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DEZEMBRO DE 2010essoa 2 QUINZENA A AGENDA AMAZONICA DE LOCIO FLAVIO PINTO No 479 ANO XXIV R$ 3,00 GOVERNADOR 0 fator Jatene Em 2002 Simdo Jatene era um trao nas pesquisas eleitorais. 0 uso da mdquina piblica o tornou governador Agora, quatro anos depois dofim do mandate, ele estd de volta. Com uma perspective inWdita: ser governadorpela terceira vez atraves do voto. Um grande desafio. j imao Jatene entrou no dia 1 para seleto grupo dos politicos que Aconseguiram ser eleitos duas ve- zes para o governor do Pard. Dos vi- vos, s6 Alacid Nunes, Jader Barbalho e Almir Gabriel o ombreiam. Em rela- cio ao passado mais remote, o nime- ro 6 ainda menor. Essa faqanha tern ainda dois components que a distin- guem das demais. Jatene nunca tinha sido candidate a um cargo eletivo quan- do se apresentou para disputar o go- verno pela primeira vez, em 2002. Foi, durante os oito anos anteriores, o mais poderoso dos secretarios do m6dico Al- mir Gabriel, o primeiro governador a se beneficiary do institute da reeleicgo no Pard (1995/2002). Mesmo assim, quando a campanha eleitoral comegou, o candidate do PSDB era apenas um traco nas pesquisas de votos. O resultado estava coerente com a forma de proceder de Jatene como o ho- mem forte da administragao estadual. Os politicos reclamavam de nao serem re- cebidos pelo secretdrio, que controlava as verbas piblicas. Quando recebidos, tinham que esperar na fila, As vezes por long tempo. E nem sempre safam com uma decisdo do gabinete cujo titular nao primava pela convicqco sobre o que fa- zer ou a rapidez na execucgo das deli- beraq6es. Dizia-se que era mais um ho- mem do process do que do produto. Desde que comegou na vida pdbli- ca, como secretirio de planejamento no primeiro governor de Jader Barba- Iho (1983/86), Jatene seguiu o model da tecnocracia, que tinha prevengao pelos politicos, refratirios aos ajustes t6cnicos e As diretrizes programiticas. Fora at6 entao professor de economic da Universidade Federal do Pard, com mestrado na Unicamp, em Campinas. Antes, circulava pelas noites, com um violdo na mdo e composiq6es debaixo do brago, cantando com sua entao es- posa, Heliana. Naquele tempo, nenhum dos seus amigos e companheiros de boemia poderia imaginar que ele se tor- coNTINfiA 'NAii P 1 LB AL A A Aa A HISOI DA ALN T Ja 5a 41 CONTINUAVAO DACAPA naria politico algum dia. Muito menos goverador. Para que Jatene se tornasse seu su- cessor, o governador Almir Gabriel usou e abusou da mAquina pdblica, exceden- do o limited da responsabilidade. E foi uma vit6ria dificil. Talvez por isso, Almir achou que Jatene, Ihe devendo tudo, se subme- teria a todas as suas vontades. Nao he- sitou em atropelar o direito que o correli- gionArio tinha de concorrer a um segun- do mandate, como fizera seu anteces- sor; se apresentou de novo como candi- dato tucano em 2006, quando as sonda- gens mostravam que seu substitute tinha agora mais popularidade do que ele. Conforme o seu estilo, Jatene evitou o confront corn o padrinho e recuou. A dispute terminou como se delineou a par- tir do moment em que o ex-govemador e nao o govemador no cargo foi ofi- cializado como o candidate tucano: Al- mir, jA muito desgastado, tomou possivel a vit6ria da candidate do PT, Ana Jdlia Carepa, at6 entao considerada inviAvel. Nem os petistas apostavam nela. Seu grupo, a Democracia Socialista, nao s6 era minoritArio no partido. Era tamb6m o mais sectArio, com menos trin- sito com outros partidos. Seu capital de voto praticamente se reduzia A pr6pria Ana Jdlia, gragas a sua principal virtude: ser"palanqueira", simpitica, extroverti- da e de linguagem adequada as ruas. Para Almir, entretanto, mais do que o enfraquecimento do seu nome, o que decidiu sua derrota foi a omissao de Ja- tene, que nao retribuiu ao apoio que re- cebeu em 2002 do entao goverador. A volta de Simao ao govemo, depois de quatro anos de afastamento do poder, e nao atrav6s de reeleigio, 6 outra ca- racterfstica especial desse segundo man- dato. Da mesma forma que Ana Jdlia nao queria ser candidate ao governor em 2006, ele nao manifestava disposiqio para uma nova eleicqo quando 2010 co- meqou. Seu nome foi se fortalecendo a media que altemativas de outros parti- dos se enfraqueciam ou eram logo des- cartadas. Afinal, o PT conseguira for- mar a maior de todas as coligaq6es para uma eleigao em muitos anos no Para, agrupando 14 partidos. E a propaganda official dizia que o governor Ana Jdlia ti- nha a adesao popular. Contra ela acabaram restando ape- nas duas forcas, praticamente sozinhas: o PSDB e o PMDB. Jader Barbalho apresentou seu candidate, o deputado estadual Domingos Juvenil. Como Jos6 Priante anteriormente, Juvenil se dispu- nha ao sacrificio de ficar sem mandate, caso nao fosse eleito, em troca de uma compensacgo a altura. Quem poderia oferec8-la? Jatene, 6 claro. Ja entao ele era o favorite, mesmo tendo contra si a mi- quina do govemo e, a principio, sem dis- por de recursos para uma campanha a altura de uma eleicqo majoritiria. Con- tava, por6m, com o p6ssimo govemo do PT, que nao conseguia fazer a rejeiqo a Ana Jdlia baixar a um patamar aceitAvel (abaixo de 50%), sem o qual, mesmo que tivesse circunstincias favorAveis, dificil- mente venceria. E com o suporte de Ja- der Barbalho nos bastidores, sobretudo quando, resistindo as presses do Pala- cio do Planalto, ele se recusou a passar para o lado petista. Opeso do lider do PMDB na vit6ria de Jatene se traduz agora, pela entrega de cin- co secretaries a um parti- do que nao apoiou oficial- mente o candidate do PSDB. Nenhum outro partido recebeu tanto. Ja- tene teve ainda que dividir parte do seu poder com outras correntes political, que contribuiram, com maior 8nfase no interi- or, para se contrapor ao forte esquema de compra de voto do PT. Daf o seu se- cretariado se apresentar como algo fla- grantemente hibrido, partilhado entire po- liticos e t6cnicos, multifacetado e poroso. O novo govemador sabe que a he- ranga 6 pesada. Tao dificil que ele assu- me sem um program, sem sequer deli- near perspectives para o Estado. Pare- ce mais interessado de imediato em acertar as contas e estruturar a aqao para s6 depois decidir o que irA fazer. Os lugares-chave, a espinha dorsal da administraqao pdblica, foram ocupados por t6cnicos, com enfase nas areas fa- zendaria, planejamento, seguranga, sad- de e meio ambiente (que se notabilizou mais pelo acompanhamento constant da Policia Federal do que por suas realiza- q6es). As outras posiq6es foram preen- chidas de acordo com crit6rios mistos ou simplesmente politicos. E uma composiqao inevitAvel porque o Estado 6 grande e sua representaqao polftica rarefeita, com pouca expressao doutrinAria, guiada pelo compadrio e o fisiologismo. E precise garantir a maio- ria naAssembl6ia Legislativa, onde o que menos conta 6 o interesses pdblico. Mas esse hibridismo aguado nao deixa de frustrar as expectativas dos que imagi- navam que Jatene, livre das amarras a Almir Gabriel e com potential de auto- nomia, pudesse former um govemo de melhor presenqa. Capaz de acabar com uma caracteristica da hist6ria recent do Para: qualquer que seja o partido ou a pessoa no governor, o Estado nao deixa de crescer e ele se empobrecer ao mes- mo tempo, nao aproveitando o que hi de melhor nesse process econ8mico. No v6rtice dessa contradiqdo esti uma personagem de grandeza tal que se toma impossivel fazer alguma coisa no Pard sem passar por ela: a antiga Companhia Vale do Rio Doce. Em 2010 ela deve ter faturado 10 vezes mais do que o Estado, devolvendo-lhe, na for- ma de imposto, menos de 1% do que o Estado arrecadou. Essas contas refle- tem, ao mesmo tempo, a grandeza e a pobreza do Pard em fungio de certo pa- rasitismo de uma dnica empresa em seu territ6rio, cor um peso sem igual em qualquer outro Estado. O que disse Jatene sobre a Vale du- rante a campanha? O que de mais grave foi apregoado a respeito saiu da boca do seu ex-companheiro de partido. Almir Gabriel acusou o pupilo de ter-se tornado empregado da Vale depois que deixou o govemo e estar comprometido com a empresa. Mas nao apresentou qualquer prova. Ainda assim, pelo tom incisive das suas afirmativas, elas ficaram ecoando. Criam uma expectativa sobre o procedi- mento de Jatene em relacgo a minerado- ra. Outros ji a confrontaram, as vezes de forma rude. Mas nao foram inteligentes nessa posiqao, nao trouxeram vantagens para o Estado nem corrigiram os rumos de um process flagrantemente colonial. O que farA Jatene durante o novo mandate? O que se pode esperar que faga de substantial com a equipe que formou? Conseguira preservar a inte- gridade, a transparencia e a eficicia do n6cleo t6cnico do seu govemo? Talvez esse secretariado seja apenas para co- mecar, mudando em seguida. Depen- dendo do moment dessa segunda eta- pa, 6 de se duvidar que seja para me- lhor. Porque ja entao estard na hora de pensar no segundo mandate. E para Jatene se abrird a perspective dnica de ser o primeiro politico a conseguir ser eleito tr6s vezes govemador. Como a maioria dos seus anteces- sores, ele poderi se concentrar na cos- tura political dos apoios para obter vo- tos. Se fizer assim, conquistard uma vi- t6ria de Pirro, como foi a de Ana Jdlia Carepa. Se levar a s6rio o desafio de interromper a rotina esquizofrenica que combine crescimento corn pobreza, po- deri at6 nao chegar ao cobigado ter- ceiro mandate, mas garantird ao segun- do a perenidade na hist6ria. SJornal Pessoal DEZEMBRO DE 2010 2LQUINZENA Destino de Jader ja esta tragado? Jader Barbalho disp6e de ar- gumentos t6cnicos para defender sua eleicgo para o Senado ou a realizagdo de uma nova eleigqo, que seus advogados usaram em diversos recursos judiciais. Mas lhe falta um element fundamen- tal para reverter a sua dificil si- tuaqio: autoridade moral. Tudo indica que ele foi escolhido como sfmbolo de uma nova era de cos- tumes politicos, da qual os fichas sujas serao exclufdos, gracas a lei aprovada neste ano (e que entrou em vigor imediatamente, cor efeito retroativo), passando a exigir curriculos mais alvejados, mesmo que ao atropelo das for- malidades legais. O ex-deputado federal se tor- nou um simbolo national do po- litico que enriquece ilicitamen- te,.se valendo dos cargos piblicos para os quais 6 eleito ou que preenche. Acu- saoqes foram se avolumando e resul- taram em mais de duas dezenas de processes judiciais, que acabaram ba- tendo nas instancias superiores do po- derjudicidrio. A maioria j foi arquiva- da e os que sobraram ainda nao resul- taram em comprovacgo fitica, com o estabelecimento do nexo causal entire o desvio de recursos e a evolugqo pa- trimonial do ex-governador. Mas pa- rece prevalecer, nesse labirinto proces- sual, decifrivel apenas pelos iniciados, a convicqao de que as ilicitudes do r6u se tornaram ptblicas e not6rias, dis- pensando as provas. Ha virios anos Jader trava o com- bate legal nos tribunais, contraditando as dendncias. Mas nunca travou um debate pdblico sobre a formagdo da sua riqueza, integrada por diversos im6veis e uma grande rede de comunicago, que s6 nao 6 do mesmo porte do seu maior concorrente, o grupo Liberal, porque os Maioranas tnm o suporte da Rede Glo- bo de Televisio, fonte de desequilibrio nesse segment da mfdia. Jader pare- cia apostar no efeito anestesiante do tempo, mas a enxurrada de acusaqges sem contradita se beneficiou da mdxi- ma popular: quem cala, consent. Apesar da mrn fama espalhada pelo pafs, o maior lider politico do Pard des- de a redemocratizagdo continue a ser considerado o parlamentar mais influ- ente do Estado no Congresso Nacional, na classificaqio do Diap, o 6rgao de assessoria dos sindicatos. t tamb6m interlocutor certo dos presidents da repdblica, do "neocollorido" Itamar Franco, passando pelo tucano Fernan- do Henrique Cardoso e permanecendo com Lula. Mas em conversas de basti- dores, sem apariqo pdblica. Os inter- locutores, evidentemente, temiam o des- gaste de ficar ao lado de personalidade tao controvertida. J ader tera a mesma utilidade para a nova president, corn a qual no tern a proximida- de cultivada corn os seus antecessores? Segundo o calcu- lo de quem esti com seu lugar garanti- do na nova estrutura de poder, o que 6 mais rentAvel: livrar-se de Jader ou con- tribuir para que ele volte a circular pe- los corredores do parlamento e por suas extens6es? Para Lula, aparentemente, a melhor opcqo parece ter sido a primeira. Jader nao apoiou Ana Jdlia Carepa no 20 tur- no da eleigao para o governor do Esta- do, como queria o president. Como represalia (ou pela forga do acaso), os dois acabaram nao se encontrando em Brasflia, por suposto desencontro de agendas. Sem explicaqes posteriores. Mas haveria um indicio de que rom- pimento propriamente nao hd: o Supre- mo Tribunal Federal parece aguardar pelo preenchimento da sua 11a cadeira para apreciar o caso do deputado federal Paulo Rocha, do PT, que esti A espera de julgamento na pauta. A situa- do 6 a mesma do enquadramen- to de Jader na lei da ficha limpa, que terminou corn um empate de 5 a 5. O desempate na nova apre- ciagqo, em favor do deputado fe- deral do PT, ji nao o beneficiaria porque ele teve apenas a terceira votagqo para o Senado, abaixo do peemedebista e do tucano Flexa S Ribeiro. Mas poderia favorecer Jader, pela revisdo do seu caso. Ha uma questio, por6m: quem tomaria tal decisdo logo ao assu- mir um lugar na corte supreme, contraiiando a maioria da opinion pdblica national e se colocando ao lado de um espantalho national? A manutencqo da punicao a Jader consa- graria a nova regra da elegibilidade de candidates e faria esquecer a proteqco a nomes tio ou mais condenaveis, como o do deputado federal Paulo Maluf. Todas as raz6es legais de Jader nao seriam suficientes para superar seu es- tigma moral. Ele j estaria condenado e assim deveria prosseguir. Nesse caso, 6 o seu fim politico. Os cinco lugares no secretariado que o go- vemador Simao Jatene Ihe reservou nao sugerem nenhum epitAfio. Como os outros lideres, Jatene ainda nao po- sou com Jader, mas a importancia que Ihe deu confirm os entendimentos que mantiveram durante a campanha elei- toral e que foram um dos motives da vit6ria do candidate tucano. Al6m dis- so, Jader fez bancadas parlamentares de peso e continue a comandar com mao de ferro o PMDB. Jatene nao parece disposto a fazer o jogo do faz de conta de Ana Jdlia. Sabe qual 6 o resultado. Sem mandate politico e ainda sem presence na nova administraqgo fede- ral, onde Jader ird buscar a fonte de poder para continuar a impor o seu co- mando e influencia? Ele ji passou por dois exilios. O primeiro, entire sua said do minist6rio de Jos6 Sarney e a candi- datura ao Senado. O segundo, quando renunciou ao mandate de senador at6 DEZEMBRO DE 2010 21QUINZENA Journal Pessoal al CONCLUAio Dna daG 3 se apresentar novamente como candi- dato a Camara Federal. A duraq~o do novo inverno nao se- ria maior do que os anteriores se ele tivesse uma eleigio de maior expres- sao logo. Mas em 2012 a dispute sera municipal. Certamente ele nio ird que- rer voltar ao inicio da carreira, por um lugar na Camara Municipal de Bel6m, que conquistou em 1966. Nem 6 provd- vel que se apresente como candidate a prefeitura da capital, com um risco de ser derrotado tio grande ou maior - do que para o governor do Estado. Ir para o interior seria a admissao de di- minuigio do seu porte, a nao ser que fosse criado o Estado de CarajAs, em cujos municipios tem expressao. Mas, por enquanto, essa hip6tese nao passa de especulaqao. Se nao ha lugar adequado para ele na nova eleicio, a said seria encontrar um successor transit6rio ou definitive. Seu filho, prefeito de Ananindeua, seria o mais cotado para assumir a posigdo, mas seu desempenho nao da seguran- 9a de que seja um candidate com chan- ce real de vit6ria em Bel6m. Uma nova derrota seria muito desgastante para o jaderismo. HA alternatives. As principals seri- am a ex-mulher, Elcione Barbalho, a mais votada para a Camara Federal, e o primo, Jos6 Priante. Ambos tern apre- sentado desempenho declinante na ca- pital, mas ainda sdo os nomes mais for- tes dentre mais uns poucos de menor expresso, como a deputada estadual Simone Morgado. Qualquer que venha a ser a hip6tese adotada, podera signifi- car certo enfraquecimento de Jader na political paraense. Mas nao tanto que ji possa ser considerado cachorro morto. 0 Liberal bem que parece conside- rA-lo dessa forma. Durante dias segui- dos ou sucessivos ojornal dedicou edi- toriais e notas na sua principal coluna, o Rep6rter 70, batendo na associaao de Jader a corrupdo. O objetivo, de afas- tA-lo do governor Jatene, nio foi alcan- gado. Claro que o novo governador re- cebeu os recados e os levou em consi- deraqao. Mas o realismo politico o im- pediu de seguir a recomendago, as vezes dita em tom de ameaga. Ira pa- gar caro por isso? Certamente, mas 6 bem provAvel que quite a divida em moeda sonante, fazendo-a chegar aos caixas do grupo Liberal atrav6s de pu- blicidade official generosa. O grupo Liberal, o mais poderoso forma- dor de opinido no Para, nao esta satis- feito com o governor Jatene. As manifes- taq6es desse desa- grado ji foram mui- tas. Comeqaram corn a abertura de espago para as critics da governadora Ana Jdlia Carepa ao seu successor. Prosse- guiram com a reduqao da cobertura dada a posse de Simao Jatene, que fi- cou ao largdo das fotografias, e notas venenosas nas colunas. Culminaram, no dia seguinte a solenidade de posse, corn um artigo de Ronaldo Maiorana, dire- tor-editor-corporativo dojornal, na edi- q~o de domingo de O Liberal. Jatene ainda nem havia concluido a sua equipe e Ronaldo jA se antecipava para proclamar que se o novo govemo vier a ter a fama de trabalhador, deve- ra esse titulo ao PAC (o Programa de Aceleraqdo de Crescimento), conce- bido pela dupla Lula-Dilma e executa- do no Para por Ana Jilia. "A verdade 6 que todos os projetos foram elabora- dos e aprovados durante o govemo Ana Jdlia e o dinheiro que financiara as obras sera heranca de Lula", assinou o editor do journal. Se for bem, Jatene sera um produto do PT. Se for ruim, sera criaq~o pr6pria. A afirmativa contraria o entendimen- to dominant e os fatos. Parte conside- rAvel dos projetos do PAC estA com o cronograma atrasado. Outra parte foi contratada e ainda nao foi iniciada. HA A verdade 6 que a presenga de Ja- der Barbalho na political paraense tern sido tao forte e ampla que sua said ou seu enfraquecimento criam tal vacuo que os sucessores aliados on inimigos - preferem sondar o terreno antes de arriscar um confront aberto. Mais do que nunca se tornaram flagrantes as li- mitag6es do cacique do PMDB e sua crescente vulnerabilidade. Aos editorials durissimos dojornal inimigo, o Didrio do Pard reagiu corn maledicencias incriveis sobre a matri- ainda as obras sem previslo de fonte de recursos. E outras, em andamento ou jA realizadas, tamb6m n~o foram criadio do PT, que as herdou de administrag6es pas- sadas, com o m6rito de concluir algumas, de grande porte, que se arrastavam hA d6cadas, como as eclusas de Tucuruf. Cometer6 um erro quem deduzir dessa evidence ma vontade dos Maio- ranas que mantenham fidelidade ao go- verno que passou, pr6digo em verbas de propaganda. Tamb6m ndo sera in- terpretacio satisfat6ria achar que 6 apenas mais um capitulo do jogo de pressao por novas e abundantes ver- bas oficiais, embora esse component seja quase automatico na political edi- torial da casa. A fonte imediata da reacqo dos Mai- oranas ao novo govero 6 o desagrado por nao terem sido consultados sobre a formaio dos seus integrantes e nao te- rem podido exercer o veto sobre alguns nomes, que consideram como sendo seus inimigos ou desafetos, ou sobre a aproxi- maqao do PSDB com o PMDB, do de- testAvel Jader Barbalho. Pelo menos de inicio, parece que Jatene ignorou os re- cados e fez a selegeo sem a participa- q9o daqueles que se atribuem muito mais do que o poder que tnm. Para consolidar sua decision tera que mostrar firmeza e independ8ncia, atributos que trn faltado a quase todos que sobem ao poder no Pard diante do grupo Liberal. arca do cla, D6a Maiorana, revolven- do seu passado. Na 6poca do "baratis- mo", que constitui a origem das duas families hoje inimigas, esse tipo de re- presalia conseguia intimidar a outra parte. Hoje, serve mais para denegrir o acusador. Como dono de um imp6rio de comunicagqo, se nao reage com fatos de interesse pdblico, 6 porque Jader nao tem o que dizer em seu favor e contra o seu maior inimigo. Nao 6 um bom sinal em moment tao im- portante quanto o atual. l Jornal Pessoal DEZEMBRO DE 2010 2QUINZENA Os donos do poder ficaram a margem? 0 sucesso da Alunorte beneficia mesmo o Para? Poucos belenenses se dao conta de que a 50 quil6metros da capital paraense fun- ciona a maior fibrica de alumina do mun- do, produto intermedidrio entire o min6rio, a bauxita, e o metal, o aluminio. AAlunorte esta em operacao ha 15 anos, ao lado da- quela que devia ser sua irma g8mea, aAl- br~s, que estA entire as 10 maiores meta- 16rgicas de aluminio do mundo e 6 a maior do continent sul-americano. No m8s passado a Alunorte lanqou um album para comemorar seu aniversrio de 15 anos: Alunorte, uma hist6ria de su- cesso, escrito por seu mais antigo funcio- nario ainda em atividade, Vict6rio Siqueira (183 pAginas ricamente ilustradas). A au- xilid-lo esteve Romeu Teixeira, autor de um album semelhante sobre os 25 anos daAl- bras, tamb6m comemorados em 2010. Romeu 6 ex-presidente das duas empre- sas e mem6ria viva de suas hist6rias. Sio duas obras importantes e uteis. Elas nao sdo apenas propaganda e rela- 96es plblicas. Seus autores transforma- ram em vantagem o que costuma ser um fator de inibiqao: eles fizeram a hist6ria que agora relatam. Por isso sabem do que estdo falando e dominam o tema, sem que essa intimidade impossibilite uma aborda- gem objetiva e at6 critical. Embora seja possivel e at6 deseji- vel fazer reparos a algum enfoque ou lamentar a falta de certas informaqges, ou o context social e politico no qual os empreendimentos se desenrolaram, os dois Albuns sao fontes indispensiveis de consult sobre a implantag~o do p6lo de aluminio naAmaz6nia. E que hist6ria! Quando ela comegou, em meados dos anos 1970, a produqgo national de alu- mina nao chegava a 500 mil toneladas por ano, equivalent a 1% da producgo mundial. Hoje, o Brasil (cor maior des- taque o Pard) 6 responsivel por 12% da producao mundial, sendo o terceiro do ranking interacional. S6 aAlunorte res- ponde por mais da metade da produgao brasileira. O pafs 6 tamb6m o 30 maior produtor de bauxita do mundo, cor 26 milh6es de toneladas. Nos pr6ximos cinco anos esses nime- ros praticamente dobrarAo. A produgqo de bauxita passarA de 50 milh6es de to- neladas e a de alumina ficara perto de 20 milh6es. O Pard se consolidara como o lider disparado nesses dois segments, al6m de ser o primeiro em aluminio. A Alunorte contribui com um bilhdo de d6- lares anuais para o pais, exportando 5,5 milh6es de toneladas. Em 2013 a CAP (Companhia de Alu- mina do Pard) entrard em producqo, de- vendo superar sua vizinha no distrito in- dustrial de Barcarena e contribuir para que s6 dali saia um terqo da produgao mundi- al. Al6m de proporcionar divisas, a Alu- norte tamb6m contribui para que o Brasil deixe de gastar outro bilhdo de d6lares ao fornecer 870 mil toneladas por ano para a Albras transformar em metal, sem preci- sar importar alumina. Esses resultados e todos os feitos rela- tados por Vict6rio Siqueira garantiriam o titulo do seu livro: uma hist6ria de sucesso. Mas se a sucessdo de faganhas realmente impression, por transformar um projeto que parecia condenado a morrer no nas- cedouro na maior e melhor fabrica de alu- mina que existe, o seu percurso acidenta- do e o seu desfecho atual levam a conclu- soes nio s6 distintas, mas antagOnicas. Parecia mesmo que a Alunorte nunca sairia da casca. O prego do aluminio, que estava acima de US$ 1.500 a tonelada, baixou para mil d6lares na 6poca da ava- liaqso da viabilidade. A alumina australia- na passou a ser comercializada por US$ 170/180, quando os estudos de viabilida- de daAlunorte previam pregos entire US$ 224/234, uma diferenqa de quase 30%. Com o excess de alumina no mercado, seu preco chegou a US$ 50/70. As negociaq6es para a definido da Albras e aAlunorte demoraram tr8s anos, de 1978 a 1982. Havia "muitas duvidas e desconfiancas, principalmente dos s6cios privados japoneses, quanto ao custo e a viabilidade fisica de implantaiao do pro- jeto", diz o autor. Foram 15 anos at6 a fabrica entrar em operacao: quatro anos de implantacao em ritmo lento, seis anos de paralisanio e cinco de ritmo normal. Pelo roteiro original da hist6ria, aAlu- norte devia ter comecado a funcionar vA- rios meses antes daAlbras parapoder acu- mular a alumina que seria usada na trans- formaqao em metal (duas toneladas de alumina para cada tonelada de aluminio). Mas a Alunorte s6 entrou em funciona- mento 10 anos depois da partida da Al- brAs, emjulho de 1995. Durante todo esse perfodo, a AlbrAs teve que funcionar com alumina importa- da, As vezes mais cara e de qualidade infe- rior, embora a Mineracqo Rio do Norte ti- vesse comecado a produzir bauxita no Trombetas seis anos antes. O ParA expor- tava min6rio e importava alumina. O pre- juizo por essa transacgo quase equivaleu ao valor inicial do projeto daAlunorte. Por que ficou faltando o elo da cadeia? Em primeiro lugar, por causa do jogo de interesses praticado pelo principal s6cio no empreendimento, o Japio, autor do en- redo. Um mes depois do primeiro choque do petr6leo, que inviabilizou o Japao de produziralumfnio (o produto industrial mais intensive em energia) em seu pr6prio ter- rit6rio, os produtoresjaponeses assinaram com a entdo estatal Companhia Vale do Rio Doce, em T6quio, um acordo para ana- lisar a viabilidade de produzir aluminio na Amaz6nia. Aprimeira reunido do pr6-es- tudo de viabilidade foi realizada em mar- go do ano seguinte, ainda em T6quio. Os japoneses procuravam uma said para a crise em que foram langados pela sdbita quadruplicaq~o do preco do petr6leo. A principio, o empreendimento pare- cia inviAvel. Mas quando o govemo bra- sileiro decidiu assumir o custo de toda in- fraestrutura, inclusive da energia, cujo in- vestimento superava algumas vezes o custo das fabricas, o neg6cio se tomou rentAvel. Para os japoneses, o que inte- ressava era receber o alumfnio primorio para processi-lo em seu territ6rio, sem a enorme demand por energia e o 6nus ecol6gico da lavagem da bauxita para transforma-la em alumina. O process produtivo para tras devia ficar restrito ao ponto de origem. Por isso, o projeto da alumina s6 lhes importava enquanto insumo indispensavel da metalurgia, que precisava ser garanti- do. Mas nao queriam investircapital de risco nesse neg6cio. Estavam dispostos a finan- cia-lo, o quefizeram, com ganhos excepci- onais em funigo da vinculagao do iene ao d61ar. Por causa desse dispositivo cambial, extremamente oneroso ao Brasil, ganha- ram emjuros o equivalent a 35% do cus- to da primeira etapa da Alunorte. A Vale nio teve conviccao ou disposi- 9o (e, durante certo perfodo, nem dinhei- ro) parabancar a produco de alumina, que era estrat6gica. Quase sucumbiu a mano- bra da Alcoa, maior produtora mundial de alumina, empenhada em no deixar que a Alunorte surgisse e se tomasse sua com- petidora. Afinal, gracas a consistencia do projeto original de engenharia, Apersisten- cia da equipe principal e A sua capacidade inventivae de improvisaqao, o patinho feio se metamorfoseou em cisne. Quando parecia que, superando to- dos os desafios, podia-se ter a esperan- 9a de que, depois de um quarto de s6cu- lo, o p61o de aluminio daAmaz6nia final- DEZEMBRO DE 2010 2'QUINZENA Jornal Pessoal a N-00 CONCLU AsO DA PA 5 mente daria um pass A frente na trans- formaq~o industrial, livrando-se da sua argola colonial, a Vale -jj agora privada o desnacionalizou completamente, ce- dendo o control de todo process A no- rueguesa Norsk Hydro. Era o arremate da involuqdo: depois da desestatizago, a desnacionalizacqo. Especializada na etapa seguinte da ca- deia produtiva, agora a multinational no- rueguesa estA plenamente verticalizada, com sua base industrial em seu pais e todo process anterior no Para. Talvez a Vale tenha feito um bom neg6cio privado, ao trocar o control acionario daAlbris, CAP, Alunorte e mina de bauxita de Paragomi- nas por 22% das a6es globais da Hydro. Mas para a AmazOnia e o Brasil foi um desastre. Uma regressAo na hist6ria. O livro de Siqueira e Teixeira 6 rico em informag6es e atinge uma profundi- dade raramente encontrada nesse tipo de publicacgo. Mas a hist6ria do ciclo do alumfnio naAmaz6nia, que ainda nao tem meio s6culo, esta por ser integralmente contada. Envolve mist6rios e obscurida- des que desafiam a capacidade elucida- tiva. Principalmente por falta de infor- maq6es e reflexes contextualizadas em escala mundial. Uma das quest6es 6 a participacgo daAlcan nessa saga. A multinational ca- nadense foi pioneira na produgao de alu- minio no Brasil, na d6cada de 50. O pafs at6 entdo s6 ia at6 a fase da alumina. Em 1967 a Alcan descobriu as grandes reserves de bauxita do Trombetas, com 500 milh6es de toneladas, no oeste do ParA. Mas seu projeto era modesto: um milhdo de toneladas. O govemo military pressionou e a em- presa acabou aceitando dobrar a escala de producgo para dois milh6es de tone- ladas. A mina devia entrar em operacAo emjaneiro de 1975, mas emjulho de 1972 aAlcan decidiu suspender sua implanta- cao. Alegou que a crise do mercado in- temacional de alumfnio tirara a rentabili- dade do neg6cio. Para possibilitar a continuidade, a Mi- nerago Rio do Norte foi reorganizada, em julho de 1974. A canadense cedeu o control acionirio A Vale, que ficou com 41%. ACBA, do grupo Ermfrio de Mora- es, manteve outros 10%, garantindo a na- cionalizagao do empreendimento. Seis multinacionais entrariam no proje- to, cada uma com 5%, inclusive a norue- guesa Norsk Hydro. As outras eram a INI, RTZ, ASV e Billiton, algumas das quais participavam do cartel das seiss irmas". A escala passou para 3,4 milh6es de tonela- das (que hoje 6 de 18 milh6es). Em 1976 as obras, que mal haviam sido iniciadas pela Alcan, quando proprietAria exclusive, fo- ram retomadas. No dia 13 de agosto de 1979 o primeiro navio desatracou de Porto Trombetas carregado de bauxita. Mesmo abrindo mao do control do neg6cio, a Alcan sempre apoiou a MRN. Parecia que o interesse da empresa era apenas encontrar uma fonte substitute de suprimento de min6rio depois que sua mina de bauxita na Guiana foi estatizada pelo governor local. Nio era mais essencial ter o dominio societArio, attitude que se repe- tiu em relaio A alumina. O interesse da Alcan em participar da Alunorte, depois de anos de um namoro sempre inconcluso, chegou ao fim quan- do a empresa foi aceita no projeto da Al- coa no Maranhao, a Alumar. Parece ter sido uma compensago pela attitude da Alcan, que, depois de certa resistencia, concordou em que a multinational ameri- cana entrasse na mineragdo de bauxita do Trombetas. A Alcoa ameagava iniciar a exploraao de uma mina vizinha e do mesmo porte, em Cruz Alta, provocando queda no preqo da mat6ria prima, caso nao pudesse participar da MRN. O que o autor do livro estranha 6 a op- qo feita pela Alcan, favorivel A Alumar, em Slo Luis do Maranhao. "Essa partici- pa~io, de apenas 10% e restrita A plant de alumina, 6 muito pouco se comparado ao que ela poderia ter tido na Alunorte, se tivesse sido arrojada e apoiado o projeto quando a Vale realmente precisava de seu apoio", observa Vict6rio Siqueira. Embora talvez estranha, a estrat6gia da Alcan no deixou de ser eficiente: sem pre- cisar lantar mao do seu capital, ela encon- travacaminhos -ainda que tortuosos -para fazer parte do neg6cio. Tinha e ainda temr- metade das a6es dajaponesa NLM, que possufa 6% das aNes do cons6rcio niponico NAAC, que, por sua vez, integrou tanto a Albnis quanto a Alunorte. utra questao crucial que tambm precise de um esclarecimento mais amplo 6 o da participa- 9ao japonesa. Em setembro de 1973 uma misso japonesa chefiada por Isao Ka- waguchi, entio president da Mitsui Alu- minium, visitou o Trombetas. Nesse mes- mo mes foi criada a Eletronorte corn a mis- sao de construir a hidrel6trica de Tucuruf. Era evidence que o sonho, acalentado por tantos anos na Amaz6nia, de ter uma base energ6tica s61ida para fomentar ati- vidades produtivas, estava se materializan- do por decisdo tomada do outro lado do oceano, nao propriamente pelo Brasil. 0 Japdo tinhaplenaconsci8nciadeque a era de produgo pr6pria de aluminio, que somava 1,5 milhao de toneladas quando ocorreu o primeiro choque do petr6leo, chegara ao fim. O pafs tinha diante de si dois enormes desafios: transferir essa pro- ducqo pr6pria para centros que passari- am a fomecer o metal, com pregos favo- rnveis, e livrar-se dos grandes exportado- res mundiais, o cartel das seiss irmas", dominado por Alcoa, Alcan, Alussuisse (incorporada a Alcan/RTZ), Kaiser, Pe- chiney e Billiton. Os japoneses, como admite Siqueira, "nao estavam interessados em produzir para venda no mercado". A ess8ncia do projeto, para eles, "era somente a garan- tia de suprimento do metal". Mais do que um projeto de empresa, era uma estrat6- gia do governor japon8s, que subscreveu 40% do capital da Nalco (depois NAAC), fundada em 1977, enquanto os restantes 60% foram partilhados por 30 empresas. O primeiro estudo de viabilidade deu negative por causa do peso da infraes- trutura de apoio As duas fibricas. Os pro- jetos foram entdo desonerados desses pesados gastos, sobretudo com a ener- gia. Mas o subsidio tarifirio concedido por ordem do principal interlocutor nas negociag6es, o nissei Shigeaki Ueki, mi- nistro das minas e energia, foi conside- rado alto demais. A coincid8ncia de ter um descenden- te dejaponeses do outro lado da mesa de negociagdo n~o se restringiu a Ueki. Akihiro Ikeda, secretirio-geral do minis- tro Delfim Neto no govemo do general Joao Figueiredo, que comegou em margo de 1979, teve forte influ8ncia nos enten- dimentos sobre aAlbrns-Alunorte. Antes dele, a presenga marcante foi de outro "Delfim boy", Eduardo Carvalho, que "chegou a assumir attitudes ousadas, assi- nando protocolos no Japdo sem a formal aprovado da administragCo da Vale". A Eletronorte -informa Siqueira- "in- sistia na revised da formula de precos". Queria elevar o piso de oito mil6simos de d6lar por kW/hora, acertado com Ueki, para 11,70 mills, "com o que osjaponeses nao concordavam". No contrato, assina- do em 1980, ficou definido um valor m6- dio: 10,5 mills. Esse subsidio representa- ria valor equivalent ao de uma nova fa- brica de alumfnio. Prejufzo ainda mais agravado pela elevagdo descontrolada do custo da hidrel6trica de Tucuruf. Com o agravante, para o Pard, de que grande parte da energia gerada em seu territ6rio acabaria sendo desviada para outros Estados. No inicio o projeto daAlu- norte nao previa a cogeramao (geraAo pr6- pria) porque se esperava por grandes so- bras da produgo de energia em Tucuruf. A empresa comprou tres caldeiras el6tricas, com capacidade para 150 MW (quase metade da potencia de uma tur- bina de Tucurui). O objetivo era "apro- veitar as possiveis sobras de energia do Sistema Norte durante o perfodo de chei- as", diz Siqueira. Mas na hora da partida a Eletronor- te nao tinha energia para as caldeiras a Jornal Pessoal DEZEMBRO DE 2010. 2IQUINZENA el6tricas. Em 1998, com integraqao da rede da Eletronorte ao sul do pais, a oferta local ficou mais restrita e os pre- gos mais altos. Felizmente, por um bu- rocratismo sem explicaggo pela 16gica, a Alunorte teve que comprar uma cal- deira a 61eo diesel com capacidade se- melhante A das el6tricas. Foi essa cal- deira que entrou em operaqao. Do con- trdrio, a fabrica ficaria sem energia su- ficiente. A geragao teve que ser feita usando o carvao. Neste ano, a matriz energ6tica daAlu- norte sera totalmente convertida para o carvao, "o que, aliado ao seu baixo indi- ce de consume, significard um dos mais baixos custos de energia do mundo", ga- rante Vict6rio. Ele tamb6m assegura que sera um process muito menos poluente do que o com 61eo. Embora haja um in- cremento de di6xido de carbon no ar (cinco milh6es de toneladas de particu- lados), haverd menos di6xido de enxo- fre, que 6 mais agressivo. Os japoneses nio tinham, pela alumi- na, o mesmo interesse que para eles re- presentava o aluminio. Assim, o projeto daAlunorte "ficou fragilizado e foi exaus- tivamente atacado pelaAlcoa, que nao de- sejavadisputas naAmaz6nia, com um pro- duto em que ela era lider mundial. Isso atrasou e encareceu a implantag~ o daAlu- norte", diz Siqueira. Era para a Alunorte entrar em opera- qao em 1985, bem antes do t6rmino da fabrica de aluminio. Haveria uma sobra de 2 milh6es de toneladas de alumina en- tre 1985 e 1990, o que daria prejuizo de US$ 200 milhoes a Vale, em funcqo da obrigatoriedade de comprar sua cota, de 41%, por um preqo superior ao que obte- ria na sua comercializaao. Em agosto de 1982 Eliezer Batista, en- tao na presid8ncia da Vale, foi ao Japao e manifestou o desejo da estatal brasileira em retardar a implantago da Alunorte. "Os japoneses se surpreenderam com a intempestiva proposta da Vale, pois, em 1981, apenas um ano antes, tinham sido, com veem8ncia, pressionados para deci- dir o infcio da implantago dos projetos", registra Vict6rio. Logo em seguida a Alcoa americana se comprometeu com a Vale a fornecer bauxita durante 10 anos ao prego de US$ 180 a tonelada. Era "uma surpreendente proposta", j6 que a Vale estava constru- indo um projeto semelhante e que iria con- correr com o projeto da pr6priaAlcoa em Sao Luis do Maranhao. A proposta "en- volvia uma estrat6gia de long prazo que inviabilizaria o projeto da construcgo da refinaria de alumina da Alunorte". Erani propostas "abusivas" e "despropositadas". Mas aAlunorte conseguiria sobreviver "a esse furacao" e resistir "ao ataque da mai- or multinational de aluminio". A Alcoa voltaria ao alvo quando da privatizaCgo da Vale, em 1997. Nessa oca- siao o valor da Alunorte era negative em US$ 150 milh6es, por causa da divida com os financiadores japoneses. A multinacio- nal props US$ 160 milh6es paraficar com a empresa. Mais uma vez, nao levou. "A Vale enfatizou os riscos politicos de uma paralisagao total da implantaco, principalmente em relagao ao BNDES, que criticara o acordo de acionistas e nao aceitaria uma said injustificada da NAAC. Tamb6m a Eletronorte via o fe- chamento da alumina como uma mudan- qa conceitual do projeto integrado de alu- mfnio na Amaz6nia e nao aceitava man- ter tarifas favoriveis somente para pro- cessar alumina importada", observa Si- queira. O risco da perda da tarifa privile- giada de energia foi o argumento decisi- vo para os japoneses". Durante os 10 anos em que aAlunorte ficou parada e a Albris teve que comprar alumina no exterior, a perda de divisas com a importaqao de 5 milh6es de toneladas de alumina causou uma sangria de US$ 700 milhoes, quase o valor da fabrica. Os japoneses nao queriam entrar com capital de risco, s6 com financiamentos do seu Eximbank, al6m do BNDES, que relutava por achar que o conglomerado nao tinha efetivo control national, ape- nas formal. Seria precise vender a alumi- na a US$ 149 e a taxa de retomo seria de apenas 1%. S6 era neg6cio para a Albris comprar alumina da Alunorte se tivesse desconto de 20% em relago ao preqo do mercado intemacional, o suficiente para cobrir os 17% de ICMS mais o Imposto de Impor- taco, por ser operaqo intema e nao de exportacao, s6 esta isenta de tributes. D os US$ 273 milh6es que foram gastos na Alu- norte ate 1989, 35% fo- ram consumidos pelos juros. A variaq~o cambial do d6lar em rela- cao ao iene, imposta pelos japoneses, custou aAlunorte US$ 140 milh6es en- tre 1982 e 1986. O custo financeiro to- tal at6 a inauguragao da fabrica foi de US$ 340 milh6es. "E important ressaltar o grande peso financeiro resultante dos juros dos finan- ciamentos em moeda japonesa, provo- cado pela enorme valorizaqo do iene a partir de 1985", garante o autor. Quando houve um impasse societArio e o cons6rcio japones se recusou a pagar sua parte das despesas iniciais daAlunor- te, "a Vale, em represAlia, passou a exigir que a expansao do d6bito em ienes, resul- tante da valorizago do iene frente ao d6- lar, fosse tamb6m incluida na conta". A NAAC achou entao melhor pagar. De- pois, os acr6scimos foram perdoados. Ap6s percurso tao atropelado, final- mente, em 2000, a Alunorte se livrou da pesada divida e teve o primeiro ano de lucro liquid, cinco anos depois de ter en- trado em operaao. A partir daf, suas am- pliag6es foram sucessivas, bem feitas, ri- pidas e com custo decrescente, at6 che- gar A lideranga mundial, cor 6,2 milh6es de toneladas e um investimento acumula- do de 3,2 bilhoes de d61ares. A empresa se firmara no mercado mundial cor um produto de alta quali- dade e processes industrials inovadores, que a levaram a construir o primeiro mi- neroduto de bauxita do mundo, cor 240 quil6metros de extensao, entire Parago- minas e Barcarena. Em menos de tr8s anos essa transformacao se tinha pro- cessado e o p61o de aluminio parecia em condig6es de se expandir. O plano estrat6gico de 2001 da Vale para a area de aluminio previa absor- ver 31% das novas demands de bau- xita no mundo e 28% das de aluminio at6 2015; em associacao cor outras empresas, as metas seriam de 47% e 46%, respectivamente. Invertendo essa tendencia, por6m, a Vale surpreendeu a opiniao pdblica no infcio do ano, ao passar todo o p6lo para a Norsk Hydro. A empresa norueguesa comegou a negociar sua participagao em 1999 e no ano seguinte entrou para a Alunorte, ficando cor 25,25% das suas ac6es. Com a transaco deste ano, a Hydro passou a ter 91% da Alunorte (o que so- brou ficou dividido entire a CBA e os ja- poneses), o control da Albrns e da CAP, mais 60% da mineragio de bauxita de Pa- ragominas (cor a possibilidade de ficar cor os 40% que ficaram cor a Vale em cinco anos). Em troca, cedeu a brasileira 22% de suas ac6es. Se foi um bom neg6cio financeiro para a dnica multinational brasileira, cer- tamente foi p6ssimo para o Brasil e o Pard, que sequer tomaram conhecimen- to da operacao: ou por nao terem sido comunicados, ou por nao se interessa- rem em cobrar satisfag6es. 0 Pard contribuiu decisivamente para viabilizar a Alunorte quando concede deferimento no pagamento do ICMS, em 1993, a cadeia produtiva do aluminio ele- vando sua rentabilidade, que era de 1%. Em 2000 a lei foi renovada, cor a ex- tensao dos beneficios a outros min6rios, como o ferro e o manganes, e estari em vigor at6 2015. Mas na hora de alienar o patrimonio, a grande mineradora esqueceu esse "de- talhe", que faz a diferenga nessa hist6ria. Nela, na escrita da Vale, o Pari nao par- ticipa do sucesso em que realmente aAlu- norte se transformou, para melhor usu- fruto de estrangeiros. DEZEMBRO DE 2010 2*QUINZENA Jornal Pessoal U POLITICOS Apesar de dizerem que co- locam acima das diferenqas pessoais os mais altos interes- ses pdblicos, os lideres politi- cos no Pard tnm enormes di- ficuldades de colocar em prA- tica sua ret6rica. A cr6nica hist6rica mostra que as rivalidades costumam pesar mais do que os progra- mas porque o alvo mais vi- sado 6 o control do poder. Os grupos que se digladiam nessa luta buscam a hege- monia absolute, fi6is ao dita- do popular de que farinha pouca, meu pirdo primeiro. Os encontros eventuais ou ocasionais entire os inimigos costumam ser tensos e peri- gosos. Como o que, no final de 1957, colocou no mesmo ambiente o todo poderoso governador Magalhaes Ba- rata, do PSD (Partido Social DemocrAtico), e o m6dico Lopo de Castro, que se ele- PROPAGANDA Viagem sem interrupgao Mal Brasilia foi inaugurada, em 1960, jd havia voo direto gera prefeito de Bel6m pela oposi~io. Foi na abertura da V Confer8ncia Rural, no Te- atro da Paz (que abrigava todo tipo de acontecimento). O prefeito chegou primei- ro e ficou isolado quando uma avalanche de gente se deslocou para o governador. Cada parte guardou distan- cia da outra at6 que os dois foram chamados para com- por a mesa que presidiria a solenidade. Ao puxar a ca- deira para se sentar ao lado do governador, que ja esta- va bem posto, o prefeito cumprimentou-o com um seco "boa noite". Barata nada disse: limitou-se a fa- zer um movimento de retri- buigio com a cabega. E vi- rou-se imediatamente para o lado contrario, passando a conversar com seu compa- nheiro de mesa. Depois dos discursos, cada um tomou direcio opostas para nao haver o risco de novo cumprimento. O prefeito, que atraiu pou- ca gente, foi embora primei- ro. S6 entao o governador saiu. Lopo sofreria depois um acidente de carro e Ba- rata se manifestaria a res- peito. Ja o governador pa- deceria as does de um can- cer, que haveria de matd-lo um ano e meio depois do pri- meiro encontro com o ad- versario, que tamb6m ex- pressaria sua solidariedade. de Beldm para a nova capital federal, "sem interrupado", pela Real Aerovias (jd incorporando ao seu nome o titulo de Brasilia). A empresa prometia ao client a viagem mais econ6mica: "Voce ndo tem despesas extras, com hospedagem e alimenta~ao, pois (a viagem) sai e chega no mesmo dia". A sede da Real era num ponto chique de entdo: a hoje maltra- tada avenida Presidente Vargas. aJornal Pessoal DEZEMBRO DE 2010 2'QUINZENA BRASILIA LIGA(AO DIRETA... SEM INTERRUPqAO DO v6o01 A vagpm mats econ6mica pars Br .. alli 6 a que Ihe o(edmc a su Real. VoA tlo temr despew extrs, eom aspedagem .e alnmentalo, pos asi e chbeg no memo di. par Bragii Ss* Me ~II am. a VOOS O movimento de avioes no aeroporto de Bel6m em uma quinta-feira de novembro de 1959 mostra uma quantidade e diversidade de origens.e destinos que deve surpreen- der o passageiro de hoje. A Cruzeiro do Sul (que a Varig absorveria), por exemplo, ti- nha seis v6os que chegavam de Santar6m e Macapi, As duas da manhn; de Sao Pau- lo, Rio, Vit6ria, Caravelas, Salvador, Petrolina, Teresina e Sao Lufs, As nove da ma- nhl; de Fortaleza, Parnafba, Brejo, Teresina, Floriano e Balsas, ao meio-dia; de Ge- orgetown (na Guiana ex-in- glesa), Boa Vista, Manaus e Santar6m, As tres da tarde; do Rio, Recife, Fortaleza e Sao Luis As sete da noite. Jd a Panair (extinta arbitra- riamente no primeiro govemo military depois do golpe de 1964, o do marechal Castelo Branco) tinha v6os chegando de S~o Paulo, Vit6ria, Cara- velas, Canavieiras, Salvador, Aracaju, Macei6, Recife, Joao pessoal, Natal, Fortaleza, Mos- sor6, Pamaiba e Sao Luis, As 10 da manhn; e de Sao Paulo, Rio Vit6ria, Caravelas, Salva- dor, Petrolina e Sio Luis, As sete da noite. De saida, a Cruzeiro tinha v6o para Sao Luis, Fortaleza, Recife e Rio, As 4 e 20 da manhn; Santar6m, Manaus e Boa Vista, As 8 horas; para Montes Claros, Belo Horizon- te e Rio, as 9,30; e Santar6m, Manaus, Boa Vista e George- town As 15 horas. Era da Pan American o v6o para Caiena, Paramaribo, Georgetown, Por- to of Spain, Barbados, Anti- gua, San Juan e Nova York, As 4 da manhn. E do L6ide Adreo para Slo Luis, Fortale- za e Recife, e para Santar6m e Manaus, no mesmo horirio: meio-dia e meia. Algumas dessas viagens eram verdadeiras maratonas, mas havia mais altemativas e, proporcionalmente a popula- 9qo, maior movimento. ,1 .. -,^s -t '- - I -- FOTOGRAFIA Enredo politico Documento de valor hist6rico: numa recepcdo, realizada em novembro de 1963, na residencia official do governor do Estado, conversam o governador Aurelio do Carmo, o coronel Jarbas Passarinho (do Estado-Maior do Comando Militar da AmazOnia), os jornalistas Ivan Maranhdo (que dirigia o semandrio Flash), Romulo Maiorana (que tinha a coluna social Sempre aos Domingos na Folha do Norte) e o deputado federal Epilogo de Campos. Um ano depois Aurdlio seria deposto do governor e cassado pelos militares. Passarinho assumiria seu lugar, encerrando o ciclo dos "baratistas" no poder. Dos cinco, apenas os dois continuam vivos. A foto foi publicada na coluna de Romulo, que, depois, compraria e fecharia a Folha dos Maranhdo. VEREADORES Gongalo Duarte, o folcl6ri- co lider politico do bairro do Jurunas (onde 6 nome de uma discreta passagem, foi o ve- reador mais votado na eleicgo de 1962, a dltima antes do gol- pe military que p6s fim A IV Repdblica no Brasil: teve 2.343 votos pelo PL (Partido Libertador). O segundo mais votado foi Irawaldir Rocha, da UDN (Uniao DemocrAtica Nacional), com 2.422 votos, gragas A sua atuaao como combative liderestudantil (que o iria complicar depois, jd como vice-prefeito em pleno regime military. Em seguida, Jos6 de Ribamar Soares, do PSP (o Partido Social Progres- sista, de Ademar de Barros), com 1.870 votos, e Vicente Queiroz, do PSD (o Partido Social Democritico, dos bara- tistas), que teve 1.713 votos. Dos 15 vereadores, o PSD fez 4, o PSP 3, a UDN (Uniao Democr~tica Nacional), o PTB (PartidoTrabalhistaBrasileiro) e o PR, 2 cada. PL e CDP (Co- ligacao Democritica Paraen- se), apenas um vereador cada. PENSAO Emdezembrode 1965 aPen- sio Nossa Senhora de Nazar6, instalada junto ao cinema Mo- demo, napracaJusto Chermont, encerrou suas atividades e co- locoutudo avendaemleilaoco- mandado pelaAg8ncia Olivei- ra. Havia peas preciosas, como uma pinha antiga, fabri- cada no Porto, em Portugal, por J. P. Valente, em tamanho grande, m6veis caracterfsticos da 6poca (como penteadeiras comJimina de cristal, guarda- roupas em pau marfim comn la- mina em cristal bisot6 frances, cadeiras austriacas) e um im- plemento indispensAvel na Be- 16m da 6poca: mosquiteiros. Hoje ji nAo se usa tanto, mas ndo por falta de motivagco. OVO Um leitor da coluna Vo- zes da Rua, da Folha Ves- pertina, que dizia nao po- der passar "sem dois ovos quentes no desjejum e dois mexidos ao almogo", quei- xava-se, em 1965, de s6 encontrar A venda ovos de granja, "cuja gema tem a brancura das cdtis claras". Acreditava que o colorido "empresta ao produto mai- or valor alimenticio". Professoral, o redator da coluna tranqiiilizou o leitor papa-ovo: "A corda gema nao diminui o vigor nutriti- vo, nem Ihe desfigura o gos- to. A cor da gema corre por conta da raqgo e do 'pedi- gree' do plumitivo", senten- ciou com vasto conhecimen- to de causa. LOJA Ningu6m comemorou, mas a Paris n'Am6rica chegou a 140 anos de existdncia em 2010. A loja foi fundada pelo comerciante portugu8s Fran- cisco Castro. O pr6dio atu- al, no melhor estilo art-nou- veau, que tanto encanta os visitantes (mas nao tanto os residentss, foi construfdo em 1908. Para que o belo edificio fosse levantado, com peas importadas da Euro- pa, a traditional loja de te- cidos se transferiu proviso- riamente para a esquina fronteira, na rua Santo An- t6nio, onde em seguida se estabeleceria a firma A. Monteiro da Silva, tamb6m um armaz6m de tecidos. Com novo proprietdrio, a Paris n'Am6rica resisted como um dos mais antigos estabelecimentos comerciais de Bel6m, mesmo sem o bri- lho de outrora. Que tenha vida eterna, 6 o que melhor se pode desejar em come- moragdo ao aniversArio. DEZEMBRO DE 2010 2AQUINZENA Journal Pessoal U [L'a) LJL1 AO: EDITOR R' FICIHA Aproveito para te desejar boas festas e que 2011 repre- sente uma inflexao positive no cendrio dramatico da political paraense. Como teu leitor assiduo nio poderia deixar de apontar algo que julgo ser um equivoco nas andlises que fizestes nas 61ti- mas edig6es do Jornal Pessoal (0 golpe de Jader n0 475 e Fi- chas diversas, n2 478), especi- ficamente sobre a suposta emenda de autoria do deputa- do (e future ministry) Jose Eduardo Cardozo (PT-SP) intro- duzindo a hip6tese de inele- gibilidade decorrente de re- nincia para fugir da cassagio de mandate. Virou, creio, uma lenda poli- tica, repetida centenas de ve- zes, por figures como Roriz, Ja- der e Gilmar Mendes, ganhan- do status de verdade absolu- ta, sendo, isto sim, uma versao apenas convenient para os interesses dos que foram, ao fim e ao cabo, flagrados em desacordo com os preceitos da Lei Complementar 135/2010. De fato, esse dispositivo, que virou a famosa alinea k, jd constava do projeto original de iniciativa popular, tendo sobre- vivido a todas as fases do pro- cesso legislative. E isto 6 facil- mente comprovivel, bastando revisar as diversas verses que estao disponiveis na CAmara dos Deputados. Foi o que foi feito, alids, pela reportagem do Estaddo. No projeto de Lei Comple- mentar (PLP 518/2009), assina- do pelo deputado Antonio Car- los Biscaia (PT-RJ) e outros, constava o seguinte item: I) o Presidente da Republi- ca, o Governador de Estado e do DistritoFederal, o Prefeito, os membros do Congresso Na- cional, das Assembleias Legis- lativas, da Clmara Legislativa, das Camaras Municipais, que renunciarem a seus mandates ap6s a apresentaglo de repre- sentag5o ou noticia formal ca- paz de autorizar a abertura de process disciplinary por infrin- gencia a dispositivo da Consti- tuig5o Federal, da Constituigco Estadual, da Lei Organica do Distrito Federal ou da Lei Or- ganica do Municipio, para as eleigSes que se realizarem durante o period remanescen- dos politicos profissionais que te do mandate para o qual fo- habitam a nossa Camara, a di- ram eleitos e nos 8 (oito) anos recgo de Secretarias Munici- subseqientes ao tdrmino da pais, segments do judicidrio e legislature"; do empresariado belenense, e Fago essa ressalva apenas nio embarcam mais nesta can- para limpar o terreno, jd que tilena do "desenvolvimento" a os aspects polemicos da lei qualquer custo. Nio podemos nio se limitam e nem estio esquecer que ao long de dez condicionados ao fato de um anos os moradores resistiram certo artigo ter sido introduzi- As sucessivas ameagas da Pre- do ou nao por este ou aquele feitura de retificar a rua e redu- deputado. zir seu canteiro central, at6 que AldenorJr. em 2009 encontrou-se uma f6r- mula quase perfeita: a Justiga MINHA BESPOSTA entra com uma agio estrategi- Aldenortemrazaol:tambemfui camente compartilhada entire induzido ao erro. 0 projeto origi- os tres poderes e determine a nal e do deputado Biscaia, do PT intervengio, criando um fato carioca, aprovadopeloparecerdo consumado, a destruicgo dos novo ministry da justiga, do PTdo redutores de velocidade que a Distrito Federal, endossado por rua abrigava. parlamentares de v6rios partidos Ao long destes dez anos, e do legislative federal, que ndo notadamente em 2005, quando se aperceberam dos aspectss a ameaga esteve mais presen- polemicos da lei"l como o pr6prio te, vdrios intelectuais e miiitan- Aldenor ressalta. Aspectos que tes a favor da preservagio des- geraram interpretag~esdiversase ta rua-bosque, manifestaram- permitiram que outros fichas su- se argumentando acerca dos jas se salvassem, alum de envol- equivocos de tal interveng5o e ver questoes tecnicas controver- tamb6m de sua ilegalidade, sas, pelo impulse moral.mais for- tanto do ponto de vista social te do que ofundamento legal. como ecol6gico e est6tico, a exemplo de Mariano Klautau, AVENIDA Paraguassu Eleres, Elias Pinto, Com relagio A mudanga pesquisadores do Imazon A abrupta de nome da 25 de Se- frente do projeto "Belem Sus- tembro, mat6ria do ultimo n6- tentivel", dentre outros. mero do JP, gostaria de dizer Klautau declarou a epoca que que duvido muito que esta a "25" deveria servir de modelo mudanga tenha aprovag5o da para Belem, por ser "uma rua maioria de seus moradores, de arvoredos, de microclima nao tanto pelo fato simb6lico agradabilissimo e ventilagio em si, mas exatamente pelo extraordindria". Eleres chegou pacote intervencionista que mesmo a citar, um por um, os ele represent e que sinaliza dispositivos legais que seriam a morte derradeira desta rua- contrariados com a derrubada bosque: a promessa (mais de suas arvores para ceder es- uma!) do governor Duciomar pago ao asfalto. Mas na retifi- Costa de transformI-la de uma cagio em 2009 vdrias arvores vez por todas em mais uma foram derrubadas, contrarian- Almirante Barroso, ou seja, do tais dispositivos. E a ilegali- uma via express para trAnsi- dade nio para por al. Tramita to veloz, com alguma maquia- na Fundagio Cultural do Muni- gem verde, satisfazendo as- cipio de Bel6m-FUMBEL o pro- sim, mais uma vez, o ego e as cesso n 2765, de 11 de setem- vontades de uma minoria mui- bro de 2006, no qual moradores to mal acostumada a ver aten- solicitam o tombamento da rua. didos os seus interesses imo- Ora, considerando que o artigo biliarios, empresariais, comer- 10 do Cap. III da lei 7709 de 18 ciais e, por conseguinte, seus de maio de 1994 diz textualmen- ideals de transport individu- te que "com a abertura do pro- al motorizado para agilizar cesso de tombamento o bern seus neg6cios e suas mobili- em exame tera o mesmo regi- dades privadas. me de preservacgo de bern Esta intengio estd patente na tombado, atd decisio final do velha e desgastada palavra- Conselho Municipal de Patri- chave que marcou os discursos m6nio", vemos que tanto a re- politicos dos idealizadores e tificagio quanto a mudanga de apoiadores da mudanga: "de- nome estio literalmente fora senvolvimento"! Felizmente, a da leill! "25" ainda abriga moradores e Enfim, para nio me alongar, cidadios cor mentalidades creio que a Camara perdeu uma muito mais evoluidas do que a boa oportunidade de fazer a coisa certa. Em vez de sair por af mudando o nome de logra- douros piblicos, talvez o mais acertado fosse primeiro resti- tuir a comunidade da "25" es- pacos publicos deteriorados e destruidos pela agio da pr6pria Prefeitura, a exemplo do escan- daloso caso da quadra de es- portes situada na esquina da "25" com a Humait6. A parte la- teral direita foi completamen- te "rasgada" de ponta a ponta pelo trator da empresa que presta servings de limpeza a Prefeitura levando abaixo todo o muro de proteglo da quadra, e desde entio, Id se vio uns quatro ou cinco meses, trans- formou-se o que era quadra de esportes da juventude em um lixio a c6u aberto. Do outro lado, a empresa Li- der Magazan fez da quadra, um espago public, uma extensao de seu dominion privado. Isso tudo a alguns metros da CA- mara Municipal de Bel6m... I verdade que ali, uma quadra jd nao faz muito sentido e os moradores ter o direito garan- tido pelo Estatuto da Cidade de decidir coletivamente o desti- no do espago. Que falta nos faz um Enrique Penalosa, para quem uma boa cidade 6 aque- la onde as pessoas preferem estar fora, na rua, em parques, pragas e calgadas, em dreas de convivincia coletiva e nao nas casas. Para ele, que foi alcai- de de Bogota, uma boa cidade e uma cidade que 6 boa para as criangas, os idosos, os por- tadores de necessidades espe- ciais e se for boa para eles serd boa para todos n6s. En- fim 6 aquela onde o interesse publico prevalece sobre o in- teresse particular. Marly Silva Silencio Por forga de um retraimento quase patol6gico dos seus prin- cipais personagens, o espago pdblico encurtou dramatica- mente em Bel6m. Avidos por notoriedade, os stores da cena ptblica procuram o caminho facil do entretenimento e da no- toriedade comprada. Mas nao se arriscam quando a situaIao envolve a necessidade de en- carar o poder. Para usar o jar- gao, querem o bonus, nao o onus. A opinido piblica virou tambor furado, sem eco. Nada de sdrio repercute. Jomal Pessoal Editor: Lujcio FlAvio Pinto Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626 E-mail: lfpjor@uol.com.br jornal@amazon.com.br Site: www.jornalpessoal.com.br Diagramagio e ilustrag6es: Luiz Antonio de Faria Pinto luizpe54@hotmail.com chargesdojornalpessoal.blogspot.com blogdoluizpe.blogspot.com Sjornal Pessoal DEZEMBRO DE 2010 2-QUINZENA Journal nao e quitanda. 0 PIG 6 uma fantasia A expresso PIG (Partido da Im- prensa Golpista), inventada pelo joma- lista Paulo Henrique Amorim, circula hi meses como dogma da verdade pela rede mundial de computadores. Seu efeito deve ter sido significativo. Nao entire pessoas mais maduras e mais bem informadas, mas entire os jovens e de- savisados. Se muitos desses destinati- rios da mensagem ainda pensavam em ler jornais da grande imprensa, devem ter desistido. Os que continuam a fre- qiientar suas p6ginas devem 18-las ago- ra com total ceticismo. Os critics e adversarios das empresas jornalisticas radicalizaram suas posiqbes. Numa 6poca em que a imprensa es- crita conventional sofre a concorren- cia de midias mais ripidas e acessiveis, o dano pode ser profundo, agravando o prejuizo econ6mico (os anunciantes dos Estados Unidos pela primeira vez, nes- te ano, colocaram mais dinheiro na in- ternet do que nos impresses). A perda maior 6 para a formacqo da opiniio pdblica, para a maior circulaaio de in- formaq6es com qualidade para funda- mentar posiq9es p6blicas e gerar ver- dadeiros cidadios. Mesmo jornais ruins devem ser li- dos. Estimular ou induzir que sejam ig- norados 6 desservir a democracia, a pretexto de fomentar a critical e com- bater as elites. A sociedade esta cada vez mais repleta de critics, que nao vacilam quando expressam opini6es ou emitem juizos definitivos, verdadeiras sentenqas. Mas que nao sabem expli- car por que sao contra. Principalmente por desconhecerem o conteddo do que critical ou rejeitam. Sao personagens pat6ticos de Oswald. de Andrade: nao leram e nao gostaram. Para que se interessar pelo autor fu- lano de tal se ele 6 reaciondrio? Por que dar atenqao ao jomal de sicrano se ele represent a burguesia? Como crer nes- ses veiculos de expresso se seus donos estdo comprometidos com a perverse classes dominant, da qual fazem parte - e parte extremamente ativa? Sao os ini- migos do povo, como os que Lenin estig- matizou num panfleto famoso. Desde os bancos escolares, graqas a nova geografia, h nova sociologia e outras formas reducionistas do saber, novas geraq6es se tornam auto-sufici- entes graqas ao estoque de conceitos fechados que Ihes sao repassados, so- bretudo os professors progressistas. T8m definicqes para cada situagao ou personagem, rapidamente rotulado de reacionario ou de revoluciondrio, de ele- mento do progress ou do status quo, de bisonho ou instigante. O r6tulo 6 afixado sem a necessida- de de se conhecer o produto. E como se uma iman8ncia superficial dissesse tudo sobre o que esti por dentro da pessoa ou do acontecimento prescin- dindo a penetraqco no estofo da coisa. Esse antiintelectualismo, forjado como sendo a pedra de toque da verda- de, 6 erigido em nome da hist6ria. Na verdade, por6m, 6 a complexidade da hist6ria, enquanto sucessdo de events, e dos homes como realidades especi- ficas, complexes e inesgotiveis, o que esse novo milenarismo nega. O conceito de PIG se insere nessa onda de barbarie intellectual com apa- rencia de causa just e her6ica. Por quase toda vida tenho sido jornalista. Passei por algumas das maiores empre- sas joralisticas do pais. Nunca fui de- mitido. Sai de todas voluntariamente. Em todas armei confusio, briguei, fiz inimizades, sai, voltei. At6 1989 sempre houve espaco para esses conflitos e para a volta. Naquele ano decidi que o espago que me cabia na grande imprensaji ndo me satisfazia, depois de 21 anos de traba- lho contfnuo nos ditosjornal6es. Armei minha trincheira neste jornalzito, de onde miro na direqio das empresasjor- nalisticas, mostrando seus bastidores, os biombos invisiveis dos seus interesses, as hist6rias que nao contam, manipulam ou ocultam. Mas continue lendo com algum prazer e bastante proveito o que produzem. Sem essa produqCo o meu conhecimento se empobreceria. E eu me veria privado de um dos temas que me 6 mais caro. Al1m dos saldrios quase sempre bai- xos (embora, pessoalmente, a partir de certo moment, nao tivesse mais do que me queixar), o maior problema com que me defrontei nas empresas joralisticas era a interfer8ncia dos donos, uma in- conveni8ncia que persiste. Este 6 um ponto critic e grave, sobre o qual to- das as luzes sao necessarias. Houve uma degeneresc8ncia no comando das organizag5es jomalisticas. No caso das empresas familiares, quase por conta da gen6tica. O suces- sor do fundador, ou do filho do fundador, sucede-o por conta da genealogia, mas nem sempre estA preparado para assu- mir a funcgo ou nao tem a menor afini- dade com ojomalismo. Alguns nem mes- mo sabem se expressar, torando-se in- teligiveis por escrito ou oralmente. Para eles, a questio editorial 6 um neg6cio como outro qualquer. Estdo dis- postos a vender opinido como se vende salsicha, ou banana. Aos seus olhos, uma redagdo nao 6 mais do que uma quitanda. Nao se pode esperar deles que tenham uma attitude compativel com o carAter muito especial do empreendi- mento que chefiam. Por isso, devem ser muito bem rastreados. Sempre que se desviarem da fungao que lhes cabe na sociedade ou sujeita- rem a natureza da atividade editorial ao neg6cio commercial, a conveni8ncia poli- tica ou ao interesse meramente pesso- al, devem ser submetidos A controv6r- sia. E o que eles mais temem e rejei- tam: ter que se explicar, ser expostos em praga pdblica, descer do pedestal, tomar consci8ncia de que seu poder nao 6 absolute nem seu umbigo 6 o v6rtice do mundo. Quando decai minha crenga na im- portAncia do journal impresso, mesmo na sociedade digital do nosso tempo, reme- xo os arquivos em busca de moments que criaram essa conviccqo mais inti- ma na forga da palavra bem escrita, no seu estilo e no seu conteddo. Algumas peas do passado continual a servir de inspiragqo para nossos atos de hoje. Em qual journal encontrarfamos, por exemplo, esta nota, publicada no Cor- reio da Manha de 1957: "Solicitado pelo Correio da Manhl, por telefone, para dar informaqao so- bre assunto da Petrobrds, o cel. Janari Nunes responded ao reporter em ter- mos possesses. Gerente dos dinheiros p6blicos, como president que 6 de uma companhia estatal, em grande parte ali- mentada por capital subscrito compul- soriamente, o Sr. Janari Nunes tem obri- gaqao de responder ao que lhe pergun- tar a imprensa, e responder como ho- mem pdblico. Vamos processA-lo por injdria e caldnia. Esperamos que o pte. da Petrobris repita em juizo para em 100111 .P-I .... DEZEMBRO DE 2010 2AQUINZENA Journal Pessoal CONCLoSA na PA I 11 seguida provA-las as infAmias que dis- se ao reporter do Correio da Manhl". Antes, em 1949 (no mesmo ano em que vim ao mundo), o dono do Cor- reio, Paulo Bittencourt, teve que de- mitir Carlos Lacerda, que escrevia uma coluna de grande apelo, a Tribu- na da Imprensa (titulo que o future governador da Guanabara levaria para seu pr6prio journal O filho do funda- dor do journal, Edmundo Bittencourt, descansava em Araxd (uma das es- tancias minerals preferidas dos ricos), quando leu duas colunas de Lacerda denunciando o favorecimento da fa- milia Soares Sampaio pelo president Dutra. Paulo vetou a continuacgo dos artigos porque Sampaio era seu ami- go intimo de longa data. Lacerda nao concordou em interromper a s6rie e se demitiu. Quantas vezes isso nao ocorre numa redagdo? S6 que no Correio da Ma- nha mesmo a vontade do dono nao era absolute. Ele devia dar explicaq6es ao leitor e ao jornalista atingido. Carlos Lacerda pediu que o journal publicasse uma nota no dia seguinte e Paulo Bit- tencourt o atendeu. A nota comega anunciando: "MA noticia: Carlos Lacer- da deixou de colaborar nestejomal. Que nos fard falta sua colaboragio arden- te, pessoal, um pouco romintica e sub- jetiva, mas sempre corajosa e honest - n~o ha divida". O dono do journal informava que de- cidira suspender a s6rie de artigos de Lacerda porque prejudicavam "amigos meus que eram descritos nas colunas do meu journal de um modo inteiramente oposto ao juizo que eu pessoalmente faqo deles. Justo? Injusto? Nao sei e nao importa. Carlos Lacerda magoou- se comigo, e dentro do seu ponto de vis- ta, nao lhe nego razao. Ele, por6m, no meu lugar, faria o mesmo. Perdemos ambos, creio eu". Bittencourt exerceu a sua condigao de dono do journal, mas levou na devida consideragqo o fato de que o Correio da Manhd era um journal e dos me- lhores que ja houve no Brasil, o mais influence de 1901, quando surgiu, at6 poucos anos antes de ser assassinado, em 1974 e nao uma quitanda. Imp6s a sua vontade, mas pagou a prenda: di- vidiu o assunto com os leitores. Lembro o epis6dio para que os justi- ceiros do PIG tenham uma referencia melhor sobre ojornalismo do que a rea- lidade que combatem agora. Fim de ano Agradeqo e retribuo as mensagens de fim de ano de S6rgio Martins Pan- dolfo, Eduardo Daher, Bruno Liberatti, Marcelo Castelo Branco, Helder Bar- balho, Armando Avellar, Roberto Gama e Silva, Rui Leite, Rodrigo Mesquita, Joao Salame, Anderson Medeiros, Ag8ncia Fapesp, Neto Soares, Compa- nhiaAthl6tica, Edivaldo Nogueira, Vera e Fernando Castro, Brickmann & As- sociados, Alcoa Aluminio, C6sar Maia, Maria Alda Brito, Marluce Revoredo, Bethania Vinagre, Aline Brandio, Luiz Imbiriba, Instituto Socioambiental, Jos6 Nery, Cesupa, Luciane Dourado, Jos6 Megale, Rose Silveira, Ademir Braz, Tatiane Sa, Paulo Faria, assessoria de comunicagqo social do Museu Goeldi, Editora Literacidade, Ricardo Conduri, Elf Galeria, Guilherme Cardoso, Gui- lherme Zagallo, Amazon, Armando Cor- deiro, equipe Peabirus, Conselho Regi- onal de Servigo Social, Conservacqo In- ternacional, H61io Mairata, FAbio Cebo- lao, Cerpa, Plurale, Elcione Barbalho, Flexa Ribeiro, Fernando Scaff, Luciene Fidza, Charle Coimbra, Salomao Men- des, Jorge Morgado, loja Elvira Matil- de, Andrei Mantovani, Henrique e Ma- nuela Lobo, Luciano Guedes, Leandro Ferreira, Aspisia Camargo, Jos6 Wil- son Malheiros, Ademar Amaral, Luiz Egypto, Cristovam Sena, Marly Silva, Breno Yared, Jaelta Souza, Andr6 Cos- ta Nunes, Dulce Rosa Rocque, Paulo Oliveira e Andrea Assis, Emane Mala- to, Luiz Lima Barreiros, Marcos Klau- tau, Silvia Sales, Augusto Emilio Bara- ta, Joao Meirelles, Robert Goodland, Adelina Bragl]a. Memoria do Cotidiano 3 Jd estd a venda nas bancas e livrarias da cidade o terceiro volume da colegdo emformato de livro da Memdria do Cotidiano, a segdo fixa destejornal. Com diagramagdo mais leve e limpa, para permitir a melhor leitura e o maiorprazer dos leitores. Agora, e ir atrds e comprar 0 editor agradece. II I---~ I ~s --- ---- |
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