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ornal Pessoal A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO MARC(O DE 2006 2- QUINZENA N 365 ANO XIX R$ 3,00 SOLUS, TOTUS, UNUS "- "- ia / HM.l. UEWA E[0 11i Jatene de novo no pareo? 0 governador, que parecia ter renunciado a reeleicao, pode estar se interessando de novo por ela. Se isso for verdade, Almir Gabriel deixara de ser o candidate do PSDB ao governor do Estado? Antes de tergar armas corn seus adversarios, os tucanos podem se engalfinhar entire si, apesar das aparencias em contrario. 0 cenario politico, alijs, vive mais de aparencias do que de realidades. O PT se juntard ao PMDB nas pr6ximas eleicqes. Querendo, Jader Barbalho poderi ser o candidate ao governor do Es- tado, cor as benqios de Lula. Se nio for, terd o apoio dos petistas para arris- car a volta ao Senado. Seu lugar poderi, entio, ser preenchido pelo ex-senador Ademir Andrade, do PSB, pelo deputado estadual Mario Cardoso, do pr6prio PT, ou por Hildegardo Nunes, filho do ex- governador Alacid Nunes, agora no PMDB. Ja o senador Luiz Otivio Cam- pos, tamb6m um peemedebista tardio, poderi contar corn o respaldo da coliga- gio para garantir sua imunidade como deputado federal. Ou nio sera ele o aza- rdo, que emergird como o candidate de todos os oposicionistas ao governor? Essa ampla frente political, mais pa- recida a um desconexo Exdrcito Bran- caleone (eternizado no filme do italiano Mirio Moniccelli), tera diante de si a po- derosa miquina do PSDB estadual. De- pois das hesitaq6es e recuos de sempre, Simio Jatene parece ter finalmente con- cordado em disputar a reeleicio. Seu maior problema imediato, por6m, nao se- rao os adversarios, mas o correligionirio Almir Gabriel. O ex-governador quer voltar ao cargo e acha que Jatene, por ser mais jovem, pode esperar por outros quatro anos, reserve de tempo que falta a Almir. Se for contrariado, ele, que tem mais forca no partido e na alianqa, pode- ra criar problems. Nio insol6veis, contudo: Jatene pode- ri reprisar a chapa, cor a pefelista Va- 16ria Pires Franco novamente como vice- governadora, e deixar o Senado para seu antecessor, assegurando-lhe o clima mais favorivel do Planalto Central para o cul- tivo de orquideas, sua paixao nunca ple- namente realizada. O secretirio especi- al S6rgio Ledo, estrategicamente coloca- do no PFL como um cavalo de Tr6ia, se- ria o peao para as alternatives menos desejadas, podendo, em iltimo caso, as- segurar uma posigio para o grupo Jate- ne na arena political. CONTINUE NA PAG 2 EM ALUMINA, SOMOS OS MAIORES DO MUNDO PAGINA 5 A ALEGORIA DO PORTO QUE NUNCA TEVE FIM PAGINA 9 CONTINUA;AO DACAPA Essa andlise da situagdo pr6-eleito- ral no Pard corresponde realmente aos fatos? Sim e nao. Ela esta em muitas bocas e cabeqas, circulando fluente- mente nos bastidores. Mas pode nio passar de mera especulacao, em alguns pontos flagrantemente imponderivel, quando nao impossivel. Cada um pode montar seu esquema explicativo quase a vontade, mexendo as peas aqui arro- ladas ouintroduzindo novos personagens e situacqes. O campo 6 f6rtil para rece- ber o plantio de qualquer boato ou con- jectura. Sua fecundidade result da ca- rencia quase total de informacges con- cretas, de dados efetivamente checados. Por que esse vicuo? Porque a im- prensa regular nao esta cumprindo seu papel de auditora do poder em nome da sociedade. Osjornais diirios escondem mais do que revelam, sonegam mais do que aplicam. Nenhum deles repassa para a opiniio ptiblica tudo que sabe. Cada um fez sua opqio political, em funqio de interesses pr6prios, e sufoca a infor- maaio para tender os compromissos. O mais grave, por6m, 6 que sabem pou- co, ao menos osjornalistas propriamen- te ditos. E sabem pouco nao s6 porque 6 dificil saber a verdade entire tantos bales de ensaio colocados no ar, mas tamb6m por um dado inquietante: nio se empenham em saber mais. Os do- nos, que sabem muitissimo mais, nao socializam seu conhecimento. Pelo con- tririo: usam-no como ferramenta ou arma para tender seus interesses pessoais, que, quase sempre, se confun- dem com o neg6cio. As paginas dos jornais sio de uma monotonia e sensaboria irritantes. Pare- ce que os grupos politicos nio estao em intense atividade nos bastidores, no mo- vimento de conquistar adesoes, atrair sim- patias e oferecer vantagens, que vai de- finir as chapas a serem apresentadas para a dispute dos cargos eletivos, em outu- bro. Resta aos interessados, que nao par- ticipam diretamente dessejogo, interpre- tar a partir do minimo de informaq6es disponiveis. Ir al6m exigiria penetrar nos bandos politicos corn verdadeiro poder, o que 6 desaconselhivel para a sa6de ao menos a moral ainda que constitua um mal necessirio nas democracies. As flutuaqges conjunturais nessejogo de bastidores parecem apontar um dado novo: o governador Simro Jatene reexa- mina a possibilidade descartada at6 recentemente da reeleiqio, que jA re- jeitou, mas em tese, nunca concretamen- te, categoricamente. Se dependesse de sua vontade pessoal, Jatene voltaria h sombra do poder, onde sua personalida- de est6 mais bem acomodada. Mas ji nao pode se permitir essas veleidades, a menos que renuncie de vez ao centro do poder, o que nao parece ser o caso. Um element de novidade 6 o lento e discrete de desligamento da adminis- tracio estadual de todos os parents e afins do governador nao concursados. O movimento possibility virias interpre- tapqes, mas uma delas, talvez a mais ponderivel, 6 de que Jatene nio quer expor um flanco sensivel aos ataques dos adversirios. Mesmo que a retirada es- trat6gica possa ser apresentada como uma admissdo implicita das dendncias de nepotismo feitos pelo PT, que che- gou ao questionamento judicial, o fato concrete sera a ausencia dos parents antes de comecar oficialmente a cam- panha eleitoral. Ponto pacifico parece ser a sua per- manencia no governor at6 o final do seu mandate, em qualquer hip6tese. Por esse motivo, nao sera candidate ao Senado. At6 podia ser, se Val6ria Pires Franco tamb6m se desincompatibilizasse para concorrer a outro cargo que nio o de vice-governadora. Essa hip6tese pode- ria nem mais existir se PSDB e PFL ji tivessem definido pelo menos a chapa majoritiria da coligaqgo. Jatene e Val6- ria, nessa circunstancia, poderiam acer- tar que ambos deixariam seus cargos atu- ais. Nos iltimos meses, o governor seria exercido pelo president da Assembl6ia Legislative. O deputado Mirio Couto aceitaria desempenhar esse papel, sa- crificando sua pretensdo de se eleger deputado federal? Se ele nao aceitar, quem poder6 substituf-lo na tarefa? Ou, nio havendo deputados em condic6es de fazer o sacrificio, porque tamb6m serdo candidates, a missdo sera trans- ferida ao president do Tribunal de Jus- tiqa do Estado, desembargador Milton Nobre, que esti bem afinado com Si- mao Jatene? Sio perguntas sem respostas p6blicas, ao menos por enquanto. Esse silencio talvez indique que o PSDB ainda nio sabe se pode contar com o PFL para qualquer alternative. Mesmo porque o pr6prio PSDB nio fechou a sua proposta de cha- pa. Tudo sugeria que Almir Gabriel seria sagrado cabeca de chapa diante da ina- petencia de Jatene. Essa falta de vonta- de ou determinaqao foi o c6digo criado pelo ex-governador para vestir o meido, a chuteira (botina, seria sua melhor defi- niqio), a caneleira, o calgio e a camisa - e se colocar A beira do gramado para oficializar sua entrada no jogo. Porque informalmente Almir Gabriel ji dispute a candidatura ha muito tempo. A grave doenca da esposa nio chegou a abalar essa disposiqao, nem mesmo a idade e os problems de satide do pr6prio ex-go- vernador, que sobreviveu a um aneuris- ma no primeiro mandate. Hoje, ele 6 o nome mais forte e pre- ferido dentro do PSDB e aliados, exce- to pelo grupo de Jatene, que acabou por se former, a despeito dos esforqos do governador (nem sempre levados tilti- ma conseqtiincia) para reforqar os ele- mentos de ligaqio e solidariedade entire ele e Almir, a quem deve sua eleicio em 2002. Se a hesitaqao de Jatene se pro- longar por mais algum tempo, sua hipo- t6tica candidatura a reeleiFio se torna- rA favas contadas. A mecanica eleitoral ji estard num ponto tao avancado que uma cisao, como a que atualmente sera criada pelo afastamento do nome de Almir Gabriel, podera colocar em risco uma vit6ria que a coligaaio situacio- nista da como praticamente certa. En- tre outros motives, pela falta, na oposi- qFo, de nomes h altura dos candidates tucanos e, sobretudo, de sua rnmquina de fazer votos cor recursos piblicos (ou de outra fonte). A imposiqio da verticalizaiao na elei- Fio deste ano ofereceu a justificativa formal para uma situaqao de fato que PT e PMDB ja viviam. Mas essa alianqa ain- da 6 encabulada: os petistas nao querem assumi-la, ainda que querendo usd-la. Jader Barbalho 6 o inico candidate po- tencial que aparece nas pesquisas nio registradas sobre a preferencia do elei- torado para o governor do Pard. Mas ele nio vai al6m da sua proporFio hist6rica, que gravita em torno de um quarto ou, na melhor das hip6teses, um terqo dos vo- tos validos do Estado. Significa dizer que ele tem boas possibilidades de ir para o 2 turno, mas chance minima de ganhar nessa nova eleiqgo. A rejeiaio ao seu nome ainda supera a legiio dos que vo- tam nele, apesar de sua ficha suja em mat6ria de corrupqio. Ele estd muito exposto a uma nova derrota para os tu- canos, corn a qual podera dar adeus a political de mando para valer no Pard. Seus n6meros, porem, ainda o qua- lificam como o maior cabo electoral para o governor, al6m de ser o nome mais forte para o Senado. Isso quer dizer que se aceitar trabalhar para um outro candidate, seu peso influird na decisdo. Para quem quer ou aceitard trabalhar o deputado federal do PMDB? Teoricamente, pode ser para Hildegardo Nunes, que pertence ao seu partido e tern sido uma de suas compa- nhias mais constantes na autentica campanha governista que tern empre- endido pelo interior do Estado. O PT aceitara que Hildegardo seja o cabeqa de chapa em uma alianqa for- mal cor o PMDB ou continuard preso aos seus principios de sempre ser o abre- alas, mesmo que para a derrota previsf- vel? A resposta dependeri, em grande media, da orientaqio de Brasilia, a par- 2 MAR.O DE 2006 *2 QUINZENA JornaIl Pessoal "0 Liberal": agora, de volta a realidade? A Delta Publicidade, empresa res- ponsAvel por O Liberal, mant6m com- pleto silencio sobre a manipulaqio da tiragem do journal, constatada nos dois relat6rios de auditoria produzidos pelo IVC no ano passado e divulgados hi tres semanas pelo Didrio do Pard. A fraude 6 escandalosa, jamais registrada corn essas proporqces na hist6ria da imprensa brasileira (e talvez mundial): a "informaio jurada" do editor dojor- nal ao Instituto Verificador de Circu- laqio aumentava (na situacio menos grave) em 50% ou at6 tr6s vezes a cir- culaqio liquida realmente paga dojor- nal da familiar Maiorana. A diferenqa entire a quantidade dejornais que eram impressos e o volume de vendas efe- tivas superou, no primeiro semestre de 2005, 50 mil exemplares. Explicaqio dada pela empresa: esses jornais eram distribufdos como "cortesias", que so- mavam mais do que o total de exem- plares comprados pelo piblico. Revelada a conclusio da audita- gem, o diretor-geral IVC, Ricardo Costa, se limitou a fazer uma notifi- caqio extrajudicial do Didrio do Pard, indicando que podia processar o journal por divulgar sem autorizaqao o conteddo de relat6rios que circulam apenas entire associados da instituiqio. Mas nio negou a veracidade das in- formaqdes publicadas pelo journal do deputado federal Jader Barbalho ao long de cinco dias e reproduzidas em outros veiculos de divulgagio. Um de- les foi o site especializado Comuni- que-se, que repercutiu o assunto. O IVC teve a possibilidade de desmas- carar uma possivel fraude nos relat6- rios por parte do journal concorrente de O Liberal. Mas nio o fez. Dessa maneira, acabou confirmando, por via indireta, que os dados realmente sio verdadeiros: ojornal lider de mercado no Part mentiu grosseiramente sobre a sua circulaqio paga real. Segundo a pr6pria fonte, a question ji foi submetida ao comit6 editorial do IVC. Sempre que a discrepincia en- tre a "informaiao jurada do editor" e os n6meros auditados pelo IVC exce- de 4%, esse 6 o procedimento padrio do institute. Comprovada a fraude, o responsivel pode ser punido, indepen- dentemente da apuraclo sobre o va- zamento de uma informagio de natu- reza reservada, como sio os relat6ri- os da organizaqio. Ja nio parece haver mais ddvida de que os documents foram repassa- dos ao Didrio do Pard por uma em- presa jornalistica com sede no Nor- deste talvez em Recife, mas, com maior probabilidade, em Salvador. Os jornais dessas duas praqas, os de mai- or tiragem na regiio, sentiam-se cada vez mais incomodados com a propa- ganda de O Liberal, de ser o maior journal do Norte e Nordeste do Brasil. Usando esse titulo, ojornal dos Mai- orana nio apenas obscurecia a ima- gem dos confrades nordestinos: pre- judicava tamb6m o seu faturamento, ja que teriam circulacio bem inferior ao do maiorjornal do Norte e Nordeste do pais. Um dos crit6rios para a defi- niqio do valor da centimetragem de publicidade nos jornais e dos progra- mas de midia das empresas e suas agencies de propaganda 6 o "custo por mil". O preqo do anincio de um journal pode ser maior se di mais retorno do que o anunciante consegue em outro journal de tiragem inferior. Por esse cri- t6rio, a partir da auditagem do IVC, 6 evidence que as tabelas de precos de 0 Liberal estio superdimensionadas. Esses preqos terio que cair a par- tir de agora? E a conseqtiencia 16gi- ca, mas nio foi ainda o que aconte- ceu. Tanto as empresas quanto suas ag6ncias tratam da questio cor ex- tremo cuidado, receando represilias caso tentem impor um novo padrio de relacionamento commercial corn o diirio da familiar Maiorana. Mas as agencies e empresas de fora pode- rio nao ter a mesma cautela. Certa- mente aguardarao pela arbitragem fi- nal do comit6 editorial do IVC para definir seus pianos de mfdia, corn ple- no embasamento t6cnico. Mas se o conteddo dos relat6rios revelado em primeira mao pelo Didrio do Pard estd correto, essa decision 6 apenas uma questio de tempo. Como mant6m absolute e constran- gedor silencio sobre questio de tanta gravidade como essa, o grupo Liberal provavelmente nio tomard qualquer iniciativa para rever sua tabela de pre- qos, ajustando-a espontaneamente a realidade de fato e nio ao faz-de-con- ta quem ter sido o seu procedimento. Mas o dia a dia iri impondo novas ini- ciativas. As empresas que encartam propaganda no journal nio deverio mais aceitar que aos domingos tenham que pagar por 100 mil ou 90 mil exempla- res, como vinham fazendo. O numero real esti abaixo de 40% desse valor. Continuario a aceitar a ficcio, que lhes 6 tremendamente onerosa? Quaisquer que venham a ser os desdobramentos dessa novela de ma extraaio moral, uma coisa pode ser considerada como certa: acabaram-se os andncios que proclamavam as gi- gantescas tiragens do journal cor base em boletins do IVC. Por que o institu- to manteve silencio sobre essa panto- mima por tanto tempo, a serem con- firmados seus relat6rios, 6 o mistdrio. Mais um nessa seqiuencia, que jai tem tantos capitulos percorridos. A hist6- ria durard mais quanto tempo? CONTINUAFAO DAPAG.2 tir da profundidade do entendimento que o president Lula tem mantido com Ja- der Barbalho. Mas os petistas paraen- ses mandaram dizer ao PT federal que nio aceitam imposiqio de cima para baixo, mesmo que tenham se acostuma- do a engolir sapos (iguaria nada estra- nha ao cardipio de Jader). Tamb6m em tese, uma coligadio ofi- cial cor o PMDB poderi acentuar ain- da mais o desgaste do PT diante das novas acusaqces de corrupqio que seus adversarios certamente irio apresen- tar. O partido optari por um perfil mais a esquerda, menos suscetivel a essa mdi evidencia dos iltimos tempos, que a companhia de Jader Barbalho iri re- forcar? Nesse caso, tonificari ou en- fraquecerA sua forqa eleitoral? Voltard novamente a condiaio de mero figu- rante na dispute ao principal cargo, como em tempos passados? A media que se buscam respostas a essas perguntas, a uma distancia que impossibilita colher informaq5es diretas dos atores nesse enredo (embora esse distanciamento preserve o est6mago), chega-se a uma conclusao desanimado- ra: a alternfincia nas peas colocadas no xadrez nao modificar6 o resultado da partida. Mal servido de liderangas, que nao t6m programs, apenas interesses, o Pard continuard, pelos pr6ximos anos, na march batida que o distancia dos seus sonhos de grandeza, da concilia- qio entire o potential de desenvolvimento e a realidade de um desenvolvimento que Ihe chega como restos do banquet, mi- galhas de caridade, um ganho pingado nas mios de poucos, que sio sempre os mesmos, em posiqdes invertidas. Aque- les fatidicos 10%. Jornal Pessoal 2QUINZENA MARO DE 2006 1 Esquizofrenia liberal No dia 8 de fevereiro o Jornal Naci- onal, da TV Globo, retransmitido em Be- 16m pela TV Liberal, exibiu imagens pro- duzidas pela sua afiliada mostrando que a Auto Escola Modelo, de Bel6m, parti- cipava de um esquema fraudulent para fazer a mudanca de categoria da car- teira national de habilitaq~o, sem que o motorist precisasse, como manda a lei, se submeter aos cursos obrigat6rios de direqgo defensive e de primeiros socor- ros. Esse esquema funcionava dentro do pr6prio Detran. Comprovada a denin- cia, a escola foi descredenciada. Um mes e meio depois, o proprieti- rio do Centro de Formaqio de Conduto- res Auto Escola Modelo e seu filho se vingaram da reportagem atacando o ci- negrafista Jorge Laudimar, da TV Li- beral, espancando-o dentro do estacio- namento do Departamento Estadual de Transito, ao lado estidio de futebol Man- gueirao. Depois de dar socos e ponta- p6s no professional, rasgando-lhe a ca- misa, pai e filho o advertiram para ele e sua familiar tomarem cuidado porque poderiam at6 morrer. E foram embora sem ser impedidos ou sequer incomo- dados, embora o estacionamento se en- contrasse lotado naquela ocasiao, inclu- sive com vigilantes que fazem a segu- ranca no local. O cinegrafista nao rece- beu qualquer tipo de ajuda e precisou chamar a policia. Nao sei o que fez ou pensou o cole- ga quando fui agredido, em situaqao bas- tante parecida, por Ronaldo Maiorana, que 6 seu patrao, como um dos proprie- tarios da TV Liberal. Mas presto-lhe total e irrestrita solidariedade, nao s6 em virtude da agressao covarde, como por nao ter dtvida alguma de que se trata de atentado A liberdade de imprensa. O grupo Liberal, que neste caso aparece como vitima, esqueceu completamente, ao noticiar o fato, de que 6 algoz no meu caso. Procede como vitima corn argu- mento que se recusa a aceitar quando 6 o autor da mesmissima agressao. Quan- do sofre, trata-se de violaqgo h liberda- de de imprensa. Quando causa o sofri- mento, 6 simples "rixa pessoal". Assim procedendo, o grupo parece criar sua versio pr6pria do brocardo jurfdico segundo o qual o que nio esti nos autos nto estd no mundo. Da mes- ma forma, quando nao noticia um fato ou quando sabota um personagem, o grupo Liberal parece acreditar que tan- to um quanto outro nio existem. O caso 6 clinic, mas o paciente nio se dd con- ta de sua condiqdo patol6gica, Fica muito mal na foto. Cobertura caolha A noticia sobre a agressdo de Jorge Laudimar foi publicada discretamente na ediqao do dia seguinte, 25, de O Li- beral, e no caderno de policia (quan- do, por se tratar de crime de imprensa, contra um funcionario da empresa, de- via ter said nos dois primeiros cader- nos, em "Atualidades" ou no "Painel"). A expressao "cinegrafista" aparece 12 vezes no texto, mas nenhuma vez 6 dado o nome do agredido. Na abertura da mat6ria, Jorge, um an- tigo funcionirio da TV, que nela comeqou como continue, 6 apontado como "um re- p6rter cinematogrdfico da Televisao Li- beral, que trabalha para o Nicleo da Rede Globo, no Pard". E permaneceu an6nimo at6 o fim, em situaqio pior do que a do agressor, que pelo menos 6 tratado pelo seu primeiro nome, MArio. No dia seguin- te o assunto foi esquecido e nao voltou mais As edic6es dojornal. Tudo muito estranho, embora coeren- te com a postura editorial tibia do grupo Liberal, quando uma questao mais pole- mica envolve seus servidores. Como de- nunciou este journal na sua edicqo passa- da, O Liberal suprimiu o nome de um dos seus mais antigos e conhecidos rep6rte- res, Carlos Mendes, da relagqo de cinco pessoas que receberam a solidariedade da Assembl6ia Legislativa do Estado em re- laqio aos ataques do grileiro Cecilio do Rego Almeida, declarado, pelos deputa- dos, persona non grata ao Para. No caso de Jorge Ludimar, tao explici- tamente deixado de lado, o journal parece preocupado em ressaltar que a TV nao 6 responsdvel pela acusaao veiculada no Journal Nacional contra a auto-escola, ji que o cinegrafista "trabalha para o Ni- cleo da Rede Globo, no Pard". Recente- mente a TV Globo interveio nojomalismo da sua afiliada, mandando um novojoma- lista Alvaro Borges, para chefiar ojorna- lismo em lugar de Emanoel Vilaqa, hd mui- tos anos no cargo e cuja atuaqao vinha desagradando crescentemente a Globo. A emissora tamb6m dissociou completa- mente sua coberturajomalistica no Estado da pauta da sua afilia- da, comoji fizera na Bahia em relaao A emissora do senador Ant6nio Carlos Magalhaes. O inusitado noticidrio de O Liberal sobre a agressao do cinegrafista tem alguma coisa a ver com essas mudanqas? Ji a cobertura na pr6- pria TV Liberal foi mais ampla e incisiva. A mat6- ria exibida no Bom Dia, Pard e na primeira edi- q~o do Jornal Liberal at6 procurou situar o fato num context mais amplo. Reproduziu levantamento feito pela Fede- ragSo Nacional dos Joralistas, com base em informaq6es do sindicato local, mos- trando que o Pard foi, no ano passado, o segundo Estado que mais registrou agres- sfes a joralistas. Junto com Tocantins, teve seis ocorrfncias desse tipo. Sao Paulo liderou a estatistica, com 12 casos. NesseW total de seis agress6es em 2005 esti incluido o meu caso. Evidentemente, esse detalhe foi omitido pela emissora, que tamb6m nio disse que seu proprietario, Ronaldo Mai- orana, contribuiu para colocar o Pard nesse desonroso segundo lugar national. Informaqio nao 6 o forte do grupo Libe- ral. Ele a agride. 4 MARCO DE 2006 *2QUINZENA Jornal Pessoal Para ter agora a maior fibrica de alumina do mundo. E daf? A Alunorte, instalada a 50 quil6me- tros de Bel6m, em Barcarena, se tornou, na semana passada, a maior empresa de alumina (o principal insumo do aluminio) no mundo. Para que a sua capacidade de producio se elevasse de 2,5 milh6es para 4,4 milh6es de toneladas por ano, a empresa precisou investor 2 bilh6es de reais em tres anos. Nos pr6ximos dois anos serao aplicados mais R$ 2,2 bilh6es, que colocario a Alunorte num patamar que at6 alguns anos atris nem podia ser imaginado: quase 6,3 milh6es de tonela- das anuais de alumina. A empresa entrou em operaqio, em 1995, cor capacidade para 1,1 milhio de toneladas. Em 13 anos, teri ampliado quase seis vezes esse tamanho. Em 2008 o investimento nela realizado terd ultra- passado 2,7 bilh6es de d6lares (acima de R$ 6 bilh6es, na melhor alternative de cimbio). A justificar essa faqanha, os precos sem igual alcanqados no merca- do international pela alumina, que mais do que duplicaram em relaqio a d6cada de 80, na qual a Alunorte parecia morta ou em sono pesado. Se a empresa chinesa Chalco manti- ver o prop6sito ji anunciado (mas ago- ra em banho-maria, em virtude da inter- venaio do governor chines) de implantar em Barcarena uma fdibrica do tamanho da Alunorte, no final da d6cada o Pari, sozinho, poder6 ser respons.vel por 30% da alumina do mundo. Nao hi impedi- mento imediato a essa perspective. Os chineses, principals responsiveis por essa profunda mudanqa no setor, conti- nuario a expandir sua producao de alu- minio metilico, mas o suprimento inter- no de alumina nao acompanhard essa demand. Terio que recorrer a impor- taq6es pesadas e a associaoqes empre- sariais no exterior. Ningu6m podia sequer imaginar a atu- al situaqio quando, no final da d6cada de 70, os projetos da Alunorte e da Albris foram definidos, depois de intensas ne- gociaq6es entire o Brasil e o Jap.o. As duas fibricas deram partida juntas, mas enquanto a plant de alumfnio continuou a tomar forma, a de alumina foi congela- da. A principal causa da paralisacgo da Alunorte foi uma manobra de dumping da Alcoa: a multinational americana se comprometeu a fornecer alumina A Al- bris por um preqo inferior ao que a Alu- norte poderia conseguir. Cor uma con- juntura international desfavorivel, a Journal Pessoal *2-QUINZENA MARCO DE 2006 Companhia Vale do Rio Doce, principal controladora do empreendimento, prefe- riu adid-lo para um moment melhor. Durante uma ddcada a Albris impor- tou alumina do exterior enquanto a algu- mas dezenas de quilometros passavam grandes navios carregando bauxita do Trombetas para o exterior. Por causa dessa relaqio commercial, o pais sofreu uma perda de divisas de quase 2 bilh6es de d6lares nesse period cor a importa- Fio de pelo menos oito milhoes de tone- ladas de alumina. E mais do que o valor atual daAlunorte. Em 1991, quando foi decidida a sua retomada, a Alunorte nada mais seria do que uma fornecedora cativa da Albris. A irma do aluminio ficaria cor mais de dois terqos da producqo de alumina, que transformaria em metal. Hoje, 80% do que a Alunorte produz 6 vendido para o exterior. NMo 6 s6 porque o preqo che- gou a um patamar excepcional, acima de 300 d6lares: 6 tamb6m porque a produ- qio da Albrfs estagnou em 450 mil tone- ladas, enquanto a da Alunorte disparou. Foi um deslocamento natural e inevi- tivel? E o que proclama a CVRD, ji antecipando que poderi levar alumina do Part at6 Moqambique, Angola, Congo ou Arabia Saudita, onde a transformard em metal. No entanto, a inibiqio da Vale em ir al6m do lingote de alumfnio 6 contras- tante com sua desenvoltura em outras areas, sobretudo no setor siderdrgico. Mesmo quando ndo participa diretamen- te do neg6cio, o incentive, induzindo no- vos investidores. Agora, de fato, um dos impasses da Albris 6 a falta de energia abundante e barata, como a metalurgia requer. Mas, anteriormente, havia um fator de igual peso: o desinteresse dos acionistas da empresa, tanto a Vale quan- to os japoneses (que trm 49% do capital da empresa). O que interessava era man- dar lingote para o Japao e a Europa. Contra a aspiraqio dos que queriam um efeito para frente, o que ter havido no p6lo industrial de Barcarena 6 um efeito para tris: producao de alumina e de bauxita em escala crescente, enquan- to a producao de aluminio marca pass. Apenas um pass foi dado na direFao do maior beneficiamento do lingote, mas de dimensio bem acanhada. Uns pou- cos dias de produqio da Albris aten- dem toda necessidade do grupo argen- tino estabelecido em Barcarena para beneficiary aluminio liquid. At6 hoje permanece a espera de me- Ihor discussio o component energ6tico desse marcar-de-passo. Os porta-vozes da Albris alegam que a energia de Tu- curuf acabou saindo mais cara do que se esperava. Por isso, o subsidio tarifario teve que ser mantido. Do tamanho de centenas de milh6es de d6lares (talvez at6 US$ 2 bilh6es), foi esse subsidio que assegurou o custo da energia numa pro- poraio suportivel pela plant de alumfi- nio, mas onerando seu custo financeiro (que pesou durante 20 anos sobre a Al- bris, enquanto a Alunorte dele deu conta em metade do prazo). Alguns anos atris o engenheiro Elie- zer Batista disse que se nio tivesse havi- do corrupcao na construaio da hidrel6- trica de Tucuruf, o subsidio nao seria ne- cess6rio. Mas como o orqamento da usi- na disparou alem do tolerivel em uma obra pioneira desse porte, numa regiio de fronteira como a Amaz6nia, foi preci- so compensar na ponta da linha. Esse grave argumentojamais foi considerado na devida conta. Permanece como um tabu nessa hist6ria. Com a fome de commodities da Chi- na (mas tamb6m de outros pauses asia- ticos, da Europa e mesmo dos Estados Unidos), os preqos dispararam e, como conseqtiuncia, os produtores de mat6ri- as primas e semielaborados entraram numa febre de produiao para aumentar seus lucros liquidos em proporqiao nun- ca prevista. Os investimentos sio real- mente pesados, de impressionar. O que impression tanto ou mais 6 o volu- me de dividends que essas empresas estAo distribuindo aos seus acionistas, a comeqar pela CVRD. At6 parece que essa condicio de mercado 6 um reino da fantasia, uma bolha de ilusio que amanhi poderi es- tourar. Se realmente nao houver susten- taqio estrutural dos precos, logo o pen- dulo voltard ao control dos comprado- res famintos e enormes. Antes que isso ocorra, os acionistas dos vendedores (dentre os quais hi muitos que tamb6m sao compradores) estao tratando de en- tesourar os fantisticos dividends que suas empresas Ihes estao destinando. O que chama a atencio 6 que, enquanto isso acontece, grande parte do capital de giro e proporaio substantial dos investimen- tos estao sendo financiados junto a rede banciria, na qual aparecem agents que CONTINUE NA PAG 6 Belo Monte: um tema posto a mesa aberta Ji esti na hora de uma instituii.o de categoria institutional e respeito social (a Universidade Federal do Pard ou o Mu- seu Goeldi, por exemplo)juntar num mes- mo ambiente os que sio contra, os que sio a favor e os que sio responsAveis pela hidrel6trica de Belo Monte, fazen- do-os discutir a exaustao, diante de mo- deradores e auditors tecnicamente cre- denciados, para que ajustem seus ndme- ros e corrijam seus erros. S6 assim se estabeleceri uma linguagem comum, baseada em fatos e nio em especula6es, para tratar a s6rio de um empreendimento de tal custo e impact, antes que ele seja licenciado ambientalmente e possa dar inicio is obras civis, se 6 que isso real- mente 6 do interesse do pais. A falta desse arbitramento, ap6s o qual seria emitido um document subs- crito pelas parties, cor o compromisso de nio mais contraditi-lo o que se v6 6 uma discussion sem fim e sem conseqii- encias priticas, que continuard a deixar a opiniio piblica zonza, sem um conhe- cimento satisfat6rio a respeito de ques- tio tio controversy. Suficientemente po- l8mica para gerar um convencimento pr6vio: nio estai amadurecida o sufici- ente para que a obra possa ser execu- tada. A decisbo da justiqa federal de suspender o licenciamento da obra, no dia 28, o comprova. Nio hi dlivida que o caminho critic do projeto foi recolo- cado no seu devido ponto de partida: o Ibama (Instituto Bra- sileiro do Meio Am- biente e dos Recur- sos Naturais Reno- vAveis) divulgou os terms de referencia para a elaboraaio do EIA-Rima, que bali- zari o licenciamento da obra. No percur- so anterior, o carro foi colocado adiante dos bois. Mas nada assegura que a partir desse realinha- mento, o percurso serai seguido com ri- gor 16gico e t6cnico. A press dos possiveis executores e beneficiirios da usina, que raramente se disp6em a prestar os esclarecimentos cobrados por quem possui autoridade para fazer questionamentos de fundo, ali- menta as suspeitas. VWrias delas sio in- fundadas, mas se justificam pelo proce- dimento autoritdrio de representantes do governo.ou das empresas interessadas. Um diilogo a s6rio, para valer, poderia colocar as coisas a limpo, a partir de uma several prova dos nove. A ocasiio propi- cia para esse encontro 6 a atual. Nao estou entire os que simplesmente nao querem hidrel6tricas na Amazonia. Nio consider sensato descartar na re- giio a energia de fonte hidrdulica. Mas nao me deixo fascinar pelo discurso dos que a querem como premissa, ignorando seu impact sobre a natureza e as pes- soas. Por principio, o aproveitamento energ6tico dos rios amaz6nicos devia ser de baixa queda para respeitar as condi- 9qes naturals da regiio. Todo represa- mento para armazenar igua e faze-la seguir uma queda acentuada at6 os ge- radores 6 violent agressao a geografia e i sociedade. Deve ser meticulosamen- te ponderada e avaliada at6 que se prove ser a melhor alternative. Nenhum barra- geiro se permitiu at6 hoje essa pedago- gia do verdadeiro convencimento. Dai o choque corn os que estio mais atentos ao espaqo da obra, numa perspective menos bitolada daquele que s6 esti inte- ressado em gerar energia, na quantidade maxima possivel. Os defensores da hidrel6trica de Belo Monte, para realmente serem le- vados a s6rio, precisam acabar corn essa litania de que a usina, sozinha, serd ca- paz de produzir 11 mil megawatts com um reservat6rio quase inexistente, de 400 quil6metros quadrados, gracas ao aproveitamento de uma queda d'igua natural, de 92 metros, corn um dos me- nores investimentos por MW instalado do pais e do mundo. O questionamento dos critics elimi- nou tal hidrel6trica do universe das pos- sibilidades. Ela ficaria quase um semes- tre parada, por falta de fgua, e a energia firme que podia gerar durante o ano nao compensaria o investimento. Nem mes- mo asseguraria a continuidade do seu funcionamento, exigindo novos barramen- tos a montante do Xingu. A Eletronorte ji reduziu essa potincia a bem menos da metade e separou o encargo da geracio do da distribuicio de energia para que o orqamento da obra adquira um valor acei- tivel. O custo da distribuiiao ji estava em 40% do custo da geracio, um ele- mento complicador para venderr" a obra. Quem manteve o discurso anterior esti fora da rea- lidade. Quem es- elo Monte tiver disposto a fazer Belo Mon- te, enfrentando os s6lidos argumen- / tos contririos, S teri que colocar suas cartas na r mesa. Para que f esse moment se (realize, esti fal- A e tando o promoter desse encontro. SQuem se apre- senta? CONTINUA;AO DA PAG. S tamb6m atuam do outro lado do balcio, como produtores de mat6rias primas e insumos bisicos. Faturam assim, e mui- tissimo, nas duas pontas da linha. Em qualquer centrio, quem menos se beneficia sao exatamente os que tnm participaqlo decisive na implantaqao des- ses projetos. O Estado, que ajudou a de- finir o perfil financeiro de empreendimen- tos como a Alunorte, num moment em que o redito era baixo, agora ficam corn o residue dessa abundincia. E tanto in- centivo e beneficio que o valor dos im- postos e equivalentes 6 baixo, mesmo comparativamente a receita liquid. Tamb6m os funcionArios dessas em- presas tornadas altamente rentiveis tmr discreta participation em seus resultados. O investimento de R$ 2 bilh6es na ex- pansio da Alunorte criou 410 empregos pr6prios e 450 contratados. Cada empre- go saiu por quase R$ 2,5 milh6es. Corn tal custo, 6 evidence nio ser essa a ma- neira adequada de enfrentar o problema mais grave da regiao: a falta de empre- go. O setor sidero-minero-metalurgico, como seu nome t6cnico esti a indicar, 6 um reino ex6tico e estranho, que esti al6m da capacidade de retencio e mes- mo de compreensio da regiio. Estai con- cretamente fincado nela, mas, na verda- de, como uma miragem daquilo que nio 6: uma fonte de progress. 6 MARCO DE 2006 2QUINZENA Jorlnal IPCsso;I A farsa de Brasilia: papeis invertidos Os petistas que chegaram ao alto do poder republican no Brasil parecem ter- se imaginado donos de uma capa maigica semelhante a de Harry Potter. Bastaria coloci-la sobre o corpo para ficarem in- visiveis. A bandeira desses aleg6ricos petistas era o estandarte da 6tica, da moral, dajustiCa, do progress. Ela seria o habeas corpus preventive para todo tipo de perdas e danos. Podiam sujar as mios; elas se limpariam automaticamente: pe- gariam na lama para acabar com toda imundicie. Podiam andar nas piores com- panhias que nio importava: eram apenas companheiros de travessia; uma vez do outro lado, podiam descarti-los. E assim o PT transitaria pelas vielas do poder at6, chegando ao cume, de li empreender a grande transformacio do Brasil, que se tornaria um pafs rico,justo, igualitirio. O lugar dos sonhos de geraqSes testadas na oposiqao. Nio foram poucos os que amanhe- ceram corn esses elevados e nobres pro- p6sitos em 1 de janeiro de 2003. Quan- tos sobreviveram aos testes de consis- tincia e confirmaqio a que foram sub- metidos desde entao? Os compromissos, que atravessaram os anos em que o PT foi apenas oposiio, se deterioraram quando o partido assumiu o control da maior e mais ca6tica empresa do Brasil, que 6 o governor federal. Verificou-se que lideranqas ate entao consideradas como pilastras do PT eram nio s6 ocas como, por dentro de estruturas vazias, estavam contaminadas pelos mesmos apetites e interesses que o partido detectara nos ou- tros grupos do poder, os velhos e novos poderosos de sempre. Delibios, Silvios e quetais, tidos como expresses de algu- ma coisa, nao eram mais do que inter- medidrios, atravessadores, meninos de recado. Alguns ingenuos, outros vorazes. Todos sem grandeza. Nem tudo do PT se reduz a eles, 6 claro. O partido conta com figures de expressio e respeito, al6m de uma mili- tancia devotada (embora nem sempre capaz de evitar ser apenas um element de manobra, uma massa maleivel). So- qobraram ainda restos de um program que propunha uma alternative aos maus- feitos de sempre da elite brasileira, arro- gante e insensivel. Mas sio os rescaldos do incendio. O essencial ja queimou, vi- rou cinza, o cento levou. O partido, que chegou ao comando do governor federal com um verdadeiro ho- mem do povo a sua frente, compromis- sado em ser a voz de suas origens e tudo fazer em proveito delas, hoje ocupa uma posiqio melanc6lica e triste. A elite, que ignora as suscetibilidades quando seus interesses estao em jogo, quer a todo custo manter a political econ6mica, que o paulista Luiz Inacio Lula da Silva da Sil- va herdou do paulista Fernando Henri- que Cardoso. Mas o maior cumpridor do receituario acaba de sair do governor. A mesma elite que admite apenas mudan- 9as cosm6ticas nessa tabua das leis dos ganhos financeiros imoderados (como a reduaio apenas gradual de juros de agi- otagem), como tambem desejava o mi- nistro Ant6nio Palocci, comandou o seu bota-fora da pasta da Fazenda. Maluquice? Nio: hist6ria. Palocci parecia incapaz de impor ordem e decen- cia h sua "turma" de Ribeirio Preto, como se ela representasse origens obs- curas e escusas das quais nao podia se descolar. No entanto, o mesmo Palocci era considerado um primor de honesti- dade, dec6ncia e competencia na guard da chave do cofre do tesouro national. Talvez o melhor ministry da Fazenda de todos os tempos, arriscou o lider do PSDB no Senado, o amazonense Arthur Virgflio Neto. Mas era capaz de cobrar um "men- salio" de 50 mil reais de uma empresa de coleta de lixo em Ribeirio Preto. Como conciliar essas duas faces, do m6dico e do monstro? Seria, mal compa- rando, 6 claro, como se um ladrio de galinha tivesse o coraaio (ou o c6rebro) de um ladrao de casaca. A elite se permit acomodar essa con- tradiqio: enquanto fustiga o roubo das galinhas, da sua aprovaqio ao control das manadas de elefantes. Todas as lici- tacqes e contratagoes da "turma de Ri- beirio Preto" sio viciadas, imorais. To- dos os atos do Minist6rio da Fazenda sio sacrossantos, acima de qualquer suspei- ta. Como pode ser perfeita, ao ligar corn bilh6es, uma pessoa incorreta no trato corn milhares? Resposta para esse paradoxo ningu6m encontrard nos 6rgios da grande impren- sa, que expressam os interesses da elite econ6mica. Alias, a rigor, nio de toda eli- te econ6mica: daquela que mais tern ga- nhado no governor Lula, os donos de ban- cos. seus associados, extens6es e parcei- ros. Se pudessem, esses senhores hono- raveis teriam mantido Ant6nio Palocci no orat6rio. A complicacio foi causada pelos caseiros,jardineiros, motorists e garqons. Eles, que em sua maioria votaram em Lula e dele muito esperavam, colocaram a ca- pital federal de cabeqa para baixo (ou pon- ta-cabeCa, como dizem os paulistas). Nunca gostei de Brasilia, cidade que conheci em seu alvorecer. Sempre me senti incomodado por sua discriminaaio explicit: 6 a cidade que mais discrimina dentre todas que conheci no mundo, mes- mo em pauses racistas, como a Africa do Sul. Brasilia nao segrega cor, mas bolso, status. Ha o universe da gente bem, que conta na vida, e o dos "sans-coulotte", que vivem como se estivessem numa 6poca anterior a Revoluqio Francesa. Ningu6m percebe que pelo Piano Piloto tamb6m transitam caseiros, jardineiros, motorists e garcons. Todos eles sao ho- mens invisiveis, como os invisfveis parias da India. Por isso, a gente fina fala e se comporta corn se tais cidadios nio tives- ser olhos, ouvidos e bocas. Comporta- se sem o minimo de pudor e respeito ao outro vizinho neutro. No epis6dio Collor, esses VIPs rece- beram o primeiro impact da descober- ta: a ral6 existed, vive, age. Mas Collor caiu e tudo voltou ao de antes. Agora nio 6 s6 um motorist que fala e desmascara um bacana: sio varios outros integrantes dessa nao-classe, desse "lumpen". E gen- te simples, mas nio burra; humilde, mas nio ingenua. Gente que de tanto ouvir e ver, aprendeu os modos e meios dos muito ricos ou muito poderosos. Conhece-os bem. Fala deles, portanto, corn pleno co- nhecimento de causa. Daf a forma con- vincente de se expressar do caseiro Fran- cenildo Costa, o guardiio da Bastilha de Ribeirio Preto encravada em Brasilia. Nada prova que ele tomou a iniciati- va de denunciar o ministry da Fazenda por inducio da oposiqio, manipulado por ela. E fora de duivida que o PSDB apro- veitou ao miximo a oportunidade, lide- rando os demais partidos contrdrios a Lula. Mas todos receberam o prato fei- to. Ainda que tivesse havido malicia e conspiraqio na origem do gesto do ca- seiro, o que at6 agora nio esti demons- trado, o mais important foi a forma pela qual o governor se defended. Corn todos os meios licitos a sua dis- posiqio, o governor recorreu a baixaria, a ilegalidade, para tentar desmoralizar o acusador e, nao o conseguindo, destruf- lo. Mas a quebra illegal do sigilo bancario de Francenildo, a pressio da Policia Fe- deral, que o transformou de testemunha em indiciado, o emudecimento forcado e precipitado de um cidadio comum, todos esses atos acabaram por revelar aquilo a que se reduziu o governor de Lula e o PT no poder: uma depravadio de suas ori- gens, um desvirtuamento de seus com- promissos; o "outro", que 6 o contririo. O pai dos pobres no papel de demiurgo dos pobres. Um Fausto sem grandeza. Uma trag6dia a procura de um autor de- cente: o Brasil. Journal Pessoal *2QQUINZENA MARCO DE 2006 7 .- 4 .. op N.o s. r. .u o, ';. -fi'to r l , *n '., S- -. " r- ...i. - Nosso rico literal As regimes tropicais 6midas ocupam menos de um quarto de toda superficie terrestre do planet, mas so responsi- veis por metade da agua doce, particular e solutos descarregados nos oceanos. As zonas costeiras dessas regi6es represen- tam uma concentraqio ainda maior de vida. Hoje elas sio vistas como a maior reserve de alimentos, al6m de biodiversi- dade, para o home. A zona costeira do Para, que comeca na Ponta de Tubario, no Maranhio (que escoa boa parte das riquezas minerals paraenses), e vai at6 o Cabo Orange, no Amapi, cor 2,5 mil qui- 16metros de extensio, tem um marco es- pecial: o rio Amazonas. Drenando cursos d'agua que se es- palham por uma drea de quase 7 milhoes de quil6metros quadrados, em nove pai- ses (64% da bacia no Brasil), o Amazo- nas lanqa todos os dias no Atlfintico, em media, 100 milhdes de litros de agua por segundo (220 milh6es de m3 nos picos do "inverno"), ou 16% de toda agua doce descarregada nos oceanos da Terra. As aguas transportam 1,2 bilhio de tonela- das a caga ano, o equivalent a 12 vezes a produaio de min6rio de ferro atual de Carajis. Grande parte desses sedimen- tos 6 levada na direqao Norte, no rumo dos Estados Unidos, pelas correntes ma- ritimas dominantes. Mas de 15 a 20% dessa incrivel descarga atinge a zona costeira, que recua at6 70 quil6metros no continent e avanqa 330 quil6metros no ocean. A importincia dessa zona 6 inversa- mente proporcional ao seu conhecimen- to e h consci8ncia que dela ter sua pr6- pria populag~o, que se aproxima ji de sete milhoes de pessoas. Muitos estudos ji foram realizados sobre essa area es- trat6gica para a regiao e o pais, mas eles nao estavam acessiveis ou sua dispersio dificultava que fossem usados. Essa la- cuna esti agora preenchida pela Biblio- grafia da Zona Costeira AmazOnica, minucioso inventirio de 400 piginas rea- lizado por Pedro Walfir Souza Filho, Ed- son Ricardo da Cunha, Maria Emilia Sa- les e Francisco Ribeiro da Costa, lanqa- do na quinzena passada, em Bel6m. Sao pesquisadores do Museu Paraense Emi- lio Goeldi, da Universidade Federal do Para e da Petrobris, que se beneficia- ram do program Piatam (Monitoramento das Areas de Atuaqao da Petrobris: Po- tenciais Impactos e Riscos Ambientais da Ind6stria do Petr6leo e Gas no Amazo- nas). Criado em 200, o Piatam se limitava a Amazonia Central, drea de produqio petrolifera. Em boa hora se estendeu ao litoral amaz6nico. Nele, atualmente nio hi produqio, mas o potential 6 vasto. AlIm disso, o Piatam nao deve se limitar a gerar informaq es para evitar ou mini- mizar o impact da atuaqao da estatal, com eventuais acidentes, sobre o meio ambiente. O program tornou-se tamb6m uma linha de pesquisa cientifica de valor. A partir da consolidaqio da bibliografia existente sobre a zona costeira do Pard, no future poderio ser elaborados mapas de sensibilidade adequados a essa regiao para que ela de seus bons frutos sem pre- cisar se sujeitar a ignorancia humana. E o que se espera. Campeio da violencia Levantamento preliminary feito pela Comissio de Direitos Humanos da Fe- deracio Nacional dos Jornalistas (Fenaj) encontrou 64 casos de violencia contra jornalistas registrados no ano passado no Brasil. Seis deles foram no Pard, que ocupou o segundo lugar no ranking na- cional, junto com Tocantins. A soma dos dois Estados iguala a de Sao Paulo, lider em violencia contra jornalistas. Mas como a populacio de Sio Paulo 6 quase seis vezes maior do que a do Para, que, por sua vez, ter cinco vezes mais habi- tantes do que Tocantins, nosso Estado 6, proporcionalmente, o lugar onde mais se agridejornalistas. Ronaldo Maiorana, que 6 jornalista e advogado, contribuiu para tornar a vida dos seus colegas de profis- sio mais dificil, arriscada e violent. Os seis casos de viol8ncia do levan- tamento incluem duas agressoes (uma das quais 6 a minha, cometida pelo dire- tor do grupo Liberal), dois assediosjudi- ciais, uma ameaqa e uma censura. Os ndmeros definitivos serao divulgados ofi- cialmente dentro de duas semanas. DISTANTES A Companhia Vale do Rio Doce preparou uma grande festa de inaugura5ao da fase 2 da Alunorte, que colocou a empresa no topo do ranking dos produtores mundiais de alumina, 500 mil toneladas acima da segunda colocada, uma australiana. Mas os grandes convidados deram "bolo". Tanto o president Luiz Inicio Lula da Silva quanto o governador Simio Jatene preferiram ficar ao largo de Barcarena, mandando apenas representantes. Mesmo que nao tenham tido a intenqio, o resultado 6 que evitaram o confront, que quase ocorreu em Marabi. O president foi e criticou o governor tucano. Jatene responded no dia seguinte, a distfncia. Haverd a possibilidade de um "tira-teima"? Enquanto o governador infletia mais para o interior, o president preferia aparecer em Vit6ria, onde a anfitrif de Barcarena, a CVRD, esti implantando uma sider6rgica do porte da que a Companhia Siderdrgica Nacional, a CSN, possui. Assim, praticamente definindo uma estrategia de long prazo: no Pard, apenas mat6ria prima e semielaborados. Necas de industrializaq o. S6 de pitibiriba. CULTURAL (CARA) Um Estado pobre, como o Pard, pode gastar 2,3 milh6es de reais em um festival de 6pera e um concurso de canto? E esse o valor que a Secretaria de Cultura repassardi Sio Paulo Imagemdata Marketing e Comunicapqo, atrav6s de dois contratos. 0 primeiro, de R$ 1,9 milhoo, 6 para a realizaqdo, produqio e montagem do V Festival de Opera do Teatro da Paz (recuso-me a escrever Theatro). O segundo, de R$ 402 mil, 6 para a criacio, divulgaqio e montagem do VII Concurso Internacional de Canto Bidu Sayio. Fica a pergunta a quem estiver nela interessado: deve o governor investor tal valor, atrav6s de uma empresa paulista, nessas duas iniciativas? 8 MARCO DE 2006 *2QUINZENA Jornal Pessoal 0 "caso Sotave" uma alegoria Em janeiro de 1988 o entao presiden- te Jos6 Sarney autorizou a Portobris a desapropriar o porto que a Sotave cons- truiu, em Outeiro, na regito metropoli- tana de Bel6m, ao lado do que devia ser a maior fibrica de adubos quimicos da regiao Norte, cor projeto aprovado pela Sudam em 1976. Mas a fibrica nao che- gou a ser concluida, o terminal capaz de movimentar 1,2 milhio de toneladas - ficou sem uso e a Sotave comeeou a acumular dividas, dentre as quais avul- tava a do Banco Mundial, de 16 milh6es de d61ares. E a afundar. Seu terminal, por6m, podia ser aproveitado como al- ternativa ao porto de Bel6m, prejudica- do pelo progressive assoreamento dos seus canais de acesso. O valor da desapropria.ao era alto: correspondia a 70% do orgamento do Pard (que, hoje, bate em 6 bilh6es de re- ais). Provavelmente se construisse um novo porto, no mesmo local, cor id&nti- cas caracteristicas, a Portobris gastas- se bem menos. Por isso, quando o pro- curador regional da Repuiblica, Paulo Meira, pediu a extinqio do feito ou pelo menos a anulagco do process desde a inicial, alegando uma sdrie de falhas, pou- cos meses depois da decretafio da de- sapropriaFio, seus arguments sensibili- zaram a opiniio p6blica. Mas se a hist6ria nio estava bem con- tada, as parties envolvidas nao queriam recontd-la ou exp6-la a inc6moda curio- sidade pliblica. Depois de marchas e con- tra-marchas, conforme iam e vinham as manifestaq6es contrdrias nos autos do process, ojuiz federal Anselmo Santia- go acabou homologando um acordo feito entire a Portobris e a Sotave. A empresa desistia de sua pretensio inicial, de receber mais do dobro do va- lor apontado na pericia judicial. Antes que o Didrio Oficial da Uniio publicas- se a sentenga homologat6ria, por6m, surgia um novo adversdrio da desapro- priagio: o entio governador Hl6io Guei- ros. Mesmo depois da sancio judicial, Gueiros disse que tudo faria para impe- dir a consumafio do ato. Esgrimia du- ras raz6es, dentre elas a contradiqco em que cairia o governor federal, de gastar dinheiro volumoso num porto problemi- tico, quando cortava despesas alegando falta de verbas. Na edigio de ntimero 27 do Jornal Pessoal, da Ia quinzena de outubro de 1988, registrei: "O governador n2o atenuou sua firme posiqao nem mesmo ao ser in- formado sobre insistentes boatos que cir- culavam nos bastidores da negociaqao entire a Sotave e a Portobras. A empresa teria recebido telefonemas de uma pessoa, nio identifi- cada, cobrando comiss.o, em nome do governador e de seu chefe da Casa Civil, para nio complicar o anda- mento da transaqio. O au- tor dos telefonemas tamb6m dizia-se representante do I procurador regional da Re- I piblica, Paulo Meira, outra fonte de resistencia a ope- rario. Da mesma maneira, mas em sentido contrdrio, havia rumors sobre comis- s6es em proveito dos que estavam conduzindo a ques- tio do lado da Portobras. Como nenhuma dessas his- t6rias saiu do anonimato, ali- mentando-se de especula- q6es e da inesgotivel des- confianqa que hoje hi no Brasil em relai.o a tais as- suntos, o governador mes- mo informado da boataria - preferiu ignora-la, mantendo sua posiqio: o porto da So- tave nio serve aos interes- ses do Pari, que seria me- Ihor servido pela outra alternative de es- coamento de sua produqao, atrav6s do porto da Ponta Grossa, em Barcarena". Passados quase 20 anos, a novela ain- da nio chegou ao seu iltimo capitulo. Mas recebeu seu thriller paralelo. No final do ano passado, Sant'ana Pereira lanqou A torre de Diaphanus (Editora Cejup, 115 piginas). Embora anunciada como um romance, a obra 6, na verdade, uma novela. Ou, melhor ainda: uma ale- goria. E a conturbada hist6ria da desa- propriaqio do porto da Sotave, a clef, como dizem os franceses. Personagens reais sio apresentados cor outros no- mes, tirados da mitologia ou inventados cor miscaras (Faustus, Cromos, Netu- no, Mercirio, Britannicus, Possidonius, Gaia), certamente para prevenir a efici- cia de qualquer ago judicial hostile. O autor da ficqio deve ter pensado nesse tipo de reaqao: final, al6m de es- critor, Sant'ana Pereira 6 advogado. E ele que representou e continue a repre- senta a Sotave nesse explosive conten- cioso. Se tivesse as provas documen- tais, certamente teria produzido um li- belo acusat6rio e as criaturas a que se refere cor os nomes trocados estariam em maus lenq6is ou ele, se suas pro- vas nao fossem satisfat6rias ou o julga- dor nao fosse corajoso, al6m de bem preparado para dar conta de uma de- manda desse porte, envolvendo nomes famosos e mesmo respeitados. A festa que o empresirio Diaphanus promove, no primeiro capitulo do livro, compareceram: "ex-Governador, ex-Pro- curador da Reptblica, ex-Superintenden- tes de Policia, alguns membros do Minis- tdrio Ptiblico, um Juiz, alguns funcionarios do Judicidrio, ex-Superintendente da Re- ceita, alguns fiscais de tributes, alguns membros da Defensoria da Uniio". To- dos eles estariam atados .s teias visi- veis e invisiveis da trauma urdida direta ou indiretamente a margem da interven- gio do governor federal no porto (no livro, Redenyio) da Trading Urbi et Orbi Ltd. Sob a proteao do genero ficcional, o advogado Sant'anna Pereira avanga so- bre o escritor, que se encolhe, para mos- trar como os desvios da lei possibilitam manobras dos que, hdbeis no seu mane- jo, se valem dessas filigranas para agir socapa. A alegoria 6 ttil tanto para os interessados em saber porque os proces- sos demoram tanto para transitar em jul- gado no Brasil e porque a fachada exibi- da por pessoas honorAveis naio 6 mais do que fachada. O que explica at6 hoje per- manecer ativa a questiono Sotave", pre- cisando de uma novela para seu arrema- te. Quem tiver a chave para decifrar Diaphanus poderd explicar esses para- doxos. E se escandalizar. Journal Pessoal *2'QUINZENA MARCO DE 2006 9 MEMORIAL DO COTIDIANO S.' *- '.-. I'. '; ." ' -.;.: '-A. .-'-" ".. ';-i - Tempo de bondes Todos os dias, as 11,30 da manhi, pontualmente, no inicio do mes passado,soava pela cidade o apito da Companhia do Amazonas, depois rebatizada de Amazon River. Era sinal de que suspenderia suas atividades para o almoco, como fariam os demais moradores de Bel6m, em sua maioria. Mas tamb6m o burro conhecido por "Cidade Velha". Nesse ho- ririo, o animal sempre estava nos arredores da estaqio ma- triz da Companhia Urbana, concessionAria dos primeiros bondes de tracio animal na capital paraense, pequenos car- ros, cor quatro bancos apenas (por isso eram conhecidos como "caixinhas de f6sforos"). Faziam a linha entire a esta- eqo e o Curro Velho (hoje fundaqio cultural), conduzindo os marchantes e empregados do matadouro. "Cidade Velha" preferia se alimentar da grama native, que vicejava em toda frea em torno da estaiao, localizada onde, em seguida, seria construida a igreja de Sio Raimun- do Nonato, no bairro poeticamente chamado de Sio Jo0o do Bruno, agora nio menos poeticamente ainda, felizmente - Tel6grafo-sem-Fio. Enquanto os outros burros usados no transport urban comiam raqio balanceada (milho, capim, alfafa e farelo), "Cidade Velha" preferia o mato que crescia livremente, sem enfrentar o servigo de carpina, limpeza e asfaltamento que a prefeitura viria a fazer, mudando a fisionomia da frea. Com o apito soando, o burro seguia movimento inverso ao dos humans: parava de comer e se dirigia lentamente A estaqio para receber o bonde que Ihe cabia puxar. A primeira viagem do "bondinho do Curro" era exatamen- te ao meio-dia e a ela o burro nunca faltou. Graqas a tal pon- tualidade, nessa linha nio havia cobrador: o pr6prio boleeiro deixava a boldia, onde conduzia a viagem, com o carro em movimento, atava as r6deas a manivela do travio, e fazia a cobranqa da passage, enquanto o burro seguia, ji sem seu condutor e sem problema algum, fazendo a sua parte. Talvez por esse hfbito, "Cidade Velha" continuasse a resis- tir ao desgaste do tempo, deixando de seguir na diregio dos outros animals. Levados para a "invernada" que a companhia de transport mantinha no ainda ermo bairro da Sacramenta, cercado de mato por todos os lados, eles raramente voltavam desse "sanat6rio", Eram enterrados ali mesmo, onde o resto de suas carcaqas deve servir de testemunhas desses tempos pri- mitivos, mas tio pr6ximos. Deles deu conta Jilio Colares, em longa e bem humorada cronica publicada pela Fo/ha do Nor- te, em janeiro de 1948. Excepcionalmente boa. PROPAGANDA 0 leite puro Ainda na serie "porque BeleM nunca teve bacia lei- teira", mais um capitulo: o leite que Manoel Pinto da Silva (ele mesmo, o construtor do maior arranha-ceu da cidade) trazia da sua fazenda Santo Amaro para vender a populaado no terreo do seu edificio, prome- tendo que esse, sim, era puro. Nao durou muito, como os outros. Nao dura ate hoje. agora A POPULACAO DE BELEM PODE BEBER... ...leite purol Proveniente da Fazenda Agropastoril SANTO AMARO, de Manoel Pinto da Silva S. A. DiAriamente, das 8 As 11 horas e das 16 As 19 horas (antigas), no aadar terreo do Edificio Ma- noel Pinto da Silva. 14768 Bife Quase toda grande cidade brasileira, ex- pressando uma das prefer&ncias nacio- nais, ter seu restau- rante Bife de Ouro. O de Bel6m funcio- nava no t6rreo do Edificio Piedade, na avenida Presidente Vargas. Atd setem- bro de 1960, quando anunciou que ia se mudar para novas instalai6es, "em ta- manho reduzido, po- rem ainda mais aper- feiqoado". Voltaria a funcionar em 30 dias, "antes das fes- tas nazarenas". S6 naio antecipava duas informaCoes essen- ciais: quando e onde. Detalhes, claro. Afi- nal, como logo se ve- ria, o bife ji nio era de ouro. 10 MARCO DE 2006 *2,QUINZENA Jornal Pessoal Elegantes As dez mais elegantes de Beldm fo- ram escolhidas pela primeira vez em 1955, por Affonso Ramirez, colunis- ta social da Folha do Norte. A sele- cqo era feita atrav6s de "inqu6rito si- giloso" junto a "personalidades da alta sociedade", que apontavam - atrav6s de cartas os 10 nomes de sua prefer6ncia, excluindo as senho- ritas. As 10 mais de 1956 foram (conforme o tratamento da 6poca nas colunas sociais): sra. dr. Deusdedith Moura Ribeiro, nascida Maria Euni- ce Cerqueira Dantas; sra. dr. Diler- mando Menescal, nascida Maria de Nazard Martins Caldeira; sra. dr. Herm6genes Conduru (Lea Ribeiro Velho); sra. dr. Gelmirez Gomes (Ce- lina Cruz Lima); sra. Alberto Pinhei- ro (Alice da Silva Tavares); sra. dr. Laur6nio Teixeira da Costa (Maria de Betania Cardoso de Oliveira); Otivio Cardoso (Conceiqio de Sou- za Castro); sra. dr. Waldemar Cha- ves (Mariinha Pires Teixeira); sra. dr. Jos6 Reis Ferreira (Zaira Mota de Borborema); e sra. Nicolau da Cos- ta (Edith Veloso Vidal). Agua Nota da coluna "Pelos 4 Cantos da Cidade", da Folha Vespertina, em 1963: "Uma das conseqiiencias da min distribuigio de 6gua em nossa capital 6 o uso de bom- bas eldtricas, em casas resi- denciais, que puxam o liquid da rua. Na Cidade Velha, por exemplo, quem nao tenha um desses aparelhos sofre com a falta do precioso Ifquido. Fis- calizacio eficiente evitaria essa inc6moda situaq.o". Pelotao Emjaneiro de 1965 fez seu ddbut o "Pelotio de Choque", criado pelo general Ferreira Coelho, secretdirio de seguran- qa pliblica do primeiro gover- no estadual p6s-64, o do coro- nel Jarbas Passarinho. O pe- lotio da Guarda Civil, com a missio de agir nas ruas, foi cha- mado para impedir que "play- boys" penetrassem ji de ma- drugada, na festa de carnaval promovida na sede da AABB (Associaq o Atl6tica Banco do Brasil), na avenida Governador Jos6 Malcher, bem em frente onde agora funciona o restau- rante "La em casa". Os "vagabundos sociais", como a imprensa os denomi- nara, eram um dos problems da cidade, ao menos segundo a pr6pria imprensa, que fazia uma campanha intense contra os "jovens desguiados". Tres deles (dois de 20 anos e um de 19) foram press por nio terem conseguido fugir, como os demais, quando o pelotio chegou e deu o seu choque, que viria a ser inconfundivel. O agrupamento foi disperse pela "reaqo violent" da po- licia, segundo o registro da Folha do Norte, enquanto os tres,justamente "os mais atin- gidos", nao puderam fugir "e foram press e atirados ao Pdtio Central", de onde s6 sairam pela manhi, depois de identificados e fichados. Um novo confront e ainda mais violent ocorreu ao final de uma festa da Orquestra Or- lando Pereira, no Autom6vel Clube, quando os "desviados filhinhos de papai" trocaram sopapos cor os policiais e, em desvantagem, muitos mais fo- ram press ou acabaram no Pronto Socorro Municipal. Eram novos tempos. De novo. Quantos "vagabundos sociais", hoje respeitiveis CARTA Hoje pela manhn assist, no Bom dia Para, reportagem em que o cenegrafista da TV Liberal so- freu agress8es dos donos da auto-escola envolvidos nas de- ntincias de fraude no Detran. Na reportagem foi dito que, em outras palavras, houve a ten- tativa de calar a liberdade de im- prensa. Como seri a reaqio da ANJ e do Sindicato dos Jornalis- de famflia, nao o sentiram no couro? Luta Quem nio se lembra das temporadas de luta-livre ao ar livre, cor a participaqio de "astros internacionais", nem to astros assim e muito me- nos internacionais? A de 1969 teve 12 deles, que se agredi- ram (ou fingiam se agredir) numa longa noitada no estddio da Curuzu. O mais pesado, cor 147 quilos, era o "Homem Montanha", que lutaria em du- pla, no genero "luta australia- na", cor o "Conde Romano", de 115 quilos, contra "Tigre Paraguaio" (102 quilos) e "El Toro" (115 quilos), dito cam- peao argentino, no espetdculo de encerramento. Quem pro- videnciasse o queijo estaria cor a sobremesa garantida, pois marmelada era o que nao faltava para compor o cenirio. O pliblico adorava. E vibrava. tas (ji que foi um funcionirio da ORM)? Serf que o cinegrafista vai ter o mesmo tratamento que voce, quando agredido por um dos reis da quitanda (onde voce foi infe- lizmente totalmente ignorado)? Seria possivel, no pr6ximo n6mero do JP, abordar sobre a agressdo sofrida por voce e esse recent fato ocorrido cor o cine- grafista da TV Liberal? Emerson Marcondes FOTOGRAFIA Nosso cinema de arte Em 6 de janeiro de 1967 o Cine-Clube da Associacdo Paraense dos Criticos de Ci- nema realizou, no Olimpia, duas sessoes de "Viridiana", do espanhol Luis Buiiuel, inaugurando o seu Cinema de Arte. Foi uml sucesso mai- or do que podia imaginar o mais otinista dos organiza- dores da exibicdo. Duas ses- soes quase lotadas no atW re- centemente mais antigo cine- ma en atividade continue no pais e mais unma no "lrace- ma", corn lotaCdo "extra- normal". No registry foto- grcfico que A Provincia do Pard fez de unla das sessies no "Olmnpia", pode-se ver, na terceira fila, o casual mais cinemaniaco do Pard (e tal- vez do Brasil), Pedro e Lu- zia Miranda Alvares, e o (en- tdo) padre Carlos Coimbra. Na nota que dedicou ao assunto, logo depois das pri- mieiras exibiVioes de "Viridia- na" (de impact bem buiiue- liano) e antes de sua reapre- sentac'do, comn in prometido "cine-forum ", Pedro Veriano anunciou que o Cine-Clube da APCC estava aberto aos futures s6cios: "Quemn qui- ser fazer a sua inscric(o, procure Isidoro Alves, nas 'Folhas' (das 16,00 its 19,00 horas), Lticio Flavio Pinto, em 'A Provincia do Par6', ou Rafael Costa, na Escola de Teatro da UP". Alertava para procurarem logo os in- digitados, "pois a sessdo inaugural, sibado, serc fei- ta na base do cartao de sd- cio (mis de novembro), va- lendo como ingresso. E aten- qdo: cada sdcio tern o direi- to de levar para as sessoes unm acompanhante" Feito na cara e na cora- gem, o Cinema de Arte foi um acontecimento cultural em Belcm e se manteve por long tempo, semn precisar do sempre tentador e peri- goso subsidio ptiblico. Md- rito, sobretudo, de Pedro Veriano. Journal Pessoal 2QUINZENA MARCO DE 2006 4 Mineradora responded Um dos aspects dos balancos das grandes empresas instaladas no Pari, quase todas controladas pela Companhia Vale do Rio Doce ou a ela associadas, quando nio sendo unicamente a ex-es- tatal, 6 a quantidade de dinheiro que eles estio repassando aos acionistas na for- ma de dividends. Esse resultado se deve tanto ao elevado nivel de precos alcan- 9ados por seus produtos no mercado in- ternacional como pelo enorme incremento na produgio. Apesar desse desempenho excepcional, pode ser timida a adoqgo de uma political de long prazo, prevenida contra um novo ciclo de baixa de precos, caracteristico, sobretudo, na economic mineral. O fluxo de caixa corn recursos pr6prios e aplicados nos investimentos nio guard uma rela~io proporcional com a distribuiFio de dividends. Faqo novamente essa observaFio em relacio a Alunorte, como, na edidio an- terior, fizera para corn a Mineradio Rio do Norte. De imediato a assessoria de imprensa da MRN enviou uma carta para o journal O Estado do Tapaj6s, em San- tar6m, onde meu artigo foi reproduzido. Garante a empresa, uma das maiores pro- dutoras de bauxita do mundo, que "tern capacidade de geraaio de caixa future oriundo de suas operac6es e ter acesso a linhas de cr6dito", mas que seu nivel de endividamento "esti adequado para suas atividades". Assegura ainda a empresa, estabele- cida em Oriximind, no Oeste do Pari, que, quando reduziu seu capital, "nio adentrou na parcel dos incentives fis- cais", embora a Receita Federal enten- da o contrdrio, o que provocou uma ques- tao, pendente de julgamento na justiqa federal. A Rio do Norte sustenta, por6m, que os incentives por ela utilizados "fo- ram aqueles provenientes de isenaio ou redudio do imposto de renda". Informa ainda a assessoria que a MRN, ao long de sua hist6ria, "investiu o equiva- lente a mais de R$ 2 bilh6es em moderni- zaqio e ampliaqio de suas instalaq6es, ge- rando mais empregos, divisas e impostos. Deste montante, cerca de R$ 360 milh6es foram provenientes de isen~io ou reduqTo de imposto de renda. Mais de R$ 1,6 bilhio foram financiados cor recursos pr6prios e financiamentos bancirios". Aldm disso, a empresa "sempre investiu em educaqio, satide, seguranqa, preservadio ambiental e programs sociais na regiaio, em mon- tante que passa de R$ 0,7 bilhio, ao lon- go da hist6ria da companhia. Nesse perf- odo foram recolhidos aproximadamente R$ 1,3 bilhio de impostos". Quanto ao Refis, o program federal de refinanciamento das dividas das em- presas privadas, a assessoria diz que a mineradora s6 o perderia "se deixasse de pagar a autuaqio, no caso de perder a aaio judicial. Como a companhia ji depositoujudicialmente o valor da autua- cio, nio existe esse risco". No caso de perda da agio, reconhe- ce ser "possivel que a MRN contabili- ze um prejufzo contAbil, com efeitos na distribuicio de dividendss, mas que, em terms de fluxo de caixa, "nio ha- veria impacts, considerando que a companhia ji depositou judicialmente o valor em discussion . Informa ainda a assessoria que a re- serva legal constitufda da MRN "foi so- mente de R$ 6,8 milh6es, porque cor este valor essa reserve atingiu o limited legal de 20% do capital". Acolhidas as ressalvas da Mineradio Rio do Norte, observa-se que elas nio alteram o conte6do essencial da mat6ria deste journal. A legalidade da reduqho do capital foi contestada pela Receita Fe- deral corn raz6es substanciais, que serdo apreciadas pela justica. Continue parti- lhando esse entendimento: no minimo, uma empresa incentivada pelo tesouro national devia prestar-lhe contas antes de reduzir seu capital, por alegado ex- cesso de capital, ainda mais na propor- gio feita pela empresa, de 30%. Espera-se que realmente as finanqas da MRN estejam firmes, garantindo-lhe auto-sustentaqio. Aguardo seu desem- penho em conjunturas internacionais des- favoriveis para confirmar essa confian- ga. Quanto ao Refis, a empresa apenas repetiu o que este journal disse com ou- tras palavras. A diferenqa de fundo, po- r6m, nio 6 coberta apenas cor acertos formais. O tempo dird quem ter razio, se, antes, como seria desejivel, um de- bate mais aberto e profundo nio for tra- vado diante do arbitro final dessas ques- toes: a opinioo piblica. SILENCIO PARLAMENTAR A hist6ria contemporanea do poder legislative no Pard 6 um buraco negro. Quem a acompanha nao ter informaaqes para saber o que realmente acontece. E quem, no future, quiser saber o que aconteceu, nio ter6 como resgatar o tempo que passou. Se defender da direcio da Assembl6ia Legislativa, o poder continuard a ser, simbolicamente, um buraco do tatu. Quem meter a mro nesse buraco atris de informaqbes, estard se expondo ao risco de uma decepqio. Ha muito tempo o legislative paraense nao public os seus anais, a mais important referencia das suas atividades. Isso jai ruim, mas nao e o mais grave: notas taquigrificas do que 6 apresentado nas sess6es constituem atualmente um document altamente sigiloso, independentemente do seu conteido. Se qualquer deputado quiser saber o que disse um colega, terd que conseguir sua autorizaiao para ter acesso ao que ele disse. Sem a express autorizaaio do autor, nada 6 revelado. Virios parlamentares tiveram o desprazer de bater em porta que se Ihes nao abriu, privando-se dessa maneira de receber as notas taquigraficas desejadas. 0 procedimento 6 um desserviqo a sociedade, pondo em xeque a proclamada condiaio do parlamento, de "casa do povo". E viola as normas do regimento interno da pr6pria Assembl6ia Legislative. Esti mais do que na hora de os deputados se reconciliarem cor sua razio de ser, antes que o povo seja-- induzido a pensar que essa razao simplesmente inexiste., ..'i LIVRO SContrliua a .erind rnas biencjs e en, .alqumas lirarias meu livro, Guerra 4ma ij'nic lediC Jorn.rl Pe':-cal 300 pgirias R$ 30,00). Esperro que ''., leIlore:, irie reresseim pri ele ,ft Podera aluda-,lri a re..pc.ridr i miujiias du'.idj: i questionamento j aobti a adiu ,:.:, dj iinpreria rn, P.ra noc, ulliiTu'.c dr s. . I: d de',lad.:r eui.,),:o: e rrnoli- .7 Jornal Pessoal. Editor: Lucio Flavio Pinto - Edig o de Arte: L A ae Fara Pint~o [ Produqao: Argelm Pilno -- I Contalo: Tv Benjamin Consiani 845,2031.965053.. 040 *Fones: 10911 3241-7626 i E-mail: jomnald amazonf corr I " |
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