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SETEMBRO DE 2010 2aQUINZENA J( ELEICAAO Vitoria de Lula "Nunca antes" um president da reptblica teve presenga maior na campanha eleitoral do que o seu candidate. Lula se comportou como cabo eleitoral para fortalecer Dilma Rousseff, que, sem ele, seria um poste eleitoral. Se ganhar, ela governard? L uiz Inicio Lula da Silva tinha tudo para encerrar na condigao de estadista seus oito anos como president da reptiblica. Sua po- pularidade, de 80%, 6 record. 0 saldo da sua gestao 6 altamente superavitA- rio. Contra todas as expectativas, ele se tornou personalidade international. Por que, entao, o pais se acha sob umrn estado de comoqao que contrast corn a aprovaago dada ao president? A culpa principal 6 do pr6prio Lula. Al6m de cultivar a gl6ria que Ihe 6 devi- da, ele estA buscando uma perenidade indevida. Apostou no culto A sua perso- nalidade e na acumulagio de um poder pessoal desmesurado, autoritbrio, que nao se harmoniza com a democracia. Passou a ser uma figure plebiscitAria, que nio admit meio termo: quern no estA ao lado dele 6 tratado como inimigo; aos aliados, todas as franquias da lei e muito al6rnm; aos inimigos, o opr6brio. Esse modo de se conduzir ferrnmentou um ambiente de sectarismos, facciosis- mos, oportunismos e mA f6 que nao con- diz com o espfrito de tolerancia pr6prio da democracia. Ficou impossfvel esta- belecer uma posigio com base em ar- gumentos racionais, maturados, neces- sdrios para uma anilise 16gica ou uma abordagem factual. Os campos se ex- tremaram a tal ponto que quern critical o president compete crime de lesa-pitria, enquanto os seus inimigos se superaram nas artimanhas contra sua candidate. Uns e outros s6 enxergam conspiraq es e golpismos, como se de fato vivessemos moment de traumas e rompimentos. Vftima de uma vaidade que s6 en- contra paralelo no seu antecessor, Fer- nando Henrique Cardoso, Lula se con- venceu de que sua legitimidade, funda- mentada na maciqa aprova;ao popular, que decorreu de suas virtudes excepci- onais e de alguns outros fatores, nao tem limits. Patriarca national, ele po- .ONTiUA .NA PiGS EM Qh'i kEi i VO )rnal Pessoal A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO ~~07 gee XI QUANTOS NO CI-3^RHOI NO 473 ANO XXIV R$ 3,00 deria fazer o que bem quisesse, jA que o que quer 6 sin6nimo do bemrn national. Ele 6 o povo, a individualidade gemina- da ao coletivo. Nao 6 improcedente a comparaAqo ao "rei-sol", (o tamb6m) Luiz XIV, para quem "1'6tat c'est moi". Caberia ainda outra fase retumbante: "eu sou a hist6ria". Sem esperar pelo juizo de terceiros, Lula se atribuiu o ano zero da nova his- t6ria do Brasil, que passa a ser demar- cada por dois moments: AL (Antes de Lula) e DL (Depois de Lula). Ele 6 real- mente um marco hist6rico, mas nao o inico marco, certamente nem o princi- pal da fase republican. Mas o "antes" nao pode ser traduzido pelo "nada", nem o "depois" pelo "tudo", como pretend o president, cada vez mais cativado pelo absolute como seu atributo pessoal. Como raros antes dele, Lula tern nas maos a possibilidade de fazer seu su- cessor. Ele achou que o candidate seria quem ele quisesse, sem consultar seu pr6prio partido ou os aliados. Elegeria um poste. E foi buscar um: Dilma Rous- seff. A metafora nao implica desmere- cer a pessoa da ex-ministra ou estig- matiza-la por seu passado, que cont6m erros e acertos, nio numa media que sirva a sua condenaaio ou exaltacao por pressuposto, como premissa. Dilma nao tinha qualquer expressao eleitoral nem sua biografia autorizava a consi- dera-la em condig6es de descer de para- quedas no posto mais elevado da vida pdblica national. Quando surgiram as primeiras difi- culdades para firmar a candidate, agra- vadas por sua condigio de sadde, Lula recorreu a todos os meios para fortale- ce-la. Acabou por sufoca-la, reduzindo- a a um fantoche de si. Abandonou as responsabilidades, veleidades, encargos e rituais da fungao para se tornar um chefe de partido, semjamais abdicar dos recursos ao alcance do chefe do poder executive. Para ser coerente corn seu estilo hiperb61lico, nunca um president usou tanto a maquina pdblica em favor de um candidate quanto Lula. Em outra circunstAncia, se seu candidate nio fos- se um poste, bastaria que ele empres- tasse a forNa do seu carisma, populari- dade e dividends politicos para dar a vit6ria ao seu successor. Sem precisar abusar tanto. Nenhum outro president desfrutou de um poder pessoal tio gigantesco quanto Lula. Este fato ji recomendaria cautela no exercicio de tal poder, se o seu detentor tivesse uma formaqio re- almente democratic, e exigiria da so- ciedade um acompanhamento crftico constant, atrav6s das vias adequadas, sobretudo dos outros dois poderes insti- tucionais (o legislative e ojudicidrio, mais o hoje retraido Ministario Piblico, o 40 poder) e da imprensa. V problema 6 que a tra- et6ria de Lula, desde a passage da vida sindical para a atividade po- litica, aeumula eontradig6es desconeertantes, embora nAo para quem so auto-define come contradigio ambulante. Lula nao volta aos pr6prios passes para ever o que fez e admitir que errou, quando errou de fato, corrigindo os ru- mos. Pelo contrario: ele reescreve a cada dia sua trajet6ria at6 a v6spera e nao tem o menor constrangimento em atribuir um novo valor ao que pratica, quando em descompasso corn o que dis- se ou fez. t facil tranar a linha torta dessa ca- minhada, mas Lula nio se incomoda: como ele nio escreveu o que disse e seu entendimento da hist6ria 6 puramen- te oral, a tarefa de aprova-lo ou conde- na-lo fica para seus correligionbrios ou inimigos. Ele se senate impune. Nada deve. Nada o acusa. Porque de nada sabe, exceto aquilo que diz e faz, num ziguezague que apenas confirm a di- mensio do seu poder pessoal. A inica voz que influi nas suas decis6es 6 a que ele pr6prio emite. Para tirar-lhe todo valor, inclusive aqueles que estao acima de qualquer divida, seus inimigos contaminam suas posic6es pelo uso de ma-f6, preconceito e manipulaqces. Para contraditA-los, os lulistas (neologismo que nio se confun- de corn o petismo, antes o superando, quando nao colide com ele) distorcem os fatos (ou os inventam) e anatematizamr os oponentes, aplicando-lhes adjetivos refratarios a verificagio, A demonstra- qao, ao teste de consistencia. Corn sua matriz na oralidade, 6 um debate infrutf- fero, que nao se consolida e nao permit avanWar de maneira consistent. R6tulos pra 16 e pra ca, 6ditos para cima e para baixo, o Brasil foi atingido por um raio de passionalidade e subjeti- vismo que vai dissociando a realidade da sua modelagem ideol6gica, o que d do que deve (ou precisa) ser. 0 mun- do conceitual, formado A base de con- ceitos absolutistas, acaba preponderan- do sobre as situag6es de fato. Daf o roooio dc quc catcjaimou avunyanco nao sobre as nossas potencialidades reais, corn dominio das situaq6es e conheci- mento de causa, mas por impulso de vontades categ6ricas, muito al6m do control dos cidadaos. Depois de achar que podia enganar a opiniao pdblica apresentando-se como se fosse a extensio do president po- pular, a oposigio, ao ser desmistificada, recorreu a velhos ardis moralistas e A capacidade que tern de se fazer ecoar na grande imprensa. Nem todos os ar- gumentos eram improcedentes. Pelo contrhrio: a maioria deles 6 verdadeira. S6 que seus autores perderam a autori- dade moral para formulf-los e nao con- seguiram escapar A descrenga. A persistancia dos indices de apro- vaqao a Dilma Roussef estimularam Lula a se tornar mais agressivo. Ele passou a ignorar as regras de conten- g9o dos excesses do president e o res- peito aos outros elements institucionais indispensAveis A democracia. Colocou a candidate para tras das cortinas e as- sumiu o lugar dela no centro do palco, algo que tamb6m nunca se tinha visto antes. 0 efeito dessa postura 6 que a candidate passou a ser um fact6ide do seu padrinho, podendo-se atribuir ao seu peso (ou A falta dele) a diferenqa entire os 80% de popularidade do patrocina- dor e os seus 50% de prefer8ncia entire os cidadaos abrangidos pelas pesquisas de opiniao. 0 dia depois da eleiago, se ela for se tornara mais dramatico por causa dessa circunstincia: urna candidate sem identidade poderd comandar um gover- no com autonomia? Dependente do pa- drinho, que fez campanha em seu lugar, para isso (como os tucanos anteriormen- te) ultrapassando o limited da responsa- bilidade, sem os contrapesos que devi- am estar ativos se a democracia funci- onasse adequadamente, o governor Dil- ma agira por comando externo, como eco de um sujeito oculto, cuja voz nao se recolherf A vida privada? Diante dos problems que se apre- sentam, que sao muitos e sAo de grande significado, como a avalanche de des- nacionalizagao da economic pelas ope- raq6es de aquisiago vindas sobretudo da Asia, combinada corn a espiral dos pre- jufzos no balanqo de pagamentos, a efi- ciencia do governor, que ja estA sendo a Jornal Pessoal SETEMBRO DE 2010 1' QUINZENA posta em prova, nao sofreri perda ain- da maior? Pode-se esperar de um go- vemo que nao se definiu durante a cam- panha a capacidade de se revelar de- pois? Com que tipo de surpresa? Estas perguntas nao foram ainda respondidas, porque Luiz Intcio Lula da Silva resolve mostrar que tudo ele pode, do mAximo ao minimo, como um ditador civil, conforme a definisgo dada por H61io Bicudo, um dos fundadores do PT, que se desligou do partido em 2005 por nao concordar com seus des- vios de rota. Mesmo destratado e ofen- dido pelos ex-companheiros de partido, Bicudo tern passado suficiente e ainda energia o bastante, aos 88 anos, para que suas palavras e o manifesto que endossou sejam levados em considera- gqo e mereqam a devida reflexao. A imagem do ditador civil consegue subsistir ao que devia ser seu antidoto, o regime democritico, graqas a uma s6rie de manipulagoes. Mesmo aquelas aparentemente bem pequenas, como a decisdo do Minist6rio da Cultura de es- colher o filme "Lula, o filho do Brasil" para a selegdo do Oscar, o maior pre- mio do cinema mundial. A biografia do president s6 mereceu 1% da preferen- cia do puiblico, numa votaqgo instituida pelo pr6prio Minist6rio da Cultura, em seu site, enquanto "Nosso Lar" rece- beu 70% dos votos. 0 compromisso anterior, de que o govemo cumpriria a decisao da maioria dos votantes, foi desrespeitado, mas nin- gu6m se constrangeu pelos protests que a mudanga de crit6rios provocou. Sabe- se que se conhece o gigante pelo dedo. No caso de Lula, esse dedo 6 a vaidade, a serviqo de um projeto pessoal de po- der que nao tem a menor suscetibilidade de atropelar o que se coloque como obs- ticulo pelo caminho. Este 6 o perigo. Os iulicos sempre sdo mais realistas do que o rei, o que nao 6 pouco quando se trata de algu6m como Lula. 0 Para eleitoral 6 um desert de liderangas? O Pari 6 um desert de homes? A julgar pela lista de candidates & eleigao do dia 3, sem duvida. HA pouca renova- qio e, dos nomes novos que se apresen- tam, rarfssimos sao os que estao fora do cabresto da bipolaridade de poder a que o Estado foi condenado hA muitos anos. Sao os mesmos os que se sucedem no mando pdblico. Dentre eles, em escala crescente, pessoas da mesma fanulia. Dos cinco candidates a governador, apenas dois foram apontados nas pes- quisas com possibilidade real de vit6ria. Ambos sao tamb6m os unicos que se apresentaram A frente de uma coliga- qio de partidos. A maior delas, com 14 agremiaq6es, tenta a reeleigio da go- vemadora Ana Jdlia Carepa, do PT. No seu mandato de quatro anos, que estA expirando, o que a marcou foi o maior indice de rejeigio de um governador desde que hd esse registro. A rejeigdo, que jdi se aproximou de 70%, hoje estA em 42% e 6, de long, a maior dentre todos os candidates. Nem o calor da imensa popularidade do seu maior cabo eleitoral, o president Lula, nem os muiltiplos recursos da mAquina official conseguiram reduzir a um pata- mar mais confortivel a predisposigdo do eleitor contra ela. Se os resultados da pesquisa estao corretos, resta a Ana Jdlia procurar atravessar para o 20 tur- no e, no novo confront, absorver mais energia do poder, que o seu partido con- trola no pais e no Estado. Nao 6 tarefa de todo impossivel, mas esti muito long de ser fAcil. Enquanto os candidates petistas aos executives estaduais, especialmente os que dispu- tam o segundo mandate, estao no topo ou disputando para valer a vit6ria corn poucos concorrentes, a governadora do Pard conseguiu a verdadeira proeza de ser o azarao. S6 por alguma circuns- tincia nao detectada at6 agora, ela con- seguiri ir para o 20 turno e, por uma dessas surpresas pr6prias da computa- gao dos votos depositados pelo eleitor, conquistar mais um quatrienio. Para fazer o qua? A parte majoritbria do eleitorado parece nao acreditar que Ana Julia possa ser diferente do que foi at6 agora: um verdadeiro desastre, inde- pendente de intenq6es e discursos. Por isso, o favoritismo de Simao Jatene, do PSDB, veio mais por gravidade, pela de- cepgao dos eleitores que deram a vit6ria A coligaqgo PT/PMDB de 2006, do que pela pregagao do ex-govemador. Tendo rejeitado a continuidade dos tucanos por mais quatro anos, o eleitor os quer de vol- ta, o que nao 6 de espantar, considerando o que fizeram os petistas no poder. 0 eleitor de 2010 estd confirmando sua desaprovagqo ao m6dico Almir Gabriel, que atropelou o prop6sito do entko governador Simao Jatene de exer- cer o mesmo direito do seu antecessor, em 2006, como candidate nato A reelei- qao. Bem diferente de Ana Jdlia, Jate- ne tinha saldo positive no conceito da populagao, apesar das muitas e pro- cedentes critics que recebeu. Seria o favorite se se apresentasse. A volta de Almir, passados quatro anos, parecia um desprop6sito e um abuso. 0 povo optou pela mudanga. Mas ela nao veio. 0 que se confir- mou foi o que muitos anteciparam quan- do a manobra sagaz de Jader Barbalho tomou possivel a vit6ria de Ana Julia: ela se tomaria sua maior adversdria dela mesmo. Seu carisma e sua efetiva mili- tincia partidiria Ihe possibilitaram uma triunfante carreira polftica, por6m sem- pre solitdria. A necessidade de coman- dar uma administragqo public com equipe reduzida, sectbria e sem maior expressao polftico-eleitoral a levou a su- cessivos desastres. Uma vez ultrapassada a tolerancia do eleitor, mesmo o mais desinformado, a reconquista 6 tarefa para grandes politicos. Nao 6 o caso de Ana Julia. Se as expectativas se confirmarem, seu papel pioneiro de primeira mulher no comando do executive paraense se res- tringirA a um mandato. Quem quer votar num govemador a altura do que se consider necessdrio e just ao Pard ficou sem alternatives. Mais simb6lica dessa pobreza, por6m, 6 a dispute para o Senado, a instincia do sistema bicameral brasileiro que mais oportunidade de participagqo oferece As unidades federativas, concedendo tr8s cadeiras a cada uma delas, independen- temente de sua grandeza demogrdfica ou econ6mica. Para as duas vagas em dispute, apenas 11 candidates se apresentaram, talvez a menor relagqo vaga/candida- to de todos os tempos. Somente cinco desses candidates podem ser votados sem qualquer restriqao. Tr8s tiveram seus registros indeferidos pelajustiga eleitoral, um renunciou e dois partici- pam da eleigao gragas a recursos que SETEMBRO DE 2010 1 QUINZENA Journal Pessoal 8 A voz do O Estado do Pard tem a quarta maior hidrel6trica do mundo, que tamb6m pode ser consi- derada a maior inteiramente national porque o Brasil s6 6 dono de metade da energia produzida pela usina de Itaipu, no rio ParanA, a maior do mundo. De 14 mil megawatts de Itaipu, metade 6 da cota do Paraguai. JA os 8,4 mil MW de Tucuruf, no rio Tocantins, sio inte- gralmente brasileiros. Mesmo assim, a energia que fica no Pars 6 bem menor do que a que vai para fora dos seus limits. A quantidade retida internamente nao 6 suficiente para aten- der toda a populaqao paraense, de mais de sete milhoes de habitantes. Mais de 20% deles continuam supridos por velhas usinas a 6leo. Alguns municipios s6 dis- p6em de energia por perfodos do dia. 0 Pard 6 a terceira unidade da fe- deraqao que mais export energia bru- ta (depois do Parand, que tem Itaipu, e de Minas Gerais, que abriga a maior quantidade de barragens), al6m de ser o 5* em geraqao do pafs. A regiao me- tropolitana de Bel6m, o maior adensa- mento human da Amaz6nia, com 2,2 milhoes de habitantes, fica a apenas 350 quil6metros da hidrel6trica de Tucuruf, mas sofre milhares de pequenas inter- rup6oes de energia a cada ano. As ocorrencias de blecautes se ami- udam e se espalham pela cidade, me- nos por culpa da transmissao, a partir da grande usina, e mais em funqAo das deficiencias da linha urbana de distri- buigao, sob a responsabilidade de uma concessiondria particular, a Rede, que comprou a antiga empresa estadual de energia, a Celpa. Mas a maior de todas as interrup6oes aconteceu na linha de transmissao, ope- rada pela Eletronorte, subsididria federal da Eletrobris, numa sexta-feira (o con- sagrado dia national da cerveja), ao meio- dia, em 8 de margo de 1991. O0 blecaute durou 12 horas e provocou enormes trans- tomos a populagao. No dia seguinte a Eletronorte divulgou uma nota official atri- buindo o acidente A queda de um raio so- bre uma das dezenas de torres metAlicas da linha (a que atravessa o rio Guamd, em frente a Bel6m, 6 a mais alta do mun- do, com 100 metros de comprimento). 0 que a Eletronorte nao disse 6 que o blecaute provocou o maior acidente que uma industria de alumfnio ja sofreu em todos os tempos, no mundo inteiro, pela falta de energia. A vftima foi a Al- bris, a 8* maior fdbrica de aluminio do mundo (e a maior do continente, insta- lada em Barcarena, a menos de 50 qui- l6metros de Bel6m, ao custo de 1,3 bi- lhao de d61ares. A Albris 6 tamb6m a maior consu- midora individual de energia do Brasil: absorve, sozinha, 1,5% de toda geraqao apresentaram contra o indeferimento pelo TSE. Dos cinco "fichas limpas", apenas quatro (dois do PSTU e dois do PSOL) nao tem nada desabonador penal e civilmente em seus curriculos. 0 can- didato do PSDB, Fernando Flexa Ribei- ro, o 20 mais citado na ultima pesquisa, ji passou pelo constrangimento de ser preso e algemado sob a acusaqao de desvio de dinheiro pdblico. A mais important renovaqao na dis- puta senatorial e, de resto, em todo process politico estadual virA caso o Supremo Tribunal Federal confirm a plena vigencia da lei da ficha limpa ji para esta eleiqao, tirando do pfreo o maior lider politico atual do Estado, o deputado federal Jader Barbalho, do PMDB, al6m do terceiro mais cotado, o petista Paulo Rocha. Ambos desmen- tiram suas anunciadas renutncias e ga- rantiram que suas campanhas irao at6 o fim, serao eleitos e depois empossa- dos. No entanto, a incerteza ronda suas cabegas e a espada da justiga perma- nece suspense em sua diregao. Mesmo que tenha inconsistancia in- terna, produzida pelo oportunismo do politico de quem a remendou no Senado, a lei da ficha limpa tem uma agao moral aprovada pela esmagadora maioria da populagao. Indiferente ao preciosismo formal dos juristas e revoltado com a ir- resoluqao da mais alta corte do pais, o povo aprova o expurgo, mesmo que fei- to ao atropelo do melhor entendimento doutrindrio e jurisprudencial. Em sua mente, soa melhor o ditado de que Deus pode agir bem por linhas tortas. Muitos dos fichas sujas deviam se livrar da punigao se a lei fosse aplicada conforme as regras legais, o que daria razao aos cinco ministros que questio- naram a sua constitucionalidade no STF. Tamb6m 6 verdade que esses maus po- lfticos ji deviam ter sido punidos em ou- tras ocasi6es, conseguindo escapar gra- gas aos bons e caros advogados con- tratados, ou a algum detalhe formal, agora 6 elevado A condiqao de quintes- sencia da justiga. A cisao entire o rigor formal da lei e o clamor national 6 uma das responsi- veis pela inusitada situaqao em que o STF ficou, de chegar ao fim da apreci- 4 Journal Pessoal SETEMBRO DE 2010 1 QUINZENA L national. 0 aluminio 6 o bem mais ele- trointensivo que o home fabric. A ffbrica, hoje sob o control da norue- guesa Norsk Hydro, em sociedade corn um cons6rcio japones (a antiga Com- panhia Vale do Rio Doce vendeu a sua parte majoritbria no neg6cio neste ano, em troca de participagio nos ne- g6cios mundiais da Norsk), utiliza mais energia do que toda a Grande Bel6m. Para a opiniao pdblica e para a hist6- ria official, ficou a explicaqio sobre o raio (foi a primeira utilizaqio desse argumen- to, que se repetiria em epis6dios seme- lhantes), mas a verdade era outra. 0 acidente foi causado pelo rompimento de uma peMa metAlica de sustentagio dos cabos, A peqa teria que ser em ferro for- jado, mais resistente e de maior dura- qio, mas foi fabricada corn ferro fundi- do, de menor vida util. A linha possufa tres mil dessas peas. Por que houve a troca? Nunca ningudm soube. Mas na bolsa de metais de Londres logo ficou certo que o acidente era gra- ve e que a fAbrica, responsAvel por 15% do aluminio primbrio consumido pelo Japio, maior comprador mundial, que fica a 20 mil quil6metros de distincia do seu fornecedor, iria demorar a voltar a funcionar. Por isso, houve mais com- pras no mercado spot (a vista), que tern prego maior, e manobras especulativas. De fato, a Albris perdeu 40 mil tonela- das de aluminio (10% da sua produqio annual) e seu prejufzo ultrapassou em 20 milhoes de d61ares a cobertura do ca- rissimo seguro. A hist6ria de quase 20 anos atris deve ter voltado A mem6ria de muitas pessoas quando nova interrupgao de energia aconteceu no dia 10 deste mrns. Para alivio geral, o apagio desta vez foi de "apenas" 40 minutes. At6 agora a Eletronorte nao deu uma explicaqao official para o fato. Sabe-se apenas que o problema foi, mais uma vez, na su- bestaqao de Vila do Conde, a mais im- portante do Pard. De sdbito, 2,5 milhoes de pessoas ficaram sem energia. Ne- nhuma novidade para a regiao da Gran- de Bel6m e circunvizinhanqas, vftimas quase dihrias de curtas interrupg6es no fornecimento de energia. Mas quando o tempo se alongou e foi divulgada a informaqao sobre a am- plitude do blecaute, as preocupaqges cresceram. Seria uma nova sexta-feira negra? Nio, desta vez a perda de pro- duqao foi pequena, de 50 toneladas. E os paraenses se safaram como pude- ram. A arte da sobrevivencia 6 sua prfi- tica rotineira. Uma vez restabelecida a energia, ningu6m mais voltou a se pre- ocupar com o assunto. Nem houve co- branga public de explicaq es. A socie- dade nao tern consciencia de que sua vida paroquial pode ter elos mundiais. Este exemplo 6 sugestivo do des- compasso entire o fato e o seu entendi- mento. A Amaz6nia vive um moment hist6rico decisive, mas o personagem do seu dia a dia nao sabe disso. Poucos tem id6ia dos elos e conex6es mais amplos dos acontecimentos singulares do cotidiano. A esmagadora maioria acredita que eles comeqam e terminam no pr6prio local. Assim, o acidente de 1991 foi para os anais da hist6ria mundial do aluminio, depois de haver provocado reagoes ime- diatas na bolsa especializada de Londres, mas ainda nao faz parte da hist6ria do Pard, da Amaz6nia ou do Brasil. Quan- do muito, estA confinado ao noticitrio da imprensa, em relagio ao qual os acade- micos, sacerdotes do saber consagrado, viram o nariz. S6 aceitam o conhecimen- to normalizado pelas regras formais da ciencia. Sao escravos da recorrfncia. Nao querem arriscar seus nomes corn a poeira da hist6ria, que nao sabem se irf cristalizar-se. Melhor aguardar momen- to menos ambiguo. Claro que esta nio 6 a causa, mas 6 fator que contribui bastante para o es- tado de inconsciencia sobre a hist6ria em process, aquela dinimica dos acon- tecimentos que ainda nio foi carimba- da corn o atestado da verdade cientffi- ca. 0 ator do drama amazbnico esta como cego em tiroteio. Nao sabe quem atira e para onde vAo as balas dispara- das. Mandam os instintos que se jogue ao chao para se salvar. Entender o que sucede, s6 depois. Se depois houver. Se Londres foi um mirante melhor para entender o que aconteceu corn a Albris em 1991, a perspective external 6 sempre uma posiqao privilegiada para acompanhar o que ocorre na Amaz6- nia. Mesmo porque as decisoes que desencadeiam os fatos costumam tam- b6m ser tomadas a partir de fora da regiao e tamb6m do pals. Prova disso? Desde que o ciclo dos "grandes projetos" voltou a atrair a aten- aqo do mundo para a "fronteira" ama- zonica, corn a exploraqao da rica jazida 9 '., N PG agao e votagao da mat6ria sem decidi- la, como a sugerir que agora s6 resta interceder junto ao bispo (ou ao pr6prio Deus). 0 impasse excentrico revelou as virtudes e as fraquezas do Brasil, as conquistas da democracia atual e suas falhas, tudo isso fluindo para uma cons- tataqao: ainda falta muito para que ela se tome um bem consolidado. Se houve esperteza de algu6m no Senado para inocular o vfrus da incons- titucionalidade num projeto de gestaqao popular, acreditando que o mal se reve- laria insanivel quando da votaqao, a pressao public funcionou como contra- pressdo. Foi uma surpresa, para a qual nem os mais espertos se prepararam. Nao se pode deixar de destacar o fato de que os tres grandes partidos (PMDB, PSDB e PT) apresentaram apenas um candidate para as duas vagas. E uma t tica oportunista, que acabou favorecen- do o candidate digamos assim dota- do de maior audAcia. Femando Flexa Ribeiro fez a dobradinha mais explicita com Jader Barbalho e, beneficiando-se do impact negative do risco de cassa- ao da candidatura de Paulo Rocha, pas- sou A frente do petista. Jader Barbalho, al6m de ser candi- dato unico, ficou sem seus dois suplen- tes: Ann Pontes foi impugnada e Joao Nazareno da Silva renunciou. 0 que, na hip6tese de ter seu registro indeferido, lhe possibilitarA escolher a dedo quemr o substitua. PoderA ir al6m na composiqdo com um dos grupos que ficard na gan- gorra, sem contar corn o trunfo do seu candidate ao governor, Domingos Juve- nil, que nio impressionou o eleitor como Jos6 Priante nas duas ultimas elei9qes. Seria esta a forma de Jader reduzir o tamanho do prejuizo que se Ihe apresenta nojudicidrio, o que demonstraria mais uma vez a sua argucia polftica. Mas nem toda experi8ncia e influencia, que vinham man- tendo sua confianqa na confirmaqio da sua candidatura, o livrario do desgaste. A perda de eleitores comeqou mesmo antes do pronunciamento definitive dajus- tiga, corn a queda na sua prefer8ncia e indicaV5es de que sua votaiAo deveri fi- car abaixo dos dois milh6es de votos, que era sua meta inicial. Pela voz do povo, o poder do coronel Jader Barbalho estar, em xeque antes que a inst~ncia legal d8 o veredito final. Democracia 6 isso. SETEMBRO DE 2010 I1QUINZENA Journal Pessoal 5 __ __ __ ___~~_~___ L______~~__ _1______ N ingudm poderi tratar da hist6- ria contemporfinea de Santarem sem considerar a vida e a obra de Emir Bemerguy. Ele jA viveu 77 anos e, fora os 61timos, quando a doenqa o fez recolher-se, viveu intensamente os acon- tecimentos do municipio e de todo Tapa- j6s. Viveu e testemunhou: 6 um dos ra- ros personagens que documentou os fa- tos, deu sua opiniao e a registrou de for- ma pdblica, atraves da imprensa, corn uma invejAvel produgao. Parte considerivel dela foi reunida no livro Santarenices Coisas de Santardm (294 piginas), lanqado re- centemente pelo Instituto Cultural Bo- anerges Sena, de Cristovam Sena, hoje a principal fonte de refer8ncia sobre a regiao. 0 livro cont6m os principals artigos que Emir Bemerguy escreveu entire 1966 e 1998. Alguns deles sao os (inicos documents por escrito de determinados acontecimentos. Por isso, a obra passa a ser de consult obrigat6ria para quem quiser reconsti- tuir essas mais de tres ddcadas. Nesse perfodo, Emir nao chegou a passar "quatro meses long de Santa- r6m", conforme declara, o que 6 bom e ruim. Bom porque seu testemunho 6 mesmo vivencial, de ver e sentir, conhe- cendo os atores do enredo, virios deles seus amigos de longa data. Ruim porque o sedentarismo, que leva A rigidez das raizes, prejudice certas anAlises e inter- pretag6es que ele fez. Elas sao distorcidas pelo conserva- dorismo, a religiosidade e certa autoco- miserag o do autor, tornando-o As vezes extremado, dogmAtico ou impulsivo na apreciagdo dos events cotidianos. Ape- sar de a sua formagio spiritual o enca- minhar para a tolerancia ao contrArio e ao divers, Emir teve rompantes de into- lerincia, sobretudo na fase mais critical da hist6ria de Santar6m, durante a crise que levou ao afastamento do entAo pre- feito Elias Pinto. Cr6nica de Emir Bemerguy Depois de escrever artigos ponde- rados, no Apice dessa crise, em 1968, Emir incorporou o espfrito autoritArio da 6poca: "No meu d6bil entendimento, nao consigo compreender como, em plena vigencia de um govemo revolucionArio, nao se tenha condiqces de intervir, le- galmente ou no, para retirar esta cida- de das manchetes sensacionalistas dos jornais. Fez-se uma RevoluqAo para varrer do pafs os corruptos e os sub- versivos; se a corrupqAo e a baderna voltam, intensificadas, como ora se ve- rifica aqui, configura-se, a meu ver, o descalabro, a situaqo excepcional que estA a precisar de um severe e imedia- to corretivo". Pretendia "uma soluqao pacifica e legal, se for possivel; fora da lei, sendo necessfrio..." Essa soluaio acabou adotada, corn a inclusdo de Santar6m dentre as areas de seguranqa national, que nao podiam mais escolher pelo voto popular seu dirigente miximo, o prefeito municipal. Apartir dai baixariam os prefeitos nomeados pelo governador e sujeitos A aprovaqgo dos 6rgdos federais de informag6es. Alguns dos quais elogiados por Emir. Outros, cri- ticados. Ele continuou a ter voz ativa, es- crevendo nao mais apenas para os instA- veis ou efemeros jomais locais, mas tam- bem para os principals 6rgios da impren- sa paraense, como a Folha do Norte (jO extinta) e 0 Liberal. Conforme ele pr6- prio nao deixa de anotar, era o dnico autor do interior do Estado acolhido pelos jor- nais de Beldm. Nao 6 pouca coisa. A participagco de Emir Bemerguy ao long das tres d6cadas dejomalismo se- manal merece ser levada na devida con- ta. Ele testemunhou a descaracterizagqo acelerada da cidade pequena, onde to- dos se conheciam e havia certa identi- dade difusa na sociedade, em torno de elements da cultural valorizados (como a mdsica, o artesanato e certas manifes- taq6es literdrias, como a mdsica), aldm do apreqo pelas riquezas naturais da re- giAo, a maior delas a combinagio do rio com suas margens de areia branca. E a metamorfose em algo ainda indeciso e inconcluso, mas profundamente altera- do pela intervengio do estrangeiro (as- sim, mesmo quando de dentro do pafs). Essa combinaiao de home e pai- sagem 6 totalmente estranha aos que pla- nejaram e executaram a travessia da ci- dade de um p6lo a outro. Com suas pran- chetas instaladas fora da regiio e avali- zadas pelo poder centralizado em Brasi- lia, que expedia 6ditos quase reais, eles equalizaram a cidade litori- nea a uma urbe qualquer. ***. Num dos seus artigos, Emir protest corn toda razao contra a desfiguraqAo de Santar6m quando o 6rgao federal p6s em prAtica pro- jeto pr6prio, que engoliu a praia e emparedou o que restava do "belfssimo litoral defronte da cidade". Podia ter sido muito diferente se a vontade de Santar6m nao tivesse comecado a ser castrada pela intervencqo federal de 1969, que duraria quase duas d6cadas. A media que o tempo passa, os arti- gos de Emir passam a ser necrol6gios: das pessoas, da cidade, de seu modo de vida, dos seus valores, da sua cultural - tudo sacrificado na pira do crescimento demografico e econ6mico, travestido de progress. 0 escriba se insurge contra a aqdo avassaladora dos imigrantes e dos intrusos, incluindo o governor de Brasilia. Certas manifesta96es suas podem ser classificadas de saudosistas, provincia- nas, rabugices. Muitas outras, nao. de manganes do AmapA pela multinaci- onal americana Bethlehem Steel, nos anos 1950, a condicionante internacio- nal tern sido mais forte do que a nacio- nal, regional, estadual ou local. Os governor mudaram desde entAo e em 1964 houve mais um golpe de Es- tado. Mas quando o regime military che- gou ao fim, em 1985, nao houve qual- quer mudanga em relagqo A Amaz6nia. O primeiro ato de impact do presiden- te Jos6 Sarney, que interrompeu a su- cessao de generals no Palacio do Pla- nalto, foi criar o Programa Calha Nor- te, mais um filho da doutrina de segu- ranga national aplicada A region. Tamb6m nao houve alterardo signifi- cativa na passage de bastdo do tucano Femando Henrique Cardoso ao petista Luiz InAcio Lula da Silva, exceto que o presidente-operdrio deu uma guinada mais forte na inclinagqo pela tecnoburocracia dos militares. A presenqa de Delfim Net- to como conselheiro economic de Lula nao 6 mera coincidencia. E Dilma Rous- seff, a mAe do PAC (versdo petista dos Projetos de Impacto dos militares), como sucessora de Lula, menos ainda. Quem se der ao trabalho de compa- rar as curvas de desmatamento, desde que elas puderam ser produzidas com o uso de imagens de sat6lite, com as cur- 6 Jornal Pessoal SETEMBRO DE 2010 .' OQUINZENA II meio seculo de Santarem Ele expressou como poucos valores de grande significado para os nativos, que os colonizadores (claro, sob outras denomi- nagoes menos agressivas) desconhecem ou desprezam. Como eles tem o poder de mando, sao eles que decide o que pode ser mantido e o que deve ser eliminado. Os crit6rios da definigio costumam ser obtusos e empobrecedores. Podem possi- bilitararolamentosquantitativosdeimpres- sionar e convencer os que v~em as mu- dancas por uma bitola estreita e curta. Mesmo por esse Angulo, o balanqo do que foi realizado nao 6 positive. Em 1982 Emir podia dizer: "A nossa imensa regiio vem contribuindo corn quarenta e dois por cento de tudo o que o Estado do Pard ar- recada, mas recebe pouco mais que migalhas como contribuiqio". Essa injustiqa explicaria Santar6m prova- velmente ser entao "a dnica cidade do mundo inteiro que, ostentando o seu porte e a sua importincia, nao possui uma Universidade". Universidades ( ou ensi- no superior) agora jd exis- temrn, pblicas e privadas, formalizadas ou ainda em casulo. Mas dos 42% de partici- pagao na receita, a regiao deve ter baixa- do para menos da metade. Se, por um lado, as compensaqoes cresceram, a importin- cia da regiao diminuiu. Nem por isso se fortaleceu a campanha pela autonomia, atrav6s da crianao do Estado do Tapaj6s, bandeira Aqual Emir foi aderindo aos pou- cos, desconfiado dos patrocinadores da nova unidade federativa. Se os ndmeros nao convencem o ana- lista mais exigente, satisfazem muito menos os que utilizam partmetros mais qualitativos da antropologia, sociologia ou mesmo literature. E quern devia estar vas econ6micas, sobretudo as do com6r- cio exterior, poderA aposentar certas id6i- as menos geopoliticas do que as atuais em curso contrArias A internacionali- zagao, vista como ameaga, e tratA-la como realidade concrete, embora nao imutfvel. Talvez venha a ser melhor para o Brasil e aAmaz6nia. De qualquer ma- neira, serf melhor do que simplesmente achar que, com mais esta eleigao geral, a Amazonia mudard de rumos. satisfeito, como beneficidrio de tantos cavalos de pau colocados na praqa cen- tral da cidade, nao estA nada satisfeito. Disso, Emir nio deixa divida nos seus artigos. Homem de todo Tapaj6s por sua nascenga, em Itaituba, sua infancia, em Belterra (a segunda cidade fundada por Henry Ford), e a maior parte da sua vida, em Santar6m, Emir tern sensibilidade, olhos e ouvidos para o mais intimo da sua terra, para o mundo que ji existia antes dos colonizadores, verdadeiros bwanas A moda antiga, que consideram a si como o principio de tudo, inclusive da hist6ria lo- cal, por eles ignorada ou desprezada. Por isso se solidarizou com os rema- nescentes do dltimo quilombo da Ama- z6nia, o do Trombetas, quando eles fo- ram expulsos de suas terras ancestrais para a criaqao de uma reserve biol6gica federal, que visava combinar com sua contrafaqao, a mina de bauxita do outro lado do rio, explorada por multinacionais. A nova cultural que se forma 6 de vo- yuers, turistas apressados, como o jorna- lista Miguel de Almeida. Embora sua in- tenqdo fosse reconstituir a viagem que o antenadissimo escritor Mdrio de Andrade, um dos modemistas de 1922, empreendeu pela Amaz6nia em 1927 (como "turista aprendiz"), quase seis d6cadas antes, o reporter nao fez jus ao poeta. Mereceu um tremendo puxao de orelhas de Emir por- que, ao passar meteoricamente por Santa- r6m, disse nada ter observado que mere- cesse registro. Nem o incrfvel encontro das Aguas barrentas do rio Amazonas com as do azul entio ainda lfmpido Tapaj6s. Nao faltavam motivos para o visitante lamentar a falta de opq6es de lazer na ci- dade, lacuna de ontem e de hoje. Mas era totalmente insubsistente suaobservaao de que Santarrm 6 uma dessas cidades "de- senraizadas e forjadas repentinamente pelo Quem acompanhou a propaganda eleitoral gratuita atrav6s do ridio e da televisao ou teve contato direto corn a campanha dos candidates, raramente encontrou nos seus discursos itens re- lacionados A agenda temitica da regiao ou do Estado. Pautados pelos marque- teiros e orientados pelas problemrnticas pesquisas de opiniao, os candidates se nivelam por baixo, pelo oco, pelo abs- trato e pela falta de identidade com sua progresso. Nada mais oposto a verdade. E af Emir foi buscar sua chinela: "Santar6m nao foi, meu bom Miguel, forjada repentinamente pelo progress, coisa nenhuma. Essa praga veio chegan- do aqui aos poucos, trazendo todo o seu estoque de venenos e rem6dios, de bkn- qaos e de maldiqoes. Viviamos muito melhor, com muito mais fartura e paz, antes de aportarem aqui o desenvolvimento adoidado e certos forasteiros que gostari- amos de ver A distincia. 0 progress nos tem oferecido mais contrariedades e de- sassossego do que beneficios reais. Mas isso 6 outra hist6ria, que nao cabe aqui". 0 testemunho de Emir nao pode ser sepultado na cova rasa da incompreensdo e do esquecimento, como vArios dos per- sonagens cujo perfil ele traa, como se fora incumbido da extrema ungAo de um mun- do tao recent e ji tao remote, do qual ele 6 element exemplar, uma esp6cie de "o ultimo dos moicanos". Mas que, felizmen- te, gracas a iniciativas como a de Cristo- vam Sena, nao teii o destino ingl6rio de alguns dos seus companheiros de viagem. Paulo Rodrigues dos Santos e Jodo Santos (nenhum parentesco, exceto as afinidades intelectuais) quiseram destruir suas obras e arquivos, indignados corn a indiferenqa da sociedade local. Paulo es- perou cinco anos pelo lanqamento de Tu- paiuldndia, em 1971. Doente, nao p6de vir a Bel6m para a solenidade, mas o go- vernador Fernando Guilhon o visitou em Santar6m. Paulo Rodrigues morreu pou- co depois. Mas uma ediqAo digna da sua obra s6 surgiria muitos anos depois da primeira, patrocinada por uma instituiqao inteiramente local, o ICBS de Cristovam. Do muito que Joao Santos escreveu, resta pouca coisa publicada. Infelizmen- te, seu arquivo permanece indevassivel, mantido em injustificdvel isolamento pela familiar, quando podia exercer uma fun- 9ao fecundadora, como os tr~s livros de Emirpublicados nos iltimos tempos pelo Institute Cultural Boanerges Sena. terra e seu povo. A Amaz6nia pega fogo como nunca, seus rios estdo se- cos como poucas vezes (ou nenhuma?), empreendimentos privados e pdblicos movimentam bilh6es de reais A revelia da sociedade, mas nenhuma dessas si- tuaqges se transport para a cabega dos candidates. Eles pleiteiam a repre- sentag&o popular semrn lhe oferecer qualquer perspective. E rnmais um salto no escuro. SETEMBRO DE 2010 1 QUINZENA Journal Pessoal 7 __ _~__ BRAGANTINA Em 1953 foi realizado, em Braganqa, o 1 Congresso Eucaristico da Prelazia do GuamA, preparat6rio para o congress national, que aconteceria logo depois em Bel6m. Da capital partiu umrn trem-santuArio, corn sete va- g6es, conduzindo Jesus H6s- tia, o arcebispo, dom Alberto Ramos, membros do clero e peregrino. 0 program co- megou com uma missa, na basilica de Nazar6, As 4,45 da madrugada. A comitiva foi em procisso para a estaqAo ferroviAria de Sao Braz, de onde saiu a composiqao. Escalas foram feitas nas es- taq6es de Ananindeua, Ma- rituba, Joao Coelho, Aped, Castanhal, Augusto Monte- negro, Igarap6-Aqu, Timbo- teua, Peixe-Boi, Capanema e Tracuateua. Faria ainda li- geiras paradas no Entronca- mento, Benevides, America- no, Anhanga, Granja Eremi- ta, SRo Luiz, Tauari e Miras- selvas. A viagem duraria pouco mais de 12 horas. 0 trem era lento. E a Zona Bra- gantina parecia maior do que hoje. Fazia parte de um mun- do que ndo existe mais. REMO Agora que ferve a celeuma em torno do antigo e do novo estidio (ou complexo es- portivo") do Clube do Remo, lembre-se que em marqo de 1956 a diretoria do LeAo, que tinha Jorge Hage como pre- sidente, lanqou edital de con- correncia pdblica para a de- molig o da antiga sede, que seria substitufda por uma nova edificaqio, em estilo "funcional" (mas nWo tanto). 0 edital estabelecia que a adjudicaqio seria feita "a quem oferecer melhor pro- posta, atendidos prego, tem- po de duraqio e idoneidade do proponents, ressalvado ao Clube do Remo o direito de haver como desinteressantes as propostas apresentadas". Eram outros tempos. PAISSANDU No mesmo m8s e ano o Paissandu se reunido para aprovar os projetos para a construcao do ginAsio de basquetebol (o uso ainda nio era miltiplo) e piscinas, elaborados pela comissao pr6-patrim6nio e nomear a comissio de construcao. E claro que nao ia ficar atrAs do eterno rival. MEMIMA CIRIO Em 1964 as dimens6es do Cfrio ainda eram tais que permiti- am A prefeitura anunciar a venda de ingressos para a arqui- bancada especial, montada na praqa da Repdblica, is v6spe- ras da traslada Ao e da romaria. Os pontos de venda eram na Casa Jake's e nas portarias do Grande Hotel e do Central Hotel, al6m da sede do Departamento Municipal de Turismo, que ficava no t6rreo do ediffcio Manuel Pinto da Silva. Urn espeticulo montado pelo artist pareense pera o pOblico paroense. Todo 0 elenco "associado" num show de luz e c6res nesta revista que alegrari as noites Naza rents. COORDENACAO DE MARIAN ROCHA --- IRECAO OERAL OD ADVALDO CASTIO TRIES SESS ES A PARTIR DAS 18,30 HORAS Os ingressos estlaro I vends nas bilheotrias do audit6rie a partir dos 14 horas PROPAGANDA A era do radio 0 elenco da Rddio Marajoara era tdo grande, em 1962, que permitia realizar tros espetdculos por noite durante a "quadra nazarena" do Cirio de Nazare, que durava (e ainda dura) duas semanas. Era um "show de luz e cores nesta revista que alegrard as noites Nazarenas", sob a coordenadfo de Marian Rocha e direcao geral de Advaldo Castro. No grande audit6rio da rddio, colocado abaixo para que no terreno subisse um pr&dio residential, na prapa de Nazare. 8 Jornal Pessoal SETEMBRO DE 2010 1f QUINZENA Itureande no Die do Cirio a paro maior onimsaio do quadra Nazarena, a RAdio Marajoara opresenlter, no sau plco.eudit6rio n revist ((A Festa e Nossa-1962>> Quando esta foto foi batida, em 1966, o regime military jd tinha dois anos e meio de vigencia. Mas as relagoes entire as pessoas ainda ndo havia sido contaminada de vez pelo antagonismo politico, especialmente a distdncia do nucleo do poder. Apare- cem sorridentes dois candidates a suplente de senador: o supe- rintendente de A Provincia do Par,, Milton Trindade (irmdo do compositor Billy Blanco), pela Arena, o partido do governor, e o veterano industrial" Raimundo Farah, pelo MDB, o partido da oposifao consentida. Farah foi a sede do journall da familiar paraense", como A Provincia apreciava ser tratada, se despedir: ele viajaria para o Libano para visitar as irmds, para Paris, onde encontraria algumas sobrinhas, e Washington, onde resi- diam outras. Gastaria tris meses na excursdo, em plena campa- nha eleitoral. Farah, que jd atuara como politico, vereador a' Cdmara Municipal de Belem, era pai dos Farahzinho. Esta foto e em memoria de Joseph. E como uma saudagdo a Alexandre. DEMOCRACIA Uma das queixas da sociedade local sempre foi sua exclusao da direqao dos 6rgaos federais que atuam na Amaz6nia. Sobretudo depois do golpe military de 1964, Brasilia enviava dirigentes que chegavam a re- giao como pr6-consules romanos, convencidos do seu saber tecnocrata. Mas na curta presidencia de Janio Quadros, em 1961, o principal 6rgao do governor fe- deral, a SPVEA (atual Sudam), esteve nas maos da elite do Pari. 0 advogado Aldebaro Klautau formou uma equipe administrative para assessorar o general MArio Ma- chado, que assumiu a superintend8ncia da SPVEA. Mas o verao logo acabou, corn a renincia de Janio. Ficaram, por6m, as marcas desse perifodo, que cons- titufram o tema dominant numjantar organizado nesse mesmo ano para homenagear Aldebaro Klautau. A lista dos participants da reuniao, realizada no Au- tom6vel Clube (no ultimo andar do ediffcio Palicio do RAdio), merece novo registro. LA estavam o major Jarbas Passarinho, Armando Mendes, Arnaldo Pra- do, Fernando Guilhon, Adriano Menezes, Roberto San- tos, Alarico Barata, Osvaldo Melo, Cl6vis de Moraes Rego, Alcindo Barbosa, Irapuan Sales Filho, Elias Naif Daibes, Nelson Ribeiro, Camilo Montenegro Duarte, Jos6 de Ribamar Darwich, Ramiro Nazar6, Eduardo Grandi, Rubens Brito, Paulo Cruz, Jos6 Maria Barbo- sa, OtbvioAvertano Rocha e Orlando Sampaio Silva. S6 a democracia possibilitava que personalidades tao diferentes e corn posiqoes distintas ou mesmo opos- tas estivessem no mesmo ambiente em confraterni- zaqao. Tr8s anos depois essa reuniao jAi nao mais po- deria ser realizada. d I 0inh SeFu ercoFulnitiese od d sll tllbe11.l''l tll um o isllo ra co ol uae Vili"' cn ul'liteil p ga o om tlla s Ii .'t S6 11leosdos rm -ls -l sriil u qu dr do I-ilsdosirlms J~spl u leanre 'lral, s 'l- SETa eMBROde 2010 1' QUaINZENA.JrnailucPedssapoal- CAREAS AO EDROR ANIVFBSABLIO Expor-se no Jomrnal Pessoal e desnu- dar-se em toda sua potencialidade e aproximar-se da mdxima de Protigo- ras, para quem "o home 6 a media de todas as coisas", algo que o merca- do "nlo permite, porque nestes tem- pos de coisas poucos serio reconhe- cidos em seu real valor, subvertendo a moral atual; serio homess p6stu- mos", como diria Nietszche. Isso faz do JP o mais subversive entire as sub- versivos porque mantim a individua- lidade ante o individualism reificador do mercado, que nao quer a informa- cIo reflexiva e sim a refletida apenas, coisa desprezada pelo JP, que "obri- ga" o human a falar no pessoal, logo, a ser aut6nomo, exemplificando o que ensina a Natureza. Para o homee" nada 6 f6cil, como tambem nio e para um journal sem anunciantes, ou tuto- res. Mas 6 isso que garante o future da humanidade. Por isso, parabdns ao JP, que se assemelha a uma ponte so- bre o abismo. Abismo em que querem transformar a Amaz6nia. Luiz Mdrio de Meloe Silva Parabdns pelo seu aniversdrio; que continue por muito tempo bri- Ihando intelectualmente na Amaz6- nia. Em tempo, parabins tambim pelo tocante texto no JP 472, "A nos- sa geracio e as suas perdas". Ivo Cunha Figueredo Controller PIG Leitor assiduo do seu Jornal Pes- soal, peqo publicacio (e seus comen- tirios) do seguinte: 1-Cada vez mais perto de Duciomar Costa Ao citar os aliados do prefeito Duciomar, voce deveria, a bern da ver- dade e da isenclo tio defendidas por voci, citar o fato verdadeiro de que o mesmo foi/d um luxuoso present do Simio Jatene e do Almir Gabriel para esta infeliz cidade. Mostraria os dois lados do mesmo personagem. 2- A imprensa conspire? Descon- fie dos profetas A revista tpoca seria considerada isenta (como voce mesmo diz, a imprensa deve ser) se, na semana seguinte b da publicacao da matiria citada par voci, trouxes- se na capa uma, tambem sombria, fotografia do Serra cornm a seguinte chamada: "Serra, o candidate fu- jio". Como e sabido, enquanto a Dil- ma ficava aqui para combater a di- tadura military, o Serra fugia o Bra- sil. Mostraria o comportamento dos dois principals candidates no mes- mo moment hist6rico. Bemardo Lopes Em tempo: Quero continuar acre- ditando que o Jornal Pessoal nio faz parte do PIG. MINHA RESPOSTA: 1 Basta ao leitor ler as edig es deste journal durante a elei;do de Du- clomor Costa para a prefeitura de Be- Idm, em 2004 e em 2008, para ter fortissimo material sabre a paterni- dade de sua candidature. Mostrada pioneiromente aqui, para irritaoeo maior do medico Almir Gabriel, que ndo se vexou em apoiar um also mddico comprovado. 2 Voce ndo d bom pouteiro do im- prenso. Nem Serra pode ser classifi- coda defujdo, como gostaria ao leitor, nem Dilma de best fera, como a acusam seus inimigos. A situago de coda um deles d muito mais comple- xa do que esses rdtulos empobrece- dares. De qualquer maneira, basta ler a primeiro pardgrafo do artigo para se convencerque consider pro- cedentes as queixas dos petistas e adeptos 6 tendenciosidade do gran- de imprensa. 0 nico portido ao qual estejornal pertence ao do imprensa pigmeu, se me permit a concorddncia torta (ndo rima, mas d a soluqo). LULA (1) Em primeiro lugar meus parabins pelo teu natalicio. Que voc6 continue sempre combative e mostrando as realidades do nosso Estado do Pari (enquanto ainda existe). Para mim voce sempre foi ojornalista mais bern informado. Fiquei estarrecido lendo teu artigo Lula, o bom ditador no qual vc. intui que o Lula esta dan- do ...o pass do democracia ao fa- cismo... Ora, LOcio, isso ai e muito exagerado da tua parte, digamos muito te6rico. 0 Brasil precisa de go- vernantes mais pragmAticos, que entendam que a maioria do povo bra- sileiro e muito simples (para nio di- zer inculto) e a partir dai tentar me- Ihorar a vida deles, cornm a esnobe classes alta torcendo o nariz. I exata- mente o que Lula fez nesses 8 anos de governor. Se a maioria do povo (80%) confia em Lula por que nao confiarS na sua sucessora? Essa pas- sagem de governor nio tern nada de fascista (Hitler, Mussolini, Franco, Salazar). Dilma seguird os mesmos passes de Lula. Nio sou versado em hist6ria nem em political e muito menos economic, apenas sou um ge6lo- go de campo; dai nao possuo embasamento te6rico para uma discussion profunda na qual voce esti a cavaleiro. Durante os anos que trabalhei, conheci profunda- mente a nosso cabocio amaz6ni- co e aprendi suas necessidades prementes, que sio muito dife- rentes daquelas da classes alta. Ariano Suassuna disse que o Bra- sil esti dividido em o Brasil Le- gal e o Brasil Real. Legal 6 a economic, o comrrcio exte- rior, a political, a industria, as metas de governor, etc... Real 6 o povo. J. .M..Calaf LULA (3) Nio achei estranha a frase intro- dut6ria do artigo de capa do Jornal Pessoal n.2 471, da 29 quinzena de agosto, sob o titulo "O0 bom ditador", porque ji havia lido algumas men- sagens em revistas e jornais atribu- indo a Lula e aos ide6logos do PT, attitudes calcadas nos conceitos he- gem6nicos de Gramsci, usados por Mussolini para manter-se no poder independent da existincia de "aris- tocriticos e democrAticos, conser- vadores e progressistas, reaciondri- as e revolucionirios, legalistas e nio legalistas", o que importava eram "as circunstancias do momen- to, o lugar e o ambiente". Pelo que se propala, Lula e o petismo assimi- laram bem a teoria. Se nao fora so- mente as politicos de oposicio que levantassem essas fantasias, poder- se-ia atd aceitd-las post que elas viao diluir-se no tempo sem maiores consequincias mas o fato de es- tas excentricidades circularem no meio de jornalistas consagrados, da para fazer uma reflexio acerca do alcance da engenhosidade. No caso especifico do nosso journal, o public leitor reagiu positivamente cornm quatro comentirios. Passando a outro piano, no ulti- mo numero do JP (472), na matdria intitulada "0 desenvolvimento e a fumaca" que parecia destinar-se a candidate Marina Silva, esse editor resolve retomar os textos apocallp- ticos que tern escrito sobre o desem- penho da political econ6mica e soci- al do atual governor, a qual, diga-se de passage, tern a aprovacio de 80% da populatio brasileira. Como discordo de certas coloca6Bes, peco licenpa para fazer, de forma conci- sa, pequenos reparos: 0 cridito imobiliirio nos paises di- tos de vanguard (depois de 2008, ainda os hi?), 6 de 25 anos, caracte- ristica dos empr6stimos de long prazo; Nlo podemos comparar o "milagre brasileiro" dos corondis, com a situa- gio econ6mica de hoje. Naquela dpo- ca, como na de Juscelino, a eferves- cincia dos investimentos e do "bem estar" foram proporcionados par em- prestimos externos. Atualmente, so- mos credores e as dividas internal e ex- terna ocupam umrn percentual razoAvel do PIB, e temos reserves de mais de 250 bilh6es de d61ares; 0 indice de inadimplincia, segun- do as informac6es oficlais, nio che- ga a 5%; A atual Bolsa Familia (no Pard sio atendidas 270 mil families), que be- neficia milhoes de brasileiros, foi cri- ada pelo ex-petista, quando governa- dor do Distrito Federal, Senador Cris- tovam Buarque. Nio foi invengio de demos e tucanos; As mesmas "pessoas excepcio- nais", que numa "aventura intelec- tual" criaram o Piano Real, tamb6m foram autoras e colaboradoras dos famigerados Pianos Cruzado e Co- lior, que deram incalculiveis pre- juizos financeiros ao pais (propi- ciavam o pagamento de empresti- mos mediante o uso da famosa "tablita"), jamais recuperados (ou cobrados). Para finalizar, lembro que cerca de 26 milh8es de brasileiros trans- feriram-se para classes econ6mica "C" (as estatisticos chamam isso de mobilidade social), aumentando, di- namizando e dando impulso A eco- nomia nestes 6ltimos anos. Tern mais: "I a primeira vez na historic, desde 1929, que a said da crise vem send motivada pelos paises nio desenvolvidos". E o Brasil entire elesi Nio resta a menor duvida que o go- verno FHC alicercou a onda atual de distribuig~o de renda e o relative conforto vivencial que estamos go- zando, em contrapartida foi o pro- motor da "privataria" econ6mica sustentada por emprdstimos do go- verno a juros irris6rios, entire outros males. Quanta ao PIG, ficard para outra oportunidade. Rodolfo Lisboa Cerveira MINHA RESPOSTA Tambdm devido 6 falta de espago, deixo minha resposta para outra oportunidade, deixando ao leitor a oportunidade de se manifestar sem a contradita do editor. VISAO Mesmo cornm um pouco de atraso, decorrente da eterna correria do dia a dia, gostaria de agradecer, em nome da Visao, a carinhosa lem- branga aos 45 anos do Grupo feita na edigio no 471, de agosto de 2010, do JP. Sio iniciativas como a sua que dio gas extra ao continue (e neces- sdrio) process de expansion da empresa que, em tom de nostalgia, jJ assistiu, de camarote, o adeus de Mesbia, Pernambucanas, 3 Irmios e tantos outros cones locals e nacio- nais do varejo. Aproveito tambdm para desejar que o sal de Natal ajude a tempera mais 23 anos da nossa (Simr! Nossal) Agenda Amaz6nica. Parabins e um grande abragol Apoena Augusto/Marketing Gru- po Visao Jomal Pessoal Editor: Licio FlAvio Pinto Contat: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626 E-mail: lfpjor@uol.com.br jomal@amazon.com.br Site: www.jomalpessoal.com.br Diagramagioe ilustragbes: L. A. de Faria Pinto E-mail: luizpe54@hotmail.com 3 Journal Pessoal SETEMBRO DE2010 1QOUINZENA -- -I---- -- --~ ------I ---- -- --- 1- Mensagem aos italianos Intemazionale e uma revista italiana independent de informagdo, que public os melhores artigos da imprensa estrangeira, traduzidos para o italiano. Todos os anos ela realize o "Internazionale Festival", que redne os escritores e os jornalistas mais prestigiados do mundo. Esse ano o event ocorrerd de 1 a 3 do proximo mis, em Ferrara, uma cidade renascentista do Norte da Itdlia. Durante os ultimos trds anos o festival tornou-se um dos maiores events desse tipo na ltdlia, registrando uma aflu ncia de 40 mil pessoas no ano passado, contando corn aparticipafdo de personalidades internacionais como Arundhati Roy, William Langewiesche, Noam Chomsky, Marjane Satrapi e Roberto Saviano. O festival atrai grande numero dejovens, que tim entrada livre para as conferencias e exibifpes. Fui convidado para a edifdo deste ano. Ndo podendo ir, por causa da intensificaVdo das atribulafoesforenses, mandei a mensagem abaixo, que divido com meus leitores. Agrade'o sensibilizado aos organizado es deste encontro pelo honroso con- vite que me fizeram. Lamento muito nao po- der estar at de novo. Conheci Ferrara em 1997, a caminho de Roma, onde fui receber um pr6mio do Archivio Disarmo. Fiquei en- cantado com a cidade, sua gente, sua cul- tura, sua hist6ria. A harmonia espacial da cidade, sua trajet6ria excepcional. Sou um enamorado da ItAlia, minha pAtria afetiva, nas entranhas do meu ser. Infelizmente nao pude mais voltar a esse maravilhoso pais, mas nunca deixo de pen- sar nele, nas afinidades e para citar Lewis Carrol nas "desafinidades" existentes entire n6s. Queria partilhar com os caros amigos um pouco das minhas reflexes nes- ta mensagem de saudagao e de desculpas. Uma das quest6es cuja andlise e reflexao pode nos ajudar mutuamente 6 a "questao meridional", que se traduz geograficamente pelos opostos: as desigualdades entire Norte rico e Sul pobre na Itdlia e entire Sul rico e Norte pobre no Brasil. Uma andlise rigorosa e profunda pode abrir as portas da perceplo para o ainda misterioso contrast: enquanto uns conseguem se desenvolver, outros nao os acompanham. N5o s6 entire continents ou hemisf6rios, mas dentro de pauses. Creio que a Itlia nunca se estabilizard e se perpetuard enquanto o Norte, ao inv6s de se isolar e se satisfazer em sua riqueza, nao se empenhar decididamente em aproximar de si o Sul. Realizando o ideal aristot6lico dajustiga, que 6justamente a apro- ximagao entire os extremes. 0 desafio se im- p6e ao Brasil com uma carga dramtica conti- nental: evitar que a Amaz6nia se specializez" como fronteira, o sitio do saque, do atraso, da violencia, da exploragio brutal dos seus re- cursos naturais e do seu povo. Como uma vasta Sicflia verde. Felizmente jA hA mais pessoas dedica- das a esta linha de reflexao, embora muitas delas ainda tateiem ou patinem numa timidez conceitual e dogmdtica em relagao ao conceito de regiao e necessidade de equilibrar a andlise tirando o peso que se atribui i economic. O home 6 uma realida- de mais vasta do que a tradugao quantitati- va 6 capaz de perceber. Queria Ihes proper hoje um enfoque menos examinado, mas talvez ainda mais grave. Duas pistas nos conduzem a um tema mais urgente: a natureza das rela95es atu- ais entire a Italia e o Brasil. Como todos sabem, os brasileiros vivem o mais long periodo de democracia da sua hist6ria republican de 120 anos. HA 25 anos nossos presidents se sucedem atrav6s do voto direto da sua populaqao, que ji se con- ta por 200 milh6es de almas. Nossa democra- cia menos curta tinha sido a de 1946, que durou 18 anos. Foi destruida pelo golpe de Estado de 1964, que manteve os militares no poder e A margem da democracia durante 21 anos. Um politico brasileiro dizia que a democracia 6 uma plant tenra no nosso pafs. EstA sempre sujeita a golpes, que Ihe extir- pam a vida. Precisa de estimulos intensos para reviver e se amadurecer. Estamos neste process atualmente, desejosos de que ele se consolide de vez. E um dos nossos marcos referenciais 6 a Itdlia. A democracia italiana guard simili- tudes bem significativas com a nossa, mais nos seus defeitos do que nas suas virtu- des, infelizmente. Sendo mais avangada, pode, pelo intercimbio, ajudar o process politico brasileiro. Mas para que isso ocor- ra, os intelectuais italianos precisam dedi- car mais do seu tempo a examiner as rela- 9qes do seu pafs com o nosso, bem mais intrincadas e complexes do que aparenta no occasional noticidrio da imprensa dos dois pauses. HA dois epis6dios de maior significado para compreender o que acontece. Os go- vernos de Romano Prodi e Massimo d'Alema se empenharam em favorecer a Telecom ItAlia na conquista de pedaqos cada vez maiores da telefonia brasileira. 0 siste- ma era estatizado at6 1988. 0 governor do tamb6m reformista e autodeclarado soci- al-democrata Fernando Henrique Cardo- so privatizou a telefonia brasileira em 1988, numa das mais criticadas alienag6es de pa- trim6nio pdblico jA feitas no Brasil. A partir daf formou-se uma guerra corporativa para abocanhar um dos maiores mercados de te- lefonia do mundo. Falar em guerra nio 6 forga de expressed. Os lances das disputes tkm sido ferozes e desencadeiam atos de corrupAlo e pressao sobre o aparato estatal. Num dos vortices dessa concorrencia feroz estA a Telecom Itd- lia, cujos procedimentos nada edificantes ou recomendaveis tem sido investigados na Itd- lia. Mas parecem claudicar na abordagem da conexao brasileira, que 6 de importancia de- cisiva para a empresa. E precise saltar sobre esse fosso e trazer o terreno da dispute bra- sileira para o solo italiano, a fim de que as manobras escusas, que ferem a democracia brasileira, sejam combatidas com mais eficd- cia. Este 6 o angulo da associagao entire o Estado e as empresas privadas, que consti- tui caldo de cultural de um process de cor- rulpo espantoso, que se expand velozmen- te. E preciso estancA-lo se quisermos que a democracia seja um valor real. Outro epis6dio diz respeito A extradiqao de Cesare Battisti. Uma andlise conscienci- osa do "caso" nao deixa margem de duvida quanto a justeza de devolver essa pessoa A ItAlia para o prosseguimento do seu julga- mento, interrompido pela fuga. 0 que impe- de a consumagao da extradigio? A meu ver, uma "conurbaqAo" nada conspicua de in- teresses politicos, geopolfticos e economi- cos, que retiram da face da esquerda a mis- cara da boa causa, de sua condigio de sa- cerdotisa da hist6ria, de depositdria do me- lhor patrim6nio human. Nio se hA de bestializar a esquerda, fazendo-a passar da condigio de santa h de dem6nio. 0 que se exige 6 que apli- quemos agora A esquerda no poder no Brasil o mesmo rigor analitico que a es- querda aplicava As velhas elites e oligar- quias, quando as via de fora, do outro lado do balcao, no posto de oposigao. JA aqui, os interesses dos governor refor- mistas italianos nio se harmonizam com os prop6sitos e procedimentos do gover- no popular do Brasil. VArias das bandeiras que Lula levou ao governor foram baixadas e substituidas por estandartes luxuosos, emprestados em ca- sas de aluguel de trajes finos e de pantomi- ma. I preciso ser exigente ao encarar o atu- al governor, como se fez corn os anteriores, para nao permitir que ele adquira a sindro- me de Harry Poter: uma vez que coloca so- bre si o manto dajusta causa, se torna invi- sfvel. E af pode cometer fraudes e vilanias, que sempre elas serao toleradas, atenua- das pela alegagco de que 6 o prego a pagar pelo avango na hist6ria. Nao hA avangos ou conquistas que nao possam ser exibidos a luz do dia e conferi- dos em mindcias pelos cidadaos, agora ir- manados num mundo sem fronteiras. Se essa flu8ncia serve aos politicos inescru- pulosos, as empresas desleais, a governors arrogantes, que tamb6m sirva para a circu- la9ao das informa6es, das id6ias e dos ide- ais, sobretudo entire dois pauses corn tal potential de identificaiao como os nossos. E como n6s mesmos, que aqui estamos, ir- manados por nossa f6 na humanidade e em cada um dos membros desta fraternidade italo-brasileira. Nao vamos ficar "nel mezzo del camino". Vamos em frente. SETEMBRO DE 2010 1 aQUINZENA Jornal Pessoal 11 0 Cirio de todos n6s Em 6poca de Cfrio, a maior data no calendfrio paraense, o tema motiva al- gumas reflexes. A primeira 6 um pro- longamento do comentArio da edigio passada: quantas pessoas participam da procissao, no segundo domingo de ou- tubro? 0 Dieese previu 2,2 milhoes de pessoas. Eu pus em questAo essa avali- agao. Podia ser a oportunidade para al- gu6m patrocinar uma mensuragao cien- tffica, a primeira desde que o Cfrio se tomou uma manifestaqio de massa, de dimensao que s6 agora 6 rivalizada e at6 superada pela Parada Gay de Sao Paulo. Um acontecimento religioso e outro profano. A carnavalizaqao antro- poffigica (no sentido cultural, bem en- tendido) dos brasileiros em agao, mes- mo que atrav6s do mimetismo e do sin- cretismo, components importantes num pals mestiqo como o nosso. Pessoas que se manifestaram sobre o meu comentdrio se recusam a admitir esse tipo de abordagem. Acham que seria um desrespeito A f6 dos devotos e uma ofensa aos brios dos paraenses. Mesmo que a litania dos 2 milhoes de participants da romaria venha a ser desfeita pela quantificagao segundo m6todo cientffico, o resultado em nada modificaria o conceito do Cfrio. Apenas daria conteddo de verdade a uma pro- clamagao carente de fundamentagao, mas corn todos os indfcios de um exa- gero. Se o nimero o mais aproximado de um milhao for o correto, a grandiosi- dade do acontecimento permanecerdi intocada. Religiao nao conflita corn a verdade. EstA na Biblia o contrfrio: que a verdade 6 libertagao. Por causa dos dogmas religiosos, raros sao os bons estudos sobre um fe- n8meno tao rico e complex. Faltam mesmo as obras de mera divulgagao. As melhores abordagens feitas ao Cf- rio continual a ser de Eidorfe Morei- ra e Savino Mombelli, de muitos anos atris. A insistencia das liderangas da festa em se basear em mitos e fantasi- as, tragando um cfrculo de fogo em torno da festividade, dificulta a melhor compreensao do fato, que 6 tanto reli- gioso quanto profano. E por isso que fatos novos estio sur- gindo e se consolidando sem sequer se- rem registrados, por contrariem a ortodo- xia dos "donos" da festividade. Um exem- plo dessas novas configuraq6es 6 a rela- gao dos evang61licos com o Cfrio. E sabi- do que eles nao aceitam as imagens de santos, cultuados pelos cat61icos. Como 6 que se comportam em relaqao a Nossa Senhora de Nazar6, a padroeira dos pa- raenses (por suposto, de todos eles)? Relevam essa diverg&ncia e partici- pam das romarias e outros acontecimen- tos da cadavez mais vasta agenda do Cfrio, dando-lhe uma abrangencia ainda mais ecumenica, A margem do aparato institu- cional? Se nio participam, como acredi- tar no crescimento tAo acentuado na fre- qiiencia a romaria se o contingent de evang61licos 6, em Bel6m, um dos mais expressivos dentre todas as capitals bra- sileiras? Algumas das muitas questoes a exigir respostas satisfat6rias. AliAs, os evang61icos propuseram um tema bemrn secular. Consultaram o Mi- nist6rio Pdblico Federal sobre a legali- dade da venda de patrim6nio pdblico sem licitaqAo pdblica. 0 Minist6rio do Ex6r- cito se comprometeu a vender A par6- quia de Nazar6 (ou A ordem dos barna- bitas?) a Area onde o NPOR tinha sua sede (e atualmente 6 ocupada pelo LAP, o Institute de Artes do ParA), ao lado da basilica de Nossa Senhora de Nazar6, onde a romaria terminal. Os advogados evang61licos querem saber qual 6 a base legal para a dispen- sa da licitaqao pdblica e a venda direta. Tem toda razao em pedir a explicagqo, que 6 de natureza puramente secular. Ndo hA motivo para tomA-la como pre- texto para uma dispute religiosa. As coisas da religiao estao sujeitas ao or- denamento legal do pals desde que o Estado se separou da Igreja, um dos pilares da repdblica. Deve-se encarar o questionamento corn a razao e o bom senso, sem conta- mind-lo por arguments sectArios ou fa- nAticos. Acho que a transaqgo seria le- gitimada atrav6s de cessao onerosa ou outra forma jurfdica para a transferen- cia do direito real tendo como contrapar- tida o cumprimento de determinadas exi- gencias. Uma delas podia ser o compro- misso dos administradores da basilica de livrA-la de tudo que a ela foi agregado, desfigurando-a. Seja a Area onde funci- ona um restaurant como a que serviu de necrot6rio, e h pr6pria administragqo da ordem religiosa. A basilica ficaria li- vre dessas incrustag6es indevidas, fnte- gra, plenamente visivel. Todas essas instalaqoes seriam trans- feridas para a Area cedida, incluindo o restaurant, que 6 particular e se esta- beleceu graqas A competencia dos seus particulares, sem prejudicar ningu6m. 0 uso dessa Area estaria condicionado A aprovaqao dos 6rgdos t6cnicos compe- tentes do governor federal, aos quais os projetos e as plants seriam submetidos, consultados o governor do Estado e a pre- feitura, que poderiam ter o direito de veto. Cumpridas todas as exigencias, num cer- to prazo o comodato se transformaria em transferfncia definitive. 0 poder pdblico deixaria de arrecadar, mas, em contra- partida, o interesse ptiblico seria atendi- do. Interesse de todos, cat61icos, de ou- tras religi6es, agn6sticos ou ateus, todos eles cidadaos merecedores de respeito. O Cfrio, ao inv6s de diminuir, se en- grandecerA. Ainda mais se o solar da fa- miliado m&6dico Deocl6cio Correa for de- sapropriada e transformada em museu do Cfrio, para se tomar um nicleo vivo da mem6ria do maior acontecimento cultu- ral, em seu amplo significado antropol6gi- co, na vida dos paraenses. Ediqao Esta edig o foi escrita aos tapas por causa das atribulaq6es forenses. Espero que os leitores faqam dela uma leitura franciscana. Corre ao 0 desgragado do computador me deixou numa pior na edigAo passada: transformou meu "ao inv6s" num estapafdrdio "ao inv6is". Assim, ningu6m perdoa. De qualquer forma, perdao, leitores. ___ __ I __~~~~_~___~_ II ___~____~~_~~_~~ I _~ _~_~~ ~~~___~__~__ I__~ __ ~__~_~_~~~~~~~_____ |
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