Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00271

Full Text





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Ib --- I ----~1----- I*II-- -----~x~ --~r~-


CIEN TIS TAS
AO M ATO
(PAG. 3)


JUNHO DE 2004
2 UNE NA


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OSSIVel Oie IO AUG 2 5 2004
Latin Amencanl Conectior


A corridor otid a prefeituro de Belim tem sido uma provo de obstoiculos e de imprevistos. O
problema 4 que, depois dos boixas no percurso, no ponto de chegodo o eleitor pode ter a
pior dos surpresos. Nesse coso, noio importordi quem vengo. Belim perderdi.


tr~s dias do final do prazo para
ras, o PSDB viu sua participa
glio na eleigio em Bel~m amea-
gada por uma segunda rendncia. Depois da
desistincia do ex-governador Almir Gabri-
el, anunciou-se no domingo intengao igual
por parte do seu substitute na pr6-candida-
tura, o senador Duciomar Costa, do ~PTB. O
governador Simlio Jatene recebeu diversos


recados de que Duciomar, que tem dividido
com a senadora Ana Jlilia Carepa, do PT, a
dispute pelo segundo lugoar nas pesquisas de
opinilo, iria preferic continuar onde estava.
Uma das causes da volta atrils seriam
as presses feitas pelo diret6rio national do
PTB, que fechou acordo com o PT e niio
gostaria de aparecer ao lado do PSDB. Mas
o peso maior seria a intenglio de Duciomar
de acertar previamente uma correla~gio de


SS 0 2


FLFK AO




















































































2 JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal


CONTINUACA0 DA CAPA.
forgas de tal maneira que jB teria acesso a
cargos e posi95es na administra~gio estadu-
al antes mesmo da elei~gio municipal. Aldm
de ser o cabega da chapa g prefeitura de
Beldm, ele receberia um naco do poder do
governador Simlio Jatene para distribuir en-
tre seus correligionfirios.
A ameaga obrigoou Jatene a convocar Du-
ciomar para longas reunites, nas quais lhe
foram oferecidas garantias capazes de as-
segurar sua candidatura e eliminar os temo-
res que a estavam inviabilizando. Ao mes-
mo tempo, por~m, os tucanos comegaram a
pensar em alternatives. Uma delas, a do re-
torno de Almir Gabriel, foi descartada pelo
pr6prio ex-goovernador. Outra seria recrutar
um dos parlamentares, jik que a hip6tese de
secrettirios niio pode ser nem considerada
porque o prazo para a desincompatibiliza-
~gio dos cargos, sem a qual slio inelegiveis,
venceu no dia 2.
Dentre os politicos com mandate, o nome
do deputado federal Nilson Pinto foi consi-
derado o mais promissor. O que seria um
fator negative, seu quase desconhecimento
pelo grande pdiblico, tamb~m seria o elemen-
to positive, poupando-o do desgaste que ji
sofrem politicos com maior presenga na ca-
pital, como Zenaldo Coutinho, Cipriano Sa-
bino e Zeca Arauijo, que tamb~m tiveram
seus nomes considerados. Mas no final da
segunda-feira, depois de mais um encontro
entire Jatene e Duciomar, os tucanos jil pare-
ciam mais convencidos de que o senador con-
firmaria sua candidatura.
O acaso e as circunstlincias, mais do que
a vontade dos ifderes, parece estar condu-
zindo a defini~gio do quadro eleitoral para a
prefeitura de Beldm. A tr~s semanas da data
para a oficializagilo das candidaturas, tudo
parecia indicar que o ex-governador Almir
Gabriel, como favorite, iria refazer o cami-
nho de volta ao inicio da sua carreira politi-
ca, 20 anos antes, como prefeito nomeado
da capital. Subitamente, quase reproduzin-
do a rendncia mal explicada de 12 anos an-
tes, Almir anunciou sua desistincia, unilate-
ralmente, como fato consumado.
Saber se essa desistincia foi imprevista
ou calculada ainda demandardi muito debate,
para o qual o personagoem principal, como de
seu costume, em nada contribuird. Entre as
viirias estrat~gias cerebrais do doutor Almir,
uma das mais usuais consiste em incorporar
a figure da esfinge. Com seuas charadas e
seu silincio, ela costuma sugerir um poder
maior do que o que efetivamente possui.
Se essa estrat~gia langa sobre a figure do
ex-governador um manto de simpatia (para
os que tendertio a valoriz8-lo quanto mais pas-
sado ele for) ou de execra~gio (pelos que nio
perdoam a deserglio as portas da und~cima
hora, sempre deixando os companheiros de
viagem na miio), faz baixar sobre a arena elei-
toral uma nuvem de maus pressigios. Sem
seu nome mais forte, o PSDB se v& colocado


diante da realidade do pastellio: como agora o
nome forte com o qual pode contar 6 o de
Duciomar Costa, C com ele que precisar8 ir,
se nito quiser recomegar quase do zero (uma
hip6tese que o governador Simlio Jatene nlo
quis encarar mais cedo, quando ainda podia
langar algum de seus principals auxiliaries .
A substituiglio de um medico de verdade por
um falso medico diz muito sobre o carter
da nova situaglio tanto quanto sobre as res-
ponsabilidade daquele que a provocou. Mes-
mo que ele se recuse a assumir o inus do
maquiavelismo cirdrgico.
Consumada a said de Almir Gabriel, sem
possibilidade de uma volta atrds, o primeiro
movimento do governador Simlio Jatene foi -
como se previa chamar o deputado federal
Jader Barbalho para a confirmagiio do acor-
do anterior, posto de quarentena pela resis-
tincia de Almir a um entendimento com seu
ex-amigo-e-correligionirio-agora-inimigof-
gadal. A iniciativa do governador e a duragio
da conversa, de duas horas, confirmaram in-
tegralmente a interpretation de que a retirada
de cena do ex-governador foi um lance politi-
co calculado, que se baseou em ultrarrealis-
mo, e nito uma submission a fatores subjetivos
ou causes pessoais.
Se Duciomar Costa for mesmo o candida-
to da "Unitio pelo ParB", o PMDB vai fazer
figura~gio no primeiro turno e apoiar o candi-
dato do governador no segundo turno. O PSDB
se incorporarti B candidatura de Helder Bar-
balho em Ananindeua, o segundo col~gio elei-
toral do Estado. Coligaqaes entire os dois par-
tidos acontecedio em virios municipios, ain-
da qlue em outros eles aparegam em posigies
antag~nicas. Com 20% das cadeiras da As-
sembl~ia Legoislativa, o PMDB continuar8 a
dar apoio ao governo do Estado.
Niio estli entire os prop6sitos de Simio
Jatene acabar com Jader Barbalho, assim
como niio o atrai assumir decididamente esse
acordo. Jii para Jader apenas se o PSDB re-
troceder ao principio, recorrendo a um nome
de reduzida expressito eleitoral, 6 que a al-
ternativa Wladimir Costa passaria a ser in-
teressante, por ser a linica capaz de dar sen-
tido ao projeto de devolver a prefeitura de
Belim ao PMDB. Ainda que o prego da vit6-
ria venha a ser perder o control sobre o vi-
torioso, jii no dia da posse (risco em relagio
ao qual o PSDB nho estli vacinado, conside-
rando Duciomar).
Se foi por abominar essa alianga que Al-
mir Gabriel pulou fora da campanha eleito-
ral, seria natural que ele a combatesse den-
tro do PSDB, provocando um racha no parti-
do. Foi a interpreta~gio dada por fontes an8-
nimas de O Liberal (talvez criadas pela pr6-
pria empresa, ou, especificamente, seu prin-
cipal executive, Romulo Maiorana Jdnior,
que parecia niio ter engolido ainda o acordo
de Jatene comn Jader), mas esta provavel-
mente niio 6 a realidade. Caso prevalega ten-
dancia inversa, com a manuten~gio do silin-
cio do ex-governador, significant que a com-


posiglio teve a aprovaglio de Almir, que des-
se fato tirara proveito na eleiglio para o Se-
nado, dentro de dois anos.
Assim, a candidatura do senador Duci-
omar Costa, que se tem nivelado i da tam-
bdm senadora Ana 161ia, se fortalecerti ain-
da mais, podendo assumir a condi~go de
favorite quando comegar oficialmente a
temporada de capa aos votos. S6 essa hi-
p6tese, por~m, jj provoca engulhos na ca-
mada mais esclarecida do eleitorado da ca-
pital, que tamb~m niio estava disposta a con-
firmar o PT por pelo menos mais quatro
anos na prefeitura. Orflio de nomes aceitti-
veis, esse segment do eleitorado pode mi-
grar, ao menos no lo turno, para outras op-
95es, como o vereador Arnaldo Jordy, do
PPS, embora ele ainda seja apenas um pou-
co mais do que um trago.
Ai est8 outro capricho dos acontecimen-
tos: Ana 161ia n~io nunca foi e dificilmente
serdi a candidate de Edmilson Rodrigues. Ela
sofre as conseqia~ncias do desinteresse real,
disfargado de interesse compulsdrio, do atual
prefeito. Mas tambim paga o prego do des-
gaste da administra~gio municipal petista.
Nessa mua da amargura, na qual pode vir a ser
surpreendida por uma votaglio bem abaixo de
suas expectativas, Ana Jdlia tentou conven-
cer Ronaldo Maiorana, director corporative do
grupo Liberal (e donor das chaves do PL), a
ser seu companheiro de chapa. Apesar de ofe-
recer-lhe quase tudo, nlio conseguiu conven-
cB-lo. Se desse esse pass, Ronaldo deixaria
sua empresa de comunicaglio em situagilo di-
ffcil diante do governo do Estado, um dos seus
principals clients.
Ana Jdlia se empenhou, entlio, em atrair
para Belim a parte menos desgastada do PT
federal, aproveitando-se da tal da agenda po-
sitiva do president Lula. Tocando, por~m, o
minimo naquilo que interessa aos eleitores
que comegam a fugir da ameaga Duciomar
Costa: um program convincente e coerente
para Bel~m.
Program, atC agora, 6 promessa ou ma-
nipulaglio. A fase 6 de arregimentar forgas.
Mas essa arregimentaglio pode se tornar tiio
demorada que, quando os debates pelo riidio
e a television comegarem, restart aos candi-
datos alinhavar umas tantas propostas de
sempre e transferir para outro memento a
tarefa de dar coer&ncia a uma proposta de
governor. Uns podem dispor de uma enca-
dernaglio mais luxuosa para esse vazio. Mas
o que tem predominado nessa antevispera
de eleiglio 6 isso mesmo: a vacuidade de
iddias. Como esperar outra coisa na atual
configouraglio de candidates, especialmente
dos mais favorecidos pelas pr~vias?
Bel~m que se prepare para o qlue parecia
impossivel: uma administration niveis abai-
xo da do arquiteto Edmilson Rodrigues.
(Escrevi este texto entire segunda e ter-
ga-feira. Preferi niio esperar pela definiptio
dos fats, no dia 30. Essa decision indica meu
estado de espirito como cidadlio.)


















































































Jornal Pessoal 2 QUINZENA JUNHO DE 2004


tas) de 30% dos recursos dos funds se-
toriais, que somariam 900 milh~es de re-
ais, para former cinco mil doutores na
Amaz~nia no prazo de seis anos.
A proposta 6 louvivel, mas nho 6 exe-
qtilvel, reagiram de pronto virios notiveis.
De fato, ela 6 tremendamente complex.
No conteudo da argumentaglio e na tona-
lidade assumida pelos arguments dos que
se opuseram B tese de Candotti, contudo,
pode-se sentir o rango da iconoclastia pau-
lista, produto de um monop61io que, em
matdria de ci~ncia & tecnologia, 6 ainda
mais poderoso do que no pr6prio timbito
da economic. A USP (Universidade de
Stio Paulo), em seu imbito, tem mais po-
der do que a Fiesp (Federaglio das Induis-
trias do Estado de Stio Paulo).
E ~claro que se implicar num 8xodo
cientifico, viabilizando-se pela atr~agio de
todos os mestres, doutores e pbs-douto-
res que viriam do Sul para aculturar o
bugre cientifico da Amaz~nia, a proposta
do president da SBPC morrerj no nas-
cedouro. Alguns critics, que devem ser
considerados mais realistas do que o rei,
enumeraram todos os procedimentos t~c-
nicos e formais que precisariam ser ado-
tados para que os cinco mil doutores pu-
dessem ser preparados, desde pessoal
humane at6 estrutura fisica.
No entanto, eles se transportam para
uma fronteira com a cultural da metr6po-
le, arraigados em seu mundo (como aque-
les texanos que carregam consigo, seja
18 para onde viio no planet, at6 as espo-
ras de suas botas). Na situaglio de ca-
rincia e limitaglio da ci~ncia amaz8nica,
condenada a viver com menos de 1 % do
orgamento national de C&T, realmente
um crescimento exponencial, como esse
sugerido por Candotti, a implodiria.
Mas a pergunta que deveria ser feita
por intelectuais realmente solidiirios com
o drama amaz8nico seria: por que confi-
nar os futures doutores aos camzpi? Por
que reduzir a formagilo B estrutura con-
vencional das universidades?
Uma resposta realista e satisfat6ria, mas
com um inevittivel component ut6pico,
combinaria o projeto de dar expression real
B prioridade em C&T a uma nova vislio do
zoneamento. Ao invQs de o planejamento
ser um jogo combinat6rio de vari~veis se-
cundfrias, do qual pode resultar um belo
trabalho academico, elej jipoderia ser a aCgio
pdiblica em si: os futures cientistas seriam
mandados para as frentes pioneiras, levan-
do consigo o conhecimento que jii tim e
buscando enriquec6-los no contato direto
com a realidade.
Talvez o investimento necessfiio exce-
desse a m~dia de 15 milhaes de reais ao
mis, prevista por Candotti para o custeio
da formaglio dos doutores, mas certamen-
te os recursos nacionais seriam complemen-
co fI iiA NAT PG


Durante virios anos Rond~nia foi o
linico Estado da Amazinia a dispor de
um zoneamento econ8mico-ecol6gico.
Esse tipo de planejamento foi adotado por
pressao do Banco Mundial. Principal fi-
nanciador do Polonoroeste, um progra-
ma de colonizaglio das margens da BR-
364 (Cuiabj-Porto Velho), o Bird queria
uma contrapartida de proteglio ambien-
tal ao impact negative do adensamento
da atividade humana nessa firea. Mas o
zoneamento acabou servindo mais para
aplacar a consci~ncia pesada dos patro-
nos da devastapho do que como media
de efetivo ordenamento territorial.
Hoje, proporcionalmente, Rond6nia 6
o Estado mais desmatado da Amaz~nia.
A Brea alterada pelo home jii ultrapas-
sou o limited de 20% de preservagao es-
tabelecido legalmente. Por isso, as lide-
rangas rondonienses querem excluir o
Estado da jurisdi~gio da Amaz~nia Legal
e faz8-lo passar a integrar o Centro-Oes-
te, com o qual jri tem mais identidades,
inclusive fisicas, por efeito de sua devas-
tadora descaracterizaglio. O zoneamen-
to, assim, se tornou uma falticia.
Mas hoje, de um modo ou de outro,
todas as demais unidades federativas
amaz~nicas tim o seu. O Para, que co-
megou essa busca hi quase 15 anos, che-
ga tardiamente g meta. Niio foi sem sur-
presa, no entanto, que a comunidade t~c-
nica e cientifica ficou sabendo que o Pard
jB possui um projeto de zoneamento eco-
16gico-econ~mico pronto e acabado. Nos
filtimos dois meses o secretirio da Sec-
tam (Secretaria de Ciincia, Tecnologia e
Meio Ambiente), Gabriel Guerreiro, tem
feito peregrinagdes por todo o Estado
para divulgar o document, elaborado por
sua equipe. O pr6prio governador Simio
Jatene tem aparecido em viirios desses
encontros para avalizar a iniciativa e re-
algar sua importincia.
Niio tim sido poucos os questionamen-
tos g metodologia do trabalho realizado pe-
los t~cnicos da Sectam. Vitios dos criticos
acham que, a despeito de tantos debates
promovidos, pouc oodocumento devertiser
mudado, se 6 que admite mudanga a partir
de fora. Ele pode vir a ser retocado, mas
sua essdncia deveri permanecer inaltera-
da, por corresponder ao desejo do gover-
no. Flagrado em inc6moda falta, ele pare-
ce ter decidido queimar bruscamente eta-
pas e submeter a sociedade nito uma id~ia,


mas um projeto completamente amadure-
cido inlterna corporis.
Desde a administragilo Almir Gabri-
el, o Para se apresenta como um Estado
desenvolvimentista. Sua prioridade 6
crescer. Em segundo lugar, ajustar o cres-
cimento is condicionantes ambientais. A
apresentagilo de um projeto complete de
zoneamento nito significa uma revisio
dessa concepplio, mas o seu ajustamen-
to a uma conjuntura na qual as cobran-
gas socials e political tornam inevittivel
o compromisso ecoldgico.
Do meu ponto de vista, importa menos
examiner o projeto do governor em mind-
cias. Ele niio passa de um ensaio tdcnico,
ou um exercicio intellectual, com algumas
pitadas de norma legal e de a~glo pdiblica.
Representa um avango, na administration
Jatene, sobre a gestlio do antecessor tu-
cano, bicudo demais para essas coisas de
ambientalismo. Mas 6 uma mudanga cos-
m~tica. A moldura ficou melhor, mas o
contedido permanece grave. O poder pi-
blico vai continuar a ser um bombeiro,
apagando inc~ndios qune nito pode preve-
nir, e um recolhedor de migalhas (quando
niio dos restos do combate.
Um zoneamento para valer teria que
ser uma iniciativa de antecipaglio e, por
isso, de imposigio de normas, efetivamen-
te ajustadas ao conhecimento humane.
Mas como impor essa regulamenta~gio
se as fontes do saber estlio distantes e
desligadas das frentes econ6micas? Nio
6 a regra, mas is vezes os centros de
produgho do conhecimento estlio poten-
cialmente habilitados a iluminar a ativi-
dade do home em greas pioneiras da
Amaz~nia com a luz do conhecimento
provado. Como levar, por~m, essa habili-
taglio ao colono ou fazer as empresas
adota-la? A primeira e decisive resposta
est8 num incremento por certo nottivel
- na base cientifica e tecnol6gica. Ela
devia ser a prioridade do investimento
pliblico na regitio. S6 assim o zoneamen-
to deixar8 de ser um exercicio de infor-
miitica e uma declaraglio de inten95es.
Em maio, o president da SBPC (So-
ciedade Brasileira para o Progresso da
Ciincia), Enio Candotti, prop6s aos seus
pares do Conselho Cientifico e T~cnico,
diante do president (tamb~m do conse-
lho) Luiz Indicio Lula da Silva, que o go-
verno autorizasse o desbloqueio (ou des-
contigenciamento, na linguagem burocra-


*:~ca par va


188 C pa1a orr







coNIUrmug DA PbC.
tados (e at6 excedidos) por colaboraglio in-
ternacional. Se o zoneamento estabeleces-
se como vocaqio de determinada drea o ma-
nejo florestal, o governor instalaria uma base
ffsica na irea primitivea econfortivel, como
a Cidade Humboldt, projetada porPedro Pau-
lo Lomba para Aripuanii, em Mato Grosso,
na d~cada de 70) para futures doutores em
floresta, que estabeleceriam seus laborat6-
rios na mata e niio no cam7pu1s, provando e
provando-se na demonstraqio do seu sa-
ber, nito como um b~nus individual mas um
patrim~nio coletivo.
Ou seja: ao inv~s de haver apenas ga-
rimpeiros, madeireiros, mineradoras e ou-
tros contumazes atores do pioneirismo, sur-
giriam cientistas. Niio s6 com suas anota-
95es e observag~es, mas tamb~m com
suas intervengies priticas, mostrando que
tanto sabem ensinar quanto fazer, com isso
desautorizando aquele velho ditado popu-
lar de descrenga no valor do saber (quem
sabe, faz; quemn nito sabe, ensina). Com
isso, a Amaz~nia formaria sua pr~pria ci-
incia, seus pr6prios cientistas e sua pr6-
pria hist6ria, valendo-se do patriminio
alheio, da solidariedade dos outros, mas
sem se deixar sufocar por esse bom-mo-
cismmode resultados duvidosos, quando nto
contradizem suas intengoes.
Sera que nito vale a pena tentar essa
novidade? Ao menos a ci~ncia, ao inv~s
de decorar prateleiras e enriquecer cur-
riculos, poderdi se transformar na autora
de uma hist6ria melhor para a Amazinia,
enquanto hB hist6ria sendo escrita. Uma
hist6ria como niio houve igual na forma-
glio de colinias no mundo.


Os tris senadores do ParB pertencem
a tris partidos diferentes. A despeito dis-
so, votaram unanimemente com o gover-
no pelos 260 reais de sal~irio minimo. Mas
nio estiveram juntos por defenderem os
mesmos principios: o que os agrupou foi
a coincidencia de interesses pessoais.
A do senador Luiz Otivio Oliveira, do
PMDB, 6 conseguir mais apoio de basti-
dores para enfrentar a crescente reaqlo
na opiniho pdiblica contra sua indica8o
para o Tribunal de Contas da Unitio. Seu
nome, depois de passar pelo Senado, vai
ser submetido g Climara Federal. Uma
ajuda do Planalto poderia convencer a
maioria dos deputados a deglutir um sapo
cada vez mais indigesto. A hip6tese 6
improvivel, mas Pepeca niio tem alter-
nativa: sua reeleigilo ji est8 rifada. Ele
precisa buscar outro abrigo, sobretudo
para a ameaga dos processes judiciais
instaurados a partir do "escfindalo Rodo-
mar" (ver Jornal Pessoal 325).
A senadora Ana Jlilia Carepa, do PT,
bem que ensaiou uma rebeliho, mas, em
meio a um choro bem divulgado, aca-
bou se enquadrando B diretriz de seu
partido. Deve ter sido uma decision diff-
cil, nlio tanto pelo salikio minimo em si,
mas pelas repercussies de mais esse
voto antipitico no cursor da pr6xima cam-
panha eleitoral. Ana Jlilia jB havia aber-
to dois flancos vulnertiveis: a mal-suce-
dida tentative de assegurar a aplicaqlo




Golpe a vista


na Amaz~nia dos recursos da extinta
Sudam e a desastrada participagio na
vota~gio da "superzona franca", que ex-
cluiu o Park.
O senador Duciomar Costa, do PTB,
podia ter aproveitado a oportunidade para
estabelecer um contrast populista com
a sua possivel adversiria na dispute pela
prefeitura de Bel~m, mas preferiu ir cor-
tar cabelo na hora da votagio do sal~rio
minimo. S6 ele e mais tr~s senadores se
ausentaram da session do dia 17. Foi a
maneira que encontrou de tender ape-
los que o governor federal lhe fez, para
nito votar contra. Achou melhor nito vo-
tar contra o PT, mesmo sabendo-o seu
maior concorrente em Bel~m, para nao
desagradar Brasilia. Deveri se creden-
ciar a alguma ajuda do governor Lula se
veneer a petista Ana Jlilia. E se niio con-
correr, principalmente.
Os interesses pessoal, politico e elei-
toral eram tiio visiveis na definiCio sobre
o minimo que o senador Jolio Alberto
Capiberibe preferiu deixar na mito o seu
partido, o PSB, e tratar do pr6prio pes-
cogo, ameagado de degola pela justiga
eleitoral, credenciando-se a algum favor
do Palicio do Planalto contra a cassa-
glio do seu mandate.
Coer~ncia, mesmo, s6 a do PFL: ex-
cluido do governor, votou macigamente
contra o governor. Niio importa quem
governe. O PFL 6 sempre governor.


Minha geragilo evoluiu
lentamente para a defesa de
uma tese que consider fun-
damental para o melhor fun-
cionamento do regime demo-
crtitico e mais qualidade na
vida dos cidadlios: a conces-
sito de poder de policia ao
Minist~rio Pliblico, que deixa-
ria de ser apenas o donor da
a~go penal para ser, tamb~m,
promoter das investigagies
na apura~gio dos fats delitu-
osos. Inicialmente, nosso
modelo era o americano. De-
pois, sobretudo a partir da
opera~gio "mlios limpas",
trouxemos esse modelo para
mais perto de n6s, atrav~s do
exemplo italiano.
Desde 1988, com o funda-
mento no texto constitutional,
essa aspiraglio se tornou rea-


lidade: o MP tem tido atuaqio
destacada na repression ao
crime. Cometeu muitos erros,
alguns primirios, no desempe-
nho das novas prerrogativas,
mas o saldo do seu ingresso
nas investigagies criminals 6
altamente positive. Sobretudo
porque o maior destaque foi
no combat ao crime organi-
zado, das quadrilhas de trafi-
cantes aos homes de colari-
nho branco, que enriqueceram
B base do assalto aos cofres
pdblicos e tendo como esti-
mulo a impunidade.
Sera uma frustraglio hist6-
rica ver esses novos poderes
serem cancelados menos de
15 anos depois de terem sido
avalizados pela Constituiglio.
E isso em pleno governor do
PT, chefiado por um ex-ope-


riiio, no memento em que o
Supreme Tribunal Federal, o
Arbitro da question (agendada
para agosto), 6 chefiado por
um ex-politico e advogado, o
gaticho Nelson Jobim.
A premissa 6 de que a in-
vestigagilo cabe B policia, res-
tando ao MP exercer seu pa-
pel na fase judicial. Ou seja: o
Brasil voltarti B situaqilo prC-
1988, sem que haja sido ne-
cessirio p~r abaixo a Consti-
tuigio. E verdade que nito hBi
uma definiglio clara de com-
petincia entire a policia e o MP
sobre o Ambito de cada inves-
tigaglio. Mas justamente por
isso, ambos investigando, as
defici~ncias mdituas tam sido
supridas em proveito dos in-
teresses da sociedade. A de-
fici~ncia do aparato policial,


comprometido por d~cadas de
prtiticas e estruturas viciadas,
6 compensada pela energia e
os recursos do MP, cujas fa-
lhas, sobretudo por excess de
confianga e exagero nas con-
clusdes apressadas, podem
ser corrigidas pela maior ex-
peri~ncia policial.
O fim do monopdlio da po-
Ifcia, matriz de suas distorgies,
sem criar um monop61io do
MP, mesmo com essa tendin-
cia se manifestando (e a exi-
gir as devidas correF6es, atra-
v~s de control externo), 6 um
fato salutar, que os castrado-
res e censores do MP viio
anular, se seus impetos repres-
sores niio forem contidos a
tempo pelas representaqdes
mais hlicidas da sociedade. E
ainda hB tempo.


JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal


Posi~~es reais



















Unidos com uma Gnica refinaria. Esses
neg6cios estlio oferecendo rentabilidade
muito menor do que a alcangada pela
CVRD no Brasil, mas a ex-estatal pode
ter encontrado mais resistincias e difi-
culdades do que imaginava na sua ex-
pansito para os novos neg6cios a partir
da base brasileira. Precisa dos merca-
dos aos quais a Noranda tem acesso, mas,
sobretudo, da cultural da empresa, do seu
know-how nesses segments especifi-
cos da mineraglio.
Aldm disso, a compra do control aci-
onririo da Noranda, atualmente em po-
der do grupo Brascan (com investimen-
tos desde muito tempo no Brasil), colo-
car8 a Vale dentro do mercado america-
no de aluminio, abreviando-lbe um cami-
nho que poder6 ser long e cheio de per-
calgos por outras vias. Se as noticias so-
bre a transaglio se referiam a 3 bilhdes
de d61ares como o valor dos 42%/ do ca-
pital da Noranda, que o Brascan quer
receber, com um premio de 40%, 6 por-
que estj em causa mais do que os ativos
da empresa canadense. E o seu valor
estrat~gico que a CVRD visa. E se esse
movimento 6 ditado por ponderadas anri-
lises e projeqbes, isto significa que a Vale,
atualmente em quarto lugar entire as mai-
ores mineradoras, pensa nito no terceiro
lugar, mas jB no segundo, abaixo apenas
da Anglo-American. Por enquanto.


Os analistas reprovaram e o valor das
aq~es da empresa brasileira caiu na bolsa,
mas a operaglio de compra da canadense
Noranda pela Companhia Vale do Rio Doce,
anunciada na semana retrasada, nito retro-
cedeu. A transagilo envolve risco e talvez
seja mais motivada porimpulso de grandeza
do que por uma rigorosa avaliaglio, mas a
desaprovagio pode ser mais resultado da
estreiteza dos t~cnicos do setor financeiro.
Pela 6tica do mercado de agies, a pri-
meira grande aquisiglio da CVRD no ex-
terior, da qual resultarti a maior diversifi-
caqilo que a companhia ter8 realizado fora
das fronteiras nacionais, poderit acarretar
perda imediata para os investidores de
papdis. Mas o movimento da Vale tem um
objetivo de mais largo prazo e maior am-
plitude. A empresa quer se tornar, em ou-
tras greas da mineraglio, tiio important
quanto no segment de mindrio de ferro,
no qual 6 a Ifder, responslivel por um quar-
to docom~rcio international.
Para a Vale, talvez o maior important
na Noranda seja o dominio que a multina-
cional canadense possui nas duas ativida-
des minerals para os quais a Vale estj se
direcionando, a produglio de cobre e de
niquel, e para a inddistria na qual pretend
crescer, a do aluminio. A Noranda 6 dona
de minas dos dois mindrios no Canadli, no
Chile e no Peru, e responded por 15% das
necessidades de aluminio dos Estados




itevol1ugao a port


Como quase sempre acon-
tece, o governor est8 se propon-
do fazer uma revologilo sem
aparelhar-se adequadamente
para realiz8-la. A revolugio
atende pelo nome de Cadastro
Nacional de Im6veis Rurais.
Em tese, ele ji existe. Na pr8-
tica, pordm, 6 como se nio
existisse. O atual cadastro 4
um amontoado de dados e nd-
meros reunidos com base em
atos declarat6rios. Quem de-
clara 6 o donor do imcivel rural.
Niio poderia ser de outra for-
ma. O problema C que o que
esse proprietirio declara pra-
ticamente nito pode ser confe-
rido. E, mesmo podendo ser


conferido, o resultado 6 pouco
mais do que literature. Palavras
e nada mais do que palavras.
O que o Incra (Instituto
Nacional de Colonizagilo e
Reforma Agrtiria) pretend 6
fazer os im6veis rurais pousar
no chilo. Isto 6: as describes
das propriedades terilo que ser
geo-referenciadas, atravis de
posiglio real no campo, perfei-
tamente descrita e conferida
por satilite, atravbsde umapa-
relho com essa capacidade, o
GPS (Sistema de Posigio Glo-
bal, em inglis). Todos os im6-
veis rurais tertio que tender a
esse novo cadastramento at6
31 de outubro do pr6ximo ano.


O primeiro cadastramento
tem 30 anos. O recadastramen-
to, que o atualizou, 6 de 1992.
Mas essa base documental 6 de
pouca conflanga. Os t~cnicos
do Incra dizem que dos 4 mi-
lhdes de propriedades rurais
brasileiras, 1,5 milhilo nito po-
dem ser plotados por falta de
informagdes. Com o novo ca-
dastro, baseado em realidade
ffsica e niio em suposigio geo-
grifica, o Brasil faril uma re-
voluglio, embora seu significa-
do diga tudo sobre o tamanho
do nosso atraso: pauses do pri-
meiro mundo sabem onde fi-
cam exatamente os seus im6-
veis rurais hti tris sdculos.


Se tudo correr bem, se os
proprietirios cumprirem sua
obrigaglio (sob pena de fica-
rem com imbveis sem valor
legal), O Incra sera inundado
por milhaes de informagdes
para processar atC que o ca-
dastro seja uma base utilizj-
vel, uma verdadeira ferra-
menta de trabalho para to-
dos os interessados. Mas o
Incra tem estrutura para res-
ponder a esse desafio? O
6rgilo mudou pouco desde
que ficou mais conhecido
como "Incravado". A revo-
luglio, portanto, pode bater
na porta do governor e ficar
do lado de fora.


Jornal Pessoal 2" QUINZENA jUNHO DE 2004


Qu~and0f chou ocontrato de energia
com a Alumar, a fribrica de aluminio da
Alcoa com a BHP-B em Stio Luis do
Maranhilo, a Eletronorte anunciou que os
800 MW comprometidos lhe proporcio-
nariam receita de 4 bilhdes de d61ares
durante os prbximos 20 anos. Em an~in-
cio divulgado atrav~s da imprensa, na
semana passada, a Eletronorte se refere
a US$ 3,6 bilhoes por 750 MW m~dio de
energia fornecida.
Qual 6 o ndimero certo, final? O da
propaganda ou o da noticia?
A prop6sito: n~io caberia ao MinistC-
rio P6blico Federal solicitar c6pia dos
dois contratos, o da Alumar e o da Al-
brgs, para examiner? Stio US$ 7 bilhdes
(ou US$ 7,4 bilhdes, conformne a infor-
maglio anterior) envolvidos. S6 essa di-
ferenga, de US$ 400 milhaes, ji com
pensava o interesse.


5 D EEMPENH
Em abril o ParB teve o quarto maior
crescimento industrial do pafs, junto com
Espirito Santo, que em ambos os Esta
dos foi de 6,2%. O primeiro lugar foi do
Amazonas, com mais do dobro, ou
13,8%. Stio Paulo ficou no segundo lu-
gar, com 10,7%, e Santa Catarina com
o 3o, de 10,3%.
DB para comemorar, mas nito muito.
Primeiro, porque esse indice se aplica, no
Pard, sobre uma base muito menos ex-
pressiva do que a estrutura industrial dos
demais Estados do ra~nkinlg. Em segun-
do lugar, porque a mddia national em abril
foi de 6,7% de crescimento. O desem-
penho paraense, portanto, esteve abaixo
do crescimento industrial do pafs.


CVRD maior:















































































6 /UNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal


A renovagilo dos contratos de forne-
cimento de energia dos dois maiores con-
sumidores individuals do pafs, as fibri-
cas de aluminio da Albrtis e da Alumar,
apesar de somarem sete bilhies de d61a-
res (ou mais de 21 bilhaes de reais) em
20 anos (US$ 350 milhbes ao ano), pou-
co interesse provocou na grande impren-
sa national. Houve noticias, mas as pB-
ginas dos jornais permaneceram pratica-
mente virgens de andlises.
A mesma regra de desinteresse estli
se aplicando B renovaglio dos contratos
de energia para o suprimento de metade
do consume de Manaus, a maior cidade
da Amaz~nia. O valor do contrato 6 ain-
da maior: alcanga 10 bilh6es de d61ares,
embora o volume de energia seja inferior
ao demandado por Albrtis e Alumar (525
megawatts m~dios contra 700/800 MW
no caso das metallirgicas de aluminio).
A Manaus Energia, subsiditiria inte-
gral da Eletronorte, poderia simplesmen-
te tentar a renova~glo do atual contrato
com a El Paso, que lhe fornece 400 MW
(metade a veneer no pr6ximo ano e a
outra metade em 2006). Mas, como
ocorreu em rela~gio is duas indlistrias
de aluminio, preferiu abrir licitaglio. Ale-
ga que esse 6 o caminho legal e mesmo
mais apropriado. Apesar de 76 empre-
sas terem se interessado pelo leillio e
17 delas terem apresentado propostas
concretas, a El Paso, que jB estil no lo-
cal e realize o fornecimento hit sete anos,
deverdi ser a vencedora. A multinacio-
nal americana, por~m, niio parece estar
certa disso. Tanto que recorreu A justi-
ga para impedir que o leillio se consu-
me. Teme estar sendo deslocada.
Caso essa suspeita seja verdadeira,
o afastamento da El Paso visaria mudar
completamente a political de abasteci-
mento de energia a Manaus, com des-
taque para o p6lo industrial, que respon-
de por quase metade de toda a deman-
da da capital amazonense. Ou seria cri-


ada para favorecer algum concorrente,
ainda nlio identificado? Tratar-se-ia de
uma efetiva political pliblica, ainda que
niio assumida formalmente, ou um jogo
de bastidores?
E dificil dar uma resposta convin-
cente diante da falta de informaqdes
completes. O suprimento de energia a
Manaus encontra-se numa situaqlo
prectiria e delicada no memento, mas
pode experimentar uma autintica re-
volu~gio nos pr6ximos anos. O primei-
ro grande fator de mudanga 6 o ingres-
so do gas natural, transportado a par-
tir de Urucu (ou, no future, de Uatu-
mit tambdm). O segundo C a interliga-
glio de Manaus ao sistema integrado
national, atrav~s de um linhilo de 1.400
quil8metros com origem na hidrel~tri-
ca de Tucurui, que poderia entrar em
opera~gio entire 2007 e 2008 (ao custo
de um bilhilo de d61ares).
Com essa nova linha, Manaus se tor-
nardi um ponto de conexiio entire a bacia
do Tocantins/Araguaia e a do Orenoco.
A Venezuela jB fornece energia para
Roraima, em quantidades minimas, com-
parativamente ao potential da hidrel~tri-
ca de Guri, a maior do memento atd que
a usina das Tris Gargantas, na China,
alcance sua pot~ncia m~xima.
Serfi mesmo uma revoluglio para
uma cidade que dependia de uma hidre-
16trica que se tornava crescentemente
insuficiente, como a de Balbina, apesar
de seu custo de um bilhlio de d61ares, e
de velhas t~rmicas a diesel. Para o pafs
tamb~m, jB que a Amaz~nia, com seus
sistemas isolados e deficittirios, conso-
me 70% da Conta de Consumo de Com-
bustivel, contribuiCio national compul-
s6ria que subsidia com R$ 3,3 bilhaes
ao ano esse vermelho orgamentirio.
Por isso mesmo, convinha iluminar me-
lhor o centirio para entendC-lo melhor.
O que niio acontecerti, se dependermos
da grande imprensa.


BAUX TA
A corrida i bauxita da Amazinia pa-
rece que vai ter um no0vo participate: a
Rtissia. Induistrias de aluminio da extinta
Unitio Sovi~tica estariam se associando
a Mgrio Garnero, do Brasilinvest, visan-
do uma das jazidas do mindrio na regitio.
Nho est8 descartada a possibilidade de
associaglio com a Alcoa, dona de dep6-
sitos de Juruti, no Para, que estj dando
partida a um projeto de quatro milhoes
de toneladas..


FEITO


Diogo Mainardi (83 car-tas), demisslio de
Jorge Kajuru da TV Bandeirantes (71),
os rem~dios h base de estatinas (51), o
uso de jatinhos (35) e a escritora Lya
Luft (31).
Os editors da quinta maior revista
semanal do mundo estlio de parab~ns: g
forga de tantos cosmiticos jornalisticos,
conseguiram alcangar o que Francis
Fukuyama nlio conseguiu. Ou seja: aca-
bar com a hist6ria. Quem li Veja ganha
uma bolha de proteglio contra aquele tipo
de assunto que constitui a mat~ria pri-
ma das verdadeiras decisaes, mas que
chateia e perturba o c~rebro. Ou preju-
dica o penteado.

RET RATO
A Delta Publicidade publicou antincio,
na semana passada, comunicando a seus
acionistas que os documents relatives is
demonstrates fmnanceiras do exercicio de
2002 e os relat6rios da administra~gio jB
estavam disponiveis, na sede da empresa,
para serem consultados e copiados.
Duas dedugoes do antincio. A primei-
ra: a paz ainda nito voltou B sociedade,
controlada pelos sete irmlios Maiorana e
a mile, D~a. A segunda: jil estamos na
metade de 2004 e uma das mais podero-
sas corporaqdes do Estado ainda est8
cumprindo as obrigagies societtirias re-
lativas a 2002.
Esses fats nito contribuem para
melhorar a imagem do poderoso grupo
Liberal .


CA LMA
A julgar pelo flagrante publicado em
todos os jornais, o senador Eduardo Su-
plicy, do PT, beijou o nariz da senadora
Heloisa Helena, ex-PT, que, por sua vez,
osculou-o no queixo, na cena romintica
documentada pelos fot6grafos de plan-
tilo no Senado, no dia 9.
Mais um pouco de treino e os dois
acertam onde devem.


S* A o


comprometedor









LIVROMANIA
Outro dia o Jornal do Brasil
anunciou, em pagmna inteira, a cria-
gio do seu Clube do Livro, formado
exlsvmneprasnneoe
recendo 12 livros com pregos pro-
mocionais. S6 um deles tinha seu
autor mencionado. A venda dos de-
mais era feita com apelo a um filme
inspirado no mesmo tema ou a um
fato da imprensa.
E~a versito adaptada do modis-
mo de tempos atris, quando pesso-
as compravam as inefilveis cole-
95es por centimetragoem, para ocu-
par lugares previamente assinalados
em estantes decorativas. Ao inv~s
de coleqaes, agora o preenchimen-
to dos espagos 6 h base de tijolagos
in-folio.
Nesse caso, autor para que? Nin-
gudm vai ler mesmo. Livro 6 para
decorar e citar, ora pois.

VICENTE
Com a X Jornadra do Conlto Po-
pular Paraense, qlue tem Nicode-
mos Sena como narrador, Vicente
Salles langou sua 40a microedi~gio do
autor, em 16 anos de existincia des-
sa preciosa sdrie de livros artesanais,
preparados com carinho e rigor por
esse incansivel intellectual. Como o
pr6prio nome diz, sao publicapies
escritas por Vicente, na maioria das
vezes, ou por ele editadas, como no
caso das 10 jornadas dedicadas is
narrativas populares.
Aos 73 anos, Vicente demonstra
uma vitalidade excepcional e uma de-
dicaqilo her6ica B produplio do co-
nhecimento na e para sua terra.
E um absurdo qlue uma de suas mais
importantes obras, a ediglio revista,
atualizada e ampliada de Mlisica e
Md'sicos no Pardi, publicada origi-
nalmente em 1971, que C uma au-
tantica e rara enciclop~dia musical,
permanega nos manuscritos por fal-
ta de quem se disponha a lan~g-la.
Infelizmente, esse trabalho de fi~le-
go niio cabe nos prop6sitos das mi-
croediSges vicentinas. Longa vida lhe
desejamos. E um mecenas digno do
nome para a cultural paraense.

LIVRARIA
A cultural paraense est8 mais rica:
voltou B plena atividade a Livraria
Jinkings, atualmente a mais antiga de
Bel~m. Longa vida para essa obra
admir~vel de Raimundo Jinkings.


Jornal Pessoal 2 QUINZENA JUNHO DE 2004


Com a morte de Leonel de Moura
Brizola, aos 82 anos, o getulismo chegou
ao fimn, meio s~culo depois da morte do
patrono desse pensamento (e dessa pri-
tica) nacionalista. Foi a maior contribui-
glio dada pelo Rio Grande do Sul h repi-
blica brasileira. Padeceu desse mal de
origem, na forma de um caudilhismo que
foi se distanciando da realidade national.
Mas trouxe consigo esse patriminio bem
gadicho: a dedicag~o i causa, com cora-
gem e integridade. Niio surpreende que
seja tiio contradit6rio. Mas 6 uma didiva
que tenha sido tiio persistent.
Brizola conseguiu quase tudo na vida.
Talvez tenha sido o mais marcante de
todos os governadores do Rio Grande do
Sul. Certos erros e exagoeros, que podem
facilmente ser langados na conta de sua
impetuosidade de joyem (ou da sua ob-
sesslio de velho), foram superados por
uma marca nito igualada at6 hoje: a aten-
Slo que deu g educaglio.
Em todos os municipios gadichos Bri-
zola plantou uma escola, consci~ncia cri-
ada por sua pr6pria biografia e por sua
sensibilidade pelas criangas. Foi se refe-
rindo a elas que abriu seu histbrico pro-
nunciamento radiof~nico de 1961, quan-
do, a partir do Pal~cio Piratini, em Porto
Alegre, assumiu a lideranga national con-
tra o golpe military, que entlio foi tentado
e abortado, para renascer vitorioso em
1964, fruto maior dessa erva daninha que
tem sufocado a democracia brasileira.
Cumprido seu mandate, Brizola era
um herdi do Brasil. Tornou-se o deputa-
do federal mais votado da histbria do pafs
nlio no seu Estado natal, mas na entio
Guanabara (hoje Rio de Janeiro), que
governaria por duas vezes, numa 6poca
em que o Rio ainda niio fora reduzido a
um gueto de mediocridades political.
Privado da legend de Getlilio Var-
gas, o PTB, Brizola criou e conquistou
por inteiro um novo partido, o PDT, sua
arma para se manter no topo da politi-
ca, mesmo sem mandate. Fez o que pade
para realizar a maior de suas ambiS~es,
que era chegar g presid~ncia do pafs.
Cortej ou todos que podiam lhe abrir ca-
minho, do general Jolio Figueiredo a
Fernando Collor de Mello, no fundo,
como todo caudilho, convencido de que
o poder pode-se (ou deve-se) conquis-
tar por uma manobra de astdicia, por
conchavos e deliberaqaes.


Foi essa a sua maior frustra~gio. Ten-
do uma vida tito agitada e intense, Bri-
zola perdeu muito tempo. Quando esta-
va em condigaes de aspirar ao poder
total, as condigaes obj etivas do Brasil j ii
lhe eram adversas. O tempo lhe cobra-
ra um alto prego: o Brasil mudou e ele
continuou o mesmo, indiferente B reali-
dade. Nem por isso perdeu a postura, o
brilho, o fascinio. Felizmente, carisma
ainda nito 6 um produto de laboratbrio
de marketing.
De certa forma, a trajet6ria de Bri-
zola se assemelha i. de Lula, sem dei-
xar de ser-lhe a contrafadio. Foi meni-
no tao pobre nos pampas quanto Lula
no agreste nordestino. Brizola, por~m,
nlio se curvou nem se acomodou is di-
ficuldades. Estudou muito. Acabou se
formando em engenharia. Continuou a
estudar e a trabalhar. Multiplicou o pa-
triminio que recebeu para administrar
quando casou com Neusa, irmli de Joio
Goulart. Nenhum patriminio foi mais
examinado pela inclemincia de inquisi-
dores. Mas Brizola escapou quase ileso
a todas as investigagaes (A dos gene-
rais, mas nlio ao de certa imprensa, que
dispensa de provar as conclusaes a que
chega). Niio era um santo, mas niio era
um ladrilo, nem, dito de forma mais di-
plomitica, um aproveitador do patrim8-
nio pdiblico, como grande parte dos polf-
ticos brasileiros.
Destacou-se como administrator
pela prioridade conferida B educa~gio, a
conventional, em terras gatichas, e a ino-
vadora, no Rio de Janeiro, quando se as-
sociou a Darcy Ribeiro. Queria dar a
todas as criangas, sobretudo is pobres,
que ele e Lula foram, a oportunidade de
estudar, aprender e conquistar um lugar
melhor na vida.
Que esse melhor lugar niio se tenha
traduzido, para Brizola, no cargo mais alto
da carreira political, serve de moral nada
edificante no memento em que o pais 6
governado por um home tilo talentoso,
carismlitico e bom quanto Luiz Inicio
Lula da Silva, definitivamente convenci-
do que nito precisa acrescentar a esses
dons naturals nada mais para governor
uma na~gio como a nossa.
Brizola leva consigo essa frustra-
glio e deixa conosco saudade, admi-
ra~gl e melancolia. E um pouco de
frustragilo, tamb~m.


0 fimn de Brizola




e a m~oral erversa



















































































8 JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jorrilli PeNsoul


Ecluso
Em seu oportuno artigo "Eclu-
sa: nunca mais", informa uma ci-
fra de 300 milhdes de d61ares
como incremento de renda a cada
mas, com exportaglio. O valor se
refere i estimativa onde nos ba-
seamos, de que, havendo um es-
coamento de soja de Mato Gros-
so cerca de 10 milhdes de to-
neladas existe uma possibilida-
de de se utilizar o transport hi-
drovidrio at6 Vila do Conde em
contraposiglio ao atual rodovitirio
at6 Paranaguri, levando a uma re-
duglio nos custos deste transpor-
te de US$ 70 para um estimado
de US$ 30 a 40 por tonelada
transportada. Niio observe o fato
de, a razlio de se navegar em di-
reptio ao equador, hii um ganho
no frete maritime da or-dem de 3
a 5 d61ares, fato que certamente
irli beneficiary o exportador de soja
brasileira daquela regilio.
Sem ddvida, na minha opinitio,
este prjeto Co maisestratesse,
que o pafs temn, quando se conside-
ra que a navegaglio integral do sis-
tema Araguaia-Tocantins tem a
propriedade singular de integrar
toda a regilio amaz8nica ao Cen-
tro-Oeste e ao Sudeste do Brasil.
Espero que aproveite suas me-
recidas f~rias.
Um abrago.
Luiz Carlos Monteiro

MINHA RESPOSTA
A grande conitribuigdo da
Cosipar com2 a primleira expor-
tagd~o de gusa por Vila do Con-
de, foi colocar o debate sore as
eclusas eml novo eixo, mauis prd-
ximo de necessidades prditicas e
urgentes, ao m~esmo tempo qlue
romzpeu o m~onopd6lio decisdrivo eml
poder do governor federal. Mo-
nopdlio qlue sd temt servid~o para
postergar uma solugl~o para a
interrupgd~o da nlavegaCLdo no
Tocantins, que podleria se esten-
der por uma extensd~o de mlais
700 quildmetros. Espera-se qlue
os paraenzses voltemi a refletir
comt lucidez e dleterminagd~o so-
bre o temza.
Quanto bs '~firias", carol Oiz
Carlos, servird~o para carregar
pedras, enquanto a cruz ndo
volta. Desejo qu~e julhzo seja mlais
leve aos mzeus leitores. Atd' agos-
to, se tudo der certo.


A Cosipar (Companhia Siderdrgica do
Parti) fez uma festa para comemorar, no dia
18, oprimeiro embarque, feito por um porto
paraense, de mindrio de ferro paraense (da
Serra dos Carajiis), ligeiramente beneficia-
do, na forma de ferro-gusa. O ministry dos
transportes e o governador do Estado esti-
veram presents ao ato, em Vila do Conde.
Para que as 20 mil toneladas de gusa pu-
dessem ser exportadas, caminhdes tiveram
que fazer mil viagens entire Marabli e Be-
16m, algo inusitado para o transport de um
tipo de produto, como a gusa, por uma dis-
tincia de quase 500 quilbmetros.
Na mesma Cpoca, mas do outro lado da
Amazinia, a empresa Hermasa Navega-
glio, do grupo Maggi (do governador de
Mato Grosso, Blairo Maggi, maior planta-
dor individual de soja do mundo), anunciou
a duplicaglio da capacidade do terminal flu-
tuante de Itacoatiara, no vizinho Amazo-
nas, um dos principals corredores de ex-
portaglio da soja produzida no Centro-Oes-


te, atrav~s do rio Madeira. O terminal, que
foi construido principalmente com recursos
pdblicos (do governor amazonense e do
BNDES), 6 operado por uma empresa pri-
vada. A ampliaglio vai consumer quase 43
milhdes de d61ares, mas o grupo Maggi s6
entrarti comn US$ 8,6 milhaes. O BNDES
lhe repassardi US$ 34,1 milhdes do Fundo
da Marinha Mercante.
Assim, o terminar graneleiro vai poder
movimentar um milhlio de toneladas adicio-
nais por ano. Isso significa que, para aten-
der a esse acrdscimo, sedio feitas mais 20
mil viagens de caminhio (20 vezes a faga-
nha realizada pela Cosipar) pela BR-364,
entire Cuiabli e Porto Velho. Na capital de
Rond~nia a soja 6 colocada em barcagas e
levada at6 Itacoatiara. Parte da carga C re-
embarcada para o exterior in natural, en-
quanto outra parte C esmagada no local e
sai semibeneficiada.
Essa 6 a nova escala da Amaz~nia dos
novos senhores.


Nilo existe tema saturado para um grande
jornalista, que, ao abordli-lo, sempre encontra
detalhes nho percebidos por seus antecesso-
res, informagies que ningudm tinha, Aingulos
nunca antes experimentados. O grande jorna-
lista C testemunha dos fats que relata. Viu,
ouviu ou conviveu com os principals persona-
gens. Aduz a informagdes obtidas de outras
fontes o que viu com seus pr6prios olhos, in-
tuiu com sua intelig~ncia, aprofundou comn sua
experi~ncia. O saber especifico de um grande
jornalista, que o distingue de qualquer outro
professional, 6 produto de malicia, que a soma
do cotidiano proporciona. Este 6 um dos mais
fascinantes caminhos para se chegar g hist6-
ria. Um caminho privative dejornalistas na ple-
nitude de seu oficio.
Flivio Tavares 6 um grande jornalista.
Seu livro O dia emz que Getlilio mzatou Al-
lende (e outras nzovelas do poder), publi-
cado pela Editora Record (333 pliginas), 6
original desde o titulo. E saboroso por re-
constituir, a partir de perspective absoluta-
mente in~dita, acontecimentos que jik acu-
mulam bibliografias imensas. Quem pode-
ria depor sobre o suicidio de Gettilio Vargas,
no dia 24 de agosto de 1954, relembrando a
conversa tida na China comn o entlio sena-
dor socialist Salvador Allende, depois pre-
sidente do Chile, tamb~m obrigado a se sui-
cidar por um golpe military, que, no caso do
politico brasileiro, jii em reprise, nem che-
gou a se consumer?
O testemunho sobre Gettlio, Fliivio o
dit com base numa audiencia inusitada


que conseguiu do president, dois meses
antes do suicidio, quando tinha 20 anos e
era dirigente estudantil no Rio Grande do
Sul, terra natal de ambos. Por que o todo-
poderoso Vargas cederia 40 minutes do
seu precioso tempo a um ilustre desco-
nhecido? Niko s6 para furar o bloqueio dos
Aulicos palacianos e ouvir o que os estu-
dantes propunham para a reform univer-
sittiria, mas porque o president jii nito
tinha ilusies sobre o que o esperava logo
ali em frente. Jil que niio podia escapar
ao seu destiny, em complete solidito, ape-
sar de todo o poder, por que nito conver-
sar com o desconhecido? Talvez tivesse
a iluslio de escapar, nem que fosse por
40 minutes, do circulo de paixies que o
estava asfixiando.
A descrigilo que Fliivio Tavares faz da
solidiio do pequeno grande home, visto do
alto de um apartamento do Hotel Novo
Mundo, bem ao lado dos funds do Palticio
do Catete, por cuj o j ardi m Gettilio caminha-
va lentamente, fumando seu charuto, pen-
sando e usufruindo o lado prazeroso de uma
solidflo que jik entlio lhe subia como fel, 6
um dos melhores mementos produzidos pelo
jornalismo brasileiro nos liltimos anos. O an-
tagonismo que separava o estudante de 20
anos do politico de 71 desapareceu. Hoje,
o ex-militante de esquerda e ex-exilado po-
Iftico Fliivio Tavares 6~ um serene jornalista
de 73 anos, capaz de analisar com maior
sabedoria e escrever com maestria. Um
grande jornalista.


Grandezas amaz~nicas


O1 rande Jonht V11U1J C



















































































Jornal Pessoal 2 QUINZENA JUNHO DE 2004 9


C r.


Jj se foi o tempo em que eu gosta-
va de festas juninas. Elas se foram da
minha prefer~ncia nao por represen-
tarem um Brasil caipira, que precisa
ser enterrado pelo Brasil modern, ou
p6s-moderno. Tamb~m nito gosto mais
de carnaval e nem por isso estli em
causa dentro de mim o arcaico ver-
sus o atualizado, uma luta entire o mau
gosto e o refinamento.
Assim, nito me causou nenhuma es-
tranheza que o president Lula tenha
decidido (se 6 mesmo que decidiu) con-
vocar uma festa de arraial para co-
memorar os 30 anos de casado, na
Granja do Torto, em Brasilia (esse
Torto bem qlue podia inspirar um novo
livro de Haroldo Maranhilo). O que me
provocou urticjria niio foi o Stio Joho
de Lula como sfmbolo do lado inge-
nuo, primitive e sem glamour deste
imenso Brasil, mas as interferencias
maneiristas de algum marqueteiro, que
transformou uma festa bem nossa num
angu danado, de caropo.
Por que o convite aos 120 privile-
giados (embora nem tanto: quase um
tergo deles faltou, inclusive o candi-
dato potential a chefe de quadrilha -
junina, claro o ministry da Casa Ci-
vil, Jos6 Dirceu) tinha que lhes impor
o traje a cartiter? Por que os casais
tinham que ir dirigindo os seus pr6-
prios carros? Por que levar comida
de casa (e por que niio acrescentar
as bebidas, estas sintomaticamen-
te ou nito fornecidas pelo gover-
no)? Por que a imprensa nLo teve
acesso ao arraial improvisado? Por
que dar is bodas de pdrolas do pri-
meiro casal um ar de convescote
privado dentro da Cidade Proibida,
como se Lula tivesse incorporado o
verdadeiro Mao, do qual apenas re-
centemente ficamos conhecendo a
verdadeira face?
O Brasil up-to-date manifestou seu
horror ao espetticulo de cafonice pe-
las miios de Danuza Lelio, que escre-
veu um artigo arrasador sobre os aten-
tados cometidos g etiqueta e is boas
maneiras pelo casal petista e sua trou-
pe junina. Mas Danuza s6 tem razio
a partir de uma premissa: a de que suas
opinides nito sho puro preconceito. No
entanto, ela destilou um preconceito
burro (redundincia). Podia ser pre-


conceito sensorial e, nesse caso, niio
cabia interferir nos instintos de Danu-
za. Mas ela quis conferir legitimidade
intellectual ao seu cometimento e por
isso foi buscar inspiragao em Montei-
to Lobato, como se o conhecesse de
fato.
Segundo Danuza, oarraial da Gran-
ja do Torto transmitia ao mundo a ima-
gem do Brasil como um pais de jecas-
tatus, de caipiras, de ignorantes. Tal-
vez porque de Monteiro Lobato Da-
nuza saiba o que ouviu dizer, sua ob-
serva~gio 6 um desrespeito ao concei-
to que o escritor paulista foi estabele-
cendo ao long do tempo, desde a pri-
meira visito, rtistica, at6 a constata-
glio, mais elaborada, da alta maturi-
dade, quando combinou sua atividade
intellectual com a de emprestitio e 11-
der de campanhas.
Monteiro Lobato percebeu que o
home passive com o qual convivia
no interior de Stio Paulo era produto
niio de uma eugenia as avessas, de uma
fatalidade gendtica ruinosa, mas das
condiq6es socials de vida. Da conde-
naglio ao atraso evoluiu para o com-
bate is causes do atraso. Danuza, que
nito deve ter lido o primeiro Lobato,
sobre o qual ditou regras, provavel-
mente leu o dobro disso do Lobato da
maturidade, para ela um ilustre des-
conhecido. Seu jufzo categ6rico e de-
sinformado atesta a vacuidade e a le-
viandade de algumas das nossas ditas
melhores elites. Gente maravilhosa,
desde que nito trate de Brasil.
Felizmente, algumas realimentam a
confianga no Brasil. Como um certo
Euclides da Cunha. Ele foi
"cobrir"para o journal O Estado de
S.Paulo o cer co a Canudos, no
sertlio baiano, com parte das iddias que
Lobato tinha sobre os jecas tatus das
vizinhangas da sua fazenda, em Tau-
bat6. No caminho entire Salvador e
Monte Santo, Euclides reviu e refez
tudo, nito com base em releituras ou
quetais, mas por puro instinto. O puro
instinto que distingue o verdadeiro gB-
nio, como Euclides, do grande intelec-
tual, como Monteiro Lobato. E de uma
mulher linda, como Danuza.
Ainda bem que sobre eles a bela
Danuza Leiio niio destilou seus pre-
conceitos de pobre instinto.


Scaipira e a




preconceltuosa


Os livros do professor Cl6vis Moraes
Rego poderiam caber muito bem em um
tergo do espago que ocupam. Essa 6 uma
critical flicil que se pode fazer ao seu hfi-
bito latifunditirio de se estender demasi-
adamente no seu texto e nho ser rigoro-
so na sele~gio dos temas que pesquisa.
Mas essa evidence falha nao 6 o que mais
importa na abordagem da obra do queri-
do "Coc6", o carinhoso apelido que the
deram os amigos, um tanto descasado da
biografia de quem jil foi quase tudo na
vida pliblica paraense, sem ter feito mui-
ta forga para conquistar postos, inclusive
politicos, que talvez nem tenha visado. Ou
algu~m consegue imaginar o doutor Cld-
vis cabalando votos nas baixadas?
O que importa 6 a aplicaglio francis-
cana de Cl6vis Moraes Rego B pesquisa
e a invejilvel energia que o leva a escre-
ver um livro depois do outro, indiferente-
mente ao avangar dos anos e o acumular
de problems. Seu mais recent traba-
lho, De Camnpos Ribeiro, o poeta mai-
or qlue Belimn perdeu, repete virtudes e
defeitos de sempre. E, como sempre, o
ex-governador nos surpreende com sua
vitalidade, deixando idisposigio dos se-
paradores da escumalha do saber uma
vasta matiria prima para reelaboraglio.
Esse De Campos mais velho nito foi
um grande poeta, nem mesmo maior do
que o De Campos mais joyem, que tinha
maior intimidade comn os verses (e com o
viollio). Niio foi sequer um destacado
cronista. Teve fama imerecida no seu
tempo, apesar do valor como jornalista.
As ligrimas que o autor do ensaio verte
por ele pecam pelo excess de generosi-
dade. Mas justamente at comega a mai-
or virtude de Cl6vis Moraes Rego: ele
incorpora por inteiro a quem estuda e atri-
bui-lhe o que vai al~m dos m~ritos do bi-
ografado. Por isso mesmo renovando o
cr~dito do autor junto aos que, a esta al-
tura da vida, ficam felizes apenas por va-
lo em plena atividade, tentando ainda ser
titil g sua terra.
























9e P


o prefeito (por ele nomeado)
Almir Gabriel, feliz ao teste-
munhar a entrega de um titulo
de terras, uma das p~rolas da
political clientelista paraense.
Para nio se ver obrigado a
repetir a cena, Almir, 20 anos
depois, abandonou a nau tu-
cana que parte para a conquis-
ta da prefeitura de Belim.
Com Jader, nunca mais?


Saudade
Em julho Edwaldo Martins completard um ano de morto. Sua
presenga, por~m, ainda 6 muito forte. T~io forte que seu lugar
permanece vago. Um vazio do qual se vale a desastrada iniciativa
de criar uma associaghio de colunistas socials, estandarte atris do
qual deverhio abrigar-se pessoas desqualificadas para exercer o
oficio. Edwaldo rejeitaria a simples iddia. Jg o sindicato da catego-
ria devia agir para impedir que essa atividade t~io delicada fosse
ocupada por n~io-jornalistas, que a transformaram em simples co-
m~rcio. Seria uma boa maneira de preservar a memdria do maior


JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal P'essoal


FOTOGRAFlA

HE 20



O governador Jader Bar-
balho, quase na metade do seu
primeiro mandate, comanda,
em 1984, a campanha (que
seria vitoriosa) de Fernando
Coutinho Jorge para a prefei-
tura de Bel~m, pelo PMDB.
No mesmo palanque, B sua
esquerda, depois de Coutinho
e de Fernando Velasco, em
primeiro plano (e Mariano
Klautau ao fundo), o secre-
tirio de planejamento do Es-
tado, Simio Jatene. Simio
ainda acompanharia Jader
nos minist~rios da reform
agrdria e da previdencia, an-
tes de debandar para o ninho
tucano, no qual se abrigou
para acabar chegando ao
mesmo lugar que Jader por
duas vezes. E agora, exata-
mente 20 anos depois desta
cena, restabelecer a alianga
political com ele, que ji pare-
cia invijvel. Coisas do zigue-
zague politico.


Nunca



O palanque 6 o mesmo,
mas nele o governador Jader
Barbalho divide o espago com


,- a








dos colunistas socials do ParB em todos os tempos e defender os
bons profissionais que continuam a labutar na profissao.
Este journal homenageia o companheiro e amigo com esta
foto qune o flagra ao lado dos amigos Sebastiho Tapaj6s, Billy
Blanco e Roberto Jares Martins, o sempre saudoso Bob, tam-
bdm jB falecido (11 anos a completar em novembro). Devem
estar trocando figurinhas em alguma outra redagio, nao mais
na sagrada sala do director de A Provinlcia do Pard, onde a
foto foi feita e a noticia era sempre recebida de bragos aber-
tos. E os amigos tamb~m, muitos, inclusive os comuns dos dois.










PRO PAGAN DA

O Haval


era aqui

"Uma noite no Havaf" ainda nio
era a coqueluche que viria a ser al-
guns anos depois, mas j8 merecia um
andincio por parte do late Clube,
como este, para o carnaval de 1965.
O baile, que comegaria Bs 23 horas
(de verho), seria animado pela or-
questra de Orlando Pereira, ainda em
plena atividade, comandada pelos fi-
lhos do maestro. O traje preferencial
era o "tipo do Havaf". As reserves
de mesa podiam ser feitas comn os di-
retores Colares (fone 5452) e Jos6
de Luca (1773). Beldm ainda era
uma aldeia, nada global.


i/ i

A nIEOwronA Lno Aan ecan don rAIC~A Fa
,A M~AXIMIA SATISFAGAO DE CONVIDIAR Olj SEUS
ASSOCIAD)OS E EXMUAS. FAMILIAS PARA COMl
YUAS PRE.SENCAS jiBRIHANTAREMU A N'OSSA
E EST'A CARNAVALESCA ''TlMA N3ITIE NO HAVAI"
NA QUAL FAREMOS A APRESEhTAGAO AO NOS-
SO QUADRO SOCIAL DA RAINHA DO CLUVBE, QUE
NS RPRSENARANOCONURS D RANH
DAS RAINHAS DO CARNAVAL DE 19615.
DI1A: 2 E F EREIRO
/ ~oRGqESTRA: ORLANDO PEREIRA
TRAJEI: DE PREFERENCIA TIPO DO RAVAI OU
RESERVES DE MESAS: COM OS DIRE~TORES,
COLAREtS FONE: 5452 e JOS1B DE LUCA FONE: 1775





---


Carnaval
L61io e seu conjunto rea-
lizaram, em dezembro de
1962, o "lo Sarau do Penta-
grama", durante o qual seria
dado o primeiro grito de car-
naval, na sede do BancrC-
vea, que ficava atris do
Grande Hotel (atual Hilton
Bel~m). As atraqdes seriam
Ntibia Lafaiete, a Rainha dos
Mtisicos, e Sebastiho Tapa-
j6s e seu conjunto. O show,
que comegaria is 22,30, iria
atC as duas e meia da ma-
drugada, quando viraria car-
naval atC o sol raiar.

Contrabando
Comerciantes de Belim
e de outras pragas (que se
safram melhor) se revezaram
nos lances para arrematar as
mercadorias contrabandea-
das que a Alfitndega de Be-
16m apreendeu e leiloou, em
novembro de 1962. A firma
a Severino ficou com um fer-
ro de engomar automitico
GE, seis pacotes de cigarros
americanos de virias mar-
cas, duas cameras de at Fi-
restone e quatro tapetes de
parede.
O Caf6 Brasilia comprou
quatro garrafas de ufsque
Vat-69. Uma companhia im-
portadora de Fortaleza, no
CearB, arrematou 15 drizias
de lengos de seda japonesa e


254 garrafas de uf sque
(Grants e Queen Anne). J, B,
Pinto, de Belo horizonte,
agambarcou 92 vidros de per-
fume Chanel no 5 e 63 pares
de sand Alias japonesas de
borracha.

Sapatos
As fibricas de calgados
Conde e Lisboa avisavam os
estudantes, na abertura do
ano letivo de 1965, que po-
deriam comprar sapatos de
suas marcas nas sapatarias
Tigre, da Moda, Leho de
Ouro, Batista Campos, RM
Calgados, Nossa Senhora
das Gragas, Pelicano, Uni-
versal, A Barateira e Carra-
patoso, esta, a 6nica ainda na


ativa. Os shopping engoli-
ram as sapatarias e a inddis-
tria national matou as fibri-
cas locals.

Costumes
Elmir, de 20 anos, e Elcio,
de 19, foram press e autua-
dos em flagrante pelo crime
de terem de perambularem,
"completamente alcoolizados,
trajando apenas 'short'", pela
praga fronteiriga ao Pal~cio
do Governo, que ficava onde
6 hoje o Museu do Estado,
"num acintoso desrespeito
Bquele local".

Computador
No dia l2 de novembro de
1971 a Burroughs Eletr~nica


fez a primeira transmissio de
dados por via eletr~nica de
Beldm para a entio Guanaba-
ra, hoje Rio de Janeiro. A de-
monstraqio, que simulou a
abertura de uma conta banc8-
ria, foi realizada atrav~s de um
moderno computador eletr8-
nico 3.500", instalado na sede
dolINPS, na avenida Presiden-
te Vargas. Acompanharam a
operaqio, que durou um se-
gundo, entire o envio dos da-
dos da suposta conta e a con-
firmaqio do seu registro no
destiny, t~cnicos do Banco da
Amaz~nia, da Sudam e de
empresas interessadas na no-
vidade. O signal seguiu "atra-
vis dos fios telef~nicos da
Embratel". Um sucesso.


Jornal Pessoal 2" QUINZENA JUNHO DE 2004














para forgar a quebra dos prepos do fornecedor brasileiro, que
est8 faturando como nunca. As exportaqdes de care cresce-
ram quase 70% no primeiro semestre deste ano em compara-
glio com igual period no ano passado.
Para n6s, que estamos de fora dessa bolha de prosperidade
em que a exporta~go se transformou num pafs que manda para
fora sua riqueza absurdamente concentrada, a constata~go que
fica dessa farsa nio 6 alvissareira. Depois de todas as explica-
gBes dadas pelos stores competentes, verifica-se que o boi
est8 tendo mais atenglio do que o pr6prio home. Talvez por-
que boi se export e o cidadio brasileiro, ao menos aquele que
divide (ou, na verdade, cede) espago com o boi no sertio naci-
onal, nito se export. Ainda.
Ah se tivissemos um Gogol para nos dar um relate profun-
do desses serties!


O rebanho de Monte Alegre, com menos de 180 mil ani-
mais, nho atende nem o consume interno do municipio. Ja-
mais lhe permitiu exportar um quilo de carne sequer. Mas
motivou o bl~oqueio da Rtissia is exportagaes brasileiras. O
pretexto foi o aparecimento de febre aftosa em tres dos 130
animals de uma fazenda monte-alegrense. Mesmo que qui-
sesse e fosse um criminoso, o fazendeiro nito teria condigaes
de propagar a doenga. Ela foi um incident absolutamente
dom~stico, detectado a tempo e remediado de pronto pelas
autoridades sanitirias. Como, a despeito de tudo, provocou
um incident internacional?
O epis6dio se explica pela facilidade de manobras especu-
lativas num mundo globalizado pela velocidade de circulaCio
de informaq8es, sem que haja tempo para elas serem matura-
das e analisadas. Importadores russos aproveitaram o pretexto


PERDA
A morte de Ray Charles
desviou o interesse por outra
perda no mesmo dia, a da
violonista Rosinha de
Valenga. Maria Rosa
Canellas, rebatizada por
Stanislaw Ponte Preta comn o
nome artistic que adotaria,
ji estava morta-vida desde
1992, quando, aos 51 anos,
sofreu parada cardiac e
entrou em coma, da qual
nunca mais saiu. Destiny
malvado para algu~m tio
doce e carinhosa quanto a
batida do seu viollio, o
melhor que ji passou por
mitos de mulher no Brasil.


PI IIOP)
Um leitor manda dizer que
leu, numa edi~go de A
Provincia do Pardi de 25 de
junho de 1974, que os
proprietirios do Palacete
Pinho fizeram uma proposta
de venda do im6vel ao
governor do Estado, que a
recusou. Um episbdio a
acrescentar na cronologia de
fats que levaram ao
desabamento parcial da
edifica~gio.



Conforme o anunciado, este
journal nito circular em julho
(embora sua retardada
ediCio da segunda quinzena
de junho esteja circulando ji
em julho). VoltarB em


agosto, seos leitores assim o
desejarem. Desejo-lhes boas
fdrias e, a mim, que as
pedras me sejam levels de
carregar.


O Tribunal de Contas da Uniko, quem diria, est8 &
esquerda do governor do companheiro Lula. Analisando
os pianos decenais de energia para o period de 2001
a 2012, o TCU manifestou sua preocupa~go com um
tipo de planejamento que "deixa nas mitos do mercado
a construgho de obras estrat~gicas para o
desenvolvimento national", resultando nas ins61itas
'PPP, parcerias ptiblico-privado.
O ministry Ubiratan Aguiar, que coordenou o
relat6rio, atribui a esse her~tico hibridismo o risco de
um novo "apagio", ao qual o Brasil poder8 estar
exposto outra vez, at6 2008, se houver mesmo
crescimento econ~mico, como est8 previsto, e as
grandes obras hidrel~tricas indicadas nos pianos,
como as usinas de Belo Monte (inicialmente
projetada para 11 mil megawatts, agora reduzida B
metade) e Marabi (2. 160 MW), nito forem
executadas. Para ele, hB esse risco porque 65% da
potincia prevista para ser instalada entire 2001 e
2003 foi sobrestada por causa de seus impacts
ambientais. Entre essas usinas estlio as de Salto
Santiago (710 MW), Santa Isabel (1.087 MW) e
Simplicio (323 MW).
Em virtude do crescente descompasso entire o
planejado e a realizado, o TCU adverte para um dos
inus dessa situaqio: o uso permanent de energia
tdrmica contratada em carter emergencial diante da
crise do "apagio" de 2001, por isso com dispensa de
licita~gio pdblica e a um custo mais elevado do que os
pregos praticados no mercado competitive.
O que o relat6rio do tribunal sugere e que as
colsas ficariam mais claras e positivas se o particular
ocupasse o seu lugar e o pdiblico preservasse o seu,
um retorno a 6poca anterior ao consulado de
Fernando Henrique Cardoso e o imp~rio Lula.


E ste nals
Pego ao acaso uma tabela
com o valor das taxas de
juros cobradas por 17 pauses.
Com 16%, o Brasil 6o
campeho. Abaixo dele, os
linicos na casa dos dois
digitos, Venezuela (14,75%)
e Rtssia (14%). Depois, os
juros mais altos slio os da
Indon~sia, de 7,49%.
Todos esses pauses estio
em crise ou tentam sair dela.
Desde o Plano Real, hB 10
anos, o governor brasileiro diz
que o espeticulo do
crescimento est8 para ser
apresentado ao distinto
pliblico. Mas parece que
jamais sairemos da guerra
silenciosa e fulminante que
travamos para manter em
dia o servigo de nossa dfyida,
tentando a alquimia de
apagar o fogo jogando
gasoline sobre ele.