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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00349

Full Text


AGOSTO
DE 2010


AJomNal Pessoal
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


ETLCAO


Acordo promiscuo

A governadora e o prefeito de Belemfizeram uma transacdo em particular para defender
a verdade e o interesse coletivo, oufoi mais uma iniciativa eleitoral, visando seus interesses
politicos? Fo que estd por trds da devolugdo de ICMS a prefeitura de Belim. Vaifeder?


Em 2000 e em 2002 a prefeitura
de Bel6m recorreu A justiga
contra a fixagdo, pelo governor
do Estado, do novo coeficiente de par-
ticipaq5o da capital na divisdo do
ICMS, a principal fonte de receita do
poder ptblico. Por causa da reduqgo
da aliquota, o municipio perdeu 334
milh6es de reais, em valor atualizado
at6 2006. A media teria inspiraqao
political: foi tomada pela administraqgo
do PSDB, A frente da qual estava o
governadorAlmir Gabriel, contra a pre-
feitura do PT, chefiada por Edmflson
Rodrigues, sem fundamento legal.


No dia 29 de junho a governadora
Ana Jdlia Carepa, do mesmo PT (do
qual Edmilson se desligou, concorrendo
agora A Assembl6ia Legislativa pelo
PSOL), reconheceu como inconstituci-
onal e illegal o ato e decidiu compensar
a prefeitura pelo prejuizo, pagando-lhe
nao o valor integral da perda, mas R$
162 milh6es, em parcelas que terdo ven-
cimento final em 2019. De imediato o
Estado transferiu R$ 8 milh6es, segui-
dos de mais R$ 12 milh6es (em condi-
9~es ainda nao definidas), e R$ 4 mi-
lh6es em 30 de novembro. 0 saldo, de
R$ 150 milh6es sera quitado em pres-


taq6es que variardo de R$ 500 mil a R$
3,4 milh6es por m8s.
0 acerto entire o Estado e o muni-
cfpio nao foi realizado de pdblico, corn
a presenga de testemunhas em ndme-
ro proporcional ao significado da inici-
ativa e nao passou pelo poder legislati-
vo nem por outra instincia competen-
te para deliberar, apreciar ou fiscalizar
a materia. Nem assumiu a forma es-
perada de legalizaqgo: atrav6s de um
projeto de lei encaminhado A Assem-
bl6ia Legislativa. Ana Jdlia e Ducio-
mar acertaram suas contas diretamen-
te, atrav6s de uma prosaica "transa-
CbiimUA 'iiA PAii


T LIBERA QUERIS V* 12


N'7 470
ANO XXIII
R$ 3,00


I
0 ACM VAI AO MUNDO PAGS.6/7


0 ) --i ^






gqo extra-judicial", lavrada em um car-
t6rio de notas, o K6s Miranda, sem
sequer a publicidade devida. Como
coisa secret a ser mantida em sigilo e
nao um entendimento havido entire os
dois poderes para tender ao interesse
coletivo, reparando uma vilania.
Sem essas caracteristicas, o papel
subscrito pelas duas autoridades ficou
marcado pelo mesmo objetivo politico
que lhe deu serviu de inspiraqco. Atra-
v6s da generosa compensacqo, a gover-
nadora do PT pretendeu sacramentar
de vez sua alianqa eleitoral com o pre-
feito do PTB. 0 acordo que celebra-
ram vinha se mostrando frAgil. Nao s6
por infidelidade nao explicita dos par-
ceiros, mas pela iniciativa do prefeito
de, contra suposta decisdo da conven-
qao coligada, lanqar candidate avulso ao
Senado, quando deveria apoiar um dni-
co candidate, o deputado federal Paulo
Rocha, do PT. Al6m de lanqar a candi-
datura do empresirio Fernando Yama-
da, Duciomar mandou questioner a li-
sura da ata que registrou a deliberaqco
pela candidatura dnica. Ela teria sido
falsificada.
A transagqo extra-judicial daria ao
alcaide da capital um instrument pelo
qual tem grande fascinio: dinheiro vivo.
Pois embora o acordo preveja o parce-
lamento da compensacqo pela perda tri-
butAria reconhecida, sua clAusula sexta
autoriza a prefeitura, sem precisar ouvir


o Estado, que se auto-limita na questdo,
a ceder o cr6dito reconhecido pelo mes-
mo Estado, "total ou parcialmente".

D entire os poderes de
correntes dessa prer-
rogativa estA o de ob-
ter emprestimos ou fazer
qualquer outra operagAo
financeira, oferecendo o
credito, partial ou inte-
gral, como garantia ou
aval. Ao inv6s de receber apenas as
parcelas, Duciomar poderd transformar
os R$ 162 milh6es em mais dinheiro,
sacando contra o tesouro estadual. Se-
ria um "cheque em branco", conforme
a expressao usada pelo Didrio do
Pard, numa cobertura escancarada e
quase didria, em contrast com o sil6n-
cio a respeito de 0 Liberal, que agora
ap6ia os dois politicos.
0 dispositivo 6 tdo gritantemente
extravagant, para dizer o minimo, que
logo atraiu o interesse do advogado Is-
mael Moraes. 0 conselheiro da OAB
do Para sacou mais uma de suas costu-
meiras aqces de impact, questionando
a legalidade da transaqao e requerendo
ao juiz da 2a vara civel de Bel6m a sus-
pensdo imediata dos seus efeitos at6 a
deliberaqdo de mdrito. Antes que, cum-
prindo outro dispositivo do acordo, o
Estado pedisse a extingqo do process
corn a resoluqdo de m6rito. Tamb6m
requereu o indiciamento criminal das


duas autoridades e a inelegibilidade da
governadora.
Tudo indica que este sera mais um
escandalo da administraqdo do PT em
plena campanha eleitoral. 0 que surpre-
ende 6 a audicia ou mesmo insensa-
tez do governor ao agir de tal maneira.
Al6m de atropelar as normas legais e os
procedimentos administrativos cabiveis,
os rendimentos politicos dessa iniciativa
sdo, no minimo, incertos e nao sabidos.
Ana Jdlia Carepa e Duciomar Costa es-
tdo entire os governantes corn maior in-
dice de rejeigqo da hist6ria republican
do Para. A mi fama do alcaide 6 ainda
maior, mais de 10 pontos percentuais
acima da governadora.
Alegam os petistas que a coligaqao
com o PTB de Duciomar render mais
tempo na propaganda eleitoral gratuita
e mais densidade political. Mas, ao me-
nos em Bel6m, terA um efeito desastro-
so sobre o que ainda resta de adesao
ao nome desgastado da govemadora. E
provocard cismas internos no PT pela
inc6moda companhia daquele que, no
plano municipal, 6 o maior inimigo do
partido. Um observador desapaixonado
dificilmente encontrari saldo nessa re-
lago. Pelo contrArio: o prejuizo, quejA
era grande, poderd ficar ainda maior.
Na sucessao desses escandalos, o elei-
tor indeciso pode cortar o nome de Ana
J6lia das suas cogitaqres, por um raci-
ocinio fundamental no process eleito-
ral: nao perder o voto.


b)1 1~~LY I- III I -r IP ls-yaS--.I- rl


Os candidates


Al6m de se apresentar para a reeleiqio para
deputado estadual pelo PP, apesar do process a
que responded por pedofilia, o m6dico Luiz Afonso
Sefer lanqou pelo PR o
filho, Rafael. Com 21 /
anos, ele 6 o mais '
jovem de todos
os candidates
A Assembl6ia
Legislative. A
demonstrar
que nem
sempre
juventude 6
sinonimo de
mudanqa.
Neste caso,
muitissimo
pelo
contrdrio.


E alta a taxa de renovagao dentre os candidates a uma cadeira na
Assembl6ia Legislativa do Pard na eleigao deste ano: dos 588 postu-
lantes, apenas 64 (pouco mais de 10%) ja exercem um mandate po-
litico. Dos 41 atuais deputados, 26 tentam a reeleiqao. Mesmo que
todos sejam vitoriosos, o que 6 improvivel, a renovaqio sera de qua-
se 40%. Na prdtica, o indice deveri ser bem maior. Ja 38 vereadores
buscam subir de patamar na carreira, sem arriscar muito: se perde-
rem, continuardo a exercer o mandate que ji possuem.
Nao se pode dizer que falta nfvel aos parlamentares por car8ncia
de estudo. 0 maior contingent deles tem o curso superior complete.
Foi com essa titulaqgo que 264 (ou 40%) se apresentaram para o
registro. Apenas 21 nao completaram o ensino fundamental. Como a
educaqao no Estado 6 uma das piores do pafs...
A condiqao de parte do Para como significativo destino migrat6rio
tamb6m se traduz na political: 20% dos candidates (ou 122) sao pro-
venientes de 18 Estados. Outro reflexo estA no fato de que 93 candi-
datos (quase 15%) tem domicilio eleitoral na regiao de Carajis, onde
a participagqo dos nascidos no Pard 6 a menor. Se soma-los aos 43
da regiao do Tapaj6s, sao 136 (mais de 20%) em tese favoriveis a
redivisao do Estado.


2 Journal Pessoal AGOSTO DE 2010 QUINZENA


Familiar







0 Partidao no Para: 70 anos sem a massa


Em 70 anos de exist8ncia no Para,
iniciada em 1931, dos quase 90 anos que
acumula no Brasil, o Partido Comunis-
ta Brasileiro s6 elegeu um parlamentar
pela pr6pria legend. Foi o deputado es-
tadual Henrique Santiago, um motomeiro
dos bondes da firma inglesa Pard Ele-
tric, que depois se tomaria sapateiro para
sobreviver, ao ser demitido em funqAo
de sua atividade polftica.
0 PCB conseguiu eleger mais al-
guns parlamentares por outras siglas e
ainda contou com simpatizantes bemrn
postados no poder local. A maior faqa-
nha do velho "partidao" poderia ter sido
realizada atrav6s de Almir Jos6 de Oli-
veira Gabriel, hoje com 78 anos, sem
mandato e sem partido, que foi secreti-
rio de sadde, prefeito birnico de Bel6m,
senador, candidate a vice-presidente da
rep(blica (na chapa do paulista Mario
Covas, ji falecido) e, por suas vezes,
govemador do Pard. Nenhum comunista
paraense ostenta currfculo igual, sequer
parecido, conforme se verifica em Ca-
banos & Camaradas, livro de Alfredo
Oliveira, lanqado no ano passado, em
edigqo do autor.
Apesar de suas 680 piginas, o livro
nao di ao epis6dio a relevancia que ele
tem como moment decisive nos rumos
que o PCB seguiria. Merecia maior
detalhamento, ainda mais porque o au-
tor j~ escreveu uma paquid6rmica bio-
grafia do ex-governador (que, surpre-
endentemente, nao cita na bibliografia
do mais recent dos seus livros, embo-
ra trate do tema).
A trajet6ria do ex-governador exem-
plifica A perfeigqo a carreira de alguns
dos principals expoentes do c6lebre
"partidao". Almir era militant e inte-
grava a base de m6dicos. Foi recrutado
em 1963 pelo pr6prio Alfredo Oliveira,
em grupamento integrado por quatro
futures secretArios estaduais de satide:
Wilson da Silveira, Emani Mota, Nilo
Almeida e o pr6prio Almir.
Continuava militant em 1974, quan-
do dirigia o entdo Sanat6rio (depois
Hospital) Barros Barreto ("uma vez que
a sua presenqa era fundamental para a
continuidade da cirurgia toricica", por
ele introduzida em Bel6m, depois de
curso que fez no Rio de Janeiro) e ao
assumir a Secretaria de Sadde do Esta-
do, no segundo governor do coronel Ala-
cid Nunes. Os militares sabiam dessa


filiaq~o, mas, segundo Alfredo Oliveira,
nao o destitufram do cargo por causa
da sua competencia. JA o partido, em-
bora surpreendido pelo convite, nao fez
objegqo por se tratar de fun~go t6cnica
"e sem compromisso politico com o par-
tido do governor .
Mas a trilha do future governador
nao foi retilinea. Ele dava sua contribui-
~ao financeira mensal para os cofres
do PCB, mas, ao ser convidado pelo
advogado Carlos Sampaio para "ajudar
a dirigir o Partido", em 1965, "nem mes-
mo pensou na proposta, pois nao pode-
ria aceitA-la diante do compromisso in-
transferivel com a cirurgia toricica",
justifica o parent. Al6m disso, iria pas-
sar os dois anos seguintes em Sao Pau-
lo, se qualificando em cirurgia cirdio-
vascular. "Durante a permanrncia em
Sao Paulo perdeu o contato com o Par-
tido, absorvido pelo novo aprendizado
cirirgico", diz Oliveira.
Em 1979, depois de ter sido director
da Divisdo Nacional de Tuberculose,
durante o governor do general Ernesto
Geisel, ao voltar ao Pari, em plena 6po-
ca da anistia, para assumir a secretaria
de sadde, "retomou os contatos corn o
Partido, atrav6s de Raimundo Jinkings e
Ruy Barata". Mas quando deixou a pre-
feitura de Bel6m, em 1985, para se tor-
nar senador, patrocinado por Jader Bar-
balho, filiou-se ao PMDB, "optando por
encerrar sua ligagqo com o PCB, que
reconquistara a legalidade ap6s tantos
anos de vida clandestine", relata Alfre-
do. Sem assinalar o aparente paradoxo,
que s6 se explicaria pelo projeto de po-
der de Almir Gabriel: o PMDB de Jader
lhe daria o que o PCB nao podia lhe pro-
porcionar. E ele queria muito mais.
Apesar disso, os comunistas decidi-
ram apoiar a candidatura do ex-filiado
ao Senado, embora seus votos tamb6m
ajudassem a eleger Jarbas Passarinho,
igualmente apoiado por Jader para a
outra vaga que estava em dispute em
1986 para a chamada Camara Alta.
"Resultado: ambos foram eleitos", ad-
mite Alfredo, sem deixar de reconhe-
cer que se tratou de mais um paradoxo
nas estrat6gias de alianga do "partidao".
Quando nomeado pelo governador
Jader Barbalho prefeito de Bel6m, em
1983, substituindo Sahid Xerfan, Almir
recorreu a correligionarios do PCB. 0
mais atuante foi o soci6logo Mariano


Klautau de Aradjo, que criou e p6s para
funcionar diversas comunidades de bair-
ro, transformadas a seguir em ndcleos
politicos por sua importancia na perife-
ria da capital. Ainda aproveitou outros
comunistas em seu primeiro governor,
mas em posiq6es secundarias. Os per-
sonagens principals passaram a ser ou-
tras figures, como Paulo Chaves Fer-
nandes, Simdo Jatene e S6rgio Ledo.
Se ainda era um simpatizante do PCB,
a prAtica de Almir jA nao guardava qual-
quer conexdo corn a filosofia do comu-
nismo, exceto pelo centralismo democri-
tico dos leninistas, sempre muito mais cen-
tral do que democrdtico. Como govema-
dor, passou a ser (ou tentou ser) mais um
coronel da political paraense. Foi se desli-
gando cada vez mais de qualquer progra-
ma para se ater As pessoas, procurando
aquelas que serviam aos seus interesses
e desligando-se das que nao serviam mais
ou que se apresentaram na contramdo do
seu caminho para o poder.
0 procedimento de Almir Gabriel se
assemelha ao de muitos outros comunis-
tas, que deram prioridade A qualificaqio
professional (a partir desse moment a
maioria se desfiliou, sem renegar, contu-
do, a crenca original, embora atuando em
atividades ou de uma forma pouco coe-
rente com o passado). Raros acharam
possivel conciliar a atividade profissio-
nal (que a alguns enriqueceu) corn a ide-
ologia e a atuagao political.
A influ8ncia do PCB, ap6s tantos
anos de presenqa, foi pequena e o ba-
lanqo da sua participaqgo, modesto, ape-
sar da quantidade de piginas que Al-
fredo Oliveira dedicou A sua hist6ria (re-
petindo demais informaqoes e dando
atenqao a fatos absolutamente secun-
dArios, acaba desestimulando a leitura
do seu important volume). 0 PCB nao
se transformou em partido de massa.
Seu mais intense trabalho foi junto a
intelectuais e membros do governor. Nao
por outro motivo, no plano national, Luiz
Carlos Prestes declarou que o partidao
estava no governor corn Jodo Goulart, s6
faltava chegar ao poder, numa arenga
irreal e soberba, que causou problems
superlativamente artificiais A esquerda no
moment da repressed pelo regime mili-
tar de 1964, como de regra, alias, na bio-
grafia do desastrado "cavaleiro da espe-
ranqa". 0 PCB criou uma ilusdo de for-
CONCLUI NA PAG 4


AGOSTO DE 2010 1 QUINZENA Jornal Pessoal 3





CONCLUSAO DA PA 8
ga e de representatividade, e acreditou
que ela era verdadeira. A cada momen-
to de testa-la, defrontou-se corn a reali-
dade, frustrou-se e encolheu.
Nao que Ihe tenham faltado gl6rias
e acertos. Os comunistas tiveram inva-
riavelmente que enfrentar o preconcei-
to, a mA vontade ou o 6dio dos adversA-
rios, at6 mesmo dos que nio se Ihe opu-
nham abertamente, mas foram incapa-
zes de consolidar uma democracia au-
tentica no Brasil, que resistisse aos de-
safios sem sair atrds da espada guar-
dada nos quart6is ou das manobras mi-
seravelmente juridicas. A ilegalidade a
que os comunistas foram reduzidos na
maior parte da sua hist6ria 6 causa tan-
to da sua pouca expressio na vida poli-
tica national como do seu encanto, o
fascfnio que exerceram sobre milh6es
de brasileiros ao long do tempo.
O golpe vital foi desferido contra o
PCB em 1947, menos de dois anos de-
pois da sua legalizaqo, no auge da guer-
ra fria, pelo governor Dutra (contestavel
da ditadura do Estado Novo, foi o pri-
meiro president da redemocratizag~o,
antecipando anomalia que seria vivida,
40 anos depois, por Jos6 Sarney, ao fim
da ditadura military corn a participagio
decisive dos bachardis da UDN, civis em
eternas manobras golpistas ("vivandei-
ras dos quart6is", como se dizia).
O PCB podia ter iniciado nessa 6po-
ca caminhada no rumo da sua democra-
tizagao internal e da oxigenaqao polftica
national, a semelhanga do que ocorreria
com seu congenere italiano no p6s-guer-
ra. Tinha uma bancada federal expressi-
va (com um senador, Prestes, e 14 de-
putados federais) e conseguira faganhas
localizadas, como a de eleger 18 dos 50
vereadores da Camara do Distrito Fe-
deral, que ainda era o Rio de Janeiro.
Apesar do registro que o TSE lhe
conferiu e da diplomacqo que concede
aos seus eleitos, o PCB foi declarado
illegal atravds de uma lei com efeito re-
troativo, bem semelhante na mecanica
(embora completamente distinta nos
prop6sitos) da lei da ficha limpa atual.
Os maquiav61licos de algibeira deviam
meditar a respeito. Quando se abre ex-
ceg9o para o uso de meios ilegais, em
proveito de fins legftimos, nao se estA
violando a ordem democritica e conti-
nuando a encher de boas inteng5es o
caminho do inferno?
Alfredo Oliveira nao aprofunda nes-
se sentido o epis6dio, mas seu livro, atW


Ajuiza Kddima Pacifico Lyra sus-
pendeu no dia 8, "at6 ulterior delibe-
rag o", o leilo de im6veis urbanos em
Bel6m de proprietarios que no paga-
ram o IPTU nem propuseram qualquer
forma de acordo corn o municipio. A
prefeitura props a penhora judicial de
900 im6veis, iniciativa adotada pela
primeira vez na hist6ria do Imposto
Predial e Territorial Urbano da capi-
tal paraense.
Para suspender as pragas, a jufza da
4' vara cfvel argumentou que est6 acu-
mulando a I' vara eleitoral e a direcqo
do f6rum da justiqa eleitoral. Alegou
tamb6m que a mudanqa do sistema de
informAtica do TJE criou muitos proble-
mas de ajuste e adaptagao, que tumul-
tuaram o andamento dos processes,
sobrecarregando a vara da fazenda pid-
blica. E pouco provivel que os leil6es
sejam retomados ainda este ano.
0 ajuizamento das execuq6es fis-
cais teve um efeito tamb6m in6dito: os
contribuintes inadimplentes passaram
a procurar a prefeitura para quitar seus
d6bitos ou fazer composig6es do pas-
sivo. Corn isso, nao s6 se preveniram
contra leil6es futuras, mas consegui-
ram retirar da praca seus im6veis, que
ji estavam em fase de execugqo, sem
recurso possfvel.
Essa iniciativa jamais ocorreu, mes-
mo quando a prefeitura oferecia vanta-
gens, concedia abatimentos ou prorro-
gava prazos. Bel6m 6 um dos municipi-
os com mais alto fndice de inadimplen-
cia do pais. Neste ano a Secretaria de
Finangas emitiu 193.787 carnms para
pagamento do imposto, mas apenas
49,92% dos contribuintes fizeram o pa-
gamento, 54 mil em cota tnica e 43


onde um militant pode ser imparcial,
aborda as quest6es que seria preciso
suscitar numa hist6ria do Partido Co-
munista Brasileiro no Para, 0 livro con-
quistaria maior pdblico se tivesse meta-
de das pdginas, que podiam ser supri-
midas sem prejudicar o conteddo. Ain-
da assim, merece ser lido: passa a ser
fonte de refer8ncia indispensivel sobre
a hist6ria republican do Estado. Ainda
que se chegue a uma conclusdo dife-
rente ou oposta A do autor.


mil em pagamento parcelado. Os
inadimplentes representam 51,8% do
total. Nos exercicios anteriores a
inadimplencia foi ainda maior.
Boa parte dos devedores pertence A
classes m6dia alta. 0 maior leildo indivi-
dual apregoado pela 4V vara 6 de im6vel
da ETN (Estaleiro T6cnico Naval), no
valor de 10 milh6es de reais. A ETN
tern ainda outra execuqao, de R$ 700
mil. Jd o d6bito de IPTU cobrado da
Churrascaria Pavan 6 de R$ 5 milh6es.
Muitos dos im6veis, localizados em bair-
ros nobres, como Nazar6 e Batista Cam-
pos, variam entire 500 mil e pouco mais
de um milhdo de reais. Um dos leil6es 6
da antiga sede de 0 Liberal na rua Gas-
par Viana, no centro velho da cidade. A
praqa foi apregoada em nome de Ro-
mulo Maiorana, jd falecido, no valor de
R$ 500 mil. No passado, por erro de
citaqao, a prefeitura perdeu uma agqo
proposta contra o fundador das ORM.
A sociedade aguarda que os leil6es
judiciais sejam retomados o mais breve
possivel e que os processes tenham sido
formulados corretamente para evitar os
erros do passado. Talvez assim o IPTU
venha a ser moralizado e os futures
gestores da cidade, com recursos tribu-
tarios compativeis corn o tamanho de
Bel6m (que tem a menor relaqo im-
posto per capital dentre todas as regimes
metropolitanas do pais), se conscienti-
zem de que esse 6 dinheiro pdblico. Tern
que ser aplicado em beneficio de todos
para acabar com esse ciclo vicioso que
empobrece a cidade de todas as manei-
ras: a maioria (que 6 em boa parte mi-
noria, da elite) nao paga imposto por-
que o dinheiro 6 desviado para outros
fins. E outros bolsos.


O capitulo paraense do PCB se
encerrou em dezembro de 2004, com
sua desativagqo no Estado. "A partir
dai, sem present, resta apenas o pas-
sado, por conta da Hist6ria", lamen-
taAlfredo Oliveira. Uma hist6ria rica,
mas incapaz de sustentar um parale-
lismo entire os cabanos, que transfor-
maram o seu tempo, e os comunis-
tas, que seguiram o rio da hist6ria,
mesmo quando tentaram nadar con-
tra a corrente.


4 Journal Pessoal AGOSTO DE 2010 1 OQUINZENA


0 imposto da cidade

e o seu beneficio


__ __







Basa perde
exclusividade

Na semana passada o Banco
da Amaz6nia deixou de ser o
agent financeiro exclusive do
FDA (Fundo de
Desenvolvimento da Amazonia),
administrado pela Sudam: agora
vai dividir a banca com a Caixa
Econ6mica Federal. Em tese, a
inovagdo 6 positive: o monop61lio
sempre acaba por prejudicar os
clients e leva o agent a
negligenciar seus servigos. Os
donos dos projetos aprovados
foram logo favorecidos: al6m do
comprometimento de 60% de
recursos do fundo no
empreendimento, a Caixa
adicionard 20% de dinheiro seu.
O investidor privado s6
precisara aplicar 20% de capital
de risco, metade do que era
requerido antes.
Outro efeito serA a
definitive concentraqio do
FDA em obras de geraqdo de
energia na regido. Todos os 13
projetos aprovados desde 2006
(em sete dos noves Estados
amazOnicos, excetuados Acre e
Amapi) sdo hidrel6tricos ou
termel6tricos. Logo depois da
assinatura do contrato corn o
Basa, em Brasilia, no dia 11, a
president da Caixa, Maria
Fernanda Coelho, disse que sua
instituiqao estA interessada
nesse setor, especificamente
nas hidrelitricas de Jirau e
Santo Ant6nio, no rio Madeira,
em Rond6nia. Significa que o
governor federal utilizarA mais
esse canal para transferir
recursos pdblicos para essas
obras, o que tamb6m deverai
ocorrer em relagqo a Belo
Monte e a linha de transmissao
de Tucuruf at6 Manaus. Tanto
para viabiliza-las como para
acelerar a execuqao do
cronograma, impondo aos
critics recalcitrantes fatos
consumados.
O orqamento do FDA neste
ano 6 de R$1,6 bilhdo.


A foto do ex-mecAnico Marlon Lo-
pes Pidde circulou pelo mundo todo no
inicio da d6cada de 80 do s6culo passa-
do. Ele foi o garimpeiro de mais sorte
em Serra Pelada, o maior garimpo de
todos os tempos, no sul do Para. Uns
dizem que na sua cavaa" extraiu quatro
toneladas de ouro. Outros garantem que
foi o dobro. De qualquer maneira, Mar-
ion "bamburrou" como ningu6m. Ficou
milionario. Comprou terras em Maraba
e virou fazendeiro.
Um dia lhe disseram que cinco ho-
mens tinham invadido sua fazenda, a
Princesa. Marion reuniu tres pistoleiros,
o irmao e mais duas pessoas, montou
uma cilada para os agricultores, dizen-
do-lhes que uma jufza estava na sede
da propriedade para fazerem acordo,
prendeu todos, torturou-os, queimou-os,
amarrou uns aos outros e a pedras pe-
sadas, e os atirou no rio Parauapebas.
Era para dar sumiqo nos corpos. Mas
eles boiaram, a matanqa foi descoberta
e Marion, com ordem de prisdo decre-
tada um mes depois do crime, em outu-
bro de 1985, permaneceu como foragi-
do da justiga durante 21 anos, apesar do
escandalo que a chacina provocou in-
ternacionalmente. De garimpeiro sortu-
do ele virara criminoso cruel.

A Policia Federal final-
mente o prendeu em
AL 2006, em Sao Paulo,
onde ele tinha uma farmna-
eia. Desde entAo sous advo-
gados tem tentado, sem su-
eesso, solt6-lo das grades,
presentemente na penitencifria de Ame-
ricano, na area metropolitan de Bel6m.
Ajustiga tern rejeitado todos os pedidos
de habeas corpus que foram formula-
dos em favor do assassino.
Mas se ele 6 r6u na area criminal, 6
autor no foro cfvel. Foi beneficiado por
uma decisdo da juiza Maria Aldecy de
Souza Pissolati, titular da vara da Fa-
zenda Piblica de Marabi. Ela conde-
nou o Hospital Celina Gongalves a pa-
gar a Marion Lopes Pidde quase 3,5
milhoes de reais como indenizacqo por
sua participagao na sociedade contro-
ladora do hospital, por perdas e danos,
e dividends ou lucros adquiridos. Corn
os honordrios, arbitrados pelo maximo,


em 20% mais as custas processuais, o
valor final deve ficar em R$ 4 milh6es.
Marion Pidde props em 2005 a acao
de cobranqa cumulada com perdas e
danos contra o Hospital Celina Gonqal-
ves S/A e o Estado, na condigqo de litis-
cons6rcio passive, ao se declarar infor-
mado de que o hospital fora objeto de
desapropriaqco por utilidade pdblica. Ale-
gou que desde 1983 era s6cio fundador
da empresa. Teria direito a 5,88% do va-
lor da desapropriaqco, de R$
13.708.387,54, pagos pelo governor do
Estado, na administraqio do tucano Si-
mdo Jatene, dinheiro que nao recebeu.
Dem6trius Ribeiro, controlador da
sociedade, contou outra hist6ria. Disse
que realmente as aq6es foram ofereci-
das a Pidde e a venda chegou a ser for-
malizada. Nao foi consumada, por6m,
porque o comprador nao pagou pela par-
ticipaq~o. Garantiu que o ex-garimpei-
ro ainda tentou registrar o contrato, mas
nao conseguiu por nao ter um recibo do
pagamento pelas aq6es.
Examinando a perfcia feita nas con-
tas da D. N. Parti-
cipaq6es, de De-
m6trio, principal
beneficidria pela
transfer8ncia do
dinheiro pago pelo
Estado, a jufza Aldecy Pissolatti ates-
tou que o patrimrnio da sociedade a dis-
sipou sem a necessdria prestacgo de
contas. Embora a empresa desapropri-
ada continue a existir, seu patrimrnio
"hoje 6 quase zero". S6 corn a Receita
Federal, a instituigio teria um d6bito de
R$ 5,7 milhoes.
Nao s6 a situaqao societAria 6 du-
vidosa e controversy. Tamb6m a de-
sapropriaqao. Era evidence que o hos-
pital estava praticamente paralisado,
sem estrutura para prestar servigos de
sadde. Numa tinica coisa ele estava
ativo: na publicidade. Ela foi desenca-
deada alguns meses antes da desapro-
priacqo, para dar uma id6ia de grande-
za do hospital, que era ficticia. E ocul-
tar suas complica6qes, que agora emer-
gem. Talvez para propiciar nao ape-
nas os esclarecimentos financeiros e a
alertou sobre a presenga de um crimi-
noso sanguinArio, mas tamb6m a pr6-
pria transag~o.


AGOSTO DE 2010 1 OUINZENA Jornal Pessoal 5


Hospital de Maraba:

uma historia obscura






0 desafio da globalizagac


Antigo versinho, de largo uso local,
revela um dos principals atrativos do
Estado: "Quem vem ao Pard, parou;
tomou aqaf, ficou". Mas ndo eram mui-
tas as pessoas que vinham ao ParA. E
nem todas elas apreciavam o acaf, que
continuou a ser um patrim6nio exclusi-
vo dos paraenses e, em menor grau, de
outros Estados da AmazOnia.
Em 2000 a situacqo comeqou a mu-
dar, rapida e intensivamente. Dispara-
do o maior produtor national, o Pard
extraiu naquele ano 380 toneladas, qua-
se exclusivamente para o consume in-
terno. No ano passado, a produgqo al-
cangou quase 10 mil toneladas e se
tornou insuficiente para suportar a de-
manda. Boa parte dela foi para outros
Estados e alguns pauses.
Na onda da alimentagAo natural, da
busca pelajuventude prolongada e pela
satide total, o agaf entrou de vez na die-
ta de naturalistas, macrobi6ticos, atle-
tas e integrantes da terceira idade. E
oferecido em quase todos os Estados
brasileiros e foi aceito pelos Estados
Unidos e a AustrAlia, que importamr
quantidades crescentes de aqaf. E a fru-
ta native de maior presenga fora da
Amazonia, um raro caso de sucesso de
um produto tipicamente local. Sua cul-
tura deverA continuar a se expandir ex-
ponencialmente pelos pr6ximos anos. E
uma oportunidade rara embora deli-
cada e cheia de desafios para a eco-
nomia estadual e mesmo regional.
Embora os paraenses apostassem
nos encantos do suco extraido da visto-
sa palmeira, jamais podiam supor que
ela conquistaria milh6es de admirado-
res espalhados al6m das suas divisas,
de uma forma que horroriza o consumi-
dor traditional. 0 belenense padrdo
toma, praticamente todos os dias, um
prato do "vinho" de agaf puro e grosso.
Extrafdos da copa da palmeira, que
pode chegar a 30 metros de altura, por
uma pessoa hAbil em subir pelo tronco
fino e liso, os frutos sao colocados numa
maquina (inventada em Bel6m mesmo)
que faz descaroqamento e amassa a
polpa em Agua, deixando passar um If-
quido corn um tom tdo carregado de
roxo que chega a parecer negro luzidio.
A denominaqao popular de vinho,
dada a essa calda encorpada, se reve-
lou sabia A media que as pesquisas


sobre o aqaf se aprofundavam. Quem o
experiment tern dificuldade de definir
o paladar. No passado, sem informaq6es
sobre o valor nutritivo e medicinal do
fruto, quem experimentava costumava
reagir corn desagrado porque o gosto
era terroso, de palha.
Um novo teste, por6m, abriu uma
nova porta A percepcqo. Um pesqui-
sador ndo iniciado no ritual do aqaf dis-
se que seu paladar 6 uma mistura de
chocolate e de vinho tinto. Mais in-
formado tecnicamente, seu jufzo deve
ter sido influenciado pelas qualidades
qufmicas do produto, que o tornaram
um sucesso de pdblico nos mais dife-
rentes audit6rios.

G poder antioxidante
o a3ai 6 33 vezes
%Pmaior do que o da
uva na eliminaqao do coles-
terol e dos radicals livres,
superando nessa media os
atributos do vinho. E ainda cin-
co vezes maior do que a do Gingko Bi-
loba, produto fitoterapoutico utilizado no
mundo inteiro.
Seu suco tern um valor energ6tico
duas vezes superior ao do leite. Tern
grande quantidade de ferro e de fibras,
que favorece o trinsito intestinal. Corn
significativo teor de proteinas, cAlcio e
potissio, 6 considerado uma das mais
nutritivas frutas da Amaz6nia, perden-
do apenas para a castanha-do-pard.
Todas essas qualidades ampliaram o
leque de usos dados ao aqaf quando ele
transp6s os limits do Para, onde ape-
nas o vinho era tornado, corn acompa-
nhamento de farinha, aqticar, uma ou
outra fruta, peixe, camardo e care
seca. Hoje, o aqaf se apresenta corn
xarope de guaranA, mamdo, morango,
maracujA, cereais, suco de laranja, lei-
te, granola. As combinaq6es e variag6es
avanqam ao sabor da imaginagdo de
quem espera potencializar ainda mais
os beneffcios do fruto.
Uma consequencia dessa voragem 6
reduzir a participagqo do pr6prio again na
mistura, o que jA acontece corn essenci-
as amaz6nicas utilizadas na cosmrntica ou
mesmo na fitoterapia, em proporqAo
muito pequena (embora a embalagem
declare o contrArio). Enquanto o custo
for relativamente alto e a validade do


produto reduzida, a diluigqo do aqaf puro
serA uma contingencia commercial. S6
assim renderA maiores lucros.
Com o desvio de parcelas cada vez
maiores da produgao para fora da Ama-
z6nia, em virtude dos pregos mais ele-
vados que sdo oferecidos e dos meca-
nismos de comercializaqao, que chegam
diretamente ao produtor, vai se toman-
do cada vez mais remota a possibilida-
de de fazer com o aqaf o que os france-
ses fizeram com o seu vinho: classifi-
car um terroir (leia-se terrod) do aqaf.
Qualquer dicionArio francs define
o terroir como "produto pr6prio
de uma Area limitada". 0 terroir
6 um conjunto de terras sob a
aqao de uma coletividade social
congregada por relag6es famili-
ares e culturais e por tradiqbes
de defesa comum e de solidarie-
dade da exploragao de seus pro-
dutos, acrescentam os tratados.
HA um terroir especffico para a
valorizadfssima champanhe fran-
cesa na regiao da Champagne. i
Quem compra uma garrafa des-
sa bebida paga um valor maior
quando sua origem 6 atestada.
Conforme argumentou um es-
pecialista, o terroir, na verdade, 6
revelado, no vinho, pelo home,
pelo saber-fazer local. "0 terroir
atrav6s dos vinhos se opre a tudo
o que 6 uniformizaqao, padroni-
zagdo, estandardizaqao e 6 con-
vergente ao natural, ao que tem
origem, ao que 6 original, ao tfpi-
co, ao que tern carAter distintivo
e ao que 6 caracteristico com to-
dos os requisitos para serem re-
conhecidos como denominagoes
de origem, pois agregam origem, dife-
renciaqao e originalidade dos produtos",
diz Jorge Tonietto, da Embrapa.
0 terroir do aqaf 6 na chamada "re-
giao das ilhas", na foz do rio Amazo-
nas, no Pard, em torno da parte ociden-
tal da ilha de Maraj6 e do baixo Tocan-
tins. Nao ha fruto melhor em condiqges
naturais do que esse. Nem bebida de
sabor mais puro do que aquela que 6
vendida em centenas de pontos espa-
lhados por todos os bairros de Bel6m,
corn seus 1,4 milhdo de habitantes.
Nas melhores quitandas (que anun-
ciam o produto com uma bandeira ver-


6 Jornal Pessoal AGOSTO DE 2010 la QUINZENA







para o again dos paraenses


melha A porta), o batedor 6 um expert
nao s6 em produzir o lfquido encorpado
como um vinho tinto e denso como um
chocolate, mas tamb6m em escolher o
melhor fruto para esse process. Os
seus clients habituais, que compram e
tomam agaf todos os dias (beneficiados
pelo florescimento da palmeira o ano
todo, em melhores condicqes de julho a
dezembro), exercem o control de qua-
lidade e ddo sugest6es.

S e esse cielo for
rompido ou desapare-
cer, como ameaga
acontecer, sera dificil
estabelecer um terroir
para o a9ai, agregan-
do-Ihe os beneficios
j-J que ele teria da clas-
1 sificagao, como a
champanhe francesa.
Mas nao s6 para ganhos maiores
na exportagqo: tamb6m para nao
tirar dos velhos apreciadores do
melhor aqaf o direito de usufruf-
rem esse prazer multissecular. 0
governor teria que criar uma polf-
tica de sustentaqAo de preqos e
de produgao para que um seg-
mento nao prejudique o outro e a
atividade econ6mica nao liquid
corn o process cultural.
Da mesma maneira como a
produgqo e a comercializacqo
cresceram aceleradamente, o
preqo para o comprador de aqaf
em Bel6m e outras cidades ama-
z6nicas se multiplicou por cin-
co. Nos perfodos de menor pro-
dugqo (e de qualidade inferior),
um litro de agaf tern o preqo de
uma sobremesa cara de restaurant,
como um brownie.
Para muita gente aqaf 6 mesmo so-
bremesa. Mas para uma parcela ex-
pressiva ele 6 alimento, As vezes a dni-
ca refeiqAo forte do dia. Apesar do au-
mento exorbitante dos pregos, quem tern
o hAbito de tomar acai encontrou uma
forma de nao ficar sem ele. Na melhor
das hip6teses, por6m, o peso desse cos-
tume estA se tornando oneroso, prejudi-
cando o orgamento dom6stico.
At6 a explosdo do acai no mercado
de academias de sadde e entire atletas,
toda producao vinha de Areas naturais,


nas varzeas inundAveis das margens dos
cursos d'Agua. Hoje, 20% prov8m de
plantios manejados em terra-firme, que
nao oferece solo em condiq6es para uma
cultural de melhor qualidade.
Mas para que produzir o aqaf puro e
grosso, se seu gosto vai ser dilufdo ou
desaparecer pela presenqa de acompa-
nhantes valorizados pelos consumidores
atrafdos pelo poder energ6tico e vitamf-
nico do fruto e que, ademais, nunca
tiveram contato com o paladar original?
O aqaf, mesmo sendo o item mais im-
portante, 6 um element do mix e nao o
component dnico, conforme 6 para o
gourmand do produto em Bel6m.
Essa tendencia se consolidou quan-
do, em 2007, nove fabricantes, que pro-
duzem para exportacqo, assumiram corn
o Minist6rio Pdblico o compromisso de
pasteurizar o seu produto. Neste ano, o
senador acreano, Tiao Maia, chegou a
apresentar um projeto de lei tornando
obrigat6ria para todos a pasteurizaqao.
A media nao s6 modifica drasticamen-
te o gosto, tornando-o intragavel para o
connaisseur, como colocaria no desem-
prego milhares de vendedores individu-
ais, que atuam no varejo, em pequenos
estabelecimentos comerciais. Felizmen-
te a iniciativa foi abortada a tempo. Bas-
tou mostrar ao senador o efeito nocivo
da sua proposta, que ele, mesmo sendo
da AmazOnia, desconhecia.
Antes, houve uma onda sensaciona-
lista em torno da ameaqa de surto de
doenga de Chagas porque o protozoA-
rio esta present no fruto e 6 esmagado
quando ele 6 descaroqado. Tanto tem-
po depois que o aqaf faz parte da mesa
do paraense, foi a primeira vez que o
problema se tomou alarmante. Mas nada
sugere que a ameaqa da doenqa sobre-
viva a cuidados de higiene e normas de
qualidade, providencias que os pr6prios
vendedores passaram a adotar.
0 mesmo nao se pode dizer do futu-
ro do agaf como um terroir paraense.
Pode vir a se tornar um produto paulis-
ta, baiano ou texano, conforme a forma
de apropriagdo que vem sendo feita, que
inclui a patente. Tern sido esse o desti-
no dos produtos naturais amaz6nicos,
nos tiltimos anos, em especial, os min6-
rios. A Amaz6nia tem lugar no enredo
atual para ser col6nia do mundo, nio
agent da sua pr6pria hist6ria.


Historia

torta

Parece que o melhor neg6-
cio que as tres principals emprei-
teiras do Brasil fizeram An-
drade Gutierrez, Camargo Cor-
r8a e Odebrecht foi perder a
dispute (caso da primeira) ou de-
sistir de participar do lei.lao pela
concessao da hidrel6trica de
Belo Monte, no rio Xingu, no
Pard, projetada para ser a ter-
ceira maior do mundo, e passar
para o lado do faturamento,
como construtoras da obra.
0 poderoso cons6rcio deve-
ri ser formado antes da assina-
tura do contrato de concessao da
usina, previsto para o dia 26. 0
cons6rcio Norte Energia, do qual
a Andrade Guiterrez fazia part,
perdeu, o que surpreendeu os
mais bem informados observado-
res corn sua vit6ria.
Todos tamb6m achavam que
Camargo e Odebrecht seriam
punidas, ou pelo menos recebe-
riam o gelo official, por fugirem
da raia. Mas o cenArio que estA
se desenhando, segundo a
grande imprensa national, 6 fa-
voravel As tres grandes. De
novo. Talvez porque, a partir do
leilao, todas as decis6es foram
concentradas na EletrobrAs,
que tem quase metade das
aq6es da Sociedade de Prop6-
sito Especifico (SPE), dona da
concessao da usina. E a estatal
parece preferir continuar a li-
dar com seus grandes parcei-
ros do que se atrelar a coadju-
vantes, embora Odebrecht e
Camargo, antes consideradas
favorites, tenham se retirado do
leilIo, alegando que a obra cus-
taria 30 bilhoes de reais e ndo
R$ 19 bilh6es, segundo as pla-
nilhas oficiais. Terao razdo, no
final das contas?
Mais um item defeituoso no
enredo tortuoso de Belo Monte.


AGOSTO DE 2010 1 QUINZENA Jornal Pessoal 7












REME]DIOS
As farmAcias Modelo (na
Joio Alfredo), Lobato (na 28
de Setembro) e Lira (na Se-
nador Lemos) anunciavam,
em 1953, seus principals re-
m&lios: Dihidro Estreptomici-
na, vinho reconstituinte, Agua
inglesa, xarope de urucu do
Ceard, Sadde da Mu-
ther, Pondicilina, Pilulas
de Matos e penicilina
de 200.000. Tempo de


doenqas menores.

AVIAO
Bel6m era escala dos
v6os internacionais
para os Estados Uni-
dos e a Europa. At6
1953 boa parte dessas
viagens eram feitas
no elegant e confor-
tivel Constellation da
Pan-American, que
nesse ano os substituiu
pelos DC-6. A empre-
sa americana nao dis-
se, mas os Constella-
tion apresentaram pro-
blemas e, infelizmen-
te, tiveram que ser
aposentados dos v6os
intercontinentais. Ain-
da sobreviveram nas
rotas dom6sticas, mas
nao por muito mais
tempo. Alguns aciden-
tes graves abreviaram
sua carreira.

COLEGIO
Os mais velhos de-
vem ter lembrangas do
Col6gio Abrahan
Levy, que funcionou
na esquina da Padre
Eutiquio com a Tamoi-
os, numa das esquinas
da praqa Batista Cam-
pos, onde hoje funcio-


na a Procuradoria Geral do
Estado. Muitos estudaram li,
sobretudo os que nao iam
bern nos col6gios um pouqui-
nho mais rigorosos. Como a
demand era grande, o col6-
gio se mantinha como uma
tAbua de salvaqao para os
alunos nem tao aplicados.


PROPAGANDA


Mulher de campanh

A professor Alice Antunes, na su
face de political, na campanha
eleitoral de 1961, prometia
arrumar Belim. Ndo conseguiria
o prefeito eleito seria Moura
Carvalho, do PSD baratista. Alic
foi uma figure marcante e muito
controversy em seu tempo.


Estes Problemas
O Pavimentavio C Limpem Piblilc
O Dreaagem 0 Atislincia Soci
r E n s I n o D Teletones
SOSa u de 0 Ablaccimento

Tem Solucao, Poi


ALICE

ARRUMARA BELEM


Em 1957 o "Abrahan Levy"
esteve ameaqado de perder
sua sede. 0 governador
Magalhaes Barata, no seu
dltimo mandate (o dnico
para o qual foi eleito pelo
povo), queria o pr6dio de
volta, alegando necessidade
de serviqo. Mas a brava di-
retora, Alice Antu-
nes Coelho, disse
que nao entregaria.
A iniciativa se de-
La via a "condiqges po-
liticas", ji que ela
,a era adversaria dos
baratistas (e viria a
se tornar prefeita in-
terina de Bel6m,
quando o m6dico
e Lopo de Castro, titu-
lar do cargo, sofreu
um acidentre). 0
objetivo era "pertur-
bar a ordem do en-
sino que aqui se mi-
nistra hA sete anos".
1l 0 contrato de lo-
caqdo do edificio,
pertencente ao De-
s, partamento de Es-
tradas de Rodagem,
fora assinado em
1955, ao fim do go-
verno do general Za-
carias de Assunq~o,
que derrotara Bara-
ta em 1950. Vigora-
ria por 10 anos, at6
1965. Por isso, Ali-
ce Antunes garan-
tia, em nota pdblica,
que nao tinha "ne-
nhum receio desta
batalha, de vez que
estamos agora,
como nas demais
que ultrapassamos,
corn o grande, inve-
javel e magnifico
estandarte da Lei".


IRMA
A Clinica Dalmazia Pozzi, na
rua Joao Balbi, foi recente-
mente demolida para em seu
lugar subir mais um espigao
de concrete a sufocar a ci-
dade. Talvez corn isso seja
soterrada de vez a mem6ria
da homenageada. A irma
Dalmazia era uma filha de
Santana que morreu em Be-
16m, em 1962, as v6speras
de completar 72 anos. Veio
da ItAlia com 21 anos e, de-
pois de uma breve escala
em Recife, durante 57 anos
atuou na assistencia aos en-
fermos da Santa Casa de
Miseric6rdia.
Quando completou meio
s6culo de serviqo, a direqao
do hospital quis homenageA-
la dando-lhe passage para
repousar em sua terra natal,
que nunca mais visitou. Mas
ela preferiu nao deixar a
Santa Casa. Morreu traba-
lhando no hospital. Merecia
continuar a ser lembrada
pela cidade, tao desatenta A
pr6pria hist6ria.

CINEMA
A Paramazon se anunciava,
em 1962, como "a maior or-
ganizaqao distribuidora de fil-
mes da regiao norte do Bra-
sil", com um estoque de pe-
liculas de 16 milimetros "das
afamadas marcas mundiais".
Quem queria assistir a um
desses filmes podia obt8-lo
por telefone: os funciondrios
se encarregavam de tudo, at6
da exibigqo. Para o piblico,
a empresa dispunha do Cine
Teatro Paramazon, com
"magnifico palco e 300 con-
fortAveis poltronas", na tra-
vessa Piedade, transforma-
do em casa de shows.


Jomal Pessoal
Editor: LUcio Flavio Pinto


Contato: Rua Aristides Lobo, 871 CEP: 66.053-020 Fones: (091) 3241-7626
E-mail: Ifpjor@uol.com.br jornal@amazon.com.br Site: www.jornalpessoal.com.br
Diagramagio e ilustraq6es: L. A. de Faria Pinto E-mail: luizpe54@hotmail.com


8 Jornal Pessoal AGOSTO DE 2010 a QUINZENA


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-o FD1nrnr/A\1K\Mr
JD U -


Ja estA nas bancas e livrari-
as o segundo volume da
Memoria do Cotidiano, a seqdo
mais lida por parte dos leitores
do Jornal Pessoal. Junto corn
o volume anterior, acho que os
dois livros permitem uma visdo
mais intima e sempre individua-
lizada da hist6ria de Bel6m e do
Pard durante o s6culo XX, so-
bretudo na sua segunda meta-
de. A boa receptividade A pri-
meira iniciativa reforgou o com-
promisso de lanqar uma nova
coletAnea dos textos, fotos e
ilustragbes do JP. 0 apoio do
amigo Reginaldo Cunha contri-
buiu para viabilizar a empreita-
da, transformando-a em um
acontecimento de final de ano.


infc

FOTOGRAFIA

As lojas de tecidos


Jose Xerfan convocou o reporter da Folha do Norte para faze-lo anunciar a opinido
ptiblica, em 1956, que a Cidade das Sedas e a Cidade dos Algoddes ndo iriam
encerrar suas atividades, ao contrdrio do que se propagava. Eram duas lojas muito
populares, lideres nesse setor do comdrcio. Xerfan disse que os motives para o
fechamento foramm contornados". Ao fundo, centenas de peas de tecidos. Esse tipo
de loja sofreu um golpe corn o surgimento das lojas de departamento e, mais
recentemente, dos shopping centers. Ndo fazem mais parte do cendrio.


FEIRA
0 cronista da coluna Vozes
da Rua, da Folha Vesperti-
na, lamentava, em 1962, a
extingqo das feiras de rua
aos sibados, quando as com-
pras podiam ser feitas corn
tranqiiilidade. Sem a ativida-
de noturna, na feira diurna
"formam-se filas intermini-


veis para adquirir qualquer
g8nero e isto nao ocorria corn
a venda aos sibados". Hoje,
as feiras oferecem, em ge-
ral, um ambiente completa-
mente diferente, de pouco
movimento. E a aqdo dos
supermercados.

TRANSPARENCIA
Trinta anos
atris era assim:
I A 1 quando uma
empresa pedia
ao govemo do
< Estado um be-
S. neficio fiscal ou
tributario, o pe-
dido era trans-
formado em


edital e divulgado atrav6s da
imprensa. Qualquer cida-
dio tinha o prazo de 15 dias
"para a apresentagqo de
impugnaq6es", que deviam
ser protocoladas no Idesp,
responsivel pela aprecia-
qdo da questao.
Foi o que aconteceu em
1979 corn a filial paraense da
pemambucana Renda Prio-
ri, de Pedro Renda, que fun-
cionava onde hoje esti uma
revenda de autom6veis, na
rua Jer6nimo Pimental, no
Umarizal. A empresa teve
isenqao de ICM (hoje,
ICMS) para sua produgao de
latas. Hoje, o assunto trami-
ta intramuros oficiais.


Memoria
santarena
Bancas e livrarias de Bel6m jd
dispiem de exemplares do meu
livro, Mem6ria de Santarem,
editado pelo journal 0 Estado do
Tapajj6s, de Miguel Oliveira.
Registros da hist6ria de Santa-
r6m e do Baixo Amazonas nos
s6culos XIX e XX.


AGOSTO DE 2010 1 QUINZENA Jornal Pessoal 9






CARTAS AO EDTOR


ATAQUE
O blog de Luiz Carlos Azenha
(www.viomundo.com.br) repro-
duziu, na semana passada, um
artigo meu, de 2009, denunci-
ando a exclusio do meu caso
no levantamento feito pela As-
sociaio Nacional de Jornais
sobre 31 atos de censura A im-
prensa praticados nos lItimos
12 meses no Brasil, 16 dos quais
autorizados pela justica. Den-
tre os comentadores do artigo,
que saiu originalmente neste
journal, se apresentou Vinicius
Abreu, que me fez ataques pes-
soais e profissionais. Os edito-
res do blog descobriram que o
leitor trocara sua identidade
digital, mas, atravds do IP, con-
seguiram verificar que a men-
sagem era proveniente mesmo
de Minas Gerais e era ligada
ao portal da Universidade Fe-
deral daquele Estado. Pelo
blog, anunciaram que iam pe-
dir explicag6es a UFMG.
0 cidaddo imediatamente entrou
em contato corn os blogueiros, ofe-
recendo-se para um entendimen-
to. Mas eujd havia respondido e o
desafiado a provor o que disse de
forma tdo leviana. Fui estimulado
a me manifestar por uma mensa-
gem que o socidlogo paraense Be-
nedito Carvalho Filho me mandou
de Manaus. J6 acostumoado ao mes-
mo tipo de otaque, na maioria dos
vezes an6nimo, embora de origem
faocilmente identificdvel, ndo ia le-
var em considerago mais essa pro-
vocagoo. Mas como Benedito se
manifestou, resolvi reproduzir sua
mensagem e parte da minha res-
posta. Segue-se o que Benedito
Carvalho escreveu:

Certo senhor que se diz pa
raense corn muito orgulho por
pouco nao te transformou de viti-
ma em algoz quando comentou o
artigo que enviaste para ojornalista
Luiz Carlos Azenha no blog Viomun-
do sobre o absurdo dos processes
que estds enfrentando na Justica.
Sinceramente, por um minuto,
nao consegui perceber as raz6es da
agressividade contra ti, porque o co-
mentario dessa pessoa nio foi dire-
cionado para a compreensao do que
tinhas escrito, para refutS-los ou
aceita-los atravds de arguments,
mas para te desqualificar como jor-
nalista de uma forma vil, baixa e de-
sonesta. Nao estou me referindo a
forma do texto que ele escreveu,
que, normalmente, nos blogs, apa-
recem truncados pela rapidez corn
que sao escritos, mas pelo conted-
do das ofensas dirigidas a tua pes-
soa.
Pensei corn meus bot6es: um pro-
fissional do jornalismo faz uma de-
ncncia corn serias implicag6es 6ti-
cas e political,


fato que merece reptdio de to-
dos os cidadgos minimamente
conscientes do que isso impli-
ca para a exist&ncia de uma so-
ciedade democrAtica e recebe
uma bordoada como essa. 0
que estava ocorrendo?
Desconheco as raz6es pesso-
ais que levaram esse cidadio a
destilar em poucas linhas sen-
timentos tio maliciosos e chei-
os de veneno, como afirmar, por
exemplo, que no Para tens uma
relaVo muito, mais muito pr6xima
corn a familiar Barbalho.Chega a
alertar que em Beldm ndo existe
impressa independent (sic).
Ora, ele parece estar dizendo
que aconteceu contigo naque-
le fatidico dia foi um mero epi-
s6dio que resultou de uma rixa
familiar da familiar barbalho
com os maioranas, o que, como
todos sabem, 4 uma inverdade.
E diz mais: que nio escreves
uma linha falando mou (sic) do fa-
milia Barbalho ou de qualquer
membro dessa familiar ilustre, que
tern como patriarca Jader Barba-
lho. Ambas families diz ele bri-
gam entire si (e tern mais umas 3
ou 4 families) para ver quem tern
mais poder. Urn tipo de coronelis-
mo permanent no Estado que ndo
mudajdfaz umas ddcadas.
Ou seja, o jornalista Lucio Fli-
vio Pinto, corn seu Jomal Pessoal,
nao tern nada de independen-
te, pois, como diz, ndo se ter ino-
cente nessa histdria defamilias em
Belem. t tudo farinha do mesmo
saco, sd foc a ointeresse deles mes-
mos. Quero ver esse mesmo jorna-
lista escrever algo sobre o Jader
Barbalho, duvido!
t claro, depois de te desqua-
lificar, tenta se mostrar indigna-
do, pois ser contra agressdo de
qualquer especie. mas sendo a fa-
milia Maiorana conhecedora do di-
reito de resposta garantido pela Cons-
tituicao, esperava-se que o fizesse,
fato que ndo ocorreu e sinceramen-
te seja qualfor o caso de agressdo
fisica como resposta a fato dito ou
publicado d repugnante.
Em seguida destila novamen-
te seu veneno de forma confusa:
Sinceramente um dia espero
que minha cidade e meu estado
mudem, que essas pessoas fi-
quem fora da vida publica e que
o estado que tem as maiores
jazidas de mindrio do Brasil prin-
cipalmente de ferro, bauxita e
ouro fique rico de verdade. E que
surjam novos jornalistas paraen-
ses independents, porque sin-
ceramente esse aqui apresen-
tado nesse artigo estA muito lon-
ge de ser independent.
Percebe-se que o foco de seu
texto nao foi uma analise da de-
nuncia apresentada por ti, mas a
tentative de te desqualificar, afir-
mando claramente que tu 6s um
aliado do Jader Barbalho, o que


6 uma inverdade para os que
I&em corn frequ4ncia o JP, onde
as denuncias contra o ex-gover-
nador do Para nio sio denunci-
as pessoais envolvendo a sua
vida privada, mas fatos graves que
ocorreram na sua vida publica.
0 Journal Pessool foi o 'inico jor-
nal da Amaz6nia, e me arrisca-
ria em dizer de todo o Brasil, que
revelou os fatos relatives do cha-
mado escdndalo Aurd [na verdade,
tratei a larga do tema em minha
coluna didria em 0 Liberal, a partir
de 1984, ate sair dojornal, antes de
criar o JP]. Isso estd registrado em
detalhes nao s6 no journal, mas
nos livros que escreveste poste-
riormente. Portanto, os argumen-
tos desse senhor dizendo que
ds parcial e defendes interes-
ses do ex-governador 6 falso,
nao tern base de consist&ncia
nos fatos que parece ignorar.
No u1timo Jomal Pessoal, LOcio,
corn base numa observacio do
professor Armando Mendes, afir-
maste que o Para vive num vdcuo
politico. VAcuo quer dizer vazio,
que nao cont4m nada, um espa-
co que nao contem ar, nao 4 ocu-
pado por coisa nenhuma. Diziam
os fisicos que a natureza detesta
espacos vazios, assim como a
political, pois tmr que se ocupa-
da por alguma coisa. Essa algu-
moa coisa, pelo que percebo nos
ultimos tempos, 6 a mediocrida-
de, essa esp4cie de vale tudo,
onde a political se transform
num grande neg6cio e tudo pode
desde que se atinjam os objeti-
vos de quem almeja o poder.
Essa pequena intervencio do
leitor do blog a que me referi
acima 4 um pequeno exemplo
desse vazio de id4ias, vazio de
senso critic, assim como a pre-
senga muito evidence de res-
sentimentos, invejas tio pr6pri-
as de certa subjetividade con-
temporAnea, onde a 4tica 6 jo-
gada na lata do lixo e parece
predominar o vale tudo. t nes-
sa asfixia que se vive.

MINHA RZSPOSTA
Meu caro: Essa insinuante d6-
vida que vocA tem sobre a mi-
nha relaZiao corn Jader Barbalho
podia ser desfeita sem maiores
esforgos. Bastaria colocar meu
nome e o dele na busca do Goo-
gle e examiner o que escrevi so-
bre o lider do PMDB do Pard.
De fato, temos ele e eu um
passado comum em Belem e
fomos amigos, antes de Jader
se eleger governador pela pri-
meira vez, em 1982. Ele, alias,
me convidou para participar de
sua administracgo quando, jd
eleito, ainda formava sua equi-
pe. Recusei. Disse-lhe que era
jornalista e continuaria a ser
apenas jornalista, como tenho
sido, ha quase 45 anos. E se ele


errasse, me encontraria do ou-
tro lado, sempre. Ao receber a
resposta, chamou um amigo
comum, que viria a ser seu se-
cretArio da fazenda, e pediu-lhe
para repetir o que Ihe dissera
antes da minha chegada: que
iria me oferecer mundos e fun-
dos, mas eu nao aceitaria nada.
E que era isso justamente o que
queria: um critic honest e
competent. t bom nao esque-
cer que, nessa 6poca, Jader ain-
da era considerado um politico
de esquerda, integrante da ala
dos "autknticos" do entao MDB,
e que liderara a oposicio no
Para, apesar do acordo parado-
xal que fez para vencer corn o
governador Alacid Nunes.
Pois eu continue o jornalista
independent que voc4 p6e em
divida. Fui o Onico na imprensa
que combateu Jader, a ponto tal
que fui seguidas vezes ameaga-
do de morte por telefonemas
an6nimos. Um dia ligaram para
a redacao de 0 Liberal. Sem se
identificar, a pessoa disse para
o director de redacao, Claudio Sa
Lealpreparar a manchete com
meu assassinate. 0 dono do jor-
nal, Romulo Maiorana, me ligou
dizendo que ia me mandar pro-
temgo. Agradeci a generosidade
(que os filhos nao herdaram) e
recusei. Mas desfiz a ameaga
acionando o entao governador,
que tomou as providencias de-
vidas para eliminar a ameaga.
Se voce se der ao trabalho de
fazer trabalho identico, verifica-
rd que quase tudo que se escre-
ve a respeito de Jader Barbalho
me toma como fonte, atraves de
entrevistas ou com base no que
escrevo. Desde um pedido de CPI
formulado em 1988 pelo PT para
apurar venda de terras pelo en-
tao ministry da reform agrAria
ate um livro panfletario escrito
por Gualter Loyola, por enco-
menda de Ant6nio Carlos Maga-
lhies, que tergava armas corn o
entio president do Senado
(por pouquissimo tempo em fun-
g5o desse confronto.
Jd que voc4 se diz paraense e
conhecedor do Estado, pegue a
coleg o do Jornal Pessoal e volte
aqui corn uma materia sobre Ja-
der Barbalho que nio tenha base
em fatos ou que Ihe sirva os inte-
resses. 0 que nao fago, como tern
sido comum no Para e no Brasil,
4 transformar Jader em espanta-
Iho, em demiurgo da corrupcAo,
como se ela Ihe fosse monop6-
lio ou ele fosse o mais nocivo
dos personagens, quando, mes-
mo ao lado de catoes da pluto-
cracia paulista, sempre desde-
nhosos dos que estio "no Nor-
te", a seu entendimento domici-
lio de tudo que nao presta no
pals, hd aves de rapina de muito
maior envergadura.


10 Jornal Pessoal AGOSTO DE 2010 1P QUINZENA


rii~*M~-----`---su~~--r~--~--~-~,~,


Q






Tecnologia democratic


Em 1971, o entio analista military
Daniel Ellsberg passou vArias horas ti-
rando c6pias xerogrificas de sete mil
folhas de documents que sua empresa
de consultoria, a Rand Corporation, ha-
via produzido para o governor america-
no. Entregou esses pap6is aojomal The
New York Times, sabendo muito bem o
que estava fazendo. Eram documents
top secrets, cuja divulgacqo constitufa
uma transgressdo grave. Ellsberg se
convenceu de que devia ultrapassar o
limited do sigilo para mostrar A opiniao
pdblica dos Estados Unidos que o go-
verno mentia: ao inv6s de reduzir sua
participaqdo na terrivel guerra do su-
deste asiAtico, a estava ampliando.
A divulgacqo
gerou um incident
que ficou conheci-
do na cronica hist6-
rica como "os docu-
mentos do Penti-
gono". 0 govemo
Nixon tentou inter-
romper a publica-
gqo dos pap6is pelo
jomal novaiorquino,
mas a Suprema
Corte ndo aceitou
os arguments da
administrago fede-
ral. Mais importan-
te do que eventual
risco para a segu-
ranqa national era
a vig8ncia da Primeira Emenda, que as-
segurou a tutela constitutional A liber-
dade de imprensa nos EUA.
Daniel Ellsberg, um her6i daqueles
dias, hoje corn 79 anos de idade, voltou a
ser lembrado pela imprensa a prop6sito
de vazamento semelhante de informa-
q9es secrets sobre a guerra do Afega-
nistio atrav6s do site WikiLeaks, no dia
25 de julho, provavelmente por Bradley
Manning. S6 que a inconfidencia abran-
geu 100 mil folhas, 14 vezes mais do que
as c6pias produzidas clandestinamente
por Ellsberg. Os documents por ele va-
zados eram "muito secretss, por reve-
larem dados in6ditos, enquanto os de
Manning sao apenas secretsos. Servi-
ram mais para confirmar oficialmente as
critics feitas ao governor do que como
novidade para a opiniao ptiblica.
Numa entrevista A Folha de S.
Paulo, comparando o seu epis6dio


com o atual, Ellsberg disse que deci-
diu arriscar sua liberdade "assim
como havia arriscado o meu corpo
nas estradas do Vietnd anos antes,
para encerrar o nosso envolvimento
e parar a matanga". Acredita que
Bradley Manning tenha o mesmo
convencimento: "Esteve no Iraque e
estava preparado para passar a vida
na prisdo ou at6 ser executado". Mas
nao v8 os dois comportamentos como
extraordindrios: "me parece natural que
algu6m esteja disposto a correr o risco
pela paz, pelo fim da matanga".
Ellsberg acredita que a divulgaqao
dos documents reforgarA a convicqio
da maioria da populacgo de que os Es-
tados Unidos nao
deveriam estar no
A feganist o,
"mas isso ndo sig-
nifica que os nos-
sos lideres trardo
0, ^os soldados de vol-
ta para casa. Todo
president, demo-
crata ou republica-
no, teme ser acu-
sado de abandonar
uma guerra venci-
vel. Como essa
guerra nao 6 ven-
civel, essa 6 uma
avaliagdo irrespon-
sivel e burra".
Ainda assim -
lembra Ellsberg os presidents da
reptiblica nao gostam de enfrentar esse
tipo de acusacgo em campanhas
eleitorais: "Eles preferem mandar as
pessoas para 1h para matar e morrer,
indefinidamente. Essa declaraqdo
que fago 6 dura, mas 6 baseada na
experi8ncia".
Apesar da permanencia dessa ati-
tude insensata, a evolugdo da tecnolo-
gia tern favorecido, nesse caso, mais a
sociedade do que ao governor. E possf-
vel vazar documents secrets em mai-
or abundancia e muito mais rapidamen-
te do que antes, atrav6s da internet,
cujo poder de armazenamento e difu-
sdo nao tern termo de comparag~o corn
a Xerox, uma ferramenta que surgiu
para fortalecer a democracia. 0 avan-
go que ocorreu nas quatro d6cadas que
transcorreram de Ellsberg para Man-
ning 6 formidAvel.


Cerco a Igreja
Integrantes da Igreja Uni-
versal do Reino de Deus, em
conjunto com outras igrejas se-
melhantes, procuraram graficas
em Bel6m para encomendar
banners e folhetos contra Nos-
sa Senhora de Nazar6 e o Cf-
rio, festividade cat61lica que Ihe
6 dedicada e 6 considerada a
maior procissio religiosa do
mundo. Aintenqao seria de dis-
tribuir esse material um pouco
antes da festividade, que acon-
tece no segundo domingo de
outubro.
Nenhuma das graficas con-
tatadas aceitou o serviqo. As
igrejas reunidas sobre a lideran-
qa da Universal, chefiada pelo
pastor Edir Macedo, teriam de-
cidido instalar uma grAfica pr6-
pria, em regime de urg8ncia,
para dar conta da missdo de es-
palhar por Bel6m milhares de
impressos condenando o culto
mariano.
A dentincia foi feita pelo frei
Juraci, paroco da capela de
Santo Antonio de Lisboa, em
Batista Campos, durante missa
dominical do dia 15. Ele alertou
os fi6is para o cerco que essas
seitas estdo fazendo sobre os
cat61licos. Informou que uma
equipe de missionarios consta-
tou, em um levantamento reali-
zado recentemente nos bairros
do GuamA e Cremacqo, que de
cada 10 casas visitadas, sete
eram de protestantes. 0 esva-
ziamento do catolicismo, al6m
de reduzir o pdblico que fre-
quenta a igreja, estA acabando
com as vocaqoes sacerdotais.
"Ndo temos mais padres no-
vos", lamentou. Recorrendo a
textos biblicos, disse que a situ-
aqdo atesta a previsdo antiga
sobre o ataque que a mre de
Jesus viria a sofrer por parte do
dragao demonfaco.


AGOSTO DE 2010 1~ OUINZENA Journal Pessoal 11


..


AGOSTO DE 2010


1 OUINZENA Jornal Pessoal 11







TV Liberal cobra

mais dinheiro da Funmtelpa


Cidade ruim

Quem sai de Bel6m para
qualquer outra capital brasi-
leira, quando volta, se tern o
minimo de sensibilidade, so-
fre um choque de realidade.
Dificilmente deixara de cons-
tatar que a nossa 6 a pior
metr6pole do pafs em padrao
de vida. Seduzido pelo elo-
gio facil ou tendencioso, o
belenense deixa de atentar
para o fato de que, por trAs
do modo gentil da populacqo,
de algumas atraq6es da ci-
dade e do que sobrou de born
do patrim6nio herdado dos
antepassados, a vida na ca-
pital paraense 6 muito diffcil.
A sujeira se espraia sem
control, as regras de convi-
v8ncia em coletividade sdo
violadas com uma constan-
cia espantosa, as leis viraramrn
piada e a civilidade foi des-
cartada. A populaqao pare-
ce anestesiada pela brutali-
dade cotidiana, incapaz nao
s6 de reagir como de sair da
catatonia dominant, a dnica
razdo para que um prefeito
recordista de rejeigao, como
Duciomar Costa, governor a
municipalidade em transito
entire Belem e Brasilia e
mais al6m.
Um sinal de vida, embora
modesto, surgiu corn a mo-
vimentagqo contra o lixo que
se acumula na cidade, pas-
sando a fazer parte da sua
rotina. Sera que irA al6m des-
se suspiro de vontade?


A TV Liberal ajuizou uma aqgo de co-
branqa contra a Funtelpa, a Fundacgo de
Radiodifusdo do Estado. A empresa da fa-
milia Maiorana quer receber por cinco me-
ses, de janeiro a maio de 2007, periodo que
transcorreu entire a suspensdo provis6ria e
a rescisao unilateral do convenio pela Fun-
telpa. 0 valor cobrado 6 de aproximadamen-
te 3,4 milh5es de reais, incluindo atualiza-
gqo e encargos.
Ao assumir o governor, em janeiro de 2007,
Ana Jdlia Carepa, do PT, rescindiu o conv8-
nio assinado dez anos antes corn a TV Libe-
ral, durante o primeiro mandate do govema-
dor Almir Gabriel, do PST, por considerA-lo
illegal e imoral. A Funtelpa cedeu suas esta-
q6es de retransmissao de imagens de televi-
sdo para a Liberal e ainda pagava-lhe men-
salmente 200 mil reais, tendo como compen-
sagqo inserqces publicitarias de interesse do
governor na programacgo da emissora, afilia-
da A rede Globo de Televisdo. Para contornar
a exigencia legal de licitaqao para a realiza-
gqo do serviqo, ao inv6s de contrato, as parties
assinaram um conv8nio, embora o instrumen-
to seja inadequado ao objeto, conforme audi-
tagem feita pelo Tribunal de Contas, que con-
cluiu pela ilegalidade e imoralidade do ato.
Ao long de 10 anos de vig8ncia da rela-
q5o, a mensalidade subiu de R$ 200 mil para


Todos n6s, irmaos, demos prioridade ao
sobrenome Pinto, que nosso pai nos transfe-
riu. Menos o caqula. Paulo preferiu o Faria
da mae. Nao s6 por ser o mais chegado a
ela. Tamb6m para escapar ao interdito proi-
bit6rio do grupo Liberal, que
me vetou em seus vefculos de
comunicaqao e, em seguida,
meus irmaos. A tatica deu
certo at6 a semana passada.
Como Paulo vem se dedican-
do A pesquisa sobre o meu tra-
balho, sua ligaqgo comigo se
tomou pdblica e not6ria.
0 resultado 6 que nenhu-
ma linha saiu nos vefculos da
famflia Maiorana sobre o fes-
tival de teatro do qual ele par-
ticipou, corn o grupo que montou e comanda
em Sao Paulo, o Pessoal do Faroeste, ao con-
trArio do que aconteceu nos outros anos, em
que chegaram at6 a publicar entrevista corn
ele. 0 silencio, porem, em nada prejudicou a


R$ 476 mil, valor que deveria ser pago em
janeiro de 2007, graqas ao 14 aditamento,
assinado pelo governador tucano SimAo Ja-
tene, no 61timo dia do seu mandate, em 31
de dezembro de 2006. At6 entdo, o Estado
transferira R$ 37 milh6es aos cofres da TV
Liberal, que hoje corresponderiam a R$ 50
milh6es.
Apesar da documentagqo e dos argumen-
tos apresentados contra o convenio, com o
parecer favorAvel do Minist6rio Piblico do
Estado, a acqo popular proposta pelo deputa-
do federal (DEM) Victor Pires Franco, subs-
tituido pelo soci61logo Domingos Conceigqo
quando o parlamentar desistiu de continuar A
frente da iniciativa, a i rejeitada pelajufza Ro-
sileide Filomeno, da 21 a vara civel de Bel6m.
Em 2008 o recurso contra a sentenqa su-
biu ao Tribunal de Justiqa do Estado. Sete de-
sembargadores se declararam impedidos de
funcionar no feito. HA mais de um ano o pro-
cesso estA corn a desembargadora Luzia Nadja
Nascimento, esposa do secretArio de defesa
social durante a administragqo do PSDB no
Para. Apesar do compromisso da Meta 2 do
Conselho Nacional de Justiqa de julgar todos
os processes protocolados at6 2005, o "con-
venio" entire a Funtelpa e a TV Liberal rema-
nesce. Vai completar em dezembro 13 anos
de tramitagqo no judiciArio paraense.


presenga de Paulo entire n6s: o Teatro ClAudio
Barradas estava completamente lotado para
ver sua peqa Sol do Fim do Dia.
A plat6ia o ovacionou de p6. Aplaudiu tam-
brnm sua iniciativa de me dedicar o espetAcu-
lo, uma generosa surpresa,
que me emocionou. Paulo deu
noticia sobre o texto que pre-
tende escrever e pediu a co-
laboraqio de todos que qui-
serem aderir A empreitada.
Acredita que entire o final des-
te ano e o inicio de 2011 po-
dera estrea-la em Sao Paulo,
para onde se transferiu hA
mais de 20 anos.
A familia Faria Pinto com-
pareceu em peso, fato raro na
sua agenda, e saiu orgulhosa corn o desem-
penho do filho mais novo, ator e autor da peqa,
a mais premiada do seu jA extenso curriculo.
Perfeitamente conscientes de terms, final,
um grande artist entire n6s.


Nosso artist