|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
MARCO a A Nomal Pessoal SUA AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO Fr') POLITICAL Tucanos no chao As dificuldades deixadas pelos antecessores e sua composigdo heterogenea ainda ndo permitiram que o governor Simdo Jatene imprimisse sua marca. A previsdo e de que este ano seja consumido na arrumagdo da casa. Mas logo em seguida haverd nova eleigdo. A perspective e critical. Oprimeiro trimestre de 2011 aca- bou e o governor Simdo Jatene, do PSDB, a rigor, ainda nao comeqou. 0 govemador pode alegar que nem poderia ter comeqado para valer, conforme ele pretendia: a heranga mal- dita deixada por Ana Jdlia Carepa, PT, vai pesar pelo menos durante todo este ano. 0 acervo de contas a pagar, de compromissos pendentes, de desorga- nizagao na miquina estadual e outros complicadores resultantes de uma das piores administrag5es que o Estado jdi teve absorverao toda a energia e inven- tividade da atual gestdo. S6 em 2012 ela poderi mostrar sua face e colocar em pritica os seus pianos e projetos. 0 problema 6 que 2012 seri mais um ano eleitoral: estarao em dispute as prefeituras. Mais uma vez, Bel6m sera um campo de batalha. 0 conteido dos candidates em potential ndo traz novi- dade, mas a dispute deverd ser bemrn maior do que nos iltimos anos. 0 PSDB disp6e de alternatives expressivas para se contrapor a nomes como Arnaldo Jordy, Jos6 Priante, Edmilson Rodrigues, Paulo Rocha (quern sabe, de novo), Ana Julia Carepa, mas elas poderdo se des- gastar at6 a campanha. E o caso de Zenaldo Coutinho, que ocupou a estra- t6gica chefia da Casa Civil, para se be- neficiar dos dividends de estar tao pr6- ximo do governador, mas tern se des- gastado pela sucessao de problems e incidents ao long do trimestre. Descontados os discursos, at6 ago- ra nao foi possivel descobrir diferengas entire o derrotado (e desastrado) gover- no que saiu e o que entrou. Talvez por- que o que esteja prevalecendo seja o CONTIu.A NA.PAG2 *,N.ITO NUNES mSiL 5 No 484 ANO XXIV R$ 3,00 ALO:SONEGA4rPAyOFISCAL 12 k { Ilkt CONTINUACAO DACAPA efeito residual da gestdo petista, a opi- nido pilblica convive com situaq6es que pouco ou nada diferem da fase anteri- or. Nao s6 pela "heranqa maldita": re- tomando o estilo que deixou em 2007 para a sucessora, Jatene repete os er- ros do primeiro mandato. A comecar por manter a rotina des- gastante das assessorias especiais do seu gabinete, um sorvedouro de recur- sos pdblicos dilapidados para acomo- dar interesses e servir a acordos poli- ticos e de outra natureza. Esse setor da administraqao ptiblica se tornou sim- bolo do desmazelo e da conivencia corn o uso dom6stico do governor para fins que nada tem a ver com o bem coleti- vo. Os tucanos garantem que nao che- gardo ao limited de mais de dois mil as- sessores especiais, record petista, tal- vez ficando muito aqu6m. Mas o me- canismo 6 o mesmo: falta de justifica- tiva para as contrataq6es, sigilo nas informaqoes a respeito e desprezo pela opiniao ptiblica. Embora pagando o preqo por suce- der um governor fraco, os tucanos po- dem ter que arcar com um custo muito alto pela vit6ria, que s6 foi possivel gra- gas a acordos politicos de todos os ti- pos. Por isso, 6 visivel uma divisdo en- tre uma parte t6cnica na administragao e outra political, corn fortes caracteristi- cas fisiol6gicas. Sem um comando com- petente, capaz de resolver os muitos pro- blemas do governor, Jatene nao desfard os n6s que herdou. Mas ao ceder par- cela considerivel do poder a politicos empenhados apenas em obter dividen- dos pessoais (e corn um passado nada recomendivel), pode experimentar sur- presas desagradiveis. Uma delas ji veio corn a acusaqao de que seu secretirio de assuntos es- trat6gicos, o ex-prefeito de Paragomi- nas, Sydnei Rosas, recorreu a trabalho sob condigoes degradantes em uma fa- zenda que possufa no Maranhdo. A ca- bega do secretario esteve prestes a ser colocada numa bandeja, mas parece que ele conseguiu se explicar e superar o problema. Mas pode ser uma vit6ria parcial. Outras situag6es semelhantes podem se repetir. Para tentar enfrenti- las, o governador parece estar mais empenhado em negociaqoes de basti- dores do que em impor sua figure A fren- te dessa equipe ainda desencontrada e desigual. 0 governor, que ainda nao co- megou, pode comeqar mal. Nos dois primeiros meses deste ano a receita do Estado corn os royalties dos min6rios cresceu 321% em relagqo ao mesmo perfodo do ano passado. Se essa arrecadagao se mantivesse at6 o final do ano, o total nao chegaria a 100 mi- lhoes de reais, o equivalent a 0,3% do lucro liquido da maior das mineradoras, a antiga Vale do Rio Doce, em 2010. Por que o desempenho tao notivel nos royalties minerals no primeiro bimes- tre de 2011 comparativamente a 2010? E por que, apesar disso, o valor ainda 6 tao pequeno, desprezivel at6, conside- rando-se a produqao mineral do Para, a segunda maior do pafs? Ao anunciar os nimeros, na sema- na passada, o secretirio da fazenda estadual, Jos6 Tostes Neto, tamb6m revelou que um dos seus empenhos seri detectar se hi fraudes no recolhimento dessa compensacgo pela perda de uma riqueza natural nao renovivel. Da mes- ma maneira como algumas providenci- as ji foram suficientes para que o ren- dimento crescesse mais de tr8s vezes, outras iniciativas certamente poderdo retirar o valor desse patamar tao baixo em que ele esta. Inversa 6 a situagao dos royalties hidricos, que encolheram 31% entire 2010 e 2011, baixando de R$ 3,7 milh6es para R$ 2,5 milh6es, um valor indigno de o Estado abrigar em seu territ6rio a segunda maior hidrel6trica national e a quarta do mundo, a de Tucuruf, no rio Tocantins. Quase todas as receitas da Sefa se ampliaram neste bimestre, exceto suas taxas. 0 que pode significar que a se- cretaria tem condiq6es suavizar seus custos administrativos para estimular o pagamento de impostos sem prejudicar o combat A evasdo fiscal, que, no Pard, 6 enorme. Mesmo que a miquina arrecadado- ra estadual fique azeitada e funcione corn a maior correqao, a distancia en- tre a riqueza gerada no Pard e sua tra- duqgo tributaria continuard a ser a mes- ma ou a crescer. Um estudo realizado pelo Tribunal de Contas do Estado con- cluiu que, por conta da Lei Kandir, que livrou do ICMS as exportaq6es de ma- t6rias primas e semi-elaborados, o Pard deixou de arrecadar R$ 21,5 bilhoes em 14 anos, recebendo como compensaqao pelo governor federal apenas 10%dessa sangria, ou R$ 2,1 bilh6es. S6 no ano passado, quando expor- tou R$ 21,3 bilh6es e poderia ter reco- lhido R$ 2,7 em impostos, o Estado foi compensado pela Unido em apenas R$ 185 milh6es. A desoneragao do Pard correspondeu a mais de 10% do total de impostos que foram perdoados por causa da Lei Kandir, quando a partici- paqio do Estado no PIB national 6 de apenas 1,82%, na 13' posigqo (embora tenha a 9a maior populaqao). Sem falar nos cr6ditos que os exportadores acu- mulam contra o Estado mesmo deixan- do de pagar o ICMS. t a conta do colonialismo, cada vez mais alta e sem perspective de sofrer reversao. Em janeiro deste ano a parti- cipaqdo do min6rio de ferro no com6r- cio exterior do Estado passou de 85% para quase 91%, principalmente por causa do grande consumo chins, que responded por quase um tergo das ven- das externas paraenses. 0 Pari, que 6 apenas o 13 na partilha da riqueza na- cional, tem o segundo maior saldo co- mercial do pafs, ji que suas importa9oes sdo infimas, abaixo apenas de Minas Gerais, o mais antigo e continue centro de exploraqio colonial do Brasil. Minas, por6m, graqas a um projeto de long prazo, tem conseguido fortale- cer sua economic agregando mais va- lor aos produtos de origem mineral. 0 onus de ficar atrelado a uma velha fun- 9qo colonial foi transferido para o Pard. At6 quando, nao se sabe e poucos, na verdade, se interessam por saber. I Journal Pessoal MARQO DE 2011 1 aQUINZENA Movimento da receita: soneganao e desvio Belo Monte: transfusio de energia da Amazonia A maior obra do Brasil comegou oficialmente no infcio do mrs com a emissao da primeira ordem de servi- go para a construgqo da hidrel6trica de Belo Monte, no rio Xingu, no Para, que seri a quarta maior do mundo. Menos de um ano atris, quando a concessio foi a leildo, o projeto era no valor de 14 bilhoes de reais. Hoje, 6 de R$ 25 bilh6es. Ndo seri surpre- sa se chegar a R$ 30 bilh6es, a pre- visio dos critics do empreendimen- to. Ou superar esse patamar. Embora o projeto tenha duas d6ca- das de existencia, ele chega A fase exe- cutiva sem o amadurecimento devido. Durante esse perfodo, os questiona- mentos e as ddvidas se sucederam, A media que o debate se aprofundou, e deveri persistir nas arenas pdblica e judicial. Mesmo corn um acervo de milhares de manifestaqces escritas ou orais sobre o tema, dentro e fora do pafs, a sensacgo mais forte para quern acompanhou a trajet6ria 6 a da insufi- ci8ncia de dados e inseguranqa quan- to as garantias dadas pelos executo- res da empreitada. O governor, por6m, ndo partilha es- ses sentiments. A convicqao, ainda rarefeita no governor Lula, se tornou um axioma da administragqo Dilma: a matriz energ6tica brasileira conti- nuard a se basear na energia de fon- te hidriulica; por consequ8ncia, as novas adiq6es A produqao national terao que vir da Amaz6nia, onde estdi a maior bacia hidrogrifica do plane- ta. 0 resto 6 circunstancias. O governor federal jid anunciou umrn piano de investimentos de R$ 210 bi- lh6es para os pr6ximos 10 anos, algo como uma usina de Belo Monte por ano (claro, incluindo os outros itens, al6m da geraqdo). Desse total, 40% serao aplicados na Amaz6nia, em 20 novas hidrel6tricas, corn capacidade para gerar 15% de toda a energia pro- duzida atualmente no pafs. Em 2020, portanto, a regiao responderd por qua- se um quarto da energia national. As resistencias a esse piano foram crescentes e consistentes, mas o go- verno, vencido o prazo de tolerancia, que estabeleceu unilateralmente, para as contestaq6es, decidiu passar por cima dessas raz6es. Agiu como se fos- se uma das quase 600 miquinas pesa- das que comegarao a chegar nesta se- mana ao canteiro de obras. 0 fino v6u da novidade foi rasgado por essa decisdo. As novas mega-hi- drel6tricas na Amaz6nia seriam de res- ponsabilidade da iniciativa privada. Corn seu interesse pelas concess6es pxiblicas, os empresdrios garantiriam que se tratava de neg6cio rent6vel, do menor custo e da maior racionalidade. O poder piblico se restringiria A fun- 9qo de ordenador, fiscalizador e co- brador de resultados. Nada disso aconteceu. 0 moment mais definidor foi quando dois dos mai- ores s6cios da concessiondria pularam o balcao. Ao inv6s de bancar a obra e explorer o seu produto, a energia, como empreendedoras. a Construtora Ca- margo Corr8a e a Odebrecht voltaram A condiqdo traditional, de empreiteiras. Deixaram de aplicar capital pr6- prio ou emprestado para viabilizar o projeto. Passaram a receber pelos ser- viqos prestados na construgao. Con- clufram que a hidrel6trica de Belo Monte nao 6 um bom neg6cio, exceto para os que vao ganhar para torni-la uma realidade. Mais do que qualquer outra emprei- teira, a Camargo Corr8a sabia muito bemrn o que estava fazendo. Foi ela que cons- truiu a hidrel6trica de Tucuruf, no rio Tocantins, tamb6m no Pard, ainda a quarta maior usina de energia do mun- do. E hi quase quatro d6cadas mant6m um forte canteiro no local. Inicialmente, empenhado na instalaqao dos equipa- mentos eletromecanicos da usina. Nos iltimos tempos, na construgao de uma das maiores eclusas do mundo, para a transposiqao da enorme barrage de concrete, corn 70 metros de altura. Motivos nao faltaram para a desis- tencia. A energia firme de Belo Mon- te sera de apenas 40% da sua capaci- dade nominal, de 11 mil megawatts. E rendimento abaixo da m6dia national, de 55%. Os construtores tem mil e um arguments para contraditar essa ver- dade, mas 6 melhor dar atengqo a umrn detalhe: o maior fator de carga entire as grandes hidrel6tricas, de 70%, seri o de Santo Ant6nio, em Rond6nia. Nao s6 porque o rio Madeira tern fluxo constant, ao contrario do Xingu, sujeito a uma acentuada sazonalidade do regime hidrico: 6 principalmente por- que a montante esti sendo construida outra usina de grande porte, Jirau, corn energia firme de 57%, que garantird mais agua para a hidrel6trica rio abai- xo, a jusante. E assim que esti sendo feito no Tocantins, com mais hidrel6- tricas Tucuruf rio acima. Era assim que devia ter sido feito tamb6m no Xingu, at6 que os monumentais reservat6rios alarmaram a todos, por seus efeitos terriveis, e o debate ecol6gico estan- cou o planejamento original. No papel, nao mais sera assim. 0 governor construird apenas Belo Mon- te e nenhuma outra usina a mais no Xingu. Mas quem pode garantir se, na hora do "vamos ver", aplica-se a po- litica do fato consumado, como agora em Belo Monte e um pouco antes em Santo Ant6nio e Jirau? A cada fonte de resistencia encontrada, um elemen- to de cobertura do "novo modelo ener- g6tico" foi se desprendendo. Afinal, revelou-se o que era velho: o modelo estatizante. As empresas privadas sdo figuran- tes do lado do risco do empreendimen- to. As empresas estatais, s6cias am- plamente majoritirias nas sociedades que se formaram, responded pelo em- preendimento, como a holding Eletro- bras e suas subsididrias: Eletronorte, Furnas e Chesf. Do lado do financia- mento, a conta 6 bancada pelo BN- DES, corn condicges suficientes para suportar o element de surpresa do "fator amaz6nico". S6 quando e se o projeto se firmar, A custa de muitos bilh6es de reais e desafios socioambientais e tecnol6gicos, o modelo seri retoma- do. Mas para renovar outra velharia hist6rica: a consolidagao da distant Amaz6nia tamb6m e, sobretudo - como uma col6nia energ6tica, ponti- lhada de gigantescas usinas, que se conectam aos centros de consumo do outro lado do Brasil, o mais rico e po- deroso, por extensas linhas de trans- missdo. Uma esp6cie de transfusao de sangue em forma de kilowatts. Uma hemorragia, I1QUINZENA Jornal Pessoal l MARGO DE 2011 Imposto da cidade Nunca a prefeitura de Bel6m props tantas execu- J 96es fiscais contra devedores | da sua principal fonte de re- cursos, o IPTU, quanto ago- ra. Sao milhares em tramita- 9ao pelas varas da fazenda e . em grau de recurso no tribunal. A iniciativa parece ter estimulado um ndmero incomum de contribuintes a quitar suas dfvidas, retirando as aqres da justiga por acordo entire as parties. Em muitas delas, por6m, o cr6dito imo- bilidrio foi extinto pelos juizes devido a prescrigqo da ago, que perdeu seu pra- zo de validade. Em vdrias, nem mesmo as custas processuais foram cobradas, corn 6nus para o poderjudiciario. Ha d6bitos de IPTU ainda dos anos de 1980, iniciando em 1984. A maioria se situa na d6cada de 90, com 8nfase nos primeiros anos. Com o langamento dos inadimplentes na divida ativa e o ajuizamento das execuq6es, o risco da prescriqdo diminui bastante, se essa pro- vid8ncia for completada pela eficiencia na atuagao emjuizo da procuradoria fis- cal do municfpio e sem os erros de pro- cedimento, que eram freqilentes, sobre- tudo quando se tratava de pessoas de poder no local. Estas continual se recusando a pa- gar imposto, como se fossem cidadaos especiais, acima do bem e do mal. Por isso, a relagao dos faltosos 6 quase uma coluna social, tantos notiveis e famo- sos inclui. Enquanto isso acontecer, o efeito demonstrative da aqdo fiscal serA reduzido e a moralidade do IPTU con- tinuard a ser uma meta. A China cresceu a uma taxa m6dia annual de 10% entire 2006 e 2010. A pre- visao 6 de que cresqa menos no qiiin- quinio de 2011/2015: 7%. No ano pas- sado o saldrio minimo no pais subiu 20%. Crescera mais 19% a partir de abril. Mas ao anunciar o novo plano qUinqilenal, no inicio do mes, o primeiro-ministro chines Wen Jiabao, nao usou nenhuma expres- sao superlativa. Admitiu, pelo contrdrio, que o desenvolvimento da segunda na- qdo mais rica do mundo "nao 6 bem ba- lanceado, coordenado nem sustentivel". Prometeu enfrentar as tr8s distor- 9qes combatendo a inflacgo, aumentan- do o consume dom6stico cornn a intro- ducqo de um indice de "felicidade" no planejamento), incentivando a agrega- 9o de valor a produqao internal, redu- zindo a depend8ncia das exportaqoes e o peso dos investimentos, que leva o governor a se endividar cada vez mais - e o que tamb6m influi sobre a corrup- ao "desmedida" nos orgaos ptiblicos, outro alvo prioritirio. Os chineses terao menos energia de fontes f6sseis (a participacqo de ener- gia limpa na matriz deveri passar de 8,3% para 11,4%), enquanto a partici- pacao do investimento em pesquisa e desenvolvimento subird de 1,8% para 2,2% do PIB. Dentre seus projetos es- tao a conservaqao e pesquisa de novas fontes de energia, proteqdo ambiental, biotecnologia e vefculos movidos a ener- gia alternative. 0 objetivo dessa nova linha de acqo sern para garantir que as pessoas "estejam contents com suas vidas e empregos, a sociedade esteja tranquila e ordeira e o pafs desfrute de paz e estabilidade de long prazo". Pode ser que boa parte dos compro- missos e metas anunciados pelo primei- ro-ministro chins no seu discurso de tres horas perante o Congresso Nacio- nal do Povo, em Pequim, seja pura re- t6rica. Mas mesmo que tudo seja leva- do a s6rio, o desafio 6 tdo vasto quanto a pr6pria China. 0 "milagre chines" se sustenta em suas reserves internacio- nais, de tr8s trilh5es de d6lares, 10 ve- zes maiores do que as do Brasil e do tamanho de todo nosso PIB national. A reserve 6 a base desse crescimen- to estupendo, mas 6 uma base frigil por- que se mant6m pela troca permanent de d61ares obtidos atrav6s da exporta- qao em yuans que sao retidos pelo go- verno, graqas ao seu poder politico. Me- canismos de mercado sao combinados com instruments de coerqao pr6prios de uma ditadura. At6 quando esses ter- mos antit6ticos poderao ser mantidos? Eles produzirao uma sfntese ou uma crise, cujo abalo nao guardard a menor relaqdo corn o que o mundo ji viu nos 61timos tempos. Lula garantiu aos lideres chineses que reconheceria a China como uma econo- mia de mercado. Sua sucessora ji viu que a declaraqao 6 apenas mais um exemplo grave do tamanho da garganta do seu an- tecessor, cuja ret6rica se inspira nas cir- cunstancias do seu uso e nao na sua pro- cedencia e fundamentagqo. A China 6 um grande referencial que cumpre ao Brasil observer e levar na devida consideraqdo. Tanto porque compete alguns erros seme- lhantes como porque a China ji 6 o seu maior parceiro commercial, uma das fontes da afluencia national de hoje e do efeito Orloff de amanhd. Blog: pra que? Por que jornalista professional cria blog, se jd tern onde escrever e publi- car? Certamente para dar vazao ao que 6 impossivel divulgar atrav6s do 6rgdo da imprensa no qual trabalha regular- mente. Se nao faz isso, 6 melhor fe- char o blog. Para cultivar abobrinhas e dar palpite, deve deixar espaqo livre para aqueles que nao sao jornalistas. 0 professional das informag6es que nao as usa, que nao tem compromisso corn sua utilidade pdblica, 6 um burocrata. E nada mais antijornalistico do que a burocracia. Jornalismo requer empe- nho em informar bem e rdpido. Sobre- tudo na internet. Por isso, 6 de se lamentar que a re- p6rter Rita Soares tenha aposentado o seu blog. Ela tem um bom motivo: quer dedicar seu tempo A carreira acad8mi- ca em comunicaqao social. Nao conse- gue dividir sua disponibilidade com as exigencias de um blog nervoso, ativo, em cima dos acontecimentos. Outros jornalistas, por este motivo ou qualquer outro, menos edificante, deviam seguir o exemplo. Toda vez que surge uma questao mais explosive, controversy ou incomoda, some de circulaqao ou pas- sam a indagar pelo sexo dos anjos. Em mat6ria de blog jornalfstico, capaz de oferecer suculentas doses de fatos, interpretacges, andlises e boas fofocas, estamos 6rfaos. 0 uni- verso deles 6 miragem num desert de coragens. nJornal Pessoal MARQO DE 2011 -* 1QUINZENA China: espelho partido Benedito Nunes, o leitor precioso Eu pr6prio me surpreendi e me emocionei muito quando recebi a lon- ga resposta que Benedito Nunes me mandou em resposta ao questiondrio que Ihe submeti, em 1991. Parecia que ele esperava por uma simples provocacao, como a que Ihe fiz, para abrir seu cora- 95o, sua alma e sua cabega numa con- fissdo e numa rememoragao sobre sua fecunda relagao com os livros. Uma relacgo que comegou quando ele ainda era menino de calqas curtas. O livro preencheu a ausancia dos pais, que morreram muito cedo. A ligagdo com sua familiar desaparecida foi atra- v6s dos livros da biblioteca do pai. Be- nedito ndo s6 aprendeu com eles. Os livros se tornaram parte da sua vida, urn element orginico, um component na- tural do seu ser, companhia plena. Benedito leu como poucos. Como raros, dialogou com o conhecimento contido nos livros que leu, assimilados como element vivo e permanent da sua personalidade. S6 assim sejustifi- cava saber tanto, lembrar tanto, fazer referencias exatas, profundas e nume- rosas sem parecer um rangoso erudi- to. Quando falava sobre o conhecimen- to, seus olhos ficavam ainda menores, mas brilhavam intensamente, faisca- vam de prazer. Era a expressed da sua curiosidade sempre insatisfeita e do dom sublime que ele tinha, de querer partilhar o que sa- bia, estimular aptiddes, cultivar talents, desenvolver qualidades sempre nos outros, mais do que nele mesmo, que era auto-suficiente (e por isso foi sem- pre autodidata). Uma simples conversa com Bene- dito ji marcava e transformava. Quan- do o interlocutor exibia dotes de cria- dor, ele se realizava na tarefa de tornar conscientes esses dons, ajudando o criador a manejar melhor suas pr6prias virtudes. Era assim que Benedito exercia a condi- qao de professor, de mestre. E tam- b6m de co-autor. Em quantos textos assinados por outros havia o seu toque migico, ao mesmo tempo exa- to e simples, coadjuvante de uns, recriador de outros. Um verda- deiro homo faber poundiano. Um sibio, disse-o a certo intelectu- al muito pr6ximo de Benedito, que nao concordou corn a minha classificagao. Eu exagerava, protestou, embora admi- rasse Benedito. A expresso costume ser usada sem crit6rio, a toa. Mas nao 6 excessive no caso de Benedito. Sua maior sabedoria, a de um ver- dadeiro sabio, ainda que conforme um modelo j fora de moda, no nosso mun- do de especializag6es e segmentag6es, estava em colocar seus interlocutores diante de referenciais rigorosos e bemr definidos, nos quais eles podiam se es- pelhar, mas numa versdo melhorada pelo aprimoramento, pela critical que amolda atrav6s do exercicio da escul- tura intellectual, ora agregando valores ora excluindo-os. Sem ser um verdadeiro artist (seu rigor logo Ihe vedou o acesso a poe- sia, que praticou muito rapidamente - e sem qualquer pericia), formou ar- tistas, sobretudo poetas, o que, no fun- do, era o que Ben6 foi por outras vias, embora desejasse realizar essa voca- qao em versos. Em alguns dos seus livros, 6 percep- tfvel essa capacidade de manejar a so- noridade das palavras, sem prejuizo - muito pelo contrario do seu significa- do rigoroso, mas tamb6m sem os vin- cos da cientificidade, do formalismo academico. Ao vagar no puro pensa- mento ou referido a alguma fonte, ele levava ao extremo o prazer de pensar, de especular, de indagar. 0 que o distinguia da maioria dos fi- 16sofos era que, sendo essencialmente um pensador, Benedito se espalhava pela literature, a est6tica, a hist6ria e as coisas triviais da vida. 0 brilho de curi- osidade e atenqao nos seus olhos nao mirava apenas as ciencias: tinha um foco sensivel sobre todas as coisas hu- manas, incluindo as de domfnio popular, como a mdsica ou a televised. > Sem excluir os faits-divers que ali- mentam a boa fofoca, os divertidos detalhes e divertissements. 0 munda- nismo feito por pessoas de came e osso, como ele. A hist6ria das estruturas de par corn mis6rias e grandezas humans, como as que um Salman Shama captou no dia a dia da gloriosa (e feroz) revo- luqgo francesa. Partilhar uma refeigio com Benedito era experimentar a ele- vagdo de uma ceia da came e do espf- rito. Como se comia! E como se fala- va! Nada mais platonico e socritico. A torre de livros se harmonizava com os jardins da rua da Estrela. Nos iiltimos anos poucas vezes fui at6 Id. As mis6rias do subdesenvolvi- mento e da condicao colonial da nossa terra me mantiveram atado aos capri- chos e malignidades de mediocres po- tentados paroquiais. Meu mundo pas- sou a ser de engrenagens juridicas, que, se me amarguram a vida, me fazem buscar sua superagAo naqueles que ins- piram o mais-al6m, como Franz Kafka, um p6 na trag6dia e outro na comicida- de. Sem o humor, como resistir se hi- de (as batatas o 16xico da Academia Brasflica-Portucalense)? Meu primeiro contato pessoal com Benedito foi em 1972: uma entrevista sobre o cinquentendrio da Semana de Arte Moderna de Sao Paulo.Precedida por uma provocagdo a que ele nao res- pondeu. Usando como plataforma con- versa gravada com o arquiteto Paulo Chaves Fernandes para o suplemento Bandeira 3, de A Provincia do Pard, questioned o fil6sofo que nao se envolve com o seu tempo local, sua terra. Cla- mava por uma manifestagao de Benedi- to sobre os insensatos "projetos de im- pacto" do governor military na Amazonia. 0 fil6sofo se manifestou pouco so- bre esses temas. Jovem impetuoso, eu tentava uma comparag~o de p6 quebra- do com Heidegger e o nazismo. Bene- dito nao era Heidegger e a ditadura mi- litar nao chegou ao totalitarismo hitle- rista. Havia uma fumaga de paralelos, mas nosso Ben6 nao estava isola- do em sua torre de pap6is im- pressos nem coonestava as violag6es aos direitos do cidadio. Sua repulsa era modulada pelo seu jeito de ser e pelas exig8ncias do seu off- cio e mister daquele MARCO DE 2011 14QUINZENA Jornal Pessoal l 11 entire nosostros que foi mais al6m do que todos os demais. 0 resto foi uma pedra no meio do caminho. Nela tropegamos n6s, os series de v6o mais rasteiro, como jomalistas em luta com suas circunstan- cias rasteiras e mesquinhas da domina- qao exercida por liderangas nefastas, pig- meus num tempo a clamar por gigantes. Quando Helio Gueiros, tres meses depois de ter deixado o govemo do Pari, em 1991, me enviou aquela terrivel carta pomogrifica, Benedito foi uma das oito pessoas a quem consultei para decidir o que fazer com aquele lixo. Ben6 leu a pri- meira e escatol6gica linha e me devolveu o papelucho com um "me poupa". Foi um parecer eloqiiente, de um verdadeiro pen- sador. Entendi onde Benedito estava. E em que mundo eu me conduzia. Ativo, inquieto e insatisfeito, Bene- dito Nunes criou e produziu at6 o fim dos seus 82 anos. Foi tao cativante que o tempo Ihe concede o privil6gio de ser reconhecido pelos contempordneos, re- ceber as homenagens devidas e prepa- rar um successor, Victor Sales Pinheiro, que Ihe esta reeditando a obra corn o sopro de uma nova geraqao, mais exi- gente e tamb6m mais satisfeita corn o legado. Benedito avanqou o maximo antes de passar o bastao. Sua mente prosseguia a plenos pulmoes, como no verso de Maiakovski, quando a doenga o mandou para o hospital, tao distant de suas preocupaq6es e rotinas, e daf para a dimensdo dos sonhos, da razao, da saudade e da mem6ria cativa. Decidi reproduzir a entrevista de 20 anos atras a pedido de Mauro 6 de Al- meida. Ele foi um dos felizardos que re- cebeu a separate da entrevista, publica- da originalmente em A Provincia do Pard. Tive a id6ia de sugerir A direqdo da Universidade Federal do Pard que a publicasse em folheto e o distribuisse aos calouros que estavam chegando e a quemr mais estivesse na 6rbita (Mauro foi um deles, mas emprestou o seu exemplar e nunca mais o recebeu de volta). Foi o mais brilhante convite a entrar no mundo dos livros e, por eles, ao me- lhor acervo da criagao humana. E um guia das luzes que nos presenteia um dos mais iluminados dentre os brasilei- ros destes tempos de tons cinza sobre a inteligencia. Meu irmdo, Elias Pinto, publicou parte da entrevista em sua pi- gina dominical no Didrio do Pard. A versdo integral 6 reproduzida a seguir, num encarte especial. Obrigado, Benedito. 0 Liberal fugiu do IVC (Instituto Verificador de Circulagqo) para nao ser flagrado pela segunda vez fraudando seus boletins de auditagem. A venda- gem do journal dos Maioranas era, no melhor dos casos, 50% inferior ao que declarava sob juramento, que se reve- lou falso. Nos mais graves, a circula- qdo era ainda menor. Para nao ficar sem uma fonte de referencia para seus anunciantes, em especial os nacionais e o governor, a empresa contratou a Ernst & Young, uma consultora international. Mas as vendas devem ter continuado em baixa porque agora nem a Young audita mais a tiragem do journal, servigo que prestou at6 o ano passado. Ao menos nas ban- cas, o encalhe de 0 Liberal varia em torno de 70 a 80%. O concorrente, o Didrio do Pard, assumiu a lideranga, mas suas vendas nao atingiram um patamar que fizes- se aos Barbalhos divulgar um inico boletim do IVC em quase tres anos. 0 journal prefer recorrer ao Ibope, que nio 6 a fonte adequada nem a mais acreditada sobre circulaqdo paga de journal. Era o que 0 Liberal fazia quando ainda nao tinha o respaldo do IVC. Na ediqdo dominical de 18 de agosto de 1988, por exemplo, respaldado em pesquisa do Ibope do 1 trimestre desse ano, o journal dizia que era lido por nada menos que 96,7% dos que compravam journal, enquanto a j de- saparecida A Provincia do Pard e o Didrio do Pard empatavam em tao- somente 4,9%. Quando passou a desfrutar do IVC, 0 Liberal alardeava os resultados em andncios de pigina inteira. Como o de 12 de junho de 2005. Proclamava que o institute "6 o atestado de idoneidade do journal que, no Pard, s6 o journal e seu irmao mais novo, o Amaz6nia, ti- nham. Em abril desse ano, a tiragem dominical de 0 Liberal seria de 103.378 exemplares (hoje deve estar em um terqo disso) e a do Amazonia, 22.001. Nao citava a do Didrio do Pard porque o journal dos Barbalhos nao era filiado ao IVC. E explicava:: "Quando umjornal diz que a sua tiragem 6 de tantos mil exem- plares, voc8 pode acreditar ou nao. Mas quando 6 o IVC quem diz, Voc8 s6 pode acreditar. Porque o IVC 6 o dnico institute verificador de circulaqio independent do Brasil e o dnico acre- ditado em todo o mercado brasileiro.Por isso todo journal sdrio, que respeita a in- teligencia do leitor, 6 filiado ao IVC. Mas tem journal que prefer nao ter o IVC. Questao de opqao. Assim como 6 uma opao sua acreditar ou nao nas infor- maqces desse jomal". Quando 0 Liberal se desfiliou do IVC no dia anterior ao inicio de uma nova audita- gem da sua circulacgo, attitude in6dita em meio s6culo de existencia da instituigqo, o que ojor- nal dos Maioranas di- zia de ruim do diario dos Barbalhos se vol- tou contra eles. Afinal, agora 6 apenas o Did- rio filiado ao IVC. Mas por que cargas d'agua a folha dos Barbalhos nao divulga seus ndmeros Os anunciantes estao em v6o mais ou -.W menos cego nesse Jj segment. Os leitores Snao estao mais bem _"-- orientados. jonIrssa.MRO E21 1QIZN Quem e o Pinoquio . 1-QUINZENA Journal Pessoal MARGO DE 2011 0 roteiro dos livros de um sabio paraense Os livros continuam sendo uma for- ma indispensivel de conhecimento, ainda a melhor. E uma fonte de prazeres inisus- peitados pelos que, nariz empinado e des- d6m ensaiado, desprezam-nos, em refe- rencia aos cones do future, os aparelhos eletr6nicos de armazenamento de infor- maqoes. Numa de suas muitas pesquisas, Bruno Bettelheim notou criangas que re- constitufam as hist6rias de livros infants por suas belas ilustraqges. 0 enredo esta- va substancialmente ali, mas nao o prazer do texto, a voragem da narrative, o mist6- rio da hist6ria. A visualizaqao, nesses ca- sos, 6 um complement fundamental, 6 claro, mas complement. Quem e1 viaja, recria, revoluciona e quem nao 18 mal fala, mal ouve, mal v8, como insisted a pro- paganda inconvincente dos livreiros. Os jovens sao os menos convencidos, os mais inconvencidos, para emprestar uma expressao que Lewis Carrol assina- ria, o Carrol da muito vista Alice no pals das maravilhas, em tela cinematogrdfica, raramente lida no texto deslumbrante. Mais do que os jovens em geral, os que chegam agora a Universidade, vitoriosos nesse decatlo chamado de vestibular, tem seus motivos para desconfiar dos in foli- os. Foram treinados para o reflexo condi- cionado do xis, das quadrfculas em bran- co, da resposta por impulso el6trico, nao por reflexao, nao pela ruminancia do pen- sar, que faz as delicias de quem pensa. Livro, al6m de dar cultural, dd prazer, um prazer tao deslocado dessesfanzines modernos que faz, de quem 6 capaz de aprecid-lo, membro de uma confraria secret. Os que gostam de livros de ver- dade, entretanto, nao querem ser dnicos. Querem 6 alargar as fronteiras desse pra- zer pessoal, estende-lo ao maior n6mero possfvel de pessoas. Eis a razao deste pequeno livro que a Universidade Federal do Pard aceitou edi- tar. Serd fdcil de ler, mas quem 18-lo tal- vez tenha uma sensaqgo semelhante A que tive quando, depois de ter passado pelo "Nome da Rosa", li o dirio minimo que Umberto Eco, escreveu A margem do romance medieval. 0 menor era o me- lhor, contingencia compuls6ria para os que nao querem ser apenas "mais um". Benedito Nunes dd aos calouros que chegam A Universidade a possibilidade, por essa apurada selecAo de livros, de se tornarem academicos sem segundos sen- tidos, depreciativos. Teoricamente, ao campus protegido pelo muro universit&- rio chegaram os melhores. Na realidade, na relagqo corn este inventario de leituras 6 que serd media a qualidade desse tftu- lo. Titulos 6 fdcil ganhar, ou comprar. Conquistar 6 outra coisa. 0 que Benedito Nunes pretendeu, ao responder ao questiondrio que lhe fiz, foi prevenir-nos contra o triste fim profetiza- do por Ray Bradbury para uma sociedade sem livros, inculta e feia, triste e vazia. Quem receber este livrinho precioso po- derd, ao sair da Universidade, medir seu grau de civilidade, no melhor e imorredou- ro significado que os greco-romanos lhe deram, pelos livros desta seleqao que ti- veramr lido, nao como se tivessem baixa- do um taxfmetro sobre sua mente, mas como se a elevassem ao nivel realmente human da nossa vida: o da ddvida que question e da busca que responded. Alguns sabios foram sdbios sem te- rem lido muitos livros, como Kant, cuja biblioteca abrigava apenas uns 300 exem- plares, pequena mesmo para os padres da 6poca. Mas leram para valer e nao como atletas de orelhas de livro, esp6ci- me de larga difusao no mercado. Benedi- to Jos6 Viana da Costa Nunes, o Bend da Rua Estrela, 6 desses sibios que leram muito e 18em bem. Talvez nenhum para- ense tenha lido tanto quanto ele, nao para guardar para si o que aprendeu. Na acolhedora casa que abriga Bend, Maria Silvia, Angelita, um beagle que ji teve seu retrato publicado no prestigioso "Jornal do Brasil", e gatos variados, sem- pre hd um lugar para um amigo nio anun- ciado que, bem acomodado, em algumas dezenas de minutes aprenderd mais corn a prosa endiabrada do Ben6, os comentd- rios apropriados de Maria Silvia e as pon- tuagqes refinadas de Angelita do que em anos em bancos escolares. Bend sabe por- que sabe. Nao precisa demonstrar, nem esbanjar. E um sAbio de quilometra- gem in folios insuperAvel. Cabe-lhe uni titulo que tern se desgastado na aplica~io sem mdrito: 6 mestre. 0 depoimento que Benedito Nu- nes me deu, provocado por um risti- co questiondrio, 6 a melhor bibliogra- fia que um journal brasileiro provavel- mentejA publicou. Deveria sair no "Ban- deira 3", abrindo uma s6rie que ficou apenas na protofonia porque o journal morreu no ndmero zero, antes de che- gar ao ndmero um. Mas sai em A Pro- vincia do Pard, engrandecendo o jor- nal e despejando sobre cada um de n6s r6stias de luz geradas na cen- tral de coinhecimentos que Bend carrega na cabega, democrati- camente acessivel aos que que- rem saber mais. A nostalgia do mestre que ele diz ter, autodi- data confesso, n6s nao temos. Afinal, Benedito Nunes 6 nos- so grande mestre. A desenvoltura de Benedito na andlise da filosofia do alemao Heidegger transfe- re-se para a prosa podtica de Guimaraes Rosa e se estende A mtisica, erudita ou popular, sem perder em profundidade e graga, caracteristicas que geralmente se excluem nos intelectuais brasileiros, As vezes s6rios, mas cacetes, enfadonhos. Bend cresceu entire livros, que lhe fi- caram como o didlogo que nunca teve com o pai, falecido muito cedo. 0 livro 6 o seu parafso e por isso nao precisa de fichas para lembrar o que o acompanha, um ca- tilogo na mem6ria. E um privil6gio t8-lo a mao numa cidade que cresceu fechando livrarias e abrindo locadoras de videos, forma mais sofisticada e inodora de cum- prir a g61lida profecia de Ray Bradbury no "Farenheit 451". Se defender de Benedito Nunes, sAbio, o melhor de todos n6s, esta serd sempre apenas uma ameaga. Qual o primeiro livro que se lembra de ter lido? Dizem que aprendi a ler com quatro anos de idade. Mas com certeza minha primeira leitura deu-se um pouco mais tarde. 0 livro foi-me presenteado por um mendigo jd idoso, barba branca, que As quartas-feiras, pela mahha, vinha buscar sua esmola certa que lhe proporcionavam minhas tias. Achavam-no parecido com a traditional image de Sdo Jos6 Car- pinteiro, reverenciado no orat6rio da ca- tolicissima familiar. Nesse dia, depois de sentar-se na escada de madeira no vesti- bulo da casa, como costumava fazer, o velho retirou de sua tosca sacola um pe- queno livro, capa dura, de cor esverdea- da, visivelmente restaurado, conforme de- nunciava a tira de pano grudada A lomba- da: A Capada da Onga, de Monteiro Lo- bato. Era para o menino da casa. Mas s6 pude folhear o volume ap6s o tratamento profilhtico a alcool a que o submeteram as tias prudentes, receosas dos possfveis germes escondidos entire as piginas. Lembro-me ainda da gravura central so- bre duas dessas paginas abertas: os he- r6icos caqadores do sitio do Pica Pau Amarelo, Pedrinho A frente, rebocando a onqa ji morta. Qual o primeiro livro que the cau- sou grande impact? O primeiro de impact, que me pre- cipitou num mundo estranho de nomes ressoando diferentemente dos comuns, de series extraordindrios, de imagens mentais pregnantes, duradouras, foi a Odiss.ia de Homero, publicado pela Ate- na Editora de Sao Paulo, em traduqao de meu tio, Carlos Alberto Nunes, num me- tro long, inabitual, para imitir o ritmo do original grego. Os primeiros livros que voce leu eram de biblioteca dafamfia? Era boa? Esse tio, fixado em Sao Paulo, que mui- to mais tarde traduziria Shakespeare, Go- ethe, Platao e Virgflio para o portugues, mandava-me muitos livros, quase todos de present: Poesias Completas de Gon- qalves Dias (2 vols., Ed. Gamier), David Balfour, de Robert Louis Stevenson, Os Irmios Karmazov e Os Possessos, de Dos- toievski, Teatro de Lope de Veja, Os Dii- logos do Limbo, de Santayana, e tantos outros, que vieram chegando, ano ap6s ano, por via maritima, em pacotes do Correio dos pequenos volumes de niet- zsche da colegao Tor, em espanhol, como Genealogia da Moral, 0 Crepisculo dos Idolos, 0 Anti-Cristo, at6 o encadema- dos de certo porte, Guide to Philosophy, de Joad, 0 Retorno do Nativo, de Tho- mas Hardy. Mas os primeiros livros, an- tes desses, e excetuando Os Argonautas, de Gustav Schwab, que me mandou um irmAo de duas amigas de minhas tias, o Prof. Francisco Paulo do Nascimento Mendes, eram da estate de casa, alta, de madeira amarela envernizada, cinco prateleiras, com discretos ornamentos florais gravados, e um gavetdo na part inferior. Pertencera a meu pai, que ndo conheci. Estava abarrotada de Machado de Assis, Jos6 de Alencar, E4a de Quei- roz, Shakespeare em volumes portugue- ses avulsos da Lelo, capa de pano com a effgie do dramaturge, Monteiro Lobato para adults, Urupes inclusive, Joaquim Nabuco (Minha Formaado), Oliveira Vi- ana (Evolugfo do Povo Brasileiro, Po- pulaVfes Meridionais do Brasil), Lima Barreto quase integral; Taunay, Afranio Peixoto (o romance Fruta do Mato), Dante (A Divina Comidia, em traduqio do Barao de Vila da Barca) e de outros autores prestigiosos na ddcada de 20, quando foram comprados, como Assis Cintra, Oliveira Lima, Ant6nio Torres, Mario Pinto Serva e Alberto Torres. Criei-me A sombra dessa estate, se- gao belenense da biblioteca de familiar; a outra, que a completava, era de meu tio, em Sao Paulo. Algudm orientou-o nasprimeiras lei- turas? Que orientafdo lhe deu? Tive e nao tive um primeiro orienta- dor. Os livros da estate amarela eram, de qualquer modo, a materializaqao simb61i- ca da voz patema suprimida pela morte, que nao lhe suprimiu a presenqa. Ou, se quiserem, a autoridade, para o filho p6s- tumo que fui. Vista a questdo desse angu- lo, a primeira orientaqgo veio do pai, lou- vado seja Freud. Mas como os livros es- tavam ali A minha escolha, gradualmente vencida a resistencia matema (havia-os "fortes", perigosos, anticlericais, etc.), e como jamais me veio dele, do pai, qual- quer indicaqAo express em sentido con- trdrio, a orientagio se fez ao acaso, em parte devido A minha curiosidade, talvez estimulada por aquela resistencia, em part porque, filho dnico, menino solitirio, des- cobri na leitura o meio de me divertir so- zinho. Autodidata nato, sempre fui nostAl- gico de um mestre. Depois da professor primAria, minha tia, tive muitos mestres, sem, atW hoje, fixar-me em nenhum. Mas isso 6 mat6ria para outra hist6ria. Q uero apenas acreseen- tar que na epoca de form go, da infiania para a juventude, os meus sucessivos mestres tambem foram amigos, quase sem- pre muito mais velhos do que eu: Augusto Serra, fundador do Col6gio Modemo onde fiz o Gindsio, home de superior cultural literdria e ma- temitica, que me franqueou a Biblioteca do estabelecimento, da qual me veio a revelaq~o dos clissicos franceses e in- gleses (Molibre, Racine, Corneille, la Burybre, La Rochefoucauld, Swift, Wal- ter Scott); meu primo Ribamar de Mou- ra, inteligencia pura e nobre carter, a quem devo o empurrio definitive para a Filosofia (ele repartia com os dois ir- mdos, Silvio e Levy Hall de Moura, a propriedade da Critica da Razdo Pura, de Kant, e de 0 Mundo como Vontade e Representafao, de Schopenhauer em frances, belos volumes encademrnados que freqUientei assiduamente); C6cil Mei- ra, a quem devo o empr6stimo de uma versdo resumida do Wilhelm Meister, de Goethe, e Orlando Bitar (deu-me, antes das Obras Completas de Virgflio, uma Eneida traduzida em prosa para o portu- gues, que ainda tenho esperanqa de re- cuperar das mios arrependidas daquele que indevidamente a ret6m). Como es- quecer a gravura de Jean Valjean ajudan- do a pequena Cossete a carregar um bal- de d'igua que parecia bem maior do que ela, na migica ediqao gigante ilustrada de Les Miserables, de Victor Hugo, que Orlando Bitar, meu professor de latim, no Moderno, nao hesitou em confiar aos meus quatorze anos de calqas curtas? Cedo entrei, assim, no circuit bibli- ogrifico infinito, o tinico verdadeiro moto perp6tuo que conheqo. Pela leitura de um s6 livro, pode-se chegar a todos os ou- tros, com tempo e disposigio. Quase sempre, os amigos ajudando, obtive, na hora certa, aqueles de que precisava, movido por uma esp6cie de "faro" ou de "senso frontal", at6 hoje em pleno funci- onamento. Ainda nos tempos do Moder- no, socorreu-me Anunciada Chaves, na lista dos mestres-amigos, com o seu sun- tuoso Daudet (Tartarin de Tarascon) e com alguns volumes de Moliere, capa ver- melha de pano, cheirando a naftalina, le- tras douradas na lombada. Artur C6sar Ferreira Reis, meu professor de Hist6ria das Am6ricas, que deslumbrou nossa tur- ma falando-nos dos aztecas, emprestou-me Casa Grande & Senzala. Aos 19 anos, recebi de Paulo Mendes, o Chico Men- des, uma avultada proviso de Goethe, Kierkegaard, Rilke, Kafka, Sartre, Paul-Louis Lan- dsberg, que alentou o sopro do primeiro long ensaio que es- crevi, A Morte de Ivan Ilicht, publicado no Suplemento Lite- rdrio da Folha do Norte, fun- dado e dirigido por Haroldo Maranhao. Antes, muito antes disso, jA se me abrira a grande mina da biblioteca de Haroldo, que crescia nos altos da Fo- lha, acima do lugar onde fica- va a do velho Maranhao. Entre n6s tra- vara-se uma singular relagao de amiza- de: 6ramos dois viciados em literature, que as vezes liam os mesmos livros, e que se exercitavam, ele aos 14 e eu aos 13, imitando A Barca de Gleire, de Lo- bato e Godofredo Rangel, nos labores da epistolografia: escreviamos cartas em que resumfamos, um para o outro, s obras lidas durante a semana. Com quantos anos voci comprou o seu primeiro livro? Qual era? Como os livros minassem ao meu re- dor, somente aos 14 anos, por inconti- nencia de appetite, comecei a comprar, corn o parco dinheiro fornecido pelas tias, a obras custosas da Editora Vecchi, exi- bida nos balc6es da atulhada e simpAtica Livraria Vit6ria, de propriedade do Rai- mundo Saraiva de Freitas, distribuidor de romances em fasciculos, tiltima apariqao dos Folhetins para assinaturas. Ainda guard as duas primeiras compras: Cha- mfort, Caracteres e Anedotas; Benjamin Franklin, Brevidrio do Homem de Bern, vols. 7 e 8 da Coleqao de pequeno for- mato Os Grandes Pensadores. De seus livros escolares, qual o que marcou ou dele voci ainda se lembra? Dos livros escolares retive na mem6- ria a forma e a cor das capas, algumas gravuras e certas frases, principalmente aquelas da Lifdo de coisas, de Felix Pe- dro Pantoja, que era a Quinta-essancia da Fisica de Arist6teles deluida em cate- cismo ("Qual a diferenqa entire objeto na- tural e objeto artificial? 0 objeto natural 6 feito pela mao de Deus, o objeto artifi- cial 6 feito pela mao de Deus, o objeto artificial 6 feito pela mao do homem". O mesmo m6todo do Primeiro Catecis- mo da Doutrina Crista, que estudava As quintas-feiras, de tarde, na Igreja da San- tfssima Trindade ("Sois Cristao? Sim, sou Cristao. Fazei o sinal da Cruz. Que 6 ser Cristio?" etc., etc.). Para mim, os melhores livros sempre foram os extra- escolares. Nos anos de instrugao religi- osa, tamb6m rezava pelo catecismo de Dona Benta, porta-voz do pen- samento liberal, c6ptico, alta- mente politico, no sentido da afirmaq~o de uma consciencia ptblica de carter 6tico, de Monteiro Lobato: Hist6ria do Mundo para Crianqas, Dom S Quixote de La Mancha, Robin- son Cruso6, Robin Hood. Dom Quixote trazia gravuras de Gustav Dord. S6 algumas ce- nas dos filmes Kurosawa me trouxeram cenas tao comoven- tes quanto a da imagem de San- cho Panqa que, rosto contra focinho, chora, abraqado, num gesto de despedida, ao burro que vai abandonar. Quantos livros tern atualmente na sua biblioteca? Qual e o "forte" dela? Quais os livros mais valiosos nela exis- tente? Quanto tempo levou para for- md-la? Como ela funciona? I aberta ia consult? Quem cuida dela? Nao posso precisar-lhe quantos livros tenho. 0 dltimo catilogo que tentei orga- nizar data de meus vinte anos.Convencido de que era uma prAtica sorvedoura de tem- po, deixei, desde entao, de contabilizar mi- nha biblioteca. Trato dela sozinho, seu for- te 6 Filosofia e Literatura quase em parties iguais. S6 uma concessao A burocracia: procuro manter, a duras penas, um re- gistro de empr6stimos; safdas nao sao raras para estudantes e colegas. Algumas, infelizmente, tornam-se atestados de 6bi- to: indmeras as reposiq6es que tenho fei- to. Pelo que disse at6 aqui, ji se adivi- nhou quanto tempo levei para juntar es- ses livros, que somados aos anos de Ma- ria Sylvia eAngelita, ocupam mais de qua- tro compartimentos da casa. Tem a bibli- oteca mais do que a minha idade, porque surgiu antes de mim. Sou seu funciondrio tnico, e at6 agora pude controld-la impe- cavelmente. t certo que Ihe impus uma ordem pessoal; sei onde encontrar cada livro de acordo corn o assunto (Hist6ria da Filosofia, Filosofia da Ciencia, Religiao, Psicologia, Critica Literdria, Romances Brasileiros, Romances Estrangeiros, Poe- sia e assim por diante). Nao trago a biblio- teca na mem6ria. Ela 6, de certo modo, a minha mem6ria, feita de perdas, lembran- gas e recuperag6es. Gostaria de recuperar alguns dos meus antigos h6spedes, como certas obras da Colecgo Terramarear (Mo- wgli, o menino lobo, Jacala, o crocodile, de Kipling; Tarzan, o Rei das Selvas, de Edgard Rice Burroughs; Pinochio, de Co- lodi) ou a Poesia de Manuel Bandeira edi- tada pela Casa do Estudante do Brasil. Nao sofro da obsessao de querer renovar o alumbramento da primeira leitura, embora persista a nostalgia da experi8ncia passa- da. Cada qual tem o paraiso perdido que merece. 0 meu 6 livresco. Se fosse rico compraria a Bibliotheque de la Pleiade in- teira, todos os volumes da ColeNio Bud6 e dos clAssicos Loeb; tamb6m colecionaria edig es de Shakespeare assim como os novos-ricos colecionam santos barrocos. Mas long estou do traditional bibli6filo, com o gosto de edicoes raras, A busca de obras finamente encadernadas ou de luxo. No entanto, o livro, instrument de traba- lho para riscar e anotar, adquire a meus olhos identidade ffsica, corn a sua capa, o cheiro do papel, o format, a posiqgo da estate. Nesse ponto pareqo-me com D. Pedro II, para quern cada livro era um es- timulante dos sentidos da vista, do tato e do olfato. Assim 6 que os guard na me- m6ria, catdlogo dnico, compulsado onde quer que esteja. Os mais valiosos sao os que melhor me ser vem, me ajudam, me aeompanham: Frkagmente der Vorsokratiker, de Hermann Diels; Kant complete, 18 vols., na Edigao de 1921 da Academia de Berlim; Fichte, tamb6m complete, em 6 vols., EdigAo de 1911; Schopenhau- er, idem, em 6 vols. Reclam; His- tdria da Filosofia, de Uberweg, 4 volu- mes, Berlim, 1906; Suma Teoldgica, 16 vols. Latim/Frances, 1853 presente de Chico Mendes); La Philosophie de la Na- ture, de J-Del. de Sales, Paris, 1804, 10 vols. (obtido numa troca corn Machado Coelho); os livros de poesia (Pound, Dylan Thomas, Cummings, etc.) que pertence- ram a Mario Faustino. Se tem fdihos: eles gostam de ler? Se ndo tem filhos, parents? Os filhos tinicos, adotivos, nossos ga- tos e cachorros, d6ceis e inteligentes, nao se interessam por essas coisas. Mas os meus primos, que cresceram na mesma casa onde nasci e me criei, gostam de ler; tivemos a mesma professor primAria, nossa tia de verdade, e nao a postiga das escolas de hoje, e que contribuiu para isso. Quais os dez livros mais importan- tes na sua vida? Prefiro mencionar textos, como livros ou parties de livros que estao estranha- dos A minha vida pessoal: 1- Apologia de S6crates (Platao); 2 El sentimiento trdgico de la vida, de Miguel de Unamu- no; 3- Josd e seus Irmdos, de Thomas Mann; 4 A Morte de Ivan Ilicht, de Leon Tolstoi; 5 Kant, Crftica da Razdo Pura; 6 Proust, La Recherche du Temps Perdu; 7 Guimaraes Rosa, Grande Ser- tdo: Veredas; 8 Os Poemas elegiacos de Carlos Drummond de Andrade (em A Rosa do Povo e Claro Enigma); 9 A Paixdo Segundo GH., de Clarice Lispec- tor; 10 Ser e Tempo, de Heidegger. Que livros sdo essenciais para um leitor? Teria que escrever um livro sobre os livros como resposta a esta pergunta. Na impossibilidade de faz8-lo agora, apresen- to-lhe algo simples, nao no genero de Ce qu' il faut lire dans la vie, obra de autor frances que encontrei, quando cursava o gindsio, na biblioteca dos irmaos Viana (Garibaldi, Camilo, Raimundo e Antonio Pedro), por eles herdada do pai, Prof. Josino. 0 que adiante se vai ler 6 uma lista com as seguintes especifica9es e utilidades: a) sujeita a muitos acr6sci- mos sem que dela possa ser suprimido; b) vai do s6c. VIII a C. ao inicio do s6c. XX d.c., at6 por volta de 1903; c) - nao serve para o Vestibular; d) pode denominar-se "o que 6 precise ler A mar- gem do ensino universitdrio enquanto se estuda na Universidade e depois", e) enu- mera os livros e autores que podem ser recolhidos numa Arca salvadora, em caso de Dildvio antilivresco, precipitado pelo eventual e possivel agigantamento, como maremoto de certa duracgo, da onda de estupidez intellectual, est6tica e 6tica, que jA castiga o Pais. Upanishada e Bhagavad-Gita; Ra- mayena; classicos chineses, Taote-King inclusive; textos budistas e zenbudistas; Hesiodo, Teogonia; Homero, Illada e Odissdia; trag6dias gregas & Esquilo, S6focles, Euripedes); Her6doto, Hist6- ria; Tucidides, A Guerra do Peloponeso; Obras de Platao, como Apologta de S6- crates e Os Didlogos Banquete, Phedro, Phedrdo, A Reptblica, 0 Sofista e Par- menides; Arist6teles, Organum, Podtica, Etica a Nic8maco; Virgilio, Eneida; Ovi- dio, As Metamorfoses; HorAcio, Odes; fontes do estoicismo e do ceptismo (Mar- co-Aur61lio, Epicteto e Sexto-Empirico); De Rerum Natura, de Lucr6cio; Petr6- nio, Satiricon; Apuleio, Asno de Ouro; Luciano de Samosata, Didlogos. Eclesi- astes e Cdntico dos Cdnticos: Os Evan- gelhos (inclusive os Ap6crifos); Livros de Pseudo-Dionfsio Aeropagita; As Con- fiss5es. de Sto. Agostinho: Abelardo, His- tdria de minhas calmidades; Tristdo e Isolda; 0 ciclo do Rei Artur; Tomds de Aquino, Suma Teol6gica; I Fioretti, de Sao Francisco de Assis; Dante, A Divi- na Comddia; Eckardt, Sermcies; Poesi- as, de Frangois Villon; Nicolau de Cusa, De docta ignorantia; Boccacio, Decame- ron; Rabelais, Garantua e Pantagruel; Les Essais, de Monteigne; Shakespeare, Tra- gddias e Comidias; Camies, Os Lusta- das e Sonetos; Fernmo Mendes Pinto, As PeregrinagOes; Sao Jodo da Cruz, Subi- da do Monte Carmelo; Cervantes, Dom Quixote de La Mancha; Calderon de la Barca, La Vida es suehio; Descartes, Dis- cours de la Mdthode e Meditar6es Meta- fisicas; Pascal, Les Pensdes; Spinoza, Etica; Molibre, Le Tartuffe, Le Medicin malgre lui, Le Malade imaginaire; Raci- ne, Phidre, Esther, Andromaque, Brita- nicus; La Rochefoucauld, Maximes; La Bruyere, Les Characteres. Locke, Essay concerning the Human Understanding e Segundo Tratado sobre o Governo; Montesquieu, 0 Espirito das Leis; Hume, Tratado sobre a anatureza humana; Berkeley, Didlogo entire Hylas e Filonous; Leibniz, Monado- logia; William Blake, Os Livros pro- fiticos (principalmente 0 Casamen- to o Ciu corn o Inferno); Rousseau, Ensaio sobre a origem da desigual- dade, Les Confessions e Les Reveri- es d'un promeneur solitaire; Voltai- re, Contos Filosdficos (sem esque- cer L'Ingenu e Candide); Diderot, Jacques le Fataliste e Suplemento at viagem de Bougainville; Goethe, Wilhelm Meister e o Fausto (10 e 2*); Schiller, Poesia ingenua e Poesia Sentimental e as Cartas sobre a Educaado Estftica; Correspondencia Schiller/Goethe; Kant, A Crftica da Razdo Pura, Filosofia da Hist6ria do Ponto de vista Cosmopolita e Critica do Juizo; Richardson, Tom Jo- nes; Novalis, Hinos a Noite; Holderlin, Elegias e Hinos; Kleist, A Marqueza d'O; Buchner, Woyzzek e A Morte de Danton; Heinrich Heine, Livro das CanVoes; As Mil e Uma Noites. Chateaubriand, Atala e Memoires d'Outre-tombe; Sterne, Sentimental Jour- ney e Tristram Shandy; Odes, de Shelley e Keats; Coleridge, Biografia Literdria; Leopardi, Cantos; Hegel, A Fenomelo- gia do Espirito e Lir6es de Estdtica; Karl Marx, 0 Capital e 18 Brumario; Scho- penhauer, 0 mundo como vontade e re- presentafdo; Kierkegaard, Migalhas Fi- los6ficas e o Tratado do Desespero; Balzac, A Comidia Humana; Stendhal, 0 Vermelho e o Negro e Crdnica Italia- nas; Victor Hugo, Les Contemplations, Notre Dame de Paris, Les Miserables; Mi- chelet, A Revoluado Francesa; Tocque- ville, 0 Antigo Regime e a Revoluiao Francesa; Alexandre Dumas, Os Tres Mosqueteiros; Jos6 de Alencar, 0 Gua- rani, Iracema e As Minas de Prata; Al- meida Garret, Viagens na minha Terra; Alexandre Herculano, Lendas e Narrati- vas, Histdria da Origem e do Estabele- cimento da Inquisicdo em Portugal; Di- ckens, David Copperfield, Pickwick Pa- pers; Emily Bronte, 0 Morro dos Ventos Uivantes; Charlotte Bronte, Jane Eyre, Jane Austen, Pride and Prejudice; Bau- delaire, Les Fleurs du Mal; Rimbaud, Les Ruminations; Verlaine, Romances sans Paroles; Mallarm6, Poesias; Edgar Allan Poe, Contos Extraordindrios; Emily Di- ckson, Poems; Lautr6aumont, Chants de Maldoror; Omar Kayyan, Rubayat. Samuel Butler, The way of all flesh; Robert Loouis Stevenson, The Treasure Island; Thomas Hardy, Judas o Obscu- ro; Flaubert, L'Education Sentimentale, Trois Contes; Jules Verne, Viagem i Lua; Joseph Conrad, Nostromo; Lewis Carro- ll, Alice no Pais das Maravilhas; Camilo Castelo Branco, 0 Amor de Perdicdo; Machado de Assis, Mem6rias P6stumas de Braz Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Joaquim Nabuco, Minha For- marco; Ruy Barbosa, Contra o Milita- rismo; Euclides da Cunha, Os Sert6es; Tolstoi, Guerra e Paz e A Morte de Ivan Rich; Dostoievski, Crime e Castigo, Os Irmdos Karamazov, Os Possessos, 0 Idi- ota; Chekov, Contos, As Trds Irmis; Ib- sen Solners, 0 Construtor; Strindberg, 0 Sonho; Thoreau, Walden e Desobedi- encia Civil; Walt Whitmann, Leaves of Grass; Kipling, 0 Livro da Jangal; Hen- ry James, A volta do parafuso; Mark Ta- wain, Huckleberry Finn; Ega de Queiroz, A Cidade e as Serras, 0 Primo Basilio; Bergson, Les Donndes Immddiates de la conscience; Nietzsche, Assim falava Za- ratustra; Husserl, InvestigaVdes L6gicas; Freud, Interpretaado dos Sonhos; Proust, La Recherche du Temps Perdu; Val6ry, Po- esias e Varidtds; Andr6 Gide, Os Moedei- ros Falsos, Le Fils Prodigue; Gorki, Mi- nhas Universidades; Apollinaire, Alcools e Calligrames; Eliot, The Waste Land; Joyce, Dubliners, Ulisses; Pound, The Cantos; Jorge Guillen, Cdntico; Rilke, Ele- gias de Duino e Sonetos e Orfeu; Trakl, Poemas; Lorca, Romancero Gitano; Fer- nando Pessoa, Guardador de Rebanhos, (Alberto Caeiro), Odes (Ricardo Reis), Grandes Odes (Alvaro de Campos); Hei- degger, Ser e Tempo; Jacob Wassermann, Process, America, 0 Castelo, A Colonia Penitencidria; H.O. Lawrence, 0 Homem que morreu, A Serpente Emplumada; Vir- ginia Wolf, As Ondas e Orlando; Hermann Broch, Os Sondmbulos; Musil, 0 Homem sem Qualidades; Oswald de Andrade, Po- esia Paubrasil; Mdrio de Andrade, Macu- naima; Poesias de Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Manuel Bandeira; Karantzakis, Ascese, Sal- vatores Dei. Que livro causou-lhe a maior decepdfo? O Baudelaire, de Jean-Paul Sartre, que culpa Baudelaire porter sido Baudelaire. Dos livros que escreveu, qual o que mais lhe agrada? Qual o menos satisfatdrio? O que me agradou, dando-me prazer quando o escrevi, foi 0 Tempo na Nar- rativa. 0 menos satisfat6rio 6 ainda um dos primeiros, Introducgo h Filosofia da Arte, que deveri ser revisto e ampliado nos pr6ximos anos. Que livros sobre a Amazonia devem constar de uma boa biblioteca? Alexandre Rodrigues Ferreira, Vi- agem Filos6fica; Bates, Um Natura- lista no Rio Amazonas; Gastdo Cruls, A Hildia Amaz6nica; todos os que Eidorfe Moreira escreveu sobre o as- sunto; Curt Nimuendaju, OsApinayd; SEdson Soares Diniz, Os (ndios Ma- cuxi de Roraima; Frederico Barata, Andlise estilistica da cerdmica de Santardm; Armando Mendes, Viabi- lidade Economica da Amazonia e 0 Mato e o Mito; Licio Fldvio Pinto, Cara- jds, o Ataque ao coraado da Amazonia e Jari (as relaroes entire o Estado e as mul- tinacionais na Amazonia); Vicente Salles, 0 Negro no Pard. Ainda: 0 Coronel san- grando, de Ingles de Sousa; 0 Turista Aprendiz, de Mario de Andrade; Moron- guetd, de Nunes Pereira; Antonio Bran- ddo deAmorim, Lendas em Nheengatu em portuguis; o ciclo ficcional de Dalcidio Ju- randir, comegando por Chove nos cam- pos de Cachoeira; Batuque, de Bruno de Menezes. E mais: a poesia de Rui Barata (Anjo dos Abismos, A Linha Imagindria); a obra po6tica de Paulo Plinio Abreu; 0 Homem e sua hora, de Mario Faustino; Verde vago mundo, de Banedicto Montei- ro; Galves o Imperador do Acre, de Mar- cio Souza; Cabelos no Coradfo, de Ha- roldo MaranhAo; 60/38, de Max Martins. Lembramos tambem Luis Bacellar, Sol de feira; Elcio Farias, Romanceiro; Jorge Tu- fic, Poesia reunida; Paes Loureiro, Can- tares AmazOnicos; Age de Carvalho, Ror; S6rgio Wax, Trinta e tris experiments e uma Suite; Milton Hatoum, Relato de um certo Oriente. Os intelectuais e o powder O peruano Mario Vargas Llosa 6 um dos maiores escritores de todos os tempos na Am6rica do Sul e um dos mais importantes em atividade no mundo. Seu premio Nobel de Litera- tura foi just e merecido. Escreveu muito, sempre em alto nfvel de quali- dade e com muita diversidade. Desde Conversa na Catedral a Pantaledo e as Visitadoras, Batismo de Fogo (na traduqdo da la edigqo em portu- guis) at6 A Guerra no Fim-do-Mun- do, que muito critico desdenhou, mas esti A altura do seu principal perso- nagem, Euclides da Cunha. Isto em ficqdo. Em ensaios nao desce um pa- tamar sequer, ainda quando emite opi- ni6es controversas ou duvidosas. Sabe escrever como poucos e dar grande- za aos temas que aborda. Como a maravilhosa cronica sobre um aristo- crata peruano decadente que frequien- ta livrarias em Paris. Uma elegia ao livro e Aqueles que o cultivam. Nada mais natural do que Llosa ter sido convidado para a abertura da Feira International do Livro de Buenos Aires, que serd realizada no pr6ximo mrs. Sua presenqa dignificaria a promoqdo. Feito o andncio, por6m, comeqaram a agir os censores ex-officio de esquerda. Llosa deveria ser "desconvidado" porque nao 6 adepto da "corrente que abriga a soci- edade argentina", por ser messianico, antiperonista e critico da dinastia Kirch- ner no poder. Al6m disso, 6 um fracas- sado: foi derrotado na eleiqgo para pre- sidente do Peru, em 1990. Santa derrota. Talvez Vargas Llosa nao viesse a ser um bom president. Mas um excelente escritor ele continuou a ser depois do "fracasso". Seu mais recent livro de ensaios, Saber e Utopias, 6 umrn primor. Aprende-se at6 discordando fron- talmente dele, por sua inteligencia, seu conhecimento e seu estilo. 0 "desconvite" foi feito por ningu6m menos do que o president da Bibliote- ca Nacional da Argentina, que devia ter discernimento sobre o significado do li- vro. Felizmente para a tradiqao intelec- tual argentina, a president Cristina Kir- chner teve um gesto de grandeza: can- celou a mesquinha e burra iniciativa do president da Biblioteca, fazendo-o des- fazer o ato infquo. Kirchner ia se juntar aos militares da ditadura, que em 1970 censuraram os livros de Llosa. A principal fungqo do inte- lectual hoje e sempre 6 estar long do poder e o mais pr6ximo dos series humans, dos cidadaos comuns, seus cli- entes e patroes. Da humani- dade, em sentido gen6rico, para nao condicionar sua cri- acao as expectativas de con- sumo e aceitaqdo. 0 grande desafio para o intellectual 6jus- tamente a postura em relagdo ao poder, quando o lugar 6 ocu- pado por companheiros de vi- agem. Ha a tendencia a se sa- tisfazer com a realizaqao dos sonhos de chegar ao topo do process decis6rio, ensarilhar as armas (sempre configura- das em id6ias) e se entregar ao usufruto. Foi o que aconteceu corn os intelectuais de esquerda a partir da chegada de Lula ao poder. Varios deles, alertas para o olho clfnico do tempo, quiseram manter estandartes e fantasias de independents e critics, mas com um bastao de comando nas maos ou uma sinecura no bolso. Para manter os critics verdadeiros e os co- bradores de posig6es A distancia, usamrn os antigos conceitos morais da esquer- da, monopolista do direito de uso das bandeiras 6ticas, como metralhadora gi- rat6ria. Procuram atingir quem estiver do outro lado, mas no raio de acgo dos seus conceitos. E o que faz o soci6logo Emir Sader. Idolo de certa faixa da esquerda e de uma ala do PT, ele se consider um ico- ne da verdade. Antes de assumir a pre- sidencia da Casa de Rui Barbosa, de- pois de nao ter conseguido ser ministry da cultural, criticou sua chefa, colocada no cargo pela turma de Dilma Rousseff e nao pelos remanescentes de Lula), Ana Buarque de Holanda, cujo maior atributo 6 ser irma de Chico, aquele um. Crftica ferina, deselegante e a6tica. De tao im6vel, a ministry seria "quase au- tista", sentenciou Emir. Nao havia outro caminho que nao o do "desconvite". Ao contrario da gros- seria praticada contra Llosa por arbitrio de um Torquemada portenho, no caso brasileiro era a inica provid8ncia a ado- tar. Se aceitasse a afronta, a ministry encolheria e o seu agressor cresceria a tal ponto que podia at6 cometer a incon- seqii8ncia de mudar a razao de ser da Casa de Rui Barbosa, hi mais de 80 anos centro de acumulaqao e processamento de documentaqao, de acervos e cole- q9es, orientados para uma pesquisa es- pecializada de profundidade e amplitu- de, para o direito pdblico e a literature. Sader queria transformar a Casa de Rui numa versao refinada do Teatro Casa Grande. Garante ele que foi num debate que coordenou no ano passado no Casa Grande, no Rio de Janeiro, que a campa- nha em favor de Dilma Rousseff deslan- chou de vez, graqas ao apoio de artists e intelectuais que ali compareceram. Al6m de um atestado de egocentrismo sem fun- damento, 6 uma afronta aos fatos. Quem elegeu Dilma foi Lula. A conta da vit6ria ji foijogada sobre os peitos da president - e ela esti podendo avaliar agora como essa conta pesa. Nao tern nada a ver corn intelectuais e artists. Se estivesse corn bons prop6sitos e de boa f6, Emir Sader teria procedido de outra forma. Talvez ele tenha pre- tendido mesmo 6 abrilhantar seu luzidio currfculo, nao enfrentar o trabalho que ia Ihe ser entregue se fosse empossa- do, se credenciar A reparaqao da agres- sao e continuar na posiqao iconoclasta bem arrimada(e arrumada). No poder, 6 claro. Quanto mais pr6ximo esti do poder, menos intellectual o intellectual 6. Os dois casos comprovam. 1 QUINZENA Jornal Pessoal MARQO DE 2011 SOCIALISTS Menos de um m8s antes da eleigqo de 3 de outubro de 1958 a Juventude Socia- lista se instalou no Pari, como brago do Partido So- cialista, presidido pelo advo- gado C16o Bernardo.Na so- lenidade de fundagdo fala- ram os estudantes Acyr Castro,Jos6 Ubiratan e Ra- imundo Arinos.Os outros fundadores foram Raimun- do Freitas de Almeida, Ar- temis Vasconcelos, Amindio Souza, Pedro Galvio de Lima,Ldcio Amaral, Deolin- do Santos, Vivaldo Reis Fi- Iho, Heraldo Mau6s, Janud- rio Maciel,Jodo MAximo e Ant6nio Vasconcelos. TEATRO Pouca gente foi ao "audi- torium" da SAI (Sociedade Artistica Intemacional) as- sistir A primeira encenagao teatral de "Morte e Vida Se- verina", o auto de natal per- nambucano do poeta Joao Cabral de Melo Neto, em agosto de 1958 (quase uma d6cada antes da famosa ver- sdo do Teatro da PUC de Sdo Paulo). 0 colunista das No- tas Artisticas da Folha do Norte, Elmiro Nogueira, la- mentou o vazio no saldo. Elogiou a qualidade do texto e o desempenho dos atores Carlos Miranda, Ma- ria Brigido e Aita Altman (que continue ativa em SAo Paulo), mas ressaltou: "Nada valeriam a profunde- za emotional do texto e o quase impecavel desempe- nho se ndo tivesse havido valioso e imprescindivel co- mando". Comando exercido por Benedito e Maria Syl- via Nunes, os criadores do Norte Teatro Escola do Para, corn a participagao de Francisco Paulo Mendes e Alonso Rocha (este, recen- temente falecido). A encenagqo pioneira na SAI (onde hoje esti a Aca- demia Paraense de Letras) foi patrocinada pela UAP (Uniao Acad8mica Paraen- PROPAGANDA Canastrio no Jurunas Ronald Reagan, quem diria, foi ao Cine Aldeia do Rddio, no Jurunas. Ndo em came e osso, mas na forma de celuldide. Era o principal personagem do filme "A revolta dos Apaches", contracenando com Rhonda Fleming, exibido em maio de 1958. A populaado do Jurunas se divertia na Aldeia do Rddio, que era, ao mesmo tempo, atracdo local e centro de difusdo da programagdo da Rddio Clube. Nunca mais voltou a haver algo igual em Belem. I Cine ALDEIA DO --JURUNAS - Um Umn min A Bru I"A Revolta Dos Ap RADIO- O0MENTE HOJE I Sm o 20 horas Sdas males renhidu de Fronletra l Prumnount apri Scor Ro" aid Ru- Rhonda Fleming. ce Bennett a Noah ry. aches" ZI~~~' J U T I aJ ornal Pessoal MARQO DE 2011 1aQUINZENA se), mas Elmiro achava que o espetdculo "deveria rece- ber, no Teatro da Paz, as pal- mas dos professors e dos homes de pensamento". QUERMESSE Um dos programs fre- qtientes e obrigat6rios da 6po- ca eram as quermesses be- neficentes. Em 1959 as alu- nas e professors do muito famoso Gindsio e Escola Tdc- nica de Com6rcio PAtria e Cultura fizeram um desses convescotes, "em beneffcio desse estabelecimento", co- megando as 8 da manhn e indo at6 as 10 da noite. Apega de resistencia eram as comidas.O cardapio apresen- tado espelhava a culindria de entio: pato assado corn faro- fa, pato no tucupi, galinha com farofa, arroz paulista, galinha guizada, casquinho de muqud, casquinho de caranguejo, por- co assado, vatapi e a inevi- tAvel salada de camarjo. Era de se esbaldar. m CINELANDIA Menos de um ano depois de inaugurar o ediffcio Palacio do Ridio e, em seu t6rreo, o Cine Teatro Palacio, na avenida President Vargas, o engenhei- ro Judah Levy anunciou,no fi- nal de 1960, empreendimento semelhante, que executaria no largo de Nazar6, a praqa Jus- to Chermont. No t6rreo de um ediffcio de apartamentos en- tdo considerados de luxo, o Rainha Esther, ele instalaria o Cinelandia. Em relagqo ao Palacio, o Cinelandia s6 nao teria o balcao nobre, mas con- taria corn mais poltronas es- tofadas: 1.400. Seria um dos mais belos cinemas do como ji era o Palicio, pafs, mas acabaria nao saindo. S6 o pr6- dio de apartamentos residen- ciais vingaria. ENERGIA No final de novembro de 1960 o governador Moura Carvalho foi A Europa. 0 ob- jetivo inicial era tratar da sai- de. Mas a agenda tamb6m inclufa quest6es polfticas e t6cnicas. Ele voltaria como candidate a prefeito de Be- 16m e um dos seus acompa- nhantes, Aurdlio do Carmo, como o nome A sua sucessao, com o apoio do PSD, que con- tinuava a ser o partido mais forte, mesmo depois da mor- te de Magalhaes Barata. No Rio de Janeiro, que era a capital federal, antes de embarcar para a primeira escala,em Portugal, Moura disse que iria tratar na Ale- manha da construgqo de uma usina nuclear para abastecer Bel6m, "uma vez que no Pard nao existem quedas d'agua". A usina nuclear nao sairia das pranchetas da Celpa. Quanto As inexistentes que- das d'dgua, elas apareceri- am. E muito. JARI Em 1969 poucas pessoas em Bel6m jd tinham ouvido falar na Jari. Dois anos antes o ex- centrico miliondrio americano FOTOGRAFIA Hospedaria do diabo Registro raro da terrivel Hospedaria do Tapand, em Belim, tambdm conhecida como "hospedaria do diabo" (titulo de um livro escrito pelo advogado Valmick de MendonCa). Primeiro serviu de abrigo para os imigrantes nordestinos, principalmente cearenses, que chegavam para participar da "batalha da borracha", o esforCo durante a Segunda Guerra Mundial para suprir as forcas Aliadas do produto. Depois, quando a guerra terminou, na volta dos altos rios amazonicos dos maltratados, desiludidos e doentes "soldados da borracha" e seus familiares, que tentavam regressar a terra natal. Uma histrria de dor, sofrimento e misdria.Um capitulo da ultima conflagragdo bdlica mundial a espera de uma hist6ria melhor. Daniel Ludwig comprara uma grande extensdo de terras no Pard e no Amapd e ali come- 9ara um grande empreendi- mento para produzir celulose, arroz, mindrio e gado. Para re- alizar grandes desmatamentos e outros serviqos na drea era precise contratar muita mao- de-obra, aos milhares. Em maio de 1969 a Policia Rodoviiria Federal apreendeu um caminhao cheio de traba- lhadores, que estavam sendo levados para a Jari. A firma responsivel pelo transport era a Desmatadora Amaz6- nia, que recebera da Fazen- da Serra Grande a tarefa de recrutar 120 mil peoes ao lon- go da rodovia Bel6m-Brasi- lia. Chamada a se explicar, a Jari disse que seu contrato era exclusivamente corn a Serra Grande, que estaria proibida de sub-empreitar a tarefa. E que a responsabilidade da empresa americana era em relagdo ao desmatamento e nao A mdo-de-obra, que fica- va por conta do empreiteiro. Tres anos depois,quando os peoes da Jari fizeram uma manifestaqao de protest du- rante visit ao local do presi- dente Garrastazu M6dici, fi- caria provado que a hist6ria nao era bem essa. Era uma hist6ria muito mais cabeluda. MARQO DE 2011 1-QUINZENA Jornal Pessoal l Politicos de ontem, as copias de hoje Voltou a ser moda falar mal de Car- los Lacerda. E o satands da esquerda, o politico reaciondrio, capaz das maio- res vilanias, o matador de presidents, o golpista. Lacerda foi umrn pouco de tudo isso. Mas tamb6m foi muito mais. Ti- nha carisma, idWias na cabega, auddcia e coragem pessoal. Os que hoje lhe ati- ram pedras, como ontem, costumam manter a devida distancia. Nao era fi- cil enfrentar pessoalmente o "corvo". Um dos mais proveitosos e delicio- sos depoimentos jd prestados por um politico no Brasil 6 a longuissima entre- vistas que ele concede a rep6rteres do Jornal da Tarde (o vespertino de 0 Estado de S. Paulo, sob o comando de Ruy Mesquita, o mais lacerdista da famnlia) e publicada pela Editora Nova Fronteira, do pr6prio Lacerda. E dificil manter os estere6tipos ar- mados contra ele depois dessa leitura. Mas principalmente depois de ver a foto em que Lacerda aparece cercado por todos os lados por presidiarios rebela- dos na penitencidria Lemos de Brito, no Rio de Janeiro. 0 entdo governador da Guanabara nao mandou ningu6m nem se cercou de seguranqas. Debelou a re- beliao na conversa, olhando os press diretamente nos olhos. Qual politico faria isso hoje, papari- cado e guiado por legi6es de assesso- res e marqueteiros? Antes de qualquer movimento, os politicos profissionais dos nossos dias consultam pesquisas, estu- dos e conselhos de p6 de ouvido. Nao hi mais espontaneidade e quando ela emerge por cima de todos os controls, 6 um desastre. Como a do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, mandando para o quinto dos infernos a moradora recalci- trante de uma area de risco da capital amazonense, ameagada de ruir. A mulher tentava argumentar corn suas condicionantes e mis6rias para nao sair do local. Ao inv6s de continu- ar o didlogo e oferecer-lhe alguma coi- sa real para comeqar nova vida, o al- caide, irritado, explodiu: "Entao morra, morra". Ao saber que Laudenice Pai- va, separada, desempregada, com tr8s filhos para criar, morando em ocupa- qao irregular, era paraense, Amazoni- no, filho de pai paraense, terminou de entornar o caldo da maledicencia: "En- tao estd explicado". Ainda n5o. 0 Pard sempre foi mais local de atraqao, destino de imigrantes. Nos filtimos anos assumiu um novo pa- pel, o de local de saida, de fuga da po- pulagqo, sobretudo a do oeste do Esta- do, mais ligada atualmente a Manaus do que a Bel6m. Um dos mais novos bairros da capital manauara tem 80% de paraenses, em sua grande maioria santarenos. Eles agora experimental na pele o que muitos imigrantes sofri- am no Pard. A discriminaqao aos paraenses no Amazonas (e em toda a Amazonia Oci- dental) tem causes hist6ricas, a partir da fungao sub-colonial de Bel6m duran- te a exploraqao da borracha. Um pou- co do sangue espalhado pelos altos rios na busca do ldtex ficava nos bancos e casas aviadoras da rua 15 de Novem- bro, que costumava ser implacdvel com os devedores, cumprindo com rigor as ordens superiores. Hoje a rivalidade vi- rou misto de ressentimento e raiva pela competiqdo. A attitude do prefeito, por6m, nao tem origem tao profunda. Ela traduz o cinismo dos politicos profissionais ao lidar com o cidadao fora da 6poca de colheita de votos. P um desprezo que parecia s6 existir na recriaqao literi- ria. Quando se via Chico Anysio na pele de Justo Verissimo, sempre desejoso de ver o povo explodir, dava-se de tro- co o exagero. Hoje, 6 uma pdlida re- produqao da realidade de Amazoninos et caterva. Falta grandeza e sensibilidade aos politicos nos nossos dias. 0 direitista Lacerda foi A massa de presididrios endurecidos bancado apenas por sua orat6ria e raciocinio. 0 governador Si- mao Jatene podia ter pegado um aviao e ido a Manaus buscar sua conterri- nea desfavorecida e traz8-la de volta A sua terra, oferecendo-lhe algo me- Ihor do que a sentenqa de morte do prefeito de Manaus. Mas este tipo de politico estA fora de cogitaqao. S6 exis- te na mem6ria de quem ainda a culti- va, ainda que erroneamente. Jomal Pessoal Editor: LOcio Flavio Pinto Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626 E-mail: Ifpjor@uol.com.br jornal@amazon.com.br Site: www.jornalpessoal.com.br Diagramagqo e ilustragOes: Luiz Antonio de Faria Pinto luizpe54@hotmail.com * luizpe54@gmail.com chargesdojornalpessoal.blogspot.com blogdoluizpe.blogspot.com *Jornal Pessoal MARQO DE 2011 1aQUINZENA Mem6ria do Cotidiano 3 Jd estd a venda nas bancas e livrarias da cidade o terceiro volume da colegdo emformato de livro da Memdria do Cotidiano, a segdo fixa deste journal. Com diagramagdo mais leve e limpa, para permitir a melhor leitura e o maior prazer dos leitores. Agora, e ir atrds e comprar 0 editor agradece. I ilpI4E FAiO 1, PINTI|O] DOl [OIDIA! g] Central de flagrantes A primeira central de flagrantes da policia civil comegou a funcionar no dia 20, em Bel6m, na seccional de Sdo Braz. Parece que comeqou mal: congestiona- da e inibindo as queixas. Precisa ser reformulada no nascedouro. Improvisa- gqo na pritica e falta de planejamento parecem ser seus males de origem. Outro dia, passando em frente ao Edificio Bern, pioneiro do crescimento vertical na Presidente Vargas, cogitei de a cen- tral ser instalada ali. 0 velho pr6dio esti sendo reservado para a destrui- 9o: abandonado, sujo, em ruinas. Assim ficard por tempo imprevisivel porque a area, que j foi nobre, hoje esti desvalorizada. Quem derrubasse o Bern iria querer levantar um espigao. Mas para que? Dificilmente seria um neg6- cio rentivel. Reformado e adaptado para as no- vas funq6es, o edificio de cinco anda- res ficaria muito bem como sede da central de flagrantes. Seria todo ele uti- lizado para essa dnica finalidade, corn todos os espagos requeridos. 0 terre- no ao lado, que abrigaria uma ag8ncia nunca construida do Banco da Ama- z6nia, poderia ser usado como estaci- onamento. Para isso, os ambulantes teriam que ser remanejados para umrn espaqo adequado. Podiam reclamar, mas acima de tudo estaria o interesse coletivo. Haveria mais seguranga no velho centro comer- cial de Bel6m. A area seria valorizada ou, pelo menos, teria um uso mais in- tenso. A populado pode- ria ser atendida por um centro especializado por- que sempre haveria via- turas policiais para aten- der os chamados, al6m da rede de patrulhamen- to normal da cidade. A funqao policial em nada prejudi- caria as outras atividades porque a en- trada e saida serial a partir de um bom estacionamento lateral. E adotando como modelo o centro de flagrantes de Portland, no Estado do Oregon, nos EUA, claro que ajustado As condiq6es belenenses, o padrdo seria correto. E certamente a central contribuiria para reduzir o indice de criminalidade na ca- pital paraense. Esti lanqada a ideia. Danga das cadeiras Enquanto a administracqo pdblica nao for profissionalizada no Brasil es- taremos condenados a assistir a esse lamentivel espetdculo de exonera- q6es e admiss6es as pencas sempre que um governante for substitufdo por outro. E assim que sao pagos muitos dos votos conferidos ao vencedor. A moeda de troca 6 o cargo comissio- nado. Lateralmente, sao punidos os servidores que apostaram na candi- datura derrotada. Poucos escapam a essa razzia, que 6 o ajuste de contas p6s-eleitoral langa- do A rubrica das contas a pagar. Assimrn serd at6 que nao houver mais esses pen- duricalhos funcionais. Ingresso, s6 atra- v6s de concurso. Progressao por m6ri- to ou ancianidade at6 o dltimo posto da carreira de cada setor da administracqo piblica, que assim prestari seus com- petentes services a quem 6 sua razao de ser: o cidadao. Paraense vencedor Renato Navarro Guerreiro foi um daqueles personagens que a Folha do Norte certamente incluiria entire "os paraenses que venceram no Sul". Corn discriqao e humildade, fazendo do seu talent e da sua larga visao os meios para realizar carreira como en- genheiro de telecomunicaq6es e um dos principals atores na passage da telefonia brasileira do dominio estatal para o control privado. Foi uma das mais dificeis, pol8micas e profundas transformaq6es na vida do pais nas duas dltimas d6cadas. Muitos tomaram parte nessa his- t6ria, mas Renato, A distancia dos re- fletores, foi a grande refer8ncia t6c- nica e o maior inspirador para as me- didas adotadas a partir do governor de Fernando Henrique Cardoso. A criatura concebida esta af, exposta as criticas, mas funcionando. Ndo existiria sem que uma pessoa tives- se na cabeqa uma visao maior do que a de um executor de ordens e seguidor de manuais. Renato Guer- reiro foi um criador, sem nunca per- der a condiqao de caboclo de Orixi- mind, onde nasceu em 1949. Mor- reu em Brasilia. IMQUINZENA Jornal Pessoal Saude precaria Da porta de suas sedes para fora, as instituig6es oficiais desen- cadearam uma guerra A dengue. Sempre retardada e carente dos recursos adequados. Mas 6 inter- namente que se percebe melhor o despreparo. Enquanto os guards de sadde andam pelas ruas e casas inspecionando, borrifando e notifi- cando, os doentes morrem inclu- sive da forma hemorragica, um atestado da incompet8ncia do go- verno por nao encontrarem m6- dicos ou enfermeiros nos postos de saidde e hospitals. Foi o que aconteceu com Jose Oliveira, de 46 anos. Seus pa- rentes o levaram a tempo de ser assistido e salvo. Mas depois de ir e voltar duas vezes a unidade de emergencia do distrito indus- trial de Ananindeua sem ser atendido, foi transferidoji no de- sespero ao Pronto Socorro Mu- nicipal do Guami, onde morreu de dengue hemorrigica. 0 quinto caso confirmado de morte em dois meses na capital africana do Para. MARCO DE 2011 Monstrengo A Companhia das Docas do Pard conseguiu cons- truir, na praga Waldemar Henrique, uma das edifica- 96es mais feias de Bel6m. A contrastar corn a caixa marrom, As proximidades, a elegant sede da Porto of Para, deixada pelos coloni- zadores estrangeiros para os colonizados tupiniquins dos SNAPP, Enasa e, final, CDP. Se de portos ela en- tende, de construgao civil o que sabe 6 errado. IgTeja Uma simples limpeza mudou para muito melhor a fachada da bela igreja do Carmo. Ela agora esti pre- cisando de uma revisao. Mas esti precisando principal- mente que se ataquem as in- filtraq6es. Sao muitas e ji profundas. Algumas das pin- turas na parede comegam a ficar ameagadas. Espero que quem de direito nao espere pela consumagio da amea- 9a para tomar providencia, ja, urgente. Livros A Big Ben anunciou, comr todo alarde possivel, no mes passado, que venderia "tudo pelo menor prego do Brasil", na sua promogao de duas semanas, at6 o dia 20. Pelo menos em relacgo a livros, foi propaganda enganosa. Os descontos variaram de 5 a 15%, numa faixa m6dia de reduqgo que algumas (das poucas) livrarias da cidade praticam regularmente. Para uma promogao tao espalha- fatosa, foi frustrante. A Visao, anos atris, fazia liquidaq6es verdadeiras, que atrafam muitos compradores, virios deles precisando de caixas para levar as suas compras. Mas para esse tipo de promogao 6 precise que por tris esteja quem real- mente conhega livro, tenha contato corn a clientele e seja ousado. A Big Ben at6 jai teve esse tipo de pessoa, mas se desfez desse capital. Em- bora consiga vender muito rem6dios e outros produtos, em mat6ria de livros se dai sempre mal quando realize promoq6es de fachada, como foi mais esta. As ven- das devem ter sido muito baixas, a julgar pelo que se p6de ver no tltimo dia da pro- mogdo. Imperdivel, s6 na pro- paganda. Imperdivel mesmo 6 a atual promogqo da Livra- ria da Universidade, coman- dada por Simone Neno. CEPC Algumas pessoas estra- nharam, ao ler a mat6ria da semana passada sobre o Col6gio Paes de Carvalho, que nao tenham encontrado as mesmas caracterfsticas aqui relatadas sobre a insti- tuigqo, como formadora de liderangas para a vida pdbli- ca e local de converg8ncia de todos os segments da sociedade, no qual conviviam pessoas pobres e represen- tantes das families mais an- tigas ou ricas da cidade. 0 crit6rio do m6rito prevalecia sobre os demais, permitindo que realmente os melhores se destacassem, como os que citei e virios outros que dei- xei de relacionar, como Fer- nando Moreira de Castro Jr. e seu colega de gabinete go- vernamental, Constantino Tork Barahuna. Ao entrarem depois dessa fase, os novos alunos depara- ram corn um CEPC esvazia- do e de pouca atracqo para os estudos. Perguntam entAo so- bre o que teria ocorrido no perfodo. E ficil de explicar: o AI-5, que pos fim A liberdade e A democracia no Brasil. E avalizou a repressdo a alunos do CEPC que tentaram pro- testar contra a ditadura, inti- midando os demais. Corn liberdade e democra- cia, ja se pode experimentar a ressurreiqao do CEPC como um col6gio de aplicaqo? Homenagem Minha sugestao para ho- menagear Benedito Nunes: dar A travessa onde ele mo- rou por todos anos, que era da Estrela e virou Mariz e Barros, um novo nome: Es- trela do Ben6. Assim, al6m de cultivar o intellectual, retoma- va-se o hibito da poesia na toponimia da cidade. Acho que o Benedito ia gostar. Presenga Para beneffcio de todos e alegria geral do Estado, inclu- indo oponentes, o ex-gover- nador, ex-ministro e ex-sena- dor Jarbas Passarinho reocu- pou o lugar nobre da pigina de opinido da edicqo domini- cal de 0 Liberal do dia 20, depois de vencer complica- q6es graves de sadde. Agra- deceu a Deus pela prorroga- $qo do seu tempo de existen- cia. Agradecemos n6s tam- b6m pela sua presenqa, que valorizou a pigina. Pena dela tersaido Nagib Charone. Nas ruas Um exemplo de como as associaq6es de rua podem ser eficazes. A Marques de Herval esti, finalmente, prestes a ser conclufda. Mas todas as places de sinaliza- 9o foram arrancadas. Res- taram, os postes. Moradores atentos e conscientes nao permitiriam o vandalism. Se inevitAvel, providenciariam a reposigdo. Em virios desses postes sobreviveu apenas a marca do patrocinador, sem as indicag6es aos transeun- tes. 0 patrocinador que pro- mova a reposigqo. Alias, com a expansao de Bel6m, ji era para terem sido criadas as administraq6es regionais, formadas pelos pr6prios moradores dajuris- diqao, em fungao considera- da relevant pelo governor. Mansio A mansdo no condomfnio residential Lago Azul que esti A venda na seiAo de classificados de 0 Liberal nao 6 a do principal executi- vo da empresa, Romulo Mai- orana Jdnior, mas de sua mae, Lucid6a Maiorana. A do filho 6 muito maior e mais requin- tada. D6a voltou a morar no apartamento de onde safra, algum tempo atris, para ficar ao lado de Rominho e de Angela, a filha que tamb6m mora no Lago. Prestigio Algumas construtoras nacionais passaram a atuar em Bel6m sem sequer insta- lar na cidade um escrit6rio pr6prio para responder por elas. Outras transferem to- dos os encargos aos associ- ados paraenses. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 92 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |