Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
sobekcm - AA00005008_00270
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00270

Full Text






Tornal


Pessoal


MAIO DE 2004
2a QUINZENA
N 324 ANO XVII
R$ 3,00


SA AGENDA AMAZON ICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


IN AME CAN COLLECTION
UNIVERSITY -OF FLORIDA


0 Para 6 do mundo


Ate o final do decade o Pard se tornard um dos centros mundiais de mineragdo, metolurgio
e siderurgia. Por trds desse crescimento estd a China. Ao seu lodo, a CVRD. Serd o
verdadeiro desenvolvimento desta vez?


A Australia 6 atualmente o
maior produtor mundial de
alumina, um p6 branco re-
sultante da lavagem da bau
xita que serve de insumo
para o aluminio metalico. A producgo
australiana no ano passado foi de 11,3
milhoes de toneladas. A do Brasil, quar-
to maior produtor mundial, ficou em 3,5
milh6es de toneladas, abaixo dos Esta-
dos Unidos e do Canada, com 5,5 mi-
lhoes cada um. Mas ainda no final des-
ta d6cada o Pard, sozinho, desbancard
todos os concorrentes: o Estado deverd
estar produzindo quase 20 milh6es de to-
neladas, quase um terqo de toda alumi-
na gerada no mundo.


Ji no ano passado a Alunorte, empre-
sa instalada no distrito industrial de Bar-
carena, ao lado da Albris, sob o control
da Companhia Vale do Rio Doce (corn
44% das ages) e da norueguesa Norsk
Hydro (com 36%), foi uma das maiores
do mundo, cor 2,3 milh6es de toneladas.
Dentro de dois anos, quando completar
sua expansao, ji iniciada, ao custo de 582
milh6es de d6lares, a Alunorte bateri no
topo do setor, com 4,2 milh6es de tonela-
das. Logo em seguida poderi chegar a 7
milhoes de toneladas, quase o dobro da
segunda maior empresa.
No final da d6cada, por6m, a Alunor-
te teri a companhia da ABC Refinaria.
Nao s6 fisica, mas de produgao: a ABC,


produto da associaqgo da CVRD com a
maior produtora chinesa de alumina, a
estatal Chalco (responsivel por 6,5 mi-
lhoes de toneladas), anunciada durante a
visit do president Luiz Inacio Lula da
Silva A China, tamb6m estard produzindo
CONTINUE NAPAG2


US$ 5,5 BILHOES
NO PARA ATE 2010
(PAG. 3)








CONTINUA;AO DA CAPA
sete milhoes de toneladas, com possibili-
dade de expansdo final atd 10 milhoes de
toneladas.
Ainda nao 6 tudo. A americana Alcoa,
lider mundial do aluminio, esti iniciando
as provid8ncias para estabelecer uma
mina de bauxita em Juriti para lavrar qua-
tro milh6es de toneladas de min6rio e, a
partir dele, dois milh6es de toneladas de
alumina, com investimento de US$ 1,4 bi-
lhao (e mais um bilhao na hidrel6trica de
Belo Monte, no rio Xingu). Ainda na area
da Amaz6nia Legal, Alcoa, BHPB e Al-
can, outras integrantes do antigo cartel das
seiss irmns", que dominavam o mercado
e impunham preqos, esperam fazer a Alu-
mar, em Sao Luis, crescer a um nivel pr6-
ximo ao da entao maior fabrica do mundo,
a Alunorte.
Essas iniciativas mostram que o Pard
se tornard o centro mundial de alumina,
com um peso como nunca antes houve,
ap6s um investimento combinado de to-
das as empresas do setor de US$ 3,5 bi-
lh6es. A que se deve esse "boom" real-
mente de impressionar? Como em outras
ireas da economic globalizada, ao forte
ingresso da China. Antes da d6cada de
90 os chineses respondiam por 5% da
demand mundial de alumina. Agora,
absorvem 20%. Os 5 milhoes de tonela-
das de hoje serdo 11 ou 13 milh6es em
2010. No mundo, a demand passard de
50 milhaes para 70 milhoes de toneladas
de alumina no period.
Essa busca desbragada fez os preqos
dobrarem nos diltimos anos, chegando a
um patamar sequer imaginavel antes. De
150 d6lares a tonelada, eles pularam para
US$ 280 a 320. A China nao pode repri-
mir sua demand, mas tem que quebrar
os precos, se nao quiser chegar a um ni-
vel de custos proibitivo. O que fazer?
Aumentar a produqao. Mas nao s6 a dos
seus forecedores. Sobretudo, a produ-
qco que estiver ao seu alcance.
A China esti por tris da segunda
grande onda externa que chega ao setor
minero-sidero-metaldrgico da Amaz6nia,
concentrado no Para. O Estado se torna,
assim, a unidade federativa mais forte-
mente relacionada, por esse segment
economic, ao Oriente. Tanto a minera-
~ao de Carajas quanto o p6lo de aluminio
de Barcarena resultaram da associacgo
com o Japdo. A multiplicadio e amplia-
cao dessa base tem a ver com as neces-
sidades da China, particularmente susce-
tivel nesse setor por causa da suas redu-
zidas reserves de bauxita, o min6rio que
esti na base desse ciclo produtivo.
O Pard, que ja 6 o terceiro produtor
mundial de bauxita, caminha celeremen-
te para o primeiro lugar. No final da d6-
cada, as minas ji ativas ou a serem ati-
vadas estario produzindo 30 milh6es de


toneladas, quase o dobro da marca atual.
Ainda assim, sera volume insuficiente
para tender a demand projetada. No-
vos projetos minerals terao que ser de-
senvolvidos.
A principio as negociacqes sino-bra-
sileiras estavam restritas a operaq6es de
compra e venda, mesmo assim de tal
porte que tornaram a China o maior cli-
ente da Vale do Rio Doce, passando a
frente do Japao (a Asia comprou 40%
do min6rio de ferro e pelotas vendidos
pela CVRD no ano passado). Mas aca-
baram evoluindo para relag6es societari-
as, que aprofundam a parceria.
No primeiro moment a necessidade
de incrementar a producao levou a
CVRD a expandir aceleradamente a Alu-
norte e abrir uma segunda mina de bau-
xita, em Paragominas, porque Trombe-
tas, ao atingir neste ano 16,3 milh6es de
toneladas anuais, chegou A sua capaci-
dade plena.
Para viabilizar a expansao da Alunor-
te, de 2,4 milhaes para 4,2 milh6es de to-
neladas, a mina de Paragominas Ihe ofe-
receria 4,5 milh6es de toneladas de mi-
n6rio. As complicacqes do licenciamen-
to ambiental atrasaram em um ano o cro-
nograma da mina e obrigaram a CVRD
a comprar min6rio na Guiana. Em com-
pensaqio, Paragominas dard um salto
para chegar diretamente a etapa seguin-
te do seu cronograma, de 9 milh6es de
toneladas, atendendo ao mesmo tempo a
Alunorte e a ABC, com o complement
do Trombetas e a alternative da Guiana.
Considerando as quatro milh6es de tone-
ladas de Juruti, a produaio de bauxita do
Pard fechard a d6cada com quase 30
milhoes de toneladas.
Apesar desses ndmeros verdadeira-
mente impressionantes, 6 impossivel dei-
xar de chegar a uma constatagqo amar-
ga: o efeito desse process 6 para tris,
nao para frente. Ao inv6s de o Pard avan-
9ar as etapas do beneficiamento, a partir
do lingote de aluminio, esti retrocedendo
para expandir a niveis records a produ-
qgo de alumina e de bauxita. Niveis que,
provocados por subidas rapidas e fortes
dos precos, podem passar do limited da
prudencia, tornando-se insustentdveis a
m6dio e long prazo.
Assim como responded obsequiosa-
mente ao impasse provocado no Japio
pelo primeiro choque do petr6leo, em
1973, oferecendo-lhe uma zona de pro-
duqao de aluminio em grande escala e a
preqos baixos, o Pard estd se enquadran-
do estritamente nas necessidades chine-
sas. O combustivel dessa explosao de
producao e de prego 6 a necessidade
imediata da China de alumina. Mas o
porte do projeto chins nao visa apenas
assegurar seu suprimento: objetiva tam-
b6m reduzir significativamente os precos.


Os dois alvos, evidentemente, sdo com-
plementares, ao menos enquanto estiver
em vigor a tal da lei da oferta e da procu-
ra, mesmo num mundo globalizado como
o nosso, cheio de cart6is e de interferen-
cias political.
A corrida aos min6rios e metais, que
contraria todas as teses supostamente
vanguardistas da d6cada de 80 sobre o
anacronismo da antiga base sidero-me-
talirgica com a onda dos novos materi-
ais, nao parece refletir sobre qualquer
future menos imediato. A exaustao da
mina de Serra do Navio, explorada du-
rante quatro d6cadas no Amapd pela Ico-
mi, provocou reflexes critics sobre o
volume da produqao de um bem mineral
relativamente escasso, como o manga-
nes, cuja escala annual chegou em alguns
anos a um milhdo de toneladas. Pois a
CVRD prev8 atingir neste ano 2 milhoes
de toneladas de manganes na mina do
Azul, em Carajds, tornando-se a maior
produtora mundial, responsdvel por 20%
do min6rio comercializado internacional-
mente. E um nivel inteligente?
Ningu6m conseguird center essa cor-
rida, ao fim da qual o Pard estard, bem
distanciado, na ponta da economic mine-
ral brasileira? Nao se sabe: nao ha qual-
quer tentative nesse sentido, sequer um
ensaio explorat6rio. Mas pode-se direci-
onar melhor o movimento do capital e
evitar que essa seja uma competiqSo de
apenas uns poucos eleitos. E melanc6li-
co constatar que, ao fim de um ciclo da
hist6ria do aluminio, com o encerramen-
to da vig6ncia dos contratos de energia
leoninamente subsidiados pelo povo bra-
sileiro, o novo ciclo se volte para trds ao
inv6s de evoluir, agregando mais valor ao
produto.
De imediato, essa constatagdo sera
atenuada ou anulada pelos precos excep-
cionais de alguns desses bens e commo-
ditties. Mas certos valores estao artifici-
almente altos, como nos casos da alumi-
na e do cobre, enquanto outros perma-
necem incrivelmente baixos, como o fer-
ro e o manganes. Mesmo com a escala
massive de producio que o Pard vai atin-
gir, seu poder de interferencia sobre os
pregos continuard minima ou nula. Essa
condiq~o nao pode continuar.
Assim, recomenda o bom senso que
o Estado busque diversificar as ativida-
des e os parceiros para que esse modelo
extrativista, sendo tamb6m exclusivista,
acabe agravando o modelo de enclave
que mant6m em paralelas esquizofrkni-
cas a curva dos valores quantitativos e a
linha qualitativa do process econ6mico.
Como se sabe, elas s6 se encontram no
infinite. E a long prazo, como lembrava
o economist John Keynes, pai de uma
economic que desabou com o desempre-
go estrutural, todos estaremos mortos.


2 MAIO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal











CVRD aplicara no Para



70% de US$ 7,5 bilhoes


Neste ano a Companhia Vale do Rio
Doce, que desde janeiro 6 a maior em-
presa privada da Am6rica do Sul, com
valor de mercado de 24 bilh6es de d61a-
res, e responsavel por um tergo do sal-
do da balanga commercial brasileira, in-
vestiri o equivalent a 1,8 bilhao de d6-
lares (ou 5,5 bilhoes de reais) em seus
empreendimentos espalhados pelo Bra-
sil e o mundo. Desse total, mais de um
terco ou US$ 656 milh6es, mais do
que a receita pr6pria do Estado serao
aplicados no Pard. At6 2010 os investi-
mentos da CVRD somarlo US$ 7,5 bi-
lh6es; 70% deles serdo realizados no
Pard. Ou mais de US$ 3 bilh6es, em tor-
no de R$ 10 bilh6es. Em m6dia, quase
R$ 1,5 bilhao por ano de investimento.
Uma capacidade muito maior do que a
do Estado onde opera.
Isto significa que o future imediato
do Pard estd indissociavelmente ligado
A Vale. No final da d6cada, os princi-
pais neg6cios da empresa estarAo em
territ6rio paraense (se continuar a ser
paraense, 6 claro). Nele, sobretudo, es-
tari a principal fonte de divisas da em-
presa, a de maior peso na balanqa co-
mercial do pafs. Por enquanto, os rumos
dessa presenga estdo sendo ditados qua-
se que exclusivamente pela Vale. Nao
sem atropelos e problems, reaq6es e
ataques. Mas falta aos interlocutores
dessa poderosa corporagdo, que s6 en-
contra rival no Brasil na Petrobris, ca-
pacidade de entendimento e didlogo.
A relagqo entire a Vale e o Pard so-
fre de um desequilibrio fatal. A em-
presa nio pode ignorar o Estado que
mais pesa nos seus neg6cios, mas, no
intimo da sua lideranga, nao o respei-
ta por nao tem6-lo. Sabe que os con-
frontos sao resolvidos atrav6s da bar-
ganha, as vezes de forma vil, raramen-
te A luz da arena puiblica. Ja o Estado,
que disp6e de mecanismos de poder e
de pressdo, julga-se em condiq6es de
poder retaliar e ferir a empresa. No
moment crucial do antagonismo, po-
r6m, quando nao cede para levar al-
gum tipo de vantage mesquinha, volta
atris porque desconhece o adversi-
rio. Os esforgos para decifrar a esfin-
ge sao reduzidos e superficiais.
Mesmo com esse portentoso orqa-
mento de investimento, 6 pouco provd-
vel que a CVRD livre o Pard da con-


tradigqo atual, de crescer sem se de-
senvolver efetivamente. O prospect
para esta d6cada consolida o atual
modelo de enclave, apenas diversifican-
do sua base e tonificando suas cadeias
produtivas. Os bens ji oferecidos ao
mercado, como ferro, manganes, gusa,
caulim, bauxita, alumina e alumfnio te-
rno sua produqgo expandida. A eles se
juntarao o cobre, o niquel e, de volta, o
ouro, em volume maior do que em qual-
quer 6poca. Consolidada como a ter-
ceira (ou, talvez, a segunda) minerado-
ra do planet, a Vale nao avanqard na
transformaqao industrial.
Realizar o que programou ji sera
uma faganha, admitidos os seus pressu-
postos de mineradora especializada no
com6rcio interoceanico. Para conquis-
tar ou confirmar sua competitividade in-
ternacional, cada uma das empresas
controladas ou coligadas da CVRD
avanqou nos parametros qualitativos.
Elas nao estdo apenas entire as que mais
produzem; podem ser reconhecidas
como das melhores do mundo. Por isso,
ji se ddo ao nobre esporte de colecio-
nar certificaqOes e pr6mios, al6m de
bater records sucessivos por qualquer
crit6rio de avaliaqdo.
Metidas em teias associativas e en-
grenagens comerciais intrincadas, po-
r6m, essa corporagqo tem pouco poder
de mando na fixaSqo dos precos inter-
nacionais. Pelo contririo: em boa medi-
da seus projetos ecoam decisdes toma-
das fora, sendo a praia de abrigo de on-
das emanadas dos verdadeiros centros
decis6rios. A inquestionivel compet6n-
cia que os executives da CVRD alcan-
qaram em suas tratativas mundiais lhes
deram alguma capacidade de iniciativa
nesses mercados e muito poder de ajus-
te. Daf os ganhos de produtividade em


algumas das unidades da Vale serem
mais destaciveis do que as pr6prias
expanses ffsicas.
Mas sem estar sujeita a political pd-
blicas bem definidas e sem ser normati-
zada por instqncias t6cnicas competen-
tes, a Vale nao quebrari a marca colo-
nial desse process de crescimento eco-
n6mico em magnitude planetaria que o
Pard esta experimentando. Muito pelo
contrario: o tornard mais forte (e, por
conseqtincia, engendrando mais confli-
tos e contradigqes) ao incrementi-lo e
sofistica-lo. Precisa, portanto, ser ajus-
tada aos interesses pdblicos.
Quais sao eles nesse segment da
economic? Ningu6m sabe. Ou, se sabe,
nao diz. E, quando diz, costuma dizer bes-
teira, quando nao usa verdades utilitari-
as. O mais important, entretanto, 6 que
o Estado que abriga uma empresa des-
se porte nao sabe como fazer o que diz
que sabe. Diz de "orelhada", na base
do "chute", ou por mera associaqdo te-
6rica. Nos centros de saber dispbe-se
de informago de fonte secundaria so-
bre as quest6es em tese envolvidas nos
grandes investimentos da Vale. Mas a
informag5o primiria 6 rara. A contex-
tualizaqao de dados reais, quase inexis-
tente. 0 poder de antecipag9o a empre-
sa, uma quimera.
Ao long desta primeira d6cada do
novo s6culo, a Vale intensificard e am-
pliard suas frentes, abrindo tamb6m
caminho para a chegada ou a volta de
empresas aderentes e concorrentes in-
ternacionais. No caso das minas, di-
ante da multiplicagdo de suas capaci-
dades, o problema imediato 6 definir-
lhes o tamanho 6timo. Nao ha divida
de que produzir 2 milh6es de tonela-
das anuais de manganes 6 sujeitar a
jazida a um esgotamento ripido antes
que se possa definir novos elos na ca-
deia produtiva, que incorporem mais
valor ao produto. Min6rio nao di duas
safras, costumam dizer os ge6logos.
Mas raramente essa tautologia tem
conseqtiincias priticas a favor do
dono da riqueza.
Foi o que aconteceu cor a explora-
9qo da mina de ouro do igarap6 Bahia, em
Carajis, a maior do Brasil em sua fase
mais ativa. Quando o projeto foi aprovado
na Sudam (Superintend6ncia do Desen-
CONTINUAiiiiiii A Ai 4


Jornal Pessoal 2 QUINZENA MAIO DE 2004 3








CONTINUAAO DA PAG. 3
volvimento da Amazonia), discutia-se a
possibilidade de criaqio de um p61o joa-
lheiro de expressed no Estado a partir do
ouro de Carajis. Dez anos depois nao ha-
via mais min6rio e a discussao morreu por
seu academicismo obsolete. 0 tema se
reduziu a um af6nico canto isolado, que
n~o guard a menor proporqo com a gran-
deza do potential aurifero da regito.
No caso do p6lo do alumfnio, a ques-
tdo mais important diz respeito a essa
etapa intermedidria, a da alumina, que
pode anular de vez o desenvolvimento
da cadeia produtiva para al6m do lin-
gote ou do alumfnio liquido. Ao fim do
novo contrato de 20 anos de energia
tarifada abaixo do custo real, teremos
voltado ao ponto de partida, na d6cada
de 80, ou aqu6m?
Cobre e niquel sao campos inteira-
mente novos para a cultural paraense,
mas para a Vale sao assuntos encerra-
dos. Em 2010 deverdo estar em ativida-
de cinco minas e apenas uma metalur-
gia de cobre, especializando o Pard como
produtor de concentrado e nio como ver-
dadeiro industrializador do min6rio. 0 ni-
quel contari com tres minas e apenas
ird at6 o primeiro beneficiamento, em
ferro-liga. Cad6 o nosso vale do Rhur?
Quanto ao caulim, nossa funqdo se
exaurird em sermos os maiores produ-
tores mundiais, substituindo a Ge6rgia,
nos Estados Unidos, sem darmos um
pass na produqdo de papel (al6m da
um tanto simb6lica Facepa), restritos,
talvez, A dnica fabrica de celulose no
Estado, a da Jari.
Esta 6 a agenda da Vale do Rio
Doce. Para ter a sua, o Estado nao
apenas tem que forqar a empresa a
sentar A mesa de negociaqao e se abrir,
mas estabelecer sua autonomia, sua
visao pr6pria do process. S6 conse-
guird essa posiqdo atraindo novos in-
terlocutores e qualificando seus repre-
sentantes, dando-lhes ainda uma base
institutional suficientemente s6lida para
fazer a Vale entender que esta num
Estado de respeito. A empresa jamais
teri motives para essa crenqa enquan-
to sua relaqdo nao passar de uma ope-
racao de compra e venda.
Tres meses atras acusada de estar des-
truindo o Para nas paginas do jomal mais
influence do Estado, agora a Vale abrilhan-
ta as manchetes de O Liberal, pr6digo em
reproduzir os press-release da empresa. A
magica transformaao ocorreu t~o logo co-
meqaram a soar os andncios da empresa
no caixa da empresa. A Vale nao precisou
explicar nada. Teve apenas que pagar. As-
sim 6 com o maior grupo de comunicacio
do norte do Brasil. Seri assim com o Esta-
do? O povo paraense, merecedor de coisa
muito melhor, espera que nio.


Jader prefeito?


A coluna Painel, da Folha de S. Pau-
lo, propagou um novo boato nos arraiais
politicos: o deputado federal Jader Bar-
balho poderia ser o candidate do PMDB
A prefeitura de Bel6m. A nota teria tido o
pr6prio ex-ministro como fonte, o que
daria ares de verdade a informa~go.
Mas Jader esti mesmo interessado
em disputar a sucessdo de Edmilson
Rodrigues, ou o objetivo do balao de
ensaio seria testar o ambiente e man-
dar recados, especial-
mente ao candidate mais
forte nas pesquisas at
agora, o ex-governador
Almir Gabriel, do
PSDB? Talvez acerte
quem apostar na segun-
da hip6tese.
Jader sabe que nao 6
mais capaz de vencer
uma eleicao majoritAria
em Bel6m e, talvez,
nem mais no Estado. Sua
cota de votos resisted a tudo, inclusive A
campanha anticorrupqdo que o toma
como inspiraqdo, mas flutua entire 15%
e 20% do eleitorado da capital. Nio 6 o
bastante para eleg8-lo. As alternatives
possiveis de coligaqgo para o PMDB
sao menos expressivas do que as do
PSDB. As pr6vias colocam Almir Ga-
briel na frente, a uma distancia razoAvel
de Ana Jilia, do PT, que esta apenas
um pouco al6m de Duciomar Costa, do
PTB, e Wladimir Costa, do PMDB, pra-
ticamente num empate t6cnico.
Se nao sair candidate a prefeito, como
parece provavel, Duciomar apoiara Al-


mir, que j tem um compromisso nao-es-
crito com Wladimir. Esse acerto por bai-
xo dos panos 6 que teria desgraqado o
deputado federal junto a Barbalho, esti-
mulando a opqdo por H6lio Gueiros, vi-
rios pontos abaixo de Wladimir nas pes-
quisas, mas disposto a ser o anti-PSDB.
Somando essas possibilidades de
voto, a chance de Jader vencer 6 mini-
ma ou nenhuma. Mas ainda que ele ga-
nhasse, trocar a condigio de parlamen-
tar federal, com direito a
foro privilegiado no Su-
premo Tribunal Federal,
pela chefia da adminis-
tra~ao municipal, sujeita
AjurisdiqCo estadual, se-
ria compensador para o
ex-governador, constan-
temente ameagado por
processes judiciais?
Ha um outro aspec-
to. Entrando na rinha,
Jader passard a ser o
centro dos comicios e da propaganda
eleitoral. Por tabela, esse efeito atingi-
ri seu filho e herdeiro politico, Helder
Barbalho. Se os resultados das pesqui-
sas at6 aqui realizadas se mantiverem,
Helder se elegerd prefeito de Ananin-
deua, o segundo municipio do Estado e
o par de Bel6m na regido metropolita-
na, ji no primeiro turno. Mas s6 tera a
perder se a fama do pai passar a ser o
mote do discurso tamb6m no municipio
vizinho ao da capital.
Provavelmente porter sido plantada, a
nota da Folha serve mais de mensageiro
de recado do que de arauto da verdade.


Talvez a maior realizaqgo adminis-
trativa do regime military tenha sido a
montage de um sistema de telecomu-
nicaq6es de dimensdo national e sufi-
cientemente bom para conectar-se com
qualquer parte do mundo. Num pafs po-
bre tal sofisticaCgo pode ser apontada
como um erro de concepqCo, um desa-
juste de visdo, supremacia do meio so-
bre o fim.
Chico Buarque ironizou essa situa-
98o colocando um personagem da md-
sica que comp6s para o filme "Bye, Bye
Brasil" ligando para o mundo a partir de
de um orelhao na Transamaz6nica. Mas,
tecnicamente, a realizaqao foi uma fa-
9anha inegavel. As dificuldades para
levar tecnologia de ponta a remotas pa-


ragens da Amaz6nia e do Nordeste ades-
traram uma gera~go de engenheiros e
auxiliares, resultando num caldo de cul-
tura formidavel.
O principal iniciador dessas operaqes,
o coronel Hygino Corsetti, morreu no fi-
nal de abril sem direito a um registro de-
vido na imprensa, parte da qual tanto fa-
voreceu em fun~go da conurba~go de
interesses do "sistema" com os barges
da opinido p6blica. Como se fosse um
Goebbels afavel, Corsetti criou a Tele-
bras, fez o lanqamento da TV em cores
e modernizou os Correios durante seus
quatro anos e meio como ministry das
comunicagoes do terrivel general Garras-
tazu M6dici. Raras vezes uma ditadura
trabalhou tanto sua imagem.


4 MAIO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoal


Comunicac6es











Os contratos milionarios




e o silencio ensurdecedor


O fechamento dos contratos cor os
dois maiores consumidores individuals
de energia do Brasil, as fibricas de alu-
minio da Albris, no Pard, e da Alumar,
no Maranhdo, vai proporcionar A Ele-
tronorte o faturamento de 7,4 bilh6es
de d6lares ao long dos pr6ximos 20
anos (ou mais de 22 bilh6es de reais,
duas vezes e meia seu patrimonio lf-
quido). Como as duas empresas, que,
juntas, representam 3% do consume de
todo pafs, tem uma demand firme, o
ano inteiro, em torno de 800 megawat-
ts cada uma, a Eletronorte poderi pro-
gramar com um grau razoavel de cer-
teza o uso desse dinheiro pelas pr6xi-
mas duas d6cadas.
A m6dia annual da receita 6 de 370
milh6es de d6lares (mais de um bilhao de
reais, um quarto da receita da empresa
em 2003), mas com a Albris a Eletro-
norte ji acertou o adiantamento de US$
1,2 bilhao, a ser pago provavelmente em
seis parcelas, para nao atrasar o crono-
grama da duplicaqco da hidrel6trica de
Tucuruf, origem da energia para as duas
inddstrias, que estdo entire as maiores
fundiq6es de alumfnio do mundo. Quan-
do a duplicaqao for conclufda, em 2006,
oito das 23 miquinas de Tucuruf estardo
permanentemente comprometidas corn a
Albris e a Alumar, independentemente
do atendimento aos demais clients. Para
o rio Tocantins, represado para a gera-
Cgo da energia, isso significa cinco mil
metros ctbicos (ou cinco milhoes de li-
tros) de agua por segundo, 300 milh6es
de litros a cada minute.
As parties envolvidas apresentaram
A opinido pdblica os dois contratos de
energia como sendo nao s6 os maiores
do Brasil, mas do mundo. Ndmeros a
parte, o neg6cio foi bom? Para ambas
as parties? Igualmente? E para o pafs?
Uma avaliaqSo definitive exigird que
as operacqes sejam finalizadas e seus
documents revelados, o que ainda nao
aconteceu. Essa insuficiencia de dados
deve-se, em primeiro lugar, ao fato de
que nao houve uma simples renovacio
contratual. O impasse nas negociaq6es
(as empresas querendo a mera repeti-
Cgo dos contratos anteriores e a Eletro-
norte reivindicando uma compensagao

Journal Pessoal 2' QUINZENA MAIO DE 2004


pelo subsidio concedido entire 1984 e
2004, no valor de mais de US$ 3 bilh6es)
levou a uma alternative provavelmente
acordada entire os dois lados: o leilao no
mercado atacadista, o MAE.
Mas seria um leilao viciado. Nenhu-
ma outra empresa tinha condic6es de
concorrer com a Eletronorte, estabele-
cida as proximidades das duas fibricas,
a elas ligada por linhas de transmission
em pleno uso, e com disponibilidade de
grandes blocos de energia para forne-
cer. Apesar dessa condiq~o virtualmen-
te monopolista, a Eletronorte aceitou o
limited maximo de preco estabelecido tan-
to pela Albris como pela Alumar em
seus editais.
AAlbris, controlada pela Companhia
Vale do Rio Doce e um cons6rcio de 32
empresas japonesas, definiu o teto em
R$ 53 o MWh, preqo-base a flutuar con-
forme o valor do alumfnio na bolsa de
metais de Londres, entire US$ 1.450 e
US$ 1.650 a tonelada. Ao cimbio do dia,
esse valor era 50% maior do que a tari-
fa que a Albris vinha pagando (de US$
12 o MWh) e estava no mesmo nfvel da
energia de fonte hfdrica cobrado nos
principals pafses produtores (mas onde
as hidrel6tricas ji se encontram amorti-
zadas, em muitos casos ji hi bastante
tempo), mas abaixo do valor mfnimo efe-
tivamente remunerat6rio ao qual a Ele-
tronorte vinha fazendo refer8ncia (de
US$ 20) e muito abaixo da tarifa (US$
27) que permitiria abater o saldo deve-
dor de Tucuruf e esquecer o custo fi-
nanceiro j amortizado (em iltimo grau,
pelo tesouro national).
A Alumar, formada pela Alcoa corn a
BHP Billiton e a Alcan, tamb6m conse-
guiu fechar o leilao pelo seu lance mdxi-
mo admitido, de US$ 20, que significa
praticamente a renovaqao do contrato
anterior. Como nao houve nem mesmo
um ensaio de dispute nos leil6es, restou a
impressio de que tudo ji estava acerta-
do previamente, inclusive a fuga ao de-
bate puiblico que a continuaqgo das ne-
gociaoqes sobre os contratos vinha sus-
citando, e ainda poderia vir a provocar.
Para as duas empresas, em pleno
moment de expansdo de suas capaci-
dades produtivas, os acertos renovam


suas competitividades internacionais
exatamente num moment em que a
sociedade discute a privatizagdo das
fontes de agua da Terra, a custos que
nao s6 nao compensam o valor desse
uso concentrado como ainda carregam
em suas tarifas alguma forma de sub-
sfdio. Poucas empresas de alumfnio, o
bem industrial de maior eletrointensivi-
dade, podem sentar A mesa cor seus
clients e garantir-lhes que o insumo
mais important para sua atividade
(responsivel por 30% a 35% do custo
total) vai estar disponfvel por duas dd-
cadas, na quantidade necessiria, na
qualidade devida, pelo menor prego
possfvel no mercado.
Para a Eletronorte, a entrada certa
dos US$ 370 milh6es/ano vai lhe permi-
tir, ji em 2004, um feito in6dito: fechar o
balanqo cor lucro, ao menos o operaci-
onal (se cobrird o custo financeiro, ain-
da 6 uma inc6gnita, a defender de no-
vos dados,). A hist6ria da estatal 6 de
tres d6cadas de prejufzo, do maior d6fi-
cit acumulado dentro do sistema Eletro-
bras, de R$ 5,6 bilh6es. Diretores da
Eletronorte declararam para a impren-
sa que a tarifa acertada no leilao dard a
empresa taxa m6dia de rentabilidade de
12,85%, assegurando-lhe o equilibrio fi-
nanceiro. Mas ningu6m at6 agora reve-
lou os valores acertados. Resta, portan-
to, ver para crer e checar.
Mas a tarefa nao sera facil: apesar
de os dois leil6es terem tornado a Ele-
tronorte a maior fornecedora de ener-
gia em bloco do Brasil (exatamente no
moment em que a maior de todas as
controladas da Eletrobris, a estatal Fur-
nas, acumula prejufzo por causa da des-
contrataqao de energia), a grande im-
prensa national nao foi al6m dos regis-
tros oficiosos e da cobertura superfici-
al. Provavelmente quando o pr6ximo
contrato (ou leilao), o da Camargo Cor-
rea Metais (que fabric silicio em Tu-
curuf), num valor aproximado de US$
300 milh6es para o mesmo perfodo, for
concretizado, ninguem mais estara atento
ao assunto. Na pauta dos jornal6es, a
Amaz6nia continue a ser o que sempre
foi: um exotismo. E na pauta amaz6ni-
ca, uma inc6gnita.









DIVISA

A liminar concedida pelo ministry
Marco Aur6lio Mello, mandando suspen-
der todo tipo de intervengao ptiblica na
.rea de litigio entire Mato Grosso e Pard,
com 2,4 milh6es de hectares, nao foi pro-
priamente um endosso a ago proposta
pelo Estado vizinho. Tratava-se, na ver-
dade, de um procedimento de cautela di-
tado pelo bom senso. Se havia a tal da
fumaga do bom direito no questionamen-
to de Mato Grosso e a iminencia de da-
nos irrepariveis, caso a situaqdo de di-
reito atual seja revista e modificada, a
tutela antecipada se impunha.
O agravo interposto pelo Pari, por
isso, foi uma iniciativa infeliz. O recurso
ji nasceu condenado: o ministro-relator
no Supremo Tribunal Federal certamen-
te o denegaria. O Estado devia ter aca-
tado a liminar e partido para a contesta-
cgo da agco do oponente. Precipitando-
se, num erro primirio, criou um ambi-
ente mais favorivel ao objetivo de Mato
Grosso, mesmo que essa tend6ncia pos-
sa ainda ser revista e o Pard acabe con-
firmando o status quo atual.
Como a instruqdo processual esti
apenas comeeando, convinha ao gover-
no paraense reforqar sua posicqo nes-
se contencioso se nao quiser ser atro-
pelado por uma surpresa que se dese-
nha, ainda pouco nitida, mas ji com al-
guma n6voa de favoritismo, na corte do
Distrito Federal. A batalha precisard
ser travada em tr8s fronts: t6cnico, ju-
ridico e politico.



COLONIALISM

Que eu saiba, nenhum ser human
experimentou calor de 450 dentro da flo-
resta amaz6nica, louvada por cientistas
estrangeiros que a conheceram por seu
clima agradivel, apesar de sua posiqo
na faixa tropical da Terra. Mas a empre-
sa Macrocinty, em antncio publicado na
tiltima edicqo da revista Exame, da edi-
tora Abril, garante: "No meio da Amaz6-
nia, num calor de 45, a Vale do Rio Doce
enfrenta onqas, cobras, milh6es de mos-
quitos e nenhum bug". S6 faltou acres-
centar o monstro de Loch Ness.
O antincio 6 para registrar que a
CVRD terceirizou sua infraestrutura de
TI (cujo significado a pega publicitAria
se dispensa de explicar aos pobres mor-
tais) justamente corn a Microcity.
Eu, se tivesse algum poder na Vale,
mandava cancelar o contrato, teste-
munho do velho modo colonial de ver
a Amazonia desses bwanas. Cor TI
ou sem TI.


Sil ncio


Desde 1999 a revista Carta Capital
ji dedicou oito capas a mat6rias que de-
nunciam a presenga de duas agencies
americanas, o DEA (que combat o nar-
cotrdfico) e a CIA (de espionagem), na
Policia Federal brasileira. Os fatos re-
latados nessas reportagens sao estarre-
cedores. Um deles: dinheiro sem regis-
tro official repassado pelos 6rgaos ame-
ricanos 6 depositado na conta de pes-
soa fisica de um delegado da PF para
ser usado pela instituiqgo. Outro: agen-
tes brasileiros sao submetidos, em Wa-
shington, a detector de
mentira antes de serem
admitidos nas operac6es
realizadas em territ6rio
brasileiro. Mais um: in-
formaq6es de interesse
das ag8ncias americanas
sao produzidas pelos
agents brasileiros em
duplicate (quem sabe,
em versdo fnica, em ingl6s?).
At6 agora as mat6rias da revista nao
mereceram uma explicaqdo do governor
brasileiro A altura da gravidade dos fa-
tos denunciados. Alguns deles, ou todos,
podem at6 nao ser verdadeiros, embora
isso seja praticamente impossivel, dada
a robustez dos documents usados por
Carta Capital, al6m dos depoimentos
que ji obteve. Mas Brasilia prefer se
manter em silencio praticamente abso-
luto. Heranqa que FHC transmitiu, in-
c6lume, a Lula.


E a grande imprensa? Essa, ignora o
assunto. Nenhuma referencia no Jornal
Nacional, da TV Globo, o poderoso tam-
bor eletr6nico na taba. Nenhuma mat6-
ria nos principals jornais do pafs. Certa-
mente algumas redacqes receberam or-
dem superior para ignorar o tema, por
motives diversos (do medo A inveja, pas-
sando por solidariedade ideol6gica ou fa-
turamento commercial Mas nao 6 des-
cartivel a hip6tese de que os profissio-
nais dessas redaq6es tenham se torna-
do mais realistas do que os reis que os
contratam, ou mais indig-
nos do que aparentam.
3\ Teorias conspirativas
1 tem servido de escudo
protetor para profissio-
nais sem 6tica e sem mo-
ral.
rl terrivel quando
uma determinada publi-
cacio di seguidos "fu-
ros" jornalisticos nao s6 (nem exata-
mente) por sua capacidade de desco-
brir novidades e bem apuri-las, mas
porque seus concorrentes reais e po-
tenciais se recusam a entrar no as-
sunto, mesmo quando ele 6 de eviden-
te interesse p6blico.
Quem quiser entender um pouco essa
patologia deve ler a longa entrevista que
Bob Fernandes, director de redagdo de
Carta Capital, deu a Caros Amigos,
uma das poucas revistas alternatives que
nos restam, ainda que non troppo.


Dos cinco quadros mais cars do
mundo, Lodos acima de 60 milh6es de
d6lares (mais da metade do custo das
eclusas de Tucurur), dois (o 20 e o 40
mais valiosos) foram pintados por Van
Gogh (os outros sao de Picasso, que
bateu o record agora em maio, num
leilao em Londres, corn 104 milh6es
de d6lares, de Renoir e de Cezanne).
Em vida, Vincent vendeu apenas
uma tela. Deu muitas, a maioria delas
para o irmao, Theo, seu mecenas e
alma g6mea. Um dos quadros que
doou foi usado para tapar um buraco
que canalizava vento na casa do dou-
tor Gachet.
Nao hi caso mais impressionante
na hist6ria da pinrura. Cor um pou-
quinho de dinheiro, Van Gogh teria


podido se cuidar melhor, teria tratado
da doenqa no ouvido e provavelmen-
te nao teria se suicidado e tio cedo.
Mas teria sido verdadeiramente Van
Gogh? havera de perguntar quem nao
6 muiro simpirico a uma visao Pro-
zac da vida.
Nao temos a resposla, nem ela
cabe mais. Afinal, nenhum cent foi
parar nos bolsos sempre furados do
grande pintor holandes. Quando nao
era apreciado, bem que ele tentou
vender seus trabalhos. Agora que
suas pinturas valem muito mais do que
ouro, se vivo, ele teria aceitado esse
tipo de valorizaqao?
Ha uma certa marca de bizarria
nessa forma de colocar um g&nio no
liquiditicador dos cifroes.


6 MAIO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoal


Enigma









SERIEDADE

Esta faltando um Arbitro nessa
arenga entire a prefeitura de Beldm e
o governor do Estado para que ela nao
descambe para a mera molecagem,
acabando por punir o que realmente
conta: o interesse pdblico. O Minist&-
rio Pdblico ja tinha que ter chamado
as parties para esclarecer o ponto no-
dal da polemica: a legalizacao das
obras do Estado em Bel6m empaca
na ma-vontade da autoridade munici-
pal ou deve-se A soberba da autori-
dade estadual?
Se o Estado apresentou os docu-
mentos exigidos para o habite-se de
seus pr6dios no tempo habil e v8-se
obrigado a inaugura-los sem respaldo
legal, a culpa 6 da prefeitura. Mas se
o Estado, julgando-se um poder supe-
rior, ignora os procedimentos burocri-
ticos necessArios para a legalizagao
das obras, entao nao esta havendo ne-
nhuma exorbitancia da PMB. Para
definir a questao, basta um promoter
habilitado convocar as parties a apre-
sentar toda a documentagao e escla-
recer os procedimentos, submetendo-
as ao devido ajuste de conduta.
Realizaq6es como a Estaqao das Do-
cas e o future Mangal das Garcas sdo
relevantes e contribuem para a econo-
mia da cidade, ainda que se possa ques-
tionar seus m6todos e custos. Nao se
deve impedir que funcionem se estao
prontas. Mas nao devem ser construf-
das A revelia de obrigag6es que devem
ser cumpridas por todos e, sobretudo,
pela autoridade pdblica, a quem cabe dar
o exemplo para os cidadaos.
O MP, int6rprete da sociedade,
deve entrar nessa confusao para des-
lindar o enredo e informar ao distinto
puiblico a verdade. Al6m de desincum-
bir-se de uma das finalidades mais
nobres da sua existencia: o fiel cum-
primento da lei.


Palacete desabado


O desabamento parcial do Palacete
Bolonha, um dos pr6dios de maior valor
hist6rico e arquitet6nico da cidade, tem
causes mais remotas do que aponta uma
analise apressada e imediata. Comeqou
pelo abandon dos proprietarios origini-
rios, que se mudaram de Bel6m para o
Rio de Janeiro. Essa inciria foi agrava-
da pelos novos donos, os Yamada, que
estavam transformando a edificaq~o mais
que centenaria num dep6sito.
Quando uma soluqao salom6nica, e
por isso mesmo coercitiva, se esbocou
com a providencia adotada pelo procu-
rador federal Jos6 Augusto Torres Poti-
guar, determinando que 5% da receita
bruta do Grupo Yamada fossem destina-
dos As obras de restauraqco do belo prd-
dio, o entdo prefeito Augusto Rezende se
precipitou. Numa iniciativa que funcio-
nou como autdntico pronto-socorro para
os empresarios punidos, Rezende decre-
tou a desapropriaqgo do im6vel, anulan-
do os efeitos da agao proposta pelo re-
presentante do Minist6rio Piblico e aceita
pela justica federal.
O abandon a que novamente foi re-
legado o edificio foi interrompido pelo pre-
feito Edmilson Rodrigues, logo no inicio
do seu primeiro mandate, atrav6s de uma
obra que s6 nao era de fachada por ser,
literalmente, de cobertura. O telhado do
palacete foi malmente refeito, a um cus-
to que representou 3% do orqamento da
obra complete, que agora estava sendo
posto em execucqo, sob patrocinio da
Companhia Vale do Rio Doce. Refeita
sumariamente a cobertura, nova desidia
se seguiu at6 o grave acidente do m8s
passado, felizmente sem vitimas.
Culpa da empresa responsavel pela
obra em curso? Esperemos pelo laudo.
Mas ojulgamento j feito pelo Didrio do
Pard, atacando a Estacon Engenharia,


nao 6 apenas precipitado como tenden-
cioso. Primeiro, por omitir os significati-
vos antecedentes, que agravaram as con-
diqces naturais de desgaste do pr6dio pelo
tempo de abandon, transformando-o
quase em rufnas. Em segundo, por es-
conderem o m6vel da campanha, parte
da j iniciada guerra de retaliaqCes entire
o journal do deputado federal Jader Bar-
balho e o Grupo Liberal. Lutfala Bitar,
dono da Estacon, 6 sogro de Ronaldo
Maiorana, um dos donos de O Liberal.
O tom hostile do pr6-julgamento nao
fazjustiga aos indiscutiveis mdritos de Lu-
tfala como pessoa, engenheiro e empre-
sario. A Estacon fez excelentes serviqos
no Palicio Ant6nio Lemos e no Teatro
da Paz, s6 tomando como refernncia duas
obras muito mais exigentes em concep-
qao e execuqco do que a mansarda da
familiar Pinho. Logo, nao 6 uma empresa
ne6fita em restauracao. Se ela cometeu
algum erro, que contribuiu para o desa-
bamento, a pericia encomendada a en-
genheiros do Crea, com relat6rio prome-
tido para esta semana, vai esclarecer. Se
comprovada a falha ou impericia, a em-
presa teri que assumi-la e responder por
ela nos terms da lei.
Faqo as ressalvas nao por ser amigo
de Lutfala Bitar, mas por acompanhar a
hist6ria do Palacete Pinho de ha muito.
Modestamente, relembro que a acqo de
Potiguar, que poderia ter representado a
iniciativa certa num tempo ainda habil,
resultou de denincia feita por este jor-
nal. A attitude me me custou as boas re-
laq6es de Hiroshi Yamada, mas o que ha
de se fazer quando o que interessa sdo
as conveniencias e as hist6rias interes-
seiras? A hist6ria tem que ser contada
por inteiro para que a cada personagem
envolvido caiba, ao mesmo tempo, o 6nus
e o b6nus.


Baixaria


Os leitores comeqaram a
testemunhar, nas trEs liti-
mas semanas, o reinicio das
escaramuqas entire O Libe-
rad e o Diario do Pard. A
folha dos Maiorana dA des-
taque A movimentacio dos
processes porenriquecimen-
to ilfcito, desvio de recursos
piblicos ou crimes parecidos


do deputado federal Jader
Barbalho. O Didrio public
entrevistas corn misses As
quais os Maioranas prome-
teram pramios em concurso
de beleza e nao pagaram.
Uma estocada em Jader e
seguida por uma nota sobre
os Maiorana. E assim as ro-
tativas vao rodando.


Tudo bem: e quando os
grandes brigam que os pe-
quenos ficam sabendo das
coisas. Mas bem que as
duas empresas podiam tra-
tar melhor a materia-prima
de seus neg6cios: a informa-
qFo. Esse exercicio requer
lidar corn fatos e nao corn
fofocas, boatos ou calinias.


Pode-se fazer campanha di-
zendo sempre a verdade.
No caso, o que nao falta e
argument e para as duas
panes indistintamenie.
O povo aplaudird boas
polmicas. Mas nAo estA
mais tAo predisposto a as-
sistir mais um espeticulo de
baixo nfvel.


Journal Pessoal 2* QUINZENA MAIO DE 2004 7









CARTAS

Misterio nas

6reas indigenas
Embarco na sua tese de
que as mudanqas tem de ser
feitas no Ambito das leis, mas
que as leis precisam mudar
quando, cristalizadas e rigidas,
impedem as mudanqas, dan-
do argument A desobedien-
cia civil. Esta, instrument de
mudanqa social A margem da
lei e contra a pr6pria lei.
(Jornal Pessoal n 322).
O problema da mineraqio
em terras indigenas 6, corn
certeza, uma realidade que ja
gerou, e ainda vai gerar mui-
tos conflitos, de dimensoes
imprevisiveis. Sobre essa ati-
vidade, hoje praticamente
proibida, especula-se sobre a
criaq~o de uma empresa go-
vernamental para assumir
essa tarefa. Nao acredito que
esse seja o caminho mais vi-
Avel. Por que criar mais uma
empresa, por meio de uma lei,
se, com uma simples altera-
9qo da lei existente, pode-se
regulamentar o uso da terra
indigena com um enfoque
mais racional?
A atual legislaqao dificulta
nio apenas a exploraqao mi-
neral, mas, at6 mesmo, o co-
nhecimento do context geo-
16gico dessas Areas e, por con-
seqtiUncia, do seu potential
em terms de recursos mine-
rais. Nem o Serviqo Geol6gi-
co do Brasil pode realizar
seus estudos, salvo autoriza-
q~o do Congresso Nacional.
Lembro que numa Mesa
Redonda sobre Verticalizag~o
Mineral na Amaz6nia, em no-
vembro/2001, o indio Escra-
wen Somprd, engenheiro flo-
restal e Presidente do
Conselho Deliberativo da Co-
ordenaqao das Organizaq6es
Indigenas da Amaz6nia Bra-
sileira COIAB, distinguiu
bem a political indigenista (da
Funai) da political indigena,
reivindicada por grande parte
das comunidades indias. Se-
gundo o Escrawen, os indios
vivem acuados entire duas po-
siq6es antag6nicas: a do go-
verno e das ONG's. Por6m,
apesar de divergencias inter-
nas, os indios querem, sim, a


exploraqdo dos recursos na-
turais de suas terras, desde
que previamente discutida
com eles. Nao querem ser
colocados como empecilhos
ao desenvolvimento. LA em
Rond6nia 6 o diamante. Aqui
no Para 6 o ouro. A madeira,
nos dois. Ningu6m consegue
deter o home na sua ambi-
cqo. A hist6ria mostra que nio
ha lei no mundo que impeqa o
avanqo do home na explo-
racqo das riquezas naturais. A
soluaHo nao 6 a proibigao e,
sim, a exploraqco de forma
sustentavel, ouvidas as parties
interessadas. Apenas a forqa
(ou a caneta) nao resolvera,
de forma permanent, confli-
tos e interesses aparentemen-
te inconciliaveis.
N61io Rezende
President da Sociedade
Brasileira de Geologia Ni-
cleo Norte
(Por falta de espago,
esta carta ndo p6de sair na
ediVdo passada.)

........................................ ...
A grilagem

da Amacol

Na confusa, contradit6ria
e comprometedora carta que
enviou ao Jornal Pessoal,
publicada na ediq~o anterior,
da 1" quinzena de maio deste
ano, o advogado Avelino do
Carmo G de Lima, ao comen-
tar a media judicial intentada
pelo Iterpa contra a empresa
Amaz6nia Compensados e
Laminados S/A Amacol,
perante a Corregedoria de
Justica deste Estado, levanta
ddvidas e suspeitas em rela-
9io A conduta assumida pela
autarquia estadual, em 1990,
por ocasiao da renincia de
direitos formulada por aquela
empresa em favor do Estado
do Para, sobre numerosos tf-
tulos de posse expedidos por
antigas intendencias munici-
pais no final do s6culo retra-
sado. Tais documents (titu-
los de posse), abrangendo ex-
tensas Areas devolutas esta-
duais nos municipios de Ana-
jas, Curralinho, Breves, Por-
tel e Bagre, haviam sido inde-
vida e fraudulentamente leva-
dos A transcriaio imobiliAria


em livros notariais destinados
exclusivamente aos assenta-
mentos de propriedades, con-
trariando, assim, as normas
constantes da Lei Federal n
6.015, de 31.12.1973, e alte-
ragqes posteriores.
Sabe ou deveria saber o
signatArio, por haver atuado
como advogado do Iterpa at6
1989, que uma das principals
atribuioqes conferidas pela
Lei n 4584/75, ao 6rgao por
ela criado, consiste na admi-
nistraqao das terras devolutas
estaduais, preservando-as
contra invas6es e danifica-
9qes de qualquer natureza e
recuperando aquelas que in-
devidamente nio se encontra-
rem na sua posse ou dominio
(art. 20, II).
Nesse context, o seu
art.29 merece consideracqo
especial, por envolver mat6ria
com caracteristicas pr6prias. A
figure da legitima~ o de posse
prevista nesse dispositivo de lei
estadual teve origem na antiga
Lei n 601, de 18 de setembro
de 1850, e seu Regulamento,
baixado com o Decreto n
1318, de 30 dejaneiro de 1854.
Por esses diplomas legais, os
titulares de ocupaoqes conso-
lidadas, depois de registra-las
em livro pr6prio nas respecti-
vas Freguesias ou Par6quias
(registro paroquial), poderiam
requerer a demarcaq~ o das ter-
ras efetivamente ocupadas e a
conseqiiente transformagdo da
respective posse em dominio.
Corn a transferencia das
terras devolutas aos Estados-
membros, por forqa do art. 64
da Constituigqo Republicana
de 1891, surgiram as legisla-
9qes fundiarias das novas uni-
dades federadas. Na legisla-
9qo do Para, a partir do De-
creto n 410, de 8 de outubro
de 1891, foi mantido o institu-
to da legitimaqao de posse.
Tamb6m foi aberto um novo
registro das posses existentes,
independent do antigo regis-
tro paroquial. Por ocasido des-
se registro, lavrado com base
nas declaraqoes do posseiro
interessado, recebia ele um tf-
tulo de posse que o habilitava
a requerer, em seguida, a me-
diqao das terras possuidas
para efeito de legitimaqCo e
conseqtiente transformaqao
de sua posse em dominion.


Mas poucos assim procede-
ram. A grande maioria limitou-
se a permanecer com esses
titulos de posse.
Entretanto, tal circunstan-
cia nao impediu os detentores
desses titulos, de usa-los como
se fossem documents repre-
sentativos de dominio. Muito
pelo contrArio, na maioria das
vezes, como se disse na re-
presentagao formulada A
Corregedoria de Justiqa, as
terras contempladas cor es-
ses titulos de posse foram,
quase sempre, levadas inde-
vidamente A inscriq9o imobili-
Aria, servindo, inclusive, a nu-
merosas praticas freqiiente-
mente ilicitas. Disso 6 exem-
plo o caso da pr6pria Amacol.
Ap6s formalizar a rentincia de
direitos possess6rios sobre
extensas Areas pertencentes
ao patrim6nio fundiario do
povo paraense, por meio de
escritura pdblica lavrada As
fls. 104-v. do livro 181, do
Cart6rio K6s Miranda, em
1990, a empresa ainda teve a
desfaqatez e o cinismo de
recorrer ao Judiciario para
reivindicar, 14 anos depois, a
propriedade das mesmas ter-
ras que ja renunciara em fa-
vor do Iterpa.
E evidence, pois, meu caro
Ltcio, que a carta assinada
pelo Dr. Avelino de Lima nao
merece a menor credibilidade.
Primeiro, confessa sua partici-
pagqo, "juntamente com outro
advogado", na "faucatrua" pla-
nejada pelos entdo dirigentes
da empresa Amacol Ltda, na
rentincia de direitos materiali-
zada perante a autarquia esta-
dual, que nao teria sido moti-
vada segundo ele por difi-
culdades financeiras, mas "tao-
somente para arredar-se do
pagamento de elevada quantia
por d6bito de ITR junto A Re-
ceita Federal", numa conduta
manifestamente delituosa.
Em seguida, invested contra
o pr6prio Iterpa, acusando-o de
"aderir ao ato sem as cautelas
legais". Afirma, ainda, sem
qualquer fundamento, que o
6rgao fundiArio nao possui ne-
nhum assentamento a respeito
do assunto e que "sequer foi
localizado o process origina-
rio do ato duvidoso".
No que se refere A attitude
professional do Dr. Avelino em


8 MAIO DE 2004 2 QUINZENA Jornal Pessoal








apoiar intenq6es rasteiras, pre-
firo nao tecer comentarios, at6
mesmo pelo senso de compre-
ensio que se deve ter para
com os escorreg6es alheios.
Mas, quanto a posiqCio adota-
da pelo Iterpa, no encaminha-
mento da question, julgo neces-
sario lembrar ao ilustrejora-
lista que os entes pdblicos po-
dem e devem se valer dos
meios e institutosjurfdicos pre-
vistos no ordenamento legal
do pais, como forma de cum-
prir com sus atribuiqces insti-
tucionais.
Ao contrario do que disse
o Dr. Avelino, a iniciativa do
Iterpa, em aceitar a renincia
de direitos de posse da empre-
sa Amacol Ltda, 6 perfeita-
mentejustificivel e at6 louvd-
vel, pela necessidade de evi-
tar, a todo custo, que a pre-
sunqao de dominio emanada
dos respectivos registros imo-
bilibrios irregulares continuas-
sem a servir como instrumen-
tos de percepdao de lucro fi-
cil em prejuizo de terceiros de
boa-f6, inclusive o pr6prio Es-
tado, agravando, ainda mais,
os numerosos problems fun-
didrios existentes no imbito do
territ6rio paraense.
Afinal, noo houve, por parte
do Iterpa, naquele ato de re-
n6ncia, nada de censurivel, eis
que na celebragao dele nao
ocorreu nenhum vicio de con-
sentimento que pudesse macu-
la-lo, tampouco qualquer esp6-
cie de transgressio a express
e literal disposiq~o de lei. Tudo
foi feito segundo os cinones
estabelecidos na Constituiqao
Federal e no C6digo Civil, sem
afronta alguma aos mais eleva-
dos principios de seriedade e
corre~ao que devem nortear os
atos da administraqbo.
Por filtimo, devo informi-
lo de que todos os documen-
tos relatives Aquela renincia
se acham sob a guard e res-
ponsabilidade do Iterpa, cujas
c6pias instrufram a providen-
ciajudicial proposta perante a
Corregedoria de Justica, e
que, por isso mesmo, tomo a
iniciativa de disponibilizi-los
para eventuais consultas.
Dando por encerrado a
questdo, envio-lhe, daqui, um
forte abraco.
Carlos Alberto Lama-
rio Corria


Transito


Outro dia saiu uma estatistica segundo a
qual o ndmero de mortes por tiros de rev61ver
caiu em Bel6m. Como pode-se ler uma mes-
ma estatistica de virias maneiras, o indicador
poderia ser comemorado ou nao. Tanto tradu-
ziria uma reduq~o real na criminalidade como
uma mudanca na prdtica dos homicidios. De-
vido ao agravamento da pobreza, 6 possivel
que os assassinos estejam usando menos as
armas de fogo, que custam mais caro, da mes-
ma maneira como o cidadao comum, nao po-
dendo pagar nem mesmo uma passage de
6nibus, recorre a um
meio de transport
mais barato, a bicicle-
ta (mudanqa que estai
A vista de todos nas
ruas de Bel6m).
Recentemente a
prefeitura divulgou
reportagem dando
conta de que o transi-
to de Bel6m 6 um dos
melhores do mundo. A
conclusdo tomou
como base a reduqCo
dos acidentes fatais na
capital paraense. O
home de rua deve
ter recebido com incredulidade o inesperado
titulo de civilidade, que nio costuma ser en-
contrado no ca6tico transito da cidade.
Da mesma maneira como em relaqgo A pri-
meira estatistica, esta segunda deve ser anali-
sada com ponderaq~o. A reducqo das mortes
pode ter resultado exatamente da piora e nao
da melhora do transito. Corn tanto buraco e
tantas outras formas de atravancamento, os
veiculos nao podem desenvolver altas veloci-
dades. Assim, as colisbes sdo menos violentas
e as mortes, menos freqtientes.
Mas ainda que os casos fatais sejam o re-
sultado da eficiente aqSo das autoridades
competentes, hi outros itens a considerar nos
quais a cidade das mangueiras nao prima pela


Procurador do Estado/
Director do Departamento
Juridico do Iterpa



CORRE;AO

Por lapso de ediqgo, foi supri-
mido o nome de Rodolfo Lisboa
Cerveira. autor da carta que saiu
na quinta pigina da ediqio pas-
sada, sob o titulo "Da pecuaria a
pesquisa". Espero que o distinto
leitor, ji feito ao estilo do nosso
mais contumaz missivista, tenha
descoberto logo a trapalhada.


excel8ncia, muito pelo contrario. Um amigo
relatou algumas das infraq6es rotineiras do
transito em Bel6m: desrespeito As calgadas
por parte dos motorists, desrespeito A fai-
xa de pedestres, ultrapassagens perigosas,
velocidades acima do permitido, ultrapas-
sagem de sinal, transport de pessoas na
caqamba, ciclistas que nio respeitam nada,
ruas congestionadas, 6nibus que ignoram as
paradas de passageiros, pedestres que se
posicionam no meio da rua para pegar o
onibus, sinais que nao funcionam, sinais
que se tornam invi-
siveis porque estao
Sposicionados muito
pr6ximo da faixa de
Spedestre, sinalizag~o
ruim de ruas, obstruqao
de visdo de ruas por
orelhoes, etc, etc etc.
Para qual posigao
Bel6m caird se esses
itens fizerem parte da
avaliagao?
Infelizmente a pre-
feitura nao educa os
motorists e nem o
Detran. O pior 6 que,
quando n6s denuncia-
mos irregularidades, nada fazem. Somente para
exemplificar, estou remetendo em anexo fotos
de um veiculo de transport de valores que
sempre estaciona por volta de meio dia na es-
quina da avenida Nazar6 corn a Generalissi-
mo, em frente a farmicia Big Ben. Apesar dos
meus protests, o motorist continuou no lo-
cal. Resolvi fotografi-lo no dia seguinte (sabia
que ele estraia ali) e mandei a foto para a CT-
BEL. Ja se formal 3 dias e nem sequer me
agradeceram. Aposto que nada fario Isso 6
o que eu chamo de educaqao no transito 6
assim que a CTBEL Trabalha ? Sinceramente,
voqs precisam visitar os EUA, Japdo, Cana-
di e a Europa para ver o que 6 um transito
organizado e decent.


Jornal Pessoal 20 QUINZENA MAIO DE 2004 9


Ultima forma, "

Para completar o realism socialista do grande timo-
neiro Lula 66 falta o PT federal devolver a Sudam ao.
PMNDB. que a envenenou. J.ijustificando o injustificivel.
argumentam alguns companheiros que a Sudam nio terd
acesso a dinheiro, mantido a sete chaves sob p control
do ministry da Integraqio Nacional, Ciro Gomes, em
Brasilia.
Em primetro lugar, oPMDR nao precise ter dinheiro.
para fazerdinheiro. Em segundo lugar, Ciro no temper-
fil de Sio Pedro.









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PROPAGANDA

A boa viagem


etrato do jornalista

ites do empresario

a e uma selegdo da coluna "Romulo Maiorana informa", que Romulo publicava
Folha do Norte. Sdo colunas de 1966, o ultimo ano de vinculavdo de Romulo a
olha, ate se tornar dono de joral, atraves da compra de 0 Liberal, na epoca o
*gdo official do Partido Social Democrdtico, o PSD de Magalhdes Barata. Esta
do document a atengdo que Romulo dava a vida da cidade, como um autentico
pdrter, e sua acuidade como arregimentador e coordenador de jornalistas, que
eunia em torno de si. Primeiro para produzir a coluna. Depois, para fazer seu
pr6prio jornal.Qualidades que levou consigo ao morrer.


ive na sala 504 do Edi-
Barao de Bel6m, onde
funcionando, mas fun-
ndo mesmo, o escrit6-
os meus amigos Ronal-
entes e Asdrdbal Men-
Bentes.
n piano que o DNOS
'artamento Nacional
bras de Saneamento,
tinto] tem para fazer
ais de saneamento at6 a
do Ver-o-Peso, fez com
orressem boatos na ci-
de que a traditional fei-
re, que 6 um dos recan-
.risticos de nossa Capi-
ia desaparecer. O pre-


feito St6lio Maroja j autori-
zou um desmentido categ6ri-
co, inclusive para tranqtilizar
os feirantes do Ver-o-Peso,
que ficaram alarmados com
tal noticia. O Prefeito de Be-
16m-350 [referencia aos 350
anos que a cidade entdo
completava] 6 categ6rico:
"O Ver-o-Peso jamais vai de-
saparecer".
* Esti iminente a ser fecha-
do o late Clube se sua dire-
toria nao responder a dois
oficios enviados pela Com-
panhia dos Portos solicitan-
do regularizaqio de suas
lanchas.


Numa epoca em que os telefones tinham apenas dois ntmeros, a Real Aerovias se proclamava
"a maior empresa de transport adreO da America Latina". Prometia atendimento principesco
para os candidates a clients: bastaria ligar para o "automdtico" 24-24 "e a funciondria da
Real Aerovias reservard imediatamente a sua passagem. Era possivel embarcar num dos
avioes da "frota da boa viagem" para o Norte, Sul, Leste e Oeste. Isso tudo, numa epoca em
que pessoas de came e osso atendiam do outro lado da linha.


Uma boa vlagem
comega
neste telefone... 24- 2 4


* O colunista tem ouvido
queixas de proprietirios de
terras no interior, quanto A
agco do IBRA reforma
agrdria), cuja acao em deter-
minados municipios tem cau-
sado prejuizos gerais. A con-
fus~o, por falta de esclareci-
mento e de solug6es adequa-
das, poderi redundar em con-
flitos judiciais entire proprie-
triios, posseiros e novos do-
nos de terras, agravando cada
vez mais o problema.
* Aconteceu segunda-feira:
os engenheiros Augusto e
Ruy Meira e Jos6 Aliverti
resolveram jantar em Mos-
queiro, aceitando um con-
vite do "Russo", que na-
quela data aniversariava.
Numa caqamba do DER
[Departamento de Estra-
da de Rodagem] foram atE
a Ilha, jantaram e por volta
das 22 horas estavam de
volta a Bel6m. E o milagre
da estrada.
* Mario "Cuia" Coelho, o nos-
so Rei Momo, que ji fez pon-
ta no filme "Um Dia Qual-
quer", esti cogitando mesmo
de se transferir para o Rio
com todos os seus 211 quilos
e 1,84 de altura. Vai atuar na
televised.
* Mal acaba de ser fundada e
ji a Sociedade Hipica ganha
sua primeira s6cia, que 6 a dis-
tinta senhora D6a Castro.
* Inaugurou ontem mais um
restaurant. Trata-se do "Ca-
lhambeque", que funcionari
para turistas e gente de soci-
edade. Esti localizado no Por-
to do Sal.
* Um dos primeiros telefone-
mas da Radional, no domin-
go, foi de S6nia Ohana para
seu genitor, dando a noticia de


MAIO DE 2004 2" QUINZENA Jornal Pessoal


t. 34.279)


* 0 0000000000








I ..


I 4;A -


FOTO

A divina e a orquestrk
A divina Elizete Cardoso, que morou em Belem, abri-
lhanta o "top-set" de Alberto Mota no inicio da d&ca-
da de 60. 0 'band-leader", ao lado da dona da mais
bela voz da musica popular brasileira, comanda sua
orquestra de 10 integrantes,. talvez a maior jd formada


no Pard. Como fundo de cena, o Automdvel Clube do
Pard, no ultimo andar do edificio Paldcio do Rddio,
na avenida Presidente Vargas. Nunca promoveu uma
corrida, mas as festas... Quem nunca foi a uma ndo
sabe o que perdeu.


que havia sido escolhida Ra-
inha do Futebol Brasileiro. A
noticia ndo deixou de ser sig-
nificativa, mas seu pai e fa-
milia ji estavam no conheci-
mento do fato porque ouviram
o resultado por uma radio de
Sao Paulo.
* Os clippers vao continuar
a ser demolidos. A tarefa ini-
ciada pelo amigo Osvaldo
Melo sera continuada pelo
Prefeito Stdlio Maroja. Logo
no pr6ximo mes deverdo
cair o do Largo das Mer-
ces, da Praga Maud e da
Duque de Caxias com Lo-
mas Valentinas.
* Com a vigencia da proibi-
qgo do Contel de programs
de.radio pelo telefone, as
"fanzocas" fizeram com que
melhorasse em trinta por cen-
to as comunicaq6es telef6ni-
cas. A tarde, a linha ficava


sobrecarregada, precisando-
se de 5 minutes para obter o
sinal caracteristico para ini-
cio de ligacao.
* A avenida 15 de Agosto
[Presidente Vargas] tern
tudo para ser, em Bel6m, o
que a Rio Branco 6 no Rio.
E larga, bonita, central e tem
a simpatia do povo. O co-
m6rcio, os bancos e o pr6-
prio povo tnm feito tudo para
que a traditional avenida,
tao cara aos belemenses
[belenenses], cada vez
mais se expand, ganhe
vida e colorido, seja movi-
mentada e elegant.
As casas bancirias por-
fiam em abrir filiais requin-
tadas na quinze; as casas co-
merciais que ali funcionam
(Salevy, Amaz6nia, R.M.),
sdo, mod6stia a parte, de pri-
meira ordem. com instala-


cqes modelares; os caf6s,
restaurants e lanchonetes
sdo bem instalados; as agen-
cias de companhias de avia-
cqo apresentam o que ha de
melhor em decoraq~o e ins-
talaqio. Todos, enfim, tnm
dado sua parcela de contri-
bui9Co para embelezar aque-
le trecho da cidade. Milh6es
foram gastos em decoragao.
Pois agora grande parte
daquela avenida esti ame-
aqada de ser enfeada pela
absurda instalaqdo de uma
enfermaria, ou coisa pare-
cida com o nome de ambu-
lat6rio, no pavimento t6rreo
do Edificio dos Comerciari-
os, segundo decisao da di-
reCqo national daquele Ins-
tituto. Chegou aqui um ins-
petor e para, talvez, provar
serviqo, mandou brasa.
Para tanto a direqgo ja re-


solveu pedir aos locatarios
do tdrreo de seu pr6dio a
devoluggo das diversas lo-
jas que ocupam, eja vai abo-
letar segurados enfermos,
numa absurda resoluq~o,
que, al6m de prejudicar a
estdtica e o desenvolvimen-
to da cidade, nao trara muita
vantage ao pr6prio IAPC
ou aos doentes, pois que o
IAPC ter, nos seus andares
superiores, milhares de me-
tros quadrados de area que
podem ser utilizados como
enfermaria, at6 para hospi-
tal se quiserem, sem a des-
vantagem do r6s ao chdo,
que, pelo bulicio, 6 prejudici-
al aos pr6prios doentes.
Ha soluqco para tender
os interesses do IAPC sem
enfear a cidade. Um pouco
de boa vontade seria muito
bem recebido por todos.


Jornal Pessoal 2Q QUINZENA MAIO DE 2004 11








Apar6ncia

A reform grifica reali-
zada recentemente consa-
grou de vez, mesmo sem ter
essa intenqao, o que ji era
uma caracteristica de O Li-
beral: nivelar e homogenei-
zar seu conteido. Todas as
colunas ficaram iguais, pas-
teurizadas. As noticias per-
deram uma hierarquizaqao
mais nitida. As injuncqes do
program de computador
impuseram uma camisa-de-
forqa A diagramaq~o, que
passa a pesar mais do que
as mat6rias. Por tudo isso,
o journal didrio fica se pare-
cendo ainda mais a uma re-
vista (semanal, quinzenal ou
mesmo mensal), sem com-
pensar o dinamismo do dia-
a-dia pela profundidade das
ediqoes de periodicidade
mais longa.
Ou seja: ojornal ficou mais
bonitinho e mais ordindrio.

Livro

Paulo Paixdo prossegue
na cruzada pela valorizaqao
de Santardm, sua terra na-
tal. Nesta semana lanqou
seu segundo livro, "A felici-
dade entire os vales esqueci-
dos contos, mem6rias e len-


das". I uma edigio do autor,
que tamb6m vai A luta para
divulgar e vender a publica-
9ao. Ela redne casos reais,
envolvendo gente do povo e
personagens da regiao. Pros-
seguindo na ofensiva, Paulo
podia dedicar o pr6ximo livro
A relag~o intima e ampla da
famflia Paixao com a m6si-
ca, que bem poderA ajudar a
explicar a musicalidade dos
mocorongos.

M oral

A prefeitura de Bel6m
executou os herdeiros de
Romulo Maiorana por nao
pagarem o imposto predial
de um im6vel de seu condo-
minio referente aos exerci-
cios de 1997, 1998 e 1999.
Por erro de citaqCo, porem,
ajuiza da 25a vara civel, Ele-
na Farag, nem examinou o
m6rito da questao, extinguin-
do a aqao e mandando arqui-
var o process.
Como o dono do im6vel j6
morreu, o official dejustiqa ci-
tou um de seus filhos, num
evidence e primdrio erro, ji
que nao havia sido efetuada
a substituiqgo processual re-
lativamente ao fato gerador
do imposto. Logo, ficou ca-
racterizada a ilegitimidade do


Silencio
Osjornais didrios de Belem trombetearam o
crescimento industrial do Pard emfevereiro
como a quintessencia do dinamismo, maior do
que o alcancado por qualquer outro Estado
brasileiro. Mas esqueceram sequer de citar que o
indice em margofoi de 1,8%, enquanto a mddia
nacionalfoi a 11,9% e o maior registro, o do
Amazonas, bateu em 33%.
0 setor industrial paraense e tdo raquitico
que qualquerfato isolado pesa no conjunto
como ndo ocorre em outros Estados dotados de
uma atividade secunddria mais expressive. Por
isso mesmo, o context dos fatos jamais pode
ser esquecido. Excluindo a CVRD, o Pard ndo e
isso. Ou nao e mais.


Tubula io


Lutfala Bitar manda
um dossi8 contraditan-
do a informal~ o publi-
cada na ediqSo anteri-
or, com base em infor-
maqao de um amigo, de
que as tubulaq6es usadas no centro
de Bel6m sao de um tipo condenado pela Associa-
gqo Brasileira de Normas T6cnicas. Os documen-
tos mostram que os dutos corrugados utilizados aten-
dem as especificaqoes da ABNT, servindo de pro-
teq~o "para instalaqao de cabos 6ticos e el6tricos
em redes subterraneas, ao long da faixa metrovid-
ria, utilizados em sistemas de telecomunicaq6es, con-
trole, sinalizaqgo e energia".


I


executado no p6lo passive da
agao. Ajuiza, entdo, ignorou


o mento da agao (se a
cobrada 6 ou nao dev
rejeitou a execuqgo.
Ficou entdo sem es
cimento a questio de f
os donos das poderosE


Estanho


livlda
ida) e

clare-
undo:
is Or-


ganizaqbes Romulo Maiora-
na pagam ou nao o IPTU de
seus muitos im6veis? Como
a resposta ajuda na formaqio
de uma moral coletiva, bem
que a familiar podia esclare-
cer o assunto, a bem do inte-
resse piblico.


A mina do Pitinga, no Amazonas, queji foi a maior pro-
dutora de estanho do mundo, vai ser reativada. A Paranapa-
nema pediu 20 milh6es de d61ares ao BNDES para retomar
a exploraqio. A mineradora acabou com a fama dos Waimi-
ri-Atroari, seus vizinhos, que eram hosts h aculturaqao. Ao
inv6s de bala, como aconteceu em outros epis6dios traumi-
ticos na relagao dos fndios com frentes pioneiras, recorreu
aos $$$$.


jo na Pe s a Edtr I- F6i it