Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00275


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ornal


Pessoal


OUTUBRO DE 2004
Ia QUINZENA
N0 331 ANO XVIII
R$3,00


SA AGENDA AMAZONICA DE LUC IO FLAVIO PINTO


ELEICAO


Quem ganhou


perdeu


Quase todos gonhoram um pouco e perderam urn pouco no eleigdo deste ano. 0 poder estd
distribuido entire mais gente do que ontes, mas pode ficor novomente polarizado a partir do
primeiro dio do pr6ximo ano, quando serd dodo o tiro de largada paro mais uma corrida eleitoral.
Aquela na qual estiveram mirando cor um olho todos os que disputaram os mandates neste ano.


os 10 partidos que elege-
ram prefeitos na tiltima
eleiqCo, quatro PMBD,
PTB, PSDB e PT pas-
saram a controlar 104
dos 143 municipios paraenses. Divi-
diram entire eles, portanto, mais de
dois terqos das administraq6es muni-
cipais do Pard. Pelo total (654 mil) e


a proporqao (21,24%) de votos, o
PMDB foi o maior vitorioso, mesmo
sem participar da decisao final no
maior col6gio eleitoral do Estado,
Bel6m, com 20% dos votos paraen-
ses, o que motivou o deputado fede-
ral Jader Barbalho a mandar publicar
um anuincio comemorativo em seu jor-
nal. o Didrio do Pari.


SERTANISTA
MORE EM
EPISODIO
ESTUPIDO
(PAGS. 4/5/6)
^ ^11 11 11--------------------------


- II II --~II II ~er~ 1(1 Illr~ll C1 ILI






CONTINUA;AO DACAPA
Pela quantidade de prefeituras (exa-
tamente o dobro das conquistadas pelo
PMDB: 46), o PSDB ficou na frente. Ja
pelo crit6rio do crescimento nominal, a
maior faqanha foi a do PT, que tinha 5
prefeituras em 2000 e agora chegou a
18, 350% a mais em quatro anos. Pelo
conjunto de fatores, entretanto, o desem-
penho mais convincente foi o do PTB, o
terceiro em quantidade de prefeituras
(17) e o segundo tanto na votagao nomi-
nal (600 mil votos) quanto na proporcio-
nal (19,48%). Com um dado ainda mais
important, que poderi vir a pesar em
seu favor: a vit6ria no segundo turno pela
prefeitura de Bel6m.
Ha ndmeros para todos os tipos de
gostos e interpretaqces. Mas ndmeros nem
sempre traduzem a realidade, principal-
mente quando tentam filtrar fatos politi-
cos num Estado tao grande, pobre e desi-
gual como o Pard sujeito, por isso, a fisi-
ologismos e clientelismos, tanto dos que
precisam de favors para viver quanto dos
que podem concede-los para tirar provei-
to das carencias alheias. Exatamente por
esse motivo, as nuvens, que costumam
mudar tao ripida e drasticamente no c6u
da political brasileira, por aqui tem com-
portamento mete6rico fulminante. Quan-
do se volta a olhar o firmamento, a ima-
gem anterior j foi substituida por outra.
Por exemplo: um partido que nem tra-
9o era, o PV (Partido Verde), adquiriu
relevancia nao por causa de sua prega-
qao ambientalista, em defesa da nature-
za, mas porque se tornou um braqo auxi-
liar do Palacio dos Despachos, em Be-
16m. Quem o control 6 o chefe da Casa
Civil do Estado, Jos6 Carlos Lima, um
ex-petista que se tornou tucano em outra
legend com afinidade com o animal ape-
nas no titulo. 0 PT devera prestar bons
serviqos a Jatene em 2006, a margem do
alvo mais visivel do PSDB.
No universe p6s-eleitoral paraense o
que se pode perceber 6 uma diversidade
de poderes e partidos como ji ha algum
tempo nao havia. No centro do poder,
quem mais perdeu consistencia foram os
tucanos. Ficou mais longinqua a possibi-
lidade de o PSDB ser um partido hege-
m6nico, como o velho PSD foi durante o
ciclo do caudilho Magalhaes Barata. Mas
se o governador Simao Jatene mantiver
(e ampliar) sua capacidade de negocia-
qCo e aglutinagao, seu esquema eleitoral
para 2006, quando deveri tentar a ree-
leiqCo (apesar de boatos em contrario
que circularam ultimamente), podera se
tornar ainda mais forte. Desde que acer-
te arestas internal cor seu antecessor,
Almir Gabriel.
Se reforgar a alianqa com o PMDB e
o PTB, Jatene contara cor quase meta-
de (69) das 143 prefeituras do Estado,


ou 70, se Duciomar Costa conseguir se
apossar de Bel6m. O governador dispo-
ri de um contingent equivalent de ve-
readores, que constituirao a linha de frente
da campanha eleitoral majoritdria, den-
tro de dois anos. Mas para manter, con-
solidar ou ampliar essa frente, atraindo
para ela outros partidos sob sua 6rbita,
Jatene teri que administrar com um olho
no significado das obras e outro nos re-
sultados, principalmente para seus cabos
eleitorais potenciais. Precisard de dinhei-
ro, vontade e circunstincias favoraveis,
uma combinago dificil.
Apesar de todas as manipulacdes e
do peso das carencias estaduais, o resul-
tado da eleiq~o mostrou que o povo con-
seguiu discernir os falsos produtos dos
verdadeiros, ainda que de qualidade in-
ferior. A eleiqgo de desconhecidos e as
grandes surpresas na apuracqo devem-
se a campanhas milionirias, mas torna-
ram-se raros os casos em que o dinheiro
foi a dnica causa. O candidate precisa
ter alguma afinidade com a causa que
diz pretender defender, mesmo que seja
da boca pra fora e a base de muitas rela-
9qes plblicas. O eleitor esteve mais aten-
to aos discursos e mais preocupado com
os antecedentes dos candidates do que
na eleiq~o anterior.
Um caso extreme do peso do conted-
do dos candidates aconteceu em Parau-
apebas, lider no item receita tributiria per
capital gracas a provincia mineral de Ca-
rajis e A sua proprietaria, a Companhia
Vale do Rio Doce. Cor base na sua bio-


grafia e na sua mensagem, Darci Ler-
men, do PT, teve quase 64% dos votos,
sepultando a dinastia dos Salmen. O de-
putado Faisal Salmen, que foi prefeito do
municipio muitos anos atris, com a pro-
messa de modernidade e justiqa, teve
apenas um pouco mais da metade dos
votos do seu concorrente. A atual prefei-
ta 6 sua ex-esposa.
Se defender apenas do jogo de for-
qas estadual, o cendrio deveri estar bem
polarizado em 2006, entire a coligacao
chefiada por Simio Jatene, por6m mais
dividida (para poder absorver as legi6es
dse Jader Barbalho e Duciomar Costa),
e a do PT, no outro extreme. Se nao con-
tar com a decidida participaqdo do go-
verno federal, ainda maior para compen-
sar a eventualidade da derrota em Be-
16m, o PT ficard em posicqo mais enfra-
quecida do que a de 2002. Depois de um
pass em frente, sera obrigado a dois
passes atras.
Sua principal base sera transferida da
capital para o interior. Em parte, esse
movimento ocorreu ji no primeiro turn.
Dificilmente Maria do Carmo Martins
teria escapado a uma terceira derrota
para a prefeitura de Santar6m se nao se
tivesse transformado na ancora do PT
no Estado, quando a derrota de Ana Jdlia
Carepa comegou a se configurar como a
hip6tese mais provavel.
O carisma e o acervo de votos acu-
mulados por Maria do Carmo no pas-
sado provavelmente nao superariam a
estrutura montada pelo prefeito Lira
Maia para fazer seu successor o vice-
prefeito Alexandre Von. Foi outra es-
trutura, a do governor federal e a do PT
national, que se sobrep6s a miquina
municipal (reforcada pela maquina es-
tadual, mas, por outro lado, sofrendo o
desgaste dessa alianqa num municipio
hostile ao PSDB e ao PMDB), sem a
qual Von teria o poder de fogo de um
candidate a vereador. O paroxismo das
duas maquinas chegou a tal ponto que,
pela primeira vez nos anais da hist6ria
eleitoral, a Policia Federal recorreu ao
direito de resposta no program eleito-
ral gratuito dos candidates, como se ti-
vesse deixado de ser fiscal das dispu-
tas para nelas se meter.
O apoio de Brasilia (no moment
via Sao Paulo) se manterd durante a
primeira metade do mandate de Ma-
ria no terceiro maior municipio do Es-
tado, garantindo sua popularidade e sua
densidade political para funcionar como
a vanguard do PT para as eleiS6es
de 2006? E dificil responder neste mo-
mento. Quando 2005 comegar, prova-
velmente algumas cartas political se-
rao reembaralhadas e dadas a outros
jogadores. Ha papeis sobrepostos e
confusao a mesa.


2 OUTUBRO DE 2004 I QUINZENA Jornal Pessoal


J/






O PTB, por exemplo, 6 aliado dos tu-
canos no Pard, mas integra a base aliada
federal do president Lula. Conseguira
manter essa ambivalencia? Servira a dois
senhores? O PL, que forneceu a compa-
nheira de chapa de Ana Julia, permane-
cerA ao lado do PT ou pulara o balcdo?
O journal O Liberal, que assumiu certa
posiq o contestat6ria ao governor do Es-
tado, em funqgo de seus compromissos
politicos, voltara ao redil official ou tenta-
ra carreira mais independent? Seu an-
tagonismo crescente com a corporaqgo
empresarial dos Barbalho o levara a ra-
dicalizar sua presenqa political?
Essas sio apenas algumas das muitas
dtvidas que sobrevivem a ressaca eleitoral
e deverdo manter-se por mais tempo. Os
pap6is se confundiram e at6, em determi-
nadas situaqbes, se inverteram. Ficou in-
verossimil, no discurso de Ana J6lia Care-
pa e Maria do Carmo Martins, a acusaqco
de abuso de poder econ6mico lancado so-
bre seus adversarios. Afinal, a campanha
de ambas, se nio foi igual a dos contendo-
res, se distinguiu totalmente do padrio de
pobreza ou de limitaqio das campanhas
petistas de um passado recent.
Por isso, nio foi o discurso diferente
que levou a maioria das vit6rias do PT,
outrora um partido de oposiqdo: foram os
efeitos dos recursos que os petistas pas-
saram a manejar depois que assumiram
poderes municipals e estaduais, mas, aci-
ma de tudo, o poder federal. Foi o distan-
ciamento da posiqio original, a esquerda
do espectro ideol6gico, na direqio do
centro, o fator primordial para a excep-
cional safra de votos colhida pelo PT.
Mas se quem semeia ventos colhe
tempestades, quem semeia calmaria co-
lhe estagnaqio. Mesmo que o comissi-
rio Jos6 Dirceu, do alto de seu excess
de confianca, se permit imitar Franceli-
no Pereira, o president da Arena, o par-
tido official do regime military, e proclame
o PT como o maior partido do Ocidente.
Nao falta muito para isso, alias: Lula ja
se conferiu o titulo de o president que
mais votos teve no planet.
Por esse record, o ex-lider metaldrgi-
co deve sejulgar corn direito a um manda-
to maior do que aquele para o qual foi inici-
almente votado. O direito esta ao seu al-
cance. Conv6m, de qualquer maneira, nio
esquecer um ditado bem popular no Brasil:
quanto maior o tamanho, maior o tombo.
No Para, todos ganharam e, aparen-
temente, todos, exceto os exageradamen-
te fisiol6gicos, como os correligionarios
do PFL, ganharam. Para que isso pudes-
se acontecer, todos tiveram que perder
um pouco tamb6m. E sob esse relative
nivelamento que o tiro de largada para a
pr6xima corrida eleitoral sera dado, nos
intervalos dos roj6es comemorativos de
l1 de janeiro de 2005.

Jornal Pessoal I- QUINZENA OUTUBRO DE 2004


Desmatamento record:



a triste marca brasileira


A ediqco de 2005 do Guiness, o livro
dos records, saira no pr6ximo mes atri-
buindo ao Brasil o maior indice de des-
matamento do planet, segundo informa-
qao fornecida na semana passada pela
Radiobras. A pol6mica publicacqo repro-
duzira o que os brasileiros mais bem in-
formados ja sabem: nos iltimos 50 anos
a Amaz6nia perdeu 17% da sua cobertu-
ra florestal, numa m6dia de pouco mais
de 22 mil quil8metros quadrados a cada
ano, que resultou em desflorestamento de
615 mil quil6metros quadrados na Ama-
z6nia Legal, no curto period de meio
s6culo, devastaqgo sem paralelo na his-
t6ria da humanidade. Em conjunto, os bi-
omas Amaz6nia, Mata Atlantica, Cerra-
do e a formacqo florestal Araucaria fo-
ram privados de 3,6 milh6es de quil6me-
tros quadrados de cobertura vegetal.
Prevenindo os efeitos de uma divul-
gaqgo mais ampla pelo mundo desse tris-
te quadro, a partir da publicaqio do Gui-
ness, algumas fontes trm insistido em
lembrar que foi assim em outros pauses
e continue a ser assim atualmente. Os
Estados Unidos e a Europa se desen-
volveram as custas da destruigio de suas
florestas. O que resta da cobertura ve-
getal original americana, no noroeste do
pais, continue a ser posta abaixo pela
indtstria madeireira para a exportaqgo.
JA a Europa comegou a perder suas flo-
restas ja na Idade M6dia, por conta do
crescimento populacional.
Essas mesmas fontes tnm lembrado
que embora o ritmo do desmatamento
seja preocupante, o Brasil tornou-se pra-
ticamente o 6nico pais do mundo a mo-
nitorar permanentemente areas desma-
tadas atrav6s de image de sat6lite.
Gracas a esse control, esta podendo
acompanhar a destrui~go ecol6gica em


tempo real, identificando os focos de
queimadas tao logo irrompam os inc6n-
dios. Mas o resultado concrete da dis-
ponibilidade dessa important ferramen-
ta nao ter sido proporcional as suas pos-
sibilidades. Mato Grosso 6 o Estado mais
avanqado da Amaz6nia em control de
desmatamento via sat6lite, mas 6 tam-
bem o mais desmatado.
Esse descompasso mostra que nao
basta ter os meios t6cnicos e cientifi-
cos para agir se falta a vontade de apli-
ca-los. O que distingue a Amaz6nia, de-
tentora da maior reserve de floresta
tropical do planet, da hist6ria passava
de devastacao dos outros pauses, 6 que
s6 agora a humanidade ter conscifn-
cia do valor aproximado da riqueza con-
tida na enorme biodiversidade da mata
amaz6nica, a mais rica de todos. Por
conseqiiencia, sabe o tamanho da per-
da que seguir a tradiqco de desmata-
mento represent. O Brasil, nesse con-
texto, dispondo de um bioma como a
Amazonia, podia inovar na hist6ria hu-
mana. Mas, como atesta o Guiness,
precisou descartar o saber recentemen-
te criado para adotar a insensatez an-
terior. Pelo ritmo das queimadas do
verao deste ano, a edigio do livro dos
records tera que ser atualizada para
2006. Com dados ainda mais assusta-
dores do que os que serdo divulgados
no proximo mes.
"Se houvesse um tribunal parajulgar
crimes contra a natureza, como ha tribu-
nais contra crimes de guerra, sem ddvi-
da, seriamos condenados", observou Enio
Candotti, president da Sociedade Bra-
sileira para o Progresso da Ciencia
(SBPC), ao reporter Jos6 Hamilton Ri-
beiro, num dos iltimos Globo Rep6rter
da TV Globo. Triste papel, o do Brasil.







CERVEJA

Depois de 40 anos, o Para tera sua
segunda fabrica de cerveja. O grupo
Schincariol anunciou a implantag~o de
uma unidade em Bel6m, quebrando o
monop6lio virtual da Cerpasa. O cami-
nho do concorrente, por6m, segue o mes-
mo caminho da Cervejaria Paraense,
empresa local que acabou sob o control
de empresarios alemdes semjamais per-
der sua imagem de coisa nossa. O inves-
timento da Schincariol s6 se realizara
porque o govero do Estado lhe conce-
deu vastos beneficios da lei de incenti-
vos fiscais.
A lei foi questionada como inconstitu-
cional pelo Minist6rio Publico Federal. A
definiqSo da questio vai defender de
manifestaqdo judicial. Independentemen-
te do pronunciamento dajustiqa, por6m,
6 evidence de que o beneficio concedido
a empresa nio se estende a sociedade.
A Cerpa tem sido sucessivamente autu-
ada por diversos procedimentos irregu-
lares, fraudulentos e ilicitos. Numa ad-
ministraqdo public mais rigorosa, as van-
tagens que recebeu ji teriam sido can-
celadas hi muito tempo.
No entanto, o procedimento do go-
verno do Estado ter sido inverso. Au-
tuada pela sonegacao ou apropriaqdo
de mais de 40 milhoes de reais de ICMS
devido, a empresa recebeu desconto de
98% do valor do d6bito e a prorroga-
qao dos favors fiscais por mais 12
anos. Simultaneamente, uma devassa
feita por 6rgaos federais constatou que
s6 a fraude previdenciaria praticada
pela empresa, ao pagar "por fora", sem
recibo, valores que representam de
50% a 200% dos pagamentos contabi-
lizados aos seus funciondrios, equiva-
leria a R$ 2,5 milhoes por ano em fun-
cqo desse procedimento. Somando-se
tudo, 6 possivel que a Cerpa desvie do
erario, para seus cofres, algo acima de
R$ 10 milhoes por ano. Em 40 anos,
represent quase tres fibricas novas
gragas a esses golpes.
Essa ma hist6ria passard a ser conta-
da em dobro?


PROBLEMA
O entdo governador Almir Gabriel
voltou da viagem a Malisia, no inicio do
seu primeiro mandate, disposto a implan-
tar no Pard o modelo malaio de produ-
9,o de dend8. Pequenos produtores in-
dependentes foram assentados em lo-
tes de 10 hectares, em areas pr6ximas
a usina de beneficiamento da Agropal-
ma, no Moju, uma das poucas empresas
credenciadas a produzir o novo tipo de
combustivel, o biodiesel, no Brasil.


Em certa media, a definiqao so-
bre o 2 turno em Sao Paulo, o mais
important duelo eleitoral ainda pen-
dente no pafs, sera influenciada pelo
que os analistas passaram a chamar
de "efeito Guaruja": quantos eleito-
res o feriado prolongado deslocard das
secqes eleitorais para as praias? Por
isso, os tucanos se empenham em
ampliar a vantagem, de oito pontos
percentuais, aberta no 1 turno por
Jos6 Serra sobre sua adversaria, a
prefeita petista Marta Suplicy. A hi-
p6tese extrema 6 de uma abstenqao
de 15%, quatro pontos percentuais
acima do fndice registrado no primei-
ro turno, quando o feriado foi menos
extenso e convidativo.
Ja no primeiro turno, a abstenqao
alcanqou em Bel6m esses mesmos
15% temidos pelos tucanos paulista-
nos. Os 135 mil eleitores que nao vo-
taram na capital paraense represen-
taram o dobro dos votos dados ao ter-
ceiro colocado na dispute, o ex-pre-
feito e ex-governador H6lio Gueiros,
do PMDB. A imprensa e os analis-
tas nao deram atenqgo a esse fato,
mas ele revela o
grau de interesse
(ou desinteresse)
dos eleitores pe-
los candidates
que se apresenta-
ram a prefeitura
de Bel6m.
Se vencer, di-
ficilmente o sena- .
dor Duciomar


O governador ignorou a advertancia
que lhe foi feita: a area dos lotes era pe-
quena. Ainda mais porque, logo em se-
guida, 80% do im6vel passariam a ter que
ser mantidos na condiqao de reserve flo-
restal. Uma vez esgotados os 10 hecta-
res, o produtor ficava completamente
sujeito ao comprador de sua produqho,
sem possibilidade de diversificaqao de
cultivo. Para agravar, passara a infringir
o C6digo Florestal, de 1965, modificado
pela Medida Provis6ria 2.166, de 2001,
que ampliou a exigencia de reserve le-
gal, dos 50% originals, para 80% da area
total do im6vel, em vigor.
Resultado: o governor esti reservan-
do areass devolutas do Estado as "associ-
aq6es de desenvolvimento comunitirio"
que fornecem dend& para a Agropalma.
Essas areas fario as vezes da reserve


Costa admitira que sua not6ria po-
pularidade falou mais baixo do que o
apoio da maquina estadual. Quanto
menos o governador Simao Jatene
puder reivindicar seus cr6ditos no
resultado tanto mais Duciomar teri
espaco para autonomia a partir do
primeiro dia no exercfcio do seu man-
dato. Da mesma forma, a senadora
Ana Jdlia Carepa batera na tecla de
que foi sua empatia pessoal e o con-
teddo do seu program que Ihe de-
ram a vit6ria, caso ela consiga re-
verter uma tend8ncia francamente
contrtria a ela no segundo turno, hi-
p6tese colocada no ambito do quase
impossivel. No fundo, sua contabili-
dade deverd estar pesando quanto
ganha e quanto perde por ser a can-
didata de Edmilson Rodrigues.
Con a alta abstengao, que po-
derd crescer no segundo turno, o
eleitor de Bel6m esti dizendo o
quanto perde. Perde, na verdade, a
esperanga de mudanca, tao anun-
ciada por um marketing que preva-
lece sobre o conteddo (ou a falta
de conteddo) dos candidates. O pas-
sado condena
Duciomar, mas
ndo absolve Ana
Julia. Daf porque
o eleitor mais es-
clarecido deve
estar definindo
S/ seu voto pelo cri-
t6rio da negativi-
dade. Votard no
menos pior.


legal, que os im6veis dos produtores nao
possuem. E como se o Estado empres-
tasse suas terras para que as associa-
cqes particulares pudessem cumprir a
exigencia legal.
Isso pode? Como 6 que os im6veis
serdo inscritos no registro de im6veis?
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais
Renovdveis) tera base legal para acei-
tar essa situaqco, ou se verd obrigado
a rejeiti-la?
O governor, que provavelmente nao se
fez essas perguntas antes e as esti igno-
rando agora, baixou mais quatro decretos
at6 a semana passada, reservando quatro
mil hectares para a Associaqdo de De-
senvolvimento Comunitirio da Soledade,
fomecedora de dend8 a Agropalma.
Problema a vista.


4 OUTUBRO DE 2004 I QUINZENA Journal Pessoal


0 menos pior









O sertanista more




no sertaio que arde


Um terrivel sonho recorrente me ata-
ca de tempos em tempos: um pivete me
assalta e me mata, indiferente as minhas
tentativas de convenc6-lo que sou uma
pessoa 6til a sociedade, inclusive a mar-
ginais como ele. O pesadelo simboliza
uma das minhas preocupag6es com cri-
mes banais envolvendo personalidades
pdblicas, o desperdicio de talents dedi-
cados a causes coletivas em aconteci-
mentos menores.
A mem6ria do sonho me veio no do-
mingo passado, mal abri, na tela do com-
putador, a noticia da morte, na v6spera,
do sertanista Apoena Meireles. Ele re-
cebeu dois dos tres tiros que um hom-
nem disparou contra ele, ao tentar assal-
ti-lo, a said do caixa eletr6nico de uma
agencia do Banco do Brasil em Porto
Velho, capital de Rond6nia. Apoena ten-
tara reagir ao assalto, segundo a verso
apresentada pelas autoridades. O crime
seria comum, de latrocinio, como nos
meus sonhos, embora sua vitima pudes-
se ter sido alvo de um atentado politico,
mais um desses crimes de encomendaji
tdo frequentes em todo pais.
Apesar das evidencias em favor da
primeira verso, ainda relutivamos em
aceiti-la. Apoena tinha sido deslocado
para Rond6nia pela Funai (Fundagqo
Nacional do Indio) para impedir a conti-
nuaqdo da garimpagem de diamante na
Reserva Roosevelt, dos indios Cintas-
Largas. Centenas de milhoes de reais
estavam saindo do territ6rio indigena na
forma de pedras preciosas. Muito dinheiro
envolvido numa questao polemica. Pode-
rosos interesses foram e continuariam a
ser contrariados. Abriam-se, portanto,
veredas para qualquer hip6tese.
Como o sertanista era tamb6m assessor
especial da Presidencia da Repiblica, o veio
do crime de encomenda (e ndo de urn infeliz
incident de crime comum) nao podia ser
logo abandonado. APolicia Federal esti tes-
tando-o neste moment em que escrevo.
Alguns anos atris eu (junto corn outros en-
viados especiais da grande imprensa nacio-
nal) j estaria em Porto Velho, ponto de en-
contro que tinha, nessa 6poca, com perso-
nagens de linha frente dos acontecimentos
amaz6nicos, como Apoena.
Fomos juntos, quase 30 anos atris,
para uma das duas aldeias dos indios


Suruf, no meio de um dos muitos fogar6-
us sociais que vivem irrompendo no inte-
rior da Amazonia, chagas humans de um
inc6ndio real que parece nunca ter fim.
Colonos sulistas, muitos deles descenden-
tes de europeus, haviam se apossado de
10% dos 220 mil hectares do Parque In-
digena Aripuand, vizinho do Roosevelt,
umbilicalmente a ele vinculado por idas e
vindas de Suruis e Cintas-Largas.
Foi Apoena quem deu esse nome, de
Suruf, aos indios que se distribufam pe-
las duas aldeias. Um gesto de amizade
e solidariedade, mas equivocado. Os in-
dios mesmo se apresentavam como Pa-
fter, expressed atrav6s da qual reivindi-
cavam o direito de ser tratados como
gente. Erro parecido haviam cometido
os Vilas-Boas com os indios que conta-
taram a leste dali, no rio Peixoto de Aze-
vedo, os Parakanan, que na verdade
eram Panara.
Apoena e seu pai, Chico Meireles,
talvez o maior dos sertanistas lato sen-
so, assim como os tr6s irmaos Vilas-
Boas, foram pessoas respeitiveis, de
uma her6ica dedicacqo as causes que
assumiram. Mas estavam sujeitos a mi-
sdrias pessoais e circunstancias exter-
nas. Ant6nio Callado retratou suas di-
verg6ncias em Quarup, romance que
todas as pessoas interessadas em co-
nhecer este gigante adormecido devi-
am tratar de ler. E ficqao a cl6f. Per-
sonagens reais aparecem corn outros
nomes, nao muito diferentes. Chico
Meireles 6 Chico Fontoura. Os Vilas-
Boas sao Vilas-Verdes.
Esses sertanistas sempre foram man-
dados as pressas fazer contato com tri-
bos isoladas quando uma estrada, uma
hidrel6trica ou um projeto de colonizadio
deparava com elas. Aceitavam a ordem
superior com a esperanca de salvar os
indios. Depois de algum tempo, por6m,
ficava dificil nao chegar a conclusao de
que foram amansar a destruiqao, amaci-
ar o golpe, dourar a pilula fatal. Mas ji
nao conseguiam viver de outra maneira,
numa relagao pendular entire o bom e o
mau, o certo e o errado, o claro e o escu-
ro, a mata e a cidade, uma mulher urba-
nizada e intelectualizada esperando-os em
casa e a selvageria do sertao, os indios e
os brancos. Agtientavam a barra, pesa-


dissima, atrav6s de derivatives. O alcool
tem sido o mais comum.
Ja bebi com virios deles no meio da
mata, entire Suruf ou Gavido, Kayap6 ou
Xavante. Quando o alcool liberal a voz,
sua fala 6 de amargura, tristeza, frustra-
qgo. De dia costumam recuperar o 61an,
o viqo, a confianqa. Trabalham como
animals. Depois anoitece e volta o ciclo.
Callado foi feliz na reconstituigio do pro-
cesso, centrado em Francisco Meireles,
ou Chico Fontoura. Bebado, Chico dizia
que um dia desceria no Rio de Janeiro,
entao capital federal, e ajudaria os indios
a flechar todos os burocratas do SPI
(hoje, Funai) e associados para vingar
tanta morte de indios e morte ingl6ria.
Meses atrds deparei numa livraria
com um desses grandes sertanistas. Co-
nhecemo-nos atrav6s dos Waimiri-Atro-
ari, dos quais se tornou o maior especia-
lista e, entao, porta-voz. Hoje se dedica
a ajudd-los atrav6s de um projeto patro-
cinado pela Eletronorte, tamb6m aplica-
do aos Parakand. Os port-f6lios dos re-
sultados sao coloridos e inconvincentes.
Mas nunca mais voltei a conversar sob o
toque de uma garrafa de ilcool. Ja nio
bebo ha tempos. Esse sertanista, acho
que tamb6m nao. Continue a respeitd-lo.
Quanto aos resultados, sao outros 500.
Foi dele que tive as mais recentes notici-
as sobre Apoena. Estava retirado, amargu-
rado, bebia um pouco al6m da conta. Quan-
do vi a image de Apoena no Fantistico do
dia seguinte ao do seu assassinate nao con-
seguia mais associd-lo ao sertanista que
acompanhei em alguns epis6dios dessa san-
guinolenta colonizaao daAmaz6nia, estrito
senso, da minha idade, um home calado,
desconfiado, arguto, inteligente, Agil, longilf-
neo um indio colocado do outro lado do
balcao da sociedade. Do lado dos vencedo-
res, dos autores do enredo, dos colonizado-
res. Com os quais, por6m, Apoena Meireles
jamais se identificou. Inclusive quando, meio
a contragosto, sem jamais perder a consci-
6ncia, os serviu. Nessas horas, ele bem sa-
bia, estava errando.
Mas errar 6 human. E foi como um
personagem demasiado human que, afi-
nal, ele se foi, num epis6dio de estupidez
e barbarie, como o que lhe serviu de ce-
nArio derradeiro, na Porto Velho dos nos-
sos dias. Velhissima, apesar de tdo nova.


Jornal Pessoal ~IQUINZENA OUTUBRODE 2004 5







JOURNAL
Piginas de resistencia, livro de Fran-
cisco Ribeiro do Nascimento, editado pelo
Sindicato dos Joralistas Profissionais no
Estado de Sao Paulo (Imprensa Oficial,
209 piginas), no final de 2003 e entire n6s
lanqado no mrs passado, vale, sobretu-
do, pela reprodug~o de edic6es da Tribu-
na do Pard, semanirio tabl6ide do Parti-
do Comunista Brasileiro que circulou em
Bel6m, entire 1946 e 1958. Sao apenas
das 357 edig6es do journal, mesmo assim
incompletas: foram reproduzidas 173 das
431 piginas das ediq6es existentes na
Biblioteca Nacional.
Por que estas e nao outras edic6es, e
por que s6 estas edic6es, o autor da pes-
quisa nao explica. O livro, em format
grande, 6 pobre na apresentaqdo do jor-
nal e da sua trajet6ria. Por isso, fica inin-
teligivel, para o leitor mais atento, o que
aconteceu entire a ediqco 204 e a 205 da
Tribuna. Na primeira, do dia 15 de outu-
bro de 1955, o journal esti no seu ano V.
Na outra, da edicio seguinte, de 29 de
outubro, passa para ano IX. E ji na edi-
9go 207 sua dataqco pula para o ano X.
Seria a atualiza~go de uma fase an-
terior, iniciada em 1946, quando a Tri-
buna circulou irregularmente, s6 se tor-
nando de periodicidade mais regular a
partir de 1950? Essa e outras ddvidas
possiveis, o livro nao responded. De qual-
quer maneira, ele vale como um docu-
mento a estudar e analisar. Em suas
piginas pode-se ler artigos que Dalci-
dio Jurandir escreveu antes de se mu-
dar para o Rio de Janeiro, aonde iria se
dedicar mais A literature, construindo
uma obra de grande valor.

FERRONORTE
Leitor escreve para contestar nota
publicada no iltimo nimero do journal.
Diz que a Ferronorte nio pertence mais
ao empresario Olacyr de Moraes, ex-
rei da soja. E verdade. O control da
ferrovia 6 exercido por dois funds fe-
derais de pensao: a Previ, do Banco do
Brasil, com 26,65% das acqes, e a Fun-
cef, da Caixa, com 22,31%. A Cons-
tran, de Olacyr, terceira maior s6cia,
tem 16,07%. Aoqes nominais a parte,
entretanto, quem efetivamente conduz
o projeto 6 Olacyr.
No inicio da d6cada de 80, o BNDE
(antes do S final no nome, para ingles
ver e o FAT subscrever) se recusou
durante muito tempo a financial a se-
gunda etapa do projeto Albris, para a
produqco de aluminio em Barcarena.
Alegava que embora a Companhia
Vale do Rio Doce (entao estatal) ti-
vesse a maioria das acqes (50,9% do
capital), os japoneses eram os que re-


A empresa Isolux Wat S/A, da Es-
panha, arrematou a concessao da ter-
ceira linha de transmission de energia
entire a hidrel6trica de Tucuruf e a es-
taq~o de Vila do Conde, em Barcare-
na, no leilao promovido pela Aneel, a
Agencia Nacional de Energia El6tri-
ca, no dia 30. Os espanh6is oferece-
ram desagio de 36,12% sobre a Re-
ceita Anual Permitida de 54 milh6es
de reais, prevista no edital. Isso quer
dizer que faturardo R$ 34,5 milh6es
anuais com o serviCo.
A linha, na tensdo de 500 kV, tern
324 quil6metros de extensao. Deve-
ri custar R$ 263 milh6es, prevendo-
se que entire em funcionamento em
at6 20 meses ap6s o inicio da sua
construqdo. Atenderi a regiao nor-
deste do Para, important tronco de
transmissao da rede basica, que 6 res-
ponsivel pelo atendimento a cerca de
80% de todo o mercado do Estado,
incluindo Bel6m e o complex Albris/
Alunorte, o maior consumidor indivi-
dual de energia do Brasil.
A Eletronorte, em cons6rcio com
a Alusa, se pr6-qualificou para essa
linha, mas ndo conseguiu bancar a
oferta da concorrente espanhola,
que surpreendeu com o alto desi-
gio, um indicador do interesse que
o neg6cio represent.
Segundo as novas regras do mo-
delo do setor el6trico, no leilao sdo de-
claradas vencedoras as empresas e
cons6rcios que oferecem a menor ta-
rifa, comprometendo-se a praticar a
menor receita annual permitida para a


presta~go do serviqo, oferecendo
desigio sobre o valor basico
do edital. Os desdgios re-
sultario em benefici-
os ao consumi-
dor. ji que


almente exerciam o control da em-
presa. O banco acabou tendo que se
submeter a ordens superiores, mas a
andlise t6cnica que fez para fundamen-
tar a distingao entire control nominal
das aq6es e o control operacional de


a tarifa de uso dos sistemas de trans-
missao 6 um dos components de cus-
to da tarifa paga pelo consumidor fi-
nal hs distribuidoras, al6m de contri-
buirem para maior competitividade do
setor produtivo national.
A primeira linha de transmissao Tu-
curuf-Vila do Conde foi construida pela
Eletronorte no inicio da d6cada de 80
e 6 operada pela estatal at6 hoje. En-
trou em funcionamento principalmen-
te para dar suporte a fibrica de alu-
minio da Albris, que precisa de mais
de 700 megawatts firmes de energia,
uma vez e meia o consume de Bel6m
no pique. A segunda linha foi constru-
ida pela Schachin, uma empresa pri-
vada, em cons6rcio com a Alusa.
No mes passado, a mesma Schahin
colocou em operaqao a linha de trans-
miss~o Vila do Conde/Santa Maria, de-
pois de ter investido R$ 80 milh6es.
Com 179 quil6metros de extensao e
tens5o de 230 kV, a linha vai melhorar
o fornecimento de energia em Bel6m
e na regiio Nordeste do Para, que
antes contavam apenas com uma li-
nha de transmissao.
A Schahinji implantou outra linha
a partir de Tucuruf, at6 Presidente
Dutra, no Maranhio, devendo iniciar
a operaqio commercial de mais uma li-
nha, de Tucuruf a Aqailandia, tamb6m
no Maranhao, em dezembro deste
ano. Os investimentos nestes projetos
somam R$ 2 milh6es.


uma empresa esti af nos arquivos para
quem quiser ler e aprender.
Portanto, no caso da Ferronorte, os
funds de pensao exercem a gloriosa fun-
9o de abre-alas para Olacyr de Mora-
es, que 6 quem bate o bumbo.


6 OUTUBRO DE 2004 I QUINZENA Jornal Pessoal


Energia


4









Correio da Manhi:


quem a

Quem esti com menos de 50 anos de
idade provavelmente nunca viu um exem-
plar do Correio da Manha. Mesmo entire
os mais velhos, sdo raros os que tiveram
essa oportunidade. O desaparecimento do
journal carioca completou 30 anos emju-
nho, mas ele comegou a morrer em 1969,
poucos meses depois da ediqao do AI-5.
Quando desapareceu, uma semana an-
tes de completar 73 anos, era um simula-
cro daquele que foi o mais influence jor-
nal da rep6blica brasileira. A iltima edi-
qao sequer noticiou seu fim. Como se seus
entao arrendatirios tivessem vergonha do
que estavam fazendo.
O Ato Institucional n 5 foi editado
para completar o golpe de estado de
1964. Mas nao apenas para isso: acabou
com as veleidades dos militares da nossa
versao castrense da "Sorbonne", os te6-
ricos da Escola Superior de Guerra, de
conciliar regime forte com democracia,
instruments de coerg~o com a continui-
dade da ordem legal, ditadura e udenis-
mo. O AI-5 fez a noite da tirania ocupar
o c6u do pais.
As trevas nao fulminaram apenas o
Correio da Manha. Mataram tamb6m
Realidade, a melhor revista de repor-
tagem ji editada no Brasil. Em ambos
os casos, por6m, a questao que fica la-
tejando na consciencia, depois de tanto
tempo, 6: estavam mesmo esses 6rgaos
de imprensa condenados a morte? Tor-
nou-se-lhes impossivel sobreviver ao
AI-5 e sua sucessio de instruments
de excecqo? Foi mesmo melhor desa-
parecer do que tentar acomodar-se ao
regime ditatorial, at6 a volta das luzes
da tolerancia? Por que esses veiculos
morreram e outros, como Jornal do
Brasil, O Estado de S. Paulo e Folha
de S. Paulo, prosseguiram?
Raros se atrevem a enfrentar essas
quest6es. Pouco se escreve sobre as
duas publicaq6es e o pouco que tem sa-
ido tangencia o cerne da questao. Mi-
nha impressao, hoje, 6 de que tanto o
Correio da Manha quanto Realidade
poderiam ter atravessado a tormenta,
como outros 6rgaos da imprensa o fi-
zeram, se tivessem sido mais bem con-
duzidos pela procela. O golpe de seus
inimigos foi completado por erros in-
ternos, para nao falar de venalidade e
covardia nas redac6es.


inda lembra?


Fundado em 1901 pelo gadcho Ed-
mundo Bittencourt, o Correio sempre se
distinguiu dos outros jornais por prezar
sua opinido. No primeiro editorial da pu-
blicagao, Edmundo nao deixava diivida:
imprensa neutra nao existe. Ela precisa
intervir na realidade, participar da vida,
defender id6ias. Uma das mais caras ao
Correio era a democracia. Sustentou-a
contra todos os politicos que se estabele-
ceram no poder. Mesmo violada e des-
prezada, a democracia sempre sobrevi-
veu aos seus algozes. Essa parecia uma
regra de ouro, mesmo na instabilidade
political brasileira.
Por isso, o Correio achou que os mili-
tares de 64, como as geraq6es de golpis-
tas anteriores, nao duraria muito. Incom-
petentes como deviam ser, logo teriam
que devolver o poder aos politicos e vol-
tar aos quart6is. Esse era o entendimen-
to dominant nas esquerdas. Alguns de
seus representantes mais influentes tra-
balhavam no Correio, dando-lhe seu bri-
lho peculiar. Eles fizeram a nova coman-
dante do journal partilhar essa convicCgo.
Niomar Moniz Sodr6 Bittencourt ti-
nha 48 anos quando sucedeu o marido,
que morreu em novembro de 1963. Ela
nao era ne6fita na imprensa, mas sem-
pre a acompanhou a uma certa distan-
cia, de uma 6tica distorcida por sua po-
siCgo de patronesse de boas causes.
Quando os militares derrubaram Joio
Goulart ela s6 tinha cinco meses h fren-
te do journal. Com seu vigor, sua integri-
dade e certa ingenuidade, ela achou que
aquele era o moment para se definir
como uma Joana Darc do jornalismo
brasileiro. Aceitou o confront aberto
superestimando sua forqa e subestiman-
do o poder dos adversirios. Achou,
como acharia outro nordestino (de ou-
tro barro) virios anos depois, que faria
a hist6ria com um dnico tiro (o que ma-
taria a inflaCgo, na viseira de Fernando
Collor de Mello). Enganou-se.
Um exemplo foi uma ediqao corajosa
que autorizou ser impressa, arriscando
tudo na liberaiao plena da censura a par-
tir de uma folga na pressao feita pelos
militares, no inicio de 1969, depois de se-
manas sob o cutelo do AI-5. A ediqao foi
apreendida, mas funcionirios do Correio
a espalharam por alguns pontos do Rio,
como estudantes secundirios ou univer-


sitirios. Matar ojornal se tornou questao
de honra para os militares, um prego de-
masiado para ousadia tdo efemera.
Ainda houve outra oportunidade para
a sobrevida do Correio, mas dona Nio-
mar, pensando novamente curto (e ji
sem a grandeza anterior), preferiu ar-
rendar ojornal para empreiteiros de olho
na candidatura do ministro-coronel Ma-
rio Andreazza do que repassi-lo para
quem era do ramo e tinha objetivos mais
nobres do que dos financiadores poten-
ciais de um novo presumfvel president,
os Frias, da Folha de S. Paulo. Dona
Niomar provavelmente raciocinou que
poderia voltar ao journal depois dos em-
preiteiros. Com a Folha, o caminho de
volta estaria bloqueado.
Foi seu derradeiro equivoco. Journal
nunca more de v6spera. Uma vez inici-
ado, por6m, o passamento torna-se ine-
vitivel. O r6quiem comecou em 1968 e
se tornou fatal a partir do ano seguinte.
A ditadura mais longa da rep6blica pre-
parou a cama mortuaria para o glorioso
Correio. A direq.o do journal se ofereceu
para o sacrificio.
Algo parecido se deu com Realidade.
A direqCo da Editora Abril aproveitou o
mote para se livrar de uma redacao in-
c6moda. Ji tinha um projeto para substi-
tuir o da grande revista de reportagens: a
revista semanal, Veja (que, na 6poca,
exigia o complement e leia- hoje tor-
nado sup6rfluo).
A hist6ria, portanto, nio 6 exatamen-
te como a contam os que a contam. Os
demais, ou ficam em silencio conivente
ou esquecem e vao em frente cor sua
iluso: de que a hist6ria 6 uma agua que
nao passa duas vezes no mesmo moinho.
Como nao partilho essa presunqio,
sempre que vou ao Rio de Janeiro dou
um jeito de passar em frente ao pr6dio
do Correio na rua Gomes Freire, na Lapa.
A carcaqa esti cada vez mais desgasta-
da, mas 6 impossivel, para quem o co-
nheceu ou nele trabalhou, evitar a emo-
qgo. Aquele cadaver continuari insepul-
to at6 que algu6m lhe conte uma hist6ria
mais convincente do que as verses dis-
poniveis, seja a de Jeferson de Andrade,
de 1991 (Um journal assassinado, Jos6
Olympio Editora) seja a de 2003, dos
Cadernos de Comunicacao da Prefeitu-
ra do Rio de Janeiro.


Jornal Pessoal I QUINZENA OUTUBRO DE 2004 7







AMEA A
Na semana passada, a dnica linha
de transmissao de energia que atende
Mato Grosso foi atingida por um forte
vendaval, que provocou a queda de
quatro torres metilicas. Quase 350 mil
pessoas em 25 municipios do Estado
ficaram sem luz.
Um t6cnico do setor fez uma confi-
dencia grave: as torres desabaram nao
s6 por causa da forca dos ventos. Eles
nao as afetariam se a antiga floresta ain-
da estivesse no lugar. O Mato Grosso
esti se tornando um imenso descampa-
do por causa do avanqo da pecuiria, na
frente, e da soja logo atris (ou, ji em
alguns casos, em paralelo), que prem
abaixo a floresta. As grandes e nume-
rosas torres de energia que cortam a
Amaz6nia se tornaram frigeis diante dos
fatores naturais alterados. Estdo expos-
tas a acgo direta dos ventos, sem a pro-
tempo da mata densa original.
Mais quedas de torres estdo sendo
previstas no curso das antigas linhas de
transmissao, projetadas e construidas
antes das ofensivas de desmatamento.
Na iltima licitaio da Aneel, uma das
linhas oferecidas, a Cuiaba/Itumbiara, 6
para duplicar a transmissao em Mato
Grosso e aumentar sua capacidade para
1,7 mil MW.

OBRA
A Secretaria de Cultura do Estado
colocou o Pard na vanguard editorial
com os cinco livros que langou durante
a VIII Feira Pan-Americana do Livro,
tamb6m de sua criagqo. Os cinco li-
vros serve de atestado da maiorida-
de editorial do Estado, mesmo que sob
patrocinio estatal. Podem at6 nao fo-
mentar uma atividade perene, ji que
essas iniciativas dependem sempre de
um mecenato mais esclarecido. Mes-
mo assim, ofereceram biscoito fino para
os paladares mais apurados.
Ilusdo e cor (Pintura de interiores
na arquitetura de Bel6m), de Jussara
da Silveira Derenji; Lindanor, a meni-
na que veio de Itaiara, organizado por
Amarflis Tupiassu, Jodo Carlos Perei-
ra e Madeleine Bedran; Caf6 mandu-
ca, uma hist6ria recontada, de Oswal-
do Caldeira; Galvez, imperador do
Acre, a magnifica versdo quadriniza-
da que Miguel Imbiriba criou a partir
do folhetim de Marcio Souza (uma das
melhores HQ ji produzidas deste lado
do pais), e a terceira edigqo de Bel6m
da saudade engrandecem os nomes
dos que escreveram ou produziram
esses livros, que podem ser expostos
em vitrines ou estantes de qualquer
lugar do mundo.


Para que do Cirio participassem
dois milh6es seria necessario que a
romaria absorvesse toda populag~o da
regido metropolitan de Bel6m e cer-
canias, ou tivesse um pdblico equiva-
lente a 40 vezes a lotacao do "Man-
gueirdo". Apenas essas correlaq6es
deveriam ser suficientes para mostrar
que o calculo 6, evidentemente, exa-
gerado. O n6mero real, por6m, basta
para colocar o Cirio no topo das roma-
rias religiosas em todo mundo.
A cada ano, a procissao cresce a
olhos vistos, ji acima de um milhao de
pessoas. Tao impressionante quanto a
reuniao dessa multiddo 6 o fato de que
ela nao provoca acidentes graves. Tra-
ta-se de um verdadeiro milagre, con-
cluirao as pessoas de f6. Mas o limited
da intervenqdo sobrenatural ou divina
esti chegando. Nao se pode continuar
improvisando ou delegando ao acaso
essa cr6nica bem sucedida. O Cirio ja
precisa ter um tratamento professional,
contando com o suporte que existe para
programar, prever e controlar manifes-
tag6es de massa. Antes que o ciclo da
bonanza possa ser interrompido por
algum acidente de maiores proporgoes.
Ja hi espaoo no Cfrio para uma de-
finiCio estritamente t6cnica, capaz de
dar seguranga e algum conforto para
o romeiro. Mas o corpo popular da ma-
nifestagdo, que combine espirito reli-
gioso cor atividade laica ou profana,
deve ser competencia do saber adqui-
rido empiricamente pelos que acom-
panham o Cfrio hi muitos anos, que
nao podem ser ignorados pela tal Di-


Os que fizeram e os que leram ou irdo
ler essas publicaq6es estao (ou estarao)
de parab6ns. Aviso para quem recebeu
os cartres-convite para os lanqamentos:
trate de guardi-los. Serao peas valio-
sas a disputar nos pr6ximos anos. De
extreme bom gosto.
Cor essa s6rie editorial, Bel6m pa-
rece ter voltado Aquela 6poca retrata-
da por Miguel Imbiriba na sua recons-
tituigqo iconogrifica. Mesmo que pos-
sa vir a ser por pouco tempo e por obra
e graga do erario. Pelo menos dinheiro
ptblico nao teri sidojogado ao vento -
ou em alguma empreitada ruim. E obra
para ficar.

FAUSTINO
Transformada em livro, a tese de dou-
torado de Lilia Chaves sobre a vida (e a


retoria da Festa, o politubur6 de Na-
zar6 As avessas.
Qualquer praticante da procissio
sabia de antemio que a experiencia
deste ano com a corda nio daria certo.
A corda nao pode ser tinica, puxada por
homes e mulheres em fila singela. Ela
precisa ter dois braqos, nao s6 para a
distinqao por genero (que ji nio 6 tao
important, em virtude dos novos mo-
dos e hibitos), mas para que a procis-
sao nao se tome um espeticulo de so-
frimento, talvez de masoquismo (ou de
sadismo, para quem ve de fora com
os olhos e com o coraqao). Nove horas
de duraqao, sob o period de sol mais
inclemente, 6 demais. Al6m disso tudo,
a corda linear nao tem sustentaqdo,
perde funcionalidade, indo e vindo sem
direqio, o que atrasou a march.
Sou de opinido que a corda deve vol-
tar ao seu format original. Talvez seja
precise combinar o element de um pas-
sado mais remote, quando havia a pos-
sibilidade de conviv6ncia da corda com
os outros segments da romaria, cor a
experiencia mais recent, na qual a cor-
da vinha sendo desatrelada da berlinda
ji na avenida Nazar6.
E certo que o Cfrio nao deve ter
hora para chegar ao seu final, mas
nao pode chegar a qualquer hora.
Acabard se transformando, at6 mes-
mo pela contribuicao da carnavaliza-
cgo mididtica, com destaque para a
televisao, num espeticulo que vale
pelo meio que utiliza e nao pelo fim
que almeja. O ser human, nesse
caso, se tornard detalhe.


obra) do poeta Mrio Faustino, ji comen-
tada neste journal (ver ediqio 321), 6 uma
das melhores biografias escritas no Bra-
sil nos iltimos anos, al6m de ser um belo
trabalho editorial, valorizado por rica ico-
nografia. Candidate certo ao Pr6mio Ja-
buti de 2004.

INFANTIL
A melhor literature amazonica infan-
til tem agora legitimo representante: 6
Cade o verde que estava aqui?, escrito
por Biratan. (edicqo do autor, patrocina-
da pelo Banco da Amaz6nia, com 24 pi-
ginas). Biratan, dos mais originals cartu-
nistas do pais, fez a sua parte. Agora 6 a
vez dos pais abrirem as piginas do seu
livrinho para seus filhos. A leitura 6 di-
vertida e instrutiva, o que de melhor se
pode esperar de um livro para criancas.


OUTUBRO DE 2004 I QUINZENA Jornal Pessoal


Cirio human








Exportagao: mmeno



cada vez mais forte


Um novo produto entrou na pauta
de exportagao do Para em agosto: o
concentrado de cobre, obtido na mina
do Sossego, em Carajis. S6 nesse mes
foram vendidos 51 milhfes de d6lares
do produto, que passou a representar,
de imediato, 2,21% do valor das ven-
das do Estado no exterior, jA ultrapas-
sando bens minerals de exploragqo mais
antiga, como o manganes e o silicio
metalico. Gracas a esse novo item na
pauta do com6rcio exterior, o cresci-
mento das exportaqoes paraenses foi
de 47,7% nos oito primeiros meses do
ano, bem acima do excelente desem-
penho national no mesmo period, que
foi de 34,83%, segundo os dados do
CIN (o centro de estudos da Federa-
cao das Inddstrias do Pard), divulga-
dos no m6s passado. As vendas inter-
nacionais do Pard somaram 2,3 bilhoes
de d6lares at6 agosto, deixando um sal-
do de divisas ao
pafs de mais
US$ 2,1 bilh6es,
ja que as impor- j i "
tao6es cresce-
ram apenas
4,85% 10 ve-
zes menos, por-
tanto, do que as
exportaq6es.
O ingresso
no circuit co-
mercial do co-
bre, um produto
de mais alto va-
lor do que a mai-
oria dos outros
components da i
pauta estadual,
confirm o pre-
dominio dos pro-
dutos de origem
mineral, que
atingiram um nf-


J


vel record de 77,34% no valor das
exportaq9es do Estado entire janeiro e
agosto, com receita de US$ 1,8 bilhao.
At6 o final do ano essa participaqio de-
vera ultrapassar 80% e continuard a
crescer nos anos seguintes.
Em primeiro lugar, pelo incremento da
pr6pria produgqo de cobre. Logo a mina
do 118, tamb6m em Carajis, sejuntard i
do Sossego, com um produto tres vezes
mais valioso do que o concentrado: o co-
bre metilico. Mas haveri tamb6m gran-
des expanses nas produqges de alumi-
na e aluminio, em Barcarena, na extra-
g9o de bauxita, em Paragominas, de fer-
ro gusa em Marabd, e na lavra de niquel,
em Carajis. Se os preqos dessas com-
modities se mantiverem em patamares
semelhantes aos atuais, ou mesmo que
experimented alguma queda, ainda que
outras atividades se desenvolvam, como
frigorificos, fibricas de calqados, pesca,
extraqio madei-
reira e soja, o
ParA se consoli-
dard como um
w Estado mineral,
um dos mais im-
portantes do
mundo. Mas
-completamente
desligado dessa
funcao, como se
Sndo soubesse, e,
por isso, incapaz
de administri-la
e faze-la render o
maximo, em pre-
qo unitdrio e efei-
to multiplicador.
Min6rio, como se
sabe, n~o dd duas
^ safras. No Para,
nem mesmo
essa safra 6nica
6 conhecida.


CONTAS
Desta vez os proprieturios de Onibus
nao esperaram pelo fim do segundo turn
para apresentar a conta de chegada. Ja
formalizaram o pedido de reajuste da tari-
fa. Querem que o novo valor vigore ji a
partir de dezembro, mes do ocaso do man-
dato de oito anos do prefeito Edmilson Ro-
drigues. A press deve ter alguma coisa a
ver com certeza sobre o resultado da nova
eleiqao ou temor de calote.
Quem venha a assumir a prefeitura
de Bel6m, uma das suas primeiras medi-
das de profilaxia moral devia ser rever o
contrato cor o Itad. O alcaide atual
transferiu do Banco do Estado do Park,
uma instituiqio estadual, para o Banco
do Brasil, que 6 federal, a movimentaqao
do pagamento dos 12 mil funcionarios
pdblicos municipals. At6 af, nada a estra-
nhar. Mas na und6cima hora mandar as
contas do pessoal para um banco priva-
do, como o Itad, por pretextos at6 entao
ignorados ou em suspense, 6 para nao
entender. Nem aceitar.
At6 por cautela e bom senso, convinha
deixar como estava. Exatamente por isso,
conv6m a quem chega refazer a relaao.

GRILAGEM
Na sua ediqdo 330, a revista Epoca
dedicou 10 piginas a Terra do Meio, si-
tuada entire os rios Xingu e Iriri, no cen-
tro do Pard. Em tom emotional, a mat6-
ria reconstituiu hist6rias de alguns perso-
nagens para atrair a atencao da opiniio
p6blica national para o drama dessa re-
giao, vitima da apropriaqdo ilicita de ter-
ras e da exploraqio predat6ria dos seus
recursos naturais. No meio do texto, po-
r6m, apareceu uma informaqao comple-
tamente sem base.
Diz a mat6ria que a expressio grileiro
"surgiu pelo antigo artificio de confinar os
titulos falsos numa caixa cheia de grilos:
os insetos liberal uma substfncia que
amarela e corr6i o papel, dando-lhe uma
apar&ncia de velho". E a primeira vez
que fico sabendo de tal versao. Na ver-
dade, a expressio foi cunhada pelos anti-
gos romanos. Grilar significava criar gri-
los. Ou seja: imobilizar muita terra sem fi-
nalidade produtiva, entregue aos grilos. Por
isso, os romanos combatiam as grilagens,
os latifdndios improdutivos, tdo nocivos
entao quanto agora, na Terra do Meio.
Esse tipo de falsificaqCo, pelo enve-
lhecimento artificial do papel, 6 mais efi-
caz e rentivel por outros meios do que
por essa esdrdxula parceria com grilos
reais. Alias, a grilagem adota atualmente
m6todos muito mais avanqados para se
apossar de terras p6blicas, utilizando ajus-
tiqa para seus golpes, do que os ji agora
anacr6nicos recursos a pap6is forjados.


Jornal Pessoal I QUINZENA OUTUBRO DE 2004


MARABA
Apenas seis dos 12 vereadores eleitos em Marabd sdo paraenses. Metade
da nova Ctamara Municipal e formnada por imigrantes. Dois nasceram no
Maranhdo, dois no Piaui, um em Goids e um no Espirito Santo. Ainda
assim, e no parlamento que a media de natives se mantim acima da sua
propordo social no sul do Estado, que ter em Marabd sua capital
regional. Logo o Pard se tornard o vizinho mais prdximo. E tdo distant.






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C-
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FOTOGRAFIA


Cafe Manduca
Um dos livros lanqados pela Secretaria de
Cultura do Estado durante a VIII Feira Pan-
Amaz6nica do Livro foi sobre o Caf6 Manduca,
ponto de encontro, principalmente de politicos,
jornalistas, intelectuais e homes de neg6cio, que
ficava no canto da rua Campos Sales cor a 13
de Maio. O livro 6 de excelente qualidade
grifica e editorial, mas de conteido acanhado,
provavelmente pela falta de tempo do autor,
Oswaldo Caldeira, para um levantamento a
altura da importAncia que seu objeto de pesquisa
teve na vida belenense. Ndo se deve subestimar
as dificuldades que Caldeira deve ter enfrentado


Hotel
Pedro de
Albuquerque
Slamentava, em 1960,
que a terrasse do
,; Grande Hotel voltasse
S a funcionar
.. desfiguradamente. O
alvo de suas critics
era "uma alambrada
no estilo de timulos
semiticos, ornados de
ciprestes", que passou
a cercar o largo
I calqamento em frente
ao hotel (onde hoje
esti o Hilton, na Praga
da Reptiblica),
"horrorizando aquele
local, sem d6vida o
mais distinto e mais
belo logradouro e
'rendez-vous' da familiar
belemense [belenense]". S6
quem consumisse pelo menos
50 cruzeiros poderia cruzar o
alambrado para usufruir as
delicias do terraqo.
Albuquerque dizia que
esse era mais um golpe
contra o belo pr6dio, que ji
havia sido despojado dos
seus largos port6es de ferro
forjado, importados da
Franqa. Al6m disso, as
bandeiras de Portugal e dos
Estados Unidos, al6m da
brasileira, eram diariamente
hasteadas nos mastareus do
pr6dio, para irritagio do
cronista, que, no entanto, na
d6vida, se perguntava se
esses hibitos nio seriam
"nouvelle vague".


parajuntar material suficiente para um livro, com
o nivel editorial de um album.
Esta foto do Caf6 Manduca 6 de 1960, quando
seus proprietirios, Manoel Soares e Jaime
Augusto Vilhena, inauguraram completes
instalaq6es frigorificas, adquiridas em Victor C.
Portela, e formadas por um balcdo frigorifico,
uma sorveteria de seis bocas, tr6s balc6es ocos
revestidos de f6rmica e tampo de aqo inoxidivel,
e uma conservadeira de oito bocas. O Manduca
mantinha sua pompa e circunstancia, mas
comeqaria a entrar em decadencia a partir daf,
pela pr6pria crise dos neg6cios que o mantinham,
sobretudo os da political, da inteligencia e da
liberdade, que garantiam a vida pdblica da terra.
Sem seus agitados freqientadores, o
estabelecimento perdeu f6lego. Sem o
"Manduca" (e os outros caf6s da famflia), Bel6m
se empobreceu.


--F- ~Q'






Eleigao
Foi excepcionalmente alto
o indice de abstengqo na elei-
gao para prefeito de Bel6m,
em setembro de 1953. Em
editorial de primeira pigina, a
Folha Vespertina observava:
"At6 onde foi, na realida-
de, a deserg~o, 6 cedo para
saber-se. O fen6meno expri-
me a falta, cada vez maior, de
confianca do eleitorado nos
homes a quem defere o po-
der. Eji o dar-de-ombros sig-
nificativo do seu desinteresse,
pouco lhe importando que as
coisas prossigam na sua mar-
cha para o abismo". Meio s6-
culo depois, o que mudou?

Porto
A Pesca Amaz6nica, frigo-
rffico de peixe instalado no
Porto do Sal, oferecia, em 1959,
a pescada amarela, "o aristo-
crata dos mares", e a garou-


pa, "o mais delicioso e mais
saboroso peixe de alto mar"
(excedente nos sin6nimos),
com "preco rigorosamente den-
tro da tabela da Cofap". Al6m
disso, os peixes eram "arma-
zenados higienicamente pelos
mais modemos processes Nor-
te-Americanos". As vendas,
"em qualquer quantidade",
eram feitas de 6 as 10 horas e
das 15 as 18 horas. Quando,
evidentemente, o Porto do Sal
era risonho e franco.

Desmatamento
Um grupo de fazendeiros de
Minas Gerais gastou nove dias,
em 1960, para fazer o percurso
entire Uberaba e Bel6m pela
rodovia Bel6m-Brasflia, entao
rec6m-inaugurada, em dois ca-
minh6es e uma camionete Ru-
ral Willys. Os fazendeiros trou-
xeram 20 "agregados" para dar
inicio "aos serviqos de derruba-


PROPAGANDA

A gerafio das 4.400
Em 1967 as Lojas Brasileiras, ou Lobras, ainda eram as
"'4.400' dos bons tempos", como proclama este andncio, pre-
parado para o dia das miles. O marketing ainda nao havia sido
inventado (ou pelo menos assumido), mas havia um ar de aus-
teridade e confianqa na filial belenense da rede de lojas, que
sucumbiria nos anos 90. Enquanto os pais faziam suas com-
pras no interior da loja, li fora, na rua Jodo Alfredo, os filhos
faziam o footing, preparando encontros e namoros. Nao havia
melhor endereqo como refernncia do que "em frente das 4.400".
O vicuo nao foi preenchido at6 hoje.


14 DE MAIO



diado
amor
malor




Sua ma dedico todo oam dics do ano
a voc6. Nette dia (pena quo soja swmento
um) 0la mereco Uma lombroanw pot soeu
amor e carnho.
14 DE MAtO-DIA DO AMOR MAIOR,
6 imnpossivel esquec4io.

EM TODO 0 BRASIL t98:s
LOJA BRA LEi &
SA SUA -4.400C DOS EBOS IEPOS


da de mata em areas destina-
das agriculture" no municipio
de Tom6-Aqu, al6m de semen-
tes "e material agricola para
esse fim". Era o inicio das der-
rubadas sem fim que estao
transformando a Amaz6nia no
maior dos sert6es. Pra mineiro
nenhum botar defeito.

Menores
Em 1962 ojuiz Edgar Ma-
chado de Mendonqa estabele-
ceu uma nova escala de servi-
qo para comissirios e oficiais
de justiqa encarregados dos
menores, mandando-os fisca-
lizar os 18 cinemas que havia
ent5o em Bel6m: Olimpia, Ira-
cema, Nazar6, Independencia,
Popular, Moderno (o encarre-
gado, nos dias impares, era o
future m6dico Ronaldo Fonte-
les de Lima, irmdo do future
deputado Paulo Fonteles de
Lima, assassinado em 1987),
Opera, Palacio, Pamazon, Gua-
rani, Art, Vit6ria, Paraiso, Bra-
sildndia, Marambaia, Tamoio,
P6rola e Guajard (quem se
lembra de todos?).
Alternando-se entire os dias
impares e pares, os comissari-
os deviam atuar ainda em Mos-
queiro, Icoaraci, estaqces de
radio e televised, festas em
sociedades e "festas bo8mias,
zona do meretricio e demais lo-
cais impr6prios".
Ojuiz encarecia tamb6m ao
Curador-Promotor de Meno-
res Desvalidos e Transviados
"que promova a suspensio ou
perda do patrio poder de tutela
dos genitores ou tutores dos
elements conhecidos por 'va-
gabundos sociais'".

Garraf-ao
Nos funds da sorveteria
Luso, na avenida Serzedelo
Corr8a, entrou em funciona-
mento, em abril de 1967, a
churrascaria Garrafao, que
seria, durante vdrios anos, uma
das refer8ncias da cidade, ser-
vindo galeto, pizza, drinques e,
naturalmente, churrasco. O
ambiente, uma penumbra cri-
ada por funds de garrafas ilu-
minados, favorecia os encon-
tros. Mas tudo acabaria num
incendio. A churrascaria nio
renasceria das cinzas. E a sor-
veteria, que servia mais bebi-
das alco6licas do que sorvete,
a pessoas que bebiam em p6,


durante horas seguidas, tam-
b6m sucumbiria a march do
tempo. Hoje, ela 6 uma placa
na porta. E como d6i.

General
Bel6m foi a primeira cida-
de brasileira que o pol8mico
general Vernon Walters visi-
tou, em 1943, quando come-
cou a servir como official de
ligaqio entire as forqas arma-
das dos Estados Unidos e a
Forca Expedicioniria Brasilei-
ra, a FEB, que participaria da
Segunda Guerra Mundial, na
Italia. Por isso, Walters deci-
diu visitar de novo Bel6m em
1967, quando deixou a funcao
de adido military a embaixada
dos EUA no Brasil para ser-
vir seu pais na guerra do Vie-
tnam, a pedido seu. Deixaria
para tris uma rumorosa par-
ticipa~go no golpe military de
1964, atuando ao lado (e aci-
ma) do embaixador america-
no Lincoln Gordon.

Derrota
Jader Barbalho sofreu sua
primeira derrota eleitoral quan-
do disputou a presid6ncia da
UECSP, a Unioo dos Estudan-
tes dos Cursos Secundarios do
Pard. Dois anos depois, em
1967, quando desempenhava
seu primeiro mandate, de ve-
reador de Bel6m, pelo MDB
(partido que antecedeu o
PMDB), deu uma explicaqco
para a derrota: seus adversiri-
os, acusando-o de comunista e
subversive, fizeram-no perder
votos decisivos.

Rodoviarismo
Em 1967 o president
Costa e Silva aprovou a trans-
ferencia, para o governor do
Pard, dos bens im6veis que
haviam pertencido a Estrada
de Ferro de Braganca, extin-
ta na administraq~o anterior,
do marechal Castelo Branco,
como uma das ferrovias fe-
derais deficitarias, obsoletas
e antiecon6micas que havia
no Brasil, condenadas a imo-
lacao por um rodoviarismo
doidivanas. 0 principal bem
patrimonial da EFB, a esta-
qCo do bairro de Sao Braz, foi
colocada abaixo pela adminis-
tracqo Alacid Nunes. Em seu
lugar surgiu a atual estacao
rodoviaria.


Jornal Pessoal i QUINZENA OUTUBRO DE 2004 11








MORTAL
Ao saudar o novo imortal,
Roberto Benedito Carvalho,
dono de uma obra literaria
que nao prima propriamente
pela notoriedade, o ex-
senador Jarbas Passarinho
disse que seu novo colega de
silogeu entrou na Academia
Paraense de Letras "pela
porta do mrrito".
Deve ser dependencia
nova na casa.
Ja o novel academico,
inovando na classificaqdo
dos g&neros literarios,
proclamou:
"Foi na prosa que me
dediquei corn mais
intensidade. Por6m,
ocasionalmente, escrevo
contos, poemas e romances".
A frase talvez tenha a ver
com sua trajet6ria intellectual.
Carvalho confessou que
desde os 19 anos, quando
entrou numa livraria e
comprou o primeiro livro de
sua "pequena biblioteca", tem
navegado "pelos mares de
bons livros".
Vai ver que essa
navegacao tem tido muito
banzeiro.

VENTRILOQUISMO
Alexandre Garcia e
Amaldo Jabor tiveram
espacos privilegiados na TV
Globo para desancar os
ambientalistas, classificados
de anacronicos
obscurantistas, e fazer lobby
em favor dos transg8nicos,
pressionando para aprovar a
lei da biosseguranga no
Senado, o que acabou
acontecendo. O tom dos dois
jornalistas foi col6rico, de
indignaqio. Esse tom e a mot
just, como se diz, quando a
biografia dos editorialistas
autoriza o discurso. Depois
de anos dedicados ao
assunto, eles estao
credenciados a manifestar
uma opiniao. Nao 6 esse,
por6m, o caso dos ne6fitos
Garcia e Jabor. Ao que
parece, como Bush, eles
reproduziram o que o ponto
lhes soprou.
Sejamos justos, por6m:
ningu6m ouviu qualquer
tilintar.


ENTREVISTA


No m6s passado o Palacio do Planalto
selecionou 13 jornalistas de radio para uma
entrevista coletiva cor o president Luiz
Inicio Lula da Silva, a segunda desse tipo
que se permitiu conceded a imprensa des-
de sua posse.
Encerradas as perguntas, o presiden-
te resolve assumir o tom magister dixit.
Dono da faca e do queijo, estabeleceu
um pressuposto ("Voc8s nao foram cons-
trangidos por ningu6m dizendo que de-
veriam fazer essa ou aquela pergunta.
Voces perguntaram o que quiseram e
como quiseram") para a licao de moral
que viria a seguir, ditada do Olimpo: "Eu
pensei que voc8s iriam entrar em temas
polemicos. Voces nao entraram nas coi-
sas mais polemicas que deram briga nes-
ses dias, mas eu estou disposto a deba-
ter qualquer tema. Para mim nao tern
tema proibido, nao tem tema que nao pos-
sa ser discutido". Cor um fecho avas-
salador: "Espero que tirem liq6es dessa
nossa conversa e que na outra voces
possam ser um pouco mais duros com o
presidente.
Encerrado o puxao de orelhas unila-
teral, sua excelencia alevantou-se e foi
embora, deixando aquela popular misca-
ra de cara de tacho nos 13 ridiojornalis-
tas, que antes haviam presenteado o che-
fe da nacgo com mimos de seu agrado,


CORRE( AO
O reitor na Universida-
de da Amaz6nia, Edson
Franco, envia carta para
desmentir informacao publi-
cada neste journal, ediCqo
329. Diz que Duciomar Cos-
ta ingressou na Unama "por
process seletivo normal" e
nao se valendo do diploma
falso de m6dico, que com-
prou como se fosse da Uni-
versidade Federal do Parn.
Toda documentagqo "a res-
peito desse nosso antigo alu-j
no" esti disponivel para con-
sulta na Unama, confirman-
do a afirmativa do profes-
sor Edson Franco, que sem-
pre procura "proceder na
forma da lei na Universida-
de da Amaz6nia".


como uma cachaga daquelas e CDs de
misica sertaneja.
Em boa hora Mill6r Fernandes esti de
volta a este lado do balcdo, assolado por
chapas brancas, pessoas juridicas com
designaqgo de pessoas fisicas e profissi-
onais que nao se vexam de se curvar,
mesmo que revelando outra parte pro-
tuberante da anatomia. Mill6r, que so-
pra vida de inteligencia consiste pelas po-
licromias de Veja, 6 autor de um grito de
guerra da profissao: "Jornalismo 6 opo-
siqdo, o resto 6 armaz6m de secos &
molhados".
Entrevistas boas eram aquelas em que
o entrevistado chamava seus melhores
assessores para sabatini-los, na posigqo
de advogados do diabo, tentando prepa-
rar-se para o pior que se avizinhava, e
entrevistadores amolavam o fio de suas
intelig6ncias ouvindo fontes autorizadas
e consultando documents apropriados
para espremer o personagem. Quanto
mais poderoso ele fosse, mais inclemen-
tes deveriam ser os jornalistas, int6rpre-
tes e auditors da opiniio pdblica.
Entrevista, hoje, 6 essa gel6ia geral,
esse espeticulo de adulagao bovina ou de
passividade burocritica. Vale repetir uma
outra frase, a de Jules Feiffer: "Se quiser
uma mentira, vi a uma entrevista coleti-
va. Se quiser uma verdade, roube-a".


JUST A
O Tribunal de Justiqa do
EstadojA formou a lista tripli-
ce para a escolha dejuiz subs-
tituto, na classes dejurista, que
submeterA ao Tribunal Regio-
nal Eleitoral. Sdo cidaddos "de
notavel saber jurfdico e repu-
tacdo ilibada", que atuardo na
justiga eleitoral. Os mais vo-
tados foram Stael Sena Lima
(21 votos), C61io Simoes de
Souza (16) e Oneide Noguei-
ra Lima (12), que compuse-
ram a lista. Ficaram de fora
Eduardo Corrfa Pinto Klau-
tau (8 votos), Angela Brasil
Monteiro (7), Thadeu de Je-
sus e Silva (5) e Izabel Os6rio
(um voto). A vaga foi aberta
pela renincia de Angela Ser-
ra Sales.


SALAO
Os dois principals
executives das
OrganizaqOes Romulo
Maiorana, os irmlos
Romulo Jr. e Ronaldo, nao
compareceram A abertura
do Salao Arte Pard 2004,
no iltimo dia 7. O
governador Simdo Jatene
chegou atrasado, jA no
final da festa. O secretirio
de cultural, Paulo Chaves
Fernandes, deve ter feito o
mais curto discurso de sua
hist6ria ao saudar o
event. E o saldo,
propriamente falando, ou
muda ou vai se tornar uma
bacia das almas, na qual
cabe tudo e cada vez
menos arte.


jona Plssa Edior *~i *i Pinto
Fones (091 2472 .. .ota .vBnai Costn 840 6.05304 -e-a. l jona.mao.. o. .*. Prodgao Anei it-* io eAt it




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