Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00305


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Full Text


LULA: COMO


ornal PessoalU LED
rS SOd OI UM ALLENDE
BURACO NEGRO
A AGENDA AMAZONICA DE LOCIO FLAVIO PINTO NAAMAZONIA


NOVEMBER DE 2006 1'OUIN 0


ELEIAAO



0 que vira cor Ana?

Primeira mulher e primeira petista a governor o Para, a senadora Ana JUlia Carepa
nao tem escolha: ou se supera para realizar a mudanga que prometeu ao povo
ou repetira as experiencias desastrosas de administrag6es do PT
que nao se prepararam para enfrentar o desafio do novo.


dora do Pard dard inicio a
uma nova etapa na vida poli-
tica do Estado? Ana Jilia Ca-
repa foi eleita para cumprir esse com-
promisso. Sua primeira qualidade 6 a sua
carreira. Ao contrdrio de varios dos prin-
cipais lideres politicos recentes, que caf-
ram de pira-quedas no alto da cipula do
poder graqas a acasos, circunstancias ou
arranjos de gabinete, ela fez carreira des-
de o primeiro degrau, como vereadora.
Foi, em seguida, deputada, vice-prefeita


da capital e senadora. Em virios emba-
tes, ganhou mais do que perdeu.
Nao hi d6vida de que Ana Julia tem
votaqgo pr6pria e virtudes pessoais que
a qualificaram para receber volumes
crescentes de votos desde a primeira dis-
puta eleitoral. Nao 6 o caso de politicos
que s6 ocuparam cargos eletivos ou se
mantiveram algum tempo na carreira em
fungqo de algum encosto institutional e
do uso da maquina public. Varios deles
ter~o seu teste de fogo no limbo em que


ficarao a partir do inicio do pr6ximo ano
ouji no dia l de janeiro.
E o caso da vice-governadora Val6-
ria Pires Franco. No cargo, ela impressi-
onou por sua desenvoltura e habilidade.
Credenciou-se a ser a coordenadora da
campanha de Almir Gabriel em Santa-
r6m, nao se saindo mal da funcgo (a di-
ferenca contra os tucanos diminuiu do 1
para o 2 turno). Mas sem os adereqos
da vice-governadoria, ela tera fl6ego para
caminhar sozinha e firmar seu nome no
CONTINUE NA PAG


PAGNAS6/7


PAGINA 8







CONTINUA0AO DACAPA
c6u da polftica, cor ou sem a decisive
ajuda do marido, o deputado federal Vic
Pires Franco, dono local do PFL? Essa 6
uma hip6tese, que agora sera testada.
No caso do senador Fernando Flexa
Ribeiro a resposta se mostrou negative.
Suplente, o ex-empresario herdou o car-
go por in6rcia dessa figure an6mala na
political brasileira: a do cidadao que nio 6
votado, mas pode ocupar cargo privativo
de quem 6 votado. Suplente, por isso,
devia deixar de existir (assim como o vice,
cor eterno potential de encrenca asso-
ciado). Flexa comandou em Marabi a
campanha do candidate tucano ao gover-
no e o resultado foi que a diferenca em
favor do adversario aumentou quase 10
vezes. No dia seguinte a derrota Flexa ja
estava parabenizando a vencedora, con-
tra a qual tudo fez, as claras e nem tanto,
at6 a v6spera.
Qual 6 o patrim6nio pessoal de votos
desse tipo de politico, que o credencia e
legitima a pesar nas decis6es? Flexa Ri-
beiro e Val6ria Pires Franco foram os
dnicos interlocutores de Almir Gabriel
durante os oito dias de reclusao volun-
tdria a que ex-governador se imp6s no
alto de sua torre de concrete, at6 ter
forcas suficientes para uma tr6pega vi-
sita ao president do poder legislative,
seu correligionario (e senador eleito)
Mario Couto, ao journal O Liberal, que
ele talvez tenha identificado, nas brumas
da derrota mal assimilada, como seus
principals cabos eleitorais, e ao presi-
dente do Tribunal de Justica do Estado,
desembargador Milton Nobre. Mas nao
ao seu correligiondrio, o governador Si-
mao Jatene.
Esses todo-poderosos de ontem vol-
tarao amanhi? O Liberal ter sistema-
ticamente procurado convencer Almir
Gabriel a assumir a lideranca tucana
contra o governor petista, um lugar que
lhe pertenceria sem a mais remota som-
bra de dtivida. Tal convicqao faz pen-
sar na dissociaq o entire o mundo da
realidade e as fantasias palacianas ou
de gabinete.
Uma pessoa autocratica, auto-sufici-
ente, vaidosa e arrogante pode imaginar
que a verdade nao extrapola o que ve e
pensa. Por isso nao vai lI fora conferir.
Alguns podem passar muito tempo ou
todo tempo de sua vida nesse oasis
compuls6rio (e compulsive), como o ge-
neralissimo Franco, o camarada Stalin ou
o guia Mao. Mas esse privil6gio 6 um
capricho da hist6ria. Em regra, um dia
caem na realidade, se machucam e nio
se recuperam nunca mais.


Este parece ser o caso do doutor Al-
mir Jos6 de Oliveira Gabriel. Em 1988 ele
cometeu uma fuga tristemente c6lebre na
political recent do Para, que acabou es-
tigmatizando-o: as v6speras da eleiq.o para
prefeito de Bel6m, desistiu unilateralmen-
te de ser o candidate do PMDB, se isolou
numa fazenda pr6ximo a Brasilia e s6 um
ano depois, forqado a falar numa entre-
vista na television, encontrou um pretexto
para sua attitude surpreendente. Tdo esta-
paftrdia que imp6s ao seu partido de en-
tio (hoje execrado) a maior derrota jA re-
gistrada em todas as eleiq6es disputadas
em Bel6m (Sahid Xerfan, que agora nao
conseguiu se eleger deputado, obteve 78%
dos votos validos).
Sem a catapulta do poder federal, do
poder estadual e, provavelmente, tamb6m
do poder municipal (o "doutor" Ducio-
mar Costa deve pular para o outro lado
do muro, at6 por estrat6gia de sobrevi-
vencia), o doutor doutor mesmo, como
diria H61io Fernandes Almir dificilmen-
te tera outra opqgo: vai cuidar das suas
esquecidas orquideas. Quando tinha as
costas largas, ele semeou ventos. No lim-
bo, deverd colher tempestades, confor-
me prognostica o cancioneiro popular.
O que mais impression no hist6rico
do doutor Almir nio 6 que ele tenha dei-
xado de conseguir tudo que pretendeu,
mas que tenha alcanqado tanto. Enquan-
to agiu como um professional competen-
te e um articulado home p6blico, ele
esteve no lugar certo: no Hospital Bar-
ros Barreto e na Secretaria de Sailde,
para dar os dois maiores exemplos.
Quando planejou (sim, porque seus
movimentos sempre sao previamente
pensados) ser o grande lider, o maior de
todos, seu outro lado se manifestou: cal-
culista, frio, incoerente, autoritario, vin-
gativo um ditador, enfim. Mesmo sem
carisma e empatia popular, foi at6 o lu-
gar que poucos atingiram, com dois man-
datos de governador. Explorou muito bem
a aspiraq~o popular ao home austero,
duro, determinado, limpo. Mesmo que ele
tenha sido apenas palida c6pia do mode-
lo omitido: o caudilho Magalhies Barata.
Se Almir Gabriel 6 carta fora do ba-
ralho que sera colocado a mesa, quem
liderard a oposigdo ao PT a partir de ago-
ra e na eleicqo municipal de 2008? Quem
apostar no atual governador s6 teri pos-
sibilidade de ganhar se Simao Jatene sur-
preender. O mais provAvel 6 que ele en-
cerre sua carreira political ao transmitir o
cargo a Ana Jdlia. Ao menos sera a ati-
tude mais coerente cor seu tempera-
mento e cor as razbes apresentadas para
nao concorrer A reeleiqdo.


Espera-se tamb6m que ele nao repi-
ta a insensatez do seu antecessor, que
se recusou a restabelecer as regras de-
mocriticas e civilizadas demarcadas
pelo cumprimento do vencido ao ven-
cedor, desarmando espiritos e estabele-
cendo a necessiria tr6gua que deve se
seguir ao fim da eleigio. Raramente se
p6de ver reaq o tdo raivosa quanto a
de Almir Gabriel. Seria saudivel para o
Pard que esse clima de 6dio e ressenti-
mento se desfizesse, ao menos por de-
cantaqao da educaqio, das boas manei-
ras e da sensatez.
Eliminados os cabegas atuais do go-
verno, a emergencia de uma nova li-
deranca, no que sobrar da Uniio pelo
Para depois dos troca-trocas que ocor-
rerio ao long do primeiro quadrimes-
tre do pr6ximo ano, dependerd da com-
petencia da primeira mulher no gover-
no do Para.
Ana Jilia cometera um erro fatal se
achar que o povo Ihe dard um cr6dito de
confianqa de um ano e meio, conforme
pediu, ou que sobreviveri ao leilio do seu
governor, entregando capitanias herediti-
rias aos aliados, sobretudo a aliados que
nao tem qualquer relaqgo com mudanqa
para valer, como os jaderistas.
O que engrandeceu em tese a vit6-
ria de Ana Jdlia, o seu pioneirismo (ou
ineditismo, tanto por ser mulher quanto
por ser petista), poderi ser tamb6m o
que a destruird de vez. Se errar tanto
ou mais que os seus antecessores, po-
dera vir a ser conhecida como Ana, a
breve. Em 2008 o PT comeqari a sair
do poder. Dependendo da conjuntura,
saird com opr6brio. Em linguagem de
gente: com desonra.
A nova governadora tera tempo ain-
da para refletir sobre o destino do seu
adversario no mrs passado. Ele podia ter-
se recolhido a vida privada cor os lou-
ros dos dois primeiros mandates, ao fim
dos quais sua imagem era positive. Eg6-
latra, nao ouviu o clamor das ruas, ecoa-
do nas piginas ja escritas da hist6ria.
Ningu6m mais do que ele, em seu iso-
lamento p6s-eleitoral pode minimizar o
alcance da derrota. Foi como se um jo-
gador que ganhou a noite inteira apos-
tasse tudo na l6tima jogada e perdesse.
Tudo que estava imaginado para o glori-
oso terceiro mandate virou farelo, poeira
do tempo, vacuidade.
Esse destino sera tragado nas estre-
las se Ana Jilia Carepa nio ouvir o mes-
mo clamor e nao ler a mesma hist6ria. O
Pard espera que os seus sentidos este-
jam afiados. Para o bem de todos e feli-
cidade geral do Estado.


2
NOVEMBRO DE 2006 I'QUINZENA Jornal Pessol









Visitas e descaminhos de uma dupla tucana


O ex-governador Almir Gabriel e a vice-
goveradora Valdria Pires Franco deixaram um
rastro de boatos depois da excursao de agra-
decimento, cor direito a tres paradas, que
p6s fim ao isolamento da dupla tucana na
dispute pelo governor do Estado. Na Assem-
bleia Legislativa, a conversa foi exclusiva-
mente com o ainda president da casa (e se-
nador eleito), MArio Couto. Durou meia hora,
a portas fechadas. Se fosse mero agradeci-
mento protocolar, outros parlamentares po-
diam ser chamados e uma foto registraria a
ocasiao. Mas a maioria das pessoas que se
encontravam no pr6dio s6 soube da ilustre
presenga quando ela j6 passara.
Por ser quase clandestine, o encontro
suscitou logo uma interpretag.o: convenci-
do de que ainda ter voz de comando sobre
uma coligaaio de partidos que possui 27
dos 41 deputados estaduais rec6m-eleitos,
Almir e Val6ria foram tratar cor Mario da
escolha do president do legislative. Teria
que ser algu6m de confianca para tentar ree-
quilibrar a divisao de poder no Estado e as-
segurar a continuidade do "Novo Pard" para
o pr6ximo confront eleitoral, em 2008. Se
essa foi a intenqgo, a sua realizaqgo 6 ques-
tio para responder at6 fevereiro, quando
novos arranjos se revelario e a mesa da AL
serd eleita. Almir Gabriel pode ter entrado
gigante e sair nanico desse tdnel do tempo.
Pronto para ser arquivado.
A visit a sede de O Liberal nao precisa
de legend: se dependesse do facciosismo
dojornal, a dupla estaria eleita. Tudo foi feito
nesse sentido. Mas Almir nao ajudou, muito
pelo contrArio, conforme 6 voz corrente na
empresa. Talvez nio tenha sido meramente
casual o principal executive, Romulo Maio-


rana Jinior, nio estar present para receber o
ex-governador. As honras da casa ficaram por
conta de Ronaldo Maiorana e RosAngela
Maiorana Kzan, no gabinete desta. Durante
a visit nada se falou de polftica. A "casa" vai
desatracar da honrosa companhia?
Mas qual a razao da visit ao president do
judicidrio estadual? Se o ex-govemador e sua
companheira de chapa fossem ao president
do TRE se podia deduzir que, mesmo derrota-
dos, Almir e Val6ria estariam atestando a lisura
do process eleitoral. Seria um gesto superior.
Mas essa postura olfmpica desapareceu cor a
recusa do quase tri-govemador de reconhecer
a vit6ria da adversaria, dando-lhe, ao final da
apuraqlo, o telefonema protocolar que se espe-
ra num regime democrAtico, no qual a sorte de-
pende da vontade majoritiria do eleitor, atrav6s
de votaqao secret e universal. Almir, pelo con-
trrio, fomentou o espirito de guerra e de revan-
che, que pode azedar o mundo politico paraen-
se pelo pr6ximo period.
Qual, entdo, o motivo de ir ao novo e suntu-
oso gabinete do desembargador Milton Nobre,
se nao esta na suajurisdig.o o process eleito-
ral, se o exercfcio da magistratura exige equidis-
tfncia das paix6es political e se nada hA a retri-
buir, nem pela estrita formalidade protocolar?
0 Didrio do Pard reagiu, no dia 9, com
uma nota ir6nica, aconselhando todos os
demais derrotados a seguir esse caminho de
Damasco. Nao disse, mas por trAs desse ve-
neno estava a interpretag.o de que o presi-
dente do TJE se vinculou demasiadamente
ao governor tucano, que Ihe fez os caprichos
dando-lhe um palAcio para sediar o tribunal e
podia vir a Ihe abrir sendas para a political
ap6s deixar a presid6ncia, perspective de vez
em quando pontilhada em notas do Rep6rter


70, a principal coluna (as vezes teleguiada)
de O Liberal. Se algo podia ter sido, deixou
de ser com o naufrAgio da nau tucana.
Iniciativas imprecisas e ziguezagues con-
fusos fomentaram a inventividade das espe-
culaq6es. Na coluna de Mauro Bonna, no
mesmo Didrio do Pard, materializou-se um
rompimento da vice-governadora cor Simio
Jatene, fazendo emergir ressentimentos que
a derrota avinagrou de vez. Querendo, o go-
vernador pode colocar para fora toda sun
mAgoa por ser impedido de disputar a reelei-
gao, que Ihe seria muito mais leve.
Corn mais arguments ele podia dizer que
assim teria continuidade, sem maiores sobres-
saltos, o projeto do "Novo Pard", que nao
tem donos, mas causes a defender e metas a
realizar. O ex-governador Almir Gabriel sem-
pre bateu nessa tecla, mas, ao menor sinal de
reaproximaaio entire Jatene e Jader Barbalho,
reagiu com raios e trovoadas, interditando
uma mal ensaiada alianqa (o segundo manda-
to de Jatene estaria assegurado).
Ao se postar de meiao e chuteira a beira
do gramado politico, antes de ouvir quem quer
que fosse, inclusive seu successor, deu um
recado claro: o "Novo Para" tinha dono
("c'est moi", diria nosso Napoleao de jale-
co); e quem pensasse o contrario era traidor.
Bateu na mesa e disse a vArios interlocuto-
res: ganhava de qualquer urn; quem duvidas-
se que se apresentasse. Jatene se recolheu,
como de seu estilo, a marca do seu governor -
que tamb6m podia ter sido e nao foi.
Assim, ao fim e ao cabo, como se diz em
Portugal, restaram muitos n6s a desatar e pontas
a unir, ressentimentos mal resolvidos, mAgoas
reprimidas e silencios apenas camuflados. A ban-
deira da "Uniao pelo Para", o gato comeu.


Para sem "mapismo"


O Pard continue no rabo da fila da apuraqao
no pais: foi o 7 dos 10 Estados que tiveram
eleigao para o 2 tumo a concluir a totalizaalo
dos votos depositados pelo eleitor no dia 29, A
frente apenas do Amazonas, Acre e Paraiba. Nao
6 mais o iltimo, por6m. E a sua manutenqao nas
iltimas posigqes ja nao pode ser relacionada
cor uma das tristes tradiq6es do process elei-
toral no Estado: a pratica do "mapismo".
Nesta eleiqao, como j ocorrera na anterior,
o TRE paraense se credenciou a um voto de
confianqa pelo seu empenho emjogar se livrar
da image negative criada e mantida no passa-
do, de manipulagao na contagem dos votos.
Uma urna anoitecia de umjeito e amanhecia de
outro. Algu6m "mexia" com ela no period, A
maneira de um boto mais do que esperto.
Provavelmente a situaqo ja podia estar me-
Ihor, mas tamb6m nao devem ser minimizados os
problems que o tribunal precisa enfrentar para


dissociar a lentidao na apuragao da pratica de
fraudes. Em extensao territorial o Pari s6 perde
para o Amazonas, mas metade da populaqio
amazonense se concentra na capital, enquanto
aqui essa proporqao 6 inferior a um quarto.
O resultado da eleigao foi apresentado num
tempo tal, antes das previs6es iniciais, que o
observador ponderado ficou sem motivo para
pensar em "mapismo". Se alguma fraude houve
ou ainda pode haver, o fen8meno 6 national,
relacionado a votaqao eletr6nica, nao uma ca-
racteristica especifica do Pard. A desconfianqa
cor o sistema informatizado seria minimizada
se o Tribunal Superior Eleitoral acrescentasse a
impressao do voto para permitir uma fiscaliza-
qao complete e fizesse auditagem extema do
program. Ainda que sujeita a restriq es ou
correq6es, por6m, essa 6 a direq~o certa e a ela
o TRE do Pard parece ter-se incorporado defini-
tivamente, sepultando a macula do "mapismo".


MAESTRO
Sou contra, em principio, dar nomes de pesso-
as a aeroportos (e, sob certas condiq6es, a qual-
quer logradouro piblico). Mas se 6 pra dar, que
sejamos criteriosos. Depois do Rio de Janeiro,
que homenageou o mais genuine dos seus ma-
estros, Tom Jobim, 6 a vez de Santar6m batizar o
seu terminal de aviaqiao cor o nome de outro
maestro, o mais important de todos na p6rola
do Tapaj6s e um dos mais fecundos do pafs.
Quem chegar A capital da regiao oeste a partir
do dia 17, embarcara na obra do maestro Wil-
son Fonseca, o Isoca, sabendo que ali os d6s e
sustenidos sao valorizados.
Nessa hist6ria, todos saem ganhando.


VAGAS
Que tal, ao inv6s de preencher as vagas de audi-
tores dos dois tribunais de contas (o do Estado
e o dos municipios), que ha anos estao abertas,
extingui-las? A vitiva, penhorada, agradecia.


Jornal Pessoal 1 QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 _4









Recados das urnas


O president Lula foi o grande vencedor
na eleiqgo do 2 turno no Para, mas sua poli-
tica especifica para o Estado e para a Ama-
z6nia foi reprovada nas areas onde 6 mais
forte a sua presenqa. A conclusao parece con-
tradit6ria, mas esse foi o principal recado das
urnas. Talvez fosse mais correto dizer que 6 a
mensagem mais caracteristica de um proces-
so eleitoral que, no resto, repetiu os procedi-
mentos dos anos anteriores.
Lula perdeu maciqamente ao long da Tran-
samaz6nica e no extreme sudoeste do Estado.
Af 6 que se fizeram sentir mais determinante-
mente as tentativas de estabelecer uma politi-
ca florestal atrav6s de incentive a experienci-
as pioneiras de manejo e do isolamento insti-
tucional de areas critics, transformadas em
unidades de conservaqdo e proteleo.
O eleitorado majoritirio reagiu criticamen-
te a essas intervenq6es, impondo aos candi-
datos petistas para a presid8ncia e o gover-
no do Estado suas maiores derrotas. Prevale-
ceu a visao "desenvolvimentista", que con-
sidera, no mfnimo, inevitavel o desmatamen-
to. Quem combat a transformaqgo de flores-
tas nativas em madeira s6lida, pastos e culti-
vos agricolas, como o da soja, 6 visto como
um inimigo do desenvolvimento, da geraqgo
de renda e da criacqo de empregos, as tris


principals aspiraq6es dessas regimes. Um es-
torvo, portanto.
No sul e no sudeste do Pari Lula venceu,
mas Ana Jdlia teve mais votos do que ele do
que em qualquer outro lugar do Estado. A
senadora parece ter conseguido afastar da
sua image os resultados negatives do go-
verno Lula na area agraria e, especificamen-
te, nos assentamentos da reform agrfria.
Mesmo tamb6m sendo fragorosamente der-
rotada ao long da Transamaz6nica e da San-
tar6m-Cuiabi, na metade mais pr6xima do
Mato Grosso, Ana Jilia tamb6m conseguiu
at votaq~o ligeiramente superior a de Lula.
No entanto, no conjunto, fica claro que o
president 6 que arrastou a candidate petista
ao governor (que s6 em 10% dos municfpios
teve mais votos do que o president, sobre-
tudo naqueles municipios em que ambos per-
deram). A vit6ria de Lula sobre Geraldo Alk-
min, al6m de reunir mais votos do que o total
de Ana Jilia, foi de 109 municipios a 34, en-
quanto o placar para o governor estadual fi-
cou em 105 a 38 municipios. Mesmo havendo
eleic.o casada na esmagadora maioria dos
municfpios (eliminando o espectro da traigao),
em quatro deles Lula ganhou e Ana Jilia per-
deu. A deduqgo a tirar 6 de que os programs
de transferencia de renda atrafram mais vo-


tos para o president. Funcionaram tamb6m
os velhos esquemas eleitorais, que o PMDB
usou em favor do PT, como no Maraj6, no
nordeste do Estado e na regiao guajarina.
A alianqa com Jader Barbalho imobilizou o
poder da maquina estadual, dando maior van-
tagem a engrenagem federal. Mas tamb6m os
tucanos foram castigados nas regi6es de mai-
or dinamismo social, cor destaque para as are-
as de conflito de terras. Em mat6ria de titula-
gqo, assentamento e organizag.o fundidria as
administraq6es do PSDB foram praticamente
nulas. Nio por Ihes faltarjurisdiqio adminis-
trativa, conforme a j sem sentido reclamaaio
sobre a federalizaqgo fundifria imposta a par-
tir de 1971: 6 simplesmente por falta de apeten-
cia, interesse, compromisso.
A manutenqgo dos procedimentos politi-
co-eleitorais de sempre, ao mesmo tempo que
surgem reaqoes a politicas publicas federais,
projetam desafios para a nova administraqao
estadual, vitoriosa a sombra do poder de Bra-
silia. Ana Jdlia tera que manter os elementos
positives desse patrocinio, sabendo que seus
efeitos negatives poderdo se tornar predo-
minantes nos pr6ximos quatro anos. Foi as-
sim nos oitos anos do consulado de Fernan-
do Henrique Cardoso. Sera assim no octae-
dro do companheiro Lula?


Perspective senatorial


O Senado 6 conhecido como a Camara
Alta, nao sem prop6sito. Expressa a expecta-
tiva dos eleitores de que ali, corn mandate
mais long e menos competitividade, seus
representantes debatam em alto nivel os gran-
des temas nacionais, escapando ao tratamen-
to varejista da CAmara Baixa, a dos deputa-
dos federais. Mas os grandes debates ret6ri-
cos desapareceram do parlamento. Nio ha
mais oradores empolgantes, daqueles que
impressionam nio tanto por seu conteido,
mas, sobretudo, pela maneira de expressA-lo.
Em frequincia e decib6is, um dos sena-
dores destacados da atual legislature 6 Ar-
thur Virgilio Neto, Ifder do PSDB. Ele obte-
ve um mediocre terceiro lugar na dispute
pelo governor do seu Estado, o Amazonas.
Ainda ter o console de mais quatro anos
de mandate, mas perdeu legitimidade para
se colocar a frente da oposiqao ao governor
do PT. Virgflio fez muito barulho, mas s6
por esse crit6rio pode ser considerado um
grande tribune.
Se o Senado nao empolga mais pelo bri-
Iho que, em passado ainda recent, nele dei-
xaram Paulo Brossard, Jarbas Passarinho ou
Roberto Campos, por outro lado tornou-se
tao visivel quanto a Cimara, em virtude das
CPIs mistas sobre corrupqao na administra-
qao pdblica federal que funcionaram nas duas
casas nos iltimos meses. Mas afa lentidio, a


acomodagao e mesmo a insensibilidade dos
senadores diante do distinto piblico criararn
um contrast. O eleitor esperava dos sena-
dores muito mais do que dos deputados e
frustrou-se outra vez. A efigie que alguns
senadores encomendaram para si se mostrou
de papelio grosseiro. O que A distancia pare-
cia ouro, aproximado mostrou o que era: la-
tdo dourado. No miximo, pirita.
Daf o resultado: 70% dos atuais senado-
res que se arriscaram na ultima eleiq~o per-
deram a dispute, dos quais 14 nao voltarao
ao melhor dos empregos no aparato do po-
der porque seus mandates, rejeitados pelo
eleitor, terminam em 2007. Ficarao pelo me-
nos dois anos sem mandate eletivo. Mas
poderao ter desagradiveis surpresas ao ten-
tar um cargo municipal em 2008: alguns se-
nadores tiveram votagqo digna de vereado-
res em outubro, disputando cargos majori-
tarios ou proporcionais. Outros 19 senado-
res s6 tero que voltar a correr atras de vo-
tos em quatro anos. Se a tendencia se man-
tiver, irdo entao para casa.
Dentre os cinco senadores que consegui-
ram trocar de posiqdo (provavelmente para
melhor), passando a governador, esta Ana
Jflia Carepa. Seu lugar sera ocupado por seu
suplente, o ilustre desconhecido Jos6 Nery
Azevedo, um politico municipal de Barcare-
na. Ele 6 do PSOL, mas o acaso poderi faz&-


lo liderar a volta de ex-petistas ao antigo lar
partidfrio. Se nio for a sua maior ou unica
faqanha, espera-se que ele aproveite a rara
oportunidade para tentar desfazer a mri fama
dos paraenses no Senado.
O pol8mico Luiz Otivio Campos, do
PMDB, teve apenas 450 mil votos (16% do
total) e ficou atras de Mario Cardoso, o de-
putado-professor do PT, o segundo mais
votado, que deveri ser compensado por sair
da dispute para o governor e assim ajudar a
evitar mais uma derrota do seu partido.
O novo senador, Mirio Couto, do PSDB,
cor quase 1,7 milhbo de votos, equivalent a
votaq1o da governadora eleita e maior do que
a do seu correligionirio Almir Gabriel, antes
mesmo de assumir j cuidou da tradiqao se-
natorial paraense. Disse que nunca partici-
pou do jogo do bicho e sequer sabe jogar;
cor o que pretend reescrever a hist6ria e
declarar a quadratura da roda.



PADRAO
Se o movimento dos controladores de v6o
criou um caos nos aeroportos brasileiros, a
conclusAo cartesiana que se tira do epis6dio
6 de que se um dia se tornar um pais padrao,
o Brasil parari. E na bagunqa que fuciona.
Nio 6 exatamente uma boa moral.


4 NOVEMBRO DE 2006 I"QUINZENA Jornal Pessoll










Ana Jilia: primeiro test


Um dos simbolos do "modo tucano de
governor" 6 o convenio Funtelpa-TV Libe-
ral. Foi concebido quando Almir Gabriel ain-
da nao completara seu primeiro mandate,
em setembro de 1997, e mantido em sigilo
at6 o mes seguinte, quando o vice-gover-
nador, Helio Gueiros Jr., o revelou publica-
mente, ao assumir o lugar do titular, que
tratava da saide em Slo Paulo, e "botar
pra quebrar", como cabia dizer. Esse aleijio
moral e legal, portanto, ji completou nove
anos de vigencia. E deverd ser transmitido
a primeira mulher governadora do Pard e a
primeira petista a chegar ao cargo maximo
da administration pdblica no Estado, a ain-
da senadora Ana Jilia Carepa.
Imoralidade e ilegalidade andam de bra-
qos dados nessa relarao promiscua entire a
Fundaaio de Telecomunicaq6es do Pard e
a afiliada da Rede Globo no Estado. A mo-
dalidade convenio foi adotada, no lugar do
instrument correto, o contrato, para que
nao fosse precise abrir licitaqgo pdblica. O
objeto da rela~lo 6 lesivo ao interesse pi-
blico, ja que o 6rgao p6blico cede patrim6-
nio (sua rede de retransmissao de image
de televisao) e ainda paga por essa cessao,
quando o normal seria exatamente o inver-
so: a TV Liberal pagar para espalhar sua
programac5o para todo Estado atrav6s das
antenas da Funtelpa. E hd, na iniciativa, um
contra-senso: ao ceder (com 6nus para si)
a uma emissora commercial a estrutura mon-
tada para servir a uma televisao educativa,
o governor fulmina uma das principals ra-
zoes de ser da TV Cultura.
Esta sera uma das pedras de toque do
governor a se iniciar no dia 1 de janeiro:
essa decis5o dird se realmente Ana Jilia
cumpriri os compromissos de mudanqa que
assumiu com a maioria dos paraenses, res-
ponsiveis por sua eleiqao, ou se, como
quase todos os antecessores, esquecerd as
promessas da campanha eleitoral tao logo
assuma o control do poder.
Em relaaio a esse tema, comeqou mui-
to mal. Ajornalista Ursula Vidal Ihe fez a
pergunta, clara e direta, ao entrevisti-la
em seu program do SBT, no dia 4. Ana
Julia fugiu do assunto: fez uma longa pi-
rueta verbal, como de seu estilo, sem vol-
tar ao que interessava e Ihe foi cobrado. O
miximo que se pode deduzirdo seu floreio
tergiversador 6 que fard uma consult ju-
ridica a respeito.
Podia partir para uma solugio imediata:
denunciar o malfadado convenio. Em seu
lugar, procederia a uma licitaq6o piblica,
corn terms de refer6ncia que suprimissem
do novo document sua caracteristica ka-
fkiana perverse: o Estado pagando para ser
usado. Nao cometeria a loucura de privar a
populaqio do interior dos hits da TV Glo-
bo, que produzem depend&ncia, mas daria


o minimo de decencia a essa relaqio, sem
permitir que apenas a programaiao global
seja veiculada ("janelas" seriam abertas
para a Cultura). Atd l6, a future governado-
ra pode trilhar um caminho preparat6rio,
sem resvalar para o oportunismo da aco-
modacqo ao que 6 espdrio, sendo prudent
sem se tornar in6cua.
A nova administra5ao pdblica pode
comparecer emjuizo, perante a 21a vara ci-
vel do f6rum de Belnm, e reconhecer, na
acio ptblica proposta contra o convenio,
que realmente o ato 6 lesivo ao superior
interesse do Estado, comprometendo-se a
proceder no sentido da sua revogagao. Num
acordo nos autos, o herdeiro da acao, o
soci6logo Domingos Conceiq6o, aceitaria
o acordo e desistiria do intent, conside-
rando alcanqado o prop6sito da demand.
Isto posto, o governor solicitaria ao Tri-
bunal de Contas do Estado que finalize o
process de auditagem instaurado na cor-
te no final de 1997, cor base em parecer
do auditor de control externo Amarildo
da Silva Guerra, sobrestado sob a alega-
Fio de que sua sorte dependia da defini-
qio judicial em curso. Esse parecer 6 ful-
minante: prova a ilegalidade do conv6nio.
Executando-o, o tribunal deixaria o execu-
tivo a vontade para tirar a vida do mons-
trengo e iniciar uma relaqio mais saudAvel
corn a imprensa no Pard.
Se a nova governadora continuar a fu-
gir desse imperative, respondendo corn
evasivas a cobranqas e, quando no exer-
cicio do cargo, procrastinar uma defini-
fo, estar6 fulminando sua pr6pria legiti-
midade. O tal conv6nio 6 um exemplo aca-
bado da faldcia moral e 6tica da adminis-
traqio tucana, que concebeu essa criatu-
ra depravada.
Tamb6m revela os esquemas politicos
da elite, j6 que a acao popular foi proposta
pelo deputado federal Vic Pires Franco, li-
der estadual do PFL e marido da vice-go-
vernadora de Simao Jatene e candidate a
reeleiqio junto cor Almir Gabriel, a tam-
bem pefelista Val6ria Pires Franco.
Depois de demonstrar, na petiqao inici-
al, que realmente o conv6nio 6 illegal e imo-
ral, pedindo a sua anulaqao e a responsabi-
lizaaio de seus autores, Vic desistiu da aqio
popular. E que restabelecera boas relaoqes
tanto cor Almir Gabriel quanto corn Romu-
lo Maiorana Junior, depois de um period
de rompimento corn ambos, justamente
quando quis atingi-los duramente. Uma vez
alcanqados seus objetivos pessoais, esque-
ceu os interesses coletivos dos quais se
tornara representante.
Se nio quiser entrar nessa ciranda, a
governadora eleita Ana Jilia Carepa preci-
sa ser mais clara e decidida. Esta 6 a sua
primeira prova dos nove.


JUSTIA

Qual o trabalhador brasileiro que pode se apo-
sentar cor provento de 20 mil reais? Raros.
Os juizes estdo nessa categoria privilegiada.
Nao sou contra o tratamento especial que Ilhes
6 dispensado. Pelo contr6rio: acho que devem
ter todas as condicoes para se dedicar a urma
tarefa essencial e dificil, que 6 a de julgar e
sentenciar pessoas e causes. Mas devem ter
consciencia de que a sociedade se sacrifice
para que eles cumpram sua missao relevant.
E de que a retribuiiao deve ser a de trabalhar
com aplicaqgo e constfncia para garantir a efi-
caz ejusta tutelajurisdicional.
Do contrairio, formam uma casta insensf-
vel hs necessidades da esmagadora maioria
dos cidadaos, que chegam a idade da aposen-.
tadoria sem dispor de condio;es nern de long
equivalentes; de regra, o oposto: desumanas.
Sem consci&ncia sobre as carencias do pais, 6
como se o magistrado e o cidadao vivessem
em mundos distintos e, freqientemente, opos-
tos. Ajustica, que 6 um dos pilares do estado
democritico de direito, descamba para ser o
sustent6culo das iniqiiidades. Por isso, a cada
moment em que um juiz conquista o just
descanso depois de mais de tr6s ddcadas de
labuta, 6 legitimo e necessirio indagar se
ele fez realmente por merecero privil6gio que a
sociedade Ihe conferiu.



VIVA-MORTA
A Companhia de Desenvolvimento Industrial
e uma especie de empresa fantasma. Apesar
de hi virios anos se encontrar em process
de liquidaqao, continue a esbanjar vitalidade,
Faz convenios, contrata obras, desempenha
regularmente sua funciao. Ou um Lazaro no
executive estadual a ressuscita ou a liquid de
vez. Qual a razao desse conta-gotas de vida?



VIA DESMATADORA
O govemo do Estado pretend concluir, at6 o
final do ano, os 63 quil6metros da PA-279 entire
Agua Azul do Norte e OurilAndia do Norte, ao
custo de quase 50 milhoes de reais, sob a res-
ponsabilidade da construtora paulista Semenge.
Essa estrada estabelece a ligaiao entire leste e
oeste, do Araguaia ao Xingu, paralelamente a
ligaio corn a provincia mineral de Carajis. Per-
mitirA o acesso mais rdpido e eficiente aos rema-
nescentes de floresta native na margem direita
do rioAmazonas, em ten-it6io paraense. Um dos
extremes da rodovia 6 Sao Felix do Xingu, sede
do municipio onde mais se ter desmatado nos
iltimos anos; que tinha sonhos florestais e ago-
ra e o campeao estadual da pecuaria.
Na metade da d6cada de 70 discutia-se
apaixonadamente se essa estrada, entao de
revestimento prim6rio e incomplete, devia ser
concluida e asfaltada. Hoje, simplesmente faz-
se. Fazendo-se mal.


Journal Pessoal I QUINZENA VOVEMBRO DE 2006











De golpes e conspiragoes


Um dos atavismos da esquerda 6 se atri-
buir uma vocaqio natural de depositdria da
verdade, monopolizando as virtudes 6ticas e
morais. Um esquerdista seria o pregoeiro da
verdade e um modelo de excelencia simples-
mente por ser de esquerda. Essa patologia
serviu de antolhos para muito intellectual di-
ante do despotismo implantado nos pauses
do "socialismo real". A teoria conspirativa,
da qual foi vitima, a esquerda reagiu cor mais
teoria conspirativa. Papai StAlin devia ser
perdoado (como Fidel atualmente) porque
seus erros derivavam do cerco opressor que
sofria. No fim, as distorgqes seriam corrigi-
das pelo sentido natural da hist6ria, que, em
progressao evolutiva e cumulative, resulta-
ria na sociedade sem classes, da qual o prole-
tariado seria o parteiro.
Algumas dessas teorias conspirativas
edulcoraram o president Luiz Indcio da Sil-
va antes e depois da sua reeleiiao. Contra ele
se voltou uma frente concertada de inimigos,
dispostos a destruf-lo. Dessa ofensiva parti-
ciparia a grande imprensa, os empresarios,
os politicos da direita e grupos estrangeiros,
todos contrariados pelas sdbias decisoes do
grande timoneiro. Paralelismos hist6ricos fo-
ram traqados para conquistar ades6es a essa
construaio intellectual em torno da figure do
grande lider renovador. A mais comum com-
parando-o a Salvador Allende.
Havia poucas d6vidas na 6poca e hoje
nao resta mais nenhuma de que os Estados
Unidos de Nixon & Kissinger tudo fizeram
para impedir a eleiqao do senador socialist
como president. Depois, violaram a sobera-
nia do Chile e cobriram-se de vilanias para
dep6-lo, o que acabaram nao conseguindo: o
bravo president preferiu suicidar-se a per-
der, pela brutalidade de um golpe military, o
mandate eletivo que o povo Ihe conferiu. Mas
a semelhanqa entire os dois mandatarios vai
pouco al6m de sua atribuida aqui ou assu-
mida 1I condigio esquerdista, a razao de
ser da ma vontade contra eles por parte do
establishment, o chileno muito mais agressi-
vo, violent e decidido.
Tudo mais dissocia os dois casos e frus-
tra a associaq~o. Allende fez sua campa-
nha propondo uma "via pacifica" para o
socialismo, sem sofismas. Por isso, sua vi-
t6ria foi por margem insuficiente de votos
para garantir-lhe a confirmaq o automdtica
pelo poder legislative, que escolheria seu
adversArio se nesse moment nao ocorres-
se o assassinate de um grande chefe mili-
tar legalista, vitima das tropelias de uma
direita facinora.
Mesmo assim, a sociedade chilena esta-
va dividida diante da proposta de chegar ao
socialismo atrav6s do voto. Para a cipula,
por6m, nao havia a mais tenue d6vida: o in-
ferno era melhor. Os meses finals de Allende


no poder transcorreram sob in6dito locaute
patronal. Nada que dependia da elite funcio-
nava. Enquanto isso, senhoras desfilavam
pelas ruas batendo panels dia ap6s dia, numa
organizava invejivel, cor funds abastados.
Quem se hospedava no Sheraton La Mone-
da (da ITT), vendo a movimentagqo daque-
les americanos atl6ticos, nao tinha divida: a
CIA estava ali para ajudar a tornar impossivel
a vida da Unidade Popular.
Depois de tres tentativas fracassadas,
Lula se tornou president seguindo o cate-
cismo do marketing de Duda Mendonqa. O
glac8 era esquerdista, mas o conteido do
program era uma variaqio populista do de-
calogo do tucanato. O miximo que Lula pro-
tagonizou foi uma versdo atualizada de getu-
lismo combinado cor certojanismo antipar-
lamentar, queja se evidenciara na famosa fra-
se sobre os 300 picaretas da Camara Federal
(legiio que Lula, no poder, ampliou).
Poucos segments da elite podem recla-
mar cor fundamento do primeiro mandate de
Luiz Indcio, o venturoso. O mais comum nas
reclamaqoes 6 a desconfianqa de que, uma
vez confirmado na presid6ncia por mais qua-
tro anos, ele deixe de lado as simulaq6es e
revele sua outra face, de esquerdista para
valer. Esse receio se sustenta mais nos com-
panheiros de viagem do president do que
nele pr6prio.
Se o "Lulinha paz e amor" de Duda era
uma mascara, ela grudou no rosto e virou
pele, como no personagem do famoso poema
de Fernando Pessoa, "A Tabacaria" (citar
Pessoa voltou a ficar na moda na provincia).
O president se encantou cor as serventias
do poder e reage como autintico membro da
elite (mesmo que nao se consider como tal
nem assim seja considerado pelos tais) ao
menor rumor de mudanqa drdstica na political
econ6mica patrulhada pelo doutor Meirelles
a partir do promont6rio do Banco Central.
Hd "forcqaCo de barra", como se diz no
patoa assembleista, quando se costura sen-
timentos distintos de reaqgo a Lula, que vio
da repulsa total a mera restriq~o parcial, corn
o fio invisivel da unidade, criando uma cons-
piraqio que, ate aqui, nao se evidenciou. HA
grupos de pressdo que gostariam de apear
Lula do Palacio do Planalto, aqui e agora. Ha
gente conspirando nesse sentido. Mas 6 fan-
tasia dizer que todos se uniram sob um co-
mando articulado, de forma direta ou indire-
ta, para sabotar o governor do PT e depor
Lula por seus mal-feitos.
Dias atrds a Companhia Vale do Rio Doce
colocou para fora sua insatisfadio com essa
irreal political cambial do governor, que bara-
teia itens importados de consume e mina a
rentabilidade dos exportadores. Mas, na
boca da CVRD, o grito sai em falsete. De
fato, a empresa ganha menos do que podia,


mas o que ganha jA 6 fantAstico, graqas aos
elevados preqos de suas commodities. Ou-
tros exportadores podem protestar corn mai-
or legitimidade. At6 agora puderam compen-
sar as perdas, mas quem garante que terao
sobras daqui a pouco? Estlo com receio de
imitar aquela frase da piada er6tica: vai ser
bor, nao foi?
Os militares tamb6m estao mal-acomoda-
dos em seus uniforms apertados. Se os mili-
tares falharam por subestimar os civis, estes
ten dificuldades para entender os militares. Daf
essas political mambembes do setor, varian-
do entire medidas desajustadas, ora por exces-
so, ora por escassez. Daf a estarem preparan-
do um novo golpe, vai uma distlncia conside-
ravel. Deve-se dizer que os tanques s6 vao
para as ruas no Brasil quando sio chamados
por um apelo que poupa aos chefes desses
movimentos anti-republicanos o risco de uma
guerra civil. Se ela ocorre, como em 1932, 6 por
um erro de calculo generalizado.
Quanto a imprensa, constitui outra fali-
cia imaginar que as redaq6es estejam se mo-
vimentando com um grito de insurreiqio. Ex-
cessos de suscetibilidades e mentes autori-
tdrias querem expurgar da democracia o que
Ihe constitui o encanto: o choque das diver-
gencias, a manifestagao dos opostos, o con-
fronto e mesmo a guerra aberta em torno de
iddias e arguments (certo tom pessoal,
quando nAo compromete a esgrima das id6i-
as, faz bernm sadia fofoca). A justiqa estd
certa ao punir os excesses, quando aciona-
da. Mas estd errada ao pretender uma as-
sepsia burocrdtica, que acaba por desnatu-
rar o vigor da democracia.
A campanha eleitoral deste ano foi mais
limpa, mais civilizada, mais eficiente. Por6m
a espada de DAmocles permaneceu irrealis-
ticamente erguida sobre a cabeqa dos con-
tendores. Os candidates foram intimidados
a se comportar como concorrentes de gre-
mio escolar e osjornalistas tiveram que me-
dir e pesar suas palavras para nao ficar ao
alcance de uma penalidade. Nivelada por
essa regra confessional, a campanha eleito-
ral foi pobre de discurso, inodora, desmoti-
vadora. Nao pode ser assim. Nao deve.
A Constituiiao tutela a liberdade de ex-
pressao e pensamento, mas a sombra dos
direitos individuals estd cobrindo o sol do
interesse ptblico. Qualquer "otoridade" ou
"tubarao", acionando sua equipagem, cala
o oponente. Basta suscitar em jufzo qual-
quer mal-estar subjetivo para obter medidas
acautelat6rias e tutelas inibit6rias, cor di-
reito a ressarcimento indenizat6rio.
Os eventuais Marats, defensores aut&n-
ticos do povo, sao expurgados no nasce-
douro por uma justiqa sobre a qual, sete dd-
cadas atrAs, Franz Neumann disse tudo em
seu Behemoth. Aquela justiqa que de vez


A NOVEMBRO DE 2006 I QUINZENA Jorn1ll Pesso.ll










na democracia a brasileira


em quando tira a venda para ver quem Ihe
requer os serviqos, favorecendo a uns e
constrangendo a outros.
Sensibilidades se manifestam A flor da
pele graqas a esse endosso, bloqueando o
exercicio da controversial, que esclarece e
educa nas verdadeiras democracies, s6lidas
o bastante para resistir aos seus pr6prios
exageros. E o caso, por exemplo, do conten-
cioso entire o senador Jorge Bornhausen e o
escritor Emir Sader. O president do PFL foi
excessive no seu ataque a "essa raqa do
PT", destilando seu 6dio. JA o professor ma-
nifestou oportunismo ao classificar a expres-
sao como manifestaqio de racism por par-
te de um descendente de alemres, numa as-
sociaqio muito 6bvia para dispensar demons-
tragio. Retribuiu ao golpe baixo com outro
golpe baixo. Ao inv6s de treplicar, Bornhau-
sen recorreu A justiqa, que reagiu cor uma
sentenqa demasiada, atrav6s da qual Sader
foi condenado a perda do seu emprego de
professor. Diante do exagero, o emotional se


sobrep6s ao racional e o que podia ser uma
controversial descamba para geral de campo
de futebol. A quem interessa?
O Brasil 6 um pais muito mais complex
e diversificado do que o Chile de Allende,
Pinochet, Frei e Bachelet, que me perdoem
os hispanicos dize-lo e apesar das apa-
rencias em contrario. Mais complicado at6
do que estio dispostos a admitir muitos
brasileiros. Um jornalista que diz absurdos
de Lula, como periodicamente o faz Diogo
Mainardi nessa decadente Veja, nio esta
ofendendo para derrubar. O pior que Mai-
nardi pode dizer nto 6 pior do que procurar
cala-lo cor uma mordaqa.
Uma pessoa que respeita e cultua o ato
de pensar livre, que 6 o traqo mais marcan-
te no genero human, ha de querer adver-
sirios poderosos, de estilo fluente, de raci-
ocinio ripido, de mem6ria fantastica, de
muitas leituras. Se o conseguir superar, pro-
vavelmente terd ultrapassado os limits da
pr6pria capacidade e se tornado melhor.


Hoje leio pouco Veja. Nio por discor-
dar do que diz, mas porque ela quase nada
me acrescenta: 6 mal escrita, mal apurada,
nio respeita a intelig6ncia do seu leitor
nem a pr6pria seriedade, que, no vai-da-
valsa, desapareceu. Mas o Brasil se em-
pobrecerd se a revista se for por contrari-
ar os donos do poder. E melhor acreditar
que seu destino estarA selado quando o
mundo contido nas suas piginas pouco
tiver a ver com o mundo que gira 16 fora
(enquanto a Lusitana roda).
Como disse um lider americano, hoje
"menos grande" do que na 6poca em que
disse a frase, pode-se enganar todos du-
rante algum tempo e alguns durante todo
tempo, mas nio todos o tempo todo. A for-
qa da democracia esta em se acreditar nes-
sa maxima. A realizagio da democracia esta
na confirmagio dessa previsio. Que assim
continue a ser, tamb6m no Brasil, para o
bem de todos e a felicidade geral da naqio
(mas sem o cac6fato).


Silencio da imprensa


Quase dois meses atris um amigo me
mandou c6pia de um protest judicial apre-
sentado no Rio de Janeiro contra a proposta
de compra da Inco pela Companhia Vale do
Rio Doce. Como o JP 6 quinzenal, ressalvou
que a grande imprensa divulgaria primeiro a
questio, mas eu podia ter conhecimento da
integra da peqa e analist-la. Os dias se pas-
saram e nenhum registro apareceu na impren-
sa. Este journal acabou dando o "furo" por
in6rcia dos que souberam primeiro e se omiti-
ram. E continue a ser o tinico a tratar do pro-
testo, registrado na edigio 376.
Nada a surpreender, por se tratar de as-
sunto irrelevant? Nada disso. Mesmo trami-
tando pela justiqa federal dezenas de ages
que questionam a privatizai.o da CVRD, a
Vale nao ouviu as autoridades brasileiras nem
prestou contas ao judiciario do neg6cio que
realizou corn a empresa canadense. Exceto
pelo protest, nio houve uma cobranqa in-
terna devida pela ex-estatal. Quando a tran-
sag o foi consumada, nenhuma voz se levan-
tou para questiont-la pelo prisma dos inte-
resses brasileiros. Mais uma vez este jomal,
na sua ediiao anterior, ficou em solil6quio.
Os terms do acordo entire a CVRD e a
Inco s6 foram referendados pelo governor
canadense, dentre outras exig8ncias, porque
a Vale se comprometeu a nio reduzir em mais
do que 15% o quadro de pessoal da nova
controlada nos pr6ximos tres anos e a mante-
lo sempre em 85% do que 6 atualmente.


Imagine-se se na privatizaq.o, consuma-
da em abril de 1997 (ha quase 10 anos, por-
tanto), condiq6es semelhantes fossem esta-
belecidas? Claro que nio em relacio ao qua-
dro de pessoal daquele moment, sangrado
nos anos anteriores pelo governor federal, que
gastou muito dinheiro nessa reduqio drtsti-
ca, mas numa relaqao vinculada ao lucro li-
quido da empresa, que continue na escalada
de records, para a qual a administracao FHC
muito contribuiu cor o oneroso corte de gas-
tos que promoveu.
O que significa essa montanha de dinhei-
ro de rentabilidade para o Brasil e os Estados
nos quais a Vale atua? Muito pouco. Nerm
mesmo quando a diretoria da empresa apre-
senta nimeros impressionantes, como fez na
semana passada, ao anunciar os estrondo-
sos resultados do terceiro trimestre, hi um
efeito social correspondent.
Cada vez mais se enrijece a couraqa cor-
porativa da Vale. Mesmo quando a empresa
age corretamente num primeiro moment,
como fez em relagio aos Xikrin, negando-se
a ceder is suas descabidas exig6ncias, num
segundo moment mostra que nao tira do
epis6dio a liqgo devida para corrigir sua pos-
tura em relaqao a realidade circundante aos
seus enclaves minerals e logisticos.
A empresa pode cancelar as liberalidades
que pratica em beneficio comunitario e social,
mas nio pode ignorar as sequelas provoca-
das por seus empreendimentos insulares, que


n5o espraiam bons resultados, que nio germi-
nam no sertao, torado por ela mais agreste,
socialmente falando. Eventuais concess6es,
como as feitas aos Xikrin, quando transferi-
das para o piano da efetiva responsabilidade
(que, se nio 6 assumida voluntariamente, pre-
cisa ser imposta pelo governor revelam o que
sao: perfumaria ef6mera no quadro de car6nci-
as humans que a Vale nio atende e, pelo
contririo, multiplica e agrava.
Sera que a grande imprensa nao v& isso?
Claro que v&. Se nio fala, 6 porque nao quer.
Mas e osjomalistas, individualmente: por que
nio abordam quest6es de tal relevo?
Profissionais competentes parecem nio se
permitir ultrapassar a cerca da CVRD, que e
muito mimosa, 6 cheia de flores, mas 6 um
redil anti-jornalistico. Teleconferencia, video-
confer8ncia, toneladas de press-releases e
outros mimos fazem efeito. Mas nao s6 nem
principalmente pela eficacia do marketing: e
tamb6m porque muitosjornalistas nao se dao
ao trabalho de resistir e de reagir a sutil e
sofisticada manipulaqao.
Esse jogo de manipulaqio nio seria tio
eficaz se osjornalistas aplicassem seu talen-
to e lembrassem de seus compromissos pro-
fissionais, que sustentam a f6 de seu oficio.
Nao precisa ser grande professional. Basta
raciocinar, fazeras perguntas devidas e iratrAs
das respostas satisfat6rias, procurando um
jeito de faz6-las chegar a quem interessa: o
distinto piblico.


Jornal Pessoal I QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 7


--4 emuM










Buraco negro na Amazonia?


A desmilitarizagio do serviqo de control do
traifego a6reo no Brasil s6 6 um problema porque
a militarizagio nunca devia lhe ter sido imposta.
A defini5ao nada tern a ver cor ser a favor ou
contra os militares: 6 uma quest.o ticnica. Mo-
nitorar avioes que pousam, decolam e navegam
pelo espaqo C um dos oficios mais tensos e des-
gastantes que existe. Aldm do necessirio emba-
samento tecnico, seu exercicio requer raciocinio
ripido, autoconfianga e poder de iniciativa.
E problemaitico enquadrar essas qualida-
des nas regras da hierarquia e do comando,
que sao eixos essenciais da fun io military.
Sob o comando de um official superior, con-
troladores de patent inferior Ihe devem uma
subordinaq5o que, numa carreira civil, nio
poderia ter a rigidez da rela5ao entire milita-
res. Freqtientemente essa dependencia inibe
o funcionArio em moments de crise.
A desmilitarizacio, em si urmaexpressdo im-
pr6pria para o caso, em virtude da carga emoci-
onal que cont6m, 6 um imperative da fixag5o de


um piano de carreira adequado a natureza da
tarefa dos operadores de v6o. E precise conce-
der-lhes condiq6es inerentes ao seu trabalho. E
tamb6m expurgar certas incrustaq6es que aca-
bam por prejudicar sua independdncia em rela-
cao aos usuarios do serviqo, especialmente as
grandes companhias de avialao.
A desmilitarizaioo devia estender-se a toda
avia~lo civil e nao apenas a um dos seus seg-
mentos. Ajustificativa 6 a mesma, sem qual-
quer preconceito ou animosidade ao Ministd-
rio da Aeronautica, que tern suas misses es-
pecificas, absorventes e espinhosas. AANAC,
o DAC e o Infraero, vinculados institucional-
mente a um minist6rio civil, deviam se nortear
por suas funqBes t6cnicas e o atendimento
dos clients principals, as pessoas de came e
osso, acima das organizaqoes juridicas.
Talvez corn essa mudanga seja possivel
corrigir distorq6es estruturais do sistema, que
se evidenciaram dramaticamente cor o mais
grave acidente da aviacqo no Brasil, hi me-


nos de dois meses. O impagivel preqo das
dezenas de vidas humans exige attitudes
corajosas e eficientes. Elas levario as autori-
dades a ter que admitir as deficiencias do ser-
viqo e talvez at6 o "buraco negro", um espa-
go a meio caminho entire Brasflia e Manaus,
de control difuso, impreciso.
O Sivam (Sistema de Vigilancia da Amaz8-
nia) devia introduzir os instruments e meca-
nismos para uma cobertura eficaz e continue
dessa frea, o que nao parece ter feito, apesar
dos dois bilh6es de d6lares que custani ao
pais atW a amortizaq~o do seu financiamento.
O seu moment seguinte, o Sipam (Sistema de
Prote~lo da Amaz6nia), nao incorporou o con-
trole dessa operaqao (nem foi aparelhado para
assumi-la). O servico permaneceu corn os Cin-
dactas. O acidente cor o Boeing da Gol e o
jatinho da empresa americana sugere que esse
"buraco negro" existe e persiste.
Em respeito as vidas humans sacrifica-
das por uma combina lo de erros e infelici-
dades, conv6m que a questao seja tratada
cor seriedade e leve as suas filtimas e neces-
sarias conseqiuncias.


C Val, t



Desenvolvimento
Primeiro foi o ferro. Alids, tem a
primazia o ouro abundante e biblico,
extraido das barrancas dos rios e dos
relevos acentuados do Oeste e Sul
do Estado. Depois veio a bauxita, a
alumina, o cobre, o mangan6s e, mais
recentemente, o niquel ingressou no
rol dos minerals retirados do solo
paraense para serem transferidos a
outras civilizainoes (?), internal e ex-
terna. Ali sao mais elaborados e trans-
formados em bens de consume de
alto valor agregado, que fazem a ale-
gria de outras pramas e deixam os pa-
raenses mais pobres.
Alem da isenao de tributes, as
empresas que escavam o venture deste
Estado ainda gozam de incentives fis-
cais, preconizados pela legisladio de-
senvolvimentista, e patrocinada pe-
los caboclos subdesenvolvidos. Os
"tucanos", empoleirados no poder
por quase doze anos, falavam e falam
muito de "verticalizagio da produ-
cio" e da construqlio de um "novo
Estado". Por6m o que temos afora
algumas obras suntuosas para inflar
o ego de certos governantes e embe-
vecimento da platcia privilegiada 6
um Estado pilhado e pauperizado,
sem quaisquer perspectives de me-
Ihoria dos seus stores essenciais, tais
como educaqio, habitaaio, saude e
transport. Muito em breve s6 nos
restarao as crateras na regiio do Pro-
jeto Grande Carajas, no municipio de
Oriximina e, num future bem proxi-
mo, no municipio de Juruti.
Faco essas consideracoes a pro-
p6sito das matCrias publicadas nos
61timos n6umeros do Jornal Pesso-
al. corn destaque para o de n. o 375,
corn os titulos: Miragem Onerosa


(pag.1, 2), Hist6ria na Amaz6nia cla-
ma por autor (prig. 3, 4), Oriximinii:
por quanto tempo? (pag. 5). Seria o
moment de se indagar pelos especi-
alistas em planejamento regional, e
profissionais de areas afins, que fi-
zeram parte dos governor estadual e
municipal nestes l6timos trinta anos,
substituindo-se em forma de rodizio,
muitos dos quais contemporaneos
seu, e quigi at6 diletos amigos. Pelo
visto, as contribuicqes desse grupo
para o desenvolvimento e fortaleci-
mento do Estado foram pifias (ine-
xistentes seria o mais correto), a me-
nos que algum fato novo prove o
contrairio.
Rodolfo Lisboa Cerveira

Privatizadao
Perfeito! 0 Jornal Pessoal (n.
376) esti sempre cumprindo a sua
missao de vanguard e consagradora,
de informer ao seu restrito numero
de leitores mais uma vergonhosa aaio
do governor que jazia esquecida nos
escaninhos da justiqa brasileira. E
dever dojornalismo, dizia um grande
escritor: "... fazer conhecer o estado
das coisas p6blicas, ensinar ao povo
os seus direitos e as garantias de sua
seguranqa, protestar coin just vio-
16ncia contra os atos culposos, frou-
xos, nocivos, velar pelo poder interi-
or da patria... pela conserva5ao da
justica, pelo respeito do direito, da
familiar, do trabalho...".
0 jornalista, prossegue o escri-
tor, deve estar atento: "Mesmo quan-
do tudo esti imobil, o espirito po-
pular adormecido, as grandes indivi-
dualidades silenciosas, os aconteci-
mentos esteries, a vida monotizada,
6 necessario cavar as pr6prias idWias,
violentar a inteligencia, gastar, con-
sumir a sensibilidade, falando, dis-
cutindo, dirigindo.".
Aqui nada disso acontece neste
mundao do Norte, a grande (?) im-


prensa se omite. Mesmo assim, ain-
da espero ver dissecado todo o pro-
cesso de privatizagio (?), em especi-
al o caso da Vale, do governor anteri-
or, na sua maioria financiado coin a
poupanqa national, e serem punidos
exemplarmente aqueles que engen-
draram as negociao6es, os grupos fa-
vorecidos e, por extensao, os benefi-
ciarios iltimos, que certamente os
houve, conform os rumors organi-
zadamente abafados.
Rodolfo Lisboa Cerveira

Dudu
Triste e saudoso, tomei conheci-
mento da morte do "seu Failache" (era
assim que eu o tratava), lendo a crini-
ca do Elias no "Diairio" e, agora, lendo
o JP n 378, voltou a acometer-me a
saudade da Livraria Econ6mica e do
seu implacivel livreiro. Como bern
lembras o home era realmente duro
na queda que, de regra, era sofrida por
seu contender.
Vivendo em Brasilia do inicio da
d6cada de 70 ate meados da d6cada
de 80, vinha a Bel6m anualmente em
f6rias e, dos trinta dias habituais,
alguns se passavam no pequeno mas
acolhedor ambiente da livraria e sob
a paciente atencgo do "seu Faila-
che", sempre corn precisas indica-
coes de compra. Era comum ter sem-
pre a mano uma "raridade" para nos
mostrar e vender.
Em uma de minhas passagens
pela livraria notei, empoeirado na base
de uma coluna de livros logo na entra-
da, o volume que faltava para com-
pletar a coledao de um author que ad-
mirava e admiro muito que procurava
fazia anos e maravilha das maravi-
lhas! na lingua original. Nao tenho
duvidas que seu Failache notou o bri-
Iho nos meus olhos e minha ansieda-
de ao pedir-lhe para ver o livro. Quan-
do perguntei o preqo desabei. Argu-
mentei, quase fui aos prantos, mas


nao tevejeito, o velho Dudu conhecia
do assunto e me deu, de graqa, uLma
aula sobre as qualidades do livro, a
importaincia do autor as caracteristi-
cas da edicao e concluiu achando que
o valor cobrado estava ben abaixo do
que realmente valia o livro.
Pesaroso, pensando no restante
das fdrias, verifiquei que nao podia
desfalcar meus parcos recursos comn
aquela compra. Desisti, mas nao sem
antes fazer um desafio ao seu Faila-
che: voltarei daqui a um ano e o sc-
nhor ainda n5o terl vendido esse li-
vro, ameacei revoltado. Seu Failache,
sem se abalar, retornou com o livro
para o seu empoeirado lugar e foi cui-
dar das prateleiras recheadas. Como
prometi, voltei no ano seguinte. O li-
vro continuava no mesmo lugar. Ou-
tra tentative de compra, outra decep-
gio, outro desafio. E assim foi por
mais dois anos, at6 que no quarto ano
consegui comprar o tal livro pelo pre-
qo pedido, sem qualquer desconto. Seu
Failache, s6rio e corn ar de quem tinha
vencido uma batalha na qual o derro-
tado sai satisfeito me saiu com essa:
"Tentaram me comprar esse livro va-
rias vezes, disse que nao vendia por-
que estava reservado para um amigo
de Brasilia".
Em tempo Lucio, como "opera-
dor do direito", ao saber de tua con-
denagao (nao transitadaem julgado),
na aqao de danos morais, ajuizada
pelo pirata fundiirio contra tua pcs-
soa por artigo no JP, lament pro-
fundamente que outros sentiments
que nao exclusivamente o dejustica.
ainda motive decis6es judiciais em
nosso Estado. Diante de tal fato, cabe
emprestar o bordao de conhecido jor-
nalista e apresentador de telejornal.
quando diante de acontecimentos la-
mentaveis que era obrigado a notici-
ar: "Isso 6 urma vergonha!".
Melquesedeque Alves Filho
Advogado


8 NOVEMBRO DE 2006 *1'QUINZENA jornal Pessol


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Bulh6es Pedreira: mais que advogado


Ficou muito chato morrer no Brasil: a me-
m6ria dos que ficam estA cada vez mais curta
e burocrdtica em relaqio aos que partem, so-
bretudo aqueles que assinalaram sua marca
pessoal na caminhada de todos, abrindo no-
vas veredas, demarcando fronteiras, disse-
minando id6ias, firmando criaq6es. Os obitu-
Arios da imprensa cumprem apenas sua obri-
gaqao com o calendArio e a agenda. As se-
mentes dos que fecundam a vida apodrecem
e morrem de verdade.
Da importancia de Jos6 Luiz Bulh6es Pe-
dreira, por exemplo, que se foi na madrugada
do dia, 24 de outubro, no Rio de Janeiro, aos
81 anos, muitos s6 puderam ter uma id6ia ao
abrir a pdgina de anincios finebres de O
Globo. Dois terqos dela foram ocupados por
convocaq6es para a missa de 7 dia do chefe
de um dos principals escrit6rios de advoca-
cia da antiga capital federal.
Esse escrit6rio sempre foi procurado por al-
gumas das mais importantes personalidades da
rep6blica, A cata de soluq6es ou id6ias (al6m de
patrocinio professional, 6 claro). Dele sairam leis,
decretos, regulamentos, normas, pareceres e ar-
tigos que ajudaram a forrar a base da vida pdbli-
ca e, sobretudo, da estrutura de poder. A capaci-
dade de raciocinio e de trabalho de Bulh6es Pe-
dreira Ihe deu uma condicgo rara, ada "eminen-
cia parda". S6 os que transitam pelas esferas da
decisao sabiam da sua importancia.
A Amazonia teve um capitulo especial na
sua biografia. Ele foi chamado, em 1982, pelo
ministry Delfim Neto, para desatar um n6 com-
plicado. 0 milionario americano Daniel Ludwig
se recusava a pagar a primeira parcela de um
empr6stimo intemacional, de 200 milhies de


d6lares, do Eximbank japones, para a compra
da fibrica de celulose e de uma usina de ener-
gia, instaladas no seu projeto, no Jari. As duas
plants foram montadas sobre estruturas flu-
tuantes para navegar entire o Japao, onde fo-
ram construidas e financiadas, e o rio Jari, por
mais de 20 mil quil8metros.
Ludwig, alegando que o govemo estava
inviabilizando seus neg6cios na Amaz6nia,
impedindo-o de construir uma hidrel6trica e
outros empreendimentos, reagiu se negando
a honrar o compromisso financeiro. Para nao
criar um problema diplomdtico, mas ao mes-
mo tempo porque o tesouro national avaliza-
ra a operaqio, o governor tinha que pagar a
parcela j vencida do empr6stimo da Jari. Mas,
ao mesmo tempo, para se ressarcir da despe-
sa, se via obrigado a assumir o control do
projeto, estatizando-o de fato. No seu modo
de ver, estava entire a cruz e a espada.
Bulh6es Pedreira aproveitou um mecanis-
mo pouco conhecido da nova lei das socie-
dades an6nimas, da qual ele fora o principal
criador, seis anos antes, para cortar o aparen-
te n6 g6rdio. Um conglomerado de 21 empre-
sas nacionais, formado as pressas, sucederia
Ludwig no Jari.
O milionario americano se retiraria da so-
ciedade sem receber de volta todos os 180
milhoes de d6lares de capital de risco que
investiu, mas levando de imediato 88 milh6es
de d6lares, que aplicara na importagqo de
equipamentos. Teria direito ainda a 100 "par-
tes do fundador", um papel especial que Ihe
permitiria continuar a acompanhar a execu-
go dos seus projetos e receber preferencial-
mente dividends, quando eles dessem lu-


cro. O Banco do Brasil e o BNDES assumiri-
am a divida do Jari, de US$ 200 milh6es. A
cada pagamento da dfvida receberiam em tro-
ca aces preferenciais, sem direito a voto.
O dominio de direito seria do conglome-
rado privado, mas quem realmente mandaria
seria o grupo Antunes, proprietirio, sozinho,
do inico dos projetos de Ludwig que jA dava
lucro, o da Cadam, que minerava caulim. O
custo da manutenqao do "imp6rio na selva"
concebido pelo americano foi jogado sobre
os largos ombros do governor, enquanto a
parte do lelo ficou com Augusto Antunes, o
dono do grupo Caemi, de cujo Conselho de
Administraqdo o advogado Bulh6es Pedrei-
ra era membro. Por acaso, naturalmente.
O morto ilustre, portanto, era tamb6m lo-
bista. Mas nem essa condiqdo, que nem sem-
pre assegurava a marca olimpica as suas cria-
5qes, nao Ihe diminufam a competincia e um
certo glamour e exotismo (morava com a mu-
Iher no anexo do Copacabana Palace). Bulh6es
Pedreira foi um home brilhante e interessan-
te, de uma geraqao que, mesmo ganhando seu
dinheiro (nao pouco) corn seu oficio, jamais
perdeu de vista a dimensAo plblica. Nem re-
duziu seu interesse ao dinheiro (tarefa facilita-
da pela circunstincia de nao ter como proble-
ma a falta do vil metal). Atuou em varios seto-
res da vida, sempre com brilho peculiar.
Conhecer Jos6 Luiz de Bulh6es Pedreira
Netto, que era o seu nome de batismo, foi um
privil6gio. Mesmo para os que divergiam dele,
ou o combatiam o que implicava melhorar
muito para estar A altura do adversario. Um
desafio que faz muito berm intelig6ncia, in-
dividual e coletiva.


Interesse public
Ha virios anos iniciei a coluna Interesse
Publico na esperanga de lanqar uma ponte
entire o cidadao e o governor. Nessa segqo,
registro atos da administracao p6blica, sus-
cito d6vidas e faqo questionamentos em cima
do Didrio Oficial, que 6 a ferramenta de reali-
zaqio de um dos principios constitucionais:
a publicidade aos atos do governor.
Raras vezes os representantes do povo e
os seus servidores se deram ao trabalho de res-
ponder, mesmo quando provocados diretamen-
te. A freqtincia 6 a mesma em relaao aos cida-
daos, que nao se sentem como o objetivo da
miquina do Estado e, por isso, nao cobram seus
direitos. Desmotivada, a coluna recolhe-se.
Quando v6 uma luz no final do t6nel, volta a
circular. Seu pisca-pisca reflete ocurto-circuito
que hi na linha entire o povo e o govemo.
Quero agradecer, em mais esse renasci-
mento da coluna, a iniciativa de Rosangela
Chagas de Nazard e Candida de Jesus Ribei-
ro do Nascimento, da 1a Promotoria de Justi-
qa de Registros Piblicos da Procuradoria de
Justiqa do Estado. Elas leram nota publicada
na edilao n 371 destejomal, instauraram pro-
cesso a respeito e foram verificar se procedi-


am os questionamentos sobre a existencia do
Institute de Desenvolvimento Humano do
Pard, entidade que recebeu dinheiro do go-
verno atrav6s de convinio de cooperaqao fi-
nanceira corn a Sectam (Secretaria de Ci6n-
cia, Tecnologia e Meio Ambiente).
Realizando as devidas apuraq6es, as duas
promotoras constataram que a entidade exis-
te legalmente: esta registrada como pessoa
jurfdica no cart6rio do 2 oficio de registro de
titulos e documents de Beldm. E se acha em
plena atividade, conforme p6de verificar uma
assistente social do Minist6rio P6blico que
visitou a sede do institute.
"Portanto, sob o prisma de nossa atribui-
cgo nao hA o que refutar quanto a existencia de
fato e de direito da pessoa juridica analisada".
Assunto encerrado? Nao. Rosangela e Can-
dida tiveram sua atenqlo atraida para um fato
surgido na apuradio: a president da entidade,
Lindanor Maria Ribeiro Ferreira, 6 funciondria pi-
blica. Ela esta impedida por lei (a 5.810, de 1994,
no artigo 178, inciso IX) de, como servidora pd-
blica, participar da gerencia ou da administraqgo
da associaqao; ji o inciso VIII da mesma lei a
probe de assinar contrato cor a administracgo
pdblica. E o institutoque dirige remunera os que
participam de sua gestao executive, como ela.


Diante dessas informaaqes, as duas pro-
motoras encaminharam os autos do process
a uma das promotorias de justiqa dos direitos
constitucionais e do patrim6nio piblico. Es-
pera-se que os representantes do MP nessa
instituigao tenham o mesmo cuidado, atenaio
e dilig6ncia das suas colegas que iniciaram a
apuraqio. Elas dignificam o 6rgao ministerial.
O governor vive assinando conv6nios
cor instituiqies desconhecidas. Ainda que
elas de fato estejam regularizadas, podem
servir de instrument para o desvio da es-
cassa verba piblica e sua aplicaq~o em fi-
nalidades distintas das declaradas, ou sim-
plesmente esp6rias. Quando essa malver-
sa@.o for comprovada, 6 precise reprimir o
delito e punir os responsaveis para inibir a
reincidencia no crime. Se nada for verifica-
do, arquive-se o process cor a certeza do
deer cumprido.
Quando instancias do poder p6blico dio
as maos a imprensa, ambas cumprindo sua
missao de auditors do povo, ganha a socie-
dade e perdem os malfeitores. Que este caso
sirva de exemplo aos servidores piblicos e
de estimulo aos jornalistas empenhados em
fornecer ao leitor-cidadao uma de suas mat6-
rias primas mais importantes: a verdade.


Journal Pessoal 1 QUINZENA VOVEMBRO DE 2006 9


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MEMORIAL DO COTIDIANO
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Centenaria
Pode nao parecer, mas a Lavan-
deria Paraense 6 mais do que cen-
teniria. Cor o nome de Lavan-
deria Paraense a Vapor, foi fun-
dada em 1900. Em 1948, seu pro-
prietArio, Antonio M. da Silva,
anunciava que a empresa "estA
apta a executar cor a maxima per-
feiqio e pontualidade todos os
trabalhos de sua especialidade,
tanto para vapores como para
particulares". Funcionava "em
edificio pr6prio, cor todos os
requisitos de higiene", na Tra-
vessa (talvez a mais extensa do
mundo, a literalmente atravessar
a cidade de um extreme a outro)
Padre Eutiquio, 570.

indios
Em fevereiro de 1954 Darci Ribei-
ro desembarcou em Bel6m. Como
chefe da Seq o de Estudos do
Serviqo de Protecqo aos Indios
antecessorr da Funai), veio tra-
tar cor os components da Co-
missao de Planejamento da
SPVEA (antecessora da Sudam)
"das medidas necessArias para
integrar os indios no esforqo de
recuperaq~o econ6mica da re-
giio". Tamb6m submeteria a Su-
perintendencia do Piano de Va-
lorizaqgo Econ6mica da Amaz6-
nia "um program de assist&ncia
t6cnica as pequenas comunida-
des indigenas que apresentam
problems de adaptaq o a socie-
dade national".

Cinema
O Nazar6 completou meio s6culo
de funcionamento continue. Em
16 de outubro de 1956 o antigo
Poeira foi reinaugurado, j com o
nome official de Nazar6, pela Em-
presa Sao Luiz, no local onde ain-
da permanece, no Largo de Na-
zar6, ao lado do irmao Iracema. O
filme de abertura foi Manto Sa-
grado. O festival de reabertura
contou ainda cor Suplicio de
uma Saudade, Aventuras de Haji-
Baba, Demetrius, o Gladiador, A
Fonte dos Desejos, Carmen Jo-
nes e Principe Valente.
Vida longa ao Nazar6.

Estudantes
Durante o XV Congresso Estu-
dantil Universitirio, realizado em
outubro de 1952, em Bel6m, os


estudantes aprovaram uma mo-
qao de desconfianqa contra o
Vice-Diretor da Faculdade de
Medicine e Cirurgia do Pard, Jos6
da Silveira Neto, que era consi-
derado um candidate em poten-
cial A reitoria da future Universi-
dade Federal do Pari (em vias de
completar seu primeiro cinqiien-
tendrio). 0 autor da moqao, o aca-
demico de direito Orlando Costa,
justificou a proposta argumentan-
do que nessa Faculdade "impe-
ravam a opress.o desenfreada e
o afilhadismo e quem n.o se sub-
metesse aos caprichos do dou-
tor Silveira n.o lograva aprova-
q~o nos exames".



ITEATRO DA PAZI


V prwUVA DO CONTUHrO co0o0GllAF

"AUGUSTO RODRIGUES"
.4-- Annnln &* I
"ALENCAR TERRA"

LSAUIl ARMADAS I AQC CORO COSULA
11 1.of 3.2

PROPAGANDA

Bailarina

do Augusto
Em 1955 o professor Augus-
to Rodrigues realizou o quiln-
to dos famosos festivals do
seu conjunto coreogrdfico,
que funcionava anexo & Aca-
demia de Acordeon Alencar
Terra, homenageando as
"classes armadas" e o corpo
consular Quem serd a baila-
rina da foto?


Depois de tentar, sem suces-
so, evitar a aprovaqio da moqio,
que consideraram desproposita-
da, os academicos de medicine
Francisco Barros, Jos6 Ewerton
do Amaral, Orlando Zoghbi, Gui-
do Ribeiro, Jurandir Arat(jo e Ozi-
el Careiro se retiraram do con-
gresso em sinal de protest.
Silveira se tornaria o segun-
do reitor da UFPA (o primeiro foi
Mario Braga). Orlando, professor
da Universidade, chegaria a mi-
nistro do Tribunal Superior do
Trabalho. E Oziel, ainda em ativi-
dade, seria politico e empresario,
director do Banco do Brasil e pri-
meiro secretirio do Programa
Grande Carajis, sem nunca exer-
cer a medicine.

Familia
Ana Klautau Bentes morreu em
Bel6m, aos 86 anos, em 10 de ou-
tubro de 1959. Era casada com
Leao Bentes, official da antiga
Brigada Militar do Para, que par-
ticipou da campanha contra Ca-
nudos. Tinha duas filhas, sete
netos e 18 bisnetos. Era tia de
Orion, Aldebaro e Benedito Klau-
tau, de um dos troncos familiares
mais tradicionais da cidade.

Teatro
O famoso Teatro de Variedades
foi reformado e ampliado para re-
ceber mais ptiblico durante o Ci-
rio de Nazar6 de 1959. Os empre-
sarios Manoel Gaspar (mais co-
nhecido como Buraco) e MArio
Lima capricharam na reestr6ia.
Trouxeram, dentre outros, os hu-
moristas Jararaca e Ratinho e a
cantora Virginia de Moraes.

Porto
Em 15 de setembro de 1960 qua-
se todo o cais do porto de Bel6m
se achava ocupado por 14 navi-
os de alto mar, entire nacionais e
estrangeiros, que simultaneamen-
te embarcavam e desembarcavam
carga, atendidos por mais de 500
maritimos. Outros navios estavam
ao largo, fundeados na baia, es-
perando sua vez. Uma azafama
que nao existe mais.

Livro
"Eu e as iltimas 48 horas de Ma-
galhies Barata" foi o livro mais
vendido no Pari em 1960 e em


todos os tempos. Nele, Dalila
Ohana, companheira de muitos
anos do caudilho, mas obrigada
a deixa-lo nos seus l6timos mo-
mentos, para que a famflia official
ocupasse seu lugar ao lado do
lider que morria, conta os deta-
Ihes desse drama. No dia do lan-
qamento foram vendidos 1.800
exemplares. Toda ediqao se es-
gotou quando ela autografou o
livro numa barraca que Haroldo
Maranhao montou para a sua Li-
vraria Dom Quixote, durante a 2"
Feira de Livros da Amaz6nia, na
praqa da Repdblica.

Aus6ncia
No dia 28 de fevereiro de 1964 a
Associaqio Paraense das Empre-
sas Rodoviarias de Carga publi-
cou uma nota official na imprensa
anunciando que no dia 2 de mar-
qo sua diretoria esperaria, duran-
te toda tarde, pela visit do su-
perintendente da SPVEA, Andra-
de Lima, ou de seus assessores.
A Apercar queria discutir deta-
Ihes para a organizaq o de uma
caravana que iria percorrer toda
Bel6m-Brasflia, ou ao menos ten-
tar a faqanha.
A associaqio garantia que a
estrada se encontrava "em p6s-
simas condioqes, causando in-
calculaveis prejuizos a regiio
amazonica", impedindo os trans-
portadores de carga de tender
ao comdrcio e a inddstria locais,
"como vinha fazendo".
Em nova nota, a associagao
manifestou seu "ressentimento
cor a desatenqio por parte dos
dirigentes da SPVEA".

Passeata
Em 1 de marco de 1964 o presi-
dente da Uecsp (Uniao dos Es-
tudantes dos Cursos Secundd-
rios do Pard), Francisco Gomes
Coelho, divulgou nota official
convidando a estudantada para
uma passeata que seria realiza-
da dois dias depois, saindo da
sede da UAP (Uniao Academica
Paraense), na avenida Governa-
dor Jos6 Malcher (onde hoje
esta o Hotel Regente). O objeti-
vo era conseguir o preenchimen-
to de todas as vagas existentes
no ensino superior e o acesso
ao ensino m6dio.
Tudo mudaria um m&s depois.


10 NOVEMBRO DE 2006 IlQUINZENA Journal Pessoal







FOTOGRAFIA

A political

estudantil
Umn dos maiores danos
causados ao pais pelos
20 de regime de exceqdo .
dos militares, entire 1964
e 1985, foi cobrir corn a
inalha de aqo da proibi- t "
Jo a atividade estudan-
til, que passou a ser vis- Js
ta conio subversive e ile-
gal. A political estudan-
til sempre foi, no Brasil, r
umna forja de lideres. *
Nela, os jovens se exer-
citavain nas artes e ma-
nhas do jogo do powder '
sem precisar se desfazer
de seus ideas, como
muitos fariam, depois,
no prosseguimento da carreira, jd como profissionais
do voto. 0 primeiro moment, porem, seria ura oportu-
nidade rara para testar as nascentes liderangas. Vemos
algumas delas nesta foto, de agosto de 1960. 0 acade-
mico Ramiro Bentes, president da UAP (Unido Acade-
mica Paraense), discursa nun comicio estudantil reali-
zado na PraCa do Rel6gio, o local por excelencia des-


sas manifestaqoes. No palanque ora subiam estudantes
de esquerda, ora do centro ou da direita, numa alter-
nancia democrdtica, mesmo quando dspera e conflituo-
sa. Ramiro seguiria pela vida com um pe na atividade
privada e outro na fun'do public, ate disputar (e per-
der) a eleido para prefeito de Belem. E os seus compa-
nheiros de palanque?


A MARGARITA
Ao escrever sobre Jos6 Luiz Bulh6es Pedreira, me lem-
brei de Margarida Genevois, minha colega do curso de so-
ciologia em Sao Paulo. Entre o primeiro e o ultimo nomes ela
tinha um Bulh6es Pedreira pelo meio. Qual o grau de paren-
tesco cor o notivel advogado? S6 agora, dando conta da
coincidencia, fui atrds de uma resposta. E no a encontrei.
Quando freqiientou a Escola de Sociologia e Politica, na
passage dos anos 60 para os 70, no s6culo passado, Mar-
garida ji carregava alguns cursos de nivel superior, inclusi-
ve um de literature, arte e hist6ria pela Sorbonne, de Paris.
Era uma incansivel ativista cat6lica e uma mulher de cora-
gem exemplar. Sua lucidez domava sua energia, dando-lhe
sempre um tom de calma e serenidade. Sempre fez muito
aparecendo pouco, mas marcando a mem6ria dos que pu-
deram conhec&-la e apreciar seu trabalho, cor a marca das
pessoas vitais. Mas s6 emergirA para o amplo conhecimen-
to quando tiver reconhecimento international. Alguns
acham que cor o Premio Nobel da Paz, por exemplo.
At6 li, espero descobrir a ligaqio de parentesco de
Margarida cor Jos6 Luiz, embora, no context, nao seja
mais do que uma curiosidade especiosa.


Cabide especial
Um dos fen6menos mais caracteristicos do fisiologismo na administralao pliblica
ji se manifestou: as demiss6es na assessoria especial do goverador. Simao Jatene ja
esta limpando sua drea, demitindo aqueles que incorporou em fun~io de compromis-
sos politicos e eleitorais. Esse movimento permit verificar os beneficiairios desses
acertos e sua serventia, informaqio que o atual govemador sonegou a sociedade. O
economist e professor universitario Simao Robson Jatene foi o primeiro a descum-
prir a Lei de Responsabilidade Fiscal e outras normas legais, deixando de publicar
trimestralmente as despesas de pessoal do seu gabinete e omitindo a relaaio dos que
foram pendurados nesse imenso cabide. E uma faqanha ingl6ria.
A assessoria especial do govemador se tomou uma bacia das almas a partir do
primeiro governor de Jader Barbalho (do qual Jatene foi secretirio do planejamento
do inicio do fim, corn participaqao decisive no primeiro escalho). Mas provavelmen-
te ningu6m contratou tanta gente quanto o pr6prio Jatene. Ele talvez tenha preten-
dido poupar-se desse desgaste abolindo o registro num6rico. Se teve essa inten-
qio, fracassou na pretendida invisibilidade. A hist6ria costuma recorrer a outros
m6todos para descobrir a verdade, que, mesmo que tardiamente, se revela e pode
se desnudar por inteiro.
Transformado em lugar de acomodaqio de fisiologismo e compadrio, a asses-
soria especial acaba por punir aqueles servidores que, mesmo a ela vinculados,
trabalham de fato e trabalham bem. Sao vitimas de um estigma que Ihes faz injus-
tiqa, mas que 6 o preqo a pagar por um erro de maior amplitude.


SINDICATOS
No dia 15 sera eleita a primeira diretoria do Sindicato das Indlistrias dos Produtores de Carvao Vegetal do Municipio de Rondon do Pard.
Apesar de ser batizado como sindicato de ind~istrias, congrega os carvoeiros. Rondon 6 o maior produtor estadual desse insumo, usado pelas
12 usinas de ferro gusa em atividades na area da provincia mineral de Carajds. A sess.o de fundaqio do sindicato e posse da diretoria serd no
audit6rio da Cimara Municipal.
Tres dias antes surgir6 um novo sindicato, congregando os trabalhadores em matadouros e frigorificos de Xinguara, Sapucaia, Rio
Maria, Agua Azul do Norte, Ourilandia do Norte e Tucumd, cor sede em Xinguara.
Estranhamente nio inclui o principal municipio da pecudria na regiao, Sao F6lix do Xingu.


11


~sp~


Jornal Pessoal -I QUINZENA VOVEMBRO DE 2006








NUMEROUS
As maiores vit6rias proporcio-
nais de Ana Jilia foram em Vi-
seu (74,66%), Soure (73,40%),
Almeirim (70,50%) e Eldorado de
Carajis (70,49%). As de Almir fo-
ram em Anapu (74,61%), Medi-
cilindia (72,57%), Brasil Novo
(71,94%), Uruard (71,57%) e Pla-
cas (70,50%). As maiores abs-
tenFSes foram em Melgaqo
(56,55%), Chaves (40,89%) e
Bagre (40,13%).


VIAGENS
E visivel o abuso de diirias de
viagens na administraq o plbli-
ca. Para evitar que o excess
persista, a custa do erdrio, a nova
administraq~o estadual podia
adotar procedimentos simples e
eficazes. Ao inv6s de declarar
genericamente que o servidor vi-
ajou "a fim de tratar de assunto
de interesse do Estado", o de-
creto do governador devia es-
pecificar qual 6 esse interesse a
justificar a viagem.
Ao retornar da missio, o ser-
vidor devia elaborar um relat6-
rio de viagem. Um extrato do do-
cumento seria publicado no Di-
ario Oficial e a integra remetida
para a Assembldia Legislativa,
sendo facultada sua consult
pelo piblico. Afinal, 6 ele quem
paga a conta.
Sem boa informaqro, muita
gene viajou por interesse parti-
cular. Varios conseguiram, dessa
forma, estrear em excurs6es ao
exterior. Cor dinheiro do pr6prio
bolso, necas de pitibiriba, como
se dizia no Pari.


NEPOTISM
Em 10 de dezembro de 1946 o co-
ronel Jos6 Faustino dos Santos
e Silva assumiu o cargo de inter-
ventor federal no Para, que exer-
ceu depois do segundo afasta-
mento do poder de Magalhbes
Barata, determinado pelo poder
central. Dentre os primeiros atos
do interventor estava a nomea-
qgo do aspirante Augusto Faus-
tino dos Santos e Silva (seu ir-
mio, provavelmente) para o car-
go de official de gabinete.
Descobri mais esse caso de ne-
potismo, uma das pragas da admi-
nistraq~o public, lendo a recons-
tituiq o dos atos oficiais no Pard
que Ribamar Castro faz sistemati-
camente nas edicoes do Dirio Ofi-
cial, um trabalho de arqueologia
pelo qual Ihe somos gratos.


Agressao: advogado



critical posiQgio da OAB


No dia 26 o advogado Oswaldo Coelho deixou o
Tribunal de Etica e Disciplina da Ordem dos
Advogados do Brasil, secgdo do Pard. No seu
discurso de despedida, fez referncia a agressio
que sofri no ano passado. 0 trecho do seu
pronunciamento que me diz respeitofoi o seguinte:

eporto-me ao principio bAsico republican:
todos sio iguais perante a lei. Como juiz
neste Tribunal, senti-me desconfortivel ao
julgar colegas e condenA-los pelas mais diversas in-
fraq6es disciplinares depois do encaminhamento an-
tiestatutirio que foi dado pelo colega Presidente da
Seccional ao lamentavel epis6dio da covarde agres-
sao, em local pdblico, e de grande repercussao na
sociedade paraense, sofrida pelojomalista Luciq FIA-
vio Pinto, seguida de ameaqa de morte, perante mais
de uma centena de pessoas que estavam em conhe-
cido restaurant da cidade, da parte do advogado
Ronaldo Maiorana, que no moment da agressio
estava acompanhado de policiais militares que Ihe
prestavam serviqo de seguranqa pessoal, tudo por
causa de um artigo publicado pela vitima no seu Jor-
nal Pessoal, intitulado "O rei da quitanda".
O Dr. Ronaldo Maiorana, por ser advogado e Pre-
sidente da Comissbo de Defesa dos Direitos de Liber-
dade de Imprensa, tinha a dupla obrigaqao de se com-
portar cor decoro e de modo compativel cor a sua
condiq~o de advogado, e utilizar meios civilizados na
defesa dos seus eventuais direitos. O seu comporta-
mento, sob todos os aspects condendvel, deveria
ter sido apreciado pelo Conselho Seccional, instruin-
do process disciplinary e depois encaminhA-lo ao TED
para as medidas de estilo, como sugeriu, atrav6s de
representaqao, a briosa advogada, Ana Kelly Jansen
de Amorim Barata e mais 59 colegas, que requereram A
OAB-PA condenando a agresslo sofrida pelo jorna-
lista L6cio Flivio Pinto e pediam, fazendo coro ao
clamor da sociedade paraense, que a OAB-PA tomas-


AGRESSAO
Quem circula pela travessa Frutuo-
so GuimarlAes, entire Manoel Barata
e 6 deAlmeida, nao pode deixar de
se chocar cor o que ve: a parede
de um pr6dio de tris andares sem
reboco, os tijolos expostos (e alguns
deles jA furados). Para completar o
quadro, uma tubulaqao de signifi-
cativa dimensao desce por toda
parede com a drenagem pluvial do
telhado, mas pelo lado de fora, avan-
qando al6m da r(istica parede. Uma
outra tubulaqao, de difmetro um
pouco menor, sai no nivel da rua
com mais escoamento de igua,jo-
gada diretamente na calqada.
A construFio, que viola fla-
grantemente as posturas munici-
pais e agride a cidade, 6 do grupo


se uma posiqao exemplar no caso, e tamb6m, o afasta-
mento do Dr. Ronaldo Maiorana do seu incompativel
cargo, como um dos proprietarios dojomal O Liberal.
de President da Comissao de Defesa dos Direitos de
Liberdade de Imprensa.
O colega Presidente da Seccional, para meu de-
sencanto e demais colegas requerentes, optou poi
outro caminho: declarou, liminarmente, a mfdia, que
"OAB-PA nao era o foro adequado para resolver ta
contend, pois se tratava de antiga briga de families
al6m do mais o Dr. Ronaldo Maiorana nao estava nc
exercicio da profissao", segundo o Presidente, que
submeteu, extra pauta, a representacqo a apreciaqic
do Conselho Seccional, em controvertida decision
pois dois advogados da ORM Organizaqao Romu
lo Maiorana, diretamente interessados no caso, nai
alegaram suspeiqao, e participaram da votaqao. vici
ando o seu resultado, que, por unanimidade apro
you a equivocada tese do Presidente da OAB-PA. F
o advogado Ronaldo Maiorana passou ao largo d(
ter a sua condenAvel conduta p6blica apreciada pelk
TED. Infeliz decision, que ficarA como n6doa indel6
vel nos anais do Conselho da nossa Seccional, d(
reconhecidas tradiqSes libertdrias.
Cor lealdade devo declarar que a minha cons
cienciajurfdica nao quer, nio pode e nio deve acei-
tar o encaminhamento que foi dado a esse rumoro-
so caso pela nossa Seccional, caso que abalou os
foros de civilidade da sociedade paraense.
Por tudo isso, Senhor Presidente, prezados co-
legas, como sempre tive em mente servir a OAB-PA
e dela nunca me servir, resolvi tomar outros rumos,
abandonar de vez a possibilidade de ser reconduzi-
do a esse sodalfcio que tanto prezo para seguir
outros caminhos, mesmo que incertos, mas que
sio ditados pela minha consciencia. Despeqo-me
deste Colendo Sodalicio cor a reconfortante certe-
za de ter servido a minha corpora~io professional,
com dedicaq~o e dignidade.


Yamada, hoje um dos mais pode-
rosos do mercado varejista e de
supermercados do pais. Al6m da
edificaqao monstruosa, a empresa
continue a se expandir pelo quar-
teirdio, expandindo ao mesmo tem-
po esse estilo deploravel. A pr6xi-
ma vitima parece ser a grande casa
construida ao lado por um grupo
de alemaes, na d6cada de 20 do
s6culo passado, e adquirida de Vic-
tor Pires Franco Filho. O s6lido
sobrado (que praticamente ter tres
andares, corn o alto porio e o p6
direito dos estigios seguintes)
est6 ficando oco por dentro. Logo
poderd ser substituido por mais um
caixbo de concrete.
Sera que os Yamada, que tnm
uma arquiteta e gente laboriosa na
familia, nio podiam ser um pouco


mais respeitosos corn Bel6m? Nio
podiam ser mais atentos a uma pra-
qa que Ihes fez a fortune? Ji nio se
trata mais nem de retribuir: o lamen-
tAvel caso 6 de n.o agredir a co-
munidade que tio bem os recebeu
e mant6m seu neg6cio.




Editor:
Licio Flavio Pinto
Edigao de Arte:
L. A de Fana Pinlo
Contato:
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845/203/66.053-040
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