Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00354

Full Text



OUTUBROl Pessoal
DE 2010
2aQUINZENA

A AGENDA AMAZONICA DE LOCIO FLAVIO PINTO


No 475
ANO XXIV
R$ 3,00


bY
'*.-


c-w.v~ -


POL TIC* A
POUTICA


Quem fica no poder?

A hist6ria da eleigdo de 2010 no Pard ainda ndo terminou. Ela depend da resolupdo do
impasse jurdico em tomo do Senado. A justia sacramentard o afastamento de Jader
Barbalho da vida political ou possibilitard o seu renascimento das cinzas?


A na Jdlia Carepa teria evitado a
derrota se contasse com a ali
anqa vitoriosa de quatro anos
atris, somando ao PT os votos do
PMDB? A resposta a esta questAo foi
positive em 2006: sem Jader Barbalho, a
candidate petista jamais teria sido a pri-
meira mulher a governor o Para. Mas
neste ano a resposta ainda 6 incerta e
nao sabida. Ao contrArio de quatro anos
atras, o cacique do PMDB teve diante
de si a mais desfavorivel de todas as
conjunturas que ji enfrentou. Por ora, 6
o maior derrotado, embora ainda haja
uma r6stia de esperanqa de renascimento.
A soma da votagao de Ana Jdlia e do
candidate peemedebista Domingos Juve-


nil no 1 tumo foi de 46,86% dos votos
(36,05% mais 10,81%), enquanto Simao
Jatene teve 48,92%. Em qualquer circuns-
tincia, o candidate do PSDB seria o ven-
cedor em 3 de outubro. No 2 turno Jader
nao declarou seu voto e liberou seus par-
tidArios de compromisso. Mas 6 evidence
que como a grande maioria assumiu o
apoio a Simio Jatene, Jader agiu nos bas-
tidores em favor do candidate tucano.
Nao pode, entretanto, cobrar de pdblico
compromisso que de pdblico nao existiu.
Jatene pode alegar que deve sua vi-
t6ria apenas aos seus m6ritos, do seu
partido, do dnico aliado official, o DEM, e
dos politicos peemedebistas que indivi-
dualmente declararam seu voto a ele. Ao


il i^


contrario do que se esperava da tendan-
cia observada at6 3 de outubro, ele cres-
ceu menos (7 pontos percentuais) do que
Ana Jdlia (que incorporou 8 pontos per-
centuais) do 1 para o 2 turno. A dife-
renqa, que poderia ser esmagadora se
tivesse tido a votaqAo que Jader Barba-
lho lhe poderia transferir, diminuiu ao in-
v6s de crescer.
Essa contraqdo, ainda que ligeira e que
nunca ameaqou o triunfo do ex-govema-
dor, deve-se ao uso intensive da maquina
pdblica, estadual e federal. A realizanio
de obras de iltima hora, a pressdo sobre
os servidores pdblicos, o feriado prolon-
gado, maior propaganda e a presenqa do
6m 'irmi Aii Aiii


XI


j Ci s 6 chin^





coNT a.:.. DA :
president Lula diminufram a rejeigio iA
govemadora, mas nao na proporcgo ne-
cessaria. E ji era tarde demais.
O eleitor nao gostou da gestdo de Ana
Jdlia e nao acreditou que ela pudesse
corrigir tantos e tdo elementares erros,
como os muitos que cometeu. Ao inv6s
de apostar numa nova perspective de
mudanga, preferiu voltar ao passado,
mesmo sendo o passado que rejeitara em
2006. Isto pode significar que tamb6mjA
nao aposta em Jader Barbalho, que foi
entdo o avalista da petista?
O lfder do PMDB deve ter percebi-
do logo que a marca negative da sua ali-
ada nAo sairia mais. Deve ter mandado
avisos para Ana Jdlia e procurado se
aproveitar das suas fraquezas, mas a
cegueira e a certeza dos pr6prios m6ri-
tos impediram a governadora, cercada
por ne6fitos em polftica (apesar disso,
extremamente presungosos e arrogan-
tes), de perceber a situaqco. Quando ten-
tou recompor o acordo com Jader, nao
havia maisjeito: o instinto de sobreviven-
cia do deputado federal, corn mais de 40
anos de carreira polftica, ocupando to-
dos os cargos que dependem de votos,
ji o advertira para sair do barco.
N.o foi por outro motivo que, embo-
ra sem romper com o PT national, do
qual ainda esperava alguma ajuda (que
ainda nao veio), ele modelou o seu can-
didato ao governor corn a image de opo-
sicionista. Domingos Juvenil existia para
favorecer Simio Jatene, nao para aliviar
Ana Jdlia, intensamente criticada nos
veiculos de comunicagqo dos Barbalhos.
E quando ficou claro que Brasilia nao
podia ou nao queria ajudar o ex-se-
nador a voltar A cimara alta, influindo
nos bastidores dojulgamento da impug-
naqo da sua candidatura, Jader decidiu
apostar na hip6tese de maior risco: ao
contrdrio de Joaquim Roriz, que renun-
ciou e lanqou sua esposa ao governor do
Distrito Federal, Jader continuous pelo
caminho diffcil. Talvez porque nao tives-
se alternative melhor.
Se renunciasse, quem, ocupando o
seu lugar, poderia ter tantos votos quan-
to Flexa Ribeiro e Paulo Rocha para o
Senado, e, ao mesmo tempo, se subme-
teria A sua lideranga? Provavelmente nin-
gu6m. Lideres como Jader nio gostamr
de sombra. A dnica que ele admite (e
mesmo cultiva), a do filho, nWo tern ain-
da consistancia eleitoral para tanto. Tal-
vez nunca venha a ter. Mesmo em Ana-
nindeua, onde 6 prefeito, a presenga de
Helder Barbalho 6 discreta.
Aparentemente a decisio do Supre-
mo Tribunal Federal, confirmando a vi-


gencia imediata da lei da ficha limpa e o
efeito retroativo da vedacgo a candida-
tos que renunciaram para escapar de
puniq6es no parlamento, como Jader,
confirmou seu afastamento da polftica.
Mais uma vez, entretanto, as aparencias
nao esgotam a variedade de hip6teses
que subsistiram. Principalmente pelo
comportamento e pelas palavras dos mi-
nistros durante a sessAo de julgamento
do recurso do candidate do PMDB do
Pard, que desgastaram a image da corte
supreme dajustiga brasileira, e pelo inu-
sitado de mais uma decisio empatada,
que acaba sendo tomada pelo que nao
pode ser: uma deliberacqo de execugqo
automitica.

om as reag6es que teve
u patrocinou, desde
uma nota pessoal,
passando pela manifestagao
partidaria ea adesao da re-
presentagio dos empresari-
os a sua causa, Jader dei-
xou claro quo perdeu uma
batalha important, mas a
guerra ainda nao terminou.
Ele tern muniqAo important para pro-
longar uma nova manifestacao do STF,
atrav6s de recursos, at6 que o 110 minis-
tro possa ser indicado pelo president
para desempatar a votacqo, se houver
ainda possibilidade de entendimento corn
Lula. Caso essa hip6tese nao exista mais,
ele nao perdeu todos os arguments para
forgar uma nova eleigao para o Senado,
ja que 57% dos votos dos eleitores do 1
turno (dados a ele e a Paulo Rocha) se
tomaram nulos.
A tese sustentada de forma impr6-
pria e em moment inadequado pelo
president do TRE do Para, desembar-
gador JoAo Maroja, de que a exigencia
de metade mais urn de votos vilidos se
aplica apenas A eleigao para o executi-
vo, nao se estendendo I dispute igual-
mente majoritaria para o Senado, 6, na
mais tolerante das hip6teses, discutivel.
Ana Jdlia e Duciomar se elegeram se-
nadores corn percentuais muito meno-
res, mas porque no ocorreu a anulaiao
dos votos dos demais concorrentes, que,
por serem mais numerosos, tiveram in-
dices menores do que os eleitos, todos,
por6m, pulverizando a votaago, enquan-
to agora houve muito menos pretenden-
tes e, por isso, mais concentraqo de
votos.
Da mesma forma como a interpreta-
9qo da norma legal teve que ser distorci-
da para a lei da ficha limpa jA entrar em
vigor na eleiago deste ano, impondo re-
quisitos restritivos corn efeito retroativo,


a nao realizaqao de nova eleiqao senato-
rial no Para, quando foram anulados 57%
dos votos validos (ou seja, digitados na
urna eletr6nica por eleitores habilitados
em favor de cidadaos que tiveram suas
candidaturas deferidas pela justiqa), 6
uma violagio aos preceitos legais, cuja
clareza 6 esmaecida pelo tom passional
e dogmAtico da dispute eleitoral deste
ano.
Nesse context, 6 pouco provavel que
tal decisao seja sera adotada sem novas
polemicas e saia rapidamente. Se for
confirmada a realizaqgo de nova eleiqao
e ela acontecer depois de fevereiro, Ja-
der Barbalho poderA concorrer de novo.
Ao contririo do que apregoou 0 Libe-
ral no dia seguinte A deliberacao do STF,
a inelegibilidade do peemedebista nao co-
mega a partir da esdrdxula sentenga. Na
verdade, ela se encerrar6 em 31 de ja-
neiro do pr6ximo ano, quando terminaria
o mandato que Ihe cabia exercer, se ele
nio tivesse renunciado para escapar a
process por quebra do decoro parlamen-
tar, em funqAo dos casos de corrupao
na Sudam, que o levaram a ser preso,
algemado e processado.
Todas as sutilezas e complexidades da
dispute para o Senado, que saiu das urnas
para o imprevisivel tapetio dajustiqa, ga-
rantem que o capftulo da eleiao deste ano
no Para ainda nao se encerrou. 0 pro-
nunciamento final sobre o Senado 6 que
definirA qual o peso que Jader Barbalho
ainda terd na polftica estadual.
Uma definigio contraria aos seus in-
teresses liberarA SimAo Jatene ainda mais
dos efeitos de urn compromisso que, se
houve, foi informal, de bastidores. JA se
os desdobramentos do contencioso re-
sultarem numa nova eleigio e corn a vi-
abilidade da candidatura de Jader, ele
poderA sair fortalecido do novo confron-
to, talvez como o mais votado, confirman-
do sua expectativa de dois milh6es de
votos. Renasceri das cinzas como vfti-
ma, injustigado.
Todas as hip6teses sdo possiveis num
moment em que o poder judiciurio re-
vela ao pdblico, As vezes "ao vivo", suas
fragilidades e limitaq6es. Jader pode ser
punido numa situacqo na qual, se a lei
fosse realmente cumprida k risca, ele
ganharia. Confiando nos arguments da
sua defesa (comandada por um ex-mi-
nistro do Tribunal Superior Eleitoral, Jos6
Eduardo Rangel de Alckmin) e em suas
pr6prias articulacqes, decidiu prosseguir,
ao inv6s de novamente renunciar.
Mas pode se dar mal: prosseguindo
um julgamento mais politico e moral do
que t6cnico, os ministros do STF podem
manter sua impugnaqao e nao realizar


2 Jornal Pessoal OUTUBRO DE 2010 2- QUINZENA





nova eleigqo para o Senado. Se quisesse
voltar A polftica, ele teria que disputar umrn
mandate de vereador ou de prefeito em
2012. Para o nfvel da sua biografia, s6 a
prefeitura de Bel6m satisfaria, mas suas
chances de vit6ria num pleito majoritArio
na capital sAo bern menores. Ele se ar-
riscaria a tanto? Ou reconhecerA que seu
moment passou?
O drama me fez relembrar um film
marcante, que o grande director italiano
Dino Risi realizou em 1971. Em italiano,
o tftulo 6 direto: In Nome Del Popolo
Italiano. A versio brasileira 6 mais sutil:
Esse Crime Chamado Justiga. Um pro-
curador (interpretado por Ugo Tognaz-
zi) investiga um dos maiores empresri-
os italianos, do setor de construqao civil,
acusado de ter assassinado sua amante.
Na busca por provas, o procurador
testemunha a atuaqio predat6ria do em-
presario, sempre visando lucros exorbi-
tantes, mesmo que necessite adotar m6-
todos imorais ou ilicitos, al6m de destruir
as pessoas que surgem no seu caminho.
O empresirio (vivido por Vittorio Gass-
man) 6 simpAtico, envolvente, sedutor,
mas o procurador resisted: 6 honest.
Quando estA predisposto a denunciar o
empresario, descobre uma carta deixa-
da pela amante anunciando seu suicidio.
0 empresario estava inocente daque-
le crime individual. Mas e dos tantos cri-
mes coletivos que comandou ou induziu?
Depois de ler a carta, encontrada casu-
almente entire os pap6is da suicide, o pro-
curador para, media e lanqa o papel no
rio, ao lado do qual caminhava. E conti-
nua seu percurso para fazer a dendncia.
0 empresario pagaria nio por aquele
homicfdio, do qual era inocente, mas pe-
los outros crimes, numerosos e de maior
repercussdo, mas que nunca foram pro-
vados nem viriam a ser, dado o seu
poder de manipulagdo e coergio.
Dino Risi era um autor de com6dias.
Tragicom6dias, na verdade. Fazia seu
pdblico rir e logo em seguida pensar.
Talvez por levar de um extreme a outro,
provocava pensamentos profundos,
como o deste filme, que cont6m um dos
principals dilemas de umjulgamento. Se
houve julgador bem fundamentado para
examiner o caso de Jader Barbalho, ele
deve ter-se visto diante do dilema do pro-
curador do filme de Risi.
Tecnicamente, acho que Jader Bar-
balho tem motivos suficientemente s61i-
dos para veneer a demand e, no mini-
mo, poder disputar de novo a vaga de
senador que Ihe tiraram indevidamente.
Mas, do ponto de vista moral, nao seria
a hora de afastd-lo da vida piblica, pelos
mal feitos do passado, pelo balango ne-


gativo da sua forte presenga na polftica
do Part, comn a apropriaqio particular
dos benefficios que ele tornou possfveis,
em nome do povo que o elegeu para tan-
tos cargos pdblicos, e que podiam ter sido
mais intensos para a sociedade?
A resposta cabe ao leitor, mas a um
jornalista, que o coloca diante dessa gra-
ve e fundamental questio, cabe tamb6m
fazer outra pergunta: e os outros? Sem
divida, Jader Fontenele Barbalho se tor-
nou o politico mais poderoso do Pardf
desde MagalhAes Barata. 0 Estado po-
dia ter tido outro rumo, ao inv6s de se
manter dividido entire seu enorme poten-
cial de riquezas e a forma viciada de
explorA-las, que gera enriquecimentos
fora de seus limits ou concentrado en-
tre alguns dos seus habitantes, se ele ti-
vesse feito a boa political.

Is 6 nada mais do
| |que oportunismo de
utros integrantes
predat6rios da elite para.-
ense apontA-lo como bode
expiat6rio ou espantalho
dos males do Estado. Mes-
mo que Jader seja obriga-
do a sair agora da vida pu'
bliea, isso nao garante
que ela so tornara melhor.
O quadro que se delineia a partir da elei-
gao do 2 turno revela que o empobre-
cimento da representagao political do
Estado persiste. Se 6 que nao se agra-
va. Porque os gatos pardos podem apon-
tar para o telhado e alegar que o inico
gato preto que ali havia foi expurgado
da cobertura.
A evolugdo do patrim6nio do ex-go-
vemador, em desarmonia corn o que se-
ria de esperar de um politico professional,
sempre foi o calcanhar de Aquiles de Ja-
der. Tamb6m a freqiiencia com que foi
associado a casos de desvio de recursos
pdblicos, com destaque para 6rgaos que
estiveram sob seu comando ou influen-
cia. 0 que ele pode dizer em sua defesa 6
que nenhum dos processes judiciais a que
foi submetido transitou em julgado. E que
o epis6dio do qual resultou sua impugna-
qao s6 evoluiu a ponto de obrigA-lo a re-
nunciar para nao ser cassado porque in-
teressava ao seu desafeto de entdo, o
todo-poderoso senador Ant6nio Carlos
Magalhaes, versao mais rudimentar (e
tamb6m mais bem sucedida, o que tam-
be6m diz bastante sobre a qualidade dos
politicos brasileiros contemporineos) do
que foi Carlos Lacerda atW 1964.
Se Jader Barbalho foi algemado, pre-
so e processado, o campedo dos votos
senatoriais deste ano, o empresArio Fer-


nando Flexa Ribeiro, tamb6m passou pela
mesma via crucis, nem por isso se tor-
nando ficha suja na letra da lei eleitoral.
Provavelmente porque nio chegou tao
alto quanto Jader, que conquistou a pre-
sidencia do Senado contra a vontade de
ACM. A vinganga do babalorixf baiano
foi proporcional ao tamanho do que con-
siderou como ultraje pessoal.
A condigio de empresario e ex-presi-
dente da Federaqdo das Inddstrias deve
ter ajudado bastante o antigo senador biO-
nico a contomar maiores dissabores e a
responder ao incident corn um mandato
obtido agora pelo maciqo voto popular. A
comunidade empresarial, por6m, nio es-
queceu os services do ex-govemador, os
jSi prestados e os que ainda poderdo vir a
ser iteis, naquelas circunstincias que exi-
gem a interferencia de algu6m corn a ha-
bilidade e os conhecimentos de um politi-
co professional de amplitude national (qual
o outro, al6m de Jader, em atividade no
Pard?). Tratou de se posicionar ao lado
dele na nova batalha, para conquistar o
mandate de senador, com o qual poderi
ser afastada a presenga de um represen-
tante da esquerda.
0 que distingue Jader Barbalho dos
demais 6 a sua capacidade de sobrevi-
vencia, que, em political, requer carisma,
experiencia e instinto para as oportuni-
dades. Ningumr ainda se senate seguro o
bastante para tratar o por enquanto -
derrotado lider do PMDB paraense como
cachorro morto. Elejfi sobreviveu a gol-
pes quase tao profundos quanto o atual
e sua carreira nao foi interrompida.
Quem garante que nao tem mais algu-
mas vidas de reserve, como um gato de
muitos f6legos?
t que, olhando em volta, pode-se
constatar que ele nio 6 inico nem 6 dis-
sonante na elite paraense. Neste mo-
mento, seu mais s6rio inimigo 6 o grupo
Liberal, tanto por motivacao political quan-
to empresarial. Comparando-se as tra-
jet6rias das duas famflias e de suas cor-
poraq6es, a diferenqa mais marcante
entire elas 6 que os Maioranas estabele-
ceram seu fenomenal poder A margem
do poder institutional, sem ocuparem
cargos politicos, enquanto os Barbalhos
nio seriam o que sao sem o usufruto das
benesses do poder estatal.
Para que a comparaqio seja elucida-
tiva, por6m, 6 bom nao esquecer que os
dois varies da familia Maiorana bem que
tentaram se tornar politicos. Primeiro
Romulo Maiorana Jdnior, que se filiou
aindajovem ao PMDB com o abono do
entao governador Jader Barbalho, ainda


R NA P0INo a


OUTUBRO DE 2010 2. QUINZENA Jornal Pessoal 3













Dilma nao e Lula: o que isso significa


Ainda levarA algum tempo para que
se possa compreender por inteiro o sig-
nificado e os efeitos da eleiqao presiden-
cial deste ano no Brasil. Nao hA ddvida
que seu enredo 6 de autoria do presiden-
te Luiz InAcio Lula da Silva, faqanha
nunca antes realizada na mesma pleni-
tude. Lula escolheu sua candidate pre-
maturamente, quando sua sucessao era
apenas uma especulaqao. Surpreendeu
com sua favorite. Dilma Roussef nao
existia, eleitoralmente falando. Nunca dis-
putara um cargo politico. Comportava-
se de forma a provocar antipatias (mas
tamb6m temor, como sugeria Maquiavel).
Nao tinha presenga c8nica. Parecia ta-
lhada para ficar a sombra, como uma au-
t8ntica tecnocrata petista, esp6cie nova
no partido, ao qual s6 aderiu As v6speras
da chegada ao poder. Chegada que trans-
formou o pr6prio PT.
Nem candidate ela poderia ter sido,
se dependesse do partido. Ela era fruto
exclusive de Lula, que podia se dar ao
luxo, com sua popularidade de 80%, de
fazer o que quisesse. Ele podia ter dese-
jado um petista de valor comprovado,
como Jacques Wagner (o dnico a criti-
car publicamente os excesses de cam-
panha do presidente-cabo eleitoral, em-
bora s6 tenha se manifestado depois de
reeleito), ou qualquer outro. Mas nenhum
dos melhores nomes do partido iria de-
ver-lhe integralmente.
Corn Dilma, o ponto de partida seria o
zero. S6 haveria ponto de chegada se o
candidate fosse o pr6prio Lula. Em quase
todos os palanques ele era o protagonis-
ta. Dilma nem foi ao Parana no 2' tumo.
Como a situagio para ela no Estado era
delicada, Lula dispensou os intermediari-
os. Foi pedir votos sozinho.
Mesmo corn sua nunca igualada popu-
laridade, o president nao conseguiu a vi-
t6ria no 1 tumrno, confonne imaginou e con-
siderou possivel. Teve umrn susto no inicio


da campanha para o 20 tumo, quando foi
esbogada uma reaqAo de Jos6 Serra. Dei-
xou o que ainda restava (se restava) de
escridpulos de lado, esqueceu a sede do
governor e virou pleno candidate, papel in-
s61ito na hist6ria da repdblica. Foi multado
pela justira eleitoral, mas essas penalida-
des, por sua irrelevancia, s6 fizeram esti-
mula-lo. Fosse outra ajustiqa superior bra-
sileira (como aquele Supremo Tribunal Fe-
deral que enfrentou os marechais Castelo
Branco e Costa e Silva, os primeiros presi-
dentes militares), o escAndalo do abuso da
mAquina pdblica teria tido resultados pe-
nais ao inv6s de votos consagradores.
Por muitos justos motivos, Lula teria
conseguido eleger seu candidate sem pre-
cisar recorder As artimanhas nas quais se
excedeu durante a campanha. Mas ele
queria em seu lugar algu6m que the de-
vesse tudo. Por isso a escolhida foi Dilma
Rousseff. Ela tomaria possfvel a volta do
benfeitor em 2014. Sabendo que s6 con-
seguiu se tomar a primeira mulher a as-
sumir a presid8ncia da repdblica graqas A
intense participagio de Lula, haverA de
se contentar com um mandato. Nao irA
exigir a reeleigio.
TAo possfvel quanto isso acontecer 6
a probabilidade de surpresas a partir do
moment em que a president eleita as-
sumir o cargo. NIo por ingratidao, por
efeito da condiqAo que a criatura costu-
ma assumir diante do criador, pela sedu-
Oao do poder ou qualquer fator subjetivo:
pelas pr6prias contingencias da hist6ria,
pelos fatos que costumam extrapolar a
vontade dos homes.
Independent do que 6 ou represent,
a vit6ria de Dilma deslocou os paulistas do
centro do mando national. Al6m de outras
caracteristicas desastrosas, do candidate
e da sua campanha, Jos6 Serra se enfra-
queceu porque -como alguns observaram
- suas melhores qualidades estavam indis-
soluvelmente associadas ao modo paulista


de ser e dominar. Ele ainda cometeu o erro
fatal de, no inicio da corrida, se apresentar
como se fosse mais lulista do que a candi-
data do PT. Tomou-se irrelevant, al6m de
antipatico, previsivel, a permanenciade Sio
Paulo sem compensaqio.
Sagazmente, Lula encaminhou sua
mensagem para o Nordeste, consolidan-
do a alianca corn a parte pobre do pafs,
por ele beneficiada como nunca antes,
embora seu governor tenha favorecido
mais do que proporcionalmente a parte
mais rica do Brasil. Por isso a pobreza
diminuiu, mas nao na mesma proporqao a
desigualdade social. Enquanto colocou o
Bolsa Famflia e outras polfticas compen-
sat6rias a servigo dos deserdados pelo
PSDB, entregou o BNDES aos privilegi-
ados de sempre (e mais o Banco do Bra-
sil, a Caixa, o Banco Central e outras ins-
tfncias de menor calibre). Mas Lula6 ine-
gavelmente um home do povo. Sua ima-
gem foi o eficiente anest6sico contra a
percepeAo dessa dupla face, a oculta mais
forte do que a p6blica.
Dilma nao tern esse atributo. Al6m dis-
so, nAo terA um context tao favorAvel
como o que colocou Lula na crista da onda,
durante o segundo mandato. A conta dos
investimentos sem cobertura, dos juros
excessivos para a manutenqao do fluxo
de capitals estrangeiros, da insufici8ncia
de recursos permanentes para os progra-
mas sociais (que ja obrigaram o governor
a tomar emprestado do Banco Mundial)
e outras rubricas onerosas, que Lula em-
purrou corn a barriga, cairao sob o colo
da president logo no comeco da sua ges-
tao. Ela deverA ser colocada diante da le-
aldade canina ao padrinho, que a cobrard,
e a necessidade de demonstrar corn seus
atos a eficiencia que ela e seus patroci-
nadores Ihe atribufram. Se tudo nao pas-
sar de propaganda e fantasia, uma nova
hist6ria comegara. Bern diferente do en-
redo que Lula tragou.


a1 coNCuL o naPAb 8


um aliado da "casa". Depois, Ronaldo
Maiorana, que chegou a ser dirigente
partidArio. Mas nenhum foi em frente,
por absolute falta de vocaqAo para a ati-
vidade. Se tivessem dado certo, teriam
diferido dos demais politicos, incluindo o
cacique do PMDB?


Duas mat6rias sobre o uso de re-
cursos pdblicos pelos Maioranas pu-
blicadas nesta ediqao sugerem que
nio. 0 insucesso na investida polfti-
ca foi um acaso feliz, que agora os
dois podem usar para estabelecer
contrast corn os feitos do seu prin-


cipal inimigo e concorrente. 0 que 6
apenas meia verdade, como, em ge-
ral, sao as verdades tidas por abso-
lutas. No Para, apenas uma desafia
as exceq6es: os nomes mudam, mas
as liderangas tem sido as mesmas.
P6ssimas.


4 Jornal Pessoal OUTUBRO DE 2010 2 QUINZENA


I I --L--------~---






Gragas a Vale, Carajas 6 chins


O terceiro trimestre deste ano foi dos
melhores da hist6ria de 68 anos da Com-
panhia Vale do Rio Doce. A empresa
bateu records de produgao e de resul-
tados financeiros. Faturou como nunca
num inico trimestre: 14,5 bilh6es de
d61ares. Se essa m6dia se mantivesse
pelo ano inteiro, sua receita chegaria a
US$ 58 bilh6es.
Nao chegarM porque os meses ante-
riores foram de dificuldades, recuperan-
do-se da crise international. Mas che-
gara ao final de 2010 como se ji esti-
vesse num ritmo mais acelerado do que
"nunca antes", como diria o president
Lula, desafeto contido do president da
companhia, Roger Agnelli, que comple-
tard 10 anos no cargo no pr6ximo ano,
se chegar a completar
Diz-se que corn a vit6ria de Dilma
Rousseff sua said 6 certa. Ciente dis-
so, Agnelli aproveitou a comemoragqo
dos ndmeros grandiosos para se quei-
xar (no exterior) dos petistas, que o
pressionam por empregos. Talvez se
preparando para uma saida em grande
estilo, jAi que o governor, atrav6s dos
funds de pensdo, tern poder suficien-
te para afastd-lo, mesmo corn o desem-
penho impressionante. Oficialmente,
por6m, o ex-executivo do Bradesco, o
maior s6cio privado da antiga estatal,
parece preparado para o combat que
se aproxima.
No dia 26 ele mandou divulgar uma
nota official para informar que "jamais
foi tratada" entire os acionistas contro-
ladores da empresa "nem fez parte da
pauta do Conselho de Administraqao a
substituigdo do diretor-presidente Ro-
ger Agnelli. As especulaq6es na im-
prensa, que atribuem a 'fontes do Con-
selho de Administraqao' informaq6es
neste sentido, nao retratam a posicqo
dos acionistas controladores da empre-
sa". Os cotistas, que vdo sacar divi-
dendos altfssimos no atual exercfcio, s6
t8m motivos para querer que Agnelli
permaneqa onde estA.
Records nao foram s6 na receita
global da Vale, que passou de US$ 9,9
bilh6es no 2 trimestre para US$ 14,5
bilh6es no terceiro. 0 lucro liquido cres-
ceu 63% no perfodo, pulando de US$
3,7 bilh6es para US$ 6 bilh6es, o maior
de todos os tempos. Os investimentos
foram de US$ 14 bilh6es, o retorno aos
acionistas chegou a US$ 5 bilh6es e a


empresa ainda aplicou US$ 2 bilh6es na
recompra de suas acqes, demonstran-
do que cr8 no future. Com ou sem PT
para "aparelha-la".
Se fosse pelos indicadores que a
Vale apresentou, Roger Agnelli devia
ser parabenizado e nao ameagado de
demissio, caso a empresa fosse real-
mente privada. Ela 6 quase uma corpo-
racqo financeira pela sua face de orga-
nizagio particular, mas convive com um
hibridismo estatal que, no regime do PT,
se manifesta mais nos bastidores do que
diante da opiniao pdblica.

e public, o PT nun-
D ca question os re
sultados da compa-
nhia, mesmo porque dire-
ta ou indiretamente tira
vantagens dresses ingres-
sos, sob todas as formas.
Mas parece querer sempre mais poder
para ter ainda mais. Sua divergencia nao
interfere nos rumos dessa que 6 a mais
acabada das multinacionais brasileiras,
se nao for a dnica, a rigor.
Mas 6 justamente os rumos dessa
opgao que precisam ser questionados.
Uma mera andlise contAbil da presta-
9ao de contas da empresa sobre o 3
trimestre de 2010 levarA a exaltacgo das
decisoes tomadas pelos seus dirigentes,
que estio apresentando resultados ex-
cepcionalmente favoraveis, como pou-
cas companhias no mundo. 0 problema
6 que a Vale, pelos erros cometidos na
sua privatizacgo, 6 um ser estranho:
deixou de ser estatal e nao 6 uma em-
presa privada conventional. Se o pais
fosse s6rio, nem poderia ser.
0 tamanho e o poder da Vale lhe
impunham a condiqao de estatal, ou
entdo o seu porte mastodOntico teria que
sofrer fracionamento, mesmo acarre-
tando perdas de sinergia. Ela 6 tao po-
derosa quanto um governor. No Brasil,
alias, maior do que todos, exceto o go-
verno federal, pelo control da logfstica
que possui em todo pais (com as duas
maiores ferrovias e os dois maiores por-
tos, num acervo que excede e ignora as
segmentag6es federativas) e a capaci-
dade de investimento, maior do que
muitos Estados somados (talvez s6 in-
ferior ao de Sao Paulo).
Como os representantes do governor
na corporagdo se interessam mais pelo


manejo dos cord6es dos beneffcios e o
poder de mando, a andlise do significa-
do atual da Vale, as v6speras de chegar
a 70 anos de existencia, se empobre-
cem num questionamento menor ou
numa negacgo radical. As duas posiqces
sdo in6cuas porque nao influem no ama-
go da companhia. Todos v8em o gigan-
te que ela 6, mas nio se apercebem do
seu dedo, onde esta a sua digital.
No caso do Para, que vai consoli-
dando a sua condigqo de principal uni-
dade produtiva dessa multinational, a
marca registrada 6 oriental, mas espe-
cialmente chinesa. Como o principal
produto da Vale ainda 6 o mindrio de
ferro, o Para tem um significado espe-
cial por causa da riqueza do min6rio de
Carajas. Nao 6 por acaso que enquanto
represent 35% das vendas totais da
Vale,computando-se as suas diversas
origens (Sul, Sudeste e Norte), em Ca-
rajas a participagqo chinesa 6 de 60%.
0 prego m6dio da tonelada de min6-
rio de ferro no 3 trimestre deste ano
foi de US$ 126 (contra US$ 92 no tri-
mestre anterior), mas o melhor min6rio
chegou a US$ 148. Quando o min6rio
tem mais de 62% de hematita contida,
tem ganho de qualidade e mais US$ 6
por cadal% adicional de hematita. 0
teor do min6rio de CarajAs 6 de 66%.
Essa riqueza permit a Vale um ganho
de US$ 21,60 por tonelada de CarajAs,
margem que supera o ganho do concor-
rente australiano (de US$15 por tonela-
da de frete) no mercado asiatico, por
sua muito maior proximidade ffsica.
Nao surpreende que este ano, se o
desempenho do 3 trimestre se repetir
no dltimo perfodo, pela primeira vez a
producqo de Carajas vi superar 100
milh6es de toneladas, jA na perspective
dos 230 milh6es previstos para 2015, o
equivalent a nove meses de producqo
total em 2010, que 6 recordista. 0 gan-
ho marginal da Vale pelo teor do min6-
rio de ferro de CarajAs, o melhor do
mundo, sera de US$ 2 bilh6es. Esse di-
nheiro todo 6 recolhido aos cofres da
empresa, que se abarrotam. Nada 6
repartido com o Estado no qual essa ri-
queza existe, mas esti sendo transferi-
da para o outro lado do oceano em ve-
locidade que corresponde a verdadeira
sangria desatada. Mais tries d6cadas e
s6 nos restart chorar no fundo do bura-
co no qual ficaremos.


OUTUBRO DE 2010 2 QUINZENA Jornal Pessoal 5





0 acidente da Hungria e a realidade no Para


No dia 4 de outubro, rompeu-se a bar-
ragem do lago de rejeitos de uma fibrica
de alumina instalada na vizinhanga do po-
voado de Kolontar, na Hungria, que vinha
vazando havia pelo menos quatro meses.
Pela fissura, de 50 centfimetros de largu-
ra, passaram mais de um milhao de me-
tros cibicos de lama vermelha (ou 100
milh6es de litros), que se espraiaram por
uma &rea de 40 quil6metros quadrados (ou
quatro mil hectares). Foi o maior desas-
tre ecol6gico da hist6ria da Hungria e um
dos mais graves ocorridos recentemente
na Europa. Nove pessoas morreram afo-
gadas e 150 ficaram feridas.
O acontecimento podia ter interessado
os paraenses. A 50 quil6metros de Bel6m
funciona a maior fabrica de, alumina do
mundo, aAlunorte, hoje sob o comando da
norueguesa Norsk Hydro, que adquiriu o
control aciondrio, at6 entao em poder da
antiga Companhia Vale do Rio Doce. A
Alunorte tamb6m despeja num reservat6-
rio semelhante o rejeito da lavagem qufini-
ca do min6rio de bauxita, da qual result a
alumina (ou 6xido de alumfnio), de aparen-
cia semelhante ao atdcar. Submetida a um
process eletrolftico, a alumina se transfor-
ma em metal, o aluminio.
Nos iltimos anos as empresa de alu-
mina ternm se empenhado em mudar a ima-
gem dos rejeitos que geram. Quase nao
utilizam mais a expressed lama verme-
lha, por seu impact imediato, logo asso-
ciado ao perigo e ao risco de contamina-
9do por produtos qufmicos t6xicos. Ain-
tenqAo era mudar a expectativa, desta-
cando que o rejeito 6 praticamente iner-
te. Pode at6 ser usado para a fabricacgo
de tijolo, como 6 feito em Barcarena.
O acidente hLngaro pode inutilizar esse
esforqo e fazer as autoridades voltarem a
tratar a lama vermelha como uma amea-
ga, caso os reservat6rios em que 6 acu-
mulada nao recebam tratamento rigoroso
e eficaz. Isso pode ter ocorrido na Hun-
gria, na sucessao de transformnaqes ocor-
ridas no pais desde o fim do comunismo,
em 1989, corn as privatizaq6es das empre-
sas estatais que atuavam em stores im-
portantes, como os do ciclo do aluminio.
Maior rigor no tratamento dos resfdu-
os industrials parece nio ter havido na
Hungria. Mal ocorreu a enxurrada, ficou
claro que as aglomeragqes humans vizi-
nhas da barragem estavam expostas aos
danos de um acidente. Exaurida a lama,
que cobriu todo um bairro de Kolontar,


onde viviam 800 pessoas, comeqou a
construcAo de um dique de cinco metros
de altura entire o reservat6rio da fibrica e
o outro vilarejo, que nao foi atingido e es-
capou ao destino trigico do bairro ao lado:
inviabilizado o retomo dos seus habitan-
tes, ter, que ser todo demolido e prova-
velmente jamais sera reconstruido.
A protecao fora prometida aos mora-
dores, mas nunca chegou a ser executa-
da. Teria reduzido bastante os danos cau-
sados. Al6m dos prejufzos no local, que
acarretaram multa de 102 milhoes de d6-
lares e a tempordria estatizaqao da fibri-
ca pelo govemo ht(ngaro, o efeito mais
nocivo do rompimento da barrage seria
a contaminacao do rio Dandbio, o segun-
do maior e um dos mais belos da Europa,
e o assoreamento ou a perda de vida em
drenagens da bacia.
Os t6cnicos do govemo e da empresa
asseguraram que esse impact nao ocor-
rerA, mas ainda sdo incertos os efeitos no
long prazo da penetraqio da lama t6xi-
ca, com components qufmicos como a
soda cAustica. Apesar das mensagens
tranqiiilizadoras, quem trabalhou na recu-
peragqo e salvamento usou mascaras,
luvas, botas e macac6es impermeiveis.
A lama 6 caustica e um pouco radioativ,
podendo queimar a pele.
O problema nao estA s6 na massa li-
quida. Com o ressecamento, o barro ver-
melho comeqou a ser levantado pelo ven-
to e espalhado pelas redondezas, afetan-
do a qualidade do ar. 0 p6 6 considera-
do cancerigeno.
Pode ser que o acidente tenha sido
descrito corn cores mais fortes do que as
realisticas, mas o fato foi suficientemente
grave para recolocar em debate as medi-
das de protecgo e de fiscalizacao das fd-
bricas, sobretudo das que geram rejeitos
t6xicos. Se os europeus vdo rever as si-
tuaqges, cabe-nos tamb6m voltar a con-
siderar as mesmas providencias em rela-
qao ao distrito industrial de Barcarena, o
mais important do Pari.
Quando houve um vazamento naAlu-
norte falou-se na necessidade de elabo-
rar e colocar em prAtica um plano director
para toda a area, onde jA 6 grande a con-
centraqho de grandes unidades industri-
ais de aluminio, alumina e caulim. 0 aci-
dente daAlunorte nao chegou a provocar
um grande impact ecol6gico e human
nem a causa do acidente pode ser atribu-
ida A negligencia ou falha da empresa. 0


que provocou o transbordamento dos di-
ques foi uma chuva excepcionalmente
intense: em hora e meia de um dnico dia a
precipitagqo foi de 105 milimetros, equi-
valente a 30% do total m6dio hist6rico para
todo mes de abril, que 6 o mais molhado
do ano, conforme a empresa entao expli-
cou. Teria sido apenas "um fen6meno da
natureza" e nao falha humana.
Houve transbordamento mas nao
rompimento, como aconteceu na Hungria
- de um canal que conduz agua e residues
de bauxita, contaminados por soda ciusti-
ca (usada no process industrial), para tra-
tamento e despejo na drenagem natural.
Os efluentes cafram diretamente no rio
Murucupi, antes de serem submetidos a
tratamento para neutralizar seu pH e im-
pedir danos A natureza e ao ser human.
Nao houve "qualquer risco para a sadde
das pessoas ou uma evidencia forte para
ocorrencia de mortandade de peixes", ga-
rantiu a Alunorte na 6poca.
Logo depois do acidente a Alunorte
contratou dois consultores para monito-
rar as Aguas em paralelo ao seu pr6prio
acompanhamento do process industrial,
e nao encontrou elements para caracte-
rizar um desastre ambiental ou danos sig-
nificativos. Mesmo assim, foi multada,
tanto pelo 6rgdo federal, o Ibama, quanto
pelo estadual, a Sema.
A empresa rejeitou a acusacgo que Ihe
fizeram, mas apergunta que imediatamente
se podia fazer era se a margem de segu-
ranqa para as barragens que abrigam ou
drenam os residues era correta. Os t6cni-
cos argumentavam que era. Mas quando
concediam entrevista coletiva, nao dispu-
nham de ndmeros sobre series hist6ricas
de observaqco das precipitaqces pluviom6-
tricas para comprovar que a chuva do dia
26 de abril estava fora dos padres hist6ri-
cos, por isso extrapolando a margem de
seguranqa das obras de engenharia.
0 president daAlunorte, Ricardo Car-
valho, prometeu entao que a empresa for-
mularia um projeto para a formagqo de
um condomfnio ambiental corn as outras
unidades do distrito industrial, o que pos-
sibilitaria revere adequar suas instalac6es
de uma forma global. No moment em
que comemora 15 anos de funcionamen-
to, fazendo festa e lanqando um livro so-
bre a sua hist6ria, a empresa podia trans-
formar a promessa em realidade. Este
seria o melhor present seria para a co-
munidade. E para todo pafs.


g Jornal Pessoal OUTUBRO DE 2010 & QUINZENA






A energia chega ao Maraj6: 6 bom?


Depois de muitos anos de abstinen-
cia, o Maraj6 poderA ser servido por um
grande projeto. Se tudo der certo, em
2012 a ilha estard recebendo energia
firme e abundante da hidrel6trica de
Tucuruf, atrav6s de umna linha de trans-
missdo corn mais de 1.100 quil6metros
de extensao, ao custo de 490 milh6es
de reais. A obra, que integra o Piano de
Desenvolvimento Regional Sustentivel,
serd executada pela Celpa, com finan-
ciamento da Eletrobrds, a juros baixos.
A construmqo deveri durar 18 meses.
Concluida, colocarA o Maraj6 dentro do
SIN, o Sistema Integrado de Energia,
que se espalha por todo pais.
Pode-se esperar uma grande trans-
formaqio, embora ainda seja incerta a
sua qualidade. Hoje, 40% dos 437 mil
habitantes do Maraj6 vivem abaixo da
linha de pobreza. 0 indice de Desen-
volvimento Humano da ilha 6 de 0,627
(o indice umrn 6 o mAximo), bem abaixo
da m6dia national, de 0,792. S6 41%
dos habitantes recebem energia (em 50
mil unidades de consumo), sendo que
80% desse mercado se concentram nas
sedes municipals. t uma energia incons-
tante, fornecida por 15 velhas usinas
geradoras a 6leo diesel, que exigem 32
milh6es de litros de combustivel a cada
ano, ao custo de R$ 90 milhoes, al6m
de poluirem o ar.
A obra sera executada em duas eta-
pas, atingindo 15 dos 16 municipios
marajoaras (GurupA ficard de fora, sen-
do interligado atrav6s de Vit6ria do Xin-
gu ao linhao do Tramoeste). Numa pri-
meira etapa, a linha com 471 quil6-
metros de extensao ira de CametA a


Portel, Breves, Melgaqo, Bagre e Cur-
ralinho. 0 investimento sera de R$ 192
milh6es. A segunda etapa alcanqara os
demais municipios, adicionando 640 qui-
16metros de linhas, gragas A aplicaqo
de R$ 298 milhoes.
A chegada de energia segura e sufi-
ciente devera ser a maior novidade dos
iltimos tempos no Maraj6, capaz de tird-
lo da estagnaqao (ou mesmo da deca-
dancia) que o tem caracte-
rizado. Mas pode tamb6m
agravar os seus problems
se desde agora nao houver
uma political conseqilente
para o melhor uso da ener-
gia e a corregao dos proble-
mas que inevitavelmente
acarretarA.
0 primeiro vem corn a
pr6pria linha, aberta A base
de novos desmatamentos e
de eventual destruiqdo de
recursos naturais, arqueo-
16gicos e sociais no seu percurso. 0 li-
cenciamento ambiental ainda nao foi
concluido, mas sua tramitaqio 6 pouco
conhecida. A opiniao pdblica desconhe-
ce a obra e nao parece interessada em
submet8-la a questionamento.
O process econ6mico-social do
Maraj6 tem permanecido sujeito a dis-
torq6es e interferencias polfticas que
nada tem a ver com o interesse pdblico.
A depend8ncia do govemo 6 quase ab-
soluta nos municipios mais pobres, tal-
vez justamente por isso. Do estoque de
2.158 empregos em Portel, em
2008,1.1173 eram no serviqo pdblico, que,
em 2006, somavam apenas 310. A rela-


Mais linh6es


CametA sera o ponto de partida
para a expansAo da linha de trans-
missio de energia de Tucuruf para
mais duas diregqes, al6m do Mara-
j6. Uma diretriz serA no rumo de
MacapA, que tera 713 quil6metros
de extensao, integrando a capital
amapaense ao sistema national, do
qual ela ainda estA desconectada, ao
custo de R$ 666 milh6es. A outra
linha irA para Oriximind e Manaus,
num percurso de 586 quil6metros,
com investimento de US$ 1,3 bilhAo.


A obra, apesar de representar
aplicaqAo de R$ 2 bilh6es, nao tern
atraido maior interesse, como deve-
ria. SerA a maior linha de energia
da regiao, atravessando Areas ainda
isoladas, nas quais devera provocar
a primeira grande intervengqo hu-
mana, com desmatamentos e outros
efeitos. Tamb6m o seu significado
econ6mico tem sido descurado. E
mesmo esta a melhor alternative
para tirar a capital amazonense da
sua situaqAo energ6tica crftica?


qao em Curralinho era de 753 empregos
totaispara 709 do govemo.
Observa-se um crescimento da pre-
senqa do governor na gestao de Ana
Julia Carepa e Lula, mas a relaqao 6
mediada por clientelismo politico e des-
vio de recursos pdblicos, a partir de pro-
gramas de transfer8ncia de renda ou de
apoio a atividades tradicionais. 0 caso
mais exemplar 6 o da pesca,
0 seguro/defeso, que
visa proteger os cardumes
na 6poca da reproduqAo, re-
munerando o pescador du-
rante esse period de qua-
tro meses de inatividade, se
tomou um instrument po-
litico-eleitoral e um fundo
de campanha, al6m de pos-
sibilitar outros desvios. Em
Muana, por exemplo, de 13
mil habitantes do municipio,
oito mil foram cadastrados
como pescadores para re-
ceber o seguro. A maior parte do pei-
xe consumido no local, por6m, vem de
fora. De fora tamb6m chegaram mui-
tos moradores urbanos para se meta-
morfosear em pescadores e receber o
seguro.
A ineficiencia e a corrupgao do po-
der pdblico podem impedir que eles se
antecipem A chegada da energia corn a
execugao de political capazes de dar
boa aplicaqao ao novo insumo e evitar
que agravem problems como a prosti-
tuiqao, o trdfico de drogas, o contraban-
do e a criminalidade em geral, cada vez
maiores na ilha. Afinal, o Para 6 o quin-
to maior produtor e o terceiro maior
exportador de energia do pais, mas seus
indices de desenvolvimento e bem-es-
tar social sao sofriveis.
A vocagAo do Maraj6 para o turis-
mo e a atividade cientifica 6 evidence,
apesar da falta de apoio e mesmo do
desestimulo official. Entre 1970 e 2000,
Soure e Salvaterra foram os municipios
que registraram as melhores taxas de
crescimento do IDH, assumindo a pri-
meira e a segunda posigao no ranking
dos 16 municipios da ilha. A energia
podera ser um fator dinamizador positi-
vo se o arquip61lago seguir nessa dire-
9ao. Um rumo que exigirA capacidade
de antecipaqao, inventividade, coragem
e clarividencia, produtos ainda em falta
no mercado.


OUTUBRO DE 2010 2 QUINZENA Jornal Pessoal 7





TELEFONES


At6 1953 o belenense pa-
gava uma taxa fixa e mais os
excedentes das ligaq6es co-
bertas por essa taxa A The
Para Telephone Company
Limited, que era a concessi-
onaria do servigo. Nesse ano,
a cobranga dos excedentes
foi abolida e estabeleceram-
se tres taxas fixas mensais,
de valor crescente, conforme
a categoria do usudrio. Uma,
de 50 cruzeiros, por telefone
instalado em residencias, es-
tabelecimentos de ensino,
hospitals e jomais. JA as re-
partiq6es ou servigos pdblicos
federais, estaduais, munici-
pais ou autArquicos, escrit6-
rios ou consult6rios de profis-
sionais, compareciam com
Cr$ 70 por mes. E dos esta-
belecimentos comerciais e
industrials seria cobrada a
taxa de instalaqAo de Cr$ 100.


PROPAGANDA

Teatro na TV
Ainda ndo havia video-
tape em outubro de 1964,
quando a TV Marajoara
Canal 2, dos Didrios e
Emissoras Associados,
apresentava o Grande
Teatro Victor C. Portela
"ao vivo", sem
possibilidade de corte e
corredco. Nesse dia foi a
estrdia de Vit6ria, que
Valdir Sarubbi de
Medeiros, que a seguir
teria vitoriosa carreira de
pintor, adaptou do
romance de Knut
Hamsun, Premio Nobel de
Literature de 1920.0
realizador era o
comendador Raymundo
Mdrio Sobral. No elenco,
Cldudio Barradas,
Regina do Carmo,
Adelino Simdo, Eugencia
Gomes e Jorge Maia.
Quem respondia pela
decoracao era Giulio
Toppino, da Casabella.
Belos tempos.


Era num estilo gong6rico-
barroco que se fazia o regis-
tro de aniversario nas "No-
tas Mundanas", da Folha do
Norte, a an6nima coluna so-
cial dojornal. Em 1953, o de
Auric6lia L61is estava assim
pintado: "0 calenddrio soci-
al de hoje assinala o aniver-
sario natalfcio da gentil se-
nhorinhaArac61lia Lelis, fino
ornamento da sociedade, fi-
lha do Sr. Camilo Lelis e de
sua esposa, d. Ismenia de
Azevedo Lelis. Auric6lia,
que 6 aplicada aluna do Ins-
tituto Gentil Bittencourt,
onde frequenta com bastan-
te proveito o curso ginasial,
soube angariar as simpatias
no seu largo circulo de ami-
zades, ndo s6 pelos dotes de
espfrito, mas pelos seus pre-
dicados morais, dos quais
ressalta a lealdade de cora-


95o e a elevacgo em suas
attitudes. Inteligente e mei-
ga, na idade em que o cora-
gio tece para o lar, que lhe
dirige os anseios pelo influ-
xo dos sentiments cristios,
a cujos olhos se abrem hori-
zontes felizes, em meio ao
jdbilo de seus extremosos
pais, verd mais uma vez
confirmado o apreqo em
que 6 tida, atrav6s de ho-
menagens bem expressivas
de admiraqdo e estima que
lhe serio prestadas duran-
te a recepqio que seus ge-
nitores oferecerdo em sua
resid8ncia, A Vila Maria Le-
opoldina, n 10".
Como diria Edgar Proen-
qa, mestre no mitier: "ma-
guenh6fico".


GRANDE
ooooooooTEATRO


IV VICTOR C

PORTELA




NUZA K-V MAAW a41Uate
do U ARUBBY DR NODUO -
nrao tsoo d RAIMUNDO WOBAL
DOMA DO CAUGM. ADUM.O 51-
MAO. XOUGA OOM= e oSOu
MJAL D0A0MoA0 DS DIUUO
O00000000O. vnwo (CAABNUA)


VICTOR C. PORTELA S. A.
_ -I -... .......... ...... -


RADIO


Em 1956 o escrit6rio de
Carlos Lima anunciava para
alugar "rec6m-construfdo e
confortivel bangal6, em es-
tilo funcional", na avenida
Almirante Barroso, o nome
pelo qual a antiga Tito Fran-
co (a "pista da morte", por
permitir alta velocidade) ha-
via sido rebatizada tamb6m
um pouco antes. Um atrati-
vo alardeado da "edificaqao
elegant e de fino gosto" era
possuir "antena para radio ja
instalada, com tomadas nos
principals compartimentos
da casa".
Isso foi ha apenas meio
sdculo.

RESTAURANT

JA foi um bom program ir
almogar ou jantar no restau-
rante do aeroporto de Val-de-
Cans, hoje impensivel. Em
setembro de 1956 o grupo
Grande Hotel, o mais chic da
cidade, inaugurou o Restau-
rante Intercontinental, "dota-
do de modemas instalaq6es de
cozinha, com grande frigorifi-
co, bonitos m6veis e grande
niimero de servidores, tendo
os gargons recebido long trei-
no", segundo o registro da im-
prensa. A faixa simb61ica da
inauguraqao foi cortada pelo
govemador Moura Carvalho,
que substituira Magalhaes
Barata, morto quatro meses
antes. Klaus Winkler, gerente
do Grande Hotel, saudou os
convidados. E monsenhor Mil-
ton Pereira benzeu as instala-
9oes, que eram ao capricho.
Comia-se bem, como "nunca
antes", diria o president Lula.
Nem depois.

TELEVISAO

No dia 30 de setembro de
1962 a TV Marajoara come-


8 Jornal Pessoal OUTUBRO DE 2010 21 QUINZENA


I _73


I -


ESTILO







































Cena ainda tipica, em 1967, nos subtirbios de Beldm: criancas com latas d'dgua na cabega. Era preciso ir buscar nas
torneiras ptiblicas ou em locais onde houvesse o chamado precioso liquido. Os anos de prdtica criavam uma maestria na
arte de equilibrar a lata, principalmente quando era preciso andar sobre estivas de madeira, que davam acesso as casas
sobre terrenos encharcados e pantanosos. Ironias amargas da falta de lucidez iniciativa e coragem dos governantes.


morou seu primeiro ano de
funcionamento. Nessa 6po-
ca, ela era sintonizada em 10
mil receptores, atingindo 100
mil telespectadores, sendo
ainda a dnica emissora de
televisio do ParA.
A programagdo do aniver-
sArio comeqou As 7,55 da ma-
nhi corn Born Dia, Pard, cr6-
nica ilustrada sobre Bel6m,
escrita pelo director da emisso-
ra, P6ricles Leal. Depois, a
Matinal Infantil, corn a pega
infantil "A Gata Borralheira",
escrita por Waldyr Saruby de
Medeiros, corn o elenco de
teleteatro do canal 2; Grande
Jomada Esportiva, corn a exi-
biqao (no modemo "kinesc6-
pio") dos sete jogos do Brasil
na Copa do Mundo do Chile,
de que foi campedo; Atualida-
des Portuguesas; Dennis, o
Travesso; Interpol Chamando;
0 Menino do Circo: e o ponto


alto, o espetAculo "Noite Cheia
de Estrelas n 2", transmitido
diretamente do audit6rio da
Radio Marajoara (no largo de
Nazar6), corn Orlando Silva,
Gilvan Chaves, Carminha
Mascarenhas, Denise Du-
mont "e todo o elenco de can-
tores, comediantes e bailari-
nos" da Marajoara.

MISS

Apesar da chuva, era movi-
mentada a temporada de f6ri-
as em Mosqueiro, ainda a pre-
ferida pelos colunaveis. E a de
1963 foi inesquecivel para os
rapazes que conheceram uma
beldade que antes s6 pisara as
praias do Rio de Janeiro. Ape-
sar de carioca, a bela SOnia
Ohana era filha de Alberto
Ohana, irmAo de Rubem Oha-
na, um dos personagens prin-
cipais da vida social de entAo.


S6nia veio ver a terra natal do
pai, desfilou pelo Chap6u Vi-
rado e fez tanto sucesso que
logo se tomaria Miss Pari,
sempre lembrada at6 hoje pela
sua beleza, por seu porte e pela
sua simpatia.

CIRIO

0 engenheiro Augusto
Meira Filho ("o namorado de
Bel6m) jA tinha sete anos
como integrante da diretoria
da festividade de Nazar6, em
1964, quando sentiu a neces-
sidade de informar os leito-
res de A Provincia do Pard
sobre o que era o trabalho
dos organizadores do Cfrio.
"Aproximadamente des-
de maio de cada ano re-
latava ele comegam os
trabalhos do grupo que anu-
almente 6 eleito para esse
fim. Todas as semanas,


mes ap6s mes, comiss6es,
pedidos, visits, confabula-
q6es, preparo da 'colheita'
financeira na cidade, cor-
respondencia, impressos,
construq6es, importa95es,
fogos, flores, materials da
berlinda e um mundo de
outras pequenas obrigag6es
imprescindiveis".
0 trabalho, por6m, ndo ter-
minava corn a festa religiosa,
"talvez a mais nobre, a mais
important, a mais bela sob os
c6us da patria". 0 trabalho
continuava "depois dos quin-
ze dias de esforgo comum, no
patrocfnio das noites, no con-
trole do 'largo', nas barracas,
nos leil6es, nos fogos de arti-
ficio, nos serm6es e no seu
encerramento, sempre com
alegria e brilho, quando Na-
zareth recolhe-se A capela do
Col6gio, sua morada perma-
nente e segura".


OUTUBRO DE 2010.2* QUINZENA Jornal Pessoal 9


1111~-- --~1 -- -- ~- II '' -






CARTLS AO EDrUR
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ELEIA0O
Assim como voc4, sempre
procuro candidates para votar.
Por isso, nunca anulei meu
voto, mesmo quando estive di-
ante da escolha do "menos
pior". Nio penso que a
atual eleigio presidential seja
esse tipo de escolha, pois con-
sidero que Dilma represent
um bom governor e 6 uma boa
candidate.
Talvez por essa diverg4ncia,
considered insuficientes os ar-
gumentos que voc& apresen-
tou na matdria "Sem opaio
valida, resta anular o voto",
publicada no JP nQ 474. Tenho
acompanhado as criticas que
voc4 faz ao Governo Lula, in-
clusive na matdria "0 bom di-
tador" (JP no 471), mas creio
que os aspects positives que
o diferenciam do Governo
FHC poderiam ter sidoavalia-
dos cornm mais cuidado, de
modo a justificar a opaio
extrema pelo voto nulo. Para
que a critical nio pare;a vazia,
cito dois deles: o aumento
do emprego e dos trabalhado-
res corn carteira assinada e a
reducio do indice de Gini.
Aldm disso, sua manifesta-
cao tamb6m me parece incom-
pleta porque nio hd opinion
sobre a eleicio no Pard. Se voce
recomenda uma posicio aos
leitores na eleicio presiden-
cial, penso que 4 necessArioa-
presentar sua recomendagio
na eleicio estadual.
Acompanho o JP desde o pri-
meiro numero e nio lembro
de, em outro moment, voc4 ter
explicitado sua decision eleito-
ral. Peco-lhe desculpas se eu
estiver equivocado, mas tam-
bdm por causa desse inedi-
tism a matdria me surpreendeu
e me fez sentir falta de uma
justificacio mais extensa.
Antonio Mauds

MINHARESPOSTA
Defato, faltou justificar explici-
tamente a posigdo em relaSo ao
governor do Pard. Mas, depois de
tantos artigos a respeito, mostran-
do que nao hd op9do entire urn e
outro candidate (d o que volta a
dizer a matdria de capa da edipdo
anterior, que supre a falta dessa
explicitagdo no texto sabre o voto
nulo), achei que era dispensdvel


repetiros argumentos. Infelizmen-
te, a perseguicgo judicial que so-
fro ndo me permitiu voltar ao tema
antes do 29 turno, nem publicar a
tempo para efeito prdtico a
carton do leitor.
Eu votaria em Jacques Wagner,
par exemplo, que 6 petista antigo,
mas no umrn candidate a marione-
te. Jd Dilma personifica o projeto
egdlatra e autoritdrio do Lula, que
far6 mal ao pais. Espero estar er-
rado, mas veremos o que comega-
rd a acontecerno pr6ximoano. Lula,
fascinado pelo poder e apaixona-
do par si, cometeu erro compard-
vel ao de FHC, corn sua maldita
reeleigdo.

DIVEROL NCIA
Clara que nio estamos atra-
vessando uma fase de desen-
volvimento na acepgio estri-
ta do termo, por6m ha raz6es
para acreditar que o proces-
so foi desencadeado, tendo
em vista terms evidentes si-
nais de "distribuicio social
dos frutos" desta fase da eco-
nomia. Fago esta introdug~o
a prop6sito do lamurioso e
pessimista texto, intitulado
"Sem opoia valida, resta anu-
lar o voto", publicado no Jor-
nal Pessoal n.9 474. Como voce
sabe, a economic 6 uma ci-
encia social diferente das
demais porque pode ser
quantificada. Em razao deste
detalhe e de outras impropri-
edades, pode-se abrir um le-
que de questionamentos so-
bre a sua exposicio, mas de-
vido a exiguidade do espago,
atenho-me ao essencial.
Em primeiro lugar, a obser-
vagio feita As economies for-
necedoras de alimentos e de
mat6ria prima (h dpoca deno-
minadas de perifdricas), fica-
rem cornm os precos aviltados,
se comparados aos artigos
manufaturados das economi-
as desenvolvidas, 6 um tema
jd superado e que foi estuda-
do a partir da 1.9 e 2.9 guerras
mundial e, tambdm na reces-
sio dos anos trintas do sdculo
passado. IE certo que a deteri-
oralio das relag6es de trocas,
desde 2008 afetaram as nos-
sas relagces comerciais, tanto
que aumentou-se o volume das
exportag6es para compensar a
queda dos pregos e manter o


equilibrio da balanca comerci-
al. E uma said estratdgica.
Na verdade temos alguns
trunfos que poucos pauses pos-
suem, por exemplo: a partir de
2002, nossa brea plantada pas-
sou de 40 milh6es de ha para
50 milh6es, numa escala dife-
rente, no mesmo period, a pro-
duqio national de grios saltou
de 90 milh~es de toneladas/
ano para 150 milh6es. Um sal-
to extraordindrio, obtido pelos
investimentos em tecnologia.
Cresceu e continue evoluindo a
exportacio de care bovina,
sufna e frangos abatidos para
novas mercados, incluindo a
Africa e o Oriente Mddio. 0 Bra-
sil hoje ocupa o terceiro lugar
na exportacio, superado so-
mente pelos Estados Unidos e
Unilo Europdia. I, tambdm, o
maior exportador liquid de
produtos agrfcolas do mundo,
o valor das exportaq6es 6 seis
vezes o valor das importaq6es.
Os juros estio altissimos,
todavia 6 um instrument de
political monetAria usado pelo
BACEN para center a expansion
do consumo e manter a infla-
95o sob control. Na question
da "guerra cambial", os paises
do G20 estio discutindo um
piano apresentado pelo secre-
tdrio do Tesouro americano,
Timothy Geithnner. Espera-se
que chegue a alguma conclu-
sio que nio seja predadora
para os menos afortunados.
A tarefa de segurar a crise 4
drdua, mas o Brasil adotou as
devidas providencias que cer-
tamente vao reduzir o nosso
risco. Segundo noticias recen-
tes o setor de brinquedos,
mesmo enfrentando a concor-
rencia desleal dos chineses,
lancou 1.200 novos artigos da
esp4cie, e espera faturar algo
como 5 bilh8es de reais. No
saliao de alimentos (SIAL/2010),
em Paris, neste mes, empresi-
rios brasileiros fecharam ne-
g6cios estimados em R$ 1,1 bi-
Ihio. Enfim, repetindo o dito
de um conhecido economist,
ex-ministro do honorivel Sar-
ney, temos: "o risco de irmos
para o belel6u 6 muito baixo".
Fico por aqui, os outros itens
ventilados como poupanca, in-
vestimentos, empr6stimos, di-
vidas internal e externas, etc,


pelo que se sabe, estio send
tratados coam as ferramentas
usuais que a ciencia econbmi-
ca e a habilidade humana dis-
p6em. Estava pensando em fa-
zer uma peroracio acerca de
sua disposig~o de nio votar e
pregar o voto "nulo". Entretan-
to, como li ontem, 26, um arti-
go de um conhecido jornalista
sobre o process eleitoral, re-
solvi transcrever o ultimo t6pi-
co de sua cr6nica. Ele finaliza
assim "0 que faz a democracia
nao 6 a alternAncia. I o voto
livre e consciente, nio impor-
ta qual seja." t isso mesmo?
Roodolfo Lisboa Cereveira

MINHA RESPOSTA
Apesar de todos os itens grandi-
osos e respeitdveis relacionados
pelo leitor, as numeros que citei
no meu artigo estao se consolidan-
do. t aformagCo de nuvens carre-
gadas no horizonte, corn a conti-
nuagdo do Indice de inadimplin-
cia do crddito popular em alto pelo
sdtimo mks seguido, o aumento
do deficit nas transacges corren-
tes (a despeito do aumento dos
exportagoes e do crescimento do
ingresso de capital estrangeiro), a
estancada na redug6o dosjuros, a
projegfo de inflago maioar e a per-
cepgdo de que as gastos 6 largo
feitos pelo governor, a pretexto de
ndo deixar a economic desaque-
cer emfunCdo do cruise internacio-
nal, podem ter disfargado muito
subsidio disfargado de investimen-
to na produgdo. O successor de Lula
receberd a canta deixada pelo
maior estadista da Terra.

JOBNAL
Receba os parab4ns duas ve-
zes. A primeira pelos 23 anos do
Jomal Pessoal, coam um pouco de
atraso, 4 verdade, mas, com a
desejo de muita sadde a
voce para que possa continuar
em sua jornada de bern infor-
mar a todos n6s, atravds de
um jornalismo de credibilidade,
imparcial e de respeito. A se-
gunda pela resposta dada ao Sr.
Carlos Valente Cartas ao Edi-
tor, edigio nQ 474 que teve sua
opiniio contrariada. Alias, nio
6 o Onico defeito, adoram nive-
lar a todos por baixo. Para eles,
somente uma pessoa da enver-
gadura de L6cio FlIvio Pinto.
Paulo Felipe de Castro


Jomal Pessoal

Editor: Licio FlAvio Pinto


Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626
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Diagramagio e ilustraqoes: L. A. de Faria Pinto E-mail: luizpe54@hotmail.com


IQfornal Pessoal OUTUBRO DE 2010 2A QUINZENA


I


---r;






Ronaldo Maiorana perde e 6 multado


Ronaldo Maiorana, diretor-editor-
corporativo dojomal 0 Liberal, foi con-
denado pela justiqa do Pard a pagar a
comissAo de 2% sobre as parcelas libe-
radas a seu favor pela Sudam (Supe-
rintend8ncia do Desenvolvimento da
Amaz6nia). A sentenga de 1 grau, da
3a vara civel de Bel6m, acolheu a aqdo
monit6ria proposta no final de 2003 pela
Opem, Planejamento, Empreendimento
Ltda., que deu A causa o valor de 360
mil, a ser acrescido das correqces e
cominaqces devidas.
Ronaldo Maiorana nao aceitou a
sentenga e desencadeou uma ofensiva
de contfnuos recursos contra a deci-
sdo. Foram tantos e tdo imediatos os
recursos que ele acabou recebendo
uma nova condenagdo, mantida pelo
Tribunal Pleno, por unanimidade. Seu
iltimo recurso, um segundo agravo in-
terno, depois de embargos e agravos,
foi considerado "manifestamente infun-
dado" pelo desembargador ClAudio
MontalvAo, que lhe aplicou multa de
10% sobre o valor da causa, por con-
siderar os recursos "manifestamente
protelat6rios".
0 advogado de Maiorana alegou que
a multa foi fixada em decisdo "despro-
porcional e exorbitante, especialmente
em cotejo corn a pretensa falta cometi-
da". Por isso, recorreu a um mandado
de seguranga para revogA-la, novamen-
te negado pelo tribunal.
Relatando o process, a desembar-
gadora Eliana Abufaiad concordou
com a aplicaqgo da multa, em virtude
da "torrente de recursos ofertados em
seqiiencia e em um curto lapso de tern-


po", que demonstrava "um possivel
excess no manejo das vias recursais".
Ressalvou nao negar "o direito dos liti-
gantes questionarem as decis6es exa-
radas pelo Poder JudiciArio, posto os
recursos se consubstanciarem em im-
portante instrument de control jurn-
dico e social dos atos dos juizes". Mas
considerou inadmissivel "o abuso de
tais garantias, uma vez que tal postura
se configura em ofensa A boa-f6 pro-
cessual e assoberba o ji saturado acer-
vo da Jurisdigqo".
O litigio entire a empresa de consul-
toria e Ronaldo Maiorana em torno de
comissao por prestagqo de serviqo 6 o
mais recent desdobramento de uma
hist6ria que comegou em 1994, quando
ele e seu irmro, Romulo Maiorana Jdi-
nior, o principal executive do grupo Li-
beral, apresentaram carta-consulta A
Sudam. Atrav6s da empresa que for-
maram, a Tropical Inddstria Alimentfcia,
se propunham a implantar uma fibrica
para a produqao de concentrado de fru-
tas regionais, no distrito industrial de
Icoaraci.
O projeto foi aprovado logo no ano
seguinte e liberados 3,3 milh6es de re-
ais em tres parcelas anuais, entire 1997
e 1999 (valor nao atualizado). Mas tudo
que os Maioranas haviam feito desapa-
receu por conta de um "forte venda-
val", que p6s abaixo o galpdo onde a
f6brica funcionaria. 0 pr6dio da Tropi-
cal foi o inico atingido pela ventania.
Os prejuizos coincidiram com o valor
dos recursos liberados.
Os Maioranas juntaram A presta-
cqo de contas sobre o sinistro docu-


mentos comprobat6rios. Mas logo foi
verificado que as nove notas fiscais e
recibos fornecidos pela firma Plangec,
de Rodrigo Chaves, como comprovan-
tes da construmgo do galpao, eram frios
e falsos. Outra investigagqo revelou
que tamb6m eram fraudulentos os
aportes de capital feitos pelos irmaos
como contrapartida para receberem os
recursos dos incentives fiscais admi-
nistrados pela Sudam. Eles deposita-
vam seu dinheiro no dia em que era
feita a liberacqo da verba official e o
retiravam no dia seguinte. 0 capital
pr6prio fazia apenas uma mete6rica
passage pela conta do Banco da
Amaz6nia. E mais: ao inv6s de pro-
duzir concentrado de frutas regionais,
que justificara a colaboracqo do go-
verno federal atrav6s de rentncia fis-
cal do tesouro national em favor de
um empreendimento privado, a Tropi-
cal (depois Bis e agora Fly), o que sai
da fAbrica 6 uma mistura gasosa de
sabor artificial tipo pet (tubafna).
Romulo J6nior abandonou a socie-
dade com o irmao e Ronaldo, finalmen-
te, aplicou seu dinheiro no neg6cio.
Mas o crime ji estava caracterizado.
Em julho de 2007 o Minist6rio Pdblico
Federal denunciou os irmaos como in-
cursos em crime contra o sistema fi-
nanceiro national, por obter fraudulen-
tamente recursos da Sudam. A dendn-
cia foi aceita e estd sendo processada
pela justiga federal. Mas 6 tal a lenti-
dio que um dos crimes, o de falsa in-
tegralizagao de recursos pr6prios, pres-
creveu, passados 12 anos do seu co-
metimento sem serjulgado.


Nosso artist

Finalmente o Luiz Pinto, que diagrama e ilustra este journal desde sempre (mas nem sempre), chegou a internet. E
em dose dupla. Um blog (chargesdojornalpessoal.blogspot.com) 6 exclusivamente para abrigar os trabalhos que
produz aqui. 0 outro e o Humorartes (blogdoluizpe.blogspot.com), que inclui as incursdes mais amplas do artist.
Ambos merecem uma visit. Daquelas de chegar e ndo abandonar mais.



Corregao
0 erro induzido pelo cansaro voltou a se repetir: pensei em Alvaro Freitas e escrevi Alvaro Paz do Nascimento no texto que
ilustrou a fotografia da seqAo Mem6ria do Cotidiano da edigAo anterior. Rapidamente o ex-deputado (e conselheiro do TCE) Nelson
Chaves e Augusto Jos6 Gamb6a alertaram para o cochilo. Gamboa, com 37 anos de servigo parlamentar, lembrou que Alvaro Freitas
fazia questAo de destacar sua condiqgo de representante do bairro da Matinha e das localidades de Primavera, Quatipuru e adjac8n-
cias. Era um personagem humilde e singular, que desempenhava As vezes a fungAo de bom informant para os jomalistas.


OUTUBRO DE 2010 2 QUINZENA Jornal Pessoal 11







Desatengao e sonegagao

de maos dadas em Belem


Romulo Maiorana morreu em
23 de abril de 1986. 0 fato se tor-
nou do amplo conhecimento pdbli-
co, dada a notoriedade do perso-
nagem. Todos ficaram sabendo,
menos a prefeitura de Bel6m. Ela
executou o falecido pelos d6bitos
acumulados de IPTU (Imposto
Predial e Territorial Urbano) de
1997, 1998 e 1999. Mais de 10 anos
antes o im6vel objeto da execuqao
passara do nome do fundador do
grupo Liberal para a vidva e seus
filhos, que nao pagaram o imposto '
(como fazem costumeiramente),
mas adotaram todos os procedimentos
para legalizar a transfer8ncia.
A partilha foi aprovada em dezem-
bro de 1987 e o formal expedido tres
meses depois, al6m de ser registrado
na matrifcula do im6vel, consumando a
transferencia. Mas a cobranga do
IPTU foi expedida em nome de Ro-
mulo pai. Por isso, ojuiz da 4' vara dos
feitos da fazenda pdblica de Bel6m
extinguiu a execuqao fiscal sem reso-
luqao de m6rito por ilegitimidade pas-
siva. A prefeitura ainda recorreu. Ale-


gou descabida a tese da ilegitimidade
por ser possfvel a substituigao proces-
sual do falecido por seus herdeiros e
argumentou que os sucessores deviam
ter promovido a averbaqao administra-
tiva da transfer8ncia.
Mas perdeu todos os recursos apre-
sentados at6 agora, A unanimidade e sem
qualquer consideragao pelo m6rito, em
virtude da grave falha de citagao, que
da causa A extinqao do process. Tal-
vez continue a perder enquanto nao fi-
zer a sua parte, que 6 atualizar o seu


cadastro e ter o mfnimo de infor-
mag o sobre o que acontece no
mundo. Citar um morto famoso,
nas circunstancias do caso, 6 ig-
norancia, incompetencia ou ma f6?
Todas as especulaq6es po-
dem ser consideradas, como pa-
rece sugerir o voto do desem-
bargador-relator da apelaqao na
1" Camara Cfvel Isolada, Leo-
nardo Tavares. Ele disse na sua
manifestaqao que as alega56es
do representante da prefeitura
no recurso "afiguram-se incon-
sistentes, dando a impressao que
nao dispensou a atengao devida quan-
do da leitura dos autos ou at6 mesmo
que nao os leu".
Quantos sonegadores de impostos
j6 nao se aproveitaram dessa "desa-
tenqao", que favorece o mau cidadao,
sobretudo aquele que, podendo (e de-
vendo) pagar, em funqao de seus mui-
tos e s61lidos recursos, foge ao seu de-
ver? Eis uma questao relevant. 0
Minist6rio Pdblico podia ir atris de uma
resposta e dos responsAveis pelo pre-
jufzo causado ao erArio.


Foi-se o senador

Guilliel-111C Rodrigues Sicsill Coi 111.1is tilli dos inte- 111"unlas dils 111tillicres 111"lis cohiadils tio ilicio da
grantes do Selladillho (ttic Se Foi Sent Collseguir ba- adoles6licia -I idade 11111dura.
ter na inarca dos 70 anos. inedida ein (lite inent- Mas ll'-Io Cra apellas estallipa: Ctilthott o I-0111.1-
bros (fit Collfrilria morreill preillattil"Illiclife, a lilarca Illuilto C 4) boll) gosto. Do alto da est"ittia NiNa ell]
Se Collsolidil Collio till] tabil. Sicsill haixoti hospital, (lite loi Illodelado, Cra gelleroso Coil] os Invilos (to-
aos 67 anos, para tinia cirtirgia de coraiio. Saiti, nis (11(los. TrataNa-llos pol' "illeti prilicipe", o (lite podia
C 111cio depois, Fillillill'ido por tillia bact6-ia (lite Se ter dtipla illtcrprctaao: Concedia-Ilos it prel-rogati-
inliltrou no sell Corpo qualldo Coll% alescia. Soh-en till) Nit de participarillos da Corte e dellial-C.1%il as posi-
bocado at w-to resistir it illl'CCJlo' Jill Clit5o guilerali- tj6es' Cie [to alto. A conscillcia (to sell potelicial o
zilda. Foi Septlltado ]to (till 25, Sol) collsterlla'_Io ge- t'..lZia aparelitill- Soberba V al-rogi-Illcia.
rill dos Setis parentes C ailligos. Abillida C littlito (lo- De I"Ito, 'Is NCZCS Cril rude, 106 -rosseiro. Mas C1.11
elite, Suit esposa, Maria Alice, Collsq'ilitt lilais tilli'l tillia del-rapada, 11 perda (to Collfrole dos sells il(oS.
J'1.1jlnha nil stia adinh-JiNel Ittla pela Ni(ki e aconipa- I licoliscientellic lite, tahez, tilli prolesto pol' ilito tel*
illiou o Illarido 06 o lini, retribuilldo .,I solidariedade tido Sellipre C por (11tillio o (lite Illerecia: Colldi-
e lll)oio de loll"os allos do sell Collip'llilleiro. OUS de desellNolkel. stlas t'llculdades, o doill natural
Guillierille sicsill llasecti para tillia Nida ilitell-sa C Coil) o qual Ncio ao intilido, para apreciar o (lite 6 bolli
until morte niellior. E'ra o illais prol)l-iii'lle"te Selill- z1o pjjIl(I.jr, it Nistl, 10 prazer eni geral. Nesse estado,
torijil (le to(los os lliellI)l-os (11, nossa confraria. N.-Io (lite Cra o sell liattir'll, Guillierlile Sics(i eril inihilti-
de il"oril: desde Sellipre. Tinfla o porte C o Corte (to vel. Por isso, ao (Ieixlll- a Cadeira (lite lite Cabia no
gak-l' (lite Flazill as nloas Suspirill-Cill C CatisaNa inw- Sellildinho, dvixar,'l nossil 111CS11 aindil illais Nazill C
ja aos Colicorrentes Cill potelicial. Cilegotl antes it nossa meni6ria carente da Suit presvna.