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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00286

Full Text



A HISTORIAN ALUMINIO:
DO IMP$RIO PARA PODE
DE ROMULO PERDER
MAlORANA BILHOES

PAG NAPAGINA a


ornal Pe 00
A AGENDA AMAZ(^NICA DE LCJCIO FLAiVIO PINTO
SETEMBRO DE 2005*2nOUINZENA*NP 353*ANO XIX*R$ 3,00


mandates, deputado federal e sena-
dor, al~m de fundador e president
Gda Federagio das Indlistrias do Pard
dur-ante 40 anos seguidos. Tamb~m foi presi-
dente do Banco de Crddito da Amazinia, hoje
Banco da Amazinia. Sempre como um politi-
co da situaglio, do governor.
No dia 2 de maio de 1983, com todo esse
curriculo, Gabriel Hermes assumiu a tribune
do Senado para advertir o governor federal,
comandado entlio pelo general Jolio Baptista
Figueiredo, que o Pard, o Mato Grosso e o
Mar-anhilo "nho permitirlio que as Eclusas nio
sejam terminadas par-i passu comn a primeira
etapa da barragem de Tucurui, porque seria
cometer- um crime contr-a o Brasil".
No discurso, o senador disse que iria
repetir as palavras ditas alguns dias antes
aos ml~inIstl dis M nus- e Energia e dos


Transportes, diante de outros cole gas par-
lamentares da Comisslio de Minas e Ener-
gia: "que eu iria a frente de gr~upos de estu-
dantes do meu Estado, das Universidades
do ParB. Irfamos, se precise fosse, a Tucu-
rui para dentro do lago seco impedir que a
Agua enchesse o grande reservatbrio antes
da passage das gguas".
O lago artificial foi for~mado, inundando
288 mil hectares de terras com 54 bilhdes de
litros de jigua. A primeira das 12 enormes tur-
binas instaladas na primeira casa de forla da
usina entrou em operagilo e a hidrelitrica foi
inaugurada, menos de dois anos depois do
herbico discurso. Nem o senador encaneci-
do nem seus quixotescos e joyens acompa-
nhantes se langaram ao reservat6rio para
morter pela causa. A festa de inaugurag~lio foi
complete e t~~try la, gSragas a segu-ang~a e a
Acaumilizi tri Estados, que o sis-


tema de transposiglio da barragemn beneficia-
ria com a maior hidrovia do planet.
A primeira etapa do pr-ojeto de Tucurui
foi concluido e as eclusas nlio chegavam
nem a um tergo do que deviam ser-, continu-
ando a interromper uma navegaglio de tris
sdculos e meio anteriores. Dentro de mais
um ano a duplica~gio da usina tamb~m che-
gard ao fim, ao custo de 3,7 bilhbes de reais.
E o maior canteiro de obras do pals atual-
mente. A obra do sistema de transposiqilo
avangou mais um pouco, mas ainda se en-
contra bem distant da conclustio.
A Eletronorte estj nos arremnates da 20a
miquina, mas trabalha simultaneamente nas
outras tras que faltam para chegar 3 plena
capacidade nominal de geraglio da hidrelC-
trica, de 8,2 milhaes de quilowatts, a ter-

coNTINULiiA idAffi


ECLUSAS



Nun ca mais ?


No pr6ximo ano o canteiro de obras da hidreletrica de Tucurui serci desativado. Se isso acontecer,
dificilmente as obras de transposigbo da barragem no rio Tocantins serdo concluidas.
A navegagdo ficarci interrompida por mais quanto tempo?





2 SETEM8RO DE 2005 *2nQUINZENA Jornal Pessoal


CONINFA D.Ri"i..
ceira maior do mundo. Quando isso acon-
tecer, soar8 o dobre de finados para as eclu-
sas de Tucuruf? Elas se perenizarilo como
obra inconclusa?
Mais do que uma eclusa, essa obra 6 uma
esfinge. Talvez a comparaglio ajude os para-
enses (e, quem sabe, os habitantes dos ou-
tros Estados alcangados pela hidrovia) a se
conscientizar de que sem entendimento da
questlio nito hA dominio possivel sobre ela.
A eclusagem de Tucuruf 6, como vsrias ou-
tras questaes vitals do Estado, um slogan,
uma palavra de ordem, um jarglio e uma
esfinge. Repete-se e repete-se, g exaustlio,
sem que esse esforgo ilumine o problema e
fornega as chaves para compreend8-lo e, sem-
pre que possivel, resolv8-lo.
A obra da bidrel~trica de Tucuruf foi inici-
ada em 1975. A do conjunto de dois elevado-
res hidrdulicos, comportas de ag~o e canals de
concrete, s6 quatro anos depois. A empresa
responsivel pela usina de energia era uma, a
Eletronorte (Centrais Eldtricas do Norte do
Brasil), provide -razoavelmente em dia com o
cronograma fisico-financeiro, de vulto mundi-
al dos recursos necessbrios para que, nove
anos depois, a primeira fase do projeto fosse
colocada em funcionamento. A Eletronorte,
bem ou mal, 6 uma empresa de direito privado.
A entidade responsdvel pelas eclusas era uma
autarquia do Ministdrio dos Transportes.
A Portobris nito suportou a tarefa e foi
extinta antes que o servigo estivesse ao me-
nos com sua perenidade assegurada. A par-
tir dal a incumbincia foi sendo transferida e
os recursos para realiz8-la, solenemente pro-
metidos no inicio de cada exercicio financei-
ro, eram reduzidos on simplesmente elimina-
dos no final do orgamento. O posta-restan-


te, hoje, oficialmente, 6 de pelo menos 350
milh~es de reais, mas as fontes bem infor-
madas garantem que chegar8 a R$ 600 mi-
lhaes. Seria o valor da revision orgament~ria
feita pela empreiteira responsivel pela obra,
a Camargo Corria. Niio concordando com o
novo orgamento, o governor federal, sovina
na libera~gio de dinheiro para as eclusas, fe-
chou de vez o caixa.
Ningu~m pode dizer, alto e bom som, que
6 contra as eclusas porque significaria ad-
mitir a pritica de uma ilegalidade. O C6digo
de Aguas imp~e o restabelecimento da na-
vegaglio de rio bloqueado por uma barra-
gem. Por nito ser prioritbria, a obra foi sendo
postergada. Mudar esse entendimento fir-
mado em Brasilia exige mais do que discurso
de tribune parlamentar: 6 preciso demons-
trar a necessidade da transposiglio do rio
Tocantins em Tucuruf.
O problema 6 que nem os defensores da
obra chegaram aexamin8-la em detalhe, acei-
tando considerar inclusive seus elements
polamicos ou mesmo nocivos. Como, por
exemplo, o projeto original de engenharia,
superdimensionado, ou o absurdo de prorro-
gar um contrato atrav~s de aditamentos de
valor muito superior aodo orgamento inicial.
A Companhia Siderdrgica do ParB ji fez
sete embarques no porto de Vila do Conde de
milhares de toneladas de ferro gusa, trans-
portada em milhares de viagens de caminhilo
desde MarabB, a quase 500 quil~metros de
distlncia, para provar que a transposi~gio da
barragem de Tucuruij ji uma obra viivel eco-
nomicamente. Sem esse empecilho, a carga a
transportar podia ser muito mais volumosa e
o frete baixaria, tornando o produto competi-
tivo at6 mesmo quando os pregos cafrem,
como serid a tend~ncia provivel.


Se as eclusas n~io safrem, a Cosipar ter8
que montar um esquema de escoamento in-
termedi~rio entire o atual, que 6 carol (e s6 se
mant~m por causa do prego da gusa, excepci-
onalmente elevado), e o possivel, atravts de
transbordo da carga rodovibria na barragem,
quando pegard o modal hidrovibrio.
Toda carga de mindrio ferro e gusa a trans-
portar pela hidrovia soma menos de 8 milhies
de toneladas. A capacidade do sistema de
transposiqilo da barragem de Tucuruf C 10
vezes maior. Como, quando complete, esse
sistema custard mais de um bilhlio de reais,
Brasilia reluta em aceitar comprometer recur-
sos. Naturalmente, porque encara as eclusas
como um fato isolado, nito como um elemen-
to de um plano global de desenvolvimento.
Se ji fosse possivel ultrapassar a bar-
reira de Tucurui, a navega~gio se tornaria
plena da foz do Tocantins art MarabB, numa
extensito de 500 quil~metros. Com a eclusa
da hidrelttrica de Lajeado, ainda a cons-
truir, mas com orgamento muito menor, a
navegabilidade se estenderia por mais 400
quil8metros, abrangendo quase 40% da
extensilo do Tocantins, o 25o maior rio do
mundo. Nio C pouca coisa, mas deve-se
reconhecer que o dinheiro envolvido n~io 6
desprezfvel, muito pelo contrdrio.
Enfrentar a esfinge, decifrando-lhe os mis-
tirios, constitui desafio urgente. No papel, a
data prevista para a concluslio das eclusas
continue a ser 21 de junho de 2006. Mas essa
data se tornou mera fantasia com a interrup-
Fgio do fluxo de caixa. Se o canteiro de obras
da hidrel~trica de Tucuruf for definitivamen-
te desmobilizado, dentro de mais al guns me-
ses, o que jB se fez no sistema de transposi-
glio poderd se transformar em algo como uma
pidimide. Ou seja: um tlimulo suntuoso.


A Alcoa, a maior empresa de
aluminio do mundo, pretend in-
vestir 1,6 bilhlio de d61ares no
Brasil nos pr6ximos anos. O gros-
so desse dinheiro, ou US$ 1 bi-
lhilo, irdi para Slio Luis do Mara-
nhilo. Serd usado para ampliar a
capacidade de refine de alumina
e aluminio da Alumar, cons6rcio
do qual a Alcoa participa com
35,1% do capital, participaglio s6
inferior g de outro gigante do se-
tor, a BHPBilliton, que tem 36%
(os outros s6cios slio a Abalco,
com 18,9%, e aAlcan, com 10%).
A produgliopassaride1,5 milhlo
de toneladas para 3,5 milhies.
A mina de Juruti, no ParB,
receber8 uma parcela menor
desse program de investimen-
tos, ou US$ 350 milh~es, mas
ter8 funglio essencial na defini-
~gio desse esquema. De 14 saird
o mindrio de bauxita que dard
suporte g expansion da produ-
Fgo de alumina na plant de Sio


Luis. Primeiro serlio 6 milhaes
de toneladas anuais. Na conso-
lida~gio, a produ~glo ird para 10
milh~es de toneladas, oequiva-
lente a metade da extragilo atu-
al do mindrio no Brasil. Dos 21
milh~es de toneladas lavrados
no ano passado no pafs, mais
de 16 milhies foram fornecidos
pela mina do Trombetas, no mu-
nicipio paraense de OriximinB.
A jazida pertence g Mineraglo
Rio do Norte, controlada pela
Companhia Vale do Rio Doce,
em associacilo com v~rias mul-
tinacionais, dentre as quais a
prbpria Alcoa.
No final da dtcada as duas
minas poderlio estar produzindo
quase 27 milhaes de toneladas.
A elas se somard a mina de Para-
gominas, que poderichegar a 9
milhies de toneladas. O Pard se
tornar8 entlio o segundo maior
produtor mundial, com 36 milhes
de toneladas. Desse total, ape-


nas 9 milhaes de toneladas sed~io
usadas dentro do prdprio Esta-
do para produzir alumina, agre-
gando valor internamente. Com
duas toneladas de bauxita pro-
duz-se uma tonelada de alumina,
um mindrio refinado semelhante
ao agdicar, que t insumo do me-
tal. A tonelada de alumina vale
quase quatro vezes a soma de
duas toneladas de bauxita.
Os outros 27 milhies de to-
neladas serito exportados para
o exterior ou remetidos para Silo
Luis, onde serio beneficiados.
"LIn natural essa venda pode
render 800 milhies de d61ares.
Se fosse transformada em alu-
mina renderia US$ 3,5 bilhaes
pelo menos. A perda para o Es-
tado, s6 nessa primeira trans-
formaglio, 6 de US$ 2,7 bilh~es.
Virando metal primirio, rende-
ria 10 vezes mais, mesmo com o
prego do aluminio deprimido,
como esti atualmente.


Esse delineamento mostra
que o Pars, detentor do terceiro
maior depbsito de bauxita do
mundo e com elevado potenci-
al de gera~gio energ~tica de fon-
te hfdrica, os dois principals fa-
tores de viabilizaglio do alumf-
nio, se especializard, nas etapas
iniciais do process (mineracgio
e produ~gio de alumina), avan-
gando pouco na metalurgia
(com o lingote) e quase nada a
partir daf. Isso quando, no res-
tante do pals, o consume de
produto acabado de aluminio
(principalmente fios e cabos)
vem crescendo proporcional-
mente mais do que nas etapas
anteriores.
Ou seja: o ParB est8 se es-
pecializando em causar maio-
res danos ambientais e socials
e ter menos rendimentos eco-
n8micos no ciclo do aluminio.
Especializagliode quem vai fi-
cando para tris.


Aluminio: Para ficara para tras




























































































3


Escrev~i e.ste rtitgo, a pedlido die Maur~izio
Cierijci. re)jlPdrr Pespecial do L'Unithi, de
Romlla, pa-ra o livro Favelas e arranha-cius,
redmPrl-publicado1 pelo journal italianro na t
cole~c7o Cader-nos da Amdrica Latina. Dois
dlos seis titrulos jci lulangaos dlessa coleCdo
tBIm o BraCsilcomo1 temalC. O arrigo foi
solicitadlo em lfimq~o dar guer-ra judicial
arbe~rra c~onltlra mIim pelos herd-eir-os dlo
impir'lio jolrnalistico c~-criado por Romulllo
Maionrana, wn llfilho die irtalianros. Esc~rito
para-( o leitor daqullele belo pals, a qule malis
amno depois do Ilugar no0 qualN atsci', esper-o
queL intferesse tamrlbim ao leitor dac mlinlha
queo-rlid cidadec. E queI leveL os filhlos de RM
a refJletir e acaCbarT com) esse mourl hecibito de
cr~iarr suscetibilidadrtes hiperinf~laciornadas,
reagrindto coml selvager-ia semp~re qre
arlgudml, tendto querc falatr sore um~ passadlo
aridarelol r(0lecentre, m~as jci passado, r-ec~onte
at histdr-ia verdadeil~ra qule, comlo tal, tem
tanrto die her~dico e soberbDo qluanto die
milseerci'el e dramIIcitico eml seul Plenreo real.
Homlens dle carnle e osso fizeram essa
histdriar. Nclo burstos imp~oluctos ou
~fantloches carlicatos. Que a boa pesqulisa
facla jurstica a pe~rsonaugenls histdricos,
sejam~ eles Magalhcdes Balrata, Paulro
Maranlhclo oul Romulllo Maioranal.
Crlt~lerlraee essas pessoas se tornraram
mrllcantes porquie o saidlo de suans vidas foi
positivo, supyeravitcirio. Do contrcririo, jd
estarriaml esqulecidas.

E ~m 1953 o rio Amazonas, o maior e mais
Svolumnoso do planet, encheu como
Inunca. Suas Aguas caudalosas inva-
di~ram cidades e foram maito al~m de suas mar-
gens, criando um mar inter-ior, no long de seu
percurso, com 300 quilbmetros de largura. Foi
a maior enchente do s~culo XX de um rio que
langa ao Oceano Atlfintico 12% da drenagem
superficial de figua doce do planet Terra.
Foi esse o fato mais marcante de 1953.
Ningu~m registrou, na 6poca, um fato que
tambdm teria sua repercussilo especifica -
certamente multo menor, ai nda assi m signi-
ficativa na hist6ria contemportinea do
Pardi, o segundo Estado em extensiio da
Amazi~nia, o mais antigo, o mais populoso
e o mais important da regitio. Nesse ano
chegou a Bel~lm, a metrbpole regional, situ-
ada na foz do Amazonas, numa ponta de
terra As proximidades do mar, umn pernam-
bucano, filho de pais italianos, chamado
simplesmente Romulo Maiorana.
Maiorana jd estava comn 31 anos, mas nada
r-ealizara atC entilo de especial para mer~ecer a
atenglio coletiva. Nascera em Recife, a capi-
tal do Nordeste brasileiro, estudara apenas
atC o segundo gr~au (chamado, entho, de ci-
entifico), efor-amrandado pelo paih itjlia para
estudar. Mas a guerrIa estour~ou e ele acabou
sendo incorporado ao exercito de Mussolini.
Niio foi para os campos de batalha, entretan-
to: f~iouI na r~etalguarldal, como datil6grlafo.
Finda a guerra, Romulo volton ao Bra-
sil. Nilo para Recife, mas par-a Natal, a mais
importantle ba~se de operagaes dos Aliados

!(:.rna1l Pessou *] 2 .UINNL.A SETEMBRO D: l


em territ6rio brasileiro na Segunda Guerra
Mundial, onde seus pais se haviam insta-
lado. Sem perspective, decidiu tentar a sor-
te mais ao Norte. Beldm, com pouco menos
de 400 mil habitantes, vivia um period mais
favortivel nesse novo entre-guerras do qlue
na fase de 1918 a 1939, quando entrou em
crise profunda porque a principal ativida-
de econ8mica regional (e a segunda base
da economic national), a exploragao da
borracha, entrou em colapso por causa da
concorr&ncia asititica.
Romulo tentou al guns negbcios comer-
clais, como fabricar plazas indicativas de
8nibus, flamulas e paindis luminosos, an-
tes de comegar a montar uma rede de sete
lojas de vestutirio e calgados, qlue inova-
ram em vendas e marketing. Mas nunca
deixou de escrever uma coluna social na
imprensa, sua verdadeira paixtio. Primeiro
foi colunista em O Liberacl, journal fundado
em 1946 para ser o porta-voz do partido mais
forte do Estado, o PSD (Partido Social De-
mocrtitico). O verdadeiro donor dessa legen-
da era o general Magalhlies Barata, qlue
surgiu na political como integrante do mo-
vi men to dos j oyens milIi tares de c lasse me-
dia qune faria a renovaglio do Brasil a partir
da ddcada de 20, o tenentismo.
Barata foi interventor federal no ParB em
1930, volton a ser interventor durante a gran-
de guerra e em 1953 era senador, preparando-
se para disputar e veneer a primeira dis-
puta como governador eleito pelo voto po-
pular-, em 19)55. Seus maiores inimnigos nio
eram outros politicos ouemprestirios,quie nho
aceitavam seus m~todos tr-uculentos e a oli-
garquia criada em torno de seu poder pesso-
al. Quem mais o preocupava era um journal, a
Folha~ do Nor-te, fundado ainda no s~culo
XIX, e seu donor e principal predator, Paulo
Maranhilo, jji entlio sexagendrio, mas de esti-
lo violent, demolidor.
O Liberalr perdeu feio as escaramugas
praticamente didrias com a Folha, o mais
poderoso journal do Nor-te do Br-asil, mas Ba-
rata conseguiu voltar ao poder total, que
perdera na eleiF6o de 1950 para a Coliga-
glio Democriitica Par~aense, uma frente com
quase todos os outros par-tidos. Aldm de
escrever uma coluna no journal de Barata,
Romulo passou a namorar uma sobrinha do
general, Luciddia, mais conhecida como
Dia, joyem muito bonita e multo comenta-
da nas rodas da Altaa sociedade" por seu
modo de viver desafiador par-a a moral con-
servadora da Cpoca.
A sombra do caurdilho,, Romulo cresceu
no com~rcio como nunca, niio s6 atravis da
multiplicagio das Lojas RM, como pelo con-
trabando qlue se desenvolvia na cidade. Be-
16m era, na 6poca, uma especie de Sicilia.
Vivia isolada do restante do pals. Nflo dis-
punha de estr-adas de rodagem ou ferrlovias
par-a as comunicaq6es com outros Estados
brasilciros ou o exterior. que s6 podium ser
feitus por navio ouI vil~iio. Mas como estalva
as proximidades dus Guianas (na 6poca. sob
a domlinio da Fraunga. que ainda se mnant~m,


da Holanda e da Inglaterra, que concederam
a independ~ncia As suas antigas colbnias
sul-americanas), Beldm se abastecia, sobre-
tudo de bens durdveis (como automoveis)
ou de consume supdrfluo (como bebida al-
coblica e perfume), atrav~s de um com~rcio
illegal com seus vizinhos estrangeiros. O
contrabando quebrava o isolamnento e, ao
mesmo tempo, enriquecia um gruLpo de em-
preendedores mais audaciosos on mais
prbximos do poder politico, que daria co-
bertura is suas aventuras. Romulo fazia parte
desse grupo.
Perspicaz, como demnonstraria ser ao
longoo de sua vida, ele viu que esse tipo de
comircio ficou com seus dias contados
quando o "baratismo", o sistema de poder
construido em torno de Magalhlies Barata,
foi derrotado por um novo movimento mili-
tar eclodido no Brasil, em 19)64, qlue dep8s
o president Jolio Goulart e acabou com o
populismo, o sistema national de poder es-
tabelecido a partir do ditador Getiilio Var-
gas, um hibrido de autoritarismo politico
de elite com patronato econ~mico em favor
dos desfavorecidos (Gettilio seria imortali-
zado como "o pai dos pobres").
Romulo fechou abruptamnente sua ca-
dela de lojas, famosas na cidade, e com-
prou, em 1966, O Liberal. O journal jj nlio
era mais do PSD: fora adquirido por Ocyr
Proenga, um empresairio que, embora vin-
culado ao governador cassado do vizinho
Estado do Amazonas, Gilberto Mestrinho,
iria apoiar a eleiglio de um dos militares que
ingressara na political exatamente comn o
novo poder, responsilvel pela cassagilo de
Mestrinho, acusado de corruppio. O coro-
nel Alacid Nunes se elegeu governador,
mas a participagio de O Liberatl fora tao
pouco convincente como quando na fase
do control baratistar.
O journal tirava 500 exemplares em 1966 e
sua credibilidade era zero. Romulo teve que
emprestar dinheiro (de Armando Carneiro,
um politico geturlista, que decidira trocar a
political pela atividade empresarial par-a es-
capar i cassaglio, passando a atuar nos bas-
tidores) e trabalhar dobrado para conseguir
que a velha e prectiria impressora funcio-
nasse, imprimindo sua nova mercadoria.
Como jogador de cartas que era, Romu-
lo fazia seguidas apostas na sorte e na for-
ga de sua intuigiio, que complementavam
sua audiicia. Ele sabia que um fato impor-
tante criara um viicuo na im7prensa comn a
morte, exatamente emn 19C66, do home que
dava vida a Folhac, dona inconteste do
mercado. Paulo Maranhaio morreria aos 96
anos, levando consigo as chaves do su-
cesso do journal que comandara durante
mais de meio seculo. O Liberal tinha que
enltrar nesse vicuo.
Romulo seduziu os jornaleiros comn pro-
postas vantrajosas e presents par-a que apre-
goasse m pri-or-i taria mente OLiberal. Dobr-ou
as comissdes dos "baderneiros". os vende-
dores de mua. Oferecia jornais de cortesia.
co YI uA NA PAG4


Um impirio ao Norte: o de Romulo Mvaiorana

























































































A ~~SETEMBRO DE 2005 *2'QUINZENA Jor~nal PCessa l


CONTINUASA0 DA PAG. 3


do os nomes dos benfeitores. Em 1972, jii
consolidando sua lideranga, deu um golpe
mortal na concorrancia: O Liberal foi o pri-
meiro journal do Norte a adotar o modern
sistema de impresslio em off-set, que garan-
tia rapidez e qualidade ao impresso. Dois
anos depois, comprou a Folha, jii decaden-
te. Ao inv~s de tentar reanimar o glorioso
journal do passado, deu-lhe a extrema-un~gio.
O Liberal C que devia ser o novo poder.
Confirmou-o quando, em 1976, inaugu-
rou a TV Liberal, montada em apenas oito
meses, para se tornar afiliada da TV Globo,
que se tornaria a quarta maior rede de televi-
silo commercial do mundo. Mas Romulo nto
pade colocar a emissora em seu nome, em-
bora fosse seu donor. Os 6rglios de informa-
glio ainda mantinham em sua ficha a n6doa
do contrabando. O regime military ainda es-
tava no movimento afluente do seu moralis-
mo (o golpe de 1964 foi dado no Parti a pre-
texto de combater a subverstio e a corrup-
Fgi). Niio concordava em transferir para al-
gu~m tido como ex-contrabandista uma con-
cesslio pliblica, o canal de television. Romu-
lo teve qlue colocar a concession no nome de
cinco funcion~rios, reavendo-lhes a a~gio
depois, quando seus servigos prestados ao
governor haviam limpado definitivamente seu
nome dos arquivos da "comunidade de in-
formaq~es", o subsolo no qual funcionava
um autintico governor paralelo.
Pelos 10 anos seguintes Romulo nito pa-
raria mais de investor, crescer e expandir seu
poder. Seu journal se tornou o segundo mai-
or consumidor de papel de imprensa do
Norte e Nordeste, comn tiragem em torno de
50 mil exemplares, quase dobrando aos do-
mingos. De cada 10 leitores de journal no
Parti, quase 9 liam O Liberal, uma propor-
~gi sem igual no pais na 6poca. Seus ou-
tros vefculos de comunicaglio eram, todos,
Ifderes em seus respectivos stores. Com
uma nota na coluna principal do journal, que
ele escrevia ou supervisionava, podia fa-
zer o sucesso ou o desastre de uma pes-
soa, empresa ou governor.
Ciente do seu poder, ele parecia viver
como se fosse eterno, o que justificava, em-
bora de forma paradoxal, sua not6ria hipo-
condria. Fazia-o feliz quem lhe desse o "lilti-
mo grito" em rem~dios de present. Quando
morreu, em abril de 1986, aos 64 anos, de
leucemia, ele estava comprando um novo e
modern parque grtifico para o journal, em
via de importagilo do Canada, e equipamen-
tos para as emissoras de riidio e television,
altm de montar um novo tipo de neg6cio, a
produtora de video.
Os sete filhos, que o sucederam, sob a
presid~ncia honoriiria da mile, encontraram
uma mbquina azeitada, em pleno movimento
e com um aprecifivel estoque de capital liqui-
do, os elements qlue responded pelo poder
sem igual que o grupo Liberal tem na histdria
da imprensa do Parj. Mas que podem se tor-
nar a causa de sua decad~ncia, em future nio
longinquo, se faltar aos herdeiros algum dos
components essencials que levaram Romu-
lo Maiorana a criar esse impirio amazinico.


tencialismo enquanto moda tenha evolado,
como perfume ruim, continue a recomendar
como precioso o capitulo sobre a questiono
de mttodo". EnriquecerB qualquer pessoa
que o ler. Desde que leia. A filosofia da exis-
tincia 6 uma das mais generosas e enrique-
cedoras vertentes do pensamento humane e
Sartre um de seus capitulos mais fecundos.
Jj. Os caminhzos dae liberdadle, a c61ebr-e
(para dinossauros como eu) trilogia romanes-
ca de Sartre, diz o insigne coveiro, "ficou t~io
datada quanto o pensamento do autor". E eu
pensei que lendo os tras livros qualquer pes-
soa sentisse mais sufocante e vizinha a con-
digilo angustiante da existincia (haurida no
notivel Kierkegaard) do que em A narusear,
que, ao menos para mim e a
meus interlocutores da ju-
ventude, naio marcou tanto,
embora esteja entire "o que
ficou" do Mois~s sem Deus
para ajuddi-lo a codificar a
tabua das leis.
.H Htanto de Sartre eanti-
Sartre em Sartre que qulal-
quer leitor aplicado de sua
obra fardi sua sele~gio, seja
do melhor quanto do pior, jai
que, em sendo vasta, a obra
C mesmo desigual, como seu
autor. Pode-se voltar ao fi-
16sofo e encarar sua deca-
dancia, como fez o grande
escritor palestino (recentemente falecido)
Edward W. Said em Culltura e political.
Said, tiio sartreano quanto eu e meus ami-
gos, que buscivamos exemplares da revista
Les temlps mlodernes come "ma fonte de vida,
lamentou testemunhar o epilogo do home e
do filbsofo. Mas sem chegar a ponto de con-
sider8-lo um zdfiro qualquer (o autor porno-
grfifico e o vento ef~mero), como o mensura-
dor de abalos sismicos de Ve~ja atesta.
Nenhum leitor inteligente, sensivel e sen-
sato de Sartre, mesmo demolindo o que ele
escreveu, expurgando a imensa craca de inu-
tilidade que se incrustou em sua obra, ja-
mais passarji inc61ume por As palavras. Se
o douto Rinaldo Gama me permit, direi que
essas slio as mais belas memdrias literitrias
da inflincia (ou da formaglio) que um ser
humane jik escreveu.
Sartre podia ter parade af, se ao aguado
critic da revista se pudesse dar razlio. Mas,
para o bem e para o mal, Sartre ainda escre-
veu multo. Em todos os sentidos. Niio, po-
rtm, naquele tipo de sentido estreito que cons-
titui o alcance mfiximo de cidadlios como esse
que o esquarteja e o reduz a visceras em al-
gumas dezenas de palavras, dando a media
do critic e da revista. N~io a de Jean-Paul
Sartre. Que, na oragio dessa critical, s6 come-
teu um pecado mortal: o de, comm~re-il-/ault,
estar morto.


Quantas noises da nossa vida eu e com-
panheiros de geraglio consumimos lendo
Jean-Paul Sartre? Quantas noises ficamos
insones discutindo Jean-Paul Sartre em lu-
gares pbblicos como o Bar do Parque?
Quanto de n6s foi moldado pelas palavras
de Jean-Paul Sartre?
Ao me sentar no balclio da Maloca, do
Monami ou do Lila's, com minha roupa em
tonalidades neutras, meu at blasC, meu des-
prendimento e minha postura pretensamente
sedutora, eu me imaginava um Mathieu ao
tucupi, mesmo que o molho tivesse comega-
do a ferver antes mesmo da primeira leitura
do fil6sofo existencialista francs, gragas ao
te61ogo dinamarquis S~ren Abye Kierkega-
ard, do siculo anterior ao de
Sartre, o XIX.
Antes de encarar o exis-
tencialismo ateu de Sartre 1
eu jB era existencialista ca-
t61ico, de leituras desviadas
da teologia ortodoxa, quase
hereges. Mattria de pouco
mais de uma pilgina de Ri-
naldo Gama, na pendiltima
Veja, no entanto, me reme-
teu para os arquivos, como
se fossemos -eu, meus ami-
gos, Sartre e o existencialis-
mo series antediluvianos.
A prop6sito do cente- 1
niirio de nascimento e dos
25 anos de morte de Sartre, o juiz-jornalista
sentencia:
"Por sua defesa de iddias e regimes inde-
fensjveis, o pensador Sartre, que em seu tem-
po foi um pop star da filosofia, hoje 6 um
desses anacronismos que s6 uns poucos mn-
telectuais brasileiros ainda sustentam. No
entanto, Sartre tambbm foi um prosador com
talent acurado para examiner o vazio da exis-
tincia, no romance A Ndiusea, on seu absur-
do, no conto O Muro. O escritor, apesar de
tudo, sobreviveu".
Nada a obstar se o cidadlio estivesse a
manifestar sua opinilio. O diabo (que slio os
outros) 6 transformil-la em diktat, sentenga,
Cdito real, verdade absolute, dogma. Com a
mesma convicqilo, o Torquemada da Editora
Abril monta seu rol do que "foi superado" e
do que "ficou" da obra de Sartre.
Critica da razaio diarlitica, por exemplo,
o inquisidor-mor langa-a ao fogo. Afinal, nio
passaria de "tentativa de conj ugar marxismo
e existencialismo", que, niio deixa dlivida o
torturador mental, "nlio vingou":
O marxismo foi enterrado com a morte
do comunismo sovidtico, e o existencialismo
revelou-se uma moda filos6fica passageira -
escreveu o magarefe das id~ias.
No entanto, esse livro volumoso me exi-
giu meses de leitura, laboriosa, sem dlivida,
mas proveitosa, fascinante. Embora o exis-


A morte e amorte



de Jea-PaulSa.t.



























































































JOrndl PCesso 31 2 QUINZENA SETEM8RO DE 2005 _r


Em entrevista i revista Enltrelivros que
estj nas bancas, Mill~r Fernandes diz que
niio val mais Bs livrarias com regularidade.
"Recebo tantos livros que esses me ocupam
bastante tempo, e it h livraria comprar mais
um, nio dj", informa o ex-silbio do Mdier, hBi
muito tempo encastelado com sua lucidez na
Zona Sul do Rio de Janeiro, num apartamen-
to de cobertura em frente ao mar.
Niio se deve levar a declara~gio ao pt da
letra (por que niio a cabega da letra? Per-
guntaria o leitor, g maneira do entrevista-
do). A ambigliidade como resultado, embo-
ra raramente como intenglio, 6 o trago de
superioridade dos verdadeiros artists.
Miller e um deles, caso raro de humorist
assemelhado a George Bernard Shaw e que
nada tem a ver comno as verses mais popu-
lares e distanciadas anos-luz, como Chico
Anysio e Tom Cavalcante.
Finalmente um escritor sem estilo, Millbr,
livr-e como um tdxi, 6 "um leitor esperto", como
admite na entrevista. O que 18 incorpora ao
que escreve, sem reduzir o que escreve a uma
citagilo. E multo mais at6 do que digestlio,
recriaglio. Miller 6 um produto da cultural do
seu tempo, com rafzes num determinado es-
pago, mas o transcendendo: 6 universal.
Como humorista, tem compromisso apenas
consigo. Sendo individuo excepcional, ele 6
um mundo. Dentro do nosso mundo.
Pode-se permitir tudo. Como negar que
vti com regularidade is livrarias para, logo
em seguida, mostrar que it is livrarias lhe 6
uma atividade essencial. Niio para comprar
livros, mas para v&-los, mostri-los a quem o
acompanha, discutir, observer e usufruir os
novos servigos (jii niio tito novos assim em
outros lugares) oferecidos por esses pontos
de venda, como o cafi expresso.
EstB at realizado meu sonho de consume:
receber periodicamente montanhas de livros
e ir is livrarias nito para me manter atualizado
com os langamentos, mas desfrutar da pleni-
tude que s6 C possivel em contato comn livros
em uma livraria, seu temple de venera~gio. Ela
6 um ponto de encontro, que geralmente pres-
cinde a companhia de qualquer outra coisa (e
mesmo pessoas). Basta o livro B espera. O
quanto mais massive e, em certa media, de-
sorganizada for alivraria, melhor.
Hii aquele comprador que chega a uma
livrar-ia com o pedido certo. Atendido, vai
embora. Esse niio C um intimo dos in2 folio,
mas algudm que precisa de livros. Os degus-
tadores, que se beneficiam inclusive da rela-
glio ffsica com o produto, combina~gio de cor,
cheiro, forma e imagem, estes nlio chegam
comn uma necessidade especifica e, sobre-
tudo, naio tam hora certa para sair. Nem plano
de v8o definido para a incursiio.
Em curtos periods cheguei a receber
uns poucos livros das editoras. O cbdigo
da permanincia na rela~gio de destinattiri-
os de cortesias era claro: mandar para o re-
metente os registros feitos das publicag~es,
de prefer~ncia com fotos das capas ou
quaisquer outras ilustrag2~es, que sho cha-
marizes mais eficientes da atenglio dos


leitores em potential. Nunca, pordm, conse-
gui simplesmente reproduzir o material de
divulgaglio das editors, com uma on outra
adigio pessoal. E 6 isso o que se pode fazer
para tender is expectativas do fornecedor
da cortesia. Resenhar o livro ao final de sua
leitura, se a tarefa 6 divulgar vtirios livros
num period de tempo curto, estli acima de
qualquer capacidade humana.
No mesmo ano em que comecei no jorna-
lismo, noj jidistante 1966, consegui conven-
cer o director de redagilo de A Provirlcia do
Pardi, Clitudio Augusto de Sti Leal, que seria
capaz de ler livros em quantidade suficiente
para manter uma coluna semanal ("De fato,
de gente e de livros"). As colunas foram sa-
indo e ao final do ano publiquei uma relagio
comentada dos "mais e melhores" da tempo-
rada. E a coluna acabou ai. O jornalismo jj. me
absorvia em tempo integral.
Eu podia ter continuado no esquema co-
mum de todas as se-
95es de livros, mas meu
temperament nunca
me permitiu cultivar *
essa capacidade. Nilo a
subestimo, como pode
parecer. Mesmo quan-
do t evidence que o au-
tor da coluna esti de-
sincumbindo-se da mis-
slio para manter o fluxo 'Y
de livros, djpara distin-
guir quem 6 intimo do
assunto de quem esti
apenas interessado em
former sun biblioteca e
tender seu hibito (ou
vicio). Em terms locals, basta confrontar a
pligina semanal que Ildefonso Guimarlies
manteve em A Provlincia comn a sec;io atual
do meu irmlio, Elias, no Didri,-o do Pardi. A do
Elias ji 6 melhor do que a de Ldo Gilson Ri-
beiro emn Carros Amigos.
Quando circulo pelos sebos de Sho Pau-
lo, costume passar em um, o Quase Sebo,
perto de minha querida Escola de Sociolo-
gia e Politica, para catar livros novos que 14
viio parar por obr~a e graga dos resenhado-
res da imprensa, al guns dos quais not6rios,
que at6 conhego pessoalmente. Ningu~m
pode dar vazilo a produglio de livros, mes-
mo num pais como o Brasil, onde, descon-
fio, a produglio supera o consume. Multa
gente ainda compra livros que niio vai ler.
Ou por gula ou porque a mercadoria tem uma
destina~gio certa, qlue nada tem a ver com a
leitura: a funglio decorative.
Por niio montar minha estate de livr~os
nos espagos que tenho, acabei sendo priva-
do doprivil~gio que Mill~r, L~o Gilson e Eli-
as, por diferentes motives e diversas serven-
tias, consolidaram: receber as novidades do
mercado editorial. Mas de vez em quando
sogobra algum sobrevivente. Outro dia oaten-
cioso Jos6 N~umanne me mandou seu roman-
ce O sil~nc~io do delator, que recebeu o Pr@-
mio Senador Jos6 Ermfrio de Moraes deste
ano, da Academia Brasileir-a de Letr-as, como


o melhor livro de 2004. Na dedicat6ria, ZC
N~umanne, que tambam 6 jornalista, define
seu livro como "a saga de uma geraglio de
loucos, sonhos e homess.
As primeiras piginas, as (inicas qlue
consegui ler, nos intervalos gue a perse-
gui~giojudicial agravada me permit, auto-
rizam o entendimento. Mas conseguirei
chegar ao fimn do livro para escrever sobre
ele, retribuindo a gentileza erma do autor e
os servings da editor, A Girafa, para qlue
me regale em mais uma ocasitio? Niio sei.
Talvez nilo. Hii na fila outros livros, qlue
precise comprar, indo pedestremente is li-
vrarias, on que a supreme cortesia de seus
autores me obsequion singelamente, da
qual precise dar conta e noticia.
O mundo dos livros 6 um torvelinho. N-io
precisamos e nem podemos ler tantos li-
vros. Uma vez invadido pelo cupimn da curio-
sidade, entretanto, o mal niio tem mais fim.
Seus efeitos persistirlio
at6 o tiltimo dos nossos
dias, mesmo quando
nos faltar~em olhos para
Sver. Sem sua visio, em
4=,L idade jik avangada, ain-
." da assim Jorge Luis Bor-
ges leu mais do qlue a
/ nata dos qlue compram
iivros. Valendo-se de
olhos alhelos, 6 claro,
mas comn seu aparelho
(e$.l de processamento de
cultural intacto: sua po-
,derosa cabega.
Impressionou-me
quando soube qlue a bi-
blioteca de Immanuel Kant niio la al~m de 300
volumes. Essas armas deram muniglio excep-
cional ao fil6sofo alemlio. O qlue faz a diferen-
ga? Evidentemente, quem 16. Disperse e curi-
oso, sem discipline, sou um jornalista qlue
forgou seus limits sem chegar As depend~n-
cias de acesso restrito, o universe que defi-
nem como sendo da Altaa cultural dos ver-
dadeiros criadores de culture.
Somos os aproveitadores dessa cria-
Cgio Nada podendo fazer em matiria de cri-
agio, dams a ela, com nossa adesrlo, o
valor social sem o qual essa cultural sobre-
nadaria no 6ter e ganharia seu nicho ideal
em Marte, talvez. Mill6r Fernandes tem um
pC nesse ambiente superior e outro, como
jornalista qlue e, nns depend&ncias qlue fre-
quientamos. E imortal, lato sensor, e pobre
mortal ao mesmo tempo.
Pode dar-se ao luxo de dizer qlue Domt
Casmurrlo, "6 uma besteira, uma bobagem".
sem causar o menor impact em quemn efeti-
vamente leu esse romance ou, melhor ainda,
a obr-a (se n~io complete, ao menos escolhi-
da) de Machado de Assis. Mill81r diz qlue 6
um romance homosexual e tem razilo. Que
Machado se escondeu de sua condigio de
negro, descendente de escravos africanos, e
continue a ter razlio. Que escreveu comno br~an-
co para negar essa origem e a prdpr-ia tez, e
co fINuA Nb PAC


Os livros, os humans e os mais humans





CONTINUACAD DA PAG. 5
mais uma vez estli certo. Que encontrou na
Academia Brasileira de Letras, na vida (e na
postur-a) acad~mica em geral, no figurine aris-
toclritico que imnitou, uma compensa~gio pela
epilepsia que o afligia, e novamente est8 com
car-radas de razlio.
Tudo isso precede, mas nho impede o
leitor- de Machado de manter a certeza, da
primeira a tiltima pligina de seus escritos,
entire escorregies em verses e sensaborias
em prosa, de estar diante de um verdadeiro
cl6ssico, h altura de freqiientadores dos ci-
nones, comno Shakespeare, para ficar num
que Mill~r tiio bem traduziu.
Qual a caracteristica maior do cl~ssico?
Para mim, ser natural, simples. Quase inexis-
tir como algu~m que express seu tempo (e
aidm de seu tempo, na eternidade da com-
preensiio e percepc;io humans) sem sair de
seu tempo, sendo cada personagem que cria,
entrando-lhe pelas entranhas, se a tautolo-
gia permit; sendo, naturalmente, como tipo
ideal e arquitipo, cada element da histbria
que cria, der-ivada do mundo real para a for-
ma abrangente da arte (ou da hist6ria, soci-
ologia, filosofia, etc., sem muito respeito is
categories for-mais).
Apr-endemos mais numa pega de Shakes-
peare sobre a condiglio humana do que em
dezenas de livros de psicanjlise. Assim como
as perip~cias de Calvin e Haroldo, criaturas
de Bill Watterson, um produtor de cultural de
massa, dizem mais sobr-e criangas do que to-
dos os tratados de psicologia infantil.
Quando comegamos uma pigina de Ma-
chado nilo nos dams conta do memento
em que deixamos de estar do outro lado do
livro do instant em que ingressamos na sua
trama ficcional. A literature se torna nossa
vida, como se realmente, num passe da al-
quimia da intelig~ncia sensorial, tiv~ssemos
r~ealmente penetrado no papel. A partir daf
vamos avangando na leitura, como se ela
fosse t~io natural quanto a respiraglio nor-
mal, e chegamos ao fim sem nos darmos conta
da preciosidade daquela estrutura imagina-
da por um home.
Quedamos diante do livro concluido com
a sensaglio de que tamb~m podfamos tC-lo
esenito, se, por acaso, conseguissemos es-
crever como Machado. Se tentarmos, pordm,
naio conseguiremos (C excepcionalmente di-
ffcil ser fjcil assim, se por facilidade enten-
demos a clareza e a quintessincia da natu-
ralidade). A niio ser se fizermos como fez Ha-
roldo Maranblio, grande "machadiano", com
seu Memlorial do fim, o memento seguinte
ao fim de Machado.
Este d o cliissico. E por que 16-lo? Porque
ele coloca um espelho diante de nds, a nos
refletir exatamente como somos, mas muito
al~m do que somos, atomizados, isolados.
Reconhece-nos a originalidade, mas nos in-
clui no g~nero humane, nos ilumina, nos dai
sentido. E ajuda-nos a prosseguir, mesmo
quando niio recebemos os livros que cobiga-
mos, todos os livros do mundo, e, tendo qlue
optar, escolhemos aqueles que conferem o
sinete de valor no pouco que somnos e no
muito que desejamos ser. Eio trago da gene-
r-osidade humana, que nos faz humans. E
nos i mpele a fazer- o bem.


O motive alegado para a agresslio de Ro-
naldo Maiorana e a sucesslio de processes
que ele e o irmlio instauraram contra mim em
seguida 6 de que eu teria acusado o pai de
contrabandista. Como qualquer leitura pri-
mjria do artigo apontado como ofensivo
mostrarti, eu registrei, no artigo "O rei da
quitanda", que Romulo Maiorana nito pbde
colocar em seu nome a concessilo de um 7
canal de television porque os 6rglios de in-
formagilo do governor federal o haviam r-e-
gistrado em seus acquivos como contraban-
dista. Se ele foi ou nlio, 6 outra questhio, que
a matiria jornalistica niio tratou.
No 6ltimo n6mero da revista Conltexto, 0
jornalista Odacyl Catete, funcionjrio de O
Liberal por muitos anos, escreveu sobre o
episbdio, antecipando um trecho do livro, ain-
da sem titulo, que pr-etende publicar:
"Quando se abriu a possibilidade de
mais um canal de television para Beldm, ele,
pimba!, habilitou-se. Como era um libria-
no vencedor, logo 'contrdrio sensu', nio
admitia perder, 6bvio. Criou entlio uma fir-
ma, a TV Bel~m, integrada por Ossian Bri-
to, Linomar Bahia, Walter Guimarlies, Gua-
racy de Brito e Elidio Lobato como sjcios
e conseguiu no entilo Banco 'Sul Brasilei-
ro' uma carta de cridito para servir de ati-
vo h empresa nova. Quando obteve o ca-
nal, RM criou uma nova empresa juridica
ficando, claro, como s6cio majoritbrio. Ar-
quivou a TV Belim".
Espero que Odacyl, participate ativo na
hist6ria do grupo Liberal, detalhe e esclare-
ga esse sumiirio, repondo a plenitude da ver-
dade, que tanto inc8modo causa a alguns
dos herdeiros de Romulo Maiorana. A TV
Beldm era, oficialmente, de propriedade dos
cinco s6cios apontados. Romulo niio parti-
cipava de direito dessa empresa, mas fizera


os propriet61rios formats, todos seus empre-
gados, assinarem um contrato de gaveta, r~e-
conhecendo-o como donor de fato da fir-ma,
atrbs da qual foi organizada a TV Liberal,
que era nome de fantasia. A recuperaglio por-
Romulo do pleno dominio de sua conces-
sito niio ocorreu quando ele obteve o canal,
mas quando o veto da "comunidade de in-
formagies" foi r-etirado, depois de multas
negoociaq6es nos bastidores do poder para
a superaglio do impasse.
Um dos complicadores, como lembra Oda-
cyl era "a intr-iga de que o jor-nal 'O Liber~al'
em sua principal coluna [o Repdrter 70, enr-
trdo de responlsabilidade~l de Hcilio Guleiros e
Ne~wtonl Miaranda, amblos politicos dlo PSD
bar~atista cassardos pelo regimle mlilitar] fa-
zia o proselitismo velado do entiio MDB. RM
passou a controlar mais firmemente o con-
tedldo do espago".
Espero que Odacyl tambem se refira em
seu livro ao problema surgido comn um dos
cinco s6cios durante o process de recu-
peraglio da plenitude do control aciond-
rio (a participation de terceiros foi reduzi-
da ao insignificant residue legal). Quatro
simplesmente devolveram suas agies.
Mas Romulo Maiorana teve que pagar
pelas cotas do quinto "sbcio", que conti-
nuou na empresa, a despeito desse com-
portamento, por acordo oneroso da resti-
tuiglio das cotas, produzido pela compe-
tincia do advogado Otrivio Mendonga,
falecido recentemente.
Isso 6 bistdria. E contra os fats, diz
bem o povo, n~io hi arguments. Por vias e
travessas eles acabam aparecendo, mesmo
que alguns autoproclamados dons da ver-
dade olio queiram. A histbria independe da
vontade dos homes, ji disse um famoso
fil6sofo do s~culo XIX.


VITAUIDADE
E~dificil falarcom Vicente Salles dos nos-
sos pr~bprios pr-oblemas. Com tantos e tito
sdrios problems de sauide, Vicente 6 s6
energia, vitalidade, projetos e otimismo.
Nunca se deixa abater, mreslrlo quando mno-
tivos para tal nh~o faltam. Acaba de colocar
nas r-uas mais tris livros: a terceira ediglio
de O Negr~o no Pard~, hoje um clbssico da
bibliografia amaz6nica; O Negro n~a For-
magdodanLISociedarde Paraenpse,rIeuniio de
artigos e ensaios sobre o tema; e Maestro~
Gaman Malcher (A iguvra humalnal e artisti-
c~a do compositor paraenlse), umn alentado
estudo sobre o criador da 6pera Bug Jargral,
apr-esentada no liltimo festi val no Teatr-o da
Paz, com ulma rica iconografia.
Vicente Salles continue a ser uma fon-
te de inspiragio e exemplo para todos n6s.
E de redugho dos nossos problems a um
tamanho mais suportlivel.


SETEM8RO DE 2005 *2 QUINZENA Jornal Pessoal


?2Ver ade emerge


A VOZ
Um advogado paraense, me encon-
trando no f~rum, manifesto sua revol-
ta com o desmatamento praticado na
Amaz~nia por pessoas de fora da region
e do pafs. "Essa gene niio planton uma
s6 tirvore aqui e vem derrubar a drvore
que a natureza criou. Eles viio nos dei-
xar sem nossa floresta", lamentava-se,
com feroz indignaglio.
Frase de quem conhece o problema
por vive-lo. Vox populi.

DE FICl ENC IA
O aspect noticioso desta edi~gio fi-
cou muito prejudicado pela falta de tem-
po para a apuraglio dos fatos. Temas que
deviam ser tratados, por sua atualidade,
terlio que esperar uma trdgrua na frente
judicial. Perdlio, leitores.












Depois de algum tempo sem adquirir- o
Exemplar do Jornal Pessoal, li, com bas-
tante atenglio, como de costume, o exemplar
da primeira quinzena de setembro de 2005.
Aproveitando a data quero desejar- a voc6
e a todos qlue o apbiam nessa empreitada,
qlue imagine herc~lea, a sadlde e a perseve-
r~anga para qlue niio esmor-egam. Nestes 18
anos sei qlue voc& jd expr~essou, em virias
opor~tunidades, a iddia de qlue o projeto Jor-
nal Pessoal dever-ia chegar ao fimr, argumen-
tando, em cada uma delas, as razdes para tal.
Se definitive, per-deriamnos todos com esta
decisilo, pr-incipalmente nossa sociedade, jd
tiio carente de jornalistas, como voc&, qlue
honr-em a pr-ofisslio. Esper-o que, mais uma
vez, prevalega a coragem, dedicaglio e a sua
obstinagilo pelo trabalho.
Esse trabalho ins61ito qlue voc& desen-
volve 6, na minha opinitio, o Onico contra-
peso ao jor-nalismo amador praticado em
nossas paragoens. Eivados de interesses
pessoais, nossos profissionais cabocios,
com algumas excegies, operam uma rede
em qlue a busca pela informagilo precisa 6
subordinada aos interesses dos grupos
dominantes. Minha decepglio com estes
profissionais 6 tanta que nito consigo sen-
tar para ler um journal, seja ele qual for, pro-
duzido em nossa capital. Quando posso,
me utilize da leitura de jornais de circula-
~glio nional, com o complement de leitu-
ras feitas na rede internet.
Dentro dessa 16gica, a ausancia do JP cri-
aria uma lacuna insandivel em nossa opinion
pdiblica. Ficarfiamos i mer~c& do interesse dos
grandes grupos jornalisticos de nosso Esta-
do, qlue utilizam a noticia como instrument
de cooptaglio em busca de seus objetivos.
Por-tanto, niio poderia deixar- de me manifes-
tar e registrar qlue meu desejo C de que o JP
continue existindo. Razies dos leitor~es njio
devem faltar par-a qlue esta iddia se imponha.
Mas, penso que a sua vontade deve prevale-
cer, pois, voc&, mais do que ningudm, sabe o
que tem passado e sofrido para manter seu
pliblico bem- infor-mado.Respeitar-ei sua deci-
slio, mesmo que a contr-agosto.
Chiudio Bacelar

Permito-me tamanha informalidade por
1 onsiderd-lo como "algu~m de casa". E
de fato voc& o 6. O Jornal Pessoal atrav~s
de suas espero incansjveis palavras ji
tem espago reser-vado em nossa sala, j6 faz
par-te da familiar.
Tenho somente vinte e tras anos, mas,
devo con fessar que cedo jj experi mentei m i-
nha primeira grande crise existencial de cer-
ne ideol6gico. Os sintomlas desse transtor-
no er-am claros e facilmente diagnosticiivels:
sentiment de perda, incredulidade, cons-
trangimento, njuseas, indignaglio, traigho e
o pior-: sentiment de ver-gonha. Eu, que nada
roubei, nenhum bem acumulei, nenhum che-
que saquei, a ningudm enganei, estava en-
tiio sentindo vergonha. Vergonha de par-ti-
cipar das discusses em rodas de amigos
(ou nlio) e ser obrigada a ouvir: Eu jj sa-


bia! O PT? Nunca me enganou... Ou ainda: -
Por- isso que eu sempr-e vote na dir~eita, que
roubava, mas pelo menos n~io ficava em pele
de cor~deirinho...
Historicamente, eu cresci apostando em
um Partido qlue prometia umn Brasil diferen-
te e de repente o sonho acabou. A minha
crise pessoal foi evoluindo conforme a cri-
se political national e eu ful me sentindo
cada vez mais lesada do meu direito atC
entlio inabalivel de dciscursar sobre a pos-
sibilidade de mudangas no cendrio brasi-
leir-o, nem eu mesma acr-editava mais em mim.
De repente, parei e pensei: eu apenas lutei
enquanto acreditei. E esse foi o inicio do
autocuminho terap~utico que percorri para
superar a crise.
Quando me delicio com os abr-angentes e
incisivos textos do Jornal Pessoal, torna-se
ainda mais claro pra mim o quanto n6s, en-
quanto povo, precisamos abor~dar- a atual con-
juntura estruturalmente. Niio adianta atacar-
fulano para defender sicrano, niio adianta
apontar qlue a said d o 6dio 5 political, nito
adianta dizerque "jj sabia", argu mentandoqcue
nunca gostou da cor ver-melha mesmo... Refle-
tindo, analisei qlue concr-etamente nlio hri sal-
da, mas hi caminhos qule pr-ecisamos percor-
rer- sempr-e em- busca do melhor._ Eu lamento
po-nilo poder-pr~ofer-irq ue''jasabia",.pois hoje
penso qlue as noticias atuais er~am um tanto
quanto previsiveis mesmo, dialeticamente fa-
lando. Contudo, dentre outros fatcores. a ca-
rIncia de r-ecursos bdsicos no pals, e a decep-
glio com todas as atuagaes de poder vigentes
atC entlio, alimentavam minha esper-anga, no
mesmo tempo, qule me alienavam a possibili-
dade de organizar- um pensume~nto pr6prio e
independent dos partidos de esquerda.
Agora, finalmente r~emetendo-me & impor-
tilncia do Jornal Pessoal, dimension sua im-
pr-escindibilidade vinculando-o ao caminho
qlue acredito que pr-ecisamos per-corrIer: o da
impar-cialidade. HA dezoito anos vocC langou
seu jor-nal em uma escada evol uti va, com de-
graus nunca antes percor-ridos por outros nas
terras de cri e tamanho mir~ito, por- ser pesso-
al e i ntran sferivel, justi fi ca o n ome de sula tilo
conceituada Agenda Amazi~nica.
Voct me ensinou que as bandeiras preci-
sam ser levantadas e qluestion~adas por uma
consci~ncia multifatorial, qlue interconecte
cada ponto passivel de critical. E somente a
informagilo a ferramenta mais eficaz no com-
bate h impunidade. Nrio qulalqluer infor-maglio
advinda de mancheles sensacionalistas e con-
venientes, mas aquela inlstrumentalizada par~a
a critica imparcial ao qule estri posto, semn poll-
ticas partidlirias, dogmas on: parcer-ias ilicitas.
Vocd me fez acrepditar que podemos ser
diferentes sim, n~io por apontar solugdes
prontas e acabadas, mas por indicar como
devemros tri lhar os cam inhos.
Por isso e muito mais, niio nos deixe 6r-
faos. Humildemente, pego porque pr~ecisamos
de vocC. Vida longa ao Jornal Pessoal!
LauraAmaral.

coNmINU NA\ PAG I


FeliZmente m8/S leitore5 aderiram

& COnSUlta proposta hd dUaS

edigoes: este journal deve

prosseguir ou ja exaurlU SUaS

raZ()e5 de existir?


Li, com cerlto atraso, o ntimero do Jor-
nal Pessoal onde voc& pede a opinion
dos leitores sobre se desejam ou niio a con-
tinuaglio do mesmo. Muito me surpreendeu
e desapontou as poucas respostas. O mo-
tivo deste e-mail 6 dar a minha opinilio, o
qlue nlio ftz antes porque naio estava em
Belim e, conseqiientemente, como disse
acima, niio li hfi tempo o journal, mas acho
qlue vale igualmente agora. Para mim o Jor-
nal Pessoal niio s6 deve continuar como 6
imprescindivel continuar. E ~nossa Linica
fonte de informaglio segura, no sentido de
ter credibilidade, sem falar no alto nfvel de
jornalismo qlue possui. Parabins pelos 18
anos de bom jornalismo do Jornal Pesso-
al! Espero qlue continue sempre a nos for-
necer boa e credivel informaglio.
Maria Eunice Gongalves Furtado

Respondendo 5 enquete sobre a conti-
nuidade ou niio do JP, gostar-ia de dizer
qlue sou uma leitora novata, qlue passou a
acompanhar as publicagdes a partir da mna-
tdria "Rei da Quitanda", pois tinha a grande
ilustio de qlue o pequeno Davi venceria o
gigante Golias. Confesso qlue figuei triste
comn o desenlace do episbdio, embora saiba
qlue "lutaste bravamente". Desde entlio leio
o JP, ou melhor-, degusto o JP e n~io gosta-
ria de ser privada desta leitura tito prazer-o-
sa. A tua persistincia tem servido de exemn-
plo par-a muita gente, que ganha coragem
par-a denunciar ou manifestar-se sobre os
abuses ou inljustigas.
Um abrago de quem te admira e,
Vida longa ao JP!
Heleny da Silva Coelho


Queres saber se Jornal Pessoal tor-
Snou-se dispensjvel, responderei
com outra pergunta.
Serri que o povo ji tem pleno conheci-
mento do seu papel na tomada de decision
quando se trata dos pr~oblemas relacionados
comn nossa r-egitio?
Serg qlue nossas elites (financeira, inte-
lectual e political) jd deixaram de olhar apenas
par-a seus interesses imediatos, passando a
olhar mais para o future?
Resposta: Infelizmente nlio.
Ainda pr-ecisaremos por um long tempo
de seus servings pois se nlio fosse tu e o
JP como irfamos fazer para tomar conheci-
mento de coisas que nos atingem as vezes
sem qlue n6s vejamos.
Vida longa ao JPe ati
Joel Augusto


Jor-nal P'essoall *2.QUINZENA SETEM8RO DE2005


Enquete: journal deve continuar?



























































































g SETEM8RO DE 2005 2 QUINZENA Jornal P'essoull


Refleti sobre o JP, relembrando o Pau-
lo Francis. A semelhanga 6 a attitude,
a diferenga 6 o conteddo. Seu journal 6 no-
ticia e antilise. E regional e universal. O
que voc& escreve 6 a manifestaglio de
seu profundo amor e respeito aos paraen-
ses. Como disse o Francis: "A critical 6
tilo incomum na nossa imprensa que as
pessoas acham que 6 ofensa". Quem ofen-
de 6 o jornalismo acomodado, que pratica
a autocensura sem necessidade da dita-
dura, que comunica para ocultar, nito co-
loca nada em risco, apenas preserve os in-


teresses pessoais. Nos dezoito anos do
JP, ouso pedir a vocC que continue e agra-
decer o sacrificio que tem feito para tornar
a realidade compreensivel e transparent
ao leitor, com todos os seus significados
e consequ~ncias. E repito com o Francis:
"A gl6ria da imprensa foi feita por gente
de opini~es fortes e inconformistas".
Cecilia Renner/S. Paulo

Na edi~go no 352 do JP voc& lamenta o
baixo retorno da enquete langada so-
bre a continuidade on nilo do JP.


Perdoe-me, carol Lcio, mas penso que
sua enquete C completamente desneces-
stiria, pois quem de n6s, seus eleitores,
em sli consci~ncia, opinaria pelo fim do
6nico veiculo de comunicaglio realmente
independent do Estado do Parti? Creio
que att seus mais fervenhoss opositores
nito votariam no fim do JP, pois sua exis-
t~ncia contribui para mostrar que outra
imprensa C possivel, assim como para
o fortalecimento da democracia.

Valentino Dolzane


FAMILIAR
A tilo desejada prislio do fa-
migerado Sr. Jos6 Dias Pereira, fi-
nalmente realizada, 6 uma vitbria
do Jornal Pessoal. Esperamos
que a Justiga nlio relaxe a prison
e as penalidades cabiveis, como
geralmente acontece. Vinte mi-
lhbes de reais niio recuperam os
danos causados g natureza e aos
homes por esse infame sujeito.
Oxalji o mesmo acontega com
os demais devastadores e grileiros.
Nossos parab~ns, embora
comn certo atraso.
Prof. Antonio Pedro Brito
Bezerra
Maria Alda Brito
Bezerra (AFRF aposentada)
Glauco de Arad~jo Bezerra
(universittirio).

FRATERNIDADE
Jj dizia minha mile: "Antes
tarde do nunca".
Hii mais de uma semana
que minha consci~ncia me aler-
ta: precisas parabenizar o Llicio
pelo anivers~rio do JP. Estou,
de certo modo, ref~m dos meus
g~meos, por um periodo.curto,
por isso, tenho falhado al guns
compromissos.
Em event como esse, consi-
dero um dever, ciyico e moral, rei-
terar minha solidariedade ao teu
jornalismo exercido com imparci-
alidade, comn compet~ncia e com
coragem sobre assuntos atuais e
relevantes. Reconhecimento e
estimulo sito villidos quando
manifestados. Opr~prio Cristo ao
curar dez leprosos, censurou os
nove que nlio vieram agradecer.
Teu trabalho, certamente,
tem cartiter missionfirio. Estil
fora do tempo.
ArmandoAvellar

TESTEMUNHO
Em I8 anos de jornalismo in-
vestigativo, o alternative Jornal
Pessoal formou uma marca que o
caracteriza no universe amaz~ni-


co: resistincia. Resistincia por
nio admitir a condi~glo colonial
da regilio; resistincia por nto
compactuar que os recursos na-
turais da Amaz~nia sejam beneft-
clados e usufruidos aidm-mar,
deixando a popula~gio local mar-
ginalizada; resistincia por nio
admitir trabalho escravo, grila-
gem de terra, saques na biodiver-
sidade, entire outros problems
que se manifestam de forma tele-
grifica ou ex6tica no dia-a-dia da
grande mfdia.
Na obra O pensamento mles-
tigo, o historiador italiano Ser-
ge Gruzinski, observa que o
exotismo da regitio t uma espt-
cie de filtro sedutor e redutor,
aidm de um fornecedor de cli-
ch~s. (2001:29). E nesta pers-
pectiva que a Amazinia, uma
regitio de fronteira do Brasil,
distant dos centros irradiado-
res da informaglio, 6 tratada pela
maioria da mfdia seja local, na-
clonal ou international.
A mfdia, em sua maioria, ven-
de uma imagem exotica do lugar.
Antes de causar indigna~glo pe-
los problems qule afligem a re-
gitio, a imagem em cores da Ama-
z~nia tem que primeiro "espeta-
cularizar", fascinar,
Um jogo de sedugho e seda-
glio que paralisa e conforma os
sentidos, obrigando as pessoas
a formatar uma imagem tiio so-
mente do "mito do bom selva-
gem", "Amazinia, pulmlio do
mundo", etc. Toda essa imagem
da regillo 6 construida frequien-
temente de fontes secundlirias,
de estere6tipos e de imaginaglio,
sem um contato permanent com
a realidade local.
Nesse sentido, resistir 6 pre-
ciso. O Jornal Pessoal precisa
continuar a resistir, pois este pe-
queno alternative luta para reti-
rar toda a capa do exotismo e de
seduglio que cobre a Amazinia.
Como os amaz~nidas iriam
saber, com riqueza de detalhes


jornalistico-j uridico, da maior
grilagem de terras pdblicas pro-
movida pelo Grupo de Ceeflio do
Rego Almeida? Tal gri lagem vem
sendo noticiada pelas piginas
do periddico ha quase uma dd-
cada e que somente agora a jus-
tiga, por meio do juiz federal em
Santar~m, Fabiano Verli, decre-
tou a indisponibilidade da Fa-
zenda CuruB.
Esta grilagem estil localizada
numa direa de grande concentra-
glio de mogno da Amazania, en-
tre os vales dos rios Xingu e Ta-
paj6s. Tal esp~cie 6 considerada
ouro verde no mercado.
Por denunciar no Jornal Pes-
seal esta vergonhosa grilagem,
Lcio FlIivio Pinto estl amargan-
do uma condena~gio na 16a vara
penal de Beldm, em queixa-crime,
com base na lei de imprensa
(1967), proposta pelo ex-desem-
bargador (aposentado) Jolio Al-
berto Paiva; e a mais recent, im-
posta pelo juijz Amilcar Guima-
rhes, pelo crime de escrever a ex-
presslio "pirata fundhirio" a Ce-
eflio do Rego Almeida.
Essas condenag~es repre-
sentam medalhas ao curriculo de
L6cio Fliivio Pinto. Parabenizo
a jornalista pela important mis-
slio que vem desenvolvendo hBi
18 anos no Jornal Pessoal. Pa-
rabenizo tambdm o juiz Fabiano
Verli, que teve a coragem de que-
brar com a omisslio, na Brea juri-
dica, desta monstruosa grila-
gem, que ji se estabelecia hii 10
anos. Afora Verli, aos procura-
dores da Repdiblica, Ubir-atan
Cazetta e Felicio Pontes Jlinior,
autores da aglio pdblica. Espe-
ro que o exemplo do jornalista
Lcio Fliivio Pinto, do juiz Verli
e dos procuradores da Reptibli-
ca sejam seguidos para o bem
da Amaz~nia. Nem tudo est6i
perdido!
Cilia Trindade Amorim, jor-
nalista, mestre e doutoranda da
PUC/SP.


TROVA

Em tom duro ou af~ivel
Tu tomaste minhas dores
Lcio, tu Cs responsivel
Cativaste teus leitores.

Faz temer os poderosos,
Pois embora pequenino,
Contra humans maldosos
Jornal Pessoal 6 ferino.

Venho atrav~s da trova
Pedir-te, Ldcio, niio pare!
Jornal Pessoal 6 a prova
Honestidade s6 vale.

Sei o que quero, opino
Quero a verdade, entlio
Jornal Pessoal eu assino
Esse nito enrola niio.

O Journal Pessoal
Deveria ser difirio
A Verdade niio enjoa
Pois al~m de necessfiio
Leio e fico numa boa.

Seja sdria, seja Ididica
A noticia do "Jornal"
IAde utilidade pliblica,
Deixou de ser "Pessoal".
Cl~udia Cruz

SlliNCIO
Laura Amaral fez question de
mandar para est~e jornal a carta
que envion em maio is princi-
pais redagaes jornalisticas da
TV Globo. Passados quatro
meses, ainda aguarda pela res-
posta. Seu texto:

Acredito que tenha sido con-
sensual, entire todos os brasilei-
ros que assistiram a brilhante re-
portagoem do Fantarstico sobre o
escindalo em Rond~nia [cornirp-
ECdo dos deputados estadluais], o
sentiment de indignagio com as
imagens veiculadas e, ao mesmo
tempo, indubitavelmente, o sen-
timento de um profundo agr~ade-
cimento a essa emissora. que tan-


1 r
1 1~;28





95es do meu martfrio, que talvez uma boa
solugho para manter o projeto, sem transfor-
m8-lo numa vit6ria de Pirro ou num present
de grego, seria adotar as cots nito no ensino
de 3o grau mas no de 2o ou mesmo de lo grau.
Explico-me. Os alunos da rede pdiblica
de ensino receberiam uma bolsa para se man-
terem nessas escolas e estarem condigaes
de delas tirar o melhor proveito, ou, sendo o
nfvel educational baixo, exercer pressjio so-
bre os professors, de tal maneira que eles
tamb~m se vissem obrigados a se reciclar. A
bolsa seria renovada trimestralmente, bas-
tando ao bolsista comprovar o seu rendi-
mento satisfat6rio (sem qualquer nota abai-
xo de 8, por exemplo; sem faltas imotivadas;
sem puniglio disciplinary .
Assim, presume, o bolsista estaria pre-
parado para enfrentar o vestibular em igual-


dade de condig~es (ou condigaes atC supe-
riores) is dos estudantes da rede privada
de ensino. E se a rede piiblica nlio conse-
guisse tender g pressito que inevitavelmen-
te surgiria pelas bolsas, entlio o governor
seria obrigado a agir com mais do que racio-
nalidade formal on desarrazoado espir-ito po-
liticamente correto: melhorar os elos de co-
nexho da rede fundamental de ensino phbli-
co com as universidades.
Acho que o sistema de cotas deixaria de
violar o principio constitutional da isonomia,
segundo o qual todos slio iguais, comn dir-eito
As mesmas condiqdes e oportunidades, e nlio
se tornar~ia, no future, ulma contrafaglio de
sua boa vontade de origem, um piedoso des-
servigo a um pais que precisa aperfeigoar ur-
gentemente sua intelig&ncia, dando atenglio
especial hs realmente melhores.


Na ida ou na volta do f~rum, meu contu-
maz local de tortura hB tempos, pass pelo
Coltgio Estadual Paes de Carvalho, onde es-
tudei durante tr~s anos. Na maioria das ve-
zes, mesmo em horjrio commercial, observe
que boa parte das salas de aulas visiveis
est8 sem atividade. Ou, ativas, niio gastam
essa energia no process de ensino e apren-
dizado. Quando transit pelo local ao fim
das aulas, niio observe nada que me autori-
ze a confiar numa pedagogia de resultados,
qualquer que ela seja.
Enquanto you e volto das minhas ses-
s~es de nonz-sense judicial, pergunto aos
meus botbes se o sistema de cotas que, com
os melhores prop6sitos, se est8 a implantar
na Universidade Federal do ParB, sera eficaz
ou niio. Aberto aos ensinamentos alheios a
esse respeito, cheguei a conclusion, nas esta-


to contribuiu para a busca da 6ti-
ca na political, expondo mais uma
vez uma atividade que hB muito
j8 sabemos ser comum aos politi-
cos neste pafs.
Na oportunidade, agradego a
todas as reportagens investiga-
tivas do jornalismo sdrio e preci-
so dessa rede de telecomunica-
~gio Bem, quase todas...
E um absurdo que, vivendo
uma Cpoca tiio especial em que
o assunto CPI estj na moda, te-
nhamos que nos submeter h au-
sincia da veiculaglio local e na-
cional de uma deniincia do Mi-
nist~rio Piiblico Federal, que
acusa irregularidades na cam-
panha political que utilizou re-
cursos da empresa Cerpa para
eleger o entlio atual governador
do Pard Simlio Jatene, "perdo-
ando" a divida de 47 milhdes da
empresa de cerveja. R$ 47 mi-
lhies! Em troca da concessio
de favors fiscais h Cervejaria
Paraense Sociedade An~nima
(Cerpasa) os tucanos Almir Ga-
br-iel (ex-governador do ParB) e
Simlio Jatene receberam doa-
95es ilegais de R$ 16,5 milh~es
da Cerpasa. Tudo descoberto
por acaso...
O Minist~rio Pliblico do Tra-
balho detectou que a Cervejaria
Paraense S/A (Cerpa) vinha pa-
gando seus funciondrios atrav~s
de caixa-dois, sonegando o Im-
posto sobre Produtos Industri-
alizados e o Imposto de Renda.
O Ministirio P~blico Federal
buscou e apreendeu documen-
tos, computadores e R$ 300 mil,
destinados a pagamentos de sa-
Ijrios atrav~s de caixa-dois. Em
um dos computadores apreen-


didos, auditors fiscais da Pre-
videncia Social encontraram um
arquivo denominado "Pendan-
cias", no qual consta o compro-
misso da Cerpa em contribuir
com R$ 4 mithies para a campa-
nha do atual governador Simio
Jatene, aidm do pagamento de
mais R$ 12,5 milhdes, em troca
de beneficios fiscais concedi-
dos A empresa.
O fato 6 que o Governador
Simlio Jatene sofreu processual-
mente o risco de cassaglio no ini-
cio deste ano e nada vimos na
TV Liberal, que possui a conces-
slio para representer a Rede Glo-
bo no estado do ParB. Nenhuma
noticia! Nada!
Houve uma votagio este mis
na C~imara que impediu a consti-
tuiglio de uma CPI para investi-
gar o caso Jatene & Cerpa, uma
vez que a maioria esmagadora
(formada pela base governista)
votou contra. Contra o povo! E o
que ouvimos falar na Tv Globo
local, no Jornal Liberal? Nada!
Absolutamente nada. Agora, per-
gunto-lhes por que ter8 sido?
Como fats tiio importantes nio
obtiveram cobertura jornalistica
do canal de telecomunicagio
mais important do estado? O que
est6 acontecendo comn a Rede
Globo? Onde estj que n~io vi
suas afiliadas?
A Cerpa 6 uma das maiores
anunciantes no Grupo Liberal.
Entlio quer dizer que... Niio! O
governador latene, por outro
lado, freqiientemente aparece
comn uma imagem extremamente
privilegiada, para niio dizer ima-
culada, nesse mesmo Jornal...
Niio, nlio, nlio, esquece! Voc~s


nito compactuariam~! Niio pode
ser... Serb que...? E inconcebivel
tanta parcialidade na veiculaglo
de noticias no estado do Pard!
Portanto, considerando o meu
respeito a essa conceituada, Rede
de Telecomunicaglio, que cons-
truiu historicamente uma images
sdlida de neutralidade na veicu-
laglio de dendincias e noticias
nacionais, resta-me acreditar que
a "Rede Globo mile nito est8 sa-
bendo o que faz a delingiiancia
de uma de suas filhas".
Confesso que h6 muito me
control para n~io ter de ser aque-
la que revela o mau carter de al-
gudm da familia. Compreendo ser
invariavelmente dificil admitico
erro sem resistincias. Contudo,
nlio hB criaglio sem limits, por
isso deve haver algum c6digo de
6tica, postura e conduta para a
representation local de um canal
tilo important, ou n~io? O que
os leva a permitir tiio impunemnen-
te que os responsdveis pela Glo-
bo local estejam tambem envol-
vidos em tantos esciindalos des-
de a conquista de carter duvi-
doso da concessito da Tv Libe-
ral no Pard atC o torpe espanca-
mento de um dos nossos mais
conceituados jornalistas paraen-
ses Llicio Flivio Pinto?
Quando ouvi tiio solenemen-
te nossa respeitada jornalista
Fgti maBernardes, referindo-se ao
badalado depoimento do pol~mi-
co deputado Roberto Jefferson,
dizer que a organization Globo
n~iosegura nenhuma informagio,
para isso bastando que a mesma
seja verdadeira, pensei eu pre-
ciso continuar acreditando nes-
sa emissora! Por- outro lado, pen-


so por quais razbes o jornalismo
global seguraria a noticia de umna
denlincia do Minist~rio Pliblico
aqui em Beldm do ParB? Porque
n~io noticiar-am nada sobre uma
CPI abafada envolvendo tantos
recursos de cofres pdblicos?
Afinal, fala-se tanto emn CPI
dos Correios no Jonrnal Nacio-
nal, niio C mesmo? O que, parti-
cularmente, como telespectado-
ra, acho 6timo. Falem, falem, fa-
lem mais de eschndalos. Mas, fa-
lem de todos.
Atd porque, embora nem
semnpre (a)parega, o povo certa-
melnte j& Percebeu qjue nessa brli-
ga politico-partidicia local e na-
cional, niio importa quem venga,
quem perde 6 sempre o povo.
Ainda assim, continue ten-
tando. Temos o direito h noticia!
Queremos e devemos saber.
Acredito que uma boa opor-
tunidade de resgatar tamanha df-
vida jornalistica seria incluir uma
sdrie de reportagens que atuali-
zasse de fato o povo paraense (e
por-que nto dizer brasileiro?) acer-
ca do que v~m ocorrendo em seu
pr6prio estado. Ali~s, o caso de
Simlio poder8 ser retomado como
pauta ainda este mas.
O povo par-aense que tambim
6 brasileiro agr-adece.
Aguardo resposta.
Atenciosamente,
LauraAmaral

DOCUMENT
Muito obrigado pelo JP
352. EstB multo bom. Vou guar-
d8-lo, com o maior- carinho par-a
a posteridade.
Trajano Oliveira
Flor-ian6polis/SC


Jornal Fessoull 2-QUINZENA SETEM8RO DE 2005


Sistema de cotas com inteligincia





mpemo'r'a


O) ilchef d' cablnr~cl Ja SP\ E.1
(Superrintendeln cia doc Plano de
Valorizaglio Econ~mica da Amaz~nia,
antecessora da Sudam) e da Rodobris
(Comisslio Executiva da Rodovia Beltm-
Brasilia) publicou aviso na imprensa, em
junho de 1964 para advertir as pessoas
que receberam irregularmente passagens
fornecidas pelos dois drglios "a recolher
& Tesouraria, dentro do prazo de trinta
dias, o valor correspondente B on is
passagens recebidas". Depois desse
prazo, "serlio notificados nominalmente
pela imprensa os que niio tenham
atendido ao convite e tomadas as
provid&ncias legals cabiveis".

* Os coveiros da Estrada de Ferro de
Braganga foraml Iber? Antanio e Gast~o
Furtado, integrantes de um grupo


tre~1 ,1 rL d, L viarI C IIL1 team per ninanatll
Brastlia decidiu pela drd'stica
erradicnagdo da EFB.

* Benedito Nunes falou sobre "O
sentido do teatro como arte" no Ciclo de
Confer&ncias do Curso deArquitetura
da Universidade Federal do Pars, que
funcionava onde hoje est8 o Clube Monte
Libano, no inicio da nvenida Almirante
Barroso. Os alunos do Curso de
Formagio de Ator, tamb~m da UFPA,
fizeram aleitura dramitica dapega "O
sonho americano", de Edward Albee.

* A prefeitura "evacuou" a favela Sarard
e assim o DNOS (Departamento Nacional
de Obras de Saneamento) padas~tomar
as obras de construglio do canal da doca
de Souza Franco, que substituiria o
igarapC das Almas. O servigo fora
interrompido g espera do
remanejamento dos moradores
dessa favela. A nova licita~gio
previa a conclusion dos servigos emn
18 meses. O prazo, evidentemente.
nho foi cumprido.

Maria Ester Benltes foi eleita
Miss Pard, uma das mzais bonitas
de todos os tempos nersse
Sconlcurso, na sua fase de forea,
quando era promlovida pelos
Didirios e Emzissoras Associados,
de Assis Chateaubrianld. Na
ocasiaio, era recepcionzista nla
s age~ncia da Varig eml Belimrl. A
Varig estreava nessa dpoca umn
nzovo vbo entire Nova York e Rio de
,Janeiro, comt escala emz Belimn,
r-ealizado duas vezes por semauna
pelo Conzvair 990-" Vin2ha dos
Estados Unidos nla segunrda-feirar e
voltava nau terga, pavcrando ainlda
eml Sulo Domzingos (Repuiblica
eDominicana) e Recife.

A Folha Vespertina publicou um
demonstrative do saldo das contas
do Estado nas ag@ncias de sete
bancos e na recebedoria de rendas
(para ser recolhido ao Banco do
Estado), somando um bilhlio de
crUZeirOs, disponiveis quando o
gOvernador Aurdlio do Carmo e
seu secret~rio de finanqas, Henry
Kayath, foram cassados e
destituidos de seus cargos. Os
bancos com dep6sitos eram os do
Estado, Morteira Gomes, da
Amaz6nia, da Lavoura,
Ultramarino, Comercial do Para; e
de Londres. Multo banco e
bastante dinheiro.


MATRIX
AGENCIA BRASIL
AGENCIA S. BRAS
CASTANHAI,
RuO DE ~ANELRO
SANywARB


AU ENT ND OMA
8 S p 0 sibilidades de pro gresso
8 g 0ra ta mb 4m em SA.NTAREM
O p'ogresso d3 poho Ia-:lcrna levowhos alb 16. Ncsses amigos daquela grand.
Naio nas fc posevel mals relardar erss eilcontrc-
Agqora, estanos instafados famMm no cidade de Sartardm. operando em todas
e: mcdaldac5te'ls bo~an: aestonies, deposites, van;'crtncies, order det.
50. ? Fl.V'"aE qUO il, wa s, Ihonl tom llc Lo ames. olpcienoo a con,
E voc6 cue ?pcra carn Santar~m dsponha deade agora do hottes cerag~o.
E vo:5. dr Santa:cm. que opera cm Selem ou scrn a risic de prasil r do man 0.~
salba que estenrns Infraramente as sau dsp~dr. Nosses corresPondenies ras pnrct-
pa s p2:et latel Pas j i as mzcres capltass do mu: J:. Ie c'"eterewl a trace.
Iha, pot Santatem ca preocuper-se para qu tvod Icae exammeme coma V. deseja.
...................umarm sam n JLN I


RANCO It40FtWPEIRAL OGlES e.A.
SP lpl..., o...ulr";;n ....... ..,****; *
IR. 11.836)


10


SETMBRO DE 200: *27 Q N';ZENA. T[arnal P'e+ 11a


do


C OTID IAN0O


trabalhzo da Rede Ferrovidria Federal
encarregado de estudar a situagdo das
ferrovias brasileiras. Eles arssinzaramn o
atestado de dbito depois de
percorreremz toda linha fi'rrea ate
Braganga, incluin~do os rmais de
Icoaraci e da Coldnia do Prata.
Conclutramz que a estrada ndo tinha
condiqdes de evitar volumzosos prejuizos
anuais. Por isso, devia ser extinta. A
media que fossemz remlovidos os trilhos
do ramal de Icoaraci, enztre o
Entronzcamnento e a parada do Tapand,
a prefeitura de Beli'm devia aterrar a
direa e, se possivel, afastdi-la. O ent'o
governador Jarbas Passarinho disse
que ia tentar manter pelo menos um


PROPA GA ND A

Banco

P l~e s
O Banco Moreira
Gomtes, uml banlco
paraense, que ja
tinzha treis agerncia:
em2 Belim (uma em
Castanhal e outra
no Rio d~e Janzeiro)
abria sua ageincia
em SanltarPm, onzde
tambDm rl
firnanciaria o
progress. Mas as
possibilidades, lu~
a institu~igdo
im~agin~ava estarem
se abrindco,
fecharaml logo
depois.





Jo rn a P Iessoul 2QUINZENA SETEM8RO DE2005


FOTOGRAFIA

Antes da guerra
Qutando tudlo aindal eraml flores, o
governadror Jarbras Passarnlho foi ci sedle da
Folha do Nor-te, nlo velh~o prd'dio da rua
Gaspar Vianac, vlisitar o professor Paulo
Maranlhao, d~ono do journal, e seul filho, Jodio
Maranhlo, achninistrador geral da emlpresa.
Levou consigo o vice-governador, Agostinho
Monteiro, o secretarrio de In~terior- e Justiga,
Fldvio Moreira, seur assistente mnilitar, major
Durvacl Morerirac, e senl assessor de implrensar,
Ildetfonzso Guimrifevc~s, qure apareceml n~esta
foto histdrica, aro lado de dlois redactor-es dlo
jorntal: Ossianl Brito (tamblDm'l acre~ano, comoa
a famlosa Marria AulguIsta Cotriml, factdtuml de
M/aranrhilo) e De Camnpos Ribeiro. Depois,
romlperiaml. Seria ar ultiman camplanlha
political oposicionista da Folha. Paulo
Mara-nhilo mlorreria dois anos dlepois e seu
journal, em? 1974, serial adqluir-ido por- Romulllo
Manioranr~a e dleixariar de cir-cular:


Im-ismo:

IllI'r Ill
b
O Pardi ocupou o 17o
lugar na geraglio de em-
pr-egos no turismo no Bra-
sil na d~cada entr-e 199)4 e
2003. O crescimento do
Estado no period foi de
99g%.O Amapa, primeir-o
colocado, obteve cresci-
mento de 424%. A Paral-
ba, em 2o Ilugar. via os em-
pregos no setor se expan-
direm emn 349%. Na Ama-
zinia Legal, aidm do Ama-
pij, registraram desempe-
nho superior o Tocantins
(3o lugar-, comn 306%), Acre
(o 4o, 253%), Roraima (6o
1 81%), Ma ran h o (7o
166%), Mato Grosso (1L2o,
129%0) e Rond~nia (15o
114%/). O Amazonas ficou
percentualmente logo
abaixo do Pardi (com ger-a-
Fgi de 98%c de novos em-
pregos), mas em termoos
absolutos o turismo no
Estado vizinho 6 muito
superior ao nosso.
O levantamento com-
preendeu todo o reinado
tucano no Pard~. A pr-opa-
ganda pretende convencer
os paraenses de que o tu-
rismo estj. crescendo admi-
ravelmente. Mas quando
se olha em torno, verifica-
se que a mensagem 6 fala-
closa. O Pardi nho subiu ne-
nhum degrau novo para se
tornar um efetivo destiny
turistico de significado.


Quando algum de seus te61ogos se torna rebelde,
a Igreja lhe impde um sil~ncio obsequioso. O punido
se submete a censura on se insubordina. Se continue
a pr-ofessar- e expressar suas iddias heterodoxas, pode
acabar recebendo puniglio mais drastica.
Os intelectuais de esquerda vivem neste momen-
to a sua fase de sil~ncio obsequioso. A causa 6 a
crise moral e 6tica do PT, cuja bandeira partidjria uma
legiio de intelectuais fez sua, a ferramenta para a apli-
caglio na prdtica de suas iddias, o veiculo de suas
esperangas e utopias. Vozes que a sociedade se acos-
tumon a ouvir, expressando iddias e interpretando a
histblria, agora estio caladas, escondidas em algum
escaninho profissional, acad~mico on dom~stico.
O silencio atual d6i. Na verdade, pordm, jB hai al-
gum tempo os intelectuais se tim afastado da cena
pdiblica. Aqui, como na maioria dos lugares, pode-se
delimitar umn marco desse distanciamento. Se se quiser
um~a data, pode-se pegar 19)58. Foi nesse ano que se
organizou a Universidade Federal do Parti, a par-tir de
curses superiores isolados, como os de Direito, Enge-
nharia e Medicina, os mais concorridos e famosos.
Criar a UFPA, evidentemente, foi um avango e
uma conquista. A universidade constitui-se em cen-
tr-o organizado do saber, sistematizando a produgio
do conhecimento e instalando sensors de captagio
da contribuiglio universal. No entanto, o fascinio da
carre ira acad~mica foi ti rando os intelectuais mais or-
gfinicos das ruas, das pragas, dos bar-es, dos locals
de concentrarlio do homnem do povo, incluindo no
meio dele os intelectuais ditos n~io-orgfinicos, os li-
vre-atirador-es, os iconoclastas, sem a rtgua & o es-
quadro dos metodos e metodologias cientificos.
Atraldos pelos titulos, honrarias e status, os
intelectuais universitbrios, que constituem o maior
investimento pdiblico em conhecimento, foram se
despojando de sua fun~gio pliblica, do seu papel
como caixas de ressonrincia e pregoeiros das novi-
dades. Passaram a tratar exclusivamente de suas
curreiras acadimicas e dos interesses por elas sate-
litizados. O home pdiblico entrou em desuso, tor-
nou-se decadente, virou de'modde.


A crise seminal do PT evidencion essa praga do
silancio, que se inocula como virus, contra o qual
os antidotes disponiveis slio pouco eficientes. O
intellectual, como amostra gratis e multiplicador so-
cial, express esse voltar-se para dentro de si de
geragies de minimialistas, egocintricos, narcisis-
tas, individualistas, pedantes, soi-dlisant superio-
res h massa, que dela precisam se distinguir a todos
os titulos e custos. Mesmo que com a expression de
biscuits no hall da ociosidade.
O caso do PT C umn dos canals de vazamento des-
se miasma. Mas pode-se tomar como outro exemplo,
embora microsc6pico, este journal. Nos nove meses
que se seguiram a agresslio cometida por Ronaldo
Maiorana, as mensagens enviadas mostram que a
cidadio comum, entendendo osignificado desse aten-
tado, tem manifestado sua solidar~iedade e tentado
animar a vida deste journal. Os grandes intelectuals,
aqueles que com sua histdria se tornaram um referen-
cial na terra, estes se calaram. A adeslio a um projeto
alternative, exercido na premissa de que a mission da
imprensa 6 fiscalizar o poder, inclusive o da pr6pria
imprensa, t um perigo para suas carreiras. Por isso,
melhor niio colocar suas rlitilas cabegas em perigo.
Excluidas as primars dlolns, resta a nossa con-
fr-aria, a dos homess sem qualidades", como o do
romance de Robert Musil. E que, justamente por
n~io disporem dessas "qualidades", precisam ser
mais e fazer mais para marcar presenga na arena que
realmente os sublima e pr-ojeta: aquela onde se deci-
de o verdadeiro interesse pliblico contra os inter~es-
ses parciais e particulares. Ausentar-se dessa arena
significa concor-dar que pr-evalega o interesse indi-
vidual sobre o bem coletivo.
Por isso mesmo ficamos isolados, somos per-se-
guidos. Por isso mesmo somos perigosos, daquele
perigo que levou Bertolt Br-echt a advertir seus com-
patriotas alemies militaristas sobre a efici~ncia do
avilio e do canh~io, que n~io slio eficientes sozinhos,
mas em fungio de quem os opera. O problema e que
essas pessoas pensam. E tentam colocar em pritica
o que pensam.


Silincio dos intelectuais












O Anmaznia Jornal nso mudou ape-
nas de nome no dia 18, passando a se
chamar Amlazdnia Hoje. Mais encorpa-
do, passou a ser uma versiio ligeiramen-
te alterada de O Liberal, o principal jor-
nal das OrganizaFies Romulo Maiora-
na. O propdsito parece ser o de caracte-
rizar o segundo diririo da casa para con-
correr mais diretamente comn oDiario do
Pardi, da familia Barbalho.
Mais leve (talvez leve demais), in-
cursionando com mais desenvoltura
pelo mnundo das variedades, com &nfa-
se na televisito, o journal foi concebido,
na sua nova verso, para tirar leitores
do concorrente, sobretudo aos domin-
gos. Sua principal arma d o prego de
capa, de apenus um real, que persiste
na edigio dominical, enquanto o Did'-
rio custa R$ 2.
O Liberal continue sendo o mais
carol aos domingos, a R$ 3, mas 6 nesse
dia que a tiragem, em mddia de 45 mil
exemplares, segundo os dados do IVC
(Instituto Verificador de Circulaglio) di-
vulgados pela empresa, subiria para 103
mil exemplares. No entanto, em funglio
do prego e da magreza do Amlaz~nia, o
Didirio cresceu mais do que proporcio-
nalmente, aproximando-se dos ifderes no
mercado de impresso. OAmazdnialr Hoje
vai tentar sangrar essa vitalidade.
O novo batismo, fato rar~o na histbria
da imprensa mundial, aconteceu exata-
mente quando o Diarioi do Pardlc anun-


locidade e qualidade a impress to do jor-
nal, dois itens deficildirios nas instala-
95es industrials do adversdrio.
A dispute, portanto, pr~omete. Pela
primeira vez em muitos anos de dominio
absolute do grupo Liberal.



FORT E/FRACO
Ndmero capaz de impressionar: 20
commodities, intensivas em recursos
naturals, (como o min~rio de ferro e a
soja), responded por 73% do valor das
exportagdes brasileiras.
Pode-se dar uma definiglio a essa
forte concentraglio: calcanhar de Aqui-
les. Frigil sobretudo numa regitio que
tem na natureza a sua maior fonte de
capital, como a Amaz~nia.




JOIT181 PeSSORI
Editor: Llicio FI~vio Pinto
Ediglio de Arte: L. A. de Faria Pinto
Produglio: Angelim Pinto
Contato:
Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040
Fones: (091) 3241-7626
e-mail: jomalQ amazon.com.br


AAlga ViBria, concebi-
da originalmente no gover-
no H61io Gueiros, hB 20
anos, foi concluida em
2002, no final da adminis-
traglioAl mir Gabriel. Devia
provocar uma revolu~gio
no Estado. Mas completou tris anos sem qual-
quer registro. Se nito houve comemora~gio, um
fato atesta um desvio na trajetdlria da obra,
que os tucanos profetizavam ser revolucion8-
ria: um cons6rcio de empresas de navega~glo
inaugurou, no dia 17, um novo terminal rodo-
fluvial em Beldm, na avenida Bernardo Saylio.
Quando a Alga Vibria estivesse concluf-
da, permitindo a ligagilo por terra entire a ca-
pital paraense, o sul do Estado e o distrito
industrial e portudrio de Barcarena, o percur-
so fluvial estaria com seus dias contados.
Houve queixas e protests dos interessados,
que, no inicio, realmente sofreram um forte
abalo da concorr~ncia rodovibria atrav~s do
complex de pontes e estradas. Mas logo o
movimento fluvial niio s6 reativou-se como
ainda se expandiu.
O cons6rcio de empresas que fazem a tra-
vessia Beldm-Arapari n~io apenas investiu no
novo terminal, tirando-as de suas acanhadas
instalaq~es: slio anunciadas inversbes em
equipamentos mais velozes, reduzindo o ina-
ceitivel tempo de percurso, uma das causes
das queixas dos usuririos. Com mais preste-


za, aAlga ViBria se torna-
rd uma alternative restrita
a carros de passeio e ao
transport de al guns ti-
pos de cargas.
A prioridade dada A
Alga absorveu 180 mi-
thdes de reais, gastos comn tal celeridade
que as vias de liga~gio entire as quatro pon-
tes acabaram sacrificadas, a ocupagilo das
margens das rodovias se fez caoticamente
e a seguranga dos usulirios ainda deixa
muito a desejar, sobretudo nas viagens
noturnas. O motorist nilo conta com os
servigos anunciados na inauguraglio da
obra, como ambullincia, socorrista, policia
rodovijria e balanga.
Como o fluxo de veiculos 6 muito menor
do que o projetado, nunca mais se falou na
privatization da estrada. No edital de licita-
glio, o prego do pedigio nas pontes foi esta-
belecido em 4 reais. Umn carro a passeio paga-
ria, s6 de pedigio, tanto quanto para ver seu
carro transportado em balsas, comn a agravan-
te de gastar combustivel para percorrer um
trajeto duas vezes e meia maior.
Do alto do seu apartamento, no 21o andar
de um predio de luxo, o ex-governador Almir
Gabriel talvez continue a ver sua grande obra
como uma alavanca de desenvolvimento. Os
pobres morals, cB embaixo, dificilmente po-
derlio partilhar essa visio area.


Est6 de volta a temporada de caga 8 re-
divislio territorial do ParB. Ela comegou fra-
ca, na semana passada, em MarabB, para
onde os adeptos do Estado de Carajjs pla-
nejaram a primeira mobiliza~gio. Mas con-
tou, pela primeira vez, com a participagio
de outra frente separatist, a do Tapaj6s,
mais antiga e mais enraizada, por~m menos
eficiente. Da unitio, os dois grupos espe-
ram retirar forgas para conseguir no Con-
gresso Nacional a aprova~gio do plebiscito
e, ao final de um long e incerto caminho,
chegar a emancipaglio.
De volta de Santartm, o jornalista Ma-
nuel Dutra, autor de uma tese de mestra-
do a respeito, transformada em livro, ad-
vertiu: a lideranga do memento pela cria-
glio do Estado do Tapaj6,s esta sendo as-
sumida por alienigenas. E cada vez maior
a presenga de imigrantes, que chegaram
j regitio na onda da expansiio da soja. O
contedido historicamente determinado da
reivindicaptio pode transmutar-se, preo-
cupa-se Dutra.
Mas se esse fenimeno C novo no Tapa-
j6s, 6 caracteristico em todos os events
similares. Na regilio prevista para se trans-
formar no Estado de Caraj~s. a participa-
glio de natives e minima. Por isso, o movi-
mento no sul do Par6 tem mais vitalidade
do que no oeste do Estado. Mas esse, de
fato, 6 um component complicador na his-
t6ria do Tapaj6s, a merecer reflexiio.


Aqui neste journal, inaugurando uma se-
glio que atC agora niio foi em frente por fal-
ta de participagilo do ilustre leitor, sugeri a
criaglio de um grupo executive de gestio
territorial. Sua primeira tarefa seria rever,
consolidar e ampliar os estudos territorial
do Parj., cujas dimensaes continentals im-
p~em, quase como um element natural, a
question da territorialidade (para ser manti-
da, corrigida ou alterada completamente).
Estabelecida a base t~cnica para situar
de vez a pol~mica num nfvel racional e 16gi-
co, a semente evoluiria. Institucionalmen-
te, para virar secretaria. Politicamente, para
abrir o debate politico e t~cnico atd um pon-
to de maturaglio para se viabilizar afdes
executives, pondo fim a esse ji extension len-
ga-lenga de uso politico on pessoal.
Pode-se atC chegar i conclustio de que,
mesmo sendo vijvel, a redivisilo do Pard
precisa ter outra base material. Provavel-
mente os projetos-de-lei que fomentam Ca-
rajjs e Tapaj6s nito resistirlio a um teste de
consistincia, tanto em relaglio As suas for-
mulaqdes externas (no relacionamentfo cm
o Estado remanescente) quanto externas
(no delineamento espacial das novas uni-
dades federativas).
Ao inv~s de nessa nova saisoni se bus-
car simplesmente transformer a question
num Remo ePaissandu, convinha aprovei-
tar o impulse para dar novos ares a essa
finix territorial.


Alga Vitiria: 3 anos depois


Revisito do ParB: novra temporada