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FEVEREIRO DE 2008 2" QUINZENA ornal Pessoal A AGENDA AMAZONICA DE LOCIO FLAVIO PINTO MINERIO A Vale nos vale? 0 Pard e uma das bases do enriquecimento da Vale do Rio Doce e do seu future. Mas ndo consegue partilhar os beneficios da empresa. Ela cresce cada vez mais, enquanto o Estado segue em rota oposta. Hd como conciliar os dois sentidos ou estamos condenados a ser um detalhe na grandeza da corporaqdo? Quando a mina de Carajis come qou a produzir, em 1984, cada tonelada de mindrio valia 15 d6- lares. At6 que a China entrasse voraz- mente no mercado intemacional, na pas- sagem do milnio, modificando de for- ma tao dristica o perfil do setor, o preqo do produto nunca fora al6m de US$ 25. Hoje, o rico min6rio de Carajis embar- ca no porto da Ponta da Madeira, em Sao Luis do Maranhao, a US$ 50, mas chega h China a US$ 140. O frete mari- timo, de US$ 90, 6 quase o dobro do valor de producao do mindrio e do frete ter- restre, para transportd-lo pelos quase 900 quil6metros da ferrovia de Carajis. Sem o "fator chines", cuja dimensao nenhum futurol6go p6de prever, os 100 milh6es de toneladas que a Companhia Vale do Rio Doce extraiu no ano passa- do da melhor mina de mindrio de ferro do planet (de um total de 300 milh6es de toneladas de sua producao) lhe ren- deriam, numa hip6tese provdvel, 2 bi- lhbes de d6lares. Mas a empresa fatu- rou em 2007, s6 em Carajis, como mi- neradora de ferro, US$ 5 bilhoes brutos (sua receita global deve ter superado US$ 32 bilhoes). No entanto, quanto ar- recadou de frete, atrav6s da sua empre- sa de navegagco? Certamente mais do que como mineradora. Os nimeros exa- tos, por6m, ningu6m conhece. Essa 6 uma informaqao que a Vale nao gosta de partilhar com a opiniao piblica. Mais de 30% da produqao de ferro de Carajis vai atualmente para a Chi- na. Incluindo o Japao, a Asia 6 o desti- coMi'kTiA NA PAG i A FEST DO LII M N' 411 ANO XXI R$ 3,00 BELEM: CASA DA MAE JOANA PAG. 7 CONTINUAM;AO DA CAPA WAmmuM.mmm no de quase 60% dessa montanha de min6rio, transferida entire mares de um continent para outro. Nesse caso, o valor do frete asiitico ultrapassa em 10% os US$ 5 bilh6es de receita bruta da Vale cor a venda do min6rio de Carajis. Parte considerivel desse va- lor entra para os cofres da ex-estatal, atrav6s da sua pr6pria empresa de na- vegaqao, que trocou de razao social pro- vavelmente para permanecer A sombra da holding. A outra parcela 6 paga a terceiros. Admitindo-se, para efeito de raciocinio, que o frete m6dio para os 40 milh6es de toneladas restantes da producao de Carajis, destinada princi- palmente a Europa, represent um ter- qo do custo asiitico, o transport inter- nacional de min6rio ainda movimentard mais US$ 1,5 bilhao. Conta final dos fretes de Carajis: uns US$ 8 bilhoes. Somadas as duas contas, s6 o min6- rio de ferro de Carajis representou, no ano passado, 13 bilh6es de d6lares. Quanto desse valor ficou para o Esta- do do Pard? Se forem incluidos na ava- liaqIo itens como a massa de saldrios, a compensaqao financeira, o royalty e compras locais, a percentage pode ir a algo pr6ximo de 10%, se tanto. O in- dice podia crescer significativamente se a Vale pagasse ICMS, do qual foi pou- pada pela nefanda lei Kandir (por coin- cidencia, entrou em vigor no ano da pri- vatizaqao da CVRD), que desonerou os exportadores de mat6rias primas e pro- dutos semi-elaborados. E subiria muito mais se, no estabelecimento de algum equilibrio entire a empresa e o Estado, fosse considerado como parametro o PIB do min6rio de ferro. O que a Vale esta deixando em ter- rit6rio paraense 6 uma pequenissima parte da riqueza que o Pard lhe possibi- lita alcanqar. Ainda mais se considera- dos os outros bens minerals que a em- presa ji esta explorando ou vai come- qar a explorer (e em escala acelerada- mente intensificada) em Carajis: cobre, niquel, ouro e mangan8s, que, somados, em pouco tempo, ultrapassarao o valor da conta do min6rio de ferro, se forem destinados a mercados de boa recepti- vidade. Considerados ainda a bauxita, a alumina e o aluminio, o Pard 6 o re- duto por excelencia da diversificaqao que a Vale busca para sair da depen- dencia do min6rio de ferro, ainda a sua principal mercadoria. O future da Vale tem sua matriz no Pard, mais do que em qualquer outro Estado brasileiro e qualquer das regi- es do mundo nas quais a empresa jd se fixou (Canada, Mogambique e Indo- n6sia). Depois de ter adquirido em 2006 a canadense Inco, dona da maior re- serva de niquel e segunda maior produ- tora desse metal, por 19 bilh6es de d6- lares (o maior neg6cio jA feito por uma empresa da Am6rica do Sul), a Vale estd se propondo um lance de valor mais de quatro vezes superior entiree US$ 80 bilhbes e US$ 90 bilh6es): a compra da anglo-sufqa Xstrata, a sexta maior mi- neradora do mundo, com presenqa for- te em cobre, niquel e carvao. As jazi- das de cobre e niquel de Carajds deve- rao contribuir bastante para colocar a Vale no topo do ranking international dessas substancias, em associaqao com os novos dep6sitos adquiridos em ou- tros paises pela companhia. Desta vez, ao que parece, a opinion p6blica esta mais atenta do que duran- te a operaqao com a Inco. Mas nao parece tao bem informada para avali- ar adequadamente o significado desse neg6cio. Apesar das declarag9es tran- qiilizadoras do president da Vale, Roger Agnelli, sugerindo que sua em- presa jd tern porte suficiente para en- carar um desafio international de tal envergadura, deve-se recear pela evo- lugqo no grau de desnacionalizaqco da antiga estatal. A caracteristica origi- nal dessa desnacionalizaqao nao 6 a perda do control formal da empresa, jd que, na pior das hip6teses, as aq6es ordindrias representarao metade do capital total da monstruosa corporaqao que resultaria da simbiose entire a Vale e a Xstrata, cor valor de mercado batendo pr6ximo de US$ 200 bilh6es. O control nominal do capital continu- aria cor o fundo de previdencia Previ (dos funciondrios do Banco do Brasil), o Bradesco e o BNDES. Alivio para os nacionalistas? S6 para eles. Um olhar mais rigoroso sobre os pap6is evidenciard de imediato que a Mitsui, mesmo sendo uma compradora de min6rio da Vale, passou por sobre as normas da desestatizagqo e hoje tem seu naco de aqces ordindrias, que lhe con- ferem participalao nas decis6es da em- presa. O Bradesco, principal agent da modelagem da venda, em 1997, tambmni transformou em p6 as salvaguardas do edital de alienaqao e hoje 6 o segundo maior acionista. E o Bradesco, atrav6s de sua cria de maior sucesso, Roger Agnelli, fez da criatura sua imagem e semelhanqa. AVale estd se torando uma tipica paper company dos novos tem- pos, entidade de marca mais financeira do que econ6mica, apesar de seus volu- mosos ativos materials. O significado desse novo perfil (de velha conformatura, mas com enfase original) pode ser aquilatado pelas aventuras do empresdrio Eike Batista, o alquimista do papel. Ele usa uma f6r- mula-padrdo: junta informaqces privi- legiadas, recruta gente estrategica- mente situada, tirando-a de seus em- pregos com salirios vantajosos e par- ticipagqo na receita, e invested como um b6lide em stores de risco mas de future para aplicar golpes de audi- cia fantistica. Em um ano criou uma empresa de mineraqao e a esti ven- dendo a Anglo American por incrfveis US$ 5 bilh6es, 50% a mais do que o valor de compra (US$ 3,2 bilh6es) do control acionirio da CVRD, que hoje vale US$ 140 bilh6es. Se a MMX 6 pouco mais do que pa- pel (sua inica jazida real esta no Ama- pi), por que a Anglo se disp6s a gastar tanto? Provavelmente para conquistar posiq6es no pafs (ainda) sede da Vale, justamente a empresa que a destronou do segundo lugar dentre as maiores mi- neradoras mundiais. Seu foco esti na infraestrutura, que poderi montar com o control de uma empresa de grande potential, e na detenqdo de informaqaes privilegiadas. AVale nao apenas temjazidas valio- sas no Brasil: possui uma logistica sem pararelo em qualquer outro pais. Essa rede de transport e de energia s6 p6de ser formada graqas A sua condiqgo de empresa estatal. Quando foi privatiza- da, esse fator foi equivocamente consi- derado circunstancial e sub-avaliado, como todo process de privatizaqao, uma das chagas abertas no coragqo dos inte- resses nacionais pelo governor do princi- pe Fernando Henrique Cardoso, nosso tardio d6spota esclarecido. A desnacionalizagqo, camuflada, mas poderosa, vem a reboque dessa teia de engrenagens financeiras, tecida por per- sonagens como Agnelli em gabinetes e bolsas espalhado pelo planet, sem mui- ta consideragqo por sedes territoriais e governor nacionais. Quando comprou a Inco, por pressao do governor canaden- se, a Vale cedeu o poder decis6rio sobre o niquel, que agora esti no Canadi. Apenas transitoriamente? E o que a Vale declara, mas por enquanto nao pode ofe- recer como garantia mais do que pala- vras. De fato, Carajis passou a ser um elo da engrenagem do niquel comanda- da a partir do Canada. CONCLUv NA PAG 3 2 FEVEREIRO DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal corsmTiNAAODA PAnS - O mesmo, em escala multiplicada, poderi acontecer com a incorporaqio da Xstrata, se a compra vier a se con- sumar. S6 que, por seu tamanho, a ope- raqao sera ainda mais intrincada. Dos 80/90 bilh5es de d6lares de que preci- sari, a Vale ji tem a garantia de um cons6rcio de bancos para US$ 50 bi- lhSes. Espera amealhar US$ 30 bilhoes com a troca de ages preferenciais cor os acionistas da Xstrata para manter seu endividamento num valor aceitivel pelas ag8ncias de risco (que seria em torno de US$ 35 bilhoes, mas deveri estourar esse limited O restan- te vird por outras vias (o BNDES de sempre, agora ainda mais disposto, e geragqo de caixa). Os jogadores de Wall Street ji tem dois terqos das aq6es preferenciais, que representam 40% do capital glo- bal da Vale (e chegarao a 50% se a transaqao com a Xstrata for realmen- te realizada). Ao inv6s de pulverizar suas aq6es no Brasil, tornando-se uma empresa do tal capitalism popular, a Vale serd, cada vez mais, um braqo das paper company e seus boys de ouro. O que elas querem? Dividendos e mais dividends, neg6cios e mais neg6cios, precos sempre mais elevados, lucros e lucros. Essa sofreguidao 6 tanta, ao sabor das selvagens regras do mercado finan- ceiro, que cada noticia de compra de empresa pela Vale 6 seguida por uma queda das suas aqces. E o reflexo da expectativa de reduqao do pagamento de dividends, que todo investimento de expressed provoca a curto e m6dio pra- zo. Perder posicao na classificaqao de risco afeta a imagem da companhia em Nova York, a principal bolsa de comer- cializaqao de seus pap6is, onde a Vale foi a empresa estrangeira mais negoci- ada no ano passado. Se montanhas de commodities con- tinuarao a ser sugadas do Pard no rumo da China insaciavel, deixando buracos no ponto de origem, isso 6 detalhe, ou circunstAncia. E nisso em que nos es- tamos a transformar e a reduzir. Nao 6 um destino glorioso, nemjusto. Mas o tempo passa e a possibilidade de rever- ter esse quadro se torna mais remota, inclusive porque os patamares elevados de preqos nao se manterio e a crise, mesmo com a poderosa demand chi- nesa, esta batendo a porta. Quando se for abri-la, ela revelard uma surpresa: o que podia ser uma fonte de riqueza sera uma forma de pobreza. A imprensa publicou outro dia uma foto que vale como iconografia da elite dirigente do Pard: cinco goveradores se reuniram no ani- versario de um deles, o mais antigo, Aur6lio Correa do Carmo. Posaram para a posteridade, pela seqiiencia cronol6gica no cargo, Alacid Nunes, Jader Barbalho, H6io Gueiros e Carlos Santos. A image nao incluiu os outros tres tnicos ex-governadores ainda vivos: Jarbas Passarinho, Almir Gabriel e Simao Jatene. Certamente algu6m logo acrescentard os nomes de Ladrcio Franco, Hl6io Gueiros Jr. e Val6ria Pires Franco. A maneira do apresenta- dor e comerciante Santos, alegre, como sem- pre, na foto batida no aniversario de Aurl6io do Carmo, os tres tamb6m foram companhei- ros de chapa do governador e assumiram even- tualmente o cargo. Mas nao devem contar, por nao terem sido eleitos. Sao residues de democracia autocrdtica (se tal 6 possivel) que o Brasil cultiva, remanescendo de inclinaqges oligArquicas na fundaqao do pais, que se tor- nou liberal a sombra da casa-grande. Mesmo sem terem sido eleitos, acabam por ocupar cargos eletivos (como os bi6nicos suplentes de senadores). Em favor de Carlos Santos (e em desfavor do Estado), conta o fato de ele ter assumido o governor nos nove iltimos (e mais do que terriveis) meses no segundo man- dato de Jader Barbalho. JA os dois governadores tucanos dificil- mente iriam ao convescote na Estag~o das Docas. Almir nao aceitaria ombrear seu ante- cessor e menos ainda, agora, ficar ao lado do seu ex-amigo e ex-correligiondrio Jatene. Os dois t6m magoas incontorndveis um do ou- tro. Almir, mais iracundo e rancoroso que to- dos, estA convencido de que a falta de apoio do seu antigo pupilo foi a causa principal de ser derrotado por Ana Julia. E Jatene nao perdoa o padrinho por nao Ihe haver permiti- do disputar a reeleiqao, como fizera o pr6prio Almir, sem qualquer embarago partiddtio. Se fosse o candidate, Jatene teria o apoio de Jader e Ana Jilia Carepa, nesse context, nao se apresentaria como candidate do PT. Nao venceria sem a cobertura do PMDB. Ja- tene nunca fechou totalmente a porta para Jader, para desespero do cap do PSDB. Por isso, talvez, nao fosse impossivel seu compa- recimento a festa de aniversdrio corn o quinte- to goveramental, ao contrario da absolute impossibilidade quanto a Almir. Mas tamb6m nao seria recomendavel, ainda, abrir eventu- ais jogos, escondidos na manga da casaca. A presenqa de Aurdlio do Carmo ao lado de Alacid Nunes seria uma prova do espirito democrdtico dos dois ex-governadores. Au- r6lio foi cassado tres meses depois que o grupo military, do qual Alacid fazia parte, to- mou o poder national, em abril de 1964 (abril 6 o mais terrivel dos meses, alertou o poeta Eliot). O chefe, na 6poca, era Jarbas Passari- nho, mas Alacid dificilmente conseguiria tro- car o quartel pelo palacio se a antiga estrutu- ra de poder, montada pelos "baratistas" em torno do PSD, que entronizou Aurl6io, nHo tivesse sido desfeita por Passarinho, o "an- fibio" da linha de frente. "Desfeita", alids, nao 6 o termo exato: "remontada" seria a expressao mais adequa- da, quando Passarinho deu o iltimo pass que faltava para se assumir abertamente como politico (agora, professional). Aurdlio foi descartado depois que muitos do seu esquema trocaram de camisa, possibilitan- do a eleiqao indireta, pela maioria da As- sembl6ia Legislativa, do novo governador, o coronel Passarinho (enquanto o tenente- coronel Alacid ia para a prefeitura de Beldm, no lugar de Moura Carvalho). Alacid tamb6m teria motives para nao querer a companhia de Jader Barbalho. O entio deputado federal do PMDB dificilmente teria derrotado o esquema federal, patroci- nado por Passarinho para eleger Oziel Car- neiro, com o decidido apoio do presidente- general Joao Figueiredo, se nao contasse com a dissidencia do governador. Alacid estava tao interessado em se livrar de Passarinho que arcou cor o desgaste de trair seus anti- gos colegas de caserna. Figueiredo chamou- o para um acerto "la fora", mas Alacid, as usual, nao foi. Ganhou por um W x 0 perver- tido, na 16gica internal dos aquartelados. Tao logo se investiu no poder, Jader tra- tou tamb6m de se desvencilhar dos "alacidis- tas", o que fez corn a eficdcia costumeira dos seus muito apreciados golpes de mao. Mas logo depois provaria tamb6m sua cota do pr6- prio veneno, servido frio por H61io Gueiros, a quem arrastou para o Senado e o governor, na esperanqa de que o correligionario e amigo mantivesse o lugar esquentado at6 a sua vol- ta. Gueiros tinha outros pianos e apoiou o adversArio de Jader na eleiqao seguinte, con- tando com todas as baterias do grupo Liberal, azeitadas por muito dinheiro ptiblico. Voltou a carregar nas tintas da acusacao ao malversa- dor dos recursos pdblicos, na v6spera trata- do por ele como estadista. Passando a borracha no passado, remo- to ou recent, la estavam os cinco ex-gover- nadores, sorridentes e felizes, como amigos de infancia e companheiros de viagem. Mais do que uma demonstragao de espirito demo- crdtico, o que nao se pode deixar de louvar, em homenagem a tolerancia, vital em political e tudo mais, o que eles fizeram na festa de aniversario de Aur6lio do Carmo foi mostrar que o que os separa, aparentando tudo, 6 nada. O mesmo nada de substancia que po- deria distingui-los quando no exercicio do poder mAximo em um Estado tao carente de lideranqa positive, de projeto, de luz, de coe- rencia e de determinaq~o. Melhor, para eles, foi mesmo cumprir o rito do natalicio: bater palmas, cantar o para- b6ns, cortar o bolo, trocar abraqos e posar sorridentes para a muda foto da posteridade das grandes liderangas do Estado. Eles sao o Pard que decide. Errado, invariavelmente. Journal Pessoal 2 QUINZENA FEVEREIRO DE 2008 A foto da festa: os ex-governadores Portel: ainda a pol6mica No final de 1996 publiquei neste jor- nal duas cartas violentas que me foram mandadas pelo jornalista Evandro Olivei- ra Bastos, falando em nome da Constru- tora C. R. Almeida, como seu "coordena- dor de projetos especiais". Era a reagdo feroz da empresa as minhas matirias so- bre a grilagem que ela perpetrava na "Terra do Meio ", no Xingu, valendo-se da penaferina de um brilhantejornalista, as vezes de aluguel. Resisti aos ataques da dupla, que se desfaria posteriormente, por desavenqa in- testina, e a sucessdo de aoqes judiciais mo- vidas a partir dai contra mim por Cecilio do Rego Almeida, e por personagens vin- culadas a grilagem de terras e a extracao illegal de madeira na regido, onde subsiste a dltima grande reserve em territdrio pa- raense de mogno, a madeira amaz6nica de maior valor no mercado. Foram nove acdes penais e civeis, das quaisjd resultaram duas condenaqdes, uma pendente de decisdo na instdncia superior do judicidrio national. Cometi o "crime" de chamar o grileiro de grileiro. Quem es- tiver interessado na histdria poderd encon- trd-la entire as pdginas 165 e 265 do meu livro Jornalismo na linha de tiro. Hd 12 anos pago um preqo caro por ter escrito sobre o tema, revelando todo o mecanismo da apropriaqdo ilicita, e de ter ajudado o Iterpa, como consultor a promover a aqao de anulaado e cancelamento dos registros imobilidrios da enorme grilagem de terras da C. R. Almeida. A segunda carta reproduzida a se- guir que o advogado Ismael Antonio de Moraes me enviou, a prop6sito da polemi- ca de Portel (e ndo do Paru, como saiu, por lapso, na ediqdo anterior), integra a tradiqdo dos ataques ferozes que tentam me intimidar. Sem a mesma maestria de Oliveira Bastos no trato com as palavras e no raciociniofluente e melifluo, Ismael car- rega nas tintas e nos adjetivos para me de- negrir e desmerecer. Podiamos estar aqui a esgrimir com nossos floretes verbais, jd que ambos es- tariamos combatendo cor o mesmo obje- tivo: o bem coletivo. Ele podia me mos- trar que eu me equivoco em vdrios dos ter- mos do meu discurso e estou errado sobre a participagdo dele na causa. Mas ao in- vis de juntar suas pedras as minhas na construqdo de um discurso em favor dos habitantes tradicionais dessa regido de Portel, esbulhados por interesses parti- culares e descurados pela acdo public, ele invested raivosamente contra mim, como se eu tivessefeito o mesmo em rela- cdo a ele e esse fosse o mdvel principal da questdo. 0 que e absolutamente aces- sdrio transforma-se assim no eixo da con- trovdrsia, da perspective dele. Mas ndo da minha. Continuarei a ig- norar os ataques pessoais que ele me faz, simplesmente porque ndo me atingem e ndo vejo em Ismael um contender com o qual me interesse medirforqas. Se ele quer uma rixa de rua, respondo-lhe como convem ao tipo: cresca e apareca. Sua anna maliciosa continue a ser a intriga. Ele volta a tentar me indispor corn o jornalista Carlos Mendes, a quem usa como contraponto na sua mambembe and- lise comparative de jornalismo. Repito o que disse na edicdo anterior deste journal: Mendes fez reportagem em 0 Liberal; eu fiz andlise critical. Ele procurou se ater aos fatos, que relatou. Eufui aldm: interpretei- os. 0 "alem" ndo quer dizer quefiz melhor. Quer dizer, simplesmente, que ultrapassei o ponto ao qual ele se limitou, numa re- portagem noticiosa, que ndo questionou o conteudo da aqdo, como fiz, por isso ndo deixando de apresentd-la como merit6ria. Mais vil e a intriga que Ismael tenta fazer com os advogados que participaram da minha defesa ao long dos ultimos 15 anos, durante os quais enfrentei 33 ao5es no fo- rum de Belem. Neste caso, ele se prestou a um papel infeliz, ndo sd tentando me intri- gar cor essas pessoas, mas tambem ten- tando atrair sobre meus patrons e sobre mim a vigildncia corporativa da OAB/ Pard, como se estivessemos a delinqiiir o que e ridicule. Vejo-me obrigado a relembrar aos meus cars leitores o que jd disse e repeti inti- meras vezes, aqui, em meus livros recentes, em entrevistas e em conversas de rua. Meu primeiro advogado foi Carlos Lamardo Corr&a, nas cinco agdes ajuizadas contra mim por Rosdngela Maiorana Kzan, uma das donas do grupo Liberal, em 1992. Na 9poca, Carlos ndo tinha escritdrio de ad- vocacia particular ndo freqientava o fd- rum, ndo tinha mais disposiqdo para o exer- cicio da advocacia e estava completamen-' te absorvido por suas tarefas no departa- mento juridico do Iterpa. Depois de pere- grinar sem sucessopelos escritdrios de oito advogados, que ndo pareciam dispostos a encarar a batalha contra uma das herdei- ras do imperio de comunicaqdo criado por Romulo Maiorana, apelei a amizade de Carlos e ele acabou aceitando. Mas eu precisava "fazer o frum ", acompanhar os processes atravis do Didrio da Justipa (sem os recursos atuais da internet), ajudd-lo na pesquisa de material e na elaboracdo das peas. Esta dltima colaboracdo ter evidence razdo de ser: alem de persona- gem no enredo, sou jornalista, obrigado por dever de oficio a terfluencia na escri- ta. E assim trabalhamos durante vdrios e drduos anos. Chegou um moment em que percebi estar sacrificando em demasia o amigo. Fe- lizmente, uma outra amiga, Margareth Carvalho de Moraes, se ofereceu (tamben deforma absolutamente gratuita) para as- sumir a causa. Jd adestrado por um advo- gado com a competencia de Carlos Lama- rdo, pude ser ainda mais dtil a minha nova defensora, poupando-a de tudo que ndo fosse essencial a sustentacio de litigdncia corn poderosos escritdrios de advocacia, que dispunham de uma estrutura sem ter- mo de comparaqdo cor os meios de Mar- gareth. Numa guerra de David contra Go- lias, ela se manteve nesses duelos de diale- ticajuridica (e de muito mais) ate que tam- bdm seu desgaste de tanto tempo se reve- lou insuportdvel, causando danos a sua prdpria sadde. Tive sorte de contar com a pronta soli- dariedade do meu tio, Benedito Martins, na continuaqdo de uma luta durissima em diversas varas penais e civeis, assim como em camaras do TJE. A bravura do doutor Benedito e tamanha que ele se mantem na pugna, apesar de ter sofrido problems graves de sadde. No ano passado, chegou a correr risco de vida em internadio no hospital da Beneficente Portuguesa, mas renasceu como Finix cametaense. E 6bvio que sua condiqao fisica requer cuidados e a mim o que mais interessa e preservd-la. Por isso, se intensificou meu trabalho de auxilio, semelhante ao que desde o inicio prestei a Carlos e Margareth. Mas tudo que faro serve de element para o verdadeiro trabalho de organiza- qdo e elaboracdo juridica, que dd consis- tencia formal as peas e seguranga juridi- ca a minha defesa (alem da devida assina- tura professional as peass. Para isso, con- ta uma valiosa experiencia de 30 anos do dr Benedito Martins, sobretudo na chefia do departamento juridico do Banco do Brasil. Quemfreqiienta o frum sabe quem ele e e o respeita. E um trunfo a meu favor Ismael Moraes tenta reduzir tudo isso a uma infdmia. Ndo conseguird seu in- tento. As pessoas de bem e de conscien- cia conhecem a causa de um jornalista independent, vitima de um autintico Gulag tropical. E sabem porque a tenho exposto deforma leal e clara, reiteradas vezes, neste journal e em outros lugares. Lamento sinceramente ter que retornar a essa questdo por uma manobra torpe do meu contender. 4 FEVEREIRO DE 2008 .*2QUINZENA Jornal Pessoal S Eu jd ndo o devia mais levar a sdrio e ndo levarei. Ele reinventard regras e assa- card arguments sem qualquer considera- qgo pela seriedade e o rigor dosfatos. Nao para esclarecer e contribuir para o deba- te, mas para agredir e intimidar para ven- cer uma causa a qualquer prego, ndo s6 simbolicamente falando. A assim que logo sai proclamando que, ao receber a sua carta anterior, "o jornalista procurou ob- terjunto ao Dr. Paraguassd Eleres (...) in- formaoaes que pudessem fazer desacredi- tar a aqdo". Eu ndo procurei nada: Para- guassud que veio espontaneamente a mim, sem qualquer provocaqdo da minha parte, com sua carta e documents, que, tambem de moto prdprio, anexou. S6 entdo os li. Se estou fazendo a interpretagdo certa das informaqdes, eis a questdo, a qual nos deviamos aplicar, em beneficio dos mora- dores da regido e do esclarecimento dos conflitos existentes, sejam fundidrios ou agrdrios. Por que Ismael tem que trazer ao debate referencias que nada tem a ver com esse tema? Por que desviar a questdo do seu eixo para centrar fogo na minha pes- soa, se procurei tratar defatos e iddias re- lativos apenas a aqdo e suas circunstanci- as, abstraindo as pessoas, uma das quais me e grata? Continuam de p todas as critics subs- tantivas quefiz na primeira matiria sobre a demand: os patrocinadores da agdo ndo deviam ter dado a ela um valor tdo alto quanto 200 milhdes de reais; deviam ter deixado que a apuraqdo quantitativa fi- casse para a instruqdo processual, com a designagao de um perito judicial; podiam ter promovido aqoes em nomes dos mora- dores da regido, sem recorrer a prefeitura municipal, ao sindicato e t associaqdo; deviam apenas ter declarado o direito, ao invis de enveredar pela indenizaqdo (o va- lor da causa ndo d a indenizaqdo, mas d um valor de referencia para a definiqdo da aqdo), jd que usavam os direitos humans como forma de prevenir a declaragdo de prescriqgo (porque o fato que a ela deu origem e velho de 30 anos) e poder recor- rer a uma corte international (que, obvia- mente, ndo arbitrary a indenizacdo a ser paga nos limits territoriais de uma nacdo soberana, referente a direitos civeis, e mes- mo penais); podiam compensar os agra- vos aos moradores de Portel atravis de beneficios a serem concedidos a partir do reconhecimento dos seus direitos, conce- dendo-lhes todos os beneficios para uma vida decent em terras suas. Qualquer que seja o vencedor da con- tenda, ou ela venha a ser encerrada atra- ves de acordo, sempre sobrardo os hono- rdrios a serem pagos aos advogados. E como eles serdo pagos sobre o valor da causa, sejam de 5%, 1%, ou mais, ou me- nos, serao valores enormes para advoga- do que defended os moradores tradicionais "pela causa" hd sete anos, metade do tem- po da sua carreira de advogado (ainda nao suficientemente famoso como ele pa- rece sejulgar merecedor). Ainda mais porque, como diz o presi- dente do Iterpa, em outra carta, tambbm publicada nesta edigdo (e chegada por ini- ciativa do missivista, sem qualquer emula- gao minha), um entendimento estavia em curso e poderia ter-se tornado vidvel. Pro- vavelmente ndo mais agora, cor a instau- ragdo do procedimento judicial, a nio ser que haja acordo nos autos (a ser atenta- mente verificado), que resultard em hono- rdrios para o patrocinador dos moradores tradicionais. Nao hd ddvida que e direito liquid e certo do advogado da causa. Mas a ser moral, diante da histdria que se apre- senta, e outra histdria. Fico penalizado em perder tanto espa- Vo dentro do meu pr6prio journal para um polemista dessa qualidade, como o leitor verificard, lendo-lhe a carta a seguir Ndo tenho receio em ser criticado, mas, depois de tantas experiencias semelhantes, a ulti- ma das quais com Oliveira Bastos, sei mui- to bem o que estd por trds desses ataques porjd ter experimentado dos seus venenos e ter a eles sobrevivido, numa posiqdo de compromisso inalterada, enquanto meus detratores retornaram aos seus interesses pessoais depois que a defesa da bandeira a tornou esfarrada. Quanto a drvore que a antiga CVRD, hoje Vale (e tdo Cia. Vale do Rio Doce quan- to antes, ao contrdrio do entendimento do causidico), plantou em meu nome em Cara- jds, duvido que essa singela cortesia amo- leqa o acompanhamento critic quefaqo da exploraiqo da maior provincia mineral do planet ndo desde ontem, mas hd exatamente 40 anos. Em 1968fiz a minha primeira via- gem a regido. Dela voltei cor minha pri- meira matiria de critical. Desde entdo, es- crevi ndo meia dazia, mas dazias e ddzias de textos sobre Carajds e a Vale. E continu- arei a escrever como se ve nesta ediqdo e se verd nas prdximas, se ndo continuar a ser desviado do meu trabalho por espiroque- tas da hist6ria, da qual sdo nada mais do que um acidente irrelevant. Convenhamos: sempre que possivel, d melhor deblaterar cor pessoas civilizadas do que com inter- locutores sem a menor lhaneza no trato. Espero, na prdxima ediqao, ser poupa- do dessa miudeza infame e voltar aos te- mas que absorvem positivamente meu tem- po e clamam por ser apresentados ao dis- tinto ptblico. A questao jd estd suficiente- mente posta. Agora, e acompanhar os seus desdobramentos. CARTA DO ADVOGADO ISMAEL MORAES Respondo As leviandades lanqadas na ediqao anterior, em nome pr6prio e em nome daqueles a quem represent (o Municipio, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a Associaqdo dos Trabalhadores Agro-Extra- tivistas de Portel, substitutes processuais das populacqes tradicionais, e nao de me- ros "posseiros"). Interessante que seus leitores saibam como funciona seu jornalismo (que arroga nao ser "limitado" como o do seu colega Carlos Mendes), e sim "analitico". Diria que 6 no jornalismo investigative, mas meramen- te "vingativo". S6 ap6s o protest da carta insubmissa As inverdades, 6 que ojornalista procurou obterjunto ao Dr. Paraguassu Ele- res (que, mesmo contratado, na condiqao de agrimensor, pela empresa ABC para demar- car as terras, nao se omitiu em exigir provi- d&ncias do Iterpa quanto A exist&ncia das populaqbes tradicionais) informaaqes que pudessem fazer desacreditar a aqao, mas dis- torce escandalosamente quanto ao seu con- teddo e quanto ao carter da informaqao pres- tada, passando inverdades ao leitor. Causou-me surpresa que o respeitado advogado houvesse transmitido aquela afir- maqao no sentido apresentado, posto que, logo ap6s a propositura da aqgo, enviei-lhe c6pia da inicial. Ap6s 18-la, elogiou o traba- lho e afirmou-me inclusive que havia muitas outras ilegalidades envolvendo a documen- tacao da empresa ABC que eu nao havia re- ferido na peca processual. Ao deparar a afir- magao desse journal, fui ter corn o Dr. Para- guass6. Este nao apenas negou que o con- teddo transmitido como sendo sua carta fos- se o apresentado pelojornal, como registrou isso em um e-mail com o seguinte texto: "Pre- zado Ismael, a respeito dos lotes requeridos pelo grupo ABC, no loteamento "Joana Pe- res", informo que sao vinte e um (21) lotes, situados na parte oeste do loteamento, nas margens do rio Pacaj&, os quais foram ad- quridos por compra da ABC aos ocupantes tradicionais e depois requeridos ao Iterpa. As c6pias dos requerimentos, onde estio insertas as coordenadas geograficas, podem ser obtidas no Arquivo do Iterpa. Vale res- salvar que nenhuma dessas aquisic5es de posseiros e requerimentos envolvem terras na regiao do rio Camaraipi e nem nas dos Igarapes Moconhas e Candird, ambos aflu- entes do Pacaja. Abragos. Paraguassdu le- res" (sem grifos no original). Ou seja, o que o respeitado advogado fundiarista informou diz respeito a uma re- giao de Portel sem qualquer relacao com aquela objeto da acio muito bem especifi- cada na petipCo inicial, que e a regiao dos Igarap6s Moconha e Candir6 no Rio Paca- ji e a Regiao do Rio Camarapi. Tanto 6 ver- dade que a pr6pria empresa ABC nunca utilizou essa est6ria (que j teria pago pe- las posses defendidas na ACP) como ele- mento de defesa ou ataque nas diversas CONIA NA NPAG Jornal Pessoal 2 QUINZENA FEVEREIRO DE 2008 5 medidas movidas contra as populaqbes tra- dicionais de que sou advogado hA 7 anos. Isso demonstra que Liicio Flivio (trans- tornado marginal da cr6nica policial cario- ca) continue passageiro da agonia, pois ou nao leu a inicial (negando o altivo feitio "analitico" de seu jornalismo) ou, afoita- mente, querjustificar sua m6-f6 agredindo fatos. Os ribeirinhos estao l1; a realidade esta Ia. E, inclusive, segundo informacqes recentes, a pistolagem esta 16, de volta a region. Para que o leitor tenha id6ia da imen- sidao da regilo envolvida na questdo, e que foge a onisciencia dojornalista, da sede do Municipio ao alto Rio Camarapi sao quase quatro horas de viagem de lancha com velocidade m6dia de 60 km/h. Em mensagem recent a mim remetida, o Dr. Paraguassu registrou que posses (re- pita-se, fora da regiao objeto da Aqo Civil Pliblica) teriam sido havidas nao por inter- m6dio de si, mas segundo versao de um entao advogado da empresa ABC, de nome Virgflio, queji teria falecido, e que nao dei- xara qualquer document comprobat6rio de tais aquisiq6es junto aos posseiros (escri- turas de cesslo de direito de posse ou me- ros recibos). Tamb6m me entregou c6pia de um off- cio enviado pelo Iterpa a ele onde estA nar- rado problemss com posseiros" contradi- zendo a afirmaqao atribuida a si pelojorna- lista. AliAs, quanto a lisura da empresa ABC, o Dr. Paraguassd sempre lembra do calote de que foi vitima. Impression (e muito!), a mudanga de postura no jornalismo vingativo adotado pelo jornalista/rabula. Na 1a ediqao em que o assunto foi tratado, admitiu existir a grilagem e como se opera- va: a aquisigqo de terras em nomes de di- versas pessoas ffsicas (testas de ferro) para burlar o limited constitutional e a quase ime- diata transferencia ao grupo econ6mico que queria se subtrair da aprovaqao do Congres- so. Agora, as terras pdblicas podem ser "ad- quiridas" de "posseiros" e logo legalizadas formando latif6ndios medievais. Nada de mais nisso! Ficou claro na resposta do jornalista o leitmotiv das distor95es perpetradas na ma- t6ria: sua angtistia, seu delfrio com a possi- bilidade um advogado receber honorarios milion6rios. Para aplacar seu despeito, men- tiu dizendo que o valor da causa era o pedi- do de indenizagqo, omitindo que os princi- pais pedidos da media judicial sao para realizar process discriminat6rio, anular os titulos emitidos em favor da empresa (ali- As, pedindo que o Iterpa e o Estado do Para sejam proibidos de indeniza-la) e mandar que sejam expedidos titulos em favor de quem seja identificado como populaco tra- dicional. Ap6s a carta protestando pela cor- recqo, foi direto ao assunto: afronta-o a pos- sibilidade de um advogado receber honorA- rios miliondrios. Como nao 6 advogado e 6 deficiente em conhecimento juridico, nao sabe que "o valor da causa deve corres- ponder ao conteddo econ8mico da preten- sao deduzida em juizo" (conforme decis6es reiteradas do Superior Tribunal de Justiqa), assim como nao existe na lei a hip6tese mi- nima de 5% no arbitramento de honorarios contra Fazenda P6blica, caso em que serao fixados por apreciagqo eqiiitativa, de acor- do cor o artigo 19, 4 do C6digo de Pro- cesso Civil, podendo chegar a at6 1% do valor da causa, ou menos. Nao ha nada de illegal nisso; nao ha nada de imoral nisso. Ilegal e imoral 6 agir como age ojorna- lista L6cio Flavio Pinto: basta ser-lhe in- terlocutor por 3 vezes para ouvir-lhe dizer que todas as peas processuais das cau- sas em que 6 parte slo por ele redigidas, que os "seus" advogados "s6 fazem assi- ni-las". Demonstra nao apenas ingratidto e desrespeito cor os profissionais que nutrem compaixao e pena pelo passageiro da agonia, mas confessa mesmo uma pos- sivel falsidade ideol6gica ao trombetear a pratica de ato ilicito capaz de anular todos Ao tomar conhecimento da aqao civil p6blica divulgada pela imprensa e pelo Jor- nal Pessoal n 408 (janeiro de 2008, p.6-7) surgiram algumas consideraqoes que se- rao expostas a seguir e algumas indaga- cqes preliminares: Por que a aqIo somente agora, 30 anos depois? E por quejudiciali- zar uma questlo que esta sendo encami- nhada administrativamente? Em 29 deju- nho de 2007 o Iterpa reuniu em Portel com os moradores do Alto Rio Camarapi, dos rios Pacaja, Jacuti-Pereira e Portel, direto- res do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, prefeito municipal, Fase, Imazon e Cikel para discutirmos a realizaqao de um Diag- n6stico Participativo na Area. Nao vamos entrar aqui no mdrito da aqao civil ptblica, pois o 6rgHo fundiario nao foi oficialmente citado. Contudo, cabe salien- tar que a petiqao parece mais fazer "marola" do que realmente defender os direitos das populaq6es tradicionais, apesar de construir sua argumentagao em principios gerais ca- ros para os membros da direqao do Iterpa: o respeito aos direitos humans e o acesso a terra para as populacges tradicionais. Desde o inicio do Governo Ana Jilia, os movimentos sociais, entidades de pesqui- sas e organizaqces nao governamentais fo- ram convidados a dialogar e o Iterpa sem- pre esteve aberto para receber suas solici- taq6es. Observe-se que estas sao inime- os processes em que 6 parte, posto que afirma praticar atos privativos de advoga- do, sob pena de nulidade (art. 1, incisos e "s e art.3 da Lei n8.906/94). Nao ape- nas ja ouvi isso varias vezes como conhe- qo diversas pessoas que se constrange- ram com essa mesma empafia. Sou advogado ha quase 15 anos, inscri- to na OAB sem qualquer restriqIo ao exerci- cio professional. Advogado putativo 6, sim, o metido a rabula que, sob o pretexto de traduzir aspects juridicos aos seus leito- res que julga leigos (ainda que entire eles haja advogados, juizes e promotores), de- forma, distorce e presta-se ao desserviqo da boa informacqo. Para finalizar, ao ver na ediq~o da 1a Quin- zena dejaneiro do Jornal Pessoal, a mat6ria "Minha Arvore", o signatario sugerira que as families de Portel, as quais defended, plan- tem uma Arvore cor o nome de "L6cio Fld- vio Pinto", para inspirar-lhe a gratidio e emoqao (ou comoqao) que conseguiu a Vale (hoje Cia. Vale do Rio Doce), e assim quem sabe alcanqar pelo menos a simpatia do jor- nalista, jA que a condiqao delas nunca per- mitirA receber a inusitada admiraiqo, como a demonstrada pelos 6 mil metros quadra- dos (pouco mais de meio hectare e quase a metade de um campo de futebol) de reflo- restamento daquela empresa, ao incensar o ego tao carente do jornalista. ras, e somam-se aos conflitos, pois estes nunca foram tratados com primazia nos go- vernos anteriores. Hoje procuramos enca- minhar soluq6es que atendam a estes desa- fios. Mudou-se, para isso, a estrutura do pr6- prio Iterpa (que era centralizada na figure do presidente, cor o intuito de incluir os diretores como instancia maxima de delibe- raqao, ou seja, as decisbes sao atualmente tomadas de forma colegiada e permit, tam- b6m, maior dialogo cor a sociedade. Intro- duziu-se a Coordenaq~o de Projetos Espe- ciais e duas ger&ncias que trabalham com assentamentos: a Gerencia de Assentamen- tos Especiais e a Gerencia Quilombola. Os governor anteriores praticamente ig- noraram os pedidos dos movimentos soci- ais para criarem assentamentos. No atual governor, a regularizaqao dos apossamen- tos familiares pode ocorrer em duas situa- v6es: pela criaqco de assentamentos ou pela concessao individual. A titulacao do apos- samento familiar sera realizada corn contra- to de direito real de uso, cujos procedimen- tos de regularizaqio fundiaria sao regula- mentados por meio da criacio do Projeto Estadual de Assentamento Sustentivel (PEAS) e do Projeto de Assentamento Esta- dual Agroextrativista (PEAEX). Para os qui- lombos foi instituido o Territ6rio Estadual Quilombola (TEQ). Neste 6ltimo caso as 6 FEVEREIRO DE 2008 .2'QUINZENA Jornal Pessoal CARTA DO PRESIDENT DO ITERPA 0 portal aberto a especulagao Pelo cronograma original, a prefeitu- ra de Belnm ja devia ter asfaltado um quil6metro de orla da avenida Bernardo Sayao, batizada com grandiloqiiancia ti- pica da atual administraqco municipal como "portal da Amaz6nia". Mas a pis- ta lanqada sobre a bafa de GuajarA per- manece com seu revestimento primArio. Um acompanhante atento das obras, ob- servando que ha muita terra e pouca pedra no leito da via, atribuiri a esse de- sequilibrio de materials a causa da ins- tabilidade. Segundo uma fonte, a estru- turaja cedeu um metro, impossibilitando por enquanto a colocaqdo da cobertura de asfalto. O recalque era previsivel por causa do tipo de solo na margem do rio, mas nao na escala que jd atingiu. E pro- vivel que tenha faltado mais pedra no dique e essa falta derive da busca de economic de custo. Se a prefeitura esti cor dinheiro em caixa, faltam os recursos necessarios para que as obras da orla sigam o cro- nograma original, nessa que 6 a etapa preparat6ria (e a mais barata) para a execuqdo da mcrodrenagem da baixada da Estrada Nova. Embora o "portal da Amaz6nia" seja uma das obras de mai- or visibilidade de Duciomar Costa para a campanha pela reeleiqCo, ele tem que dividir suas verbas por outras frentes se quiser vencer as fortes resistencias de parte do eleitorado da capital ao seu nome. Talvez nao esteja em condic6es de manter um front de serviqos de acor- do cor suas pretens6es. Ou, quem sabe, da mesma maneira como o dique recal- ca, os recursos desviam. E certo que, quando estiver pronta, a orla sera mais do que uma nova janela para o rio na cidade emparedada: serd uma autintica varanda, mais extensa do que todas as aberturas ji feitas para a baia. Mas a obra esta sendo mais apro- veitada pelas construtoras, incorporado- ras e imobilidrias do que pela populaqao. Foi o proprietario de um dos terrenos, contiguo ao Mangal das Garqas que ce- deu uma faixa de terras para haver en- trada at6 o dique, detalhe relevant, mas ignorado na maquete eletr6nica do "por- tal", concebido e realizado sem um ver- dadeiro projeto de engenharia. Sem essa cessao seria impossivel chegar -nova orla, que nao tinha entrada conectada A rede vidria ja existente na area. O cedente nada perdeu, muito pelo contrario. Vendeu seu terreno por um preqo quatro vezes maior do que ele valia antes do inicio do "portal". Ali, um gran- de grupo national, a Inpar, que se insta- lou no ano passado no Pard, jd aprovou um pr6dio residential de sete andares, com um de garage. Fala-se de tratati- vas de bastidores para que o gabarito nessa drea supervalorizada seja eleva- do para 30 andares, devolvendo a cida- de um paredao (agravado, porque de concrete) do qual ela tenta se livrar, sem maior sucesso. A tendencia parece ser a do "liberou geral". A Village realizou a triste faqa- nha de levantar duas torres gemeas de 40 andares na Doca de Souza Franco, um disparate que logo encontrard imita- dores, interessados em faganhas e lu- cros leoninos. Conseguirao consumer mais esses absurdos arquitet8nicos, ur- banisticos e socials? As aparancias indicam que sim. As negociaqres dos lideres da especulacao imobilidria desenfreada sdo feitas vis-A- vis o prefeito e seus assessores mais pr6ximos, em conversas de gabinete. Como o c6digo de obras permanece em suspense, o que podia ser nao 6 e o que devia ser fica esquecido. A Cimara Municipal faz de contas que as agres- soes ao bom senso na vida coletiva nao Ihe dizem respeito. Depois que, pela pri- meira vez, um desembargador apareceu na televisao como garoto-propaganda da mais feroz das construtoras de espig6es, qual a expectativa da populaqgo em re- laqao ao judicidrio como instancia cor- retiva dos desmandos? Bel6m estd adquirindo uma forma indesejavel: virou a casa da mae Joana. CONCbiSAOD~A PAGB comunidades recebem um titulo definitive de propriedade. Em rela9fo ainda aos quilombolas, a atual administragao quer avangar nesse trabalho de elevada relevancia social e cultural, com o reconhecimento dos direitos territoriais de dezenas de co- munidades, tendo em vista os mais de ses- senta processes atualmente em tramita- q5o no Iterpa. Tendo em vista este context e retoman- do o tema central deste "esclarecimento", ressalta-se que a direcao do Iterpa j estava dialogando com as organizacqes sociais de Portel, ONGs e Cikel, para elaborar um le- vantamento da situaqao da regiao a fim de conhecer melhor suas necessidades e apre- sentar uma proposta de regularizaqao fun- didria e de reconhecimento dos direitos dos ribeirinhos. No entanto, corn ajudicializa- qao desta demand, nota-se que as popula- q5es tradicionais tenderao a ser prejudica- das, pois o legitimo direito a terra, que po- deria ser resolvido rapidamente por via ad- ministrativa, passa para esferajudicial com prazo incerto de t6rmino. Vale ressaltar que se respeita o legitimo direito de se recorrer aojudiciario para resolver qualquer proble- ma, mesmo que nao seja, em alguns casos, o caminho mais ripido e seguro de assegu- rar o direito a terra. Observe-se tamb6m, que em relacao a grilagew de terra, entire outras medidas, cri- amos um grupo de trabalho para proceder o levantamento de informaq5es sobre to- das as alienaqces que o Estado ji realizou, a fim de analisar quais sao as medidas ca- biveis em cada situaqao, e quando for o caso, recuperar o patrim6nio piblico da apropriaq~o illegal. Em relaqco as arrecadaqoes das terras devolutas, 6 important ressaltar que a atual administraq~o do Iterpa decidiu titular im6- veis s6 depois que os mesmos tenham sido devidamente arrecadados e matriculados em nome do Governo do Estado do Para. Escla- recemos que a criaqio de assentamentos nio se baseia apenas em pesquisas cartoriais: foram realizadas tamb6m vistorias in loco, levantamento s6cio-econ6mico e georrefen- ciamento dos im6veis rurais. Os assentamen- tos serao criados depois do devido licencia- mento ambiental por parte da Secretaria Es- tadual de Meio Ambiente (Sema). As arrecadac6es realizadas em 2007 obe- deceram rigorosamente a legislaqao em vi- gor. Dependendo da situaq ojuridica foi uti- lizado o que estd previsto no art. 28 da Lei n 6.383, de 7 de dezembro de 1976, e nos artigos 6 e 22 da Lei n 11.481, de 31 de maio de 2007, que prev6em a arrecadaqao por interesse social. Estas arrecadac6es vi- sam identificar e matricular devolutos junto ao Cart6rio de Registro de Im6veis para sua posterior destinaqgo para a regularizacao fundiAria e protegao ambiental. As Areas ar- recadadas s6 serio destinadas depois de uma cuidadosa vistoria na Area. Jos6 Heder Benatti Journal Pessoal *2o QUINZENA FEVEREIRO DE 2008 7 NEGATIVE Uma mre publicou andncio na imprensa para desmentir a acusagao de que o filho, soldado da Base Area de Bel6m, tivesse desvirginado ajovem tal e agredido uma irma dela, sicrana de tal, dando todos os nomes por inteiro na nota e fazendo refernncia a locais e circunstantes. PRE por uma senhora, "que ganha o pdo preparando casquinhos de mucuss, contra "o preqo exorbitante atualmente dos quel6nios, que ji nao se adquirem por menos de vinte cruzeiros cada um". Observa o jornalista que transmitiu a reclamaq~o: "A tend6ncia desse comdrcio de beira de praia 6 sacar atd a alma do consumidor. Tudo que vem da terra e nao exige para o seu cultivo sendo o h6mus da terra-mae, vai subindo de preqos, todos os dias,, Assim o aqai, a pupunha, o cupuaqu, a banana, etc. etc.". GUARANA A Folha do Norte desco- briu que o empresario Hilirio Ferreira, dono da fibrica do guarand Soberano (ainda de p6 e produzindo na cidade Ve- lha), mandou um envelope cor uma c6dula de mil cru- zeiros para a compra de um b6nus da candidatura de Ma- galhaes Barata ao governor do Estado, na eleiqdo de 1955. O journal tratou de lembrar ao do- ador "que o sr. Barata amea- cou repatriar os seus compa- triotas [portugueses] em cai- xas de bacalhau". A observa- 9o terminava corn uma per- gunta ao industrial: "Ja se Ihe varreu isso do espirito, a tra- gos do seu gostoso guarand?" SORVETE A diretoria da Assembl6ia Paraense organizou um "sor- vete danqante" em sua sede social para homenagear seus associados, que haviam rea- lizado uma "excursao" a Manaus, a distant cidade vi- zinha. O toque musical seria da orquestra de Guiaes de Barros, mas o quartet vocal Beethoven, que passava por Bel6m, tamb6m se apresen- MEMORIAL DO taria. Ruy Coral, 1 secreti- rio, tratava de avisar: nao ha- veria reserves de mesas, "de- vendo estas serem ocupadas pela ordem de chegada dos srs. Associados". ALEGRIA O delegado de costumes, Heliomar Gonqalves de Ma- tos, formou uma grande equi- pe e foi para a Pedreira e Vileta atrds das "pens6es ale- gres". Encontrou 12 dessas "casas de c8modos". Inter- ditou duas, "por se acharem em p6ssimas condiq6es de higiene e de con- forto". Outras duas fo- ram intimadas a instalar ex- tintores de incendio, sob pena de tamb6m serem fechadas. As demais, ao que parece, passaram pela blitz cor lou- vor. BELEZA Mme. Lelis prometia "em- belezamento geral da mu- Iher" em seu salvo, na Alcin- do Cacela, atrav6s de ondu- laq6es permanentes (o inver- so da moda atual), penteados, cortes, pedicure, manicure e mise-en-plus. Contava cor aparelhos el6tricos e muito important - numa dpoca de blecautes constantes, "luz pr6- ,A pria". Ol ro* PROPAGANDA Candidate do ensino Jovem professor, Irawaldyr Rocha escreveu uma carta aberta ao governador Aurdlio do Carmo, colocando em letra de forma as mais duras critics que a oposiado fazia ao governor e outras que so eram ditas informalmente. A repercussdo da mensagem lhe garantiu a eleigdo para a Cimara Municipal de Belim, com uma grande votacdo, em 1962, com o decidido apoio de professors e alunos. Comecava entao sua curta carreira political. A vida plblica, no entanto, ainda prosseguiria por muito tempo. Estudantes e professors INDICA M Irawaldyr Rocha 1PARA VEREADORa. P. E. 63) 8 FEVEREIRO DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal (Em 1955) COTIDIANO FOTOGRAFIA A rainha no journal Eleita rainha do carnaval do Bancrevea (o clube do Ban- co da Borracha, depois da Amazonia). de 1954, a jovem Silvia Mutran cumpriu um dos rituais da cidade nessa 9poca: foi visitar Paulo Maranhdo na Folha do Norte, para a traditional fotografia na biblioteca do director do journal. Levada pela mae, Maria Jose Mutran, e pelos di- retores do clube Wanderlei Normando e Elias Zemero. Como quase sempre acontecia, um visitante do gabinete do terrivel jornalista, Alexandre Andrade, tambdm apare- ce no cliche. A legend da foto sobre a rainha louvava "o seu lindo rosto, o languido volver dos seus olhos, a mei- guice do seu sorriso, a esbelteza do seu corpo, que as gracas ungem". Silvia, que se casaria cor o (recentemen- te falecido) advogado Otdvio Mendonqa, um dos melho- res "partidos" da cidade, vive hd vdrios anos no Rio de Janeiro. Marcou epoca. jmam wpw^A Presenga japonesa O Brasil comemora neste ano o cen- tendrio da imigraao japonesa. Em 2009 sera a vez da Amaz6nia registrar uma data redonda: os 80 anos da chegada a regiao do primeiro grupo de japoneses. A partida para as devidas comemora- 96es foi dada no m8s passado, corn o lanqamento de um livro escrito por um descendente dos primeiros colonos. "A imigraqao japonesa na Amaz6nia - sua contribuiqao ao desenvolvimento agricola", de Alfredo Homma, editadopela Embrapa Amaz6nia Oriental, relata a saga da implantaqao de dois cultivos importa- dos, ajuta e a pimenta-do-reino, que che- garam a ter um peso consideravel na for- maqgo da riqueza regional at6 a d6cada de 70. Homma mostra que a consolida- qao das duas plants, trazidas pelos colo- nos, s6 foi possivel com muita persisten- cia, dedicaqao e conhecimentos agron6- micos. Virios dos imigrantes tinham for- maqao academica, sabiam do que esta- vam tratando. Mas s6 venceram os in6- meros e graves desafios porque partici- param diretamente das plantaq6es, ali se estabelecendo para sempre, fazendo da Amaz6nia sua opcqo de vida. Atuaram na contra-mao dominant hoje nas rela- q6es do mundo corn a regiao, vitima da apropriaqao de conhecimentos e informa- q6es biol6gicas e gen6ticas. A reflexao sobre esses 80 anos de intercambio entire a Amaz6nia e o Japao s6 estard complete se os interessados na data conseguirem trazer do Japao os valiosos documents que estio arquiva- dos do outro lado do mundo. Eles regis- tram uma nova onda da presenca nip6- nica, agora voltada para produtos inten- sivos na energia que tanto Ihes falta, como min6rio de ferro e aluminio. A de- cad8ncia da juta e da pimenta foi ind- meras compensada e fantasticamente acrescida por esse novo com6rcio. Para entende-lo seri precise percorrer as fon- tes de informacao no Japao, at6 agora inacessiveis ao nosso conhecimento. Elas dirao mais do que qualquer outra sobre a face real e intima da Amaz6nia contemporanea Jornal Pessoal *2 QUINZENA FEVEREIRO DE 2008 Governo promete controlar viagens 0 governor do Estado vai aumen- tar o control sobre as viagens de ser- vidores pablicos, que, ao long do primeiro ano da atual gestdo, jd che- gou a uma centena. No dia 6 passou a exigir que a concessdo de didrias seja feita em portaria, mencionando "o nome do servidor, a fungdo que exerce, o lugar para onde se deslo- ca, o period de permanencia e o as- sunto a tratar", aldm de indicar o nome do eventual substitute. A inici- ativa atende a uma das cobrancas fei- tas por este journal jd hd algum tem- po, atraves da seCdo Interesse Publi- co. Mas ndo totalmente. Sugeri tam- b6n em um dos artigos que o gover- no obrigasse o funciondrio a apresen- tar um relat6rio da sua missdo e envi- asse cdpia desse document a Assem- bldia Legislativa e ao Tribunal de Contas. Eventualmente, as duas ins- tituigdes podiam convocar o referido servidor para esclarecimentos ou para prestar informacges. Quebrando um mutismo de muitos anos do governor na materia, a nova Secretaria de Comunicacdo Social do Estado, dirigida por Fdbio Cas- tro, prestou, por e-mail, esclareci- mentos sobre alguns 6rgaos do go- verno, questionados na ediCdo 409 deste journal, e comunicou a providen- cia sobre as viagens. 0 texto e long (podia ser menor sem prejuizo infor- mativo) e ate minucioso, mas ndo diz uma palavra a respeito da prestagao de contas trimestral sobre a folha de pessoal do Estado, exigencia da Lei de Responsabilidade Fiscal que vem sendo desrespeitada desde o inicio do governor Simdo Jatene, prosse- guindo na administragdo Ana Julia Carepa, Gostaria que a Secom envi- asse o quadro de detalhamento da folha de pessoal, prosseguindo as- sim no didlogo cor a imprensa, em- penhada em cumprir sua missdo de. bem informar a opinido public. Serd a comprovaado de que o gover- no realmente age as claras. Diz a mensagem da Secom, que re- produzo na integra, sem comentdrios para ndo sacrificar ainda mais esta ediCdo do journal, em homenagem ao seu carter inaugural: O Governo do Pard ter dado pas- sos firmes para cumprir seu compro- misso de gerir o estado corn 6tica, trans- parencia e participagqo popular. Um deles foi a implantaqIo do Portal Trans- par6ncia Pard, pelo qual os cidaddos podem acompanhar a execugqo finan- ceira dos programs de governor e exer- cer o control social. E um dos instru- mentos de combat A corrupgqo, e in- tegra as aqoes prioritarias da Auditoria Geral do Estado, voltada ao acompa- nhamento, avaliaqdo e control do uso dos recursos ptiblicos. A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) tem outros dois programs fun- damentais direcionados a regulagIo do serviqo piblico. O primeiro, denomina- do "Gestdo e Inovaqio Tecnol6gica", tamb6m visa incentivar a transparencia, por meio de seminarios, campanhas edu- cativas e f6runs de debate sobre 6tica na administraqIo ptiblica. O segundo, "Otimizaq~o dos Gastos Pdblicos", vol- tado A implantacqo dos sistemas de flu- xo de caixa do tesouro estadual, de con- trole de custeio das secretaries e de in- dicadores de gastos piblicos. Cartas ao Editor IMPRENSA A propdsito do meu ar- tigo sobre a imprensa pa- raense, Cldudio Bacelar enviou, de Belim, a seguin- te mensagem ao site do Ob- servat6rio da Imprensa, que reproduzo: t correta a avaliaqdo de que o nivel de instruq~o da po- pula~go paraense 6 infimo (para nao dizer coisa pior)! Nio fosse este o detalhe crucial, ji teria havido alguma reaqdo ao escandaloso e vergonhoso des- file de presuntos, que insisted em nos impor os veiculos de comunicaqdo local. Sincera- mente, ja pensei e tentei che- gar a uma conclusao sobre o porque da attitude deles tanto jomalistas como editors de insistirem nesse absurdo de, pri- oritariamente, vender fotos de corpos dilacerados, difamar ini- migos politicos e mostrar ima- gens de mulheres peladas na primeira p~gina. Sempre volto ao mesmo ponto: imaginamque somos todos tolos e analfabe- tos, que podemos engolir essas aberraq6es. Acontece que o tiro sai pela culatra, na media em que o emburrecimento da populaqgo se traduz em perda de leitores. Cada vez mais ba- nalizados, os atrativos de vio- l8ncia, sexo e picuinhas eleito- rais (menos ainda) tem valida- de minima. Repercutem na venda e tiragem limitada, para leitores cada vez menos criti- cos e despolitizados. Esperar que nossa elite mediocre tome a iniciativa de debater tal ques- tao 6 muita pretensao. Mas, no caso do Minist6rio Ptblico, ha um dever de oficio de regular e coibir tais abuses. Que eles, como provocados pelo Licio, acordem e questioned a qua- lidade dessas publicaq6es. NOMENKLATURA Nao vejo muito nexo, mas 6 pritica contumaz (depois que o regime sovi6tico soqo- brou), ligar governor tirani- cos, d6spotas, sanguindrios, etc, ao perfodo da revoluq~o bolchevique, sob o comando de L&nin/Stalin, como se em 6pocas anteriores e posterio- res nao houvessem tido go- vernos cor iguais ou piores demrncias. Do mesmo modo, quando se pretend mostrar um ambiente ass.az hostile e agressor da pessoa humana - com a privaqgo de sua li- berdade costuma-se tomar o livro do escritor Soljenitsim (O Arquip6lago Gulag), como refer8ncia. Esquecem, talvez por escrlpulo, que os campos russos de exterminio e tortu- ra, foram objetos de uma obra bibliogrifica do grande escri- tor Fedor Dostoievski, man- tido preso na Sib6ria, por6m os algozes nao eram nem bol- cheviques nem menchevi- ques. Fiz esta pequena intro- duq~o porque acho que um crime misterioso, executado cor requintes de crueldade, pr6prio das litigdncias do po- der econ8mico/politico in- dependente de quem esta no p6dio nao merecia uma di- gressao tao elastica como foi dada a mat6ria com o titulo acima, no Jornal Pessoal n.. 410, pAgina 07, adiante delineada. Iniciou-se corn a hist6ria comovente do escri- tor dissidente Arthur London, passando por uma ligeira apo- logia A inteligencia, depois segue com o expurgo dos "he- reges" da revoluq~o russa, e finaliza cor uma contunden- te advert8ncia aos esquerdis- tas incompetentes: decifra-me ou devoro-te.Quanto ao as- sassinato do Prefeito Celso Daniel, todos sabem, 6 fruto do conluio e cumplicidade do setor puiblico corn o privado. Meandros at6 hoje inacessi- veis pelas areas competentes (Tribunais de Contas, Minis- t6rio P6blico, Justiqa e ou- tros.). Aqui em Bel6m tive- mos um caso recent, voc6 deve lembrar. Rodolfo Lisboa Cerveira 10 FEVEREIRO DE 2008 .2 QUINZENA Jornal Pessoal ) A Secretaria de Estado de Adminis- tragqo (Sead) tambdm participa desse process, corn o Programa Qualidade Social no Serviqo Publico, que incentive a economic dos gastos piblicos com virias ages, como o pregao eletr6nico. Na ultima quarta-feira (6), o DiBrio Official do Estado publicou o Decreto 786, alterando e acrescentando dispositivos ao artigo 6 do Decreto 2.819, de 6 de setem- bro de 1994. De acordo com o novo de- creto, a concessao de didrias sera feita em portaria, mencionando "o nome do servi- dor, a funqao que exerce, o lugar para onde se desloca, o period de permanencia e o assunto a tratar". Ainda segundo o novo decreto, "Na mesma portaria deveri cons- tar, tamb6m, se for o caso, o nome do subs- tituto do servidor em viagem". A sociedade paraense vai, gradualmen- te, conferindo os resultados dessa nova pos- tura administrative diante dos recursos pu- blicos. A seguir, o governor esclarece as d6vidas suscitadas na mat6ria publicada no "Jornal Pessoal", ediqao da primeira quin- zena de fevereiro de 2008: Secretaria de Estado de Governo (Se- gov) Conforme publicado no Diirio Ofi- cial n. 31084, do dia 10/01/2008, o titular da Segov, Cliudio Alberto Castelo Bran- co Puty, foi autorizado a viajar A Italia, no period de 03 a 13 de janeiro de 2008, recebendo didrias correspondents ape- nas aos tr6s dias em que exerceu ativida- des de interesse do Estado de 08 a 10/ 01/08. Nos tres dias, o secretirio organi- zou a assinatura de Conv8nio de Coope- raqo Internacional com a regido de Abru- zzi, na Provincia de L'Aquila, que preve intercambio em areas importantes para o desenvolvimento do Estado, como cultu- ra, meio ambiente, turismo e com6rcio. No mesmo period, o secretirio partici- pou de reuniao na Provincia de Milao, para tratar de cooperacqo em projetos de saneamento e da organizaqao do F6rum de Autoridades Locais (FAL), que ocor- reri em Bel6m, em 2009, como eixo de responsabilidade do Governo do Estado no F6rum Social Mundial. A terceira atividade do secretirio Cliudio Puty na Itilia foi uma reuniao na Universidade de Biccoca, na qual tra- tou da organizacqo de um curso de for- maqio de gestores e cooperaqao cor a Universidade do Estado do Pard (Uepa). Ainda em fevereiro esta prevista a via- gem de uma comissao do Govero do Estado a Universidade de Biccoca, para finalizar o projeto. Essas aq6es fazem parte da political de cooperaqao descen- tralizada, prevista pelos F6runs Social Mundial e de Autoridades Locais. II Casa Civil da Governadoria: 1) Sobre a nao existencia do nome do dono da empresa nos contratos: De acordo com a Lei 8.666/93, artigo 61, pardgrafo inico, o Executivo Estadual tem por obrigagqo publicar o extrato de contrato, que 6 o contrato condensado. Desse extrato devem constar o n6mero do contrato, a parte contratante, a part contratada, o CNPJ da empresa, o objeto da contratagqo, a modalidade de licitaqao, a vigencia do contrato, a dotaqao orqamen- tria, a data de assinatura e o ordenador de despesa. Na legislaq~o estadual, tudo estu contido na Resoluqao n 16.959, do Tribunal de Contas do Estado. A Resolu- 9qo 6 datada de 2 de julho de 2003. Ape- nas quando o contrato 6 feito com pessoa fisica 6 precise colocar o nome do contra- tado, junto cor o respective CPF. III Asipag: A assinatura de conv6nios obedece aos seguintes procedimentos: 1) As organizacqes apresentam um projeto simplificado com cadastro, pla- no de aplicaqco, cronograma de desem- bolso, metas, justificativa e objetivos, que sao analisados por t6cnicos da Asipag; 3) A Asipag analisa criteriosamente a documentaqao legal (ata de constitui- qao, ata de eleiqio e posse da diretoria, CNPJ, RG e CPF dos dirigentes, com- provante de endereqo de ambos etc.) e a documentaq~o relative A habilitacgo (certid6es negatives do INSS, FGTS, TCE e TCM); 4) Ap6s a assinatura, o conv6nio 6 publicado no Didrio Oficial do Estado (DOE) e os recursos financeiros sao repassados; 5) Inicia a fase de responsabilidade de aplicaqao dos recursos pela organi- zacao e seus dirigentes; 6) Eles devem obedecer o prazo de aplicaqgo, prazo de vig6ncia do conv6- nio, prestar contas cor o Tribunal de Contas do Estado e enviar a segunda via para a Asipag; 7) A Asipag inspeciona nas pr6prias organizacoes a aplicaqco dos recursos, orienta, relata e, dependendo da situa- q~o encontrada, formaliza den6ncia ao TCE e ao Minist6rio P6blico; 8) G TCE analisa e julga as contas corn parecer do Ministdrio P6blico. Se forem julgadas irregulares, as organi- zac6es serio citadas para devolver re- cursos financeiros e terao suas contas encaminhadas ao Minist6rio P6blico, que poderi oferecer den6ncia ao Tri- bunal de Justiqa. Cabe A Justiqa res- ponsabilizar os responsaveis por mau uso dos recursos pliblicos; 9) Os conv6nios citados na mat6ria foram liberados em novembro e dezem- bro de 2007, estando dentro do period de aplicaqao e, somente em fevereiro de 2008, a Asipag fard a primeira visit t6cnica de verificaqco dos referidos conv8nios. IV Secretaria de Estado de Justiqa e Direitos Humanos (Sejudh): Provita O program foi implantado no Pard em1999. Hoje, esta sob a res- ponsabilidade da SDDH ou SPDDH?, tendo atendido, atd o final de 2007, mais de 200 pessoas. O program visa garan- tir seguranqa a todos os cidadaos que desejem fomecer, voluntariamente, infor- maqoes necessirias ao trabalho da Justi- qa. O program foi idealizado pelo go- verno em conjunto com a sociedade. Atu- almente, o Provita atua em rede em 17 estados da federaq~o, e mant6m uma Co- ordenaqao Nacional de Cariter Instituci- onal, vinculada A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presiddncia da Re- ptblica. Em cada Estado, o program fun- ciona a partir da retaguarda political dada pelos conselhos deliberativos, que sio compostos por representantes de 6rgaos governamentais e entidades sociais. No Pari, a presidencia cabe a titular da Se- cretaria de Estado de Justiqa e Direitos Humanos (Sejudh). NAV Foi criado pelo Governo Fe- deral em 2003, para prestar atendimen- to interdisciplinar, juridico e psicossocial a vitimas de violencia, na Regido Me- tropolitana de Bel6m e no Sudeste do Pard, a partir de financiamento da Uniao e dos governor estaduais. Tamb6m 6 executado pela SDDH. E um program que contribui para o acesso do cidadio a serviqos de promoqao dos direitos hu- manos e reparaqao de direitos violados. 0 Govemo do Pard acredita que a im- portdncia social dos referidos programs 6 inquestionivel, principalmente para o cumprimento da Justiqa e a valorizaqio dos direitos humans em um Estado que, segundo dados divulgados na I Conferen- cia Paraense de Direitos Humanos (maio/ 2007), ao long da iltima d6cada osten- tou a triste marca de campedo de impu- nidade no campo, trabalho escravo, tra- balho infanto-juvenil, mortes a defenso- res de direitos humans, entire outros cri- mes muitas vezes sem soluqio por falta de seguranca as testemunhas. I buscando combater esses crimes que a Sejudh mant6m os referidos con- venios, e coloca a disposiqCo da im- prensa e demais interessados os rela- t6rios financeiros e de prestaqao de contas dos convenios. Jornal Pessoal *2 QUINZENA FEVEREIRO DE 2008 11 Populagao Parauapebas, municipio criado em 1988, e que tem o terceiro maior PIB do Esta- do, ji 6 o sexto em popula- qCo do Pard, com 133 mil ha- bitantes e uma densidade de quase 20 habitantes por qui- 16metro quadrado em seus li- mites territoriais. Atras dele ficaram municipios mais an- tigos e que ji ocuparam po- siqao mais destacada no ranking demografico do Es- tado: Abaetetuba (132 mil habitantes), Itaituba (118 mil), Cametd (110 mil) e Bra- ganqa (101 mil). A frente estao Bel6m (1,4 milhao), Ananindeua (484 mil), San- tar6m (274 mil), Marabi (196 mil) e Castanhal (152 mil). Somam exatamente 10 os municipios paraenses com populaqao acima de 100 mil habitantes, segundo a conta- gem e estimativas do IBGE para 2007. Eles abrigam 3,3 milhfes dos 7 milh6es de pa- raenses espalhados pelos 143 municipios, quase meta- de do total. Grilagem S6 no final do mis passa- do foi publicada no Diario Official a decisao de um mes antes dojuiz federal substitu- to de Altamira, Bernardo Vas- concelos Carneiro, que deter- minou a desocupaqao de seis seringais do esp6lio de Rai- mundo Ciro de Moura, no Xin- gu. A ordem abrangeu desde os herdeiros ate os represen- tantes da empresa Amaz6nia Projetos Ecol6gicos, um dos braqos da tarangula da grila- gem do grupo C. R. Almeida na regiao da Terra do Meio, at6 policiais militares "que, porventura, estejam guarne- cendo os referidos im6veis. 0 juiz autorizou o uso da Policia Federal na desocupaqgo da enorme area, ameaqada de ocupaqao illegal. Conselho O Conselho Superior da Fundaqao de Amparo a Pes- quisa do Estado do ParA, cri- ada em 2007, ter 19 inte- grantes. No mrs passado a governadora nomeou 17 de- les de uma s6 vez. E estra- nho que ndo tivesse comple- tado o quadro integral do con- selho. Estranho, tamb6m, nao ter incluido a universidade do pr6prio Estado entire os re- presentantes de universida- des ptblicas. E porque vai esperar pela definigqo da eleiqao do reitor da Uepa, ainda sujeita a manifestaqao da justiqa? Se for esse o mo- tivo, o colegiado ji nasce contaminado pela politicagem e o arbitrio do executive. Esta sujeito a se torar figure de- corativa nas decis6es da fun- daqao, que ja esta aprovan- do os seus conv6nios, talvez ad referendum. Novo livro Atra\c s de Contra o Poder 20 Anos de Jornal Pcssoal (urna pai.tio ainia:6nical tento comar ca- pitulos da liisi6ria recent do Para que jamais teriam sido registrados se nao existisse este journal. E mos- Iro como o JP conseguiu reconstituir esses fatos e a aliar o seu significado no mesmo momentoem que eles aconteciam. 0 liro 6 composto de trechos de materias aqui publicadas e de um meta-texto no\ o. que comenta, si- tua e elucida ocotidiano de um jor- nalismo verdadeiramente indepen- dence. que cumpre sua missao mais nobre: ser uma auditagem do po- der. Espero que os leitores ajudem a difundir essas hist6rias compran- '. . doo li\ro.que esI.i \enda nas ban- | cds e em algumas li rarias. - Interesse pfiblico A Secretaria de leio Ambiente do Estado de\ ia e\i- gir das empresas que solicitam licenciamento ambiental a inclusio de mais informacOes no anuncioque publicam no Diario Oficial quando pedem ou recebem a autoriza- qgo. O model de ia incluir sempre (e nao ocasional- mentei a localizaqi o da empresa, seu capital, seu fatu- ramento no ultimo exercicio. sua produ o e a irea abran- gida pela licen'a. Contratos cor mais de cinco anos de igencia po- dem continuar a ser aditados? Para a Secretaria da Fa- zenda. parece que sim. Ela assinou adni\os para contra- ros de locaiao de imoveis no interior do Estado com ori- gem em 1992. 1996 e 1997. O nDmero de aditamentos ultrapassa 40 em alguns casos. como se \e no Diirio Official de 16 de janeiro. por e\emplo. Ndio e precise as- sinar novos contracts? Agai Cor toda razao, Iga- rapd-Miri reivindica o titulo de capital mun- dial do acai. O marco dessa pre- tensao 6 a Festa do Agai, que Dori- val e Conceiqao realizam na ci- dade desde 1987. Nesse dia todos po- dem partilhar a variedade do cardapio native, que inclui aqaf .. branco, ipi- tinga, sova- do, parau ou r preto, tam- ' b6m na for- ma de pudim, bolo, pave, picol6, sor- vete e licor, sem falar nos acompanhamentos mais ex6- ticos: mapard, porco, capiva- ra, frango e outras esp6cies de assados, apreciados com um aqaf grosso da melhor qualidade. A cidade conta com duas fabricas de polpa e 200 miquinas de moer o produto, que sai, todos os dias, em 20 caminhdes car- regados cor destiny a outros locals do Estado e para fora do Pard. Dorival lanqou no ano passado at6 um folheto com a lenda do acaf em Igarap6- Miri e outras infor- maq6es sobre a cul- tura, cada vez mais important na eco- nomia local. Ago- ra s6 falta definir um terrier para o melhor aqaf do mundo, trabalho de grande f6lego e alta complexida- de, mas que dard um retorno inima- ginavel para o pro- duto paraense. Ha muitos aventurei- ros e pirates no mercado, mas em nenhum outro lugar se con- seguira um aqai da qualidade do nosso. Falta, por6m, uma marca com a forqa da cham- panhe francesa. Isso s6 sera possivel com um registro se- melhante ao do terrier do vi- nho. E precise crid-lo, o mais rApido possivel. Editor: Lucio FIvio Pinto Ediao do Arte: L A de Fana P'r.t~ Contat:. Fuae Aniies LIo. 871 166 053 020 Fones. 0i9) 3241-7626 E-mail: rrar.@aimazon con br |
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