Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00278


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Full Text

BANCO SANTOS:
HIST6RIA SECRET
(PAG S. 6/7)


NOVEMBRO DE 2004


SA AGENDA A MAZ a N ICA DE LU~jC IO F LAV IO P INT O


sa'fra: mal terminou a eleig~io
para prefeito e vereador e ji
comegou a campanha para
governador, senador, deputa-
do federal e deputado estadual no ParB.
A corrida para 2006 promete ser mais
disputada do que a ultima. Ao que pare-
ce, esta 6 a dnica regra que os concor-


rentes estio dispostos a respeitar: 6 proi-
bido perder. Para isso, vale tudo.
Denducia publicada hB duas semanas
pela revista Istoe' sobre a exist~ncia de
um caixa 2, atrav~s do qual a Cerpasa
(Cervejaria Paraense S/A), uma das
maiores empresas do Estado, teria desti-
nado 16,5 milh~es de reais para a vitorio-
contrINuA N isil2


PeSS 0


0 f tl


Camnpanha jB nas ruas

jd hd tiroteio entire os dois lodos que se opresentoram no novo compo de baotlho eleitoral
para 2006. A guerro oindo ndio foi formalmente declaroad, mos as escaormugos sdo
crescentes. Elas vd~o colocar em compos opostos Simdio jotene e joder Barbo/ho, que erom
os mais recentes aliodos no politico porcense?


















































































2 NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA JOrnal PeSSOal


coTln"?il .???A...
sa campanha de 2002 de Simito Jatene
ao governor, em troca de favors fiscais
e tributirios que seu antecessor, Almir
Gabriel, ji havia concedido, e o prbprio
Jatene renovaria e ampliaria, serviu, de
imediato, para revelar o agrupamento de
forgas no campo de batalha.
A dendincia nbt 6 tit consistent e
muito menos t~io nova quanto quer fa-
zer parecer o texto da matiria. Mas a res-
posta do governor niio foi til suficiente
quanto alardeou. Inconvincente, tratou de
buscar solidariedade entire politicos e em-
presirios antes de desfazer cada um dos
pontos da den~incia. Parece prevalecer, em
ambos os lads antag8nicos, oentendimen-
to de que as informaq~es slio apenas um
instrument do jogo politico. Por causa
desse pressuposto, nem o acusador se pre-
ocupa muito em checar o que diz, nem o
acusado em convencer a opinillo pdiblica
da sua inoc~ncia. Tudo fica como se cada
um tivesse que tomar seu partido e igno-
rar o que seria mais relevant para a soci-
edade: a verdade.
E certo que a Cerpasa, em funciona-
mento hB quase 40 anos, sempre foi tra-
tada a plio de 16 por todas as administra-
95es estaduais. A justificativa para os
privil~gios concedidos g empresa 6 de
que ela 6 realmente local (apesar de fun-
dada e controlada, at6 hoje, por alemlies),
tem resistido ao voraz appetite das gran-
des cervejarias nacionais (e jB nito mais
tiio nacionais assim, como provam os mais
recentes destines da Brahma e da An-
tfirtica), criou um produto de qualidade,
admirado e apreciado fora do Estado, e
sem favors oficiais ji teria sucumbido,
fechando postos de trabalho, interrompen-
do fluxo de renda e salirio, e deixando
de contribuir para a receita tributiria.
Mas a verdade 6 que a Cerpa pouco
on quase nada recolhe de impostos. Aldm
de usufruir isenqdes e gozar de contra-
partida de recursos oficiais (do Estado e
da Unillo), a empresa foi sucessivas ve-
zes flagrada sonegando a parcela de im-
posto que lhe cabia pagar, diretamente
ou como contribuinte substitute (o que ji
caracteriza peculate, pois se credit o va-
lor e n~io o recolhe ao erdrio). Mofam no
judiciirio 11 a95es de cobranga de inde-
nizac;2es e reparaCS~es de dano ao Esta-
do por causa da sonega~gio de ICMS, que
totalizariam mais de 100 milhaes de re-
ais, sem corre~go monetiria.
O Estado, que por um lado autua e
process a empresa, 6 o mesmo que,
com outro brago, a perdoa (em R$ 47
milhdes, na mais recent iniciativa), aba-
te seu imposto (com um desconto que,
na Giltima canetada, jB do governador
Simlio Jatene, foi de 95%) e prorroga o
prazo de frui~gio dos beneficios. O go-
verno alega que faz assim com todas as


empresas que sho consi-
deradas merecedoras de
apoio, 37 outras na ultima
concessito em bloco, que b
incluiu a Cerpa.
Tal argument perde
sua forga quando se sabe I
que esses atos, mesmo pas-
sando por virios escaninhos ditos t~cni-
cos, s6 andam por mitos de funcionirios
pliblicos. Nenhuma das instincias de tra-
mitagilo dos incentives fiscais do Estado
inclui gente de fora da engrenagem pi-
blica. Os processes nito slio sujeitos a
vistas pdblicas nem hB audiancia a qual-
quer controlador externo. Nesse canto
unissono e em falsete s6 se ouve a voz
do governor. Desse modo, nito pode pre-
sumir inocdncia: precisa prov8-la.
Na nota de resposta B revista paulista,
logo coadjuvada pelo legislative, o execu-
tivo diz que essa political 6 ditada pela guer-
ra fiscal dos Estados e pela necessidade
de fazer valer os interesses locals contra
os ditames da Uniiio, cada vez mais cen-
tralizadora. Logo em seguida foi sugerido
que por tris das denlincias sobre a pro-
miscuidade entire a Cerpa e o governo pode
estar o dedo da Schincariol. A cervejaria
est8 instalando uma fibrica no ParB, gra-
gas aos incentives que recebeu neste ano
do Estado, semelhantes aos da Cerpa, na
sua versit mais recent.
O problema 6 que a Cervejaria Para-
ense, com 40 anos de estrada, jB devia ter
provado maturidade suficiente para n~io
necessitar mais das muletas do governor.
Se s6 se mant~m porque nbt paga impos-
to, entire outras benesses, entlio sua so-
brevida 6 artificial. Continue a fabricar a
famosa cerpinha e a impressionar os bons
paladares cervejeiros espalhados pelo
pafs. Mas a conta dessa faganha, que esti
sendo paga pelo contribuinte paraense,
talvez tenha se tornado pesada demais.
O qulio pesada ela 6, ainda nito se
pode apurar. Mas a opera~gio realizada
pela Policia Federal, em apoio aos 6rglios
da previdencia, da justiga trabalhista e da
receita, que conseguiram ordem judicial
para apreender documents da empre-
sa, revelou que a fraude 6 uma attitude
rotineira na Cerpasa. Ela inventa pap~is
e monta uma contabilidade falsa, em ope-
raq~es verdadeiramente clandestinas,
para sonegar impostos, descumprir obri-
gag~es legals, aumentar sua receita, di-
minuir seus custos e fazer amigos & in-
fluenciar pessoas para ter poder.
Documentos apreendidos em agosto
pelos 6rglios pfiblicos federals mostram
que muitos registros contgbeis da Cerpa
servem de biombo para o caixa 2, utiliza-
do para doar dinheiro a politicos e pesso-
as influentes ou simplesmente esconder
priticas marginais. Entre esses pap~is hB,
de fato, o registro de um funcionirio da


empresa ("num texto tr~pego", como
observa Istod'), sobre decislio, que teria
sido tomada em agosto de 2002, jB em
plena campanha eleitoral, em reunitio com
o entlio secret~irio de planejamento (e de
gestlio, atualmente) Sdrgio Leho, na pre-
senga do assessor especial, o ex-deputa-
do Jorge Arbage (que figuraria na rela-
glio de doaq~es da empresa), para aju-
dar a eleger Simlio Jatene governador.
Seriam R$ 3 milhdes, em seis parcelas
de R$ 500 mil, como contribuigli inicial.
Mas a contrapartida aos favors recebi-
dos somaria, no final, R$ 16,5 milhaes.
Nos pap~is, sem assinatura e sem qual-
quer prova anexada, haveria a confirma-
gli do pagamento de R$ 4 milhdes, di-
nheiro que jB teria said dos cofres (sem-
pre cheios de moeda viva) da Cerpasa.
Quanto aos outros R$ 12,5 milh~es, havia
apenas o compromisso assumido. Nos dois
casos, nito hB nenhum rastro de como o
dinheiro saiu da empresa para o caixa de
campanha do candidate do PSDB ou qual-
quer outro destiny indicado, como o de
Arbage (quem fez a anotaglio pode ser
tbl tr~pego quanto seu estilo). Se houve
essa conexho, ela ainda precisar8 ser pro-
vada, tarefa que cabe agora ao Minist~rio
Pliblico Federal, acionado pelos procura-
dores do INSS e do Ministdrio Pliblico do
Trabalho a examiner a possibilidade de
fazer a dendncia & justiga, a partir da re-
presentagli desses 6rglios.
Certamente desabar8 o manto da im-
punidade, que tem coberto a Cerpasa e
ocultado seus padrinhos e beneficibrios.
Mas nenhuma das provas e evid~ncias
recolhidas na opera~gio de apreensiio de
documents da empresa 6 suficiente para
afirmar, como fez a revista, que saiu di-
nheiro do caixa 2 da Cerpasa para a cam-
panha eleitoral de Simito Jatene, ao me-
nos por enquanto. Como tamb~m pode
ser que isso tenha ocorrido, os persona-
gens da trama foram mais cautelosos do
qune a natureza da den6ncia levaria a es-
perar. O terreno pantanoso tanto serviu
de estimulo para o texto sensacionalista
de Istod' como para as tergiversag~es do
governor e do seu aliado na resposta.
O campo est8 minado e parcialmen-
te oculto. Por isso, ainda 6 dificil visua-
lizar o horizonte. Quem imaginaria, por
exemplo, que Jader Barbalho e Simlio
Jatene, aliados atC a vit6ria de Ducio-
mar Costa para a prefeitura de Bel~m,
contra o PT, agora estejam novamente
em campos opostos?




































































PEQ UENOT'
*Messias Forte Filho tem toda razbi na sua longa pregaglio: o Sebrae precisa ser
dirigido por empres~rios do segment das micro e pequenas empresas. E um contra-
senso que, depois de Oswaldo Tuma, a direCio do drg~io passe para o donor da maior
empresa do com~rcio varejista do ParSI (e uma das maiores do Norte e Nordeste do pafs),
Fernando Yamada. O resultado desse desacerto 6 que o Sebrae acaba tendo um peso
politico maior do que devia e serve de instrument a projetos pessoais, sem vantagem
para as pequenas unidades econbmicas, que tanto necessitam de seu apoio t~cnico.


Jornal Pessoal 2. QUINZENA NOVEM BRO DE 2004 3


Pois o journal do deputado federal do
PMDB tratou de demonstrar esse antago-
nismo, abrindo manchete de primeira pigi-
na para anunciar a matdria de Istod', repro-
duzida integralmente na ediCio dominical
do Didirio do Pardi. Em seguida, o journal
tratou de repercutir o assunto, dando des-
taque aos que engrossaram as denduncias,
embora elas tenham perdido sentido priti-
co junto ao legislative com a nota de solida-
riedade ao governor, assinada por 32 dos 41
deputados estaduais, dentre eles 8 do
PMDB, s6 menos numerosos do que os 9
deputados do PSDB de Jatene.
Ambigiiidade? Exatamente: essa tem
sido a melhor estrat~gia do PMDB, nada
6tica, mas eficaz no imbito da political
brasileira. Enquanto o chefe morde, os
pupilos sopram? Nesse caso, qual a ra-
zlio da agressividade de Jader?
A volta da inclinaqio de Jatene para
o lado de Almir Gabriel. Depois de ir ao
aniverskrio de Jader, Jatene declarou que
nada devia ao PMDB e a Jader em par-
ticular, estabelecendo a condiglio para
uma nova alianga visando 2006: a lide-
ranga dos tucanos e uma adesito incon-
dicional dos aliados. Essa nova postura
indicava o acatamento is presses do
antecessor, radicalmente contrdrio g re-
aproxima~gio com o PMDB jaderista.
Logo O Liberal, aliado do ex-gover-
nador Almir Gabriel nessa cruzada, de-
sencadeou mat~rias hostis ou desagra-
diveis a Jader, culminando com desta-
que g ameaga que pesa sobre o ex-sena-
dor no Supremo Tribunal Federal, por
conta de desvio (de quase um milhilo de
d61ares do Banco do Estado do ParB),
atrav~s de cheques administrativos de-
positados na conta do entlio governador,
em seu primeiro mandate. Em compen-
saglio, sobre a cabega de Jatene hB a
espada do Tribunal Superior Eleitoral, que
ameaga cass8-lo, transferindo seu man-
dato para a rec~m-eleita prefeita de San-
tar~m, Maria do Carmo Martins.
Em fungio dessa possibilidade, que tem
seu lado t~cnico e sua circunstincia politi-
ca, circulam insistentes noticias sobre um
acordo entire o PMDB c o PYT para apres-
sar a decision do TSE, que tamb~m pode-
ria alcangar o prefeito eleito de Bel~m,
Duciomar Costa, fazendo a ex-esposa de
Jader, Elcione Barbalho, mudar seu assen-
to da Cimara Municipal de Bel~m para
o Senado Federal. E o PT se ganhar uma
forga nova para o embate de 2006.
Por enquanto, por~m, ao menos ofi-
cialmente, that's all folk, como diziam
os velhos desenhos animados america-
nos. Ou, numa livre adapta~gio: tudo 6
boato, ou fofoca. Menos a representa-
Cgio federal contra a Cerpa e os proces-
sos no STF e no TSE. A partir desse fio
da meada, muito rolo pode ser desfeito.
E muita espuma tamb~m.


tando uma produghio m~dia annual de 2,2
milhaes de toneladas, depois de processa-
do o mindrio bruto. Nessas condiC~es, a
jazida poderia abastecer uma refinaria de
alumina com capacidade annual de 1 mi-
lhilo de toneladas. Alguns tecnicos sus-
tentam, por~m, que o dep6sito do Pitinga
6 o maior do planet, com algo em torno
de 7 bilhdes de toneladas, superando e
muito as reserves de Paragominas, atu-
almente a maior, com 2,5 bilhbes de tone-
ladas (devera entrar em operagilo em dois
anos, produzindo inicialmente 4,5 milhaes
de toneladas/ano), e do Trombetas, com 2
bilhaes de toneladas.
O president da CVRD, Roger Agne-
111, admitiu, ao fazer o an~ncio da arrema-
tapho, que a nova jazida poderia viabilizar
a implantagilo de uma nova refinaria de
alumina, no pr6prio Estado do Amazonas,
como parte de um projeto integrado com
energia hidrel~trica produzida na regilio e
o potential de transport fluvial. Os estu-
dos de viabilidade devertio levar at6 dois
anos. Alguns acham que a Vale poderia,
no final, instalar mesmo uma nova plant
de aluminio, o produto final da cadeia an-
tes da industrializagli, que, por enquanto,
s6 6 realizada fora da Amaz~nia.
Mas o destiny do mindrio, apenas na
forma de bauxita lavada e seca, pode ser
a nova plant de alumina, a maior do mun-
do, com capacidade para produzir sete mi-
lhaes de toneladas, que a CVRD vai im-
plantar, em sociedade com os chineses, a
partir do pr~ximo ano, em Barcarena, no
Para. Essa nova fabrica ficard ao lado da
Alunorte, atualmente em process de qua-
se duplicapti para se tornar a maior do
mundo, por enquanto, com 4,2 milh~es de
toneladas. Trombetas e Paragominas nbi
tim condiqdes de tender a demand des-
sas duas fibricas no final da d~cada, que
sera de pelo menos 24 milhdes de tonela-
das de bauxita. Nlimero que dB uma iddia
da dimensito do cenirio que o p6lo de alu-
minio vai montar na Amazinia


A Companhia Vale do Rio Doce anun-
ciou, na semana passada, que superou ou-
tras cinco empresas numa concorrancla
international aberta pela Paranapanema
para a venda de sua jazida de bauxita da
regitio de Pitinga, no Amazonas, no muni-
cfpio de Presidente Figueiredo, distant 250
quilbmetros de Manaus. A Vale venceu
com um lance de 20 milh~es de d61ares
(quase 60 milhaes de reais), pagos B vis-
ta. Para ser reconhecida como compra-
dora, por~m, teve que acrescentar g ofer-
ta monetiria condiC~es t~cnicas de explo-
raglio do dep6sito.
A empresa, a maior em atividade na
Amaz~nia Oriental, agora passarid a atuar
na Amazinia Ocidental, esticando sua fren-
te mineral por toda regibl, que deveri se
tornar uma das principals produtoras inter-
nacionais de mindrios. A Paranapanema,
com os recursos obtidos, investirdi no de-
senvolvimento de uma nova mina de esta-
nho na regibl, a de Rocha Sg. A jazida de
cassiterita do Pitinga, que a empresa ex-
plora desde a d~cada de 80, tamb~m 6 a
maior do mundo. A Paranapanema mante-
ve ainda seus direitos sobre os dep6sitos
de columbita, outro dos recursos minerals
ji identificados na Area, que esti assumin-
do a feigilo de um autantico distrito mine-
ritio. Talves um novo Caraj~s.
Para instalar a mina de bauxita, a
CVRD deverri investor US$ 400 milh~es,
metade do que sua coligada, a Mineraglio
Rio do Norte, aplicou na mina do Trombe-
tas, em OriximinB, no ParB, tamb~m na
margem esquerda do rio Amazonas. Com
produgli de 16,3 milhies de toneladas por
ano, a mina do Trombetas 6 a maior do
mundo. Mas alcangou seu limited m~vximo
de produgho por causa das limitaqaes de
acesso ao rio pelos navios graneleiros, que
precisam percorrer o Trombetas at6 o
porto de embarque.
A Paranapanema estimou as reserves
transferidas g Vale em 200 milhaes de to-
neladas de mindrio de bauxita, possibili-


11a Aazonia Ucidental













































































4 NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoal


ambiental do empreendimento, embora a
minera~gio do cobre seja uma das mais
poluidoras de todas.
Luciano Ramos, gerente de Projetos de
Mindrios Oxidados de Cobre da CVRD,
informou que antes da audiancia foram re-
alizadas 27 reunites pr~vias com pdblicos
diversos, fator que teria contribuido "para
que a comunidade se manifestasse de ma-
neira clara e objetiva sobre o assunto". A
boa recepg~o seria mesmo produto de co-
nhecimento satisfat~rio do tema ou resul-
tou da insatisfat~ria base informative para
um questionamento mais profundo?
Para que a pergunta possa ser bem
recebida, convinha que a Vale aceitasse
realizar um novo debate, em Beldm, antes
de o Ibama expedir o licenciamento. Esta
devia passar a ser uma condigio do pro-
cesso: que pelo menos uma audiancia pi-
blica seja feita na capital do Estado onde
o projeto se implantari. Como 6 na capi-
tal que se concentram as fontes de saber
local, elas teriam que ser ouvidas para
confirmar o endosso pdiblico g iniciativa,
que 6 o objetivo principal das audiancias.
Espera-se que a empresa e o Ibama
considered a sugestlio antes de definir o
licenciamento ambiental.


A audi~ncia pdiblica sobre o "Projeto
1 18", com o qual a Companhia Vale do Rio
Doce ird explorer a segunda das cinco jazi-
das de cobre da provincia mineral de Ca-
rajis, no sul do Park realizada no dia 20, no
municipio de Canalidos Carajbs, "foi uma
das audiancias mais tranquiilas de que par-
ticipei", testemunhou Luiz Felippe Kunz
Jlinior, coordenador geral de Licenciamen-
to Ambiental dolIbama (Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Natu-
rais Renoviveis) de Brasilia.
Da audiancia participaram quase 400
pessoas, formando "uma comunidade
extremamente participativa, respeitosa,
que trouxe questionamentos sdrios e pro-
fundos sobre o empreendimento e que
contribuiu muito no process de licencia-
mento", atestou Kunz Jlinior, segundo
press-release da CVRD, praticamente
antecipando o licenciamento da mina.
No material que distribuiu aos presen-
tes, a Vale lembra que o "118" vai pro-
porcionar ao municipio 20 milhaes de
d61ares (quase 60 milhdes de reais) por
ano em royalties, de 800 a 1.300 empre-
gos diretos na fase de implanta~gio e 400
na operaqio, ndmeros que ecoam me-
lhor com a demonstragilo da viabilidade


*Em 20 anos de funcionurmento. completados ne~st mts. a hidreluitria de Tucurul
gerou 360 milhoes de megawatts/hora de energia. A Eletronorte futurou 35 bilhaes
de reasis em valIor alualizado. A mddia e de pouco menos de RS 100 por MWh. Isto
quer dizer que os 15s milhdes de habitants, no Pardi e no Mlaranhilo. atendidols pela
estatal pagearam energia tres vetzes mais cara do que a tarifa concedida as duls
fibricas de aluminio instaladast nos dois Estados. a Albij ras a Alumar. que. em con-
juntlo, consumiram 50%~ mais energia do que os 1-5 milhbes de: cibdadios somados.


Do Dro
Os deputados estaduais e os presiden- a posigilo do PDT: enquanto o Ifder na
tes de partidos aliados assinaram uma Assembl~ia Legislativa, deputado Luis
nota official de repdidio g matdria da re- Cunha, se eximia de subscrever a nota
vista Istod', sobre a relaglio de troca de para nio atingir a alianga que seu partido
favors entire o governor do Estado e a mant~m com o governor federal petista,
Cerpasa, atrav~s do uso de incentives fis- os outros dois deputados da bancada jun-
cais, que era a reprodu~gio, comn outras tavam seu endosso is critics da nota ao
palavras, da nota anterior, da administra- comportamento dos petistas estaduais,
glio estadual. Teriam poupado dinheiro nito citados expressamente mas referi-
pbblico simplesmente juntando suas as- dos como aqueles que, niio sabendo ven-
sinaturas ao primeiro abaixo-assinado cer, ao veneer niio sabem governor, fi-
compulsbrio do executive. cando a inventar motives contra os que
O interessante 6 que s6 no dia seguinte os derrotaram. Como a acusaglio de que
B divulgaglio da nota os parlamentares a Cerpasa, para receber tantos favors
se reuniram com o governor para tomar tucanos, retribuiu comn dinheiro para as
ci~ncia dos motives pelos quais tinham campanhas eleitorais do PSDB.
se manifestado. Mais sugestiva ainda foi Mais "murismo", impossivel.


PALAVRA
*Em junho, o senador Romero JucB,
do ".DBque Roran ,s uomb a inbuna
za" do banqueiro Edemar Cid Ferreira,
havia acabado de receber o relat6rio
annual do Banco Santos, referente ao
exercicio de 2003. Ao seu ver, o docu-
mento nio era apenas uma prosaica
prestaglio de contas, comum em cada
encerramento de ano. "Mais do que
isso, ele 6 o andncio e o inicio de uma
'nova era' daquele sempre respeitado
e admirado estabelecimento crediticio
do grande Estado de Slio Paulo".
Em brevess consideraq~es", o ex-
presidente da Funai (Fundagilo Nacio-
nal do indio) mostrou que o Banco San-
tos apresentou "invejivel crescimento:
o patriminio liquid alcangou o percen-
tual de 29,95%; os ativos de cr~dito,
39,67%; a captagilo total, 41,65%; as
receitas operacionais, 68,91%; e a ren-
tabilidade sobre o patriminio liquid, a
marca de 20,53%".
A Altaa administration" do Banco San-
tos, por~m, niio considerava como o mais
important a excel~ncia desses ndimeros,
acrescentava o senador, "mas sim a equi-
pe de profissionais, que lhe estlio inovan-
do o jB excelso conceito". Como exem-
plo, citou as providencias que a equipe
de tecnologia adotou naquele ano, com
"o propbsito de trazer mais transparan-
cia e proximidade no relacionamento com
os clientss. Contando com essa equipe
"altamente especializada", o banco tam-
b~m dispunha de produtos "premiados
como os melhores investimentos do mer-
cado", dando aos clients a oportunida-
de de "acompanhar suas aplicaqdes a
qualquer hora e de qualquer lugar".
Pergunta-se: vocC compraria um car-
ro usado do nobre senador Romero JucB?



ECLUSA
*Sera que desta vez a promessa de con-
cluir a transposigho do rio Tocantins, atra-
v~s das eclusas da hidrel~trica de Tucu-
rui, niio ficar8 apenas nas palavras do pre-
sidente da Repliblica? Lula prometeu, na
semana passada, que a obra sera priorit8-
ria no pr6ximo ano e que os 69 milh~es de
reais previstos ainda para este exercicio
sedio plenamente liberados. De fato, a
Construtora Camargo Corria obteve, na
semana passada, licenga ambiental para
instalar em Tucuruf uma segunda usina de
concrete. Desde a retomada dos servings
nas duas eclusas estlio operando no local
39 maquinas Caterpillar.
Desta vez a obra ir8 at6 o fim, previs-
to para 2006, acabando com o bloqueio
de 22 anos ao 250 maior rio do mundo?


Cobre: nova frente


abre-se em Carajjs

























































SA BENP AR
*A Chilo & Teto merece elogios pela iniciativa de recuperar, com critdrio e aplica-
~gl,, o belo e secular pr~dio na esquina da Nazard com a Quintino Bocaitiva, onde foi
instalada a sede da empresa. O casadio foi construido pelo coronel Raimundo Perei-
ra Brasil, o "dono" do rio Tapaj6 acima de Itaituba, controlando vastas extensbes de
terras, nas quais se produzia borracha.
Entre o final do sdculo XIX c o inicio do s~culo XX, a borracha, segundo item da
pauta de exportaglio do Brasil, depois do caf6, era produzida exclusivamente na
Amaz~nia, gerando receita imensa e investimentos como o do bisav6 da socialite
Francy Brasil Meira, esposa do arquiteto Alcyr Boris Meira. Antes da Chilo & Teto
adquirir o imbvel, seu proprietirio foi a Sucam, a superintendencia de campanhas
m~dicas (dos herbicos e temidos "fura-dedos"), de saudosa memdria e triste fim (sob
o cutelo privatizante e destruidor de Collor de Mello).
Para arrematar sua obra, a empresa imobilibria podia patrocinar a ediSio de um
glbum com o registro do trabalho de restauragilo e a iconografia hist6rica do pr~dio e
do seu entorno, que ji foi um dos pontos mais sofisticados de Bel~m. A cidade,
penhorada, agradeceria esse gesto de iluminismo.


Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM BRO DE 2004 5


menta a outra, conforme seus balangos
hidricos. Mas nito pode ser usada como
fator de desenvolvimento pelo Estado no
qual se localiza. Sintomaticamente, na ves-
pera da visit de Lula, Bel~m ficou sem
luz durante quase uma hora por causa de
uma falha em um dispositivo de proteglio
do autotransformador da principal subes-
tagli da cidade, no Utinga, conforme a
explicag~o official. Havia dois transforma-
dores em linha (e um terceiro em manu-
tenglio), capazes de suportar at6 310 MW,
mas que entraram em colapso quando o
consume ainda estava em 270 MW.
Pode-se suspeitar que nito se tratou exa-
tamente de um erro de manobra ou de uma
falha mechinica, mas de uma operaglio em
condig~es t~cnicas abaixo do desej~ivel por
falta de equipamentos em quantidade neces-
siria, que garantam a reserve adequada.
Talvez a Eletronorte n~io disponha de um
orgamento que lhe possibility manter uma
frente de obras novas ao mesmo tempo em
que opera o sistema ji existente, conforme
os padres de qualidade exigidos. Para co-
brir um santo, est descobrindo outro.
O "outro" 6 o Pard. Em tese, uma uni-
ca das quatro novas turbines seria sufici-
ente para manter toda Belim iluminada.
No memento do blecaute, a cidade con-
sumia 280 MW, um pouco abaixo do seu
pique. Mas o sistema nito agiientou a car-
ga e desligou porque est8 operando no li-
mite. O grosso da energia est8 sendo
transferido para as duas fibricas de alu-
minio (Albris, em Barcarena, e Alumar,
em Stio Luis), que, juntas, representam 3%
do consume brasileiro de energia (e qua-
se cinco vezes o consume de Bel~m). A
outra parte vai para o Nordeste.
O ParB, que niio se preocupou em eni-
ar demand dentro do seu territ6rio para
a energia que Tucuruf iria gerar, agora, se
defender desse fator, vai ter que procurar
uma nova fonte para tender necessida-
des mais amplas do que as residenciais.
No final de 1984, quando a usina entrou
em operagilo, havia condigaes de suprir
pequenas usinas de ago a frio, em redu-
glio direta. Hoje, sem uma fonte alternati-
va (que poderia ser o g~s), o ParB vai ficar
completamente de fora da hist~ria sidertir-
gica que est8 sendo escrita com o mindrio
de ferro existente em seus pr~prios limits.
Amargo paradoxo mas a devida puniCio
- para um Estado acostumado a receber
prato feito, ao inv~s de mont8-lo, conforme
seu gosto e necessidade.


Na v~spera da chegada do general
Ernesto Geisel BTransamaz~nica, 30 anos
atris, para a inauguraglio do projeto Ca-
navieiro Abraham Lincoln (Pacal), funci-
onirios do Incra (Instituto Nacional de
Colonizaglio e Reforma Agrdria) percor-
reram is presses as lojas de Altamira,
comprarando todo o estoque de agdicar da
praga. No dia seguinte 18 estava o aglicar
a espera do ato inaugural do president
da Reptiblica. O general Geisel acionou a
chave de partida, o agdicar foi despejado
do tubo de processamento e, em seguida,
ensacado. O president n~io percebeu que
o aglicar era refinado, qualidade que a ve-
lha usina, recondicionada como nova, nito
podia alcangar. Se Geisel tivesse insistido
para mais uma corrida de a96car, teria des-
coberto o arranjo de dltima hora do pro-
verbial jeitinho brasileiro: a montagem, em
andamento, ainda nito permitia que a fi-
brica funcionasse completamente.
Niko foi necessirio montar uma mise-
en-scdne semelhante na semana passa-
da, quando o president Luiz Inicio Lula
da Silva foi a Tucuruf para inaugurar qua-
tro novas turbines da hidrel~trica local, a
maior inteiramente national (Itaipu, qlue
a supera, 6 de propriedade brasileiro-pa-
raguaia, em parties iguais). Mas o desa-
certo era da mesma ordem.
O president nito p~de acionar as tur-
binas porque a quantidade de Bgua no
reservatbrio (20% do total) era insufici-
ente para movimentar as 16 miquinas ji
instaladas, das 23 que deverilo estar em
linha nas duas casas de forga at6 o final
do mandate de Lula, em 2006. Naquele


memento, apenas 10 turbines estavam
operando, nito a toda carga. S6 a partir
de janeiro, com a intensificaqilo das chu-
vas na bacia do Tocantins-Araguaia, que
ocupa 10% do territ6rio brasileiro, a usi-
na poder8 entrar em plena capacidade.
O miximo de produgli atual 6 de 5.750
megawatts. Segundo os fartos press-re-
leases distribuidos durante a solenidade,
essa potincia equivale a 16 vezes o con-
sumo de Bel~m, com seus 1,3 milhilo de
habitantes. Mas quando a hidrel~trica che-
gar ao seu teto de geragli de energia, de
8,4 mil MW (capaz de tender quase 10%
do atual consume energ~tico national),
esse valor representard quase 28 vezes o
consume da capital paraense.
Fartura energ~tica? Nada disso. Para
chegar g potencia nominal, Tucuruf preci-
sar8 de uma vazlio de 15 mil metros c6bi-
cos de Agua por segundo. Mas a vazlio
m~dia do rio Tocantins 6 "apenas" um
pouco superior a 9 mil metros c~bicos.
Ultrapassa a m~dia de vazbi do rio Para-
ni, onde est8 a hidrel6trica de Itaipu, mas
nito 6 suficiente para assegurar um fator
de carga de 50%, que 6 o padrito mundial.
Por causa da enorme diferenga, que pode
chegar a at6 60 vezes, entire o volume de
Bgua do Tocantins no m~ximo do inverno
e no minimo do veriio, a potancia firme da
usina, aquela disponivel o ano inteiro (gra-
gas B estocagem de Agua no lago, o de
maior volume do pafs, com 55 bilh~es de
metros clibicos), ficar8 abaixo de 45%.
Tucuruf se viabiliza comercialmente
porque faz parte do sistema integrado na-
cional, atrav~s do qual uma bacia comple-


Titcuruf : mais energia.




Mas para os outros















































































NOVEM8RO DE 2004 2 0 QUINZENA Jornal Pessoal


dor, a edifica~gio exala cosmopolitismo, gla-
mour e solidez. Foi concebida para estar em
harmonia com a imagem do donor, um ban-
queiro ao velho estilo florentino que se
transformou num mecenas das artes, um in-
vestidor arrojado, ele prdprio um thzinking-tank.
Nada de pequenos depositantes nos gui-
ch~s ou continues pagando contas do m~s.
As avenidas e compartimentos do pr~dio ser-
vem ou serviam de palco para gente boni-
ta, perfumada, elegant e rica. Gente colu-
ntivel, como a propriettiria da Daslu, a mais
badalada e cara boutique do pals, instalada
bem ali perto da Paulista (e da rua Augusta, o
point de outros tempos). Mas tamb~m abri-
gavam burocratas, tecnocratas e politicos,
que iam tratar com o doutor Edemar de di-
nheiro de funds de pensilo, de repasses de
prefeituras e de financiamentos de dupla
miio, duplicidade que se explicava pelo sa-
gaz mecanismo do banco: parte dos recursos
ia para a empresa tomadora e outra parte, a
da "reciprocidade", para aplicaqilo em em-
presas ou funds indicados pelo banqueiro.
Por coincid~ncia, alguns desses destinatriri-
os das aplicaC~es eram, por vias e travessas,
controlados pelo sibio banqueiro.
Como ele conseguia manobrar tanto di-
nheiro, desviando de seus rumos regulars?
Com poder, ofcourse. Edemar Cid Ferreira
cumulava seus amigos, dependents e di-
gamos assim clients & associados de me-
suras e gentilezas. Podiam ser atC mesmo
simpless" refeiqdes, como a 61tima que ofe-
receu, reunindo um seleto grupo de pessoas
mais pr6ximas de seu cora~gio (se, ao con-
triirio do que apregoa o brocade popular, ban-
queiro tem essa parte da anatomia), com 30
lugares g mesa de um dos sofisticados sales
de sua mansio do Morumbi (investimento de
80 milhies de reais, espalhado por 4.100
metros quadrados de firea construida, em cin-
co andares), ao custo de 58 mil reais pelo
banquet privet Quase R$ 2 mil "per capital .
Qualquer que fosse o meio (o menos im-
portante no caso, como jii ensinava outro
florentino, Nicoll6 Machiavelli, comzme-il-
faut), o doutor Edemar perpetrava faganhas
no BNDES, o banco estatal que responded
pela esmagadora maioria dos financiamen-
tos de capital, aquele que de fato impulsio-
na as inddistrias no Brasil. Embora a princi-
pal fonte de dinheiro do Banco Nacional do
Desenvolvimento Econ~mico e (last but not
least) Social seja o FAT, o Fundo de Ampa-
ro ao Trabalhador.
Mas o que pouco se v& 6 trabalhador no
luxuoso pr~dio do BNDES, inteligente antes
que a expression fosse pespegoada a pr~dios,
para desdouro de muitos de seus ocupantes.
Usuilrios contumazes da instituiglio costu-
mam ser empresdrios, politicos, tecnocratas,


burocratas e um produto hfbrido de tudo isso,
com um verniz de novidade que, sugestiva-
mente, se desgastou ao entrar em contato
com o poder para valer, nito s6 para estudar,
admirar e invejar, B distincia: o "petista".
Talvez por causa do pressuposto novida-
deiro que havia nesse personagem, alguns
epis6dios recentes da hist6ria brasileira niio
slio devidamente avaliados. Fica-se a espe-
rar que, ao cabo e ao rabo, haja uma dimen-
slo moral final capaz de lustrar todos os am-
bientes, limpando as sujeiras, atirando li fora
as excresc~ncias acumuladas cB dentro, no
ambiente das velhas e desgastadas elites
mandonas. A esquerda era a porta-bandeiras
do legado moral e 6tico da humanidade. Tal-
vez esse patriminio fosse simb61ico, mas
sem simbolos o home seria pouca coisa
al~m de um animal (sem desmerecer nossos
companheiros planettitios.
Por isso, o Banco Santos jii estli saindo
do noticitirio da grande imprensa national e
muitas perguntas continuam sem resposta.
O pior 6 que muitas outras sequer foram fei-
tas. Sabe-se que o banqueiro Edemar Cid
Ferreira, antes de sua 61tima ceia milionti-
ria aos amigos in pectori, foi a Brasilia ten-
tar salvar seu banco. Conversou com alguns
condestilveis da Repdblica e chegou ao ga-
binete do president Lula. Teria recebido
promessas de alivio da situaqilo. A Repdbli-
ca ainda iria maneirar diante da sangria -
prbxima de desatada que estava levando
o caixa do banco g anemia.
Afinal, mesmo ocupando apenas a 21. po-
si~giono ranking das instituiqbes financeiras,
em 2002 e 2003, o Banco Santos foi um dos
cinco maiores repassadores de recursos das
linhas de financiamento do BNDES. Em
2003, o Banco Santos tinha um saido deve-
dor no 6rgilo estatal de R$ 1,15 bilhilo, s6
inferior aos do Bradesco, Banco do Brasil,
Unibanco e CNH BM, bancos muito mais
poderosos, mas superior aos saldos do htad,
HSBC e Banespa (ou Santander), que tam-
b~m silo de maior porte.
Mas hti cerca de seis meses, quando co-
megaram os rumors negatives sobre a sad-
de financeira do Banco Santos, o BNDES re-
duziu substancialmente as operagies com o
banco, a maioria das quais realizadas antes
da chegada do ji despachado Carlos Lessa,
o que teria contribuido para agravar a sadide
do banco do doutor Edemar.
Em algumas semanas, 600 milhaes de re-
ais foram sacados, acabando por deixar o San-
tos com patriminio liquid negative de R$ 100
milhies (s6 para abrir as portas, portanto, pre-
cisaria da injeglio de R$ 700 milhies). Na un-
d~cima hora, quem tratou de agir foi o presi-
dente do Senado, Jos6 Sarney, que costuma
transferir para si squels piada antimineima, com


A fil/UeZo do 8rosil pode ser

medido pelo tomonho do

bu tim dos seus pir tOS.

Ahistbria do Banco Santos, sob inter-
12, ilustra pedagogicamente essa
moral ou falta dela. Mas essa histbria pas-
sou ao largo das piginas, telas e fones da
grande imprensa, mesmo quando alguns jor-
nais e revistas deram destaque ao caso. Evi-
taram, porim, ir aidm de superficialidades
convenientes. Talvez por receio de chegar
ao fundo do pogo, que pode dar em alguns
dos mais poderosos ambientes invariavel-
mente sofisticados da Repdiblica.
O Banco Santos, fundado em 1994, 6 o
que os especialistas chamam de banco de
atacado. Quando foi submetido g interven-
glio tinha apenas 700 clients, com dep6sito
de 1,8 bilhlio de reais (e um ativo de pouco
mais de R$ 6,7 bilh~es). Por esse critdrio,
era apenas o 21o do pafs; um banco de se-
gunda linha, a justificar a falta de melhor
cobertura pela imprensa (embora com qua-
se R$ 3 milhaes em invejilvel rela~gio dep6-
sitol"per capital) A interven~gio federal na
institui~gio, cirdirgica e isolada, nito ofere-
cia perigo de "crise sistimica". Ou seja: o
Banco Santos niio provocaria efeito domin6
no sistema financeiro, com a corrida de seus
depositantes aos caixas para colocar em se-
guranga suas poupangas.
Vendido ou liquidado, o Banco Santos
nito incomodar8 a mais ningu~m, exceto os
dons do dinheiro congelado, g espera de
autoriza~gio para sacar o que sobrar do in-
candio. O rescaldo vai defender do que os
t~cnicos do Banco Central apurarem de es-
puma, produzida por maquilagem contiibil,
sem tradu~go em dinheiro vivo.
Melhor assim para os que temeram al-
gum efeito bumerangue da abertura das con-
tas do banco, protegidas por uma espessa
camada de glac8 publicit~rio, marketing e
relaF~es pdblicas, criaqilo do seu nottivel
propriettirio, Edemar Cid Ferreira, de 61
anos, mas aparentando bem menos. Sobres-
saltos passadio e cabegas coroadas pode-
riio voltar a dormir sem a ajuda daquelas
pilulas da alegria (ironicamente concebidas
para diminuir o sofrimento da angbstia, an-
siedade ou depression).
Mas a hist6ria do Banco Santos merece
um enredo melhor. A instituiglio niio tem ag~n-
cias ou filiais. Cabe integralmente no seu edi-
ficio-sede, um pr~dio high-tech, verdadeiro
di'rnier-cri levantado na avenida Paulista, em
Slio Paulo, o metro quadrado mais carol dos
neg6cios brasileiros. Controlada por computa-


A intervenglio no Banco Santos:












uma adapta~gio: 6 solidirio, sim, mas atC o
diagn6stico do cancer do amigo. Sarney sa-
cou os R$ 2 milhies que diz ter recebido pela
venda do antes sftio, agora fazenda Sio
Jos6 do Pericumii (para quem fez a venda?
Para o Banco do Brasil, ora bolas).
Quem niio faria como o ex-presidente
desta infeliz Repliblica, ciente da informa-
glio sobre a quebradeira iminente? Mas
quem, no pafs, teria essa informa~gio, a tem-
po e modo? Se Sarney soube "pelo merca-
do" ou "pela imprensa" (ali~s, calada, como
de hibito nessas eventualidades), tudo bem.
Mas, e se soube pelo pr6prio Edemar, ou,
mesmo se por outro, sabendo em fun~gio do
cargo pliblico que ocupa? Entlio se trata de
informa~gio privilegiada. Aproveitar-se dela,
se niio C crime, 6, pelo menos, imoralidade.
De qualquer modo, convinha g Receita
Federal estar atenta para ver se os R$ 2 mi-
Thdes foram ou serlio declarados na pelo no-
tivel cidadjio ao lello, para que o animal fis-
cal, ao contrdrio do titulo daquela com~dia
americana, nito fique vesgo. Os Sarney tim
uma notivel e ji suficientemente provada ca-
pacidade medidnica para dinheiro, que se
materialize g tripa forra, como no caso Lun-
nus rememberr Roseana, da qual o banquei-
ro 6 padrinho de casamento).
Mas se o doutor Sarney salvou seu di-
nheirinho, mesmo sendo contraparente por
afinidade do doutor Edemar (cujo patriminio
cresceu como carro de F~rmula 1, por mera
coincid~ncia, claro, durante os cinco anos da
presid~ncia da Repliblica de Sarney), tendo
como elo a figure coadjuvante ou estrelar de
Alexandre Costa, outro senador da Replibli-
ca pelo Maranhlio, com cuja filha, Mdrcia, o
donor do Banco Santos casou, por que os po-
derosos funds de pensiio deixaram seus re-
cursos mofar B espera do cutelo do Banco
Central? Ou niio ouviam as vozes nada sur-
das do mercado ou niio liam journal.
E se a iniciativa de sacar o dinheiro s6 foi
possivel com o uso de informagiio privilegia-
da, que se aplique a maxima da vov6 Zulmi-
ra, cria~gio do imortal (mas, infelizmente, jri
recambiado do nosso meio para outro me-
lhor) Stanislaw Ponte Preta: ou restaure-se a
moral ou todos nos locupletemos.
Pois 6 isto mesmo: ou os administradores
dos funds, pdiblicos e privados, e do dinhei-
to das aposentadorias e outros escaninhos da
miquina pdiblica, se explicam convenient e
adequadamente, ou entlio que a moral desa-
be sobre suas cabegas, acompanhada de
quantas capitulagdes penais couberem quan-
do seus procedimentos forem tipificados cri-
minalmente, como deve ser.
Temos o caso do nosso Banco da Ama-
z~nia, por exemplo. O Basa movimentou-se
no epis6dio exatamente pela contra-miio:


quando o barco do Banco Santosj jfazia ggua,
dando ensejo B traditional iniciativa salvaci-
onista dos rats, o Basa colocava seus quatro
funds (dois dos quais com 100% do seu or-
gamento comprometido com o Banco San-
tos, sujeitando-os a perda total, e os outros
dois com aplica~gio parcial) sob a custbdia
da Santos Asset Management, li mantendo
os recursos at6 depois da und~cima hora.
Como j ustificar essa imprevid~ncia, ou,
para usar a linguagem do meio, essa falta
de perspic~cia? O representante do Basa
junto aos funds nito tinha acesso suficiente
h contabilidade de suas pr6prias aplicap~es
para poder garantir, quando a intervengio
foi praticada, se havia uma margem satis-
fatciria de seguranga para o retorno do di-
nheiro congelado. Talvez os papdis do pr6-
prio Banco Santos excedam o limited legal
de 20% que podiam representar nos funds,
caracterizando irregoularidade e a perda dos
recursos excedentes. Esses recursos pode-
riam ser um pouco mais do que o limited
legal, mas tambdm podiam ser multo mais.
Ao certo, ningu~m sabia. Nem o Banco Cen-
tral. Muito menos o Basa.
Bom, podem justificar os administrado-
res do Basa: o gestor do fundo dos funcion8-
rios do Banco Central (sim, exatamente: o
banco interventor, com ativo de R$ 7 bilhdes)
nito deixaram 18 seus R$ 34 milhies, como
outros funds, expondo-se a perder dinheiro?
O pr6prio PT, niio foi apanhado em calgas
curtas, com os R$ 500 mil arrecadados (no
total ou como saldo) na campanha pela sede
prbp~ria, em Stio Paulo?
E verdade. O grosso dos R$ 2,4 bilhaes
de patriminio dos 86 funds administrados
pela Santos Asset vinha do er~rio ou suas
extens~es, de funcionirios pdiblicos ou seus
representantes, pessoas fisicas e juridicas,
6tglios pdiblicos ou paraestatais.
Melhor sorte, por acaso, tiveram os cli-
entes do Banco do Nordeste do Brasil, tam-
b~m federal. No dia 26 de agosto o BNB as-
sinou acordo com o Banco Santos, envolven-
do quase R$ 60 milhdes, comn os quais o ban-
co privado abriria duas linhas de cr~dito aos
seus clients. Mas nito houve tempo para re-
passes de dinheiro, Ficou na ameaga.
Sem a sombra e o sinete de homes pi-
blicos, por concurso ou aderancia, dificil-
mente o banco do doutor Edemar teria che-
gado ao seu porte. Dificil, ali~s, 6 excess
de cautela: a expression certa 6 "impossi-
vel". Pode-se supor que, em principio, essa
"parceria" tenha sido correta, dentro de to-
das as normas banc~rias e de contabilidade
pdiblica. Mas provavelmente derivou para
uma promiscuidade, se niio franca e gene-
ralizada, "segmentada" (para usar outro jar-
glio dessa gente perfumada).


Por isso, niio 6 inverossimil supor que,
uma vez tornada irrecusivel a intervenglio
do Banco Central, por conta dos excesses
do banqueiro amigo, que "viajou na maio-
nese" do poder absolute e pessoal, como
diriam os mais jovens, a decision do ataque
s6 veio depois de um plano de Estado-Mai-
or: isolar os compartimentos, blindar (ex-
pressito tornada rotineira na casta em fun-
~gio da ameba de misdria ao redor de seus
palicios, como o do banqueiro no Morum-
bi) as portas de acesso aos segredos, que o
doutor Edemar, evidentemente, devia ter.
Quem sabe, talvez, por acaso, os mai-
ores gestores dos recursos, cujo nuimero
cabe nos dedos das miios, niio foram "con-
vencidos" a ficar im6veis, com a garan-
tia de que, mais dia menos dia, por linhas
retas ou tortas, o dinheiro voltard is suas
bancas, tornando apenas eventual e tem-
porbrio o risco de se verem interpelados,
denunciados ou condenados por gestilo te-
merdria (quando nito fraudulent) de pou-
panga alheia?
Mesmo deixando de lado essas suposi-
95es, naturalmente malivolas e mal infor-
madas, fica uma question t~cnica. O prin-
cipal crit~rio a ser seguido na administra-
glio desses funds 6 a seguranga da apli-
ca~gio. Ela niio pode estar sujeita a riscos
maiores nem seguir crit~rios especulativos
porque tem um horizonte muito maior.
A remuneraglio oferecida pelo Banco
Santos aos seus seletos clients era das me-
Ihores do mercado, excepcionalmente me-
lhor. Aos olhos do especialista nito escapou,
6 claro, a razlio dessa diferenga: algum me-
canismo adotado i. margem das boas nor-
mas bancirias (aquela "reciprocidade", que
consistia em fazer o tomador do dinheiro
abandar parte dele para o intermedidrio usar,
por conta da generosidade do empr~stimo
feito em condig6es favoriveis no banco ofi-
cial, como o BNDES, do qual o Santos era
agent financeiro destacado, por critdrios
nada t~cnicos). O que era bom, portanto, ti-
nha que durar pouco, se nenhuma manada
de bois houvesse na linha e havia, e mui-
ta, como ir8 mostrar o relatbrio do interven-
tor do Banco Central.
Mas, quando isso ocorrer, as coisas jB
terilo sido normalizadas e os gatos pardos
virarlio pretos. A conta ah, sim, a conta,
que dinheiro niio 6 metaffsica para ser trans-
formado em papel de chocolate, como no
c61ebre poema do portuguis Fernando Pes-
soa sera mandada a vidva, com os cum-
primentos do seu advogado, o elementary
element que falta para fechar essa equa-
Cgio a Sherlock Holmes. E as saudaq~es da
dadivosa imprensa.
THE END.


Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM8RO DE 2004


quem vai contar essa hist~ria?









CARTAS

Honseniase
Lendo o Jornal Pessoal no 332, fiquel estar-
recida com a estatistica da hanseniase em nosso
Estado. Te parabenizo pela informa~gio.
Imediatamente fui g tribune daAssembl6ia Le-
gislativa e coloquei o fato em evidencia, chamando a
atengli dos deputados para os assustadores dados,
inclusive li trechos de teu texto, robustecendo-o
com outras informaq8es que consegui.
Tamb~m requeri da Secretaria Especial de Prote-
gli Social, cuja titular 6 a Vice-Governadora Valdria
Pires Franco, e do Secret~rio de Estado de Sadde,
informacqaes sobre o que esti sendo feito para com-
bater este mal, que tens razlio, 6 doenga da misiria e
das condiqc~es subumanas em que vive a maioria do
nosso povo. Portanto, mereceu pelo menos um ai.
Lamento que a grande imprensa nbi tenha percebido
a gravidade do problema, pordm fica ocompromisso
de fiscalizar e monitorar as ages que sertio realiza-
das ou de cobrar caso nada seja feito.
Deputada Sandra Batista

Aito e 0 fUZil
Citada por Paraguassdi fleres, qlue relembrou a
encenagdio vanguardista de Pic Nic no Front, de
Francisco Arrabal, Aita Altman, na onda de remni-

sobcre golp nusitaa di 16p4uebo erdane t
Pard, envion de Sdo Paulo, onde mora hdi muitos
anos, uma carta viva e engragada, bem ao seu
estilo, sobre uma encrenca no Rio de Janeiro, onde
se abrigou depois de sair atropeladamenlte de Be-
Idm. Um verdadeiro testemnunho de dpoca.
Oi Lucio, por lembrar do Arrabal.... Quando eu
cheguei no Rio, comecei a freqilentar a UNE [Ulnidlo
Nacional dos Estudantes] destrogada pelo
inc~ndio, que apesar da precariedade, um cursor de
teatro comegou a acontecer por 18. Logo participei
de um grupo e nada mais sugestivo do que encenar
Pic Nic no Front, aproveitando o cendrio da carco-
mida UNE, aguardando os personagens e seu autor.
E o fuzil? Tomar emprestado da banda verde-
oliva seria multa provocagli. A solugi~o foi encon-
trada na Casa dos Artistas, que alugava de tudo,
inclusive fuzil. O Pic Nic foi ao ar em preto-e-
branco. Lindbi! Primeira e dnica apresentagliopor
falta de pdiblico e tamb~m por falta de convicqilo.
Era muito inseguro expor nossos talents, havia
a possibil dade dle nr6s sermos mal int e peaose

evaporou-se. Ningutm queria arriscar mais sair na
rua abragando um fuzil velho, mas o aluguel estava
correndo. Entbi... No sorteio, ful a premiada. Tudo
combinado. Beleza, falou uma hipona, sem grilo,
irmit Deveria entregar o fuzil is 13 horas na Casa
dos Artistas, Zona Norte do Rio, lugar seguro, pero
no much. LB vou eu, em pleno RM beirando 68,
dentro de um Bnibus, recebendo olhares de todo
tipo: ousada? maluquete? guerrilheira?
O motorist fez o percurso Flamengo-Meier na
metade do tempo. Ele resolve nbi parar pra min-
gudm. Quem sabe no ponto seguinte nbi tinha uma
gemea? Em seguida, t6 18 plantada na porta da CA,
esperando que abrissem a bendita, com uma cara de
quem "hum! ji vi voc& num sei onde"! O meu cora-
gli batia tanto! Tanto! Parecia um bumnbo. Quem
me via pensava: "descaradamente bandida" para en-
frentar a redentora nas barbas do Deops (o Doi/Codi
estava noforno) ou..... completamente louca. Esca-
pou e amnda trouxe o fuzil? E?
Sei dizer que quando a porta do CA abriu, eu
niio entrei, pulei pra dentro querendo esganar a
balconista: "Quer acabar com a minha reputaglio,
sua vadia?" JB passavam tras horas das 13 em
punto de la tarde. Eu estava bamba de medo. Pre-
cisei me segurar em tudo que era parede. O que a
gent no ft ps lao ur e pruma ii,l nr rtg
do Paraguassu Eleres, men amigo inesquecivel,
Aita Altman


am fazer o "acompanhamento das
Sremunera~gio e das contas cor-
6cios com vistas h [sic] uma pa-
e control .
g "realiza~gio da Assembl~ia Ge-
a da Sociedade at6 o sexto mis
encerramento do exercicio", ou-
as recomendagaes de Rosingela,
lue "na media do possivel po-
izada". A 61tima presta~gio de con-
Publicidade refere-se ao exerci-

recomendaglio feita por "Loloca"
aprovada pela assembl~ia foi a
Sum inventlrio e "avaliaglio dos
sociedade niio alugados para fu-
e ntre os s6cios".
lo, presidida por D~a Maiorana,
ada por Romulo Maiorana Jlinior.
aiorana, que o representou, vo-
:spaldo de 45,36% das aqT~es. As
s, que o acompanharam em unis-
la, Rose e Roberta), detim, cada
%o, a mesma participation de Ro-
Sfoi isolada ao dissentir. A ata do
latada de 23 de julho, mas s6 foi
a semana passada.
ddo dessa ata confirm tudo que,
:ito, foi publicado nested journal,
:inco aqBes seguidas de Rosin-
na Kzan, propostas no f6rum de
~tir de 1992, sob o pretexto de cri-
honra, com base na Lei de Im-
967, uma das j6ias "Ijurfdicas" do
rceglio entlio imposto pelos mili-
iprias cobrangas de Rosdngela A
mlios confirmam o contedido das
Jornal Pessoal, 12 anos depois
:mas terem sido suscitados.



RE VISTA
*A re vista Polichinello
chega ao seu setgundo ni-
mlero mlantendo-se como
um laboratorio de experi-
mentagikoe vaniguardla, cri-
ativa e provocalit a. Coni
apenas 50)0 exremplares-
tem que ser procurada nos
poucos pontos de: venda.
Mus se afirma come uma
refe~rdncia. So uma obser-
vap8o: das trras vezes em
que foi c~itado, a nome do
artista alemlio Max Ernst
apure~eu errado duas ve-
zes, com girallas distrinras.
Mesmo para um dadais-
ta, 6 muito.


Os acionistas da Delta Publicidade, em- lhe permitiri
presa responsivel pela edigilo do journal O planilhas de
Liberal, apreciaram, em sua ultima assembl~ia rentes dos s
geral, sete recomendaqaes que a sdcia Ro- dronizagho (
singela Maiorana Kzan apresentou na as- Quanto i
sembl~ia realizada em dezembro de 2001, mas ral Ordindri
que niio havia sido apreciada at6 entilo. seguinte ao
Rosingela nito conseguiu convencer sua tro t6pico d~
mile e seus irmlios, os outros cotistas da Del- responded q
ta Publicidade, a realizar reunites trimestrais derby ser reahi
da diretoria "para avaliagli e acompanhamen- tas de Delta
to dos neg6cios socials". A maioria decidiu cio de 2002.
que as reunites continuarlio a ser semestrais. A 6nica 1
Quanto g outra proposta, de "avaliaqilo Maiorana e
dos custos e despesas", a president da as- execuglio de
sembl~ia (e tambtm da Delta), D~a Maiorana, im6veis da i
responded que sua filha, como diretora admi- tura partilha
nistrativa da empresa, "acompanhou a redu- A reunil
glio de 30% do quadro de funcion~rios e o foi secretarir
journal tambtm teve seu nlimero de pigina re- Ronaldo M;
duzida [sic] e tambtm deixou de circular o tou com o re
journal 'O Liberal AmapB', mantendo-se em demais irmli
atividades administrativas". sono (Angel
Rosingela tambbm queria a "reorganiza- uma, 13,665
glio e simplificaqilo societiria, procedendo- singela, que
se a extinglio, fuslio e venda de sociedades encontro 6 d
controladas consideradas desnecessirias e publicada n;
sobrepostas", mas sua mile informou aos O contei
participants da assembl~ia (dentre os quais a esse respe
nito constava a pr6pria Rosingela, que man- motive de c
dou carta justificando a aus~ncia por motive gela Maiora
de viagem) que a recomendagilo "nito se apli- Beltm, a par
ca aDelta Publicidade S/A". me contra a
D~a Maiorana replicou a Rosingela que prensa, de 1!
"especificasse" outra cobranga, a "vedagilo regime de ex
dos acionistas de participarem de socieda- tares. As pr6
des com objetivos identicos e afins". Man- mile e aos ir
dou-a procurar, no departamento de contabi- mat~rias do
lidade da empresa, os dados disponfveis, que de os problem


SIR& V6I'llle 1

Uma poeira de fuligem cobriu, sujou e maltratou Barcare-
na na semana passada. V~rios dias depois a origem da polui-
Fgi permanece desconhecida, g espera dos laudos t~cnicos
reveladores. No distrito industrial do municipio, hB quatro
indlistrias de grande porte: duas de caulim, uma de alumina e
uma de aluminio. Se alguma delas 6 responsivel pelo aciden-
te ecolbgico, ji devia ter-se identificado. Afinal, todas exi-
bem certificates ambientais de qualidade, titulo que se apli-
ca tanto a priticas empresariais quanto a relagBes socials.
Se nenhuma delas causou o problema, menos mal. Mas
se alguma tem a ver com o caso, jogou para o espago sua
credibilidade quanto g tal responsabilidade social. E a cre-
dibilidade dos 6rglios pdiblicos, que parecem vir a reboque
das empresas ou delas s6, estlio conseguindo se dissociar
tardiamente.
De qualquer maneira, a gestlio dos interesses pdblicos
numa drea tilo important j8 esti a desejar, hoje. O que dizer do
amanhli, quando a capacidade de produglio desse p6lo indus-
trial, numa delicada region estuarina, estiver multiplicada?


NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoul


L1SS8IlSao rami11ar




nfO 8 uP OH L* ra



















Os decretos assinados no dia 8 pelo pre-
sidente Lula, que criaram as reserves extrati-
vistas de Verde para Sempre e Riozinho do
Anfrisio, no vale do Xingu, no ParB, numa
Brea conjunta de dois milh8es de hectares
(ver Jornal Pessoal 333), cont~m uma novi-
dade em relaglio aos atos de criaglio das uni-
dades de conserva~gio anteriores: passaram
a exigir a autoriza~gio do legislative para a
execu~gio de desapropriaq~es de imdveis si-
tuados em terras de dominio do Estado. Os
decretos s6 foram assinados depois da in-
clustio desse novo artigo, exigido pelo Palii-
dio do Planalto, dividido entire a presslo do
Ministdrio do Meio Ambiente e das ONG
ambientalistas pelas reserves e de vdrios seg-
mentos, dentro e fora do governor, contra elas.
Al guns interpretadores sustentam que nto
se trata, no entanto, realmente, de uma novi-
dade, uma concesslio do executive ao legisla-
tivo. Essa seria uma velha imposi~gio legal, de
um decreto-lei -o 3.365 -de 1941, que regula-
menta a desapropriaglio por utilidade pdiblica,
caso das Unidades de Conserva~gio.
A introduglio desse artigo nos b1timos
decretos possibilitaria a inclusion das terras
estaduais nas reserves extrativistas, ampli-
ando assim as suas extens~es. Na situalio
anterior, a presenga de terras dos Estados nas
unidades de conserva~go dependia de um
acordo formal pr~vio com as Assembl~ias
Legislativas de cada Estado atingido. Assi-
nado o acordo, a desapropria~gio podia ser
efetivada sem problems. Mas sem o enten-
dimento bilateral, as terras teriam simplesmen-
te que ser excluidas da reserve. Agora, basta-
ria obter a aprovaglio do legislative para su-
prir a exig~ncia.
Mas qual legislative? Os Estados, a come-
gar pelo Pard, o primeiro a servir de campo de
experiencia para ainovagli, sustentadio, 6cla-
ro, que a audi~ncia tem que ser feita is Assem-
bltias Legislativas. No caso paraense, esse ca-
minho est8 bloqueado. AAssembl~ia Legislati-
va estadual, secundando o governo, ji se ma-
nifestou em favor de outro uso para a grea que


Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM8RO DE 2004


Reservas extrativistas:


RE"BLIANISMO

*Algum mecanismo devia ser criado para pre-
parar os homes pdiblicos. Podia ser condici-
onar o registro do candidate B apresenta~gio
do diploma de conclusito de um cursor numa
escola de governo, por exemplo. Ou s6 per-
mitir a reeleiglio se, ao long do primeiro man-
dato, o politico tiver feito esse cursor, cujo
curriculo seria aj ustado para que o aluno pu-
desse conhecer a causa pliblica e se tornar
seu defensor. Niio apenas por question moral
ou 6tica, mas tamb~m para ter acesso gs fer-
ramentas da gestHo da coisa pliblica. Escola
de republicanismo, como hoje se diz, recician-
do mas repetindo os velhos conceitos
dos romanos adaptados por geraqbes poste-
riores, att nossos dias.
O president Lula nito recebeu uma boa
educaqIlo. Disso deu prova sua ji tiio comen-
tada attitude durante a visit g hidrelttrica de
Tucuruf: depois de consumer o bombom que
lhe foi presenteado, disfargon e atirou ao chilo
o inv61ucro. Esse 6 o comportamento padrlio
do brasileiro (6 chocante ver como se come g
mesa de restaurants, inclusive nos ditos gril-
finos), por falta de boa educa~gio, daquele tipo
de educaqio, agora tornada anacranica, mas
que, como contraponto is suas muitas defici-
Cncias, tinha certo zelo pela formaglio do cida-
diio complete (nlio s6 o defensor dos direitos
humans, na sua boa dimensilo de res plibli-
ca, mas tambbm das prerrogativas intransferi-
velmente pessoais). O problema 6 que todos
estlio de olho na autoridade maxima do pafs.
Ela serve tanto de bom como de mau exemplo.
Por isso, forma ou deforma attitudes.
Como pessoa, Lula tem todo direito de
ser como 6, simples e atC descuidado, quan-
do na intimidade. Como president, n~io. Se
hB assessor para recomendar a pequena ci-
rurgia pl~stica, o novo corte de cabelo e as
gravatas deslumbrantes, devia haver algudm
perto para antecipar-lbe o gesto e oferecer-
se para receber o papel do bombom antes do
ato se completar, desencadeando uma onda
de preconceitos, incompreensdes, intoleriln-
cias e tamb~m justas reprovagaes.
Mas nito s6 esse o pecadilho presiden-
cial em Tucuruf. Houve outro, mais grave,
ainda que venial, segundo a doutrina da
religillo com a qual Lula se identificou (ou
se identificava). O president niio estava
no enorme sallio da usina quando a minis-
tra das Minas e Energia, discursando, fez
refer~ncia a ele, cumprimentando-o. Quan-
do Lula voltou do banheiro, devidamente
penteado e refrescado, Dilma Roussef jB
estava em outro period da ora~gio. Um
pouco mais de discipline por parte do pre-
sidente teria poupado sua ministry do cons-
trangimento de ser interpretada como cha-
ta. Ou prosaica puxa-saco.
Como tudo indica qlue Lula vai disputar
a reelei~gio, seria bom que ele, dando o bom
exemplo desta vez, inaugurasse a nova pril-
tica republican: freqiientando um cursor de
forma~go de home pdiblico, mesmo que
simbolicamente, para niio prejudicar seus
estafantes afazeres presidenciais. Todos
iam ganhar. A maltratada Repliblica, mais
do que todos.


HO cmnOC


nito na forma de reserve extmativista. Sem a com-
pleta desapropriagli dos imbveis particulares
eventualmente existentes na Brea sob jurisdi-
glo do Estado, a Unitio n~io poderia registrar
essas terras em seu nome e emitir a concessio
de uso para os moradores tradicionais, que 6 o
objetivo do projeto. A reserve existiria apenas
parcialmente ou nunca sairia do papel.
Contra os que jB manifestam seu ceticis-
mo em relaqilo B iniciativa ou a hostilizam, os
patrocinadores das reserves sustentam que
o legislative a ser ouvido 6 o federal e nho o
estadual, j8 que o poder expropriante 6 fede-
ral e nito estadual. Independentemente des-
sa controversial, que esta long da exaustlio,
o MMA sustenta que a dependencia do refe-
rendo do legislative niio prejudicard a exis-
t~ncia das reserves: como o uso das terras ji
foi definido, nenhuma modificaglio poderi ser
mais feita, nem mesmo atrav~s do process
de transfer~ncia de propriedade das terras.
Criadas as reserves, o lbama jB estaria apto
a proceder "todas as medidas necessirias para
implant8-las e controlar o uso de seus recur-
sos na forma do previsto pela Lei que insti-
tuiu o Sistema Nacional de Unidades de Con-
serva~gio". O process legal de regularizalio
da propriedade das terras correr8 paralelamen-
te, mas sem criar depend~ncia para com a
destinagilo da grea para o uso de suas popu-
laC5es tradicionais. Essa 6 a posi~gio do mi-
nisttrio, mas niio partilhada unanimemente
por outras instincias, multo pelo contrbrio.
Essa Cuma divida sdria, mas nhod a nica. A
minister Marina Silva declarou que as Resex ser-
virliio de instrument de combat g grilagem de
terras, que avanga c61ere no vale do Xingu, vi-
sando principalmente suas concentraq~es de
mogno, o produto de maior valor atualmente na
Amaz~nia. Examinando o mapa da regilio e ob-
servando que olimite sulda reserve Riozinho do
Anfrfsio, com pouco mais de 700 mil hectares,
coincide com odeclarado limited norte da"Cecio-
lIndia", a grilagem, 10 vezes maior, da C. R. Al-
meida, fica-se na dlivda: quem engolirliquem?
A resposta, com quem pode d8-la.


ne t


J SLI L-
*O juiz Antdnio Carlos Campelo, no exercicio da 4" vara da justiga federal, em Beldm, mandou
arquivar os processes instaurados contra Marlene Corr~a da Silva, Sdrgio Duboc Moreira,
C61io Micola Rente e Paulo Roberto Nery, indiciados por irregularidades na concession e
liberargio de financiamento dos incentives fiscais, concedido B Companhia de Mecaniza~go
da Amaz8nia pela Sudam, da qual eram funcion~rios.
O pr~prio Minist~rio Pliblico Federal pediu o arquivamento, convencido de que os erros
cometidos na tramita~gio do projeto pela ainda moribunda Superintend~ncia do Desenvolvi-
mento da Amazbnia nito caracterizaram dolo nem permitiam "inferir a liga~gio dos servidores &
quadrilha fraudadora da Sudam".
Ao que parece, a justiga est8 tratando de separar o joio do trigo no meio do torvelinho de
corrupIlo e improbidade que arrastou a Sudam para o precipicio. Infelizmente, depois do desta-
que dado ao joio, a apura~glo do trigo 6 feita g distincia do conhecimento da opiniiio pliblica,
para oprbbrio dos t~cnicos capazes e corretos que sempre houve na Sudam, apesar de tudo.

























FQTOGRAFIA
Onbu

Quem ainda se lembra dos Gnibus que antigamente circulavam
pelas ruas de Bel~m, com carroceria montada (aqui mesmo)
sobre chassis de caminhio? Pois aqui, em 1970, est8 um deles.
Numa de suas cenas mais comuns: no "prego".


Sandslias
Pode-se at6 nio acreditar agora, mas em
1962 sandilias japonesas valiam o sufi-
ciente para justificar seu contrabando. Mil
pares, acondicionados em seis caixas,
estavam prontos para serem despacha-
dos para o sul do pafs quando foram apre-
endidos por dois fiscais aduaneiros no
aeroporto de Val-de-Cans e levados para
o dep6sito da Guarda-Moria, onde ficari-
am atC o dia do leilio.

Telegramas
Nos dois meses seguintes abril e maio
- ao golpe military de 1964, o governor do
ParB transmitiu muitos telegramas atra-
v~s da ag~ncia de Beldm da Western
Telegraph Company, principalmente para
o marechal Castelo Branco e seus mi-
nistros, que haviam ocupado a presidan-
cia da Repdblica no lugar de Joho Gou-
lart -de apoio, evidentementeto gover-
nador Aurdlio do Carmo seria deposto
em junho).
A conta dos telegramas s6 foi paga g
empresa inglesa tris anos depois, jB na
administraqIio do tenente-coronel Alacid
Nunes, o segundo governador do ciclo do
regime military successorr do coronel Jar-
bas Passarinho).

Institute
No dia 30 de margo de 1967 a Fundagio
Sesp (Servigo Especial de Sad~de), do
governor federal, comprou o Instituto
Evandro Chagas, com seu belo pr~dio,


C3







~

~)~;~L

C~Z~3
CC~s


C=3






~ ~2*=S


~C3




c~


F


em amplo terreno, na avenida Almirante
Barroso. Pagou B antiga proprietiria, a
Secretaria de Satide do Estado, 80 mil
cruzeiros novos.
Metade do dinheiro foi reservada para
a implantagio do servigo de Agua da Vi-
gia e a outra metade para a construghio de
quatro resid~ncias para medicos em Ca-
choeira do Arari e Soure, na ilha do Mara-
j6, e para Monte Alegre e Alenquer, no
Baixo Amazonas. O "Evandro Chagas"
tornou-se uma das principals instituiq~es
de pesquisa de doengas tropicais do pais,
refer~ncia mundial sobre o assunto.

Idesp
O embaixador da lugoslivia no Brasil,
Bogoljub Stojanovic, fez questbode des-
tacar a boa impressio que teve ao visitar
o laborat6rio de fotointerpreta~go do
Idesp (Instituto do Desenvolvimento Eco-
nbmico-Social do Parit). A admiraq~io ti-
nha razio de ser: em 1968 ainda niio era
comum encontrar um laborat6rio em con-
digaes de interpreter imagens produzidas
por avi~es, radares ou, em seguida, sat6-
lites.
A visit foi conduzida pelo entlio se-
cret~rio-geral do institute, Adriano Me-
nezes, que continue vivo e ativo. Jg o
Idesp foi sumariamente extinto por um
ato de impdrio do iracundo governador
Almir Gabriel, que nem deu ci~ncia pr6-
via sobre a morte matada do drglio, pio-
neiro do planejamento estadual no Bra-
sil, ao seu director na 6poca, Afonso Cher-
mont, que tamb~m continue vivo a ativo.
Numa terra de d~spotas nada escla-
recidos, as pessoas ficam e as institui-
95es se vio, ao contririo do que 6 co-
mum em sftios mais civilizados.


Para consumidores
acostumados ao
leite pasteurizado, o
leite Moga ndo tinha
kI muita
importidncia. Mas
para nds,
acostumados ao
leite industrializado,
em pd ou
condensado, como o
"Moga ", sem o
apoio de bacias
leiteiras, malfeitas
ou sabotadas, o cafe
da manha'era
impensdivel sem a
companhia desses
produtos, fabricados
pela multinational
sutga Nestld. Este
amlincio tem meio
siculo: foi veiculado
em janeiro de l953.


NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoal


Televis~io
Emn 1972
ainda era
assim: a TV
Ma rajoa ra
maonda Ia
uma equtipe
g ra var a
partida de
domingo e nra
sEgunda-
feira, a
partir das
21,50, o VT
(video-tape)
era exibido.
Comro a jogo
centre Remlo e
Sanios, do
dia~ 5 de
novemwbro,
"oDutro
brinde dia
trinrca que
mais
tracbalh~a
neste
camrpeonato
emr prol do
Ledio:
Artecon,
Eslacon e
Graci.
Apesar do
inernvalou de
2-1 horas, os
relespecrulores
vibravam~
com) as
tmransmissn'es.













propostas por pensadores como Celso Fur-
tado, a president da Repdiblica tinha o de-
ver -de gratidiio pessoal, em primeiro lugar,
e por delegagIlo de seus eleitores e concida-
ditos, em seguida de conferir prestigio ins-
titucional ao adeus a esse grande brasileiro,
mesmo que g custa de vaias, inc8modos e
constrangimentos.
Ao se ausentar deliberadamente do vel6-
rio e do sepultamento de Celso Furtado, que
morreu aos 84 anos, na semana passada, Luiz
Inicio Lula da Silva deu mais um pass na
escada que, em sentido contr~rio ao do mor-
to, est8 percorrendo. O grande economists
com sua grandeza intacta, mesmo quando
suas iddias slio deixadas de lado, e o ex-ope-
rdrio, justamente por rendincia deliberada ao
legado que constituiu sua trajetbria, negan-
do para si uma parte dessa mesma grandeza.
Se Lula faltou, os brasileiros conscientes
niio faltaram a estar ao lado para testemu-
nhar, com suali8grima, otamanho da falta que
o paraibano Celso Monteiro Furtado deixa
para os que ficam tentarem ocupar.




CARTORIO
*Waldomiro Moreira entrou comn uma
aFgo de execugho forgada contra Jos6
Carlos Pereira na comorca de A2raguai-
na, no Toc~antins. Os linicos bens patri-
moniais localizados para servir de ga-
rantia g exe~cugho foram duas glebas de
rerras em Sbi Fili x do X ingu, que forma-
ramt a Fazenda Vale do Xaddj. A penhora
foi autorizada. mas Waldomiro nso con-
seguia intimar Josi Carlos e fazer a ano-
taqiko no carrorio de registro do imdve I
para dar~prosseguimento I e'xecugho.
Seu advogado teve que ir a Sbl F-
lix;. onde obleve uma certidio compro-
vando que a propriedade continuava em
poder do exec~ulado. sem nenhuma res-
trigilo g sua transferbncia. Cinco dlias
depois. ao retirar no\ a certidso, o advo-
gado verificou, surpretso. que no livro
de registros do candrlrio passou a COnS-
tar uma escritura de compra e venda,
comn data com todos os indicios de
fraudulenta de um ano e meio antes et
de qluatro dias antes du penhora, eletu-
ada em 28 de fevereim de 2002. O imdvel
jii nilo era de Jose Carlos.
O cartcrio de Slio Filix do ;Yingu lem
se revelado uma das maiores fi~lbricas
de grilagens de terras do Pard, abrigan-
do casos terriveis, como o de Waldo-
miro Moreira. Ele recorreu no judicilirio
e a corregedora gerall de: jusliga do in-
lerior, desembargadirra Carmencin C3a-
valcantle, determinou correiglio ex traor-
dindiria puru aIpurar as irregularidades5
arribuldas. mais uma vez, ao cartorio.
Espera-se que a triste carretira desjse
caridrio chegue no fim.


nrull~tmn~


desde o fim da Segunda Guerra Mundial. E
o maior de todos os economists jB produ-
zidos no Brasil.
Independentemente da controversial que
suas iddias e posturas costumavam provo-
car, Celso Furtado era um home a respeitar
e admirar. Pela sua pessoa e pela disposiglio
permanent de servir ao pafs, respondendo a
todos os apelos e conclamagies, mesmo quan-
do, revestidas de amizade, escondiam um
golpe ardiloso. Usava-se o nome credencia-
do para proveito de quem o manejava. Ao
descobrit o artificio, Celso Furtado encontra-
va um jeito suave de sair da fria sem causar
desconforto ao companheiro de circunstin-
cias. Era um cavalheiro, um verdadeiro ho-
mem civilizado.
Niko merecia, por tudo isso, que um be-
neficibrio da sua pregaglio, como o ex-lider
operdrio Lula, faltasse ao seu sepultamen-
to. Mesmo que jB niio expressasse os con-
tornos daquela nuvem que, ainda a pouco,
viamos no ctu das teorias e pr~xis do pen-
samento humane, como uma das utopias


Os homes honestos e sibios quase sem-
pre slio cordials, alegres, tranqililos, mas tam-
b~m seguros, integros, decididos. Celso Fur-
tado se enquadrou nesse figurine. Debaixo de
tanto conhecimento e experi~ncia se abrigava
um coragilo de sertanejo, rdstico e simples,
timido, talhado na aridez apesar de tudo, fir-
til em generosidade da paraibana cidade de
Pombal. Como outros intelectuais de sua esta-
tura, niio ficou apenas na reflextio e no ensino.
Jovem, comandou o planejamento regional vi-
sando o desenvolvimento do Nordeste atra-
v~s da Sudene (que, como tese, no pr6ximo
ano completard meio sdculo de existincia).
Tanto acertou quanto errou nessa pri-
meira aventura, o que se repetiria em toda a
sua carreira de home pdiblico, com alguns
escorreg~es ditados pelo coraglio, dentre
eles o Ministdrio da Cultura no governor
Sarney, durante o qual negou a si mesmo.
Mas, em quase todos os outros mementos,
experimentou, inovou, permitiu-se ser au-
dacioso. Deixou impressa sua marca em tem-
pos tiio dificeis como os que temos vivido


Muitos anos atris a Folha de S. Paulo
desenvolveu uma campanha publicitbria a
partir da proclamagilo de que tinha "o rabo
preso com o leitor". Tratava-se, por~m, de
nada mais do que uma frase de efeito. A Fo-
lha pode viver sem esse rabo, mas nito so-
breviverb sem o outro, que estd preso ao
anunciante. Niio t que o grande journal pau-
lista seja um ventriloquo do empresariado, o
que nem sempre, nem necessariamente -6.
Mas 80% de sua receita adv~m da publicida-
de, niio da venda avulsa do jornal.
Este JP, porgm, 6 um exato journal do
leitor, um Quixote comn seu Roncinante vir-
tual. Como niio tem publicidade alguma,
depend integralmente de um linico meio
de comercializa~gio: as bancas de revista -
e uma ou outra livraria. Seu leitor tem que
ir atris do journal, ao inv~s de esper8-lo che-
gar, como faz comn outras publicaq8es, das
quais C assinante. Este journal niio tem mais
assinaturas porque niko quero correr o ris-
co de descumprir o compromisso contra-
tual com o assinante.
Tenho consci&ncia de que, nesse esque-
ma, 6 mais dificil vender journal. Mas se ele 6
fruto de um vinculo direto e absolute comn o
leitor, tenho tamb~m a expectativa de que
quem o quer 6 capaz desse sacrificio: deslo-
car-se atd uma banca de revistas ou a uma
livraria para compri-lo.
Mas hB um outro problema: o JP custa
relativamente carol. Basta compar8-lo, com
suas pobres 12 piginas, a outras publica-
q~es suntubrias (ao menos formalmente)
para se surpreender. Exatamente por isso,
entretanto, 6 que o mote de campanha da


Folha e equivalentes nito passa de retdrica:
para ser independent por inteiro, este jor-
nal abdicou da publicidade. S6 quer estar
dependent do leitor.
O problema, outro, 6 que o leitor reluta em
pagar oprego da verdadeira independ~ncia. A
rigor, nho o leitor, mas um leitor. Outro gnrpo
deles, que podia tirar verdadeiro proveito do
conteddo deste JP, usando-o como instru-
mento de agitaglio intellectual, prtipria e alheia
(porque aqui hB muitas perguntas, do que dio
prova os titulos das mat~rias), jB nito esti in-
teressado em que o jornal sobreviva.
A verdade: este journal incomoda, atrapa-
lha, complica a vida de quem, jB tendo toma-
do partido, quer tirar partido dessa defini-
glio. Por isso, recusa o "outro lado", a plura-
lidade, a alternincia, adivergencia, o didlogo
pra valer, a confrontagilo das verdades para
a demonstra~gio da razlio. Quando constato
que determinadas pessoas niio16em este jor-
nal, embora devessem 16-lo (se niio por seu
valor intrinseco, pela ausancia de alternativa
a ele, de produto equivalent ou substitute),
vejo-me obrigado a concluir que, em media
cada vez maior, o Jornal Pessoal jB nito de-
pende do seu leitor, ou do ex-leitor, do qua-
se-leitor, do nlio-leitor.
O jornal tornou-se um produto de sua tei-
mosia. Existe para dizer aos que o tentam es-
magar que continue a existir, apesar de tudo.
Nessa resistincia se manter8 at6 que nada
mais haja a fazer al~m de enrolar a bandeira e
it cantar em outra freguesia. Ou nunca mais
cantar, que os audit6rios viraram miragem.
Nesse dia, haverb apenas uma palavra a
merecer escritura: adeus. E passar bem.


Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM8RO DE 2004


Presenga e ausencia





UICENCIAMENTOS
*A CVRD jB obteve licenga de instalagio
para o novo mineroduto da region, com 230
quil~metros de extension. O duto vai trans-
portar bauxita, na forma de polpa, desde a
mina, em Paragominas, at6 a fibrica, a ser
instalada em Barcarena, em parceria com
os chineses. Trata-se de experi~ncia in~di-
ta em mat~ria de bauxita. O volume a trans-
portar poderA atingir 4,5 milhaes de tonela-
das numa primeira etapa e o dobro na fase
seguinte. O outro mineroduto, jB em opera-
gio, transport caulim.
A Vale tamb~m conseguiu licenga pr6-
via da Sectam (Secretaria de Ci~ncia,
Tecnologia e Meio Ambiente) para a la-
vra e beneficiamento da jazida de niquel
do Vermelho, em Carajbs, no municipio de
Canai dos Carajis. Mas terb que apre-
sentar estudo de impact ambiental antes
de conseguir a licenga de instalaio.
JB para o alvo de pesquisa denomina-
do Nanai Norte, em TomC-Agu, a empre-
sa ter8 que preparar apenas o Relat6tio
de Control Ambiental, nho o EIA-Rima,
muito mais complete e custoso. Sinal de
que a atividade, aos olhos da Sectam, nio
oferece maior impact ecol6gico.

OC A50
*O prefeito Edmilson Rodrigues tem me-
nos de um m~s para corrigir o rumo da
sua descida do cargo. Se a contagem
regressiva continuar como est8, ele se
exp~e a deixar a prefeitura de Beldm de
forma semelhante ao eclipse da primeira
prefeita do PT, a cearense Luiza Fonte-
nelle, que queimou o partido em Fortale-
za por duas d~cadas.
A manifestagio de protest dos came-
16s, na semana passada, contra as barra-
cas metilicas padronizadas nas quais a
PMB quer confin8-los, mostra que Edmil-
son nunca precisou de inimigos para se
desgastar. Ele foi a principal fonte de seus
inforti~nios. Autorit~rio, dispensou aconsulta
a terceiros, ignorou a sabedoria coletiva e
imp~s um modo atabalhoado e incompe-
tente de gerir a cidade, que desencadeou
conflitos permanentes, como os que ainda
existem ou est~io prestes a explodir.
Se o prefeito nio tiver recursos finan-
ceiros de algibeira e uma quantidade de gits
que parece invisivel a olho nu para reverter
a situaqio present, seu final na prefeitura
vai ter todas as caracteristicas de ocaso e
seu legado ao successor serit uma bomba
de efeito retardado. Pode explodir no colo
de Duciomar Costa, mas sobrardo estilha-
90s contra Edmilson quando ele retomar
sua carreira political. Se retomi-la.
Aldm de sacrificar Bel~m, o arquite-
to Edmilson Brito Rodrigues frustrou es-
perangas e comprometeu seu curriculo,
q ue prometi a multo mai s.


O Dibrio da Justiga publicou, nesta se-
mana, o que pode ser o maior ac6rdio da
hist6ria do judicibirio paraense, ou, pelo
menos, se algum maior foi lavrado anteri-
ormente, um dos maiores de todos os tem-
pos. Foi o ac6rdio da decisio tomada pela
2a C~mara Criminal Isolada do TJE, de res-
ponsabilidade de seu relator, desembarga-
dor R8mulo Nunes, que manteve a delibe-
raqio anterior do Tribunal do Jliri, de con-
denar o coronel M~rio Colares Pantoja (a
228 anos de prison) e o major Jos6 Maria
Oliveira (a 170 anos), da Poh'cia Militar,
como responsiveis pela morte de 19 sem-
terra e ferimentos em outros 69, em Eldo-
rado dos Carajis, no sul do Pari, em abril
de 1996. Todos os outros integrantes da tro-
pa tiveram suas absolviS~es confirmadas.
Lida com atenho, a latifundiidria ementa
suscita reflexes, independentemente de
sua consistencia t~cnica, atrelada is codi-
ficaq~es juridicas. Os dois oficiais no con-
seguiram arrastar para a lide seus dois su-
periores: o mediator, que era o entio secre-
tirio de seguranga pdblica, Paulo Sette CA-
mara, e o imediato, o governador Almir
Gabriel, em fungio do cargo tamb~m co-
mandante-em-chefe da corporaio.
Nenhuma prova foi levada aos autos. de
que o governador e seu secretirio deram a
ordem que resultou na matanga, ocorrida
hB oito anos. A cadeia de comando foi re-
constitufda a partir de Colares e Oliveira.
Se as determinaq~es, que lhes foram re-
passadas por via telef6nica, de alguma
maneira lhes deram respaldo para agirem
com trucul~ncia, por enquanto isso 6 mat6-
ria para especulagaes e interpretagaes.


Os dois militares foram condenados
por terem concorrido para as mortes na
condigio de comandantes das tropas, que
safram de MarabB e Parauapebas para
desobstruir, "de qualquer maneira", con-
forme a ordem de Sette Cimara, a PA-
279, ocupada por uma manifestaCgio de
protest do MST. Suas culpas foram re-
conhecidas pelo tribunal porque ambos
foram coniventes com o excesso na
conduta dos milicianos".
At6 af a condenaqio tem encadeamen-
to ldgico. Mas como absolver todos os l24
cabos e sargentos, que, reconhecidamen-
te, cometeram excesses? Por que nio apu-
rar e individualizar esses excesses? Por
que s6 punir os que foram co-autores, por
omissio ou coniv~ncia, enquanto os co-
autores de fato, por impulse volitivo para
o excess, foram absolvidos?
Ainda que os dois oficiais tenham se
aproveitado da ordem superior de liberar
a estrada, transformando num abre-alas o
complement "de qualquer maneira", que
liberou todos os instintos na chacina dos
19 sem-terra, s6 o mata-bord~o da tipifi-
cag~o dessa matanga num crime de rixa,
sem autoria certa, pode colocar como cul-
pados, na conta de chegada, apenas os
oficiais que estavam na operaqio.
Ou 6 isso realmente, um caso de delf-
rio sanguinirio de comando dissolvido na
tropa, onde a autoria se tornou difusa, ou
Colares e Oliveira se tornaram bodes ex-
piatbrios. Nesse caso, ao contrdirio do que
recomenda a sabedoria popular, o bom
cabrito deve berrar. Ou entio vai, cala-
do, para o abatedouro.


Mass energena
A Eletronorte conquistou, na semana pas-
sada, o terceiro contrato de energia com um
consumidor eletrointensivo. A estatal venceu
o leilio, com outros quatro concorrentes
(Chesf, Furnas, Cesp e Tractebel), para for-
necerl70 megawatts m~dios anuais g usina
de niquel que a canadense Cainco vai insta-
lar em Ourilindia do Norte, aproveitando a
jazida do Onga-Puma, no distrito mineral de
Carajis. O fornecimento deverd ser feito ao
long de 16 anos, a partir de julho de 2007.
Como cada MWh dever8 custar pouco mais
de R$ 70, o valor total do contrato 6 de 1,7
bilhio de reais (ou 620 milhaes de d61ares).
A Eletronorte, ainda neste ano, ji assinou
outros dois contratos, com as duas maiores fi-
bricas de aluminio do pafs: a Albris, em Bar-


carena, no valor de US$ 3,4 bilhaes, e com a
Alumar, em Sio Luiz do Maranhio (US$ 4
bilh~es), ambos com validade por 20 anos.
Assim, os tr~s empreendimentos eletrointen-
sivos representam energia no valor de US$ 8
bilh~es em 20 anos (US$ 400 milhTes ao ano),
o equivalent a cinco orgamentos anuais do
Estado do Pard.
O menos demandador de energia 6 o proje-
to da Cainco, mas sua unidade de produgio con-
sumirl o equivalent a dois tergos do que Be-
16m gasta de energia, no pique. O projeto Onga-
Puma, para a mineraqio de niquel e produgho
de 44 mil toneladas de ferro niquel, 6 um inves-
timento de US$ 900 milhaes. A jazida, de 104
milh~es de toneladas de mindrio lateritico, deve
ter entire 45 e 50 anos de vida litil.


Eldorado sangrento




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