Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00306


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Full Text






ornal
A AGENDA AMAZOF
NOVEMBRO DE 2006 2a


NICA DE LUCIO FLAVIO PINTO
QUINZENA N'380 ANO XX R$ 3,00


PAGINA 4


EM VERSALHES
PAGINA 5


JUSTIIA



Mais um crime


0 assassinate do promoter Fabricio Couto, dentro do f6rum de Marapanim, causou um
choque no Estado, cor repercuss&o national. Mas talvez nao provoque as medidas
capazes de impedir que novo crime venha a se repetir. Ou outros crimes.
A capital esta cada vez mais distant do sertko. E de costas para ele.


O advogado Joaio Bosco Gui-
maries, de 34 anos, entrou no
f6rum de Marapanim, a 127
quil6metros de Bel6m, na
manhi do dia 24, decidido a "fazer onda
braba", como admitiriadepois. Cor essa
finalidade, carregava dois rev6lveres ca-
libre 38 cheios de bala. Tomou um copo
de fgua e foi a sala da juiza Maria Apa-
recida Mourio. Mas ela nio estava: fora
abastecer de combustivel seu carro. Se-
guiu para o gabinete do promoter piblico
Fabricio Ramos Couto, de 37 anos. En-


trou, gritou e foi atirando: tr6s balas atin-
giram o peito do promoter e uma terceira
o seu braco direito. Quando Fabricio caiu,
perto da parede, ja morto, GuimarAes se
aproximou dele e deu-lhe mais dois tiros
na nuca. A onda era mesmo de barbarie.
Ao sair, deu cor a investigadora
Lourdes, que se assustou ao ver o ad-
vogado cor o revolver na mao. Guima-
ries a tranqiilizou: "simplismenteacaba-
ra" de matar o promoter, mas ia se en-
tregar ao delegado da policia civil. Se-
guiu em frente e, ja na rua, tendo a as-


sustada investigadora ao lado, descar-
regou o segundo revolver, atirando para
cima atd a (iltima bala. Cumprira a mis-
sao que se atribuira: como o desafeto
estava morto, podia ir para a prisao.
Dela um dia saira. Mas o promoter nao
voltard nunca mais a "persegui-lo".
O assassino talvez saia da prisio, i
qual fatalmente seri condenado, como
rdu confesso, preso em flagrante, bem
antes do que o impact causado pelo cri-
me provocou no Pari, cor repercussio
CONTINUE NA PAG 2


TUCANOS CAEM DO
GALHO DA MORAL

PessoaSTICA DO PARA







CONTINUAAO DA CAPA
national. Nao serf surpresa se o seu
defensor alegar que ele agiu sob o impul-
so de um transtorno mental qualquer ou,
sem maior sutileza, por ser doido.
S6 um maluco praticaria um ato tio
brutal de forma tio fria, entregando-se
ao final, sem tentar qualquer forma de
evasao ou resistincia. A tese da doidice
esti em voga, do que di prova o "caso
Murrieta": a desembargadora aposenta-
da sacou ilegalmente na conta dojudici-
drio sem tentar despistar ou camuflar seu
ato, por alegado desequilibrio mental. Ao
menos segundo a argumentaqio da de-
fesa da magistrada.
Tanto num quanto no outro caso, po-
r6m, a tese 6 inverossimil. Mais do que
qualquer desvio mental permanent, o que
parece levar a esses atos de selvageria
- ou de imoralidade 6 a sensacio de
impunidade. Ou a convicq~o, nio de todo
consciente, de que o crime compensa.
Paga-se um preqo leve, nem sempre na
forma de detencio ou prisdo, e fica-se
livre, leve e solto de novo. Para o efeito
quase inevitavel: areincidencia.
Entre a total impunidade e a pena bran-
da demais, a ineficiencia do aparato poli-
cial, a lentidio da engrenagem judicial e
a disseminacio de priticas de concilia-
qio e de conversao de pena, sem ade-
quada verificacio de cada caso subme-
tido ajulgamento, os canais de vazamen-
to dos delitos se multiplicam em muito
maior velocidade do que o encaminha-
mento dos criminosos para a responsabi-
liza go e a punicao.
Ojuizado especial criminal, criado em
1995 para livrar ajustiga de um proble-
ma cr6nico, o seu congestionamento por
demands acidentadas, que fazem do
"transito em julgado" uma raridade, aca-
bou deixando sem proteqao adequada a
vitima dos crimes. Inerte, ela assisted a
um autEntico leilao de penas alternatives
entire o criminoso e o representante do
Minist6rio Pdblico, sob as vistas nem sem-
pre desinteressadas do julgador, que de-
via apenas arbitrar, mas, frequentemen-
te, interv6m no litigio. Tudo na presenga
inerte do maior interessado, impedido de
falar a partir do moment em que rejeita
um acordo cor seu algoz.
E essa sensaaio de onipotencia do r6u
que deve ter levado o advogado Joao Bos-
co a planejar uma "brabeza" tipica de
quem julga tudo poder. Ele nao estava na
iminencia de nenhuma situaqCo punitive,
de uma condenaqio. Simplesmente esta-
va sendo compelido a devolver os autos
de um process de homicidio contra si ins-
taurado em 1998, no qual advogava em


causa pr6pria. A retenqio ja durava dois
anos, impedindo o andamento do feito. A
juiza simplesmente ameaqara recorrer as
sanc6es legais previstas, caso a ordem de
devoluaio continuasse a nio ser acatada.
Talvez Joio Bosco Guimaries tam-
b6m estivesse disposto a matar a juiza -
ou ao menos a coagi-la no dia 24. E
uma ddvida que restou na primeira apu-
raqdo dos fatos. Mas ele categoricamente
expedira uma ordem de morte contra o
promoter, a seu ver um desses "filhos de
papai" chegados mais recentemente ao
Minist6rio Piblico do Estado e que, na
6tica do advogado criminoso, "vivem acu-
sando os outros, prejudicando as pesso-
as, colocando gente na cadeia".
Da perspective saudavel, esses "filhi-
nhos de papai" sao servidores piblicos que
realizam sua missio de ficais da lei e au-
tores das aqoes penais de interesse pdbli-
co. Cumprir cor exadio a lei virou crime
na inversio de valores que se estabele-
ceu na sociedade brasileira, com infase
particular numa frente pioneira suscetivel
a todas as anomalias, como a Amaz6nia,
terra que cabe ao bandido "amansar". Ja
6 do senso comum essa anti-consciencia,
ou consciencia perverse.
Na nota official que distribuiu logo de-
pois do crime, o president do Tribunal
de Justiqa do Estado, desembargador
Milton Nobre, garantiu: "Esse crime nio
6 um fato isolado. Estao ficando triste-
mente comuns as ameaqas e viol6ncias
contra a integridade fisica e a vida de
promotores ejuizes em nosso pais, parti-
cularmente os que atuam na esfera pe-
nal, reclamando a permanent atenqio e
o provimento de seguranqa".
As sabias palavras contrastam corn
as pr~ticas, nem tao ou tao pouco -
s~bias assim. A hipertrofia do poder, cen-
tralizado na capital, foi apenas arranha-
da pelas provid6ncias descentralizadoras
da presidencia do TJE (ou do MP). As
sedes dos f6runs do interior estio em
melhores condiq6es fisicas e de apare-
Ihamento, corn 104 comarcas (nos 143
municipios paraenses) conectadas on-line
pela rede de computadores. Uma das
realiza9qes da administration de Milton
Nobre foi dar ao judiciario uma funcio-
nalidade de empresa, certamente uma
qualidade de quem chega ao desembar-
go diretamente de um escrit6rio de ad-
vocacia, graqas ao polemico quinto cons-
titucional da OAB no tribunal.
Mas juizes e promotores que cum-
prem efetivamente a lei nao estao mais
protegidos do que antes, ou sua protegqo
nao acompanhou a velocidade do agra-
vamento das ameaqas e constrangimen-


tos que sofrem na sua atividade cotidia-
na. A juiza de Marapanim disse a 0 Li-
beral que "ji se cansou de tanto requisi-
tar a presenqa de uma policial military nas
dependencias do F6rum de Marapanim",
sempre recebendo como resposta "a des-
culpa de que nao existe contingent sufi-
ciente para tender ao pedido".
De fato, o suporte military dado ao po-
der judicidrio de 70 homes agora ou
80 cor a aplicaaio da nova lei e insu-
ficiente, mas guard correspondencia
corn a participagao da justiga no orga-
mento do Estado. Nao hd, portanto, uma
discrepancia neste aspect. O problema
6 a monopolizacio desse service como
de outros na sede do poder e no aten-
dimento a sua c6pula.
Recentemente, o desembargador Mil-
ton Nobre props a extensao da guard
military destinada aos ex-governadores,
por iniciativa do governador Simao Jate-
ne, aos ex-presidentes do TJE. A media
nao seria questionavel se a Policia Mili-
tar pudesse tender a essa demand sem
comprometer outras, mais urgentes e gra-
ves. Mas parece que o lenqol 6 curto
demais para o tanto que hi a cobrir. Nessa
hora, a prioridade da ret6rica nao cor-
responde is situao6es de fato. Prevale-
ce a leitura distorcida do ditado biblico:
Mateus, primeiro os teus. Quem tern o
poder de conceder, concede primeiro a
si e aos seus. Ou s6 a eles.
Tornou-se evidence, em Marapanim,
que o advogado faria alguma coisa con-
tra o promoter que o importunava. O cri-
me era previsivel. Jodio Bosco Guimaraes
se achava no direito de resolver seus pro-
blemas segundo seus m6todos e impul-
sos, de birbaro. O process criminal a
que respondia resultou do exercicio des-
medido dessa presunqio de poder, nun-
ca inibida nos redutos da sua taba interi-
orana: ele baleou e tornou parapligico o
prefeito Osmundo Naiff, que, em 1998,
decidira reinaugurar a principal praqa da
cidade, trocando o nome original, que
homenageava o ex-prefeito Ant6nio Gui-
maraes, pai do advogado. O filho indig-
nado reagiu dando quatro tiros no prefei-
to e ferindo tamb6m um cunhado dele.
Ao se apossar dos autos do process,
Bosco deu o devido recado: nao aceitaria
ser punido. Provada sua violencia, a con-
seqii8ncia era previsivel, mas nto foi bas-
tante para a presidencia do tribunal refor-
qar a seguranqa no f6rum. Nem para o
Minist6rio P6blico atentar para uma cir-
cunstancia agravante: o promoter Fabrf-
cio Ramos Couto atuava na comarca de
Marapanim havia 10 anos seguidos, dos
CONTINUE NA PAG 3


2 NOVEMBRO DE 2006 *2'QUINZENA Jornll Pessoal








Linhas tortas
A hist6ria as vezes 6 caprichosa e ironi-
ca. Almir Gabriel transformou em Belezebu
o seu antigo aliado, Jader Barbalho. Passou a
considera-lo como simbolo de tudo que nao
presta no Para. Condenou-o a alvo da mora-
lidade tucana. Pois bem: o advogado contra-
tado para requerer habeas corpus em favor
do filho do ex-goverador 6 o mesmo que
defended o deputado federal do PMDB nas
suas muitas demands federais em Brasilia:
Jos6 Eduardo Rangel Alckmin, ex-ministro do
Tribunal Superior Eleitoral e dono de um dos
mais conceituados e cars escrit6rios de
advocacia da capital do pafs.
Alckmin foi tamb6m advogado do de-
sembargador aposentado Joao Alberto Pai-
va, em agao que props contra mim, a pro-
p6sito de decisao que tomou sobre a rumo-
rosa grilagem de terras da C. R. Almeida.
O famoso advogado veio de Brasilia para
uma audiencia de conciliagao, esta,que nao
houve. A sessao durou apenas alguns minu-
tos e a atuagao do notivel causidico se limi-
tou a apresentar sua carteira da OAB/DF
para qualificar-se e ouvir da parte oposta
que nao havia acordo. Isto posto, voltou ao
local de origem. Carissima participalao.
Apesar de toda sua influencia, Alck-
min nao conseguiu a ordem do HC que
solicitou para Marcelo Gabriel, solto logo
depois pela Policia Federal, um dia antes
do encerramento do prazo de cinco dias
da prisao temporaria.


PELA CULTURAL
Que al foimar um ino\ imen-
to em defesa da TV\ Cultura
e chamar a Anatel la Agen-
cia Nacional deTelecomuni-
cacoesl a se manifetar a
re-speino'
O canal da T\' Cultura do
Para foi concedido para \ ei-
cular uma progrjma(,o nao-
comercial. Irradiando a cultu-
ra paraense a todoo Etrado.
No entanto. essa emissora.
integrante da rede ptiblica de
telel, iao. esid impedida de
ulihzar a proplia rede de re-
SIranisnissiho para cumpnr ,ua
f inalidade. j. que as aniena ,
; e estao6es da Funtelpa sao
usadas exclusiarnente pela
TV Liberal. que e uma em-
presa cornercial.
0 mo\ irnento e\igina da
SAnatel o cumpnmento da lei
das telecomunicag(es, deter-
minando a Funtelpa que de-
nuncie o rnalfadadocon enio.
SOu entao e melhor extinguii
Sa TV Cultura. cujo alcance ,
F se limit a Belem e arredo-
res. Ou cancelar sua conce'-
siao, que perdeu a finalidade.
* 1' rfr-,, -.-^- e ..^L su. ^ IIV.W-lr V laav-Vt


Salvar a decada
Ao long desta d6cada varios pr6dios de
grande valor hist6rico de Beldm completa-
rao um s6culo de vida. Completarao? Alguns
ja desabaram. Outros estao prestes a desa-
bar. Alguns estao desfigurados. Outros es-
tao sendo mutilados. Construiu-se muito e
bem nesse period. Foi o auge da explora-
gao da borracha, que se refletiu na riqueza
arquitet6nica da cidade. Preocupados ape-
nas em salvar o que resta do period coloni-
al, estamos dando atengio demasiadamente
pequena i primeira d6cada do s6culo pas-
sado, que foi tao exuberante.
Que tal a prefeitura (ou, a sua falta, uma
organizaaio da sociedade civil) iniciar um mo-
vimento para salvar essa fase brilhante dos
novecentos? O primeiro trabalho seria inven-
tariar essas construcaes, montando um ca-
dastro. Encontrando os proprietarios, estimu-
li-los e apoid-los para que facam a restaura-
cao ou a conservaqao. Como um cidadao esti
fazendo corn um casarao na travessa Rui Bar-
bosa, entire 28 de Setembro e Manuel Bara-
ta. O que era uma casa em ruinas esta vol-
tando a ser um pr6dio digno e bonito.
A cidade, penhorada, agradeceria.
O movimento poderia se estender imedi-
atamente h restauraqio do Boulevard Cas-
tilhos Franca. Hi um primeiro projeto em
andamento para recuperar um dos grandes
casaroes ameacados at6 recentemente. Po-
dia servir de estimulo a bem-vindas iniciati-
vas semelhantes.


CONTINUAFAO DA PAG 2


12 em que estava no MP. Ficou tanto tem-
po assim porque quis ou porque nao tinha
revelado competancia para merecer re-
mocao (o que sua atividade desmente)?
Mesmo que um desses fatores ou
os dois combinados existisse, era de
elementary cautela nao permitir uma per-
manencia tao longa no mesmo lugar, ain-
da mais corn a agravante do process
criminal contra o atrabili.rio filho do ex-
prefeito. Demandas tensas e conflituo-
sas como essa acabam se tornando ques-
t6es pessoais.
Promotores e juizes que nao sao
"filhinhos de papai" estacionam ou giram
pelo interior de um Estado territorialmente
tao extenso como o Pard sem perceber
um crit6rio universal de suas chefias para
transferencias e promoq6es. Muitos de-
les tem motives de queixa contra segui-
dos atropelamentos nas remoq6es por
merecimento ou na lotaqao em comar-
cas melhores. Entendem que 6 precise
procurar o abrigo de um poderoso. O QI


que hoje prevalece na admissao atrav6s
de concurso puiblico, o Quoeficiente de
Inteligencia, nem sempre 6 o QI que pre-
valece nas promoq es por merecimento,
o Quem Indica.
Dois dos mais recentes desembarga-
dores do TJE vieram da assessoriajudici-
al que o desembargador Milton Nobre
criou em seu gabinete. A media deu mai-
or fluencia ao encaminhamento das ques-
t6es atinentes a presidencia do tribunal e
tirou do president encargos secundirios,
al6m de permitir aos magistrados ter um
igual como interlocutor, sobretudo para
tender necessidades imediatas.
Ambos os juizes-assessores do de-
sembargador-presidente eram merecedo-
res das promoq6es, conferidas por una-
nimidade. Mas o evidence patrocinio do
president, atropelando normas e critdri-
os, se tornou mais rdpida a ascensao de
seus auxiliares (que acumulavam a titu-
laridade de varas), criou tamb6m um ran-
go de favorecimento pessoal, que nem


justiga faz is qualidades dos favorecidos.
Certamente eles haviam de chegar ao
desembargo. Mas provavelmente nio de
forma tao expedida, corn a assinatura do
patrocinador do feito.
O assassinate brutal do promoter de
Marapanim escancarou os contrastes que
se estao encravando ou consolidando na
estrutura da organizai.o judiciiria. O cri-
me ocorreu exatamente quando o poder
inaugura sua nova sede, corn toda pom-
pa e circunstancia, urn investimento de
32 milh6es de reais dividido quase ao meio
corn o executive. Mas certamente traria
maiores beneficios a justica se criasse,
nas distantes e muitas vezes violentas pa-
ragens do interior, fatores de intimidaaio,
prevenqgo e repressao a atos como o do
advogado Joao Guimaries. Do contri-
rio, eles continuarao a se repetir, inde-
pendentemente das palavras sibias que
forem ditas a prop6sito e da consterna-
qao geral pelo fato trigico como prome-
teu o assassino, o morto nao volta.


Jornal Pessoal 2' QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 3








A pristo do filho, o silencio do pai


Tr6s golpes seguidos acabaram corn
a hegemonia do PSDB no Pard, que ji
durava 12 anos e prometia se estender
por pelo menos outros quatro, puseram
fim A carreira political de Almir Jos6 de
Oliveira Gabriel e lancaram ddvidas so-
bre os voos futures dos tucanos no Esta-
do. O primeiro golpe foi a frustraqAo das
expectativas de uma decisato para o go-
vernojI no 1 turno, corn a confirmaaqo
de um terceiro mandate ficil para Almir.
O segundo golpe foi a vit6ria de Ana Ji-
lia Carepa, do PT, no 2 turno, cor uma
diferenqa de 300 mil votos. O terceiro
golpe veio no dia 14, cor a prisao do fi-
lho mais velho do ex-governador, Mar-
celo FranCa Gabriel, em mais uma ope-
raqao de impact da Policia Federal, que
submeteu ao circere, por quatro dias, ele
mais nove pessoas.
Todas foram acusadas de former uma
quadrilha, atuando no serviqo piblico e
em virias empresas privadas, usando "la-
ranjas" e outros subterf6gios para escon-
der que atuavam em conjunto. Frauda-
ram a previd8ncia social em mais de nove
milh6es de reais, mas o prejuizo causado
a administration piblica em geral pode
chegar muito al6m, caso as investiga96es
ainda em curso confirmed as suspeitas
da policia sobre uma aqao e um alcance
ainda mais amplos.
A prisao temporaria foi concedida
cor base no enquadramento dos inte-
grantes da quadrilha nos crimes de fal-
sidade ideol6gica, sonegaqao previden-
cidria e corrupqao passiva, al6m da for-
mad.o de quadrilha. Embora a primei-
ra investida visasse apenas as fraudes
causadas ao INSS, o seguimento das
apuraq6es poderi identificar crimes em
outros stores da administraqao fede-
ral e no ambito dos governor estadual
e municipals.
O governador Simao Jatene tratou
logo de esclarecer que qualquer dentin-
cia feita na esfera da sua competencia
seria imediatamente apurada. Mas si-
lenciou sobre as informaq6es que va-
zaram do inqu6rito da PF sobre a adio
da quadrilha em virias instancias da
administration estadual, cor nnfase no
Ipasep. A casa do president do insti-
tuto previdenciario, contra o qual nio
foi expedido mandado de prisao, foi in-


vadida pelos policiais, com endossoju-
dicial, para a apreenso de documen-
tos, considerados importantes para
comprovar fraudes ji apontadas.
Como uma das principals plataformas
dos tucanos 6 a da moralidade pdblica,
apresentada como monop6lio do PSDB,
em oposiqgo a um passado de corruppo
desenfreada e generalizada no Pard, a
prisio do filho do ex-governador Almir
Gabriel, justamente o mais present e
ativo nos bastidores do governor, fotogra-
fado e filmado algemado, comprometeu
seriamente o uso desse element de di-
ferenciagao dos politicos tucanos. Mes-
mo que a operacao da PF nao traga no-
vas surpresas desagradiveis para o
PSDB, esse impactoji foi suficiente para
sugerir um nivelamento por baixo, sem
distinqio, entire politicos. A social-demo-
cracia deixou de ser a vestal da morali-
dade piblica e o ex-governador Almir
Gabriel o seu icone. O PSDB do Pard
teve o mesmo destiny do PT federal.
Desde que J6 questionou seus con-
temporfneos ("serei eu guia do meu ir-
mao?", reclamou ele, segundo a Biblia),
a questio estd posta: toda familia ter que
pagar pelo erro de uma ovelha negra?
Ficou famoso o caso do marechal Tauri-
no de Resende: como comandante da
Comissao Geral de InvestigaCio, a terri-
vel CGI, criada para apurar os crimes de
corrupyo e subversao no pais depois do
golpe militarde 1964, ele foi surpreendi-
do pela dentincia de que o pr6prio filho
era subversive. Acabou tendo que se
afastar do comando.
Almir Gabriel podia declarar-se com-
pletamente surpreendido e mesmo estu-
pefato pela revelago dos desatinos do
filho, que pelo menos em parte foram
cometidos em repartiq6es p6blicas sob o
comando final do pai. Nesse caso, o ex-
governador devia fazer uma declaragqo
ptblica apoiando a investigation dos fa-
tos at6 seu complete esclarecimento, sem
deixar de manifestar, como pai, seu apoio
para o filho superar o moment dificil.
Podia tamb6m defender a lisura do filho
e a inocencia do seu pr6prio governor.
Havia outras tantas alternatives vilidas
para combinar a moral puiblica i moral
privada. A pior delas foi a que o ex-go-
verador escolheu: o sil6ncio.


Enquanto algumas das empresas envol-
vidas ou denunciadas na investigagao di-
vulgavam suas notas, em geral toscas, con-
testando a den6ncia da Policia Federal,ju-
rando inocencia e colocando-se a disposi-
q.o para os devidos esclarecimentos, sem
maior 8nfase, o silencio do ex-govemador
diante das desventuras do filho lembrava
incomodamente o velho ditado popular:
quem cala, consent. Pelo silencio, Almir
estaria reconhecendo a culpa de Marcelo?
Parece ter sido esta a interpretacio mais
generalizada dada ao epis6dio. Mas outra
podia ser apresentada: surpreso e abatido
depois de duas derrotas inesperadas, o ex-
goverador nao teve mais forqas para rea-
gir. Ji estaria at6 finalizando a mudanca de
residencia para Brasilia.
Credite-se em sua conta essa supo-
siqao, mas uma coisa parece certa: o
ex-governador nao foi realmente sur-
preendido pela operaqio da PF. Nem
alguns dos alvos da operacqo. A infor-
maCao sobre a imin6ncia da investida
parece haver circulado em faixas pri-
vilegiadas nas tres semanas que decor-
reram entire o pedido de prisio pela
policia, a den6ncia pelo Minist6rio Pi-
blico Federal e a aprovacio dojuiz fe-
deral, cumprida ao final de uma sema-
na da data do seu despacho.
Talvez as autoridades nao se tenham
preocupado tanto cor o element sur-
presa, tal a robustez das provas reunidas
contra os membros da quadrilha. Uma
consistencia que pode ter inibido a repe-
ticao das enfiticas e dramiticas decla-
rages que se seguiram a operacao con-
tra integrantes da diretoria da Companhia
Docas do Pard e suas extens6es, por cri-
mes assemelhados. Mesmo porque a in-
vestigaclo sobre o grupo liderado por
Marcelo Gabriel e Joio Batista Ferreira
Bastos, mais conhecido (desconcertan-
temente) como Chico Ferreira, comeqou
emjaneiro do ano passado, como desdo-
bramento de outras duas operaq6es da
PF, a Caronte e a Galil6ia.
Sob o silencio do consentimento, tudo
indica que haveri mais um capitulo dolo-
roso para varios dos envolvidos e tam-
b6m para novos personagens. E, prova-
velmente, mais um golpe na bandeira
moral jt rota dos tucanos do Para. E de
outros Catos ao tucupi.


NOVEMBRO DE 2006 2 QUINZENA Jornal Pessoul









Tribunal de Justiga ganha



seu Palacio de Versalhes


O novo pr6dio do Tribunal de Justiga do
Estado custou 32 milhoes de reais aos co-
fres pfiblicos. O governor do Estado, propri-
etirio do im6vel, entrou cor R$ 17,5 mi-
lhWes para bancar a restauraqdo do antigo
col6gio Lauro Sodr6, uma suntuosa cons-
trucio que ficou cor sua feiqdo definitive
no inicio do s6culo XX, sem uso hi virios
anos. A parte do judiciario na obra foi de
R$ 14,5 milh6es, usados para levantar um
pr6dio anexo, que completou os 37 mil me-
tros quadrados de direa construida a servi-
go da cipula do poderjudiciirio paraense.
A inauguraqgo foi marcada para o dia
1 cor toda pompa e circunstancia, abri-
lhantada pela presence da president do
Supremo Tribunal Federal, ministry Ellen
Gracie. Tudo foi concebido e executado
para que o pr6dio sirva de marco hist6ri-
co, assegurando a perenidade da mem6-
ria do seu realizador, o president do TJE,
desembargador Milton Augusto de Brito
Nobre. A obra reflete perfeitamente o
obreiro. Talvez por isso mesmo, sem essa
intenqdo, sua perenidade seja mais pole-
mica do que imaginava o seu idealizador.
Diz-se que o TJE ter dep6sitos no
valor de mais de R$ 100 milh6es no Ban-
co do Estado do Part, do qual se tornou
client essencial. Dinheiro, portanto, nio
Ihe falta para realizar seus projetos. A
parceria cor o governor do Estado foi
considerada perfeita: o "Lauro Sodr6"
estava ameaqado de deterioraqio, des-
de que um desmoronamento o deixou seu
uso. O dono estava disposto a dividir as
despesas corn o inquilino porque nio se
dispunha a reocupar o im6vel. A harmo-
nia nio podia ser melhor (e, alias, foi com-
pleta at6 demais entire executive e ajus-
tiqa na gestio Milton Nobre).
Mas se podia partir para a empreita-
da, o TJE devia mesmo realizd-la? Pou-
cos anos atrds foram gastos quase R$
10 milh6es para dotar o tribunal de uma
sede, precAria, mal dimensionada, mas
cara. Se ha dinheiro sobrando, nao seria
melhor montar uma guardajudiciaria, bern
preparada para sua dificil missao, espa-
lhando-a pelo interior, onde os f6runs se-
riam mais bem aparelhados, do que par-
tir para uma nova sede? Algumas das
prioridades da administracgo judiciaria
nio estao distorcidas, desajustadas a re-
alidade do Pard atual?


Ele nio 6 mais o terceiro Estado em
receita do Brasil, gragas a exploraqco da
borracha, como era quando o imponente
liceu de artes e oficios foi erguido e re-
formado A margem de uma estrada ain-
da preciria, como era a ferrovia de Bra-
ganca, confundindo-se no perimetro ur-
bano cor a avenida Tito Franco. A sun-
tuosidade foi a marca de algumas obras
p6blicas desse republicanismojuvenil que
construiu pr6dios maiores do que a sua
utilidade pratica (de que 6 exemplo tam-
b6m o Mercado de Sgo Braz, ainda a
procura de uma destinacio adequada).
A expansdo por absorqio da vizinhan-
qa, que marcou o crescimento fisico do
poder judicidrio no bairro da Cidade Ve-
lha, criou problems tipicos da improvi-
saqio, da falta de planejamento. Pesa-
dos os pr6s e os contras, por6m, era inte-
ressante e positive o funcionamento da
comarca da capital ao lado do tribunal e
do Minist6rio Piblico, permitindo um gan-
ho de rentabilidade para todos.
Todos, exatamente, nio. Alguns desem-
bargadores desgostavam abertamente do
que chamavam de "promiscuidade" corn
juizes, numa confusao de instAncias, com-
petencias e diferencas, algumas 6bvias e
necessdrias, outras nem tanto ou muito
pelo contririo. Expressando este estado
de Animo, o desembargador Milton Nobre
aponta como a maior qualidade da sua
mais recent realizaio ter, finalmente,
dado uma sede pr6pria para o TJE, que
"deixa de funcionar em depend6ncias da
Comarca de Bel6m", conforme a entre-
vista que deu a 0 Liberal.
De fato, cor a construqio do pr6dio
onde funcionou a partir do primeiro go-
verno Alacid Nunes (1966-71), o tribunal
ocupava apenas o ultimo dos quatro an-
dares da construcio. Mas cor a sede
adaptada de velhas edificacqes, no largo
de Sio Joio (ou praga do Libano), o TJE
passou a funcionar num pr6dio s6 seu.
Mas ao lado do f6rum criminal e do ou-
tro lado do f6rum civel.
Nio bastava: precisa se instalar lon-
ge dessa companhia, para que o "jurisdi-
cionado" possa saber exatamente onde
ajuizada sua causa "e que a morosidade
na tramitaqdo ou no julgamento do pro-
cesso, se houver, nio 6 do Tribunal de
Justica, mas dojuiz de tal vara".


E complete o president na mesma en-
trevista, publicada no iltimo domingo: "a
mudanqa da sede do Tribunal, distancian-
do-se das dependencias da Comarca, per-
mitira aojurisdicionado saber quem 6 quern,
separar o joio do trigo e comeqar a com-
preender que reclamaq6es generalizadas,
dirigidas ao Tribunal, estao equivocadas
porque as responsabilidades apontadas nio
se responsabilidade do Tribunal".
Mas e se forem? Se ojurisdicionado
concluir que ojoio 6 o desembargador, que
ret6m o recurso, e nio ojuiz, que instruiu
o process? Nesse caso, o Tribunal terd
legitimidade para sustentar seu desloca-
mento para extra-muros dos menospre-
zados juizos singulares da comarca, agru-
pados na complicada Cidade Velha?
Construindo uma esp6cie de Versa-
lhes-ao-desembargo, Milton Nobre pode,
por erro de ajuste a realidade, atrair para
ela os sans-coulotte de uma revolucao
francesa ao tucupi, corn sotaque ligeira-
mente alterado pelo patod do Tocantins.
Uma manifestaqio de protest, como as
que freqUientemente bloqueiam toda area
em torno do conjunto do Ver-o-Peso, re-
alizada na avenida Almirante Barroso,
fard a cidade inteira parar.
Como o antigo "Lauro Sodr6" 6 real-
mente um palacio, talvez os senhores
desembargadores nem sejam incomoda-
dos pelos manifestantes, outrora conhe-
cidos como "a ral6" e, hoje, como "a pa-
tul6ia". Providencial, nesse sentido, foi a
supressao da passarela que, bem em
frente A nova sede do tribunal, possibili-
tava a travessia dos comuns dos mortals
pela via de mais intense trdfego da cida-
de, a principal de acesso e said.
Nio import que agora os antigos usu-
arios da passarela que se foi estejam mais
ameagados na sua aventura r6s-do-chao,
entire os carros. Nem que, um pouco mais
adiante, a prefeitura se proponha a gas-
tar R$ 7 milh6es numa passarela high-
tech (at6 cor elevador) em frente a um
shopping particular, o Castanheira. Nos
seus gabinetes fechados, bem refrigera-
dos, bem atendidos, as pessoas talvez
nem se lembrem que a rainha Maria An-
tonieta, enfadada, se permitia achar que
essa 6 a ordem natural das coisas.
LA fora, a realidade teima ou em afir-
mar o contrdrio.


Jornal Pessoal 2 QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 5









Os 60 anos de 0 Liberal


A trajet6ria de O Liberal, que no dia
15 chegou a 60 anos, pode ser dividida
em tr6s etapas, exatamente iguais at6
agora: 20 anos (1946-66) comojornal de
partido, o PSD de Magalhdes Barata; 20
anos (1966-86) sob o comando pessoal
de Romulo Maiorana; e 20 anos (1986/
2006) mantido pelos herdeiros, I frente
dos quais esti o mais velho dos dois fi-
Ihos homes, Romulo Maiorana Jinior.
A novidade, depois da data do 600
aniversirio, 6 que a terceira fase pode
se tornar mais longa do que as anterio-
res. No curso dos pr6ximos anos a cor-
poraqdo ainda teri que responder a um
desafio que se imp6s corn a morte de
Romulo. Ele carregou o bastao de pas-
sagem entire uma etapa e a outra, mas
nao concluiu o item fundamental para sua
obra prosseguir depois de seu afastamen-
to: a profissionalizaqao da empresa.
Em continue atividade, impondo-se
sempre novos desafios, Romulo nao teve
tempo nem disposiqco para preparar con-
venientemente a profissionalizacgo da sua
empresa familiar, que criou e transfor-
mou numa fonte de poder no Pari. Sur-
preendido por uma doenca feroz, dedi-
cou seus iltimos meses a azeitar as en-
grenagens para que elas continuassem a
funcionar sem maiores entraves: deixou
dinheiro em caixa, obrigacqes em dia e
um piano de expansdo em andamento.
Grayas a essas providencias, nao hou-
ve problema de continuidade quando ele
morreu, em abril de 1986. O Liberal con-
tinuou a crescer, principalmente pela via
da modemiza~go industrial, e pela incom-
petencia dos seus concorrentes (o que jA
fora decisive quando Romulo, assumin-
do o mais fraco dos jornais diirios, colo-
cou-o no topo do ranking cinco anos
depois). Mas ao inv6s de complementary
essa ousadia em investimentos em capi-
tal fixo corn aplicaq6es em material hu-
mano e em consistencia administrative,
o journal passou a usar seu incontestivel
poder de pressao para extrair receitas
crescentes do poder piblico, em especi-
al do governor do Estado.
A formula que garantiu uma expan-
sio constant da empresa em meio a tan-
tas crises ao redor revela mais uma vez
a sua fragilidade: as poderosas e impres-
sionantes Organizag6es Romulo Maiora-
na se tornaram patologicamente depen-
dentes de verbas p6blicas de publicidade
e assemelhadas, em grandes doses.


Essa dependencia ji se manifestara
quando Jader Barbalho assumiu pela se-
gunda vez o governor do Estado, em 1991.
Depois de sofrer uma campanha siste-
mitica e agressiva, tentou retaliar os
Maiorana, que o boicotavam, fechando o
caixa do tesouro. Mas, aos poucos, aca-
bou cedendo as exigencias. Pragmatica-
mente falando, nao tinha escolha: qual a
outra alternative, num mercado de virtu-
al monop6lio, como o da imprensa para-
ense naquela 6poca (98% dos leitores de
journal liam O Liberal, dizia a propagan-
da, que, ji entto, talvez fosse mesmo
enganosa, mas ningu6m conferiu)? O
imp6rio Maiorana ganhou essa batalha,
depois de perder a guerra eleitoral.
O segundo moment se apresentou
quando Edmilson Rodrigues, entao no PT,
assumiu a prefeitura de Bel6m pela pri-
meira vez, em 1997. Ele tentou seguir o
caminho de ataque de Jader Barbalho,
mas acabou retornando pelo mesmo ca-
minho de composigio: provavelmente
concede ao imp6rio ainda mais verba
do que seu antecessor, H6lio Gueiros, que
era um aliado, mas deixou cascas de ba-
nana na rota de said do Palacio Ant6nio
Lemos (que o novo alcaide precisou re-
colher, a peso de ouro).
Nos tres entreveros seguintes cor a
Rede/Celpa, o Banco da Amaz6nia e a
Companhia Vale do Rio Doce, tres das
mais poderosas empresas em atuacqo no
Estado os Maiorana tamb6m se sairam
bem. A CVRD, que chegou a contestarju-
dicialmente a cobranqa de um titulo supos-
tamente frio (mas sem endosso) apresen-
tado em nome de Delta Publicidade. A Vale
replicou com uma aqo de indenizaqdo, algo
in6dito nos anais do grupo Liberal, recuou,
fez acordo, voltou a despejar publicidade
nos veiculos e nunca mais tocou nas de-
mandas emjuizo, que dormem a sono solto
na 8a e na 18a varas civeis de Bel6m.
Reforqados pela sensagqo de onipo-
tencia extraida desses epis6dios, os Mai-
orana podem se sentir acima do bem e
do mal, tudo digamos assim poden-
do. Calafetaram as rachaduras, pintaram
as manchas, amarraram os locais soltos
e colocaram sua f6 numa impressora ale-
ma de filtima geragqo, comprada por 10
milhbes de euros sem a necessidade de
aval. "Preparado", o espelho jamais re-
velaria a nudez do rei. Ele seria o rei da
cocada preta, nio o da quitanda, como
dizem os maledicentes e invejosos.


O primeiro imprevisto grave na ma-
nutenqgo desse piano de poder surgiu
cor a necessidade de desfiliaqao ao
IVC (Instituto Verificador de Circula-
Cio). Apesar de a corte se recusar a
admitir que o traje do rei 6, na melhor
(ou na pior) das hip6teses, invisivel, j6
nao 6 mais possivel deixar de v&-la quan-
do o traje bonito nio 6 mais refletido pelo
espelho "trabalhado".
0 Liberal deixou de ser o lfder ab-
soluto no mercado dejornais, como pro-
clamava. Mantem o primeiro lugar, mas
a uma distancia pequena do seu perse-
guidor, o Diirio do Pari, que conti-
nua evoluindo, embora ainda nao tanto
quanto devia ou podia (se nao, teria
substituido o concorrente no IVC e, a
queda, desferido o choice, se a tanto
pudesse se credenciar).
Se a aparencia de O Liberal ainda 6
melhor, em conteido nao hi diferenqa
destacivel. O crescimento do journal do
deputado federal Jader Barbalho 6 tao
categ6rico que crescem os boatos sobre
uma parceria dele corn a CVRD neg6-
cio que nao 6 apenas eleitoral (a compa-
nhia foi a maior financiadora de campa-
nhas na 6ltima eleigao no Brasil). Quan-
do sofreu combat cerrado nos veiculos
da familiar Maiorana, a Vale do Rio Doce
fez sondagens cautelosas sobre uma "ter-
ceira via" na imprensa didria paraense,
que estaria disposta a patrocinar, por be-
cos e travessas.
O resultado nao foi animador: a em-
presa acabou tendo que aceitar os ter-
mos da rendigqo. Mas um home inteli-
gente, decidido e pragmitico como Ro-
ger Agnelli, o plenipotenchirio president
da Vale, nao deve ter gostado da fragili-
dade da sua posigqo junto a opiniio pi-
blica do Estado mais decisive para os seus
prop6sitos de grandeza. Daf a insistencia
das verses que dao como certa uma
parceria CVRD-Grupo RBA por bai-
xo dos panos, naturalmente.
De objetivo, por6m, hi apenas a vei-
culaaio de publicidade no grupo barba-
lhista, o que nao 6 pouco, e a troca de
gentilezas entire os dois personagens.
Deixou de haver favorecimento ao gru-
po Liberal, sempre tendente a cobrar pri-
vil6gios em funaio do seu poder (de fa-
lar ou silenciar). O efeito de mais esse
ponto negative para o imperio Maiora-
na se acentuou corn a nova derrota elei-
toral e fragorosa sofrida corn a elei-


6 NOVEMBRO DE 2006 2 QUINZENA JornialI Pessol










e o pesado jogo do powder


qio de Ana Jilia Carepa, para o gover-
no do Pari.
A novidade em relaiao As derrotas
das ORM no passado 6 que desta vez
hi do outro lado dois adversaries (ur
potential, Ana Julia, boicotada pelos
veiculos dos Maiorana, e outro real, o
pr6prio Barbalho) do outro lado. Al6m
disso, a familiar exagerou na manipula-
aio de informar6es contra a candidate
do PT, como hi muito tempo nio se via.
Combateu umjornal de politico, como o
Didrio do Pard, renunciando a lhe opor
profissionalismo empresarial. O Liberal
foi tio ou mais tendencioso e passional
do que o Didrio. 0 menor volume de
publicidade na ediiao comemorativa do
60 aniversirio e o tom menos incisive
do inevitivel artigo de primeira pigina
assinado por Romulo Jr. dizem alguma
coisa sobre o novo context.
Da retrospective (ou retroperspec-
tiva) dos Maiorana, nio havia outra op-
qio durante a eleiqio: a empresa que-
ria, a todo custo, manter seus privil6gios
na programaqio da publicidade official.
Se uma derrota significasse a perda si-
bita do rio de dinheiro que drena do eri-
rio para o caixa das ORM, a vit6ria ti-
nha que ser buscada por todos os meios
e m6todos. Ao menos para preparar a
corporagio para viver sem o aditivo
monetirio fundamental para sua progra-
maqio financeira.
Veio a derrota sem qualquer prepa-
ro para a autonomia da empresa. A
sorte do imp6rio esta selada? Os mais
apressados ji estio achando que sim:
todos os inimigos dos Maiorana, que nao
sio poucos e nio sao destituidos de
impetos de vinganqa, se reuniriam em
torno de Ana e Jader para o acerto de
contas. Logo, na gangorra do poder, o
grupo RBA subiria para o grupo Libe-
ral descer.
Mas a realidade 6 um tanto mais com-
plexa do que essa geopolitica primiria 6
capaz de expressar. Se o journal esti em
franco declinio, apesar das apar6ncias em
contrario (sempre pouco mais do que
aparencias), hi ainda o poder da televi-
sio. A TV Liberal cometeu muitos erros,
alguns crassos (como a ausencia de in-
vestimentos em equipamentos, o contri-
rio da regra no journal, que a deixou para
tris e envelhecida) e outros inacrediti-
veis (como as falhas na cobertura jorna-
listica da rede).


A ainda mais poderosa TV Globo nao
reagiu corn quebra de contrato ou qual-
quer outra media dramitica: simples-
mente interveio na TV Liberal para co-
locar a afiliada no eixo do padrdo Globo
de qualidade. A intervenqio ji dura me-
ses e nio ter data para ser levantada. E
por isso que pelo video saem noticias que
sio cortadas ou maquiladas no papel im-
presso. Essa maior atengio ao jornalis-
mo ecoa as ordens de profissionalizadio
dos herdeiros de Roberto Marinho, mui-
to mais sensiveis a essa determinaqio do
que seus "primos" afins.
A Globo tenta corrigir os erros e as
imprevidencias dos Maiorana, mas essa
tarefa demand tempo. Atd que um bom
resultado seja alcanqado, s6 podem con-
tar cor seus parceiros, se acharem-nos
recuperiveis. Uma suspensio brusca do
indecoroso convenio da Fundacio de
Telecomunicaqoes do Pard cor a TV
Liberal privaria a rede Globo de espalhar
sua imagem pelo Estado, o segundo mais
extenso do pais. Os Maiorana criaram
rede pr6pria de retransmissio apenas na
area de influencia de Bel6m. Para a gran-
de maioria do interior, a programaaio glo-
bal segue pelas antenas e estaq6es da
Funtelpa, que, por isso mesmo, se torna-
ram vedadas a TV Cultura. Os Maiora-
na nao se importaram cor as extrava-
gfncias desse convenio, pelo qual quem
cede paga para servir a quem fatura.
Os terms de uma future relaiao te-
rio que sair desse enredo kafkiano, car-
rollliano ou orwelliano, conforme a esco-
Iha do surreal. Mas a Globo mandou di-
zer que nio ji e nio por inteiro: na for-


maSio do seu preqo de venda esti com-
putada uma audiencia cor a inclusao dos
municipios paraenses; sem eles, haverd
perda. Pequena, claro. Mas quem quer
perder dinheiro?
Alguns situam nesse context o tra-
tamento especial dispensado hi duas se-
manas pela Globo a Jader Barbalho. A
noticia do recebimento de mais uma de-
nincia contra ele pelo Supremo Tribunal
Federal mereceu o latifiindio temporal de
dois minutes e meio no Jornal Nacional.
Por acaso? Obvio que nao foi s6 por isso:
hi questoes nacionais, political e empre-
sariais, algumas com um elo certo (o de
Ant6nio Carlos Magalhies, por exemplo),
mas o residue local deve ter sido lembra-
do tambdm. O tempo excepcionalmente
long a uma noticia ruim para o ex-sena-
dor foi um recado inequivoco. Destinou-
se a faze-lo recuar em seu expansionis-
mo de poder, sobretudo junto ao presi-
dente Lula, avalista da sua tentative de
retornar ao centro decis6rio.
Esse tratamento nio pode ser usado
contra Ana Jtlia Carepa, nem deve ha-
ver esse prop6sito quanto a ela. A inten-
gio pode ser a de sugerir-lhe que uma
negociacio em torno de objetivos comuns
sera de bom tamanho. A nova governa-
dora haveri de avaliar os recados e pe-
didos, mas a ela se impoe, para ser coe-
rente cor o discurso da campanha e a
votaaio da vit6ria, uma outra dimensao,
superior a essa: a dos legitimos interes-
ses do povo paraense. Espera-se que ela
chegue ao produto correto. Ou a hist6ria
Ihe apresentard a conta de chegada: a
irrelevancia e o esquecimento.


Journal Pessoal 2 QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 7










Landi: o circuit que virou poeira


Pronto: cor a anunciada aquisiqlo da
Casa Rosada pela Alubar, a empresa argen-
tina que beneficia aluminio no distrito in-
dustrial de Barcarena, o projeto que minha
filha apresentou ha quase quatro anos,
como TCC de conclusao do curso de turis-
mo na Universidade Federal do Para, sera
inteiramente executado. Mas os responsi-
veis pela aplicaqao de suas id6ias, integral-
mente, se esqueceram de pelo menos fazer
referencia a autora da proposta, Juliana da
Cunha Pinto.
O projeto do "Circuito Landi" foi apro-
vado corn louvor pela banca do curso. At6 o
apresentei ao reitor da UFPA, Alex Filza de
Mello, que tamb6m referendou o projeto de
Juliana. Quando exatamente a mesma id6ia
comeqou a ser posta em pratica, esperei por
alguma refernncia a Juliana, por mera ques-
tao de integridade intellectual, sem nenhum
outro objetivo (nao somos empreendedores,
esti-se a ver). Afinal, o projeto foi registra-
do e depositado no curso de turismo da Uni-
versidade, garantindo a propriedade intelec-
tual de Juliana. Mas os novos proprietarios
do arquiteto italiano Antonio Landi, como
inventories da roda, ignoraram a hist6ria re-
alizada e provada.
Nio Ihes tiro o m6rito da realizagqo, da
inventive, da capacidade de atrair recursos
para p6r em pratica a boa ideia, apresenta-
da pela primeira vez (ou ao menos compro-
vadamente materializada) por minha filha.
Ela parece seguir o destiny do pai, geral-
mente ignorado, mesmo quando o que se
faz result de alguma iniciativa sua. Como
no caso da Escola de Minas de Marabi,
id6ia que adotei mais de 15 anos atrds (ins-
pirado, evidentemente, na Escola de Minas
de Ouro Preto, em Minas Gerais, a primeira
do pafs, velha de 150 anos) e sustentei des-
de entdo em intimeros encontros pdblicos,
inclusive e, sobretudo em Marabd, du-
rante muito tempo sozinho, sem eco. Nao
fui sequer convidado para a solenidade de
inauguragqo.
Tudo bem: final, sou um home puibli-
co. O que interessa 6 que as sementes frutifi-
quem. Mas outra coisa 6 a apropriaq5o dos
frutos por quem nao fez a semeadura. Nem
sempre quem plant 6 quem colhe. O mais
important 6 que a colheita seja servida aos
comensais, mrnito maiorde quem serviu. No
entanto, nao 6 precise que sepulte os que o
antecederam na cadeia dos fatos. Ou a hist6-
ria nao sera um continue de realizacqes: esta-
ri sempre comeqando.
Agora que a Casa Rosada, tema de tan-
tas notas publicadas nestejornal, finalmen-
te 6 adquirida para ter melhor serventia e
perenidade garantida, acho que posso me
permitir assegurar a minha filha, depois de
meses e meses de mudo acompanhamento
do F6rum Landi, o registro do seu pioneiris-
mo nesse projeto. Do trabalho que apresen-
tou, reproduzo apenas a parte referente A
Casa Rosada, que fica na esquina da primei-
ra rua de Bel6m (a atual Siqueira Mendes)
com a travessa F6lix Roque, quase ao lado
do Largo da S6, na Cidade Velha.


Prop6s Juliana:
"O Circuito Landi, a arquitetura barro-
ca italiana na Amazonia do siculo XVIII 6
uma proposta que ter como objetivo as obras
de Landi em Bel6m, a comeqar pela Casa Rosa-
da e seus diversos monumentos espalhados
pela cidade. Tern como escopo conscientizar e
informar, n5o somente aos paraenses que des-
conhecem sua hist6ria, mas a todos que se
interessam pelo valor de suas obras, fazendo-
os usufruir adequadamente essa riqueza, atra-
indo visitantes do Brasil e do exterior para algo
que s6 ha em Bel6m, a obrado barroco tardio
de um arquiteto italiano naAmaz6nia.
Dividido em duas parties "Piri, o ini-
cio ", e "A Expansdo o Circuito ter como
ponto de partida a Casa Rosada, localizada
no centro urban de Bel6m.
A primeira parte, feita pela manha, mos-
trard ao visitante o inicio da cidade, sua his-
t6ria e as obras mais importantes desse perf-
odo. Comeqaremos cor uma palestra sobre a
biografia de Landi, na Casa Rosada, segui-
mos a p6 pelo Forte do Castelo, Museu de
Arte Sacra, Igreja da S6, rua Dr. Assis, Igreja
do Carmo, Museu do Estado do Para, Igreja
de Sao Joao, Museu de Arte de Bel6m e fina-
lizando cor um almoqo no Forte do Castelo,
sugerido pelo guia.
A tarde teremos a segunda etapa, tendo
como tema a expansao da cidade, passando
pelo aureo da borracha. Visitaremos a rua Joao
Alfredo, important via de encontro da alta
classes paraense; as famosas lojas Paris
N'Amrrica e Bon Marche; a Igreja de Santa-
na, por quem Landi era devoto; Boulevard
Castilho Franqa; Estagqo das Docas; Com-
plexo Ver-o-Peso; Igreja das Merces; rua XV
de novembro e terminando na residencia cons-
truida por Landi na Frutuoso Guimardes.
Acredito que essa visit, antecedida e
sucedida por exposiqoes introdut6rias e
contextualizadoras, estabelecerA uma pon-
te entire o mais important projeto colonial
portugu8s do iluminismo, que tinha Bel6m
como centro da con- ___
tinuidade da presen- Piri,oinicio
qa lusitana no Brasil, Casa Rosada-8:00h
e a hist6ria da Ama- 9:00h said cor o
z6nia dos nossos Forte doCastelo-15
MAS 30 min.
dias, cor um novo S -15min.
e -15 min.
projeto metropolitan R. Dr. Assis
em curso, tomando a IgrejadoCarmo-15
regiao como capitulo MEP-30min.
fundamental da manu- Igreja de S. J. Batista
teno das candies MABE- 30 min.
teno das condies Almoo no Forte do
de habilidade humana A Expans&o
num planet sujeito a Casa Rosada 14:0(
ameaqas ecol6gicas rio
graves e desejoso de 15:00h said com
graves e desejoso de R. Joao Alfredo
usufruir os recursos Lojas Paris N'Am6ricm
que a natureza ofere- da) 10 min.
ce. Creio que esta IgrejadeSantana-1
sera uma maneira ori- Tv. Castilho Franca
ginal aisprofunda Estao dasDocas-
ginal e mais profunda aproveitar e tomar ur
de associar turismo e Ver-o-peso 20 min.
hist6ria, a busca do Merces -15 min.
prazer corn a necessi- XV de novembro
dade de conhecer Residencia Landi na
para transformar.


O roteiro apresentado neste trabalho sera
uma das opqCes que os profissionais da Casa
Rosada irdo desenvolver. O objetivo 6 diver-
sificar os roteiros sem alterar sua essencia, a
importAncia de Landi na construqio da Be-
16m colonial. Importantes pontos turisticos
farao parte do program como complement
que sdo dessa hist6ria, que se inicia cor a
fundaqco de Beldm, em 1616, passando pelo
perfodo iureo da borracha at6 os dias atuais.
A Casa Rosada CR sera o ponto de
encontro e partida. Antes da saida para o
city-tour, o grupo se reuniri no mini-audit6-
rio da CR para assistir a explicaqao do rotei-
ro: de que forma sera conduzido, o compor-
tamento adequado do turista e a dura5ao
geral da visitaqio.. Esta introduqio, feita
pelo guia especializado, 6 concluida corn uma
palestra de 40 minutes sobre a biografia do
arquiteto e uma breve contextualizaqao his-
t6rica de nossa cidade.
Serso entregues ao visitante, ap6s o t6r-
mino da explanaq5o, a programaqaio do city-
tour e materials promocionais sobre a Casa, e
um resume hist6rico de Bel6m e a important
participaqgo de Landi na composicio arqui-
tet6nica da cidade.
As pessoas que desejarem, poderio dei-
xar seus pertences de m5o nos escaninhos,
fechados corn suas respectivas chaves. lo-
calizados na receplio.
Os horArios de saida serio em dois tur-
nos. A atividade da manhi inicia as 8 horas,
cor a apresental.o do roteiro desenvolvida
por profissionais, no audit6rio da CR. As 9
horas o grupo sae para visitaqio. A tarde, a
palestra comeqa as 14 horas, cor saida mar-
cada para 15 horas. O tempo estipulado para
cumprir o program na Casa Rosada ji esti
incluso contra-tempos como atrasos do tu-
rista, problems t6cnicos internos, etc.
A duraqio total do roteiro "Piri, o ini-
cio sera de aproximadamente 3 horas, fina-
lizando cor um almoqo opcional sugerido
pelo guia. A m6dia de tempo gasto 6 de 15
minutes em cada atrativo turistico, exceto
nos museus que possuem seus programs
internos pr6prios conduzidos por seus mo-
nitores. "A Expansdo "
possui um tempo me-
palestra no audit6rio nor, de duas horas
upo para city-tour aproximadamente, em
iin. funlAo de ser um rotei-
ro mais panoramico.
0 percurso 6 todo
n. feito a p6 nos dois city-
tours. Os pontos turfs-
10 min. ticos estao localizados
stelo (sugest.o) na parte mais antiga da
cidade, de ruas estrei-
- palestra no audit6- tas, algumas impossibi-
litadas para o trAfego de
rupo para city-tour vefculos. Dessa forma,
Bon Marchd (facha- a caminhada torna-se
mais viavel e prazerosa
nin. pois o visitante poderi
admirar casaroes, ruas,
min. (O turista pode outros atrativos que
orvete da Cairu) outros atrativos que
nao estio inclusos no
program masque vale
a pena conhecer e vi-
ituoso- 10 min. venciar a realidade do
centroo antigo de Bel6m.


8 NOVEMBRO DE 2006 *2'QUINZENA Jornal Pessoll


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CVRD: retraglio em Caraj/ s?


A Companhia Vale do Rio Doce
mantera simultaneamente duas frentes
de atuaqao no setor de niquel, continu-
ando a implantar os seus dois projetos
o Vermelho e o Onqa-Puma em
Carajas, enquanto assume as ativida-
des da Inco no Canada e em outros
pauses? A Inco 6 a empresa que detdm
as maiores jazidas de niquel do mundo,
reserves suficientes para absorver a
CVRD durante muito tempo e permitir
deixar CarajAs para depois.
Uma fonte dentro da empresa asse-
gura que, cor a compra do grupo cana-
dense (ver, a prop6sito, as tres ediqoes
anteriores do Jornal Pessoal), a CVRD
iniciou o cancelamento de investimentos
no Brasil, como o Projeto Niquel do Ver-
melho, que ainda esta apenas na enge-
nharia basica. Os t6cnicos australianos
da Miniproc, proprietaria anterior do de-
p6sito,juntamente cor t6cnicos sul-afri-
canos ainda concluem o detalhamento
basico, com a participa~go da empresa
Minerconsult, de Belo Horizonte.
Mas as equipes encarregadas dos
suprimentos, da implantaqio e gerencia-
mento do projeto retornaram aos seus
pauses. Do empreendimento original se-
ria instalada apenas a plant de acido
sulfdirico, que tamb6m ira tender o Pro-
jeto 118, para a produFio de cobre, em
Canai dos Carajas, gerenciado pela SEI,
tamb6m de Belo Horizonte.
A prop6sito da mat6ria sobre o sildn-
cio da imprensa em torno da transaqgo,
a mesma fonte ressaltou a contradiqio
dos grandesjornais, que vem divulgan-
do as posiq6es do Cade (Comissao Ad-
ministrativa de Defesa Economica), en-
carregado de acompanhar e aprovar as
fuses e aquisioqes de empresas para
impedir cart6is e monop6lios. Ha cons-
tantes mat6rias sobre as restriq6es fir-
madas pelo Cade contra a associacao
da Ambev com a Brahma e a Antarcti-
ca, contra a Kolynos na compra da Col-
gate, e da Nestl6 na aquisigqo da Garo-
to, mas nada 6 dito sobre a monopoliza-
qdo da CRVD.

Debate virtual
Meu artigo da edicao passada aca-
bou provocando um pequeno debate no
site do Observat6rio da Imprensa, de
Sio Paulo, que reproduzo para ver se a
opinido ptblica local se interessa:
Pedro Brasil, administrator e
estudante de jornalismo de Salvador,


na Bahia: A Vale nio tem obrigagao
nenhuma de pedir permissio ao gover-
no brasileiro para comprar um parafuso
sequer. E, ainda bem, uma empresa pri-
vada. Ter, pelo lado do governor, ape-
nas o BNDES como s6cio, e s6cio mi-
noritario. Em rela5io ao interesse bra-
sileiro, creio que seja um pouco mais
interessante que a CVRD tenha com-
prado a Inco do que o contrario, o que,
em geral, acontece. Fica parecendo que
a empresa nao invested mais no Brasil, o
que 6 um erro de proporqoes dantescas.
Ademais, se na 6poca da privatizagio o
governor tivesse exigido que se manti-
vesse o quadro de funcionarios da Vale
em 85% do que era, terfamos um certo
problema, 6 verdade. Hoje, privada, a
Vale s6 emprega quase 4 vezes mais
gente do que quando era estatal.
0 mineiro Ivan Moraes, moran-
do em New Jersey, nos Estados Uni-
dos: "Quando a transagio foi consuma-
da, nenhuma voz se levantou para ques-
tiona-la pelo prisma dos interesses bra-
sileiros". Mas o fato 6 que a transagio
foi consumada, e a Vale investiu 19 bi-
lh6es de d6lares nao s6 fora do Brasil
como em um pais de primeiro mundo -
a Vale teve bons exemplos. Infelizmen-
te, nio 6 mais a hora de campanha de
maledicencia. Tenho certeza que a Vale
foi investor li no primeiro mundo porque
estava de saco cheio de lidar
cor [...] paulista. Essa nova campanha
de maledic6ncia que, alias, comegou
na semana passada cor a igreja cat6li-
ca pedindo por reestatizacdo, vai ter que
se virar pra outra coisa, talvez a Bolivia
ou a Venezuela de novo, porque a Vale
esta a esse ponto protegida por lei inter-
nacional. E como empresa NAO esta-
tal a Vale vai continuar de saco cheio
de investor em Latino Am6rica por cau-
sa de sabotagens paulistas. Quanto tem-
po essa campanha paulista de sabota-
gem atrav6s da imprensa vai durar na
media brasileira 6 um mist6rio, mas se
algu6m nao parar la agora, ela vai dei-
xar todo mundo doidinho pelos pr6ximos
8 anos. A hora de valorizar a Vale era
quando ela era cem por cento brasilei-
ra. Nao agora. Ela nio 6 a 6nica, nem a
primeira, nem a ultima companhia bra-
sileira que tirou bilh6es do Brasil.
De novo Ivan Moraes: Ooooops:
antes de me esquecer, definitivamente,
nada do que eu falei se aplica a voce
em especifico, LFP, eu estou direcionan-


do o assunto pra outra diregio. Ainda
ontem estava comentando cor algudm
que se o pacto de gas Mato Grosso/Bo-
livia der certo, os paulistas o sabotari-
am. Eis aqui a Vale sendo amaldicoada.
Por mais [...] que seja, a Vale 6 priva-
da. Acabou a historic.
Minha intervenf~o: A opiniao 6
livre, mas os fatos sio sagrados. Antes
de vender sua estatal, por um preqo que
Euromoney (em matdria de densas 16
paginas) considerou de banana, o gover-
no demitiu 10 mil funcionarios da
CVRD. Desestatizar nao 6 pecado e,
no caso da Vale, pode at6 ter um saldo
positive. Mas vender burramente, como
no caso, 6 estupidez ou ma-f6. Ajustes
de uma estatal a uma empresa privada
foram deixados de lado ea a aio espe-
cial, a Bond Share, atW agora foi papel
decorative. As distorq6es de uma esta-
tal sujeita a injundio political foram su-
cedidas pelas distorq6es de uma empre-
sa privada cor prerrogativas de verda-
deira agencia pdblica, mas corn feroci-
dade por dividends de organizagio fi-
nanceira. A Vale nao precisou prestar
contas ao governor brasileiro para adquirir
a Inco, mas teve que responder ao ca-
tecismo do governor canadense, cuja
maior exigencia foi a manutenaio dos
empregos dentro do seu pafs. O gover-
no tern que ajudar e nao atrapalhar em-
presas privadas dinimicas e competen-
tes como a Vale atual, mas nio se pode
nem se deve abstrair a moldura dos
interesses piblicos. Enquanto da expli-
caqges ao governor da empresa que com-
pra, a Vale ignora o governor da sua sede.
E, diga-se em seu favor, o governor se
esquece de que 6 governor. Por isso,
nenhum ajuste 6 feito aqui nos stores
de niquel e cobre, oligopolizados sob
base concentradora. Ah: e nao sou pau-
lista. Sou apenas paraense.
Ivan Moraes, mais uma vez: "En-
quanto da explicaq6es ao governor da
empresa que compra, a Vale ignore o
governor da sua sede. Concordo corn to-
dos os seus pontos. No entanto, os dados
que voce nos passa, principalmente na
segunda sentenqa, demonstram igualmen-
te o contrArio, que foi o governor que ig-
norou a Vale e a esvaziou de valor! Quan-
to a storess de niquel e cobre, oligopoli-
zados sob base concentradora", o que se
aplica ao produto brasileiro em geral se
aplica aqui: mais lucrative exportar a
qualquer preco que vender no Brasil!


Journal Pessoal 2 QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 9








MEMORIAL DO COTIDIANO


SAO LUIZ



PARNAIBA



FORTALEZA



RECIFE






















Vi, a volte, *Radar
polo novo a confort&vel janelas panor&micas
JATO E:LI E cabinete pressurizada
Aa e refrigerada
*30% menos quo
a tarifa jato

O jato.h6lice Hirondelle
(FH 227-B) 6 construido pela
Fairchild.Hiller Corporation
a adquirido pela Paraense
PARAENSE corn a garantia do Tesouro
National atraves do BNDE.
-
boa viagem em boa companhia Informao;es a reserves:
Av. Presidenft Vorgas, 780
Fone: 4547
'I,


Camel6s
O prefeito Lopo de Castro
resolve, em 1952, atacar o
problema pela semantica. Se
pagavam ao municipio ape-
nas uma taxa, cor isso le-
galizando-se como vendedo-
res ambulantes, os camel6s
deviam vender de porta em
porta, ambulantemente. Con-
siderou illegal que eles se pos-
tassem em frente aos esta-
belecimentos comerciais re-
gulares, que tinham as des-
pesas cor seu pr6dio, paga-
vam funcionirios e recolhi-
am todos os impostos. Isso
posto, iniciou uma blitz con-
tra os vendedores ambulan-
tes fixos, uma evidence con-
tradiqgo em terms. Mas,
evidentemente, nao resolve
a questao, hoje revista, atu-
alizada e ampliada.

Pascoa
Quase 300 estudantes partici-
param da Piscoa dos Univer-
sitarios Paraenses, realizada
na sede da JUC (Juventude
Universitaria Cat6lica). Co-
meqou corn uma missa, reza-
da pelo c6nego Apio Campos.


Prosseguiu cor a apresenta-
gqo de ntimeros de piano,
acordeon e canto por Maria
Helena Coelho e Nayde Ben-
tes, do Instituto Carlos Go-
mes, Dilma Couto, Wilkens
Silva, a Scholla Cantorum do
Seminirio Arquidiocesano e o
maestro Adelermo Matos, do
Conservat6rio de Belas Artes.
O academico Nelson Ribeiro
e o professor Otivio Mendon-
qa discuisaram. O arcebispo,
Mario de Miranda Vilas Boas,
encerrou a solenidade.

Devastagao
0 deputado Epilogo de Cam-
pos foi de certo modo pro-
f6tico num discurso que fez
na Camara Federal, em abril
de 1953. Disse que, obser-
vando a "a aiao do brago
human devastador" na
Zona Bragantina, "nio me
surpreenderA se amanha se
fale em seca no Pari". Co-
mentando o lancamento de
uma campanha do Didrio
de Noticias, do Rio de Ja-
neiro (ja extinto), pela defe-
sa das florestas brasileiras
e o reflorestamento do solo,


PROPAGANDA
A aviacfio aposentada
A era dos grandes jatos, imposta pelo cdiculo
econdmico, reduziu as freqii&ncias de vbos. Hoje o
passageiro voa mais rdpido e mais seguro, poren para
uma quantidade menor de destinos. Hdi mais avides e
mais gente circulando pelo espaco adreo, pordm menos
cidades sdo alcangadas atraves do ar As alternatives
das companhias de aviaqdo diminuiram
significativamente.
Neste anancio, de 1968, a Paraense Transportes Adreos
oferecia ida e volta de Belem a Sdo Luiz, Parnaiba,
Fortaleza e Recife. Hoje, e mais complicado chegar a
essas cidades nordestinas a partir da capital paraense. A
PTA colocava nessa rota o "novo e confortdvel jato-
helice Hirondelle", um aparelho apropriado para as
caracteristicas da regido, mas que teve um destino
trdgico ao protagonizar o mais grave acidente de avico
sofrido pela Paraense, quando ia pousar em Belim.
Acidente que deu ao FH 227-B, seu nome de batismo do
fabricante, a Fairchild-Hiller, um fim imerecido. 0
passarinho de aCo deixou de voar precocemente.


NOVEMBRO DE 2006 e*2QUINZENA jornal Pcssoul


































FOTOGRAFIA

Bons tempos
Para os torcedores do Paissandu e da Tuna, sem
motives para alegria na atual temporada, uma foto do
combinado dos dois times, que empatou com o
Peiiarol, campedo do mundo (derrotando o Santos de
Peld, Coutinho & Pepe) nesse mesmo ano de 1965,


depois da faqanha do alvi-azul, que impos 3 a 0 ao
timan o do Uruguai. No centro da foto, em destaque, o
grande e trdgico goleiro Castilho. A camisa do
combinado s6 foi usada nessa partida. Quem ainda
guard uma delas?


sugeriu que o melhor seria
investor na educaqlo do ho-
mem rural "e na vigilAncia
honest as companhias na-
cionais e estrangeiras que
se organizam para devastar
sem nenhuma preocupagio
de replantar".
Palavras, sem aqCo, cos-
tumam seguir o mesmo fim
do objetivo: viram
cinza.

Barulho
Foram gerais as
reclama 6es
quando se anun-
ciou na cidade, em
1952, a possibilida-
de de a prefeitura
autorizar a volta do
servigo ambulante
de propaganda,
atrav6s de carros
de auto-falantes,
"corn que se azucrina, dia e
noite, os ouvidos da popula-
gco". A proibigio era recen-
te e Bel6m era a Cnica exce-


cgo: "Em nenhuma cidade
brasileira se d6 licenqa para
auto-falantes ambulantes",
protestou a Folha do Norte.
O auto-falante acabou,
mas ndo o barulho. Ele faz
parte da cultural da terra. Fre-
qtientemente confundido
como m6sica.


Ecologia
Em 1966, tranquilamente, o
Curtume Gurjio, que funci-
onava na rua da Conceiio,


anunciava a disposicio de
comprar, "pelos melhores
preqos da praqa", couros de
jacar6, boi "e demais couros
da regido". Quarenta anos
depois, pelo menos essa pri-
tica mudou. Embora, talvez,
nao tanto.

Industria
Em setembro de 1966 saf-
ram os primeiros produtos
das mAquinas da Poliplast, a
primeira flbrica de plisticos
da Amaz6nia, primeiramen-
te funcionando na avenida 1
de Dezembro (depois, a mar-
gem da BR-316 e, finalmen-
te, fechada). Comegou pro-
duzindo cinco mil peas did-
rias, entire canecos, copos,
saboneteiras, paliteiros, ma-
madeiras, mangueiras de
agua e, em seguida, tubos ri-
gidos para instalag6es hi-
driulicas. Os proprietirios
eram Carlos Guapindaia,
Carlos Acatauassi e Jesus
Medeiros.


Acabou nao resistindo ao
tal "choque de mercado", vi-
rando pr6prio piblico, atrav6s
de polemica desapropriaiao,
para o funcionamento da Aca-
demia de Policia.

Arquitetos
Em 1966 a Universidade Fe-
deral do Pard formou a sua
primeira turma de arquitetos.
Quatro homes receberam
diploma: Alcyr Meira (orador
da turma), Camilo Porto de
Oliveira, Milton Monte, Ro-
berto La Rocque Soares e
Otoni Vieira. E uma mulher:
a future deputada federal
Lticia Daltro de Viveiros. O
paraninfo, professor Fernan-
do Lunardi, fez uma revela-
qio no seu discurso de sau-
dacio: aquela era, rigorosa-
mente, a primeira turma de
arquitetos do Brasil, ji que
atd entio, em outros centros
de ensino do pais, eram for-
madas turmas de arquitetos
urbanos.


Jornal Pessoal 2 QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 44









Obra prima de Santarem


A familiar do maestro Wilson Fonseca em
particular e os santarenos em geral trm uma
divida de gratidio para com a Secretaria de
Cultura do Estado: nio podia ser melhor a edi-
dio do Meu Bal Mocorongo, lanqada no dia
17, em Santar6m.
A edi~go foi pri-
morosa: acondici-
onou os nove vo-
lumes originals
(compactados
em seis) numa
caixa, mantendo
integralmente o
texto original,
corn uma apre-
sentacio grifica
de primeira e so-
luq6es editorials
justas. A caixa foi
oferecida aos
santarenos ao preqo simb6lico de 10 reais, per-
mitindo a aquisicio de 400 coleq6es no lanqa-
mento. A renda, embora pequena, foi doada a
atividade musical do filho mais novo do home-
nageado, que mant6m viva a tradicio musical
pela terceira geraqio dos Fonseca.


Num s6 lance, toda obra escrita pelo ma-
estro ao long de 55 anos esti agora editada,
enquanto a obra musical, cor 1.600 composi-
q6es, que tamb6m ji mereceu uma rara divul-
gaqio, ainda esta incompletamente registrada
para a posterida-
I de. Poucos inte-
lectuais estabele-
cidos fora de uma
S. capital brasileira
conseguiram a
reproduaio de
sua obra com a
atenqgo e a am-
plitude dispensa-
das ao maestro
Isoca.
Esti de para-
b6ns a equipe da
I I Secult, especial-
mente o secreti-
rio Paulo Chaves Fernandes, que, ao menos
neste quesito, conseguiu ser exemplarmente
eficiente, modesto, exato e se ele nao se
aborrece saudavelmente certo. Agora, pode-
se repetir esse trabalho cor os preciosos ca-
dernos do poeta Max Martins.


Carajais: historia em construqao


Ha muito tempo aguardava-se o prometido
livro do ge6logo Vanderley Beisiegel. Finalmen-
te ele saiu: Carajds Geologia e Ocupaqdo
Humana, em ediqio do Museu Paraense Emi-
lio Goeldi. E um dos mais preciosos trabalhos
sobre mineraqio na Amazonia. Mas, infeliz-
mente, nio fazjus a expectativa de tantos anos
e aos m6ritos especiais de Vanderley. Ele 6
apenas um dos organizaq6es da publicaco, jun-
tamente cor Joio Batista Guimaries Teixei-
ra, que tamb6m assina um dos oito artigos.
A obra 6 coletiva. Independentemente dos
muitos m6ritos dos outros sete participants do
projeto, das 470 piginas do livro, 275 sio de Van-
derley. Ja por esse crit6rio quantitative, ele me-
recia uma obra individual. No entanto, o crit6rio
definitive em sustentaqio desse direito 6 a singu-
laridade do testemunho prestado pelo ge6logo -
paulista de origem e paraense adotivo sobre a
hist6ria de Carajis, um dos mais impressionan-
tes capitulos da hist6ria geol6gica mundial.
Provavelmente Vanderley foi o ge6logo que
mais tempo permaneceu em Carajis: 21 anos,
a partir de 1970. Excluida a descoberta, sobre
a qual a melhor refer6ncia 6 a de Breno Au-
gusto dos Santos, a partir daf Vanderley acu-
mulou cor seus colegas de empreitada uma
experi&ncia dnica, partilhada apenas por pou-
cos que se mantiveram permanentemente na


regido e ainda prosseguiram depois da fase de
produqCo, iniciada em 1984. Ele merecia um
livro s6 para si. Um segundo volume seria re-
servado aos demais autores, nio por eles te-
rem realizado trabalho de menor valia, mas por
nio disporem do testemunho pessoal qualifi-
cado que Vanderley pode dar. Como raros.
A part essa circunstancia menor, o livro
pode ser a oportunidade adequada a voltar a
pensar cor profundidade sobre Carajis. Como
a escala de produCqo das minas ali em ativida-
de atingiu proporq6es inimagindveis, parece ha-
ver certa tendencia a minimizar o acompanha-
mento do que acontece em Carajas. Em ter-
mos de geologia, por6m, a hist6ria ainda 6 re-
cente, incomplete e pol6mica.
O long artigo de Vanderley Beisiegel aju-
dard a desfazer fantasias e mitos a respeito da
maior provincia mineral do planet, que esti tao
pr6xima do centro intellectual de Bel6m, mas,
pela fragilidade da producio acad6mica a res-
peito, parece estar tao long, quase inatingivel.
Um tema de tal magnitude exige dos que se
empenham em entend6-lo e domind-lo uma apli-
caqio, uma dedicaqio e uma perseveranqa
como as que Vanderley demonstrou em sua lon-
ga atuagio. A partir de agora, sempre que se
voltar a falar sobre Carajas, sera precise parar
neste livro para contar a hist6ria verdadeira.


DESTAQUE
O Pard 6 apenas o 11" maior
produtor agricola do Brasil,
cor uma participation de 2%
na produqdo agricola national.
Por isso, foi cor alegria que
vi o destaque dado no Globo
Rural do iltimo domingo a
criadio de bdfalo na Fazenda
Kakuri, de Eduardo Daher,
algo raro em relaiao ao Esta-
do. Mas Eduardo fez por me-
recer: vindo de outro Estado,
se adaptou completamente ao
Pari, sem perder a vocaqao
para experimentar e inovar.
Claro que em escala peque-
na, proporcional aos seus re-
cursos. Mas sua criatividade
supre suas limitaqoes materi-
ais. Agora avanqa lenta e se-
guramente no beneficiamen-
to do leite de bdfalo e seus
queijos ji sio vendidos nos
supermercados locais. Toma-
ra que a boa mat6ria a ele
dedicada na TV Globo man-
tenha seu compromisso com
a qualidade. E estimule novos
seguidores.
















CORRE AO
O future senador Jos6
Nery Azevedo nio 6 de Bar-
carena, como saiu na ediqio
anterior, por um lapso: 6 da
vizinha Abaetetuba.




Editor:
L6cio Flavio Pinto
EdigCo de Arte:
L. A. de Faria Pinto
Conlato:
Tv.Benlamin Conslanm
845/203 66.053-040
Fones:
(091) 3241-7626
E-mail:
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