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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00273

Full Text































~-ll'lO~-~sl~~tlBn~~;PaYXC.Usll~(( -Y IIII~YICILYCIY--- --- I~-~rUIIIIIIC*A


CORRUP(A0O
AINDA ACESA
(PAG. I 2)


SETEMBRO DE 2004


A AGENDA A MA ZO~N I CA DE LUIjC IO F LAdV IO P INT O


ELElgAO ,


0 final do corridor eleitoral present promessos de novidodes por o afuturo. Umo delos:
novos aloangos politicos, colocondo como adversajrios allados de hoje e vice-verso. O
reembaro/homento dos carts politicos, por~m, pode ndio mudor nodo, em essincio, no
Para. O futuro se parece, codo vez mois, a uma mirogem.


ue tal Almir Gabriel reto-
mando o control do PSDB
e o governador Simio Ja-
tene se passando para o
VPMDB do deputado fede-
ral Jader Barbalho?
Pouco tempo atris essa hip6tese se-
ria considerada impensivel. Ainda seri
classificada de risivel quando apresenta-


da, hoje. Mas provavelmente ji comogFa
a preocupar algumas cabegas. N~o que
venha necessariamente a se materializar
ou esteja mesmo em andamento. Mas
cabe num ensaio prospective sobre os
cendrios que se seguirio B eleigio muni-
cipal deste ano no ParB.
O ex-governador Almir Gabriel recu-
sou ser o candidate tucano a prefeitura


Tudo muda:


tudo igual




















































































2 SETEM8"D)DE 2004 lo QUINZENA Jlornal Pessoull


counsuyA0A DA CP

de Beldm, quando era o preferido nas
pesquisas de intenglio de voto. Mas
nito o favorite. Parecia ameagado
pela candidate Ana Jilia Carepa, do
PT, que conseguira se eleger sena-
dora dois anos atris, com um milhlo
de votos.
Candidate de unillo e de forga do
PSDB, Almir recusou g dltima hora em-
barcar no trio el~trico, oferecido por
seu successor. Alegou que nito queria
voltar a uma dispute eleitoral, estava
cansado, queria usufruir as delicias de
uma bem adubada aposentadoria, cur-
tir a familiar, cuidar da mulher e outros
arguments de quem se desinteressou
pelo picadeiro do voto.
Simlio Jatene tinha que escolher en-
tre um nome qualificado para a fun-
Cgio, fazendo tudo para eleg&-lo, ainda
que saindo do trago (como foi seu pr6-
prio caso de sucesso), ou pegar o se-
gundo nome mais lembrado nas privi-
as, que, por isso mesmo, seria o candi-
dato mais forte eleitoralmente, fosse
ele quem fosse.
No primeiro caso, ele podia langar
miio de um quadro t~cnico, como o su-
persecrettirio Sdrgio Leiio (que jB c
tuma ser apontado como possivel can-
didato ao governor em 2010, na linha
sucess6ria nobilitirquica republicano-
monarquista, que constitui o projeto
tucano de poder). Na segunda opglio,
o nome seria o do senador Duciomar
Costa, que sempre aparecia disputan-
do o segundo lugar com Ana Jilia nas
pesquisas niio oficializadas, quando
Almir era o primeiro.
Mas Duciomar 6 do PTB e nito do
PSDB. Em segundo lugar, niio se iden-
tifica com a base do partido, nem se
amolda ao perfil do Ifder tucano. Em
terceiro lugar, tinha uma nbdoa no cur-
riculo, o charlatanismo provado e
confesso de forjar um diploma para
exercer a medicine oftalmol6gica (cri-
me que nho deu em condenaglio e
pena por ter prescrito). Em quarto lu-
gar, e por conseqtiincia, por nio ofe-
recer muitas garantias de fidelidade
p6s-elei toral.
Mais do que essas circunstincias,
pesou na balanga de Simlio Jatene um
objetivo: recuperar o poder na capital,
que tem 20% dos votos do coldgio elei-
toral paraense, hti oito anos sob o con-
trole do PT. Para arrematar essa es-
trat~gia, Jatene precisava de um outro
suporte: a renovaglio da alianga com o
PMDB, seu principal aliado na Assem-
bl~ia Legislativa, mesmo sem integrar
a coliga~glo comandada pelo PSDB.
Sem o PMDB, Jatene n~io teria alcan-
gado tantas vitbrias no legislative e


iSSo teria afetado sua capacidade de
governor.
O Oinico empecilho para a renova-
~gio desse apoio seria um entendimen-
to eleitoral neste ano. E a pedra no
meio do caminho, nesse enredo de p6
quebrado, era j ustamente Almir Gabri-
el. Por razdes conscientes e inconsci-
entes, 16gicas ou irracionais, estrat~gi-
cas ou impulsivas, o doutor Almir se
tornou inimigo total do home que lhe
deu, de miio beijada, seu primeiro car-
go politico. Foi como governador elei-
to do Parj que Jader Barbalho fez de
Almir Gabriel, secret~rio de sa~ide no
segundo governor de Alacid Nunes
(1979-1983), prefeito bibnico de Be-
16m, em 1985. Se juntassem suas te-
ses, Maquiavel e Freud ajudariam a ilu-
minar os recinditos dessa origem e seu
desdobramento posterior.
Renunciando (pela segunda vez) a
ser candidate h prefeitura de Bel~m,
independentemente de sua motivaglo
para essa decisio, Almir Gabriel libe-
rou o caminho para a 6nt~nte Jatene-
Barbalho. Ela compreende nito s6 uma
acomoda~gio de interesses no 6nico
foco grave de dissensies potenciais, a
Area metropolitana de Bel~m, mas tam-
b~m um espectro de composiCaes en-
volvendo praticamente um tergo dos
municipios do Estado, nos quais PMDB
e PSDB estarilo casados, como ensaio
para former outra vez maioria absolu-
ta na Assembl~ia Legislativa.
O doutor Almir certamente tinha ci-
Cncia do alcance para o PSDB da sua
desistincia em Beldm, mas talvez nio
mediu adequadamente a capacidade de
recuperaglio do seu partido e do gover-
nador. Passado o impact da renuncia,
em pouco tempo Duciomar Costa, con-
tra alguns dos principals vaticinios tu-
canos e expectativas petistas, ocupou o
viicuo deixado pelo ex-governador.
Foi alt~m atC, tornando-se o favori-
to na corrida pr6-eleitoral e dando cau-
sa a uma hip6tese que nho estava em
jogo: decidir a dispute jii no primeiro
turno. Embora ainda precaria, sujeita
a alteraqdes at6 o dia 3, essa hipbtese
modifica o balango das forgas political
e langa uma sombra para o future, no
qual era ponto pacifico a candidatura
de Almir Gabriel ao Senado, que seria
seu grande trunfo depois de afastada
a prefeitura de Belem.
Niio por acaso, a postura de apo-
sentado e o caminho que levava aos
jardins de orquideas mudou completa-
mente. O hall de entrada do prddio de
luxo, no qual o ex-governador reside,
passou a ser tomado por politicos, so-
bretudo do interior, h espera das conti-
nuas audi~ncias dadas por Almir Ga-
briel. Ele comegou a comparecer a


comicios e sua agenda foi tomada por
deslocamentos para fora da capital.
Outdoors inundaram Bel~m com uma
nova marca, tito exagerada que virou
mote de bumor: Almir, "o inesquecivel".
Por que lhe dar esse titulo? Havia
uma boa razlio flitica. As pesquisas,
cada vez mais, mostram que o povo
aprovou seus oito anos como adminis-
trador (se com razlio ou niio, 6 outra
coisa, que nho vem ao caso), mas nio
lhe reconheceu eleitoralmente os cr~di-
tos. A vit6ria de Almir sobre Jader foi
muito mais suada do que, quatro anos
antes, sobre Jarbas Passarinho, embo-
ra Almir tivesse a seu favor toda a mii-
quina estadual e o desgaste da imagem
de Barbalho, depois de uma desastrosa
passage pela presid~ncia do Senado.
Reconhecido como administrator,
Almir nito teve a mesma sorte como
politico. Niio por uma possfvel ingrati-
dito do povo, mas por falta de traquejo
do prbprio ex-governador, um sagaz ar-
ticulador de bastidores, disposto a tudo
para realizar seus intentos (por isso
teve maioria legislative como nenhum
outro, mesmo os que governaram o
Pardi no period de exceglio do regime
military mas sem facilidade de comu-
nicaqilo e aproximaglio com o povo, um
politico tens, cuja aparincia mais afas-
ta do que atrai.
Se pretende-se "inesquecfvel", 6
porque o ex-governador quer ser lem-
brado. Talvez niio confie que seus cor-
religiondrios tratario da mem6ria co-
letiva a ponto de permitir-lbe voltar sem
sustos (ou riscos) a mais uma dispute
eleitoral, depois de dois anos ao relen-
to. A desconfianga nos sucessores pro-
vavelmente evoluiu, no circulo mais
pr6ximo a Almir Gabriel, para a certe-
za de que o grande lider pode estar
sendo entregue ao esquecimento e ao
ocaso. Se um dia o medico pensou
mesmo em deixar o poder, tudo pare-
cia estar conspirando para realizar-lhe
esse alegado sonho.
Mas estil provado, agora, que tudo
n~io passava de palavras. Recompon-
do suas forgas, sobretudo comn os tu-
canos que niio foram albergados na
equipe de Simlio Jatene, mais aliados
eventuais e insatisfeitos de sempre, o
ex-governador crion uma estrutura pa-
ralela B do seu successor, jik que, nesta,
um dos components 6 o indesejado e
odiado Jader Barbalho. Almir procurou
recuperar seus cr~ditos junto g candi-
datura Duciomar, embora com o cui-
dado de transferir a autoria para ter-
ceiros (como para a ex-primeira dama,
ativa apesar dos problems de sadde).
E se langou B luta.
Teve o apoio do grupo Liberal para
investor sobre um reduto preservado por









Bush agamn
Para ser a replica de Bush, Putin
tinha que dar uma ajuda ao modelo.
Nem que para isso precisasse derra-
mar sangue inocente de centenas de
pessoas, sobretudo criangas.
Sintomitica, a manobra do gover-
no russo. Primeiro probe imagens do
seqtiestro. Depois, manipulando-as,
as exibe. Comn isso, desvia a aten~gio
da opinilio pdiblica de sua pr6pria res-
ponsabilidade, ao mesmo tempo em
que a dirige contra o terror. Esconde
a causa e escancara a conseqtien-
cia.
Nos Estados Unidos isso 6 feito
atrav~s de t~cnicas de marketing e
conivencia da imprensa. Na Rlissia,
o governor se favorece das estrutu-
ras de mando verticalizado montadas
pelos bolcheviques de L~nin e leva-
das B perfeiglio tirinica por St~lin, que
ainda subsistem depois do desmoro-
namento do regime comunista.
A distincia, temos nossos moti-
vos para nito querer a selvageria do
mercado, que prevalece no primeiro
modelo, nem a ordem burocritica
paralisante do segundo. Nem o rei-
nado da rede Globo e tudo que re-
presenta, nem o conselho corporati-
vo-estatal.


BUSH |I
Se um Bush jB niio era pouco,
agora o mundo tem dois. O outro
fica na Rlissia e atende pelo nome
de Vladimir Putin. Tornou-se o
maior e inesperado cabo-
eleitoral para a reelei~gio do
desastroso president dos Estados
Unidos. Niio podia ter surgido em
memento mais necess~rio para
Bush II, nem da maneira mais
dramaticamente litil.
Claro que a origem da matanga
na escola de Beslan, no interior da
Rlissia, 6 o grupo terrorist
checheno, mais um de origem
islimica. Mas a trag~dia s6
alcangou sua traumitica dimensiio
mundial por conta da
insensibilidade, press e brutalidade
dos militares russos, sob as ordens
diretas do president. Eles
repetiram a a~gio praticada num
teatro de Moscou, em situaglio
semelhante.
Se pudesse, George Bush teria
dado a mesma orientaglio. Niio
podendo, beneficiou-se dessa
sbrdida combina~gio de terror e
totalitarismo, o velho (mas sempre
renovado) despotismo oriental.


Jatene, em funglio do acordo com o
PMDB: Ananindeua. Ali, a candidatu-
ra tucana serviria apenas de decora-
~gi para uma vit6ria arrasadora do
successor que Jader Barbalho est8 tra-
balhando para criar, seu filho, o depu-
tado estadual Helder Barbalho, enquan-
to, em Bel~m, langa miio de Hdlio Guei-
ros para valorizar seu cacife para um
entendimento no segundo turno, com
vantagens inclusive para o candidate
peemedebista (que pode ter um lugar
na C~mara Federal se um dos deputa-
dos da bancada for chamado para in-
tegrar a administration municipal ou
mesmo estadual).
Segundo o notici~rio de O Liberal,
santinhos com a imagem de Almir Ga-
briel, distribuidos a rodo, teriam provo-
cado o milagre: as preferincias por
Helder baixaram de 77% para 71%,
enquanto as de Gisela Cunha aumen-
taram 111%, embora ainda represen-
tasse uma sexta parte do indice do 11-
der nas pesquisas. A menos de um mis
da eleigilo, o resultado niio dava qual-
quer alento de que o milagre possa vir
a se consolidar, mas uma vit6ria me-
nos acachapante seria important para
os objetivos do ex-governador: mostrar
que ele tem densidade eleitoral, at6,
talvez, quem sabe, para enfrentar Si-
milo Jatene, dentro e fora do PSDB,
se essa circunstincia se apresentar.
Ela poder8 vir a se apresentar? Esta
6 uma das inc6gnitas que se langam so-
bre o period pbs-eleitoral antes mes-
mo de falarem as urnas, das quais,
como niio se cansam de dizer os politi-
cos, pode-se estar tantas surpresas
quanto da mineraglio. Ainda que Jate-
ne e Almir possam se reacomodar no
mesmo ninho, jB o fadio sob a condi-
Fgi de tucanos bicudos demais para
uma convivincia sem atritos.
Na casa e no circulo intimo do ex-
governador, os adjetivos reservados ao
seu successor nito sho nada lisonjeiros.
A teimosia, o autoritarismo e o ego do
medico tamb~m ji nito desfrutam de
espago suficiente para albergi-los no
Pal~cio dos Despachos. Niio sera von-
tade demais para espago de menos no
PSDB, ainda mais porque o lugar de
Duciomar no Senado sera ocupado pelo
compare de Almir, o empresirio Fer-
nando Flexa Ribeiro?
Mas nito 6 s6 a essas idiossincrasias
que a estrutura do poder ter8 que se ajus-
tar. O prdprio Duciomar, se eleito, ain-
da mais se isso ocorrer jB no primeiro
turno, que tipo de tratamento passar8 a
reivindicar do governor? Essa rela~gio,
que jB seria complicada em terms pu-
ramente paroquiais, 6 agravada pela
relaglio national do PTB com o PT, algo
que nho se traduziu ainda na dispute elei-


toral, mas que tera seu peso na aglo
administrative. Duciomar reforgar8 a
alianga Jatene-Barbalho, ou lhe sera um
estorvo? Sem recursos do orgamento
municipal, ficar8 a merc8 da ajuda es-
tadual ou procurar8 o mana federal?
Para o PT, a meteorologia nito 6
menos incerta e problemitica. Perden-
do a capital, a melhor base political que
lhe podera restar sera Santardm. Nio
sera a volta a um passado de inexpres-
sividade, mas sera um franco retroces-
so. O PT se descobrir8, outra vez, sem
um grande nome para a dispute majo-
rit~ria de 2006.
Esse mau resultado 6 menos con-
seqtiincia da conjuntura ou qualquer
fato externo e mais dos erros petistas,
da sua baixa qualificagilo, da sua in-
compet~ncia no manejo dos corddes do
poder. O PT acreditou na sua pr6pria
propaganda. Esqueceu as dissensies
internal, a sua fragilidade t~cnica, a
perda de algumas de suas bandeiras, a
forga dos adversaries. Foi surpreendi-
do pela perda de eixo e pela borrasca
que bateu em seus costados devido &
inconsistincia de suas conquistas.
Edmilson Rodrigues conquistou o
segundo mandate a duras penas, de-
pois de ter sido beneficiado pelos er-
ros dos adversaries na primeira elei-
gilo, batendo por pouco o at6 entio
desconhecido Ramiro Bentes, um se-
cretirio municipal que o prefeito H61io
Gueiros tentou enfiar goela adentro do
eleitorado, como se tamb~m fosse ca-
paz de eleger um poste. Edmilson de-
veu sua vit6ria sobre Duciomar Costa,
em 2000, a uma polemica pesquisa que
o grupo Liberal divulgou na v~spera,
numa hist6ria at6 hoje B espera de sua
verdadeira escrita (certamente nito s6
uma escrituragilo jornalistica).
Numa alianga mais ampla, o PT te-
ria consolidado entlio seu poder, ainda
que o dividindo, para nito se ver obri-
gado a devolver a prefeitura da capital
ao partido que jB domina o governor do
Estado (pelo terceiro mandate segui-
do) e dever8 controlar a maioria das
prefeituras depois de outubro. O esque-
ma de poder se tornar8 ainda mais
monolitico do que jB 6, mesmo que Al-
mir Gabriel se torne um rebelde.
Tudo bem para aqueles que desfru-
tam desse poder ou acham que o Parr
esti mesmo se desenvolvendo com esse
jeito ao mesmo tempo concentrador e
arejado de administrar a coisa pdblica.
Mas ruim para aqueles que, revendo o
passado, nito encontram nele nenhuma
chave para o future, exceto o dessa com-
bina~gio de apar~ncia rC~sea e essincia
pldimbea. Esse 6 o ParB de um future
que se exaure no present. No qual tudo
muda para tudo continuar como est8.


Jornal Pessoal 10 QUINZENA SETEM8RO DE 2004

















































































4 SETEM8RO DE 2004 I" QUINZENA Jornal Pessoul


A UDR (Uniko Democritica Rura-
lista) jB era. A organization que repre-
senta agora os dons de terras 6 a An-
pru. A Associa~gio Nacional dos Pro-
dutores Rurais dispde de uma receita
mensal de 13 milhdes de reais, resul-
tante do pagamento de R$ 75 por cada
um dos seus 175 mil associados. Gran-
de parte desse or-
gamento 6 empre-
gada para monito-
rar, identificar e
combater as inva-
sdes de proprieda- Ir
des rurais, feitas
principalmente
pelo MST (Movi-
mento dos Traba-
lhadores Rurais
Sem-Terra).
A Anpur est% utilizado nesse serving
tecnologia de ponta, com informag~es por
satilite e uma rede de cobertura em ter-
ra que age em tempo real. O objetivo,
evidentemente, nito 6 acad~mico. Por isso
mesmo, para ser eficiente, comega a se
estender B seguranga das propriedades,
com o treinamento de seus funcion~rios
e contratagilo de pessoal externo. Uma
das justificativas para essa iniciativa, se-


gundo os dirigentes da associaqio, 6 a
quantidade de mandados de reintegra~gio
nio cumpridos, apesar da determina~gio
judicial nesse sentido. Seriam 450 ordens
B espera de decision do governor, desde o
inicio da administraSio Fernando Henri-
que Cardoso, em 1995.
Esse clima de crescente antagonismo
e de viol~ncia cada
vez maior sugere,
entire outras coisas,
k~cque o governor nto
esta sendo o exe-
-- -~ cutor da ordem le-
--- gal nem esta cum-
-- prindo seu papel de
mudanga da ordem
social, quando ela
se torna iniqua, ine-
ficiente ou obsole-
ta. De um lado, nito mant~m a confianga
nas instituigaes. De outro, nito express
a insia social-
A tarefa niio 6 ficil, mas precisa ser
enfrentada com mais conseqtiincia. Do
contr~rio, o campo se torna terreno fdrtil
para oconfronto direto, sem adevida me-
dia~gio do verdadeiro grbitro nos antago-
nismos. Quem acaba pagando a conta 6
a democracia.


A Companhia Vale do Rio Doce sur-
preendeu o mercado com um comunica-
do, publicado no dia 2 na imprensa de
todos os Estados nos quais atua. Nessa
nota, a Vale se diz vitima de uma attitudee
criminosa": pessoas que nito identifi-
cou estariam se apresentando em seu
nome para vender mindrio de ferro no
mercado international. Estariam inclusi-
ve subscrevendo "cartas adulteradas e
com falsificaqdes grosseiras de assina-
turas de Diretores de Departamento da
CVRD, tratando de embarques de mind-
rio de ferro para exportapho".
Se a attitude criminosa chegou a esse
ponto, provavelmente a Vale sabe quem
sho os fraudadores. Mas preferiu nio
nome8-los, mesmo quando provocada.
Niio se trata de um golpezinho qualquer:
a Vale, comercializando um tergo do mi-
ndrio de ferro que circula pelo mundo,
teve um saldo de divisas no ano passado
de 3,4 bilhdes de d61ares, que represen-
tou quase 14% do superivit commercial do
Brasil em 2003, tornando-se a maior ex-
portadora liquid do pafs.


Ao contr~rio de um boato malivolo
que circulou pela cidade, a nota nada tem
a ver com a atua~gio do deputado esta-
dual Martinho Carmona, "o honesto,
como se apresenta, candidate a prefeito
de Bel~m pelo PDT. Carmona tem dito
em sua propaganda que sua peregrina-
glio pela China, como integrante da co-
mitiva do president Lula, resultar8 em
investimentos para a capital paraense.
Com emprego e renda, conforme a lada-
inha geral.
Seu adversirio, H61io Gueiros, depois
de ouvir o antincio no debate na R~dio
Liberal, lembrou, ao seu estilo, que "o
inesquecivel" tamb~m havia prometido
algo semelhante ao voltar de sua muito
festejada viagem 8 Malisia (Gueiros es-
queceu de lembrar que houve repeteco
da promessa no retorno da TchecoslovB-
quia), mas que at6 agora o resultado con-
creto 6 zero
Na Cpoca, de qualquer modo, nio
houve nenhuma nota da CVRD que pu-
desse inspirar associates malivolas -
e descabidas, claro.


FOgO HO campo


A die?8 da CDP (Companhia das
Docas do ParB), se imaginou que invia-
bilizaria a VIII Feira do Livro recusan-
do-se a ceder-lhe dois de seus galpdes,
no terminal de Bel~m, como fizera no ano
passado, deu-se mal. Tomando o pitio na
unha, o secretirio de Cultura do Estado,
Paulo Chaves Fernandes, criador e rea-
lizador da feira, decidiu adaptar, para re-
ceber a feira, uma grea do antigo Parque
de Aerondutica, que, no future serd o
Centro de Conven95es do Estado.
Como nho havia tempo, a licita~ilo para
a obra foi dispensada, mesmo envolven-
do tris milhaes de reais. A circunstincia
adversa criada pela mB vontade da CDP
acabou favorecendo, por vias e traves-
sas, o mitodo de Paulo Chaves, de dei-
xar de lado as preciosidades formats da
administra~ilo pbblica e it logo aos "fi-
nalmentes".
No dia 17, quando a feira comegar,
seus freqiientadores poderio verificar se
a rapidez do agir do secretirio deu bons
frutos. Esse mdrito ningu~m tira de Pau-
lo: quando quer, ele faz. No prazo exf-
guo, adaptou o hangar da Aeroniutica em
parque de exposi~gio. Mas niio daria para
realizar outro de seus grandes projetos,
que C o pr6prio Centro de Convengoes,
de custo oito vezes maior, de R$ 24 mi-
lhies mais carol, inclusive, do que a
Esta~gio das Docas.
Esses R$ 24 milhdes de obras futuras
devem ser acrescidos a outros R$ 24 mi-
lhdes, o valor atribuido g Area da Aero-
n~utica, na avenida Almirante Barroso,
esquina comn a Doutor Freitas (e ao lado
do "autorama" do Edmilson. O Estado nito
pagardi em dinheiro pelo im6vel, mas res-
sarcir8 esse valor em obras e servigos, de
acordo com a indicaglio do Ministdrio. O
primeiro encontro de contas for a cessao
de um pr~dio da Secretaria da Fazenda
situado ao lado do Tribunal Regional do
Trabalho, na Praga Brasil, que dever8 ser-
vir de dep~sito judicial.
Ao admitir que nito havia tempo para
fazer todo o Centro de Conven95es (de
R$ 50 milhdes, ao cabo e ao rabo) em
tiio pouco tempo, Paulo Chaves foi sin-
cero: "Se eu fizesse isso, eu mesmo pen-
saria que sou Deus .


VERDADE
Antes de poderem esclarecer adequa-
damente o distinto pliblico, Veja e IstoC
parecem ter achado melhor p~r fimn a
guerra que vinham travando em torno de
uma acusaglio feita pelo jornalista Luis
Costa Pinto (ver Jornal Pessoal 328).
Logo quando as duas publicaq~es come-
gavam a se aproximar da verdade.


Mal-entendido





Na d~cada de 70, o alto custo da ener-
gia, provocado pelo duplo cheque do pe-
tr61eo, obrigou o Japtio a refazer sua es-
trutura produtiva. Uma de suas mais
dristicas iniciativas, motivada pela fragi-
lidade energ~tica do pafs, foi fechar pra-
ticamente todas as suas flibricas de alu-
minio, o produto industrial mais eletroin-
tensivo que existe, e transferir o supri-
mento dessa demand para o exterior. A
fiibrica que individualmente mais metal
fornece ao Japho fica a 20 mil quil~me-
tros do seu territ6rio: 6 a Albrdis, a 50
quil8metros de Belt~m, que atende a 15%
da demand japonesa de aluminio.
E do ParB que sai tamb~m o mindrio
de ferro que alimenta os altos fornos das
siderdirgicas japonesas. A proporglio, nes-
se caso, 6 semelhante jIdo aluminio: 15%
do mindrio de ferro consumido pelo Ja-
pilo tem origem na mina de Carajils e 6
embarcado pelo porto da Ponta da Ma-
deira, em Stio Luis do Maranhilo.
Um fen~meno semelhante acontece
atualmente com outro pals do Oriente, a
China. Por car~ncia de energia, necessi-
dade de recorrer a fontes energ~ticas
mais limpas e imposigio de medidas de
control ecol6gico exigida por seus vizi-
nhos, a China comegou a adotar proces-
so semelhante de transfer~ncia de pro-
du~gio A Amazinia 6 o ponto de destiny
dessa nova divis~io do trabalho. Ativida-
des eletrointensivas, que consomem gran-
des quantidades de recursos naturals e
que sto poluidoras estio deixando de ser
praticadas na China para serem desen-
volvidas na Amazinia.
O process jB comegou, mas seu des-
dobramento logo atingir8 parimetros que
poderiam ser considerados impensiveis
dois ou tras anos atrils. A China superou
o Japilo como maior client do mindrio
de ferro, em 2003.
Essa participation s6 niio se incremen-
tarti mais intensamente porque parte do
ciclo siderdirgico vai deixar o territbrio
chins e se implantar no literal da Ama-
z~nia Legal. Atd o final da d~cada, a fi-
brica de chapas de ago do cons6rcio
Companhia Vale do Rio Doce-Baosteel-
Arcelor estarti produzindo 9 milhdes de
toneladas, apbs um investimento de 1,5
bilhio de d61ares.
Grande parte da energia e do redutor
necessfirio para essa siderdrgica viril da
China. A CVRD jii montou um neg6cio
naquele pals para embarcar coque me-
taldrgico nos navios que levarem mindrio
de ferro de Carajiis para a China, utili-
zando o frete de retorno. Essa opera~gio


viabilizardi o empreendimento, que seria
antiecon~mico em outro context.
Essa parceria vem num memento es-
trat~gico para a China. A queima de car-
viio C a causa principal da polui~glo do at
no pafs, que jB alnnociou uma sdrie de
medidas para reduzir os nfveis assusta-
dores do problema. Segundo um estudo
feito pela Academia de Planejamento
Ambiental da China, os custos causados
B salide humana pela poluiglio do ar jil
representam de 2% a 3% do PIB nacio-
nal, mas chegarlio a 13% do PIB em 2020
(algo como 400 bilhaes de d61ares), se a
atividade produtiva n~io for modificada
drasticamente.
A meta, nesse setor, 6 reduzir dos atu-
ais 70% para 60% a dependencia chinesa
de carvio. Tanto convertendo fontes de
energia como exportando carviio para ser
usado em processes produtivos poluidores,
que tambdm serilo transferidos da China
para outro pafs. O Brasil 6 o alvo principal
e a Amaz~nia, a meta especifica.
Essa niio 6 uma political para o ama-
nhti nem para ser decorative. A Ag~ncia
Estatal de Proteglio Ambiental da China
reconhece que chuvas ficidas, provoca-
das pela poluigilo do ar, caem sobre 30% b
da extensiio do pafs. Em muitas cidades
o ar se tornarti virtualmente irrespirlivel
at6 o final da d~cada. Hoje, 380 mil pes-


soas morrem prematuramente todos os
anos nas 11 maiores cidades chinesas, por
causa de problems pulmonares, provo-
cados pela fuligem e outras particular em
suspensiio no ar. Em 2010 esse ndmero
alcangaril 380 mil pessoas por ano e, em
2020, 550 mil, sem considerar as que fi-
cam sujeitas a bronquite cr8nica.
Essa polui~gio sera transferida para a
Amaz~jnia? E o que aguarda Stio Luis,
onde o coque seril usado pela usina cuja
implanta~gio foi iniciada, sem falar no
consume de figua, talvez representando
metade de tudo que a capital maranhen-
se precisarti, mesmo com a polamica
duplicaqilo do sistema Italuis. Estamos
conscientes do problema e preparados
para enfrentli-lo e resolv6-lo em melho-
res condig~es do que os chineses?
Como essa question nito foi posta na
mesa que discutiu, com veemincia, jB
agora esmaecida pela curta mem6ria dos
natives, a implantaglio do projeto siderdr-
gico, 6 a hora de abordli-la com lucidez,
clareza e coragem, antes de nos vermos
sujeitos a lamentar o problema comn que
a China pretend nos presentear, se nho
soubermos da velha hist6ria do cavalo de
Tr6ia. Niio que devamos, de pronto, ve-
tar o neg6cio: mas 6 precise, antes, exa-
minar o venture do cavalo para verificar
se niio ha nele uma surpresa ruim.


Jornal Pessoal i"QUINZENA SETEM8RO DE2004


Cavalo de Tr6ia vem da China?


AjUSTE






tuniu, ido SL1 k






ambi, re, picm-se



assssr que o


Se ning~uem chuta caChorro mo.lrto, OC seguidjOS alntindos
de pagina Inreira que O Liberal tem publicadii. na po~ltmica
co-m ar Dldrio do~ Pard sobrre n rirage2m ds do~ls jo~rnals. mo<-
tra que~ a lider do merrjcade abarndonando. a posturu anrrior.
de pmils be~ referir ;1o ColncorrnIle(, vrms~ degro.;us abuixo do
sua posigilo. sente-se inlcomodadoi pelo~ icrscimelnto, do adJ-

E evldenre que: Se: a Diario tlivesTse crScide tntO quanto
alega,. manipulando evat3iticas. ij. Iterid se: asscladjo an Ins-
rrtituto verificaor de ClrculagIoC O) tIniico jornal t;Illado nlo I VC
no ParLd e no None2 eO Liberal. Essez menito ning~udm Ihe
tiraI. Alas eu gostairlia de receber a pesquisa complera nal qlual
esra assinlalado que odidlo dis Almori~an rira 10 miil n e~lem-

so a esse dado e queria consuld-lo para mec cur\tar a essa
fugalnha~ ealaudi-la.
A pollemicL. t in~tejZr~nessm mas co~ni rnhar que o Minist~ir~io
Publiceo entrasse na danqua, enqudnto fiscal da le~i. 5e os doiS
jornals t~m ra~zao quando~ acusaml calbrtoT1 no MP Ireque'rer
as~ pesqIu'-ila ue fundiamentur m as duei emlpress~ e 3e elus exisrelm e~ se: etio orreTasiF Afinal, ununcia~ntes e
leltorres podem ejtar sEndo vitima eprpgnd a e1 TP~llll cngalnosaI
Crime1 prewareI no Codigo doIConjumiiJor.













































I- I I -


6 SETEM8RO DE 2004 I QUINZENA JOr~ntil Pessotti


seus titulos ou fama. Os candidates se
preparavam para passar por um corre-
dor polones de perguntas incamodas e
os jornalistas se armavam para contra-
ditar a replica dos candidates, defen-
dendo-se a si e aos interesses da soci-
edade. A Oinica regra em vigor era: quem
fosse podre que se quebrasse.
Agora as suscetibilidades em jogo
e os impetos autorittirios e censoriais
slio tantos qlue nada mais resta do
questionamento qlue deve ser imposto
aos pretendentes a cargos ptiblicos.
Eles deviam experimentar dos espinhos
da funglio e niio apenas das suas be-
nesses antes de poderem exerc6-la,
inclusive para qlue todos saibam se
estlio preparados para assumi-la. O
evidence cerceamento feito por alguns
jufzes singulares sobre os programs
dos partidos no hortirio eleitoral devia
levar a justiga a former um comity, ti-
rando a atribuiglio de uma unica ca-
bega. O comity seria integrado por
dois juizes, um representante do Mi-
nistdrio e outro da OAB, com seus
respectivos substitutes. Decisaes co-
legiadas costumam ser mais sensatas
do qlue as individuals.


Em mat~ria de campanha eleitoral,
passamos do 80 ao oito. Mas eu prefi-
ro muito mais o 80 ao 8. Antes havia
muito da tal de baixaria, mas esse cli-
ma de mosteiro que a justiga eleitoral
tenta impor agora, coadj uvada pela in-
prensa, nito combine comn democracia.
Se a liberalidade de antes abrigava a
ofensa, a censura de hoje permit que
gatos sejam vendidos por lebres ao
eleitorado.
Um candidate bem assessorado e
com dinheiro suficiente para financial
bons programs de television pode se
eleger sem precisar demonstrar (ou ao
menos exibir) para o eleitor suas cre-
denciais para o cargo. No hortirio que
lhe cabe na propaganda supostamente
gratuita (mas paga pelo contribuinte),
ele pode se aproveitar das t~cnicas de
manipulaglio. Jii as regras dos hipotiti-
cos debates o poupam do risco de ser
colocado contra a parede.
Na 6poca em que participei de de-
bates, do outro lado da bancada hav:ia
lugar apenas para jornalistas, daqiues .
que acompanhavam a cena political e
tinham tutano para se entestar com
qualquer um, independentemente dos


a funglio ptiblica, latene desa-
fiou aConstituigaio ecausou des-
confor-to e ang~istia a um velho
servidor da casa, o auditor Erlin-
do Braga, obrigado a uma de-
manda judicial para confirmar
seu direito, plenamente demons-
trado: ir atC o final da carreir-a.
A primeira batalha par-a a
acomodaglio de interesses polf-
ticos, por isso, fol perdida, no pla-
no local. A segunda, que 6 fede-
ratl, estli em banho-maria: a con-
firmagilo da indicaglo do pr6-
prio "senador do governador"
para o Tr-ibunal de Contas da
Uniiio, contra a vontade do pr6-
prio TCU e da opinitio pdblica.
Tudo porque o simpatico
senador "Pepeca" nito volta-
rri ao cargoo. Tanto porqlue di-
ficilmente conseguirdi os votos
necessfirios para uma nova
eleiglio como porque seu lu-
gar jri foi rifado para tender
a outras convenincias.
Ah, sim: nesse enredo o
distinto pdblico C detalhe.


SAPO



eipl-ls. do dep~urldro fedelral

no augre dos esct~mdalos
sobre desvios de recursos
dos incentives fiscais
administrados pela (ex-

(Supe~-r lcnmendn c~ll do
Desen volvi mento da
Amazinia). Mas a empresa,
que atende pela razio social
de Centeno & Moreira S/A,
continue sua vida.
Dil uIlIyour~centememe r
seu balang~o de 2003 (est6i
manr alua~lizada
~contabi nclmeme Jo que o
poderoso grapo Liberal, que
ainda niio passon de 2002),
lamentando sofrer "as
conseqtiincias dos fats
desabonadores ocorridos no

serios danos~ de~ ordcm
econ<^smiiio e financeiro to


prdl~it uri: "ainlda que c~om
\r enda.\ rezrtrus". O


Indlicaria, poreml. que "resta

.Iposta~ndo num futuurl
promlwor".
Eml _'003 3 emrpresa
futur ou~l R$ 265 mil, pouco
menos da metade da
receita do ano anterior, e
lettc Prem!lI'LIde R5 202
mil !contra lucro~ de RS
I 5milem 00,in Os r~



receita rapidamente, a
empresa terfi dificuldades
mlaiorres~ pla fiente.

Para'i~ quem 13 engoliu


O governador Simlio Jate-
ne se sujeitou aum grande des-
gaste par-a cumprir um com-
promisso politico: colocar a es-
posa do senador Luiz Otivio
Campos num dos melhores
empregos da praga, que 6 o
cargo vitalicio de conse-
lheiro do Tribunal de Contas do
Estado. Um dos conselheiros,
dos apar-entemente mais dis-
cretos, cheo0u a 102 mil reais
de rendimento mensal, soman-
do o que ganhavam ele e todos
os par-entes e adecentes da fa-
milia, infiltrados no TCE.
Escandalizado com a notf-
cia, aqui publicada, o entlio go-
vernador Almir Gabriel man-
dou checar. Era verdade. O
gonvernadolr prometel provri-
dancia. Se a tomou, nrio foi
para cortar- as sinecuras one-
rosas ao erlirio. A familiar con-
tinuou muito bem, obrigado.
Para nomear Lnian Campos,
dama de muitas virtudes, nenhu-
ma das quais relacionadas com


MED DCOS

Uma pessoa desqualificada conseguir
ser contratada como medico no Pronto
Socorro Municipal de Bel~m (da 14 de
Margo) e trabalhar por vjrios dias sem ser
descoberta dri uma iddia do qlue C ou foi a
administrator daquela instituiglio sob ogo-
verno do PT. Apolicia deve ser rigorosa na
apuragilo dos fats e a justiga na puniglio
do culpado ou culpados pelos danos causa-
dos pelo fraudador, que jj est6 preso.
Mas o qlue dizer da possivel eleigio de
outro falso medico para prefeito de Belim?
Algudmqcue forjou um diploma universit6-
rio para exercer profisslio com tilo alta res-
ponsabilidade como essa, envolvendo asad-
de e a vida de terceiros, o qlue niio poderi
fazer quando tiver mandate popular para
cuidar de quase 1,5 milhlio de pessoas?
Duciomar Costa ji foi um caso de po-
ifcia e de justiga. Pela morosidade na apu-
raglio dos fats e na sua responsabiliza-
glio penal, seu crime prescreveuo e ele se
tornou inimputrivel. Tornou-se, agora, um
caso de moralidade pdiblica. A Unama, qlue
lhe deu diploma de bacharel em Direito
(sem autorizaglio para advogoar, por niio
ter feito o exame de ordem), dispensan-
do-o do vestibular por ter cursor super-ior
(falso), nlio se senate tocada por essa ques-
t3io moral? Niio se senate na obrigagilo de
cassar esse diploma indevido?
Com a palavra, o reitor Edson Franco.


C am anha eleitor al


DETALHE





Jornal Pessoal lo QUINZENA SETEM8RO DE 2004


Hg algum tempo a verdadeira sede
da prefeitura de Presidente Figueiredo,
no Amazonas, fica a 100 quilimetros de
distincia da sede do municipio. O pr6-
dio abriga a representa~go da adminis-
tra~gi municipal em Manaus, capital do
Estado, mas 6 muito melhor do que a
simples edificaqigo na qual funciona a
prefeitura. O descompasso, por~m, aca-
bou se mostrando providencial nos lilti-
mos dias. Afinal, o prefeito Romeiro
Mendonga, do PFL, ficou despachando
na cela da Policia Federal. E para que
ele nito perdesse o control sobre as fi-
nangas locals, seus advogados conse-
guiram a transfer~ncia da sede munici-
pal, em carter extcepcional, para a su-
cursal manauara.
Romeiro foi uma das 20 pessoas pre-
sas no dia 11 do mis passado pela Polf-
cia Federal, na Operaglio Albatroz. Os
press foram acusados de participar de
um esquema de fraude em licitagies pi-
blicas, que causaram prejufzo de 500 mi-
lhdes de reais ao eriirio estadual, nos 61-
timos 10 anos, entire outros crimes. O
chefe da quadrilha era o deputado fede-
ral (sem partido) Antinia Cordeiro, que
se livrou da cadeia gragas ;I 5ua imuni-
dade parlamentar.
As sucessivas prisdes revelaram a
existincia de um esquema paralelo de
desvio de dinheiro pdiblico que funciona
hti uma ddcada, sem interrupqilo, no go-
verno do Amazonas, na prefeitura de Ma-
naus e em Presidente Figueiredo. Por que
neste municipio, de infeliz denominacgio?
Porque ele tem uma receita apreciivel,


"I .i

.i


-e -
vP J

,--- I t ~a \

gragas aos royalties da hidrel~trica de
Balbina e da mineraqio de cassiterita da
Paranapanema.
Aldm disso, as riquezas naturals de
President Figueiredo tamb~m lhe ren-
dem interesse turistico e certas formas
de explora~gio que ainda precisam ser
mais bem investigadas. Recentemente
recebi dentincia de que 61eo de pau-rosa
comercializado em Nova York origina-se
em President Figueiredo. Como o pro-
duto sai do Amazonas e vai parar nos
Estados Unidos, se realmente existe esse
circuit, 6 ainda um mist~rio. Menos den-
so, por~m, do que as razies que levaram
o prefeito a preferir instalar sua base em
Manaus e nito na sede do seu municipio.
Gragas a esse estratagema, p8de conti-
nuar a despachar com desembarago o
expediente da administra~gio, mesmo de
dentro da cadeia.
Metaforicamente, como gosta o presi-
dente Lula, poder-se-ia dizer que, na polf-
tica brasileira atual, se a montanha n~io vai
a MaomC, MaomC rouba a montanha.


Sou da ge~raq3o qlue ocupou a~ fa-
culdardes, em 1968. parra imnpedir r re-
fi:>rma until ersitairia rnspirada pelo uco1-
do MlEC-Lisaid. Dut ido que tenha pas-
sado pe~la cabega Jas liderangas do
movalmentol amphar sua agenda dez pnro-
testo para incluir o recebimento de: di-
nheir~o para viager~m, mesmo qlue com
umn otgetivo nobre.
Os; uni\ersildrios de hoje oc~upa-
ram um a nre-sala do3 reSltori Jy linl-
vezrsidade Fede~ral do Pard para f~or-
Fgi-la a c~ustear-lhes a transported ard
Brasilia. onder discutiriam a alual r~-
forma universitana.. Os temas sho. na
eenc~iia. as mesmnos. Og mletedos e
que mudoram. Quando queriirmos


arraniar Jinheiro parii alguma antii-
dade. faziarmos colemls. organizii\a-
mos prornor;oes nos~ 1irdi ames de
algum jeito.
HaVia um Iimire para utilizar recur-
sos piiblicos. annda que elee pudessem
esrar sendo the dilapidados. entilo,
quanto agora. Os fins n~o justifi~cavam
qualquer meio. PodiJ-se denunciar a
mou usjode terbas~ ofieaisji. MasL nlo
elra rec~n indicando-a pa~r3 uma~ causa
justa. emlboar indek rda, a nosia, que a
dinhe~iro fiiaria limpo ehconradol.
Asjim. a Independencia transfor-
ma-se: no preg~o que se paga por essa
alquimiia supostamente elica. Masi so
supostamente.


MIU0ONARIO
Outro dia uma revista de negbcios
serviu de palco para o empres~rio Olacir
de Moraes chorar suas penas de extinto
rei da soja no Brasil. Depois de ler a ma-
tdria, quase juntei uns trocados para re-
meter para o ex-milion~rio. Felizmente
nito fui tilo long nos impetos humanit8-
rios. Olacir niio est8 tio pobre assim.
Ele acaba de vender a segunda parte
desapropriivel da sua fazenda Itamarati,
em Mato Grosso, centirio deslumbrante
para olhos latifundidrios, com seu mar hi-
eritico de p~s de soja. O Incra do PT
aceitou pagar 165 milhaes de reais (R$
55 milhdes em dinheiro vivo, imediato, e
o restante em Titulos da Dfyida Agriria)
por 24,5 mil hectares da propriedade. O
Incra de Fernando Henrique Cardoso
pagou R$ 27 milhaes, tris anos atris,
pelos primeiros 25,5 mil hectares.
Deve haver uma razlio t~cnica, rela-
cionada is benfeitorias existentes na grea
ou g qualidade do solo, para explicar o
prego mais alto (praticamente R$ 30 mil
por hectare) pago pelo Incra de Lula. O
que interessa C que o pobre Olacir incor-
porou quase R$ 300 milhdes aos seus
combalidos cofres.
Sem acesso aos processes e uma vis-
toria na Area C dificil dizer se o neg6cio foi
bom para as duas parties, para uma s6 delas
e para os beneficidrios da opera~gio. Mas
hB um dado interessante a considerar:
quando o problema foi criado, com a ocu-
pa~gil de parte da gigantesca proprieda-
de, os posseiros somavam menos de 10%
das atuais 1.143 familias que o Incra ga-
rante que vai assentar naquela que ji foi a
maior planta~go de soja do mundo.
Para nito perder suas belas acompa-
nhantes, o dinimnico emprestirio ainda con-
ta com um ativo, como se diz no seu circu-
lo: a Ferronorte, uma ferrovia implantada
com grande volume de dinheiro ptiblico, mas
que pertence ao ex-monarca da soja, ago-
ra um feliz beneficidrio dos trilhos. Trilhos
que mudam de direptio conforme os inte-
resses do donor, mas nito dos Estados que
atravessa, como mostra a poldmica em
cursor no Pard e em Mato Grosso.


INSPIRAg A0
O president Lula cantarolar mlisicas
de Zeca Pagodinho, estli muito bem. Jil
citar Pagodinho como pensador, & um
pouco demais. Em cita~gioque incorpora
Ratinho, passa a ser dose para elefante.
Mas foi o que fez Sua Excelincia na
abertura do Encontro Internacional de
Combate B Lavagem de Dinheiro e Re-
cuperaglio de Ativos, realizada pelo Su-
perior Tribunal de Justiga, no inicio do
mis, em Brasilia.
Como diria Ibrahim Sued: et pour cause.


Rilsterto municipal


J l TU L/A ILT





Jornal faz 1'7 anos. A festa 6 do leitor


eletranica da publicaglio), com um jornalista que da profissito tem
uma vision elitista, excludente, preconceituosa. S6 ter8 sucesso quem
singrar os caminhos da grande empresa e se dirigir para o "sul" do
pafs. Mas que sucesso, cara-pilida? O sucesso que cobra um prego
carol: a submission B ordem do chefe. Ou, pior do que isso: As ameagas
da anticonsci~ncia, aquele sentiment tibio e ddibio que torna as pes-
soas espectadoras de sua 6poca, climplices das atrocidades, mas
que, por estarem ao lado dos vencedores, os que escrevertio a hist6-
ria, reescrevendo-a conforme seus interesses, criam a vers~io conve-
niente e se asseguram um habeas corpus ex-post-factum.
Este 6 um journal do anti-sucesso, da antiglbria, da anti-hist6ria
official, da Onica intransig~ncia que se justifica: aquela que se volta
contra a mentira, venha ela travestida de verdade official ou de meia-
verdade laica. E, por definiglio, ulm journal outsider, remando contra a
corrente, um sim numa sala negative, corrompendo, com sangue novo,
a anemia como naquele estupendo verso do auto de natal pernam-
bucano do imortal Jolio Cabral de Melo Neto, Morte e vida Severina.
Niio hB festas convencionais na data. Mas hii a alegria solar de
receber mensagens como a do economist Marcelino Monteiro da
Costa. No passado, como no present e, provavelmente, ainda no
future, diferengas de concepgbes continuarlio a me separar de Mar-
celino. Mas essas diferengas, que nito foram capazes de turvar a
amizade, jamais tingirlio de fel nosso mdituo respeito. E, como sabe-
mos, nds, os mandarins de um pafs faminto (de comida e de saber),
o afeto intellectual jamais se encerrar8 se o que nos move 6 aquele
tipo de compromisso Ctico e moral que nos faz acreditar no intangf-
vel e a perseguir o que esti muito al~m de n6s, o mistdrio da vida,
seu sal, sua luz: a utopia.
Por 17 anos o Jornal Pessoal buscou objetivos que niio cons-
tam dos manuals de sucesso minimalist de uma sociedade consu-
mista, que se compraz com o espeticulo da contemplagio do pr6-
prio umbigo. Pelo tempo de vida que the couber daqui pra frente,
continuar8 em busca desses ideals, sem se perguntar quanto cus-
tam e o que acarretam. Niio C propriamente um espetticulo fugaz ou
fantasioso de crescimento o que me atrai, mas aquilo que surpre-
endeu os dois compadres na conversa de beira de mangue no
poema alegbrico do grande Cabral: o espeticulo da vida. Este, sim,
C o maior dos espeticulos. Consolida um projeto de civilizaglio,
muito mais profundo e perene do que qualquer projeto de cresci-
mento, sujeito gs marolas do mercado e aos virus externos. Quere-
mos um projeto de civilizaglio para esta parte estranha e especifica
do Brasil. E, se der, para o Brasil inteiro e a humanidade que quiser
subir nesta canoa. A Cantareira da esperanga.
Obrigado, amigos e leitores.


O Jornal Pessoal complete 17 anos nesta edi~gio. A data suscita
uma question simples: por que ele sobrevive? Simploriamente, tam-
b~m, 6 possivel dar uma resposta em dois tempos: porque seu linico
integrante assim o quer, sobrevivente, e seu pliblico niio o abando-
nou. Certamente se n~io houvesse mais uma quantidade de pessoas
dispostas a comprar este j ornal, ele j i teria desaparecido. Seu plibl ico
6 pequeno, mas niio tanto que impossibilite esta publica~gio de ser o
que 6: um formador de opinilio.
Este journal tem inimigos. Seria mediocridade niio t&-los. HE tanto a
combater e corrigir no Brasil e na Amaz~nia que a unanimidade niiod
apenas burra: C be6cia. Admiradores ou detratores do Jornal Pessoal
sabem, pordm, que g entrada de sua reda~gio hd uma placa de adver-
tincia, g maneira de Dante Alighieri no primeiro livro da Divina ComC-
dia: deixai vosso poder e vossa intoler^Tncia, v6s que entrais.
Nas piginas deste pequeno e pobre journal a linica coisa que conta
6 a inteligencia. A intelig~ncia de quem argument e convene, mas
nito a de quem mente on manipula. A prova dos nove nestas piginas
6 a demonstra~gio do argument. Seu pressuposto 6 o fato, singular
ou plural. Todas as interpretaq~es e opini~es slio admissiveis, desde
que tenham uma base comum: a factuidade.
Saber o que acontece C muito, mas nito t tudo. E precise ter
disposi~gio (ou coragem) para proclamar os fats. Veja-se a mat~ria
de capa da ediglio passada. Em maior ou menor grau entiree n6s, em
minimo grau, infelizmente), toda imprensa registrou a opera~gio Fa-
rol da Colina, contra a evaslio de di visas, a forma~gio de quadrilha, o
enriquecimento ilicito, a sonegaglio fiscal e a lavagem de dinheiro.
Mas quem ousou mostrar que a Policia Federal provavelmente teria
incluido o president do Banco Central na sua malha fina se ele nio
tivesse recebido o guarda-chuva de uma Medida Provis6ria de li1ti-
ma hora? Quem deu nome aos press locals, todos socialites, e
apresentou-lhes a culpa?
Este journal continue a existir porque, sem ele, os fortes seriam
ainda mais fortes, a manipulaglio mais eficaz e a opinitio pliblica
menos capaz de se informar, ou se orientar. Em um mis, o de julho,
em que o journal n~io circulou, temas se acumularam e lacunas conti-
nuaram nito-preenchidas, gerando uma posta-restante que esta edi-
~gio niio foi capaz de aliviar. Isso se deve aos poderes do redator
solitbrio? Obviamente que niio. Essa marginalia informative, que
cresce nos desviios de sil~ncio da grande imprensa, se deve b auto-
censura, ao sil~ncio conivente, g omisslio de multos, os que sabem
e podem, mas nlio querem dizer. Niio querem, para comego de con-
versa, ou de silincio, expor-se.
Enquanto tentava escrever este jornal, eu travava uma pol~mica,
atrav~s do site da revista Caros Amigos (restrita, portanto, i. verslo


correspondido ao que dele espe-
rava o circulo de gvidos e exigen-
tes leitores que, ao long do tem-
po, formou. Parabins. Vai em
frente. Brindando os leitores com
as tuas pesquisas, informagaes,
andlises, critics etc.
Um abrago fraterno,
Marcelino Monteire da Costa

com muita felicidade que co-
memoro junto com voc&, o
17o aniverstirio do JP.
De fato, 6 uma grande festa
em meio a tantas dificuldades e
manter viva atC hoje essa publi-
caqilo imparcial, feito tHe raro na
impressa national e tho singular
aqui na Amaz~nia.


Saiba que todo esse trabalho
tem gerado "bons frutos", influen-
ciando, de maneira saud~vel, mui-
tos leitores joyens e, mais do que
isso, esclarecendo-nos. Permane-
ga firme nessa luta ejamais esmo-
rega diante de todo esse trabalho.
Meus sinceros parab~ns.
Michel Guedes

Spear de leitor assiduo do
~seu journal 6 a primeira vez
quelIhe escrevo uma carta.
Escrevo-lbe niio apenas para
parabeniz8-lo pelos 17 anos do
Jornal Pessoal, mas tamb~m para
Ihe dizer que apesar de novo este
jornal jB 6 considerado um dos
mais importantes do pais.


Espero continuar encontran-
do-o nas bancas de revistas por
muitos e muitos anos.
David Leal

pg~~pSbarabins ao Jornal Pessoal

Embora n~io seja leitora assf-
dua desse journal, gosto muito de
16-lo, porque sinto veracidade nas
noticias, al~m de adorar as seq~es
de "Memdrias do Cotidiano".
Parabtns e muitos anos de
vida, ao journal e ao jornalista.
Ana Coeli

Jornal Pessoal complete este
m&s17 anos dejornalismo in-
dependente, cuja base est8 na in-


SETEM8RO DE 2004 la QUINZENA Jornail Pessoull


QUERIDO AMIGO 9
Pax!
Lamentavelmente ameagas
comemorar os 17 anos do Jornal
Pessoal com festa s6 de letras.
De qualquer forma sugiro que
marquemos um almogo para um
brinde de longa vida, ao Jorna-
lista (6 assim mesmo, comn letra
mailiscula) e B obra (creio que
aqui esti respondido o primeiro
pedido de tua nota sobre o as-
sunto). A maneira deve, direta e
obviamente, derivar das idiossin-
crasias do responsilvel. E isto que
Ihe dii a autenticidade e os mdri-
tos desfrutados. Funcionou at6
agora? Acho que sim, posto ter







vestiga~gio, andlise e critical dos
fats. Uma tarefailada ficil, princi-
palmente numa firea de fronteira,
como 6 a Amazinia, onde o clien-
telismo politico atrasa e dilacera a
regitio, que vive em um monstruo-
so paradoxo: rica em recursos na-
turais, mas pobre no que diz res-
peito ao seu desenvolvimento eco-
n8mico-social.
Dai o peri6dico assumir uma
importlincia estratdgica no fluxo da
comunicaglio no Estado do ParB,
pois os textos publicados por Ld-
cio FlIvio Pinto no JP tim a visio
de um home que estuda a Ama-
z8nia hB mais de 30 anos. O perid-
dico, multas vezes, alimenta a gran-
de imprensa com questies de rele-
vante interesse para a sociedade,
provocando debate pliblico e con-
textualizando os principals atores
envolvidos, os amazinidas.
Por reivindicar o dir~eito de pu-
blicar o que de fato acontece na
regitio, o jornalista responded a uma
multiplicidade de processes na jus-
tiga paraense h6 12 anos. Tais pro-
cessos, como diz o pr~prio Llicio
Flavio Pinto, nlio siodesonra, mas
medalhas de um tipo de jornalismo
que nsio curva a espinha ou faz
concessSes ao gosto facil.
N6s, leitores do Jornal Pes-
soal, temos que comemol ar seus i
17 anos. Uma idade rara em se
tratando de peribdicos desta n~-
tureza bastaa consultar a hist6ria
da imprensa alternative brasilei-
ra). O jornalismo e a sociedade
amazinica ganham comn a exis-
tincia deste pequeno alternativo,
cuja histbria est8 ligada g defesa
do direito b informa~gio, a liber-
dade de expression e a dignidade
do povo da region
Gostaria de parabenizar o jor-
nalista Llicio Flivio Pinto por man-
ter vivo o Jornal Pessoal. Parabe-
nizar o seu modo singular de fazer
jomalismo. Umjomalismo compro-
metido comn o leitor, sem publicida-
de de partido politico, sindicato,
emprestirios, religitio..... S6 um iI-
telectual independent e detentor
de muita coragem 6 capaz de reali-
zar um empreendimento dessa na-
tureza. L~cio Flavio Pinto 6 multo
mais que um simples home cons-
trutor da histbria. E uma personali-
dade que incomoda pelo compro-
misso comn a verdade e a defesa da
Amazania, tio necessliria nos dias
de hoje.
Ciia'll-indadeAmorim,
jornalista e pesquisadora na
PUC/SP.

Inicialmente parabins pelo
transcurso do 17o aniversririo.
Meus votos seriam de uma vida
infinita. Forga, JP, precisamos de
voc&, que o diga o Emilio Goeldi


e o SBPC. Mudando de assunto,
depois de ler e ouvir dezenas de
opinides acerca do polemico
Conselho Federal dos Jornalistas
fiquei com a nitida impression que
a maioria dos profissionais da
escrita silo compartiveis "... hque-
las plants trepadeiras de Java,
gvidas de sol. Chamam-lhes cip6-
matador que envolvem com os
seus bragos um carvalho duran-
te tanto tempo e tantas vezes at6
que, por fim, multo acima dele,
mas nele apoiadas, possam alar-
gar a sua copa e exibir a sua feli-
cidade". Palavras de um irrequie-
to pensador do s~culo XVIII. Esta
6 a organization social que gos-
tarfamos de ter?
Rodolfo Lisboa Cerveira




Lendo o texto "Perspectiva",
de sua autoria, publicado no Jor-
nal Pessoal, plig. 1 1, periddico de
sua propriedade e referente h se-
gunda quinzena de agosto de
2004, gostaria de fazer algumas
consideraqdes e proper uma su-
gestlio, no intuito de contribuir
com este tempo onde todos falam
em mudangas.
Em primeiro lugar, 6 6bvio que
em qualquer dispute visando a pri-
meira colocaglio, seja qual for a
contend, a passage do desafi-
ante g condi~gio de vencedor por
si s6 opera uma mudanga, como
pretendem "todos os candidates
a prefeito de Beltm, ao baterem na
mesma tecla"; em segundo lugar, a
eleiglio de um dupla de mulheres
para administrar executive muni-
cipal da maior cidade da region
norte, C coisa sem precedentes na
Histbria deste Pais, o que t, se nto
uma mudanga agrdivel ao gosto
da maioria, em principio algo novo
e por isso ousado; em terceiro lu-
gar, a mais significativa das mudan-
gaLs vem ocorrendo num process
que elegeu um sindicalista para o
cargo de prefeito desta cidade, fato
dominado pela elite por interm~dio
de representantes oriundos da oli-
garquia, empresas, bancos etc.,
que periodicamente fazia o reveza-
mento entreo preferido do momen-
to B cadeira do executive, para a
misedria do povo explorado.
E como sugestlo, para fazer
com que a Histdria da Humanida-
de siga oseu cursor natural, propo-
nho que o sr. pleiteie o cargo de
prefeito, justamente por njio repre-
sentar os segments socials aci-
ma citados novidade que pode
contribuir no process de trans-
formagio da sociedade, ocorrida ao
long dos tempos em diferentes
estligios possibilitando assim a


construgliode ummundo livre,jus-
toe igualitirio. E, se assim for, des-
dej jconte com o meu voto.
Luiz M~rio de Melo e Silva
Icoaraci



No JP no 328, em 3 matirias
voc6 narra 4 situaq~es relaciona-
das ao TJE paraense:
S- uma desembargadora defe-
riu um recurs antes que este che-
gasse oficialmente is suas miios
(mais tarde, viu-se que o tal recur-
so jamais chegaria a essa desem-
bargadora, pois fora distribuido a
outro membro do TJE);
2 um process qlue sumira
misteriosamente do cart6rio onde
se encontrava depositado, reapa-
receu 13 meses depois, contend
uma sentenga inexistente antes do
desaparecimento (curiosamente -
pelo que voc& informou a sen-
tenga 6 datada do exato mis em
que o process desapareceu);
3 process por crime con-
tra o patriminio, contra 4 pesso-
as, foi arquivado sem exame do
mdrito, porque a dendincia que
lhe deu causa completou l2 anos
sem julgamento;
4 uma jufza sacou "dolosa
e indevidamente", segundo acbr-
dito do prciprio TJE, citado em sua
matdria dinheiro depositado em
conta banciria do Judicitrio.
A 4" situa~gio teria desdobra-
mentos surpreendentes! JQ cons-
tatada airregularidade que come-
tera, a jufza foi promovida ao de-
sembargo e, depois, aposentada.
Ainda segundo vocC noticion, o
TJE se recusa a report o dinheiro
sacado indevidamente, isto sig-
nificando que ele niio se julga
responsivel pelos valores cau-
cionados sob sua guard.
Permita-me acrescentar mais
uma situa~gio. S6, mais uma, para a
lista nlio ficar extensa demais. Refi-
ro-me ao process envolvendo a
redugli da participa~gio de Beldm
na teceita gerada pelolICMS. Como
se sabe, a redu~gio foi consumada
por meio de expedientes flagrante-
mente ilegais.PFor isto, deve ser anu-
lada, qualquer que seja a conclu-
sho a se ter sobre os c~liulos que
determinaram onovo percentual de
participation (isto se for possivel
provar que esses cillculos realmen-
te foram feitos, na 6poca devida).
Ora, ocancelamento por anula-
~gi rtroage g data em que foi con-
sumado o ato anulado (jii que o
conceito aplicivel 6 o de ilegalida-
de). Logo, oExecutivo Estadual terb
qlue report as perdas impostas ao
municipio de Beldm, desde janeiro
del1997 ati adataem que se proferir
a sentenga fmnal sobre a question.


At o fator tempo passa a ter
enorme influincia. Um cillculo ras-
teiro, leva a conclusion de que as
perdas acumuladas pelo munici-
pio de Bel~m jB ultrapassam a mar-
ca dos R$.500,0 milhies. A cada
m&s que passa, essas perdas au-
mentam. Se a decislo judicial fos-
se proferida agora, o Governo do
Estado niio teria meios para liqui-
d8-las, salvo se o montante devi-
do fosse dividido em parcelas ao
alcance de sua capacidade de pa-
gamento. Enquanto isto, a popu-
laglio de Bel~m amarga a inexis-
tincia dos investimentos que dei-
xaram de ser feitos e dos servings
que deixaram de ser prestados, por
causa da redu~gio illegal da receita
pdiblica municipal. Mas entra ano
e sai ano, sem que se divise, no
horizonte prbximo, um desfecho
para a questho.
Ao final de uma das matirias
ha pouco citadas, voc& diz acre-
ditar que a normalidade s6 se es-
tabelecer8, dentro e fora dos au-
tos judiciais, quando a opiniiio
pdblica entrar nessa hist6ria, co-
brando o que the t devido: a ver-
dade e, por meio dela, a justiga.
Concordo em parte com voct,
mas... sera que basta cobrar a
verdade?
Como de hilbito, comprei vil-
rios exemplares do JP no 328 e o
enviei a amigos residents em
outros Estados. Como de hdbito,
comentamos, por e-mail, o con-
tedido das mattrias. E cada um
desses amigos (slio 8), reporton
situaqbes similares is que citei
aqui, graves tanto quanto, ocor-
ridas nos judicibrios dos respec-
tivos Estados.
O que se passa no ParB nito
6, pois, um problema isolado. Em
diferentes graus, o problema pa-
rece existir em todo o pafs, e nio
somente nos judicidrios estadu-
ais. Em principio, isso denote uma
falha estrutural no Judicidrio bra-
sileiro. Niio se trata, evidente-
mente, de falha ou desvio de con-
duta pessoal de tal on qual mem-
bro desse poder, em tal ou qual
da Unitio. O que se percebe C a
extrema vulnerabilidade do Judi-
cilitio a essas falhas; sua aparen-
te incapacidade de eviti-las e,
mesmo quando constatadas e
divulgadas as falhas, sua recor-
rente e exasperante relutlincia em
tratti-las adequadamente, como,
alitis, jil comega a ocorrer nos
demais poderes.
Sera que ji nlio passa da hora
de se rever a pr6pria organization
do Poder Judicidrio, para torn6-
la mais eficiente, mais eficaz e
menos suscetivel a tantas e ta-
manhas falhas?
Elias Tavares


Jornal Pessoal 10 QUINZENA SETEM8RO DE 2004
























































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10 SETEM8RO DE 2004 I QUINZENA Jor~nal P'essoul


baiano autografou mais de 200
livros. A Martins tinha 11 de
suas obras. O estoque da livra-
ria estava sempre renovado e
bem abastecido.
* Mayer Obadia avisava aos
ses"amvi frgess q
no dia seguinte, uma segunda-
feira, 15 de setembro, "njio
abrird o seu estabelecimento
commercial emn virtude de festa
religiosa".
O Rotary Clube de Belem
promovia um passeio fluvial no
navio "Jolio Gongalves" pela
oria da cidade, durante o qual
seria servido almogo 5 base de
"caprichoso cardipio. sobres-
saindo-se um excelente chur-
rasco, a cargo de Maciste".
O Sindicato dos Motoristas
e Condutores em Transportes
Fluviais protestava contra a
inclustio do seu nome entire os
que teriam instalado postos
eleitorais para a distribuigilo de
chapas de determinados can-
didatos a cargos eletivos. Re-
afirmava estar trabalhando
apenas pelas candidaturas de
Paulo Maranhlio (dono da Fo-
lha do Norte) para deputado
federal e Bernardino da Costa
e Silva, para estadual, porque,
entire outros mdritos, n~io ha-
viam "se entregue it sanha dos
prepotentes".
A Alffindega de Beldm reali-
zava, na Guardamoria da Adua-
na, leillio de cinco fardos con-
tendo peles de jacare, arir-anha
e lontra, que haviam sido apre-
endidos um ano e meio antes.
S6 seriam aceitos lances de fir-
mas previamente registradas na
Division de Caga e Pesca para o
comerclo de peles e couros de
animals silvestres.
Para comemorar sua reaber-
tura, no Largo de Nazard (que
C, oficialmente, Praga Justo
Chermont), a Farmicia Cher-
mont decidiu distribuir gr~atui-
tamente vermifugos entire seus
clients, "colaborando, desse
modo, para a melhoria do nivel
sanitbrio da cidade".
A Paraense Transportes Ae-
reos aproveitou a proximida-
de do Cfrio para adotar o sis-
tema de cr~dito para a venda
de passagens, o "crediadreo".
Admitia que o pagador tam-
b~m pudesse emitir ordem de
passage para pessoas de ou-
tros Estados, patrocinando,
assim, a vinda de romneiros a
Beldm, e pagar "mais suave e
mais facilitado".
Aben Athat Neto repete a
critical que vem fazendo hi 10
anos e que express um ponto
de vista da elite da cidade nes-


.




F









* T~


*A esmagadora maioria do lei-
te que a Beldm de entlio consu-
mia era em p6. Uma quantidade
pequena era fornecida "in na-
tura" pelas vacarias espalhadas
pela cidade, produto em quan-
tidade insuficiente e qualidade
a desejar. Por isso, quando os
navios atrasavam, boa parte da
populaglio ficava sem leite. Foi
o que aconteceu em setembro
desse ano.
Para acalmar os consumido-
res, a Companhia Nestlt, virtu-
al monopolista. informou que a
falta do produto seria por pou-
co tempo. Logo um navio, vin-
do de Recife (onde se demorou
mais do que o previsto, descar-
regando sacos de cimento),
atracaria em Belem com 504 mil
latas de leite Ninho, o preferi-
do, o equivalent a dois milhbes
de i ';~- quantidade suficien-
te para dois meses de consu-
mo. Mas outros navios jj esta-
vam sendo contratados para
evitar novo desabastecimento.


Provavelmente o consume
de leite em p6 per capital de
Belim era um dos maiores do
Brasil.
*Jorge Amado e Zdlia Gattai
foram convidados especiais
do governor do Estado para o
Cfrio de Nazard. Na mesma co-
mitiva tamb~m estavam a es-
critora paraense Eneida, Jos6
Conde, Mauritinio Meira,
Waldemar Cavalcante e Os6-
rio Nunes. Todos foram ao pa-
15cio Lauro Sodrt agradecer a
gentileza e posar para uma
foto ao lado do general Ma-
galhiles Barata, que morreria
no ano seguiinte, ainda no
exercicio do mandate.
Jorge Amado aproveitou
para participar de uma tarde de
aut6grafos na Livraria Martins,
a mais important da cidade na
6poca (na rua Campos Sales, no
mesmo quarteirlio do journal A
Provincia do Pard). Durante a
concorrida session, que durou
mais de duas horas, o escritor


No cinema
Modernlo (lo
Largo de
Nazard), Leslie
Carbon, depois de
encarlnar Lilli,
personageml de
mu~ito sucesso,
qrue encan~tou o
mlundo inteiro ",
apareceria comzo
Gaby. Jdi no
Inldepenld&ncia
(aven ida
Magalhd~es
Barata), o
"Teatro do
Crime" era :"uma
obra pr-ima de
terror lnum fa~usto
espetdiculo
musical" bent
mlexican2o, da
Pel-Mex, nlo qual
aparecia Silvia
Pinal "bailando
rock'n roll".


5)(qus UR RI0 anS


PROPAGANDAl Igl mg g ag*
















































Fu b l O Comb~atentes, que andlcon crvianldo poldmlica, aparece aquri comt seur time, no qulal os


sa 6poca, entire o passado gran-
dioso e o future incerto: "As
ruas de Belim, comn os trilhos
de bondes e a trdgica subver-
Pto dos paralelepipedos, cons-
tituem alguma coisa de calami-
toso. Imnp~e-se arrancar os tri-
lhos e corrigir o calgamento,
que deve ser a asfaltagrio ge-
neralizada. Os malditos parale-
lepipedos seriam triturados e
dariam o lastro ao novo reves-
ti mento das ruas. Con servar-se-
iamn, restaurados, os admiriveis
blocos de mdrmore, tal como se
v& na adorjvel Lisboa que nos
lembra Belim, toda a hora. Mas
a maior calamidade desta minha
terra 6 a selvageria dus buzinas
dos Bnibus. caminhSics, cagam-
bas e atC automdveis. Njio ha-
ver6 poder municipal nesta Be-
lem que proiba a pavorosa e in-
discriminada buzinaglio de to-
das as horas?"
*O comerci ante Fran i sco Bri -
lhante, de 57 anos, foi & justiga
pedir a anulaglio do seu casa-
mento com Raimanda Dantas,
de 17. Depois de dois anos em
que se conhecium, Francisco
props a Raimunda o casamen-
to. A principio ela se entusias-
mou. Depois, recuou. Mas aca-
bou accitando o cas6rio. S6
que, em seguida, "recusou-se


categoricamente a participar do
leito nupcial". Perplexo, Fran-
cisco recorreu ao advogado
Moura Palha para p~r fim,. judi-
cialmente, a relaglio. Motive
alegado: casamento enganoso.
* O Centro Singer de Corte,
Costura e Bordado realizou, no
Sallio Nobre da Associnglio Co-
mercial do Pard, a solenidade de
diplomaglio de mais 46 alunas
que formou.
* O Conservat6rio Carlos Go-
mes realizou concerto, no Te-
atro da Paz, em memdria do
compositor e maestro paulis-
ta, que deu nome j. institui-
glio, ocorrida 62 anos antes,
em Belem. No program havia
peas de Chopin, Schubert e
Liszt. Mas nada do homnena-
geado. que produziu o sufici-
ente para um concerto intei-
ro. Estranha homenagem.
* O delegado Rossini Baleixo
colocou os policiais da 3" De-
legacia nas ruas do bairro co-
mercial e adjacincias para pren-
der e levar para fichamento os
joyens D. Juans "que dirigem
pilherias ou gracejos as senho-
ras ou senhoritas".
* A Rjdio Clube do Pardi (PRC-
5) tinha em sua programa~gio
di~iria duas novelas: "As semen-
tes do 6dio", com patrocinio de


Farroz, e "Os quatro filhos",
oferecida por Y. Yamada. No fi-
nal da tarde Grimoaldo Soares
apresentava "Um memento em
cada vida", por gentileza de Per-
fumnarias Phebo, enquanto is
nove da noite in ao ar "Diverti-
mentos Antonino Rocha", com
a apresenta~glo de artists do
"cast" da emissora (Carrapeta,
Linda Andrade, irmlis Soares,
grande regional C-5) e comedi-
antes do quadro "nossa rua nua
e crua", com patrocinio do Caf6
Puro e dos cigarros Acadimicos
e Estadistas.
* A Boite Blue Moon, "a mais
linda da cidade", funcionava no
Largo de Stio Braz, todos os
dias, das 10 da manh~i As qua-
tro da madrugada. Aos stiba-
dos, a partir do meio-dia, tr~s
conjuntos musicals, em ritmos
diferentes, animavam as festas.
Coisa que fazia a diferenga: a
boate era "dotada" de at con-
dicionado.
* Um simples vestido era moti-
vo de controydrsia nos jornais.
Como havia diferentes verses
para o acontecimento, a coluna
"Vozes da Rua", da Folha do
Nor~te, rep8s a verdade: "Uma
joyem senhora, por sinal bem
graciosa, levou g sua costurei-
ra o modelo de um vestido em


desacordo com o tecido, que ti-
nha sido adquirido na Franga.
A costureira informou-a de que
nessas condiqdes a obra fica-
ria defeituosa, mas a senhora
insisting, declarando que nlio
mudaria de opiniiio. Quando o
vestido ficou pronto, enviou-o
b sua donai, e esta verificou que,
efetivamente, a professional ti-
nha razlio. Combinaram. entho,
modificar o feitio, e o trambo-
lho voltou ao atelier, para rece-
ber as alteragies a combinar.
Mas niio mais voltou a senho-
ra a interessar-se pelo caso, e,
tendo-se passado vjrios me-
ses, a costureira devolveu o
malfadado vestido i interessa-
da. A costureira nada recebeu.
Eis o fato".
*O inspector da Alfindega, um
dos cargos ptiblicos mais i mpor--
tantes e disputados no Estado,
patrocinava uma das noites da
Barraca de Santo Antinio, no
arraial de Nazare, que f~unciona-
va durante os 15 dias de festivi-
dades do Cirio. A renda do noi-
tada revertia "em beneficio dos
velhinhos desamparados". O
carddpio desse ano inclula cas-
quinho de muguil, casquinho de
caranguejo, pato no tucupi, pi-
cadinho de tartarugoa amazonen-
se e sarapatel de tar~taruga.


Jornal P'essoal i. QUINZENA SETEM81RO DE 2004





convenientemente calado durante esse
period de doce tortura.
Com o tempo, procurei entender o
sentido daquelas palavras, que lia como
um autgmato. Procure o significado atd
hoje. Com seu suicidio, nito hii divida:
Gettlio Vargas s~aiu da vida para entrar
na hist6ria. E um dos poucos mistdrios
da hist6ria brasileira que continue a de-
safiatr nossa capacidade de entendimen-
to e para o qual vale a pena aplicar
nosso esforgo.
Com menor dramaticidade pessoal,
mas id~ntico sigonificado coletivo, outro
mist~rio tumular na hist6ria brasileira nos
legou o imperacdor Pedro II, consistindo
no paradoxo de um goovernante trio bem
pr~eparado, de tanto valor, ter feito o Bra-
sil parar no tempo e perder o rumo da
sua predestinaglio de grandeza (nito foi
FHC em Pedro II republicano?.
A grandeza dos homes, contrastan-
do com seu destiny, C o que lhes aviva a
exist~ncia e mantim o nosso interesse.
Se Carlos Lacerda pensou que tinha dado
o xeque-mate no "8mi", estava muito
enganado. Ele e todos os que julgavam
que Gettilioj njinto era mais do que cad6-
ver. O mor-to estli mais vivo do que seus
sucessores herdeiros ou inimigos. A
hist6ria maltrata, mas ensina.


complete. Falava-se baixo, havia panos
pretos e os conhecidos vinham apresen-
tar os pasames ao meu pai, que havia sido
recebido por suas vezes pelo president
no Palticio do Catete, no Rio de Janeiro.
Da viagem que fez em seguida ati
Stio Borja, no Rio Grande do Sul, papai
trouxe um disco, no qual um locutor (se-
ria Pedro Luis?) declamava a carta-tes-
tamentto, imitando o modo de falar de
Getdlio. Moleque, hs v~speras dos cin-
co anos, ouvi tanto o disco que decorei
todo o texto. Encantado, meu pai me
levava para todos as lugares. Entroni-
zado no ambiente, me autorizava a des-
travar a tramela. LA vinha o memorial
de Vargas, com todos os esses e erres
do gauchismo.
Repeti a apresentaglio ad nauseam.
Quando me empolgava demais e que-
ria me imiscuir na conversa dos adul-
tos, que se seguia ao meu show, papai
me dava um cala-boca, bola de confei-
to de agdcar colorido, imensa, que le-
vava uns tantos minutes para se dis-
solver na minha boca, mantendo-me


Nasci em 1949, um ano antes de Ge-
tdilio Vargas retornar de seu auto-exflio
nos pampas gadichos para se tornar mais
uma vez president da repdblica, agora
pelo voto direto e universal como um
autintico democrat, portanto. Niio co-
nheci o ditador do Estado Novo. qlue com-
binou o patrocinio de atos de selvageria
comn uma face de mecenas, tanto dos
pobres (aos quais abrigou no seio do Es-
tado corporative, fiel a inspir~agio no fas-
cismo italiano) e aos ricos (que subven-
cionou para que impulsionassem a ativi-
dade produtiva ou a cria~gio intellectual,
soprada pela bolsa estatal, inclusive para
muita gente da esquerda).
O Gettilio fixado pela minha mais re-
mota mem6ria 6 o nacionalista, que con-
centrou em si elements de um grande
acordo (um new deal personalizado) com
o da reform social. Na nossa casa, em
Santar~m, sede viva do PTB local, eu s6
ouvia refer~ncias elogiosas ao "doutor
Gettilio". Quando ele se suicidou, meio
s~culo atr-is, em 24 de agosto de 1954. a
ceriminia fiinebre nito podia ser man


para o exterior. Com base nos dados reu-
nidos pela CPI do Banestado, os t~cnicos
estimam que o saido dessas remessas em
contas secrets ou abertas em nomes de
laranjas no exterior esteja variando entire
70 bilhaes e 120 bilh~es de d61ares. E bem
mais do que o pals espera exportar nested
ano, batendo o recorded do com~rcio exte-
rior em todos os tempos.
0 Brasil, que foi a oitava economic do
mundo, no auge do "milagre" econ8mico dos
militares, baixou para a 15a posiglio e agora
6 o 140, s6 tem quatro ou cinco pauses afri-
canos com maior concentration da renda
entire todas as nagies do planet. O pafs do
future 6, ao mesmo tempo, o campello da
desigualdade social.
Por isso, os brasileiros que forem flagra-
dos nessa atividade de sangria ou tiverem
sua participation comprovada na drenagem
criminosa de riqueza, em 61timo grau, de-
vem ser considerados inimigos piiblicos da
plitria. Ao inv~s de ganharem notas de apoio
e desfilarem em festas elegantes, como o
cr~me-de-la-crime da esperteza, sem guar-
dar nem mesmo a quarentena que a moral
pliblicalIhes podia impor, devem ser execra-
dos. Eles slio causa do estado de explosilo
social em que o Brasil se encontra. E dessa
misdria assustadora a conviver com uma ri-
queza que causa espanto e perplexidade lii
fora. E tamb~m desrespeito, por sua lon~e_
vidade e indiferenga. C


Atd o final do ano a forga-tarefa que exa-
mina todas as remessas de d61ar para o exte-
rior atravis das contas CC5 do Banestado, em
Foz do Iguaqu, no Paranti, concluirli a segun-
da parte do levantamento. A primeira parte
fundamentou a prislio de 63 pessoas em oito
Estados brasileiros e a apreensilo de docu-
mentos, j6ias e dinheiro em situaqilo irregular
(ver Jornal Pessoal 328). Mas esse levanta-
mento abrangeu apenas o period de 1997 a
2000. O trabalho, agora, complete a parte que
falta, de 2001 atC 2003.
Sabe-se que 27 pessoas fisicas e sete em-
presas do Pard foram identificadas entire os
que enviaram ilegalmente dinheiro para o
exterior, usando duas contas abertas em ban-
cos americanos. Mais sete pessoas fisicas do
Amapti se utilizaram para suas remessas de
doleiros do Parti, oito dos quais foram press
na Operaglio Farol da Colina.
A segunda etapa da investiga~gio, feita
por t~cnicos da Receita Federal, da Policia
Federal e do Ministdrio Pliblico, vai identifi-
car os operadores das transag~es ilicitas, os
verdadeiros dons dos d61ares, que, em todo


Brasil, podem chegar a US$ 30 bilhdes. Sio
os peixes mais gratidos, que a malha do go-
verno pretend alcangar. Freqiientadores das
colunas socials, eles agora podem aparecer
nas pilginas policiais, se a grande imprensa
deixar de protegC-los, o que parece pouco
provilvel de acontecer em fun~giode sua con-
di~gio de grandes anunciantes nas empresas
jomnalisticas-
O crime organizado ji deve representar
uns 5% do Produto Interno Bruto do Brasil, ou
algo como 25 bilhaes de d61ares. Nenhuma
atividade produtiva represent tanto. E ainda
pouco em terms mundiais, jii que a movi-
mentagio dos neg6cios ilicitos chega a US$ 2
trilhies anuais, quatro vezes o PlB brasileiro,
com o predominio dos Estados Unidos, como
nito podia deixar de ser. Mas 6 uma propor-
Fgi assustadora para um pais que precisa pro-
duzir mais e poupar mais se quiser subir no
ranking mundial e se tornar verdadeiramente
independent.
E possivel que todos os anos um volu-
me entire 10 bilhaes e 12 bilhaes de d61a-
res seja remetido il~egalmente do Brasil


Gtelo U 01 *


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