Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00310

Full Text



CONVENIO MORAL

o n P S S 00CHEGOU AO FINAL?PAGINA
ol PsGAS DA VENEZEUELA:
A AGENDA AMAZ6NICA DE LOCIO FLAVIO PINTO NOSSA NOVA ENERGIA I


FEVEREIRO DE 2007* la 0


PAGIINA I


K. ':, .. '!. ,


PODER



Para de hoje: Chicago?


A dispute entire os Maiorana e Jader Barbalho se transformou numa guerra suja.
Os dois contendores perderam o proprio control e descambaram para uma agressao tao
rasteira que passou a ofender o decoro pOblico. Se nbo pararem, como sera aproxima batalha?


pular, de Silas Assis, foi o
padrao da imprensa marrom
no Pari. Hoje, O Liberal e o
Didrio do Pard disputam essa posiqao.
Praticam o jornalismo sensacionalista,
para o qual nao interessa a apuraqgo dos
fatos e a elucidaqao da verdade. O obje-
tivo 6 atingir, ofender e sangrar o adver-
sdrio, nem que para isso seja precise der-
rubar todas as pedras 6ticas e morais
existentes no caminho, deixando como
saldo uma terra arrasada.


Jornalismo de campanha nao 6 novi-
dade no Pard, nem em qualquer outro
lugar. Mas se imaginava que as idiossin-
crasias e 6dios pessoais estivessem con-
tidos pela busca da profissionalizaqao. O
Liberal se proclama um dos jornais mais
bem impressos do pais, graqas a uma
rotativa de iltima geraqao, que entrou em
funcionamento no ano passado. Ja o Di-
drio do Pard acaba de divulgar uma
pesquisa do Ibope que o situa como ojor-
nal mais lido do Estado, superando o ad-
versirio por muitos corpos, faqanha atW


recentemente considerada impossivel.
Por que ambos retroagem?
A troca de ofensas entire os dois gru-
pos, que dominam a comunicaqoo no nono
mais populoso Estado do federaqao, re-
sulta de uma lei da fisica, pervertida na
sua aplicaqao political: dois corpos nao
podem ocupar o mesmo espaqo no sitio
do poder. E ambos querem cada vez mais
tudo que imaginam possivel nessa geo-
grafia do mando. Por isso, nao sao ape-
nas extensdes ou projeq6es do poder ins-
CONTINU NA PAG 2i






CONTINUA;AO DACAPA
titucional: ocupam posiqoes nesse con-
dominio exclusive, discriminat6rio.
0 Didrio do Pard foi criado, em
1982, exatamente com essa missdo: per-
mitir que o deputado federal Jader Bar-
balho tivesse eco na sua primeira cam-
panha eleitoral para o governor. As por-
tas de O Liberal, que Ihe estiveram com-
pletamente franqueadas at6 a v6spera,
Ihe foram interditadas no moment cru-
cial. A Provincia do Pard, o terceiro
journal (que hoje tanta falta faz, procura-
va ndo se envolver.
Se atendesse ao coraqao, Romulo
Maiorana teria continuado com os anti-
gos amigos, "baratistas" como ele, obri-
gados a trocar o PSD de Magalhaes
Barata pelo MDB (e, depois, PMDB) de
Jader. Em 1982 o partido foi vitaminado
pelo entao govemadorAlacid Nunes, um
home do sistema at6 esse moment,
mas que a inimizade visceral com o ex-
aliado Jarbas Passarinho fez pular para
o lado da oposiqao, na qual nunca se aco-
modaria, por mal de origem.

Mas Romulo tinha que apoiar os
candidates do regime military, o
mesmo regime que Ihe dera um
precioso canal de televisao, com o qual
se juntaria ao milion6rio reinado da Rede
Globo, a despeito do veto dos 6rgaos de
seguranqa do pr6prio governor a um ci-
dadao que aparecia em suas fichas se-
cretas acusado de contrabandista. No
Pari, o regime military estabelecido em
1964 visou sempre mais a corrupio, sim-
bolizada pelo contrabando, do que a sub-
versao, da qual uma esquerda francamen-
te festival sempre foi o abre-alas ruido-
so e quase inofensivo.
Romulo cumpriu sua parte no trato,
firmado ainda na d6cada de 60 (e reno-
vado permanentemente a partir de en-
tao, por iniciativa espontanea de um ou
cobranqa "por quem de direito"), cor o
competent suporte juridico do advoga-
do Otivio Mendonqa e o endosso (pelo
lado do "sistema") de seu cunhado, o
general Gustavo Moraes Rego, um
"castelista-geiselista" de largos costa-
dos. Ainda assim, Romulo mandava
constantes recados, informais ou atra-
v6s do seu pr6prio journal, de que torcia
- e at6 contribuia obliquamente, esca-
pando A marcaqio cerrada e em cima
dos aliados compuls6rios para a vit6-
ria dos "neobaratistas".
O fundador do imp6rio Maiorana pa-
gou caro pela opqao por Oziel Carneiro
candidateo ao govemo) e Jarbas Passa-
rinho (ao Senado), ambos derrotados por


Jader e H6lio Gueiros (o novo senador),
numa eleiqao que assinalou uma nova
mudanqa no eixo do poder. Ao ser des-
pejado da coluna Rep6rter 70, da qual era
um dos "cardeais", e do circulo mais pr6-
ximo de Romulo, Gueiros fez de sua co-
luna no Didrio do Pard um instrument
cirdrgico para lancetar todas as feridas
da biografia do ex-amigo, ex-correligio-
nirio e ex-patrao, que o mantivera es-
crevendo em seu journal. Para tanto, re-
sistira a presses do "sistema", o nome
dos poress sinceros, mas radicals", que
constituiam a expressao da viol8ncia ao
long dos governor militares.
Os artigos, notas e comentirios es-
critos por H6lio Gueiros no Didrio e,
posteriormente, no Jornal Popular, tra-
ziam consigo a escatologia dos comba-
tes terriveis que os velhos "baratistas"
travaram, ao long de quase tr8s d6ca-
das, cor o mais temido dos seus adver-
sarios, ojomalista Paulo Maranhao, dono
e principal redator das Folhas (do Nor-
te e Vespertina). Nesses duelos, nao im-
portava quem estava com a razao: o cri-
t6rio da verdade era substituido pelo es-
trondo das afirmativas e a maestria em
exp6-las por escrito. Nao havia regras
no confront. As vezes ganhava o que
mais sabia ofender, nao o mais certo.
Velhos e novos "baratistas" tinham
diante de si, em 1982, um quadro seme-
lhante ao que prevaleceu at6 o final da
d6cada de 50: um adversdrio muito mais
poderoso, nao s6 em meios fisicos, como
tamb6m em capacidade intellectual. Ven-
c8-lo, freqiientemente, exigia golpes bai-
xos, muitissimo baixos. Por ironia, po-
r6m, o pequeno e d6bil O Liberal, de
Magalhdes Barata (o fnico bem patri-
monial que o caudilho recebeu da politi-
ca), era agora um gigante s6 que es-
tava do outro lado, atacando os "bara-
tistas". Era precise fustigd-lo, usando
contra ele o que jazia em seus pr6prios
intestines, devolvendo-lhe as entranhas
como veneno.
Daf a firia e virulencia de H6lio Guei-
ros. Ele colocou para fora segredos de
alcova e intimidades partilhadas sob o
c6digo da ormeth, do silencio, que cons-
titui a razao de ser de todas as mifias,
tenham ou nao esse nome de batismo.
O que saiu no Didrio do Pard daque-
les dias de campanha eleitoral jaz como
a sordidez da imprensa marrom, sobre-
tudo em relargo ao passado de D6a, a
esposa de Romulo Maiorana. Material,
apesar disso, constantemente reaqueci-
do e servido ao distinto piblico, como
se fora um produto natural.


Foi o que aconteceu no domingo pas-
sado, 4, na principal coluna do Didrio do
Pard. Como o Repdrter Didrio nao ter
autor, a responsabilidade legal deve ser
partilhada entire o seu proprietirio e o di-
retor de redaqao. Mas o estilo das tres
notas sucessivas da coluna esconde quem
as escreveu tanto quanto os trajes suma-
rios das portentosas folias que desfilam
como destaques das escolas de samba
do carnaval carioca escondem suas -
digamos assim- intimidades.
A personagem das notas nao 6 identi-
ficada nominalmente, mas sua descriqao
dispensa apresentaqgo: visa o passado da
president das Organizaq3es Romulo
Maiorana e matriarca da familiar. O tex-
to foi escrito com fel e fezes para nao
deixar dtivida quanto ao prop6sito de quem
o produziu, conform j fizera outras ve-
zes em moments semelhantes: era para
ofender mesmo, deliberadamente. Uma
ofensa reativa a outra ofensa, ou a uma
sucessao delas, disparadas a partir da
fortaleza de O Liberal contra o deputa-
do Jader Barbalho, sua familiar, aderen-
tes, amigos e correligionmrios.

N essa guerra, o joralismo, cor
seus principios e normas, 6 de
talhe e detalhe absolutamente
irrelevant: ele serve apenas de instru-
mento para o acerto de contas entire os
dois grupos (mas eles nao tnm motivo
algum para se julgar ofendidos se forem
chamados de mifias).
Ambos tem quase sempre razao
quando se atacam e quase nao tem ne-
nhuma quando se defended. Nessas
constantes e crescentes escaramuqas,
parece mais ficil atacar Jader Barba-
lho. Afinal, ele 6 e sempre foi um
politico professional. Foi o que herdou do
pai, tamb6m politico patrim6nio que
logo tratou de multiplicar, ampliando
essa heranqa virias vezes. Ele estaria
agora enfrentando problems, como um
em cada sete parlamentares no pais (to-
mando a Camara Federal como para-
metro), mas nao seria o belzebu da cor-
rupqao, como 6 apresentado no Pard, se
tamb6m nao tivesse se tornado empre-
sario e empresario no mesmo segmen-
to de neg6cio dos Maiorana.
Ao inv6s de retornar ao ninho antigo,
como fez Hl6io Gueiros em 1987, quan-
do assumiu o govemo e voltou a prestar
homenagens e fazer contribuiqoes sonan-
tes aos parceiros (mas tamb6m sendo o
primeiro de uma s6rie de govemadores a
veicular propaganda official nojomal de
Silas Assis, com isso criando seu piano B


2 FEVEREIRO DE 2007 IQUINZENA Journal Pessoal


--~- 1~11~11






CONTINUAAO
em rela~lo aos Maiorana), Jader decidiu
manter o Didrio. Nao s6 o manteve: mais
ripido do que podem admitir at6 as apa-
rencias, formou um novo impdrio, que aos
poucos foi se ombreando ao dos Maiora-
na. A16m de nao fazer rapap6 aos donos
da comunicaqao no Pari, passou a com-
bate-los em todos os niveis.
Seria menos fdcil fustigar os herdei-
ros de Romulo Maiorana se eles apli-
cassem sua competencia a solidificar
seus neg6cios na ampla e complex drea
de comunicaqao de massa. Mas alguns
deles, com 8nfase na parte masculina
do cla, buscam o poder em um grau tal
que os obriga a passar da esfera em-
presarial para a political. Nesta, especi-
ficamente, nao demonstraram compe-
tencia: tanto Romulo Maiorana Junior
quanto Ronaldo Maiorana fracassaram
nas preliminares das tentativas de obter
um mandate eletivo. Decidiram entio
transformar suas vontades em fonte de
poder, usando como ferramenta de com-
bate suas empresas jornalisticas.
Todos os donos de empresas de co-
municacqo fazem isso e alguns ji fize-
ram o que os irmaos Maiorana continu-
am a fazer. Mas a maioria preferiu pro-
fissionalizar suas corporaqces. Mesmo
quando esse estagio nao foi alcanqado,
circunscreveram seu poder de fazer seus
jornais, televises ou radios refletirem o
que pensam ou querem A mediaqdo do
pdblico e As caracteristicas do veiculo.
Essa auto-limitaqao simplesmente
inexiste no caso do grupo Liberal. Seus
donos acham que podem tudo. Nesse
paroxismo, deixaram de ver a realida-
de; e o que 6 pior: passaram a acreditar
em suas fantasias e invenq6es. Os re-
gistros documentais disponiveis ji pro-
varam o contririo, mas ojornal O Libe-
ral continue a se anunciar como o mais
lido nao s6 do Pard, mas tamb6m do
Norte e Nordeste do Brasil (nesta se-
gunda dimensao, o que jamais chegou a
ser, a inverdade lhe custou caro quando
A Tarde, de Salvador, contribuiu para
aparecerem em public dados dos ar-
quivos do IVC sobre a falsa tiragem de
O Liberal em 2005).
Os excesses de voluntarismo dos ir-
maos Maiorana se materializaram duran-
te duas semanas no Rep6rter 70: a par
de tiroteios verbais nas outras piginas do
joral, nelas revestidos da apar8ncia de
reportagens e noticias, a coluna passou a
tratar seus adversirios de forma amole-
cada, cor adjetivos deliberadamente
ofensivos, como "Jader Gazeteiro Bar-
balho". A escala chegou a um ponto que


fez "Domingos-Cheio-de-Processos Ju-
venil" reagir com um artigo no mesmo
nivel, publicado com todo destaque em
espaqo nobre do Didrio do Pard. Por
coincidencia (ou nlo), esse tipo de trata-
mento desapareceu do R-70 no dia se-
guinte. Voltou, com outra forma, mais
atenuada, no 61timo dia 5.
A ofensiva, entretanto, prosseguiu,
com outras variantes. Aliados de exata-
mente ontem passaram a ser alvejados
como facinoras e imorais por servirem
ao esquema politico pessoal (e do
PMDB) de consolidaqao de Jader Bar-
balho, hoje o principal aliado da govema-
dora Ana Jdlia Carepa, do PT.

s tiros procuravam a atingir par-
te mais sensivel da armadura do
ex-senador quando alcanqaram
a sua esposa. O Liberal chegou ao re-
quinte de publicar duas vezes, no dia 3, a
mesma mat6ria, no mesmo caderno, corn
separagqo de apenas sete piginas, repro-
duzindo entrevista do americano (residen-
te no Brasil) Jason Kohn, director do do-
cumentirio Mandando Bala (Send a
Bullet), que jA safra dias antes.
Kohn dedicou seu premiado filme a
tres casos de corrupcn o no Brasil. Um
deles 6 o do randrio de Marcia Centeno
Barbalho, aprovado pela Sudam e bene-
ficiado com recursos dos incentives fis-
cais do governor federal na gestao do ex-
deputado estadual Arthur Tourinho, que
ocupou o cargo por indicaqao do marido
da beneficidria.
O caso teria todos os ingredients para
ser exemplar do imoral e desmedido des-
vio de dinheiro public. Essa sangria de-
satada irriga enriquecimentos particula-
res no Brasil e contribui decisivamente
para a ineficacia do governor e o agrava-
mento da concentragqo de renda (e de
poder) no Brasil, como 6 dificil de ocor-
rer em qualquer outro lugar do planet.
Mas um exame acurado da trajet6ria
da criaqao de ras de Marcia Barbalho
pelos escaninhos viciados da Sudam re-
velard uma surpresa: esse projeto nao per-
tence exatamente A genealogia dos pro-
jetos podres aprovados e tratados a leite
de pato pela Superintendencia do Desen-
volvimento da Amaz6nia, quejustificaram
sua extinqio stbita.
Ao inv6s de fazer essa andlise, prati-
camente todos os jornalistas que escre-
veram sobre o tema preferiram valer-se
do "efeito osmose" de Jader Barbalho:
toda acusaqao de corrupq~o atirada con-
tra ele, gruda. Mesmo se eventualmente
ele nao tenha culpa, ou a culpa tenha outra


fisionomia, na d6vida 6 aconselhivel im-
putar-lhe o dano. O ex-ministro tem tan-
to do que prestar contas que dificilmente
poderi defender-se satisfatoriamente, ou
mesmo tentard se explicar. Daf a estra-
tdgia do sil6ncio e da ocultaqao que ado-
tou, levando-o a atuar nos bastidores, A
distancia dos refletores, o que acabou por
constituir sua especialidade (estigmatiza-
do de piblico, 6 conselheiro informal de
notdveis, como o president Lula).
A investida contra sua mulher, com
quem se casou no curso de muitos inci-
dentes, at6 a separaqio da deputada fe-
deral Elcione Barbalho, tirou o lider do
PMDB da sua traditional postura fria, a
julgar pela nota com a qual revidou no
seu jomal, visando exatamente o alto do
grupo adversirio, cor uma arma capaz
de realmente feri-lo. A leitura das tres
notas do Repdrter Didrio do dia 4 cho-
ca qualquer um, sobretudo porque gran-
de parte dela 6 simplesmente inventada,
produto da imaginaqao maldosa de quem
procura dar-lhe credibilidade pela veros-
similhanqa (nao 6, mas pode parecer).
No entanto, o impact das seguidas
mat6rias publicadas em O Liberal con-
tra seus inimigos tem diferenqa apenas
de tom. O nivel caiu ao mais profundo
subsolo no Didrio, que devera pagar caro
pela desmedida agressao, se nao em re-
laqgo ao agredido (se ele nao reagir no
mesmo diapasao), certamente junto ao
pdblico. Mas a sabedoria popular define
tais casos cor o ditado: "quem plant
ventos, colhe tempestades".
O observador atento e isento dessa
guerra nao pode deixar de defini-la como
a dispute de grupos, quadrilhas ou mifi-
as, conforme queira permitir-se um adje-
tivo. O que nao conseguiri 6 circunscre-
ver essa troca de ofensas nos limits do
jornalismo. Emjomalismo, o denomina-
dor comum, a razao de ser e a essEncia
sao os fatos. Todas as interpretaq6es e
ilaqces a partir deles sao permitidas, mas
s6 com base neles.
Numa dispute por poder, fatos sao cir-
cunstancias. O que prevalece 6 a lei do
mais forte, para cuja mediqao de forqas
hi recursos como palavras ou ferramen-
tas mais contundentes de imediato, que
resultam em trag6dias.
O novo president do legislative esta-
dual, deputado Domingos Juvenil, do
PMDB, tern o direito de se sentir ofendi-
do com a alcunha que o Repdrter 70 Ihe
aplicou, reagindo com indignaqao. Mas
entire um e outro adjetivo mais pesado, 6
obrigado a falar sobre o conteido dos 44
CONTINUE NA PAG 4


Jornal Pessoal 1 QUINZENA FEVEREIRO DE 2007 0


--- I I






CONTINUAAo DA PAG 3
processes, inqudritos ou sindicancias a
que o journal diz que ele responded, em di-
versas instancias e situaqdes.
Este 6 o aspect do interesse pdblico
que cumpre a um home piblico aten-
der. Nao basta devolver a ofensa corn
outra ofensa. A democracia possibility que
cada um diga o que quer dizer, seja obri-
gado a ouvir o que nao quer ouvir e in-
forme o que 6 precise informar. Sem esse
conjunto, a democracia, capenga, 6 ape-
nas um valor formal, um faz-de-conta.
Assim devia ser com todos os homes
pdblicos, mais ou menos controversos,
como o sempre not6rio Jader Barbalho
ou os s6 eventualmente destacados, como
os deputados-m6dicos que O Liberal
passou a atacar, mas s6 a partir de um
interesse contrariado (at6 entao, eles es-
tavam acima de qualquer suspeita). A
imprensa, mediadora e int6rprete da so-
ciedade em relaqao ao poder institucio-
nal (e suas pulverizaq6es ou agregaq6es
informais), nao pode pretender ser, ela
pr6pria, um poder autonomo e, como
acontece no Pard, sem limits. Sua legi-
timidade deriva do seu conte6do, sua for-
qa, da responsabilidade do agir.
Se o que ela public se define confor-
me a biruta dos seus pr6prios interesses,
mudando conforme a direqao do vento
dominant (ou do vento que ela pr6pria
sopra artificialmente), para se usar uma
metifora meteorol6gica muito apropria-
da ao caso, entlo ela deixa de ser um
instrument da democracia para se tor-
nar uma ameaqa. Porque tanto o que
mostra quanto o que esconde, o tanto que
revela como o tanto que oculta no que
diz, depend apenas do desejo do dono,
nao da dinamica dos fatos, da tessitura
deles, que constitui a hist6ria, da qual 6 o
cronista cotidiano, o reportador. Nesse
caso, sempre, a imprensa vira quitanda e
o jornalista se transmuta em bufao. E
quem aceita essa 6pera bufa se avilta,
fazendo da vida em sociedade uma ge-
16ia geral, na qual, tudo sendo permitido,
prevalece a vontade do mais forte. Ou
do mais selvagem.
E por isso que Bel6m destes dias soa
muito a Chicago de muitas d6cadas atris.
NMo por mera coincidencia, alguns dos
mais poderosos personagens emerge da
mesma famiglia, sobre cuja instituiqao
uma apropriada frase italiana diz bastan-
te: parent, serpente. O Para, ao que
parece, esti virando um serpentario. E o
que querem os paraenses? Num ninho
de serpentes, ningudm estd livre de so-
frer uma picada venenosa. Quem sera a
pr6xima vitima?


Contas aziagas

Como classificar uma empresa corn
patrim6nio liquid negative, que acumu-
la prejuizo ha varios exercicios e que,
ainda por cima, vem se endividando?
Certamente o diagn6stico tecnico seria
de estado pr6-falimentar. E esta a situ-
acao da Delta Publicidade, que edita o
journal O Liberal, espelhada nas suas
demonstrates contibeis. Seu iltimo
balanqo foi publicado no final do mrs
passado, embora ainda referente a 2005
(esta atrasada um exercicio).
O faturamento bruto da empresa
cresceu 10% (de 33,3 milh6es para 35,3
milhoes de reais) entire 2004 e 2005, mas
a evoluqdo do prejuizo foi maior: de R$
780 mil para quase R$ 1,2 milhlo (mais
de 40%) no mesmo period. O patrim6-
nio liquid negative quase triplicou (de
R$ 511 mil para R$ 1,4 milhlo). Os pre-
juizos acumulados passam de R$ 15 mi-
lh6es, representando quase um semes-
tre de receita bruta da empresa.
Apesar desses nfmeros, ojornal fez
um grande investimento, adquirindo uma


A
INCOERENCI A
0 Liberal esti publicando um andn-
cio da casa para atrair os balanqos das
empresas, que devem ser divulgados nes-
te inicio de ano: "Balanqo em O Liberal
di sempre excelentes resultados!", pro-
mete a peqa. O pr6priojoral, por6m, nao
parece acreditar na mensagem: s6 publi-
ca seu pr6prio balanqo no Diario Oficial.
E da forma mais resumida possivel.
Em casa de ferreiro, espeto de pau.


IBOPE
Apesar do resultado de impact, a
pesquisa do Ibope que colocou o Did-
rio do Pard como lider de leituras no
Estado foi publicada de forma tao con-
fusa e incomplete que prejudicou o con-
vencimento do distinto p6blico. Ojornal
podia ser mais claro e diditico na divul-
gaq~o. Os resultados apurados justifi-
cam essa seriedade.
Em dezembro de 1990 O Liberal di-
vulgou uma pesquisa semelhante do Ibo-
pe, que lhe dava o indice de leitura de
94,6% aos domingos e a m6dia de 90,4%
nos dias de semana. Quinze anos depois,
outra aferiq5o do mesmo Ibope revela
uma queda brutal.
Uma era esta chegando ao fim?


nova maquina impressora, que custou R$
15,5 milh6es (ao menos esse 6 o lanqa-
mento contabil, debitado na conta de exi-
givel a long prazo, em nome de um ban-
co alemao, o LBBW Ladesbank, que
financiou a compra da maquina junto a
outra empresa alema, a MAN -Roland).
O horizonte da Delta esti comprometi-
do pelo 6nus de d6bitos de pessoas liga-
das (certamente seus acionistas, da fa-
milia Maiorana), que cresceram R$ 10
milh6es entire 2004 e 2005 (de R$ 34
milh5es para R$ 44 milh5es), numa pro-
porqao superior a rubrica lanqada na
conta do realizivel permanent (na qual
os "cr6ditos de pessoas ligadas" cres-
ceram dos mesmos R$ 34 milhaes para
R$ 41 milh6es).
Numa inversao da frase do general
Garrastazu M6dici, que no auge do "mi-
lagre econ6mico" do regime military dis-
se que a economic ia bem, mas o povo
passava mal, os Maiorana podem dizer
que a empresa pode at6 ir mal, por6m
eles estao bem?


A
INCOMPETENCE A
Apesar do grave problema que a con-
tratacqo de tempordrios represent, o go-
verno ji contratou pelo menos um novo
temporirio. Pode? Deve?
Espera-se que a governadora Ana
Julia retome a publicaqdo do quadro
de pessoal, omitido durante os quatro
anos de Simao Jatene. A opiniao pu-
blica precisa saber se ela esti cum-
prindo os compromissos que assumiu.
Dentre eles, o de cortar 60% dos as-
sessores especiais. O indice 6 alto, mas
o que sobra 400 assessores -ja re-
presenta uma empresa de grande por-
te no Pari.
Alias, a lista de exonerados e admi-
tidos na assessoria especial do gover-
no mostra que families da elite da soci-
edade usam esses cargos como priva-
tivos do cla ou instruments para aten-
der compromissos politicos e cliente-
listas. Ressalvadas as exceqces de pra-
xe, 6 dificil identificar a razao da con-
trataqao de muitos desses assessores,
supostamente especiais. Mas 6 extre-
mamente facil saber por que foram dis-
pensados: sairam por faltar-lhes a com-
petencia que deviam ter para serem
admitidos como assessores especiais de
governor; de qualquer governor.


4 FEVEREIRO DE 2007 IQUINZENA Jornal Pessoal


--- ---- L- 3F----~kS&'rIA -1-1, 41AM-~-~








Convenio Funtelpa/TV Liberal:


imoralidade vai mesmo acabar?


No segundo semestre de 1997,
como era praxe desde 20 anos antes, a
minute de um novo contrato entire a
Fundacao de Telecomunicaqbes do
Pard e a TV Liberal foi mandado para
a apreciaqlo do governador. Mas o
papel que voltou em setembro do gabi-
nete de Almir Gabriel continha surpre-
endentes modificaq6es. O contrato pas-
sara a ser convEnio. Ao inv6s de pagar
para retransmitir sua programaqao atra-
v6s das estaq6es da Funtelpa no interi-
or do Estado, a TV Liberal passava a
ser paga. Nao um valor qualquer, mas
200 mil reais por mes.
Francisco Cezar Nunes da Silva, o
president da Funtelpa, nao quis assinar
o convenio. Do gabinete do governador
veio a ordem: ou assina, ou sai. E Cezar
assinou. Em nove anos, por causa des-
se ins6lito papel, pelo menos 30 milhoes
de reais migraram dos cofres piblicos
para o caixa da afiliada da Rede Globo
de Televisao. Em nimero atualizado,
esse valor pode ultrapassar 50 milh6es
de reais. E quase 50% a mais do que o
journal O Liberal, cabeqa das Organiza-
Cqes Romulo Maiorana, faturou em
2005. Num caso de indenizaqao, pode
subir ainda mais. Pelo valor hist6rico, o
"convenio" podia ser classificado como
uma das "obras" mais caras dos tuca-
nos em 12 anos de control continue do
governor do Estado.
A nova president da Funtelpa, Regi-
na Lima, tomou um susto ao assumir o
cargo e verificar a fatura que Ihe cabia
pagar A TV Liberal no dia 15 de janeiro:
os R$ 200 mil originals se transforma-
ram em R$ 476 mil, graqas aos terms
aditivos assinados ao long dos nove anos
de vig6ncia do "convenio". O iltimo de-
les 6 de responsabilidade de Ney Messi-
as, president anterior da Funtelpa (e ex-
funcionirio da TV Liberal, como Fran-
cisco Cezar, que se afastou da emissora
hi muito tempo, ao contrArio de Ney). O
14 aditivo foi assinado no dia 31 de de-
zembro do ano passado, mas s6 foi publi-
cado no DiBrio Oficial do dia 2, prorro-
gando a vig8ncia da estranha relaqao at6
31 de dezembro de 2007.
Simplesmente repetir os dois gover-
nos tucanos, de Almir Gabriel e Simao
Jatene, responsAveis pela desconcertan-


te criatura, era impossivel. AFuntelpa nao
podia continuar a pagar para prestar ser-
viqos a TV Liberal, que, al6m de rece-
ber, ainda faturava comercialmente gra-
qas A amplitude dada ao seu sinal. O con-
venio, um mero artificio, nao podia conti-
nuar a disfarqar o contrato, sua forma
legal. O valor a ser pago seria insuporti-
vel para a Funtelpa, se a nova direqao da
fundacao quisesse realizar seus pianos.
A prorrogacao, no prazo, oito meses an-
tes do final do mandate do governor Jate-
ne, fora feita sem a previsao dos recur-
sos orqamentArios para tender a despe-
sa, contrariando assim a Lei de Respon-
sabilidade Fiscal. A TV Liberal jamais
cumpriu uma clausula do mesmo "con-
venio", que a obrigava a descontar 1%
da receita de propaganda corn a interio-
rizacqo da sua programaq~o para os
municipios alcanqados.
Tantas ilegalidades e irregularidades
cometidas pelos adversirios do PSDB
constituiriam prato cheio para os petistas
se nao houvesse um complicador na his-
t6ria: o interesse do poderoso grupo Li-
beral. Talvez esta seja a explicacqo para
a administraqao Ana J6lia Carepa nao
adotar a solugqo mais simples para o pro-
blema: a revogacao do termo aditivo as-
sinado pelo entao president da Funtel-
pa, que prorrogou por mais um ano a vi-
gencia do "convenio". Inexistente o ato,
automaticamente inexistente estaria a
prorrogaqco.
O "convenio", assinado para durar
cinco anos (prazo miximo contratual),
perderia a vigencia. Mesmo porque to-
dos os aditamentos que o mantiveram vivo
eram ilegais. O direito administrative pre-
v8 que a administracao piblica 6 impes-
soal e que pode rever a qualquer momen-
to os seus atos, se considerar que eles
slo ilegais, imorais ou lesivos ao interes-
se p-iblico, como 6 o caso.
Ao inv6s de simplesmente revogar a
prorrogaqao, a Funtelpa decidiu suspen-
der o pagamento A TV Liberal e man-
dar instaurar procedimento administra-
tivo para apurar as responsabilidades
sobre a execuqao do "convenio". A sus-
pensao foi comunicada pessoalmente a
Fernando Nascimento e Denis Brandao,
diretores da TV Liberal, que se reuni-
ram com a president da Funtelpa, na


presenga do chefe da Casa Civil do
Governo, Charles Alcantara.
Na ocasiao, segundo o press-release
distribuido pela Coordenadoria d Comu-
nicaqgo Social do governor, Fernando
"acatou a recomendaqao e afirmou que
a TV Liberal nao ter nenhum interesse
em retirar o sinal enquanto a fundaqgo
pdblica nao apontar o caminho para a
relaqao". Talvez sejulgando magnanimo,
assegurou que "o serviqo vai ser manti-
do, mesmo sem pagamento". Kafka te-
ria adorado a cena.
A emissora de televisao da familiar
Maiorana foi privada dos apreciiveis R$
476 mil, que esperava receber no dia 15
de janeiro. Pode ser que jamais volte a
receber essa ou as outras 11 parcelas
abrangidas pelo aditamento feito por Ney
Messias no ultimo dia do governor Jate-
ne, se o "convenio" for considerado ile-
gal (desfecho mais do que previsivel, de-
pois de pareceres nesse sentido elabora-
dos no ambito do Ministdrio Pdiblico, do
Tribunal de Contas do Estado e da pr6-
pria Funtelpa). Mas ainda lhe resta o con-
solo, R$ 50 milh6es depois, de continuar
a usar a rede de retransmissao da Fun-
telpa para veicular sua programaqao, na
quase totalidade reproduzindo o que a TV
Globo gera, e manter seu faturamento
publicitirio, al6m de garantir a cobertura
de quase todo Estado.
De fato, hi um empecilho no meio
dessa embrulhada: a continuidade da pro-
gramaqgo da Rede Globo, que tem no
Journal Nacional e nas novelas o seu car-
ro-chefe permanent (com os acr6scimos
de "p6rolas" do tipo do "Big-Brother Bra-
sil", capaz de desmoralizar o mais prof&-
tico Orwell). A interrupqao brusca des-
ses programs provocaria protests e
talvez incidents municipios afora, inde-
pendentemente de haver ou nao legali-
dade, legitimidade ou proced6ncia nessa
parceria Funtelpa-TV Liberal.
O inconvenient podia ser contorna-
do se a Funtelpa chamasse a TV Libe-
ral, uma vez revogado o termo de pror-
rogaqgo, para um contrato de emergan-
cia, que duraria apenas 90 dias, prazo
legal para a organizaqgo de uma licita-
qgo public visando dar continuidade ao
servico. Nesse period a TV Liberal
CONTINUE inAP A


Jornal Pessoal 1I QUINZENA FEVEREIRO DE 2007






CONTINUAAO DA PAGES
teria que pagar para dispor da rede de
transmissao da Funtelpa, por6m nao
mais por todo tempo que quisesse. Fora
dos piques do horirio nobre, a rede da
Funtelpa retransmitiria a programaqao
da TV Cultura.
Mesmo quando e se o serviqo
fosse definido por concorrencia public,
o horirio teria que ser dividido. A Funtel-
pa tamb6m podia condicionar a sua par-
ticipaqao ao encerramento das novelas
em curso. Se quiser continuar a difundir
sua programaq~o, a TV Liberal (como
qualquer outra emissora commercial) que
monte suas pr6prias torres de recepqao
e transmissao (como, aliAs, ja vem fazen-
do, ciente de que a armaq~o nao poderia
persistir por mais tempo). Uma transiqSo
plausivel, A custa do poder piblico, ja te-
ria cumprido sua funqao.
Se a TV Liberal nao fez o que Ihe
competia, o problema 6 da emissora, nao
da Funtelpa. A televisao dos Maiorana,
aliAs, ter sido tao relaxada e ineficiente
que a TV Globo foi obrigada a intervir na
afiliada, instituindo um sistema de gestao
compartilhada, que vigora ha mais de um
ano, depois de varias tentativas infrutife-
ras de correq~o a distancia. Nao dispor
de uma rede pr6pria de retransmissao era
um dos itens dessa ampla inadimplencia,
que a TV Globo exigiu que fosse supri-
da, verdadeiramente surpreendida e,
informalmente, escandalizada com os
terms da parceria no Para, que s6 dura-
ram tanto porque os tucanos eram par-
ceiros de um projeto de poder: em troca
de verba abundante, ajudaram a criar o
ParA risonho e franco da propaganda.
A suspensao formal do "convenio",
sem sua revogaqao, pode equivaler a
uma denincia unilateral por parte do
governor, acarretando-lhe as penalidades
previstas na clusula quinta do ajuste,
que faz lei entire as parties. Sujeita a
Funtelpa a uma cobranqa de responsa-
bilidade, administrativamente ou emjui-
zo, por parte da TV Liberal, agora ou
no future. Os Maiorana podem at6 sair
da hist6ria cor uma indenizagqo.
Fontes do governor garantem, por6m,
que isso nao ocorrera. Embora admitam
ter havido entendimento entire as par-
tes, dizem que a governadora quer re-
servar apenas A TV Cultura o sistema
de transmissao da Funtelpa, fiel A inten-
qCo de criar uma verdadeira televisao
p6blica no ParA. Uma prova dessa in-
tenqio estaria no fato de que ela nao
usou uma vez sequer dos tres minutes
semanais concedidos ao governor como
contrapartida da TV Liberal ao paga-


Sem-jatinho
A assessoria de imprensa da gover-
nadora Ana Julia Carepa fez questdo
de destacar que, ao fazer sua pri-
meira viagem official, no dia 17 de
janeiro, para participar da 32a
Cipula do Mercosul, no Rio de
Janeiro, cor retorno por Bra-
silia, para audiencias, ela pos-
sibilitou uma economic de 103
mil reais aos combalidos co-
fres pdblicos. A governadora
embarcou num v6o commercial da TAM, cor um ajudante de ordens e dois seguran-
gas, que custariam, em todo percurso, incluindo hospedagem, 17 mil reais. Se pegas-
se ojatinho da empresa de Romulo Maiorana Jinior, alugado pelos goveros tucanos,
s6 cor o frete a despesa seria de R$ 120 mil.
Pela primeira vez foram revelados oficialmente os terms do aluguel. O trecho
Bel6m/Rio de Janeiro/Braslia/Bel6m custaria R$ 92.044,74. Esse valor 6 acrescido
da taxa de pernoite do aviao, um Citation executive, que equivale a 250 quil8metros.
No caso da viagem iniciada no dia 17, seriam seis peroites, somando R$ 4.605,00
cada um. No total, a primeira viagem official de Ana Jdlia Carepa e comitiva custaria
R$ 120 mil, que sairiam dos cofres do govero estadual para o caixa da empresa de
Romulo J6nior, o principal executive do grupo Liberal.
Na sua segunda viagem, para a Bahia, a governadora decidiu optar pelo aviao do
pr6prio Estado, um King-Air, muito menos sofisticado e caro do que o jato de
aluguel da RM Air. Mas o contrato do aviao, a semelhanqa do "conv6nio" da televi-
sao, continue em vigor.


CONTAS
Ja que sao tantas as irregularidades e ilegalidades que o novo governor verificou
na administragao passada, sobretudo nos seus iltimos dias, a governadora Ana Jilia
podia imitar o tucano de Sao Paulo. Jos6 Serra mandou auditar as contas que rece-
beu para estar A vontade para reclamar e, quando o caso, corrigir e punir. E o seu
successor era um correligion6rio, o tamb6m tucano Geraldo Alkmin (que Lula derro-
tou na dispute pela presid8ncia da reptiblica), e um aliado, o pefelista Cliudio Lembo.
Uma auditagem externa na contabilidade estadual seria bem-vinda. Jader Barba-
lho quis fazer o mesmo com seu antecessor, H61io Gueiros. Mal a Trevisan comeqou,
seu trabalho foi inviabilizado pelo pr6prio governor que a contratara. A intenqgo era
apenas "fazer onda". Tanto era que Jader e H6lio voltaram a ser correligiondrios,
aliados e amigos de infancia.

-ll llllll ill I I'


mento. Se ha esse prop6sito, por6m, a
estrat6gia do govero parece dispensar
uma consult aberta A sociedade, evi-
tando se expor a controversial public.
A primeira oportunidade para testar
essa disposiqCo foi a audi6ncia convo-
cada pela Assembl6ia Legislativa no dia
29 para debater o "conv6nio". A presi-
dente da Funtelpa, Regina Lima, con-
vidada, nao compareceu. Alegou que
na mesma hora devia estar present ao
Gabinete Civil da Governadoria, para a
divulgaqao do parecer da Procurado-
ria Geral do Estado, que considerou ile-
gal, imoral e lesivo o "convenio".
Por que o governor se ausentou da
sessao se essa foi a mesma conclusao
a que chegaram os debatedores? Se-


gundo a explicaqao oficiosa, a decisao
foi political: se fosse A audiencia, o go-
verno reconheceria a iniciativa do
PSOL, que props a convocaqio atra-
v6s de sua unica deputada, Araceli
Lemos, que nao se reelegeu. "Estarfa-
mos dando uma bandeira aos nossos
adversdrios", explicou a fonte.
A coincidEncia de datas nao foi nada
accidental: foi uma decisao political. Re-
cusando-se, por esse crit6rio, a parti-
lhar a responsabilidade, o governor vai
ter que provar, a partir de agora, que
tomou realmente o melhor caminho
para p6r fim ao que seus pr6prios inte-
grantes consideram "uma imoralidade".
Uma das maiores na hist6ria da admi-
nistraqao piblica no Pard.


6 FEVEREIRO DE 2007 I/QUINZENA Journal Pessoal








0 gas da Venezuela e a Amazonia


A sigla 16gica do Programa de Ace-
leraqao do Crescimento devia deixar
de lado suas iniciais e, ao inv6s de
PAC, se chamar Ploc. Refletiria me-
nos o president Lula, apenas o arau-
to da novidade, lanqada solenemente,
no mes passado, em Brasilia, e mais o
seu provdvel inspirador de verdade: o
ex-deputado federal (agora no PMDB)
Delfim Neto, conselheiro ad-hoc do
Paldcio do Planalto.
Concebido pela tecnoburocracia ofi-
cial em laborat6rio fechado, no curso de
dois ou tres meses de brainstorming da
turma do poder, foi anunciado como a
tdbua das leis do desenvolvimento, de
stbito, sem admitir reparos ou contes-
taq~o, como o president fez questao de
assinalar preventivamente, tentando ca-
lar na origem o coro dos descontentes
cor o novo "pacote". Muito semelhan-
te, tanto na forma como no contetdo,
aos antecessores do governor military.
Surgiu como se brotasse de um balao
de ensaio estourado, naquele ploc que
caracteriza onomatopaicamente o chi-
clete de bola soprado.
O PAC foi apresentado como um
program totalmente costurado, cor seu
diagn6stico e seu cronograma fisico-fi-
nanceiro, embora o quadro de usos e
fontes seja metafisico. Mas esse 6 um
detalhe irrelevant: o que interessa 6
encher de palavras e n6meros a forma
de sempre desses projetos de impact.
Uma de suas grandes marcas 6 colocar
no papel tudo que desejam aqueles que
tem poder suficiente para transformar
seus desejos em realidade. A inovaqao
e a criatividade nao foram chamadas ao
convescote palaciano.
E por isso que se, finalmente, as eclu-
sas de Tucurui forem concluidas, exa-
tamente 30 anos depois de iniciadas, a
conta de chegada, em 2009, sera de es-
tratosf6ricos 1,2 bilhlo de reais. Conta
de acordo com a matematica peculiar
da Construtora Camargo Corr&a. Os R$
550 milhoes previstos para os pr6ximos
tres anos representam apenas 15% a
menos do que os R$ 640 milh6es inves-
tidos na obra at6 agora, a partir de 1979.
Como 6 que a mesma empresa pri-
vada p6de manter em vigor o mesmo
contrato, excedendo-o em mais de 80%
do seu valor original e em seis vezes o
seu prazo legal? O Tribunal de Contas
da Uniao aceitard mais um aditamento
a esse paquid6rmico contrato? Avali-


zari o custo super-
dimensionado, que
devera fazer as
eclusas de Tucurui
se tornarem das
mais caras do mun-
do? Tudo continua-
ra, no saldo de
Lula, como dantes
no quartel de -
Abrantes?
Dentre as obras :-
do PAC para a
Amaz6nia, cor es-
pecial importdncia
para o Para, esta o
gasoduto da Vene-
zuela at6 os paises
do Mercosul. Se
for construida como estd concebida, a
obra praticamente inaugurard o Mer-
conorte, fundindo-o ao seu irmao mais
velho, na bacia do Prata, podendo ma-
terializar uma Uniao Latino-America-
na. O fator de inducao sera a matriz
energ6tica, com um component ver-
dadeiramente continental, que 6 o gas,
mais abundante, constant e limpo. Mas
por que nao aproveitar para integrar
energia a transport?
Essa integraq~o nao existird cor o
gasoduto, uma infraestrutura de pouco
efeito multiplicador e muitas conseqii-
6ncias colaterais negatives. Por que
nao transportar o gas pelos rios da re-
giao? Numa primeira visada, o princi-
pal problema 6 na ligaqao da bacia do
Orenoco com a bacia do rio Negro.
Hoje nao ha navegaqao entire elas. Mas
a inversao do canal do Cassiquiare 6
justamente uma das grandes aspiraq6es
dessa parte do continent. Vencida essa
barreira, se abrird a perspective da in-
tegraqao de toda a Am6rica do Sul,
desde o extreme norte ao extreme sul,
do Orenoco ao Prata. E um grande
desafio, mas nao uma tarefa impossi-
vel, a nao ser que seja uma lembranqa
indesejdvel para os patrocinadores do
PAC, que pensam no gasoduto desde
dezembro de 2005.
O gasoduto, que poderd ter nove mil
quil8metros de extensdo, 6 obra para 23
bilh6es de reais. E muito dinheiro e mui-
to impact para que todos simplesmen-
te o aceitem como premissa inquestio-
navel. No Pard, pelo menos, 6 o que esta
acontecendo. O que o governor do Esta-
do estd sugerindo a Brasilia 6 trajetos


alternatives, todos por terra. Isso signi-
fica que a hidrovia 6 inviavel? Talvez
essa inviabilidade seja verdadeira, mas
ate agora ningu6m a demonstrou. Na
verdade, ningu6m se preocupou cor
essa hip6tese.
Para o Pard, terceiro maior exporta-
dor de energia bruta do pais, o gas da
Venezuela pode ser a fonte salvadora
para sua crise energ6tica. E uma situa-
qao de causar perplexidade: mesmo ten-
do em seu territ6rio a segunda maior hi-
drel6trica do pais, a quarta maior do mun-
do, o Estado nio disp5e de reserve de
energia para abastecer os projetos ele-
trointensivos em operaqao ou em proje-
to no seu territ6rio. O gas venezuelano
pode ser essa fonte abundante e segu-
ra, capaz de suprir as usinas de ferro
gusa, as plants metalirgicas e outros
empreendimentos colocados em cheque
por energia insuficiente ou cara.
Mas nao se pode aceitar simplesmen-
te regras pr6-estabelecidas e raciocini-
os fechados. Depois dos incidents e
aborrecimentos na Bolivia, o Brasil pre-
cisa aprender a liqIo e estabelecer um
entendimento de maior seguranqa no tra-
to cor a Venezuela. Essa 6 a questao
geopolitica, que a postura de Hugo Chd-
vez apimenta. Mas ha tamb6m a possi-
bilidade de unir os dois modais, de ener-
gia e de transport, numa visao de uso
mais global, para que haja desenvolvi-
mento verdadeiro e nao mais um incha-
mento econ6mico.
O tema precisa ser reaberto urgen-
temente, antes que se reduza a um fato
consumado, como parece ser a inten-
q~o dos que conduzem as decis6es.


Jornal Pessoal I' QUINZENA FEVEREIRO DE 2007 7







Cat ---


OLYMPIA
Lembro-me que voce escre-
veu a respeito do Cinema Olym-
pia, referindo-se, inclusive, A lo-
caq~ o do pr6dio e ao valor do alu-
guel que seria pago pela PMB ao
grupo Severiano Ribeiro, a fim
evitar o fechamento daquele ci-
nema. Nao me record, por6m,
se voce citou o valor que a PMB
pagaria pela reformadaquela
casa de arte.
Quase 2 meses ap6s a rea-
bertura do Olympia ao p6blico,
ji transformado em Espago Mu-
nicipal Olympia, foi que eu pude
ir atd ali, a fim de assistir um filme
e aproveitar para ver como ficou
o im6vel depois da reform Olhei
em todas as direq6es e para tudo
que 6 visivel no seu interior, e
me decepcionei, porque depois
de tanta badalaq~o sobre a re-
forma, eu nao esperava que ela
fosse tao pequena e superficial.
Diferenqa maior eu s6 notei na
sala de espera.
Vejamos o que observe:
Sala de espera foram retira-
das as catracas da entrada, o bal-
cao de vendas de bombons e a
pipoqueira. Colocaram novas
portas de vidro na entrada da
sala. As paredes estao decoradas
com um bonito painel e virias
fotografias de Bel6m, em tamanho
grande. O revestimento do piso
pareceu-me novo.
Espago de projeqces (salao
de espeticulos)
Cadeiras: foram substituidos
apenas os revestimentos exter-
nos de algumas cadeiras, por es-
tarem danificados. Mas nao tro-
caram o material molass, espon-
jas?) que preenche a parte inter-
na dos assentos das cadeiras.
Confirmei o fato com um funcio-
nario que inspecionava as cadei-
ras, em busca de algo esquecido
por frequientadores.
Sentei em varias cadeiras, em
diferentes fileiras e observe que
os assentos delas estao funds,
decorr8ncia, certamente, do uso
freqtiente e prolongado, causan-
do, agora, desconforto a quem
nelas senta.
Apesar do curto espago de
tempo decorrido ap6s a inau-
guraqao do "novo" Olympia, ji
existem muitas cadeiras cor o
revestimento externo cortado
ou rasgado, evidenciando van-
dalismo, ou que nao tenha ha-
vido, talvez, substituigao do
revestimento.
Foram retiradas vwrias cadei-
ras do salao, aumentado, assim,


o espaqo livre entire a tela e a pla-
t6ia. Essas cadeiras foram colo-
cadas no corredor lateral.
Piso: nada foi trocado, o que
seria desejivel.
Forro: continue o mesmo -
aquela coisa cinza, horrorosa.
Deveria ter sido trocado por um
forro melhor, de preferencia se-
melhante ao original, de 1912, ou
pelo menos pintado de branco,
marfim ou de uma cor que imitas-
se madeira.
Cortinas: as de cor preta pa-
recem velhas. Nao creio que te-
nham sido substituidas.
Concluf que a propalada re-
forma concentrou-se na pintura
internal e external do pr6dio (mais
externa do que internal .
EntIo, por que levaram tanto
tempo para fazer tao pouco? E o
preco? foi condizente com o
material utilizado e cor o traba-
Iho realmente executado?.
Venho observando, ha mui-
tos anos, que os nossos gover-
nantes e seus administradores
nao querem se conscientizar de
que 6 imprescindivel acompa-
nharem e fiscalizarem a exe-
curio e a qualidade das obras e
dos services pagos corn o di-
nheiro public.
Se eles observassem esses
principios bisicos, essenciais a
uma administragao eficiente, o ex-
governador, Dr. Jatene, nao teria
passado por aquele vexame na
inauguraqao do novo Centro de
Convenq6es, no teria havido
desabamentos e mortes nas
obras do metro de Sao Paulo, a
reform do Cinema Olympia teria
sido melhor, e outras milhares de
obras pliblicas nao teriam sido
mal feitas, mal acabadas ou mes-
mo inacabadas, e cor seus cus-
tos tao elevados.
Finalizando, pergunto:
a) Sera que o Prefeito de Be-
16m Sr. Duciomar Costa, vai
conseguir manter, long das cal-
qadas do Cinema Olympia, os
camels e vendedores de alimen-
tos, os quais ji se aproximam da-
quele pr6dio?
b) Por que o Sr. Prefeito de
Bel6m nao providencia a urgen-
te elaboraqdo de lei municipal
delimitando os espagos desses
vendedores e camels, e crian-
do penalidades pelo descumpri-
mento da lei?
Acho que ji 6 tempo de a
PMB proibir a presenqa de barra-
cas, bancas e carros de vendas
na frente de cinemas, teatros,
museus, Bancos, hospitals, ho-
t6is e templos religiosos.


Cassar definitivamente a li-
cenqa para trabalhar nas ruas se-
ria uma boa penalidade.
c) Por que a PMB nio colo-
cou guards de seguranqa no
Espaqo Municipal Olympia?
Um espaco fechado, de en-
trada franca e sem vigilantes
armados, pode ensejar a pre-
senqa de vandalos e marginais,
inclusive de viciados ou trafi-
cantes de drogas, pondo em ris-
co a vida de seus freqiientado-
res, al6m de possibilitar danos
ao patrim6nio, gerando prejuf-
zos ao erario municipal.
d) Visando a manutenqio
do Espaqo Municipal Olympia em
bom estado de conservaqao, re-
duzir as despesas com o pr6dio,
e ainda para ndo facilitar a en-
trada de marginais no recinto do
cinema, por que a PMB nao pas-
sa a cobrar ingresso dos maiores
de 10 anos de idade? O prego do
ingresso poderia corresponder a
pelos menos 50% (cinqiienta por
cento) do valor que os demais
cinemas de Bel6m cobram.
Ilustre jornalista, receba
meus agradecimentos pelas
suas atenq6es e meus cumpri-
mentos pelo seu admiravel tra-
balho professional.
Maria Alda Brito Bezerra
(Cor c6pia para
Sr. Prefeito de Belem)

MANGA
Concordo inteiramente com
sua iniciativa e estou A disposi-
gqo para reunir outros quixotes
em torno de id6ias simples e ba-
ratas como essa de espalhar cri-
anqas e adolescents em tempo-
radas de corrida as mangas (com
a devida orientaqIo assinalada).
Talvez, por ai resultasse, sem
muito oba, oba; um festival po-
pular da manga na Cidade das
Mangueiras...
Um festival divers desses
muitos no interior, que acabam
sendo festival da cerveja e do
barulho tecnobrega espanta tu-
rista, sem exceqdo (seja do aqaf
ou do camarao). Onde poetas,
muisicos, prosadores e outros ar-
tistas cor os cidadaos dessem
graqas As seculares arvores da
arborizaqao metropolitan de Be-
16m com sua sombra amiga de-
baixo do sol equatorial.
Dentre todas as vantagens
por voc8 apontadas na nota de
referencia na edicao do JP, se-
gunda quinzena,janeiro de 2007,
deve-se enfatizar o aspect de
prevengqo de acidentes devido
queda dos frutos maduros so-


bre pessoas, notadamente nos
pontos de paradas de 6nibus.
Sabe-se, infelizmente, de casos
fatais ap6s traumatismo crania-
no. As seguradoras de veiculos
deveriam apoiar a id6ia (com
voto contrario das oficinas, ob-
viamente), pela economic de cus-
to nas indenizagqes por afunda-
mento de lataria de teto e cap6
de autom6veis atingidos pelas
mangas. Quem tamb6m votaria
contra, se pudessem, seriam os
periquitos. Mas, paciencia nem
todos ganham numa sociedade
com humans.
Acredito que a PMB deva
tomar provid8ncias imediatas
nesses pontos de 6nibus, proce-
dendo A poda seletiva de man-
gueiras na dpoca da floraqdo e
remoqao de frutos enquanto
imaturos para prevenir esse tipo
de acidente. Quanto A arboriza-
qco com mangueiras em geral a
sua proposicIo 6 excelente. Um
leitor habitual do JP pode es-
tranhar o assunto na lavra do
comentarista politico, mas, pen-
sando bem, a mat6ria ter gran-
de importancia na Polis amaz6-
nica. E o fato de nao despertar
atengqo revela o quanto esta-
mos desfocados da realidade de
nosso ambiente, com a cabeqa
distant do chdo.
Isto daria, certamente, um
colorido human a mais a cidade
cognominada "das mangueiras".
Devemos tratar melhor essas ar-
vores amigas, que representam,
al6m da parte ecol6gica, um perf-
odo de criag~o da cidade amaz6-
nica, dentro do ciclo hindu-lusi-
tano, que na 6poca p6s-colonial
em curso precisa ser valorizado e
revitalizado. Ademais, nao foi por
acaso que o consultor Frances-
co Lucarrelli aconselhou a can-
didatura de Bel6m A categoria de
Paisagem Cultural da Humanida-
de (Unesco), dado a rara combi-
naqao de natureza e cultural no
espaqo urban.
Aproveito para sugerir ao
competent critic da periferi-
zaqCo amaz6nica (para nao di-
zer o neocolonialismo) artigo
sobre o papel pioneiro da So-
pren, com o decano dos ambi-
entalistas da Amaz6nia, doutor
Camilo Martins Viana como
mestre de geraq6es. Hoje 6 ficil
ser "verde", como 6 bacana ser
"vermelho"; antes Camilo era
"doido" e os "comunas" eram
vistos como perigosos agents
do comunismo internacional...
Quando nao, invariavelmente,
ateus e impatri6ticos.


FEVEREIRO DE 2007 I"QUINZENA Jornal Pessoal


---I -- II -- -r.. I~II~









Cocoroc6 energetico: uma frase de Delfim


Nas pdginas amarelas da peniltima edi-
q o da revista Veja, o ex-ministro e ex-de-
putado Delfim Neto produziu mais uma de
suas prolas, com a deliberada intenq.o de
ser polemico. Referindo-se ao acidentado
projeto da hidrel6trica de Belo Monte, no
rio Xingu, disse o conselheiro ad-hoc do
president Lula: "Por mais nobre que seja
a quest~o indigena, 6 absurdo exigir dos in-
vestidores que reduzam pela metade a po-
tencia de energia prevista num projeto gi-
gantesco porque doze indios cocoroc6s
moram na region e um jesuita quer publi-
car a gramitica cocoroc6 em alem.o".
A boutade 6 engenhosa, e por isso
provocou risos e apoios, mas 6 falsa.
Ndo foi a questfo indigena que fez a
Eletronorte reduzir A metade a potencia
prevista da usina, que era de 11,5 mil me-
gawatts, s6 inferior A de Itapu. A estatal
foi obrigada a curvar-se A demonstraq~o


da inviabilidade econ6mica da hidrel6trica
com esse porte: por falta de agua, ela fi-
caria parada durante quase a metade do
ano. A vazao do rio ndo acionaria uma
finica de suas 20 miquinas durante a esti-
agem do Xingu. Para dar A sua obra uma
tintura mais aceitdvel, a Eletronorte prati-
camente eliminou o reservat6rio: a reten-
gqo de agua, numa area de 400 quil6me-
tros quadrados, equivaleria a uma grande
cheia natural do rio.
A fnica adaptaqao no projeto que po-
deria ser considerada como uma atenq.o
aos indios da area foi a decisao de cons-
truir uma barragem de baixa queda a mon-
tante da casa de forqa, prevista para ficar
50 quil6metros rio abaixo. Graqas a essa
estrutura seria mantido certo nivel de agua
nesse trecho. Com a aduqao direta de agua
para as miquinas atrav6s de dois canais
de concrete, sem essa barrage o leito


da grande curva do
Xingu ficaria seco,
prejudicando todos
os moradores desse
perfmetro, incluindo
os indios.
Mas a Eletronor-
te s6 modificou o
projeto inicial, que
previa tres barra-
gens no complex
da grande volta, por-
que esta certa de


-i
.P


que, uma vez concluida a usina de Belo
Monte, novos aproveitamentos a montante
no Xingu se tomarao irreversiveis. Exata-
mente porque a potencia fire dessa pri-
meira hidrel6trica, mesmo reduzida A me-
tade, ainda sera comercialmente inviAvel.
Dizer o contririo 6 conversa de coco-
roc6 tecnocrata.


Creio que esta na hora da so-
ciedade civil, sem abandonarja-
mais sua fung.o critical constru-
tiva, assumir o risco da partici-
paqao e da proposi.ao no que,
alids, voce tern sido um exemplo
vital para descolonizaq.o das
mentalidades.
Assim, a partir desse serviqo
voluntirio hidico e solidario, uma
campanha para homenagear o
veteran ambientalista com ou-
torga do "Premio Camilo Viana de
Meio Ambiente", pago por con-
ta da responsabilidade socioam-
biental de empresas, tais como
CVRD, Eletronorte, Petrobras,
Banco da Amazonia ou outras.
P.S -Em anexo, exercfcio po-
6tico sobre o significado geocul-
tural das ilhas do Maraj6 na cons-
truqao territorial da Amaz6nia
Brasileira, segundo o sentimen-
to de alguns caboclos politica-
mente alfabetizados.
Jose Varella

MINHARESPOSTA
Estd lanqada, pois, a cam-
panha para criar o premio su-
gerido pelo leitor, reconhecen-
do o pioneirismo do medico
Camilo Vianna.
Infelizmente ndo posso re-
produzir o poema anexado por
Varela, que e uma precisa sinte-
se da hist6ria do Maraj6 e uma
visdo muito sensivel da sua rea-
lidade. Quem quiser obter uma
c6pia pode acessar o site


www.unilivre.org ou escrever
para
jose.varella2007@yahoo.com.br.

ASSESSOR
Eem primeiro lugar parab6ns
pela resist8ncia, o que tem nos
proporcionado a oportunidade
de ler o JP periodicamente. Con-
fesso que sou leitora assidua.
Nesta oportunidade, gostaria
de esclarecer que o secretario de
Planejamento, Orcamento e Fi-
nanqas, Carlos Guedes, nao acu-
mula duas fungqes pdblicas no
governor estadual, como mencio-
nado na iltima ediqdo do JP.
No Dirio Oficial n 30834 de
02/01/2007 consta sua exonera-
q o do cargo em comissao de
Assessor Especial II, lotado na
Governadoria do Estado. Portan-
to, Guedes exerce inica e exclu-
sivamente a funq o de secretario
executive do Planejamento, Or-
qamento e Finanqas.
Peqo a gentileza de informar
aos seus leitores sobre tal proce-
dimento, a fim de que nao pairem
d6vidas sobre uma eventual irre-
gularidade dessa natureza.
No mais, nos colocamos a sua
disposiqao para este e outros
esclarecimentos. Caso necessite
de dados referentes as finanqas
p6blicas do Estado, por favor
nos demand.
IvoneteMotta
Assessora de Comunicaq.o
da Sepof


Renuncia a nmemoria
No ultimo dia como president do Tribunal de
Justiqa do Estado. no dia 31. o desembargador Milton
Nobre assinou um convenio, transferido para a
Universidade Federal do Par6. sem 6nus para o
tribunal, "a cessAo e guard da documentaq~o que
compbe o Acer\ o do Arquivo Inativo do TJE.
especificamente civel. criminal, obedecendo a data
limited de 1970". pelo prazo de 50 anos.
O ato se contradiz com uma decision imediatamente
anterior do entao president. que aceitou a doaqao da
biblioteca de obras gerais do ad ogado Oui' io
MendonCa. feita pela vitva. Livros de hisr6ria,
literatura ou geografia serlo pouco consulhados na
biblioteca dojudici6rio, se ela se manti% er
especializada. como seria natural ocorrer. Cenainente
os livros de interesse geral do mestre ficariam melhor
acomodados na Academia Paraense de Letras. da qual
ele era mortalal.
Mas se aceitou tal acervo, por que o
desembargador Nobre refugaria documentaq;io de sua
pr6pria instituiq o. ainda que mal acomodados sob o
sarc6fago de "Arqui\ o Inati% o"? A iniciativa significa
que ojudiciirio paraense renunciou a guardar, registrar
e analisar a pr6pria hist6ria. E. em certa media. a
manter viva sua mem6iria. sob o argument da
inatividade (cujos limits, quem pode estabelecer?).
Espera-se que a UFPA tenha mais condioies -
materials e intelectuais para dar melhor destino a

mais uma pi de cal sobre o corpo vivo da hist6ria.

,._


Jornal Pessoal 1o QUINZENA FEVEREIRO DE 2007 9


I --. L I IIIC --- --L -- ~---""~PIB1~SBll111~









MEMMRIA DO COTIDIANO


Imposto
A Companhia Cervejaria
Brahma, adquirente e suces-
sora da ji entao extinta Cer-
vejaria Paraense, cor fibri-
ca instalada na avenida Inde-
pendencia (hoje, Magalhaes
Barata), era a maior devedo-
ra do Imposto Territorial, den-
tre 42 contribuintes em atra-
so convocados pela Diretoria
da Receita, do Departamen-
to da Fazenda Municipal, a se
apresentar para quitar o dd-
bito. A soma do imposto pen-
dente da Brahma era de 271,5
mil cruzeiros. 0 segundo
maior valor, de Cr$ 129,8 mil,
era devido pelos herdeiros de


Vitorino Chermont de Miran-
da, estabelecidos na Cidade
Velha. Hamilton Moreira era
o secretirio de finanqas da
prefeitura, responsdvel pela
cobranqa.

Vencedor
Mario Faustino dos Santos e
Silva, chefe da Seqao de Di-
vulgaqgo da SPVEA (Supe-
rintendencia do Piano de Va-
loriza~io Econ6mica da Ama-
z6nia, antecessora da Su-
dam), ficou em primeiro lu-
gar dentre os bolsistas brasi-
leiros que participaram, em
1955, de um curso intensive
(de quatro meses) de admi-


nistracqo piblica da Funda-
qao Getilio Vargas, no Rio de
Janeiro. Na 6poca, o vence-
dor era mais conhecido como
jornalista e burocrata. S6 de-
pois ficaria famoso como o
poeta Mirio Faustino, um dos
maiores que ji versejou por
estas plagas.

Telefones
Em 1966,
Bel 6 rn
est a v a va
em 26
lu gar
pelo nu-
mero de tele-
fones dentre as cidades corn
mais de 100 mil habitantes no
Brasil: havia na capital para-
ense dois telefones para cada
100 habitantes. Em Vit6ria, ca-
pital do Espirito Santo, com um
terqo de moradores, a relaqao
era de 6,4 aparelhos por 100
habitantes. Em 1969 a Cotem-
bel, empresa controlada pelo
municipio, iniciou uma campa-
nha para instalar 20 mil apare-
lhos, em duas etapas, atingin-
do assim um coeficiente con-
siderado "razoivel".

Presenga
O professor Armando Men-
des, que recentemente es-
creveu um artigo apontando
erros na lei que recriou a Su-
dam (Superintend8ncia do
Desenvolvimento da Amaz6-
nia), 6 a inica pessoa ainda
viva que esteve no Palicio


das Laranjeiras, em 27 dc
outubro de 1966, para teste-
munhar a assinatura da lei de
criaqdo do 6rgao, pelo ma-
rechal Castelo Branco, pri-
meiro president da repdbli-
ca do regime military implan-
tado dois anos e meio antes.
Armando era president do
Banco de Cr6dito da Ama-
z6nia (BCA), transformado
em Banco da Amaz6nia
(Basa) na ocasiao. As outras
autoridades presents eram
os ministros Roberto Cam-
pos, do Planejamento, e Oti-
vio Gouveia de Bulh6es, da
Fazenda. Mais Artur Amo-
rim, coordenador dos grupos
de trabalho que tratariam da
implantaqIo da nova political
de incentives fiscais para a
Amaz6nia e seus 6rgaos re-
gionais de desenvolvimento.

Passarinho
O tenente-coronel Jarbas
Gongalves Passarinho passou
para a reserve remunerada
do Ex6rcito, subindo um pos-
to (para coronel), como en-
tdo era de praxe, em 24 de
outubro de 1966. Deixara um
pouco antes o governor do
Estado e se preparava para
a campanha eleitoral que o
levaria pela primeira vez ao
Senado. Servira no Coman-
do Military da Amaz6nia e 8a
Regiao Militar desde 1956 at6
a reform, quando ji se tor-
nara definitivamente um hibri-
do de military e politico.


PROPAGANDA
0 dia da marmelada
Que havia marmelada, ningudm tinha duvida: mas
ainda assim a luta-livre tambim tinha grande public;
"ao vivo", nas arquibancadas armadas em torno de
um ruistico tablado, como pela televisdo. Neste
anuncio de 1968, a jd extinta TV Marajoara, canal 2,
dos Didrios Associados, anunciava "a mais
sensacional temporada international de luta-livre".
Em hordrio nobre: as 19 horas de domingo. Ndo era
melhor do que o Faustdo ou o Guga?


FEVEREIRO DE 2007 1"QUINZENA Journal Pessoal


DOMINGO
SPASSADO
NAO
MORREU
NINGUEM
MAS,
AMANHA
SNAO
GARANTIMOS
NADA.

VpY vo VOAI VItBRAR ( M OS


GIGANTES


DORINGUE
A MAIS SENSATIONAL
TEMPORADA INTERNATIONAL TV
DE LUTA-LVRE
PELA TELEVISAO I MARAJOARA
onIuIo AS s,00 Ls.. n
CANAL








































Marias
Todas eram Marias talen-
tosas, inteligentes e aplicadas,
filhas de Joaquim Chaves,
que durante muitos anos diri-
giu a Companhia de Seguros
Alianqa do Pari, fazendo for-
tuna e amigos, e de Maria
d'Ascensao Ramos Chaves.
A primeira a morrer foi a pi-
anista Maria de Lourdes, em
1971, quando as irmas j nao
contavam mais com os pais.
A iltima, a mais famosa de-
las, no ano passado, foi Ma-
ria Anunciada. No percurso
desses 35 anos tamb6m se
foram Maria Julia e Maria
Paula Ramos Chaves, pro-
fessora eximia como a irma
mais velha. Foram-se tam-
b6m os rastros materials da
passage desse fecundo
quartet de destacadas cida-
das paraenses.

Silencio
0 professor (normalista) C16-
vis Moraes Rego sucedeu o
tamb6m professor (universiti-
rio) Aloysio da Costa Chaves
no governor do Estado, em
agosto de 1978. Ia apenas
completar o mandate do titu-


lar, do qual era o vice, por mais
sete meses, para que Aloysio
concorresse a uma vaga no
Senado (que conquistou). No
discurso de posse, no Palicio
Lauro Sodr6, lotado, Cl6vis
citou os nomes dos caciques
da political paraense na oca-
siao. As refer8ncias a Jarbas
Passarinho, ao ex-govemador
Femando Guilhon e ao pr6prio
Aloysio foram recebidas sob
intensas palmas. Apesar da
presenqa no salao de vdrios
"alacidistas", nao houve rea-
qao ao nome de Alacid Nu-
nes. O govemador que assu-
mia, amigo intimo do ex, nao
podia puxar a claque. Ningu6m
entendeu na ocasiao porque os
demais integrantes do grupo
(dentre os quais estava o de-
putado Domingos Juvenil, que
agora foi eleito president do
legislative) nao se coqaram
para os aplausos.

Nazare
A festa de Nazare de 1966 foi
um grande prejuizo para os
barraqueiros, que prenuncia-
ram o fim dessa festividade,
ao menos como at6 entao era
organizada, nos 15 dias seguin-


FOTOGRAFIA

Capities da imprensa
No inicio de 1971, quando essa fotografia foi batida,
ndo havia mais um lider inconteste na imprensa do Pard.
A Folha do Norte, que reinara durante mais de meio
seculo, estava em decadencia. A Provincia do Pard, sua
mais antiga competidora, ndo subira ao p6dio. E 0
Liberal, que sempre fora o "fona", ainda ndo dera o
pulo do gato, que sd viria cor a concessdo do canal de
televisdo, logo afiliado a poderosa TV Globo, na tltima
metade da dicada. Os capitdes da imprensa estdo
reunidos nessa pose: Roberto Jares Martins (A
Provincia), Romulo Maiorana (que comprara 0 Liberal
cinco anos antes) e Jodo Maranhdo, o eterno gerente da
Folha, destronado pelo irmdo, Cldvis, da sucessdo que
lhe cabia com a morte do pai, o legenddrio Paulo
Maranhdo, tambim cinco anos antes. Todos morreram.
E, cor eles, uma fase na histdria da imprensa.
I llll M l


tes ao Cfrio. Os dois maiores
investidores alegaram ter so-
frido grande deficit: o indus-
trial Hilirio Ferreiro, arrenda-
tario da maior parte da area
do Largo de Nazar6, repassa-
da a terceiros por sublocaqao,
e o comerciante Jos6 Peixoto
da Costa, o principal fomece-
dor de mercadorias para os re-
vendedores. Eles e os barra-
queiros alegaram que s6 tive-
ram lucro no primeiro e no til-


timo dia da festa, mas a re-
ceita nao cobriu os custos,
onerados pela exigencia da di-
retoria de Nazar6 de materi-
ais de construqao novos, pre-
qos muito altos dos lotes e ta-
belamento imposto pela Dele-
gacia da Economia Popular
que nao permitia taxa de lu-
cro atraente.
O arraial, com aquele pa-
drao tosco, de barracas de
madeira, chegava ao fim.


Jornal Pessoal I' QUINZENA FEVEREIRO DE 2007 11






A
VIOLENCIA
Toda cidade tem seus "pon-
tos negros", lugares critics.
Em mat6ria de violencia, Be-
16m 6 de um negrume gene-
ralizado. A inseguranqa de
quem circula pelo Paar 6
quase a mesma de quem
anda pelo Umarizal. A com-
provaqao dessa triste e gra-
ve sina veio mais uma vez no
dia 28: o m6dico Paulo S6r-
gio Cavaleiro de Macedo, de
56 anos, estava na direqao do
seu carro, no cruzamento da
rua Ant6nio Barreto com a
avenida Generalissimo Deo-
doro. Era um domingo de
manha e ele ia para a casa
da mae, depois de deixar dois
filhos, que fariam prova do
vestibular. Foi abordado por
tr8sjovens. Nao reagiu. Mes-
mo assim foi baleado com um
tiro. Jogado para fora do car-
ro, morreu na calqada, esva-
indo-se em sangue.
t tautologia dizer que a
vida 6 nosso bem mais nobre,
porque 6 tnica e 6 insubstitui-
vel. S6 temos a que vivemos.
Mas em Bel6m a vida virou
banalidade. Perdeu-se a capa-
cidade de previsdo sobre cada
dia que se tem, mesmo saben-
do-se o que se vai fazer. Pau-
lo S6rgio estava tranquilamen-
te cumprindo sua rotina de pai
e de filho. Mesmo transforma-
do subitamente em vitima,
comportou-se como tal. Nao
bastou para evitar se transfor-
mar no destino a que parece-
mos condenados: uma pessoa
brutal e covardemente morta.
E-nos tirado qualquer direito
de participar dessa decisao
fundamental. A viol8ncia 6
gratuita, embora saibamos que
sua origem 6 terrivelmente
onerosa e suas consequenci-
as podem ser irrepariveis.


A inseguranqa nao 6 s6
uma expectativa subjetiva: 6
tamb6m uma realidade mas-
sacrantemente concrete. Isso
o atual governor ji p6de cons-
tatar, sem a maquilagem da
propaganda. Jd 6 hora de en-
frenti-la com decisao e com-
pet6ncia. Da pr6xima vez, o
fogo, advertiu o profeta bibli-
co.


COMO SEMPRE
A cultural
ganhou um
inusitado
destaque
em O Li-
beral. Tr8s
manchetes
de primeira
pigina, ao long de uma se-
mana, anunciavam a primeira
crise do governor Ana Jdlia. O
secretirio de cultural, a equi-
pe do PT e os artists nao
aceitaram a entrega ao PTB
da Fundaqao Tancredo Ne-
ves, responsivel pelo Centur.
O secretirio Edilson Moura
teria manifestado a disposiqgo
de renunciar ao cargo se a
composiqao political fosse
mantida.
Insatisfaqgo realmente
existe e nao 6 nada incomum
na area cultural. Mas nao adi-
antaram os desmentidos e as
explicaq6es: O Liberal conti-
nuou a dar um destaque exa-
gerado ao assunto e a ignorar
as atenuaq6es. O objetivo 6
claro: fomentar fatos e gerar
artificialmente uma crise, exa-
gerando suas dimensoes. A
titica de sempre: criar dificul-
dades para vender facilidades,
at6 que o efeito desejado seja
alcanqado. Ou partir de vez
para o ataque, aberto e fron-
tal, se as insinuaqoes nao fo-
rem consideradas.


PARTICIPA AO
Poucos atentaram: Valdir
Ganzer foi demitido da Se-
cretaria dos Transportes
para poder participar dos en-
tendimentos para a compo-
sigqo da chapa e da votaq~o
para a mesa da Assembl6ia
Legislative. Cumprida a mis-
sao, foi readmitido, no dia 3,
a direcao da secretaria. O
PT cumpriu fielmente, em
mais esse ponto, o acordo
feito com o PMDB.


DITADO
0 ditado popular mais em voga
na political paraense atualmen-
te 6: dize-me com quem an-
das e te direi quem 6s.


PERDAS
Durante virios anos repeti
aqui a proposta aos governor
estadual e municipal para de-
sapropriar a residencia e a bi-
blioteca da professor Anun-
ciada Chaves, transformando-
a em instituiqao ptblica. Nun-
ca tive uma unica resposta.
Agora que o leite foi derrama-
do e Anunciada 6 morta, cor-
re-se atris da emenda, sem-
pre pior do que o soneto.
Quem ndo 6 capaz de se
antecipar aos fatos 6 por eles
atropelado. Por aqui, o poder
piblico, quase sempre.


DIVIDA
Meu d6bito com as poucas e
gentis pessoas que me escre-
vem e me enviam seus tra-
balhos para apreciaqao 6
enorme. Minha vida, que con-
segue ficar pr6xima da nor-
malidade em alguns momen-
tos, na maioria das ocasides
6 ferida profundamente pelos


processes judiciais a que pre-
ciso responder. Meu tempo 6
absorvido por essas deman-
das. Na verdade, perco o
control da minha agenda.
Torno-me Prometeu atado A
rocha judicial e bicado pelos
meus perseguidores. Nem
sempre metaforicamente.
Lamentacqo i parte, que-
ro registrar, com o atraso jus-
tificado, meu louvor A Temple
pela iniciativa de assinalar o
final de 2006 com a reprodu-
gao de uma das poucas telas
em cor pintada por Augusto
Morbach em 1979, tendo o
Ver-o-Peso como tema.
Como um dos proprietarios de
outro 6leo do velho Morbach,
este sobre moradores do To-
cantins, um dos seus alvos
mais constantes, fiquei agra-
davelmente surpreso corn a
feliz iniciativa da Temple.
Tamb6m agradeqo pelas
duas 6nicas agendas que um
jornalista malquisto recebeu,
mandadas pela Engeplan (ain-
da o querido Mourinha, mes-
mo de fora?) e pela Griffo
Propaganda. O gesto faz-me
reincidir na crenqa de que se
pode manter divergencias
sem perder a civilidade.
JA Jorge Machado me
mandou seus estudos sobre
Abaetetuba, modestos e
muito 6teis. Seu exemplo
devia ser imitado: garantiria
a mem6ria do abandonado
interior paraense.


Editor: LOcio FlAvio Pinto
Edigao de Arte: L. A de Faria Pinto
Contato: Tv.Benjarrun Constant
845/203/66 053-040
Fones: (091)3241-7626
E-mail: jornal@amazon.com br


Novo livro
Ja esta nas bancas e livrarias meu livro mais recent, O Jornalismo
na Linha de Tiro. Tem um pouco do primeiro volume, o prometido
segundo volume e alguns acr6scimos e atualizag6es. Apesar de
volumoso, com mais de 500 p6ginas, custa apenas 30 reais, o mesmo
prego do anterior, com 300 paginas.Entre os documents que
introduzi agora esta a carta que escrevi a Romulo Maiorana quando
do nosso rompimento, em 1986, e a Helio Gueiros, antes e depois de
ele ser governador do Par& (1987-1991).


-I ill -----~rs