|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
omal Pessoal VA AGENDA AMAZONICA DE LUCIO FLAVIO PINTO 2' QUINZENA JULHO DE 2003 LIDERANQA Para: sem voz Estado potencialmente mais rico da federagdo brasileira, o Pard precisa tomar decis6es certas, na hora certa, para usar bem seus muitos recursos naturais. Mas falta-lhe um grande lider e outras liderangas para entestar os enredos montados al6m de seus limits. E um Estado em orfandade political. O deputado Domingos Dutra, do PT do Maranhao, realizou em maio. um seminario, em Sao Luis, para tentar encontrar explicaqio para um paradoxo: "por que o Maranhao, cor todo o seu potential, continue com os piores indicadores so- ciais do pais". O Maranhao 6 o campeao national da exclusdo social e do analfabetismo. Tern a pior renda per capital e a menor partici- pagdo no PIB (Produto Interno Bruto) en- tre todos os Estados brasileiros. Ao long das l6timas cinco d6cadas, na qual esses indicadores sociais se deterioraram, o go- verno estadual sempre foi aliado do go- verno federal. Deveria, em tese, ser favo- recido pelas verbas de Brasilia. Ainda mais quando um maranhense, o senador Jos6 Sarney, ocupou, durante cinco anos, a che- fia do poder national. Nesse period de meio s6culo, no Maranhdo surgiram grandes obras, como o porto da Ponta da Madeira, um dos me- lhores do mundo, a estrada de ferro de Carajas, a ferrovia Norte-Sul (ainda em construSqo), o p6lo de aluminio e alu- CONTINUA NA PAG._2-'q ANO XVI Ni 305 R$ 3,00 mina da Alumar, um dos maiores do mundo, a usina de pelotizacqo da Vale do Rio Doce, uma das maiores do pais. Logo comegard a ser construida uma usina de places de ago no valor de um bilhdo de d6lares. Visto com inveja por seus vizinhos paraenses, que lhe cedem min6rio e ener- gia para se desenvolver, e reclamam de terem sido transformados no dep6sito de problems, que o vizinho export por nao querer (ou nao saber) enfrentar, o Maranhao nao se senate nem um pouco privilegiado, muito menos agradecido. Seu principal produto de exportagao in- terna 6 a mis6ria, acompanhada ou nao de series humans. O maranhense se transformou no arig6 de d6cadas atris, um migrant compuls6rio. Nesses 50 anos de muita expansao econ6mica e pouco desenvolvimento, o control do poder politico pouco mudou no Maranhao. Durante duas d6cadas quem mandou de fato no Estado foi o "coronel" Vitorino Freire, expressao (e exemplar) de uma oligarquia a antiga. Por quase quatro d6cadas seguintes os poderosos tnm sido os Sarney, cld oli- girquica que, se nao chega a ser propri- amente de novo tipo, 6 de nova tintura (almr disso, sao miltiplos, enquanto Vitorino foi do time do um s6). Se louros sao reivindicados por esses dois mandarins, o 6nus tamb6m Ihes deve ser cobrados. Atrav6s de virios m6todos, licitos ou nio, suas6rios ou coercitivos, eles impediram que surgissem novas liderangas (ou as que surgiram se consolidassem) e que houvesse alternAncia de poder. Esta foi a conclusdo do semindrio ma- ranhense. Talvez nao se chegasse a outro final se a reflexdo fosse transferida para os nossos dominios, cor alguma varian- te (e esta mais do que na hora de juntar- mos nossas reflexes As dos maranhen- ses, capixabas, mineiros, parananenses e cariocas para aprender, ensinar e se for- talecer). Mas enquanto no Maranhao nin- gu6m tem d6vida de quem da as cartas, agora sobre a mesa verde de outro presi- dente da Repdblica (novo em tese, velho na pratica efetiva, ao menos a adotada at6 agora), o Pard, vitima dos mesmos ma- les, 6 obrigado a constatar que, neste moment, esta simplesmente 6rfio de uma lideranga forte. Tem virios caciques menores, par6quias, mas nenhum moru- bixada al6m-divisas. Quem pode falar em nome do Pard fora dos limits territoriais do Estado? Quem, ao falar, tem credenciais para ser ouvido (ou, ao menos, 6, de fato, conhe- cido)? E quem, mais do que falar, pode gritar em nome dos paraenses, princi- palmente num moment como este, em que decisoes graves (como a do p6lo si- derirgico) tam um forte component externo? Ningu6m. Nosso iltimo lider national foi Jader Barbalho. Para o bem (algum), como para o mal (um bocado). Com uma biografia mais limpa, Jader poderia ter representa- do para a VI Rep6blica mais do que Lau- ro Sodr6 foi para a primeira e Jarbas Pas- sarinho para a quinta. Mas sua brilhante trajet6ria political tinha muitas cascas de banana pelo caminho, nao para flagrar os adversarios, mas para derrubar o pr6prio personagem. Subir foi dificil, exigindo todo seu talent. Para descer, foi extre- mamente ripido, record mesmo. Na iltima casca de banana em que Jader escorregou, talvez definitivamen- te, houve a contribuicao silenciosa e maquiav6lica do soci6logo Fernando Henrique Cardoso, ardiloso o suficien- te para matar dois coelhos (que haviam sido seus grandes aliados) de uma s6 cajadada, colocando ambos (Jader e Ant6nio Carlos Magalhdes) para se des- truir. Mas FHC jamais se livraria do pe- rigoso ACM se nao contasse com um politico professional como Jader, que, por sua vez, imaginou estar tratando com um intellectual amador. O engano pode Ihe ter sido fatal. Ou nao? Dizem que o deputado federal ainda age com desenvoltura nos bastidores, beneficiando-se do que construiu ao lon- go da carreira political. Mas, para o bem ou para o mal, ji nao pode mais gritar sem se expor a um risco mortal. Pelos tempos que vdo se seguir, teri que ca- minhar por tetos de zinco quente em noites sem luz com a maciez e a agili- dade dos gatos, se quiser sobreviver ou ter herdeiros politicos de expressao. Qualquer descuido, por menor que seja, podern ser-lhe fatal. Nao por acaso, Jader escolheu o mo- mento (a polemica sobre o novo investi- mento da Companhia Vale do Rio Doce) e o tema (uma usina siderdrgica) para vol- tar a se expor, duas semanas atrns, res- paldado numa questdo t6cnica e num in- teresse coletivo. Deu uma longa entre- vista ao seujornal, o Didrio do Pard, para tentar retomar algum comando da opinion pdblica (e, por extensdo, do eleitorado) numa posiqao de lideranqa, sem conexdo com os escandalos que levaram-no a bem pr6ximo do final da linha. O caso 6 que o Pard esti agora afoni- co. Ja nao bastava estar abdlico. Ficou 6rfio de lideres. A procura de um gran- de lider. Como sempre esteve, alias. Condenado, como na peqa de Samuel Beckett, a esperar e, na espera, a nunca fazer o que precisa ser feito para mudar, melhorar e seguir um caminho melhor. Porque, ao que parece, Godot nunca viri. Ou nao existe. Banco O Banco do Brasil publicou an6ncio de pigina dupla (na imprensa do Sul, 6 claro) indicando as 136 principals operaqres que realizou no ano passado. Apenas duas espe- cificamente no Pard. Uma, de 95 milhaes de d6lares, de financiamento A exportaqlo, com a Albris, a fibrica de aluminio da Compa- nhia Vale do Rio Doce com os japoneses. Outra, da mesma natureza, com a Minera- alo Rio do Norte, no valor de US$ 17,7 mi- lh6es. A MRN, na qual a Vale estA associada a multinacionais do setor, 6 uma das maio- res produtoras mundiais de bauxita. Obra 0 Mangal das Garqas, a tiltima obra do ciclo Paulo Chaves, ocupando a area ao lado do Arsenal da Marinha, na Cidade Velha, foi simplificado em relagao ao projeto original, mas, ainda assim, ficou quase dois milh6es de reais mais caro. O govemador Simao Ja- tene pretend inaugurar a obra em novembro, com pelo menos um ano de atraso. A Agenda Minima, apresentada pelo governador no ini- cio do ano, por6m, nao preve um tostdo se- quer para o Mangal. Na irea, a tinica aloca- qao feita foram 10 milh6es de reais para a res- tauraqao da Catedral Metropolitana, arrema- tando o projeto Feliz Lusitania. Entendimento Duas disciplines deveriam ser incorpora- das urgentemente ao curriculo do ensino mr- dio enquanto hd tempo para salvar a lingua e a inteligibilidade na comunicaqCo entire n6s: se- mantica e 16gica. A idWia me veio depois de ler o seguinte "olho" (texto complementary) num titulo de capa de cadero do jomal O Globo: "Em seu primeiro v6o solo no Rio, cantora se firma como promessa". Como pode algu6m, numa primeira apresen- ta~ao individual, se firmar como promessa? Pauta Passei duas semanas inteiras empenhado em desfazer a intriga que a incompetencia e a mi-f6 alheia criaram a partir da fraude eletro- nica mandada para o Observat6rio da Impren- sa. Fatos importantes desse period, como os conflitos de terra, a pressdo dos madeireiros sobre o Ibama, a recriaqao da Sudam e o terr- vel incendio na floresta de Carajds, al6m do contencioso entire o grupo Liberal e a CVRD, s6 serdo tratados na pr6xima ediqao. Apesar de sua gravidade latente. Fica claro porque grupos poderosos, mas que querem seus atos mantidos a distAncia do conhecimento pdblico, me desviam da cober- tura dos acontecimentos. Sem estejomal, mui- tos itens decisivos da agenda da sociedade se- rao apagados ou nunca serdo anotados. A quem interessa esse silencio? 1 2" QUINZENA/JULHO DE 2003 Jomal Pessoal A boa causa das eclusas Vamos supor ter sido de moto pr6- prio a iniciativa do deputado federal Ja- der Barbalho de proper que a Compa- nhia Vale do Rio Doce compense o Pard pela perda, para o Maranhdo, do p6lo siderirgico que beneficiary o min6rio de Carajas, ajudando a construir as eclusas da barragem de Tucuruf, no rio Tocan- tins. Simultaneamente, o deputado esta- dual Arthur Tourinho Neto, ex-superin- tendente da Sudam e liderado de Jader no PMDB, esteve com a direqSo da CVRD no Rio de Janeiro para uma lon- ga conversa. Mas pode ter sido mera co- incidencia, mesmo que nao parega ser. O ex-governador esteve certo ao in- corporar o ponto de vista dos que, ha tem- pos, vem defendendo um didlogo t6cnico entire a CVRD, o governor do Estado e a opiniao p6blica paraense. A arrogancia da empresa no trato com a sociedade do Es- tado mais important para sua atividade exige, de nossa parte, uma reaqao propor- cional ou mais enfatica do que as segui- das ofensas praticadas pela empresa por conta dessa sua postura metropolitan. O confront, por6m, nao deve impedir o didlogo s6rio, competent, honest. At6 mesmo porque, se esse entendimento for impossibilitado pela empresa, o Estado ataque a partir de uma plataforma moral e 6tica consistent. Nao sei se o ex-ministro props as eclusas de Tucurui como compensaqgo a partir de uma sondagem pr6via junto a Vale, recebendo algum estimulo para assim proceder. De minha parte, nao consigo ver coerencia na sugestao. O sistema de transposiqgo da barrage de Tucuruf 6 uma obra ptblica tipica. E um investimento de lento retorno, de m6- dio a long prazo. Efetivamente, nao existe demand de carga, hoje, para dar pleno aproveitamento A capacidade das eclusas, das maiores do mundo. A ren- tabilidade da obra dependerd exatamen- te da sua capacidade de alavancar a ati- vidade econ6mica, fazendo com que o incremento da demand de carga se mul- tiplique, passando a ter um crescimen- to exponencial. As eclusas nao sao um bom neg6cio commercial de moment, mas sao um de- cisivo fator de desenvolvimento para o vale do Araguaia-Tocantins, sobretudo para seu baixo curso. Como obra ptibli- ca, tnm um peso incomparavelmente su- perior ao da Alga ViBria. Sem verdadei- ro planejamento, a administragao Almir Gabriel preferiu aplicar 180 milh6es de reais na Alga, exatamente o dinheiro que agora falta ao governor Simao Jatene para assegurar metade do orqamento de con- clusdo das eclusas. NMo ha termo de comparag~o entire o efeito da ligag~o por terra entire Bel6m e Barcarena (e o sul do Pard) e a garantia da navegabilidade atrav6s da enorme bar- ragem da hidrel6trica de Tucuruf. Se ji existissem, as eclusas alterariam bastan- te a andlise das locaqces para o p6lo si- derirgico sino-brasileiro, aumentando as vantagens de Vila do Conde e reabrindo as possibilidades de industrializaq~o do Saida A Natrontec estava atrasada duas semanas na entrega do relat6rio final sobre a localizacao da fabrica de places de ago a ser implantada pela Companhia Vale do Rio Doce e s6cios japoneses, quando esta edicgo foi fechada. A data adredemente anunciada era o dia 11. Ningu6m bem informado tinha mais ddvida: a usina ficard mesmo em Sao Luis do Maranhdo, embora utilizando o min6rio da Serra dos Carajas. Mas antes de entregar o estudo, a CVRD preferiu o contato pr6vio com o governor do Estado, num terreno neutro, Brasilia. Os resultados do encontro informal nao foram anunciados. A tentative 6 de encontrar um denominador comum que previna conflitos resultantes da decision. O Pard perderi, mas levard alguma coisa como compensagdo. A assessoria da Vale tem insistido que a empresa estara investindo quase quatro bilh6es de d6lares nos pr6ximos cinco anos no Pari, gerando sete mil empregos diretos e 18 mil indiretos. E que o Estado recebera um terco dos investimentos da CVRD previstos para este ano. Isto 6, US$ 600 milh6es, de um total de US$ 1,8 bilhao. Carajis. Nao haveria, assim, motivo para choro. Pois sim. min6rio de ferro de Carajis no litoral do Pard. O eixo de transport do pla- nalto central para a costa, atrav6s do rio Amazonas, se deslocaria para leste, poupando o Tapaj6s do problemitico destino que o espera. E pouco provavel que a Vale atenda o apelo para incorporar-se ao projeto das eclusas. O corredor Araguaia/To- cantins jd esti definido para empresa e seus associados: sao os 1.320 quil6me- tros desde o Mato Grosso at6 o Pard por via fluvial, por rodovia de Colinas de Goids a Porto Franco e por via f6r- rea at6 os portos de Itaqui e Ponta da Madeira, em Sao Luis, utilizando a Norte-Sul e a ferrovia de Carajas. Nao ha atrativo para a empresa em ir mais para o norte, exceto se os incentives forem compensadores. Af entra outra questao: sera que o projeto original das eclusas de Tucu- ruf, que reflete as mesmas concepqoes da suntuaria hidrel6trica (mesmo por- que ambos foram executados pela mes- ma empresa, a Camargo Corr8a), foi convenientemente reajustado, tanto tec- nicamente quanto em pregos, para ser uma boa obra ptiblica? Quem pode res- ponder satisfatoriamente a essa d6vi- da? Talvez s6 saibamos se a Assembl6ia Legislative convocar urgentemente uma sessdo especial sobre o assunto, reunindo os envolvidos ou interessados na questlo. Para que uma boa causa nao acabe servindo a interesses que nao sejam os legitimamente p6blicos. Ferrovias Com a autorizagdo da Agencia Na- cional de Transportes Terrestres para a compra da parte da Companhia Si- dertrgica Nacional na Ferrovia Cen- tro-Atlantica, a Vale vai assumir a li- deranqa disparada no setor e consoli- dar o piano de dominio sobre a maior logistica de transport em poder de uma empresa privada no planet. O president da CVRD, Roger Agnelli, anunciou que a compra de 66 locomo- tivas vai desencadear o process de modernizaqao da malha ferrovidria da companhia. Al6m de controlar direta- mente a Estrada de Ferro Carajis e a Vit6ria a Minas, que escoam 160 mi- lh6es de toneladas de min6rio de fer- ro, a Vale participa das principals fer- rovias do pais. Um poder ainda nao adequadamente avaliado. Joral Pessoal 2" QUINZENA/JULHO DE 2003 0 grande reporter E dwaldo Martins, que morreu, aos 63 anos, no uiltimo dia 18, foi o maior colunista social da hist6- ria da imprensa no Pard. O titulo nao perderia forga se o enfoque fosse am- pliado um pouco mais: ele tamb6m foi um dos maiores colunistas do jornalismo pa- raense. Colunista que escreve qualquer tipo de coluna, nao s6 a social. Mas foi tudo isso por nunca ter deixado de ser um bom reporter. Edwaldo escrevia por amor, paixao, compuls~o. Estava sempre atris da 6ltima informagdo, do potin, da novidade. Queria saber mais, arrastando consigo seus leito- res para a atualizadio com osfaits-divers, o grand-monde, o iltimo grito. Era uma curiosidade insaciavel. Muitos outros sio tdo curiosos quanto ele foi. A diferenqa 6 que Edwaldo sabia como saciar essa imen- sa sede de saber, de estar "por dentro". Em primeiro lugar, por sua mem6ria privilegiada. Podia-se testi-la dando-lhe o nome de uma pessoa da sociedade e pedin- do-lhe para fornecer um perfil do persona- gem. Rapidamente Edwaldo descrevia a genealogia do indigitado, tecia elos e asso- ciaqdes, arrematando com uma definiqo pessoal. Tudo de mem6ria. Outro teste fre- qiiente: perguntar se o jornalista se lem- brava qual era o nome daquela loja de dis- cos que ficava ao lado daquele hotel em que ele havia se hospedado, anos atris, em Nova York. Aldm da ficha da casa comer- cial, vinha o relate das visits que o colu- nista havia feito, no ano tal, comprando tais discos, ao preqo xis. Edwaldo Martins lia com sofreguidao. No inicio, combinavajomais e revistas com livros, selecionados com crit6rio. Aos pou- cos, foi se dedicando integralmente ao mundanismo e A conjuntura. Trazia pilhas de publicaqces das bancas, onde sua conta era maquda, e verificava as noticias com seus sensors de sintonia fina. Recortava o que lhe interessava, reescrevia quando aproveitava o material e mandava em fren- te. Nao precisava mais do papel: o cdrebro ji havia arquivado as informag6es. Amea- lhadas em todas as fontes possiveis, num contato direto (daf o permanent giro por tudo que fosse acontecimento) ou ao alcan- ce do telefone, uma de suas armas de com- bate preferenciais. Foi seguindo esse m6todo que ele avan- qou na carreira jornalistica. Sua primeira coluna, de pigina inteira, na Folha do Nor- te, no final dos anos 50, era uma tesoura- press de revistas e jomais sobre cinema, sua primeira paixao intellectual. Passou para A Provincia do Pard com Elas sdo noticia, nova tesourada de notas sobre o mundo feminine, seu segundo foco de interesse. Quando comegou a escrever Alegria, Ale- gria, coluna dedicada aos jovens, no espi- rito da inovag~ o dos festivals de misica, jai era criador de textos. Tinha estilo e conhecia a lingua. Deci- dia com bom gosto e, quase sempre, corn absolute dominio dos temas. NSo por lei- tura apenas: por viver intensamente cada dia e aproveitar ao maximo as oportunida- des que a vida lhe oferecia. Nenhum cava- lo passou selado diante de Edwaldo sem que ele o montasse, at6 que a doenca silen- ciosa e traigoeira comegou, literalmente, a comer-lhe os passes e a derrubi-lo na cama (nao que nao resistisse, com uma fdria es- pantosa). As oportunidades mais fascinantes, para ele, eram as viagens, sua melhor universi- dade (a academica ficou pelo meio, no pi- oneiro curso de economic da Universidade Federal do Pard). Monoglota formalmen- te, Didi (como era mais informalmente tra- tado) foi um exemplo em favor de um es- peranto lingiiistico, da mecdnica gnoseo- 16gica dos gestos, das expresses, da in- ventiva, da audacia da iniciativa. Fazia-se entendido em todos os lugares e entendia tudo o que queria saber, em qualquer parte do mundo por onde andou. E como andou. NMo como um turista apressado ou ob- tuso. Lia antes, se informava previamente e, ao voltar, estendia o conhecimento em papos com quemji tinha ido antes ou mais vezes, conversas que se estendiam at6 nun- ca mais acabar graqas a outra de suas mui- tas qualidades: saber receber visits. Sua narrative das excurs6es era uma benfazeja socializacgo do aprendizado. Edwaldo Martins foi um dos mais competentes tu- ristas que o Pard ji produziu. Muito mal aproveitado, por sinal. Em tudo era um perfeccionista, um se- vero critic da pr6pria obra. Todo aprendiz dejomalismo (hi os que nao evoluem mes- mo com d6cadas de militancia) devia ter tido a oportunidade de acompanhar Edwal- do no fechamento de sua coluna. Nao hi experi8ncia de maior plenitude nas entra- nhas dojornalismo do que um fechamento de ediqao. Didi Martins revia com cuidado seu texto, datilografado com esmero e corn a preocupaqao de nao errar (nem mesmo nos esses e erres dos nomes pr6prios, a se- rem grafados com plena exatidao). Corrigia com o cuidado de ser entendi- do pelo editor e pelo grafico, didatico at6 nesse moment, desenhando a letra, dei- xando pistas claras para o acompanhamento facil. Depois, juntava aqueles pap6is, que continham o conteddo das mat6rias, aos seus titulos, fotos e legends, organizava- os e, quando nada havia a retocar, manda- va-os em frente. Uma obra de fino artesa- nato. Ali estava uma coluna social modern e cosmopolita, que podia honrar as pigi- nas de qualquerjomal do mundo. Cidadao que se sentia ber em Nova York ou Paris, T6quio ou Bogota, Sao Paulo ou Rio de Janeiro, Edwaldo foi sempre o ratinho de Braganga, aculturado entire as beldades (uma das quais, hoje dama influence, foi sua boa amiga at6 o fim) e senhores char- mosos da Braz de Aguiar. Ia para todos os lugares com a certeza de que voltaria a sua querida Bel6m, para continuar a criar personagens (sua obra- prima, nesse sentido, foi Francy Meira, cuidada como boneca de porcelana da co- luna) e delimitar as fronteiras da socieda- de, conforme as normas clissicas do colu- nismo social universal, de bom gosto, mes- mo quando (e necessariamente) preconcei- tuoso. La fora, quebrava as arestas do pro- vincianismo. Aqui, plantava as sementes da universalidade. Foi um embaixador pleni- potenciario na lingua universal, a da civili- dade, da est6tica, do epicurismo, do savo- ir-faire, do "boa-pracismo". Didi Martins foi, acima de tudo, um cavalheiro, um gentleman ou, seria melhor diz-lo, um gentil-homem. Dono de duas maravilhosas virtudes: a lealdade e a gene- rosidade. Seus amigos eram seu maior pa- trim6nio e isso ele fazia questao de come- morar todos os dias. Sua preciosa agenda Ihe permitia rodar por horas inteiras ao te- lefone, indo de A a Z, da direita A esquerda, do establishment ao underground. Arma- do de plena desenvoltura em todos os am- bientes e com todos os personagens, volta- va dessas cagadas cor fardos de noticias, espalhadas aos montes na sua vasta colu- na, escrita com pontualidade britanica. Cor esse passe, Edwaldo Martins trans- formou seu domicilio num sitio democrd- tico, num ponto de converg6ncia dos dis- tintos e dos contrrios, unindo o que pare- cia completamente distinto, juntando at6 mesmo os desavindos em tomo de sua ti- vola redonda (de frios, doces & salgados, naturalmente), do seu salao (em certos moments derivando para o saloon, que ningu6m 6 de ferro). Por isso mesmo, o comunicado de sua morte foi assinado por pessoas que, de ou- tro modo, seja na vida como na morte, nao se uniriam nunca nao fosse pelas gragas desse bragantino em6rito, verdadeiro cida- dao do mundo, que nos deixou, 6rfaos de seu carinho, carentes de sua atenq~o, eter- namente devedores de sua prolifica passa- gem por este mundo. A 2" QUINZENA/JULHO DE 2003 Jomal Pessoal Edwaldo Martins Irregulares Entre as obras com "indicios de irregulari- dades graves", apontados pela Cimara dos -U Deputados, estdo a implantaqo da hidrovia do Araguaia-Tocantins, a construqgo de trechos rodoviirios no mesmo corredor (na divisa de Tocantins cor o ParA) e a construqao das eclu- sas de Tucuruf, todos projetos no imbito do Minist6rio dos Transportes. Viagens F N, tkDA Tenho lido portarias da Casa Civil do Gover- no do Estado autorizando servidores pdblicos a S viajar para fora do Pard "a fim de tratar de inte- resse" dos 6rgaos aos quais estdo vinculados. Duas sugest6es. Uma, que se especifique a natureza do interesse: o que 6 realmente que o bamab6 vai fazer 16 fora. A outra: que a Assembl6ia Legisla- I tiva receba um relat6rio do viajante sobre os re- sultados de suajomada (al6m do chefe do servi- dor, claro). Ndo precisa ser um relat6rio como o que Graciliano Ramos escreveu quando era pre- feito de Palmeira dos Indios, no interior de Ala- goas. Mas que seja pelo menos informative, as- segurando que o dinheiro pdblico foi aplicado com corre~io e resultados. Fica a observa~go a quem de direito. Se adotada, bem que podia ter efeito retroativo 6 celebrada missdo commercial rec6m-concluida KbM 4a Portugal. Depois de muitos fogos (de artiff- cio) na ida, nenhum estalinho na volta. Perda Ao contririo do que sugere o titulo e dizem os detratores, este raramente con- segue ser um journal pessoal. Seu redator solitario v6-se quase sempre esmagado pelas conting6ncias da conjuntura. Quer se libertar das amarras do cotidiano, das injuncoes da hist6ria, mas nao consegue. Tern que ser objetivo, precisa escrever sobre o que interessa, nao sobre o que quer da forma como quer. Assim escrevi o obituLrio de Edwal- do de Sousa Martins: centrado na obra do autor. Mas nesta nota gostaria de re- gistrar apenas a dor pela perda do ami- go de quase quatro d6cadas. Eu tinha 16 anos e ele 26 quando nos conhecemos, no lugar em que melhor nos sentimos urbi et orbi: uma redaqgo de journal. Nunca, mas nunca mesmo, nossa ami- zade foi perturbada por um finico inci- dente, um tom de voz mais alto, uma re- criminagqo. Certamente essa trajet6ria olimpica 6 m6rito do companheiro que morreu, tantos motives ele podia ter tido para se irritar e nao se irritou. Deixo-lhe aqui, neste cantinho de jor- nal, que devia ser pessoal, a 1igrima que nao chorei por sua perda. Uma l1grima de papel, microsc6pica diante da enormida- de da perda. Mas uma 1~grima sentida. O que perdi com a morte de Edwaldo s6 o reencontro, numa eternidade na qual nao acreditamos, sem dela desdenhar, poderi recompor. E assim quando sdo dnicas as pessoas queridas que perdemos. Perdemos um pouco de n6s corn elas e, com elas, adiantamos um pouco do que iremos per- der, quando chegar a nossa vez. Desemprego A taxa de desemprego no Nordeste (de 15,70%) praticamente se igualou a do Norte (de 15,65%) no rabo da fila desse grave problema social, que hoje fustiga o Brasil. Na Amaz6nia, extremamente critics sao esses indices no Amapi (21,78%) e Amazonas (21,74%). Como os ndmeros se referem a desemprego aberto, as coisas ficam mais negras ainda se incorporado o desemprego disfarqado e o subemprego. O IBGE vai tentar atualizar esses nimeros a partir de outubro, mas Bel6m jd oferece uma realida- de trdgica: apenas um quarto dos cidadaos em condiq6es de trabalhar na capital paraense tem carteira assinada. E impossivel permanecer indiferente a essa situagdo. Nossa geraqdo recebeu um mundo muito melhor do que o que vai passar em fren- te. O perturbador 6 que exercemos nossa vida ativa guiados por principios 6ticos, morais e politicos, tentando servir a causa piblica, ele- mento j nao tao perceptiveis nos que nos suce- derao. Na contingencia de entrar na fase cons- ciente da vida tendo que resolver problems, para os jovens de hoje 6 quase indescartAvel o cada um por si. A tarefa que temos diante de n6s, antes que essa selvageria se propague, 6 voltar a oferecer, para todos, a possibilidade de serem felizes pelo trabalho. Ou seja: apagar es- ses indices medonhos de desemprego. Jornal Pessoal 2' QUINZENA/JULHO DE 2003 _ A fraude eletr6nica e de 6' feira, dia 11, chegou a cai- xa postal do Observat6rio da Imprensa, uma revista eletroni- ca especializada, com sede em Sao Paulo, uma sugestao de pauta feita em meu nome, embora corn outro e-mail (nao o meu jornal@amazon.com.br, mas sim luciofpinto@yahoo.com.br). A mensagem era dirigida ao editor geral do OI, Luiz Egypto. Como ele estava de f6rias, quem abriu o e-mail foi o editor-assistente, Luiz Ant6nio Magalhaes. O falso L6cio Fldvio Pinto prometia denunciarjornalistas que, repetindo o cos- tume de Jayson Blair, reporter do journal New York Times, tristemente celebrizado por forjar assuntos para suas mat6rias, re- produziam declaraq6es atribuidas ao pre- sidente da ONG ambientalista Conservati- on Intemacional, que elejamais havia dado. Ji essa mensagem recomendava cau- tela da parte do editor do Observat6rio. Primeiro, por nao ser transmitida atrav6s do 6nico e-mail que possuo, cor o qual sempre mantive relaqCo com o 01 ao lon- go dos iltimos dois anos. Em segundo, por ser p6blico que minha vinculaq~o ex- clusiva 6 cor meu Jornal Pessoal. O falso L6cio Flivio anunciou, em sua sugestao de pauta, que na quinta-feira se- guinte seria publicada a entrevista que fi- zera com o president da Conservation (du- rante a qual ficou sabendo da fraude), por isso queria denunciar a fraude brasileira. Para ter a repercussdo que esperava, certa- mente a entrevista sairia nio no mindsculo journal de Bel6m do Pard, mas em um 6rg5io da grande imprensa do sul do pais. As 11h34 da segunda-feira, dia 14, a tal mat6ria foi transmitida pelo falso Li- cio Flvio. Diante do conteddo, o editor- assistente do Observatdrio consultou o responsavel pela revista, o veteran jor- nalista Alberto Dines. Decidiram que o texto s6 sairiajunto com "as respostas dos envolvidos". Klester Cavalcanti (ex-cor- respondente de Veja em Bel6m, que se notabilizou por sofrer um confuso seqiies- tro), Cliudio Angelo e Alexandre Mansur, apontados no artigo como freqtientadores da escola de fraude jornalistica de Blair, consultados, disseram que a acusaqgo era inconsistent. No dia seguinte, enquanto recebia os protests e desmentidos dos acusados, Magalhies mantinha didlogo apenas por e-mail com o falso L6cio, que dizia es- tar fora de casa e nio usar cellular (detinha essa informagao: abjuro o cellular) para nio tender aos pedidos do editor do 01 para conversar cor ele por telefone. Disse ain- da que precisava recorrer a um cibercaf6 porque seu computador "dera pau" (ex- pressZo jamais grafada por mim, nem dita verbalmente uma dnica vez na vida). S6 um pouco depois das quatro da tar- de de terca-feira, 12, a menos de duas ho- ras da ida do artigo para o ar, com as res- postas dos acusados (que era o que estava programado), Andrea Margit, coordena- dora de comunicaq o da Conservation In- ternational, me contactou de Belo Hori- zonte por telefone. Felizmente eu me en- contrava em Bel6m, com meu telefone e meu computador em perfeito estado, tra- balhando na minha casa, ao alcance de quem me quisesse falar, quando Andrea me perguntou se eu escrevera um artigo para o 01 com base em entrevista com Russell Mittermeier (a quem nao conhe- qo pessoalmente). Eu devia estar em Re- cife, tomando posse como conselheiro da SBPC na Amaz6nia, mas nao pude viajar. Felizmente. Do contrdrio, nao teria con- seguido segurar a fraude. As 16h28 Andrea me passou por e-mail o texto do artigo que me era atribuido. Fiquei perplexo e respondi-lhe, de pron- to, que aquilo era uma fraude. Logo de- pois liga o editor-asssistente do Observa- tdrio. Declarei-lhe jamais haver escrito aquele texto. Pedi-lhe para suspender a publicacgo, ji que se tratava de uma frau- de. O artigo nao entrou na ediqco do Ob- servatrrio daquele dia. As 11h09 do dia seguinte, 17, mandei uma mensagem descontraida a Luiz An- t6nio: "Alguma novidade sobre o imbr6- glio?". E s6. Achava, como professional e como cidaddo, que a tentative de frau- de havia sido estancada e o epis6dio se- guiria outro curso, o normal: sair atrAs do fraudador. Resposta dada por Magalhaes, quase sete horas depois: "O caso do artigo enviado na semana passada [erro desconcertante: o artigo ti- nha sido enviado tres dias antes] sera tema de debate na pr6xima ediqCo do Observa- t6rio. N6s investigamos o caso inclusi- ve rastreando o e-mail do yahoo que foi usado para passar a matdria e temos evi- d&ncias suficientes para concluir que o texto e realmente de sua autoria. O Kles- ter e o Cliudio Angelo deverio escrever a respeito, o Dines comentari o epis6dio e Marinilda e eu escreveremos um texto contando a hist6ria e a investigated pos- terior. Pretendemos dar conhecimento a voc8 do material produzido por n6s e abrir o espaco para a sua defesa. A partir de amanhd o Luiz Egypto estard de volta e comandari a pr6xima ediqao do Observa- t6rio. Toda a correspondencia que voce enviar, por favor, o faga com uma c6pia para ele ou exclusivamente para ele" (gri- fos meus). De perplexo passei a chocado, revol- tado, indignado, furioso. Via-me coloca- do na cadeira de r6u diante de um tribunal ji formado (cada um com a sua tarefa es- pecifica) para me julgar pelos delitos de mau-caratismo, falta de 6tica, fraude ele- tr6nica, improbidade professional e falsi- dade ideol6gica, capituliveis em normas de redaqao e no C6digo Penal. Meu car- rasco nao tinha ddvida da minha culpa. Mas, magnanimo, permitia que eu apre- sentasse minha defesa, peqa que certamen- te iria tao-somente decorar a sentenqa de condenaqgo, antecipadamente anunciada. Respondi ao Torquemada digital: "Esta 6 a maior ignomfnia praticada contra mim. Estou lhe assegurando, corn o respaldo de 37 anos de profissao, que nao fui o autor da referida mat6ria. (...) E um desrespeito A minha pessoa essa deci- sao que voce estd me comunicando, a mi- nha revelia. (...) Se voce nao acredita na minha palavra, dita por quem jamais co- meteu uma infamia dessa ao long de 37 anos da profissao, apure devidamente o assunto antes de tomar qualquer media. Atribuir-me essa sujeira, ignorando meus protests, sera um ato de ofensa e lesao praticado contra mim. Reagirei A altura dessa nefanda agressao". Nao satisfeito, logo em seguida man- dei uma segunda mensagem. Presumindo que o editor, a quem nao conhecia, fosse "um professional competent, um cidadao de boa f6, uma pessoa honesta, alertava- o que estava "agindo com aqodamento, sem o menor bom senso e ferindo a 16gica mais simples, al6m de um principio ele- mentar de direito: todos sio inocentes at6 prova em contrdrio. Inocencia se presu- me, culpa se prova". Questionava-o sobre as investigaq9es que ele alegava haver feito, "tao comple- tas nestas 24 horas que pode declarar que o texto 6 meu, a despeito da minha nega- tiva". Desafiava-o a me mostrar as provas reunidas contra mim. Admitindo pouco saber de informatica, submeteria essas provas a um perito, "para que ele diga se sao suficientes ou nao, se as tais 'provas' nao podem ser tao bem fabricadas quanto esse falso artigo a mim atribuido". Reafirmava que estava sendo vitima "de uma trama torpe, s6rdida, criminosa. Quero que essa manobra canalha seja apu- rada agora por quem de direito. Quero que o Observat6rio de queixa a policia, o que farei aqui, amanha". 4 2" QUINZENA/JULHO DE 2003 Jornal Pessoal o jornalismo cumplice Em resposta, Magalhaes repassou esta mensagem de Dines: "O Observat6rio cumpriu cor o seu dever investigar a denlincia de fraude jornalistica. Os denunciados protestaram e acusaram o alegado denunciador. A ma- t6ria foi suspense e nao entrou na ediqio. Se o e-mail foi fraudado nada temos a ver corn isso [grifo nieu]. Cabe ao lesado tomar todas as providencias mas nao po- demos nos intimidar cor ameagas de censura policial [grifo original]. Vamos em frente: vamos historiar o fato, reproduzir a den6ncia original, as manifestaq6es dos acusados e, obvia- mente, reproduzir o que denunciador-de- nunciado (Lfcio Flivio) ter a dizer. Mas este nao deve esquecer que os an- tecedentes o prejudicam. Anteriormen- te, de boa f6, este Observat6rio acolheu acusaqdo assinada por ele e que agora esti sendo contestada por um dos acu- sados no novo epis6dio". Voltando A carga, o meio-dia de siba- do, dia 19 (cinco dias, portanto, depois de haver recebido o artigo), o editor-assisten- te responded: "A investigacgo que realizamos teve avanqos nos iltimos dois dias. Na pr6xi- ma edicao do OI vamos publicar um dossi6 sobre a tentative de fraude de que fomos vitimas. Nao sera de forma alguma uma peqa acusat6ria contra voce e nem poderia ser assim -, mas um relato dos fatos para que os leitores sejam informa- dos do caso. Este material deveri estar pronto hoje e, tao logo esteja, vamos dar conhecimento a todos envolvidos e pedir que se manifestem". Qual havia sido at6 entao o procedi- mento "rigoroso e responsivel" do editor do Observat6rio? Consultou o Yahoo, de onde partira o e-mail. Seguiu as instruc6es recebidas para identificar o titular do endereqo eletr6ni- co usado na correspondencia, mas a che- cagem "nao foi conclusive". Ja na quarta- feira, entretanto, em investigacao pr6pria, o jornalista Klester Cavalcanti comunicou ao editor "que o e-mail usado pelo frau- dador havia sido criado em um cibercaf6 em Bel6m e forneceu seu endere9o". Cor a ajuda da editor Marinilda Car- valho, Magalhaes constatou "que o ciber- caf6 ficava a poucas quadras dos dois en- dereqos que constam da lista telef6nica de Beldm para Lucio Flivio Pinto", verifi- cando "que ali realmente funcionava o estabelecimento informado por Klester". O editor, quando me jogou na cara que eu mentia e que era o autor do malsinado artigo, mesmo negando de p6s juntos, su- punha estar bem armado para me surpre- ender. Levava ases de ouro suficientes na algibeira para me desmascarar numa nota da redaqao, que certamente acrescentaria ao meu texto sobre a fraude quando o as- sunto, enfim, chegasse a ediqio do dia 22 do Observat6rio. Daf sua arrogancia, seu tom condenat6rio, partilhado pelo big- boss Alberto Dines. Diz ele, na mat6ria, que a equipe, reunida para apreciar as "provas", "decidiu informar a L6cio so- bre as suspeitas em e-mail enviado pelo editor-asssistente Luiz Antonio Magalhaes no fim da tarde de quinta-feira, dia 17". Peqo ao leitor que, examinando o tex- to, mais atras reproduzido, se essa 6 uma comunicaqao de informaCgo. Nada me foi dito sobre a investigacao de Klester nem sobre seu resultado. Fui comunica- do que era culpado e seriajulgado pelo Gulag de Dines. O problema 6 que, tao levianamente como se comportara na investigaqao da quarta-feira, dois dias depois Klester Ca- valcanti voltou ao editor-assistente para Ihe dizer que "havia incorrido num engano la- mentivel: era impossivel determinar com precisao a localidade em que o e-mail do Yahoo havia sido criado". Desinteressada- mente prestativo, por6m, Klester "afirmou que seu informant descobrira de onde par- tiram as mensagens do falsario: da cidade de Sao Paulo". Mas nao se preocupou em dizer o nome do estabelecimento e seu en- dere9o (postal e eletr6nico). Como a d'nica informacio conclusive sobre a fraude partira de Klester Caval- canti, assunto encerrado. Mas um pouco mais de apuraqao ji nos permit saber, com base em pericia em curso, que tal endereqo paulista poderia ser tranquila- mente identificado. O cadastramento do e-mail foi efetuado a partir do servidor de uma empresa especializada do setor em Sao Paulo. Quem a utilizou? E o dnico dado que esti faltando. Cor a volta atras de Klester na acusa- cao que fazia contra mim e a chegada do editor Luiz Egypto, o tom dos 6ditos im- periais expedidos contra mim pelo noti- vel jornalista e sua equipe aguerrida co- meqou a mudar. A correspondencia pes- soal documentando essa mudanqa de tom esta em meu poder e nao foi usada at6 agora. A evoluqao da mudanqa e do mi- metismo que se seguiu resultaram no tex- to de abertura da cobertura do epis6dio na edigao da semana passada do Observat6- rio, assinada por Alberto Dines. Esse cidadao me acusa do que s6 cabe nele: de ter tido "acesso de desequilibrio, deselegancia e desonestidade intellectual, acusando-nos por sabe la qual crime e tor- nando pdblicos os e-mails e telefonemas 'de servico' trocados com ele durante as diligencias para desmascarar uma fraude que envolvia sobretudo o seu nome". Atacando para nao ter que se defen- der, ofendendo para intimidar quem ou- sar flagra-lo na mentira e na vilania, Di- nes diz que, na qualidade de investigado pelo 01, estou sujeito ao procedimento que ele instaurou em seu Gulag (todos sao culpados atd prova em contririo) e nao posso pretender obter "um atestado ante- cipado de inocencia (...), sobretudo por- que ji nos havia enredado anteriormente numa dendncia infundada". Ainda mais por ser do primitive, pobre e desqualifi- cado Norte, um simples "jornalista para- ense". O Sul altissonante esti al6m do al- cance do Norte submetido. A "dendncia" 6 uma resenha de um li- vro escrito por Klester Cavalcanti, na qual mostrei contradiq6es e inconsistencias na reconstituiqao que ele fez de um seqties- tro que teria sofrido quando corresponden- te da revista Veja na Amaz6nia. Os mes- mos questionamentos eu havia feito por ocasiao do "fato", em margo de 2002, nes- te mesmo Jornal Pessoal. Resenha 6 responsabilidade unilateral de quem a escreve. Nao deve ser submeti- da previamente ao resenhado. Este pode reagir, se quiser, estabelecendo uma pole- mica, o que nao ocorreu, nem na primeira abordagem e nem na segunda, ao menos de pdblico. Fofocas e ranger de dentes foram intensos, mas nao assumidos. O Observat6rio publicou duas cartas em re- forgo da minha resenha. De novembro do ano passado, quando ela saiu, at6 a semana passada, quando Dines revelou a "novidade", acuado no meio desse epis6dio de fraude, eu ignora- va que havia enredado a revista "numa denincia infundada" e nao merecia mais a f6, naturalmente pdblica, do inquisidor- mor. Nesse period, Luiz Egypto me pe- diu para autorizar a transcricao de various artigos meus do Jornal Pessoal pelo Ob- servat6rio. Eu autorizei e ele colocou no ar. Nenhuma palavra sobre meu descr6di- to, at6 que isso servisse de argument para esse falso Pilatos tentar lavar as maos. Elas estao sujas e assim continuarao para sempre. Se algum dia Alberto Dines mereceu respeito, esses dias ficaram bem long, nas brumas do passado. O present e o future lhe reservam um martirio: ter que conviver com sua consciencia pesada e sua alma suja. CONTINUA0NA [ AG_ 8 Jornal Pessoal 2' QUINZENA/JULHO DE 2003 7 Como um Zeus mindsculo num Olim- po clinic, Dines escreveu o texto de aber- tura das mat6rias divulgadas no Observa- tdrio. Como editor principal da publica- 95o com o privil6gio da iltima palavra, devia ter se colocado A altura dessa con- diCio. No entanto, produziu um amontoa- do de mentiras, que devolvem a um as- sunto s6rdido a lama de que dele ji devia ter sido retirada. Dines mente. De forma cinica e cli- nica. Pensa estar acima da condiqgo hu- mana, num nirvana ficticio, que nao abri- ga her6is, o que ele esti muito long de ser, mas aquelas criaturas impermeiveis A realidade, que se olham no espelho pen- sando ser a Branca de Neve, quando nio passam da madrasta da hist6ria infantil. Considera-se autorizado ajulgar e sen- tenciar pessoas, que a irresponsabilidade e a leviandade dele pr6prio colocaram no banco dos r6us desse tribunal de excegqo que Dines, vitima de uma senilidade an- tecipada pela fraqueza de carter, julga e condena. Falta-lhe autoridade para apon- tar o dedo e anatematizar, como um Zeus homiziado em sua torre de vidro barato. Em primeiro lugar, 6 totalmente falso o titulo ("Jayson Blair faz escola") dado pelo OI a esse epis6dio de fraude eletr6- nica. Tr6s profissionais de imprensa fo- ram comparados ao reporter do New York Times, que inventava assuntos, por um covarde an6nimo. Tentando dar credibili- dade A sua calinia confeitada (e ao mes- mo tempo se vingar de mim, por motive que esta difusamente espelhado num dos textos da "cobertura"), criou um e-mail em meu nome (graqas a perigosa facilidade que certos provedores da internet permi- tem e acobertam) e enviou para o Obser- vatorio um artigo assinado por mim, mas claramente sem o meu estilo, nem o da escrita nem o do raciocinio, objeto com- pletamente estranho ao meu curriculo de quase quatro d6cadas de jornalismo pro- fissional, nas quais enfrentei todos os ini- migos de cara lavada. No mundo da realidade e dos series humans, que podem se dirigir pessoal- mente um ao outro e se encarar nos olhos, ningu6m acusou ningu6m de ser um Jay- son Blair A brasileira, diplomado na (cada vez mais f6rtil) escola da fraude. O titulo, portanto, como s6i acontecer na imprensa apressada e flitil, que nao vai As ruas, aco- modada diante do instrument de nave- ga9go por infovias, nao guard a menor coerencia com o conte6do dos textos. Trombeteia Dines, El Supremo, que a fraude foi descoberta a tempo e desfeita pelo pr6prio Observat6rio, cujos "filtros e alarmes funcionaram", comprovando que os "rigorosos crit6rios jornalisticos adotados" por essa revista eletronica tem mais meritos do que a tecnologia. "A in- ternet s6 6 vulnerivel quando a press e a desatenq~o impbem-se ao senso de justi- Ca, ao respeito human e ao esmero pro- fissional". Cr8 o editor que o epis6dio consagraria "os padres de prud8ncia, li- sura e descriqdo [sic] incorporados aos nossos procedimentos". Do que Dines esta falando? Deram-lhe press-release trocado. J5 o texto principal, assinado por Luiz Egypto, Marinilda Carvalho e Luiz Ant6- nio Magalhaes, 6 uma reconstituiqgo cap- ciosa dos fatos. Nao retrata a verdadeira evolugao dos acontecimentos, nao 6 fiel ao situar a posiqao de cada um dos perso- nagens e acoberta graves erros cometidos pelos editors Alberto Dines e Luiz Ant6- nio. Como produto dessas falhas, a lamen- t5vel attitude editorial do Observat6rio da Imprensa 6 suavizada. Um pecado mortal se torna pecado venial. Um erro que po- dia ter sido rapidamente corrigido se hou- vesse uma linha editorial s6ria, profissio- nal, competent e 6tica, e boa-f6, 6 joga- do para as costas largas do computador e da rede virtual. Nao 6 correta a moral da hist6ria por- que 6 completamente manipulada a ver- sio apresentada pelo texto. Houve m5-f6 na attitude do editor-assistente na condu- qao da apuraqao do assunto. Nao se trata apenas de negligencia, desatenqao, can- saco ou desigualdade de meios no embate entire ele a internet. O editor foi desonesto no trato cor as pessoas envolvidas, des- respeitoso em rela~go ao direito alheio e profissionalmente incompetent, al6m de eticamente desastroso. At6 o moment em que me manifestei pela primeira vez, ji em cima do dead- line da ediqao do dia 15, o editor Luiz Ant6nio Magalhies teria, em seu benefi- cio, o favor da d6vida. Mas quando Ihe declare, assumindo cabal e rasa respon- sabilidade por minha afirmativa, que: 1 Nao conhecia o president da Con- servation, Russel Mettermeier, jamais, por isso mesmo, o havendo entrevistado. 2 Nao havia proposto e nao havia escrito o artigo mandado para o Observa- t6rio em meu nome. 3 Meu e-mail, o dnico, nao era o mesmo do fraudador; o editor devia ter mudado o enfoque da sua "investigaqao" virtual, efetuada por meio de e-mails e telefonemas (minhas in- vestigaq6es sempre requereram conheci- mento do local, conversa diretamente com pessoas, etc.). Ao inv6s disso, o editor continuou ra- ciocinando a partir da premissa de que eu realmente escrevera o artigo e, obviamen- te, mentia para ocultar a responsabilidade pelo cometimento. Tanto agia assim que, a partir de informaeao fornecida unilate- ralmente por um dos envolvidos (Klester Cavalcanti), predisposto contra mim por uma polemica que travamos, se conven- ceu (porque queria se convencer de tal) que eu usara mesmo um cibercaf6 locali- zado a proximidade de meus endereqos, em Bel6m, para arquitetar o golpe contra tres colegas e outras pessoas e institui9oes. O grave: o editor do OI, baseando-se em informaq~o de terceiro interessado (predisposto ou, na linguagem t6cnica do direito, suspeito ou impedido de produzir provas a meu respeito), me mandou duas correspond6ncias contraditando, de forma direta, no ato, minhas afirmativas. A mi- nha declaragqo, perempt6ria e indignada, de ndo-autoria do artigo fraudado, reagiu dizendo que tinha provas de que eu nao s6 escrevera o artigo como me valia de outra pessoa, em um cybercaf6, para man- dar a mensagem e ocultar sua origem. Em me nenhum moment informou que essa "prova" lhe fora passada pelo jornalista Klester Cavalcanti. Perplexo, recorri a peritos em fraude eletr6nica. Um deles, acionado em Brasi- lia por uma amiga de Londres, forneceu um roteiro para o pr6prio Luiz Antonio Magalhaes elucidar a hist6ria. Eu pr6prio lhe mandei orientaqgo que recebi de ou- tro t6cnico para revelar o canalha oculto e covarde. Magalhaes nao responded as minhas insistentes cobranqas sobre as provas. Se as tinha e elas eram conclusivas, e se es- tava possuido de verdadeiro interesse em esclarecer a fraude, que as enviasse para mim e para todos os envolvidos. E nio as guardando como armas para o botem fi- nal de desmascaramento ou seja li qual tenha sido seu objetivo. Ao inv6s disso, comunicou que meu julgamento seria feito nas piginas do OI e eu, na condiqCo de "acusado-acusador", teria apenas o direito de me defender. Ou seja: uma nulidade absolute iria me colo- car no banco dos r6us pelo crime de ter feito o que jamais fiz. Jamais fiz em qua- se 40 anos de carreira professional, mar- cada exatamente por uma image oposta (da qual, alids, pretendia se valer o frau- dador para dar ares de seriedade ao arti- go, escrito num estilo completamente di- ferente do meu, como qualquer observa- dor poderd verificar). Percebendo que um "fake" ou um "joke" poderiam se transformar numa vi- lania sem reparaqao, copiei toda a cor- respondencia com o editor do OI e co- mecei a envid-la parajornalistas e ambi- entalistas responsaveis para que apreci- assem a questdo e se manifestassem a respeito. A condenaqco ao comportamen- to do OI foi geral, unanime. Na transcri- qgo dos acontecimentos feita pelo Obser- vatdrio, foi ignorado tudo o que produzi a partir do moment em que uma gafe eletr6nica parecia se configurar como R 2" QUINZENA/JULHO DE 2003 Jornal Pessoal uma conspiracao para a vilania e a pre- sunqao da boa-fe se desfazia. Ainda supondo que o comportamen- to caviloso fosse produto de um editor isolado do Observat6rio, e nao poden- do conversar com meu interlocutor at6 ent~o, o editor-geral, que estava de f6ri- as, procurei contato corn Alberto Dines. Ele certamente acabaria cor o terrivel mal-entendido, nao s6 pelos fatos em si, mas tamb6m por conhecer meu trabalho jornalistico, me ter mandado referenci- as a respeito desse trabalho e ter aberto o 01 para colaboraq6es e citac6es mi- nhas, freqientes, seguidas ou sucedidas por observaqges suas e de Marinilda (nao conheco pessoalmente a ambos), que me reanimavam a prosseguir no meu jornalismo critico. Mas as manifestaqdes de Dines vie- ram como a iltima peqa de uma engre- nagem que se encaixa em contextos como os criados por Franz Kafka e George Orwell, mas nao em um padrdo decent de jornalismo. Al6m das manifestaq6es por escrito, referendando os atos do edi- tor-assistente, quando procurado por mim, atrav6s de telefone, alegando estar sem tempo para me ouvir e nada ter a acrescentar, transferiu irritadamente a responsabilidade para os outros editors e para uma sessdo de segunda-feira des- se autentico tribunal especial, ou Gulag, que pretendiam montar sobre o meu ca- diver. Mais um "case" para o curriculo de den6ncias do OI. O encaminhamento s6 comeqou a mu- dar com a "retificaqoo" de Klester Ca- valcani e o retorno de Luiz Egypto ao co- mando da ediqao. No entanto, nao era mais possivel, na busca de uma soluqao de honra utilitaria, e tamb6m de acomo- daq~o, reescrever hist6ria tao recent (e tdo bem documentada), desviando do que devia ser o empenho das pessoas de bons prop6sitos: saber quem montou a trama e como ela p6de prosperar, apesar de to- das as provas e evidencias de tratar-se de uma fraude, a ponto de agora poder ser classificada como o mais grave erro do jornalismo eletr6nico no Brasil. Fraudes eletr6nicas ji sao uma cons- tante na internet. Mas uma publicaqao jornalistica assumi-la, transformando uma falsidade num component editori- al, 6 novidade absolute e das novida- des muito ruins, perigosas, assustados. A partir de agora, nao esti mais em causa apenas a minha pessoa ou uma revista eletr6nica, mas principios elementares de direito, violados por esta hist6ria mal- contada na mat6ria que o Observat6rio divulgou, omitindo e manipulando fatos. E consagrando um tipo de jornalismo que mal consegue, sob maquiagem pink, tin- gir sua cor verdadeira: de imprensa mar- rom. Ou amarela. Journal Pessoal 2' QUINZENA/JULHO DE 2003 Dificuldades A julgar pela lista de presenqas, a dire- tora-geral da ADA (Agencia de Desen- volvimento da Amaz6nia), Maria do Carmo Martins Lima, nao conta corn a simpatia dos governadores da regiao. Nenhum deles compareceu a solenida- de de posse da ex-deputada estadual (e candidate do PT ao governor do Estado na eleigdo do ano passado). Os dnicos que mandaram representantes foram os governadores do Pard (terra natal de Maria do Carmo) e de Roraima (que aderiu recentemente ao partido de Lula, apesar da falta de afinidade). A bancada regional petista mais forte junto ao governor central em Brasilia, a do Acre, tamb6m ignorou a assunqdo da correligionaria ao comando do 6rgdo fe- deral corn jurisdiqgo sobre toda a Ama- z6nia. Apenas petistas paraenses foram ao audit6rio da extinta Sudam prestigiar A direpqo da Fun- daqao Cultural Tancredo Neves aprovou o repasse de 40 mil reais, a titulo de subven- ~go social, para a Radio P6rola FM realizar o XII Con- curso Garota P6ro- la FM. Justifica-se? a concorrida solenidade, cujo principal orador (ao menos em duracao) foi o pre- feito Edmilson Rodrigues, que falou tres vezes mais do que qualquer outro (dizen- do o nada de sempre). Tao ruim quanto essas duas lacunas foi a ausencia do chefe de Maria do Car- mo, o ministry da IntegragCo Nacional, Ciro Gomes. O ex-adversario de Lula nao escondeu sua contrariedade com a indi- cagqo da political santarena e nao maquia os esforqos que vem empreendendo nos bastidores para ressuscitar a Sudam (e, talvez, enterrar a jovem ADA). Talvez porque o ex-governador do Ceard consi- dere a atual situacao incompativel com seus projetos politicos. De qualquer maneira, Maria do Car- mo vai precisar trabalhar muito, desdeji, para nao ficar parecendo a rainha da In- glaterra na pleb6ia cadeira da ADA. Lider? Em mat6ria de desenvolvimento human, o Brasil ocupa apenas o quinto lugar no ranking da Am6rica do Sul. A Argentina 6 lider, com IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) de 0,849 (o maximo 6 um). Ocupa o 34 lugar no mundo, corn um padrao de desenvolvimento human elevado. Dessa mesma faixa fazem parte o Uruguai (40 colocado, corn IDH 0,834) e o Chile (43, cor IDH 0,831). Mais atris, ji corn desenvolvimento human m6dio, vem a Col6mbia (64 lugar, 0,7779) e, na posiqio seguinte, o Brasil, o 65 do mundo, com IDH 0,777. Nosso dnico console, no continent, 6 havermos ultrapassado a Venezuela, que ficou em 69 lugar (IDH 0,775), segundo o levantamento feito pela ONU, com dados de 2001. Abate A lei 9.614, que entrou em vigor em 1998, autorizou as forgas militares a der- rubar os avioes que invadirem o espaqo a6reo brasileiro e, mesmo contactados, se recusarem a obedecer As instruqbes das autoridades nacionais. Conhecida como lei do abate, at6 hoje nao entrou efetivamente em vigor por falta de re- gulamentaq~o, embora ela se tivesse ins- pirado, sobretudo, na preocupag~o com a violacao do territ6rio brasileiro por narcotraficantes. O governor brasileiro, tanto o anterior quanto o atual, preferem nao regulamen- tar a lei. Se fizerem isso, estarao sujeitos a enquadramento na legislaqco dos Esta- dos Unidos, que sujeita os detentores de semelhante norma A proibiqgo de ter re- laq6es de com6rcio cor empresas norte- americanas fabricantes de equipamentos e peas de reposiqdo para a aviaqao. O alvo nimero um, na hip6tese dessa retaliacao, seria o Sivam (Sis- tema de Vigilancia da Amaz6nia), que ainda depend da assistencia t6cnica e da orientagqo da Raytheon, uma das empresas que gravitam em torno do Pentdgono (e teve destacada atuagao na guerra do Iraque, como ji mostrou este journal . Apesar de todos os bons prop6sitos para nacionalizd-lo e democratiz--lo, o Sivam continue a ser uma caixa preta, sob o control da Raytheon. Para evitar que a lei permaneca como letra morta e evitar o desconfor- to do governor de proper sua revoga- 9ao, o deputado Atila Lins, do PPS do Amazonas, props aos seus pares que fagam o primeiro (e 6nico) abate nes- se campo, revogando a citada (e indi- gitada) 9.614. Cartas 0 future de Paragominas Encontrando-me em Bel6m, sempre compro nas bancas o seu Jornal Pessoal. Acho uma publi- caqCo interessante, com editorial independent e que nos permit ter informaq6es detalhadas sobre os assuntos em destaque na mfdia. Para nossa surpresa, na ediqao da primeira quinzena de julho, deparamo-nos com uma nota na "Mem6ria do Cotidiano", relem- brando da propaganda que o en- tao BEP (atual Banpara), em 1967, quando se instalou em Pa- ragominas, divulgou de que sua agencia iria levar prosperidade e progress a maior cidade da Be- lem-Brasilia, especialmente na pecudria, e na anAlise do Jornal Pessoal, a pecuAria nao deu essa resposta, sustentando-se o Muni- cipio na exploraqao de madeira, destruindo suas reserves de ma- tas e que agora a ilusao teria um novo nome: soja. Permita-me, nobre articulista, discordar da sua avaliaqao sobre a nossa Cidade, e sinceramente acho que tenho o dever de assim o faze- lo, nao somente pelo fato de que hoje estou investido na condicao de Vice-Prefeito, mas sobretudo, porque vivenciei todo esse proces- so, pois nasci em Paragominas tres anos somente antes do Banpara aqui ser instalado. Nossa Cidade nao surgiu por acaso, de um vilarejo As margens de uma estrada. Um visionario chamado C61io Miranda tinha um sonho de vida, de construir uma Cidade, e somente dois anos an- tes de morrer, 6 que encontrou a regiao dos seus sonhos. O Presi- dente Juscelino incentivou ban- deirantes a promoverem a integra- qao das margens da Bel6m-Bra- silia, que estava sendo construf- da. C61io Miranda entendeu que nossa regiao era como a Meso- potamia do passado, uma regiao de terras f6rteis entire os rios Ca- pim e Gurupi; percebeu que o cli- ma era propicio para a agricultu- ra, por ser uma zona de transiqao entire o seco do Nordeste e o timi- do da Amaz6nia; percebeu que a luminosidade ( prdximo a linha do Equador) era espetacular para as plants; percebeu que o solo ter 70% de argila, etc.... Pois bem, nosso fundador saiu corn uma caravana de Goiania, de bar- co, por Aguas que nunca antes haviam navegado, pelos rios Ara- guaia, Tocantins, Para, Guama, at6 aportar 45 dias depois As mar- gens do rio Capim, sendo acome- tidos por todos os tipos de intem- p6ries, como malArias, assaltos, foram confundidos com contra- bandistas,... e af, do rio Capim, at6 chegarem as margens da Bel6m Brasflia, que estava em constru- qFo, passaram mais 30 dias a p6, abrindo picadlo numa floresta at6 entAo desconhecida. Daf, esses bravos her6is comegaram a cons- truir a nossa Cidade. Na verdade, essa transforma- qao na economic que vive hoje o nosso Municipio, simplesmente 6 o resgate dos sonhos que nos- sos fundadores tiveram hA 40 anos atrAs. Se da Area total do Municipio, que possui 2 milhies de hectares, foram desflorestados 1 milhao de hectares, sobretudo foi no passa- do, quando o pr6prio Governo Federal, que na 6poca tinha um lema conhecido: Integrar para ndo entregar", oferecia recursos (Proterra, outros) para que jogAs- semos no chao a floresta e formis- semos pastagens para a pecuAria. Simplesmente condenar nossos pais e o Governo que incentivava a desflorestar, nao 6 correto. Foi o moment hist6rico e temos que respeitar. Podemos simplesmen- te atirar pedra naqueles que fize- ram a 6poca da borracha no Pard? Acho que nao. t claro tamb6m, prezado Li- cio, que tivemos nossos erros. Conscientemente procuramos resgatA-los. Mas, nao podemos cometer o erro de nao deixamos. um horizonte para nossos filhos. NAo podemos tamb6m deixa-los sem a floresta para que a mane- jem de forma sustentada e daf tamb6m tirarem o sustento das futuras geraq6es. Pondere-se que esse conhecimento e a tecnologia de explorer racionalmente a flo- resta nao estava A 6poca A dispo- siqao dos nossos pais. Confesso-te, cor toda since- ridade, nao gostaria que nossa Pa- ragominas fosse toda desfloresta- da, mas tamb6m nao gostaria que fosse somente de florestas. Acho que tudo na vida tem que ter equi- librio. E 50% da nossa Area terri- torial abertos e 50% em florestas acho que estA de bom tamanho. Os 1 milhlo de hectares em florestas, assim permanecerao. Com 70 mil hectares de reserve indigena (intocaveis em nosso Municipio), 140 mil hectares de Area cor certificaq~o florestal' pelo IFC instituteo international de certificaqdo a maior drea continue do Brasil), 250 mil hec- tares de Areas com projetos de manejo aprovados pelo Ibama e o restante areas que comp5e a re- serva legal das 1.500 proprieda- des rurais do Municipio. O que 6 important dizer, 6 que se tivemos a condiqao de ser o maior p6lo madeireiro do Bra- sil, cor centenas de serrarias no passado, foi num moment que nao havia a conscientizaqAo am- biental. Tivemos nossos erros, reconheqo, e estamos nos redi- mindo deles. Mas, o que importa 6 que hoje temos iniciativas dos pr6prios madeireiros, de que 6 precise (o equilibro que disse aci- ma) compatibilizar o progress corn a proteqAo ambiental. Nao podemos ter somente um santuA- rio intocAvel, rico em diversida- de, e um povo pobre admirando a floresta. Tamb6m nao podemos jogar tudo abaixo achando que iremos ficar ricos. As iniciativas sao interessantes e devem ser di- vulgadas tamb6m. A empresa que possui a maior Area certificada do Brasil (selo verde) estA em Para- gominas, ja foram plantados por intimeros madeireiros (nao sou madeireiro, mas advogado) e pe- cuaristas, nos iltimos seis anos, oito milh6es de Arvores, especi- almente da essencia ParicA; foi criada uma associaqao (Parago- flor) cor 30 associados com o objetivo de plantar Arvores, etc.. Dos 1 milhao de hectares que estao abertos, 500 mil devem per- manecer para a pecuAria (Areas de baixada, com Agua), e af nessas pastagens, sustentar com tecnifi- caqao o dobro do rebanho que te- mos hoje (500 mil reses), rebanho este que gera emprego, riquezas e divisas, em toda a cadeia pro- dutiva, nas fazendas, nas lojas de produtos veterinirios, nas selari- as, nos frigorificos, nos laticini- os, no transport do gado, etc. Os aproximados 500 mil restan- tes, que foram alterados no passa- do (terras hoje degradadas) e que sao chapadas, serao destinados A agriculture. E important dizer que no nosso Municipio nao estamos derrubando sequer uma arvore para plantar graos, estamos aproveitan- do as Areas que ja foram desflores- tadas. E estamos comeqando bem a agriculture, com agricultores tec- nificados, buscando experiencia em outras regioes, para nao cometerem os erros que 1 cometeram, como o plantio direto que ja estamos prati- cando, que 6 uma pratica ambien- talmente correta, etc. Af, te pergunto, prezado Lucio, em relaqao A agriculture e ao fato de voce achar que a soja seria uma ilusao, se n6s j temos essas terras alteradas no nosso Municipio, se temos um clima espetacular (sem geadas e sem longas estiagens), se temos um solo apropriado, uma lu- minosidade espetacular, uma con- diqco de escoamento da safra inve- jAvel, se temos a necessidade de en- contrarmos altemativas econ6mi- cas para o nosso Estado, se temos condiq6es de atingirmos m6dias de produtividades superiores as m6di- as nacionais, se temos necessidade de produzir alimentos, necessida- de de gerar empregos, de produzir renda, por que nao plantar soja? Gostarfamos imensamente de poder convence-lo a mudar a sua avaliaqco sobre o assunto, cor a certeza de que voce 6 um dos mai- ores formadores de opiniao na im- prensa do Estado. Gostariamos de receb-lo em nosso Municipio, para que voc6 tivesse a oportunidade de visitar plantaq6es, os silos de arma- zenagem, os 6rgaos oficiais, os sin- dicatos de produtores e de trabalha- dores, a oportunidade de ouvir tam- b6m o nosso povo. Nao temos d6vidas que esta- mos ao mesmo tempo, de forma racional e sustentada, resgatando o sonho de nossos fundadores, mas ao mesmo tempo construin- do um future melhor para as nos- sas pr6ximas geraoqes. Cordialmente Adnan Demachki adnan@nortnet.com.br Paragominas MINHA RESPOSTA Feito o convite, aceito estA. No moment devido retomarei o debate proposto pelo vice-prefei- to de Paragominas. Debate, aliAs, que nao foi devidamente instau- radojunto A opiniao plblica, mas poderA ser travado nas pAginas deste journal. Antes que o paraiso agricola seja criado ou uma nova fonte de problems se consolide. O avanqo da soja na Amaz6nia 6 um tema grave demais para ser tratado cor paixao. E precise colocar as informaq6es na mesa da discussao e atrair todos os con- tendores. A soja pode ser o gran- de combustivel da bioenergia, al6m de se consolidar como o maior item da pauta national da produc~o agricola, mas, na Ama- z6nia, os passes precisam ser da- dos com seguranqa maior do que a atual e cor as medidas de pre- venqao (e correqao) de suas dis- torq6es e problems. 1 2' QUINZENA/JULHO DE 2003 Jornal Pessoal CVRD nio da conta da demand por ferro No ano passado a Companhia Vale do Rio Doce produziu 164 milh6es de toneladas de min6rio de ferro, um recor- de na sua hist6ria de mais de 60 anos. Mas 12 milh6es de toneladas desse to- tal nao sairam de suas pr6prias minas: foram adquiridos de concorrentes. Pela primeira vez desde que se tornou a mai- or produtora mundial de min6rio de fer- ro e responsivel por um quarto do mer- cado transoceanico desse min6rio, a CVRD teve que recorrer a terceiros para tender os contratos de seus clients porque sua produgao pr6pria ficou abai- xo da demand. Assim, em 2002, a po- derosa Vale deixou de ter auto-suficien- cia commercial na principal e mais carac- teristica das suas atividades. Aparentemente a empresa foi sur- preendida pela pressio da procura ou enfrentou alguma dificuldade operaci- onal, nas minas ou nas vias de escoa- mento do min6rio. De qualquer forma, teve que recorrer as pressas a seus competidores nacionais para dar con- ta das encomendas internacionais. Dos 152 milh6es de toneladas de producgo pr6pria, 60 milh6es de toneladas fo- ram extraidos da Serra dos Carajis, no Para, e 92 milh6es das jazidas de Mi- nas Gerais. Para nao ser novamente atropelada neste ano, a empresa pretend aumen- tar a produgao de min6rio em Carajas para 70 milh6es de toneladas, num in- cremento de 16% em relacao ao desem- penho do ano passado. A capacidade de expansio do Sistema Sul 6 bem menor, possibilitando o acr6scimo de apenas cinco milh6es de toneladas. Assim, a CVRD devera produzir 167 milh6es de toneladas de min6rio de ferro em 2003. Respondera, entdo, sozinha, por um ter- go da producgo mundial de um min6- rio que 6 abundante ao long de toda a crosta terrestre. Uma autentica faganha; dela, em parte, e dos compradores, na outra parte. O volume sera suficiente para a em- presa voltar a responder integralmente pelas encomendas de seus clients se a demand deste ano for a mesma de 2002. Mas os t6cnicos acham que a pro- cura crescera mais um pouco. A pres- sdo mais forte vem dos chineses, que se tornaram os maiores compradores da Vale no ano passado. Em um mercado global de 500 milh6es de toneladas, as compras da China, que 6 hoje o maior mercado siderdrgico do mundo, foram, em 2002, de 112 milh6es de toneladas. Desse total, 16% foram fornecidos pela CVRD, vendas essas que representaram 9% da receita da empresa. Al1m de compradores de primeira linha, os chineses estao passando a ser tamb6m s6cios da Vale. O estreitamen- to dos neg6cios comegou cor o car- vao mineral. No primeiro trimestre deste ano os chineses venderam quase 50 milh6es de d6lares em carvao para as sete usinas de pelotizaqgo instala- das no porto de Tubarao, no Espirito Santo, uma s6 da Vale e algumas ou- tras a ela associadas. As pelotizado- ras, por sua' vez, vendem os aglome- rados de min6rio fino que produzem para os chineses. Mas o grande ensaio associativo sino-brasileiro na area siderdrgica 6 a fibrica de places de ago, investimento de aproximadamente um bilhao de d6- lares para gerar receita annual de US$ 600 milhoes. Comecou uma corrida pelo mercado de places em fungao da decisdo dos americanos de nao mais produzir internamente esse bem inter- medidrio, transferindo para terceiros uma demand de 40 milh6es de tone- ladas. A Companhia Siderdrgica de Tu- barao (da qual a Vale 6 uma das do- nas) e a Companhia Siderdrgica Naci- onal estdo investindo, em conjunto, outro bilhao de d6lares para expandir em quatro milhoes de toneladas a ca- pacidade produtiva de suas usinas, que alcanqardo 15 milh6es de toneladas. De olho no Oriente e na abertura do mercado americano. As boas perspectives do neg6cio te- riam motivado a Arcelor, s6cia da Vale na CST, a estudar a possibilidade de se associar ao empreendimento com a Ba- osteel. Certamente essa primeira fibri- ca de places nao serd a inica no novo p6lo siderdrgico que se constituira em Sao Luis. A dispute, portanto, nio se restringe a uma usina de semi-acaba- dos, mas a um novo centro de atendi- mento das necessidades dos Estados Unidos e da China, os dois maiores mercados do mundo, em bens siderdr- gicos intermediarios. E uma guerra de maior amplitude. Corregao Manfredo Ximenes dirige a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) e Joao Carlos o DNPM (Departamento Nacional da Produqgo Mineral). As posiqGes sa- fram invertidas na edigao anterior do journal. Nosso computador, saudosista que s6 ele, repetiu a chamada de capa para a mat6ria sobre a cassagao do mandate do governador. Perddo, lei- tor. Mais perdao por varios outros erros de digitaqgo e de ediqgo. Um dia deixaremos de comete-los. O Maranhao de Jos6 Sarney 6, com fol- ga, o Estado de maior exclusao social do Brasil, com indice 0,197 (quanto mais dis- tante do indice 1, pior). Em segundo lu- gar, as Alagoas de Fernando Collor de Mello (fndice 0,220). S6 entdo o Piauf de Joao Paulo dos Reis Velloso (o tecnocra- ta mais poderoso durante o governor Gei- sel), com 0,247. Em seguida, Pernambu- co de Marco Maciel (0,257) e o Ceara de Ciro Gomes (0,289). Na Amaz6nia, a situaqgo do Pard (0,328) s6 nao 6 pior do que a do Acre (0,321). Os dois Estados amaz6nicos, na oitava e na nona colocag~o, interrompem a s6rie nordestina dos primeiros lugares na injusta distribuigo de oportunidades, conforme o segundo volume do Atlas da Exclusdo Social no Brasil, produzido por pesquisadores de tres das mais importan- tes universidades paulistas e brasileiras (Unicamp, USP e PUC). Como os nimeros sdo de 2000, o cres- cimento para baixo do Pard continuou, apesar da ret6rica da inflexdo de rumos da administraqao Almir Gabriel, que pro- metia interromper a linha descendente dos seus antecessores. Jomal Pessoal 2- QUINZENA/JULHO DE 2003 11 Exclusao M 6 RI-A DO OlDI AN 0 Importagao Andncio de 1953 de Pereira Pinto & Cia. (travessa 7 de Setembro, 61) oferecia, para pronta entrega, cinco refrige- radores suecos Elelectrolux LT-700, tamanho maior, "que ficam ao dispor dos primeiros clients que os desejarem ad- quirir com os 6nicos agents depositarios, sempre cor pe- cas em stock!!". Era ainda a febre de impor- taqces iniciada na era Dutra, que consumiu as divisas ame- alhadas pelo Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Navios Em maio de 1954, em uma das vitrines do entio modern e imponente pr6dio da Importa- dora de Ferragens, na avenida 15 de Agosto (atual Presiden- te Vargas), foram expostas ao pdblico as maquetes dos navi- os que os SNAPP (Servigo de Navegaqao da Amaz6nia e Administracao dos Portos do Para, que antecedeu tanto a Enasa quanto a CDP) haviam mandado construir na Holan- da. A chamada "frota branca", como viria a ser conhecida, foi o maior investimento ptblico na navegagao regional em to- dos os tempos. Foi usada in- tensamente, mas durou pouco. Novidades Ja M. Zeque & Cia, proprieta- rio das Casas Duas Am6ricas (matriz na Joao Alfredo e fili- al, de m6veis e tapecarias, na praqa Justo Chermont), comu- nicava, no mesmo 1953, que havia acabado de receber do Rio de Janeiro e Sao Paulo "a mais modern coleqCo de Naylons e Failes lisos, lavra- dos, estampados e dourados, Organdis suiqos lisos, lavrados e bordados, Veludo de seda e mais novidades", ji colocados em exposiqgo. Tradutor Entre 1955 e 1956 o econo- mista americano John Fried- man, que atuou no TVA (Te- nesseee Valey Authority), a agencia estatal que desenvol- veu o vale do Tenessee, nos Estados Unidos, deu um cur- so de planejamento regional para alunos paraenses, patro- cinado pela SPVEA (Superin- tend8ncia do Piano de Valori- zaqgo Econ6mica da Amaz6- nia, antecessora da Sudam) e a Escola Brasileira de Admi- nistragdo P6blica. O tradutor das aulas foi ningu6m menos do que o jornalista, poeta e critico Mario Faustino, entdo com 25 anos. Faustino mor- reria seis anos depois, num desastre de avido. Sua obra complete esti sendo lanqada agora pela Companhia das Letras. Sairam os dois pri- meiros volumes. Filme "A Ultima Gargalhada", c6le- bre filme mudo realizado pelo director alemdo Wilhelm Mur- nau, em 1924, foi exibido pela primeira vez em Bel6m numa sessdo do cine-clube "Os Es- pectadores", em 1956. A fita, exibida no audit6rio da SAI (Sociedade Artistica Interna- cional), foi apresentada por Angelita Silva, cunhada do fi- 16sofo Benedito Nunes, ji fa- lecida. Televisao ProgramaqCo de 6" feira, 22 de maio de 1964, da TV Marajo- ara (primeira emissora de te- levisdo da Amaz6nia, dos Di- drios Associados, de Assis Chateaubriand), que comega- va as 18 horas e encerrava As 23,10: Padr~o Abertura - Primeira Edigqo (patrocinio Wilson Souza & Cia.) Pre- senca da Mulher (pat. Odalis- ca-Dipercos) Rodos os Es- portes (pat. Importadora Bra- ga) Tapete Magico (Guara- suco) Lassie (Kolynos) - Rep6rter Marajoara (Banco Commercial do Par6) Manto- vani (Grafica Falangola Edito- ra) Mr. Lucky (Confeccqes Saragossy) Didrio de um Reporter (Pres Franco) Cida- de Nua (Gessy-Lever) Ima- gens do Dia Encerramento. FOTOGRAFIA Estilo Folha Legenda exemplar da Folha do Norte a esta fotografia, de maio de 1954: "Vista parcial do plendrio do Congresso, no cinema Odeon de Sao Lou- renqo. Agrupados os representantes do Para, dr. Osvaldo Melo, secretario da Administraq~o da Prefeitura de Bel6m; vereador Raimundo Magno, pre- sidente da Cdmara Municipal prefere meter o dedo no nariz a escutar os oradores); dr. Achiles Lima, secretirio da Fazenda da P. M. B. (este, inter- .. vindo num debate, escla- receu que ndo era prefei- to, nem vereador. Era se- cretdrio da Fazenda. Um orador entendeu, para fa- zer confusio, que ele qui- sera diminuir os vereado- res e prefeitos, o que mo- tivou justificativas do acusado, que foram acei- tas); sr. Tembra, director da Secretaria da Cdmara S Municipal de Bel6m (este prefer dormir); Jofre Seixas, prefeito de Afud. 's P No outro plano, vereador Mdrio Nepomuceno (p6e um pedaqo de papel na boca, para nio falar); prefeito Vilhena, de Marabi; um vereador de Itaituba; dr. Emi- lio Martins e vereador Luiz Mota. Este foi o primeiro a deixar Sao Lourenqo, 'cheio' daquilo que via. Ndo fez mal, porisso". Rn .t.. L A Q U SPHEBO - m -^- .G PUBLICIDADE Laque na cabega Mulher sem laque nos cabelos era imperdoavel na d6cada de 60. Num anlncio de 1963 (exata- mente 40 anos atrds), a Perfumaria Phebo colo- cava no mercado o seu laque, "a n6voa migica que mant6m impecavel o seu penteado". Em "modernos vaporizadores plasticos", o produto mantinha o penteado "mais belo que nunca" e ainda o deixava "deliciosamente perfumado com o suave olor da Seiva de Alfazema". Os namo- rados e maridos das damas, debrugados sobre seus cabelos nas festas ou outras ocasi6es mais intimas, agradeciam. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 1 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |