Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00280


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ornal


Pessoal


MAIO DE 2005
1 QUINZENA
N 345*ANO XVIII
R$ 3,00


A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


JUSTIIA


Muita roupa suja


LATIN AMERICAN COLLECTION
UNIVERSITY OF FLORIDA


0 poder judicidrio no Pard pass por umo fose de transformogaes. Denuncia do Ministerio
Publico contra ex-desembargodora, que desviou R$ 3 milh6es de dep6sitos judiciois, pode
trazer a public "fatos espontosos".


na passada, dos tres cargos do
desembargo que ainda estavam
vagos, as mulheres chegaram ao
maximo de participaqao no Tribunal de
Justiqa do Estado em todos os tem-
pos. Ocupam agora 22 dos 30 cargos
da instancia maxima do judiciario pa-
raense, ou dois tergos do total. Talvez
seja um record national. Trinta anos
atras, a desembargadora Lydia Dias
Fernandes era a inica mulher num co-
legiado de 18 desembargadores.
Mas esse percentual pode come-
qar a diminuir. Os 10 mais antigos in-
tegrantes do TJE slo todas mulheres.
Dos 20 desembargadores mais jovens,


8 sao homes. Parece que a onda de
predominio feminine, originando-se nas
instancias inferiores, vai sofrer uma
reversdo parcial a partir da clipula, que
se manteve, por muitos anos, imune A
tendencia de dominio macigo das mu-
lheres nos juizados singulares.
Por que havia tantas mulheres no ju-
diciario paraense, enquanto a m6dia na-
cional de participagdo feminine era mui-
to baixa? A explicag~o se baseava, prin-
cipalmente, nos baixos salaries que eram
pagos aos juizes. Os homes, mais qua-
lificados, preferiam se dedicar a advo-
cacia, que lhes rendia mais, ou a outras
funq6es afins com sua formag~o, como
a administraqCo piblica e a political.


As mulheres passaram a ocupar esse
espaqo vago. Mas era alto o preqo a pa-
gar por esse fen6meno bem paraense,
segundo as constantes reclamacqes fei-
tas pela cfipula do tribunal, quase inte-
gralmente masculina: constantes pedi-
CONTNUA PAG

CARVAO
VEGETAL: 0
MONSTRO
PAG.3
f..........................






CONTINUAFAO DACAPA
dos de licenca-maternidade, que se pro-
longavam al6m da conta; abandon das
comarcas do interior durante a maior
parte do ano; ineficiencia, e outros com-
plicadores decorrentes do preconceito
contra as mulheres, especialmente as
solteiras, em distantes paragens do Es-
tado, muitas delas isoladas.
Hoje, os salirios sdo atraentes e as
condiq6es de trabalho melhoraram mui-
to. A carreira judicial voltou a interessar
aos homes, agora mais numerosos nos
concursos. Esse relative reequilibrio en-
tre os generos na justiqa paraense ocor-
re simultaneamente a outros dois fen6-
menos: o rejuvenescimento na composi-
qdo da magistratura local e o ingresso de
um ndmero crescente de candidates de
outros Estados, atraidos de varias parties
do pais pelos concursos de admissao.
Talvez essa seqiiencia tripla de transfor-
maq6es contribua para um ganho quali-
tativo na justica local. Ajudard a tird-la
de uma redoma de isolamento e de auto-
defesa, que sempre favoreceu o nepotis-
mo, e contribuiri para melhorar sua ima-
gem junto a opiniio piblica, afetada pela
perpetuaqdo de vicios e irregularidades.
Mas 6 um process dificil, sujeito a va-
riaq6es, a idas e vindas. Um fato positive
pode ser seguido por outro acontecimento
negative, dificultando a consolidaio de
uma tendencia. Fato positive, por exemplo,
foi a decision da desembargadora Marta
In6s Antunes de antecipar seu pedido de
aposentadoria. Se a said ainda precoce
da magistrada desfalcou ojudicidrio de uma
servidora aplicada, sdria e honest (embo-
ra emocionalmente inst~vel), por outro lado,
reforqou-lhe a biografia.
Marta estava diante de virios proble-
mas pessoais, alguns dos quais lhe reco-
mendavam exercer a profissto de advo-
gada. Tentar a conciliaqio entire os dois pia-
nos podia prejudicar a um ou a outro, ou a
ambos, ainda mais porque ela esti decidi-
da a ingressar na atividade political (deveri
ser candidate nas pr6ximas eleiq6es pelo
PSDB). Preferiu, entdo, encerrar sua par-
ticipa~io em uma esfera da vida pdblica,
trocando ojudiciTrio pela political, passan-
do tamb6m para a vida privada.
Impacto de outra ordem foi provoca-
do pela noticia de que a desembargadora
Yvonne Santiago Marinho, atual vice-pre-
sidente do Tribunal, conseguiu prorrogar
seu tempo de permanencia na magistra-
tura atrav6s de uma retificaqco do seu
registro civil. A desembargadora devia
cair na expuls6ria em margo do pr6ximo
ano, quando completaria 70 anos de ida-
de. Mas alongou sua permanencia na ati-
va at6 novembro de 2006, nova data ofi-
cial do seu nascimento, segundo a retifi-
caSlo que solicitou, deferida pelojuiz da
16" vara civel, Mairton Carneiro.


Se for aprovado um projeto em tra-
mitagao no Congresso Nacional, propon-
do que a aposentadoria compuls6ria s6
ocorra quando o juiz atingir 75 anos de
idade, a desembargadora nao s6 conti-
nuard em atividade como poderd dispu-
tar a presidencia do TJE, que seria um
de seus projetos. E o inico cargo que
falta no seu curriculo.
A noticia da retificaqao da idade logo
ocupou os corredores do f6rum de Bel6m
e chegou, no dia 3, A coluna Rep6rter 70,
de O Liberal. Provavelmente adversiri-
os ou desafetos da vice-presidente trata-
ram de espalhar a nota da coluna, enquanto
disseminavam boatos questionando a ve-
racidade do ato. Para os efeitos legais, ele
se consumou quando o Minist6rio Pibli-
co, fiscal da lei, concordou em nio recor-
rer da decision do juiz, durante audiencia
na 16' vara, deixando ocorrer o transito
em julgado da sentenqa.
Independentemente da polemica que
se trava por trns dos muros forenses, a
boca pequena, hd uma questao de ordem
piblica no epis6dio: a iniciativa da ma-
gistrada de retificar sua idade, depois de
tantos anos, durante os quais o erro nao
a incomodou, fazendo-o apenas As v6s-
peras de sua aposentadoria compuls6ria.
O recurso, evidentemente, 6 legal,
desde que seja correta a retificaq~o.
Esti entire as pretens6es de direito da
desembargadora enquanto cidada. Mas
6 suficientemente polemico para provo-
car a nota de O Liberal, escrita com
certa malicia, e a discussao por ela sus-
citada, que comeqa a precipitar a corri-
da eleitoral, mal a nova direcqo do TJE
comeqou a trabalhar. Ainda mais quan-
do a attitude adotada, ao mesmo tempo,
pela desembargadora Marta Ines 6
apontada como contrastante.
O contrast, que ajudard a examiner
o poderjudiciTrio no Pard por uma pers-
pectiva mais profunda, se acentuou ain-
da mais com a dentncia formulada pelo
Minist6rio Pdblico contra a desembarga-
dora aposentada Ana Tereza Sereni Mur-
rieta. Ela foi acusada de ter incidido 157
vezes nos crimes de peculato, falsifica-
qCo de document pdblico e falsidade ide-
ol6gica, enquanto titular da '1 vara civel
da comarca de Belem, entire 1995 e 2002.
A magistrada simplesmente movi-
mentava, com total desembaraqo e sem
o menor respeito as normas legais, deze-
nas de contas poupangas abertas no Ban-
co do Estado do Pard para receber de-
p6sitos feitos emjuizo, em fun~go de liti-
gancia entire as parties. Essas movimen-
taq6es, que se conectavam a contas exis-
tentes em outros sete bancos, s6 podem
ser efetuadas atrav6s de alvaras judici-
ais, devidamente fundamentados.
Murrieta, por6m, depositava, sacava
ou transferia dinheiro atrav6s de docu-


mentos que equivaliam a oficios, various
dos quais aparentavam ser alvards em
funqao de fraudes cometidas pela juiza.
Alguns desses documents referiam-se
a processes ficticios ou nao indicavam o
nome da pessoa beneficiada. Para efei-
tos prnticos, equivaliam a cheques ao
portador. Como se as contas fossem da
juiza e nio das parties.
Num process que alcanqou 63 vo-
lumes, a promotora Suely Regina Agui-
ar Cruz avaliou em tres milh6es de re-
ais o desvio de dinheiro praticado por
Ana Murrieta das contas abertas A dis-
posiqao da a1 vara civel de Bel6m. Ape-
nas R$ 1,4 milhao retornaram As con-
tas, principalmente quando a juiza pre-
cisava cobrir os saques efetuados. O le-
vantamento fez a representante do Mi-
nist6rio P6blico do Estado concluir que
a magistrada agiu "de forma dolosa e
continuada, na maioria das vezes atra-
v6s da confecqao e apresentaqdo de
oficios/alvarAs falsos, ou atrav6s de in-
serqces ideologicamente falsas", apro-
priando-se pessoalmente "de valores
depositados em contas de dep6sitos ju-
diciais, afetas a processes em tramita-
qao ou que ji haviam tramitado pela la
Vara Civel da Capital".
A16m de denunciar a ex-desembar-
gadora, aposentada no ano passado, cor
40 anos de serviqo, a promotora reque-
reu varias providencias e reservou-se
para aditar sua dentncia cor fatos no-
vos, tanto em relaqao A magistrada "como
a uma possivel co-autoria e/ou participa-
cao de terceiros". Ela sugere que vai
esperar por esclarecimentos as cobran-
gas que fez, em fevereiro de 2002, a pre-
sidencia do TJE.
A desembargadora Climeni& Pon-
tes prometeu A representante do MP
que esses esclarecimentos viriam "no
moment oportuno, quando um ma-
nancial de documents sera disponibi-
lizado para possibilitar uma avaliaqco
real do estigio em que se encontra a
Justiqa do Pari, onde fatos de gravi-
dade espantosa, envolvendo alguns dos
seus components, nao mereceram a
devida apuraqdo".
A observaqao da entdo president do
Tribunal se acentua diante da gravidade
da dentincia do MP. Murrieta assumiu o
comando da 1" vara em 1995. Ji no ano
seguinte comeqaram as den6ncias de que
ela se comportava levianamente como
gestora dos dep6sitos judiciais. A partir
de um certo moment seus atos perde-
ram qualquer aparencia de legalidade.
Sabe-se que os fatos foram levados ao
conhecimento de autoridades do poder
judicidrio. Nenhuma providencia correti-
va foi adotada.
Pessoas e empresas, na suposiqao
de que seus dep6sitos estavam protegi-


2 MAIO DE 2005 1 QUINZENA Jornal Pessoal










Carvao vegetal: o monstro existe


Entre 500 e mil caminh6es trafegam
pelo sul e sudeste do Para, corn epicen-
tro em Marabi, escoando a produqao de
milhares de fornos primitivos, mais co-
nhecidos como "rabos quentes", opera-
dos por algo como 20 mil pessoas, que
produzem diariamente milhares de me-
tros c6bicos de carvao vegetal. O mons-
tro vem crescendo ha anos, mas parecia
envolto numa bolha opaca, que o tornava
invisivel. S6 agora foi descoberto pelas
autoridades.
Era o lixo, colocado para debaixo do
tapete, de um expressive p6lo de ferro-
gusa, ja se aproximando da 20a usina em
operaqCo, que se implantou ao long da
ferrovia de Carajis. Sete delas estao ins-
taladas no Para, que devera receber mais
cinco nos pr6ximos meses. Outras 12
estao do lado do Maranhao, cinco das
quais em Aqailandia.
As guseiras foram se multiplicando,
mas deixava-se para depois uma inquiri-
qgo 6bvia: de onde prov6m o carvao que
utilizam? Enquanto havia meia dizia de
usinas, era possivel ser embalado pela
conversa de que o carvao era produzido
apenas a partir de sobras de madeira das
serrarias, sem provocar desmatamentos
novos, e que logo essa fonte seria substi-
tuida pelas florestas energ6ticas, a partir
de projetos de reflorestamento com eu-
calipto.
As sobras de madeira existem, as in-
teng9es reflorestadoras tamb6m. Mas
nada equiparivel ao consume de carvao
vegetal agora que o p61o comeca a ter
tamanho mundial, de 1,5 milhho de tone-
ladas, necessitando de 4,2 milhoes de
metros c6bicos de carvao a cada ano. A
competiqao se acirra, embora todas as
usinas tenham um dnico fornecedor de
min6rio de ferro, que 6 tamb6m o propri-
etirio, por concessio pdblica, pelo prazo
inicial de meio s6culo, da ferrovia de
Carajis: a Companhia Vale do Rio Doce.
Enquanto comecam os ensaios para
atrair a atencao do Cade, a ag8ncia do


governor que combat a formagdo de car-
tel e a pritica de dumping, para o virtual
monop6lio da CVRD na area, a Cosipar,
a mais antiga guseira do Pard, montou, a
partir de Marabi, uma ins6lita operaqgo
para transportar gusa atrav6s de cami-
nhao, numa distancia de mais de 500 qui-
16metros, em mil viagens (sem carga de
retorno) para cada um dos tres embar-
ques que efetuou no porto de Vila do
Conde.
Com essa faganha, autentica ficcqo
cientifica em mat6ria de economic mine-
ral, a se sustentar no preqo record (e
provavelmente efemero) do produto, gra-
qas a aquecida demand chinesa, Luiz
Carlos Monteiro, o dono da Cosipar, es-
pera demonstrar a viabilidade do sistema
de transposiqdo da barragem de Tucuruf,
livrando-se assim do monop6lio ferrovid-
rio da CVRD. As eclusas ainda estao a
claudicar no cronograma financeiro, ape-
sar de mais uma rodada (literalmente) de
promessa federal, renovada pelo presi-
dente Lula, que disse estar empenhada
em inaugurar a obra antes do final do seu
mandate, no ji to pr6ximo ano de 2006.
Monteiro tamb6m ganhou o titulo de em-
presario do ano no Para, outorgado pela
Federaqgo das Inddstrias.
Visio de future? Nem tanto. Se a sala
de visits 6 bonita, a saida de emergen-
cia 6 terrivel. Agora que ela se exibe, 6
dificil evitar o choque causado na opiniao
pdblica por uma atividade ji expurgada
de quase todos os pauses do mundo, num
process que reservou ao Brasil a triste
condiq~o de dnico grande produtor de
gusa a base de carvao vegetal.
Quando o horizonte comeqou a ser de-
senhado, em 1982, com a criaqao do Pro-
grama Grande Carajas, nenhum dos per-
sonagens bem informados sobre esse
novo capitulo desconhecia que se estava
a inventar a p6lvora. Um ponto de com-
pra de carvao num lugar qualquer de uma
floresta 6 como um virus invasive num
organismo indefeso.


A p6lvora pode ser boa, como o em-
presario-engenheiro mineiro Luiz Carlos
Monteiro nao se cansa de proclamar.
Seria o ferro gusa tropical, de qualidade
melhor, graqas ao carvdo vegetal, e que
poderia imunizar-se contra os seus efei-
tos desastrosos cor enormes areas de
reflorestamento e produqgo organizada.
Isso, nas pranchetas e nos shows de in-
formitica. Na realidade, o que se ter
visto 6 produqgo esmagadoramente clan-
destina, condiq~o de trabalho desumana,
seguidos acidentes nas estradas com ca-
minhoes de transport de carvao, que tra-
fegam velozes e sem os cuidados devi-
dos, crimes se multiplicando, competicio
selvagem de pregos e medidas demag6-
gicas ou ineficientes para atacar o pro-
blema.
Certamente ele nio sera resolvido com
medidas punitivas irreais, como uma pau-
ta de valores inflacionada em 1000% nas
opera46es interestaduais, para impedir a
exportacgo de carvdo, garantindo assim
o suprimento das guseiras do Pard e ge-
rando mais renda e mais imposto. Mes-
mo que haja boa intenqao nessas iniciati-
vas, elas espicaqardo o monstro sem po-
der cont8-lo eficientemente em sua rea-
gao ca6tica e selvagem. As sidertirgicas
locais foram atendidas enquanto os car-
voeiros do Para, especialmente os de Pa-
ragominas, foram contrariados. Eles que-
rem continuar a vender para as usinas
do Maranhdo porque as paraenses nao
conseguem comprar-lhes toda a produ-
qao.
O monstro ji foi criado e engordado
por anos de omissio e coniv6ncia. Ago-
ra 6 encard-lo de frente e encontrar um
meio de domi-lo, o mais rapido possivel
e ao menor custo. Como essa aborda-
gem exige coragem, competencia, hones-
tidade e independencia, resolver o pro-
blema requer mudanqa equiparivel a
uma revoluqco num setor onde essas
qualidades nao estao nas prateleiras.


dos, se surpreenderam ao constatar que
o dinheiro fora sacado, parcial ou com-
pletamente. Algumas reagiram ao fato
acionando a justiqa. Numa das deman-
das, noticiada por este journal, o Tribunal
decidiu que nao lhe cabia responsabili-
dade pela guard do dinheiro, embora
ele constitua dep6sito judicial, sob a guar-
da de um serventurio piblico, integrante
do poderjudiciario. Os prejudicados que
acionassem a autora do desvio enquan-
to pessoa fisica.


Durante cinco anos as den6ncias sobre
o procedimento da titular da Ia vara civel
foram se acumulando, sem uma media
para tentar interromper os abuses. Por isso
mesmo, eles se multiplicaram. Para piorar
a situaio, Ana Tereza Sereni Murrieta foi
promovida ao desembargado, por mereci-
mento, em 2002. Quando estourou o es-
cindalo dos saques ilegais, ela pediu apo-
sentadoria, que lhe foi rapidamente conce-
dida, sem nenhuma puniqo. Foi para casa
cor uma renda mensal invejavel, que Ihe


garante um padrio de vida confortAvel at6
o fim de seus dias.
Esse enredo nada recomendavel
foi rompido pela denincia criminal do
MP e pode mudar completamente se
os fatos "de gravidade espantosa",
sugeridos pela desembargadora Cli-
meni6 Pontes, vierem, enfim, ao co-
nhecimento pdblico. Oportunidade
unica para o Tribunal de Justiqa re-
ver erros, purgar males e se purifi-
car. Diante de todos.


Jornal Pessoal I1 QUINZENA MAIO DE 2005


3

























Escaramugas pri-eleitorais


Quem poderi ser o candidate da si-
tuacio, caso o governador Simao Jate-
ne desista de disputar a reeleigqo por
causa da ameaqa de cassacio do seu
atual mandate? Para todos os efeitos
externos, Jatene 6 considerado o can-
didato do PSDB na dispute do pr6ximo
ano, mas as alternatives ji comeqam a
ser postas na mesa.
A opqgo seguinte 6 o ex-governador
Almir Gabriel. Sua idade e o vicio do
cigarro, entretanto, podem pesar ainda
mais agora, numa eleiqgo que promete
ser acirrada. Desta vez, o PSDB nio
contard com o apoio do governor fede-
ral, aqambarcado pelo PT. Brasilia de-
verd assumir a ofensiva em favor do
deputado federal Paulo Rocha. Ele ain-
da nio 6 um nome amadurecido para
almejar cor realismo o governor, mas
deveri ter da miquina federal uma co-
bertura semelhante a da maquina esta-
dual usada em favor de Jatene, na elei-
cio de 2002 (e que agora tamb6m com-
plica a perenidade do seu mandate). Por
isso, o candidate tucano teri que contar
cor muita energia e simpatia para per-
correr todo Estado, compensando o des-
falque. Dificilmente o ex-governador
dispori de reserves de energia para es-
sas ginkanas atris do voto.
E depois de Almir, com quem pode-
rd contar o PSDB? A alternative se-
guinte seria o secretdrio especial de
gestio, S6rgio Leio. Suas possibilida-
des, no entanto, ficaram enfraquecidas
pelo "escfndalo Cerpasa". Mesmo ain-


da afetado apenas lateralmente pelos
salpicos de lama do relacionamento da
empresa cor a candidatura de Jatene
e a miquina fazendiria, S6rgio esti
sujeito aos imprevistos do future e a
utilizacqo do tema na campanha. Tor-
nou-se um nome problemitico.
Qualquer que venha a ser seu candi-
dato, o PSDB comeqou a atirar contra
os inimigos potenciais. O primeiro alvo
tornou-se o deputado federal Jader Bar-
balho, desde que foi anunciado seu acor-
do com o PT. Pelo entendimento, Jader
indicaria o vice-presidente da chapa ma-
joritiria da alianqa e poderia voltar a
concorrer ao Senado. A reagio do go-
verno estadual foi suspender a propa-
ganda official para os veiculos de comu-
nicacio do ex-ministro e esvaziar a ban-
cada do PMDB na Assembl6ia Legisla-
tiva, que esta sendo reduzida a dois de-
putados gracas A capacidade de mag-
n6tica do poder. As baixas se estende-
rdo ao interior do Estado.
Em reaqco A ofensiva tucana, o jor-
nal e as emissoras de radio e television
da famflia Barbalho se reposicionaram.
Dedicam-se agora a fustigar a adminis-
tracio estadual, enquanto endossam as
iniciativas petistas.
As escaramuqas ainda nao significam
que o campo de batalha esti definitiva-
mente constituido. Afinal, a rigor, nem
batalha existe. Por enquanto, o espirito
que prevalece 6 o das bolsas de valores.
E o moment dos lances. O confront
viri depois.


CERVEJA
A Cerpasa publicou no dia 1 um antincio
que di o que pensar. Em pdgina inteira,
apenas a fotografia das duas cervejas da
empresa: a "Cerpona" e a "Cerpinha".
Sobre elas, um brasao estilizado cor os
dizeres: "uniao faz a forca". E duas maos
se cumprimentando.
A expressio "uniao" faz parte da pro-
paganda do PSDB do Pari, que venceu
as tres uiltimas eleiq6es para o governor
do Estado (uma na oposiqao e duas
como situaqdo, cor o poder ao mesmo
tempo no Estado e em Brasilia). Mera
coincid6ncia?
O vistoso anincio saiu apenas em 0
Liberal. 0 Didrio do dParp, que no meio
da semana noticiara o process instau-
rado najustiqa federal para apurar a pra-
tica de diversos crimes pela empresa, a
partir de dendncia feita pelo Ministdrio
Ptiblico, foi excluido da midia.
Demonstraqio de forca da Cerpasa?
Muito pelo contrdrio. Agora, al6m de ter
que enfrentar a concorrancia de cerve-
jarias nacionais que estao se instalando
no Pari, a empresa v6 no horizonte a
ameaga de condenagao por sonegaiao
fiscal, enriquecimento ilicito e contribui-
rio illegal para propaganda eleitoral, den-
tre outros delitos.
O antincio, tanto sua publicacio num
journal como sua sonegacao em outro, in-
dica que a Cerpasa esta atras de alia-
dos ou disposta a combater os que nio
estiverem ao seu lado. Talvez nao con-
siga evitar o que ji pode estar em cur-
so: um efeito cascata na busca das pro-
vas e evidencias das acusaq6es ji fei-
tas e por fazer.


PREJUIZO
A Eletronorte anunciou, na semana passada, que encerrou o primeiro trimestre do
ano cor prejuizo liquido de 211 milh6es de reais. A receita e a despesa operacional
da empresa ficaram niveladas um pouco abaixo de R$ 750 milhoes, mas a despesa
financeira voltou, de R$ 170 milh6es, voltou a pesar.
Enquanto apresenta desempenho no primeiro trimestre de 2005, a Eletronorte
ainda nio disponibilizou seu balanqo de 2004. O iltimo consultivel 6 o de 2003. O
descompasso nio causa boa impressed.


REFORMM"
Somando, multiplicando, diminuindo e di-
vidindo, a reformm" do secretariado pro-
movida pelo govemador Simao Jatene sig-
nificou a troca de seis por meia dtizia. O
governor ficou mais parecido a si. Nio
significa que tenha ficado melhor. Muito
pelo contririo. Agora esti em condicio
de funcionar, por dentro e por fora, como
um comit& eleitoral.


4 MAIO DE 2005.* 1 QUINZENA Jornal Pessoal










A revolta"



dos cabano


Marcio Souza lanqou em Bel6m, no
final do mas passado, corn patrocinio ofi-
cial do governor do Estado, o terceiro li-
vro da tetralogia Cr6nicas do Grao-
Pard e Rio Negro. 0 titulo, Revolta (Edi-
tora Record, 301 pdginas), ficaria mais
coerente se fosse algo como "0 gara-
nh.o do Grdo-Pard". Do inicio ao fim,
Mauricio Vilaqa traga quase todas as per-
sonagens do romance, desde uma ninfe-
ta de 13 anos, mas j~ prostitute experi-
mentada, at6 pudica senhora integrante
de uma associaco de novas amazonas,
uma precursora liga feminine que atuou
no periodo dos "motins politicos" no Para
(1821-1835), que constitui o eixo da sa-
gra do escritor amazonense. O romance
terminal como alguns daqueles filmes san-
grentos, no qual o enredo se exaure no
matadouro geral. Quase nao havia mais
mulher para o appetite voraz (e sempre
eficiente) dojovem comerciante.
Marcelo foi educado em Baltimore,
nos Estados Unidos, 6 refinado, mas o
maior movimento de massa da hist6ria
brasileira, a Cabanagem, 6 detalhe, para
ele e seu didrio (sobre o qual a trama fic-
cional mal se sustenta). Nessa au-
tantica guerra "dos que nio tnm contra o
que tnm", sucumbiram algo como 20%
de todos os habitantes da provincia, que
eram uns 150 mil. Se tivesse ocorrido atu-
almente, nas mesmas proporgqes, a Ca-
banagem teria produzido dois milhdes de
mortos em cinco anos. Ha algo que se
lhe equipare ao long dos cinco s6culos
de Brasil dominantemente europeu? Ou,
em epis6dios do mesmo tipo, em qual-
quer outra parte do mundo?
O morticinio 6 produto de violencia,
arbitrio, desumanidade, barbirie. E qua-
se natural que um branco, que ter a te-
mer por muitos bens seus (embora rece-
bidos de heranca, um tanto suspeita, dei-
xada por um tio), consider a revolta
como a liberaqo dos piores instintos do
home. A revolucao francesa tamb6m
foi isso para os que dela participaram, na
condiiao de vitimas, por deliberada cul-
pa ou por acaso.
Mas Bertolt Brecht ji alertava para o
perigo de s6 se olhar para a viol6ncia do
rio, sem ter em conta as margens que o
comprimem. A viol6ncia dos que se libe-
ram guard sempre alguma proporgqo
corn a violencia dos que os mantinham
cativos atd entao. A viol6ncia 6 a partei-


de Mircio e a revolta


ra da hist6ria, proclamava Karl Marx.
Nao se faz omelete sem quebrar os ovos,
acrescentari algum lider de esquina.
A revolta de Bel6m em 1835 antece-
deu de quase quatro d6cadas a revolu-
qio da Comuna de Paris, em 1871, ana-
lisada corn olho clinic pelo mesmo Marx,
que ali sepultou seus iltimos sonhos de
insurreiqco political de massa (no fim da
vida estudou russo para entender melhor
a possibilidade de a revolucao, etapa su-
perior do capitalism e seu dobre de fi-
nados, ocorrer numa terra de economic
primitive, na qual intelectuais de vanguar-
da comandariam, num autentico putsch,
uma massa humana sem outra perspec-
tiva al6m do pdo e da liberdade, a segun-
da conquista sendo sacrificada, logo em
seguida, no altar profano da primeira; s6
sem liberdade era possivel viver sem sus-
to; era?).
O que diferencia a Cabanagem, an-
terior, mais atrasada, da Comuna, poste-
rior, mais evoluida? Ora: que Bel6m,
mesmo saindo mais cedo, nao era nem
uma pilida image de Paris, antes ou
depois das barricades de rua, que acaba-
riam provocando uma contra-revolucgo
urbana, promovida cor sagacidade pe-
los vencedores, que abriram as grandes
avenidas para sua dominaqgo. Embora
em ambas as situaq6es o motor da ex-
plosoo tenha sido a insatisfado do povo,
comprimido at6 o ponto da irrupqo sel-
vagem, na Comuna havia id6ias e subs-


trato ideol6gico por tris das barricades,
nao s6 p6lvora e sangue.
Em Bel6m, uma vez executados os
representantes do poder estabelecido
(que ainda era portugues, apesar de for-
malmente nacionalizado), nao havia um
lider esclarecido nem um program a
cumprir pelo governor popular. Apesar da
idealizago que Dilke Barbosa Rodrigues
promoveu em torno do av6, Eduardo
Angelim, repetida sem discernimento pe-
los sucessores (nem por acaso, o livro
que ela escreveu nunca passou da pri-
meira edicao), nio ha provas de que os
lideres da Cabanagem eram os intelec-
tuais da revolugao, uma vanguard como
os bolcheviques na Rissia dos czares.
Pode-se dizer que a Cabanagem
comeqou a perder atualidade uma se-
mana antes da revolta comeqar, em
meio a uma festa pagd malmente sin-
cr6tica, em 7 dejaneiro de 1835, quai-
do o c6nego Batista Campos se feriu,
ao fazer uma prosaica barba. O feri-
mento gangrenou e ele morreu, nas
matas de Barcarena (sua sandilia ha-
vaiana seria trazida, 150 anos depois,
para a tumba que ocupa no Memorial
da Cabanagem, no eternamente incon-
cluso Entroncamento). Com o fim do
c6nego (e a loucura de Felipe Patroni,
o maior intellectual do periodo, se foi
a ponte para o future do movimento,
que daria conteddo ao que ter sido
apenas uma frase: a Cabanagem foi o
CONTINUE NA PAG 6


Jornal Pessoal I QUINZENA MAIO DE 2005 5







CONTINUAAO DAPAG.7
primeiro movimento de sediqco e re-
belio que levou o povo ao powder ins-
titucional no Brasil.
O povo sentou no trono e nao soube
o que fazer. A viol8ncia responded no
lugar da voz de comando, que deixou
de existir. Foi um ajuste de contas de
cor e de posse. Uma purga do passa-
do, com juros, correcio monetaria e um
spread como se j estiv6ssemos pagan-
do o preco do modelo unha-e-carne
Lula-Palocci.
Os autores solidArios e identificados
cor a causa do povo, como se fossem
Marat tropicais, em nfvel mais imediato
e superficial, tentaram e ainda tentam
- edulcorar os presidents do povo: Mal-
cher, Vinagre e Angelim. A falta de pro-
vas mais s6lidas sobre o que eles pen-
savam, queriam e fizeram de distinto,
fica-se com a frase de Handelmann
como a melhor defini9ao para a Caba-
nagem: um acerto de contas dos que
nada tinham contra os que tinham, sem
uma diretriz political, filos6fica, ideol6gi-
ca, cultural. Na faca.
O historiador alemao Handelmann se-
quer colocou seus p6s no Brasil. Seu belo
livro foi escrito, na segunda metade do
s6culo XIX, a distincia do pafs que tanto
o interessou. Ja Marcio Souza 6 amazo-
nense (ainda um amazonida?), conhece
bem a sua terra e era uma promessa de
contestacgo a visao passadista predomi-
nante na historiografia elitista. Seu mais
recent livro, entretanto, apenas renova
a decepcqo dos anteriores (Lealdade e
Desordem, na quase tetralogia; pratica-
mente todos, depois de Mad Maria). A
novidade que ele proporcionou, com seu
rabelaiseano boto tucuxi, parece ter-se
diluido numa literature primariamente
pornografica. Adelaide Carraro assina-
ria sem melindre vdrias das piginas de
Revolta, cujo acento commercial 6 mar-
cante. Henry Miller, nao.
Quanto A Cabanagem, que devia ser
o m6vel da empreitada literaria, acaba
nao passando de seu decor. Marcio tem
dela uma visao preconceituosa, distorci-
da, simpl6ria e raivosa, como se fosse um
comerciante portugues em atividade em
1835 e nao um intellectual do s6culo XXI,
obrigado a mostrar tudo e nao apenas um
aspect, projetado como falsa totalidade.
Obrigado a ser complex e nao manique-
ista, dual. A Cabanagem nao 6 a Comu-
na nem a Revolucao Francesa, mas nMo
6 s6 chacina executada ao lado da cama
na qual Vilaqa atira suas tamb6m insa-
ciaveis press, como se o clima estives-
se sempre a transubstanciar suor em se-
men. Onde nao hi realmente informa-
qgo hist6rica, faltou inventividade ao
autor, que se content cor cliches, pa-
lavreado pomposo e desleixo.


0 discurso e o palanque


O governadorSimdo Jarene foi a Ma-
rabA, na semana passada, sancionar a lei
de macrozoneamento ecol6gico-econfmi-
co do Par. O project do executive devia
ser aprovado em 10 dias. tal como estava
concebido. Acabou passando 60 dias na As-
sembldia Legislativa, mas saiu basicamente
como estava. corn os votos de 38 dos 41
deputados estaduais. inclusive do PT. As mo-
dificaqces que recebeu corrigiram cerlas
distornes do original. mas nio Ihe tiraram a
essncia. de projeto impositivo. auioritirio,
que deixari nas maos do executive todos os
poderes. Inclusive ode nada fazer.
Mesmo assim, o governor resolve ca-
prichar no aproveitamento promocional da
iniciariva. Maraba foi escolhida para sediar
a sanqAo da lei porestar no centro da regiio
mais abalada pelas frentes pioneiras. com
sua trilha de conflilos de terra e devastaqao
ambiental. Nesse cenArio, o govemador po-
dia reivindicar para si o m6rito de estar mo-
dificando essa situarlo corn um zoneamen-
to que poucos conhecem agora e provavel-
mence pouco acompanharao no future, quan-
do e se for executado. Nio surpreende
que tenha aproveitado para apregoar as con-


Mdrcio se refere a um "engenho de
Ananindeua", onde o anti-her6i Maurf-
cio encontra sua amada Joaninha, quase
um s6culo antes de Ananindeua come-
qar a existir como distrito, formalizado em
1920, e municipio, em 1943. Em 1835
Ananindeua era, simplesmente, Bel6m.
S6 em 1916, cor o interessante Curtu-
me Maguari, de Sounders & Davids, co-
meqou a ter perfil pr6prio. O Cacoalinho
tamb6m nao era bairro em Bel6m.
Al1m de impropriedades factuais
como essas, hd erros de construqao da
hist6ria, que resultam da desatenqdo do
autor (o que, no cinema, muito caro a
Marcio, se diria falha de continuidade). Em
certo trecho, a madrinha de Mauricio, para
se livrar de situaqio inc6moda, "simula
uma enxaqueca, recolheu-se ao quarto e
despachou o casal amigo". O correto se-
ria Simone despachar o casal amigo e se
recolher. Ou se recolher e deixar que o
casal amigo decidisse ir embora, ao per-
ceber que ela nao retornaria a sala da casa,
onde se encontravam.
Sio errinhos, 6 claro, que seriam per-
doaveis se o fundamental no livro os com-
pensasse. Mas ambos, em coer6ncia de
mi qualidade, mostram que Marcio Sou-
za apenas se desincumbiu da tarefa, sem
maior aplicaqgo, ou jd nMo 6 mais capaz
de escrever algo novo a altura de Gal-
vez Imperador do Acre, a rigor, o inico
dos seus romances que resistird i sanha


quistas de uma reform agriria estadual que,
se existiu, ningudm sabe e ninguwm viu.
0 discurso sobre os beneffcios da nova
pauta de valores do carvio vegetal. que
agora passarA a ser nosso. sem venda para
outros Estados, completou essa agenda de
verdadeira pregaqao eleiroral em campa-
nha. N;o por acaso, em Marabd o governor
e o PSDB se trn desgastado muito. E foi
justamente onde Jatene anunciara, anteri-
ormence. a criiao de um hospital pblibco
regional, a partir do Hospital Celina Gon-
qalves, comprado pelo Estado por 15 mi-
Ihoes de reais e a ser reformado por mais
RS 6 milhoes, para poder realizar cirurgias
de alta complexidade.
Menos de tres meses depois do feslivo
antincio, a more de tris criancas gemeas
por falra de uma UTI neonatal em MarabA.
alardeada pela TV Globo e corn repercus-
s.o em toda imprensa national, escanca-
rou a defasagem da iniciatira e estimulou
a duivida sobre todas as suas proclamadas
vanragens. Pode ter sido o primeiro cheque
de realidade no discurso de Jatene. E pode
ser tamb6m o toque de reunir para o inicio
da batalha eleioral na regiao.


do tempo. Tempo, alias, 6 que nao Ihe
faltou para revisar sua obra, antes de man-
da-la para impressao: encerrou o roman-
ce emjulho de 2003, no bairro carioca do
Leme, no Rio de Janeiro, e s6 o publicou
mais de um ano depois. Se nao foi bom
autor, devia ser, como j deu demonstra-
9~es de ter sido, bom leitor.
Conta a lenda que um coronel, mui-
to famoso em Bel6m, era tao Caxias
que prendeu a si numa cela, ao consta-
tar-se em erro, e jogou la fora as cha-
ves. Sem querer, Marcio Sousa repetiu
o gesto: obrigou-se a escrever uma te-
tralogia 6pica sobre um pafs chamado
Pard cor material que mal dava para
um livro, em nada melhor do que os
produzidos em forma pr6-moldada, com
Inimo de medalhao.
Em um dnico volume, compact e
denso, o saudoso Haroldo Maranhao jd
havia nos dado, cor Cabelos no cora-
cdo (necessitando de urgente 2' ediqCo),
o que Marcio prometeu e estd a tentar
realizar, sem sucesso. Tomara que re-
leia o romance do vizinho paraense an-
tes de fechar essa tetralogia at6 agora
frustrada e frustrante. O fecho roma-
nesco 6 anunciado cor o titulo de Der-
rota, sobre o fim da Cabanagem, jd no
Amazonas. Se pudesse ter um compo-
nente autobiogrAfico, talvez fosse me-
lhor tentar Fausto. Cor um Mefist6fe-
les tapuia pelo meio.


6 MAIO DE 2005 I" QUINZENA Jornal Pessoal










A inversao da verdade: os processes Maiorana


Meio-diae meiade 21 dejaneiro. 0 10
sargento da Policia Militar Manoel Santa-
na do Nascimento Ferreira, 41 anos, esti
em sua casa, na Cidade Nova VI. Toca o
telefone. t o subtenente Edson Nazareno
Gonqalves Carvalho, 47 anos, tamb6m da
PM. Carvalho, que mora no conjunto Ro-
raima-Amapi, em Ananindeua, tinha re-
cebido convite de um amigo comum, o
empresirio Ronaldo Maiorana, para irem
almoqarjuntos no Restaurante do Parque,
na antiga resid6ncia official do governador,
transformada em sede da Secretaria de
Cultura do Estado.
Esse tipo de convite por parte de Ro-
naldo para Carvalho, tamb6m conhecido
como Saddam, e para o subtenente, que os
mais intimos chamam de Carvalhao, "6
comum" quando ambos se encontram de
folga, segundo Carvalho, que diz manter
"amizade com toda familia Maiorana, ji de
longa data". Na condiqio de amigo, nao de
seguranga, ji que, em 23 anos de efetivo
service a Policia Militar, "nunca ficou A dis-
posiqao de nenhum empresario".
Recebido o convite pelo telefone, como
ocorre "com certa freqiincia", no dizer de
Carvalho, Santana se arrumou e esperou
pelo colega, que o apanhou em sua casa,
de carro. Foram, entao, para o restaurant.
Esta 6 a versao que o sargento San-
tana apresentou, no dia 8 de marqo, ao
depor no Inqu6rito Policial-Militar instau-
rado pela PM para apurar o epis6dio do
dia 21 de janeiro, da agressao praticada
contra mim pelo empresario Ronaldo
Maiorana, diretor-editor corporativo do
journal O Liberal.
A versao do subtenente no mesmo
IPM, apresentada no mesmo dia em que
seu colega foi ouvido, nao 6 exatamente
a mesma. Carvalho diz que, "por volta
das 13:00 h, recebeu um convite para
almoqar no restaurant do Parque da
Resid6ncia por parte do sr. Ronaldo Mai-
orana, corn o qual nutre por longa data
uma relacqo de amizade".
Portanto, media hora antes de rece-
ber o convite do empresirio, na ver-
sao do sargento, Carvalho telefonou ao
colega de farda, estendendo-lhe o convi-
te, que ainda nio recebera, de acordo
cor a versao do pr6prio subtenente, para
almocarem juntos no "Pomme d'Or".
A contradicqo 6 grosseira, mas os dois
militares nao pareciam se interessar por
ela quando foram convocados pelo pre-
sidente do IPM, coronel Manoel Cava-
leiro de Macedo, para depor no IPM, no
mesmo dia.
Na versao do sargento, quando ele e
o subtenente chegaram ao restaurant,


"a confus-o ji estava acontecendo",
mas p6de ver que seu velho amigo Ro-
naldo Maiorana estava "brigando com
outro cidadao", que, como viria a saber
depois, era eu. Carvalho ajudou Santana
"a apartar a briga e retirar o Sr. Ronaldo
para fora do restaurante. Para Santa-
na, tanto meus companheiros de mesa do
"senadinho" quanto os gargons do res-
taurante "intervieram para apartar a bri-
ga". Disse acreditar que o incident nao
durou "mais de dois minutes".
Ja o subtenente relata ter-se surpre-
endido, ao chegar ao local, "com uma
confusao que ji estava acontecendo no
interior do restaurant. Que ap6s se in-
teirar dos fatos, percebeu que um dos
envolvidos era seu amigo Ronaldo Maio-
rana, o qual brigava com outro cidadao".
Carvalho diz ainda que nio viu o seu com-
panheiro, o sargento Santana, me agre-
dir ou agredir a Andr6 Carrapatoso.
Ja o dono do grupo Liberal disse, em
seu depoimento no IPM, uma semana
depois, que deixou sua mesa, partiu para
cima de mim, me agrediu, me derrubou e
foi contido por "varias pessoas", que "in-
tercederam para que parassem a briga",
dentre elas "percebeu a presence" dos
dois PMs amigos, "os quais devem ter
chegado naquela ocasiHo".
Convenhamos: num fato que nao du-
rou "mais de dois minutes", 6 muita coi-
sa e nao tdo conexa quanto o acerto
pr6vio deve ter tentado estabelecer. Se a
confusio "ji estava acontecendo", os dois
militares nao podiam ter visto seu inicio,
que foi muito ripido. Ronaldo diz que os
dois PMs devem ter chegado quando ter-
ceiros j tentavam segurM-lo, enquanto eu
me levantava do chdo, depois de cair so-
bre a mesa, arrastar talheres e copos e
derrubar Andr6 Carrapatoso, que estava
ao meu lado.
Justamente nesse moment, quando a
agressdo estava consumada e quando Ro-
naldo estava sendo contido pelos seus ou-
tros acompanhantes de mesa (nenhum dos
quais eram meus colegas de senadinho,
ao contrario da versdo dos agressores), o
sargento Santana deu pontap6s e um murro
em cima do olho de Andr6 Carrapatoso,
machucando-o, conforme ficou atestado
no exame de corpo de delito realizado pelo
Institute M6dico-Legal.
A confrontagqo dos tr8s depoimentos
prestados ao IPM revela a forma jocosa
e desrespeitosa com que esses persona-
gens tratam as autoridades piblicas res-
ponsiveis pela apuraqgo dos aconteci-
mentos. Dizem o que bem entendem ou
o que Ihes conv6m, indiferentemente ao


que de fato aconteceu. Provavelmente
presumem que nada mais aconteceri,
exceto se for comigo e contra mim.
Assim, constroem a verso de que
houve uma briga, que pressup6e agressio
mdtua. Nao houve briga. Nao toquei em
Ronaldo. Fui a unica pessoa a sofrer pan-
cada. N~o reagi A investida, inclusive por-
que nada podia fazer naquela situaco des-
favorivel (ataque de surpresa, queda, co-
bertura dos segurangas). 0 arremate dado
por Ronaldo Maiorana ao epis6dio, de que
saiu do restaurant "sob ofensas recipro-
cas", 6 mais uma das fantasias utilitarias.
Apesar delas, a conclusdo do IPM, re-
metido no dia 15 de abril AAuditoria Mili-
tar do Estado, 6 de que "ha indicios de
falta administrative de carter disciplinary"
por parte dos dois suboficiais, "por terem
se envolvido em ocorrencia policial quan-
do de folga, em companhia do empresario
Ronaldo Maiorana, em um local pdblico,
de grande circulaaio, implicando suas
aqoes em prejuizo A boa image da
PMPA na sociedade paraense, al6m do
descumprimento das regras disciplinares
vigentes na Corporacgo, quanto a suas
attitudes fora do servi9o, de forma que
nao tragam prejuizo aos principios da dis-
ciplina, do respeito e do decoro Policial
Military conforme consignou o coronel
Cavaleiro de Macedo.
O coronel Rubens Lameira Barros,
subcomandante-geral da PM e correge-
dor geral da corporacao, determinou pro-
cedimento administrativo-disciplinar, cir-
cunscrito ao ambito que o IPM definiu.
Mas a justiqa military poderd ir al6m, se o
Minist6rio Piblico fizer a dendncia contra
os dois militares. Pode ser que, assim, as
esferas competentes do poder judicidrio
rejeitem a manobra que Ronaldo Maiora-
na adotou, com o endosso do irmao, Ro-
mulo Maiorana Jdnior, o principal executi-
vo da corporaco: proper o maximo de
aq6es contra mim, mesmo que por motivo
fdtil ou por inspiraqgo bizarre, para inver-
ter os p6los da situacqo, fazendo-me de
r6u e constrangendo-me em virios autos
de processes judiciais.
Felizmente, as medidas intimidat6rias
da primeira das duas aqces cfveis (al6m
das penais, com base na Lei de Impren-
sa), nas quais pedem indenizaq~o por
supostos danos morais e materials, nao
prosperaram. 0 poder do grupo Liberal
ja nao parece capaz de intimidar todos
os servidores pdblicos, sobretudo os que
cumprem seu dever de oficio no poder
judiciario paraense. Tomara que assim
seja, para o bem da maioria e o atendi-
mento do interesse pdblico.


Jornal Pessoal / QUINZENA MAIO DE 2005 7










memorial do cotidiano


Cinema
Antes da era dos telejornais,
vistos em casa, as imagens
dos acontecimentos eram pri-
vil6gio dos freqtientadores
das salas de cinema. Em
1956, um andncio informava
que os noticiosos exibidos
pelos cinemas Olimpia e Ira-
cema "sao recebidos de avido
diretamente do Rio, apresen-
tando portanto as noticias
mais recentes". E que sema-
nalmente as duas casas
"apresentam ainda os tries
melhores jornais cinemato-
graficos estrangeiros que vem
ao Brasil 'Fox Movietone


Nosso PAPEL DE
qualldade que
CIA. Agora es
tender pedid
de, para entree
ta-se de uma
paraense (e p
os nossos pros
mais baratos.


News', 'Paramount News' e
'Universal International'".

Radio
O program "Hoje tem espe-
taculo", de Francisco SimSes,
estreou no audit6rio, lotado,
da Aldeia do Radio, no Juru-
nas, em novembro de 1957,
sendo transmitido "ao vivo"
pela Radio Clube do Para, a
PRC-5. Participaram do pri-
meiro program, dentre ou-
tros artists do cast, Ameri-
na Teixeira, Lindolfo Pasta-
na, Jos6 Maria Nobre, Miguel
Cohen, Claudio Barradas e
Aurora Rocha


Prog
Em 19
Radio (
velas: A
navam
patroci
do, e
gentile
era a v
Ihos",
Yamad:
um pec
gentile
ve; e as
te agor
produto
As
fazia o '


PROPAGANDA

Papel


resistente
A Facepa (Fdbrica de
Celulose e Papel da
AmazSnia)
ig: I proclamava sua
condigqo de
"indtEstria
genuinamente
paraense (e
pioneira)" conmo
garantia de que seus
o preos "sdo, de fato,
PRONTA muito mais baratos".
ENTREGA Aldm disso, podia
entregar de imediato e
E em qualquer
MENOR quantidade seu
PRECO produto: papel de
embrulho de alta
EMBRULH tern a malor resistencia. Sua sede
voc& exige: A RESISTON- ainda era na Rua 0
tamos em condi56es de
os de qualquer quantida. de Almeida, 348, no
ga moediata. E como tra- centro da cidade.
Ind0stria genuinamento
loneira) garantimos quo
;os sao, de fato, multo


FABRIC DE CELULOSE E
PIPEL DI IMAZONIA S. L
Rua 6 do Almelda, 348
Caixa Postal 881-Bel6m-Pa


ramadao
58 a programaqlo da
Club inclufa cinco no-
Is 12,30 horas, se alter-
"Perversidade", com
nio da Loteria do Esta-
A semente do 6dio",
za de Farroz; As 17,30
ez de "Os quatro fi-
com patrocinio de Y.
a; as 20, "Madalena,
ado feito mulher", por
a de Colgate-Palmoli-
nove da noite, "t noi-
a", oferecimento de
is Gessy.
21,20 Edgar Proenqa
'Bad velho", o progra-
ma "da saudade
e da recorda-
qgo", patrocina-
do por Martini
Importadora de
M6veis.
As quintas-
feiras, as 21 ho-
ras, o Palace
Hotel de Caxam-
bu dava apoio ao
"Caxambu sol e
sonho", no qual a
soprano Helena
Nobre exibia
seus dotes.
As oito da
noite de sabado
era a vez de
"Que o sol me
condene", pro-
grama "pro-
fundamente
human, dirigi-
do ao seu co-
raqdo e a sua
consciencia",
sob o patrocinio
de F-Diva, "o
melhor produto
para afecc6es
da pele".
Edyr Proen-
ca era a grande
estrela dos pro-
gramas esporti-
vos da emissora.
Havia tres ao lon-
go do dia. "As
primeiras do es-
porte" na hora
do almoco, gen-


tileza de Nitrosin. No inicio da
noite, "O cartaz esportivo". E
as 22 horas, "As dltimas do
esporte", gentileza de Merce-
aria Estrela-Cinorte.
Semanalmente ia ao ar o
"Teatro s6rio e de graqa", pre-
sente de A Automobilista, "a
boa amiga do motorista, com
peas selecionadas.
Com a mesma freqbincia,
havia o "Falando as claras",
de "debates e esclarecimen-
tos", as 21,30.

Onibus
Em 1957 trafegavam pelas
ruas de Bel6m 384 6nibus, dis-
tribuidos em 33 linhas. Algu-
mas delas, de nome sugesti-
vo, ja desapareceram. Como:
Circular Interna, Circular Ex-
terna, 26 BC, Tel6grafo Sem
Fio, Ponte do Galo, Itoror6 e
Cemit6rio.

Estrada
Os empreiteiros da Bel6m-
Brasilia fizeram um apelo
pdblico, em 1962, atrav6s da
imprensa. Pediram a ajuda
urgente de comandos sanita-
rios ao pessoal envolvido na
abertura da "rodovia da
emancipaqao amazonica".
Diziam que 80% dos traba-
lhadores, desde engenheiros
a braqais, al6m da populacio
das areas marginais a estra-
da, estavam atacados "pela
malaria e febre amarela,
cor mortes freqientes, pa-
ralisando a construcao".
Garantiam que gr5ande par-
te dessa gente, "por circuns-
tancias varias, s6 consegui-
ra salvar-se se comandos
sanitarios forem dirigidos at6
o local infestado, levando
rem6dios e instruc6es pre-
ventivas, al6m de desinfeta-
q~o local".

Jornalistas
Em 1963, o cronista Mario
Couto foi reeleito president
do Sindicato dos Jornalistas.
Seus companheiros de direto-
ria eram Rubens Silva, Dona-
to Cardoso, Ant6nio Pantoja e


8 MAIO DE 2005 li QUINZENA Jornal Pessoal


U I








FOTOGRAFIA

Pesca no Ver-o-Peso


Linma ceria de 195s que rno se nmakis pesoa. pescindo siri no cais do \er-o-Pe:,o. logo depoi,, do porno
ihoie. Eqtacao das DUca&I. NM nino~. e homens e meNsmo senhora, jniarrd\'m a pontu da corda na pedra.
IO0J 1 am o resinte na jiId e espera' am inal do N.i. que ainda resi.,a a pNlN.icao da baia de Gir.
-,,..* .- ..
p. ... .-



p.4 .p


, .. ", *. ."





Arth6mio Guimardes. Os su-
plentes: Ivan Maranhio, Joao
Marques (que viria a ser o
president mais duradouro do
sindicato), Antonino Rocha,
Linomar Bahia e Joao Vieira
dos Passos. Conselho Fiscal:
Jos6 Maria Mendes Pereira,
Otivio Marcelino Maciel e
Pedro Pinto. Suplentes: Osval-
do Melo, Angelo Giusti e Jos6
Reymao. Conselho de repre-
sentantes: Mario Couto, Mo-
acir Brandco e Pedro Santos.
Suplentes: Mario da Rocha,
Cavaleiro de Macedo e Eld-
dio Ribeiro (o "Malatinho").

Navegagao
Era realmente um luxo ir para
o Mosqueiro no belo navio
President Vargas, dos SNA-
PP (e depois da tamb6m jai
extinta Enasa). Era um "liner"
elegant, construido para via-
gens mais longas, com tarifas
de passagens capazes de
compensar seu alto custo ope-
racional. Mas a j6ia da "frota
branca", construida na Holan-
da e incorporada aos Serviqos
de Navegagio e Administra-
qio dos Portos do Pard em
1954, acabou servindo aos fre-


C.i~


.,t.


YxSi
*,. ', >' ,:*-


qiientadores do balneario pre-
ferido de Belem.
S6 na primeira quinzena de
julho de 1965, a empresa de
navegaqio levou 14 mil pas-
sageiros para o veraneio na
ilha. Faturou alto. Mas nao o
suficiente para compensar o
prejuizo da linha nos outros 11
meses do ano, que minavam
o seu orqamento. Pena que
Bel6m nto se tenha permitido
o requinte por mais tempo.

Lojas
Quantas dessas lojas, que par-
ticiparam, em 1965, do con-
curso "Passatempo em Famfi-
lia", promovido pelo journal
Folha do Norte, ainda estio
em atividade? Sio elas: Sapa-
taria Pelicano, Lojas Lider,
Casa Fluminense, Feira dos
Calqados, Joalheria Iracema,
Martini Importadora de M6-
veis, Palicio dos Linhos, Ra-
diolux (13 de Maio), A Senho-
rinha, Casa Quintio, Camisa-
ria Brasil, Joalheria Sul-Ame-
ricana, Ultimo Figurino, Gale-
ria Paulista, Tecidos Carvalho,
GM Modas (Joao Alfredo),
Brinquedolindia (Santo Ant6-
nio), Lojas Severino (Presi-


dente Vargas), Palicio dos
Calqados, Favorita dos Calga-
dos (Frutuoso Guimaraes), R.
Mendonga, Casa das Canetas
(Manoel Barata), Importado-
ra de CalCados (Padre Euti-
quio), Sapataria Tigre (7 de
Setembro), Gina (Castilhos
Franga), Casa do Pliss6 (1 de
Marco), Casa Oliveira (Gene-
ralissimo Deodoro), Donaire
Confecq6es (Senador Le-
mos), Auto-Pegas Brasil (Pra-
qa Brasil), Tecidos Lua (6 lo-
jas), Lojas RM (6 lojas), Y.
Yamada (3 lojas), Rei dos Fo-
gos (Praqa Dom Pedro II).

Musica
O atual goverador, Simao Ja-
tene, era vestibulando de Direi-
to, em 1968, quando concorreu
ao 1 Encante, um festival de
musica para estudantes, em
Bel6m. Tamb6m se apresenta-
ram os universitArios Carlos
Queiroz e Reginaldo Cunha,
futures advogados, Jos6 Maria
Vilar Ferreira (que fazia Eco-
nomia), e os secundaristas Ca-
milo Delduque ("Paes de Car-
valho") e Nilson Chaves ("Al-
fredo Chaves"), dentre virios
outros quase-ex-futuros mdsi-


cos. Muitas das musicas eram
de protest, o tom da 6poca, um
pouco antes do terrivel AI-5.

Zumbi
Em 1972 o Grupo de Teatro
Studio apresentou, no audit6-
rio da Sociedade Artistica In-
ternacional (atual Academia
Paraense de Letras), a peca
Zumbi, de Augusto Boal e Gi-
anfrancesco Guarnieri, que se
consagrara no Teatro de Are-
na, de Sio Paulo, reconstituin-
do a hist6ria dos escravos afri-
canos no Brasil. No elenco
estavam Claudio Barradas,
Nilson Chaves, Rosa Carmina,
Francisco do Carmo, Haroldo
Melo, Ivan Ten6rio, Juci do
Nascimento e Juarez Viana.
Nilson tambem ia de bong6,
enquanto o violio era dedilha-
do por Vital Lima. A ilumina-
cSo era de Geraldo SA. VestuB-
rio, arranjos de cena e xilogra-
vura do program por conta de
Neder Charone. Sobre a mdsi-
ca de Edu Lobo, cor letra de
Boal, Nilson Chaves fazia suas
adapta~ies. Respondia tambem
pela coordenadio musical do
espeticulo. A coordenaaio ge-
ral era de Clhudio Barradas.


Jornal Pessoal I QUINZENA MAIO DE 2005 Q


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fi.i;














Carissimo Lficio Flivio,

Sou sua leitora ha alguns anos,
desde que me dei conta de quanto a
Amaz6nia estava (ainda) exposta ao
roubo, A dilapidaqao e A rapina e sob
os "cuidados" de protagonistas bern
denominados por Francisco de Oli-
veira de "anbes rasteiros", "depena-
dos passarinhos", "velhos Ali-bar-
balhos" e "Botos Tucuxis". Ao es-
crever o artigo "A (re) conquista da
Amaz6nia", em 1994, este cientista
social j nos levava A reflexao acerca
do que seria da RegiHo, corn toda a
sua biodiversidade, sua riqueza, sua
dimensao extraordinAria, sem atores
sociais que estivessem acima dos
"velhos" protagonistas, que durante
todo o process de ocupaqao e ex-
ploragio da fronteira econ6mica ape-
nas fortaleciam o monop6lio da vio-
lencia, estabelecido pelo grande Ca-
pital, em detrimento do bem-estar
dos verdadeiros donos dessa imensi-
dao de riquezas.
Ao ler o artigo de Oliveira, lem-
brei-me de voc6. Imagine que seria
necessdrio mais Liicios Flivios ou no-
vos aliados para incitar um "novo
principe" p6s-moderno, livre das
mazelas oligarquicas e da corrupqao,
a "levantar a bandeira" da libertaiao
da Amaz6nia, tal como sonhou Ma-
quiavel corn a ItAlia do seu tempo.
Reporto-me agora a Antonio Grams-
ci, ao atribuir ao intellectual compro-
metido con a mudanqa o papel de
construtor de uma consciencia criti-
ca e transformadora.
O que quero dizer con isso? Des-
de o dia em que houve o epis6dio da
sua agressao fisica no restaurant do
Parque da Residencia, tenho acompa-
nhado sempre todo o "desenrolar" dos
acontecimentos por uma inquietagao
que me preocupa e me angustia: quem
Ihe substituiria se algo mais grave Ihe
ocorrer, al6m do que jA tern he ocorri-
do? Evidentemente que tal inquieta-
cao nao elimina a preocupaqio pes-
soal con a preservaqio da sua vida, o
que retira a impressed de um interes-
se egoista da minha part.
Ao atravessar a rua hoje pela ma-
nhi, ap6s comprar o JP, antes de 16-
lo, pensei: "o Llcio Flavio 6 um pa-
trim6nio intellectual que o povo ama-
zbnida possui e talvez nem se de con-
ta, assim como nao se da conta da
imensido da riqueza que aAmaz6nia
possui". At6 o percurso de chegada a
minha casa, fiquei a lembrar-me de
muitos dos seus trabalhos, dentre li-
vros e artigosjomalisticos que me aju-
daram a conhecer um pouco da Ama-
z6nia e todas as implicaq6es que le-
vam-na a constituir-se num espaco de
extrema contradiqao. Minha curiosi-
dade em "sorver" como de costume
umjomalismo destituido de mascara-
mentos, ocultamentos e invers6es dos
fatos, fez-me adiar umas emergencias
e pus-me a ler o JP.
Fiquei surpresa corn as cartas de
Andr6, Rodolfo e Ana Maria. Pare-


ce-me de uma alienacao extremaa" -
sem exageros que, como diria Jos6
de Souza Martins, nao isenta nem os
intelectuais. Nao os conheco, mas
tudo indica que os tr6s leitores nao
sIo leitores comuns. Penso que a
situaq o que voc6 tem vivido 6 de
extrema gravidade e, lamentavelmen-
te, o Capital tem transformado a de-
mocracia no que ha de mais repug-
nante em nossa sociedade. Nela, os
direitos sao transformados em cri-
mes, os crimes em direitos, a liberda-
de em prisao, a prislo em liberdade,
o pdblico em privado, o privado em
public, o cinismo em 6tica, a 6tica
em cinismo, enfim, uma verdadeira
inversoo de valores, que desorienta a
sociedade, fazendo-a a andar na "con-
tramao" da vida piblica e privada.
Certamente essa inversao de va-
lores inevitavelmente contribui para
uma alienaqao social que leva os ho-
mens a banalizarem quase tudo e o
que h6 de mais grave na sociedade: a
corrupclo, o crime, a miseria e a vi-
olaq~o e o cerceamento do direito a
liberdade pelas vias mais cru6is,
como a viol6ncia fisica, a violencia
moral e a violencia (i)legal. Quem
pensa que voc6 tern dado muita im-
portancia ao seu "epis6dio e trans-
formado em obsessao pessoal", que
deve "ser superada", certamente nun-
ca soube ou desconhece o que 6 "vi-
ver sob a vigilancia e perseguiqao"
dos poderosos!
Tamb6m nao tem id6ia do tempo
que se perde em audi6ncias, depoi-
mentos, leitura atenta dos autos, das
provas, constrangimentos morais por
algo que nio 6 responsivel, etc, al6m
dos custos financeiros com advoga-
dos. E muito bonito imaginar uma
familiara moldada nos bons principi-
os [...] capaz de forjar o equilfbrio da
sociedade" quando se vive uma con-
di~io de tranqiiilidade ou de segu-
ranqa, quando o seu direito nao 6 vi-
olado, por nao incomodar o "Poder".
Rudolf von Ihering sugere que a luta
pelo direito deve estar present to-
das as vezes que "a agressao ao di-
reito represent um desrespeito a
pessoa humana".
Por isso, o cidadao deve insur-
gir-se sempre contra aqueles que vi-
olam o direito, principalmente se tem
"origem na covardia, no comodismo,
na indolencia". Para ele, toda vez que
algu6m se cala contra a violaq o do
direito, fortalece o criminoso e pro-
duz prejuizo h sociedade. Portanto,
nao ha razao para adotar o cliche
popular, "abandonar a batalha para
ganhar a guerra". Deve sim, lutar pelo
seu direito como um dever 6tico.
Se ha um "ceticismo" de um dos
seus leitores com relagao ao JP, ha um
ceticismo em mim corn relacqo ao "re-
conhecimento por todos" acerca da sua
reputagqo e 6tica. Se verdadeiramente
ha esse reconhecimento, ha uma omis-
sao, um medo, um cuidado de cada um
em se preservar, e como bem voc6 ava-
lia, "os intelectuais estAo sendo priva-


tizados", pois o conhecimento, a in-
formaqao 6 uma das mercadorias mais
caras do moment. E no mundo das
mercadorias, quem tem mais para ven-
der e comprar, mais riqueza, mais pres-
tigio, mais poder tera.
Sua mat6ria intitulada "Ojornal
e suas circunstancias..." 6 de uma sen-
sibilidade fantastica, que me levou a
questioner a minha condiqao enquan-
to pessoa que pouco faqo, diante de
tudo o que voc8 tem feito pela soci-
edade, em cumprimento ao seu de-
ver 6tico como jornalista former a
opiniao p6blica na sociedade para-
ense capaz de saber pensar o seu fu-
turo; mas deixou-me triste e angusti-
ada. Penso que voc8 nao incomoda
ou sacrifice seus leitores deixando de
publicar mais mat6rias importantes
sobre a Amaz6nia. Talvez falte um
pouco de percepq~o mais critical de
alguns leitores para identificar de
onde procede o "inc8modo" e o "sa-
crificio" proposital e maniquefsta
para evitar que a verdade aparega.
Evidentemente que a opiniao dos
seus leitores 6 tamb6m a "bussola"
para orientar sua caminhada comojor-
nalista e intellectual que voc 6 com-
prometido con a informaqa o que
possa gerar uma consci8ncia critical
em seus leitores, para que eles se tor-
nem agents multiplicadores junto
Aqueles que s6 tem acesso As infor-
maqbes manipuladas e truncadas vei-
culadas pela "aldeia global". Mas
voc6 nao pode deixar se abater por
"opini6es" isoladas, que nao expres-
sam a totalidade daquilo que pensam
todos os seus leitores. Nao acredito
que al6m doAndr6, do Rodolfo, "mui-
tos outros leitores" achem que a per-
manente denincia contra seus algo-
zes seja "rixa pessoal". Consider
que o poder massificado da "comu-
nicaq~o" conseguiu contagiA-los comn
esse cliche6"; final, nem todos con-
seguem ficar imunes a isso.
Sei como voce se senate. Afinal,
despojar-se de uma vida reconheci-
da, de sucesso, de fama por tudo o
que voc6 6, para viver ura vida sim-
ples, com perseguiq6es, boicotes,
calinias, em favor da verdade que
redirecione a sociedade e receber co-
mentarios como esses, equivale A ati-
tude de Pedro: "nega-lo tres vezes",
como bem sugere Rodolfo, ratifica-
do implicitamente por Andr6 e Ana
Maria. E sua attitude 6 louvavel, tan-
to quanto a de Jesus: trata-os resig-
nadamente no final do artigo como
seus "diletos amigos". Isso amplia a
admiraqio que eu tenho de voce como
professional e ser human.
Por isso, faqo-lhe um apelo: NAO
DESISTA! Assim como eu, tenho cer-
teza que a maioria dos seus leitores
an6nimos torcem e lutam em silencio
por voce! Um dia nosso grito sufoca-
do ecoara pela mata adentro dessa
floresta tropical! E voc6 tera a vit6ria
merecida! Continue inspirando-se em
F Stone, pois assim teremos a hist6-
ria da Amaz6nia sob a 6tica dos go-


vernados, que, na maioria das vezes,
fica "soterrada" pelo tempo, prevale-
cendo a hist6ria official dos governan-
tes. Aproprio-me das palavras do
professor Boaventura de Sousa San-
tos: "Continue, por favor, a ajudar-
nos a sermos mais dignos de n6s".
Continue nos informando sobre a sua
luta contra o poder...
Um grande abraqo da sua leitora
e admiradora,
Rubia Pimentel Lavoura

Arvore

A palavra samauima, como foi
supostamente grafada por Paulo Ma-
ranhao, nao esta errada, como voc6
observou, corn alguma sutileza, por
tries vezes, na secao "Mem6ria do
Cotidiano", "Arvore", JP 344. Tra-
ta-se, apenas, de uma variante (ou
forma paralela, como gostam de cha-
mar os dicionaristas) da forma su-
majlma, esta tida por voc6 como a
lnica correta, aparentemente.
Em qualquer bom diciondrio ha-
veri as duas formas, pelo menos, ne-
cessariamente. A forma sumaima 6
mais usada no Nordeste, mormente
por cearenses e maranhenses, e pe-
los paraenses que sofreram influ6n-
cia destes, como os de MarabA (ao
menos, os marabaenses peninsulares,
pr6-transamaz6nicos, como 6 o meu
caso), pelo que ja pude perceber.
Na verdade, em se tratando de
nomes de animals, de plants ou de
frutas, inclusive, o bom senso esta a
indicar que devemos nos afastar dos
conceitos de certo e de errado, os
quais se amoldam mais a gramdtica
normativa do que aos fen6menos lin-
gUisticos, propriamente.
A prop6sito, cada regiao tem a
sua pr6pria forma de se expressar,
no que tange aos elements
da natureza, e nenhuma delas, obvi-
amente, deve ser tida como errada ou
menos correta, mesmo que nao a en-
contremos nos dicionarios ou nas
gramAticas, os quais nunca abarcam
todo o universe da linguagem falada.
Procure, por exemplo, nos dici-
ondrios, o verbete amendoim, e vera
que existem as formas mudubim,
mendubim, mendubi, mandubi,
mendui, mendoim etc. No mais, pa-
rab6ns pela seaio Mem6ria do Coti-
diano, inteligente e inovadora.
Weber Goncalves

MINHA RESPOSTA
Para uma observaqdo sutil, unma
percepgdo sensivel, como a do leitor,
um marabaense peninsular, conform
sua apropriada criado para desig-
nar a lingua de terra na qual a velha
Marabd foi fundada e resisted, ate hoje,
aos encontros turbulentos do Tocan-
tins cor o Itacaiunas. Njo quis exata-
mente dizer que era errada a expres-
sdo, mas que estava discrepante do
uso corrente no local. No caso, aldm
de ser a forma dominant, d a mais
bonita e a de uso corrente entire nos.


4ft MAIO DE 2005 1 QUINZENA Jornal Pessoal








Program de governor +


Gostaria que os leitores escreves-
sem para este journal propondo e de-
senvolvendo temas com os quais se
comporia um program de governor
para o Estado do Pard. De posse des-
se program, os leitores e o Jornal
Pessoal tentariam encontrar um can-
didato que se comprometesse a exe-
cutar as plataformas estabelecidas no
document, ao inv6s de simplesmente
aceitar as refer6ncias dos candidates.
Talvez assim consigamos fazer uma
political diferente, capaz de transfor-
mar o future de um Estado condenado
A condigao colonial.
Dou partida a iniciativa sugerindo
a criaqco de um Conselho de Gestdo
Territorial. O conselho teria um com-
ponente conjuntural e outro estrutural.
Ele habilitaria o governador a se pro-
nunciar oficialmente, antes do final do
seu mandate, inclusive atrav6s de pro-
jeto de lei, sobre a redivisdo do Para.
O conselho examinaria durante dois
anos o polmico tema e encaminharia
ao governor um parecer. Al6m de di-
agnosticar o problema, ofereceria so-
lucqes, embasando tecnicamente (e


tamb6m politicamente) a decisao do
governor, que nio pode mais tardar.
Definida a iniciativa conjuntural, o
conselho orientaria a implementagao da
decisao official, assegurando-lhe con-
sultoria t6cnica permanent, nao s6 em
estudos como tamb6m em aqao. Aca-
baria corn a improvisaqgo e com o tra-
tamento meramente politico a um dos
temas mais importantes do Estado.
O conselho seria paritario governo-
sociedade. Teria quatro representantes
dos municipios que, nos projetos em tra-
mitagqo no Congresso Nacional, sdo in-
cluidos nos Estados de Carajis e Tapa-
j6s. Dois deles escolhidos pelas prefeitu-
ras e outros dois por organizag6es civis
de efetiva representatividade social. Ins-
tituiq6es piblicas de amplitude estadual,
como universidades e institutes de pes-
quisa, tamb6m indicariam representantes.
Uma outra parcela surgiria de entidades
de patr6es e empregados. O conselho
teria um pequeno mas compact secre-
tariado t6cnico, recrutado atrav6s de con-
curso piblico com finalidade especifica.
E a primeira sugestdo para estimu-
lar a participaqao dos leitores.


LIDERANCA
Fui lider estudantil antes e depois
do AI-5, em Bel6m e em So
Paulo. Nunca testemunhei cenas
como as da semana passada, em
que mais uma vez lideranqas
estudantis acuaram o reitor da
Universidade Federal do Pard e
coagiram integrantes do conselho
superior universitirio. Nao
estamos numa ditadura nem as limitaqoes da democracia atual chegaram ao
ponto da legitimidade da resistencia civil, da desobediencia as leis e do
desprezo por normas civilizadas de discordancia. O que os estudantes
praticaram no pr6dio da reitoria 6 vandalism, selvageria, irracionalidade.
Ainda que servissem a fins nobres, estes se anulariam diante de meios tao
primirios como os utilizados.
O radicalismo dos m6todos, nesses casos, costuma servir de escudo ou
mata-borrdo para um vazio de id6ias. Esses sao lideres que, no moto-continuo
da militancia, esquecem que hi tamb6m um tempo para parar, estudar,
aprender e se renovar. Presos a seus dogmas, palavras de ordem e cliches,
nao percebem que envelhecem no curso de suas aq6es. Imaginam estar
caminhando para o future. Na verdade, estao de volta a idade da pedra.



PESOS
O falso dentist foi para a
cadeia. Jd o falso oculista...


CIENCIA
O pesquisador Cliudio Amanajas, da
Universidade Federal do Para, chegou a
conclusio de que o pirarucu salgado ven-
dido em feiras e mercados 6 impr6prio
para consume por causa do seu incorre-
to manuseio. Muita gente reagiu com
ceticismo a pesquisa, cor um argumen-
to baseado no suspeito senso comum: a
ser verdadeiro o resultado do estudo,
muita gente, ao long dos tempos, teria
sido prejudicada e o consume do piraru-
cu teria caido.
Independentemente de saber cor
quem esta a razdo, eis uma pesquisa titil
e important. A ci8ncia local devia dire-
cionar mais os seus sensors para os te-
mas de importancia social no ambito da
sua abrangencia, da sua base fisica. A
pesca e o prepare do pirarucu constitu-
em atividade de grande relevancia para
a sociedade amaz6nica. Os cientistas
podem ajudar seus conterraneos a repen-
sar seus habitos de pesca ou de consu-
mo em proveito de todos.
Pouco tempo atris um chbf de cuisi-
ne, levado ao Ver-o-Peso pela inspirada
iniciativa de Paulo Martins (nao secun-
dada pelo aparato de promogqo publici-
tiria para atrair os praticantes do turis-
mo especifico), observou que nao o fa-
moso pitiu de peixe. O peixe, em si, ter
bom odor. O problema 6 a contaminaqio
de diferentes esp6cies pela agua das ge-
leiras, que cria o mau cheiro. Novamen-
te aqui se aplica a observaqgo inteligente
de Amanajas para o pirarucu: um manu-
seio adequado acaba com o pitiu, por esse
nome conhecido apenas na Amaz6nia.
Basta impedir que a agua de uma esp6-
cie alcance outra esp6cie.
Com uma ciencia que desqa ao chao
dos mortais, sem renunciar ao rigor me-
todol6gico da ciencia, a Amaz6nia certa-
mente ird melhorar.


Jornal Pessoal J QUINZENA MAIO DE 2005 4 t







TURISMO
A Paratur (Companhia
Paraense de Turismo) 6
deficitaria. No final do ano
passado acumulava prejuizos
no valor de 1,5 milhao de
reais (R$ 463 mil no
exercicio de 2004). O
patrim6nio liquid estava
negative em 222 mil reais. A
empresa nao faturava um
tostao coado com sua
operacao. O governor do
Estado lhe transferiu no ano
passado R$ 4,6 milh6es,
valor nada desprezivel, mas
bem menos do que em 2003
(R$ 6 milh6es). Obrigou-a a
recorrer a conv6nios (R$ 1,5
milhao, contra R$ 200 mil no
exercicio anterior) para
cobrir o buraco
orqamentario.
Esses n6meros sugerem
a questao: por que manter a
Paratur como empresa?
Afinal, ela atua como
autarquia e nao como
empresa. Nao surpreende
que tenha do turismo uma
visao autarquica, de serviqo
piblico. Seus retornos serao
de long prazo, se retornos
diretos houver de sua acqo
promocional sobre produtos
que nao visam atrair turistas,
mas oferecer-lhes paragens
agradaveis (exclusivamente
na capital) se at6 Bel6m
conseguirem chegar, por
seus meios.


CICLISTAS
Uma leitora alerta para um
aspect ainda mais grave do
habito dos ciclistas andarem
na contramao, atropelando
pedestres, apontado na
edicgo passada: 6 essa
tamb6m a forma utilizada,
em escala crescente, pelos
assaltantes, agindo sozinhos
ou em dupla. E tamb6m por
motoqueiros, que colocam
um comparsa na garupa.
Relata a leitora que se
tornou vitima desse tipo de
assalto quando atravessava
em frente ao sinal que fica
pr6ximo ao IEP (Instituto de
Educacqo do Para), na
Gama Abreu corn Presidente
Vargas e Serzedelo Corr6a.


Ela tamb6m soube de um
taxista, que ia pela Rui
Barbosa na direcao da
avenida Nazar6. Dois
ciclistas que andavam na
contramao o abordaram. Um
o imobilizou com uma arma
e o outro arrancou do
passageiro corddo, pulseira e
cellular. Na mesma
contramao fugiram.
Impunemente.
Al6m de obrigar os
ciclistas a obedecer a mao
das vias de trifego, uma
providencia para prevenir os
assaltos 6 voltar a obrigar as
bicicletas a receber o
licenciamento, com o
respective plaqueamento. A
placa permitiria identificar o
proprietirio do vefculo e
chegar ao assaltante.
...........................................

TERRAS
Um caso raro ocorreu em
Altamira: os indios Xipaya
conseguirem e obtiveram
- a redupqo de sua area, que
fica a margem do rio Curua,
afluente do Iriri, que
desemboca no Xingu,
integrando a chamada Terra
do Meio. A comunidade
indigena, com 45 integrantes,
foi reservada, em 2003, uma
irea de 199 mil hectares.
Mas ele pediram a exclusio
de 22 mil hectares da
delimitaTio anterior,
correspondent A localidade
de Nova Olinda, habitada
por descendentes de indios e
brancos. Cor a reduqHo,
pouparam-se de conflitos
internos e externos. A area
continue a ser de tamanho
suficiente e suas divisas
podem se tornar mais
seguras, gracas a
convivencia amigavel corn
os vizinhos.
No relat6rio que
fundamentou o ato da Funai
(Fundaqgo Nacional do
Indio), publicado no Diirio
Official do Estado do dia 4, o
antrop6logo Ant6nio Pereira
Neto faz referencia,
entretanto, a problems que
podem complicar a
oficializaqSo da reserve, na
etapa seguinte de
consolidaqao do dominio doi


indios. Ha
superposiqao
de posses e
titulos na area,
inclusive com
a famosa
grilagem da
Incenxil, o
braqo local da
C. R.
Almeida.
Embora sem
base legal, as pretens6es dos
supostos proprietarios 6
sobre milhoes ou centenas
de milhares de hectares. Os
6rgaos pdblicos contestam o
desmembramento dessas
areas do patrim6nio piblico
para o particular, mas o
caminho at6 a complete
anuladio dos registros
imobiliarios 6 long e
acidentado.
O antrop6logo da Funai
observou que a C. R.
Almeida ja construiu na area
cinco casas e uma pista de
pouso. Nos dias em que
permaneceu por ali registrou
ainda a agao de muitos
pe6es, "contratados por
grileiros de terras para
derrubar matas e
implementar pastagens".
O belo vale do Xingu
continue a ser pilhado e
sangrado diante da
impotencia do governor e da
sociedade.
...........................................
VIAGENS
Gente que jamais colocara
os p6s fora do pais at6
entrar (as vezes pela janela)
no serviqo piblico virou
verdadeiro globe-trotter. E
viagem atras de viagem ao
exterior. Para defender o
erario e servir ao interesse
pdblico, sugiro a adoqao de
uma norma: todo servidor
puiblico que viajar para fora
do Estado, a que titulo for,
tera que, na volta, entregar
relat6rio circunstanciado de
sua missao. C6pia do
trabalho tera que ser
remetida para a Assembl6ia
Legislative, ficando durante
certo tempo a disposiqdo
para consult. Um resume
sera publicado no Diario
Official.


QUESTOES
O atual boom imobiliario em
Bel6m provoca duas
perguntas.
SUma: quem esta
financiando a construaio de
tantos pr6dios?
A segunda: quem compra
esses im6veis?
O sucesso do com6rcio
imobiliario atual 6 tanto que
a agenda da cidade agora
inclui, como um de seus
acontecimentos destacados,
festas de lancamento e de
entrega de pr6dios como
jamais houve igual.


EU
Segundo a contabilidade de
Fernando Rodrigues,
reporter e colunista da
Folha de S. Paulo, o
president Luiz Inacio Lula
da Silva "se autocitou" 220
vezes durante a primeira
entrevista coletiva que
concede a imprensa
national, no dia 29 de abril,
28 meses depois de
assumir o principal cargo
pdblico do pais. Como a
entrevista durou 79
minutes, Lula teria citado a
si pr6prio quase tres vezes
por minute.
Ou Fernando errou no
calculo, mas ningu6m se
importou cor isso, ou
acertou e ja ningu6m se
importa com o fato
aberrante. Ao menos at6
que algu6m aponte a nudez
do rei.
Cor as 220 vezes de
"eu" em 79 minutes, Lula
ganhou o trof6u FHC de
vaidade. Ou, para darmos o
devido cr6dito ao
cosmopolitismo de ambos, o
trof6u Lech Walesa.


jo a Pesoa Edto L. i F1i Pint




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