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I0ur!al Ib --- I ----~1----- I*II-- -----~x~ --~r~- CIEN TIS TAS AO M ATO (PAG. 3) JUNHO DE 2004 2 UNE NA ,jA AGENDA AMAZONICA DE L Ij CIO FL~VIO PI NTO I~e~\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\ : - Fi~pccurr;ji E : T~-T \1 \ ~. ~;- .: :81 rnnraESTC) ~t~ a~ U~ X' '' irwrity of Florida OSSIVel Oie IO AUG 2 5 2004 Latin Amencanl Conectior A corridor otid a prefeituro de Belim tem sido uma provo de obstoiculos e de imprevistos. O problema 4 que, depois dos boixas no percurso, no ponto de chegodo o eleitor pode ter a pior dos surpresos. Nesse coso, noio importordi quem vengo. Belim perderdi. tr~s dias do final do prazo para ras, o PSDB viu sua participa glio na eleigio em Bel~m amea- gada por uma segunda rendncia. Depois da desistincia do ex-governador Almir Gabri- el, anunciou-se no domingo intengao igual por parte do seu substitute na pr6-candida- tura, o senador Duciomar Costa, do ~PTB. O governador Simlio Jatene recebeu diversos recados de que Duciomar, que tem dividido com a senadora Ana Jlilia Carepa, do PT, a dispute pelo segundo lugoar nas pesquisas de opinilo, iria preferic continuar onde estava. Uma das causes da volta atrils seriam as presses feitas pelo diret6rio national do PTB, que fechou acordo com o PT e niio gostaria de aparecer ao lado do PSDB. Mas o peso maior seria a intenglio de Duciomar de acertar previamente uma correla~gio de SS 0 2 FLFK AO 2 JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal CONTINUACA0 DA CAPA. forgas de tal maneira que jB teria acesso a cargos e posi95es na administra~gio estadu- al antes mesmo da elei~gio municipal. Aldm de ser o cabega da chapa g prefeitura de Beldm, ele receberia um naco do poder do governador Simlio Jatene para distribuir en- tre seus correligionfirios. A ameaga obrigoou Jatene a convocar Du- ciomar para longas reunites, nas quais lhe foram oferecidas garantias capazes de as- segurar sua candidatura e eliminar os temo- res que a estavam inviabilizando. Ao mes- mo tempo, por~m, os tucanos comegaram a pensar em alternatives. Uma delas, a do re- torno de Almir Gabriel, foi descartada pelo pr6prio ex-goovernador. Outra seria recrutar um dos parlamentares, jik que a hip6tese de secrettirios niio pode ser nem considerada porque o prazo para a desincompatibiliza- ~gio dos cargos, sem a qual slio inelegiveis, venceu no dia 2. Dentre os politicos com mandate, o nome do deputado federal Nilson Pinto foi consi- derado o mais promissor. O que seria um fator negative, seu quase desconhecimento pelo grande pdiblico, tamb~m seria o elemen- to positive, poupando-o do desgaste que ji sofrem politicos com maior presenga na ca- pital, como Zenaldo Coutinho, Cipriano Sa- bino e Zeca Arauijo, que tamb~m tiveram seus nomes considerados. Mas no final da segunda-feira, depois de mais um encontro entire Jatene e Duciomar, os tucanos jil pare- ciam mais convencidos de que o senador con- firmaria sua candidatura. O acaso e as circunstlincias, mais do que a vontade dos ifderes, parece estar condu- zindo a defini~gio do quadro eleitoral para a prefeitura de Beldm. A tr~s semanas da data para a oficializagilo das candidaturas, tudo parecia indicar que o ex-governador Almir Gabriel, como favorite, iria refazer o cami- nho de volta ao inicio da sua carreira politi- ca, 20 anos antes, como prefeito nomeado da capital. Subitamente, quase reproduzin- do a rendncia mal explicada de 12 anos an- tes, Almir anunciou sua desistincia, unilate- ralmente, como fato consumado. Saber se essa desistincia foi imprevista ou calculada ainda demandardi muito debate, para o qual o personagoem principal, como de seu costume, em nada contribuird. Entre as viirias estrat~gias cerebrais do doutor Almir, uma das mais usuais consiste em incorporar a figure da esfinge. Com seuas charadas e seu silincio, ela costuma sugerir um poder maior do que o que efetivamente possui. Se essa estrat~gia langa sobre a figure do ex-governador um manto de simpatia (para os que tendertio a valoriz8-lo quanto mais pas- sado ele for) ou de execra~gio (pelos que nio perdoam a deserglio as portas da und~cima hora, sempre deixando os companheiros de viagem na miio), faz baixar sobre a arena elei- toral uma nuvem de maus pressigios. Sem seu nome mais forte, o PSDB se v& colocado diante da realidade do pastellio: como agora o nome forte com o qual pode contar 6 o de Duciomar Costa, C com ele que precisar8 ir, se nito quiser recomegar quase do zero (uma hip6tese que o governador Simlio Jatene nlo quis encarar mais cedo, quando ainda podia langar algum de seus principals auxiliaries . A substituiglio de um medico de verdade por um falso medico diz muito sobre o carter da nova situaglio tanto quanto sobre as res- ponsabilidade daquele que a provocou. Mes- mo que ele se recuse a assumir o inus do maquiavelismo cirdrgico. Consumada a said de Almir Gabriel, sem possibilidade de uma volta atrds, o primeiro movimento do governador Simlio Jatene foi - como se previa chamar o deputado federal Jader Barbalho para a confirmagiio do acor- do anterior, posto de quarentena pela resis- tincia de Almir a um entendimento com seu ex-amigo-e-correligionirio-agora-inimigof- gadal. A iniciativa do governador e a duragio da conversa, de duas horas, confirmaram in- tegralmente a interpretation de que a retirada de cena do ex-governador foi um lance politi- co calculado, que se baseou em ultrarrealis- mo, e nito uma submission a fatores subjetivos ou causes pessoais. Se Duciomar Costa for mesmo o candida- to da "Unitio pelo ParB", o PMDB vai fazer figura~gio no primeiro turno e apoiar o candi- dato do governador no segundo turno. O PSDB se incorporarti B candidatura de Helder Bar- balho em Ananindeua, o segundo col~gio elei- toral do Estado. Coligaqaes entire os dois par- tidos acontecedio em virios municipios, ain- da qlue em outros eles aparegam em posigies antag~nicas. Com 20% das cadeiras da As- sembl~ia Legoislativa, o PMDB continuar8 a dar apoio ao governo do Estado. Niio estli entire os prop6sitos de Simio Jatene acabar com Jader Barbalho, assim como niio o atrai assumir decididamente esse acordo. Jii para Jader apenas se o PSDB re- troceder ao principio, recorrendo a um nome de reduzida expressito eleitoral, 6 que a al- ternativa Wladimir Costa passaria a ser in- teressante, por ser a linica capaz de dar sen- tido ao projeto de devolver a prefeitura de Belim ao PMDB. Ainda que o prego da vit6- ria venha a ser perder o control sobre o vi- torioso, jii no dia da posse (risco em relagio ao qual o PSDB nho estli vacinado, conside- rando Duciomar). Se foi por abominar essa alianga que Al- mir Gabriel pulou fora da campanha eleito- ral, seria natural que ele a combatesse den- tro do PSDB, provocando um racha no parti- do. Foi a interpreta~gio dada por fontes an8- nimas de O Liberal (talvez criadas pela pr6- pria empresa, ou, especificamente, seu prin- cipal executive, Romulo Maiorana Jdnior, que parecia niio ter engolido ainda o acordo de Jatene comn Jader), mas esta provavel- mente niio 6 a realidade. Caso prevalega ten- dancia inversa, com a manuten~gio do silin- cio do ex-governador, significant que a com- posiglio teve a aprovaglio de Almir, que des- se fato tirara proveito na eleiglio para o Se- nado, dentro de dois anos. Assim, a candidatura do senador Duci- omar Costa, que se tem nivelado i da tam- bdm senadora Ana 161ia, se fortalecerti ain- da mais, podendo assumir a condi~go de favorite quando comegar oficialmente a temporada de capa aos votos. S6 essa hi- p6tese, por~m, jj provoca engulhos na ca- mada mais esclarecida do eleitorado da ca- pital, que tamb~m niio estava disposta a con- firmar o PT por pelo menos mais quatro anos na prefeitura. Orflio de nomes aceitti- veis, esse segment do eleitorado pode mi- grar, ao menos no lo turno, para outras op- 95es, como o vereador Arnaldo Jordy, do PPS, embora ele ainda seja apenas um pou- co mais do que um trago. Ai est8 outro capricho dos acontecimen- tos: Ana 161ia n~io nunca foi e dificilmente serdi a candidate de Edmilson Rodrigues. Ela sofre as conseqia~ncias do desinteresse real, disfargado de interesse compulsdrio, do atual prefeito. Mas tambim paga o prego do des- gaste da administra~gio municipal petista. Nessa mua da amargura, na qual pode vir a ser surpreendida por uma votaglio bem abaixo de suas expectativas, Ana Jdlia tentou conven- cer Ronaldo Maiorana, director corporative do grupo Liberal (e donor das chaves do PL), a ser seu companheiro de chapa. Apesar de ofe- recer-lhe quase tudo, nlio conseguiu conven- cB-lo. Se desse esse pass, Ronaldo deixaria sua empresa de comunicaglio em situagilo di- ffcil diante do governo do Estado, um dos seus principals clients. Ana Jdlia se empenhou, entlio, em atrair para Belim a parte menos desgastada do PT federal, aproveitando-se da tal da agenda po- sitiva do president Lula. Tocando, por~m, o minimo naquilo que interessa aos eleitores que comegam a fugir da ameaga Duciomar Costa: um program convincente e coerente para Bel~m. Program, atC agora, 6 promessa ou ma- nipulaglio. A fase 6 de arregimentar forgas. Mas essa arregimentaglio pode se tornar tiio demorada que, quando os debates pelo riidio e a television comegarem, restart aos candi- datos alinhavar umas tantas propostas de sempre e transferir para outro memento a tarefa de dar coer&ncia a uma proposta de governor. Uns podem dispor de uma enca- dernaglio mais luxuosa para esse vazio. Mas o que tem predominado nessa antevispera de eleiglio 6 isso mesmo: a vacuidade de iddias. Como esperar outra coisa na atual configouraglio de candidates, especialmente dos mais favorecidos pelas pr~vias? Bel~m que se prepare para o qlue parecia impossivel: uma administration niveis abai- xo da do arquiteto Edmilson Rodrigues. (Escrevi este texto entire segunda e ter- ga-feira. Preferi niio esperar pela definiptio dos fats, no dia 30. Essa decision indica meu estado de espirito como cidadlio.) Jornal Pessoal 2 QUINZENA JUNHO DE 2004 tas) de 30% dos recursos dos funds se- toriais, que somariam 900 milh~es de re- ais, para former cinco mil doutores na Amaz~nia no prazo de seis anos. A proposta 6 louvivel, mas nho 6 exe- qtilvel, reagiram de pronto virios notiveis. De fato, ela 6 tremendamente complex. No conteudo da argumentaglio e na tona- lidade assumida pelos arguments dos que se opuseram B tese de Candotti, contudo, pode-se sentir o rango da iconoclastia pau- lista, produto de um monop61io que, em matdria de ci~ncia & tecnologia, 6 ainda mais poderoso do que no pr6prio timbito da economic. A USP (Universidade de Stio Paulo), em seu imbito, tem mais po- der do que a Fiesp (Federaglio das Induis- trias do Estado de Stio Paulo). E ~claro que se implicar num 8xodo cientifico, viabilizando-se pela atr~agio de todos os mestres, doutores e pbs-douto- res que viriam do Sul para aculturar o bugre cientifico da Amaz~nia, a proposta do president da SBPC morrerj no nas- cedouro. Alguns critics, que devem ser considerados mais realistas do que o rei, enumeraram todos os procedimentos t~c- nicos e formais que precisariam ser ado- tados para que os cinco mil doutores pu- dessem ser preparados, desde pessoal humane at6 estrutura fisica. No entanto, eles se transportam para uma fronteira com a cultural da metr6po- le, arraigados em seu mundo (como aque- les texanos que carregam consigo, seja 18 para onde viio no planet, at6 as espo- ras de suas botas). Na situaglio de ca- rincia e limitaglio da ci~ncia amaz8nica, condenada a viver com menos de 1 % do orgamento national de C&T, realmente um crescimento exponencial, como esse sugerido por Candotti, a implodiria. Mas a pergunta que deveria ser feita por intelectuais realmente solidiirios com o drama amaz8nico seria: por que confi- nar os futures doutores aos camzpi? Por que reduzir a formagilo B estrutura con- vencional das universidades? Uma resposta realista e satisfat6ria, mas com um inevittivel component ut6pico, combinaria o projeto de dar expression real B prioridade em C&T a uma nova vislio do zoneamento. Ao invQs de o planejamento ser um jogo combinat6rio de vari~veis se- cundfrias, do qual pode resultar um belo trabalho academico, elej jipoderia ser a aCgio pdiblica em si: os futures cientistas seriam mandados para as frentes pioneiras, levan- do consigo o conhecimento que jii tim e buscando enriquec6-los no contato direto com a realidade. Talvez o investimento necessfiio exce- desse a m~dia de 15 milhaes de reais ao mis, prevista por Candotti para o custeio da formaglio dos doutores, mas certamen- te os recursos nacionais seriam complemen- co fI iiA NAT PG Durante virios anos Rond~nia foi o linico Estado da Amazinia a dispor de um zoneamento econ8mico-ecol6gico. Esse tipo de planejamento foi adotado por pressao do Banco Mundial. Principal fi- nanciador do Polonoroeste, um progra- ma de colonizaglio das margens da BR- 364 (Cuiabj-Porto Velho), o Bird queria uma contrapartida de proteglio ambien- tal ao impact negative do adensamento da atividade humana nessa firea. Mas o zoneamento acabou servindo mais para aplacar a consci~ncia pesada dos patro- nos da devastapho do que como media de efetivo ordenamento territorial. Hoje, proporcionalmente, Rond6nia 6 o Estado mais desmatado da Amaz~nia. A Brea alterada pelo home jii ultrapas- sou o limited de 20% de preservagao es- tabelecido legalmente. Por isso, as lide- rangas rondonienses querem excluir o Estado da jurisdi~gio da Amaz~nia Legal e faz8-lo passar a integrar o Centro-Oes- te, com o qual jri tem mais identidades, inclusive fisicas, por efeito de sua devas- tadora descaracterizaglio. O zoneamen- to, assim, se tornou uma falticia. Mas hoje, de um modo ou de outro, todas as demais unidades federativas amaz~nicas tim o seu. O Para, que co- megou essa busca hi quase 15 anos, che- ga tardiamente g meta. Niio foi sem sur- presa, no entanto, que a comunidade t~c- nica e cientifica ficou sabendo que o Pard jB possui um projeto de zoneamento eco- 16gico-econ~mico pronto e acabado. Nos filtimos dois meses o secretirio da Sec- tam (Secretaria de Ciincia, Tecnologia e Meio Ambiente), Gabriel Guerreiro, tem feito peregrinagdes por todo o Estado para divulgar o document, elaborado por sua equipe. O pr6prio governador Simio Jatene tem aparecido em viirios desses encontros para avalizar a iniciativa e re- algar sua importincia. Niio tim sido poucos os questionamen- tos g metodologia do trabalho realizado pe- los t~cnicos da Sectam. Vitios dos criticos acham que, a despeito de tantos debates promovidos, pouc oodocumento devertiser mudado, se 6 que admite mudanga a partir de fora. Ele pode vir a ser retocado, mas sua essdncia deveri permanecer inaltera- da, por corresponder ao desejo do gover- no. Flagrado em inc6moda falta, ele pare- ce ter decidido queimar bruscamente eta- pas e submeter a sociedade nito uma id~ia, mas um projeto completamente amadure- cido inlterna corporis. Desde a administragilo Almir Gabri- el, o Para se apresenta como um Estado desenvolvimentista. Sua prioridade 6 crescer. Em segundo lugar, ajustar o cres- cimento is condicionantes ambientais. A apresentagilo de um projeto complete de zoneamento nito significa uma revisio dessa concepplio, mas o seu ajustamen- to a uma conjuntura na qual as cobran- gas socials e political tornam inevittivel o compromisso ecoldgico. Do meu ponto de vista, importa menos examiner o projeto do governor em mind- cias. Ele niio passa de um ensaio tdcnico, ou um exercicio intellectual, com algumas pitadas de norma legal e de a~glo pdiblica. Representa um avango, na administration Jatene, sobre a gestlio do antecessor tu- cano, bicudo demais para essas coisas de ambientalismo. Mas 6 uma mudanga cos- m~tica. A moldura ficou melhor, mas o contedido permanece grave. O poder pi- blico vai continuar a ser um bombeiro, apagando inc~ndios qune nito pode preve- nir, e um recolhedor de migalhas (quando niio dos restos do combate. Um zoneamento para valer teria que ser uma iniciativa de antecipaglio e, por isso, de imposigio de normas, efetivamen- te ajustadas ao conhecimento humane. Mas como impor essa regulamenta~gio se as fontes do saber estlio distantes e desligadas das frentes econ6micas? Nio 6 a regra, mas is vezes os centros de produgho do conhecimento estlio poten- cialmente habilitados a iluminar a ativi- dade do home em greas pioneiras da Amaz~nia com a luz do conhecimento provado. Como levar, por~m, essa habili- taglio ao colono ou fazer as empresas adota-la? A primeira e decisive resposta est8 num incremento por certo nottivel - na base cientifica e tecnol6gica. Ela devia ser a prioridade do investimento pliblico na regitio. S6 assim o zoneamen- to deixar8 de ser um exercicio de infor- miitica e uma declaraglio de inten95es. Em maio, o president da SBPC (So- ciedade Brasileira para o Progresso da Ciincia), Enio Candotti, prop6s aos seus pares do Conselho Cientifico e T~cnico, diante do president (tamb~m do conse- lho) Luiz Indicio Lula da Silva, que o go- verno autorizasse o desbloqueio (ou des- contigenciamento, na linguagem burocra- *:~ca par va 188 C pa1a orr coNIUrmug DA PbC. tados (e at6 excedidos) por colaboraglio in- ternacional. Se o zoneamento estabeleces- se como vocaqio de determinada drea o ma- nejo florestal, o governor instalaria uma base ffsica na irea primitivea econfortivel, como a Cidade Humboldt, projetada porPedro Pau- lo Lomba para Aripuanii, em Mato Grosso, na d~cada de 70) para futures doutores em floresta, que estabeleceriam seus laborat6- rios na mata e niio no cam7pu1s, provando e provando-se na demonstraqio do seu sa- ber, nito como um b~nus individual mas um patrim~nio coletivo. Ou seja: ao inv~s de haver apenas ga- rimpeiros, madeireiros, mineradoras e ou- tros contumazes atores do pioneirismo, sur- giriam cientistas. Niio s6 com suas anota- 95es e observag~es, mas tamb~m com suas intervengies priticas, mostrando que tanto sabem ensinar quanto fazer, com isso desautorizando aquele velho ditado popu- lar de descrenga no valor do saber (quem sabe, faz; quemn nito sabe, ensina). Com isso, a Amaz~nia formaria sua pr~pria ci- incia, seus pr6prios cientistas e sua pr6- pria hist6ria, valendo-se do patriminio alheio, da solidariedade dos outros, mas sem se deixar sufocar por esse bom-mo- cismmode resultados duvidosos, quando nto contradizem suas intengoes. Sera que nito vale a pena tentar essa novidade? Ao menos a ci~ncia, ao inv~s de decorar prateleiras e enriquecer cur- riculos, poderdi se transformar na autora de uma hist6ria melhor para a Amazinia, enquanto hB hist6ria sendo escrita. Uma hist6ria como niio houve igual na forma- glio de colinias no mundo. Os tris senadores do ParB pertencem a tris partidos diferentes. A despeito dis- so, votaram unanimemente com o gover- no pelos 260 reais de sal~irio minimo. Mas nio estiveram juntos por defenderem os mesmos principios: o que os agrupou foi a coincidencia de interesses pessoais. A do senador Luiz Otivio Oliveira, do PMDB, 6 conseguir mais apoio de basti- dores para enfrentar a crescente reaqlo na opiniho pdiblica contra sua indica8o para o Tribunal de Contas da Unitio. Seu nome, depois de passar pelo Senado, vai ser submetido g Climara Federal. Uma ajuda do Planalto poderia convencer a maioria dos deputados a deglutir um sapo cada vez mais indigesto. A hip6tese 6 improvivel, mas Pepeca niio tem alter- nativa: sua reeleigilo ji est8 rifada. Ele precisa buscar outro abrigo, sobretudo para a ameaga dos processes judiciais instaurados a partir do "escfindalo Rodo- mar" (ver Jornal Pessoal 325). A senadora Ana Jlilia Carepa, do PT, bem que ensaiou uma rebeliho, mas, em meio a um choro bem divulgado, aca- bou se enquadrando B diretriz de seu partido. Deve ter sido uma decision diff- cil, nlio tanto pelo salikio minimo em si, mas pelas repercussies de mais esse voto antipitico no cursor da pr6xima cam- panha eleitoral. Ana Jlilia jB havia aber- to dois flancos vulnertiveis: a mal-suce- dida tentative de assegurar a aplicaqlo Golpe a vista na Amaz~nia dos recursos da extinta Sudam e a desastrada participagio na vota~gio da "superzona franca", que ex- cluiu o Park. O senador Duciomar Costa, do PTB, podia ter aproveitado a oportunidade para estabelecer um contrast populista com a sua possivel adversiria na dispute pela prefeitura de Bel~m, mas preferiu ir cor- tar cabelo na hora da votagio do sal~rio minimo. S6 ele e mais tr~s senadores se ausentaram da session do dia 17. Foi a maneira que encontrou de tender ape- los que o governor federal lhe fez, para nito votar contra. Achou melhor nito vo- tar contra o PT, mesmo sabendo-o seu maior concorrente em Bel~m, para nao desagradar Brasilia. Deveri se creden- ciar a alguma ajuda do governor Lula se veneer a petista Ana Jlilia. E se niio con- correr, principalmente. Os interesses pessoal, politico e elei- toral eram tiio visiveis na definiCio sobre o minimo que o senador Jolio Alberto Capiberibe preferiu deixar na mito o seu partido, o PSB, e tratar do pr6prio pes- cogo, ameagado de degola pela justiga eleitoral, credenciando-se a algum favor do Palicio do Planalto contra a cassa- glio do seu mandate. Coer~ncia, mesmo, s6 a do PFL: ex- cluido do governor, votou macigamente contra o governor. Niio importa quem governe. O PFL 6 sempre governor. Minha geragilo evoluiu lentamente para a defesa de uma tese que consider fun- damental para o melhor fun- cionamento do regime demo- crtitico e mais qualidade na vida dos cidadlios: a conces- sito de poder de policia ao Minist~rio Pliblico, que deixa- ria de ser apenas o donor da a~go penal para ser, tamb~m, promoter das investigagies na apura~gio dos fats delitu- osos. Inicialmente, nosso modelo era o americano. De- pois, sobretudo a partir da opera~gio "mlios limpas", trouxemos esse modelo para mais perto de n6s, atrav~s do exemplo italiano. Desde 1988, com o funda- mento no texto constitutional, essa aspiraglio se tornou rea- lidade: o MP tem tido atuaqio destacada na repression ao crime. Cometeu muitos erros, alguns primirios, no desempe- nho das novas prerrogativas, mas o saldo do seu ingresso nas investigagies criminals 6 altamente positive. Sobretudo porque o maior destaque foi no combat ao crime organi- zado, das quadrilhas de trafi- cantes aos homes de colari- nho branco, que enriqueceram B base do assalto aos cofres pdblicos e tendo como esti- mulo a impunidade. Sera uma frustraglio hist6- rica ver esses novos poderes serem cancelados menos de 15 anos depois de terem sido avalizados pela Constituiglio. E isso em pleno governor do PT, chefiado por um ex-ope- riiio, no memento em que o Supreme Tribunal Federal, o Arbitro da question (agendada para agosto), 6 chefiado por um ex-politico e advogado, o gaticho Nelson Jobim. A premissa 6 de que a in- vestigagilo cabe B policia, res- tando ao MP exercer seu pa- pel na fase judicial. Ou seja: o Brasil voltarti B situaqilo prC- 1988, sem que haja sido ne- cessirio p~r abaixo a Consti- tuigio. E verdade que nito hBi uma definiglio clara de com- petincia entire a policia e o MP sobre o Ambito de cada inves- tigaglio. Mas justamente por isso, ambos investigando, as defici~ncias mdituas tam sido supridas em proveito dos in- teresses da sociedade. A de- fici~ncia do aparato policial, comprometido por d~cadas de prtiticas e estruturas viciadas, 6 compensada pela energia e os recursos do MP, cujas fa- lhas, sobretudo por excess de confianga e exagero nas con- clusdes apressadas, podem ser corrigidas pela maior ex- peri~ncia policial. O fim do monopdlio da po- Ifcia, matriz de suas distorgies, sem criar um monop61io do MP, mesmo com essa tendin- cia se manifestando (e a exi- gir as devidas correF6es, atra- v~s de control externo), 6 um fato salutar, que os castrado- res e censores do MP viio anular, se seus impetos repres- sores niio forem contidos a tempo pelas representaqdes mais hlicidas da sociedade. E ainda hB tempo. JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal Posi~~es reais Unidos com uma Gnica refinaria. Esses neg6cios estlio oferecendo rentabilidade muito menor do que a alcangada pela CVRD no Brasil, mas a ex-estatal pode ter encontrado mais resistincias e difi- culdades do que imaginava na sua ex- pansito para os novos neg6cios a partir da base brasileira. Precisa dos merca- dos aos quais a Noranda tem acesso, mas, sobretudo, da cultural da empresa, do seu know-how nesses segments especifi- cos da mineraglio. Aldm disso, a compra do control aci- onririo da Noranda, atualmente em po- der do grupo Brascan (com investimen- tos desde muito tempo no Brasil), colo- car8 a Vale dentro do mercado america- no de aluminio, abreviando-lbe um cami- nho que poder6 ser long e cheio de per- calgos por outras vias. Se as noticias so- bre a transaglio se referiam a 3 bilhdes de d61ares como o valor dos 42%/ do ca- pital da Noranda, que o Brascan quer receber, com um premio de 40%, 6 por- que estj em causa mais do que os ativos da empresa canadense. E o seu valor estrat~gico que a CVRD visa. E se esse movimento 6 ditado por ponderadas anri- lises e projeqbes, isto significa que a Vale, atualmente em quarto lugar entire as mai- ores mineradoras, pensa nito no terceiro lugar, mas jB no segundo, abaixo apenas da Anglo-American. Por enquanto. Os analistas reprovaram e o valor das aq~es da empresa brasileira caiu na bolsa, mas a operaglio de compra da canadense Noranda pela Companhia Vale do Rio Doce, anunciada na semana retrasada, nito retro- cedeu. A transagilo envolve risco e talvez seja mais motivada porimpulso de grandeza do que por uma rigorosa avaliaglio, mas a desaprovagio pode ser mais resultado da estreiteza dos t~cnicos do setor financeiro. Pela 6tica do mercado de agies, a pri- meira grande aquisiglio da CVRD no ex- terior, da qual resultarti a maior diversifi- caqilo que a companhia ter8 realizado fora das fronteiras nacionais, poderit acarretar perda imediata para os investidores de papdis. Mas o movimento da Vale tem um objetivo de mais largo prazo e maior am- plitude. A empresa quer se tornar, em ou- tras greas da mineraglio, tiio important quanto no segment de mindrio de ferro, no qual 6 a Ifder, responslivel por um quar- to docom~rcio international. Para a Vale, talvez o maior important na Noranda seja o dominio que a multina- cional canadense possui nas duas ativida- des minerals para os quais a Vale estj se direcionando, a produglio de cobre e de niquel, e para a inddistria na qual pretend crescer, a do aluminio. A Noranda 6 dona de minas dos dois mindrios no Canadli, no Chile e no Peru, e responded por 15% das necessidades de aluminio dos Estados itevol1ugao a port Como quase sempre acon- tece, o governor est8 se propon- do fazer uma revologilo sem aparelhar-se adequadamente para realiz8-la. A revolugio atende pelo nome de Cadastro Nacional de Im6veis Rurais. Em tese, ele ji existe. Na pr8- tica, pordm, 6 como se nio existisse. O atual cadastro 4 um amontoado de dados e nd- meros reunidos com base em atos declarat6rios. Quem de- clara 6 o donor do imcivel rural. Niio poderia ser de outra for- ma. O problema C que o que esse proprietirio declara pra- ticamente nito pode ser confe- rido. E, mesmo podendo ser conferido, o resultado 6 pouco mais do que literature. Palavras e nada mais do que palavras. O que o Incra (Instituto Nacional de Colonizagilo e Reforma Agrtiria) pretend 6 fazer os im6veis rurais pousar no chilo. Isto 6: as describes das propriedades terilo que ser geo-referenciadas, atravis de posiglio real no campo, perfei- tamente descrita e conferida por satilite, atravbsde umapa- relho com essa capacidade, o GPS (Sistema de Posigio Glo- bal, em inglis). Todos os im6- veis rurais tertio que tender a esse novo cadastramento at6 31 de outubro do pr6ximo ano. O primeiro cadastramento tem 30 anos. O recadastramen- to, que o atualizou, 6 de 1992. Mas essa base documental 6 de pouca conflanga. Os t~cnicos do Incra dizem que dos 4 mi- lhdes de propriedades rurais brasileiras, 1,5 milhilo nito po- dem ser plotados por falta de informagdes. Com o novo ca- dastro, baseado em realidade ffsica e niio em suposigio geo- grifica, o Brasil faril uma re- voluglio, embora seu significa- do diga tudo sobre o tamanho do nosso atraso: pauses do pri- meiro mundo sabem onde fi- cam exatamente os seus im6- veis rurais hti tris sdculos. Se tudo correr bem, se os proprietirios cumprirem sua obrigaglio (sob pena de fica- rem com imbveis sem valor legal), O Incra sera inundado por milhaes de informagdes para processar atC que o ca- dastro seja uma base utilizj- vel, uma verdadeira ferra- menta de trabalho para to- dos os interessados. Mas o Incra tem estrutura para res- ponder a esse desafio? O 6rgilo mudou pouco desde que ficou mais conhecido como "Incravado". A revo- luglio, portanto, pode bater na porta do governor e ficar do lado de fora. Jornal Pessoal 2" QUINZENA jUNHO DE 2004 Qu~and0f chou ocontrato de energia com a Alumar, a fribrica de aluminio da Alcoa com a BHP-B em Stio Luis do Maranhilo, a Eletronorte anunciou que os 800 MW comprometidos lhe proporcio- nariam receita de 4 bilhdes de d61ares durante os prbximos 20 anos. Em an~in- cio divulgado atrav~s da imprensa, na semana passada, a Eletronorte se refere a US$ 3,6 bilhoes por 750 MW m~dio de energia fornecida. Qual 6 o ndimero certo, final? O da propaganda ou o da noticia? A prop6sito: n~io caberia ao MinistC- rio P6blico Federal solicitar c6pia dos dois contratos, o da Alumar e o da Al- brgs, para examiner? Stio US$ 7 bilhdes (ou US$ 7,4 bilhdes, conformne a infor- maglio anterior) envolvidos. S6 essa di- ferenga, de US$ 400 milhaes, ji com pensava o interesse. 5 D EEMPENH Em abril o ParB teve o quarto maior crescimento industrial do pafs, junto com Espirito Santo, que em ambos os Esta dos foi de 6,2%. O primeiro lugar foi do Amazonas, com mais do dobro, ou 13,8%. Stio Paulo ficou no segundo lu- gar, com 10,7%, e Santa Catarina com o 3o, de 10,3%. DB para comemorar, mas nito muito. Primeiro, porque esse indice se aplica, no Pard, sobre uma base muito menos ex- pressiva do que a estrutura industrial dos demais Estados do ra~nkinlg. Em segun- do lugar, porque a mddia national em abril foi de 6,7% de crescimento. O desem- penho paraense, portanto, esteve abaixo do crescimento industrial do pafs. CVRD maior: 6 /UNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal A renovagilo dos contratos de forne- cimento de energia dos dois maiores con- sumidores individuals do pafs, as fibri- cas de aluminio da Albrtis e da Alumar, apesar de somarem sete bilhies de d61a- res (ou mais de 21 bilhaes de reais) em 20 anos (US$ 350 milhbes ao ano), pou- co interesse provocou na grande impren- sa national. Houve noticias, mas as pB- ginas dos jornais permaneceram pratica- mente virgens de andlises. A mesma regra de desinteresse estli se aplicando B renovaglio dos contratos de energia para o suprimento de metade do consume de Manaus, a maior cidade da Amaz~nia. O valor do contrato 6 ain- da maior: alcanga 10 bilh6es de d61ares, embora o volume de energia seja inferior ao demandado por Albrtis e Alumar (525 megawatts m~dios contra 700/800 MW no caso das metallirgicas de aluminio). A Manaus Energia, subsiditiria inte- gral da Eletronorte, poderia simplesmen- te tentar a renova~glo do atual contrato com a El Paso, que lhe fornece 400 MW (metade a veneer no pr6ximo ano e a outra metade em 2006). Mas, como ocorreu em rela~gio is duas indlistrias de aluminio, preferiu abrir licitaglio. Ale- ga que esse 6 o caminho legal e mesmo mais apropriado. Apesar de 76 empre- sas terem se interessado pelo leillio e 17 delas terem apresentado propostas concretas, a El Paso, que jB estil no lo- cal e realize o fornecimento hit sete anos, deverdi ser a vencedora. A multinacio- nal americana, por~m, niio parece estar certa disso. Tanto que recorreu A justi- ga para impedir que o leillio se consu- me. Teme estar sendo deslocada. Caso essa suspeita seja verdadeira, o afastamento da El Paso visaria mudar completamente a political de abasteci- mento de energia a Manaus, com des- taque para o p6lo industrial, que respon- de por quase metade de toda a deman- da da capital amazonense. Ou seria cri- ada para favorecer algum concorrente, ainda nlio identificado? Tratar-se-ia de uma efetiva political pliblica, ainda que niio assumida formalmente, ou um jogo de bastidores? E dificil dar uma resposta convin- cente diante da falta de informaqdes completes. O suprimento de energia a Manaus encontra-se numa situaqlo prectiria e delicada no memento, mas pode experimentar uma autintica re- volu~gio nos pr6ximos anos. O primei- ro grande fator de mudanga 6 o ingres- so do gas natural, transportado a par- tir de Urucu (ou, no future, de Uatu- mit tambdm). O segundo C a interliga- glio de Manaus ao sistema integrado national, atrav~s de um linhilo de 1.400 quil8metros com origem na hidrel~tri- ca de Tucurui, que poderia entrar em opera~gio entire 2007 e 2008 (ao custo de um bilhilo de d61ares). Com essa nova linha, Manaus se tor- nardi um ponto de conexiio entire a bacia do Tocantins/Araguaia e a do Orenoco. A Venezuela jB fornece energia para Roraima, em quantidades minimas, com- parativamente ao potential da hidrel~tri- ca de Guri, a maior do memento atd que a usina das Tris Gargantas, na China, alcance sua pot~ncia m~xima. Serfi mesmo uma revoluglio para uma cidade que dependia de uma hidre- 16trica que se tornava crescentemente insuficiente, como a de Balbina, apesar de seu custo de um bilhlio de d61ares, e de velhas t~rmicas a diesel. Para o pafs tamb~m, jB que a Amaz~nia, com seus sistemas isolados e deficittirios, conso- me 70% da Conta de Consumo de Com- bustivel, contribuiCio national compul- s6ria que subsidia com R$ 3,3 bilhaes ao ano esse vermelho orgamentirio. Por isso mesmo, convinha iluminar me- lhor o centirio para entendC-lo melhor. O que niio acontecerti, se dependermos da grande imprensa. BAUX TA A corrida i bauxita da Amazinia pa- rece que vai ter um no0vo participate: a Rtissia. Induistrias de aluminio da extinta Unitio Sovi~tica estariam se associando a Mgrio Garnero, do Brasilinvest, visan- do uma das jazidas do mindrio na regitio. Nho est8 descartada a possibilidade de associaglio com a Alcoa, dona de dep6- sitos de Juruti, no Para, que estj dando partida a um projeto de quatro milhoes de toneladas.. FEITO Diogo Mainardi (83 car-tas), demisslio de Jorge Kajuru da TV Bandeirantes (71), os rem~dios h base de estatinas (51), o uso de jatinhos (35) e a escritora Lya Luft (31). Os editors da quinta maior revista semanal do mundo estlio de parab~ns: g forga de tantos cosmiticos jornalisticos, conseguiram alcangar o que Francis Fukuyama nlio conseguiu. Ou seja: aca- bar com a hist6ria. Quem li Veja ganha uma bolha de proteglio contra aquele tipo de assunto que constitui a mat~ria pri- ma das verdadeiras decisaes, mas que chateia e perturba o c~rebro. Ou preju- dica o penteado. RET RATO A Delta Publicidade publicou antincio, na semana passada, comunicando a seus acionistas que os documents relatives is demonstrates fmnanceiras do exercicio de 2002 e os relat6rios da administra~gio jB estavam disponiveis, na sede da empresa, para serem consultados e copiados. Duas dedugoes do antincio. A primei- ra: a paz ainda nito voltou B sociedade, controlada pelos sete irmlios Maiorana e a mile, D~a. A segunda: jil estamos na metade de 2004 e uma das mais podero- sas corporaqdes do Estado ainda est8 cumprindo as obrigagies societtirias re- lativas a 2002. Esses fats nito contribuem para melhorar a imagem do poderoso grupo Liberal . CA LMA A julgar pelo flagrante publicado em todos os jornais, o senador Eduardo Su- plicy, do PT, beijou o nariz da senadora Heloisa Helena, ex-PT, que, por sua vez, osculou-o no queixo, na cena romintica documentada pelos fot6grafos de plan- tilo no Senado, no dia 9. Mais um pouco de treino e os dois acertam onde devem. S* A o comprometedor LIVROMANIA Outro dia o Jornal do Brasil anunciou, em pagmna inteira, a cria- gio do seu Clube do Livro, formado exlsvmneprasnneoe recendo 12 livros com pregos pro- mocionais. S6 um deles tinha seu autor mencionado. A venda dos de- mais era feita com apelo a um filme inspirado no mesmo tema ou a um fato da imprensa. E~a versito adaptada do modis- mo de tempos atris, quando pesso- as compravam as inefilveis cole- 95es por centimetragoem, para ocu- par lugares previamente assinalados em estantes decorativas. Ao inv~s de coleqaes, agora o preenchimen- to dos espagos 6 h base de tijolagos in-folio. Nesse caso, autor para que? Nin- gudm vai ler mesmo. Livro 6 para decorar e citar, ora pois. VICENTE Com a X Jornadra do Conlto Po- pular Paraense, qlue tem Nicode- mos Sena como narrador, Vicente Salles langou sua 40a microedi~gio do autor, em 16 anos de existincia des- sa preciosa sdrie de livros artesanais, preparados com carinho e rigor por esse incansivel intellectual. Como o pr6prio nome diz, sao publicapies escritas por Vicente, na maioria das vezes, ou por ele editadas, como no caso das 10 jornadas dedicadas is narrativas populares. Aos 73 anos, Vicente demonstra uma vitalidade excepcional e uma de- dicaqilo her6ica B produplio do co- nhecimento na e para sua terra. E um absurdo qlue uma de suas mais importantes obras, a ediglio revista, atualizada e ampliada de Mlisica e Md'sicos no Pardi, publicada origi- nalmente em 1971, que C uma au- tantica e rara enciclop~dia musical, permanega nos manuscritos por fal- ta de quem se disponha a lan~g-la. Infelizmente, esse trabalho de fi~le- go niio cabe nos prop6sitos das mi- croediSges vicentinas. Longa vida lhe desejamos. E um mecenas digno do nome para a cultural paraense. LIVRARIA A cultural paraense est8 mais rica: voltou B plena atividade a Livraria Jinkings, atualmente a mais antiga de Bel~m. Longa vida para essa obra admir~vel de Raimundo Jinkings. Jornal Pessoal 2 QUINZENA JUNHO DE 2004 Com a morte de Leonel de Moura Brizola, aos 82 anos, o getulismo chegou ao fimn, meio s~culo depois da morte do patrono desse pensamento (e dessa pri- tica) nacionalista. Foi a maior contribui- glio dada pelo Rio Grande do Sul h repi- blica brasileira. Padeceu desse mal de origem, na forma de um caudilhismo que foi se distanciando da realidade national. Mas trouxe consigo esse patriminio bem gadicho: a dedicag~o i causa, com cora- gem e integridade. Niio surpreende que seja tiio contradit6rio. Mas 6 uma didiva que tenha sido tiio persistent. Brizola conseguiu quase tudo na vida. Talvez tenha sido o mais marcante de todos os governadores do Rio Grande do Sul. Certos erros e exagoeros, que podem facilmente ser langados na conta de sua impetuosidade de joyem (ou da sua ob- sesslio de velho), foram superados por uma marca nito igualada at6 hoje: a aten- Slo que deu g educaglio. Em todos os municipios gadichos Bri- zola plantou uma escola, consci~ncia cri- ada por sua pr6pria biografia e por sua sensibilidade pelas criangas. Foi se refe- rindo a elas que abriu seu histbrico pro- nunciamento radiof~nico de 1961, quan- do, a partir do Pal~cio Piratini, em Porto Alegre, assumiu a lideranga national con- tra o golpe military, que entlio foi tentado e abortado, para renascer vitorioso em 1964, fruto maior dessa erva daninha que tem sufocado a democracia brasileira. Cumprido seu mandate, Brizola era um herdi do Brasil. Tornou-se o deputa- do federal mais votado da histbria do pafs nlio no seu Estado natal, mas na entio Guanabara (hoje Rio de Janeiro), que governaria por duas vezes, numa 6poca em que o Rio ainda niio fora reduzido a um gueto de mediocridades political. Privado da legend de Getlilio Var- gas, o PTB, Brizola criou e conquistou por inteiro um novo partido, o PDT, sua arma para se manter no topo da politi- ca, mesmo sem mandate. Fez o que pade para realizar a maior de suas ambiS~es, que era chegar g presid~ncia do pafs. Cortej ou todos que podiam lhe abrir ca- minho, do general Jolio Figueiredo a Fernando Collor de Mello, no fundo, como todo caudilho, convencido de que o poder pode-se (ou deve-se) conquis- tar por uma manobra de astdicia, por conchavos e deliberaqaes. Foi essa a sua maior frustra~gio. Ten- do uma vida tito agitada e intense, Bri- zola perdeu muito tempo. Quando esta- va em condigaes de aspirar ao poder total, as condigaes obj etivas do Brasil j ii lhe eram adversas. O tempo lhe cobra- ra um alto prego: o Brasil mudou e ele continuou o mesmo, indiferente B reali- dade. Nem por isso perdeu a postura, o brilho, o fascinio. Felizmente, carisma ainda nito 6 um produto de laboratbrio de marketing. De certa forma, a trajet6ria de Bri- zola se assemelha i. de Lula, sem dei- xar de ser-lhe a contrafadio. Foi meni- no tao pobre nos pampas quanto Lula no agreste nordestino. Brizola, por~m, nlio se curvou nem se acomodou is di- ficuldades. Estudou muito. Acabou se formando em engenharia. Continuou a estudar e a trabalhar. Multiplicou o pa- triminio que recebeu para administrar quando casou com Neusa, irmli de Joio Goulart. Nenhum patriminio foi mais examinado pela inclemincia de inquisi- dores. Mas Brizola escapou quase ileso a todas as investigagaes (A dos gene- rais, mas nlio ao de certa imprensa, que dispensa de provar as conclusaes a que chega). Niio era um santo, mas niio era um ladrilo, nem, dito de forma mais di- plomitica, um aproveitador do patrim8- nio pdiblico, como grande parte dos polf- ticos brasileiros. Destacou-se como administrator pela prioridade conferida B educa~gio, a conventional, em terras gatichas, e a ino- vadora, no Rio de Janeiro, quando se as- sociou a Darcy Ribeiro. Queria dar a todas as criangas, sobretudo is pobres, que ele e Lula foram, a oportunidade de estudar, aprender e conquistar um lugar melhor na vida. Que esse melhor lugar niio se tenha traduzido, para Brizola, no cargo mais alto da carreira political, serve de moral nada edificante no memento em que o pais 6 governado por um home tilo talentoso, carismlitico e bom quanto Luiz Inicio Lula da Silva, definitivamente convenci- do que nito precisa acrescentar a esses dons naturals nada mais para governor uma na~gio como a nossa. Brizola leva consigo essa frustra- glio e deixa conosco saudade, admi- ra~gl e melancolia. E um pouco de frustragilo, tamb~m. 0 fimn de Brizola e a m~oral erversa 8 JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jorrilli PeNsoul Ecluso Em seu oportuno artigo "Eclu- sa: nunca mais", informa uma ci- fra de 300 milhdes de d61ares como incremento de renda a cada mas, com exportaglio. O valor se refere i estimativa onde nos ba- seamos, de que, havendo um es- coamento de soja de Mato Gros- so cerca de 10 milhdes de to- neladas existe uma possibilida- de de se utilizar o transport hi- drovidrio at6 Vila do Conde em contraposiglio ao atual rodovitirio at6 Paranaguri, levando a uma re- duglio nos custos deste transpor- te de US$ 70 para um estimado de US$ 30 a 40 por tonelada transportada. Niio observe o fato de, a razlio de se navegar em di- reptio ao equador, hii um ganho no frete maritime da or-dem de 3 a 5 d61ares, fato que certamente irli beneficiary o exportador de soja brasileira daquela regilio. Sem ddvida, na minha opinitio, este prjeto Co maisestratesse, que o pafs temn, quando se conside- ra que a navegaglio integral do sis- tema Araguaia-Tocantins tem a propriedade singular de integrar toda a regilio amaz8nica ao Cen- tro-Oeste e ao Sudeste do Brasil. Espero que aproveite suas me- recidas f~rias. Um abrago. Luiz Carlos Monteiro MINHA RESPOSTA A grande conitribuigdo da Cosipar com2 a primleira expor- tagd~o de gusa por Vila do Con- de, foi colocar o debate sore as eclusas eml novo eixo, mauis prd- ximo de necessidades prditicas e urgentes, ao m~esmo tempo qlue romzpeu o m~onopd6lio decisdrivo eml poder do governor federal. Mo- nopdlio qlue sd temt servid~o para postergar uma solugl~o para a interrupgd~o da nlavegaCLdo no Tocantins, que podleria se esten- der por uma extensd~o de mlais 700 quildmetros. Espera-se qlue os paraenzses voltemi a refletir comt lucidez e dleterminagd~o so- bre o temza. Quanto bs '~firias", carol Oiz Carlos, servird~o para carregar pedras, enquanto a cruz ndo volta. Desejo qu~e julhzo seja mlais leve aos mzeus leitores. Atd' agos- to, se tudo der certo. A Cosipar (Companhia Siderdrgica do Parti) fez uma festa para comemorar, no dia 18, oprimeiro embarque, feito por um porto paraense, de mindrio de ferro paraense (da Serra dos Carajiis), ligeiramente beneficia- do, na forma de ferro-gusa. O ministry dos transportes e o governador do Estado esti- veram presents ao ato, em Vila do Conde. Para que as 20 mil toneladas de gusa pu- dessem ser exportadas, caminhdes tiveram que fazer mil viagens entire Marabli e Be- 16m, algo inusitado para o transport de um tipo de produto, como a gusa, por uma dis- tincia de quase 500 quilbmetros. Na mesma Cpoca, mas do outro lado da Amazinia, a empresa Hermasa Navega- glio, do grupo Maggi (do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, maior planta- dor individual de soja do mundo), anunciou a duplicaglio da capacidade do terminal flu- tuante de Itacoatiara, no vizinho Amazo- nas, um dos principals corredores de ex- portaglio da soja produzida no Centro-Oes- te, atrav~s do rio Madeira. O terminal, que foi construido principalmente com recursos pdblicos (do governor amazonense e do BNDES), 6 operado por uma empresa pri- vada. A ampliaglio vai consumer quase 43 milhdes de d61ares, mas o grupo Maggi s6 entrarti comn US$ 8,6 milhaes. O BNDES lhe repassardi US$ 34,1 milhdes do Fundo da Marinha Mercante. Assim, o terminar graneleiro vai poder movimentar um milhlio de toneladas adicio- nais por ano. Isso significa que, para aten- der a esse acrdscimo, sedio feitas mais 20 mil viagens de caminhio (20 vezes a faga- nha realizada pela Cosipar) pela BR-364, entire Cuiabli e Porto Velho. Na capital de Rond~nia a soja 6 colocada em barcagas e levada at6 Itacoatiara. Parte da carga C re- embarcada para o exterior in natural, en- quanto outra parte C esmagada no local e sai semibeneficiada. Essa 6 a nova escala da Amaz~nia dos novos senhores. Nilo existe tema saturado para um grande jornalista, que, ao abordli-lo, sempre encontra detalhes nho percebidos por seus antecesso- res, informagies que ningudm tinha, Aingulos nunca antes experimentados. O grande jorna- lista C testemunha dos fats que relata. Viu, ouviu ou conviveu com os principals persona- gens. Aduz a informagdes obtidas de outras fontes o que viu com seus pr6prios olhos, in- tuiu com sua intelig~ncia, aprofundou comn sua experi~ncia. O saber especifico de um grande jornalista, que o distingue de qualquer outro professional, 6 produto de malicia, que a soma do cotidiano proporciona. Este 6 um dos mais fascinantes caminhos para se chegar g hist6- ria. Um caminho privative dejornalistas na ple- nitude de seu oficio. Flivio Tavares 6 um grande jornalista. Seu livro O dia emz que Getlilio mzatou Al- lende (e outras nzovelas do poder), publi- cado pela Editora Record (333 pliginas), 6 original desde o titulo. E saboroso por re- constituir, a partir de perspective absoluta- mente in~dita, acontecimentos que jik acu- mulam bibliografias imensas. Quem pode- ria depor sobre o suicidio de Gettilio Vargas, no dia 24 de agosto de 1954, relembrando a conversa tida na China comn o entlio sena- dor socialist Salvador Allende, depois pre- sidente do Chile, tamb~m obrigado a se sui- cidar por um golpe military, que, no caso do politico brasileiro, jii em reprise, nem che- gou a se consumer? O testemunho sobre Gettlio, Fliivio o dit com base numa audiencia inusitada que conseguiu do president, dois meses antes do suicidio, quando tinha 20 anos e era dirigente estudantil no Rio Grande do Sul, terra natal de ambos. Por que o todo- poderoso Vargas cederia 40 minutes do seu precioso tempo a um ilustre desco- nhecido? Niko s6 para furar o bloqueio dos Aulicos palacianos e ouvir o que os estu- dantes propunham para a reform univer- sittiria, mas porque o president jii nito tinha ilusies sobre o que o esperava logo ali em frente. Jil que niio podia escapar ao seu destiny, em complete solidito, ape- sar de todo o poder, por que nito conver- sar com o desconhecido? Talvez tivesse a iluslio de escapar, nem que fosse por 40 minutes, do circulo de paixies que o estava asfixiando. A descrigilo que Fliivio Tavares faz da solidiio do pequeno grande home, visto do alto de um apartamento do Hotel Novo Mundo, bem ao lado dos funds do Palticio do Catete, por cuj o j ardi m Gettilio caminha- va lentamente, fumando seu charuto, pen- sando e usufruindo o lado prazeroso de uma solidflo que jik entlio lhe subia como fel, 6 um dos melhores mementos produzidos pelo jornalismo brasileiro nos liltimos anos. O an- tagonismo que separava o estudante de 20 anos do politico de 71 desapareceu. Hoje, o ex-militante de esquerda e ex-exilado po- Iftico Fliivio Tavares 6~ um serene jornalista de 73 anos, capaz de analisar com maior sabedoria e escrever com maestria. Um grande jornalista. Grandezas amaz~nicas O1 rande Jonht V11U1J C Jornal Pessoal 2 QUINZENA JUNHO DE 2004 9 C r. Jj se foi o tempo em que eu gosta- va de festas juninas. Elas se foram da minha prefer~ncia nao por represen- tarem um Brasil caipira, que precisa ser enterrado pelo Brasil modern, ou p6s-moderno. Tamb~m nito gosto mais de carnaval e nem por isso estli em causa dentro de mim o arcaico ver- sus o atualizado, uma luta entire o mau gosto e o refinamento. Assim, nito me causou nenhuma es- tranheza que o president Lula tenha decidido (se 6 mesmo que decidiu) con- vocar uma festa de arraial para co- memorar os 30 anos de casado, na Granja do Torto, em Brasilia (esse Torto bem qlue podia inspirar um novo livro de Haroldo Maranhilo). O que me provocou urticjria niio foi o Stio Joho de Lula como sfmbolo do lado inge- nuo, primitive e sem glamour deste imenso Brasil, mas as interferencias maneiristas de algum marqueteiro, que transformou uma festa bem nossa num angu danado, de caropo. Por que o convite aos 120 privile- giados (embora nem tanto: quase um tergo deles faltou, inclusive o candi- dato potential a chefe de quadrilha - junina, claro o ministry da Casa Ci- vil, Jos6 Dirceu) tinha que lhes impor o traje a cartiter? Por que os casais tinham que ir dirigindo os seus pr6- prios carros? Por que levar comida de casa (e por que niio acrescentar as bebidas, estas sintomaticamen- te ou nito fornecidas pelo gover- no)? Por que a imprensa nLo teve acesso ao arraial improvisado? Por que dar is bodas de pdrolas do pri- meiro casal um ar de convescote privado dentro da Cidade Proibida, como se Lula tivesse incorporado o verdadeiro Mao, do qual apenas re- centemente ficamos conhecendo a verdadeira face? O Brasil up-to-date manifestou seu horror ao espetticulo de cafonice pe- las miios de Danuza Lelio, que escre- veu um artigo arrasador sobre os aten- tados cometidos g etiqueta e is boas maneiras pelo casal petista e sua trou- pe junina. Mas Danuza s6 tem razio a partir de uma premissa: a de que suas opinides nito sho puro preconceito. No entanto, ela destilou um preconceito burro (redundincia). Podia ser pre- conceito sensorial e, nesse caso, niio cabia interferir nos instintos de Danu- za. Mas ela quis conferir legitimidade intellectual ao seu cometimento e por isso foi buscar inspiragao em Montei- to Lobato, como se o conhecesse de fato. Segundo Danuza, oarraial da Gran- ja do Torto transmitia ao mundo a ima- gem do Brasil como um pais de jecas- tatus, de caipiras, de ignorantes. Tal- vez porque de Monteiro Lobato Da- nuza saiba o que ouviu dizer, sua ob- serva~gio 6 um desrespeito ao concei- to que o escritor paulista foi estabele- cendo ao long do tempo, desde a pri- meira visito, rtistica, at6 a constata- glio, mais elaborada, da alta maturi- dade, quando combinou sua atividade intellectual com a de emprestitio e 11- der de campanhas. Monteiro Lobato percebeu que o home passive com o qual convivia no interior de Stio Paulo era produto niio de uma eugenia as avessas, de uma fatalidade gendtica ruinosa, mas das condiq6es socials de vida. Da conde- naglio ao atraso evoluiu para o com- bate is causes do atraso. Danuza, que nito deve ter lido o primeiro Lobato, sobre o qual ditou regras, provavel- mente leu o dobro disso do Lobato da maturidade, para ela um ilustre des- conhecido. Seu jufzo categ6rico e de- sinformado atesta a vacuidade e a le- viandade de algumas das nossas ditas melhores elites. Gente maravilhosa, desde que nito trate de Brasil. Felizmente, algumas realimentam a confianga no Brasil. Como um certo Euclides da Cunha. Ele foi "cobrir"para o journal O Estado de S.Paulo o cer co a Canudos, no sertlio baiano, com parte das iddias que Lobato tinha sobre os jecas tatus das vizinhangas da sua fazenda, em Tau- bat6. No caminho entire Salvador e Monte Santo, Euclides reviu e refez tudo, nito com base em releituras ou quetais, mas por puro instinto. O puro instinto que distingue o verdadeiro gB- nio, como Euclides, do grande intelec- tual, como Monteiro Lobato. E de uma mulher linda, como Danuza. Ainda bem que sobre eles a bela Danuza Leiio niio destilou seus pre- conceitos de pobre instinto. Scaipira e a preconceltuosa Os livros do professor Cl6vis Moraes Rego poderiam caber muito bem em um tergo do espago que ocupam. Essa 6 uma critical flicil que se pode fazer ao seu hfi- bito latifunditirio de se estender demasi- adamente no seu texto e nho ser rigoro- so na sele~gio dos temas que pesquisa. Mas essa evidence falha nao 6 o que mais importa na abordagem da obra do queri- do "Coc6", o carinhoso apelido que the deram os amigos, um tanto descasado da biografia de quem jil foi quase tudo na vida pliblica paraense, sem ter feito mui- ta forga para conquistar postos, inclusive politicos, que talvez nem tenha visado. Ou algu~m consegue imaginar o doutor Cld- vis cabalando votos nas baixadas? O que importa 6 a aplicaglio francis- cana de Cl6vis Moraes Rego B pesquisa e a invejilvel energia que o leva a escre- ver um livro depois do outro, indiferente- mente ao avangar dos anos e o acumular de problems. Seu mais recent traba- lho, De Camnpos Ribeiro, o poeta mai- or qlue Belimn perdeu, repete virtudes e defeitos de sempre. E, como sempre, o ex-governador nos surpreende com sua vitalidade, deixando idisposigio dos se- paradores da escumalha do saber uma vasta matiria prima para reelaboraglio. Esse De Campos mais velho nito foi um grande poeta, nem mesmo maior do que o De Campos mais joyem, que tinha maior intimidade comn os verses (e com o viollio). Niio foi sequer um destacado cronista. Teve fama imerecida no seu tempo, apesar do valor como jornalista. As ligrimas que o autor do ensaio verte por ele pecam pelo excess de generosi- dade. Mas justamente at comega a mai- or virtude de Cl6vis Moraes Rego: ele incorpora por inteiro a quem estuda e atri- bui-lhe o que vai al~m dos m~ritos do bi- ografado. Por isso mesmo renovando o cr~dito do autor junto aos que, a esta al- tura da vida, ficam felizes apenas por va- lo em plena atividade, tentando ainda ser titil g sua terra. 9e P o prefeito (por ele nomeado) Almir Gabriel, feliz ao teste- munhar a entrega de um titulo de terras, uma das p~rolas da political clientelista paraense. Para nio se ver obrigado a repetir a cena, Almir, 20 anos depois, abandonou a nau tu- cana que parte para a conquis- ta da prefeitura de Belim. Com Jader, nunca mais? Saudade Em julho Edwaldo Martins completard um ano de morto. Sua presenga, por~m, ainda 6 muito forte. T~io forte que seu lugar permanece vago. Um vazio do qual se vale a desastrada iniciativa de criar uma associaghio de colunistas socials, estandarte atris do qual deverhio abrigar-se pessoas desqualificadas para exercer o oficio. Edwaldo rejeitaria a simples iddia. Jg o sindicato da catego- ria devia agir para impedir que essa atividade t~io delicada fosse ocupada por n~io-jornalistas, que a transformaram em simples co- m~rcio. Seria uma boa maneira de preservar a memdria do maior JUNHO DE 2004 2" QUINZENA Jornal P'essoal FOTOGRAFlA HE 20 O governador Jader Bar- balho, quase na metade do seu primeiro mandate, comanda, em 1984, a campanha (que seria vitoriosa) de Fernando Coutinho Jorge para a prefei- tura de Bel~m, pelo PMDB. No mesmo palanque, B sua esquerda, depois de Coutinho e de Fernando Velasco, em primeiro plano (e Mariano Klautau ao fundo), o secre- tirio de planejamento do Es- tado, Simio Jatene. Simio ainda acompanharia Jader nos minist~rios da reform agrdria e da previdencia, an- tes de debandar para o ninho tucano, no qual se abrigou para acabar chegando ao mesmo lugar que Jader por duas vezes. E agora, exata- mente 20 anos depois desta cena, restabelecer a alianga political com ele, que ji pare- cia invijvel. Coisas do zigue- zague politico. Nunca O palanque 6 o mesmo, mas nele o governador Jader Barbalho divide o espago com ,- a dos colunistas socials do ParB em todos os tempos e defender os bons profissionais que continuam a labutar na profissao. Este journal homenageia o companheiro e amigo com esta foto qune o flagra ao lado dos amigos Sebastiho Tapaj6s, Billy Blanco e Roberto Jares Martins, o sempre saudoso Bob, tam- bdm jB falecido (11 anos a completar em novembro). Devem estar trocando figurinhas em alguma outra redagio, nao mais na sagrada sala do director de A Provinlcia do Pard, onde a foto foi feita e a noticia era sempre recebida de bragos aber- tos. E os amigos tamb~m, muitos, inclusive os comuns dos dois. PRO PAGAN DA O Haval era aqui "Uma noite no Havaf" ainda nio era a coqueluche que viria a ser al- guns anos depois, mas j8 merecia um andincio por parte do late Clube, como este, para o carnaval de 1965. O baile, que comegaria Bs 23 horas (de verho), seria animado pela or- questra de Orlando Pereira, ainda em plena atividade, comandada pelos fi- lhos do maestro. O traje preferencial era o "tipo do Havaf". As reserves de mesa podiam ser feitas comn os di- retores Colares (fone 5452) e Jos6 de Luca (1773). Beldm ainda era uma aldeia, nada global. i/ i A nIEOwronA Lno Aan ecan don rAIC~A Fa ,A M~AXIMIA SATISFAGAO DE CONVIDIAR Olj SEUS ASSOCIAD)OS E EXMUAS. FAMILIAS PARA COMl YUAS PRE.SENCAS jiBRIHANTAREMU A N'OSSA E EST'A CARNAVALESCA ''TlMA N3ITIE NO HAVAI" NA QUAL FAREMOS A APRESEhTAGAO AO NOS- SO QUADRO SOCIAL DA RAINHA DO CLUVBE, QUE NS RPRSENARANOCONURS D RANH DAS RAINHAS DO CARNAVAL DE 19615. DI1A: 2 E F EREIRO / ~oRGqESTRA: ORLANDO PEREIRA TRAJEI: DE PREFERENCIA TIPO DO RAVAI OU RESERVES DE MESAS: COM OS DIRE~TORES, COLAREtS FONE: 5452 e JOS1B DE LUCA FONE: 1775 --- Carnaval L61io e seu conjunto rea- lizaram, em dezembro de 1962, o "lo Sarau do Penta- grama", durante o qual seria dado o primeiro grito de car- naval, na sede do BancrC- vea, que ficava atris do Grande Hotel (atual Hilton Bel~m). As atraqdes seriam Ntibia Lafaiete, a Rainha dos Mtisicos, e Sebastiho Tapa- j6s e seu conjunto. O show, que comegaria is 22,30, iria atC as duas e meia da ma- drugada, quando viraria car- naval atC o sol raiar. Contrabando Comerciantes de Belim e de outras pragas (que se safram melhor) se revezaram nos lances para arrematar as mercadorias contrabandea- das que a Alfitndega de Be- 16m apreendeu e leiloou, em novembro de 1962. A firma a Severino ficou com um fer- ro de engomar automitico GE, seis pacotes de cigarros americanos de virias mar- cas, duas cameras de at Fi- restone e quatro tapetes de parede. O Caf6 Brasilia comprou quatro garrafas de ufsque Vat-69. Uma companhia im- portadora de Fortaleza, no CearB, arrematou 15 drizias de lengos de seda japonesa e 254 garrafas de uf sque (Grants e Queen Anne). J, B, Pinto, de Belo horizonte, agambarcou 92 vidros de per- fume Chanel no 5 e 63 pares de sand Alias japonesas de borracha. Sapatos As fibricas de calgados Conde e Lisboa avisavam os estudantes, na abertura do ano letivo de 1965, que po- deriam comprar sapatos de suas marcas nas sapatarias Tigre, da Moda, Leho de Ouro, Batista Campos, RM Calgados, Nossa Senhora das Gragas, Pelicano, Uni- versal, A Barateira e Carra- patoso, esta, a 6nica ainda na ativa. Os shopping engoli- ram as sapatarias e a inddis- tria national matou as fibri- cas locals. Costumes Elmir, de 20 anos, e Elcio, de 19, foram press e autua- dos em flagrante pelo crime de terem de perambularem, "completamente alcoolizados, trajando apenas 'short'", pela praga fronteiriga ao Pal~cio do Governo, que ficava onde 6 hoje o Museu do Estado, "num acintoso desrespeito Bquele local". Computador No dia l2 de novembro de 1971 a Burroughs Eletr~nica fez a primeira transmissio de dados por via eletr~nica de Beldm para a entio Guanaba- ra, hoje Rio de Janeiro. A de- monstraqio, que simulou a abertura de uma conta banc8- ria, foi realizada atrav~s de um moderno computador eletr8- nico 3.500", instalado na sede dolINPS, na avenida Presiden- te Vargas. Acompanharam a operaqio, que durou um se- gundo, entire o envio dos da- dos da suposta conta e a con- firmaqio do seu registro no destiny, t~cnicos do Banco da Amaz~nia, da Sudam e de empresas interessadas na no- vidade. O signal seguiu "atra- vis dos fios telef~nicos da Embratel". Um sucesso. Jornal Pessoal 2" QUINZENA JUNHO DE 2004 para forgar a quebra dos prepos do fornecedor brasileiro, que est8 faturando como nunca. As exportaqdes de care cresce- ram quase 70% no primeiro semestre deste ano em compara- glio com igual period no ano passado. Para n6s, que estamos de fora dessa bolha de prosperidade em que a exporta~go se transformou num pafs que manda para fora sua riqueza absurdamente concentrada, a constata~go que fica dessa farsa nio 6 alvissareira. Depois de todas as explica- gBes dadas pelos stores competentes, verifica-se que o boi est8 tendo mais atenglio do que o pr6prio home. Talvez por- que boi se export e o cidadio brasileiro, ao menos aquele que divide (ou, na verdade, cede) espago com o boi no sertio naci- onal, nito se export. Ainda. Ah se tivissemos um Gogol para nos dar um relate profun- do desses serties! O rebanho de Monte Alegre, com menos de 180 mil ani- mais, nho atende nem o consume interno do municipio. Ja- mais lhe permitiu exportar um quilo de carne sequer. Mas motivou o bl~oqueio da Rtissia is exportagaes brasileiras. O pretexto foi o aparecimento de febre aftosa em tres dos 130 animals de uma fazenda monte-alegrense. Mesmo que qui- sesse e fosse um criminoso, o fazendeiro nito teria condigaes de propagar a doenga. Ela foi um incident absolutamente dom~stico, detectado a tempo e remediado de pronto pelas autoridades sanitirias. Como, a despeito de tudo, provocou um incident internacional? O epis6dio se explica pela facilidade de manobras especu- lativas num mundo globalizado pela velocidade de circulaCio de informaq8es, sem que haja tempo para elas serem matura- das e analisadas. Importadores russos aproveitaram o pretexto PERDA A morte de Ray Charles desviou o interesse por outra perda no mesmo dia, a da violonista Rosinha de Valenga. Maria Rosa Canellas, rebatizada por Stanislaw Ponte Preta comn o nome artistic que adotaria, ji estava morta-vida desde 1992, quando, aos 51 anos, sofreu parada cardiac e entrou em coma, da qual nunca mais saiu. Destiny malvado para algu~m tio doce e carinhosa quanto a batida do seu viollio, o melhor que ji passou por mitos de mulher no Brasil. PI IIOP) Um leitor manda dizer que leu, numa edi~go de A Provincia do Pardi de 25 de junho de 1974, que os proprietirios do Palacete Pinho fizeram uma proposta de venda do im6vel ao governor do Estado, que a recusou. Um episbdio a acrescentar na cronologia de fats que levaram ao desabamento parcial da edifica~gio. Conforme o anunciado, este journal nito circular em julho (embora sua retardada ediCio da segunda quinzena de junho esteja circulando ji em julho). VoltarB em agosto, seos leitores assim o desejarem. Desejo-lhes boas fdrias e, a mim, que as pedras me sejam levels de carregar. O Tribunal de Contas da Uniko, quem diria, est8 & esquerda do governor do companheiro Lula. Analisando os pianos decenais de energia para o period de 2001 a 2012, o TCU manifestou sua preocupa~go com um tipo de planejamento que "deixa nas mitos do mercado a construgho de obras estrat~gicas para o desenvolvimento national", resultando nas ins61itas 'PPP, parcerias ptiblico-privado. O ministry Ubiratan Aguiar, que coordenou o relat6rio, atribui a esse her~tico hibridismo o risco de um novo "apagio", ao qual o Brasil poder8 estar exposto outra vez, at6 2008, se houver mesmo crescimento econ~mico, como est8 previsto, e as grandes obras hidrel~tricas indicadas nos pianos, como as usinas de Belo Monte (inicialmente projetada para 11 mil megawatts, agora reduzida B metade) e Marabi (2. 160 MW), nito forem executadas. Para ele, hB esse risco porque 65% da potincia prevista para ser instalada entire 2001 e 2003 foi sobrestada por causa de seus impacts ambientais. Entre essas usinas estlio as de Salto Santiago (710 MW), Santa Isabel (1.087 MW) e Simplicio (323 MW). Em virtude do crescente descompasso entire o planejado e a realizado, o TCU adverte para um dos inus dessa situaqio: o uso permanent de energia tdrmica contratada em carter emergencial diante da crise do "apagio" de 2001, por isso com dispensa de licita~gio pdblica e a um custo mais elevado do que os pregos praticados no mercado competitive. O que o relat6rio do tribunal sugere e que as colsas ficariam mais claras e positivas se o particular ocupasse o seu lugar e o pdiblico preservasse o seu, um retorno a 6poca anterior ao consulado de Fernando Henrique Cardoso e o imp~rio Lula. E ste nals Pego ao acaso uma tabela com o valor das taxas de juros cobradas por 17 pauses. Com 16%, o Brasil 6o campeho. Abaixo dele, os linicos na casa dos dois digitos, Venezuela (14,75%) e Rtssia (14%). Depois, os juros mais altos slio os da Indon~sia, de 7,49%. Todos esses pauses estio em crise ou tentam sair dela. Desde o Plano Real, hB 10 anos, o governor brasileiro diz que o espeticulo do crescimento est8 para ser apresentado ao distinto pliblico. Mas parece que jamais sairemos da guerra silenciosa e fulminante que travamos para manter em dia o servigo de nossa dfyida, tentando a alquimia de apagar o fogo jogando gasoline sobre ele. |
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