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~-ll'lO~-~sl~~tlBn~~;PaYXC.Usll~(( -Y IIII~YICILYCIY--- --- I~-~rUIIIIIIC*A CORRUP(A0O AINDA ACESA (PAG. I 2) SETEMBRO DE 2004 A AGENDA A MA ZO~N I CA DE LUIjC IO F LAdV IO P INT O ELElgAO , 0 final do corridor eleitoral present promessos de novidodes por o afuturo. Umo delos: novos aloangos politicos, colocondo como adversajrios allados de hoje e vice-verso. O reembaro/homento dos carts politicos, por~m, pode ndio mudor nodo, em essincio, no Para. O futuro se parece, codo vez mois, a uma mirogem. ue tal Almir Gabriel reto- mando o control do PSDB e o governador Simio Ja- tene se passando para o VPMDB do deputado fede- ral Jader Barbalho? Pouco tempo atris essa hip6tese se- ria considerada impensivel. Ainda seri classificada de risivel quando apresenta- da, hoje. Mas provavelmente ji comogFa a preocupar algumas cabegas. N~o que venha necessariamente a se materializar ou esteja mesmo em andamento. Mas cabe num ensaio prospective sobre os cendrios que se seguirio B eleigio muni- cipal deste ano no ParB. O ex-governador Almir Gabriel recu- sou ser o candidate tucano a prefeitura Tudo muda: tudo igual 2 SETEM8"D)DE 2004 lo QUINZENA Jlornal Pessoull counsuyA0A DA CP de Beldm, quando era o preferido nas pesquisas de intenglio de voto. Mas nito o favorite. Parecia ameagado pela candidate Ana Jilia Carepa, do PT, que conseguira se eleger sena- dora dois anos atris, com um milhlo de votos. Candidate de unillo e de forga do PSDB, Almir recusou g dltima hora em- barcar no trio el~trico, oferecido por seu successor. Alegou que nito queria voltar a uma dispute eleitoral, estava cansado, queria usufruir as delicias de uma bem adubada aposentadoria, cur- tir a familiar, cuidar da mulher e outros arguments de quem se desinteressou pelo picadeiro do voto. Simlio Jatene tinha que escolher en- tre um nome qualificado para a fun- Cgio, fazendo tudo para eleg&-lo, ainda que saindo do trago (como foi seu pr6- prio caso de sucesso), ou pegar o se- gundo nome mais lembrado nas privi- as, que, por isso mesmo, seria o candi- dato mais forte eleitoralmente, fosse ele quem fosse. No primeiro caso, ele podia langar miio de um quadro t~cnico, como o su- persecrettirio Sdrgio Leiio (que jB c tuma ser apontado como possivel can- didato ao governor em 2010, na linha sucess6ria nobilitirquica republicano- monarquista, que constitui o projeto tucano de poder). Na segunda opglio, o nome seria o do senador Duciomar Costa, que sempre aparecia disputan- do o segundo lugar com Ana Jilia nas pesquisas niio oficializadas, quando Almir era o primeiro. Mas Duciomar 6 do PTB e nito do PSDB. Em segundo lugar, niio se iden- tifica com a base do partido, nem se amolda ao perfil do Ifder tucano. Em terceiro lugar, tinha uma nbdoa no cur- riculo, o charlatanismo provado e confesso de forjar um diploma para exercer a medicine oftalmol6gica (cri- me que nho deu em condenaglio e pena por ter prescrito). Em quarto lu- gar, e por conseqtiincia, por nio ofe- recer muitas garantias de fidelidade p6s-elei toral. Mais do que essas circunstincias, pesou na balanga de Simlio Jatene um objetivo: recuperar o poder na capital, que tem 20% dos votos do coldgio elei- toral paraense, hti oito anos sob o con- trole do PT. Para arrematar essa es- trat~gia, Jatene precisava de um outro suporte: a renovaglio da alianga com o PMDB, seu principal aliado na Assem- bl~ia Legislativa, mesmo sem integrar a coliga~glo comandada pelo PSDB. Sem o PMDB, Jatene n~io teria alcan- gado tantas vitbrias no legislative e iSSo teria afetado sua capacidade de governor. O Oinico empecilho para a renova- ~gio desse apoio seria um entendimen- to eleitoral neste ano. E a pedra no meio do caminho, nesse enredo de p6 quebrado, era j ustamente Almir Gabri- el. Por razdes conscientes e inconsci- entes, 16gicas ou irracionais, estrat~gi- cas ou impulsivas, o doutor Almir se tornou inimigo total do home que lhe deu, de miio beijada, seu primeiro car- go politico. Foi como governador elei- to do Parj que Jader Barbalho fez de Almir Gabriel, secret~rio de sa~ide no segundo governor de Alacid Nunes (1979-1983), prefeito bibnico de Be- 16m, em 1985. Se juntassem suas te- ses, Maquiavel e Freud ajudariam a ilu- minar os recinditos dessa origem e seu desdobramento posterior. Renunciando (pela segunda vez) a ser candidate h prefeitura de Bel~m, independentemente de sua motivaglo para essa decisio, Almir Gabriel libe- rou o caminho para a 6nt~nte Jatene- Barbalho. Ela compreende nito s6 uma acomoda~gio de interesses no 6nico foco grave de dissensies potenciais, a Area metropolitana de Bel~m, mas tam- b~m um espectro de composiCaes en- volvendo praticamente um tergo dos municipios do Estado, nos quais PMDB e PSDB estarilo casados, como ensaio para former outra vez maioria absolu- ta na Assembl~ia Legislativa. O doutor Almir certamente tinha ci- Cncia do alcance para o PSDB da sua desistincia em Beldm, mas talvez nio mediu adequadamente a capacidade de recuperaglio do seu partido e do gover- nador. Passado o impact da renuncia, em pouco tempo Duciomar Costa, con- tra alguns dos principals vaticinios tu- canos e expectativas petistas, ocupou o viicuo deixado pelo ex-governador. Foi alt~m atC, tornando-se o favori- to na corrida pr6-eleitoral e dando cau- sa a uma hip6tese que nho estava em jogo: decidir a dispute jii no primeiro turno. Embora ainda precaria, sujeita a alteraqdes at6 o dia 3, essa hipbtese modifica o balango das forgas political e langa uma sombra para o future, no qual era ponto pacifico a candidatura de Almir Gabriel ao Senado, que seria seu grande trunfo depois de afastada a prefeitura de Belem. Niio por acaso, a postura de apo- sentado e o caminho que levava aos jardins de orquideas mudou completa- mente. O hall de entrada do prddio de luxo, no qual o ex-governador reside, passou a ser tomado por politicos, so- bretudo do interior, h espera das conti- nuas audi~ncias dadas por Almir Ga- briel. Ele comegou a comparecer a comicios e sua agenda foi tomada por deslocamentos para fora da capital. Outdoors inundaram Bel~m com uma nova marca, tito exagerada que virou mote de bumor: Almir, "o inesquecivel". Por que lhe dar esse titulo? Havia uma boa razlio flitica. As pesquisas, cada vez mais, mostram que o povo aprovou seus oito anos como adminis- trador (se com razlio ou niio, 6 outra coisa, que nho vem ao caso), mas nio lhe reconheceu eleitoralmente os cr~di- tos. A vit6ria de Almir sobre Jader foi muito mais suada do que, quatro anos antes, sobre Jarbas Passarinho, embo- ra Almir tivesse a seu favor toda a mii- quina estadual e o desgaste da imagem de Barbalho, depois de uma desastrosa passage pela presid~ncia do Senado. Reconhecido como administrator, Almir nito teve a mesma sorte como politico. Niio por uma possfvel ingrati- dito do povo, mas por falta de traquejo do prbprio ex-governador, um sagaz ar- ticulador de bastidores, disposto a tudo para realizar seus intentos (por isso teve maioria legislative como nenhum outro, mesmo os que governaram o Pardi no period de exceglio do regime military mas sem facilidade de comu- nicaqilo e aproximaglio com o povo, um politico tens, cuja aparincia mais afas- ta do que atrai. Se pretende-se "inesquecfvel", 6 porque o ex-governador quer ser lem- brado. Talvez niio confie que seus cor- religiondrios tratario da mem6ria co- letiva a ponto de permitir-lbe voltar sem sustos (ou riscos) a mais uma dispute eleitoral, depois de dois anos ao relen- to. A desconfianga nos sucessores pro- vavelmente evoluiu, no circulo mais pr6ximo a Almir Gabriel, para a certe- za de que o grande lider pode estar sendo entregue ao esquecimento e ao ocaso. Se um dia o medico pensou mesmo em deixar o poder, tudo pare- cia estar conspirando para realizar-lhe esse alegado sonho. Mas estil provado, agora, que tudo n~io passava de palavras. Recompon- do suas forgas, sobretudo comn os tu- canos que niio foram albergados na equipe de Simlio Jatene, mais aliados eventuais e insatisfeitos de sempre, o ex-governador crion uma estrutura pa- ralela B do seu successor, jik que, nesta, um dos components 6 o indesejado e odiado Jader Barbalho. Almir procurou recuperar seus cr~ditos junto g candi- datura Duciomar, embora com o cui- dado de transferir a autoria para ter- ceiros (como para a ex-primeira dama, ativa apesar dos problems de sadde). E se langou B luta. Teve o apoio do grupo Liberal para investor sobre um reduto preservado por Bush agamn Para ser a replica de Bush, Putin tinha que dar uma ajuda ao modelo. Nem que para isso precisasse derra- mar sangue inocente de centenas de pessoas, sobretudo criangas. Sintomitica, a manobra do gover- no russo. Primeiro probe imagens do seqtiestro. Depois, manipulando-as, as exibe. Comn isso, desvia a aten~gio da opinilio pdiblica de sua pr6pria res- ponsabilidade, ao mesmo tempo em que a dirige contra o terror. Esconde a causa e escancara a conseqtien- cia. Nos Estados Unidos isso 6 feito atrav~s de t~cnicas de marketing e conivencia da imprensa. Na Rlissia, o governor se favorece das estrutu- ras de mando verticalizado montadas pelos bolcheviques de L~nin e leva- das B perfeiglio tirinica por St~lin, que ainda subsistem depois do desmoro- namento do regime comunista. A distincia, temos nossos moti- vos para nito querer a selvageria do mercado, que prevalece no primeiro modelo, nem a ordem burocritica paralisante do segundo. Nem o rei- nado da rede Globo e tudo que re- presenta, nem o conselho corporati- vo-estatal. BUSH |I Se um Bush jB niio era pouco, agora o mundo tem dois. O outro fica na Rlissia e atende pelo nome de Vladimir Putin. Tornou-se o maior e inesperado cabo- eleitoral para a reelei~gio do desastroso president dos Estados Unidos. Niio podia ter surgido em memento mais necess~rio para Bush II, nem da maneira mais dramaticamente litil. Claro que a origem da matanga na escola de Beslan, no interior da Rlissia, 6 o grupo terrorist checheno, mais um de origem islimica. Mas a trag~dia s6 alcangou sua traumitica dimensiio mundial por conta da insensibilidade, press e brutalidade dos militares russos, sob as ordens diretas do president. Eles repetiram a a~gio praticada num teatro de Moscou, em situaglio semelhante. Se pudesse, George Bush teria dado a mesma orientaglio. Niio podendo, beneficiou-se dessa sbrdida combina~gio de terror e totalitarismo, o velho (mas sempre renovado) despotismo oriental. Jatene, em funglio do acordo com o PMDB: Ananindeua. Ali, a candidatu- ra tucana serviria apenas de decora- ~gi para uma vit6ria arrasadora do successor que Jader Barbalho est8 tra- balhando para criar, seu filho, o depu- tado estadual Helder Barbalho, enquan- to, em Bel~m, langa miio de Hdlio Guei- ros para valorizar seu cacife para um entendimento no segundo turno, com vantagens inclusive para o candidate peemedebista (que pode ter um lugar na C~mara Federal se um dos deputa- dos da bancada for chamado para in- tegrar a administration municipal ou mesmo estadual). Segundo o notici~rio de O Liberal, santinhos com a imagem de Almir Ga- briel, distribuidos a rodo, teriam provo- cado o milagre: as preferincias por Helder baixaram de 77% para 71%, enquanto as de Gisela Cunha aumen- taram 111%, embora ainda represen- tasse uma sexta parte do indice do 11- der nas pesquisas. A menos de um mis da eleigilo, o resultado niio dava qual- quer alento de que o milagre possa vir a se consolidar, mas uma vit6ria me- nos acachapante seria important para os objetivos do ex-governador: mostrar que ele tem densidade eleitoral, at6, talvez, quem sabe, para enfrentar Si- milo Jatene, dentro e fora do PSDB, se essa circunstincia se apresentar. Ela poder8 vir a se apresentar? Esta 6 uma das inc6gnitas que se langam so- bre o period pbs-eleitoral antes mes- mo de falarem as urnas, das quais, como niio se cansam de dizer os politi- cos, pode-se estar tantas surpresas quanto da mineraglio. Ainda que Jate- ne e Almir possam se reacomodar no mesmo ninho, jB o fadio sob a condi- Fgi de tucanos bicudos demais para uma convivincia sem atritos. Na casa e no circulo intimo do ex- governador, os adjetivos reservados ao seu successor nito sho nada lisonjeiros. A teimosia, o autoritarismo e o ego do medico tamb~m ji nito desfrutam de espago suficiente para albergi-los no Pal~cio dos Despachos. Niio sera von- tade demais para espago de menos no PSDB, ainda mais porque o lugar de Duciomar no Senado sera ocupado pelo compare de Almir, o empresirio Fer- nando Flexa Ribeiro? Mas nito 6 s6 a essas idiossincrasias que a estrutura do poder ter8 que se ajus- tar. O prdprio Duciomar, se eleito, ain- da mais se isso ocorrer jB no primeiro turno, que tipo de tratamento passar8 a reivindicar do governor? Essa rela~gio, que jB seria complicada em terms pu- ramente paroquiais, 6 agravada pela relaglio national do PTB com o PT, algo que nho se traduziu ainda na dispute elei- toral, mas que tera seu peso na aglo administrative. Duciomar reforgar8 a alianga Jatene-Barbalho, ou lhe sera um estorvo? Sem recursos do orgamento municipal, ficar8 a merc8 da ajuda es- tadual ou procurar8 o mana federal? Para o PT, a meteorologia nito 6 menos incerta e problemitica. Perden- do a capital, a melhor base political que lhe podera restar sera Santardm. Nio sera a volta a um passado de inexpres- sividade, mas sera um franco retroces- so. O PT se descobrir8, outra vez, sem um grande nome para a dispute majo- rit~ria de 2006. Esse mau resultado 6 menos con- seqtiincia da conjuntura ou qualquer fato externo e mais dos erros petistas, da sua baixa qualificagilo, da sua in- compet~ncia no manejo dos corddes do poder. O PT acreditou na sua pr6pria propaganda. Esqueceu as dissensies internal, a sua fragilidade t~cnica, a perda de algumas de suas bandeiras, a forga dos adversaries. Foi surpreendi- do pela perda de eixo e pela borrasca que bateu em seus costados devido & inconsistincia de suas conquistas. Edmilson Rodrigues conquistou o segundo mandate a duras penas, de- pois de ter sido beneficiado pelos er- ros dos adversaries na primeira elei- gilo, batendo por pouco o at6 entio desconhecido Ramiro Bentes, um se- cretirio municipal que o prefeito H61io Gueiros tentou enfiar goela adentro do eleitorado, como se tamb~m fosse ca- paz de eleger um poste. Edmilson de- veu sua vit6ria sobre Duciomar Costa, em 2000, a uma polemica pesquisa que o grupo Liberal divulgou na v~spera, numa hist6ria at6 hoje B espera de sua verdadeira escrita (certamente nito s6 uma escrituragilo jornalistica). Numa alianga mais ampla, o PT te- ria consolidado entlio seu poder, ainda que o dividindo, para nito se ver obri- gado a devolver a prefeitura da capital ao partido que jB domina o governor do Estado (pelo terceiro mandate segui- do) e dever8 controlar a maioria das prefeituras depois de outubro. O esque- ma de poder se tornar8 ainda mais monolitico do que jB 6, mesmo que Al- mir Gabriel se torne um rebelde. Tudo bem para aqueles que desfru- tam desse poder ou acham que o Parr esti mesmo se desenvolvendo com esse jeito ao mesmo tempo concentrador e arejado de administrar a coisa pdblica. Mas ruim para aqueles que, revendo o passado, nito encontram nele nenhuma chave para o future, exceto o dessa com- bina~gio de apar~ncia rC~sea e essincia pldimbea. Esse 6 o ParB de um future que se exaure no present. No qual tudo muda para tudo continuar como est8. Jornal Pessoal 10 QUINZENA SETEM8RO DE 2004 4 SETEM8RO DE 2004 I" QUINZENA Jornal Pessoul A UDR (Uniko Democritica Rura- lista) jB era. A organization que repre- senta agora os dons de terras 6 a An- pru. A Associa~gio Nacional dos Pro- dutores Rurais dispde de uma receita mensal de 13 milhdes de reais, resul- tante do pagamento de R$ 75 por cada um dos seus 175 mil associados. Gran- de parte desse or- gamento 6 empre- gada para monito- rar, identificar e combater as inva- sdes de proprieda- Ir des rurais, feitas principalmente pelo MST (Movi- mento dos Traba- lhadores Rurais Sem-Terra). A Anpur est% utilizado nesse serving tecnologia de ponta, com informag~es por satilite e uma rede de cobertura em ter- ra que age em tempo real. O objetivo, evidentemente, nito 6 acad~mico. Por isso mesmo, para ser eficiente, comega a se estender B seguranga das propriedades, com o treinamento de seus funcion~rios e contratagilo de pessoal externo. Uma das justificativas para essa iniciativa, se- gundo os dirigentes da associaqio, 6 a quantidade de mandados de reintegra~gio nio cumpridos, apesar da determina~gio judicial nesse sentido. Seriam 450 ordens B espera de decision do governor, desde o inicio da administraSio Fernando Henri- que Cardoso, em 1995. Esse clima de crescente antagonismo e de viol~ncia cada vez maior sugere, entire outras coisas, k~cque o governor nto esta sendo o exe- -- -~ cutor da ordem le- --- gal nem esta cum- -- prindo seu papel de mudanga da ordem social, quando ela se torna iniqua, ine- ficiente ou obsole- ta. De um lado, nito mant~m a confianga nas instituigaes. De outro, nito express a insia social- A tarefa niio 6 ficil, mas precisa ser enfrentada com mais conseqtiincia. Do contr~rio, o campo se torna terreno fdrtil para oconfronto direto, sem adevida me- dia~gio do verdadeiro grbitro nos antago- nismos. Quem acaba pagando a conta 6 a democracia. A Companhia Vale do Rio Doce sur- preendeu o mercado com um comunica- do, publicado no dia 2 na imprensa de todos os Estados nos quais atua. Nessa nota, a Vale se diz vitima de uma attitudee criminosa": pessoas que nito identifi- cou estariam se apresentando em seu nome para vender mindrio de ferro no mercado international. Estariam inclusi- ve subscrevendo "cartas adulteradas e com falsificaqdes grosseiras de assina- turas de Diretores de Departamento da CVRD, tratando de embarques de mind- rio de ferro para exportapho". Se a attitude criminosa chegou a esse ponto, provavelmente a Vale sabe quem sho os fraudadores. Mas preferiu nio nome8-los, mesmo quando provocada. Niio se trata de um golpezinho qualquer: a Vale, comercializando um tergo do mi- ndrio de ferro que circula pelo mundo, teve um saldo de divisas no ano passado de 3,4 bilhdes de d61ares, que represen- tou quase 14% do superivit commercial do Brasil em 2003, tornando-se a maior ex- portadora liquid do pafs. Ao contr~rio de um boato malivolo que circulou pela cidade, a nota nada tem a ver com a atua~gio do deputado esta- dual Martinho Carmona, "o honesto, como se apresenta, candidate a prefeito de Bel~m pelo PDT. Carmona tem dito em sua propaganda que sua peregrina- glio pela China, como integrante da co- mitiva do president Lula, resultar8 em investimentos para a capital paraense. Com emprego e renda, conforme a lada- inha geral. Seu adversirio, H61io Gueiros, depois de ouvir o antincio no debate na R~dio Liberal, lembrou, ao seu estilo, que "o inesquecivel" tamb~m havia prometido algo semelhante ao voltar de sua muito festejada viagem 8 Malisia (Gueiros es- queceu de lembrar que houve repeteco da promessa no retorno da TchecoslovB- quia), mas que at6 agora o resultado con- creto 6 zero Na Cpoca, de qualquer modo, nio houve nenhuma nota da CVRD que pu- desse inspirar associates malivolas - e descabidas, claro. FOgO HO campo A die?8 da CDP (Companhia das Docas do ParB), se imaginou que invia- bilizaria a VIII Feira do Livro recusan- do-se a ceder-lhe dois de seus galpdes, no terminal de Bel~m, como fizera no ano passado, deu-se mal. Tomando o pitio na unha, o secretirio de Cultura do Estado, Paulo Chaves Fernandes, criador e rea- lizador da feira, decidiu adaptar, para re- ceber a feira, uma grea do antigo Parque de Aerondutica, que, no future serd o Centro de Conven95es do Estado. Como nho havia tempo, a licita~ilo para a obra foi dispensada, mesmo envolven- do tris milhaes de reais. A circunstincia adversa criada pela mB vontade da CDP acabou favorecendo, por vias e traves- sas, o mitodo de Paulo Chaves, de dei- xar de lado as preciosidades formats da administra~ilo pbblica e it logo aos "fi- nalmentes". No dia 17, quando a feira comegar, seus freqiientadores poderio verificar se a rapidez do agir do secretirio deu bons frutos. Esse mdrito ningu~m tira de Pau- lo: quando quer, ele faz. No prazo exf- guo, adaptou o hangar da Aeroniutica em parque de exposi~gio. Mas niio daria para realizar outro de seus grandes projetos, que C o pr6prio Centro de Convengoes, de custo oito vezes maior, de R$ 24 mi- lhies mais carol, inclusive, do que a Esta~gio das Docas. Esses R$ 24 milhdes de obras futuras devem ser acrescidos a outros R$ 24 mi- lhdes, o valor atribuido g Area da Aero- n~utica, na avenida Almirante Barroso, esquina comn a Doutor Freitas (e ao lado do "autorama" do Edmilson. O Estado nito pagardi em dinheiro pelo im6vel, mas res- sarcir8 esse valor em obras e servigos, de acordo com a indicaglio do Ministdrio. O primeiro encontro de contas for a cessao de um pr~dio da Secretaria da Fazenda situado ao lado do Tribunal Regional do Trabalho, na Praga Brasil, que dever8 ser- vir de dep~sito judicial. Ao admitir que nito havia tempo para fazer todo o Centro de Conven95es (de R$ 50 milhdes, ao cabo e ao rabo) em tiio pouco tempo, Paulo Chaves foi sin- cero: "Se eu fizesse isso, eu mesmo pen- saria que sou Deus . VERDADE Antes de poderem esclarecer adequa- damente o distinto pliblico, Veja e IstoC parecem ter achado melhor p~r fimn a guerra que vinham travando em torno de uma acusaglio feita pelo jornalista Luis Costa Pinto (ver Jornal Pessoal 328). Logo quando as duas publicaq~es come- gavam a se aproximar da verdade. Mal-entendido Na d~cada de 70, o alto custo da ener- gia, provocado pelo duplo cheque do pe- tr61eo, obrigou o Japtio a refazer sua es- trutura produtiva. Uma de suas mais dristicas iniciativas, motivada pela fragi- lidade energ~tica do pafs, foi fechar pra- ticamente todas as suas flibricas de alu- minio, o produto industrial mais eletroin- tensivo que existe, e transferir o supri- mento dessa demand para o exterior. A fiibrica que individualmente mais metal fornece ao Japho fica a 20 mil quil~me- tros do seu territ6rio: 6 a Albrdis, a 50 quil8metros de Belt~m, que atende a 15% da demand japonesa de aluminio. E do ParB que sai tamb~m o mindrio de ferro que alimenta os altos fornos das siderdirgicas japonesas. A proporglio, nes- se caso, 6 semelhante jIdo aluminio: 15% do mindrio de ferro consumido pelo Ja- pilo tem origem na mina de Carajils e 6 embarcado pelo porto da Ponta da Ma- deira, em Stio Luis do Maranhilo. Um fen~meno semelhante acontece atualmente com outro pals do Oriente, a China. Por car~ncia de energia, necessi- dade de recorrer a fontes energ~ticas mais limpas e imposigio de medidas de control ecol6gico exigida por seus vizi- nhos, a China comegou a adotar proces- so semelhante de transfer~ncia de pro- du~gio A Amazinia 6 o ponto de destiny dessa nova divis~io do trabalho. Ativida- des eletrointensivas, que consomem gran- des quantidades de recursos naturals e que sto poluidoras estio deixando de ser praticadas na China para serem desen- volvidas na Amazinia. O process jB comegou, mas seu des- dobramento logo atingir8 parimetros que poderiam ser considerados impensiveis dois ou tras anos atrils. A China superou o Japilo como maior client do mindrio de ferro, em 2003. Essa participation s6 niio se incremen- tarti mais intensamente porque parte do ciclo siderdirgico vai deixar o territbrio chins e se implantar no literal da Ama- z~nia Legal. Atd o final da d~cada, a fi- brica de chapas de ago do cons6rcio Companhia Vale do Rio Doce-Baosteel- Arcelor estarti produzindo 9 milhdes de toneladas, apbs um investimento de 1,5 bilhio de d61ares. Grande parte da energia e do redutor necessfirio para essa siderdrgica viril da China. A CVRD jii montou um neg6cio naquele pals para embarcar coque me- taldrgico nos navios que levarem mindrio de ferro de Carajiis para a China, utili- zando o frete de retorno. Essa opera~gio viabilizardi o empreendimento, que seria antiecon~mico em outro context. Essa parceria vem num memento es- trat~gico para a China. A queima de car- viio C a causa principal da polui~glo do at no pafs, que jB alnnociou uma sdrie de medidas para reduzir os nfveis assusta- dores do problema. Segundo um estudo feito pela Academia de Planejamento Ambiental da China, os custos causados B salide humana pela poluiglio do ar jil representam de 2% a 3% do PIB nacio- nal, mas chegarlio a 13% do PIB em 2020 (algo como 400 bilhaes de d61ares), se a atividade produtiva n~io for modificada drasticamente. A meta, nesse setor, 6 reduzir dos atu- ais 70% para 60% a dependencia chinesa de carvio. Tanto convertendo fontes de energia como exportando carviio para ser usado em processes produtivos poluidores, que tambdm serilo transferidos da China para outro pafs. O Brasil 6 o alvo principal e a Amaz~nia, a meta especifica. Essa niio 6 uma political para o ama- nhti nem para ser decorative. A Ag~ncia Estatal de Proteglio Ambiental da China reconhece que chuvas ficidas, provoca- das pela poluigilo do ar, caem sobre 30% b da extensiio do pafs. Em muitas cidades o ar se tornarti virtualmente irrespirlivel at6 o final da d~cada. Hoje, 380 mil pes- soas morrem prematuramente todos os anos nas 11 maiores cidades chinesas, por causa de problems pulmonares, provo- cados pela fuligem e outras particular em suspensiio no ar. Em 2010 esse ndmero alcangaril 380 mil pessoas por ano e, em 2020, 550 mil, sem considerar as que fi- cam sujeitas a bronquite cr8nica. Essa polui~gio sera transferida para a Amaz~jnia? E o que aguarda Stio Luis, onde o coque seril usado pela usina cuja implanta~gio foi iniciada, sem falar no consume de figua, talvez representando metade de tudo que a capital maranhen- se precisarti, mesmo com a polamica duplicaqilo do sistema Italuis. Estamos conscientes do problema e preparados para enfrentli-lo e resolv6-lo em melho- res condig~es do que os chineses? Como essa question nito foi posta na mesa que discutiu, com veemincia, jB agora esmaecida pela curta mem6ria dos natives, a implantaglio do projeto siderdr- gico, 6 a hora de abordli-la com lucidez, clareza e coragem, antes de nos vermos sujeitos a lamentar o problema comn que a China pretend nos presentear, se nho soubermos da velha hist6ria do cavalo de Tr6ia. Niio que devamos, de pronto, ve- tar o neg6cio: mas 6 precise, antes, exa- minar o venture do cavalo para verificar se niio ha nele uma surpresa ruim. Jornal Pessoal i"QUINZENA SETEM8RO DE2004 Cavalo de Tr6ia vem da China? AjUSTE tuniu, ido SL1 k ambi, re, picm-se assssr que o Se ning~uem chuta caChorro mo.lrto, OC seguidjOS alntindos de pagina Inreira que O Liberal tem publicadii. na po~ltmica co-m ar Dldrio do~ Pard sobrre n rirage2m ds do~ls jo~rnals. mo<- tra que~ a lider do merrjcade abarndonando. a posturu anrrior. de pmils be~ referir ;1o ColncorrnIle(, vrms~ degro.;us abuixo do sua posigilo. sente-se inlcomodadoi pelo~ icrscimelnto, do adJ- E evldenre que: Se: a Diario tlivesTse crScide tntO quanto alega,. manipulando evat3iticas. ij. Iterid se: asscladjo an Ins- rrtituto verificaor de ClrculagIoC O) tIniico jornal t;Illado nlo I VC no ParLd e no None2 eO Liberal. Essez menito ning~udm Ihe tiraI. Alas eu gostairlia de receber a pesquisa complera nal qlual esra assinlalado que odidlo dis Almori~an rira 10 miil n e~lem- so a esse dado e queria consuld-lo para mec cur\tar a essa fugalnha~ ealaudi-la. A pollemicL. t in~tejZr~nessm mas co~ni rnhar que o Minist~ir~io Publiceo entrasse na danqua, enqudnto fiscal da le~i. 5e os doiS jornals t~m ra~zao quando~ acusaml calbrtoT1 no MP Ireque'rer as~ pesqIu'-ila ue fundiamentur m as duei emlpress~ e leltorres podem ejtar sEndo vitima eprpgnd a e1 TP~llll cngalnosaI Crime1 prewareI no Codigo doIConjumiiJor. I- I I - 6 SETEM8RO DE 2004 I QUINZENA JOr~ntil Pessotti seus titulos ou fama. Os candidates se preparavam para passar por um corre- dor polones de perguntas incamodas e os jornalistas se armavam para contra- ditar a replica dos candidates, defen- dendo-se a si e aos interesses da soci- edade. A Oinica regra em vigor era: quem fosse podre que se quebrasse. Agora as suscetibilidades em jogo e os impetos autorittirios e censoriais slio tantos qlue nada mais resta do questionamento qlue deve ser imposto aos pretendentes a cargos ptiblicos. Eles deviam experimentar dos espinhos da funglio e niio apenas das suas be- nesses antes de poderem exerc6-la, inclusive para qlue todos saibam se estlio preparados para assumi-la. O evidence cerceamento feito por alguns jufzes singulares sobre os programs dos partidos no hortirio eleitoral devia levar a justiga a former um comity, ti- rando a atribuiglio de uma unica ca- bega. O comity seria integrado por dois juizes, um representante do Mi- nistdrio e outro da OAB, com seus respectivos substitutes. Decisaes co- legiadas costumam ser mais sensatas do qlue as individuals. Em mat~ria de campanha eleitoral, passamos do 80 ao oito. Mas eu prefi- ro muito mais o 80 ao 8. Antes havia muito da tal de baixaria, mas esse cli- ma de mosteiro que a justiga eleitoral tenta impor agora, coadj uvada pela in- prensa, nito combine comn democracia. Se a liberalidade de antes abrigava a ofensa, a censura de hoje permit que gatos sejam vendidos por lebres ao eleitorado. Um candidate bem assessorado e com dinheiro suficiente para financial bons programs de television pode se eleger sem precisar demonstrar (ou ao menos exibir) para o eleitor suas cre- denciais para o cargo. No hortirio que lhe cabe na propaganda supostamente gratuita (mas paga pelo contribuinte), ele pode se aproveitar das t~cnicas de manipulaglio. Jii as regras dos hipotiti- cos debates o poupam do risco de ser colocado contra a parede. Na 6poca em que participei de de- bates, do outro lado da bancada hav:ia lugar apenas para jornalistas, daqiues . que acompanhavam a cena political e tinham tutano para se entestar com qualquer um, independentemente dos a funglio ptiblica, latene desa- fiou aConstituigaio ecausou des- confor-to e ang~istia a um velho servidor da casa, o auditor Erlin- do Braga, obrigado a uma de- manda judicial para confirmar seu direito, plenamente demons- trado: ir atC o final da carreir-a. A primeira batalha par-a a acomodaglio de interesses polf- ticos, por isso, fol perdida, no pla- no local. A segunda, que 6 fede- ratl, estli em banho-maria: a con- firmagilo da indicaglo do pr6- prio "senador do governador" para o Tr-ibunal de Contas da Uniiio, contra a vontade do pr6- prio TCU e da opinitio pdblica. Tudo porque o simpatico senador "Pepeca" nito volta- rri ao cargoo. Tanto porqlue di- ficilmente conseguirdi os votos necessfirios para uma nova eleiglio como porque seu lu- gar jri foi rifado para tender a outras convenincias. Ah, sim: nesse enredo o distinto pdblico C detalhe. SAPO eipl-ls. do dep~urldro fedelral no augre dos esct~mdalos sobre desvios de recursos dos incentives fiscais administrados pela (ex- (Supe~-r lcnmendn c~ll do Desen volvi mento da Amazinia). Mas a empresa, que atende pela razio social de Centeno & Moreira S/A, continue sua vida. Dil uIlIyour~centememe r seu balang~o de 2003 (est6i manr alua~lizada ~contabi nclmeme Jo que o poderoso grapo Liberal, que ainda niio passon de 2002), lamentando sofrer "as conseqtiincias dos fats desabonadores ocorridos no serios danos~ de~ ordcm econ<^smiiio e financeiro to prdl~it uri: "ainlda que c~om \r enda.\ rezrtrus". O Indlicaria, poreml. que "resta .Iposta~ndo num futuurl promlwor". Eml _'003 3 emrpresa futur ou~l R$ 265 mil, pouco menos da metade da receita do ano anterior, e lettc Prem!lI'LIde R5 202 mil !contra lucro~ de RS I 5milem 00,in Os r~ receita rapidamente, a empresa terfi dificuldades mlaiorres~ pla fiente. Para'i~ quem 13 engoliu O governador Simlio Jate- ne se sujeitou aum grande des- gaste par-a cumprir um com- promisso politico: colocar a es- posa do senador Luiz Otivio Campos num dos melhores empregos da praga, que 6 o cargo vitalicio de conse- lheiro do Tribunal de Contas do Estado. Um dos conselheiros, dos apar-entemente mais dis- cretos, cheo0u a 102 mil reais de rendimento mensal, soman- do o que ganhavam ele e todos os par-entes e adecentes da fa- milia, infiltrados no TCE. Escandalizado com a notf- cia, aqui publicada, o entlio go- vernador Almir Gabriel man- dou checar. Era verdade. O gonvernadolr prometel provri- dancia. Se a tomou, nrio foi para cortar- as sinecuras one- rosas ao erlirio. A familiar con- tinuou muito bem, obrigado. Para nomear Lnian Campos, dama de muitas virtudes, nenhu- ma das quais relacionadas com MED DCOS Uma pessoa desqualificada conseguir ser contratada como medico no Pronto Socorro Municipal de Bel~m (da 14 de Margo) e trabalhar por vjrios dias sem ser descoberta dri uma iddia do qlue C ou foi a administrator daquela instituiglio sob ogo- verno do PT. Apolicia deve ser rigorosa na apuragilo dos fats e a justiga na puniglio do culpado ou culpados pelos danos causa- dos pelo fraudador, que jj est6 preso. Mas o qlue dizer da possivel eleigio de outro falso medico para prefeito de Belim? Algudmqcue forjou um diploma universit6- rio para exercer profisslio com tilo alta res- ponsabilidade como essa, envolvendo asad- de e a vida de terceiros, o qlue niio poderi fazer quando tiver mandate popular para cuidar de quase 1,5 milhlio de pessoas? Duciomar Costa ji foi um caso de po- ifcia e de justiga. Pela morosidade na apu- raglio dos fats e na sua responsabiliza- glio penal, seu crime prescreveuo e ele se tornou inimputrivel. Tornou-se, agora, um caso de moralidade pdiblica. A Unama, qlue lhe deu diploma de bacharel em Direito (sem autorizaglio para advogoar, por niio ter feito o exame de ordem), dispensan- do-o do vestibular por ter cursor super-ior (falso), nlio se senate tocada por essa ques- t3io moral? Niio se senate na obrigagilo de cassar esse diploma indevido? Com a palavra, o reitor Edson Franco. C am anha eleitor al DETALHE Jornal Pessoal lo QUINZENA SETEM8RO DE 2004 Hg algum tempo a verdadeira sede da prefeitura de Presidente Figueiredo, no Amazonas, fica a 100 quilimetros de distincia da sede do municipio. O pr6- dio abriga a representa~go da adminis- tra~gi municipal em Manaus, capital do Estado, mas 6 muito melhor do que a simples edificaqigo na qual funciona a prefeitura. O descompasso, por~m, aca- bou se mostrando providencial nos lilti- mos dias. Afinal, o prefeito Romeiro Mendonga, do PFL, ficou despachando na cela da Policia Federal. E para que ele nito perdesse o control sobre as fi- nangas locals, seus advogados conse- guiram a transfer~ncia da sede munici- pal, em carter extcepcional, para a su- cursal manauara. Romeiro foi uma das 20 pessoas pre- sas no dia 11 do mis passado pela Polf- cia Federal, na Operaglio Albatroz. Os press foram acusados de participar de um esquema de fraude em licitagies pi- blicas, que causaram prejufzo de 500 mi- lhdes de reais ao eriirio estadual, nos 61- timos 10 anos, entire outros crimes. O chefe da quadrilha era o deputado fede- ral (sem partido) Antinia Cordeiro, que se livrou da cadeia gragas ;I 5ua imuni- dade parlamentar. As sucessivas prisdes revelaram a existincia de um esquema paralelo de desvio de dinheiro pdiblico que funciona hti uma ddcada, sem interrupqilo, no go- verno do Amazonas, na prefeitura de Ma- naus e em Presidente Figueiredo. Por que neste municipio, de infeliz denominacgio? Porque ele tem uma receita apreciivel, "I .i .i -e - vP J ,--- I t ~a \ gragas aos royalties da hidrel~trica de Balbina e da mineraqio de cassiterita da Paranapanema. Aldm disso, as riquezas naturals de President Figueiredo tamb~m lhe ren- dem interesse turistico e certas formas de explora~gio que ainda precisam ser mais bem investigadas. Recentemente recebi dentincia de que 61eo de pau-rosa comercializado em Nova York origina-se em President Figueiredo. Como o pro- duto sai do Amazonas e vai parar nos Estados Unidos, se realmente existe esse circuit, 6 ainda um mist~rio. Menos den- so, por~m, do que as razies que levaram o prefeito a preferir instalar sua base em Manaus e nito na sede do seu municipio. Gragas a esse estratagema, p8de conti- nuar a despachar com desembarago o expediente da administra~gio, mesmo de dentro da cadeia. Metaforicamente, como gosta o presi- dente Lula, poder-se-ia dizer que, na polf- tica brasileira atual, se a montanha n~io vai a MaomC, MaomC rouba a montanha. Sou da ge~raq3o qlue ocupou a~ fa- culdardes, em 1968. parra imnpedir r re- fi:>rma until ersitairia rnspirada pelo uco1- do MlEC-Lisaid. Dut ido que tenha pas- sado pe~la cabega Jas liderangas do movalmentol amphar sua agenda dez pnro- testo para incluir o recebimento de: di- nheir~o para viager~m, mesmo qlue com umn otgetivo nobre. Os; uni\ersildrios de hoje oc~upa- ram um a nre-sala do3 reSltori Jy linl- vezrsidade Fede~ral do Pard para f~or- Fgi-la a c~ustear-lhes a transported ard Brasilia. onder discutiriam a alual r~- forma universitana.. Os temas sho. na eenc~iia. as mesmnos. Og mletedos e que mudoram. Quando queriirmos arraniar Jinheiro parii alguma antii- dade. faziarmos colemls. organizii\a- mos prornor;oes nos~ 1irdi ames de algum jeito. HaVia um Iimire para utilizar recur- sos piiblicos. annda que elee pudessem esrar sendo the dilapidados. entilo, quanto agora. Os fins n~o justifi~cavam qualquer meio. PodiJ-se denunciar a mou usjode terbas~ ofieaisji. MasL nlo elra rec~n indicando-a pa~r3 uma~ causa justa. emlboar indek rda, a nosia, que a dinhe~iro fiiaria limpo ehconradol. Asjim. a Independencia transfor- ma-se: no preg~o que se paga por essa alquimiia supostamente elica. Masi so supostamente. MIU0ONARIO Outro dia uma revista de negbcios serviu de palco para o empres~rio Olacir de Moraes chorar suas penas de extinto rei da soja no Brasil. Depois de ler a ma- tdria, quase juntei uns trocados para re- meter para o ex-milion~rio. Felizmente nito fui tilo long nos impetos humanit8- rios. Olacir niio est8 tio pobre assim. Ele acaba de vender a segunda parte desapropriivel da sua fazenda Itamarati, em Mato Grosso, centirio deslumbrante para olhos latifundidrios, com seu mar hi- eritico de p~s de soja. O Incra do PT aceitou pagar 165 milhaes de reais (R$ 55 milhdes em dinheiro vivo, imediato, e o restante em Titulos da Dfyida Agriria) por 24,5 mil hectares da propriedade. O Incra de Fernando Henrique Cardoso pagou R$ 27 milhaes, tris anos atris, pelos primeiros 25,5 mil hectares. Deve haver uma razlio t~cnica, rela- cionada is benfeitorias existentes na grea ou g qualidade do solo, para explicar o prego mais alto (praticamente R$ 30 mil por hectare) pago pelo Incra de Lula. O que interessa C que o pobre Olacir incor- porou quase R$ 300 milhdes aos seus combalidos cofres. Sem acesso aos processes e uma vis- toria na Area C dificil dizer se o neg6cio foi bom para as duas parties, para uma s6 delas e para os beneficidrios da opera~gio. Mas hB um dado interessante a considerar: quando o problema foi criado, com a ocu- pa~gil de parte da gigantesca proprieda- de, os posseiros somavam menos de 10% das atuais 1.143 familias que o Incra ga- rante que vai assentar naquela que ji foi a maior planta~go de soja do mundo. Para nito perder suas belas acompa- nhantes, o dinimnico emprestirio ainda con- ta com um ativo, como se diz no seu circu- lo: a Ferronorte, uma ferrovia implantada com grande volume de dinheiro ptiblico, mas que pertence ao ex-monarca da soja, ago- ra um feliz beneficidrio dos trilhos. Trilhos que mudam de direptio conforme os inte- resses do donor, mas nito dos Estados que atravessa, como mostra a poldmica em cursor no Pard e em Mato Grosso. INSPIRAg A0 O president Lula cantarolar mlisicas de Zeca Pagodinho, estli muito bem. Jil citar Pagodinho como pensador, & um pouco demais. Em cita~gioque incorpora Ratinho, passa a ser dose para elefante. Mas foi o que fez Sua Excelincia na abertura do Encontro Internacional de Combate B Lavagem de Dinheiro e Re- cuperaglio de Ativos, realizada pelo Su- perior Tribunal de Justiga, no inicio do mis, em Brasilia. Como diria Ibrahim Sued: et pour cause. Rilsterto municipal J l TU L/A ILT Jornal faz 1'7 anos. A festa 6 do leitor eletranica da publicaglio), com um jornalista que da profissito tem uma vision elitista, excludente, preconceituosa. S6 ter8 sucesso quem singrar os caminhos da grande empresa e se dirigir para o "sul" do pafs. Mas que sucesso, cara-pilida? O sucesso que cobra um prego carol: a submission B ordem do chefe. Ou, pior do que isso: As ameagas da anticonsci~ncia, aquele sentiment tibio e ddibio que torna as pes- soas espectadoras de sua 6poca, climplices das atrocidades, mas que, por estarem ao lado dos vencedores, os que escrevertio a hist6- ria, reescrevendo-a conforme seus interesses, criam a vers~io conve- niente e se asseguram um habeas corpus ex-post-factum. Este 6 um journal do anti-sucesso, da antiglbria, da anti-hist6ria official, da Onica intransig~ncia que se justifica: aquela que se volta contra a mentira, venha ela travestida de verdade official ou de meia- verdade laica. E, por definiglio, ulm journal outsider, remando contra a corrente, um sim numa sala negative, corrompendo, com sangue novo, a anemia como naquele estupendo verso do auto de natal pernam- bucano do imortal Jolio Cabral de Melo Neto, Morte e vida Severina. Niio hB festas convencionais na data. Mas hii a alegria solar de receber mensagens como a do economist Marcelino Monteiro da Costa. No passado, como no present e, provavelmente, ainda no future, diferengas de concepgbes continuarlio a me separar de Mar- celino. Mas essas diferengas, que nito foram capazes de turvar a amizade, jamais tingirlio de fel nosso mdituo respeito. E, como sabe- mos, nds, os mandarins de um pafs faminto (de comida e de saber), o afeto intellectual jamais se encerrar8 se o que nos move 6 aquele tipo de compromisso Ctico e moral que nos faz acreditar no intangf- vel e a perseguir o que esti muito al~m de n6s, o mistdrio da vida, seu sal, sua luz: a utopia. Por 17 anos o Jornal Pessoal buscou objetivos que niio cons- tam dos manuals de sucesso minimalist de uma sociedade consu- mista, que se compraz com o espeticulo da contemplagio do pr6- prio umbigo. Pelo tempo de vida que the couber daqui pra frente, continuar8 em busca desses ideals, sem se perguntar quanto cus- tam e o que acarretam. Niio C propriamente um espetticulo fugaz ou fantasioso de crescimento o que me atrai, mas aquilo que surpre- endeu os dois compadres na conversa de beira de mangue no poema alegbrico do grande Cabral: o espeticulo da vida. Este, sim, C o maior dos espeticulos. Consolida um projeto de civilizaglio, muito mais profundo e perene do que qualquer projeto de cresci- mento, sujeito gs marolas do mercado e aos virus externos. Quere- mos um projeto de civilizaglio para esta parte estranha e especifica do Brasil. E, se der, para o Brasil inteiro e a humanidade que quiser subir nesta canoa. A Cantareira da esperanga. Obrigado, amigos e leitores. O Jornal Pessoal complete 17 anos nesta edi~gio. A data suscita uma question simples: por que ele sobrevive? Simploriamente, tam- b~m, 6 possivel dar uma resposta em dois tempos: porque seu linico integrante assim o quer, sobrevivente, e seu pliblico niio o abando- nou. Certamente se n~io houvesse mais uma quantidade de pessoas dispostas a comprar este j ornal, ele j i teria desaparecido. Seu plibl ico 6 pequeno, mas niio tanto que impossibilite esta publica~gio de ser o que 6: um formador de opinilio. Este journal tem inimigos. Seria mediocridade niio t&-los. HE tanto a combater e corrigir no Brasil e na Amaz~nia que a unanimidade niiod apenas burra: C be6cia. Admiradores ou detratores do Jornal Pessoal sabem, pordm, que g entrada de sua reda~gio hd uma placa de adver- tincia, g maneira de Dante Alighieri no primeiro livro da Divina ComC- dia: deixai vosso poder e vossa intoler^Tncia, v6s que entrais. Nas piginas deste pequeno e pobre journal a linica coisa que conta 6 a inteligencia. A intelig~ncia de quem argument e convene, mas nito a de quem mente on manipula. A prova dos nove nestas piginas 6 a demonstra~gio do argument. Seu pressuposto 6 o fato, singular ou plural. Todas as interpretaq~es e opini~es slio admissiveis, desde que tenham uma base comum: a factuidade. Saber o que acontece C muito, mas nito t tudo. E precise ter disposi~gio (ou coragem) para proclamar os fats. Veja-se a mat~ria de capa da ediglio passada. Em maior ou menor grau entiree n6s, em minimo grau, infelizmente), toda imprensa registrou a opera~gio Fa- rol da Colina, contra a evaslio de di visas, a forma~gio de quadrilha, o enriquecimento ilicito, a sonegaglio fiscal e a lavagem de dinheiro. Mas quem ousou mostrar que a Policia Federal provavelmente teria incluido o president do Banco Central na sua malha fina se ele nio tivesse recebido o guarda-chuva de uma Medida Provis6ria de li1ti- ma hora? Quem deu nome aos press locals, todos socialites, e apresentou-lhes a culpa? Este journal continue a existir porque, sem ele, os fortes seriam ainda mais fortes, a manipulaglio mais eficaz e a opinitio pliblica menos capaz de se informar, ou se orientar. Em um mis, o de julho, em que o journal n~io circulou, temas se acumularam e lacunas conti- nuaram nito-preenchidas, gerando uma posta-restante que esta edi- ~gio niio foi capaz de aliviar. Isso se deve aos poderes do redator solitbrio? Obviamente que niio. Essa marginalia informative, que cresce nos desviios de sil~ncio da grande imprensa, se deve b auto- censura, ao sil~ncio conivente, g omisslio de multos, os que sabem e podem, mas nlio querem dizer. Niio querem, para comego de con- versa, ou de silincio, expor-se. Enquanto tentava escrever este jornal, eu travava uma pol~mica, atrav~s do site da revista Caros Amigos (restrita, portanto, i. verslo correspondido ao que dele espe- rava o circulo de gvidos e exigen- tes leitores que, ao long do tem- po, formou. Parabins. Vai em frente. Brindando os leitores com as tuas pesquisas, informagaes, andlises, critics etc. Um abrago fraterno, Marcelino Monteire da Costa com muita felicidade que co- memoro junto com voc&, o 17o aniverstirio do JP. De fato, 6 uma grande festa em meio a tantas dificuldades e manter viva atC hoje essa publi- caqilo imparcial, feito tHe raro na impressa national e tho singular aqui na Amaz~nia. Saiba que todo esse trabalho tem gerado "bons frutos", influen- ciando, de maneira saud~vel, mui- tos leitores joyens e, mais do que isso, esclarecendo-nos. Permane- ga firme nessa luta ejamais esmo- rega diante de todo esse trabalho. Meus sinceros parab~ns. Michel Guedes Spear de leitor assiduo do ~seu journal 6 a primeira vez quelIhe escrevo uma carta. Escrevo-lbe niio apenas para parabeniz8-lo pelos 17 anos do Jornal Pessoal, mas tamb~m para Ihe dizer que apesar de novo este jornal jB 6 considerado um dos mais importantes do pais. Espero continuar encontran- do-o nas bancas de revistas por muitos e muitos anos. David Leal pg~~pSbarabins ao Jornal Pessoal Embora n~io seja leitora assf- dua desse journal, gosto muito de 16-lo, porque sinto veracidade nas noticias, al~m de adorar as seq~es de "Memdrias do Cotidiano". Parabtns e muitos anos de vida, ao journal e ao jornalista. Ana Coeli Jornal Pessoal complete este m&s17 anos dejornalismo in- dependente, cuja base est8 na in- SETEM8RO DE 2004 la QUINZENA Jornail Pessoull QUERIDO AMIGO 9 Pax! Lamentavelmente ameagas comemorar os 17 anos do Jornal Pessoal com festa s6 de letras. De qualquer forma sugiro que marquemos um almogo para um brinde de longa vida, ao Jorna- lista (6 assim mesmo, comn letra mailiscula) e B obra (creio que aqui esti respondido o primeiro pedido de tua nota sobre o as- sunto). A maneira deve, direta e obviamente, derivar das idiossin- crasias do responsilvel. E isto que Ihe dii a autenticidade e os mdri- tos desfrutados. Funcionou at6 agora? Acho que sim, posto ter vestiga~gio, andlise e critical dos fats. Uma tarefailada ficil, princi- palmente numa firea de fronteira, como 6 a Amazinia, onde o clien- telismo politico atrasa e dilacera a regitio, que vive em um monstruo- so paradoxo: rica em recursos na- turais, mas pobre no que diz res- peito ao seu desenvolvimento eco- n8mico-social. Dai o peri6dico assumir uma importlincia estratdgica no fluxo da comunicaglio no Estado do ParB, pois os textos publicados por Ld- cio FlIvio Pinto no JP tim a visio de um home que estuda a Ama- z8nia hB mais de 30 anos. O perid- dico, multas vezes, alimenta a gran- de imprensa com questies de rele- vante interesse para a sociedade, provocando debate pliblico e con- textualizando os principals atores envolvidos, os amazinidas. Por reivindicar o dir~eito de pu- blicar o que de fato acontece na regitio, o jornalista responded a uma multiplicidade de processes na jus- tiga paraense h6 12 anos. Tais pro- cessos, como diz o pr~prio Llicio Flavio Pinto, nlio siodesonra, mas medalhas de um tipo de jornalismo que nsio curva a espinha ou faz concessSes ao gosto facil. N6s, leitores do Jornal Pes- soal, temos que comemol ar seus i 17 anos. Uma idade rara em se tratando de peribdicos desta n~- tureza bastaa consultar a hist6ria da imprensa alternative brasilei- ra). O jornalismo e a sociedade amazinica ganham comn a exis- tincia deste pequeno alternativo, cuja histbria est8 ligada g defesa do direito b informa~gio, a liber- dade de expression e a dignidade do povo da region Gostaria de parabenizar o jor- nalista Llicio Flivio Pinto por man- ter vivo o Jornal Pessoal. Parabe- nizar o seu modo singular de fazer jomalismo. Umjomalismo compro- metido comn o leitor, sem publicida- de de partido politico, sindicato, emprestirios, religitio..... S6 um iI- telectual independent e detentor de muita coragem 6 capaz de reali- zar um empreendimento dessa na- tureza. L~cio Flavio Pinto 6 multo mais que um simples home cons- trutor da histbria. E uma personali- dade que incomoda pelo compro- misso comn a verdade e a defesa da Amazania, tio necessliria nos dias de hoje. Ciia'll-indadeAmorim, jornalista e pesquisadora na PUC/SP. Inicialmente parabins pelo transcurso do 17o aniversririo. Meus votos seriam de uma vida infinita. Forga, JP, precisamos de voc&, que o diga o Emilio Goeldi e o SBPC. Mudando de assunto, depois de ler e ouvir dezenas de opinides acerca do polemico Conselho Federal dos Jornalistas fiquei com a nitida impression que a maioria dos profissionais da escrita silo compartiveis "... hque- las plants trepadeiras de Java, gvidas de sol. Chamam-lhes cip6- matador que envolvem com os seus bragos um carvalho duran- te tanto tempo e tantas vezes at6 que, por fim, multo acima dele, mas nele apoiadas, possam alar- gar a sua copa e exibir a sua feli- cidade". Palavras de um irrequie- to pensador do s~culo XVIII. Esta 6 a organization social que gos- tarfamos de ter? Rodolfo Lisboa Cerveira Lendo o texto "Perspectiva", de sua autoria, publicado no Jor- nal Pessoal, plig. 1 1, periddico de sua propriedade e referente h se- gunda quinzena de agosto de 2004, gostaria de fazer algumas consideraqdes e proper uma su- gestlio, no intuito de contribuir com este tempo onde todos falam em mudangas. Em primeiro lugar, 6 6bvio que em qualquer dispute visando a pri- meira colocaglio, seja qual for a contend, a passage do desafi- ante g condi~gio de vencedor por si s6 opera uma mudanga, como pretendem "todos os candidates a prefeito de Beltm, ao baterem na mesma tecla"; em segundo lugar, a eleiglio de um dupla de mulheres para administrar executive muni- cipal da maior cidade da region norte, C coisa sem precedentes na Histbria deste Pais, o que t, se nto uma mudanga agrdivel ao gosto da maioria, em principio algo novo e por isso ousado; em terceiro lu- gar, a mais significativa das mudan- gaLs vem ocorrendo num process que elegeu um sindicalista para o cargo de prefeito desta cidade, fato dominado pela elite por interm~dio de representantes oriundos da oli- garquia, empresas, bancos etc., que periodicamente fazia o reveza- mento entreo preferido do momen- to B cadeira do executive, para a misedria do povo explorado. E como sugestlo, para fazer com que a Histdria da Humanida- de siga oseu cursor natural, propo- nho que o sr. pleiteie o cargo de prefeito, justamente por njio repre- sentar os segments socials aci- ma citados novidade que pode contribuir no process de trans- formagio da sociedade, ocorrida ao long dos tempos em diferentes estligios possibilitando assim a construgliode ummundo livre,jus- toe igualitirio. E, se assim for, des- dej jconte com o meu voto. Luiz M~rio de Melo e Silva Icoaraci No JP no 328, em 3 matirias voc6 narra 4 situaq~es relaciona- das ao TJE paraense: S- uma desembargadora defe- riu um recurs antes que este che- gasse oficialmente is suas miios (mais tarde, viu-se que o tal recur- so jamais chegaria a essa desem- bargadora, pois fora distribuido a outro membro do TJE); 2 um process qlue sumira misteriosamente do cart6rio onde se encontrava depositado, reapa- receu 13 meses depois, contend uma sentenga inexistente antes do desaparecimento (curiosamente - pelo que voc& informou a sen- tenga 6 datada do exato mis em que o process desapareceu); 3 process por crime con- tra o patriminio, contra 4 pesso- as, foi arquivado sem exame do mdrito, porque a dendincia que lhe deu causa completou l2 anos sem julgamento; 4 uma jufza sacou "dolosa e indevidamente", segundo acbr- dito do prciprio TJE, citado em sua matdria dinheiro depositado em conta banciria do Judicitrio. A 4" situa~gio teria desdobra- mentos surpreendentes! JQ cons- tatada airregularidade que come- tera, a jufza foi promovida ao de- sembargo e, depois, aposentada. Ainda segundo vocC noticion, o TJE se recusa a report o dinheiro sacado indevidamente, isto sig- nificando que ele niio se julga responsivel pelos valores cau- cionados sob sua guard. Permita-me acrescentar mais uma situa~gio. S6, mais uma, para a lista nlio ficar extensa demais. Refi- ro-me ao process envolvendo a redugli da participa~gio de Beldm na teceita gerada pelolICMS. Como se sabe, a redu~gio foi consumada por meio de expedientes flagrante- mente ilegais.PFor isto, deve ser anu- lada, qualquer que seja a conclu- sho a se ter sobre os c~liulos que determinaram onovo percentual de participation (isto se for possivel provar que esses cillculos realmen- te foram feitos, na 6poca devida). Ora, ocancelamento por anula- ~gi rtroage g data em que foi con- sumado o ato anulado (jii que o conceito aplicivel 6 o de ilegalida- de). Logo, oExecutivo Estadual terb qlue report as perdas impostas ao municipio de Beldm, desde janeiro del1997 ati adataem que se proferir a sentenga fmnal sobre a question. At o fator tempo passa a ter enorme influincia. Um cillculo ras- teiro, leva a conclusion de que as perdas acumuladas pelo munici- pio de Bel~m jB ultrapassam a mar- ca dos R$.500,0 milhies. A cada m&s que passa, essas perdas au- mentam. Se a decislo judicial fos- se proferida agora, o Governo do Estado niio teria meios para liqui- d8-las, salvo se o montante devi- do fosse dividido em parcelas ao alcance de sua capacidade de pa- gamento. Enquanto isto, a popu- laglio de Bel~m amarga a inexis- tincia dos investimentos que dei- xaram de ser feitos e dos servings que deixaram de ser prestados, por causa da redu~gio illegal da receita pdiblica municipal. Mas entra ano e sai ano, sem que se divise, no horizonte prbximo, um desfecho para a questho. Ao final de uma das matirias ha pouco citadas, voc& diz acre- ditar que a normalidade s6 se es- tabelecer8, dentro e fora dos au- tos judiciais, quando a opiniiio pdblica entrar nessa hist6ria, co- brando o que the t devido: a ver- dade e, por meio dela, a justiga. Concordo em parte com voct, mas... sera que basta cobrar a verdade? Como de hilbito, comprei vil- rios exemplares do JP no 328 e o enviei a amigos residents em outros Estados. Como de hdbito, comentamos, por e-mail, o con- tedido das mattrias. E cada um desses amigos (slio 8), reporton situaqbes similares is que citei aqui, graves tanto quanto, ocor- ridas nos judicibrios dos respec- tivos Estados. O que se passa no ParB nito 6, pois, um problema isolado. Em diferentes graus, o problema pa- rece existir em todo o pafs, e nio somente nos judicidrios estadu- ais. Em principio, isso denote uma falha estrutural no Judicidrio bra- sileiro. Niio se trata, evidente- mente, de falha ou desvio de con- duta pessoal de tal on qual mem- bro desse poder, em tal ou qual da Unitio. O que se percebe C a extrema vulnerabilidade do Judi- cilitio a essas falhas; sua aparen- te incapacidade de eviti-las e, mesmo quando constatadas e divulgadas as falhas, sua recor- rente e exasperante relutlincia em tratti-las adequadamente, como, alitis, jil comega a ocorrer nos demais poderes. Sera que ji nlio passa da hora de se rever a pr6pria organization do Poder Judicidrio, para torn6- la mais eficiente, mais eficaz e menos suscetivel a tantas e ta- manhas falhas? Elias Tavares Jornal Pessoal 10 QUINZENA SETEM8RO DE 2004 Irl Aa6UlA htAnnII~ UDa Moor m - 9.o horn' r rCCIN~ef~HIESIE 4.. oil~ uriP ~ NI Tl MAd~: orkarta ap tr ( g Frrr CF~soA I .). a ~ n LVA PIInI-~ Ir~ r 10 SETEM8RO DE 2004 I QUINZENA Jor~nal P'essoul baiano autografou mais de 200 livros. A Martins tinha 11 de suas obras. O estoque da livra- ria estava sempre renovado e bem abastecido. * Mayer Obadia avisava aos ses"amvi frgess q no dia seguinte, uma segunda- feira, 15 de setembro, "njio abrird o seu estabelecimento commercial emn virtude de festa religiosa". O Rotary Clube de Belem promovia um passeio fluvial no navio "Jolio Gongalves" pela oria da cidade, durante o qual seria servido almogo 5 base de "caprichoso cardipio. sobres- saindo-se um excelente chur- rasco, a cargo de Maciste". O Sindicato dos Motoristas e Condutores em Transportes Fluviais protestava contra a inclustio do seu nome entire os que teriam instalado postos eleitorais para a distribuigilo de chapas de determinados can- didatos a cargos eletivos. Re- afirmava estar trabalhando apenas pelas candidaturas de Paulo Maranhlio (dono da Fo- lha do Norte) para deputado federal e Bernardino da Costa e Silva, para estadual, porque, entire outros mdritos, n~io ha- viam "se entregue it sanha dos prepotentes". A Alffindega de Beldm reali- zava, na Guardamoria da Adua- na, leillio de cinco fardos con- tendo peles de jacare, arir-anha e lontra, que haviam sido apre- endidos um ano e meio antes. S6 seriam aceitos lances de fir- mas previamente registradas na Division de Caga e Pesca para o comerclo de peles e couros de animals silvestres. Para comemorar sua reaber- tura, no Largo de Nazard (que C, oficialmente, Praga Justo Chermont), a Farmicia Cher- mont decidiu distribuir gr~atui- tamente vermifugos entire seus clients, "colaborando, desse modo, para a melhoria do nivel sanitbrio da cidade". A Paraense Transportes Ae- reos aproveitou a proximida- de do Cfrio para adotar o sis- tema de cr~dito para a venda de passagens, o "crediadreo". Admitia que o pagador tam- b~m pudesse emitir ordem de passage para pessoas de ou- tros Estados, patrocinando, assim, a vinda de romneiros a Beldm, e pagar "mais suave e mais facilitado". Aben Athat Neto repete a critical que vem fazendo hi 10 anos e que express um ponto de vista da elite da cidade nes- . F * T~ *A esmagadora maioria do lei- te que a Beldm de entlio consu- mia era em p6. Uma quantidade pequena era fornecida "in na- tura" pelas vacarias espalhadas pela cidade, produto em quan- tidade insuficiente e qualidade a desejar. Por isso, quando os navios atrasavam, boa parte da populaglio ficava sem leite. Foi o que aconteceu em setembro desse ano. Para acalmar os consumido- res, a Companhia Nestlt, virtu- al monopolista. informou que a falta do produto seria por pou- co tempo. Logo um navio, vin- do de Recife (onde se demorou mais do que o previsto, descar- regando sacos de cimento), atracaria em Belem com 504 mil latas de leite Ninho, o preferi- do, o equivalent a dois milhbes de i ';~- quantidade suficien- te para dois meses de consu- mo. Mas outros navios jj esta- vam sendo contratados para evitar novo desabastecimento. Provavelmente o consume de leite em p6 per capital de Belim era um dos maiores do Brasil. *Jorge Amado e Zdlia Gattai foram convidados especiais do governor do Estado para o Cfrio de Nazard. Na mesma co- mitiva tamb~m estavam a es- critora paraense Eneida, Jos6 Conde, Mauritinio Meira, Waldemar Cavalcante e Os6- rio Nunes. Todos foram ao pa- 15cio Lauro Sodrt agradecer a gentileza e posar para uma foto ao lado do general Ma- galhiles Barata, que morreria no ano seguiinte, ainda no exercicio do mandate. Jorge Amado aproveitou para participar de uma tarde de aut6grafos na Livraria Martins, a mais important da cidade na 6poca (na rua Campos Sales, no mesmo quarteirlio do journal A Provincia do Pard). Durante a concorrida session, que durou mais de duas horas, o escritor No cinema Modernlo (lo Largo de Nazard), Leslie Carbon, depois de encarlnar Lilli, personageml de mu~ito sucesso, qrue encan~tou o mlundo inteiro ", apareceria comzo Gaby. Jdi no Inldepenld&ncia (aven ida Magalhd~es Barata), o "Teatro do Crime" era :"uma obra pr-ima de terror lnum fa~usto espetdiculo musical" bent mlexican2o, da Pel-Mex, nlo qual aparecia Silvia Pinal "bailando rock'n roll". 5)(qus UR RI0 anS PROPAGANDAl Igl mg g ag* Fu b l O Comb~atentes, que andlcon crvianldo poldmlica, aparece aquri comt seur time, no qulal os sa 6poca, entire o passado gran- dioso e o future incerto: "As ruas de Belim, comn os trilhos de bondes e a trdgica subver- Pto dos paralelepipedos, cons- tituem alguma coisa de calami- toso. Imnp~e-se arrancar os tri- lhos e corrigir o calgamento, que deve ser a asfaltagrio ge- neralizada. Os malditos parale- lepipedos seriam triturados e dariam o lastro ao novo reves- ti mento das ruas. Con servar-se- iamn, restaurados, os admiriveis blocos de mdrmore, tal como se v& na adorjvel Lisboa que nos lembra Belim, toda a hora. Mas a maior calamidade desta minha terra 6 a selvageria dus buzinas dos Bnibus. caminhSics, cagam- bas e atC automdveis. Njio ha- ver6 poder municipal nesta Be- lem que proiba a pavorosa e in- discriminada buzinaglio de to- das as horas?" *O comerci ante Fran i sco Bri - lhante, de 57 anos, foi & justiga pedir a anulaglio do seu casa- mento com Raimanda Dantas, de 17. Depois de dois anos em que se conhecium, Francisco props a Raimunda o casamen- to. A principio ela se entusias- mou. Depois, recuou. Mas aca- bou accitando o cas6rio. S6 que, em seguida, "recusou-se categoricamente a participar do leito nupcial". Perplexo, Fran- cisco recorreu ao advogado Moura Palha para p~r fim,. judi- cialmente, a relaglio. Motive alegado: casamento enganoso. * O Centro Singer de Corte, Costura e Bordado realizou, no Sallio Nobre da Associnglio Co- mercial do Pard, a solenidade de diplomaglio de mais 46 alunas que formou. * O Conservat6rio Carlos Go- mes realizou concerto, no Te- atro da Paz, em memdria do compositor e maestro paulis- ta, que deu nome j. institui- glio, ocorrida 62 anos antes, em Belem. No program havia peas de Chopin, Schubert e Liszt. Mas nada do homnena- geado. que produziu o sufici- ente para um concerto intei- ro. Estranha homenagem. * O delegado Rossini Baleixo colocou os policiais da 3" De- legacia nas ruas do bairro co- mercial e adjacincias para pren- der e levar para fichamento os joyens D. Juans "que dirigem pilherias ou gracejos as senho- ras ou senhoritas". * A Rjdio Clube do Pardi (PRC- 5) tinha em sua programa~gio di~iria duas novelas: "As semen- tes do 6dio", com patrocinio de Farroz, e "Os quatro filhos", oferecida por Y. Yamada. No fi- nal da tarde Grimoaldo Soares apresentava "Um memento em cada vida", por gentileza de Per- fumnarias Phebo, enquanto is nove da noite in ao ar "Diverti- mentos Antonino Rocha", com a apresenta~glo de artists do "cast" da emissora (Carrapeta, Linda Andrade, irmlis Soares, grande regional C-5) e comedi- antes do quadro "nossa rua nua e crua", com patrocinio do Caf6 Puro e dos cigarros Acadimicos e Estadistas. * A Boite Blue Moon, "a mais linda da cidade", funcionava no Largo de Stio Braz, todos os dias, das 10 da manh~i As qua- tro da madrugada. Aos stiba- dos, a partir do meio-dia, tr~s conjuntos musicals, em ritmos diferentes, animavam as festas. Coisa que fazia a diferenga: a boate era "dotada" de at con- dicionado. * Um simples vestido era moti- vo de controydrsia nos jornais. Como havia diferentes verses para o acontecimento, a coluna "Vozes da Rua", da Folha do Nor~te, rep8s a verdade: "Uma joyem senhora, por sinal bem graciosa, levou g sua costurei- ra o modelo de um vestido em desacordo com o tecido, que ti- nha sido adquirido na Franga. A costureira informou-a de que nessas condiqdes a obra fica- ria defeituosa, mas a senhora insisting, declarando que nlio mudaria de opiniiio. Quando o vestido ficou pronto, enviou-o b sua donai, e esta verificou que, efetivamente, a professional ti- nha razlio. Combinaram. entho, modificar o feitio, e o trambo- lho voltou ao atelier, para rece- ber as alteragies a combinar. Mas niio mais voltou a senho- ra a interessar-se pelo caso, e, tendo-se passado vjrios me- ses, a costureira devolveu o malfadado vestido i interessa- da. A costureira nada recebeu. Eis o fato". *O inspector da Alfindega, um dos cargos ptiblicos mais i mpor-- tantes e disputados no Estado, patrocinava uma das noites da Barraca de Santo Antinio, no arraial de Nazare, que f~unciona- va durante os 15 dias de festivi- dades do Cirio. A renda do noi- tada revertia "em beneficio dos velhinhos desamparados". O carddpio desse ano inclula cas- quinho de muguil, casquinho de caranguejo, pato no tucupi, pi- cadinho de tartarugoa amazonen- se e sarapatel de tar~taruga. Jornal P'essoal i. QUINZENA SETEM81RO DE 2004 convenientemente calado durante esse period de doce tortura. Com o tempo, procurei entender o sentido daquelas palavras, que lia como um autgmato. Procure o significado atd hoje. Com seu suicidio, nito hii divida: Gettlio Vargas s~aiu da vida para entrar na hist6ria. E um dos poucos mistdrios da hist6ria brasileira que continue a de- safiatr nossa capacidade de entendimen- to e para o qual vale a pena aplicar nosso esforgo. Com menor dramaticidade pessoal, mas id~ntico sigonificado coletivo, outro mist~rio tumular na hist6ria brasileira nos legou o imperacdor Pedro II, consistindo no paradoxo de um goovernante trio bem pr~eparado, de tanto valor, ter feito o Bra- sil parar no tempo e perder o rumo da sua predestinaglio de grandeza (nito foi FHC em Pedro II republicano?. A grandeza dos homes, contrastan- do com seu destiny, C o que lhes aviva a exist~ncia e mantim o nosso interesse. Se Carlos Lacerda pensou que tinha dado o xeque-mate no "8mi", estava muito enganado. Ele e todos os que julgavam que Gettilioj njinto era mais do que cad6- ver. O mor-to estli mais vivo do que seus sucessores herdeiros ou inimigos. A hist6ria maltrata, mas ensina. complete. Falava-se baixo, havia panos pretos e os conhecidos vinham apresen- tar os pasames ao meu pai, que havia sido recebido por suas vezes pelo president no Palticio do Catete, no Rio de Janeiro. Da viagem que fez em seguida ati Stio Borja, no Rio Grande do Sul, papai trouxe um disco, no qual um locutor (se- ria Pedro Luis?) declamava a carta-tes- tamentto, imitando o modo de falar de Getdlio. Moleque, hs v~speras dos cin- co anos, ouvi tanto o disco que decorei todo o texto. Encantado, meu pai me levava para todos as lugares. Entroni- zado no ambiente, me autorizava a des- travar a tramela. LA vinha o memorial de Vargas, com todos os esses e erres do gauchismo. Repeti a apresentaglio ad nauseam. Quando me empolgava demais e que- ria me imiscuir na conversa dos adul- tos, que se seguia ao meu show, papai me dava um cala-boca, bola de confei- to de agdcar colorido, imensa, que le- vava uns tantos minutes para se dis- solver na minha boca, mantendo-me Nasci em 1949, um ano antes de Ge- tdilio Vargas retornar de seu auto-exflio nos pampas gadichos para se tornar mais uma vez president da repdblica, agora pelo voto direto e universal como um autintico democrat, portanto. Niio co- nheci o ditador do Estado Novo. qlue com- binou o patrocinio de atos de selvageria comn uma face de mecenas, tanto dos pobres (aos quais abrigou no seio do Es- tado corporative, fiel a inspir~agio no fas- cismo italiano) e aos ricos (que subven- cionou para que impulsionassem a ativi- dade produtiva ou a cria~gio intellectual, soprada pela bolsa estatal, inclusive para muita gente da esquerda). O Gettilio fixado pela minha mais re- mota mem6ria 6 o nacionalista, que con- centrou em si elements de um grande acordo (um new deal personalizado) com o da reform social. Na nossa casa, em Santar~m, sede viva do PTB local, eu s6 ouvia refer~ncias elogiosas ao "doutor Gettilio". Quando ele se suicidou, meio s~culo atr-is, em 24 de agosto de 1954. a ceriminia fiinebre nito podia ser man para o exterior. Com base nos dados reu- nidos pela CPI do Banestado, os t~cnicos estimam que o saido dessas remessas em contas secrets ou abertas em nomes de laranjas no exterior esteja variando entire 70 bilhaes e 120 bilh~es de d61ares. E bem mais do que o pals espera exportar nested ano, batendo o recorded do com~rcio exte- rior em todos os tempos. 0 Brasil, que foi a oitava economic do mundo, no auge do "milagre" econ8mico dos militares, baixou para a 15a posiglio e agora 6 o 140, s6 tem quatro ou cinco pauses afri- canos com maior concentration da renda entire todas as nagies do planet. O pafs do future 6, ao mesmo tempo, o campello da desigualdade social. Por isso, os brasileiros que forem flagra- dos nessa atividade de sangria ou tiverem sua participation comprovada na drenagem criminosa de riqueza, em 61timo grau, de- vem ser considerados inimigos piiblicos da plitria. Ao inv~s de ganharem notas de apoio e desfilarem em festas elegantes, como o cr~me-de-la-crime da esperteza, sem guar- dar nem mesmo a quarentena que a moral pliblicalIhes podia impor, devem ser execra- dos. Eles slio causa do estado de explosilo social em que o Brasil se encontra. E dessa misdria assustadora a conviver com uma ri- queza que causa espanto e perplexidade lii fora. E tamb~m desrespeito, por sua lon~e_ vidade e indiferenga. C Atd o final do ano a forga-tarefa que exa- mina todas as remessas de d61ar para o exte- rior atravis das contas CC5 do Banestado, em Foz do Iguaqu, no Paranti, concluirli a segun- da parte do levantamento. A primeira parte fundamentou a prislio de 63 pessoas em oito Estados brasileiros e a apreensilo de docu- mentos, j6ias e dinheiro em situaqilo irregular (ver Jornal Pessoal 328). Mas esse levanta- mento abrangeu apenas o period de 1997 a 2000. O trabalho, agora, complete a parte que falta, de 2001 atC 2003. Sabe-se que 27 pessoas fisicas e sete em- presas do Pard foram identificadas entire os que enviaram ilegalmente dinheiro para o exterior, usando duas contas abertas em ban- cos americanos. Mais sete pessoas fisicas do Amapti se utilizaram para suas remessas de doleiros do Parti, oito dos quais foram press na Operaglio Farol da Colina. A segunda etapa da investiga~gio, feita por t~cnicos da Receita Federal, da Policia Federal e do Ministdrio Pliblico, vai identifi- car os operadores das transag~es ilicitas, os verdadeiros dons dos d61ares, que, em todo Brasil, podem chegar a US$ 30 bilhdes. Sio os peixes mais gratidos, que a malha do go- verno pretend alcangar. Freqiientadores das colunas socials, eles agora podem aparecer nas pilginas policiais, se a grande imprensa deixar de protegC-los, o que parece pouco provilvel de acontecer em fun~giode sua con- di~gio de grandes anunciantes nas empresas jomnalisticas- O crime organizado ji deve representar uns 5% do Produto Interno Bruto do Brasil, ou algo como 25 bilhaes de d61ares. Nenhuma atividade produtiva represent tanto. E ainda pouco em terms mundiais, jii que a movi- mentagio dos neg6cios ilicitos chega a US$ 2 trilhies anuais, quatro vezes o PlB brasileiro, com o predominio dos Estados Unidos, como nito podia deixar de ser. Mas 6 uma propor- Fgi assustadora para um pais que precisa pro- duzir mais e poupar mais se quiser subir no ranking mundial e se tornar verdadeiramente independent. E possivel que todos os anos um volu- me entire 10 bilhaes e 12 bilhaes de d61a- res seja remetido il~egalmente do Brasil Gtelo U 01 * IFao RT C SO |
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