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A HISTORIAN ALUMINIO: DO IMP$RIO PARA PODE DE ROMULO PERDER MAlORANA BILHOES PAG NAPAGINA a ornal Pe 00 A AGENDA AMAZ(^NICA DE LCJCIO FLAiVIO PINTO SETEMBRO DE 2005*2nOUINZENA*NP 353*ANO XIX*R$ 3,00 mandates, deputado federal e sena- dor, al~m de fundador e president Gda Federagio das Indlistrias do Pard dur-ante 40 anos seguidos. Tamb~m foi presi- dente do Banco de Crddito da Amazinia, hoje Banco da Amazinia. Sempre como um politi- co da situaglio, do governor. No dia 2 de maio de 1983, com todo esse curriculo, Gabriel Hermes assumiu a tribune do Senado para advertir o governor federal, comandado entlio pelo general Jolio Baptista Figueiredo, que o Pard, o Mato Grosso e o Mar-anhilo "nho permitirlio que as Eclusas nio sejam terminadas par-i passu comn a primeira etapa da barragem de Tucurui, porque seria cometer- um crime contr-a o Brasil". No discurso, o senador disse que iria repetir as palavras ditas alguns dias antes aos ml~inIstl dis M nus- e Energia e dos Transportes, diante de outros cole gas par- lamentares da Comisslio de Minas e Ener- gia: "que eu iria a frente de gr~upos de estu- dantes do meu Estado, das Universidades do ParB. Irfamos, se precise fosse, a Tucu- rui para dentro do lago seco impedir que a Agua enchesse o grande reservatbrio antes da passage das gguas". O lago artificial foi for~mado, inundando 288 mil hectares de terras com 54 bilhdes de litros de jigua. A primeira das 12 enormes tur- binas instaladas na primeira casa de forla da usina entrou em operagilo e a hidrelitrica foi inaugurada, menos de dois anos depois do herbico discurso. Nem o senador encaneci- do nem seus quixotescos e joyens acompa- nhantes se langaram ao reservat6rio para morter pela causa. A festa de inaugurag~lio foi complete e t~~try la, gSragas a segu-ang~a e a Acaumilizi tri Estados, que o sis- tema de transposiglio da barragemn beneficia- ria com a maior hidrovia do planet. A primeira etapa do pr-ojeto de Tucurui foi concluido e as eclusas nlio chegavam nem a um tergo do que deviam ser-, continu- ando a interromper uma navegaglio de tris sdculos e meio anteriores. Dentro de mais um ano a duplica~gio da usina tamb~m che- gard ao fim, ao custo de 3,7 bilhbes de reais. E o maior canteiro de obras do pals atual- mente. A obra do sistema de transposiqilo avangou mais um pouco, mas ainda se en- contra bem distant da conclustio. A Eletronorte estj nos arremnates da 20a miquina, mas trabalha simultaneamente nas outras tras que faltam para chegar 3 plena capacidade nominal de geraglio da hidrelC- trica, de 8,2 milhaes de quilowatts, a ter- coNTINULiiA idAffi ECLUSAS Nun ca mais ? No pr6ximo ano o canteiro de obras da hidreletrica de Tucurui serci desativado. Se isso acontecer, dificilmente as obras de transposigbo da barragem no rio Tocantins serdo concluidas. A navegagdo ficarci interrompida por mais quanto tempo? 2 SETEM8RO DE 2005 *2nQUINZENA Jornal Pessoal CONINFA D.Ri"i.. ceira maior do mundo. Quando isso acon- tecer, soar8 o dobre de finados para as eclu- sas de Tucuruf? Elas se perenizarilo como obra inconclusa? Mais do que uma eclusa, essa obra 6 uma esfinge. Talvez a comparaglio ajude os para- enses (e, quem sabe, os habitantes dos ou- tros Estados alcangados pela hidrovia) a se conscientizar de que sem entendimento da questlio nito hA dominio possivel sobre ela. A eclusagem de Tucuruf 6, como vsrias ou- tras questaes vitals do Estado, um slogan, uma palavra de ordem, um jarglio e uma esfinge. Repete-se e repete-se, g exaustlio, sem que esse esforgo ilumine o problema e fornega as chaves para compreend8-lo e, sem- pre que possivel, resolv8-lo. A obra da bidrel~trica de Tucuruf foi inici- ada em 1975. A do conjunto de dois elevado- res hidrdulicos, comportas de ag~o e canals de concrete, s6 quatro anos depois. A empresa responsivel pela usina de energia era uma, a Eletronorte (Centrais Eldtricas do Norte do Brasil), provide -razoavelmente em dia com o cronograma fisico-financeiro, de vulto mundi- al dos recursos necessbrios para que, nove anos depois, a primeira fase do projeto fosse colocada em funcionamento. A Eletronorte, bem ou mal, 6 uma empresa de direito privado. A entidade responsdvel pelas eclusas era uma autarquia do Ministdrio dos Transportes. A Portobris nito suportou a tarefa e foi extinta antes que o servigo estivesse ao me- nos com sua perenidade assegurada. A par- tir dal a incumbincia foi sendo transferida e os recursos para realiz8-la, solenemente pro- metidos no inicio de cada exercicio financei- ro, eram reduzidos on simplesmente elimina- dos no final do orgamento. O posta-restan- te, hoje, oficialmente, 6 de pelo menos 350 milh~es de reais, mas as fontes bem infor- madas garantem que chegar8 a R$ 600 mi- lhaes. Seria o valor da revision orgament~ria feita pela empreiteira responsivel pela obra, a Camargo Corria. Niio concordando com o novo orgamento, o governor federal, sovina na libera~gio de dinheiro para as eclusas, fe- chou de vez o caixa. Ningu~m pode dizer, alto e bom som, que 6 contra as eclusas porque significaria ad- mitir a pritica de uma ilegalidade. O C6digo de Aguas imp~e o restabelecimento da na- vegaglio de rio bloqueado por uma barra- gem. Por nito ser prioritbria, a obra foi sendo postergada. Mudar esse entendimento fir- mado em Brasilia exige mais do que discurso de tribune parlamentar: 6 preciso demons- trar a necessidade da transposiglio do rio Tocantins em Tucuruf. O problema 6 que nem os defensores da obra chegaram aexamin8-la em detalhe, acei- tando considerar inclusive seus elements polamicos ou mesmo nocivos. Como, por exemplo, o projeto original de engenharia, superdimensionado, ou o absurdo de prorro- gar um contrato atrav~s de aditamentos de valor muito superior aodo orgamento inicial. A Companhia Siderdrgica do ParB ji fez sete embarques no porto de Vila do Conde de milhares de toneladas de ferro gusa, trans- portada em milhares de viagens de caminhilo desde MarabB, a quase 500 quil~metros de distlncia, para provar que a transposi~gio da barragem de Tucuruij ji uma obra viivel eco- nomicamente. Sem esse empecilho, a carga a transportar podia ser muito mais volumosa e o frete baixaria, tornando o produto competi- tivo at6 mesmo quando os pregos cafrem, como serid a tend~ncia provivel. Se as eclusas n~io safrem, a Cosipar ter8 que montar um esquema de escoamento in- termedi~rio entire o atual, que 6 carol (e s6 se mant~m por causa do prego da gusa, excepci- onalmente elevado), e o possivel, atravts de transbordo da carga rodovibria na barragem, quando pegard o modal hidrovibrio. Toda carga de mindrio ferro e gusa a trans- portar pela hidrovia soma menos de 8 milhies de toneladas. A capacidade do sistema de transposiqilo da barragem de Tucuruf C 10 vezes maior. Como, quando complete, esse sistema custard mais de um bilhlio de reais, Brasilia reluta em aceitar comprometer recur- sos. Naturalmente, porque encara as eclusas como um fato isolado, nito como um elemen- to de um plano global de desenvolvimento. Se ji fosse possivel ultrapassar a bar- reira de Tucurui, a navega~gio se tornaria plena da foz do Tocantins art MarabB, numa extensito de 500 quil~metros. Com a eclusa da hidrelttrica de Lajeado, ainda a cons- truir, mas com orgamento muito menor, a navegabilidade se estenderia por mais 400 quil8metros, abrangendo quase 40% da extensilo do Tocantins, o 25o maior rio do mundo. Nio C pouca coisa, mas deve-se reconhecer que o dinheiro envolvido n~io 6 desprezfvel, muito pelo contrdrio. Enfrentar a esfinge, decifrando-lhe os mis- tirios, constitui desafio urgente. No papel, a data prevista para a concluslio das eclusas continue a ser 21 de junho de 2006. Mas essa data se tornou mera fantasia com a interrup- Fgio do fluxo de caixa. Se o canteiro de obras da hidrel~trica de Tucuruf for definitivamen- te desmobilizado, dentro de mais al guns me- ses, o que jB se fez no sistema de transposi- glio poderd se transformar em algo como uma pidimide. Ou seja: um tlimulo suntuoso. A Alcoa, a maior empresa de aluminio do mundo, pretend in- vestir 1,6 bilhlio de d61ares no Brasil nos pr6ximos anos. O gros- so desse dinheiro, ou US$ 1 bi- lhilo, irdi para Slio Luis do Mara- nhilo. Serd usado para ampliar a capacidade de refine de alumina e aluminio da Alumar, cons6rcio do qual a Alcoa participa com 35,1% do capital, participaglio s6 inferior g de outro gigante do se- tor, a BHPBilliton, que tem 36% (os outros s6cios slio a Abalco, com 18,9%, e aAlcan, com 10%). A produgliopassaride1,5 milhlo de toneladas para 3,5 milhies. A mina de Juruti, no ParB, receber8 uma parcela menor desse program de investimen- tos, ou US$ 350 milh~es, mas ter8 funglio essencial na defini- ~gio desse esquema. De 14 saird o mindrio de bauxita que dard suporte g expansion da produ- Fgo de alumina na plant de Sio Luis. Primeiro serlio 6 milhaes de toneladas anuais. Na conso- lida~gio, a produ~glo ird para 10 milh~es de toneladas, oequiva- lente a metade da extragilo atu- al do mindrio no Brasil. Dos 21 milh~es de toneladas lavrados no ano passado no pafs, mais de 16 milhies foram fornecidos pela mina do Trombetas, no mu- nicipio paraense de OriximinB. A jazida pertence g Mineraglo Rio do Norte, controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, em associacilo com v~rias mul- tinacionais, dentre as quais a prbpria Alcoa. No final da dtcada as duas minas poderlio estar produzindo quase 27 milhaes de toneladas. A elas se somard a mina de Para- gominas, que poderichegar a 9 milhies de toneladas. O Pard se tornar8 entlio o segundo maior produtor mundial, com 36 milhes de toneladas. Desse total, ape- nas 9 milhaes de toneladas sed~io usadas dentro do prdprio Esta- do para produzir alumina, agre- gando valor internamente. Com duas toneladas de bauxita pro- duz-se uma tonelada de alumina, um mindrio refinado semelhante ao agdicar, que t insumo do me- tal. A tonelada de alumina vale quase quatro vezes a soma de duas toneladas de bauxita. Os outros 27 milhies de to- neladas serito exportados para o exterior ou remetidos para Silo Luis, onde serio beneficiados. "LIn natural essa venda pode render 800 milhies de d61ares. Se fosse transformada em alu- mina renderia US$ 3,5 bilhaes pelo menos. A perda para o Es- tado, s6 nessa primeira trans- formaglio, 6 de US$ 2,7 bilh~es. Virando metal primirio, rende- ria 10 vezes mais, mesmo com o prego do aluminio deprimido, como esti atualmente. Esse delineamento mostra que o Pars, detentor do terceiro maior depbsito de bauxita do mundo e com elevado potenci- al de gera~gio energ~tica de fon- te hfdrica, os dois principals fa- tores de viabilizaglio do alumf- nio, se especializard, nas etapas iniciais do process (mineracgio e produ~gio de alumina), avan- gando pouco na metalurgia (com o lingote) e quase nada a partir daf. Isso quando, no res- tante do pals, o consume de produto acabado de aluminio (principalmente fios e cabos) vem crescendo proporcional- mente mais do que nas etapas anteriores. Ou seja: o ParB est8 se es- pecializando em causar maio- res danos ambientais e socials e ter menos rendimentos eco- n8micos no ciclo do aluminio. Especializagliode quem vai fi- cando para tris. Aluminio: Para ficara para tras 3 Escrev~i e.ste rtitgo, a pedlido die Maur~izio Cierijci. re)jlPdrr Pespecial do L'Unithi, de Romlla, pa-ra o livro Favelas e arranha-cius, redmPrl-publicado1 pelo journal italianro na t cole~c7o Cader-nos da Amdrica Latina. Dois dlos seis titrulos jci lulangaos dlessa coleCdo tBIm o BraCsilcomo1 temalC. O arrigo foi solicitadlo em lfimq~o dar guer-ra judicial arbe~rra c~onltlra mIim pelos herd-eir-os dlo impir'lio jolrnalistico c~-criado por Romulllo Maionrana, wn llfilho die irtalianros. Esc~rito para-( o leitor daqullele belo pals, a qule malis amno depois do Ilugar no0 qualN atsci', esper-o queL intferesse tamrlbim ao leitor dac mlinlha queo-rlid cidadec. E queI leveL os filhlos de RM a refJletir e acaCbarT com) esse mourl hecibito de cr~iarr suscetibilidadrtes hiperinf~laciornadas, reagrindto coml selvager-ia semp~re qre arlgudml, tendto querc falatr sore um~ passadlo aridarelol r(0lecentre, m~as jci passado, r-ec~onte at histdr-ia verdadeil~ra qule, comlo tal, tem tanrto die her~dico e soberbDo qluanto die milseerci'el e dramIIcitico eml seul Plenreo real. Homlens dle carnle e osso fizeram essa histdriar. Nclo burstos imp~oluctos ou ~fantloches carlicatos. Que a boa pesqulisa facla jurstica a pe~rsonaugenls histdricos, sejam~ eles Magalhcdes Balrata, Paulro Maranlhclo oul Romulllo Maioranal. Crlt~lerlraee essas pessoas se tornraram mrllcantes porquie o saidlo de suans vidas foi positivo, supyeravitcirio. Do contrcririo, jd estarriaml esqulecidas. E ~m 1953 o rio Amazonas, o maior e mais Svolumnoso do planet, encheu como Inunca. Suas Aguas caudalosas inva- di~ram cidades e foram maito al~m de suas mar- gens, criando um mar inter-ior, no long de seu percurso, com 300 quilbmetros de largura. Foi a maior enchente do s~culo XX de um rio que langa ao Oceano Atlfintico 12% da drenagem superficial de figua doce do planet Terra. Foi esse o fato mais marcante de 1953. Ningu~m registrou, na 6poca, um fato que tambdm teria sua repercussilo especifica - certamente multo menor, ai nda assi m signi- ficativa na hist6ria contemportinea do Pardi, o segundo Estado em extensiio da Amazi~nia, o mais antigo, o mais populoso e o mais important da regitio. Nesse ano chegou a Bel~lm, a metrbpole regional, situ- ada na foz do Amazonas, numa ponta de terra As proximidades do mar, umn pernam- bucano, filho de pais italianos, chamado simplesmente Romulo Maiorana. Maiorana jd estava comn 31 anos, mas nada r-ealizara atC entilo de especial para mer~ecer a atenglio coletiva. Nascera em Recife, a capi- tal do Nordeste brasileiro, estudara apenas atC o segundo gr~au (chamado, entho, de ci- entifico), efor-amrandado pelo paih itjlia para estudar. Mas a guerrIa estour~ou e ele acabou sendo incorporado ao exercito de Mussolini. Niio foi para os campos de batalha, entretan- to: f~iouI na r~etalguarldal, como datil6grlafo. Finda a guerra, Romulo volton ao Bra- sil. Nilo para Recife, mas par-a Natal, a mais importantle ba~se de operagaes dos Aliados !(:.rna1l Pessou *] 2 .UINNL.A SETEMBRO D: l em territ6rio brasileiro na Segunda Guerra Mundial, onde seus pais se haviam insta- lado. Sem perspective, decidiu tentar a sor- te mais ao Norte. Beldm, com pouco menos de 400 mil habitantes, vivia um period mais favortivel nesse novo entre-guerras do qlue na fase de 1918 a 1939, quando entrou em crise profunda porque a principal ativida- de econ8mica regional (e a segunda base da economic national), a exploragao da borracha, entrou em colapso por causa da concorr&ncia asititica. Romulo tentou al guns negbcios comer- clais, como fabricar plazas indicativas de 8nibus, flamulas e paindis luminosos, an- tes de comegar a montar uma rede de sete lojas de vestutirio e calgados, qlue inova- ram em vendas e marketing. Mas nunca deixou de escrever uma coluna social na imprensa, sua verdadeira paixtio. Primeiro foi colunista em O Liberacl, journal fundado em 1946 para ser o porta-voz do partido mais forte do Estado, o PSD (Partido Social De- mocrtitico). O verdadeiro donor dessa legen- da era o general Magalhlies Barata, qlue surgiu na political como integrante do mo- vi men to dos j oyens milIi tares de c lasse me- dia qune faria a renovaglio do Brasil a partir da ddcada de 20, o tenentismo. Barata foi interventor federal no ParB em 1930, volton a ser interventor durante a gran- de guerra e em 1953 era senador, preparando- se para disputar e veneer a primeira dis- puta como governador eleito pelo voto po- pular-, em 19)55. Seus maiores inimnigos nio eram outros politicos ouemprestirios,quie nho aceitavam seus m~todos tr-uculentos e a oli- garquia criada em torno de seu poder pesso- al. Quem mais o preocupava era um journal, a Folha~ do Nor-te, fundado ainda no s~culo XIX, e seu donor e principal predator, Paulo Maranhilo, jji entlio sexagendrio, mas de esti- lo violent, demolidor. O Liberalr perdeu feio as escaramugas praticamente didrias com a Folha, o mais poderoso journal do Nor-te do Br-asil, mas Ba- rata conseguiu voltar ao poder total, que perdera na eleiF6o de 1950 para a Coliga- glio Democriitica Par~aense, uma frente com quase todos os outros par-tidos. Aldm de escrever uma coluna no journal de Barata, Romulo passou a namorar uma sobrinha do general, Luciddia, mais conhecida como Dia, joyem muito bonita e multo comenta- da nas rodas da Altaa sociedade" por seu modo de viver desafiador par-a a moral con- servadora da Cpoca. A sombra do caurdilho,, Romulo cresceu no com~rcio como nunca, niio s6 atravis da multiplicagio das Lojas RM, como pelo con- trabando qlue se desenvolvia na cidade. Be- 16m era, na 6poca, uma especie de Sicilia. Vivia isolada do restante do pals. Nflo dis- punha de estr-adas de rodagem ou ferrlovias par-a as comunicaq6es com outros Estados brasilciros ou o exterior. que s6 podium ser feitus por navio ouI vil~iio. Mas como estalva as proximidades dus Guianas (na 6poca. sob a domlinio da Fraunga. que ainda se mnant~m, da Holanda e da Inglaterra, que concederam a independ~ncia As suas antigas colbnias sul-americanas), Beldm se abastecia, sobre- tudo de bens durdveis (como automoveis) ou de consume supdrfluo (como bebida al- coblica e perfume), atrav~s de um com~rcio illegal com seus vizinhos estrangeiros. O contrabando quebrava o isolamnento e, ao mesmo tempo, enriquecia um gruLpo de em- preendedores mais audaciosos on mais prbximos do poder politico, que daria co- bertura is suas aventuras. Romulo fazia parte desse grupo. Perspicaz, como demnonstraria ser ao longoo de sua vida, ele viu que esse tipo de comircio ficou com seus dias contados quando o "baratismo", o sistema de poder construido em torno de Magalhlies Barata, foi derrotado por um novo movimento mili- tar eclodido no Brasil, em 19)64, qlue dep8s o president Jolio Goulart e acabou com o populismo, o sistema national de poder es- tabelecido a partir do ditador Getiilio Var- gas, um hibrido de autoritarismo politico de elite com patronato econ~mico em favor dos desfavorecidos (Gettilio seria imortali- zado como "o pai dos pobres"). Romulo fechou abruptamnente sua ca- dela de lojas, famosas na cidade, e com- prou, em 1966, O Liberal. O journal jj nlio era mais do PSD: fora adquirido por Ocyr Proenga, um empresairio que, embora vin- culado ao governador cassado do vizinho Estado do Amazonas, Gilberto Mestrinho, iria apoiar a eleiglio de um dos militares que ingressara na political exatamente comn o novo poder, responsilvel pela cassagilo de Mestrinho, acusado de corruppio. O coro- nel Alacid Nunes se elegeu governador, mas a participagio de O Liberatl fora tao pouco convincente como quando na fase do control baratistar. O journal tirava 500 exemplares em 1966 e sua credibilidade era zero. Romulo teve que emprestar dinheiro (de Armando Carneiro, um politico geturlista, que decidira trocar a political pela atividade empresarial par-a es- capar i cassaglio, passando a atuar nos bas- tidores) e trabalhar dobrado para conseguir que a velha e prectiria impressora funcio- nasse, imprimindo sua nova mercadoria. Como jogador de cartas que era, Romu- lo fazia seguidas apostas na sorte e na for- ga de sua intuigiio, que complementavam sua audiicia. Ele sabia que um fato impor- tante criara um viicuo na im7prensa comn a morte, exatamente emn 19C66, do home que dava vida a Folhac, dona inconteste do mercado. Paulo Maranhaio morreria aos 96 anos, levando consigo as chaves do su- cesso do journal que comandara durante mais de meio seculo. O Liberal tinha que enltrar nesse vicuo. Romulo seduziu os jornaleiros comn pro- postas vantrajosas e presents par-a que apre- goasse m pri-or-i taria mente OLiberal. Dobr-ou as comissdes dos "baderneiros". os vende- dores de mua. Oferecia jornais de cortesia. co YI uA NA PAG4 Um impirio ao Norte: o de Romulo Mvaiorana A ~~SETEMBRO DE 2005 *2'QUINZENA Jor~nal PCessa l CONTINUASA0 DA PAG. 3 do os nomes dos benfeitores. Em 1972, jii consolidando sua lideranga, deu um golpe mortal na concorrancia: O Liberal foi o pri- meiro journal do Norte a adotar o modern sistema de impresslio em off-set, que garan- tia rapidez e qualidade ao impresso. Dois anos depois, comprou a Folha, jii decaden- te. Ao inv~s de tentar reanimar o glorioso journal do passado, deu-lhe a extrema-un~gio. O Liberal C que devia ser o novo poder. Confirmou-o quando, em 1976, inaugu- rou a TV Liberal, montada em apenas oito meses, para se tornar afiliada da TV Globo, que se tornaria a quarta maior rede de televi- silo commercial do mundo. Mas Romulo nto pade colocar a emissora em seu nome, em- bora fosse seu donor. Os 6rglios de informa- glio ainda mantinham em sua ficha a n6doa do contrabando. O regime military ainda es- tava no movimento afluente do seu moralis- mo (o golpe de 1964 foi dado no Parti a pre- texto de combater a subverstio e a corrup- Fgi). Niio concordava em transferir para al- gu~m tido como ex-contrabandista uma con- cesslio pliblica, o canal de television. Romu- lo teve qlue colocar a concession no nome de cinco funcion~rios, reavendo-lhes a a~gio depois, quando seus servigos prestados ao governor haviam limpado definitivamente seu nome dos arquivos da "comunidade de in- formaq~es", o subsolo no qual funcionava um autintico governor paralelo. Pelos 10 anos seguintes Romulo nito pa- raria mais de investor, crescer e expandir seu poder. Seu journal se tornou o segundo mai- or consumidor de papel de imprensa do Norte e Nordeste, comn tiragem em torno de 50 mil exemplares, quase dobrando aos do- mingos. De cada 10 leitores de journal no Parti, quase 9 liam O Liberal, uma propor- ~gi sem igual no pais na 6poca. Seus ou- tros vefculos de comunicaglio eram, todos, Ifderes em seus respectivos stores. Com uma nota na coluna principal do journal, que ele escrevia ou supervisionava, podia fa- zer o sucesso ou o desastre de uma pes- soa, empresa ou governor. Ciente do seu poder, ele parecia viver como se fosse eterno, o que justificava, em- bora de forma paradoxal, sua not6ria hipo- condria. Fazia-o feliz quem lhe desse o "lilti- mo grito" em rem~dios de present. Quando morreu, em abril de 1986, aos 64 anos, de leucemia, ele estava comprando um novo e modern parque grtifico para o journal, em via de importagilo do Canada, e equipamen- tos para as emissoras de riidio e television, altm de montar um novo tipo de neg6cio, a produtora de video. Os sete filhos, que o sucederam, sob a presid~ncia honoriiria da mile, encontraram uma mbquina azeitada, em pleno movimento e com um aprecifivel estoque de capital liqui- do, os elements qlue responded pelo poder sem igual que o grupo Liberal tem na histdria da imprensa do Parj. Mas que podem se tor- nar a causa de sua decad~ncia, em future nio longinquo, se faltar aos herdeiros algum dos components essencials que levaram Romu- lo Maiorana a criar esse impirio amazinico. tencialismo enquanto moda tenha evolado, como perfume ruim, continue a recomendar como precioso o capitulo sobre a questiono de mttodo". EnriquecerB qualquer pessoa que o ler. Desde que leia. A filosofia da exis- tincia 6 uma das mais generosas e enrique- cedoras vertentes do pensamento humane e Sartre um de seus capitulos mais fecundos. Jj. Os caminhzos dae liberdadle, a c61ebr-e (para dinossauros como eu) trilogia romanes- ca de Sartre, diz o insigne coveiro, "ficou t~io datada quanto o pensamento do autor". E eu pensei que lendo os tras livros qualquer pes- soa sentisse mais sufocante e vizinha a con- digilo angustiante da existincia (haurida no notivel Kierkegaard) do que em A narusear, que, ao menos para mim e a meus interlocutores da ju- ventude, naio marcou tanto, embora esteja entire "o que ficou" do Mois~s sem Deus para ajuddi-lo a codificar a tabua das leis. .H Htanto de Sartre eanti- Sartre em Sartre que qulal- quer leitor aplicado de sua obra fardi sua sele~gio, seja do melhor quanto do pior, jai que, em sendo vasta, a obra C mesmo desigual, como seu autor. Pode-se voltar ao fi- 16sofo e encarar sua deca- dancia, como fez o grande escritor palestino (recentemente falecido) Edward W. Said em Culltura e political. Said, tiio sartreano quanto eu e meus ami- gos, que buscivamos exemplares da revista Les temlps mlodernes come "ma fonte de vida, lamentou testemunhar o epilogo do home e do filbsofo. Mas sem chegar a ponto de con- sider8-lo um zdfiro qualquer (o autor porno- grfifico e o vento ef~mero), como o mensura- dor de abalos sismicos de Ve~ja atesta. Nenhum leitor inteligente, sensivel e sen- sato de Sartre, mesmo demolindo o que ele escreveu, expurgando a imensa craca de inu- tilidade que se incrustou em sua obra, ja- mais passarji inc61ume por As palavras. Se o douto Rinaldo Gama me permit, direi que essas slio as mais belas memdrias literitrias da inflincia (ou da formaglio) que um ser humane jik escreveu. Sartre podia ter parade af, se ao aguado critic da revista se pudesse dar razlio. Mas, para o bem e para o mal, Sartre ainda escre- veu multo. Em todos os sentidos. Niio, po- rtm, naquele tipo de sentido estreito que cons- titui o alcance mfiximo de cidadlios como esse que o esquarteja e o reduz a visceras em al- gumas dezenas de palavras, dando a media do critic e da revista. N~io a de Jean-Paul Sartre. Que, na oragio dessa critical, s6 come- teu um pecado mortal: o de, comm~re-il-/ault, estar morto. Quantas noises da nossa vida eu e com- panheiros de geraglio consumimos lendo Jean-Paul Sartre? Quantas noises ficamos insones discutindo Jean-Paul Sartre em lu- gares pbblicos como o Bar do Parque? Quanto de n6s foi moldado pelas palavras de Jean-Paul Sartre? Ao me sentar no balclio da Maloca, do Monami ou do Lila's, com minha roupa em tonalidades neutras, meu at blasC, meu des- prendimento e minha postura pretensamente sedutora, eu me imaginava um Mathieu ao tucupi, mesmo que o molho tivesse comega- do a ferver antes mesmo da primeira leitura do fil6sofo existencialista francs, gragas ao te61ogo dinamarquis S~ren Abye Kierkega- ard, do siculo anterior ao de Sartre, o XIX. Antes de encarar o exis- tencialismo ateu de Sartre 1 eu jB era existencialista ca- t61ico, de leituras desviadas da teologia ortodoxa, quase hereges. Mattria de pouco mais de uma pilgina de Ri- naldo Gama, na pendiltima Veja, no entanto, me reme- teu para os arquivos, como se fossemos -eu, meus ami- gos, Sartre e o existencialis- mo series antediluvianos. A prop6sito do cente- 1 niirio de nascimento e dos 25 anos de morte de Sartre, o juiz-jornalista sentencia: "Por sua defesa de iddias e regimes inde- fensjveis, o pensador Sartre, que em seu tem- po foi um pop star da filosofia, hoje 6 um desses anacronismos que s6 uns poucos mn- telectuais brasileiros ainda sustentam. No entanto, Sartre tambbm foi um prosador com talent acurado para examiner o vazio da exis- tincia, no romance A Ndiusea, on seu absur- do, no conto O Muro. O escritor, apesar de tudo, sobreviveu". Nada a obstar se o cidadlio estivesse a manifestar sua opinilio. O diabo (que slio os outros) 6 transformil-la em diktat, sentenga, Cdito real, verdade absolute, dogma. Com a mesma convicqilo, o Torquemada da Editora Abril monta seu rol do que "foi superado" e do que "ficou" da obra de Sartre. Critica da razaio diarlitica, por exemplo, o inquisidor-mor langa-a ao fogo. Afinal, nio passaria de "tentativa de conj ugar marxismo e existencialismo", que, niio deixa dlivida o torturador mental, "nlio vingou": O marxismo foi enterrado com a morte do comunismo sovidtico, e o existencialismo revelou-se uma moda filos6fica passageira - escreveu o magarefe das id~ias. No entanto, esse livro volumoso me exi- giu meses de leitura, laboriosa, sem dlivida, mas proveitosa, fascinante. Embora o exis- A morte e amorte de Jea-PaulSa.t. JOrndl PCesso 31 2 QUINZENA SETEM8RO DE 2005 _r Em entrevista i revista Enltrelivros que estj nas bancas, Mill~r Fernandes diz que niio val mais Bs livrarias com regularidade. "Recebo tantos livros que esses me ocupam bastante tempo, e it h livraria comprar mais um, nio dj", informa o ex-silbio do Mdier, hBi muito tempo encastelado com sua lucidez na Zona Sul do Rio de Janeiro, num apartamen- to de cobertura em frente ao mar. Niio se deve levar a declara~gio ao pt da letra (por que niio a cabega da letra? Per- guntaria o leitor, g maneira do entrevista- do). A ambigliidade como resultado, embo- ra raramente como intenglio, 6 o trago de superioridade dos verdadeiros artists. Miller e um deles, caso raro de humorist assemelhado a George Bernard Shaw e que nada tem a ver comno as verses mais popu- lares e distanciadas anos-luz, como Chico Anysio e Tom Cavalcante. Finalmente um escritor sem estilo, Millbr, livr-e como um tdxi, 6 "um leitor esperto", como admite na entrevista. O que 18 incorpora ao que escreve, sem reduzir o que escreve a uma citagilo. E multo mais at6 do que digestlio, recriaglio. Miller 6 um produto da cultural do seu tempo, com rafzes num determinado es- pago, mas o transcendendo: 6 universal. Como humorista, tem compromisso apenas consigo. Sendo individuo excepcional, ele 6 um mundo. Dentro do nosso mundo. Pode-se permitir tudo. Como negar que vti com regularidade is livrarias para, logo em seguida, mostrar que it is livrarias lhe 6 uma atividade essencial. Niio para comprar livros, mas para v&-los, mostri-los a quem o acompanha, discutir, observer e usufruir os novos servigos (jii niio tito novos assim em outros lugares) oferecidos por esses pontos de venda, como o cafi expresso. EstB at realizado meu sonho de consume: receber periodicamente montanhas de livros e ir is livrarias nito para me manter atualizado com os langamentos, mas desfrutar da pleni- tude que s6 C possivel em contato comn livros em uma livraria, seu temple de venera~gio. Ela 6 um ponto de encontro, que geralmente pres- cinde a companhia de qualquer outra coisa (e mesmo pessoas). Basta o livro B espera. O quanto mais massive e, em certa media, de- sorganizada for alivraria, melhor. Hii aquele comprador que chega a uma livrar-ia com o pedido certo. Atendido, vai embora. Esse niio C um intimo dos in2 folio, mas algudm que precisa de livros. Os degus- tadores, que se beneficiam inclusive da rela- glio ffsica com o produto, combina~gio de cor, cheiro, forma e imagem, estes nlio chegam comn uma necessidade especifica e, sobre- tudo, naio tam hora certa para sair. Nem plano de v8o definido para a incursiio. Em curtos periods cheguei a receber uns poucos livros das editoras. O cbdigo da permanincia na rela~gio de destinattiri- os de cortesias era claro: mandar para o re- metente os registros feitos das publicag~es, de prefer~ncia com fotos das capas ou quaisquer outras ilustrag2~es, que sho cha- marizes mais eficientes da atenglio dos leitores em potential. Nunca, pordm, conse- gui simplesmente reproduzir o material de divulgaglio das editors, com uma on outra adigio pessoal. E 6 isso o que se pode fazer para tender is expectativas do fornecedor da cortesia. Resenhar o livro ao final de sua leitura, se a tarefa 6 divulgar vtirios livros num period de tempo curto, estli acima de qualquer capacidade humana. No mesmo ano em que comecei no jorna- lismo, noj jidistante 1966, consegui conven- cer o director de redagilo de A Provirlcia do Pardi, Clitudio Augusto de Sti Leal, que seria capaz de ler livros em quantidade suficiente para manter uma coluna semanal ("De fato, de gente e de livros"). As colunas foram sa- indo e ao final do ano publiquei uma relagio comentada dos "mais e melhores" da tempo- rada. E a coluna acabou ai. O jornalismo jj. me absorvia em tempo integral. Eu podia ter continuado no esquema co- mum de todas as se- 95es de livros, mas meu temperament nunca me permitiu cultivar * essa capacidade. Nilo a subestimo, como pode parecer. Mesmo quan- do t evidence que o au- tor da coluna esti de- sincumbindo-se da mis- slio para manter o fluxo 'Y de livros, djpara distin- guir quem 6 intimo do assunto de quem esti apenas interessado em former sun biblioteca e tender seu hibito (ou vicio). Em terms locals, basta confrontar a pligina semanal que Ildefonso Guimarlies manteve em A Provlincia comn a sec;io atual do meu irmlio, Elias, no Didri,-o do Pardi. A do Elias ji 6 melhor do que a de Ldo Gilson Ri- beiro emn Carros Amigos. Quando circulo pelos sebos de Sho Pau- lo, costume passar em um, o Quase Sebo, perto de minha querida Escola de Sociolo- gia e Politica, para catar livros novos que 14 viio parar por obr~a e graga dos resenhado- res da imprensa, al guns dos quais not6rios, que at6 conhego pessoalmente. Ningu~m pode dar vazilo a produglio de livros, mes- mo num pais como o Brasil, onde, descon- fio, a produglio supera o consume. Multa gente ainda compra livros que niio vai ler. Ou por gula ou porque a mercadoria tem uma destina~gio certa, qlue nada tem a ver com a leitura: a funglio decorative. Por niio montar minha estate de livr~os nos espagos que tenho, acabei sendo priva- do doprivil~gio que Mill~r, L~o Gilson e Eli- as, por diferentes motives e diversas serven- tias, consolidaram: receber as novidades do mercado editorial. Mas de vez em quando sogobra algum sobrevivente. Outro dia oaten- cioso Jos6 N~umanne me mandou seu roman- ce O sil~nc~io do delator, que recebeu o Pr@- mio Senador Jos6 Ermfrio de Moraes deste ano, da Academia Brasileir-a de Letr-as, como o melhor livro de 2004. Na dedicat6ria, ZC N~umanne, que tambam 6 jornalista, define seu livro como "a saga de uma geraglio de loucos, sonhos e homess. As primeiras piginas, as (inicas qlue consegui ler, nos intervalos gue a perse- gui~giojudicial agravada me permit, auto- rizam o entendimento. Mas conseguirei chegar ao fimn do livro para escrever sobre ele, retribuindo a gentileza erma do autor e os servings da editor, A Girafa, para qlue me regale em mais uma ocasitio? Niio sei. Talvez nilo. Hii na fila outros livros, qlue precise comprar, indo pedestremente is li- vrarias, on que a supreme cortesia de seus autores me obsequion singelamente, da qual precise dar conta e noticia. O mundo dos livros 6 um torvelinho. N-io precisamos e nem podemos ler tantos li- vros. Uma vez invadido pelo cupimn da curio- sidade, entretanto, o mal niio tem mais fim. Seus efeitos persistirlio at6 o tiltimo dos nossos dias, mesmo quando nos faltar~em olhos para Sver. Sem sua visio, em 4=,L idade jik avangada, ain- ." da assim Jorge Luis Bor- ges leu mais do qlue a / nata dos qlue compram iivros. Valendo-se de olhos alhelos, 6 claro, mas comn seu aparelho (e$.l de processamento de cultural intacto: sua po- ,derosa cabega. Impressionou-me quando soube qlue a bi- blioteca de Immanuel Kant niio la al~m de 300 volumes. Essas armas deram muniglio excep- cional ao fil6sofo alemlio. O qlue faz a diferen- ga? Evidentemente, quem 16. Disperse e curi- oso, sem discipline, sou um jornalista qlue forgou seus limits sem chegar As depend~n- cias de acesso restrito, o universe que defi- nem como sendo da Altaa cultural dos ver- dadeiros criadores de culture. Somos os aproveitadores dessa cria- Cgio Nada podendo fazer em matiria de cri- agio, dams a ela, com nossa adesrlo, o valor social sem o qual essa cultural sobre- nadaria no 6ter e ganharia seu nicho ideal em Marte, talvez. Mill6r Fernandes tem um pC nesse ambiente superior e outro, como jornalista qlue e, nns depend&ncias qlue fre- quientamos. E imortal, lato sensor, e pobre mortal ao mesmo tempo. Pode dar-se ao luxo de dizer qlue Domt Casmurrlo, "6 uma besteira, uma bobagem". sem causar o menor impact em quemn efeti- vamente leu esse romance ou, melhor ainda, a obr-a (se n~io complete, ao menos escolhi- da) de Machado de Assis. Mill81r diz qlue 6 um romance homosexual e tem razilo. Que Machado se escondeu de sua condigio de negro, descendente de escravos africanos, e continue a ter razlio. Que escreveu comno br~an- co para negar essa origem e a prdpr-ia tez, e co fINuA Nb PAC Os livros, os humans e os mais humans CONTINUACAD DA PAG. 5 mais uma vez estli certo. Que encontrou na Academia Brasileira de Letras, na vida (e na postur-a) acad~mica em geral, no figurine aris- toclritico que imnitou, uma compensa~gio pela epilepsia que o afligia, e novamente est8 com car-radas de razlio. Tudo isso precede, mas nho impede o leitor- de Machado de manter a certeza, da primeira a tiltima pligina de seus escritos, entire escorregies em verses e sensaborias em prosa, de estar diante de um verdadeiro cl6ssico, h altura de freqiientadores dos ci- nones, comno Shakespeare, para ficar num que Mill~r tiio bem traduziu. Qual a caracteristica maior do cl~ssico? Para mim, ser natural, simples. Quase inexis- tir como algu~m que express seu tempo (e aidm de seu tempo, na eternidade da com- preensiio e percepc;io humans) sem sair de seu tempo, sendo cada personagem que cria, entrando-lhe pelas entranhas, se a tautolo- gia permit; sendo, naturalmente, como tipo ideal e arquitipo, cada element da histbria que cria, der-ivada do mundo real para a for- ma abrangente da arte (ou da hist6ria, soci- ologia, filosofia, etc., sem muito respeito is categories for-mais). Apr-endemos mais numa pega de Shakes- peare sobre a condiglio humana do que em dezenas de livros de psicanjlise. Assim como as perip~cias de Calvin e Haroldo, criaturas de Bill Watterson, um produtor de cultural de massa, dizem mais sobr-e criangas do que to- dos os tratados de psicologia infantil. Quando comegamos uma pigina de Ma- chado nilo nos dams conta do memento em que deixamos de estar do outro lado do livro do instant em que ingressamos na sua trama ficcional. A literature se torna nossa vida, como se realmente, num passe da al- quimia da intelig~ncia sensorial, tiv~ssemos r~ealmente penetrado no papel. A partir daf vamos avangando na leitura, como se ela fosse t~io natural quanto a respiraglio nor- mal, e chegamos ao fim sem nos darmos conta da preciosidade daquela estrutura imagina- da por um home. Quedamos diante do livro concluido com a sensaglio de que tamb~m podfamos tC-lo esenito, se, por acaso, conseguissemos es- crever como Machado. Se tentarmos, pordm, naio conseguiremos (C excepcionalmente di- ffcil ser fjcil assim, se por facilidade enten- demos a clareza e a quintessincia da natu- ralidade). A niio ser se fizermos como fez Ha- roldo Maranblio, grande "machadiano", com seu Memlorial do fim, o memento seguinte ao fim de Machado. Este d o cliissico. E por que 16-lo? Porque ele coloca um espelho diante de nds, a nos refletir exatamente como somos, mas muito al~m do que somos, atomizados, isolados. Reconhece-nos a originalidade, mas nos in- clui no g~nero humane, nos ilumina, nos dai sentido. E ajuda-nos a prosseguir, mesmo quando niio recebemos os livros que cobiga- mos, todos os livros do mundo, e, tendo qlue optar, escolhemos aqueles que conferem o sinete de valor no pouco que somnos e no muito que desejamos ser. Eio trago da gene- r-osidade humana, que nos faz humans. E nos i mpele a fazer- o bem. O motive alegado para a agresslio de Ro- naldo Maiorana e a sucesslio de processes que ele e o irmlio instauraram contra mim em seguida 6 de que eu teria acusado o pai de contrabandista. Como qualquer leitura pri- mjria do artigo apontado como ofensivo mostrarti, eu registrei, no artigo "O rei da quitanda", que Romulo Maiorana nito pbde colocar em seu nome a concessilo de um 7 canal de television porque os 6rglios de in- formagilo do governor federal o haviam r-e- gistrado em seus acquivos como contraban- dista. Se ele foi ou nlio, 6 outra questhio, que a matiria jornalistica niio tratou. No 6ltimo n6mero da revista Conltexto, 0 jornalista Odacyl Catete, funcionjrio de O Liberal por muitos anos, escreveu sobre o episbdio, antecipando um trecho do livro, ain- da sem titulo, que pr-etende publicar: "Quando se abriu a possibilidade de mais um canal de television para Beldm, ele, pimba!, habilitou-se. Como era um libria- no vencedor, logo 'contrdrio sensu', nio admitia perder, 6bvio. Criou entlio uma fir- ma, a TV Bel~m, integrada por Ossian Bri- to, Linomar Bahia, Walter Guimarlies, Gua- racy de Brito e Elidio Lobato como sjcios e conseguiu no entilo Banco 'Sul Brasilei- ro' uma carta de cridito para servir de ati- vo h empresa nova. Quando obteve o ca- nal, RM criou uma nova empresa juridica ficando, claro, como s6cio majoritbrio. Ar- quivou a TV Belim". Espero que Odacyl, participate ativo na hist6ria do grupo Liberal, detalhe e esclare- ga esse sumiirio, repondo a plenitude da ver- dade, que tanto inc8modo causa a alguns dos herdeiros de Romulo Maiorana. A TV Beldm era, oficialmente, de propriedade dos cinco s6cios apontados. Romulo niio parti- cipava de direito dessa empresa, mas fizera os propriet61rios formats, todos seus empre- gados, assinarem um contrato de gaveta, r~e- conhecendo-o como donor de fato da fir-ma, atrbs da qual foi organizada a TV Liberal, que era nome de fantasia. A recuperaglio por- Romulo do pleno dominio de sua conces- sito niio ocorreu quando ele obteve o canal, mas quando o veto da "comunidade de in- formagies" foi r-etirado, depois de multas negoociaq6es nos bastidores do poder para a superaglio do impasse. Um dos complicadores, como lembra Oda- cyl era "a intr-iga de que o jor-nal 'O Liber~al' em sua principal coluna [o Repdrter 70, enr- trdo de responlsabilidade~l de Hcilio Guleiros e Ne~wtonl Miaranda, amblos politicos dlo PSD bar~atista cassardos pelo regimle mlilitar] fa- zia o proselitismo velado do entiio MDB. RM passou a controlar mais firmemente o con- tedldo do espago". Espero que Odacyl tambem se refira em seu livro ao problema surgido comn um dos cinco s6cios durante o process de recu- peraglio da plenitude do control aciond- rio (a participation de terceiros foi reduzi- da ao insignificant residue legal). Quatro simplesmente devolveram suas agies. Mas Romulo Maiorana teve que pagar pelas cotas do quinto "sbcio", que conti- nuou na empresa, a despeito desse com- portamento, por acordo oneroso da resti- tuiglio das cotas, produzido pela compe- tincia do advogado Otrivio Mendonga, falecido recentemente. Isso 6 bistdria. E contra os fats, diz bem o povo, n~io hi arguments. Por vias e travessas eles acabam aparecendo, mesmo que alguns autoproclamados dons da ver- dade olio queiram. A histbria independe da vontade dos homes, ji disse um famoso fil6sofo do s~culo XIX. VITAUIDADE E~dificil falarcom Vicente Salles dos nos- sos pr~bprios pr-oblemas. Com tantos e tito sdrios problems de sauide, Vicente 6 s6 energia, vitalidade, projetos e otimismo. Nunca se deixa abater, mreslrlo quando mno- tivos para tal nh~o faltam. Acaba de colocar nas r-uas mais tris livros: a terceira ediglio de O Negr~o no Pard~, hoje um clbssico da bibliografia amaz6nica; O Negro n~a For- magdodanLISociedarde Paraenpse,rIeuniio de artigos e ensaios sobre o tema; e Maestro~ Gaman Malcher (A iguvra humalnal e artisti- c~a do compositor paraenlse), umn alentado estudo sobre o criador da 6pera Bug Jargral, apr-esentada no liltimo festi val no Teatr-o da Paz, com ulma rica iconografia. Vicente Salles continue a ser uma fon- te de inspiragio e exemplo para todos n6s. E de redugho dos nossos problems a um tamanho mais suportlivel. SETEM8RO DE 2005 *2 QUINZENA Jornal Pessoal ?2Ver ade emerge A VOZ Um advogado paraense, me encon- trando no f~rum, manifesto sua revol- ta com o desmatamento praticado na Amaz~nia por pessoas de fora da region e do pafs. "Essa gene niio planton uma s6 tirvore aqui e vem derrubar a drvore que a natureza criou. Eles viio nos dei- xar sem nossa floresta", lamentava-se, com feroz indignaglio. Frase de quem conhece o problema por vive-lo. Vox populi. DE FICl ENC IA O aspect noticioso desta edi~gio fi- cou muito prejudicado pela falta de tem- po para a apuraglio dos fatos. Temas que deviam ser tratados, por sua atualidade, terlio que esperar uma trdgrua na frente judicial. Perdlio, leitores. Depois de algum tempo sem adquirir- o Exemplar do Jornal Pessoal, li, com bas- tante atenglio, como de costume, o exemplar da primeira quinzena de setembro de 2005. Aproveitando a data quero desejar- a voc6 e a todos qlue o apbiam nessa empreitada, qlue imagine herc~lea, a sadlde e a perseve- r~anga para qlue niio esmor-egam. Nestes 18 anos sei qlue voc& jd expr~essou, em virias opor~tunidades, a iddia de qlue o projeto Jor- nal Pessoal dever-ia chegar ao fimr, argumen- tando, em cada uma delas, as razdes para tal. Se definitive, per-deriamnos todos com esta decisilo, pr-incipalmente nossa sociedade, jd tiio carente de jornalistas, como voc&, qlue honr-em a pr-ofisslio. Esper-o que, mais uma vez, prevalega a coragem, dedicaglio e a sua obstinagilo pelo trabalho. Esse trabalho ins61ito qlue voc& desen- volve 6, na minha opinitio, o Onico contra- peso ao jor-nalismo amador praticado em nossas paragoens. Eivados de interesses pessoais, nossos profissionais cabocios, com algumas excegies, operam uma rede em qlue a busca pela informagilo precisa 6 subordinada aos interesses dos grupos dominantes. Minha decepglio com estes profissionais 6 tanta que nito consigo sen- tar para ler um journal, seja ele qual for, pro- duzido em nossa capital. Quando posso, me utilize da leitura de jornais de circula- ~glio nional, com o complement de leitu- ras feitas na rede internet. Dentro dessa 16gica, a ausancia do JP cri- aria uma lacuna insandivel em nossa opinion pdiblica. Ficarfiamos i mer~c& do interesse dos grandes grupos jornalisticos de nosso Esta- do, qlue utilizam a noticia como instrument de cooptaglio em busca de seus objetivos. Por-tanto, niio poderia deixar- de me manifes- tar e registrar qlue meu desejo C de que o JP continue existindo. Razies dos leitor~es njio devem faltar par-a qlue esta iddia se imponha. Mas, penso que a sua vontade deve prevale- cer, pois, voc&, mais do que ningudm, sabe o que tem passado e sofrido para manter seu pliblico bem- infor-mado.Respeitar-ei sua deci- slio, mesmo que a contr-agosto. Chiudio Bacelar Permito-me tamanha informalidade por 1 onsiderd-lo como "algu~m de casa". E de fato voc& o 6. O Jornal Pessoal atrav~s de suas espero incansjveis palavras ji tem espago reser-vado em nossa sala, j6 faz par-te da familiar. Tenho somente vinte e tras anos, mas, devo con fessar que cedo jj experi mentei m i- nha primeira grande crise existencial de cer- ne ideol6gico. Os sintomlas desse transtor- no er-am claros e facilmente diagnosticiivels: sentiment de perda, incredulidade, cons- trangimento, njuseas, indignaglio, traigho e o pior-: sentiment de ver-gonha. Eu, que nada roubei, nenhum bem acumulei, nenhum che- que saquei, a ningudm enganei, estava en- tiio sentindo vergonha. Vergonha de par-ti- cipar das discusses em rodas de amigos (ou nlio) e ser obrigada a ouvir: Eu jj sa- bia! O PT? Nunca me enganou... Ou ainda: - Por- isso que eu sempr-e vote na dir~eita, que roubava, mas pelo menos n~io ficava em pele de cor~deirinho... Historicamente, eu cresci apostando em um Partido qlue prometia umn Brasil diferen- te e de repente o sonho acabou. A minha crise pessoal foi evoluindo conforme a cri- se political national e eu ful me sentindo cada vez mais lesada do meu direito atC entlio inabalivel de dciscursar sobre a pos- sibilidade de mudangas no cendrio brasi- leir-o, nem eu mesma acr-editava mais em mim. De repente, parei e pensei: eu apenas lutei enquanto acreditei. E esse foi o inicio do autocuminho terap~utico que percorri para superar a crise. Quando me delicio com os abr-angentes e incisivos textos do Jornal Pessoal, torna-se ainda mais claro pra mim o quanto n6s, en- quanto povo, precisamos abor~dar- a atual con- juntura estruturalmente. Niio adianta atacar- fulano para defender sicrano, niio adianta apontar qlue a said d o 6dio 5 political, nito adianta dizerque "jj sabia", argu mentandoqcue nunca gostou da cor ver-melha mesmo... Refle- tindo, analisei qlue concr-etamente nlio hri sal- da, mas hi caminhos qule pr-ecisamos percor- rer- sempr-e em- busca do melhor._ Eu lamento po-nilo poder-pr~ofer-irq ue''jasabia",.pois hoje penso qlue as noticias atuais er~am um tanto quanto previsiveis mesmo, dialeticamente fa- lando. Contudo, dentre outros fatcores. a ca- rIncia de r-ecursos bdsicos no pals, e a decep- glio com todas as atuagaes de poder vigentes atC entlio, alimentavam minha esper-anga, no mesmo tempo, qule me alienavam a possibili- dade de organizar- um pensume~nto pr6prio e independent dos partidos de esquerda. Agora, finalmente r~emetendo-me & impor- tilncia do Jornal Pessoal, dimension sua im- pr-escindibilidade vinculando-o ao caminho qlue acredito que pr-ecisamos per-corrIer: o da impar-cialidade. HA dezoito anos vocC langou seu jor-nal em uma escada evol uti va, com de- graus nunca antes percor-ridos por outros nas terras de cri e tamanho mir~ito, por- ser pesso- al e i ntran sferivel, justi fi ca o n ome de sula tilo conceituada Agenda Amazi~nica. Voct me ensinou que as bandeiras preci- sam ser levantadas e qluestion~adas por uma consci~ncia multifatorial, qlue interconecte cada ponto passivel de critical. E somente a informagilo a ferramenta mais eficaz no com- bate h impunidade. Nrio qulalqluer infor-maglio advinda de mancheles sensacionalistas e con- venientes, mas aquela inlstrumentalizada par~a a critica imparcial ao qule estri posto, semn poll- ticas partidlirias, dogmas on: parcer-ias ilicitas. Vocd me fez acrepditar que podemos ser diferentes sim, n~io por apontar solugdes prontas e acabadas, mas por indicar como devemros tri lhar os cam inhos. Por isso e muito mais, niio nos deixe 6r- faos. Humildemente, pego porque pr~ecisamos de vocC. Vida longa ao Jornal Pessoal! LauraAmaral. coNmINU NA\ PAG I FeliZmente m8/S leitore5 aderiram & COnSUlta proposta hd dUaS edigoes: este journal deve prosseguir ou ja exaurlU SUaS raZ()e5 de existir? Li, com cerlto atraso, o ntimero do Jor- nal Pessoal onde voc& pede a opinion dos leitores sobre se desejam ou niio a con- tinuaglio do mesmo. Muito me surpreendeu e desapontou as poucas respostas. O mo- tivo deste e-mail 6 dar a minha opinilio, o qlue nlio ftz antes porque naio estava em Belim e, conseqiientemente, como disse acima, niio li hfi tempo o journal, mas acho qlue vale igualmente agora. Para mim o Jor- nal Pessoal niio s6 deve continuar como 6 imprescindivel continuar. E ~nossa Linica fonte de informaglio segura, no sentido de ter credibilidade, sem falar no alto nfvel de jornalismo qlue possui. Parabins pelos 18 anos de bom jornalismo do Jornal Pesso- al! Espero qlue continue sempre a nos for- necer boa e credivel informaglio. Maria Eunice Gongalves Furtado Respondendo 5 enquete sobre a conti- nuidade ou niio do JP, gostar-ia de dizer qlue sou uma leitora novata, qlue passou a acompanhar as publicagdes a partir da mna- tdria "Rei da Quitanda", pois tinha a grande ilustio de qlue o pequeno Davi venceria o gigante Golias. Confesso qlue figuei triste comn o desenlace do episbdio, embora saiba qlue "lutaste bravamente". Desde entlio leio o JP, ou melhor-, degusto o JP e n~io gosta- ria de ser privada desta leitura tito prazer-o- sa. A tua persistincia tem servido de exemn- plo par-a muita gente, que ganha coragem par-a denunciar ou manifestar-se sobre os abuses ou inljustigas. Um abrago de quem te admira e, Vida longa ao JP! Heleny da Silva Coelho Queres saber se Jornal Pessoal tor- Snou-se dispensjvel, responderei com outra pergunta. Serri que o povo ji tem pleno conheci- mento do seu papel na tomada de decision quando se trata dos pr~oblemas relacionados comn nossa r-egitio? Serg qlue nossas elites (financeira, inte- lectual e political) jd deixaram de olhar apenas par-a seus interesses imediatos, passando a olhar mais para o future? Resposta: Infelizmente nlio. Ainda pr-ecisaremos por um long tempo de seus servings pois se nlio fosse tu e o JP como irfamos fazer para tomar conheci- mento de coisas que nos atingem as vezes sem qlue n6s vejamos. Vida longa ao JPe ati Joel Augusto Jor-nal P'essoall *2.QUINZENA SETEM8RO DE2005 Enquete: journal deve continuar? g SETEM8RO DE 2005 2 QUINZENA Jornal P'essoull Refleti sobre o JP, relembrando o Pau- lo Francis. A semelhanga 6 a attitude, a diferenga 6 o conteddo. Seu journal 6 no- ticia e antilise. E regional e universal. O que voc& escreve 6 a manifestaglio de seu profundo amor e respeito aos paraen- ses. Como disse o Francis: "A critical 6 tilo incomum na nossa imprensa que as pessoas acham que 6 ofensa". Quem ofen- de 6 o jornalismo acomodado, que pratica a autocensura sem necessidade da dita- dura, que comunica para ocultar, nito co- loca nada em risco, apenas preserve os in- teresses pessoais. Nos dezoito anos do JP, ouso pedir a vocC que continue e agra- decer o sacrificio que tem feito para tornar a realidade compreensivel e transparent ao leitor, com todos os seus significados e consequ~ncias. E repito com o Francis: "A gl6ria da imprensa foi feita por gente de opini~es fortes e inconformistas". Cecilia Renner/S. Paulo Na edi~go no 352 do JP voc& lamenta o baixo retorno da enquete langada so- bre a continuidade on nilo do JP. Perdoe-me, carol Lcio, mas penso que sua enquete C completamente desneces- stiria, pois quem de n6s, seus eleitores, em sli consci~ncia, opinaria pelo fim do 6nico veiculo de comunicaglio realmente independent do Estado do Parti? Creio que att seus mais fervenhoss opositores nito votariam no fim do JP, pois sua exis- t~ncia contribui para mostrar que outra imprensa C possivel, assim como para o fortalecimento da democracia. Valentino Dolzane FAMILIAR A tilo desejada prislio do fa- migerado Sr. Jos6 Dias Pereira, fi- nalmente realizada, 6 uma vitbria do Jornal Pessoal. Esperamos que a Justiga nlio relaxe a prison e as penalidades cabiveis, como geralmente acontece. Vinte mi- lhbes de reais niio recuperam os danos causados g natureza e aos homes por esse infame sujeito. Oxalji o mesmo acontega com os demais devastadores e grileiros. Nossos parab~ns, embora comn certo atraso. Prof. Antonio Pedro Brito Bezerra Maria Alda Brito Bezerra (AFRF aposentada) Glauco de Arad~jo Bezerra (universittirio). FRATERNIDADE Jj dizia minha mile: "Antes tarde do nunca". Hii mais de uma semana que minha consci~ncia me aler- ta: precisas parabenizar o Llicio pelo anivers~rio do JP. Estou, de certo modo, ref~m dos meus g~meos, por um periodo.curto, por isso, tenho falhado al guns compromissos. Em event como esse, consi- dero um dever, ciyico e moral, rei- terar minha solidariedade ao teu jornalismo exercido com imparci- alidade, comn compet~ncia e com coragem sobre assuntos atuais e relevantes. Reconhecimento e estimulo sito villidos quando manifestados. Opr~prio Cristo ao curar dez leprosos, censurou os nove que nlio vieram agradecer. Teu trabalho, certamente, tem cartiter missionfirio. Estil fora do tempo. ArmandoAvellar TESTEMUNHO Em I8 anos de jornalismo in- vestigativo, o alternative Jornal Pessoal formou uma marca que o caracteriza no universe amaz~ni- co: resistincia. Resistincia por nio admitir a condi~glo colonial da regilio; resistincia por nto compactuar que os recursos na- turais da Amaz~nia sejam beneft- clados e usufruidos aidm-mar, deixando a popula~gio local mar- ginalizada; resistincia por nio admitir trabalho escravo, grila- gem de terra, saques na biodiver- sidade, entire outros problems que se manifestam de forma tele- grifica ou ex6tica no dia-a-dia da grande mfdia. Na obra O pensamento mles- tigo, o historiador italiano Ser- ge Gruzinski, observa que o exotismo da regitio t uma espt- cie de filtro sedutor e redutor, aidm de um fornecedor de cli- ch~s. (2001:29). E nesta pers- pectiva que a Amazinia, uma regitio de fronteira do Brasil, distant dos centros irradiado- res da informaglio, 6 tratada pela maioria da mfdia seja local, na- clonal ou international. A mfdia, em sua maioria, ven- de uma imagem exotica do lugar. Antes de causar indigna~glo pe- los problems qule afligem a re- gitio, a imagem em cores da Ama- z~nia tem que primeiro "espeta- cularizar", fascinar, Um jogo de sedugho e seda- glio que paralisa e conforma os sentidos, obrigando as pessoas a formatar uma imagem tiio so- mente do "mito do bom selva- gem", "Amazinia, pulmlio do mundo", etc. Toda essa imagem da regillo 6 construida frequien- temente de fontes secundlirias, de estere6tipos e de imaginaglio, sem um contato permanent com a realidade local. Nesse sentido, resistir 6 pre- ciso. O Jornal Pessoal precisa continuar a resistir, pois este pe- queno alternative luta para reti- rar toda a capa do exotismo e de seduglio que cobre a Amazinia. Como os amaz~nidas iriam saber, com riqueza de detalhes jornalistico-j uridico, da maior grilagem de terras pdblicas pro- movida pelo Grupo de Ceeflio do Rego Almeida? Tal gri lagem vem sendo noticiada pelas piginas do periddico ha quase uma dd- cada e que somente agora a jus- tiga, por meio do juiz federal em Santar~m, Fabiano Verli, decre- tou a indisponibilidade da Fa- zenda CuruB. Esta grilagem estil localizada numa direa de grande concentra- glio de mogno da Amazania, en- tre os vales dos rios Xingu e Ta- paj6s. Tal esp~cie 6 considerada ouro verde no mercado. Por denunciar no Jornal Pes- seal esta vergonhosa grilagem, Lcio FlIivio Pinto estl amargan- do uma condena~gio na 16a vara penal de Beldm, em queixa-crime, com base na lei de imprensa (1967), proposta pelo ex-desem- bargador (aposentado) Jolio Al- berto Paiva; e a mais recent, im- posta pelo juijz Amilcar Guima- rhes, pelo crime de escrever a ex- presslio "pirata fundhirio" a Ce- eflio do Rego Almeida. Essas condenag~es repre- sentam medalhas ao curriculo de L6cio Fliivio Pinto. Parabenizo a jornalista pela important mis- slio que vem desenvolvendo hBi 18 anos no Jornal Pessoal. Pa- rabenizo tambdm o juiz Fabiano Verli, que teve a coragem de que- brar com a omisslio, na Brea juri- dica, desta monstruosa grila- gem, que ji se estabelecia hii 10 anos. Afora Verli, aos procura- dores da Repdiblica, Ubir-atan Cazetta e Felicio Pontes Jlinior, autores da aglio pdblica. Espe- ro que o exemplo do jornalista Lcio Fliivio Pinto, do juiz Verli e dos procuradores da Reptibli- ca sejam seguidos para o bem da Amaz~nia. Nem tudo est6i perdido! Cilia Trindade Amorim, jor- nalista, mestre e doutoranda da PUC/SP. TROVA Em tom duro ou af~ivel Tu tomaste minhas dores Lcio, tu Cs responsivel Cativaste teus leitores. Faz temer os poderosos, Pois embora pequenino, Contra humans maldosos Jornal Pessoal 6 ferino. Venho atrav~s da trova Pedir-te, Ldcio, niio pare! Jornal Pessoal 6 a prova Honestidade s6 vale. Sei o que quero, opino Quero a verdade, entlio Jornal Pessoal eu assino Esse nito enrola niio. O Journal Pessoal Deveria ser difirio A Verdade niio enjoa Pois al~m de necessfiio Leio e fico numa boa. Seja sdria, seja Ididica A noticia do "Jornal" IAde utilidade pliblica, Deixou de ser "Pessoal". Cl~udia Cruz SlliNCIO Laura Amaral fez question de mandar para est~e jornal a carta que envion em maio is princi- pais redagaes jornalisticas da TV Globo. Passados quatro meses, ainda aguarda pela res- posta. Seu texto: Acredito que tenha sido con- sensual, entire todos os brasilei- ros que assistiram a brilhante re- portagoem do Fantarstico sobre o escindalo em Rond~nia [cornirp- ECdo dos deputados estadluais], o sentiment de indignagio com as imagens veiculadas e, ao mesmo tempo, indubitavelmente, o sen- timento de um profundo agr~ade- cimento a essa emissora. que tan- 1 r 1 1~;28 95es do meu martfrio, que talvez uma boa solugho para manter o projeto, sem transfor- m8-lo numa vit6ria de Pirro ou num present de grego, seria adotar as cots nito no ensino de 3o grau mas no de 2o ou mesmo de lo grau. Explico-me. Os alunos da rede pdiblica de ensino receberiam uma bolsa para se man- terem nessas escolas e estarem condigaes de delas tirar o melhor proveito, ou, sendo o nfvel educational baixo, exercer pressjio so- bre os professors, de tal maneira que eles tamb~m se vissem obrigados a se reciclar. A bolsa seria renovada trimestralmente, bas- tando ao bolsista comprovar o seu rendi- mento satisfat6rio (sem qualquer nota abai- xo de 8, por exemplo; sem faltas imotivadas; sem puniglio disciplinary . Assim, presume, o bolsista estaria pre- parado para enfrentar o vestibular em igual- dade de condig~es (ou condigaes atC supe- riores) is dos estudantes da rede privada de ensino. E se a rede piiblica nlio conse- guisse tender g pressito que inevitavelmen- te surgiria pelas bolsas, entlio o governor seria obrigado a agir com mais do que racio- nalidade formal on desarrazoado espir-ito po- liticamente correto: melhorar os elos de co- nexho da rede fundamental de ensino phbli- co com as universidades. Acho que o sistema de cotas deixaria de violar o principio constitutional da isonomia, segundo o qual todos slio iguais, comn dir-eito As mesmas condiqdes e oportunidades, e nlio se tornar~ia, no future, ulma contrafaglio de sua boa vontade de origem, um piedoso des- servigo a um pais que precisa aperfeigoar ur- gentemente sua intelig&ncia, dando atenglio especial hs realmente melhores. Na ida ou na volta do f~rum, meu contu- maz local de tortura hB tempos, pass pelo Coltgio Estadual Paes de Carvalho, onde es- tudei durante tr~s anos. Na maioria das ve- zes, mesmo em horjrio commercial, observe que boa parte das salas de aulas visiveis est8 sem atividade. Ou, ativas, niio gastam essa energia no process de ensino e apren- dizado. Quando transit pelo local ao fim das aulas, niio observe nada que me autori- ze a confiar numa pedagogia de resultados, qualquer que ela seja. Enquanto you e volto das minhas ses- s~es de nonz-sense judicial, pergunto aos meus botbes se o sistema de cotas que, com os melhores prop6sitos, se est8 a implantar na Universidade Federal do ParB, sera eficaz ou niio. Aberto aos ensinamentos alheios a esse respeito, cheguei a conclusion, nas esta- to contribuiu para a busca da 6ti- ca na political, expondo mais uma vez uma atividade que hB muito j8 sabemos ser comum aos politi- cos neste pafs. Na oportunidade, agradego a todas as reportagens investiga- tivas do jornalismo sdrio e preci- so dessa rede de telecomunica- ~gio Bem, quase todas... E um absurdo que, vivendo uma Cpoca tiio especial em que o assunto CPI estj na moda, te- nhamos que nos submeter h au- sincia da veiculaglio local e na- cional de uma deniincia do Mi- nist~rio Piiblico Federal, que acusa irregularidades na cam- panha political que utilizou re- cursos da empresa Cerpa para eleger o entlio atual governador do Pard Simlio Jatene, "perdo- ando" a divida de 47 milhdes da empresa de cerveja. R$ 47 mi- lhies! Em troca da concessio de favors fiscais h Cervejaria Paraense Sociedade An~nima (Cerpasa) os tucanos Almir Ga- br-iel (ex-governador do ParB) e Simlio Jatene receberam doa- 95es ilegais de R$ 16,5 milh~es da Cerpasa. Tudo descoberto por acaso... O Minist~rio Pliblico do Tra- balho detectou que a Cervejaria Paraense S/A (Cerpa) vinha pa- gando seus funciondrios atrav~s de caixa-dois, sonegando o Im- posto sobre Produtos Industri- alizados e o Imposto de Renda. O Ministirio P~blico Federal buscou e apreendeu documen- tos, computadores e R$ 300 mil, destinados a pagamentos de sa- Ijrios atrav~s de caixa-dois. Em um dos computadores apreen- didos, auditors fiscais da Pre- videncia Social encontraram um arquivo denominado "Pendan- cias", no qual consta o compro- misso da Cerpa em contribuir com R$ 4 mithies para a campa- nha do atual governador Simio Jatene, aidm do pagamento de mais R$ 12,5 milhdes, em troca de beneficios fiscais concedi- dos A empresa. O fato 6 que o Governador Simlio Jatene sofreu processual- mente o risco de cassaglio no ini- cio deste ano e nada vimos na TV Liberal, que possui a conces- slio para representer a Rede Glo- bo no estado do ParB. Nenhuma noticia! Nada! Houve uma votagio este mis na C~imara que impediu a consti- tuiglio de uma CPI para investi- gar o caso Jatene & Cerpa, uma vez que a maioria esmagadora (formada pela base governista) votou contra. Contra o povo! E o que ouvimos falar na Tv Globo local, no Jornal Liberal? Nada! Absolutamente nada. Agora, per- gunto-lhes por que ter8 sido? Como fats tiio importantes nio obtiveram cobertura jornalistica do canal de telecomunicagio mais important do estado? O que est6 acontecendo comn a Rede Globo? Onde estj que n~io vi suas afiliadas? A Cerpa 6 uma das maiores anunciantes no Grupo Liberal. Entlio quer dizer que... Niio! O governador latene, por outro lado, freqiientemente aparece comn uma imagem extremamente privilegiada, para niio dizer ima- culada, nesse mesmo Jornal... Niio, nlio, nlio, esquece! Voc~s nito compactuariam~! Niio pode ser... Serb que...? E inconcebivel tanta parcialidade na veiculaglo de noticias no estado do Pard! Portanto, considerando o meu respeito a essa conceituada, Rede de Telecomunicaglio, que cons- truiu historicamente uma images sdlida de neutralidade na veicu- laglio de dendincias e noticias nacionais, resta-me acreditar que a "Rede Globo mile nito est8 sa- bendo o que faz a delingiiancia de uma de suas filhas". Confesso que h6 muito me control para n~io ter de ser aque- la que revela o mau carter de al- gudm da familia. Compreendo ser invariavelmente dificil admitico erro sem resistincias. Contudo, nlio hB criaglio sem limits, por isso deve haver algum c6digo de 6tica, postura e conduta para a representation local de um canal tilo important, ou n~io? O que os leva a permitir tiio impunemnen- te que os responsdveis pela Glo- bo local estejam tambem envol- vidos em tantos esciindalos des- de a conquista de carter duvi- doso da concessito da Tv Libe- ral no Pard atC o torpe espanca- mento de um dos nossos mais conceituados jornalistas paraen- ses Llicio Flivio Pinto? Quando ouvi tiio solenemen- te nossa respeitada jornalista Fgti maBernardes, referindo-se ao badalado depoimento do pol~mi- co deputado Roberto Jefferson, dizer que a organization Globo n~iosegura nenhuma informagio, para isso bastando que a mesma seja verdadeira, pensei eu pre- ciso continuar acreditando nes- sa emissora! Por- outro lado, pen- so por quais razbes o jornalismo global seguraria a noticia de umna denlincia do Minist~rio Pliblico aqui em Beldm do ParB? Porque n~io noticiar-am nada sobre uma CPI abafada envolvendo tantos recursos de cofres pdblicos? Afinal, fala-se tanto emn CPI dos Correios no Jonrnal Nacio- nal, niio C mesmo? O que, parti- cularmente, como telespectado- ra, acho 6timo. Falem, falem, fa- lem mais de eschndalos. Mas, fa- lem de todos. Atd porque, embora nem semnpre (a)parega, o povo certa- melnte j& Percebeu qjue nessa brli- ga politico-partidicia local e na- cional, niio importa quem venga, quem perde 6 sempre o povo. Ainda assim, continue ten- tando. Temos o direito h noticia! Queremos e devemos saber. Acredito que uma boa opor- tunidade de resgatar tamanha df- vida jornalistica seria incluir uma sdrie de reportagens que atuali- zasse de fato o povo paraense (e por-que nto dizer brasileiro?) acer- ca do que v~m ocorrendo em seu pr6prio estado. Ali~s, o caso de Simlio poder8 ser retomado como pauta ainda este mas. O povo par-aense que tambim 6 brasileiro agr-adece. Aguardo resposta. Atenciosamente, LauraAmaral DOCUMENT Muito obrigado pelo JP 352. EstB multo bom. Vou guar- d8-lo, com o maior- carinho par-a a posteridade. Trajano Oliveira Flor-ian6polis/SC Jornal Fessoull 2-QUINZENA SETEM8RO DE 2005 Sistema de cotas com inteligincia mpemo'r'a O) ilchef d' cablnr~cl Ja SP\ E.1 (Superrintendeln cia doc Plano de Valorizaglio Econ~mica da Amaz~nia, antecessora da Sudam) e da Rodobris (Comisslio Executiva da Rodovia Beltm- Brasilia) publicou aviso na imprensa, em junho de 1964 para advertir as pessoas que receberam irregularmente passagens fornecidas pelos dois drglios "a recolher & Tesouraria, dentro do prazo de trinta dias, o valor correspondente B on is passagens recebidas". Depois desse prazo, "serlio notificados nominalmente pela imprensa os que niio tenham atendido ao convite e tomadas as provid&ncias legals cabiveis". * Os coveiros da Estrada de Ferro de Braganga foraml Iber? Antanio e Gast~o Furtado, integrantes de um grupo tre~1 ,1 rL d, L viarI C IIL1 team per ninanatll Brastlia decidiu pela drd'stica erradicnagdo da EFB. * Benedito Nunes falou sobre "O sentido do teatro como arte" no Ciclo de Confer&ncias do Curso deArquitetura da Universidade Federal do Pars, que funcionava onde hoje est8 o Clube Monte Libano, no inicio da nvenida Almirante Barroso. Os alunos do Curso de Formagio de Ator, tamb~m da UFPA, fizeram aleitura dramitica dapega "O sonho americano", de Edward Albee. * A prefeitura "evacuou" a favela Sarard e assim o DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento) padas~tomar as obras de construglio do canal da doca de Souza Franco, que substituiria o igarapC das Almas. O servigo fora interrompido g espera do remanejamento dos moradores dessa favela. A nova licita~gio previa a conclusion dos servigos emn 18 meses. O prazo, evidentemente. nho foi cumprido. Maria Ester Benltes foi eleita Miss Pard, uma das mzais bonitas de todos os tempos nersse Sconlcurso, na sua fase de forea, quando era promlovida pelos Didirios e Emzissoras Associados, de Assis Chateaubrianld. Na ocasiaio, era recepcionzista nla s age~ncia da Varig eml Belimrl. A Varig estreava nessa dpoca umn nzovo vbo entire Nova York e Rio de ,Janeiro, comt escala emz Belimn, r-ealizado duas vezes por semauna pelo Conzvair 990-" Vin2ha dos Estados Unidos nla segunrda-feirar e voltava nau terga, pavcrando ainlda eml Sulo Domzingos (Repuiblica eDominicana) e Recife. A Folha Vespertina publicou um demonstrative do saldo das contas do Estado nas ag@ncias de sete bancos e na recebedoria de rendas (para ser recolhido ao Banco do Estado), somando um bilhlio de crUZeirOs, disponiveis quando o gOvernador Aurdlio do Carmo e seu secret~rio de finanqas, Henry Kayath, foram cassados e destituidos de seus cargos. Os bancos com dep6sitos eram os do Estado, Morteira Gomes, da Amaz6nia, da Lavoura, Ultramarino, Comercial do Para; e de Londres. Multo banco e bastante dinheiro. MATRIX AGENCIA BRASIL AGENCIA S. BRAS CASTANHAI, RuO DE ~ANELRO SANywARB AU ENT ND OMA 8 S p 0 sibilidades de pro gresso 8 g 0ra ta mb 4m em SA.NTAREM O p'ogresso d3 poho Ia-:lcrna levowhos alb 16. Ncsses amigos daquela grand. Naio nas fc posevel mals relardar erss eilcontrc- Agqora, estanos instafados famMm no cidade de Sartardm. operando em todas e: mcdaldac5te'ls bo~an: aestonies, deposites, van;'crtncies, order det. 50. ? Fl.V'"aE qUO il, wa s, Ihonl tom llc Lo ames. olpcienoo a con, E voc6 cue ?pcra carn Santar~m dsponha deade agora do hottes cerag~o. E vo:5. dr Santa:cm. que opera cm Selem ou scrn a risic de prasil r do man 0.~ salba que estenrns Infraramente as sau dsp~dr. Nosses corresPondenies ras pnrct- pa s p2:et latel Pas j i as mzcres capltass do mu: J:. Ie c'"eterewl a trace. Iha, pot Santatem ca preocuper-se para qu tvod Icae exammeme coma V. deseja. ...................umarm sam n JLN I RANCO It40FtWPEIRAL OGlES e.A. SP lpl..., o...ulr";;n ....... ..,****; * IR. 11.836) 10 SETMBRO DE 200: *27 Q N';ZENA. T[arnal P'e+ 11a do C OTID IAN0O trabalhzo da Rede Ferrovidria Federal encarregado de estudar a situagdo das ferrovias brasileiras. Eles arssinzaramn o atestado de dbito depois de percorreremz toda linha fi'rrea ate Braganga, incluin~do os rmais de Icoaraci e da Coldnia do Prata. Conclutramz que a estrada ndo tinha condiqdes de evitar volumzosos prejuizos anuais. Por isso, devia ser extinta. A media que fossemz remlovidos os trilhos do ramal de Icoaraci, enztre o Entronzcamnento e a parada do Tapand, a prefeitura de Beli'm devia aterrar a direa e, se possivel, afastdi-la. O ent'o governador Jarbas Passarinho disse que ia tentar manter pelo menos um PROPA GA ND A Banco P l~e s O Banco Moreira Gomtes, uml banlco paraense, que ja tinzha treis agerncia: em2 Belim (uma em Castanhal e outra no Rio d~e Janzeiro) abria sua ageincia em SanltarPm, onzde tambDm rl firnanciaria o progress. Mas as possibilidades, lu~ a institu~igdo im~agin~ava estarem se abrindco, fecharaml logo depois. Jo rn a P Iessoul 2QUINZENA SETEM8RO DE2005 FOTOGRAFIA Antes da guerra Qutando tudlo aindal eraml flores, o governadror Jarbras Passarnlho foi ci sedle da Folha do Nor-te, nlo velh~o prd'dio da rua Gaspar Vianac, vlisitar o professor Paulo Maranlhao, d~ono do journal, e seul filho, Jodio Maranhlo, achninistrador geral da emlpresa. Levou consigo o vice-governador, Agostinho Monteiro, o secretarrio de In~terior- e Justiga, Fldvio Moreira, seur assistente mnilitar, major Durvacl Morerirac, e senl assessor de implrensar, Ildetfonzso Guimrifevc~s, qure apareceml n~esta foto histdrica, aro lado de dlois redactor-es dlo jorntal: Ossianl Brito (tamblDm'l acre~ano, comoa a famlosa Marria AulguIsta Cotriml, factdtuml de M/aranrhilo) e De Camnpos Ribeiro. Depois, romlperiaml. Seria ar ultiman camplanlha political oposicionista da Folha. Paulo Mara-nhilo mlorreria dois anos dlepois e seu journal, em? 1974, serial adqluir-ido por- Romulllo Manioranr~a e dleixariar de cir-cular: Im-ismo: IllI'r Ill b O Pardi ocupou o 17o lugar na geraglio de em- pr-egos no turismo no Bra- sil na d~cada entr-e 199)4 e 2003. O crescimento do Estado no period foi de 99g%.O Amapa, primeir-o colocado, obteve cresci- mento de 424%. A Paral- ba, em 2o Ilugar. via os em- pregos no setor se expan- direm emn 349%. Na Ama- zinia Legal, aidm do Ama- pij, registraram desempe- nho superior o Tocantins (3o lugar-, comn 306%), Acre (o 4o, 253%), Roraima (6o 1 81%), Ma ran h o (7o 166%), Mato Grosso (1L2o, 129%0) e Rond~nia (15o 114%/). O Amazonas ficou percentualmente logo abaixo do Pardi (com ger-a- Fgi de 98%c de novos em- pregos), mas em termoos absolutos o turismo no Estado vizinho 6 muito superior ao nosso. O levantamento com- preendeu todo o reinado tucano no Pard~. A pr-opa- ganda pretende convencer os paraenses de que o tu- rismo estj. crescendo admi- ravelmente. Mas quando se olha em torno, verifica- se que a mensagem 6 fala- closa. O Pardi nho subiu ne- nhum degrau novo para se tornar um efetivo destiny turistico de significado. Quando algum de seus te61ogos se torna rebelde, a Igreja lhe impde um sil~ncio obsequioso. O punido se submete a censura on se insubordina. Se continue a pr-ofessar- e expressar suas iddias heterodoxas, pode acabar recebendo puniglio mais drastica. Os intelectuais de esquerda vivem neste momen- to a sua fase de sil~ncio obsequioso. A causa 6 a crise moral e 6tica do PT, cuja bandeira partidjria uma legiio de intelectuais fez sua, a ferramenta para a apli- caglio na prdtica de suas iddias, o veiculo de suas esperangas e utopias. Vozes que a sociedade se acos- tumon a ouvir, expressando iddias e interpretando a histblria, agora estio caladas, escondidas em algum escaninho profissional, acad~mico on dom~stico. O silencio atual d6i. Na verdade, pordm, jB hai al- gum tempo os intelectuais se tim afastado da cena pdiblica. Aqui, como na maioria dos lugares, pode-se delimitar umn marco desse distanciamento. Se se quiser um~a data, pode-se pegar 19)58. Foi nesse ano que se organizou a Universidade Federal do Parti, a par-tir de curses superiores isolados, como os de Direito, Enge- nharia e Medicina, os mais concorridos e famosos. Criar a UFPA, evidentemente, foi um avango e uma conquista. A universidade constitui-se em cen- tr-o organizado do saber, sistematizando a produgio do conhecimento e instalando sensors de captagio da contribuiglio universal. No entanto, o fascinio da carre ira acad~mica foi ti rando os intelectuais mais or- gfinicos das ruas, das pragas, dos bar-es, dos locals de concentrarlio do homnem do povo, incluindo no meio dele os intelectuais ditos n~io-orgfinicos, os li- vre-atirador-es, os iconoclastas, sem a rtgua & o es- quadro dos metodos e metodologias cientificos. Atraldos pelos titulos, honrarias e status, os intelectuais universitbrios, que constituem o maior investimento pdiblico em conhecimento, foram se despojando de sua fun~gio pliblica, do seu papel como caixas de ressonrincia e pregoeiros das novi- dades. Passaram a tratar exclusivamente de suas curreiras acadimicas e dos interesses por elas sate- litizados. O home pdiblico entrou em desuso, tor- nou-se decadente, virou de'modde. A crise seminal do PT evidencion essa praga do silancio, que se inocula como virus, contra o qual os antidotes disponiveis slio pouco eficientes. O intellectual, como amostra gratis e multiplicador so- cial, express esse voltar-se para dentro de si de geragies de minimialistas, egocintricos, narcisis- tas, individualistas, pedantes, soi-dlisant superio- res h massa, que dela precisam se distinguir a todos os titulos e custos. Mesmo que com a expression de biscuits no hall da ociosidade. O caso do PT C umn dos canals de vazamento des- se miasma. Mas pode-se tomar como outro exemplo, embora microsc6pico, este journal. Nos nove meses que se seguiram a agresslio cometida por Ronaldo Maiorana, as mensagens enviadas mostram que a cidadio comum, entendendo osignificado desse aten- tado, tem manifestado sua solidar~iedade e tentado animar a vida deste journal. Os grandes intelectuals, aqueles que com sua histdria se tornaram um referen- cial na terra, estes se calaram. A adeslio a um projeto alternative, exercido na premissa de que a mission da imprensa 6 fiscalizar o poder, inclusive o da pr6pria imprensa, t um perigo para suas carreiras. Por isso, melhor niio colocar suas rlitilas cabegas em perigo. Excluidas as primars dlolns, resta a nossa con- fr-aria, a dos homess sem qualidades", como o do romance de Robert Musil. E que, justamente por n~io disporem dessas "qualidades", precisam ser mais e fazer mais para marcar presenga na arena que realmente os sublima e pr-ojeta: aquela onde se deci- de o verdadeiro interesse pliblico contra os inter~es- ses parciais e particulares. Ausentar-se dessa arena significa concor-dar que pr-evalega o interesse indi- vidual sobre o bem coletivo. Por isso mesmo ficamos isolados, somos per-se- guidos. Por isso mesmo somos perigosos, daquele perigo que levou Bertolt Br-echt a advertir seus com- patriotas alemies militaristas sobre a efici~ncia do avilio e do canh~io, que n~io slio eficientes sozinhos, mas em fungio de quem os opera. O problema e que essas pessoas pensam. E tentam colocar em pritica o que pensam. Silincio dos intelectuais O Anmaznia Jornal nso mudou ape- nas de nome no dia 18, passando a se chamar Amlazdnia Hoje. Mais encorpa- do, passou a ser uma versiio ligeiramen- te alterada de O Liberal, o principal jor- nal das OrganizaFies Romulo Maiora- na. O propdsito parece ser o de caracte- rizar o segundo diririo da casa para con- correr mais diretamente comn oDiario do Pardi, da familia Barbalho. Mais leve (talvez leve demais), in- cursionando com mais desenvoltura pelo mnundo das variedades, com &nfa- se na televisito, o journal foi concebido, na sua nova verso, para tirar leitores do concorrente, sobretudo aos domin- gos. Sua principal arma d o prego de capa, de apenus um real, que persiste na edigio dominical, enquanto o Did'- rio custa R$ 2. O Liberal continue sendo o mais carol aos domingos, a R$ 3, mas 6 nesse dia que a tiragem, em mddia de 45 mil exemplares, segundo os dados do IVC (Instituto Verificador de Circulaglio) di- vulgados pela empresa, subiria para 103 mil exemplares. No entanto, em funglio do prego e da magreza do Amlaz~nia, o Didirio cresceu mais do que proporcio- nalmente, aproximando-se dos ifderes no mercado de impresso. OAmazdnialr Hoje vai tentar sangrar essa vitalidade. O novo batismo, fato rar~o na histbria da imprensa mundial, aconteceu exata- mente quando o Diarioi do Pardlc anun- locidade e qualidade a impress to do jor- nal, dois itens deficildirios nas instala- 95es industrials do adversdrio. A dispute, portanto, pr~omete. Pela primeira vez em muitos anos de dominio absolute do grupo Liberal. FORT E/FRACO Ndmero capaz de impressionar: 20 commodities, intensivas em recursos naturals, (como o min~rio de ferro e a soja), responded por 73% do valor das exportagdes brasileiras. Pode-se dar uma definiglio a essa forte concentraglio: calcanhar de Aqui- les. Frigil sobretudo numa regitio que tem na natureza a sua maior fonte de capital, como a Amaz~nia. JOIT181 PeSSORI Editor: Llicio FI~vio Pinto Ediglio de Arte: L. A. de Faria Pinto Produglio: Angelim Pinto Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040 Fones: (091) 3241-7626 e-mail: jomalQ amazon.com.br AAlga ViBria, concebi- da originalmente no gover- no H61io Gueiros, hB 20 anos, foi concluida em 2002, no final da adminis- traglioAl mir Gabriel. Devia provocar uma revolu~gio no Estado. Mas completou tris anos sem qual- quer registro. Se nito houve comemora~gio, um fato atesta um desvio na trajetdlria da obra, que os tucanos profetizavam ser revolucion8- ria: um cons6rcio de empresas de navega~glo inaugurou, no dia 17, um novo terminal rodo- fluvial em Beldm, na avenida Bernardo Saylio. Quando a Alga Vibria estivesse concluf- da, permitindo a ligagilo por terra entire a ca- pital paraense, o sul do Estado e o distrito industrial e portudrio de Barcarena, o percur- so fluvial estaria com seus dias contados. Houve queixas e protests dos interessados, que, no inicio, realmente sofreram um forte abalo da concorr~ncia rodovibria atrav~s do complex de pontes e estradas. Mas logo o movimento fluvial niio s6 reativou-se como ainda se expandiu. O cons6rcio de empresas que fazem a tra- vessia Beldm-Arapari n~io apenas investiu no novo terminal, tirando-as de suas acanhadas instalaq~es: slio anunciadas inversbes em equipamentos mais velozes, reduzindo o ina- ceitivel tempo de percurso, uma das causes das queixas dos usuririos. Com mais preste- za, aAlga ViBria se torna- rd uma alternative restrita a carros de passeio e ao transport de al guns ti- pos de cargas. A prioridade dada A Alga absorveu 180 mi- thdes de reais, gastos comn tal celeridade que as vias de liga~gio entire as quatro pon- tes acabaram sacrificadas, a ocupagilo das margens das rodovias se fez caoticamente e a seguranga dos usulirios ainda deixa muito a desejar, sobretudo nas viagens noturnas. O motorist nilo conta com os servigos anunciados na inauguraglio da obra, como ambullincia, socorrista, policia rodovijria e balanga. Como o fluxo de veiculos 6 muito menor do que o projetado, nunca mais se falou na privatization da estrada. No edital de licita- glio, o prego do pedigio nas pontes foi esta- belecido em 4 reais. Umn carro a passeio paga- ria, s6 de pedigio, tanto quanto para ver seu carro transportado em balsas, comn a agravan- te de gastar combustivel para percorrer um trajeto duas vezes e meia maior. Do alto do seu apartamento, no 21o andar de um predio de luxo, o ex-governador Almir Gabriel talvez continue a ver sua grande obra como uma alavanca de desenvolvimento. Os pobres morals, cB embaixo, dificilmente po- derlio partilhar essa visio area. Est6 de volta a temporada de caga 8 re- divislio territorial do ParB. Ela comegou fra- ca, na semana passada, em MarabB, para onde os adeptos do Estado de Carajjs pla- nejaram a primeira mobiliza~gio. Mas con- tou, pela primeira vez, com a participagio de outra frente separatist, a do Tapaj6s, mais antiga e mais enraizada, por~m menos eficiente. Da unitio, os dois grupos espe- ram retirar forgas para conseguir no Con- gresso Nacional a aprova~gio do plebiscito e, ao final de um long e incerto caminho, chegar a emancipaglio. De volta de Santartm, o jornalista Ma- nuel Dutra, autor de uma tese de mestra- do a respeito, transformada em livro, ad- vertiu: a lideranga do memento pela cria- glio do Estado do Tapaj6,s esta sendo as- sumida por alienigenas. E cada vez maior a presenga de imigrantes, que chegaram j regitio na onda da expansiio da soja. O contedido historicamente determinado da reivindicaptio pode transmutar-se, preo- cupa-se Dutra. Mas se esse fenimeno C novo no Tapa- j6s, 6 caracteristico em todos os events similares. Na regilio prevista para se trans- formar no Estado de Caraj~s. a participa- glio de natives e minima. Por isso, o movi- mento no sul do Par6 tem mais vitalidade do que no oeste do Estado. Mas esse, de fato, 6 um component complicador na his- t6ria do Tapaj6s, a merecer reflexiio. Aqui neste journal, inaugurando uma se- glio que atC agora niio foi em frente por fal- ta de participagilo do ilustre leitor, sugeri a criaglio de um grupo executive de gestio territorial. Sua primeira tarefa seria rever, consolidar e ampliar os estudos territorial do Parj., cujas dimensaes continentals im- p~em, quase como um element natural, a question da territorialidade (para ser manti- da, corrigida ou alterada completamente). Estabelecida a base t~cnica para situar de vez a pol~mica num nfvel racional e 16gi- co, a semente evoluiria. Institucionalmen- te, para virar secretaria. Politicamente, para abrir o debate politico e t~cnico atd um pon- to de maturaglio para se viabilizar afdes executives, pondo fim a esse ji extension len- ga-lenga de uso politico on pessoal. Pode-se atC chegar i conclustio de que, mesmo sendo vijvel, a redivisilo do Pard precisa ter outra base material. Provavel- mente os projetos-de-lei que fomentam Ca- rajjs e Tapaj6s nito resistirlio a um teste de consistincia, tanto em relaglio As suas for- mulaqdes externas (no relacionamentfo cm o Estado remanescente) quanto externas (no delineamento espacial das novas uni- dades federativas). Ao inv~s de nessa nova saisoni se bus- car simplesmente transformer a question num Remo ePaissandu, convinha aprovei- tar o impulse para dar novos ares a essa finix territorial. Alga Vitiria: 3 anos depois Revisito do ParB: novra temporada |
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