Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
sobekcm - AA00005008_00250
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00250

Full Text




lomal


Pessoal


%A AGENDA AMAZ)NICA DE LOCIO FLAVIO OPINTO


1 QUINZENA
MAIO
DE 2003


*V SOP,


SIDERURGICA


A op io maranhense

Parece pouco provavel que o governor consiga mudar o projeto da CVRD e de sua s6cia chinesa
de instalar em Sao Luis do Maranhao uma sidenirgica para transformar o minerio de Carajas
em places de ago. Nao s6 pelos estudos econ6micos ja realizados como porque a pr6pria
administragio estadual nao se preparou para induzir um p6lo sidenirgico no Pard. Nao esta
preparada para nenhum dos outros desafios que a riqueza mineral do Estado lhe imp6e.


E pouco provavel que o gover-
no do Pard consiga mudar a
trajet6ria da fibrica de places
de ago que a Companhia Vale
do Rio Doce, em associaqio
com uma siderirgica chinesa, a BaoSteel,
planejou instalar em Sio Luis do Mara-
nhio, usando min6rio de ferro de Carajas.
Essa localizaqio nio 6 resultado de uma


mi vontade cong6nita da CVRD contra o
Pard ou de uma manobra conspirativa do
senador Jos6 Sarney em favor do seu Es-
tado natal. Esses e outros fatores podem
ter tido alguma influ6ncia, mas apenas la-
teral, nio fundamental. Cdlculos econ6-
micos 6 que pesaram na instalagio da si-
COTNAN0A


ANO XVI
N 301
R$ 3,00


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derdrgica ao lado do porto da Ponta da
Madeira, dos melhores do mundo.
Mas o pass adiante que a Vale e asso-
ciada estio dando unilateralmente repre-
senta o atestado da falencia da adminis-
trag~o p6blica estadual, omissa na defini-
qbo de uma political de industrializag~o dos
recursos minerals, que ocorrem com tanta
abundancia no territ6rio paraense. Apesar
da ret6rica dos discursos sobre a vertica-
liza9Co no Para, o governor nunca pensou
a s6rio e nunca procurou agir para que isso
ocorresse. Surpreendido pelos aconteci-
mentos e atropelado pela reaq~o de seto-
res da opinido ptblica aos fatos consuma-
dos, o governor tenta recuperar o tempo
perdido e dissipar as ilus6es criadas. Mas
no caso da siderurgia, a desatenta prince-
sa parece ter despertado tarde demais. E
pouco provivel que o sapo consiga virar
principle e a desperate do sono solto a tem-
po de um final feliz. Nao parece que haja
possibilidade de final feliz para o Pard em
mat6ria de siderurgia.
Tudo indica que o grupo de trabalho que
tenta desfazer o estudo de pr6-viabilidade
econ6mica da sidenirgica de Sio Luis aca-
bard vencido pelos nimeros e deverd tra-
balhar em torno de compensaq6es em be-
neficio do Pard. O quadro atual s6 poderia
ser revertido se o Para tivesse feito (ou es-
tivesse fazendo) um plano de desenvolvi-
mento industrial para o setor mineral, em-
penhando-se seriamente em escapar ao des-
tino que lhe esta sendo imposto, de centro
de produq~o primiria. NMo 6 mais sufici-
ente simplesmente oferecer beneficios fis-
cais ou atrativos locacionais.
S6 um planejamento bem feito e uma
vontade determinada poderiam ter criado
as condiq6es para que min6rio de ferro, pla-
cas ou ago extraidos de Carajas pudessem
ser beneficiados no pr6prio local ou che-
gassem a um porto paraense de aguas mais
profundas no litoral. Esse porto seria o de
Barcarena, desde que recebesse investimen-
tos adequados, nio s6 no pier e em seus
patios, mas no canal de acesso.
O porto de Vila do Conde nio tem con-
diq6es para receber os enormes navios de
300 mil toneladas ou mais, que viabiliza-
ram o com6rcio interoceanico de min6rio
de ferro, do qual a CVRD det6m um quin-
to do total. Mas cor a (custosa) dragagem
do canal seria possivel a atracaqdo de navi-
os cor quase metade dessa tonelagem, que
poderiam levar produtos de menor volume
e maior volume, como places e chapas.
Nesse caso, o p6lo sidernrgico deveria fun-
cionar em Marabd ou Parauapebas. Mas
seria viavel economicamente?
Antes de considerar esse problema, 6
precise enfrentar um outro, no valor de 300
milh6es de d6lares: a transposig~o da barra-
gem de Tucuruf. Sem as eclusas, como 6 que
as barcagas, com mindrio ou produtos finals,


poderiam chegar a Barcarena? No ritmo atu-
al, quando as eclusas poderiam ser concluf-
das? As obras civis da segunda etapa da hi-
drel6trica ji terminaram (agora esti sendo
feita a montagem das 10 maquinas que falta
instalar para concluir a usina) e o sistema de
transposiqao nao se beneficiou do custo mar-
ginal do grande canteiro de obras. E Brasi-
lia continue a considerar essas eclusas, que
seriam as maiores do mundo, um luxo des-
necessirio, uma inutilidade.
Ha ainda o desinteresse da Vale por essa
obra. A empresa, que fatura cada vez mais
cor logistica, assumiu o inteiro control
da Ferrovia Centro-Atlantica, que, no fu-
turo, lhe permitird integrar ferroviariamente
seus dois fantasticos corredores de expor-
taqao, o de Carajas e o de Vit6ria a Minas,
cor conexio atrav6s da Ferrovia Norte-
Sul. Isolado, o p6lo de Vila do Conde faz
parte de outra estrat6gia.
Nao 6 suficiente, portanto, que o Esta-
do tente superar a queda de brago em rela-
qao especificamente a fabrica de places,
uma tarefa pouco propensa ao sucesso. Te-
ria que atuar no sentido de impedir a con-
sumaqio de um dano que ji esta em curso:
ficar de fora do beneficiamento do min6rio
de ferro de Carajas. Nao s6 do ferro, alias,
mas dos demais min6rios ji identificados,
avaliados ou utilizados: mangan8s, ouro,
cobre e niquel.
E bom lembrar que ajazida de ouro do
igarap6 Bahia, que permitiu a Vale superar
a produqao da mina de Morro Velho, em
Minas Gerais, a maior fonte do metal na
hist6ria brasileira, ji foi exaurida e toda
aquela conversa em torno do p6lo de refi-
no e manufatura, travada nos gabinetes es-
taduais e no conselho da Sudam, nao pas-
sou de conversa fiada mesmo (na qual o
governor estadual se enredou). Com o apro-
veitamento do cobre do Alemdo, o projeto
igarap6 Bahia vai entrar numa nova fase
de explorago, como subproduto, e do pas-
so seguinte no beneficiamento o que se tem
6 essa perfumaria do Sao Jos6 Joalheiro.
Cor a usina de pelotizaq~o em Sio
Luis, a maior do pais, o porto da Ponta da
Madeira ampliado e a fabrica de places no
mesmo local, o que restart da trajet6ria si-
derirgica ao Pard? A usina de gusa que a
CVRD esta comeqando a construir com a
Nucor, reforqando (e concentrando) uma
atividade pouco atraente?
O desafio 6 muito maior do que esse
cabo-de-guerra incrementado pela grande
imprensa. O Pard tem que participar dos
projetos da Vale, mas nio como um mero
referendador de decis6es, nem como um
teimoso desorientado. Precisa de conheci-
mento para ajustar a estrat6gia da empresa
as necessidades de um Estado que ela tern
beneficiado tio marginalmente.
A fabrica de alumfnio da Albris, por
exemplo, a maior unidade produtiva indi-
vidual do Estado, chegard em 2004 ao fi-


nal do seu primeiro ciclo de vida, com o
encerramento do leonino contrato de ener-
gia, cor nimeros espantosos para o Pard.
Do record de 406 mil toneladas produzi-
das no ano passado, apenas 3% ficaram no
mercado interno. Os 97% foram enviados
para o exterior (sobretudo o Japdo) na for-
ma menos elaborada (e que, por isso, me-
nos valor agrega), a do lingote, a primeira
parada industrial depois da energia bruta.
O prejuizo acumulado da Albras at6
2002 chega a 700 milh6es de reais. A divi-
da de long prazo, de R$ 1,1 bilhio, equi-
vale a mais de quatro vezes o patrim6nio
liquido da empresa. A esse pesado exigivel
se acrescentam os quase R$ 700 milh6es
de curto prazo. S6 a variaqio monetiria e
cambial do exercicio passado consumiu R$
642 milh6es, provocando o prejuizo liqui-
do de R$ 184 milh6es, que interrompeu o
comego de lucratividade em 2001.
O que o p6lo de alumina e alumfnio de
Barcarena proporcionou para tris e o que
pode gerar para frente? No moment em
que a empresa rediscute o vital contrato de
energia, o Estado senta no camarote como
espectador desinteressado da parte que Ihe
cabe: mudar o perfil colonial desse p6lo.
Nao corn discurso vazio, mas com propos-
tas densas e exeqtilveis. O mesmo se apli-
ca ao ainda nascente p6lo de cobre, ao fu-
turo ndcleo de zinco e a esse cada vez mais
atado centro de caulim, que nio induz ce-
lulose ou papel.
Ao inv6s de atigar a Vale de p6blico e
depois tratar do que fazer em gabinetes
fechados, com outra linguagem, recorren-
do a consultorias que nio enraizam no
Estado a cultural da mineraqio (e da meta-
lurgia e siderurgia), o governor podia obri-
gar a empresa a se explicar diante de au-
dit6rios qualificados ao dialogo. A empre-
sa tem se recusado a verticalizar sua pro-
ducao mineral alegando que se agir assim
vai desagradar os seus clients, que atu-
am exatamente nas escalas seguintes de
transformaqdo. No entanto, se associou L
americana Nucor para produzir gusa em
Carajas, deslocando do mercado as gusei-
ras locais independents (ou isoladas), que
vendiam seu produto exatamente para a
Nucor. Dentro da legislacio brasileira con-
tra cart6is, essa sociedade 6 possivel? Nao
6 uma contradiqAo cor o discurso do core
business da Vale em min6rios?
A empresa pode argumentar que essa
sociedade sera a ponte para entrar no co-
biqado e fechado mercado americano, algo
semelhante ao projeto das places cor os
chineses. Mas 6 precise definir claramen-
te a questao e ajustar (quando nio subor-
dinar) o interesse commercial da empresa
As necessidades do Estado, de uma forma
just e decidida. O govero esta prepara-
do para travar essa luta? Ela faz parte dos
seus objetivos? Pelo modo de encarar e
abordar o contencioso, parece que nao.


S1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jornal Pessoal










Mineralio Rio do Norte:



a maior autuaaio do Leao


A Mineraqio Rio do Norte, uma das
maiores produtoras de bauxita do mundo,
poderi ter que pagar 220 milh6es de re-
ais, na maior autuaqdo ji feita na Amaz6-
nia pela Receita Federal. A mineradora,
estabelecida em Oriximind, foi autuada em
julho de 2000 porque um ano antes havia
reduzido seu capital social em 118 milh6es
de reais, equivalent a 20% de todo o ca-
pital que entao possufa, de R$ 537 mi-
lh6es, por considera-lo excessiveo".
Essa redu~go, efetuada justamente
quando a empresa pleiteava pagar me-
nos imposto ainda, significava que a
MRN estava devolvendo aos seus acio-
nistas (a frente a CVRD e atris dela vi-
rias das multinacionais do cartel do alu-
minio, como Alcoa e Alcan) 20% de tudo
o que eles haviam investido at6 entao.
A mineradora foi criada em 1972 e co-
meqou a operar em 1979, chegando nes-
te ano ao record de 16,3 milh6es de
toneladas de bauxita.
No meio desses R$ 118 milh6es nao
iriam parar nos bolsos privados imposto
que o governor deixou de arrecadar para
estimular o investimento da empresa?
Com base nessa premissa a Receita Fede-
ral investigou e autuou a Rio do Norte por
contrariar as normas legais ao reduzir seu
capital. A empresa, nao concordando com
a autuaqdo, recorreu Ajustiqa federal para
anular o ato da Receita. Mas ojuiz substi-
tuto da 22" vara judicidria do Distrito Fe-
deral indeferiu o recurso da mineradora.
Apreciou o m6rito e determinou o arqui-
vamento do process.
0 juiz Cleberson Jos6 Rocha admitiu
que a empresa poderia at6 reduzir seu ca-
pital, desde que pagasse todos os impos-
tos devidos. Ao incorporar os incentives
fiscais que lhe foram concedidos pela Su-
dam, aceitou a regra de que esses recur-
sos jamais poderiam ser distribuidos aos
s6cios ou acionistas, porque, como 6 16-
gico, "ap6s a capitaliza9ao do valor do
incentive, qualquer reducao do capital
social implicard primeiramente na redu-
cgo desse valor", observa a sentenqa.
No caso de a empresa decidir reduzir
seu capital, "deve-se entender que primei-
ramente foi distribuido o valor do incen-
tivo", argument o juiz, acrescentando:
"Nada mais 16gico em se tratando de be-
neficio fiscal que objetiva o incremento
de atividades cor ampliaqio do process
de industrializacqo".

Journal Pessoal 1- QUINZENA/ABRIL DE 2003


A empresa incorreu em ilicito ao in-
corporar o valor do incentive official ao
seu capital e, em seguida, reduzi-lo. A re-
gra clara 6 de que, ao gozar o beneficio,
a empresa esti aceitando que nao pode
mais reduzir seu capital, sob pena de pas-
sar a ser automaticamente devedora do
imposto, que nio lhe foi cobrado exata-
mente para induzi-la ao investimento.
Afinal, trata-se de uma political fiscal de
desenvolvimento.
Aldm de considerar a autuaqdo perfei-
tamente legal, o juiz reconheceu a Receita
Federal como o 6rgao competent para esse
procedimento e nio a Sudam, como ale-
gou a MRN: "A Sudam cabia verificar se a
empresa estava em condiqao de obter o in-
centivo. A Secretaria da Receita Federal
verificar se o incentive foi corretamente
utilizado", sentenciou o magistrado.
Embora deva manter o front judicial,
a Rio do Norte ji ofereceu a Receita bens
integrantes do seu ativo no valor conti-
bil de R$ 220 milh6es, em 30 de novem-
bro de 2000, para garantir o primeiro re-
curso que apresentou, o administrative,
e que tamb6m perdeu. Se as decis6es fo-
rem mantidas na instancia final, a empre-
sa teri que procurar resolver o problema
o mais ripido e satisfatoriamente possf-


A equipe liderada por Afonso Klau-
tau esti de parab6ns pelo TV Pard, um
program local de bom nivel que estreou
no dia 4, na TV RBA. Formalmente bem
cuidado, das vinhetas ao cendrio, con-
seguiu imprimir uma marca paraense,
seu principal objetivo, garantindo ori-
ginalidade, criatividade e qualidade ao
produto. Todos os que desejam umaja-
nela paraense na varanda globalizada e
massificada da programaqao de televi-
sao desejam vida longa ao program.
Mas hi uns porens a considerar. Pri-
meiro, o patrocinio official. Nao ele em
si, mas nas possiveis ingerencias e in-
terfer6ncias political. Em mat6ria de
cultural, o governor invariavelmente age
como macaco em loja de louqas, como
estamos vendo nesse epis6dio de alega-
do dirigismo da administraqao federal


vel. Isso se nao quiser perder os beneff-
cios e favors oficiais que ja usufrui, in-
clusive o refinanciamento de sua divida,
em condi96es extremamente vantajosas,
pelo Refis.
Como a maioria das grandes empresas
que se instalam na Amaz6nia com os fa-
vores do governor, a MRN nao 6 muito
simpitica ao pagamento de tributes. At6
mesmo a CPMF a empresa question. Mas
os numerous do seu balanco do ano passa-
do sdo invejiveis. Em 2002 a empresa teve
um lucro liquid (de R$ 270 milh6es) que
foi exatamente a metade do seu faturamen-
to liquid (de R$ 540 milh6es). Essa al-
tissima rentabilidade foi alcancada en-
quanto a empresa investia para aumentar
em quase 50% a sua capacidade de pro-
duqgo, que passou de 11,6 milh6es para
16,3 milh6es de toneladas de min6rio. O
custo dos empr6stimos contraidos para fi-
nanciar essa expansdo (s6 de juros e vari-
acdo cambial) foi de R$ 104 milh6es no
ano passado. Ja os mil funcionarios da
empresa custaram-lhe R$ 41 milh6es. O
capital social da MRN foi, em 2002, 10%
menor (ou R$ 60 milh6es) do que o que
tinha em 2000.
Uma empresa com esse perfil 6 real-
mente fator de desenvolvimento human?


no uso dos recursos piblicos para o in-
centivo do setor. E uma limitaqao, real
e potential.
Outra questdo 6 ao menos para o
meu gosto a excessive leveza e ligei-
reza do program. Verdade que se trata
de uma revista de entretenimento, mas
esti um tanto edulcorada demais. Po-
dia ser mais jornalistica tamb6m, sem
cair no noticiarismo. Mais pol6mica,
mais incisiva. O tom risonho e franco
podia tamb6m, quando necessdrio e ade-
quado, trincar os dentes. Ao menos para
adensar um pouco mais o molho, aqu-
carado al6m do ponto.
Mas hi tempo pela frente. O impor-
tante 6 que a televisio ter um ponto de
referencia paraense e efetivamente te-
levisivo, nao apenas radiof6nico e abu-
sadamente carnavalesco.


TV Para










Caso Parapora:



silencio acusador


O Jornal Pessoal 6 lido por aproxi-
madamente 12 mil pessoas. O n6mero
pode parecer pequeno (e 6 efetivamente
pequeno), mas toda vez que ele se apre-
senta cor sua face negative reajo corn
uma pergunta reanimadora: onde vou
conseguir reunir 12 mil pessoas para ou-
vir-me? Quem dispbe de tal audit6rio?
Ainda assim, sou tomado de certo de-
sanimo quando nenhum dos meus 12 mil
leitores reage a apresentagco de um tema
de alta relevancia coletiva. Esse foi o
caso da mat6ria da 61tima ediqgo a res-
peito de uma grave ameaga que paira
sobre o Estado do Pard: ter que pagar
120 milh6es de reais de indenizaGqo por
uma desapropriacqo mal feita, em 1971,
pelo entao governador Fernando Gui-
Ihon. Esse valor corresponde a dois ter-
gos do que foi investido na AlIa Vidria,
um empreendimento polemico, mas que
o governor Almir Gabriel considerou
como sendo sua opera magna. Uma es-
p6cie de Belo Ant6nio de concrete e ago.
Imaginei que o assunto seria imedia-
tamente tratado no pr6prio executive, no
legislative e na pr6pria sociedade. De-
putados se manifestariam, advogados
propugnariam e o Minist6rio Pdblico to-
maria alguma iniciativa. Nada. A falta
dessas iniciativas, consultei um amigo
advogado para examinarmos as alterna-
tivas que poderiam ser adotadas para
evitar essa sangria desatada nos cofres
p6blicos, ao menos enquanto se faria
uma revisdo do process, sendo para re-
faz8-lo todo, ao menos para dele extrair
um padrdo de entendimento mais acei-
tivel do que o erario drenar para bolsos
privados um valor que esti muitas ve-
zes al6m do que valeria a fazenda desa-
propriada hoje, qualquer que fosse o
desenvolvimento do projeto aprovado
pela Sudam.
Poderfamos considerar a decisdo que
determinou ao Estado o pagamento da
indenizacqo pela desapropriaqao inques-
tionavelmente equivocada como um erro
judiciario? Hoje, me diz o advogado
consultado, essa tese tem muito prestf-
gio nas cortes brasileiras. Erro judicid-
rio n5o transit em julgado. Mas esse
seria, efetivamente, um erro judiciario?
Esta 6 a primeira questdo submetida A
opiniao pdblica por este journal.
A outra alternative para enfrentar a
situacao nos tribunais seria atrav6s de


uma acgo rescis6ria, com fundamento
no artigo 485 do C6digo de Processo
Civil. No entanto, essa porta provavel-
mente ji esti fechada: o prazo para a
propositura de uma rescis6ria 6 de dois
anos ap6s o transito em julgado. Em-
bora as informacqes disponiveis a res-
peito nao sejam afirmativas, esse pra-
zo parece ji escoado.
A terceira hip6tese seria uma acgo
anulat6ria. Cor base no artigo 486 do
mesmo CPC, ela poderia ser tentada
agora, ji no process de execucao. Mas
o consultor classifica essa via como "es-
treitissima". S6 prosperaria se fosse dis-
tribuida para um juiz disposto a afron-
tar formalidades e coragem para inovar.
A vantage da acgo anulat6ria 6 que o
prazo 6 de 20 anos, conforme interpre-
taq6es doutrindrias e jurisprudenciais.
A possibilidade seguinte seria uma
acgo declarat6ria de nulidade de ato
judicial. A Procuradoria Geral do Esta-
do poderia ingressar com uma acgo des-
se tipo, que tamb6m 6 favorecida pelo
prazo vintendrio.
Mas quando nao cabe recurso ou
ag~o alguma, cabe mandado de seguran-
ga, cor pedido liminar. E outra possi-
bilidade que s6 poderi ter sucesso se
couber a um juiz disposto a "pegar o
pido na unha", como diz meu consultor
juridico. Algu6m como Torquato Alen-
car no caso da grilagem da C. R. Almei-
da no Xingu (embora sua decisao em
primeira instancia tenha sido revogada
na instancia superior).
Oferece-se ainda a alternative da ag9o
popular, cor fundamento no prejuizo que
a sociedade sofrerd se o Estado tiver que
arcar com tdo onerosa indenizaqgo. As
instituig6es mais qualificadas para pro-
por essa aqgo seriam a Procuradoria Ge-
ral do Estado ou o Minist6rio Piblico
Estadual. Mas qualquer eleitor pode in-
gressar em juizo para pleitear a
anulaqgo ou a declaraqgo de nulidade dos
atos lesivos ao patrim6nio do Estado, in-
vocando inclusive o erro judiciario, que
nao transit em julgado, e um principio
de muito prestigio atualmente, que 6 o
principio da razoabilidade.
Por incrivel que parega, observa
meu consultor, "at6 bem pouco tempo
atris esse principio, que devia ser o
6bvio no direito, nao estava tao bem
estruturado juridicamente. Ficamos


devendo essa aos alemaes e seus disci-
pulos brasileiros, Gilmar Mendes,
atual ministry do Supremo Tribunal
Federal, a frente, mas tamb6m o nosso
Inocencio Martires Coelho".
Se nenhuma dessas alternatives se
sustentar, a forma de ressarcir o Erdrio
mais adiante seria exercer o direito de
regresso contra os responsiveis pelo
prejuizo causado, fazendo-os pagar
pelo que for cobrado da coletividade.
Nesse caso, responderiam na regressi-
va todos os governadores vivos que
sucederam a Fernando Guilhon. A agao
poderia ser precedida de um inqu6rito
civil pdblico para a apuraGqo de fatos e
acumulagao de documents para o in-
gresso na via judicial.
At6 agora esse tipo de ag9o nunca foi
efetivada. Mas seria o moment de escre-
ver a hist6ria de outra maneira. No proces-
so da Parapori fica a impressao de que cada
novo governador parecia mais empenhado
em passar em frente a batata quente do que
em descasca-la. Assim, a a9ao regressiva
nao seria apenas legal, mas moralmente
just. Se nenhum dos membros do Minis-
t6rio P6blico ousou at6 agora inaugurar
uma nova fase na cobranga da responsabi-
lidade civil dos governantes, o "caso Para-
pora" Ihes di a oportunidade de comegar
uma nova etapa na nossa hist6ria.
Quem se habilita?




Thcanes

0 efeito mais nefasto do modo
politicamente correto e impedir as
pessoas de dizer o que
efetivamente pensam, ou de ver as
coisas como elas sdo (ou se
apresentam a quem as ve).
Recolho um exemplo dessa
confusdo mental num texto de
suporte a um titulo dado pelo
journal 0 Globo em materia sobre
afilha de Elis Regina: "Em seu
primeiro disco solo no,Rio,
cantora sefirma como promessa".
"Corretice" pura, ou caretice.


4 1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jornal Pessoal










Novo president do Basa:



encontro dificil com Jatene


O economist acreano Mincio Cordei-
ro Lima, que no mrs passado assumiu a
presid6ncia do Banco da Amaz6nia, tern
muitos pianos para a instituigqo. Mas pre-
cisou insistir muito e ignorar as suscetibi-
lidades pessoais para poder apresenti-los
ao governador do Estado no qual o Basa
ter sua sede, num encontro que acabou
acontecendo s6 no dia 5. Apesar de ter so-
licitado insistentemente uma audiencia com
o governador do Pard desde que tomou
posse, no dia 17, Mincio precisou esperar
bastante para obter um retorno da assesso-
ria estadual. Provavelmente nao por acaso,
o governador Simro Jatene nao compare-
ceu A solenidade de posse do novo presi-
dente, para a qual foi convidado, mesmo
ela tendo acontecido em Bel6m.
O president do banco, que responded
por 84% do cr6dito de long prazo conce-
dido na regido amaz6nica, compareceu logo
em seguida ao gabinete do prefeito muni-
cipal, Edmilson Rodrigues. Ejd estava pro-
gramando uma rodada de visits aos go-
vernadores da sua area dejurisdiqdo quan-
do recebeu a confirmaqao da audiencia com
Jatene. O tratamento que Ihe foi dispensa-
do at6 entdo parecia ter o prop6sito de trans-
mitir um recado: Jatene nao esti satisfeito
corn a situaqdo.
Provavelmente essa insatisfaqao nao tern
a ver diretamente com a pessoa de Mancio
Lima ou corn a forma da sucessdo no Basa,
um acreano substituindo a outro acreano (no
caso, a ex-presidente Flora Valadares, que
ficou durante os oito anos do consulado FHC
A frente da instituicio) num cargo que tradi-
cionalmente vinha sendo concedido ao Pardi.
Desta vez o Estado ficou com duas das cin-
co diretorias, ambas preenchidas pelo PT pa-
raense, mas perdeu o poder de mando.
Mesmo tendo sido ignorado no process
de preenchimento da dirego do Basa, restri-
ta A base aliada do govemo Lula (PT e PPS,
mais aintrusio de sempre do maranhense Jos6
Samey), Jatene parece reagir mais a dois atos
que considerou de descortesia ou mesmo de
ofensa: a suspensao unilateral do process de
estadualizaCgo (sustada, mas ainda ameaCa-
dora) da CDP e a inclusio A 6ltima hora e
sem entendimento pr6vio de medidas na
reform tributAria que irio sangrar o Pari,
mantendo os beneficios e privil6gios conce-
didos aos exportadores de produtos nao-ela-
borados, que constituem o peso maior na ba-
langa commercial do Estado, ainda um produ-
tor de bens primArios.


Se as diferenqas que levaram ao distan-
ciamento do governor paraense nio forem
acertadas, Mancio Lima vai enfrentar desde
o inicio de sua gestao um entrave politico
para a execuqao de um program concebido
para mudar a postura e a image do Basa.
Talvez por nao ser "do mercado", embora
tenha atuado na area financeira e fazendaria
da administracgo estadual acreana, o novo
president parece acreditar num caminho
heterodoxo para o banco. Ja tem algumas
diretrizes na cabeca, mas pretend estimu-
lar critics e sugest6es atrav6s de um portal
na internet, aberto i consult ptiblica.
Oriundo de um govemo que se declara
"da floresta", Mincio quer transformer o Basa
num bancoo verde". Assim, conjugando es-


forqos com a acreana instalada no governor
Lula, Marina Silva, do Minist6rio do Meio
Ambiente, espera conseguir recursos inter-
nacionais, al6m dos que ji conta atrav6s do
FNO e das fontes tradicionais. Al6m de apos-
tar no apoio ao "desenvolvimento sustenta-
vel", Mancio esta convencido que o Basa
precisa avanqar em tecnologia (da informa-
9ao e banciria) e em inteligencia, qualifican-
do melhor sua mao-de-obra. A m6dia de ida-
de do pessoal foi um dado que impressionou
o novo president, mais novo do que a esma-
gadora maioria dos seus subordinados. Boa
parte da tecnologia de que o Basa necessita,
ele pretend buscar no Banco do Brasil. A
integraqao dos dois bancos federais reduziria
custos e economizaria tempo.


0 soba maranhense


O president do Senado, Jos6 Sarey, deve
ter achado ardilosa e sagaz sua decisao de in-
terromper o process de cassag~o do seu po-
deroso par, Ant6nio Carlos Magalhaes, deci-
dido na Comissio de Etica, e transferir a bata-
ta quente para o judiciario. O perigoso prece-
dente estimulou o plendrio a confirmar a ins6-
lita decisao da mesa e livrar ACM do process
recomendado pela comissao t6cnica da casa.
O estratagema de Sarey pode ser consi-
derado uma manobra brilhante. Mas apenas
se ele for abstraido do context e a sociedade
brasileira ignorada, a political nada mais sen-
do do que uma brincadeira de titas formais,
figures imponentes e ocas. Nao 6 exatamente
assim, nem essencialmente assim, entretan-
to. Enquanto quebrava em Brasflia a longa
tradigqo de acatamento da decisao da Comis-
sao de Etica e lanqava marimbondos de fogo
na direC9o do Palicio do Planalto, Sarney
cuidava se esconder a mao.
Em S~o Luis, onde estd sua origem e deve-
ri ficar para sempre, o jomal de Sarney, O Es-
tado do Maranhdo, exatamente no dia em que
comemorava seu 442 aniversirio, exclufa de
sua primeira pigina a noticia de que a mesa do
Senado decidira arquivar o parecer favorivel
A cassaqgo de ACM, por grampear telefones
na Bahia. Em 14 linhas, escondidas num can-
to inferior da pdgina dois, ojoral registrava o
fato. Nao informava, por6m, que a melanc6li-
ca reuniao foi presidida por ningu6m menos
do que o dono da folha.
O objetivo de tanta discriaio era evitar
constrangimentos evidentes. Afinal, quando a


Policia Federal "estourou", no ano passado, o
cofre da Lunus, empresa de Roseana Sarey
& Jorge Murad, o pai e sogro acusou o gover-
no FHC de valer-se de grampos telef6nicos ile-
gais para atingir adversarios politicos. Apro-
veitando-se da circunstancia de que a policia
agira com base em robustas suspeitas, mas nao
em provas, Sarey acusou o govero de com-
portamento "arbitririo", "autoritirio" e "fas-
cista", sempre procurando convencer seus ou-
vintes de que falava como cidadAo e nao como
parent dos atingidos.
Por coerencia minima, se defendesse prin-
cipios e nao interesses, o senador Jos6 Samey
devia se colocar contra mais esse epis6dio de
desrespeito a sagrada privacidade das pesso-
as, de uso de um poder politico para a conse-
cuqgo de objetivos pessoais, da mais anacr6-
nica pritica oligirquica, como se ACM conti-
nuasse a ser, na Bahia, o senhor de barago e
cutelo dos tempos da escravidao.
Metido a intellectual, por6m, Sarney pare-
ce partilhar o entendimento daqueles que
acham que a hist6ria nIo 6 aquela que se faz,
mas a que se escreve. Ao menos em seu cu-
rul, a hist6ria seria aquela que O Estado do
Maranhdo manipula, obedecendo as ordens
de seu demiurgo. Daf a noticia escondida e
envergonhada.
E essa a political praticada nas satrapias
brasileiras. E Brasilia nem se importa com isso,
qualquer que seja o ocupante do Palicio do
Planalto. Afinal, como alerta Guimarjes Rosa,
sertdo 6 isso mesmo. Melhor ficar 16 long, no
pals litorineo.


Jomal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 5












0 jornalista,
professor e escritor
Osvaldo Coimbra
devera provocar
muita polemica com
o livro que devera
langar dentro de um
mes sobre o
movimento military
de 1964 no Para.


rigor, nao diz nada de novo. Mas
simplesmente pelo fato de reu-
nir as informaq6es que coletou
numa ripida e simples pesquisa
nos arquivos de jornais e colo-
cA-las em letra de forma, deverd desagra-
dar a gregos e troianos, que se unem para
fazer esquecer o passado, iludir sobre o
present e poder continuar a mandar no
future. O resultado do levantamento de
Coimbra haveri de apresentar suas falhas,
como ji se p6de constatar na avant-prd-
midre de suas entrevistas. Evidentemen-
te, espera-se que as pessoas habilitadas se
apresentem para as erratas. Pior que tudo
6 esse sil6ncio, marcante na cr6nica para-
ense. Agitando as aguas, Coimbra preten-
de desencadear a necessaria oxigenaqco
para o didlogo, como deixa claro na carta
que me enviou, antecipando alguns dos
pontos do livro.
Segue-se seu depoimento.

Aceitei o seu estimulo para que fosse
adiante na busca dos esqueletos (na ver-
dade, as informag6es) escondidos no ar-
mirio (na verdade, o noticidrio) de 1964.
O resultado desta busca vai ser publicado
no livro ji em fase de revisdo final, a ser
editado pela PakaTatu, sob o titulo de "A
dentincia de frei Betto contra o arcebispo
do Pard, em 1964: Dom Alberto Ramos
mandou prender seus padres".
No livro, me concentro na atuaq~o dos
membros da Igreja Cat6lica, que, estimu-
lados pelas enciclicas do papa Jodo
XXIII, se engajaram na luta por Justiga
Social, e se sentiram abandonados e tra-
fdos pelo arcebispo do Para. Mas, atra-
v6s deste livro, gostaria de poder estimu-
lar outros colegasjornalistas a prossegui-
rem na pesquisa de um tema o Golpe
Military de 1964 que afetou tanto o des-
tino do Brasil e de virias geraq6es de
brasileiros. Um tema ja quase exaurido


Onde os esqueletos


fora do Pard e aqui, estranhamente, ain-
da 6 pouquissimo pesquisado.
Como retribuigco a seu estimulo, es-
tou enviando para o Jornal Pessoal um
primeiro roteiro, bastante ficil de ser se-
guido, por quem queira encontrar rapida-
mente nas colleges dos jornais de Bel6m
guardadas na Biblioteca Piblica algu-
mas ji microfilmadas algumas das ma-
tdrias mais relevantes sobre este assunto.
Dom Alberto Ramos O m8s de abril
de 1964 foi o das colaboraq6es p6blicas que
prestou aos golpistas. Na coluna da arqui-
diocese, na Folha do Norte de 2 de abril de
1964, ele elogiou a iniciativa dos organi-
zadores da march que, invocando Deus, a
familiar e a liberdade, teve como objetivo
dar a impressao de apoio popular aos gol-
pistas. No dia seguinte, o arcebispo deu uma
entrevista ao mesmojomal pedindo as ben-
9dos de Deus para os militares que tinham
derrubado Joao Goulart.
A 7 de abril, A Provincia do Pard di-
vulga as tr8s duras medidas que ele havia
anunciado diante de seus padres, c6negos
e monsenhores, no dia anterior, numa
mat6ria que mostrava ter o arcebispo que-
brado o sigilo das reunites do clero com
a intencgo de tornar publicas aquelas suas
aqoes. As medidas eram as seguintes: la.)
nenhum religioso, sob pena de perder ime-
diatamente suas ordens, poderia dar asilo
a algu6m perseguido pelos militares, sem
comunicar isto ao arcebispado; 2a.) ficava
suspense o funcionamento do Movimen-
to de Educagqo de Base (MEB), criado e
mantido pela Conferencia Nacional dos
Bispos do Brasil, e, no Pard, colocado sob
responsabilidade do padre Alofsio Neno,
que havia sido preso pelos militares. 3a.)
nenhuma dependencia do pr6dio da Acgo
Cat6lica poderia ser usada, sem autoriza-
cao por escrito do pr6prio arcebispo ou
de seus dois bispos auxiliares. Esta medi-
da visava, obviamente, evitar, a reinstala-
gqo do MEB.
No dia 9 de abril, na coluna da arquidi-
ocese de 0 Liberal, dom Albert anuncia que
mandara um telegrama para o general Cas-
telo Branco exterando sua satisfagao por
saber que ele havia sido indicado para o
lugar de Joao Goulart. Seis dias depois, a
15 de abril, na coluna da arquidiocese da
Folha do Norte, reivindica para si o m6rito
da iniciativa da celebraao, por ele pr6prio,
com toda a pompa, na Catedral, de uma
missa em louvor do govero do general
Castelo Branco, que tomaria posse naque-
le dia. Isto porque o governador Aur6lio
do Carmo mandara anunciar no jomal que
a missa era uma iniciativa official de seu
governor. Na coluna, dom Alberto convoca


para a missa as agremiaq6es cat6licas, as
comunidades religiosas, o cabido metropo-
litano e todo o povo. E diz que a missa ia
rezada "para que o novo president da re-
pdblica seja feliz na ardua missao que hoje
a Nacqo lhe confere".
Na cathedral reuniram-se chefes do gol-
pe military no Pard e politicos que queriam
agradi-los, tentando manter seus manda-
tos. Neste mesmo dia, 15 de abril, O Li-
beral, imprimiu uma ediqao com amplas
noticias daquele event. No dia seguinte,
foi a vez da Folha do Norte. Este journal
registra o uso na missa at6 do Hino do
Congress Eucaristico Nacional, realiza-
do havia pouco tempo, em Belem. O jor-
nal mostra tamb6m que, diante dos chefes
golpistas, como o general Orlando Rama-
gem, comandante military da Amaz6nia, do
almirante Milton Coutinho Marques, co-
mandante do 4. Distrito Naval, e do re-
presentante do general Bandeira Coelho,
que logo iria chefiar uma devassa no go-
verno de Aurdlio do Carmo, dom Alberto
nao s6 elogiou demoradamente o golpe
military como admitiu que a "intriga co-
munista havia se infiltrado at6 nas famili-
as cristis", abrindo caminho para novas
repressoes contra cat6licos.
No dia 23 de abril, na coluna da arqui-
diocese na Folha do Norte, dom Alberto
diz que iria viajar at6 o Rio de Janeiro para
convidar o padre Peyton a trazer a Cruza-
da do Rosdrio outra manifestagao de ruas
em apoio aos golpistas. O padre norte-
americano suspeito de trabalhar para o
service de inteligencia norte-americano,
CIA, seria, depois, anualmente homena-
geado pelos goveros do iclo military.
Monsenhor Faustino de Brito Dom
Alberto diz na coluna da arquidiocese
publicada pela Folha do Norte, no dia 21
de abril, que designou o monsenhor, vi-
gario da Catedral, na Marcha da Familia,
com Deus pela Liberdade, para "interpre-
tar o sentiment da populaq~o cat6lica".
O discurso do religioso 6 programado para
encerrar a march, diante da Basilica de
Nazard, como mostra a pr6pria Folha do
Norte, numa ampla cobertura, no dia se-
guinte, 22 de abril.
Diante da multiddo reunida pelos gol-
pistas, ele faz um discurso violentissimo,
tripudiando sobre os estudantes e sindica-
listas que estavam press. Diz que se os
militares nao tivessem salvado o Brasil do
regime comunista, as igrejas seriam trans-
formadas em estrebarias e as freiras vio-
lentadas. Chama o comunismo de "flagelo
de Deus", e "baba pestilenta da traiaio a
Deus e A Pitria". Quando o religioso aca-
bou de falar, as portas da basilica foram


A- 1P QUINZENA/MAIO DE 2003 Jomal Pessoal










estavam em 1964?


abertas para acolher os manifestantes.
Quinze anos depois, monsenhor Faustino
renegaria aquilo que ele havia dito entdo,
numa mat6ria publicada pelo jomal O Es-
tado do Pard, no dia 8 de abril de 1979.
C6nego Apio Campos Escreveu
dois artigos na Folha do Norte. No dia
19 de abril era "A Igreja entire dois mun-
dos", e, a 26 de abril, "Descomunizaqao",
adotando uma posiqao ambigua e desa-
gradivel, como ele dizia seria a da pr6-
pria Igreja Cat6lica, caso a instituiqgo ti-
vesse de se definir politicamente. Ao
mesmo tempo em que parecia compre-
ender a posiqao dos padres que estavam
sendo perseguidos pelos militares, con-
siderava a "descomunizacgo" do pais
uma tarefa necessria. Isto num momen-
to em que membros da Igreja Cat6lica,
engajados na luta por Justiga Social, es-
tavam press e eram apresentados A opi-
niao ptblica como comunistas.
Avelino Henrique O radialista apre-
sentado por Jarbas Passarinho no seu li-
vro "Na Planicie" como um dos colabo-
radores dos grupos clandestinos de civis
golpistas de Bel6m, atuou como apresen-
tador dos oradores da Marcha da Familia,
com Deus, pela Liberdade, segundo a
Folha do Norte, edicgo de 22 de abril
Coronel Jos6 Lopes de Oliveira
("Peixe Agulha") O home de confi-
anga de Jodo Goulart, nas Forcas Arma-
das na Amaz6nia, como o president te-
ria confidenciado a Benedito Monteiro
(dito no livro do escritor, "Transtempo"),
surpreendeu os universitarios reunidos na
sede da Uniao Acad8mica Paraense, na
avenida Governador Jos6 Malcher. No
dia 2 de abril invadiu a sede da UAP,
numa operaqio de guerra, comandando
pelot6es da policia do Ex6rcito que por-
tavam fuzis metralhadoras, lanqa-chamas
e cassette. Com a invasdo at6 um "tea-
tro de bolso" dos estudantes foi destruf-
do. Isto esti numa mat6ria de pigina in-
teira em O Estado do Pard, de junho
de 1979, com o titulo "A esquerda de
sonhadores acabou no tapa".
Pedro GalvIo. Era o president da
Uniao Academica Paraense. Foi preso, na
invasao da sede da sua entidade (O Esta-
do do Pard, 3/4 de junho de 1979).
Rui Barata Advogado e professor da
Faculdade Filosofia da Universidade do
Pard, foi preso na casa de um parent na
Braz de Aguiar, no dia 2 de abril. A Folha
do Norte noticiou sua prisao no dia 3 de
abril. Em outra mat6ria, de 15 anos de-
pois, Barata revela que em 1964 houve
tortura do "pessoal que foi preso na orla
maritima", e ficou sob responsabilidade


da Marinha. Disse entlo: houve "muita
pancada, muito choque el6trico, muito
pau-de-arara". E concluiu: "Quem sofreu
tortura foi gente an6nima da beira do cais"
(0 Estado do Pard, 2 de abril de 1979)
Chludio Dias Apresentado como o
pecuarista que foi "um dos mentores" do
golpe no Pari, pelo O Estado do Pard,
numa reconstituicao feita pelo jomal em
1979 (edigqo de 8 de abril). Nesta mat6-
ria, o pecuarista fala dos contatos dos que
os fazendeiros do Pard mantiveram per-
manentemente com os de outras regimes
do pais e revela: "percebi que todos os
fazendeiros estavam se armando e distri-
buindo armas por todas as suas proprie-
dades para serem usadas na eventualida-
de de terms que enfrentar as esquerdas
organizadas da 6poca". Revela tamb6m
que entregou um relat6rio complete so-
bre os principals lideres esquerdistas do
Pard no Quartel General da 8' Regido
Military, de Bel6m. Diz que fazia reunites
didrias na sua casa para conseguir ades6es
"e estabelecermos o piano final para o le-
vante". Entre os conspiradores, ele men-
cionou "Jarbas Passarinho, Alacid Nunes,
Cl6vis Morais Rego, Jos6 Alberto Couto
da Rocha, La6rcio Franco". Por fim, acres-
centou: "Concomitantemente nossas espo-
sas organizavam junto A Igreja a famosa
march por todos conhecida como 'Deus
pela familiar" .
Juiz Levy Hall de Moura 0 juiz
colega de faculdade e amigo da educado-
ra Maria Annunicada Chaves e irmao do
desembargador Silvio Hall de Moura, foi
preso na comarca da Conceiqao do Ara-
guaia, segundo a Folha do Norte, de 11
de abril. No dia seguinte, dia 12, o mes-
mo journal trazia uma grave ofensa a ele
numa mat6ria intitulada "Juiz comunista
nao merece f6". Nela o journal dizia que
Evandro do Carmo, primo do governador
e secretirio de Seguranqa Piblica, tinha
recebido um offcio de Levy pedindo pro-
videncias contra o delegado de policia de
seu municipio, que estava cometendo atos
de extrema violencia. O offcio, segundo o
journal, mereceu um um despacho do se-
cretario, no qual ele afirmava que juiz
comunista nao merece f6, e que Levy era
um "p6ssimo element que envergonha a
toga, que veste, desmoralizando cor seus
atos a soberania da Justiqa".
HOlio Gueiros Como ji vimos, ele
tinha viajado com o entao governador do
Pard para assistir A posse do general Cas-
telo Branco. Em 15 de abril, 0 Liberal
anuncia na capa a cassacao do mandate
do deputado Benedito Monteiro, pela As-
sembl6ia Legislativa, numa sesslo que ti-


nha sido transmitida por todas as radios
da cidade. Benedito, naquele moment
tentava escapar cor vida, nas matas pr6-
ximas de Alenquer, de uma perseguiqao
movida contra ele por uma patrulha que
tinha ordens para mati-lo. Seu pai tinha
sido detido.
Benedito, na condiqio de lider do Par-
tido Trabalhista Brasileiro, aliado do PSD,
havia servido ao governor de Aur61io do
Carmo, como Secretario de Obras e che-
gara a viajar com ele e com o lider do go-
verno na Assembl6ia Legislativa, H6lio
Gueiros, a Tchecosloviquia, conforme o
livro "Transtempo". H61io era tamb6m o
director de O Liberal, naquela fase pr6-
R6mulo Mariorana. Esquecido de tudo
isto, H61io, segundo ojornal que ele mes-
mo dirigia, naquela sesslo, "em nome da
maioria disse que a Assembl6ia Legislati-
va estava agindo corretamente eliminan-
do de seus quadros um element que nao
escondia, sua crenqa na ideologia comu-
nista, e portanto subversive, ao regime
democritico".
Na mesma ediqao, tamb6m na capa,
H6lio era elogiado num long artigo assi-
nado apenas com as iniciais C. R. O autor
chamava-o de "jovem e brilhante" lider
do PSD, "cuja pena de jornalista jamais
se arreceiou de profligar as manobras em
que se distendiam sobre a nacao os tenti-
culos do polvo vermelho que quase nos
chega a estrangular". Seu discurso na ses-
sao de cassaqCo 6 classificado no artigo
de vibrantt, exato e fiel aos postulados,
do regime e da lei". O artigo aparentemen-
te visava reduzir as resistencias que H61io
encontrava entire os comandantes do gol-
pe military, apesar de seu empenho em agra-
di-los.
Quando O Liberal noticiou a interven-
9do military nas secretaries do governor de
Aur6lio do Carmo, no dia 25 de maio, e,
quatro dias depois, a recusa do entdo go-
vernador de depor na Comissao de Inves-
tigagdo Sumdria, chefiada pelo general
Bandeira Coelho, H6lio foi chamado pelo
telefone para conversar com o coronel Jos6
Lopes de Oliveira, no quartel do Ex6rci-
to. Chegando 1i recebeu ordem de prisao,
a qual se prolongou por sete dias, seis dos
quais ele ficou em regime de incomunica-
bilidade (O Liberal, edig6es de 2, 6 e 8 de
junho). No dia 7, ele foi libertado. No dia
seguinte, 8, Aur6lio teve seu mandate cas-
sado. Dois dias depois (10), o journal diri-
gido por H6lio safa corn esta manchete:
"O PSD do Pard ap6ia o nome de Jarbas
Passarinho ao Governo". E em uma de
suas piginas internal registrava, em outra
mat6ria, os "Novos cumprimentos a Jar-
bas Passarinho".
Aurlio do Carmo Considerado um
governador democrat, capaz de tender
COTNA0G


Jornal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 7










em audiencia, no palacio do governor, atW
os jovens representantes dos alunos se-
cundaristas de Bel6m, embora sempre
fosse acusado por eles de ser corrupt,
fez o que p6de para ser aceito pelos gol-
pistas entire 1 de abril at6 8 de junho
quando foi cassado. Foi assistir a posse
de Casrtelo Branco, mandou rezar missa
por ele na cathedral, publicou anincio ofi-
cial nos jornais apoiando o golpe, e, so-
bretudo, colocou sua policia para perse-
guir e prender quem os golpistas quises-
sem afastar da vida pdblica.
Nada disto adiantou. Mas saiu com dig-
nidade do seu cargo. Recusou-se a ceder
as imposig6es do general Bandeira de
Coelho, que queria humilhi-lo fazendo-o
depor perante a comissio que ele chefia-
va. No dia 29 de maio, O Liberal trazia
como manchetes duas frases suas: "Resis-
tirei as baionetas no meu peito", e "Recu-
so-me a depor. Nao sou r6u. S6 tenho de
prestar contas ao legislative".
Gerson Peres. Foi o 6nico deputado a
ensaiar a se preocupar corn o direito de
defesa de Benedito Monteiro, na sessao de
cassagao de seu mandate na Assembl6ia
Legislative, embora tenha proposto algo
completamente inexeqiifvel: que Benedito
fosse convocado atrav6s de edital a se ma-
nifestar. Mesmo nao tendo sido ouvido,
terminou votando a favor da cassagao (O
Liberal, 15 de abril). Foi visto acompanhan-
do a Marcha da Familia com Deus pela
Liberdade pelo colunista Odacyl Catette,
que registrou isto, em O Liberal, 22 de abril.
Joao Reis Era o vice-lfder da banca-
da de deputados liderada por Benedito
Monteiro, a do PTB. Comensal da casa de
Benedito, liderou seus companheiros de
partido na traiqCo a ele. Todos aprovaram a
sua cassac~o, assim como Dionfsio Bentes
de Carvalho, que presidiu a sessao da As-
sembl6ia Legislativa, Alvaro Kzan, Jos6
Maria Chaves, Geraldo Palmeira, G6rson
Peres, Flavio C6sar Franco, Joao Reis e
mais 28 deputados nao identificados. (O
Liberal, 15 de abril). Dois dias depois, (17),
a Folha do Norte revelou que cada deputa-
do recebeu por aquelas poucas horas que
durou a sessao de cassago convocada
extraordinariamente, de modo desnecessi-
rio mais do que ganhava num mes.
Ana Diniz Jovem aluna de col6gio
cat6lico, respeitada no movimento estu-
dantil por sua intelig6ncia precoce, foi
presa acusada de contribuir corn o Mo-
vimento de Educacao de Base, coman-
dado, no Pari, pelo padre Aloisio Neno.
A Folha do Norte desrespeitou tamb6m
sua privacidade ao noticiar sua prisao, de
modo falseado, no dia 19 de abril, em
mat6ria de titulo "A jovem de 17 anos
era comunista", na qual revelava seu en-
derego complete.


Monumenta, sim:


"ma non troppo"


Com mais de dois anos de atraso, Be-
16m foi finalmente incorporada ao Pro-
grama Monumenta, que o Banco Inte-
ramericano de Desenvolvimento (BID)
e o Minist6rio da Cultura idealizaram
para restaurar os sitios hist6ricos urba-
nos do Brasil. Bel6m era uma das prio-
ridades do program, juntamente com
Sao Luiz, Recife, Olinda, Ouro Preto,
Rio de Janeiro, Salvador e Sao Paulo,
as cidades selecionadas para receber os
200 milh6es de d6lares da primeira eta-
pa do empreendimento, o maior j idea-
lizado at6 agora no pais nessa area.
Mas os desentendimentos entire a
prefeitura e o governor do Estado nao
permitiram que a capital paraense se
habilitasse no tempo regular previsto
pelo BID e o Minc. Como agora o pre-
sidente da Repdblica e o prefeito de
Bel6m sao do mesmo partido, Brasi-
lia decidiu atracar Bel6m ao progra-
ma, ji em curso, esperando que o go-
verno se incorpore A iniciativa. Por
isso as festas do 6ltimo dia 30, no Pa-
lacio Antonio Lemos, quando o minis-
tro Gilberto Gil entregou a Edmilson
Rodrigues a carta-convite de partici-
pagCo de Bel6m no Monumenta.
Como de praxe, a propaganda mu-
nicipal inundou a imprensa e o pdblico
de informag6es sobre a importancia do
ato. Em Bel6m o Monumenta destina-
rA cinco milhoes de reais para o proje-
to Boulevard, que integra o program
Ver Bel6m. O Boulevard prev8 a res-
tauragdo de 15 im6veis tombados pelo
Iphan, todos localizados na area de
maior concentragio de pr6dios hist6ri-
cos da cidade. Esti prevista tamb6m a
restauraqao das igrejas de Santana, do
Rosario, do Carmo e das Merces, e do
Palacete Pinho, al6m de virias pragas
e melhorias na parte el6trica de areas
do centro hist6rico.
Mas o Monumenta-BID nao se li-
mita a restaurar os centros hist6ricos
tradicionais, como os empreendimen-
tos convencionais. Ele inclui a revita-
lizacdo de toda a area atingida pelo pro-
jeto Boulevard (Cidade Velha, Campi-
na e Reduto), fomentando as ativida-
des culturais, o com6rcio e o turismo.
Tamb6m invested na melhoria das con-
dig6es de habitaq~o.
Nao param af as inova6oes do Mo-
numenta. O program requer uma


contrapartida dos poderes piblicos e
empresas privadas. Em terms naci-
onais, al6m dos 30 milhoes de d61a-
res do empr6stimo do BID, preve o
investimento de US$ 30 milh6es de
investimentos federais, a fundo per-
dido, mais US$ 20 milh6es de con-
trapartida dos Estados e municipios
e US$ 12,5 milh6es de patrocinios a
instituiqces e empresas privadas. A
esses recursos, hi a expectativa de in-
duzir US$ 75 milhoes de investimen-
tos privados, chegando aos US$ 200
milhoes do orcamento.
Paralelamente A intervenq~o restau-
radora nos sitios hist6ricos, o Monu-
menta se prop6e a atuar em educaq~o
e divulgagqo, promoqao turistica, ca-
pacitacqo e formaqgo de mao-de-obra,
reestruturaqo e fortalecimento institu-
cional. Mas exige das cidades que pre-
tendem se habilitar as suas verbas o
equilfbrio fiscal, capaz de lhe possibi-
litar assumir o compromisso pela con-
trapartida aos recursos do banco. O in-
teressado tem que demonstrar geracqo
de poupanqa liquida positive nos tres
iltimos balanqos publicados.
Nas festas e depois delas, como de
praxe, a prefeitura nao esclareceu os
pontos que permanecem obscuros so-
bre a execuqao do Monumenta em Be-
16m. O primeiro 6 6bvio: o governor
do Estado teri que ser co-participe do
program? Se essa cliusula continue
em vigor, por que o governor nao to-
mou parte nas festividades realizadas
durante o p6riplo do ministry Gil? Foi
justamente a falta de um entendimen-
to entire as duas esferas do poder pi-
blico que retardou a inclusao de Be-
16m no program.
Outro ponto a esclarecer 6 quanto
aos R$ 5 milh6es alocados. Evidente-
mente esse dinheiro nao dara para rea-
lizar sequer uma parte considerivel das
obras previstas pelo projeto Boulevard.
Se esses R$ 5 milhoes sao exclusiva-
mente do BID, dos governor national,
estadual e municipal, al6m da iniciati-
va privada, terdo que sair R$ 20 mi-
lh6es, a julgar-se pela proporgio esta-
belecida no program national. Al-
guem ja sondou esses parceiros com-
puls6rios? Ou, por enquanto, como se-
ria de se esperar de uma Refestanga, o
neg6cio 6 fogo de artificio?


1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jomal Pessoal










Agua e energia:



a nosso favor?


Escrevi o texto abaixo como
preficio para o livro Escritos
sobre a Agua, de Mayron
Regis, Rogerio Almeida,
Glenn Switkes e Bento Rixen
(F6rum Carajas, Sao Luis, 70
paginas, format pequeno).
Acho que pode interessar ao
leitor paraense.

Minha geraqao formou seu
conhecimento a respeito de
energia a partir de dois
pressupostos, premissas
ou, no seu extreme, principios. O pri-
meiro, econ6mico: energia 6 desenvol-
vimento. 0 outro, ecol6gico (avant la
lettre): a energia dos rios 6 a mais lim-
pa que existe.
Entre a assimilagco desse conheci-
mento e sua pratica, ocorreu, a partir
de 1973, com a elevaqao do preqo do
petr6leo, o choque da energia. O mun-
do se reciclou a partir da tomada de
consci6ncia de que a energia 6 cara e,
em algumas formas, as mais convenci-
onais, finita. A reciclagem nao foi exa-
tamente uniform e geral. O primeiro
mundo, que ter condigqes de se ante-
cipar as transformagqes hist6ricas, saiu
na frente. Tratou de transferir proces-
sos produtivos que exigem muita ener-
gia e agregam pouco valor ao produto,
naquela larga faixa intermedidria entire
a mat6ria prima e o bem industrial. Foi
o que nos coube: desperdiqar nossa
energia corn os semi-elaborados. Ficar
com o lixo do process e entregar o fil6
para os mercados ultramarinos.
Por conta dessa mudanqa, nossa
energia nao esti nos desenvolvendo
(pelo contrario, esta nos subdesenvol-
vendo) e seu custo ambiental esta che-
gando a patamares inaceitaveis, fran-
camente negatives. S6 os tributarios
da margem direita do rio Amazonas,
em territ6rio do Para, tem um poten-
cial energ6tico equivalent a metade
de toda a capacidade instalada atual de
energia do pais. Em funqao disso, o
Estado pulou rapidamente para a linha
de frente dos geradores e exportado-
res de energia.

Jornal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003


Tornou-se uma das provincias ener-
g6ticas nacionais (e internacionais, jA
que a quase totalidade da energia trans-
formada em mercadoria 6 mandada para
o exterior). Mas a energia, embutida em
bens intermediarios, s6 gera seu efeito
multiplicador no local de consume em
outro Estado ou em outro pais, mas
sempre fora do territ6rio amaz6nico.
Quinto maior produtor de energia, ter-
ceiro maior exportador, s6timo maior
exportador, segundo em saldo de divi-
sas, nono em populaqCo, o Para 6 16
em IDH (Indice de Desenvolvimento
Humano). De provincia, se tornou co-
lonia energ6tica.
Como a nova divisao international
do trabalho, moldada pela crise de ener-
gia, transferiu para as colonias e sat6-
lites os processes primarios de trans-
formaqao dos recursos naturais em bens
econ6micos, um ndmero cada vez mai-
or de empreendimentos eletrointensi-
vos se estabeleceu e continue a se esta-
belecer na Amaz6nia.
Quando a Eletronorte foi criada,
justamente no ano de 1973 (foi a pron-
ta resposta dos japoneses para uma
crise que ameagava as bases de sua
economic, aplicada a 20 mil quil8me-
tros do seu territ6rio, onde implanta-
riam uma fabrica de aluminio que su-
pre 15% de suas necessidades do me-
tal), o Pard precisava de uma usina de,
no maximo, 300 mil quilowatts para
tender sua demand com folga de
duas d6cadas. Mas a hidrel6trica de
Tucuruf foi projetada inicialmente
para 2 milhoes de kw, em seguida para
o dobro e, final, com a viabilidade,
para o quadruplo. A escala deixava de
ser amaz6nica para se tornar planeti-
ria. A Amaz6nia no mundo pela von-
tade unilateral do mundo.
O problema 6 que os volumosos rios
da Amaz6nia sao de planicie. Tendo
pouca declividade natural, para alcan-
gar o volume de energia requerido pre-
cisam ser represados por enormes bar-
ragens, que, por sua vez, acarretam a
inundaqao de areas extensas, em geral
cobertas por densa vegetaqao. Verifi-
camos que essas hidrel6tricas provocam
efeitos danosos a natureza e aos ho-
mens, de imediato e permanentemen-
te, sob a forma de desastre ecol6gico,
ou atrav6s da lenta destruiqao do equi-
librio da natureza. Estamos vendo que


a hidreletricidade nao 6 tao limpa quan-
to ela nos foi vendida por geraqces de
"barrageiros".
Essa novidade benfazeja da segun-
da metade do s6culo passado, a ecolo-
gia, nos permitiu ver o que, estando
diante dos nossos olhos, parecia estar
al6m da nossa percepcqo. Encarada
como modismo (e as vezes usada como
efetivo modismo), ela se infiltrou nos
calculos quantitativos, subvertendo-os,
para que aproximissemos os ndmeros
da grandeza do home, permeada de
subjetivismos e imaterialidades.
E uma conquista da qual nao pode-
mos mais abrir a mao: submeter a con-
tabilidade canhestra da engenharia e da
economic ao calculo mais profundo da
relaqao da obra fisica com o home e
o seu ambiente. O rio 6 muito mais do
que energia. Ele 6 a seiva da biodiver-
sidade e a fonte indispensivel da civi-
lizaqao amaz6nica.
Mas as vezes o combat da elucida-
9qo precisa comeqar no pr6prio terre-
no econ6mico. Nem o calculo mais ob-
tuso esta certo. A acentuada reduqao no
volume de aguas entire o inverno e o
verao reduz a pot6ncia firme das gran-
des hidrel6tricas abaixo do limited de vi-
abilidade, que 6 de 50%.
Para uma capacidade nominal de
4,2 milh6es de kw, a energia firme de
Tucuruf, na primeira etapa, 6 de 2,1
milhoes de kw. Para os 8,3 milh6es de
kw da segunda etapa, a m6dia sera de
3,3 milhoes de kw. Para manter uma
energia constant viavel sera precise
fazer novos aproveitamentos a mon-
tante, no rio Tocantins. O que signifi-
card reduzir o grande rio, o 250 maior
do mundo, a reserve de energia de
grandes consumidores, privilegiados
por tarifas subsidiadas. Tal destiny
esta reservado a segunda grande bacia
a ser aproveitada, a do Xingu, em es-
cala ainda maior.
Agua, energia e desenvolvimento
sao temas fundamentals para entender
o present na Amaz6nia e, tentando
corrigir seus erros e distorqSes, criar
um future melhor para a regiao, inver-
tendo a equaqao viciada que nos tem
sido imposta. E o desafio que os auto-
res deste livro procuraram enfrentar. A
tarefa 6 exigente e complicada, mas, se
nao a enfrentarmos, vamos nos conde-
nar a encerrar o ciclo da nossa geraqao
sem os referenciais do passado e sem
qualquer perspective de horizonte de-
cente e compensador, para n6s e para
os que nos sucederem. Nao teri valido
a pena viver numa regiao tao importan-
te, num perfodo da hist6ria tao excep-
cional, se nao formos capazes de legar
aos nossos sucessores um mundo me-
lhor do que o que recebemos.










Alcaide ataca ao seu estilo


Conheci Pierre Verger no final da d6cada
de 60, em Salvador. Desde entao me tornei
admirador do seu trabalho como fot6grafo e
etn6logo, e tamb6m da sua coragem de as-
sumir o que pensava e levar suas convicq6es
as iltimas conseqtiUncias. Por conhecimen-
to e viv6ncia, tornou-se uma das referencias
inevitaveis sobre a cultural brasileira, parti-
cularmente a participacgo africana na forma-
cao do nosso pafs.
Graqas a sua face de jornalista, tamb6m
nos legou inestimaveis testemunhos visuais
sobre o Brasil. Sua s6rie de fotos sobre o Ver-
o-Peso tem, ao mesmo tempo, valor documen-
tal e artistic inigualiveis. Essa combinaCao
de amplitude e profundidade, combinada com
uma capacidade de ser m6ltiplo (chegando a
alteridade, que lhe permitiu juntar em sua per-
sonalidade as cultures africana e europ6ia, fa-
zendo-o adotar um nome mais satisfat6rio, o
de Pierre Fatumbi Verger), se destacam na
vida e na obra desse brasileiro adotivo.
Por isso, foi com grande alegria que rece-
bi o convite para participar do seminirio Um
encontro com Verger, que se realizou no dia
30, como parte da exposiqao O olhar viajan-
te de Pierre Fatumbi Verger. Minha tarefa no
encontro, ao lado de outros tres expositores,
seria falar do context da imprensa brasileira
e paraense nos anos 40 e 50, da imagem da
Amaz6nia nas revistas, e sobre a condigao de
Verger fotojornalista, reporter da revista O
Cruzeiro, de passage pelo Pard.


Ao saber da minha presenqa no semini-
rio, o prefeito Edmilson Rodrigues vociferou:
nao a admitiria. Pessoalmente, fez o veto,
aproveitando-se da circunstancia do patroci-
nio do Museu de Bel6m, que 6 municipal.
Alegou que eu era um critico contumaz de
sua administration e certamente a atacaria de
novo, em mais essa oportunidade. O interme-
didrio no contato, constrangido, precisou me
"desconvidar".
A principio, aceitei a grosseria com espiri-
to olimpico, testado em tantos epis6dios se-
melhantes. Mas depois percebi o alcance do
interdito do nosso desenhista-de-parede (Adolf
tamb6m tinha digamos assim pendores ar-
tisticos): o ministry da cultural, Gilberto Gil,
estaria na mesa-redonda, sacramentando a tar-
dia, pequena e ainda pouco esclarecida parti-
cipaCio de Bel6m no projeto Monumenta.
O alcaide, que nao se da bem corn a criti-
ca, ficaria ainda mais incomodado se, even-
tualmente, a gestao cultural do seu governor
fosse criticada e o urubu, travestido de pa-
vao, fosse desmascarado em suas verdadei-
ras penas. Era precise, portanto, colocar o
indesejado para fora da festa. Sem piedade e
sem atropelo maior, ja que a vontade do che-
fe prevaleceu sobre as regras de educaqao,
civilidade, democracia e compostura.
Mas tudo bem: nem a gl6ria de Verger sera
perturbada, nem eu me sentirei menor do que
sou. O gigante 6 que, mais uma vez, revela
seu traco identificador: o dedinho.


Qual dos PTs saiu ganhando?


Quem ganhou na ocupago dos dois princi-
pais cargos da administraqao federal na Ama-
z6nia: o PT do Acre, que ficou com o Basa, ou
o PT do Para, a quem coube a ADA (a Agencia
de Desenvolvimento da Amaz6nia)? A resposta
comporta variag6es, mas uma coisa 6 inquesti-
onavel: o governador Jorge Viana, o politico da
Amaz6nia com trAnsito mais facil junto ao pre-
sidente Luiz Inacio Lula da Silva (reforgado
pelo irmro, Tiao Viana, lider do governor no
Senado), nunca cobigou a ADA. Seu alvo sem-
pre foi o Banco da Amaz6nia.
0 PT paraense, que a principio parecia em
condiq6es de pleitear as duas posigoes, foi des-
pachado para dois cargos na diretoria do Basa e
s6 conseguiu a confirmaclo da ex-deputada
Maria do Carmo Martins dias depois da posse
de Mancio Lima. E quando o superior dela, o
ministry Ciro Gomes, ji comeqava a admitir que
a Sudam poderia ressuscitar. A volta da Sudam,
extinta em 2000, significaria que a ADA pode-
ri ser extinta ou entdo said enfraquecida, numa
nova recomposiqio institutional.


Enquanto a situaqo da Sudene parece consoli-
dada, sem nenhuma possibilidade de desaparecer,
a indefniqio sobre o 6rgao do desenvolvimento
amaz6nico langa uma sombra sobre o papel que a
ADA poderi desempenhar e, por conseqiuncia,
a importfncia da atuagao de Maria do Carmo. Ja
em relaqo aos bancos regionais, a situaqao 6 in-
versa: Ciro Gomes criticou abertamente o Banco
do Nordeste, por manipular os recursos do FNE
(Fundo Constitucional de Financiamento do Nor-
deste), usando-os como capital de giro. Nenhuma
palavra sobre o Basa. Nao caberia?
Pessoas ligadas ao grupo acreano dizem que
Jorge Viana esta convencido que o Basa sera
mais important para a political regional do que
a ADA, principalmente se o banco conseguir
abrir linhas internacionais de financiamento e
emplacar a imagem de bancoo verde", que Man-
cio Lima quer estabelecer. De qualquer manei-
ra, por6m, o tortuoso process de preenchimento
dos cargos e os nem sempre visualizaveis cri-
t6rios de escolha dificultam a identificaqao de
uma marca Lula na Amaz6nia.


Expansdo

Apesar de estar em
franca expansao e
comemorar uma
administraqao eficiente,
que bate records de
producao e
produtividade, os
nmmeros do p6lo de
alumina e aluminio de
Barcarena, o maior do
pafs, de dimensdo
international, sao
preocupantes. Os
prejuizos registrados no
ano passado por Albris
(184 milh6es de reais) e
Alunorte (R$232
milhoes) somaram quase
R$ 417 milhoes. Os
prejuizos acumulados
pelas duas empresas,
que havia sido de R$
990 milh6es em 2001,
subiu para R$ 1,4 bilhao
no ano passado,
praticamente iguais (R$
691 milhoes da Albris e
R$ 700 milh6es da
Alunorte). 0 exigivel a
long prazo, de R$ 2
bilh6es em 2001,
chegou a R$ 2,6 bilh6es
em 2002, com uma
elevagdo de 65% no
exercicio na Alunorte,
que passou de R$ 1,5
bilhao.
Esses numerous
desfavoriveis se devem
a variaqdo cambial e aos
investimentos que as
duas empresas fizeram,
principalmente a
Alunorte (que dobrou de
tamanho e vai duplicar
outra vez), para
expandir sua capacidade
de produgao. A despeito
dessas circunstancias,
fica a constatagio de
que o ciclo de
endividamento e
prejuizo 6 continue para
que a producao aumente
na busca de
rentabilidade em
competicqo com os
precos relatives
instaveis e decrescentes
do produto. Ou seja: o
p6lo gira para morder o
pr6prio rabo.


1 P1" QUINZENA/MAIO DE 2003 Jomal Pessoal










Porto a deriva


No dia 7 de marqo o Minist6rio dos
Transportes suspended o process de
transferencia para o governbo estadual
dos oito portos administrados pela Com-
panhia Docas do Para, que havia sido for-
malizada atrav6s de convenio assinado
em dezembro do ano passado pelo presi-
dente Fernando Henrique Cardoso e o go-
vernador Almir Gabriel, a 15 dias de en-
cerrarem seus mandates. O ministry An-
derson Adauto justificou a media argu-
mentando que o modelo de gestdo da
CDP ainda nao havia sido suficientemen-
te discutido com a sociedade e que o pr6-
prio governor federal tinha, no mfnimo,
ddvidas a respeito.
Um mrs depois o ministry dos trans-
portes submeteu ao chefe da Casa Civil
da Presidencia da Repdblica, Jos6 Dir-
ceu, os nomes dos novos diretores da
CDP, indicados pelo pr6prio Adauto. No
dia 22 de abril as indicaqces foram apro-
vadas por Dirceu e o ministerio convo-
cou uma assembl6ia da empresa para ele-
ger os novos diretores. Dois dias depois,
por6m, a Casa Civil voltou atris. Num
lac6nico comunicado, determinou a sus-
pensto da assembl6ia e do preenchimen-
to da diretoria da CDP. O quase-ex-novo-
outra-vez president, Rogdrio Amado
Barzellay, que pela segunda vez ia assu-
mir o cargo, teve que voltar atris. O pr6-
ximo capitulo dessa 6pera-bufa ainda nao
6 conhecido.
Qualquer cidadio confrontado corn
esse enredo tragic6mico haveri de pensar
que a presidencia da CDP 6 o mais impor-
tante e cobiqado cargo da administragqo
federal no Pard, a despertar cobiqa e pro-
vocar paixdo na sua dispute. Nos tiltimos
anos, o preenchimento da diretoria da


empresa tem sido um jogo de cadeiras,
sujeito a lances histri6nicos, mais do que
um cabo-de-guerra, no qual a forga 6 me-
dida abertamente, sem truques.
Ao que parece, nao esta propriamen-
te em questao a competencia dos dirigen-
tes ou a anteposiSqo de pianos de aqao
para uma empresa problemitica, cujos ar-
marios abrigam os mais variados e sur-
preendentes esqueletos. A comeqar pela
incapacidade de definir o sistema portu-
ario estadual, dotado de integraqco, si-
nergia e efici8ncia, sem que uma parte se
encoste na outra e viva das migalhas dos
dois portos inegavelmente rentaveis (Vila
do Conde e Miramar), mas nao necessa-
riamente bem geridos, e se prejudique na
problemitica administraqco geral. Inclu-
indo essa comedia dell'arte que 6 a Esta-
qao das Docas, na qual o Estado nao paga
os alugudis dos tr8s armaz6ns a CDP e
esta nao quita sua divida de IPTU com a
prefeitura. Um faz-de-conta que nao tem
fim (quanto ao comeqo, todos fazem
questao de apaga-lo).
Nessejogo s6 para iniciados, 6 dificil
visualizar os gatos pardos que deslizam
como pretos pelos tetos de zinco quente
ou tirar o gato da tuba. Agora quem tem
a jurisdigao sobre a CDP 6 o PL. Des-
confia-se que nao 6 pelos mais elevados
interesses coletivos que o partido entrou
no antigo imbroglio, inaugurado por de-
savenqas entire o PSDB e o PMDB e re-
novado pelo PT. Barzellay, por exemplo,
seria home de Jader Barbalho no pri-
meiro confront. Agora, se assemelha
mais hquele senador de grandes bigodes
e casacdo antiquado, de cantor de bole-
ro, mas especialista em agir sem apare-
cer. O PT, ainda ne6fito nas sutilezas do


poder, mas que pretend exerce-lo para
valer, mesmo que batendo cabeca, gin-
gou para os dois lados e equilibrou na
in6rcia. Quem a romperd agora?
Se nao for por mais um lance de saga-
cidade dessas raposas antediluvianas, tal-
vez venha a ser quebrado pelos proble-
mas que se vao acumulando no dia-a-dia
das pessoas que efetivamente trabalham e
necessitam dos serviqos portuarios, ou
deles dependem para sua sobrevivencia.
De sua parte, o governor federal nao deu
um sinal sequer de que seu interesse pelo
setor se reavivou. Ja o governor estadual,
que criou uma companhia cor o objetivo
de absorver as concess6es da CDP, na sua
primeira incursao no setor, cor a Enasa,
se notabilizou mais por liquidar de vez o
deteriorado patrim6nio recebido, alienan-
do navios e descurando servigos, do que
por uma aqao revitalizadora num setor cuja
vitalidade contrast cor a inciria dos seus
gestores publicos.
Problems ha e de sobra. Nao sdo
insoldveis, nem bichos de sete cabeqas.
Mas s6 p-odem ser resolvidos se forem
enfrentados e enfrentados com o que
tem faltado: competencia e verdadeiro
espirito pdblico. Enquanto permanece a
indefinigao, os exportadores, maiores
prejudicados pelo descaso e as confu-
s6es political, ameacam colocar mdqui-
nas na rua para protestar e chamar a aten-
qao para o colapso do porto de Bel6m,
produzido mais pela agco negative do
que pela decisao positive.
Nem precisam: as vias de acesso ao
porto ji estdo congestionadas de cami-
nh6es com madeira e conteineres como
nunca antes. Mais um pouco de jogo de
Salom~o e o blecaute sera natural.


PIor Iever de ridT o, este r I. 20 ns ar e 1I4 n. ia1'S I61-1in

[istrtIi ioa el!i~i lamnt an~i mort dem S g~ Va ] | li- r ia uanedbaen AsmliaLe- t [iliainingol, nenur IhU e fe.zi rna r
J or Psoal n Q I A D. 23 e u a




ane do se *4einnofzacre- S gi abmm advapqea u nreiecoo.Fy sergsr
ti s. priet s sor as Sntra Sa e benecia ats ln ecr~sps oaoplsba eirna s e

*u faaa At6 hoj enonr oent -u *.*sgur *o I ~~tC loisoa ~-o o t in eplods




Journal Pessoat P) QUINZENA/ABRIL DE 2003 1










MEM6RIA DO COTIDIANO


0 pai do

colunismo

social


Armando Pinheiro pode ser
saudado como o pai do colunismo
social modern no Pard. De um
tipo de colunismo que ainda man-
tinha as caracteristicas de cr6nica
social do passado, mas inclufa tam-
bem noticias mais objetivas. Ar-
mando, que ji foi tema desta se-
qao, transformou-se em colunista
da Folha do Norte por estimulo de
Haroldo Maranhao, neto do lendi-
rio Paulo Maranhao, dono e prin-
cipal redator do journal. Fiz uma
seleqao das colunas de Armando
Pinheiro, publicadas em 1955,
montando um painel de notas que
ajuda a dar o tom da vida na cida-
de das mangueiras daquela 6poca.
Uma de suas criacqes, o papagaio
Juju, um constant interlocutor,
parece um antepassado do Louro
Jos6, de Ana Maria Braga.
Reproduzo uma das colunas de
Armando, com fotos das senhoras
Luiz Cacciatori e Jdlia Moura Car-
valho (esta, recentemente faleci-
da), e o casal Deusdedith (Maria
Eunice) Dantas Ribeiro, persona-
gens que animavam o high-socie-
ty da Bel6m de antes da integra-
9go national.
* O senhor R6mulo Maiorana vai
langar, dia 10 de dezembro, a sua
revista "Socaite" conforme esta
coluna divulgou em primeira mao.
O responsivel pela "Sociedade"
das FOLHAS escreveri duas pdgi-
nas inteiras sobre o nosso "cafe
society". Cor fotos, fatos e fitas.
Nio escolhi, ainda, o titulo. Mas
aceito sugest6es. E s6 mandarem.
* Informo que nao escreverei na
revista "Socaite". Este colunista 6
exclusive das FOLHAS. Desculpe-
me o senhor R6mulo Maiorana nao
poder colaborar com ele nesse em-
preendimento jornalistico, que
merece o nosso apoio.
* Em grandes neg6cios industrials
os senhores Ant6nio Farah e Salim
Chady.
* De passage pela cidade e rumo
a Manaus o industrial Adalberto do
Vale. Posso informar que o referi-
do senhor voltard da capital ama-
zonense em seu luxuoso iate.
Aquele que pertenceu ao cineasta
Cecil B. de Mille e que hoje esti
incorporado ao fabuloso patrimo-
nio do senhor Adalberto do Vale.
* Encontrei o senhor Cunha Gon-
qalves. Falamos sobre diversas


coisas. Inclusive
do boato maldoso..
com que certas.
pessoas querem,
jogi-lo contra o
colunista. Escld-
reqo que o jovem
senhor Cunha
Gongalves 6 meu
particular amigo e
jamais escrevi
nada que afete a
sua personalidade.
Somos amigos.
* Estou informado
de que certo senhor
anda procurando
amigos do colunis-
ta e dizendo coisas.
Alias, ele ji 6 co-
nhecido como ab-
soluto em intrigas e
venenos. Por isso 6
insignificant at6
no tamanho. O
nome dele? Voces
conhecem...
* No "hall" do Gran-
de Hotel o casal
Azulay. Muito nota-
da a elegancia da se-
nhora Raquel Pazue-
lo Azulay.


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S.i. n If _** l -i eTC. C a* .. *r* -* -
i.. CweeMle frUnI.. es*~ li.. CC )- I C*
..ee eIflt ** W I..fC L ,.e .0

r..t l UCC.- fIMk 4 ne W S a ,-
4*! SH.S 55 *ie *.d..iea& t j d i* -
*. teti l, t *.. .^ hi C -- ..oe a.

P4- I nlr .0 ..e. i. C .
4* a..n..& r... .-- ..i -. ae
4.l~k ir S I i

-- -
"..." '": """~ 1 IL" II ~ C-LI I


Juju, a nossa bonita Miss Para esti
cada vez mais elegant e bela.
* 5' feira aconteceri uma reuniao
intima na resid8ncia do senhor co-
ronel Athos Botelho. Parece que
surgirA pif-paf ou canastra. Irei.
* Ja esti no "States" o senhor Sin-
val Cardoso. Aconteceu um co-
quetel de despedida. O senhor Sa-
muel Mois6s Levy reuniu figures
do "society" na bonita piscina do
seu "Rancho Calif6rnia". De noi-
te. E Ribamar, Neusa Maria e An-
t6nio Vestane animaram a noite
decididamente encantadorivel.
Todo o mundo foi ao aeroporto.
Jd era madrugada. Sucederam-se
"bye-bye" e o "super" G. Conste-
Ilation" levantou v6o levando a
bordo o senhor Sinval, que tam-
b6m 6 Cardoso.
* No Grande Hotel grande "bate-
papo" com o senhor Luiz Cacci-
atori e o president Wanderley
Normando. Falou-se em Manuel
Bandeira e Vinicius de Morais.
Poesia. Enquanto meu bom ami-
go senhor Haroldo Maranhao co-
mentava casos e coisas dos mai-
ores escritores brasileiros. Nes-
sa ocasiao, fiquei conhecendo a
senhora Marie Chantal. Um per-
sonagem parisiense que 6 noticia
obrigat6ria nos "magazines" de
todo o mundo. Sao palestras as-
sim que nos trazem conforto es-
piritual. E intellectual.


* Hoje 6 dia do Autom6vel Clube,
onde o "grand mond" se reine para
os mais elegantes souper.
Na terrasse do Grande Hotel o se-
nhor comandante Thomaz Filho...
Positivamente acompanhado de
duas senhoritas. Mas o nome de-
las eu nao conto.
* JA regressou do Mosqueiro a ele-
gante senhorita Leila Stela Porto
de Andrade. Esteve praiando e ele-
gantecendo "Chapeu Virado".
* Certa senhorita (que ji foi noti-
cia constant desta coluna) esti
usando decididamente toalete pre-
ta. Ira transformar-se em "dama de
preto"? Nao creio.
* No Gabinete do prefeito Celso
Malcher o senhor Otivio Mendon-
qa. Decididamente elegant.
* O Sunday Afternoon Club reali-
zard hoje, as 20 horas, uma bonita
festa. Acontecerao brincadeiras
originals. Festa tipicamente ame-
ricana.
* Encontrei no Grande Hotel o se-
nhor C16o Bernardo cercado de
amigos. Falou-se de esporte, polf-
tica e imprensa. Enquanto o senhor
Milton Barata mantinha um "vai-
e-vem" ao telefone insistentemen-
te. Posso garantir que era para avi-
sar em sua residencia: "ji vou"...
* Juju viu a senhorita Gilda Me-
deiros jantando em companhia de
um jovem senhor. No Grande Ho-
tel. Amistosissimos. E segundo o


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0 edificio

de Camilo


Camilo Porto de Oliveira,
chefe de um escrit6rio de
engenharia que levava seu nome
(estabelecido na avenida Braz de
Aguiar, 231, telefone 3473), nao
foi apenas o autor do projeto do
edificio Gilberto Mestrinho,
construido na Praca Batista
Campos, em pleno uso
atualmente: ele tamb6m foi o
garoto-propaganda da peca de
lanaamento da obra, ha quase 40
anos, em dezembro de 1963. Na
mensagem reproduzida no
an6ncio, ele diz que projetou o
pr6dio levando em consideraqao
"os mais modernos conceitos
utilizados no planejamento de
edificios de habitag6es
coletivas". Procurou dar aos
apartamentos "uma total
independencia entire as tres parties
que comp6em uma residencia, ou
sejam, a social, a intima e a de
serviqo, solucionando assim o
problema de circulaqio internal,
dentro deste principio bdsico,
com todas as peas amplamente
iluminadas e ventiladas".



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