Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00320


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Full Text


ABRIL
DE 2008
I"QUINZENA


A Aornal Pessoal
A AGENDA AMAZbNICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


Na quadratura do circulo

0 novo desembargador ndo e aquele que a governadora, responsdvel pela
nomeacdo, queria. Nem o que o TJE esperava. Muito menos aquele no qual os
advogados votaram. Assim, mais uma vez, o quinto constitutional serd preenchido
por criterios politicos duvidosos. Ou por uma logica negative.


S6 promotores e procuradores in-
egram o Minist6rio Piblico. Da
rdem dos Advogados apenas
advogados fazem parte. Por que 6, en-
tao, que membros do MP e advogados
tem direito a um quinto dos lugares nos
tribunais de justiqa? A alegagqo, que
nao vale para nenhuma das duas ou-
tras instituiqSes, 6 aplicada as cortes
superiores de justiqa do pais: elas pre-
cisam expressar a sociedade, abrigan-
do suas representaq6es. Daf reserva-
rem cadeiras para aqueles que exer-


cem funqao complementary e concor-
rente na atividadejudiciiria: as parties,
representadas por seus patrons, e o
fiscal da lei (ou autor, em mat6ria pe-
nal) da lei, o MP.
No entanto, essa participaqao, ao in-
vds de preservar a autonomia e a inde-
pendencia entire as parties, acaba anu-
lando o significado da exist6ncia do
quinto constitutional. Os desembarga-
dores escolhidos entire advogados e re-
presentantes do MP raramente preser-
vam os compromissos de origem, dei-


xando-se impregnar e absorver pelas
normas da corte. Em regra, incorporam
o rito e o siso que antes criticavam,
mesmo ao assumirem seus cargos com
a ret6rica de contribuir para a dialdtica
processual, reduzindo o tempo na ins-
truqao e dando voz a todos. Com o in-
conveniente adicional de muitas vezes
nao terem uma visdo mais profunda e
intima do exercicio da funqao judican-
te, ao contririo de um magistrado que
cresce no exercicio da carreira.
CONVTIiA NA PAG


MORRE 0 GrILE110 E A G


NW 414
ANO XXI
RS 3,00


0 LIBERAL ATACA DESAFETOXI~~Y~i rt






CONTINUALLY O DA CAPAMNWNNWW
Nao surpreende que a maioria dos
ungidos pelo quinto constitutional, ao
pular diretamente para o fim da carreira
como uma esperanqa, acabe por se tor-
nar uma frustraqao. Isso, quando 6 o
caso de seus nomes suscitarem alguma
expectativa positive ao serem apresen-
tados para a dispute.
Talvez amadurecendo sobre as im-
propriedades e equivocos dessa sobre-
viv6ncia de corporativismo encastela-
do na cipula do judiciirio, o Conselho
Nacional de Justiqa decidiu recomen-
dar as virias instancias do poder que
participam do process a adocao de um
rito de selecao e escolha piblico e
transparent. Assim, pelo menos, se
evitaria o desgaste da legitimidade des-
se process, ji tao questionado, at6 ele
poder ser encarado frontalmente. E o
anseio da sociedade. Mas nao 6 o de-
sejo das corporaq6es, apesar da inicia-
tiva profilhtica do CNJ.
O Pard, sempre tao distant de tudo,
preferiu continuar a optar pelo tradicio-
nal, mesmo quando revestido de novos
adereqos. JA a OAB estadual nao abdi-
cou do voto secret, conquista inegocid-
vel quando 6 instrument de manifesta-
qao universal, e o manteve na seleqao
dos nomes que referendaria para a vo-
taqao dos seus associados (que, desmo-
tivados, compareceram minusculamen-
te As uras). Numa seledao de m6ritos,
na qual o que se avalia 6 a qualificacao
t6cnica do advogado para desempenhar
a funcao de fazer a justiqa, o voto se-
creto 6 a ante-sala do acordo politico,
da negociaqCo lateral. JA que o voto
prescindiu da fundamentacao, dita para
todos ouvirem e se convencerem de que
foi mesmo escolhido o melhor.
O process obedeceu a essa marca
at6 o fim. O pleno do Tribunal de Justiqa
do Estado ignorou a sibia recomenda-
qao do CNJ e se apegou A anacr6nica
regra do regimento interno. O que devia
ser uma aferiqao p6blica de qualidades
para a escolha de um novo desembar-
gador tornou-se um desvio A rota segu-
ra, pelo qual se infiltraram cabos eleito-
rais nao assumidos. O intense jogo de
bastidores, nem sempre praticado sob
regras elevadas, se esten-
deu ao process decis6rio,
que incorporou as mano-
bras feitas em torno do
perde-e-ganha, do dd-e-
toma, do faz-e-pode. A
political se manteve e at6
se acentuou. O Pard, que
ji era arcaico antes do


habemus desembargador, ficou ainda
mais anacr6nico depois.
Como explicar, por exemplo, o crit6-
rio do minimo minimorum dos desem-
bargadores, adotado no 11 escrutinio,
depois de quatro horas de sessao, de pas-
sar para a iltima posiqao da lista triplice
quem era o l6timo em votos gerais dos
advogados na lista s6xtupla, remetida
pela OAB para a deliberagao dos ma-
gistrados? Por que nao o quarto ou o
quinto colocado? Se fosse o quinto, to-
dos ji sabiam: seria esse o novo desem-
bargador, Paulo S6rgio Weyl, o favorite
da governadora, o aliado que Ihe restara
depois da exclusao de outros preferidos,
como Luiz Neto e Jorge Faria, que fica-
ram na pr6-seleqao de 25 nomes sub-
metidos A sabatina do conselho seccio-
nal da OAB local.

Q em mexeu os
votos para que o
sexto subisse para
a terceira posigao
sabia perfeitamente
o que estava fazendo: Ana
J6lia Carepa nao sacramentaria os dois
primeiros da lista. O mais votado de to-
dos, Haroldo Guilherme Pinheiro da Sil-
va (pela segunda vez nessa posiqao), era
o preferido da categoria e algu6m que
reforqaria a posicao do TJE cor seu
conceito professional. Indicando-o para
substituir o falecido desembargador Ge-
raldo Lima, a governadora estaria ape-
nas seguindo a determinaqao do tribu-
nal. Ou se sujeitando ao magistrado ma-
quiavl6ico, que a deixou no aparente xe-
que-mate: a segunda alternative (de
Edilson Dantas) representaria para a
petista reconhecer que quem mais con-
ta no seu governor 6 o deputado federal
Jader Barbalho, padrinho do segundo
colocado, advogado de suas empresas
de comunicaqao.
Quem acompanha essa sinuca de
bico hi bastante tempo sabia muito bem
que a chefe do poder executive nHo da-
ria essa satisfaqao ao desembargador
sagaz: optaria pela zebra, aquele preten-


dente que nao se sabe exatamente como
passou pela consult universal, entrou na
lista sextupla e foi catapultado, a muito
custo, depois de 11 votacqes, para a lis-
ta triplice. O todo-poderoso Jader Bar-
balho deve ter chegado de pronto a essa
conclusao ao saber dos tres nomes que
passaram pelo crivo dos desembargado-
res. Soprou-a para sair na principal co-
luna do seu journal no dia seguinte, acer-
tando na mosca.
Jader passou por situaqao igual quan-
do govemador. Seu candidate era o con-
sultor-geral do Estado, Joao Roberto Ca-
valeiro de Macedo, nome de respeito e
de m6ritos. Mas cometera o pecado
mortal de bater de frente cor o tribunal,
num moment em que Jader tentava
apagar a p6ssima imagem do seu primeiro
governor (1983-87), bem no comeqo da
segunda gestao. O que os bons analistas
previam se consumou: o tribunal excluiu
o preferido do governador da lista tripli-
ce. Irritado, Jader foi ao 61timo dos sele-
cionados, que era bem pior do que sim-
ples azarao, indesejado at6 pelo tribunal,
que imaginara ter deixado o governador
sem said.
A (nica inovaqao no comportamento
de Ana Julia foi a rapidez: ao inv6s de
esperar pela remessa da lista dos sagra-
dos pelo concilio (ou seria melhor dizer:
concilidbulo?) de desembargadores, ela
mandou buscar o papel e em pouco mais
de tres horas desferiu o sinal de fogo,
que traduziu sua ira pela surpresa e a
contrariedade (se escolheram o sexto
para fechar a lista, por que nao o quin-
to?). O novo desembargador, Leonam
Gondim da Cruz Jr., foi tao surpreendente
quanto Joao Alberto Paiva e Geraldo
Lima antes dele, dois dos iltimos tr6s
desembargadores-advogados (os outros
foram Milton Nobre e Joao Maroja).
Ele podera fazer declaraqres de
prop6sito e anunciar programs, mas
sua escolha 6 fruto desse process,
que, por seguir linhas tortas, acaba tor-
tuoso. Permite que interesses pesso-
ais ou corporativos prevaleqam sobre
a causa public. E quando a vontade
de um dos poderosos praticantes des-
se jogo fechado 6 contrariada, sua vin-
ganqa se traduz em mais contrarieda-
de ao que devia ser o objeti-
Svo dessa caminhada: o bem
de todos. Eis, entretanto, o
que nao estd em foco nesse
percurso, que, sendo da jus-
tiqa, acaba por se reduzir a
uma just entire poderosos.
O Pard permanece muito
distant do contemporaneo.


ABRIL DE 2008 IQUINZENA Jornal Pessoal








0 grileiro morreu:


a hist6ria prossegue?


Eu acabara de receber a noti-
cia da morte do empresario Ceci-
lio do Rego Almeida, na tarde do
dia 22, quando um amigo ligou:
Feliz com a noticia?
Nao, eu nao estava feliz. Por
certo tempo, fiquei sem saber o
que pensar. Uma sensaqao de va-
zio, de surrealismo, de absurdo e
de inutilidade. De tempo perdido,
de vida dissipada. Durante 12 anos
sofri a perseguiqao que o dono da
Construtora C. R. Almeida desen-
cadeou sobre mim. Ela comeqou
em 1996, atrav6s do tamb6m jornalista
(e paraense) Oliveira Bastos, Na condi-
qao de "coordenador de projetos espe-
ciais" da empresa, ele me mandou duas
cartas agressivas, tentando me desmo-
ralizar e abalar meu conceito. Tentando
me fazer fugir da raia, na qual entrara
ao ajudar o advogado Carlos Lamarao a
preparar uma acqo de anulagqo e can-
celamento dos registros imobilidrios dos
im6veis em nome da empresa local, a
Incenxil, que se tornara de fachada para
os prop6sitos de C. R. Almeida. Oliveira
nao conseguiu. Ele pr6prio 6 que aca-
bou saindo do debate que provocou e
da pr6pria empreiteira, por desentendi-
mentos nada edificantes.
Em 2000, Cecilio ajuizou as duas pri-
meiras aq6es contra mim najustiga, al6m
de inspirar e emular outras sete deman-
das, em torno das mesmas quest6es: a
grilagem de terras e a extraq~o illegal de
madeira no vale do rio Xingu. Agia nao
s6 de forma ostensiva, como nos basti-
dores, usando sua truculncia, seu po-
der e seu dinheiro para mexer pauzi-
nhos influentes e mover pessoas con-
tra mim. Graqas a essa combinaqdo de
mdtodos, acabou conseguindo minha
condenaqgo em um dos seus proces-
sos, o de indenizaq~o por danos morais
(e outra condenaq~o em acqo promovi-
da por terceiro personagem). A senten-
qa de primeiro grau foi confirmada pelo
Tribunal de Justiqa do Estado. Meu re-
curso aguarda o pronunciamento do Su-
perior Tribunal de Justiqa, em Brasilia.
Sobre essa via crucis presto contas no
livro O Jornalismo na Linha de Tiro,
a quem interessar possa.
A morte do empresirio, aos 78 anos,
de ataque cardiac, em Curitiba, no dia
22, significa que ele sai da hist6ria. Mas


* s-~~~ ____________


o enredo continuard a ser desenvolvido?
E a pergunta que, agora, caberd aos her-
deiros responder. Tanto em relaqao a
mim quanto ao Pard. Os meios e modos
que Cecilio do Rego Almeida moveu
contra mim tinham por motivaqao a de-
n6ncia que fiz, de que ele grilou uma drea
espantosamente enorme de terras per-
tencentes ao patrim6nio p6blico, no vale
do rio Xingu.
Fui condenado por chamar o grileiro
de grileiro, corn todas as letras, embora
tenha provado extensamente a prdtica
do esbulho nos autos de todos os pro-
cessos que, sob esse titulo, foram sub-
metidos a justica. Dentre as inimeras
provas, documents oficiais, de todas as
instancias do poder p6blico relacionadas
As quest6es fundidrias e criminals. In-
clusive do tribunal que me condenou,
fazendo de forma furtiva ou d6bia -
com uma mao diferentemente do que
cor a outra procedia: puniu os serven-
tudrios pdblicos que participaram da gri-
lagem no cart6rio de Altamira, mas con-
denou ojornalista que descortinou todo
o esquema de apropriaqao illegal de ter-
ras do Estado. Esquizofrenia processual
ou contradiqao reveladora da pr6pria jus-
tiqa, cega utilitaria, de oportunidade?
Em 12 anos, paguei um preqo alto por
nao me submeter aos caprichos e inte-
resses do home que queria tornar sua
uma Brea corn tamanho variando entire
5 milhoes e 7 milh6es de hectares na
chamada Terra do Meio, que tem a mai-
or concentraq~o de mogno remanescen-
te no mundo. Nunca penetrei na vida
privada do cidadao, nao trouxe sua fa-
mflia para a contend, nao me preocu-
pei com seus outros neg6cios. Limitei-
me a defender um valioso patrim6nio dos
paraenses, que nao pode ser entesoura-


.._. do por um particular indevida-
mente. Fui punido por sustentar
essa posiqao e sofri provaq6es
durante todo esse period.
Subitamente, more o autor
dessa perseguicqo, premiada
corn a puniqao aplicada ao de-
fensor da causa just e a premi-
aqao do autor ilegitimo, que con-
seguiu colocar ao seu lado c6m-
plices dos seus prop6sitos, muito
M iteis em certos moments cruci-
ais, e se beneficiou da omissao
geral de uma populaqao que ab-
dica do seu patrim6nio, por falta de cons-
ciEncia. At6 morrer, contra a verdade e
contra o superior interesse coletivo, o
vencedor era o empresario Cecilio do
Rego Almeida.
Ele nao viveu o bastante para ver o
fim desse absurdo, corn a reposicao do
que 6 just e verdadeiro, se 6 que esse
moment vird a acontecer, ao menos na
esfera judiciiria (no ambito do executi-
vo, nao resta mais a menor sombra de
d6vida quanto A grilagem praticada).
Assim, a noticia da sua morte me pro-
vocou perplexidade e certa tristeza. Ao
contririo do que pode sugerir uma visdo
simplista, nunca pretend mal ao empre-
sirio nem queria que ele sofresse qual-
quer infort6nio: ao me colocar do lado
da causa piblica, minha tinica preten-
sao 6 de que ela acabe sendo a vence-
dora e nao os que a contrariam, confor-
me, infelizmente, ter sido a regra geral.
A retirada de cena do criador e principal
responsivel por esse assalto ao patrim6-
nio fundidrio do Pard s6 teri um desfe-
cho feliz se os seus sucessores reconhe-
cerem o erro, retificarem seus rumos e
seguirem uma nova hist6ria, conciliada
cor a verdade e a justiqa.
Essa expectativa talvez seja, mais do
que uma utopia, um devaneio de quem
continue a achar que certas contas tnm
que ser acertadas por aqui mesmo, an-
tes que chegue o moment de enfrentar
o maior dos mist6rios humans, o inico
dos problems filos6ficos da nossa exis-
tincia: a morte e o seu "depois". Para
C. R. Almeida, quanto ao capitulo da sua
participaqao na hist6ria fundidria do
Pard, esse acerto ficou para ser feito "a
posteriori". Nao 6 a moral que convdm
Sres ptublica, mas 6 a que ter prevale-
cido, infelizmente.


Jornal Pessoal /I QUINZENA ABRIL DE 2008 3


























./
Ss^


Nepotismo na justiga?


Era para o nepotismo ter acabado
no judiciario do Pard em fevereiro de
2006, quando foram demitidos os paren-
tes dos magistrados at6 o terceiro grau,
conforme determinacqo do Conselho
Nacional de Justica. Em maio do mes-
mo ano foi adotada uma nova media
contra a persistencia dessa pritica: o
ponto eletr6nico com identificaqgo di-
gital. Os parents que continuavam a
trabalhar nos gabinetes tiveram que ser
finalmente afastados.
Fim de vez da acao entire amigos que
havia na justica? Nao, segundo fontes
bem informadas sobre o poder. Funcio-
nirios que atuam em virios gabinetes
de desembargadores passaram a repas-
sar a parte maior dos seus vencimentos
para os parents que foram afastados
dos seus cargos. Cada gabinete tem qua-
tro funcionarios de livre nomeaqao, por
serem de confianca: um coordenador,
dois assessores de camara (agora com
outra designaqao, mas desempenhando
a mesma funqao) e um assistente. Os
tr6s primeiros, bachar6is em direito, re-
cebem aproximadamente 5,8 mil reais
por mes (o quarto, do qual nao 6 exigido
curso superior, R$ 1,5 mil).
Feitos os descontos, o maior sendo
de imposto de renda (quase R$ 1 mil),


sobram R$ 4,4 mil liquidos. Segundo a
den6ncia, uma quarta ou uma terqa -
parte fica cor o funcionirio e a parcela
maior 6 repassada ao parent demitido,
que nao aparece no serviqo na maioria
dos casos. Mas ainda haveria aqueles
que continuam a ocupar os gabinetes,
embora ja sem qualquer vinculo official
com o judici4rio. A anomalia 6 visivel
diariamente no palhcio da avenidaAlmi-
rante Barroso.
Essa prdtica nao chega.ao gabinete
da president do tribunal, segundo as in-
formaqSes fornecidas pelas fontes, que
procuraram este journal por causa da
mat6ria de capa da ediqao anterior, so-
bre o nepotismo na political paraense,
nem hd qualquer suspeita sobre boa parte
dos demais desembargadores do TJE.
Espera-se que o tribunal apure a de-
n6ncia, que 6 grave. Se for confirmada,
repete-se no judiciirio uma pritica es-
p6ria ji detectada e comprovada no
ambito do poder legislative: assessores
parlamentares repassam (ou repassa-
vam) parte dos seus salirios aos pr6pri-
os deputados em cujos gabinetes estao
(ou estavam) lotados, a pretexto de con-
tribuir para a verba de representacqo.
Agora seria pior: o dinheiro acabaria nos
bolsos de parents.


SHumor
Ojornalista Raymundo Mirio So-
bral morreu. Nao na vida real, feliz-
mente, para alivio dos seus muitos
amigos e admiradores. Mas para o
Sregistro do grupo Liberal, no qual tra-
Sbalhou por bastante tempo, no Ama-
z6nia. Como certamente tinha expec-
tativa de manter uma relaq~o profis-
sional com o jomal numero dois da
Scorporaqao, Sobral se frustrou nessa
experiencia, compulsoriamente riso-
nha e franca, e passou para o rival, o
Didrio do Pard, onde agora public
sua coluna de humor e amenidades.
A attitude 6 normal e rotineira em
Squalquer setor. Mas 6 encarada como
Specaminosa na antiga casa. A pena
para esse cometimento 6 a morte em
vida, decretada sumariamente, sem
Sapelo. Provavelmente por isso, mat6-
Srias divulgadas nos veiculos do grupo
Liberal sobre o Salao de Humor da
SAmaz6nia omitiram a informaqgo de
Sque Sobral, agora um herege, 6 um
Sdos dois homenageados no event,
junto com o m6dico Camilo Vianna.
Na pigina na qual uma longa ma-
Stria suprimiu o nome de Sobral, O
Liberal abrigou uma bem posta criti-
ca de Paulo Emmanuel A fraca pre-
senqa de artists paraenses nessa
mostra, iniciada no dia 25: apenas tr6s,
num total de 92 que foram seleciona-
dos, 30 do Brasil e 62 do exterior. Os
cartunistas e humoristas locais costu-
mam ser acomodados e at6 relapsos,
o que talvez explique a baixa partici-
paqao. Cabia aos organizadores, po-
rem, vencer a in6rcia e o relaxamen-
to dos nossos artists e busci-los A
base do arreio curto. A qualidade de
Salguns deles, especialmente ao en-
frentar o tema do salao, fazia por
merecer essa iniciativa. Sua ausen-
cia 6 tao evidence que provocou a re-
aqo de um de Paulo. Justa.-




s
'M I'.'EP

0 deutd fedra Mi


ABRIL DE 2008 1 QUINZENA Jornal Pessoal








Desafio a universidade


Na ediqdo passada lancei uma pro-
posta para aproximar a universidade
da sociedade. A melhor repercussao
do artigo surgiu no blog Quinta Emen-
da, de Juvencio Arruda. Pepo licenga
ao poster para reproduzir os trechos
do debate diretamente relacionados
ao tema. Nao vou interferir nessa dis-
cussdo. Quero apenas ressaltar um
aspect: a posiado conservadora da
maioria diante da universidade, bito-
lada por um conceito dogmdtico e tra-
dicionalista, alem de comodista. Essa
visdo inibe muitos dos efeitos positi-
vos da universidade sobre o meio em
que atua e abstrai a situaCdo real que
a desafia, que a convoca para enfren-
tar e tentar veneer os problems im-
postos a sociedade. Nossa universi-
dade e muito mais escoldstica do que
parece. Uma andlise comparative com
outras instituiCdes, em outros paises,
revelard esse exagero culturalista. No
fundo, elitist, exclusivista.
Espero que o necessdrio debate pros-
siga e as reaq6es transponham a soleira
da mera especulaqao, como fez o pro-
fessor H6lio Mairata, sempre disposto a
embarcar na canoa do novo geralmen-
te sujeito a imprevistos e acidentes; ain-
da assim, vital.

Andnimo: Em que planet o L6cio
Flavio mora? Os professors da UFPA
e de todas as universidades e escolas
ptiblicas federais do Pais estdo contan-
do os dias para a gre-
ve de abril. 6, L6cio,
sua iddia 6 fantistica,
mas ndo cabe nos pia-
nos dos nobres docen-
tes, mestres e doutores
financiados com os re-
cursos pdblicos e que
sdo os melhores sali-
rios do sistema de edu-
caqdo brasileiro.
Juvencio de Ar-
ruda: Nao se iluda com
o barulho da Associa-
Tao dos Docentes da
Jacob, antiga Adufpa.
Cabe, sim, a id6ia do
Lucio, num program
de extensdo, e poderia
melhorar a vida no pla-
neta em que voc8 vive.
Quem voce queria que
pagasse os salirios do
sistema p6blico? Ejus-


to que os professors e pesquisadores
da ponta do sistema recebam os melho-
res salaries, ainda assim ruins.
An6nimo: Eu (Hl6io Mairata) e o
Ant6nio Osvaldo, o ind6mito Tonico da
Bocayuva, estamos finalizando o novo
Projeto Pedag6gico para o Curso de
Economia. Amanhl, pela tardinha, en-
traremos no detalhamento das 300 ho-
ras para "Pesquisa e Extensio" e nas
300 horas para "Estigio Supervisiona-
do". Cor certeza essa id6ia do Lticio,
sempre brilhante, serd apreciada por n6s
dois. Ainda hi na Academia docentes
que querem trabalhar, com seriedade.
Juvencio de Arruda: Boa, mestre
Mairata., muito boa.
An6nimo: Sempre admirei a inteli-
gencia do LFP, mas me desculpe, man-
dar os outros fazerem 6 muito ficil. Ar-
ticular isso numa instituiqao caduca, ou
melhor, cor pessoas caducas, 6 utopia
demais, esti al6m do sonho.
Juvencio de Arruda: Pessoas ca-
ducas? Instituicqo caduca? Olha, 6 es-
tranho que voce tenha admiraqao pelo
Lucio, muito estranho.
An6nimo: Caro L6cio Fldvio. Aces-
se a pigina do DAVES e veja se hi re-
soluqao da l6tima prova do PSS. E sabe
qual a razao de nao haver? Simples. E
important que muitos daqueles que nao
sabia fiquem sem saber. Assim fica fi-
cil ganhar 50 mil taxas de trouxas corn
apenas 5 mil vagas. A ignorancia 6 uma
grande fonte de renda neste pais.


An6nimo: Me desculpem todos, mas
a id6ia do L6cio 6 compreensivel, mas
irreal. Nio pela cultural da academia,
mas por ela em si. Primeira parte da pre-
missa, que a universidade nio serve a
comunidade. i falso. Os trabalhos de
extensio existem. Claro que nao cum-
prem fungqes de secretaries de Estado.
O L6cio quer ver a academia sendo se-
cretaria de Estado. Este 6 o problema.
Em nenhum lugar do mundo as universi-
dades fazem isto. E exigir o equivoca-
do. Slo os governor que devem cumprir
esta tarefa. A funcqo prioritiria da uni-
versidade 6 former gente e produzir pes-
quisa, conhecimento. Mas para isso pre-
cisa ter lastro cientifico e muito dinhei-
ro. A universidade ter avanqado nesse
sentido, mas ainda esti long, condiqao
estrutural das regioes perifdricas. E exi-
gir demais. Depois, a forma indicada de-
monstra que o nosso excelente jomalis-
ta que todos gostamos e respeitamos
- nao entende nada de universidade...
Andnimo: Falar que a universidade
6 caduca com pessoas caducas 6 meia-
verdade. Ela ter, sim, caducos, mas ter
intelectuais de excelente nivel e traba-
Iho. Essa generalizaqao 6 tipo de afir-
maq~o magoada, carregada de arrogan-
cia e frustraqao. Hoje, a UFPA 6 muito
melhor que no tempo de nossos pais. Em
todos os sentidos. Avanga e sobrevive
apesar da imprensa, que tem o costume
de lhe cacetear, talvez porque seja exa-
tamente p6blica nao paga os polpudos
contratos das particula-
res, que, por isso, estao
sempre isentas de criti-
cas. Todos voc6s, seus
critics, passaram por
ela, e ela ajudou a former
a vossa consciencia cri-
tica. Nao 6 fantistico?
Matem a UFPA, seus
* oportunistas, e voces ve-
rao o que ocorrera com
o Estado do Pard.
An6nimo: As critics
Sso raivosas, sao de inve-
josos, muitos deles jamais
passaram sequer nas se-
leq6es de mestrado e
quando passaram foram
jubilados por insuficiencia
de desempenho. Eta po-
vinho cor complex de
vira lata, o que presta 6
s6 do sul maravilha, ban-
do de colonizados.


Jornal Pessoal f QUINZENA ABRIL DE 2008 5










0 maior acidente

0 blecaute de 12 horas, em 8 de marco de 1991, conversa defim-de-semana a beira de uma pis
provocou o maior acidente industrial da Amaz6nia, o Pessoa seria e intimorata, nao se inibiu com
anico cor repercussdo mundial. Sem energia, os 864 maioria dos personagens, entdo e ate hoje e
fornos daAlbrds, a 8 maior fdbrica de aluminio do falar tudo que sabia sobre o acidente. A partir
mundo, instalada em Barcarena, a menos de 50 circuleipor vdriasfontes dentro da Eletronort
quilOmetros de Belim, cor investimento de 1,3 bilhdo de Albrds, no governor efora dele, ate reunir infoi
d6lares, quaseforam completamente perdidos. Poucas suficientes para escrever o artigo do dia 21 de
usinas desse metal se viram em situacdo tdo dramdtica. sob o provocador titulo "A linha e segura? "
Mas essa histdria, uma das mais importantes dos Embora a principio ninguem se apresentass
"grandes projetos ", que entraram em atividade a partir comentdrios oficiais, pouco depois recebi c6pi
do final da decada de 70 do sdculo passado, para do meu texto, enviado por uma das minhasfol
integrar (amarrar e a expressed correta) a Amazonia ao "off". A margem do recorte havia a seguinte c
Brasil e ao mercado international, d pouco conhecida. DISK Creio que assim se esclarece que ndo
Lamentavelmente, asfontes de referencia sobre esse chamamos os americanos por ndo confiarmos
grave epis6dio sdo raras entire n6s. mesmos e nos japoneses. Como o Lacio Fldvic
Por isso, na edido passada rememorei a hist6ria, 17 jornalista serio, o convidamos a visitar a Albri
anos depois. Mas acabei cometendo uma injustica demos amplas explicaqoes, e creio que agora n
contra mim mesmo: ndo citei o artigo que publiquei em Abraqos, Gazolla ".
A Provincia do Pard de 21 de marco, menos de duas 0 president da Albrds, Guilherme Gazzo
semanas depois do acidente na linha de transmissdo de outrafamilia mineira present na hist6ria dc
energia da hidreletrica de Tucuruipara a Albrds, cor Companhia Vale do Rio Doce), ndo esteve er
mais de 300 quil6metros de extensdo. Nesse artigo, fiz minhasfontes para as primeiras materias qu
o primeiro desmentido ia nota official atraves da qual a sobre o acidente. Mas como jd nos conheciai
Eletronorte comunicou a opinido ppblica que um raio achou melhor que tivessemos um contato dir
causara a interrupcdo na transmissdo de energia, que o convite. Na visit, responded a todas as pe
afetou quatro milhoes de pessoas. Quase um mes depois que lhe fiz, permitindo-me percorrer a fabric
e que eu voltaria ao tema do also raio, com em plena obra de recuperagdo, sem qualque
informagCes completes sobre a verdadeira hist6ria da embarago. Quando as parties que atuam nun
queda de um dos cabos de uma das torres da linha acontecimento sdo serias, todos ganham, me
singular que supria as necessidades da fdbrica, quando o fato possa causar embaraqos e est
responsdvel entdo por quase 3% de todo consume de do control dos atores principals. Assim e a
energia do Brasil. assim devia ser o jornalismo, destituido de q
A primeira referOncia ao erro de incorporagio da adjetivo acompanhante, mas pleno de inforn
peca na torre me foi passada por um amigo, engenheiro relevantes e checadas.
que prestava services d Eletronorte, em prosaica Este foi o artigo:


A Eletronorte esta fazendo uma
reviso complete na linha de
transmissdo de energia da hi-
drel6trica de Tucuruf a Vila do Conde.
E para verificar os riscos de repeticqo
do acidente ocorrido no dia 8, que pro-
vocou um blecaute de 12 horas numa
regiao que abriga quase quatro milh6es
de habitantes e tern o principal consu-
midor de energia do Estado, a fibrica
de aluminio daAlbris. cujas necessida-
des representam quase 3% da demand
national de energia. Na pr6xima sema-
na a revisio sera concluida e a Eletro-


norte saberi se sera ou nao necessArio
substituir as mais de tr8s mil peas de
sustentaqao dos cabos de energia.
Ja esta comprovado que o aciden-
te foi causado pelo rompimento dessa
peqa metalica por fadiga mecanica.
Exames d& laborat6rio, tamb6m em
curso, atestarao se foi uma fadiga na-
tural ou se ela decorreu de uma falha
no recebimento da pega, que nao aten-
dia as especificaqoes t6cnicas da pr6-
pria Eletronorte. A empresa exigia ca-
bos de sustentagco em ferro forjado e
teria incorporado peas em ferro fun-


dido, menos resistentes as condiq6es
ambientais da Amazonia.
Tamb6m parece comprovado que o
blecaute teria sido menos demorado se
o sistema de rastreamento instalado na
linha de transmissSo estivesse funcionan-
do. O sistema, que indica no painel de
control a localizaqgo de qualquer ano-
malia na linha, estava fora do ar. Por
isso, t6cnicos da Eletronorte na esta-
9qo de Vila do Conde, desorientados,
perderam muito tempo tentando resta-
belecer a energia atrav6s de partidas de
emergencia no reator da estaq~o. S6 i


6 ABRIL DE 2008 IQUINZENA Jornal Pessoal


PAPEIS D


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vida. E
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fHISTORIA


lustrial da


Amazonia


) depois de duas tentativas malogradas
chegaram a conclusdo de que a causa
do problema estava na linha e nao na
estaq~o. Apenas a partir desse momen-
to, passadas duas horas do acidente, 6
que a turma de manutengqo saiu de Tu-
curuf, realizando o serviqo em condi-
c6es inteiramente adversas.
Um blecaute t~o prolongado, de de-
teccqo problemitica e de superaio aci-
dentada, como o do dia 8, parece ter
surpreendido tanto a Eletronorte quanto
a Albras, por essa combinaqlo de agra-
vantes. A iltima inspeqdo na linha feita
rigorosamente dentro dos padres t6c-
nicos teria sido em 1984, segundo algu-
mas fontes, ou em 1989, de acordo corn
outras. De qualquer maneira, nos 6ltimos
anos vinha diminuindo o rigor nesse ser-
viqo, fato debitado as crescentes dificul-
dades de caixa da Eletronorte. Ja a Al-
bras, em cinco anos e meio de operacqo
commercial, enfrentara quatro inteirumpes
no suprimento de energia, uma delas pro-
gramada e a mais extensa, corn duraqgo
de menos de tres horas.
Todo empregado que entra naAlbris
aprende logo que blecaute acima de seis
horas pode levar a perda total dos for-
nos. Quando a fabrica voltou a ter ener-
gia, 12 horas depois da interrupio, a
principal luta era para evitar a concreti-
za~io da principal ameaca. Esse risco j
foi totalmente afastado, mas a partir daf
todas as graves questdes provocadas
pelo acidente sio especulativas. Somen-
te na pr6xima semana a empresa esta-
belecera um entendimento sobre a di-
mensTo do prejuizo, a amplitude da co-
bertura do seguro, o prazo para a reto-
mada da produgqo normal e a extensio
dos sanos que sofreu.
At6 li, nenhum dos seus dirigentes
aceitara falar em ndmeros. Ontem,
40% dos 864 fornos das quatro redu-
coes j estavam acesos, uma facanha
que ainda nao assegura, entretanto, que
eles continuarao ativos, nem permit
prever quando sua produqao chegard
aos nfveis normais. Da reativagao at6


o pleno funcionamento ha um long
percurso, que os 1.500 homes da fi-
brica estdo percorrendo quase solita-
riamente. O acidente da Albris deve-
ri se caracterizar como um dos mais
graves que uma inddstria de aluminio
ji sofreu em todo o mundo em conse-
qii8ncia da falta de energia.
Sem dispor de uma literature t6cni-
ca satisfat6ria sobre o problema, a di-
recqo da Albrds recorreu a experien-
cia de uma empresa americana, aAl-
max. No ano passado, a fabrica dessa
ind6stria, na Carolina do Sul, ficou tres
dias sem energia porque um furacdo
deixou inoperante a linha de transmis-
sao, que 6 duplicada. Os t6cnicos da
Almax experimentaram uma partida
diferente da inicialmente adotada na
Albris, fazendo-a a frio e nao a quen-
te, depois de uma complete "hiberna-
qgo" dos fornos, o que em Vila do
Conde nao foi inteiramente aceito. A
oplio dos norte-americanos teria sido
motivada pelas caracteristicas de sua
fibrica, uma unidade antiga que, ine-
vitavelmente, iria trocar os fomos, mas
a Albras decidiu aproveitar a experi-
encia deles, incorporando-a aos co-
nhecimentos que foram adquiridos de-
pois do blecaute e a orientacgo tecno-
l6gica dosjaponeses. "Qualquer fibri-
ca que parar nas mesmas circunstan-


cias vai agora precisar recorrer a n6s",
garante um engenheiro da Albras, ana-
lisando o desempenho de 12 dias.
"Vencemos o principal desafio, que foi
evitar a perda complete dos fornos".
At6 ontem, 96 foros estavam des-
ligados e s6 voltardo a atividade depois
de extensas obras de recuperacio. E
pouco mais de 10% do total. Como,
com o passar dos dias, a reativagqo sera
mais problemitica, pode-se prever que
as perdas deverio ir al6m de 30%. A
volta da producgo podera comecar em
dois meses, at6 que a fabrica possa pro-
duzir nove mil toneladas diairias de alu-
minio com teor acima de 99,8%, a pu-
reza padrdo da Albris.
A empresa alega que s6 poderi fa-
lar sobre ndmeros a partir da pr6xima
semana, mas ha uma previsdo informal
e otimista de que o seguro ird at6 130
milhoes de d6lares e que o prejuizo nao
ultrapassara esse nivel de cobertura,
ao menos num montante que passe a
ser insuportivel. Teoricamente, a Al-
bras estaria perdendo US$ 1,5 milhdo
ao dia apenas por falta de produqio,
mas o prejuizo seria na verdade bem
menor porque a paralisaqio implica em
gastos menores. Por enquanto, 6 pos-
sivel recuar desses ndmeros ou ir mui-
to al6m, conforme as perspectives de
analise forem otimistas ou pessimistas.
Mas a grandeza da questdo transcen-
de essas incertezas.
.At6 antes do acidente a Albris es-
tava girando US$ 50 milhoes ao mes,
pagando US$ 7 milhoes de energia e
US$ 2 milh6es de folha de pessoal, sem
incluir encargos. Com seu imposto,
transformou Barcarena no segundo mu-
nicipio em recolhimento de ICMS do
Estado. E motivo mais do que suficien-
te para que os paraenses se interessem
- e muito vivamente pelo que esti
acontecendo a menos de 50 quil6me-
tros de Bel6m. Em Londres, a reper-
cussao tem sido maior e isso tamb6m
torou-se comum na Amaz6nia, que
anda a reboque na sua pr6pria hist6ria.


Journal Pessoal I' QUINZENA ABRIL DE 2008 7








BIBLIOTECA
A Biblioteca Pfiblica Ar-
thur Vianna completou no
mrs passado 137 anos de
vida, sem maiores comemo-
raq6es. Em 1873, cor ape-
nas dois anos de criaqao, pos-
suia 1.380 titulos em 3.985
volumes em nove linguas:
hebraico, grego, polon8s, ita-
liano, espanhol, latim, alemro,
ingles, frances e natural-
mente portugues. Seu dire-
tor, Domingos Jos6 da Costa
Junior, em relat6rio que en-
caminhou naquele ano A as-
sembl6ia provincial, garantiu
que a biblioteca "6 a reparti-
qao menos pesada A provin-
cia". E explicou: "Composta
de dAdivas do povo em li-
vros e dinheiro muito pou-
co tem o governor despendi-
do corn ela".
Mais de um s6culo e meio
atris, a biblioteca era mais
valorizada do que hoje?

ALFAIATARIA
Em anincio de 1945, a
Alfaiataria Pinto, estabeleci-
da na (entao) aristocritica
rua Joao Alfredo, "chama a
atenqao de sua respeitdvel
clientele que, tendo termina-
do a guerra, estd aparelhada
para fazer ternos de viagem
para homes, senhoras e se-
nhorinhas, assim como aga-
salhos com toda rapidez".
Garantia fazer ternos "em 12
e 24 horas, pelos moldes mais
modernos do sistema norte-
americanos". E que as fazen-
das "entram por uma porta,
logo ap6s saem os ternos
prontos por outra", Ndo acre-
ditava? Entao fosse conferir.

TERRENOS
Que tal um terreno de
mais de um hectare que, co-
mecando na esquina da rua
Veiga Cabral com a Sao Pe-
dro, se estende at6 quase a
esquina com a Sao Francis-
co (hoje, seria vizinho do Sho-
pping Iguatemi)? Pois essa
area foi a leilao em 1945, for-
mada por dois terrenos con-
tiguos, que, no total, tinham
97 metros de frente por 131
metros de funds, ambos


com habitaqao, horta e ca-
pinzal, "servindo ainda para
construqao de fibrica, ofici-
nas, vila de casas, bungalow,
etc.". Quanto valeriam, hoje,
esses lotes?

BONDE
Ja era noite, em tarde de
abril de 1947, quando, final-
mente, os passageiros que
esperavam desde o fim da
tarde em frente ao Galpao
Mosqueiro e Soure, no Ver-
o-Peso, conseguiram embar-
car no bonde de nimero 41
da Pard Eltric, que chegou
ao local. O veiculo deveria se
dirigir para o bairro da Pe-
dreira, mas, A filtima hora,
mudou a bandeira para
Estagqo. Como os pro-
testos em nada resul-
taram, os indigna-
dos cidadAos re-
solveram em-
barcar as-
sim mes- .


iVLL;r ..~ z..A.


mo e ver se conseguiam che-
gar ao seu destiny. Mas o
motorneiro n 487, quando
rumava na direqao da aveni-
da 16 de Novembro pelo des-
vio existente na confluencia
com a Joao Diogo, parou o
trem e se refugiou no quartel
do Corpo de Bombeiros. Fez
isso temendo alguma repre-
sAlia dos populares, "que, em
altas vozes, reprovavam o
procedimento desse servidor
da Pari Eldtric".
Novamente sem conse-
guir mudar a situaqao, to-
dos se dirigiram A reda-
cao do jornal Pro-
vi'nciai loI Pard e
ino\ amenie pro-
IesI aram,
corn identi-


P.h;AIS \N ..'1 A. /I CA
PARIS N'AMERICA
F il. CMgTR .


PAJ,~ \
P~~~g ~i~I,


PROPAGANDA

A Belem postal
Este era um dos "bilhetes postais" que circulavam em
Belem no inicio do sdculo passado, quando os telefones
tinham apenas trWs nlmeros. Quem mandasse uma mensa-
gem transmitia tambem uma boa imagem da cidade, repre-
sentada aqui pelo belo prddio dos Grandes Armazens
Paris n'Amirica, que trazia a Europa da "Cidade Luz"
para a urbe tropical, graCas a F de Castro, detentor da
caixa postal n" 6 do Correio. Belem cresceu, mas cade os
postais da cidade? Sumiram. 0 marketing digital se es-
queceu de que meios ndo tdo vanguardistas podem ter um
efeito menor, porim duradouro, ao imprimir sua marca na
memdria daqueles que a tim.


co resultado: nada. A Para
El1tric ji estava com seus
dias contados, aguardando
pelo enterro, que logo viria.
E os bondes desaparece-
ram de Bel6m.

ARIGOS
Ja era noite quando o
Aratimb6, navio da Costei-
ra, atracou no porto de Be-
16m, em maio de 1958. Nor-
malmente a embarcaq~o s6
admitia passageiros de pri-
meira classes, mas aquela vi-
agem era excepcional: tra-
zia 300 "arig6s", nordestinos
(principalmente cearenses)
expulsos de suas terras por
mais uma seca rigorosa. Ao
inv6s da cena traditional cri-
ada no cais pela chegada de
vapores da Costeira, desta
vez havia muita confusao
com o desembarque dos
"flagelados", dentre os quais
havia muitas crianqas. Nin-
gu6m do serviqo de imigra-
Fao, o INIC, os esperava.
Eles tiveram que se arran-
jar debaixo da marquise do
armaz6m do porto para pas-
sar sua primeira noite em
solo amaz6nico, tao sofrida
quanto todos os dias prece-
dentes e, provavelmente,
os seguintes.

ESTUDANTES
O future advogado Itair
Sa e Silva foi o primeiro pre-
sidente do Diret6rio Central
de Estudantes da Universi-
dade Federal do Pari, elei-
to em 1960. Seu vice-presi-
dente foi Jos6 Assis Ribei-
ro, estudante da Faculdade
de Farmdcia. O DCE era
formado por sete diret6rios
academicos, cinco dos quais
participaram da votaqao. O
Conselho de Representantes
do DCE, presidido pelo
tamb6m acad6mico de direi-
to (e future juiz federal)
Aristides Porto de Medei-
ros, realizou a eleiqio.


8 ABRIL DE 2008 QUINZENA Jornal Pessoal


Cosa Milli N1, 6














QUIXOTE
A Likraria Dom Quiorte.
ocupando a loja IS da galeria
do edificio Palacio do Radio.
na said do Cine Palicio pela
rua 0 de Almeida. foi a pri-
meirj de Belem corn ar con-
dicionjdo e horirio nourno.
Funcionaja are 22 horas. Em
antinciode 196%.elacomuni-
caLa aos lseus clicnies que ja
dispunlh no\ j remessa dos Ii-
\ ros .I'.u. de Jean Guition:
Ciwania ttco/lhida/.s, em dois
volumes de MNonteiro Loba-
to; Teoria e prdtica do ser-
vigo social de casos, de Gor-
don Hamilton, e Lagos defa-
milia, contos de Clarice Lis-
pector. Eram as obras que
mais saiam. Mas o dono da li-
vraria, o jomalista e escritor
Haroldo Maranhao, tambdm
oferecia biscoitos finos do seu
gosto, como o Didrio, de L6-
cio Cardoso, Poesias escolhi-
das, de Ribeiro Couto, ou Os
ultimos dias do fascismo
portugues, de Maria Archer.
Este l6timo, certamente para
contrariedade do seu pai, Joao
Maranhao, e do av6, Paulo
Maranhlo, salazaristas con-
victos e propagandistas.
A livraria desapareceria
no ano seguinte e Haroldo
Maranhao mudaria de vez de
domicilio, exilando-se no Rio
de Janeiro.

TERRAS
Em janeiro de 1961 o go-
vernador em exercicio do
Estado, Dionisio Bentes de
Carvalho, do PSD, assinou
decreto reservando Areas As
margens da Bel6m-Brasilia
"para estudo e planejamento
da Secretaria de Obras, Ter-
ras e Aguas e organizacqo do
Piano Piloto". A reserve
abrangia uma faixa de terras
corn seis quil6metros de pro-
fundidade de cada lado da
rodovia, entire os quil6metros
36 e 60, e 86 e 110, o que
daria quase 60 mil hectares,


Jornal Pessoal QUINZENA


Tres motives


Public esta fotografia, de 1983, por tres
motives. 0 primeiro e para homenagear o
medico Camilo Martins Vianna, que tambdm
e um dos homenageados pelo Saldo de Hu-
mor da Amaz6nia (juntamente corn Raymun-
do Mdrio Sobral). Depois de fazer uma car-
reira admirdvel na saide pablica, o doutor
Camilo foi um pioneiro na batalha para fa-
zer respeitar a natureza, dedicando-se a um
trabalho missiondrio a partir do final dos
anos 60. 0 segundo motivo e mostrar que
nessa epoca outro mddico, cor outra traje-
tdria, era uma expectativa de renovaCdo na
political paraense: o entdo prefeito de Belim
(biOnico, por obra e graCa de Jader Barba-
lho), Almir Gabriel, que frustrou as melho-
res esperancas nele depositadas.


para assentamento de colo-
nos e arrendamento de ter-
ras. Todos os processes de
venda nessas areas foram
paralisados, "reservando-se o
governor o direito de estudar
a desapropriacao das que te-
nham titulos expedidos, de
acordo cor as convenienci-
as do piano", que seria co-
mandado pelo secretario e
tamb6m deputado, pelo PTB
- Benedito Monteiro.

CONFLITO
Em agosto de 1969 o vi-
gario de Irituia, Marino Con-
ti, publicou uma carta defen-
dendo o prefeito Flaviano
Neris da Silva e mais de 300
colonos, acusados em artigo


0 terceiro motivo e documentary um mo-
mento da hist6ria da TV Liberal, omitido
por complete no dlbum que seus proprie-
tarios patrocinaram tempos atrds para dar
a versdo official, como sempre, parcial e
distorcida. Camilo e Almir aparecem aqui
no program Ltcio Fldvio Pinto Entrevis-
ta, apresentado toda semana em hordrio
nobre (logo depois das 22 horas), ao vivo,
cor duragdo de mais de meia hora, em "ja-
nela" aberta na rigida grade da progra-
magdo da TV Globo por imposicdo do dono
da emissora, Romulo Maiorana. A ideia foi
dele, assim como a viabilizacao, tudo de
ultima hora, com um prop6sito: fazer jor-
nalismo para valer. Prop6sito negligenci-
ado pelos sucessores.


publicado na Folha do Nor-
te de "guerrilheiros", que es-
tariam "tomando terras no
municipio do Capim". Na ver-
dade, dizia o padre, "muitos
deles nasceram nestas terras
e os outros foram colocados
pela Secretaria de Estado de
Agriculture, ha mais de dez
anos, tendo, em conseqiien-
cia, direitos adquiridos". Os
que se diziam donos da area
s6 agora as estavam recla-
mando, como o administrator
da Fazenda Parapord, que se
estendia por 35 quil6metros
da margem da estrada (do
km 41 ao 75), acusado de ten-
tar "comprar e corromper a
consciencia p6blica e hones-
ta" do prefeito.


Ao final o padre, que, "so-
zinho, sustentou na BR-14
[Belrm-Brasilia], contra as
Ligas Camponesas", entire
1959 e 1963, clamou pelos
sentimentss humanitrios e
de justiqa de nossos gover-
nantes, os quais, por certo,
hao de permitir que os lavra-
dores continue na posse
pacifica de suas terras".
O pedido foi atendido tar-
diamente, quando o conflito
da fazenda Parapora estou-
rou. E ate hoje rola pelos tri-
bunais, com a cobranqa de
indenizaqco milionaria por
conta da desapropriaqdo equi-
vocada da area, depois de
mortes e ferimentos. Como 6
regra nesses casos.


* ABRIL DE 2008


VAWI' _16MM












PORTEL
A leitura do texto "Terras de
Portel: o que a reportagem nao
disse", publicado na ediqao n413
do Jornal Pessoal, suscita alguns
questionamentos. De acordo corn
o referido textojomalistico, na hi-
p6tese da acgo civil p6blica ser
julgada procedente pelojuiz da 5"
vara federal, o valor dos danos
morais coletivos seria dividido
pelo municipio, pelo sindicato e
pela associaqao de trabalhadores.
Entretanto, observe que o ar-
tigo 13 da Lei da Agao Civil Pibli-
ca (Lei n 7.347/85) diz que: "Ha-
vendo condenagao em dinheiro,
a indenizaqgo pelo dano causado
revertera a um fundo gerido por
um Conselho Federal ou por Con-
selhos Estaduais de que partici-
parao necessariamente o Minis-
tdrio Pdblico e representantes da
comunidade, sendo seus recur-
sos destinados A reconstituiqao
dos bens lesados".
O fundo mencionado pela Lei
da AFio Civil Pdblica 6 chamado
de "Fundo de Defesa de Direitos
Difusos", o qual foi regulamenta-
do pelo decreto presidential n
1.306/94. Por sua vez, os artigos
6 e 7 do aludido decreto dispiem
sobre a forma que os recursos ar-
recadados nas condenaqBes se-
rao aplicados.
Diante do que esta na legisla-
qdo, ha s6rias d6vidas se os au-
tores da agio, em caso de conde-
nacqo, poderlo receber direta-
mente os valores dos danos mo-
rais arbitrados. Ja adianto meu en-
tendimento: os valores deverao
obrigatoriamente ser depositados
no fundo criado pela lei, mas pre-
cisamente em conta especial man-
tida no Banco do Brasil.
Assim, se o objetivo dos au-
tores 6 ficar cor os valores do
dano moral em caso de condena-
qao, entendo que eles se equivo-
caram, pois a agio civil pdblica
nao 6 o instrument processual
adequado para tal finalidade.
Marcel Mac&do

BELEM
Bel6m 6 a cara do subdesen-
volvimento: tem uma elite de ma-
deireiros, fazendeiros instalados
em altos pr6dios que despontam
como paliqadas sobre os popula-
res, enquanto o esgoto corre em
valas pela cidade.
A verticalizaqao 6 realmente
um problema s6rio por aqui. A
image que se tem de Bel6m, dos
casarbes ladeando ruas de man-


gueiras centenarias, 6 apenas
uma pequena parte da realidade,
infelizmente. Chegando-se de
avilo, os pr6dios que despon-
tam nos bairros mais pr6ximos a
bafa de Guajard, a zona mais va-
lorizada da cidade, chamam a
ateng~o dos visitantes. Sao imen-
sos espig6es de at6 quarenta
andares! Esta obsessao pela al-
tura tem uma explicaqao: a regiao
6 extremamente quente, mas, a
partir do quinto andar, mais ou
menos, o vento que vem da baia 6
forte o bastante para refrescar os
apartamentos, que, quanto mais
altos, mais agradAveis sao. O pro-
blema 6 que cada um destes pr6-
dios cria uma "sombra de vento"
(uma zona que deixa de ser venti-
lada), que se estende por virios
quil8metros ao long da cidade.
Assim, sera necessArio viver mais
e mais alto para escapar do calo-
rdo. O resultado 6 uma sociedade
estratificada, corn os ricos viven-
do literalmente por cima e os po-
bres e remediados cada vez mais
privados da brisa que Ihes era
natural e dependents de ventila-
dores e aparelhos de ar-condicio-
nado (quando possivel).
O problema das Aguas tamb6m
6 grave. A cidade, localizada na
desembocadura do rio Guama, na
baia de Guajara, tem format de
peninsula e 6 compost principal-
mente por terras baixas com pou-
cos declives, portanto cortada por
igarap6s corn baixa velocidade de
escoamento. Como as chuvas por
aqui sao torrenciais e a drenagem
precAria, foram cavadas valas pro-
fundas por toda parte, entire as ruas
e o calqamento (tipo um meio-fio
bem fundo). Apesar de oficialmen-
te destinadas as Aguas pluviais, as
valas frequentemente abrigam
Agua de esgoto, que vai terminar
nos igarap6s, que se tomam assim
tao f6tidos quanto o rio Tiet8 em
Sao Paulo, na altura da marginal.
Assim, temos valas de esgoto a
c6u aberto por toda a cidade, at6
mesmo em seus bairros mais "no-
bres", por onde correm ratazanas
na mar6 baixa. Em Bel6m, todos,
do mais pobre ao mais rico, convi-
vem cotidianamente com o esgo-
to, como se isso fosse natural.
Tamb6m merece destaque, na
zona portuAria, pr6xima ao famo-
so e lendArio mercado Ver-o-Peso,
a Companhia Docas do Pard. Ali
se v8em pilhas e mais pilhas de
madeira roubadas da floresta tro-
pical e cortadas em tabuas para a
exportaqao, sob os olhares com-
placentes da cidade que, mais do
que aceitaveis, as v6 como neces-
sarias ao seu desenvolvimento.


Passando por ali, sinto muita rai-
va dos profissionais que, atrav6s
de obscuros "pianos de manejo",
dao um verniz "cientifico/susten-
tavel" a exploraqao, ainda mais
agora sob as benq~os de Marina
Silva e seu Minist6rio, converti-
dos A falacia do manejo.
RodolfoSalm

UNIVERSIDADE
Em primeiro lugar, congratula-
q6es pela proposta para estreita-
mento e intensificaqao do dialogo
entire a UFPA e a sociedade na qual
ela se insere, por6m sob o foco da
realidade, em seu artigo Universi-
dade e Sociedade, no JP n413.
Como professor de duas insti-
tuiq6es de ensino superior neste
Estado (Unama e Fapan), permita-
me, como voc8 mesmo sempre mui-
to bem propbe, apresentar-me ao
debate: sua proposta do Plantao do
Conhecimento 6 muito boa e perti-
nente, assim como a forma de funci-
onamento deste diAlogo. Creio ain-
da que a este grupo de docentes e
pesquisadores, poderiam unir-se
profissionais corn destacada atua-
qao no mercado de trabalho nas res-
pectivas dreas de atuaqao, que esta-
rao em destaque em cada plantao.
Penso que um grupo de pessoas
assim formado traria mais oxigena-
qao e esclarecimentos a populaqao
que certamente iri demandd-los.
Muitas vezes, L6cio, o que
sai do mundo academico para o
mundo real 6 em descompasso
cor as necessidades da popula-
qFo porque em algumas situa-
q6es as aulas e conteidos minis-
trados estao completamente fora
da realidade e, corn todo o res-
peito que Ihes 6 devido, alguns
docentes, sejam especialistas,
mestres ou doutores,jamais atu-
aram no mercado de trabalho de
sua formaqao academica, aca-
bando por ficar sem respostas
satisfat6rias aos mais simples
questionamentos discentes. Se
muitos nao tmr a minima pratica
no mercado de trabalho como
podem preparar alunos para aten-
der as necessidades da popula-
gao? Em algumas universidades
e faculdades existem professors
que sao atuantes no-mercado de
trabalho da Area em que minis-
tram aulas, mas em outras sao
meramente "dadores de aulas",
simplesmente "conteudistas",
sem preocupaqao com o que esta
no mundo 1a fora, a espera dos
futures profissionais.
Creio ainda que estes grupos
de docentes e pesquisadores po-
deria ser interinstitucional, uma
vez queja existe um protocolo de


integraqao e cooperaqao entire a
UFPA e varias instituiq6es de en-
sino superior do Estado do Para.
Sem ddvida alguma, em algum
tempo, teriamos um excelente ban-
co de dados sobre a Amaz6nia e
sua id6ia de retransmissao do su-
mArio destes encontros pela TV
Cultura e pela TV Unama tamb6m
6 muito pertinente e inovadora.
Acredito tamb6m, como voce
bem prop6e em seu artigo, que se
tal situaqao pudesse funcionar
como quesito de avaliagao do cor-
po docente e da pr6pria IES [Insti-
tuiqio de Ensino Superior], tais
c6mputos melhorariam bastante
nossos conceitos perante o Minis-
t6rio daEducagao, pois que muito
mais pr6ximas da nossa realidade.
Por6m, nio creio que tao cedo o
MEC incluirA uma situaqio como
esta em seus crit6rios de avalia~go
de desempenho, uma vez que es-
tao fora de seus parAmetros atuais
de avaliaq~o das IES. No entanto,
seria muito interessante que tais
parametros fossem revistos as
universidades e faculdades pode-
riam provocar tal revisao -, e quem
sabe, modificados para que pas-
sem a tender a realidade amaz6-
nica, regiao que possui caracteris-
ticas inicas e incomparaveis cor
as demais regi6es do pais.
Mais uma vez parab6ns pela
matdria e grato pela oportunida-
de desta opinion.
Haroldo Verbicaro 'uma
Turism6logo / Professor
Universitdrio

POLITICOS
Acho simplista a visdo de que
nossos males politicos tem origem
nas families que se apoderam do
poder em nosso estado. De certo
modo, elas prestam um "servico"
ou desserviqo se apresentando
como Genys para jogarmos nos-
sas pedras e outras coisas mais.
Penso que aglomeradas em fami-
lias ou nao, pessoas com "quali-
dades" mui especiais, estao pre-
enchendo um vazio deixado pe-
las nossas coletivas faltas de ho-
rizonte e omiss6es.
HA cerca de duzentos anos,
Dom Joao disse ao filho Pedro I,
que se fosse para outro aventu-
reiro tomar conto do trono do Bra-
sil, que ele o fizesse como o fez.
Ou seja, no vazio algu6m pega o
poder, que nesse ambiente geral-
mente nao 6 pego por boa gente.
N6s nao aprendemos. Omitimo-
nos enquanto organizaqao soci-
al, deixando que nosso destiny
seja levado por esse tipo de gen-
te que agora rotulamos simplisti-
camente de "politicos", artigo


10 ABRIL DE 2008 .IQUINZENA Jornal Pessoal








Mais um ataque do grupo Liberal


Os desafetos do grupo Liberal nao
t8m descanso: sempre que podem, os
veiculos de comunicadao da empresa os
vergastam. O reitor da Universidade
Federal do Pard, Alex Fi6za de Mello,
torou-se um dos alvos permanentes da
corporacqo pelo simples fato de se ter
solidarizado comigo, quando da agressao
que sofri, e aceitado ser testemunha num
dos processes que Ronaldo e Romulo
Maiorana Jr. instauraram contra mim, na
va tentative de inverter os p6los da aqao
(eu, de vitima da agressao, passaria a
rdu das ofensas morais).
Nos ataques, o grupo Liberal nao se
deixa sensibilizar pela circunstncia de que
o professor concursado, doutor em cien-
cia political, dirige a maior instituiqao de
ensino superior do Estado e da Amazonia,
a segunda do pais em nimero de alunos.
Na obsessoo de investor pessoalmente con-
tra a pessoa que ousou nao se sujeitar aos
caprichos dos Maiorana, o grupo ofende a
instituiqao academica. Foi o que se repetiu
na ediqao de O Liberal de domingo, 23.


A Fadesp, fundacao de pesquisa vin-
culada A UFPA, foi para a manchete do
journal, acusada de malversacao de recur-
sos, cor base em den6ncias feitas pela
president da associaqao dos docentes, a
Adufpa, Vera Jacob. Aparentando cum-
prir sua obrigaCgo de ouvir a outra parte,
o journal publicou a contestaqao do presi-
dente da fundacao, Joao Guerreiro. Mas
no p6 da matdria, sem inclusao na man-
chete, que trombeteou apenas a acusa-
qSo, dando-lhe a maior parte do espaco,
justamente a mais nobre.
Na andlise do dito e do contradito, fica
claro que as acusaqbes, de contratacqo
sem licitacqo e outras irregularidades mais,
nao se sustentam, nao estao provadas. Era
precise buscar novas provas, tarefa A qual
O Liberal nao se sujeitou. Preferiu sim-
plesmente anexar a defesa, em tamanho
menor e sem destaque, ao ataque, privile-
giado pela ediqao, que o incorporou. O lei-
tor que vi atris da verdade, se quiser.
A reitoria da UFPA reagiu no dia se-
guinte cor uma nota official, na qual res-


salta o que qualquer leitor medianamen-
te preparado tera concluido: de que,
mais uma vez, a reportagem foi apenas
um pretexto para que o desafeto do gru-
po Liberal pague pelo que fez, nao o
que esti dito na mat6ria, mas o que esta
oculto nos prop6sitos da empresa, que
ela escamoteia do distinto public: sua
vinganqa. A nota nao foi publicada pelo
journal, que albergou longa carta da as-
sessoria de imprensa da Adufpa, retifi-
cando grande parte das informacqes
atribuidas por O Liberal A president
da entidade. A entrevista de Vera Ja-
cob, sobre tao grave assunto, foi dada
por telefone. A esse tipo de contato se
limitou a reportagem do jomal.
Certamente hi o que denunciar e cri-
ticar tanto na UFPA quanto na Fadesp.
Mas quando o prop6sito verdadeiro esti
oculto, tudo o mais passa a ser secun-
dirio, circunstancial. Inclusive a verda-
de. Que s6 aparece nos veiculos do gru-
po Liberal como propaganda enga-
nosa, 6 claro.


comum em qualquer sociedade
composta pelo homo sapiens, di-
ferindo apenas a maneira de como
6 tratado ou evitado. Quando falo
em n6s, nao me refiro somente ao
Z6 Povinho, que a intelectualida-
de adora culpar por colocar "os
politicos" no poder. Af pergunto:
qual associaqao de classes da in-
telectualidade ou academica esta
produzindo conhecimento ou or-
ganizando movimento consisten-
te, de forma a se contrapor a es-
sas famflias ou grupos que con-
testamos a boca pequena? Como
discutir o assunto se pontualida-
de e assiduidade sao palavras que
nos causam arrepios? Sempre va-
mos para na primeira reuniao, na
segunda chegamos atrasados e
na terceira nao vamos mais. Mes-
mo assim, continuamos feito cri-
anqas birrentas, querendo por
que querendo que as coisas d6em
certo para n6s. Afinal votamos e
pagamos nossos impostos, nao
pagamos? E isso 6 suficiente para
as coisas darem certo, nao 6?
Claro que nao! E essa falta de
lucidez nao se da apenas nas cama-
das menos desprovidas de estudo,
pois para a nossa elite estudiosa,
ainda nao caiu a ficha da necessi-
dade dessa tomada de posiqao, que
a "falta de vontade political" impe-
de que tomemos. Sera que 6 s6
isso? Se cair a ficha, duvido que


tenhamos condicao de sentarmos
a mesma mesa de maneira serena
na busca de solugqes, e com isso
ocupar os espaqos que a democra-
cia (ji) nos oferece e garante.
Sera que nao 6 a fogueira das
vaidades que grassa em nossas
instituicqes e centros de saber,
engessando nossas attitudes,
queimando nossas oportunida-
des e impedindo que faqamos
esse exercicio de humildade, de
mea culpa, na busca daquilo que
pretensiosamente pensamos ser
os donos? Da verdade? Serd que
nlo preferimos jogar a culpa nos
politicos, mas nao nos pergunta-
mos por que eles estao surgindo
de maneira vil e numerosa?
Se fossemos fazer esse exerci-
cio, nao teriamos que reconhecer
que a vilania esta ocupando um
espaqo que seria dos cidadaos?
Mas que estes sao omissos, arro-
gantes e nao tim qualquer forma
de organizaqao para ocupar esses
espacos, fazendo com que as ins-
tituiqres amaduregam e cumpram
seus pap6is como deveriam?
Em se tratando de lucidez, nao
tem sido diferente cor lideranqas
political emergidas de nossas
camadas intelectualizadas, pois,
com raras exceges, uma vez no
poder, seja executive ou legislati-
vo, elas nao tnm se comportado
de maneira diferente daquelas


emergidas das classes nao letra-
das. Do mesmo modo, os emer-
gentes das elites pensantes tem
se perdido pela falta de rumos
como todos os demais, mostran-
do que a ciencia nao 6 tao dona
da verdade como apregoam seus
pretensiosos representantes.
A prova maior disso 6 que nao
temos partidos politicos corn dou-
trinas programdticas consistentes,
seja qual for a origem de seus afilia-
dos. Isso impede que partidos tor-
nem-se centros de aprimoramento
de id6ias, e sim acolhedores de uma
esp6cie nao muito rara por aqui: "o
cara de pau bom de voto", nao im-
portando o que ele pensa ou a que
se propoe. Isso sim 6 uma verda-
deira praga em nosso meio. E as
exceqces sao geralmente levadas
pela "liturgia do poder", faltade res-
paldo de base e falta de rumos tra-
qados a vdrias maos.
Se nao temos partidos ama-
durecidos, poderfamos esperar
por attitudes fora do poder formal,
pois existem pessoas e institui-
c6es da sociedade civil, cor po-
der de mobilizaqao suficiente para
puxar essa discussao de maneira
assertiva,mas naoofazem. Oque
parece 6 que existe medo de nos
expormos a essa questao tao po-
18mica e arriscada, mas extrema-
mente necessiria e indispensdvel.
Logicamente que para isso, tere-


mos que por em risco nossas au-
ras de sapientes e poses de do-
nos da verdade. Ou entao esta
faltando mesmo um insight para a
questao que ainda nao tivemos.
Nessa falta, falar mal de politico
virou lugar comum e rem6dio para
todos os males e alivio de culpas.
Sera que nossas instituiqoes da
sociedade civil s6 se posicionavam
ativamente nos idos da ditadura
quando o inimigo era nitidamente
definido? E agora que ele se disfar-
9a entire n6s e se confunde conos-
co, preferimos a acomodaqao mal
disfargada ao questionamento co-
rajoso para essa depuraqo? Isso
nao 6 abrir mao daquilo por qual
tanto lutamos? A liberdade de ex-
pressao em busca do aprimoramen-
to da democracia e de um ambiente
menos hostile ao surgimento de li-
deranqas comprometidas com a
melhora coletiva. Sera que nosso
projeto enquanto povo 6 sair nas
colunas sociais da vida? Sera que a
viol6ncia das ruas (e dos campos)
ainda nao 6 suficiente para uma to-
mada de attitude mais coerente e res-
ponsdvel com nossos destinos?
E como se estiv6ssemos vi-
venciando uma grande ressaca
reflexiva ap6s o 6xtase da luta
contra a ditadura, cor a qual nao
contamos mais para Geny. Preci-
samos de outras?
Alonso Lins


Jamal Pessoal I~ QU(NZENA ABR(L DE 2008


Jornal Pessoal "o QUINZENA


- A8RIL DE 2008








Dividas
A Defensoria P6blica da
Uniao tem divida em dobro
para corn a populaqao de Be-
16m. Conseguiu preservar a
bela resid6ncia da professo-
ra Maria Anunciada Chaves,
que transformou em sua sede,
mas a apar6ncia do casarao
ji 6 a de uma construqao gas-
ta. Ou o serviqo de reform
foi mal feito, ou faltou dinhei-
ro para um bom trabalho. JA
hi vazamentos e ruinas em
virios pontos. A segunda di-
vida 6 em relaqao a preciosa
biblioteca da mestra: at6 hoje
nao foi entregue a consult
piblica. Sabe-se que virios
livros foram destruidos pelo
cupim, mas parte do acervo
ainda estava preservada.
Como os livros foram adqui-
ridos cor dinheiro p6blico,
nada mais just do que ofere-
c6-los A consult da socieda-
de. O absurdo seria se os vo-
lumes fossem levados para
bibliotecas particulares.
Se a Defensoria continuar
em silencio, espera-se que o
Minist6rio P6blico Federal se
interesse pela questao.


Dona Iza
Numa de suas m6sicas
mais cativantes, Chico Buar-
que de Holanda fala de uma
personagem tao cheia de vita-
lidade que "quem nao a conhe-
ce/ nao pode mais ver pra
crer,/ quem jamais a esquece/
nao pode reconhecer". O mo-
delo cabia A perfeigqo em Iza
do Amaral Corr8a Ayres, que
se foi na semana passada. Ela
foi o esteio de sua familiar e a
companheira em tempo inte-
gral do marido, o m6dico Ma-
nuel Ayres. Serviu de inspira-
gqo e motivacqo para a car-
reira dos filhos, dentre os quais


Poesia de forga:


a destas orquideas


O poema de Paulo Vieira "esti escrito na
mem6ria/ antes mesmo que se gere". Sua poe-
sia 6 instinto, mfsculos, art6rias, fibras. E 6 c6-
rebro, faiscaqes da mente, arquitetura do pen-
samento. Tudo isso dentro dele at6 que se tome
mat6ria, tecida com palavras vivas, aut6nomas,
que se explicam na narrative, fluem na constru-
cao verbal, As vezes se ordenam num discurso,
freqiientemente contrariam a 16gica, surpreen-
dem o sentido, anarquizam o entendimento.
E assim o conjunto de "or-
quideas anarquistas", a brilhar
no seu terceiro livro, o segun-
do a assumir a forma impres-
sa, com esse forte e sugestivo
titulo, que mereceu premio de
poesia do IAP (Instituto de Ar-
tes do Pari), em 2007 e for lan-
qado no mes passado. E um
produto graficamente belo, re-
quintado, de extreme bom gos-
to, artesanal no seu acabamento
paradoxalmente sofisticado.
Ha a aparencia de uma cons-
truqao formal muito 16gica pela precisao de
cada item, visual e verbal.
Mas hi forqas incontroliveis dentro dessa
estrutura, uma voz do inconsciente que deve
muito de suas origens A poesia simbolista fran-
cesa, ao modemismo, ao p6s-modernismo, ao
portugu8s castico, As velhas canq6es de ami-
go, a linguagem coloquial inglesa, a voz ispe-
ra das ruas, A melodia das camas. Em uma


a mais destacada foi a de Jos6
Marcio Ayres, criador de uma
experiencia pioneira e mode-
lar de adequaqao de uma uni-
dade de conservacao ambien-
tal A vida dos seus habitantes
tradicionais, numa interaqao
proveitosa para as parties, o
Mamiraud, no Amazonas.
Dona Iza tornava-se a
mae ou a amiga das pessoas
que conhecia, mal as conhe-
cia, conforme suas idades, tal


palavra: ao mundo vivo e pulsante, que o poe-
ta viu, no qual viveu ou que simplesmente ima-
ginou, subvertendo a realidade e a fatuidade
(at6 inventou seu nascimento "em uma das pe-
quenas ilhas sem nome de Abaetetuba cida-
de dos brinquedos de Mauritia final, a gen-
te nasce onde bem entende").
O poeta, um verdadeiro homofaber, faz o
que quer com as palavras, que Ihe sdo intimas,
plisticas, modeliveis. Seu leitor hi de se sur-
preender agradavelmente ao
seguir seus versos e chegar a
.'".~ '."' desfechos como: "a queda/ tam-
b6m/ de voar/ 6 um jeito". Ou,
pela "linguagem das flores",
t urdida na morte de Haroldo
A.. Maranhdo, ficar sabendo: "nes-
ta crisantemanhd nenhuma floor
se embeg6nia". Ou, no verso
^ A eliptico e poderoso, que vale por
.. 5 mil discursos engajados de re-
volta pela morte da missionaria
Dorothy Stang, na pura e irre-
dutivel expressed artistic:
"horse
(no assassinate de Dorothy)
Esses dias passam de r6deas"
Orquideas Anarquistas (IAP, 2007, 76 pi-
ginas) 6 um livro que nasceu clissico sem dei-
xar de ser vanguardista. Poesia das melhores
ji surgidas em Santa Maria do Grao Pard e
em qualquer parte deste pais. Ou do mundo de
mat6rias e signos do poeta e da sua gente.


sua dedicaqao e entrega.
Nunca a vi triste ou desani-
mada: sempre parecia alegre,
en6rgica, otimista, mesmo
quando enfrentou a doenqa
insidiosa e cruel que anteci-
pou seus dias. Ela manteve
nossa uiltima conversa, ji no
hospital, com a intensidade
daquelas pessoas que espe-
ram viver ainda muito tem-
po e viver por complete.
Se ela nao fez isso, foi por-


SAtra\ es de Co,,na 0 Poder- 2()0 .Ano de Jotul, P'essol I iint
c1c =i poi p\tio anmaIztica)l tento contar capitulos da hist6ria re-
cente do Pard que jamais teriam sido registrados se njo existisse este jomal. E
mostro como o JP conseguiu reconstituir esses fatos e avaliar o seu significado no
mesmo moment em que eles aconteciam. 0 lii ro e composto de trechos de mate-
rias aqui publicadas e de um meta-te\lo no o. que comenta. situa e elucida o cotidi-
anode um jomalismo \erdadeiramente independence, que cumpre sua nissao mais
nobre: ser uma auditagem do powder. Espero que s leitores ajudem a difundiressas "
hisIorias comprando o li\ ro. que esui e ndda nas bancas e em algumas lii rarias.


que, pela primeira vez, sua
decidida opcqo pela vida es-
capou ao control da sua
vontade. Mas s6 se deixou
vencer quando ndo havia
como travar mais um corn-
bate. Foi-se como a grande
companheira e mde de todos
n6s, que sempre foi enquan-
to p6de comandar os seus
atos. Deu-se, por fim, o des-
canso dessa aut6ntica guer-
reira, a do bom combat.





Editor: LOcio Flavio Pinto
EdiFao de Arte:
L. A. de Farla Pinlo
Contato:
Rua Arns'des Lobo, 871 66 053-020
Fones: (091) 3241-7626 E-mail:
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