Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00307


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Full Text





ornal
A AGENDA AMAZOr


NIC


DEZEMBRO DE 2006 I


SFIM DO CONVENIO
DA TV LIBERAL

Pessoa ADA ESTRAGIA
A DE LUCIO FLAVIO PINTO EM SILENCIO o


NZENA NP 382 ANO XX R$ 3,00


PAGINA 0


*!O i. 4


.~~ ..\


GOVERNOR


Mudanga para valer?

0 Para que o novo governor encontrara e um desafio terrivel. Ana JOlia Carepa prometeu
mudangas para responder a esse desafio. Mas ate agora nao mostrou como as fara:
nem disp6e de gente testada nem apresentou um verdadeiro program de governor.
Quando comegar a agir, vira com boa surpresa?


governor do Pard comeqan-
do a cumprir a promessa de
campanha que a elegeu, as-
sim interrompendo a dinastia tucana, que
ameaqava se estender por um perfodo
in6dito na hist6ria republican do Estado:
quatro mandates sucessivos, tres deles
sob o comando de uma mesma pessoa, o
m6dico Almir Gabriel. Mas as mudancas
anunciadas at6 agora sao de pessoas e
de meios. Por enquanto, nada garante que
haveri alteracqo de conteiido e de ru-


mos no Para. O PT conquistou pela pri-
meira vez o maior cargo piblico estadual
sem um projeto altemativo, capaz de re-
verter a tend8ncia dos iltimos tempos:
crescimento econ6mico sem efetivo de-
senvolvimento; riqueza gerada sem dis-
tribuiq~o; dissociaqdo entire quantidade e
qualidade.
O atestado mais evidence dessa dis-
sociaqao estA no descompasso entire o
crescimento da riqueza, express no PIB
(Produto Interno Bruto), e a sua partilha,
representada pelo PIB per capital. No


primeiro quesito o Pard 6 o 9 maior da
federaq~o; no segundo, 6 apenas o 21.
Esse fosso entire os dois indicadores mos-
tra que a criaqao de riqueza ao menos
acompanha a grandeza demogrdfica do
Estado, que 6 o 9 mais populoso do Bra-
sil. Mas como o Pard 6 o alvo de uma
migraqao intense, hi sempre mais gente
querendo ter acesso a um bolo que nio
se expand na mesma proporgqo. Mui-
tos sao excluidos da partilha. A outros, o
que resta sao migalhas.
CONTINUE NA PAG 2


^rWek
MeC






CONTINUACAO DA CAPA
Com sua 6tica pragmatico-financei-
ra, Roger Agnelli, president da Com-
panhia Vale do Rio Doce, a maior em-
presa em atuaqdo no Estado (maior do
que o pr6prio Estado), formulou esse
paradoxo ao dar duas noticias de fim-
de-ano. Uma, boa: a CVRD investird no
Pard o equivalent a 15 bilhSes de d61a-
res at6 2015. E, na mais modest das
hip6teses, 30 vezes mais do que o in-
vestimento do pr6prio governor estadual
no mesmo period. A ma noticia: esse
investimento atraird mais um milhdo de
imigrantes para o Estado. Ou seja: nao
hi a menor possibilidade de mudar des-
se "desenvolvimento" desequilibrado, de
cuja 16gica result o conflito.
Os "grandes projetos" atraem gran-
des contingentes de mao-de-obra, mas
nao podem absorv8-los. Concebidos
corn base em tecnologia de ponta e
capital intensive, sao poupadores do
terceiro fator de produqao, o capital
human. Geram um entorno para o qual
sao refratirios, funcionando como nd-
cleos de atividades centripetas (o que
6 coerente cor sua concepqao, direci-
onada para distantes mercados consu-
midores e abstraindo o que esta em
volta). No seu antit6tico an6ncio de fi-
nal de ano o president da Vale estd
chamando o governor a funqao que jul-
ga inerente A m6quina official: tomar
conta dos excluidos do baile dos "gran-
des projetos".
O "sereno", obviamente, 6 muito mai-
or do que o saldo de festa. Do lado de
fora, volumes crescentes de pessoas nao
encontram seu lugar, o lugar que imagi-
navam a sua espera ao captar os ecos
das noticias sobre o "novo Pard", no qual
o mania seria regiamente distribuido to-
dos os dias, no "pafs das maravilhas" das
obras hollywoodianas do rieo-Landi e na
propaganda de primeiro mundo. O de-
safio de aproximar a fantasia da reali-
dade e converter um process metro-
politano em dindmica local nao 6 impos-
sivel de encarar, mas transcende a bra-
vatas e discursos te6ricos, a especiali-
zaqao do PT na oposiqao.
Na fase da campanha eleitoral, Ana
Jilia Carepa nao conseguiu apresentar a
audit6rios mais exigentes um projeto per-
ceptivel de mudanqa. As sugestbes e pro-
messas que aqui e ali emergiam da sua
pregaq~o de candidate nao eram sufici-
entes para former um program de go-
vero. O period de transiqio nao supriu
essa deficiencia. E a equipe que ela se-
lecionou para o seu governor nao inspira
confianqa e seguranqa sobre a realiza-


qao da tarefa que espera os novos inqui-
linos do poder estadual.
De fato, ha muita mudanqa de ret6ri-
ca e de nomes, alguns dos quais podem
surpreender por seu lustroso curriculo
academico (Lattes, naturalmente), mas
virgens de experi8ncia administrative, de
gestao p6blica. Nao 6 de todo negative
essa inexperiencia: dela poderao resultar
boas surpresas. E o preco que se paga
pela novidade, que, nao sendo milagrosa,
result de um process.
O problema 6 que o tempo inercial
para essa nova miquina "pegar" 6 pou-
co ou nenhum. Se sao corretas as andli-
ses feitas pela equipe de transiqao do novo
governor, 6 extremamente oneroso o le-
gado da administraqao Simao Jatene, fei-
ta a operaqao de nove, que desnuda o
v6u de fantasia da propaganda e elimina
as bolhas de sabao orqamentdrias.
O equilibrio fiscal nao existira ou sera
precario em 2007. Os problems trans-
feridos para este ano se assemelhariam
a bombas de efeito retardado ou meca-
nismos pr6-ativados que imobilizarao o
novo governor, colocando-o numa cami-
sa-de-forqa. N.o haverd margem para
improvisaqao, criatividade ou experimen-
talismo. Nimeros levantados pela equi-
pe petista indicariam o risco de deficit
fiscal. Havern dividas e restos a pagar
de 2006.
Compromissos estabelecidos no final
do governor Jatene pesarao sobro os om-
bros da sucessora. Os convenios para a
administracao de quatro hospitals regio-
nais, por exemplo. S6 o do hospital me-
tropolitano representard um encargo anu-
al de 84 milh6es de reais. Embora Jatene
tenha assinado os convenios sob a ale-
gaqdo de que sua curta duraq~o, de um
ano, permitird A sua sucessora rev6-los
nesse period, 6 pouco provdvel queAna
J6lia se desincumba do encargo cor fa-
cilidade, trocando quem se familiarizou
com o neg6cio por um novo conveniado.
No caso do Metropolitano, a gestao hos-
pitalar jd estard associada a funqao de
hospital-escola, atendendo ao mais novo
curso de medicine da cidade.
Esse modelo de "parceria" se difun-
diu a partir do alegado exito da experien-
cia em Sao Paulo, que possibilitou eco-
nomia de recursos piblicos e uma admi-
nistraqao mais eficiente e racional por
parte da iniciativa privada, subsidiada pelo
poder p6blico. A d6vida que fica 6 por
que nao aprimorar o control dos hospi-
tais pdblicos, como o "Ofir Loiola" e a
Santa Casa, apresentados pelos pr6prios
tucanos como exemplos? O mesmo me-


canismo nao podia ser adotado nos no-
vos hospitals regionais?
Confrontando os desafios que aguar-
dam o novo governor cor as pessoas de-
signadas a enfrentd-los, 6 praticamente
impossivel nao concluir que a governa-
dora superestimou seus auxiliares e su-
bestimou seus problems. Em alguns ca-
sos, o problema nao reside exatamente
nas qualidades de uns e de outros, mas
no erro na correlagao: gente certa no lu-
gar errado e vice-versa.
Ao final de um balanqo rigoroso dos
atributos das pessoas e das exigencias
impostas pelos problems nio 6 possf-
vel chegar a uma conclusao animadora.
Fica a sensaqao de que Ana Jilia Care-
pa continuou a agir como a militant de
uma das tend8ncias ideol6gicas de um
partido politico rico em derivaqces in-
ternas, como o PT (e nao a tend6ncia
principal), ou como algu6m que, como
Lula, nunca foi obrigado a sair do terre-
no das bravatas oposicionistas para a
area das obrigaq6es executives.
O Pari corre o risco, mais uma vez,
de assistir a tudo mudar para tudo con-
tinuar como estava. No espirito de ge-
nerosidade que permeia a temporada de
festas entire o final de um ano e o alvo-
recer de outro, esperamos que Ana Ju-
lia Carepa e sua equipe nos prepare
uma boa surpresa.




AMarca JB
A presenaa de Jader Barbalho i
e do PMDB no secretariado de
Ana Jilia foi menordoquese ima-
ginou. Nio quer dizer que seja [
menos intense. O deputado fede-
ral aceitou menos do que podia pe-
dir, mas ficou com lugares que ren-
dem muito bem eleitoralmente e
um pouco mais al6m do eleitoral,
como as secretaries de saude (2'
em pessoal e orqamento) e obras
(que cuida das notas de empenho
dos maiores serviqos,).
O novo go\erno niio tem a sua
cara. mas sua marca esti firme
no que Ihe interessa. Se as coisas
nao andarem direito. nao sera res-
ponsabilidade sua. mas poderi
tender um chamado para se tor-
nar mais presence. Se der certo.
terd o seu quinhao. Tudo confor-
me sua estrat6gia actual: aluar mui-
to se expondo pouco.
** iiirirm -sism


DEZEMBRO DE 2006 *2QUINZENA Jornal Pessoal


~ Ill -r --cl~-11 IJMMI-lj IIIrr








Portal desengongado


A prefeitura de Bel6m nao 6 s6ria.
Essa 6 a moral que fica da aqao civil pi-
blica proposta pelo Minist6rio P6blico
Federal e acolhida pelo juiz Ant6nio Car-
los Campelo, da 5" vara federal, suspen-
dendo a execuq~o do "Portal da Amaz6-
nia", que a administraqao Duciomar Cos-
ta concebeu para revolucionar a paisa-
gem do principal trecho litoraneo da ci-
dade. A ordem judicial foi concedida no
dia 14, exatamente quando a prefeitura
pretendia fazer uma festa publicitdria para
oficializar o inicio da obra.
A aqao, assinada pelos procuradores
Ubiratan Cazetta e Thiago Oliveira, da
embasamento legal a uma conclusao ine-
vitavel na andlise do projeto da PMB: na
verdade, tecnicamente falando, nao existe
projeto a dar consistencia A temerdria
empreitada. O inico element concrete
do tal portal 6 uma maquete eletr6nica.
Ningu6m pode ser contra ela, que ape-
nas repetird o que tem sido feito em ou-
tras cidades de beira de rio, como em
Marabd e Santar6m.
O problema 6 que a prefeitura escon-
deu o jogo. Apresenta a fachada da sua
intenqao, que 6 o aterramento da mar-
gem do rio Guamd, entire as ruas Veiga
Cabral e Fernando Guilhon, na Estrada
Nova, para a construqao de pistas de ro-
lamento, ciclovias, quadras esportivas e
outros equipamentos que embelezardo o
que 6 hoje uma paisagem hostile. Sera uma
agraddvel "janela para o rio", a maior de
todas, pela qual a populaqao anseia.
Mas essa 6 apenas uma parte do pro-
jeto "orla de Bel6m", que custard entire


76 milh6es e 125 milh6es de reais. Depois
de percorrer 2,2 mil metros avanqando
sobre o rio, essa plataforma inflete para
dentro e prossegue com a duplicaqao da
Bernardo Saylo por mais 4,4 mil metros.
Nao sera precise mais aterrar: a exigen-
cia sera de desapropriaq6es, extensas e
caras. Nenhuma palavra 6 dita a respeito
dessa obra dificilima. E 6 ignorada a parte
mais complex e important do conjunto:
a macrodrenagem da Bacia da Estrada
Nova, com 958 hectares, que fara da obra
anterior, a macrodrenagem do Una, um
experiment acad8mico.
O licenciamento ambiental foi dado
apenas a primeira e menor parcela desse
conjunto de empreendimentos, mesmo
assim de forma inconvincente. A licitaqao
aberta pela prefeitura e vencida pela
Construtora Andrade Gutierrez, diante da
imprevisoo dos estudos pr6vios, serve para
a largada da obra, mas se mostrard intei-
ramente insuficiente para a sua chegada,
E o orqamento inicial dd uma pdlida id6ia
do que sera o custo final.
A iniciativa do MPF 6 salutar e profi-
litica. Tao convincente que foi liminar-
mente acolhida pelo juiz federal, em an-
tecipaqao de tutela. Agora a prefeitura
terd que se explicar e demonstrar o que
diz. A conversa fiada mantida at6 agora
foi em frente porque outras instdncias do
governor se calaram. Como o Minist6rio
Pdblico do Estado, por exemplo, substi-
tuido na sua funqao pela Procuradoria da
Reptiblica. Uma acusadora constatacao
do quanto a sociedade belenense se en-
contra indefesa.


Baixa magistratura


Osjufzes de 1 grau do f6rum de Bel6m se
queixam de nio estarem recebendo um "trata-
mento digno" por parte da presid8ncia do Tri-
bunal de Justiqa do Estado. A queixa foi trans-
mitida ao desembargador Milton Nobre pelo
president da associaqoo dos magistrados. Em
oficio datado do dia 6, o president da AEM-
PA, Joao Batista Lopes do Nascimento, cita
dois exemplos.
O primeiro foi uma entrevista dada pelo pr6-
prio president do TJE ao jomal O Liberal, na
qual os juizes de 1 grau foramm taxados como
'joio' da magistratura". Milton Nobre observou
que "ap6s a inauguraqdo da nova sede do Tri-
bunal de Justiqa, que representaria um grande
ganho para a comunidade, as pessoas poderiam
identificar qual a Vara e qual o Juiz que estava
atrasando o process do jurisdicionado, como


se o TJE estivesse isento de atrasos nos julga-
mentos dos recursos e aq5es de competencia
originria", diz o president da associaqdo.
Como exemplo, Joo Batista aponta "o tra-
tamento desrespeitoso e discriminat6rio dis-
pensado aos Juizes durante a cerim6nia de
inauguraao da sede do Tribunal de Justiga,
que foram 'acomodados' em ambiente inapro-
priado, cor temperature elevada, obrigados a
assistir a cerim6nia atrav6s de um telao sem
som, enquanto a galeria do plendrio estava
repleta de servidores do Poder Judicidrio, sim-
ples secretirios, politicos, advogados e at6
dirigentes de clube de futebol".
"Diante dessas situacqes vexat6rias", con-
clui o president da AEMPA, "espera a magis-
tratura do Pard tratamento de membro do Po-
der Judicirio".


ALERTA
Os compradores americanos do fer-
ro gusa produzido em Carajds jd fize-
ram o alerta: suspenderdo a transagqo
se houver novamente den6ncia de tra-
balho escravo na produgqo de carvdo
vegetal, principal insumo utilizado pe-
las guseiras. Ou se o funcionamento
das carvoarias acarretar a destruidio
de floresta native da regido. A quebra
na cadeia de comercializaq~o seria um
golpe muito duro no boom da gusa.


MENSAGENS
Agradeqo e retribuo as mensagens de
fim de ano de Francisco (Vera e Renato)
Paldcios, Tatiana de Abreu Sa, Trajano
Lopes de Oliveira, Gileno Muller Chaves,
Maria Augusta, Amazon Corporation,
Fundaqao Carlos Gomes, Jos6 de Souza
Martins, Alex Ruffeil, Cdtedra da Unes-
co Jos6 Reis, Reginaldo Forte, Try Sports,
Eduardo Pereira de Carvalho, Esnog,
Michelle Castro (Siciliano), Ralcoh, Via
P6blica Comunicaqao, Editora Animal
World, Estilo Press, Instituto Ethos, Mau-
ricio Tuffani, Ag6ncia Notisa, Alphasete,
Jomal Momento, Editora Lua, Nova Acr6-
pole Bel6m, Soraya Almeida, Ruth Ren-
deiro, Jornal Vanguarda, Vitae Civilis,
Andr6a Pinheiro, Sindicato dos Jornalis-
tas do Pard, Serviqo Florestal Brasileiro,
Museu da Casa Brasileira, Revista Eco
21, Geraldo Nogueira, Pematec, Isabel
Cristina Costa, Carla Rendeiro, Heloisa
Bellini, H61io Mairata, Vanessa Vascon-
celos, Vanderley Caixe, Companhia Ath-
letica, Ernane Malato, Serafim Correa,
almirante Mario da Fonseca Hermes,
Walter Jinior, Gildo Marqal Brandao,
Roberto Gama e Silva, Sabah Moraes,
Rodrigo Paranhos Faleiro, Paulo Martins,
Andr6 dos Santos, Andrey Bittencourt,
Ademar Aires do Amaral, Jos6 Maria
Bassalo, Livre Mercado, WWF Brasil,
Conservaqao Internacional, Alan Cativo,
Carlos Bordalo, Jos6 Eduardo do Faro
Freire, Afonso Gallindo, Marflia Andra-
de, Ivanildo Lima, Vilma Reis, Ag8ncia
Fapesp, Diogo Conduru, Portal da Comu-
nicaqao, J. Bibas, M6nica Pinto, Grupo
Canal Energia, Ana Rita Alves, Noir Co-
municaqao Total, Faculdade de Comuni-
caqco Social da UERJ, Daniel Borges
Nava, Comite Dorothy Anapu, Ima C6lia
Vieira, Borracha Natural Brasileira, Gui-
lherme Cardoso, C + C Comunicaqao,
Matrix Editora, Rosa Fernanda, Insert
Comunicaqao, Consulfarma, Cebri, Luiz
Fernando Emediato, Nem6rcio Nogueira,
Mdrcia Martinse e Janjo Proenqa.


Jornal Pessoal 2' QUINZENA DEZEMBRO DE 2006










Amazc

Eu tinha 16 anos quando "estreei", em maio
de 1966, como jomalista professional nas pagi-
nas de A Provincia do Pard, joral didrio fun-
dado em 1876, por uma elite local, e adquirido
por Assis Chateaubriand 70 anos depois. A
partir daf, A Provincia passou a integrar os
Diarios e Emissoras Associados, imp6rio que
dominou as comunicagfes no Brasil durante
tr8s d6cadas, s6 equiparivel A atual Rede Glo-
bo, no trono por period equivalent.
Entre o primeiro e o segundo semestre
desse ano de 1966 "cobri", testemunhei e
related dois acontecimentos que mudariam
os rumos da Amaz6nia. Um deles, em junho,
foi o Simp6sio Internacional sobre a Biota
Amaz6nia, em comemoraqao ao centendrio
da mais antiga instituiqao de pesquisa cien-
tifica da regiao, o Museu Paraense Emilio
Goeldi, event reprisado agora, 40 anos de-
pois, pelo Museu e a Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciencia (SBPC). O se-
gundo, em outubro, foi a P (e inica, como
Momo) RIDA (Reuniao de Investidores para
o Desenvolvimento da Amaz6nia), que re-
sultaria na criaqao da nova political de in-
centivos fiscais, a ser executada por dois
novos 6rgaos pdblicos: a Sudam (Superin-
tendencia do Desenvolvimento da Amaz6-
nia) e o Basa (Banco da Amaz6nia).
Nao por acaso, assim, as teias da minha
vida se entrelaqaram aos fios frequente-
mente invisiveis a olho nu da hist6ria da
Amaz6nia, no seu mais recent e talvez der-
radeiro capitulo. Alguns batizaram esse ca-
pitulo, com apenas meio s6culo de duraqao,
de "a integraqao da Amaz6nia", procurando
defini-lo atrav6s de paralelos com a "corri-
da" ao Oeste americano, no s6culo XIX. Eu
prefiro chamr-lo de "conquista e submis-
sao", comparando-o A conquista e sub-
missao, A forqa da Africa e da Asia pelo
colonizador europeu.
A Amaz6nia, nessa transformagao sem
volta, 6, antes de tudo, col6nia. Nao hi mais
exata conceituaq~o para um lugar que 6 ocu-
pado de fora para dentro, impositivamente. O
conquistador chega corn a r6gua e o compas-
so na mao, trazendo consigo um mundo, o
seu mundo, para superpor ao mundo no qual
se instala. A aculturaqao do colonizado nao 6
uma faculdade: 6 uma imposigao. A regiao 6
conquistada para ser transformada, para ser-
vir aos prop6sitos do colonizador.
A Amaz6nia, uma particularidade e uma
singularidade neste planet, tem que deixar
de ser Amaz6nia para ser "integrada", incor-
porada, absorvida. O inferno verde precisa
ser uma extensao do outland. Para se tornar
modern, contemporanea, precisa aceitar sua
condiqao subordinada, de extensao da me-
tr6pole. Ainda que, num crescimento de rabo
de cavalo, para baixo, ameace se tornar nao
um desert vermelho, como previam os ame-
ricanos Robert Goodland e Howard Irvin, na
d6cada de 70, mas uma savana africana. A
Amaz6nia teri sido poupada por dois s6cu-
los para resultar na mesma selvageria des-
truidora da Africa e da Asia.


nia que

Em 1966 a Amaz6nia ji acumulava muita
hist6ria, mas tudo estava ainda por fazer. Ape-
nas uma fragao dos seus primeiros ocupantes,
que nela se instalaram sete mil, oito mil ou tal-
vez mais de 10 mil anos antes, conseguira so-
breviver A sangrenta fixaaoo do europeu A ter-
ra. Mas havia todo um universe de conheci-
mento a descobrir ou recuperar sobre a har-
monia entire o home e a natureza, a pigina do
Genesis que Deus deixara para o home es-
crever, na observalao que Euclides da Cunha
fez no alvorecer do s6culo XX, impressionado
cor aquele mundo ainda em formagao, geolo-
gicamente imaturo, materialmente inconsolida-
do. Essa pdgina em branco ji tinha algumas
garatujas, mas eram pequenas, feitas a lIpis.
Nada que a boa assepsia de uma borracha nao
eliminasse.
Reino da luz, da Agua e da floresta, a desa-
fiar os cAnones do saber criados com base em
outras paisagens, a Amaz6nia 6 e 6 cada vez
menos o territ6rio ideal para um derradeiro
experiment do home, impenitente e imperti-
nente homo agricola: o estabelecimento de
uma civilizaio florestal, baseada no uso in-
teligente do bem mais nobre desse bioma, cen-
trado na massa vegetal, fonte da maior biodi-
versidade da Terra.
No entanto, eis que ji ingressamos nos
anais da hist6ria humana como o povo que
mais destruiu florestas em todos os tempos.
Em menos de meio s6culo, mais de 700 mil qui-
l6metros quadrados de floresta native postos
abaixo. A velocidade e a amplitude dessa des-
truiq~o impressionam.

m 1976 o satl6ite Skylab "fotografou" o
maior incendio registrado pela miquina
e informaqao, provocando comoqao
international. O fogar6u de quase 10 mil hec-
tares fora provocado pela Volkswagen, que se
achava no sul do Pard produzindo nao veiculo
automotor, sua especialidade exclusive at6
entao, mas boi, sua "desespecialidade", para
usar uma expressao neol6gica, que Lewis Car-
rol assinaria cor embevecimento, dada sua
aptidao para a linguagem surreal, a tnica que
cabe A reproduq~o da insensatez padrao na
conquista amazonica.
Naquele moment, toda alteraqao das con-
diq6es naturais da regiao ainda estava abaixo
de 1% da sua superficie. Por causa do impact
da image do satdlite americano, flagrando
uma das empresas mais poderosas e vanguar-
distas de entao, cor a mao na mais primitive
tecnologia do homo sapiens, o fogo, a quei-
mar a pdgina da criaq~o divina delegada ao
home, a Amaz6nia foi a primeira regiao a ser
integralmente coberta por image de satl6ite,
cinco anos depois do investimento pioneiro
no Radam (Radar da Amaz6nia), program de
alta tecnologia que substituiria a cartografia
conventional, s6 depois se estendendo ao
restante do pafs.
Na mesmaBel6m daquele j distant 1966,
num intervalo de apenas quatro meses, os dois
elements antit6ticos se apresentavam para
encenar o drama, que frequentemente dege-


mudou

nera na farsa malsa: os "desenvolvimentistas"
de um lado e os "conservacionistas" do ou-
tro, se me permitem usar conceitos tao pouco
heuristicos. Os donos do capital e do poder,
exercido diretamente ou atrav6s de seus re-
presentantes politicos, querendo expandir
seus tenticulos sobre o sitio da natureza, con-
juminando estrat6gias e enredos na P RIDA.
Os representantes do conhecimento, reu-
nidos no encontro acad8mico comemorativo
ao centendrio do "Goeldi", empenhados em
conciliar o fazer ao saber e tentar aumentar o
conteddo de verdade desse saber. Os primei-
ros A frente, derrubando mata, levantando ci-
dades, abrindo estradas, edificando hidrel6tri-
cas, semeando cultivos agricolas, abrindo bu-
racos nas entranhas da terra fecunda de mind-
rios. Os segundos, ora ouvindo estrelas, ora
juntando os cacos fragmentados, ora e sem-
pre a lamentar a perda da oportunidade de
conciliar o home cor a natureza na fronteira.
Esta nao 6 a terra nula e nao 6 o espaqo
vazio dos militares e da sua geopolitica. Esta
terra tem uma hist6ria densa. Para usar uma
poesia tao significativa desde o titulo, do ame-
ricano naturalizado ingles T. S. Elliot, esta 6
uma terra arrasada (ou devastada). E a frontei-
ra amansada pelo bandido. Essa political de
terra arrasada veio em circulos, em novos cir-
culos dantescos, em varios moments.
Numa sucessao muito rica de uma hist6ria
muito complicada, 6 assim a hist6ria da Ama-
z6nia, eventualmente tocando na hist6ria do
Brasil. N6s, para todos os efeitos, at6 para os
efeitos politicos, deviamos produzir a nossa
hist6ria como uma hist6ria paralela de um pais
vizinho ao Brasil.
E se de um lado n6s temos a hist6ria da
natureza, como ela 6, de outro temos a hist6ria
da cultural de quem viu a Amaz6nia a partir de
expectativas, preconceitos e verdades pr6-es-
tabelecidas, raramente conseguindo ver a
Amaz6nia como ela 6. Imediatamente se Ihe
atribuem valores e muitas vezes os valores
nada t6m a ver com a constituiqao fisica e mes-
mo com a tradiqao hist6rica da regiao: o Eldo-
rado, a Terra das Amazonas, o Inferno Verde, o
Celeiro do Mundo, o Deserto Vermelho. Se n6s
nao conseguimos ver essa hist6ria real, a na-
tureza como ela 6, n6s vamos sempre impor
um padrao que temos na cabeqa em relaqao A
Amaz6nia. A aproximaq~o do real resultard
sempre em distorq~o e colonialismo, em des-
truiqao.
No romance Quarup, de Ant6nio Calado,
ha um capitulo sobre os indios. E um momen-
to em que se confrontam os dois maiores ser-
tanistas que j houve no Brasil, o Chico Mei-
reles, que no romance aparece com o nome
literdrio de Chico Fontoura, e Orlando Vilas
Boas, que aparece como Vila Verde. Eles co-
mecam a discutir sobre o que fazer diante
dessa sucessao de destruig6es fantisticas,
destruiqaes impressionantes, destruigqes
ecol6gicas, antropol6gicas, sociol6gicas, his-
t6ricas. Chico Meireles diz mais ou menos o
seguinte: S6 tem uma said. Pegar os indios
colocar em num aviao da FAB e descer no


A DEZEMBRO DE 2006 2 QUINZENA Jornal Pessoal










quatro

Rio de Janeiro que era a capital federal de
entao e flechar o maximo de gente que pu-
der at6 morrer o uiltimo guerreiro. Mas ele
more como guerreiro, nao more de sarampo,
febre, diarr6ia. Pode um guerreiro morrer de
diarr6ia? E a solucao do desespero, mas 6 a
soluqao induzida pela realidade.
Quando n6s olhamos o future, muitas ve-
zes temos que olhar para tras "n6s, civiliza-
dos", entire aspas. Porque a hist6ria 6 o nosso
maior patrim6nio e n6s pagamos muito caro
pela hist6ria de vida. Eu gostaria de pensar o
future sempre pensando em algumas situa5qes
do passado. Nao vou remontar muito e nem
exibir transparEncias para fazer uma reedigao
mais graciosa. Mas eu gostaria de remontar a
um ponto traumAtico da nossa vida, do qual
sempre iremos falar, que 6 a Cabanagem.
Cinco anos atris, David Cleary divulgou
documents que encontrou no Foreign Offi-
ce, em Londres, publicados pelo Arquivo Pt-
blico de Bel6m. No meio dos documents reu-
nidos, absolutamente in6ditos, havia uma car-
ta do embaixador da Inglaterra no Rio de Ja-
neiro para Lorde Palmerston, que era entao,
em 1835, o ministry das relacqes exteriores da
mais poderosa nagao do planet. Nessa carta,
o embaixador informava que fora chamado para
um encontro sigiloso com o paulista (sempre
os paulistas!) Diogo Ant6nio Feij6, que go-
vernava o Brasil como regente em nome de D.
Pedro II, ainda crianqa.
N essa reuniao, Feij6 informou que o nas-
cente Imp6rio brasileiro enfrentava
duas rebeliSes, nos dois extremes do
Brasil. Uma em Sao Pedro da Aldeia o nos-
so atual Rio Grande do Sul e outra na Ama-
z6nia, o Grao Para e Rio Negro.O governor
nao podia reprimir os dois movimentos ao
mesmo tempo. Por isso, decidira convocar
nao apenas o embaixador da Inglaterra, mas
tamb6m os representantes da Franqa e pas-
mem de Portugal, pais do qual o Brasil ain-
da estava se libertando. Feij6 sugeriu ao em-
baixador que reunisse mil homes da mais
temida esquadra e invadisse Bel6m, matando
quantos cabanos precisar, depois entregan-
do a provincia "pacificada" ao Imp6rio, que
ignoraria a invasao e as mortes.
Perplexo, o embaixador narrou o encon-
tro e sugeriu a Palmerston que nao acatasse
a sugestao. Lembrou-lhe que a constituiqao
brasileira nao permitia a presenqa de tropa
estrangeira em territ6rio national. S6 corn a
autorizaqao do congress tropas estrangei-
ras podiam entrar no pais. Que isso seria uma
guerra e que nao valia a pena A Inglaterra. A
Inglaterra tinha que respeitar a soberania bra-
sileira, mesmo corn a autorizaq~o de Feij6,
dada, por6m, secretamente.
Nessa 6poca a armada inglesa deslocara
de Barbados para Bel6m uma expediqao para
averiguar ataque e saque praticado contra um
navio mercantil ingles na costa do Pard. Toda
a tripulaq~o foi assassinada, exceto um so-
brevivente, e a carga roubada. O comandan-


decades

te da expediqao, depois de inspecionar Be-
16m, ocupada pelos rebeldes, verificou que
com apenas 150 fuzileiros poderia acabar corn
aquela rebeliao. Nao precisaria nem dos mil
homes autorizados
Essa documentagao obriga a uma profunda
revisao hist6rica desse period. Por que o
Feij6 fez essa proposta tao monstruosa, re-
nunciando A soberania national? Por que,
tendo que optar, optou pela revolt farroupi-
lha, no Sul, e entregou a revolta do Norte A
repressao estrangeira? O imp6rio negociou
durante cinco anos, para que Sao Pedro da
Aldeia nao tentasse se separar do Brasil e
former um novo pais.
Mas n6s, da Amaz6nia, do distant Grao
Pard, que nao tinhamos nenhuma relalao cor
a capital national, que nao eramos exatamente
um igual, n6s tinhamos que ser reprimidos
porque eramos selvagens. Selvagens que nao
tinham hist6ria, que nao podiam ser respeita-
dos, nem naquela 6poca e nem hoje.
Nao interessava se ingleses, franceses e
portugueses matassem os bugres da Amaz6-
nia, talvez ainda dominados pelos colonizado-
res portugueses. Eles nao eram iguais. Eram,
na verdade, desconhecidos, integrantes de um
Brasil tardio, atrasado, inferior. O Estado naci-
onal lavava as maos, queria manter a integri-
dade national como um lastro para o projeto
da hegemonia de um poder, de um colonialis-
mo end6geno. Os estrangeiros fariam o servi-
qo E at6 hoje, na maioria dos palanques, os
lfderes "neo-cabanos" de hoje dizem que os
estrangeiros, sobretudo, a Inglaterra, nao to-
maram conta da Amaz6nia porque os cabanos
resistiram, porque o president cabano Eduar-
do Angelim resistiu, porque ele recusou as ar-
mas que os ingleses Ihe teriam oferecido para
proclamar a independ8ncia da Amaz6nia. Toda
uma mitologia baseada num ouvi dizer de um
inico testemunho escrito da 6poca, de Do-
mingos Ant6nio Raiol, autor do livro Motins
Politicos, que comecou a ser publicado 30 anos
depois da Cabanagem.
Na verdade, nem Inglaterra e nem Franca
queriam naquela epoca transformar a Amaz6-
nia numa col6nia. Era muito mais rentavel ex-
plora-la atravds do Estado national brasilei-
ro, do capitao do mato, economizando recur-
sos, investindo menos e extraindo mais, sem
o custo da estrutura estatal metropolitan.
Da mesma maneira como 6 por uma razao eco-
n6mica que hoje se insere o conhecimento
traditional dos indios nos estatutos juridi-
cos internacionais.
Essa 6 uma liqao terrivel. N6s, da Amaz6-
nia, precisamos nos relacionar com o mundo
exterior. Nao existe a nossa hist6ria sem esse
relacionamento. N6s sempre estivemos dian-
te do mundo e s6 nos afirmaremos face a dele.
O que significajogar no lixo a ret6rica da ge-
opolitica military, que ter feito um mal terrivel
a Amaz6nia.
De outro lado, o Estado national nada
nos diz. N6s fazemos parte de uma federa-
qao, unida por uma abstraqao, a lingua nacio-


depois

nal. Mas esse Estado national, nao tern nada
para nos dizer, nem n6s a ele. Ele nio 6 per-
meavel a n6s, nao nos express, nao nos re-
presenta. Ele se imp6e a n6s coercitivamen-
te, de cima para baixo.
Daf a Constituiqdo de 1988 ter sido terri-
vel para os interesses da Amaz6nia, a tal cons-
tituigqo-cidadao do nosso Ulysses Guima-
raes, que trabalhou sobre uma clausula pd-
trea, inamovivel, a organizaqio federativa da
repdblica. Por ironia, essa constituinte foi
convocada por um native hfbrido da Amaz8-
nia, o maranhense Jos6 Sarney, o primeiro
president civil desde 1964. Com essa clau-
sula pr6via, ele traiu os interesses politicos e
juridicos da sua terra.

6s tivemos um outro moment de liga-
aoo espasm6dica corn o Brasil, na 6po-
ca da borracha. Para explicar nosso
insucesso nessa 6poca, inventamos mais uma
mitologia, muito simpatica e reconfortadora,
de que s6 perdemos o dominio do mercado da
borracha porque o ingl&s Henry Wickham, mais
um estrangeiro na nossa vida, contrabandeou
as sementes de seringueira 1l de Santar6m. Le-
vou-as para se adaptarem no Kew Garden, em
Londres, e depois foram plantadas no Oriente.
Outro estrangeiro, o americano Warren Dean,
no primeiro grande livro da hist6ria verdadei-
ramente ecol6gica do pais, demonstrou a fala-
cia: n6s permitimos a said legal das sementes
da hevea brasiliensis. Talvez por estarmos
convencidos de que Deus 6 realmente brasi-
leiro e nos manteria com o monop6lio.
O mundo aprendeu uma liqdo nesse epis6-
dio: nao podia defender do Brasil, da Amaz6-
nia, da biodiversidade. A Amaz6nia perdeu,
com a borracha, uma guerra ecol6gica, experi-
mentando o lado negative de um caleidosc6-
pio que Ihe costuma ser favoravel. A partir da
perda do monop6lio de producao e da expres-
sao que nossa produgao tinha, ate se tornar
insignificant no mercado international, n6s
entramos na nossa chamada Idade M6dia.
Tgo dominados somos pela mentalidade
colonial, que um dos periods mais ricos da
nossa hist6ria n6s chamamos de Idade M&
dia, idade das trevas. Ningu6m entao nos do-
minava e ningu6m nos exigia. Tivemos que
fazer varios esforqos, inclusive, para os capi-
talistas, o esforqo mais dolorido, que 6 tirar
dinheiro do bolso. Nossos capitalistas tive-
ram que investor nos neg6cios deles e correr
risco, o que constitui a pedra de toque do ca-
pitalismo. Por isso, a pedra contraria 6 a do
monop6lio, ou do subsidio estatal, que tern
sido a constant ao long da hist6ria da Ama-
z6nia, desde a 6poca de Pombal.
E assim tivemos que dar conta das tarefas,
entire as d6cadas de 20 e 40 do s6culo passado,
at6 que, logo depois do fim da Primeira Guerra
Mundial, os Estados Unidos mandaram uma
missed econ6mica, corn a qual comeqava uma
nova era na Amaz6nia. Essa hist6ria atd hoje
permanece nos arquivos estrangeiros, esperan-
CONTINUA NA PAG 6


Jornal Pessoal 2' QUINZENA DEZEMBRO DE 2006 5







CONTINUA;AO DA PAG S
do um pesquisador que tenha paciencia de ler
document primirio sobre essa nova hist6ria,
que agora 6 definitive. N6s nao vamos mais
nos desligar do mundo. Queiramos ou nao.
Na d6cada de 20, os Estados Unidos e o
mundo comecam a discutir para valer a Ama-
z6nia para valer para eles, 6 claro. Queriam
encontrar o caminho real entire os mitos de
celeiro do mundo ou inferno verde. Verifica-
ram que a Amaz6nia 6 muito diversificada,
muito mais complex do que pensavam.
Aos poucos os estrangeiros foram apren-
dendo muito mais rapido do que n6s. Porque
eles tinham um projeto e n6s nao tinhamos.
Eles tinham a tecnologia que n6s nao tinha-
mos, tecnologia compativel com o projeto que
eles conceberam e que foi se adaptando, ape-
sar de muitos erros cometidos, As peculiari-
dades locais. Comeqaram a descobrir que a
Amaz6nia 6 diferente do resto do mundo tro-
pical; que hd alguma coisa especifica nessa
designagqo de Amaz6nia, a regiao que cor-
responde a mais da metade do territ6rio bra-
sileiro e, no continent sul-americano, tem
quase o tamanho dos Estados Unidos.

o esforqo da Segunda Guerra Mundi-
al e no trabalho que se seguiu, da Co-
missao Mista Militar Brasil-Estados
Unidos, eles fizeram o levantamento aerofoto-
gram6trico da calha central do rio Amazonas.
Na 6poca se imaginava que havia hidrocarbo-
netos nessa area, a maior bacia terciaria do
planet, de terras muito recentes. Depois, veri-
ficaram que tinha petr6leo, mas que a tecnolo-
gia nao era suficiente para extraf-lo. As perfu-
raq6es em aguas profundas e o uso de heli-
c6ptero viriam depois. A bacia terciaria deixou
de ser area prioritAria A 6poca. O interesse foi
desviado para os espinhaqos do Pr6-Cambria-
no, geologicamente mais antigos, no qual es-
tavam as mineralizaq6es.
Rapidamente foi iniciada a exploracao do
manganes do Amapa, a partir da metade da
d6cada de 50. Mas n6s nao chegamos a per-
ceber que aquele mangan8s constituia uma
das melhoresjazidas do mundo ocidental, em
uma 6poca em que a industrial siderdrgica era
toda a base da economic. Faziam-se festas para
comemorar a said, a cada ano, de 800 mil ou
um milhao de toneladas de manganes para os
Estados Unidos, numa escala tao intense que,
antes do fim da concessao, a Icomi, a empresa
formada pela Bethlehem Steel corn o empresa-
rio mineiro Azevedo Antunes, devolveu asja-
zidas ou melhor, os buracos das jazidas.
E af entram os intelectuais. Os intelectuais
da 6poca foram para o meio do mato, que 6
uma coisa nao muito comum entire intelectu-
ais. Foram recrutados alguns do sul do pafs,
como Glycon de Paiva. Eles inventaram uma
hist6ria. De que o manganes do Amapa nao
tinha preqo para ser trazido para o sul do pals,
ajudando sua industrializaqao. Nao tinha pre-
qo para chegar A Bahia, por exemplo. 0 com6r-
cio de cabotagem tornava o frete proibitivo.
Muita produqao academica passou a mos-
trar que a matemdtica era determinante para
n6s terms que exportar, a preqos cada vez
menores, o manganes para os Estados Uni-
dos. Quando o teor baixou para 42%, 38%,
36% de manganes contido na rocha, a mate-


matica mudou. E af, o Amapa exportava cres-
centemente para a Bahia, para o Sul, e nao
houve o combat intellectual contrario a isso.
A inteligencia da esquerda nao conseguiu
combater cor arguments. Combateu com
plataformas political e cor gritos de urra. Nao
demonstrou que aquilo era uma manipulaqao.
Esse "detalhe" 6 muito important, porque,
em geral, os temas amaz6nicos sao debati-
dos com exuberancia em palanque, mas nao
sobre esquadro e compasso.
Deixando a bacia sedimentar para depois
e se concentrando nas terras mais antigas,
os americanos descobriram Carajas, que 6 a
maior provincia mineral do planet. E desco-
briram saindo muito depois de iniciada a cor-
rida ao min6rio. N6s tinhamos said em 1954,
corn o Projeto Araguaia, que era o maior pro-
jeto de mapeamento mineral executado at6 en-
tao. E precise considerar esse "detalhe": o
projeto international para a Amazonia, lide-
rado pelos Estados Unidos, nao era 6nico e o
Estado nao era apenas caudatario, um mero
"cao de fila do imperialismo ianque", como
se dizia no jargao da 6poca. O Estado tam-
b6m tinha a sua margem de autonomia, a sua
margem de interesses especfficos, relaciona-
dos ao seu carter patrimonial, burocratico,
da sua pr6pria elite, que costuma ser deriva-
da da elite estrangeira, mas nem sempre.
Nos moments de colisao, nossa elite con-
segue ser pior do que as elites estrangeiras. O
Estado brasileiro chegou A conclusao de que
a Amaz6nia tinha importancia, ou viria a ter.
Na base organica do Estado, agia o pensa-
mento military, com destaque na Amaz6nia. Um
dos grandes erros que a esquerda cometeu
at6 1964 (e volta a ele atualmente) foi nao dia-
logar cor os militares. Em geral, a esquerda
mantinha com os militares uma relaqao de Tom
& Jerry. Eram militares com espada correndo
numa direqao e a esquerda, sem espada, cor-
rendo em outra direqao. Nao houve um f6rum
para o debate. Os f6runs, em geral, eram a pra-
qa piblica e n6s, realmente, quebravamos a
cabeqa literalmente, no moment do choque.
Pois os militares tinham um projeto seu para
Amaz6nia. Sempre tiveram. E uma das bases
da weltanschaaung dos militares na base da
repdblica. Quando perceberam que os estran-
geiros estavam na frente, os militares formula-
ram projetos. Corn a democratizaqoo de 1945,
os militares souberam se ajustar como uma
categoria modern ao estado civil e surgiu a
Superintendancia do Plano de Valorizaqao
Econ6mica da Amaz6nia, como um dos ele-
mentos da origem do planejamento regional,
que comeqou na Amaz6nia, apesar de tudo ter
passado pelo Nordeste, graqas ao brilho de
Celso Furtado. 0 Estado brasileiro se compro-
metia a aplicar, durante 20 anos, 3% da renda
tributdria national na Amaz6nia. Os concei-
tos-chave eram valorizar a Amazonia, conhe-
cer e valorizar a Amaz6nia. Esse era o jargao.
Por que? Primeiro porque o Estado brasi-
leiro vivia um dos moments de maior demo-
cracia e, por isso, de maior lucidez. Nao 6 mera
coincidencia a conciliaqao destes dois terms.
Reconheceu a autonomia da regiao, reconhe-
ceu que precisava saber da regiao, reconhe-
ceu que ela nao era uma terra vazia. Havia inte-
lig8ncia e desintelig&ncia na Amaz6nia, mas


ambas precisavam ser consideradas. Entao,
conhecer para valorizar e para utilizar.
Em 1956 (ha meio s6culo, portanto) o Bra-
sil sediou o congress international de geo-
grafia. Um dos roteiros oferecidos aos partici-
pantes era na Amaz6nia. Um grande brasileiro,
L6cio de Castro Soares, escreveu o roteiro da
visit, contando tamb6m a hist6ria daAmaz6-
nia naquela 6poca, 1956, dez anos antes da
biota amaz6nica, da criaq~o da Sudam, do Basa.
E naquela 6poca, qual era o grande anseio do
planejamento regional mais antigo do pals?
Era que as dificuldades do inferno verde
fossem resolvidas pela ciencia e a tecnolo-
gia. Licio era um home positivista, otimis-
ta, que achava que o agent de colonizaqgo
da Amaz6nia ia ser o cientista, que herdaria o
acervo deixado pelos viajantes estrangeiros,
que foram mais long do que os brasileiros
no hinterland, exceto os poucos e honrosos
brasileiros, como Alexandre Rodrigues Fer-
reira e Ferreira Pena.
Toda a confianqa, toda a esperanqa da
regiao, era de que ela nao deveria mais ficar
dominada pelo extrativismo, para nao ficar
inerte pelo extrativismo dos coron6is de bar-
ranco, os donos de rios, como Jos6 Jtilio de
Andrade, no rio Jari, Jos6 Porfirio de Miran-
da, no Xingu, Altevir Leal, no Envira. Tinha
que sair desse feudalismo, conforme chegou
a ser visto por te6ricos marxistas.

A ciencia e a tecnologia A frente, seria
possivel conciliar a expansao econ6-
ica, incorporaqao das novas areas,
com a eliminaqao da Amaz6nia insalubre, terri-
vel, que assustava os estrangeiros, que foi
uma das principals causes de, at6 o inicio do
s6culo XX, nenhuma grande naqao tentar to-
mar essa regiao de Portugal e, depois, do nas-
cente imp6rio brasileiro.
A excursao foi em 1956, quando Jusceli-
no decidia iniciar a construqao da Brasilia-
Acre e da Bel6m-Brasilia. E um moment de
ruptura: um mundo vai ficar para tras e ou-
tro ira se estabelecer, sem ligaqao com o pas-
sado. Todas as projeq6es de future se fari-
am em torno de floresta e agua. Na floresta
havia uma combinacao do conhecimento
ocidental com o conhecimento das popula-
q6es tradicionais.
Os indios Tupi-Guarani conheciam a kai-
gap6, a floresta da varzea. Ja entao maneja-
vam a floresta da varzea e tamb6m tinham
um conhecimento porem mais mitol6gico
do que pratico, utilitario sobre a kaadt&,
que era a floresta de terra firme. Em tupi, ela
significa a floresta verdadeira. Os indios ti-
nham a plena consciencia de que o grande
desconhecido era a kaadtd e nao a kaiga-
p6, determinada por suas caracteristicas,
pelo dominio da agua, domfnio que nao po-
dia ser contestado. O rio Amazonas chega a
descarregar 200 mil metros clbicos de agua
por segundo e a cada dia manda para o oce-
ano seis milhbes de toneladas de material
em suspensao.
A verdadeira floresta estava na terra firme,
com sua madeira de alta consistEncia, de gran-
de densidade e, ao mesmo tempo, leve. Por-
que ali, a floresta verdadeira ia desafiar a nos-
sa capacidade de ver a Amaz6nia.


6 DEZEMBRO DE 2006 2QUINZENA Journal Pessoal


I- I -- --I-I







odos n6s achamos que a Amaz6nia 6 o
nosso ponto em comum, que 6 o pres-
suposto, mas esse pressuposto 6 falso.
Porque raros conseguem ver a Amaz6nia. E
precise ter lentes especiais para v6-la, sem as
quais nao se conseguird v6-la, por mais que
se tenha informag~o cultural, tecnol6gica e
cientifica.
Sempre me lembro de um sobrev6o de he-
lic6ptero com t6cnico da Eletronorte em cima
do que viria a ser o reservat6rio da hidrel6trica
de Balbina, no rio Uatuma, noAmazonas, que
eu criticava por causa do afogamento da flo-
resta. E o t6cnico, bem intencionado, honest
dizendo: mas como 6 que voc8 defended isso?
Isso aqui 6 um latossolo amarelo vagabundo.
Sim, e a floresta 1 em cima do latossolo, res-
pondi eu, com 40, 50 metros de altura, densida-
de fantastica? Nao conta? Mas 6 justamente o
que conta. Afinal, o que 6 a hil6ia, expressao
grega, que inspirou Humboldt para fazer o gran-
de batismo da nossa regiao? E floresta densa.
Este 6 o desafio: descobrir o coraq~o, a
ess8ncia, a alma da Amaz6nia nessa combina-
cao de Agua e floresta. Que n6s teimamos, re-
lutamos, nao aceitamos em descobrir at6 hoje.
AAmaz6nia 6 uma criaqdo ao mesmo tem-
po da natureza e da cultural Mas qual cultural?
A cultural que procura descobrir e adaptar, ou
a cultural que muda, que transform a paisa-
gem, a expectativa de quem chega como um
emigrante, seja o "seu" Joao da Silva, seja
Daniel Ludwig.
Quando Ludwig chegou a vArzea do rio
Amazonas, primeiro e 6nico dos capitalistas
dos grandes projetos, a ir para 1a, em 1967, o
que ele fez? Ele transplantou a t6cnica da Ge-
6rgia e fez uma plantaqao de arroz irrigado in-
viAvel, que faliu completamente. O que fez o
"seu" Joio da Silva quando chegou pela pri-
meira vez A Transamaz6nica? Desmatou o maxi-
mo de floresta que ele p6de ao redor, porque,
entire muitas outras coisas, ele ouvia sons, que
eram agressivos, que ele nao conhecia, dos
quais tinha medo. E de 1a da floresta densa saia
um terrivel animal chamado pium, um mosquito
com o qual os natives conviviam sem alarde,
mas que provocou febre hemorragica entire os
colonos e muita gente morreu sangrando.
Seja o MST, seja a multinational, eles nao
entendem o que 6 Amaz6nia. E querem fazer
que a Amaz6nia deles seja a Amaz6nia verda-
deira. Seja do assentado pobre, do assentado
explorado, que vai destruir o capital dele sem
saber que aquilo 6 capital.
Porque n6s nao conseguimos descobrir a
Amaz6nia. N6s nos recusamos a isso. N6s
somos os eternos colonizadores. Mesmo aque-
les que moram na regiao e pensam que sao os
agents dos oprimidos, os intelectuais, rastre-
adores do sentido da hist6ria, mas que nela -
e nela nao aprendem.
0 future comecou irremediavelmente, para
n6s, em 1973, quando, depois de todas essas
preliminares o levantamento aerofotogram6-
trico da Comissao Mista Militar Brasil/EUA, o
Projeto Radam, o Projeto Araguaia -, j se ti-
nham alvos selecionados na Amaz6nia. O Es-
tado brasileiro, o mesmo que ofereceu a Ama-
z6nia aos franceses, ingleses e portugueses,
que criou a SPVEA e o piano de valorizaqao
econ6mica, sem nunca aplicar na regiao os 3%
da receita tributaria que a valorizaria,.sem nunca


aprovar o seu piano de desenvolvimento, o
primeiro piano regional, essa mesmo Estado
esqueceu esses "detalhes" e criou a Sudam,
com suas terriveis estradas, rasgando a flo-
resta verdadeira, a da terra fire, e entregan-
do-a na pira do sacrificio ao devastador insa-
no, insensivel, irracional.
Muitos dizem que sou pessimista quando
faqo esse discurso, que exagero. Remeto os
incr6us ao texto do II PDA (Plano de Desen-
volvimento da Amaz6nia), que foi produzido
na administration imperial do nosso prussiano
general Ernesto Geisel. No II PDA, que 6 um
plano qiiinqiuenal, para o period 1975/79, mas
que at6 hoje 6 o enunciado mais claro do des-
tino da Amaz6nia pela 6tica de Brasilia, esteja
la quem estiver, inclusive o nosso Luiz Inacio
Lula da Silva.

ministry japon8s Saburo Okita visi-
tou Brasilia, em 1971, e foi recebido
pelo ministry mais poderoso de entao,
Delfin Neto, que hoje 6 do PMDB de Sao Pau-
lo, conselheiro e, quem sabe, future ministry
de Lula (ah, os ir6nicos deuses da hist6ria!).
Na 6poca, os dois pauses milagreiros eram o
Japao e o Brasil, que estava crescendo a mais
de 10% ao ano.
O ministry japones do com6rcio exterior
quis saber o que o Brasil ia fazer para manter
aquela taxa de desenvolvimento, que nao pode
ser sustentada por muito tempo atrav6s de ins-
trumentos como oA-5. Delfim lhe responded,
com panqa e rompanqa, que o Brasil nao tinha
poupanqa igual A do Japao, mas contava com
a Amaz6nia, que compensaria a insuficiente
poupanqa national agregando produtos no-
vos a economic brasileira, destinados total-
mente a exportacgo, drenando volumes cres-
centes de d6lares as contas do pais.
Essa era a 16gica que inspirava o PDA: o
modelo de desenvolvimento da Amaz6nia 6
inevitavelmente desequilibrado. Ele gera o
caos, uma concentraq~o de renda fantastica, a
irracionalidade. Ele 6 desequilibrado pela pr6-
pria natureza, em funqao da necessidade de
crescimento rApido. Mas esse desequilfbrio
seria corrigido pelo planejamento, um ato de
vontade do governor. Dai ser um modelo de
desenvolvimento desequilibrado corrigido. O
problema 6 que o modelo tem sido eficiente
apenas na criaqio do desequilibrio. JA a corre-
qao sao outros quinhentos. Por isso o Delfim,
conselheiro putativo do president petista,
receitar o crescimento do bolo e s6 depois o
seu fatiamento, o que esta sendo feito agora,
como present (ainda que de grego) aos ex-
cluidos do baile.
Esse desequilfbrio e esse caos sao, em
certa media, resultados desejados, sob con-
trole, mas em certos casos, nao. Eles geram
um monstro. E a relaq~o do Dr. Jeckyll e
Mr.Hyde. Imagine-se que o criador sempre
ira controlar a criatura, mas isso sera possi-
vel na Amazonia? O saber fazer podera se
impor ao fazer de qualquer maneira, a qual-
quer preqo, para corrigir depois, compensar
depois? Nao acredito nessa hip6tese. S6 se
chegara a um destiny mais nobre para a Ama-
z6nia fazendo o certo desde o inicio, procu-
rando o mais e o melhor antes de fazer.
A said nao 6 fechar a Amaz6nia para ba-
lanqo, mesmo porque esse caminho 6 ficticio:


6 precise enfrentar imediatamente os desafi-
os, de frente, com coragem, engenho e arte. O
desafio 6 saber reverter o process da explo-
raqio no sentido do process do conhecimen-
to e da libertaqIo. Fazer aquilo que Marx fixou
como uma utopia. Dizia ele que a ferrovia que
os ingleses abriam para conquistar a India se-
ria a mesmo pela qual os indianos os expulsa-
riam. O segundo movimento demorou demais.
Porque nao foi por acaso que Marx desenvol-
veu essas id6ias no Museu Britfnico. N6s
devemos nos abrir porque 6 impossivel nos
fecharmos. E precise secionar as vias e as vei-
as de sangria de riquezas da Amaz6nia.
Infelizmente a nossa hist6ria vem escrita
de fora, o enredo ja esta pr6-estabelecido fora
de n6s. E esse enredo provoca saltos de des-
continuidade, que nos deixam no vacuo da
compreensao. Fica faltando terra sob os nos-
sos p6s: ou caimos, ou levitamos. Eu digo que
em 1973 comegou a definitive integraq~o ama-
z6nica (sem aproximarqes seguidas de distan-
ciamento, como aconteceu sob Pombal ou
durante o monop6lio da borracha) porque o
mundo descobriu que a Amaz6nia 6 muita ener-
gia, na forma conventional ou a revelar. Des-
de entao, para a regiAo tem sido destinada a
produq~o de eletrointensivos ou mesmo a
obtenqao de energia bruta.
O japon8s Saburo Okita quis, em 1971, o
aval do principal home do sistema. Os japo-
neses iriam executar um projeto ousado, fechan-
do todas as suas fabricas de aluminio, a partir
do choque do petr6leo. E a maior fabrica de
aluminiojaponesa foi construida a 20 mil quil6-
metros do seu territ6rio e produz para os japo-
neses 15% da demand que eles trm de alumi-
nio, a um preqo inferior que osjaponeses obte-
riam se produzissem ali mesmo, no Japao. E fan-
tAstica a capacidade desse povo, que realizou a
maior transfer8ncia industrial que conhego, e 6
fantastica a incapacidade do povo que permitiu
essa soluqao, que somos n6s, sem tirar o mes-
mo beneficio dessa relaqao, que, pelo contrA-
rio, nos ter sido altamente deficitaria.

uantas hist6rias iguais a essas que
narrei ainda teremos que ouvir contar
sobre o modo como estamos escre-
ven destruindo o Genesis final? E possi-
vel escrever uma outra historic que nao essa
que nos t6m imposto? Eu acho que 6 possivel,
e 6 o que justifica estarmos aqui. N6s quere-
mos ser contemporfneos da hist6ria. Nao que-
remos ser apenas o coro grego, s6 para bater
palmas, nao para fazer o contracanto.
N6s queremos ser os personagens, porque
a hist6ria esta nos dando uma oportunidade,
inica. Muitos povos nao conseguem fazer his-
t6ria porque a deles ja passou ou nao chegou.
Outros nao conseguem porque a hist6ria foi
aprisionada. N6s ainda temos uma possibilida-
de de liberdade, de livre arbitrio. Seria muito
fAcil no discurso dizer: nao, o imperialismo, o
capitalism, seja 1a qual for o demiurgo, ja es-
creveu a hist6ria. O tinico que tern esse habe-
as-corpus 6 Deus. Que nao esta aqui. Como
dizia Guimaraes Rosa: se ele vier que venha
armado. E assim no Grande Sertao. N6s somos
o grande sertao. Mas queremos ser o que so-
mos: a grande floresta, a bela e maravilhosa flo-
resta, a personagem principal daAmaz6nia e da
6pera just que pretendemos escrever.


Jornal Pessoal 2' QUINZENA DEZEMBRO DE 2006








APA: estr ia silenciosa e fim


Quatro anos depois da criaqao do Fundo
de Desenvolvimento da Amaz6nia, a ADA fi-
nalmente o colocou em prtica, no dia 15. A
opiniAo piblica foi convocada para conhe-
cer os oito primeiros projetos que a Agencia
de Desenvolvimento da Amaz6nia aprovou,
20% do total de pretendentes habilitados
desde o ano passado, quando as exig8ncias
do 6rgao foram "flexibilizadas". Sdo sete em-
preendimentos de infraestrutura (ou "estru-
turantes", segundo o jargio) e um de produ-
qao (o 6nico do Pard, de menor valor).
Essas criaturas germinaram no 6tero da
ADA e do Banco da Amaz6nia, que 6 o agent
financeiro do fundo. Venceram as exigencias de
normas muito mais rigorosas do que as anterio-


res, em boa parte responsiveis pelas mazelas e
desvios da political de incentives fiscais para a
Amaz6nia, que culminaram na extinqao da Su-
dam, sob uma onda de malversagqo e corrup-
cao. Mas, por outro lado, nao precisaram en-
frentar o debate p6blico: a tramitaao foi intes-
tina, da qual participou apenas o corpo t6cnico
dos dois 6rgaos pfblicos. O produto s6 foi apre-
sentado ji pronto e acabado.
Sobre ele pode-se apresentar questiona-
mentos. Uma das novas e salutares inova-
96es 6 de que qualquer projeto s6 poderA se
usufruir o beneficio fiscal se ji estiver im-
plantado em pelo menos 20%. Em dois casos,
o nivel de implantaqao alcanqou de 70% a
80%. Nao seria melhor deixar que continuas-


sem a andar com as pr6prias pernas e apoii-
los no moment da reinversao?
Nao ha d6vida que a ADA estr6ia operaci-
onalmente expurgada de vicios e anomalias
detectadas durante o process de purgaqao
dos males da Sudam. Mas 6 estranho que te-
nha deixado para exaurir seu orqamento deste
ano, no valor de 684 milhies de reais, de uma
s6 penada eji ao final do exercicio, sem qual-
quer forma de consult ao p6blico, quando o
fato j~ esti consumado. Mais inusitado ainda
porque em 2007 a Sudam,ja recriada pelo con-
gresso national, estard de volta. E a ADA se
tornard peqa hist6rica, depois de cumprir um
papel transit6rio entire Mr. Hyde e Dr. Jekyll.
Nao 6 um bom enredo.


Lc LdiWIer

Landi
A assessoria de imprensa do
Fdrum Landi enviou a
seguinte carta:
No artigo"Landi: o circuit que
virou poeira", edicgo n0 380 do
Joral Pessoal, seu autor afirma:
"O projeto que minha filha apre-
sentou ha quase quatro anos,
como TCC de conclusao do curso
de turismo na Universidade Fede-
ral do Pard, sera integralmente exe-
cutado. Mas os responsaveis pela
aplicagao de suas id6ias, integral-
mente, se esqueceram de pelo me-
nos fazer referencia A autora da
proposta, Juliana da Cunha Pinto"
e identifica o F6rum Landi como
responsivel pela "apropriaqio
dos frutos" do trabalho de Juliana
Cunha Pinto. Sobre tais afirmaqes
o F6rum tem a dizer o seguinte:
Cidades em todo o mundo
oferecem aos seus cidadaos e a
visitantes circuitos temiticos corn
a finalidade de difundir conheci-
mento, educar e ajudar a manter
seu patrim6nio ou, simplesmen-
te, entreter. Em Barcelona, Espa-
nha, hd o "Circuito Gaudf"; no
Rio de Janeiro, a semelhanqa dos
existentes na Europa, ha o Tour
dos Fantasmas, criado pelo pro-
fessor Milton Teixeira, um pas-
seio finico pelos mais belos e as-
sombrados pr6dios hist6ricos da
cidade; e o Circuito Palladio, em
Vicenza, tem diversas modalida-
des, inclusive uma que visit as
famosas vilas paladianas pelos
canais que as interligam.
Os interessados tamb6m po-
derao encontrar a expressao "Cir-


cuito Landi" em reportagem pu-
blicada pela Revista Ver-o-Pari,
n 13, de 1999. A publicaqo su-
gere um passeio pelas obras do
arquiteto e oferece ao leitor um
mapa e resenhas com informa-
q5es e curiosidades sobre os
monumentos (material anexo).
Assim, o F6rum Landi, ao
nomear seu projeto de "Circuito
Landi: um passeio pela arquite-
tura setecentista na Amaz6nia",
nao estava inovando, apenas
seguindo uma tradiqao. Para de-
senvolv&-lo, a equipe responsd-
vel baseou-se em pesquisas de
professors associados, na con-
sistente bibliografia sobre o tema
e em sugestoes diversas. A pro-
fessora Elna Trindade e a arqui-
teta Beatriz Maneschy desenvol-
veram o roteiro te6rico que ser-
viu para a forma~ao de guias de
turismo que trabalharam no pro-
jeto, document que esti dispo-
nivel para download no site
www.forumlandi.com.br
Mais de 2,8 mil alunos das re-
des pdblica e privada participaram
do Circuito. Outros mil visitantes
participaram do Circuito Aberto.
Sobre a afirmacqo de que os parti-
cipantes do F6rum sdo os "no-
vos proprietarios de Landi", tra-
ta-se de umjuizo de valor que nao
nos cabejulgar. Entretanto, infor-
mamos que a entidade, fundada
em 2003, re6ne mais de 50 partici-
pantes em quatro pauses e seis
universidades. Muito j se produ-
ziu desde entao. Nosso esforqo
em 2007 sera o de ampliar, ainda
mais, o conteido e o acesso das
comunidades interessadas A bibli-
oteca virtual, que permit down-
load de todo seu conte6do, sem
custos, a todos os interessados.


MINHARESPOSTA
0 Circuito Landi foi criado
e posto em prdtica durante me-
ses sem provocar qualquer re-
paro deste journal. A iniciativa
integra efetivamente um vasto
acervo de circuitos espalhados
pelo mundo, varios dos quais
conhego pessoalmente. Trans-
plantara-se para Belem um con-
ceito mundial, aplicado, no
caso, a obra de um author Mas
quando a louvcvel iniciativa in-
cluiu a Casa Rosada, era impos-
sivel ndo deixar defazer o regis-
tro que apareceu na edigdo 380.
Durante vdrios anos defend
neste journal, sozinho, a recupe-
racdo e o uso do predio particu-
lar mais valioso da Cidade Ve-
lha, em alguns moments crian-
do algum atrito com seu propri-
etdrio, Paulo Bitar Minhas ma-
terias mereceram a atencdo e
providencia do Ministerio Ptu-
blico Federal, que acionou o
IPHAN. 0 institute fez um levan-
tamento na casa, que contribuiu
para a reform empreendida por
seu dono. Quando Juliana
transformou minha iddia no seu
TCC, ela conversou corn esse ci-
daddo para interessd-lo pelo
projeto. Naquele moment, seu
trabalho era o anico que desen-
volvera a ideia de transformar o
casarao atribuido a Landi num
centro cultural destinado a pes-
quisar, divulgar e difundir a ar-
quitetura do italiano em Belem.
Achei entdo que era just e ele-
vado consignar a hist6ria dessa
ideia para que, mesmo corn o
dep6sito do TCC no Curso de
Turismo, como document de
valor intellectual e legal, ela ndo
virasse poeira.


"Conv6nio"
Tenho acompanhado corn vivo
interesse as mat6rias sobre o "con-
vanio" da TV Cultura (Governo do
Estado) com as Organizaqies R8-
mulo Maiorana, desde a primeira
noticia no ano de 1997. Acho es-
tranho que as autoridades respon-
sdveis ainda nao tenham torado
as medidas cabiveis previstas na
Carta Magna (Art. 129, fiscalizar o
cumprimento da Lei). Alias, essa
querelajuridica, que se arrasta por
quase dez anos, 6 mais uma prova
inconteste da morosidade dajusti-
qa brasileira; por6m nao 6 s6 isso:
confirma-se, tamb6m, o tratamen-
to privilegiado que recebe uma
pequena parcela da decantada Re-
p6blica Democritica. Repete-se,
aqui, o escandalo da implantaqao
de sua matriz (Rede Globo), no Rio
de Janeiro, no ano de 1964. Uma
verdadeira afronta ao CONTEL
(Conselho Nacional de Telecomu-
nicaqao), ao C6digo Brasileiro de
Comunicaqao, A Constituido e, em
derradeiro, desafiou a "quartela-
da". E recebeu, como era previsto,
os afagos da Nova Repdblica.
Tudo isso estd cristalinamente con-
tado no livro do jomalista Daniel
Herz (A Hist6ria Secreta da Rede
Globo, 1987).
Urge que a sociedade organi-
zada se mobilize, pressione e co-
bre do poder executive rec6m-elei-
to, inicialmente, a finalizaqao do
process de auditoria comeqado
em 1977, pelo TCE, para servir de
prova robusta contra o saque ili-
cito ao erario p6blico. O pass se-
guinte 6 punir os transgressores
e repatriar os recursos para serem
aplicados em acqes/obras do go-
vemo em proveito do bem comum.
Rodolfo Lisboa Cerveira


A DEZEMBRO DE 2006 *2 QUINZENA Journal Pessoal


- ---LI.---~--~--~--~'---9Lur~--~-ri-








Utopia jornalistica

Jader Barbalho Filho, diretor-presidente do aIo que produz a informaqao de maior credi-
Didrio do Pard, comemorou o titulo de super- bilidade sobre a tiragem da imprensa. En-
mercadista de 2006, titulo concedido anual- quanto isso nao ocorrer, os nimeros apre-
mente pelaAssociaqgo Paraense de Supermer- sentados pela direqao do Didrio terao que
cados, anunciando que seu journal ji 6 o lider ser recebidos sob reserve.
do mercado. Nos dias de semana a tiragem do t fato que os veiculos de comunicaqao
Didrio seria o dobro da de O Liberal. No do- da familiar Barbalho sao muito mais pluralis-
mingo a diferenqa baixaria, mas nao seria elimi- tas do que os da famflia Maiorana. Neles 6
nada. Os an6ncios de varejo publicados na possivel fazer crfticas ao ex-governador ou
folha dos Barbalho teriam superado os dos ler noticias sobre sua carreira tumultuada,
Maiorana. Cor essa evoluqao, a complete in- enquanto nos 6rgaos do imp6rio Maiorana
versao da situaqao que prevalecia atd recente- tal coisa 6 simplesmente impossivel. Qualquer
mente, com um dominio absolute de O Libe- tentative de insinuaqao contra os donos da
ral, seria uma questao de tempo. corporaqao 6 preventivamente reprimida.
Essa perspective seria tao nitida que, em Mas a profissionalizaqao ainda 6 uma
entrevista concedida ao colunista Mauro meta no grupo DiBrio/RBA e nada proximo
Bonna, em seu pr6prio journal, Jader Filho de realizar-se. Presentemente, por exemplo,
anunciou o piano audacioso de tornar o Did- o journal aceita s6 abordar mat6rias contriri-
rio "ur dos maiores jornais do Brasil". A as a Companhia Vale do Rio Doce, um de
empresa ji disp6e de equipe para dar conta seus principals anunciantes, depois que a
da imensa tarefa. Mas vai adestri-la cada vez empresa divulga notas de esclarecimento. A
mais. Para isso, ji disp6e de um audit6rio, refer8ncia a acontecimentos inc6modos a
rec6m-concluido, que servird para a realiza- CVRD 6 feita num context a ela favorivel,
qao de semindrios e cursos para os jornalis- o que prejudice a isenqao editorial e a rique-
tas da casa. O Didrio, al6m de se tornar um za informative.
centro de formaqao e qualificaqao de mao- Neste moment, a cobertura de O Liberal
de-obra especializada, finalmente conseguiu a respeito 6 melhor. At6 ha uma inclinacao
se profissionalizar. Tornou-se independent mais critical, algo at6 pouco tempo atris im-
do seu patrono, o deputado federal Jader Bar- pensivel, ao menos desde que a Vale voltou
balho, dono do PMDB do Pard. a anunciar normalmente no journal dos Maio-
Seria bom se essas projeq6es ji tives- rana. Pode ser justamente porque a empresa
sem se materializado, pondo fim ao mando nao esta satisfeita corn a programaqao publi-
exercido por tanto tempo, de forma pr6xima citiria da CVRD ou pretend manifestar con-
ao absolute, pelo grupo Liberal. Mas nao 6 trariedade com o estreitamento da relaqao da
suficiente ao principal executive do Didrio Vale com os Barbalho.
declarar: ele precisa demonstrar o que diz. Espera-se que Jader Barbalho Filho con-
Embora seja evidence o crescimento da tira- sigajuntar mais fatos e provas as suas decla-
gem do journal, defini-la publicamente s6 sera raqoes de bons prop6sitos. A opiniao pibli-
possivel quando o Didrio ocupar o lugar ca precisa dessas melhorias tao ou mais -
que O Liberal deixou vago no IVC (Institu- do que o Didrio do Pard. Seria muito bom
to Verificador de Circulaqao), ao sair pela por- que tudo que foi dito ji fosse verdade. Mas,
ta dos funds e as pressas da institui- infelizmente, nao 6.


CASARAO
A prefeitura precisa correr antes que a
proposta de transformer a maravilhosa casa
das professors Anunciada e Paula Cha-
ves, na esquina da Rui Barbosa com a Boa-
ventura da Silva, num centro de cultural.
Esse centro, al6m de preservar o casarao
quase centendrio e incorporar a biblioteca
das mestras, tem que incluir o mini-bosque
do quintal, que parece ji comeqar a sofrer
certa intervenaio. Situaqao semelhante foi
a do solar dos Chermont, ocupando todo
quarteirao hoje partilhado entire duas tor-
res de apartamentos, entire a Governador
Jos6 Malcher e a Joao Balbi, pela Dom Ro-
mualdo Coelho. O casarao foi posto abaixo
e o bosque destruido.
Teremos uma reprise amarga?



-/

EM FAMILIAR
Destino singular o de Marcilio Montei-
ro. Comandou o estrat6gico Ibama at6 seu
principal instrument de poder, o Documen-
to de Origem Florestal (DOF), migrar para o
Sistema de Controle Florestal (Sisflora) da
Secretaria Executiva de Ciencia, Tecnologia
e Meio Ambiente (Sectam), com as novas
guias de control de produto florestal. A
Sectam, reduzida a Secretaria de Desenvol-
vimento, Ciencia e Tecnologia, seri coman-
dada por Maurflio Monteiro, irmao de Mar-
cilio, que ocupari a Secretaria Extraordini-
ria de Novos Projetos, em cuja 6rbita gravi-
tars a area ambiental, incluindo o novo Ins-
tituto de Desenvolvimento Florestal, o su-
cedaneo do Ibama na area estadual. Como
Marcilio 6 ex-marido de Ana Jtlia e Maurflio
6 seu irmao, independentemente da compe-
tencia de cada um, sera, por coincidencia,
quase uma engrenagem em familiar, a biol6-
gica e a institutional.


0 suspense do convenio


Escrevo na segunda-feira do
natal, 25, com uma important
d6vida na cabeqa: o "convenio
de retransmissao de sinais via
sat6lite" entire a Fundaqao de Te-
lecomunicaq6es do Pard e a TV
Liberal serd renovado?
O convenio foi assinado em
setembro de 1997, um ano antes
de Almir Gabriel encerrar seu pri-
meiro mandate, iniciado em 1995.
As relaq6es entire a Funtelpa e a
emissora da familiar Maiorana, afi-
liada da Rede Globo de Televi-
slo, remontavam a 1975, na ad-
ministracao Aloysio Chaves.
Mas nenhum dos cinco gover-
nos que mantiveram essa "par-


ceria" engendrou uma formula
tao leonina para o parceiro co-
mercial e tao lesiva ao erdrio: al6m
de se servir da rede de transmis-
sao da fundaqao public, como
sempre fizera, a TV Liberal pas-
sou a ser paga para se dispor do
patrim6nio p6blico. Originalmen-
te, 200 mil reais por m8s. Mas o
valor seria corrigido para acom-
panhar a inflaqao.
Jamais algo tao ins6lito foi
concebido na hist6ria da admi-
nistraqao puiblica no Para. Mas
nao sem prop6sito: o tucano Al-
mir Gabriel pretendia se reeleger
de qualquer maneira, mesmo que
tivesse de enfrentar um adversi-


rio com o peso eleitoral de Jader
Barbalho (o que acabou aconte-
cendo). Para isso, precisava con-
tar com o apoio incondicional do
maior grupo de comunicaqao da
terra, quejamais cede sua maqui-
na de informaqao (e manipulacio)
pelos belos olhos do "parceiro".
Nos cinco anos em que o
"convenio" vigorou sob sua ges-
tao, Almir transferiu para os Mai-
orana dinheiro suficiente para
construir uma nova Estaqao das
Docas, que custou 22 milh6es de
reais (o triple do valor de orqa-
mento). Em 30 de setembro de
2002, quando o prazo de valida-
de do "convenio" chegou ao fim,


o governador o prorrogou por
mais tr8s meses, garantindo a
sangria do erario at6 o final do
seu segundo mandate.
Seu successor, Simao Jatene,
nao deixou a TV Liberal na mao:
continuou a renovar o "conv-
nio". O 13 aditivo vencera no dia
29, quatro dias depois deste arti-
go ser escrito. Jatene o renovara
por mais um periodo-tampao,
como fez seu antecessor, trans-
ferindo o problema para Ana Ju-
lia Carepa? Se isso acontecer,
como se comportari a governa-
dora que se elegeu pelo PT cor
o compromisso da mudanga?
O suspense prossegue.


Jornal Pessoal 2 QUINZENA DEZEMBRO DE 2006









MEMORRIA DO COTIDIANO


Aviao
Em 1948 a Panair do Brasil
comeqou a usar o Constella-
tion, o avido mais modern
da 6poca, que compunha a
"Frota Bandeirante", no voo
entire Bel6m e o Rio de Ja-
neiro, ainda a capital fede-
ral. A viagem era direta e
durava seis horas.

Palmeira
Em 1958 a Fdbrica Palmeira
anunciava a producqo de
bombons, biscoitos, toffes,
parafines, caramelos, tabletes
e roquetes de chocolate es-
pecial, em instalaq6es dota-
das de ar condicionado "e
sempre em ambiente rigoro-
samente higienizado". Ofere-
cia "bons produtos hi 70
anos". Era a nossa Confeita-
ria Colombo. Ou mais.


'El....l Ic. 6*li


Urgencia
Constavam da lista de tele-
fones de urgencia da Folha
do Norte em 1958 (com qua-
tro n6meros) os do pr6prio
journal, Santa Casa, Farmi-
cia Comercial, Beneficente
Portuguesa, Bombeiros,
Central de Policia, Chefia
de Policia, Cais do Porto,
Departamento de Aguas,


PROPAGANDA

No Jurunas
0 popular e movimentado bairro do Jurunas vivia em
fungdo da Aldeia do Rddio, um p6lo cultural comandado
pela Rddio Clube do Pard. Havia o audit6rio, no qual
eram realizados programs "ao vivo" (expressdo que
ainda ndo fora criada). E o cinema, que nos dias de
semana tinha apenas uma sessdo noturna, muito
concorrida. Este anuncio e do final de 1958,
apresentando um filme de aventura, suspense e amor.




Cine ALDEIA DO RADIO
--JRUNS-
HOJE HOJE -
Horrloz 20 hras
Todo o tasciio dr urn
dawrI de aruel dourd-
das polo oL n8a hlai6"
cailvanto do "E' Khobu',
o deLmsor dos hunmldes
So sea amor pels flha de
um general da L"glio Esrangera. Kat bhryn Grayson, admiravelmente bala no
enu prlmeira fllme pars a Warner Bros. cantando, vibrando e amando Gordon
Macha., outro detac-4o astro &d can Sio em desempenho magstra.
"CANCAO DO SHEIK"
Cor pala Teebicolor Urn poe ma dcom"s a dmslca nmo oCurio e*n-
aeatsdo do desert I


Domingos Freire, Hospital
Bel6m, Juliano Moreira, Luz,
Maternidade, Ordem Ter-
ceira, Pronto Socorro, Poli-
cia Maritima, Maritimos e
Servico de Anestesia.

Propaganda
Osvaldo Mendes foi o primei-
ro president da Associaqao
Paraense de Propaganda, fun-
dada em 1958. Os outros
membros da diretoria eram
Aldride Soares, Milton Bas-
tos, Borges Correia e Salomao
Soares. No conselho fiscal
estavamAvelino Henrique dos
Santos, Jos6 Aragao Neves e
Pddua Costa, tendo como su-
plentes Gil Ribeiro, Edgar Pina
e Milton Andrade. Romulo
Maiorana era o president da
assembl6ia geral.

Livraria
Em 1965 a Livraria Don Qui-
xote atravessou a rua 6 de
Almeida: saiu da galeria do
Palacio do Radio, onde o es-
critor e jornalista Haroldo
Maranhdo a instalou, e foi
para o outro lado, funcionan-
do ao lado da Radional, a
empresa telegrdfica e tele-
fonica que foi, durante anos,
um dos canais de voz de
Beldm para o mundo. O
novo proprietirio, a firma
A. S. Melo, fundara
tamb6m a Livraria
Cervantes, na rua
28 de Setembro.
Nenhuma das livra-
rias durou muito
tempo mais. 0, '.fi


Prisao
Um sargento e um cabo do
Ex6rcito, acompanhados de
um investigator do DOPS
(Delegacia da Ordem Politi-
ca e Social), em ins6lita man-
ga de camisa (o palet6 era
usual na policia) entraram no
cart6rio Rui Barata naquela
manha de 8 de setembro de
1965. Havia um grupo de ad-
vogados e funciondrios con-
versando. Dirigiram-se a
dois deles: Rui Barata, o es-
crivao, e Benedito Monteiro.
Levaram-nos para depor no
quartel da 8a Regiao Militar,
onde era apurada a subver-
sao da ordem antes do golpe
de estado do ano anterior.
Rui voltou 15 minutes depois.
Benedito continuou depondo
por mais tempo. A partir dai
esse prende-solta viraria ro-
tina, sem se tor-
nar nunca uma
normalidade.


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10 DEZEMBRO DE 2006 *2QUINZENA Jornal Pessoal





,.4.." :~.~ 4E;
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FOTOGRAFIA

Paisagem urbana
Em 1973 a avenida Poritugl ainda era
inito d(fterLnte do que e lhoje. Havia
iransito ent duas minio. separadai por urn
clipper, jd demolido (havia outro mais
prd.xitn o lth r-o-Pesow. N'a dirtetdo
conlrdria ao sen/ido ionico eii vigor. unma
situaado insolita: o teniino de rua qu,
pegavu tli\i para o client. Havia entido
uima cartdnciat de lixis ea disputa era ido
intense que possibilitou o surgitenito do
"apanhador de tit\i". comno nmoUra a fboo.
- -- j ,-kj I 11M -~kC"~,~P~LY


f. t _L _,,._--= law


AI-5
O Ato Institucional n 5 completou 38 anos
no dia 13. E important nunca deixar a data
passar em branco. Foi um dos acontecimentos
mais tristes e desgastantes da hist6ria republi-
cana brasileira. E precise renovar suas terri-
veis liq6es. O AI-5 transformou o governor es-
tabelecido pelo golpe military de 1964 num
monstro. At6 entdo ele fora uma criatura hi-
brida, que tentava conciliar seus pruridos le-
galistas com seus instruments de forqa. De-
pois do ato, o que ficou para tris se tornou um
paraiso democrdtico.
Os defensores do AI-5, inclusive e, so-
bretudo os que o subscreveram, como o co-
ronel Jarbas Passarinho, alegaram em sua de-
fesa que ele se tornou necessario porque a
esquerda ji estava na luta armada. A cronolo-
gia a respeito 6 controversy. Admita-se, po-
r6m, que a esquerda tenha pegado primeiro na
arma para combater o governor military, que ocu-
pou ilegalmente o poder. Os mecanismos de
exceaLo a disposiqao do governor lhe permiti-
am imobilizar os adversirios sem derrapar para
a barbirie total do AI-5. Se ele foi concebido
como rem6dio, seu efeito foi muito pior do que
o problema para o qual foi receitado.
Uma das mais brilhantes geraq6es brasilei-
ras, incapaz de aceitar a barbarie, procuraou
uma forma de expressar sua dnsia de liberda-


Jornal Pessoal 2' QUINZENA DEZEMBRO DE 2006


de. Um dos canais foi um espeticulo musical-
teatral de protest tipico desse period. Co-
meqou com "Opiniio", prosseguiu cor "Liber-
dade, Liberdade" e alcangou seu apogeu corn
"Arena conta Zumbi" e "Morte e Vida Severi-
na", pulsaq6es de uma criatividade como pou-
cas vezes houve no pais, uma concentraqdo
de talents nunca mais reeditada em tal pro-
porgqo. Ao inv6s de reconhecer a legitimidade
da reagao atrav6s da inteligencia, o governor a
reprimiu como um possess. At6 hoje os efei-
tos dessa repressao ainda se manifestam.
Uma d6cada depois da ediqao do AI-5 nao
havia mais esquerda armada no Brasil, mas
os atos de violencia de direita, que culmina-
ram na tentative de executar o maior atenta-
do terrorist no pais, contra o espeticulo no
Riocentro, em 1981, recrudesceram. 0 obje-
tivo era impedir a redemocratizaqgo, desejo
de quase todo pais, inclusive de grupos que
ajudaram a implantar o regime military, que aca-
baram convergindo na campanha pelo resta-
belecimento das eleiq6es diretas para presi-
dente da repdblica.
O AI-5 foi uma das piores criaturas da his-
t6ria do Brasil. Quem o defended passa a se
assemelhar a esse monstro. Ambos devem ser
repudiados para que nunca mais esse lamen-
tdvel epis6dio se repita.


CINEMA
0 neg6cio da China de
Severiano Ribeiro
Junior em 2006 foi o
contrato com a
prefeitura de Bel6m.
Arrecadou quase 100
mil reais liquidos pelo
aluguel do Cinema
Olimpia, o im6vel
recebeu investimento
direto de mais 150 mil
reais e ainda teve
direito a beneficios
indiretos, como o
asfaltamento das ruas
em torno da casa. Mas
a montanha pariu um
rato: em mais de um
semestre, o que devia
funcionar como centro
de cultural
cinematogrifica se
restringiu a umas
poucas exibiq6es de
cinema.
Que 2007 seja muito
melhor. Se tal 6 possivel
na administrator
Duciomar Costa.








Gileno, o bom


A rigor, nao havia mercado de arte
em Bel6m quando Gileno Muller Chaves
comeqou a organizd-lo, tres d6cadas
atras. A pergunta que se fazia, na sema-
na passada, 6 se esse mercado subsisti-
ria A sua morte, ocorrida no dia 22, aos
63 anos. A resposta serd dada na prdti-
ca, ao long dos pr6ximos anos. Mas o
impact causado pelo s6bito desapareci-
mento do maior marchand que o Pard jai
teve nao pode ser minimizado.
Um estranho que visitasse as duas
galerias de Gileno, por6m, jamais con-
seguiria medir por elas a importancia
da sua presenqa. Marketing e relaqces
plblicas nunca estiveram entire as pre-
ocupaq6es do "alemao", que era exa-
tamente o oposto do figuring aplicado
a essa atividade, geralmente associada
a apar6ncia.
Nos vernissage um 6nico funcionirio
atendia rusticamente os convidados. Eles
deviam se contentar corn speras doses
de campari, ou A frugal Coca-Cola. O uis-
que national, claro era para ocasi6es
e pessoas especiais, discriminaqao que o
marchand nem cogitava de camuflar. Se
quisesse cativar o anfitriio, o visitante devia
assinar o livro de presenqa imediatamen-
te ao chegar. Nao o fazendo, seria acom-
panhado por um olhar inquisidor at6 cum-
prir sua parte no ritual. Sair A francesa
era o mesmo que se condenar: reapare-
cendo, estava sujeito ao risco de um co-
mentirio ironico ou mordaz; talvez, um
chiste definitivamente venenoso.
Foi sempre assim que artists encon-
traram um lugar seguro e bem freqilenta-
do para apresentar seus trabalhos, exibir
seus talents e se profissionalizar, conse-
guindo receita honest. O que menos im-
portava ao marchand era o neg6cio en-
quanto intermediaqgo commercial: Gileno
era um promoter de arte, um mecenas e,
sobretudo, uma fonte de cultural. Mas nao
num sentido restrito: ele realizava a cultu-
ra no amplo significado antropol6gico. Sua
principal galeria, a Elf, na antigamente aris-
tocrdtica avenida Generalissimo Deodo-
ro, era uma fonte de attitudes, informaq6es
e inovacqes na cidade.


Todos que a freqiientavam tinham, na-
turalmente, interesse pela arte. Mas esse
nao era o objetivo principal de tantas e
tao diversificadas pessoas, que iam ali
para sentar diante daquele Buda revesti-
do de aparencia germnnica, com a curio-
sa e viva alma cabocla, para falar e ou-
vir. O interlocutor precisava afiar a inte-
ligencia para dizer e armar-se de toda
percepqao para ouvir.
Gileno era como um ordculo de Delfos
estilizado: articulava mal as palavras, dei-
xava frases incompletas, enunciava enig-
mas, quando desafiado a elucidd-los, e se-
guia um m6todo socritico-peripat6tico, se
existe semelhante coisa. Fundou, portan-
to, um dialeto pr6prio. Os iniciados saiam
de sua sessdo oracular satisfeitos, enrique-
cidos. Um especialista que montasse a lista
das 10 pessoais niais influentes na cidade
teria que inclui-lo. Um nao-especialista se-
ria incapaz de chegar a ela. Um leigo nao
a aceitaria. Nem a entenderia.
S6 depois de alguma convivencia se
conseguia descobrir o que Gileno era: um
dos mais tipicos personagens de Santa
Maria de Bel6m do Grio Pard. Ele con-
tinha em si caracteristicas que, normal-
mente, se acham espalhadas por muitos
corpos. Algumas dessas marcas eram
harmonicas; outras, conflitantes. Tudo isso
era acomodado na persona (e personae)
desse cidadao que um dia se formou em
direito para, se fosse o caso, poder se
armar melhor para as muitas demands
que provocou ou aceitou em sua curta e
intense vida, cuja duraqco teve relaq~o
direta com essa intensidade. Ignorou so-
lenemente o diabetes, mas este nao per-
doou o impdvido desafiante, nem fez ou-
vidos a seus tao numerosos amigos, de-
sejosos de maior condescend6ncia para
com doente de uma recalcitrancia teimo-
sa sem paralelo. Gileno Muller Chaves
ainda tinha muita coisa por fazer. E indi-
caqco segura de que ainda vai aprontar
muitas e boas na dimensao na qual agora
se encontra. Na dos amigos que ficaram,
uma saudade que jamais haverd de pas-
sar. Ele foi, em came e osso, o Jeremias
que o cartunista Ziraldo criou: o bom.


-OI IIVIIII

Novo livro
Jd estd nas bancas e livrarias meu livro mais recent, O Jornalismo na
Linha de Tiro. Tem um pouco do primeiro volume, o prometido segundo
S volume e alguns acr6scimos e atualizag6es. Apesar de volumoso, com
mais de 500 paginas, custa apenas 30 reals, o mesmo prego do
anterior, com 300 paginas.Entre os documents que introduzi agora
estd a carta que escrevi a Romulo Maiorana quando do nosso
rompimento, em 1986, e a H6lio Gueiros, antes e depois de ele ser
governador do Pard (1987-1991). 145" -a %

12/15/8B 347'T-\ '


PASSARELAS

Um leitor sugere uma id6ia para a tra-
vessia de pedestres na avenida Almi-
rante Barroso: "nao seria interessante
se, ao inv6s de passarelas, fossem cri-
ados t6neis, de um lado ao outro das
vias p6blicas onde o fluxo de pedestre
6 grande? Estes t6neis, com muito
menos degraus, seriam mais seguros
e nao enfeiariam a cidade corn esses
monstrengos horrorosos de ferro ao
alto". E pergunta: "Serd que uma obra
ou virias obras dessas sairia mais caro
do que essas malfadadas passarelas?".
A resposta, por quem de direito.


NATAL BOM
Deve ter sido muito bom o natal do
servidor p6blico estadual deste ano. A
Escola de Governo pagou a bagatela
de 55 mil reais para a MK Produq6es
pela "prestaq~o de serviqos de profis-
sional do setor artistic consagrado em
ambito national pela critical especializa-
da e pela opiniao pdblica, para o even-
to Natal do Servidor Puiblico", confor-
me a nota de empenho 200601615.
Nem Papai Noel conseguiria tanto.


FUND
O president do Tribunal de Justiqa
do Estado, desembargador Milton No-
bre, anunciou a contrataqao de audi-
toria externa para o Fundo de Reapa-
relhamento do Poder Judicidrio. For-
mado pelo pagamento de custas na
justica e pelo funcionamento dos car-
t6rios, o fundo 6 uma apreciavel fon-
te de recursos para a administraq~o
judiciAria. Nos ultimos tempos, foi
constatada uma reduqao na arreca-
daqCo, situaq~o contraria A expecta-
tiva dos seus gestores.
Juntamente com o oportuno e ne-
cessario levantamento financeiro do
fundo, o president devia aproveitar a
oportunidade nao s6 para divulgar o
resultado da auditagem como para
prestar contas permanentemente do
movimento de entrada e said de re-
cursos do FRPJ atrav6s do site do TJE.
A opiniao p6blica, penhorada,
agradeceria a abertura dessa volu-
mosa caixa preta.



Editor: LOcio FI vio Pinto
Edigio de Arte: L A de Faria Pinto
Contalo: Tv Benjamin Constant
845/203/66 053-040
Fones: (091) 3241-7626
E-mail: jornal@amazon com br




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