Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00321


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Full Text


ABRIL
DE 2008
2"QUINZENA


A AGENA Pess FLVoal
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


JUSTICE


Decisao injusta

Por maioria dos seus desembargadores, o Tribunal de Justiga do Estado decidiu
colocar debaixo do tapete toda sujeira que surgiu cor o escandalo da prisdo de
uma menor em uma cela com 20 homes, em Abaetetuba. Mas a sujeira e muito
grande e o tapete, curto demais. A hist6ria nado chegou aofim.


dia 14 de maio do ano passado,
aPolicia Federal requereu jufza
a 3a vara criminal de Abaetetu-
ba, Clarice Maria de Andrade, a quebra
do sigilo telefrnico de virias pessoas resi-
dentes no municipio. Dentre elas, o dono
do cellular 81891888, identificado apenas
como Tito. Todos eram suspeitos de "pos-
sivel envolvimento cor trifico de drogas,
contrabando e descaminho" na regiao.
Uma quadrilha local estava sendo investi-
gada pela PF, atrav6s da Operagqo Me-
dellin (a region de Abaetetuba 6 conside-


rada a Medellin paraense, por sua impor-
tancia como conexao do narcotrafico).
Duas semanas depois, o mesmo dele-
gado pediu a inclusao de novos telefones
no "grampo" e a prorrogado do prazo para
os queji vinham sendo monitorados, como
o 81891888, ji entao apontado como HNI
(Homem Nao Identificado). No dia 15 de
junho esse mesmo cellular permaneceu
entire os aparelhos a serem mantidos sob
escuta, mas jd entio a PF deu um nome
ao seu dono: Graciliano. A partir daf as
escutas cessaram.


A pessoa seria Graciliano Chaves
Mota, hi 14 anos director de secretaria da
mesma 3a vara criminal de Abaetetuba,
que autorizou a escuta. Graciliano aca-
bou sabendo que estava "grampeado"
pela "inconfidencia de uma operadora de
telefonia m6vel", que 6 a Tim, segundo a
juiza Clarice Andrade. Ela s6 fez essa
revelaqio em 28 de fevereiro deste ano,
ao se defender em uma sindicancia ins-
taurada pela Corregedoria de Justiqa do
Interior do Tribunal de Justiqa do Estado.
CONTIIUA NA PAG2


S EM *E : *so' *.W1"


N 415
ANO XXI
RS 3,00


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CONTIFrUA9O DACAPAWMMWMMMWMMMMMMMW
As principals acusaq6es contra ela foram
feitas pelo director de secretaria.
Ao depor perante o corregedor-geral e
dois juizes-corregedores, integrantes de
uma comissao sindicancia, Graciliano Mota
disse que ajuiza cometeu fraude para ocul-
tar sua responsabilidade pelo escindalo que
estourou emAbaetetuba quando uma me-
nor foi encontrada dentro de uma cela com
20 press. Durante 24 dias no circere, ela
sofreu viol8ncias e abuses, incluindo estu-
pro. A menor foi presa na madrugada de
domingo, 21, pela delegada Flivia Ver6ni-
ca, sob a acusaao de furtar um aparelho
cellular, crime que negou ter cometido. So-
mente 17 dias depois que foi colocada na
cela comum, o superintendent regional da
policia do Baixo-Tocantins requereu jui-
za, em carter de urgencia, a remocao da
menor para Bel6m.
Segundo a acusaqao do director de se-
cretaria, ao inv6s de tender de imediato o
pedido, a juiza s6 tomou uma provid8ncia
depois que a noticia foi divulgada e virou
escindalo de dimensdo national e interna-
cional, no dia 20 de novembro do ano pas-
sado. Mas para ocultar seu erro, obrigou
Graciliano a expedir uma certiddo falsa e
adulterou a data do expediente atrav6s do
qual cientificou a Corregedoria do pedido
da policia e solicitou autorizaqao para a
remogdo. No seu depoimento, Graciliano
assumiu a sua parte de culpa na trama,
explicando que agiu dessa maneira por
pressdo da magistrada.
Ao se defender na sindicincia, ajuiza
revelou a exist6ncia da investigaqao da
Policia Federal e levantou a hip6tese de
que, "obviamente", nada ficou provado
contra o director de secretaria, "mas nao
poderia ser diferente em razao de ter tido
ele conhecimento da quebra do sigilo". A
reaqao de Graciliano, ao saber que Clari-
ce autorizara a quebra do seu sigilo telef6-
nico, a pedido da PF, "foi de revolta". Na
presenqa da pr6pria juiza e da secretiria
do gabinete, "ameaqou todos que tinham
contribuido para isso, citando o nome do
promoter", declarou Clarice.
O acerto de contas com a magistrada
surgiria, na interpretaqgo dela, quando do
escandalo. Clarice diz que Graciliano a
enganou: nmo transmitiu por fax para a Cor-
regedoria o despacho que ela deu no pedi-
do do superintendent da policia, no mes-
mo dia em que o recebeu. Quando cobra-
do sobre a providencia, o funciondrio des-
conversava, alegava excess de trabalho,
protelava. E como realmente hi uma so-
brecarga no f6rum de Abaetetuba, a ma-
nobra deu resultado. S6 quando o escan-
dalo estourou na imprensa, a juiza tomou
providencias mais en6rgicas para obrigar


o auxiliary a prestar contas. E af descobriu
que fora enganada.
A attitude podia nao ser s6 de vinganqa
pessoal. Ela podia compor uma trama de
maior amplitude: os suspeitos de integrar a
quadrilha de narcotraficantes e contraban-
distas investigada pela Policia Federal apro-
veitavam o epis6dio traumitico para se li-
vrar do obstAculo que surgiu em seu cami-
nho quando Clarice, de 50 anos, hi sete na
magistratura, assuriu a 3a vara criminal
de Abaetetuba e passou a colaborar na
repressao a quadrilha? Talvez os crimino-
sos contassem cor a benevolencia doju-
diciario local, por conta da suspeita de as-
sociaqco a eles do director da secretaria, no
cargo hi 14 anos? Agora, enfrentavam
uma adversiria.
Mas essa 6 apenas uma suposigao, ain-
da sem fundamento concrete. No auto cir-
cunstanciado de transcriqao das grava-
q6es, elaborado pela PF em 28 de maio,
nmo hi refer6ncia alguma A degravaqao
do cellular de Graciliano. Pode ser, como
sup6e a juiza, que ele, informado sobre a
escuta, tenha torado cautelas para nao se
incriminar. Mas pode ser tamb6m que es-
teja inocente e a vinculacqo do seu telefo-
ne ao circuit montado em tomo da qua-
drilha seja apenas circunstancial.
A comissao de sindicancia da Corre-
gedoria de Justiqa do Interior deu mais cr6-
dito ao depoimento dele do que ao dajuiza
na reconstituigqo dos acontecimentos. En-
tendeu que a magistrada nao percebeu a
gravidade da situaqgo da presa em dois
moments nos quais se manifestou: ao
manter o flagrante da prisao e ao receber
o pedido de transfer8ncia. Por isso, recla-
mou de Graciliano nao a ter alertado sobre
a urg8ncia do pedido e foi surpreendida
pela repercussao da noticia.
S6 entao teria preparado o oficio A
Corregedoria, solicitando autorizaqo para
a transfer6ncia da menor. Para preparar o
document, recebeu ajuda de Ana Dias. A
assessora referendou a versao de Gracili-
ano, mas a juiza sustenta que ela assim
procedeu por ser amiga do director. O ini-
co fato incontroverso nessa hist6ria 6 que
a comunicaqao s6 foi recebida em Bel6m
no dia 23 de novembro, quando o escan-
dalo ji se tornara incontomAvel.
Depois de passar dois dias emAbaete-
tuba, ouvindo depoimentos, coletando do-
cumentos e vistoriando locais, a comissao
de sindicancia decidiu recomendar a aber-
tura de process disciplinary contra ajuiza
Clarice, "ante a gravidade das imputa6es"
feitas a ela. Mas, por 15 a 7 (com uma
abstenqao e seis aus6ncias, pelo menos
duas delas inexpliciveis), no dia 4, a maio-
ria dos desembargadores do TJE decidiu
rejeitar a abertura do process, arquivan-


do os autos da sindicancia. A decisao pro-
vocou revolta e indignagao, no Pari e fora
do Estado.
A president da OAB/PA, Angela Sa-
les, deixou de lado a pompa e circunstin-
cia da solenidade de posse do novo de-
sembargador, Leonam Cruz Jdnior, indica-
do pela pr6pria Ordem, e criticou a deci-
sao da maioria dos desembargadores, nao
deixando de destacar os votos divergentes
da president do tribunal, Albanira Lobato
Bemerguy, e do corregedor, Constantino
Guerreiro, que queriam a apuraqao dos
fatos. Mesmo que o moment nao fosse o
mais recomendivel para a iniciativa, que
irritou virios desembargadores, Angela de-
cidiu enfrentar a reaqao corporativa doju-
diciirio de olho na opiniao p6blica, maci-
qamente contriria A deliberaqao dos de-
sembargadores.

Corn a reclamaao
da OAB ao Conselho
National de Justiga,
o TJE pode ser obrigado
a voltar atras e
instaurar o process
administrative
disciplinary contra
a Imagistrada. Ou vir a sofrer
um constrangimento ainda maior: ter que
acompanhar, impotente, o procedimento
direto do CNJ, que tern autoridade legal
para reivindicar para si a apuraqgo das
eventuais faltas graves da juiza de Abae-
tetuba. Se a segunda hip6tese se consu-
mar, seri mais desgaste national da justi-
9a paraense.
Tudo indica que esse seri mesmo o
desfecho do caso, contra a opiniao majori-
taria do TJE. A materialidade dos fatos e a
hip6tese de violaqao de preceitos que re-
gem a atuaqao da justiqa foram argumen-
tos suficientes para a comissdo de sindi-
cancia recomendar a abertura de proces-
so, tanto contra a juiza quanto contra os
serventuirios envolvidos. O TJE poupou a
colega, como se o simples processamento
ji fosse sin6nimo de condenaqao, mas o
director da 3" vara criminal e uma assesso-
ra da 1a vara de Abaetetuba, responded a
process desde o dia 11 de marqo, devida-
mente afastados de suas funqoes, como
manda a norma processual. Ajuiza 6 dife-
rente porque forma uma casta no judicid-
rio? 0 e spirito de corpo fala mais alto do
que o dever de oficio? Uns sao mais iguais
do que outros?
Nao 6 improvivel que ajuiza de Abae-
tetuba prove sua inoc8ncia. Ela provavel-


2 ABRIL DE 2008 .2. QUINZENA Jornal Pessoal








Um candidate no mercado?


Outdoors espalhados pela cidade re-
produzem a manchete de capa do Jor-
nal de A Vanguarda, anunciando o apoio
do president Lula a candidatura de Jos6
Priante a prefeito de Bel6m pelo PMDB.
Trata-se de propaganda illegal, realizada
dois meses antes da temporada official?
Essa 6 a questao que tem sido suscita-
da, provocando controv6rsias. Se o ex-
deputado pagou pelos outdoors, a pro-
paganda estaria caracterizada e ele pode
vir a ser punido. Se quem custeou a peqa
publicitaria foi o pr6prio journal, nao ha-
veria ilicito.
Em qualquer hip6tese, nao ha d6vida
de que o maior interessado 6 Priante. A
segunda possibilidade significa apenas uma
engenhosa forma de driblar a lei, mesmo a
contrariando. A manchete realmente saiu
no journal, que tem o direito de fazer sua
propaganda. Mas se a publicaqao nao pas-
sa de um tigre de papel e se por tris dela
pode ser provada a autoria do ex-deputa-
do, entio a trama se revelard initil e o gol-
pe teri efeitos contririos ao pretendido.
Mas que 6 sagaz, nao ha d6vida.


Se o expediente usado esta al6m da
sanqao legal, outros pretendentes ao tro-
no da capital podem recorrer A mesma
manobra, claro. Mas teriam que dispor
de umjomal, registrado, em funcionamen-
to, preenchendo todas as exig6ncias. Nes-
sas condiqbes, nao hA nada de condeni-
vel na iniciativa, que gera empregos, cria
renda e favorece a difusdo de informa-
9qes. Democracia 6 praticada assim, no
meio da diversidade, no entrechoque de
posiqbes e id6ias, entire chuvas e trovoa-
das. Pode-se, nela, corrigir os excesses.
O problema maior mesmo 6 a carencia
de democracia, que requer tratamento
mais traumitico e apresenta resultados
mais demorados.
0 A Jomal de Vanguarda 6 de pro-
priedade de Luis Guilherme Barballio, ir-
mdo do deputado Jader Barbalho. Pare-
ce ser impresso nas oficinas do Didrio
do Pard, que pertence ao ex-governa-
dor. Seria entAo nada mais do que uma
extensdo do controlador do PMDB? Nao
necessariamente. Luis Guilherme tem
mais autonomia do que parece e Jader


menos interfer6ncia do que a aparencia
sugere. Mas nmo hi d6vida que comega
a ser estruturada a campanha de Jos6
Priante a pr6xima eleigqo na capital.
Com o apoio de Lula? Retoricamente,
sim. 0 PT nao dispoe de nomes, neste
moment, com densidade eleitoral para
chegar A vit6ria. Mas muitos dos seus in-
tegrantes (e a esmagadora maioria dos
seus militants) preferem perder sozinho
a ganhar em ma companhia, segundo en-
tendimento pr6prio.
O problema 6 que o PT nao estaria no
govero do Estado se disputasse sozinho
(ou apenas com suas aliancas ideol6gi-
cas) em 2006. Jader Barbalho foi o pa-
trono da vit6ria. Lula sabe disso, mais do
que todos os petistas, por ter avalizado a
alianqa que Jader Ihe props cor a inclu-
sao, quando as possibilidades de vit6ria
eram remotas. Foi um acerto por cima,
que acabou sendo imposto goela abaixo
- e deu certo. PoderA se repetir agora,
contra a tradiqao petista de nao honrar
acordo amargo?
E o que se veri. Logo, logo.


mente cometeu algum erro (por negligEn-
cia, causada pela press ou pela falta de
leitura dos autos) em algum moment da
sua obrigagqo para cor os press dajusti-
qa, mas pode mostrar que foi induzida A
falha pelas circunstancias desfavoriveis ao
seu trabalho na comarca de Abaetetuba.
No moment da prisdo de L., Clarice acu-
mulava a direrdo do f6rum, a execugao
penal e ojuizado civel e criminal, al6m de
realizar o tribunal do jiri.
Certamente antes dela falhou a poli-
cia, que cometeu erros primarios na qua-
lificaqao da pessoa presa e na sua deten-
qao (como menor, devia ser encaminha-
da para a vara especializada, a 1"). Presa
em flagrante pelo furto de um cellular, que
nao estava cor ela, L. podia ter sido au-
tuada e apresentada de imediato A juiza,
que certamente a liberaria, sob fianqa, se
a presungqo de que era maior de idade
nmo fosse post em questao (e nao s6 podia
ter sido questionada, como devia, consi-
derados os antecedentes da moqa). Ao
inv6s disso, a policia a colocou na cela
com 20 homes.
Quando recebeu o auto de flagrante e
o manteve, ajuiza teve a oportunidade de
agir cor eficiencia cirdrgica: bastava exi-
gir a apresentagao da presa para poder
deliberar. Frente a frente com a pessoa,
podia reconhecer a menor ou se conven-
cer de que nmo convinha prend8-la. Al6m


disso, consultando os autos do flagrante,
verificaria que A presa fora atribuida uma
idade (20 anos) sem qualquer document
sobre a data de nascimento (a policia nem
se interessou pela certidao, document
exigido nessas ocasioes). Como L. ji era
reincidente, com varios flagrantes de fur-
to, prostituiqao e droga, seria possivel veri-
ficar que, em autuaqco de 2004, a data de
nascimento que lhe fora atribuida era 10
de dezembro de 1989. Na ocasiao, ela te-
ria 14 anos (e 17 incompletos em outubro
de 2007, quando foi presa pela iltima vez).
Mas na verdade ela 6 de 10 de dezembro
de 1991. Ainda tem 16 anos.
Provavelmente por um relaxamento in-
consciente, ajuiza optou por aceitar a hip6-
tese de que a acusada ficaria confinada a
uma cela menor, ao lado da maior, onde es-
tavam press s6 homes. Ela vira o local ao
inspecionar a delegacia, trss dias antes, como
fazia mensalmente desde que assumiu a
comarca, em maio do ano passado.
Tivera a segunda oportunidade quan-
do, 17 dias depois, o superintendent poli-
cial pediu urg6ncia para remover a presa
da delegacia, reconhecendo que o local
"nao possufa abrigo de mulheres". Se o
director de secretaria realmente a enganou,
ajuiza facilitou-o nessa manobra.
Os erros, por6m, nmo sao apenas in-
dividuais: 6 a pr6pria estrutura de funci-
onamento do judiciario no Pari, sobre-


tudo no interior e, sempre, quando A dis-
tancia dos holofotes, que ajudam a pro-
mover carreiras baseadas no m6rito apa-
rente e mercadol6gico, mas massacram
o servidor na rotina das comarcas, no
mundo real. Um desses entraves 6 um
provimento da pr6pria Corregedoria, que
exige sua autorizaq~o pr6via sempre que
os juizes forem provocados a se mani-
festar sobre a transferencia de press,
ji condenados ou provis6rios.
Pode ser que a provid6ncia se tenha
inspirado na cautela para cor a liberalida-
de de magistrados nesses moments, ou o
uso abusive que fazem de sua autoridade,
sobretudo no interior distant. Mas, ao con-
trariar norma express da lei de execu-
9qes penais, o provimento cria um vicuo
de autoridade no dia a dia do funcionamen-
to da justiqa. Foi nesse vazio que evolui-
ram os desencontros intemos na 3a vara
criminal de Abaetetuba.
Muito pior, porem, e o vacuo que uma
decisao infeliz, como a da maioria dos de-
sembargadores do TJE, cria perante a so-
ciedade, quando decide colocar uma pe-
dra mortuAria sobre fatos tao vivos e lan-
cinantes, como os dessa triste hist6ria, de-
sencadeada pela prisao de uma menor
numa selvagem cela com 20 homes. A
pedra nao sepulta os fatos, que tem vida
pr6pria: servird de tumba A instituigqo que
a adotar como norma.


Journal Pessoal *2 QUINZENA ABRIL DE 2008 3


~,~~ii;is~:6~'~9h~$jj~









Nepotismo e outras questoes da justia


0 Coordenador de Imprensa do Tribunal de
Justiga do Estado do Pard, Linomar Bahia,
enviou uma carta a este jomal a propdsito
de materias da edigdo anterior referentes ao
judicidrio. Considerando a importdAcia das
questoes, decidi publicd-la a parte da seqdo
de cartas. Minha resposta segue-se a
correspondencia do TJE.

De ordem da Presid8ncia do TJE, e em
atengdo e respeito aos leitores e h soci-
edade em geral, faqo chegar a V. Sa. as se-
guintes informaq6es, esclarecendo o que
consta de mat6rias publicadas na edigio da
1" quinzena de abril desse peri6dico.
Nao se sustenta na legislagao vigente e,
assim, muito menos comporta o r6tulo de ar-
caico, o que consta de trecho inserido na
mat6ria de capa, intitulada "Na quadratura
do circulo", sobre o crit6rio adotado pelo Pie-
no do TJE na votacgo da lista triplice para
preenchimento da vaga de desembargador
destinada, pela ConstituicIo Federal, a ad-
vogado constant de lista sExtupla encami-
nhada pela OAB-PA.
Todo o process de votacIo dos nomes
observou rigorosamente a dispositivos cons-
titucionais em pleno vigor para procedimen-
tos dessa natureza, nos quais tamb6m repou-
sam os textos dos regimentos do Superior
Tribunal de Justiga e do Tribunal de Justiqa
do Estado do Pard, ambos igualmente vigen-
tes e observados no event.
A votagIo aberta e fundamentada, em-
bora recomendada pelo CNJ, ainda carece de
uma decisdo definitive daquele 6rgdo, medi-
ante a competent Resolu~lo, tema que foi
objeto, inclusive, de informa9qes que este
TJE prestou ao Conselho.
Quanto a mat6ria "Nepotismo na Justi-
qa?", a pigina 4, seu carter meramente es-
peculativo impede que a dendncia nela insi-
nuada, de natureza grave, possa ser objeto
da apuraaio que, acaso fundamentada, seria
prontamente procedida pela Presidencia do


TJE, esperando-se, para tanto, o fornecimento
de indicios que porventura possam propici-
ar a apuraq~o de responsabilidades.

MINHARESPOSTA
E direito da president do Tribunal de
Justica defender a legitimidade e legalidade
do process de escolha do novo desembarga-
dor para o quinto constitutional reservado a
OAB. Temos que reconhecer seu ponto de vis-
ta. Um entendimento objetivo da questdo, en-
tretanto, e facilitado pelo incident ocorrido
durante a posse de Leonam Cruz Janior. Seu
discurso se preocupou exclusivamente em
homenagear as duas mulheres de sua admira-
Fdo e que lhe permitiram assumir o cargo: a
governadora Ana Jalia Carepa, que o no-
meou, e a president do TJE, desembargado-
ra Albanira Bemerguy, que encaminhou a lis-
ta triplice a sanFdo da governadora. Aparen-
temente sd corn alguma relutdncia ele incluiu,
dentre as mulheres em destaque nesse momen-
to especial da histdria feminine, a president
da OAB, Angela Sales.
Entende-se e se aceita: Leonam ndo era o
candidate da intima preferencia da dirigente
da Ordem. Mas o novo desembargador e re-
presentante dos advogados no tribunal. Logo,
devia de alguma maneira partilhar a posiFdo
da categoria, express pela sua maior repre-
sentante, ainda que discordando da oportu-
nidade e da forma do pronunciamento. Serd
que logo poderd estar repetindo attitudes,
como a do magistrado que virou de costas
quando a president da OAB discursava ou
das duas desembargadoras que de pronto ma-
nifestaram sua reprovagdo & iniciativa?
Todos exerceram seu just direito de ex-
pressdo, mas t6m que admitir tambdm que cada
um e responsdvel por suas pr6prias decisies.
E se a president da Ordem decidiu falar, a
resposta a ela tem que buscar o debate de
conteddo, o didlogo de ideias, e ndo a mera
reprovacdo formalistica, adjetiva, inquisito-
rial e voluntariosa. A sociedade estd insatis-


feita com as deliberagtes do tribunal, que sdo
tomadas sem considerar que a manifestaqao
da justica s6 deve ser definida ap6s a produ-
Cdo de provas e a ampla defesa. Ndo atraves
de um edito do trono. Aos insatisfeitos indivi-
duals e aos demandantes nos feitos compete
recorrer conforme as regrar processuais e as
ordenaV3es legais. Mas a sociedade tern o di-
reito de expressar-se fora dos autos. E os de-
tentores de cargos pablicas tem a obrigaqdo
de ouvi-la e considerd-la. Ou entdo o mundo
deixa de existir a pretexto de que ele ndo pode
extrapolar os limits dos autos.
A discussed sobre a justiqa precisa pros-
seguir ate que o esclarecimento se tome satis-
fat6rio, aproximando o piano da representa-
Fdo do nivel da realidade. A carta da desem-
bargadora Albanira contribui positivamente
para esse didlogo.
Quanto as acusaqoes de nepotismo, sugi-
ro & president do TJE alguns pro'edimen-
tos. Ela pode apurar os fatos requisitando as
fitas das gravaFdes das quatro cameras que
registram os movimentos das pessoas no pa-
ldcio judicidrio. Verificard se parents de
magistrados estdo ou ndo comparecendo re-
gularmente ao local, como se estivessem no
desempenho regular de funqdes no poder (o
que, obviamente, ndo e mais possivel, porque
foram demitidos). A verificadao talvez produ-
zisse outro efeito lateral positive: flagrar quem
bate o ponto eletronico e depois vai embora.
Tambdm a president do tribunal poderia
verificar se hd assessores dos gabinetes que
recebem seu pagamento, no dia 27 de cada
m&s e imediatamente sacam a maior parte dos
seus vencimentos (em torno de 3,4 mil reais de
um total de R$ 5,8 mil, reduzidos a R$ 4,4 mil
liquidos), para repassar esses valores em di-
nheiro vivo. Deixam na conta aproximada-
mente mil reais, apenas.
Se esses fatos confirmarem os indicios
apresentados, creio que surgirdo os motives
para apurar as denuncias. Que, como todos
reconhecem, sdo graves, ainda que em tese.


A propria imagem: o mundo na imprensa


Os jornais paraenses cultivavam o mau
hibito de nao respeitar colunas e artigos de
terceiros, nem mesmo quando o material, devi-
damente assinado, Ihes 6 repassado pelas ag8n-
cias de noticias. Quando alguma nota ou co-
mentirio desagrada o dono do journal, costu-
ma ser suprimida sem d6 nem piedade e sem
a autorizacao do autor. A exclusdo integral da
coluna ou do artigo 6 uma violEncia menor,
mas a retirada de um t6pico constitui o cimulo
da infraqo 6tica e moral.
Os tempos, por6m, passaram a mudar. O
Liberal, que me tem como morto em vida, ve-
tando minha existencia em suas piginas (in-
terditada em qualquer espaqo dos demais ve-
iculos das OrganizagBes Romulo Maiorana),
foi obrigado a reproduzir referencias a mim
feitas pelos colunistas Elio Gaspari e Miriam
LeitAo. A empresa tentou obter autorizaiao
para a podagem nos textos, mas foi advertida
para as conseqiiencias do ato. Aldm da perda
das colunas, uma reprimenda da agEncia do
journal O Globo, elo das Organizaq6es Rober-


to Marinho, que incluem a TV Globo, madri-
nha e medianeira da televised dos Maiorana.
As colunas safram tal como foram escritas,
constituindo-se em excecgo nas piginas de
0 Liberal, meu timulo toponimico (ainda sim-
b6lico, felizmente).
O Didrio do Pard tamb6m praticou essas
extirpaq6es, que lhe acarretaram perda de co-
lunas (como a de Cludio Humberto, que se
passou para o rival e nele se mant6m). Mas
nos iltimos tempos o journal tem feito um evi-
dente esforqo para conviver cor as matdrias
desfavoriveis ao seu dono, o deputado fede-
ral Jader Barbalho. Recentemente, o Didrio
reproduziu, tal como no original, nota de aber-
tura do Informe JB, do Jornal do Brasil, do
Rio de Janeiro, tratando o lider do PMDB pa-
raerise por "famigerado e enrolado".
O reporter 70, principal coluna de O Libe-
ral, de pronto chamou a atencqo dos seus lei-
tores, tanto para o conteddo do "Informe"
quanto para a circunstAncia de a nota ter sido
"reproduzida integralmente pelo journal que a


public diariamente". O objetivo do adverbial
redator dos Maiorana era constranger o con-
corrente, atingindo sua sustentaq~o polftica.
O leitor atento do R-70, pordm, podia ser
levado a fazer uma pergunta automitica: um
comentrio contra Romulo Maiorana Jtnior, o
principal executive das ORM, sairia nas pagi-
nas de O Liberal, cor as caracteristicas das
critics feitas pelo JB a Jader Barbalho, acata-
das pelo Didrio? Onde hi algum arremedo de
pluralismo: nos vefculos do ex-governador ou
nos do ex-quase-futuro imperador da midia?
Algu6m ji leu, viu ou ouviu um ai que fosse
contra Rominho nas pdginas do jomal da casa
ou nas suas emissoras de ridio e de television?
Como os Maiorana costumam achar que
o que nao aparece nos seus veiculos nao exis-
te no mundo, tomam esse universe fechado e
controlado por amostragem do todo. Era o
m6todo de Maria Antonieta para sondar a re-
alidade at6 chegar A guilhotina. Deseja-se
que, no caso dos Maiorana, a surpresa nao
chegue a tanto.


4 ABRIL DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal








0 poder absolute e suas absolutas distorgoes


Nao vou, ao menos por enquanto, dis-
cutir se a atriz alemi Nina Hoss, filha do
deputado "verde", Willi Hoss, ha virios
anos cor presenqa no meio academico do
Pari, merece ou nao ser a primeira "em-
baixadora especial do Para", titulo que pas-
sou a ostentar no final do mes passado.
Corn o que nao concordo 6 corn o m6todo
adotado para a criacqo: em regime de ur-
gencia urgentissima, a honraria foi instituf-
da e, de pronto, concedida, tudo feito em
circuit fechado e por decisao arbitriria
(mais uma) da govemadora Ana Jilia Ca-
repa e sua entourage, o ceniculo dos si-
bios plenipotenciarios.
Para nao haver dividas e suspeiq6es
sobre uma "aqgo entire amigos", o governor
devia ter constituido um conselho, compos-
to por pessoas credenciadas a esse tipo de
avaliaqlo, que sugeriria nomes e opinaria
sobre os que Ihe fossem submetidos. As-
sim, ao inv6s de decretos categ6ricos e auto-
suficientes, os atos seriam fundamentados, o
que permitiria ao cidadao tomar ci6ncia (e,
eventualmente, aprovar) o seu embaixador
honorifico, legitimando o seu mandate.
Embora o titulo seja simb6lico, ele tern
conseqiidncias. Uma delas 6 material: as
idas e vindas do representante honoririo
serdo custeadas pelo contribuinte paraen-
se. Ao "toma li", por isso, devia corres-
ponder o "da ca", abolido in limine. A ou-
tra consequancia 6 digamos assim mo-
ral: sem colegiado, quem 6 que avaliard o
desempenho da nossa primeira represen-
tante (e dos que vierem a segui-la, com a
expediqIo de novas delegaqces de pode-
res)? Ora, no process atual, os que Ihe
conferiram o titulo. Ou seja: os mesmos.
O que acentua ainda mais o carter da me-
dida: uma aqao entire amigos.
O arbitrio 6, no Brasil, uma prerrogativa
do chefe do poder executive (federal, esta-
duais e municipals).
Eles tudo podem por-
que tmr a chave que
abre os cofres p6bli-
cos e a caneta que Nenhium dos
demite e admite no I \er Jornal Pcs
servio ptiblico(com trou o faro em
8nfase no president incompreensi\ el
da repiblica, corn dou um sinal de
acesso ao erario gem de terras do
mais robusto e A R Almeida proc
mais extensa folha penhados em ma
depessoal).Umem- nante. aos 78 an
baixador ingles que Almeida. cabeca
observou essa con- em t9.4 bilhoes d
centraqdo de poder Pelos sinais e
ainda na d6cada de pelos 5 milhoes
30 do s6culo passa- rencer. embora s
do, Ernest Halmblo- dessa jrea. na cc
ch, num livro suges- contend ioso aind
tivamente intitulado


Sua Excelencia, o Presidente, foi expulso
sumariamente do pais pela autoridade su-
prema ofendida. Por ter dito a verdade.
Punido o herege, a pritica permanece
imutivel atd hoje. Os integrantes do Mi-
nistdrio Piblico elegem seus favorites para
uma lista de mais votados para a chefia do
MP, mas o govemador pode, dentre estes,
escolher quem quiser. Da mesma forma,
tem o poder sacramentador absolute em
relagqo aos novos desembargadores, po-
dendo ignorar a hierarquia da lista que lhe
6 submetida. Essa prerrogativa 6 exercida
majestaticamente pelo quase soberano,
mas cada vez mais provoca crises. A di-
versificagco da sociedade e a complexi-
dade na sua representacao colidem com
essa verticalizaqdo no mando pelo chefe
do poder executive.
Faria muito bem A sociedade e g demo-
cracia se essa instancia fosse suprimida.
Cada categoria e cada instituiqao respon-
deriam por seus atos, dando-se conte6do a
uma autonomia que existe apenas na letra
vazia da lei e na formalidade da sua aplica-
qao. 0 ordenador final e geral da despesa
p6blica, que 6 o chefe do poder executive,
exerceria a funqgo de coordenaao e cor-
reqo, no que Ihe coubesse, a posteriori,
ao inv6s de invadir previamente a seara
alheia e tumultuar o equilibrio entire os po-
deres. Muitos problems seriam prevenidos
e outros tantos resolvidos. Como este em
fermentaq.o e ebulicqo, da Universidade do
Estado do Pari.
A UEPA 6 como outras instituiqces de
ensino superior, que, ao inv6s de criarem
efeito demonstrative, funcionando como la-
borat6rio e modelo para outras engrenagens
da sociedade, menos superiores e exempla-
res em seus pressupostos, acaba repetindo
os procedimentos viciados ou deformados
de outros agents, como os politicos e seus



Terras
lornais de Belem noticiou a moir t de Cecilio d
soal 414). A unica e\cecao for Guilherme Au
ua colunj no Diur ildo Pard NMal se a impr
desinteresse pelo aconiecimneinto. a familiar do
que ,ai continuar interess.da na "Ceciliolindi
Xingu foi batizada. Os sucessores do dono d
ramaram um desiacado antincio ftinebre na imn
naer \ ia a memorial do pairiarca. que sofreu
os, em Curitiba. no dia 24 de marco. Por coin
de um conglomeradode 30 empress. corn pat
e dolares. complera meio seculo neste ano.
mitidos. paiece que os sucessores irio manner
iou 7 inilhoes de hectares de terraj que cons
eja e\tensa e profunda a pro\a jj reunida so
'biciJda e conIliluosa Terra do Neio. ao patrir
Ia njo saiu do primeiro grau de jurisdicqo da i


partidos. Desdenovembro, a instituiqgo lava
roupa suja e exibe suas miculas na tentati-
va de escolher seus novos dirigentes.
Ao inv6s de ser olimpico e modelar, o
process eletivo tem regras e procedimen-
tos suspeitos, quando nao viciados. Sob o
impulso categ6rico de que s6 interessa ga-
nhar, vale quase tudo (e um pouco mais),
embora geralmente os candidates aleguem
a pobreza e a car6ncia da instituicqo. Nem
por isso se tomam mais moderados e pon-
derados nos seus projetos de poder.
Na cadeia de erros e deslizes, por6m, a
pior iniciativa foi a da govemadora Ana Ji-
lia Carepa, acolitada pelos seus inefiveis
"luas pretas". Ela podia alertar a comuni-
dade acad6mica da UEPA e advertir os fu-
turos dirigentes para suas responsabilidades,
antecipando-lhes sua vigildncia na observa-
cio da lisura e dos interesses superiores do
Estado, mas nao devia ir al6m do reconhe-
cimento da autonomia universitdria, ainda
quando mal exercida.
Se um questionamento judicial suspen-
desse (temporariamente ou em definitive)
sua sanqao, como ocorreu, devolveria a uni-
versidade o poder de suprir a lacuna. Mes-
mo havendo d6vidas e contradiqes formais
quanto a essa autonomia, por que nao dei-
xar ao Conselho UniversitArio a tarefa (e o
6nus) de indicar o reitor e o vice-reitor tem-
porarios, at6 a deliberagio final da justiga
sobre o contencioso armado pelos preten-
dentes aos cargos?
O bom senso 6 ignorado em proveito da
voracidade pelo poder, o poder todo. Ma-
quiav6is de orelha de livro e Richelieus de
algibeira engendram operetas para justifi-
car a desastrada intervenqgo da govema-
dora em mais esse capitulo da ji cabulos
novela. Diz o chefe da casa civil que o dn
ma seria evitado se um dos candidates, ao
inv6s de recorrer justiga da suposta deci-
sao que a govemado-
ra iria tomar, espe-
rasse pela concreti-
zaqlo do ato. Ele te-
lo Rego Almeida ria uma agradvel (e
2Iusto. que regi- surpreendente, para
ensa manifestou abusar da tautologia
empreasrio man- e do pleonasmo) sur-
a como a grila- presa: ocandidatode
a Construiora C. prefer6ncia de sua
prensa IocLI. em- excel6ncia era ele,
um infjrio fulmi- ndooadversirio, tido
cidncia. a C. R. como puledavez.
rimonio aJliiado Diante desse en-
redo, cabe a legen-
j batalhj judicial daria frase do gran-
ideram Ihe: per- de Machado de As-
bre a inculacao sis, este, sim, umau-
rionio public. O tentico bruxo: ao
usLia;. vencedor, as batatas.
A n6s, o circo.


Journal Pessoal 2 QUINZENA ABRIL DE 2008







PAPEIS DA HISTORIC


Em 1979, a drea de maior interesse
para a principal frente econ6mica de
penetrado na Amazonia somava 51
milhtes de hectares, que, anos depois,
viria a ser conhecida como o "arco de
desmatamento (e das queimadas).
Abrangia o sul do Pard, o oeste do
Maranhdo e o norte de Mato Grosso. Sd
naquele ano, trWs dkcadas atrds, foram
desmatados nessas dreas um milhdo de
hectares (10 mil quil6metros quadrados).
Eram "apenas" 2% do total, mas j era
uma destruido assustadora por sua
dimensdo e por sua velocidade.
Prenunciava a escalada que viria depois.
Era precisofazer alguma coisa, tanto pelo
significado intrinseco dofato como pela sua
repercussdo, sobretudo international.
Sudam e IBDF antecessorr do Ibama)
decidiram entdo juntarforCas: analisaram
a situacgo eproduziram oprimeiro (e
unico) relatdrio de pesquisa do Programa
de Monitoramento da Cobertura Florestal
do Brasil, divulgado em agosto de 1981.
Consegui um exemplar do trabalho e a ele
dediquei uma pgina do Jornal Pessoal, que
nessa 9poca escrevia em 0 Liberal, tres
dias depois do lancamento official dos
resultados do levantamento. Observei que
essapesquisa "introduzfatos
incontestdveis numa discussdo geralmente
feita a partir de abstraC6es. As imagens do
satelite Landsat, que cobre a Amazdnia a
cada 18 dias, sdo a imagem da realidade,
que os tecnicos transportam para os
mapas, quadros, gravuras, desenhos.
Constituem-se, assim, a partir de agora, a
base principal de qualquer andlise quefor
feita sobre a questdo ecoldgica na region ".
Mas ressalvava tambem que, apesar
dessa qualidade, as imagens de satelite
"ndo contem em si toda a realidade: elas
precisam ser interpretadas em suas
sutilezas e, sobretudo, atrav&s de
verificaCdes de campo ". No entanto,
"inegavelmente oferecem um rico roteiro
para descobertas". Aceitando esse roteiro,
decidi analisar cada uma das "folhas"
produzidas a parte das imagens do satelite,
abrangendo drea de 135 por 185
quildmetros.
E muito interessante seguir essa
andlise, folha porfolha, em 13 quadros, 30
anos depois. Constatamos que a destruicdo
jd era enorme. Hoje, se tornou
assustadora. Indica que ofim dafloresta,
ao menos nesses 51 milhoes de hectares, e
um caminho sem volta, infelizmente.
Reproduzo o artigo do Jornal Pessoal de 23
de agosto de 1981, em 0 Liberal. Espero
que seja litil aos leitores atuais. Um bom
exercicio seria comparar a situacdo em
1979 com a atual, se possivel recuperando
as imagens do Landsat naquele ano.


Primeiro


Esta folha abrange parte dos municipios
de Acard, Bujaru, Tom6-Aqu e Sao Do-
mingos do Capim, onde o desmatamento atin-
giu 80.770 hectares. E uma Area de ocupagqo
mais antiga, por6m, mesmo assim, o desmata-
mento nao se aprofundou muito nas margens
da PA-140. As derrubadas se disseminam por
toda a area, mas naio sao muito extensas, a nao
ser a oeste de Tom6-Aqu. Contudo, ha um fe-
n6meno grave: as margens e as cabeceiras do
rio Tom6-Aqu estao quase inteiramente des-
matadas, inclusive um seu afluente, o que deve
causar serios problems de assoreamento. Em
menor escala, tamb6m estA afetado o rio Aca-
ra-Mirim, especialmente no seu curso m6dio.
As transformaqdes que podem ser obser-
vadas ao long da PA-140 mostram que a co-
lonizagao feita espontaneamente por peque-
nos produtores causa o desmatamento ape-
nas no.eixo da rodovia, com pouca profundi-
dade lateral, deixando quase sempre talhaes
intermedidrios de mata entire as derrubadas.
Toda essa Area 6 coberta por floresta densa, o
que amplia os prejuizos da devastaqao.

a Esta folha abrange Areas de seis munici
pios (Acard, Moju, Paragominas, S. Do-
mingos do Capim, Tom6-Aqu e Tucurui), pe-
gando o vale do alto e m6dio rio Capim, com
seus formadores, o Surubih e o Arurandeua.
Em parte dessas Areas, sempre As margens
do rio, com pouca penetragao interior, estao
instalados moradores nativos do Pard corn
suas pequenas roqas. Mas nota-se que, ao
lado deles, dentro da mata, se distribuem
varias grandes propriedades, inclusive fa-
zendas incentivadas pela Sudam, que pene-
traram nessa regiao utilizando nao o rio, ca-
minho traditional do caboclo, mas a rodovia
Beldm-Brasilia, a partir da qual abriram es-
tradas de penetraq~o.
O maior dos desmatamentos foi pratica-
do pela AgropecuAria Rio Cauaxi, com 27.225
hectares, de propriedade da Construtora Taka-
oka, de Sao Paulo, que ja derrubou pouco
mais de um terqo da Area. A Fazenda Maringa
tamb6m fez um significativo desmatamento
acompanhando um trecho cheio de curvas
do rio Capim. Mas ainda hA extensas Areas de
florestas intocadas.

3 Esta folha pega parte do m6dio e baixo rio
STocantins, nos municipios de Baiao, Moju;
Portel e Tucurui, onde as alteraqces da cober-
tura vegetal atingiram 46.602 hectares. O des-
matamento mais grave se concentra mesmo
em Tucuruf, As proximidades da sede do muni-
cipio. No eixo das duas estradas que saem de
Tucuruf na direq~o de Baiao e de Maraba ha
grandes Areas continues desmatadas, o que
vai trazer complicaqces futuras para a vida da
populaqao. O mapa mostra ainda que uma par-
te consideravel da Area do reservat6rio da hi-
drel6trica de Tucuruf, na margem direita do rio
Toicantins, ja foi derrubada. Tamb6m 6 uma
Area integralmente de floresta densa. Nao ha


nela nenhum projeto agropecuario incentiva-
do pela Sudam.

4 Esta folha abrange uma Area leste do Para,
na divisa cor o Maranhao. Compreende
trechos de nove municipios (Bujaru, Irituia,
Our6m, Paragominas, S. Domingos do Capim,
Tom6-Aqu e Viseu no Para, mais Carutapera,
no Maranhao). A rea desmatada j cobre mais
de 10% de toda a extensao dessa fotografia,
ou 267.476 hectares, sendo 111.775 hectares
em Paragominas. As margens do rio Capim,
nesta folha, ja estao mais atingidas do que na
anterior. Foram identificadas 11 fazendas. A
maior delas 6 a Companhia Agropecuaria Si-
meira, mas na qual as derrubadas ainda sao
pouco expressivas. Em compensaq~o, as fa-
zendas Colatiera e Reunidas Emay (esta, cor
22 mil hectares) estao chegando ao limited de
50% estabelecido pela legislaqlo federal. Ao
long da Bel6m-Brasilia ha um desmatamen-
to continue, que em alguns trechos se apro-
funda bastante nas laterais, principalmente
em Irituia, onde a paisagem j esta completa-
mente perturbada.

g Esta folha abrange a parte final do muni
cipio de Paragominas, onde o desmata-
mento atingiu quase 230 mil hectares, e peque-
nos trechos de Sao Domingos do Capim, ain-
da no Para, e Bom Jardim, Carutapera e Mon-
q~o, no Maranhao, onde a paisagem esta pou-
co afetada. O traqo marcante na drea 6 a rodo-
via Bel6m-Brasilia. Nela, sHo registradas seis
fazendas incentivadas pela Sudam. Uma das
que parece haver chegado ao limited dos 50%
que podem ser desmatados 6 a Pastoril e Agri-
cola Vale do Rio Gurupi, onde o Bradesco 6
acionista minoritario, que tem 17 mil hectares.
O rio Gurupi, que separa oParA do Mara-
nhao, esta inteiramente devastado em suas
margens. Mais dramatica ainda 6 a situaqlo
do seu afluente, o Gurupi-Mirim: da nascente
at6 o curso m6dio o desmatamento tambdm 6
continue, nas duas margens, o que 6 proibi-
do pela legisla~ao de proteqao florestal para
evitar fen6menos como os que tem sido ob-
servados na Zona Bragantina: o assoreamen-
to e at6 o complete desaparecimento de cur-
sos d'Agua que perdem a cobertura vegetal
de suas margens.

6Esta folha pega trecho do rio Tocantins a
Saltura de Jacunda e das rodovias PA-150
(de Beldm a Maraba) e a antiga PA-70 (da Be-
16m-Brasilia a Maraba). Abrange parties dos mu-
nicipios de Igarap6-Mirim, Itupiranga, Jacunda,
Maraba e Sao Domingos do Capim, no Para, e
Imperatriz, no Maranhao. Na 6poca (1979) em
que foram obtidas as imagens de sat6lite, a co-
lonizaqao na PA-150 tinha menos de dois anos,
mas ja era intense o desmatamento ao long
dela, tanto por colonos como por m6dios pro-
prietarios. Mesmo assim, a devastagao dessa
Area, a oeste, se diferencia bastante da ocupa-
qao mais antiga, feita a leste, ao long da PA-70 )


ABRIL DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal











retrato da destruigao


Sou sob a influencia da Beldm-Brasilia, onde as
derrubadas sao muito mais extensas. O desma-
tamento nessa folha atingia 166 mil hectares,
sendo 107 mil em Sao Domingos do Capim, um
dos municipios mais compridos do Pard e que,
por essa caracteristica geografica, apresenta di-
versas formas de coupaq~o humana, por nati-
vos, colonos e empresas.

7Nesta folha, o desmatamento ainda 6 inex
pressivo: ela pega apenas dois municipi-
os, Itupiranga e Maraba, nos quais a altera-
qgo da cobertura vegetal atingiu somente 20
mil hectares. Nela esta o vale do rio Itacaidi-
nas, cor o seu afluente, o Parauapebas, onde
se localiza a provincia mineral de Carajds. Uma
dezena de desmatamentos as margens do mr-
dio e alto Itacaidnas exemplifica bem a espe-
culaqao de terras: sAo pessoas que se ante-
cipam A penetraqao nessas Areas ermas, con-
victas de que elas serao abertas a ocupaqgo
e por isso serao muito valorizadas. Fazem
derrubadas sem qualquer interesse econ6-
mico imediato, apenas para garantir a posse.
JA no Parauapebas essas derrubadas sao
mais freqtientes, sobretudo a leste, por in-
flu6ncia das estradas. Os tecnicos do Proje-
to Radam [Radar da Amazonia] sugeriram a
criaqgo de uma reserve nessa Area, mas a
proposta ficou no vazio.

8 Esta folha tern Maraba como centro, apa
nhando trechos de GoiAs e do MaranhAo,
na bifurcaqao do Tocantins corn o Araguaia,
pegando a Transamaz6nica entire Araguatins
e Itupiranga. O desmatamento atinge quase
290 mil hectares, sendo 137 mil em Sao Joio do
Araguaia e 54 mil em Maraba. A Transamaz6-
nica foi particularmente danosa a S. Joao do
Araguaia, provocando a perda de 20% de suas
ricas florestas, incluidos castanhais. Pode-se
verificar a convivencia da grande propriedade
cor a pequena em alguns trechos, mas o pro-
cesso de absorqao em outros: o colono da mar-
gem da rodovia 6 engolido pelo proprietario,
que se expand pelos funds.
Na Fazenda Landy, pr6ximo a Maraba, o
desmatamento jA ultrapassou os 50% da pro-
priedade. Toda a drea ao redor de Maraba per-
deu a sua cobertura vegetal. As cabeceiras do
rio Soror6, afluente do Itacaitinas, tamb6m fo-
ram devastadas. Nota-se que o intense des-
matamento praticado na PA-70 tem apenas uma
interrupio: sao os ricos castanhais existen-
tes no interior da reserve Mae Maria, dos fndi-
os Gaviao, que a estrada corta ao meio. Por
isso sao terras tao cobiqadas.

9Esta folha, que pega o sul do Para, entire
Maraba e Conceiqco do Araguaia, onde o
desmatamento ainda 6 pequeno (60 mil hecta-
res), serve para demonstrar a forqa de uma es-
trada quando ela corta uma regiao pioneira. E
o caso da PA-279 (erroneamente assinalada
no mapa como PA-270). Em 1979, quando foi
obtida a image do sat6lite, apenas 80 dos


estavam abertos e,
naquela ocasiao, as
obras estavam parali-
sadas. Tr8s anos an-
tes,, quando a cons-
truqdo comeqou, o
governor do Estrado
tentou impedir o aces-
so a estrada, impon-
do um control no lo-
cal onde ela comeqa.
A se formou Xingua-
ra, povoado de mais
de 20 mil habitantes.
Eji em 1979 haviam
sido feitos desmata-
mentos ao long do
traqado da rodovia, As
vezes at6 mesmo antecipando-se a ela, num
process comandado pelo interesse especu-
lativo, imobiliario, mas que atrai tamb6m o la-
vrador interessado em conquistar o seu so-
nhado pedaco de terra.

1 O Esta folha pega uma Area compre-
endida entire a PA-150 (trecho Ma-
rabi-Conceiqao do Araguaia) e o rio Araguaia,
no Pard, e parte de seis municipios goianos
[hoje do Estado do Tocantins], onde jA 6 mai-
or a participaqao dos projetos agropecuarios
da Sudam (10 no ParA e um em Goias). O maior
deles 6 do Bamerindus, com mais de 80 mil
hectares, encravado em Area de castanhais na
divisa de Conceicao do Araguaia cor Mara-
ba. O maior desmatamento, contudo, 6 o da
fazenda Sao Jose, do grupo paulista de Jos6
Alves Verissimo, que tem 30 mil hectares de
terras nas margens do rio Araguaia. O limited de
50% jA esta sendo atingido. O desmatamento
de toda essa folha foi de 292 mil hectares, sen-
do 96 mil hectares em Conceiqao do Araguaia
e 77 mil em Xambioa. Segundo o mapa, trata-se
de uma Area de cerrado.

a1 Nesta folha, centrada na PA-150 e
abrangendo trerras de Conceicao do
Araguaia, Maraba e Sao Felix do Xingu, verifi-
ca-se claramente os resultados da aqao de gran-
des projetos agropecuirios, serrarias e colo-
nos, que e intense. A leste da estrada, ha uma
sucessao de pequenas derrubadas por lavra-
dores que penetram na regiao a partir do rio
Araguaia, ocupando glebas de antigos lotea-
mentos. A oeste da estrada, 12 projetos agro-
pecuarios incentivados, dos quais destaca-se
a Companhia de Terras da Mata Geral, ji nos
limits com a reserve indigena Gorotire. E facil
comprovar como detentores de grandes areas
subdividem-nas em duas ou trds fazendas, com
duplo objetivo: o principal deles e apresentar
mais de um projeto A Sudam, a fim de receber
maior volume de recursos financeiros;'o ou-
tro, e driblar a legislagao florestal, que manda
deixar intacta metade da Area. Um desmatamen-
to pelo menos curioso: o que aparece em uma


col6nia do Incra, em Rio Maria. Comprido e
delgado, mais parece destinado a uma pista de
pouso do que A pratica agricola. Entre outros
motives, foi por isso que fracassou.

1 f Nesta folha, mais ao sul da anterior,
m1 cor parties dos municipios de Con-
ceiq~o doAraguaia, Santana do Araguaia e Sio
F6lix do Xingu, aparece cor nitidez a paisagem
dos grandes projetos agropecuarios incentiva-
dos pelo governor. Sao grandes Areas, em media
de 30 mil hectares, distribuidas em quadrilite-
ros que deixam escapar sua origem: os lotea-
mentos particulares feitos no final da d6cada de
50 e inicio da seguinte. O que mais espanta nao
e propriamente a extensao da drea desmatada
(135 mil hectares): se o observador do mapa for
fazer um sobrev6o na Area constatara que gran-
de parte dessas fazendas praticou o desmata-
mento para a formaqCo de pastagens que ficam
ociosas a maior parte do tempo, por falta de
rebanho. A intenqao nem sempre e a de dar A
terra uma fungao produtiva, econ6mica, mas
mantt-la como uma reserve de valor. A maioria
dessas fazendas se formou antes da constru-
qao da estrada de Conceiqao a Santana, que
agora passa por dentro de muitas proprieda-
des. Naturalmente, valorizando-as.

SEsta folha, ja no extreme sul do
Pard, divida cor Mato Grosso e
Goids, pode ser considerada hist6rica. Ela
mostra o que foi, se nao a maior queimada
de floresta feita naAmaz6nia, a mais celebre
de todas: a da Companhia Vale do Rio Cris-
talino, propriedade de 140 mil hectares da
Volkswagen. Em 1978 o satelite registrou um
enorme inc6ndio no sul do Para, que um ci-
entista disse ter consumido um milhlo de
hectares, cor evidence exagero. Eram 11 mil
hectares, queimados de uma s6 vez. Af esta
o grande prejufzo que as derrubadas feitas
por empresas poderosas causam: sao exten-
sas areas de floresta, como a da Rio Cristali-
no, destruidas rapidamente. O mapa mostra
que as derrubadas se concentram no limited
sul da propriedade.


Jornal Pessoal .2. QUINZENA ABRIL DE 2008 r,







CONTRABANDO
Amanhecia o dia 10 de
dezembro de 1955 em Bel6m
do Pard, conhecida entao
como a capital do contraban-
do no pais, quando Lauro Jos6
Ferreira foi informado que
"uma grande canoa tentava
desembarcar, nas imediaqces
da Condor, dois autom6veis
contrabandeados". Lauro
entrou de imediato em con-
tato corn a alfandega, que
nada podia fazer, por ndo dis-
por, naquele moment, de
embarcaq6es em condig6es
de uso. Pediu entao ao gover-
nador do Estado que Ihe ce-
desse a lancha Majestic, para
fazer a apreensao. Como a
resposta demorasse, o com-
bativo cidadio lanqou m5o do
jipe de um amigo, nele em-
barcou o motorist, o guarda-
mor da alfandega e um agent
fiscal e partiu para a sede da
Copala, na Estrada Nova.


Na siderdrgica conseguiu
uma "precAria montaria", do-
tada de motor de popa, e par-
tiu para a caqada. Depois de
navegar por duas horas no
igarap6 do Aura, localizou a
carga contrabandeada, que ia
ser "desovada", e apreend&-
la. A apreensdo provocou
ampla repercussao na cida-
de pelo inusitado da situaqao:
Lauro Ferreira ja nao era
mais inspector fiscal federal,
cargo que ocupara por viri-
os anos, at6 nove meses an-
tes. Agira impavidamente
"como um simples denunci-
ante e, ao mesmo tempo,
apreensor", no lugar do ocu-
pante do cargo, seu "colega"
e substitute.
Que cidadao!


prou o
terreno
no qual t
surgiria o
hospital da
entidade: a area,
corn quase 20 metros de fren-
te por 26 de funds, na tra-
vessa Bailique (atual Ferrei-
ra Cantdo), foi vendida pelo
escrit6rio do advogado Ro-
berto Klautau de Ara6jo, por
dois 2,2 milh6es de cruzeiros.
A maternidade saiu de um
lado para o outro do Largo da
Trindade e nele permanece
at6 hoje.


MATERNIDADE
Em setembro de 1962 o CARRO
president da Maternidade do Em abril de 1962, alids,
Povo, Paulo de Castro, cor- Jorge Hage p6de, finalmen-


FOTOGRAFIA

Os primeiros juizes


Para os colecionadores de datas e fds do futebol anotarem esta: em novembro de 1956
saiu do forno da Escola de Formacdo de Arbitros de Futebol a primeira turma de
juizes do nobre esporte bretdo no Pard, formada por 17 referees, como se escreve na
lingua de Shakespeare e se dizia por aqui na dpoca. 0 orador da turma foi Josi
Sousa e o paraninfo Isaac Soares, o "tigrdo" do colunismo social, ainda assinando
espago em 0 Liberal. Ai estdi a briosa turma dos primeiros mestres do apito, sempre
sujeitos a mudancas bruscas na temperature dos estddios pelos gritos dos torcedores,
a conclamar as genitoras dos desafetos, quando suspeitos de erro.


te, receber o autom6vel con-
versivel Chevrolet, model
Impala (batizado dentre n6s
como "cutia", por se escon-
der na mata ao ser desem-
barcado da embarcaqao de
contrabando). 0 veiculo.
Modelo 1960, foi apreendi-
do em 1961 e ficou deposi-
tado no quartel do 26 Bata-
lhao de Cagadores (hoje, 2
Bis, na Almirante Barroso),
at6 ser liberado, por ordem
do ministry da Fazenda, o
banqueiro Walter Moreira
Salles. Outros carros de con-
trabando continuavam ex-
postos ao sol e A chuva, sem
liberaqdo. Ainda.

ENCHENTE
A negligencia, a inconsci-
&ncia e a irresponsabilidade
estao entire causes dos ala-
gamentos de Bel6m mais for-
tes do que o regime de Aguas
e chuvas existente na region
da capital paraense. Em mar-
qo de 1970 o canal da Ta-
mandar6, concluido apenas
poucos antes, comegou a
transbordar. As cinco com-
portas que controlavam (e
ainda controlam) a drenagem
dos esgotos e Aguas servidas
e deviam impedir a entrada
da mar6, nio estavam cum-
prindo bem a sua finalidade
porque, sem limpeza, esta-
vam obstruidas. O ji extinto
DNOS (Departamento Naci-
onal de Obras de Saneamen-
to), responsivel pela obra,
dizia ter feito sua parte: aler-
tar virias vezes a prefeitura
para a necessidade da limpe-
za. O municipio 6 que nada
fizera. Resultado: as Aguas de
marqo provocaram alaga-
mentos na Area.
Ontem, como hoje.


A -ABRIL DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal










COTIDIANO



PROPAGANDA

Faganha de GuaraSuco

0 mirifico "Sul"ficava muito long do Norte. Mas o
futebol compensava os esforgos de aproximaCdo. Em
1962 o refrigerate GuaraSuco (que estava em todas)
patrocinou a formagdo da "maior cadeia radiofOnica"
paraense: as adversdrias Rddio Marajoara e Rddio
Clube, mais a R6dio Educadora de BraganCa, se uniram
para levar Edyr Proenga e Luiz Branddo ate o estddio
do Pacaembu, em Sdo Paulo. Iriam transmitir o jogo de
futebol entire Brasil e Portugal, comandando uma equipe
com os "melhores locutores, comentaristas, rep6rteres e
tecnicos da Amazonia". Gragas ao refrigeratee da
familiar paraense", que ndo existe mais.








,i s e esteemm :todas

PELA PRIMEAIRAVEZ
UNIOAS PE

PATrOC0INro E GUARA5IO I .
lA MAIOR CADEIA RADIUMiiNICA *
REO10 MARIJDARA
R1lmE CLUeE 0OPARA i
RADIO EDUCADORA DBRAIANCA
Na transmissao do
Brasil x Portugal
diretamente do Pacaembul
E a partir de 12 horas
unidas com noticias de esportes
As duas maiores equipes esportivas do norte do Brasil, unidas desta feita, num
tato inmdito patrocinado por GuaraSuco. Oua EDYR PROENI;A e tl'!Z BRANDAO, coman-
dando todos os detalhes do Brasil x Portugal. Cs me'lores locutore:, ccmentaristas, repdr-
teon e tkenicos de AmazWnia, fornecando para voce, todos as detalhes do Brasil x PortuoeI
PATROCINIO DE GUARASUCO refrigerante da. familiar parawet!


BICHO
O deputado estadual (de-
pois prefeito de Bel6m) Stl6io
Maroja foi A tribune da As-
sembl6ia Legislativa, em 1962,
para denunciar "a prAtica
fraudulent do jogo do bicho".
Dizia que os resultados dos
sorteios eram manipulados
para tender os interesses e
vontades do dono dojogo. Sim,
dono: Pedro Silva detinha o
monop6lio dessa muito popu-


lar modalidade, em pritica
continue at6 hoje. S6 ele ban-
cava as apostas, graqas ao
apoio politico que tinha, dos
"baratistas". Stl6io pediu pro-
videncias, mas naquele exato
moment estava em curso
pritica fraudulent semelhan-
te, descoberta na pr6pria lo-
teria patrocinada regularmen-
te pelo governor do Estado, a
pretexto de financial a Santa
Casa de Miseric6rdia.


Palavras municipals
Ha ide6logos que antecipam com suas id6ias o que o governor
ird fazer. Ha tamb6m ide6logos que vem depois do jd feito para
dourar a pilula. Costuram agqes isoladas para que pareqam former
um conjunto, toreiam medidas toscas, dao brilho a realizacqes r6s-
ticas, envemizam textures asperas e salpicam conceitos e expres-
s6es te6ricas em nada mais do que puro empirismo. Raul Meireles
tem se apresentado como o ide6logo da administraqao Duciomar
Costa. Transformou seu post, na direqao do antigo Servigo Aut6-
nomo de Agua e Esgoto de Bel6m (atual ag8ncia reguladora), em
mirante para ver e propagandear um conteudo e uma aparencia -
da prefeitura que o cidadao comum nao encontra. Porque inexiste.
Nojomalzinho interno, transmite essa mensagem, que comeqou a
ecoar. O editorial da tiltima edicqo, de marqo, foi transformado em carta
do leitor em O Liberal da semana passada (por senso de oportunidade
ou falta de correspondencia real?). A primeira marca da gestao Dicio-
mar, segundo Meireles, 6 a paz political, estabelecida atrav6s de decreto
pelo alcaide, que p6s fim "As "brigas political que tanto prejudicaram
Bel6m". Na verdade, por6m, Duciomar adotou a esperta estrat6gia de
emudecer oficialmente e agir apenas nos bastidores, procurando alian-
qas de conveniEncia e oportunidade at6 poder tomar uma decisao, as
v6speras da eleiqlo deste ano, que ird novamente disputar.
Quanto as acqes administrativas: elas nao sdo meIhores nem
piores do que a m6dia das iltimas administraq6es municipals, mar-
cadas pelo conceito sofrivel. E o feijao com arroz (e algum picadi-
nho), que melhora um lado, piora outro, pode ter sobreviv6ncia ou
desaparecer rapidamente, mas que nao toca no essencial do perfil
da cidade, delineado pela economic informal e os serviqos, com
pouca funq~o transformadora.
Raul Meireles carrega nos adjetivos e liberal as classificaq6es.
Sem qualquer comprovaqao, garante estar em curso "o maior progra-
ma de asfaltamento e drenagem de vias piblicas jd realizado em to-
dos os tempos na nossa cidade". S6 se for como a Conceiqao da
muisica, que ningu6m sabe e ningu6m viu. Existe, mas sem essa di-
mensao, muito pelo contririo.
E absurdo dizer que as construgqes na Vila da Barca, concebidas
na administragao anterior, compoem o "maior projeto de habitaqao
do Pais", titulo que nem a hiperb6lica Itu, com esse conj unto esqui-
lido de casas, ousaria reivindicar. O Portal da Amaz6nia, que desen-
cadearia a macrodrenagem da Estrada Nova, ainda nao conseguiu,
depois de quase dois anos, asfaltar o primeiro quil6metro de via, cuja
inauguragqo 6 sucessivamente anunciada e adiada, sem data fecha-
da (pode at6 ser amanha, mas ninguem garante).
Parte da imagem sugerida do govemo Duciomar seria obtida pelo
contrast com a "ineficiencia da gestao anterior", A qual Raul serviu
como vereador, na Camara Municipal. Alguns dos elements do seu
repert6rio ideol6gico cabiam tlo bem nas realizaqaes do professor
Edmilson Rodrigues quanto nas de Duciomar Costa. Palavras ao
vento dao o rumo a esse tipo de ideologia.

MEMORIAL
Families que tmr entire seus integrantes personalidades p6bli-
cas deviam se preocupar em preservar sua mem6ria e divulgd-la
como contribuiqIo A hist6ria. Podiam seguir o exemplo de Suely
Sinimbi Miranda Lobato. Ela decidiu comemorar os 80 anos do
marido nao s6 com a traditional festa de aniversdrio: com perseve-
ranqa e dedicaaIo, escreveu e produziu um livro sobre Alberone
Lobato, em caprichada edicqo pessoal, cor 161 pdginas e farta
iconografia. Nao se preocupou apenas com o marido: o livro 6
tamb6m uma contribuiqao a hist6ria de Igarap6-Miri, origem das
duas families, municipio no qual Alberone foi prefeito por suas
vezes e onde ainda exerce sua lideranqa, com surpreendente vigor
para sua idade.
A terra do aqai ganhard com essa iniciativa, que aproxima sua
rica trajet6ria hist6rica da sua frdgil reconstituigqo escrita. Sempre
que houver oportunidade semelhante, outras families deviam imi-
tar a iniciativa dos Miranda Lobato.


Jornal Pessoal *2 QUINZENA ABRIL DE 2008 9









Decisio da Vale privatizada

causa prejuizo de US$ bilhoes


A Companhia Vale do Rio Doce pode
ser considerada uma das melhores
vendedoras de mindrio de ferro do
mundo, al6m de ser a maior em quantidade
comercializada. Mas em mat6ria de fretes in-
ternacionais ela pode ser classificada como
um desastre. Ao desativar a Docenave, pri-
vou o Brasil do melhor dos neg6cios: os
fretes na navegaqao de long curso, com
8nfase na Asia.
Um dos efeitos mais imediatos e cristali-
nos da privatizaqao da Vale, em 1997, foi a
progressive desativaq~o da Docenave, cria-
da em 1962 e controlada pela estatal, que
detinha 92% do capital. O principal objetivo
da empresa de navegaqao, implantada quan-
do a CVRD liderava o mercado, era levar mi-
ndrio de ferro para o exterior (principalmente
para o Japao e, depois, para a China) e trazer
carvao mineral (sobretudo da AustrMlia) para
o Brasil (e tamb6m petr6leo, em menor escala
e problematicamente).
A trajet6ria da empresa era de sucesso
at6 a venda do control da CVRD A iniciativa
privada, por decislo do governor de Fernan-
do Henrique Cardoso. Seus excelentes resul-
tados nao se deviam a nenhum protecionis-
mo da Vale porque o mindrio de ferro 6 vendi-
do a prego FOB, posto para o comprador no
porto de embarque. A partir daf, o transport
6 decisao de quem compra o produto. A Vale
dissociou o preqo FOB de venda do min6rio
do frete oceanico para poder enfrentar seu
principal competitor, a Austrdlia, muito mais
pr6xima dos mercados asidticos. Foi atrav6s
de vendas cada vez maiores para o Japao
que a estatal brasileira viabilizou comercial-
mente, a partir dos anos 1980, a valiosajazi-
da de Carajas, que possui o melhor teor de
hematita do planet. Quem comprasse seu


.r-
~"'~
"
I~


min6rio teria liberdade para contratar o trans-
porte mais barato atd o ponto de entrega.
A Docenave provou eficiencia conquis-
-lando mais clients e se expandindo, at6 se
tornar uma das maiores empresas de trans-
porte de gran6is s6lidos do mundo.
Chegou a operar cor uma frota
de 15 embarcaqces pr6prias e
30 fretadas, parte dessa frota
Scom bandeira brasileira e ou-
tra parte cor bandeira da Lib6ria e das Baha-
mas. "O mar parece nao ter limits para n6s",
disse o president da empresa, almirante Hen-
rique Sab6ia, que foi ministry da Marinha.
Atrav6s do seu braqo liberiano, a Sea-
mar, em parceria com um armador noruegu8s,
a Docenave colocou nas aguas, em 1986, os
dois maiores mineropetroleiros do mundo,
ambos construidos no Brasil: o Docefjord e
o Tijuca. Logo em seguida contratou um na-.
vio ainda maior, o Docecanyon, de 275 mil
toneladas. Dois anos depois, cor a privati-
zacdo, as aguas comecaram a se inverter.
Em 2000, o Docefjord, ainda em idade ati-
va, com 14 anos de uso, foi vendido pelos
novos donos da Vale por 17 milh6es de d61a-
res. Seis navios da frota foram transaciona-
dos com a espanhola Elcano por US$ 53 mi-
lhoes. Em 2001, 18 graneleiros j tinham sido
passados em frente. A Docenave passou a
se utilizar principalmente de navios afreta-
dos, quando necessario. A empresa sumiu
dos mares, s6 comegando a retornar em 2001,
mas apenas no com6rcio de cabotagem, pela
costa brasileira, at6 ser substitufda por uma
nova empresa, a Log-In, que acabaria por se
desvincular da Vale, tornando-se aut6noma.
Os analistas observaram que a Vale, ji
privatizada, ao decidir se desfazer da sua fro-
ta de alto curso, abriu mao dos fretes inter-
nacionais, que agregam mais valor do que a
venda do mindrio em si. A empresa, que se
orgulha de planejar a long prazo e ter afina-.
da vislo estrat6gica, caminhou na direqao
oposta A da opgao preferencial que iria fazer,
pelo mercado asidtico. Assim, destruiu o pa-
trim6nio construido com muito esforco e
competencia pela Docenave, ao oferecer fre-
tes competitivos e conquistar clients, inde-
pendentemente da empresa-mae.


Catas ao Editor


TEMPORARIOS
A via-crucis que estio cumprindo
os empregados do governor, assim de-
nominados, por nao terem assumido
os seus respectivos cargos via concur-
so piblico como manda a Constitui-
gdo 6 deveras chocante, humilhante,
para nao dizer aviltante. Pordm, o que
mais punge e desvenda a verdadeira face
hip6crita de certos politicos, slo as


justificativas esfarrapadas que apresen-
tam para tentar justificar o injustificA-
vel: a nao apreciag~o em plendrio do
teor da PEC 054/99. A maioria deles
afirma ser favoravel, isto 6, vai votar
pela aprovacgo da aludida PEC, mas
entra em contradigdo consigo mesmo
quando assevera que a.postulagdo 6 in-
constitucional. Outros alegam que fal-
ta vontade de luta dos interessados
imagineem) para fazer valer suas pre-
tens6es, e que este fato enfraquece a
corrente positive acabando por forta-
lecer hqueles que, embora se pronunci-


em publicamente favoriveis, serao os
algozes na hora da votaqgo.
Nao ha desinteresse do grupo
conforme se propala febrilmente nos
corredores do Congresso e alhures, o
descaso 6 dos parlamentares porque,
como representantes do povo, per-
mitem que o projeto fique engaveta-
do irresponsavelmente por virios
anos sem nenhuma definim~o. Nao se
trata de sublevar a Constituiq~o, o
cerne da questio consiste em reparar
os erros cometidos por governantes
com a assessoria de alguns parlamen-


tares que, com evasivas pouco con-
vincentes, hoje estao em cima do
muro. Trata-se, isto sim, de evitar que
milhares de brasileiros, espalhados por
todo o territ6rio national, sofram as
conseqiiencias do desemprego e a fa-
lencia de sua economic dom6stica,
muito deles com mais de 40 anos de
idade, sem perspective alguma de no-
vas colocaq6es. Se for para mudar a
Carta Magna, mude-se. Quantas ve-
zes isso ji aconteceu, at6 por ques-
toes menos nobres?
Rodolfo Lisboa Cerveira


10 ABRIL DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal


~881~i~~---------


Os fretes dispararam a partir de 2001-
2002, quando a demand chinesa por mine-
rio de ferro esquentou. Se 6 verdade que a
navegagdo de cabotagem pela costa brasi-
leira se expandiu a taxas superiores As do
transport interoceanico entire o final do s6-
culo passado e os dois primeiros anos des-
ta d6cada, a partir de 2003 o frete entire o
Brasil e o Japao e a China superou tudo que
ocorreu at6 entao. Esse 6 o destino de 60%
dos quase 100 milhoes de toneladas extrai-
dos de Carajis e embarcados no porto da
Ponta da Madeira, em Sao Luis do Mara-
nhao, no ano passado.
O faturamento com a venda desse volu-
me de mindrio rendou 5 bilhoes de d6lares.
Mas a conta do frete foi a US$ 9 bilhoes. S6
uma mindscula parcela dessa ultima conta
ficou com o transportador brasileiro. Se a
Docenave nao tivesse sido sufocada e qua-
se extinta, at6 renascer apenas para redistri-
buir internamente mindrio trazido por outros
navios internacionais, e para a cabotagem,
alguns desses bilhoes seriam faturados pelo
Brasil, com muito maior rentabilidade do que
a comercializagao do mindrio. Mesmo com
seu crescimento recent, dominando 70% do
transport entire os portos maritimos brasi-
leiros, a Log-In s6 faturou US$ 120 milh6es.
O erro de avaliaqao e de decisao, que
destruiu a posiq~o brasileira no mercado in-
ternacional de fretes, 6 evidence. A prova
definitive 6 a corrida recent que a Vale faz
para afretar navios e reconstruir uma frota
pr6pria. Chegou-se a especular sobre a en-
comenda de dois ou tr8s super-cargueiros
de 540 mil toneladas. Os navios encomenda-
dos, por6m, nao estarao nos mares antes de
cinco anos, por causa do excess de deman-
da nos estaleiros espalhados pelo mundo,
que estao lotados de pedidos.
A busca do tempo perdido, se vier a se
consumer, talvez ocorra quando o mercado
ji nao estard tao aquecido quanto nos ilti-
mos quatro anos. Comprovado o erro desas-
troso, falta saber por que ele foi cometido:
por simples imprevid8ncia ou por qualquer
outro motivo. Mas esta 6 uma hist6ria na qual
ningudm parece querer tocar no Brasil. E uma
tipica batata quente.








0 Liberal: poderoso, mas em dificuldades


Delta Publicidade, responsavel pelojornal
0 Liberal, 6 uma das empresas mais podero-
sas do Pard. Pela natureza da sua atividade, a
produgqo de informacqes, influi decisivamen-
te sobre a formaaqo da opinido p6blica, seus
hibitos, costumes ou manifestaq6es. Mas a
condiqao econ6mico-financeira da empresa
contrast corn sua aura de poder. Ja ha virios
anos Delta Publicidade funciona cor patrim6-
nio liquid negative: em 2005 o PL era de me-
nos 1,3 milhao de reais; em 2006 piorou muito,
chegando a R$ 3,2 milhoes, cinco vezes maior
do que o capital social da empresa, que se
mant6m em raquiticos R$ 657 mil, valor incom-
pativel cor o porte do seu neg6cio.
Entre 2005 e 2006 o faturamento bruto nao
cresceu 4%, ficando em pouco mais de R$ 36
milhoes, mas os custos foram onerados em
quase 25%. Como efeito dessa rela~go, o pre-
juizo liquid, que foi de R$ 1,3 milhao em 2005,
subiu 100%, para quase R$ 2,6 milhoes em
2006. O deficit nas contas 6 outra caracteristi-
ca da operaqAo da Delta nos iltimos anos,
acarretando-lhe um prejuizo acumulado de
mais de R$ 16 milhbes, que supera em 40%
suas reserves.
Uma empresa com essas caracteristicas se
acha em estado prd-falimentar, caminhando para
a insolvencia. Cor patrim6nio liquid negati-
vo, como pode responder pelos seus compro-
missos? A conta operacional foi fechada gra-
gas ao resultado financeiro liquid, que foi de
quase R$ 2 milhoes em 2005 e cresceu tres ve-
zes mais em 2006, quando chegou a pratica-
mente R$ 6 milhdes. Mas o exigivel a long
prazo, que ji era expressive em 2005 (R$ 86
milhoes), continuou se expandindo em 2006,
para R$ 90 milhoes. Provavelmente o peso maior
dessa conta result do investimento feito na
aquisiq~o da modern mAquina alema que im-
prime ojornal. Se o padrao desses nfimeros se
manteve em 2007 e sua tend8ncia nao for re-
vertida, o colapso sera uma questUo de tempo.
E por que ainda nao se pode apreciar o
desempenho de Del-
ta Publicidade no exer-
cicio passado? E por-
que, ao contrario das
empresas regulars O PT e o partidc
ou saudiveis, hd vd- acham que formam c
rios exercicios a edi- zem o Brasil que pre
tora de O Liberal pu- ginam-se cobenos p
blica seu balanqo com predest Inaao. de fill
um ano de atraso. No permte agir corn dese
dia 31 de marqo divul- do cometem pecado.
gou suas contas refe- o1 os daquele para
rentesa2006,comde- como aalernmaia ,a
monstraq6es magras atrado contra eles. ni
e pplidas. Atrav6s de- dos por ongem. gene
las, nenhum observa- ser a fonte da espera
dor que nao tivesse 0 caso dos can
conhecimento do que exemplo. Foi no go
6 (ou aparenta ser) o ram os mecanismos
journal da familiar Mai- rencia. que deran ao
orana poderia former


uma id6ia aproximada da empresa por tris de
um balango tdo simpl6rio. Imaginaria tratar-
se, talvez, de uma quitanda qualquer. No en-
tanto, 6 o mais antigojornal do Pard em circu-
laqao, que at6 recentemente foi o lider dispa-
rado da midia impressa e agora recorre a di-
versos expedientes para nao reconhecer sua
atual posicgo secundaria.
Com balanqo atrasado em um exercicio,
patrim6nio liquid negative, endividamento
crescente e prejuizos acumulados, como 6 que
a Delta Publicidade consegue tomar dinheiro
no mercado bancario? Conseguird fechar suas
contas com disponibilidades financeiras por
quanto tempo? AjustarA o ritmo do exigivel
As suas disponibilidades de caixa? Como res-
tabeleceri sua liquidez? E teri condicges de
retomar a vida normal, sanando e saneando
suas contas?
Apesar da condicqo delicada.do pacien-
te, seria insensatez ignorar o poder de que O
Liberal ainda desfruta. Em parte, esse poder
lhe 6 transferido pela televislo do grupo, gra-
gas a sua afiliaqao a Rede Globo. Se nao trans-
mitisse a programacgo da lider em audiencia
no pais e nao usufruisse os rendimentos do
poder national que tem a emissora dos Mari-
nho, a TV Liberal talvez jA estivesse na atri-
bulada companhia do jomal. Mas a compa-
nhia da Globo exige investimentos, como o
que esti em curso, para que a rede se conver-
ta a imagem digital.
Esse investimento compuls6rio, que a Glo-
bo exige porque ela pr6pria se v6 ameaqada
pela competicqo, como nunca antes, 6 feito a
custa de aplicaq6es na melhoria da cobertura
ditria da Liberal. Tecnicamente, ela foi supe-
rada pelos concorrentes locals, principalmente
a Record, e parece incapaz de tender as ne-
cessidades jornalisticas da matriz, que preci-
sou montar uma estrutura a parte e pratica-
mente decretar intervengIo branca na afilia-
da. Cor todos os problems, entretanto, a
Liberal ainda 6 a lider no segment television.



Beatitude


1 salh ific e oi pernstas
Spo\oescolhid-o. Redu-
sta a ele! memos Ima-
dlo manio iansi\el da
hos da histona. que Ihes
nmoltura. mesmoquan-
Ltaocondenati equan-
)s quals se apresenlam
auda'el. Tudo que for
ao0ulari Sa' imacula-
ncamente desmnados a
nca e da utopia
oes corporall\os, por
\erno Lula que surgi-
de conirole e iranspa-
cartn&. inadoem 1998


e implementadoi o em 2(
mandate de Fernando H
Antes. as despeas pe,~-
tecnocurocracia federal e
losa, fora do alcance d
mesmo tempo. porem. i
iniroduziu uma noidad
cartoe., em dinheiro \ i~r.
de real que irrigaram Os
raitlucks que ordenam
sas icontra R$ 6.7 millies
ro ano de Lulai. R$ 58
dois ter os do total i foran
docal\a por 11.5 mil fun>
Com ess Iiberalidad


Graqas a essa condiqao, transmite efeitos po-
sitivos para ojornal.
0 Liberal ter ainda um trunfo seu: os classi-
ficados. Ha muitos anos o journal dos Maiorana
reina sobre esse setor fundamental do fatura-
mento. Nunca, como agora, se sujeitou a uma
partilha too expressive, em funcgo do crescimen-
to do antincio de varejo do Didrio do Pard. Mas
ainda mant6m essa lideranqa, que Ihe traz rendi-
mentos, nao s6 nos neg6cios, mas tamb6m na
produqao de noticias. As informaqces Ihe che-
gam espontaneamente em maior volume do que
ao Didrio. As curvas, por6m, estio seguindo em
sentido opostos: a do jomal de Jader Barbalho
subindo e a do jomal dos Maiorana caindo.
NIo de forma tao acentuada que pudesse
impedir O Liberal de receber, pela 23" vez se-
guida, na semana passada, o premio Mdrito
Lojista, da Confederacgo Nacional de Dirigen-
tes Lojistas. A honraria foi apregoada com es-
tardalhaqo pelo jomal, mas a confiabilidade da
avaliaqdo feita para a concessao do premio jA
claudica. Na Bahia, por exemplo, o premiado
foi o Correio da Bahia, embora o lider desta-
cado na imprensa baiana sejaA Tarde. No Rio
de Janeiro, o premio foi para o Jornal do Com-
mercio, cuja unica notoriedade 6 a de publicar
(na saison atual) balanqos de empresas e go-
vernos. No Espirito Santo, o vencedor foi a
Tribuna, esquecendo-se a Gazeta. E o que fa-
lar da exclusdo de A Critica, em Manaus, pelo
Didrio do Amazonas?
Fatos como o do pr6mio contribuem para
manter a aparencia de prosperidade dojornal,
juntamente cor outros elements, como sua
sede suntuosa e a sua qualidade grifica, em
funqao do equipamento de impressao de ilti-
ma geraqgo (a pesar sobre as contas futuras).
Mas qual a condiao real da empresa por tris
desse decor? Ajulgar pelos nimeros do tlti-
mo balanqo, a apar8ncia vai exigir cada vez
mais maquilagem, mas os cosm6ticos sairao
sempre mais cars. Um dia, que pode parecer
sibito, mas estaji anunciado, a conta nao fe-
chard mais e a realida-
de se import.
Para que tal desfe-
cho nao aconteqa, 6
)01. Ollmo anodo precise mais do que
ennque Cardoso. pirotecnia, contorcio-
oais da cupula da nismo e fogo-fituo.
ram maria sigi- Na imprensa, todos
los cidadAos Ao sabem, mas todos em
o go erno do PT algum moment pare-
e os saques dos cem preferiresquecer,
1. Do, 78 midhe-s vige uma regra: journal
bolsus dos appa- nao more de v6spe-
pequenas de-pe- ra. Conv6m antecipar
enm 2003.pnmei- o desfecho para que
milhdoe inmal de ele nio venha a
1 sacados na boca acontecer. 0 espelho
:ion.rios magico s6 engana
e oda. queriam o quem nao 6 exata-
mente do metier, ain-
da que aparente ser.


jonI vsoi@0QIZN BI E20


jornal ressoal *2


QUINZENA ABRIL DE 2008












Como quase toda personalidade pdblica, o ex-
governador Almir Gabriel 6 amado e odiado. Qual-
quer que seja o sentiment que provoque, sua pes-
soa interessa A opiniao pdblica. A noticia sobre o
infarto que o acometeu provocou uma onda de re-
aqces dispares no Estado, como era de se prever.
Sempre hd pessoas de maus bofes, a desejar-lhe o
pior. Mas no turbilhao de reaq3es, a onda domi-
nante carregou o desejo de todos n6s de que ele
supere mais uma adversidade fisica e retome sua
vida normal, embora alguns de seus hdbitos contri-
buam para o contrdrio, contra as expectativas que
um m6dico podia suscitar em se tratando de sa6de.
Muito do que o ex-governador realizou em sua
vida 6 funqao dos seus m6ritos pessoais incontes-
tdveis, a despeito de algumas caracteristicas da sua
personalidade desfavordveis a uma convivencia
mais proveitosa, sobretudo em political. Mas certa-
mente ele nao chegaria tao long sem o apoio que a
sociedade paraense Ihe deu, em funcqo das espe-
ranqas que despertou (e tamb6m frustrou). Logo, o
interesse da opiniao pdblica nao 6 s6 legitimo: de-
via ser considerado bem-vindo e atendido.
A decisao, atribuida a familiar, de bloquear ou
limitar a divulgaqao de boletins sobre a evoluqao
do estado de satide do ex-governador durante o
seu perfodo de internamento no Hospital do Co-
raq~o, em SIo Paulo, desserviu a quase todos,
exceto aos que se lanqaram sobre o epis6dio com
maus instintos e prop6sitos. Informacges corre-
tas e suficientes teriam bloqueado os efeitos de
boatos malignos e interpretag6es viciadas, ge-
rando uma cadeia de noticias consistentes, mes-
mo que graves.
Claro que mesmo informaq6es exatas podem
receber andlises desfavordveis a figure do ex-go-
vernador, mas isso 6 inevitdvel na vida pdblica.
Constitui a parte de espinhos da coroa de flores
que tanto fascinio exerce. Quem usufrui as vanta-
gens do poder tem que estar preparado para seus
sacrificios.
Os modos autoritdrios eegocentricos criaram
mais problems para o ex-governador Almir Gabri-
el do que seus inimigos, adversArios, ex-correligi-
onarios e ex-amigos. Estas duas tltimas categori-
as tnm apresentado um crescimento recent bem
maior do que as anteriores porque ele deixou de
admitir critics, expurgou a pluralidade do seu
ambito e fez da pr6pria vontade o eixo da sua atu-
a9ao. Perdeu assim a capacidade de analisar corn
proveito a realidade.
Em sua boca, a frase supreme da monarquia ab-
solutista francesa nao soava despropositada: "o


Estado sou eu", pensou o doutor Almir em 2006,
impondo sua candidatura fora de 6poca. Ao ter que
encarar a derrota, amargou a sua vida e a dos que
Ihe estao pr6ximos. Corn relutancia, abandonou a
vida pdblica, de forma hesitante e desastrosa, co-
brindo corn fel o encerramento de uma carreira bri-
lhante, quando devia ser magnanimo e superior,
porque a hist6ria Ihe foi generosa.
Numa visao mais tolerante e ampla, ele teria per-
cebido que sua fracassada tentative de se tomar o
tnico politico a ser eleito por tr8s vezes para o go-
verno do Pard teve tanto do seu erro quanto do
desamparo em que o deixou o seu successor. Simao
Jatene podia ser fiel is suas palavras e do seu pa-
trono: de que, acima das pessoas, estava o projeto
do "novo Pard", e que seria eternamente grato ao
antecessor, que lhe deu a vit6ria ao permanecer at6
o fim no cargo e usar a mdquina do poder para car-
regar o candidate pesado. Mas Jatene tamb6m teve
bons motives para se indignar com o uso plenipo-
tenciArio do poder de decidir que Almir fez, impon-
do o seu nome sem a menor consideraqao pelo go-
vernador e seu direito de reivindicar a reeleiqao, tal
qual o antecessor. O projeto pessoal prevaleceu e
ambos pagaram caro pela contradiqao. O Pard, mui-
to mais que eles, em longas parcelas, ainda a ven-
cer, sabe 16 quando.
O isolamento de Almir Gabriel, na condigao de
mau perdedor, foi uma puniqao para ele e para os
que Ihe querem bem, a despeito de todos os seus
defeitos, em quantidade e significaq~o menor do
que os seus m6ritos. Bertioga, contudo, nao 6 Co-
lombey-les-deux-tglises e o povo, que ele ignorou
nas despedidas, nao foi .buscd-lo para vir marcar
com sua presenqa as eleiq6es municipals deste ano,
como um De Gaulle tabagista. A solidao apenas o
fez acrescentar mais uma carteira A sua insensata
dieta didria de quatro carteiras de cigarros.
O resultado s6 nao foi pior porque, no fim de
semana, ele nao estava tao s6 quanto ficava nos
dias diteis, no condominio fechado no litoral norte
paulista. Como jd acontecera quando da hemorra-
gia na aorta abdominal, no seu primeiro mandate de
governador, ele se salvou quase por milagre (mila-
gre extensive ao vice, Hl6io Gueiros Jr., no sentido
mais ativo da expressao).
Todos n6s, paraenses de boa vontade, gostari-
amos que o doutor Almir Gabriel interpretasse cor-
retamente esses sinais e reescrevesse o epilogo de
sua vida pdblica, para o bem de todos e felicidade
geral do Estado, adicionando-lhe mais capitulos do
que os ventos adversos sugerem. Longa vida, dou-
tor Almir. Cor superioridade e bom senso.


Atraves de Comra o Poder 20 .4nos de Jornal Peroal (uIina


paiuio ama:nnica) tento contar capitulos da historic re-
cente do Pari que jamais teriam sido regiscrados se nio e\istisse este jomal. E
mostro como o JP conseguiu reconstiruir esses fatos e a% aliar o seu significado no
mesmo moment em que eles aconleciam. O li ro e composto de urechos de mate-
rias aqui publicadas e de um meta-te.to no\ o. que comenta. situa e elucida o cotidi-
ano de um jomalismo % erdadeiramente independent. que cumpre sua miss.o mais
nobre: ser uma auditagem do powder. Espero que os leitores ajudemn a difundir essas
historias comprando o li\ ro, que esd a % enda nas bancas e em algumas li\ rarias.


S ,* h


Almir Gabriel: equivocos

de uma crise anunciada


Ontem e

hoje

A cobertura de O Libe-
ral A entrega do premio de
lojista do ano a Fernando
Yamada foi mais extensa, no
dia seguinte, do que a do
Didrio do Pard (que se re-
cuperou depois, lanqando
um caderno comemorativo,
al6m de divulgar uma pdgi-
na de saudaclo ao empresa-
rio, como fizera antes cor
Roger Agnelli, o president
da Companhia Vale do Rio
Doce, home do ano para a
ADVB national).
Foi a inversdo da pritica
anterior: o grupo Liberal su-
primiu o nome e a foto do exe-
cutivo porque sua corpora-
9do nao aceitou as imposi-
5qes comerciais que Ihe fo-
ram feitas pelas Organizaqbes
Romulo Maiorana. Mas
como a publicidade de Y. Ya-
mada retornou aos veiculos
das ORM, o passado recent
foi novamente apagado e
agora toda familiar Yamada
voltou a brilhar nos veiculos
Liberal. At6 nova tempestade.


Sem said

O soci6logo paulista (por
nascimento) Fernando Hen-
rique Cardoso fez um mal ir-
remedidvel ao pafs quando
conseguiu extrair do con-
gresso, A base de muito fisi-
ologismo, a reeleiqao do pre-
sidente da rep6blica. O ope-
rdrio paulista (por adoqao)
Luiz Indcio Lula da Silva estd
completando o mal, supina-
mente agravado, cor os en-
saios da re-reeleigqo, elucu-
brados pela seduqgo da mi-
sdria remediada e dos ganhos
desproporcionais da elite.
Nao adianta correr
nem ficar: o bicho vai pe-
gar e vai comer. Quem?
O Brasil.





Editor: Ldcio Flvio Pinto

Ediglo de Arte:
L A de Fana Pinto
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