Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00368

Full Text




MAIO
DE 2011
2aQUINZENA


Smrnal Pessoal
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


IMPRENSA


Visceras expostas

A guerra entire as duasfamilias que controlam as comunica9des e boa parte do poder
no Pard chegou a um nivel sangrento e sujo. 0 que impression e elas terem a mesma
origem, no baratismo, o grupo que por mais tempo dominou a vida puiblica no
Estado. Ao expor suas chagas, talvez eles consigam pOr um final nessa hist6ria.


O s leitores de O Liberal do dia
9 devem ter sido surpreendi-
os e chocados por um arti-
go ocupando boa parte da primeira
pAgina dojornal, assinado pelo prin-
cipal executive da empresa, Romulo
Maiorana Jdnior. Era o texto mais vi-
olento que O Liberal j publicou, su-
perando os da campanha eleitoral de
1990 e com uma diferenqa subs-
tancial: estes reproduziam declara-
cqes de terceiros, enquanto o de ago-
ra era de responsabilidade de Romu-
lo Jr., que nunca se notabilizou por
esse tipo de attitude.


Nos dois casos de virulencia descon-
trolada de linguagem, o alvo era o mes-
mo: Jader Barbalho, o inimigo piblico
n6mero um dos Maioranas e, desde
alguns anos atrAs, seu maior concorrente
no poderoso neg6cio de ambos, as co-
municac6es. No artigo da semana pas-
sada (sob o titulo "Um safado e sua sa-
fadeza"), o ex-governador foi mimose-
ado com expresses como ficha-suja,
canalha, sem-vergonha, safado, chan-
tagista, corrupt e ladrAo. Ao final de
12 parigrafos extremamente agressi-
vos, Romulo Jr. revela o seu prop6sito:
"Temos que acabar com esse cancer".


A explosio de ira teve como deto-
nador uma mat6ria da v6spera do Di-
drio do Pard. 0 journal dos Barbalhos
proclamou, em titulo de primeira pAgi-
na, que, ao depor na justica federal
como r6u de crime contra o sistema
financeiro national, valendo-se de frau-
de para obter quatro milh6es de reais
(em valor hist6rico) da Sudam para um
projeto de fabricaqao de sucos de fru-
tas regionais, o executive atribuiu a
culpa pelo ilicito ao irmdo.
Ronaldo Maiorana depusera tres me-
ses antes no mesmo local, confessando
CONTIZINA V A


No 489
ANO XXIV
R$ 3,00






conrmNUAiAO DACaPA
o crime e alegando desconhecer que seu
ato fosse illegal, embora seja bacharel em
direito. Ambos eram s6cios no control
da Tropical Industria Alimenticia, bene-
ficiada com recursos dos incentives fis-
cais para a instalacao de uma fAbrica no
distrito industrial de Ananindeua.
Segundo a mat6ria, assinada pelo re-
p6rter Luiz Flavio, Romulo Jr. dep6s pe-
rante o juiz da 4' vara federal, Antonio
de Almeida Campelo, "hesitante e con-
sultando sempre o advogado das Orga-
nizaqces Romulo Maiorana", Jorge Bor-
ba. Alegou "ignorincia quanto as acusa-
96es de fraude contra a Sudam" e "aca-
bou atirando toda a responsabilidade do
caso no irmao e tamb6m r6u no proces-
so, Ronaldo Maiorana".
Romulo Jr. teria dito que toda a ges-
tao da empresa de sucos (hoje de refri-
gerante de sabor artificial, a Fly) "cabe
ao irmao Ronaldo Maiorana e que, por
essa razdo, nao poderia dar explicaq6es
mais detalhadas sobre o neg6cio". Ga-
rantiu ainda que, "apesar de s6cio na
empresa, nao interferia no neg6cio". Ti-
nha certeza, por6m, que seu irmio "nao
havia feito nada de errado". Afirmou
que "jamais assinou qualquer cheque da
Tropical". Ao final, declarou que a em-
presa substituiu o dinheiro da Sudam por
capital pr6prio e desde entao cresceu
com sua receita, sem precisar de cola-
boraqco official.
Na sua reaqao no dia seguinte, Ro-
muo Jr. desautorizou a versio do Did-
rio, "que teve a audAcia de colocar meu
nome em est6rias que desrespeitam o
pr6prio JudiciArio Federal, inventando
que culpei meu irmao Ronaldo por atos
praticados numa inddstria de sucos, at6
porque ele nao fez nada de errado". Pelo
contrdrio: "A inddstria det6m a lideran-
qa do mercado, gera 250 empregos di-
retos e 150 indiretos, paga seus impos-
tos em dia e tem a Unido devendo 70%
do projeto".
Em sua defesa, Maiorana Jr. invocou
o testemunho do juiz Campelo, que o ou-
viu em depoimento, "para provar que em
nenhum moment fiz qualquer tipo de
acusaqo contra meu irmao Ronaldo, a
quem defend com a pr6pria vida, como
toda a minha familiar .
Assumindo uma posicqo privilegia-
da, como se estivesse planando sobre
todos os personagens, Romulo Jr. res-
salta: "Tive o cuidado de alertar o no-
bre Juiz de que a presenga na sala de
uma reporter da Rede de Corrupqao da


Amaz6nia RCA [a versao que
criou para a sigla da RBA Rede
Brasil Amaz6nia da familiar Barba-
lho] iria fazer com que fossem publica-
das mentiras a meu respeito e sobre
minha familia. Nao deu outra coisa".
Sustentou que esse noticidrio result
do desejo do grupo do ex-senador de "jo-
gar a lama que produzem onde nao exis-
te lama". E af, de moto pr6prio, aborda
pela primeira vez de pdblico, em seu pr6-
prio journal, o que se vinha recusando a
fazer at6 entao, um tema que ali estava
proibido, vetado, excomungado:
"Dizem que meu pai era contraban-
dista. Ora, se ele foi contrabandista, foi
para dar comida a sete pessoas, a sua
familiar, e nao para tirar a comida de sete
milh6es de paraenses, como faz esse fi-
cha suja sem-vergonha, que hoje vive
mendigando um mandate que levou fora
do pleito, sem ter condiCes morais e le-
gais de participar".

Somulo Jr. cobra entao
respeito ao seu pai, o
ddor do imperio
de comunicag6es, a par-
tir de 1966, quando assu-
miu o control do journal,
e da uma informagAo que
tambem ate entao era
desconhecida do public:
"Respeite meu pai que, quando vivo, qua-
se todo o dia o recebia e ao seu pai pe-
dindo dinheiro ou pedindo para trocar
cheques, que tenho guardados at6 hoje.
Sem funds, 6 claro".
Para estabelecer o devido contrast,
afirma que o enterro do seu pai "foi o
maior que o Estado jB viu", superior at6
ao do maior lider politico do Pard, Ma-
galhles Barata. Mas prev8 desfecho in-
gl6rio para Jader Barbalho, a quem tan-
to ataca sem escrever uma vez sequer
seu nome. Diz que ele "certamente terA
a 'soliddo dos cripulas'", que nao terA
"nem a presence da meia ddzia de 'puxa-
sacos' de sua companhia pois terio ver-
gonha da posteridade".
Assumindo a postura de lider, fonte
de refer8ncia no Estado, do alto da posi-
qco que imagine ocupar, o executive in-
forma ainda ter "dez processes contra
esse crApula e seu journal na Justiqa do
Pard, que nao conseguem andar. Um
deles, no Tribunal de Justica do Estado,
jB recebeu a suspeigio de cinco desem-
bargadores. Vou acabar tendo que levd-
lo para o AmapA ou o Maranhao para
poder conseguirjustica".


Atribui A sua corporaqao o mdrito de
impedir, atrav6s do constant combat
A corrupao no Pari, que "esse crApu-
la" aumentasse o seu poder, permitindo
que Ana Jdlia, Simao Jatene e Almir
Gabriel se elegessem governadores.
Mas consider triste "ver um governa-
dor do nivel de Simao Jatene enchendo
o seu governor com a canalha que esse
safado indica".
Acusa Jader Barbalho, sempre sem
grafar-lhe o nome, de usar suas empre-
sas para lavar dinheiro e assim estabe-
lecer concorrencia desleal cor uma em-
presa como O Liberal, que nao usa "a
venda dejornal para lavar dinheiro", vi-
vendo apenas de venderr jomal e clas-
sificados, que 6 o nosso neg6cio". Ja a
empresa de Barbalho "n~o tem conta-
corrente em bancos, utiliza empresas de
factoring de outros estados para ma-
nobrar suas operaqoes com dinheiro
vivo e paga funcionArios com assesso-
rias em cargos pdbicos, ou atrav6s de
permutas tiradas A forqa ou chantage-
ando o empresariado. Nao temos emis-
soras ancoradas em contratos de gave-
ta, como ele fez corn a familia Pereira,
em Santar6m, que vai perder a retrans-
missora da Rede Globo na regido por
causa das tram6ias dele".
Romulo Jr. revela que o ex-governa-
dor Hl6io Gueiros, "quando no poder, me
revelou que tinha documents compro-
vando que a RCA [RBA] fora comprada
ao empresario Jair Bemardino por 13 mi-
lhWes de d6lares". E pergunta-se: "Como
6 que pode, um home que vivia na por-
ta do meu pai pedindo dinheiro ou tro-
cando cheques e, dois mandates depois,
compra uma emissora de televisio por
US$ 13 milh6es? N~o ha Receita Fede-
ra que agiiente!". Garante que tudo que
ele, sua familia e sua empresa tem "esta
no Imposto de Renda".
No dia seguinte, como se esperava,
Jader Barbalho deu o troco pelo seu
jomal. N~o na primeira pAgina, mas na
terceira. NSo atrav6s de artigo assina-
do, mas de editorial (espaqo dedicado
a manifestar a opiniao do journal, sem
personalizA-la). O titulo do editorial tam-
bem nao surpreendeu: "Alucinag6es do
travestido".
Num tom igualmente galhofeiro, ojor-
nal atribui a explosio de ira do dirigente
do grupo Libera a um dos "periodos de
menstruaqo e pr6-menstrual" pr6prio
das mulheres (o que o faz, ao final, reco-
mendar aos parents e amigos de Jr. "que
o levem a um m6dico ginecologista para


FJornal Pessoal MAIO DE 2011


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ajudar a enfrentar os inc8modos da
TPM. E, quem sabe, uma boa dose de
reposiCao hormonal").
Grosserias a parte, o journal credit a
irritaiao de "Maiotralha Jr.", como o tra-
ta, "a compuls6ria visit pdblica a Justi-
qa Federal como acusado de crimes
contra o patrim6nio pdblico, atrav6s de
fraudes praticadas em projeto financia-
do pela Sudam". Submetido a essa cir-
cunstincia, da qual sempre procurou se
livrar, por todos os meios possiveis (e
inadmissiveis em lei), diz ojomal que "o
pavor de ser flagrado prestando contas
a Justica" levou Romulo "a alucinac6es,
como ser acometido da syndrome de
Caim, ao acusar o irnno de ser o res-
ponsAvel pelas fraudes e desvios de re-
cursos pdblicos".
Esses delfrios o teriam levado tam-
b6m "ao absurdo de cometer o parrici-
dio moral post mortem, ao afirmar que o
pai teria sido contrabandista, alias, sim-
plesmente contrabandista, isto 6, crimi-
noso que subtrai a arrecadaqgo de di-
nheiro pdblico pertencente i sociedade".
O editorial lembra que eu fui espan-
cado por Ronaldo Maiorana ("evidente-
mente, com o apoio de virios capan-
gas"), "por haver especulado sobre a
hist6ria do contrabando na origem do
patrim6nio do pai dos Maiotralhas. A
agressao sofrida pelo jomalista passa a
ser agora duplamente injusta, ji que o
Maiotralha Jr. 6 quem confirm publi-
camente que o pai era contrabandista".
Outra alucinacqo revelada por Ro-
mulo Jr. seria, ainda de acordo com o
editorial, a "hip6tese jamais especula-
da de que seu pai 'trocava cheques',
isto 6, utilizava pritica comum e crimi-
nosa da agiotagem, fato sobre o qual
jamais se ouviu quaisquer comentAri-
os, imaginando que tal especulago seja
apenas fruto de distfirbio acusat6rio.
Contrabandista, sim, se sabia. Agiota,
6 a primeira vez que a sociedade toma
conhecimento".
Outra evidencia do "surto alucinat6-
rio" de Maiorana seria a "comparaqao
ftnebre como aferigao de prestigio", ao
estabelecer paralelo entire o enterro do
pai e o de Barata, o que "apenas sepulta
de vez a id6ia de que o Maiotralha Jr.
esteja em sua plena sanidade mental".
O delirio atingiu o grau de paranoia
- na interpretagao do Didrio quando
Romulo "resolve dar pito no govema-
dor Simao Jatene, questionando a qua-
lidade moral de integrantes de sua equi-
pe, talvez por imaginar que o govema-


dor deveria ter lhe submetido a relagAo
de nomes antecipadamente para sua
aprovagio, levando em conta a sua ele-
vada autoridade e padrio de preocupa-
q~o com a coisa piblica".
Sobre essa questAo, "o esquisitissimo
alucinado deve imaginar que a opiniio
pdblica do Pard jA esqueceu a apropria-
cqo do patrim6nio dos equipamentos da
Funtelpa, quando a emissora, al6m de ce-
der o uso de seus bens, ainda lhe pagava
cerca de R$ 500 mil mensalmente".
Outro exemplo de moralidade duvi-
dosa, para dizer o minimo, foram "os con-
tratos superfaturados do aluguel do jati-
nho da ORM ao governor do Estado, al6m
da absurda quantia de R$ 40 milh6es de
reais por ano de publicidade governa-
mental extorquidas dos cofres pdblicos".
Todos esses fatos, complete o journal,
"continuam na mem6ria dos paraenses,
do Minist6rio Pdblico Estadual e da Jus-
tiqa do nosso Estado, aguardando talvez
prioridade".

s cidadAos honestos,
meen s e serious que
compram jornais de-
vem ter eneerrado sob esta-
do de choque ou de nojo a
leitura das duas peas jor-
nalisticas. Os grupos de co-
municag6es das families
Maiorana e Barbalho procla-
mam-se donos da credibili-
dade da opiniao public.
Ningu6m 6 crivel se seus arguments ndo
se sustentam em fatos, se usam as infor-
maqces de que disp6em conforme seus
interesses pessoais, divulgando-as ou as
omitindo, e se o crit6rio das suas ediqges
desconsidera ou desrespeita os cida-
d~os que as 18em, como fizeram na troca
de ataques. Nesse tiroteio, mais uma vez
se evidencia um fato: s6 ha verdade no
que dizem quando atacam; nunca quan-
do se defendem.
E por isso que nao podem usar a tAti-
ca de atacar como a melhor defesa. Ao
mesmo tempo em que escancaram os
erros do outro grupo, escancaram tam-
b6m a pr6pria mis6ria. Nao sdo conduto-
res legitimos e sadios da opiniio piblica
porque invariavelmente o que querem 6
manipulA-la, a servigo de seus interesses,
que permanecem inconfessiveis enquan-
to eles se acomodam. Quando se encres-
pam, chafurdam na lama. E sua mat6ria-
prima, quando a intimidade e os bastido-
res resvalam para a arena pdblica nes-
ses moments de firia incontida.


Teria sido simples e suficiente para
Romulo Maiorana Jr. reagir a inf'amia de
que se disse vitima, colocado na pele de
Caim pelo opositor: bastaria publicar a
integra do depoimento que prestou pe-
rante ojuiz da 4" vara federal de Bel6m.
Se ele nao transferiu ao irmao a culpa
pela fraude comprovada da Tropical Ali-
mentos, tudo nao passando de invencqo
s6rdida do grupo RBA, o document se-
ria a prova dos nove. Por que Romulo
Jr. nao o divulgou? Teria desmoralizado
o concorrente sem precisar descer ao
desvario da linguagem de geral de cam-
po de futebol. Ou muitissimo pior.
A informaqdo sobre o conteddo do
seu testemunho foi transmitida ao pdbli-
co pela reporter Cacia Medeiros, da TV
RBA. Cacia foi autorizada pelojuiz Cam-
pelo a assistir a audiencia como repre-
sentante da imprensa. Outrosjornalistas
foram mantidos do lado de fora. Ela fez
o relato do que ouviu logo em seguida ao
encerramento da audiencia, em frente ao
pr6dio dajustiga federal, antes de retor-
nar a sua base, na sede da emissora.
Logo, 6 improvivel que tenha recebido
orientaqAo para atribuir ao depoente o
que ele efetivamente nio disse.
Pode at6 haver alguma imprecisdo
na reconstituiqao que ela fez dos fatos,
em algum detalhe, mas no essencial, at6
prova em contririo (prova que Romulo
Jr. se esquivou de apresentar), o essen-
cial 6 aquilo mesmo que ela disse logo
em seguida ao encerramento da audi-
8ncia. Se Maiorana Jr. nio teve a in-
tengAo de responsabilizar o irmao pela
autoria das fraudes, que permitiram a
Tropical usar recursos dos incentives
fiscais do governor federal sem aplicar
o equivalent em capital pr6prio, suas
palavras permitiram tal deduqgo.
Como prova de que nao disse o que o
Didrio lhe atribuiu, Maiorana recorre ao
testemunho do juiz Antonio Campelo. E
recurso inttil e temerario. O juiz nao
pode descer de sua posigqo arbitral, esta,
sim, cor presuncgo de estar acima das
circunstAncias em confront, para ser-
vir de testemunha da parte. O magis-
trado jA cometeu erro crasso quando,
sem ser provocado por ningu6m, deter-
minou por iniciativa pessoal, ex-ofi-
cio segredo de justiga sobre os autos
de uma a9o penal ptiblica.
Tecnicamente, Campelo se sujeitou
a ser afastado do process por suspei-
gqo, se nao o fizesse de moto pr6prio.
O Minist6rio Pdblico Federal, autor da
aqdo criminal, nio provocou esse inci-


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MAIO DE 2011






dente, por nao ter convencimento so-
bre o impedimento do juiz ou em pro-
veito da celeridade processual. Mas cair
no canto do scrcia da part para vir a
pdblico testemunhar sobre o fato com-
prometeria de vez sua autoridade na ins-
trugIo do process.
O poderjudiciario federal no ParA ji
avangou demasiadamente em benefici-
os de r6us acusados de crime contra o
patrim6nio pdblico. A Romulo Maiorana
Junior foi concedido o privil6gio de esta-
cionar sua camionete densamente peli-
culada na garagem dajustiga, reservada
aos funcionArios e magistrados. Dois
cones de sinalizaqo colocados na en-
trada do pr6dio, para impedir o livre aces-
so, foram retirados pelo porteiro por ori-
entaao superior, transmitida atrav6s de
aparelho cellular, quando o carro do Mai-
orana chegou ao portdo.
Quando o elevador parou no 40 an-
dar, onde ele iria depor, seus assesso-
res perceberam a presence da impren-
sa no corredor. A porta do elevador foi
travada por dentro e o grupo se homi-
ziou ali, em virtual auto-confinamento
(ensaio quem sabe premonit6rio? -
de circere privado involuntArio), at6 que
a direqio do judiciArio providenciasse a
liberado da passage.
A seguranga judicial chegou a anun-
ciar que convocaria a Policia Federal
para fazer a evacuaqo, arbitrariedade
que acabou nao se consumando. Depois
de alguns protests, os rep6rteres se re-
tiraram. Embora os veiculos de comuni-
caq~ o do grupo Liberal nio respeitem
essa aspiraqAo de privacidade quando
estdo no p6lo ativo da situagqo, para seu
proprietArio essa 6 uma prerrogativa que
ele consider inata, por ser Maiorana. Um
direito de origem talvez divina.
O juiz Antonio Campelo agiu certo ao
vetar a presenqa de cinegrafistas e fot6-
grafos A sala da audiencia, preservando
a imagem do r6u. E tamb6m ao garantir
pelo menos um representante da impren-
sa A sessdo. Maiorana Jr. nao queria
nenhum estranho no local e por tres ve-
zes tentou convencer o magistrado a
acatar sua advertencia (conforme defi-
niu seu gesto no artigo do dia 19).
O juiz Campelo podia ter mantido
coerencia ao nao interferir sobre o tra-
balho da imprensa realizado fora da
sala de audiencia. Assim como a acio
6 pdblica, o corredor do f6rum tamb6m
6 public. Como qualquer cidadao, Ro-
mulo Jr. devia ter deixado seu carro na
rua (6 assim que fazem os advogados,


mesmo os que atuam intensamente na
justiga federal) e percorrer o caminho
de entrada da sala de audiencia sujeito
ao registro pliblico, condigAo a que se
submetem personagens de muito mai-
or importincia e at6 autoridades pdbli-
cas, por ser exatamente da sua condi-
gCo, de pessoas pdblicas.
Os Maioranas tem a pretensdo de
transformar o espago pdblico em exten-
so dos seus dominios privados. Por
isso, Ronaldo Maiorana tamb6m teve o
privil6gio de estacionar seu carro (igual-
mente com pesadas peliculas negras)
na garagem da seccional urbana de Sao
Braz, quando, em 2005, foi ser acarea-
do com o desfeto (acareaqao que aca-
bou nao havendo, para poupA-lo de ser
confrontado comigo; e ele dep6s antes
de mim, que cheguei primeiro, cami-
nhando at6 a sala do delegado, sem
guarda-costas e advogados).

ntes de chegar ao lo-
cal, fui sabatinado
pela imprensa, incluin-
do nove integrantes do gru-
po Liberal. Um deles, a quem
eumprimentei na entrada da
seccional, estranhando por
nAo v6-lo com a camera de
filmar, trazia escondido no
corpo uma micro-oAmera.
O que ele filmou serviu depois para uma
anAlise do agressor e seus assessores.
Queriam material para instruir as aqces
que proporiam contra mim najustica. O
quinta-coluna era algu6m que eu defen-
dera em duas ocasi6es (1975 e 1980),
como president do sindicato dos jorna-
listas, quando foi agredido por policiais.
Os Maioranas acham que podem por
e dispor de tudo ao seu alvitre, como fez
Romulo Jr. no artigo, ao advertir o juiz.
Os assessores juridicos do empresdrio
nao o alertaram para essa impertinen-
cia? Os Maioranas parecem mal nesse
aspect, contrastando brutalmente com
o modo de agir do pai.
Romulo Maiorana vivia cercado pe-
los mesmos tipos de bajuladores e apro-
veitadores que o filho mais velho colo-
ca no redil de Jader Barbalho. Mas nao
abria mao de pessoas sdrias e compe-
tentes, que nao temiam dizer-lhe ver-
dades e abrir-lhe os olhos para ques-
t6es t6cnicas, legais ou de mero bom
senso. Ja seus filhos se inebriam com o
incenso de suas cortes, homog8neas em
sua mediocridade intellectual e, As ve-
zes, moral, e desprovidas de autonomia


suficiente para confrontA-lo com seus
atos e as verdades, ressalvadas as ex-
ceq6es de sempre quando se trata de
series humans.
Uma boa assessoriajurfdica teria ins-
truido Romulo Jr. a repetir o que o irmao
dissera antes. Se Ronaldo errou, que Ro-
mulo errasse junto cor ele. Os dois eram
s6cios no empreendimento. Nao impor-
ta se Romulo nao reconheceu como sen-
do sua uma das duas assinaturas que lhe
foram apresentadas pelo representante
do MPF na audiencia, ou tenha alegado
que, mesmo subscrevendo a ata de uma
reuniZo do Conselho de Administraq~o,
que integrava, nao se lembrava dos te-
mas entAo tratados.
Esses detalhes sao acess6rios ao que
realmente importa: ele era acionista con-
trolador da empresa, cor os mesmos di-
reitos e deveres do irmao, dentre os quais
estava o de nio ignorar a lei. Se ele nao
sabia que fraudar a existencia de recur-
sos pr6prios e a aplicacqo da verba da
Sudam era crime, como admitiu Ronal-
do, embora bacharel em direito, proble-
ma deles. A materialidade do crime esti
comprovada e nio pode ser elidida por
nada, nem pelo arrependimento eficaz,
aplicivel apenas em outras situaqoes,
noo em crimes objetivados, consumados.
Os irmios sao igualmente r6us e, se
nao houver desconsideraqAo pelo con-
teddo dos autos, estarlo sujeitos A con-
denaq~o. O que aconteceu depois dos
crimes de falsa contrapartida ao recebi-
mento de dinheiro pdbico e fraude na
aplicacdo dos recursos (em obras que s6
existiram nas notas fiscais frias apresen-
tadas) nao interessa A aco que os acu-
sou e esta sob apreciagqo judicial. O que
eles querem apagar 6 o passado, que
envolveu at6 uma conturbada tentative
de transferencia do control acionario a
um empresario pemambucano.
A Fly vive agora do seu capital e o
dinheiro da Sudam foi devolvido, mas
Romulo Jr. precisa provar o d6bito da
Uniao a que fez referencia, jB que a Tro-
pical teria requerido o certificado de im-
plantagio do empreendimento, desone-
rando a Sudam de qualquer compromis-
so com o projeto. Ao contrdrio do que o
ex-s6cio disse, por6m, a empresa nao 6
lfder do mercado (6, sem ddvida, a cam-
ped de propaganda, por nao pagar sua
divulgaio nos veiculos do grupo Libe-
ral) nem utiliza frutas regionais, exceto o
aqaf (se a propaganda. corresponde A
verdade). E uma das muitas unidades de
refrigerantes pet espalhadas pelo pais.


* Journal Pessoal MAIO DE 2011 2AQUINZENA






Os Maioranas se julgam cidaddos de
classes especial, de uma esp6cie de no-
breza republican (em seu sentido deli-
beradamente ambiguo). Podem remir os
pecados que cometem, conferindo anis-
tia a si, inclusive p6s-morte. E o que faz
Romulo Maiorana Jr. com o pai.
Num dos trechos mais graves do seu
artigo, ele replica, aos que apontam a
existencia de contravengio penal na ori-
gem da fortune da familiar, com o tom
blas6 e arrogante caracteristico daque-
les que sejulgam inatingiveis e inimputa-
veis: "Ora, se ele foi contrabandista, foi
para dar comida a sete pessoas, a sua
familia, e nao para tirar a comida de sete
milh6es de paraenses", como faz seu ini-
migo mortal, Jader Barbalho.
A conta, antes de mais nada, estA
errada, apesar da tosca aritm6tica que
ela requer. E de se presumir que, al6m
dos sete filhos que teve, o chefe da fa-
milia tamb6m precisasse alimentar a
mulher e a si. Logo, a famflia 6 com-
posta por nove pessoas e nao sete. Mas
6 a moral e nao um erro aritm6tico ele-
mentar o que interessa.
Ora, como diria o J6nior, se seu pai
p8de praticar o contrabando porque pre-
cisava alimentar os seus, este argument
nao servird de habeas corpus para to-
dos os crimes contra o patrimbnio, pri-
vado ou p6blico? S6 nao valeria para os
que sao solteiros ou nao sao arrimos de
familiar. Todos os demais contravento-
res poderiam reivindicar p6s-fato o per-
dao das suas culpas pela destinacao
dada ao roubo.
Um contrabandista pode nao tirar fi-
sicamente a comida da bocado povo, mas
a retira indiretamente. Afinal, ele 6 con-
trabandista porque faz importaq6es ile-
gais do exterior, sem pagar os direitos
devidos ao erdrio e ao governor, repre-
sentante do povo. E, corn essa reducao
de custos, gragas A marginalidade e A ile-
galidade, sua concorr8ncia com os de-
mais comerciantes 6 desleal.
Nao existiria contrabando sem recep-
tagao. O mais grave 6 que, em various
casos em Bel6m at6 a metade da d6ca-
da de 60 do s6culo passado, o contra-
bandista era tamb6m o lojista, lavando
dinheiro atrav6s da mesma mechnica que
Romulo Jr. acusa agora Jader Barbalho
de utilizar em suas empresas. E, como
muitos ainda sabem, tanto quanto a par-
ticipag~o de Romulo pai no contraban-
do, a falencia das lojas RM foi inquinada
de fraudulent. Uma pessoa, que assu-
miu a responsabilidade pelo ato, foi pre-


sa e assim foi mantida durante algum
tempo. Ao ser solta, saiu do Pard, levan-
do seu segredo.
Eu fiz apenas leve referencia ao as-
sunto quando, seis anos atris, escrevi o
artigo "O rei da quitanda" neste journal.
Citei o fato apenas para explicar porque
a atual TV Liberal nao comegou sua
existencia como uma empresa de pro-
priedade de Romulo Maiorana. Por cau-
sa do veto ao seu nome pelos 6rgdos de
informaqao do govemo federal, em es-
pecial o SNI (Serviqo Nacional de In-
formaqoes), em fungao de sua associa-
ao anterior ao contrabando, ele teve que
colocar em nome de cinco dos seus fun-
cionArios a concessao do canal sete de
television, que recebeu por ato do presi-
dente Emesto Geisel (inspirado por seu
assessor, o general Gustavo Moraes
Rego, casado com uma irma de Otdvio
Mendonqa, advogado de Romulo).

Ges cineo supostos do
Os da entao TV Be-
16m tiveram que assi-
nar um "contrato de gaveta"
com Romulo, comprometen-
dose a devolver-lhe a conces-
sao quando ele a pudesse re-
gistrar em seu nome. 0 mes-
mo tipo de contrato informal
que agora seu fllho acusa Ja-
der Barbalho de ter assinado
- como de fato assinou com o fale-
cido empresArio Joaquim da Costa Pe-
reira, dono da emissora de televisao que
retransmite a programaqao da Globo
em Santar6m.
Romulo podia recorrer a esse expe-
diente porque tinha que alimentar sete
(ou nove) bocas. Jader e ningu6m
mais pode, al6m dos nobres Maioranas?
Como dizia Stanislaw Ponte Preta Pre-
ta, pela boca da sAbia vov6 Zulmira: ou
restaure-se a moral ou todos nos locu-
pletemos. O fil6sofo francs Joseph
Proudhon ia mais long: ele bradava que
toda propriedade se baseia no roubo.
Nao tinha toda razao. Mas tinha muita
razao. 0 Pard o confirm.
Ve-se, por esses exemplos, que a
moral do artigo de Romulo Jr. 6 a do roto
falando do esfarrapado, do sujo falando
do mal lavado. Por ter um poderoso
instrument de formaqao de opiniao e
de pressao em suas maos, ele acha que
tudo que disser se tornard automatica-
mente verdade, hist6ria. Qualquer con-
testaqao aos seus 6ditos caracteriza a
heresia, o pecado, o crime.


Minha ligeira referencia ao contra-
bando serviu de pretexto para quatro
das 14 acqes que Romulo Jr. e Ronaldo
propuseram contra mim perante ajusti-
ca estadual. Diante das aq6es penais,
recorri A exceqao da verdade e provei
tudo que escrevi, como sempre fiz, ba-
seado em documents. Por isso ganhei
as quatro aq6es que eles propuseram
(em uma outra o advogado dos Maio-
ranas perdeu o prazo). Mas ainda ha
aqces civeis de indenizaqao, que utiliza-
ram a mesmajustificativa.
Espero que seus julgadores leiam o
que um dos autores dessas aqoes es-
creveu. Trata-se tamb6m de mat6ria de
ordem pdblica, que brada aos c6us a li-
tigancia de mA f6, o carAter persecut6-
rio dessas abusivas demands judiciais.
Por ter dito nada mais do que a verda-
de, fui agredido e processado por esses
tartufos ao tucupi.
Os dois irmaos Maioranas nao tem
o menor respeito pela verdade. Dizem
o que querem, seja ou nao real, e nao
querem ouvir a resposta. Mesmo em re-
laq~o a coisas elementares, nao se pre-
ocupam com os fatos. Romulo Jr. ga-
rante no seu artigo que tem 10 proces-
sos contra Jader Barbalho na justiga
paraense, "que nao conseguem andar",
o que o leva a pensar em desaford-los
para Estados vizinhos.
O numero estA errado. As aq6es sao
quatro, incluindo recurso em segunda ins-
tancia. Os Maioranas conseguiram sen-
tenqas condenat6rias contra o Ddrio do
Pard em apenas um ano e meio de tra-
mitagdo. Nao conseguiram os valores
absurdos que propuseram, mas tiveram
as garantias requeridas. Em uma das
aq6es lhes foi deferida tutela antecipada
contra a divulgaao da fraude da Sudam,
que viria a ser acolhida pela justica fe-
deral a partir de dentincia do MPF. Per-
deram uma das aq6es (corn recurso ain-
da em tramitagao, esta realmente pro-
longada por suspeiq6es) porque pediam
absurdos, como o meu indiciamento pela
autoria de afirmativas de terceiros.
De fato, magistrados cheios de ti-
bieza e tomados por um medo que nao
se justifica, juram suspeiqao mal lhes
chega as maos um process de gente
poderosa. Ainda mais quando 6 dos
Maioranas. Pior quando envolve mais
um poderoso, como os Barbalhos. Nao
6 de espantar, assim, que no process
de um Maiorana contra um Barbalho
cinco desembargadores tenham se
afastado alegando motive de foro inti-


. 2AQUINZENA Jornal ressoal


r--


MAIO DE 2011






mo, como diz Romulo Jr. O inverso tam-
b6m acontece.
Pessoas poderosas costumam agir
nos bastidores e se valem de suas armas
para intimidar e coagirjulgadores susce-
tiveis a esbirros revestidos da profissio
de advogado, cuja indigencia t6cnica 6
suprida pelas costas largas. Alguns de-
les sao not6rios no f6rum. Sem a cober-
tura dos meios de comunicaao se redu-
ziriam ao que slo: mensageiros de pe-
qas nada recomendiveis.
Cada vez mais constantes na movi-
mentado forense, agora na condiaio de
r6us em execuq6es fiscais, os Maiora-
nas valem-se dos seus veiculos de co-
municagao para interferir no curso re-
gular da instrucgo processual. Posso ci-
tar varios exemplos que me envolvem.
A desembargadora Maria de Nazar6
Brabo de Souza, por exemplo, foi caluni-
ada, em 1994, simplesmente porque au-
torizou a realizago de pericia grafot6c-
nica e grafol6gica do texto manuscrito
da sentenga dajuiza Ruth do Couto Gur-
jao, a primeira a me condenar.
Uma nota inoculada clandestinamente
(por quem?) na coluna de Paulo Zing, da
qual ojornalista s6 tomou conhecimento
ao 18-la no domingo, como qualquer lei-
tor, garantia que a magistrada fora indi-
cada A presidencia do Tribunal Regional
Eleitoral por Jader Barbalho, para fazer-
Ihe o jogo politico. Sua nomeaio, po-
r6m, foi assinada por H61io Gueiros.
Por incrivel que parega, nao conse-
gui publicar uma nota de esclarecimen-
to, desmontando a mentira, nem nojor-
nal de Jader Barbalho, embora seu pai,
no inicio da noite, tivesse autorizado a
publicaqio. No fim da noite, por telefo-
ne, de Brasilia, Jader a vetou. Quem o
informou? Como explicar a attitude? Mis-
t6rios da corporagio das comunicag6es
no Pard.
Outra vitima do simples exercicio do
seu oficio foi o desembargador Benedito
Alvarenga. Notas infiltradas na mesma
coluna do PZ acusavam sua esposa de
transacionar sentengas do marido pelo
corredor do f6rum, dentre outras supos-
tas tram6ias. O desembargador reagiu
de imediato, processando ojomal.
Apanhado no contrap6 por uma evi-
dente calinia (sem falar na injdria e na
difamagCo), O Liberal tentou demover
o magistrado, num process tao tenso e
absurdo que contribuiu para a morte de
outro desembargador. Para evitar o pior,
a empresa concordou em indenizar o
magistrado.

Jornal Pessoal MAIO DE 2011


A hist6ria dos corredores forenses
esti repleta dessas situamges.
Na razzia contra Jader Barbalho,
Romulo Maiorana Jr. diz que suas em-
presas, entire outras irregularidades, que
precisam ser verificadas pelas autorida-
des competentes, conseguem faturar
"atrav6s de permutas tiradas A forca ou
chantageando o empresariado".
Esta 6 a tfpica condiaio de falar de
corda em casa de enforcado. O boss
do grupo Liberal faria bem a todos
exemplificando os casos praticados pelo
grupo RBA porque sao tamb6m nume-
rosos os exemplos de algumas dessas
mesmas priticas pelas Organizaq6es
Romulo Maiorana.
Ndo hA outra expressao para o jogo
de pressao, em escala crescente, que
exerceram sobre a Celpa, o Banco da
Amaz6nia e a antiga Companhia Vale do
Rio Doce, a dnica que reagiu, mas aca-
bou se submetendo A vontade das ORM.
Fui processado pelos irmAos Maiorana
porque fiz as dendncias, mas tamb6m,
por meio da excedao da verdade, provei
tudo que publiquei e ganhei as aqces pro-
postas com base nesse argument.

) l qque distingue o jor-
mo da pirataria
feita em seu nome e
o respeito aos fatos. Pode-
se fazer jornalismo tanto
na grande imprensa quan-
to numa publicagAo alter-
nativa como esta. Cada
um faz sua interpretagAo
ou deduago, mas sem ig-
norar ou mascara os fatos.
Mesmo quando se enfrenta, nas barras
dos tribunais ou fora deles, um persona-
gem intimidante, como sao os Maiora-
nas, a pedra no.meio do caminho 6 sem-
pre a dos fatos. Pode-se ser condenado
na corte ou massacrado nas pAginas de
umjomal num primeiro moment, mas a
verdade acaba por prevalecer, ainda que
venha p6s-morte. Desde que nao se per-
mita que ela seja sufocada, banida, apa-
gada dos registros
Diferente 6 usar a presungao de do-
minio dos fatos como instrument de
pressao, conforme fazem 6rgaos da
grande imprensa. Como fez Romulo Jr.
no seu artigo. Depois de admitir que o
pai participou do contrabando, que cam-
peou no Pard durante duas d6cadas, ele
procura carimbar esse dinheiro sujo ga-
rantindo que, quando vivo, Romulo Mai-
orana "quase todo dia" recebia Jader


Barbalho e seu pai, o ex-deputado La-
6rcio Barbalho, "pedindo dinheiro ou
pedindo para trocar cheques, que tenho
guardado at6 hoje".
Qual nao seria o impact se o cap
do grupo Liberal estampasse no seu jor-
nal as reproduces desses cheques? Se
os tem, por que nao fez nem faz -
isso? Nio duvido que os cheques exis-
tam ou que, de fato, ele os possua. Ro-
mulo Maiorana pai tinha um bad no seu
gabinete. Quando estAvamos a s6s, con-
versando sem a possibilidade de inter-
rupao, Romulo abria a area e dela ti-
rava algum papel bombistico, As vezes
sob o compromisso do sigilo.
Eram documents de valor ou mes-
mo incriveis, parcela marginal da hist6-
ria official de virios epis6dios contem-
poraneos do Pard e tamb6m do pr6-
prio Romulo e do imp6rio que estava
montando. Num desses encontros dis-
se-lhe que aquele era o dnico compo-
nente do seu patrim6nio que eu gosta-
ria de herdar. Entao ele tratava de pe-
dir de volta o papel que me apresenta-
ra, o colocava no bad e o deixava guar-
dado de novo. Seu successor tem esse
bad? Preservou todo o seu conteddo?
Nao posso garantir que sim ou que
nao. O que posso dizer 6 que nunca vi
cheques ou recibos de La6rcio ou Ja-
der Barbalho. Nao significa que inexis-
tam porque havia desse tipo de docu-
mento na arca. E foram abundantes na
hist6ria do baratismo, a partir do mo-
mento em que o chefe, Magalhaes Ba-
rata, renegou seu passado e se deixou
seduzir pela corte que o acompanhava,
incensando sua desmedida vaidade para
usar seu nome em proveito pr6prio.
Vi v~rios desses recibos, alguns
chocantes pelo primarismo com que ma-
terializavam o assalto aos cofres pdbli-
cos, na documentaqio reunida em 1964
para justificar a cassagio de virios ba-
ratistas no Pard. Nao por subversao,
embora as vezes esse motivo fosse usa-
do (pelos punidores e pelos punidos),
mas por comprovada corrupqpo. Como
se justifica que pessoas brilhantes e in-
teligentes tenham deixado provas tao
arrasadoras dos seus ilicitos? A sensa-
qao de impunidade, de poder total, de
falta do minimo control social.
A mdquina baratista tinha, como uma
de suas principals engrenagens, os dele-
gados de policia. Eles costumavam ser
bachar6is, vestiam-se como cavalheiros,
tratavam da aparencia, podiam ser cul-
tos e se destacavam tamb6m em outras


. 2aQUINZENA






atividades, al6m de estarem revestidos
da apar8ncia de inocentes. Mas tamb6m
estavam prontos para exercer ou man-
dar praticar qualquer tipo de violencia
contra os adversarios e inimigos.
Polivalentes, chegavam ou safam do
cargo policial vindo da ou se enca-
minhando para a carreira jurfdica.
Eram passados na casca do alho, como
se dizia. Eram capazes de qualquer
arranjo, tram6ia, golpe, artimanha.
Varios eram completamente amorais.
Podiam mandar seviciar uma pessoa
de manha e dormir tranquilamente A
noite (e nao estou falando em tese, mas
de casos concretos).
Os dois grandes antagonistas da vida
pdblica paraense tem suas origens plan-
tadas na enorme Arvore do baratismo.
Como essas mesmas rafzes geraram ga-
lhos tdo conflituosos? t porque, preten-
dendo o mesmo butim, uma part sabe
do que pode a outra.
Pode praticamente tudo, porque nio
tem barreiras, nao se imp6e limits, como
pode-se verificar pela leitura do ataque
de O Liberal e da resposta do Didrio
do Pard. As pesadas agress6es servi-
ram de senha para uma guerra aberta,
de desfecho imprevisivel, do que da mos-
tra o caderno de 12 pAginas da edicqo
dominical do dia 22 do jomal dos Maio-
ranas, com um dossi8 (na quase totali-
dade requentado e nem sempre atuali-
zado) sobre as vilanias de Jader Barba-
Iho, no qual se vale da bandeira da OAB
do Pard contra a corrupgo, emprestada
convenientemente.
Na edigco seguinte, Romulo Jr. se re-
servou pigina inteira para sua fotogra-
fia, convocando a populacgo para a pas-
seata anti-corrupaoda OAB, enquanto
Jader abria pagina dupla para contrapor
seus 45 anos como lider politico no Pard
aos 25 anos de corrupt o gradados po
O Liberal na v6spera.
Se as duas familias atentassem para
o fato de que seu neg6cio 6 a informa-
9o, e nio um bazar de baixarias, usa-
das conform as circunstancias e sem
qualquer regra moral ou 6tica, elas se pre-
ocupariam em pelo menos respeitar os
fatos. Assim, sua sangrenta e suja se-
cessao teria valor social. Mas se essa
regra fosse aceita, todos verificariam que
Maioranas e Barbalhos s6 tem razio
quando se acusam, nao quando se de-
fendem. Justamente porque est2o sujei-
tos a todo tipo de acusano, para a qual
a dnica defesa 6 revidar procurando (ou
inventando) novas acusa6es.


Se qualquer dia desses O Liberal re-
produzir um cheque ou um recibo de La-
6rcio ou Jader Barbalho pedindo dinhei-
ro a Romulo Maiorana, nio apenas vird
como resposta a acusagqo de que o RM
pai era agiota, conform o editorial do
Didrio, mas uma pergunta necessitada
de resposta: onde Romulo Miorana foi
buscar o dinheiro empregado para res-
suscitar, em 1966, o desmoralizado jor-
nal de Magalhfes Barata, e, seis anos
depois, coloca-lo na vanguard national
cor a adogdo da impressed em off-set,
se a sua rede de lojas, que lhe dera nome
e o primeiro poder, falira por complete?
Na resposta certamente ser~o cita-
dos cheques e recibos trocados, dinhei-
ro que veio e nao voltou, favor que se
transformou em pressdo e outros acon-
tecimentos que fariam da passage de
comando em O Liberal enredo para
uma apimentada novela da TV Globo,
que, alias, nao estA nada satisfeita com
o desempenho da sua afiliada de Be-
16m, muito pelo contrario. ATV Liberal
esti ameagada de ficar atras da Rede
Record na capital do ParB, o que era
inconcebivel at6 algum tempo atris
(como era impensivel que O Liberal
viesse a ser ultrapassado pelo Didrio
do Pard, como aconteceu).

m personagem privi-
Ilegiado dessa hist6ria
acaba de morrer sem
revelar tudo que sabia ou
fez: o ex-governador Helio
Gueiros, o filtimo dos velhos
baratistas de expressio. Ro-
mulo Jr. o cita no seu artigo, atribuin-
do-lhe a informagqo de que Jader Bar-
balho comprou a TV RBA do empre-
sario Jair Bernardino, no ano seguinte
ao de sua morte em um acidente de
avido, em 1990.
Nao 6 verdade, por6m, que Jader
Barbalho pagou 13 milh6es de d61ares
equivalente a 20 milh6es de reais de
hoje) pela emissora. Ele assumiu divi-
da nesse valor, quase integralmente
junto A previdencia social. Nao por
acaso, foi ministry da previd8ncia so-
cial no govemo de Jos6 Sarney, depois
de ter comandado a reform agrdria.
O intermedidrio da transagao ainda estd
vivo (nao mais no Pard) e foi o res-
ponsivel por esse neg6cio da China. A
hist6ria real 6 mais grave do que a ver-
sdo, mas para a cultural baratista a ver-
sdo mais dtil 6 a que deve prevalecer.
Os fatos? Ora, os fatos.


O cap do grupo Liberal diz que H6io
Gueiros lhe fez a revelagco quando es-
tava no cargo de governador do Estado,
cargo que assumiu em 1987 e deixou em
1991, sem passar a faixa ao seu suces-
sor, que voltou a ser Jader Barbalho, tam-
b6m seu antecessor. Em 1982 H6lio es-
creveu as maiores infunias contra Ro-
mulo pai e sua esposa, D6a no journal de
Jader, lancado nesse ano para apoiar sua
primeira candidatura ao governor.
Disse verdades e mentiras, ditas de
uma forma que n~o cabe em um cava-
Iheiro nem num jomalista s6rio. Mas di-
tas para obter o que queria: a recompo-
sicdo com os Maioranas, que se aliaram
a ele, quatro anos depois da morte do pai
caluniado e traido, para tentar impedir a
volta de Jader Barbalho, o que, mais uma
vez, nao conseguiram. Conseguirio agora
"acabar com esse cancer"?
A questUo 6 muito mais complex e
depend muito menos dos Maioranas do
que eles pensam. O declinio de Jader 6
visivel. Basta dizer que ele, mesmo que-
rendo, nio tem mais votos suficientes
para permitir-lhe voltar ao governor. Sua
votaqdo para o Senado, no ano passado,
esteve 30% abaixo da sua expectativa.
Ainda assim, ele teve a segunda maior
votagao, quando o grupo Liberal batia na
tecla de que quem votasse nele perderia
o voto, porque ele seria impugnado. A
sobreviv8ncia de Jader, com toda a mi
fama national que o estigmatizou, como
simbolo da corrupco, 6 um component
da cultural political paraense.
Qual 6 a autoridade de Romulo Mai-
orana Jdnior para pretender a missao
realmente civica de acabar com a car-
reira polftica de Jader Fontenele Bar-
balho, jA danosa ao Pard? O que tem
feito esse cidaddo pelo bem pdblico?
Qual a sua participacgo nas causes so-
ciais? Que legitimidade o povo lhe con-
feriu? Onde se apresentam as qualida-
des da sua vida privada e pdblica como
modelo para os demais cidadaos?
Se o prontudrio de Jader Barbalho 6
negro, a biografia de Romulo Jr. 6 me-
lanc6lica. Ele nao 6 padrao para nada,
muito menos para a res public. Sua
repdblica 6 individual, fechada, egocen-
trica e falsa.
A cizinia dos herdeiros do caudilho
Magalhaes Barata destampou um com-
partimento secret da hist6ria paraense.
Esse process pode causar escandalo,
indignaao, espanto. Mas, como dizia o
fil6sofo, nao se faz omelete sem quebrar
ovos. A quebradeira comeqou.


2"QUINZENA Jornal Pessoal l


MAIO DE 2011























































PROPAGANDA

Nova loja
Janeiro de 1955 foi o mes de inauguragdo das Lojas
Seta, que modificou o conceito do magazine e
introduziu uma nova feigao arquitet6nica na rua Jodo
Alfredo, entdo o principal centro commercial de Belim.
Um modernismo de gosto algo suspeito e
inquestionavelmente destruidor do passado da cidade.
Muitas construgoes antigas foram postas abaixo ou
reformadas, perdendo seu valor original. Mas os
clients gostaram. Tanto que o exemplo se multiplicou,
embora a Seta tenha se desviado do alvo e se perdido,
fechando as portas.


Acontecimentos de


1978


ELECTORAL
Os 10 maiores col6gios
eleitorais eram: Bel6m
(380.230 eleitores), Santar6m
(57.308), Braganga (38.865),
Abaetetuba (19.586), Casta-
nhal (18.625), Alenquer
(16.330), ConceiSao do Ara-
guaia (15.923), Cameti
(15.703), Capanema
(15.490) e Irituia (15.425).
Em 30 anos, uma mudanga
radical.

ESTRADA
O president Ernesto Gei-
sel foi quem inaugurou a es-
trada municipal BL-17, que
ficou conhecido como Au-
gusto Montenegro. Ela dei-
xou de ser uma rodovia para
se transformar numa aveni-
da, com suas margens inten-
samente ocupadas. Seus
quase 15 quil6metros leva-
ram 13 anos para serem
conclufdos. Alacid Nunes
reivindicava para si, como
prefeito, o projeto. Mas Ajax
d'Oliveira, em cuja adminis-
tragdo aconteceu a inaugu-
ragao, garantia ter concebi-
do a estrada quando foi in-
terino de St6lio Maroja. Po-
18mica, foi o que sempre
transitou pela "Augusto
Montenegro".
Aproveitando a visit de
Geisel, a Cohab inaugurou
as duas primeiras etapas
da Cidade Nova, com
1.600 unidades habitacio-
nais. A maioria delas jd
estava ocupada.


LIXO
Um turista disse ao rep6r-
ter de A Provincia do Pard
que Bel6m "6 uma cidade
bonitinha, mas muito suja".
Com o que concordava ojor-
nalista: "A cada esquina exis-
te um monte de lixo de pa-
ternidade desconhecida ou
at6 mesmo conhecida, mas
que nao assume a responsa-
bilidade". Citou o caso da rua
Perebebuf, que foi "aterrada"
com cascas de frutas joga-
das por uma fibrica de sor-
vetes localizada nas proximi-
dades. O lixo se tornou o ater-
ro das baixadas.
De l6 para ci a situaq~o s6
fez piorar.

DELEGADOS
O president da repdblica
era escolhido por um seleto
col6gio eleitoral, o governa-
dor pela Assembl6ia Legis-
lativa, que tamb6m escolhia
o prefeito da capital, at6 ele
passar a ser bi6nico e sair do
colete do governador, como
os das estncias hidromine-
rais, da fronteira e de segu-
ranqa national. O povo bra-
sileiro estava proibido de es-
colher pelo voto universal e
direto os seus dirigentes. Os
representantes paraenses A
eleigdo do general Jodo Ba-
tista Figueiredo foram os de-
putados estaduais (todos do
PDS, o partido official) Osval-
do Melo, Everaldo Martins,
(pai da atual prefeita de San-
tar6m) Brabo de Carvalho,


nJornal Pessoal MAIO DE 2011 2QUINZENA






Lauro SabbA e Gerson Pe-
res, o unico que permanece
na atividade polftica. Cdlio
Sampaio era o suplente.

PREFEITO
O brigadeiro Luis Felipe
Sant'Ana foi mandado por
Brasilia para ser o prefeito
bi6nico de Bel6m, no lugar de
Ajax d'Oliveira, que saiu
para disputar um lugar na
Camara dos Deputados (e
perder, queixando-se de trai-
g~o), Assumiu no mesmo
period em que o govema-
dor Aloysio Chaves tambem
se desincompatibilizava do
cargo para disputar uma vaga
de senador (e veneer), sen-
do substituido pelo vice, C16-
vis Moraes Rego. O briga-
deiro passara um tempo por
Bel6m, a servigo da Aero-
nautica, mas poucos o conhe-
ciam quando ele chegou, jA
na reserve, para ser o novo
alcaide (por pouco tempo).
Era impossivel, ao v8-lo,
ndo lembrar imediatamente
de Jinio Quadros. Eram fi-


sicamente parecidos, inclusi-
ve no olhar. E a primeira me-
dida que tomou reforcou a
comparaqao. O prefeito proi-
biu seus secretarios de entra-
rem em seu gabinete "usan-
do muito palet6 e gravata".
Ordenou: "Quero todo mun-
do de blusio. Esse nosso cli-
ma 6 muito quente. Secreti-
rio da prefeitura que anda
engravatado n~o pode produ-
zir bem".
JAnio adotou como traje
official o slack dos colonia-
listas ingleses adaptado ao
calor tropical.

TURMA
A equipe de Sant'Ana era
integrada porAugusto Cdzar
Sampaio Lobato, secretirio
de obras; Joio Maria Loba-
to da Silva, financas; Rai-
mundo Menezes Gongalves
Bastos, servigos urbanos;
Ramiro Nobre e Silva,
DMER (o extinto Departa-
mento Municipal de Estradas
de Rodagem); Joao Dantas
Filho, chefe de gabinete;


Aldo Bernal de Almeida, as-
sessor especial.
Da administraqo anterior
permaneceram inicialmeqte
nos seus cargos Raimundo
Albuquerque (administra-
qco), MWrio Francisco Guzzo
(educaqco), Milton Nobre
(consultoria geral), Joao Al-
berto Paiva (procuradoria
geral), Jose Otavio Sim6es


(previdencia), Mario Miran-
da Lobato (Fundagio Papa
Joao XXIII) e Paulo Martins
(Codem).
O brigadeiro foi indicado
pelo ex-governador Alacid
Nunes. Ndo concordando
com o nome, o entdo depu-
tado estadual Osvaldo Melo
rompeu com seu antigo che-


FOTOGRAFIA

Grupo RM
Romulo Maiorana, em seu gabinete no journal, cor
alguns dos politicos que ele apoiava e que tambdm o
apoiavam, aldm de integrantes do seu grupo de poder: o
deputado Osvaldo Melo, o ex-vice-governador Newton
Miranda, o entdo president da Assembldia Legislativa,
mddico Arnaldo Prado, o cartordrio Jacinto Castro, o
deputado estadual (de origem portuguesa) AntOnio
Teixeira e o advogado Augusto Barreira Pereira, director
do departamento juridico de 0 Liberal, que, na
presidencia do Banco da Amazonia, foi preso e se tornou
o primeiro indiciado por crime de colarinho branco no
Brasil, em 1988. Tendo colocado sua televisdo para
funcionar e fazendo-a conquistar o primeiro lugar em
audidncia, retrasmitindo a programaado da TV Globo,
estava no auge do prestigio.


MAIO DE 2011 2OUINZENA* Jornal Pessoal a










AO EDITOR


Marion Araajo assumiu,
na edigdo passada, a
fungdo de ombudsman
deste journal. A seguir, sua
nova avaliagio do JP.


*Redividir o Par 6
mas fell do quo
debater moun
problems *
Esperar de veiculos de im-
prensa que nasceram para ser-
vir de instrument da constru-
qao de projetos pessoais de
poder, postura que fomentas-
se o debate de interesse pi-
blico, seria evidentemente in-
genuidade. Esperava-se, como
vocC registrou, que ao menos
tomassem claramente um
lado. Mas quem I o JP sabe
bem que isso nio virS ate que
os donos das vozes dos jornais
ajuizem do lado que Ihes sera
mais rentivel. Uma vez que os
maiores, em nimero, faltam ao
seu dever, o JP, menor em al-
cance numdrico, mas enorme
em densidade argumentative,
cumpre a misslo de apresen-
tar o debate sobre a redivisio
de modo nio-faccioso.
Quem leu a materia de capa
da l! quinzena de maio viu que,
mais uma vez, a infantil alter-
ca; o pr6 ou contra-redivisao
nio acrescenta nada em ter-
mos do necessario prepare
para decidir ou opinar. O que
essa postura maniqueista re-
vela mesmo 4 uma antecipa-
(So indevida do moment ple-
biscitdrio, se este ocorrer. Es-
tao querendo dizer que a opi-
niao publica ja estd dizendo o
que pensa sobre a redivisao.
Nao s6 nao estd dizendo, quan-
to provavelmente nao 4 a opi-
niao publica.
O moment em que nos en-
contramos, ou deveriamos nos
encontrar, 4 o do debate, o do
esclarecimento sobre pr6s e
contras das duas opgies, o
moment de refletir sobre por-
que se pensa em redivisio. O
que se fez atd aqui foi justa-
mente adiar esse moment e
colocar tudo no campo do irra-
cional e nada informative "sim
ou nio". O JP, mais uma vez,
remou contra a mare, na trin-
cheira da contra-"informaao",
para oferecer subsidies a
quem estd realmente interes-


sado em saber o que sera de-
cidido, ou se quer decidir, nes-
sa dispute.
Dois dados oferecidos pela
matkria nao deixam margem
de duvida sobre isso: a) a po-
silo do mais alto Tribunal
brasileiro sobre o tema da cri-
aglo de novas unidades fede-
rativas; b) a escala de planeja-
mento a ser utilizada pelos
futures Estados: o rio ou a es-
trada? Pois bem, isso ilustra
de maneira inequivoca o com-
promisso do JP cor o debate
serio e profundo da questao,
antecipando cor muita acui-
dade a reflexao sobre proble-
mas que estio para depois da
criaglo dos Estados, se estd
ocorrer, mas que deixa alojada
uma questao, pronta para ser
detonada, que se refere ao
nascimento das novas unida-
des, simplesmente redividin-
do problems que o atual Pard
nio conseguiu resolver. Para
mim, essa contribuiiao 6 ines-
timdvel, pois nos tira do lugar-
comum dos textos das Folhas
atuais, que nada informal,
nem contribuem para informar,
estando-lhes reservado o ve-
Iho e nocivo lugar de mAqui-
nas de batalha de seus propri-
etarios, entrevero no qual sa-
bemos de antemio quem se-
rio os maiores vencidos.

*Bin Laden a a
manobra politieo-
militar do SEUU*
Certissima e certeira a con-
clusio deste seu texto. Quem
estd minimamente informado
sobre political international
nao ignora que o eixo do con-
ceito de terrorism, na agenda
military norte-americana, vem
se deslocando desde a segun-
da guerra mundial, atd se tor-
nar panacdia de todos os ma-
les desse pais cor dirigentes
arrogantes e prepotentes. Des-
de a Guerra do Golfo, qualquer
um que critique contundente-
mente o poderio b6lico e poli-
tico dos EUA, certamente ingres-
sa na lista dos mais procura-
dos, mas isso somente ocorre
se um interesse econ6mico es-
tiver em jogo. E sempre estAl
O (suposto) fim de Bin Laden
resolve dois problems: o de
popularidade de Obama e do
segredo das portas para inter-
vir com alguma "legitimidade",
ainda que no fim das contas
sem legitimidade alguma, em
qualquer questao que julguem
afetar o equilibrio mundial,
embora parega faltar o minimo
equilibrio aos dirigentes ian-
ques. Quem tiver tempo para


se deter sobre o "Um milhao
de d61ares", de Nathanael
West, verd que hd muito tem-
po, vender o sonho americano
e das tarefas mais dificeis que
o Chefe da Casa Branca enfren-
ta. Parece que bem ou mal, pos-
to que com grande indice de
fugacidade, Obama conseguiu
mais uma vez. Mas a pergunta
que fica no ar 6: quem pagard
a conta?
Inicialmente, todos os que o
Governo americano resolve se
enquadrem no conceito de ter-
roristas, entao poderio ser
bolivianos, venezuelanos e
mesmo o MST brasileiro, tudo
serd pretexto. J6 saquearam o
petr6leo, parece que agora
caird bem um pouco de agua e
biodiversidade nao faz mal a
ninguem. Os leitores da sua
coluna no Yahoo estio, faz
tempo, sem conseguir passar
do primeiro parAgrafo dos tex-
tos; preferem frases que dizem
tudo e nao dizem nada como:
"Sim, n6s podemos", N6s,
quem? O quA? Em detrimento
de quem? Perguntas, niol De
preferdncia, algo que nao nos
incomode, assim e mais fdcil
de digerir. Por isso sugiro que
fixe no p6rtico dos textos uma
inscriglo com estes dizeres:
"Se querem doces, esta coluna
s6 oferece limes; se nio gos-
tarem, procurem a coluna ao
lado e boa sorte!".

*Bacharim a o direito
eonstitaelonal a
llberdado do
informagLo*
Quando pensamos que ja fin-
dou a fonte da criatividade, eis
que surge mais uma interpre-
tag5o ins61ita do direito a li-
berdade de informagao. A carta
da Promotora de Justica de-
monstra claramente que toda
a liberdade de informaglo e
possivel, desde que nio seja
contra mim. Valendo-se do di-
reito de resposta que o JP sem-
pre resguardou a todos os cita-
dos em suas mat6rias, o espa-
co foi utilizado para tudo, me-
nos para langar um argument
que fosse, no sentido do corre-
to proceder da missivista.
Apesar de deixar bem evi-
dente que sua missao 4 publi-
ca, a Promotora nio pareceu
muito satisfeita em ter de
prestar contas e quando teve a
oportunidade de livremente se
explicar perante os contribuin-
tes que pagam seus vencimen-
tos, limitou-se a dizer que fa-
lard nos autos da reclamaaio
ao CNJ, que apesar de publi-
cos, nao estarao exatamente


acessiveis a todos, de forma
facilitada. A carta da Promoto-
ra nos permit tragar um fiel
retrato da liberdade de im-
prensa que determinado se-
guimento dos bachareis pre-
tende se faca valer: uma liber-
dade de imprensa amordaga-
da, nao desejam uma impren-
sa que fale claramente, cor
base em dados piblicos, que-
rem uma imprensa que se li-
mite a gemer, incompreensivel-
mente, algo que deve ser dito
a plenos pulm6es, porque de
interesse pdblico.
Esse caso 6 mais um dos pro-
picios ao acOmulo de reflexes
sobre o que pensam as pesso-
as (e aqui parece que nao po-
demos confiar muito nos ba-
chardis em direito ...) quis o
Constituinte de 1988 dizer cor
liberdade de imprensa. Uma
pena que os outros envolvidos
na matdria nio nos tenham
agraciado cor o que enten-
dem por liberdade de impren-
sa, seu alcance e profundida-
de. Estamos em que se nada
falaram, 4 porque pouco ou
nada teriam a dizer sobre algo
que parece estar em alguma
media bem claro. Se algo dis-
sessem 6 provAvel que nenhum
contribute trouxessem, entao 4
melhor assim. Silencio elo-
qiente, pelo que me consta.
Marion Aurdlio Tapaj6s Araijo


ontinua A venda
nas bancas e livra
rias da cidade o
terceiro volume da colegio
em format de livro da Me-
m6ria do Cotidiano, a se-
9Fo fixa destejornal. Com
diagramagdo mais leve e
limpa, para permitir a me-
Ihor leitura e o maior pra-
zer dos leitores. Agora, 6 ir
atris e comprar. O editor
agradece.
IIII I


Jomal Pessoal

Editor: Luicio FlIvio Pinto


Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626
E-mail: lfpjor@uol.com.br jomal@amazon.com.br Site: www.jomalpessoal.com.br
Diagramagio e ilustrag6es: Luiz Antonio de Faria Pinto luizpe54@hotmail.com *
luizpe54@gmail.com chargesdojomalpessoal.blogspot.com blogdoluizpe.blogspot.com


iJornal Pessoal. MAIO DE 2011 2QUINZENA






Desembargador manda arquivar ages de Maioranas


O desembargador Jodo Maroja, da
3a camara criminal isolada do Tribu-
nal de Justiga do Estado, extinguiu, no
dia 12, quatro aq6es penais propostas
contra mim pelos irmaos Romulo e
Ronaldo Maiorana, de um total de cin-
co que ajuizaram depois que Ronaldo
me agrediu fisicamente, em janeiro de
2005. Uma delas foi arquivada por-
que os donos do grupo Liberal perde-
ram o prazo para recorrer da decisao
de 1 grau.
A juiza da 7a vara criminal, Odete
Carvalho, me absolveu em todas as
ages, instauradas com base na Lei de
Imprensa, de 1967, sob a alegag~o de
que eu teria ofendido os dois irmaos e
A mem6ria do pai deles, por fazer re-
fer8ncia A sua associagco no passado
com o contrabando no Para. Atrav6s
da excecao da verdade, que inverteu a
autoria das aq6es, prove que tudo o
que foi publicado no Jornal Pessoal
era verdade, atrav6s de documents e
depoimentos de ex-funcionarios do gru-
po Liberal.
Os Maioranas apelaram da absol-
viglo. O recurso chegou ao TJE em
julho de 2007. A desembargadora Rai-
munda Gomes Noronha foi sorteada
para relatar os processes, mas em
agosto de 2008 decidiu suspender a
apreciacgo do feito e mandou o pro-
cesso para a secretaria, onde deveria
aguardar at6 que o Supremo Tribunal
Federal decidisse sobre o m6rito da
argiiigo de inconstitucionalidade da Lei
de Imprensa, para a qual ja antecipara
a media liminar suspensiva.
Mas a desembargadora, que assu-
miria a presidencia do TJE, nao espe-
raria para decidir, passando o proces-
so para a desembargadora Vania Bi-
tar Cunha. Ela jurou suspeig~o por
motivo de foro intimo. Sua attitude foi
repelida pelo relator seguinte, Romulo
Nunes. Ja neste ano, depois de deixar
o cargo de president do tribunal, ao
receber o process, o desembargador
se declarou suspeito. Disse que foi
"surpreendido por uma dentncia", pu-
blicada neste journal (ediCao 487), "em
que transcreve graves dendncias so-
bre vArios magistrados paraenses".
Entre os denunciados ao Conselho
Nacional de Justica esti um "irmao
legitimo" do ex-presidente, tamb6m
desembargador, Ricardo Nunes, "sem


que [o journal] tivesse o cuidado de
averiguar sua veracidade".
Apenas uma semana ap6s receber
o process, o desembargador Jodo
Maraj6 extinguiu a pretensdo punitive
dos Maioranas porque ela jA estava
prescrita. A prescriqao ocorreu em 17
de outubro de 2008, antes mesmo de as
apelaq6es serem proposta pelos dois ir-
mdos, porque a sentence da juiza Ode-
te Carvalho foi de absolviqgo e por isso
nao ocorreu nenhuma interrupqo no
prazo prescricional, de dois anos, a par-
tir do recebimento da dendncia, em ou-
tubro de 2006.

O quarto relator do
process no tribunal
se declarou surpreso
"que o event nao tenha
sido percebido pelo juizo
que mandou processor o re-
curso, nem pelo apelado
nem pelo Ministerio P~bli-
co, quando emitiu seu pare-
eer, nem pela relatora que
me antecedeu, sem firmar
suspeigho" "sucessivas declara-
q6es de suspeiqgo", conforme destacou,
nenhuma delas provocada pelas parties,
de iniciativa dos magistrados. Ressal-
tou o desembargador Maroja que a pres-
crigCo "6 mat6ria de ordem pdblica e
deve ser declarada a qualquer tempo".
De fato, 6 surpreendente que os sete
representantes do poder judiciario que
funcionaram no process no jufzo sin-
gular e no grau de recurso a um dos
colegiados criminals nao se tenham
apercebido de um fato elementary, que
devia saltar aos olhos de qualquer jul-
gador, relator ou representante do Mi-
nist6rio Pdblico. Seu dever de oficio 6
verificar, de imediato, se a aqao conti-
nua ou nao valida.
As queixas-crimes dos Maioranas
ainda sobreviveram quase tr8s anos A
prescriqgo, subindo do jufzo singular
para a camara criminal e sendo moti-
vo de tres sucessivas declaragqes de
suspeigdo por foro fntimo. Mesmo que
se julgassem impedidos de apreciar a
quest~o por convicqAo pessoal, os ma-
gistrados tinham o dever de atentar
para a mat6ria de ordem pdblica e de-
clarar a prescricgo, como fez o de-
sembargador Maroja tdo logo p6s os
olhos nos autos.


MAIO DE 2011


E por que o apelado (eu) nao to-
mou essa iniciativa? Porque queria
destacar exatamente o que, felizmen-
te, o desembargador Joao Maraj6
acabou por demonstrar: a parcialida-
de com que se comportam determi-
nados magistrados ao enfrentarem
quest6es consideradas explosives,
como todas as que envolvem os Mai-
oranas e a mim.
Quando a primeira acao das 19
interpostas por tres integrantes da fa-
mflia surgiu no f6rum, em 1992, eu
compareci espontaneamente ao car-
t6rio e me dei por citado. Estava con-
victo das minhas raz6es e da verda-
de que haveria de assegurar a minha
inocencia. Mas, por puro arbftrio e
abuso de direito, fui condenado. In-
sisti em querer sempre a apreciagqo
do m6rito das demands e em quatro
delas recorri ao institute da excegqo
da verdade para demonstrar tudo que
escrevi.
Nunca busquei a prescriqao. Fal-
tei apenas a uma das dezenas de au-
di8ncias para as quais fui intimado, por
motivo superior, devidamente justifi-
cado e abonado. Mesmo enfrentando
magistrados tendenciosos, continue a
defender os meus direitos, enquanto
meus algozes ignoravam as convoca-
q6es da justiqa e faziam pouco caso
das suas deliberaqfes.
Por isso nio alertei os julgadores
das acqes penais dos Maioranas para
a prescricgo. Mas fiz seguidas adver-
tencias para a morte de outro dos
meus perseguidores, o empresArio
Cecilio do Rego Almeida, tamb6m
mat6ria de ordem piblica, e nio fui
ouvido. Mais de dois anos depois,
quando o poderjudiciario finalmente
se dignou a acolher o alerta, foi para
prorrogar prazo para a habilitagdo do
autor e conferir-lhe liberalidades nes-
sa concessdo, ainda pendente de uma
definigSo final.
Romulo Maiorana Jdnior, tantas
vezes beneficiado pelas decis6es de
magistrados do TJE, agora, em exces-
so de humor negro, diz que esti pro-
penso a pedir o desaforamento das
suas aq6es contra o journal de Jader
Barbalho porque os julgadores nao
julgam. A justiga do Pard prova do
veneno que instilou e 6 obrigada a
acolher o monstro que criou.


. 2QUINZENA Jornal Pessoal L






Silencio judicioso


Ideias para Belem quatrocentona


O desembargador R6mulo Nunes recusou-se a relatar os quatro
recursos dos Maioranas contra a minha absolvido pelajuiza da 7a vara
penal. Foi seu protest contra minha matria, que citou seu irmio como
um dos denunciados ao CNJ, acusado de dar cobertura a duas pessoas,
uma delas seu genro, e favorece-las em demandasjudiciais. O ex-presi-
dente do TJE disse que eu transcrevi as acusag6es "sem que tivesse o
cuidado de averiguar sua veracidade". E mais nio disse. Nem seu irmio.
Todos os nobres personagens dessa hist6ria preferiram continu-
ar em silencio pdblico, embora aleguem nio ter tido a oportunidade
de se defender e dizendo-se injustigados. Por que nio se defended
agora? O espago nestejornal estA aberto para que eles exergam seu
direito de resposta. Ouvi-los nio cabia na primeira mat6ria, publicada
na ediqgo 488.
Por ser extensa e minuciosa, al6m de grave, a acusacio feita ao
Conselho Nacional de Justiga exigia uma reportagem especifica. O
que fiz foi checar todos os documents constantes dos autos dos
processes citados na dendncia, para verificar se as alegaq6es tinham
fundamento. E tinham mesmo. Ademonstragio 6 o silencio geral, s6
interrompido pela carta da promotora Ociralva Tabosa, publicada na
edi~io anterior.
De tudo o que a representante do Minist6rio Pdblico disse, a con-
clusao 6 que a digna promotora apenas mudou de opiniio sobre o
Jornal Pessoal: deixou de ter a "certa admirago" que tinha por ele.
Isso acontece quase sempre quando o leitor 6 contrariado. Nao me
surpreende a reviravolta no juizo. Continue aguardando as retifica-
95es dos fatos noticiados pelo journal na sua ediqio anterior.
Nenhum deles foi abordado pela nobre promotora, que apenas
registrou sua insatisfagio e assegurou nio ter dado "embargo de ga-
veta" ao process, que esperou durante dois longos anos por sua
dendncia. Portanto, o JP mais uma vez nio foi desmentido. Porque,
novamente, pode provar tudo que publicou. Por isso os contrariados,
ao inv6s de pelo menos se proporem a responder de piblico a ques-
t6es pdblicas, como fez a distinta promotora (embora sem abordar as
quest6es polemicas), transferem suas migoas para os autos dos pro-
cessos que ajuizam contra mim, imaginando assim sonegar o debate
junto A opiniao p6blica, verdadeiro Arbitro das contends. 0 que expli-
ca o silencio dos personagens citados.


Educagio


No primeiro pardgrafo da ver-
s2o abreviada e simplificada de
Hard Times (Tempos Dificeis),
feita por Ronald John para a
Longman, Charles Dickens ad-
verte um professor pela voz de
seu personagem: "'Eu quero Fa-
tos', o Sr. Gradring disse. 'Ensine
esses garotos e garotas s6 Fa-
tos, senhor! Eu educo minhas
pr6prias crianqas cor Fatos e
quero que voc6 eduque essas
criangas em cima de Fatos. Nada
mais os ajudard tanto'" (em tra-
duqAo livre).
Os formadores de opiniao pd-
blica, de professors ajomalistas,
de blogueiros a artists, deviam
pensar nessas palavras. E o que
de melhor se podia esperar da
educazio tanto na era vitoriana
do grande escritor ingles quanto
hoje. Com os fatos vitals, cada um
formari melhor seujufzo e a soci-
edade prosseguird como uma
soma de cidadaos conscientes.
O desafio, a partir dessa pre-
missa, vem em cascatas. Onde es-


tio os fatos? Quais sao os fatos
realmente importantes? Por que
eles sao fatos e nao apenas ver-
s6es e interpretag6es (sem dei-
xar de enunciar as tres ordens de
situag6es)? Que fatos precisam
estar na agenda diiria dos cida-
daos? O que esses fatos signifi-
cam? Quais os seus efeitos, bons
e ruins? Quem se beneficia da
criago ou do conhecimento dos
fatos? Quais fatos estao sendo
sonegados do ptiblico? Por que
s6 alguns tnm acesso aos fatos
essenciais? Como abrir as portei-
ras ao seu ingresso?
E missAo da imprensa aten-
der a todas essas perguntas no
seu mister cotidiano. S6 assim a
sociedade se tornard realmente
livre e democritica, como quere-
mos. E ao cidadao ir atrds dos
fatos e cobrA-los quando nao sao
apresentados. Assim, acompa-
nharA, fiscalizarde interagirfcom
a imprensa e as demais institui-
96es da vida coletiva. Eis uma boa
tarefa de casa. Para todos os dias.


Nenhuma contribuigao de
leitor foi dada A solicitag~o para
que, em conjunto, possamos
preparar um program para os
400 anos de Bel6m, que aconte-
cer2o em 2016. A data pode pa-
recer distant, mas se tentarmos
organizer uma pauta consisten-
te veremos que o prazo se tor-
nard exfguo.
Numa cidade pobre, despre-
parada para as exigencias do
mundo atual e as obrigagqes da
civilizag~o, a maior de todas as
misses e gerar empregos. O
trabalho deve considerar um
aspect negative da situagdo:
a baixa qualificag~o da maioria
da mao-de-obra disponivel. E
outro positive: a criatividade e
inventividade do paraense, sua
adequagdo A iniciativa indivi-
dual. O poder pdblico deve cri-
ar condioqes para que as quali-
dades existentes sejam valori-
zadas, utilizando-as em provei-
to da populagdo e consideran-
do as especificidades locais.
Um dos investimentos evi-
dentes tem relagao com as chu-
vas intensas e constantes que
caem sobre Bel6m e todo o Pard.
A prefeitura e o governor do
Estado podiam acrescentar um
novo item A lista de fomecimen-
to aos estudantes da rede pui-
blica de ensino: guarda-chuva,
capa, chap6u e galocha, que
viriam junto com livros, cader-
nos, lapis, canetas e outros
utensflios, al6m da maltratada
merenda escolar.
Antes de fazer a aquisig~o,
o poder pdblico organizaria ofi-
cinas para pessoas que dese-
jassem montar firmas para aten-
der as encomendas. Elas apren-
deriam o fundamental do neg6-
cio e elements t6cnicos para
produzir os itens necessdrios.
Podiam former cooperatives ou
cons6rcios de micro-empresas,
de tal maneira a seguir uma es-
cala econ6mica sem cartelizar
ou induzir a hipertrofia empre-
sarial (sem falar nos anticorpos
A corrupqdo).
Uma id6ia a considerar, ain-
da que ela possa vir a demons-
trar-se inviavel. Ademanda exi-
ge: criangas e adolescents pre-


cisam de proteqAo contra a chu-
va. Pessoas desempregadas,
mas cheias de id6ias e disposi-
9io para o trabalho, clamam por
uma oportunidade para serem
dteis e se manterem e As suas
familias.
Outras sugest6es sao sobre
essa pandemia de Bel6m: o lixo.
A primeira: adotar a argola
de ferro, na qual se coloca um
grande saco (se possfvel, de
aniagem ou de papel reforgado)
para receber o lixo, ao invds dos
dep6sitos tradicionais. Todos
os dias a prefeitura recolheria
esse saco, mantendo a argola,
fixada por peca metAlica ao chdo
e cimentada. O investimento
seria muito menor e a eficicia,
incomparavelmente maior. Des-
de que o servigo fosse executa-
do todos os dias, para mostrar
a presence do governor munici-
pal. E as argolas cor p6 fossem
espalhadas por toda cidade.
Pessoas desempregadas ou
de baixa renda seriam cadastra-
das para recolher esses sacos e
acumuld-los em determinados
pontos, de onde seriam levados
por um caminhdo.
Outra sugestdo se relacio-
na aos "boi sem rabo". Sao os
carregadores de entulhos, que
usam carros de mao para esse
servigo. Multiplicados, eles se
tornaram numa fonte de proble-
ma para a cidade. Carregam res-
tos de um lado para outro, des-
pejando-os na via plblica, sem
pejo ou miseric6rdia. Estao en-
tulhando a cidade.
Todos teriam que se cadas-
trar e receber uma placa de iden-
tificag~ o lacrada. Aoficializagio
seria gratuita. Em compensagao,
eles s6 poderiam despejar pe-
queno entulho (devidamente
relacionado para evitar o abu-
so desse recurso, geralmente
usado por quem nao pode pa-
gar uma empresa especializada)
em lugares determinados pela
prefeitura, que diariamente co-
letaria esse material.
Ao inv6s de um problema,
poderfamos ter uma solug~o para
a cidade, com suas esquinas to-
madas por esse tipo de lixo.
Ficam as propostas.


Comida
Vamos e venhamos: aquelas comidas na capa do caderno
Por ai do Didrio do Pard, as sextas-feiras, sao de causar
azia visual. S6 fritura e carregagdo. Culiniria para b8bado
em alta octanagem, incapaz de distinguir odores e sabores.