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BANCO SANTOS: HIST6RIA SECRET (PAG S. 6/7) NOVEMBRO DE 2004 SA AGENDA A MAZ a N ICA DE LU~jC IO F LAV IO P INT O sa'fra: mal terminou a eleig~io para prefeito e vereador e ji comegou a campanha para governador, senador, deputa- do federal e deputado estadual no ParB. A corrida para 2006 promete ser mais disputada do que a ultima. Ao que pare- ce, esta 6 a dnica regra que os concor- rentes estio dispostos a respeitar: 6 proi- bido perder. Para isso, vale tudo. Denducia publicada hB duas semanas pela revista Istoe' sobre a exist~ncia de um caixa 2, atrav~s do qual a Cerpasa (Cervejaria Paraense S/A), uma das maiores empresas do Estado, teria desti- nado 16,5 milh~es de reais para a vitorio- contrINuA N isil2 PeSS 0 0 f tl Camnpanha jB nas ruas jd hd tiroteio entire os dois lodos que se opresentoram no novo compo de baotlho eleitoral para 2006. A guerro oindo ndio foi formalmente declaroad, mos as escaormugos sdo crescentes. Elas vd~o colocar em compos opostos Simdio jotene e joder Barbo/ho, que erom os mais recentes aliodos no politico porcense? 2 NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA JOrnal PeSSOal coTln"?il .???A... sa campanha de 2002 de Simito Jatene ao governor, em troca de favors fiscais e tributirios que seu antecessor, Almir Gabriel, ji havia concedido, e o prbprio Jatene renovaria e ampliaria, serviu, de imediato, para revelar o agrupamento de forgas no campo de batalha. A dendincia nbt 6 tit consistent e muito menos t~io nova quanto quer fa- zer parecer o texto da matiria. Mas a res- posta do governor niio foi til suficiente quanto alardeou. Inconvincente, tratou de buscar solidariedade entire politicos e em- presirios antes de desfazer cada um dos pontos da den~incia. Parece prevalecer, em ambos os lads antag8nicos, oentendimen- to de que as informaq~es slio apenas um instrument do jogo politico. Por causa desse pressuposto, nem o acusador se pre- ocupa muito em checar o que diz, nem o acusado em convencer a opinillo pdiblica da sua inoc~ncia. Tudo fica como se cada um tivesse que tomar seu partido e igno- rar o que seria mais relevant para a soci- edade: a verdade. E certo que a Cerpasa, em funciona- mento hB quase 40 anos, sempre foi tra- tada a plio de 16 por todas as administra- 95es estaduais. A justificativa para os privil~gios concedidos g empresa 6 de que ela 6 realmente local (apesar de fun- dada e controlada, at6 hoje, por alemlies), tem resistido ao voraz appetite das gran- des cervejarias nacionais (e jB nito mais tiio nacionais assim, como provam os mais recentes destines da Brahma e da An- tfirtica), criou um produto de qualidade, admirado e apreciado fora do Estado, e sem favors oficiais ji teria sucumbido, fechando postos de trabalho, interrompen- do fluxo de renda e salirio, e deixando de contribuir para a receita tributiria. Mas a verdade 6 que a Cerpa pouco on quase nada recolhe de impostos. Aldm de usufruir isenqdes e gozar de contra- partida de recursos oficiais (do Estado e da Unillo), a empresa foi sucessivas ve- zes flagrada sonegando a parcela de im- posto que lhe cabia pagar, diretamente ou como contribuinte substitute (o que ji caracteriza peculate, pois se credit o va- lor e n~io o recolhe ao erdrio). Mofam no judiciirio 11 a95es de cobranga de inde- nizac;2es e reparaCS~es de dano ao Esta- do por causa da sonega~gio de ICMS, que totalizariam mais de 100 milhaes de re- ais, sem corre~go monetiria. O Estado, que por um lado autua e process a empresa, 6 o mesmo que, com outro brago, a perdoa (em R$ 47 milhdes, na mais recent iniciativa), aba- te seu imposto (com um desconto que, na Giltima canetada, jB do governador Simlio Jatene, foi de 95%) e prorroga o prazo de frui~gio dos beneficios. O go- verno alega que faz assim com todas as empresas que sho consi- deradas merecedoras de apoio, 37 outras na ultima concessito em bloco, que b incluiu a Cerpa. Tal argument perde sua forga quando se sabe I que esses atos, mesmo pas- sando por virios escaninhos ditos t~cni- cos, s6 andam por mitos de funcionirios pliblicos. Nenhuma das instincias de tra- mitagilo dos incentives fiscais do Estado inclui gente de fora da engrenagem pi- blica. Os processes nito slio sujeitos a vistas pdblicas nem hB audiancia a qual- quer controlador externo. Nesse canto unissono e em falsete s6 se ouve a voz do governor. Desse modo, nito pode pre- sumir inocdncia: precisa prov8-la. Na nota de resposta B revista paulista, logo coadjuvada pelo legislative, o execu- tivo diz que essa political 6 ditada pela guer- ra fiscal dos Estados e pela necessidade de fazer valer os interesses locals contra os ditames da Uniiio, cada vez mais cen- tralizadora. Logo em seguida foi sugerido que por tris das denlincias sobre a pro- miscuidade entire a Cerpa e o governo pode estar o dedo da Schincariol. A cervejaria est8 instalando uma fibrica no ParB, gra- gas aos incentives que recebeu neste ano do Estado, semelhantes aos da Cerpa, na sua versit mais recent. O problema 6 que a Cervejaria Para- ense, com 40 anos de estrada, jB devia ter provado maturidade suficiente para n~io necessitar mais das muletas do governor. Se s6 se mant~m porque nbt paga impos- to, entire outras benesses, entlio sua so- brevida 6 artificial. Continue a fabricar a famosa cerpinha e a impressionar os bons paladares cervejeiros espalhados pelo pafs. Mas a conta dessa faganha, que esti sendo paga pelo contribuinte paraense, talvez tenha se tornado pesada demais. O qulio pesada ela 6, ainda nito se pode apurar. Mas a opera~gio realizada pela Policia Federal, em apoio aos 6rglios da previdencia, da justiga trabalhista e da receita, que conseguiram ordem judicial para apreender documents da empre- sa, revelou que a fraude 6 uma attitude rotineira na Cerpasa. Ela inventa pap~is e monta uma contabilidade falsa, em ope- raq~es verdadeiramente clandestinas, para sonegar impostos, descumprir obri- gag~es legals, aumentar sua receita, di- minuir seus custos e fazer amigos & in- fluenciar pessoas para ter poder. Documentos apreendidos em agosto pelos 6rglios pfiblicos federals mostram que muitos registros contgbeis da Cerpa servem de biombo para o caixa 2, utiliza- do para doar dinheiro a politicos e pesso- as influentes ou simplesmente esconder priticas marginais. Entre esses pap~is hB, de fato, o registro de um funcionirio da empresa ("num texto tr~pego", como observa Istod'), sobre decislio, que teria sido tomada em agosto de 2002, jB em plena campanha eleitoral, em reunitio com o entlio secret~irio de planejamento (e de gestlio, atualmente) Sdrgio Leho, na pre- senga do assessor especial, o ex-deputa- do Jorge Arbage (que figuraria na rela- glio de doaq~es da empresa), para aju- dar a eleger Simlio Jatene governador. Seriam R$ 3 milhdes, em seis parcelas de R$ 500 mil, como contribuigli inicial. Mas a contrapartida aos favors recebi- dos somaria, no final, R$ 16,5 milhaes. Nos pap~is, sem assinatura e sem qual- quer prova anexada, haveria a confirma- gli do pagamento de R$ 4 milhdes, di- nheiro que jB teria said dos cofres (sem- pre cheios de moeda viva) da Cerpasa. Quanto aos outros R$ 12,5 milh~es, havia apenas o compromisso assumido. Nos dois casos, nito hB nenhum rastro de como o dinheiro saiu da empresa para o caixa de campanha do candidate do PSDB ou qual- quer outro destiny indicado, como o de Arbage (quem fez a anotaglio pode ser tbl tr~pego quanto seu estilo). Se houve essa conexho, ela ainda precisar8 ser pro- vada, tarefa que cabe agora ao Minist~rio Pliblico Federal, acionado pelos procura- dores do INSS e do Ministdrio Pliblico do Trabalho a examiner a possibilidade de fazer a dendncia & justiga, a partir da re- presentagli desses 6rglios. Certamente desabar8 o manto da im- punidade, que tem coberto a Cerpasa e ocultado seus padrinhos e beneficibrios. Mas nenhuma das provas e evid~ncias recolhidas na opera~gio de apreensiio de documents da empresa 6 suficiente para afirmar, como fez a revista, que saiu di- nheiro do caixa 2 da Cerpasa para a cam- panha eleitoral de Simito Jatene, ao me- nos por enquanto. Como tamb~m pode ser que isso tenha ocorrido, os persona- gens da trama foram mais cautelosos do qune a natureza da den6ncia levaria a es- perar. O terreno pantanoso tanto serviu de estimulo para o texto sensacionalista de Istod' como para as tergiversag~es do governor e do seu aliado na resposta. O campo est8 minado e parcialmen- te oculto. Por isso, ainda 6 dificil visua- lizar o horizonte. Quem imaginaria, por exemplo, que Jader Barbalho e Simlio Jatene, aliados atC a vit6ria de Ducio- mar Costa para a prefeitura de Bel~m, contra o PT, agora estejam novamente em campos opostos? PEQ UENOT' *Messias Forte Filho tem toda razbi na sua longa pregaglio: o Sebrae precisa ser dirigido por empres~rios do segment das micro e pequenas empresas. E um contra- senso que, depois de Oswaldo Tuma, a direCio do drg~io passe para o donor da maior empresa do com~rcio varejista do ParSI (e uma das maiores do Norte e Nordeste do pafs), Fernando Yamada. O resultado desse desacerto 6 que o Sebrae acaba tendo um peso politico maior do que devia e serve de instrument a projetos pessoais, sem vantagem para as pequenas unidades econbmicas, que tanto necessitam de seu apoio t~cnico. Jornal Pessoal 2. QUINZENA NOVEM BRO DE 2004 3 Pois o journal do deputado federal do PMDB tratou de demonstrar esse antago- nismo, abrindo manchete de primeira pigi- na para anunciar a matdria de Istod', repro- duzida integralmente na ediCio dominical do Didirio do Pardi. Em seguida, o journal tratou de repercutir o assunto, dando des- taque aos que engrossaram as denduncias, embora elas tenham perdido sentido priti- co junto ao legislative com a nota de solida- riedade ao governor, assinada por 32 dos 41 deputados estaduais, dentre eles 8 do PMDB, s6 menos numerosos do que os 9 deputados do PSDB de Jatene. Ambigiiidade? Exatamente: essa tem sido a melhor estrat~gia do PMDB, nada 6tica, mas eficaz no imbito da political brasileira. Enquanto o chefe morde, os pupilos sopram? Nesse caso, qual a ra- zlio da agressividade de Jader? A volta da inclinaqio de Jatene para o lado de Almir Gabriel. Depois de ir ao aniverskrio de Jader, Jatene declarou que nada devia ao PMDB e a Jader em par- ticular, estabelecendo a condiglio para uma nova alianga visando 2006: a lide- ranga dos tucanos e uma adesito incon- dicional dos aliados. Essa nova postura indicava o acatamento is presses do antecessor, radicalmente contrdrio g re- aproxima~gio com o PMDB jaderista. Logo O Liberal, aliado do ex-gover- nador Almir Gabriel nessa cruzada, de- sencadeou mat~rias hostis ou desagra- diveis a Jader, culminando com desta- que g ameaga que pesa sobre o ex-sena- dor no Supremo Tribunal Federal, por conta de desvio (de quase um milhilo de d61ares do Banco do Estado do ParB), atrav~s de cheques administrativos de- positados na conta do entlio governador, em seu primeiro mandate. Em compen- saglio, sobre a cabega de Jatene hB a espada do Tribunal Superior Eleitoral, que ameaga cass8-lo, transferindo seu man- dato para a rec~m-eleita prefeita de San- tar~m, Maria do Carmo Martins. Em fungio dessa possibilidade, que tem seu lado t~cnico e sua circunstincia politi- ca, circulam insistentes noticias sobre um acordo entire o PMDB c o PYT para apres- sar a decision do TSE, que tamb~m pode- ria alcangar o prefeito eleito de Bel~m, Duciomar Costa, fazendo a ex-esposa de Jader, Elcione Barbalho, mudar seu assen- to da Cimara Municipal de Bel~m para o Senado Federal. E o PT se ganhar uma forga nova para o embate de 2006. Por enquanto, por~m, ao menos ofi- cialmente, that's all folk, como diziam os velhos desenhos animados america- nos. Ou, numa livre adapta~gio: tudo 6 boato, ou fofoca. Menos a representa- Cgio federal contra a Cerpa e os proces- sos no STF e no TSE. A partir desse fio da meada, muito rolo pode ser desfeito. E muita espuma tamb~m. tando uma produghio m~dia annual de 2,2 milhaes de toneladas, depois de processa- do o mindrio bruto. Nessas condiC~es, a jazida poderia abastecer uma refinaria de alumina com capacidade annual de 1 mi- lhilo de toneladas. Alguns tecnicos sus- tentam, por~m, que o dep6sito do Pitinga 6 o maior do planet, com algo em torno de 7 bilhdes de toneladas, superando e muito as reserves de Paragominas, atu- almente a maior, com 2,5 bilhbes de tone- ladas (devera entrar em operagilo em dois anos, produzindo inicialmente 4,5 milhaes de toneladas/ano), e do Trombetas, com 2 bilhaes de toneladas. O president da CVRD, Roger Agne- 111, admitiu, ao fazer o an~ncio da arrema- tapho, que a nova jazida poderia viabilizar a implantagilo de uma nova refinaria de alumina, no pr6prio Estado do Amazonas, como parte de um projeto integrado com energia hidrel~trica produzida na regilio e o potential de transport fluvial. Os estu- dos de viabilidade devertio levar at6 dois anos. Alguns acham que a Vale poderia, no final, instalar mesmo uma nova plant de aluminio, o produto final da cadeia an- tes da industrializagli, que, por enquanto, s6 6 realizada fora da Amaz~nia. Mas o destiny do mindrio, apenas na forma de bauxita lavada e seca, pode ser a nova plant de alumina, a maior do mun- do, com capacidade para produzir sete mi- lhaes de toneladas, que a CVRD vai im- plantar, em sociedade com os chineses, a partir do pr~ximo ano, em Barcarena, no Para. Essa nova fabrica ficard ao lado da Alunorte, atualmente em process de qua- se duplicapti para se tornar a maior do mundo, por enquanto, com 4,2 milh~es de toneladas. Trombetas e Paragominas nbi tim condiqdes de tender a demand des- sas duas fibricas no final da d~cada, que sera de pelo menos 24 milhdes de tonela- das de bauxita. Nlimero que dB uma iddia da dimensito do cenirio que o p6lo de alu- minio vai montar na Amazinia A Companhia Vale do Rio Doce anun- ciou, na semana passada, que superou ou- tras cinco empresas numa concorrancla international aberta pela Paranapanema para a venda de sua jazida de bauxita da regitio de Pitinga, no Amazonas, no muni- cfpio de Presidente Figueiredo, distant 250 quilbmetros de Manaus. A Vale venceu com um lance de 20 milh~es de d61ares (quase 60 milhaes de reais), pagos B vis- ta. Para ser reconhecida como compra- dora, por~m, teve que acrescentar g ofer- ta monetiria condiC~es t~cnicas de explo- raglio do dep6sito. A empresa, a maior em atividade na Amaz~nia Oriental, agora passarid a atuar na Amazinia Ocidental, esticando sua fren- te mineral por toda regibl, que deveri se tornar uma das principals produtoras inter- nacionais de mindrios. A Paranapanema, com os recursos obtidos, investirdi no de- senvolvimento de uma nova mina de esta- nho na regibl, a de Rocha Sg. A jazida de cassiterita do Pitinga, que a empresa ex- plora desde a d~cada de 80, tamb~m 6 a maior do mundo. A Paranapanema mante- ve ainda seus direitos sobre os dep6sitos de columbita, outro dos recursos minerals ji identificados na Area, que esti assumin- do a feigilo de um autantico distrito mine- ritio. Talves um novo Caraj~s. Para instalar a mina de bauxita, a CVRD deverri investor US$ 400 milh~es, metade do que sua coligada, a Mineraglio Rio do Norte, aplicou na mina do Trombe- tas, em OriximinB, no ParB, tamb~m na margem esquerda do rio Amazonas. Com produgli de 16,3 milhies de toneladas por ano, a mina do Trombetas 6 a maior do mundo. Mas alcangou seu limited m~vximo de produgho por causa das limitaqaes de acesso ao rio pelos navios graneleiros, que precisam percorrer o Trombetas at6 o porto de embarque. A Paranapanema estimou as reserves transferidas g Vale em 200 milhaes de to- neladas de mindrio de bauxita, possibili- 11a Aazonia Ucidental 4 NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoal ambiental do empreendimento, embora a minera~gio do cobre seja uma das mais poluidoras de todas. Luciano Ramos, gerente de Projetos de Mindrios Oxidados de Cobre da CVRD, informou que antes da audiancia foram re- alizadas 27 reunites pr~vias com pdblicos diversos, fator que teria contribuido "para que a comunidade se manifestasse de ma- neira clara e objetiva sobre o assunto". A boa recepg~o seria mesmo produto de co- nhecimento satisfat~rio do tema ou resul- tou da insatisfat~ria base informative para um questionamento mais profundo? Para que a pergunta possa ser bem recebida, convinha que a Vale aceitasse realizar um novo debate, em Beldm, antes de o Ibama expedir o licenciamento. Esta devia passar a ser uma condigio do pro- cesso: que pelo menos uma audiancia pi- blica seja feita na capital do Estado onde o projeto se implantari. Como 6 na capi- tal que se concentram as fontes de saber local, elas teriam que ser ouvidas para confirmar o endosso pdiblico g iniciativa, que 6 o objetivo principal das audiancias. Espera-se que a empresa e o Ibama considered a sugestlio antes de definir o licenciamento ambiental. A audi~ncia pdiblica sobre o "Projeto 1 18", com o qual a Companhia Vale do Rio Doce ird explorer a segunda das cinco jazi- das de cobre da provincia mineral de Ca- rajis, no sul do Park realizada no dia 20, no municipio de Canalidos Carajbs, "foi uma das audiancias mais tranquiilas de que par- ticipei", testemunhou Luiz Felippe Kunz Jlinior, coordenador geral de Licenciamen- to Ambiental dolIbama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Natu- rais Renoviveis) de Brasilia. Da audiancia participaram quase 400 pessoas, formando "uma comunidade extremamente participativa, respeitosa, que trouxe questionamentos sdrios e pro- fundos sobre o empreendimento e que contribuiu muito no process de licencia- mento", atestou Kunz Jlinior, segundo press-release da CVRD, praticamente antecipando o licenciamento da mina. No material que distribuiu aos presen- tes, a Vale lembra que o "118" vai pro- porcionar ao municipio 20 milhaes de d61ares (quase 60 milhdes de reais) por ano em royalties, de 800 a 1.300 empre- gos diretos na fase de implanta~gio e 400 na operaqio, ndmeros que ecoam me- lhor com a demonstragilo da viabilidade *Em 20 anos de funcionurmento. completados ne~st mts. a hidreluitria de Tucurul gerou 360 milhoes de megawatts/hora de energia. A Eletronorte futurou 35 bilhaes de reasis em valIor alualizado. A mddia e de pouco menos de RS 100 por MWh. Isto quer dizer que os 15s milhdes de habitants, no Pardi e no Mlaranhilo. atendidols pela estatal pagearam energia tres vetzes mais cara do que a tarifa concedida as duls fibricas de aluminio instaladast nos dois Estados. a Albij ras a Alumar. que. em con- juntlo, consumiram 50%~ mais energia do que os 1-5 milhbes de: cibdadios somados. Do Dro Os deputados estaduais e os presiden- a posigilo do PDT: enquanto o Ifder na tes de partidos aliados assinaram uma Assembl~ia Legislativa, deputado Luis nota official de repdidio g matdria da re- Cunha, se eximia de subscrever a nota vista Istod', sobre a relaglio de troca de para nio atingir a alianga que seu partido favors entire o governor do Estado e a mant~m com o governor federal petista, Cerpasa, atrav~s do uso de incentives fis- os outros dois deputados da bancada jun- cais, que era a reprodu~gio, comn outras tavam seu endosso is critics da nota ao palavras, da nota anterior, da administra- comportamento dos petistas estaduais, glio estadual. Teriam poupado dinheiro nito citados expressamente mas referi- pbblico simplesmente juntando suas as- dos como aqueles que, niio sabendo ven- sinaturas ao primeiro abaixo-assinado cer, ao veneer niio sabem governor, fi- compulsbrio do executive. cando a inventar motives contra os que O interessante 6 que s6 no dia seguinte os derrotaram. Como a acusaglio de que B divulgaglio da nota os parlamentares a Cerpasa, para receber tantos favors se reuniram com o governor para tomar tucanos, retribuiu comn dinheiro para as ci~ncia dos motives pelos quais tinham campanhas eleitorais do PSDB. se manifestado. Mais sugestiva ainda foi Mais "murismo", impossivel. PALAVRA *Em junho, o senador Romero JucB, do ".DBque Roran ,s uomb a inbuna za" do banqueiro Edemar Cid Ferreira, havia acabado de receber o relat6rio annual do Banco Santos, referente ao exercicio de 2003. Ao seu ver, o docu- mento nio era apenas uma prosaica prestaglio de contas, comum em cada encerramento de ano. "Mais do que isso, ele 6 o andncio e o inicio de uma 'nova era' daquele sempre respeitado e admirado estabelecimento crediticio do grande Estado de Slio Paulo". Em brevess consideraq~es", o ex- presidente da Funai (Fundagilo Nacio- nal do indio) mostrou que o Banco San- tos apresentou "invejivel crescimento: o patriminio liquid alcangou o percen- tual de 29,95%; os ativos de cr~dito, 39,67%; a captagilo total, 41,65%; as receitas operacionais, 68,91%; e a ren- tabilidade sobre o patriminio liquid, a marca de 20,53%". A Altaa administration" do Banco San- tos, por~m, niio considerava como o mais important a excel~ncia desses ndimeros, acrescentava o senador, "mas sim a equi- pe de profissionais, que lhe estlio inovan- do o jB excelso conceito". Como exem- plo, citou as providencias que a equipe de tecnologia adotou naquele ano, com "o propbsito de trazer mais transparan- cia e proximidade no relacionamento com os clientss. Contando com essa equipe "altamente especializada", o banco tam- b~m dispunha de produtos "premiados como os melhores investimentos do mer- cado", dando aos clients a oportunida- de de "acompanhar suas aplicaqdes a qualquer hora e de qualquer lugar". Pergunta-se: vocC compraria um car- ro usado do nobre senador Romero JucB? ECLUSA *Sera que desta vez a promessa de con- cluir a transposigho do rio Tocantins, atra- v~s das eclusas da hidrel~trica de Tucu- rui, niio ficar8 apenas nas palavras do pre- sidente da Repliblica? Lula prometeu, na semana passada, que a obra sera priorit8- ria no pr6ximo ano e que os 69 milh~es de reais previstos ainda para este exercicio sedio plenamente liberados. De fato, a Construtora Camargo Corria obteve, na semana passada, licenga ambiental para instalar em Tucuruf uma segunda usina de concrete. Desde a retomada dos servings nas duas eclusas estlio operando no local 39 maquinas Caterpillar. Desta vez a obra ir8 at6 o fim, previs- to para 2006, acabando com o bloqueio de 22 anos ao 250 maior rio do mundo? Cobre: nova frente abre-se em Carajjs SA BENP AR *A Chilo & Teto merece elogios pela iniciativa de recuperar, com critdrio e aplica- ~gl,, o belo e secular pr~dio na esquina da Nazard com a Quintino Bocaitiva, onde foi instalada a sede da empresa. O casadio foi construido pelo coronel Raimundo Perei- ra Brasil, o "dono" do rio Tapaj6 acima de Itaituba, controlando vastas extensbes de terras, nas quais se produzia borracha. Entre o final do sdculo XIX c o inicio do s~culo XX, a borracha, segundo item da pauta de exportaglio do Brasil, depois do caf6, era produzida exclusivamente na Amaz~nia, gerando receita imensa e investimentos como o do bisav6 da socialite Francy Brasil Meira, esposa do arquiteto Alcyr Boris Meira. Antes da Chilo & Teto adquirir o imbvel, seu proprietirio foi a Sucam, a superintendencia de campanhas m~dicas (dos herbicos e temidos "fura-dedos"), de saudosa memdria e triste fim (sob o cutelo privatizante e destruidor de Collor de Mello). Para arrematar sua obra, a empresa imobilibria podia patrocinar a ediSio de um glbum com o registro do trabalho de restauragilo e a iconografia hist6rica do pr~dio e do seu entorno, que ji foi um dos pontos mais sofisticados de Bel~m. A cidade, penhorada, agradeceria esse gesto de iluminismo. Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM BRO DE 2004 5 menta a outra, conforme seus balangos hidricos. Mas nito pode ser usada como fator de desenvolvimento pelo Estado no qual se localiza. Sintomaticamente, na ves- pera da visit de Lula, Bel~m ficou sem luz durante quase uma hora por causa de uma falha em um dispositivo de proteglio do autotransformador da principal subes- tagli da cidade, no Utinga, conforme a explicag~o official. Havia dois transforma- dores em linha (e um terceiro em manu- tenglio), capazes de suportar at6 310 MW, mas que entraram em colapso quando o consume ainda estava em 270 MW. Pode-se suspeitar que nito se tratou exa- tamente de um erro de manobra ou de uma falha mechinica, mas de uma operaglio em condig~es t~cnicas abaixo do desej~ivel por falta de equipamentos em quantidade neces- siria, que garantam a reserve adequada. Talvez a Eletronorte n~io disponha de um orgamento que lhe possibility manter uma frente de obras novas ao mesmo tempo em que opera o sistema ji existente, conforme os padres de qualidade exigidos. Para co- brir um santo, est descobrindo outro. O "outro" 6 o Pard. Em tese, uma uni- ca das quatro novas turbines seria sufici- ente para manter toda Belim iluminada. No memento do blecaute, a cidade con- sumia 280 MW, um pouco abaixo do seu pique. Mas o sistema nito agiientou a car- ga e desligou porque est8 operando no li- mite. O grosso da energia est8 sendo transferido para as duas fibricas de alu- minio (Albris, em Barcarena, e Alumar, em Stio Luis), que, juntas, representam 3% do consume brasileiro de energia (e qua- se cinco vezes o consume de Bel~m). A outra parte vai para o Nordeste. O ParB, que niio se preocupou em eni- ar demand dentro do seu territ6rio para a energia que Tucuruf iria gerar, agora, se defender desse fator, vai ter que procurar uma nova fonte para tender necessida- des mais amplas do que as residenciais. No final de 1984, quando a usina entrou em operagilo, havia condigaes de suprir pequenas usinas de ago a frio, em redu- glio direta. Hoje, sem uma fonte alternati- va (que poderia ser o g~s), o ParB vai ficar completamente de fora da hist~ria sidertir- gica que est8 sendo escrita com o mindrio de ferro existente em seus pr~prios limits. Amargo paradoxo mas a devida puniCio - para um Estado acostumado a receber prato feito, ao inv~s de mont8-lo, conforme seu gosto e necessidade. Na v~spera da chegada do general Ernesto Geisel BTransamaz~nica, 30 anos atris, para a inauguraglio do projeto Ca- navieiro Abraham Lincoln (Pacal), funci- onirios do Incra (Instituto Nacional de Colonizaglio e Reforma Agrdria) percor- reram is presses as lojas de Altamira, comprarando todo o estoque de agdicar da praga. No dia seguinte 18 estava o aglicar a espera do ato inaugural do president da Reptiblica. O general Geisel acionou a chave de partida, o agdicar foi despejado do tubo de processamento e, em seguida, ensacado. O president n~io percebeu que o aglicar era refinado, qualidade que a ve- lha usina, recondicionada como nova, nito podia alcangar. Se Geisel tivesse insistido para mais uma corrida de a96car, teria des- coberto o arranjo de dltima hora do pro- verbial jeitinho brasileiro: a montagem, em andamento, ainda nito permitia que a fi- brica funcionasse completamente. Niko foi necessirio montar uma mise- en-scdne semelhante na semana passa- da, quando o president Luiz Inicio Lula da Silva foi a Tucuruf para inaugurar qua- tro novas turbines da hidrel~trica local, a maior inteiramente national (Itaipu, qlue a supera, 6 de propriedade brasileiro-pa- raguaia, em parties iguais). Mas o desa- certo era da mesma ordem. O president nito p~de acionar as tur- binas porque a quantidade de Bgua no reservatbrio (20% do total) era insufici- ente para movimentar as 16 miquinas ji instaladas, das 23 que deverilo estar em linha nas duas casas de forga at6 o final do mandate de Lula, em 2006. Naquele memento, apenas 10 turbines estavam operando, nito a toda carga. S6 a partir de janeiro, com a intensificaqilo das chu- vas na bacia do Tocantins-Araguaia, que ocupa 10% do territ6rio brasileiro, a usi- na poder8 entrar em plena capacidade. O miximo de produgli atual 6 de 5.750 megawatts. Segundo os fartos press-re- leases distribuidos durante a solenidade, essa potincia equivale a 16 vezes o con- sumo de Bel~m, com seus 1,3 milhilo de habitantes. Mas quando a hidrel~trica che- gar ao seu teto de geragli de energia, de 8,4 mil MW (capaz de tender quase 10% do atual consume energ~tico national), esse valor representard quase 28 vezes o consume da capital paraense. Fartura energ~tica? Nada disso. Para chegar g potencia nominal, Tucuruf preci- sar8 de uma vazlio de 15 mil metros c6bi- cos de Agua por segundo. Mas a vazlio m~dia do rio Tocantins 6 "apenas" um pouco superior a 9 mil metros c~bicos. Ultrapassa a m~dia de vazbi do rio Para- ni, onde est8 a hidrel6trica de Itaipu, mas nito 6 suficiente para assegurar um fator de carga de 50%, que 6 o padrito mundial. Por causa da enorme diferenga, que pode chegar a at6 60 vezes, entire o volume de Bgua do Tocantins no m~ximo do inverno e no minimo do veriio, a potancia firme da usina, aquela disponivel o ano inteiro (gra- gas B estocagem de Agua no lago, o de maior volume do pafs, com 55 bilh~es de metros clibicos), ficar8 abaixo de 45%. Tucuruf se viabiliza comercialmente porque faz parte do sistema integrado na- cional, atrav~s do qual uma bacia comple- Titcuruf : mais energia. Mas para os outros NOVEM8RO DE 2004 2 0 QUINZENA Jornal Pessoal dor, a edifica~gio exala cosmopolitismo, gla- mour e solidez. Foi concebida para estar em harmonia com a imagem do donor, um ban- queiro ao velho estilo florentino que se transformou num mecenas das artes, um in- vestidor arrojado, ele prdprio um thzinking-tank. Nada de pequenos depositantes nos gui- ch~s ou continues pagando contas do m~s. As avenidas e compartimentos do pr~dio ser- vem ou serviam de palco para gente boni- ta, perfumada, elegant e rica. Gente colu- ntivel, como a propriettiria da Daslu, a mais badalada e cara boutique do pals, instalada bem ali perto da Paulista (e da rua Augusta, o point de outros tempos). Mas tamb~m abri- gavam burocratas, tecnocratas e politicos, que iam tratar com o doutor Edemar de di- nheiro de funds de pensilo, de repasses de prefeituras e de financiamentos de dupla miio, duplicidade que se explicava pelo sa- gaz mecanismo do banco: parte dos recursos ia para a empresa tomadora e outra parte, a da "reciprocidade", para aplicaqilo em em- presas ou funds indicados pelo banqueiro. Por coincid~ncia, alguns desses destinatriri- os das aplicaC~es eram, por vias e travessas, controlados pelo sibio banqueiro. Como ele conseguia manobrar tanto di- nheiro, desviando de seus rumos regulars? Com poder, ofcourse. Edemar Cid Ferreira cumulava seus amigos, dependents e di- gamos assim clients & associados de me- suras e gentilezas. Podiam ser atC mesmo simpless" refeiqdes, como a 61tima que ofe- receu, reunindo um seleto grupo de pessoas mais pr6ximas de seu cora~gio (se, ao con- triirio do que apregoa o brocade popular, ban- queiro tem essa parte da anatomia), com 30 lugares g mesa de um dos sofisticados sales de sua mansio do Morumbi (investimento de 80 milhies de reais, espalhado por 4.100 metros quadrados de firea construida, em cin- co andares), ao custo de 58 mil reais pelo banquet privet Quase R$ 2 mil "per capital . Qualquer que fosse o meio (o menos im- portante no caso, como jii ensinava outro florentino, Nicoll6 Machiavelli, comzme-il- faut), o doutor Edemar perpetrava faganhas no BNDES, o banco estatal que responded pela esmagadora maioria dos financiamen- tos de capital, aquele que de fato impulsio- na as inddistrias no Brasil. Embora a princi- pal fonte de dinheiro do Banco Nacional do Desenvolvimento Econ~mico e (last but not least) Social seja o FAT, o Fundo de Ampa- ro ao Trabalhador. Mas o que pouco se v& 6 trabalhador no luxuoso pr~dio do BNDES, inteligente antes que a expression fosse pespegoada a pr~dios, para desdouro de muitos de seus ocupantes. Usuilrios contumazes da instituiglio costu- mam ser empresdrios, politicos, tecnocratas, burocratas e um produto hfbrido de tudo isso, com um verniz de novidade que, sugestiva- mente, se desgastou ao entrar em contato com o poder para valer, nito s6 para estudar, admirar e invejar, B distincia: o "petista". Talvez por causa do pressuposto novida- deiro que havia nesse personagem, alguns epis6dios recentes da hist6ria brasileira niio slio devidamente avaliados. Fica-se a espe- rar que, ao cabo e ao rabo, haja uma dimen- slo moral final capaz de lustrar todos os am- bientes, limpando as sujeiras, atirando li fora as excresc~ncias acumuladas cB dentro, no ambiente das velhas e desgastadas elites mandonas. A esquerda era a porta-bandeiras do legado moral e 6tico da humanidade. Tal- vez esse patriminio fosse simb61ico, mas sem simbolos o home seria pouca coisa al~m de um animal (sem desmerecer nossos companheiros planettitios. Por isso, o Banco Santos jii estli saindo do noticitirio da grande imprensa national e muitas perguntas continuam sem resposta. O pior 6 que muitas outras sequer foram fei- tas. Sabe-se que o banqueiro Edemar Cid Ferreira, antes de sua 61tima ceia milionti- ria aos amigos in pectori, foi a Brasilia ten- tar salvar seu banco. Conversou com alguns condestilveis da Repdblica e chegou ao ga- binete do president Lula. Teria recebido promessas de alivio da situaqilo. A Repdbli- ca ainda iria maneirar diante da sangria - prbxima de desatada que estava levando o caixa do banco g anemia. Afinal, mesmo ocupando apenas a 21. po- si~giono ranking das instituiqbes financeiras, em 2002 e 2003, o Banco Santos foi um dos cinco maiores repassadores de recursos das linhas de financiamento do BNDES. Em 2003, o Banco Santos tinha um saido deve- dor no 6rgilo estatal de R$ 1,15 bilhilo, s6 inferior aos do Bradesco, Banco do Brasil, Unibanco e CNH BM, bancos muito mais poderosos, mas superior aos saldos do htad, HSBC e Banespa (ou Santander), que tam- b~m silo de maior porte. Mas hti cerca de seis meses, quando co- megaram os rumors negatives sobre a sad- de financeira do Banco Santos, o BNDES re- duziu substancialmente as operagies com o banco, a maioria das quais realizadas antes da chegada do ji despachado Carlos Lessa, o que teria contribuido para agravar a sadide do banco do doutor Edemar. Em algumas semanas, 600 milhaes de re- ais foram sacados, acabando por deixar o San- tos com patriminio liquid negative de R$ 100 milhies (s6 para abrir as portas, portanto, pre- cisaria da injeglio de R$ 700 milhies). Na un- d~cima hora, quem tratou de agir foi o presi- dente do Senado, Jos6 Sarney, que costuma transferir para si squels piada antimineima, com A fil/UeZo do 8rosil pode ser medido pelo tomonho do bu tim dos seus pir tOS. Ahistbria do Banco Santos, sob inter- 12, ilustra pedagogicamente essa moral ou falta dela. Mas essa histbria pas- sou ao largo das piginas, telas e fones da grande imprensa, mesmo quando alguns jor- nais e revistas deram destaque ao caso. Evi- taram, porim, ir aidm de superficialidades convenientes. Talvez por receio de chegar ao fundo do pogo, que pode dar em alguns dos mais poderosos ambientes invariavel- mente sofisticados da Repdiblica. O Banco Santos, fundado em 1994, 6 o que os especialistas chamam de banco de atacado. Quando foi submetido g interven- glio tinha apenas 700 clients, com dep6sito de 1,8 bilhlio de reais (e um ativo de pouco mais de R$ 6,7 bilh~es). Por esse critdrio, era apenas o 21o do pafs; um banco de se- gunda linha, a justificar a falta de melhor cobertura pela imprensa (embora com qua- se R$ 3 milhaes em invejilvel rela~gio dep6- sitol"per capital) A interven~gio federal na institui~gio, cirdirgica e isolada, nito ofere- cia perigo de "crise sistimica". Ou seja: o Banco Santos niio provocaria efeito domin6 no sistema financeiro, com a corrida de seus depositantes aos caixas para colocar em se- guranga suas poupangas. Vendido ou liquidado, o Banco Santos nito incomodar8 a mais ningu~m, exceto os dons do dinheiro congelado, g espera de autoriza~gio para sacar o que sobrar do in- candio. O rescaldo vai defender do que os t~cnicos do Banco Central apurarem de es- puma, produzida por maquilagem contiibil, sem tradu~go em dinheiro vivo. Melhor assim para os que temeram al- gum efeito bumerangue da abertura das con- tas do banco, protegidas por uma espessa camada de glac8 publicit~rio, marketing e relaF~es pdblicas, criaqilo do seu nottivel propriettirio, Edemar Cid Ferreira, de 61 anos, mas aparentando bem menos. Sobres- saltos passadio e cabegas coroadas pode- riio voltar a dormir sem a ajuda daquelas pilulas da alegria (ironicamente concebidas para diminuir o sofrimento da angbstia, an- siedade ou depression). Mas a hist6ria do Banco Santos merece um enredo melhor. A instituiglio niio tem ag~n- cias ou filiais. Cabe integralmente no seu edi- ficio-sede, um pr~dio high-tech, verdadeiro di'rnier-cri levantado na avenida Paulista, em Slio Paulo, o metro quadrado mais carol dos neg6cios brasileiros. Controlada por computa- A intervenglio no Banco Santos: uma adapta~gio: 6 solidirio, sim, mas atC o diagn6stico do cancer do amigo. Sarney sa- cou os R$ 2 milhies que diz ter recebido pela venda do antes sftio, agora fazenda Sio Jos6 do Pericumii (para quem fez a venda? Para o Banco do Brasil, ora bolas). Quem niio faria como o ex-presidente desta infeliz Repliblica, ciente da informa- glio sobre a quebradeira iminente? Mas quem, no pafs, teria essa informa~gio, a tem- po e modo? Se Sarney soube "pelo merca- do" ou "pela imprensa" (ali~s, calada, como de hibito nessas eventualidades), tudo bem. Mas, e se soube pelo pr6prio Edemar, ou, mesmo se por outro, sabendo em fun~gio do cargo pliblico que ocupa? Entlio se trata de informa~gio privilegiada. Aproveitar-se dela, se niio C crime, 6, pelo menos, imoralidade. De qualquer modo, convinha g Receita Federal estar atenta para ver se os R$ 2 mi- Thdes foram ou serlio declarados na pelo no- tivel cidadjio ao lello, para que o animal fis- cal, ao contrdrio do titulo daquela com~dia americana, nito fique vesgo. Os Sarney tim uma notivel e ji suficientemente provada ca- pacidade medidnica para dinheiro, que se materialize g tripa forra, como no caso Lun- nus rememberr Roseana, da qual o banquei- ro 6 padrinho de casamento). Mas se o doutor Sarney salvou seu di- nheirinho, mesmo sendo contraparente por afinidade do doutor Edemar (cujo patriminio cresceu como carro de F~rmula 1, por mera coincid~ncia, claro, durante os cinco anos da presid~ncia da Repliblica de Sarney), tendo como elo a figure coadjuvante ou estrelar de Alexandre Costa, outro senador da Replibli- ca pelo Maranhlio, com cuja filha, Mdrcia, o donor do Banco Santos casou, por que os po- derosos funds de pensiio deixaram seus re- cursos mofar B espera do cutelo do Banco Central? Ou niio ouviam as vozes nada sur- das do mercado ou niio liam journal. E se a iniciativa de sacar o dinheiro s6 foi possivel com o uso de informagiio privilegia- da, que se aplique a maxima da vov6 Zulmi- ra, cria~gio do imortal (mas, infelizmente, jri recambiado do nosso meio para outro me- lhor) Stanislaw Ponte Preta: ou restaure-se a moral ou todos nos locupletemos. Pois 6 isto mesmo: ou os administradores dos funds, pdiblicos e privados, e do dinhei- to das aposentadorias e outros escaninhos da miquina pdiblica, se explicam convenient e adequadamente, ou entlio que a moral desa- be sobre suas cabegas, acompanhada de quantas capitulagdes penais couberem quan- do seus procedimentos forem tipificados cri- minalmente, como deve ser. Temos o caso do nosso Banco da Ama- z~nia, por exemplo. O Basa movimentou-se no epis6dio exatamente pela contra-miio: quando o barco do Banco Santosj jfazia ggua, dando ensejo B traditional iniciativa salvaci- onista dos rats, o Basa colocava seus quatro funds (dois dos quais com 100% do seu or- gamento comprometido com o Banco San- tos, sujeitando-os a perda total, e os outros dois com aplica~gio parcial) sob a custbdia da Santos Asset Management, li mantendo os recursos at6 depois da und~cima hora. Como j ustificar essa imprevid~ncia, ou, para usar a linguagem do meio, essa falta de perspic~cia? O representante do Basa junto aos funds nito tinha acesso suficiente h contabilidade de suas pr6prias aplicap~es para poder garantir, quando a intervengio foi praticada, se havia uma margem satis- fatciria de seguranga para o retorno do di- nheiro congelado. Talvez os papdis do pr6- prio Banco Santos excedam o limited legal de 20% que podiam representar nos funds, caracterizando irregoularidade e a perda dos recursos excedentes. Esses recursos pode- riam ser um pouco mais do que o limited legal, mas tambdm podiam ser multo mais. Ao certo, ningu~m sabia. Nem o Banco Cen- tral. Muito menos o Basa. Bom, podem justificar os administrado- res do Basa: o gestor do fundo dos funcion8- rios do Banco Central (sim, exatamente: o banco interventor, com ativo de R$ 7 bilhdes) nito deixaram 18 seus R$ 34 milhies, como outros funds, expondo-se a perder dinheiro? O pr6prio PT, niio foi apanhado em calgas curtas, com os R$ 500 mil arrecadados (no total ou como saldo) na campanha pela sede prbp~ria, em Stio Paulo? E verdade. O grosso dos R$ 2,4 bilhaes de patriminio dos 86 funds administrados pela Santos Asset vinha do er~rio ou suas extens~es, de funcionirios pdiblicos ou seus representantes, pessoas fisicas e juridicas, 6tglios pdiblicos ou paraestatais. Melhor sorte, por acaso, tiveram os cli- entes do Banco do Nordeste do Brasil, tam- b~m federal. No dia 26 de agosto o BNB as- sinou acordo com o Banco Santos, envolven- do quase R$ 60 milhdes, comn os quais o ban- co privado abriria duas linhas de cr~dito aos seus clients. Mas nito houve tempo para re- passes de dinheiro, Ficou na ameaga. Sem a sombra e o sinete de homes pi- blicos, por concurso ou aderancia, dificil- mente o banco do doutor Edemar teria che- gado ao seu porte. Dificil, ali~s, 6 excess de cautela: a expression certa 6 "impossi- vel". Pode-se supor que, em principio, essa "parceria" tenha sido correta, dentro de to- das as normas banc~rias e de contabilidade pdiblica. Mas provavelmente derivou para uma promiscuidade, se niio franca e gene- ralizada, "segmentada" (para usar outro jar- glio dessa gente perfumada). Por isso, niio 6 inverossimil supor que, uma vez tornada irrecusivel a intervenglio do Banco Central, por conta dos excesses do banqueiro amigo, que "viajou na maio- nese" do poder absolute e pessoal, como diriam os mais jovens, a decision do ataque s6 veio depois de um plano de Estado-Mai- or: isolar os compartimentos, blindar (ex- pressito tornada rotineira na casta em fun- ~gio da ameba de misdria ao redor de seus palicios, como o do banqueiro no Morum- bi) as portas de acesso aos segredos, que o doutor Edemar, evidentemente, devia ter. Quem sabe, talvez, por acaso, os mai- ores gestores dos recursos, cujo nuimero cabe nos dedos das miios, niio foram "con- vencidos" a ficar im6veis, com a garan- tia de que, mais dia menos dia, por linhas retas ou tortas, o dinheiro voltard is suas bancas, tornando apenas eventual e tem- porbrio o risco de se verem interpelados, denunciados ou condenados por gestilo te- merdria (quando nito fraudulent) de pou- panga alheia? Mesmo deixando de lado essas suposi- 95es, naturalmente malivolas e mal infor- madas, fica uma question t~cnica. O prin- cipal crit~rio a ser seguido na administra- glio desses funds 6 a seguranga da apli- ca~gio. Ela niio pode estar sujeita a riscos maiores nem seguir crit~rios especulativos porque tem um horizonte muito maior. A remuneraglio oferecida pelo Banco Santos aos seus seletos clients era das me- Ihores do mercado, excepcionalmente me- lhor. Aos olhos do especialista nito escapou, 6 claro, a razlio dessa diferenga: algum me- canismo adotado i. margem das boas nor- mas bancirias (aquela "reciprocidade", que consistia em fazer o tomador do dinheiro abandar parte dele para o intermedidrio usar, por conta da generosidade do empr~stimo feito em condig6es favoriveis no banco ofi- cial, como o BNDES, do qual o Santos era agent financeiro destacado, por critdrios nada t~cnicos). O que era bom, portanto, ti- nha que durar pouco, se nenhuma manada de bois houvesse na linha e havia, e mui- ta, como ir8 mostrar o relatbrio do interven- tor do Banco Central. Mas, quando isso ocorrer, as coisas jB terilo sido normalizadas e os gatos pardos virarlio pretos. A conta ah, sim, a conta, que dinheiro niio 6 metaffsica para ser trans- formado em papel de chocolate, como no c61ebre poema do portuguis Fernando Pes- soa sera mandada a vidva, com os cum- primentos do seu advogado, o elementary element que falta para fechar essa equa- Cgio a Sherlock Holmes. E as saudaq~es da dadivosa imprensa. THE END. Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM8RO DE 2004 quem vai contar essa hist~ria? CARTAS Honseniase Lendo o Jornal Pessoal no 332, fiquel estar- recida com a estatistica da hanseniase em nosso Estado. Te parabenizo pela informa~gio. Imediatamente fui g tribune daAssembl6ia Le- gislativa e coloquei o fato em evidencia, chamando a atengli dos deputados para os assustadores dados, inclusive li trechos de teu texto, robustecendo-o com outras informaq8es que consegui. Tamb~m requeri da Secretaria Especial de Prote- gli Social, cuja titular 6 a Vice-Governadora Valdria Pires Franco, e do Secret~rio de Estado de Sadde, informacqaes sobre o que esti sendo feito para com- bater este mal, que tens razlio, 6 doenga da misiria e das condiqc~es subumanas em que vive a maioria do nosso povo. Portanto, mereceu pelo menos um ai. Lamento que a grande imprensa nbi tenha percebido a gravidade do problema, pordm fica ocompromisso de fiscalizar e monitorar as ages que sertio realiza- das ou de cobrar caso nada seja feito. Deputada Sandra Batista Aito e 0 fUZil Citada por Paraguassdi fleres, qlue relembrou a encenagdio vanguardista de Pic Nic no Front, de Francisco Arrabal, Aita Altman, na onda de remni- sobcre golp nusitaa di 16p4uebo erdane t Pard, envion de Sdo Paulo, onde mora hdi muitos anos, uma carta viva e engragada, bem ao seu estilo, sobre uma encrenca no Rio de Janeiro, onde se abrigou depois de sair atropeladamenlte de Be- Idm. Um verdadeiro testemnunho de dpoca. Oi Lucio, por lembrar do Arrabal.... Quando eu cheguei no Rio, comecei a freqilentar a UNE [Ulnidlo Nacional dos Estudantes] destrogada pelo inc~ndio, que apesar da precariedade, um cursor de teatro comegou a acontecer por 18. Logo participei de um grupo e nada mais sugestivo do que encenar Pic Nic no Front, aproveitando o cendrio da carco- mida UNE, aguardando os personagens e seu autor. E o fuzil? Tomar emprestado da banda verde- oliva seria multa provocagli. A solugi~o foi encon- trada na Casa dos Artistas, que alugava de tudo, inclusive fuzil. O Pic Nic foi ao ar em preto-e- branco. Lindbi! Primeira e dnica apresentagliopor falta de pdiblico e tamb~m por falta de convicqilo. Era muito inseguro expor nossos talents, havia a possibil dade dle nr6s sermos mal int e peaose evaporou-se. Ningutm queria arriscar mais sair na rua abragando um fuzil velho, mas o aluguel estava correndo. Entbi... No sorteio, ful a premiada. Tudo combinado. Beleza, falou uma hipona, sem grilo, irmit Deveria entregar o fuzil is 13 horas na Casa dos Artistas, Zona Norte do Rio, lugar seguro, pero no much. LB vou eu, em pleno RM beirando 68, dentro de um Bnibus, recebendo olhares de todo tipo: ousada? maluquete? guerrilheira? O motorist fez o percurso Flamengo-Meier na metade do tempo. Ele resolve nbi parar pra min- gudm. Quem sabe no ponto seguinte nbi tinha uma gemea? Em seguida, t6 18 plantada na porta da CA, esperando que abrissem a bendita, com uma cara de quem "hum! ji vi voc& num sei onde"! O meu cora- gli batia tanto! Tanto! Parecia um bumnbo. Quem me via pensava: "descaradamente bandida" para en- frentar a redentora nas barbas do Deops (o Doi/Codi estava noforno) ou..... completamente louca. Esca- pou e amnda trouxe o fuzil? E? Sei dizer que quando a porta do CA abriu, eu niio entrei, pulei pra dentro querendo esganar a balconista: "Quer acabar com a minha reputaglio, sua vadia?" JB passavam tras horas das 13 em punto de la tarde. Eu estava bamba de medo. Pre- cisei me segurar em tudo que era parede. O que a gent no ft ps lao ur e pruma ii,l nr rtg do Paraguassu Eleres, men amigo inesquecivel, Aita Altman am fazer o "acompanhamento das Sremunera~gio e das contas cor- 6cios com vistas h [sic] uma pa- e control . g "realiza~gio da Assembl~ia Ge- a da Sociedade at6 o sexto mis encerramento do exercicio", ou- as recomendagaes de Rosingela, lue "na media do possivel po- izada". A 61tima presta~gio de con- Publicidade refere-se ao exerci- recomendaglio feita por "Loloca" aprovada pela assembl~ia foi a Sum inventlrio e "avaliaglio dos sociedade niio alugados para fu- e ntre os s6cios". lo, presidida por D~a Maiorana, ada por Romulo Maiorana Jlinior. aiorana, que o representou, vo- :spaldo de 45,36% das aqT~es. As s, que o acompanharam em unis- la, Rose e Roberta), detim, cada %o, a mesma participation de Ro- Sfoi isolada ao dissentir. A ata do latada de 23 de julho, mas s6 foi a semana passada. ddo dessa ata confirm tudo que, :ito, foi publicado nested journal, :inco aqBes seguidas de Rosin- na Kzan, propostas no f6rum de ~tir de 1992, sob o pretexto de cri- honra, com base na Lei de Im- 967, uma das j6ias "Ijurfdicas" do rceglio entlio imposto pelos mili- iprias cobrangas de Rosdngela A mlios confirmam o contedido das Jornal Pessoal, 12 anos depois :mas terem sido suscitados. RE VISTA *A re vista Polichinello chega ao seu setgundo ni- mlero mlantendo-se como um laboratorio de experi- mentagikoe vaniguardla, cri- ativa e provocalit a. Coni apenas 50)0 exremplares- tem que ser procurada nos poucos pontos de: venda. Mus se afirma come uma refe~rdncia. So uma obser- vap8o: das trras vezes em que foi c~itado, a nome do artista alemlio Max Ernst apure~eu errado duas ve- zes, com girallas distrinras. Mesmo para um dadais- ta, 6 muito. Os acionistas da Delta Publicidade, em- lhe permitiri presa responsivel pela edigilo do journal O planilhas de Liberal, apreciaram, em sua ultima assembl~ia rentes dos s geral, sete recomendaqaes que a sdcia Ro- dronizagho ( singela Maiorana Kzan apresentou na as- Quanto i sembl~ia realizada em dezembro de 2001, mas ral Ordindri que niio havia sido apreciada at6 entilo. seguinte ao Rosingela nito conseguiu convencer sua tro t6pico d~ mile e seus irmlios, os outros cotistas da Del- responded q ta Publicidade, a realizar reunites trimestrais derby ser reahi da diretoria "para avaliagli e acompanhamen- tas de Delta to dos neg6cios socials". A maioria decidiu cio de 2002. que as reunites continuarlio a ser semestrais. A 6nica 1 Quanto g outra proposta, de "avaliaqilo Maiorana e dos custos e despesas", a president da as- execuglio de sembl~ia (e tambtm da Delta), D~a Maiorana, im6veis da i responded que sua filha, como diretora admi- tura partilha nistrativa da empresa, "acompanhou a redu- A reunil glio de 30% do quadro de funcion~rios e o foi secretarir journal tambtm teve seu nlimero de pigina re- Ronaldo M; duzida [sic] e tambtm deixou de circular o tou com o re journal 'O Liberal AmapB', mantendo-se em demais irmli atividades administrativas". sono (Angel Rosingela tambbm queria a "reorganiza- uma, 13,665 glio e simplificaqilo societiria, procedendo- singela, que se a extinglio, fuslio e venda de sociedades encontro 6 d controladas consideradas desnecessirias e publicada n; sobrepostas", mas sua mile informou aos O contei participants da assembl~ia (dentre os quais a esse respe nito constava a pr6pria Rosingela, que man- motive de c dou carta justificando a aus~ncia por motive gela Maiora de viagem) que a recomendagilo "nito se apli- Beltm, a par ca aDelta Publicidade S/A". me contra a D~a Maiorana replicou a Rosingela que prensa, de 1! "especificasse" outra cobranga, a "vedagilo regime de ex dos acionistas de participarem de socieda- tares. As pr6 des com objetivos identicos e afins". Man- mile e aos ir dou-a procurar, no departamento de contabi- mat~rias do lidade da empresa, os dados disponfveis, que de os problem SIR& V6I'llle 1 Uma poeira de fuligem cobriu, sujou e maltratou Barcare- na na semana passada. V~rios dias depois a origem da polui- Fgi permanece desconhecida, g espera dos laudos t~cnicos reveladores. No distrito industrial do municipio, hB quatro indlistrias de grande porte: duas de caulim, uma de alumina e uma de aluminio. Se alguma delas 6 responsivel pelo aciden- te ecolbgico, ji devia ter-se identificado. Afinal, todas exi- bem certificates ambientais de qualidade, titulo que se apli- ca tanto a priticas empresariais quanto a relagBes socials. Se nenhuma delas causou o problema, menos mal. Mas se alguma tem a ver com o caso, jogou para o espago sua credibilidade quanto g tal responsabilidade social. E a cre- dibilidade dos 6rglios pdiblicos, que parecem vir a reboque das empresas ou delas s6, estlio conseguindo se dissociar tardiamente. De qualquer maneira, a gestlio dos interesses pdblicos numa drea tilo important j8 esti a desejar, hoje. O que dizer do amanhli, quando a capacidade de produglio desse p6lo indus- trial, numa delicada region estuarina, estiver multiplicada? NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoul L1SS8IlSao rami11ar nfO 8 uP OH L* ra Os decretos assinados no dia 8 pelo pre- sidente Lula, que criaram as reserves extrati- vistas de Verde para Sempre e Riozinho do Anfrisio, no vale do Xingu, no ParB, numa Brea conjunta de dois milh8es de hectares (ver Jornal Pessoal 333), cont~m uma novi- dade em relaglio aos atos de criaglio das uni- dades de conserva~gio anteriores: passaram a exigir a autoriza~gio do legislative para a execu~gio de desapropriaq~es de imdveis si- tuados em terras de dominio do Estado. Os decretos s6 foram assinados depois da in- clustio desse novo artigo, exigido pelo Palii- dio do Planalto, dividido entire a presslo do Ministdrio do Meio Ambiente e das ONG ambientalistas pelas reserves e de vdrios seg- mentos, dentro e fora do governor, contra elas. Al guns interpretadores sustentam que nto se trata, no entanto, realmente, de uma novi- dade, uma concesslio do executive ao legisla- tivo. Essa seria uma velha imposi~gio legal, de um decreto-lei -o 3.365 -de 1941, que regula- menta a desapropriaglio por utilidade pdiblica, caso das Unidades de Conserva~gio. A introduglio desse artigo nos b1timos decretos possibilitaria a inclusion das terras estaduais nas reserves extrativistas, ampli- ando assim as suas extens~es. Na situalio anterior, a presenga de terras dos Estados nas unidades de conserva~go dependia de um acordo formal pr~vio com as Assembl~ias Legislativas de cada Estado atingido. Assi- nado o acordo, a desapropria~gio podia ser efetivada sem problems. Mas sem o enten- dimento bilateral, as terras teriam simplesmen- te que ser excluidas da reserve. Agora, basta- ria obter a aprovaglio do legislative para su- prir a exig~ncia. Mas qual legislative? Os Estados, a come- gar pelo Pard, o primeiro a servir de campo de experiencia para ainovagli, sustentadio, 6cla- ro, que a audi~ncia tem que ser feita is Assem- bltias Legislativas. No caso paraense, esse ca- minho est8 bloqueado. AAssembl~ia Legislati- va estadual, secundando o governo, ji se ma- nifestou em favor de outro uso para a grea que Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM8RO DE 2004 Reservas extrativistas: RE"BLIANISMO *Algum mecanismo devia ser criado para pre- parar os homes pdiblicos. Podia ser condici- onar o registro do candidate B apresenta~gio do diploma de conclusito de um cursor numa escola de governo, por exemplo. Ou s6 per- mitir a reeleiglio se, ao long do primeiro man- dato, o politico tiver feito esse cursor, cujo curriculo seria aj ustado para que o aluno pu- desse conhecer a causa pliblica e se tornar seu defensor. Niio apenas por question moral ou 6tica, mas tamb~m para ter acesso gs fer- ramentas da gestHo da coisa pliblica. Escola de republicanismo, como hoje se diz, recician- do mas repetindo os velhos conceitos dos romanos adaptados por geraqbes poste- riores, att nossos dias. O president Lula nito recebeu uma boa educaqIlo. Disso deu prova sua ji tiio comen- tada attitude durante a visit g hidrelttrica de Tucuruf: depois de consumer o bombom que lhe foi presenteado, disfargon e atirou ao chilo o inv61ucro. Esse 6 o comportamento padrlio do brasileiro (6 chocante ver como se come g mesa de restaurants, inclusive nos ditos gril- finos), por falta de boa educa~gio, daquele tipo de educaqio, agora tornada anacranica, mas que, como contraponto is suas muitas defici- Cncias, tinha certo zelo pela formaglio do cida- diio complete (nlio s6 o defensor dos direitos humans, na sua boa dimensilo de res plibli- ca, mas tambbm das prerrogativas intransferi- velmente pessoais). O problema 6 que todos estlio de olho na autoridade maxima do pafs. Ela serve tanto de bom como de mau exemplo. Por isso, forma ou deforma attitudes. Como pessoa, Lula tem todo direito de ser como 6, simples e atC descuidado, quan- do na intimidade. Como president, n~io. Se hB assessor para recomendar a pequena ci- rurgia pl~stica, o novo corte de cabelo e as gravatas deslumbrantes, devia haver algudm perto para antecipar-lbe o gesto e oferecer- se para receber o papel do bombom antes do ato se completar, desencadeando uma onda de preconceitos, incompreensdes, intoleriln- cias e tamb~m justas reprovagaes. Mas nito s6 esse o pecadilho presiden- cial em Tucuruf. Houve outro, mais grave, ainda que venial, segundo a doutrina da religillo com a qual Lula se identificou (ou se identificava). O president niio estava no enorme sallio da usina quando a minis- tra das Minas e Energia, discursando, fez refer~ncia a ele, cumprimentando-o. Quan- do Lula voltou do banheiro, devidamente penteado e refrescado, Dilma Roussef jB estava em outro period da ora~gio. Um pouco mais de discipline por parte do pre- sidente teria poupado sua ministry do cons- trangimento de ser interpretada como cha- ta. Ou prosaica puxa-saco. Como tudo indica qlue Lula vai disputar a reelei~gio, seria bom que ele, dando o bom exemplo desta vez, inaugurasse a nova pril- tica republican: freqiientando um cursor de forma~go de home pdiblico, mesmo que simbolicamente, para niio prejudicar seus estafantes afazeres presidenciais. Todos iam ganhar. A maltratada Repliblica, mais do que todos. HO cmnOC nito na forma de reserve extmativista. Sem a com- pleta desapropriagli dos imbveis particulares eventualmente existentes na Brea sob jurisdi- glo do Estado, a Unitio n~io poderia registrar essas terras em seu nome e emitir a concessio de uso para os moradores tradicionais, que 6 o objetivo do projeto. A reserve existiria apenas parcialmente ou nunca sairia do papel. Contra os que jB manifestam seu ceticis- mo em relaqilo B iniciativa ou a hostilizam, os patrocinadores das reserves sustentam que o legislative a ser ouvido 6 o federal e nho o estadual, j8 que o poder expropriante 6 fede- ral e nito estadual. Independentemente des- sa controversial, que esta long da exaustlio, o MMA sustenta que a dependencia do refe- rendo do legislative niio prejudicard a exis- t~ncia das reserves: como o uso das terras ji foi definido, nenhuma modificaglio poderi ser mais feita, nem mesmo atrav~s do process de transfer~ncia de propriedade das terras. Criadas as reserves, o lbama jB estaria apto a proceder "todas as medidas necessirias para implant8-las e controlar o uso de seus recur- sos na forma do previsto pela Lei que insti- tuiu o Sistema Nacional de Unidades de Con- serva~gio". O process legal de regularizalio da propriedade das terras correr8 paralelamen- te, mas sem criar depend~ncia para com a destinagilo da grea para o uso de suas popu- laC5es tradicionais. Essa 6 a posi~gio do mi- nisttrio, mas niio partilhada unanimemente por outras instincias, multo pelo contrbrio. Essa Cuma divida sdria, mas nhod a nica. A minister Marina Silva declarou que as Resex ser- virliio de instrument de combat g grilagem de terras, que avanga c61ere no vale do Xingu, vi- sando principalmente suas concentraq~es de mogno, o produto de maior valor atualmente na Amaz~nia. Examinando o mapa da regilio e ob- servando que olimite sulda reserve Riozinho do Anfrfsio, com pouco mais de 700 mil hectares, coincide com odeclarado limited norte da"Cecio- lIndia", a grilagem, 10 vezes maior, da C. R. Al- meida, fica-se na dlivda: quem engolirliquem? A resposta, com quem pode d8-la. ne t J SLI L- *O juiz Antdnio Carlos Campelo, no exercicio da 4" vara da justiga federal, em Beldm, mandou arquivar os processes instaurados contra Marlene Corr~a da Silva, Sdrgio Duboc Moreira, C61io Micola Rente e Paulo Roberto Nery, indiciados por irregularidades na concession e liberargio de financiamento dos incentives fiscais, concedido B Companhia de Mecaniza~go da Amaz8nia pela Sudam, da qual eram funcion~rios. O pr~prio Minist~rio Pliblico Federal pediu o arquivamento, convencido de que os erros cometidos na tramita~gio do projeto pela ainda moribunda Superintend~ncia do Desenvolvi- mento da Amazbnia nito caracterizaram dolo nem permitiam "inferir a liga~gio dos servidores & quadrilha fraudadora da Sudam". Ao que parece, a justiga est8 tratando de separar o joio do trigo no meio do torvelinho de corrupIlo e improbidade que arrastou a Sudam para o precipicio. Infelizmente, depois do desta- que dado ao joio, a apura~glo do trigo 6 feita g distincia do conhecimento da opiniiio pliblica, para oprbbrio dos t~cnicos capazes e corretos que sempre houve na Sudam, apesar de tudo. FQTOGRAFIA Onbu Quem ainda se lembra dos Gnibus que antigamente circulavam pelas ruas de Bel~m, com carroceria montada (aqui mesmo) sobre chassis de caminhio? Pois aqui, em 1970, est8 um deles. Numa de suas cenas mais comuns: no "prego". Sandslias Pode-se at6 nio acreditar agora, mas em 1962 sandilias japonesas valiam o sufi- ciente para justificar seu contrabando. Mil pares, acondicionados em seis caixas, estavam prontos para serem despacha- dos para o sul do pafs quando foram apre- endidos por dois fiscais aduaneiros no aeroporto de Val-de-Cans e levados para o dep6sito da Guarda-Moria, onde ficari- am atC o dia do leilio. Telegramas Nos dois meses seguintes abril e maio - ao golpe military de 1964, o governor do ParB transmitiu muitos telegramas atra- v~s da ag~ncia de Beldm da Western Telegraph Company, principalmente para o marechal Castelo Branco e seus mi- nistros, que haviam ocupado a presidan- cia da Repdblica no lugar de Joho Gou- lart -de apoio, evidentementeto gover- nador Aurdlio do Carmo seria deposto em junho). A conta dos telegramas s6 foi paga g empresa inglesa tris anos depois, jB na administraqIio do tenente-coronel Alacid Nunes, o segundo governador do ciclo do regime military successorr do coronel Jar- bas Passarinho). Institute No dia 30 de margo de 1967 a Fundagio Sesp (Servigo Especial de Sad~de), do governor federal, comprou o Instituto Evandro Chagas, com seu belo pr~dio, C3 ~ ~)~;~L C~Z~3 CC~s C=3 ~ ~2*=S ~C3 c~ F em amplo terreno, na avenida Almirante Barroso. Pagou B antiga proprietiria, a Secretaria de Satide do Estado, 80 mil cruzeiros novos. Metade do dinheiro foi reservada para a implantagio do servigo de Agua da Vi- gia e a outra metade para a construghio de quatro resid~ncias para medicos em Ca- choeira do Arari e Soure, na ilha do Mara- j6, e para Monte Alegre e Alenquer, no Baixo Amazonas. O "Evandro Chagas" tornou-se uma das principals instituiq~es de pesquisa de doengas tropicais do pais, refer~ncia mundial sobre o assunto. Idesp O embaixador da lugoslivia no Brasil, Bogoljub Stojanovic, fez questbode des- tacar a boa impressio que teve ao visitar o laborat6rio de fotointerpreta~go do Idesp (Instituto do Desenvolvimento Eco- nbmico-Social do Parit). A admiraq~io ti- nha razio de ser: em 1968 ainda niio era comum encontrar um laborat6rio em con- digaes de interpreter imagens produzidas por avi~es, radares ou, em seguida, sat6- lites. A visit foi conduzida pelo entlio se- cret~rio-geral do institute, Adriano Me- nezes, que continue vivo e ativo. Jg o Idesp foi sumariamente extinto por um ato de impdrio do iracundo governador Almir Gabriel, que nem deu ci~ncia pr6- via sobre a morte matada do drglio, pio- neiro do planejamento estadual no Bra- sil, ao seu director na 6poca, Afonso Cher- mont, que tamb~m continue vivo a ativo. Numa terra de d~spotas nada escla- recidos, as pessoas ficam e as institui- 95es se vio, ao contririo do que 6 co- mum em sftios mais civilizados. Para consumidores acostumados ao leite pasteurizado, o leite Moga ndo tinha kI muita importidncia. Mas para nds, acostumados ao leite industrializado, em pd ou condensado, como o "Moga ", sem o apoio de bacias leiteiras, malfeitas ou sabotadas, o cafe da manha'era impensdivel sem a companhia desses produtos, fabricados pela multinational sutga Nestld. Este amlincio tem meio siculo: foi veiculado em janeiro de l953. NOVEM8RO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoal Televis~io Emn 1972 ainda era assim: a TV Ma rajoa ra maonda Ia uma equtipe g ra var a partida de domingo e nra sEgunda- feira, a partir das 21,50, o VT (video-tape) era exibido. Comro a jogo centre Remlo e Sanios, do dia~ 5 de novemwbro, "oDutro brinde dia trinrca que mais tracbalh~a neste camrpeonato emr prol do Ledio: Artecon, Eslacon e Graci. Apesar do inernvalou de 2-1 horas, os relespecrulores vibravam~ com) as tmransmissn'es. propostas por pensadores como Celso Fur- tado, a president da Repdiblica tinha o de- ver -de gratidiio pessoal, em primeiro lugar, e por delegagIlo de seus eleitores e concida- ditos, em seguida de conferir prestigio ins- titucional ao adeus a esse grande brasileiro, mesmo que g custa de vaias, inc8modos e constrangimentos. Ao se ausentar deliberadamente do vel6- rio e do sepultamento de Celso Furtado, que morreu aos 84 anos, na semana passada, Luiz Inicio Lula da Silva deu mais um pass na escada que, em sentido contr~rio ao do mor- to, est8 percorrendo. O grande economists com sua grandeza intacta, mesmo quando suas iddias slio deixadas de lado, e o ex-ope- rdrio, justamente por rendincia deliberada ao legado que constituiu sua trajetbria, negan- do para si uma parte dessa mesma grandeza. Se Lula faltou, os brasileiros conscientes niio faltaram a estar ao lado para testemu- nhar, com suali8grima, otamanho da falta que o paraibano Celso Monteiro Furtado deixa para os que ficam tentarem ocupar. CARTORIO *Waldomiro Moreira entrou comn uma aFgo de execugho forgada contra Jos6 Carlos Pereira na comorca de A2raguai- na, no Toc~antins. Os linicos bens patri- moniais localizados para servir de ga- rantia g exe~cugho foram duas glebas de rerras em Sbi Fili x do X ingu, que forma- ramt a Fazenda Vale do Xaddj. A penhora foi autorizada. mas Waldomiro nso con- seguia intimar Josi Carlos e fazer a ano- taqiko no carrorio de registro do imdve I para dar~prosseguimento I e'xecugho. Seu advogado teve que ir a Sbl F- lix;. onde obleve uma certidio compro- vando que a propriedade continuava em poder do exec~ulado. sem nenhuma res- trigilo g sua transferbncia. Cinco dlias depois. ao retirar no\ a certidso, o advo- gado verificou, surpretso. que no livro de registros do candrlrio passou a COnS- tar uma escritura de compra e venda, comn data com todos os indicios de fraudulenta de um ano e meio antes et de qluatro dias antes du penhora, eletu- ada em 28 de fevereim de 2002. O imdvel jii nilo era de Jose Carlos. O cartcrio de Slio Filix do ;Yingu lem se revelado uma das maiores fi~lbricas de grilagens de terras do Pard, abrigan- do casos terriveis, como o de Waldo- miro Moreira. Ele recorreu no judicilirio e a corregedora gerall de: jusliga do in- lerior, desembargadirra Carmencin C3a- valcantle, determinou correiglio ex traor- dindiria puru aIpurar as irregularidades5 arribuldas. mais uma vez, ao cartorio. Espera-se que a triste carretira desjse caridrio chegue no fim. nrull~tmn~ desde o fim da Segunda Guerra Mundial. E o maior de todos os economists jB produ- zidos no Brasil. Independentemente da controversial que suas iddias e posturas costumavam provo- car, Celso Furtado era um home a respeitar e admirar. Pela sua pessoa e pela disposiglio permanent de servir ao pafs, respondendo a todos os apelos e conclamagies, mesmo quan- do, revestidas de amizade, escondiam um golpe ardiloso. Usava-se o nome credencia- do para proveito de quem o manejava. Ao descobrit o artificio, Celso Furtado encontra- va um jeito suave de sair da fria sem causar desconforto ao companheiro de circunstin- cias. Era um cavalheiro, um verdadeiro ho- mem civilizado. Niko merecia, por tudo isso, que um be- neficibrio da sua pregaglio, como o ex-lider operdrio Lula, faltasse ao seu sepultamen- to. Mesmo que jB niio expressasse os con- tornos daquela nuvem que, ainda a pouco, viamos no ctu das teorias e pr~xis do pen- samento humane, como uma das utopias Os homes honestos e sibios quase sem- pre slio cordials, alegres, tranqililos, mas tam- b~m seguros, integros, decididos. Celso Fur- tado se enquadrou nesse figurine. Debaixo de tanto conhecimento e experi~ncia se abrigava um coragilo de sertanejo, rdstico e simples, timido, talhado na aridez apesar de tudo, fir- til em generosidade da paraibana cidade de Pombal. Como outros intelectuais de sua esta- tura, niio ficou apenas na reflextio e no ensino. Jovem, comandou o planejamento regional vi- sando o desenvolvimento do Nordeste atra- v~s da Sudene (que, como tese, no pr6ximo ano completard meio sdculo de existincia). Tanto acertou quanto errou nessa pri- meira aventura, o que se repetiria em toda a sua carreira de home pdiblico, com alguns escorreg~es ditados pelo coraglio, dentre eles o Ministdrio da Cultura no governor Sarney, durante o qual negou a si mesmo. Mas, em quase todos os outros mementos, experimentou, inovou, permitiu-se ser au- dacioso. Deixou impressa sua marca em tem- pos tiio dificeis como os que temos vivido Muitos anos atris a Folha de S. Paulo desenvolveu uma campanha publicitbria a partir da proclamagilo de que tinha "o rabo preso com o leitor". Tratava-se, por~m, de nada mais do que uma frase de efeito. A Fo- lha pode viver sem esse rabo, mas nito so- breviverb sem o outro, que estd preso ao anunciante. Niio t que o grande journal pau- lista seja um ventriloquo do empresariado, o que nem sempre, nem necessariamente -6. Mas 80% de sua receita adv~m da publicida- de, niio da venda avulsa do jornal. Este JP, porgm, 6 um exato journal do leitor, um Quixote comn seu Roncinante vir- tual. Como niio tem publicidade alguma, depend integralmente de um linico meio de comercializa~gio: as bancas de revista - e uma ou outra livraria. Seu leitor tem que ir atris do journal, ao inv~s de esper8-lo che- gar, como faz comn outras publicaq8es, das quais C assinante. Este journal niio tem mais assinaturas porque niko quero correr o ris- co de descumprir o compromisso contra- tual com o assinante. Tenho consci&ncia de que, nesse esque- ma, 6 mais dificil vender journal. Mas se ele 6 fruto de um vinculo direto e absolute comn o leitor, tenho tamb~m a expectativa de que quem o quer 6 capaz desse sacrificio: deslo- car-se atd uma banca de revistas ou a uma livraria para compri-lo. Mas hB um outro problema: o JP custa relativamente carol. Basta compar8-lo, com suas pobres 12 piginas, a outras publica- q~es suntubrias (ao menos formalmente) para se surpreender. Exatamente por isso, entretanto, 6 que o mote de campanha da Folha e equivalentes nito passa de retdrica: para ser independent por inteiro, este jor- nal abdicou da publicidade. S6 quer estar dependent do leitor. O problema, outro, 6 que o leitor reluta em pagar oprego da verdadeira independ~ncia. A rigor, nho o leitor, mas um leitor. Outro gnrpo deles, que podia tirar verdadeiro proveito do conteddo deste JP, usando-o como instru- mento de agitaglio intellectual, prtipria e alheia (porque aqui hB muitas perguntas, do que dio prova os titulos das mat~rias), jB nito esti in- teressado em que o jornal sobreviva. A verdade: este journal incomoda, atrapa- lha, complica a vida de quem, jB tendo toma- do partido, quer tirar partido dessa defini- glio. Por isso, recusa o "outro lado", a plura- lidade, a alternincia, adivergencia, o didlogo pra valer, a confrontagilo das verdades para a demonstra~gio da razlio. Quando constato que determinadas pessoas niio16em este jor- nal, embora devessem 16-lo (se niio por seu valor intrinseco, pela ausancia de alternativa a ele, de produto equivalent ou substitute), vejo-me obrigado a concluir que, em media cada vez maior, o Jornal Pessoal jB nito de- pende do seu leitor, ou do ex-leitor, do qua- se-leitor, do nlio-leitor. O jornal tornou-se um produto de sua tei- mosia. Existe para dizer aos que o tentam es- magar que continue a existir, apesar de tudo. Nessa resistincia se manter8 at6 que nada mais haja a fazer al~m de enrolar a bandeira e it cantar em outra freguesia. Ou nunca mais cantar, que os audit6rios viraram miragem. Nesse dia, haverb apenas uma palavra a merecer escritura: adeus. E passar bem. Jornal Pessoal 2 QUINZENA NOVEM8RO DE 2004 Presenga e ausencia UICENCIAMENTOS *A CVRD jB obteve licenga de instalagio para o novo mineroduto da region, com 230 quil~metros de extension. O duto vai trans- portar bauxita, na forma de polpa, desde a mina, em Paragominas, at6 a fibrica, a ser instalada em Barcarena, em parceria com os chineses. Trata-se de experi~ncia in~di- ta em mat~ria de bauxita. O volume a trans- portar poderA atingir 4,5 milhaes de tonela- das numa primeira etapa e o dobro na fase seguinte. O outro mineroduto, jB em opera- gio, transport caulim. A Vale tamb~m conseguiu licenga pr6- via da Sectam (Secretaria de Ci~ncia, Tecnologia e Meio Ambiente) para a la- vra e beneficiamento da jazida de niquel do Vermelho, em Carajbs, no municipio de Canai dos Carajis. Mas terb que apre- sentar estudo de impact ambiental antes de conseguir a licenga de instalaio. JB para o alvo de pesquisa denomina- do Nanai Norte, em TomC-Agu, a empre- sa ter8 que preparar apenas o Relat6tio de Control Ambiental, nho o EIA-Rima, muito mais complete e custoso. Sinal de que a atividade, aos olhos da Sectam, nio oferece maior impact ecol6gico. OC A50 *O prefeito Edmilson Rodrigues tem me- nos de um m~s para corrigir o rumo da sua descida do cargo. Se a contagem regressiva continuar como est8, ele se exp~e a deixar a prefeitura de Beldm de forma semelhante ao eclipse da primeira prefeita do PT, a cearense Luiza Fonte- nelle, que queimou o partido em Fortale- za por duas d~cadas. A manifestagio de protest dos came- 16s, na semana passada, contra as barra- cas metilicas padronizadas nas quais a PMB quer confin8-los, mostra que Edmil- son nunca precisou de inimigos para se desgastar. Ele foi a principal fonte de seus inforti~nios. Autorit~rio, dispensou aconsulta a terceiros, ignorou a sabedoria coletiva e imp~s um modo atabalhoado e incompe- tente de gerir a cidade, que desencadeou conflitos permanentes, como os que ainda existem ou est~io prestes a explodir. Se o prefeito nio tiver recursos finan- ceiros de algibeira e uma quantidade de gits que parece invisivel a olho nu para reverter a situaqio present, seu final na prefeitura vai ter todas as caracteristicas de ocaso e seu legado ao successor serit uma bomba de efeito retardado. Pode explodir no colo de Duciomar Costa, mas sobrardo estilha- 90s contra Edmilson quando ele retomar sua carreira political. Se retomi-la. Aldm de sacrificar Bel~m, o arquite- to Edmilson Brito Rodrigues frustrou es- perangas e comprometeu seu curriculo, q ue prometi a multo mai s. O Dibrio da Justiga publicou, nesta se- mana, o que pode ser o maior ac6rdio da hist6ria do judicibirio paraense, ou, pelo menos, se algum maior foi lavrado anteri- ormente, um dos maiores de todos os tem- pos. Foi o ac6rdio da decisio tomada pela 2a C~mara Criminal Isolada do TJE, de res- ponsabilidade de seu relator, desembarga- dor R8mulo Nunes, que manteve a delibe- raqio anterior do Tribunal do Jliri, de con- denar o coronel M~rio Colares Pantoja (a 228 anos de prison) e o major Jos6 Maria Oliveira (a 170 anos), da Poh'cia Militar, como responsiveis pela morte de 19 sem- terra e ferimentos em outros 69, em Eldo- rado dos Carajis, no sul do Pari, em abril de 1996. Todos os outros integrantes da tro- pa tiveram suas absolviS~es confirmadas. Lida com atenho, a latifundiidria ementa suscita reflexes, independentemente de sua consistencia t~cnica, atrelada is codi- ficaq~es juridicas. Os dois oficiais no con- seguiram arrastar para a lide seus dois su- periores: o mediator, que era o entio secre- tirio de seguranga pdblica, Paulo Sette CA- mara, e o imediato, o governador Almir Gabriel, em fungio do cargo tamb~m co- mandante-em-chefe da corporaio. Nenhuma prova foi levada aos autos. de que o governador e seu secretirio deram a ordem que resultou na matanga, ocorrida hB oito anos. A cadeia de comando foi re- constitufda a partir de Colares e Oliveira. Se as determinaq~es, que lhes foram re- passadas por via telef6nica, de alguma maneira lhes deram respaldo para agirem com trucul~ncia, por enquanto isso 6 mat6- ria para especulagaes e interpretagaes. Os dois militares foram condenados por terem concorrido para as mortes na condigio de comandantes das tropas, que safram de MarabB e Parauapebas para desobstruir, "de qualquer maneira", con- forme a ordem de Sette Cimara, a PA- 279, ocupada por uma manifestaCgio de protest do MST. Suas culpas foram re- conhecidas pelo tribunal porque ambos foram coniventes com o excesso na conduta dos milicianos". At6 af a condenaqio tem encadeamen- to ldgico. Mas como absolver todos os l24 cabos e sargentos, que, reconhecidamen- te, cometeram excesses? Por que nio apu- rar e individualizar esses excesses? Por que s6 punir os que foram co-autores, por omissio ou coniv~ncia, enquanto os co- autores de fato, por impulse volitivo para o excess, foram absolvidos? Ainda que os dois oficiais tenham se aproveitado da ordem superior de liberar a estrada, transformando num abre-alas o complement "de qualquer maneira", que liberou todos os instintos na chacina dos 19 sem-terra, s6 o mata-bord~o da tipifi- cag~o dessa matanga num crime de rixa, sem autoria certa, pode colocar como cul- pados, na conta de chegada, apenas os oficiais que estavam na operaqio. Ou 6 isso realmente, um caso de delf- rio sanguinirio de comando dissolvido na tropa, onde a autoria se tornou difusa, ou Colares e Oliveira se tornaram bodes ex- piatbrios. Nesse caso, ao contrdirio do que recomenda a sabedoria popular, o bom cabrito deve berrar. Ou entio vai, cala- do, para o abatedouro. Mass energena A Eletronorte conquistou, na semana pas- sada, o terceiro contrato de energia com um consumidor eletrointensivo. A estatal venceu o leilio, com outros quatro concorrentes (Chesf, Furnas, Cesp e Tractebel), para for- necerl70 megawatts m~dios anuais g usina de niquel que a canadense Cainco vai insta- lar em Ourilindia do Norte, aproveitando a jazida do Onga-Puma, no distrito mineral de Carajis. O fornecimento deverd ser feito ao long de 16 anos, a partir de julho de 2007. Como cada MWh dever8 custar pouco mais de R$ 70, o valor total do contrato 6 de 1,7 bilhio de reais (ou 620 milhaes de d61ares). A Eletronorte, ainda neste ano, ji assinou outros dois contratos, com as duas maiores fi- bricas de aluminio do pafs: a Albris, em Bar- carena, no valor de US$ 3,4 bilhaes, e com a Alumar, em Sio Luiz do Maranhio (US$ 4 bilh~es), ambos com validade por 20 anos. Assim, os tr~s empreendimentos eletrointen- sivos representam energia no valor de US$ 8 bilh~es em 20 anos (US$ 400 milhTes ao ano), o equivalent a cinco orgamentos anuais do Estado do Pard. O menos demandador de energia 6 o proje- to da Cainco, mas sua unidade de produgio con- sumirl o equivalent a dois tergos do que Be- 16m gasta de energia, no pique. O projeto Onga- Puma, para a mineraqio de niquel e produgho de 44 mil toneladas de ferro niquel, 6 um inves- timento de US$ 900 milhaes. A jazida, de 104 milh~es de toneladas de mindrio lateritico, deve ter entire 45 e 50 anos de vida litil. Eldorado sangrento |
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