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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
sobekcm - AA00005008_00249
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00249

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omal


Pessoal


A AGENDA AMAZONICA DE LOCIO FLAVIO PINTO


2O QUINZENA
ABRIL
DE 2003


POLITICAL


Jatene e Edmilson reuinem.

Almir e que sai perdendo

Depois de varios anos, o governador do Estado e o prefeito da capital voltaram a se reunir. 0
encontro foi risonho e franco. Os dois anunciaram obras comuns em proveito da populagio. 0
tnico que ficou mal na foto colorida foi o ex-governador Almir Gabriel. Mais ranzinza e
intolerante do que nunca, embora a distincia e, agora, passivamente.


D epois de travarem sua
batalha de Itarar6, aquela
que ficou famosa por nao
. ter havido, o govemador
SSimro Jatene, do PSDB, e o prefeito
de Bel6m, Edmilson Rodrigues, do
3V3, safram do primeiro encontro
mantido nos jiltimos anos entire as
G6'


. ;


duas principals autoridades plblicas
no Estado, no dia 9. Depois de quase
quatro horas de conversa, cada um
proclamou a pr6pria vit6ria, embora
ela pudesse ser comparada A de Pir-
ro, aquele que ganhou mas nao levou.


ANO XVI
N 300
R$ 3,00











No balango de ganhos e perdas seria
dificil identificar quem saiu realmente
vencedor. O que estava em causa era
pequeno, principalmente se compara-
do ao que foi deixado para depois ou
continuou sua trajet6ria conflituosa.
A agenda da reaproximaqCo entire
os dois maiores adversarios na atual
arena political paraense foi preparada
para render mais dividends
simb6licos do que lucros reais. Na
verdade, foi um golpe de marketing.
Cada um dos lados reivindicou para si
os m6ritos da pacificacqo entire as duas
mais expressivas forqas eleitorais.
Quem tomou a iniciativa concrete foi
o governador tucano, que props o
encontro em oficio enviado ao Palacio
Ant6nio Lemos, no dia 3.
Mas a assessoria do prefeito nao
deixou por menos. "A iniciativa do
encontro partiu do prefeito, que
manifestou informalmente e atrav6s
da imprensa seu interesse em reunir
com Simao Jatene ainda emjaneiro",
assegurou um comunicado da
Comus, a assessoria de comunicaqdo
social do municipio.
Independentemente do exame do
DNA para identificar o pai da
pacificag~o, a conta do prejuizo, que
a rivalidade entire os dois grupos tern
causado A populaqCo da capital. foi
passada para o passive do antecessor
de Jatene, o seu correligionario Almir
Gabriel. O hist6rico (ainda que
an6dino) encontro s6 aconteceu
porque Jatene mudou a postura no
Palacio dos Despachos. Se li,
anteriormente, o nome do prefeito
vermelho provocava urticirias s6 ao
ser pronunciado, a admissao seguida
de viabilizacqo do didlogo 6 m6rito
do atual governador. Se fosse um
successor linear de Almir Gabriel,
Jatene teria mantido a guerrilha
travada entire os dois grupos.
Por que a mudanca? Certamente por-
que Simao Jatene esta atras de sua iden-
tidade. De criatura, quer se transformar
em criador. Nao pretend ser apenas um
caudatario dos projetos de Almir
Gabriel, o que o exporia desde ja ao
risco de um dnico mandate de
governador. O caminho da reeleicgo
ainda 6 long, mas Jatene esta


mostrando disposicio para chegar no-
vamente ao ponto de largada em 2006.
As cenas gravadas durante a longa
audiencia, mostrando afabilidade entire
os lideres dos dois grupos politicos, que
antes se engalfinhavam por qualquer
pretexto, incapazes de criar um canal
de comunicagqo para servir ao interesse
pdblico, devem ter levado os paraenses
a admitir que agora hd um verdadeiro
gestor da coisa p6blica no Palacio dos
Despachos, sem 6dios ou preconceitos.
A marca de Jatene passa a ser a do
didlogo, da descontraqao, da verdadei-
ra causa pdblica, acima das condicio-
nantes partiddrias ou ideol6gicas (sua
presenga ao lado do president Lula,
dias depois, di um reforqo national a
essa imagem.
Atrair Edmilson Rodrigues a sede do
governor estadual tamb6m teve o pro-
p6sito de privar o PT de uma bandeira
de campanha para os palanques da
eleiq~o municipal do pr6ximo ano.
Seria muito c6modo aos petistas acusar
os tucanos de'devolver o poder aos
carcomidos lideres do PMDB, a frente
o deputado federal Jader Barbalho,
fazendo a ma imagem do ex-ministro
contaminar as fileiras do PSDB.
Mas se Jatene recebeu Jader, tamb6m
Edmilson j esteve em seu gabinete. Ora,
se 6 para o bem de todos e a felicidade
geral do Estado, por que excluir grupos
e correntes? Afinal, o povo unidojamais
ser~ vencido (embora, 6 bem verdade, o
povo se reduza as meias ddzias de gatos
pingados de sempre, no comando do era-
rio e da caneta de nomeaqo e demissio
de funcionarios).
Do encontro espalhafatoso do dia
9 podem vir a surgir resultados
concretos e at6 positives mas nada
que va al6m do nivel cosm6tico, da
perfumaria. Provavelmente quando
chegar aos pontos nodais de
diverg6ncia, a entente estanque. E cla-
ro que ha uma salutar evoluqdo quando
a attitude intolerante 6 substitufda pela
postura civilizada. Esse avanqo lustra
ainda mais a image de Jatene em
oposiqao a de Almir e mesmo de
Edmilson, como se vera na hora devida,
a de bater chapas. Os arquivos, nesse
moment, serio muito usados.
Essa sensagqo de ganho result
menos da conquista efetiva do que da
constatacgo sobre o estado de


primitivismo que vinha
caracterizando a relagqo entire os
chefes de grupos politicos. Qualquer
conquista passa a ser bem-vinda,
mesmo que venha se revelar apenas
fogo-fatuo. Ainda nessa perspective,
o governor Jatene cria um contrast
marcante em relaCao ao seu padrinho.
De imediato, sem precisar de maior
consult, o govemador determinou A Co-
sanpa para viabilizar o tdnel da Bandeira
Branca, que devera dar alguma sentido
ao atual elevado, ainda uma decoraqgo
de pouco uso na area. A deducao
imediata 6 de que se Almir Gabriel vetou
esse complement municipal, alegando
que ele era incompativel cor a adutora
de agua da cidade, ou Jatene esta sendo
irresponsavel agora ou Almir foi apenas
rabugento e raivinha antes.
Enquanto acumula muniqco no paiol
de marketing para 2004, Jatene vai ati-
rando mais nos antigos aliados do que
nos adversarios. Conquistada a cadeira
de governador, ele parece estar
convocando a todos, veterans e
ne6fitos, a refazer o compromisso de
lealdade e subordinaqo, ja agora h sua
pessoa e nao mais A do antecessor.
Talvez por isso 6 que enquanto um
grupo vai se sentindo mais em casa,
outro comeca a perceber a perda de
terreno. Sem falar que peemedebistas,
pefelistas e at6 os "neo-verdes" do
secretrio Jos6 Carlos Lima est~o mais
confortaveis no poder estadual do que
muito tucano, sobretudo os que estavam
mais pr6ximos a Almir Gabriel.
Bem sintomAtico 6 o
encurtamento das r6deas do amplo
poder de que antes desfrutava o
secretario de cultural, Paulo Chaves
Fernandes, o favorite do rei que se
foi. Quem passa pelo Parque da Re-
sidencia ja senate o forte cheiro de
fritura, que nao vem da bem
abastecida cozinha do chefAlipinho,
mas do vizinho gabinete do imperial
secretario. Ao que parece, ou ele se
enquadra nos parametros do novo
poder, ou seus dias de gl6ria estario
contados. Paulo Chaves parece estar
se tornando uma esp6cie (mal
comparando) de Sao Jodo Batista, a
mercer dos caprichos de uma Salom6
mutante, catando cabeqas para cortar
em favor da pedagogia do exemplo.
A temporada promete.


1) 1' QUINZENA/ABRIL DE 2003 Jornal Pessoal










0 parto do nascimento



da Vale do Rio Parai


Se defender da Companhia Vale do Rio
Doce, o Pard continuard a crescer
aceleradamente em terms quantitativos,
mas o ganho qualitative sera baixo. As
curvas do crescimento econ6mico e do de-
senvolvimento human, nessa progressto,
continuardo a seguir a trajet6ria atual:
distanciando-se um do outro.
Este pode ser o resume do primeiro
debate piblico da empresa depois de
desencadeada a polemica em toro do p61o
siderirgico de Sdo Luis. O encontro
ocorreu durante uma sessio especial
convocada no dia 14 pela deputada Sandra
Batista, do PC do B, para o audit6rio da
Assembl6ia Legislativa, em Bel6m.
A Vale nio ignora que a expansio das
suas atividades nio esti resultando em
ganho relative para o Estado. A empresa
paga pouco imposto por causa dos
incentives a exportaqdo, absorve apenas
uma pequena parcela da mdo-de-obra que
atrai ao se instalar em areas pioneiras, cria
enclaves a partir de pesados investimentos
em infraestrutura e tecnologia para
adquirir competitividade international e,
ao arrastar consigo cultural criada e
desenvolvida ha bastante tempo em outras
areas, tern sido impermeivel ao jogo de
reivindicaq6es e presses locais.
Diz, por6m, que esta disposta a
participar de qualquer esforqo para mudar
ou minimizar essa situacqo. S6 que, como
mineradora, garante ser pequena sua
possibilidade de agir diretamente na
cadeia produtiva de transformaq~o das
mat6rias primas e insumos bisicos que
gera. Esti presa a circuitos mundiais de
com6rcio e h sua pr6pria especializacgo.
Se ampliar sua participaqio em
empreendimentos industrials, como na
siderurgia, pode se tornar concorrente dos
seus clients. A conseqtiincia 16gica seria
perder esses clients, sem garantia de
compensaqgo no novo neg6cio.
Impossibilitada, assim, de dar respostas
mais efetivas a aspiraqgo paraense de
verticalizaq~o da mineraqgo, a empresa
pode oferecer seus pr6stimos para atuar
como indutora e parceira em outros
stores. Na sessao especial da AL, a inica
proposta concrete apresentada pelos
representantes da CVRD foi a criaqdo do
"arco de desenvolvimento sustentdvel".
Esse projeto seria executado
exatamente na area de 500 mil quil6metros
quadrados que, por ter sofrido a mais
intense aqgo humana, nos limits de
entrada na Amaz6nia ou na sua semicir-

Jornal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003


cunferencia sudeste, foi batizada de "arco
do desmatamento". Quase 40% dessa
superficie, equivalent ao dobro do Estado
de Sdo Paulo (do tamanho do Iraque), foi
desmatada. Quase metade da area ocupada
pelo colonizador foi por ele abandonada,
por apresentar rendimento decrescente ou
deficitario, al6m de problems ecol6gicos.
A Vale se disp6e a se associar ao governor
para desenvolver nessas areas novas
atividades econ8micas, dotadas de susten-
tabilidade.
Uma das mais indicadas seria o
reflorestamento. Nos 30 mil hectares que
reflorestou com eucalipto a partir de 1992,
na area da ferrovia de Carajas, a Vale ja
alcanqou produtividade de 40 metros
cibicos por hectare ao ano e espera atingir
60 m3, batendo qualquer outro
concorrente no pais. O reflorestamento
forneceria mat6ria prima para a produqao
de carvao vegetal, que alimentard as
guseiras, impedindo-as de ficar sem
suprimento para suas necessidades e
evitando que elas sejam uma fonte de
destruiqgo ecol6gica em toda a sua area
de influencia. O parque siderdrgico de
Minas Gerais emagreceu justamente por
dificuldade na produgqo de carvdo vegetal.
Carajas ja responded por um quarto da
produqao national de gusa.
Mas se a CVRD concretizar a
anunciada associaqdo com a americana
Nucor, deixando de ser apenas
fornecedora de min6rio de ferro para ser
tamb6m produtora de gusa, provavelmente
engolird todas as usinas isoladas de
Carajas dadas as gritantes diferenqas de
tamanho e poder. Foi o brado dado pelo
representante da Federagco das Inddstrias
no debate. Luis Carlos Monteiro falou
tamb6m como produtor de gusa, na
qualidade de president da Cosipar. Agiu
em causa pr6pria, 6 claro, mas suscitou
uma situaqdo que leva a uma questdo de
fundo decisive: quem pode regulamentar
a atua~qo da Vale?
A empresa, como os nimeros mostram,
6 maior do que o Estado. Maior tanto por
sua geraqgo de caixa e por sua taxa de
lucro correspondente aos recursos de
investimento do governor como por sua
expertise. 0 Estado nao tem sido
interlocutor a altura da maior empresa em
atuaCio no seu territ6rio. Mais porque nao
se aplica adequadamente para
desempenhar o papel que lhe cabe do que
pelos efeitos dos estratagemas da Vale.
Eles existem, mas nao seriam tdo


eficientes se a empresa estivesse diante de
uma verdadeira autoridade.
Como 6 muito facil atacar a CVRD,
mesmo com arguments frigeis, o
conteido 6 deixado de lado em favor da
demagogia ou da irresponsabilidade.
Como se julga forte o bastante no escaldo
mais alto e poderoso da Reptiblica, a Vale
nem se da ao trabalho de responder e
contraditar. Nesse didlogo de surdos-
mudos, os espertos, maliciosos e
audaciosos se dio bem. O Estado e seu
povo acabam mal. Apenas balangandis,
miqangas e paetes atenuam o prejufzo. E
tamb6m alguma coisa por fora,
naturalmente.
Em mais um epis6dio de curto-circuito
nas relaq6es cor a empresa, o governor
recorre a uma consultoria extera para se
armar. Ainda que a consultoria fosse
competent e adequada ao caso, sem a
menor sombra de comprometimento ou
parcialidade, a conquista obtida por essa
ajuda sera sempre efrmera, tinue, ilus6ria.
O Estado tem construido castelos de areia
na praia da mineraqgo e suas extensoes
industrials, entire n6s nada mais do que
miragens de oasis. No process da decisdo
tern prevalecido ojus imperium do chefe,
sujeito a todos os tipos de variaqio e
interferencia.
Na iltima consultoria externa a que
recorreu, o Estado foi servido por dois
not~veis, contratados pela CVRD para
fazer a projeqgo das alternatives de
desenvolvimento paraense. 0 resultado
foi pifio, sem justificar as merecidas
famas de Eliezer Batista (sobretudo
dele) e de Raphael de Almeida
Magalhies, que comandaram o trabalho.
Mas foi recebido corn festas pelo entao
governador Almir Gabriel. Nao sem
motivo: final, o relat6rio dizia quase
tudo o que sua excelencia queria ouvir,
dando razao ao seu projeto do "Novo
Pard", tdo novo quanto o que foi
aplicado na Africa e na Asia, com os
resultados que qualquer estudante esta
em condiq6es de saber.
O que falta, agora que a empresa se
despe um pouco da sua arrogancia e se
predispbe a conversar, 6 dizer a
Companhia Vale do Rio Doce o que 6 o
Pari, o que pretend alcanqar e o que
espera (ou determine) que a empresa
faqa para se ajustar a um novo modo de
desenvolver o Estado, nao mais o do
crescimento como rabo de cavalo:
sempre para baixo.











Mato Grosso


quer ever a


fronteira

A ji antiga guerra de fronteiras
entire o Pard e Mato Grosso parece que
vai esquentar de novo. O governador
de Mato Grosso, Blairo Maggi, de um
partido aliado do governor federal, o
PPS, esti tomando a iniciativa de
defender os interesses do seu Estado
em todas as frentes de contencioso
com o Para, que ainda nao se
manifestou a respeito. Maggi ji
manifestou a intenqgo de acelerar a
demarcaqao official da linha de
fronteira, usando como instrument
um convenio assinado entire os dois
Estados, no inicio da d6cada de 80,
para a demarcagco. A area em
discussao abrange quase 2,5 milh6es
de hectares. O governor de Mato
Grosso esta disposto a demarcar
oficialmente a linha de fronteira, por
iniciativa pr6pria e de forma
unilateral, se o Pard nao aderir ou nao
se pronunciar a respeito.
A populaqao matogrossense da area
de litigio diz ter sido prejudicada pela
falta de vontade political do governor
anterior, de Dante de Oliveira, do
PSDB. Com o agravamento dos
prejuizos econ6micos resultantes da
indefinicqo geografica, o que eles
classificam como "o Nortao de Mato
Grosso" estaria se inviabilizando
economicamente. Os mais
prejudicados seriam os pecuaristas.
Como supostos habitantes do Para,
que ainda nao 6 considerado area livre
de aftosa, os fazendeiros da region nao
podem exportar came para os pauses
europeus. A16m disso, como s6
possuem titulos de terra expedidos
pelo Instituto de Terras de Mato
Grosso (Intermat), virios outros
proprietirios estavam impedidos de
obter financiamento porque os bancos
n~o consideram vilidos os
documents de Mato Grosso.
A fronteira entire Mato Grosso e
Pard foi definida em 1900, atrav6s de
uma convenqgo firmada entire os dois
Estados e o governor federal, com
base nos levantamentos feitos A 6poca
pelo marechal Candido Rondon. Na
ocasiao, foi definido como ponto de


partida para essa delimitaqco a
margem esquerda do rio Araguaia,
no extreme esquerdo da Ilha do
Bananal, e o Salto das Sete Quedas,
no Rio Teles Pires.
A polemica comegou em 1922,
quando, na elaboracqo da 1a colegio
international de cartas geogrdficas,
uma equipe do Clube de Engenharia
do Rio de Janeiro tomou como
refernncia nao o Salto das Sete
Quedas, mas a Cachoeira das Sete
Quedas. O Pard aceitou a mudanqa,
mas Mato Grosso a rejeitou,
considerando-a.um equivoco, que
teria alterado o ponto-limite da
fronteira em 2,4 milh6es de hectares
para dentro do territ6rio mato-
grossense em relaqFo a convenqCo
firmada.
O litigio se arrasta desde entdo,
mas somente nos iltimos cinco anos
Mato Grosso passou a fazer aq6es
political para reaver o territ6rio. As
iniciativas nao avangam, dizem os
vizinhos, porque do lado do Pard nao
havia o interesse de rever uma
situa~go que o favorece. O problema
6 que nessa faixa contenciosa entire o
Araguaia e o Teles Pires o p6lo
dinamico esti em Mato Grosso, que
exerce poder gravitacional sobre a
regiio. De certa forma, as raz6es de
fato estdo em dissocia~qo cor as
raz6es de direito.
O municipio de Guarantd do
Norte, por exemplo, 6 que comanda
as comunidades do Iriri e do Vale do
XV, que pertencem ao Pard. Ja a
prefeitura de Vila Rica polariza as
comunidades do distrito paraense de
Santana do Araguaia. A presenqa
paraense 6 muito mais tenue. Ao
long de toda a fronteira de 670
quil6metros ha apenas um posto
fiscal do Estado, que fica A margem
da BR-163 (a Santar6m-Cuiabd).
Direitos a parte, parece ji ter
chegado a hora de as duas parties
sentarem a mesma mesa para
resolver problems que afligem as
pessoas no dia a dia, sejam elas
cidaddos do Mato Grosso ou do Para.


Jornalismo

Desde 1992, quando Rosangela Maiora-
na Kzan, diretora administrative da corpo-
raqdo, comeCou a saraivada de ages contra
mim najustiqa, meu nome entrou para o in-
dex do grupo Liberal. De nenhuma maneira
posso ser citado nos veiculos de comunica-
qgo da empresa. A pratica 6 odiosa, mas nao
me incomoda. O mundo continue a girar e a
Lusitana a rodar, apesar dos caprichos da
familiar real.
O problema 6 quando sou efetivamente
noticia. Na cobertura de um event piblico
e significativo, os profissionais das Organi-
zaq6es Romulo Maiorana se veem diante da
questao: ou me ignorar ou tentar aproveitar
o que digo. A primeira alternative 6 tio sim-
ples quanto eticamente execravel. A segun-
da leva a absurdos, como o noticidrio sobre
a sessao do dia 14, na Assembl6ia Legislati-
va, organizada pela deputada Sandra Batista
para discutir a relacqo da Companhia Vale
do Rio Doce com o Para.
As informaq6es que divulguei nas minhas
interveng6es foram reproduzidas no dia se-
guinte pelo journal "O Liberal", mas a auto-
ria foi coletivizada e jogada sobre os costa-
dos do anonimato. O consciencioso (mas
cerceado) professional teve que recorrer a
desvios de expressao, como "os palestrantes"
ou foramm exibidas", para omitir a autoria das
declaraq6es sem sonegar os dados apresen-
tados, de interesse piblico.
Meno male, dizia Romulo Maiorana. Ao
menos algumas informag6es chegam ao co-
nhecimento da sociedade, mesmo que pela
via tortuosa de uma psicografia do 6ter, que
o grupo Liberal transformou em uma de suas
contribuigqes para o jornalismo enigmitico
que pratica. M6todojornalistico, alias, que 6
uma das raizes da desmemoria paraense.
No domingo passado, por exemplo, o jor-
nal abriu manchete de capa e duas piginas
internal para "denunciar", como se fora no-
vidade, que a Ferrovia Norte-Sul desvia o
transport de cargas para o Maranhdo, mi-
nando o projeto da hidrovia Araguaia-Tocan-
tins. Em 1985 (ha 18 anos, portanto), nas
piginas do mesmo journal, fiz uma s6rie de
matdrias af, sim, se me permitem reve-
lando o que a engatinhante Norte-Sul iria
representar: no future, a conexao das duas
grandes ferrovias controladas pela Vale (a
Vit6ria a Minas e a Carajis), ligadas de Nor-
te a Sul pela nova ferrovia (idealizada pela
Valec, de Paulo Augusto Vivacqua, ex-Vale)
e ampliando ainda mais um sistema de trans-
porte que, na sua versdo atual, ji 6 responsa-
vel por mais de um terqo da movimentacgo
de carga do pais.
Os artigos viraram capitulo de um livro edi-
tado logo em seguida pelo Ndcleo de Altos Es-
tudos Amaz6nicos da Universidade Federal do
Pard. Mas certas pessoas, jamais esquecendo o
que sabem, nunca aprendem nada.


A 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 Jomal Pessoal








DESAPROPRIAQAO




R$ 120 milhbes: e a conta



da indeniza io da Parapora


O Estado do Pard podera ter que pagar 120
milh6es de reais pelo que ojurista Humberto
Theodoro Jinior classificou de "um dos mais
claros casos de errojudicidrio com que me de-
parei nos iltimos anos". Depois de 32 anos
de tramitaq~o na justiqa, o "caso Parapori"
chegou i fase de execuqCo. Os herdeiros do
proprietirio, os Meinberg, de Sao Paulo, co-
bram indenizaq~o pelos danos sofridos com a
desapropriaqco da drea, feita pelo Estado em
1971. Em iltima instAncia, o Supremo Tribu-
nal Federal reconheceu a ilegalidade do ato
do governor paraense.
A hist6ria comeqou quando o governador
Fernando Guilhon desapropriou a Fazenda Pa-
rapori, onde havia ocorrido um conflito san-
grento entire funcionarios da fazenda, possei-
ros e a policia, "por utilidade p6blica". Na
verdade, somente por interesse social 6 que a
expropriacqo podia ser praticada. O proble-
ma 6 que a desapropriagao de im6vel rural por
interesse social era prerrogativa exclusive da
Uniio. Estava fora do fmbito estadual.
Os donos da fazenda recorreram justiqa
em defesa dos seus direitos, com dois argu-
mentos. Alegaram que o governor do Estado
nio tinha competencia legal para fazer a de-
sapropriaqao de um im6vel rural, prerrogati-


va de uso exclusive da Uniao. Tamb6m argu-
mentaram que, independentemente do m6rito
da questdo, Ihes cabia o direito de ser indeni-
zada pelos danos que ja haviam sofrido e que
ainda viriam a ocorrer. A16m dos danos cau-
sados direta e imediatamente, requereram in-
denizacqo por perdas e lucros cessantes. A Fa-
zenda Parapora era um projeto apoiado pela
Sudam, que havia liberado para ela a primeira
parcela de colaboraqao dos incentives fiscais.
Desde entao, um dos traqos mais marcan-
tes desse process foi a incapacidade dos re-
presentantes do Estado de, num primeiro mo-
mento, fazer uma competent defesa do inte-
resse pdblico e, em seguida, trazer para os
autos provas elucidativas sobre um mist6rio:
como 6 que uma fazenda de 8,7 mil hectares,
em Sdo Domingos do Capim, chega ao valor
indenizat6rio atual, de R$ 120 milh6es?
O valor da terra nua, segundo a tabela de
valores vigente, ndo chegaria a R$ 300 mil.
Sobre essa base fisica agregam-se as benfei-
torias e toda a cascata de valores adicionais.
Mas certamente a Parapori teria que ser a
maior exemplo de sucesso da hist6ria da Su-
dam para valer atualmente seis vezes o custo
da cara EstaqCo das Docas, de Paulo Chaves
Fernandes, ou nove vezes o novo Ver-o-Peso,


Minas no Para .mmmmmmmmmmmmmm..


O contencioso cor a Companhia Vale do
Rio Doce ja parece estar produzindo um efei-
to positive: os municipios paraenses que
abrigam atividade mineradora vdo seguir o
exemplo de Minas Gerais e criar sua pr6pria
associacao.
Minas Gerais ainda 6 o primeiro produtor
de bens minerals do Brasil, posicqo que o Pard
poderA passar a ocupar at6 o fim da d6cada.
Nada mais natural, assim, que finalmente os
prefeitos paraenses anunciaram que pretendem
fazer nos pr6ximos dias: visitar Itabira, em
Minas, atras de conhecimento t6cnico para a
criaqao da Associaq~o dos Municipios Mine-
radores do Estado.
A necessidade dessa entidade foi sentida
no curso da polemica criada pelo andncio da
implantaqao em Sao Luis de uma siderirgica
da CVRD, em associaqgo com investidores
chineses. Em meio a um jogo de pressao para
reverter a decisdo da empresa, em beneficio
do Para, os prefeitos constataram que preci-


sam comeqar a traqar uma estrat6gia conjunta
para enfrentar e negociar as conseqtiancias dos
projetos de mineraqao no Estado, a exemplo
de Minas, onde a associaq~o atua hi 13 anos,
congregando 351 municipios mineradores.
Atrav6s da associaqao, os prefeitos que-
rem criar uma base t6cnica para discutir com
as empresas mineradoras, evitando que haja
uma relaqao apenas emotional ou superfici-
al. Tamb6m pretendem atrair o interesse para
a questio mineral de todos os stores da so-
ciedade e todas as esferas da administragqo
public. A organizaq~o intermunicipal tam-
b6m ajudara a combater a evasao de receita
tributaria. Com base na capacidade minera-
dora do Para, os t6cnicos estimam que o Es-
tado esteja deixando de arrecadar de 10 a 20
milhoes de reais por ano.
Se as boas intencqes se concretizarem,
sera um pass A frente na hist6ria da relaq o
entire a Vale e a esfera municipal da adminis-
tra~go pdblica.


de Edmilson Rodrigues. Facanha que apenas
um outro "caso" controvertido superou, o da
madeireira Sabim (que chegou a ser avaliada
judicialmente em estratosf6ricos R$ 80 bi-
lhWes), tamb6m projeto Sudam.
A Agropecuaria Paraporn tinha apenas um
ano de existencia quando foi desapropriada. Seu
projeto para a criagqo de gado de corte havia
sido aprovado sete meses antes pela Sudam, em-
penhada em apoiar a ocupaqgo da Amaz6nia
atrav6s de grandes fazendas de criagao exten-
siva, a mais conhecida e a mais barata forma
de colonizagqo. Foi justamente a implantaqao
dessas grandes fazendas que intensificou ten-
s6es sociais e conflitos fundidrios. como o ocor-
rido no Capim, com duas mortes.
O jurista Theodoro Jdnior aplicou a classi-
ficapqo de erro judicial grave ao process da
Parapora porque, segundo ele, a indenizacao
nao havia transitado em julgado. Ainda era
possivel recorrer. Sem uma decisao definitive,
em instAncia final, nao poderia haver um titulo
executive judicial para cobranqa. Ela se toma-
ra indevida e illegal. O parecerista admitia que
esse erro podia ter resultado "do long tempo
de tramitagao do processo. O parecer do ad-
vogado paulista foi dado a pedido da Procura-
doria Geral do Estado, mas nao parece ter con-
seguido nenhum efeito prAtico: a execuq~o da
sentenqa chegou ao moment final.
Ap6s varios incidents, o Supremo Tribu-
nal Federal reconheceu que os direitos da
empresa, anulando o decreto estadual, consi-
derado inconstitucional. A Parapora interpre-
tou essa manifestaCqo como o final de toda a
hist6ria e requereu a execuqao da sentenqa. O
valor estabelecido ha quatro anos, de R$ 80
milh6es, foi considerado "absurdo" pela Pro-
curadoria Geral do Estado, que contestou os
itens do calculo, a partir da constataqao de que
a fazenda mal iniciara sua instalaqao e que ja
estava invadida quando o governor interveio.
Ha ainda um ponto nebuloso na questao: a
indenizaq~o paga pelo Incra em um process
de desapropriaqco paralelo, da mesma area, fei-
to pelo governor federal. Publicamente, ningu6m
sabe o que foi pago e por quanto, informaq6es
que talvez devessem ser aplicadas a avaliaqdo
do d6bito estadual. Mas agora o governor do
Estado foi intimado a pagar a indenizaqao, a
maior que ji lhe foi cobrada. A hist6ria aca-
bou mesmo? O final 6 devido? Sio duas per-
guntas cruciais em busca da resposta satisfa-
t6ria. Quem se habilita a apresenta-la?


Jomal Pessoal 1 QUINZENA/ABRIL DE 2003 N












A grande licdo que
fica da guerra do
Iraque e que nao
ha muito tempo
para aprende-la
e pratica-la


Estados Unidos (coadjuvados
pela Inglaterra) contra o Iraque
ji estdo bem claros. A hierar-
quia de valor pode variar, um objetivo
podendo ser apontado como mais impor-
tante do que o outro, mas nem o observa-
dor mais ing6nuo (ou mais american6filo)
pode deixar de encarar as reais motivaqoes
da violent ofensiva b6lica americana.
O petr6leo 6 refernncia inevitivel. Seja
pelo significado em si das reserves ira-
queanas, as segundas maiores do planet,
seja pela diregqo que o regime de Saddam
Hussein estava dando a exploracgo do
6leo. Ao inv6s de deixi-lo com o imp6rio
mundial, os estava entregando a france-
ses, russos e chineses.
Outra razio 6 a decision adotada em 2000
pelo lider iraqueano, de sair da 6rbita do d6-
lar, passando a negociar o petr6leo com o
euro. Essa decisao, cor seu explosive efeito
de precedent, al6m de significar um abalo
profundo nas bases econ6micas da hege-
monia americana, privando-a da funcgo
efetiva de Banco Central do mundo, que
sustenta seu incorrigivel prejuizo operaci-
onal, deve ter estimulado o impeto de sub-
estadista de Tony Blair.
Cultivando o fetiche insular, a Gri-Bre-
tanha continue resistindo ao projeto uni-
ficador do continent, recusando-se a se
nivelar com Franqa e Alemanha. Ha virios
projetos de poder na Europa, uns
combiniveis, outros excludentes. Mas nao
hi um component arbitral reconhecido
pelos principals protagonistas. E sinal de
fumaga no horizonte e nao 6 a fumaqa
branca do Vaticano.
Um outro element da agressao 6 re-
gional. Regado a sangue e desmandos, o
sonho cesarista (ou nasserista) de Saddam
perdeu a bitola da realidade. Ele preten-
deu transformar o Iraque, o mais ociden-
talizado dos pauses da regido, numa alter-
nativa (antag6nica, 6 claro) ao poderio de
Israel e A concorrincia drabe. Acostuma-
do a contar com o apoio dos poderosos
parceiros comerciais de entdo, insensiveis
as brutalidades do governor de Bagdad at6
1991, o ditador deu um pass em falso
quando invadiu o Kuwait. O sinal verme-
lho acendeu no Oriente M6dio para os
interesses dos Estados Unidos.


A li ao que fica


A guerra ripida de 1991, vinculada por
Bush pai aos compromissos da ONU e a
uma tentative (que se mostrou ilus6ria) de
restabelecer o status quo ante, deveria ser
suas6ria, mas o poder absolute ji havia
cegado por complete Saddam Hussein. A
partir daf, os EUA adotaram uma escala-
da de retaliaq6es. O embargo econ8mico
de 12 anos, que se seguiu a invasio do
Kuwait, foi mais violent do que a pr6-
pria guerra, embora de efeito mais lento.
Com a vantage de que os efeitos pro-
gressivos anestesiaram a percepqgo da
opinido pdblica international.
Quando George Bush filho, big-stick na
mdo, decidiu arrematar o serviqo, deixado
inconcluso pelo pai, todas as condiq6es
estavam criadas para a aventura de poder
imperial. Como hi muito a hist6ria nio
registrava, um imp6rio ignorou o mundo
em toro e estabeleceu, manu military, seus
interesses diretos e exclusivos urbe et orbi.
Com varia96es e adapta6oes ineviti-
veis, ou decorrentes da hipertrofia do po-
der planetario instalado na Casa Branca
(com um monolitismo que nem na era
Reagan chegou a existir), a vontade ame-
ricana se fez, vertical, esmagadora, efi-
ciente, espantosa. Qual o seu desdobra-
mento a partir de agora? Ha inc6gnitas
locais e internacionais complicando as
andlises prospectivas. A exaltacao e a
auto-suficiencia dos vencedores tamb6m
dificulta ver mais long.
Mesmo afiados programs de compu-
tador, corn matrizes sofisticadas, nao con-
seguirdo preencher os vicuos de impon-
derabilidade que subsistem ao foguet6rio
da vit6ria. Os EUA arriscaram demais
num lance de dados. Ganharam, como era
previsivel. Ganharam bem, como era pos-
sivel. Mas levarao? 0 que levarao?
Todos os demais pauses, inimigos ou
mesmo aliados, devem ter se assustado com
a arrogancia americana e seu desprezo pelas
convenqoes, acordos e tratados
internacionais. Quando seus interesses
forem profundamente contrariados, os EUA
nao hesitardo em recorrer ao seu arsenal de
guerra para fazer prevalecer sua vontade.
Uma vez que a tenham executado contra
um objetivo delimitado, a sanha guerreira
parece seguir uma 16gica aut6noma, com
alguma margem de independ8ncia em
relaqdo A racionalidade dos prop6sitos que
a determinou. Arrasado o Iraque (para ser,
em seguida, "desarrasado", como diria o
neol6gico Antonio Magri), qual a bola da
vez? A Siria? O Ira? A Cor6ia do Norte?
Determinados a ignorar as sutilezas
civilizat6rias, os EUA sabiam o que fazer


e fizeram, executando cor exemplar
eficicia uma rotina de destruiqco a mi-
lhares de quil6metros do seu territ6rio,
dele separados por um vasto oceano. Mas
poderSo continuar a determinar (ou a con-
trolar) o jogo da repercussio e da reaqgo?
A que preco? O preqo, qualquer que ele
venha a ser, o cidaddo americano ird pa-
gar. Mas todos os cidadios do planet tam-
b6m estarlo sujeitos a ele partir de agora.
Claro que essa political da forqa teve a
seu favor um component especial: o hor-
ror produzido no mundo pelo atentado de
11 de setembro de 2001. O impact da-
quelas cenas de destruicao pelo fanatis-
mo, ao mesmo tempo inteligente e brutal,
sofisticado e selvagem, deu ao falcio Ge-
orge W. Bush um cheque em branco, que
ele sacou com extremes de radicalidade.
Tornou-se um personagem de 6poca
(como, antes dele, o foi Nero, ou Atila).
Deixou de ser apenas um acaso, mesmo
se produzido por primirio acidente elei-
toral na Fl6rida (o acaso resultou de uma
necessidade?).
Agora a maquina de guerra teri que
ser secundada pela miquina de propagan-
da para impedir que se dissemine pelo
mundo, e particularmente na Am6rica, a
sensaqdo de engodo e frustraqdo diante da
inexistencia de elos explicitos entire Sad-
dam Hussein e o terror e das armas de
destruiqao que o Iraque teria estocado,
mas nao apareceram.
Talvez a verdade nao chegue jamais
at6 o grande piblico. Estamos vendo que
a midia se tornou um departamento das
grandes corporaq6es e da alta burocracia
estatal. A imprensa deixa que germinem
em suas piginas e telas as mais incriveis
noticias plantadas, desdenhando a coer6n-
cia dojoralismo, a suite das informac6es.
Mas a permanencia do cr6dito (ou a in-
surg6ncia do descr6dito) do governor ame-
ricano 6 uma dessas inc6gnitas na equa-
qao do future.
Independentemente do que a guerra
contra o Iraque representar como term6-
metro do poder americano (se o encadea-
mento ascensional ou o curto-circuito da
elipse), ao restante da humanidade, redu-
zida a essa condicgo pouco honrosa de
restto, caberi reexaminar os terms do
seu relacionamento cor a inica naqao
imperial hoje existente.
Essa 6 uma exigencia particularmente
urgente e grave para a Am6rica Latina,
um continent que nio conseguiu tirar a
vantage possivel do relacionamento com
o "gigante do Norte" nem pode afrontd-lo
como inimigo. A tradiqdo de amizade nio


S1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 Jornal Pessoal





































inibiu a formaqdo de um contencioso
amplo e vital, ao mesmo tempo tenso e
conflituoso, com o vizinho do hemisf6rio
de cima, element que agravara a agenda
dos pr6ximos passes. E esmagadora a cor-
relaqdo das trajet6rias, que mostra a evo-
luqao da pujanca americana contra um
pano de fundo de inconsistencia dos paf-
ses latino-americanos.
Claro que o segundo element tem re-
laq~o causal cor o primeiro: 6 porque se
empobreceram nessa relaCgo que os pauses
da Am6rica do Sul deram sua contribuiqao
para o crescimento exponencial dos Estados
Unidos, uma depend6ncia e uma subordi-
naq~o que a globalizaao tenta perpetuar.
No entanto, a pobreza de uns nHo explica
completamente a riqueza dos outros.
Ha m6ritos pr6prios na pujanca da
Am6rica, que nos provoca admiraqdo e
inveja. Ha dem6ritos especificos dos paf-
ses latinos, que responded por sua fragili-
dade at6 hoje e nos indigna. Um dos
principals 6 nao conseguir tirar proveito
de sua grandeza efetiva e potential -
em beneficio pr6prio.
Num planet que busca as novas fon-
tes de sustentaqio da atividade produti-
va, principalmente diante da perspective
de esgotamento da era do petr6leo (em
relacao a qual a guerra do Iraque podera
ter o significado simb6lico da queda de
Constantinopla para o mundo medieval),
a Am6rica do Sul tem um capital de ex-
tremo valor: 6 a Amaz6nia.
Abrangendo parties de oito pauses, a
Amaz6nia latino-americana 6 um territ6-
rio equivalent ao da Europa e dos Esta-
dos Unidos. Dois dos seus components
Ihe ddo unidade: a agua e a floresta. So-

Jornal Pesoal l 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003


bre essa base de recursos naturais, de di-
mensao planetaria, hi um conhecimento
milenar tdo grande quanto desdenhado, o
das populacqes primitivas.
O grande desafio amaz6nico do conti-
nente 6 exatamente dar sentido a essas
grandezas: dominar o conhecimento so-
bre esse acervo inigualavel de agua, que
represent 15% das drenagens superfici-
ais da Terra, e esse precioso patrim6nio
florestal, que cont6m um terqo das flores-
tas tropicais terrestres, com tudo o que
sabemos que eles proporcionam e o mui-
to que ignoramos, mas que ja podemos
intuir ou desconfiar.
Igualmente grandiosa 6 a tarefa de re-
cuperar e preservar o saber das popula-
cqes que mais primitivamente se estabe-
leceram na regido, hi milhares de anos,
garantindo-lhes a continuidade e transmis-
sao para que possamos avanqar com per-
das menores e ganhos muito maiores do
que os atuais, mudando a correlaqdo de
forqa que nos desfavorece.
O mercado comum amaz6nico 6 o sinal
que a natureza nos da para que dela tiremos
o maior proveito possivel. Superando o
formalismo diplomitico, os pauses
amaz6nicos precisam concentrar seus
esforqos em investimentos complementa-
res em ciencia e tecnologia, com alvos bem
definidos, cronogramas s6rios, recursos
seguros, vontade e lealdade. Precisam
estabelecer political convergentes que
maximizem beneficios e minimizem cus-
tos, escolhendo matrizes da cooperaao que
favorecam o intercdmbio e criem condiq6es
propicias A competitividade international.
Uma agenda de cidadania permitiria
enfrentar desafios, como o trafico de dro-


gas e o crime organizado, que a mera re-
pressao policial ou a ofensiva military nao
conseguem abordar com eficiencia ou se-
nao a um custo lesivo, como ameaca se
tornar na Col6mbia. Empreendimentos
consistentes e eficazes precisam ser esti-
mulados para que nao persista uma tao
desastrosa traduqgo econ6mica para um
potential de recursos tio fantastico.
A essas aq6es em seu territ6rio, o Bra-
sil como os demais pauses vizinhos -
precisa aduzir uma iniciativa de maior
expressao geopolitica: o desenvolvimen-
to da pesquisa nuclear. A guerra do Ira-
que desnudou a irrelevancia das naqces
sem poder nuclear intimidat6rio. Elas po-
dem ter todas as razoes morais e todos os
trunfos potenciais, mas nao contam na
hora das decis6es mais graves, que dizem
respeito ao poder de vida e de morte so-
bre a sociedade, A guerra.
Sem renunciar as suas posicqes pa-
cifistas e altruistas, A sua opcao pelo ar-
bitramento como meio de resolugqo das
pendencias e conflitos, o Brasil precisa
se tornar uma potencia nuclear para ser
efetivamente respeitado no jogo de
poder montado pelos poderosos. S6
assim tera a prerrogativa de mexer
alguma das peas tabuleiro de xadrez
que os EUA, mais do que o conjunto das
naq6es mais ricas, pretendem Ihes seja
privativo. Necessita tamb6m aparelhar,
modernizar e profissionalizar sua forga
de defesa para que nao pareca um pais
fragil, ao alcance de apetites externos,
sobretudo daqueles absurdos.
Esta 6 a maior liq~o da guerra do Ira-
que. Ha tempo para aprende-la e pratici-
la. Mas nao muito.










A surpresa de


Furnas: hidreletricas


no Madeira


O rio prioritario para abrigar novas
grandes hidrel6tricas no governor Lula
nao 6 mais o Xingu, no Para, onde a
Eletronorte imaginava construir Belo
Monte, uma usina que s6 seria inferior
a de Itaipu. Agora o foco de interesse
passou a ser o Madeira, entire
Rond6nia e o Amazonas.
Furnas Centrais El6tricas, uma das
subsididrias da Eletrobris, anunciou
no mis passado que examine a
possibilidade de construir, numa
primeira etapa, duas hidrel6tricas no
rio Madeira, para a geragqo de at6 sete
mil megawatts (ou sete milh6es de
quilowatts). Essa potencia, que
transformaria o vale num dos grandes
produtores energ6ticos do pais,
poderia chegar a at6 10 mil MW, se a
empresa conseguir viabilizar uma
parceria corn a Bolivia.
O interesse de Furnas foi
estabelecido a partir de uma nova
posigqo assumida em relaCgo as fontes
de energia. A empresa entende que o
Brasil ainda tem um grande potential
hidrel6trico a ser explorado e nio
precisa de termel6tricas funcionando
de forma continuada. As termel6tricas
s6 deveriam ser acionadas no
moment de pique do consume,
atuando como usinas complementares
das hidrel6tricas, que continuariam a
ser a base da producgo energ6tica. Por
isso, o Brasil deveria dar prioridade
aos investimentos em hidrel6tricas,
invertendo as prioridades defendidas
pelo govemo anterior, do president
Fernando Henrique Cardoso. Daf a
investida no Madeira.
Com essa mudanca de prioridade
no planejamento energ6tico na
Amaz6nia, ao inv6s de investor no
projeto de Belo Monte, com
potencia de 11 mil megawatts e
custo 6,5 bilh6es de d6lares
(incluindo o sistema de transmission,
de US$ 2,8 bilh6es), em conturbado
andamento desde 1989, o governor
implantaria um complex de usinas
no Madeira. Inicialmente previsto
para 7 mil MW, esse complex
poderia se tornar um mega-
empreendimento binacional de 13
mil MW, quase do tamanho de Itaipu.


O president da Eletrobris, Luiz
Pinguelli Rosa, 6 um dos que
defended a opq~o pelo complex
do rio Madeira, que preve
inicialmente a construgqo das
usinas de Girau e Santo Antonio.
Segundo ele, "o empreendimento
tem a cara do Eliezer Batista", o
ex-ministro e ex-presidente da
Companhia Vale do Rio Doce, um
especialista em projetos de
desenvolvimento estrat6gico.
A decisdo entire um e outro
projeto saird de uma discussion
democratic, conforme o pr6prio
Pinguelli, em um semindrio que sera
promovido, nos pr6ximos meses, em
Brasilia, reunindo representantes do
Minist6rio de Minas e Energia e da
Eletrobris, da iniciativa privada e da
sociedade civil.
Ambos os projetos teriam
impact ambiental. A diferenqa
entire eles, no entendimento da
Eletrobris, diz respeito tanto ao
beneficio para o sistema
interligado quanto para a
economic do pais como um todo.
O projeto do rio Madeira traria
vantagens econ6micas e,
principalmente, estratdgicas para o
Brasil. A16m de um complex de
usinas, o empreendimento preve a
navegabilidade do rio Madeira em
um trecho hoje inviavel, pr6ximo
ao Peru.
O projeto tamb6m inclui a
abertura de um acesso da Bolivia ao
Oceano Atldntico. Os defensores do
complex do Madeira o consideram
um trunfo na dispute com o governor
boliviano pela reducqo do pre9o do
gas natural importado daquele pais.
Os observadores, apanhados de
surpresa pela revelaqio de um plano
dessa magnitude num rio que at6
entdo nao vinha sendo incluido no
piano de aproveitamento energ6tico,
ainda tentam reunir informaqoes
para saber como avaliar
corretamente a novidade. Originiria,
alias, de um personagem novo no
cendrio amaz6nico: Furnas, a
subsididria da Eletrobras para a
regiao leste do Brasil.


Agua
Mato Grosso sai na frente: o rio Teles
Pires, no norte do Estado, tera um con-
s6rcio intermunicipal para gerir e contro-
lar o uso de suas dguas. A criaqco do Con-
s6rcio Intermunicipal dos Usuarios de
Recursos Hidricos para Gestdo Ambien-
tal da Bacia do Rio Teles Pires serd feita
atrav6s de projeto de lei, a ser submetido
As camaras municipals de toda a bacia.
O cons6rcio fard a regulamentacio das
political ambientais na regiao e criard ta-
rifas pelo uso da agua. Segundo a lei, a
cobranqa visa "reconhecer a agua como
bem econ6mico e dar ao usuario uma in-
dicaqdo de seu real valor, incentivar a ra-
cionalizaqgo do uso da agua e obter re-
cursos financeiros para o financiamento
dos programs e intervenq6es contempla-
dos nos pianos de recursos hidricos".
Cons6rcios intermunicipais ji atuam
em bacias de outros Estados. Os resulta-
dos positives por causa de sua indepen-
dencia juridica, t6cnica, administrative e
financeira na gestao dos recursos hidri-
cos locais. A necessidade de uma entida-
de para gerir a exploraqdo da bacia do rio
Teles Pires foi apontada em estudos que
comprovaram os prejuizos ambientais,
sociais e econ6micos causados pela utili-
za~ao dos rios de forma desordenada.
O nosso primeiro cons6rcio,
quando saird?

Cadam maior
Vai custar 30 milh6es de d6lares a se-
gunda fabrica que a Cadam (Caulim da
Amaz6nia) vai construir no distrito indus-
trial de Munguba, em Almeirim, corn inf-
cio de operadio previsto para 2005. Gra-
cas a essa expansdo, at6 2007, quando a
nova unidade industrial alcanqarA sua pro-
duqao maxima (de 500 mil toneladas), a
empresa poderi produzir um milhdo de
toneladas anuais de argila especial.
A inovaqgo result do uso do "spray
dryer", equipamento que faz a secagem
do caulim. Assim, a Cadam deverd re-
duzir as vendas do produto na forma
bruta, que possui menor valor agregado.
A nova unidade deveri entrar em
funcionamento em 2005 e tera uma
capacidade de produqgo inicial de 300
mil t, passando, posteriormente, para
500 mil t dois anos depois.
A Cadam foi a primeira produtora de
caulim da Amaz6nia, no final da d6cada
de 70, quando seu proprietdrio era o mili-
onario americano Daniel Ludwig, o idea-
lizador do Projeto Jari (que compreendia
celulose a arroz, al6m de caulim). Corn a
retirada de Ludwig da regiao, em 1982, a
fabrica passou ao control do grupo An-
tunes, que a passou para a Companhia
Vale do Rio Doce.

1- QUINZENA/ABRIL DE 2003 Jomal Pessoal








HIDRELETRICA


Tucurui: primeiro pass



para corrigir problems


A era da participacqo popular na ges-
tao da hidrel6trica de Tucuruf pode ter
comeqado na semana passada, quando re-
presentantes de movimentos sociais, ins-
tituic6es de pesquisa e ONGs se reuniram
em Tucuruf, durante tres dias, para discu-
tir o desenvolvimento regional na area. No
manifesto aprovado no final do encontro,
os participants reafirmaram a confianqa
"de que um novo tempo e novas relaq6es
democraticas permitirao atribuir A socie-
dade e suas organizacies a definiqao de
political piblicas nesse pafs".
Anunciaram que lutarao para que o
PPA (o plano plurianual de investimen-
tos) "contemple diretrizes para a revisio
do modelo energ6tico previsto para a
Amazonia, que hoje aponta para a cons-
truqao de grandes barragens". Consideram
essencial que seja dada prioridade a "pes-
quisas qualificadas e investimentos em
sistemas alternatives que nao alterem o
ecossistema e a vida humana".
Corn "esperanca e preocupaqao", os
representantes dos movimentos sociais
urbanos e rurais dos 15 municipios da
bacia do Tocantins, de Maraba a Abaete-
tuba, sob a influencia direta da hidrel6tri-
ca, decidiram encaminhar ao governor fe-
deral propostas de "ac6es imediatas e
emergenciais em relaqao aos problems
das populaqces atingidas pela barragem".
Uma das mais importantes 6 que a Ele-
tronorte "ap6ie um amplo estudo cientifi-
co, participativo, aberto, sobre a bacia hi-
drografica do Tocantins no Para, contra-
tando grupos de pesquisa id6neos e acei-
tos pelos movimentos populares, objeti-
vando uma visao conjunta do significado
dos rios para um aproveitamento equili-
brado da agua para transport, saneamen-
to, saide, consume human e geraqao de
emprego e renda, tendo como prioridade
as populaq6es locais".
Os movimentos populares e as or-
ganizaqbes de atingidos por barragens
tamb6m querem participar da
elaboraqao do novo modelo do setor
el6trico e da definicao da political
energ6tica e ambiental. Nessa nova
political, um dos itens reivindicados 6 a
suspensao dos subsidies para as empre-
sas eletrointensivas, como a Albras e a
Alumar.
Mas para que haja um acompanhamen-
to da political para o setor, a Eletronorte

Jornal Pessoal 1 QUINZENA/ABRIL DE 2003


precisaria adotar "uma postura transparen-
te, divulgando e facilitando o acesso a in-
formaq6es sobre seu desempenho econ6-
mico, financeiro, t6cnico, social e ambi-
ental". Tamb6m deveria garantir apoio A
realizaqao de semindrios, por municipios,
para a atualizaqao da realidade e a elabo-
raqao de um Piano Popular de Desenvol-
vimento Regional, assegurando-lhe apoio
e recursos, "com gestao e control das
organizaq9es sociais".
As outras reivindicaq6es apresentadas:
Constituiqao de comiss6es munici-
pais e regionais para fiscalizar a efetiva
aplicagao dos recursos pdblicos na area
impactada, a montante e a jusante, pela
barrage de Tucuruf.
Formaqao de uma comissao de inqu-
6rito, com a participaqao de instituiq6es
p6blicas e da sociedade civil, para inves-
tigar dentncias de desvios e favorecimen-
tos em investimentos e indenizaq6es rea-
lizados pela Eletronorte.
Garantia de que as comunidades atin-
gidas, a montante e a jusante, serao bene-
ficiadas atrav6s de um plano imediato de
eletrificaqao, a pregos subsidiados.
Realiza~ao de investimentos imedia-
tos pela Eletronorte para suprir uma dfvida
social hist6rica pelo nao repasse de royalties
para as populaq6es ajusante da barragem.
A Eletronorte, em conjunto com os
movimentos sociais, devera organizer



China em primeiro


um semindrio com ampla participaqao
de entidades de pesquisa e do poder
pdblico, em Cameta, para a identificaqar
os problems e necessidades das
populaq6es e comunidades a jusante da
barragem.
Revisao nos convenios firmados
entire a Eletronorte e os municipios
situados no entorno do lago, financiados
com recursos provenientes da receita
adicional proporcionada pela elevacao
da cota, do nfvel 72 para o nfvel 74, do
lago de Tucuruf.
Os participants do semindrio obser-
varam que a barrage de Tucuruf
"serviu de instrument de
desenvolvimento para grandes grupos
consumidores de energia", como a
Albras, Alunorte, CVRD, e Alcoa,
"enquanto grande parte da populacao foi
gravemente prejudicada". Agora seria o
moment de a Eletronorte estas empresas
saldarem "a grande dfvida social com a
populacao rural e urbana do Pard".
Aparentemente, ao patrocinar a re-
alizaqao do encontro, a Eletronorte sai
na frente para remir seus pecados. Mas
o caminho de chegada A corregao dos
erros da political que modelou o perfil
da hidrel6trica de Tucuruf ainda 6 long
e penoso. E positive que haja sido dado
o primeiro pass. Mas ainda 6 o
primeiro pass.


Este 6 um dado que vai ajudar a pensar sobre a dimensao do capitulo que paraenses
e maranhenses estao vivendo atualmente, disputando a localizacao de uma nova side-
rtrgica, na qual a Companhia Vale do Rio Doce pretend se associar com uma empre-
sa chinesa.
A China se tornou, no ano passado, a maior client da CVRD. O Japao, ocupante
do primeiro lugar durante muito tempo, foi deslocado dessa posicao. Em 2001, a Vale
forneceu 14% (17,6 milh6es de toneladas) de todo o min6rio importado pela China
(92 milh6es toneladas). Em 2002 esse indice passou para 16% das 110 milh6es de
toneladas compradas pelos chineses no exterior. Para este ano a projeq~o 6 de que o
volume aumente em 10 milh6es de toneladas.
A Vale fechou contrato de 200 milh6es de d6lares com a sidertirgica chinesa Bei-
tai, a segunda maior client da mineradora brasileira na regiao, para o fornecimento de
2 milhoes de toneladas de min6rio de ferro por ano. O acordo, como se sabe, foi
fechado no camarote armado pela mineradora para 300 clients estrangeiros assisti-
rem ao desfile das escolas de samba, na Marques de Sapucaf. A Vale foi enredo da
Grande Rio, que chegou a um in6dito terceiro lugar.
O carnaval parece ter dado mais resultados para a Vale do que para o Para, que a
antecedeu no patrocinio de uma escola de samba carioca











Prezado Lucio
Fl vio Pinto.
Tendo tomado ciencia
atrav6s do Jornal Pesso-
al n 298 de marqo dltimo,
da decisao da 16a Vara
Penal, que Ihe imp6s uma
injusta condenagdo, quero,
atrav6s desta, manifestar
minha solidariedade a
voce e registrar minha in-
teira perplexidade diante
dessa decisao, no minimo,
equivocada. Todos que co-
nhecem e acompanham
seu trabalho podem ates-
tar sua seriedade, isencao
e sobretudo sua compet6n-
cia, criando oportunidades
para que sejam discutidos
e, em alguns casos, at6
mesmo noticiados, em
face de sil6ncios gerais, os
principals temas de inte-
resse de nossa sociedade.
Espero que essa injustiqa
possa ser reparada de al-
guma forma, e que tal pro-
blema nao Ihe proporcio-
ne nenhum desanimo no
prosseguimento de sua im-
portante missao.
Atenciosamente
Jose B.Tostes Neto


FalcCo
Nas duas primeiras sema-
nas da guerra dos Estados Uni-
dos contra o Iraque, as empre-
sas b6licas americanas tiveram
sensivel valorizagao na bolsa
de Nova York. Liderando a alta
estava a Raytheon. Seus pap6is
se valorizaram em 13%.. Uma
das maiores prestadoras de ser-
viqo para o Pentigono, a
Raytheon foi quem montou o
Sivam (Sistema de Vigilincia
da Amaz6nia).


Farniente judicial Amaz6nia

residual


Em mat6ria de trabalho o poder judiciario nao tem sido um
bom exemplo. Qualquer motivo 6 pretexto para a suspensao do
expediente, como voltou a acontecer nesta quinta-feira santa.
Enquanto todos os cidadaos cumpriam suas funoqes regularmen-
te, os serventuarios da justica, agregados e derivados antecipa-
vam o feriado, que se prolongaria por quase uma semana. A
custa do contribuinte, claro.
O Brasil precisa de muito trabalho. Nao fica bem negligencid-
lo, ainda mais num setor que costuma reclamar nao sem razao -
do acdimulo de processes, como a justica. Convinha aos respon-
saveis pelo poder judiciario despojar-se de um privil6gio indevi-
do. Afinal, para cumprir sua relevant missao de bem julgar, ma-
gistrados e servidores recebem remuneragio e prerrogativas que
estao bem acima da m6dia do mercado. Sao vantagens merecidas,
mas seus usufruidores devem comprovar seu merecimento.


Devedora omissa

Desde a semana passada a Cerpa (Cervejaria Paraense), uma
das maiores empresas do Pard, perdeu o direito a qualquer tipo de
relagqo commercial com o Estado. No dia 11 a Coordenadoria de
Control da Divida Ativa da Secretaria Executiva da Fazenda de-
clarou a empresa devedora remissa, juntamente com outras duas
empresas. O ato resultou da inscriqo do cr6dito tributario do Es-
tado junto i Cerpa na divida pdblica da fazenda estadual. Signifi-
ca tamb6m que a empresa perdeu os recursos administrativos,
esgotando essa inst&ncia. Agora s6 tem a via judicial.
Por causa dessa declaraqao, as repartiq6es ptiblicas estadu-
ais, inclusive autarquias, e os estabelecimentos crediticios con-
trolados governor, ficaram "proibidos de transacionar, a quais-
quer cr6ditos; a admissao em licitagco pdblica; a celebraqao de
contratos de qualquer natureza, a concessdo de empr6stimos,
bem como, quaisquer outros atos que imported em transaqao
com o Estado, enquanto nao houver a cessaqco dos efeitos" da
declaraqCo, pela regularizagdo da divida.
Declarada agora devedora remissa, por nao quitar d6bito fiscal
cobrado pelo Estado, a Cerpa tern sido uma das empresas mais
favorecidas pela administraao piblica paraense. O beneficio mais
recent foi a redudio, em 95%, do ICMS que a empresa deveria
pagar ao eririo. Esse beneffcio fiscal represent um retorno de 20
milhoes de reais por ano para o caixa da empresa, financiando seu
capital de giro. Equivale a quase tido o seu valor patrimonial.
O tratamento especial foi concedido, quatro anos ap6s a so-
licitacqo, como parte da renegociagdo da divida da empresa, que
chegou a ser de R$ 38 milh6es. Uma parcela do d6bito da Cerpa
era conseqii8ncia da apropriaqFo, pela empresa, do imposto de-
vido pelos revendedores, que retinha previamente, na condigqo
de contribuinte substitute, e nao recolhia. A pritica caracteriza
o crime de estelionato.


Aviso
Este ntmero do Jornal Pessoal sai atrasado. Provavelmente o da
pr6xima semana, tambem. Problems de satde me impedem de cumprir
pontualmente a periodicidade quinzenal. Mas vamos levando.
Com a ajuda do distinto leitor.


Dos 82 integrantes do Con-
selho de Desenvolvimento Eco-
nomico e Social (CDES), o 6r-
gao criado pelo governor Lula
para ser o formulador de politi-
cas pdblicas Federais, 52 (ou
dois terqos) sao representantes
de Sao Paulo. A Amaz6nia foi
ignorada. Percebida a falha, o
Palicio do Planalto colocou ca-
deiras no plenario do conselho
para seis convidados da regiao,
a maior do pais. A emenda nao
foi melhor do que o soneto: sem
direito de voto, os distintos con-
vidados se esquivaram do pre-
sente de grego.
Saiu-se entao com nova
emenda, esta agora legal: uma
Medida Provis6ria (mais uma)
elevando o colegiado para 90
membros. Nas mios do minis-
tro Tasso Genro foi parar a lista
de 18 candidates a essas prome-
tidas novas vagas, as de titula-
res cor seus respectivos su-
plentes. A lista amazonica 6
composta por economists, em-
presirios, professors de uni-
versidades, magistrados, politi-
cos e at6 um te6logo.
O Amazonas foi o mais pro-
lifico, sugerindo sete nomes: o
economist e secretArio estadu-
al de planejamento, Jos6 Carlos
Braga, que tamb6m 6 irmao do
governador Eduardo Braga; o
president da Fundaqao Geti-
lio Vargas (FGV), Jos6 Serifi-
co de Carvalho; os empresdri-
os Marcilio Junqueira e N61son
lida; os economists Ronaldo
Bonfim e Serafim Correa, e o
pastor Samuel Camara, que 6
irmao do deputado federal Si-
las Camara. A bancada paraen-
se se apresentou com quatro su-
gesties: os empresarios Fer-
nando Yamada e Luftala Bitar;
o reitor da Universidade Fede-
ral do Pard, Alex Bolonha Fi-
dza de Mello, e o reitor da Uni-
versidade Federal Rural da
Amaz6nia (antiga FCAP), Ma-
noel Malheiros Tourinho.
Mas, como acontece com o
preenchimento da direqao dos
6rgaos federais na regiao, por
enquanto Brasilia ainda nao
conseguiu sair da esfera do com-
promisso e da promessa.


P QUINZENA/ABRIL DE 2003 Jomal Pessoal










Energia: grandes



querem subsidio


Ja esti francamente aberta a
temporada de caqa a uma boa tari-
fa para os dois maiores consumi-
dores individuals de energia do
pais, responsiveis por 3% de toda
a demand national de energia.
Albras, no Pari, e a Alumar, no
Maranhdo, que, juntas, produzem
quase 800 mil toneladas de alumi-
nio, estao empenhadas em prorro-
gar, por mais 20 anos, seus con-
tratos de fornecimento de energia
corn a Eletronorte, que vencerao
em maio do pr6ximo ano.
Pelo padrAo vigente, a Albras,
que fechou primeiro o contrato,
paga apenas 12 d6lares por mega-
watt/hora. A tarifa da Alumar, es-
tabelecida logo depois, 6 US$ 22
por MW/h. A Eletronorte ji ma-
nifestou a intenqao de comerci-
alizar a energia, gerada a partir da
hidrel6trica de Tucuruf, por apro-
ximadamente US$ 45 por MW/h.
As duas empresas juram que esse
inviabilizaria a ambas. O custo da
energia ficaria acima de 30% do
custo total da produqco de alumf-
nio primirio. Elas perderiam a
competitividade international.
A Alumar insinuou sua contra-
proposta: manter os R$ 22 que ji
paga por cada MW/h que recebe
atualmente. A Albris nao se ma-
nifestou explicitamente a respei-
to, mas seus porta-vozes declara-


ram que qualquer valor acima de
25 d6lares 6 fatal para a ind6stria.
Parece haver algum entendimento
pr6vio entire todas as parties, ji que
a Companhia Vale do Rio Doce
continuou a investor na ampliaqio
da capacidade de produq~o do seu
p6lo industrial de Barcarena. Sin-
tomaticamente, o president Luiz
Inicio Lula da Silva contribuiu
cor sua presenqa para abrilhan-
tar a inauguraqao da duplicaqgo da
Alunorte, agora a lider national do
setor e na ponta do continent.
As expanses em bauxita e
alumina, as etapas anteriores a
produqao do metal, contrastando
com uma certa hesitaqCo na trans-
formaqao industrial, indicariam
que as eletrointensivas ainda se
acautelam contras eventuais sur-
presas, embora elas pareqam cada
vez mais distantes ao menos dos
seus horizontes amaz6nicos. Tan-
to que a CVRD esti investindo
em novas usinas no Sistema Sul
(duas devem entrar em funciona-
mento ainda neste ano, com um
total de 470 megawatts), onde ji
produz 10% de toda a energia que
consome. O objetivo 6 elevar a
produgio pr6pria para 50% at6
2010, assegurando uma perspec-
tiva favoravel para um grupo que
ji 6 o maior consumidor de ener-
gia do Brasil.


Contas negatives da Eletronorte


A Eletronorte assinou
contrato para comprar ener-
gia de outra geradora por um
preqo de compra maior do
que o pre9o de venda para o
consumidor, numa operaqao
condenada ao prejuizo. A re-
velaqao foi feita pelo director
financeiro da EletrobrAs,
Alexandre Magalhaes da Sil-
veira, em palestra para os
t6cnicos da Associagqo Bra-
sileira dos Analistas do Mer-
cado de Capitais, seqao Rio,
no inicio do mes. Outras
subsididrias federais agiram
da mesma maneira.


A Eletronorte compra da
usina termel6trica da america-
na El Paso, instalada em Ma-
naus, por um preqo "muito
maior" do que o pre9o que re-
vende para a distribuidora que
atende a regiao. Outro contra-
to que dA prejuizo a Eletronor-
te 6 a importaqao de energia
el6trica da Venezuela para a
regiao de Roraima. O pior de
todos, por6m, 6 o antigo con-
trato da Eletronorte com a Al-
bras, pelo qual o MWh custa
US$ 11, bem abaixo do custo
de geragqo da hidrel6trica de
Tucuruf. Magalhles acredita,


por6m, que essa situaqco sera
revista ainda neste ano, para
que o contrato, com vigencia
at6 2004, possa ser renovado.
Silveira garantiu que o se-
tor el6trico nao tera mais sur-
presas, como as do l6timo tri-
mestre do ano passado, quan-
do a Eletrobras precisou fa-
zer pesadas provis6es no seu
balanqo, cor perdas de R$
3,6 bilh6es. A maior parcela
dessas provis6es foi por con-
ta da Eletronorte. A estatal
nao vinha fazendo o provisi-
onamento correto da hidrel6-
trica de Tucuruf e sua holding


teve que lan9ar R$ 600 mi-
lh6es por conta disso no ba-
lan9o final de 2002.
A Eletrobras teve ainda
que fazer outra proviso por-
que a Eletronorte nao lhe tem
pago os juros dos empr6sti-
mos nos prazos acordados.
Para nao aumentar a monta-
nha de dinheiro, a Eletrobris
deixou de cobrar juros sobre
os juros. Mas para prevenir
novos descontroles, todas as
subsididrias do grupo passa-
rao a ser auditadas trimestral-
mente, com os balanqos divul-
gados no site da Eletrobras.


Jomal Pessoal 1" QUINZENA/ABRIL DE 2003 11


Restos a pagar
A principal pendencia no contencioso entire a
prefeitura de Bel6m e o governor do Estado diz
respeito a participaqco da capital no bolso do
ICMS. A prefeitura ajuizou quatro ages contra
o governor reclamando de perdas na sua cota-par-
te. Alega que Bel6m perdeu mais de 350 milh6es
de reais nos tiltimos seis anos corn a redugqo do
percentual que Ihe cabe na receita do imposto.
Antes de Edmilson Rodrigues assumir a prefei-
tura, a cota parte repassada A cidade era de
32,27%. Atualmente o indice 6 de 23,57%.
A prefeitura props que as aliquotas do
ICMS fossem revisadas por um grupo misto e
paritario de t6cnicos estaduais e municipals.
Mas esta convencida de que o resultado do tra-
balho sera constatar que foi garfada por um ato
politico, sem base t6cnica. Tanto que tamb6m
previu logo um prazo de dois meses para ser
iniciada a reposiq~o das perdas.
S6 que a revisao provavelmente nao levard
a plena confirmaqdo do ponto de vista munici-
pal, ainda que nao confirm a posigao firmada
na administragqo Almir Gabriel. Se nao devia
perder tanto, Bel6m efetivamente perdeu peso
econ6mico no period. O interior do Estado
avancou na partilha do imposto.
Se a discussao conseguir manter um nfvel
t6cnico arbitral, surpresas tamb6m poderdo sur-
gir no tratamento de outros temas polemicos,
como a implantaqao do PDTU, o piano de de-
senvolvimento dos transportes urbanos criado
pelo governor, com assessoria japonesa, e no
repasse para o municipio do program de ma-
crodrenagem das baixadas.
Qualquer que venha a ser o desdobramento
desses e de outros temas (como a municipaliza-
gqo da saide e da educaqco), a vantage do did-
logo 6 diminuir as margens da demagogia e da
mi-f6. Por enquanto, ela ter sido tao grande
quanto as margens do rio Amazonas.









M EM6RIA DO COTIDIANO


Museu
No dia 3 de outubro de
1956 o Museu Paraense
Emilio Goeldi foi reaberto,
depois de um long perfodo
de crises sob a administraqao
estadual. 0 rec6m-criado
Inpa (Instituto Nacional de
Pesquisas da Amaz6nia),
cor sede em Manaus, assu-
miu a responsabilidade pela
instituigao, em nome do
CNPq (Conselho Nacional
de Pesquisas). Na solenida-
de de reinaugurago falaram
o director do Museu, Walter
Egler, o director do Inpa, Ar-
thur Cezar Ferreira Reis, o
representante do governor do
Amazonas, Lupi Martins, e
o governador do Pard, Catet-
te Pinheiro.


Hospital
Depois de 10 anos de cons-
truqdo, o Hospital Barros Bar-
reto foi inaugurado, em Bel6m,
em janeiro de 1957, pelo pre-
sidente Juscelino Kubitscheck.
Mas nao todo o hospital: ape-
nas uma de suas alas, com 200
dos 1.200 leitos definidos no
projeto original, que jamais
seria cumprido por inteiro.
Como Belem possuia um ele-
vado indice de mortes causa-
das pela tuberculose (200 por
mil doentes), o "Barros Barre-
to" foi concebido para ser um
dos maiores centros de estudos
sobre o bacilo de Koch do Bra-
sil. Os recursos para as obras
foram fornecidos pelo gover-
no federal, atrav6s da SPVEA,
antecessora da Sudam.


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Oito horas ate o Rio
Que tal oito horas de v6o entire Bel6m e o Rio de Janeiro, com
escala em Brasilia? Era quanto gastava o Curtiss-Commander da
Paraense Transporte A6reos, "a primeira empresa de aviaqao do
Estado" (que desapareceu na d6cada de 70). Para atrair passagei-
ros, a PTA oferecia 25% de desconto sobre a tarifa-base", mas nio
deixava de estimular o regionalismo dos seus clients potenciais,
que, escolhendo-a, iriam elevar "mais alto o nome da Amaz6nia".
O "luxuoso aviao" dispunha de 44 "poltronas reclindveis, su-
per-confortiveis, pr6prias para um bom descanso, uma boa via-
gem, para um repousante sono". As atenciosas comissdrias de bor-
do estariam atentas para servir "iguarias e bebidas de qualidade". O
v6o para a entao capital federal safa as tergas-feiras. As passagens
podiam ser adquiridas na rua 13 de Maio 100 ou na loja da Amaz6-
nia Turismo. A Paraense tinha um endereqo charmoso na Cidade
Maravilhosa: bem na avenida Beira-Mar, na entrada do centro.


FOTOGRAFIA

Nosso Flavio Carvalho
O advogado Helio Castro provocou furor ao chegar, na noite
de 26 de janeiro de 1957, ao bar do Central Hotel, na avenida
President Vargas. Esposa ao lado, o irmro de dona Ruth, espo-
sa do future multiministro Jarbas Passarinho (na 6poca major
do Ex6rcito), vestia saia e casaco, peas confeccionadas com
tecidos de primeira e que exibiam ricos rendados. Um pouco
antes, o artist e miliondrio Flivio de Carvalho escandalizara
Sao Paulo cor indumentiria semelhante.
Aos machistas indignados, o pintor explicou que o traje era
mais confortivel e fresco (o que, efetivamente, era). O irreveren-
te H61io Castro, vivo at6 hoje, nio pensou duas vezes: se Flhvio
Carvalho podia, ele tamb6m podia. E foi beber seus drinques no
ent2o disputadissimo bar do Central, indiferente aos olhares de
surpresa dos de-
rmais "amesenda-
dos" e divertida
ironia dos acom-
panhantes. Um de-
les, Luiz Pinto
S" (um dos Pinto da
famflia de grande
fot6grafos), apro-
veitou para fazer a
foto, publicada na
Folha do Norte.
Ndo foi a pri-
meira, nem seria a
t(ltima de H61io
Castro, o verda-
deiro rei da folia
(de ano inteiro,
diga-se).


Elegancia
Em outubro de 1962
a Perfumaria Trianon,
"profundamente sensi-
bilizada", agradecia a
"simpitica aceitacqo por
parte das senhoras e se-
nhorinhas de Bel6m" a
uma demonstraq~o de
beleza que havia promo-
vido de produtos de He-
lena Rubinstein, da qual
era representante. Apro-
veitava para anunciar,
"como prolongamento
de suas promooqes do
mss da festa de Nazar6",
que colocava i disposi-
qCo "de suas amaveis
clients, uma especialis-
ta em manicure e pedi-
cure". Em seu elegant
endereqo: rua Jo0o Al-
fredo, 141.


Ilumina ao
Em maio de 1963 a Forca e Luz
do Pard (Forluz, antecessora da Cel-
pa) decidiu realizar "astron6micos
gastos de investimento" para "me-
Ihorar a seguranga de trifego, pro-
porcionando, ao mesmo tempo, as-
pecto mais belo" A mais movimen-
tada e perigosa pista da cidade. O
investimento seria na instalaqgo de
180 postes cor iluminaqao de lam-
padas a vapor de mercdirio (a ino-
vadora luz fria) ao long da antiga
avenida Tito Franco (ji entao trans-
formada em Almirante Barroso). Os
postes ficariam entire o Mercado de
Sao Braz e a Bandeira Branca,
acompanhando os trilhos da Estra-
da de Ferro de Braganca. Trilhos
que, a partir do no ano seguinte, o
ministry Juarez TAvora (o "vice-rei
do Norte"), na administration do
marechal Castelo Branco, se empe-
nharia em arrancar


I J.l --....l IlI .l.siail.llJIJ...* o d


As terca.Lfelras


BELEM-RIO
via BRASILIAI
d. I r -. n i, I-i lh A, F.*,,,Ik



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