Jornal pessoal

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00327

Full Text



JULHO
DE 2008



Sonal- Pes so
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


SANTACASA


A saude manipulada

0 alto indice de mortalidade de criancas escancarou mais uma crise da Santa
Casa de Miseric6rdia, uma instituiado tri-secular do Pard. Mas a campanha de
denuncia esconde mais do que o interesse pela causa public: e uma peca no jogo
politico e commercial das elites do Estado.


D ois por cento das crianqas que
nascem no Pard tnm sifilis con-
genita. No Brasil, apenas Per-
nambuco registra essa lesdo de nasci-
mento. No mundo, s6 os pauses mais
pobres, ou miseriveis. Embora pareqa
A primeira vista um indice pequeno, para
se ter uma id6ia fiel escandalo social
que ele represent 6 precise conside-
rar que a Organizaq~o Mundial da Sa6-
de nio tem um indice de refer8ncia para
esse tipo de doenga. Ela jA devia ter
sido erradicada da face da Terra, por


um motive bem objetivo: a sua preven-
qao 6 facil e barata. Um simples exa-
me de sangue identifica a sifilis na ges-
tante. Todo tratamento custa 15 reais e
permit a cura complete, da mie e do
seu filho, em uma semana.
Ha bebes que permanecem durante
meses na UTI neonatal da Santa Casa
de Miseric6rdia do Pari, em Belem, re-
cebendo injeq6es na cabeqa, mobilizan-
do recursos e pessoas. A diiria do trata-
mento desses pacientes custa mil reais,
70 vezes mais do que todo tratamento


de cura antes do parto. E nem sempre
tanto investimento result na cura. Pelo
contririo: a regra e a morte. O desfe-
cho aconteceria, na maioria dos casos,
mesmo que o local de internaio fosse
o melhor do mundo. Na parte rica do
planet 6 provavel at6 que os m6dicos
ji nem saibam como se conduzir diante
desses pacientes. Pela simples razio de
que esse tipo de doenqa nao existe mais
entire eles hi muito tempo. E peqa mu-
seu, para ser vista e esquecida.
CONT6I6UA NA PAG2


ANO XX,,
______3.0


FAVORITE EM BELEWK::


[CODIGO JUDICUMO







CONTINUAVAO DA CAPAMWW- SMK
A Santa Casa, instituiqao com mais de
tres s6culos de existincia, s6 menos ve-
lha do que a pr6pria cidade na qual se
localiza, ha muito tempo vive em dificul-
dades. Nao 6 de estranhar. Depende da
miseric6rdia alheia, como diz seu nome,
e da atenqao do governor do Estado, que
a assumiu hi duas d6cadas, porque a ir-
mandade mantenedora chegou ao seu
limited de possibilidades. Houve uma fase
de incertezas que s6 nao levou ao fe-
chamento do hospital porque o Tribunal
Regional do Trabalho interveio, sanean-
do-o e colocando-o em condiqces de
retomar suas atividades.
Em tanto tempo de hist6ria, a Santa
Casa acumulou problems, distorq6es e
vicios. Os menos graves, mas ainda as-
sim enormes, resultam da sua pr6pria
estrutura fisica: instalada em um pr6dio
velho, com pavilh6es dispersos por toda
uma quadra da cidade, 6 dificil de admi-
nistrar. Suas dificuldades sofrem ciclos
de crescimento e de queda.
A julgar pelo tratamento a ela dispen-
sado pela imprensa a partir do dia 24 de
junho, a Santa Casa passa atualmente pela
maior crise da sua hist6ria. Pode mesmo
estar agonizando, como anunciou O Li-
beral, o principal fomentador do noticid-
rio. Na primeira pagina, ojomal chegou a
definir a instituiqao como "um matadou-
ro". A incompetencia dos seus atuais ges-
tores teria provocado uma metamorfose
m6rbida da instituiqgo, que antes era re-
fer8ncia national e agora se tomou um
local de exterminio de bebes. Em pouco
mais de duas semanas, 32 deles (ou 48,
segundo a filtima contabilidade dojomal)
morreram na UTI neonatal.
A cobertura de O Liberal A evidence
crise de gestao Na Santa Casa ilumina
(ou escurece de vez, conforme a 6tica)
o tratamento das quest6es pfblicas no
infeliz Estado do Pard e na triste cidade
de Bel6m. Nos tr8s primeiros dias, ojor-
nal tratou com alguma discriqao e obje-
tividade a questao. A partir daf, por6m,
abriu espaqo cada vez maior para mat6-
rias cheias de qualificativos (embora
carentes de informaqao), escritas pela
maior quantidade de rep6rteres mobili-
zados nos iltimos tempos para uma ini-
ca cobertura, e fotos de fetos guarda-
dos em geladeira e de enterros de indi-
gentes, exibidos sem qualquer pudor ou
comiseraqao humana, como se fossem
uma mercadoria qualquer.
Tornara-se nitido o prop6sito de escan-
dalizar, chocar e, talvez, pressionar, inti-
midar. A Santa Casa se tornou o bode
expiat6rio da satide pdblica e a campa-


nha, como s6i acontecer em iniciativas
desse tipo promovidas pela folha da fa-
mnlia Maiorana, parecia servir a outros
prop6sitos que nao o bem-estar e a vida
dos pobres.
Qualificar a Santa Casa de matadou-
ro foi um exagero de leviandade e um
desrespeito ao significado dessa tri-se-
cular instituiqao para a gente pobre e
carente do Para. Esta mais do que es-
cancarada a incompetencia do governor
Ana Julia Carepa no trato com um enor-
me hospital, cor um total de 400 leitos,
a maioria dos quais ocupados por indi-
gentes, com 240 internaqes por mes s6
na unidade neonatal.
Nao ha d6vida que muitos erros fo-
ram cometidos e ainda persistem. Serve
de indicador desses erros a mudanqa da
direcqo da Santa Casa pela terceira vez
em um ano e meio. 0 PT 6 responsavel
pelo enfraquecimento do padrao t6cni-
co do atendimento, ao dividir o poder in-
terno na instituiqao entire os "seus" mili-
tantes ou simpatizantes e os agregados
do PMDB, partido cor o qual teve que
dividir o setor de saide em funqao dos
acertos politicos para a vit6ria e a sus-
tentaqao do governor. Como os petistas
nao confiam nos peemedebistas, que, por
sua vez, ignoram o mando dos aliados,
certos de que eles sao mais incompe-
tentes ainda nas quest6es estritamente
t6cnicas, instalou-se um vacuo que cei-
fou cabeqas e, junto com elas, a centra-
liza~lo do mando em bases profissionais.
Falha clamorosa foi cometida quando
da substituiqao de 15 servidores tempo-
rarios pelos concursados corresponden-
tes. A dispensa dos contratados a titulo
precario era necessaria, como manda a
constituiqao. Mas em serviqos essenci-
ais e complexes, como os de saude, a
experiEncia nao 6 transmitida instanta-
neamente. Pessoas inexperientes foram
colocadas no lugar de enfermeiras que
vinham lidando ha muito tempo cor si-
tuaq6es e pessoas, sobretudo nas difi-
ceis condiq6es impostas pela Santa Casa,
e especificamente na unidade neonatal,
aonde o excedente de internos chega a
ser de 50% a mais do que a capacidade
nominal. A transigqo teria que ser lenta,
cuidadosa e supervisionada adequada-
mente. Mas nao foi.
Todos esses fatores contribuiram para
o agravamento da mortalidade neonatal
(que diz respeito ao primeiro mes de vida
do nascido) e para o indice geral de
mortes no hospital. Mas esse 6 apenas
um fator de incremento. Outros e prin-
cipais podem ser apontados tamb6m:
a deterioraqao das condiqces de vida da


populaqao pobre do Estado, potencializa-
da pelo crescimento demografico atra-
v6s da imigraqao, majoritariamente de
gente tamb6m marginalizada, e a omis-
sao dos municipios na saude basica.
Os erros do governor do Estado podem
ter contribuido para reduzir as possibili-
dades de vida e sobrevida das crianqas
que chegam A Santa Casa. O mais gra-
ve, por6m, 6 que a quantidade de crian-
cas acolhidas no hospital ja em vias de
morrer, 6 muito maior do que antes. Essa
demand onerosa evolui proporcional-
mente muito acima dos recursos colo-
cados a disposigao (sem falar naqueles
que nao chegam a instituigao ou retor-
nam ao ponto de origem por incapacida-
de de uso).
O Liberal reproduziu ligeiramente a
informagqo do m6dico Hl6io Franco so-
bre os bebes que nascem cor sifilis,
escondida no meio de uma mat6ria. Ali-
as, na entrevista que fez cor o ex-pre-
sidente da Santa Casa, publicada em p6
de pigina na edicao do dia 4, o journal
suprimiu toda a part referente a parti-
cipaqao da prefeitura de Bel6m no agra-
vamento do problema. Nas paginas e
paginas da extensive cobertura didria do
journal a Santa Casa, como nunca antes
a imprensa fizera, nao ha a menor refe-
rencia ao fato de que metade das mies
que buscam a Santa Casa para o parto
6 resident na capital.
Se o governor Ana Jilia se mostra ex-
tremamente deficiente na area da salu-
de, o adjetivo para classificar a gestao
de Duciomar Costa nesse item vital (e,
de resto, em quase tudo) 6 um s6: de-
sastroso. Os postos criados no governor
de Edmilson Rodrigues, que davam o
atendimento imediato e descentralizado
as gestantes, foram extintos. Os pronto-
socorros vivem A mingua. Os postos de
saide estao desaparelhados. O trajeto
das pacientes pelas unidades municipals
acaba na Santa Casa. Ha apenas a per-
da de tempo numa peregrinaqio sem
altemativa. Mas Duciomar Costa 6 ge-
nerosissimo nas verbas publicitArias que
destina ao grupo Liberal, seu principal
aliado politico e commercial.
Se falhas na administration multiplica-
ram e intensificaram a infecqlo hospi-
talar (hip6tese factivel, mas ainda nio
comprovada), a superlotaqio e a condi-
cio das gestantes (80% das quais em
estado de risco) exerceram influencia
ainda maior sobre os indices assustado-
res de mortalidade infantil. 1 impossivel
nao pensar no Pard terrivel que esti sur-
gindo, como consequincia perverse do
seu pr6prio crescimento, com a concen-


JULHO DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal







)traqao patol6gica da renda (e as perdas
de recursos por vazamentos legais, ex-
tralegais, ilegais e francamente imorais),
diante de alguns dados chocantes.
Todos os 12 primeiros bebes mortos
em tr6s dias pesavam menos de 2,5 qui-
los, o que significaj~ estarem em condi-
qao de risco, sete dos quais prematuros
(e quatro prematuros extremes). Dois
dos bebes pesavam menos de um quilo.
Dois eram gemeos xif6pagos (compar-
tilhando o mesmo corpo). Outro, embo-
ra vitima de gastrosquise, que provoca
exposiqao das visceras, veio do interior
do Estado de 6nibus. Todos apresenta-
vam mi formaqao de 6rgdos (coraq~o,
pulmao e aparelho digestive) ou infec-
9qo adquirida ainda no 6tero da mae.
Trinta por cento das maes eram adoles-
centes. Nenhuma delas fez pr6-natal.
Uma tinha apenas 12 anos de idade.
A taxa de mortalidade na UTI neona-
tal da Santa Casa, de 17%, esta acima
do limited aceitavel pela OMS, que varia
entire 10 e 15%. E um padrao africano,
independentemente de crescer ainda
mais em perfodos de crise, qualquer que
seja sua origem (o acaso ou a neglig6n-
cia). Mas 6 precise considerar que me-
tade dos parts 6 realizada atrav6s de
cesariana porque as crianqas nao tem
sa6de para um nascimento natural. Mais
de 50% das mortes ocorrem no primeiro
dia de internaqao da gestante. Quarenta
por cento das criancas que nascem pre-
cisam de internaqao (a m6dia nos outros
hospitals 6 de 20%).
Eventualmente, essa carga de proble-
mas graves, que um pr6-natal podia re-
duzir drasticamente ou eliminar por in-
teiro, pode sofrer o acr6scimo de mis
condiq6es hospitalares, como parece ter
acontecido. Mas uma sobrecarga even-
tual, por superlotaqao ou qualquer outra
circunstancia, inclusive a infecqao hos-
pitalar (problema tamb6m grave nas ins-
tituiq6es particulares, mas raramente
abordada pela imprensa), pode provocar
uma trag6dia. O hospital funciona no li-
mite do suportavel. Tamb6m 6 um cri-
me esquecer o context de pobreza e
mis6ria do Pard, um Estado corn recur-
sos naturais suficientes para ser rico e
desenvolvido, e colocar sob a mira acu-
sat6ria apenas o destino desse museu de
horrores. Ali ele faz seu espetaculo fi-
nal, o mais facil de expor.
Bel6m, Parauapebas, Ananindeua,
Barcarena e Tucurui, os municipios mais
afortunados do Pard em mat6ria de re-
ceita tributaria e grandeza econ6mica,
sdo africanos em quest6es sociais, so-
bretudo em satide (e tamb6m em edu-


Midia


lais uma %ez o goaerno de AndI
Julia Carepa projieou nacionalmen-
te uma inmagem ruim. Not amente
perdeu uma batalha de comunicacao.
0 PT pode alegar que a posiqJo da
inprens a seu respelIo e semipre
negatit a e preconceituo-a Admitin-
do-se que hala razJo para a queika.
lumaniente por isso a aliude Jos seus
represeniantes de\ ia ser mais efiki-
ente. lMas nao e, muito pelo contri-
rio. Ao in es de ir num lim de noite
em \ isita siilosa a Santa Cuja. a
go\ernadoria de\ ia ter ido imediaau-
mente Js emnssoras de radio e tele-
% ij.o pard lanentar as mnornes. se so-
lidarizar corn as Ianulias. admilir a
culpa. prometer corrigi-las e anteci-


caqao). Os dirigentes ptiblicos nao se
interessam pelo cuidado m6dico e pela
qualidade do ensino cor a mesma ener-
gia que dispensam as obras fisicas, que
rendem mais votos, e otras cositas mds
(e bem mais, quase sempre ocultas).
Ao se concentrar sobre os efeitos e
deixar de lado as causes, inclusive as tao
pr6ximas, em Bel6m, O Liberal criou
uma campanha pdblica que pode ter ou-
tros objetivos antes de chegar ao suposto
destinatario final. Pode servir de instru-
mento de pressdo sobre o governor do PT,
que ainda nao se subordinou completa-
mente aos interesses da "casa" (ou pelo
menos ainda nao chegou ao padrao tuca-
no de promiscuidade entire o poder e a
imprensa "liberal"). Pode tamb6m per-
mitir o estabelecimento de um fantasioso
contrast com a instituiqao modelar, na
qual a Santa Casa teria se tornado em
2001, ao se associar as Organizaq6es
Romulo Maiorana e outros parceiros pri-
vados com responsabilidade social, agru-
pados no Instituto Crianqa Vida.
E inegavel que essa parceria deu bons
resultados para a Santa Casa, melhoran-
do o seu atendimento, mas tamb6m trou-
xe vantagens particulares ao grupo Li-
beral, que nao cedeu gratuitamente pu-
blicidade para a promoqao do empreen-
dimento. O poder de persuasao da em-
presa mobilizou o voluntariado e criou
uma image positive, mas nem por isso
o grupo pode sejulgar dono daquilo que
foi criado pelo esforgo comum para aten-
der o interesse coletivo. Nem usufrui-
dor permanent da coisa puiblica.
O grupo de comunicacao pode e deve
denunciar os problems e promover


par o que podia fazer de pronto. A
reaji;o do goierno denmoou quase
duas seminars e se miaeriali/ou em
um encarte de quatro pagina. no- ljo -
nais pago. naturalmente E rumII
Emn \ Jriots ponto,, o go\ eirno eta cl -
to. nmas mnesimojo ajhordj-los ndj,. c Ion-
Sincenle. Ao in\es de serenidade e lih-
mildade. necessjarus para ler ciedihili-
dade diante do Terr. responded emin tom
agre'ssI o ou Ijudatorio. que njo c adc-
quado para o mioenlol Ao i\ esC de
presiar conas a opinliopublica. 1j/ pio-
paganda. Esta. comno requer conimpji-
cimnenojo caji\a dos; IrnlJ- s. tIl\ 1e in-
dique a niaureza da iniciaii j. de coim-
prar o milncio. pagandoo pricl que tol
cobrado.


campanhas para resolve-los. Mas foi
muito al6m disso no tratamento editorial
de mais uma das crises da Santa Casa:
transformou-o em instrument politico,
em ajuste de contas e de interesse pes-
soal, como uma revanche dos que nao
mandam mais. Por isso, a cobertura se
tornou parcial e tendenciosa, al6m de
claramente sensacionalista. Um retrato
do que 6 a elite paraense quando cha-
mada a tratar de uma questao que trans-
cende o seu universe.
Do outro lado hi o despreparo do go-
verno para enfrentar um questionamento
public agressivo. As primeiras declara-
c6es dos responsdveis pela saude no Es-
tado foram lamentaveis. A inseguranqa
inicial estimulou a cobertura desenfreada
e irresponsavel dos jomais, O Liberal em
destacada lideranqa e o Didrio do Pard
como coadjuvante, tambem criticando
(porque os dirigentes nao sao peemede-
bistas). S6 dias depois, quando a sofre-
guidao arrefeceu e a razao comeqou a
decantar sobre fatos que recomendavam
algum comedimento, 6 que a situaqio
comecou a se esclarecer.
O president da fundaqio foi substi-
tuido, comiss6es comegaram a apurar as
informaq6es, o governor desceu do pe-
destal e prometeu corrigir os erros, re-
conhecendo-os, al6m de anunciar provi-
dencias concretas para desafogar a San-
ta Casa. O tom acusat6rio foi modula-
do, o espaqo encolheu e tudo parece ca-
minhar para o desfecho traditional: muito
acerto de bastidores e algumas providen-
cias para tirar uma situaqio explosive
das luzes dos refletores. At6 a pr6xima
crise, talvez.


Jornal Pessoal *2" QUINZENA JULHO DE 2008 3








Corrida eleitoral comega


em Belem sem favorite


Por ter a maquina municipal nas maos,
o prefeito Duciomar Costa, do PTB, sai
como o candidate mais forte a vit6ria na
eleicgo para a prefeitura de Bel6m. Mas
ele 6 tamb6m o mais rejeitado de todos.
Um pesquisador do mercado local confi-
dencia que nas sondagens que tern feito a
rea~go 6 de mais de 50% do eleitorado.
Se esse n6mero corresponder a realidade
(ainda nao hi uma mediqio piblica a res-
peito) e nao houver uma reversdo das ten-
dencias em curso, Duciomar podera pas-
sar para o 2 turno, mas dificilmente con-
seguira a reeleiqgo.
E precise esperar ainda por uma pesqui-
sa registrada no TRE que contenha o indi-
ce de rejeiqgo para se ter uma media mais
confiavel desse important fator para a ana-
lise das possibilidades de Duciomar. Outra
questao decisive 6 quanto a ele poder apre-
sentar obras de impact, capazes de mudar
a posicao de parte significativa do eleitora-
do que Ihe 6 hostile ou indiferente.
A obra de maior apelo em curso pela atu-
al administraqao municipal 6 o portal da
Estrada Nova. O serviqo esta muito atra-
sado e ha problems t6cnicos a vencer, em
conseqtiencia de mudanqas feitas no proje-
to. A prefeitura deixou de lado o aterro hi-
draulico, mais barato e adequado, e passou
a usar aterro s6lido, que custa cinco vezes
mais e provocou um recalque de quase um
metro e meio, ainda nao estabilizado.
Depois de sucessivos anincios de inau-
guraqao, at6 hoje nenhum metro de pista
foi asfaltado (mesmo que corn o asfalto
precario espalhado pela cidade, a revelar
sua inadequaqco poucos meses depois de
lanqado). Por enquanto, o tal portal tern
trazido apenas problems e revolta aos
moradores da drea afetada pelo aterro. A
insatisfaqao 6 a mesma na area do Bina-
rio, que beneficiou o trafego de carros e
prejudicou a vida dos moradores de tras
bairros. Essa obra avanqa lentamente,
muito mais do que poderia.
Por enquanto, a frente de serviqos nao se
mostra em condiq6es de reverter a impo-
pularidade do prefeito. E ele tem ainda bar-
reiras a enfrentar, dentre as quais estao os
oito processes a que responded, movidos pelo
Minist6rio P6blico Federal. O principal au-
tor dessas acqes sera o responsavel pela
fiscalizacqo das eleiqbes, o procurador fe-
deral Ubiratan Cazetta. Ele tem uma id6ia
formada sobre o prefeito, materializada nas
aq6es por improbidade, desvio de funqao e


outros itens penais. O principal das irregu-
laridades 6 na area da saide.
Estranhamente, por6m, a prefeitura de
Bel6m nao aparece na lista suja de nenhum
dos tribunais de contas do pais, do federal
ao municipal. A autentica certidao negati-
va dessas cortes contrast corn os questi-
onamentos judiciais feitos, o que leva a
pensar se esse paradoxo result da inefi-
cacia das cortes de contas ou da eficien-
cia do prefeito em arrumar os pap6is. E
tamb6m em comprar a adesao de alguns
dos formadores de opiniao, como o grupo
Liberal, no qual nada que possa tisnar a
image do alcaide aparece.
As Organizaq6es Romulo Maiorana te-
rao que dividir a partir de agora seus cui-
dados com aquela que pode se torar a
principal oponente de Duciomar, a candi-
data do DEM, a ex-vice-govemadora (do
tucano Simdo Jatene) Val6ria Vinagre Pi-
res Franco. A image de modernidade e
a ficha limpa de Val6ria podem nao render
todos os dividends possiveis por causa da
sua associaqao ao marido, o deputado fe-
deral Vic Pires Franco, e ao pr6prio grupo
Liberal. Parte do eleitorado que gravitaria
naturalmente para ela devera se dispersar
entire os demais candidates com equiva-
18ncia a ela. Isso significa que nenhum deles
ter forqa suficiente para definir a eleiaIo,
o que explica a tardia escolha da maioria
do companheiro de chapa, conforme as
uiltimas negociaq6es at6 a filtima hora do
dia 5, a data fatal para o registro.
O peso de fatores aleat6rios ou ainda
pendentes de definigao sera maior do que
em outras eleiq6es. Amargem de indecisao
do eleitorado provavelmente ainda esta num
patamar elevado, o que admite a hip6tese
de surpresas na reta final da campanha. EI
o que provoca certo nivelamento entire os
principals candidates, mesmo que os indi-
ces da maioria deles sejam baixos. Aparen-
temente. Jos6 Priante, do PMDB, Arnaldo
Jordy, do PPS, e Marinor Brito, do PSOL,
participam da corida apenas para fazer pre-
senqa. A sorte de Mario Cardoso s6 nao 6
a mesma porque ainda ha uma inc6gnita:
ele 6 um nome para valer, que mobilizard a
maquina official e partidiria, ou esta conde-
nado a' "cristianizacao", imolado no altar das
composicqes nacionais entire o PT e oPTB,
da base aliada de Lula?
A sorte dojogo, portanto, ainda esta em
aberto. Mas ha varios jogadores, nem to-
dos visiveis, querendo acertar o resultado.


Lista suja
Estio no Pard 5% dos gestores publicos
que tiveram suas contas rejeitadas em defi-
nitivo pelo Tribunal de Contas da Uniao nos
cinco iltimos exercicios: sao 151 num total
de 3.100 em todo pais. Mas como esses or-
denadores de despesas cometem mais iire-
gularidades do que a media, national, o Pard
6 o quinto em condenacqes pelo TCU em
todo o Brasil, cor 304 processes, abaixo
apenas da Bahia (488 contas in-egulares).
Maranhao (408) e Brasilia (321). 0 cam-
peao de irregularidades 6 o ex-prefeito de
Curion6polis, Osmar Ribeiro da Silva. coin
10 processes. O segundo, que administrou
um municipio tambdm de pequeno porte,
Breves, 6 Gervasio Bandeira. Logo depois
dele, o ex-prefeito de Irituia, Walcir Oliveira
da Costa. Todos os seguintes tambem eram
responsiveis por municipios de parcos re-
cursos, nem por isso (oujustamente por isso)
isentos de serem dilapidados.
Nao por acaso, alguns dos 6rg1ios p6bli-
cos que costumam repassar recursos is
prefeituras e por isso se tomaram instru-
mentos politicos aparecem corn destaque
no rol das irregularidades: a Caixa Econ6-
mica Federal e os Correios. Um caso tipi-
co 6 o da Fadesp, a fundalio de amparo a
pesquisa da Universidade Federal do Para:
seus quatro iltimos administradores tive-
ram suas contas rejeitadas.
Os integrantes da lista suja do TCU nao
poderao ser candidates na pr6xima eleigio?
Ainda 6 uma inc6gnita. Mas e no future?
Uma resposta categ6rica depend de con-
sulta ao desdobramento do process admi-
nistrativo do TCU najustiqa. Essa informa-
aoo nno est, disponivel, ao menos na forma
como a que foi apresentada na semana pas-
sada pelo TCU, que nao 6 6rgiiojurisdicio-
nal. Nao ter, portanto, a palavra final.


Beco do Carmo
No dia 18 a policia desfez urn reduto do
trifico de drogas que se formara no Beco do
Carmo, na Cidade Velha, prendendo 18 pes-
soas no local. A prefeitura devia vir imedia-
tamente atras para limpar a area. NIo s6
complementando a ofensiva contra os trafi-
cantes, mas abrindo um novo horizonte para
a cidade na orla. Todas as construg6es vol-
tadas para a baia sao ilegais. At6 a d6cada
de 40 descia-se do Largo do Carmo para o
beco vendo a agua. Aos poucos, as constru-
c5es, todas precirias, foram ocupando o es-
paqo. Acabaram por se tomar antros do cri-
me, sujando a paisagem e desvalorizando a
area. Esta na hora de atacar essa chaga e
fazer a assepsia urbana, qualificando melhor
esse belo perimetro da cidade.


4 JULHO DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessonl








Um episodio do passado


e a hist6ria verdadeira


As ditaduras fertilizam o que ha de pior
no g6nero human. Entronizado o ditador e
formada a estrutura que Ihe di suporte, re-
velam-se por inteiro os caracteres. Infeliz-
mente, as virtudes, que exigem coragem,
determinaqao e principios, sao sufocadas.
Desenvolvem-se os instintos ruins, como o
medo, a covardia, a subserviencia e a vio-
1lncia. O ser human sofre tanto sob as di-
taduras que tudo faz para nao passar nova-
mente pela mi experiencia. Mas os parasi-
tas e predadores estao sempre a buscando,
insuflando-a e procurando reedita-la.
A melhor maneira de imunizar a socie-
dade contra essa recaida na pritica anti-
democratica 6 contar a hist6ria verdadeira
das tiranias. De todas delas, independen-
temente de sua moldura ou confeito ideo-
16gico. Todas se parecem na repressao aos
mais nobres valores humans, a comeqar
pela liberdade, sem a qual os tao distintos
e diversos series humans nao podem con-
viver civilizadamente, humanamente.
Oswaldo Coimbra ter dado contribui-
qao positive A hist6ria do Pard ao procurar
checd-la nos documents originals. As
vezes resvala por uma interpretaqgo pes-
soal indevida, mas a publicaqao dos seus
trabalhos de pesquisa possibility uma pol-
mica esclarecedora a respeito de certos
epis6dios pol8micos da agenda estadual.
A morte de Benedicto Monteiro Ihe serviu
de pretexto para relembrar um dos epis6-
dios mais infames da vida political paraen-
se. Benedicto era perseguido nas matas
de Alenquer, onde se refugiara, pelos cen-
turi6es da nova ordem, que em 1964 rom-
pera a continuidade constitutional do pais,
iniciada em 1946, ao fim do Estado Novo
de Gettlio Vargas.Foijustamente entao que
ele foi apunhalado pelos seus pares na
Assembl6ia Legislativa.
A aprovagqo da cassaqdo do mandate
equivaleu ao polegar para baixo do piblico
do Coliseu romano para liquidar o ref6m
na arena, submetido ao gladiador. Todos
os 34 deputados presents Aquela sessao
do dia 14 de abril extirparam do ex-lider do
PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) as
garantias do seu mandado politico, que o
povo lhe conferiu atrav6s da eleigqo. En-
tregaram sua cabeqa na bandeja, como um
novo Joao Batista. E por proposta de um
correligionario e liderado dele, o tamb6m
petebista Joao Reis.
Adversarios viscerais, que apoiavam a
perseguigqo a todos os comunistas, como


imaginavam ser Benedicto Monteiro, ain-
da tentaram uma contemporizaqao. Jos6
Maria Chaves questionou a competencia
do legislative estadual para fazer a cassa-
aio (um dos poderes excepcionais do Co-
mando Supremo da Revoluuio, conferido
pelo primeiro ato institutional do novo re-
gime, que devia ser primeiro e tnico, mas
gerou uma sucessio de instruments de
forqa para-legais ou completamente ile-
gais). Gerson Peres props o cumprimen-
to do rito processual, com abertura de pra-
zo para a defesa do processado.
Mas tudo, dos fonrmalismos aos conteddos,
foi atropelado para que de imediato a cassa-
q~o se consumasse, a unanimidade. Inclusi-
ve com o voto de quem, depois, experimen-
taria do mesmo veneno, como o deputado
H61io Gueiros. Lider da maioria, ainda pes-
sedista, Gueiros disse que aAssembl6ia agia
com acerto ao eliminar dos seus quadros "urn
element que nio escondia sua crenqa na
ideologia comunista e, portanto, subversive
ao regime democritico", conforme o regis-
tro da sessao no jomal O Liberal, que era o
6rgio official do PSD e que tinha em Gueiros
um dos seus principals quadros. Coimbra re-
correu a essa fonte porque a ata da nefanda
sessao foi destruida.
Os vencedores e mesmo os perdedo-
res, que nao perderam todo poder anterior
- estao sempre empenhados em reescre-
ver as hist6rias, sobretudo aquelas nas
quais tiveram participaqgo, para moldd-las
aos seus interesses e conveniencias. O
poder do baratismo, que Magalhies Bara-
ta construiu em tomrno do Partido Social
Democritico e de sua figure caudilhesca,
tinha alicerces padres, construidos a base
de fisiologismo, compadrio e patrimonia-


O Banco do Brasil precisou de um sd-
culo para chegar ao Para. Aportou na dis-
tante e desconhecida terra paraense em
1908, 100 anos depois de sua criacqo, no
Rio de Janeiro, sob o impulse da transfe-
rancia da familiar real para o Brasil. O
maior banco estatal do pais aportou em
Beldm quando a economic da borracha
estava no auge, o que significa que, sem
ter contribuido para a sua ascensao, que-
ria colher os frutos que nao plantou. Mas
errou no pulo do gato: as vacas gordas logo
foram para o brejo asidtico, deixando no


lismo, na promiscuidade entire a sociedade
political e a sociedade civil.
Com artificios e conchavos, os baratis-
tas tentaram ajustar essa estrutura do pas-
sado a nova organizaqao chefiada pelos
militares, sob o comando do coronel Jar-
bas Passarinho. Foram peas fundamen-
tais para a engrenagem que deu aparencia
de normalidade a subida de Passarinho ao
poder, atrav6s de eleiqio indireta, pela
Assembl6ia Legislativa, ainda controlada
pelos pessedistas.
Os baratistas nao perceberam que, nes-
sa primeira legido de militares no poder,
havia "anfibios", como Passarinho, bem
adestrados pela convivencia corn as "ra-
posas" da political brasileira, que usavam e
abusavam do estoque de truques do popu-
lismo. Consolidado seu poder, os militares
trataram de se livrar da proximidade inc6-
moda e p6r em pritica seu discurso mora-
lista, que havia de acabar corn as raizes
padres do regime anterior, dentre elas o
contrabando, ojogo do bicho e a venda de
favors oficiais.
O Catdo de ontem se tornou o proscrito
do dia seguinte. Sempre que podem, po-
rem, esses personagens reinventam seus
pap6is, contando hist6rias que nao coinci-
dem cor os registros da 6poca em que os
fatos ocorreram. Trabalhos isolados, como
o de Oswaldo Coimbra, reaquecem a ve-
lha maxima dojoralista Batista Campos,
de dar nomes aos bois e dizer, sem rodei-
os, o que eles foram e fizeram. Assim. o
present se reconcilia cor o passado e
torna-se possivel um future menos vicia-
do, cor uma moral menos imoral do que a
regra geral dessas hist6rias: ganha quern
pode mais. Inclusive mentir.


campo amaz6nico os efeitos devastado-
res de uma monocultura que jamais con-
seguiu ver em horizontes de long prazo -
A semelhanqa, alias, do BB.
A exposigio do centendrio nao devia ser
de moedas antigas. O banco devia mesmo
era apresentar documents que justificas-
sem tanto atraso, contrastante cor a ar-
g6cia dos bancos ingleses, os verdadeiros
financiadores, na ponta da linha, do boom
amaz6nico e nao por filantropia social,
evidentemente. A Amaz6nia sempre foi
muito long do Brasil, ontem como hoje.


Jornal Pessoal *2 QUINZENA JULHO DE 2008 5


Centenario tardio








Grandeza e miseria

em torno da realidade


A campanha de O Liberal contra o
prefeito de Ananindeua, H61der Barba-
Iho, por motives 6bvios, foi incrementa-
da ainda mais hi tres semanas. Foi logo
depois que o principal executive do gru-
po, Romulo Maiorana J6nior, percebeu
as manobras de um helic6ptero sobre
sua mansao, a mais cara da cidade, no
condominio fechado Lago Azul. Os lon-
gos volteios do aparelho serviriam a um
amplo documentirio sobre a luxuosa vi-
venda, cor mil metros quadrados de
drea construida, num terreno de cinco
mil metros quadrados, formado pela fu-
sdo de 10 lotes.
Rominho deduziu que provavelmente
o pai do prefeito, o deputado federal Ja-
der Barbalho, devia estar querendo ima-
gens de impact para usar na pr6xima
campanha eleitoral. O presidente-exe-
cutivo de O Liberal ter um contencio-
so cor a administraqao municipal por
conta do IPTU, onde se localiza o con-
dominio, e tamb6m se recusa a pagar
taxa condominial por todos os lotes que
ter no Lago Azul. Antes de virar telha-
do, decidiu usar sua baladeira.
A guerra entire os representantes
dessas duas elites, a econ6mica e a po-
litica, 6 travada com indiferenqa ao
pano de fundo da sua beligerancia.
Todos os dias O Liberal coloca em
destaque os problems do municipio,
reais ou imaginados, com fidelidade ou
exagero, de responsabilidade direta da
atual gestao ou herdados das anterio-
res, previsiveis ou inteiramente novos.
Nao dissocia a figure do odiado pre-
feito dos 500 mil municipes, que cons-
tituem o segundo mais important mu-
nicipio do Pard, tanto em populaqao
quanto em grandeza economic.
Al6m de ser o mais dinamico do pais,
segundo a nona ediqao do Atlas do Mer-


cado Brasileiro, referente a 2008, do jor-
nal Gazeta Mercantil, do Rio de Janei-
ro. Ananindeua liderou os 300 municipi-
os de um total de 5.562 do pais que
cresceram acima da m6dia national,
segundo o levantamento que a consulto-
ra Florenzano Marketing realizou para o
journal de neg6cios, o mais antigo do pais
(agora sob a bandeira de Nelson Tanu-
re). Ananindeua cresceu 168% no ano
passado, dois pontos acima de Maca6, a
capital do petr6leo do Rio de Janeiro
Os pesquisadores que fizeram o le-
vantamento de dados em Ananindeua
ficaram impressionados com a movi-
mentaqao banciria local: os dep6sitos
dobraram (57%) em relaqao a 2006, de-
sempenho atribuido a proximidade da
capital, atraindo os bancos para se ins-
talarem ao long da BR-316, que per-
mite acesso ripido as ag6ncias. Ja as
despesas municipals experimentaram
um incremento de 45%, refletindo o de-
senvolvimento do municipio "e o forte
investimento em infra-estrutura", se-
gundo o secretirio de Ind6stria e Co-
m6rcio, Reginaldo Ferreira (que ji tra-
balhou numa empresa fornecedora de
papel aojornal).
Mas como explicar resultados quanti-
tativos ao lado de indicadores sociais tao
ruins? A imprensa ajudaria a encontrar
uma razao, ou virias, se, mesmo susce-
tivel as suas idiossincrasias, cuidasse de
informar corn isenq~o, competencia e ho-
nestidade a opiniao p6blica. Mas os sul-
tSes da informaqao nao conseguem olhar
al6m dos seus palicios, nem sair da 6r-
bita da sua contabilidade de ganhos. Ati-
ram para o alto pedras que, por uma lei
que nao podem suprimir (a da gravida-
de), acabarao por atingi-los na queda.
Ao contrario do que pensam, morar em
mansao nao 6 estar no c6u.


Plim-plim
Nodia 27. depois de um long lejum.o g rupo Yamada \ollou a program r um
encarte no journal 0 Liberl. Pagou mais carol pelo uso de papel especial. mnj-
te e direito a pequenj chanmada na primeira pjginj. Comoj a eicula~jo comrner-
cial do grupo ,e normalizou,. os naiada form reconhecidos como o ctieio da
presenca japoinea no Pard. no ano do centenirio dessa imigraqjo para o Brasil
e nos. SO anos da sua chegada ao Pari. Para a casa. o som da maquina registra-
dori soa como mnisica. estimulando a boa ~ontide nada risonhl e iriinca.


Democracia viva
A justiqa (a especializada, que 6 a elei-
toral, e tamb6m a comum) as vezes se
comporta como algumas bibliotecarias, que
cuidam de livros como se manejassem la-
tas de salsicha. Livro 6 um produto muito
especial: s6 devia se interessar pelo oficio
de lidar com ele quem o apreciasse e Ihe
soubesse o verdadeiro valor. O mesmo
devia acontecer com eleioqes: elas podem
ser anarquicas, pol6micas e convulsivas,
mas a praqa p6blica nao 6 convent. Me-
lhorou muito o control dos abuses do po-
der e das manipulaq6es, mas a justiqa cos-
tuma exagerar quando interfere no curso
natural do process politico.
A pretexto de estabelecer igualdade
plena entire as parties e prevenir delitos,
ajustiqa limita a liberdade de expressao,
sem a qual nao hd democracia. A rigi-
dez de visao e o sentido burocritico de
algumas iniciativas recentes nos fazem
lembrar o triste period da "Lei Falclo",
criada pela ditadura para transformar a
campanha eleitoral em mera exibiqao de
fotos e curriculos dos candidates, tudo
higido e silencioso.
Em democracia, 6 melhor que haja
excess, passive de correq~o e puniqio,
do que escassez, que liquid essa planti-
nha tenra, tao dificultosamente cultiva-
da em nosso pais, marcado a ferro e
fogo pelo autoritarismo. A alegria da
democracia esta na dial6tica praticada
nas ruas e atrav6s dos meios de expres-
sao dos cidadaos. Se a festa ultrapassar
os limits, corrija-se no dia seguinte, cor
juros e correcio monetiria. Talvez as-
sim a diditica do voto se tome mais re-
sistente as bact6rias do arbitrio. Em
Bel6m, Santar6m e em todos os lugares.


Sangue
O IML devia dar trof6us a 0 Liberal,
ao Amaz6nia Jornal e ao Didrio do
Pard: suas piginas repletas de cadave-
res, os "presuntos" da linguagem polici-
al, sao autinticas morgues. Ou involun-
tdrias legends para aulas de medicine
legal. Desde que, nelas, nao seja invo-
cado nenhum principio moral ou 6tico.
Se assim fosse, um aluno atento logo in-
dagaria: por que nao aparece nenhum
defunto distinto?


Voz do dono
0 Liberal public meia pagina diaria
sobre o vizinho Amapi. O patrocinador
6 o governor do Estado. Jornalismo ou
compadrio?


JULHO DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal








0 poeta Jesus vai a fonte


(e nos leva cor ele)


Tres meses depois de comeqar nojor-
nalismo professional, em maio de 1966,
criei minha primeira coluna: meia pigi-
na, em A Provincia do Pard dominical,
dedicada a cultural, em especial aos li-
vros. Na primeira coluna, publiquei um
poema de Joao de Jesus Paes Loureiro,
extraido do seu primeiro livro. Tarefa,
de pouco antes do golpe de 1964, soava
aos nossos ouvidos adolescents cor um
eco mitol6gico e her6ico. Era um livro
subversive, que os militares apreende-
ram com vol6pia. Poesia 6 produto frd-
gil, para pessoas sensiveis e quase
sempre tamb6m fr~geis. Mas os regi-
mes de forqa a temem e a perseguem.
Em 1997 recebi um premio de joma-
lismo na Italia ao lado de Fatos Lubonja,
um poeta que o ditador Enver Hoxha
manteve no cdrcere por 19 anos. O Lu-
bonja que conheci em Roma era uma
pessoa doce como um beija-flor, mas de
certeiros ferries em rimas, cujo canto
libertador doia li dentro no dono da vida
na Albania (ditador ter alma?), entao o
nirvana universal do PC do B.
Publicar uma poesia do entao proscrito
J. J. Paes Loureiro era um ato de trans-
gressao e tratei de transgredir, minha
sina de gauche A Carlos Drummond de
Andrade, meu deus mineiro nessa 6po-
ca. Em 1967 consegui o apoio do director
de redagdo, o bem pouco diplomatico
(apesar do nome) Cliudio Augusto de Sa
Leal, para mudar o 30 cadero dojornal,
dominado at6 entoo por material daAgen-
cia Meridional (que era da "casa", dos
DiBrios Associados, de Assis Chateaubri-
and) e de outras agencies de noticias.
Como A Provincia tinha a melhor equi-
pe de fot6grafos do mercado, aprovei-
tava as inspiraq6es de alguns Jeles.
sobretudo o iracundo mestre Porfi-
rio da Rocha, como ilustraq6es para "
mat6rias... e poesias.
Comecei a colocar poemas 1
de Jesus na capa do caderno, a,
em composiq6es grAficas' '
(com recurso ao espaqo
branco) que levavam Pe-
dro Chagas a loucura, em
madrugada alta na oficina, -
1 embaixo (numa topogra-
fia que podia sugerir um -
ambiente infernal, quando
necessario, ou convenien- -
te). Tenho diante de mim a


ediao de 11 dejunho de 1967, com meia
pagina da capa dedicada ao dia dos na-
morados ("A mesma praqa para os na-
morados", dizia o titulo, cor a involunti-
ria parceria de Chico Buarque de Hollan-
da, "estourando" o hit-parade com a m6-
sica "A banda"). No alto, uma pequena
poesia de Jesus: "Para teus olhos, corn
amor". Abaixo, o cometimento "Amor,
num tom constante, de um mal-ajambra-
do Ldicio Flivio (o Pinto foi deixado de
lado para ojornalismo ndo se imiscuir em
terreno sagrado).
Talvez algu6m pudesse ter comentado,
na ocasido, que eu podia estar querendo
usar o poeta ji conhecido como escada.
Ningu6m me disse isso entao. Penso na
hip6tese apenas retrospectivamente, ao
encarar com a azia de agora meus versos
de ontem, dedicados A amada distant, ain-
da em Santar6m. Mas naquele moment
eu me sentia tao poeta quanto Jesus.
A leitura de grandes autores logo me
despejou da ilusdo e encarei a verdade:
eu era apenas um apreciador da boa
poesia, gosto testado pela rejeiqio dos
maus poetas (inclusive eu). Tratei de me


excluir das piginas seguintes, at6 da co-
luna que passaria a dedicar ao oficio.
"Poemograma", um dos raros espaqos
reservados aos novos poetas e que re-
velou gente de talent, desperdiqado ou
escondido em alguns dos autores.
Jesus, por6m, continuou a receber mi-
nha atenqio e cuidados (logo ampliados
e multiplicados), devidos a quem, no meio
de tantos aventureiros, enganadores ou
simplesmente equivocados, nio havia
divida: era poeta. O senso da oportuni-
dade temitica sempre foi agudo em JJ,
o que casava com a orientaao jornalis-
tica que eu adotava. Jesus era o melhor
poeta quando se dedicava as circunstan-
cias, muito mais do que quando se impu-
nha um conceitualismo regional, um dis-
curso grandiloqtiente (e as vezes rebar-
bativo), feito mais de aparancias e vo-
c~bulos do que de ess6ncias, sem a pro-
fundidade e a fecundidade das sagas ver-
dadeiramente inovadoras (inclusive por
parte de algu6m sem essa intenqio, mas
cor tais resultados: Max Martins).
Dai minha preferencia por um livro,
composto com poemas de circunstinci-
as: "Epistolas & Baladas". Daf, tambem.
minha inclinaqio maior por poemas sim-
ples. delicados e inspirados, como "No
ar delicioso", do mais novo livro de Je-
sus, Agua da Fonte (Escrituras, Sio
Paulo, 204 pdginas). Despojado de ret6-
ricjs, teorias e molduras formalistas,
Jesus 6 um poeta fluido e dfictil como
um rio corrente, mas caprichoso, quan-
do perpassa sua telTa natal corn os olhos
do alta maturidade (cada vez mais pr6xi-
ma da infancia), de posse das ferra-
S mentas do seu oficio, numerosas.
[I eficientes, mas nem sempre
V,. utilizadas com adequaqio.
k Sem certo artificialismo
Sda prosa, quando ela
S' nao se delimita a poe-
Ssia, Jesus tamb6m nos
devolve h fonte em que
bebemos e da qual so-
'' Bmos o produto, como
1. ele, que hi quatro d6-
cadas nos convida para
essa festa dos sentidos,
rS -- realizada cor palavras
e id6ias. E da solidarie-
dade dos companheiros
de viagem pela cosmo-
grafia amazonica.


Jornal Pessoal *2 QUINZENA JULHO DE 2008










MM/. A DO LO'TDANi


ADMISSAO
Acicio de Jesus Sobral,
com a nota 8,7, ficou em pri-
meiro lugar na 2a 6poca dos
exames de admissao (que na
6poca possibilitavam a passa-
gem do curso primirio ao gi-
ndsio) do Col6gio Moderno,
em fevereiro de 1956. Den-
tre os nomes mais conheci-
dos, aparece o de Zeno Bas-
tos Veloso, em 6 lugar, com
8,3; Landri Matos, em 14,
com 7,9; Joao Frutuoso Dan-
tas, em 15, cor 7,8; e Ayl-
ton Pinheiro, em 180, corn 7,5.
Nao foram aprovados nos
exames 46 candidates.

HOSPITAL
Faltava agua em Bel6m,
em maio de 1958. No hospi-
tal da Santa Casa de Miseri-
c6rdia faltava tamb6m san-
gue para ser usado nas ci-
rurgias dos indigentes. Nao
exatamente pela falta de

PROPAGANDA

0 escurinho de

cinema
Para lembrar o falecido cinema
zare, atualmente em fase de
construgdo: hd meio s6culo el,
o orgulhoso "paldcio do cine
cope", propagandeando, em c
to de 1958, seu "som magnetic
a "projecdo de alta-fidelida
De uma s6 vez, o anancio de
films: o "romance de fogo"
Cary Grant (que, como se i
depois, nem era disso) e Deb
Kerr em "Tarde Demais parc
quecer"; a prd-estrdia matir
vesperal de "0 Resgate do Be
leiro", corn o entdo mocinho
dolph Scott (par de Cary Gran
longos e fieis anos), contract
do com Richard Boone e Mab
O'Sullivann; e a pre-estrdia -
bdm dominical, mas noturna
"As Tres Mdscaras de Eva",
Joanne Woodward, David Wa)
Lee J. Cobb. 0 cinema era e
encanto e ilusdo.


sangue, mas porque, nao ha-
vendo agua, os recipients
nao podiam ser lavados. O
director do banco de sangue,
Paulo Castro, pregou um co-
municado na porta da sala de
cirurgia advertindo que nio
havia sangue para os indi-
gentes, "em virtude de nio
haver agua no referido Ban-
co hi 15 dias".
Problema antigo, como se
ve.

TEATRO
Em novembro de 1962 os
alunos do curso de iniciaqao
teatral da Universidade Fede-
ral do Pard fizeram sua pri-
meira apariq~o p6blica inter-
pretando de uma s6 vez qua-
tro peas: "O delator", de
Bertold Brecht; "O caminho
real", de Tchekov; "O velho
da horta", de Gil Vicente, e
"O ingles maquinista", de
Martins Pena. Destacaram-


AlV Pi r to V


HC7 13C.S0 1 P1 17 I 0 lut'ad y
A l Vn w X0 6 0
t mulf ae^ W~


Brr

11'~ "' -


DN minor 911 130 1,30 Pr oestri a



S
v,~


:rr


se nas interpretaq6es os ato-
res Cliudio Barradas, Daniel
Carvalho, Dayse Medeiros,
Mendara Mariani, Martha
Goretti, Maria de Bel6m Ne-
grdo Guimaries e Deolinda
Ovarte. Amir Haddad, inte-
grante do Teatro Oficina, de
Sao Paulo, foi quem deu o
curso, do qual resultaria a
Escola de Teatro da UFPA.

CONTRABANDO
No final de 1962 o Tribunal
Federal Regional mandou a
alfandega liberar todo contra-
bando que apreendera ao Ion-
go do ano para os donos das
mercadorias que pagassem
as taxas devidas e os impos-
tos de consume e aduaneiro.
A muamba mais preciosa
eram cinco carros, quatro
deles americanos, os cadi-
llacs (ou rabos-de-peixe): um
fusca de 1962, de proprieda-
de de Libero Luxardo; um


Mercury mo-
delo Monterey
1960, de Ney
Brasil; um
Chevrolet 1956
standard e um
Chevrolet Bel-
Air 1955, am-
bos de Ant6nio
Ferreira; e ou-
tro Bel-Air, de
Jodo de Lima.
Havia ainda
1.890 garrafas
de uisque, Whi-
te Ross (o po-
pular Cavalo
Branco) e
Grant's, tres
aparelhos de
television, 175
cart6es de ci-
garros e 3.323
isqueiros, de
Secundino Go-
mes. E 31 cai-
xas de uisque e
3.960 pares de
sandalias de
borracha japo-


nesas, de Luis Silveira. Era o
freqUente prende-e-solta-
contrabando.

DOCA
No dia 6 de maio de 1964 a
prefeitura comeqou a demo-
lir os casebres da favela da
Marechal Hermes e a trans-
ferir seus moradores para a
Marambaia, como parte do
piano que resultou na atual
avenida Doca de Souza
Franco, um dos pontos mais
badalados da cidade (embo-
ra sendo um canal de esgoto
a c6u aberto, que substituiu o
antigo igarap6 das Almas).
O desalojamento dos mora-
dores foi ficil: nao s6 porque
eles nao ofereceram resisten-
cia como porque a populaqio
olhava cor reserve ou con-
denaqao aquele lugar, apon-
tado como "antro de vaga-
bundos e maconheiros, embo-
ra morassem tamb6m ali pes-
soas humildes e honestas.
que, uma vez por outra, da-
vam noticias aos jornais dos
crimes cometidos, inclusive
de mortes", conforme o noti-
cidrio da imprensa. Assim,
al6m do saneamento fisico do
alagado, era pretendido o sa-
neamento moral da area.
Mas a prefeitura enfrentou
um problema maior: a presen-
qa da Ocrim. A empresa, de
importaqao e beneficiamen-
to de trigo, se instalara no
mesmo terreno onde estava
um galpio e a rampa para os
hidroavibes da Panair (hoje.
o Ver-o-Rio). A Ocrim mu-
rou e guarneceu o seu moi-
nho e estava se assenhoran-
do do restante, requerido aos
Snapp, o 6rgao que antece-
deu a Enasa e a CDP.
O secret4rio de obras do
municipio, engenheiro Arthur
Carepa (pai da governadora
Ana Jilia), decidiu derrubar
o muro da Ocrim para per-
mitir a ligaglo da avenida D.
Pedro II A Marechal Hermes.


JULHO DE 2008 .2QUINZENA Jornal Pessoal
































FOTOGRAFIA

Mutagao urbana


Esta foto de Belim do finalzinho do siculo XIX, na esquina
da avenida Presidente Vargas com a rua Carlos Gomes (onde
hoje estdo os pridios do Banco da Amazonia e do Hilton),
suscita uma reflexdo inevitdvel: por que nossas cidades ndo
conseguem preservar sua hist6ria? Por que o centro da
capital paraense e sua Cidade Velha foram tdo implacavel-
mente massacrados? Imagine-se a atradio que Beldm exer-


ceria com seu perfil portugues, entronizado em plena re-
gido tropical? E se preservasse seu horizonte, apenas ali-
nhado pelos baixos telhados de barro? Neste cenirio, so-
breviveu apenas a farmdcia Repiblica, de Israel Elias, corn
suas belas montras, seu trago art-nouveau, comercialnente
combalida, mas se mantendo integra num panorama de
mutaCdo complete e, em regra, para pior.


A empresa reagiu e o impeto
foi contido. S6 retornou mui-
tos anos depois, atrav6s de
acordo, na gestao de Edmil-
son Rodrigues, que restabe-
leceu o trafego por aquele
trecho da Marechal Hermes.
Ja com o nome de Ruy Ba-
rata, ela se tornou a mais cur-
ta das mais largas avenidas
da cidade, sem interferir, po-
r6m, nas s6lidas instalaq6es
da Ocrim.
Bem Bel6m.

VEREADORES
O MDB fez oito vereado-
res e a Arena 7, na eleiq~o
de 1976 para a Camara Mu-
nicipal de Bel6m. Ainda era
a fase do bipartidarismo im-
posto pelo regime military: a
Arena era o partido do go-
verno e o MDB (atual
PMDB) a oposiqio. Os tres
vereadores mais votados
eram todos arenistas: Sebas-
tiao Bronze, com 8.666 vo-
tos, Eloy Santos (8.346) e


Rocimar Santos (6.917). Os
tres seguintes eram emede-
bistas: o ex-jogador de fute-
bol (Manoel Fernando Juca)
Neves, corn 6.843 votos, Al-
varo Paz do Nascimento
(5.936) e Agostinho Linha-
res (5.755). Os demais elei-
tos pelo MDB foram Nicias
Ribeiro (4.741), Alonso Gui-
maraes (4.399), Jodo Mar-
ques (4.145), Carlos Couto
(4.095) e Emanoel 6 de Al-
meida (4.083). Os outros
vereadores da Arena: Fer-
nando Moraes (5.469), Da-
niel Cardoso (5.424), Ada-
mor Filho (5.211) e Adelino
Simao (5.065).

ELEITORADO
Em 1978 havia um milhao
de eleitores (1.026.032 na
conta exata) no Para. Quase
dois terqos (639.788) esta-
vam no interior e 386.244 na
capital. Santar6m era o se-
gundo col6gio eleitoral, com
57.873 eleitores. Vinham a


seguir: Braganqa (38.326),
Abaetetuba (19.756), Casta-
nhal (18.865), Alenquer
(16.388), Irituia (16.019),
Conceiqao do Araguaia
(15.921), Cametd (15.874) e
Capanema (15.557). Sao F6-
lix do Xingu tinha a menor
quantidade de eleitores entire
os 83 municipios que havia
entao no Pard: apenas 362.
Em 30 anos, quantas
mudanqas.

ELEIVAO
O ex-governador Aloysio
Chaves se elegeu senador
pela Arena, em 1978, com
291.914 votos. O advogado
Silvio Meira, na sublegenda,
teve 38.253. Ja pelo MDB,
Julio Viveiros teve 152.378
votos e Moura Palha,
109.473.
Jader Barbalho, pelo MDB,
foi o mais votado dos depu-
tados federais, cor 78.533
votos. Em segundo lugar fi-
cou Osvaldo Melo, da Are-


na, cor 53.854 votos. Depois
veio Lucia Viveiros, tamb6m
do MDB (mas adversiria de
Jader), corn 48.773 votos, e
Sebastiio Andrade, da Are-
na (30.388).
Maria de Nazar6 de Souza
foi a camped de votos para a
Assembl6ia Legislativa, corn
18.676. Atris dela, Domingos
Juvenil (ainda deputado esta-
dual), corn 14.736, Milton
Peres (14.058), La6rcio Fran-
co (12.336), Ronaldo Passa-
rinho (11.077) e Amdrico
Brasil (10.028), todos da
Arena. O mais votado pelo
MDB foi Ronaldo Campos,
de Santar6m (10.572). Ne-
ves, o endiabrado ponta-di-
reita do Remo, depois de ter
sido o mais votado dois anos
antes para a Camara de Be-
16m, conseguiu apenas 900
votos (sete vezes menos, em
dispute cor maisvotos) ao
tentar se tornar deputado es-
tadual. Vox populi, vox dei -
As vezes.


Journal Pessoal .2' QLJINZENA JULHO DE 2008


&=as


Jornal Pessoal *2 QUINZENA


. JULHO DE 2008









C al.i'..1 Oi- diio ic

POLITICO
Li, na se9ao cartas ao editor,
sob o titulo "Prefeito", JP 420,
as consideraq6es do sr. Raul
Meireles a respeito da matdria
onde voce discorre sobre a admi-
nistragqo do prefeito. Deixo aqui
registrado o meu desalento e tris-
teza, cor a qualidade dos nossos
homes ptblicos, jd que, ao se
tornar uma pessoa piblica, o ci-
dadao ter que estar preparado e
devidamente capacitado para li-
dar com a critical, tirando dela os
ensinamentos para cumprir o pa-
pel que lhe foi confiado, pelo elei-
tor. Por isto desde muito tempo
defend a id6ia de que para ser
home cor qualquer cargo pi-
blico o cidaddo deveria estudar
al6m de political, mat6rias relacio-
nadas cor a psique.
Sergio Souza

HIDRELETRICA
O triste epis6dio da reuniao (?)
de Altamira deveria desencorajar
qualquer discussao sobre Belo
Monte. Esta 6 a razao, acredito, do
silencio sepulcral que se seguiu
aos fatos da agressao. O debate
t6cnico e econ6mico foi abafado
pela acqo torpe e nefasta de alguns
presents, entire eles, indios e opo-
sitores da obra. No entanto, confi-
ando, ainda, nos preceitos civiliza-
t6rios vigentes e, cor base na sua
exposidao no Jornal Pessoal n.
419, segunda quinzena de junho,
com o titulo "Hidrel6trica amaldi-
qoada", faqo as seguintes indaga-
qoes: 1) cor o risco de cometer um
"erro", barrando um fluxo de agua
"fantdstico" (Xingu), qual a fonte
de energia corn o menor impact
ambiental existe no pais, conside-
rando descartadas aquelas apon-
tadas por voce, no curto e m6dio
prazos? 2) como se evitar, no m6-
dio prazo, riscos de desabasteci-
mentos iminentes, racionamentos,
ou mesmo lock-out total, sem o
aproveitamento racional da ener-
gia hidrica?
Outrossim, peqo licenqa para
abordar, de forma sucinta, um
tema que apesar da repercussao
national, tende a inviabializar-se
no Pard. Trata-se do pol8mico
PAS Piano Amaz6nia Sustenta-
vel, lanqado com o estardalhaqo
de costume aqui em Bel6m pelo
President da Republica, o qual
sera coordenado pelo Ministro
Extraordindrio de Assuntos Estra-
t6gicos, Roberto Mangabeira


Em 10 de dezembro de 1981 o Didrio Oficial
publicou a lei complementary que disp6s sobre o
C6digo Judiciario do Para. Em 15 de setembro de
2003 a lei foi republicada no DO, para incorporar
as modificaq6es ocorridas posteriormente. As al-
teraq6es, por6m, nao alcanqaram o artigo 100, que
atravessou as mudanqas inc6lume. O caput do
artigo estabelecia que na comarca de Bel6m "ha-
vera 30juizes de direito, dos quais, 24 funcionarao
nas seguintes varas", relacionando-as em segui-
da. S6 que na republicagIo de 2003, feita durante
o governor Simro Jatene, foi acrescido uma frase:
"cujas competEncias serao estabelecidas atrav6s
de ResolugAo do Tribunal de Justiqa".
Os cartoririos Crist6vao Jaques Barata e Car-
los Alberto da Trindade s6 descobriram essa frau-
de quando comeqaram a preparar um mandado
de seguranqa contra o Tribunal de Justiqa do
Estado, que, baseado justamente nos poderes
criados por esse complement illegal, alterou as
competencias das varas as quais estavam vincu-
lados no f6rum civel da capital. Os cart6rios, que
lidavam cor mat6ria commercial e patrimonial, teri-
am que se especializar nas quest8es de famfilia,
boa parte delas atrav6s da justiqa gratuita. Prati-
camente perderiam sua renda, em consequincia
da oficializaqao da serventia.


Unger. Num de seus pronuncia-
mentos, que jA foram muitos, a
partir de sua posse, afirmou que
se os governor estaduais nao re-
solverem as quest6es fundidrias,
isto 6, a regularizaqao dos im6veis
rurais, nao sera possivel iniciar a
execuqao do planejamento. Des-
sa forma, o Estado do Pard estard
impedido de receber os benefici-
os previstos na programaqao,
porque temos um quadro fundid-
rio ca6tico, para nao usar uma ex-
pressao mais contundente. Acho
dificil uma mudanqa nesse cena-
rio, pois, como sabemos, tudo vai
defender da legislaqao atual e do
desempenho dos nossos tribu-
nais, que nao tem sido o deseja-
do, haja vista: o caso do "fantas-
ma" Carlos Medeiros (10 milh6es
de "grilagem sem titulo"), at6 hoje
nao desvendado; em seguida vem
a C.R. Almeida (7 milh6es de hec-
tares de "grilagem sem proprieti-
rio"), que tramita najustiqa desde
a d6cada de 90; e, finalmente, te-
mos o assunto Portel, citado no
tiltimo JP (420), corn ojulgamen-
to suspense, por decisao do juiz
de feito. Assim sendo, nao iremos
a lugar nenhum, o que, alias, 6 a
praxe ha muitissimos tempos. So-
mos barrados pelo colonialismm"
interno e externo, A moda do "ex-
tinto colonialismo", como fez alu-


Os dois cartoririos reagiram ao ato, alegando
que ele ignorava direito liquid e certo, previsto
pela pr6pria constituiq~o de 1988, porque anterior a
estatizag~o. Mas, corn nfase, apontaram a usurpa-
qgo dos poderes do legislative pelo judiciario, gra-
qas ao ardil montado por quem fez o enxerto em
relaq~o ao texto original, fraude constatada e certi-
ficada pela secretaria da Assembl6ia Legislativa. As
raz6es foram suficientes para o pleno do tribunal
voltar atras e, por 11 a 4, conceder o mandado de
seguranca. Mas a vit6ria temporaria dos dois carto-
rarios nao pode encerrar a questao: quem adulterou
o texto do C6digo JudiciArio do Estado? Esta res-
posta quem tem que dar 6 a policia, para a qual deve
ser transferida a compet8ncia sobre a mat6ria.
Tamb6m ha uma tarefa para a justica paraense:
se a lei nao autorizou o tribunal a estabelecer as
competencias das varas atrav6s de resolugqo, a
modificaq~o promovida nao ter valor legal. Os pro-
cessos deixaram de tramitar perante ojuizo natural,
tornando-se suscetiveis de nulidade plena. Sao mi-
lhares de causes que estao tramitando temeraria-
mente. Se a nulidade for suscitada, os problems
desabarao como uma catastrofe sobre todos e aca-
bario num destino inico: ajustiqa do Pard. O pleno
ja reformou a primeira decisao. Falta agora dar-lhe
um efeito geral, para corrigir o risco que perdura.


native para a demand energti-
ca brasileira. E, especificamente
para n s, paraenses, a resposta
tenm que incluir urm dado: se a hi-
dreletrica nos pernitiri usar a
energia para nosso desenvolvi-
mento ou ird apenas consolidar
nossa posiqdo colonial, de expor-
tadores de energia bruta.
Quanto ao problema findici-
rio, as observaqces do leitor sco
pertinentes, baseadas em boafon-
te, se nos pennite un pequeno elo-
gio em causa pr6pria (pequeno,
para ndo se tornar vituperio).

POLITICOS
Sabemos muito bem que a
manobra do poder 6 forte, nos-
sos politicos ainda nao consegui-
ram ter discerimento suficiente
para assumir um compromisso
cor a sociedade belenense. Ser
politico requer conhecimento de
causa e habilidadepara lidar cor
as adversidades. Nossos politicos
belenenses precisam prender muito,
pois ainda nao conseguem se
desvencilhar do provincianismo
que ronda ainda por esse estado.
Espero que eles aprendam mais
cor o povo e que andem antes
e depois do pleito para que pos-
sam realmente entender omotivo
da revolta belenense.
Edfran Felix Prudente


10 JULHO DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal


C6digo adulterado


sao um leitor no iltimo numero
desse JP, ja citado.
Rodolfo Lisboa Cerveira
Obs. Os ndmeros sobre a"grilagem"
e as expresses aspeadas foram co-
letadas na Agenda Amazonica n. 4.

MINHA RESPOSTA
Se o relat6rio sobre o impac-
to ambiental da hidrelitrica de
Belo Monte fosse conduzido corn
a seriedade exigida, provavel-
mente as duvidas suscitadas pelo
leitorjd estariam esclarecidas. Al-
guns interpretam o percurso aci-
dentado do EIA-Rima da usina do
Xingu como prova de unia cons-
piragdo contra a obra. Mas tam-
bdm a hist6ria do projeto revela a
forna aqodada e impositiva dos
que querem colocd-lo em execu-
dlo. Asfalhas e insuficiencias dos
levantamentos podem ate servir
de pretexto para os que se recu-
sam a admitir o represamento do
Xingu, mas sdo pretextos funda-
dos e fundanzentados. Se o gover-
no federal quer colocar o projeto
as claras e acredita na sua vali-
dade precisa proceder coin cor-
recdo e seriedade no licenciamen-
to ambiental de Belo Monte para
convencer a sociedade de que a
obra e tecnicamente vidvel, res-
ponde a urna imposiqdo do inte-
resse public e e a melhor alter-











A coluna Rep6rter 70 noticiou, no dia 30,
que um projeto da "casa", "O Liberal na es-
cola", foi tema de uma monografia de con-
clusdo de curso na Universidade da Amaz6-
nia, a Unama. O trabalho, do curso de letras,
recebeu nota excelente, dada pelos profes-
sores Jodo Carlos Pereira, articulista do mes-
mo O Liberal, e Lucy Teixeira. O autor do
trabalho (que nao teve seu nome revelado
pela coluna), "mostrou como alunos de uma
escola p6blica, que tnm acesso diario a 0
Liberal, desenvolvem o amor pela leitura e a
pratica de elaboraqgo de texto".
Quem 18 diariamente o jomal nao partilha a
mesma opinido. O Liberal esta muito long de
ser uma fonte de referencia para bons textos. E
muito menos ainda dejornalismo. Ojomal con-
tinua a agredir padres 6ticos, a comegar pelo
desrespeito ao seu leitor. Recusa-se, por exem-
plo, a corrigir um erro elementary que pratica na
capa de todas as edic6es. A do dia 30 aparece
como sendo a de nimero 32.161. Mesmo que se
consider ojomal como tendo 62 anos, que s6
completard em novembro, diarios e ininterrup-
tos, se a numeraq~o fosse verdadeira, significa-
ria uma subversao do tempo, corn a m6dia de
quase 520 ediqces por ano, extrapolando em
quase 20% a bitola da fisica temporal. Como o
jomal peca pela soberba, que nao Ihe permit
admitir seu erro e corrigi-lo, o absurdo se repete
diariamente. Nao 6 born exemplo para estudan-
tes. Nem de 6tica e nem de matemitica.
Tamb6m nao 6 exemplar o caderno de
policia, corn suas sangrentas seis paginas,
ilustradas por cinco cadaveres de pessoas
mortas nos finals de semana, tao violentos
que provocam o crescimento desse caderno
em 30% As segundas-feiras. Igualmente nao
6 de se exaltar a manipulaqao dos fatos que
ojornal faz para punir seus desafetos, ainda
que A custa da mutilag o das informacoes.


A morte de Cecilio do Rego Almeida nao
provocara qualquer mudanqa na forma de
aqco de sua empresa, a Construtora C. R.
Almeida, inclusive no Para. O lugar do fun-
dador e controlador foi ocupado por seu
genro, o engenheiro civil Marco Ant6nio
Cassou, que assumiu a presidencia do con-
selho de administraqao do grupo. Cassou ja
era quem comandava os interesses da em-
preiteira sobre uma area de mais de cinco
milh6es de hectares, no vale do Xingu, que
consider de sua propriedade. Esse domi-
nio, por6m, 6 contestado por todos os 6r-
gdos piblicos, federais e estaduais. Eles
atestam que se trata de uma grilagem de ter-
ras piblicas, a maior ainda nao anulada. Pro-
cesso cor esse objetivo tramita na justiqa
ha 12 anos, sem decisao final.
Cassou foi nomeado inventariante do
esp6lio de Raimundo Ciro de Moura. Den-


No noticidrio sobre o VI Congresso Es-
tadual de Jornalistas, a realizar-se no pr6xi-
mo mes, foi suprimido meu nome como parti-
cipante da mesa de abertura do encontro.
Como efeito dessa censura, os demais inte-
grantes dessa mesa tamb6m tiveram que ser
sacrificados. S6 em relacqo as demais hi a
indicaq o de nomes.
Apesar da deseducagdo a que um jor-
nal elaborado com esses crit6rios induz, a
iniciativa de fazer osjovens lerem jornais 6
boa. Nao devia ser exclusive de um deles.
JA sugeri aqui que o poder piblico adqui-
risse certa quantidade para distribuir nas
escolas oficiais. A compra obedeceria a um
termo de refer8ncia: as empresas jornalis-
tas teriam que possuir capital aberto, preci-
sariam ter sua circulaqao auditada, essa in-
formaqco devia ser publicada no pr6prio
journal, que tamb6m devia incluir um ombu-
dsman, que produziria uma avaliaq~o peri-
6dica do projeto, de acesso pfblico. A aqui-
sigqo seria proporcional tiragem da publi-
cacqo. Um conselho consultivo avaliaria a
continuidade da iniciativa, que duraria um
ano. Ela seria renovada, de acordo corn a
recomendaqgo do conselho e da clientele,
incluindo os professors.
Assim, a relacqo seria dial6tica: ojornal
seria ao mesmo tempo o p61o ativo e passi-
vo, ajudando a former a opiniao piblica e
sendo tamb6m por ela influenciado, atrav6s
do poder pdblico, cuja participaqIo se res-
tringiria a propiciar a aquisiqo de exempla-
res em volume expressive, para tender um
universe representative dejovens, mas corn
acompanhamento pedag6gico e cultural, de
tal modo a afastar as interferencias political
e as manipulaq6es comerciais. Af, talvez a
noticia do Rep6rter 70 fosse mais do que
"patriotada" sem fundo de verdade.


tre os bens deixados por Ciro A mulher e
aos filhos inclufa-se o seringal Monte Ale-
gre, em Altamira. O juiz decidiu que o en-
genheiro seria o inventariante corn base
num simples contrato de arrendamento, as-
sinado por um dos herdeiros, e afastou da
funqao o inventariante anterior. Assim, a
C. R. Almeida assumiu o control de ou-
tra vasta area, vizinha a da Fazenda Cu-
rud, que incorporou ao seu patrim6nio
quando adquiriu uma empresa local, a In-
cenxil. Uma manobra sagaz, como varias
dessa hist6ria jd longa, inconclusa e de
p6ssima moral. Mas que promete render
ainda outros capitulos, cor id6ntico con-
teddo, em fun~go da ausancia de mudan-
qa na diretriz da C. R. Almeida, que se re-
apresenta ao distinto pdblico como "urn
dos maiores e mais s6lidos grupos em-
presariais do Brasil". Pois.


Jornal na escola


Jornal Pessoal 2 QUINZENA JULHO DE 2008


A censura de hoje

Acho que me transformei num item do
exame de consciencia dos cars colegas de
0 Liberal. Eles sabem que nio podem deso-
bedecer a ordem dos donos do journal, que
profbem menqao ao meu nome nos vefculos
da empresa. Mas alguns tentam se aproxi-
mar o maximo possfvel da fidelidade aos fa-
tos, quando neles apareqo, sem contrariar a
en6rgica diretriz. Sendo leais sem deixar de
ser jornalistas.
Pude observer esse conflito ao ler a nota
sobre a saudavel iniciativa que o Hospital
de Clinicas mant6m: exibir periodicamente em
seu audit6rio um filme com "mensagem"
social e convidar algu6m para debater o tema
com os espectadores (m6dicos, enfermeiros
e funcionarios).
Fui convidado, no m6s passado, para de-
sempenhar essa funqao no caso de "O Infor-
mante", de Michael Mann, o melhor filme so-
bre jornalismo que j. vi, emocionante e co-
movedor em varios moments. Ao noticiar o
program, o redator da nota (que nao sei quem
foi), escreveu: "Desta vez, o debatedor 6 o
debatedor sera um jornalista". O erro de digi-
tacao deve ter refletido a indecisao do auto
do texto, sua hesitacao diante da censura pri-
maria e idiota, e sua recusa em trair de todo
seu compromisso corn a verdade.
A leitura da mat6ria me remeteu a um pas-
sado ainda recent e ja arquivado. Na 6poca
em que havia um censor na reda~ao de O Es-
tadode S. Paulo entiree 1969 e 1975), sempre
que escreviamos recorriamos a ardis virios
para tentar vencer a vigilancia do Torquema-
da e ao mesmo tempo dar o maximo possivel
de informacoes ao leitor. Tamb6m procurava-
mos resguardar ojornalista e suas fontes de
possiveis represalias dos representantes do
Leviata estatal, mas procurando indicar a ori-
gem da informagqo, de modo a que o leitor a
pudesse analisar adequadamente.
Quando eu precisava passar em frente
dados que me eram fornecidos por uma im-
portante fonte military, por exemplo, pedia a
Sdo Paulo que desse o cr6dito da mat6ria a
uma "sucursal", sem especifica-la. Os respon-
saveis pela andlise do material impresso teri-
am mais dificuldades para identificar a origem
dessas informaqaes. Protegida, a fonte se dis-
poria a manter o contato com ojornalista, que
nao ficava exposto ao inquisidor.
A censura estatal acabou no Brasil, ao
menos na sua forma aberta, direta. Mas, aldm
da autocensura, esta em pleno exercicio a
censura do dono da empresajornalistica e a
falta de coragem de muitos jornalistas. Hi
mais covardia do que se esperaria encontrar
no mais long period de democracia que o
Brasil republican jA viveu, o atual. Feliz-
mente, ainda hajornalista que consult a pr6-
pria consciencia ao escrever. Remete um
an6nimo e discreto sinal de vitalidade, que
nos chega como a tremelicante luz das dis-
tantes estrelas. Longinquas e an6nimas, mas
plenamente visiveis. Belas.


Terras na mira








Homenagem
Os parents de Lygia Nas-
sar decidiram celebrar o pri-
meiro ano da sua morte lan-
qando um livro, a forma mais
duradoura de lembranqa e
homnenagem. O livro re6ne
material do arquivo de dona
Lygia, inclusive do seu diirio,
e depoimentos dos que convi-
veram cor ela, em sua rica e
f6rtil trajet6ria de 84 anos,
encerrada no ano passado. A
publicaqdo, embora sentimen-
tal e emotiva, foi feita corn
caracteristicas profissionais.
Assim, o livro nao 6 s6 um
relicdrio pessoal, mas uma
contribuiFio de valor coletivo.
A maneira adequada de pre-
servar quem teve fungqo pd-
blica, como dona Lygia.


Pavulagem
Aos 21 anos de existencia,
o Arraial da Pavulagem mos-
tra que 6 uma das melhores
coisas que surgiram no ceni-
rio cultural do Estado em todo
esse period. Nao imitou nin-
gu6m ao dar um sentido local
a manifestaqbes de rua, como
as que se repetem em todos
os lugares. Ter marca origi-
nalmente paraense e das
boas. Criatividade total. Esta
de parab6ns, principalmente
por nao se tornar pivulo corn
a gl6ria.


Imagem
O governor do Pard come-
qou cedo na preparagqo do 8
F6rum Social Mundial, que se
realizard em janeiro, em Be-
16m. Por enquanto, corn a pro-
paganda do que ainda preten-
de fazer. Fiel ao esquema que
ha anos 6 adotado no Estado,
independentemente de quem
o comanda.


A voz da autora
A luxdria que Andr6a Pinheiro interpretou
no seu iltimo show, na semana passada, po-
dia ser interpretada como libertinagem ou las-
civia, significados que o dicionario autoriza.
Cor contenqlo e vontade, alma e razao, o
que caracterizou sua apresentaqdo foi a sen-
sualidade. Nao pela exibigIo do corpo, que
nos Gltimos tempos se transformou numa su-
perexposiqdo, a inverter os terms do espe-
ticulo, mas pela modulaqdo da sua voz, tanto
na expressao do seu rosto quanto no coman-
do do palco do Teatro Margarida Schivasa-
ppa, no Centur. Durante 90 minutes, no esplendor da sua
arte, Andr6a se comunicou cor o piblico, mandou seus re-
cados, mas, sobretudo, entrou em si e se exp6s aos que se
dispuseram a v&-la pela lente da sensibilidade e sob as luzes
da vivencia, da calma sabedoria.
Uma cantora pode realizar uma "obra de autor" sem ter com-
posto uma 6nica das m6sicas que canta? Andr6a se revela, em
"Luxtria", a maior int6rprete dentre as ja numerosas e afina-
das cantoras paraenses. Cada uma das m6sicas parece ter
passado nio s6 por um crivo rigoroso de qualidade: elas tive-
ram que tender A "mensagem" que a cantora quis transmitir
ao seu p6blico. O ponto comum desse repert6rio 6 a pr6pria
Andr6a: sua vida, seus amores, suas id6ias e o que ela entende
que deva ser o usufruto do prazer, sobretudo a dois.
As peas musicals incluidas no espeticulo foram instrumen-
tos para ela dizer o que queria, conforme queria, como se ti-
vesse compost cada uma delas. Varias, depois de cantadas
por ela, nio serdo mais as mesmas aos ouvidos e olhos dos
que compareceram ao show. Nem n6s, talvez. Quando se apre-
senta, Andr6a 6 quem comanda, quem manda e desmanda.
Por isso, sua mensagem fica. Ficou.


Corregao
Para meu azar, o "s" do te-
clado 6 vizinho do "z", vizi-
nhanqa que transformou um
"fiz" em "fis" por um golpe
de dedo de dedilhador na ma-
t6ria sobre Ewaldo Martins.
Perddo, leitores. Perddo, Didi.
E como na m6sica: o que di
pra rir dd pra chorar.


L fora
Maurflio Monteiro, secre-
tirio de desenvolvimento, ci-
8ncia e tecnologia, e Maria
de Fatima Gongalves, dire-


tora da secretaria, percorre-
ram Beijing, Chongqing e
Shangai em 10 dias, a inte-
resse da "Missdo China",
corn didrias pagas pelo Es-
tado. Devem ter trabalhado
bastante.
Ja o assessor especial Ra-
oni Beltrao do Vale ficou oito
dias em Buenos Aires para
participar do Encontro de
Organizaq6es Populares
pela Integraqgo Soberana e
da Reunido de Presidentes
do Mercosul, certamente
bem representando o Pard
nas tratativas.


,M^ovo liv o l \trj'.ks de CO611a o P,,,htI 20 Aliii d /.liIl Pt 000,_, (i11d ia pati_.I
wll.na /l_ lt / l eni'- c tni ar iLJ pirui '5 dJ hil.iri. recenle d%, P r,
quLe .Imals teruni id regis.trjdojs se n.Jo em\ ti(,e est.e irmal. E nio_[r L' comL u JP conse- .
guiu reconnstituir eves tis e x ajiar o seu MgnikiA'do no ne,,no moment em que eles
acionie ilm O(lin roe ctnlmpor .de tre.hi' Sde mi[erias qul publicd.dse de um meti-iekt_' ,-
not i\,. que comenia. situa e elu. idJ, colidi'dano Je um urmahlismo t erdideramnente indepen-
denre. que cumpre .uaj mis- .j mai, nobre ser umra Judiugem do p.der. EsperI que o.
leit:arc', a udem a JdrundJr e~si htirii.. comprando lt, que es io a tendi nai LnL banc ".
eenialgunia-s hui'anaN.. .. -


Journal
O Correio do Tocantins, de
Marabl, 6 o mais antigo dosjor-
nais do interior do Pard em cir-
culaqio e um dos que mais du-
rou em todos os tempos. Cami-
nha para seu 26 ano e sua edi-
qgo 1.800. E uma faqanha da
equipe dirigida por Mascarenhas
Carvalho. Antes mesmo de lan-
qar seu pr6priojoral, ele j era
um atento observador do que
acontecia na regiao dominada
pela provincia mineral de Cara-
jas, refer6ncia indicada no sub-
titulo do Correio. Partilhava in-
formaqoes preciosas cor quem
aportava B terra, atraido por al-
gum dos miltiplos temas que ali
se sucedem vertiginosamente.
Sempre teve esse sentido da
causa piblica, que, logo, se trans-
formou num neg6cio rentivel.
Tanto que o Correio disp6e de
um parque gratico pr6prio, j~ em
expansoo e de dimensio signifi-
cativa, conquista rara na im-
prensa interiorana.
0 Correio se tornou fonte
indispensivel para se saber o
que acontece na regiao, as ve-
zes de forma um tanto chocan-
te, como na sem-cerim6nia de
exibir fotografias de cadaveres,
produzidos cor nefasta regu-
laridade numa terra de grande
viol8ncia.
Parab6ns e longa vida ao
Correio do Tocantins.


JomiaB PBBo


S Editor: Lucio Flavio Pinto

Edigio de Arte:
L A. de Fana Pinto
Contato:
Rua Aristides Lobo. 871 66 053 020
Fones: (091) 3241-7626 E-mail:


lornaf! 'amazon.corn r


I