Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00367

Full Text



MAIO
DE 2011
1"QUINZENA


ornal Pessoal
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


of : ~ 1 10,-
4~wt ~ ~wfJd


REDIVISAO


Menos Amazonia

A aprovadco da realizaVdo do plebiscite sobre a redivisdo do Pard poderd ser a
oportunidade de discutir a serio a grave questdo do perfil geogrdfico da Amazonia.
Unidades menores permitirdo corrigir os erros evidentes no process de ocupa!do da
regido ou apenas irdo incrementar seus efeitos desastrosos? Eis a questdo.


N a semana passada, meia dizia
de deputados federais, na con-
digio de lfderes partidArios,
decidiram, em votagio simb61ica, sobre
a configuracAo ffsica do segundo maior
Estado da federag&o brasileira, o Par.
Gramas a uma manobra dos parlamenta-
res paraenses, defensores do desmem-
bramento dos 1,2 milhio de quil6metros
quadrados que constituem o Para atual,
foi aprovada a realizacio de plebiscite
sobre a criaAo de dois novos Estados
nesse territ6rio: Carajds e Tapaj6s.


Os deputados Giovanni Queiroz (do
PDT), Lira Maia (DEM) e Zequinha
Marinho (PSC) ameanaram obstruir a
pauta da CAmara Federal se os proje-
tos do desmembramento do Para, que
tramitam hA varios anos, nAo fossem
aprovados apenas pelos lfderes, sem
precisar ir ao plenario para a votaqio
coletiva. 0 govemo, empenhado em lim-
par a pauta para aprovar seus princi-
pais itens, cedeu.
Os separatists escolheram bem o
dia, uma quinta-feira, quando a maioria


dos parlamentares jA deixou ou estA
saindo de Brasflia para seus redutos
eleitorais. 0 deputado Chico Alencar,
que nao cedeu a sigla do PSOL para a
empreitada, questionou a legitimidade
da decisao, mas foi vencido pela impe-
tuosidade dos emancipacionistas.
Quanto o tema 6 a Amaz6nia, hA
pouco empenho das grandes liderangas
polifticas, por desinteresse ou desconhe-
cimento da regiao. Com mais acuidade,
se atentaria para a circunstancia (nada
cVOiik poa.


I A 2rrI DA ml|S Tl


NO 488
ANO XXIV
R$ 3,00


PARA E 7?TA~BIRA BB 4





CONTINIiCAO DACAPA
casual) de que o principal projeto na
pauta da Camara, que proporcionou o
acordo de liderangas, 6 o do novo C6di-
go Florestal, impasse que o governor (e,
. mais do que ele, os ruralistas) quer ver
logo resolvido.
Celeumas a parte, o projeto signifi-
ca a manutengao e aprofundamento da
cultural do desmatamento na dltima por-
qao do pafs onde ainda podia ser im-
plantado um inovador modelo florestal,
justamente a Amaz6nia. Ao inv6s de
procurar adequar a forma de ocupa-
Ao da regiAo As suas caracterfsticas
ffsicas, dentre as quais a cobertura ve-
getal 6 essencial, confirma-se e agra-
va-se a visao do colonizador, de con-
versao da floresta em pastos, campos
de cultivo, cidades, inddstrias, estradas,
etc. 0 colonizador continuarA a modi-
ficar a paisagem para que ela reflita
sua condiqao de homo agrfcola, der-
rubador de Arvores.
A redivisao do Para, que tem sua
tradigao hist6ria em relaqao A parte
oeste do Estado, tornou-se coerente
com essa forma de integrar a Ama-
z6nia ao territ6rio national, a partir de
uma posiqdo centralizada de mando,
com ordens que baixam de Brasflia,
categ6ricas, indiferentes As peculiari-
dades locais, A distinqlo substantial
da Amaz6nia na relagio com as ou-
tras parties do Brasil, praticamente
despojadas de sua riqueza florestal.
Nio que a realizagio do plebiscito
represent um fato negative. Pelo con-
trArio: finalmente a questAo espacial da
segunda unidade federativa brasileira
poderA ser discutida a s6rio. Agora ha-
verA conseqii8ncias concretas e gra-
ves. Nao serA mais apenas um event
no calendario acad8mico dos debates
sem fim ou sem responsabilidades.
No prazo de seis meses devera
ser promovido o plebiscito. Corn mai-
ores probabilidades, de imediato vi-
sando Carajas, que agora depend
apenas da sanqao da president Dil-
ma Rousseff. 0 projeto do Tapaj6s
ainda devera passar pelo Senado. E
possivel que na camara alta se repita
o que aconteceu na semana passa-
da, mas nao se pode descartar a hi-
p6tese de aparecer um complicador,
que atrase a tramitagdo da mat6ria e
retire a simultaneidade dos dois pro-
jetos. Sem esse imprevisto, tamb6m
o plebiscite para a criaro do Estado
do Tapaj6s ird a sanqco da presiden-

a Jornal Pessoal MAIO DE 2011 .


te. Nao 6 provAvel que ela vete a
decisao do parlamento.
NAo que approve a iniciativa. Ao in-
v6s disso, a chefa do poder executive
terA muitos motivos para nao querer que
o desmembramento do ParA prospere.
A implantaiao dos dois novos Estados
import ao governor federal, pelos pr6xi-
mos 10 anos, nova descapitalizaiao,
com a necessidade de suplementar -
com alguns bilh6es de reais a cada ano
a insufici8ncia de meios das duas no-
vas unidades federativas para caminhar
com as pr6prias pernas durante os pri-
meiros anos de sua implantagio. Do que
menos a administragAo petista precisa
no moment 6 de despesas compuls6ri-
as imprevistas e de peso bem razod-
vel como essas.
Para os mais realistas, a decisao da
semana passada dos lideres dos parti-
dos na Cimara 6 tAo simb61ica quanto
os seus votos. E improvavel que a mai-
oria do eleitorado paraense approve o
retalhamento do seu Estado present.
Ao contrArio da interpretagio conveni-
ente dos separatists, o entendimento
constitutional do Supremo Tribunal Fe-
deral 6 de que a consult nio pode ser
feita apenas junto A populaqAo localiza-
da na Area prevista para os novos Esta-
dos. 0 plebiscite tern que abranger to-
dos os eleitores do Estado.

esmo que a maioria
deles queira dividir
o Para em tr6s, o
resultado do plebiscito sera
submetido aos 41 deputados
da Assembl61a Legislativa,
sem poder decls6rio, apenas
como funago consultiva. De-
pots preeisara da aprovagAo
de uma lei complementar,
com a adesao da maioria do
Congress Nacional, em vo-
tagao individual, sem acor-
dos de lideranga, para se tor-
nar realidade. Um eaminho
ainda long e complicado.
0 Pard que remanescerd dos dois
projetos de redivisao tern 60% da po-
pulag o total do antigo Estado, o que
pode ser o suficiente para definir a
votaago. Maciga maioria nesse terri-
t6rio votara contra o retalhamento,
que acaba corn uma das bandeiras se-
culares do Estado: sua grandeza ffsi-
ca, um aval ao qual os seus habitan-
tes esperam sempre poder recorrer
para sacar suas esperangas de futu-


ro. Do 2* lugar, abaixo apenas do
Amazonas, o Pard que sobraria da
redivisao se tornaria a 19" unidade
federativa national.
Esse Parad, com apenas 20% da sua
Area original, ficaria com 60% da po-
pulacqo, privado do antigo capital de
recursos naturais estocados para via-
bilizA-lo. Com boa parte do seu terri-
t6rio jd desmatado e exaurido, teria que
refazer sua definicgo, mais se asse-
melhando a um Estado da faixa de
transicgo entire o Nordeste e a Ama-
z6nia, como o MaranhAo. A utopia do
future grandioso desapareceria. De
resto, tamb6m para CarajAs, vftima
maior do desmatamento recent.
Mas pelo menos os dois novos Es-
tados teriam melhores condiq6es para
se desenvolver, libertos da tutela da
antiga capital e de uma elite incapaz
de atentar para as paragens mais re-
motas de uma unidade administrative
com tamanho equivalent ao da Co-
16mbia, mas corn um sexto da sua po-
pulagAo? E de se duvidar, no minimo.
Os dois projetos de lei sao coeren-
tes com o modelo colonial de ocupa-
g9o da Amaz6nia, nao com sua con-
tinuidade hist6rica, embora o Estado
do Tapaj6s seja uma antiga e fundada
reivindicaqfo dos habitantes dessa re-
giAo. CarajAs, resultante de iniciativa
do senador Mozarildo Cavalcante, que
nunca se sensibilizou pelas rafzes de
Roraima, o Estado que represent no
parlamento, consolidarA a transforma-
gAo da paisagem amaz6nica em ser-
tao, despojando-a do que sobrou de
floresta native por um process de
desmatamento avassalador.
t este o destino selado de Sao F6-
lix do Xingu, que, s6 por uma obtusi-
dade do atores econ6micos e a coni-
vencia criminosa dos agents publicos,
se tornou o municipio brasileiro com
o maior rebanho de gado (no future
CarajAs, o efetivo sera de 20 milhbes
de cabegas). Quantos milh6es de Ar-
vores os campos de pastagens sacri-
ficaram? Qual foi a perda dessa con-
versdo irracional?
O Xingu 6 a prova viva dos erros e
distorg6es de projetos de modificaqio
do espago amaz6nico concebidos a to-
que de caixa, para tender a interes-
ses imediatos. t nessa bacia que se
concentra o 61timo grande estoque de
mata native da margem direita do rio
Amazonas em territ6rio paraense. As-
sociar Slo F61ix do Xingu ao Estado


1'QUINZENA





de CarajAs 6 complementary a obra de
legalizagao do desmatamento ironica-
mente embutida no novo C6digo Flo-
restal, que, de florestal mesmo, tern
apenas o nome. Sao F61ix devia ser
protegido para experimentar uma ex-
ploracAo florestal modern.
Se 6 assim em Slo F6lix, em Alta-
mira a existencia do Estado do Tapa-
j6s se manifesta um complete despro-
p6sito. 0 dnico element de identida-
de entire a maior cidade do Xingu e a
maior do Tapaj6s, Santar6m, destina-
da a ser a capital da nova unidade, 6
que ambas sofrem os efeitos do avan-
qo selvagem das frentes econ6micas.
Historicamente, nem diAlogo hA en-
tre os dois p61os. t inteiramente arti-
ficial a inclusio de Altamira no Tapa-
j6s. 0 efeito seri o mesmo que ali-
menta os ressentimentos contra Be-
16m. 0 Xingu deveria former uma
unidade a parte, o que nao seria de
estranhar se o v6rtice do planejamen-
to fossem os rios e nao as estradas
de rodagem.
Corn 718 mil quil6metros quadra-
dos, o proposto Estado do Tapaj6s
serb o terceiro maior do Brasil, infe-
rior apenas ao Amazonas e a Mato
Grosso. Com 16% da populacqo atual
do Pard e 57% do seu territ6rio, teri
uma densidade demogrAfica apenas
maior do que a de Roraima, equiva-
lente A do Amazonas, quatro vezes
menor do que a paraense de hoje.
Como Santar6m poderi dar a essa
vasta jurisdigAo um tratamento me-
ihor do que o dispensado pelo atual
ParA? Apenas renovari os conflitos
que motivam a reagio dos nossos
dias?
Com estas e vArias outras contes-
tacqes, ainda assim a realizagAo do
plebiscite 6 um avango no tratamen-
to da identidade do Para. Ao inv6s de
se continuar a discutir se a redivisao
deve ocorrer ou nao, a partir de ago-
ra a tarefa passarA ser avaliar, no
curto perfodo de seis meses, a viabi-
lidade dos projetos de emancipagio.
Viabilidade numa perspective mais
ampla do que a da auto-suficiencia
econ6mica: abarcando tamb6m as di-
mensoes social e econ6mica.
Os dois projetos tem uma defici-
8ncia fatal: ignoram o rio Amazonas
e as bacias dos seus afluentes, os ver-
dadeiros divisores do ambiente e os
instruments de povoamento e civili-
zag o durante s6culos, at6 que as es-


tradas, responsiveis pelo maior abalo
traumitico da hist6ria amaz8nica, tu-
multuassem tudo, massacrando a his-
t6ria anterior corn os novos elements
trazidos pelos imigrantes, pessoas ff-
sicas ou jurfdicas.
Mesmo que eles conseguissem rea-
lizar as promessas que apresentam, a
conseqUincia das modificag6es espa-
ciais seria acelerar a descaracteriza-
qlo do conteddo amaz6nico da geogra-
fia e aumentar a condigio do home
como um ser estranho A paisagem e
hostile a ela. A estrada de rodagem tri-
unfando de vez sobre o rio. Por isso, o
pr6ximo alvo serA o Amazonas. As es-


pinhas de peixe marginais & BR ji es-
tao se formando pelo sul do Estado.
0 plebiscite s6 serf negative se o pro-
cesso a seguir continuar a ser liderado
apenas pelo punhado de polfticos que
conseguiram a aprovaqao dos dois pro-
jetos. 0 que lhes interessard sera con-
quistar o apoio dos eleitores, mesmo sem
conscientizagao sobre a questdo, este,
sim, o grande desafio para quem estiver
preocupado em melhorar e nao em pi-
orar a condiqao amaz6nica do Para.
E, por extensao, de toda a regiao. Divi-
dindo nao para govemar, dominando o
govemo, mas parajuntar forgas sindrgi-
cas. Para mudar de verdade.


Imprensa brasileira

vista da Alemanha

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, dia 3, o portal da Deutsche Welle,
rddio estatal alema, publicou matiria escrita por Nddia Pontes, da redafio em
Berlim. Sob o titulo "Processos judiciais viraram arma para censurar imprensa
no Brasil", a reportagem mostra que a justiga brasileira "passou a ser wna
ferramenta usada por aqueles que querem calar os jornalistas".
Reproduzo a primeira parte do texto, relacionada a este journal:


'Brasil, os jornalistas sAo li-
vres para escrever e publicar.
Num pais oficialmente livre das
amarras da censura de imprensa, os in-
teressados em impedir que uma infor-
maqio venha a pdblico encontraram, no
entanto, outras ma-
neiras de faze-lo.
0 jornalista pa- V
raense Ldcio FlAvio
Pinto conhece bem
essas alternatives -
vArias foram usadas
contra ele na tenta-
tiva de interromper
seu trabalho. Depois
da vasta experiencia
na grande imprensa brasileira, Ldcio fun-
dou hA 20 anos o Jornal Pessoal, foca-
do na cobertura da Amaz6nia e que, se-
gundo a definiqAo do criador, "6 a publi-
caq o alternative de existencia mais du-
radoura do pafs e a dnica em atividade".
Nos tribunaisbrasileiros, Lucio 6um dos
jomalistas mais perseguidos do pais. "A cen-
sura passou acontar corn umrn poderoso ins-
trumento, que 6 a Justiga", diz. 0 interes-
sante 6 que, entire 1966 a 1985, durante a
ditadura military, o professional s6 foi proces-


sado uma vez e absolvido. Desde 1992,
as indmeras dendncias de corrupgo, des-
matamento illegal e trffico de madeira ji
renderam ao dnico editor do Jornal Pes-
soal mais de 33 processes.
0 soci6logo Benoit Hervieu, chefe da
p organizacqo Rep6r-
teres Sem Fronteiras
para as Am6ricas,
acompanha de perto
a atividadejomalisti-
ca e traga conclu-
I s6es sobre o panora-
ma brasileiro. "A
U [- / questio da insegu-
ranga 6 mais grave
no Norte e no Nor-
deste. Os jornalistas tem confrontos com
as autoridades e tamb6m corn o crime
organizado e com traficantes de manei-
ra muito violenta"
Apesar de a situagio no Brasil ser
bem mais amena do que a do M6xico e
de Honduras, pauses onde a liberdade
de informar 6 a mais cerceada na Ame-
rica Latina, segundo a Rep6rteres Sem
Fronteiras, 6 com dificuldades que mui-
tos profissionais brasileiros expressam
sua opinilo, avalia Hervieu.


MAIO DE 2011 1IQUINZENA. Jornal Pessoal L






0 jornalista encrenqueiro

Deviamos cultivar mais os pontos de identidade corn Minas Gerais e, em
particular, Itabira. S6 Minas nos supera como Estado minerador no
Brasil e Carajds rivaliza com Itabira na riqueza do mindrio de ferro. Foi
Id que a histdria da Companhia Vale do Rio Doce comecou. E aqui que
essa histdria tern sua maior perspective. Uma hist6ria mais antiga, como
a dos mineiros, pode nos ajudar a ver melhor o nosso prrprio enredo.Por
isso, tern sido muito proveitosa para mim a leitura de 0 Trem Itabirano,
journal alternative editado por Marcos Caldeira Mendonva na terra natal
de Carlos Drummond de Andrade. Ele fez uma entrevista comigo atravis
da internet e a publicou na edicao n0 67 do seu precioso journal.
Reproduzo a parte que pode ser de interesse para o leitor deste journal,
pedindo-lhe vinia para, dessa forma, comemorar os 45 anos da
publicacdo da minha primeira matiria como jornalista professional, na
edicao de A Provincia do Pard de 6 de maio de 1966. Era sobre o fim da
Segunda Guerra Mundial. Saiu inteira na primeira pdgina do extinto
didrio de Assis Chateaubriand no Pard.
Mantive a abertura da entrevista, da lavra de Marcos, e recorri ao titulo
que o Observat6rio da Imprensa adotou, em substituicdo ao original, que
express a indignaado do nobre editor do Trem Ibatirano: "Este jornalista
u uma encrenca danada para os pulhas do norte: Llcio Fldvio Pinto".


Inorte do Brasil, empresAri-
os mal-intencionados, politi-
cos corruptos, devastadores
da floresta amazOnica e outros pulhas
tem no jornalista Licio FlAvio Pinto um
adverstrio firme, sempre disposto a
encari-los na arena da informaqdo. HA
23 anos, ele edita em Bel6m, capital
do Pari, o Jornal Pessoal, que 6 o que
todo journal digno desse substantive
deve ser: um combatente tenaz contra
o atraso.Quinzenal, doze pAginas em
tamanho oficio, dois mil exemplares por
ediqAo, sem andncio e assinatura, man-
tido apenas com a venda em bancas e
livrarias, por tr8s reais. Nanico s6 no
format, 6 uma fonte confiAvel de in-
formaq6es, o que no Brasil 6 mais raro
do que o canto do uirapuru.Como pu-
blicar verdades nio 6 fAcil, Licio Fla-
vio Pinto 6 mais perseguido por poten-
tados locais do que o galo-da-serra por
cinegrafistas do Globo Rep6rter. Res-
ponde a dezenove processes movidos
por diretores das Organizacqes Romulo
Maiorana, maior grupo de comunica-
9qo do norte brasileiro, donos da TV
Liberal, filiada A Rede Globo, do journal
0 Liberal e de emissoras de radio. Em
2005, foi agredido fisicamente por um
deles.O motivo, diz o jornalista, 6 a
publicagqo no Jornal Pessoal de ver-
dades inc6modas a membros das Or-
ganizaq6es Maiorana, como o envolvi-
mento de Romulo Maiorana Junior e
Ronaldo Maiorana em fraude para re-


ceber dinheiro de incentives fiscais da
Superintendencia do Desenvolvimen-
to da Amaz6nia (Sudam). "Posso pro-
var como tenho provado em juizo -
tudo o que public. Nunca fui desmen-
tido sobre fatos. 0 que eles querem 6
me amordagar, em plena democracia.
"Em entrevista exclusive, Ldcio FlA-
vio Pinto fala sobre o Jornal Pessoal,
sobre a peleja contra os Maiorana,
sobre a operaqdo da empresa Vale no
Pard e sobre o offcio de informar.
Todo jornalista, diz, tern o dever de ser
auditor do cidadio contra o poder.
0 poeta ingles Kingsley Amis
dizia nio fazer muito sentido escre-
ver se nio for para incomodar al-
guem. No jornalismo, 6 possivel
comunicar algo que valha a pena ler
ou ouvir sem mexer em problems?
L.F.P. Bertolt Brecht dizia que o
home feliz 6 aquele que ainda nao re-
cebeu a iltima noticia, e que a ingenui-
dade 6 uma prova de insensibilidade. Ele
viveu em tempos sombrios, num tempo
de guerra. N6s, aparentemente, vive-
mos num tempo muito melhor do que
aquele que inspirou seus melhores e
mais tristes versos. No entanto, 6 uma
era de conformismo, de egofsmos, de
brutalidade, de paradoxos, de abuso de
poder. Talvez estejamos preparando um
tempo pior do que aquele do "pintor de
paredes", conforme Brecht tratava o
bestial Adolfo Hitler. Mas sempre ha
tempo para flor, para sorrisos, para pu-


reza. Eu gostaria de elogiar mais e cri-
ticar menos. Mas assim trairia o princi-
pal compromisso do jornalismo: ser o
auditor do cidado contra o poder. Mil-
16r Fernandes ji disse: "Jornalismo 6
oposicqo, o resto 6 armaz6m de secos
e molhados". Nio 6 exatamente isso,
mas 6 quase isso.
Qual sua opinifio sobre aqueles
jornalistas que abdicam da altiva
fun~io de publicar verdades, poden-
do contribuir na melhoria do pais,
para simplesmente bajular gente
corn poder?
L.F.P. Ha lugar no mercado para
todas as opqoes. Essa nio 6 a minha.
Nio invejo os que obtiveram sucesso e
dinheiro cortejando os poderosos. Em
mim, ha uma compulsio para desafid-
los ao menos num terreno: o das infor-
maq6es. Se manejam o interesse pdbli-
co ou utilizam recursos ptblicos, quero
que prestem contas dos seus atos. Um
amigo e, ao mesmo tempo, objeto das
minhas crfticas, dizia que preferia ser
criticado mesmo. E explicava por que:
depois de uma linha de elogio vem a vir-
gula e a partir dai 6 s6 critical, dizia, bem-
humorado. Permanecemos amigos e
adversarios at6 ele morrer. Um caso
exemplar, mas raro.
0 Jornal Pessoal nio public
anuincio, se mantem gracas a ven-
da em bancas e livrarias. E impos-
sivel conciliar an6ncios com bom
jornalismo?
L.F.P. E possfvel, mas 6 precise
que a empresa jornalistica tenha estru-
tura para nao criar dependencia de pou-
cos grandes anunciantes, o maior dos
quais, no Brasil, costuma ser o gover-
no. Tinha que viver s6 de muitos peque-
nos anunciantes, o que hoje 6 muito di-
ffcil e improvAvel. Depois de 21 anos
corn um p6 na grande imprensa e outro
na imprensa alternative, decidi colocar
o corpo inteiro num projetojomalistico
de autonomia radical. Resolvi que nio
teria andncio algum para nao criar rela-
g9o sequer de amizade ou sentimental
e poder publicar todos os fatos relevan-
tes que apurasse. Para isso, meu journal
teria que ser o mais barato do mundo,
com uma inica pessoa a faz8-lo, mais
um irmnno, responsivel por ilustrar e di-
agramar o journal, sem cor, em format
pequeno, sem assinatura, exceto durante
o perfodo em que usei meu Fundo de
Garantia por Tempo de Servigo, depois
de 19 anos no Estadio, para financid-
lo. E assim o Jornal Pessoal se tornou a


j Jornal Pessoal MAIO DE 2011


- 1QUINZENA





publicagAo da imprensa alternative bra-
sileira de maior duraqao.
O senhor trabalhou no journal 0
Estado de S. Paulo. A chamada gran-
de imprensa i mesmo uma grande
imprensa?
L.F.P. Na maioria das vezes, im-
prensa grande. Mesmo o Estadao jAd
teve seus moments de grande im-
prensa, corn ClAudio Abramo sob Ji-
lio de Mesquita Filho e durante a dita-
dura, sob o Jdlio Neto. Hoje, o journal
6 dtil, deve-se le-lo, mas ele perdeu
em tutano, em gravitar em torno dos
fatos, mesmo os que se chocam comr
o que a "casa" diz em sua pAgina de
editorials. Mesmo assim, 6 um dos
melhores jomais brasileiros, talvez o
melhor no moment, mas degraus
abaixo do que era o padrAo da grande
imprensa na 6poca do regime military.
Safa menos do que devia, mas forca-
va-se at6 o limited da rebelido para que
safsse muita coisa.
0 senhor venceu o Premio Esso
de Jornalismo quatro vezes, entire
outras honrarias. Mais important,
6 um jornalista com credibilidade,
coragem e competencia. Fale-nos
sobre isto: o prazer de ser respei-
tado em sua profissio.
L.F.P. O0 maior elogio que recebi
me foi mandado por Delfim Neto
quando era o todo-poderoso ministry
do governor military. Uma noite Rober-
to Appy, da segqo economic do jor-
nal, chegou, se sentou A mesa onde
nos mantfnhamos por algum tempo
depois de fechar a ediqio do dia e dis-
se que Delfim, lendo uma matdria so-
bre a manipulagio do indice da infla-
9qo de 1972, que eu pautara e coor-
denara, comentara: "Ja enfrentamos
reporter, editor e dono de journal. Ago-
ra 6 a vez do pauteiro". Ouvi e reagi:
era o melhor elogio que eu podia re-
ceber. Appy se foi, mas antes deu um
tapinha no meu ombro, como aprovan-
do minha attitude. Nada 6 melhor para
um jornalista do que ser respeitado e,
se possfvel, temido pelos poderosos.
0 Jornal Pessoal 6 uma publicago
rdstica, primaria. Mas estA no clipping
dos poderosos que agem na Amaz6-
nia. E sob sua mira, quando o caso.
Se eu errar, v8m em cima.
Se o jornalismo brasileiro fosse
melhor, o Brasil estaria melhor?
L.F.P. Sem ddvida. HA um com-
ponente pedag6gico no jornalismo, que
devia ser considerado tio important


quanto vender mais, conseguir mais
andncios, impressionar. Quando um
tema Arido 6 o mais important da
quinzena, eu nao tenho ddvida em co-
locA-lo na capa, mesmo que o prego a
pagar seja vender menos, ou dar gran-
de espago a uma questao econ6mica,
tecnol6gica, cientffica. Se o leitor nMo
se interessar ou achar chata a mat6-
ria, 6 problema dele. Fiz a minha par-
te: alerta-lo para a relevAncia ou gra-
vidade do assunto.
A empresa Vale, que extrai mi-
n6rio em Itabira desde 1942, lu-
cra bilhoes de reals anualmente na
cidade e causa um gigantesco im-
pacto ambiental: paisagem brutal-
mente desfigurada, assoreamento
de c6rregos, poluicio do ar, casas
trincadas pela detonacio nas mi-
nas, comprometimento no abaste-
cimento future de agua, entire ou-
tros problems. 0 que a empresa
retorna a Itabira, diante do que lu-
cra na cidade, 6 faisca de migalha.
Soma-se a isso um governor muni-
cipal danado de incompetent,
obscurantista, que administra mal,
muito mal, o dinheiro public. A
Vale tamb6m retira min6rio no
Parf. Como v6 a operacAo da em-
presa em seu estado?


L.F.P. Carlos Drummond de
Andrade lamentou que, corn a lavra
no Pico do Caue, Itabira se tornara
um retrato dolorido na parede. Se
ele viesse a CarajAs, no sul do Pari,
teria um choque maior ainda. E a
melhor jazida de min6rio de ferro do
mundo. Quando comegou a ser la-
vrada, em 1984, devia durar pelo
menos 400 anos. Hoje, a previsao 6
de menos de um s6culo. No ano pas-
sado dela safram 100 milh6es de to-
neladas. E o equivalent A produhao
americana do p6s-guerra. Para que
essa hemorragia de riqueza natural
se mantenha, o maior trem de carga
em operaqao no mundo faz nove vi-
agens diArias entire a mina e o por-
to, em Sdo Lufs do Maranhdo. 0
Pard se tornou o quinto maior ex-
portador do Brasil e o segundo es-
tado que mais fornece divisas ao
pafs, abaixo apenas de Minas Ge-
rais. Mas 6 o 16 em desenvolvimen-
to human, o 21 em PIB per capital
e o quarto em violencia, embora te-
nha a nona populagio do pafs. 0
modelo colonial do qual a Vale 6 o
expoente responded por essa situa-
glo absurda. E um crescimento a
rabo de cavalo: quanto mais cresce,
mais vai para baixo.


As armas da destruigao


0 artigo a seguir e o que escrevi para a minha coluna quinzenal no
portal do Yahoo. Quem o acessar verd que o texto provocou
manifestaVoes apaixonadas e ate ofensivas. Apesar do tom de sentence
dos posts, fica a sensadco de que a maioria das pessoas ndo leu o
artigo, ou, se o leu, ficou nas primeiras linhas. Devem ter considerado
desnecessdrio ir ate o fim porque jd tinham um juizo acabado sobre a
questao suscitada pela morte de Osama Bin Laden.
Essa conviccao se baseia em verdadeiro conhecimento de causa, a
partir de leituras aprofundadas sobre o tema ou eventuais visits aos
cendrios onde ele se realize? Ou a certeza advdm de catecismos
conceituais, nos quais a verdade d dogma de f,? Quem percorrer alguns
livros diddticos de hist6ria, geografia, sociologia ou ciencia political
verificard que os conceitos costumam se antecipar aos fatos,
apresentados apenas para confirmar a afirmacdo privia.
Talvez seja por isso que muitos dos leitores se expressam como se
estivessem desfazendo uma teoria conspirat6ria, mesmo quando utilizam
fatos bem conhecidos pelos jd iniciados na questdo. Ningudm duvida
que por trds da diplomacia bdlica (do big stick) americana estd a
inddstria de armamentos e os produtores de petr6leo. Mas nem sempre a
relagdo de causa e efeito e direta ou result em efeito comum. Tambdm
jd e por demais sabido que a CIA armou Bin Laden quando isso
interessou aos Estados Unidos, empenhados em fortalecer o
Afeganistdo contra os invasores russos. 1*


MAIO DE 2011 1'QUINZENA Jornal Pessoal l






* Mesmo com o dominio desses mesmos fatos, entretanto, analistas mais
rigorosos precisam buscar fatos concretos, histdrias reais, personagens de
came e osso, antes de chegar a uma conclusdo ou poder fazer uma
afirmativa. t em respeito a relevdncia da hist6ria. Quando real, ela ndo
apenas confirm as grandes tendencias e as previsoes categ6ricas: tambdm
as desfaz, acrescentando a surpresa e o novo, o imprevisto e o indesejado,
o contradit6rio e o contraposto, sem os quais ndo haveria hist6ria humana,
antidoto as verdades absolutas, a intolerdncia e ao totalitarismo.
0 artigo que reproduzo, aldm de estar delimitado pelo espago reduzido que
tenho no portal, procurou se situar no tema da coluna Amazonia e meio
ambiente para sondar uma perspective especifica do assassinate do lider
terrorist pelas forgas armadas dos Estados Unidos.


G atentado de 11 de setembro de
S001 provocou tries mil mortes
' e prejufzos materials de pelo
menos sete bilhoes de d61ares aos Esta-
dos Unidos apenas corn o desabamento
dos dois maiores pr6dios de Nova York,
do World Trade Center. A vinganga ame-
ricana contra o author intellectual do ata-
que, Osama Bin Laden demorou uma d&-
cada, resultou em menos de duas deze-
nas de mortos e danos materials insigni-
ficantes, se considerados apenas os di-
retamente relacionados ao ato de execu-
qao do terrorist ndmero um do mundo.
Para poder recolher informag6es e
planejar a consumaqao da investida con-
tra o chefe da Al-Qaeda, quantos bilh6es
de d61ares nio tiveram os americanos
de gastar? Ha quem fale em 1,15 trilhao
de d61ares.
S6 para manter a inconfiAvel alianga
com o Paquistao, onde Bin Laden se ho-
miziou, gragas A evidence conivencia de
algum segment do governor local, os
EUA investem US$ 2,3 bilh6es por ano.
Considerando-se a correlagao, pode-se
concluir que a maior potencia mundial
realmente saiu ganhando em mais este
confront da guerra santa que desenca-
deou contra os radicals islamicos?
t diffcil contestar o direito dos ame-
ricanos de retaliar o mais grave atentado
que seu pais jf sofreu em toda a sua his-
t6ria. A vinganqa era uma questlo de hon-
ra, ao menos na perspective da 6tica e da
moral do american way of life. A naqao
parece disposta a pagar o preqo que os
seguidores de lideres como Bin Laden irio
cobrar. Mas qual serd esse prego? Nin-
gu6m sabe. 0 maior trunfo do terroris-
mo atual 6 ser imprevisfvel, sem limited.
Os americanos deviam saber disso.
Os documentaries registram a perplexi-
dade da marinha dos EUA diante dos pi-
lotos japoneses kamikazes. Por mais po-
derosas que fossem as armas de defesa,
competentes os seus manejadores e he-
r6icos os combatentes, o que fazer dian-
te de um avilo pilotado para seguir con-
tra o alvo at6 o sacriffcio human final?
Para os pilots suicides do Japao,
morrer era o mais sublime dos atos de


honra e dignidade. Nisso, eles eram in-
comparAveis e inimitAveis. A resposta
americana teve que ser dada atrav6s de
duas bombas nucleares. Nem kamikazes
podiam sequer iguala-la. SuperA-la esta-
va fora de cogitagqo. 0 Japao se rendeu
incondicionalmente.
Os terrorists inspirados pela dou-
trina islamica e os compromissos naci-
onais do Oriente ultrapassaram o limited
dos pilots suicides japoneses. Se al-
gu6m pode reivindicar a personificaqao
da mitologia dos cavaleiros do apoca-
lipse, eles nio tern concorrentes. Nem
de long.
Basta ver as ima-
gens das manifestag6es
de protest pela more
do lfder da Al-Qaeda.
Nao mais apenas ho-
mens-bomba: crianqas-
bomba desfilaram numa
march na Palestina,
devidamente paramen-
tadas para o sacriffcio
corn seus cintos de ex-
plosivos. 0 que fazer
diante desses inimigos:
lanqar uma nova bom-
ba nuclear? Onde? Exa-
tamente contra quem?
A conjuntura de
1945 no Japao nada
tern a ver com os dias
de hoje. As terrfveis ar-
mas geradas pela tec-
nologia de ponta made
in USA podem ser usa-
das A larga e ainda assim a vit6ria dos
seus portadores serd como a de Pirro.
Podem at6 conquistar uma vit6ria, como
a que comemoram desde o desapareci-
mento de sua maior ameaga, na forma
de uma dnica pessoa. Mas ganhardo
sem levar.
No entanto, precisario agora ainda
mais do que antes manter a escalada
contra os grupos radicals islimicos. Sua
melhor defesa 6 continuar atacando, di-
minuindo as margens de tempo e de es-
pago daqueles que tamb6m irio intensifi-
car seus pianos de ataque.


O leitor que chegar at6 aqui pergun-
tard: mas o que estas consideraq6es tem
a ver com meio ambiente e AmazOnia,
temas desta coluna? A relagao estd na
prioridade crescente que o combat ao
terrorism terd, ao menos durante os pr6-
ximos meses, em todo o mundo.
Outras plataformas perderAo subs-
tancia e atenglo. Sobretudo se continu-
ar a prevalecer a iluslo de que os inimi-
gos da civilizagao ocidental, como sao
considerados todos os que se acham fora
dela, por opqAo ou constriqdo, podem
ser vencidos pelas armas, pela forqa,
pela violencia.
A que persuasdo estd sujeita uma cri-
anga ou um adolescent disposto a se
explodir por uma causa, ou, dito de ou-
tra maneira, contra um inimigo incondi-
cional, escolhido como tal?
Algu6m que aceita esse grau de sa-
criffcio por uma razio abstrata nio
pode ser dobrado. A opcqo mais fecun-
da devia ser a de ir atrAs de resposta
para outro tipo de pergunta: por que
pessoas em condig6es iguais, com o
mesmo potential de submissdo A ordem
de morte (sua e de terceiros), nao fize-
ram essa escolha at6 agora?
Essa pergunta podia
'A ser feita a milhOes de
cidadios (e ex-cida-
daos) que, nascidos nos
pauses demonizados
pela ret6rica americana
disseminada a partir de
Ronald Reagan, vivem
atualmente em pauses
regidos pelos principi-
os da civilizagqo oci-
dental. E neles perma-
necem por decisAo vo-
luntaria, atendendo 4
mais humana das sedu-
goes: uma vida melhor,
mais digna, mais con-
fortivel. Podem at6 nao
te-la ainda. Podem at6
mesmo nunca chegar a
alcanqi-la. Mas tem
mantem essa esperan-
/ ga, ou ilusao.
Aplicando cada vez
mais recursos na guerra, os pauses que
se fortaleceram pelo respeito a valores
sob a ameaca do terrorism internacio-
nal deixario de investor na melhoria das
condicoes de vida dos seus habitantes,
nativos ou imigrantes, condicoes tanto
sociais quanto ecol6gicas.
JogarAo fora arma (nao letal) muito
mais eficiente do que as empregadas para
matar Bin Laden e os que se lhe segui-
rem, venham a ser eles homes adults
ou crianqas-bomba. Ao inv6s de se for-
talecer, o mundo continuard a ser um
barril de p61lvora. Cada vez mais.


a Jornal Pessoal MAIO DE 2011


1*QUINZENA






Denuncia da justiga: o coro dos silenciosos


De todos os ilustres personagens citados na materia
de capa da ediado passada, sobre dendncia encaminha-
da ao CNJ contra membros do poder judicidrio no Pard,
incluindo desembargadores, apenas a promotora pdbli-
ca Ociralva Tabosa se manifestou. Sua carta, no exer-
cicio do direito de resposta, respeitado como coisa sa-
grada por este journal, vai publicada a seguir.
Todos os demais se mantiveram calados. A grande
imprensa tambdm, o que d um absurdo. 0 caso relatado
no JP anterior d suficientemente grave para exigir a pres-
taCdo de contas dos servidores pdblicos a sociedade. Se
os denunciados preferem ndo se manifestar, a imprensa
tem que ir atrds dessas informacdes para repassd-las ao
seu pdblico. E um tema candente e impressionante.
A ilustre titular da 3a Promotoria de Justica do Juizo
Singular de Belem revela sua decepado em relagdo a
este journal, que ati entdo merecia "certa admiracdo"
sua. Acha que a materia foi unilateral e ndo checou os
dados apresentados, o que a leva a aspear (corn evi-
dente intengdo critical) a expressed liberdade de impren-
sa. A deduado imediata d que, para ela, houve abuso
no exercicio desse direito, o que pode sujeitar este re-
dator a mais um process, embora desta vez, louve-se a
missivista: pelo menos algudm referido pelo JP dd-se
ao trabalho de dizer por que discorda dele.
A material de capa se baseou numa longa dendncia,
com quase mil pdginas de documents anexos, cdpias in-
tegrais dos processes que levaram o cidaddo Ophir Al-
ves da Silva, de 86 anos, a recorrer ao Conselho Nacio-


nal de Justica contra os atos de tris desembargadores,
seis juizes e a nobre promotora. Depois de ler e analisar
todos os documents e a dendncia, achei que a questdo
tinha relevancia suficiente para merecer uma materia
destacada. Afinal, ao ser protocolada no CNJ e passar a
tramitar pelo Conselho, tornou-se matiria de ordem pd-
blica. De relevant ordem pdblica.
Nao ouvi os denunciados porque ndo estd em causa
se eles decidiram certo ou errado, mas a iniciativa do
denunciante, mais uma que chega ao CNJ contra o ju-
dicidrio do Pard. A acusacdo pode ndo prosperar por
debilidade e inconsistgncia, mas d obrigagdo dos acu-
sados e do poder ao qual serve prestar contas aos
jurisdicionados. Mesmo porque haverdo de receber a
interpelacdo do drgdo superior.
0 TJE parece cultivar solene indiferenCa por esses
questionamentos dos cidaddos e mesmo da instdncia su-
perior Tanto que a corregedora do CNJ, ministry Eliana
Calmon, teve que vir a Belrm com 15 processes em mdos
para que neles fosse firmado o recebimento pelo repre-
sentante da justifa estadual e assim as reclamacoes pu-
dessem seguir o seu curso, devidamente instruidas.
E lamentdvel que em moments delicados, que envolvem
critics e controvdrsias, ainda se aposte na conspirafdo do
silencio, a qual a grande imprensa se alia indevidamente,
traindo seus compromissos corn a opinido pdblica. Este jor-
nal, que jamais renunciou ao seu oficio, manterd a cobertura
do assunto. Como sempre, abrindo espago para quem quiser
se manifestar em defesa da verdade e da causa pdblica.


T nha uma certa admiragqo por
esse jomal principalmente pela
pessoa que dela fazia parte.
Uma pessoa que no meu conceito era
comprometida corn a verdade, livre de
qualquer influencia ou comprometimen-
to. Ocorre, que toda admiracqo que
havia conquistado desse journal veio
por terra com a noticia estampada no
Jornal Pessoal A Agenda AmazOni-
ca de Ldcio FlAvio Pinto, que encabe-
gou a seguinte dendncia: "Justiqa do
Pard acusada. Um cidaddo de 86 anos
acusa o poder judici6rio do Estado de
acobertar o roubo de um carro para pro-
teger o sogro e o cunhado de um de-
sembargador. A dendncia, encaminha-
da ao CNJ, atinge tres desembargado-
res, seis juizes e uma promotora, al6m
da policia. t um libelo contra o poder
publico no Pari".
Tal noticia, permitida e estampada
por Vossa Senhoria, ventilou meu nome
de forma injusta, precipitada e illegal,
causando corn uma simples mat6ria, uni-
lateral, danos nefastos a image dessa
Promotora de Justiga. A prop6sito da
noticia-dendncia, venho, na condido de


cidada e promotora de justiga, informar
a Vossa Senhoria que procuro desem-
penhar, com aprumo e independ8ncia
funcional, o mtinus que me cabe, e, nes-
sas circunstincias, depend de elemen-
tos probat6rios capazes de identificar a
materialidade do crime sob investigacgo,
sem os quais fico impossibilitada de ofe-
recer acao penal, pena de incorrer em
lide temeriria.
No caso concrete, exerci a tarefa
constitutional quando respaldada em pe-
ricias t6cnicas, nao comportando falar em
prescrigqo em abstrato, como sinalizou
o embaragado acusador, dono de "ver-
dades" altamente questioniveis, que se-
rdo respondidas no moment oportuno.
Portanto, venho por meio deste ex-
pediente somente lamentar a attitude de
Vossa Senhoria, que em sua "liberda-
de de imprensa", deu azo a uma mat6-
ria sem antes ter o minimo cuidado de
verificar a veracidade de tais informa-
96es, principalmente, quando, analisan-
do-se o caso detidamente, esta subs-
critora cumpriu naquele process sua
funqAo como Promotora de Justiga e
Fiscal da Legalidade.


S6 a titulo de minimo esclarecimento
para Vossa Senhoria, em um Estado De-
mocritico de Direito, institufdo com a
Constituigqo Federal de 1988, o Minist6-
rio Ptiblico, em sua fungqo punitive, antes
de mais nada deve respeitar os direitos e
garantias individuals e para que possa pro-
mover uma aqao penal deve estar respal-
dado por indicios de autoria e materiali-
dade e no caso em apreqo, tais requisitos,
ainda nao se faziam presents, situaqdo
pela qual postergou-se, de modo funda-
mentado, o inicio da acqo penal, e nao foi
como o Sr. deixou entendido no journal,
como se n6s tivessemos colocado o pro-
cesso debaixo do braqo e levado o mes-
mo para casa, e ap6s cinco anos, retor-
nasse corn o mesmo para o cart6rio.
Diante disso, repito novamente, s6
tenho a lamentar a atuaqao desse journal
e mais, a decepqio por desta cidada
que 6 dada a informaqdo, que sem cri-
tdrio e prudencia 6 divulgada manchan-
do a imagem de pessoas como a que
aqui foi contada.
Dra. Ociralva de Souza Farias
Tabosa 3" Promotora de Justica do
Jufzo Singular


aIQUINZENA Jornal Pessoal U


MAIO DE 2011



















Quantos
telefonemas sAo
necessitrios para
saber qual a via-
gem mais econo-
mica (de aviAo ou
de navio) para
Lisb6a ou Porto
Velho?


Nolurahikor 5200 6 o teletone do
sua aogncio do viogens Amazonia Tu-
rismo. sa, outras perguntas s6bre
viagem axcuito do por qual-
qor part* do Mundo. n6s Ihe repon.
deremos, sei qvu V. sola de sua ca-
so. E oindo mondamos doixar a suo
poaoom ai6o, moritimeo ou twestrr.
V. nio perde tempo indo do port eam
port (ou telefoeondo do nGeoro em
n.4mro). e n6o paeg mail por iso -
o ,mno preo 6 o memu dos compo-

Mnrnci a u E GRAm:
eindeo fotaio a rn do nu htUI tI
canudte a su
Ca dos do kltm 0


CIDADE
A Celpa estA enfiando novos postes de
concrete para ampliar a rede de distribui-
9,o de energia. Acha que assim melhora as
condiq6es de vida da populagao. Belenense
ndo tem sequer o direito de sonhar corn fia-
qao subterranea, como nas cidades civiliza-
das. Tern que se contentar corn mais redes
areas de energia. Afinal, ji tem um servi-
go subterrfneo, o de Agua.
Isso 6 pouco? Pois lembre-se que em 1967
o Departamento Estadual de Agua, que ante-
cedeu a Cosanpa, comeqou a substituir as tor-
neiras p6blicas dos subirbios por tubulaqio en-
terrada. Mas antes que se consumasse a mu-
danqa, os moradores da periferia da cidade
sofreram muito: a demora na substituiAo foi
grande. Bairros como o populoso Jurunas, a
Sacramenta e o Acampamento s6 dispunhamrn
de duas bicas cada um para tender a todos.
No Acampamento, por exemplo, uma tor-
neira ficava na Timb6 e outra na Vileta, para
tender clientele situada num raio de 10 qui-
l8metros. Para um desses locais os morado-
res da Curu9A precisavam caminhar, sob sol
ou chuva, transportando suas latas e as tra-
zendo de volta na cabeqa, ou com carrinhos.
Ou, ainda como faziam alguns, rolando barris
corn o realmente precioso liquido dentro. Fi-
las interminAveis se formavam.
Hoje elas acabaram. 0 drama mudou de
enredo.

PROPAGANDA

Turismo ficil
Em 1962, como atd mesmo conseguir
informa6oes sobre viagens era dificil, a
pioneira Amazonia Turismo garantia
poder responder a qualquer pergunta
sobre viagens e excursoes. Bastava ao
client ligar para o namero do seu
telefone, o 5200, para ser atendido,
sem precisar sair de sua casa. E em
domicilio receberia a passage, fosse
ela area, marftima ou terrestre, sem
pagar mais por isso: "o nosso prego e o
mesmo da companhia transportadora",
garantia a agincia, que ficava logo no
inkcio da Campos Sales, no velho centro
commercial de Beldm.


TELEVISAO
A segunda emissora de te-
levisdo do Para, a Guajard,
canal 4, foi ao ar em 27 de
margo de 1967, instalada no
260 andar do edificio Manoel
Pinto da Silva, entAo o maior
do Norte e Nordeste do Bra-
sil. Pertencia A Organizaqdo
Lopo de Castro, do casal
Lopo e ConceiqAo de Castro
(ele fora prefeito de Bel6m e
deputado). Contratou com a
TV Globo a apresentaqio dos
programs de maior audien-
cia da televised de Roberto
Marinho, que comeqava sua
trajet6ria para a lideranqa na-
cional. Perdeu o contrato
quando Romulo Maiorana ins-
talou a TV Liberal, quase uma
d6cada depois.

AUTOM6VEL
Os 20 primeiros carros Ci-
troen importados de Paris che-
garam a Bel6m em 1948 e fo-
ram vendidos pela firma Mi-
randa & Cia., de Arlindo Se-
veriano de Miranda. Eles se
tomaram preciosidades porque
a Citron acabou desistindo de
se instalar no Brasil e Miran-
da extinguiu a representaqio.
Um desses autom6veis, de-
pois de circular por Bel6m du-
rante quase 20 anos, foi a lei-
lao, mas dentre as poucas pes-
soas que se interessaram pela
oferta, nao apareceu arrema-
tante disposto a pagar o preqo
mirnimo, de 1,2 mil cruzeiros no-
vos (sem atualizacao monetA-
ria, o preqo original foi de 42
cruzeiros novos). Por ironia, o
leillo ocorreu na Agencia Lo-
pes Pereira, do outro lado da
travessa Campos Sales onde
funcionava a Miranda & Cia.


UJornal Pessoal MAIO DE 2011 1'QUINZENA


MEM6T&



































CEPC
Vejam s6 quem "gazetou"
aula (ou simplesmente faltou)
no "Paes de Carvalho" no dia
18 de margo de 1967: Joao
Carlos Maneschy, Maria
Jose Tancredi, Eliana Cutrim,
Ocyrema Koury, Francisco
Conte, Vera Ldcia Pontes,
Vicente Cecim e Jos6 Maria
Fragoso Toscano, que fre-
qitentavam do gindsio ao
clfssico e cientffico.

PONTE
A Meta (Mosqueiro Em-
preendimentos Turismo) foi
criada em 1967 para cons-
truir a ponte sobre o furo das
Marinhas ou rio Tauari6. Se-
ria a ligaqAo terrestre entire
Bel6m e o seu balneArio fa-
vorito, que era acessivel ape-
nas de barco. Instalada s6
dois anos depois, em 1970 a
empresa apresentou seu pri-
meiro balango. Nao tinha
sede pr6pria, funcionando na
resid8ncia do seu presiden-
te, Rodolpho Chermont. Ti-
nha como dnico funcionario
um contfnuo. Mas contava
corn mais tres diretores: Luiz
Vir6rio Bisi era o superinten-
dente, Edmundo Moura o te-


soureiro e Augusto Meira
Filho o director t6cnico. Cada
um dava conta do seu servi-
qo. Corn tdo pouco, a Meta
jf tinha o projeto para a cons-
trucqo da ponte, elaborado
pelo escrit6rio de engenha-
ria de Ant6nio Alves de No-
ronha, do Rio de Janeiro. Seis
firmas tinham se interessa-
do em participar da concor-
rancia.
Parecia que tudo ia bem e
a ponte surgiria logo. Pare-
cia. Deu o contrArio mais
adiante.

OAB
Pedro RosArio Crispino
teve 446 dos 460 votos apu-
rados na eleiago para a dire-
qao da Ordem dos Advoga-
dos do Pari em 1972, na cha-
pa encabeqada por Cl6vis
Malcher. 0 segundo mais
votado foi Eudiracy Alves da
Silvam corn 442, seguido de
Paulo Klautau, com 439 e
Felipe Melo Filho, corn 437
votos. Eram conselheiros
natos nessa 6poca OctAvio
Meira, Aldebaro Klautau,
Otivio Mendonqa, Daniel
Coelho de Souza, Egydio
Salles e Baim Klautau.


FOTOGRAFIA

Prefeito bi6nico
No centro da mesa, o engenheiro Mauro Porto,
um dos tecnocratas que o poder central mandou
para a provincia amazOnica, desconfiado dos
politicos, sobretudo os locais, como uma especie
de interventor. Mauro assumiu como prefeito
bionico de Belim, parecia que realmente seria
um administrator modern e ousado, mas
acabou celebrizado pela acusagao de ter levado
consigo para Petr6polis um dos coretos do Largo
de Nazard, subproduto da horrorosa reform que
ali foi realizada. 0 saldo desses enviados de
Brasilia foi negative, apesar das promessas de
despotismo esclarecido que eles trouxeram. Nesta
imagem de 1970, ouvem o prefeito os jornalistas
Manoel Pompeu Braga, Dalvino Flores e
Ribamar Fonseca.


DISCOS
Em 1972 A Provincia do Pard registrou uma nova febre
na cidade: as discotecas. Atd pouco antes havia apenas uma
loja de venda de discos, que tamb6m comercializava eletro-
dom6sticos. Surgiu entio na Campos Sales uma nova loja, a
Recordisco, em frente A Livraria Martins, a mais frequenta-
da da 6poca. Em pouco tempo, em apenas dois quarteir6es
da travessa, jt havia cinco discotecas. Duas delas eram da
rede S6-Disco, que se dava ao luxo de manter uma loja ape-
nas para a venda de clAssicos. Aos sAbados, ficavam lotadas,
principalmente por jovens atrAs das novidades. Os vizinhos
de vez em quando reclamavam do barulho, mas ndo muito.
Era a fase de ouro dos discos.


MAIO DE 2011 1AQUINZENA. Jornal Pessoal f













BBNEDITO
0 Tributo a Benedito Nunes pro-
nunciado por Victor Sales Pi-
nheiro no VIII Col6quio Luso-
Brasileiro de Hist6ria da Arte
no ultimo dia 07/04 "emocio-
nante e emocionado", como
disse Vicente Salles 6 uma
notdvel homenagem ao fll6so-
fo paraense. Nao s6 pelo teor,
mas porque 6 um testemunho
que somente Victor era capaz
de dar, em virtude da sua posi-
cao (absolutamente singular)
no entourage afetivo e intelec-
tual do Prof. Benedito.
Pressente-se o carAter ines-
perado, extra-ordinario e "in-
tempestivo" do encontro e da
amizade cornm o jovem Victor Pi-
nheiro nos lItimos anos de
vida de Benedito Nunes. Se
para o mais novo foi uma ex-
periencia profundamente for-
madora e transformadora
(como revelou o seu Tributo),
para o mais velho ela certa-
mente foi renovadora, aldm de
fecunda. A partir de 2009, Pi-
nheiro tornou-se o principal
editor, organizador e intdrpre-
te (agora legatdrlo?) da obra
de Nunes; sio dois livros pu-
blicados e quatro no prelo, to-
dos com o selo "Organizaalo
e apresentaio Victor Sales
Pinheiro". Numa relacio que
tinha tudo para ser desigual,
aconteceu uma rara e verda-
deira reciprocidade cada um
recebendo e doando na mes-
ma (generosa) proporcio. A
marcante juventude de Victor
Pinheiro nos faz lembrar as
maravilhosas pAginas de Han-
nah Arendt sobre a notalidade
e o recomego no encontro entire
gera6es, e sugere que Victor
pode ter sido o "neto" que Be-
nedito (corn tantos "filhos"
espirituais) nao teve.
Patrick Pardini

DRMOCBACIA
Li seu artigo sobre a lei Fi-
cha Limpa. Vou dar uma opi-
nino sobre essa lei e a nossa
realidade.
Quando a li, logo que foi
aprovada, tive duas "certezas":
vai valer nas eleices de
2012 em diante;
vai levar tempo para ver-
mos resultados concretos.
Meus conhecimentos de "di-
reito" vem de meus estudos na
Italia, pAtria do Direito Roma-


no e da Mdfia, tambdm, aldmr
da experiLncia de vida que tive,
vivendo fora do Brasil tanto
tempo. Corn isso quero dizer
que foi Ia que descobri, por
exemplo, que:
o famoso "habeas corpus",
existe no direito ingles, mas no
itallano, nio;
que a "patria podesta", o
p6trio poder, tirava todo e
qualquer direito/poder de
uma mrie de culdar do seu fi-
Iho. Ou seja, esse pdtrio po-
der nunca seria dado a uma
mulher (nem no sdculo XX), na
Italia;
e que as leis nio tern po-
der retroativo, ao menos para
punir....
Aqui entra em question a nos-
sa lei da Ficha Limpa. No dia
em que foi aprovada, a li e fi-
quei corn pena porque nlo va-
leria para as eleices que se
aproximavam. Me admire, por-
tanto, quando comecei a no-
tar o esforco de vdrias cama-
das da sociedade em dire;o
contrdria. Pior ainda foi a mi-
nha surpresa quando vi todos
aqueles membros nio sei de
qual Conselho de incompeten-
tes (ministros do STF?), votar a
favor de sua validade para as
elei;6es que se aproximavam.
Calei, assustada corn aque-
la decision; admirada porque
ningu6m chamava em causa
urn dos princfpios do direito:
uma lei nunca deve ser retroa-
tiva. de fato, diferentemente se-
ria multissimo perigoso.
Na verdade, meu trabalho
na Italia me levou a acreditar
nas leis, Onico modo de ter
"direitos reconhecidos" e
aqui, vejo que leis nao tern
valor nenhum; que aqui nio
existed 6rglos que verifi-
quem a aplicacio das leis;
que funcionarios publicos,
de qualquer grau de compe-
tencia, ignoram ou mal apli-
cam as normas em vigor. Do
Patrim6nio ao Transito...
Uma Democracia assim 6
"capenga", e 6 a falta de vigi-
lancia e control o que leva a
essa farra com o nosso direito.

Como 6 que ningubm tomou
nenhuma provid4ncia contra
aqueles juizes que votaram ig-
norando as regras do direito e
criando ilus8es nos cidadlos,
a respeito da aplicacio da lei
da Ficha Limpa? Como 6 que
somente um se lembrou de
aplicar a norma e, ningu6m re-
clamou do comportamento dos
outros? Se o direito 6 tio opci-
onal assim, que certeza temos?
Se membros de 6rgaos tio im-


portantes se comportam igno-
rando as normas do direito o
que dizer do povo?
A experihncia que estou
tendo aqui a esse respeito 6
muito preocupante. Diaria-
mente descubro abusos de
poder de funciondrios, inclu-
sive, de baixo nivel, ou seja,
nio somente de jufzes, mas
desde o porteiro do Palacete
Pinho atd diretores de 6rgaos
pdblicos, para nao dar exem-
plos maiores. Ganham orde-
nados para fazer respeitar
leis que nao conhecem nemr
a existgncia.
(Francamente, ainda nio
encontrei urn 6rgio publi-
co que satisfizesse, ao me-
nos parte de suas compe-
thncias, dando-me razSes
de admiraclo.)
Tens razio, portanto, quan-
do dizes que Nao sdo as virtudes
do democracla, mas as suas fo-
Ihas, que podem permitir... deter-
minados abusos, determina-
das falhas, fruto da incompe-
tencia de tantos poderosos; da
ignorAncia das leis em vigor;
fruto da conivdncia de tantos
de n6s que votamos quem nio
merece; fruto de medo dos va-
rios "caddveres" que temos
escondidos nos armdrios de
nossa vida; fruto dessa nossa
"sonolencia cabocla", que leva
a maioria a esquecer a aplica-
cao de principios morals e 6ti-
cos, assim permitindo que vi-
l8es continue a ter espavo
em todo canto..
Isso tudo 6 muito deprimen-
te e, aldm de constatar, nao sei
o que fazer... e ainda estou
perdendo amigos por evidenci-
ar tudo isso.
Dulce Rosa Rocque

AVALIAAO
Lama nas proflss5esjuridicas
Agora deu pra entender seu
"sumico" interndutico... Para-
bens pela materia. Pessoal-
mente, nlo vi nada na grande
imprensa, de olhos oportuna-
mente miopes. Sao mat6rias
como esta que conferem ao
Jornal Pessoal o titulo de reser-
va moral do jornalismo de ver-
dade, o jornalismo que anda
sempre na linha de tiro dos
poderosos. Esse 6 urn caso
exemplar do que estd perdido
no meio juridico e indicia o
que mais poderd se perder, se
nao aprofundarmos o debate
sobre o papel das profiss6es
juridicas na sociedade. A cha-
mada para esta reflexio 6 an-
tiga, como antiga 6 a necessi-
dade do debate, antiguidade
que 6 sintoma da omisslo crb-


nica e sistemdtica quanto a
essa discussion.
E o papudinho 6 finito
Como diz o Ariano, ou melhor,
o Chic6: "Cumpriu sua senten-
ca e encontrou-se corn o dnico
mal irremedidvel, aquilo que
6 a marca de nosso estranho
destino sobre a terra, aquele
fato sem explicacio que igua-
la tudo o que 6 vivo num s6 re-
banho de condenados, por que
tudo o que 6 vivo, more (...)".
Essa matdria 6 daquelas que
nao se compra pelo t[tulo e os
que 14em podem, se tiverem
perspicdcia, aquilatar o tesou-
ro que acabam de auferir. Uma
aula dos vai-vens da political
paraoara recent. E tudo ma-
gistralmente condensado, mas
A forma de pistas, quern preci-
sar e quiser aprofundar os te-
mas, tern nesse texto pistas
seguras. Foi tamb6m uma con-
vocat6ria espontanea a forma-
Cio de novas liderancas politi-
cas, senio porque os que ain-
da restavam nio eram mais
capazes de liderar nada, mas
agora simplesmente porque
estio fisicamente impossibi-
litados de qualquer coisa.
0 nosso Doutor Vicente
Creio que se queremos ho-
menagens ao grande Vicente,
teremos de lutar por elas. Pen-
so que o JP serd uma grande
trincheira nessa luta. Aqui vai
uma proposta: condensar, por
afinidade temdtica, os textos
que o Vicente publicou em Mi-
cro-ediCes, numa edicgo co-
memorativa de seu aniversa-
rio, tudo a ser lancado no dia
em que a UFPA Ihe conceda o
titulo de Doutor Honoris Cau-
sa. Uma just homenageml
Parabdns pela mena5o que ele
te fez. Hd muito ele reconhece
teu talent. At6 publicou um
questiondrio que fizeste a ele,
no livro em que ele publicou o
estudo sobre o sesquicentenA-
rio da Cabanageml
Marion AurdlioTapaj6s Araijo

JUSTI9A
Li a matdria no seu journal
sobre a Justica do Para. Fiquei
impressionado cornm a falta de
sorte desse senhor e seu fi-
Iho, mas de todos esses ma-
gistrados citados na matdria
posso falar corn propriedade
da desembargadora Luzia
Nadja, que monocraticamente
negou o seguimento e extin-
guiu o recurso de apelaVlo sob
alegagio de intempestividade
do recurso. Ela 6 camped de
negar seguimento aos recur-
sos distribuidos a ela. S6 de
recursos interpostos por mim,


Jomal Pessoal

Editor: Ltcio FlAvio Pinto


Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626
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Mjornal Pessoal MAIO DE 2011 1QUINZENA


IUl lJornal Pessoa! MAIO DE 2011 IIQUINZENA






ela negou seguimento a dois
em menos de um ano, corn as
alega 8es mais infundadas
possiveis, tipo intempestivi-
dade e falta de documents
essenciais.
0 primeiro recurso, o da in-
tempestividade, o magistrado
a quo sentenciou a favor do meu
client, fazendo perder o obje-
to do recurso, e o mesmo en-
contrava-se totalmente tem-
pestivo; do segundo recurso, o
da falta de documents essen-
ciais, recorri e prove que os
documents essenciais que
supostamente estavam faltan-
do encontravam-se no proces-
so, nas folhas indicadas por
mim, s6 que ela, em uma ati-
tude arbitrdria, vem negando
o provimento dos recursos. E
esse recurso 6 mais grave, pois
trata-se de um cumprimento de
uma decision liminar exarada
em perlodo normal de funcio-
namento do F6rum da Comar-
ca de Almeirim, mas que foi


cumprida em pleno period de
recesso forense de ferias na-
talinas, sem o magistrado da
Comarca ter autorizado o Plan-
tio Judicial, violando resolu-
;go do CNJ, resolu;Ao do pr6-
prio Tribunal de Justia, que
ela assinou.
Quero crer que tal situa;So
se deva h displic4ncia ou des-
leixo de sua assessoria, jd que
em um simples manuseio dos
processes percebe-se facil-
mente a documenta;io junta-
da. 0 que 6 estranho 6 que
sempre a outra parte envolvi-
da no process e que 6 benefi-
ciada por essas negag;es de
seguimento, especificamente
no meu caso, sao instituigoes
financeiras poderosas ou gran-
des grupos econ6micos.
Walmir Hugo dos Santos Jdnior

1=M61ma
Uma pequena correcgo ao
"Mem6ria do Cotidiano" do
JP 487.


A Ibesa nao era revendedora
no Pard dos refrigeradores Ge-
lomatic. Ela era a fabricante e
sua sede era em Pernambuco.
A Pereira Lopes, que j6 fabri-
cava a Gelomatic, comprou a
Ibesa e se tornou Pereira Lo-
pes Ibesa. Daf surgiu a Climax,
mais tarde comprada pela Re-
fripar, salvo engano, que man-
teve apenas as marcas Climax
e Prosd6cimo. Mais A frente -
acho que nos anos 1990 a
empresa foi comprada pela
sueca Electrolux, que manteve
apenas a marca Prosd6cimo, e
assim mesmo s6 por algum
tempo (lembre que "Prosd6ci-
mo" era quase que sin6nimo
de freezer...). Depois, essa
marca tamb4m dangou, prova-
velmente pra n5o tirar espaco
da marca mundial...
0 modelo do andncio que
voc6 publicou no JP 487 6 de
uma Gelomatic a querosene.
Em 1957 o abastecimento de
energia eldtrica em Beldm era


p6ssimo (n3o que o de hoje
seja flor que se cheire, nd?).
Os models de geladeira mais
vendidos funcionavam a que-
rosene. Observe, no anincio,
que, abaixo da porta, hd um
compartimento que est- fe-
chado. Nesse compartimento
havia um tanque de querose-
ne. Ao fundo, no canto poste-
rior esquerdo do tanque, ha-
via um queimador. 0 pavio do
queimador era controlado por
um botlo sobre a parte ante-
rior do tanque, que se ligava
ao queimador por uma haste
metalica. Assim, era possivel
controlar a chama, aumentan-
do-a ou reduzindo-a, sem ter
que se deslocar o tanque de
querosene.
Por alguns anos, ainda ga-
roto, uma de minhas respon-
sabilidades na familiar era
monitorar a chama e o nivel
de querosene numa Geloma-
tic desse tipo.
Elias Tavares


De volta

Depois de 16 anos, voltei a Paris, a convite. Foi a mais provei-
tosa das viagens que jA fiz. Houve tempo para fazer o percurso
pelos locais famosos da cidade, o que antes, sempre a trabalho,
me faltou. 0 que se tira de melhor dessas peregrinaq6es sdo mo-
mentos. E impossfvel pretender usufrutos mais demorados. HA
hordas em excursoes que nao deixam pedra sobre pedra.
Quem viu a beleza criada pelo home As margens do Sena, ao
long de s6culos, viu. Quem nao viu, nao vera mais. Nao hA urn
moment mais duradouro para a observagAo, a reflexdo, o prazer,
em sua expressao est6tica mais profunda. 0 melhor da viagem foi
a observagio dos tdmulos no cemit6rio Pere Lachese, hist6ria pro-
funda e sincera de moments da hist6ria humana, como a guerra
civil espanhola, a Segunda Guerra Mundial, a perseguigio nazista
aos judeus. Mais do que a dltima morada de tantos notAveis (de
verdade, nio como acento de exclamaqAo em coluna social) que
viveram na Cidade-Luz.
Tamb6m alguns minutes ao lado do jardim que circunda o pr6-
dio do Senado, sem a presenga das abelhas que zunem corn suas
mAquinas fotogrAficas e seu deslumbramento. A ida aos confins
do pequeno e do grande Trianon, corn jardins que transferem de
imediato a mem6ria aos idflios de Rousseau. Um passeio pela pra-
9a des Voges, manhn se abrindo, em silencio, para ouvir as vozes
do com6rcio de s6culos atrAs.
t impossivel, no mais das vezes, captar o que Paris tern de
dnico: seus tantos acontecimentos, suas muitas criages, dramas
e trag6dias sublimadas, como a de Abelardo e Heloisa, ou as tone-
ladas de saber registrado em livros deslumbrantes, como os que
pude ver na Feira Internacional do Livro Antigo, tAo preciosa que
s6 durou tr8s dias (e, felizmente, tinha pouca concorrencia).
Ao voltar, pretendia dividir corn meu leitor as muitas observa-
q6es e sensages da viagem, mas problems dom6sticos e famili-
ares, al6m das complicag6es inevitaveis no oficio do jornalismo,
me desviaram das pflulas de utopia para o rem6dio amargo da
realidade paraense. Mesmo assim, a carencia de tempo me impe-
diu de atualizar devidamente esta edig o. Fica para a pr6xima,
corn a venia do distinto pdblico.


MAIO DE 2011 1'QUINZENA Jornal Pessoal M


Mem6ria do Cotidiano 3






























Continue a venda nas bancas e
livrarias da cidade o terceiro volume da
cole!do emformato de livro da
Mem6ria do Cotidiano, a seadofixa
deste journal. Corn diagramafdo mais
leve e limpa, para permitir a melhor
leitura e o maiorprazer dos leitores.
Agora, i ir atrds e comprar. 0 editor
agradece.






Anacronismo
As terras de marinha per-
tencentes A Unifo constituem
resqufcio de um direito medi-
eval, a enfiteuse, velho de
quase 200 anos nesse caso.
Foi instituido em 1831 corn
objetivos pragmAticos e espe-
cfficos, que se tornaram no
s6 insustentiveis nos nossos
dias, mas absurdos, para no
dizerbizarros. Espera-se que,
desta vez, o parlamento aca-
be corn essa excrescencia.
Em Bel6m, corn 70% do seu
perfimetro urbano sujeito a
esse enquadramento, por se-
rem areas de baixadas, sujei-
tas a inundar6es periddicas,
6 um entrave A vida regular
dos cidadAos. S6 serve A sede
de impostos do powder central.

Desabamentos
Mais um casaro de va-
lor hist6rico e arquitet6nico
veio abaixo no centro do ve-
lho comdrcio de Bel6m. Jus-
tamente quando os bairros
da Cidade Velha e Campina
sAo tombados pelo patrim6-
nio hist6rico. Constru96es


Television


Parece que a Banda Calypso, de Chimbinha &
Joelma, que estava de asa virada para o grupo RBA, dos
Barbalho, foi perdoado dessa audAcia e readmitida A
corte do grupo Liberal, dos Maiorana. Voltou a sair nas
fotos e se tornou destaque na festa comemorativa dos
35 anos da TV Liberal.
Motivo real para celebrar, por6m, nao havia. Desde
que comegou a funcionar, nunca a Liberal esteve tao por
baixo quanto agora. Se a tend8ncia mais recent se
mantiver, ela deverd ser ultrapassada pela TV Record,
que tern em Beldm sua segunda melhor praqa. A luz
amarela j piscou no painel da Globo.


que se tomaram ou estao se
tornando centenfrias agora
deverdo ter o mesmo desti-
no infeliz durante os pr6xi-
mos meses. Sem merecer a
atengAo dada aos pr6dios
mais famosos, os inicos que,
bem ou mal, foram preser-
vados, seu desaparecimento
compromete o testemunho
fisico na cidade da "era da
borracha". Foi nesse perfo-
do que a maioria desses pr6-
dios foi construida. VArios
deles, apenas corn paredes
externas, estao prontos para
ir ao chAo. Corn eles, um tan-
to da mem6ria da infausta
capital do ParA.


Mestre
O professor Manoel Lei-
te Carneiro foi eleito educa-
dor do ano, na semana pas-
sada. Pode contabilizar como
uma de suas realizaq6es, nos
seus 56 anos de magist6rio,
ter-me feito, como um de
seus alunos no Col6gio do
Carmo, gostar de matemaiti-
ca. Nio de toda, 6 claro, mas
ao menos de algebra. Pelo
quejunto-me aos milhares de
ex-alunos que bateram pal-
mas pela escolha.

Exemplo
O engenheiro agr6nomo
Eurico Pinheiro, que morreu
no dia 6, aos 84 anos, de pa-
rada cardfaca, exerceu car-
gos de confianga no governor
durante o regime military, den-
tre os quais o de secretArio
de agriculture do Estado.
Mas sempre se portou corn
dignidade e sem renunciar A
sua autonomia como pesqui-
sador e cientista. Foi exem-
plo de que, mesmo sob uma
ditadura, as pessoas podem
manter suas convicq6es e nio
se curvar A imposiqao da von-
tade do Grande Irmlo.


Reconlecie5t







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Cobertura torta
Se quiserem informar a opinion pdblica, a grande imprensa de Bel6m vai precisar melhorar
muito a cobertura sobre a redivisao do Estado. 0 Didrio do Pard tern sido mais informative
do que o seu concorrente, mas, provavelmente por refletir os interesses do seu dono, o ex-
deputado Jader Barbalho, ainda nao manifestou sua posigio sobre o tema.
0 Liberal jA publicou um editorial a respeito, mas o tratamento que da A questAo estA
condicionado A sua obsessAo anti-Barbalho. Num espago muito menor do que o do Didrio,
desviou a essencia do problema para a condigAo moral da Assembl6ia Legislativa, que serA
chamada a confirmar o resultado do plebiscito, caso a maioria approve a redivisao. Sem muita
sutileza, o que pretend o journal dos Maiorana 6 atirar a culpa sobre as costas largas do ex-
governador, aproveitando-se de sua indefinigio tAcita.


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j~