Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00293


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Full Text






Tornal Pessoal


A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO
MARQO DE 2006 1 QUINZENA No 364 ANO XIX R$ 3,00


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A liberdade 6 do dono

Quando um dono de journal bate num jornalista, o caso 6 de rixa pessoal, e nao violagao a
liberdade de imprensa. Mesmo que a agressao tenha torado como pretexto um artigo dejornal.
Eo entendimento da Associag5o Nacional de Jornais, a ANJ, que fala e cada vez mais sem
disfarces em nome e a favor dos donos da imprensa.


P ara a Associacao Nacional de
Jornais, a entidade patronal da
imprensa brasileira, com sede
em Brasilia, entire a familiar
Maiorana e eu "existe, hi bastante tem-
po, uma querela pessoal". A prova que fun-
damenta essa conclusdo consistiria nos
textos deste journal criticando os podero-
sos donos do grupo Liberal. Estes textos
sdo apontados como a causa da agressao
qnP sofri, cometida por Ronaldo Maiora-
n 1 21 de janeiro do ano passado, "es-
pecialmente uma mat6ria publicada no
exemplar tirado na primeira quinzena de
janeiro de 2005 e depois republicada no
exemplar da segunda quinzena, ap6s a
agressio, cor o titulo 'O rei da quitan-


da'", cita o relat6rio da ANJ, datado de
21 de fevereiro, mas somente divulgado
no 6ltimo dia 6 no site da associaqdo.
O PARECER
Depois de um pequeno relat6rio so-
bre os fatos, diz, na integra, o parecer:
"A conduta do Sr. Ronaldo Maiorana
foi objeto de aqo penal que tramitou no
juizo da 6."Pretoria Criminal de Belmr
onde nao houve transadio entire as par-
tes. O Minist6rio P6blico, entretanto, pro-
p6s a transaq~o penal que foi aceita, sen-
do imputado ao autor da agressao uma
pena pecuniAria, ja cumprida.
A este Comit6 nao cabe julgar o m6-
rito das matdrias que teriam levado a


agressao, nem mesmo formularjufzo so-
bre a forma como foram vazadas, sendo
o Sr. Ldcio Flavio Pinto livre para publi-
car suas opini6es no journal que edita e
assumindo, assim, a respective respon-
sabilidade. Mais adiante, contudo, mere-
cem ser examinadas as materias que se
sucederam A agressao.
Igualmente, nao pode analisar a agres-
sao em si. Embora a ANJ condene qual-
quer esp6cie de violencia, especialmente
quando se apresente como forma de so-
luqgo de controv6rsias, este ato foi obje-
to de apreciaqao pelo Minist6rio Piblico
ejulgamento pelo Poder Judiciario, que
homologou pena, dando-se seu cumpri-
CONTINUA NA PAG 2


PARA 0 REPUDIA
C. R. ALMEIDA
PAGINA 4
ORLA DE BELEM
JA FOI ENTREGUE
PAGINA 8


r/
^~


. k






CONTINUA;AO DACAPA
mento. Alias, 6 de ser ressaltado que o
pr6prio Sr. Ronaldo Maiorana reconhe-
ce o erro ao dizer 'devemos nos peniten-
ciar por este ato extreme' na carta que
encaminha A ANJ.
Resta, portanto, verificar se a agres-
sao se configurou ato restritivo ou que
possa ter violado a liberdade de imprensa.
Primeiramente, como sistema de
apreciaqio, parece ser pertinente verifi-
car o context no qual ocorreu o fato e a
relagqo entire agressor e agredido.
Os envolvidos sio pessoas bastante
conhecidas da comunidade paraense e bra-
sileira. Ronaldo porque dirigente de impor-
tante grupo de comunicaqo social e L6cio
Flivio comojornalista experimentado corn
passage por importantes veiculos.
Exsurge dos documents trazidos por
ambos, que sao inimigos figadais, senti-
mento potencializado pela natural publi-
cidade das mat6rias escritas pelo editor
e proprietirio do Jornal Pessoal.
Neste context ocorre a agressao,
dentro de um restaurant p6blico e tendo
como pano de fundo uma mat6ria publi-
cada naqueles dias pelo Jornal Pessoal.
Desde janeiro at6 novembro de 2.005
(nao temos as ediq9es de dezembro), o
Jornal Pessoal colocou a questao em to-
das as suas edicqes, seja relatando os des-
dobramentos da agressao, seja reprodu-
zindo matdrias agressivas A familia Maio-
rana, seja fazendo comparaqfes entire
outros casos e o caso pessoal do editor.
Virias destas mat6rias foram objeto
de aqces ajuizadas, aqces estas denunci-
adas por L6cio Flivio em primeira pigi-
na como tentative de intimidag~o.
O quadro, portanto, 6 de evidence rixa
pessoal entire ambos, nao havendo rela-
cio de causa e efeito entire a conduta do
agressor e a restricio A liberdade de opi-
niao e critical. A agressio perpetrada
nio impediu qualquer publicaqgo, mas
ao contririo fez da rixa pessoal a linha
editorial do Jornal Pessoal.
E muito dificil o exame claro do limited
entire a violaqao A liberdade de imprensa
e o delito comum em agress6es a jorna-
listas, editors e proprietbrios dejornais,
mas parece claro que questbes pessoais,
que eventualmente venham a ser objeto
de mat6rias como se o veiculo fosse uma
arena para acertos de contas, refogem a
este conceito. E de frisar, novamente, que
o Sr. Lucio Flivio Pinto tem liberdade para
escrever o que entender, sem fazer aqui
qualquer julgamento se o texto 6 ou nio
adequado. Este 6 um juizo sempre a pos-
teriori que pode gerar, ou nao, direito a
reparaqao de eventual dano moral e ma-
terial a ser exercido em agio judicial pre-
vista na legislagqio em vigor. O que nao
parece adequado 6 buscar a transforma-
c)o de uma briga pessoal em exemplo


de violaq~o A liberdade de imprensa. At6
porque, esta liberdade plena e sem res-
triq6es nunca deixou de ser exercida.
A conclusTo, portanto, 6 de que o re-
provivel fato deve ser entendido como
delito comum e nao como violag~o A li-
berdade de imprensa".

MINHA RESPOSTA
Menos de duas horas depois de rece-
ber, por e-mail, o aviso de Ricardo Pe-
dreira, assessor de imprensa da ANJ,
sobre a divulgacqo do relat6rio, enviei-
lhe a seguinte carta:
"Quero agradecer-lhes pela atencbo
de me remeter, nesta data, o parecer do
seu Comit6 Juridico a prop6sito da agres-
sio de que fui vitima, praticada pelo sr.
Ronaldo Maiorana.
A simples manifestacao dessa ANJ,
mais de um ano ap6s o fato, ocorrido
em 21 de janeiro de 2005, a despeito dis-
so, merece registro. Depois de reitera-
das solicitacqes que fiz A entidade, so-
bretudo em virtude da omissao ao meu
caso no Portal da Liberdade de Impren-
sa, mantida pela ANJ, em conjunto corn
a Unesco, a Associaqio, finalmente, co-
letou material junto As parties para orien-
tar seu pronunciamento a respeito.
Cabe-me lamentar que essa importan-
te organizaqao, representative da impren-
sa brasileira, tenha considerado um evi-
dente caso de violagio da liberdade de
imprensa como "rixa pessoal".
Tal classificaqdo ja fora estabelecida
por essa mesma ANJ, logo ap6s a agres-
sio, quando provocada, atrav6s de alguns
dos seus dirigentes. Foi o mesmo o pro-
nunciamento da seccional da OAB no
Pari, de bate-pronto, como costumam
dizer os rep6rteres esportivos quando
descrevem respostas tao imediatas, como
se ji estivessem prontas e acabadas, re-
fratbrias As evidencias e provas, impe-
netriveis A luz da verdade.
Os documents enviados a essa ANJ
nio devem ter provocado maior reflexio
e mais pertinente anilise dos fatos e das
razoes envolvidas. Apenas repisou o ca-
minho interpretative ji previamente es-
tabelecido, como um trilho rigido.
Reajo a esse parecer porque ele re-
presenta um perigoso precedent ao exer-
cicio da liberdade de informagao e opi-
nido em nosso pais, muito mais do que
por contraditar meu entendimento dos fa-
tos. Pessoas de formaqio intolerante,


pouco afeitas
as regras de
conviv6ncia
numa socieda-
de democriti-
ca, serdo ten-
tadas pelo ar-
gumento que a
ANJ, parado-


xalmente, lhes fornece: de, ao agredirjor-
nalistas, por artigos jornalisticos limpa-
mente produzidos, apresentar seu ato
como parte de uma rixa pessoal ou fami-
liar. Rixa na qual uma parte usa as mios
para desempenhar o seu oficio de escre-
ver e a outra, talvez em atividade de ex-
tensao, como punho agressor. Sinal dos
tempos.
De fato, o Jornal Pessoal, que, com
enorme dificuldade, edito em Bel6m hi
mais de 18 anos, se ocupa constantemen-
te dos veiculos de comunicadio da famf-
lia Maiorana. Seria impossivel nio faz6-
lo sem comprometer a razao de ser do
meu quinzenairio, que 6 manter a opiniio
pdblica bem informada sobre os fatos e
as quest6es de maior interesse piblico,
e, nessa pauta, sobre a aqio da elite diri-
gente, piblica e privada. E compromisso
da imprensa manter os dirigidos a par do
que fazem os dirigentes, assim contribu-
indo para o Estado Democritico de Di-
reito, principio fundador da Repdblica
brasileira. E nio hi nenhum grupo de
pressao do porte do grupo Liberal no
Pard, embora seja falsa a afirmativa do
parecerista da ANJ de que todas as edi-
cqes consultadas em 2005 falassem da
empresa da familiar Maiorana.
O grupo Liberal chegou a controlar,
nesse period, 98% do mercado dejornal
impresso do Pari, conforme proclamou em
virias peas publicitirias. Nio hb concen-
traq~o de poder de midia igual em nenhu-
ma outra metr6pole brasileira. Mesmo um
pouco diminuido nos tiltimos anos, ainda 6
um dominio sem igual nas demais capitals
do pais. Por sua afiliaq o A Rede Globo
de Televisao, o grupo Liberal tamb6m
exerce amplo dominio nesse mercado de
informaq~o e entretenimento. E o mais
poderoso formador de opiniao no Estado,
do que se vale para ampliar seu esquema
de pressao al6m dos limits que a 6tica -
empresarial ou de qualquer outra nature-
za podia tolerar.
O grupo ter participado ativamente
no process eleitoral, apoiando determi-
nado grupo politico e hostilizando outros.
Desde que respeitasse o sagrado com-
promisso com a information, o que nao
acontece, seria esse um direito editorial
da empresa. No entanto, quando o grupo
politico que recebe o apoio 6 derrotado,
os veiculos das Organizaqyes Romulo
Maiorana tnm trocado as critics feitas
na campanha eleitoral, freqtientemente
de forma apaixonada e antiprofissional,
por elogios imoderados, desde que o an-
tigo desafeto se disponha a fazer progra-
maqao publicitiria na empresa ex-inimi-
ga. O exemplo mais not6rio ocorreu corn
o atual deputado federal Jader Barbalho.
Em 1990 ele derrotou o candidate apoia-
do pelo grupo Liberal, Sahid Xerfan, ape-
sar de ter sofrido uma violent campa-

MARCO DE 2006 IVQUINZENA Jornal Pessoal


N- i P







nha. A partir do moment em que, no
exercicio do governor, voltou a anunciar
nos vefculos do grupo Liberal, as pesa-
das acusaq6es de antes foram trocadas
por mat6rias amplamente favoriveis,
numa relaqio de causa-e-efeito imedia-
ta com a volta da publicidade official.
Situaqio semelhante viveram algumas
das maiores empresas que atuam no Pard.
A Rede/Celpa, concessioniria de ener-
gia el6trica, foi vitima de seguidas mat6-
rias hostis quando ensaiou nao renovar o
patrocinio de uma promoqio do grupo
Liberal, "Andando pelo Pard", comanda-
da por seu principal executive, Romulo
Maiorana Jinior. O tratamento mudou
quando o patrocinio foi confirmado. Ja o
Banco da Amaz6nia foi castigado por-
que s6 programou meia pigina do seu
balanqo annual em "O Liberal", quando o
balanqo complete ocupava tres piginas.
Uma vez que o balanqo integral foi publi-
cado, a cobertura jornalistica deixou de
incluir qualquer critica ao banco.
O caso mais grave envolveu a Com-
panhia Vale do Rio Doce. A empresa nao
aceitou patrocinar outra promoqro do
grupo Liberal, na area esportiva. O gru-
po Liberal ajuizou entao contra a empre-
sa uma aqio monit6ria por d6bito nao
honrado. A CVRD reagiu cor uma aqao
de indenizaqio proposta no f6rum de
Bel6m, alegando que o grupo Liberal
apresentara nota promiss6ria fria, sem
endosso. No auge da guerra judicial em
formaqao, as parties acabaram fazendo
um acerto a margem dos autos e as ages
ficaram em banho-maria. A propaganda
voltou em plenitude. As critics de antes
evaporaram por complete.
O Jornal Pessoal tem relatado es-
ses fatos, que sao de alto interesse pibli-
co. O leitor fica desnorteado porque uma
campanha 6 desencadeada pelos veicu-
los de comunicaqio que dominam o mer-
cado, apontando tal empresa e tal politi-
co como nefandos. Subitamente, onde
havia critica surge sil8ncio e/ou elogio,
sem qualquer explicaqio para a metamor-
fose. A explicaqio esti no caixa da em-
presa, que, por isso mesmo, depois de ter
mobilizado entrevistados para falar con-
tra os alvos de suas critics, muda dras-
ticamente de lado, abandonando os te-
mas que at6 entao mereciam manchetes
de primeira pigina, editorials, cobertura
extensive.
O Jornal Pessoal mostrou, corn fa-
tos e provas, a razao da mutaqFo editori-
al. Mas, at6 a agressao que sofri, nem
Ronaldo Maiorana, que me agrediu, nem
seu irmio, Romulo Maiorana Jinior, que
com Ronaldo passou a patrocinar suces-
sivas aq6es contra mim, contestou um s6
desses artigos. Artigos que trataram uni-
camente de mat6ria piblica. Nenhum de-
les abordou a vida estritamente privada


desses cidaddos, limitando-se a analisar
suas aqoes como empresarios de comuni-
caqgo, formadores (ou deformadores) da
opiniio piblica. Nenhum Maiorana escre-
veu uma unica carta que fosse ao Jornal
Pessoal em resposta aos artigos publica-
dos, nem os replicou atrav6s de seus pr6-
prios veiculos. Silencio absolute.
A partir da agressio, a repetiqao das
aqoes (sete criminals e quatro cfveis) tem
o claro sentido intimidat6rio. Nao s6 para
intimidar ojoralista como para sufocar seu
journal at6 a morte, sobrecarregando-o de
demands e obrigaq6es perante a justiqa.
Observe-se que, nas quatro aq6es ci-
veis de indenizaqgo por dano moral e
material, foi solicitada a antecipaqao de
medidas inibit6rias e proibit6rias, a fim de
que o Jornal Pessoal jamais voltasse a
tratar de qualquer assunto referente aos
Maiorana, sua familiar e seus neg6cios.
Quem iria executar essas medidas ante-
cipat6rias, se elas fossem aprovadas pela
justica? Ora, a pr6pria justiqa. Estaria-
mos diante do absurdo dos absurdos, que
at6 o regime military se pejou de cometer:
a censura previa a imprensa realizada
pelo poderjudiciirio.
Isso nio 6 violaqgo A liberdade de
imprensa? Nro 6 a pr6pria anulaqio da
democracia?
Quando quem viola o direito de im-
prensa nro 6 o dono de uma empresajor-
nalistica, a ANJ parece nio ter d6vida
em responder que sim. E o que tem feito
em diversos casos recentes, de tentative
de quebra da ordem democritica, tio
duramente construida e ainda em cons-
truqio no Brasil.
Que rixa familiar 6 essa se, at6 a agres-
sio do dia 21 de janeiro, o sr. Ronaldo
Maiorana, pessoalmente, jamais a expres-
sara? Se em todas as ocasibes anteriores
em que nos encontramos o tratamento
mituo foi civilizado e respeitoso? Se ne-
nhuma vez os veiculos das poderosas Or-
ganizaq6es Romulo Maiorana suscitaram
essa tese? Se apenas os srs. Romulo e
Ronaldo Maiorana, a partir de fevereiro
de 2005, e a irma deles, Rosingela, entire
1992 e 1993, ajuizaram aqoes contra mim?
Esses gestos de intolerfncia nao foram
repetidos pelos demais irmios, que sio
quatro. Nenhum delesjamais me acionou
ou se queixou de mim.
Ha um outro detalhe relevant a re-
meter para a irrisao esse argument de
rixa familiar. Os dois irmaos Maiorana
dizem que Ihes ofendi o pai, fundador do
imp6rio, cor quem trabalhei ao long de
13 anos, ao fazer refer8ncia, no artigo
"O rei da quitanda", ao artificio juridico
ao qual Romulo Maiorana recorreu para
colocar o canal de televised, a ele con-
cedido na d6cada de 70 pelo governor fe-
deral, em nome de cinco de seus empre-
gados, e nao em seu pr6prio nome. Como


havia restriq6es ao empresdrio nos 6r-
gdos de informaqao do governor military,
por sua associaqgo ao contrabando no
Pard, antes de 1964, a concessio foi fei-
ta em nome de uma empresa que s6 de
fachada pertencia aos funciondrios.
Quando o veto caiu, o canal foi transferi-
do a Romulo Maiorana, graqas a urn "con-
trato de gaveta". Por que nio no nome
dele desde o principio? Fatos sio fatos.
Os Maiorana nao desmentem nenhum
deles. Apenas nro querem que eles se-
jam ditos. Como julgam-se os donos da
hist6ria, o r6probo 6 condenado e punido,
mesmo tendo razio, mesmo sem ser ja-
mais desmentido.
Nesse artigo, citado no parecer da
ANJ, nao hi uma inica referencia ao
nome do agressor, Ronaldo Maiorana.
Logo, ele nao era parte legitima para pro-
por qualquer agio contra mim najustiqa,
com base nesse mesmo artigo. Por isso,
usou como pretexto a defesa da mem6-
ria do pai. No entanto, sua mie, viiva de
Romulo Maiorana e a principal cotista da
empresa (da qual 6 a presidente, cor
51% das suas agqes, nao viu a mesma
ofensa. Nao s6 nao prop6s uma aqio sua,
como nio subscreveu as queixas-crimes
e indenizat6rias dos filhos. Eu a indiquei
como minha testemunha em todos os pro-
cessos que tinham como pretexto a de-
fesa da mem6ria de Romulo Maiorana,
por ser ela a pessoa mais autorizada a
falar sobre a vida e a obra do marido.
Pois tudo tem sido feito, corn escracha-
do desrespeito a garantia constitutional
da ampla defesa do r6u, no contradit6rio
durante o devido process legal, para que
Lucid6a Maiorana nao seja ouvida, nem
como minha testemunha nem como tes-
temunha referida do juizo. Por que os ir-
mros Maiorana nao querem que sua mae
testemunhe? Que diabos de "rixa famili-
ar" 6 essa, entao?
E uma tese de ocasido, utilitiria, da
qual se tem valido o agressor e seu ir-
mio, solidarios na perseguiqio que me
fazem atrav6s da justiqa, que tem aco-
lhido todas as suas demands, cor evi-
dente excess de pedir, em nitida litigan-
cia de m4-f6, cor a conivencia de ter-
ceiros e a co-autoria de aliados. Como
CONTINiA NA PAG 4


Jornal Pessoal I'QUINZENA MARCO DE 2006









Verdade: produto em falta


na redago de 0 Liberal


No dia 7 a Assembl6ia Legislativa do
Estado declarou o empresario Cecilio do
Rego Almeida persona non grata ao
Pard, por comandar a maior grilagem de
terras do mundo, atrav6s da qual tenta
se apropriar de sete milhoes de hectares
do patrim6nio pdblico no vale do Xingu.
Ao mesmo tempo, se solidarizou com cin-
co pessoas que foram ofendidas pelo
dono da Construtora C. R. Almeida, jus-
tamente por se terem tornado uma bar-
reira aos seus prop6sitos, defendendo o
domfnio do Estado sobre a area ameaga-
da de grilagem. Por essa atuaqao, mere-
ceram o titulo de "defensores dos mais
altos interesses do povo paraense". A
manifestacao se originou de iniciativa da
deputada Sandra Batista, do PC do B,
referendada por seus pares.
No dia 10, O Liberal noticiou o fato
numa pigina par (que 6 menos lida) do
primeiro caderno, em nota sem qualquer
destaque. Mas s6 fez refer8ncia a tres
dos personagens que receberam o apoio
do parlamento estadual: o procurador fe-
deral Felicio Pontes Jdnior, o procurador
estadual Carlos Alberto Lamarao Corr8a
e o defensor pdblico estadual Paraguas-
su Eleres. Omitiu o meu nome, o que nio
6 de estranhar nem constitui novidade:
ordem superior probe minha citaq~o. No
entanto, ojomal da familia Maiorana tam-
b6m suprimiu do press-release distribuf-
do pela assessoria de imprensa da AL,
que reproduziu parcialmente, o nome do
jornalista Carlos Mendes.


Mendes 6 um dos mais antigos re-
p6rteres em atividade em O Liberal,
al6m de ser correspondent em Bel6m
de O Estado de S. Paulo. Ja escreveu
virias reportagens sobre a grilagem de
Cecflio do Rego Almeida, todas publi-
cadas em O Liberal. Se o journal apro-
vou essas mat6rias, por que expurgou o
nome de seu destacado funcionario do
noticidrio justamente quando ele recebe
o apoio da Assembl6ia Legislativa?
Uma hip6tese 6 de que o journal pode
ter mudado de posicao, substituindo o
crit6rio estritamente jornalistico, que o
fez acolher as reportagens de Carlos
Mendes, por um outro qualquer, que
nada tem a ver corn o conteido das
mat6rias. Nesse caso, esti para to-
dos os efeitos priticos favorecendo
um personagem que o legislative consi-
dera nocivo aos interesses do Pard, en-
quanto pune quem, por sua atuagCo em
favor da causa piblica, mereceu a soli-
dariedade dos deputados.
Outra hip6tese seria talvez uma ati-
tude de defesa ticita: para nao abrir o
precedent de citar um jornalista e ex-
cluir o outro, o journal pode ter preferido
cortar logo os dois. Assim preveniria
eventual demandajudicial que eu pudes-
se intentar para obrigar a empresa a me
incluir no seu noticiirio.
Para o piblico menos informado ou
atento, ou para quem nio se interessa
por especulaq~o, por mais fundamen-
tada que seja, parecera simplesmente


que o legislative paraense se solidari-
zou apenas com os tres servidores pi-
blicos, mas nao com os doisjornalistas
que mais tnm combatido a grilagem da
C. R. Almeida. Afinal, nossos nomes
nao aparecem na reconstituicqo jorna-
lfstica dos fatos. Logo, hi uma moq5o
de censura ou uma restriqao do parla-
mento ao nosso trabalho, o que, eviden-
temente, nao 6 verdade.
Carlos Mendes, com a agravante de
ser funcionario da casa, e eu fomos viti-
mas de um ato deliberado de censura da
direqao de redaqao de O Liberal. Hou-
ve dolo da parte de quem sabia que esta-
va contrariando a verdade dos fatos e
adulterando o material de divulgaqgo que
lhe foi transmitido e que acolheu, mas o
desnaturando quando suprimiu os nomes
de dois dos cinco cidadaos que recebe-
ram a solidariedade dos deputados. E cla-
ro que ojornal, perfeitamente conscien-
te do que fazia, atingiu nossa honra, nos-
sa dignidade e nosso conceito pessoal
e professional. Esti suscetivel de ser le-
vado aos tribunais para responder por
seu ato de vilania.
Mas o leitor tamb6m foi desrespei-
tado. A direqco de redaqao do jomal nio
tem o menor pudor de violentar a inte-
gridade dos fatos conforme sua vonta-
de e conveni8ncia. Priva a opiniao pi-
blica de saber o que realmente aconte-
ce. Fornece-lhe a mais nefanda das in-
formaq6es: a informacdo truncada, ma-
nipulada, a meia-verdade que distorce
mais do que a mentira assumida, aber-
ta, escancarada.
Ojornal perdeu o sentido de sua res-
ponsabilidade. Vive a se superar nessa
sucessdo de desrespeitos ao compromis-
so professional, 6tico e moral. A que an-
dar do subsolo da desavenqa desceri no
pr6ximo epis6dio?


CONTINUA;AO DA PAG 3


estou na condiq~o ins6lita e singular de
ser o inicojornalista brasileiro contra o
qual uma empresajornalistica, por deci-
sbo de dois dos seus oito dirigentes, de-
clarou uma guerra total, que inclui a pro-
positura de sucessivas aoqes judiciais,
vejo-me excluido por essa ANJ de figu-
rar no alongado rol de violaq6es A liber-
dade de imprensa.
Ao ler o parecer do seu Comit6 Jurf-
dico, chego a conclusio que me resta
assumir o papel que a mim pode caber
em O Processo, terrivel e definitive cri-
aqdo literdria com a qual Franz Kafka
eternizou o mundo da irracionalidade e
do absurdo, descrevendo-o e condenan-
do-o como uma perversio e uma desu-
manidade. O parecer da ANJ o incorpo-
ra, como se ele nao fosse o que 6: uma
monstruosidade. O que em Kafka 6 ale-


goria da rejeicbo, na ANJ 6 a materiali-
zaqdo infeliz".

O CONTEXT
Logo depois da agressdo de Ronaldo
Maiorana, me empenhei em provocar a
manifestaqao da Associaqao Nacional de
Jornais, especialmente porque a entida-
de, com o apoio da Unesco (ag6ncia da
ONU para educacao e cultural criara
um portal em defesa da liberdade de im-
prensa. Um dos financiadores desse por-
tal 6 justamente O Liberal, que tamb6m
6 associado da ANJ. Dezenas de casos
de viola~o da liberdade de imprensa fo-
ram incluidos nesse portal, mas nao o
meu. Apesar das minhas cobrancas, a
ANJ nao responded.
No dia 22 de dezembro do ano pas-
sado, informado que a SIP (Sociedad In-


teramericana de Prensa), que reine to-
das as entidades representatives de do-
nos de jornais da Am6rica do Sul, esta-
va se interessando pelo meu caso, vol-
tei a mandar mensagem por e-mail para
a ANJ. Nesse mesmo dia o assessor de
imprensa me deu um retorno. Disse que
a associaao gostaria que eu lhe envi-
asse um relat6rio sobre o epis6dio, "para
encaminhi-lo aos comites editorial, jurf-
dico e de liberdade de imprensa". Re-
meti o material imediatamente.
Por duas vezes cobrei uma informa-
Cao. S6 em 13 de fevereiro Pedreira me
responded, dizendo que o assunto ainda
estava "sob exame do comity juridico".
Embora anteriormente ele se referisse a
mais dois comites, s6 ojurfdico apreciou
a questdo. Para sacramentar o que ji
estava decidido.


4 MARCO DE 2006 I'QUINZENA Jornal Pessoal


I








Quem que ue 0 Liberal?



Agora o IVC responded


O Liberal vende menos jornais do que
duas d6cadas atras. Nos dias de semana
sua circulagio efetivamente paga gravi-
ta em torno de 14 mil exemplares, isso
num Estado com sete milhoes de habi-
tantes. Aos domingos, a venda se incre-
menta, mas nio ultrapassa 40 mil exem-
plares. A tend6ncia 6 de queda e conti-
nuada. Do primeiro semestre para o se-
gundo semestre do ano passado, ojornal
perdeu cinco mil leitores. Na m6dia de
domingo do primeiro semestre de 2005,
para dar o maior exemplo, as vendas to-
tais eram de 41.451 exemplares. Cafram
para 39.091 no segundo semestre. Hou-
ve perda de leitores em todos os dias da
semana, exceto nas terqas-feiras, em que
permaneceram estabilizadas.
Os dados surpreendentes e chocan-
tes se tornaram piblicos no iltimo do-
mingo, quando foram divulgados pelo
concorrente e inimigo mortal, o Didrio
do Pard. Ojornal de Jader Barbalho teve
acesso aos boletins do IVC, o Instituto
Verificador de Circulacio, cor sede no
Rio de Janeiro. A familia Maiorana tern
se valido da filiaio do seu journal ao IVC,
o fnico do Norte nessa condiqgo, para
dar aparencia de credibilidade e de po-
der a sua profusa propaganda sobre a
extraordindria tiragem de O Liberal, su-
perior a de qualquer outro journal da Bahia
para cima. Os dois l6timos boletins se-
manais do IVC comprovaram a falsida-
de dos dados divulgados.
O editor de O Liberal prestou ao IVC
a "informaqlo jurada", conforme o jar-
g.o t6cnico, de que a circulacao liquid
paga do journal aos domingos seria de
89.419 exemplares. O institute verificou
que o nimero verdadeiro era 129% me-
nor, restringindo-se a 39.091 jornais. Os
53.198 exemplares que teriam sido im-
pressos, mas nio foram vendidos ao p6i-
blico, constituiriam "circulaqao gratis". A
ser verdadeira a espantosa informaq o,
para cada exemplar que vende, a Delta
Publicidade responsivel pela edicio do
journal di como cortesia 1,4 exemplar.
Talvez nio exista fen6meno seme-
lhante na imprensa mundial, hoje e nun-
ca. Em cada semana do segundo se-
mestre de 2005, a empresa da familia
Maiorana vendeu 120 mil exemplares
de O Liberal e teria distribuido gratui-
tamente outros 197 mil exemplares.
Sem contar 33 mil exemplares de en-
calhe ou inutilizados. Para um total de
101 mil exemplares que sairiam da im-


pressora prestes a ser substituida por
uma nova maquina, apenas 39 mil
exemplares seriam vendidos.
Se de fato ha essa imensa cortesia,
para quem esses mais de 50 mil jornais
dominicais sio entregues? Como 6 que a
empresa consegue arcar com esses cus-
tos, se de fato imprime os 101 mil exem-
plares? Como os relat6rios do IVC se
restringem a mensurar a circulacao liqui-
da paga, deixam de oferecer respostas
para tais diividas. No entanto, elas sao
muito graves.
Talvez nenhuma empresa jornalistica
desrespeitou tanto o compromisso cor a
informaqao jurada do que a dos Maiora-
na. A diferenqa entire a circulacqo de O
Liberal declarada
pelo editor e a apu-
rada pelo IVC va-
ria em torno de
150%, indo do limi-
te minimo de 124%
no domingo at6
160% na terqa-fei-
ra. Na andlise com-
parativa da movi-
menta~go geral da
circulaq o liquida
paga verifica-se
uma queda de mais
de 50% no domin-
go, entire o 1 eo 2
semestre de 2005,
de 88.250 exempla-
res para 41.451. A gratuidade teria sido
expurgada do calculo? Por qualquer fato
que seja, o grupo decidiu desistir de ban-
car a fantasia?
S6 mesmo os donos do grupo Liberal
podem responder neste moment, mas e
6bvio que eles nio se interessam em es-
clarecer o distinto pdblico. A divulgaqao,
pela primeira vez, dos primeiros relat6ri-
os auditoriais do IVC sobre O Liberal
acabaram cor alguns mitos criados pela
propaganda da empresa e confirmaram
determinadas interpretaq6es.
A circulaqao do journal 6 declinante e
nao ascendente. Por esse crit6rio, nao
hi necessidade de aumentar a capaci-
dade de impressao porque ha menos
exemplares a imprimir. Ao contrario do
que proclama seu titulo, O Liberal nao
So journal da Amaz6nia. E, na essencia,
belenense: mais de 80% de sua circula-
qao se restringe ao municipio da capital,
com seus 1,3 milhdo de habitantes. Em
Ananindeua, cor 400 mil moradores, na


regiio metropolitan de Bel6m, ojornal
vende 166 exemplares no domingo e
menos de um terqo nos dias de semana
(aldm de 478 assinaturas). Em Santa-
r6m, com 270 mil habitantes, a venda 6
em torno de 130 exemplares.
A maior vendagem no interior e em
Castanhal: 500 exemplares aos domingos
e em torno de 200 nos dias da semana.
Em Salinas: 464 exemplares aos domin-
gos e ao redor de 130 nos dias da sema-
na. Na regiio amaz6nica, o inico local
com venda de O Liberal 6 Macapa, ca-
pital do Amapi, mas praticamente s6 aos
domingos (336 exemplares). Nos demais
Estados, ojornal nio existe.
Uma parte da perda de leitores de O
Liberal se deve ao outro didrio da casa,
o Amaz6nia Jornal (que 6 menos ama-
z6nico ainda do que o irmao mais velho).
Quando a ediqio dominical de O Libe-
ral se tomou mais cara, o sucedaneo mais
barato (um tergo do preqo) aumentou sua
circulaqio, pordm s6 aos domingos. Nos
dias da semana ela caiu a menos da me-
tade ou mesmo a
pouco mais de um
terco, como aos sa-
bados, entire a 2"
quinzena de 2004 e
m a 1a de 2005. A par-
tir daf se estabilizou.
Terminou o ano pas-
sado com pouco
mais de 7 mil exem-
plares aos domin-
S gos e 4,5 mil nos
dias da semana. Ou
seja: estd mais para
concorrer com o
Jornal Pessoal do
que com o Diirio
do Pard.
Somadas as tiragens dos dois didri-
os do grupo Liberal, ainda assim o re-
sultado esti muito aqu6m nio s6 das
declaraqdes da empresa como dos nd-
meros alcanqados em um passado jd
distant. Constata-se que apenas um
tergo dos leitores que compram O Li-
beral aos domingos o 1Iem nos outros
dias da semana. A maioria s6 o 1l mes-
mo aos domingos. Uma parcel consi-
derivel dresses leitores dominicais 6 in-
duzida pela emissora de television dos
Maiorana e sua poderosa madrinha, a
Rede Globo, que veiculam intense pro-
paganda do journal e criam demand
para seu caderno especializado, produ-
zido pelojornal O Globo, dedicado exa-
tamente A TV. At6 quando esse excep-
cional apoio seri possivel? E at6 quan-
do evitard que a queda no indice de lei-
tura se acentue ainda mais?
Talvez o tempo respond essas per-
guntas, mais cedo do que se possa
imaginary.


Journal Pessoal I-QUINZENA MARCO DE 2006 5









UFPA e Edmilson: alvos de 0 Liberal


O grupo Liberal voltou A carga contra
dois personagens p6blicos, alvos de seus
interesses contrariados. Um deles 6 o reitor
da Universidade Federal do Para, Alex Fiiza
de Melo. O outro 6 o ex-prefeito de Bel6m,
Edmilson Rodrigues.
A prop6sito de um problema real, a falta
de seguranca no campus do GuamA, reaviva-
do por mais um caso de estupro cometido
contra uma estudante, ojornal passou a pu-
blicar mat6rias diirias tendo um ponto em
comum: a culpa por essa situaqdo 6 da admi-
nistraqio universitaria.
Se, de fato, hA uma parcela de responsa-
bilidade do reitor e sua equipe pela gestdo
da UFPA, ela deve ser ponderada por ou-
tros fatores tio ou mais importantes, como
a falta de verbas para uma conduqgo do pro-
blema na escala por ele requerida, o peso
que o trato da seguranqa ji represent no
orqamento da Universidade (absorve 10%
dos recursos), a dimensao e as caracteristi-
cas ffsicas e arquitet6nicas do campus e sua
localizaqlo, cercado que se encontra por
bairros pobres no continent e exposto ao
livre acesso pela margem do rio.
Viciado pela cobertura tendenciosa de
uma questao grave e desafiadora, o journal
chegou a anunciar a possibilidade de o Ex6r-


cito (hoje mais invocado do que o bispo como
salvaqgo extrema e externa) passar a patru-
lhar o campus. De fato, se a administraq~o da
Universidade nao tern condicqes de tomar p6
da situaqgo e reduzir o grau de inseguranqa
no campus, precisa recorrer a uma forga auxi-
liar. O pr6prio reitor admitiu essa necessida-
de, mas se referiu a Policia Militar e nao ao
Ex6rcito, como 6 normal pensar.
Ao inv6s de criar um bode expiat6rio, que
se tornou evidence pela 6tica da empresa des-
de que Alex Fidza de Melo se solidarizou co-
migo, depois da agressio de Ronaldo Maio-
rana, O Liberal devia tratar com seriedade a
questio, buscando uma soluqlo real para um
problema que ameaqa diariamente milhares de
jovens e milhares de outros cidadaos. Parte
da said pode nao estar numa media mera-
mente repressive e policialesca, como aquela
em cuja tecla ojornal vive a bater, mas numa
relacqo mais harmonica e constant corn a
comunidade ao redor do campus.
Se os muros do saber, que tentam excluf-
la desse suposto jardim do paraiso, jd nao
conseguem center a agressividade external,
devem servir de passarela para uma aproxi-
maqgo decent, respeitosa, civilizada e de
mdtuo interesse cor a comunidade vizinha.
Talvez assim se consiga evitar, na raiz, situa-


q6es que se tornam problems quando se ma-
nifestam na realidade, criando seqiielas para
todos. Inclusive para o grupo Liberal.
Ja a campanha contra Edmilson Rodri-
gues, retirada do bal e reaquecida para apa-
rentar vida nova, teria como motivo o indice
de prefer8ncia do ex-prefeito de Bel6m nas
sondagens pr6-eleitorais. Embora nio tenha
qualquer penetraqio no interior, onde estio
dois terqos do col6gio eleitoral do Estado, o
ex-politico do PT (agora no PSOL) apareceria
como uma alternative de peso para a dispute
pelo governor do Estado na capital.
Por isso, quest6es que ji haviam sido
superadas, por esclarecimento das acusaqoes
ou desinteresse politico, foram recolocadas
na pauta dojornal e, por extensio, ou deriva-
qro, no plenirio da Cimara Municipal. Me-
nos para que as obscuridades sejam esclare-
cidas e eventuais responsabilidades cobra-
das do que para dar um "chega-pra-li" no
candidate em potential, possivel adversArio
dos "tucanos", a opgao preferencial do gru-
po Liberal na pr6xima eleigqo.
Os dois casos- e muitos outros recomen-
dam aos leitores que antes de se perguntar pelo
que O Liberal anda dizendo, indagar-se por
que O Liberal estA dizendo tais coisas. Certa-
mente nao seri por causa do sexo dos anjos.


Carta do reitor a 0 Liberal


No dia 13 o reitor da Universidade Federal
do Pard, Alex Bolonha Fitza de Melo, encami-
nhou um oficio a Romulo Maiorana Junior, presi-
dente executive (e nao mais vice-presidente,
como 6 tratado na correspondencia) das Organi-
zaqdes Romulo Maiorana, a prop6sito da cober-
tura que O Liberal vem dando aos assuntos da
UFPA. Como at6 odia 15 ojomal nao publicou a
carta e o document se tornou piblico, passan-
do a circular pela internet, decidi reproduzi-lo.

A carta. na integra:
Senhor Vice-Presidente,
Na condiqao de cidadao, de leitor e de reitor
da maior Universidade do norte do pais, tomo a
iniciativa de me dirigir a V. S a para Ihe alertar
sobre as grandes distorqoes e os caminhos
equivocados das publicaq6es desse jomal, a
contar das noticias sistematicamente veicula-
das sobre a instituiqio que dirijo.
Apenas para ilustrar a minha preocupaqao
ejustificar a minha apreensdo, lembro do dos-
si8 falsificado sobre a utilizagqo de recursos
piblicos de conv6nios e da farsa da entrevista,
inexistente, corn o chefe da CGU no Pard, des-
mentida pelo pr6pria Controladoria-Geral da
Uniao em oficio a mim endereqado e por mim
repassado a redagqo de O Liberal como respos-
ta, mas nunca publicado, numa violaq.o da lei
de imprensa. Agora, na semana que passou,
culminando com as notas do Rep6rter 70 de
domingo iltimo em destaque, o anincio falso
de uma imagindria aqao do Ex6rcito no campus
do Guami -, testemunha-se uma verdadeira
"campanha" difamat6ria contra a UFPA, inex-
plicAvel jornalisticamente, do ponto de vista
6tico, pela virulencia e desfaqatez dos recursos
utilizados, cor instigaqao inclusive maldosa de
pais de nossos alunos, quando todos sabem
que esses tipos de ocorrencia noticiados, infe-


lizmente, tem sido comum em todos os lugares
e espaqos sociais, inclusive em instituiqoes pri-
vadas de ensino superior, mas que certamente
tem suas imagens preservadas por serem clien-
tes desse jomal, que ajudam a sustentar.
Como V. Sa. nao freqiientou e nao freqten-
ta a Universidade, pois assim teria condiq6es
de estabelecer comparaq6es entire como ela se
encontrava quando a recebi como gestor e
como ela se encontra agora e em process
de melhoria constant e progressive -, gosta-
ria de Ihe fazer um convite para fazer uma visi-
tapessoal instituigdo, quando terei o mdxi-
mo prazer em Ihe receber e apresentar-lhe esse
patrim6nio que, pdblico, tamb6m 6 seu, e de
Ihe demonstrar como ele esti sendo cuidado.
Mas venha pessoalmente, sem preconceitos,
para testar in loco o que tem sido divulgado
sobre a UFPA.
O senhor ird ver, ao contrdrio do que o seu
jomal (e apenas ele) tern propalado, que as esta-
tisticas de violencia, de roubos e de inseguranqa
diminuiram significativamente no campus (con-
suite a Policia Federal a respeito); que nao hd
mato dominando o espaqo; que a iluminacgo
melhorou muito A noite; que as salas de aula
estdo recuperadas e refrigeradas; bibliotecas e
museus restaurados; laborat6rios modemizados
(inclusive o de comunicacao, com equipamen-
tos de ponta, que ajudam a former melhor os
futures profissionais de seu pr6prio interesse);
novos pr6dios em construgqo; os antigos em
reform permanent, etc. Se puder, venha almo-
qar no restaurant universitirio e provar a quali-
dade do seu bandejao, cobrado a apenas um real
do estudante. Conhega os nossos programs de
extensao e consulate a populaqao atendida sobre
os mesmos. Visite, por sugestio minha, a Pr6-
reitoria de Pesquisa e P6s-Graduagqo e peqa da-
dos sobre os cursos e conceitos de nossos cur-


sos de p6s-graduaqio (mestrado e doutorado),
que dobraram de nimero em apenas 5 anos (hoje
sio mais de 40). Depois disso, como o senhor
anda pelo Pari, convido-o a conhecer os nossos
camp (sao 10, nos principals municipios do in-
terland) e verificar as suas condiqces de funcio-
namento. Garanto-lhe que o senhor, cidadio pa-
raense, teri uma grande e agraddvel surpresa,
que Ihe inspirarn maior esperanqa no future de
nosso estado.
Venha. Verifique pessoalmente, sem inter-
medidrios. E depois cuide para que o seujomal
se utilize de boas fontes, confidveis; que zele
por um jomalismo de qualidade; que confira
previamente as informaqres que recebe (como
manda a 6tica e o profissionalismo do ramo).
Pense e reflita que nao sao uns poucos alunos
revoltosos e mal-educados (que inclusive dila-
pidam o patrim6nio pdblico), alguns docentes
frustrados, certos dirigentes sindicais mal-in-
tencionados, geralmente a maioria deles atrela-
da a facq6es partidirias descomprometidas com
a Universidade, nio slo eles, repito, a referin-
cia adequadapara falarem nome da instituiqlo.
Tenho a certeza de que V. S a aceitard de
bom grado o meu convite, que espero seja hon-
roso, sobretudo quando estd em jogo o valor
maior de um meio de comunicaqgo: a sua credi-
bilidade. E particularmente quando um jomal
ter por slogan: "Voce 18. Voc6 acredita". No
caminho em que as coisas estio indo, permita-
me o alerta sincere, o future 6 incerto. Nio deixe
se esvair, por muito pouco, o patrim6nio legado
por seu pai, construido cor muita luta, sacrifi-
cio e determinaqio, e cor a visio de quem sa-
bia que a instituiqlo era muito mais important
que os individuos; de quem tinha a lucidez para
perceber que a reputaqlo do Jomal, a sua isen-
qlo, era muito mais sagrada que os interesses
pessoais e mesquinhos, de curto prazo.


MARCO DE 2006 IQUINZENA Jornal Pessoal








As contas de 0 Liberal: por que 10 milhoes?


Durante um curto period o blog na in-
ternet do ex-prefeito Edmilson Rodrigues,
Luzes na Floresta, abrigou um comentario
assinado por Carlos Leandro. Sua presenqa
foi tio rApida que outros leitores do espaqo
protestaram quando o comentirio foi retira-
do. Provavelmente antes que os interessa-
dos pudessem copii-lo.
Carlos Leandro citou duas mat6rias pu-
blicadas neste journal, chamando atenqio
para a compra da nova impressora de O Li-
beral, operaqio por ele estimada em mais de
10 milhoes de d6lares, e contrapondo o in-
vestimento A diffcil situaqao financeira em
que a empresa se encontra, segundo os ni-
meros balanqo referente a 2004, o ultimo di-
vulgado pela Delta Publicidade, empresa res-
ponsAvel pelo journal.
O leitor do blog do ex-prefeito manifes-
tou em seu comentdrio estranheza pelo fato
de uma empresa nas condiq6es reveladas
no balanqo annual conseguir realizar um in-
vestimento de tal porte. Para uma anAlise mais
complete e precise, ele recomendou a leitura
do JP, nio sem antes perguntar quem pode-
ria ter financiado o investimento.
O leitor alertou para um dado da anilise
do balanqo feita aqui: o saldo no ativo dis-
ponivel apresentado por O Liberal no en-
cerramento do exercfcio financeiro, em 31 de
dezembro de 2004. Mas esse detalhe nio che-
gou a ser abordado. Embora logo a seguir o
blog passasse a receber uma enxurrada de
critics ao grupo Liberal, o comentario que
deu motive a essas reaq6es desapareceu,
sem qualquer explicalio.
Muitos dos coadjuvantes queriam s6
atacar a empresa, sem perceber o alcance da
observaqio de Carlos Leandro, certamente
um iniciado nos segredos da contabilidade.
Ele tinha seus motives para estranhar aque-
le dado do balanqo. Afinal, a receita bruta
dojomal foi de 29,5 miles de reais em 2004.
Como, entao, a empresa pode encerrar o ano
corn um ativo disponivel de R$ 20,7 milhoes
(ou seja, 70,2% da receita bruta)?
Numa empresa que operou com prejuizo
durante esse mesmo ano, o dado contabil, mais
que estranho, como observou Carlos Lean-
dro, 6 inacreditAvel. Deve suscitar de imediato
uma divida entire os especialistas na mat6ria:
o balanqo teria sido maquiado? Assim poderia
apresentar uma liquidez elevada e, dessa for-
ma, preencher exigencia bancdiria para obten-
qio de empr6stimos ou financiamentos, sem
os quais provavelmente a Delta Publicidade
nio poderia assumir a pesada despesa pela
aquisiqio da impressora Man Rolland, con-
forme relatado por este joral?
Se continuasse nas suas especulacqes,
o leitor podia arriscar um palpite para escla-
recer o aparente enigma: um determinado
valor digamos, uns R$ 10 milh6es terd
sido contabilizado no ativo disponivel da
empresa, na rubrica da conta "caixa", a cr&-
dito do passive exigivel a long prazo (na
conta "d6bitos de pessoas ligadas"). Isso
porque o saldo dessa conta saltou de R$
35,7 milhoes para R$ 46,1 milhoes.


Prosseguindo nesse livre exercicio
contabil a partir de ntimeros reais, por6m
insuficientes, o leitor daria entrada no cai-
xa da empresa um dinheiro ficticio, tendo
como contrapartida uma divida tamb6m
ficticia contraida pela empresa junto aos
seus s6cios-proprietirios. Cor tal proce-
dimento, perfeitamente possivel em escri-
turaq6es contAbeis primirias como as apre-
sentadas no balanqo de Delta Publicida-
de, o leitor poderia obter virios resulta-
dos, como, por exemplo:
1 Aumentar o indice de liquidez da em-
presa, em especial a liquidez chamada de
seca (isto 6, ativo circulante sobre passive
circulante) e imediata (ativo disponivel so-
bre passive circulante), favorecendo a ob-
tenqao de empr6stimos e financiamentos.
2 Facilitaria o encerramento das divi-
das que os s6cios contrafram junto A em-
presa, ji que no ativo realizavel a long
prazo 6 dito que os s6cios devem R$ 32,6
milh6es A empresa. Ora, se a empresa esta
devendo R$ 46,1 milh6es aos mesmos s6ci-
os, bastaria ao leitor fazer o encontro de
contas. Os s6cios nio necessitario desem-
bolsar nada. Melhor ainda do que isso: e a
empresa ainda ficar, Ihes devendo.
Mesmo se continuasse a quebrar a ca-
beqa para encontrar outras explicaq6es para
o paradoxo, o percuciente leitor nio encon-
traria muitas outras explicacqes plausiveis
para a exist6ncia de um saldo tio elevado
em dinheiro. Se esse dinheiro nio esti apli-
cado em banco, esti em caixa. Qual empre-
sa guard dinheiro em seu caixa e em vo-
lume tio expressive como Delta Publici-
dade diz que esta fazendo, enquanto de-
clara prejufzo tao significativo na sua pres-
ta~go de contas, prejuizo que se mant6m
hi virios anos?
Uma hip6tese alternative seria a venda
de parte do ativo imobilizado ao final do
ano. Mas, se isto acontecesse, a variaqao
apareceria obrigatoriamente no balanqo. E,
segundo as contas de Delta Publicidade,
essa reduqao foi de aproximadamente R$
5,7 milh6es (caindo o ativo imobilizado de
R$ 29,8 milhoes para R$ 24,1 milh6es).
Alias, a reducSlo patrimonial da empresa
nio teria como garantir o salto de R$ 10 mi-
lhoes no ativo disponivel, sob pena de uma
reduqio drastica no ativo permanent, que,
no infcio do ano, era de R$ 29,8 milh6es. O
salto no disponivel faria desaparecer quase
um terqo do ativo permanent, o que preju-
dicaria a composiq o do balanqo.
O elevado saldo no disponivel tamb6m
nio se original na retenbAo das receitas. Es-
tas foram mobilizadas para pagar custos e
despesas. Caso contrario, o passive circu-
lante da empresa aumentaria (e, segundo o
balanqo da Delta, o passive circulante dimi-
nuiu de tamanho). Resta, assim, a hip6tese
mais plausivel num exame estritamente t6c-
nico: a elevaqgo do ativo disponivel com re-
cursos ficticios, tendo como contrapartida
uma divida igualmente ficticia da empresa
para com seus controladores. Mas 6 uma


hip6tese de puro exercicio de raciocinio con-
tibil. A resposta verdadeira s6 quem a pode
dar 6 mesmo Delta Publicidade.
No entanto, essa iniciativa apresenta al-
guns pequenos inconvenientes:
1 No ano da concessao do "empr6sti-
mo" A empresa, os s6cios teriam que decla-
rar renda compativel. Ou seja, eles tem que
aumentar sua renda no valor do empr6sti-
mo ficticio ou nio e pagar os impostos
incidents sobre essa renda. Nio 6 uma pro-
videncia impossivel. Na verdade, nem 6 di-
ficil de adotar.
2- O "dinheiro" ficaria contabilmente
encaixado na empresa. Para que ele "sais-
se", seria necessirio que a empresa o
"gastasse". Vale dizer: a empresa teria que
fabricar despesas para poder justificar a
said do dinheiro que nunca entrou. Para
tanto, precisaria dispor de notas frias. O
problema j entbio se complicaria. Ao me-
nos do ponto de vista legal
3 Como a empresa se veria obrigada a
registrar na despesa (ou no custo) um gas-
to que nunca ocorreu, a despesa (ou o cus-
to) sofreria aumento artificial. Isto elevaria
o seu prejuizo contibil, criando-lhe um gran-
de inconvenient. Como resolve-lo? Af ji
precisaria de engenho e arte que costumam
escapar aos menos qualificados na ques-
tao. O livre exercicio teria que terminar nes-
te ponto. A partir daf a especulaqio deixa-
ria de ser mera especulaqio contibil. Como
o mist6rio, no entanto, persiste, caberia a
t6cnicos mais qualificados ou autoridades
competentes dar conta da incerteza.



SAMBA
De fato, como me lembra o sempre aten-
to Eduardo Lauande e eu pr6prio me
dei conta logo em seguida, foi Vinicius
de Moraes quem originalmente batizou
Sbo Paulo de timulo do samba. Mas o
selo de garantia 6 mesmo de Caetano
Veloso, que popularizou a boutade. S6
nio hi divida de que o titulo fica agora
melhor em Bel6m do Para.


RELOGIO
A Big Ben esta desmoralizando o Big
Ben. Depois de muito tempo atrasado,
o rel6gio colocado na principal loja da
rede de farmicia dos Aguilera parou de
vez, desautorizando a inspiraqio do
nome. Que tal levar a s6rio a pontuali-
dade britfnica?
I
TITULO
Foodex Japan 2006 6 a Feira Internaci-
onal de Alimentos e Bebidas, que se re-
alizou nesta semana na regiio metropo-
litana de T6quio. Com esse titulo, pare-
ce outra coisa.


Jornal Pessoal o IQQUINZENA 0 MAR(O DE 2006 7








Projeto da orla: um prato feito?


Uma semana depois de entregar o pro-
jeto par a construqio da orla de Bel6m para
a Construtora Andrade Gutierrez, a prefei-
tura apresentou-o pela primeira vez ao pd-
blico em audidncia no CREA (Conselho
Regional de Engenharia e Arquitetura), no
dia 22 de fevereiro. Os debates mostraram
que o projeto bdsico 6 tao rudimentar e su-
perficial que se constitui, na verdade, em
uma declaracio de intenq6es, um roteiro
para a elaboram o de um termo de referencia
para o projeto bdsico, do qual resultariam
os projetos executives. No entanto, a em-
preiteira j estava escolhida para realizar a
obra, orqada em 123 milh6es de reais, que
deverd estar concluida em 24 meses.
Apesar do valor e da complexidade do
serviqo, a licitaq~ o piblica foi aberta pela
prefeitura em 16 de janeiro e decidida um
mes depois, sem maiordivulgagqo. Aparen-
temente, os t6cnicos que participaram do
debate no CREA desconheciam essa situa-
gqo. Por isso, na ata da reuniao, encaminha-
da pelo CREA ao prefeito Duciomar Costa,
no dia 6 deste m6s, 6 sugerida a mudanga
num item da concorrencia pdblica (a primei-
ra da PMB em 2006), que "nao permit que
concorram direta ou indiretamente empre-
sas em cons6rcio, e, portanto, se constituiu
em desserviqo ao crescimento e consolida-
gqo do segment da construmqo civil na re-
gi0o". O relat6rio observa que "tal situaqAo
deveria ser repensada". Nao foi e deu no
que se previa: uma grande empreiteira naci-
onal foi a vencedora.


As critics feitas pelos engenheiros ao
projeto que Ihes foi apresentado revela que
nem mesmo algumas decis6es elementa-
res foram ainda tomadas. Porexemplo: onde
comegard a via projetada sobre o rio Gua-
mA (a ser consolidada com aterro e prote-
q~o lateral), se no eixo natural da avenida
Almirante Tamandar6, como parecia o re-
comendcvel, ou ao lado do muro do Hos-
pital da Marinha, como pretend a prefei-
tura? Como ficardo os portos privativos e
os serviqos que atualmente tnm acesso di-
reto ao rio quando o Guami, que Ihes tirard
essa vizinhanga, for aterrado? HaverB re-
manejamento da populaqao? Os serviqos
se estenderlo al6m dos limits da via a ser
aberta? Como serd a conexao do Projeto
Orla com o projeto maior, o do Portal?
A delicada e complicada Area que se
estende da Almirante Tamandar6, na Ci-
dade Velha, ao portal do campus da Uni-
versidade Federal no Pard, cor mais ou
menos mil hectares, nao pode sofrer
uma intervenq o do porte do que a pre-
feitura se dispde a fazer sem cuidado-
sos estudos pr6vios e numerosas audi-
8ncias pdblicas. A entrega direta A An-
drade Gutierrez 6 um comeqo suspeito
de empreitada com tal envergadura. Co-
meqando mal, poderd terminar pior ain-
da. Em defesa do interesse e do dinhei-
ro ptblico, a prefeitura precisa ser con-
vencida a refazer o trajeto. Ou compeli-
da a assim proceder, se nao aceitar os
arguments que Ihe sdo oferecidos.


CIVILIZA AO
Numa mesma semana li opini6es diametralmente
opostas. Uns elogiando o ato de criagio e o entreato
de sobrevivencia dos museus brasileiros, surpreenden-
temente numerosos e ricos para o padrdo de um pals
que nio leva a s6rio a cultural. Outros levantando sus-
peitas sobre a origem de tantos museus: eles se multi-
plicariam para criar empregos, mordomias e confrarias.
As duas ordens de situaq6es procedem, mas as
primeiras predominam: 6 uma graqa, da qual os brasi-
leiros pouco se do conta e menos ainda a valorizam,
terms tao bons museus, que resistem As incdrias da
desmemoria e dos maus tratos, mesmo havendo tam-
b6m instituiq6es parasitarias e oportunistas.
A polemica se estabeleceu, em circulo muito fe-
chado e estreito, a partir do roubo de peas no valor
de 50 milh6es de reais do Museu Chicara do C6u, no
Rio de Janeiro. Pessoas quejamais ouviram falar nes-
se museu nao queriam acreditar que originals de Pi-
casso, Matisse, Monet e Dali integrassem o acervo
dessa instituigio. Relutaram em aceitar que nao eram
meras reproduq6es. Mais dificil do que convenc&-los
certamente sera admitir que criminosos comuns, au-
tenticos ladroes de galinha e p6s-de-chinelo, tenham
levado peas tio valiosas para a cultural humana. En-
traram facilmente no museu e de 1l sairam com a mes-
ma tranqiiilidade. Nao 6 impossivel que algumas das
telas jA estejam destruidas.
O furto foi avaliado em R$ 50 milh6es, mas o valor
do dano para a humanidade 6 incalculivel. Todos pa-
recem ter esquecido o que estava guardado, de forma
inacreditavelmente precaria, naquele casarao de San-
ta Tereza, lindissimo, que um raro mecenato esclareci-
do, o da familiar Castro Maya, legou aos brasileiros.
Ainda que as peas sejam recuperadas e o prejuizo
coberto, hi um impact que nao tern rem6dio: damo-
nos conta de que ainda nao somos mesmo um povo
civilizado, uma civilizaqdo. Seremos algum dia?


Bom reporter

Um bom reporter esta sempre amarrado aos
fatos. Mesmo quando se arrisca em interpreta-
cqes e especulaq6es, seu ponto de partida 6 os
fatos, que Ihe serve de referencia. JA um joma-
lista pode nao ter contato direto com os aconte-
cimentos que inspiram suas anAlises ou opini-
oes. As vezes seu raciocinio 6 notAvel em sua
forca 16gica, mas nada tem a ver corn a realidade.
Um bom reporter pode ou nao ser um grande
jomalista, dependendo da qualidade do seu tex-
to, do seu estofo cultural ou da sua intuiqao.
Um jomalista, por6m, jamais sera um bom
reporter se 6 incapaz de seguir por labirintos at6
a fonte dos acontecimentos, A informaqao em
seu estado bruto, primdrio, aos personagens em
came e osso. Pode-se fazer jomalismo sem jor-
nalistas, mas nao sem rep6rteres. O reporter esta
sempre na linha de frente; ojomalista, s6 ocasi-
onalmente. 0 reporter traz o mundo extemo para
dentro do vefculojomalistico; ojomalista dA-lhe
forma e significado. Uma redag o provide de
ambos, evidentemente, 6 muito mais rica e com-
pleta do que se nela trabalha apenas um deles.
Mas o peso dos rep6rteres sempre devia ser
maior do que o dos jomalistas.
Ricardo Noblat 6 um grande reporter e, fre-
qiientemente, um grande jomalista. Nao 6 in-
comum, na leitura de seu livro (O que d ser
jornalista, Editora Record, 270 pdginas, R$


25,90), ve-lo desviar-se ou perder-se da dire-
qdo na qual os fatos que apura o lancam. Ao
reconstituir a sua carreira, permitindo-se in-
cluir os fatos que sabe, sem censura ou ma-
quilagem, ainda quando entra em contradiqdo,
6 que da uma contribuicao valiosa Aqueles que
querem serjornalistas ou lutam para permane-
cer decentemente na profisslo. Tamb6m ins-
trui bastante os que, sem integrar a corpora-
qdo professional, querem saber melhor sobre a
relac~o dos jomalistas com o poder. Infeliz
mensageiro de recados e bales de ensaio des-
pejados do andar superior sobre a generalida-
de dos cidadaos, o jomalista 6, nessa funq~o,
um biombo, uma ante-sala ou uma vitrine do
que 6, pensa e faz a elite. Porta-voz da socie-
dade na relaq~o com o poder, 6 entdo que sua
importancia cresce ainda mais, transforman-
do-o no oficiante da verdade.
Noblat podia ter dado contribuiqao ainda
melhor se aprofundasse os poucos momen-
tos em que se permitiu falar como bom rep6r-
ter, deixando de lado as narrativas secundiri-
as do livro. Seu ponto alto estA nos ataques
ao desafeto Marcos SA Correa, editor-chefe
do Journal do Brasil exatamente no moment
em que o grande matutino carioca comeqava a
se eclipsar de vez, aderindo sucessivamente a
Jos6 Sarey e Fernando Collor, na esperanqa


de conseguir no erario a salvaqao para sua
divida crescente, entire o final da d6cada de 80
e o inicio dos anos 90, no sdculo passado.
At6 uma mat6ria que escreveu no JB sobre
Ant6nio Carlos Magalhdes, provocando reaqdo
furiosa do politico baiano, Noblat diz que suas
relaq6es cor Marcos "haviam sido boas. Ele
apenas nao gostava quando eu escrevia de for-
ma muito dura sobre o govemo Samey. Achava
que um chefe de sucursal deveria se relacionnar
bem cor o govemo e a oposico. E que escre-
vendo do jeito que eu escrevia, era impossivel
relacionar-me bem cor o govemo".
Atirando farpas cheias de veneno, con-
tinua Noblat:
"Noo era. Governo e oposicqo s6 respeitam
jomalista ejomal dos quais tem medo. Fora Sar-
ney, perdi poucas fontes de informaq o pelo
fato de critical o govemo nos meus artigos.
Ganhei muitasjustamente por isso. E complex
o jogo do poder entire os poderosos, e entire
eles e osjomalistas. Marcos nao tinha paci&n-
cia para entender ojogo. Nem aptidio".
Por esses testemunhos, o livro vale a leitu-
ra. Mas 6 de se lamentar que as in confidenci-
as de Noblat tenham sido tlo contidas. Mais
reporter e menos jomalista, como era e talvez
jd n~o seja mais, teria deixado f6rteis ligqes
para os seus leitores.


a MARCO DE 2006 IOQUINZENA Journal Pessoal









MRN: lucro alto e riscos sociais


A MineraqFo Rio do Norte bateu o re-
corde de produlio de bauxita no ano passa-
do, chegando a 17,2 milh6es de toneladas
de mindrio, quase um milhbo a mais do que a
capacidade nominal de producao da mina.
Com a ampliagqo realizada em 2003, a MRN
ficou em condiqes de produzir 16,3 milhoes
de toneladas. Mas a demand do mercado
fez a empresa ir almr do limited em tese de
suas instalaq6es.
No entanto, o faturamento bruto foi ape-
nas ligeiramente superior a um bilhao de re-
ais, praticamente o mesmo do ano passado
(1,5% a mais), em virtude da valorizacoo do
real comparativamente ao d6lar. Como parte
da produgio se destina A exportag o, a Rio
do Norte diz que teve perdas de receitas de
R$ 205 milh6es por causa da baixa cotaq~o
da moeda americana (queda de 22% em rela-
qio a 2004). Ainda assim, gerou 136 milhses
de d6lares de saldo de divisas no seu co-
mdrcio exterior.
O lucro liquid da mineradora em 2005
foi de R$ 420 milh6es. O valor equivale a
mais de 80% do capital social da empresa,
que era de R$ 468 milh6es e passou para R$
473 milhoes cor a incorporacqo de R$ 5,3
milhoes da reduq~o do imposto de renda
devido, beneficio concedido A empresa pela
Sudam entire 1999 e 2000.
Desse apreciAvel lucro liquido, a MRN
abateu apenas R$ 6,8 milh6es para a consti-
tuiiao de reserve legal. Todo restante foi dis-
tribufdo na forma de dividends aos acio-
nistas, sendo R$ 200 milh6es de imediato.
Os R$ 213 milhoes restantes serao pagos ao
long deste ano. E bem acima do minimo
legal, de 6% do capital social.


Tdo fartos dividends contrastam, de
certa forma, com o fato de que a MRN apre-
sentou um capital circulante liquid nega-
tivo de R$ 717 milh6es, suprido atrav6s de
emprdstimos de curto prazo junto a rede
bancAria. A maior parte desse vermelho 6
resultado do dep6sito que a empresa preci-
sou fazer em jufzo, em
2003, para poder recorrer
da multa que Ihe foi apli- M-
cada pela Receita Federal,
a maior do pais. -'~
A MRN foi autuada II
quando fez, em 1999, uma
redugao do seu capital, por
alegado excess de capi- _-_
tal. Na devolug o de 30%
do capital aos acionistas,
considerada illegal, a empresa nao conside-
rou dinheiro pdblico que podia estar abran-
gido nesse ato, jA que a empresa, com proje-
to aprovado pela Sudam, recebeu colabora-
q6o financeira e outros beneficios fiscais e
financeiros do governor federal.
A autuag~o, inicialmente de R$ 316 mi-
lh6es, teve seu valor atualizado no final do
ano passado para R$ 454 milh6es, apenas
10% inferior ao capital social da Rio do Nor-
te. O dep6sito em juizo foi necessario nao s6
para possibilitar o recurso a instancia judici-
al, onde ainda estA sendo apreciado, como
porque a MRN 6 beneficidria do Refis, o pro-
grama de refinanciamento de dfvida estabe-
lecido pelo governor federal. O saldo dessa
dfvida, no encerramento de 2005, ainda era
de quase R$ 22 milhoes.
Se a autuacgo da Receita Federal for con-
firmada em ultima instancia najustica antes do


final do pr6ximo ano, a mineradora poder, per-
der os beneficios do Refis. A liquidacgo dos
seus d6bitos estA prevista para o exercfcio de
2007. Se nlo quiser correr riscos, a MRN po-
dera antecipar a sua liquidaqao, mas, no rela-
t6rio annual, a diretoria diz que sua assessoria
juridica Ihe garante que deverd ter 6xito na sua
agqo. Por isso, o balanqo
as *'b' nao contabilizou o passive
contingent corresponden-
te ao valor da autuacao da
S Receita Federal.
Por esse mesmo moti-
vo, entretanto, um insu-
cesso na demand com-
Sprometer, seriamente o
fluxo de capital da empre-
sa no exercicio em que a
deciso judicial for anunciada, em grau defi-
nitivo. A distribuiq6o de dividends to ge-
nerosos podera se revelar entio uma deci-
sio equivocada do ponto de vista da estra-
tdgia empresarial. Mas 6, desde j, uma pro-
va de que a MRN nao mudou sua vislo de
enclave, apenas cor algumas vinculaqces
corn a realidade do local onde implantou seu
empreendimento.
O assunto foi revelado e sempre trata-
do com exclusividade por este journal. A
grande imprensa tern demonstrado desin-
teresse por tema tao relevant. O control
aciondrio da MRN, a maior produtora in-
dividual de bauxita do mundo, pertence A
Companhia Vale do Rio Doce. Os outros
s6cios sdo Alcan canadensee), CBA (do
grupo Ermirio de Moraes), BHP Billiton
Metais (inglesa), Alcoa (americana) e Nor-
sk Hydro (norueguesa).


Nepotismo: o long caminho da correaio


Dois filhos da vice-presidente do Tribu-
nal de Justiga do Estado, desembargadora
Yvone Santiago Marinho, nao teriam sido
atingidos pela ofensiva contra o nepotism
no poderjudicidrio: enquanto outros 120 pa-
rentes de magistrados foram demitidos, eles
permaneceram em seus cargos.
A noticia circulou intensamente pela in-
ternet, sem autoria assumida. Mas se trans-
formou numa interpela6io feita diretamente
ao president do TJE por Luiz Eduardo Co-
bra Meda, um dos atingidos pela resolucao
do Conselho Nacional de Justiqa, por ser fi-
Ihode umajufza.
Atrav6s de e-mail endereqado ao desem-
bargador Milton Nobre, Luiz Eduardo dis-
se (transcriiio literal da mensagem) que
"gostaria de saber porque a filha da vice
president do TJE esta a disposiqco da pre-
sidEncia se a resolucgo do conselho veta
que ela tenha cargo comissionado corn
DAS6. E o filho dela que nunca foi concur-
sado esta lotado no Tribunal conforme o
DiArio da Justiqa de Hoje!". O ex-servidor
acrescentou que Milton Nobre "gosta de ir
para a imprensa e falar aos quatro ventos


que vai fazer e acontecer, mas faz vista gros-
sa quando o peixe 6 grande".
Na resposta, o president do TJE infor-
mou que Adelaide Conceiqlo de Maria Santi-
ago Marinho 6 servidora concursada. Foi exo-
nerada do cargo em comisslo que ocupava,
em funqIo resoluclo do CNJ contra o nepotis-
mo, e lotada no gabinete da presid8ncia, mas
sem qualquer DAS, ao contrario da dentincia.
JA Miguel de Oliveira Martinho Jdnior in-
tegra o quadro funcional do TJE desde 19 de
maio de 1988, "em data, portanto, anterior A
promulgaqlo da Constituiugo Federal (05 de
outubrode 1988)", diz Milton Nobre. Outros
servidores do judicidrio na mesma situaqco
foram beneficiados por decisao do TJE que
preservou a manutenq6o dos que tivessem
sido admitidos em period anterior. Mas o
president do tribunal ressalta que o filho da
vice-presidente "foi dispensado do cargo de
Secretario Geral, evidentemente com grande
prejuizo financeiro", a partir de 14 de feverei-
ro, sendo lotado no Departamento de Patri-
m8nio, "sem qualquer DAS".
Conclui o desembargador que nenhum
dos dois casos se enquadra "nas situa-


q6es de incompatibilidade funcional lista-
das pelo CNJ", ao contrArio do pr6prio Luiz
Eduardo, cujo caso "foi identificado como
nepotismo".
Para arrematar o esclarecimento, Milton
Nobre adverte o denunciante para nao per-
mitir "que suas frustraq6es o levem a con-
fundir a transparEncia que deve revestir o
bom uso da funlAo p6blica e a imperiosa
necessidade de manter os jurisdicionados
informados da gestao da coisa ptblica, com
desejos de notoriedade que nao me sedu-
zem, mas que conquistei com o trabalho s6-
rio, honest e competent, que 6 a marca do
meu passado e registry inconteste do meu
present como magistrado".
Diverg8ncias e ataques pessoais A par-
te, espera-se que a presidencia do TJE man-
tenha a diretriz de responder a cada dtvida
suscitada e denincia formulada, evitando
que sombras e mal-entendidos comprome-
tam o trabalho apenas iniciado de correqao
de erros, vicios e distorq6es incrustadas ao
long do tempo na estrutura do judicidrio
brasileiro. O caminho de Damasco 6 muito
long. Mas leva a bom destino.


Journal Pessoal IQUINZENA MARCO DE 2006 Q









MEMORIAL DO COTIDIANO
r ....,, t :7: .-, ,i .z ,.


Leite
O Servico de Higiene de
Alimentacao decidiu fazer
uma incerta em 1952,
coletando amostras de
leite entregue por 12
leiteiros de Bel6m para
tratamento na usina de
pasteurizacao. Todas
estavam contaminadas.
Os leiteiros foram punidos.
Ma o leite continuou a ser
batizados. Por isso os
leiteiros eram recebidos
causticamente na cidade
pela molecada, que seguia
atrds imitando a sirene do
carro dos bombeiros.
*.*.*.***.*.****


Ginastica
Antncio publicado em janeiro
de 1952:
"Anton Schober, massagis-
ta professional, e Ergi Fekete,
massagista e ortopedista, avi-
sam ao distinto pdblico de
Bel6m que aceitam servigos
a domicflio, ministrando tam-
b6m liqces de ginistica para
emagrecer ou engordar.
Informa6es no Hotel
Central, portaria, das 10 As 12
horas".

Centro
O Centro de Propagaqgo Cul-
tural foi criado em Bel6m, em
setembro de 1959, por um gru-
po de estudantes secundaris-


PROPAGANDA

0 comercio

de RM
deRM AMANHA -
Romulo Maiorana se es- N
tabeleceu no comzrcio de
Belem, entire os anos 50 e
60 do seculo passada,
baseado em algumas es-
trategias. Urna delays era
multiplicar as lojas num
espato concentrado de
maior exposindo ao pdbli-
co. A outra era tornd-las
ainda mais visiveis atra-
vis de propaganda inten-
siva. Umn exemplo dessa SAPATOS P/ CRIANqAS
estratigia 9 este anincio, Tamanhos de 18 a 22
de 1960, quando umna das Nouo Pre o CS 290.
quatro lojas que montou Artigo do Dia
no centro commercial de
Belie, a RM Magazine Cr$ 190,00
(na avenida Presidente 1
Vargas, entdo ponto no-
bre) anunciava seu pro-
duto especializado, sapa- =de 1966. C
tos (logo em seguida di-
versificaria). Eranm andin-
cios quase didrios, bem.
feitos para a 9poca. E
mnuita promogdo. Ate, de AV. PRES. VARGAS. 208
sdbito, RM trocar o co- (3a. p E 451
mdrcio de confecq5es, sa-
patos e presents por jor-
nal, rddio e televisdo, a partir de 1966. Corn suces-
so ainda maior.


tas e universitirios. O primei-
ro president, por seis meses,
foi o atual publicitirio Pedro
Galvao de Lima. Entre os ou-
tros fundadores estavam Ino-
c8ncio Machado Coelho, Jos6
Serifico de Carvalho, Jos6
Carlos Castro, Renato Tapa-
j6s, Ronaldo Barata, Jos6
Maria Machado, F61ix de Oli-
veira, Hildeberto Bitar. Hilde-
berto Massler, Luiz Fernando
Castro, Paulo Toscano, Celso
Malcher Filho e Job Veloso.
Os professors Benedito Go-
mes da Silva e Wilton Quei-
roz apoiavam o centro, que ti-
nha como objetivo "difundir a
arte e as ciencias entire a nos-
sa mocidade".

Elite
Alberto Bendahan era corre-
tor da Bolsa Oficial de Valo-
res do Estado quando foi elei-
to, em 1960, diretor-secreti-
rio do Banco Comercial do
Para, entdo o mais antigo es-
tabelecimento bancirio do
Estado, presidido porAuzier
Bentes. Como suplentes fo-
ram eleitos Ant6nio Marques,
um dos donos da Fibrica Pal-
meira (cujo buraco, aberto
com a demoliqio de sua sede,
virou estacionamento munici-
pal); Nestor Pinto Bastos, pe-
cuarista no Maraj6; e Nico-
lau da Costa, director da Com-
panhia de Seguros Alianqa do
Pard. O diretor-gerente era
Alexandrino Moreira, minei-
ro de origem, que construiu
uma das mais extensas car-
reiras no mundo dos neg6ci-
os no Estado.

Touro
Agosto de 1960: o dono de
uma vacaria na rua Sao Mi-
guel, no Jurunas, acorda com
barulho no lado de fora. Cha-
ma os dois filhos e vai ver o
que hd. Descobre que um dos
touros da vacaria desapare-
cera. Sai imediatamente em
perseguiqio aos ladroes. Nao
os encontra, mas consegue
reaver o touro, deixado na es-
quina da Sao Miguel corn a
Padre Eutiquio. Desconfia


que o golpe foi praticado por
"Bia" e "Chib6", os quais
denuncia ao delegado do pos-
to do Guami.
Bel6m de quatro d6cadas
atrds.

Tiragem
A Folha do Norte declarava
em seu expediente de 1968
que tinha uma tiragem de 30
mil exemplares didrios. Se-
ria uma circulacao semelhan-
te A tiragem m6dia atual de
O Liberal, successor do jor-
nal da famflia Maranhio na
lideranqa do mercado, se-
gundo os novos dados de
auditagem do IVC.
Nessa 6poca, Cl6vis Ma-
ranhio ascendera A direqio da
Folha no lugar do pai, Paulo
Maranhao, morto dois anos
antes. Jodo Maranhio, que, ao
contrdrio do irmio, nunca se
afastara da empresa, conti-
nuou apenas como gerente.
Em 1974 ojornal deixou de
circular. Foi vendido a Romu-
lo Maiorana, que relangou
ocasionalmente a Folha, ape-
nas para cumprir a exigencia
legal e nio perder o titulo.
Valiosissimo durante pelo me-
nos meio s6culo esse titulo jA
entdo pouco valia. Jornal que
nio fazjomalismo, quando co-
meqa a morrer, nao escapa ao
destino certo. Apenas o camu-
fla durante algum tempo.

Rabino
Em 14 de setembro de 1968
o rabino Isaac Melul comple-
tou um s6culo de vida, co-
mandando familia com nove
filhos, 28 netos e 16 bisne-
tos, e, por 56 anos, a comu-
nidade israelita do Pard. Saiu
de Tanger, no Marrocos,
onde nasceu, quando tinha
18 anos. Estabeleceu-se
como comerciante em vdri-
as cidades do baixo Tocan-
tins, como Cameti e Baiio,
at6 fixar residencia na tra-
vessa Campos Sales, ao lado
da sinagoga onde a comemo-
ragao dos 100 anos foi reali-
zada. Era o perimetro judeu
por excelancia de Bel6m.


10 MARCO DE 2006 IOQUINZENA Jornal Pessoal






TFP
Quatro membros da TFP em
missao de divulgacao da Tra-
diqao, Familia e Propriedade
em Bel6m, em 1968, nao tive-
ram sorte. Foram agredidos
duas vezes em seu posto de
comando, com o paramento
caracteristico da entidade fun-
dada por Plinio Correa de Oli-
veira, o "dominus" Plinius, no
Largo do Rel6gio, ao lado do
Ver-o-Peso. A primeira inves-
tida foi de estudantes, indig-
nados cor as pregacoes anti-
comunistas, anti-esquerdistas
e contra a igreja ecumenica.
Mas da segunda vez os "tefe-
pistas" apanharam foi mesmo
de senhoras. Algumas delas
idosas, mas en6rgicas na de-
fesa dos padres p6s-concilio
Vaticano II. A policia teve que
dar cobertura aos jovens di-
reitistas contra as matriarcas.

SNI
O primeiro chefe do Serviqo
Nacional de Informaoqes (o
SNI do regime military, trans-
formado na atual Abin) foi -
ji na reserve o general de
divisdo MArio Aldo Couto da
Gama, paraense, que coman-
dara o 26 Batalhdo de Ca-
qadores, a principal unidade
do Ex6rcito na Area, entire
1963 e 1964. O general to-
mou posse no cargo em se-
tembro de 1968, tres meses
antes do AI-5.

Telef6nica
O pr6dio da Cotembel, a com-
panhia telef6nica de Belem
(que desapareceu sob a Co-
telpa e, depois, a Telepard,


FOTOGRAFIA

A Almirante Barroso
Em 1960 a avenida Tito Franco (atual Almirante Barroso) era uma via corn duas pistas
em concrete armado, sem drenagem, cercada por mato. Em suas margens havia entdo
poucas construgoes, como a do hospital da Aerondutica, em funcionamento ate hoje.
Ela serviu de passarela para a Pespsi-Cola fazer circular toda a sua frota de veiculos,
incluindo as populares lambrettas. 0 desfile anunciou a mais recent promocdo da
outra cola international, que distribuia isqueiros aos clients que apresentassem a
chapinha premiada. Ao fundo da fotografia ainda se podia ver a vegetacdo native,
corn drvores de grande porte. Em quatro dicadas, mudanqa radical.


hoje Telemar), iniciado em
1969 e concluido no ano se-
guinte, foi o primeiro na ci-
dade com parte dele em es-
trutura metalica e parte em
concrete armado. Quem fez


a parte metalica foi a Com-
panhia Sidenirgica Nacional
(CSN), de Volta Redonda. Na
Dr. Moraes, entire Nazar6 e
Braz de Aguiar, foi projetado
para 12 andares, os tres pri-


meiros destinados a abrigar
estacdes telefonicas. Nessa
6poca, no centro da cidade, s6
faltava canalizacqo subterri-
nea na Presidente Vargas e na
Assis de Vasconcelos.


Cartas

Journal e geografia
Essa 6 a primeira vez que escre-
vo para este quinzenal e cor certeza
nao serd a ultima. Esperei um bom
tempo para poder escrever depois
de todos os fatos que ocorreram des-
de aquela absurda agressdo que voce
sofreu. Lucio: depois de mais de um
ano e acompanhando todos os acon-
tecimentos sobre esse fato e a via
crucis judicial que voce vem enfren-
tando, venho atrav6s desse correio
eletrdnico Ihe dizer que sua luta nao
ter sido em vio e que eu e meus
alunos aqui em Bellterra esperamos
que o JP viva mais 100 anos, pois as
aulas de geografia nunca mais foram
as mesma em Belterra desde que che-
guei a esse municipio longinquo e ma-


ravilhoso do Estado do ParA, n6s aqui
no ficamos sem um n6mero do JP,
que nos 6 enviado pelo meu pai ai de
Belem. Espero que sua luta continue
firme pelos interesses amaz6nicos,
pois sua vit6ria 6 a vit6ria de todo
povo da Amaz6nia, que clama por
verdade,justiqa e dias melhores para
essa regijo, que 6 diferenciada de qual-
quer regiao do planet.
Alex Ruffeil
Belterra-PA

Trovas
0 JP chega ao ntlmero 362 en-
frentando agress6es e
adversidades.Sao mais de 18 anos de
relato field dos fatos mais importan-
tes da historic contemporAnea de
nossa terra. Sugiro a edicqo em livro


corn volumes contend todos os ni-
meros a cada dez anos, para que os
maisjovens e as futuras geraq6es nao
percam tdo important fonte de con-
sulta. Para os incapazes de colecio-
nar, como eu, seria um present. So-
bre a nota em Mem6ria do Cotidia-
no, no JP 352, a bem da verdade, a
premiaqio iniciou pelo segundo lu-
gar porque nao conseguiram arreca-
dar o valor destinado ao primeiro
pr6mio, de R$1000000, em moeda
da 6poca. O tema era festasjuninas e
a trova premiada foi a seguinte:

Acendi minhafogueira
Com gravetos de ilusdo
Pra queimar a vida inteira
As mdgoas do coragdo
Dona Zinalda, que porfelicidade d
minha mde, venceu tambim na


mesnma poca, corn o tema Cidade
Velha, outro concurso, corn a
seguinte trova:
Ontem um principle encantado
Vestido de seda e linho
Hoje um pobre arruinado
Pobre Palacete Pinho
Desta vez Ihe deram o primeiro lugar
Parabins pela maioridade do
nosso JP.
Marcelo Gil Castelo Branco


AVISO
Nesta semana, por absolute falta
de tempo, deixa de sair a seq~o
"antologia". Pelo mesmo motivo,
a ediqgo fica sem a alternative da
se~o "in6ditos". Perdao, leitores.


Jornal Pessoal iQUINZENA MAR(O DE 2006 11







Centro de convencoes: corn pre o de ponte


O governor do Estado gastard pelo me-
nos 76 milhoes de reais no Centro de Feiras,
Convenq6es e Eventos em Geral, que esta
sendo construido no bairro do Marco, em
Bel6m, onde anteriormente funcionava o
Hangar da Aerondutica. E um valor equiva-
lente ao da ponte estaiada sobre o rio Gua-
mi, a mais cara obra de arte da Alga Vidria,
geralmente considerada como a maior obra
do governor Almir Gabriel.
A primeira parte da obra de conversao do
hangar em centro de convencqes, orqada em
R$ 32 milhies, foi licitada em julho do ano
passado ejd estd em plena execuqio, deven-
do ser conclufda no prazo de oito meses. A
concorrencia ptlblica para a segunda parte,
no valor de R$ 44 milh6es, serd decidida no
pr6ximo dia 24, cor prazo mdximo de 255 dias
para sua realizaqio. Ambos os projetos sio
conduzidos pela Secretaria de Cultura, coman-
dada pelo arquiteto Paulo Chaves. Ele esteve
A frente de outras obras que, mesmo nao rela-
cionadas diretamente cor sua secretaria, fi-
caram sob a sua responsabilidade, como a
Estaqio das Docas, que poderia estar vincu-
lada A Seicom (Secretaria de Inddstria, Co-
m6rcio e Mineraqio) ou a empresa estadual
de turismo, a Paratur. Em conjunto, as obras


assumidas pela Secult em Bele6m reptserin
investimento de R$ 150 milhis ae4ongoide
tries governor tucanos sucsdsivos.
Se a caracteristica dessas obras q~.aio
a custos for mantida, o preqif1nal docecntro
de convenq6es deverd ir al6tn dos R$ 76rmi-
lh6es previstos. A Estaqao,Aes'Doca, pbr
exemplo, com projeto de R$ 8 rnithle 'Saiu
por R$ 20 milh6es. Como ootronasarai
da adaptagao do antigo harliar da;eron't-
tica, e nao de uma obra nqvA\ semelhapte-
mente A Estaq o (adaptadak\eigal pe-'.do
porto), o aditamento podera 'al~arr i--'at
25% do valor original. O custo saiu muito
maior na Estaqao porque o contrato assina-
do para concluf-la teve valor muito mais ele-
vado do que o contrato inicialmente conce-
bido para executA-la por inteiro.
Uma outra caracteristica dessas obras 6
que quem 6 escolhido para realizar a primei-
ra etapa tamb6m costuma ganhar a segunda
licitaqio, process que se repete no caso
do centro de convencqes. A empresa que ja
esti trabalhando no local ter nitida vanta-
gem sobre todas as outras, que precisam se
valer da estrutura ja em atividade da con-
corrente potential.
A hist6ria se repetird mais uma vez?


Leitura de soslaio


Gosto, em geral, nao se discute. Mas em
alguns casos cabe lamentd-lo. A escritora e
fil6sofa gadcha MArcia Tiburi, por exemplo,
confessou ao journal O Estado de S. Paulo
que tenta, mas nio consegue terminarA Mon-
tanha Magica, de Thomas Mann. Ela decla-
ra que gosta de ler livros longos, mas acha
que se sairia melhor na leitura se o romance
tivesse "um resume animador no comeqo",
algo que ela pr6pria admite ser uma heresia,
dizendo-o, por6m, em tom jocoso, como se
fora heresia de brincadeirinha.
Fiquei tao chocado cor o ponto de vis-
ta da intellectual gaticha que decidi sair da
bitola que me impus neste journal para mani-
festar minha irresignaqao diante de tama-
nho mau gosto, ou despaut6rio, como se
diria antanho.
Se a mestra gaicha simplesmente nio
gostasse do vasto romance de Thomas Mann,
nao haveria encrenca alguma. Ela sugere que
gosta do livro. O problema 6 que nao o en-
tende. Por pura incompreensao 6 que compete
o atentado de proper um "resumo animador"
no inicio da trama, a firn de que a leitura en-


grene e nao descarrile mais at6 o final de qua-
se mil pdginas, nas ediq6es standard.
O comeqo 6 justamente um dos pontos
altos de A Montanha Mdgica. Em meia dizia
das piginas iniciais, Thomas Mann sepulta
o s6culo XIX e satda corn trompas o s6culo
XX, que, ao final, execraria (e af sem o mesmo
brilho). Para conseguir esse feito, o escritor
alemao nao faz uso de sociologia ou qual-
quer outra forma de redundancia: descreve a
roupa, o gabinete e os hdbitos do velho se-
nador, pela 6tica de seu neto, o engenheiro
Hans Castorp, justapondo alegoricamente as
duas eras. E um dos moments mais eleva-
dos da literature em todos os tempos. A inte-
lectual gadcha acha que 6 chatice.
Nao 6 de admirar que consider "meio
chato" o outro grande livro de Mann, Dou-
tor Fausto, embora' destaque Adrian Le-
verhiihn como um daqueles personagens
"tAo marcantes que ganham vida pr6pria" na
imaginaqao do leitor. Estamos diante de uma
geraqio que s6 6 capaz de enfrentar as sagas
da imaginaqao corn um guia Michelin no bol-
so. Simploriamente sofisticados.


DESAFIOS DA JUST A
Os melhoresjuristas entendem que o ca-
minho correto para o Conselho Nacional de
Justiga combater o nepotismo no poderjudi-
cidrio seria atrav6s de lei. Da mesma forma,
nao duvidam que uma lei cor esse prop6sito
mofaria muito tempo antes de ser aprovada
pelo legislative, se algum dia viesse mesmo a
ser aprovada. Os interesses contrariados blo-
queariam a tramitaqoo de um projeto realmen-
te para valer. A saida foi mesmo recorrer a
uma resolugio, media de natureza adminis-
trativa, e esperar que o Supremo Tribunal
Federal a abenqoasse, legalizando-a, como
acabou acontecendo.
Mas quem, por um simples ato adminis-
trativo, mandou para a rua milhares de servi-
dores ptblicos enquadrados em nepotismo,
o que nio podera fazer no future? O tnico
caminho viivel para media de tal impact
pode se revelar uma avenida larga demais.
Por ela podera trafegar uma nova oligarquia,
formada por aqueles que tern assento tanto
no CNJ quanto nos tribunals superiores.
Esse 6 um risco que surge no Brasil sem-
pre que 6 precise reformar determinadas es-
truturas de poder ou impor decisbes de sig-
nificado profundo. Domesticamente, essa si-
tuaqio se caracterizou no curso do proces-
so contra a desembargadora aposentada
Ana Tereza Murrieta. Quatro jufzes de pri-
meira instancia da vara penal de Belnm se
afastaram do process alegando suspeiqio
ou impedimento. Antes que a ciranda de re-
cusas se ampliasse, o president do tribu-
nal designou ojuiz Paulo Jussara para fun-
cionar nos autos.
Corn esse ato abriu uma brecha, explora-
da pelos defensores da magistrada. Na ape-
lagqo contra a condenaqio da desembarga-
dora, eles alegaram como preliminary a nuli-
dade do process porque nao foi respeita-
do o principio do juiz natural, considerado
competent para a instruq~o processual. No
caso, o risco foi calculado. Se por acaso a
preliminary vier a ser acolhida, a sentenga con-
denat6ria poderd ser anulada, mas a instru-
gao sera mantida.
Ojuiz natural receberd os autos para sub-
mete-lo a nova sentenqa. Mas irA desfazer
uma sentenqa consistent, como a que Paulo
Jussara produziu? Contrariard a opiniao pi-
blica, agradavelmente surpresa corn a conde-
naqgo da desembargadora aposentada a 12
anos de prisao, por ter sacado fraudulenta-
mente dinheiro depositado em contas aber-
tas na rede bancdria em nome da justiqa?
Contrariando o que jd foi praticado, teria
que se permitir uma faqanha: fazer a hist6ria
andar para trds.


Jornal Pessoal
Editor: Lkcio Flavio Pinto
Ediiio de Arte: L A. de Fana Pinto
Produiio: Angelim Pnto
Contato: Tv Benjamin Constant 845/203/66 053-
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