Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00309

Full Text


NOVA CONFUSAO

Soa SC00DO MAIORANA
ornal PessoaDESP OLTA.
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO PARA SEMPRE?
JANEIRO DE 2007. 2aQUINZENA N 384 ANO XX R$ 3,00


GOVERNOR


Mes um


para onde?


0 governor Ana JOlia ainda nao tem uma marca definida. Balanga entire suas alas e a
composig5o cor aliados. Procura conciliar elements opostos sem deixar de former sua
pr6pria base political. Mas sera muito dificil promover mudangas de verdade com essa pratica.


Aarquiteta Ana Juilia Carepa
completard seu primeiro
mes como govemadora do
Estado do Pard, no dia 1,
sem ter ainda uma identidade. Mes-
mo sendo uma militant do PT ha lar-
go tempo e, agora, seu quadro de
maior expressao eleitoral em todos
os tempos, ela nao deu ao seu go-
verno um perfil amplamente petista:
a esmagadora maioria dos seus auxi-


liares do primeiro escalao foi recru-
tada em uma 6nica das tendencias do
partido, a Democracia Socialista, A
qual a governadora se filia. Mesmo
grupos interns destacados s6 tive-
ram acesso a migalhas do banquet
ou dele simplesmente foram excluf-
dos. Mas como sempre hd compen-
saq6es no segundo escalao para
aquietar os insatisfeitos, nao 6 den-
tro do PT que Ana Jdlia ainda enfrenta


as maiores complicaq6es, sobretudo
political, que vem adiando a defini-
gqo do seu governor.
Um dos grandes problems na gan-
gorra do poder 6 discernir quem sobe e
quem desce. Ou, mais claramente: quem
merece subir e quem precisa ser apea-
do. A administracgo p6blica 6 uma md-
quina muito grande e pouco suscetivel a
control, o que explica sua baixa efici-
CONTINUA NA PAC 2


PAGINA 7


PAGINA 3






CONTINUABAO DACAPA
Encia e sua alta dispersdo. Com Ana
Jilia subiram imediatamente seus com-
panheiros de viagem, os de sempre e
os que se incorporaram a campanha
eleitoral. Foram desbancados os not6-
rios adversirios e inimigos, num rol su-
ficientemente extenso para abrigar tam-
b6m alguns ajustes de contas. Mas, tam-
b6m, virias contradiqces e paradoxos.
O control da porta de entrada aos
disputados cargos p6blicos tem que
obedecer a dois crit6rios: o da consis-
t6ncia political e o da densidade t6cnica.
Um govemo desequilibradamente poli-
tico s6 nao sera desastroso se os politi-
cos que o integram tiverem experiencia
bastante para um gesto fundamental de
lucidez: se cercar de auxiliares trabalha-
dores e competentes. Do contr.rio, 6
promessa certa de incapacidade de ges-
tao. O contririo, um governor excessi-
vamente t6cnico, pode se fechar numa
gaiola de luxo, que, frequentemente, se
transform em gaiola das loucas: o pa-
roxismo dos devaneios individuals dis-
tancia o governor do povo, acarretando
impopularidade, descr6dito e fal8ncia.
Aparentemente, o novo govemo esta
sendo composto e comeqa a agir corn
ingredients das duas receitas, mas tal-
vez seu primeiro, precario e relative su-
cesso (o de receber poucas critics) se
deva ao estado dominant na cena es-
tadual: a expectativa e, como resulta-
do, uma certa tr6gua.
Essa situaqao n~o significa paz e bu-
colismo: pelo contririo, hi escaramuqas
sangrentas, tanto no picadeiro quanto nos
bastidores. Cada grupo de interesse ou
de pressdo tenta se fortalecer para con-
quistar maiores espaqos para si e afastar
ou imobilizar adversirios e concorren-
tes. Todos partindo de um inico pressu-
posto: seja o PT em geral como a De-
mocraciaSocialistaem particular, nenhum
deles ter condihdes de sustentar o novo
govemo. Acoalizao 6 indispensAvel.
Mas qual alianga? Ana Julia chegou
ao poder gragas a um acordo, que in-
corporou o PMDB de Jader Barbalho.
Como acomoda-lo no exercicio do po-
der sem provocar hostilidades, afastan-
do possiveis aliados e aderentes? No
dualismo radical que ter marcado a
political paraense, 6 sempre precise op-


tar entire C6sar e Cristo. Todos os en-
saios de terceira saida, mesmo quando
tem um bom comeqo, acabam resultan-
do em atracaqao a um dos dois 6nicos
grupos possiveis: o que sobe a gangor-
ra e o que dela 6 despejado. Ningu6m
pensa em ser verdadeira oposigqo.
Mas neste moment a situaq~ o 6 um
pouco mais complex. O ex-govera-
dor Jader Barbalho esta saindo do con-
finamento em que foi mantido durante
os 12 anos de poder tucano no Estado.
Apesar de suas desditas e desgastes, ele
nao desapareceu, gragas a sagazes ar-
ticulaq6es junto ao governor federal.
Mesmo durante o imperio de alta plu-
magem de Fernando Henrique Cardo-
so, nao foi um r6probo em Brasilia (em-
bora tenha motives para se queixar da
mutacgo de FHC, na hora vital, em Pi-
latos, lavando as mros durante a derru-
bada desonrosa de Jader do Senado).
Sua situaqao ficou ainda melhor com
a ascensdo de Lula, que caminha cele-
remente do mais notivel exemplo de
self-made-man no Brasil para o maior
arrivismo em political, tend8ncia que o
torna mais generoso na revisao inespe-
rada do passado, sem os entraves de
FHC, que deixara marcas escritas de
suas id6ias e posicqes anteriores (por
isso, enquanto o tucano precisou man-
ter distancia de Delfim Neto, o petista o
corteja sem pudor).
Jader Barbalho foi para a eleiqdo de
outubro com o aval de Lula para a par-
tilha do govemo, na hip6tese de eleicio
de Ana J6lia. Mas de outubro ajaneiro
teriam que surgir condicionantes ao
cumprimento das tratativas. Embora in-
formalmente a governadora mantenha
um didlogo permanent cor o ex-mi-
nistro, de p6blico ela procura demons-
trar autonomia. Ora prega contra a cor-
rupcqo, em favor da moralidade, ora
afasta indicaq6es peemedebistas menos
compativeis com essa image, que gos-
taria de projetar sobre seu governor.
Os politicos, que sempre se sentem
no palco, nao tnm dificuldade para con-
viver cor a aparencia puiblica e a reali-
dade particular. O equilibrismo entire os
dois pianos 6 uma de suas virtudes. Mas
hd um outro component para agravar
essa tenso: mesmo sendo aliados, que


estio cumprindo razoavelmente os acer-
tos pr6vios, Jader e Ana Julia tmn pro-
jetos distintos. Eles podem ser combi-
nados durante certo tempo, mas depois
irSo seguir suas pr6prias trilhas. Podem
at6 nao conflitar, mas irao se dissociar.
O quanto um e outro projetos esta-
rdo fortes entao? A preocupacao com
essa perspective nao 6 partilhada ape-
nas pelos parceiros: nela estao procu-
rando intervir outros personagens, mais
pr6ximos ou muito distantes do atual es-
tablishment politico. Um dos atores
principals 6 o grupo Liberal. Os Maio-
rana t8m todos os motives para querer
interromper esse idflio tucano-peeme-
debista, sobretudo os de natureza eco-
n8mica. Estar novamente no governor,
mesmo que apenas lateralmente, ird per-
mitir a Jader fortalecer dois elements
do seu projeto de poder: seu grupo de
comunicaqdo e seus quadros politicos.
Se, na oposiq~o estadual, os veicu-
los do ex-governador nao s6 mantive-
ram sua forqa como a expandiram, o que
se ha de esperar deles como aliados do
maior programador de anincios do Es-
tado, que 6 o governor? Quantos favo-
res da lei nao poderao ser destinados
aquele ao qual at6 entao eram reserva-
dos os rigores? E qual sera a profundi-
dade da inversao da relaclo nos gover-
nos tucanos, que fecundaram de verbas
pfiblicas, como nunca, as Organizaq6es
Romulo Maiorana? Havera certa isono-
mia na nova political de midia?
Pode-se responder de virias ma-
neiras a essas perguntas, mas s6 nao
se pode resolve-las com perfeito co-
nhecimento de causa. O movimento de
Ana Jdlia Carepa nao ter sido para
frente, para trds ou para os lados: 6
pendular. Ora vai, ora vem. Ora pare-
ce seguir um rumo definido, ora faz zi-
guezague. Esse movimento indica que
ela devera tentar negociar e compor in-
teresses. Mas para que o produto des-
sa conciliacao seja satisfat6rio, preci-
sard demonstrar uma destreza e uma
sufici8ncia at6 aqui nao reveladas. Se
6 que, no dualismo monolitico do Para,
essa possibilidade realmente existe.
Ana Julia venceu a eleiqio em outu-
bro. Seu governor ainda esti a caminho,
emjaneiro.


2 JANEIRO DE 2007 *2?QUINZENA Jornal Pessoal


I I IIIL~llllllls~








0 Idesp, como Lazaro,


renasce. Para sempre?


Quando Afonso Chermont chegou ao
seu gabinete para trabalhar, naquele dia
de fevereiro de 1999, descobriu que o
6rgio que dirigia nao existia mais. A situ-
aqco era parecida cor a de Gregor Sa-
msa, personagem da "Metamorfose",
transformado em barata na novela sur-
realista de Franz Kafka. A edico da-
quele dia do Didrio Oficial publicou o
decreto de extincao do Instituto de De-
senvolvimento Econ6mico e Social do
Estado do Para, mas nem o responsavel
pelo ato, o entao govemador Almir Ga-
briel, nem seus assessores tiveram a pre-
ocupagao de avisar o diretor-geral do
Idesp sobre o desenlace, consumado ci-
rurgicamente, conforme a pratica profis-
sional do demiurgo. Aos 33 anos, o Idesp
morreu sem vela ou fita amarela.
Mas agora, como um Lazaro, ele re-
nasce. Para a cerimonia simb6lica de
chamamento do defunto a nova vida, no
dia 10, o mesmo Afonso Chermont foi
convidado. E fez question de apresentar
outro personagem hist6rico tamb6m pre-
sente: o primeiro diretor-geral do Idesp,
Roberto Barbosa Oliveira. Assim, corn
grande significado simb6lico, como a so-
lenidade requeria, sejuntavam o infcio e
o final do novelo encerrado tdo drastica-
mente porAlmir Gabriel ao alvorecer do
seu segundo mandate como govemador.
O audit6rio da falecida casa, lotado,
aplaudiu os dois chefes do Idesp. Ape-
sar da chuvarada, o maciqo compareci-
mento indicava a importancia do acon-
tecimento. Os convidados e penetras
superaram a barreira das aguas e a es-
pera de uma hora de atraso, por conta
de Ana Jilia Carepa, presa a outro com-
promisso, na azifama que costuma assi-
nalar o infcio de um novo govemo.
Mas a espera nao foi em vao: antigos
funcionarios ou simples usuirios do
Idesp, que costumavam freqiientar sua
devastada biblioteca, de volta ao local,
puderam se admirar das melhorias ali fei-
tas depois do assassinate do institute. Um
ambiente clean sofisticado parecia ne-


cessario para servir de cendrio a tantas
pessoas ditas colunaveis, inquilinos das
colunas sociais dosjornais, que passa-
ram a trabalhar naquele conjunto, uma
esp6cie de bunker do control central
dos tucanos sobre as engrenagens e ten-
taculos da miquina ptiblica. A presenqa
de alguns desses "notaveis", conforme
eles sao nominados na mais representa-
tiva dessas colunas, uma metafisica agen-
da de gadgets informativos, nunca foi
exatamente assidua. Virios s6 compa-
reciam para receber seus pagamentos.
Justamente por isso, foram "notiveis".
O Idesp, se emergir na plenitude de
suas forqas ao final do process de con-
sulta, vai pelo menos encontrar- gragas
a esses socialites uma estrutura fisica
mais favorivel do que a existente no final
dos seus agora provis6rios dias, quase
oito anos atras. Quem percorresse suas
instalaq6es nao chegaria a um diagn6sti-
co favorivel ou aprovador para suas ati-
vidades. Mas jamais poderia recomen-
dar uma execuio tho sumaria, realizada
a frio, abruptamente, pelo cirurgiao Al-
mir Gabriel. Nao foi um ato de inteligen-
cia: foi -pura e simplesmente uma vin-
ganqa irada. O govemador se compor-
tou como os d6spotas antigos, que man-
davam matar o mensageiro das mas no-
ticias, assim imaginando acabar cor as
novas aziagas.
O pecado mortal do Idesp, no caso,
foi mostrar o fracasso do primeiro man-
dato tucano na realizaq~ o daquilo que
anunciou como sua meta principal: criar
empregos no Para, graqas As tais "ca-
deias produtivas", que seriam incremen-
tadas sobre a velha e insuficiente base
primxria. Por muitos outros motives o ins-
tituto merecia pux6es de orelhas: havia
se burocratizado demais, seus estudos
eram feitos cor muita lentidao e pouca
consistencia, sua agenda estava desatu-
alizada, seus funcionarios n~o tinham es-
timulo, etc. e etc.
Mas todas essas deficiencias eram
menos uma macula individual do Idesp,


que existia, sem ser a matriz dos seus
males. Essa disfunqao resultava do pr6-
prio modelo de gestdo que os governa-
dores do Estado e suas equipes passa-
ram a adotar a partir do primeiro man-
dato de Jader Barbalho, cor nnfase no
period do m6dico Almir Gabriel: muita
centralizaqao nas decis6es e pouco pla-
nejamento na atividade-meio, embora
esta se tornasse mais dispendiosa por
causa do inchamento burocritico. O go-
vemo realizou muitas coisas, mas por im-
pulso, pela vontade dos seus controla-
dores, por eventual m6rito (e dem6rito)
individual. Nada de planejamento capaz
de tocar na p6rola da coroa: o poder de
fazer. O rei dos facultativos (como se di-
zia antanho dos m6dicos) tomou conta
da coroa inteira.
Nessa circunstincia de concentra.io
de poder e de mando verticalizado, para
que o Idesp? Para complicar com critica
e voz dissonante? Para questioner a "re-
alidade" arquitetada pela fantasia publi-
citdria? Para o cadafalso, ora pois. O
retomo a vida, um dos atos mais signifi-
cativos do atual govero petista, capaz
de entusiasmar pessoas numa noite de
chuva pesada para um local que se tor-
nou glamourosamente fantasmag6rico,
significard o desejo de democratizar as
decis6es e vitalizar a inteligencia? Ser.
um ato de humildade, por parte do go-
vemante que aceita ver o indesejavel, que
reconhece a alternmncia e que nao su-
cumbe a tentacio de matar o mensagei-
ro da verdade?
Enquanto se ouvia a arquitetaAna Jilia
Carepa discursar, encerrando a soleni-
dade descontrafda e fraterna, num lugar
demarcado pela tolerancia e o apreqo
pelo saber, mesmo que entremeado de
bocalidade e autoritarismo, alguns dos
assistentes na plat6ia nao podiam deixar
de divagar pela utopia, singrando ludica-
mente pelos devaneios da imaginacio.
Muitos no audit6rio eram contempo-
raneos de Ana Jilia. Podiam apresentar
cuniculos muito mais ricos do que o dela.
Provaram ser mais realizadores do que
ela. No entanto, foi ela que o povo es-
colheu para comandar um Estado que os
tucanos transformaram em bichinho de
estimaqao de seu despotismo pretensa-
mente esclarecido nos iltimos 12 anos.


Jornal Pessoal 2' QUINZENA JANEIRO DE 2007 3






Foi ela que recebeu 55% dos votos
vilidos no segundo turn da eleioo de
outubro do ano passado. E foi ela que
assumiu, no dia 1, o maior dos pode-
res no Estado, tendo melhor ou pior cur-
riculo do que seus companheiros de vi-
agem, admiradores ou contemporAne-
os transversais (para usar outra p6rola
do 16xico atual). E ela, portanto, que
poderd garantir que o primeiro ato des-
sa nova hist6ria do Idesp terd continui-
dade e bom desfecho, desfazendo o
ceticismo ao qual alguns nao renuncia-
ram de todo, mesmo depois de uma
noite promissora.
A sentenqa de morte do Idesp alguns
reagiram. Tentou-se fazer a ordem ma-
cabra retroceder. Mas a resistencia foi
breve e timida. Nio impediu o desenla-
ce nem evitou a triste cena seguinte: um
caminhao recebendo, como carga sem
valor, os volumes que valorizavam a bi-
blioteca especializada do institute, atira-
dos sobre a carroceria e levados para
seu Gulag retocado no Centur, onde re-
pousam em regressio no tempo, conde-
nados a obsolescencia.
Kafka, Orwell e Carrol teriam ado-
rado transplantar essa melanc6lica his-
t6ria para os campos sem fronteiras
da ficqao. Bastariam toci-la cor seus
dedos de alquimistas para dar-lhes a
tonalidade g6tica (ou amplamente me-
dieval) que tnm na ess8ncia, imortali-
zando-as soturnamente. Mas o que
podia fazer o economist Afonso
Chermont ao chegar naquele dia para
trabalhar, encontrar a comunicaqao da
agencia de cooperagqo da Gra-Bre-
tanha sobre a remessa de cinco mi-
lh6es de d6lares para um convenio
cor o institute e ter que comunicar a
Londres que o dinheiro precisaria ser
devolvido porque o Idesp, o mais an-
tigo institute estadual de pesquisa do
Brasil, com 33 anos de idade, morrera
de mal s6bito naquele mesmo dia, por-
que o rei assim o desejou. E os reis,
como advertiram Homero e Shakes-
peare, costumam ser terrfveis na sua
ira: agridem os mais fracos. O Idesp,
sorumbitico, isolado, sem o bem-que-
rer da sociedade, estava fraco naquele
dia. Morreu sem um ai. Que esse des-
tino sirva de liq~o no renascimento.


Metralhadora trapalhada


Quem quiser que tenha mem6ria: O
Liberal nao tem. Em defesa dos seus in-
teresses comerciais, esta disposto a di-
zer uma coisa num dia e desdize-la no
outro, sem constrangimentos. Para nao
atacar diretamente e sistematicamen-
te a governadora Ana Julia, ao menos
enquanto ela permanecer em cima do
muro (ou do lado de sempre, ao lado dos
Maiorana), atacam seus aliados. Quan-
do a pressao exige uma estocada mais
direta, num dia o journal morde e exata-
mente no outro, assopra (como fez na co-
luna Rep6rter 70 cor o novo secretirio
de cultural, ironizado por seu ger6ndio e
exaltado por suposto apoio ao teatro).
Na roleta russa voltada contra tercei-
ros, o foco imediato 6 o "Jader Gazeteiro
Barbalho", que tenta conquistar a primei-
ra posiqao de forqa no jogo do ano colo-
cando "Domingos Cheio-de-Processos Ju-
venil" na presid8ncia da Assembl6ia Le-
gislativa, conforme os dois politicos pas-
saram a ser tratados pelo R-70, na esca-
lada de ataque. Para evitar a consuma-
qao desse movimento estrat6gico, O Li-


beral nao hesita em hostilizar os aliados
de ontem (a ideologia do deputado Afon-
so Sefer passou a ser a dos seus quatro
hospitals, at6 entao poupados de qualquer
perturbaqio investigative) e exaltar os nem
tao pr6ximos de ontem (o vice-prefeito de
Bel6m, Manoel Pioneiro, virou quase-es-
tadista por sua pretensao de terqar armas
com Helder Barbalho em Ananindeua,
embora os dois estejam conversando).
Nessa voragem, O Liberal corre o ris-
co de entrar na linha de tiro da sua pr6pria
metralhadora girat6ria (e cega). Num dia
atacou o concorrente Didrio do Pard por
aceitar propaganda da Clean, a empresa
de limpeza visada pela Operaqao R8mo-
ra, da Polfcia Federal, que prendeu virios
peixes pequenos do desvio de dinheiro pi-
blico e um pescado maior, Marcelo Gabri-
el, filho do ex-govemador Almir Gabriel.
No outro dia, O Liberal nem piscou ao
fazer o mesmo, aceitando propaganda da
Clean sobre o aniversirio de Bel6m.
Parece que, apesar das origens, os
Maiorana da segunda geraqao nunca le-
ram Maquiavel. Ou qualquer coisa.


0 grande projeto


A Companhia Vale do Rio Doce anun-
ciou, na semana passada, que as obras de
implantacqo da mina de niquel da sua subsi-
diaria, a Mineragao Onga Puma, estio ga-
rantidas e serao incrementadas at6 feverei-
ro de 2009, quando serao concluidas, inici-
ando-se a fase operacional. O serviqo no
local teve partida, na verdade, emjunho do
ano passado, por6m num ritmo mais lento,
que lanqava d6vidas sobre a disposigqo da
CVRD de realizar de fato o empreendimen-
to. D6vidas que se acentuaram com a aqui-
siqoo da segunda maior produtora de niquel
do mundo, a canadense Inco, detentora de
jazidas em outras parties do mundo e, por
este critrio, o das reserves, a liderdo ranking.
O anfincio em grande estilo, com um
tom bem afirmativo, deve ter sido conce-
bido para desmentir os c&ticos e questio-
nadores da incursao da Vale sobre um
novo segment da economic mineral. Para
causar maior impressao, a empresa arro-
lou grandezas comparativas para ressal-
tar a expressao do seu primeiro projeto de
niquel em Carajis, onde tambem preten-
de implantar mais um, o do Vermelho.
Os 5 milhoes de metros cibicos de ter-
raplenagem da obra dariam para encher


Area equivalent A de dois estAdios do Ma-
racand. O concrete a ser utilizado dara
para construir um Maracana. Corn as 200
mil sacas de cimento previstas para as
obras civis seria possivel construir 1.300
casas populares. O empreiteiro do Onqa
Puma terd que construir 160 quil8metros
de estrada asfaltada. Corn as 17,6 mil to-
neladas de estruturas metalicas que usard
podia levantar duas torres Eiffel, um dos
simbolos de Paris. Atrav6s dos 250 quil6-
metros de linhas de transmissdo que ser-
virao ao empreendimento seria possivel
levar energia a uma cidade do tamanho
de Bel6m, cor 1,5 milhdo de habitantes.
Seria um exercicio intellectual interes-
sante comparar o quanto de emprego e
renda essas obras referidas a titulo de
exemplos criariam com o que a plant de
niquel do Onqa Puma proporcionard. Se
houver muita diferenqa, evidenciando um
efeito social bem maior dos investimentos
em infraestrutura geral do que no neg6cio
privado, seria o caso de a CVRD se com-
prometer em compensar seu efeito con-
centrador com mais aqio social, que ela
pr6pria, atrav6s de seus "grandes proje-
tos", nao poderi proporcionar.


4 JANEIRO DE 2007 *2'QUINZENA Jornal Pessoal








Na tarde chuvosa, as cantoras da alma


Nunca houve festa como o Top Set de
Alberto Mota. Acontecia no dia mais azi-
ago de toda semana: domingo A noite. O
embalo comeqava As oito e terminava A
meia-noite. O band-leader estava 1 qua-
se sempre, cor sua equipe de profissio-
nais dos instruments e da voz, que tinham
desempenho satisfat6rio, mesmo revisto A
distancia no tempo. O salao de festas era
no Gltimo andar do Palacio do Radio, um
pr6dio levantado na d6cada de 50 na ain-
da distinta avenida Presidente Vargas. O
t6rreo era uma atragqo, cor o melhor ci-
nema da cidade, lojas elegantes (como as
Mundiais) e a excepcional lanchonete de
um grego, a Acropol, do "seu" Elias. No
alto, no domingo a noite, na sede do Auto-
m6vel Clube (que nunca promoveu uma
corrida sequer), o som deslizava macio
num ambiente de alegria e intimidade.
Um dos garqons era nosso colega no
Col6gio Estadual Paes de Carvalho. Seus
amigos do CEPC tinham direito a mais rum
e menos Coca-Cola em suas Cubas-Li-
bres. Assim, naquela noite do final de 1965
(ou era o iniciozinho de 1966? Neste mo-
mento nao lembro ao certo e as anota-
q6es, que as hi, nao estao a mao), o alco-
ol me animou a cruzar o salao a partir do
balcao do bar, depois de uma Cuba dupla,
para tirar Sylvinha Telles para danqar.
"Vais levar um pau na testa", profetiza-
ram as aves de mau agouro ao lado, quan-
do anunciei a intenqao. Mas, aos 16 anos,
escapando da vigilancia patema graqas A
cumplicidade materna, uma recusa ao con-
vite para danqar seria apenas um inforti-
nio a esquecer no dia seguinte, por mais
desmoralizador que se apresentasse na
v6spera. Sylvinha, com aquele ipissilon in-
dispensavel e caracteristico, era a nossa
musa, 1 em cima, no cume de preferenci-


as divididas com poucas, como Nara Leao
(e, em outro escaninho, Brigitte Bardot).
Ela ia fazer um intervalo na sua apre-
sentaq~o enquanto os bambas de Alber-
to Mota tomavam conta das notas. Che-
guei, me apresentei, tremendo, a voz mais
incerta do que o normal nesse period de
grandes mudancas e inseguranqas, e per-
guntei se ela queria danqar. Acho que
meio incr6dula, ela olhou o fedelho (s6
um pouco menos baixo do que ela, da-
quele tipo mignon, que abriga os melho-
res perfumes, como sempre estivamos
a repetir nas abordagens padronizadas),
mediu-o e se permitiu ser magnanima. Foi
conduzida ao centro do salao, onde, de-
pois de um ligeiro reconhecimento, ne-
nhuma das metades permaneceu em di-
vida: ambos sabiamos danqar.
Um dos meus orgulhos entao era ser
um "p&-de-valsa", que nao fazia feio ao
lado do rei da danqa, o serelepe Walde-
mar D6ria de Vasconcelos. Depois de um-
pra-la-dois-pra-ca, rodopiei e engatei mi-
nha pice de risistence: vir de costas, em
passes sucessivos, para rodopiar de novo
e sair no pass certo para frente. E assim
bailamos at6 o final da prazerosa contra-
danca, quando a deusa considerou encer-
rada a graga e voltou para o lado da or-
questra e seu copo-de-alguma-coisa, sem
mais concessio. Voltei flanando at6 os
boaquiabertos colegas e entomei mais uma
Cuba dupla. Na pat6tica noite de domingo
eu nao podia estar mais feliz.
Lembrei o epis6dio enquanto ouvia o
CD "Por causa de vocF", que Claudia (a
falta de acento combinando com aquele y
ancestral) Telles dedicou A mae, a peque-
nina e encantadora Sylvinha Telles. O dis-
co fard 10 anos em maio, mas eu simples-
mente o ignorava. Da mesma maneira


como me aprisiono ao que gosto, me des-
vencilho dessa paixo, sem nunca deixar
de t&-la guardadinha dentro de mim, para
uso estritamente pessoal.
Posso ficar anos e anos sem contato
corn o que antes ocupava meus dias e aten-
9qes, mas quando o reencontro acontece,
quase sempre inadvertidamente, o que
estava guardado caprichosamente se re-
apresenta, em sessdo solitAria, definitiva-
mente solitaria.
Encontrei o CD num sebo, na quinze-
na passada, e o levei para uma audigio
prive, que me trouxe A felicidade daquele
Top Set e ao impact da dor de 17 de de-
zembro de 1966, 40 anos atris, quando
Sylvinha foi atropelada e morreu, no Rio
de Janeiro. Soube da noticia na redacgo
de A Provincia do Pard e fui chorar no
banheiro, em silancio, para ningu6m ouvir
(que home nao chora). Saf, lavei o rosto
e guardei o lugar da minha companheira
de danqa. Nara Leio se tornaria minha
rainha da canqgo a partir daf.
Mas a majestade de Sylvinha nunca
desceu o trono, como o CD da filha afina-
da nio deixou d6vida na tarde chuvosa do
domingo, na penumbra do quarto. Claudia
6 harmoniosa. Sua voz lembra muito a da
m5e, uns degraus abaixo. Os arranjos ins-
pirados (e os bons m6sicos do acompanha-
mento, dentre os quais a violinist Mariana
Salles, provavelmente a talentosa filha de
Vicente e Marena Salles, que conheci cri-
ancinha) procuram dar autonomia e identi-
dade a Claudia, que faz variaq6es e se per-
mite inovaq6es em relagio A matriz mater-
na, o que a leva a se aproximar de Leila
Pinheiro, Jane Duboc e Maria Rita, herdei-
ras biol6gicas ou culturais de um modo de
cantar, com a alma, que ji pouco se ouve.
Talvez por falta de alma na cantoria.


A mata urbana


Mais uma safra de manga
na cidade. Sempre que isso
acontece, velhas id6ias irrea-
lizadas se reapresentam.
Como Bel6m ficaria nessa
temporada corn dezenas de
crianqas e adolescents espa-
lhados por suas ruas arboriza-
das recolhendo as mangas
antes dos frutos cairem e se
despedaqarem no chao ou se
deteriorarem A espera do in-
teressado? Crianqas e adoles-


centers subiriam nas arvores
devidamente equipados e com
toda proteqgo possivel, sendo
acompanhados e auxiliados
por colegas no chao. Mas an-
tes seriam treinados e ades-
trados para evitar acidentes e
disporem de todo conhecimen-
to possivel sobre as arvores.
Seriam verdadeiros botanicos
praticos, cor as qualidades de
mateiros urbanos. Mas nao
tratariam apenas dos frutos


(que, depois de recolhidos,
seriam doados a instituiq6es de
caridade): aproveitariam para
limpar e cuidar das arvores,
evitando pragas e parasitas,
atualizando cadastros, suge-
rindo provid6ncias. E nem se-
riam apenas tratadores vege-
tais: fariam curso regular para
receber um certificado de t6c-
nicos florestais urbanos, com
o qual seriam contratados re-
gularmente para continuar sua


atividade, no serviqo piblico
ou na iniciativa privada. A es-
cola seria vinculada ao Horto
Florestal, que seria ampliado
e melhorado para cuidar efe-
tivamente da arborizacao da
cidade, mantendo-a e a ex-
pandindo. Um dia, esse servi-
go faria de Bel6m verdadeira
cidade tropical.
A iniciativa 6 simples e nao
seria custosa. Nao deve ser
ao menos considerada?


Jornal Pessoal 2 QUINZENA JANEIRO DE 2007 5








Terras: a boa palavra foi-se


Fiquei feliz quando Ana Jflia Carepa
anunciou, logo depois de ser eleita, que da-
ria prioridade no seu govemo a questao
fundidria. Que me lembre, nenhum gover-
nador recent fora tao enfitico em subli-
nhar a relevancia do tema. Uma mulher,
al6m de demonstrar maior sensibilidade,
podia se revelar mais corajosa para enfren-
tar esse monstro, que desafia a capacida-
de dos gestores piblicos.
Sem a montagem de um bom cadastro
de terras, um acompanhamento atento e ope-
racional, uma presenga firnne e respeitada nas
dreas de fronteira, uma equipe de t6cnicos de
primeiro nivel e um comando seguro, o poder
piblico estadual jamais se libertarn da funmqo
de bombeiro de conflitos; de muitos, sangren-
tos e desgastantes conflitos.
Quando a govemadora eleita comeqou
a cogitar nomes para p6r em execuqao sua
diretriz de aqao imagine que o Iterpa, final-
mente, mudaria seu perfil caracteristico de
agencia imobilidria rural e instrument do
clientelismo agrario. Certamente fortalece-
ria sua ossatura t6cnica, passando a ser um
6rgao de credibilidade e coragem, assumin-
do o papel que lhe cabe, sobretudo nos 18
anos que decorreram a partir da revoga-
qao do decreto-lei 1.164, um dos "entulhos
autoritirios" do regime military, que federa-
lizou o control de terras na Amaz6nia.
O Iterpa sempre foi vitima de um nas-
cimento comprometido. A lei que hi mais
de 30 anos o criou foi elaborada por quem
conhecia profundamente o direito fundii-
rio e a realidade paraense, mas o 6rgao
foi concebido para favorecer sempre a
grande propriedade, promovendo a trans-
ferencia para particulares de parcelas cres-


centers do patrim6nio piblico, atrav6s de
virios tipos de operaq6es de alienaqao. A
atenqao para outros clients seria epis6-
dica, apenas para servir a interesses polf-
ticos de menor expressao, ainda assim
necessirios para gerar votos.
A manifestaqao de vontade de Ana Ji-
lia aqueceu as esperanqas em uma mudan-
qa para valer no Iterpa, capaz de desvid-lo
do seu caminho atual para a fal8ncia e a
morte. Certamente novos nomes seriam
convocados para participar da important
e dificil tarefa, principalmente t6cnicos e
especialistas que foram mantidos A dist~n-
cia do govemo por incompatibilidades poli-
ticas, ideol6gicas ou de qualquer outra na-
tureza. Mas os servidores piblicos que
mantiveram seu respeito durante todo esse
period de tres d6cadas de existencia do
Iterpa tamb6m seriam aproveitados.
Eu imaginava que na linha de frente des-
tes nomes, juntando-se aos j alinhados, es-
taria o advogado Carlos Alberto Lamario
Corr&a. Eu o conheci exatamente quando o
general Linhares Paiva foi trazido da repre-
sentaqio do govemo do Pard no Rio de Ja-
neiro para ser o porta-estandarte do novo
6rgao, que devia sepultar seus antecessores
de mi reputaqao hist6rica. O departamento
juridico foi composto porjovens e talentosos
advogados. Um deles era Carlos Lamarno.
Recentemente (mas bem antes da elei-
qio) eu escrevi aqui que o consider o mai-
or especialista em direito agrario do Pari.
Nao fiz essa declaraqio por amizade ou
qualquer outro interesse, mas porque acre-
dito sinceramente no que afirmei. Mesmo
iniciando e realizando boa parte da sua
carreira em govemos autoritrios, seu de-


sempenho abstraiu essa circunstancia.
Nunca comprometeu sua honestidade e
competencia no serviqo p6blico. Sua tra-
jet6ria atesta que mesmo em regimes di-
tatoriais as pessoas conseguem manter
sua dignidade e dec6ncia se nao renunci-
am a pensar e agir cor altivez. Dispo-
nho-me a demonstrar a competencia, que
proclamo, de Carlos em quest6es fundid-
rias, ao mesmo tempo em que estou a dis-
posiqao dos que quiserem contesti-la, abri-
gando neste jomal suas manifestaqces.
Se, em circunstincias desfavoriveis, ele
e alguns outros profissionais do setor conse-
guiram promover atos positives na gestao
do patrim6nio fundiario do Estado, num go-
vemo que comega realqando a atencqo que
dardi questao era de se imaginar que a si-
tuaqdo melhoraria muito. Finalmente, a aqao
do powder p6blico poderia se aproximar da
gravidade do problema que a demand.
Surpreso e de certa forma chocado -
constatei que pessoas valiosas, como Car-
los Lamarao, que ja integraram o Iterpa ou
entes laterais, nao serao chamadas ao corn-
bate. Ha uma s6rie de razbes, algumas das
quais nao consigo compreender, porque mal
enunciadas, as principals de natureza politi-
ca. Ou, dizendo mais apropriadamente, gru-
pal, de "panelinha" ou "igrejinha". Se for esse
o fator determinante, tudo bem: a ampla de-
claraqao de prop6sito se materializard como
uma diretriz partidaria, restritiva, excludente
- conforme o jargao do moment.
Deseja-se boa sorte aos novos condu-
tores da aqao piblica no setor fundiario.
Mas, ao inv6s de entusiasmo, o desejo se
faz acompanhar do element dominant at6
o andncio da govemadora: ceticismo.


Mecenato ao tucupi


Certa vez ojomalista Rober-
to Jares Martins, para mostrar
o que 6 o rico no Pari, disse
que se um grupo deles quisesse
ter uma ilha particular a primei-
ra coisa que faria era forqar o
govemo a compri-la para de-
pois tomarem conta dela. Nos-
sos capitalistas usam sempre a
muleta estatal. Fazem do gover-
no uma acao entire amigos.
Capital de risco, para eles, 6
sempre um risco de capital.
Nessa tradigqo, nao 6 de
surpreender que o Cinema


Olimpia, propriedade particular
do grupo Severiano Ribeiro Jui-
nior, tenha se transformado em
Espaqo Municipal Cine Olym-
pia. Em Beldm, a prefeitura vi-
rou exibidora de filmes, enquanto
em outras cidades, menos ricas
do que a nossa, naturalmente,
quem desempenha essa tarefa
6 a iniciativa privada.
Reproduz o modelo de me-
cenato privatizado e exclusivis-
ta que surgiu nos 12 anos dos
tucanos no Estado. Obras exa-
geradamente caras, As vezes


de bom gosto, algumas neces-
sirias, outras imponentes, a um
custo nunca inferior a 300 mi-
lh6es de reais (considerando
investimento e custeio), tinham
dois traqos definidores: a refri-
geraqao, para aplacar o malsi-
nado calor tropical do ambien-
te, e espelho, para refletir o per-
fil dos seus usuirios preferen-
ciais, da elite (e obrigando,
numa visao de fazer a delfcia
de um Herodes redivivo, as
crianqas a se comportar como
adults, sob pena de adverten-


cia e exclusao do jardim das
delicias). Os petistas estao apu-
rando o custo do legado, que 6
alto, e tentando encontrar uma
alternative salvadora para dar
continuidade a esse luxo patri-
monialista, despojando-o de
seus adereqos e gorduras, o
que constitui seu maior desa-
fio na gestao cultural. E a mai-
or exigencia imediata, de um
misto de compet6ncia e criati-
vidade, sem o qual comeqardo
a perder confianqa nesse se-
tor e em outros.


6 JANEIRO DE 2007 2 QUINZENA Jornal Pessoal


I I II II IILllllll








Mais uma confuse o: Maiorana & Amigoo"


Manoel Santana do Nascimento Fer-
reira deve ser atualmente um dos melho-
res amigos de Ronaldo Batista Maiora-
na. Foi na condicgo de amigo do diretor-
editor corporativo do journal O Liberal que
ele se apresentou as 16,20 do dia 1 de
janeiro A Seccional Urbana do Comdr-
cio, a antiga Central da Policia, na tra-
vessa Santo Ant6nio, no centro velho de
Bel6m. Para a delegada Maria Joaquina
Pereira e o escrivio Edivaldo Alves do
Carmo, disse que, As tres horas da ma-
drugada do primeiro dia de 2007, foi
acompanhar "o seu amigo" Ronaldo
Maiorana ao Pronto Socorro da Unimed
na Doca de Souza Franco.
Segundo suas palavras no Boletim de
Ocorrencia, o herdeiro das poderosas Or-
ganizaq6es Romulo Maiorana "foi at6 a
atendente para pedir para ser atendido,
tendo na ocasiao feito a sua ficha de soli-
citaqdo de atendimento, sendo que nessa
ocasiao a atendente mandou o sr. Ronal-
do Maiorana esperar em uma sala pr6xi-
ma para ser atendido. Passados uns 10
minutes, o sr. Ronaldo Maiorana retornou
para falar com a atendente, dizendo que
estava se sentindo muito mal e que ne-
cessitava urgente do atendimento, pois
pagava o piano de sa6de da Unimed e nao
estava sendo bem atendido, sendo que
nesse moment um medico (alto, magro,
cor branca, cabelos meio grisalhos) da
Unimed, que estava sentado em frente da
atendente, levantou-se e comeqou a dis-
cutir com o sr. Ronaldo Maiorana, dizen-
do, textuais: 'S6 porque voc8 6 o Ronaldo
Maiorana, pensa que podes chegar na
Unimed e ser logo atendido'. O relator
[Santana] foi em direqao aos dois (m6di-
co e Ronaldo Maiorana) para tentar apa-
ziguar os dnimos e quando virou de costa
para levar o sr. Ronaldo Maiorana aca-
bou pegando um tapa no pescoqo desferi-
do pelo m6dico, que tinha a intenq~o de
atingir o sr. Ronaldo Maiorana. Apos o
ocorrido o citado m6dico chamou os se-
guranqas da Unimed e mandou colocar
para fora. O relator nao soube informar o
nome do m6dico plantonista, dos seguran-
qas e da atendente".
Apesar de ter sido agredido fisicamen-
te pelo m6dico, Manoel Santana nao pro-
curou o Instituto de Pericias Cientificas
para o exame de corpo de delito, que
atestaria, para os efeitos legais, as lesoes
causadas pelo tapa do m6dico. Tamb6m
nunca mais apareceu na Seccional do
Com6rcio para dar andamento a queixa.


Mais de duas semanas depois, sem ne-
nhuma providencia por parte do interes-
sado, o BO deveri ser arquivado.
Por surpreendente que pareqa, O Li-
beral nmo deu uma nota sequer sobre a
agressao sofrida por seu editor. A inica
noticia a respeito saiu na edigqo do dia 4
do Didrio do Pard, primeira e unica. A
Unimed nao se manifestou a respeito,
exceto para publicar an6ncio de pagina
inteira nos didrios dos dois grupos, dos
Maiorana e dos Barbalho, comemoran-
do o aniversario de Bel6m. Todos os pos-
siveis envolvidos e interessados parecem
preferir encerrar o assunto, mesmo corn
essa aparente gravidade.
A ser verdade o que o grande amigo
de Ronaldo Maiorana relatou A policia,
os associados da Unimed precisam to-
mar cuidado quando procurarem qualquer
unidade da cooperative de m6dicos, que
mant6m o maior piano privado de saide
do Pari. Os m6dicos plantonistas devem
ser mal treinados ou t8m instintos ruins:
se trataram mal e agrediram uma pessoa
tao poderosa quanto um Maiorana, o que
nmo fardo com um cidadao an6nimo?
Imagine-se a cena: depois de sair do
riveillon prive no Boteco das Onze is
tres da madrugada do dia 1, para receber
atendimento m6dico de urgencia, mesmo
se sentido muito mal, Ronaldo Maiorana
aceitou ficar 10 minutes A espera de uma
decisdo da atendente. Incomodado, recla-
mou do tratamento dado a um associado
que cumpre suas obrigac6es e paga em
dia o piano. Em resposta, ouve grosserias
de um m6dico, que s6 nao o atingiu com o
tapa porque, errando o alvo, alcanqou o
robusto Manoel Santana. Golpeado no pes-
coco pelo m6dico, magro e de idade mais
avanqada (que os cabelos "meio grisalhos"
evidenciam), Santana s6 nao reagiu por-
que foi cercado por dois seguranqas da
Unimed e colocado para fora do Pronto
Socorro, junto cor seu amigo.
Uma cena tio chocante devia provo-
car reaq o imediata. Mas o grande ami-
go s6 foi A policia 13 horas depois. Por
que? NIo estava em condiq6es de pres-
tar declaraq6es logo depois do inciden-
te? Estaria abalado pelo tapa? Ou seria
por outro motive? E por que nmo levou
consigo a primeira vitima da agressao,
Ronaldo Maiorana? Por que nao indicou
uma inica testemunha? Por que nao pro-
curou a pericia criminal? Por que nao
procurou saber o nome do m6dico? Por
que nao voltou mais A Seccional?


NIo se diga, em abono do desinteres-
se do reclamante, que ele 6 marinheiro
de primeira viagem. Manoel Santana 6
1 sargento da ativa da Policia Militar do
Pard. Ele se declara sempre Amigoo" de
Ronaldo Maiorana, mas o que faz real-
mente 6 trabalhar como seguranqa parti-
cular do director do grupo Liberal. Foi nes-
sa condiqio que ele participou da agres-
sao a mim e a Andr6 Carrapatoso, no
Pomme D'Or do Parque da Resid6ncia,
um dos restaurants mais sofisticados de
Bel6m, em 21 de janeiro de 2005.
Desde entdo ji se passaram dois anos,
mas Santana, mais conhecido como "Sa-
ddam", o que diz muito sobre seu modo
de ser e de agir, e o outro amigo constant
de Ronaldo Maiorana, o subtenente Ed-
son Nazareno de Carvalho, tamb6m da
ativa da PM, continuaram a acompanhar
o herdeiro das ORM em suas andanqas
pela cidade, de dia e de noite, como se
nio estivessem lotados em alguma unida-
de da PM (na 6poca da agressio, no ga-
binete do comandante geral da corpora-
qdo, sem li aparecer). E assim hi quase
uma d6cada. E poderi continuar assim se
a determinacqo da govemadora Ana Jilia
Carepa, reiteradas vezes anunciada, de
obrigar os militares a voltar As suas fun-
c6es, nao for cumprida.
Os PMs que entraram no restaurant
para agredir, proteger e arrastar o agres-
sor, impedindo a caracterizaqio do flagran-
te delito, nao foram punidos no Inqu6rito
Policial Militar instaurado porque, singe-
lamente, o president do procedimento
chegou A conclusdo de que ambos, naquele
moment, noo estavam em serviqo. Se nao
estavam, a pergunta seguinte devia ser: e
naquele moment nao deviam estar em
serviqo? Onde teriam que estar servindo?
T6m servido mesmo a PM?
Santana s6 nao foi denunciado A justiqa
porque o representante do Minist6rio Pi-
blico do Estado aceitou que ele prestasse
serviqo comunitirio, na forma de cesta bi-
sica em valor equivalent a um salirio mf-
nimo, por agredir a mim e a Andr6 Carra-
patoso. Ja najustiqa military o promoter Ar-
mando Brasil o denunciou, e ao seu colega
de funqfo junto ao director do grupo Liberal,
por crime de corrupq o passiva.
O que resultard disso tudo, que 6
"tudo" abstratamente, ji que concreta-
mente 6 pouco? Ao que parece, pela re-
petiqgo dos epis6dios violentos vividos
pela trinca, nada. Pard 6 isto. Um nada
de civilidade.


Jornal Pessoal 2. QUINZENA JANEIRO DE 2007 7









Sil ncio geral


Ha 33 anos, desde que foi criada, no
auge do regime military, a Eletronorte
mant6m sua sede em Brasilia. Contra
todos os pedidos e presses, 6 a 6nica
das subsidiirias da Eletrobris que nao se
estabeleceu na regiao da sua jurisdiqgo.
Eletrosul, Chesf e Furnas procuraram fi-
car em suas bases operacionais. Todas
as diretorias das Centrais El6tricas do
Norte se recusaram a sair da ilharga do
poder. A alegaqgo nunca mudou um tom:
no Distrito Federal seria possivel obter
melhores resultados. A ser verdade, suas
irmas estatais da energia estariam em
desvantagem na competiqao por atenqao.
Mantendo sua origem autoritdria, o
que a Eletronorte sempre buscou com
essa postura irredutivel foi se manter A
distancia da Amaz6nia, agindo sempre
como uma corporaqao metropolitan.
Descia na regiao cor as ordens a mao,
sem fazer o percurso inverso: levar os
clamores amaz6nicos ao Planalto.
Essa arrogancia talvez explique o silen-
cio da Eletronorte diante de uma question
corn a importancia da ampliaqao da repre-


sa de Tucuruf, mat6ria de capa da ediqao
anterior. Mandei tr8s mensagens ao presi-
dente da empresa antes da publicaqao e
uma depois, sem qualquer retorno, nem
aquele que a civilidade e o espirito pdblico
imp6em aos que trabalham no govero.
O president ter dois padrinhos po-
derosos: o senador Jos6 Sarney, do Ma-
ranhao, e o deputado federal Jader Bar-
balho, do Pard. Ambos do PMDB, com-
binam os interesses dissonantes dos dois
Estados: o primeiro recebe energia gera-
da no segundo sem pagar ICMS, o que
lhe da, sob esse prisma, maior competiti-
vidade do que o produtor da mat6ria pri-
ma. O Pard 6, hoje, o terceiro maior ex-
portador de energia bruta, o que Ihe as-
segura desenvolver seu subdesenvolvi-
mento processo autofigico sempre bem
aproveitado por aqueles politicos com ins-
tinto de preservaqao acentuado, ou de
predagao). Em compensaqao, o Mara-
nhao, favorecido na relaqao energ6tica,
nem por isso se desenvolveu: pelo con-
trario, tirou do Piaui o titulo de Estado
mais pobre da federaqao.


Como Samey e Jader sao conselheiros
do president Luiz Inicio Lula da Silva, usa-
ram sua forqa para manter o maranhense
Silas Rondeau no Minist6rio de Minas e
Energia, depois de ele ter sido president da
Eletrobris e da Eletronorte. Azeitando o cir-
cuito, seria a vez do atual president da Ele-
tronorte subir para o comando da Eletrobris,
abrindo lugar para a acomodaqo do ex-de-
putado federal Jos6 Priante, primo de Jader,
que ficou sem colocaqao depois do seu de-
sempenho na dispute pelo govemo do Par&,
contribuindo com sua bem votada derrota
para a eleicaio de Ana Julia Carepa.
Tudo muito certinho. Exceto prestar
contas A opiniao plblica e informar o cida-
dao, a suposta razao de ser de tudo isso.
Apenas a suposta razao. Quanto A grande
imprensa, como a informagao nao nasceu
dentro dos seus dominios exclusivistas, pre-
feriu ignorar que ela exi te, com isso favo-
recendo aqueles que, ao inv6s de contribuir
cor o que interessa emjomalismo, a infor-
maqao, atacam com o que o vitima: o silen-
cio. A conta dessa attitude, ji se sabe, vai
ficar para o otirio de sempre: o povo.


Cae LitcV'

Qualidade
Ontem eu li a mais recent edi-
gao do teu 6timo Jornal Pessoal.
Me chamou atenq~o o artigo "Sem
Fantasia da Propaganda", por men-
cionares o Mato Grosso, Estado
onde more por mais de dois anos.
Tuas afirmativas sao absolutamen-
te verdadeiras e eu gostaria de te
passar mais algumas informacges
que penso serem interessantes.
Nao s6 a renda m6dia do ma-
togrossense 6 mais que o dobro
da recebida pelo pobre paraen-
se, como o poder p6blico local
trabalha para diminuir as diferen-
gas ao mAximo, atrav6s de obras
realmente sociais. Os governor
do MT, incluindo prefeituras,
nao invested em obras como a
Estagao das Docas, que 6 linda,
mas que limita seu uso conforme
o poder aquisitivo dos frequen-
tadores. No Mato Grosso, as
obras ptblicas sao usadas pela
populaclo, independentemente
de nivel de renda. Os parques
municipals s6 perto da minha
casa havia tres sao usados por
proprietirios de BMW e por pas-
sageiros de 6nibus. Seus banhei-


ros sao limpos e bonitos e seus
servigos (lanchonetes, por exem-
plo) serve a qualquer bolso, nao
somente aos de maiores
posses. Nao ha uma obra de luxo
patrocinada pelo poder p6blico.
Tu, que moraste em SIo Pau-
lo, sabes com o Parque Ibirapu-
era 6 democrAtico. Serve a todos
os moradores, sem discriminado.
Os parques de CuiabA tamb6m
sao assim. Esta 6 a grande dife-
renqa entire o rico Mato Grosso e
o miseravel Pard. LA, os gover-
nos trabalham para todos. Aqui...
No Mato Grosso, obras como
Estaqgo, Mangal, Onze Janelas
sao financiadas pela iniciativa pri-
vada. E por isso que Cuiaba, corn
700 mil habitantes, estA construin-
do seu quinto shopping center e
suas empresas comecam a domi-
nar aRegiio Norte (urn exemplo 6 a
City Lar conquistando o Pard e
Amazonas). E por isso que cida-
des do interior do MT, com pouco
mais de 100 mil habitantes possu-
em shopping centers, cinemas de
qualidade, escolas bilinguies, uni-
versidades e bons hospitals.
Enquanto a nossa classes md-
dia aplaude obras de vitrine, a
classes m6dia do Centro-Oeste


exige obras para a populagao
como um todo. Aqui 6 chique
poder jantar nos restaurants da
Estagao. No Centro-Oeste, 6 chi-
que usar os parques municipals.
Outra diferenqa important 6
que o dinheiro e a qualidade de
vida sao distribuidos por todo o
Estado. A capital nao 6 a cidade
mais rica, mais bonita, nem mes-
mo a melhor. Para que tenhas
uma id6ia, a reitoria da Universi-
dade Estadual UNEMAT fica
no interior do Estado. As pesso-
as recebem como premio a opor-
tunidade de morar nas cidades do
interior. No Para, parece castigo,
na maioria das vezes.
Em 2005 eu li uma pesquisa que
colocava Bel6m no peniltimo lu-
gar em qualidade de vida entire as
capitals. Cuiaba ficou em sexto,
deixando a populaco local revol-
tada por perder de Goiania e Flori-
an6polis. Af estA a grande dife-
renga entire os dois Estados.
Pedro Refkalefsky Loureiro

Acre
Li seu artigo, no blog do Alti-
no Machado sobre a s6rie global.
Concordo com sua perspec-
tiva: "A declaraqao de Gl6ria Pe-


rez 6 ret6rica." Um pouco mais
de atengio e poderiamos chegar
ao fato de que escaramuqas nas
terras do Acre surge de uma
briga entire comerciantes de pra-
gas brasileiras Bel6m e Ma-
naus. O Bolivian Sindicate daria
as casas aviadoras de Bel6m a
garantia dos neg6cios que, pou-
co a pouco, flufam para a praca
de Manaus. O governor do Ama-
zonas apressava-se em incorpo-
rar a area ao seu territ6rio. Ou
seja, as coisas se resolve como
briga entire "brasileiros", corn a
interferencia do governor da
Uniao, assumindo o papel de pai
- ou de Salomao? tomando para
si o control da regiao, para que
nao mais ocorra briga
entire irmaos.
E, assim, como em sua con-
clusao de que a declaragao da
autora do folhetim global "atrai
glamour, mas nao a verdade", o
bom neg6cio que a Globo conse-
guiu com essa co-producao pode
transformar a Gl6ria em acreana,
dado que nascida no Rio de Ja-
neiro. Conhece da hist6ria regio-
nal o que seus "pesquisadores"
levantam agora.
Mario Jos6 de Lima


8 JANEIRO DE 2007 *2"QUINZENA Jornal Pessoal


--P-l ---)- IC-~- -I --1~C ---- ^--"








Milton Nobre: uma


presenga polemica


O desembargador Milton Augusto de
Brito Nobre foi escolhido a personalida-
de da informitica e telecomunicaq6es de
2006, premio distribuido hi 21 anos pela
Sucesu-Pari (Sociedade de Usuarios de
Informitica e Telecomunicaq6es). O re-
conhecimento, sob este aspect, 6 mere-
cido: durante seus dois anos como presi-
dente do Tribunal de Justiga do Estado,
em mandate que se encerrard no inicio
do pr6ximo mes, Milton Nobre promo-
veu uma verdadeira revoluqao tecnol6-
gica no judicidrio paraense.
Todas as 105 comarcas estaduais po-
dem se comunicar atrav6s da rede mun-
dial de computadores e se beneficiary de
consultas instantaneas a banco de da-
dos legais. As sessbes dos colegiados
da justiqa podem ser acompanhadas em
tempo real atravds de um terminal de
computador. Os magistrados participam
das reunites cor um laptop a mao on-
line com o mundojuridico. Qualquer ci-
dadao pode acessar o portal do tribunal
para se informar sobre a tramitaqao dos
processes.
Essa realizaqao supera outra da atu-
al gestao, muito mais celebrada, que foi
a nova sede dojudicidrio, em instalaqbes
de verdadeiro palacio, sem seus efeitos
colaterais negatives. A informatizaqao
vai tornar ainda mais cl6ere a tramita-
q~o de processes que exigem definicao
rApida, como dos habeas corpus, e logo
haverA um protocolo eletr6nico. Mas nao
hi previsao de informatizaqao do arqui-
vo, que tornaria verdadeiramente trans-
parente toda a atividade do judicidrio,
democratizando-a por complete. Essa
ainda 6 uma lacuna.
Hi outras, que contrastam com o rit-
mo acelerado e operative imposto ao
judicidrio pelo desembargador indica-
do para a corte, sete anos atrds, pela
OAB, graqas ao quinto constitutional,
uma avenida que corta a progressao
funcional na justiqa atrav6s da carrei-
ra da magistratura. Do seu escrit6rio
de advocacia, Milton Nobre levou para
a estrutura do TJE a cobranqa de re-
sultados e a imposiqgo de novas co-
branqas, numa dinamica que mudou o
vetusto ambiente da casa. Sente-se
agora que ela funciona cor mais rapi-
dez. E cor mais eficiencia?


Aparentemente a evoluqao na for-
ma superou a do conteido. Um 6rgao
modernizado pode estar tomando deci-
s6es contrarias as expectativas. As
decis6es sao mais expedidas, mas com
maior justeza? Essa 6 uma questao a
avaliar. Milton Nobre introduziu no TJE
uma pritica que era comum no Conse-
Iho Deliberativo da antiga Sudam: an-
tes da reuniao official havia um "plena-
rinho", onde as posiq6es eram apura-
das previamente. Buscava-se o con-
senso, o que at6 podia nao ser incorre-
to, se a pluralidade fosse preservada.
Mas esse equilfbrio dificilmente se man-
t6m sob um mando verticalizado, como
acontecia na Sudam e acontece na ges-
tao Milton Nobre.
Por excess de autoconfianqa, as
vezes transbordando para o autoritaris-
mo, o president se exp6s a erros mar-
cantes. Um deles foi no caso da desem-
bargadora (jA aposentada) Ana Murrie-
ta, denunciada por sacar ilegalmente na
conta da justica. Milton Nobre decidiu
indicar um juiz especial para o proces-
so, apostando na prevalancia do princi-
pio da celeridade processual, quando
apenas quatro juizes haviam se decla-
rado impedidos de funcionar no feito
(endossando uma pritica infeliz na ma-
gistratura). Sua posiqao foi contestada
e rejeitada na instancia superior, que
optou pelo juiz natural, como era previ-
sivel (ou seja: a redistribuiqdo devia con-
tinuar at6 que umjuiz penal da comarca
de Bel6m aceitasse os autos). Cor isso,
a instrucao voltou ao ponto de partida e
ainda nao permitiu um novojulgamento
em primeiro grau. HA fundado receio de
que a prescricao acabe acobertando o
crime praticado pela magistrada, toran-
do-a inimputivel.
Esse modo de agir, ao mesmo tempo
decidido e temerdrio, foi a marca maior
do bienio de Milton Nobre a frente do
TJE. O que Ihe conferiu reconhecimen-
tos, como o premio da Sucesu, e critics,
estas menos numerosas e menos explici-
tas, mas duras. Uma coisa, contudo, nao
se Ihe poderi ser negada: conforme pre-
tendeu, seu nome entrou para a hist6ria
do judiciirio paraense. Resta aduzir-lhe
o adjetivo que a qualificari quando os
profissionais do setor a forem escrever.


Intelectuais

no poder

Uma geracqo acad6mica passou
pelo poder sob os governor do PSDB.
Outra esta acessando as mesmas de-
pend6ncias no nascente governor do PT.
A matriz de ambos os grupos 6 a Uni-
versidade Federal do Pari, que forne-
ceu quadros para boa parte do primei-
ro escalao de tucanos e petistas. Daria
uma proveitosa tese de doutorado com-
parar a lista de presenqa de professo-
res da UFPA no governor do Pard com
o de outras instituioqes universitArias
em outros Estados. E, ao mesmo tem-
po, medir o grau de eficacia ou perti-
nancia do que os professors realiza-
ram quando, ao deixar de ensinar, pas-
saram a fazer. Terao conseguido desa-
creditar o velho ditado de que quem
sabe, faz; quem nao sabe, aprende?
Conseguiram quebrar o principio domi-
nante sobre as mentes colonizadas?
O pr6prio reitor da UFPA tem uma
visao positive dessa dupla experiencia,
a mais recent, a do PT, ainda nos seus
delineamentos. Em artigo para a 61ti-
ma ediqao dominical do Didrio do
Pard, Alex Fidza de Melo diz, com
toda propriedade, que o Para "precisa
de intelectuais politizados e de politi-
cos intelectualizados. Qualquer dico-
tomia 6 sinal de atraso, de provincia-
nismo, de subdesenvolvimento. As
mentalidades que governam nao po-
dem ser dom6sticas ou raqufticas de
id6ias e de horizontes; ref6ns de ime-
diatismo. A soberania sempre se exer-
ceu tendo por base o conhecimento".
Por isso, o reitor nao estranha a pre-
senqa de academicos no governor. Pelo
contrArio, louva-a.
A reaqdo a esse fato 6 mais uma
prevenqao contra o novo, a mudanqa,
a aceitaqao de novos desafios. Mas
quando o impulse pela transformaqgo
se deixa seduzir pelos encantos do po-
der e pela magia da manipulaqao de
imagem, o criador e absorvedor de co-
nhecimento se torna ref6m do pr6prio
umbigo e experiment o pr6prio vene-
no. Que pais nao gostaria de ter como
president um intellectual como Fer-
nando Henrique Cardoso (que se efe-
tivou) e Mario Vargas Llosa (que se
frustou)? Depois do exercicio que fez
do poder, o Brasil ainda haveri de que-
rer o modelo FHC?
Como diria o hamletiano int6rprete
apropriado do dilema, esta 6 a questao.


Jornal Pessoal 2' QUINZENA JANEIRO DE 2007 Q









MEMORIAL DO COTIDIANO
-, ma + _4: .ms&,r -',:-,.&.


Recado
Nunca form eatlimenre ri-
sonhas e francas as relacoes
entire a Santa Madre Igreja e
a Folha do Voric. Njo por
di\erencias a respeiro de
culto e sacralidade. mas em
\irtude de dissidncia nos
costumes. De \ez cm quan-
do os dois lados se espeta\ am
e aparecia alguma noit. es-
pecialmente no matutino do
grupo. a Folha \cipertila.
Era atra\es dela que Paulo
Maranhao. urn de owo mari-
ano. Inanda\ a recados como
este. de 1955:
"O superior dos capuchi-
nhos. por ocasiao da missa
das 6 '2 de ontem na igreja
de Sao Francisco, tomou para
tema da sua pr6dica os fal-
sos ap6stolos. E 1l vieram a
baila as FOLHAS, espinhas
de garganta das batinas mal
orientadas e mal policiadas e
que A falta de ocupaq~o 6til,
imiscuem o bedelho no que
nao deve ser de sua conta.
Damos um conselho gra-
tuito aos nossos caluniadores
tonsurados: fiquem na sovela,
nao se metam a tocar rabe-
cao. Pl6pito nao 6 barra de
ataque se nao o querem des-
moralizar e tornm-lo odioso".

liha
Em 1957 foi posta a venda
uma ilha, a Mocajuba, pr6xi-


iQUILIQUER
yIPO DE
CIBELO OU
BIIRBU1...







I PU IIInu IP MIU-51US
S8IUI 1 1.11 .I cm b MIIM I
S COMFOR"O
S BARBEARIA
GRANDE HOTEL

ISERII IIIIIMINIL LICIuO ImamIcoS I IIIDoOS


FOTOGRAFIA

Cena hist6rica
Final da dicada de 80. Esta e uma cena histdrica, a qual me referi na edicdo passada: o
major Arruda e o tenente Ruffeil partem para cima do professor Edmilson Rodrigues para
retird-lo do paldcio Lauro Sodrg, cumprindo ordem do governador Helio Gueiros, que se
sentiu incomodado pelas palavras e posturas do lider do movimento de protest dos profes-
sores estaduais. Edmilson resistird aos militares, que o carregardo e arrastardo para fora
do gabinete do governador. 0 future deputado estadual e prefeito de Belim ameagard
morder o dedo de Arruda, mas o seguranga tambem ameagard reagir A dupla ameaga se
desfaz, mas outro incident ainda ird ocorrer durante o cumprimento da ordem de Gueiros.
Essa, porim, e outra histdria. A fotografia comprova a participadao do atual comandante
da Policia Militar no episddio. Ao meu lado estd o reporter Ray Cunha, atualmente em
Brasilia. Ao fundo, Lidia Moraes Nogueira, assessora e cunhada do governador


ma A cidade de Bujaru, que,
"a 3 horas de motor de Be-
16m", dispunha, em area de
49 hectares, de madeira de
lei e 15 estradas de serin-


gueiras". Era considerada
"boa para plantaqao e cria-
qao", com uma vantage
adicional: transito diirio de
motorss. E hoje?


PROPAGANDA

Mutafiio na barbearia
Foi entre o final da dicada de 50 e o inicio dos anos 60,
no siculo passado, que houte ura revolupdo nas barbe-
arias de Belim. Elas passaram a contar cor refrigera-
ado e substituiram as mdquinas de depenar por tesoura
e pente, pondo fin ao corre raso (e doloridol do cocoru-
to dos seus fregueses. Uma das agentes dessa transfor-
maqigo foi a Barbearia do Grande Hotel. instalada no
dito cujo estabelecimento (onde hoje se alevanta o Hil-
ton Belim) e que continuous a frmcionar mesmo quando o
hotel encerrara suas atividades, aWd a hora derradeira,
quando o tablado e a demoliqdo puseram fim a uma era
na arquitetura da cidade.


Casa
No mesmo ano, o advogado
(e escritor) Haroldo Mara-
nhao alugava casa recente-
mente reformada na travessa
Vileta, "pr6ximo A av. Tito
Franco" (Almirante Barroso).
Haroldo era procurador da
Caixa Econ6mica (ainda sem
o federal no nome).

late
A sede niutica do late Clube
do Pard completari meio s6-
culo de vida no dia 30 de no-
vembro. Foi na mesma data,
em 1957, que ela foi inaugu-
rada, A beira do rio Guami,
com uma festa em grande es-
tilo. A diretoria do clube ofe-
receu transport gratuito aos
associados, saindo de um pon-
to em frente ao edificio Ma-


JANEIRO DE 2007 *2QUINZENA Jornal Pessoal


C- LI -I -I I I


L. I






noel Pinto da Silva. Na 6po-
ca, o late ficava long.

Crescimento
No final de 1967 o DNOS
(Departamento Nacional de
Obras de Saneamento) ini-
ciou o estaqueamento da
irea na qual seria construf-
do o reservat6rio de agua do
1 setor de Bel6m, para abas-
tecer os bairros do Reduto,


Campina, Com6rcio e Cida-
de Velha. O dep6sito subter-
rfneo teria capacidade para
280 mil litros de agua. A pro-
tegqo era necessaria para
que o pr6dio vizinho, da Fi-
brica Palmeira, nao fosse
atingido. Mas ele logo tam-
b6m desapareceria, seguin-
do o destiny da caixa d'igua
Paes de Carvalho, a bela e
famosa estrutura metdlica,


demolida exatamente para a
construqao do novo reserva-
t6rio, no process urban
marcante dessa 6poca: cres-
cer por autofagia.

Clipper
A abertura da avenida Pedro
Miranda, "uma das mais be-
las do Norte do pais", custou
a vida do famoso clipper da
Pedreira, reduto do samba e


do amor no bairro que nao
dormia. At6 o sol raiar havia
batucada no bar do clipper, que
ficava a 100 passes da Em-
baixada do Samba, renovan-
do as geraq6es de bo8mios. A
sentenqa de motre foi lavrada
pela Secretaria Municipal de
Obras e executada a marre-
tadas cadenciadas, como se
fora a marcacqo de um "sur-
do" derradeito.


0 Acre e logo ali


0 artigo que escrevi na edicdo pas-
sada sobre "AmazOnia De Galvez a
Chico Mendes", a nova minisserie da
TV Globo, reproduzido no blog do jor-
nalista acreano Altino Machado, aca-
bou repercutindo no mundo virtual. Tal-
vez se possa aproveitar o enredo global
para que os brasileiros, os amaz6nidas
e os paraenses conhecam melhor a his-
tdria e a realidade do Acre. E os pr6pri-
os acreanos tambbm se deem conta da
sua situado. Por isso, reproduzo algu-
mas manifestacdes postadas no blog de
Altino, que, ao reproduzir o artigo do
Journal Pessoal, observou: "Com certe-
za ndo e o caso do jomalista, mas mui-
tos paraenses estdo inconformados por-
que o Pard ndo e retratado com desta-
que na minisserie Amazonia".
Claro que hd por aqui pessoas corn
tal sentiment, mas ndo e o dominant.
E, acho, sequer ter maior expressao
entire os mais interessados no tema. Pas-
sando bem acima de bairrismos e vi-
s5es estreitas, deve-se buscar uma com-
preensdo mais ampla e lanCar pontes
ao entendimento regional comum e so-
liddrio. Ao contrdrio do que disse Alti-
no, o que se observa por aqui ndo 6
propriamente despeito ou inveja:
infelizmente,, indiferenga.

Dani Franco (Paraense e jomalista) -
Altino, assim como sou sua leitora assidua,
tamb6m o sou de LUcio Flivio Pinto, e como
ambos, tamb6m soujornalista. Como voc8
mesmo disse, nao se trata do caso do L6i-
cio Fl1vio, e nem o meu, achar que o Pard
6 quem deveria ser retrado numa produ-
qao da Globo. O que acredito e ji te dis-
se isto antes 6 que o maior problema nao
s6 dos paraenses, mas do resto do pais 6
de n~o conhecer a hist6ria do Acre.
Lembro que na mat6ria da la ediqCo
da Rolling Stone Brasil, havia uma espe-


Jornal Pessoal 2' QUINZENA JANEIRO DE 2007


culagao sobre o governor do PT do Acre
ter investido uma boa verba na mini-s6rie
mais cara da Globo. Entao, para n6s que
estamos de fora, e jornalistas que somos,
nao fica dificil unir alguns pontos e sem
ter o conhecimento que os acreanos de-
t8m sobre sua pr6pria hist6ria concluir
que a mediaqao Global na retrataqao do
Acre possa fugir de fatos importantes para
dar destaques a alegorias glamourosas...
Silvana de Faria -Altino: leio seu blog
quase todos os dias porque 6 uma delicia
e porque voc8 6 minha ligacao com o que
se passa no Acre e lhe dou cr6dito, como
sou uma apreciadora do trabalho e com-
petencia do jomalista Licio Fl1vio Pinto.
N5o somente respeito a opiniao dele como
concordo. Mas af que tA: "Padrao Global"
6 o que o brasileiro consome todos os dias
dentro e fora da "Amaz6nia" da novelist
Gl6ria Perez. Mas e daf? Como ele mes-
mo afirma, 6 pura ficcqo. Pena que nem
todos os brasileiros saibam fazer a dife-
renga... Descrever um Brasil modernno?
Claro que tem que ter o "Padrao Global...
E voltando ao paraenses. Tamb6m
acompanho virios jornais de Bel6m onli-


ne. Nao pressenti nenhum "despeito" da
parte dos paraenses. Ao contrario: outro
dia If numa coluna de "O Liberal" que
Bel6m iria ser citada em alguns capitulos
e havia tom de orgulho nisso. Converso
com amigos e familiares, trocamos email,
tamb6m nao senti nenhum "despeito".
Minha opiniao e ela somente retrata o
que eu conheqo: o paraense 6 'barrista'
demais para se incomodar com o que se
passa na casa do vizinho e sobretudo Be-
16m e uma grande metr6pole. Existe uma
infra-estrutura capaz de receber produ-
q5es cinematogrificas de origem nacio-
nal e international. O resultado 6 que
muitos filmes ji foram rodados 1d... Se
Bel6m nao 6 retratada na "Amaz6nia" (por
opqgo dos que a realizaram) 6 uma pena.
Afinal, Bel6m (e o Pari) e os paraenses
fora do context hist6rico do Acre (e da
Amaz6nia), 6 tremendo lapso.
Altino Machado Silvana, li queixas
incisivas no blog da Gl6ria Perez e no
Orkut. Ainda estio lis as reclamaq6es dos
paraenses. Mas isso 6 bobagem.
Silvana Nao li o blog da Perez...
Nao di pra ler tudo, n6?


O B S E RVA T O R IO .................................................
Sobre o mesmo artigo, duas pessoas se manifestaram no site do
Observatdrio da Imprensa.
Maria Catarina E. S. Lima, estudante de administragco, Recife (Pernam-
buco) Nossa! Tem ainda algu6m que duvide que algo na Globo 6 realmente retrato
da realidade!? Que inoc6ncia desses que acreditam naum!?
Rodrigo Dias, bi6logo, Manaus (Amazonas) A question 6 que em boa part do
interior da Amazonia n~o faria a menor diferenqa qual pais fosse o "dono" da terra. Falar-
se-ia espanhol como portugu8s, como se fala nhengat6i e tantas outras linguas indigenas
(ainda). Em Manaus 6 comum dizer "1i no Brasil", referindo-se ao que acontece na TV,
que apenas espelha o sudeste. Na contracapa da revista Caros Amigos vi virias propa-
gandas de um festival nationall" de cultural da Caixa Econ6mica Federal, que, como
sempre, tinha atividades apenas de Salvador e Brasilia para baixo. E da Rede Globo, o
que podemos esperar? Ainda mais depois de um ator global (nao lembro quem), dando
entrevista para o Video Show, congratular o povo acreano pelo "orgulho e felicidade que
eles tiveram ao poderem considerar-se, definitivamente, brasileiros". Fala s6rio!








INVERSAO
Tr8s situaqres inibem o
crescimento do Brasil: a
pesada carga tributiria, a
infraestrutura deficiente e o
Estado ineficiente. Apesar
desse diagn6stico, em muitos
aspects precise, o brasileiro
(apesar do nome) Alain Belda
anunciou para Sonia Racy, de
0 Estado de S. Paulo, o
program de investimento da
empresa que preside
mundialmente, aAlcoa, maior
produtora de aluminio, corn
faturamento annual de 26
bilh6es de d6lares. Esse
program compreende bauxita
no Pard, refinaria de alumina
no Maranhdo, laminaqio de
aluminio em Pernambuco e
hidrel6tricas em vdrias parties
do pais. E, geograficamente
falando, uma cadeia produtiva
estratificadamente invertida: A
media que se sobe para o
Norte se desce na escala de
transformaqao do produto.
Resta-nos a mat6ria prima e o
semi-elaborado, conforme a
velha regra.

SANGUE
0 Liberal e o Didrio do
Pard abriram uma nova
frente de competigqo para
saber de qual dos dois jornais
sai mais sangue. O noticiirio
da folha dos Maiorana, que
era at6 mais comedido, agora
degringolou para a barbriie.
Deve ser para justificar o
espaqo que reserve ao
noticiirio policial, o dobro do
concorrente. Numa das
ediqces, a primeira pigina do
caderno tinha dois enormes
presuntos. Coloridos, of
course.
Presunto, na linguagem
do setor, 6 cadaver. A 6tica
foi para a geladeira tamb6m.


Marca municipal
Se algu6m vasculhar atris de uma marca para os dois
anos de Duciomar Costa na prefeitura de Bel6m vai chegar a
um resultado at6 surpreendente. O prefeito podia dizer, paro-
diando Washington Luis, o filtimo president da Rep6blica
Velha, que governor 6 fazer praqas. Uma das poucas coisas
que fez o alcaide nesse period foi restaurar praqas abando-
nadas ou maltratadas. O serviqo tern sido bem feito, mas di
uma media da grandeza e tirocinio do gestor da comuna.
Enquanto a capital se degrada e perde seu horizonte, o grdo-
vizir manda servir brioches ao povo. E Maria Antonieta nem
possui domicilio na cidade.


Sem transparencia
No dia 17 o DiBrio Oficial publicou oito terms de ajustes
a conv6nios firmados entire a Companhia Vale do Rio Doce
e a prefeitura de Paragominas. O objetivo 6 prorrogar os
prazos de vig8ncia dessa relaqao para que seus objetivos
originals sejam alcanqados. Mas se a publicaqao visou in-
formar a opiniao pfblica sobre os atos praticados, as parties
terdo que reformular os terms. S6 um deles continha infor-
maqao sobre o objeto do conv8nio: a construqao do estidio
municipal. Nada a respeito nos outros documents, nem so-
bre o inicio de cada contrato, seu valor e prazo inicial de
vigencia.
Em mat6ria de transparencia, pouca responsabilidade so-
cial da CVRD e da prefeitura.


Voz da rua
O sindicato dos jornalistas ndo se manifestou sobre a su-
gestao feita aqui, na ediqao anterior ("Etica jornalistica"),
de aproveitar uma denincia gen6rica da CNBB sobre exis-
tencia de uma confraria crime-dinheiro-midia-pistoleiros. Por
isso, renovo a sugestao.
Ja sobre a aplicaqao de verbas da propaganda pdblica na
imprensa ("Dinheiro pdblico: interesse privado"), o consul-
tor de vendas Heldimar Nunes Guimaraes, de Ananindeua,
enviou a seguinte mensagem ao site do Observat6rio de Im-
prensa:
"Sou a favor, que o novo governor do Para, democratize
as verbas de propaganda, constitucionais, entenda que, todo
e qualquer acordo, convenio, ou contrato, assinado, princi-
palmente com o grupo Liberal, tem que ser revisto, sou de-
fensor da midia alernativa, como; emissoras de radios co-
munitarias, tvs, e jornais, sem caciques e que informed de
forma responsivel as comunidades, em que atuam".
Corn a palavra, a governadora Ana Julia Carepa ou seu
porta-voz.


AMEACA
A residencia do m6dico
Deocl6cio Corr&a, uma das
mais belas e representativ-
da cidade, no Largo de
Nazar6, incrivelmente ber
conservada ate agora,
comeqa a ficar ameaqada
por sua fachada ji se
apresentam verdadeiras
Arvores, que se infiltram
pelas paredes e crescem
rapidamente.
Esti mais do que na he
de o poder p6blico assumi
o dominio do im6vel, pelo
meio mais rdpido e eficaz,
evitando o destino que
comeqa a ser traqado, o
mais comum na cidade: a
destruicqo. Se os 6rgaos
ptblicos sao incapazes de
resolver esse pequeno e
grave problema, ningu6m
iniciativa pliblica se
interessa p elo secular
casarao?
Por favor: que
respondam rapidamente.
Enquanto tem sentido.

SUGESTAO
Ji que o novo governor
anuncia como um de seus
objetivos a transparencia,
sugiro que toda
autorizaqao de viagem
especifique o motivo do
deslocamento, ao inv6s de
ficar no gen6rico "para
tratar de assunto de
interesse" do 6rgao ao
qual o servidor esti
vinculado. E obrigue o
viajante a apresentar um
relat6rio da viagem de
serviqo, que sera
depositado em local
facultado a consult por
parte do responsivel pelo
pagamento da despesa: o
contribuinte.


S.* 0 a
Editor: Liicio FIlvio Pinto
Edi;lo de Arte: L A. de Faria Pinto
Contalo: Tv Benjamin Constant
845/203/66 053-040
Fones: (091) 3241-7626
E-mail: fornal@amazon corn br


Novo livro
Ja esta nas bancas e livrarias meu livro mais recent, O Jornalismo
na Linha de Tiro. Ter um pouco do primeiro volume, o prometido
segundo volume e alguns acr6scimos e atualizag6es. Apesar de
volumoso, com mais de 500 paginas, custa apenas 30 reais, o mesmo
prego do anterior, com 300 paginas.Entre os documents que
introduzi agora esta a carta que escrevi a Romulo Maiorana quando
do nosso rompimento, em 1986, e a Helio Gueiros, antes e depois de
ele ser governador do Para (1987-1991).


a c I III I~----. -~""-"--~-