Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00314

Full Text



GRUPO LIBERAL
ornal PeDECLARA GUE R

iornal PesALMIR GABRIEL
A AGENDA AMAZONICA DE LOCIO FLAVIO PINTO VAI EMBORA?


MAIO DE 2007* laQUINZENA Ns3 0


PAGINA 7


PAGINA 4


CRIME



A viol ncia de Belem

0 assassinate dos irmaos Novelino exibe as marcas da violencia na cidade.
Desta vez, a policia agiu rapidamente e cor eficiencia. Mas o enredo do drama nao
concluido. Muitas perguntas ainda sao feitas nos bastidores da versao official.
Enquanto nao forem respondidas, o interesse coletivo nao estara atendido.


Esta ediado jd estava fechada
quando, na noite do dia 14, o
empresario Chico Ferreira
entregou i imprensa uma car-
ta manuscrita, de 12 pdginas, anuncia-
da dias antes, com exclusividade, pelo
Diirio do Para. Na nova reconstituicao
dos fatos, Chico foi tao vitima de um
assalto praticado dentro de sua empre-
sa pelo ex-policial Sebastido Cardias
quanto os irmdos Novelino. Com uma
fundamental diferenga: por milagre (ndo
explicado na carta, naturalmente), Chi-
co escapou inc6lume, enquanto os No-


velino foram barbaramente executados.
A nova versdo e completamente inveros-
simil, constituindo evidence estratagema
de defesa para a fase judicial do pro-
cesso, mas ndo e a hist6ria o que mais
importa: o objetivo de Chico Ferreira e
mostrar que sabe muito, que pode im-
plicar muita gente e que ndo seguird so-
zinho, qualquer que seja o seu rumo a
partir de agora. Mesmo em condipSes
psicoldgicas deplordveis, como alega
estar, lembrou-se de uma informacao
relevant, sd agora revelada ao pdbli-
co: a Policia Federal, que o prendeu em


novembro do ano passado, durante a
"Operaado Remora", apreendeu, na
residencia de Luis Fernando Gongalves,
auditor do Tribunal de Contas dos Mu-
nicipios, o "esquema Chico Ferreira",
nele incluindo os pastores da Igreja
Quadrangular Josue Bengtson (que re-
nunciou it renovaado do mandate de de-
putado federal em meio a dendncias de
corrupcdo) e Martinho Carmona (de-
putado estadual e ex-presidente da As-
semblria Legislativa do Estado), outros
politicos e alguns empresdrios. Mas nao
CONTINUE NA PAG 2


ests: r
J_- -
--






CONTINUAAO DACAPA
os irmaos Novelino, os dois mortos e o de-
putado estadualAlessandro, Chico fez ques-
tdo de esclarecer Aproveitou para pedir uma
conversa cor a famlia para mostrar-lhe
que ndo participou da trama macabra, ur-
dida por Cardias (para quem? Diz que nao
sabe) e estd ajudando a esclarecer o crime.
Em meio a muita fantasia barata e imagi-
nacdo pobre, foi dado o recado. Como e
essa a finalidade ndo declarada da carta,
decidi manter o texto conforme o escreve-
ra. Nele, ndo hd espaco l6gico e factual
para acomodar a reconstituidoo oportunis-
ta de Chico Ferreira. Mas a matiria expli-
ca por que a versdo official do crime estd
long de ser a iltima palavra sobre essa
intrincada hist6ria.
O assassinate dos irmios Ubiraci e Ura-
quitan Novelino, no dia 25 de abril, foi um
dos crimes mais barbaros ji cometidos em
Bel6m. Apanhados numa armadilha, arma-
da provavelmente por um amigo de 12
anos, foram imobilizados, com as maos
press para tris por algemas, amordaCa-
dos e encapuzados. Depois foram espan-
cados e estrangulados com mangueiras de
borracha. Enfiados em tambores metili-
cos e acomodados num espaqo no qual s6
couberam a pancadas, foram atirados na
bafa de Guajard e mantidos na Agua, a uma
profundidade maior do que 15 metros, ata-
dos por correntes a uma ancora e a um
peso de concrete, por 10 dias.
O plano de morte comegou a ser con-
cebido um mes antes. Mas menos de 12
horas depois da sua execuqgo a policia co-
meqou a prender as pessoas envolvidas no
crime. Em 10 dias o assassinate s6 nao
estava completamente elucidado, ao me-
nos em tese, porque um dos matadores
permanecia evadido. Os principals arqui-
tetos do duplo homicidio no resistiram a
48 horas de xadrez e comeqaram a falar.
Os ctimplices foram apanhados rapidamen-
te ou se entregaram.
Logo a policia apresentou uma hist6ria
complete, capaz de reconstituir todo o epi-
s6dio. Ainda assim, permanecia no ar uma
sensacao de inconclusao. Uma parte dos fa-
tos (e talvez a mais profunda) pode nao ter
sido incorporada A versdo official. O assas-
sinato dos irm2os Novelino, al6m de ser um
dos mais violentos ja registrados, pode se
revelar tambem exemplar da situaqio em
Bel6m e no Pard atualmente. Se essa
parte chegar a ser revelada, naturalmente.
Esse estado de insatisfaqdo se alimenta
de perguntas ainda nao satisfatoriamente
respondidas e das verses e boatos que cir-
culam pelos bastidores das investigaq~es -
e muito al6m deles. No dia 10 o Didrio do
Pard surpreendeu com uma informaqao
bombistica: o empresirio Joao Batista Fer-
reira Bastos, conhecido como Chico Fer-
reira, acusado de ser o mandante da morte
dos irmaos, divulgaria uma carta negando a
autoria e atribuindo-a a terceiros, que teri-
am aproveitado a ocasido para acertar as
contas com os Novelino, jogando a culpa


em Ferreira, ou permaneceriam ocultos por
tras da cena.
Quando Chico foi tres dias antes ao Mi-
nistdrio Piblico Federal para um depoimen-
to que durou 10 horas, sob total sigilo, e,
em seguida, a justiqa federal, onde foi ou-
vido pelojuiz Rubens Rollo d'Oliveira (que
autorizou a "Operaqco Remora", da Polf-
cia Federal), as especulacqes se intensifi-
caram. Ele teria negociado a delag~o pre-
miada, para ser transferido para prisAo fe-
deral ou sair do Para, em troca de infor-
ma9qes sobre enriquecimento ilicito, des-
vio de recursos pdblicos, sonegaqao de
imposto, lavagem de dinheiro, sociedades
fraudulentas e outros tipos de delitos de
colarinho branco, dos quais participou -
mas na companhia de gente sem ligaqFo
cor o crime. Ao menos nao na fachada.
Ningu6m tem d6vida que Chico Ferrei-
ra sabe muito sobre essas atividades. Sua
pr6pria carreira serve de testemunho sobre
esse tipo de ascensdo, que, por ser stbita e
fulminante, sempre esta associada a prnti-
cas ilicitas, quase sempre incluindo avango
sobre os cofres pdblicos. As empresas que
organizou somam 27. Embora parte consi-
derivel do seu faturamento tenha por ori-
gem contratos cor o governor do Estado e
prefeituras do interior, a organizaqao des-
sas firmas geralmente 6 irregular. Basta sa-
ber que algumas tem sede na terra natal de
Chico, Marapanim, apenas para ingles ver.
Mas elas geraram tanto dinheiro que ao
long de 12 anos o empresario manteve ne-
g6cios continues cor os irmaos Novelino,
tanto nos segments de atuagFo explicit,
como combustiveis, carros, caminh6es e
lanchas, quanto em outros menos visiveis,
como empr6stimos sob condiq6es caracte-
risticas de agiotagem. Nessas operacqes,
Chico sempre foi client ou chegou a ser
parceiro de Ubiraci e Uraquitan? Essa 6 uma
pergunta ainda nao suficientemente respon-
dida, mas nao 6 ociosa.
Chico tinha relaq6es mdltiplas e com-
plexas exatamente porque trafegava, com a
mesma desenvoltura, pela via legal e na mar-
gindlia. Nlo esta sozinho nessa ambivalen-
cia, muito pelo contririo: 6 cada vez mais
freqtente encontrar empresarios com essa
dupla face e nao s6 empresarios: os poli-
ticos, que antes funcionavam como inter-
mediarios de neg6cios e porta-vozes de gru-
pos de poder, agora sao tamb6m empresA-
rios e poderosos, por causa do mandate
popular que conquistaram (ou compraram),
e independentemente dele.
Chico Ferreira deu bastante dinheiro a
politicos e partidos. A relaq~o com alguns,
especialmente dois integrantes da bancada
federal paraense, sugere mais do que sim-
patia e lobby. Esse teria sido um dos temas
da conversa no MPF, que ele pediu, com
desdobramentos na Policia Federal e na Re-
ceita Federal, que estao acompanhando cada
vez mais de perto os acontecimentos. Para
poder ganhar muito dinheiro, ele precisou
ter uma ponte at6 o erario. Af 6 que aparece
a ligaqao mais visivel cor os dois iltimos


govemos tucanos, sobretudo com os oito
anos de Almir Gabriel: a sociedade com o
filho do ex-govemador, Marcelo Gabriel.
At6 1995, ambos os s6cios podiam ser
tratados como empresirios por mera genti-
leza. A partir daf, seus cacifes passaram a
ser sonantes e se multiplicaram os contra-
tos de prestatao de serviqo e de terceiriza-
qao. Esse neg6cio se tornou uma galinha
dos ovos de ouro e nao apenas para Chi-
co & Marcelo: outros empresarios (e asso-
ciados, visiveis ou invisiveis) entraram no
ramo. Sugestivamente, suas empresas ti-
nham nomes muito parecidos, como 6 o
caso da Service Brasil, em cuja sede os ir-
mros Novelino foram mortos, e a Brasil
Service, que nada ter a ver com Chico
Ferreira, mas leva o mesmo nome, em po-
siqlo invertida. Pode se tratar apenas de crise
de criatividade, mas a semelhanqa compli-
ca a abordagem da imprensa e faz gatos
serem tomados por lebres e vice-versa.
Mesmo que a intenqao nao tenha sido
essa, dando aos empresarios s6rios o direi-
to de se indignar cor a confusao e protes-
tar publicamente contra ela, at6 ameaqando
a imprensa de represAlias, o resultado 6 exa-
tamente esse, de criar entrelaqamentos, que
dificultam retomar o fio da meada. A escu-
riddo e mesmo a sombra 6 o ambiente
ideal para gatos pardos parecerem negros.
E assim que alguns dos investigadores
do crime se perguntam pelos prop6sitos de
Marcelo Gabriel quando procurou os Nove-
lino, um mes antes, para se informar sobre
os problems crescentes de Chico Ferreira,
e, exatamente no dia do assassinate, convi-
dar um conhecido delegado da policia civil
para almogarem, numa conversa de "cerca
Lourenco", segundo uma fonte da Secreta-
ria de Defesa Social. Coincidiu com a data
mais remote de reconstituigqo das providen-
cias tomadas por Sebastiao Cardias para a
execuqio, quando, levado pelo radialista Luiz
Aradjo, s6cio de Chico na Service Brasil, co-
mecou a conversar sobre a "encomenda"
triess vezes na sede da empresa).
Pode ser mera coincidencia, nao autori-
zando concluir que Marcelo Gabriel esti-
vesse sabendo de alguma intencqo crimino-
sa por parte do s6cio. Mas inegavelmente o
filho mais velho do ex-governador Almir
Gabriel sabia do contencioso crescentemen-
te tenso entire Chico e os Novelino. Depois
de 11 anos e meio como excelente client,
que comprava muito e pagava em dia, Chi-
co comerou a tomar mais dinheiro empres-
tado e a nao pagar os d6bitos. Havia duas
razoes para a inadimplencia: em novembro
do ano passado ele foi preso pela Policia
Federal, juntamente com Marcelo e mais
oito pessoas, acusado de causar prejufzo
de pelo menos nove milh6es de reais i pre-
videncia social e de sonegacqo fiscal, na
"OperaqFo Remora".
Aldm do abalo a sua imagem, seus ne-
g6cios foram prejudicados pela declaraciao
de indisponibilidade dos seus bens. Mas nao
s6 isso: Almir Gabriel nio conseguiu se ele-
ger, apesar de ter iniciado a corrida eleitoral


2 MAIO DE 2007 1 QUINZENA Jornal Pessoal







como favorite. Nao tao favorite como o
entao governador Simao Jatene se apresen-
tava a reeleicio. Apesar das sondagens in-
formais indicarem o contrdrio, os familia-
res e amigos mais pr6ximos de Almir o es-
timularam (e, em boa media, induziram) a
tentar voltar pela terceira vez ao govemo,
quebrando a ordem natural, favoravel a um
novo niandato para Jatene. A derrota secci-
onou uma das vias atrav6s da qual Chico
Ferreira e seu s6cio mais destacado, o filho
do ex-governador, imaginavam poder reali-
mentar seus cofres. Revertida a expectati-
va, nao 6 de surpreender que ao balcao de
cobranqa tenham se apresentado various
cobradores, nem sempre pacientes.
O contencioso cor os irmaos Novelino
chegou a quatro milhoes de reais. E muito
dinheiro, em qualquer circunstancia. Ainda
mais porque o saldo devedor surgiu ou se
incrementou a partir da derrota do PSDB
na eleigqo para o governor do Estado e da
prisao dos principals nomes do "esquema
empresarial" de Chico Ferreira, fatos trau-
miticos que se sucederam em novembro.
Nao 6 possivel ainda dizer quanto, des-
ses R$ 4 milh6es, 6 dinheiro vivo e quanto
6 a parte dos juros (que seriam de 8% ao
mrs, segundo a imprensa, ou de 2,5 a 3%,
de acordo com o deputado estadual Ales-
sandro Novelino, o porta-voz da familiar;
alguns-observadores calculam que o valor
real esta acima desse limited Em qualquer
hip6tese, 6 muito dinheiro, o que levou a
Receita Federal a ligar os seus sensors, pas-
sando a acompanhar atentamente as infor-
maq6es para identificar a origem do dinhei-
ro (especulou-se muito sobre escuta auto-
rizadajudicialmente, que estaria em curso).
Sbern provivel que para a constituiqao
da cena do crime tenham contribuido outras
vertentes, al6m do problema pessoal de Chi-
co Ferreira, circunstancia que da verossimi-
lhanqa ao enredo sobre outras participacqes
(ainda que indiretas ou remotas) na trama,
embora nao exatamente cor o sentido que
ele quer dar. Ha paradoxes e contradiq6es
por demais numerosos para que se aceite
como definitive a versao official. Ela pode ser
verdadeira, mas nao 6 suficiente.
Por que Chico Ferreira escolheria a sede
de sua pr6pria empresa como -
cenario para matar Ubiraci e
Uraquitan? Os principals in- Por
teressados na hist6ria jamais
aceitariam a explicaqao que Na manh
ele deu, de que os irmaos nao para o pr
foram procurd-lo na noite do travessa
dia 25 (exatamente quando uma armr
Uiraquitan fazia 37 anos de dono do
idade), e muito menos que Queria qi
foram mortos durante um que nao I
assalto praticado por tercei- incandio
ros, de surpresa, dentro da sugeriu e
Service Brasil. arma e p
Logo ao saberem que os Novelino
filhos nao dormiram naquela diferente
noite em suas casas, Ubiratan manteve,
Novelino acionou seu filho, carteado,
Alessandro, e fez o contato


com Chico. Ao ouvi-lo dizer que nao hou-
vera a reuniao programada e que ji devia
penas os 60 mil emprestados dias antes (a
iltima parcela na v6spera), o pai concluiu
imediatamente que Chico matara seus fi-
lhos. Teve autocontrole suficiente para levd-
lo a Dioe, delegacia especializada da poli-
cia, e ali fazer tomar por termo as declara-
q5es do empresirio. A deduq~o do crime
foi, pois, imediata.
E os elos da trama foram rapidamente
reconstituidos porque Luiz Araujo levou o
carro usado pelos irmaos Novelino para ser
desmanchado em seu pr6prio sftio, em ple-
na noite alta, acordando os vizinhos com o
barulho da serra e provocando a imediata
reclamaqo a policia, na forma de mais um
incident causado pelo mal vizinho, que sem-
pre Aradjo foi no seu sitio, em Benfica. O
que parecia uma questdo dom6stica logo se
revelou o primeiro element important de
prova do duplo homicfdio. Se o desmanche
fosse feito em outro lugar, mais remote, cer-
tamente, na melhor das hip6teses, a policia
levaria mais tempo para chegar aos caddve-
res, ou talvez nunca mais os localizasse.
Por esses e vdrios outros detalhes, a exe-
cucio dos Novelino, embora tramada com
vagar e, de certa forma, meticulosamente,
mostrou-se ao final desastrada, quase ama-
dora. Desastrado e amadores eram, em ma-
t6ria de homicfdio pelo menos, Chico e Ara-
ijo, mas nao Sebastido Cardias, cuja de-
senvoltura em colocar os irmaos no fundo
da agua indica tratar-se de professional ex-
periente. Faltou dinheiro, entretanto, para
um arremate mais eficaz.
Parte do dinheiro pago por Chico a Car-
dias viera de um segundo empr6stimo se-
guido de 30 mil reais que fizera na v6spera
cor Ubiraci. O empresario estava virtual-
mente quebrado. Nao podia contratar mui-
ta gente, sobretudo criminosos mais cars.
Teve que recorrer aos pr6stimos do ex-po-
licial e confiar na sagacidade de Aradjo.
Mas por que Chico simplesmente nao
mandou matar os dois irmaos numa embos-
cada nas ruas ou em qualquer outro lugar,
que nao tivesse qualquer relaq~ o cor ele?
Em primeiro lugar porque o que mais lhe in-
teressava era se apossar dos cheques que


pouco
a do dia 25 de abril, o ex-policial Sebatito Cardia
oprietdrio da casa que ocupava havia virios ano
Aristides Lobo. Queria que ele abrisse o local pa
a que ali esquecera. "Ilegal", completou, ameaqa
im6vel correu para a seccional do com6rcio, ali
ue a policia apreendesse a arma e prendesse Car
)agava o aluguel e provavelmente provocara um
na casa, dias antes. Mas quem atendeu o reclaim
squecer o epis6dio. Cardias arrombou a porta, r
oucas horas depois comandou a morte dos irmin
e o sumiqo dos corpos. Talvez a hist6ria fosse
mente se a policia fosse ao pr6dio onde Cardias
por muito tempo, um ponto do jogo do bicho e
sem nunca ser incomodado.


assinara na composigqo da divida (e que pro-
vavelmente os Novelino ainda nao haviam
tentado descontar). Matar os credores sem
reaver esses cheques seria improdutivo. Al6m
disso, certamente Chico Ferreira era consi-
derado pela familiar Novelino como a princi-
pal ameaqa que rondava Ubiraci e Uraquitan.
Embora Alessandro tenha declarado que a
famflia desconhecia os neg6cios dos irmaos
com Chico, era com ele e o pai que estavam
os originals dos cheques.
Quando anunciaram que iam para o en-
contro, convocado por Chico para que fi-
nalmente honrasse as dividas ou refizesse a
forma de pagamento, adiantando uma par-
te, Ubiraci e Uraquitan pegaram os cheques
cor o pai e o irmao mais famoso, que ain-
da sugeriu-lhes levar apenas c6pias. Confi-
antes na palavra do client, que depois de
tanto tempo de relaq~o se tomara um ami-
go (ou um s6cio informal), os irmaos nao
apenas levaram os originals como aceita-
ram uma recomendaqao de Chico: ir num
6nico carro, mas nao na caminhonete que
usavam, a pretexto de que assim nao atrai-
riam a atenqao da vila situada na travessa
Arcipreste Manoel Teodoro, pela qual esta
o acesso por veiculo a Service Brasil. Tan-
to descuido sugere que os irmaos realmen-
te nem imaginavam que o encontro fosse
servir para outra coisa al6m do pagamento
da dfvida, conforme a agenda estabelecida
por Chico Ferreira.
O que tomou o empresirio convincente
at6 esse moment final e o mais impor-
tante o que o fez dar o enorme salto, indo
dos crimes de colarinho branco, que envol-
vem dinheiro, corrupIo e trdfico de influ-
encia, para um duplo homicidio, agravado
pela crueldade na consumaqao e o sangue
frio na premeditagqo? Esta 6 a principal per-
gunta, do ponto de vista coletivo, que o
birbaro crime suscita. Para respond8-la, a
sociedade belenense terd que penetrar nas
pr6prias entranhas e cortar na pr6pria car-
ne. Pois a execugqo dos irmaos Novelino,
tal como aconteceu, s6 se tomou possivel
porque ha assassinos de aluguel em ronda
regular pela cidade; ha pessoas desocupa-
das que por algumas dezenas de reais estao
dispostas a realizar o que lhes for pedido
sem fazer perguntas; hi ativi-
dades subterraneas ou franca-
mente legais em pleno curso
(como bingo, jogo do bicho,
is ligou jogo eletr6nico, roleta, cartea-
s na do); a atuaq~ o policial se des-
ra retirar dobra para a criminalidade;
idor. O pessoas ganham muito dinhei-
perto. ro se apossando de recursos
dias, do erario, graqas a esquemas
paralelos & etc. & etc.
ante lhe Alguns desses etcs. preci-
etirou a sam assumir a pr6pria forma
os na hist6ria dos Novelino. Ou
escrita entao as raizes mais profundas
desse crime jamais aflorarao.
de E, como sao raizes mal6ficas,
continuar5o a produzir seus
efeitos ruins indefinidamente.


Jornal Pessoal 1o QUINZENA MAIO DE 2007 3









"Caso" faz Almir


desistir do Para?


0 Liberal anunciou, no dia 14, que
Almir Gabriel esti de muda para Sao Pau-
lo. At6 entao s6 se sabia da migracao de
Almirzinho, o artist da familia. A nota
aponta como prova dos prop6sitos do ex-
governador a venda do seu apartamento,
no 21 andar do luxuoso edificio Torre de
Alhambra. Como at6 pouco tempo atris
Almir estava em plena atividade political,
recebendo muitas pessoas na sua resi-
dencia, a mudanqa de direao certamen-
te ter a ver com seu filho, Marcelo,
constantemente referido A margem do
"caso Novelino".
A refer8ncia mais direta e incisiva,
que ganhou forma impressa, foi numa en-
trevista do deputado Alessando Noveli-
no a 0 Liberal do dia 6. Embora ressal-
vando que nao sabia muito sobre os ne-
g6cios mantidos com Chico Ferreira pe-
los dois irmaos mais velhos (que tratava,
por6m, por "meninos") ao long de mais
de 12 anos, nem possuia suspeitas cria-
das A margem da investigagao official, o
parlamentar afirmou que ele e sua fami-
lia "acreditamos que ainda ter gente
grande envolvida nisso".
Logo em seguida acrescentou: "n6s
nao tinhamos conhecimento de nenhum re-
lacionamento deles com Marcelo Gabriel
(filho do ex-govemador Almir Gabriel e
s6cio de Chico Ferreira), nem commercial,
nem afetivo, nem de amizade". Imediata-
mente informou que Marcelo, "alguns dias
antes, esteve com Ubiraci no escrit6rio
dele", mas que nao sabia "se ele devia al-
guma parte dessa dfvida que era do Chi-
co. Porque at6 entlo o relacionamento dos
meninos era cor o Chico",
Mas logo emendou: "nao estou falan-
do que existe algum tipo de envolvimen-
to". E voltou a insistir: "S6 sei que tem
mais gente envolvida. Isso n6s temos cer-
teza. Tem mais gente no planejamento,
na distribuiq~o de tarefas".


As declaraq6es do parlamentar atingi-
ram o ex-goveradorAlmir Gabriel com a
forca de um recado, reforqado pelos pa-
renteses que o entrevistador de O Libe-
ral aduziu As palavras do entrevistado. Era
para nao deixar divida sobre quem 6 o
Marcelo Gabriel ao qual Novelino estava
se referindo e as circunstincias que o ar-
rastavam para o centro da trama crimino-
sa. Nao surpreende, assim, que o ex-go-
vemador tenhajogado a toalha e decidido
ir embora, desistindo de mais uma e der-
radeira tentative de voltar A political na
eleiqao municipal do pr6ximo ano.
A entrevista de Alessandro Novelino
foi a mais contundente manifestaqo da
familiar sobre o epis6dio, que a atingiu tao
violentamente. As informaq6es que ele
transmitiu aojomal, algumas delas exclu-
sivas, mostraram a profundidade do tra-
balho que os Novelino desenvolveram A
margem da apuracio official, com recur-
sos muito maiores e eficazes do que os da
policia e do Corpo de Bombeiros (que s6
tinha um flutuante e umjet-sky pr6prios).
O deputado, por exemplo, ji sabia onde
morava a mae de Chico Ferreira, "na
Mauruti, num casebre caindo aos peda-
cos", onde raramente o filho punha os p6s,
atestando sua desatenqC o para com a pro-
pria familiar (como entao, "vai se preocu-
par com a minha familiar agora?").
Sobre as ameacas que as families dos
participants do homicidio estariam rece-
bendo, Novelino foi categ6rico: "Algu6m
pode estar aproveitando o fato para fazer
isso. At6 porque eles [os criminosos] sdo
bandidos e bandido bom 6 bandido morto".
Como se envolveram com muita coisa, de-
sagradando ou prejudicando outras pesso-
as, concluiu o deputado: "tem centenas de
pessoas que gostariam de nao os ver vi-
vos". Mas nao os Novelino, que, como de-
clararam na nota official, garantem que s6
vao acertar as contas na justiqa.


Sem etica
Durante tres dias seguidos, O Liberal
publicou fotos do cadaver deformado de
Ubiraci Novelino, o primeiro dos dois ir-
maos retirado do fundo da baia do Guaja-
ri. As fotos eram chocantes. O primeiro
dia de publicaqao causou um forte impac-
to na opiniao pdblica: foram quatro as fo-
tografias. Por mais dois dias, duas dessas
fotos foram repetidas nojomal dos Maio-
rana. O Didrio do Pard publicou ima-
gens dos corpos cobertos por uma lona
azul, mas nem se pode dizer que deu esse
tratamento ao cadaver por diretriz editori-
al: as fotos divulgadas por O Liberal fo-
ram batidas por um integrante das equi-
pes de busca e salvamento do Corpo de
Bombeiros e Policia Civil, usando um apa-
relho cellular, e entregues exclusivamente
aojornal da familiar Maiorana.
Apesar da comoqao causada pela pu-
blicaqao das fotos e sua repetiqao por
mais dois dias, a familiar Novelino veicu-
lou na ediiao dominical de O Liberal do
dia 14 uma nota, na qual agradeceu a to-
dos que participaram das buscas, fazen-
do questao de mencionar "a impecivel
cobertura feita pela imprensa escrita, fa-
lada e televisada do nosso Estado". Se
houve desgosto ou revolta familiar, esses
sentiments nao impediram a veiculagao
do anfincio em O Liberal.
Provavelmente a editoria do jomal de-
cidiu avanqar al6m da linha da 6tica e do
bom senso porque por dois dias seguidos,
imediatamente antes, foi "furada" pelo con-
corrente. No dia 29 de abril o Didrio do
Pard informou, em tres linhas na capa da
sua ediqao dominical, que Chico Ferreira e
Luiz Araiijo haviam confessado a partici-
pagao no crime. No dia seguinte, reconsti-
tuiu como os irmaos Novelino foram mor-
tos, cor todos os detalhes, que O Liberal
s6 repetiria dois dias depois. A policia des-
confia que as informaqres foram passadas
pelo deputado estadualAlessandro Noveli-
no ao deputado federal Jader Barbalho, pre-
sidente do PMDB no Pard, partido de No-
velino, e dono do Didrio do Pard.
A foto dos cadiveres foi o troco de O
Liberal, provavelmente em dose dupla.


ONDAS


SPlanejamentoTerritorial Par-
ticipativo se transformou na onda
positive, levando A praia da soci-
edade as promessas do governor.
Superando as limitaq6es da dor na
perna, que estranhamente persis-
te, quase um ano depois do aci-
dente que a vitimou e da cirurgia


a que se submeteu, obrigando-a a
continuar a usar muleta, a gover-
nadora Ana Jdlia Carepa tern ido a
todas as audi8ncias no interior do
Estado. Nenhum governador an-
tes dela fez tantas e tao proveito-
sas incurs6es, em tao pouco tem-
po, aos centros de convergencia


e de influEncia no maltratado ser-
tao paraense. Se ap6s as consul-
tas A populagqo, cor a troca de
id6ias e os resultantes compro-
missos assumidos, nao houver re-
alizaq6es concretas, por6m, a
onda poderi se tornar negative,
devolvendo ao mar frustraqOes de


d6cadas. Ana Jdlia topou aceitar
regras novas para o velho jogo
populista e demag6gico. Mas se
a novidade for apenas espuma, ao
inv6s de emergir na onda, poderi
se afogar. O exercicio vale a pena,
mas exige bons pulmies. Ela os
tem?


4 MAIO DE 2007 I"QUINZENA Jornal Pessoal


" 1 ill 1 i L -__~-----II~--~--iU~~








Patrimonio familiar


Pessoas de care e osso, em situacqes
bem determinadas, fazem a hist6ria. Rara-
mente se incumbem de tamb6m escrev6-
la. Alguns atW se documentam para isso,
mas nao tnm tempo ou discipline para usar
o pr6prio material. No entanto, sua passa-
gem deixa marcas e oferece pistas. Infe-
lizmente, nao 6 frequente que os herdeiros
se deem conta desse patrim6nio que her-
daram. A mem6ria individual e familiar, que
6 o osso da musculatura da hist6ria, se per-
de. No Pari, esse dano 6 muito comum:
bota-se fora a hist6ria do cidadao um dia
ap6s a sua morte.
Louve-se a iniciativa dos que a preser-
vam. Outro dia a familiar Klautau comemo-
rou o centendrio do patriarca, um home
sempre de olho nas suas tarefas profissio-
nais e outro na apreciaq~o do tempo. Por
isso mesmo, o velho Aldebaro Klautau era
um home angustiado. Uma ang6stia pro-
funda, que s6 no o dobrou porque era tam-
b6m um home de f6. Merece continuar a
ser cultivado por seus familiares e nao s6
por eles: tamb6m pelos que se interessam
pela hist6ria recent do Pard. NSo como um
mito, mas como um home de came e osso.
Sujeito is contingencias de sua 6poca, mas
empenhado em faze-la seguir em frente.
Louvivel 6 tamb6m a preocupaqao dos
que, mesmo sem reconstituir as pegadas
do parent ou amigo, perenizam sua me-
m6ria, mantendo-o dentre os vivos. E o
caso da familiar do coronel Jos6 Lopes de
Oliveira, que, a cada ano, renova atrav6s
da missa o reencontro com um dos perso-
nagens mais interessantes da fase do regi-
me military de 1964 no Pard. E um dos mili-
tares mais originals nos quadros do Ex6r-
cito brasileiro.
Merit6rio 6 ainda o empenho dos ami-
gos do padre jesuita Giovanni Gallo. Eles
mandaram imprimir um sugestivo calendi-
rio para assinalar os quatro anos de sua
morte, ocorrida em marqo de 2003, aos 76
anos de idade. A principal obra de Gallo, o
Museu do Maraj6, resisted bravamente A
sentenqa da morte a que a indiferenqa da
sociedade pretend condend-lo. Cor o


museu, o missiondrio italiano quis salvar os
registros hist6ricos da Ilha do Maraj6, A qual
se dedicou durante quase tres d6cadas. Os
seus seguidores tentam agora perenizar os
dois legados, uma tarefa hercilea diante do
descaso da maioria.
Especial, nesse context, 6 o livro que
Aracoeli Pinheiro escreveu sobre a hist6ria
do marido, o deputado, ministry e senador
Cattete Pinheiro. A Forga do Destino (581
pAginas, ediqao da autora, 1998), 6 claro, 6
quase uma biografia official, sem ser, por6m,
uma hagiografia. Aracoeli se coloca em de-
fesa do marido, mas 6 suficientemente ho-
nesta e corajosa para enfrentar os temas
dificeis e inc6modos. Nem sempre diz, mas
sugere muita coisa important para ser dita
e revista na hist6ria da political paraense en-
tre as d6cadas de 40 e 70.
De especial relevancia 6 a reconstitui-
95o dos iltimos anos da vida p6blica do se-
nador Cattete Pinheiro. Batendo de frente
com o lider (e, na 6poca, quase dono) do
partido official, Jarbas Passarinho, ele prefe-
riu nao disputar mais nenhum cargo politico
e se aposentar do que arriscar-se a servir a
um esquema pr6-definido, que o compensa-
va, mas dispensava sua consult. Interes-
sante que o senador seguinte, o entao go-
vernador Aloysio Chaves, tamb6m nao dis-
putaria uma nova eleicao de senador, prefe-
rindo sair para deputado federal. Na eleiqao
seguinte, optou por pendurar a chuteira.
Tanto Cattete quanto Aloysio, de perso-
nalidade forte e id6ias pr6prias, tentaram abrir
uma nova senda entire as duas margens es-
treitas impostas A political official por Jarbas
Passarinho e Alacid Nunes. Nao conseguin-
do, preferiram ir para casa como caciques
renunciantes do que continuar na fileira dos
"soldados do partido", que talvez se tenham
dado individualmente melhor, mas nada fi-
zeram que garantisse seus nomes na hist6-
ria. Aracoeli, com uma competencia rara
dentre as coadjuvantes das estrelas do fir-
mamento politico paraense, tratou de asse-
gurar um lugar para o marido, uma persona-
lidade incomum nessa constelaqao de pla-
netas, sem brilho pr6prio.


Rio sem peixe
Os paraenses sabem repetir
como coro: Peixe-Boi tem o me-
Ihor clima do Estado. Por isso, o
municipio conquistou um titulo: Su-
fqa do Para. Mas o rio Peixe-Boi
pode receber outro titulo, indeseji-
vel e imerecido: rio sem peixe.
Numa carta ao Didrio do Pard, o
president da Col6nia de Pescado-
res Z-21, Ant6nio Santiago, fez um
alerta que devia ter ecoado em
outro espaqo inais destacado do
journal: a pesca predat6ria esti aca-
bando com os peixes do belo rio.
Ele contou 1.700 redes com malha
bem fina ao long de 25 quil6me-
tros de extensao do rio. Di uma
rede a cada 70 metros. Nenhum
peixe realizara a faqanha de ultra-
passar todas essas armadilhas para
alcanqar a piracema, reproduzindo-
se nas tocas, localizadas nas cabe-
ceiras do Peixe-Boi. Mais algum
tempo e nao haveri mais cardumes.
O rio vai, assim, perdendo sua vida.
O president da col6nia de pes-
cadores pede um basta A pesca pre-
dat6ria. Quer a definicao de um pe-
riodo de defeso e fiscalizaqao para
que se restabelega a reproduqao e
se impeqa a pesca das esp6cies ain-
da pequenas demais. Os rios da re-
giao estlo sendo saqueados por pro-
dutores e comerciantes inescrupu-
losos, que s6 querem lucrar o mi-
ximo e o mais rapidamente que pu-
derem. Mas nao sao s6 eles que
ferem de morte os cursos d'agua
da maior bacia hidrogrifica do pla-
neta: contam cor a coadjuvaqao
poderosa dos desmatadores das ma-
tas ciliares, que provocam o asso-
reamento do leito dos rios.
Portanto, se quisermos merecer
a gl6ria de Peixe-Boi e dos demais
municipios e rios que constituem
nosso patrim6nio natural, vamos
nos unir contra os destruidores, re-
forqando a luta de pessoas dispos-
tas ao bom combat como o lider
dos pescadores. Ja!


GRILAGEM


O Tribunal de Justiqa do
Estado criou uma comissao
para combater a grilagem de
terras, que fez sua primeira
reuniao no dia 4. Al6m de
tentar evitar a apropriaq~o


ilegardo patrimonio fundiario
pdblico, ela vai estudar a
pritica da grilagem. Por isso,
6 estranho que nao inclua
nenhuma entidade piblica de
pesquisa. Embora ji haja um


n6mero alto de integrantes,
sugiro que a comissao,
dirigida pelo ouvidor agririo,
o desembargador
aposentado Otivio
Marcelino Maciel, inclua um


representante da
Universidade Federal do
Pard e outro da Universidade
estadual. Se nao for demais,
tamb6m algu6m do Minist6rio
Piblico Federal.


Journal Pessoal I1 QUINZENA MAIO DE 2007


. ........ ......









Terras de Santarem


Em fevereiro de 1968 o vereador Jer6nimo
Diniz, da Arena (Alianqa Renovadora Nacio-
nal, o partido do regime military estava no
exercicio da prefeitura de Santar6m, que na
6poca, por qualquer crit6rio, era o segundo
mais important municipio do Estado. O pre-
feito titular, Elias Pinto, eleito com 65% dos
votos validos no ano anterior pelo MDB
(Movimento Democratico Brasileiro, da opo-
siqio), impondo a (inica grande derrota ao
governor naquela eleiqao, fora afastado do
cargo, juntamente com o vice-prefeito, Joa-
quim Martins, ambos acusados de irregulari-
dades administrativas. Seu lugar foi ocupa-
do pelo president da Camara, vereador Eli-
naldo Barbosa (tamb6m da Arena), que foi
assassinado (mas nao por motives politicos)
logo depois.
O prefeito eleito seria cassado pela Cama-
ra, onde 9 dos 12 vereadores eram da Arena,
mas conseguiu um habeas corpus na justiqa
estadual. Ao tentar reassumir o cargo com a
ordem judicial, em se- /
tembro de 1968, foi im-
pedido por uma tropa C7
de 150 homes da Poli-
cia Militar, deslocada t
deBel6mparaSantarm
pelo governador Alacid
Nunes, sob o comando /
do truculento tenente
Lauro Viana, delegado
do interior. Tres pesso- C7 --
as morreram no confli-
to e, um ano depois, em conseqti6ncia do feri-
mento recebido na ocasiao, o brigadeiro Ha-
roldo Veloso, que era tamb6m deputado fede-
ral pela Arepa (mas apoiava o prefeito do
MDB). Santar6m foi enquadrada como muni-
cipio de seguranqa national e passou duas
d6cadas sem eleger o seu prefeito, que era
nomeado pelo governador do Estado, corn a
aprovagdo da Assembl6ia Legislativa.
Pois em fevereiro de 1968 o prefeito inte-
rino Jer6nimo Diniz (que tamb6m viria a ser
afastado do cargo para "averiguaq6es" em
sua gestao e substituido pelo vereador are-
nista Fabio Lima) assinou decreto doando A
Uniao, em carter definitive e corn dominio
pleno, sete glebas de terras na sede do muni-
cipio, em pleno perimetro urban. As Areas,
corn um total de 711 mil metros quadrados
(ou 71 hectares, dentro da cidade), seriam
destinadas "A instalagao de um aquartelamen-
to para uma Companhia de Fuzileiros do Ex6r-
cito e seus diversos 6rgaos assistenciais",
que iriam se estabelecer na regiao.
A maior de todas as areas, com 517 mil
metros quadrados, ficava as margens da San-
tar6m-Cuiaba, onde acabaria se instalando o
8 Batalhao de Engenharia de Construlao do
Ex6rcito, que assumiu a responsabilidade pela
obra. Al6m de doar os lotes, provavelmente
na maior transfer&ncia de patrim6nio feita pelo


poder p6blico em Santar6m, a prefeitura ain-
da assumiu todas as despesas corn indeniza-
q6es ou transferencia de benfeitorias de pro-
priedade de terceiros, ficando assim a doa-
9ao "livre de qualquer 6nus para a Uniao".
Logo em seguida, O Jornal de Santar6m,
um semanario, o que mais tempo circulou no
municipio at6 hoje, registrou que "um grupo de
pessoas interessadas em perturbar a vida do
municipio" vinha espalhando noticias e comen-
tArios contra a prefeitura e os representantes
do Minist6rio do Ex6rcito, ''propalando aos
quatro cantos da cidade que estes queriam tirar
a terra dos menos protegidos da sorte".
Condenando essas manifestaq6es, o jor-
nal, sob a responsabilidade do vereador An-
t8nio Pereira, igualmente da Arena, assegu-
rava que os futures remanejados nao sofreri-
am prejuizo e que "procurar impedir que se
instale aqui um batalhao cor todas as suas
vantagens represent colocar uma grande
barreira A frente do progress da nossa ter-

4 a implantagao do bata-
lh~o era mais importan-
te para Santar6m e o
Baixo-Amazonas do
que para o Ex6rcito.
Corn a unidade, "os
filhos de Santar6m te-
Srao oportunidade de
fazer sua carreira mili-
tar, iniciando-a aqui
mesmo, e para o com6r-
cio local, que terd em seu movimento uma
parte dos vencimentos de mais de quinhen-
tos homes, entire eles muitos oficiais; sdo
os operarios locais que terao serviqo, o que
significa salArio, nas obras de construqao;
enfim, 6 o progress que Santar6m exige".
Como apenas uma parcela dessa enorme
Area foi utilizada, a prefeitura vem tentando,
nos dltimos cinco anos, recuperar as glebas
que permanecem at6 hoje abandonadas. Se-
gundo noticia dojornal O Estado do Tapaj6s,
o Minist6rio do Ex6rcito se disp6s a devolver
o patrim6nio remanescente, mas cobrou por
ele oito milhoes de reais. Nao fechou a porta
da negociaqao, admitindo uma contrapropos-
ta da prefeitura. Mas quem recebeu gratuita-
mente as terras, nao pagando nem as indeni-
zaq6es devidas e as despesas da transferen-
cia, deve cobrar alguma coisa para fazer voltar
esse bern pdblico ao seu primitive dono?
O mais sensato seria que a Uniao apenas
condicionasse a devolugao a uma aplicacao
verdadeiramente social, requerendo o direito
de acompanhar a destinagao das Areas para
que elas nao sejam desviadas para outros fins.
Transformar uma doagao de origem em uma
operaqao de compra e venda, onerosa ao doa-
dor generoso, numa transaqao entire entes do
poder p6blico, 6 uma attitude errada. Espera-se
que seja corrigida, em beneficio de todos.


Solu io ou problema?

AAbal (Associaaoo Brasileira do Alumi-
nio) patrocinou um antlncio, divulgado in-
clusive na imprensa local, para anunciar que
o setor fez uma escolha: a autogeraq~o de
energia. Ao custo de 4 bilh6es de reais, esta
implantando 14 usinas, "que garantirao a in-
distria do aluminio mais de 50% de auto-su-
fici8ncia energ6tica", permitindo-lhe liberar
energia el6trica para outros stores da eco-
nomia, "sem necessidade de investimento
p6blico". A image vinculada ao anuincio 6
de uma hidrel6trica, mas a peqa nao diz quan-
tas das usinas terao fonte hidraulica e quan-
tas usarao outro energ6tico.
Trata-se de media de grande impact. A
indistria de aluminio 6 a que mais consome
energia, parte dela fornecida com subsidio
pelo poder piblico, que se endividou pesa-
damente para garantir esse fornecimento. A
AlbrAs, em Barcarena, e a Alumar, em Sao Lufs,
que representam mais de 5% de todo consu-
mo de energia do Brasil, funcionaram duran-
te 20 anos recebendo energia a uma tarifa que
Ihes permitiu economizar o equivalent a uma
fabrica nova para cada uma. Renovados em
2004, esses contratos asseguram energia a
preqo favoravel por mais 20 anos.
Mas para a capacidade instalada atual,
que gravita nas duas inddstrias em torno de
900 mil toneladas anuais. Para a expansao, 6
precise buscar outra fonte de suprimento.
Como essa necessidade 6 premente e a ener-
gia de fonte hidraulica represent uma alter-
nativa complex, a Albrds, segunda maior pro-
dutora do continent e oitava do mundo, esta
partindo para o carvao mineral.
ACompanhia Vale do Rio Doce, que divi-
de o control da fabrica com os japoneses,
pediu a Sectam, no final do m8s passado, o
licenciamento ambiental para uma t6rmica cor
capacidade para 600 mil quilowatts, que de-
vera assegurar uma grande ampliacgo da pro-
duqgo da Albrds. Surpreendentemente, o car-
vao vira da Colombia. Era de se esperar que a
CVRD deixasse em Barcarena parte do car-
vao que trara da China como carga de retor-
no do mindrio de ferro. Afinal, a Vale j 6 dona
de um neg6cio e dejazida de carvao naquele
pais (al6m de na Australia e na Africa).
Optou pelo carvao colombiano porque,
estando mais pr6ximo, saira mais barato? Ou,
independentemente dessa vantage, para se
livrar dos inc6modos associados ao carvao
chines? Preveem os especialistas que em
novembro deste ano a China passard A frente
dos Estados Unidos como o pais que mais
polui o planet. A (literalmente) negra faCa-
nha sera devida as t6rmicas chinesas, que
produzem energia queimando carvao de bai-
xa qualidade.
A Vale garante que a tecnologia a ser usa-
da na sua t6rmica de Barcarena 6 muito me-
lhor, assim como a mat6ria prima. Convem fi-
car muito atento e exigente no licenciamento
ambiental. Esse pode se tornar o mais grave
problema de poluigao no Pard.


a MAIO DE 2007 I" QUINZENA Jornal Pessoal








Uma guerra no ar: a do grupo Liberal

O grupo Liberal decidiu enfrentar o maior Foram formuladas tentativas de composi-
Para atestar definitivamente que o Didrio anunciante particular do Para, o grupo Yama- gao, que podiam compensar a perda do grupo
do Pard conseguiu a facanha de superar em da, por diverg8ncias comerciais. Os Yamada Liberal e evitar um confront, mas parece que
vendas a 0 Liberal, resta agora o Instituto teriam sido surpreendidos pela decisao do ndo estdo dando certo diante da posiqao da
Verificador de Circulacgo fazer uma audita- principal executive da corporalao de comu- empresa. O noticiirio de O Liberal abriga cor
gem no joral do deputado federal Jader Bar- nicacqo, Romulo Maiorana Junior, de suspen- crescente freqtiincia mat6rias critics a admi-
balho. As pesquisas realizadas pelo Ibope, a der a veiculacao de an6ncios da empresa, a nistraqlo estadual, embora, na maioria dos ca-
61tima 'delas em dezembro do ano passado, maior do setor de varejo e cada vez mais forte sos, oriundas de ag6ncias de noticias ou de
mostraram que a circulacio paga do Didrio no segment de supermercado, enquanto Y. outras publicacqes. Esse tratamento poderia
ji 6 maior do que a do journal dos Maiorana. Yamada nao destinar ao grupo Liberal uma transmitir a impaciencia do grupo Liberal, que
Mas a fonte de maior credibilidade nessa verba de publicidade superior a do concor- nao se satisfez com a manutenqgo do uso do
mat6ria 6 mesmo o IVC. rente ou noo cumprir a tabela de pregos, sem jatinho da ORM Air nem com os pingados
At6 o inicio do ano passado, O Liberal desconto, conforme diferentes verses da- anincios oficiais. Quer mais e logo.
era a 6nica empresa jornalistica do Pard au- das ao-epis6dio. O govero cedera a essa pressao? A res-
ditada pelo institute, organizaqao corn mais O grupo Liberal usa o amplo dominio que posta serd dada atrav6s do contencioso Fun-
de meio s6culo de existEncia, criada por ve- exerce na area de televisao, graqas a sua con- telpa/TV Liberal. A comissao de inqu6rito ins-
iculos da midia e ag8ncias de publicidade digqo de emissora afiliada a Rede Globo de taurada pela Fundaqao de Telecomunicacqes
do sul do pais. Mas quando o IVC consta- Televisao, para fechar pacotes, que incluem do Pard concluiu, na semana passada, depois
tou que a circulaqao do journal lider de mer- o journal e a rddio, ignorando a perda de posi- de 90 dias de trabalho, pela ilegalidade e lesivi-
cado fora inchada artificialmente, sendo, na qao de O Liberal. Depois de muito tempo de dade do contrato, disfarqado de convenio, que
melhor das hip6teses, 50% menor do que a submissdo As diretrizes do grupo Liberal, al- herdou do PSDB. Por isso, a relaqao tera que
declarada pelo editor, O Liberal se desfiliou guns anunciantes comeqaram a reagir. O exem- ser anulada e nenhum pagamento sera feito. A
do institute. Foi exatamente na v6spera da plo mais enfatico 6 o atual, do grupo Yamada. comissao tamb6m recomendou que a Funtelpa
chegada de uma equipe do IVC, que faria a Ha duas semanas os an6ncios da empresa busque o ressarcimento do dinheiro pelas me-
primeira auditagem de 2006. nao aparecem nos veiculos das Organizaques didas cabiveis, administrativas ejudiciais. Den-
Foi um caso in6dito na hist6ria da entida- Romulo Maiorana. tre elas, habilitar-se na aqao popular ajuizada
de. Em litigios anteriores, a empresa auditada O problema, por6m, nao 6 apenas com o em 1997, invertendo, por6m, sua posiqCo, de r6
sempre tentava se defender do relat6rio do setor privado. O grupo Liberal resolve ado- para autora. E cobrar a devoluqao dos recursos
institute, como no mais c6lebre desses casos, tar o mesmo procedimento em relaqao ao go- desde o inicio do "convenio".
com a Folha de S. Paulo (que acabou se fili- verno do Estado, o maior de todos os seus A opao mais facil e mais fulminante nao foi
ando novamente ao IVC). Uma fuga, pura e anunciantes: exigiu que sua parte na verba da adotada, que seria a revogaqao do termo aditi-
simples, sem qualquer contestaldo; s6 0 Li- propaganda official continue a ser a maior e vo assinado em 31 de dezembro de 2006, pror-
beral a praticou. que o Estado cumpra a tabela cheia, sem redu- rogando por mais um ano a vigencia do contra-
Desde entdo o Didrio do Pard anuncia qoes. A principio, seria a forma de compensar to. Mas se as recomendagqes da comissao fo-
embora apenas indiretamente que sera o novo a suspensao, em janeiro, do pagamento men- rem aplicadas e desde que as complicacqes im-
filiado do IVC. t a iniciativa que esta faltando sal que o Estado fez a TV Liberal, ao long de plicitas nao a anulem, o governor assumird o
para que a derrota dojoral da familiaMaiorana mais de 9 anos de administragqo tucana, num risco de receber do outro lado uma declaraqco
deixe de suscitar qualquer d6vida, ja que a me- total de mais de 35 milhoes de reais (valor his- de guerra. Os pr6ximos passes definirao qual
todologia do Ibope (que mede indice de leitura, t6rico, sem atualizaqIo). das hip6teses possiveis sera a seguida.
sem comprovar a venda de exemplares) admite Por muitos motives, por6m, tornou-se im- A Funtelpa, corn base no inqu6rito, deveri
ddvidas, interpretaqces divergentes e questio- possivel ao novo govemo honrar os terms continuar a ceder, por mais seis ou oito meses
namentos. Se ainda nao p6de apresentar nu- do "convenio", assinado em 1997, na metade (na prdtica, at6 o final da prorrogaqao do "con-
meros do IVC, provavelmente o Didrio ainda doprimeiromandatodeAlmir Gabriel.Aparce- venio"), suas 78 torres para a retransmissao
nao esta em condiqes de se submeter rigoro- la dejaneiro atingiu R$ 465 mil, mais do que o do sinal da TV Liberal, que 6, na essencia, a
sa auditagem que o institute realize. dobro da primeira mensalidade, que foi de R$ programaqgo da TV Globo. A Liberal nada pa-
No entanto, os relat6rios elaborados pelo 200 mil. O valor 6 maior do que a folha de pes- gara por essa cessdo, mas teria que abrir algu-
IVC ainda sob contrato corn a Delta Publicida- soal da Funtelpa. O 6nus simplesmente invia- mas "janelas" para a TV Cultura exibir seus
de sao categ6ricos: O Liberal perdeu a lide- bilizava o projeto de transformar a TV Cultura pr6prios programs e, progressivamente, aca-
ranqa no segment dejornal impresso. Apesar numa verdadeira televisto piblica e de diver- bar por usar todo tempo.
disso, a empresa continue a proclamar que edi- sificar a political de comunicaqao imaginada Se a TV Liberal etiver em condiqoes de pros-
ta o journal mais lido, nao apenas do Pard, mas pelo governor petista. seguir e acelerar o projeto de formaqao de sua
de todo Norte e Nor- rede pr6pria de estaqoes
deste do Brasil. E a Bretransmissoras, que
persistencia num anda em pass de ciga-
erropeloqualafami- Apelagfio ao TJE do, tera que considerar
lia Maiorana ja pa- positive nada pagar pela
gou caro: o lfder, de O soci6logo Domingos Conceigqo apelou ao Tribunal de Justiqa do Estado, no dia 12, continuidade da cessao
fato, 6 A Tarde, de da decisao dajuiza da 21" vara civel de Bel6m, que rejeitou a aqdo popular proposta da rede da Funtelpa at6
Salvador (tao lider contra o "convenio" entire a FundacIo de Telecomunicaqdes do Pard e a TV Liberal. o final do ano. Mas se
que na 6poca o va- Conceiqao diz que o recurso se impoe, "diante de um vergonhoso quadro de ilegalidade repetir em relaq~o ao
zamento do relat6rio e inconstitucionalidade", para submeter a questao A instancia superior, "de modo que, a governor a postura ado-
do IVC, mostrando a partir de uma andlise mais criteriosa e t6cnica", o tribunal possa "reformar a descabida tada com os Yamada,
farsa de O Liberal, decisao" tomada na instancia inferior e declarar a nulidade da relacao, juntamente com logo o noticiario jorna-
foi atribuido ao jor- todos os seus aditivos, "corn a consequente condenaqao da TV Liberal a devolver a listico dos seus veicu-
nal baiano). Funtelpa tudo quanto Ihe foi pago em razdo dos ajuste nulos". los sera posto inteira-
A insistencia em O Minist6rio Piblico do Estado tamb6m devera apelar da sentenqa dajuiza Rosileide mente a serviqo dos
desafiar os fatos po- Filomeno e a Funtelpa, que era r6, devera se habilitar como litisconsorte na aqo, seus interesses contra-
deri fazer novas e passando a figurar tamb6m como autora. riados. E a Agua virard
pesadas cobranqas. vinho. Ou vice-versa.


Jornal Pessoal I' QUINZENA MAIO DE 2007











(- -aeitte


Liderangas
Inegavelmente voce tem razao a res-
peito do tipo de jornalismo que a Veja
vem fazendo. Embora prefira que peque
por excess. Isto 6, independent dos
motives e da forma, graqas a ela, ficamos
cientes das maracutaias e descaminhos
do partido das vestais ou como dizia o
Brizola a "UDN de macacao".
t 6bvio que tamb6m Jader Barbalho
mostra-se, para o bem ou para o mal, o
politico que mais influenciou a political
paraense depois do Barata. Haja vista que
as principals liderangas da atualidade que
sao frutos da aqao political de Jader direta
- Almir, Jatene e, indiretamente, Ed-
milson, o de triste mem6ria, que se pro-
jetou confrontando-o na mais longa gre-
ve do magistdrio neste Estado. Acho que
o Para merecia uma lideranca menos ne-
fasta do que aquela. O que revela a pobre-
za dos nossos politicos.
O inc6modo que me causou 6 que,
ao mesmo tempo que v. faz reparos a
linha de pasquim como a Veja retratou
tanto o Jader quanto a "governadora
da mudanga", pa primeira pagina do
Jornal Pessoal n" 390 aparece uma
charge do Jader com a mascara dos me-
tralhas. Horrivel. Af fica o roto falan-
do mal do remendado.
A prop6sito, depois de um long
period, finalmente, as reportagens a res-
peito de O Liberal, do qual voce parece
nao conseguir se libertar, nao doo o tom
dominant. Alvissaras!
Raimundo William Tavares
Junior

MINHA RESPOSTA
A ilustracao da matiria de capa,
como today charge, tern um sentido sim-
b6lico, metaf6rico, de sugestao. De um
lado do valete (que leva a letra J) estd o
Jader estigmatizado criticamente; do
outro lado da carta de baralho estd o
Jader como ele tenta se apresentar e seus
eleitores o veem. Mas no texto o leitor
ndo encontrard o menor vislumbre de
ofensa. A matdria e critical, mas, se me
permit o William, estritamente jornalis-
tica, amparada em fatos. A critical, por-
tanto, ndo procede.
Desafio o leitor a encontrar uma
nota sobre 0 Liberal que ndo tenha um
gancho, fundamentada em fatos da con-
juntura imediata. 0 acompanhamento
que fago desse impdrio joralistico, em
cima do lance, tern uma justificativa de
alto interesse pdblico (afora a motiva-
cdo da guerra judicial que desencadea-
ram para me intimidar e anular, e da
qual ndo faco a menor referencia hd
muito tempo, embora ela esteja em ple-
na efervescdncia, para ndo influir sobre
o julgador das demandss: trata-se de
um grupo de poder cor influencia too -
ou mais forte que a dos politicos e,
especificamente, do que o objeto do co-
mentdrio do leitor.
Cor uma ,nfase & parte: o Jornal
Pessoal d a tinica publicarao que lida
corn o grupo Liberal num terreno que
ndo constitui a especialidade dele: o ter-
reno dos.fatos, da verdade, aberto a con-
trovdrsia, cor todo espaco para a ma-
nifestaCdo da parte contrdria. Sem as
matdrias deste journal, a opinido ptblica
ndo conseguiria saber o que essa part
tdo poderosa da elite paraense realmen-
te faz por trds de suas matirias e de seu
discurso. Con certeza, coisas tdo nefas-
tas quanto as de Jader Barbalho e ou-
tros politicos, estigmatizados ou ndo.


Hidreletricas
Receber o JP a cada quinzena aqui
nesta poluida Campinas 6 um alento du-
plo posso manter aceso e oxigenado o
meu interesse professional sobre os even-
tos econmricos e politicos da Amaz6nia
e deleito-me e instruo-me com um dos
melhores textos dentre os jomalistas bra-
sileiros de hoje.
No caso que ambos acompanhamos
hA quase vinte anos, dos projetos hidreld-
tricos no Xingu, peqo que ajude os que
batalham contra essa obra e que ajude a
todos os leitores, permitindo-me reabrir
esse debate destacando um trecho seu na
agnncia Adital, em 9 de maio:
"Estou convencido de que um tra-
tamento sdrio e consciencioso podera
minimizar a um grau at6 aceitivel os
efeitos negatives da usina sobre a po-
pulaqao, sobretudo a indigena, e o meio
ambiente".
HA razhes, sim, para que a iddia da
obra seja rejeitada em bloco, a primeira
delas 6justamente a inexistencia de quem
faga e quem garanta esse tratamento sd-
rio e consciencioso que vocd reivindica:
a Eletronorte? As grandes empreiteiras?
Uma Alcoa, urna Vale que venham a ser
s6cias da hipotdtica mega-usina?
Outra razao 6 que nao hA como mi-
nimizar nem compensar o traumatismo
da destruigao de um dos grande monu-
mentos fluviais do pais, as centenas de
km de rio encachoeirado na Volta Gran-
de do Xingu.
Com relacgo aos indigenas, tamb6m
hA uma razao forte: o cacique Manoel e
seu povo Juruna ficardo com ur riozao
seco pela frente e uma sucessao de repre-
sas interligadas por detris e nio hA como
minorar os transtomos e prejuizos. Aldrn
deles, centenas de xipaias, araras, curuai-
as, jurunas e seus descendentes, ditos de-
saldeiados, morando nas barrancas e ilhas
do Xingu, terdo suas vidas transtomadas
para sempre, pois ou ficariam no trecho
seco, ou seriam expulsos pelas represas.
E ainda hi uma razao de Estado, pelo
menos em Ambito municipal no maior
municipio do pais: enormes impacts
negatives nas areas baixas de Altamira,
atingindo diretamente quase dez mil pes-
soas, e indiretamente toda a cidade, corn
grande chance de poluimo da represa por
esgoto e cor risco de contaminaqao ge-
ral dos lenq6is freiticos e do solo.
E ha outras... deixemos para a se-
qiUncia esperada.
Volto a citi-lo, caro Licio:
"O que nao me convince, desde a
reapresentagao do projeto, em 2002, 6
a engenharia econ6mica, a viabilidade
t6cnica da hidreldtrica, nao como uma
obra de construgao civil, mas como uma
fonte de energia capaz de se auto-sus-
tentar. Ao menos nao com a equaqao
que 6 possivel se montar corn os dados
fornecidos pela Eletronorte".
A esse respeito, constam do livro
"Tenota MB" alertas sobre as conseqii-
encias dos projetos hidreldtricos no rio
Xingu, ParA, por mim organizado, e no
qual vocd 6 autor de um capftulo, as ar-
gumentagqes mais detalhadas sobre a in-
viabilidade tdcnica do projeto Belo Mon-
te. Foram feitas estimativas sobre as po-
tencias eldtricas oferecidas por uma s6,
por duas e por seis usinas no Xingu, a
partir de "simulag6es do passado hidro-
16gico" do Xingu, por pesquisadores do
laborat6rio de control de operagco dos
sistemas eldtricos da Unicamp. Bern
como outros arguments, a partir de anA-
lises tdcnico-econbmicas das altemati-
vas de interligagao dessa usina com o
sistema national foram desenvolvidos


no mesmo livro, por pesquisador do CE-
PEL/EletrobrAs.
Como o nosso livro foi lancado em
Altamira em julho de 2005 e em Bel6m,
em marqo de 2006, e o JP raramente
menciona, fiquei corn a sensac~o de que
voce nao queria fazer a balanqa pender
muito pro lado dos considerados "con-
trdrios" ao projeto. Assim sendo, peqo
informar aos leitores e interessados que
poderdo consultar e baixar arquivos do
livro no meu "sitio":
www.fem.unicamp.br/~seva e tambem
no sitio da International Rivers Network,
que bancou a ediao: www.im.org.
Foram doados exemplares para al-
gumas QNGs em Belem, para docentes e
biblioteca da UFPa, para o MPF, e deze-
nas deles em Altamira, inclusive para bi-
bliotecas pfblicas e escolas.
Em tempo: prepara-se para os pri-
meiros dias de junho um encontro de li-
deranqas indigenas do mrdio Xingu espe-
cificamente sobre os projetos de hidreld-
tricas. Novamente em Altamira, prova-
velmente sem o mesmo charge e cele-
bridades do 1. encontro e sem a esperan-
qa e alegria que todos brasileiros tinha-
mos em 1989.
Receba meu cordial abraqo
Oswaldo Seva
CAmpinas-SP

MINHA RESPOSTA
Quando a diretoria da Eletronorte
veio a Beldm em 2002 apresentar pela
primeira vez a nova versdo do projeto de
Belo Monte, no audit6rio do Crea, com-
pletamente lotado, fui a lnica pessoa
que, mesmo sem ser engenheiro, susci-
tou a questao que permanece sem res-
posta satisfat6ria ati hoje: a usina, a fio
d'dgua, sem dgua para funcionar du-
rante quatro meses do ano e corn dgua
insuficiente durante mais dois meses, ndo
tinha viabilidade econdmica sozinha. E
como d sozinha que d apresentada, sem
os denais represamentos a montante do
Xingu, que podem ser capazes de viabi-
lizd-la, permanece sendo um elefante
branco (ou uma baleia branca, para
buscar uma imagem mais afim).
Das duas, uma: ou a Eletronorte
coloca as verdadeiras cartas sobre a
mesa de discussed, para un exame ho-
nesto e profundo, ou ndo hd possibilida-
de de se aceitar Belo Monte. 0 jogo leal
exige que se faca uma andlise de toda
bacia, do conjunto de aproveitamentos
energiticos possiveis, em tese, do enor-
me impact que eles provocardo. Se fos-
se s6 a nova concepfao de Belo Monte,
eu ati podia vir a aceitar a obra, desde
que sofresse vdrios ajustes e correfVes.
Mas Belo Monte sozinha ndo d vidvel, o
que torna a discussao seguinte (sobre
impacts ambientais e sociais) oriosa.
A discussdo sobre toda bacia ndo
pode serfeita no dmbito da Eletronorte,
das empreiteiras ou dos possiveis con-
cessiondrios, por motives dbvios (no caso
da Eletronorte, renitentemente demons-
trados). 0 local indicado seria o da agen-
cia de desenvolvimento (teoricamente, a
ADA), mas a partir da criaC o do comi-
te da bacia do Xingu, numa perspective
muito mais ampla do que apenas a da
gerac o de energia. Talvez se chegue a
conclusdo do professor Seva: de que e
muito melhor manter a bacia do Xingu
como estd, buscando-se outras formas
de destinacdo, dando-lhe outro valor
economic (como o do turismo ecol6gi-
co e cientjfico, conforme jd sugeri). Ndo
se pode, pordm, simplesmente fechar a
matriz hidrelitrica na regido que ter a
maior bacia hidrogrdfica do planet,
sem examiner com realism e rigor essa


A MAIO DE 2007 I/QUINZENA Jornal Pessoal


Iipdtese de gerardo de energia. Esse tipo
de abordagem estd para ser inaugurada.
Uma boa parte dos elements dessa
discussed estd contida no volumoso li-
vro coordenado pelo professor Sevd,
sobre o qual, realmente, fiz poucos co-
mentdrios (embora, nao muito tempo
atrdi, tenha abordado o inovador e va-
lioso experiment realizado pelo labo-
rat6rio de Campinas). Penitencio-me
desse involuntdrio silencio, tanto por
causa das limita(des que a persegui-do
judicial me iimpie, comno tanmbim por
certo pudor Afinal. sou um dos colabo-
radores do precioso trabalho coordena-
do pelo professor Sevd, que precisa ser
mais consultado. Quando posso, evito
ao mximno a auto-cita(do, talvez para
ndo dar armas aos que me apontam
dose exagerada de vaidade, o que fa-
zem rom contumdcia, tenham ou ndo
arms em nmos (a razai pouco ihes im-
porta). Alguns coordenadores de obras
coletivas que me incluem fazemn as vezes
a mesma reclama(do, conmo aronteceu
com obra recent do Museu Emilio Go-
eldi, da qual fiz part.
Pacidncia. Jd d bastante a propa-
ganda que me vejo obrigado a fazer do
meu ultimo livro, por uma necessidade
vital: meus cinco livros mais recentes
sdo edi(-do do autor, um autor pobre,
que conta com o apoio de pouros anti-
gos para colocar no mundo seus livros,
sem verba official ou de qualquer outra
natureza. Como nunca mais fiz lan(a-
mento dos meus livros (e as noites de
autdgrafos sdo a melhor ocasido de ven-
da), tenho que anuncid-los para que o
dinheiro continue a pingar ati fechar
todas as contas da edi('do.
Espero que os paraenses atendaim d
conclanmado de un amnaznida de Cam-
pinas e deem atenrao a una questao que,
estando bem ao lado e send to) impor-
tante, parece star plantada em Marte (e
ndo a mimntica Marte de Carajds).

Jader
Reproduzo abaixo duas das men-
sagens enviadas a revista eletronica Ob-
servat6rio da Imprensa, a prop6sito do
artigo de capa da ediado anterior sobre
Jader Barbalho, que o 01 transcreveu.
0 debate ficou mais intense id fora.

Licio, 6 muito bom ver que voce
tem colaborado com mais freqiiuncia ao
01, muito bom mesmo. Somos quase-con-
terrineos, apesar de eu nao morar mais
por ai no Pard desde crianga.
Paulo Rebelo
Recife PE

Excelente artigo por ultrapassar os
limits do acanhado debate politico na
imprensa, onde os chamados "formado-
res de opiniao" comportam-se como
apaixonados torcedores de futebol, sem-
pre colocando em lados opostos e anta-
g6nicos os "mocinhos" e "bandidos". Os
leitores de um e outro campo torcem
desesperadamente por seus preferidos, ab-
solvendo os cormptos de seu pr6prio cam-
po e condenando os corruptos do campo
adversArio... Esse clima favorece os cha-
mados "corruptos profissionais" com
longa tradicgo no campo da espoliaqao
dos recursos ptiblicos e "modus operan-
di" extremamente sofisticados, portanto
fora do alcance da compreensio dos pas-
sionais "formadores de opinioo", muito
mais preocupados com eventuais trapa-
lhadas de corruptos de quinto escalao, ma-
terializadas em aspects pitorescos como
o epis6dio dos d6lares na cueca...
Jos6 Orair Silva
Belo Horizonte MG









Liberdade de imprensa:



entire chuvas e trovoadas


No final de 2003, o jornalista Luiz Carlos
Barbom Filho denunciou, num pequenojornal
que editava em Porto Ferreira, no interior de
Sao Paulo, a exist8ncia no municipio de uma
rede de.corrupNo de menores, favorecimento
da prostituiao e formacgo de quadrilha ou ban-
do. Enquadrados nesses delitos, tr6s empresd-
rios e um funciondrio ptblico municipal foram
processados e condenados a penas que vari-
am entire 4 e 45 anos de reclusdo. Mas s6 um
garqom permaneceu preso. 0 journal Realidade
acabou sendo fechado e, tres anos e meio de-
pois, no dia 5, Barbom foi morto. Tinha 37 anos.
Embora as circunstancias do atentado ainda nao
tenham sido elucidadas nem press os seus
autores (dois homes que se aproximaram do
jomalista numa motocicleta, um dos quais fez
os disparos com um rev61ver), a relagao entire
as denincias e o assassinate se imp6s.
Apesar disso, a Federaqo Nacional dos Jor-
nalistas e o sindicato de Sao Paulo imediata-
mente juntaram ao protest pelo crime obser-
vaq6es que provocaram nova polemica. Na sua
nota official, a Fenaj disse:
"Luiz Carlos Barbom Filho, apesar de se
auto-intitular jornalista, nao o era de fato e de
direito. O jomal Realidade, de sua proprieda-
de, foi fechado, pois nunca esteve regularizado
e Barbom Filho nao possufa o registro dejoma-
lista, tendo sido, inclusive, processado por exer-
cicio illegal da profissao".
A revista eletr6nica Comunique-se repetiu
informac6es semelhantes, desqualificando ojor-
nalista. Mas a organizagao Rep6rteres semfron-
teira mostrou que, independentemente de sua
condig o formal e legal, Barbom era cronista do
semanario Jornal do Porto e do diirio JCRegi-
onal. Numerosas acusac6es que fez em suas
matdrias contra politicos locais tomaram-no mui-
to conhecido na regiao e atrairam contra ele
muitos inimigos. Ameagas de morte estavam
sendo feitas contra ele, quando foi morto.
0 epis6dio tern uma mensagem clara e dire-
ta: todos os jomalistas tem que repudiar de
pronto e por inteiro as reaq6es a mat6riasjor-
nalisticas que extrapolem o piano das id6ias,
das informacges e dos fatos. Tudo mais, mes-
mo quando relevant, deve ser considerado a
partir dessa premissa. As pessoas tnm que rea-
gir exercendo o direito de resposta ou recorren-
do A viajudicial, quando se sentirem prejudica-
das ou ofendidas por um texto que sai em pu-
blicagqo peri6dica.
Nao import, de imediato, quem escreveu o
texto e onde ele foi pdblicado. Se o prejudicado
ou ofendido recorrer A violencia ou a qualquer
outra via marginal daregra legal, oucontrAria h
norma civilizada, deve receber o repddio e a con-
denaqao dos jornalistas, pela categoria em si e
em nome da sociedade. Uma vez que a reaqao
seja praticada legal e civilizadamente, discuta-


mos honest e sinceramente todas as suas cir-
cunst^ncias, sem corporativismo ou paixao. Em
qualquer outra circunstancia, A parte a imposi-
qao de fazer uma cobertura rigorosa dos fatos,
denunciando o pr6priojomalista, se comprova-
da sua mA-f6 e tendenciosidade, 6 necessdrio
combater a violaao As garantias constitucionais
da livre expressao do pensamento e da liberdade
de informaqio. Sem essas garantias, estaremos
plantando, hoje, as sementes da nossa destrui-
qao, amanha. E da democracia, cuja existencia 6
a maiorrazo deserdaimprensa.
Diante do assassinate de um colega, que tra-
tava de perigosos temas do maior interesse
coletivo, adimensaoestritamentecorporativa da
Fenaj e do sindicato de Sao Paulo, como de vAri-
os outros, sufocou sua perceprao mais ampla da
questao. Todos parecem esquecer que a estru-
turajuridica6 umamoldurasufocanteparao exer-
cicio dojomalismo no Brasil. Ainda esta em vi-
gor (ou serve de mal6fica inspiragqo) a trade de
instruments de control e manipulaoio, repre-
sentada pela lei 5.250, de fevereiro de 1967 (a
impopular mas muito viva-Lei de Imprensa);
peloAI-5, dedezembro de 1968 (s6 formalmente
revogado, mas cuja inspiraqao continue a ser um
fantasma ativo, a assombrar a liberdade); e pelo
decreto-lei 972, de outubro de 1969, que regula-
mentou a profissao num dos periodos mais ne-
gros da censura (da Junta Militar).
Esses instruments 6 que sao responsiveis
por Barbom nao poder ser considerado um jor-
nalista professional e sua empresajomalistica nao
ser legal. Estivesse em vigor a estrutura anterior
aLei de Imprensa, ele seria um jomalista (eponto
final) e sua empresa, mesmo que microsc6pica,
estaria usufruindo as franquias legais.
Quem se deixa fascinar pelas outorgas de
vantagens corporativas (cuja origem mais re-
mota estA no fascismo) dessa legislagqo esque-
ce o seu context hist6rico. As regras que con-
tinuam a se impor ao exercicio do joralismo
sao as de um regime de exceq~o. Uma delas,
pouco citada, exige que as empresasjornalisti-
cas registrem o nome da grafica que utilizam.
Por qu8? Ora, para que as grificas estejam ao
alcance da pressao do poder caso estejam im-
primindo publicaqfes indesejaveis. Tanto mais
passiveis de represilias e violencias quanto mais
estejam distant dos holofotes dominantes, isto
6, do Sul Maravilha, da "civilizacao".
Sertao 6 isso, alertou GuimarSes Rosa. Deus,
se quiser ir 16, que se arme completou. Quem, do
sertao, ter uma visao virtual, telesc6pica, nao
entende. Sequer ve. Daf, provavelmente, essas
sentengas corporativas: miopes, equivocadas,
melanc61icas. E nocivas. Dadas exatamentequan-
do, em plena democracia, nota-se um impulse
cada vez mais forte de autocensura e de predo-
minancia dos interesses comerciais sobre osjor-
nalisticos. E um sinal ruim no horizonte.


Aparencias enganam

Um erro primario quase comprometeu a
cobertura que Bob Woodward e Carl Berns-
tein faziam do "escandalo Watergate" para o
Washington Post, no inicio da d6cada de 70,
que acabaria por imortaliza-los como os mais
famosos jornalistas de todos os tempos. De-
pois de uma conversa em off com Hugh Slo-
an, um dos poucos funcionarios honestos
na Casa Branca de Richard Nixon, os dois
rep6rteres publicaram em uma de suas mat6-
rias que Sloan dissera para os investigado-
res do FBI o que, de fato, ele jamais disse.
Nao que nio fosse verdadeira a informaq~o.
Nao dissera simplesmente porque tal coisa
nao lhe fora perguntada pelos agents da
policia federal americana. Se os G-Men tives-
sem perguntado, Sloan teria dito o que Woo-
dward e Bernstein lhe atribuiram, interpretan-
do mal um trecho da conversa.
As aparEncias sao terrivelmente perigosas
para jomalistas. Tnm quase tudo para serem
verdadeiras, mas, como ensina o povo, nem
tudo que reluz 6 ouro, nem tudo que balanqa
cai. Para nao ser induzido a erro por algo que
se parece a uma verdade, 6 precise checa-la ao
maximo para que resista ao teste de consistan-
cia e se confirm como uma verdade.
O instAvel jomalista Claudio Humberto foi
vitima dessa armadilha: ou porque a pirita
parecia ser ouro de fato (a pedra 6 conhecida
como "ouro dos tolos"), ou por negligencia
na apuraqao do fato. Sob o titulo "Nepotis-
mo radical", Claudio Humberto publicou a
seguinte nota em sua coluna do dia 2, dentre
n6s reproduzida por O Liberal:
"A governadora do Para, Ana Jilia Care-
pa (PT), radicalizou: al6m de fazer o contribu-
inte pagar salaries a seus parents e aderen-
tes, incluindo ex-marido e o atual namorado,
sua cabeleireira e sua esteticista (que s6 dis-
pensou ap6s o caso ser revelado nesta colu-
na), ela mant6m no cargo d. Elizabeth Santos
como diretora do Instituto Evandro Chagas.
Ela 6 mae do seu ex-namorado Paulo Santos".
De fato, Elizabeth Santos 6 mae de Paulo,
que foi marido deAna Julia. Nao sei, mas pode
ser que a govemadora ap6ie a permanencia
de sua ex-sogra no institute. Mas a doutora
Elizabeth 6 pesquisadora de carreira do
"Evandro Chagas", onde atua ha muitos anos.
Faz pesquisa para valer e em campo, em
condicges muito sacrificantes, como nos ga-
rimpos do Tapaj6s, estudando a contamina-
9ao humana e do meio ambiente por mercGrio
- at6 hoje (ou at6 a iltima vez que conversei
com ela, no ano passado).
-Assumiu a direcqo do "Evandro Chagas", a
principio com relutancia de entrar na dispute e,
depois, com muito esforqo. Ao que saiba, na sua
brilhante carreira nada deve diretamente ao fi-
Iho, A ex-nora ou ao marido, o professor Roberto
Santos, de destacada atuaqao em seu pr6prio
segment. Deve aos seus pares. Uma divida que
paga dedicando-se completamente ao institute.
Nao merecia essa alfinetada de agulha
enferrujada.


Jornal Pessoal 1 QUINZENA MAIO DE 2007 9









MEMORIA DO COTIDIANO
II l IIIII 11 H Il IH .... ......


Jornal
Em campanha pela pre-
sidencia da rep6blica,
Janio Quadros visitou de
surpresa a sede da Fo-
lha do Norte, em feve-
reiro de 1960. Ficou sur-
preso com a longevida-
de do director do jomal,
Paulo Maranhdo, que era en-
tao o jornalista mais velho do
Brasil (tinha 88 anos). Nio s6
pela idade, mas tamb6m pelo
desempenho ininterrupto da
profissao, iniciado quando ti-
nha 19 anos e assumiu a dire-


qco de "O Reptblica",
6rgao do Partido Repu-
blicano Conservador,
... que apoiava o govemo,
ti no inicio do novo regi-
S me, sob a diregqo do
general Glic6rio.
Paulo Maranhdo
fez questao de condu-
zir Janio e os integrantes da
sua comitiva ao local na re-
daqao onde havia sinais de
balas nas paredes, disparadas
por ocasilo do assalto hs ofi-
cinas do jomal pelos baratis-
tas, em 1935.


Seminario
Em 1965, quando ainda
faltava realizar mais da
metade do orqamento, as
obras de construgqo do
SeminArio Slo Pio X, em
Ananindeua, a sete
quil6metros de Bel6m, foram
interrompidas, por falta de
dinheiro. O projeto do
semindrio era audacioso: ele
teria oito mil metros
quadrados de area
construida, podendo abrigar
250 estudantes. O projeto foi
concluido, mas o que ficou


faltando foi voca9ao
sacerdotal. O deficit de
padres s6 cresceu.

Cultura
Segundo uma enquete, os gran-
des acontecimentos culturais de
1959 em Bel6m foram: a inau-
guraqao da Livraria D. Quixo-
te, de propriedade de Haroldo
Maranhio (na galeria do ediff-
cio Palicio do Ridio, na said
do Cine Palicio), e os espeti-
culos apresentados pelo Norte
Teatro-Escola, comandado por
Maria Sylvia Nunes.


PROPAGANDA Belim, duas delas no comercio antigo e outra em Sdo
Olho vive Braz, nos quais vendia os "inigualdveis tecidos marca
olho". 0 leitor identifica onde se localizavam essas
Em 1954, num anuncio que comemorava os 132 anos da lojas? Formavam a maior rede de vendas do pais, hoje
independencia do Brasil, as famosas Casas desaparecida. Em Belim, as "Pernambucanas" ainda se
Pernambucanas publicaram fotos de suas tr&s lojas em expandiriam depois de 1954.


DISTRIBUIDORAS EM TODO O BRASIL DOS AFAMADOS E
AS LOJAS INIGUALAVEIS TECIDOS "MARCA OLHO" OS
PREFERIDOS DO POVO BRASILEIRO.


i' -, AA


APROVEITAM.NQ NBEJO
SMAGNA DATA DE 7 DE SETEMBRO
PABA BSADAR 0 GOVtENO E 0 POVO BRASIEIRO

A



L


"A PERNAMBUCANA",
- Boi.1 Na dqpm do Irmt oepllhds pdlo rut a lrio buUle.1.
ro. p3noltal *O e d puugsam do 1IP* oalewrbo do tardopdkM *
do.a Bl. parA nirum a pove o 0pl proptddo que muolto orguv" .
do oi.lo walmi do tdo. pr suMandwo &o d e" f h r n t-rn t" qmn
Mride aito 0a Ti I o a lidr do. pa s p. polo d. parmlato t. 1-
hsam do a- UlUhM..


0 Bail 2tn ao cmrolo =ms dw
C dnat mostru do wu progr.o;w
polo BrsiL aquel, que lbatlia no
tom.nro lutluo tll que vlaan f PI*
trik lunremedd ldernTo u N496ro
do ma-do M exmpleo do for,. pro.
Sldugi o ,Ibor


-1 iI
* VISIT DURANTE 0 "MtS DA INDEPENDENCIA" AS LOJAS

"A PERNAMBUCANA"
X COMPARE 0 SEV TEC1DO MAIS BAIATO.


10 MAIO DE 2007 I1QUINZENA Jornal Pessoal


- I----


I


































cz L


Frances
Havia tantos alunos matri-
culados nos cursos da Alian-
qa Francesa em Bel6m, em
1965, queAlain Riottot, adjun-
to do secretirio-geral das Ali-
anqas no Brasil, na sua primei-
ra viagem de inspeqao ao
Norte, disse que iria recomen-
dar a transferencia de mais
um professor de Paris para a
capital paraense. Victor Ta-
mer, que era o president da
Alianqa no Pari, fez a sauda-
aio, durante o coquetel reali-
zado em homenagem ao visi-
tante, muito concorrido.

Cerveja
Em 1966, o prefeito de
Bel6m, St6lio Maroja, conce-
deu A'Cerpasa (Cervejaria
Paraense), que estava se ins-
talando naquele ano, isencao
de todos os tributes municipals
durante cinco anos. O beneff-
cio abrangia a cerveja, o cho-
pe e todos os produtos deri-
vados da cervejaria. Como
bagaqo e gas carb6nico. O
Estado concede isenqao se-
melhante. A Cerpasa se acos-
tumou, desde cedo, a nao pa-
gar imposto, hibito que se tor-
nou arraigado.


FOTOGRAFIA

Autentico boulevard
A Castilhos Franca ainda era, realmente, um boulevard
de inspiragdo francesa na dicada de 30, quando esta
fotografia foi batida. Tinha largos passeios e a praga
era um espaco aberto, um respiradouro na cidade,
apesar da falta de arborizaqco. Observe-se o bonde
circulando num espaco menor Os casardes ainda
sobrevivem milagrosamente, mas uma leva deles pode
comegar a ruir se ndo forem amparados. Na balburdia
de hoje em torno do Ver-o-Peso, a foto nem parece ser de
Belim. Uma Paris Tropical, talvez.
.. . .. .. I I -"


Palacete
A Ag6ncia Rosemiro levou a
leilao, no final de 1965, um
"rico e nobre palacete", situ-
ado na avenida Governador
Jos6 Malcher, 862, De "arqui-
tetura s6bria", estava "solida-
mente construido dentro de um
6timo terreno arenoso, piano,
zelosamente tratado", todo
murado, com 22 metros de
frente por 92 metros de fun-
dos, "ou o que de fato hou-
ver". O muro da frente tinha
gradil e portdo de ferro, com
jardins e uma escadaria dan-
do acesso a um terraqo. A
casa possuia janelas de am-
bos os lados. Nos jardins ha-
via irvores de sapotilha, aba-


cate, laranja da China, laranja
da terra, limoeiro, mamoeiro e
coqueiro.
O interior do palacete era
formado por espaqosa sala de
visits, grande saldo de jantar,
realcado por colunas, com piso
de pau amarelo e acapu; cor-
redor no centro de seis quar-
tos, cada quarto com uma por-
ta e uma janela dando para o
corredor e uma janela para o
jardim, todos com lavat6rios
no interior; "luxuoso banheiro
complete em espaqosa depen-
d6ncia"; "bela e deleitivel sala
de intimidade para refeiqao,
com janelas e porta para o
parque"; cozinha com piso
mosaicado e portas alzuleja-


das, com porta e janela para
fora. Havia ainda o porao,
"mais do que habitavel", com
chao cimentado, dois quatros
para empregados, tanque, ba-
nheiro e sanitirio. Do lado de
fora, um tanque "bem trata-
do", com torneira, e grande
gaiola entelada cor passaros
"e outras coisas dteis". O lei-
loeiro garantia, enfim, que o
palacete "6 sadio e arejado,
alegre e recebe o sol nascen-
te".

Aeroporto
Em 1972, um dos pontos de
Bel6m mais freqientados pe-
los namorados era por incri-
vel que hoje possa parecer a
pracinha em frente a antiga
estaqao de passageiros do ae-
roporto de Val-de-Cans. Aos
sibados e domingos os casais
circulavam em tomo do peque-
no lago artificial, que tinha uma
fonte ao centro, ou ficavam
embaixo dos jambeiros, usu-
fruindo a sombra e a tempera-
tura mais amena proporciona-
da por essa bela drvore. Tudo
desapareceu com o cresci-
mento, a reform e a moderni-
zaqdo, que nao casaram cor
o bucolismo anterior.


Jornal Pessoal 1 QUINZENA MAIO DE 2007








Present fino


Um amigo me deu um grande present: uma as-
sinatura do The New York Review of Books. Se-
gundo o amigo, a gentileza quase nada Ihe custou:
como fez uma assinatura para ele mesmo, a outra foi
praticamente cortesia. Nao me falou em nimeros,
como bom cavalheiro. Mas vendo o boleto de subs-
criq~o, verifiquei que essa assinatura annual especi-
al saiu por 96 d6lares. Na renovaq~o, caird para US$
76. Mas uma assinatura regular custa US$ 69; dois
anos (com 40 ediq6es), US$ 129.
No Brasil, o ano, corn 20 edicqes, custard apro-
ximadamente R$ 150. O Liberal, em promogao, ofe-
rece sua assinatura annual por um valor quatro ve-
zes maior, cor direito a uma sanduicheira ou uma
torradeira (para compensar a falta de coisa melhor
no pr6priojoral?). Para fazer uma comparaqdo mais
exata, 6 bom nao esquecer o poder de compra do
americano m6dio comparativamente ao brasileiro.
A diferenqa fica ainda mais brutal.
A primeira ediqao da assinatura que recebi foi a
do Natal, a um preco de capa (US$ 4,95) menor do
que a ediqao ordindria (US$ 5,50). Por que? Porque
havia muito mais piginas (104, quase o dobro da
ediqao regular) e muito mais publicidade, especial-
mente de editors universitdrias, que publicam be-
los an6ncios e editam livros maravilhosos (6 im-
possivel, ao encerrar a leitura do journal, nao preen-
cher logo alguns cupons e pedir meia ddzia dos
livros propagandeados). S6 o roteiro das editors
ji vale o que se gasta para comprar o quinzendrio,
que circula hd 52 anos.
Mas nro ha nada, no Brasil, aproximado do
NYRB. Seus colaboradores estdo entire a nata da
intelectualidade dos Estados Unidos e do mundo.
Todos sao remunerados, mas escreveriam de gra-


9a. Ser convidado a colaborar com o jornal/revista
6 uma honra. 0 crit6rio seleqdo de quem vai entrar
em suas paginas 6 rigoroso. A ediqao natalina con-
tou com contribuiq6es da romancista Margaret
Atwood (muito traduzida no Brasil), do professor
dejornalismo Mark Danner, do historiador Orlando
Figes (autor de uma fenomenal hist6ria da revolu-
q~o russa), da escritora Alison Lurie, do economis-
ta Jeffrey Sachs e por ai afora (os nimeros seguin-
tes trariam J. M. Coetzee, Paul Krugman, Janet Mal-
colm, Joyce Carol Oates, Jason Epstein). Ah, sim: e
ha as ilustraqaes de David Levine, a marca da NYRB,
que valem por um milhao de palavras.
t gente de peso. Nao pegam a encomenda
como novatos, que beliscam aqui e ali alguma pi-
poca informative para escrever suas resenhas chei-
as de ar, como aqueles pastis da nossa infancia,
apetitosos e nem um pouco nutritivos. Quando o
articulista pega pesado e o resenhado tem brio,
segue-se uma polemica que instrui a todos, inclu-
sive a aprender como polemizar com um grau de
conhecimento inacessivel aos que simplesmente
improvisam, como costuma acontecer no jornalis-
mo cultural brasileiro. Geralmente os resenhado-
res analisam mais de um livro, que comentam num
context mais amplo. Ddo ao leitor uma visao al-
guns degraus acima de quem nao disp6e de tal
perspective. Certos artigos valem por um curso
complete sobre o tema. Isso 6 alta cultural. Onde
podemos obte-la em publicaq6es peri6dicas?
Por isso, o New York vale seu peso em ouro.
Porque faz realmente a diferenqa. Quando se con-
cluf sua leitura, mesmo incomplete, tem-se a sensa-
qao de prazer e realizagqo. Renova-se a vontade de
continuar a apostar no saber human.


PERA


Apesar dos 81 anos, Danilo
Virgilio Mendonga estava em
plena lucidez ao ser alcanqado
pela morte, no dia 2. Nao o co-
nhecia pessoalmente, mas li corn
grande proveito um precioso li-
vro que escreveu em 2002, Ras-
tos e marcas das passadas mi-
nhas pelas sendas e avenidas
da vida, tdo extenso por dentro
quanto por fora. Suas 780 pdgi-
nas podiam ser bem reduzidas
para facilitar a leitura da primei-
ra metade, que 6 preciosa,
Virgilio relata a trajet6ria da
sua familiar, corn nfase na mae,
uma mulher fantAstica, que per-
correu os altos rios da Amaz6-
nia, at6 o Acre e o Solimoes,
casou aos 14 anos, tinha qua-
tro filhos ao completar 20, fi-


cou vidva, descasou e, aos 24,
casou de novo, desta vez com
um m6dico, 35 anos mais ve-
lho, Virgilio Martins Lopes de
Mendonqa, de uma destacada
familiar paraense. Para vencer
as resistencias do cla, foi mo-
rar no interior cor a nova es-
posa, com a qual teve dois fi-
Ihos, ambos m6dicos e tamb6m
escritores: Valmiki Mendonqa
e Virgilio, de intense participa-
qIo na vida da cidade.
No livro, Virgilio reconsti-
tui parte da hist6ria da Zona
Bragantina. 0 forte nao 6 tan-
to a hist6ria geral, mas a cultu-
ra da regilo, que o governor do
Estado tentou desenvolver,
atraindo uma col6nia italiana.
A terra acabou sendo ocupada


pelos nordestinos, que a mol-
daram por seus hibitos e cos-
tumes de origem, incluindo
uma ampla destruiq~o da flo-
resta native. Poucas contribui-
qoes a essa parte da hist6ria
paraense sao tao ricas quanto
a de Virgilio. Seu livro merecia
receber nova ediq~o, agora
voltada para um pdblico mais
amplo do que o universe da
sua familiar e dos amigos.
De vez em quando Virgilio
me mandava interessantes men-
sagens pela internet. Ainda ti-
nha muita coisa a dizer e escre-
ver, graqas A sua vida produti-
va e capacidade de observaqao.
A sociedade e nao apenas a
familiar e amigos tem a lamen-
tar por seu desaparecimento.


Novo livro
Ja esta nas bancas e livrarias meu livro mais recent, OJornalismo na Linha de Tiro. Tem um pouco do primeiro
volume, o prometido segundo volume e alguns acrescimos e atualizag6es. Apesar de volumoso, corn mais de 500
paginas, custa apenas 30 reais, o mesmo prego do anterior, corn 300 paginas. Entre os documents que introduzi
agora est6 a carta que escrevi a Romulo Maiorana quando do nosso rompimento, em 1986, e a Helio Gueiros,
antes e depois de ele ser governador do Para (1987-1991).


ELO
Em 20 dejaneiro de 2001 o em-
presArio Chico Ferreira assumiu,
por arrendamento, o departamen-
to de jornalismo da Radio Liberal
AM. Entregou-o a uma equipe de
radialistas liderada por Luiz Arau-
jo, que era seu amigo havia quase
10 anos, e integrada por Jos6 Ma-
ria Trindade (conhecido como
Zeca Diabo), Hamilton Gualberto
e Gilson Farias. 0 contrato foi sen-
do renovado at6 recentemente.

--17
JUIZ
A decisdo do juiz Paulo Jussa-
ra, director do f6rum criminal de Be-
16m, de acompanhar o ex-policial
Sebastido Cardias Alves na apre-
sentaqgo A policia, no dia 3, provo-
cou muita polemica. 0 acusado de
matar os irmaos Novelino e jogar
seus corpos na baia do Guajara apro-
veitou a solenidade da cobertura
para se recusar a fazer qualquer de-
clarado durante o inqu6rito polici-
al. S6 falard quando o process che-
gar Ajustiqa.
O que mais tern sido questio-
nado 6 se o magistrado nao podia
condicionar sua participaqao ao
compromisso de Cardias, que era
entoo foragido dajustiqa, com pri-
sao tempordriaja decretada, de res-
ponder hs perguntas do delegado
que presidia o inqu6rito. Podia ate
ter opqao melhor: tomar o depoi-
mento do acusado, juntando-o
como peca informative, ja que o
fugitive estabeleceu contato corn
ajustiqa e nao corn a policia.
Como acabou acontecendo, o
que prevaleceu foi apenas o inte-
resse e a estrat6gia de Cardias.


COSMIC
Ge6logo americanos, acom-
panhados de colegas brasileiros,
foram a Carajas de olho em Mar-
te. E que as velhissimas rochas
da nossa (nossa?) provincia mi-
neral constituem, na Terra, o am-
biente mais semelhante ao do pla-
neta vermelho. Se contabilistas
examinarem as contas da dona de
Carajas, a Companhia Vale do Rio
Doce, constatariam que seu lu-
cro em 2006 foi bater nos cornos
da Lua. Os deste ano talvez atin-
jam a pr6pria Marte. Estari feita
a unido do ecol6gico ao econ6-
mico-financeiro, ora, pois.



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