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1' QUINZENA ANO XVII JANEIRO NP 315 Journal Pessoal DE 2004 N CE R$ 3,00 A AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO FERROVIA A guerra que todos perderam 0 Para ganhou e perdeu na guerra-relampago para impedir que o dinheiro do Fundo de Desenvolvimento da Amazonia fosse aplicado na Ferrovia Norte-Sul, que esta sendo construida do MaranhBo para Goias, cor conexao para o centro-sul do pais. 0 dinheiro voltou para os cofres da Uni5o. 0 Pard conseguiu uma vit6ria nos iltimos dias do ano passado: impediu que os recursos do Fun- do de Desenvolvimento daAma- z6nia fossem destinados A Ferrovia Nor- te-Sul, que nao traz qualquer beneficio para o Estado, muito pelo contrArio. Mas foi uma vit6ria de Pirro: se a ferrovia, apadrinhada por Jos6 Sarney quando pre- sidente da Repiblica, deixou de receber os 465 milh6es de reais que pretendia abocanhar, graqas a uma manobra de il- tima hora, o dinheiro acabou sendo inte- gralmente recblhido aos cofres do tesou- ro national, para ser administrado pelo Minist6rio da Fazenda. Assim, foi fazer caixa para o superivit fiscal, ou sera des- viado para outros fins. No balanqo final, a Amaz6nia seja a Clissica como a dita Legal 6 que saiu perdendo. O epis6dio comprovou, mais uma vez, o despreparo das lideranCas paraenses para se antecipar As situaq6es e reagir com lucidez quando elas se consumam, a sua revelia. A reaiao comecou quando ojornal O Liberal tomou pdblico, no dia 21 de dezembro, que todo dinheiro pre- visto para o FDA seria aplicado nas obras da Norte-Sul. Desde 2001, a verba do fundo deixou de ter destinaqdo normal por causa da extinqao da Sudam, em de- zembro de 2000. A Superintend8ncia do Desenvolvi- mento da Amaz6nia era quem adminis- trava o fundo, criado graqas A renincia fiscal federal (pela reduqCo do imposto de renda a pagar em troca de aplicaq~o da deduqao tributiria na Amaz6nia). Ao inv6s de financial projetos econ8micos, a verba estava sendo mandada para o te- souro national, deixando de ser aplica- da na Amaz6nia. No inicio de dezembro do ano pas- sado, o deputado federal Siqueira Cam- pos, do Tocantins, props ao chefe da Casa Civil, Jos6 Dirceu, que o dinheiro do FDA fosse aplicado na Norte-Sul. A id6ia recebeu o imediato apoio do sena- dor Jos6 Sarney, em cujo governor a fer- rovia foi iniciada, seis anos atrAs, em meio a um escandalo sobre favorecimen- to de empreiteiro. Mas havia um pro- blema: o fundo s6 pode financial em- preendimentos privados, que retribuem A colaboraqgo financeira do governor cedendo aq6es para a Sudam. A empre- sa responsivel pela Norte-Sul, a Valec, 6 da Uniao, sob a supervisor do Minis- t6rio dos Transportes. Reunida cor o Minist6rio da Integra- Cao Nacional, a Casa Civil decidiu ela- borar uma Medida Provis6ria para auto- rizar a ADA (Agencia de Desenvolvi- mento da Amaz6nia), que substituiu a Sudam e administrard o FDA at6 que o process de recriaqo da Sudam, inicia- do em agosto do ano passado, vi al6m do papel e das intenq6es, a aplicar numa empresa pdblica. Para adiantar as provid8ncias, no dia 19 a Valec Engenharia, Constru- 9qes e Ferrovias submeteu A ADA uma carta-consulta solicitando 465 milhoes de reais para construir mais 365 qui- l6metros da ferrovia, entire Darcin6po- lis e Miracema, no Tocantins. A tra- mitaqdo do pedido ficaria condiciona- da a ediqgo e publicaqdo da MP no Didrio Oficial da Uniao. As tratativas foram interrompidas, ji em pleno cur- so, pela revelaqgo da iniciativa. O fato provocou reaqo da opiniao pdblica paraense, estimulada por O Liberal, vivamente empenhado no assunto para atingir a Companhia Vale do Rio Doce, cor a qual vem brigando editorial- mente e najustiqa, conforme este jor- nal tem noticiado. A Vale 6 uma das mais interessadas na sorte da ferrovia. A senadora Ana Julia Carepa, do PT, endossou as critics, pediu imediatamen- te audiencia ao president Lula e foi pre- miada corn uma audiencia individual, fora da agenda, no dia seguinte ao da solicitaio. O president lhe garantiu que as provid6ncias em favor da Norte-Sul seriam sustadas, o que acabaria aconte- cendo, e que pleitos paraenses contrapos- tos a esse projeto seriam atendidos, o que ficou para depois, como de habito. O re- sultado da mobilize, o nao poderia ter outro titulo: uma vit6ria de Pirro. Ao que parece, a senadora, int6rpre- te da causa paraense, foi ao Palacio do Planalto com um onico prop6sito e de significado negative: impedir que o di- nheiro fosse aplicado na Norte-Sul. Nao apresentou ao president nenhuma alter- nativa operacional, embora tivesse op- q9es ao seu alcance. Uma delas era sim- ples: ao inv6s de seguir no rumo sul, a ferrovia podia se desenvolver em seu eixo norte, vindo para Bel6m ao inv6s de prosseguir at6 Goiania, ponto final da sua caminhada de 2.066 quil6metros, quando teri custado algo como 1,6 bi- lhdo de d6lares. O ramal AqailAndia-Bel6m esta pre- visto, mas apenas nas linhas pontilha- das do mapa do projeto, para paraense ver. Na verdade, a Norte-Sul foi con- cebida para ser um elo entire a ferrovia de Carajas, que transport min6rio para o litoral do Maranhdo, e o sistema sul da Companhia Vale do Rio Doce (ago- ra, em funqao da privatizaqao do trans- porte ferrovidrio, conectando-se tam- b6m cor linhas nordestinas, inclusive a Centro-Atlintica, da mesma CVRD). Nao por acaso, a Norte-Sul foi pro- jetada pela Valuec, empresa de consul- toria da Vale do Rio Doce, criada em 1972 para tratar da ferrovia de Cara- jis, que se transformaria em Valec, em 1987, quando foi absorvida pelo Mi- nist6rio dos Transportes, exatamente na administraq~o Sarney. Incorporagao meio medidnica por- que, na pritica, a CVRD continuou a dar as cartas. Atrav6s de terceirizaq~o, 6 ela quem opera os 215 quil6metros ji implantados da Norte-Sul, entire o ter- minal de Aqailandia, no Maranhdo (onde se encontra com a Estrada de Ferro de Carajds, da Vale), e Estreito (40 quil6metros adicionais estlo em construcqo). A verba da Sudam faria a Norte-Sul chegar a um tamanho madu- ro: 620 quil8metros de extensao. Os pianos consideram a extensao at6 Bel6m nada mais do que figure de re- t6rica. Mas a senadora Ana Jdlia pode- ria testi-la propondo ao president da Repiblica que o dinheiro fosse reser- vado a diretriz eminentemente amaz6- nica da linha f6rrea, no rumo de Be- 16m, e nao A sua expansdo para o sul, embora esta, a rigor, seja a dnica via pensada pelos seus idealizadores. Se nao houvesse boa acolhida, a se- nadora podia tentar transferir parte desse dinheiro para a complementapco da transposicao do rio Tocantins, na hidrel6trica de Tucuruf, que precisa de R$ 360 milh6es e atravessou 2003 completamente A mingua de recursos. Candidate a permanecer inconclusa por mais um governor. Os paraenses ji deviam ter aprendi- do, por outros revezes, que nao podem agir no varejo, por conta-gota. Preci- sam ter uma versao alternative de in- servao no piano que a Uniao executa na Amazonia, contrapondo um piano a outro piano adverse, considerando o caminho para o mar da exportaq~o e nao para dentro das bacias hidrogrificas. A reagqo, por6m, 6 sempre epis6- dica, localizada, imediatista, condici- onada pela iniciativa alheia. Se nao colou a tentative de aplicar na Norte- Sul os recursos do FDA, uma outra investida vai ser feita dentro de pouco tempo, por outro caminho. Nao 6 s6 o modal ferroviario que tangencia o Pard: 6 esse o sentido tamb6m da hi- drovia e at6 mesmo do sistema de dis- tribuiqgo de gas. O traqado de um enorme gasoduto que toca em todas as capitals litoraneas ji esti feito. No seu campo de abrang6ncia o Pard foi dei- xado para o fim, se ainda houver re- cursos para alcancf-lo. Tanto que nem empresa autorizada a operar com o gas existe at6 agora. O Pari, de fato, parou. No mau sen- tido. O que cabe nao 6 continuar a per- guntar por que fazem isso com o Pari, mas porque o Pard nao consegue se fa- zer respeitar. 2 1A QUINZENA/JANEIRO DE 2004 Jomal Pessoal Eleicao de Belem : Propriedade ai r classic? Um dos principals aspirantes ao car- go de prefeito de Bel6m ja esti definido: 6 a senadora Ana Julia Carepa, do PT. A definiqio da outra candidatura de peso esti dependendo exclusivamente da von- tade do ex-goverador Almir Gabriel. Se quiser encarar a principal dispute eleito- ral deste ano, ele ja conta com o apoio pdblico do seu successor, Simro Jatene, que praticamente o lancou para a volta ao Palacio Ant6nio Lemos (desta vez, por eleiq~o direta e nao mais por indicaqgo bionica, como ocorreu em 1985, quando foi nomeado pelo entao goverador Ja- der Barbalho). O confront Ana Julia versus Almir era previsivel. Ambos sao os politicos de maior densidade eleitoral de seus parti- dos. Nem o PT, que comanda a principal prefeitura do Estado, nem o PSDB, que mant6m a adminis- traqco estadual ha nove anos, querem perder essa pr6via de 2006. S6 langardo , outra candidatura se os melhores nomes nao quiserem aceitar a fatalidade. Perder Bel6m significa redu- zir as possibilidades de vit6ria para o go- verno do Estado dentro de dois anos. A escolha de Ana Jdlia significa uma revolucao para o PT belenense. Mesmo sendo a political petista que mais votos tem no Pard, a senadora nao chega a con- trolar um quinto do diret6rio do partido na capital. E de tend6ncia oposta a do prefeito Edmilson Rodrigues. Foi hosti- lizada pelo titular do cargo e hostilizou- o o quanto p6de, quando p6de. As duas tendencias vinham se engalfinhando nos bastidores. Quem podia, engolia as posi- 96es do outro. E a Forga Socialista de Edmilson foi podendo cada vez mais, at6 dominar pelo menos metade dos cargos do partido na capital, al6m de usufruir o domfnio da mtquina administrative, ofe- recendo cargos aos aderentes e fortale- cendo sua militincia. A op9ao por Ana Jdlia acabou che- gando ao PT de Bel6m como uma onda impositiva partida de Brasilia. Lula nao ha de querer ficar privado da prefeitura de uma capital na sua pr6pria luta de 2006. O Palacio do Planalto, por isso, prometeu mundos e funds (pelo menos os que o doutor Palocci autoriza) para demover Ana Jilia do seu prop6sito de aguardar no Senado a possibilidade de disputar o governor dentro de dois anos. Ela, que nunca completou nenhum dos seus mandates eletivos, sabe que essa volubilidade Ihe sera desgastante na campanha. Mas recebeu a garantia de que verbas federais dardo conta desse flanco exposto. Mas a senadora poderi contar com a fidelidade dos seus inimigos interos? Em principio, nao. A reaco da ala da Forqa Socialista, que permaneceu recal- citrante A decisao superior, revelada ao pdblico quando comeqou a ser reprimi- da, ha duas semanas, mostrou o grau de antagonismo de certo setor do PT. Evidenciou tamb6m a disposicqo do prefeito de cortar na pr6pria came se isso lhe assegura a manu- tenqo dos pianos para 2006: sair candidate ao Senado (enquanto o ) deputado federal Pau- lo Rocha 6 o nome que vem sendo trabalhado para o governor Esses petistas parecem te- mer pelo que Ana Jd- lia fard quando sentar na cadeira de Ed- milson, repetindo o que fez nas interini- dades. Enquanto alguns se valorizam para um acordo mais compensador, ou- tros saem atirando. Inclusive porque nao lhes restava outra alternative. E que es- tao caindo do poder. Ja a decisao do ex-governador Almir Gabriel depend de um arremate final: seu convencimento sobre o grau de risco do desafio. O lanqamento da candidatu- ra por Sim~o Jatene, na virada de ano, deve ajudar nas pesquisas de opiniio, que devem estar sendo feitas para dar ao can- didato tucano ndmeros mais confiaveis. Esse pouco que falta, entretanto, 6 decisive para quem nao gosta de perder, como o doutor Almir. Ele quer entrar para ser consagrado, nao s6 para vencer. E esse resultado ainda nao pode ser garan- tido porque ha variiveis fora de contro- le, ao menos no moment. Mas pode-se apostar que o ex-gover- nador, depois de oito anos com as r6deas da miquina estadual, sabe o quanto cus- ta ficar mais dois anos na sombra. Pro- vavelmente por isso deixard as orquide- as mais uma vez de lado para ir colher na horta dos votos. O aniversario deste ano de Bel6m foi um dos mais fracos de todos os tempos. Sem obras de consistancia a apresentar e talvez at6 sem f6lego, a prefeitura dei- xou que uma empresa, a Companhia Vale do Rio Doce, ocupasse espago ao seu lado nas peas de divulgaqo da data. Feito desastradamente in6dito. Mangueira A substituiqio das grandes manguei- ras por esp6cie de menor porte na arbori- zacqo pdblica em Bel6m 6 id6ia dejerico. As grandes arvores realmente causam problems. Mas resolve-los cortando li- teralmente o mal pela raiz 6 reaqdo de quem receita rem6dio para matar o paci- ente. As mangueiras valem muito mais do que suas inconveniancias. Se delas caem frutos que podem ferir pessoas ou causar prejuizos materials, red- nam-se meninos pobres, formem-se com eles grupos de coleta de mangas (muito bem organizados, nem que seja A maneira do coronel Pantaleao, do romance de Mario Vargas Llosa, e pagos, naturalmente) e dis- tribuam-se os frutos por instituiwes filan- tr6picas e as pr6prias families dos menores. A poda pode ser feita da mesma ma- neira, com supervisor t6cnica, que tam- b6m garantiria a eliminagqo das ervas daninhas, que proliferam a larga, maltra- tando ou matando as arvores. Elas pas- sariam a ser tratadas de acordo cor sua importancia, de traqo caracterizador de uma cidade tnica nos tr6picos. Se isto 6 pouco, eu nio sei mais o que 6 muito. S6 sei que o PT, entanguindo as mangueiras de Bel6m, estA maltratando mais do que administraqbes anteriores, que obrigavam as mangueiras a usar po- lainas de cal em datas festival. E o que di entregar a cidade a um pre- feito crianga. Concrete Se as projeqbes da Village se concre- tizarem, a orla de Bel6m sera um pare- dao de concrete, cbmo Nova York. E a imagem do andncio da construtora para o aniversario da cidade, com 17 arranha- c6us ocupando os espaqos e mandando para long a saudivel ventilaqio da Be- 16m de antes dos espigbes, que ainda tei- ma em impedir a transformaqao da capi- tal dos paraenses numa bolha de calor insuportAvel. A Village quer o contrario. Anunciozinho de mau gosto, s6. Be- 16m, situada entire as cotas 4 e 15 do ni- vel do mar, s6 6 Nova York para quem nio 6 capaz de pensar. Journal Pessoal 1l QUINZENA/JANEIRO DE 2004 3 Contra a pistolagem Crimes como o do vereador Addo Lote mostram uma presenqa cada vez maior e mais ostensiva de pistoleiros no interior do Pard e mesmo na ca- pital do Estado. Ndo na forma tradi- cional ou conventional desse Idgu- bre personagem: mal vestido, aparen- cia suspeita, arma visivel por dentro da roupa (ou mesmo exposta), rdsti- co, grosseiro. Ha pistoleiros de boa aparencia, que utilizam armas fornecidas geral- mente pelos agenciadores de seus servigos (aos quais devolvem depois de realizada a tarefa) e que possuem outra atividade regular, que camufla seu nefando neg6cio. Ja hi at6 pis- toleiro com avido pr6prio, obtido com a execuqCo de vitimas de maior valor de mercado. As policies (federal, military e ci- vil) deviam aproveitar a lei do de- sarmamento e proceder a uma ope- raqdo intensive nos principals redu- tos de pistoleiros. Ndo uma gen6ri- ca ofensiva para desarmar cidaddos em geral, mas uma blitz bem orien- tada contra esses profissionais da morte, fazendo uma boa seleqgo de alvos e seguindo uma logistica efi- caz. Ja esta na hora de banir esses abutres da paisagem paraense, ao inv6s de ficar assistindo passiva- mente sua afluencia. Sil ncio acusador Gol contra do Didrio do Pard na busca da profissionalizaqao e da identidade pr6pria, a margem de Ja- der Barbalho: a cobertura do assas- sinato de Addo Lote Resplandes de Souza, vereador de Tucumd. No inicio, em lugar de um noti- cidrio objetivo e factual, o journal publicou verdadeiros editorials em defesa do prefeito do municipio, Celso Lopes, nao por acaso do PMDB. A justiga, o Minist6rio Pd- blico e a policia o apontavam como o principal suspeito de estar por trds do crime. 0 Didrio retrucava, em suces- sivas mat6rias, que tudo nao pas- sava de politicagem. Cord6is de manipulaqao estariam sendo mane- jados pelo chefe da Casa Civil do governor, Jos6 Carlos Lima, do PV, sigla que deverd servir de reforgo Imprensa O Liberal pisou desastradamen- te na bola quando considerou como sendo um prolongamento do expur- go national o racha no PT de Be- 16m. O pr6prio journal teve que reco- nhecer, dias depois, pela palavra do ex-petista Joao Batista de Oliveira, o deputado Babi, que entrevistou na edigqo dominical, nao ser nada dis- so. E cizania dom6stica em torno da candidatura Ana Jilia e da pr6via re- particqo internal do poder caso o par- tido consiga fazer o successor de Ed- milson Rodrigues. Para report a verdade, por6m, o prefeito nao precisava sair dos li- ao governador Simdo Jatene na pr6- xima eleiqdo. Celso Lopes acabou se entre- gando e esti preso na penitencid- ria de Marituba, ji agora na condi- 9go de ex-prefeito, com mandate cassado pela CAmara Municipal e com dois heabeas corpus rejeitados pelo Superior Tribunal de Justiga. Pessoas ligadas a ele estdo foragi- das, apontadas como cimplices do assassinate. E o Didrio nao falou mais no as- sunto, como se ele tivesse deixado de existir e o ex-prefeito ji nao ti- vesse arguments para se defender, exceto apostar no silencio para ten- tar escapar da puniqCo. Como preliminary da attitude edi- torial que o journal poderd ter a par- tir de agora, at6 as pr6ximas elei- cqes, 6 p6ssimo o indicador. mites da compostura e da civilida- de. Mas querendo ir muito al6m do desmentido, para negar o racha na sua Forga Socialista, Edmilson per- deu o equilibrio no trato com o re- p6rter de O Liberal, ofendendo-o. S6 nao foi al6m da agressdo verbal porque terceiros se colocaram entire ele e Raul Thadeu, que, dignamen- te, nao baixou a crista para o atrabi- lidrio alcaide. A imprensa acaba pagando caro (e talvez indevidamente) pelo mau hibito de ser chapa branca. Acostu- ma os poderosos a nao ser incomo- dados, como tnm que ser. Jornalismo de verdade O Liberal estd conseguindo um feito: de- sagradar a gregos e troianos, tucanos e petis- tas. Por forca do seu noticidrio impreciso e des- continuo, diz uma coisa num dia, diz outra coisa no dia seguinte, mas nao faz da correqao o elo entire as duas noticias, deixando-as num mar de contradiq6es. Agiu assim quando transformou a crise do PT no Pard em extensdo da crise national do partido, quando uma nada tem a ver com a ou- tra. Em compensagao, colocou o governor do Estado numa posigqo inc6moda ao atribuir-lhe o prop6sito de devolver o program de macro- drenagem das baixadas de Bel6m ao BID (Ban- co Interamericano de Desenvolvimento), o que seria estapafdrdio: nem o governor pode dele- gar a gestdo a uma instituiqao estrangeira, nem esta pode aceitd-la. Na verdade, ningu6m cogitou a hip6tese, que 6 febril. S6 o journal. Para nao se desmen- tir, 0 Liberal produziu um texto tortuoso, como se um terceiro e nao ele pr6prio tivesse feito a afirmativa (publicada, alias, sem qual- quer referencia a uma fonte da informacdo). Achou que contemporizava tudo reproduzin- do o press release enviado pela assessoria do governor do Estado, pritica que tem levado a imprensa paraense a renunciar a um dos seus maiores deveres: checar as informacaes que repassa ao pdblico. Ao mesmo tempo, a folha dos Maiorana co- memorou uma verdadeira faganha: conseguiu torar-se, pela primeira vez, o 180 maior journal brasileiro, passando a frente de A Tribuna, do Espirito Santo, e de A Tarde, da Bahia, e tor- nando-se o maior do Norte e Nordeste do pais. O fato, 6 6bvio, tem a ver cor a campanha promocional, que distribuiu carros aos leito- res. Quando fez algo parecido, anos atris, a Folha de S. Paulo se tornou o primeiro journal brasileiro a ultrapassar a barreira in6dita de um milhdo de exemplares, que vendia aos do- mingos. Cessada a promogao de premios, o journal tira agora metade da circulacao do ini- cio dos anos 90. A imprensa mundial aprendeu que a gl6- ria proporcionada por esse tipo de iniciativa 6 fugaz. Uma vez encerrada a distribuiqdo de premios, a tiragem volta ao que era, ou me- nos, se a empresa nao aproveita para investor no que assegura conquistas definitivas: a qua- lidade do seu produto. Que, no caso de jor- nal, 6 a informacao. O Liberal, alids, saiu da faixa cinza de qua- lidade jornalistica nos dltimos dias. Foi por haver publicado mat6rias bem apuradas e bem escritas por seus rep6rteres, que tiveram um moment de festa para voltar a se exercitar no que sabem fazer. Tomara que o piquenique seja mais duradouro. Antes que a onda dos carros se tome uma borrasca na praia da vendagem. 1A QUINZENA/JANEIRO DE 2004 Jomal Pessoal Governor Lula: auto-iluminado O PT padece do mal das minorias mes- sianicas: nao interessa o que os exclufdos do seu circulo iluminado pensem ou di- gam, os petistas sao os profetas da verda- de. O que dizem tem que virar lei, mesmo quando o que dizem choque-se ostensi- vamente com a realidade. Nao importa: se suas palavras ainda nao sao a verdade, s8-lo-ao daqui a pouco. Porque isso j esti escrito nos c6dices ou nas estrelas. Li- mitam-se a dar voz (ou "verbalizar", como preferem) aos deuses da fatalidade, dos quais sao os int6rpretes. Predestinados a tarefa. Mocinhos do celul6ide. O president Luis Inicio Lula da Sil- va nao cessa de repetir esse comportamen- to milenarista. Por isso, costuma abando- nar textos adredemente escritos por sua assessoria t6cnica, mesmo quando as cir- cunstancias recomendam medir e pesar cada palavra que sai da boca da autorida- de maxima do pais, como nas cerim6nias oficiais ou nas misses cumpridas fora do Brasil, vinculadas ao protocolo official, cor repercuss6es al6m-fronteira. Tamb6m faz parte desse rito repetir o discurso A exaustao, mesmo quando os pagaos insisted em mostrar que a auto- ridade esti considerando apenas um as- pecto da questao e ignorando outra par- te, talvez at6 mais important. A repeti- qAo criard a verdade quando a verdade, ignorada, maltratada e reprimida por de- liberagao, se tornar detalhe impercepti- vel ou irrelevant. No caso da administragqo petista, ain- da se esti muito long do que fez o nazis- mo com a "solugqo final", mantida fora do foco de interesse do cidadao comum (na Alemanha e fora dela) por mais tempo do que autorizava a noq~o mais elementary de dignidade humana. Certamente nem se chegard a uma distdncia que permit tal paralelismo. Mas a obnubilaqgo do presi- dente da Repdblica, que serve de parame- tro para seus companheiros da adminis- tracao p6blica, ja 6 preocupante. A propaganda federal vem insistindo, desde os albores festivos do fim-de-ano, em estatisticas favoraveis ao governor, alardeadas por ordem do chefe da propa- ganda, Luis Gushiken, e "toques" de seu Midas, Duda Mendonga. O sacerdote lei- go dessa religiao civil, Henrique Meirel- les, president do Banco Central (e ex do BankBoston), recitou o decalogo das "conquistas recentes da economic brasi- leira" perante o Conselho de Desenvolvi- mento Econ6mico e Social, audit6rio de ressonancia para o discurso official. Meirelles provocou satisfaqdo e pal- mas ao apresentar ndmeros sobre o re- sultado primirio da economic em 2003 e seu desempenho desde 1995, a relagqo divida/PIB, a balanqa commercial, o supe- ravit em transaqes correntes, o "risco Brasil", a taxa de cimbio e outras pre- bendas de semelhante quilate. Todos esses indicadores experimen- taram melhora no ano passado. Isto quer dizer que o brutal sacrificio dos brasilei- ros para azeitar e colorir esses ndmeros deu resultado. O que os outros sacerdo- tes, os adoradores do mercado, previam e queriam se concretizou, realizando-se at6 al6m das melhores expectativas. Ja a corrente dos pessimistas cr6nicos tera que arder no 6leo da inveja e do rancor. O cidadao brasileiro apertou ainda mais o cinto, deixando de gastar (com algumas despesas sup6rfluas, 6 verdade, mas sobretudo com comida, moradia, educagqo, sadde e coisas outras asseme- lhadas, excluidas do cardapio internaci- onal do pals com glamour) para que so- brasse dinheiro no orqamento fiscal. O plus gordo foi drenado para a amortiza- qCo da paquid6rmica divida, cobrada tan- to por banqueiros nacionais quanto pela plutocracia international. Fizemos a "liqSo de casa", como re- pete aquele tipo de bom e chat6rrimo - aluno que tira nota alta porque decora os ensinamentos e faz-tudo-que-o-profes- sor-mandar. Aulas que vieram prontas 1~ de fora, trazidas e cobradas pelo mestre FMI. Tao bem feitas que o doutor Mei- relles simplesmente ignorou as duas es- tatisticas mais importantes, ao menos num receituario honest, para tratar o doente da casa (em casa) e nao o levanti- no financeiro de ultramar: a evolugqo da renda e a do emprego. Ambas foram ne- gativas. Inquietantemente negatives. Lula prometeu 10 milhoes de empregos em quatro anos e ji esta devendo 400 mil a tres anos do final do seu mandate. Em 2003 o brasileiro ganhou menos e encontrou menos trabalho. Isso quer di- zer que, para cumprir os compromissos com seu credor, o brasileiro m6dio (nao aquele 1% de canibais, que abocanham metade da renda national) ficou mais po- bre no ano passado. Roto, 6 verdade, mas em dia com o agiota. Recebeu uma agen- da personalizada como pr8mio para en- frentar 2004. E tapinhas nas costas, como merece o bom menino. 0 perfodo abrangido pelas estatisti- cas do president do Banco Central (pe- tista da und6cima hora) comeqa com o primeiro ano do primeiro governor de Fernando Henrique Cardoso e nao por acaso. Meirelles, puxador de samba pe- tista guiado pela partitura da banca mun- dial, quer mostrar que houve de fato uma mi heranga a assumir em 2003, mas ela foi mais bem administrada do que podia prever o mais c6tico dos critics, A direi- ta ou A esquerda do epicentro petista. Seria injustiqa incluir FHC entire es- ses pessimistas, ou teri sido falso o abra- go caloroso e as refer8ncias gentis de Lula ao ex-presidente, no encontro da semana passada, quando ambos receberam pr8mio (e mais 10 mil d6lares para cada um) da Universidade Notre Dame, americana, em nome da corporaq~o Kellog (uma das usi- nas ideol6gicas da livre iniciativa nos Es- tados Unidos), pelos bons serviqos igual- mente prestados a causa (declaradamen- te, a causa democrntica, mas ela 6 apenas o abre-alas, 6 claro). No fundo, o ex-soci6logo e seus alia- dos (e patrons) sabiam que o ex-lider operario seria muito mais 6til e eficiente A causa do que qualquer outro candidate presidential na dispute de 2002, incluin- do Jos6 Serra, do PSDB (em cujo ninho os tucanos nao se beijam: bicam-se). Para que a administraqao FHC pudesse colher em 2003 os resultados celebrados por Lula & coro, alardeando urbi et orbi as excelencias da democracia A brasileira, seria precise que o PT deixasse de impe- dir a aprovaqao das reforms tributaria e previdencidria, como vinha fazendo com a competencia de oposicionistas a qual- quer preco (mesmo que A custa de muita bravata, conforme admitiria, retrospec- tivamente, Lula-jd-li-presidente). Como fazer isso? Ora, passando o ce- tro para Lula & seus petistas (ainda) abs- timios. Dentro do cetro, 6 claro, iam os mesmos textos da reform demonizada (e, portanto, adequadamente anatemati- zada) pelo PT pr6-poder. SolugHo sim- ples e convincente, como o ovo de Co- lombo: o novo PT conseguiu fazer o Congress aprovar os projetos que o ve- Iho PT de entio, corn seus muito 6teis BabAs, Genros & Heloisas, nao deixava descer goela abaixo da naqao. Para nao haver reaq~o adversa ou incompatibili- dades gen6ticas, tratou-se de mandar os politicos de program cantar em outra freguesia, bem abaixo das instancias de- cis6rias de Brasilia. Assim, a crise de cre- dibilidade seria debelada e seus senso- res de aferi~io, como o "risco Brasil", poderiam dar o sinal verde. Para o que? Para o piano B (ou Z, como na 6poca de Collor?), guardado dentro do Journal Pessoal 1- QUINZENA/JANEIRO DE 2004 5 Ningu6m deve comeqar uma briga an- tes de uma razoavel avaliaqao sobre o ad- versirio. Se ele 6 forte o bastante para im- pedir qualquer possibilidade de vit6ria, 6 melhor nao encarar. Mas hi moments em que nao hi outra safda, mesmo quando te- mos consci8ncia da desproporao de mei- os. E o que estA acontecendo no moment no Brasil com a exigencia de identifica- cao dos americanos que chegam ao pais, media adotada a partir do moment em que os Estados Unidos impuseram essa mesma obrigacqo a virios estrangeiros, entire os quais os brasileiros. A providencia ter amparo legal. O procurador da Repdblica em Mato Gros- so, Jos6 Pedro Taques, suscitou o rompi- mento unilateral, pelos americanos, do princfpio da reciprocidade entire os dois pauses. Ojuiz federal, acolhendo o argu- mento, deferiu o pedido para que as au- toridades brasileiras impusessem aos vi- sitantes as mesmas normas a que, em seu pafs, os brasileiros estao sendo obriga- dos a sujeitar-se. Aplica-se, aqui, o mes- mo rem6dio (ou veneno) administrado nos EUA. Se nao valeu para a conviven- cia pacifica, a reciprocidade, em aplica- dao invertida (ou pervertida), vai provo- car uma relaqao conflituosa. O problema 6 que nao hi um mime- tismo somente. Cada americano esti ten- do que suportar um tempo quatro vezes maior para ser identificado no Brasil do que um brasileiro precisa suportar nos Estados Unidos. Os americanos plane- jaram a adoqao dessa provid8ncia. Os brasileiros tiveram que adoti-la em cima da hora, a partir da execuqao da senten- Ca do juiz de Mato Grosso, que tem va- lidade para todo o territ6rio national. Mas nao s6 pela improvisaqao 6 que a execuqao da ordem judicial demora mais. O PIB brasileiro soma nao mais do que 6% do PIB dos EUA. Os ameri- canos podem brigar com o mundo. E n6s, agUentamos brigar com os EUA? Evidentemente que nao. Mas hi momen- tos em que o David tem que encarar o Golias, rezando para Deus estar de plan- tao li em cima para ajudi-lo. ) cofre para quando o control dos apare- Ihos de Estado estiver consolidado sufi- cientemente para permitir um golpe de mao? Ou para o choque de realidade, de que s6 hi um enredo sincr6nico e que, para enfrentar a diacronia, 6 precise mais do que metdforas de Jararaca & Ratinho? Os pr6ximos dias responderao. O PT tem um s6lido program de po- der, que o ministro-secretirio-geral Jos6 Dirceu vai conduzindo com maestria. S6 nao tem um program de governor. Daf o Os americanos estao certos nas exi- gencias que passaram fazer em suas fronteiras depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Passaportes ex- pedidos por muitos pauses sao docu- mentos inconfiaveis. Nao s6 por sua fdcil falsificaq~o. Mesmo oficiais, per- mitem fraudes. Devem ser aperfeiqoa- dos. Mas por que o Brasil nao foi in- cluido no rol dos 27 pafses que dispo- rao de tempo at6 outubro para ajustar seus passaportes as novas normas de seguranca dos Estados Unidos? Por qualquer crit6rio que tenha sido adotado, o Brasil nao podia ficar de fora. A rigor, devia ter havido carencia razoAvel para as modificaq6es para to- dos os pauses cor os quais os EUA tnm relagqes diplomiticas. Com um tergo da riqueza mundial, os EUA sao o inico imp6rio em vigor. Mas ji nao estao na linha ascendente (o auge, diz Gore Vidal, foi entire 1945 e 1950; de li para ci a repdblica ame- ricana reduziu-se a um Estado de Se- guranga Nacional, corn dfvida de qua- tro trilh6es de d61ares para suportar essa estrutura de guerra permanente. Por argtcia de realpolitik deviam re- duzir a presungao e a arrogancia em proveito de uma ostpolitik eficaz. Me- didas legitimas de defesa e preserva- qAo nao podem passar para a humilha- qao dos outros, "o resto". Recebendo os relates de pessoas que foram maltratadas ao chegar ao territ6rio americano, eu pr6prio ji ha- via decidido nao mais voltar aos EUA enquanto essa selvageria busheana es- tiver em vigor. Meu protest, 6 claro, nao move uma palha. Mas a corrente de indignacao, de variado calibre, cu- mulativa, deve ter ventilado o c6re- bro do juiz Julier Sebastiao da Silva quando ele decidiu, pela reciprocida- de, impor aos visitantes americanos o mesmo tratamento dado aos brasilei- ros nos EUA, ainda que cor a agra- vante da diferenca de poderio entire os dois pauses. Eles, agora, que encon- trem uma nova forma de correcao dos que executa se parecer tanto ao roteiro de FHC. Quem examind-lo cor a devi- da atencao deve encontrar a marca do car- bono no papel. A ret6rica socialist 6 o glace para o conteddo neoliberal que, um dia (a mitologia do dia-que-hi-de-chegar, abundante na mdsica popular brasileira), vai ser negado e revertido. Passado o reveillon, o president Lula talvez tenha descoberto, roladas e eva- poradas as aguas ardentes, que se tornou FHC amanha, melhor na reproduqao do Goodbye, EUA 6 1I QUINZENA/JANEIRO DE 2004 Jomal Pessoal problems. Ou encarem diretamente a queda-de-braqo. A reaqao do governor Bush, assumi- da pela triste figure em que se transfor- mou o general Colin Powell quando, de- pois de uma carreira brilhante no Ex6r- cito, decidiu entrar na Casa Branca pela porta lateral, a mais segura para um ne- gro que iria desafiar uma vertente da ar- rogancia imperial se mirasse diretamente a presidencia, essa reaqao deixou de ser t6cnica para ser political. Primeiro a sub- missao do Brasil ao diktat americano. Depois, o vamos ver. Se for coerente e consistent, a diplo- macia brasileira estard prestando um ser- viqo a comunidade international condu- zindo afirmativamente o contencioso, sem ret6rica nasserista nem exibicionis- mo vazio. Sua melhor opqao 6 responder ao voluntarismo americano com a melhor t6cnica diplomatica. Sem deixar de ouvir os clamores de tan- tos brasileiros que tem sido humilhados nos aeroportos americanos, desde 11 de setem- bro de 2001. VWrias tomaram a sibia deci- sao de cortar o territ6rio dos EUA de seus roteiros, se isso Ihes 6 possivel. Para nao ter que tirar o sapato e sofrer algum cons- trangimento mais, vou ficar A distAncia da terra onde Bush e Cheney estao mandando at6 que aquele pals, pelo qual nutro admiragao e respeito, e do qual ji muito usufruf em conhecimento e experi- 6ncia, reajuste sua ostpolitik segundo pa- rimetros de respeito A comunidade inter- nacional, ao multilateralismo e as normas da conviv8ncia entire povos aut6nomos. Digo isso na condiq~o de visitante con- vidado pelo Departamento de Estado para aquelas proveitosas visits que nos pro- porcionam, a minha inesquecivel. Os EUA sao os maiores do mundo, mas nao sao o mundo. E o sao cada vez menos. Estao jogando fora aquilo pelo qual o imp6rio romano (e outros imp6rios mais duradou- ros) tanto se empenharam: a hegemonia cultural. Nenhum imperio se mant6m sem a admiragao, o respeito e o carinho de ul- tramar. Acaba se isolando, se sufocando e desaparecendo. A tend8ncia 6 hist6ria e esti bem clara atualmente. Mas o inquili- no indevido da Casa Branca nao tem sen- sibilidade para essas "coisas". que a matriz nao assumida. Exatamente por ser o outro lado da mesma moeda, o lado at6 entao mantido A parte, como a face oculta da Lua. E nao, como ele pr6- prio imaginava, quando ainda era ape- nas um grande sujeito fazendo political como a arte da bravata, a outra moeda, aquela capaz de financial o Brasil dos sonhos. Dos sonhos brasileiros que se estao a evolar. Por ora ou para sempre? Desfazen- do-me mesmo no ar? Estado e municipio: polemica de 1,99 Seguindo o modelo do lider, o pre- feito Edmilson Rodrigues fez blague. Disse que nao vai receber o program de macrodrenagem das baixadas de Be- 16m, de 265 milhoes de d6lares (mais de 600 milh6es de reais) porque 6 obra de 1,99 do governor do Estado. A declaragdo nao passa de fanfar- ronice, mas nem chega a ser original. O titulo foi criado pelo arquiinimigo de Edmilson, o tamb6m arquiteto Pau- lo Chaves, secretirio estadual de cul- tura, para definir a pobreza das reali- zaq6es do PT na capital. O arquiteto estadual brigando com o arquiteto mu- nicipal sem um poeta federal por perto para tirar ouro do nariz (por alguma razdo desconhecida pela patologia, Bel6m possui uma quantidade enorme, talvez demasiada, tanto de arquitetos quanto de poetas, de prancheta curta e rima de p6 quebrado). A pobreza foi um mote concebido pelos petistas para efeito meramente econ6mico. As obras do PT, contras- tando com as do PSDB e todos os ou- tros partidos anteriores (formados por gente covarde, na frase alterada de Lula), viriam a ser mais baratas por- que nao teriam corrupcqo pelo meio. Administradas com rigor, honestidade e competencia, necessariamente iriam sair mais em conta ao erdrio. E, talvez, com mais qualidade. Seria uma revoluq~o (ao menos nos costumes piblicos) se tal tivesse acon- tecido. Mesmo que os canais de vaza- mento e drenagem de dinheiro ji esti- vessem tamponados, graqas ao empenho do condottieri ao tucupi (cujas contfnu- as temporadas italianas ji o credenci- am ao titulo), a reduq~o de custo tanto podia resultar da lisura dos procedimen- tos quanto da qualidade do material empregado. Se exagerou na metdfora e bateu pesado na expressHo, o arquiteto Paulo Chaves nao foi de todo incorreto na sua venenosa definicao do modo pe- tista de governor Bel6m. O alcaide imaginou retrucar A fera devolvendo-lhe o pr6prio veneno, o maldoso 1,99. Tamb6m nao foi de todo improcedente o titulo aplicado por Ed- milson A conduqao tucana do progra- ma de recuperacao das baixadas de Bel6m. Economia besta foi feita na obra e alguns erros nela acabaram sen- do cometidos, com a delegaqCo de ta- refas a quem, desprovido de meios ou competencia, sublocou serviCo. Mas a macrodrenagem nao chega a ser um produto de 1,99, muito pelo con- trario. Prevista para custar US$ 200 mi- lhoes, ji esta um tergo mais cara. A economic conseguida nos componen- tes de custo teria, na melhor das hip6- teses, sido mais do que compensada pela variaqio cambial. Os resultados do program teriam sido mais expressivos se nao tivesse ha- vido uma estranha incompatibilidade entire a macrodrenagem e seu coman- dante, o ex-governador Almir Gabriel. Por uma dessas pinimas a que o doutor Almir parece ser abundantemente sus- cetivel, e sobre cujas causes talvez s6 os mais intimos estejam bem informa- dos, ele nao deu ao program o refe- rendo que a obra precisava. Sempre que possivel, eu indagava de algumas das fontes mais pr6ximas ao entao governador pelas raizes do possivel desentendimento, mas nao en- contrava explicaqces satisfat6rias. Como o doutor Almir fazia questdo de destacar que o program comeqara de fato com ele e ningu6m mais, dentre os muitos que tentaram ser os pais da crianqa antes dele, talvez o problemi- nha esteja na circunstancia de que o contrato entire o Estado e o Banco In- teramericano de Desenvolvimento te- nha sido assinado, em Washington, pelo execrivel Jader Barbalho. Como de hibito, Jader acertou tudo para o parto e depois deixou de lado a crianga. Sua participarqo na macrodre- nagem se resumiu a dar-lhe vida legal (e alguns inicios entortados, segundo a versdo da administrag~o que o suce- deu). Mas como 6 o seu nome que apa- rece como o pai legal da crianqa, quern for ao cart6rio verificard o fato, ainda que o doutor Almir tenha toda razdo quando reivindica a criaqCo, educagco e forma~go da criatura para o seu go- verno. Ficou, por6m, provavelmente no reprimido inconsciente, alguma coisa por explicar, aclarar e assumir nessa hist6ria. Restos mal digeridos de filho adotivo, qualquer coisa assim. Mas isso 6 detalhe e talvez deta- lhe insubsistente, na visdo do ex-gover- nador. O que interessa, no caso, 6 o valor da obra. O BID procurou resguar- dd-la para que nao fosse mais uma im- posiqdo do poder central. Exigiu acom- panhamento comunit.rio e participacgo dos beneficiarios (e tamb6m da prefei- tura, mesmo ela tendo se esquivado de comparecer com seu dinheirinho, no que foi abonada pelo Estado, entao em fase de namoro). O banco tentou evi- tar que o empreendimento acabasse sendo mais um fator de expulsdo da populaqao por conta da especula~go imobilidria, que viria corn a valoriza- 9do da drea saneada. A macrodrenagem devia ser um verdadeiro program de valorizacqo e desenvolvimento (e de "inclusao social", como agora se repe- te), nao apenas uma obra de saneamen- to basico, como aconteceu nos canais da Almirante Tamandar6 e da Doca. Certamente nao foi nem uma coisa nem outra. Mudou profundamente a pai- sagem da area e seu uso, na maior inter- venqao urbanizadora dos dltimos anos. Mas n~o protegeu e muito menos ain- da desenvolveu seus primitives habi- tantes. E algo tao pr6ximo do 1,99 defi- nido por Edmilson quanto o padrao mu- nicipal ironizado por Paulo Chaves. Mas se o secretirio de cultural, um secretirio de obias avant la lettre, p6de mostrar como fazer melhor (em- bora muito mais caro), o prefeito ain- da tem condicqes de, nos arremates, converter, ao menos em parte, a mes- mice da macrodrenagem enquanto pontap6 nos fundilhos daqueles que, depois de comer o pao amassado pelo diabo, receberam cartao vermelho (quando muito, sob a forma de virias notas de real) na hora de p6r o ban- quete A mesa. Ao inv6s de convidado, viu-se um importuno. Como primeiro pass para servir ao program e ao povo que lhe da causa - as duas administraaqes deviam se reunir, conversar como verdadeiras ser- vidoras pdblicas, A parte suas idiossin- crasias, e contribuir para a melhoria geral da sociedade, ao inv6s de se li- mitarem a essa esgrima impertinente atrav6s da imprensa sobre quem 6 mais 1,99 nessa forma.de exercer o poder primeiro para si e, se der, para os de- mais, a partir da premissa da individu- alidade do lider iluminado. Indepen- dentemente da excel8ncia de cada um deles, por avaligCao externa ou auto- contemplacgo, Bel6m virou isso que um diz do outro: uma cidade 1,99. Journal Pessoal 1 QUINZENA/JANEIRO DE 2004 Outra linha Se a torneira do FDA foi fechada para a Ferrovia Norte-Sul (se 6 que foi mesmo), outra via do governor federal foi aberta para a linha de transmission de energia Norte-Sul II. O BNDES ji assegurou 550 milhoes de reais para a obra, metade do que 6 necessario para completar o percurso de 1.278 quil6- metros no total entire Imperatriz, no Maranhao, e Samambaia, no Distrito Federal. O objetivo do linhao 6 dupli- car a capacidade de transmissao de ener- gia entire o Norte e o Centro-Sul. Ou seja: nos sangrar de energia mais ainda. Exemplo O caso da Ferrovia Norte-Sul noo 6 original. Quando ainda seus escandalos lavravam internamente, a Sudam apro- vou recursos dos incentives fiscais para a Ferronorte, projeto de 1,6 bilhao de d6lares de Olacyr de Moraes, que era entao saudado de rei da soja (e da noite juvenile Teoricamente, a linha tamb6m iria de Cuiabi na direq~o de Porto Ve- Iho e Santar6m, por dois ramais. Mas ela s6 tem caminhado na diregao opos- ta. O que esti em funcionamento sao 400 quil6metros entire o rio Parand, em Mato Grosso do Sul, e o Alto Taquari, em Mato Grosso. E por af vai prosse- guindo at6 o porto de Santos. Destronado do seu reinado de pro- dutor, Olacyr se consola ganhando di- nheiro com o transport da soja. A Amazonia entra nessa hist6ria com o dinheiro sem retorno para Olacyr nao deixar de ser rei. Requiem Caiu o que restava da mascara cli- entelista do Fundo de Desenvolvimen- to do Estado com a transferencia de dinheiro para despesas de custeio dos municipios. A pretexto de socorrer as prefeituras, impossibilitadas de pagar o 13 salario dos seus funcionarios por conta da reduq~o do Fundo de Partici- pacqo dos Municipios, que lhes 6 trans- ferido pela Uniao, o governor se ante- cipou ao fisiologismo que dominard a temporada deste ano at6 as elei9ges municipals, adiantando a grana. O toma 1i logo tera o di ci, claro. O governor Lula transformou em le- tra morta, no ano passado, o compro- misso de desconcentrar o poder. O go- verno Jatene consumou essa meta, s6 que destruindo a pretensa autonomia do poder menor. A Companhia Vale do Rio Doce nao tem mais intermedidrios no Pard: todas as empresas controladas perderam a antiga razdo social e se fundiram na sigla dnica a partir de agora, CVRD. No final do ano passado, com pouca atengao do pdiblico, a Vale incorporou a Mineraqdo Serra do Sossego, que iniciard neste ano a exploragco do cobre de Carajis, a Mineracqo Vera Cruz, que ird explorer a bauxita de Paragominas, e a Vale do Rio Doce Aluminio (Aluvale), holding do setor (que control a Albris e a Alunorte e tem participacao na Mineraqao Rio do Norte, que, por ser coligada, mantdm a denominagdo original), al6m da Docegeo, a subsidiiria de pesquisa geol6gica, cor atuagqo national. Segundo o comunicado da CVRD, a incorporaqdo das companhias "nao envolverd emissdo de novas a95es nem alteraqao no capital social da mineradora". Os ativos da Docegeo, MSS, Aluvale e MVC serao incorporados a CVRD pelo valor contibil do balan9o patrimonial referente a 30 de novembro de 2003. A operaqao "teve como objetivo a simplificaqao da estrutura organizacional da mineradora", diz a sintdtica nota da empresa. Gastard menos com a administracao, import verticalmente as decisbes e difundird sua marca. Punimgo A Cargill acha que nao precisava fa- zer o EIA-Rima (estudo e relat6rio de impact ambiental) para construir seu terminal graneleiro em Santarem porque nio movimentard nele produtos quimi- cos. A autoridade para dizer se o docu- mento 6 condig~o previa para a obra 6 o Ibama, que exigiu o EIA-Rima. A Car- gill resolve desafiar o govero. Com uma autorizacao judicial pre- cdria, a empresa iniciou e concluiu o porto, no valor de quase 20 milhoes de d6lares. Quando comegou a opera-lo, o mandado judicial foi derrubado e a si- tuaqdo voltou ao seu estado inicial: quem pode decidir sobre a mat6ria exi- gindo o EIA-Rima e a Cargill ji sem poder cumprir a obrigacqo porque In8s 6 morta e o leite foi derramado. Nao se deve p6r abaixo a obra que a empresa realizou, mas nao se pode ser condescendente com uma infraqgo le- gal, produzida por arrogancia e prepo- tdncia. Alguma several e exemplar pro- videncia precisa ser adotada nesse meio termo entire a violdncia do estrito cum- primento da lei e o incentive A ilegali- dade e ao abuso. Minha sugestao: aplicar pesada mul- ta a Cargill e reverter o dinheiro para um fundo ambiental e social, que ate- nue os efeitos negatives do porto, pre- vina os problems que ele pode causar, beneficie a area do entorno e garanta os efeitos sociais que a atividade poderd nao gerar se continuar a ser tdo preda- t6ria como seus primeiros movimentos, incluindo o ato de imp6rio da Cargill, estZo a apontar. E sujeitar a empresa a um control pdblico estrito e atento, tratando-a como r6u que perdeu a primariedade. Correio Niomar Moniz Sodr6 Bittencourt nao foi apenas uma sombra do marido entire 1942, quando casou cor Paulo Bitten- court, e 1963, quando ele morreu e ela o sucedeu no comando do Correio da Ma- nha, o journal cor maior influencia ao long da repiblica brasileira. E o que tenta demonstrar Pedro do Coutto, em um artigo demasiadamente curto que escre- veu para o Jornal do Brasil quando dona Niomar morreu. Coutto diz que ela atuou em virios dos conflitos em que se envolveu o jor- nal fundado pelo sogro, em 1901. Infor- ma (para mim, verdadeira novidade) que era ela quem traduzia os artigos escritos em francs pelo vienense Otto Maria Carpeaux, que se tornaria um dos edito- rialistas do Correio, al6m de autor de memoriveis artigos sobre cultural e poli- tica. Com seu primo, Edmundo Moniz (depois convertido ao brizolismo), escre- veria os tr8s editorials seguidos que esti- mulariam os militares A deposiqgo de Jodo Goulart, em marco de 1964. Do 61- timo grande editorial, jA delimitando a nova infletida political do journal, contra a ditadura military em formaqdo pelo ma- rechal Castelo Branco, o co-autor foi o pr6prio Carpeaux. Apesar de curto, o artigo de Pedro do Coutto merecia ter sido comentado. Ain- da mais pela circunstancia de ter sido ele o coveiro do Correio da Manha, sepul- tado sem honra, em cova rasa, em 8 de junho de 1974. A data, pr6xima, podia ser tomada como pretexto para a devida exumaqgo do cadaver, que ainda clama por uma hist6ria decent da sua existdn- cia de 73 anos, sem igual na imprensa brasileira, apesar das manchas, vacila- qCes e quedas ao long dessa trajet6ria. 8 1a QUINZENA/JANEIRO DE 2004 Jornal Pessoal A critical da critical e o valor acadimico. 1 d. O semindrio international "Landi e o s6culo XVIII na Amaz6nia", realizado em Bel6m entire 17 e 21 de novembro do ano passado, foi, "provavelmente, o mais important event de estudos hist6ricos em geral e de hist6ria da arte em particu- lar, realizado nos dltimos anos no Para e, sem sombra de ddvida, o maior do ano corrente nesses dominios", afirma Rober- to Santos, em artigo publicado em O Li- beral de 23 de dezembro. Os muitos e bons resultados alcan- qados pelo seminario atestariam, se- gundo Roberto (que se apresenta no artigo como membro do Instituto His- t6rico e Geogrifico do Pard), o "grau de avanco jA atingido pela cultural aca- demica no Para, nao raro caluniada pelos eternos pessimistas". Talvez por conta dessa caldnia sem fim dos pessimistas de carteirinha do Para, o ex-juiz do trabalho e professor universitario decidiu escrever em favor do seminario, promovido em conjunto pela Universidade Federal do Pari, Universidade da Amazonia e Museu Emilio Goeldi. E possivel que o encontro tenha es- tado sob a ameaqa de maus olhados de inveja e cupidez, ji que, de pdblico, nao houve uma inica manifestaqgo por es- crito. Exceto a minha, neste journal. Aplaudi e louvei o semindrio, parti- lhando por inteiro a opiniio de Rober- to Santos. Fiz apenas duas restriq6es ao event. Uma, foi sobre a exclusdo da arqui- teta Jussara Derenji do rol de palestran- tes ou conferencistas. Jussara ji tem uma alentada bibliografia sobre o tema, que incorpora o produto de suas pesqui- sas na Italia ao que ela aprendeu por aqui mesmo. No mesmo dia da abertura do seminario, alias, Jussara estava justa- mente lanqando um romance sobre a 6poca de Landi (se foi de prop6sito, por algum motivo, essa 6 questdo para tra- tar A parte do semindrio, em suas entre- linhas ou paralelas). A outra restrigqo foi quanto a honra- ria dada (ou autoconcedida) a um dos organizadores do semindrio, o arquiteto Flivio Nassar (com quem eu sempre tive boas relaqSes pessoais, devo logo desta- car), para fazer a palestra de encerramen- to do encontro. Acho que o pr6prio Nas- sar devia ter evitado o favorecimento, quando nada por pudor. Mas tudo bem: A bafa do Guajard os escrdpulos da cons- ci6ncia. O problema 6 que ele falou so- bre um tema que nada tinha a ver com a razao de ser do semindrio. Nassar falou sobre o Pard do s6culo XX. O seminario era sobre Landi e o s6culo XVIII (o que autoriza a observagao de Roberto sobre a indevida ausencia do naturalista Ale- xandre Rodrigues Ferreira). Nao sei se o autor do artigo me lan- qou uma carapu9a. Talvez eu esteja me dando uma importancia que nio tenho. Mas se a carapuqa cabe em minha cabe- qa gradda, peqo-lhe que contradite mi- nhas restriq6es. Acho que elas t6m pro- cedencia, mas estou disposto a acolher ponto de vista contrario e adotd-lo, se convencido a mudar de id6ia. NZo serd a primeira vez. Incomodo-me com o artigo do meu amigo porque, ao inv6s de arejar o ambi- ente intellectual do Pard, ele o torna de mais dificil respiragao. Se eternos pessi- mistas estdo caluniando a cultural acad6- mica do Pard, bolas, d8-se nome aos bois e instaure-se a troca de id6ias, o debate, a controversial. O anonimato dd guarida a alhos, bugalhos e outros components rimados desse saco de gatos pardos. De outra maneira, o ato de critical continuard a ser considerado uma im- pertinEncia, uma demonstragao de md- f6, de pessimismo e at6 de contraven- qgo, para gdudio das elites estabeleci- das (ou, falando mais ao gosto, do esta- blishment). Se a nossa cultural academi- ca jd estd tdo amadurecida quanto diz Roberto Santos, ela pode enfrentar os critics e desfazer seus arguments, ofe- recendo ao distinto ptblico mat6ria pri- ma para sua pr6pria reflexao e conclu- sdo. Ou seja: instruindo e formando opi- nido pdblica, o produto mais nobre da atividade dos intelectuais. O terrivel 6 o contradit6rio de id6ias, motor do avanco civilizat6rio, ficar con- finado a confrarias de fuxicos, a disse- me-disse que nao chega A letra de forma, como aconteceu com a reaaio a entre- vista do pesquisador americano David McGrath A revista Veja (muito e-mail tro- cado pela rede eletr6nica e nenhum arti- go na imprensa local; certamente por mera coincidencia, quando meu artigo saiu a circulaqao via internet murchou). Se hd uma conspiracao de critics amargos e biliosos contra as realiza- 96es culturais paraenses, ela se circuns- creveu a ambientes fechados e ao cir- cuito oral. O dnico artigo de andlise do semindrio foi o meu. E, depois, talvez como resposta nao explicit, o do Ro- berto. Mas se ele falou em tese, igno- rando (por opqao ou por falta de leitu- ra) o que disse estejornal, sua tese, sem terreno fdrtil no qual medrar, 6 mais um adubo para a attitude incivilizada (no velho sentido romano de cives) e co- varde dos que atiram a pedra e tratam logo de esconder a mao. A critical, mais do que necessdria, 6 vital. Critica que consider, entende e valoriza seu objeto de andlise, sem dei- xar de, ao contextualizd-lo, situa-lo em seu tempo, discernir seus pontos positi- vos e negatives, o que diz e o que fez, ao que se propoe e ao que efetivamente ser- ve, o que pretendeu fazer e o que de fato fez (como o servigo que Ezra Pound pres- tou a The waste land, de T. S. Elliot, por muitos considerado o mais important poema do s6culo XX). Tal trabalho de elucidaqCo exige mui- to. Tanto quanto o que transfer para o patrim6nio cultural coletivo. Essa criti- ca, feita por quem sabe do que trata e para que trata, 6 o verdadeiro elo condu- tor da produq~o cultural, o que lhe asse- gura a continuidade, a compreensao e a absorq~o. A luz que nasce do choque dos opostos 6 que faz o mundo avancar, en- quanto a Lusitana roda. Ao menos era assim que se entendia a vida intellectual fecundadora, com mais components diacronicos do que sincr6- nicos, responsdveis pela germinagao do novo num ambiente que tenta se impor pela rotina e a repetiqao, quando se era mais critico do que academico. O que uns continuam a ser e outros, decididamen- te, nao sio mais. Journal Pessoal 1l QUINZENA/JANEIRO DE 2004 9 V Iosr Ite 1962 A DO IDI Carnaval Quem entendia de camaval em Bel6m, no agitado ano de 1962, eram Verbeno Costa, Erastos Ba- nhos (que tamb6m atendia, mati- nalmente, como o palhaco Ale- crim), Ldo Ferreira, Rui Lobato, Rui Guilherme, Pires Cavalcan- te, Careirinho, sargento Nery, Fldvio Aires e Candoca. Eles, pelo menos, foram as pessoas convocadas em janeiro por Vinf- cius Danin para participarem de uma reuniao, na redaqao do ves- pertino O Liberal (que Romulo Maiorana s6 compraria quatro anos depois). No encontro seria decidido sobre a organizag~o do Concurso Regional de Mdsicas Carnavalescas, promoqAo dos Di- arios Liberais S/A, RAdio Difu- sora e Gravadora Brasil. E hoje? Bebida Um pouco antes da quadra car- navalesca desse mesmo ano, ali- ds, entrou em vigor uma porta- ria do secretdrio de Seguranqa Pdblica do Estado proibindo a venda de bebidas alco6licas nas mercearias entire as 18 horas de sdbado e as seis horas da manhA de segunda-feira. Mas a nossa lei seca nao teve vida longa. Aula A aula inaugural da Escola de Servigo Social da Universidade Federal do Pard foi dada pelo professor Amilcar Tupiassu, len- te de sociologia. Seu tema: "a so- ciologia dos pauses subdesenvol- vidos". A ouvi-lo estava o rei- tor, Jos6 da Silveira Neto; a di- retora da escola, Iddlia Mauds; e o inspector federal do ensino, Edgard Pinheiro Porto. O boa-praqa Amilcar tam- b6m se foi muito cedo. O cora- gSo, apesar de imenso, nao agUentou tanta energia. Estocada A Folha do Norte do dia se- guinte ao aniversario do gover- nador (e do seu primeiro ano no cargo) nao perdoou seus ini- migos "baratistas". Publicou esta venenosa nota: "Transcorreram em meio a mais absolute indiferenga do povo os festejos com que pre- tendeu o govero comemorar, ontem, a passage do primeiro aniversario da administraqlo Aurdlio do Carmo. Desde a missa na Catedral, onde se contava a dedo os assis- tentes, entire amigos particulares e politicos, e donde fugiram os funcionarios pdblicos, apesar do ponto facultativo, num mudo [e] endrgico protest contra o cr6- nico atraso de seus vencimentos. No cemitdrio, diante do tdmu- lo do antigo chefe, os transeuntes podiam contemplar a in&dita cena de um reduzido grupo a fingir li- grimas ao esquecido ausente. O sr. Moura Carvalho [prefeito de Belim], retrafdo e cabisbaixo, pa- recia envergonhado... Fulminou o menosprezo pd- blico, no campo de futebol, quando ap6s a fria recepqdo de um sepulcral sil8ncio irrompe- ram apupos de todos os recantos entire gritos de chega, chega! Nio parecia estar-se come- morando o primeiro aniversirio de um governor . Secretariado Durante a comemoraqao do 1 ano, o governador Aurdlio do Carmo deu posse aos seus novos secretdrios: Padua Costa na che- fia de gabinete; Irineu Lobato, secretArio de governor; Firmo Dutra, nas Finangas; Moreira Junior, na EducaqAo; Antonio Vieira, na Secretaria de Obras; Evandro do Carmo, na Seguran- qa; e Pedro Valinoto, na Sadde. Comemoragao A programago para comemorar o aniversirio do governor Aurdlio do Carmo, no dia 31 dejaneiro, comeqaria As 8 horas da amanha, cor uma missa em aqCo de graqas na cathedral da S6. Logo em seguida haveria visit ao tdmulo do general Magalhaes Barata, patrono do "baratismo", que morrera tres anos antes, no exercicio do cargo de govemador. As 10 horas, no edificio Costa Leite, Aur6lio assinaria o aumento dos pensionistas do Montepio dos Funcionrios Pdblicos. Meia hora depois lanfaria a pedra fundamental de cinco grupos escolares "pr6-fabricados", inaugurando e reinaugurando tamb6m o Col6gio Paes de Carvalho, o Grupo Escolar Augusto Olimpio e o posto policial da Terra Firme. A agenda vespertina comeqaria As quatro horas cor o pontap6 inicial da partida entire o Remo e o Bangu, do Rio de Janeiro, no estadio da Tuna (que ainda era Luso Comercial). Do campo de futebol o governador iria para o Palacio Lauro Sodr6 assinar convenio cor a empresa americana Westinghouse Eletric para a ampliacqo dos geradores da usina da Forqa e Luz do Pard e eletrificag~o dos municipios da Zona Bragantina. Tamb6m assinaria o document de cria qo do Centro de Sadde n 3. Fechando o dia, As 22 horas, Aur6lio faria um.discurso de prestagqo de contas de sua administraq~o e daria, logo depois, entrevista coletiva A imprensa. Que pasmem os leitores de hoje - publicaria tudo na edicio do dia seguinte, apesar de a entrevista haver terminado nos primeiros minutes do dia 1. Dias depois tamb6m deveriam ser empossados o padre Leandro Pinheiro, na Produqao, e Rai- mundo Viana, na Secretaria de Interior e Justiga. Advogados Otivio Mendonqa (ainda co- mandando seu escrit6rio de ad- vocacia) foi eleito para presidir o Conselho Seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Bra- sil). O vice-presidente foi Sal- vador Borborema. Arthur Cldu- dio Mello era o 10 secretario e Joao Francisco de Lima Filho o 2. Na tesouraria, Paulo C6sar de Oliveira. PROPAGANDA 0 "Encouragado" no 6pera O Cine Opera (bem antes de virar galeria do sexo) anunciava, em fevereiro de 1962, que iria exibir "Enconragado Potemkin", o film que 117 critics, reunidos em 1958, em Bru- xelas, haviam aclamado como "um dos cinco 9 U VtITA190 i!Sl PRODUMU EM TO0103 05TIMPAt ICINEO E BREW~ F2 A maiores films ji produzidos em todos os tem- pos". Quem foi para uma das sessoes da obra do russo Serguei Eisenstein (com sua fabulosa cena de multiddo nas escadarias de Odessa), naquela sala ainda nova, corn bom som, jogo de luzes e tudo, nao esquecera jamais a emo- Cao. Depois, os filmes de Eisenstein experi- mentariam a proscriqgo, destino que todas as ditaduras lhe reservam. Inclusive a do papd Stalin, quando o roteiro descambava para a in- dividualidade concrete, saindo da bitola estreita dos her6is de papelo encomendados pelo di- ktat do "realismo socialista. Nas "Mem6rias Imorais" (imorais exata- mente porque escapavam ao control centrali- zado do planejamento estatal, o olho-que-tudo- v8 do Grande Irmao), o grande Eisenstein dei- xa registrado o que poderia ter feito se no mer- cado de entao de sua amada Rdssia nao esti- vesse em falta um produto vital para o ser hu- mano: a liberdade. No Brasil, dois anos depois da exibiqio, no ainda faiscante "Opera", do filme semi-documen- tal sobre a revolta dos marinheiros do encoura- qado do poder czarista, essa mercadoria tamb6m seria retirada das prateleiras dos cidadaos. 10 1 QUINZENA/JANEIRO DE 2004 Journal Pessoal Ver-o-Peso real Maril6a da Fonseca (de vestido) e Nilda Me- deiros (de calqa comprida) eram jovens, bonitas, a loucura da rapaziada, e integrantes da chamada alta sociedade belenense. Para que pudessem ser apresentadas por seus clubes (o Pard Clube e o Autom6vel Clube, respectivamente) ao concurso de Rainha das Rainhas do Carnaval de 1962, en- tlo promovido pela Folha do Norte, seus pais ti- veram que ser procurados, em audiEncia formal, para dar a devida autorizaqco. Autorizadas, as duas beldades posam para esta foto no imagine-se Ver-o-Peso, exibindo pe- qas de ceramica da criaqAo local (dentre as quais o inevitivel filtro), que entao eram expostas no cen- tro do mercado aberto, e bichos e personagens (como o cangaceiro) feitos de latex (by Monte Alegre). Observe-se, ao fundo, um cidadao de pa- let6 & gravata passando impavidamente pelo Ver- o-Peso. Mais ao fundo, barcos A vela. Populares. E bastante espaco. A bela e gentil Maril6a foi-se cedo demais, ri- pido demais. O Ver-o-Peso continue. Mas 6 outro. As rainhas tamb6m sao outras, o concurso mudou de dono, o cendrio nao tern mais nada a ver e Be- 16m estd ficando essa depressao de calor por entire a loucura de espigoes de concrete, onde os barges se aboletam para fugir da selvageria cd de baixo. E as mangueiras somam cada vez menos. E, no future, anas, como anao ficard este Estado gigan- te, na profecia do escritor Haroldo Maranhao. Chamines sobre rodas As autoridades do Conselho Regional de Transito estavam nas ruas de Bel6m, em marqo de 1962, para tirar de circulacio os 6nibus "Maria Fumaca", aqueles com chamin6 para expedir os maus humores de seus motors descalibrados. Esses, nao iriam mais cobrar a passage de 10 cruzeiros, que, como de regra, acabava de ser fixada. Diante das autoridades, por6m, passou esse brucutu sobre rodas da Viagqo Excelsior. Desdenhando mais uma vez das ameaqas e confiando na proteqio dos politicos amigos. . yy . -f -- I. -+ .7- y-~~ SW~~' Esse era o onibus da 6poca: carroceria de madeira, fabricada em Bel6m mesmo, colocada sobre chassis de caminhio. Quem ia atris, na cozinha, tinha visao panoramica dos funds, mas nada salutar por causa do rolo de fumaga negra que saia pela chamin6. A linha da Cremaqco, talvez por inspirag~o no forno cremat6rio que Ihe dera o batismo, era a mais poluidora. Mas ainda no se usava correntemente essa palavra na 6poca. Hoje se usa. A palavra e o que ela express. Tudo muda para tudo continuar igual. Danga A sucursal do Pard do Autom6vel Club de Brasil comunicava ao dis- tinto quadro social que no dia 4 de fevereiro realizaria o 1 Concurso de Cha-Chi-Chi de Beldm. A festa co- meqaria As 21 horas. A consumaq~o minima era de 500 cruzeiros. Ah, sim, para os desavisados: Chi-Cha-Chi era uma danqa da moda. Estrada Em fevereiro a Atlas iniciou o transport rodovidrio entire Beldm e as praqas de Sao Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Atrav6s da Bel6m-Brasilia, o percurso era coberto entire 8 e 13 dias pelos ca- minh6es da empresa, que garan- tia "honestidade, seguranqa e pon- tualidade". A filial de Bel6m fi- cava ba rua Gaspar Viana 1056, fone 1831. Bic Al1m dos tradicionais uisques (White Horse, Black White e Grant's, que batiam no figado), dos perfumes (Ramage, Tabu), cosmd- ticos e cigarros (L & M, Marlbo- ro), 3.600 canetas esferogrificas Bic (sim, a prosaica Bic dos nos- sos dias) foram uma das atracqes de um dos leil6es que a Guarda Moria da Alfandega de Bel6m rea- lizou, em marqo. Tudo arrematado e levado para as prateleiras das lo- jas. Coisas do contrabando A para- ense, instituicao da dpoca. Jornal Pessoal 1- QUINZENA/JANEIRO DE 2004 11 Sindical 0 Pacto Sindicalformou sua primeira diretoria em 1962, para dar unidade is apoes de todos os sindicatos paraenses e dos estudantes. Na presiddncia, o bancdrio (e future livreiro) Raimundo Jinkings. Vice-presidente, Floriano Barbosa, que era o president da UAP (Unido Academica Paraense). 0 2" vice-presidente era Arquelau Alcdntara, "trabalhador na indastria ". 0 3" vice-presidente, Roberto Cortez, president da UECSP (Unido dos Estudantes dos Cursos Secunddrios do Pard). Secretdrio-geral, Sd Pereira, "trabalhador no petr6leo ". 0 1 secretdrio era o maritime Sebastido Jaccoud. 0 2, o campones Miguel Branddo. Tesoureiro geral, o metaldrgico Mdrio Sousa; 1" tesoureiro, o comercidrio Francisco Lobato; e 2, o maritime Manoel Felipe. Director de publicidade: Eliezer Rabelo. _____ Mineragao No final do ano passado o desembarga- dor Hilton Queiroz, do Tribunal Regional Federal, em Brasilia, indeferiu o pedido de liminar da Mineragqo Rio do Norte na me- dida cautelar requerida pela empresa contra um auto de infraqgo lavrado em Bel6m pela Receita Federal. A MRN foi autuada por ter reduzido em 20% o seu capital pr6prio, um ano antes, sem destacar os recursos recebidos do governor federal atrav6s de beneficios fiscais e tribu- tarios com os quais foi favorecida ao im- plantar a lavra de bauxita najazida do Trom- betas, em Oriximini (ver, a prop6sito, Jor- nal Pessoal 301). A direcao da Rio do Norte reduziu em 118 milh6es de reais seu capital social, que era entdo de R$ 537 milhoes, por conside- rar que ele havia se tornado excessiveo". Mas a Receita Federal achou que o ato, Semelhanga Jos6 Sarney iniciou sua presid8ncia de cinco anos, em 1985, fortalecendo o Progra- ma Calha Norte, que protege a fronteira amaz6nica. Lula parte para o seu segundo ano com a mesma iniciativa. Dos 7.400 quil6metros de jurisdi- g9o sobre a divisa national, o program passari a cobrir 11 mil quil6metros, ou 2,5 mi- lh6es de quil8metros quadra- dos, chegando at6 o Maraj6. Mais um trago aproximan- do Lula de Sarney, que se tor- naram amigos de infancia. Cumplicidade Sai governor, entra gover- no e essa imoralidade se man- t6m: a convocagao extraordi- naria do legislative para vo- tar, a toque de caixa, mat6ri- as maquiavelicamente deixa- das para a tltima hora. Os projetos bem que podiam ser encaminhados ordinariamen- te e decididos considerando os interesses superiores do Estado. Mas a protelagCo tern via dupla de beneficio: para o executive, garante a apro- vagao sem maior questiona- mento de iniciativas polemi- cas; para os parlamentares, assegura um salirio extra para o period de festas. Quosque tandem, Z6 da Silva? por contrariar normas legais, era indevi- do, autuando a empresa e multando-a em R$ 220 milh6es. Com o indeferimento da liminar, a MRN decidiu fazer logo o dep6sito legal. Atuali- zado, o auto de infragdo ji 6 de R$ 316 mi- lh6es. Mesmo pagando alto, a empresa as- segura a continuidade da demand judicial sem se expor as san96es administrativas. Certamente porque elas seriam bem superi- ores ao valor do dep6sito. A prop6sito: a meta da MRN de chegar a 16,3 milhoes de toneladas de bauxita, pre- vista para 2003, ficard para este ano. No ano passado a produqao bateu em 14 milh6es de toneladas, ainda assim record. Problems operacionais impediram chegar a plena ca- pacidade da mina, ndo por suas reserves, mas pelo limited A navegagSo no rio Trombetas, que chegou A exaustdo de uso. Rondon Felizmente a biografia do marechal Rondon esta sendo re- descoberta. Ele 6 um dos grandes personagens da hist6ria bra- sileira do s6culo XX e de todos os tempos. Fez a linha telegrd- fica avangar pelo sertao bravio sem que seu prego tivesse sido a destruig9o dos habitantes das areas pioneiras que atravessou. Mas o que diria Candido Mariano Rondon se voltasse ao nos- so mundo e testemunhasse novas ameaqas feitas A sobreviv8n- cia dos indios Cinta-Larga, uma das mais dignas tribes dessa regi~o que Rondon enobreceu com sua agqo? Com uma das maiores jazidas de diamante dentro de sua reserve, de 2,7 milhaes de hectares, e com madeira sufici- ente para sustentar produgAo de 300 mil metros cibicos ao ano, os Cinta-Larga podem estar sendo condenados a pas- sar para uma 6poca na qual Rondon 6 apenas uma image no retrato e como d6i. Valorizar Rondon sem considerar sua maior obra, a prote- 9ao dos povos indigenas, 6 escurnio A sua memorial. Recorrencia Por haver alcangado a idade-limite de 75 anos, d. Pedro Casaldiliga j devia ter-se aposentado da diocese de Sao F61ix do Araguaia, que fica mil quil6metros ao norte de Cuiabi, em Mato Grosso. Mas ficard no posto at6 que chegue seu substitu- to, indicado pelo Vaticano, provavelmente em meados do ano. Por isso, ainda no exercicio do bispado, Casaldiliga esti sendo ameagado de morte por se colocar ao lado dos indios Xavantes, que tentam manter sua ocupagao na area na qual devia ter sido implantada a fazenda Suia-Missu, um empre- endimento agropecudrio grandiloqtente da d6cada de 70, no qual o mesmo Vaticano foi apontado como tendo participa- gao acionaria. Parece at6 que as coisas caminham na Amaz6nia para vol- tar ao ponto de partida. Festa Agrade9o e retribuo aos cumprimentos de final de ano, feitos atrav6s de mensagens escritas, de Val6ria Pires Franco (vice-governadora), Mendes Publicidade, Haroldo Bezerra (Cosanpa), Unama, Gileno Muller Chaves, almirante Mario Hermes, "Nato" Azevedo, Correio do Tocantins/Grafecort, Institute de Artes do Pari, Marcos Wilson (Construtora Norberto Odebrecht), Amaz6nia Celular, Lynce Comunicacao, Alexandre Santos, Joao Meirelles Filho, Letrae Comunicagqo, Marcia Lasmar, Lutfala Bitar (Estacon), Gilberta Souto, Andr6a Pinheiro, Bethania Meirelles, Jos6 Otivio Figueiredo, Biratan Porto, Flivia de Castro e Castro, H61io Mairata, Jos6 Tostes Neto, Fabiola Oliveira, Ant6nio Motta, Marco Aur6lio Nogueira, deputada Ann Pontes, Jos6 Marcelino Monteiro da Costa, Ruth Rendeiro, deputada Sandra Batista, FVVP/ MDTX (movimentos sociais de Altamira), Armando Avelar, Alberto Rog6rio, Trajano Oliveira, Graga Campagnolo, Anibal Braganqa, Reginaldo Forti, capita Vanessa, Jos6 de Souza Martins, deputado Zequinha Marinho, Amazon View, Gis61ia Filgueiras, Carlos Vogt, Eduardo Pereira de Carvalho, Museu Emilio Goeldi, Joaquim Passarinho (secretario de obras do Estado), Joao Paulo Mendes (Cesupa), Alvaro Martins, Nelson Sanjad, Adriano Gugliemini, Oswaldo Seva, Tania Mendes, Jos6 Ramos, Adriana Cavalcante .(Natura), Fernando Flexa Ribeiro e Fabiano Coelho (Engeplan). I iJir sal t. rcioFmji nt e(0)47mj6 :i .Sm C n 3 0 a mt |
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