Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00322

Full Text


MAIO
DE 2008
I"QUINZENA


ornal Pessoal
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


CONFLITO


Uma guerra viciada


A relaqdo da Vale privatizada com o govemo petista voltou ao estdgio do conflito que
houve em anos anteriores. A novidade nessa beligerincia e que algumas situaq5es podem
estarfugindo ao control dos protagonistas. 0 prejuizo pode ser maior do que aparenta.


O s dois maiores poderes no Pard
olidiram na semana passada. A
Companhia Vale do Rio Doce,
maior empresa privada em atuaqdo no ter-
rit6rio paraense, acusou o governor do
Estado de estimular, por omissao calcula-
da, mais uma agressao praticada contra a
companhia pelo Movimento dos Traba-
lhadores Rurais Sem-Terra. Pela nona vez
em 13 meses, o MST invadiu e bloqueou
a ferrovia de Carajis, a terceira maior via
de exportaqao do Brasil, que no ano pas-
sado movimentou riquezas no valor de
quase sete bilhbes de d61lares. 0 governor


devolveu a acusaqao: disse que s6 houve
confront porque a Vale foi indbil no tra-
tamento dado a questAo.
De fato, a empresa ajuizou uma agqo
que, em sfntese, queria obrigar o govemo
a cumprir a lei, impedindo a consumaqao
de um crime anunciado: o bloqueio dos
trens, interrompendo o fluxo de min6rio,
de carga geral e de passageiros entire Pa-
rauapebas e o porto da ponta da Madeira,
em Sdo Luis do Maranhdo, numa exten-
sao de 870 quilometros. A situacqo, en-
tretanto, 6 complex. A ferrovia 6 uma
concessao federal, outorgada por 50 anos


A Vale. Logo, envolve direitos e responsa-
bilidades da Unido e ndo s6 do Estado,
que tern ao seu cargo a seguranqa public
em geral.
Ja o crime s6 existe quando se materi-
aliza. At6 16, todos sao inocentes, embora
nem tanto. Corn bastante antecipaqao, li-
deranqas do MST anunciaram que o blo-
queio da ferrovia de Carajis era um dos
itens do "abril vermelho", uma s6rie de
manifestag6es de protest e reivindicacao
disseminadas pelo pafs. Do antncio a sua
consecugqo, os dias que transcorrem ser-
CONTifUA NA PAG 2


l'iu 3 )4 0 ~t D ~4-


N 416
ANO XXI
RS 3 00


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CONTINUA^AO D& CAPA.Wl-.. -- "
viram para o movimento reunir pessoas,
exibir sua forqa, medir a reaqdo dos de-
mais personagens e partir para o ato,
como se ele fosse inevitdvel.
A proposigao da acqo pela Vale, mes-
mo que rejeitada pelo juiz federal de Ma-
rabi, combinada corn a postura mais
agressiva do president da empresa, mo-
dificaram o cendrio armado para os even-
tos anteriores. Roger Agnelli se permitiu
desviar seu jatinho para Bel6m e passar
alguns moments na cidade para adver-
tir pessoalmente a governadora Ana Ju-
lia Carepa, do PT, para o efeito da agres-
sdo do MST.
Tratou os integrantes do movimento
por bandidos e garantiu que nao cederia
A sua intimidaqao, por ser illegal. Chegou
ao requinte inovador de, desta vez, nao
ameagar suspender a implantaqgo do pro-
jeto de uma siderdrgica no Para, que re-
presentaria o almejado passo al6m da
mera gusa no process de beneficiamen-
to (ainda em escala primiria) do rico
min6rio de ferro de Carajis. Agora, dis-
se que a Vale continuari a siderdrgica sem
contar corn o governor do Estado, embo-
ra atos como o do MST venham a inibir
outros investimentos, trazendo grandes
prejufzos ao Pardi.
A declaragAo de guerra do president
da Vale ganhou eco ultra-ampliado na im-
prensa local e national (regiamente servi-
da pela publicidade da empresa, que ago-
ra se tornou anunciante de grande peso,
ao contrario do procedimento anterior, es-
pecialmente na era estatal) e provocou
reaqdes de representaq6es da sociedade,
sobretudo junto ao empresariado. Como
o clamor ganhou corpo, o MST alterou
sua estrat6gia: procurou desvincular-se do
bloqueio da ferrovia, transferindo-o para
a responsabilidade de um difuso movimen-
to de garimpeiros, sem credenciais para
promover um ato de tal envergadura.
As camisas e bandeiras vermelhas
mudaram de cor, tornando-se amarelas.
Podiam ser interpretadas como o simbo-
lo da desculpa esfarrapada do MST para
se isentar de responsabilidade, tao sem-
jeito que imediatamente o movimento di-
vulgou nota official declarando seu apoio
A iniciativa dos garimpeiros, sem mudar o
tom da linguagem, mais adequada para o
dono da empreitada.
Essa nova estrat6gia pode indicar a
esperteza dos dirigentes do MST. Ao agir
assim, eles se livraram das conseqtienci-
as legais do ato que planejaram e executa-
ram (como a multa, previamente deter-
minada pelajustiga do Rio de Janeiro, e a
possibilidade de prisao, ainda pendente).
Mas, dependendo dos desdobramentos
dessa nova situaqao, esse diversionismo
pode comegar a enfraquec&-lo, revelando
algumas de suas fragilidades, como a de
se valer do apoio official, velado ou explf-


cito, verbal ou material, para poder exibir
sua forqa. A relaqio entire um movimento
que se recusa a institucionalizacqo e lega-
lizaq5o (nao aceita se tornar pessoa juri-
dica), mas se vale do aparato do poder
piblico, inclusive para arrecadar dinhei-
ro, estA sujeita a grandes flutuaq6es con-
junturais. Pode se manter eficaz e at6 du-
radoura, mas pode se corroer de sdbito.
A aqao do governor estadual no epis6-
dio guardou coerencia corn o padrAo des-
sa relagqo difusa. As policies military e ci-
vil acompanharam a obstruqao dos trilhos
e a paralisaqAo da composiqAo ferrovid-
ria, s6 intervindo em certo moment,
quando o desbloqueio ja parecia acerta-
do. A Polfcia Federal, que seguiu essa sin-
cronia, nao deixou, por6m, de carregar
um element material do delito: prendeu e
indiciou dois dos organizadores da mani-
festagqo, um deles da prefeitura de Pa-
rauapebas, sob o comando do PT e acu-
sada de ser a principal patrocinadora do
ato do MST.
A prefeitura e o governor podem alegar
que assim se comportaram porque preci-
sam ser o instrument das justas reivindi-
caq6es dos sem-terra e demais habitantes
da regido, desassistidos pelo Estado, e
porque o poder da Vale tern sido usado"
abusivamente, sem freios nem peias, como
precisava ser. E um argument podero-
so. No entanto, ha tamb6m outros argu-
mentos apresentados nos bastidores do
poder: a constant impetuosidade sobre a
Vale teria a finalidade de pressiond-la e
forqi-la a ceder recursos ao municipio de
Parauapenas, que reivindica na justiqa di-
reitos no valor de 600 milh6es de reais e
ja teria gasto por conta parte desses re-
cursos, embora sua obtenqAo ainda seja
temerdria.
Num ambi.ente de ocultaq6es e ma-
nobras, todo tipo de interpretaqao e de
boato. tem curso fAcil. Principalmente
quando se pode de pronto montar uma
agenda corn itens graves que jamais sao
esclarecidos, sobretudo porque a pode-
rosa Vale se recusa a descer do seu
Olimpo metropolitan, dialogar corn po-
bres mortals interioranos e ceder-lhes
ao menos alguns de seus an6is, elabora-
dos sob exaustiva exaustao dos recur-'
sos naturais do Pari.
A Vale acumula um contencioso enor-
me e insoldvel corn o Estado, pelo qual o
doutor Agnelli nao consegue disfarqar sua
mA-vontade. Essa arrogancia gera a anti-
patia geral pela empresa, que, se sentindo
incompreendida e injustiqada (nao sem
alguma razao), reage corn mais arrogan-
cia. Mesmo quando se dispbe a fazer al-
guma concessao ou aceitar alguma pon-
deragqo, age como se estivesse realizan-
do uma caridade ou movida por mera li-
beralidade e patemalismo.
Nao pode ser amada ou compreendi-
da uma empresa que gera 10 mil deman-


das trabalhistas em Parauapebas, forgan-
do a ripida duplicagqo da antiga junta de
justiqa, que nao deu conta do trabalho.
Agora, nem mais as duas sao suficientes.
As queixas sao contra as empreiteiras da
Vale em Carajds, mas a reacao massive 6
fruto de uma terceirizacqo sem frontei-
ras, irresponsdvel. E de uma estrat6gia
advocaticia estabelecida com base no frio
cilculo aritm6tico, cujo resultado 6 reve-
lar que a quitaqao da dfvida em juizo 6
mais rentdvel do que o respeito pr6vio dos
direitos trabalhistas. A terceirizacqo de 90%
da mao-de-obra de Carajis cortaria o elo
da empresa corn suas empreiteiras, pro-
tegendo-a em seu castelo de vidro por um
fosso intransponfvel.
Esta 6 a 6tica predominante na Vale
privatizada: ela se pauta pelos n6meros,
pela ansia quantitativa de resultados e de
grandezas, abstraindo pessoas e relaq6es
sociais, ignorando a paisagem em torno
de suas catedrais da producqo. Uma vez
estabelecidas as metas, por crit6rios con-
tdbeis, atuariais, financeiros, de marketing
e de gestao de neg6cios, o que importa 6
alcangi-las. A grandeza da empresa 6 tam-
b6m sua fragilidade: p6s sem enraizamen-
to term que sustentar um comando sujeito
a macrocefalia de poder. A autoritaria voz
de mando dissipou a bruma do querer bern
que funcionirios, clients e populagqo ti-
nham pela CVRD, corn todos seus errors
e distorgqes.
O poder absolute de que a Vale atual
quer dispor para fazer seus projetos se
realizarem exatamente como foram con-
cebidos a levam a se tomrnar um macaco
em loja de loucas, ainda que louqas de mri
qualidade, como as que os dois governor
o estadual e o federal exibem em suas
vitrines, quando se apresentam para en-
carar o dificil, complex e amplo conten-
cioso corn a empresa nos diversos terre-
nos e stores em que ela atua. Como nio
hU um diilogo franco e as regras do jogo
mudam, assim como as pr6prias cartas
colocadas sobre a mesa (e abaixo dela, e
no colete dos jogadores), uma parte tenta
enganar a outra e tirar mais vantage da
relacqo, manipulando armas e parceiros
conforme as circunstancias.
O efeito desse tipo de didlogo 6 um
desgaste geral, corn prejufzos para todos,
ou para a esmagadora maioria dos que nao
tem meios de perceber a verdade e parti-
cipar da cena como personagens ativos,
nao apenas como marionetes ou buchas
de canhao.
Enquanto perdurar essa forma irracio-
nal e ca6tica de relaqao entire as duas fon-
tes de maior poder no Estado, o jogo s6
trara vantagens para os iniciados e corn
acesso A cupula desses poderes. At6 que
as riquezas que motivam toda essa movi-
mentaqao se tenham esgotado, quando en-
tao havera pouco o que fazer porque a InWs
metaf6rica dessa peqa ja estard morta.


2 MAIO DE 2008 I QUINZENA Jornal Pessoal







Eleiago em Belem: nada vai mudar?


O chefe da casa civil do governor
Charles Alc^ntara, que era um dos cinco
auxiliares mais influentes e poderosos da
governadora Ana Jdlia Carepa, caiu por
virios motives. Os mais numerosos se
engatam nas complicadas teias internal
do PT, que sdo tecidas como se perten-
cessem a uma seita religiosa. Mas a cau-
sa principal foi a associagao de Charles a
uma estrutura de poder paralela a do PT,
variando pendularmente entire a alianga e
a hostilidade. Como o chefe da casa civil
era o mais assfduo e demorado interlo-
cutor do deputado federal Jader Barba-
lho, os petistas roxos passaram a achar
que ele estava mais a servico dos inte-
resses do PMDB do que dos do PT, ou
pelo menos ji nao conseguia distinguir
os dois ambitos.
Quando a possivel candidatura do ex-
deputado Jos6 Priante transbordou dos
bastidores para as ruas corn toda aparen-
cia de um movimento orquestrado e bemrn
desenvolvido, a participaqao de Charles
nessa entente passou a ser classificada
como traigqo. Sua cabeqa foi oferecida
como trunfo na bandeja da candidatura
pura ou ideol6gica. Foi demitido de
s6bito e o decreto de exoneragao
nao mencionou o "a pedido", que
mant6m as aparencias de acordo
entire as parties. 0 PT apresenta-
ri candidate a prefeito de Be-
16m e, no maximo, oferecerd o
segundo lugar na chapa para
quern esteja disposto a acom-


panhd-lo. Cabeqa de chapa para o PMDB,
nunca mais. Na capital, 6 claro.
Por efeito gravitacional dessa decisao,
o candidate 6 o ex-secretirio de educa-
gqo, MArio Cardoso, que durou pouco na
administragqo de Ana Jdlia, nao 6 de sua
simpatia nem aparece como nome eleito-
ralmente forte em Bel6m neste moment.
Mas contarA corn o calor da mrquina ofi-
cial para adquirir consistencia e ser can-
didato com possibilidades reais de vit6-
ria? E una hip6tese, a mesma que o PT
tern apresentado no interior para viabili-
zar os nomes que lhe interessam apresen-
tar nos municfpios mais importantes do
Estado (mesmo onde possiveis aliados jd
sejam politicamente fortes).
Um dos principals instruments de
convencimento dos interlocutores sdo as
obras do PAC (Programa de Aceleragqo
do Crescimento), o dolorido parto da mi-
nistra Dilma Rousseffeito pelo president
Lula. Se o governor der respaldo ao candi-
dato, mesmo que por vias e travessas,
estarA afastada a ameaqa que paira sobre


Mario Cardoso, de ser "cristianizado"
(como foi o candidate do PSD, Cristiano
Machado, na eleigqo que favoreceu a vi-
t6ria de Getdlio Vargas, em 1950)? Ou o
grupo que tenta uma composiq.o mais
ampla corn o PMDB ainda conseguira ar-
ranjar um novo desfecho?
Seri que realmente esse desfecho con-
traria o projeto de conurbacqo, a partir do
alto, entire o PT, o PMDB e o PTB, que
estAo na base aliada de Lula? Jader Barba-
Iho estava empenhado mesmo em garan-
tir a viabilidade da candidatura do primo,
Jos6 Priante? Atravds de uma nota no seu
journal, ele declara que ndo s6 estava como
Priante sera agora o candidate do PMDB.
A declaraqAo 6 mesmo para valer?
Mesmo que seja, de fato a inviabiliza-
gqo da alianqa PT-PMDB para apoiar Pri-
ante contrariou os seus pianos, ou ele acaba
tirando alguma vantage dessa nova si-
tuaqao? 0 lanqamento da candidatura de
Priante pelo PMDB, sem o PT, corn chan-
ces remotas de vit6ria, atende a urn com-
promisso corn o correligiondrio e, ao mes-
mo tempo, credencia o PMDB para o 2
tumo. que se tornard quase inevitdvel corn
Sa pluralidade de candidaturas prevista
para o 1 turno?
A continuar assim, o ambiente
eleitoral pode acabar se tomando
propicio a alguma surpresa, a um
azarao, que se desvencilhe dessa
promiscuidade toda. Embora difi-
cilmente essa novidade venha a
resultar em mudanqa de verdade.


0 Liberal volta a atacar


Duas bern fornidas mat6rias contra o
governor do Estado foram para a primeira
pigina da edicqo dominical de 0 Liberal
do dia 20. A manchete de capa foi sobre a
"farra de didrias" de 20 servidores pdbli-
cos estaduais, que gastaram 84 mil reais
em viagens. Uma das chamadas da pri-
meira pigina destacou o apoio da AqAo
Social a entidades de falsa filantropia (as
"pilantr6picas"). Ambos os temas ji fo-
ram motivo de matdrias nestejornal e pro-
vavelmente serviram de pauta para a
folha da familiar Maiorana. Finalmente, 0
Liberal decidiu fazerjornalismo na cober-
tura dos atos da administracao estadual?
A julgar pelo conteddo das matdrias,
apuradas corn sentido critico e visando
os fatos, sim. Mas qual a razao dessa
decisdo editorial positive e por quanto
tempo ela se manterd? A ordem de bater
no governor de Ana Jdlia Carepa partiu
da direqao da empresa, corn uma moti-
vaqco concrete: o balango do Banco do
Estado do Pard, ocupando fartas seis


pAginas da ediqao do dia 8 do Didrio do
Pard, nao foi programado para sair em
0 Liberal. Discriminacgo polftica do
governor e mais uma prova de que ele se
bandeou de vez para o lado do journal do
deputado Jader Barbalho?
Na aparencia, sim. De verdade, nao. A
exclusdo de 0 Liberal teria sido urn erro
primrnrio de um director do Banpard e falha
ainda mais grosseira da ag8ncia de publi-
cidade responsdvel pela veiculacgo, a Van-
guarda, do petista Chico Cavalcante. Aldm
de ter diagramado o balanqo num corpo
de letra maior do que o desej vel pelo ban-
co e num espaqamento mais largo do que
o recomendivel por cautela economic, a
agencia s6 mandou a peqa para o Didrio.
0 andncio, maior do que o previsto,
acabou consumindo toda a verba que es-
tava destinada a divulgaqdo do balanqo.
Ao ser informada do problema, a direqao
do Banpara nao quis resolv6-lo atrav6s do
estouro do orqamento: preferiu esperar
mais um mrs para usar uma outra verba,


que s6 entdo estara disponivel, e destinar
o anincio tamb6m para 0 Liberal. Os
Maiorana, por6m, ou nao aceitaram as
explicaqtes ou exigiram a veiculaqao ime-
diata. Como ela nao veio, adotararn a re-
presilia, que tern sido pritica comum da
"casa" em tais situagoes.
0 Banco da Amaz6nia, que em 2002
publicou no journal apenas uma versao re-
surnida das suas demonstrates con tiveis
integrais, divulgadas por inteiro apenas na
grande imprensa national, foi punido corn
uma campanha de hostilidades que s6 se
interrompeu quando houve a veiculacqo
desejada. A repeticqo desse fen6meno no
caso do Banpara, entretanto, poderA nio
ser complete: o desentendimento pode
tornar ainda mais delicada a recomposi-
gqo de interesses entire o grupo Liberal e
o governor de Ana Jdlia, que jA enfrenta
virias arestas. Um acordo de paz e um
protocolo de entendimentos vai-se tornan-
do tarefa para uma super-diplomacia. A
ddvida 6: ela existe no Pard?


Jornal Pessoal I0 QUINZENA MAIO DE 2008 3







A pergunta na cidade: em quem voce confia?


Erm quem voc8 pode confiar? Vera
Ximenes Ponte, defensora p6blica de 62
anos, irma de outros tres homes pdbli-
cos com atuaqao destacada na cidade (to-
dos corn formago acad8mica superior,
que ocuparam cargos de dire~go na ad-
ministragqo poliftica, um deles com man-
dato politicoo, confiou na sua manicure.
Em uma dessas conversas intimas pro-
porcionadas por esse tipo de relagdo, con-
fidenciou-lhe que guardava 10 mil reais
em dinheiro dentro da sua casa, onde vi-
via sozinha, no afluente bairro do Umari-
zal, e que tinhaj6ias valiosas. Poucos dias
depois Vera foi vitima de latrocinio no in-
terior de sua resid&ncia.
A concxdo entire a conversa descon-
traida e a morte foi estabelecida atrav6s
de oito pessoas, num dos muitos circui-
tos rotineiros de exercfcio da criminalida-
de em BelIm, cada vez mais numerosos e
eficientes. Nao por acaso, cada vez me-
nos detectados e desfeitos. A manicure
transmitiu a informaqao ao cunhado, que
a repassou a um conhecido, not6rio no
bairro do Guamd, o mais populoso da ci-
dade, ponto de transito e de fixagqo de
varios desses fluxos criminals. 0 cunha-
do da manicure cobrou uma taxa de pe-
d6gio pelo fornecimento da informacgo,
que seria usada como element aglutina-
dor para a formaqao de um bando, inte-
grado por seis pessoas, corn idades vari-
ando entire 20 e 30 anos.
Eles decidiram assaltar a dona do pa-
trim6nio revelado. 0 primeiro ataque nAo
foi executado porque um home que es-
tava em frente A casa da defensora pdbli-
ca foi tido como seguranqa e o grupo s6
dispunha de uma arma, insuficiente para
garantir sua predominancia em um even-
tual confront. Para o segundo ataque, foi
providenciado um segundo rev61lver, gra-
qas ao mercado clandestine de armas de
aluguel, que garante a forqa dos crimino-
sos e lhes fornece um Alibi (nao andam
armados normalmente). Causa tdo deci-
siva na expansao da criminalidade quanto
a figure do receptador, que age corn de-
senvoltura em Bel6m.
Para o sucesso da investida foi funda-
mental outra informacao da manicure: por
ser defensora p6blica, comprometida corn
os mais pobres por dever de oficio e de
consciencia, Vera abria a porta para quemr
Ihe pedisse auxilio. Uma mulher da qua-
drilha se apresentou a moradora corn essa
conversa. Dentro da casa, se transformou
em assaltante. Surpresa e provavelmente
revoltada com o ardil, a vitima tentou re-
agir e gritou. Foi contida e imobilizada corn
um pano colocado em sua boca.
Surge entdo um detalhe que se tornou
constant em muitos atos de agressao e
violJncia multiplicados por todo pafs, avil-


tado pela desvalorizaqdo da vida e a bana-"
lizagao da morte: os assaltantes nao ti-
nham a intenqgo de matar a defensora, que
nao os conhecia. Mas a imobilizaqao foi
rigorosa demais e provocou o desfaleci-
mento da vitima. Seus agressores nao se
preocuparam em moderar a violencia na
sufocaqAo nem se deram ao trabalho de
verificar se Vera ainda estava viva e se
podiam dar-lhe alguma atengqo para evi-
tar que morresse. Que importava ela es-
tar viva ou morta se o principal jd fora
alcanqado, o seu patrimOnio material?

Quem for aprofundar
a resposta a essa
pergunta tomara
um susto, que
acomete todos
aqueles quando
penetram na seara
penal como vitimas: o or-
denamentojuridico do pafs tutela com mui-
to maior rigor o patrimonio do que a vida.
0 C6digo Penal 6 mais enfitico e sua exe-
cuqao mais c61lere quando o criminoso
atinge os bens materials de suas vitimas.
Crimes contra o patrim6nio tem mais aten-
cao do que os crimes contra a vida.
Se voc6 tiver a infelicidade de sofrer
uma agressao fisica, praticada corn a
intengqo de causar-lhe grande dano sem
alcanqar esse objetivo, por mais que por
um moment (o da concepqao e perpe-
tragao da agressao) o risco de morte te-
nha estado latente (nao se materializan-
do por impericia do agressor ou qual-
quer circunstancia aleat6ria), saiba logo
que esse ato sera considerado como sen-
do de baixo poder ofensivo, o crime
sera tratado numa vara do juizado espe-
cial e o criminoso se livrard do proces-
so, mesmo se confessar o delito, corn
uma pena simb61lica. E voc8, decidindo
nao aceitar qualquer acordo, por se con-
siderar aviltado pela agressao, nem po-
deri tomar parte ativa na audiencia de
instruqao najustiqa, na qual os protago-
nistas serao o agressor e o representan-
te do Minist6rio P6blico.
Portanto, se algu6m o agredir, trate
de providenciar que a agressao lhe cau-
se algum prejufzo material. Deixe, por
exemplo, que seus 6culos sejam atingi-
dos pelo murro do agressor. Talvez as-
sim ele pegue uma pena mais compativel
corn o grau de violaqao que praticou con-
tra a integridade da sua pessoa. A pessoa
6 uma abstragqo juridica em terms pe-
nais. A propriedade tern materialidade
contundente. E o eco penal ao grito de
alerta do c6digo civil.


No caso da defensora publica Vera
Ximenes Ponte, sua morte foi um "aci-
dente de trabalho" dos criminosos, que
nao deram atenqao ao "detalhe" e prosse-
guiriam no seu circuit operacional se
outras circunstancias (como a presenqa
de uma camera de televisAo em pr6dio vi-
zinho e a eficiencia da policia, quando
provocada por um chamado superior e
autorizada a seguir at6 as ultimas conse-
qilUncias) nao se interpusessem aos seus
designios. Quatro dos criminosos foram
press, pouco mais de uma semana de-
pois do crime, e dois estavam para ser
apanhados neste moment em que escre-
vo. Havia ainda os dois cabeqas da trama,
que nao participaram diretamente da
agressao, mas sem cuja iniciativa nao te-
ria havido o crime: a manicure e seu cu-
nhado. Estes ficarao fora do alcance da
maio justiceira do poder p6blico?
Esta 6 outra pergunta que a sociedade
costuma se fazer quando confrontada com
dramas como o que atingiu em cheio a
numerosa e estimada familia Ximenes
Ponte. Os policiais que participam das in-
vestigag6es foram louvados e merecem
os elogios pela pronta resposta dada a
agressao brutal. Mas esse tipo de resulta-
do 6 sentido cada vez mais como uma vi-
t6ria de Pirro. 0 crime se esclarece, os
criminosos vAo para a cadeia e, eventual-
mente, so julgados, sentenciados e cum-
prem as penas aplicadas.
Mas esse ji estA deixando de ser o ro-
teiro da regra para se tornar a inesperada
exceqao. No geral, o inqudrito policial nao
chega a se transformar em process judi-
cial, a sentenqa judicial nao transit em
julgado, a pena nao 6 cumprida ou nem
esse tortuoso e incerto caminho se reali-
za: o criminoso foge ou a pena, ao inv6s
de inibir a reincidencia, serve-lhe de esti-
mulo. E mesmo quando a exceqio se
materialize integralmente, novos crimino-
sos se multiplicam no lugar daqueles iso-
lados nas casas penais. A violencia 6 re-
plicante.
Como combater a praga corn efici-
cia? A agqo policial 6 fundamental, mas
nao 6 suficiente e nem chega a ser a mais
important political publica, para usar essa
expressed tao desgastada pela mi aplica-
gao. De fato, o Estado precisa se multipli-
car em zonas crfticas como o bairro do
GuamA (e do Jurunas e da Terra Firme e
da Pratinha e do Umarizal e... de toda Be-
16m e de todo Estado e de todo pafs).
Mas nao apenas atrav6s do seu bravo
repressive. Precisa multiplicar escolas
(diversificando sua natureza), centros de
convivencia, oficinas de trabalho, n6cle-
os de lazer, clubes de mae, associaq6es
de bairro, clubes esportivos, pontos de ar-
CONCLUI NA PAG4


-A *MAIO DE 2008 I QUINZENA Jornal Pessoal






CVO&ixiSAO A PAG....
regimentaqdo, seleqdo e qualificacgo de
mdo-de-obra, grupos da terceira idade,
bibliotecas, museus e etc., toda essa es-
trutura descentralizada, pulverizada, mas
integrada, formando redes, se relacionan-
do, promovendo intercambios.
Sera um erro imaginar que se conse-
guirao milagres apenas com estruturas ff-
sicas. 0 objetivo 6 a pessoa, que s6 poderd
ser atingida atrav6s de outra pessoa. E pre-
ciso realizar obras de qualidade e dentro
delas colocar gente motivada, corn melhor
remuneraqdo, valorizada, capaz de moti-
var e valorizar as pessoas do universe em
tomo dessas unidades. Do contrdrio, o que
se vera serd a reproduqAo de uma paisa-
gem urbana pontilhada de esqueletos sem
vida ou corn vida que se enfraquece, como
em virias escolas pfblicas, que se esvazi-
am de alunos e professors, sobretudo no
horario notumo, ou cuja vida deixa de ter a
mais elementary qualidade requerida pelo ato
pedag6gico de ensinar.

Qlianto maior for
o chamado da razao, do
saber e da sanidade,
tanto mais pessoas
serAo sensibilizadas
para seguir outro
circuit que nao
o do crime, o mais apelativo e o
que mais celeremente avanqa nas art6rias
de vida (e de morte) da cidade. E claro
que esse chamado precisa conduzir ao
trabalho, A oportunidade de emprego, a
novos campos da atividade humana, exi-
gindo do poder pdblico induqdo sobre o
process produtivo da cidade, tamb6m
comprometido pelos circulos da margi-
nalidade e da criminalidade.
E uma tarefa gigantesca e dificilima, mas
s6 sera impossivel se nao for assumida e
posta em prdtica. Se continuar a ser ignora-
da pelos que se apresentam para exercer o
comando do poder pdblico apenas para
transformi-lo em ref6m da sua vontade,
interesses e caprichos, no maior e mais no-
civos dos circuitos da criminalidade, por ser
o menos visivel e o que, por isso mesmo,
mais influencia os outros circuitos.
t uma promiscuidade jd tao dissemi-
nada que nos devolve A questdo original:
em quem voc8 pode confiar? Pode confi-
ar em quem escolhe para exercer o co-
mando de todos esses circuitos, ao me-
nos em tese? Pense nisso: agora, amanha
e quando for participar da pr6xima vota-
gco, a deste ano para a escolha dos politi-
cos mais pr6ximos de voce, os munici-
pais. Nao deixe que tenha acesso h sua
vida algu6m como a dissimulada manicu-
re, que levou h morte uma cidada, como
a defensora pfiblica Vera Ximenes Ponte.


A equipe de reportagem de 0 Liberal
voltou a ser assaltada no mes passado. 0
fato provocou um mini-editorial no Rep6rter
70, a principal coluna dojomal. Dizia a peqa:
"Mais uma vez, uma equipe de 0 LI-
BERAL sofre a aqio de criminosos que,
nesta cidade, parecem ser maiores que a
floresta, como diria o saudoso Cl6o Ber-
nardo. E roubo de mAquinas, de celula-
res, de dinheiro, is vezes recuperados,
outras vezes nao, o que nao 6 novidade
para uma populaqao que se ve assaltada
em quase todos os sentidos. A Polfcia pre-
cisa fazer o seu papel e descobrir o real
motivo que levou uma dupla de bandidos
a dar tiros contra um carro de reporta-
gem deste journal. Ou faz isso logo ou ates-
ta, corn seu silencio, que aqui tamb6m ji
esti tudo dominado".
Ressalvada desde logo a solidariedade
deste jomal a todas as vftimas da crescente
violencia na capital paraense, 6 impossfvel
reprimir a reacqo imediata que o editorial
provoca: a pimenta s6 6 refresco nos.olhos
dos outros. 0 Liberal e seu irmao mam-
bembe, o AmazOnia, gastam todos os dias
de 10 a 12 p6ginas para tirar lucro do crime
praticado na cidade, apregoado como a prin-
cipal mercadoria oferecida aos clients das
duas publicacqes (e tamb6m do Didrio do
Pard, que padece do mesmo mal).
0 noticiario policial nao leva em consi-
deragao a dignidade das pessoas, sejam elas
vitimas ou autores das violencias. Nao pre-
serva suas honras nem suas imagens. To-
das sao transformadas em mercadorias, ins-
trumentos do sensacionalismo praticado sem


exceqio em todas as edic6es dos jornais das
Organizaq6es Romulo Maiorana, que inver-
teram o brocardo jurfdico: todos sao culpa-
dos atd prova em contrario.
Mas quando atinge uma engrenagem
das ORM, a violencia 6 apresentada como
se fora violaqio a sagrada liberdade de im-
prensa. 0 ataque.birbaro foi cometido pe-
los dois bandidos a um carro do grupo de
comunicaqao no qual estava apenas o mo-
torista. Ele tentou fugir e, como quase sem-
pre ocorre nessas ocasioes, recebeu tiros
dos assaltantes. Sem a circunstancia de se
tratar de propriedade do grupo Maiorana,
o fato seria noticiado em 0 Liberal e no
Amazbnia como crime comum.
Para o editorial do Rep6rter 70, a logo-
marca da empresa seria motive bastante
para haver um "real motivo" por tris do
ataque dos bandidos. O jomal se auto-con-
cede, majestaticamente, esse direito, de
perquirir por motivo subterraneo. Ao cida-
dao comum, massacrado cotidianamente
no noticiario policial de 0 Liberal, nao con-
cede a mesma prerrogativa: ele 6 um n6-
mero e uma mercadoria, manipulada con-
forme as conveniencias da edigqo.
Partilha-se o direito dojornal de cobrar
providencias das autoridades e se deseja
que seus funciondrios nao se vejam expos-
tos a novos constrangimentos, ou a situa-
9oes ainda piores. Mas conv6m a empresa
meditar tamb6m sobre suas priticas edito-
riais, sobretudo em relaqao a essas turvas
e perigosas sendas do crime. Quem brinca
corn fogo costuma se queimar, diz o povo.
Sibio em mais esse conselho.


Viva a mangueira, a arvore de Belem


A mangueira, que associou seu nome ao
de Bel6m, esti condenada. Dizem os espe-
cialistas que ela causa mais problems A vida
urbana modern do que oferece solug6es:
suas rafzes sao agressivas, suas grandes
folhas entopem bueiros e seu fruto causaa
danos a pessoas e coisas. Tudo verdade.
Mas s6 parte da verdade. Podas sistemiti-
cas previnem os efeitos negativos da mu-
danqa de folhas. Construq6es adaptadas as
suas rafzes tomam-nas acomod6veis. For-
macao de turmas adestradas de meninos
para coletar as mangas na 6poca devida nao
s6 evita os prejufzos gerais como alimenta
quem precisa e di trabalho e assistencia a
jovens (que, antes e depois do trabalho, se-
riam alimentados e instruidos).
Quanto vale o titulo de "cidade das
mangueiras", que Bel6m conquistou? t
investimento secular. A populaqao da ci-
dade cresceu em n6rnero e em agressivi-
dade aos elements mturais da paisagem.


Ainda assim, as mangueiras sobrevive-
ram. E continuaram a ser estimadas. Por-
que dao sombra, porque dao perfume,
porque dao frutos, porque abrigam, por-
que sao boas companheiras de rua. Por-
que sao tao ou mais Bel6m do que eu e
voce. Por que sacrifica-las a uma senten-
qa condenat6ria tecnocritica, sem com-
ponente human e sem intimidade corn a
hist6ria e a natureza da cidade?
Podemos experimentar novas esp6ci-
es florestais, nativas, adaptadas ou ex6ti-
cas. Mas nas areas que nao trim manguei-
ras. Permanecerem onde estao, e ao nos-
so lado, 6 direito de conquista. Delas e
nosso. Eu, pelo menos, a essa recomen-
dacqo de substituir mangueiras por outras
arvores, no centro velho da cidade, reajo,
de pronto, corn um grito de combat: vade
retro, satands.
Nao abro mao de continuar a morar
na cidade das mangueiras.


Jornal Pessoal 1 QUINZENA MAIO DE 2008 5


Quando o crime chega

a imprensa: o protest







As fronteiras amazonicas


Em 1985 o Brasil retornou a demo-
cracia, corn o fim de mais um ciclo mili-
tar de intervengqo, o mais extenso (corn
duraqao de 21 anos) e o mais profundo
(corn o exercicio direto do poder por seis
sucessivos governor comandados por
generais-presidentes). Mas a Amaz6nia
permaneceu A margem do process de-
mocritico national: corn a instituigqo do
Projeto Calha Norte, pelo president Jos6
Sarney, a doutrina de seguranqa national
continuou a ser a fonte do direito e da
visao estatal sobre a regido, acima e A parte
do ordenamento legal do pafs.
O estado latente dessa situaqao irrom-
peu ostensivamente e readquiriu autono-
mia a partir do iltimo dia 10. Nesse dia, o
comandante military da Amaz6nia, general
Augusto Heleno Ribeiro Teixeira, fez uma
palestra a portas fechadas para empresa-
rios da Federagqo das Ind6strias de SAo
Paulo, que constituem um dos mais po-
derosos grupos de pressao do pafs. Um
dos alvos principals do pronunciamento
do military, corn grande prestigio na tropa,
por ter participado de operaqbes de corn-
bate, a frente da forqa international da
ONU que interveio no Haiti, foi a demar-
cacqo da reserve indigena Raposa Terra
do Sol, em Roraima.
O general disse que a destinaqAo plena
aos indios dessa area, representando 46%
do territ6rio do Estado e parte consideri-
vel das fronteiras do Brasil corn a Guiana
e a Venezuela, comprometia a soberania
national e ameagava de internacionaliza-
qao a Amaz6nia, objetivo almejado por
virios pauses, inclusive pelos Estados
Unidos. A iniciativa seria uma das medi-
das em curso para transformar essa re-
serva em territ6rio international, numa
escalada que teve seu moment maximo
em setembro do ano passado, quando a
mesma ONU a qual o military serviu, a
chamado, aprovou a Declaraqao Univer-
sal dos Direitos dos Povos Indigenas,
subscrita pelo pr6prio Brasil. Dispositivos
dessa declaraqgo poderiam levar A cria-
qao de novas naq6es dentro do que hoje 6
o territ6rio national.
Um dos efeitos dessa declaraqao seria
permitir que os indios da reserve conquis-
tem livre arbftrio (ou auto-determinagqo),
deixando de se submeter ao governor bra-
sileiro. Um chefe indigena podia se decla-
rar imperador e dispor sobre seu territ6-
rio conforme quisesse, inclusive reque-
rendo protegao international, que lhe po-
deria ser concedida de pronto, como ima-
ginou o general. Para isso 6 que Holanda,
Inglaterra, Franca e Estados Unidos esta-
riam estabelecendo bases ffsicas ao lon-
go da fronteira e se adestrando para ope-
raq6es militares na selva amaz6nica.


No mesmo dia em que o general fazia
sua palestra para a plutocracia paulista
(a dnica a merecer esse tiftulo no Brasil),
o Supremo Tribunal Federal determina-
va a suspensdo da operagqo que a Polf-
cia Federal montara para desalojar os 1l-
timos nao-indios que se encontram no
interior da enorme reserve, somando
menos do que 10% da populaqao de 18
mil indios, o maior adensamento indfge-"
na do pais numa s6 area. 0 STF decidiu
que qualquer aqao s6 poderd ser realiza-
da (ou definitivamente vetada) depois
que o tribunal decidir sobre o m6rito de
uma acao proposta pelo governor de Ro-
raima contra a demarcaqao, apontada
como illegal. Como essa manifestaq~o ain-
da demorarA bastante, a liminar restabele-
ceu o status quo ante: ao invds de provo-
car um choque aberto, de proporq6es
imprevisiveis, a tensdo continuard acar-
retando desgastes parciais e conflitos epi-
s6dicos e localizados. E a ampliar sua
configuraqgo de crise political national.
Ela podera evoluir para uma nova
"questao military" e transformar o general
Augusto Heleno no seu grande lfder, quern
sabe, um novo nome a crescer, no vAcuo
de lideranqas civis (e, sobretudo, milita-
res), como candidate a president da re-
pdblica na eleiiao de 2010. Qualidades e
atributos nao faltam ao military, nem tal-
vez intenq6es. Depois do pronunciamen-"
to na Fiesp, ainda nao assurnidamente po-
litico, ele foi a um ambiente ainda mais
propicio a sua pregagAo: o Clube Militar,
no Rio de Janeiro. Nele, falou abertamen-
te, para um audit6rio lotado por 600 pes-
soas, um quarto delas oficiais superiores,
especialmente da reserve, mas tamb6m da
ativa, como o comandante military do Les-
te (com jurisdiqao sobre a antiga capital
federal), que sentou na primeira fila, aplau-
diu o palestrante e lhe deu apoio piblico.
O general Heleno fez critics diretas
e duras nao s6.a political indigenista, que
classificou de desastrosa e ca6tica, mas
tamb6m aos seus chefes imediatos, os
ministros do Ex6rcito e da Defesa, res-
ponsiveis pelo desaparelhamento da tro-
pa, sua desmotivagao e desvalorizag9o.
Tamb6m atingiu o comandante supremo
das forgas armadas, o president Lula.
E evidence que infringiu regulamentos in-
ternos da instituicqo military e o fez de
caso pensado, a comegar pelo compare-,
cimento a palestra corn uniform de cam-
panha camuflado, a indicar que esti pre-
parado para o que der e vier, seja a puni-
qao (que nao veio) ou a consagraqdo (que
esti a caminho).
O general sabe do que fala e onde pisa.
HA um ambiente cada vez mais receptive
as suas palavras categ6ricas. Pelo tom e


a enfase, sao autinticas palavras de or-
dem, conclamando tanto os militares
quanto os civis a eles associados (ou que
venham a se ligar). 0 governor Lula 6 d6-
bil, incompetent e irresponsavel no trato
corn os militares, como a esmagadora
maioria dos seus antecessores. Uma con-
quista reivindicada hd geraq6es, o Minis-
t6rio da Defesa, foi entregue a politicos
sem expressed e sem comando sobre a
area que Ihes foi delegada, culminando
corn Nelson Jobim, uma desastrada vo-
capqo 4 megaloma-
nia (tratado nos
quart6is por "gen-
rico do Lula").
Sobretudo, o
governor 6 contra-
dit6rio no trata-
mento de quest6es
polemicas. Como
punir o general que
ignorou as regras
da hierarquia e da
discipline depois de
nao punir o MST,
que viola as leis corn subvenqio federal?
Se a causa do MST 6 just, na defesa da
reform agrdria e no apoio aos desassis-
tidos sem-terra, sua evolugqo, corn ge-
nerosos recursos pdblicos, usados sem
prestaqgo de contas (o movimento nio
tern personalidade juridica), projetou-o
para al6m da luta social: ao mesmo tem-
po em que o definiu como forqa revolu-
cionaria, abriu espaqo para a incorpora-
gqo de verdadeiros delinquentes e incom-
provados lavradores.
Se pode a revolugqo, pode tamb6m a
contra-revoluqao, 6 o raciocfnio dos que
nao se acham no primeiro campo e nao
se identificam corn o governor, ou nio se
sentem como seus clients. Hoje, nio ha
mais ddvida que os dois movimentos es-
tao em curso. Como sucedeu em outros
moments semelhantes, o president da
repdblica confia na sua habilidade para
manter o algodao entire os vidros que se
atritam e num recurso ao qual ele tern
acesso como nenhum outro: o populis-
mo. E provavel que Lula tenha mais qua-
lificaq6es nesse item do que Getdlio Var-
gas, Juscelino Kubitscheck ou Joao Gou-
lart antes dele. Mas 6 duvidoso que tenha
tao mais qualificaqgo do que a exigida. Por
negligencia, pode estar cometendo erro
parecido ao dos antecessores.
A dimensao national do epis6dio pro-
vocado pelo general Heleno pode acabar
prevalecendo e absorvendo tudo, mas hi,
na origem do seu ato, a "questao amazb-
nica", component cada vez de maior
peso na "questao national". t mais diff-
cil contestar o comandante military da


6 MAIO DE 2008 I- QUINZENA Jornal Pessoal







tao realmente ameagadas?


Amaz6nia porque ele 6 home de aqao,
conhece pessoalmente os problems so-
bre os quais se manifesta, sugere since-
ridade no que diz e 6 respeitado pelos que
lhe estiio pr6ximos (e, agora, por um nd-
mero crescente de pessoas, que passa-
ram a acompanhi-lo a distincia, e a ad-
mird-lo). Mesmo puniq6es ou respostas
baseadas na autoridade formal de quern
as da, nao serao suficientes para desau-
torizi-lo. Ele 6 agora personalidade naci-
onal, corn forte lideranqa.
Mas estard certo no que diz, tecnica-
mente falando? Usando fatos inquestio-
niveis, o general constr6i teorias equivo-
cadas. Quem conhece a hist6ria da region
de fronteira e com ela teve contato direto
mais estreito nao se convencera sobre a
iminancia e mesmo a viabilidade da
internacionalizaqAo da Amaz6nia, ou se-
quer da area restrita da reserve Raposa
Serra do Sol, ainda que haja todas as cir-
cunstancias favoriveis apontadas pelo
general, inclusive uma conspiraqgo inter-
nacional com seus tentAculos fixados den-
tro do Brasil, atrav6s de ONGs (Organi-
zaq6es Nao-Governamentais).
No passado colonial, a regiao que
constitui atualmente o Estado de Rorai-
ma (e que ji foi o Grao Pari, o Rio Ne-
gro e o territ6rio de Boa Vista do Rio
Branco) esteve muito ameaqada por es-
panh6is, ingleses e holandeses, que de-
sejaram efetivamente anexar esse terri-
t6rio as suas possesses coloniais ao
norte e a leste do limited setentrional bra-
sileiro. Militarmente, os estrangeiros fo-
ram derrotados pelos portugueses, quan-


do o marques de Pombal, o d6spota es-
clarecido da segunda metade do s6culo
18, enviou de Lisboa o personagem mais
important dessa fase, o capitao Philipp
Sturm. Military e engenheiro, Sturm cons-
truiu a fortaleza de Sdo Joaquim num lo-
cal chave (a confluencia dos rios Urari-
quera e Tacutu, ao norte da future capi-
tal, Boa Vista) para concentrar tropas e
inibir qualquer ameaqa military.
No entanto, a segunda parte do seu
plano, a de fixar populaqao civil em nd-
cleos coloniais pr6ximos, nio deu certo:
em uma d6cada todos os povoados surgi-
dos a margem da fortaleza tinham sido
destruidos pelos fndios. Sobreviveram,
entretanto, todas as povoacqes criadas
pelos missionarios religiosos, que se con-
solidaram, sob as benqgos da Igreja, gra-
qas ao gado trazido pelo comandante mi-
litar. Durante os dois s6culos seguintes a
pecudria foi o principal agent da fixagqo
na area, mais harmoniosa do que em ou-
tras parties da Amaz6nia gracas aos ex-
tensos campos naturais de Roraima. Os
colonos podiam desenvolver o criat6rio
sem desmatar ou provocar conflitos de
vizinhanqa, ja que os fndios mais pr6xi-
mos dos agrupamentos de colonos pude-
ram conviver com eles (e os mais distan-
tes permaneciam como marcos vivos da
presenqa portuguesa).
O sucesso do empreendimento colo-
nial lusitano nao foi repetido pelo imp6rio
brasileiro. Apesar de representado por um
personagem tao bem qualificado quanto
Joaquim Nabuco, que produziu durante o
contencioso os estudos cldssicos da bi-
bliografia national sobre a fronteira rora-
imense, o Brasil perdeu a parte oriental de
sua antiga possessao, reivindicada pelos
ingleses. E uma regido rica em min6rios,
cujo dominio pela Guiana (ex-inglesa) a
Venezuela tamb6m contest. Mas cujo re-
sultado do arbitramento international (fei-
to equivocadamente pelo rei Vitor Ema-
nuel III, da Itilia), o Brasil aceitou.
O pafs perdeu, mas tamb6m ganhou:
o litfgio atraiu o interesse national pela
remota regiao, at6 entao melhor conhe-
cida por estrangeiros, dentre os quais
se destacou Hamilton Rice, autor de
outro estudo clAssico sobre a region.
Durante 10 anos, entire 1930 e 1940,
uma comissao demarcadora de limits,
comandada pelo capitao de mar-e-guer-
ra Braz de Aguiar, fez um profundo re-
conhecimento da regiao de fronteira do
Brasil corn as Guianas, definindo paci-
ficamente os limits.
Graqas a essa orientaqao esclarecida
da diplomacia national, que tamb6m atuou
ao sul, na "questao acreana", sob o co-
mando do Bardo de Rio Branco, o Brasil


consolidou seu dominio sobre quase dois
terqos da Amazonia continental sem atri-
tar com seus vizinhos e fazendo conver-
gir positivamente a aqao dos tres elemen-
tos constitutivos (nem sempre harm6ni-
cos) das paragens remotas da regiao: o
soldado, o missionirio e o native. A fron-
teira foi pacificada, apesar de todo o seu
potential de antagonismo.
Essa caracterfstica basica perdura at6
hoje, a despeito de todas as mudanqas
que ocorreram mais recentemente. Um
process desses, que ji dura tris s6cu-
los, nio pode ser modificado tao s6bita
e drasticamente quanto quer essa geo-
politica tecida a base do temor por reso-
luq6es internacionais, pelo ass6dio al6m-
fronteira, pela acao nociva de ONGs e
por tantos dos desvios e erros aponta-
dos pelo comandante military da Amaz6-
nia. 0 pafs disp6e de tempo e de autori-
dade para enfrentar. todos esses proble-
mas, prevenindo-os ou resolvendo-os. A
diplomacia da compreensao e do enten-
dimento criou esse patrim6nio, que se
exibe corn um dado material inquestio-
navel: indios e colonizadores sao brasi-
leiros e querem continuar a s6-lo, inde-
pendentemente de suas divergencias e
choques. Quem Ihes propuser outra ci-
dadania, mesmo que tente imp6-la A for-
qa (hip6tese hoje irreal), fracassara.
0 tamanho da reserve e sua forma nio
impedem o general de cumprir a sua de-
terminagqo: "Enquanto for comandante
military, minha tropa vai entrar onde for
necessfrio", proclamou ele. Sua tropa
pode entrar na reserve, mesmo que for
considerada indesejada pelos indios, se ele
receber a autorizaqgo dos seus chefes ou
se convencer o Conselho de Defesa Na-
cional successorr do Conselho de Segu-
ranqa Nacional do regime military) de que
tal media 6 necessairia ao exercfcio da
soberania national, conforme estabelece
o decreto 4.412. Isto porque, independen-
temente do tamanho da reserve e ser ela
formada por uma sucessao de "ilhas" ou
ser integral, a faixa de 150 quil6metros a
partir das fronteiras 6 area de seguranqa
national, sujeita a jurisdiqao do ex6rcito
brasileiro, obedecidas as regras constitu-
cionais e das demais leis que regulam a
mat6ria. A servico do Estado e nio do go-
verno, 6 claro, como lembrou o general,
talvez nao muito confiante na mem6ria
national a respeito.
A democracia 6 suficientemente am-
pla e desejada para que o contencioso sus-
citado pelo general Heleno seja enfrenta-
do, debatido e resolvido sem que fantas-
mas gerados a luz do sol se tornem os
personagens dessa hist6ria. Fantasmago-
ria nunca fez bem a ninguem.


Jornal Pessoal I QUINZENA MAIO DE 2008 7





IMPRENSA
Em 1911, um ano antes da
destruigqo de A Provincia do
Pard, que o intendente Anto-
nio Lemos transformou no
melhor e maior (a just tftulo)
journal local, havia na 6poca
pouco mais de 20 rep6rteres
na imprensa paraense. Frank-
lin Palmeira, chefe de repor-
tagem de A Provincia, os li-
derou para criar, nesse ano, a
primeira entidade de represen-
taqao da categoria, o Circulo
de Rep6rteres, fundado em
assembl6ia realizada na sede de
0 Estado do Pard, que ficava
na rua Campos Sales.
Os rep6rteres ndo queriam
que outros jornalistas fossem
inclufdos porque constitufam
uma subcategoria, desvaloriza-
da e sepultada pelos grandes
figures dos jomais, que assi-
navam artigos (em nome pr6-
prio ou com pseudonimo). Aos
rep6rteres cabiam as tarefas
pedestres. 0 desmerecimento
era tanto que, num artigo na
mesma A Provincia, Acilino de
Leao se referiu a "um indivi-
duo qualquer, reporter ou cria-
do de vassoura". Um dos re-
p6rteres do circulo tomou para
si a ofensa e a resolve no bra-
qo, provocando inquirito poli-
cial, do qual nada resultou.
Mas quando os demais in-
tegrantes das redaqoes come-
garam a tamb6m se mexer em


busca de uma representagqo, o
Circulo aceitou a fusao: em
1912 foi fundada, por aclama-
qao, a Associaqao Paraense de
Imprensa. 0 ativo Franklin
Palmeira foi eleito seu primeiro
president. Como quase sem-
pre acontece a essas institui-
9oes, a API ficou reduzida a fi-
gura do seu president. Quan-
do ele nao pode mais manter-
se a frente dela, suas ativida-
des se tornaram ciclicas: ora
apareciam, ora sumiam. 0 sin-
dicato s6 surgiria muito depois.

MEDICO
Antincio de 1945 evidencia
o estado da medicine em Be-
16m na 6poca: "Dr. Morelli -
ALTA CIRURGIA- Ginecolo-
gia Urologia Senhoras, das
15 as 17 horas. Homens, das
8 as 10 horas R. Manuel
Barata, 365". Era o consult6-
rio do muito ecldtico Arman-
do Morelli, m6dico conceitu-
ado que acabou se tornando
president da Celpa no gover-
no Aloysio Chaves.

BONDE
No final de 1955 os bondes
que ainda rodavam em Bel6m
estavam na iminancia de parar
de vez, "em face das dificulda-
des de importagao de peas e
constantes aumentos das peas
e acess6rios". 0 vereador Car-
los Costa, por isso, apresentou
projeto na Camara Municipal


r~
~
~ ,' ,.


para autorizar a prefeitura a
abrir concorrencia "para a ex-
ploraqao de serviqo de trans-
porte de traqdo eldtrica (bon-
des)". Mas havia outro fator
para determinar o fim desse
serviqo: o desinteresse do seu
concessionirio e de quantos
ainda pudessem participar des-
se tipo de transport, que esta-
va condenado.

RUA
Em 1956 foi a leildo um ter-
reno edificado, deixado como
heranqa por ElzeArio Ribeiro
Nery, na travessa Jos6 Pio, "en-
tre as ruas Municipalidade e
Bel6m", conforme o edital man-
dado expedir pelo juiz da 2" vara
cfvel de Bel6m, Jodo Gualberto
de Campos. Significa dizer que
parte do traqado da avenida Pe-
dro Alvares Cabral se confun-
de com o da rua Bel6m, que
deixou de existir do outro lado
da Doca de Souza Franco por-
que a firea foi ocupada ilegal-
mente por particulares, que a
transformaram em. seus dep6-
sitos. A prefeitura podia recu-
perar essa via piblica. Ou nao?

ESTUDANTES
A caravana da UNE Volan-
te passou por Beldm em abril


de 1962, apresentando-se num
domingo e numa segunda-fei-
ra. Do seu cardipio de exibi-
qoes constavam filmes, musi-
cas e as peas teatrais "Brasil
Versao Brasileira", "Misdria ao
Alcance de Todos" e o "Auto
dos 99%", combinando cultu-
ra, arte e political, al6m de reu-
niao com a diretoria da UAP
(Unido Academica Paraense) e
os presidents dos diret6rios
academicos. Finalizando, as-
sembl6ia geral dos universiti-
rios. 0 president da Unido
Nacional dos Estudantes era
Aldo Arantes e da UAP, o fu-
turo advogado (ji falecido)
Floriano Barbosa.

BOATE
A "Boite de Nuit" Studium,
do Grande Hotel (derrubado
para em seu lugar surgir o Hil-
ton Bel6m), ainda funcionava
a pleno vapor em 1962, as
quintas, sAbados e domingos,
das 21 horas as 2 da manhi.
Era exigido traje passeio com-
pleto aos freqUentadores. No
jantar danqante, o menu ofe-
recia pate sobre torradas, con-
som6 a madrilenha, fil6 de pes-
cada grelhada corn molho tir-
taro, entrecote marchand de
vin, peru assado a Bagdi e, de
sobremesa, taca Suchard.


FOTOGRAFIA

A avenida ha 80 anos
" .4 avenida 15 de Agosto de 1928 ndo guard qualquer semelhanqa corn a avenida
President Virgas de hoje. Em 80 anos. oin unia ianstinoniatio complete. Ao
ftundo de casas simple. wimt qtuaqucit difri' i,. a cixa d'dgua que
nunca fimncionout ao laoi do ti' ao burat o de concrete da
Palmhneiral e t'i posai abaio no prtutiiro governor do
corolel .-lactd .\unes. Podia ter continuado
coint. sndmbolo na cidade, mas ndo
CL'oIU11u1Ou. COmtO quase todos
os shi bolos.


~URLL


8 /vMAIO DE 2008 I' QUINZENA Jornal Pessoal


,J,.






/


Regtstado no Departarnento Nacional
de Saude Publica e ha 30 annos
conhecido e o primelro Inventado
para as doenCas de Senhoras e
Senhoritas. Combat as Flores Brancas,
falta de regras, regras escassas, sus-
pensAo, fluxo corn d6r ou dysmenorrhia,.
Collcas Uterinas, regras excesslvas, In-
commodos da Idade critical e Inflamma-
cz---------: es do Utero. :::::-
N&o confundir corn outros Regulado-
res em annuncios espalhafatosos,
amitacoes do REGULADOR BEIRAO.



PROPAGANDA

Regulador nativo
A Farmdcia Beirdo possuia seu pr6prio regulador
das fungoes femininas, no mercado havia 30 anos.
0 produto tinha amplo alcance, como mostra o
anancio, de 1928, mas, para evitar a contaminagdo
pela imagem de outros remedios tidos como
milagrosos (como o que controlava tanto o excess
das "regras" como sua escassez, corn o produto n0
1 e o n0 2), a Beirdo advertia para que seu
regulador ndo fosse confundido corn outros,
apresentados "em andncios espalhafatosos", mas
que eram nada mais do que imitaVOes..


A I


Jornal Pessoal I QUINZENA MAIO DE 2008 9


0 Brasil depois do novo milagre
Nao comprar carro era uma attitude polftica na 6poca do
"milagre economic" brasileiro, durante o governor do general
M6dici (1970-1974). A classes m6dia se motorizava desbraga-
damente (assim como comprava television colorida e jogava
na loteria esportiva). As taxas de crescimento da economic
gravitavam em torno de 10%. A inddstria de bens de consume
se expandia de vento em popa. 0 Brasil ia "pra frente". Quem
discordasse, por nao am6-lo, deveria deixd-lo. Eramos uma
ilha de prosperidade num mar international encapelado.
Quem dizia isso? 0 mago do milagre, o entao todo-pode-
roso ministry da fazenda, Delfim Neto. S6 o Japao, que tam-
b6m fazia o seu milagrezinho, conseguia nos ombrear. Eu es-
tava em Brasilia quando o ministry do com6rcio exterior, Sa-
buro Okita, perguntou ao onipotente ministry Delfim qual era
a taxa de poupanca do Brasil. Sabendo o que o esperava, pois
competent ele 6, Delfim desconversou: o Brasil nao tinha
poupanca compativel corn seu c61lere crescimento, mas tinha
a Amazonia. A imensa fronteira de recursos naturais ia com-
pensar nossa insuficiente poupanqa.
0 que compensou mesmo foi o endividamento externo,
que iria cobrar a conta quilom6trica na d6cada seguinte, ainda
sob o imp6rio, jd atenuado, do mesmo Delfim. Ele galgara
minist6rios (da agriculture ao planejamento) porque quem (tam-
b6m) entendia do riscado, como Simonsen e Rieschbieter, pulou
do barco em menos de um ano de gestAo do general Joao
Batista Figueiredo (que o atual comentarista da Rede Globo,
Alexandre Garcia, tentara popularizar cofno "o Joao", imitan-
do o "seu" Arthur, cunhado por Ibrahim Sued para o marechal
Costa e Silva).
Ainda vivo (vivissimo, alias), aos 80 anos, Delfim Neto
sai-se corn mais uma boutade: Lula salvou o capitalism. E
verdade. Lula emprestou sua estampa e seu carisma para
continuar o "milagre" de tres d6cadas atris. A classes media
enriquecida compra mais carros (de dois a quatro por fa-
milia, que nern quer saber sobre o congestionamento que
provoca l1 fora, no espaqo pdblico), acumula im6veis, viaja
pelo mundo, se cosmopolitiza (e agora, uma vez tirado o
bolo do forno monetirio, distribui fatias aos sans-coulote,
tratando de tocA-los com r6deas curtas estatais, subvenqAo
direta e mais-valia relative). Corn base em qual taxa de pou-
panqa internal? Ora, debocha o nosso guia, um boneco com-
petente: isso 6 detalhe.
No fundo, a base 6 a mesma: endividamento externo. Ao
inv6s de former poupanqa para investor num plano de desen-
volvimento (individual, familiar ou social), acumulam-se ati-
vos. A variacqo patrimonial de todos 6 notivel, mas a liquidez
depend da poupanqa dos outros, que chega ao pafs por falta
de opgqo ou pela melhor taxa de juros do mercado mundial.
Um terqo da riqueza que circula pelo Brasil Grande de Lula,
pai dos pobres e mascote dos ricos, 6 cr6dito. Um quarto do
cr6dito 6 dinheiro estrangeiro, que rende no taximetro do Ban-
co Central ou pela absorgqo patrimonial, que se desnacionali-
za. 0 anunciado feito da Petrobras rende mais para a Espanha,
na bolsa de Nova York, do que ao Brasil na Bovespa.
Na 6poca do "milagre econ6mico" manu military protesta-
va-se anda.ndo a p6, resistindo as tentaq6es das vitrines, ao
apelo consumista, ao carro facilitado pelo cr6dito. Hoje, no
prosseguimento da mesma novela, o pafs pode ser surpreen-
dido e desabar do seu sonho de grandeza por falta de causes e
de princfpios. A esquerda, que era a fonte das utopias e a de-
positiria das esperanqas, negociou sua consciencia em troca
da "bolsa-ditadura", do cargo no fundo de estatal, na ante-sala
da multinational ou no biombo da burocracia.
0 que vird depois desses truques inteligentes e sofistica-
dos dos Delfins? Talvez caiba, na antevisto, a resposta que
Einstein deu a quem lhe perguntou, logo depois do fim da
Segunda Guerra Mundial, sobre como seria travada a confla-
graqAo b61lica seguinte: com arco e flecha, responded o sabio.
E o que restart ao Brasil, depois de ter queimado sev patrim6-
nio moral no baile plutocrata-proletirio da ilha Fiscal?












As duas principals revistas de reporta-
gem e circulaqao no Brasil sao Brasilei-
ros e Rolling Stone. RS d a que tern mais
"pegada", como se diz no boxe, porque
Brasileiros se preocupa mais corn a indivi-
dualidade dos personagens e o enfoque
positive das questaes, mais narrative do
que problematizadora. RS, mesmo dedi-
cando a parte maior de suas pdginas ea
musica, sobretudo ao rock e derivados, tern
bom espaco para longas reportagens bem
escritas, mais critics, no melhor exerci-
cio de jornalismo.
Por isso, fiquei agradavelmente surpre-
so ao encontrar, na ultima edigdo, a de nti-
mero 19, uma resenha sobre meu livro Con-
tra o Poder. O pr6prio editor da revista, Ri-
cardo Franca Cruz, assumiu a tarefa de
avaliar o livro, dedicando-lhe o maior es-
pago da seqdo, reproduzindo afoto que ilus-
trou matiria a meu respeito no ntimero 5
(escrita por Andre Vieira) e dando o con-


Contra o poder


ceito excelente, corn quatro estrelas (s6 os
classicos podem receber cinco estrelas).
Mas nao se trata de hagiografia, muito
pelo contrario, nem de aqao entire amigos.
Por isso, reproduzo o que Ricardo (a quern
nao conheqo pessoalmente) escreveu:
Ha 20 anos o jornalista e soci6logo para-
ense Ldcio Flivio Pinto se lanqou em uma
luta independent contra as mazelas sociais,
polifticas, econ6micas e ambientais dos diver-
sos cantos da Amaz6nia. A luta mostrou-se
dificil, por vezes quase impossivel, e tornou-
se apesar de exemplo de, mais que 6tica
jornalfstica, conduta humana solitAria e in-
grata. L6cio Flivio, hoje corn 58 anos, e setu
totalmente independent Jornal Pessoal, que
ele faz desde 1987, a unha, sozinho, sem pu-
blicidade contando apenas corn as charges
do irmdo, Luiz Ant6nio nao sao exatamente
adorados pela poderosa elite do Norte brasi-
leiro. Corn uma tiragem quinzenal que beira
os 2 mil exemplares, o tabl6ide tern os dois


primeiros anos de existencia sintetizados em
Contra o Poder. A Jader Barbalho, politico
de olhar desafiador, o autor dedica um capi-
tulo, analisando de perto a trajet6ria de um
dos maiores e mais obscuros lideres do Pard.
O assassinate do advogado "defensor de pos-
seiros em conflitos fundidrios" e ex-deputado
estadual pelo PMDB, "embora fosse p6blica
sua vinculagqo ao PC do B", Paulo Fonteles, 6
esmiuqado, permitindo ao leitor acompanhar
como o reporter revelou todas as camadas da
sujeira que escondia as verdadeiras causes.
Os adversirios dizem que Lucio Flivio 6 vai-
doso, arrogante, e que o JP 6 apenas um ins-
trumento para exercitar seu ego. Mas 6 fortale-
cer a sociedade, municiando-a corn as infor-
maqoes para o entendimento da Amaz6nia e
do pais, a busca maior desse jomalista, que
sabe que seu JP6 para e contra as elites e, a
certa altura do livro, afirma: "Quando a socie-
dade 6 fraca, o poder politico ou econ6mico
- 6 desmesuradamente forte".


Catas ao Edtor



Quanto ao teu artigo "Decisdo Injusta"
(JP, abril de 2008, 2a. quinzena) discordo
completamente do raciocinio em que
enveredas, em alguns moments o que di-
zes 6 mera especulaqio. Nao quero ocupar
muito espaqo do teu JP, por isso farei ape-
nas uma pequena lista de reparos:
a) Vejo que insists em teu associar A tese
vencida no julgamento do Tribunal,
mas nao dd para condenar um funciondrio
pdiblico que cumpriu a lei e a Dra. Clarice
agiu dentro da lei ao homologar a prisdio em
flagrante, tendo feito tudo baseado nas infor-
maq6es que recebera. Isto 6 incontroverso.
Insistes em falar que ajuizapoderia, cirurgi-
camente como dizes, exigir a apresentaqao da
presa para poder deliberar. Ja te disse uma vez
e insist que isto nao estd na lei e nao seria
razoavel esperar que ajuiza fosse fazer isso em
todas as homologacoes de flagrante. Por que
nao fazes uma pesquisa corn os juizes crimi-
nais do Brasil para ver quem procede dessa
forma? 0 site da AMB 6 um bom local para
proper esta pesquisa;
b) Em que pese as afirmaq6es do director
de secretaria e sua amiga acusando a Dra.
Clarice, apesar disso estar relatado nos au-
tos da sindicAncia, a corregedoria nao acu-
sou a juiza de fraude ou falsificacao de
documents; a representacio fala em omis-
sao e descumprimento de normas intemas
da corregedoria. Foi disso que ela se defen-
deu e provou corn documents que naio foi
omissa e nto descumpriu as normas. Agora
certos stores a acusam tamb6m de fraude,
fora da representacao diga-se de passage.
Como ela vai se defender disso? Abre-se
entdo um PAD gendrico contra ajufza abran-
gendo todas as especulacqes, afirmaqces de
pessoas suspeitas, pessoas corn motives nao
declarados, pessoas corn motivos 6bvios
para prejudica-la, ou seja, abre-se um pro-
cesso quejamais terminarA porque a qual-
quer moment pode aparecer algu6m corn
uma nova acusacgo e ai recomeca tudo nova-
mente? Me parece ser isso que certos stores
esperam que aconteca. Pergunto: 6 legal, 6
constitutional, pode-se abrir um PAD semrn
um motivo determinado? Qual a acusaSao
contra ajuiza, afmal? Ela, como funciondria
public, violou qual lei?
c) Em relagdo ao director de secretaria, sua
attitude prejudicou nao s6 a magistrada, mas


tamb6m a Secretaria Geral do F6rum deAbae-
tetuba, a quern te referes como assessor da 1'.
Vara. O funciondrio, aproximadamente 50 anos,
concursado, 14 anos de serviqo, dissequenio
sabia passar fax, isso s6 para tentar inverter a
situacio em que ele foi flagrado: afirmou ii
magistrada na frente desta senhora que ele ti-
nha passado o fax para a corregedoria. Depois
disse que foi ela que afinnu ter passado o fax,
porqueelenio sabepassarfax. Desconsideran-
do as provas materials, a palavra da juiza e o
testemunho dessa senhora parece terprevaleci-
do [sobre] a palavra deste funcionario, como
dizes. Mas, aquestao6 que ele nio tern provas
do que diz. E r6u confesso de ter feito uma
certidao falsa. 0 corregedor concluiu na sindi-
cancia que ele fez isso: "ou para se eximir de
responsabilidade perante ajuiza ou para levd-
la a erro"; est la nas conclusies do corregedor
corn todas as letras. A conclusio 6 invilida? E
corporativista? Nao serve? Te digo mais, te-
nho uma terceira hip6tese [de] queeste funcio-
ndrio fez isso para se vingar da magistrada,
conformejAtefalei.
d) Uma iltima observaV'o sobre o CNJ.
Esta 6 uma corte constitutional, a quern
foi pedido uma revisao da decisSo do Pie-
no do TJE, uma decision por maioria ab-
soluta (15 a 7). Se o CNJ acatar o pedido,
tenho certeza que haverA abertura para nova
defesa da magistrada. Ela entao apresenta-
rd novamente as provas que tern de que
cumpriu a lei. Confio na Justiqa e tenho
certeza que Ela prevalecerd.
e) A defesa que faro da jufza de modo
algum diminui minha repulsa sobre o que
ocorreu. Sou professor de uma universidade
public, director de uma faculdade, galguei
todos os graus acad8micos, trabalho diaria-
mente corn jovens nas aninhas pesquisas e
nas minhas aulas e nao posso aceitar que
uma coisa tio primitive, para dizer o me-
nos, tenha acontecido corn uma jovem que
se tivesse tido a chance poderia estar aqui
estudando junto corn outros, construindo
um future para si. E por que nao estd? E s6
voltar os olhos para Abaetetuba para enten-
der a razso. Alias, Abaetetuba 6 apenas uma
instancia de um conceito generalizado de
mis6ria, drogas, desamor ao pr6ximo, falta
de oportunidades, que permeia grande part
do interior da Amazonia. 0 desafio nosso,
como paraenses, 6 mudar esse quadro em
nosso Estado, pela educa&ao e pela oferta de
oportunidades. Agrade:o-te pelapublica&So
e permaneqo ao teu dispor para esclarecer o
que nao tenha ficado claro.
Francisco Edson Lopes da Rocha


MINHA RESPOSTA
Quem confrontar a resposta do professor
Francisco Rocha corn a minha matiria verifi-
card que, ao invis de desmentirou corrigirasy
infonnaCges aqui publicadas, ele apenas as
confirm. As diferencas sdo de tnfase, de
modulacdo e de interpretafdo. Os fatos, em
si, estdo todos no texto de capa da ediplo
anterior, miuios deles publicados pela pri-
mneira vez. Os primeiros pardgrafos se ocu-
parn da divulgacdio da suspeita de veicula-
fdo do diretorde secretaria da 3"vara crimi-
nal de Abaetetuba corn o trdfico de drogas,
corn base nas informiaCes prestadas pelaju-
iza. hIfelinzente, ela adotou como nonna nafo
falar s imnprensa. Nas poucas manifestaCdes,
procurou se cercar de sigilo eprotecdo insti-
tucional. E louvdvel e altamente positive que
seu nmarido se apresente para defendW-la em
todas as instawcias, mas seria desejdvel que
ela tanmbnm se encarregasse diretarnente da
sua defesa perante a opinidao ptblica. Publi-
quei integralmente esta e a carta anterior do
professor Francisco. Naquela ocasido a jut-
za Clarice sd assinou a carta nmmlada a 0
Liberal, quando a questido extrapolou asfron-
teiras paraenses. Por exigiiidade de espaco,
que reserve para a resposta do seu mnarido,
deixarei para continuar a cobertura do temna
na prdximna ediCio.

TERHAS
Venho acompanhando as questues relati-
vas a posse, regularizaqSo e alienasao de
terras puiblicas no Estado, bern como o uso
que se tern feito delas no decorrer de aproxi-
madamente 40 anos. Por isso, nio achei
estranho a posicgo discreta do president do
Iterpa, Sr. Jos6 Heder Benatti, de que "titu-
lar im6veis s6 depois que os mesmos te-
nham sido devidamente arrecadados e ma-
triculados em nome do Governo do Estado
do Pard.", contida na carta publicada no
Journal Pessoal n. 411, da segunda quinze-
na de agosto. A expressao categ6rica do pre-
sidente do Iterpa sugere e provoca as seguin-
tes evidencias, entire outras de menor audi-
6ncia: 1) Corn essa providencia ficamos sa-
bendo (embora as circunstbncias jddenunci-
assem) que as terras do Estado estao acdfa-
las, nao hA um quadro geral dos dominiosjA
transferidos a terceiros e de terras ainda dis-
poniveis para serem usadas nos programs
fundikrios do governor; 2) Se nao ha o regis-
tro hist6rico sistemAtico das aq6es e transa-
qbes com as terras pertencentes ao Estado, o
que fazia a Instituicmo Iterpa (e suas anteces-
soras) durante todos esses anos?


Portanto, o caminho natural a seguir 6 o
que foi anunciado, e que vinha sendo poster-
gado por todos os govemos anteriores, inclu-
sive o da ditadura military. Deve-se acreditar,
outrossim, que as inconseqtiuncias e orgias
perpetradas no decorrer desses varios perfo-
dos sejam devassadas e apuradas, desde as
recintos cartoriais as instituiqies puiblicas que
deveriam obrar pela legitimidade e legalida-
de dos documents emitidos pelo poder da
6poca. E uma tarefa s6ria e ingente, nao ha
duvida, mas s6 assim a sociedade tera a opor-
tunidade de conhecer os felizes beneficiaries
desse assalto ao patrimfnio pdblico. A isso
se costume chamar de limpeza 6tica. e nso de
"caqa is bruxas", como certo leitor desse JP
insinuou no caso dos politicos. Quem sabe
chegaremos aon "fantasma" Carlos Medeiros?
Conhecer o passado e tomar as iniciati-
vas cabiveis, mas nao esfriar as aqfes do
present. Todos os dias osjornais divulgam
ilicitudes praticadas no campo; "madeirei-
ros" invadem terras piblicas e privadas, car-
retas transportam ilegalmente madeiras reti-
radas de unidades de preservacao. o Incra
destina m6dulos rurais para falsos agriculto-
res. autoridades policiais impedem o acesso
de ribeirinhos e outros invasores as terras
griladas no vale do rio Xingu, etc.
Rodolfo Lisboa Cerveira

DESMATAMENTO
Li corn atenqdo a materia sobre o "arco
de desmatamento" (ou "do triunfo" de uns
pouco$$...). Nao me surpreendeu a desen-
voltura de como fizeste a compilaqao dos
dados geograficos das imagens do
sat6lite, certa e corajosamente de form ama-
dora e, portanto, sem precisao cartogrifica,
mas provide de um relato muito bem em-
basado quanto a ocupaqces das grandes fa-
zendas. Esse document sern de grande valia
para quem quiser pesquisar como se deu a
agressao a floresta, financiada corn dinheiro
psibico (Sudam, Banco do Brasil, outros),
e cometida A vista, nas barbas do governor
(federal e estadual), incompetent
para cumprir a lei fundiiria e a de proteqio
ao meio ambiente amazonico. Quem pre-
tender former ideia do que ocorreu, deveri
pesquisar nas images do Landsat (acessf-
veis na Internet e tenho algumas dezenas
em minha mapoteca), bern como o teu rela-
to interpretative nas paginas do Liberal da-
quele 23 de agosto de 1979 (quase 30 anos!).
Parab6ns.
Paraguass6 Eleres
(agrimensor e advogado)


10 MAIO OF 2008 .I'QUINZENA Journal Pessoal


10


MAIO DE 2008 I QUINZENA Jornal Pessoal







De Euclides a internet: as verdades do jornalista


O moment mais important da esco-
la antiga era, para mim, o da leitura. Quan-
do ouvia ou quandq lia,'minha reacqo era'
a mesma: safa do texto e ficava a errar
pela mem6ria. Ora tentava dar corpo ao
que ouvia, ora recriava o que lia. Um dos
maiores impacts foi a descriqio do ser-
tanejo, o forte, um element da natureza,
em contrast corn a neurastenia das cida-
des. Foi no Grupo Escolar Camilo Salga-
do, onde minha tia era diretora. Perguntei
a professor sobre o livro do qual fora
extraido aquele trecho para a leitura do
dia. "Os Sert6es", ela informou, nao sem
aconselhar: nao leia "A Terra" nem "0
Homem"; v6 direto A "Luta", o capitulo
que tem a95o e e interessante.
Mas comecei pelo comeqo e continue
na seqU6ncia estabelecida pelo autor, Eu-
clides da Cunha, at6 o fim, deslumbrado.
"A Terra" 6 a mais encantadora descricqo
geogrAfica que jA i at6 hoje. Como enge-
nheiro, ele sabia, tecnicamente, do que
falava quando citava rochas e demais aci-
dentes naturais. Como artist, recriava a
paisagem corn uma narrative cheia de sim-
bolos, de imagens, de inventive pessoal.
A plasticidade 6 tal na abertura de "Os
Sert6es" que precise voltar vArias vezes
nos anos seguintes. Primeiro, para apre-
ciar o som das palavras. Em seguida, para
captar o que elas queriam dizer, seu signi-
ficado. E, por fim, usando-as como ro-
teiro para uma consult A cartografia. A
geografia adquiriu aquele component mai-
gico tao acuradamente observado por um
grande leitor de literature, o nosso Eidor-
fe Moreira (fil6sofo da geografia ou ge6-
grafo da filosofia, hein, Benedito Nunes?).
Essa paragem j remota da minha vida
veio-me fresca ao ler a entrevista do jor-
nalista Marcos SA Cor-
r8a A 6ltima edi~go da
revista Hist6ria Viva.
Ele recomenda a cria-
caodeumacadeiracha- A associa,
mada Euclides da Cu- sado. anliersa
nha em toda faculdade coming de hot
de comunicaqdo. Nela, lornjalitas. Co
os futures jornalistas do pr6prio Rio
aprenderiamo que 6 6ti- do Rio Grindt
ca, o que 6 revelar o represenLado n
mundo real, como Eu- Infelizmen
clides fez, desvendan- de Janeiro. Fo
do o interior do Brasil urrma fase de ti
para as sanguessugas ordens de Rau
litoraneas quedominam e lazer umna c
opafselheimp6em sua comr a sucursa
visAo da naqao. Mas brato command
tamb6m aprenderiam a do para iambe
no escrever como Eu- companheiro
clides, que "escrevia de jo Rio, mandc
uma maneira chatis- distincia geog
sima".Repetindoapro- um passado p
fessora do primirio,


Marcos pontifica, hiperb6- ". A
lico: "Os Sert5es come,
Shato, e precise passar por
aquela maqaroca inicial, m!
mas quando voc6 chega na ,
guerra, o. texto comeqa at6
a ficar melhor".
At6 entendo o que o fi- I b,
lho de Vilas-Boas Correa
(meu colega de Estaddo)
quis dizer, mas sua boa in- '
tengdo pode resultar numa
trag6dia. E precise assina-
lar logo uma verdade secu-
lar: Os Sert5es nao 6 jornalismo, 6 litera-
tura. Claro que revelou muitas verdades,
desmistificou muitas asneiras, 6 o melhor
relato da guerra de Ant6nio Conselheiro e
seus jagunqos por quem a viu. Desde en-
tao, por6m, muito melhorjornalismo e his-
toriografia sobre o tema foi produzido, em
alguns aspects cobrindo Os Sert6es de
cinzas. Mas esse ainda 6 e o seri cada
vez mais o grande 6pico brasileiro, A
altura de cria95es equivalentes, como
Guerra e Paz, de Tolst6i.
Euclides nao criou uma nova lingua
para se aproximar das Geraes, como fez
Guimares Rosa em Grande Sertdo: Ve-
redas. Ele simplesmente aproximou velhos
dicionirios da terra e dos homes, refa-
zendo sua hist6ria, de uma forma appas-
sionata, corn sua imaginagqo febril, pro-
f6tica, trdgica. A grande obra 6 o seu cri-
ador, que nela se cont6m e a cont6m. E
provivel que o conselho de Marcos nao
sirva de cautela aos jornalistas, permitin-
do-lhes aprender no livro o que devem
aprender. Mas certamente desviard muito
leitor do prazer fecundo da leitura de Os




Centenario
ao Brasileira de Imprensa comemorou, no dia 7
rio inteaiael. ainda mais no Brasil: 100 anos.
nra para referendjr a data. corn 100 integranl
mo a sede da ABI e no Rio. 40 lornali-tas desse
. 11 de Sao Paulo. 6 de Brasilia. quatro de NMna
e do Sul e tries de Santa Catarina. Fui o tnico
esse colegiado national.
te. njo pude ir a festa. realizada no Teatro Mun
I memo uma pena. Podia ter reenconmrado com
rabalho tio dificil quanio proteitosa. De So I
I Martins Bastos i um dos 100i, conseguimos tu
)bertura digna da e\-capital federal. graqas ao
Il de 0 Ewiado de S. Paul,. chefiada por MNiri
ante, falecido poucos anos iris ie so por isso
m participar do centenano da ABI. agora dinrag
desse period. o combati'o Mauricio Azedoi.
)u noticias. que me chegaram corn um tom muar
rfica. mas pelo tempo hist6rico. Como se a itr
re-historico.


Sertoes, que deve comeqar
pela descricgo da terra, por
ser inigualAvel.
As vezes os jornalistas,
0 pagando prfemio a originali-
4' dade, cometem o pecado de
py serem categ6ricos demais,
de darem um salto que ex-
cede as pr6prias pemas. Na
';:mi mesma entrevista, Marcos
proclama,. como se tivesse
A maio as tibuas da lei: "To-
dos os jomais em papel vio
morrer nos proximos vinte
anos no maximo, eji vao tarde". A inter-
net ji os est. sepultando. 0 dobre de fi-
nados soou para eles.
Talvez at6 venha a ser verdade. Mas ao
final da leitura das 675 piginas de Os Me-
ihores Jornais do Mundo, livro (em papel)
de Matias M. Molina, fica-se, no minimo,
na divida, element mais propfcio as des-
cobertas do que a certeza corn data certa,
como a de Marcos. Depois do mais com-
pleto levantamento j publicado em lingua
portuguesa sobre os mais influentes jor-
nais do mundo, Molina observa a longevi-
dade dessas publicaq6es: "Dois deles fo-
ram fundados no s6culo XVIII, onze no
s6culo XIX e apenas quatro no s6culo XX
embora tres deles tenham sido herdeiros
diretos de diarios muito antigos".
Alguns dos melhores jornais est~5o em
crise e 6 prov~vel que mudem de donos
ou mesmo desapareqam, mas nao todos e
nem essa forma de divulgaqAo de infor-
maq6es, se a busca de qualidade continu-
ar a ser a sua principal diretriz, para se
fazer ouvir e influir, sendo aquele tipo de
born journal caracterizado por Arthur Mil-
ler: "a nagqo falando para si mesma". E
com um toque de gran-
deza que se realize pela
capacidade "de ter uma
vis.o crftica a respeito
do mern pas- de si mesmo".
Formou um Utopia? Quimera?
tes. '. deles Molina cita um exem-
comite eram plo que impression: a
sGerai,. tres revista inglesa The
da Amazonia Economist dobrou sua
tiragem em 13 anos:
icipal do Rio passou de 500 mil
ipanheiio, de exemplares em 1993
Paulo, sob as para um milhho de c6-
rnr a censure pias em 2006. Quem ja
enirosamento teve a oportunidade de
o Cunha. um ler a volumosa publi-
naio coni ida- caqao dispensard epi-
Ida por ,-ulro tdfios tdo categ6ricos
Raul. que fol quanto o de Marcos.
*ado nja pela Seu perfil, ao contra-
aiassemos. de rio do de Euclides, nio
combine corn o figu-
rino de profeta.


Jornal Pessoal 1 QUINZENA MAIO DE 2008 11







Eletronorte ficaraem Brasilia de vez?


No final de margo a diretoria da Ele-
tronorte (Centrais E16tricas do Norte do
Drasil) decidiu encaminhar a CEB (Cen-
trais Eldtricas de Brasilia) proposta para a
compra, por 61 milh6es de reais, de umrn
pr6dio daquela empresa localizado no
SGAS, quadra 904, em Brasilia. Nesse
pr6dio seria instalada a sede pr6pria da
Eletronorte, que funciona atualmente em
um pr6dio alugado no ediffcio Venancio
3000, na capital federal. A decisao contou
corn o apoio do Sindicato dos Eletricitari-
os de Brasilia, que defended os empregos
dos mil empregados da Eletronorte que atu-
am no DF. Os nove sindicatos de eletrici-
tarios estabelecidos nos Estados da Ama-
z6nia nao foram consultados. Nern a opi-
niao pdblica amazonica.
A decisao foi tomada em surdina e aqo-
dadamente. A Eletronorte a adota na con-
tramdo dos acontecimentos, exatamente
quando a Eletrobrds, da qual 6 subsidiAria,
evolui para a unificaqao, a exemplo da
Petrobras. A estatal do petr6leo, alids,
montou sua sede, em 1954, na entao ca-
pital federal, mas nao se mudou para Bra-


silia quando para 1A se transferiu o distrito
federal. Felizmente continuou no Rio de
Janeiro, onde se acham os maiores cam-
pos de 6leo do pais.

A Eletronorte foi
criada no auge do
regime military, em 1973,
nao por acaso
quando aconteceu
o primeiro choque do
petro1eo (e da energia
Como um todo). Seu primeiro
president foi um coronel da reserve do
Ex6rcito. Raul Garcia Llano era um t6c-
nico e uma pessoa afdvel, mas incorpo-
rou e repassou o espirito autoritdrio e
arrogante que seria uma das marcas da
estatal. A Eletronorte tinha que ficar ao
lado do poder central para poder execu-
tar melhor sua estrat6gia e ouvir as or-
dens corn clareza para diti-las em segui-
da. Nao importava que em Brasilia ela nao


produzisse um s6 kW e Goids, a base ff-
sica da capital federal, se encontrasse
fora da jurisdiqdo da empresa.
A intransigencia locacional, nascida
durante a fase de exceqao, se manteria a
mesma ao long do period democritico.
Manteve-se indiferente aos fortes argu-
mentos de que era a inica empresa do
grupo Eletrobris a ter sua sede em Brasf-
lia, fora da area da sua competencia legal.
Agora a attitude foi aldm da intolerancia:
consumou a distorqAo. Ou pelo menos
pretend apresenti-la como fato consuma-
do, quando exibir sua sede definitive.
Por amarga ironia, o projeto da nova
sede foi conduzido por dois paraenses,
o (ainda) president, Carlos Nascimen-
to, e o director, Manoel Santana Ribeiro,
colocados nos cargos por indicaqdo do
politico paraense de maior influencia jun-
to ao governor federal, o deputado Jader
Barbalho. Conseguirdo eles perpetrar
essa traigqo aos legitimos interesses do
Pard e da Amazonia, de fazer a Eletro-
norte se instalar na regiao onde produz
e distribui energia?


A agnia
A pujanga da Companhia
Vale do Rio Doce chegou aos
esportes. Ela 6 que da suporte
financeiro ao Aguia, o vence-
dor do primeiro turno do cam-
peonato paraense de futebol. 0
retorno do investimento veio
maior e mais rdpido do que o
que a empresa fez no Espirito
Santo, corn o Valeriodoce: o
time paraense ainda nao com-
pletou oito anos de vida. Seu
titulo tamb6m assinala outro
fato: a perda de importancia de
Bel6m para o interior do Esta-
do. Ela ji 6 demogrifica, eco-
n6mica, social e political. Ago-
ra comeqa a ser tamb6m espor-
tiva. A prosseguir assim, o fra-
cionamento territorial sera
questdo de tempo. Nao muito.
Sugestivo cartaz exibido
por um marabaense durante a
apote6tica sensaAo do Aguia:
"caipira 6 a mae". 0 recado
foi dado.


"Errinho"
0 reporter 70. a
principal coluna de 0
Liberal. finalmente
admitiu que erra. Mas
nito era para menos: o
erro loi feio. Disse que
a primeira pro\a do
concurso para luiz do
trabalho substitulo
tete que ser anulada
porque 45 de suas 100
questoes continham
erros. A quantidade era
10 %ezes menos: 4 er-
ros. Com margem de
erro de 45%. nem em
pesquisa electoral, da-
quela fecia sob enco-
menda. Ao inves de ser
anulada, a prova teria
que mou\ar inquento
policial. Felizmente a
erro foi dojornal. mais
uma %ez.


Capital
O capital social da Mineraqgo Rio
do Norte, que explore as jazidas de
bauxita no Trombetas, chegou a
mais de meio bilhao de reais (R$
597 milh6es, para ser exato). 0 lu-
cro liquido da empresa no ano pas-
sado foi s6 um poco menor que o
tamanho desse capital: R$ 432 mi-
lhoes. Exclufdos menos de um mi-
lhao de reais para a reserve legal,
R$ 431 rmilh6es foram transforma-
dos em dividends para os acionis-
tas, dentre os quais estdo a Compa-
nhia Vale do Rio Doce, o grupo Vo-
torantim, a Alcoa, a Alcoa, a BHP
Billion e a Norsk Hydro. Aprimeira
parcela, de R$ 200 milhoes, foi paga
em fevereiro. A outra, de R$ 231
milhoes, seri quitada antes do final
do ano. A MRN ainda foi autorizada
pela Sudam a deduzir quase R$ 5 mi-
lhoes do imposto de renda devido,
direito que usufrui desde 1999. Aem-
presa completarA 30 anos de ativida-
de commercial no pr6ximo ano. E al-
tamente superavitaria hd virios anos.


.Atra\es de Conura o Poder 20.4 ,os de Jonial Pessoal une/ paindo
aniazonica tLento contar capitulos da hisiona recent do
Para que jamais team sido registrados se nio e ntiss.e este ornal. E mo.tro como o
JP conseeulu reconstituir esses fatos e a aliar o seu significado no memo moment
em que ele, aconteciam. 0 lhi ro e composto de trechos de matena_ aqui publicadas e
de um meta-te\to noo. que comenta. situa e elucida o coudiano de um jomalismo
\erdadeiramente independent. que Lumpre sua miss~o mais nobre: ser uma audita- a
gem do poder. Espero que Ls leitores a.udem a difundir esas hisrdnas comprando o
lih ro. que esuN \ enda nas bancas e em algumas li\ ranas.


Oxigenaqao
Finalmente algumas em-
presas locais estao saindo da
bitola do seu neg6cio para
olhar em volta e contribuir
para a comunidade corn algo
al6m de sua pr6pria mercado-
ria. Fazem filantropia social,
promovem a cultural, cultivam
uma image positive, intera-
gem com a populaqao. A Sol
Informatica foi uma das pio-
neiras e ainda 6 das mais ati-
vas. A Chdo & Teto recupe-
rou um casario antigo que po-
dia ser sacrificado e criou sua
house organ corn capricho. A
Clinica Lobo abriu galeria de
arte, incorpora construqbes
de valor arquitetonico e his-
t6rico, al6m de apoiar o lan-
qamento de publica9qes. To-
mara que os exemplos se mul-
tipliquem e as aq6es se tonifi-
quem. EstA na hora de que-
brar a quadratura da maximi-
zaqlo do lucro.





Editor: LCtcio Flavio Pinto

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L. A. de Fana Pinto
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