo? Como certos
critics tem procurado demonstrar, ha
ddvidas de natureza puramente t6cnica
quanto a viabilidade operacional e eco-
n6mica da usina. O aproveitamento
energ6tico da bacia do Xingu talvez seja
a mais demorada e acidentada das tra-
jet6rias j registradas nos anais da cons-
truqdo de barragens no Brasil, que 6 um
dos pauses com maior tradigio nesse tipo
de engenharia em todo mundo.
At6 hoje nenhuma pa de areia foi
lanqada sobre o leito do rio para fazer
surgir aquela que devia se tornar a ter-
ceira maior hidrel6trica do planet, ape-
sar de centenas de milh6es de reais ja
gastos e de centenas de milhares de
folhas de papel escritas a respeito.
O Ibama havia dado apenas uma li-
cenca ambiental pr6via, no ano passa-
do. O pass seguinte seria a conces-


sao da licenga de instalagdo. Mas ha-
via tanta pol8mica e litigio judicial que
foi necessArio inovar no rito processu-
al e inventar uma etapa intermedidria,
a licenga de implantacgo parcial. O
cons6rcio construtor, a Norte Energia,
p6de montar o canteiro da obra, mas
nao executa-la. Desde o dia lja pode
colocar mdos a obra, ainda que tenha
sido novamente questionado pela 11a
acao do MPF.
O estranho 6 que, tr8s d6cadas de-
pois do infcio dos primeiros levanta-
mentos de campo sobre o potential hi-
drel6trico da bacia, o projeto ainda
provoque tantos questionamentos e
seus criticos aleguem que a decisdo
de construir a usina at6 hoje nao foi
debatida com a sociedade. Continua-
ria a ser uma caixa preta ou de pan-
dora. Dela, tudo poderia sair. Sobre-
tudo, surpresas desagradaveis.
Em 1989, quando o govemo era dono
do projeto e imaginava estar prestes a
coloca-lo em pratica, Tuira, uma india
da tribo guerreira dos Kayap6, esfre-
gou seu tergado no rosto do assustado
engenheiro Muniz Lopes, director da Ele-
tronorte, durante o I Encontro dos Po-
vos Indigenas do Xingu. A imagem -
de grande impact visual e denso signi-
ficado simb61ico correu mundo.

raa civilizagao auto-
ritAria e insensivel
que tentava impor
seus dogmas materials (o
"desenvolvimento") sobre
os direitos de povos ances-
trais, abusando do seu po-
der e teenologia. Ressurgencias
do sentiment de culpa original dos co-
lonizadores brancos em relaCgo ao bom
selvagem rousseauniano bloquearam a
continuidade do empreendimento. Tuf-
ra venceu com seu facdo as pesadas
mAquinas da Eletronorte.
Dez anos depois o projeto retomou
o seu recurso, remodelado. Nao era
mais a visdo categ6rica e impositiva dos
regimes militares (que haviam chegado
ao fim quatro anos antes). Por ela, o
Xingu receberia seis barragens para
gerar 20 mil megawatts de energia, A
custa de inundar uma area de 18 mil
quil6metros quadrados, quatro vezes e
meia mais do que o maior lago artificial
do pais, o reservat6rio da hidrel6trica
de Sobradinho, no rio Sao Francisco.
Ao inv6s disso, uma 6nica barragem,
ja no baixo curso do rio, um dos afluen-


tes do monumental Amazonas. E o re-
servat6rio seria reduzido a menos de
10% da previsdo inicial, ou 1.225 mil
quil6metros quadrados. Na verdade,
menos ainda: descontando-se a area
que o pr6prio Xingu inunda durante
metade do ano, seriam 516 km2, dos
quais tao somente 228 km2 seriam no
pr6prio leito do rio (os outros 134 km2
resultariam do alagamento ao long dos
canais, que desviarao a agua do seu
curso natural para a imensa casa de
forga da usina, 40 quil6metros abaixo.).
Cada megawatt gerado por Belo
Monte inundaria apenas 0,005 km2 con-
tra uma m6dia national de 0,49 km2.
Para poupar a floresta, a cidade de Al-
tamira e as terras indigenas de alaga-
mento, a usina teria o menor de todos
os reservat6rios possiveis.
Em conseqiiencia, nao poderd arma-
zenar agua no inverno para usar no ve-
rao, quando as vaz6es do Xingu che-
gam a diminuir 30 vezes. O regime de
funcionamento da hidrel6trica sera de
agua corrente, a "fio d'agua", como di-
zem os barrageiros.
E o que explica a grande diferenga
entire o que ela pode gerar no maximo,
usando suas 20 maquinas (11.233 me-
gawatts), e sua potencia m6dia, de 4.571
MW, descontando os meses em que fi-
card parada ou produzindo pouco. A
relado 6 inferior ao ponto de viabilida-
de desse tipo de empreendimento, que
6 de 50%. Daf tantas ddvidas sobre a
rentabilidade do neg6cio.
A perda de faturamento por causa
dessa oppqo (a alternative seria for-
mar o maior lago possivel para elevar
a potencia firme, garantindo o lucro do
neg6cio) serd de 300 milh6es de reais
ao ano, 50% a mais do que a compen-
saaio que sera paga anualmente aos
municipios afetados pela obra, o maior
valor de indenizacgo de uma obra pd-
blica na Amaz6nia.
Aparentemente, estaria atendida a
principal critical aos empreendimentos
hidrel6tricos naAmaz6nia, que provocam
grandes inundag6es, como em Tucurui,
no Tocantins, tamb6m no Pard (3.100
km2) e Balbina, no Uatumd, no Amazo-
nas (2.430 km2). Minimizar o impact
ambiental no Xingu foi tao prioritario que
pode ter comprometido a viabilidade eco-
n8mica do projeto. Por que, entVo, a obra
continue sob tiroteio tao intense, dentro
e fora do Brasil? E outra pergunta a es-
pera da resposta satisfat6ria. Por isso, a
novela prosseguira.


.J 1QUINZENA* Jornal Pessoal


JUNHO DE 2011








Mundo estudantil em 1966


* Em 24 de maio de 1966 cir-
culou o 2 ndmero de A Tribu-
na Estudantil, "6rgdo estudan-
til de carter independent em
defesa da estudantada da Ama-
z6nia", conforme apregoava
com toda 6nfase no cabecalho.
Em format tabl6ide, possufa 8
paginas. Seu president era o
future empresirio Ant6nio Car-
valho. Tinha como editors Jos6
ClAudio Pinheiro, Hamilton Gue-
des (que se toraria personagem
pol8mico no primeiro govemo de
Jader Barbalho), Lufs Santos,
Ivan Andrade e S6rgio Leite.
Integravam o "corpo de repor-
tagem": Claudio Ferreira de Sou-
za, Joao Batista Campos, Deuzi-
lena Rocha (a inica mulher no
clube do Bolinha), Francisco
Guerra, Assis Reis e este rep6r-
ter, talvez o inico que permane-
ceu no front jomalistico. De boa
apar8ncia, o joral era impresso
na Grafica Falangola, de Giorgio
Falangola, hoje transformada em
escombros que acumulam agua
da dengue, na esquina da Aristi-
des Lobo com a Benjamin Cons-
tant, sob a indiferenga das auto-
ridades sanittrias.
A sede era na rua Carlos Go-
mes, p61o boemio da cidade em
fungo do conjunto de bares nele
concentrados (Biriba, Primave-
ra e outros menos votados) -
ndo por coincid8ncia. A publica-
cgo foi langada no m8s anterior,
na sede social do Pard Clube
(por gentileza da sua diretoria),
na avenida Nazar6, onde foi le-
vantado o edificio Emestino Sou-
za Filho (um dos primeiros re-
beldes contra o baratismo).
* No alto da primeira pigina, a
mat6ria principal anunciava o
"sucesso absolute" que foi a
"monumental festa" promovida
pela Tribunal Estudantil para
a escolha da Rainha da Impren-
sa Estudantil do Pard de 1966,
na sede social do Circulo Mili-
tar de Bel6m, que ficava no For-
te do Castelo (atualmente parte
do conjunto Feliz Lusitania, re-
feito pelo arquiteto Paulo Cha-
ves Fernandes, o Landi tucano).


A escolhida (com foto na capa)
foi a "simpitica senhorita" Ma-
ria de Nazar6 Carvalho, candi-
data do pr6prio joral (ora!), fi-
lha de Ildo e Hilma Carvalho. Ela
era "aplicada aluna" do Ginasio
Modelo. As demais candidates
foram Elizabeth Pinheiro Mar-
ques (do joral O Cepeceano),
Wanya Ldcia Maia Costa (Co-
l6gio Augusto Meira), Lu8de da
Rocha Nascimento (Clube de
Ciencias do CEPC), Fatima Ka-
sahara (Col6gio Alfredo Chaves),
Ana Girard de Almeida (Institu-
to Brasil) e Maria Alice Gomes
Gongalves (Col6gio Pitria e Cul-
tura). A festa foi animada pela
orquestra de L6lio.
* Entrevista important foi a de
Claudio Ferreira de Souza (filho
do desembargador Hamilton
Ferreira de Souza) com o pro-
fessor (de hist6ria) Wilton Mo-
reira. Ele acabava de deixar a
direqIo do Col6gio Estadual
Paes de Carvalho, dentre outros
motives "por ndo poder continu-
ar contando cor a colaboragqo
indispensivel dos colegas Heral-


do Mau6s, Dirce Koury e Be-
nedito Gomes da Silva".
Os tres professors (dos quais
apenas Benedito j6 morreu) ha-
viam sido afastados pelo gover-
no, sob a suspeita de subversdo,
no inicio de uma perseguiqdo
que atingiria outros mestres do
col6gio, precipitando sua deca-
dencia. As principals liderangas
do movimento estudantil esta-
vam no CEPC. Tamb6m muitos
dos melhores professors da
rede do ensino secundario.
Ao cortar essas cabecas, o
regime confinou a inteligencia e
empobreceu a vida pdblica. Mas
Wilton Moreira, nosso querido
director de entdo, recusou-se a
endossar a violencia e pediu de-
missao. Por ironia, foi ser dire-
tor executive da FundaCgo Edu-
cacional do Municfpio de Bel6m.
O regime military, dois anos
depois do golpe de estado que
derrubou o president Jodo Gou-
lart, ainda nao era monolftico.
Nem ditatorial. Do que servia de
exemplo o journal e os estudan-
tes que o faziam, ainda corn es-


Novas fiadllmies de MaI ei
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nJornal Pessoal JUNHO DE 2011 1aQUINZENA


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f4 Mitd p ildar, >o duft


M 7i6


PROPAGANDA

Pr6dio cinquentenrio
Onde antes era a sede do Guarand
Simdes, na rua 13 de Maio entiree 7
de Setembro e avenida Portugal), a
Menescal & Cia. ergueu um dos
primeiros pridios do perimetro, o
Bardo de Belim. 0 edificio Id
permanece ati hoje, cor o mini-
acesso ao segundo elevador, que dd
aos baixinhos a rara sensagdo de
grandeza (eles tem que se curvar
para ndo bater a cabega no teto). 0
antincio, do final de 1961, destacava
que a responsabilidade "total
exclusive" era do engenheiro
Dilermando Menescal, dono da
empresa, que possuia escrit6rio no
Paldcio do Rddio, na Presidente
Vargas. Havia quatro escritdrios por
andar, "corn duas salas e sanitdrios
cada um", mas localizados no hall
do elevador, um ao lado do outro.
Era a engenharia de entdo, meio
Sseculo atrds.


& Cia. Ltda.
ail6,a t. 0MIA DO mAy0A ep". 5w
T.!3416-DCUSll1ada 14 IsMs.
- -l~k
00101 MOINIMYU







FOTOGRAFIA


O abre-alas
da elite
Ndo sei se hdt
algum estudo
acadgmico sobre os
trotes dos
estudantes que
chegavam ao curso
superior (1% dos
que entdo
i comegavam a vida
Si i escolar; dat o
S"Auto dos 99%",
do CPC Centro
Popular de Cultura
-da Une, a Unido
National dos
Estudantes). Nunca
vi algo a respeito,
apesar da
sucul~ncia do tema.
Uma vez aprovados
no vestibular, os
novos
universitdrios (calouros ou bichos) faziam seu desfile pela cidade, como um bloco de ilustres sujos
num carnival politizado. Exibiam faixas e cartazes, ou assumiam personagens de contestaado.
A sociedade, consciente de que aquela pdndega era prerrogativa dos privilegiados que iriam
cursar as faculdades, num pats de elites poderosas e exclusivistas, abriam alas Li irrevergncia
e a certa subversdo da ordem. Neste trote dos estudantes de direito, em 1950, por exemplo, as
mulheres rompiam as barreiras do preconceito e da exclusdo para pedir passage no meio
dos colegas galhofeiros. A turma estd ao lado da antiga Faculdade de Direito (hoje sede da
OAB/Pard), na Gama Abreu, no meio das duas alas do Largo da Trindade. Quem remanesce


desta foto de mais de 60 anos?

pago para atuar e sem sedugio
pela contestagIo armada.
Sem a hegemonia plena do
grupo que chegou ao poder atra-
v6s de uma media de forga,
ainda havia altemativas ao au-
toritarismo. A media que foram
aprofundadas, o regime se fe-
chou, eliminou os espagos de-
mocriticos e completou a me-
tamorfose ditatorial. O exemplar
de A Tribuna Estudantil 6 um
dos cantos de cisne locais.
* Outra mat6ria dojomal denun-
ciava a falta de luz na cidade, que,
comemorando seus 350 anos de
fundagdo, tinha que acender tam-
b6m 350 velas simb61icas "no ne-
grume da noite como uma cida-
de fantasmag6rica", gragas A
Forga e Luz do Para, "cuja efici-
8ncia rivaliza com a das maiores
organiza69es mundiais e cujos
funciondrios altamente especiali-


zados e regiamente pagos batem
palminhas a Bel6m", ironizava o
redator estudantil. A empresa
cobrava caro e fomecia pouca
luz, "por6m o atraso de um dia
redunda em corte imediato", re-
clamava A Tribuna.
* Abaetetuba tinha tamb6m o
seu Bancr6vea Clube, dos fun-
ciondrios do Banco da Amazo-
nia, com presenga mais forte do
que agora no interior do Estado.
E para l foi o maestro Alberto
Mota, com sua orquestra, famf-
lia e amigos, langar o seu novo
disco, o "Top-Set" (em referen-
cia a festa do mesmo nome, rea-
lizada nas noites de domingo no
Autom6vel Clube, em Bel6m), e
animar a festa promovida pelo
president do clube (e pai da ra-
inha dos estudantes), Hildo Car-
valho. Present tamb6m outra
rainha, S6nia Ohana, de maior


envergadura: rainha do futebol
brasileiro.
* Comentirio da se9io Flaches
(com "c") mesmo:
"O clima politico da Faculdade
de Economia estA cada vez mais
confuso. A esquerda dividiu-se,
passando uma parte a apoiar a di-
reita. A desuniao entire os estu-
dantes paraenses 6 um fato".
* O exemplar de A Tribuna Es-
tudantil usado nesta edi9go me
foi cedido por Jos6 Claudio Pi-
nheiro, um dos diretores da pu-
blicaao. Durante anos busquei
essa edig9o, na qual saiu um ar-
tigo meu sobre o fil6sofo Bertrand
Russell, escrito ao mesmo tem-
po em que comegava no jorna-
lismo professional, com uma ma-
t6ria sobre o final da Segunda
Guerra Mundial, em A Provin-
cia do Pard, nos verdes 16 anos.
verdes hoje esmaecidos.


JUNHO DE 2011 1'QUINZENA Jornal Pessoal a












AO EDITOR


Imprensa
A materia de capa do JP, o
coragao temAtico do journal,
ocupa nesta edigio da 2! me-
tade de maio mais de 50% da
publicaggo e a pergunta seria:
a que se deve tanto espago?
Muitos dirao ou, suporao inti-
mamente, que se deve a siste-
m6tica contend que travam os
Maiorana (maiotralhas, na tro-
cista versio da folha barba-
Ihista) com o Jornal Pessoal e
seu solitbrio Editor constituin-
do essa a oportunidade para
que o JP coma, friamente, o pra-
to da vinganga, uma vez que
tudo comega com lamentAveis
perdas para os Maiorana e
acaba degenerando para uma
briga feudal, que nem por isso
ameniza as perdas dos donos
do Grupo Liberal.
A sedugao que esta conclu-
sio desperta 6 inversamerne
proporcional a verdade que
cont6m. I simplesmente ina-
creditdvel a utilidade sistemd-
tica e importancia transversal
da matdria. Tentarei demons-
trar isso indicando o que me
parece sustentar essa asserti-
va. A um s6 tempo:
a) traz seguras associa ges
e ilacges de ordem political,
compondo mais uma dimensgo
do confuso e, provavelmente
tambem por isso, desconheci-
do quadro da political paraen-
se. O que, a principio, pode
parecer nio nos dizer respei-
to, 6 algo que indiscutivelmen-
te nos interessa. Se nio sabe-
mos como chegamos ate aqui,
como evitar o fim que se pode
inferir de um quadro politico
como o paraense?
b) traga considerag6es de
ordem pr6tica sobre o fazer do
jornalismo. Fatos, fatos slo o
material com que deve lidar o
jornalista (d de se notar o pon-
to de apoio fixado na iltima
pagina do JP, estrategicamen-
te pensado como o fecho re-
flexivo sobre o que se disse na
matdria de capa do Jornal. Uma
condensagio especial, a titulo
de moral se houver alguem
que comeca a ler pela ultima
folha, como eu, terd percebido
que encarou a mat6ria de capa
com o espfrito armado para o
que viria. t outra chave que o
JP nos fornece). Fatos, fatos
sio os coadjuvantes no exerci-
cio dos ataques mutuamente


empreendidos pelos donos da
grande imprensa paraense
(grande muito mais pelos n6-
meros e alcance geografico, ate
aqui s6 por isso...salvo rarissi-
mos epis6dios) no epis6dio
que tomou a atengio do JP.
Isso demonstra claramente
que hd algo a fazer quando a
imprensa nio estd preparada
para cumprir seu papel como
dela se espera;
c) convoca, ainda uma vez,
aos debates sobre os limits
legitima ou ilegitimamente
impostos A liberdade de im-
prensa associando essas ques-
t6es ao indevido exercicio de
poder estatal ou social. Estou
em que essas quest6es sao
cruciais para o fortalecimento
e evoluglo dos pauses que se
pretendem democrdticos. Esse
6, por exemplo, a posig o do
president do Supremo Tribu-
nal Federal em recent discur-
so proferido em Semindrio
onde se discutia as relaioes
entire o Poder Judicidrio e liber-
dade de imprensa.
Disse no inicio desses itens
que tudo isso flui da materia,
concomitantemente. Ai temos
indicios dos atributos que vis-
lumbro no seu texto. Trata-se
de uma ediclo tem6tica; seu
mote: imprensa, poder e poli-
tica. Mas esses temas nio sio
tratados de modo estanque;
sao versados no que t&m de
comum, pelo vies do que os
une, visto que tom--los sepa-
radamente constituiria um erro
e esvaziaria o valor didatico da
abordagem.
Decifra-o o que alguma in-
timidade tenha com os temas,


mas o que nao a ter, nio fica
a ver navios, pois pode ser
iniciado no que at se discute,
e com um plus, sem perder o
sentido sistematico de tudo
o que 6 tratado no texto. Por
isso se cuida aqui de um tex-
to relevant. Essa 6 a vanta-
gem que oferta para os que
dela souberem/quiserem se
apropriar.
Marion Aurlio Tapaj6s Aradjo

Comida
Na edigio mais recent do
Journal Pessoal, o senhor teceu
um comentdrio sobre o cader-
no Por Ai, do DiBrio do Para, do
qual sou editor. Reproduzo
aqui: "Vamos e venhamos:
aquelas comidas na capa do
caderno Por Ai, do Diario do
Para, as sextas-feiras, sio de
causar azia visual. S6 fritura e
carregagio. Culindria para be-
bado em alta octanagem, in-
capaz de distinguir odores e
sabores".
Gostaria, portanto, de dar o
meu ponto de vista. Acredito
saber sobre qual edigco o se-
nhor estava comentando: a do
bar e restaurant Peixe Frito,
do dia 20 de maio (corrija-me
se eu estiver errado, por favor).
Confesso que a foto de capa,
certamente, foi uma escolha
infeliz, nada sugestiva (embo-
ra o local seja muito bem reco-
mendado e por nenhum b&-
bado, pelo contrdrio, por pes-
soas de respeito e bom gosto).
Tinhamos fotos melhores, po-
rem que, pelo caderno ser ta-
bl6ide, nao se adequavam ao
format. O que explica, mas
nio justifica. Entgo, nesse


caso, Ihe dou razio ao senti-
mento de "azia visual". Sei re-
conhecer minhas falhas, tenho
autocritica.
Mas, o que me incomodou no
seu comentArio foi a generali-
zag5o. A edico da ultima sex-
ta, dia 27, por exemplo, trouxe
na capa o bar Aquarela, que
destoa totalmente da sua cri-
tica, traz uma culindria leve,
colorida, como destacamos na
capa. As edicges anteriores a
do Peixe Frito, ainda em maio,
foram o Boteco das Onze e o
Saint Tropez, dois locais conhe-
cidos por abrigar a nata da so-
ciedade. O ultimo foi em ho-
menagem as mies, numa edi-
gio que considered muito bem
acabada, tanto em foto, quan-
to texto. "Fritura e carregag o"
nio estavam presents. Antes
disso, estreia do filme Thor nos
cinemas e edig6es temiticas
de PAscoa e peas de teatro,
que receberam diversos elogi-
os, dentro e fora da redagio do
journal. Outra capa com bar ou
restaurant remete ao mes de
marco. O caderno, como se v0,
sempre tenta diversificar suas
pautas e, com isso, nao cansar
o leitor.
Enfim, o nosso objetivo e
agradar a todos os publicos, do
requintado ao popular. Nem
sempre conseguiremos, somos
humans, vez por outra vamos
errar a mio. Mas essa, com cer-
teza, serd a excecgo, nio a re-
gra. Agradego pela atengio. Um
abrago cordial.
Carlos Eduardo Vilaca
Editor de esportes e do
Caderno Por Ai
Didrio do Para


Jomal Pessoal

Editor: Ltcio Flvio Pinto


Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626
E-mail: lfpjor@uol.com.br jomal@amazon.com.br Site: www.jomalpessoal.com.br
Diagramagio e ilustrag6es: Luiz Antonio de Faria Pinto luizpe54@hotmail.com *
luizpe54@gmail.com chargesdojomalpessoal.blogspot.com blogdoluizpe.blogspot.com


MjJornal Pessoal JUNHO DE 2011


ontinua d venda
nas bancas e
livrarias da
cidade o terceiro
volume da colegio em
format de livro da
Mem6ria do Cotidiano,
a seqCo fixa deste
jomal. Com
diagrama~ao mais leve
e limpa, para permitir a
melhor leitura e o maior
prazer dos leitores.
Agora, 6 ir atris e
comprar. 0 editor
agradece.


. 11QUINZENA







Debate: Redivisao do Para


Inauguro nesta edicdo um espaco reservado ao debate
sobre a redivisdo do Pard cor o depoimento de um perso-
nagem tdo important quanto desconhecido do grande
public paraense: o mineiro Armando Cordeiro. Ele foi
um dos gedlogos cor participado deci-
siva na abertura da segunda grande
fronteira de mineragdo na Amazonia, na
formaCao mais antiga (do prd-cambria-
no) da margem direita da bacia do rio
Amazonas. A provincia de Carajds foi a
jdia dessa coroa, lapidada por profissi-
onais que, como Armando, vieram, sobre-
tudo, de Minas Gerais e de Sdo Paulo,
unindo-se aos natives numa saga ainda
a espera de sua histdria integral.
Por forga do seu oficio, Armando palmilhou (no exato
significado da palavra) toda a regido que constitui o pro-
posto Estado de Carajds, no sul e sudeste do Pard. Ele
partilha a posi~io deste journal de que o projeto aprovado
pelo Congresso Nacional para ir a plebiscite estd cheio


de erros, vdrios deles graves, ainda que sirva a uma cau-
sa nobre ou inevitdvel: a redefinicdo dos limits do Pard.
Infelizmente, o texto do projeto de Carajds ndo poderd
mais sofrer mudancas a partir da consult popular A la-
cuna se estende ao projeto do Tapajds,
i tambbm sancionado pelo parlamento.
0 plebiscite d um moment de deci-
sao, ndo de reflexdo. Tendo em vista as
falhas gritantes dos dois projetos, o que
de melhor se possa esperar e que a vo-
tagdo dos habitantes do Pard consiga,
mesmo que seja atravss do susto, acor-
dar a populagdo para a gravidade e
urgencia do tema. Se a resposta for ne-
gativa, ndo significard que o movimen-
to pela redivisdo tenha que cessar Pelo contrdrio: espe-
ra-se que ele seja reavivado. Mas ndo pelos apetites pes-
soais e grupais e sim pela luz da inteliggncia, produzida
atraves de debates abertos, honestos e profundos, como
o depoimento do gedlogo Armando Cordeiro sugere.


A s divis6es de Estados brasileiros
sempre figuraram nas pautas de
Aiossos politicos (os do Triingulo
Mineiro sempre sonharam com isso) corn
um inico discurso : um Estado menor 6
mais ficil de ser gerenciado e, consequen-
temente, a sua populacdo seni mais bem
servida dos serviqos pdblicos e teri mais
qualidade de vida (que nao nos ouqam os
coitados nascidos nos menores Estados
brasileiros,Sergipe e Alagoas, se nio me
engano os piores IDH do Brasil).
Comecei a trabalhar no centro-sul do
Pard no final de 1971, com base em
Conceiqao do Araguaia, e fui testemu-
nha dos surgimentos das cidades de
Redenqao (1972), Rio Maria (1974),
Xinguara (1976), Tucumd (1977?) e
muitas outras. Em 1972, o m6dico Goo-
vanni Queiroz, um dos primeiros mora-
dores de Redenqao, comeqava a ficar


famoso entire os menos favorecidos pelo
seu desprendimento, visitando as mo-
radias mais remotas, receitando e do-
ando rem6dios, era famoso e dava-me
a ideia de um verdadeiro Robin Hood!
Quando o entdo governadorAloysio
Chaves visitou Conceicgo (1974?) esse
m6dico era um simples candidate da
oposigao a prefeito de Conceigao (Re-
dengao era apenas um distrito) e, como
nao foi convidado a participar da comi-
tiva, no aeroporto fez um violent dis-
curso atacando o Governador, recebeu
voz de prisao e, dizem, os presents o
acompanharam at6 a cadeia, impediram
a sua prisao e abandonaram o Aloysio
Chaves, que retornou a Bel6m! O Gio-
vanni Queiroz foi eleito prefeito.
Sempre ouvi queixas de moradores
de Rio Maria, Xinguara e Conceicgo
sobre o abandon da region pelos politi-


No site da Vale os relat6rios anuais e de sustentabilidade vdo at6 2009.
Quanto aos resultados e informaq6es financeiros, s6 estdo disponiveis por
trimestre. Quem quiser dados anualizados, precisard agrupar os ndmeros. Ou
entdo ler o boletim annual com versio apenas em ingl8s.
Um dos legados dos 10 anos de Roger Agnelli A frente da antiga Companhia
Vale do Rio Doce foi dificultar as informa6es ao pdblico, em especial A
imprensa. S6 era pr6digo atrav6s de press-releases. Se o novo president,
Murilo Ferreira, pretend reformular as normas internal da companhia, eis af
uma sugestdo: publicar em versio impressa e tamb6m em portugues o
balanCo annual da Vale e seu relat6rio de sustentabilidade.
Se a empresa estA convencida de fazer o melhor, por que desconfia da
avaliagao isenta do pdblico?


cos do Pard, deixando a region ao Deus
darA! Comentava-se que o governador
paraense era, na realidade, o verdadei-
ro prefeito de Bel6m. Somente quando
Carajas se torou uma realidade foi que
comecei a ouvir falar em Estado de Ca-
rajAs; em Bel6m, nunca ouvi nada a res-
peito! Hoje, pagamos pela omissdo!
Fiz essa introdugco apenas para me
fazer entender que acredito ser irrever-
sivel a divisao do Pard e que lutar con-
tra 6 nadar contra a correnteza! Acho
apenas que a proposta, antes de ser le-
vada ao Senado, deveria ser objeto de
uma consult popular; plebiscite nessa
altura do campeonato 6 imposigo e nio
6 democrAtico!
Acredito que o "Nao", apoiado por
umaforte campanhapublicitariacom "slo-
gans" do tipo "O Caraj6s 6 nosso", "Ca-
rajds 6 do Pard", etc..., e reforcado por
uma proposta de divisao dos paraenses
mantendo Carajds no nosso velho Pard,
deixando transparecer que ningu6m 6
contra a divisao e o que se contest sdo
os limits geograficos, sairia vitorioso e
os cabanos poderiam retomar a sua paz
etema nos seus tdmulos hoje revirados!
Acho que 6 important a vit6ria do
"Nao" porque colocaria ventilador na
farofa de politicos gananciosos, que nao
estio nem af para a populagio que hoje
esti de fato abandonada pelas autori-
dades paraenses, e pelo menos adiaria
essa safadeza!
Armando Cordeiro


JUNHO DE 2011. I 1QUINZENA Jornal Pessoal








Celular
Atendo o
telefone.
Uma
gra- a
vagao
anun-
cia que
vai pas-
sara liga- .
ao para al-
gu6m. Uma
voz feminine
me informa que
se trata de pesquisa sobre te-
lefonia cellular e pergunta se
eu posso ajuda-la. Atalho
logo para Ihe comunicar que
nao possuo aparelho cellular.
Ela solta um "Ah!..." que nao
estava no program, como se
houvesse se deparado com
um marciano. Agradece e se
despede, como se murchas-
se. Nem deu tempo para eu
adicionar um pouco de gla-
mour a desilusao com a fra-
se de Umberto Eco: "Quem
tem poder nao tem cellular .
Frase 6tima para rebater
sentiment de inferioridade,
ainda que tao verdadeira
quanto uma goleada do Clu-
be do Remo.


Preciosidade
A Globo colocou y ven-
da o DVD de uma das suas
mais brilhantes (emocio-
nantes mesmo) realiza-
96es: a versao televisiva de
Morte e Vida Severina, o
auto de natal pernambuca-
no de Joao Cabral de Melo
Neto. Livres do torniquete
commercial, Walter Avanci-
ni na direcao e Jos6 Du-
mont no papel principal da
dramatizagao se elevaram
a um nfvel de qualidade que
resultou em reconhecimen-
to international, com o
Prgmio Emmy, em 1981.
Levou tempo para a inici-
ativa, mas deve-se aprovei-
tar a raridade e guardA-la
para constantes revises.
O final de Avancini esteve
i altura do encerramento
dajornada de Severino re-
tirante nos versos de Ca-
bral. Uma preciosidade.


Belem, 400 anos

Finalmente os leitores mandam sugesties para um program visando a Belim de 400
anos, idade que serd atingida em 2016. Falta o poder ptblico manifestar interesse
ou pelo menos registrar as generosas propostas dos cidaddos.


PRACAS
Gostaria de sugerir duas propostas para
revitalizar as pragas de Bel6m, em todos os
bairros, enquanto espagos vivos de convi-
vencia social, possibilitando que as comuni-
dades tenham acesso aos esportes, artes,
lazer e livros.
As propostas:
1) Que em todas as pragas de Bel6m, que
precisam ser urgentemente revitalizadas, a
prefeitura abra e mantenha escolinhas aber-
tas A comunidade, em variados esportes como
futebol, v6lei, basquete e handebol; lutas como
capoeira, jud6 e karate, e dangas: folcl6ricas,
de salao, bal6 modern e clAssico. Tudo or-
ganizado de acordo com a faixa etaria das
.criancas e adults, por bairro ou proximidade
da praga, jA que hA bairros e at6 conjuntos
habitacionais que possuem vArias pragas.
Para estimular mais essas atividades es-
portivas/lidicas, poderi ser criado um tor-
neio de pragas, com competiq6es por bairros
e uma competigao final da cidade. Varios
professors de educagao fisica, em diver-
sas modalidades, seriam contratados atra-
v6s de concurso pdblico, e uma rede seria
montada com a presenga do poder munici-
pal, articulado cor as experi8ncias de par-
ticipagdo jA existentes nos bairros como as
associagqes de moradores, os grupos cultu-
rais de jovens, enfim, a prefeitura entrara
para somar, com os equipamentos pdblicos,
ao que ji estA sendo feito, mas abrirA novas
modalidades e oportunidades para quem ain-
da nao estA inserido em alguma atividade
no bairro. A questao da seguranga teria que
ser pensada e resolvida em parceria entire
guard municipal e policia military.
2) Que tamb6m nas pragas se oferega
uma outra experi8ncia as criangas, adoles-
centes e jovens: oficinas que interliguem lei-
tura e teatro. Sugiro que a prefeitura contra-
te grupos teatrais de experi8ncia comprova-
da, arte-educadores e educadores que tra-
balhem com leitura nas escolas, para que vi-
abilizem oficinas em ciclos, que poderiam
durar um ou dois meses, com reunites se-
manais, onde as criangas, jovens e adoles-
centes, em grupos, teriam contato com vAri-
os livros atrav6s da leitura, pontuada por vi-
rias dinamicas e, com base nos livros, seriam
criadas oficinas de teatro.
Ao final de cada ciclo, seria feita uma
apresentaqao das peas montadas na praga
para a comunidade do bairro, valorizando a


experi8ncia vivenciada pelas criangas, ado-
lescentes e jovens. Cada bairro poderia re-
ceber, durante o ano, tres ou quatro ciclos de
leitura e teatro. Aqui tamb6m a questao da
seguranga precisa ser resolvida, da mesma
forma, em parceria entire a guard municipal
e a policia military.
Seria interessante pensar em como isso
poderia crescer do bairro para a cidade, de
modo que em todos os espagos pdblicos hou-
vesse uma divulgagao das apresentaS6es,
para que, por exemplo, um morador do bairro
da Marambaia tamb6m pudesse assistir a
uma peqa teatral produzida no bairro do Ju-
runas e que, ao final do ano, em uma culmi-
nancia, houvesse uma apresentagao para a
cidade, em um espago central, bem divulga-
do e valorizado.
Ghyslaine Almeida e Cunha

CUIDADO
Para contribuir com propostas rumo aos
400 anos de Bel6m, encaminho duas suges-
toes: esta na hora de Bel6m abrir casas de
sucos naturals nos bairros. Com o apoio t6c-
nico e a fiscalizagao da Prefeitura podemos
vislumbrar em um future pr6ximo alimenta-
9ao saudAvel ao inv6s de carros de cachor-
ros-quentes cal6ricos e sem higiene que se
espalham pela cidade. Os proprietirios des-
ses carros devem ter cr6dito e orientagao
para a mudanca desta atividade. Esta pro-
posta pode ser um program de longa data
para favorecer uma nova cultural alimentar
e nutricional.
Quanto A manutengao dos espagos pdbli-
cos da cidade, ainda significativos no cendrio
belenense, a Prefeitura deve manter equipes
permanentes de reforms e pinturas. Em Sao
Paulo, o educador Paulo Freire, quando se-
cretArio municipal de educaao, sugeriu que
qualquer equipamento pdblico depredado de-
veria ser imediatamente restaurado, impac-
tando o autor de tal viol8ncia que em geral
volta ao local do ato praticado.
Ou seja, uma polftica de cuidado e tam-
b6m de constrangimento para quem depreda
estaria funcionando na cidade. I melhor res-
taurar do que fazer de novo, deixando recur-
sos financeiros desperdigados para outras
areas. Esta proposta deve ser absorvida como
atribuigao permanent da Secretaria respon-
sAvel pela manutengao dos espagos pdblicos.
Pedro Paulo Freire Piani Professor de
Sadde Coletiva na UFPA