Jornal pessoal

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
sobekcm - AA00005008_00263
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00263

Full Text







Tornal


LATIN AMERICAN COLLECTIC
U ERSITY OF FLORIDA
FEVEREIRO DE 2004
a QUINZENA
N 317 ANO XVII
Pesso R$ 3,00


/ A AGENDA AMAZONICA DE LOCIO FLAVIO PINTO





















SUPERZONA
SUPERZONA


~

% I
L~p-
I~
~5 r
II r~~

c
c Ci\r~L~C~
-sJ\
I ~GS~i~~
~2~Lr~;O. (Z,'J
5,


Uma engrenagem milionaria

Por tr6s de uma dispute pelo porto de Manaus estd a agdo de um poderoso grupo que ter
manobrado na Zona Franca de Manaus para enriquecer Com R$ 2 milh6es esperava
assumir o control da Receita Federal e o movimento de entrada e said de mercadorias,
urn neg6cio no valor de US$ / 0 milhoes por mes.


Extorsdo, corrupgao, chantagem,
trifico de influencia, sonegacgo
fiscal e contrabando sAo os in-
gredientes de uma hist6ria de es-
cAndalos na dispute por um dos
melhores neg6cios da Amaz6nia, o con-
trole do porto de Manaus. O neg6cio
pode render 10 milhoes de d6lares
(quase 30 milh6es de reais) por mes.
Isso se o esquema envolver a Secreta-
ria da Receita Federal e a administra-
gao do pr6prio porto.
Desde o dia 30, quando foi preso
(juntamente cor outros seis c~mpli-
ces, dois dos quais policiais civis e
uma advogada) um dos personagens
dessa trama complicada e explosive,
sabe-se que um grupo de amplo
espetro e grande poder estaria dis-
posto a gastar dois milhoes de reais
para assumir o control da superin-
tendencia da 24 Regido da Secretaria


da Receita Federal. Com sede em Be-
lem e jurisdigAo tamb6m sobre o Ama-
zonas, al6m do Para, desde 1994 a su-
perintendencia 6 ocupada pelo para-
ense Jos6 Tostes Barroso Neto. No
alvo tambem estava a inspetoria da
alfandega de Manaus, chefiada desde
2000 por Maria Elizia Andrade.
O personagem jA conhecido do enre-
do 6 Sergio Carlos Nascimento de Andra-
de, 36 anos, com nivel m6dio de instru-
cao, mas que se apresenta como empre-
sirio (dono de uma empresa de constru-
cAo civil) Cor a promessa de receber
500 mil reais, de dezembro de 2002 a agos-
to do ano passado ele atuou como lobis-
ta para conseguir a nomeagao de Jos6
Licio Rosa de Souza para o lugar de Tos-
tes e de Francisco Ant6nio Serrao de Souza
para a inspetoria da alfandega de Manaus.
Entre 1999 a 2001, Jos6 Licio che-
fiou o Servigo de Controle Aduaneiro,


departamento responsivel pela
fiscaliza~go da entrada e said de
mercadorias do porto da Zona Franca
para os mercados national e interna-
cional. Ja SerrAo de Souza comandou
o Servigo de Fiscalizagfo Aduaneira,
que realize auditorias nas indtistrias.
Os defensores dessas candidaturas
entrariam corn mais R$ 1,5 milhao para
distribuir entire politicos, a serem
contatados por Sergio para assinar uma
CONTINUE NA PAG 2


PARAGOMINAS:
EMBARGO DE
GAVETA
(PAG. 8)
t.--
^ims, savsms! asasas sasms masas


"
~`~Y~"








CONTINUA;AO DA CAPA
lista de indicacao de Rosa, que, como
auditor fiscal da receita, 6 subordina-
do ao superintendent da 2a Regiao e
atende a uma das exigencias para o
preenchimento do cargo (ser funcio-
nario de carreira).
Sdrgio diz ter feito 30 viagens a
Brasilia ao long de 2003, conseguin-
do a adesao de politicos da regiao,
como o senador Gilberto Mestrinho,
do PMDB do Amazonas (a quem ser-
viu quando Mestrinho ocupou pela
segunda vez o governor do Estado),
dos deputados federais Carlos Souza
e Humberto Michiles amboss do PL
amazonense) e do deputado Paulo
Rocha, do PT do Para. Mesmo assim,
nao conseguiu derrubar Tostes.
Nao oferecendo o resultado dese-
jado, teria sido dispensado pelos seus
contratantes. Ao insistir em cobrar os
R$ 300 mil que estariam pendentes,
Sergio foi enquadrado na condicao de
extorsionario e preso quando recebia
o dinheiro, num shopping da capital
bar6. Jos6 Lucio de Souza o denun-
ciou a policia. Disse que estava sen-
do ameacado pelo lobista com um
dossier, segundo o qual teria enrique-
cido ilicitamente.
Ao chegar a cadeia como mero
chantagista, Sergio virou o caso de
cabega para baixo contando, com mi-
nticia de detalhes, a hist6ria do lobby
para conseguir as nomeag6es de Jos6
L6cio e Ant6nio Serrao, como parte de
um esquema de contrabando e sone-
gacAo de impostos.
No depoimento que prestou a Poli-
cia Federal, acompanhado por um re-
presentante do Ministdrio P6blico Fe-
deral, Sergio disse que por tras de todo
o grupo estaria o ex-senador Carlos Al-
berto De Carli. Ele manobraria atrav6s
do director operacional do porto, Ales-
sandro Bronze Toniza. Num encontro
em Brasilia, Sdrgio disse que Alessan-
dro se apresentou como empregado de
De Carli, "pessoa muito influence e que
ostentava cinqtienta milhoes de d61a-
res na DeclaragAo de Renda".
De Carli estava nos Estados Unidos
quando a dentincia foi divulgada. De
1i, negou qualquer ligagao cor o lo-
bista, atribuindo sua hist6ria a uma
manobra do governador Eduardo Bra-
ga. Desde que assumiu o governor, Bra-
ga vem tentando anular o contrato de
gestao do porto de Manaus, que consi-
dera um dos maiores escandalos do
pais. O maior beneficiario 6 o pr6prio
De Carli, que seria o controlador de fato
da empresa concessioniria como pre-
sidente do Conselho Superior de Na-
vegagAo, Portos e Hidrovias. Ocupou


Na sua sentena, o
juiz Roberto
Taketomi acolheu as
16 irregularidades apontadas
pelo Estodo no process de
licitacgo do porto


o cargo at6 abril do ano passado, quan-
do foi destituido pelo governador.
No passado, De Carli participou de
outros imbroglios igualmente vultosos
e polemicos, como a desapropriagao
das Fazendas Unidas, no Amazonas, e
a extragao de madeira da area do re-
servat6rio da hidrel6trica de Tucurui,
no Para, pela Agropecuaria Capemi.
Ligou-se ao empresario Gilberto Miran-
da, hoje um dos homes mais ricos do
Amazonas (embora sua residencia de
fato seja em Sao Paulo) e ao irmao dele,
Egberto Batista, o home poderoso da
Zona Franca de Manaus nas adminis-
tracdes Sarney e Collor.
Se as denincias feitas pelo lobista
sao verdadeiras ou nao, ainda falta apu-
rar adequadamente. Elas s6 tiveram re-
percussao por se inserirem numa mol-
dura que Ihes di credibilidade. Neste
moment o governor do Amazonas tra-
va batalha judicial com os concessio-
narios do porto pelo control do ter-
minal fluvial da capital amazonense.
As empresas operadoras deram par-
tida a demand em marco do ano pas-
sado. Elas reagiram a um ato do gover-
nador, que mudou, atrav6s de lei apro-
vada pela Assembl6ia Legislativa, a es-
trutura juridica da Sociedade de Nave-
gacao Portos e Hidrovias (SNPH), ex-
tinguindo o Conselho Superior do Por-
to, a 6poca presidido por Carlos Alber-
to De Carli.
Mas a primeira vit6ria foi do gover-
no, que se tornou o p6lo ativo da aAo
ao entrar cor um pedido de reconven-
cao e conseguir a antecipagao da tute-
la. Na semana passada, a administra-
cgo estadual reassumiu o control do
porto com base em decisao judicial.
Uma liminar concedida pelo juiz da
vara da fazenda estadual p6s abaixo a
privatizagao dos services portuarios,


efetuada, no inicio de 2002, pelo en-
tao governador Amazonino Mendes (do
PFL), e afastando as empresas Estacao
Hidroviaria e Empresa de Revitalizadao
do Porto de Manaus.
A sentenca do juiz determinou tan-
to a suspensao do contrato de arren-
damento quanto o acordo de acionis-
tas, ordenando ainda o dep6sito em
juizo das parcelas devidas pelas em-
presas ao Estado. Ha mais de tres me-
ses as empresas estao inadimplentes.
Nao s6 deixaram de pagar o arrenda-
mento como as notas promiss6rias dos
240 meses do financiamento que rece-
beram do Estado. A divida jai superi-
or a R$ 70 milh6es. O contrato preve
o cancelamento da concessao quando
o atraso superar 90 dias.
O arrendamento assinado por Ama-
zonino ter prazo de 20 anos, prorro-
gavel por igual period. Como estimu-
lo a operagao, o governor adquiriu 9%
das a6oes das empresas concessionari-
as, por R$ 35 milhoes. Logo em segui-
da revendeu essas ac6es para as mes-
mas empresas, concedendo-lhes 240
meses para o pagamento, com os jurors
pr6-fixados em 6% ano. Essa operaqao
ja teria dado prejuizo de R$ 2 milh6es
ao Estado, s6 nos 61timos dois anos.
Na sua sentenga, o juiz Roberto
Taketomi acolheu as 16 irregularidades
apontadas pelo Estado no process de
licita~ao do porto, dentre as quais: au-
sencia de manifestagao previa do Con-
selho Nacional de Desestatizagco; vi-
cio na escolha da modalidade de licita-
gdo; falta de publicidade minima de li-
citag o; quebra da impessoalidade, por
meio de consult previa as empresas
que viriam operar o porto; constituigao
irregular da comissao de licitacao; one-
rosidade excessive do contrato de ar-
rendamento e acordo de acionistas para
o poder piblico.
Outra das irregularidades seria o nao
cumprimento da lei das licitac6es. A lei
8.666 exige, das empresas participan-
tes, apresentacao de documents de se-
guridade fiscal e qualificagao econ6mi-
co-financeira, cuidado a ser redobrado
em se tratando de empresas estrangei-
ras (como seria o caso de uma das ar-
rendatarias, cor sede em Miami, nos
Estados Unidos). Os documents nao
teriam sido entregues.
A readao do grupo De Carli veio
atraves da fundagao do Instituto Ama-
zonense de Defesa da Cidadania
(IADC), dirigido por seu filho, Paulo,
pr&-candidato a vereador em Manaus.
O institute passou a editar o informa-
tivo "A Guerrilha da Verdade", com
tiragem de 20 mil exemplares, espe-
cializado em acusagces contra a ad-
ministragdo Eduardo Braga. A iltima


2 FEVEREIRO DE 2004 I" QUINZENA Journal Pessoal








edigPo acusava a Superintendencia de
HabitagAo do Estado de comprar com-
putadores com notas fiscais frias, emi-
tidas pela Comercial Castelo Branco.
Depois de publicada, a den6ncia foi
protocolada na vara da fazenda p6bli-
ca pelo pr6prio Paulo De Carli.
Provocado pelo governador, sob a
alegagdo de que computadores e equi-
pamentos do porto de Manaus estari-
am sendo utilizados para a elaboragao
do journal, o Tribunal de Justiga do Es-
tado concedeu-lhe mandado de busca
e apreensao da publicag~o, suspenden-
do sua circulacAo. Eduardo Braga ale-
gou que por trds do informative estari-
am "os interesses econ6micos de um
dos maiores escandalos do dinheiro
pdblico neste pais".
Paulo De Carli anunciou que "A
Guerrilha da Verdade" voltar_ a cir-
cular e antecipou a pr6xima denin-
cia que veiculard: supostas irregula-
ridades praticadas na execugao do
program emergencial dos Igarapes
de Manaus. O program 6 de respon-
sabilidade da Secretaria de Infra-Es-
trutura, dirigida pelo vereador licen-
ciado Bosco Saraiva.
Para De Carli, a decisAo do tribu-
nal significou cerceamento ao direito
de expressao, argumentando que o pe-
ri6dico identifica seus responsdveis,
tem expediente e domicilio certo. Res-
salta que a edigao apreendida "nao
continha e nao cont6m no seu conte6i-
do absolutamente uma agressAo pes-
soal, seja ao governador ou a qualquer
membro de sua administracgo ou a
qualquer cidadAo".
A novela promete se estender ainda
por muitos capitulos. Mas desde jd ofe-
rece algumas lig6es importantes para a
vida pdblica. A principal delas diz res-
peito ao crescimento da via paralela -
e geralmente soturna, propicia a proli-
feragao de personagens controversos -
a da conducgo regular dos neg6cios de
interesse piblico. O perfil de Sergio
Andrade se coaduna corn o papel de
laranja ou de lobista, mas 6 impressio-
nante que corn tdo poucas credenciais
ele se tenha tornado um interlocutor
vAlido para senadores e deputados fe-
derais. Mesmo tendo se candidate duas
vezes a deputado estadual e a verea-
dor sem conseguir votagAo suficiente
para se eleger.
De fato, Sergio nao conseguiu o ob-
jetivo da sua intermediagco, que era a
destituigAo de Jose Tostes para a sua
substituigAo por Jos6 Licio. Mas che-
gou bem perto disso. Parlamentares
que reagiram corn indignagAo quando
a face criminal do lobista se tornou
piblica haviam assinado a lista de in-
dicagao do auditor fiscal da Receita


J person Peres tratou de

ligar para o
superintendent do Receita
Federal, Jorge Rachid,
alertando-o a ndo permitir
que delegados do 6rgdo
fossem indicados por politicos,
"porque do morgem a
corrupgo0"
-

t,


em Manaus para a superintendencia
da regido Norte. Todos dizem que
subscrever listas 6 uma atividade roti-
neira no Congresso, realizada para
agradar amigos e influenciar pessoas,
sem que o conte6do dessas listas es-
teja em causa. E sem que os subscri-
tores recebam em troca beneficios,
como Sergio Andrade garante em seu
depoimento que haveria. Para isso ha-
via o fundo de R$ 1,5 milhao, diz ele.
Lama dessa sujeira respingou no
deputado federal Paulo Rocha, o prin-
cipal articulador politico do PT no
Para. Como os outros parlamentares,
Rocha assegurou que mal conhecia o
lobista. Atende-lo nao seria o bastan-
te para conferir significado maior a
essa relacao porque o gabinete de
Rocha estd aberto a todos que o pro-
curam. No entanto, seja por maquia-
velismo do lobista ou desatengao do
deputado, Paulo Rocha chegou a fa-
zer um passeio turistico at6 o hotel
Ariai, no Amazonas, junto cor An-
drade, que usou esse contato como
credencial do lobby. A lancha, des-
crita como de luxo pelo lobista, era
de propriedade de Jos6 L6cio.
O pior 6 que Rocha e os demais
referendaram a indicacao depois de
term recebido um dossier que colo-
cava em divida a seriedade de Tostes
na superintendencia da Receita. Se-
gundo o dossier, Tostes teria sonega-
do do procurador Sdrgio Lauria infor-
magAo sobre um contrabando feito
pela empresa Super Terminais, do gru-
po Di Greg6rio, um dos principals
transportadores de conteineres da
Zona Franca de Manaus.


Nao se sabe se algum dos destina-
tArios da papelada se ocupou em che-
car a veracidade dos pap6is. Na se-
mana passada, por6m, a Receita in-
formou que a arrecadacAo da alfAn-
dega de Manaus cresceu 30,24% no
ano passado, somando R$ 246 milh6es
contra R$ 189 milh6es em 2002. Nao
e comum que uma ma gestao, por in-
competencia ou desidia, produza tal
resultado. Enquanto o dossier prepa-
rado pelo lobista levantava suspeigao
sobre Tostes, explicitamente a inica
queixa dos clients do porto era con-
tra um alegado excess de formalida-
des e rigor da alfandega. Ou seja: in-
dicando que o administrator piblico
agia certo e nao erradamente.
Em articulagAo com a inspetora da
alfandega, Maria Elizia Andrade, Tos-
tes montou, em 2002, a operaqAo que
desbaratou o maior caso de contraban-
do na Zona Franca de Manaus (e um
dos maiores do pais), resultando na
apreensao de R$ 160 milh6es em equi-
pamentos eletroeletr6nicos importados
ilegalmente da Asia.
As empresas fraudadoras simulavam
a importaqgo de insumos para a pro-
ducAo de eletroeletr6nicos no P6lo In-
dustrial de Manaus, quando na verda-
de o que importavam eram produtos
prontos e acabados. Entre as empre-
sas flagradas estava a DM Eletr6nica
da Amaz6nia, do grupo CCE. Esse es-
quema funcionava desde 1999, corn
conex6es em portos do sudeste do
pais, principalmente em Santos. Nio
era golpe de bagrinho.
Para derrubar tal superintendent da
Receita junto a politicos sirios, seria
precise muito mais do que um mam-
bembe dossier de lobista suspeito. Mas
parlamentares das bancadas de cinco
partidos na Amaz6nia embarcaram sem
questionamentos nessa autentica canoa
furada. Talvez porque, como disse o
deputado Carlos Souza, esse seria "um
neg6cio tdo pequeno que nem mere-
ce minha atencgo", embora diga res-
peito a uma atividade que responded
por 90% do PIB do Amazonas e que,
ilicitamente, pode render 10 milh6es
de d6lares todo mes.
O pequeno na volumetria do parla-
mentar, assim, 6 um rombo de tamanho
amaz6nico, gigantesco em qualquer lu-
gar do planet. Que s6 quem nao quer
ver nao vL. Nao parece ser esse o caso
do senador Jferson Peres, do PDT ama-
zonense. Ao ser sondado para assinar a
lista, ele tratou de ligar para o superin-
tendente da Receita Federal, Jorge Rachid,
alertando-o a nao permitir que delega-
dos do 6rgao fossem indicados por poli-
ticos, "porque da margem a corrupgao".
Acertou na mosca.


Jornal Pessoal I' QUINZENA FEVEREIRO DE 2004 4







A
DISTANCIA

O Para parece tao distant
do Amazonas quanto a Terra
de Marte. De duas semanas
de intense noticiario sobre o
escAndalo em torno do porto
de Manaus na imprensa
amazonense, a repercussao
deste lado do mundo
amaz6nico consistiu apenas
de uma materia e entrevistas
feitas pelo Didrio do Pard
cor o deputado federal
Paulo Rocha, do PT.
Felizmente o Didrio teve
essa iniciativa. Paulo Rocha
nao retornou as ligag6es
telef6nicas que os rep6rteres
dos jornais de Manaus lhe
fizeram, assim alimentando
as especulaoges que ali se
faziam a respeito de seu
envolvimento no caso.
Era embaracador o
contrast entire Manaus
fervilhando de informac6es e
boatos sobre o poderoso
lobby e Belem
completamente a margem da
hist6ria, na qual,
involuntariamente, era
personagem principal o
paraense Jos Tostes. Somos
Amaz6nia sem consciencia de
s-lo. A imprensa pouco ou
nada faz para juntar os nexos
e tecer os fios de
aproximagao.

ASSEMBLEIA

No dia 17 A Alunorte
realizard assembl6ia geral
extraordinaria para decidir
se prossegue ou cancela o
piano de ampliacio da
produgao de alumina, em
Barcarena. A empresa se
cansou de esperar por uma
decisao do Coema
(Conselho Estadual de Meio
Ambiente) sobre o
licenciamento ambiental da
mineragio de bauxita de
Paragominas. Sem os quatro
milh6es de toneladas de
minerio, a Alunorte nao
pode aumentar em 1,8
milhao de toneladas sua
produgao atual de alumina.
Com a ampliacgo, a
Alunorte se tornaria uma
das maiores plants de
alumina do mundo.


Ligies para aprender

A primeira e de que nao hd uma autentica solidariedade regional


Ja sem o regime de urgencia, o substituti-
vo do senador Arthur Virgilio neto ao pro-
jeto Sarney da superzona franca vai ter
u m6rito examinado na Comissao da Ama-
z6nia da Camara Federal, mesmo ji tendo re-
lat6rio favorAvel do deputado amapaense
Davi Alcolumbre. Isto se for aprovado o re-
querimento da deputada Ann Pontes, do
PMDB, de convocacao de t6cnicos da Recei-
ta Federal para uma audiencia na comissao.
A bancada paraense deveri votar contra
o projeto, se ele for a deliberacgo, mas as
demais bancadas amaz6nicas, somadas, de-
verao garantir o seu seguimento. Mas 6 pou-
co provavel que a materia passe pela Co-
missao de Constituicgo e Justiga e menos
possivel ainda que seja aprovada em pleni-
rio, ao menos nao pela votagAo simb6lica
dos lideres. A tendencia, agora que o as-
sunto foi mais bem debatido, 6 sua rejeigAo,
como o pr6prio Virgilio diz haver previsto,
fazendo o jogo a favor da iniciativa apenas
para agradar seu colega maranhense (e ama-
paense por filiagao eleitoral).
Mesmo que esse venha a ser o desfecho
da novela, ela oferece lic6es suficientes para
aqueles que ainda sao capazes de apren-
der. A primeira 6 de que nao ha uma auten-
tica solidariedade regional, capaz de justifi-
car a existencia da Onica comissao dedicada
especificamente a uma das regi6es do pais.
t claro que o Pard se posicionou contra o
projeto Sarney/Virgilio por ter sido excluf-
do. Excluido, alids, nao 6 a expressao mais
correta: os paraenses nao se apresentaram
para ser incluidos na media. S6 acordaram
para a situagao quando ela ja havia sido
consumada no Senado.
Apanhados de calga curta, os paraenses
puderam alegar que rejeitariam a proposta
nao porque ela deixava de considera-los,
mas em defesa do principio federativo. Com


ou sem Para, o projeto ofendia a solidarie-
dade national, al6m de umas tantas normas
legais e acordos internacionais. Por isso de-
via ser derrubado. Os representantes dos
demais Estados amaz6nicos nao se tnm mos-
trado sensiveis ao argument e insisted em
ainda conseguir a aprovacao da proposta,
que Ihes garantem algum tipo de vantagem,
nao importando se a custa de mais rentncia
fiscal e sacrificio de outros Estados. Mateus,
primeiro (ou s6) os teus parece ser a filo-
sofia dresses politicos.
Se essa 6 a diretriz, como defender que
permanega existindo a Comissao da Amaz6-
nia e nao tamb6m do Nordeste ou do Cen-
tro-Oeste, ou ainda o Sul e o Sudeste? As
bancadas amaz6nicas precisam reconsiderar
urgentemente sua inusitada existencia an-
tes que ela desaparega.
Outra licao 6 a da desinformagao. Apon-
tada a inexistencia de uma assessoria parla-
mentar do governor do Estado em Brasilia
(embora haja estag6es lotadas de barnab6s
transportados por varios trens da alegria para
a Assessoria Especial), o deputado Zenaldo
Coutinho tratou de apregoar a participagao
do governador SimAo Jatene na frustracAo
do projeto da superzona. t verdade. O go-
vernador realmente mobilizou a bancada
e a colocou em agao, no dia 28, mas depois
de ter tomado ciencia da questao atrav6s da
leitura do journal O Liberal, que ja entrou
atrasado na hist6ria, quando o capitulo do
Senado era materia vencida.
Ao inv6s de recorrer a propaganda en-
ganosa, o governor devia fazer o "mea cul-
pa" e tratar de corrigir a lacuna, providenci-
ando uma assessoria eficiente e capaz de
aciona-lo em tempo real, nao post-facto. Nao
vai poder contar para isso cor a legiao de
batedores de ponto que tem ao seu lado, na
Granja do Icui.


A FEVEREIRO DE 2004 Io QUINZENA Jornal Pessoal









INTELLECTUAL

* Quantas pessoas
redescobriram a Alice, de
Lewis Carrol, gracas A
magnifica traducao feita
por Sebastiao Uchoa Leite?
Muitos. Modestamente,
incluo-me entire eles. A
paribola do pais das
maravilhas passou a ter
outro sabor, acho que at6
mesmo para virios que ji
haviam lido o livro no
original, quando passaram
a contar cor as luzes de
alguns dos achados geniais
de Sebastiao para os
impasses que a
transposicao do ingles para
o portugues criava.
Por isso, queria deixar
registrada aqui a gratiddo
de quem foi beneficiado
pelas traducOes de
Sebastiao e desfrutou o
prazer de seus versos de
sabor tdo original quanto
suas verses. No corre-
corre de reporter
amaz6nico, deixei passar o
obituirio do intellectual
pernambucano, que
morreu no ano passado,
aos 68 anos. Sem a
aten~go merecida da
grande imprensa.


LINGUA

* Num de seus muitos
pronunciamentos, o
president Lula declarou
que o compromisso no
combat a fome deve ser
assumido desde o pais "mais
pequeno" ao maior.
Fiquei feliz. Talvez fruto
de suas andangas pelo
mundo, nosso mandatario jA
estd se iniciando numa
lingua estrangeira: o
portugues de Portugal.


Caso do porto de Manaus

Deveria servir como advertencia para a superzona


Qs defensores da adocao de um regi-
me de zona franca para toda a Ama-
z6nia Ocidental, cor jurisdig~o so-
bre uma area de 2,3 milh6es de quil6me-
tros quadrados, deviam tomar o caso do
porto de Manaus como uma s6ria adverten-
cia sobre a gravidade dessa proposta.
Um ardiloso esquema foi montado para
derrubar administradores que vinham agin-
do para evitar a fraude e substitui-los por
pessoas comprometidas cor o contraban-
do. Embora fosse conhecido o esforco da
Receita Federal e da Alfandega no desmon-
te de uma estrutura de ilicitude, que frauda-
va a Zona Franca de Manaus, muitos politi-
cos de boa ou ma f6 foram tragados por
essa manobra.
Se o grupo que patrocinava operacges
irregulares de entrada e said de merca-
dorias p6de agir cor desenvoltura entire
1999 e 2002, embora tendo como palco
apenas o municipio da capital amazonen-
se, o que nao acontecerA se a franquia tri-
butaria se estender a quase um terco do
territ6rio brasileiro, numa extensAo de ter-
ras de baixa densidade demogrAfica e
enormes distancias?
O tamanho da ameaca que pairou (ou
ainda pode continuar a pairar) sobre os
interesses p6blicos em Manaus ainda esti
por ser completamente avaliado. Espera-
se que a Policia Federal e a Procuradoria
da Rep6blica aprofundem as investigac6es
at6 puxar todas as pontas da armagqo e
identificar os que estAo em suas origens.
Mas jA di para ter uma id6ia da extensao
da trama. Evidenciam-se cor nitidez cada
vez maior personagens que tem figurado
em quase todos os casos controversos de
-associagAo da iniciativa particular cor a
administracgo p6blica no Amazonas, tiran-
do proveito dos canais de drenagem da
Zona Franca.


Empresarios e politicos favorecidos (ou
favorecendo) projetos incentivados consegui-
ram lancetar um elo que estava faltando: a
administracAo do porto. Sob a bandeira mo-
dernizadora da privatizacAo, hi a forte sus-
peita de que houve favorecimento delibera-
do para um grupo, que ter reunido poder
sem igual na conducAo de neg6cios ligando
SAo Paulo a Manaus, cor triangulacao em
Brasilia. Ao inv6s de desbaratar essa criatu-
ra, alimentada pela promiscuidade entire o
governor e a iniciativa privada, o projeto do
senador Jos6 Sarney, aprovado pelos seus
colegas de casa, iria escancarar as portas para
a multiplicag o desses grupos.
Na sua redagAo original, como se mos-
trou exaustivamente na edigAo anterior, o
projeto Sarney visava apenas dar condi6es
para Macapi e Santana evoluirem da con-
digao de zonas de livre com6rcio, na qual
nao conseguirem se desenvolver, para fi-
carem em condigAo de competir cor Ma-
naus, passando a dispor de isengAo tribu-
taria para a transformanao de materia pri-
ma local em produtos de exportagAo. Mil
quil6metros e R$ 190 mil (por cada via-
gem) mais perto do litoral do que Manaus,
Macapi poderia se tornar uma s6ria amea-
Ca para a ZF amazonense.
Foi por isso que o senador Arthur Virgi-
lio Neto, do PSDB, cor a adesdo de seus
conterrineos, os senadores Gilberto Mes-
trinho (PMDB) e Jefferson Peres (PDT),
mais a assistencia da Suframa (Superinten-
dencia da Zona Franca), atropelou a trami-
tag o do projeto. Diz o deputado, em arti-
go publicado no journal A Critica, na sema-
na passada, que tratou de "negociar a so-
lugSo que, nao se podendo dar pela derro-
ta da mat6ria, teria de significar todas as
ressalvas a serem requeridas pelo modelo
de desenvolvimento do Amazonas".
CONTINUA. A 'PAo


Jornal Pessoal i" QUINZENA FEVEREIRO DE 2004


~T~Z~'








CONTINUAAO DA PAG I
Essa said seria a "limitacao da possivel
Zona Franca do Amapa a produtos regio-
nais", dela excluindo o p6lo de industrial
naval, "de modo a preservarmos o acumulo
de tecnologia dos estaleiros amazonenses"
(o que explica a estranha referencia no tex-
to do projeto). A partir desse acerto, segun-
do a reconstituigao do lider do PSDB, o pro-
jeto foi aprovado no Senado "e passou a
constar da pauta de convocacao extraordi-
naria no tocante A Cimara".
As coisas ficaram entao claras para Vir-
gilio: "se o Governo optasse por fazer um
mimo ao seu aliado, 6timo para a Amaz6-
nia. Se, ao contrario, seguisse a 16gica de
Palloci, econ6mica, contrariando [a] de Dir-
ceu, political, e o projeto sucumbisse a meio
do caminho, 6timo, igualmente. A ZFM, em
ambas as situaoges, estava protegida".
Garante que seu objetivo "jamais foi ou-
tra Zona Franca de qualquer cor, que nao
essa, vitoriosa, sediada em Manaus e que
tanto bem tem feito, via Suframa, a Amapi,
Acre, Rond6nia, Roraima e interior do Ama-
zonas. Sem falar no P61o Industrial de Ma-
naus que esta entire os mais relevantes do
Pais". O Brasil todo 6 que nao compreen-
deu o alcance de sua prodigiosa manobra.
"No intimo", Virgilio diz que "nao acre-
ditava que o projeto Sarney ia longe, su-
pondo que essa era a opiniao de Mestrinho
e Peres. Ele diz que estava ciente das impli-
cag6es relativamente a Organizacao Mundi-
al do Com6rcio, ao Mercosul e a Lei de Res-
ponsabilidade Fiscal. A16m disso, havia "o
poder politico real dos grandes Estados, que
di para contornar no Senado, por6m nao
di para derrotar na Camara".
O parlamentar decidiu deixar "o barco
correr", sabendo onde ele ia dar: "No ini-
cio, o Governo se escondeu atras do lider
do PSDB na Camara. O tempo, a seguir,
desafivelou as mascaras. Dirceu tentou falar
por Palloci, que falou por si mesmo: nao
dava para aceitar o Projeto. A bancada do
PT foi na mesma diregao. At6 o PMDB de
Sarney concordou em matar a urgencia".
Conclusao de Arthur Virgilio: "O Go-
verno fica devendo essa a Sarney. Os
'brancos' se entenderao". Para os defen-
sores da Zona Franca de Manaus, o que
importava "era o risco zero para a ZFM
em qualquer hip6tese. E o acordo que fi-
zemos no Senado reduzia o risco a zero
mesmo". O "resto" seria "conversa para boi
dormir. E o povo do Amazonas nem 6 gado
e nem esta com sono".
Uma licao do mais deslavado cinismo,
mas nao da verdade. De cinismo ha uma
abundancia. Arthur Virgilio Neto, o porta-
voz da social-democracia brasileira, procu-
rou seu colega Sarney nao para ajuda-lo a
aprovar seu projeto, mas para mina-lo. Ten-
do conseguido os seus intentos, passou um
atestado de burrice a Sarney, que dele nun-
ca fez jus. Quatro d6cadas de sobreviven-


cia as mudancas de regime e de governor
aconselham maior considerag~o para com
o ex-presidente.
Admita-se, por6m, que Virgilio foi mais
esperto. Ele garante que, mesmo se supe-
rasse todas as cascas de banana jogadas
no seu trajeto e fosse aprovado, o projeto
Sarney nao prejudicaria a Zona Franca de
Manaus gragas a emenda supressiva apre-
sentada pelo senador amazonense, restrin-
gindo de tal forma os beneficios da isen-
cao tributiria que as demais areas favore-
cidas nao poderiam competir com o mu-
nicipio da capital.
Isso 6 balela. Provavelmente Sarney
concordou corn a modificacgo do seu tex-
to original por ver no substitutivo de Vir-
gilio brechas para uma extensao integral
do tratamento fiscal favorecido. Mas ain-
da que isso nao viesse a ocorrer, o p61o
industrial de Manaus perderia dinamismo
e a Zona Franca Verde de Eduardo Braga
estaria minada pela competigao dos de-
mais Estados da Amaz6nia Ocidental, so-
bretudo Rond6nia. Ao contrario do que diz
Virgilio, a atual zona franca quase nada
fez em favor desses Estados. Ou entao o
senador Sarney nao ter-se-ia movimenta-
do para arrancar a socapa a lei para Ma-
capa e Santana. E os representantes de
Rond6nia, Roraima e Acre nao teriam im-
posto a inclusao de seus Estados (enquan-
to os soberbos senadores paraenses dor-
miam a sono solto)
Se o substitutivo Virgilio era tao vantajo-
so, por que ele foi ardilosamente apresen-
tado ji no plenario, quase clandestinamen-
te, quando a tramitagao era de urgencia (que
nao comegou na Camara dos Deputados, ao
contrario do que diz o politico no seu arti-
go, mas no pr6prio Senado, graCas a um
acerto de Sarney com o PT e Lula, tao forte
que o senador Aloizio Mercadante, o mais
votado de Sao Paulo, depois de ter assinala-
do sua oposicao a iniciativa, admitiu que
teria que votar com ela porque essa era uma
exigencia do Palacio do Planalto).
Agora, se todas essas considerag6es sao
improcedentes e vale apenas o que diz o
senador, conclui-se que ele esta mais ou
menos como Winston Churchill na Segunda
Guerra. O primeiro-ministro disse que se
aliaria ao diabo contra Hitler se isso fosse
necessario para derrotar a Alemanha nazis-
ta, que estava destruindo a Inglaterra. O
senador Arthur Virgilio Neto tamb6m seria
capaz de se unir ao diabo para favorecer a
Zona Franca de Manaus.
Ao contrario de Churchill, por6m, o Ama-
zonas nao est~ em guerra. Mesmo porque a
suposta ameaga nao viria de uma nagao es-
trangeira, mas de um Estado da mesma fe-
deragao. Federacgo que o ardiloso senador
estava disposto a enfraquecer e, se fosse o
caso, fazer desaparecer.
Felizmente ele nao pode tanto quanto
pensa que pode.


DIREITO

* Na primeira turma de
Direito formada pelo
Cesupa, 31 sao mulheres e
19 homes. O matriarcado
se consolidou de vez nos
f6runs paraenses.

SONETISTA

* Rodrigo Barata nos
apresenta um soneto
modern e audacioso em
Dermes e Vicios, um
pequeno livro (31 paginas),
quase experimental, no
qual reuniu 10 sonetos,
ilustrados por Renato
Pantoja. Sao versos
carregados de erotismo,
sensibilidade e argtcia,
alegres e descontraidqs,
arejados pela heterodoxia
do autor, que n~o levou em
consideragao certa sisudez
formalista do genero,
conseguindo resultados tao
bons quanto, na forma
picaresca, os de Reynaldo
Jardim. Se uma ou outra
solugAo nao chegam a
satisfazer, 6 porque o
poeta ainda esta atras do
melhor. A perfeigao, final,
6 uma meta.


EDICAO

* A diagramagao do niimero
anterior, trazendo algumas
mudancas, foi reprovada -
integral ou parcialmente -
pela maioria dos leitores.
Curvando-se ao veredicto,
esta edigao modifica as
modificac6es em busca da
aprovagao da maioria.
Aguarda-se pelo novo
pronunciamento. Cor o
devido alerta: s6 tem direito
de voto quem compra o JP.
Comprem!!!


SFEVEREIRO DE 2004 I" QUINZENA Journal Pessoal











Francis ainda vive?

Sete anos depois, sobrevive a boa ficgSo do jornalista que margeava a hist6ria


Hermano Alves, grande jornalista,
se dirigia para uma entrevista
coletiva (acho que dos donos do
petr6leo da Opep), num hotel de Lon-
dres, quando cruzou com Paulo Fran-
cis, que saia do elevador e se dirigia
para o restaurant, em busca do caf6
da manhA.
Para onde vais, "o Hermano" -
tonitruou Francis, do alto de seu ego.
Hermano explicou que ia cumprir
a tarefa que motivara sua viagem a ca-
pital inglesa. Impivido, Francis conti-
nuou sua caminhada na direcgo con-
trdria a da noticia.
Ja sei de tudo que vAo dizer -
ainda justificou-se.
Hermano ia retomar a passada, mas
se voltou para o quase-companheiro:
Francis, me faz um favor.
Pode dizer, Hermano assentiu
o invisivel diarista da corte novaior-
quina cor sua magnanima gentileza.
Segura o mundo pra mim enquan-
to eu estiver na entrevista.
Dizem os cronista que a hist6ria
nao 6 lenda. Verdade pura. Ficticio
ou verdadeiro, o epis6dio serve para
definir quem foi Paulo Francis, o ho-
mem que neste mes complete sete
anos de morto. A data nao passard
nas chamadas brancas nuvens. A
Francis, editor criada pouco tempo
atrds pela her6ica vi6va, a escritora e
jornalista S6nia Nolasco (em socieda-
de cor o jornalista Wagner Carelli),
estd publicando as obras completes do
patrono da casa.
A empreitada comerou pela reedi-
cAo de duas das tr&s obras de ficgao
cometidas por Francis, Cabega depa-
pele Cabega de negro partiess de uma
prometida trilogia, que ficou sem sua
obra derradeira, Cabega). Artigos e
rememorac6es completarAo o esforgo
de nao permitir que as cinzas do tem-
po cubram definitivamente a biogra-
fia de Franz Paulo Trannin da Mata
Heilborn, apagando-a.
Deverdo ser renovadas as velhas
d6vidas epistemol6gicas sobre o va-
lor de cada uma das faces (ou ativi-
dades) exibidas ou desenvolvidas por
Francis no curso de meio s6culo de
vida p6blica. De minha parte, ji nao
ha mais d6vida. Apenas o jornalista
sobreviverd, mas na sua face de cro-
nista de usos & costumes, ou dos
faits-divers, do vaudeville cultural e
da conjuntura political.


Francis bem que tentou, mas nun-
ca conseguiu ser um reporter. A pre-
sungdo, em boa media procedente,
nao Ihe permitia ir atras dos fatos,
mesmo porque, se seguisse o rastro do
varejo informative, perderia a fluen-
cia e o veneno do seu estilo, muito
melhor do que o home.
Tamb6m nunca chegou a literatu-
ra. Dos tres romances que tentou
construir (o verbo cabe nesse caso,
dada a artificialidade do produto), o
unico perene 6 o quarto, que nao
pode ser classificado a rigor de fic-
gao: 6 o Afeto que se encerra, uma
mem6ria deambu-
lante, sem obriga-
go de fazer remis-
sao a bibliografia
ou acender uma
vela a exatidao. ,
Francis nunca se
permitiu ser exato.
Nao ia diminuir a
velocidade da sua
mAquina de escre- -m _
ver (e, depois, do
computador) para
ir atris da confirmagAo do que estava
dizendo. Deixou um flanco enorme
para seus critics azedos explorarem.
Quase tudo que Fernando Jorge cole-
tou de gags e cacos do visconde de
Ipanema 6 exato. Mas Fernando Jorge
6 um chato. Falta-lhe um rtimo da cri-
atividade, da energia, do humor e da
ironia que fazem da leitura de Francis
uma fonte de prazer e de motivagco,
independentemente de acreditarmos
no que ele escreve ou de ser verda-
deiro o que diz.
Nesse sentido Francis fez boa fic-
g5o. Mas como um jornalista que mar-
geava a hist6ria sem preocupagAo de
definig o, girando sua metralhadora de
munig o inesgotAvel, para usar a ve-
lha e sempre eficiente imagem. O me-
lhor que ele legou 6 o que escreveu
movido pelas circunstancias. O que
pretendeu como definitive evaporari.
Ninguem amou Paulo Francis como
Paulo Francis, mas e por isso mesmo
- ele nao teve autocritica capaz de
edita-lo, fazendo-lhe a selegSo. Por
isso sera maltratado at6 que, numa ge-
ragAo mais A frente, possamos encard-
lo nao como profeta, visiondrio ou ar-
tista a frente da sua 6poca, mas naqui-
lo que ele foi plenamente: um home
do seu tempo.


Essa 6 sua marca forte, pessoal e
intransferivel. Os Daniel Piza sdo o
pastiche que ficou, criaturas nascidas
in vitro em torres de marfim e labora-
t6rios. JA envelhecido e emparedado
por seu egotismo, Francis terminou
assim, suscetivel a qualquer virus.
Quiseram responsabilizar o entAo pre-
sidente da Petrobris, que iniciava um
procedimento judicial na justica ame-
ricana para reparar sua honra, supos-
tamente ofendida por artigos do jor-
nalista, quando um enfarte fulminou
Francis, ele ainda ativissimo intelectu-
almente, aos 67 anos de idade.
Besteira. Todo
jornalista precisa es-
tar preparado para
esse risco, princi-
palmente o jornalis-
ta que diz o que
quer. Francis s6
mergulhou na crise
porque seu mundo
real havia se torna-
do uma bolha as-
septica. Ele se havia
isolado atrAs de li-
vros, gatos e miasmas, mas projetava
para o p6blico externo a imagem de
um pretense super-homem.
Cor tudo isso, ele deixou um vA-
cuo. Um direito nAo se Ihe poderd ne-
gar: a conquista do pr6prio espaco.
Ele se formou testemunhando fatos,
indo para as ruas (ainda que em tran-
sito para apartamentos, boates, tea-
tros, cinemas e livrarias, os tais basti-
dores, mat6ria prima para um tipo de
jornalismo sempre valioso), usufruin-
do o privil6gio de uma mem6ria vo-
raz a service de leituras inventivas (ou
"desconstrucionistas", no sentido da
"obra aberta" ou qualquer outra defi-
nicao academi'ca), sem limitac6es de
lingua. Ou seja: um tipo raro no jor-
nalismo brasileiro, provinciano de
regra. Jornalista foi criado para ler,
antes de escrever. Dai essa sensacgo
de precariedade que nos fica ap6s a
leitura dos jornais de hoje. Leitura que
jA nao fazem muitos dos que fazem
esses jornais.
Francis nao era para usar como re-
ferencia para nada. Nele, o melhor era
seu efeito estimulante para superi-lo
ou supri-lo. Dai o afeto intellectual que
provocou nos que o tomaram confor-
me esse parametro. Afeto que, como
se sabe, nunca se encerra.


Jornal Pessoal Io QUINZENA FEVEREIRO DE 2004











A pequenez do governor

No arena dos gigantes da mineraodo e do metolurgia no Pard


O process de licenciamento ambien-
tal da mineragao de bauxita da Com-
panhia Vale do Rio Doce em Para-
gominas foi concluido pela Sectam (Secre-
taria de Ciencia, Tecnologia e Meio Ambi-
ente) com aprovag~o t6cnica. Ha quase oito
meses foram realizadas as audiencias pdbli-
cas, que avaliaram e endossaram o EIA-Rima
(o estudo e o relat6rio de impact ambien-
tal). Desde entdo, o projeto sofre um em-
bargo de gaveta. Cumpridas todas as forma-
lidades t6cnicas e legais, conferida a legiti-
midade social, a tramitacAo depend agora
da vontade do trono. No caso, o trono re-
publicano do governador SimAo Jatene.
Ningu6m diz mas
todo mundo sabe do
que esti acontecendo: 3
o licenciamento e 6
mantido como uma es-
p6cie de ref6m. S6 ser
liberado quando a Vale
cumprir o compromis-
so, tao informal quan-
to o embargo de gave-
ta, e do mesmo diapa-
sao moral, de compen-
sar o Pard pela perda
da fibrica de places de
ago, que sera implan-
tada em Sao Luis do
Maranhdo.
A compensacAo cobrada pelo governor
do Estado 6 a construgAo de 30 mil casas
populares na area de influencia de Carajis.
A CVRD, que nao 6 empresa de construcao
civil nem disp6e de recursos especificos
para essa atividade, diz que cumprird o com-
promisso, mas esta atris de financiamento
compativel com a empreitada. As datas para
a efetivacgo do ato vem sendo sucessiva-
mente adiadas.
Uma hist6ria que comerou torta inevita-
velmente acabard torta. Desde a origem. O
governor contratou uma empresa de consul-
toria para acompanhar os estudos de locali-
zacAo da siderirgica, sem se importar que
esse custo fosse bancado pela pr6pria CVRD.
Os estudos concluiram apontando Sao Luis
como o melhor lugar para receber a fibrica.
O consultor avalizou o trabalho, consideran-
do-o tecnicamente correto. Todos se curva-
ram ao veredicto, inclusive o governor. Mas
ele exigiu que a derrota fosse compensada.
Admita-se que a attitude procede. Qual
seria a compensagao legitima e adequada? A
meu ver, nao a construgco de casas, ativida-
de que nao consta da cesta de neg6cios da
Vale. Mas a empresa se comprometer a be-
neficiar os minerios que extrai in natural.


i
$


Nao se ird exigir que ela implante um em-
preendimento antiecon6mico, claro. O que
deveria fazer seria oferecer todas as condi-
GSes para ensaios sobre a industrializacAo
do min&rio de ferro, do aluminio primario,
do concentrado de cobre, do fosfato e do
mangan&s. A empresa nao executaria mais
sozinha essas tarefas: daria apoio financeiro
para a contratacAo de assessorias e a qualifi-
cacao do corpo t6cnico do Estado. Nada de
jogo de cartas marcadas ou de cabra-cega,
como tem sid o hist6rico do relacionamen-
to entire a CVRD e o Pard.
O mesmo procedimento se aplica a utili-
zacAo da jazida de bauxita de Paragominas.
O governor nao tem o
direito de criar um des-
vio clandestine na tra-
mitagAo regular do li-
cenciamento ambien-
tal, estabelecendo uma
instincia que mergulha
no subsolo da informa-
lidade. Se os estudos
f sAo consistentes tecni-
camente e se a socie-
dade nao impugnou a
atividade nas audienci-
as piblicas, o que cabe
a administracgo p6bli-
ca 6 convocar o Con-
selho Estadual de Meio
Ambiente para a apreciacgo final, as claras
e conforme parimetros legais.
O que se espera de um governor sintoni-
zado cor seu tempo 6 sua atencAo para o
novo impulse do p6lo de aluminio no Esta-
do. Nao deve ser casual que os gigantes do
setor estAo se movimentando nos bastidores
e medindo forcas no mercado. Ha um nexo
nesse movimento. A mina de Paragominas 6
vital para que a produgao de alumina da Alu-
norte pule dos atuais 2,4 milhoes de tonela-
das para 4,2 milh6es de toneladas. O preco
desse insumo esti excepcionalmente alto.
Grande parte do produto sera exporta-
do, assegurando a rentabilidade da Alunorte
e sua autonomia em relagAo a Albras, irmA
siamesa no distrito industrial de Barcarena.
Mas desse crescimento nio resultard ne-
nhum avango na cadeia produtiva? Ela con-
tinuard a se restringir ao discreto aprovei-
tamento do aluminio liquid pela indistria
argentina instalada ao lado? Num moment
em que a Alcoa anuncia investimento de
1,4 bilhdo de d6lares na mina e na ind6s-
tria de alumina em Juruti, o que o governor
do Estado tem feito da uma ideia de sua
pequenez na arena dos gigantes da mine-
racdo e da metalurgia instalados no Parn.


CARTA

* Estou de acordo corn tua
id6ia sobre a necessidade so-
cial da critical das manifesta-
gOes culturais, principalmen-
te quando envolvem a pro-
ducao da academia e 6rgdos
de pesquisa. A louvag~o
pode ser um modo de exer-
cer a critical, se se quer dar
destaque ao bom, silencian-
do ou pondo em surdina o
restante. No Para, a louvagao
dos events realmente im-
portantes 6 rara. Autores, ar-
tistas e cientistas locais vivem
quase sempre a sombra do
esquecimento. Meu objetivo
foi encorajar.
Eu tamb6m notei certas au-
sencias no program do Se-
minArio Landi, mas teria con-
trariado meu objetivo se sais-
se a cata de defeitos.
Por outro lado, nao devias
ter vestido a carapuga ali-
as, amigos falam entire si de
outra maneira. Como quase
advinhas, eu por acaso nao
conhecia teu artigo.
Cordialmente,
Roberto Santos

MINHA RESPOSTA
Com esta carta, Roberto
Santos esclarece: nao foi em
resposta ao meu artigo que
ele escreveu o seu para O
Liberal, louvando o semini-
rio international "Landi e o
seculo XVIII na Amaz6nia",
realizado em novembro do
ano passado, em Bel6m (ver
Jornal Pessoal 315). Rober-
to nao tem lido este journal.
Continue a dele discordar,
cor ou sem carapuca. O Pard
precisa de critical, muita criti-
ca, global e especifica. Criti-
ca nao 6 hagiografia nem hos-
tilidade. I exame atento, cir-
cunstanciado, elucidativo.
Dela podem resultar elogios
ou restrig6es. Raramente uma
obra 6 s6 acertos ou s6 erros.
Combina todos os elements
e 6 nessa complexidade que
deve ser examinada.
O Pard sofre tanto pelos
que nao viram ou nio leram
e nao gostaram como pelos
que, igualmente sem ver,
adoraram. Tudo vago, an6-
dino, postigo, que nio faz a
miquina da consciencia


8 FEVEREIRO DE 2004 I" QUINZENA Jornal Pessoal








> avangar. Mas basta um v6o
de pissaro pelas piginas da
imprensa paraense para ve-
rificar que, sempre com uma
incompetencia de regra, lou-
va-se muito mais do que se
crucifica.
No caso do seminario,
como s6 houve confetes e
serpentinas por escrito, en-
tendi que Roberto respondia
ao Onico texto critic, o meu,
no qual havia alguns elogios
e duas Onicas restrig6es. Mas
meu amigo diz que escreveu
genericamente, sem sequer
ter conhecimento do meu ar-
tigo. Muito bem. Entao que as
vozes an6nimas quebrem, em
relacgo ao seminirio sobre
Landi, a timidez que as fez
recuar no caso da entrevista
do pesquisador David McGra-
th. Como fui o 6nico a colo-
car em letra de forma meu
pensamento a respeito, in-
competente, quem sabe, mas
assumido, mais uma vez fico
exposto ao risco de envergar
carapuca alheia.
E o prego. Afinal, parafra-
seando o senador de cabecei-
ra do PT, tudo pelo social. O
resto 6 silencio.

ERRATAS

Entre os varios errinhos cha-
tos, exige correco a data de
validade da Zona Franca de
Manaus, depois da iltima
emenda constitutional, que
um erro de digitagAo desastro-
so modificou: 6 2023, nao
2013.
O nome da diretora do cur-
so N. S. do Rosario de Fatima,
citada na "Mem6ria do Cotidi-
ano", 6 Almira Bordalo da Sil-
va e nao Bordando, nome que
ficaria melhor no program do
Casseta e Planeta. Ja o seria-
do do cinema, na mesma se-
gao, 6 Texas Granger e nao
Texas Ranger.
Os 57 milh6es de d6lares
que Lula pretend gastar no
seu jatAo executive presi-
dencial permitiria tender
pelo program Bolsa-Fami-
lia 185 mil e nao 185 fami-
lias, 6 claro. A nao ser que
essas 185 fossem as fami-
glias do poder.
A carta do leitor 6 de Ro-
dolfo Lisboa Cerveira.


0 sopro da more



na pagina de journal


Muitos intelectuais fogem das piginas
de journal como o diabo da cruz. Parecem
convencidos que nelas esconde-se o virus
do efemero. Nao apenas nao escrevem
para jornais como tem o cuidado cir6rgi-
co de jamais citar jornais em suas biblio-
grafias enormes. A refernncia a um texto
said num 6rgAo de imprensa poderia re-
presentar o risco de banimento do mundo
academic perante uma banca examina-
dora de tese ou uma n6doa insanAvel em
curriculo encaminhado as agencies de clas-
sificagAo de QI universitario.
Em certa media, sem a syndrome que
transform o cuidado em patologia, es-
ses academicos terdo li suas razoes. Um
jornalista nem sempre se preocupa em
identificar a fonte de referencia de seus
dados ou pontilhar seu texto de nimeros
entire parents que remetem o leitor para
um centilhAo de obras protegidas pelo
imprimatur dos donos do saber. O des-
cuido metodol6gico pode ser fatal para a
obra enquanto element de continuida-
de do conhecimento o acumulado e o
acumulivel.
Tenho vivido na care essa experien-
cia, como um ser hibrido entire as salas de
aula (e de conferencias) e as redag6es. As
vezes, quando vou a langamento de livros,
jA aconteceu de o autor do livro, ao auto-
grafi-lo, agradecer por minha contribui-
gio a nova obra cientifica, sem que haja
no corpo do texto a menor referencia a
esse d6bito. O c6mulo dessas situag6es foi
quando o autor, al6m do aut6grafo aten-
cioso e generoso, juntou uma esp6cie de
para-texto, dizendo o que no livro em si
foi omitido sobre minha influencia na cri-
acao. Entendo e calo-me. Afinal, sao os
ossos do oficio. Quem quer fazer carreira
precisa se ajustar aos canones da elite aca-
demica, refratiria a esses elements da
transitoriedade, que perdem vigencia an-
tes mesmo que as paginas do journal co-
mecem a amarelar.
Mas sera que tudo o que vai para a im-
prensa esta condenado a ser efemero mes-
mo? Datado como sou, nunca me importei
muito cor esse mandamento da tAbua das
leis do saber. Leio journal com enorme pra-
zer, inclusive nos tempos atuais, quando
esse prazer 6 vasqueiro. Certos textos, que
sempre leio e releio sem perder a graga e
o encantamento, s6 consigo ler na sua mol-
dura jornalistica. No format mais sisudo


e exigente do livro, a espontaneidade da
fruigAo desaparece.
No entanto, ha os que se mostram cada
vez maiores com o tempo. Uns acabaram
por adquirir status de obra literaria ou ci-
entifica, ou as duas coisas. Outros ficam
prisioneiros de seu format at6 serem lo-
calizados por algu6m de olhar clinic,
como aconteceu cor SousAndrade e os
irmAos Campos.
Elias Pinto, fazendo o necrol6gio de
Paulo Francis na sua pagina de leitura do
Didrio do Para, no domingo passado, diz,
com exatidao, que Francis gostaria de ter
a expressAo que Gore Vidal e Tom Wolfe
alcangaram nos Estados Unidos como jor-
nalistas e escritores, mas que tera sorte
"se nao acabar feito Joao do Rio, Hum-
berto de Campos e Benjamin Costallat".
Elias acha que Francis 6 maior do que to-
dos esses.
Nao acho. Joao do Rio (batismo literi-
rio de Paulo Barreto), por exemplo, ape-
sar do relangamento de seus livros e do
recebimento critic favoravel, me parece
muito menos interessante do que seu gran-
de e mordaz critic na imprensa da 6po-
ca, o mineiro Ant6nio Torres, um diabo
que pulou do altar da Igreja para os infer-
nos da ironia e do sarcasmo, sem com isso
deixar de seguir a carreira diplomatic,
algo inusitado para um negro como ele
naquele period entire as duas grandes
guerras mundiais.
Costallat 6 mesmo efemero, mas o mes-
mo nao se pode dizer, sem cometer grave
injustiga, do maranhense Humberto Cam-
pos. Infatigivel leitor de seus livros (cer-
tamente pelo menos meia centena), espan-
to-me corn sua qualidade. Nao cai nunca
para o nivel de nosotros, quando obriga-
dos a escrever todos os dias. Cultura am-
pla, mem6ria prodigiosa, escrita leve e sa-
borosa, ironia tao bem cultivada que cer-
tamente fez alguns chens (ou jabacul6s)
sem deixar de gozar o patrocinador.
Nada do que deixou Ihe mancha a me-
m6ria. Virou nome de municipio em sua
terra. E completamente ignorado no Pari,
que o acolheu e o fez tornar-se escritor e
jornalista, pontificando na grande redagao
de A Provincia do Pard, do estranho me-
cenas Ant6nio Lemos.
Humberto 6 um caso de efemeridade ime-
recida a contrastar cor tanta imortalidade
mediocre, com os sem titulo academico.


Jornal Pessoal I QUINZENA FEVEREIRO DE 2004












em6ria
SDO

OIDIANO


Vapores
Em 1944, em plena
Segunda Guerra Mundial,
cor suas restric6es ao
comercio de cabotagem, a
Papelaria da Moda (situada
confrontt" A Sapataria
Carrapatoso, na rua Joao
Alfredo), anunciava que
havia recebido "pelos
iltimos vapores" uma "linda
colec~o de artigos para
presentss, que estava
exibindo em suas vitrines.
Os "vapores"
costumavam ser afundados
por submarines alemaes no
litoral brasileiro nessa
6poca.

Livros
Em 1955 a Livraria Olinda
(Rua 13 de Maio, 220) anunci-
ava as "novidades literarias"
que acabara de receber: "As
Amargas, nao...", mem6rias de
Alvaro Moreyra, "o maior cro-
nista vivo no Brasil", em 32
edigAo; "Cafe Society", de Ary
de Andrade, em 22 edigAo, e
"Os Ultimos Dias do Governo
de Vargas", de F. Zenha Ma-
chado, a reconstituig~o "dos 20
dias que abalaram o Brasil",
entire o atentado da rua Tone-
leros e o suicidio de Gettilio
Vargas, no ano anterior.

Radio
Em 15 de outubro de 1955,
um sabado, foi a audigSo de
estreia do "famoso program"
Mtsica, Premios, Alegria!!, "o
maior program de audit6rio
dos uiltimos tempos", na Al-
deia do Radio, no Jurunas, as
16 horas. Teria a participagAo
da Jazz Orquestra do Radio
Clube do Para, grande regio-
nal, orquestra de cordas, Na-
morados Tropicais, Ary Lobo,
Geruza Souza, Celia Rosal,
Joao Silva, Edson Melo, Luiz
Fernando, Carlos Rafael, Can-
tuAria & Banhos.


Quem comparecesse ao
audit6rio da PRC-5 participa-
ria do sorteio de um "maravi-
lhoso radio Phillips" no valor
de 6,5 mil cruzeiros, oferta de
Eurico & Cia. Outros patroci-
nadores do program: Cami-
saria e Modas 3.900, Lima Ir-
mao & Cia., Angona Repre-
sentag6es., Lojas Itamaraty,
Sapataria Moderna, Rendeiro
Auto-Pecas, Colchao de Mo-
las Ypiranga, Fued Michel
Quemel e Guarana Brasil.
Seria um "contagiante sa-
bado alegre".

Luta
Belem veria, em novembro
de 1956, os mais famosos lu-
tadores de vale-tudo, jiu-jitsu
e catch-a-can do Brasil, como
George Gracie, Takeo Yano,
Waldemar Santana, Luiz Car-
los de Mello, Guanair Viac e
Ottuki (Leao do Oriente). Eles
participariam de quatro lutas
preliminares de quatro "roun-
ds" (tres minutes cada) e uma
final, "a maior luta ja realiza-
da no Estado do Para", de oito
"rounds" de cinco minutes.
O ringue seria armado na
"praca de desportos do Clu-
be do Remo". Funcionariam
como postos de venda de in-
gressos o Loyde Aereo (em
cujos avioes os atletas viaja-
riam), Cafe Santos, Lojas Seta,
Confeitaria Palace, Casa das
Canetas e Confeitaria Plaza.

Justiga
Em 1958 o juiz Agnano
Monteiro Lopes, da 64 vara
civel de Belem, recebeu o
apoio da OAB do Para pela
sua defesa da "necessidade
de uma reacao no sentido
de center o Poder
Executive dentro de seus
quadros legais, impedindo-
o de transport a area
constitucionalmente
reservada ao Judiciario e ao
Legislative".
Agnano, um dos
primeiros magistrados
negros do Para,
descortinava diante de si
"um panorama deveras
contristador", vendo um
Executive "cada vez mais
forte e arrogante, abusando
da forga do dinheiro de que


disp6e para intimidar e
corromper os elements
sensiveis dos outros
poderes. Pocos sao os que
o animo de luta e o espirito
de sacrificio nao se deixam
dobrar pela covardia, nem
pelo interesse".
Garantia que sua voz,
"ainda que isolada, se
erguera toda vez que a
Justica for vilipendiada,
principalmente pelos que
tem o dever de honra-la e
enaltece-la".
Agnano Lopes foi
promovido a
desembargador e chegou a
presidir o Tribunal de
Justiga do Estado. O vento
levou suas palavras, mas o
tempo as devolve.
Continuam atuais. Mas nao
tem passado de palavras.

Vitrines
O Magazine 3.900 venceu,
na edigao de 1958, o concur-
so de vitrines promovido
pelo Sesc-Senac e a Agao Ca-
t6lica do
Para. Em se-
gundo lugar I
ficou a loja
Modas Rivo-
li e, em ter-
ceiro, as Lo-
jas Mundial. .
Nenhuma -
delas conti-
nua viva
para contar a
hist6ria.


Extrativismo
Sobral Santos S/A Expor-
tadores garantiam que paga-
vam, em 1963, "os melhores
pregos" aos que lhes vendes-
sem magaranduba, balata, ju-
taicica, copaiba, cumaru, ca-
cau, pimenta, castanha "e
outros produtos da regiao".
Era a economic do extra-
tivismo que ainda sobrevivia.

JK
Atraves de Isaac Soares,
"ilustre amigo e correligiona-
rio", que era o vice-prefeito
de Belem, o senador Jusceli-
no Kubitscheck mandou uma
mensagem aos paraenses,
datada de 17 de fevereiro de


1964, um mes e meio antes
do golpe military que proscre-
veria JK da vida p6blica bra-
sileira. Era uma autentica pla-
taforma eleitoral, Juscelino de
olho na dispute presidential
prevista para 1965, pela qual
imaginava poder voltar ao
Palacio do Planalto.
O senador por Goias pro-
metia que iria assentar 60
rur6polis ao long da rodo-
via Belem-Brasilia e outras 60
rur6polis na Brasilia-Acre,
que viriam a ser "um pass
decisive para o aproveitamen-
to de imensas glebas ainda
nao cultivadas". Iniciaria e
concluiria o asfaltamento da
B-B em 18 meses, colocando-
a como "um dos poderosos
instruments a serving do
progress do Norte"

Televisao
Em fevereiro de 1965 a
TV Guajard comprou todo o
l6timo andar do edificio
Manuel Pinto da Silva para
nele instalar os estidios e
transmissores da emissora,
que comegaria a funcionar
nesse ano. De propriedade
da familiar Lopo de Castro, a
emissora, "genuinamente
paraense", como fazia
questao de destacar, era a
segunda televisao do Pard
(a familiar tambem era dona
da Radio Guajara).
A pioneira foi a TV
Marajoara, da rede dos
Diarios e Emissoras
Associados, de Assis
Chateaubriand, a Rede
Globo da epoca. Do "maior
predio do Norte do Brasil",
a 120 metros de altura, as
antenas da Guajara
estariam "dominando toda
a cidade e assegurando
grande raio de acao".
O contrato de venda do
conjunto de apartamentos
foi assinado pela diretora-
presidente da TV Guajara,
ConceigAo Lobato de
Castro, e o proprietario do
edificio, Manuel Pinto da
Silva. O entao deputado
federal Lopo de Castro e o
jornalista Linomar Bahia,
diretor-superintendente da
Radio, Editora e TV
Guajara, foram testemunhas
do ato.


SIn FEVEREIRO DE 2004 I1 QUINZENA Jornal Pessoal








Imortais I I Hoje! As 15 e as 20 hora
0 reitor da Universidade Federal do Para, Jos6 da Silveira SENSACIONAL ESTReIA!
Neto, e o arcebispo de Bel6m, d. Alberto Ramos, nao tiveram TOUma sensacf
concorrentes para chegar a imortalidade na Academia Para- nova em cadt
ense de Letras, que pleitearam em 1965. Silveira recebeu 17 cena
votos, ocupando o lugar de Raul Braga, primeiro reitor da
UFPA. O arcebispo foi eleito por unanimidade para a cadeira Z.. .

A sessao, presidida pelo academico-governador Jarbas
Passarinho, compareceram outros 12 imortais: Jos6 De Cam-
pos Ribeiro, Silvio Meira, Miguel Pernambuco Filho, Murilo
Meneses, J6lio Colares, Feliciano Seixas, Cindido Marinho da
Rocha, Georgenor Franco, Alonso Rocha, Apio Campos, Abe-
lardo Conduru e Jos6 Maria Conduru.
Por carta, votaram Paulo Maranhio, Aldebaro Klautau,
Thomaz Nunes, Wenceslau Costa e Ernesto Cruz. I



VEJA POR QUE UMA LATA
DE 6LEO A "PATROA" re~ ma do rhm -e.
., MEDOPUE
Sif/, .JOEL McCREA DOMINA
AV GAIL RUSSE LL 7M N A
S / IeO M ll M on i nM llI**....
S^ H / IERBERT MARSHALL .**""- -

m9 PROPAGANDA

SESSAO CINEMA
)r O Olimpia apresentava esse filme em duas
S^ a sess6es, uma a tarde e outra a noite, em
abril de 1947. Cinema, naquela 6poca,
vendia ilusoes. Mas como vendia bem! Antes
de entrarmos, saboreAvamos por bons
moments as sugest6es e sedug6es dos
magnificos cartazes. Nao era mesmo, mestre
S' r Pedro Veriano?




Fabricado por process de refinacIo complettfi
o 6leo 'A PATROA* nio tomr o g6sto dos
alimentos.
Isto represent grande economic no uso. 0 OLEO PATROA
porque.permite o aproveitamento integral da
nesmalporcio emdiversas frituras, deixan- Submetido a refinag~o integral, o 6leo "A
do-aslevese saborosas. Patroa" nao tomava o gosto dos alimentos.
De uma li'da6r deouro,o leo 4A PATROA* Por isso, podia ser usado varias vezes,
Scomi'etaunkntefi nodoro -'puriwimo sen- possibilitando maior economic a dona de
'do, por.isto, excelente tamb6m, pa casa e garantindo leveza e sabor as frituras.
ra q ladas e maion6cs. Por sua "linda cor de ouro", atestando sua
*;E* pureza, e por ser completamente inodoro, o
S6LEO p 6leo da Swifit do Brasil tamb6m era
excelente para saladas e maioneses.
Pelo menos era o que proclamava a
Swro ft do Br l propaganda, sem o contracanto de pessoas
Bu< ,oofuro DA O r Dasil bem informadas, como as gerag6es safde
dos nossos dias. Para a qual 6leo patroa
______ __ significa outra coisa. Mas a origem da
popular expresso pode star no puro e fino
6leo comestivel.
Jornal Pessoal I- QUINZENA FEVEREIRO DE 2004 4











Centro confuso


A prefeitura esti certa em
retirar as horrorosas places de
propaganda que cobrem as fa-
chadas das lojas no centro his-
t6rico de Belem. Quem, ao con-
templar o perfil original dos pr&-
dios, nao se convencer de que a
forma anterior 6 muito melhor
do que os monstrengos atuais de
concrete e metal, deve ser obri-
gado a freqtientar um curso de
alfabetizagio estetica e de bom
senso. Um trabalho de restaura-
gdo, por minimo que seja, nao
terd apenas o efeito de preser-
vacAo arquitet6nica e hist6rica. Certamente
atraird mais clients. Mesmo desinformadas,
as pessoas costumam ser capazes de distin-
guir o bonito do feio.
A prefeitura esta agindo certo, mas pode
nao resolver o problema da desfiguragdo do
centro velho de Belem. Outros ja fizeram o
mesmo e falharam. O prefeito Edmilson Ro-
drigues esti repetindo os erros do passado.
Em primeiro lugar porque o PT nao planeja
e, quando planeja, nao executa o que foi
estudado. Enquanto trata de limpar as fa-
chadas das lojas, a prefeitura nao pode con-
tinuar a obra da Via dos Mercadores, no eixo
Joao Alfredo-Santo Ant6nio.
Nao 6 s6 por falta de dinheiro, fen6-
meno recorrente numa administraqao que


Por forga da responsabilidade que seu
dominio de mercado lhe imp6e, 0 Liberal
nao devia se mostrar tao relaxado com a
mem6ria coletiva, que Ihe cabe registrar
no acompanhamento da vida cotidiana.
Mas seu desleixo evolui (ou involui) cada
vez mais. O exemplo mais recent foi o
obituario de Luiz Paulo Freitas, falecido
na semana passada.
Luiz Paulo trabalhou na casa por tres
d6cadas. Foi reporter, reporter especial e
colunista. Em alguns moments representou
o journal e foi sua image. Nada do que fez
no journal apareceu na magra noticia da sua
morte, aos 58 anos. A empresa nao divul-
gou uma nota f6nebre sua. A cobertura do
sepultamento foi pifia.
Um representante da casa, cor quem
busquei uma explicacao para essa atitu-
de esdrixula, me deu uma explicacao
mais espantosa ainda: nao havia ningu6m
na redagao que pudesse tragar o perfil
do morto. Outra fonte me deu explica-
gco completamente diferente, relaciona-


: trata o orgamento como cri-
agAo ficcional. t porque os
L projetos el6trico e de es-
goto nao foram aprovados
por quem de direito. Por
isso, o calgamento teve que
ser interrompido. Inacaba-
da, a obra transmite uma im-
pressAo de descaso e aban-
dono, que estimula o des-
respeito ao que jA foi feito
e, na evolugAo, a perda par-
cial do investimento.
O que falta 6 a adminis-
tragAo municipal seguir um
enredo complete, do principio ao fim, ta-
refa de que da conta o planejamento, e
nao preparar esse picadinho varejista.
Nao s6 pulveriza esforcos e recursos. Em-
preitadas isoladas nem sempre guardam
coerencia entire si. Outras vezes, o que 6
anunciado nao casa cor o que se faz. E
o caso dessa infeliz ideia de bondinhos
no centro engarrafado, que vai ficar um
pouco pior com a tragdo de novos veicu-
los pelo estacionamento do buraco da
Palmeira. E trata-se de bondinhos el6tri-
cos. Como vira a eletricidade? Area,
como a anacr6nica fiagao do centro co-
mercial, ou subterrAnea?
t o que da administrar pelo m6todo in-
fantil de ensaio-e-erro.


da a um distanciamento entire a empresa
e o jornalista.
Nao importa a explicacao. O fato obje-
tivo 6 que o puiblico e as novas gerag6es
de jornalistas ficaram sem um registro com-
pativel cor a importAncia que Luiz Paulo
teve para a imprensa paraense. Era fiel re-
presentante de uma geragao de profissio-
nais formados nas ruas e que delas extrai-
ram as fontes de sua energia e vitalidade,
passando em frente as informaa6es de to-
das as camadas da sociedade. Circulava in-
cansavelmente, com a curiosidade alerta
para os fatos novos ou interessantes. Essa
sintonia era a responsavel pelo sucesso,
durante varios anos, da coluna Zing, que
acabou incorporada ao seu nome, tao iden-
tificada ela estava com seu autor e este cor
aquilo que 6 a essencia do jornalismo: a
sintonia com as vozes das ruas.
Infelizmente, a rapidez do reporter, sin-
tetizada na onomatop6ia, com a qual Ana
Diniz e Luiz Pinto o rebatizaram, acabou
sendo a da sua morte, tao precoce.


BENE

Benedicto Monteiro
escreveu uma das maiores
obras da literature
amaz6nica, Verde Vago
Mundo, no inicio da decada
de 70, rara combinacAo de
criacao cerebral e instinto.
O livro seguinte,
Minossauro, tem alguns
altos moments e outros
menores. Bastariam esses
dois titulos para credenciar
Benedicto,
independentemente da
irregular bibliografia que se
seguiu, a bem realizar seu
atual projeto, de ingressar
na Academia Brasileira de
Letras, hi muito tempo sem
receber um paraense. A ABL
bem que podia descer das
suas tamancas para abrigar
nosso escritor. Ele receberia
meu voto, se voto eu tivesse
no sodalicio dos imortais.
Alias, a ABL me deu uma
grande decepgdo outro dia.
Foi ao ver a foto do
admiravel Ivan Junqueira, a
quem devemos tantas boas
tradug6es (e versos
pr6prios), brindando o novo
mortal, o senador Marco
Maciel, que, com o mundo
das artes, guard uma 6nica
relagao: o seu perfil i
Modigliani.

INDENIZA AO

Se a decisao da 2a CAmara
Civel do Tribunal de Justiga
do Estado for mantida at6 a
instancia final, a Editora
Abril teri que pagar uma
indenizacao de 350 mil reais
ao juiz federal Ruben Rollo
d'Oliveira. O magistrado se
considerou ofendido por
uma nota publicada pela
revista Veja e iniciou a
agAo, em 2002. Ganhou
todas at6 agora. A iltima
vit6ria foi na apelag~o da
sentenga de primeira
instancia, contra a Abril.


joa Pessoal