Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00303


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Full Text

LATIN AMERICAN COLLECTION
UNIVERSITY C LA 40 ANOS:

ornal Pe AGORA E 0 FM?

PARA NO MUNDO:
A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO ODESCONC.: Di


OUTUBRODE2006*1aQU 0


ELEI0AO


Imprensa: militant oculta


A perplexidade se instalou na mente do eleitorado do Para quando as edig6es dominicais de
0 Liberal e do Diario do Para foram para a rua. Ana Julia apareceu na frente na pesquisa do
Ibope e empatada com Almir Gabriel no Vox Populi. Hd uma nova promessa de vencedor?
E quem esta indo atras do novo favorite?


cipaisjornais didrios do Pard
destacaram pesquisas sobre
a dispute eleitoral do 2 tur-
no para o governor do Estado, que se
consumari no dia 29. Em duas linhas,
ocupando toda a largura da primeira
pagina, a manchete de capa do Did-
rio do Pard ("Vox Populi aponta em-
pate entire Almir e Ana Julia"), ilus-
trada com um grande desenho, anun-
ciava o resultado da sondagem feita
pelo Vox Populi: Almir Gabriel, do
PSDB, e Ana Julia Carepa, do PT, es-


tavam tecnicamente empatados na pre-
ferencia do eleitor.
Mas como o ex-governador teve 1%
a mais (cor 46%) do que a sua adversi-
ria (cor 45%) na sondagem espontAnea
e ficou 2% na frente na consult induzi-
da (48% a 45%), teve direito a prece-
dencia no titulo, apesar de a margem de
erro maior (de 3,1%) na sondagem re-
forqar a tendencia a equiparaqao.
Ja 0 Liberal, mesmo colocando na
metade do alto da capa da sua ediqio
dominical o resultado da pesquisa, enco-
mendada nio pelo pr6prio journal, mas


pela TV Liberal, deu apenas um ligeiro
destaque a manchete, que s6 ocupou 40%
da largura da pigina, cercada por uma
foto relacionada ao Cirio e uma tabela
dos candidates A Cimara Federal que se
elegeram no dia 1.
Mas corn um relevant detalhe, que
pode ser considerado inddito no tratamen-
tojoralistico: Almir Gabriel, mesmo atris
de Ana J6lia na preferencia dos entre-
vistados, por alentada diferenga, teve seu
nome colocado por primeiro na manche-
te. Como se ojornal, aparentemente cor
oiNTUA N,'A PC 1i


PAGINAS 4



PAGINA 6


`' I ~a~a~~
1./
:I


f
L~rc~cl'







CONTINUA;AO DACAPA
muita relutfncia, se visse obrigado a ad-
mitir: "Ibope aponta: Almir 43%, Ana Ji-
lia, 53%". Talvez estivesse explicando
uma norma do futebol: o nome do time
da casa em primeiro lugar.
Pode ser que exista um precedent,
mas nio consigo me lembrar de uma
outra vez em que o nome do vencedor
venha depois do nome do vencido em
qualquer peri6dicojornalistico, em qual-
quer lugar do mundo, em qualquer tem-
po, exceto em competiqces esportivas.
Houve o prop6sito subliminar de con-
fundir o leitor menos atento? De dei-
xar algum residue de manipulagao no
seu subconsciente? De influir de algu-
ma forma para criar uma expectativa
de reviravolta nas duas iltimas sema-
nas de campanha eleitoral?
Tudo 6 possivel deduzir de uma inici-
ativa tao ins6lita. Como, por exemplo,
achar que se a TV Liberal nao fosse
obrigada pela Rede Globo de Televisao,
da qual 6 afiliada, a realizar uma certa
quantidade de pesquisas at6 a eleicqo,
provavelmente o grupo Liberal nao as
teria contratado. E o journal nao lhes da-
ria veiculaqao ou repercussao.
O Liberal publicou o minimo neces-
sario ou inevitivel dos resultados da pes-
quisa, omitindo completamente os mu-
nicipios abrangidos e a metodologia ado-
tada, informacio indispensivel para uma
boa andlise do seu conteudo. Tamb6m
nio criou quadros e outra ilustracao,
al6m de uma s6, que foi dedicado ao
principal resultado da aferiqao induzida.
O tom de compulsoriedade da divulga-
Lio ficou bem evidence.
O leitor dominical dos doisjomais (que
nesse dia dobram suas tiragens) deve ter
ficado ainda mais confuso e perplexo ao
verificar que a pesquisa do Vox Populi,
encomendada pelo Didrio do Pard, que
faz a campanha da candidate petista, foi
muito menos favorivel A senadora Ana
Jdlia Carepa, do que a pesquisa do Ibo-
pe, feita a pedido do grupo Liberal, inten-
samente comprometido com um quarto
mandate seguido dos tucanos e com a
volta ao poder, para um in6dito terceiro
mandate no Pari, do m6dico Almir Ga-
briel, outrora um desafeto da casa.
Da perplexidade A febre de insinua-
96es foi um pass, a partir da noite de
sdbado, quando carros de propaganda de
Ana Jdlia comecaram a recomendar a
leitura de O Liberal e um incontido prin-
cfpio de panico se estabeleceu nos arrai-
ais tucanos. Neles, comecou uma inter-
rogaqdo que se espalhou pela cidade: o
grupo Liberal trocou de barco, As v6spe-
ras do confront decisive? A suspeita tem
um precedent recent, quando, no dia
da eleiqao para prefeito de Bel6m, em
1996, O Liberal divulgou uma pesquisa


do Ibope cor folgada vantage de Ed-
milson Rodrigues, do PT, sobre Ducio-
mar Costa, do PTB. A diferenqa foi me-
nor e para ela a pesquisa pode ter dado
sua contribuicgo.
O leitor paraense ji aprendeu, pelo
m6todo menos pedag6gico, porque ensi-
na pela negatividade, que os institutes de
pesquisa fazem o que seus clients que-
rem. Em alguns casos, a mi-f6 6 explici-
ta e intencional. E o caso da Brasma-
rket, empresa tio notoriamente desacre-
ditada que a revista Istoe, a primeira a
dar-lhe abrigo, deixou de usa-la na elei-
qco deste ano. A pr6pria Brasmarket pre-
cisou pagar a divulgacao das suas pes-
quisas, que deixaram de ser mat6ria re-
dacional na revista paulista, tornando-se
informed publicitdrio (embora sem ser as-
sumido explicitamente). A ambigiiidade
favoreceu a ambos os ex-parceiros, que
costumam andar em tetos de zinco quen-
te, mesmo quando em caminhadas apa-
rentemente individuals.
No Didrio do Pard, as estatisticas
do institute continuaram a ser apregoa-
das como se fossem a pedra filosofal. S6,
entretanto, at6 a realizaqdo do 1 turno, o
que deixou nitido o objetivo da contrata-
qao: dar forqas, ainda que pela via artifi-
cial, A an8mica candidatura de Jos6 Pri-
ante, do PMDB. Inflada, ela saiu do tra-
qo reservado aos candidates peemede-
bistas anteriores e funcionaram como
canal de acesso ao 2 turno para Ana Julia
- e, naturalmente, arma de barganha para
Jader Barbalho, ainda o chefe do PMDB
no Pard. Cor essa credencial, ele conti-
nuou a ser recebido no Palacio do Pla-
nalto, agora de maneira mais explicit do
que antes, e pode reconquistar poder, se
Lula for reeleito.
Ja a primeira pesquisa do 2 turno s6
tinha sentido com um pouco mais de f6
p6blica, que falta por complete A Bras-
market. Mas por que, entao, os resulta-
dos apurados pelo Vox Populi foram tio
menos favoriveis a Ana Jdlia do que os
do Ibope, quando a expectativa indicava
exatamente o contririo? E por que o PT
"tentou, na Justica Eleitoral, impedir a
divulgaqao da pesquisa, mas a pretensao
foi indeferida pelo juiz", conforme O Li-
beral ndo deixou de registrar no curtissi-
mo texto da primeira pigina, sem qual-
quer esclarecimento adicional e neces-
sario na pagina internal sobre essa sur-
preendente attitude dos petistas. Sem es-
clarecer tamb6m que a liminar vedando
a divulgaqC o da pesquisa s6 valeu para a
televised: quando a ordem judicial che-
gou A redaqco de O Liberal, o journal ji
estava na rua.
A explicaqdo do comity de Ana Julia
6 de que a impugnagqo ji faz parte de
uma rotina do PT, desconfiado da parce-
ria Ibope-Grupo Liberal, e que na quar-


ta-feira, quando o recurso foi submetido
ao TRE, ainda nao havia os boatos que
comeqaram a circular muito reservada-
mente dois dias depois, de que a pesqui-
sa do Ibope diagnosticara a mudanga de
posiqdo de Ana Jilia em relaaio ao seu
concorrente na corrida governmental (e
nao, como se dizia antes, de que dava
vantagem de 8 pontos para Almir). Na
d6vida, os petistas acharam melhor man-
ter a estratugia, que faz parte do mesmo
tipo negative de raciocinio: de que nada
"do outro lado" pode ser favorivel.
Foi essa a mesma attitude do Didrio
do Pard, de Jader Barbalho, colocado
em saiajusta quando confrontado corn a
edicio dominical do inimigo, levando os
leitores a achar que as posiq6es dos dois
jornais por algum dos acertos de basti-
dores freqiientes numa political sem es-
pinha dorsal se inverteram, quando, na
verdade, nada disso ocorrera.
Independentemente dessas questoes,
para o cidadio comum restava uma per-
gunta sem resposta: quem estava mais
pr6ximo da verdade, o Ibope ou o Vox
Populi, que discreparam muito acima do
que a margem de erro de ambos (em torno
de 3%) os autorizava a divergir sem p6r
em risco sua credibilidade? O Vox fez
sua pesquisa num period anterior, entire
os dias 8 e 11, ouvindo mais pessoas (mil)
em mais municipios (47) do que o Ibope,
que entrevistou 812 eleitores em 40 mu-
nicipios, num period um pouco posteri-
or, entire os dias 10 e 12.
Mas como O Liberal foi econ6mico
demais na divulgaqco de dados, enquan-
to o Didrio foi muito mais generoso nas
suas informaqaes, nio di para saber se
a amostragem do Ibope, sendo mais re-
presentativa do que a do Vox Populi, po-
dia compensar sua amplitude menor em
quantidade de pessoas e de municipios
consultados. "Manejo" da amostragem
ter sido um dos principals ardis para
maquiar a manifestaFio popular nessas
sondagens, agradando o client sem agre-
dir tao ostensivamente a metodologia da
pesquisa, a ponto de desacrediti-la de
pronto, como acontece em relaaio h
Brasmarket. Por isso, a justiqa acabou
vetando a divulgaqao da pesquisa do Ibo-
pe, criando a partir daf um novo parado-
xo: o PT querendo liberi-la e o PSDB
vetando-a. Enquanto isso, os tucanos alar-
deavam a pesquisa Vox Populi.
Sem resolver todas essas complica-
C~es, um dado 6 inquestionivel: a ten-
d&ncia do 2 turno favorece a Ana J6lia
Carepa, algo que ji era possivel interpre-
tar do resultado do 1 turno, quando a
soma dos votos do PMDB e do PSOL
cobriu cor vantagens a diferenqa entire
o PSDB e o PT. Os eleitores de Priante
e Edmilson Rodrigues nao deverAo ade-
rir compactamente a Ana Jilia, mas uma

OUTUBRO DE 2006 I"QUINZENA Journal Pesso1a









Doutor Almir doente: o efeito de um boato


Um boato comeqou a circular inten-
samente no Pard um pouco antes do 1
turno, provavelmente influenciando no
seu resultado: Almir Gabriel estd grave-
mente doente. As mensagens que difun-
diram essa informagqo nao eram acom-
panhadas de nenhuma comprova9go ou
indicio suficiente sobre algum problema
de sadde do candidate do PSDB, mas a
boataria pareceu se instalar em terreno
f6rtil. Sobretudo a partir do fraco desem-
penho do ex-governador no 6nico debate
ao qual compareceu, na TV Liberal, um
ndmero crescente de pessoas pareceu se
convencer de que, mais uma vez, onde
ha fumaca ha fogo.
A lentidao nas respostas dadas pelo
candidate do PSDB, em alguns momen-
tos bloqueadas por aparentes lapsos de
mem6ria, nao s6 ofereceram uma la-
cuna aos ataques conjugados dos ad-
versarios: pareciam comprovar as insi-
nuaoqes sobre sua doenca. Os mais pr6-
ximos a ele ji nao faziam segredo de
suas queixas contra o permanent es-
tado de irritaqio do ex-governador, que
levava a constantes explos6es e gros-
serias. Para agravar, ficou evidence a
mudanca no tom de voz de Almir, que
agora fala com acentuada rouquidio e
com certa dificuldade.
Nenhuma dessas caracteristicas 6
necessariamente sinal de doenqa.
Quando muito, atestariam o envelheci-
mento de um home de 74 anos, agra-
vado por seu sedentarismo e pelo con-
sumo de duas a tres carteiras de cigar-
ro por dia, hd d6cadas. Se anteriormen-
te o vigor de Almir contra esses hdbi-
tos nada saudaveis era de impressio-
nar, nos iltimos tempos esses fatores
provavelmente acentuaram seu peso
sobre o organismo do ex-governador.
A diferenca observdvel nas 6ltimas se-
manas 6 incontestavel.
Talvez exatamente por isso, quando
os boatos se tornaram epidemicos, O
Liberal se sentiu na obrigaqio de pu-
blicar na primeira pdgina uma mat6ria
que negava qualquer valor a essas his-


t6rias. Notas no Rep6rter 70, a princi-
pal coluna dojornal, apregoaram feitos
invejiveis do candidate tucano, capaz
de se deslocar por sete municipios num
s6 dia. Em entrevista, o ex-governador
se declarou em forma, como em de-
zembro do ano passado, quando imp6s
sua candidatura ao partido e ao seu
successor, Simao Jatene. Anunciou que
ji estava a beira do gramado, de meiio
e chuteiras, pronto para enfrentar os
dois tempos do jogo eleitoral.
Estava realmente? Parece compro-
vado que nao. Ao observador atento nao
deve ter escapado a sensagqo de de-
sinformagqo de Almir, inseguro nas re-
ferencias as obras do seu correligionai-
rio. Nao parece as haver acompanha-
do enquanto sugeria a disposicqo de
encerrar sua vida piblica, depois de
cumprir dois mandates seguidos de go-
vernador, como a maioria do PSDDB
julgava recomendavel. Almir e sua
equipe devem ter estabelecido uma
estrat6gia contraria a essa intenqao
certos de que a decislo seria viivel ji
no 1 turno. A prorrogaaio seria des-
gastante demais.
Quando os votos do 1 turno chega-
ram ao fim ji nio havia d6vidas para os
analistas mais criteriosos: a opqio Al-
mir Gabriel era mais arriscada do que
seus idealizadores pensavam. Alguns ten-
taram reverter a situaq~o, por6m timi-
damente. O impact causado pela en-
trevista de Almir Gabriel, publicada por
0 Liberal em dezembro, sem o conhe-
cimento pr6vio do aparato tucano, inclu-
sive de Jatene, congelou uns e desani-
mou outros grupos dentro do PSDB. A
falta de reaq~o do governador, que as
pesquisas internal apontavam como fa-
vorito para a reeleiqao, consumou a sa-
gragio de Almir. Que, neste particular,
imitou Napoleao: o grande corso prefe-
riu ele mesmo colocar a coroa na sua
cabeqa, dispensando intermedidrios, in-
confiaveis e menos qualificados para a
tarefa. Ao menos da perspective do im-
perador, que o tucano incorporou.


Desde entio, seus indices nio se sus-
tentaram. A queda foi suave, mas cons-
tante. Nao causada diretamente pelos
competidores, em relaqio aos quais o
ex-senador, ex-prefeito e ex-governador
se mant6m distanciado, num patamar
mais elevado. Mas em funaio de uma
conjunqCo de fatores, como as mano-
bras sagazes do seu ex-aliado e hoje
arquiinimigo Jader Barbalho, e a influ-
encia decisive dos programs assisten-
ciais de Brasilia, reforqados pelo caris-
ma do president Lula.
A fraqueza de Ana Jilia Carepa vis-
a-vis Almir se tornou secundiria diante
do arrastio de apoios trazidos por Lula.
que teve mais votos no Pard do que sua
candidate ao governor (fato semelhante
aos votos de Mario Couto, eleito senador
pelo PSDB com diferenga acentuada em
relaqco ao candidate ao governor, mas
cor outra explicaqio: provavelmente o
novo senador nio forqou os eleitores de
certos redutos a veneer sua resistencia a
Almir a ponto de comprometer sua pr6-
pria votaqio). Essa circunstancia, no
moment em que as pr6vias favorecem
a reeleicqo do president da repiblica
diante de Geraldo Alkmin, pode explicar
o surpreendente distanciamento de Ana
Jtlia em relaqSo a Almir nas duas pri-
meiras semanas depois do 1 turno.
Esse reforco influenciou muito mais
do que a boataria sobre a grave doenqa
do ex-governador, embora essas notici-
as devam ter provocado seqiielas no
animo de eleitores preocupados cor
mais uma manifestaqio da syndromee do
vice", doenqa patol6gica do regime po-
litico presidencialista do Brasil. Um
eventual afastamento ou imobilizagio de
Almir Gabriel colocaria de vez, no cen-
tro do poder no Pard, um grupo politico-
empresarial que ji manda quase abso-
lutamente no Estado.
Esse "quase" nao 6 muito, mas re-
presenta um bocado de conseqtienci-
as. Tdo danosas que podem ter colo-
cado muito eleitor prevenido contra a
eventualidade.


CONTINUACAO DA PAG 2 .............................


larga maioria deles devera fazer essa
opqio, numa margem suficiente para
deixar Almir Gabriel em posiqio inferior.
At6 o dia 29 essa tend6ncia podera
ainda ser revertida? Essa 6 uma hip6te-
se que as duas pesquisas divulgadas no
dia 15 trazem implicita, sem, contudo,
considerd-la comprovada e muito me-
nos como a mais forte. De qualquer ma-
neira, nao sera nas pdginas dos dois jor-


nais, que abandonaram o compromisso
joralistico para fazer campanha eleito-
ral, abertamente ou tentando disfarqi-la,
que o eleitor encontrard uma resposta.
No entanto, a margem do jogo de
manipulaqCo atrav6s da midia, que vol-
tou a dominar a coberturajornalistica da
eleicao, um movimento que s6 pode ser
percebido por sensors muito sensiveis
se desencadeou nos iltimos dias: o re-


cuo das empresas, que assumiram um
decidido compromisso cor a candidatu-
ra mais forte, a de Almir, e agora estio
"mordendo na corda", segundo uma fon-
te do PSDB. Como a forqa estA se des-
locando para o outro extreme, a fauna
acompanhante do poder migra cor ela.
A migragio 6 definitive? As pr6ximas
pesquisas demarcarao esse rastro at6 o dia
da prova dos noves: o 2 tumo do dia 29.


Jornal Pessoal i- QUINZENA OUTUBRO DE 2006









Jader Barbalho, 40 anos:


E o fim que se aproxima?


Jader Barbalho comemorou os 40
anos de carreira ptblica, uma das mais
duradouras na hist6ria political do Es-
tado, espalhando por Bel6m outdoors
nos quais se proclama, sem qualquer
pudor, "o mais querido e o mais vota-
do" deputado federal do Par. O journal
O Liberal retrucou logo em seguida:
no dia 15, em mat6ria corn chamada
na primeira pigina, qualificou-o de "o
lider na queda", por ter perdido, em
2005, quase 10% dos votos que tivera
em 2002, ou 33 mil votos, o suficiente
dependendo da legend para ele-
ger um deputado estadual. A perda se-
ria ainda mais acentuada em terms
relatives (ao contingent eleitoral nas
duas datas): de 9,64% para 7,50% do
universe de eleitores inscritos.
A decadkncia do chefe corresponde-
ria a decomposiqio do seu partido, o
PMDB. Enquanto Jader perde 9,94% de
votos, Wladimir Costa se elege pela mes-
ma legend corn 33,67% de incremento,
assim subindo de 4,65% do eleitorado
para 5,22%. Com seus 217 mil votos, ja
nao esti tao distant do lider, cuja carti-
lha de mandamentos nao segue. Muito
pelo contririo: contrariando a alianca for-
mal entire o PMDB e o PT para o 2 tur-
no, Wladimir preferiu apoiar Almir Ga-
briel, fazendo sua declaraqgo de voto com
antecipadio e ostensivamente (mas tal-
vez ji na und6cima hora)
Nao hi dtivida de que a trajet6ria de
Jader Fontenele Barbalho, aos 62 anos,
infletiu para baixo. Mas ele nao precisa
ser advertido sobre essa circunstancia:
foi por puro realismo politico que deixou
de lado os dois cargos majoritirios em
dispute, o de governador e o de senador,
para se lanqar a reeleiqdo como deputa-
do federal. Assim, condenou-se a um lu-
gar de coadjuvante no firmamento do
poder, por conviccqo de que qualquer ten-
tativa de retomar uma posicao superior
poderd resultar em queda pior ainda.
Por6m esse declinio esti sendo me-
nos fulminante do que o previsto e dese-
jado por seus mais renitentes adversiri-
os. Uma anilise mais acurada das vota-
9qes de 2002 e 2006 poderi levar A con-
clusao de que, na verdade, ele se mante-
ve agora na mesma situaqio de destaca-
do coadjuvante de quatro anos atris. Pois
se pessoalmente Jader perdeu 34 mil vo-
tos, a aduqao dos mais de 100 mil votos
de sua ex-esposa deve refletir alguma
divisao do patrim8nio eleitoral de 2002.


Certamente hi mais de 34 mil votos
que migraram do escaninho de Jader para
a caixa de Elcione. Em queda desde que
se elegeu deputada federal com a maior
votaqSo (e s6 conseguiu ganhar na dis-
puta por uma cadeira de vereadora em
Bel6m, perdendo o lugar de senadora),
Elcione ainda usa o sobrenome anterior
com ganhos. O que merece mais cr6di-
to, assim, nao 6 que Jader nao haja cres-
cido, mas que seu desgaste nao erodiu
sua fatia de poder. O silencio e a mi fama
podiam ter provocado danos muito maio-
res do que os registrados, por qualquer
ponto de vista.
Com suas ca6ticas e irregulares ges-
toes em dois mandates nao sucessivos
no comando do executive paraense, Ja-
der se tornou escada para discursos mo-
ralistas ret6ricos, travestidos de recupe-
raqao de hibitos e costumes, e contras-
te para administraq6es rotineiras, apre-
sentadas como abre-alas a um "novo
Pari". As poucas conquistas e inova-
cqes que trouxe consigo ao primeiro
mandate (1983-87) ji se haviam cor-
rompido e anulado quando passou a fai-
xa a H6lio Gueiros, mais sagaz graqas a
um conhecimento mais intimo de um ator
important no enredo do poder: a gran-
de imprensa. Se hi maus exemplos A
vontade para explorer na revisao dos
oito anos de Jader Barbalho no governor
do Estado, esses pontos negros se tor-
naram tumulares nos nove meses do seu


vice no segundo mandate, o comercian-
te e radialista Carlos Santos. Talvez te-
nha sido o pior governor em toda hist6ria
republican paraense.
Tudo que veio depois tern direito a rei-
vindicar santidade. Mesmo que seja de um
tipo de santidade que, na boca do povo,
ganha um adjetivo acompanhante de per-
feita aliteraq~o na palavra
inicial "s". Os tucanos
conquistaram esse adjeti-
vo, consagrado pelo neo-
logismo com sabor de mel
i na boca da classes m6dia
mais conservadora: o bar-
balhismo. Sin6nimo de
tudo que nao presta, mes-
mo ou, sobretudo se
o ruim dispensa an6lise e
demonstraiao.
Se 6 inegAvel que o
saldo dos 40 anos do poll-
tico professional Jader
Barbalho no poder repre-
senta prejuizo para a so-
ciedade paraense, o su-
r perivit dos seus inimigos
nao 6 mais do que golpe
publicitirio: fantasia, mi-
ragem ou manipulaqio. A
razao de ser desse suces-
so 6 produto do combat
que di a inteligencia, A pluralidade e
critica, impondo uma voz 6inica. Falsa-
mente liberal.
Como, na ess6ncia, essas lideranqas,
mesmo quando na origem devem-se aos
seus pr6prios m6ritos, s6 conseguem se
consolidar pela proximidade do poder,
seu fim depend do tempo em que pas-
sam a distancia dos instruments de
mando, que comeqam na sala do tesou-
ro, no control do eririo, e na caneta
que exonera e admite funcionfrios. As
vezes essa proximidade surge num lan-
ce de esperteza ou pelo acaso. Uma
decision errada pode ser perfeitamente
reparivel ou se tornar fatal, dependen-
do de circunstancias nio totalmente sob
o control dos personagens.
O deputado federal rec6m-eleito Wla-
dimir Costa pode se afirmar como uma
nova lideranqa no moment em que a es-
trela de Jader Barbalho parece ofuscar.
Mas se tiver aderido ao candidate derro-
tado, quem lhe ir~ garantir o mesmo brilho
em 2010? Wladimir pensa que 6 uma es-
trela political, mas nao passa de um plane-
ta, que, como todos sabem, nao tern luz
pr6pria. Esse planet, brilhante graqas aos
seus espelhinhos e outras quinquilharias,
manteri seu brilho i distancia do sol?
No espaqo politico, essas perguntas
podem ter resposta instantanea ou demo-
rar uma eleiqco para ser elucidadas.
Nesse universe, ningu6m more de v6s-
pera. Mas 6 possivel ressuscitar.


4 OUTUBRO DE 2006 IQUINZENA Journal Pesso:ll









A polemica do hospital:



quem diz a verdade?


Ajornalista Tereza Cruvinel, que as-
sina uma coluna diiria de political nojor-
nal O Globo, do Rio de Janeiro, distri-
buida para outras publicaqSes espalha-
das pelo pais (inclusive O Liberal, em
Bel6m), se penitenciou em seu blog,
que s6 circula pela internet, de um erro
que cometeu, afirmando desconhecer a
existencia de um hospital da Rede Sa-
rah em Bel6m.
Tereza informou que muitos para-
enses Ihe escreveram para dizer que o
hospital existia de fato, mas nao funci-
onava porque suas obras nao foram
concluidas. Em resposta a esses leito-
res, Tereza repassou-lhes "as informa-
oqes corretas, prestadas por dra. Lu-
cia Willadino Braga, diretora da Rede
Sarah"
Dividiu em cinco t6picos essas in-
formac es, complementando-as corn
uma observaqgo pessoal, conforme se
pode ver no seu blog, no portal de O
Globo:
"Em dezembro de 2001, o Minist6rio
da Sadde solicitou a construqio de um
'ambulat6rio especializado em medici-
na do aparelho locomotor, em Bel6m do
Para, vinculado ao Hospital Sarah-For-
taleza'. Portanto, nao um Hospital da
Rede Sarah, mas um posto ambulatorial
avanqado sem areas de internacqo ou
cirurgia. 2) O Terreno foi cedido pelo
Estado do Pard em 1 de marqo de 2002.
3) A construgio do ambulat6rio foi ini-
ciada em 1 de abril de 2002. 4) As
obras foram suspensas em dezembro
de 2002 em funqao da falta de recur-
sos financeiros para sua continuidade.
5) Em 2005 iniciaram-se questionamen-
tos judiciais sobre a continuidade desta
obra, considerando que a area cedida
pelo Estado representaria 'alto risco
ambiental'. O Minist6rio Piblico Fede-
ral embargo a obra, a Rede Sarah e o
Minist6rio da Sadde aguardam o desen-
rolar da acio judicial".
Essa questao se tornou o ponto
principal do program eleitoral do m6-
dico Almir Gabriel e da arquiteta Ana
Jiilia Carepa. Os dois lados atribuem
ao outro responsabilidade pela parali-
sagqo da conclusio do hospital (que 6
ambulat6rio) e a sua manutencqo sem
uso hi quase quatro anos. O pr6dio
esta pronto, faltando-lhe apenas os
equipamentos. O PSDB diz que a cul-
pa 6 do PT, que nao liberal as verbas


necessarias, e acusa a senadora pe-
tista de nao se empenhar por elas. Ja
Ana Jilia retruca que o impasse de-
corre da inadequacqo da area doada
pelo Estado, que fica is proximidades
do aeroporto, da base naval, do termi-
nal de combustiveis de Miramar e do
porto atrav6s do qual eles sao desem-
barcados. Por isso, o Minist6rio Pd-
blico vetou o funcionamento do hospi-
tal (que 6 ambulat6rio) no local.
Para situar a pol6mica cor mais fi-
delidade aos fatos e nao subordina-la
aos interesses eleitorais e politicos con-
flitantes, 6 bom lembrar que a primeira
referencia documentada i implantacao
de uma depend8ncia da rede Sarah em
Bel6m surgiu como parte de uma deci-
sao do entlo president Fernando Hen-
rique Cardoso, emjulho de 2000. O pre-
sidente vetou varios artigos de um pro-
jeto de lei do Congresso referente ao
orcamento de 2001.
Um dos artigos vetados foi o 39, que
dizia: "As transferencias para entidades
privadas sem fins lucrativos que firma-
rem contrato de gestao com a adminis-
traqao p6blica federal poderao ser agru-
padas em dotaq6es orcamentarias de
uma inica categoria de programaq o,
conforme definida no art. 4L desta Lei,
classificada no grupo de despesa 'ou-
tras despesas correntes', incluindo-se as
principals metas constantes do contrato
de gestao, desde que a execupqo orqa-
mentaria seja feita no Siafi, no detalha-
mento equivalent ao da administraq~o
ptiblica federal indireta".
Najustificativa do veto, o president
explicou que esse artigo "exige que a
execuCgo orcamentaria das entidades
privadas titulares de contratos de ges-
tao seja incluida no Siafi [sistema de in-
forma~des da administraado financei-
ra], com detalhamento equivalent ao
da AdministraqCo Plblica indireta". E
informou que "a esse respeito, em ex-
pediente dirigido ao Governo Federal",
se manifestou o entao senador relator
do projeto de lei que criou a Rede Sa-
rah, "hoje ilustre Governador do Estado
do Para, Almir Gabriel".
A manifestaqCo de Almir foi a seguinte:
"Fui o relator, no Senado Federal, da Lei
que criou a Organizaqdo Social Sarah.
Antes de apresentar o relat6rio, tive
o cuidado de aprofundar-me no assunto
em varios encontros cor profissionais


de saide, ligados ou nio ao Sarah, e
cor eminentes membros do Tribunal de
Contas da Uniio. Verifiquei, inclusive,
experiencias internacionais.
O objetivo central era o de dar a uma
instituiaio cientifica que orgulha o Bra-
sil na assistencia e na pesquisa m6dicas
- e que 6 national e internacionalmente
reconhecida a liberdade indispensi-
vel para desenvolver seu trabalho, acom-
panhando-o e avaliando-o pelos resul-
tados, em face de um contrato de ges-
tao rigoroso, atrav6s do qual governor e
sociedade mensurassem o grau de cum-
primento das obrigao6es pactuadas.
Sabia, e sei, que nao e um modelo
para ser generalizado. Ha de ser utiliza-
do de forma parcimoniosa e apenas em
instituiq6es cor credibilidade incontes-
tavel e que cumpram papel setorial es-
trat6gico, como 6 o Sarah, que precisa
de pessoal especializado, cor tempo
integral, dedicaqio exclusive e remune-
ra do adequada e que mantenha inte-
resse permanent, professional e huma-
no capaz de buscar tecnologia e equi-
pamentos em qualquer centro avanqa-
do do mundo e acessivel a todos do povo.
Face a tal, surpreendeu-me o texto
do artigo 39 da LDO, cujo cumprimento
pelo Sarah acabari por mutilar o pres-
crito na Lei de sua criadio como Orga-
nizaqio Social.
Sei, respeito e acato a preocupagao
do governor e de seus t6cnicos em bus-
car a maxima transparencia no uso dos
recursos ptblicos. Mas entendo, tam-
b6m, que nao e just tratar os desiguais
de forma igual.
O povo brasileiro precisa do Sarah
como hospital de assistincia especializa-
da, como escola multiprofissional de sau-
de e como instituicio de pesquisa.
Diante do exposto, tomo a liberdade,
como m6dico, ex-Senador e Governa-
dor, de apelar-lhe para que proponha ao
nosso digno Presidente Fernando Hen-
rique Cardoso o veto ao artigo 39 su-
pracitado.
A satde do Brasil e especialmente
os que sofrem do aparelho locomotor
muito ficarao a dever-lhe".
O president disse aos congressis-
tas, na mensagem com o veto, nao ver
"prejuizos em tender o pedido do emi-
nente Governador do Estado do Parai,
assim como de outros ilustres congres-
CONTINUA NA PAG6


Jornal Pessoal l QUINZENA OUTUBRO DE 2006







CONTINUA;AO DA PAG 5 mSammmmmm=WW mm
sistas que o fizeram verbalmente, vetan-
do o referido artigo com vistas ao inte-
resse p6blico, desde que se estabeleqa
sistema legal de informaq6es para as
organizaq6es sociais mais apropriado a
sua forma juridica e aos seus objetivos,
o que pretend fazer proximamente".
Graqas a esse tratamento especial,
o Sarah ficou fora de controls mais rf-
gidos impostos aos beneficiaries de ver-
bas piblicas, gracas a sua excel8ncia,
proclamada pelo ex-senador e entao go-
vernador Almir Gabriel, que proporcio-
nou a criacgo da instituicio na condicgo
de relator do capitulo sobre sadde da
Constituigio brasileira.
A pergunta que hoje se pode fazer 6:
por que os tucanos do Para nio conclu-
iram a obra, se a consideravam tio im-
portante, a ponto de o entao governador
Almir Gabriel recomendar ao seu cor-
religionario, o president Fernando Hen-
rique Cardoso, vetar projeto de lei que
obrigava a Rede de Hospitais Sarah a
submeter-se a um control mais rigido
na aplicaqio de recursos pdblicos fede-
rais que viesse a receber?
Almir Gabriel, quando governador,
realizou com dinheiro do Estado obras
federais, como a BR-222 (a antiga PA-
70, de Maraba a Bel6m-Brasilia). No
caso do ambulat6rio Sarah, a compra do
seu equipamento, contratacao e treina-
mento de pessoal, investimentos neces-
sarios para coloca-lo em condicqes de
funcionar, exigem mais 14 milh6es de
reais, al6m dos recursos ja aplicados nas
instalaq6es, todos bancados pelo gover-
no federal. O Estado entrou cor a ces-
s~o da area e 100 mil reais para a terra-
plenagem. E nada mais.
Enquanto cobrava de Brasilia a ver-
ba para a conclusao da obra, sem nela
aplicar mais um centavo, o governador
Simao Jatene, em marco do ano passa-
do, se dispos a assumir 30% do custo
das rodovias Santar6m-Cuiaba e Tran-
samaz6nica e da eclusa do Tocantins,
que exigiriam pelo menos um bilhao de
reais, s6 nio consumando o entendimen-
to porque a contrapartida do Estado de-
pendia da antecipacao, pelo governor
federal, de uma s6 vez, dos royalties de
tris anos devidos pelo funcionamento da
hidrel6trica de Tucuruf.
Em julho do ano passado o governor
Jatene iniciou o investimento de R$ 300
milh6es em seis hospitals regionais, in-
cluindo R$ 53 milh6es de recursos pr6-
prios (de um total de R$ 60 milh6es) no
hospital metropolitan de Ananindeua,
inaugurado em marqo deste ano. Por que
o Sarah, tao important na ret6rica tuca-
na, continuou a margem de sua pratica?
Quem souber da resposta que a apre-
sente. O distinto pdblico agradecera.


0 Para que nao se ve


no espelho do mundo


O Pard 6 o segundo Estado que mais
depend do seu com6rcio exterior: as ex-
portaq6es paraenses representaram 28%
do Produto Interno Bruto estadual no ano
passado. Ligeiramente a frente esta ape-
nas Mato Grosso, cuja receita das vendas
ao exterior corresponde a 29% da soma
de suas riquezas, apenas 1% a mais do
que o Para. O PIB dos dois Estados (ten-
do 2003 como refernncia) 6 muito pareci-
do, gravitando em torno de 9,5 bilhoes de
d6lares, corn ligeira vantage para Mato
Grosso (mas em compensacao o Para
exportou quase US$ 700 milh6es a mais
do que o seu vizinho em 2005). Para se
ter uma id6ia desse peso, em Sao Paulo,
que vende no mercado intemacional qua-
se oito vezes mais do que o Para, as ex-
portaq6es representam 14% do PIB, me-
nos da metade da proporqao paraense.
No ano passado o Para foi o 9 maior
exportador brasileiro, id6ntica posicao a
que ocupa no ranking demografico do pais
(no qual esta em queda). Mas seu desem-
penho 6 ainda maior por outro crit6rio: foi
o quarto em saldo de divisas, ja que ex-
portou US$ 4,8 bilh6es e importou apenas
US$ 404 milh6es (na 17" posi~io no
ranking dos importadores), deixando no
caixa federal US$ 4,4 bilh6es. Nesse im-
portante quesito, perde apenas para Mi-
nas Gerais (US$ 9,5 bilh6es), Sao Paulo
(US$ 7,5 bilh6es) e Parana (US$ 5,4 bi-
lh6es). Mas 6 s6 em saldo que o desem-
penho do Para melhorou em relagqo a
2004, embora mesmo nesse item tenha
registrado uma taxa menor do que a de
outros Estados (o que o colocou em 18
lugar). Em venda bruta, tamb6m o desem-
penho estadual foi menos intense, indicando
que outras unidades poderio se aproximar
e at6 ultra-
passa-lo.
A fra- I1
gilidade do
com6rcio
exterior pa-
raense estai
em de-


pender demasiadamente (97,2%) de pro-
dutos intermedidrios e, dentro desse setor,
de um tipo de atividade, a de produtos bi-
sicos (50.8% do total). Sio recursos na-
turais nio renovaveis (como os min6rios,
que representam 38%), ou que podiam ser
renovados, mas n~o o estao sendo (como
a madeira). As escalas antes inimagina-
veis de produgqo desses bens indicam que
o Pard esta transferindo esses recursos
aos compradores, que os beneficial e re-
vendem por valores muito superiores, cri-
ando relaq6es de troca favoraveis a eles
pr6prios. Este 6 o tipo de desenvolvimen-
to quejamais sera sustentavel. E o desen-
volvimento do subdesenvolvimento.
Esse tipo de "desenvolvimento" tem
uma diretriz vigorosa, determinada pela
Companhia Vale do Rio Doce. Cor suas
empresas associadas e coligadas, a
CVRD responded por 70% das exporta-
96es paraenses. Em nenhum outro Esta-
do brasileiro uma fnica empresa tem esse
peso. Por outro lado, o Para contribui, em
m6dia, cor um terqo dos resultados da
Vale, que, por sua vez, responded por quase
15% do saldo de divisas do Brasil, 6 a
maior exportadora privada e se tornou a
maior empresa particular do continent.
E uma equaqFo pesada e fechada, re-
fratiria a demonstration. Ao distinto p6bli-
co 6 apresentado o nimero de chegada,
mas nada do desenvolvimento da equaqio,
que parece ter vida independent e origem
fora do cenirio. Quando essa moldura se
apresenta, como faz agora o anudrio da
revista Analise dedicado ao com6rcio ex-
terior, fica a impressio muito forte de que
o Para nada sabe do Para que lida cor o
mundo. Permanece acanhado e provincia-
no, como um pato feio condenado a nunca
se ver no espelho
como quem real-
mente 6: um cisne
Sn maltratado.


6 OUTUBRO DE 2006 I"QUINZENA Journal Pesswol








JustiCa e

realidade
A constituinte estadual de 1989
quis aproximar ajustica da realidade
do Estado, criando varas com atribui-
qFo especifica em funcqo de proble-
mas localizados. Em Santar6m, por
exemplo, foi criada uma vara agrdria
e minerfria, destinada a tender mais
expedidamente os problems locais.
No entanto, essa iniciativa foi adota-
da de forma voluntarista, sem um
estudo sobre a conveni6ncia e a efi-
ciencia dessa media.
Um observador credenciado, que
esteve no m6s passado na area, verifi-
cou que essa vara recebe nto mais de
50 processes por ano. Ajuiza que nela
funciona tern pouca demand. Nas
demais varas, seus titulares declararam
a extingio de 600 processes pela pres-
cricio das ac6es, por terem superado
o prazo legal.
Conclui o observador que em lugar
de criar essas varas implicando imo-
bilizaqao de recursos materials, huma-
nos e financeiros, a pretexto de melhor
tender os jurisdicionados teria sido
melhor encontrar outra soluqdo mais
racional e baseada em fatos e dados.
"Talvez uma itinerAncia deslocamen-
to dojuizo para pr6ximo dos locais de
conflito que s6 agora foi incentivada
pelo constituinte federal", diz o analis-
ta, que preferiu nao se identificar.
A irrealidade, por6m, nao 6 privil6-
gio da justica estadual: ajustica do tra-
balho criou varas especializadas em
Almeirim, no Pari, e Calqoene, no
Amapi, mas acabou tendo que trans-
feri-las para Ananindeua e Macapi,
por falta de volume de servico. A deci-
sao foi a mesa em reladao a uma
nova vara, em Tom6-Aqu, criada por
deliberaqao do Congresso. A deman-
da projetada, de pouco mais de 400
processes para o ano 2020, ndo justi-
ficava a iniciativa. O tribunal consi-
derou melhor instalar essa vara em
Parauapebas. Tamb6m decidiu trans-
ferir a vara de Conceiqdo do Ara-
guaia (cor 400 processes por
ano) para Tucurui (2000 processes).
Cor base nessa experiencia, o Tri-
bunal Regional do Trabalho nao aca-
tou a recomendalio de criar novas
varas em TucumA, Ourilandia e Sdo
F6lix do Xingu. Esses municipios po-
derio ser adequadamente atendidos
pelo deslocamento peri6dico dojuiz de
Xinguara. Nem sempre uma boa in-
tendio result em fato positive. E
mais uma vez a comprovaqgo dessa
velha sabedoria.


A pirataria fundiaria:


um combat bifronte

Uma das mais danosas quadrilhas do As medidas administrativas que
Pard se consolidou i sombra de uma ser- estao sendo adotadas para sane-
ventuaria p6blica, pessoa que, por sua fun- ar esse reduto de apropri aao
cgo, 6 dotada de f6 pdblica: a titular do ilicita de bens pdblicos pre-
cart6rio de im6veis de Altamira, o fnico cisam se estender h esfera
cor esse oficio na comarca. Com a omis- penal, cor as providen-
sdo, a conivencia ou a participaqdo dire- cias cabiveis contra es-
ta de Eugenia Silva de Frei- ses maus
tas, milh6es de hectares serventuari-
de terras do patrim8nio os, e tam-
piblico do Estado e da bm aos de-
Unido foram transferidos mais cart6ri-
para o dominio de pessoas ... os do interi-
inescrupulosas por um sim- / or, que for-
ples golpe de mro, graqas a mam a rede
meras anotaoqes efetu- da grilagem
adasemumli- no Estado,
vro de assen- tio lesiva ao
tamento. 0 interesse
caso mais co- pblico.
nhecido desse A iniciati-
tipo de golpe 6 va merece
o do grupo C. R. Almeida, que assim pode louvores, mas 6 impossivel nio consta-
lanqar em seu patrim6nio pelo menos cin- tar que, enquanto pune servidores hie-
co milhoes de hectares de terras ptbli- rarquicamente inferiores, o tribunal -
cas situadas na "Terra do Meio", no vale ou alguns de seus stores, infelizmente
do rio Xingu. ainda dominantes se recusam at6 a
Durante anos a grilagem campeou instaurar procedimento administrative
solta no cart6rio, urdida e incrementada contra magistrados que tamb6m, mes-
por empresirios, advogados e uma legiao mo se inadvertidamente, acabam por
de intermedidrios. A impunidade era tan- favorecer a subtraqdo illegal de terras
ta que o advogado do grileiro atuava ao do dominio do Estado.
mesmo tempo como defensor da serven- Ao contririo, quem sempre se colo-
tuiria, criando-se uma central que primou cou contra as grilagens e denunciou seus
pela promiscuidade e o desrespeito pela aliados 6 punido. Provas aproveitadas
funaio piblica. pela Corregedoria para punir a serven-
A orgia fundiiria, por6m, estA acaban- tuiria parecem nao servir para inocen-
do. No dia 3 o Diirio da Justiqa publicou tar quem combat o mesmo mal, sofren-
portaria do president do Tribunal de Jus- do a represilia dos malfeitores, nem
tica do Estado aplicando a Eugenia Frei- para alcanqar os escaloes mais altos
tas a pena de perda de delegaqco como dessa cadeia de ilicitude.
Notaria e Oficiala Registradora do Car- Assim procedendo, ojudiciirio esta-
t6rio Extrajudicial do 1 Oficio de Alta- dual pode nao desfazer todos os elos da
mira, a mais dura de todas no piano ad- cadeia, permitindo que ela acabe por se
ministrativo. O ato do desembargador recompor e persista na pirataria fundii-
Milton Nobre acolheu indicaqco da Co- ria, passando apenas a adotar m6todos
missio Processante e manifestagio da mais sofisticados. Dentre os quais, ar-
Corregedora das Comarcas do Interior, ranjar condenagio contra quem ousa re-
cor fundamento nas "graves irregulari- velar a pirataria. A lenda do rei nu, nar-
dades" praticadas pela tabelii e apura- rando a puniqgo da crianFa que mostrou
das no process a que foi submetida. a nudez do rei, se transform em amar-
Josafinia Martins, que substituiu Eu- ga realidade no Para.
genia por indicacao dela pr6pria no Espera-se que a justiqa paraense,
cart6rio, deverA receber a mesma puni- cumprindo a missao que Ihe cabe, extir-
qco. Tamb6m afastada, em seu lugar as- pe esse mal por inteiro, de cima a baixo,
sumiu NidiaSuelyAnchietadoNascimen- sem se desviar da tarefa por interferen-
to, que foi confirmada para permanecer a cias delet6rias ou corporativas, fazendo
frente do cart6rio por outraportaria do pre- da lei e da justica o verdadeiro crit6rio
sidente do TJE, publicada no dia 3. da verdade.


Journal Pessoal 1 QUINZENA OUTUBRO DE2006 7








0 crime do sr. reitor


A manchete principal da edigqo de O
Liberal do dia 14 foi: "DCE exige de-
vassa no caixa da UFPA". O texto de
apoio complementava: "O Diret6rio Cen-
tral dos Estudantes quer saber quanto a
Universidade arrecada com a taxa de
inscrigqo ao vestibular e como gasta esse
dinheiro. Cobrando transpar6ncia, a en-
tidade vai questioner o reitor".
Toda a pigina 11 do primeiro caderno
foi dedicada ao assunto, dividido em cinco
retrancas (ou subtemas). Na maior, 277
linhas reproduziram declaraq6es do presi-
dente do DCE, Fabrfcio Gomes, enquanto
20 linhas abrigaram telegrificas declara-
c6es de um porta-voz da Universidade, as-
segurando dessa maneira, A 0 Liberal, o
direito de resposta da instituigqo (em ou-
tra retranca, a relagqo foi de 63 linhas a
12, estas de mera informagqo).
A questdo: o DCE manifesta inconfor-
mismo cor decisdo do Conselho Univer-
sitario, que rejeitou proposta dos estudan-
tes de garantir gratuidade no Processo Se-
letivo Seriado aos candidates de baixa ren-
da. Exercendo o voto de minerva, o reitor
Alex Fiiza de Mello desempatou contra o
pleito do DCE. Em reaqgo, o diret6rio
anunciava que pediria informaq6es a ad-
ministraqdo universitaria, com as quais es-
perava demonstrar que, ao contrario de
declaraq6es do reitor, a UFPA arrecada
na matricula dos candidates recursos su-
ficientes para bancar a gratuidade a todos
aqueles que comprovem ser pobres.
O tema merece ir para as piginas de
journal. Mas a ddvida 6: justifica-se ga-
nhar o principal titulo da capa e uma pi-
gina inteira dentro do journal? A resposta
foi dada pelo conteido das mat6rias. O
texto principal abriga a informaqio do pre-
sidente do DCE de que a receita da ins-
criqio no process seletivo daria a Uni-
versidade quase 2,6 milh6es de reais, que,
confusamente, ojornal consider "o equi-
valente a 10% do orqamento da UFPA


em 2004, de R$ 23 milh6es para a aquisi-
qCo de miquinas e equipamentos, ou a
cerca de 5% do orqamento global deste
ano, de R$ 41.926.830,00".
A leitura honest desse puzzle leva a
conclusio de que em 2004 a Universida-
de teve dinheiro de sobra para investi-
mento e que em 2005 recebeu recursos
raquiticos para suas despesas de custeio
e investimentos somados.
Nio 6, portanto, uma base segura de
calculo. Muito menos os ndmeros mane-
jados pelo president do DCE. Ele toma
como ponto de partida a m6dia de 80 mil
alunos inscritos por ano, para multiplicar
pela "menor taxa do PPS", que 6 de R$
32. Mas na mesma pagina, em duas ou-
tras retrancas, 6 anunciada a expectativa
de 50 mil inscriq6es (48 mil efetivadas at6
o sibado), sem que o redator se tenha dado
ao trabalho de fazer a ressalva que a con-
tradigqo requeria. Ja a taxa, conforme a
progressed do candidate, vai de R$ 32 a
R$ 88, mas hi reduqio acentuada de can-
didatos no percurso.
A elementary aritm6tica aconselha o
calculista, diante dessas imprecis6es, a
usar um resultado aproximado e nao o
ndmero que o president do DCE utiliza:
"R$ 5,560 milhoes". E como certos locu-
tores de futebol costumam dizer ao se
referir ao piblico present a estidio: apro-
ximadamente 2.387 pessoas.
O dirigente estudantil pode estar defen-
dendo uma causa nobre contra uma resis-
tencia burocritica insensivel e injusta, mas
deixa transparecer sua falta de informacao
para sustentar desde ji uma polemica com
a direcio universitdria, que tem os nume-
ros a sua disposiq~o. Na entrevista, Fabrf-
cio Gomes diz que, atrav6s de oficio (que
s6 seria apresentado na terqa-feira, tr6s dias
depois, mas que o jomal nio se vexa de
reproduzir na integra, nem o missivista se
senate incomodado com a indelicadeza para
com o destinatario), pedird ao reitor que o


informed "quantos alunos saio inscritos em
cada uma das fases [do PSS], quanto 6
arrecadado corn a cobranca das taxas de
inscriqio, como sao empregados esses re-
cursos, o total das despesas gerais e uma
s6rie de outros detalhes".
Pode ser que, de posse de tais dados,
o president do DCE desfaqa o discurso
da reitoria contra a gratuidade generali-
zada e obrigat6ria em beneficio dos can-
didatos pobres, mas nao pode antecipar
que esta hip6tese seja verdadeira. Sim-
plesmente porque, a despeito de todo es-
paqo que ganhou do journal dos Maiora-
na, por enquanto o que empunha 6 uma
bandeira vazia, a espera de confirmaaio.
Muito pouco, portanto, para merecer
uma manchete de primeira pdgina a des-
tacar a exig6ncia de "devassa no caixa
da UFPA", sugerindo algum crime na ad-
ministracao de recursos publicos quan-
do, na pior das hip6teses para o reitor, o
que o dirigente estudantil suscita 6 ilegiti-
midade do uso, um argument de moral
piblica e nao um event policial.
Por que tanta ofensa a regras de ouro
dojornalismo em mat6ria aparentemente
secundiria? Porque o que interessa ao
grupo Liberal 6 causar danos ao reitor Alex
Fiiza de Mello. Ele cometeu o pecado
mortal, aos olhos dos inquisidores-mores
do Pard, de contrariar-lhes os interesses.
Alex, como mero cidadao, se solidarizou
comigo quando fui agredido por um dos
donos da corporacqo, Ronaldo Maiorana,
em janeiro do ano passado, e dep6s como
testemunha de defesa em um dos 13 pro-
cessos ajuizados contra mim pelos Irmios
Maiorana (como se fossem recriay6es as-
semelhadas de Walt Disney).
Esse 6 um crime de lesa-majestade no
reino da marmelandia paraense. O reitor,
nesse ambito, foi julgado e sentenciado
sem algo que 6 elementary (o direito de
resposta) no reinado que interessa: o da
civilidade e democracia.


CARTAS AO

EDITOR
Condenagao
Esta missiva 6 de solidari-
edade. N6s, soci6logas, esta-
mos indignadas pela forma e
conteddo como ajustiga pau-
tou seu veredicto na sua ocor-
rencia judicial impetrada pelo
C.R. Almeida.
Impressiona tamb6m como
a justica do Pard entrou numa
de "partidarizaqgo da justiga"
que indicam os efeitos da ex-
pansao do Poder Executivo no


pr6prio Poder Judicidrio. E n6s,
sabedoras que tu 6s, caro cole-
ga Ldcio, umjomalista indepen-
dente, isso implica retaliaq6es
indiretas e diretas ao teu demo-
cratico exerciciojomalistico.
Neste sentido, tens aqui
nosso apoio e companheirismo.
Saudaq6es democraticas,
Beatriz Cunha Hertz,
Ana Paula Beliz e Ana
C6lia Dourado
..........................................
Aqui vai meu apoio. Por-
que at6 agora confesso que
nao acreditei que tu foste con-
denado porque afirmaste no


Jornal Pessoal que o dono da
Construtora C. R. Almeida era
o "o maior grileiro do mundo".
Faz-me rir. E tamb6m confes-
so que 6 afanoso e ao mesmo
tempo espinhoso de acreditar.
Como diz a maxima popular:
"contando ningu6m acredita".
Ou posso acreditar que
seja uma influ6ncia muito li-
gada ao estilo kafkiano que a
justiqa paraense queira produ-
zir. S6 pode.
Todavia, se absurdos exis-
tem, eu como comunista e
devoto da democracia como
valor universal, faco aqui a


minha solidariedade ao teu
valoroso e sempre democri-
tico trabalhojornalistico.
E continue firme, camarada!
Eduardo Andr6
Risuenho Lauande
.........................................
Compartilho dessa indig-
na~go e rejeito a attitude da
Justiqa do Para, declarando
sua subserviencia e parciali-
dade em acolher a aqdo de
indenizacio absurda contra
um jornalista, em favor do pi-
rata fundidrio.
Arilda Carvalho,
estudante dejornalismo.


8 OUTUBRO DE 2006 IQUINZENA Jornal Pesso()l









Oriana Fallaci: o jornalismo vital


Oriana Fallaci foi uma das maiores
jornalistas no s6culo XX. Poucos chega-
ram pr6ximo dela num dos moments
mais decisivos do jornalismo: o das en-
trevistas. Todos os personagens que ou-
viu foram coagidos a recebe-la. Contra
alguns ela partiu armada de um animo
feroz, freqtientemente ji antecipado em
outras mat6rias. Mas como recusar a
autentica intimaqro de quem tinha auto-
ridade para faz&-la? Mesmo desancado
ou humilhado, o entrevistado se tornava
conhecido. Oriana sabia fazer-se ouvir
no mundo inteiro. E era um privil6gio es-
tar ao lado de uma mulher inteligente,
en6rgica e bonita. Poucos se atreveram
a dizer-lhe nao. Muitos pagaram caro pelo
sim que deram.
Por tudo isso, foi um atestado da de-
satenqao national o pilido obituirio que
a intimorata Oriana Fallaci mereceu da
imprensa brasileira ao morrer, em 15 de
setembro, em Florenqa, na Itdlia, aos 77
anos. Havia mais de uma d6cada ela lu-
tava contra um cancer de pulmro, que
dizia ter contraido por aspirar fumaaa da
queima de pogos de petr6leo quando fa-
zia a cobertura da primeira Guerra do
Golfo. Verdade? Controversas para di-
zer o minimo foram algumas das suas
reportagens.
Na cultural da imprensa italiana, a fron-
teira entire a absolute verdade e alguma


(ou muita) fantasia nunca foi precisa e
Oriana, apesar de estar acima dessas cir-
cunstancias, nunca foi completamente
vacinada contra elas. Numa personalida-
de tio exaltada, apaixonada e voluntario-
sa, combinada com uma coragem rara,
esse era um detalhe irrelevant, embora o
sensacionalismo e os
atentados a exatidoo con-
dicionassem a aceitaqo
de virios de seus textos.
Suas entrevistas, po-
r6m, fornecem ao apren-
diz algumas das melhores
lic6es que ele pode ter do
jornalismo e ao leitor,
moments de puro delei-
te intellectual, diante de
verdades ou ficq6es que
ela produziu (estas, corn
menor competencia). A
lista dos interrogados
(que a expressed correta 6 esta mesmo)
de Intrevista con la storia, um dos seus
16 livros, publicado originalmente em
1974 (e, infelizmente, nunca traduzido
para o portuguis), 6 um comp6ndio de
hist6ria: dentre outros, o general vietna-
mita Giap, a primeira-ministra israelense
Golda Meir, o lider palestino Yassir Ara-
fat, o primeiro-ministro alemro Willy
Brandt, o xi Reza Pahlavi e o nosso ar-
cebispo H61der Cimara.


Mas a melhor das entrevistas (anto-
16gica) foi com Henry Kissinger, entio
secretirio de Estado americano. As au-
daciosas perguntas de Oriana contrastam
com o ambiente intimidador que um su-
per-homem real podia criar no seu local
de trabalho, a Casa Branca, onde rece-
beu ajornalista, em 1972.
Em alguns moments o
auxiliar nimero um de Ri-
chard Nixon, acuado no c6r-
ner, 6 obrigado a ceder de-
claraq6es comprometedoras,
como a de que a guerra do
S Vietnam fora "intitil". De-
S pois, admitiria que essa foi "a
mais desastrosa conversa que
ji tive com um professional
da imprensa". Mas a apre-
1 sentaqio da entrevista feita
por Oriana 6 ainda mais ar-
rasadora. Dessa, Kissinger
nunca deve ter-se recuperado.
Oriana dizia que o mais apaixonan-
te no jornalismo 6 poder interpreter e
discutir os acontecimentos "no calor da
hora". Esse 6 um privil6gio "extraordi-
nirio e terrivel". Numa 6poca de jor-
nalismo virtual e jornalistas sem cha-
ma, sua morte acarreta uma lacuna
verdadeiramente irreparivel. Daf, tal-
vez, a indiferenqa de uma imprensa tio
distant do "calor da hora".


CARTAS AO

EDITOR
Confesso que indignado fi-
quei ao saber do fato que suce-
deu entire o "Coronel do Asfalto"
e vossa pessoa, no Pomme d'Or.
Um ato de selvageriajamais pre-
senciado e quiqc esperado por
quemjulga deter o posto de "vip"
dentro desta Bel6m. Algo que, se-
guramente, marcou a quem pre-
senciou aquilo que posso afirmar
ser a pura manifestaqao do lixo
moral personificado.
Sou acad6mico de Direito e
muita coisa nao posso fazer ain-
da. Mas, como cidadao, forma-
dor de opinido, sinto-me na obri-
gaqio moral de manifestar-me
ante este improp6rio nefasto, que
s6 fui saber na integra esta se-
mana quando comprei vosso li-
vro. At6 disto muita gente nao
tomou conhecimento, e dos de-
talhes mais s6rdidos de como o
fato se desenrolou.
Por outro lado, eu, que enga-
tinho ainda como articulista do


"Miriense", do Dorival Galvao,
jamais poderia ver meus artigos
publicados em 0 Liberal, porque
ali apenas o que os interessa vai
As ruas, e nunca o que se 6 ver-
dade mesmo. Um exemplo disto 6
a seq~o "A voz do leitor", onde
as manifestaqbes publicadas sao
aquelas que apenas interessam
ao bel prazer desta publicaqao.
Para finalizar, desejoso de
purificar este Estado, assim como
v6s, nao temendo a quem se ou-
torga "dono da verdade", nem
seus milicianos desidiosos, nem
muito menos a quem quer que
seja, que tente manipular a opi-
niAo public, sou aqui, de pron-
to, um que solidarizo-me corn
vossa luta e ergo vossa bandei-
ra, eis que como disse acima,
"apesar das mars, 6s uma pedra
que resisted .
Marcos Neemias
Negrao Reis
Esta carta ndo foi reproduzida
na integra, ao contrdrio da re-
gra desta seqCo. Podia parecer
cabotinismo do editor reprodu-
zir palavras tdo generosas do


leitor a seu respeito. Generosi-
dade que fez Marcos Reis tam-
bdm se expor a represdlias por
essa mesma generosidade na
solidariedade. Agradecendo,
aproveito para registrar minha
mais profunda gratidao a todos
que partilharam o mesmo impul-
so do leitor.
..........................................
Vinte anos
Seujomal nunca foi nem nun-
ca terd sido em vdo. ViverA para
sempre. Da mesma forma, voc8
nunca serd progressivamente
esquecido, como afirma a respei-
to de I.F. Stone. JA fez sua marca
na hist6ria do Pard e do Brasil; e
nao a fez em dimens6es acanha-
das, paroquiais. Muito pelo con-
trario: plantou uma semente. Des-
nudou as entranhas de uma terra
salteada, sem se importar consi-
go mesmo; sem se deixar seduzir
pelo dinheiro. Chama-se a isso de
amor. Nao tto somente o amor ao
jomalismo. Mas, tambm, o amor
A humanidade. Nosso maior exem-
plo de cidadania. Nossa referin-
cia de ser human. Quando um


dia algu6m lembrar que esta terra
e suas riquezas sao o maior te-
souro a ser preservado, quando
acordarem, ainda que tardiamen-
te, observari, de onde quer que
esteja, sua semente transformar-
se em carvalho "inderrubvvel".
Majestoso. E 6 essa sua dificul-
dade de editar o Jornal Pessoal
que faz com que voce discorra
sobre os assuntos que dizem res-
peito a nossa Amazonia, sem se
deixar contaminar pela excrescen-
cia do jornalismo de partido,
"chapa-branca". O desafio 6 o
seu maior incentive. E quando
um dia fizermos parte do passa-
do e algu6m disser que foi algo
pessoal, ainda assim, ouviremos
ecoar nos an6nimos: present!
Obrigado por tudo que tern feito
em prol da verdade; da liberdade
de imprensa e de expressao. Seu
lugarjamais sera ao lado daque-
les que ficam em cima do muro,
esperando que uma brisa de con-
senso Ihes derrube a razio da
palavra. Parab6ns! Continue, por
favor, amigo.
Fred Guerreiro


Jornal Pessoal l' QUINZENA OUTUBRO DE 2006


~EIX









MEMORIAL DO COTIDIANO
...- ... ` ~d ` `; : .... ,'..:,'." ..'.", :,.


Carta
Grande prazer lendo em
suas Mem6rias do
Cotidiano sobre lugares do
Bel6m noturno em 1970. No
perfodo 1970-1973 6ramos
uma turma grande de
ge6logos, t6cnicos de
mineracqo, pilots e outros
das atividades de pesquisa
mineral, formando um
bando de marginais sociais
que, de tempos em tempos,
voltivamos a Bel6m para
folgas etc e, vai daf,
assfduos freqientadores de
bares, cabar6s e
restaurants. Na sua
relacdo daquela saudosa
6poca me permit
acrescentar os restaurants
Avenida (na outra esquina,
onde hoje esti uma Big
Ben), o Miako da
Arcipestre, o Pato de Ouro
da Diogo M6ia, o Renasci
das madrugadas, o Hotel
Grao Pard (reduto dos
gringos); dos bares, o LR da
Joao Alfredo, o Uirapuru do
canto da praca da
Repiblica (eram os
preferidos para a
preparaqCo para a jornada
noturna); das boates, havia
tamb6m a Aldeia e o Pink
Panther, components do
baixo meretrfcio, no largo da
Condor, a boate Scorpius
(acho que na rua Pariquis),
etc etc. De todos, o nosso
preferido era o Pagode
Chines. que chamavamos
de nosso Clube. Era uma
beleza! ...
Vanderlei Beisiegel

Poder
O major Moura Carvalho, em
nota divulgada em marco de
1947, declarou que nao se ele-
gera governador do Estado
em alianqa com os comunis-
tas, negando assim denuncia
feita no Rio de Janeiro pelo
Correio da Noite e repercu-
tida em Bel6m, ainda no cli-
ma imediatamente p6s-eleito-
ral. Argumentou que conse-
guiu mais de 68 mil votos,
"enquanto o PCB [Partido
Comunista Brasileiro] nao


1


alcancou 4.000 para sua le-
genda, tendo eleito apenas
um deputado estadual [Hen-
rique Santiago] numa cha-
pa de 37".
Sua eleig9o se devia mes-
mo ao PSD (Partido Social
Democritico), comandado
por Magalhaes Barata, "cujo
prestigio pessoal sempre dis-
pensou aliancas ou combina-
6oes com outras correntes
political, acabando agora de
derrotar sozinho as oposigqes
coligadas e demais partidos,
n2o tendo assim compromis-
sos de qualquer esp6cie com
outra agremiaqgo political .


Terreno
Em margo de 1947 o prefeito
de Bel6m, Teivelino Guapin-
daia, extinguiu a enfiteuse de
uma drea de aproximadamen-
te 500 metros quadrados, de
frente para a avenida Presi-
dente Vargas (entdo 15 de
Agosto) e laterais para as
ruas Santo Ant6nio e 28 de
Setembro. Esse terreno fora
concedido quatro anos antes
aos sete irmaos Maranhao,
representados por Joao Pau-
lo de Albuquerque Maranhao,
o famosojornalista Paulo Ma-
ranhao da Folha do Norte,
em permuta de uma faixa de


PROPAGANDA

0 circo: unia festa
Era 1958 e Garcia, "rei do circo ", estava de
volta a Belem para mais uma lemporada. A
maior araCdo eran "os cdesfiaebolislicos",
que exibiam suas artes corn um baldo revestido.
Romteu era a "tinica zebra que irabalha em
circo ", e Rex, "o Ponney sabido ". Mister
Humber, "rn dos mais famosos malabarisias do
momento", estreava nessa saison. Ainda estava
inlacla afantasia circense.


10 OUTUBRO DE 2006 IQUINZENA Jornal Pessoal


0B~.~?hs~as~~h~m~s~F.~IHirs~er~de~;~PP~ i~krii*ri~8et :r~ ~b-s~pp~a~e~as~r~ g


B


~auulas~YaY-l~~upI-~-a~-~oi~~..


terras que a familiar cedera
para o alargamento da 28 de
Setembro.
A prefeitura, por6m, con-
dicionara a manutenaio da
enfiteuse A utilizagqo do ter-
reno. Como ele continuava
baldio, "sem indicio de cons-
trucqo alguma", depois do
prazo de um ano, o prefeito
decidiu declarar caduca a
concessao, fazendo reverter
o dominio dtil do im6vel A mu-
nicipalidade. No local surgi-
ria, anos depois, a sede do
Banco do Brasil.

Luz
A pedidos, Luciana Bertolli e
Paulo Mori voltariam ao pal-
co do Teatro da Paz, no dia 3
de maio de 1953, para a ilti-
ma encenaqio de 11 Trova-
tore, de Giuseppe Verdi, na
grande temporada lirica inter-
nacional,juntamente com ou-
tros int6rpretes: o coro da So-
ciedade Filarm6nica Tito Ber-
tini, do Rio de Janeiro, a Or-
questra Sinf6nica Paraense e
a Sinf6nica de Sao Paulo, sob
a regencia do maestro Nino
Gaioni. Mas faltou luz no
meio do espeticulo e por toda
a noite. As muitas reclama-
96es, o Departamento Muni-
cipal de Forqa e Luz respon-
deu que o carro de reparos
estava na rua.

Eleitorado
Em 1958 (hi quase meio sd-
culo, portanto), estes eram
os maiores col6gios eleito-
rais do Para: Bel6m, com
82.615 eleitores; Braganqa,
com 11.676; Cameti, 10.314;
Santar6m, 9.355, e Abaete-
tuba (6.690).

Agua
Em 1958 o prefeito de Bel6m,
Lopo de Castro, divulgou uma
nota official alertando a popu-
laq~o para ferver a agua re-
colhida nas torneiras. Dizia-
se seguramente informado
que a agua servida aos bele-
nenses pelo Departamento
Estadual de Aguas (anteces-
sor da Cosanpa) "nlo vem
sendo convenientemente tra-







tada, daf ser entregue A ser-
ventia p6blica com os micr6-
bios e impurezas de que fica
contaminada nos reservat6ri-
os". Assim explicava "o sa-
bor e cor incomuns que v6m
sendo observados e o motivo
das infecq6es e doenqas de
que v6m vitimas todos os nos-
sos municipes, principalmen-
te a populaqio infantil".
O prefeito era da Coliga-
go e o governador, Maga-
lhies Barata, do PSD. Mas
o problema era mais grave do
que as paix6es political. On-
tem, quase como hoje.

Contrabando
Um andncio popular tipico
daquele period oferecia A
venda, em 1960, um autom6-
vel Chevrolet Impala, fabri-
cado nos Estados Unidos,
"completamente novo", mo-
delo do mesmo ano, "sem
coluna", ou seja, numa peqa
estrutural inica, equipado
cor ar condicionado, vidro
rayban, radio alta fidelidade,
espelhos laterais e antenas
traseiras. Com um atrativo
especial: "legalizado, com 4"
Via da Alfandega".
Significava que, embora
entrando no Para atrav6s de
contrabando, depois de apre-
endido o "cutia", como es-
ses carros luxuosos eram co-
nhecidos (porque eram es-
condidos na mata marginal
ao local de desembarque, na
orla fluvial), foi arrematado
num dos leil6es que a Alfan-
dega realizava periodica-
mente. Em geral, o pr6prio
contrabandista o arrematava
e ele mesmo denunciava a
existencia do autom6vel a
inspetoria federal. Ndo sem
antes retirar do veiculo uma
peqa essencial, sem a qual
ningu6m podia colocA-lo para
funcionar. E ningu6m podia
querer comprd-lo.
Daf pela cidade circularem
os "cutias" legalizados.

Missa
A Missa da Aleluia, que abriu
a festa annual da igreja de San-
tana, em julho de 1969, teve
um toque hereticamente novo:
o fundo musical do conjunto
jovem Os Beatos, com Alva-
ro Augusto no 6rgao, Jos6 Ro-
berto na guitarra, Ricardo


Ishak no ritmo, Roberto Ro-
drigues no contrabaixo, Clau-
dio Carvalho na bacteria e Car-
los Alberto como solista. Na
plat6ia, em meio aos tradicio-
nais freqtientadores do culto,
jovens cabeludos e moqas de
minissaia, que fizeram todas
as leituras. O celebrate foi o
c6nego David Sa. O prega-
dor e promoter da novidade,
o c6nego N6lson Soares.
Al6m da mdsicajovem, o rito
incluiu confissao coletiva,
com absolvicao dada para to-
dos. Um "arejamento da Igre-
ja", disse o c6nego Ndlson.


Imposto
Antes de aprovar a concessao
de isencho do ICM (atual
ICMS), como forma de incen-
tivos fiscal do governor a no-
vos empreendimentos produ-
tivos privados no Estado, o
Idesp (o extinto Instituto do
Desenvolvimento Econ6mico-
Social do Pard) publicava na
imprensa edital anunciando a
outorga do beneficio e abrin-
do prazo de 15 dias para a
apresentaqio de impugna-
q6es. Em julho de 1969, por
exemplo, saiu o edital de isen-
q9o integral a Fasa, que fabri-


caria f6sforos de seguranca,
palitos e palhetas de diversos
tipos em sua sede, na rodovia
Arthur Bernardes.
A iniciativa dava legitimi-
dade a political official. O go-
verno, que pretend recolocar
em vigencia os incentives fis-
cais, revogados por inconsti-
tucionalidade, nto podia seguir
o exemplo do passado? O que
6 atualmente procedimento
em circuit fechado se torna-
ria realmente piblico, aberto
ao conhecimento e A contro-
vdrsia. Por isso mesmo, legi-
timo desde que, antes, legal.


Jornal Pessoal 1' QUINZENA OUTUBRO DE 2006 11


FOTOGRAFIA

Marc do Cirio
Durante inuitos anos a marc da romaria do Cirio de Nossa Senhora td'
Nazarj era dada por duas pessoas diameiralmente oposias. 0 commando da
procissdo era exercido conm mnio forte, do principio no fin, por domt Alberto
Gaudencio Ramos. o arcebispo meiropolilano. Sua nrirca cnomeava na
iiensagem que redigia sobre a data. sempre corn recados e referencias,
refletindo sua epoca. A outra marca era de um protestanie. o delegado
Orlando Silva, titular da polemica Delegacia da Ordem Politica e Social, o
DOPS. Apesar de pertencer a outra religido, o delegado se integrava ao rito
comn set apito inconfindivel, que delinmiava as competincias e as areas do
corso. Ir ao seu lado era garantia de que a rotina ndofaria parte do Cirio.
Ambosjd se foram, dei.ando uma lacuna preenchida anonimnamenie pela
adiinisiracdo da fista. algo mais apropriado para as suas dimnens6es aluais.
Na fotografia. dom Alberto aparece ao lado dojornalisia Paulo Maranhao. na
inefdvel visita d redacdo da Folha do Norte. 0 registro et de seiembro de 1965,
menos de um ano antes da more de Maranhlo. que, nonagendrio, locava sec
jonial coin forca e charisma semelhantes ao do arcebispo.









NOVO LIVRO
Ji estd nas
bancas e li-
vrarias meu
livro mais re-
cente, Jor-
nalismo na
Linha de
Tiro. Tem um
pouco do pri-
meiro volume, o prometido
segundo volume e alguns
acr6scimos e atualizaq6es.
Apesar de volumoso, corn
mais de 500 piginas, custa
apenas 30 reals, o mesmo pre-
qo do anterior, com 300 pigi-
nas. Graqas ao apoio de ami-
gos de f6, pude baratear o
preqo para que os comprado-
res do livro anterior (apresen-
tado como primeiro volume)
nio se sintam prejudicados e
para que mais leitores possam
ter acesso a moments rele-
vantes da hist6ria recent do
Pari. Entre os documents
que introduzi agora esti a
carta que escrevi a Romulo
Maiorana quando do nosso
rompimento, em 1986, e a
H61io Gueiros, antes e depois
de ele ser governador do
Pari (1987-1991).
Pretendo usar o livro como
abre-alas para debates a res-
peito do seu contedtdo nos lu-
gares que se dispuserem a
abrigar o seu lanqamento.
Pode ser um bom moment
para avaliabes critics e re-
visao de mitos is vezes apre-
sentados como verdades.

ERRATA (1)
Outro dia preenchi um cheque
com o valor em cruzeiros. Ngo
era nenhum saudosismo pr6-
real: era estresse mesmo. Ja
na ediCqo anterior pensei em
Greg6rio Fortunato, o chefe da
guard pretoriana do ditador
Gettilio Vargas (mat6ria de
capa), e escrevi Greg6rio Be-
zerra, o bravo comunista per-
nambucano, fazendo-lhe uma
inadvertida injustiqa. Nio do
tamanho da brutalidade come-
tida contra ele em 1964, logo
depois do golpe military: descal-
qo e sem camisa, o odiado
Greg6rio foi levado pelas ruas
de Recife, amarrado a um jipe,
como trof6u da guerra que nao
houve.


Criterios da justice
Em proveito da celeridade processual, o Tribunal de Jus-
tiqa do Estado nto devia deslocar juizes titulares de suas
varas. Ao menos na capital, a presence de juizes substitutes
ou de interinos devia ser evitada ao maximo; de prefer6ncia,
devia ser abolida. No entanto, essa pritica ainda se mant6m
- e at6 mesmo se renova, como se pode verificar agora,
pela designagio de alguns dos oitojuizes rec6m-promovidos
para a terceira entrancia.
A sucessao de juizes interinos e substitutes do titular, is
vezes deslocado por long tempo para outra fungao, mas man-
tendo a titularidade, acaba por afetar a celeridade desejada na
instrucio dos processes, sem falar na definiqio de um julgado
com fundamentaqao mais s6lida. As vezes por um mesmo pro-
cesso passam varios juizes, que preparam a instrucio sem,
contudo, finalizi-la. E acontece de a sentenqa se transformar
em tarefa finalista de um novo magistrado.
Tenho testemunhado essa situacqo na 4' vara civel do f6-
rum de Bel6m, pela qual tramitam tres ages nas quais sou reu.
Cinco diferentes juizes se sucederam na aqio de indenizaqao
contra mim proposta pelo grileiro Cecilio do Rego Almeida.
Alguns foram responsdveis pelos autos durante poucos meses
e outros ficaram a frente do feito por period mais long. Mas
quem o sentenciou, num s6 dia, foi o titular de outra vara, cha-
mado a substituir por apenas tres dias, mas, de fato, por um
s6 dia a juiza substitute que exercia a funqio jurisdicional.
O "caso" do juiz Amilcar Guimaraes era o excelente pre-
texto para o TJE examiner em profundidade essa anomalia,
mas no tltimo dia 4, de forma definitive, o tribunal afastou a
possibilidade de instaurar procedimento administrativo-disci-
plinar contra o magistrado, indeferindo recursos que o Banco
da Amaz6nia e eu apresentamos. Agora, resta apelar para o
Conselho Nacional de Justica, em Brasilia, na busca de um
corretivo para a situaqco.
Desde o dia 11, a 4a vara civel tem nova responsivel: os
juizes Luzia do Socorro Silva dos Santos, rec6rh-promovida, e
Thiago Tapaj6s Goncalves foram dispensados e designada a
doutora Silvia Mara Bentes de Souza, juiza nao titular de vara
da comarca da capital, que tamb6m foi promovida no recent
concurso. Respondendo pela nova funcao, 6 claro que a ma-
gistrada muito se empenhard para dar continuidade aos tra-
balhos na 4a vara, inclusive em processes que estdo prepara-
dos para sentenqa.
E o caso, por exemplo, da segunda acao de indenizaqFo
dos Maiorana contra mim nessa vara (hi mais duas em ou-
tras varas). A primeira foi decidida pelajuiza Luzia dos San-
tos, que a rejeitou, levando os autores a apelar de sua deci-
sao. A outra ficard agora para a dra. Silvia Mara, se ela per-
manecer a frente por tempo suficiente para rever essa e de-
zenas de outras demands, que vinham sendo distribuidas entire
os dois magistrados que atuavam na vara. O doutor Thiago
continue a serjuiz substitute. Ji a doutora Luzia foi lotada no
Juizado Especial do Consumidor.


Mas o valente Greg6rio
manteve aquele olhar altivo
que me impressionou tanto, na
6poca, quanto o de outro pri-
sioneiro subversive, o entio
deputado estadual petebista
Benedito Monteiro, amarrado
e descalqo ao chegar ao ae-
roporto de Bel6m, trazido de


Alenquer, mas com uma mi-
rada de dignidade. Porque tal-
vez estivesse de olho no futu-
ro, que o revelaria como es-
critor. E o que o-instantaneo
fotogrifico captou, registran-
do a bravura de um caboclo
duro na queda, como Benedi-
to se revela mais uma vez,


agora na sua decisive batalha,
pela continuidade de sua vida.
Que esperamos, seus amigos,
prossiga.
Espero que os leitores per-
doem esses lapsos, sinal do
corpo a cabeca que a pressio
6 demasiada. Mas, como no
poema de Drummond sobre o
nosso tempo, 6 precise pros-
seguir. E prosseguimos.

ERRATA (2)
Por um mist6rio qualquer. o
texto da mat6ria sobre a gri-
lagem ("Chamar grileiro de
pirata tornou-se crime no
Pard") do dono da C. R. Al-
meida saiu certinho do meu
computador e chegou errado
h pigina do journal. O trecho
truncado 6 o seguinte:
"No piano judicial, apelei da
condenaqao. A relatora do re-
curso na 3" Camara Civel,
desembargadora Maria Rita
Xavier, a manteve. A reviso-
ra, desembargadora S6nia
Parente, pediu vistas. Na ses-
sao do dia 13 apresentou seu
voto, divergindo da posiaio da
relatora. Argumentou que a
grilagem de terras da C. R.
Almeida no Xingu 6 fato pi-
blico e not6rio, comprovado
por diversas mat6rias jornalis-
ticasjuntadas aos autos, al6m
de pronunciamentos unanimes
de 6rgaos pdblicos que se
manifestaram oficialmente
sobre a questao, incluindo a
Policia Federal, o Minist6rio
Pdblico Federal e a Justiqa
Federal. Eu apenas aplicara ao
autorda grilagem uma expres-
sao de uso corrente nas ireas
de confront, conforme ela
pr6pria p6de constatar quan-
do atuou comojuiza numa des-
sas dreas, o municipio de Pa-
ragominas".





Editor:
Lucio Flavio Pinto
Edigio de Arte:
L. A. de Faria Pinto
Contato:
Tv.Benjamin Constant 845/203'
66.053-040
Fones:
(091) 3241-7626
E-mail:
lornal@amazon.com.br




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