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lomal Pessoal %A AGENDA AMAZ)NICA DE LOCIO FLAVIO OPINTO 1 QUINZENA MAIO DE 2003 *V SOP, SIDERURGICA A op io maranhense Parece pouco provavel que o governor consiga mudar o projeto da CVRD e de sua s6cia chinesa de instalar em Sao Luis do Maranhao uma sidenirgica para transformar o minerio de Carajas em places de ago. Nao s6 pelos estudos econ6micos ja realizados como porque a pr6pria administragio estadual nao se preparou para induzir um p6lo sidenirgico no Pard. Nao esta preparada para nenhum dos outros desafios que a riqueza mineral do Estado lhe imp6e. E pouco provavel que o gover- no do Pard consiga mudar a trajet6ria da fibrica de places de ago que a Companhia Vale do Rio Doce, em associaqio com uma siderirgica chinesa, a BaoSteel, planejou instalar em Sio Luis do Mara- nhio, usando min6rio de ferro de Carajas. Essa localizaqio nio 6 resultado de uma mi vontade cong6nita da CVRD contra o Pard ou de uma manobra conspirativa do senador Jos6 Sarney em favor do seu Es- tado natal. Esses e outros fatores podem ter tido alguma influ6ncia, mas apenas la- teral, nio fundamental. Cdlculos econ6- micos 6 que pesaram na instalagio da si- COTNAN0A ANO XVI N 301 R$ 3,00 : r' ~ ii,: I i" //f *^ < 0 el 6 j-0 derdrgica ao lado do porto da Ponta da Madeira, dos melhores do mundo. Mas o pass adiante que a Vale e asso- ciada estio dando unilateralmente repre- senta o atestado da falencia da adminis- trag~o p6blica estadual, omissa na defini- qbo de uma political de industrializag~o dos recursos minerals, que ocorrem com tanta abundancia no territ6rio paraense. Apesar da ret6rica dos discursos sobre a vertica- liza9Co no Para, o governor nunca pensou a s6rio e nunca procurou agir para que isso ocorresse. Surpreendido pelos aconteci- mentos e atropelado pela reaq~o de seto- res da opinido ptblica aos fatos consuma- dos, o governor tenta recuperar o tempo perdido e dissipar as ilus6es criadas. Mas no caso da siderurgia, a desatenta prince- sa parece ter despertado tarde demais. E pouco provivel que o sapo consiga virar principle e a desperate do sono solto a tem- po de um final feliz. Nao parece que haja possibilidade de final feliz para o Pard em mat6ria de siderurgia. Tudo indica que o grupo de trabalho que tenta desfazer o estudo de pr6-viabilidade econ6mica da sidenirgica de Sio Luis aca- bard vencido pelos nimeros e deverd tra- balhar em torno de compensaq6es em be- neficio do Pard. O quadro atual s6 poderia ser revertido se o Para tivesse feito (ou es- tivesse fazendo) um plano de desenvolvi- mento industrial para o setor mineral, em- penhando-se seriamente em escapar ao des- tino que lhe esta sendo imposto, de centro de produq~o primiria. NMo 6 mais sufici- ente simplesmente oferecer beneficios fis- cais ou atrativos locacionais. S6 um planejamento bem feito e uma vontade determinada poderiam ter criado as condiq6es para que min6rio de ferro, pla- cas ou ago extraidos de Carajas pudessem ser beneficiados no pr6prio local ou che- gassem a um porto paraense de aguas mais profundas no litoral. Esse porto seria o de Barcarena, desde que recebesse investimen- tos adequados, nio s6 no pier e em seus patios, mas no canal de acesso. O porto de Vila do Conde nio tem con- diq6es para receber os enormes navios de 300 mil toneladas ou mais, que viabiliza- ram o com6rcio interoceanico de min6rio de ferro, do qual a CVRD det6m um quin- to do total. Mas cor a (custosa) dragagem do canal seria possivel a atracaqdo de navi- os cor quase metade dessa tonelagem, que poderiam levar produtos de menor volume e maior volume, como places e chapas. Nesse caso, o p6lo sidernrgico deveria fun- cionar em Marabd ou Parauapebas. Mas seria viavel economicamente? Antes de considerar esse problema, 6 precise enfrentar um outro, no valor de 300 milh6es de d6lares: a transposig~o da barra- gem de Tucuruf. Sem as eclusas, como 6 que as barcagas, com mindrio ou produtos finals, poderiam chegar a Barcarena? No ritmo atu- al, quando as eclusas poderiam ser concluf- das? As obras civis da segunda etapa da hi- drel6trica ji terminaram (agora esti sendo feita a montagem das 10 maquinas que falta instalar para concluir a usina) e o sistema de transposiqao nao se beneficiou do custo mar- ginal do grande canteiro de obras. E Brasi- lia continue a considerar essas eclusas, que seriam as maiores do mundo, um luxo des- necessirio, uma inutilidade. Ha ainda o desinteresse da Vale por essa obra. A empresa, que fatura cada vez mais cor logistica, assumiu o inteiro control da Ferrovia Centro-Atlantica, que, no fu- turo, lhe permitird integrar ferroviariamente seus dois fantasticos corredores de expor- taqao, o de Carajas e o de Vit6ria a Minas, cor conexio atrav6s da Ferrovia Norte- Sul. Isolado, o p6lo de Vila do Conde faz parte de outra estrat6gia. Nao 6 suficiente, portanto, que o Esta- do tente superar a queda de brago em rela- qao especificamente a fabrica de places, uma tarefa pouco propensa ao sucesso. Te- ria que atuar no sentido de impedir a con- sumaqio de um dano que ji esta em curso: ficar de fora do beneficiamento do min6rio de ferro de Carajas. Nao s6 do ferro, alias, mas dos demais min6rios ji identificados, avaliados ou utilizados: mangan8s, ouro, cobre e niquel. E bom lembrar que ajazida de ouro do igarap6 Bahia, que permitiu a Vale superar a produqao da mina de Morro Velho, em Minas Gerais, a maior fonte do metal na hist6ria brasileira, ji foi exaurida e toda aquela conversa em torno do p6lo de refi- no e manufatura, travada nos gabinetes es- taduais e no conselho da Sudam, nao pas- sou de conversa fiada mesmo (na qual o governor estadual se enredou). Com o apro- veitamento do cobre do Alemdo, o projeto igarap6 Bahia vai entrar numa nova fase de explorago, como subproduto, e do pas- so seguinte no beneficiamento o que se tem 6 essa perfumaria do Sao Jos6 Joalheiro. Cor a usina de pelotizaq~o em Sio Luis, a maior do pais, o porto da Ponta da Madeira ampliado e a fabrica de places no mesmo local, o que restart da trajet6ria si- derirgica ao Pard? A usina de gusa que a CVRD esta comeqando a construir com a Nucor, reforqando (e concentrando) uma atividade pouco atraente? O desafio 6 muito maior do que esse cabo-de-guerra incrementado pela grande imprensa. O Pard tem que participar dos projetos da Vale, mas nio como um mero referendador de decis6es, nem como um teimoso desorientado. Precisa de conheci- mento para ajustar a estrat6gia da empresa as necessidades de um Estado que ela tern beneficiado tio marginalmente. A fabrica de alumfnio da Albris, por exemplo, a maior unidade produtiva indi- vidual do Estado, chegard em 2004 ao fi- nal do seu primeiro ciclo de vida, com o encerramento do leonino contrato de ener- gia, cor nimeros espantosos para o Pard. Do record de 406 mil toneladas produzi- das no ano passado, apenas 3% ficaram no mercado interno. Os 97% foram enviados para o exterior (sobretudo o Japdo) na for- ma menos elaborada (e que, por isso, me- nos valor agrega), a do lingote, a primeira parada industrial depois da energia bruta. O prejuizo acumulado da Albras at6 2002 chega a 700 milh6es de reais. A divi- da de long prazo, de R$ 1,1 bilhio, equi- vale a mais de quatro vezes o patrim6nio liquido da empresa. A esse pesado exigivel se acrescentam os quase R$ 700 milh6es de curto prazo. S6 a variaqio monetiria e cambial do exercicio passado consumiu R$ 642 milh6es, provocando o prejuizo liqui- do de R$ 184 milh6es, que interrompeu o comego de lucratividade em 2001. O que o p6lo de alumina e alumfnio de Barcarena proporcionou para tris e o que pode gerar para frente? No moment em que a empresa rediscute o vital contrato de energia, o Estado senta no camarote como espectador desinteressado da parte que Ihe cabe: mudar o perfil colonial desse p6lo. Nao corn discurso vazio, mas com propos- tas densas e exeqtilveis. O mesmo se apli- ca ao ainda nascente p6lo de cobre, ao fu- turo ndcleo de zinco e a esse cada vez mais atado centro de caulim, que nio induz ce- lulose ou papel. Ao inv6s de atigar a Vale de p6blico e depois tratar do que fazer em gabinetes fechados, com outra linguagem, recorren- do a consultorias que nio enraizam no Estado a cultural da mineraqio (e da meta- lurgia e siderurgia), o governor podia obri- gar a empresa a se explicar diante de au- dit6rios qualificados ao dialogo. A empre- sa tem se recusado a verticalizar sua pro- ducao mineral alegando que se agir assim vai desagradar os seus clients, que atu- am exatamente nas escalas seguintes de transformaqdo. No entanto, se associou L americana Nucor para produzir gusa em Carajas, deslocando do mercado as gusei- ras locais independents (ou isoladas), que vendiam seu produto exatamente para a Nucor. Dentro da legislacio brasileira con- tra cart6is, essa sociedade 6 possivel? Nao 6 uma contradiqAo cor o discurso do core business da Vale em min6rios? A empresa pode argumentar que essa sociedade sera a ponte para entrar no co- biqado e fechado mercado americano, algo semelhante ao projeto das places cor os chineses. Mas 6 precise definir claramen- te a questao e ajustar (quando nio subor- dinar) o interesse commercial da empresa As necessidades do Estado, de uma forma just e decidida. O govero esta prepara- do para travar essa luta? Ela faz parte dos seus objetivos? Pelo modo de encarar e abordar o contencioso, parece que nao. S1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jornal Pessoal Mineralio Rio do Norte: a maior autuaaio do Leao A Mineraqio Rio do Norte, uma das maiores produtoras de bauxita do mundo, poderi ter que pagar 220 milh6es de re- ais, na maior autuaqdo ji feita na Amaz6- nia pela Receita Federal. A mineradora, estabelecida em Oriximind, foi autuada em julho de 2000 porque um ano antes havia reduzido seu capital social em 118 milh6es de reais, equivalent a 20% de todo o ca- pital que entao possufa, de R$ 537 mi- lh6es, por considera-lo excessiveo". Essa redu~go, efetuada justamente quando a empresa pleiteava pagar me- nos imposto ainda, significava que a MRN estava devolvendo aos seus acio- nistas (a frente a CVRD e atris dela vi- rias das multinacionais do cartel do alu- minio, como Alcoa e Alcan) 20% de tudo o que eles haviam investido at6 entao. A mineradora foi criada em 1972 e co- meqou a operar em 1979, chegando nes- te ano ao record de 16,3 milh6es de toneladas de bauxita. No meio desses R$ 118 milh6es nao iriam parar nos bolsos privados imposto que o governor deixou de arrecadar para estimular o investimento da empresa? Com base nessa premissa a Receita Fede- ral investigou e autuou a Rio do Norte por contrariar as normas legais ao reduzir seu capital. A empresa, nao concordando com a autuaqdo, recorreu Ajustiqa federal para anular o ato da Receita. Mas ojuiz substi- tuto da 22" vara judicidria do Distrito Fe- deral indeferiu o recurso da mineradora. Apreciou o m6rito e determinou o arqui- vamento do process. 0 juiz Cleberson Jos6 Rocha admitiu que a empresa poderia at6 reduzir seu ca- pital, desde que pagasse todos os impos- tos devidos. Ao incorporar os incentives fiscais que lhe foram concedidos pela Su- dam, aceitou a regra de que esses recur- sos jamais poderiam ser distribuidos aos s6cios ou acionistas, porque, como 6 16- gico, "ap6s a capitaliza9ao do valor do incentive, qualquer reducao do capital social implicard primeiramente na redu- cgo desse valor", observa a sentenqa. No caso de a empresa decidir reduzir seu capital, "deve-se entender que primei- ramente foi distribuido o valor do incen- tivo", argument o juiz, acrescentando: "Nada mais 16gico em se tratando de be- neficio fiscal que objetiva o incremento de atividades cor ampliaqio do process de industrializacqo". Journal Pessoal 1- QUINZENA/ABRIL DE 2003 A empresa incorreu em ilicito ao in- corporar o valor do incentive official ao seu capital e, em seguida, reduzi-lo. A re- gra clara 6 de que, ao gozar o beneficio, a empresa esti aceitando que nao pode mais reduzir seu capital, sob pena de pas- sar a ser automaticamente devedora do imposto, que nio lhe foi cobrado exata- mente para induzi-la ao investimento. Afinal, trata-se de uma political fiscal de desenvolvimento. Aldm de considerar a autuaqdo perfei- tamente legal, o juiz reconheceu a Receita Federal como o 6rgao competent para esse procedimento e nio a Sudam, como ale- gou a MRN: "A Sudam cabia verificar se a empresa estava em condiqao de obter o in- centivo. A Secretaria da Receita Federal verificar se o incentive foi corretamente utilizado", sentenciou o magistrado. Embora deva manter o front judicial, a Rio do Norte ji ofereceu a Receita bens integrantes do seu ativo no valor conti- bil de R$ 220 milh6es, em 30 de novem- bro de 2000, para garantir o primeiro re- curso que apresentou, o administrative, e que tamb6m perdeu. Se as decis6es fo- rem mantidas na instancia final, a empre- sa teri que procurar resolver o problema o mais ripido e satisfatoriamente possf- A equipe liderada por Afonso Klau- tau esti de parab6ns pelo TV Pard, um program local de bom nivel que estreou no dia 4, na TV RBA. Formalmente bem cuidado, das vinhetas ao cendrio, con- seguiu imprimir uma marca paraense, seu principal objetivo, garantindo ori- ginalidade, criatividade e qualidade ao produto. Todos os que desejam umaja- nela paraense na varanda globalizada e massificada da programaqao de televi- sao desejam vida longa ao program. Mas hi uns porens a considerar. Pri- meiro, o patrocinio official. Nao ele em si, mas nas possiveis ingerencias e in- terfer6ncias political. Em mat6ria de cultural, o governor invariavelmente age como macaco em loja de louqas, como estamos vendo nesse epis6dio de alega- do dirigismo da administraqao federal vel. Isso se nao quiser perder os beneff- cios e favors oficiais que ja usufrui, in- clusive o refinanciamento de sua divida, em condi96es extremamente vantajosas, pelo Refis. Como a maioria das grandes empresas que se instalam na Amaz6nia com os fa- vores do governor, a MRN nao 6 muito simpitica ao pagamento de tributes. At6 mesmo a CPMF a empresa question. Mas os numerous do seu balanco do ano passa- do sdo invejiveis. Em 2002 a empresa teve um lucro liquid (de R$ 270 milh6es) que foi exatamente a metade do seu faturamen- to liquid (de R$ 540 milh6es). Essa al- tissima rentabilidade foi alcancada en- quanto a empresa investia para aumentar em quase 50% a sua capacidade de pro- duqgo, que passou de 11,6 milh6es para 16,3 milh6es de toneladas de min6rio. O custo dos empr6stimos contraidos para fi- nanciar essa expansdo (s6 de juros e vari- acdo cambial) foi de R$ 104 milh6es no ano passado. Ja os mil funcionarios da empresa custaram-lhe R$ 41 milh6es. O capital social da MRN foi, em 2002, 10% menor (ou R$ 60 milh6es) do que o que tinha em 2000. Uma empresa com esse perfil 6 real- mente fator de desenvolvimento human? no uso dos recursos piblicos para o in- centivo do setor. E uma limitaqao, real e potential. Outra questdo 6 ao menos para o meu gosto a excessive leveza e ligei- reza do program. Verdade que se trata de uma revista de entretenimento, mas esti um tanto edulcorada demais. Po- dia ser mais jornalistica tamb6m, sem cair no noticiarismo. Mais pol6mica, mais incisiva. O tom risonho e franco podia tamb6m, quando necessdrio e ade- quado, trincar os dentes. Ao menos para adensar um pouco mais o molho, aqu- carado al6m do ponto. Mas hi tempo pela frente. O impor- tante 6 que a televisio ter um ponto de referencia paraense e efetivamente te- levisivo, nao apenas radiof6nico e abu- sadamente carnavalesco. TV Para Caso Parapora: silencio acusador O Jornal Pessoal 6 lido por aproxi- madamente 12 mil pessoas. O n6mero pode parecer pequeno (e 6 efetivamente pequeno), mas toda vez que ele se apre- senta cor sua face negative reajo corn uma pergunta reanimadora: onde vou conseguir reunir 12 mil pessoas para ou- vir-me? Quem dispbe de tal audit6rio? Ainda assim, sou tomado de certo de- sanimo quando nenhum dos meus 12 mil leitores reage a apresentagco de um tema de alta relevancia coletiva. Esse foi o caso da mat6ria da 61tima ediqgo a res- peito de uma grave ameaga que paira sobre o Estado do Pard: ter que pagar 120 milh6es de reais de indenizaGqo por uma desapropriacqo mal feita, em 1971, pelo entao governador Fernando Gui- Ihon. Esse valor corresponde a dois ter- gos do que foi investido na AlIa Vidria, um empreendimento polemico, mas que o governor Almir Gabriel considerou como sendo sua opera magna. Uma es- p6cie de Belo Ant6nio de concrete e ago. Imaginei que o assunto seria imedia- tamente tratado no pr6prio executive, no legislative e na pr6pria sociedade. De- putados se manifestariam, advogados propugnariam e o Minist6rio Pdblico to- maria alguma iniciativa. Nada. A falta dessas iniciativas, consultei um amigo advogado para examinarmos as alterna- tivas que poderiam ser adotadas para evitar essa sangria desatada nos cofres p6blicos, ao menos enquanto se faria uma revisdo do process, sendo para re- faz8-lo todo, ao menos para dele extrair um padrdo de entendimento mais acei- tivel do que o erario drenar para bolsos privados um valor que esti muitas ve- zes al6m do que valeria a fazenda desa- propriada hoje, qualquer que fosse o desenvolvimento do projeto aprovado pela Sudam. Poderfamos considerar a decisdo que determinou ao Estado o pagamento da indenizacqo pela desapropriaqao inques- tionavelmente equivocada como um erro judiciario? Hoje, me diz o advogado consultado, essa tese tem muito prestf- gio nas cortes brasileiras. Erro judicid- rio n5o transit em julgado. Mas esse seria, efetivamente, um erro judiciario? Esta 6 a primeira questdo submetida A opiniao pdblica por este journal. A outra alternative para enfrentar a situacao nos tribunais seria atrav6s de uma acgo rescis6ria, com fundamento no artigo 485 do C6digo de Processo Civil. No entanto, essa porta provavel- mente ji esti fechada: o prazo para a propositura de uma rescis6ria 6 de dois anos ap6s o transito em julgado. Em- bora as informacqes disponiveis a res- peito nao sejam afirmativas, esse pra- zo parece ji escoado. A terceira hip6tese seria uma acgo anulat6ria. Cor base no artigo 486 do mesmo CPC, ela poderia ser tentada agora, ji no process de execucao. Mas o consultor classifica essa via como "es- treitissima". S6 prosperaria se fosse dis- tribuida para um juiz disposto a afron- tar formalidades e coragem para inovar. A vantage da acgo anulat6ria 6 que o prazo 6 de 20 anos, conforme interpre- taq6es doutrindrias e jurisprudenciais. A possibilidade seguinte seria uma acgo declarat6ria de nulidade de ato judicial. A Procuradoria Geral do Esta- do poderia ingressar com uma acgo des- se tipo, que tamb6m 6 favorecida pelo prazo vintendrio. Mas quando nao cabe recurso ou ag~o alguma, cabe mandado de seguran- ga, cor pedido liminar. E outra possi- bilidade que s6 poderi ter sucesso se couber a um juiz disposto a "pegar o pido na unha", como diz meu consultor juridico. Algu6m como Torquato Alen- car no caso da grilagem da C. R. Almei- da no Xingu (embora sua decisao em primeira instancia tenha sido revogada na instancia superior). Oferece-se ainda a alternative da ag9o popular, cor fundamento no prejuizo que a sociedade sofrerd se o Estado tiver que arcar com tdo onerosa indenizaqgo. As instituig6es mais qualificadas para pro- por essa aqgo seriam a Procuradoria Ge- ral do Estado ou o Minist6rio Piblico Estadual. Mas qualquer eleitor pode in- gressar em juizo para pleitear a anulaqgo ou a declaraqgo de nulidade dos atos lesivos ao patrim6nio do Estado, in- vocando inclusive o erro judiciario, que nao transit em julgado, e um principio de muito prestigio atualmente, que 6 o principio da razoabilidade. Por incrivel que parega, observa meu consultor, "at6 bem pouco tempo atris esse principio, que devia ser o 6bvio no direito, nao estava tao bem estruturado juridicamente. Ficamos devendo essa aos alemaes e seus disci- pulos brasileiros, Gilmar Mendes, atual ministry do Supremo Tribunal Federal, a frente, mas tamb6m o nosso Inocencio Martires Coelho". Se nenhuma dessas alternatives se sustentar, a forma de ressarcir o Erdrio mais adiante seria exercer o direito de regresso contra os responsiveis pelo prejuizo causado, fazendo-os pagar pelo que for cobrado da coletividade. Nesse caso, responderiam na regressi- va todos os governadores vivos que sucederam a Fernando Guilhon. A agao poderia ser precedida de um inqu6rito civil pdblico para a apuraGqo de fatos e acumulagao de documents para o in- gresso na via judicial. At6 agora esse tipo de ag9o nunca foi efetivada. Mas seria o moment de escre- ver a hist6ria de outra maneira. No proces- so da Parapori fica a impressao de que cada novo governador parecia mais empenhado em passar em frente a batata quente do que em descasca-la. Assim, a a9ao regressiva nao seria apenas legal, mas moralmente just. Se nenhum dos membros do Minis- t6rio P6blico ousou at6 agora inaugurar uma nova fase na cobranga da responsabi- lidade civil dos governantes, o "caso Para- pora" Ihes di a oportunidade de comegar uma nova etapa na nossa hist6ria. Quem se habilita? Thcanes 0 efeito mais nefasto do modo politicamente correto e impedir as pessoas de dizer o que efetivamente pensam, ou de ver as coisas como elas sdo (ou se apresentam a quem as ve). Recolho um exemplo dessa confusdo mental num texto de suporte a um titulo dado pelo journal 0 Globo em materia sobre afilha de Elis Regina: "Em seu primeiro disco solo no,Rio, cantora sefirma como promessa". "Corretice" pura, ou caretice. 4 1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jornal Pessoal Novo president do Basa: encontro dificil com Jatene O economist acreano Mincio Cordei- ro Lima, que no mrs passado assumiu a presid6ncia do Banco da Amaz6nia, tern muitos pianos para a instituigqo. Mas pre- cisou insistir muito e ignorar as suscetibi- lidades pessoais para poder apresenti-los ao governador do Estado no qual o Basa ter sua sede, num encontro que acabou acontecendo s6 no dia 5. Apesar de ter so- licitado insistentemente uma audiencia com o governador do Pard desde que tomou posse, no dia 17, Mincio precisou esperar bastante para obter um retorno da assesso- ria estadual. Provavelmente nao por acaso, o governador Simro Jatene nao compare- ceu A solenidade de posse do novo presi- dente, para a qual foi convidado, mesmo ela tendo acontecido em Bel6m. O president do banco, que responded por 84% do cr6dito de long prazo conce- dido na regido amaz6nica, compareceu logo em seguida ao gabinete do prefeito muni- cipal, Edmilson Rodrigues. Ejd estava pro- gramando uma rodada de visits aos go- vernadores da sua area dejurisdiqdo quan- do recebeu a confirmaqao da audiencia com Jatene. O tratamento que Ihe foi dispensa- do at6 entdo parecia ter o prop6sito de trans- mitir um recado: Jatene nao esti satisfeito corn a situaqdo. Provavelmente essa insatisfaqao nao tern a ver diretamente com a pessoa de Mancio Lima ou corn a forma da sucessdo no Basa, um acreano substituindo a outro acreano (no caso, a ex-presidente Flora Valadares, que ficou durante os oito anos do consulado FHC A frente da instituicio) num cargo que tradi- cionalmente vinha sendo concedido ao Pardi. Desta vez o Estado ficou com duas das cin- co diretorias, ambas preenchidas pelo PT pa- raense, mas perdeu o poder de mando. Mesmo tendo sido ignorado no process de preenchimento da dirego do Basa, restri- ta A base aliada do govemo Lula (PT e PPS, mais aintrusio de sempre do maranhense Jos6 Samey), Jatene parece reagir mais a dois atos que considerou de descortesia ou mesmo de ofensa: a suspensao unilateral do process de estadualizaCgo (sustada, mas ainda ameaCa- dora) da CDP e a inclusio A 6ltima hora e sem entendimento pr6vio de medidas na reform tributAria que irio sangrar o Pari, mantendo os beneficios e privil6gios conce- didos aos exportadores de produtos nao-ela- borados, que constituem o peso maior na ba- langa commercial do Estado, ainda um produ- tor de bens primArios. Se as diferenqas que levaram ao distan- ciamento do governor paraense nio forem acertadas, Mancio Lima vai enfrentar desde o inicio de sua gestao um entrave politico para a execuqao de um program concebido para mudar a postura e a image do Basa. Talvez por nao ser "do mercado", embora tenha atuado na area financeira e fazendaria da administracgo estadual acreana, o novo president parece acreditar num caminho heterodoxo para o banco. Ja tem algumas diretrizes na cabeca, mas pretend estimu- lar critics e sugest6es atrav6s de um portal na internet, aberto i consult ptiblica. Oriundo de um govemo que se declara "da floresta", Mincio quer transformer o Basa num bancoo verde". Assim, conjugando es- forqos com a acreana instalada no governor Lula, Marina Silva, do Minist6rio do Meio Ambiente, espera conseguir recursos inter- nacionais, al6m dos que ji conta atrav6s do FNO e das fontes tradicionais. Al6m de apos- tar no apoio ao "desenvolvimento sustenta- vel", Mancio esta convencido que o Basa precisa avanqar em tecnologia (da informa- 9ao e banciria) e em inteligencia, qualifican- do melhor sua mao-de-obra. A m6dia de ida- de do pessoal foi um dado que impressionou o novo president, mais novo do que a esma- gadora maioria dos seus subordinados. Boa parte da tecnologia de que o Basa necessita, ele pretend buscar no Banco do Brasil. A integraqao dos dois bancos federais reduziria custos e economizaria tempo. 0 soba maranhense O president do Senado, Jos6 Sarey, deve ter achado ardilosa e sagaz sua decisao de in- terromper o process de cassag~o do seu po- deroso par, Ant6nio Carlos Magalhaes, deci- dido na Comissio de Etica, e transferir a bata- ta quente para o judiciario. O perigoso prece- dente estimulou o plendrio a confirmar a ins6- lita decisao da mesa e livrar ACM do process recomendado pela comissao t6cnica da casa. O estratagema de Sarey pode ser consi- derado uma manobra brilhante. Mas apenas se ele for abstraido do context e a sociedade brasileira ignorada, a political nada mais sen- do do que uma brincadeira de titas formais, figures imponentes e ocas. Nao 6 exatamente assim, nem essencialmente assim, entretan- to. Enquanto quebrava em Brasflia a longa tradigqo de acatamento da decisao da Comis- sao de Etica e lanqava marimbondos de fogo na direC9o do Palicio do Planalto, Sarney cuidava se esconder a mao. Em S~o Luis, onde estd sua origem e deve- ri ficar para sempre, o jomal de Sarney, O Es- tado do Maranhdo, exatamente no dia em que comemorava seu 442 aniversirio, exclufa de sua primeira pigina a noticia de que a mesa do Senado decidira arquivar o parecer favorivel A cassaqgo de ACM, por grampear telefones na Bahia. Em 14 linhas, escondidas num can- to inferior da pdgina dois, ojoral registrava o fato. Nao informava, por6m, que a melanc6li- ca reuniao foi presidida por ningu6m menos do que o dono da folha. O objetivo de tanta discriaio era evitar constrangimentos evidentes. Afinal, quando a Policia Federal "estourou", no ano passado, o cofre da Lunus, empresa de Roseana Sarey & Jorge Murad, o pai e sogro acusou o gover- no FHC de valer-se de grampos telef6nicos ile- gais para atingir adversarios politicos. Apro- veitando-se da circunstancia de que a policia agira com base em robustas suspeitas, mas nao em provas, Sarey acusou o govero de com- portamento "arbitririo", "autoritirio" e "fas- cista", sempre procurando convencer seus ou- vintes de que falava como cidadAo e nao como parent dos atingidos. Por coerencia minima, se defendesse prin- cipios e nao interesses, o senador Jos6 Samey devia se colocar contra mais esse epis6dio de desrespeito a sagrada privacidade das pesso- as, de uso de um poder politico para a conse- cuqgo de objetivos pessoais, da mais anacr6- nica pritica oligirquica, como se ACM conti- nuasse a ser, na Bahia, o senhor de barago e cutelo dos tempos da escravidao. Metido a intellectual, por6m, Sarney pare- ce partilhar o entendimento daqueles que acham que a hist6ria nIo 6 aquela que se faz, mas a que se escreve. Ao menos em seu cu- rul, a hist6ria seria aquela que O Estado do Maranhdo manipula, obedecendo as ordens de seu demiurgo. Daf a noticia escondida e envergonhada. E essa a political praticada nas satrapias brasileiras. E Brasilia nem se importa com isso, qualquer que seja o ocupante do Palicio do Planalto. Afinal, como alerta Guimarjes Rosa, sertdo 6 isso mesmo. Melhor ficar 16 long, no pals litorineo. Jomal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 5 0 jornalista, professor e escritor Osvaldo Coimbra devera provocar muita polemica com o livro que devera langar dentro de um mes sobre o movimento military de 1964 no Para. rigor, nao diz nada de novo. Mas simplesmente pelo fato de reu- nir as informaq6es que coletou numa ripida e simples pesquisa nos arquivos de jornais e colo- cA-las em letra de forma, deverd desagra- dar a gregos e troianos, que se unem para fazer esquecer o passado, iludir sobre o present e poder continuar a mandar no future. O resultado do levantamento de Coimbra haveri de apresentar suas falhas, como ji se p6de constatar na avant-prd- midre de suas entrevistas. Evidentemen- te, espera-se que as pessoas habilitadas se apresentem para as erratas. Pior que tudo 6 esse sil6ncio, marcante na cr6nica para- ense. Agitando as aguas, Coimbra preten- de desencadear a necessaria oxigenaqco para o didlogo, como deixa claro na carta que me enviou, antecipando alguns dos pontos do livro. Segue-se seu depoimento. Aceitei o seu estimulo para que fosse adiante na busca dos esqueletos (na ver- dade, as informag6es) escondidos no ar- mirio (na verdade, o noticidrio) de 1964. O resultado desta busca vai ser publicado no livro ji em fase de revisdo final, a ser editado pela PakaTatu, sob o titulo de "A dentincia de frei Betto contra o arcebispo do Pard, em 1964: Dom Alberto Ramos mandou prender seus padres". No livro, me concentro na atuaq~o dos membros da Igreja Cat6lica, que, estimu- lados pelas enciclicas do papa Jodo XXIII, se engajaram na luta por Justiga Social, e se sentiram abandonados e tra- fdos pelo arcebispo do Para. Mas, atra- v6s deste livro, gostaria de poder estimu- lar outros colegasjornalistas a prossegui- rem na pesquisa de um tema o Golpe Military de 1964 que afetou tanto o des- tino do Brasil e de virias geraq6es de brasileiros. Um tema ja quase exaurido Onde os esqueletos fora do Pard e aqui, estranhamente, ain- da 6 pouquissimo pesquisado. Como retribuigco a seu estimulo, es- tou enviando para o Jornal Pessoal um primeiro roteiro, bastante ficil de ser se- guido, por quem queira encontrar rapida- mente nas colleges dos jornais de Bel6m guardadas na Biblioteca Piblica algu- mas ji microfilmadas algumas das ma- tdrias mais relevantes sobre este assunto. Dom Alberto Ramos O m8s de abril de 1964 foi o das colaboraq6es p6blicas que prestou aos golpistas. Na coluna da arqui- diocese, na Folha do Norte de 2 de abril de 1964, ele elogiou a iniciativa dos organi- zadores da march que, invocando Deus, a familiar e a liberdade, teve como objetivo dar a impressao de apoio popular aos gol- pistas. No dia seguinte, o arcebispo deu uma entrevista ao mesmojomal pedindo as ben- 9dos de Deus para os militares que tinham derrubado Joao Goulart. A 7 de abril, A Provincia do Pard di- vulga as tr8s duras medidas que ele havia anunciado diante de seus padres, c6negos e monsenhores, no dia anterior, numa mat6ria que mostrava ter o arcebispo que- brado o sigilo das reunites do clero com a intencgo de tornar publicas aquelas suas aqoes. As medidas eram as seguintes: la.) nenhum religioso, sob pena de perder ime- diatamente suas ordens, poderia dar asilo a algu6m perseguido pelos militares, sem comunicar isto ao arcebispado; 2a.) ficava suspense o funcionamento do Movimen- to de Educagqo de Base (MEB), criado e mantido pela Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil, e, no Pard, colocado sob responsabilidade do padre Alofsio Neno, que havia sido preso pelos militares. 3a.) nenhuma dependencia do pr6dio da Acgo Cat6lica poderia ser usada, sem autoriza- cao por escrito do pr6prio arcebispo ou de seus dois bispos auxiliares. Esta medi- da visava, obviamente, evitar, a reinstala- gqo do MEB. No dia 9 de abril, na coluna da arquidi- ocese de 0 Liberal, dom Albert anuncia que mandara um telegrama para o general Cas- telo Branco exterando sua satisfagao por saber que ele havia sido indicado para o lugar de Joao Goulart. Seis dias depois, a 15 de abril, na coluna da arquidiocese da Folha do Norte, reivindica para si o m6rito da iniciativa da celebraao, por ele pr6prio, com toda a pompa, na Catedral, de uma missa em louvor do govero do general Castelo Branco, que tomaria posse naque- le dia. Isto porque o governador Aur6lio do Carmo mandara anunciar no jomal que a missa era uma iniciativa official de seu governor. Na coluna, dom Alberto convoca para a missa as agremiaq6es cat6licas, as comunidades religiosas, o cabido metropo- litano e todo o povo. E diz que a missa ia rezada "para que o novo president da re- pdblica seja feliz na ardua missao que hoje a Nacqo lhe confere". Na cathedral reuniram-se chefes do gol- pe military no Pard e politicos que queriam agradi-los, tentando manter seus manda- tos. Neste mesmo dia, 15 de abril, O Li- beral, imprimiu uma ediqao com amplas noticias daquele event. No dia seguinte, foi a vez da Folha do Norte. Este journal registra o uso na missa at6 do Hino do Congress Eucaristico Nacional, realiza- do havia pouco tempo, em Belem. O jor- nal mostra tamb6m que, diante dos chefes golpistas, como o general Orlando Rama- gem, comandante military da Amaz6nia, do almirante Milton Coutinho Marques, co- mandante do 4. Distrito Naval, e do re- presentante do general Bandeira Coelho, que logo iria chefiar uma devassa no go- verno de Aurdlio do Carmo, dom Alberto nao s6 elogiou demoradamente o golpe military como admitiu que a "intriga co- munista havia se infiltrado at6 nas famili- as cristis", abrindo caminho para novas repressoes contra cat6licos. No dia 23 de abril, na coluna da arqui- diocese na Folha do Norte, dom Alberto diz que iria viajar at6 o Rio de Janeiro para convidar o padre Peyton a trazer a Cruza- da do Rosdrio outra manifestagao de ruas em apoio aos golpistas. O padre norte- americano suspeito de trabalhar para o service de inteligencia norte-americano, CIA, seria, depois, anualmente homena- geado pelos goveros do iclo military. Monsenhor Faustino de Brito Dom Alberto diz na coluna da arquidiocese publicada pela Folha do Norte, no dia 21 de abril, que designou o monsenhor, vi- gario da Catedral, na Marcha da Familia, com Deus pela Liberdade, para "interpre- tar o sentiment da populaq~o cat6lica". O discurso do religioso 6 programado para encerrar a march, diante da Basilica de Nazard, como mostra a pr6pria Folha do Norte, numa ampla cobertura, no dia se- guinte, 22 de abril. Diante da multiddo reunida pelos gol- pistas, ele faz um discurso violentissimo, tripudiando sobre os estudantes e sindica- listas que estavam press. Diz que se os militares nao tivessem salvado o Brasil do regime comunista, as igrejas seriam trans- formadas em estrebarias e as freiras vio- lentadas. Chama o comunismo de "flagelo de Deus", e "baba pestilenta da traiaio a Deus e A Pitria". Quando o religioso aca- bou de falar, as portas da basilica foram A- 1P QUINZENA/MAIO DE 2003 Jomal Pessoal estavam em 1964? abertas para acolher os manifestantes. Quinze anos depois, monsenhor Faustino renegaria aquilo que ele havia dito entdo, numa mat6ria publicada pelo jomal O Es- tado do Pard, no dia 8 de abril de 1979. C6nego Apio Campos Escreveu dois artigos na Folha do Norte. No dia 19 de abril era "A Igreja entire dois mun- dos", e, a 26 de abril, "Descomunizaqao", adotando uma posiqao ambigua e desa- gradivel, como ele dizia seria a da pr6- pria Igreja Cat6lica, caso a instituiqgo ti- vesse de se definir politicamente. Ao mesmo tempo em que parecia compre- ender a posiqao dos padres que estavam sendo perseguidos pelos militares, con- siderava a "descomunizacgo" do pais uma tarefa necessria. Isto num momen- to em que membros da Igreja Cat6lica, engajados na luta por Justiga Social, es- tavam press e eram apresentados A opi- niao ptblica como comunistas. Avelino Henrique O radialista apre- sentado por Jarbas Passarinho no seu li- vro "Na Planicie" como um dos colabo- radores dos grupos clandestinos de civis golpistas de Bel6m, atuou como apresen- tador dos oradores da Marcha da Familia, com Deus, pela Liberdade, segundo a Folha do Norte, edicgo de 22 de abril Coronel Jos6 Lopes de Oliveira ("Peixe Agulha") O home de confi- anga de Jodo Goulart, nas Forcas Arma- das na Amaz6nia, como o president te- ria confidenciado a Benedito Monteiro (dito no livro do escritor, "Transtempo"), surpreendeu os universitarios reunidos na sede da Uniao Acad8mica Paraense, na avenida Governador Jos6 Malcher. No dia 2 de abril invadiu a sede da UAP, numa operaqio de guerra, comandando pelot6es da policia do Ex6rcito que por- tavam fuzis metralhadoras, lanqa-chamas e cassette. Com a invasdo at6 um "tea- tro de bolso" dos estudantes foi destruf- do. Isto esti numa mat6ria de pigina in- teira em O Estado do Pard, de junho de 1979, com o titulo "A esquerda de sonhadores acabou no tapa". Pedro GalvIo. Era o president da Uniao Academica Paraense. Foi preso, na invasao da sede da sua entidade (O Esta- do do Pard, 3/4 de junho de 1979). Rui Barata Advogado e professor da Faculdade Filosofia da Universidade do Pard, foi preso na casa de um parent na Braz de Aguiar, no dia 2 de abril. A Folha do Norte noticiou sua prisao no dia 3 de abril. Em outra mat6ria, de 15 anos de- pois, Barata revela que em 1964 houve tortura do "pessoal que foi preso na orla maritima", e ficou sob responsabilidade da Marinha. Disse entlo: houve "muita pancada, muito choque el6trico, muito pau-de-arara". E concluiu: "Quem sofreu tortura foi gente an6nima da beira do cais" (0 Estado do Pard, 2 de abril de 1979) Chludio Dias Apresentado como o pecuarista que foi "um dos mentores" do golpe no Pari, pelo O Estado do Pard, numa reconstituicao feita pelo jomal em 1979 (edigqo de 8 de abril). Nesta mat6- ria, o pecuarista fala dos contatos dos que os fazendeiros do Pard mantiveram per- manentemente com os de outras regimes do pais e revela: "percebi que todos os fazendeiros estavam se armando e distri- buindo armas por todas as suas proprie- dades para serem usadas na eventualida- de de terms que enfrentar as esquerdas organizadas da 6poca". Revela tamb6m que entregou um relat6rio complete so- bre os principals lideres esquerdistas do Pard no Quartel General da 8' Regido Military, de Bel6m. Diz que fazia reunites didrias na sua casa para conseguir ades6es "e estabelecermos o piano final para o le- vante". Entre os conspiradores, ele men- cionou "Jarbas Passarinho, Alacid Nunes, Cl6vis Morais Rego, Jos6 Alberto Couto da Rocha, La6rcio Franco". Por fim, acres- centou: "Concomitantemente nossas espo- sas organizavam junto A Igreja a famosa march por todos conhecida como 'Deus pela familiar" . Juiz Levy Hall de Moura 0 juiz colega de faculdade e amigo da educado- ra Maria Annunicada Chaves e irmao do desembargador Silvio Hall de Moura, foi preso na comarca da Conceiqao do Ara- guaia, segundo a Folha do Norte, de 11 de abril. No dia seguinte, dia 12, o mes- mo journal trazia uma grave ofensa a ele numa mat6ria intitulada "Juiz comunista nao merece f6". Nela o journal dizia que Evandro do Carmo, primo do governador e secretirio de Seguranqa Piblica, tinha recebido um offcio de Levy pedindo pro- videncias contra o delegado de policia de seu municipio, que estava cometendo atos de extrema violencia. O offcio, segundo o journal, mereceu um um despacho do se- cretario, no qual ele afirmava que juiz comunista nao merece f6, e que Levy era um "p6ssimo element que envergonha a toga, que veste, desmoralizando cor seus atos a soberania da Justiqa". HOlio Gueiros Como ji vimos, ele tinha viajado com o entao governador do Pard para assistir A posse do general Cas- telo Branco. Em 15 de abril, 0 Liberal anuncia na capa a cassacao do mandate do deputado Benedito Monteiro, pela As- sembl6ia Legislativa, numa sesslo que ti- nha sido transmitida por todas as radios da cidade. Benedito, naquele moment tentava escapar cor vida, nas matas pr6- ximas de Alenquer, de uma perseguiqao movida contra ele por uma patrulha que tinha ordens para mati-lo. Seu pai tinha sido detido. Benedito, na condiqio de lider do Par- tido Trabalhista Brasileiro, aliado do PSD, havia servido ao governor de Aur61io do Carmo, como Secretario de Obras e che- gara a viajar com ele e com o lider do go- verno na Assembl6ia Legislativa, H6lio Gueiros, a Tchecosloviquia, conforme o livro "Transtempo". H61io era tamb6m o director de O Liberal, naquela fase pr6- R6mulo Mariorana. Esquecido de tudo isto, H61io, segundo ojornal que ele mes- mo dirigia, naquela sesslo, "em nome da maioria disse que a Assembl6ia Legislati- va estava agindo corretamente eliminan- do de seus quadros um element que nao escondia, sua crenqa na ideologia comu- nista, e portanto subversive, ao regime democritico". Na mesma ediqao, tamb6m na capa, H6lio era elogiado num long artigo assi- nado apenas com as iniciais C. R. O autor chamava-o de "jovem e brilhante" lider do PSD, "cuja pena de jornalista jamais se arreceiou de profligar as manobras em que se distendiam sobre a nacao os tenti- culos do polvo vermelho que quase nos chega a estrangular". Seu discurso na ses- sao de cassaqCo 6 classificado no artigo de vibrantt, exato e fiel aos postulados, do regime e da lei". O artigo aparentemen- te visava reduzir as resistencias que H61io encontrava entire os comandantes do gol- pe military, apesar de seu empenho em agra- di-los. Quando O Liberal noticiou a interven- 9do military nas secretaries do governor de Aur6lio do Carmo, no dia 25 de maio, e, quatro dias depois, a recusa do entdo go- vernador de depor na Comissao de Inves- tigagdo Sumdria, chefiada pelo general Bandeira Coelho, H6lio foi chamado pelo telefone para conversar com o coronel Jos6 Lopes de Oliveira, no quartel do Ex6rci- to. Chegando 1i recebeu ordem de prisao, a qual se prolongou por sete dias, seis dos quais ele ficou em regime de incomunica- bilidade (O Liberal, edig6es de 2, 6 e 8 de junho). No dia 7, ele foi libertado. No dia seguinte, 8, Aur6lio teve seu mandate cas- sado. Dois dias depois (10), o journal diri- gido por H6lio safa corn esta manchete: "O PSD do Pard ap6ia o nome de Jarbas Passarinho ao Governo". E em uma de suas piginas internal registrava, em outra mat6ria, os "Novos cumprimentos a Jar- bas Passarinho". Aurlio do Carmo Considerado um governador democrat, capaz de tender COTNA0G Jornal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 7 em audiencia, no palacio do governor, atW os jovens representantes dos alunos se- cundaristas de Bel6m, embora sempre fosse acusado por eles de ser corrupt, fez o que p6de para ser aceito pelos gol- pistas entire 1 de abril at6 8 de junho quando foi cassado. Foi assistir a posse de Casrtelo Branco, mandou rezar missa por ele na cathedral, publicou anincio ofi- cial nos jornais apoiando o golpe, e, so- bretudo, colocou sua policia para perse- guir e prender quem os golpistas quises- sem afastar da vida pdblica. Nada disto adiantou. Mas saiu com dig- nidade do seu cargo. Recusou-se a ceder as imposig6es do general Bandeira de Coelho, que queria humilhi-lo fazendo-o depor perante a comissio que ele chefia- va. No dia 29 de maio, O Liberal trazia como manchetes duas frases suas: "Resis- tirei as baionetas no meu peito", e "Recu- so-me a depor. Nao sou r6u. S6 tenho de prestar contas ao legislative". Gerson Peres. Foi o 6nico deputado a ensaiar a se preocupar corn o direito de defesa de Benedito Monteiro, na sessao de cassagao de seu mandate na Assembl6ia Legislative, embora tenha proposto algo completamente inexeqiifvel: que Benedito fosse convocado atrav6s de edital a se ma- nifestar. Mesmo nao tendo sido ouvido, terminou votando a favor da cassagao (O Liberal, 15 de abril). Foi visto acompanhan- do a Marcha da Familia com Deus pela Liberdade pelo colunista Odacyl Catette, que registrou isto, em O Liberal, 22 de abril. Joao Reis Era o vice-lfder da banca- da de deputados liderada por Benedito Monteiro, a do PTB. Comensal da casa de Benedito, liderou seus companheiros de partido na traiqCo a ele. Todos aprovaram a sua cassac~o, assim como Dionfsio Bentes de Carvalho, que presidiu a sessao da As- sembl6ia Legislativa, Alvaro Kzan, Jos6 Maria Chaves, Geraldo Palmeira, G6rson Peres, Flavio C6sar Franco, Joao Reis e mais 28 deputados nao identificados. (O Liberal, 15 de abril). Dois dias depois, (17), a Folha do Norte revelou que cada deputa- do recebeu por aquelas poucas horas que durou a sessao de cassago convocada extraordinariamente, de modo desnecessi- rio mais do que ganhava num mes. Ana Diniz Jovem aluna de col6gio cat6lico, respeitada no movimento estu- dantil por sua intelig6ncia precoce, foi presa acusada de contribuir corn o Mo- vimento de Educacao de Base, coman- dado, no Pari, pelo padre Aloisio Neno. A Folha do Norte desrespeitou tamb6m sua privacidade ao noticiar sua prisao, de modo falseado, no dia 19 de abril, em mat6ria de titulo "A jovem de 17 anos era comunista", na qual revelava seu en- derego complete. Monumenta, sim: "ma non troppo" Com mais de dois anos de atraso, Be- 16m foi finalmente incorporada ao Pro- grama Monumenta, que o Banco Inte- ramericano de Desenvolvimento (BID) e o Minist6rio da Cultura idealizaram para restaurar os sitios hist6ricos urba- nos do Brasil. Bel6m era uma das prio- ridades do program, juntamente com Sao Luiz, Recife, Olinda, Ouro Preto, Rio de Janeiro, Salvador e Sao Paulo, as cidades selecionadas para receber os 200 milh6es de d6lares da primeira eta- pa do empreendimento, o maior j idea- lizado at6 agora no pais nessa area. Mas os desentendimentos entire a prefeitura e o governor do Estado nao permitiram que a capital paraense se habilitasse no tempo regular previsto pelo BID e o Minc. Como agora o pre- sidente da Repdblica e o prefeito de Bel6m sao do mesmo partido, Brasi- lia decidiu atracar Bel6m ao progra- ma, ji em curso, esperando que o go- verno se incorpore A iniciativa. Por isso as festas do 6ltimo dia 30, no Pa- lacio Antonio Lemos, quando o minis- tro Gilberto Gil entregou a Edmilson Rodrigues a carta-convite de partici- pagCo de Bel6m no Monumenta. Como de praxe, a propaganda mu- nicipal inundou a imprensa e o pdblico de informag6es sobre a importancia do ato. Em Bel6m o Monumenta destina- rA cinco milhoes de reais para o proje- to Boulevard, que integra o program Ver Bel6m. O Boulevard prev8 a res- tauragdo de 15 im6veis tombados pelo Iphan, todos localizados na area de maior concentragio de pr6dios hist6ri- cos da cidade. Esti prevista tamb6m a restauraqao das igrejas de Santana, do Rosario, do Carmo e das Merces, e do Palacete Pinho, al6m de virias pragas e melhorias na parte el6trica de areas do centro hist6rico. Mas o Monumenta-BID nao se li- mita a restaurar os centros hist6ricos tradicionais, como os empreendimen- tos convencionais. Ele inclui a revita- lizacdo de toda a area atingida pelo pro- jeto Boulevard (Cidade Velha, Campi- na e Reduto), fomentando as ativida- des culturais, o com6rcio e o turismo. Tamb6m invested na melhoria das con- dig6es de habitaq~o. Nao param af as inova6oes do Mo- numenta. O program requer uma contrapartida dos poderes piblicos e empresas privadas. Em terms naci- onais, al6m dos 30 milhoes de d61a- res do empr6stimo do BID, preve o investimento de US$ 30 milh6es de investimentos federais, a fundo per- dido, mais US$ 20 milh6es de con- trapartida dos Estados e municipios e US$ 12,5 milh6es de patrocinios a instituiqces e empresas privadas. A esses recursos, hi a expectativa de in- duzir US$ 75 milhoes de investimen- tos privados, chegando aos US$ 200 milhoes do orcamento. Paralelamente A intervenq~o restau- radora nos sitios hist6ricos, o Monu- menta se prop6e a atuar em educaq~o e divulgagqo, promoqao turistica, ca- pacitacqo e formaqgo de mao-de-obra, reestruturaqo e fortalecimento institu- cional. Mas exige das cidades que pre- tendem se habilitar as suas verbas o equilfbrio fiscal, capaz de lhe possibi- litar assumir o compromisso pela con- trapartida aos recursos do banco. O in- teressado tem que demonstrar geracqo de poupanqa liquida positive nos tres iltimos balanqos publicados. Nas festas e depois delas, como de praxe, a prefeitura nao esclareceu os pontos que permanecem obscuros so- bre a execuqao do Monumenta em Be- 16m. O primeiro 6 6bvio: o governor do Estado teri que ser co-participe do program? Se essa cliusula continue em vigor, por que o governor nao to- mou parte nas festividades realizadas durante o p6riplo do ministry Gil? Foi justamente a falta de um entendimen- to entire as duas esferas do poder pi- blico que retardou a inclusao de Be- 16m no program. Outro ponto a esclarecer 6 quanto aos R$ 5 milh6es alocados. Evidente- mente esse dinheiro nao dara para rea- lizar sequer uma parte considerivel das obras previstas pelo projeto Boulevard. Se esses R$ 5 milhoes sao exclusiva- mente do BID, dos governor national, estadual e municipal, al6m da iniciati- va privada, terdo que sair R$ 20 mi- lh6es, a julgar-se pela proporgio esta- belecida no program national. Al- guem ja sondou esses parceiros com- puls6rios? Ou, por enquanto, como se- ria de se esperar de uma Refestanga, o neg6cio 6 fogo de artificio? 1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jomal Pessoal Agua e energia: a nosso favor? Escrevi o texto abaixo como preficio para o livro Escritos sobre a Agua, de Mayron Regis, Rogerio Almeida, Glenn Switkes e Bento Rixen (F6rum Carajas, Sao Luis, 70 paginas, format pequeno). Acho que pode interessar ao leitor paraense. Minha geraqao formou seu conhecimento a respeito de energia a partir de dois pressupostos, premissas ou, no seu extreme, principios. O pri- meiro, econ6mico: energia 6 desenvol- vimento. 0 outro, ecol6gico (avant la lettre): a energia dos rios 6 a mais lim- pa que existe. Entre a assimilagco desse conheci- mento e sua pratica, ocorreu, a partir de 1973, com a elevaqao do preqo do petr6leo, o choque da energia. O mun- do se reciclou a partir da tomada de consci6ncia de que a energia 6 cara e, em algumas formas, as mais convenci- onais, finita. A reciclagem nao foi exa- tamente uniform e geral. O primeiro mundo, que ter condigqes de se ante- cipar as transformagqes hist6ricas, saiu na frente. Tratou de transferir proces- sos produtivos que exigem muita ener- gia e agregam pouco valor ao produto, naquela larga faixa intermedidria entire a mat6ria prima e o bem industrial. Foi o que nos coube: desperdiqar nossa energia corn os semi-elaborados. Ficar com o lixo do process e entregar o fil6 para os mercados ultramarinos. Por conta dessa mudanqa, nossa energia nao esti nos desenvolvendo (pelo contrario, esta nos subdesenvol- vendo) e seu custo ambiental esta che- gando a patamares inaceitaveis, fran- camente negatives. S6 os tributarios da margem direita do rio Amazonas, em territ6rio do Para, tem um poten- cial energ6tico equivalent a metade de toda a capacidade instalada atual de energia do pais. Em funqao disso, o Estado pulou rapidamente para a linha de frente dos geradores e exportado- res de energia. Jornal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 Tornou-se uma das provincias ener- g6ticas nacionais (e internacionais, jA que a quase totalidade da energia trans- formada em mercadoria 6 mandada para o exterior). Mas a energia, embutida em bens intermediarios, s6 gera seu efeito multiplicador no local de consume em outro Estado ou em outro pais, mas sempre fora do territ6rio amaz6nico. Quinto maior produtor de energia, ter- ceiro maior exportador, s6timo maior exportador, segundo em saldo de divi- sas, nono em populaqCo, o Para 6 16 em IDH (Indice de Desenvolvimento Humano). De provincia, se tornou co- lonia energ6tica. Como a nova divisao international do trabalho, moldada pela crise de ener- gia, transferiu para as colonias e sat6- lites os processes primarios de trans- formaqao dos recursos naturais em bens econ6micos, um ndmero cada vez mai- or de empreendimentos eletrointensi- vos se estabeleceu e continue a se esta- belecer na Amaz6nia. Quando a Eletronorte foi criada, justamente no ano de 1973 (foi a pron- ta resposta dos japoneses para uma crise que ameagava as bases de sua economic, aplicada a 20 mil quil8me- tros do seu territ6rio, onde implanta- riam uma fabrica de aluminio que su- pre 15% de suas necessidades do me- tal), o Pard precisava de uma usina de, no maximo, 300 mil quilowatts para tender sua demand com folga de duas d6cadas. Mas a hidrel6trica de Tucuruf foi projetada inicialmente para 2 milhoes de kw, em seguida para o dobro e, final, com a viabilidade, para o quadruplo. A escala deixava de ser amaz6nica para se tornar planeti- ria. A Amaz6nia no mundo pela von- tade unilateral do mundo. O problema 6 que os volumosos rios da Amaz6nia sao de planicie. Tendo pouca declividade natural, para alcan- gar o volume de energia requerido pre- cisam ser represados por enormes bar- ragens, que, por sua vez, acarretam a inundaqao de areas extensas, em geral cobertas por densa vegetaqao. Verifi- camos que essas hidrel6tricas provocam efeitos danosos a natureza e aos ho- mens, de imediato e permanentemen- te, sob a forma de desastre ecol6gico, ou atrav6s da lenta destruiqao do equi- librio da natureza. Estamos vendo que a hidreletricidade nao 6 tao limpa quan- to ela nos foi vendida por geraqces de "barrageiros". Essa novidade benfazeja da segun- da metade do s6culo passado, a ecolo- gia, nos permitiu ver o que, estando diante dos nossos olhos, parecia estar al6m da nossa percepcqo. Encarada como modismo (e as vezes usada como efetivo modismo), ela se infiltrou nos calculos quantitativos, subvertendo-os, para que aproximissemos os ndmeros da grandeza do home, permeada de subjetivismos e imaterialidades. E uma conquista da qual nao pode- mos mais abrir a mao: submeter a con- tabilidade canhestra da engenharia e da economic ao calculo mais profundo da relaqao da obra fisica com o home e o seu ambiente. O rio 6 muito mais do que energia. Ele 6 a seiva da biodiver- sidade e a fonte indispensivel da civi- lizaqao amaz6nica. Mas as vezes o combat da elucida- 9qo precisa comeqar no pr6prio terre- no econ6mico. Nem o calculo mais ob- tuso esta certo. A acentuada reduqao no volume de aguas entire o inverno e o verao reduz a pot6ncia firme das gran- des hidrel6tricas abaixo do limited de vi- abilidade, que 6 de 50%. Para uma capacidade nominal de 4,2 milh6es de kw, a energia firme de Tucuruf, na primeira etapa, 6 de 2,1 milhoes de kw. Para os 8,3 milh6es de kw da segunda etapa, a m6dia sera de 3,3 milhoes de kw. Para manter uma energia constant viavel sera precise fazer novos aproveitamentos a mon- tante, no rio Tocantins. O que signifi- card reduzir o grande rio, o 250 maior do mundo, a reserve de energia de grandes consumidores, privilegiados por tarifas subsidiadas. Tal destiny esta reservado a segunda grande bacia a ser aproveitada, a do Xingu, em es- cala ainda maior. Agua, energia e desenvolvimento sao temas fundamentals para entender o present na Amaz6nia e, tentando corrigir seus erros e distorqSes, criar um future melhor para a regiao, inver- tendo a equaqao viciada que nos tem sido imposta. E o desafio que os auto- res deste livro procuraram enfrentar. A tarefa 6 exigente e complicada, mas, se nao a enfrentarmos, vamos nos conde- nar a encerrar o ciclo da nossa geraqao sem os referenciais do passado e sem qualquer perspective de horizonte de- cente e compensador, para n6s e para os que nos sucederem. Nao teri valido a pena viver numa regiao tao importan- te, num perfodo da hist6ria tao excep- cional, se nao formos capazes de legar aos nossos sucessores um mundo me- lhor do que o que recebemos. Alcaide ataca ao seu estilo Conheci Pierre Verger no final da d6cada de 60, em Salvador. Desde entao me tornei admirador do seu trabalho como fot6grafo e etn6logo, e tamb6m da sua coragem de as- sumir o que pensava e levar suas convicq6es as iltimas conseqtiUncias. Por conhecimen- to e viv6ncia, tornou-se uma das referencias inevitaveis sobre a cultural brasileira, parti- cularmente a participacgo africana na forma- cao do nosso pafs. Graqas a sua face de jornalista, tamb6m nos legou inestimaveis testemunhos visuais sobre o Brasil. Sua s6rie de fotos sobre o Ver- o-Peso tem, ao mesmo tempo, valor documen- tal e artistic inigualiveis. Essa combinaCao de amplitude e profundidade, combinada com uma capacidade de ser m6ltiplo (chegando a alteridade, que lhe permitiu juntar em sua per- sonalidade as cultures africana e europ6ia, fa- zendo-o adotar um nome mais satisfat6rio, o de Pierre Fatumbi Verger), se destacam na vida e na obra desse brasileiro adotivo. Por isso, foi com grande alegria que rece- bi o convite para participar do seminirio Um encontro com Verger, que se realizou no dia 30, como parte da exposiqao O olhar viajan- te de Pierre Fatumbi Verger. Minha tarefa no encontro, ao lado de outros tres expositores, seria falar do context da imprensa brasileira e paraense nos anos 40 e 50, da imagem da Amaz6nia nas revistas, e sobre a condigao de Verger fotojornalista, reporter da revista O Cruzeiro, de passage pelo Pard. Ao saber da minha presenqa no semini- rio, o prefeito Edmilson Rodrigues vociferou: nao a admitiria. Pessoalmente, fez o veto, aproveitando-se da circunstancia do patroci- nio do Museu de Bel6m, que 6 municipal. Alegou que eu era um critico contumaz de sua administration e certamente a atacaria de novo, em mais essa oportunidade. O interme- didrio no contato, constrangido, precisou me "desconvidar". A principio, aceitei a grosseria com espiri- to olimpico, testado em tantos epis6dios se- melhantes. Mas depois percebi o alcance do interdito do nosso desenhista-de-parede (Adolf tamb6m tinha digamos assim pendores ar- tisticos): o ministry da cultural, Gilberto Gil, estaria na mesa-redonda, sacramentando a tar- dia, pequena e ainda pouco esclarecida parti- cipaCio de Bel6m no projeto Monumenta. O alcaide, que nao se da bem corn a criti- ca, ficaria ainda mais incomodado se, even- tualmente, a gestao cultural do seu governor fosse criticada e o urubu, travestido de pa- vao, fosse desmascarado em suas verdadei- ras penas. Era precise, portanto, colocar o indesejado para fora da festa. Sem piedade e sem atropelo maior, ja que a vontade do che- fe prevaleceu sobre as regras de educaqao, civilidade, democracia e compostura. Mas tudo bem: nem a gl6ria de Verger sera perturbada, nem eu me sentirei menor do que sou. O gigante 6 que, mais uma vez, revela seu traco identificador: o dedinho. Qual dos PTs saiu ganhando? Quem ganhou na ocupago dos dois princi- pais cargos da administraqao federal na Ama- z6nia: o PT do Acre, que ficou com o Basa, ou o PT do Para, a quem coube a ADA (a Agencia de Desenvolvimento da Amaz6nia)? A resposta comporta variag6es, mas uma coisa 6 inquesti- onavel: o governador Jorge Viana, o politico da Amaz6nia com trAnsito mais facil junto ao pre- sidente Luiz Inacio Lula da Silva (reforgado pelo irmro, Tiao Viana, lider do governor no Senado), nunca cobigou a ADA. Seu alvo sem- pre foi o Banco da Amaz6nia. 0 PT paraense, que a principio parecia em condiq6es de pleitear as duas posigoes, foi des- pachado para dois cargos na diretoria do Basa e s6 conseguiu a confirmaclo da ex-deputada Maria do Carmo Martins dias depois da posse de Mancio Lima. E quando o superior dela, o ministry Ciro Gomes, ji comeqava a admitir que a Sudam poderia ressuscitar. A volta da Sudam, extinta em 2000, significaria que a ADA pode- ri ser extinta ou entdo said enfraquecida, numa nova recomposiqio institutional. Enquanto a situaqo da Sudene parece consoli- dada, sem nenhuma possibilidade de desaparecer, a indefniqio sobre o 6rgao do desenvolvimento amaz6nico langa uma sombra sobre o papel que a ADA poderi desempenhar e, por conseqiuncia, a importfncia da atuagao de Maria do Carmo. Ja em relaqo aos bancos regionais, a situaqao 6 in- versa: Ciro Gomes criticou abertamente o Banco do Nordeste, por manipular os recursos do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nor- deste), usando-os como capital de giro. Nenhuma palavra sobre o Basa. Nao caberia? Pessoas ligadas ao grupo acreano dizem que Jorge Viana esta convencido que o Basa sera mais important para a political regional do que a ADA, principalmente se o banco conseguir abrir linhas internacionais de financiamento e emplacar a imagem de bancoo verde", que Man- cio Lima quer estabelecer. De qualquer manei- ra, por6m, o tortuoso process de preenchimento dos cargos e os nem sempre visualizaveis cri- t6rios de escolha dificultam a identificaqao de uma marca Lula na Amaz6nia. Expansdo Apesar de estar em franca expansao e comemorar uma administraqao eficiente, que bate records de producao e produtividade, os nmmeros do p6lo de alumina e aluminio de Barcarena, o maior do pafs, de dimensdo international, sao preocupantes. Os prejuizos registrados no ano passado por Albris (184 milh6es de reais) e Alunorte (R$232 milhoes) somaram quase R$ 417 milhoes. Os prejuizos acumulados pelas duas empresas, que havia sido de R$ 990 milh6es em 2001, subiu para R$ 1,4 bilhao no ano passado, praticamente iguais (R$ 691 milhoes da Albris e R$ 700 milh6es da Alunorte). 0 exigivel a long prazo, de R$ 2 bilh6es em 2001, chegou a R$ 2,6 bilh6es em 2002, com uma elevagdo de 65% no exercicio na Alunorte, que passou de R$ 1,5 bilhao. Esses numerous desfavoriveis se devem a variaqdo cambial e aos investimentos que as duas empresas fizeram, principalmente a Alunorte (que dobrou de tamanho e vai duplicar outra vez), para expandir sua capacidade de produgao. A despeito dessas circunstancias, fica a constatagio de que o ciclo de endividamento e prejuizo 6 continue para que a producao aumente na busca de rentabilidade em competicqo com os precos relatives instaveis e decrescentes do produto. Ou seja: o p6lo gira para morder o pr6prio rabo. 1 P1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jomal Pessoal Porto a deriva No dia 7 de marqo o Minist6rio dos Transportes suspended o process de transferencia para o governbo estadual dos oito portos administrados pela Com- panhia Docas do Para, que havia sido for- malizada atrav6s de convenio assinado em dezembro do ano passado pelo presi- dente Fernando Henrique Cardoso e o go- vernador Almir Gabriel, a 15 dias de en- cerrarem seus mandates. O ministry An- derson Adauto justificou a media argu- mentando que o modelo de gestdo da CDP ainda nao havia sido suficientemen- te discutido com a sociedade e que o pr6- prio governor federal tinha, no mfnimo, ddvidas a respeito. Um mrs depois o ministry dos trans- portes submeteu ao chefe da Casa Civil da Presidencia da Repdblica, Jos6 Dir- ceu, os nomes dos novos diretores da CDP, indicados pelo pr6prio Adauto. No dia 22 de abril as indicaqces foram apro- vadas por Dirceu e o ministerio convo- cou uma assembl6ia da empresa para ele- ger os novos diretores. Dois dias depois, por6m, a Casa Civil voltou atris. Num lac6nico comunicado, determinou a sus- pensto da assembl6ia e do preenchimen- to da diretoria da CDP. O quase-ex-novo- outra-vez president, Rogdrio Amado Barzellay, que pela segunda vez ia assu- mir o cargo, teve que voltar atris. O pr6- ximo capitulo dessa 6pera-bufa ainda nao 6 conhecido. Qualquer cidadio confrontado corn esse enredo tragic6mico haveri de pensar que a presidencia da CDP 6 o mais impor- tante e cobiqado cargo da administragqo federal no Pard, a despertar cobiqa e pro- vocar paixdo na sua dispute. Nos tiltimos anos, o preenchimento da diretoria da empresa tem sido um jogo de cadeiras, sujeito a lances histri6nicos, mais do que um cabo-de-guerra, no qual a forga 6 me- dida abertamente, sem truques. Ao que parece, nao esta propriamen- te em questao a competencia dos dirigen- tes ou a anteposiSqo de pianos de aqao para uma empresa problemitica, cujos ar- marios abrigam os mais variados e sur- preendentes esqueletos. A comeqar pela incapacidade de definir o sistema portu- ario estadual, dotado de integraqco, si- nergia e efici8ncia, sem que uma parte se encoste na outra e viva das migalhas dos dois portos inegavelmente rentaveis (Vila do Conde e Miramar), mas nao necessa- riamente bem geridos, e se prejudique na problemitica administraqco geral. Inclu- indo essa comedia dell'arte que 6 a Esta- qao das Docas, na qual o Estado nao paga os alugudis dos tr8s armaz6ns a CDP e esta nao quita sua divida de IPTU com a prefeitura. Um faz-de-conta que nao tem fim (quanto ao comeqo, todos fazem questao de apaga-lo). Nessejogo s6 para iniciados, 6 dificil visualizar os gatos pardos que deslizam como pretos pelos tetos de zinco quente ou tirar o gato da tuba. Agora quem tem a jurisdigao sobre a CDP 6 o PL. Des- confia-se que nao 6 pelos mais elevados interesses coletivos que o partido entrou no antigo imbroglio, inaugurado por de- savenqas entire o PSDB e o PMDB e re- novado pelo PT. Barzellay, por exemplo, seria home de Jader Barbalho no pri- meiro confront. Agora, se assemelha mais hquele senador de grandes bigodes e casacdo antiquado, de cantor de bole- ro, mas especialista em agir sem apare- cer. O PT, ainda ne6fito nas sutilezas do poder, mas que pretend exerce-lo para valer, mesmo que batendo cabeca, gin- gou para os dois lados e equilibrou na in6rcia. Quem a romperd agora? Se nao for por mais um lance de saga- cidade dessas raposas antediluvianas, tal- vez venha a ser quebrado pelos proble- mas que se vao acumulando no dia-a-dia das pessoas que efetivamente trabalham e necessitam dos serviqos portuarios, ou deles dependem para sua sobrevivencia. De sua parte, o governor federal nao deu um sinal sequer de que seu interesse pelo setor se reavivou. Ja o governor estadual, que criou uma companhia cor o objetivo de absorver as concess6es da CDP, na sua primeira incursao no setor, cor a Enasa, se notabilizou mais por liquidar de vez o deteriorado patrim6nio recebido, alienan- do navios e descurando servigos, do que por uma aqao revitalizadora num setor cuja vitalidade contrast cor a inciria dos seus gestores publicos. Problems ha e de sobra. Nao sdo insoldveis, nem bichos de sete cabeqas. Mas s6 p-odem ser resolvidos se forem enfrentados e enfrentados com o que tem faltado: competencia e verdadeiro espirito pdblico. Enquanto permanece a indefinigao, os exportadores, maiores prejudicados pelo descaso e as confu- s6es political, ameacam colocar mdqui- nas na rua para protestar e chamar a aten- qao para o colapso do porto de Bel6m, produzido mais pela agco negative do que pela decisao positive. Nem precisam: as vias de acesso ao porto ji estdo congestionadas de cami- nh6es com madeira e conteineres como nunca antes. Mais um pouco de jogo de Salom~o e o blecaute sera natural. PIor Iever de ridT o, este r I. 20 ns ar e 1I4 n. ia1'S I61-1in [istrtIi ioa el!i~i lamnt an~i mort dem S g~ Va ] | li- r ia uanedbaen AsmliaLe- t [iliainingol, nenur IhU e fe.zi rna r J or Psoal n Q I A D. 23 e u a ane do se *4einnofzacre- S gi abmm advapqea u nreiecoo.Fy sergsr ti s. priet s sor as Sntra Sa e benecia ats ln ecr~sps oaoplsba eirna s e *u faaa At6 hoj enonr oent -u *.*sgur *o I ~~tC loisoa ~-o o t in eplods Journal Pessoat P) QUINZENA/ABRIL DE 2003 1 MEM6RIA DO COTIDIANO 0 pai do colunismo social Armando Pinheiro pode ser saudado como o pai do colunismo social modern no Pard. De um tipo de colunismo que ainda man- tinha as caracteristicas de cr6nica social do passado, mas inclufa tam- bem noticias mais objetivas. Ar- mando, que ji foi tema desta se- qao, transformou-se em colunista da Folha do Norte por estimulo de Haroldo Maranhao, neto do lendi- rio Paulo Maranhao, dono e prin- cipal redator do journal. Fiz uma seleqao das colunas de Armando Pinheiro, publicadas em 1955, montando um painel de notas que ajuda a dar o tom da vida na cida- de das mangueiras daquela 6poca. Uma de suas criacqes, o papagaio Juju, um constant interlocutor, parece um antepassado do Louro Jos6, de Ana Maria Braga. Reproduzo uma das colunas de Armando, com fotos das senhoras Luiz Cacciatori e Jdlia Moura Car- valho (esta, recentemente faleci- da), e o casal Deusdedith (Maria Eunice) Dantas Ribeiro, persona- gens que animavam o high-socie- ty da Bel6m de antes da integra- 9go national. * O senhor R6mulo Maiorana vai langar, dia 10 de dezembro, a sua revista "Socaite" conforme esta coluna divulgou em primeira mao. O responsivel pela "Sociedade" das FOLHAS escreveri duas pdgi- nas inteiras sobre o nosso "cafe society". Cor fotos, fatos e fitas. Nio escolhi, ainda, o titulo. Mas aceito sugest6es. E s6 mandarem. * Informo que nao escreverei na revista "Socaite". Este colunista 6 exclusive das FOLHAS. Desculpe- me o senhor R6mulo Maiorana nao poder colaborar com ele nesse em- preendimento jornalistico, que merece o nosso apoio. * Em grandes neg6cios industrials os senhores Ant6nio Farah e Salim Chady. * De passage pela cidade e rumo a Manaus o industrial Adalberto do Vale. Posso informar que o referi- do senhor voltard da capital ama- zonense em seu luxuoso iate. Aquele que pertenceu ao cineasta Cecil B. de Mille e que hoje esti incorporado ao fabuloso patrimo- nio do senhor Adalberto do Vale. * Encontrei o senhor Cunha Gon- qalves. Falamos sobre diversas coisas. Inclusive do boato maldoso.. com que certas. pessoas querem, jogi-lo contra o colunista. Escld- reqo que o jovem senhor Cunha Gongalves 6 meu particular amigo e jamais escrevi nada que afete a sua personalidade. Somos amigos. * Estou informado de que certo senhor anda procurando amigos do colunis- ta e dizendo coisas. Alias, ele ji 6 co- nhecido como ab- soluto em intrigas e venenos. Por isso 6 insignificant at6 no tamanho. O nome dele? Voces conhecem... * No "hall" do Gran- de Hotel o casal Azulay. Muito nota- da a elegancia da se- nhora Raquel Pazue- lo Azulay. ir I I t I L !~a'l'' -E.;~~~~~ 1 *.,.,i .. til areu n j S I l nl iJ .I | N1 . ..' .L. t .....e e b-e. Law e. e. 4- cu t - - . .in . l .*,* u ,.." ,'.. 2- l *.ii. irn. a .d ...ne ..a" e i... -* .e4ee. a. **cl.- e- e C "*. -. - S.i. n If _** l -i eTC. C a* .. *r* -* - i.. CweeMle frUnI.. es*~ li.. CC )- I C* ..ee eIflt ** ' W I..fC L ,.e .0 r..t l UCC.- fIMk 4 ne W S a ,- 4*! SH.S 55 *ie *.d..iea& t j d i* - *. teti l, t *.. .^ hi C -- ..oe a. P4- I nlr .0 ..e. i. C . 4* a..n..& r... .-- ..i -. ae 4.l~k ir S I i -- - "..." '": """~ 1 IL" II ~ C-LI I Juju, a nossa bonita Miss Para esti cada vez mais elegant e bela. * 5' feira aconteceri uma reuniao intima na resid8ncia do senhor co- ronel Athos Botelho. Parece que surgirA pif-paf ou canastra. Irei. * Ja esti no "States" o senhor Sin- val Cardoso. Aconteceu um co- quetel de despedida. O senhor Sa- muel Mois6s Levy reuniu figures do "society" na bonita piscina do seu "Rancho Calif6rnia". De noi- te. E Ribamar, Neusa Maria e An- t6nio Vestane animaram a noite decididamente encantadorivel. Todo o mundo foi ao aeroporto. Jd era madrugada. Sucederam-se "bye-bye" e o "super" G. Conste- Ilation" levantou v6o levando a bordo o senhor Sinval, que tam- b6m 6 Cardoso. * No Grande Hotel grande "bate- papo" com o senhor Luiz Cacci- atori e o president Wanderley Normando. Falou-se em Manuel Bandeira e Vinicius de Morais. Poesia. Enquanto meu bom ami- go senhor Haroldo Maranhao co- mentava casos e coisas dos mai- ores escritores brasileiros. Nes- sa ocasiao, fiquei conhecendo a senhora Marie Chantal. Um per- sonagem parisiense que 6 noticia obrigat6ria nos "magazines" de todo o mundo. Sao palestras as- sim que nos trazem conforto es- piritual. E intellectual. * Hoje 6 dia do Autom6vel Clube, onde o "grand mond" se reine para os mais elegantes souper. Na terrasse do Grande Hotel o se- nhor comandante Thomaz Filho... Positivamente acompanhado de duas senhoritas. Mas o nome de- las eu nao conto. * JA regressou do Mosqueiro a ele- gante senhorita Leila Stela Porto de Andrade. Esteve praiando e ele- gantecendo "Chapeu Virado". * Certa senhorita (que ji foi noti- cia constant desta coluna) esti usando decididamente toalete pre- ta. Ira transformar-se em "dama de preto"? Nao creio. * No Gabinete do prefeito Celso Malcher o senhor Otivio Mendon- qa. Decididamente elegant. * O Sunday Afternoon Club reali- zard hoje, as 20 horas, uma bonita festa. Acontecerao brincadeiras originals. Festa tipicamente ame- ricana. * Encontrei no Grande Hotel o se- nhor C16o Bernardo cercado de amigos. Falou-se de esporte, polf- tica e imprensa. Enquanto o senhor Milton Barata mantinha um "vai- e-vem" ao telefone insistentemen- te. Posso garantir que era para avi- sar em sua residencia: "ji vou"... * Juju viu a senhorita Gilda Me- deiros jantando em companhia de um jovem senhor. No Grande Ho- tel. Amistosissimos. E segundo o PUBLICIDADE 0 edificio de Camilo Camilo Porto de Oliveira, chefe de um escrit6rio de engenharia que levava seu nome (estabelecido na avenida Braz de Aguiar, 231, telefone 3473), nao foi apenas o autor do projeto do edificio Gilberto Mestrinho, construido na Praca Batista Campos, em pleno uso atualmente: ele tamb6m foi o garoto-propaganda da peca de lanaamento da obra, ha quase 40 anos, em dezembro de 1963. Na mensagem reproduzida no an6ncio, ele diz que projetou o pr6dio levando em consideraqao "os mais modernos conceitos utilizados no planejamento de edificios de habitag6es coletivas". Procurou dar aos apartamentos "uma total independencia entire as tres parties que comp6em uma residencia, ou sejam, a social, a intima e a de serviqo, solucionando assim o problema de circulaqio internal, dentro deste principio bdsico, com todas as peas amplamente iluminadas e ventiladas". oaibo ado to basie I- Jj2-L2 --.1 C. / --~ .rr;ri ""L I-I L: tl'l"i 1.'7, ) ... III 1 .I()* I'- i. Li. :-i'L' ~~~~~~ tl( 1".11 ( IC .., I" C .~..rlr ~ :d ~~.. ri llf Tr~'~ tltle) ~ll~~u 1.li %~i I(.I'YY I-YC:' '(I ~- i' II ~i UI II i ~lrlr ."i i :llr? .rl" L~" .I'L 1WIlll i y..'l X. (1~ j a s i Pn (9 4 2 n : B a C a 4 3 0 4 e io a o m P i A l i E d tL P FIICC 6A I - |
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