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01713 PeSSOa L U C O F L A V I O P N T O ANO XV NP 286 la QUINZENA DE JULNHqDE :q200 R$ 2,00 POIATICA r,,i 7'1rI Para onde vai Jader Barbalho?I O ex-senador deu todos os sinais de que em outubro disputard de novo o governo do Estado. M~as nd~o disse explicitamente isso. Embora ainda seja o lizder nas pesquisas para a sucessdo de Almir Gabriel, desta vez ele sabe que suas possibilidades de vito'ria se equiparam iis de vito'ria. Ou sa~o menores. na segunda-feira (27) pela lifE -S N~~o pronunciamento que fez televisio, aproveitando hor~rio reservado pelo TRE N~aos partidos politicos, s6 faltou ao ex-senador Jader Barbalho anun- ciar que sera candidate ao governor do Estado em outubro. Todos os recados que podia dar nessa dire~go, ele os deu, sem deixar dtivida de que visa um cargo ma- ,/\ jorit~rio, nunca um mandate proporcio- 93 -ii P I a rU nal, como o de deputado. O intrigante 6 i a~~i.e C~ d d justamente o detalhe que ficou faltando- para completar a orag~o: por que nio foi explicit? Por que nao assumiu definiti- vamente sua quarta candidatura B chefia 7 - do executive estadual paraense? rx A situaqio do ex-presidente do Sena- do 6 caprichos: ele tem a fac na mao, mas lhe falta o queijo. Dos seus movimen- p tos depend a definigio na ponderaqio das forgas envolvidas na dispute eleitoral, mas ri seu pr6prio destiny envolve uma taxa de , incerteza que extrapola sua capacidade de decisio. Daf sua inten~go de estender o 'l/,u~ memento de falar claro atC o final do pra- zo que a lei lhe permit, quando puder, esgotar todas as hip6teses. I ,. Se Jader nio for candidate ao gover- no, o caminho ficar8 mais ficil para o postulante dos tucanos, o ex-secretirio Simlio Jatene, se habilitar para ser um **\, 2 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE JUNHO/2002 dos dois escolhidos no primeiro turno e chegar a etapa seguinte talvez na condi- glio de favorite. O outro provivel com- petidor, nesse caso, seria o atual senador do PSB, Ademir Andrade. S6 uma feno- menal zebra colocaria no pireo a prov8- vel candidate do PT, a deputada estadual Maria do Carmo, que comegar51 bem atra- sada e com pouca forga. Jg o vice-gover- nador Hildegardo Nunes parece ter to- pado com uma pedra no meio do cami- nho, atravancando-lhe o avango. Parou no meio da estrada. Se nito for candidate ao governor, com quem Jader Barbalho coligar8? Formalmente ele s6 pode se aliar ao governador Almir Gabriel, ji que a ali- anga national entire o PSDB c o PMDB impae coligaqaes de cima para baixo, engessando os dois partidos. Tanto o governador quanto o ex-senador tim se manifestado publicamente contra um acordo desse tipo, mas intermedidrios de ambos ji se encontraram e examina- ram as possibilidades de um acerto, tan- to em Beldm quanto em Brasilia. Jader estaria disposto a apoiar a can- didatura de Simlio Jatene, desde que ti- vesse direito a indicar o vice na chapa, que seria sua ex-mulher, adeputada fede- ral Elcione Barbalho, al~m de contar com o calor da miquina para a sua candidatu- ra. Com alguma relutincia, esse prego poderia vir a ser aceito pelo PSDB. Mas uma fonte peemedebista diz que Jader estaria disposto a pleitear todas as duas vagas do Senado, condiglio que os tuca- nos refugariam por causa do compromis- so assumido com o deputado federal Ger- son Peres, aliado do PPB, que gostaria de encerrar a carreira com um mandate se- natorial de oito anos. Numa hip6tese (con- siderada remota) de acerto, por~m, hB uma vaga em tribunal de contas para servir de compensaglio para Gerson. Apenas umas poucas fontes admitem que um acordo Almir-Jader estil depen- dendo apenas do prego que o lider do PMDB est8 cobrando para niio atrapa- that a vida do favorite do governador. Mas outras fontes juram que a coligagio 6 impensivel, enfileirando diversos fa- tos e indicios de uma tensito cada vez maior entire os dois lads. No seu pro- grama de television mesmo, Jader bateu forte na atual administration, criticando as festejadas realizaCqles da administra- glio Almir Gabriel e destacando suas pr6- prias realizaqdes em dois mandates no cargo. Voltou a um tema recorrente na campanha anterior, que tanto irritou Al- mir: a venda da Celpa e obscuridades no uso dos 450 milhaes apurados na priva- tizaglio da estatal de energia. Segundo o raciocinio dos que nio criem em acordo, os dois lideres jB le- varam muito adiante o jogo das retalia- 95es para poder apostar uma nova joga- da agora, aproveitando-se da desmem6- ria da populagilo. Reconhecem, contu- do, que a repetiglio no ParB da coliga- gli national PSDB-PMDB, que formou a chapa Jos6 Serra-Rita Camata, seria o melhor arranjo para as duas parties. Ain- da mais por nlo exigir que os politicos definitivamente incompatibilizados su- bam juntos no mesmo palanque. Para favorecer Jatene, bastaria que Jader sa- isse do p~reo para o governor. Do outro lado, do governador seria exigido tiio- somente colocar parte da miquina ofi- cial a servig~o da tentative de retorno de Jader ao Senado, sem precisar entrar em sua campanha. Mas se nito houver no Estado a ali- anga entire tucanos e peemedebistas, am- bos s6 podertio se coligar a partidos que niio apresentarem candidates a presidan- cia da Repdiblica. Isto significa que, ofi- cialmente, Jader Barbalho nito poderi apoiar as candidaturas de Ademir An- drade (porque o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, 6 can- didato presidential do PSB) e Hildegar- do Nunes, do PTB (partido que ainda apoia Ciro Gomes). Mas tanto Ademir quanto Hildegardo esperam que, infor- malmente, o ex-senador imponha seus nomes a preciosa estrutura political com que o PMDB ainda conta no interior paraense (e o grande tempo que lhe cabe no horitio eleitoral gratuito em radios e televisess. Se nio for governador, por quem Jader ir8 optar? Aparentemente, as melhores possibi- lidades sito de Ademir Andrade. Na 6lti- ma pesquisa do Ibope, niio registrada no TRE e por isso nbt divulgada pelos tuca- nos (por imaginarem, como acabou acon- tecendo, que Jader exploraria os resulta- dos), Ademir aparece em segundo lugar na preferencia dos entrevistados, com 25% das intenC~es de voto, tecnicamente empatado comn Jader, que obteve 26%. Simlio Jatene pulou para 13% e Hildegar- do desceu para 7%. Nesse context, uma alianga com Jader Barbalho (mesmo por baixo dos panos) colocaria o senador do PSB na condigio de pretendente mais for- te B sucessilo de Almir Gabriel. De sua parte, com a alianga, Jader ga- nharia espago no lugar de Almir (atual- mente o segundo nas sondagens para o Senado), tendo adiante dele apenas a can- didata do PT, Ana Jlilia Carepa, a favori- ta a uma das duas vagas em dispute. Mas quem garante que um uso intensive da miquina estadual nio poderia colocar mais para o alto a pesada candidatura de Gerson Peres? E ainda que Jader melho- rasse suas possibilidades de ficar com uma das vagas, nio seria uma vit6ria de Pirro, voltando a encontrar no Senado um am- biente hostile ao seu nome, ainda mais por- que Ant~nio Carlos Magalhlies provavel- mente estar8 de volta a casa, arrastando uma votagilo consagradora na Bahia? Se o interesse de Jader Barbalho 6 ga- rantir um mandate parlamentar para en- frentar em melhores condiC~es os pro- cessos e inqudritos contra si instaurados e ainda em andamento ou pendentes de decision, a dnica via tranqiiila ao seu dis- por leva B Camara Federal. Seja como deputado federal ou senador, por~m, a imunidade parlamentar j6 niio 6 um ins- trumento tilo poderoso quanto antes para congelar processes ou inquiritos. Com um ou outro mandate, se retornar a Bra- silia Jader Barbalho vai requentar ani- mosidades latentes e uma mB vontade geral, nito s6 dos grupos de poder, mas da opinitio pdblica. Numa conjuntura em que a faca esta em suas m~ios, por~m niio o queijo, ou vice-versa, Jader Fontenele Barbalho, aos 57 anos, 36 dos quais como politico com mandate eleitoral ou cargo pdibli- co, vai ter que arriscar como nunca. EstarB mais consciente do que na bilti- ma eleig to, a de 1998, de que perder 6 uma alternative tito (ou mais) plausivel do que ganhar, contrariamente g maio- ria das sete eleiqaes de que par~ticipou at6 agora. Por isso, nito concluiu o re- cado que comegou a dar pela television no dia 27, de que voltar8 a disputar, pela quarta vez, o governor do ParB. Pode conseguir o intent pela terceira vez, aprofundando sua participation na histbria do Estado. Pode ser derrotado pela segunda vez, igualando a conta, e, de qual- quer maneira, assegurando sua presenga hist6rica, embora niio da forma que pre- tendia, nem da maneira como diz que ela se tornou histdrica. Ele tanto pode estar literalmente renascendo para a hist6ria, como pode estar seguindo de vez para fora da dela, pelo caminho de servigo. Ou ou- tro mais lateral ainda. JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE JUNHo 3 O vale-tudo selvagem nas terras do Xingu As 9h48 da manhi de 14 de maio o gabi- nete da desembargadora Maria do C~u Cabral Duarte comegou a transmitir por fax (telefone 2182109), de Belim para o f6rum de Altami- ra, uma decisito que a magistrada acabara de proferir. Ela havia deferido agravo de instru- mento interposto por herdeiros inventariantes do esp61io de Raimundo Ciro de Moura e pela Incenxil (Inddistria, Com~rcio, Navega~glo e Exporta~gio do Xingu), por tris da qual est8 o polamico empreiteiro Cecilio do Rego Almei- da, donor da construtora C. R. Almeida. Atra- v~s desse recurs, os autores queriam impedir o cumprimento de uma decision da jufza da 2a vara civel de Altamira, Danielle Silveira Bur- nhein, que liberara miquinas e equipamentos de pessoas acusadas de extrair ilegalmente ma- deira de uma Brea em litigio, uma grande ex- tensilo de terra no Xingu, rica em mogno e alvo das maiores grilagens do pafs. Mal a juiza de Altamira determinou o cum- primento da determina~gio superior, o gabine- te da desembargadora Maria do Ctu Duarte, desta vez usando papel timbrado do Tribunal de Justiga do Estado, expediu novo fax, is 13h21, pouco menos de quatro horas depois. Agora, atrav~s de oficio, a magistrada pedia & juiza Danielle Burnheim para desconsiderar o fax anterior, que continha o deferimento do agravo, "que por equivoco foi despachado por esta Desembargadora em uma c6pia que esta- va sob [sic] minha mesa". Niko exatamente assim. O agravo foi pro- tocolado no TJE pelos advogados Octivio Avertano Rocha e Eduardo Toledo is 10h07 de 13 de maio. O document foi dirigido di- retamente g desembargadora Maria do C~u pelos pr6prios advogados, fiados em que pre- valeceria o principio da dependencia e da co- nexilo, jB que em outros mementos do litigio judicial petigies semelhantes haviam sido distribuidas para essa magistrada. Mas o agravo acabou sendo remetido para outra de- sembargadora, S~nia Parente. Essa distribui- glio, entretanto, s6 foi processada Bs 11h20 daquele dia 14. Ou seja: duas horas antes que a vice-pre- sid~ncia do TJE tivesse decidido para quem iria o recurs, a desembargadora Maria do C~u jB havia escrito seu despacho, em extensas quatro laudas, atendendo o pedido dos auto- res do agravo, e o enviado por fax para a co- marca de Altamira, assumindo o papel de re- latora, que iria caber nito a ela, mas g sua co- lega S~nia Parente. Como isso fora possivel? Talvez porque os pap~is tenham sido deixa- dos, "por equivoco", debaixo da (ou sob a) mesa da desembargadora Maria do C~u? Exatamente duas horas depois que o pro- cesso foi mandado para a desembargadora Sania Parente, desfazendo a presun~gio dos advogados da Incenxil e do espdlio, a desem- bargadora Maria do Ctu tratou de cancelar seu "equivocado" despacho. Mas deu motives para que, no dia seguinte, o advogado Anti- nio Villar Pantoja Jlinior, defensor de Adnal- do Cabral Cunha, contra o qual foi proposto o agravo, argtiisse sua suspeiglio, enquadrando Maria do C~u no artigo 135 do Cbdigo de Pro- cesso Civil. O artigo caracteriza como parcial o juiz "interessado no j ulgamento da causa em favor de uma das parties Parte que, lembrava ainda o advogado, era ningugm menos do que um dos sete acusados de grilagem no Xingu, em inquirito realizado pela Policia Federal e atualmente no aguardo de dendncia do repre- sentante do Ministdrio Pbblico Federal na co- marca de Santardm. O advogado pediu tamb~m g president do TJE, desembargadora Climenik Pontes que tome providancias a respeito do caso, inclusi- ve "a sustaglio em carter excepcional da li- bera~glo da madeira" em favor da Incenxil. Se interview em profundidade na questilo, C pos- sfvel que a president do tribunal constate o envolvimento do judici~rio paraense em uma selvagem e poderosa ofensiva em cursor sobre a Area na qual se encontra a Gltima grande con- centraglio de Brvores de mogno do ParB, um autintico garimpo vegetal. O conturbado agravo diz respeito a ape- nas um desses muitos incidents que estlio pipocando no Xingu, sobre um terreno cedi- go, que tem por base as mais espetaculares grilagens de terras de que se tem noticia, atin- gindo mais de 20 milh~es de hectares. Prati- camente metade desse vasto territ6rio est8 na mira da C. R. Almeida, apontada, no "livro branco da grilagem" do Minist~rio do De- senvolvimento Agrdrio, como a campell na- cional desse tipo de apropria~gio ilicita, mas que se vale de registros feitos no cart6rio de imbveis de Altamira (cancelados e depois res- tabelecidos judicialmente) para agir como legitima proprietiria das glebas. Adnaldo Cabral Cunha foi autuado e mul- tado (em 369 mil reais) pelo Ibama'(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recur- sos Naturais Renoviveis), em outubro do ano passado, pela extra~gio illegal de 880 toras de mogno, com 2.461 metros cdbicos de ma- deira. As Brvores estariam no Seringal Mon- te Alegre, deixado por Raimundo Ciro de Moura e sua mulher aos filhos. O inventirio do esp61io 6 outro tumultuado capitulo late- ral dessa hist6ria, jB que o cunhado de Ceci- lio do Rego Almeida acabou sendo nomeado inventariante, com base num simples contra- to de arrendamento firmado com um dos her- deiros, deslocando dessa posiglio o inventa- riante anterior. Atrav~s do advogado Avertano Rocha, o esp61io obteve junto a outro juiz da comarca de Altamira, Jackson Sodrd Ferraz, interdito proibit6rio para determinar g Madeireira Fer- reira e qualquer outra pessoa ou empresa "que se encontrem no local que se abstenham de turbar ou esbulhar" o Seringal Monte Alegre. O juiz determinou ainda a busca e apreensilo das toras de madeira, colocando-as sob a res- ponsabilidade de um "fiel deposit~rio", Van- deir dos Reis Costa. Imediatamente a Incenxil, utilizando ou- tro advogado, pediu e conseguiu ser admiti- da como litisconsorte ativa no mesmo pro- cesso. Embora alegasse haver uma conexiio entire os dois casos, na figure do mesmo in- vasor e extrator de madeira, qlue estaria ame- agando a ambos os autores, o imbvel supos- tamente esbulhado da empresa era a Fazen- da CuruB (individualmente a maior grilagem do Brasil, segundo o Mirad), situada a ra- zobvel distincia do Seringal Monte Alegre, mesmo na escala de gente que trata de mi- lh8es de hectares como se fossem quintals (de uma autintica mile-joana, B qual o Esta- do est8 se reduzindo). Assim, um mandado judicial, que deve ser expedido sob fundamentos especificos ji est8 sendo concedido em tese, ou a rogo, podendo ser aplicado sobre diferentes im6veis, inde- pendentemente de sua configuraglio fitica e da demonstration da procedencia do pedido. Nada a espantar, de acordo com a tese juridi- ca, jB que a mudanga nos nomes dos advoga- dos 6 circunstancial, em aqaes que tim atris de si os mesmos personagens, com pretensaes sobre uma amplitude territorial equivalent ao tamanho da maioria dos pauses do planet, nos quais existem riquezas que equivalem a ouro, como as preciosas grvores de mogno. O vale do Xingu se transformou na terra do vale-tudo, no reino do bandido, no lugar onde a lei mais forte 6 a do dinheiro. Quan- do nito a dos tr~s-oitlio. Mesmo quando pa- rece que a justiga ir8 prevalecer, ao menos como formalmente pareceria indicar sua par- ticipagilo na histbria. 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE JUNHO/2002 A verdade sobre Belo Monte rar atropelos como o litigio judicial com o MP federal em torno do EIA/Rima, queiman- do etapas na base do rolo compressor, a Ele- tronorte d6 a impression de que comegar a construir Belo Monte, de qualquer maneira, continue a prevalecer sobre a tarefa de con- vencer os formadores de opinilo. Ainda atua com base na 16gica do fato consumado, que torna academicas ou decorativas as discus- sies laterals. Se as diividas e restrigaes nito tivessem consistincia, 6 claro que todos estarfamos de mitos dadas comn a estatal para comegar a as- segurar, desde jB, na Volta Grande do Xingu, um excepcional rio interior amaz8nico que desigua num delta maravilhoso, tr~s anos de consume adicionado de energia no Brasil. A experi~ncia, entretanto, ensinou que a gran- deza e a complexidade da Amazinia, sua con- diglio especial de dltima reserve para muita coisa de grandiose ou excepcional que ainda se espera do Brasil, recomenda um ritmo de agio e uma forma de abordagem sem sempre compativeis com os prospects e prop6sitos dos executores de grandes obras. Essa cautela se aplica em particular aos "barragistas", um grupamento professional do- tado de tradigilo, por um lado, e de obstina- Fgio, por outro. Mas nem sempre autorizado a dar a bltima palavra sobre o aproveitamento de grandes e complicados rios como os ama- z~nicos. Ainda mais quando esse aproveita- mento 6 exclusivista e excludente, abstraindo o conjunto da bacia e a diversidade dos meios de uso da ggua. Nesta coluna, pretend apresentar algu- mas das principals diividas e restriC5es ao projeto que a Eletronorte est8 apresentando B sociedade e que pretend ver transformado na quarta maior hidrel~trica do mundo, tal- vez num prazo apertado demais, utilizando uma metodologia nilo exatamente tendente ao didlogo democritico, aberto, sem pressupos- to fechado, sem parecer discussion para ingl~s ver. E claro que a Eletronorte pode ignorar essa manifestaglio. Acatando-a, conseguir8 desfazer e desautorizar todas as minhas pon- deragaes e restrigies, sem que com isso te- sha avangado um millmetro na sua campa- nha de convencimento national. Mas pelo menos neste journal se poder8 afir- mar que a Eletronorte tem mesmo razio e s6 os mal informados ou mal intencionados C que podem ser contra Belo Monte, se a empresa, respondendo a todos os questionamentos, con- seguir demonstrar a justeza da sua posi~gio. Sera uma gota d'8gua, talvez, em relagIo aos 60 milhdes de litros de Bgua que o rio Xingu chega a descarregar por segundo, nos seus pi- ques de cheia. Mas uma gota d'8gua limpida, transparent e saudivel como costuma ser um precioso produto humane: a verdade. A Eletronorte, a subsididria da Eletrobrhs com jurisdiglio sobre toda a Amazinia Legal, regilio que ocupa quase dois tergos do territ6- rio national (embora a empresa mantenha sua sede em Brasilia, que faz parte do Centro-Oes- te), est8 em plena campanha. Pretende conven- cer a opinillo p6blica que s6 dois tipos de pes- soas podem tentar impedi-la de comegar ainda neste ano, antes de a administra~glo Fernando Henrique Cardoso chegar ao fim, a construcho da segunda maior hidrelttrica do pals: os mal informados ou os critics de m8-f6. Aparentemente a empresa tem razio. O impact ambiental que a hidrel~trica de Belo Monte poderia causar nito tem parade de di- minuir. A principio se imaginava que ela ala- garia 1.200 quil6metros quadrados de greas marginais no cursor m~dio do Xingu, no ParB. Hoje, a previsio 6 de que as Bguas represa- das do rio transbordem para apenas 400 km2. Essa jB 6 a Brea que o Xingu inunda em qua- se todos os periods de cheia natural, que ocorrem de seis em seis meses. A finica dife- renga seria que essa cheia se tornaria perene, niio permitindo mais que as gguas voltassem aos nfveis da vazante semestral. Com tal minimiza~gio, as families afetadas nito chegariam a quatro mil, a maioria delas estabelecidas em favelas de Altamira, a cida- de mais pr6xima da future usina. Essas Breas urbanas mais baixas ji slo alagadas pelas mai- ores cheias do Xingu. Apenas uma pequena aideia indigena poderia reclamar desse reser- vat6rio e dos demais efeitos da hidrelttrica. Mas esses efeitos poderiam ser mitigados por uma boa previslio de impact ambiental, que a Eletronorte jura estar tentando fazer atrav~s de uma funda~glo de pesquisa da Universidade Federal do ParB, contratada sem licitagio para fazer o EIA/Rima do projeto (e impedida de conclui-lo pelo Ministtrio P~blico Federal, que question na justiga a lisura, a eficicia, a legalidade e a legitimidade dos estudos, que- rendo anular o que jB foi feito para que o tra- balho comece a partir do zero). Comparada com a hidrel~trica Tucuruf, atu- almente a segunda maior usina brasileira de- pois de Itaipu, Belo Monte, que dever8 ultra- passar a grande barragem do rio Tocantins, pa- rece um sonho. Segundo os nbimeros da Eletro- norte, que construiu a primeira e pretend via- bilizar a segunda (passando-a depois B iniciati- va privada, devidamente assistida financeira- mente pelo BNDES e a Eletrobris), Belo Mon- te vai gastar apenas um tergo do concrete que foi empregado em Tucurui, a camped national do concrete. E Tucuruf tem uma capacidade de gera~gio de energia 50% menor do que a usina do Xingu. Cada quilbmetro a ser inundado por Belo Monte permitirb gerar 27,5 megawatts. Em Tucurui, essa relagIlo 6 10 vezes menor: cada km2 alagado s6 permit instalar 2,8 MWs. Belo Monte garantiria a partir de 2008, quando o cronograma da Eletronorte prev8 a instala~go da primeira de suas 20 mdquinas, o atendimento a toda a necessidade de consume adicional do Brasil (4 mil MW ao ano) durante tr~s anos, algo que s6 a duplica~gio do gasodu- to vindo da Bolivia poderia tender, como so- luglio alternative, ou oito usinas nucleares do porte de Angra II. A Eletronorte promete ainda que cada MWh instalado custarfi 12 d61ares, "o mais baixo do mundo". Boas m~dias em outras usinas ficam em torno de US$ 20 por MWh. Na esteira desses n~meros, a empresa ar- rasta outras grandezas equivalentes, suficien- tes para fazer de Belo Monte uma maravilha da hidreletricidade mundial. S6 espiritos de porco poderiam ser contra uma obra dessa qualidade. De fato, o desnivel de 90 metros que o Xingu sofre no cursor de apenas 50 qui- 18metros, em um trecho em que dB uma gran- de volta, se oferece como um present da na- tureza (ou de Deus) para quem quer converter massa de Bgua em energia mechnica. Mas, como quase sempre acontece na Amazinia, raramente o que parece, 6. O que se oferece simples esconde uma complexida- de surpreendente. Muitos pagaram prego amargo por essa lic;io. Os empres~rios ame- ricanos Henry Ford, no Tapaj6s, entire os anos 20 e 40, e Daniel Ludwig, no Jarf, entire as dtcadas de 60 e 80 do stculo passado, slio dois notiveis exemplos. Depois do desastre que provocou quando re- presou um rio pr~ximo a Manaus, formando no Uatumit um reservatdrio equivalent ao de Tu- curuf, que tem 2.875 quilbmetros quadrados, para possibilitar uma capacidade de geraglio de ener- gia, na hidrel~trica de Balbina, que represent apenas 5% do que nominalmente pode produzir a usina do Tocantins, a Eletronorte estaria se comportando melhor em relagilo ao inicio do aproveitamento energttico da bacia do Xingu, o 250 maior rio do planet, que drena 8%do terri- t6rio brasileiro? O amadurecimento habilita a empresa a enfrentar melhor, como nenhuma ou- tra, esse novo desafio? Desta vez a Eletronorte estL jogando limpo, oferecendo B opinilIo plibli- ca todos os elements de avaliaglio e julgamen- to, n"ao conseguindo a aprovagilo uninime (ou largamente majoritbria) porque adversirios mal intencionados do projeto nito o permitem? Se todas as respostas podem ser respondi- das afirmativamente, sem manipulagaes e en- godos, seria por inabilidade que a Eletronorte ainda nito venceu a batalha do convencimento? Apesar da campanha que vem fazendo, em to- dos os lugares nos quais pode marcar presenga e por todos os meios a que consegue ter acesso, as d~ividas se mantim. E att se adensam, na media em que a discusslio se aprofunda. Preocupada em cumprir um cronograma exageradamente apertado, que parece igno- JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE JUNHO 5 Quando comegou a ser construida, em 1975, a hidrel~trica de Tucurui, no rio Tocantins, a segunda maior do pais, abaixo apenas de Itai- pu, deveria custar 2,1 bilhaes de d61ares. Ao ser inaugurada, em 1984, seu orgamento jB ha- via alcangado US$ 5,4 bilhies. A Comissio Mundial de Barragens calcula que seu prego atualizado, att 2000, bateu em US$ 7,5 bilhies. Considerando a linha de transmission de ener- gia associada g usina, o valor sobe para US$ 8,77 bilhaes. HE quem estime esse custo em algo acima de US$ 10 bilhies. Para a Eletro- norte, portm, o ndmero official C de US$ 4,7 bilhies. Ou seja: menos do que o valor que ji estava apropriado em 1984, incluindo juros durante a constru~gio. Provavelmente essa con- ta de juros junto aos agents financeiros euro- peus, transferida para a responsabilidade da Eletrobris, ainda esteja em aberto. Quando apresentou no ano passado o pro- jeto consolidado para a construglIo da hidrel6- trica de Belo Monte, no rio Xingu, que deveri deslocar Tucuruf do segundo lugar e se tornar, ao final, a quarta maior usina de energia de fonte hidrica do mundo, a Eletronorte disse que a obra sairia por US$ 6,5 bilhies. Seriam US$ 3,7 bi- lhdes na hidrel~trica propriamente dita e US$ 2,8 bilhaes na linha de transmission, uma das maiores do mundo, com 3.300 quil~metros de extensflo, atC os grandes centros consumidores, no sul do pais. Na semana passada o president da Eletro- norte, Jos6 Antinio Muniz Lopes, anunciou um novo valor: agora Belo Monte estil orgada em US$ 5,7 bilhdes, 800 milhies de d61ares a me- nos do que no ano passado, uma boa economic de 12%. Mas a conta pode se tornar um bilhlo de d61ares mais leve, prometeu Muniz Lopes, acenando com a redu~gio do "linhilo" para US$ 1,7 bilhilo. Assim, em questilo de meses o cus- to de Belo Monte baixou de US$ 6,5 bilhies para US$ 4,7 bilhies, dos quais US$ 3 bilhbes na usina e US$ 1,7 bilhlio na linha de transmis- slio. Corte de 30%. Impressionante. Como o Brasil precisa acrescentar 4 mil me- gawatts a cada ano g capacidade instalada de geragilo para tender ao crescimento do consu- mo national de energia, nito haver8 quem se negue a apoiar o empreendimento proposto pela Eletronorte. Desde, naturalmente, que a empre- sa apresente suas planilhas de c~lculo e se sub- meta a uma auditagem das suas contas, que nem sempre podem ser devidamente apuradas, con- feridas e aprovadas. Precisardi demonstrar que, nito sendo sua conta apenas um efeito da varia- Fgi do clmbio, a quanto monta cada um dos itens de redugio reduglio ainda mais notivel porque obtida na fase de planejamento da obra - da UHE Belo Monte. Mas niio s6 em rela~glo is contas especifi- cas da usina. E necessfirio fazer uma checagem mais ampla do projeto. Quando exibiu ao pd- blico o orgamento inicial, de US$ 6,5 bilhbes (que jik seria um belo ndmero, se essa pudesse ser mesmo uma conta de chegada e niio apenas uma conta de partida da obra, com final impre- visivel, como acabou sendo Tucuruf), a Eletro- norte nito previa um acr~scimo, que agora 6 fei- to: a construgilo de uma usina tdrmica em Be- 16m, a capital do ParB, o Estado no qual a usina sera construida. Essa termel~trica irli gerar 1,5 mil MW (pouco menos de 15% da potincia nominal da hidrel~trica), com investimento de US$ 750 milhies. - Se essa termel~trica 6 obra complementary da hidrel~trica, o orgamento geral deixa de ser de US$ 4,7 bilhies. Sobe para US$ 5,45 bilhaes. Esse "detalhe", que represent um razobvel en- carecimento do projeto, niio foi destacado. Mas outros "pormenores" tambtm permanecem pen- dentes de esclarecimento. Por que instalar a usi- na tdrmica em Bel~m, que fica mais de 700 qui- 18metros a leste da future barragem? Seria para abastecer os consumidores pr6ximos, dos quais os principais seriam a populagilo da capital pa- raense e a fabrica de aluminio da Albris, a mai- or do continente? Ou seria para assegurar a ener- gizaglio da linha durante quase metade do ano, qjuando nenhum megawatt estarb saindo de Belo Monte por falta de 8gua suficiente no Xingu para permitir a usina produzir energia? Altm dessas di~vidas, ha uma outra questilo: quem construir Belo Monte teril que assumir a responsabilidade pela tdrmica de Bel~m? O fi- nanciamento para essa obra sera negociado como um pacote fechado, nas mesmas condigies? Seri seguido o esquema previsto pela Eletronorte, de privatizagilo da obra, mas com financiamento official e com participagilo da Eletrobris em at6 um tergo do capital da empresa particular que veneer a licitagIlo, passando ao mercado essas ag~es quando chegar a fase operacional? O perfil de Belo Monte s6 podera ser traga- do comn nitidez apbs a elucidaglio desses pon- tos. Mas ainda ha outros. A Eletronorte ji ad- mite que a potincia firme da usina sera inferior ao patamar international de viabiliza~gio da constru~gio de hidrel~tricas, que 6 de 50% da capacidade nominal de gera~glo. A potincia te- 6rica de Belo Monte, com suas 20 miiquinas, & de 11 mil MW, mas a energia firme sera de ape- nas 4,7 mil MW, ou 40%/ do maximo que ela sera capaz de gerar no pique de ver~io. Em quatro meses do "inverno" amazinico, o Xingu niio teril ggua suficiente para movimentar as gigantescas engrenagens das turbines, que pre- cisam de 700 mil litros de figua por segundo (a demand das 20 miiquinas 6 de 14 milhies de li- tros de Agua a cada segundo). Em outros dois meses a produglio de energia sera minima. Essa depleglio, portanto, afeta profundamente a m~dia. Belo Monte 6 realmente vi~vel sozinha ou necessita de outros barramentos a montante do Xingu? De inicio, para veneer traumas e resis- tincias do passado, a Eletronorte declarou que Belo Monte seria a linica hidrelttrica na regilio. Recentemente, rebatizou seu projeto para "com- plexo hidrel~trico". Mas sugeriu que a adoglo desse coletivo se devia a uma modificaqilo na engenharia do empreendimento: haverdi moto- rizaqIlo tambtm no vertedouro, a barragem se- cundiria a ser construida no inicio da curva fechada (ou Volta Grande) que o Xingu dB, a 50 quilbmetros do local onde surgir8 a barra- gem principal, assegurando dessa maneira o flu- xo normal de Bguas enquanto se constr6i, a seco, a casa de miquinas, rio abaixo. Por que moto- rizar essa barragem menor se ela vai acrescen- tar apenas 100 MW ao complex (ou 1% de sua capacidade nominal)? Niio sera esse um claro indicador de que Belo Monte seguir8 o mesmo rumo de Tucurui tamb~m neste aspect? A Eletronorte est8 nes- te memento elevando a cota operacional da bar- ragem do nfvel de 72 metros, que era o normal, para o nfvel (maximo maximorum) de 74 me- tros. Esse aumento de dois metros na firea do lago (que jit ocupa 2.875 km2) representara menos de 3% de adi~gio a potancia nominal da usina do Tocantins, ao custo de 30 milh?,es de reais s6 para o pagamento da indeniza~gio das benfeitorias dos lavradores que novamente pre- cisarlio ser remanejados da beira do lago. O dado maior, por~m, niio 6 esse: 6 ver pas- sar pelo vertedouro da barragem tanta Agua niio turbinada no inverno (a vazlio do rio podendo chegar att a 60 milhies de litros de figua por segundo. enquanto as necessidades da usina e assim mesmo apenas no memento em que esti- ver completamente duplicada, dentro de tris anos sertio de pouco mais de 11 milhbes de litros por segundo) e no verlio a escassez de Agua dei- xar a maioria das milquinas paradas. Dos 8,4 mil MW maximos, Tucuruf ficara com 3,3 MW mC- dios ao final da duplicaglio em cursor. Assim, outras barragens terilo que ser cons- truidas Xingu acima para elevar a potincia fir- me de Belo Monte, como certamente acontece- rB em relaglio a Tucurui. No Tocantins, a barra- gem que jB est8 engatilhada para cumprir essa funglio, de suplementar o reservatdrio de Tu- curui, impossibilitado definitivamente de cres- cer, sera a de MarabBt No Xingu, sera a barra- gem de Babaquara. A drea de inunda~gio sai do Lmbito dos sin- gelos 400 quilbmetros quadrados de Belo Mon- te e vai para seis mil quilimetros quadrados de Babaquara, mais do dobro do lago de Tucurui. E se na esteira de Babaquara vierem os outros apro- veitamentos inventariados pela Eletronorte no Xingu, o ndmero vai parar em 14 mil km2 (para uma expectativa de produglio de energia de 16 mil MW, mais do que Itaipu). A question ecold- gica e os impacts humans dos represamentos deixam de ser questaes acess6rias para serem itens essenciais na agenda de discusses sobre o que pretend a Eletronorte fazer no Xingu. Nestes parimetros, o debate sobre a expan- slio da frente energttica na bacia amazinica estil apenas comegando. Se a Eletronorte pretend mesmo langar a licitaglio de Belo Monte em agosto, como anunciou, pode estar langando-a sobre terreno inconsolidado. Qualquer barra- gista sabe muito bem o que isso significa. Nilo poderdi alegar desconhecimento no future. G JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE JUNHO/2002 A grandeza de Claudio SA Leal que o transformavam em fonte, eram ainda mais proveitosas. Pareciam libertii-lo de certas amar- ras, que, com o tempo, foram limitando-o. Apesar do poder de que desfrutou nesse perfo- do, ClBudio Leal sempre foi pessoalmente honest, exemplar no trato com dinheiro, modelar no desem- penho de responsabilidades que the eram delegadas pelo patrilo (acabando ate por exagerar no exercicio de tal delegaglio). Nesses aspects, 6 um caso raro na imprensa do ParB, em todos os tempos. Mas aos poucos sua cidadela comegou a sofrer os embates do tempo e a lenta corrosiio que lhe impunha o desempenho de cargo tilo poderoso, com o ode director de reda~gio do maior journal da Bahia para cima, o "Norte" do Sul monopolista. Comegou a nlio separar, com a clareza mantida at6 entho, os limits entire o jornalismo e o avango da political e dos interesses comerciais, embora seja precise sublinhar com infase: jamais tirou qual- quer proveito de algumas decisies pol~micas que adotou, envolvendo essas duas dimensies do as- sim chamado quarto poder. Era quase impossivel que tal nito ocorresse a uma pessoa que precisava equilibrar as duas ba- langa numa estrutura como a de O Liberal. Com a morte do criador do impirio, Romulo Maiora- na, tornou-se cada vez mais forte a tendancia ao desequilibrio entire os compromissos de manter bem informada a opinilio pidblica e as exig~ncias comerciais da empresa. Leal nio pade sustentar a paridade que precisava haver entire os compro- missos de um 6rglio da imprensa respeittivel e a compulsito para us8-lo mais em beneficio corpo- rativo do que para tender gs necessidades da opiniiio pd~blica. Orgulho-me de t&-lo acompanha- do quando iniciou, em 1973, uma empreitada edi- torial que daria densidade ao journal, e de haver deixado o barco, voluntariamente, quando esse produto comegou a ser desvirtuado e, comn o pas- sar dos anos, desnaturado. Chiudio Augusto de Sg Leal, por~m, resistiu a todas essas intempdries como aquela pessoa que, a despeito de diferengas e diverg~ncias, con- quista em n6s o que niio more nunca: o afeto intellectual, o respeito professional, a admira~gio que o bom trabalho provoca, como o bom com- bate, quando divergimos. E uma pena ele nbt ter tido a oportunidade de receber, em vida, a just homenagem que lhe foi pres- tada na morte, com o desacerto usual numa corpora- glio que se distanciara dos pan~metros por ele defi- nido. Costuma-se dizer em favor dessa omissio in- sanivel que o pr~prio Leal nlio gostava disso e ja- mais permitiria que tal homenagem lhe fosse feita. O argument, portm, 6 preguigoso, sonolento e c8modo. Leal recebeu com alegria e boa vontade estudante de comunicaqil social da UFPA, que a ele enviei com a missbi de colher seu testemunho, quando orientava trabalhos acad~micos. A resis- tincia era apenas momentinea e, quando muito, uma titica para preservar sua intimidade, attitude coerente com seu enorme pudor. Valia a pena for- gi-lo a encarar a tarefa necessilria e relevant - de assegurar que as geragies posteriores, jil des- providas de sua presenga ffsica, continuassem a se beneficiary de sua preciosa experiancia e de seus valiosos conhecimentos sobre o jornalismo e a his- tdria do Pard. Isidore Feldenstein Stone niio p8de ler o edito- rial o principal da pigina de opinibi que o mais influence journal do planet, o The New York Times, lhe dedicou em 1989, reconhecendo-o como o mais important jornalista de todos os tempos nos Esta- dos Unidos; e, provavelmente, no mundo. O edito- rial foi escrito no dia em que I. E Stone morreu, depois de dedicar grande parte da sua vida a escre- ver, sozinho, um pequeno semandrio (depois quin- zendrio) alternative, o I. E: Stone's Weekly. A tira- gem maxima da newsletter de oito piginas, em for- mato oficio, ao long dos seus 19 anos de circula- gli, nbi foi altm de 30 mil exemplares. Mas seu impact era inversamente proporcional ao seu ta- manho. Daf o reconhecimento, ainda que p6s-mor- te, do NYTao David de papel, que enfrentara alguns dos monstros (sagrados ou nbt) do establishment americano, inclusive o diirio novaiorquino da famf- lia Sulzberger, com sua funda jornalistica. ClBudio Augusto de SE Leal morreu, no mbs passado, privado do mesmo prazer: ver sua foto pela primeira vez na primeira pigina de O Libe- ral, journal ao qual dedicara quase 30 anos dos seus 72 anos de vida, merecendo um raro editori- al na capa (a mesma capa que havia abrigado, por algum tempo, pequenos editorais, os sueltos, es- critos por ele) e toda uma pigina internal a enalte- c&-lo como o mais important jornalista do Pard nas lilltimas cinco dtcadas. Essa importincia niio podia ser media com clareza e exatidlio pela leitura dos textos que re- gistraram o desaparecimento de Leal, vitima de um cancer que combateu com &xito nottivel, re- sistindo g doenga por mais de 12 anos. As matdri- as, tanto as redacionais quanto as manifestagies de entrevistados, nio especificavam em que con- sistia a relevincia da contribuigio do morto & imprensa paraense. Limitavam-se a juntar casca- tas de elogios fliceis ou repetir uma ret6rica que costuma mais servir de escada ao homenageador do que de reconhecimento g grandeza do home- nageado (num certo artigo chamado a convalidar, jB morto, fato at6 entbi in~dito). Uma resposta mais satisfat6ria deveria ter sido obtida atravts da observaglio das pessoas que com- pareceram ao adeus a Leal. Eram quase todas jor- nalistas, de viirias geragies, subordinados e apren- dizes em algum period de suas carreiras do anti- go chefe de redagIlo, vitimas is vezes do seu mau humor ciclico, mas beneficiirias do seu amplo co- nhecimento, transmitido nito em aulas ret6ricas ou tedricas, mas na forja do fazer, na escola do cotidiano, ainda a melhor em mat~ria de jornalis- mo. Jornalistas que participaram do dia-a-dia de um journal partilharam com Leal um dos maiores prazeres que pode ter um professional, niio ape- nas no jornalismo, mas em qualquer dos mi61ti- plos oficios humans: o fechamento da edigilo di- Aria de um journal. Era nesse memento que Clindio Augusto de Sg Leal, nome de diplomat empenhado bissexta- mente com o direito, revelava sua maestria. Sem nenhum rango de provincianismo, ele pode ser con- siderado um dos maiores jornalistas de retaguarda da imprensa brasileira modern. O titulo se aplica a profissionais que sabem "fechar" uma edigio, dando-lhe um desenho adequado na capa, impon- do-lhe uma boa marca visual (que se encaixa har- moniosamente na membria), hierarquizando ade- quadamente as mat~rias, transmitindo-as com cla- reza e suficibncia informative. Madrugada chegando, na fase anterior ao ritmo acelerado imposto pela escala industrial crescente, ou noite avangando, em period mais recent, de circulagio antecipada, os que tiveram o priviltgio de concluir a edigio do jornal com Cliudio Leal par- tilharam com ele uma experiincia enriquecedora e o verdadeiro prazer de um trabalho criativo. Homem da cozinha da redaglio (e dos seus bas- tidores tambbm), Leal nunca teve um texto brilhante e fez raras incursies pela linha de frente. S6 no inicio da carreira andou trabalhando na reportagem. O que fazia bem, como poucos, era orientar a pau- ta da reportagem, para dar-lhe atualidade e consis- tincia, submeter os textos a um verdadeiro crit~rio de qualidade, ordenar a edi~go e espicagar a criati- vidade da equipe, altm de ser uma refer~ncia para as frentes avangadas da reda~glo nas ruas (e, sobre- tudo, em misses de enviados especiais). Homem discrete e timido, Leal seguia uma ro- tina invaritivel, que seria massacrante ou mesmo mortal para um professional da information, se ele nbi fosse guiado por uma curiosidade insaciivel, um apurado instinto dos fats e uma preocupagilo com a qualidade incomum em sua gera~gio (e, em grande media, atC hoje). Seu roteiro didirio pouco various durante as cinco d~cadas de trabalho (Su- nab-Pedro Carneiro-A Provincia do PartilO Libe- ral), nito lhe possibilitando checar pessoalmente o que acontecia fora desse lumbito. Mas era como se fosse a todos os lugares atra- v~s dos rep6rteres, das fontes e dos amigos, aos quaisformulava suas perguntas na said edosquais sugava o que haviam obtido, no memento da che- gada. Como tinha na cabega uma vasta matriz de entendimento e contextualizagilo, o preenchimen- to dos claros desse quadro de refer~ncia pela mat&- ria prima que lhe chegava garantia sua perene atu- alizagli, habilitando-o amanter-se B frente de qual- quer redagilo (e do seu tempo). Infelizmente, Leal nbi foi altm da arena para- ense. Poucas vezes saiu do ParB, nunca para traba- lhar em centros maiores, mais exigentes, melhor qualificados, onde o didlogo lhe permitiria crescer ainda mais. Manteve-se intramuros nbi por receio de enfrentar desaflos, mas por temperament. Mes- mo sintonizado com o que ocorria fora do seu res- trito circulo de atuaqio, haveria de sofrer algumas das seqilelas do isolamento e do provincianismo. Se tivesse tido a iniciativa de seguir em frente, certamente a histbria do jornalismo lhe teria dado o reconhecimento que ele merecia, de um dos mais competentes profissionais do setor em todo o pals, bem melhor do que algumas das estrelas que cos- tumam ser colocadas no firmamento da midia, por compadrio ou emulagil. Mas quem vinha dos grandes centros, de pas- sagem ou para voltar a se estabelecer em Bel~m, encontrava em Leal um interlocutor ansioso por receber as novidades, mas exigente o suficiente para questiond-las, Bs vezes por azedume, gs ve- zes para testar a consistincia do mensageiro. Por suas qualidades, Leal sempre foi uma refer~ncia, niio apenas do (e no) jornalismo paraense, mas de toda a vida pliblica no Estado. Quando travadas fora das fronteiras da redag~io, essas conversas, JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE JUNHO 7 Tal beneficio poderia ser obtido atravbs de um livro com o depoimento de (e sobre) Leal, ele vivo para receber a prova da nossa gratidbt, afeto e ca- rinho. Porque, como dizia o maior poeta popular da miisica brasileira, Nelson Cavaquinho, depois que a gente vira saudade o que interessa para quem se foi 6 a paz. A just paz que deve ser o c6digo da viagem eterna do grande jornalista CI~udio Augusto de Sg Leal at6 o destiny que lhe cabe: a hist6ria. umru Esta A Companhia Vale do Rio Doce 6 respons8- vel por 16% do Produto Interno Bruto do ParB, o segundo Estado em tamanho (com 1,2 milhilo de quil~metros quadrados)e o nono em populagilo (com mais de seis milh~es de habitantes) do Bra- sil. No final desta d~cada, essa participagilo po- der8 se aproximar de um tergo do PIB paraense. Em nenhuma outra unidade da federagilo uma 6nica empresa pesa tanto na economic estadual. A CVRD fatura, no ParB, muito mais do que o pr6prio governor estadual. Dos seus 60 anos de vida, a Vale tem metade - ou 33 anos no ParB, um dos nove Estados brasi- leiros nos quais atua, jB o segundo em importin- cia, abaixo apenas de Minas Gerais. Mas 6 o pri- meiro em receita de exporta~gio e aquele no qual a CVRD mais vem se diversificando. A Vale se esta- beleceu no Pard em 1969, para se associar g Uni- ted States Steel, a maior siderbrgica americana, na exploragilo das jazidas de mindrio de ferro de Ca- rajis, descobertas pela multinational dois anos antes e, at6 entlio, sob seu control exclusive. A USS se retirou de Carajis oito anos depois, mas a CVRD continuou, sozinha. Carajis viria a se revelar a maior provincia mineral do planet. Transformou-se no principal p61o de exporta~gio de ferro do pais, garantindo 15% de toda a necessidade de mindrio do Japio, seu principal client. Tamb~m 6 um expressive centro de exportaglio de manganis e ouro. Mas a Vale diversificou suas atividades no ParB como em nenhuma das suas bases: associada a v~rias multinacionais, detim o comando da maior mina de bauxita do mundo, da maior fibrica de alumi- nio do continent e de um p61o de alumina e cau- lim de representatividade international. Agora est8 iniciando a segunda geraglIo de mintrios em Carajis, com cinco projetos de cobre que podem colocar a provincia como um dos trs ou quatro mais importantes produtores mundiais. Gragas a essa nova frente, seu faturamento annual no Estado ird passar de trQs bilhaes de d61ares, 50% a mais do que a conta atual do comtrcio exterior paraense, a sdtima maior em volume e a segunda em saido de divisas do Brasil. Apesar de todos esses ndmeros eloqiientes, a Companhia Vale do Rio Doce nito 6 amada pelos paraenses. Quando niio 6 desconhecida ou mal co- nhecida, 6 criticada ou mesmo odiada. Em Serra Pelada, no inicio da ddcada de 80, quando ali fun- cionava o maior (ou o mais famoso) garimpo de ouro do mundo, ela era conhecida como "a gata". Aproveitando o clima hostile 1 empresa, seus ini- migos conseguiram convencer os garimpeiros que ela s6 era national na apar~ncia. Por baixo dos panos, era uma multinational. Cercada de minei- ros por todos os lads, 6 claro, uai. Por isso, o economist Armando Mendes su- geriu que o nome da CVRD mudasse para Compa- nhia do Vale do Rio-Mar Doce, numa refer~ncia ao nome de batismo da regibi pelos espanhbis qui- nhentistas. Afinal, a Amazania haveria de se tor- nar mais important para a companhia do que seus locals de nascimento e crescimento, Minas Gerais e Espirito Santo, por cujos territbrios correm (ou tentam correr, vencendo o assoreamento provoca- do pelas derrubadas de floresta) as gguas do outro- ra deslumbrante rio Doce. Quando a Vale foi privatizada, em abril de 1997, era previsivel que a mudanga iria influir poderosa- mente sobre o ParB. O governador Almir Gabriel, correligion~rio tucano do president Fernando Henrique Cardoso, um social-democrata de tradi- Fgio na drea de saidde p6blica, vinha se manifestan- do discretamente contra a venda da estatal. Mas guardou silbncio obsequioso quando a transaglo se consumou. Seus assessores garantem nio ter havido nenhum cala-boca. Nem politico, de Brasf- lia, nem econbmico, na forma de adiantamento de recursos pela empresa por conta de diferimento de ICMS pelo Estado. Com seu porte incomum, a CVRD, quando estatal, desempenhava no ParB a fungilo de agin- cia de desenvolvimento, espelhando e expres- sando as mutag~es da political federal para a Amaz~nia, ora em memento de aproxima~gio, ora de distanciamento. Transformada em empresa privada, ainda nito estabeleceu um novo status de interlocu~gio no Estado, se 6 que niio apro- veita esse vicuo para praticar uma political de fats consumados, estabelecidos de cima para baixo, a partir do aumento da centraliza~gio in- terna de mando. A expansito das atividades da CVRD no Pard no li1timo qilinquiinio coincidiu mas nito por acaso com os excepcionais resultados finan- ceiros e operacionais no period. Depois de ba- ter record atris de record, tanto de produgio quanto de faturamento e de lucro, a direglio da Vale julga ter encontrado o modelo adequado para consolidar-se como empresa definitivamen- te amadurecida, a primeira multinational brasi- leira rigorosamente falando. Julga haver criado dentro da corporal "uma cultural voltada para o desempenho", conforme acentua seu president, Roger Agnelli, na mensa- gem aos acionistas, inserida no balango de 2001, divulgado no mis passado. O lucro do exercicio anterior, de trs bilhies de reais, foi o maior obtido por uma empresa privada, superior em 41% ao de 2000. Desse total, R$ 1,7 bilhilo foram distribuf- dos aos acionistas, proporcionando um retorno so- bre o patriminio liquid numa taxa impressionan- te: de mais de 25%. Esses resultados devem ter provocado estou- ro de muito champanhe na sede da companhia, no Rio de Janeiro. Mas os ecos desse excepcional desempenho niio parecem chegar ao sertlio, onde estlio algumas das principals bases da Vale. No mis passado, num seminirio realizado em Mara- bd, duras critics foram feitas B conduta (consi- derada colonial) da cmpresa, que continuaria ex- plorando os recursos naturals da regibl, sem in- duzir a retenglio da renda gerada, indiferente g mis~ria que se espraia a partir do lado de fora dos seus mega-projetos, em Caraj~s. Um dos casos mais exemplares desse proce- dimento pode ser visto diariamente na estagilo de passageiros da ferrovia de Carajis. Dezenas de imigrantes, na sua esmagadora maioria maranhen- ses, desembarcam em MarabB sem portar um 6ni- co document de identificaqilo. Niio-indentifica- dos sobem nas esta95es do Estado vizinho e na mesma condigilo chegam ao ponto de origem. Criminosos se aproveitam da franquia para procurar novo domicilio para seus delitos e pessoas "de bem" slio despejadas na margina- lidade pelo simples fato de que nito possuem qualquer document que as habilitem a dis- putar um emprego regular. Um ato primirio de control, praticado em qualquer aeroporto e mesmo em estaq~es rodovibrias 6 ignorado ao long da ferrovia de Caraj~s, cruzando, em seus 870 quil8metros de extensilo, uma das Breas mais pobres do Brasil. MarabB 6 particularmente maltratada por essa situaglio. As minas em atividade, que proporci- onam royalties, ficam em municipios que surgi- ram de desmembramento a partir da unidade- mile. Mais important municipio de toda a re- gitio, MarabC perdeu renda e territ6rio com essa pulveriza~gio e ficou com os restos do banquet, na forma de migrants miseriveis, desprepara- dos profissionalmente ou vinculados a uma es- trutura de crimes para a qual servem como veto- res de marginalidade. Enquanto o acionista do process que detona essas condigaes recebe cada vez mais dividends (teve de volta um de cada quatro reais imobiliza- dos no patriminio Ifquido da empresa, que, com suas controladas, tem um ativo de R$ 26 bilhaes), os cidadlios que sofrem os efeitos dessa dinimica estlio cada vez mais entregues g pr~pria sorte. Naturalmente, a pergunta que se segue 6 6b- via: se a CVRD conseguiu total defini~gio como empresa privada nesses cinco anos p6s-privatiza- glio, tornando-se a mais lucrative empresa brasilei- ra, qual o peso da sua responsabilidade social? Para um faturamento bruto de mais de R$ 11 bilhaes e um lucro de R$ 3 bilhi~es no ano passa- do, a empresa investing R$ 55 milhies no chamado "quarto setor" (meio ambiente, educaqilo, cultural e qualificagli de mbi-de-obra), sendo que parte dessa aplicaqio teve por objetivo n~io contribuir para o aperfeigoamento da cidadania, em tese, mas aumentar o rendimento produtivo. Essa rela~gio (de 1% on 2% em "investimento social") diz muito sobre o conteddo social dessa efici~ncia empresarial e ajuda a explicar essa es- picie de ressentimento do native em relacgio auma empresa que tem, em seu Estado, peso que nbt encontra paralelo em nenhum outro ponto do ter- rit6rio national. Bem sugestivo que as critics do mis passado tenham sido feitas no antigo Cine Marrocos, de Marabi. O prddio foi restaurado com recursos da CVRD. A propbsito, talvez fosse conveniente.pro- gramar para breve, em sua sala, o premiado fil- me de Glauber Rocha, "Deus e o Diabo na Terra do Sol". Nilo faltariam aos espectadores moti- vos diante de seus olhos para a confirmaglio des- sa alegoria do finado Cinema Novo. imprensa T oL In XU~OQ BQDI em feve- unaor man servi- o, reiro de 1965, 6 um deta- llii bl aF lhe: um Cambrkda banco na- }lllk e cional (e, no caso, IIIB 811 A61 interna- dollfl ~lllnl. ( sul ciona 1) Iilil nlllnlllli SS. abrindo uma ag~n- cia no interior do ParB. O Banco Comdrcio e Indbstria da Amdrica do Sul ia atris dos seus melhores clients: os japoneses que plantavam pimenta-do-reino em TomC-Agu, uma das prin- cipais cultures agricolas do Estado. Hg muitos anos a 6nica noticia que se tem 6 de fechamen- to das poucas agencias que funcionam pelos rin- cdes paraenses, por onde os richess" apenas transitam: entire sua fonte de riquezas, no interi- or, e o lugar para o qual transferem seus rendi- mentos, no literal ou altm-mar. No traditional parasitismo da concentraglio renda, que coloca o Brasil no primeiro lugar mundial. Jomnal Pessoal Editor: Ljcio FI6vio Panto* Fones: (091) 241-7626 Contato: TV.Benjamin Constant 845/203/66.053-040*e-6mail: ]omaleamazoncom br Produgdo: Angelim Pinto EdilCo de Airte: Luizantoniodefariapinto Tr AnsitO O primeiro sinal luminoso de trlnsito de Bel~m foi instalado em margo de 1962, no cruzamento das avenidas Generalissimo Deodoro e Nazard. O &xito da experi~ncia levou a DET (Delegacia Estadual de Trin- sito), antecessora do Detran, a pro- gramar a instala~gio de sinais, auto- miticos e manuals, para mais 100 pontos de cruzamento de veiculos na cidade. O control deixava de ser fei- to pelo popular (ou impopular, con- forme a circunstincia) "sinaleiro", que trajava uniform claro e portava um vistoso capacete. Passaria g competin- cia (ou incompet~ncia) das miquinas. SorriSOS Os "Dez mais belos sorrisos da Cidade Morena" em 1963, confor- me a escolha feita pelo colunista social Wilkens, da Folha Vesper- tina, foram os de Cila Kabacznik, Maria Jos6 Silva, Ana Maria Anaissi, Sime Bohadana, Gilka Silva, S~nia Maria Malcher, San- dra Ferreira da Silva, Maria Rai- munda Azevedo e Idalina Brasil. Une Em maio de 1963 a equipe volan- te do Centro Popular de Cultura da Uniho Nacional dos Estudantes, com 12 atores e cinco diretores, passou por Beltm. Aqui, em session gratuita, rea- lizada no Cine-Teatro Palicio (ocupa- do atualmente pela igreja do bispo Edir Macedo), o CPC da Une exibiu os fill- mes "Barravento", de Glauber Rocha, e "Couro de Gato", de Joaquim Pe- dro de Andrade, que~ ainda nIio esta- vam consagrados. Jg no Cine-Teatro Paramazon (na Travessa Piedade), a apresentagilo foi da pega teatral "Fi- lho da Besta Torta do Pajedi", de Odu- valdo Vianna Filho, dirigida por Car- los Kroeber, que tratava do problema do camponds bras~ileiro. Os aplausos das plat~ias foram generosos em to- das as ocasi~es. Aldm dos espeticulos, o pes- soal da Une foi a virias faculda- Sdes da Universidade do Pard para discutir "os problems que afligem o ensino superior" da capital para- ense e, sobretudo, a Lei de Dire- trizes e Bases. os encontros rece- beram "grande aflu~ncia". IMel hereS Atrav~s de sua coluna "Vida Universitbria", publicada na Folha do Norte, Cicef o Cantuiria esco- lheu as personalidades de 1964 na Universidade Federal do Pardi, de- pois de "criteriosa enquite". A per- sonalidade do ano foi o reitor, Jos6 da Silveira Neto, entire cujas reali- zag8es destacou a entlio recent aquisiglio "de toda a irea destinada ao Nticleo Universitbrio, primeiro pass para a realiza~gio desse so- nho muito carol da Amaz8nia". Melhor director: Octivio Casca- es, de Educagli e Ensino. Melhor secretirio: D~rio Guerreiro de Le- mos, secret~rio da Escola Superior de Administragloe professor deIn- trodugli B Ciincia do Direito. Me- lhor catedritico: Otivio Mendon- ga, da cadeira de Hist6ria da Facul- dade de Filosofia e tamb~m da Fa- culdade de Direito. Melhor instra- tor: Milciades Braga, da cadeira de Geografia Econ~mica da Escola de Administraglio. Melhor aluno: Joio Antinio Moreira Bastos, do cursor de Ciancias Econ~micas. Melhor president de diret~rio: Antinio Roberto Pinto Guimarlies, do Di- ret~rio Academico de Engenharia. Melhor semana acad~mica: a pro- movida pelo Diret6rio Academico de Farmicia. A mais bela universi- tiria: Maria Stela Cardoso, da Fa- culdade de Direito. Destaque: Es- cola de Teatro da UFPA (cuja sigla era, na 6poca, apenas UP). Vencedora Iracema Trindade Baker, filha de Joio Baker, que por muitos anos cheflou os servings R, telegrfificos dos Correios em Be- 16m, talvez tenha sido a primeira paraense a se former num cursor de jornalismo. Conquistou o laurel em 1964, no Rio de Janeiro, depois de estagiar na reda~gio do journal O Globo. Saiu-se tiio bem que se tor- nou assistente de um dos diretores da empresa, Rog~rio Marinho, ir- miio de Roberto, o future todo-po- deroso. Falando fluentemente o ingl~s, o francs e o espanhol, Ira- cema "tencionava enveredar na carreira diplomitica", mas acabou optando pelo jornalismo. A nota que registrava seus fei- tos nbt deixava de assinalar: era mais um "paraense vencendo no sul". Banco O Banco do ParB, presidido por Oscar Faciola, foi adquirido pelo Banco do Estado de Silo Pau- lo (Banespa), no inicio de 1966, por 1, I bilhilo de cruzeiros, na moeda da Cpoca. A moderniza~gio compuls6ria, com centralizaglio de poder e concentra~gio de renda, aplicada pela dupla Octivio Gou- veia de Bulhies-Roberto Campos acabava comn os bancos locals. ca ~ O notivel nesta pega, vel- culada na o ETRATO Futebol Niio sou Paissandu, mas tambbm nhio me lembrou mais se continue a ser Remo. Como, de qualquer maneira, as paixdes futebolisticas pertencem a um passado que jB vai long, permi- to-me homenagear a cristalina primazia do "Papbi da Curuzu" no atual futebol paraense. Vai af a "artilharia" do Paissandu no inicio de 1956, os cinco integrantes do ataque que tinham a acaciana missio de atacar, algo que hoje se tornou confuse diante de tantas titicas e neologis- mos: Nonatinho, Meia-Noite, Luciano, Laxinha e Cacettio (este, o aristocritico Norman Per- cival Joseph Davis, um dos personagens mais sugestivos do esporte daquela 6poca, cujos desempenhos variavam entire o sublime e o ridicule no cursor de uns poucos minutes de jogo). Nessa Cpoca, a roupa que cobria o corpo (ou uniform) era simples. O que interessava era o que ela cobria. Mas, paradoxalmente, a quantidade de atletas que jogavam em fungio da camisa envergada era incomensuravelmente maior do que hoje. O que justifica uma ponta de saudosismo nesta homenagem ao Paissandu adversirio. n/EMOrRIA DO C)TIDIANO I UBLICIDADE PACPacACAo Tenso a Weases de participa ia AiutDridades, Cientes a m ob &nmu~w~~ro~ Agnc-z dia ]S5 do onnes, as |
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